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Resumo. Os mapas conceituais são ferramentas que promovem a aprendizagem significativa no ensino de Biologia, o principal objetivo dos mapas conceituais é promover ambientes de aprendizagem significativa e a colaboração entre os alunos. Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar aspectos da aprendizagem significativa nas aulas de Biologia de alunos do ensino médio através de mapas conceituais. Um bom mapa caracteriza-se por um entrelaçamento das ideias do conteúdo abordado condizentes aos conceitos estudados. 1. Introdução Os mapas conceituais são ferramentas que promovem a aprendizagem significativa no ensino de Biologia, segundo o autor Moreira (2011), são diagramas que indicam relações entre conceitos, sua existência deriva da estrutura conceitual de uma disciplina ou de um corpo de conhecimentos. O principal objetivo dos mapas conceituais é promover ambientes de aprendizagem significativa e a colaboração entre os alunos. Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar aspectos da aprendizagem significativa nas aulas de Biologia de alunos do ensino médio através de mapas conceituais. Neste trabalho, apresentamos os mapas conceituais construídos pelos educandos durante as aulas de Biologia, envolvendo diferentes conteúdos, como Citologia e Metabolismo Energético (1° ano), Seres Vivos (2° ano) e Genética (3° ano). Na construção de um mapa conceitual, o aprendiz elucida quais os conceitos mais relevantes e quais as suas conexões em um corpo de conhecimento. Os Mapas não precisam ter um tipo de hierarquia. Por outro lado, sempre deve ficar claro no mapa quais os conceitos mais importantes e quais os

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secundários ou específicos. Um bom mapa caracteriza-se por um entrelaçamento das ideias do conteúdo abordado condizentes aos conceitos estudados (MOREIRA, 2000). O uso de mapas conceituais se configura como uma estratégia pedagógica consistente com a teoria da aprendizagem significativa do teórico David Ausubel, citado em Moreira (2011), além de se apresentar como uma possibilidade no ensino de Biologia. Segundo Moreira (2010), trata-se basicamente de uma técnica não tradicional de avaliação que busca informações sobre os significados e relações significativas entre conceitos-chave da matéria de ensino segundo o ponto de vista do aluno. Os mapas conceituais serão úteis não só como auxiliares na determinação do conhecimento prévio do aluno, mas também para investigar mudanças em sua estrutura cognitiva durante a instrução. 2. Materiais e Métodos Este trabalho vem sendo desenvolvido nas aulas de Biologia, nas turmas dos 1°, 2° e 3° anos do Ensino Médio Integral e Regular, no ano letivo de 2017 no Colégio Estadual Professor Hamilton Alves Rocha, no Conjunto Eduardo Gomes, no bairro Rosa Elze. A metodologia do trabalho vem sendo realizada nas seguintes etapas: levantamento do conhecimento prévio do aluno, pesquisas interdisciplinares na internet, textos didáticos e paradidáticos sobre os conteúdos estudados em sala de aula abordando temas contextualizados, exposição dos mapas nos corredores da escola, com os principais conteúdos curriculares como: Citologia e Metabolismo Energético (1º ano), Seres Vivos (2º ano) e Genética (3º ano). Os mapas conceituais confeccionados não seguem orientações padronizadas, os materiais inicialmente utilizados foram lápis de cor e folhas de papel oficio, nos


mapas, orientamos, apenas quando possível, conectar ideias primárias, secundárias, terciárias dos conteúdos envolvidos e quantos forem necessários. A partir das confecções dos mapas conceituais nos cadernos dos educandos, começou-se a transpor os mapas para as cartolinas coloridas, pois à medida que o conhecimento se torna mais complexo, mais pontes cognitivas são capazes de serem feitas pelos alunos, com o passar da prática educativa de confecção dos mapas, os espaços dos cadernos ficaram pequenos para tantas conexões. 3. Resultados e discussão Por fim, a análise dos dados foi feita por meio das observações da complexidade dos conceitos abordados e mais destacados nos mapas elaborados pelos educandos. Os mapas conceituais inicialmente eram construídos de forma pequena, tímida e, com o passar do tempo, os alunos foram adquirindo maiores habilidades e, chegando ao final do trabalho, sendo confeccionados em papel madeira, cartolina, papel cartão, folhas de isopor. Adquiriram a complexidade esperada e foram inúmeras as conexões feitas, tornando o conhecimento estudado na disciplina de Biologia cada vez mais interdisciplinar e contextualizado. Nessa pesquisa, os mapas se mostraram como uma ferramenta opulenta, indicando suas relações entre os conceitos e evidenciando a existência da estrutura conceitual de um corpo de conhecimento, promoveram ambientes de aprendizagem significativa e a colaboração entre os alunos, apresentamos nesse trabalho os mapas conceituais construídos pelos educandos durante as aulas de Biologia, envolvendo

diferentes conteúdos, como Citologia e Metabolismo Energético (1º ano), Seres Vivos (2ª ano) e Genética (3º ano). Na construção de um mapa conceitual, o aluno mostrou quais os conceitos mais relevantes e quais as suas conexões em um corpo de conhecimento. Ficou claro nos mapas elaborados quais os conceitos mais importantes e quais os secundários ou específicos. Um bom mapa caracteriza-se por um entrelaçamento das ideias do conteúdo abordado condizentes aos conceitos estudados e foi notável a evolução na construção dos mapas com a prática da ferramenta. Os mapas conceituais foram auxiliares na determinação do conhecimento prévio do aluno e também serviu para averiguar as mudanças na estrutura cognitiva do aluno. 3.1 Confeccionando os mapas conceituais Os mapas conceituais foram confeccionados pelos alunos inicialmente com orientação do professor. Os primeiros mapas para apresentação da técnica foram feitos no quadro negro com giz (figura 01), foram feitos em torno de 5 mapas com a orientação direta do professor, em seguida os alunos foram ganhando autonomia e confiança e foram elaborando em grupos, trios, duplas até começarem a confeccionar individualmente (figura 02). Inicialmente, tivemos um pouco de rejeição por parte de aproximadamente 10% dos alunos, pois acreditavam ser complexos demais, mas no final, todos aprovaram a técnica. E relatam: “Os mapas fazem com que nós aprendamos mais rápidos os conceitos de Biologia” (aluno E. F. B. do primeiro ano, turma A).

Tabela 01- Médias das conexões de conceitos

Análise da Complexidade

Bimestre 01

Bimestre 02

Mapas 01

3,2

3,2

Mapas 02

4,3, 2

5, 6

Mapas 03

5

8, 9

Paulo: Editora Livraria da Física, 2011.

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Figura1. Mapa conceitual elaborado pelos alunos coletivamente (Fonte: arquivo pessoal).

inúmeras as conexões feitas, tornando o conhecimento estudado na disciplina de Biologia cada vez mais interdisciplinar e contextualizado. Nesse trabalho, o aluno mostrou habilidades de evidenciar conceitos relevantes, conexões e significância nos conteúdos estudados nas aulas, essa ferramenta destacou entrelaçamentos das ideias significativas dos conteúdos abordados condizentes aos conceitos estudados e foi notável a evolução na construção dos mapas com a prática da ferramenta. Os mapas conceituais foram essenciais na determinação do conhecimento prévio do aluno e também serviu para apurar as mudanças na estrutura cognitiva em todo o processo educativo. Referências MOREIRA, M.A. Aprendizaje significativo: teoría y práctica. Madrid: Visor, 2000. MOREIRA, M.A. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. São Paulo: Centauro Editora, 2010. MOREIRA, M.A. Aprendizagem significativa: a teoria e texto complementares. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2011.

Figura 2. Mapa conceitual elaborado pelos alunos individualmente (Fonte: arquivo pessoal).

Conclusão Trabalhar com mapas conceituais favorece pontes cognitivas, pontes entre subsunções e aumenta a capacidade cerebral de absorção de conhecimentos, favorecendo a verdadeira aprendizagem significativa dos alunos. A observação da complexidade dos conceitos abordados e mais destacados nos mapas elaborados pelos educandos pode comprovar a existência da evolução no processo educativo do aluno. Assim, foi possível no final do processo observar a complexidade esperada e foram

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Resumo. O presente trabalho foi desenvolvido com os alunos do Ensino Fundamental e Médio do Colégio Estadual Arabela Ribeiro, em Estância/SE. Tendo como objetivo resgatar a valorização do patrimônio escolar pela comunidade local. Foram realizadas atividades de pesquisa, produção textual e artística que reportaram os alunos ao contexto histórico de sua escola e ao reconhecimento dos sujeitos que fizeram parte deste processo. 1. Introdução Todo patrimônio, seja ele de natureza material ou imaterial, está intimamente relacionado ao processo de formação da identidade de uma nação ou de um indivíduo. Dessa forma, a preservação e valorização de bens públicos ou privados fazem-se necessárias para manter viva a memória de um povo ou até mesmo de uma comunidade, pois como afirma Magalhães (2009), os bens patrimoniais estão vinculados com sua origem e com um passado que não cessa e que é sempre presente. Resgatar a história da sua própria escola e a importância que ela tem na formação de gerações e no desenvolvimento da comunidade local é fundamental no processo de identificação do aluno com a escola. Alunos e comunidade precisam ser envolvidos em ações e atividades que despertem atitudes de preservação e respeito à escola e a tudo aquilo que lhe pertence. Para tanto, a educação é a principal ferramenta de transformação, desencadeando um processo de desenvolvimento do ser humano na sua capacidade intelectual e moral, afinal, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela a sociedade não muda” (FREIRE, 2000, p.31). O Colégio Estadual Arabela Ribeiro, situado no Bairro Bonfim, uma das localidades de profundo valor econômico e cultural de Estância-SE, tem sido alvo de

ações de depredação e vandalismo, um grande problema presente nas escolas públicas. Na maioria das vezes, essas práticas desastrosas e que geram gastos ao poder público partem daqueles que deveriam ter o maior interesse pela preservação da escola e dos seus bens, os próprios alunos e moradores do entorno da unidade escolar. Associado a este problema, a falta de identidade com a escola e do sentimento de pertencimento em relação à mesma tem provocado evasão e até mesmo migração de muitos alunos para escolas de outros bairros. Diante desse contexto, o objetivo do presente trabalho é fazer com que os alunos e os moradores do entorno do Colégio Estadual Arabela Ribeiro possam reconhecer a história desta escola dentro da história do próprio bairro e da história das pessoas que ali vivem, despertando a identificação com a escola e o desejo pela preservação do espaço escolar e de seus pertences para benefício de todos e das futuras gerações. 2. Materiais e métodos O projeto foi desenvolvido no Colégio Estadual Arabela Ribeiro no período de março a julho de 2017. Foram envolvidas nas atividades todas as turmas do Ensino Fundamental e Médio. A primeira etapa do projeto foi a realização de uma oficina em sala de aula: “A escola que tenho versus a escola que desejo”. Através desta atividade realizada em pequenos grupos, os alunos puderam discutir e apresentar o que pensam sobre a escola e também refletir como podem contribuir para que ela se torne um lugar melhor. O resultado do que foi discutido e apresentado durante a oficina foi exposto em um Jornal Mural produzido pelos próprios alunos. Após esta atividade, foi realizada uma conferência escolar denominada “O

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Arabela na minha história”. Os discentes foram reunidos no pátio e os representantes das turmas foram à frente apresentar sugestões de como a comunidade escolar poderia contribuir para tornar a escola um lugar melhor. Além disso, alguns ex-alunos foram convidados para participar da programação e puderam compartilhar com os estudantes o quanto as experiências vivenciadas e o conhecimento obtido por eles naquela escola foram significativos para suas vidas. A terceira etapa foi de caráter investigativo, através da busca de documentos com informações sobre a fundação da escola, fotografias antigas, e entrevistas a ex-alunos, ex-funcionários e moradores do bairro onde se localiza a escola. Os alunos puderam conhecer e reconstruir a história da sua escola e reproduzir o que conheceram, como mostra a Figura 1.

até então, nenhum aluno conhecia. A quarta etapa do projeto foi a realização de um mutirão envolvendo alunos, funcionários da escola e a comunidade em uma ação cooperativa de limpeza e restauração de alguns espaços e utensílios da escola. 3. Resultados e discussões Conseguir envolver as 19 turmas do colégio e ter a participação dos 496 alunos que atendemos foi um desafio vencido através da cooperação de todo o corpo docente que trabalha no Colégio Estadual Arabela Ribeiro. Cada professor se responsabilizou por uma turma no sentido de orientar e motivar os alunos a participarem de todas as atividades do projeto. Foi necessário também diferenciar algumas atividades que os alunos teriam que elaborar de acordo com a faixa etária da turma e observando o nível de complexidade das atividades propostas. 3.1 A escola que tenho versus A escola que desejo

Figura 1. Alunos entrevistando a professora aposentada Raimunda Oliveira.

As turmas do Ensino Médio produziram documentários, teatros, cordéis e cartazes contando de forma criativa a história da escola, dando ênfase aos grandes projetos realizados e às pessoas que contribuíram para o crescimento do Arabela Ribeiro. As turmas do Ensino Fundamental produziram frases e pequenos poemas sobre o patrimônio escolar, fazendo relação entre o Colégio Arabela Ribeiro e a história do Bairro Bonfim. Também houve a elaboração de cartazes e paródias alertando sobre a necessidade do descarte consciente do lixo na escola. Os alunos do 7º ano ilustraram e apresentaram, em forma de coral, o hino da escola que,

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O objetivo desta oficina foi permitir que os alunos se sentissem à vontade para expor o que pensam sobre a escola, o que observam e o que consideram bom ou ruim. Além disso, a equipe tinha como foco, por meio dessa atividade, fazer com que os discentes refletissem sobre como cada um pode contribuir para melhorar a escola. Cada grupo fez os seus registros de forma escrita e em seguida apresentou para a turma, promovendo assim uma discussão direcionada pelo professor (Figura 2).

Figura 2. Realização da Oficina “A escola que tenho x A escola que desejo”.


A partir disso, foi possível perceber que os alunos entenderam que a escola é importante, no entanto, para eles, o ambiente escolar é pouco atrativo, fazendo com que os estudantes não se identifiquem com esse espaço, a não ser pelo vínculo que criam com os colegas e com alguns professores. Foram muitas as queixas apresentadas, todos os grupos foram bem detalhistas ao apontarem os problemas estruturais da escola e o quanto eles se sentem incomodados com o fato de a escola apresentar tantos utensílios e equipamentos danificados ou em falta. Os discentes também reconheceram que muitos objetos foram destruídos e danificados por ações de depredação cometidas pelos próprios alunos. No final da atividade, os grupos apresentaram os seus sonhos em relação à escola e o que eles mesmos poderiam fazer a partir daquele momento para a recuperação e conservação do espaço escolar. O resultado da oficina foi exposto em um Jornal Mural (Figura 3).

outros bairros, arriscando-se a atravessar a rodovia. No entanto, os nossos alunos além de não valorizarem a sua escola nada sabiam sobre a sua história. A busca por documentos antigos fez com que os estudantes se deparassem com informações que sempre tiveram curiosidade de saber e com outras que não imaginavam que a escola poderia ter. Um exemplo disso foi a surpresa de todos ao saberem que a escola tem um hino, composição de Raimunda Andrelina, ex-diretora do Arabela Ribeiro. Nas fotografias encontradas, foi possível perceber o olhar atento dos alunos quando se depararam com as mudanças que a escola sofreu ao longo do tempo. Alguns, inclusive, identificaram as pessoas das fotos, reconhecendo vizinhos e parentes que já estudaram ali (Figura 4).

Figura 4. A história do C. E. Arabela Ribeiro em Fotografias. Figura 3. Jornal Mural - Exposição do resultado da oficina.

3.2 Reconstruindo a história e a identidade escolar O Colégio Estadual Arabela Ribeiro foi fundado em 1973. São 44 anos fazendo parte da história do Bairro Bonfim. A construção de uma escola de Ensino Fundamental e Médio dentro do bairro favoreceu a vida dos moradores, possibilitando que seus filhos pudessem concluir a formação básica sem ter que se deslocar para

Ao recontar a história da escola, fazendo uso de diferentes gêneros textuais, como literatura de cordel, teatros e paródias, os alunos puderam reconhecer e fazer uso da linguagem oral e escrita para organizar e transmitir o conhecimento (Figura 5). Foi possível também fazer uso de tecnologias como celular e computador de maneira educativa, através da captação de informações audiovisuais e produção de vídeos e slides.

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Figura 5. Narrativa sobre a vida de Arabela Ribeiro e a fundação da escola que recebeu o seu nome.

3.3 Recuperando o espaço escolar, produzindo novos significados O mutirão foi um momento muito especial do projeto. Pais, alunos e funcionários da escola se uniram para realizar ações de restauração de alguns espaços e mobiliários da escola. Os bancos dos corredores foram pintados com as cores que representam o Colégio Estadual Arabela Ribeiro. Algumas portas e paredes, que estavam sujas, também foram pintadas (Figura 6).

estar danificado, nos dias chuvosos as goteiras inundavam uma das salas de aula. Algumas mães também vieram ajudar na limpeza. Cada turma arrumou a sua sala, confeccionou lixeiros para as salas e conseguiu deixar o espaço de aula muito mais bonito. Todas essas ações foram propostas pelos próprios alunos na conferência escolar e foram eles os que mais se envolveram. As tintas, telhas e outros materiais utilizados foram provenientes de doações e arrecadação feitas pelos alunos e professores. Pudemos perceber o zelo dos alunos pelo espaço que melhoraram e principalmente pela sala de aula. Ações como essas despertam no aluno o sentimento de pertencimento em relação a sua escola, ele passa a entender que pertence àquele espaço e que a escola sempre vai fazer parte da sua história. Conclusão O projeto conseguiu envolver equipe pedagógica, alunos e comunidade em ações voltadas ao reconhecimento de que a escola é um patrimônio histórico, formado, diacronicamente, por diversos ramos sociais. A ação investigativa presente no projeto e o encontro com outras gerações que já passaram pelo Arabela Ribeiro fez com que os alunos descobrissem novas perspectivas dentro de um espaço que eles achavam que já conheciam. A escola passou a ter novos significados a partir do momento em que os discentes puderam participar do processo de restauração desse espaço, no qual todos os dias eles estão presentes e podem se sentir satisfeitos e orgulhosos com os resultados das ações que melhoraram a imagem da escola, aumentando o sentimento de pertencimento em relação à mesma. Referências

Figura 6. Mutirão envolvendo escola e comunidade.

Para recuperação da unidade, foi de fundamental importância a colaboração de um carpinteiro da comunidade que consertou uma parte do telhado que, por

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MAGALHÃES, Leandro Henrique; ZANON, Elisa; BRANCO, Patrícia MC. Educação Patrimonial: da teoria à prática. Londrina: Unifil, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000. LÜCK, Heloisa. Dimensões de gestão escolar e suas competências. Curitiba: Editora Positivo, 2009.


Resumo. Este estudo tem por objetivo apresentar os resultados da pesquisa desenvolvida pelos alunos vinculados ao PIBIC Júnior, a qual retratou a análise da expansão comercial do bairro Siqueira Campos, também conhecido pelo seu antigo nome Aribé. O bairro supracitado foi escolhido para o desenvolvimento do projeto, haja vista que é o local das imediações onde está localizado o Colégio Estadual John Kennedy. É importante destaca, também, a necessidade de conhecimento do local onde as relações sociais acontecem. Além disso, a temática do comércio e da prestação de serviços fazem parte do rol de conteúdos ministrados na disciplina de geografia. 1. Introdução Fundamentado na busca de novas metodologias e ao observar a dinâmica do bairro Siqueira Campos, que reflete as diferentes funcionalidades dos setores econômicos e as transformações no espaço, constatamos a necessidade de averiguar por meio de pesquisa as alterações no lugar. É visível o crescente aumento dos estabelecimentos comerciais de médio a pequeno porte, de cunho diversificado, que têm ocupado o espaço geográfico e, consequentemente, contribuído para a alteração espacial. O bairro Siqueira Campos foi escolhido para o desenvolvimento do projeto por estar localizado nas mediações do Colégio Estadual John Kennedy, bem como estão situadas diversas residências do público escolar. É importante destacar a necessidade do conhecimento do local onde as relações sociais acontecem. Como ressalta Santos (1997), a proximidade entre a população local e o comércio é de grande importância para criar laços profundos de identidade e solidariedade. Por vezes conhecemos diferentes paisagens,

estudamos vários conteúdos de lugares diferentes que nos impressionam nos chamam atenção e não conhecemos, não sabemos o que está acontecendo no lugar onde vivemos. Para Callai (2004) “o mundo da vida precisa entrar na escola, para que esta seja viva, que consiga acolher os alunos e dar-lhes condições de realizarem a formação, além de desenvolver o senso crítico e ampliar a sua visão de mundo (CALLAI, 2004, p.2)”. Neste viés objetivamos compreender a expansão do setor terciário a partir do estudo do comércio e dos serviços oferecidos no bairro Siqueira Campos. Através de entrevistas, buscar a história do bairro com antigos moradores, mapear a rede comercial, o setor de serviços do bairro e as transformações nas diferentes temporalidades; assim como estudar a configuração sócio espacial do comércio formal e informal. Demo (1997), Freire (1996), Callai (2004) ressaltam a importância da inserção da pesquisa como uma possibilidade de busca investigação e produção do conhecimento na educação básica. 2. Materiais e Métodos A pesquisa envolveu procedimentos e atividades relacionadas ao levantamento de dados em fontes primárias e secundárias. Deste modo, foi feito um levantamento bibliográfico com busca em jornais e artigos publicados, livros, revistas, estudos urbanísticos a respeito da expansão do bairro, assim como registro iconográfico com a história de formação do bairro, utilizando aplicativos tecnológicos como o google maps. Dessa forma, os estudantes puderam comparar os dados antigos e atuais disponíveis na plataforma tecnológica. Foi definida a área a ser pesquisada no bairro, enfatizando as ruas Bahia e Mariano Salmeron, que serviram como amostragem, assim como para identificar junto ao

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IBGE/Sergipe, dados sobre o setor terciário em Sergipe priorizando o bairro Siqueira Campos, buscou-se junto a órgãos governamentais como: Prefeitura de Aracaju (Secretaria de Planejamento – Plano Diretor), Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Geografia/UFS, e Federação do Comércio/Se, dados e estudos realizados sobre a distribuição e expansão do setor terciário em Sergipe. Recorremos à pesquisa de campo para identificar os tipos de estabelecimentos comerciais e o setor de prestação de serviços, utilizamos uma tabela simplificada para anotação das casas comerciais em atuação no espaço traçado para aquisição de dados necessários a pesquisa em foco. Posteriormente foi efetivada a correlação dos dados primários coletados em órgãos de pesquisa com as informações obtidas nas investigações de campo. Esse procedimento ocorreu mediante a tabulação e a conversão desses dados em tabelas, gráficos, quadros, fluxogramas e esquemas. 3. Resultados e discussão Apoiado numa pesquisa prévia relacionada ao bairro Siqueira Campos, constatamos que no Relatório Final do Diagnóstico da Cidade de Aracaju, concluído em janeiro de 2014, França (2014) apresenta que “de acordo com os dados do cadastro imobiliário contabilizam-se em 2012, 837 usos voltados para essas atividades, sendo 377 comércios e 459 serviços, o que corresponde a 21,22% do total dos usos do bairro” (FRANÇA, 2014, p. 131), ou seja, o bairro em estudo se configura como expressiva área de comércio e prestação de serviços. Envolto neste conhecimento norteou-se a pesquisa em andamento. Munidos da representação de carta cartográfica do traçado das ruas do bairro Siqueira Campos (Figura 1), pesquisada no Google Maps, foi possível visualizar as áreas a serem visitadas e elaborar nossa rota de pesquisa. Observe a figura abaixo:

Figura1. Tela do Google Maps, do bairro Siqueira Campos. (Fonte: https://www.google.com.br/maps/@-10.9164028,-37.0828751,15z)

Seguimos exatamente as rotas traçadas, como demonstra a Figura 1. A linha vermelha no sentido leste/ oeste está sob a Rua Mariano Salmeron, enquanto que a linha de rota no sentido norte/sul foi demarcada sob a Rua Bahia. Essas duas ruas foram visitadas e servem de amostragem para identificar os estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços locais, haja vista que, diante de investigação prévia, essas ruas são apontadas como referenciais, pois de acordo com França (2014) “ao longo das ruas Mariano Salmeron e Avenida Osvaldo Aranha destaca-se a oferta de produtos (vendas de peças e acessórios para veículos) e serviços (oficina, chaparia, pintura, ferro-velho, entre outros) direcionados para os automóveis” (FRANÇA, 2014, p. 31). Ainda destaca França (2014) que “observa-se a expansão dos serviços de saúde ao longo da Rua Bahia, principalmente as atividades de clínicas médicas e laboratórios para exames (FRANÇA, 2014, p. 32)”. Diante dos fatos apresentados adotamos um quadro simplificado (Tabela 1) para anotar as informações e dados pertinentes aos trabalhos, deste modo podemos comparar e analisar os fatores a que se predispõem os trabalhos. Comércio e Prestação de Serviço Saúde e correlatos Automotivos e acessórios Vestuário e acessórios Alimentação Eletro/eletrônicos Outros TOTAL

Número Absoluto de Estabelecimentos 26 04 12 13 07 14 76

Percentual % 35,52% 5,26% 15,78% 17,10% 9,21% 18,42% 100%

Tabela 1. Estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços da Rua Bahia, do bairro Siqueira Campos, 2017. (Fonte: a autora (2018)).

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A partir dos dados encontrados no trabalho de campo, seguindo os tipos de estabelecimentos que foram selecionados em seis categorias, a saber: saúde e correlatos, automotivos e acessórios, vestuário e acessórios, alimentação, eletro/eletrônicos e outros (móveis, vidraçarias, ferragens etc.). Os dados apresentados sobre a Rua de Bahia, no bairro Siqueira Campos, resultaram no gráfico setorial (Gráfico 1) apresentado logo abaixo. Gráfico 2: Comércio e prestadores de serviço instalados na Rua Mariano Salmeron, 2017. (Fonte: a autora (2017)).

Conclusão

Gráfico 1: Comércio e prestadores de serviço instalados na Rua Bahia, 2017. (Fonte: a autora (2017)).

Podemos identificar no gráfico acima que o comércio e a prestação de serviços relacionados à saúde e correlatos se destacam com mais de 35% em relação a todas outras atividades, demonstrando, assim, que a rua em análise se configura com área especializada nestes serviços e produtos. França (2014) nos indica que esta área oferece atendimento para o segmento popular, pois ali são praticados os preços mais acessíveis. No Gráfico 2, baseado em dados obtidos em visita de campo na Rua Mariano Salmeron, percebemos uma diferenciada função daquele espaço que se aponta como área voltada ao comércio e prestação de serviços com destaque aos automotivos e acessórios (autopeças, chaparia, mecânicas, entre outros.), desta forma a pesquisa se alinha com as análises prévias, corroborando com o diagnóstico de França (2014).

Ao final dos trabalhos, ficou evidenciado que o conhecimento pode ser adquirido por várias vertentes, podendo utilizar recursos e métodos diferenciados para dar maior visibilidade aos conteúdos e maior compreensão do assunto abordado. Através do levantamento bibliográfico, por via virtual ou em bibliotecas locais, o estudante adquire uma experiência com relação à seleção de documentos, as visitas de campo, fazendo com que os conteúdos tomem vida e passem a ser inseridos na realidade vivenciada cotidianamente pelos estudantes da escola. As atividades aplicadas nesta pesquisa nos trouxeram aprendizados individuais e coletivos, uma vez os estudantes participantes do projeti obtiveram maiores conhecimentos na área da cartografia, pois precisaram mapear a região em estudo, utilizando o Google Maps. Ainda no campo da informática foi possível trabalhar com os aplicativos do Excel na construção de gráficos, tabelas. Por fim, através da exposição da pesquisa, do painel imagético e nos gráficos que foram produzidos, foi possível demonstrar que as Ruas Bahia e Mariano Salmeron, do bairro Siqueira Campos, se configuram como espaços geoeconômicos importantes das áreas circunvizinhas, assim como em todo o estado de Sergipe.

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Referências CALLAI. Helena. O estudo do lugar como possibilidade para de construção da identidade e do pertencimento. In: Anais do VIII Congresso Luso Afro Brasileiro de Ciências Sociais. Coimbra: Setembro 2004, p1-10; CORRÊA, Antonio Wanderley de Melo e NEVES, Mauricio da Conceição e NAJOS, Marcos Vinícius Melo dos. Sergipe – Sociedade e Cultura. Aracaju. Ed. Do Autor.2007. DEMO, P. Pesquisa – princípio científico e educativo. 5.ed. São Paulo: Cortez, 1997. FRANÇA, Vera. Relatório Final do Diagnóstico da Cidade de Aracaju. SEPLOG, 2014. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa. 34.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. MINAYO, M.C.S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 23. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. SANTOS, Milton. O Espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2004. _______. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2. Ed. São Paulo: Hucitec, 1997.

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Resumo. Este trabalho tem como objetivo analisar e caracterizar os problemas ambientais às margens do Rio do Sal, afluente do Rio Sergipe, tomando como referência a Prainha do São Braz, localizada entre os municípios de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. Para obter informações, foram utilizadas várias ações de educação ambiental junto à comunidade, como palestra, aplicação de questionários, registros fotográficos e visuais com a finalidade de despertar na comunidade a necessidade de proteger, preservar e recuperar a natureza, além de sensibilizar e conscientizar sobre os problemas ambientais, proporcionando a reflexão, o debate e a troca de experiências entre os membros da comunidade local.

A área da pesquisa abrange o Loteamento São Braz, no bairro Taiçoca, em Nossa Senhora do Socorro, na margem esquerda do rio do Sal, onde há um grande número de habitações irregulares que adentram ao mangue. Essas habitações, na sua maioria, não possuem serviços essenciais de saneamento básico (energia elétrica, água encanada, rede de esgoto), ou seja, rio e o manguezal tornam-se receptores desses efluentes domésticos. (Foto 1)

1. Introdução Como é comum não só no Brasil, mas em todo o mundo, a ocupação desordenada e transformação das paisagens nas margens dos rios causam prejuízo ambiental aos mesmos, ocasionado pelo lançamento de esgoto, lixos domésticos e industriais e a destruição dos manguezais. De acordo com Kuhnen (2000), o lixo é considerado um dos responsáveis pelos graves problemas ambientais da atualidade. Seu volume vem aumentando de forma intensa e progressiva, trazendo sérias consequências para a sociedade, a exemplo da transmissão de doenças. Assim, o lixo deve ser bem acondicionado, recebendo tratamento adequado, dentre os quais se destacam a incineração, a reciclagem, o aterro sanitário, as valas sépticas, entre outros. Para minimizar tal problemática, é mencionada a fórmula dos RE’s (Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar), que consiste numa apresentação sugestiva de como se pode atingir o objetivo de conscientização para a prática de reaproveitamento de materiais em busca da qualidade de vida e preservação do meio ambiente.

Foto 1. Destruição dos manguezais pelos moradores da comunidade. Fonte: Nilzete Novais, 2017.

Para melhorar o atendimento à comunidade, foi realizada a revitalização e urbanização da orla do São Braz, às margens do rio do Sal, projeto elaborado pela Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro e executado pelo Governo do Estado, com recursos do Proinvest, garantindo, assim, mais conforto e segurança aos frequentadores. Contudo, as águas do rio e os manguezais continuam sendo agredidas e poluídas por indivíduos que continuam descartando no local lixo doméstico, eletrônicos, restos de construções etc. Partindo desse contexto, este trabalho tem como objetivo caracterizar os impactos ambientais ocasionados pela ação antrópica na

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área de estudo; captar a impressão da comunidade local sobre o ambiente onde vive e despertar uma consciência crítica sobre a mudança de hábitos e atitudes visando valorizar os recursos existentes, contribuindo dessa forma para a melhoria da qualidade de vida da comunidade. 2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido no Colégio Estadual João Batista Nascimento, no período de junho a setembro de 2017, pelos alunos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental. A metodologia implementada no presente trabalho caracteriza-se como um estudo exploratório visando maior conhecimento sobre a temática proposta. Para obter informações sobre a temática em questão foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica, registros fotográficos e visuais e aplicação de questionários com a comunidade local. Visando facilitar o processo ensino-aprendizagem, além de estimular a participação e envolvimento dos alunos e da comunidade, foram utilizadas diversas atividades pedagógicas como trabalhos em grupo e individuais, debates, palestras e excursões educativas na área em estudo. 3. Resultados e discussão Para facilitar a análise da percepção da população e dos alunos em relação ao uso e à ocupação da Orlinha do São Braz foram utilizados os seguintes instrumentos técnicos: pesquisa de campo, questionários, visitas domiciliares, palestra educativas. A amostra da pesquisa foi composta por trinta moradores. As questões foram organizadas em quatro blocos, a saber: perfil sociocultural dos entrevistados, percepção dos impactos ambientais associados ao uso e ocupação do solo às margens do rio e percepção acerca do ecossistema manguezal. (Foto 2)

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Foto 2. Coleta de dados no local de estudo. Fonte: Aluno Fábio A. dos Santos Junior, 2017.

3.1 Perfil sociocultural dos entrevistados Ao analisar o perfil dos moradores locais evidenciamos que cerca de 77,5% dos entrevistados pertencem ao sexo feminino e que a faixa etária varia de 17 a 65 anos. Já 69% dos entrevistados possuem ensino médio completo. 3.2 Percepção dos impactos ambientais associados ao uso e ocupação do solo e do rio Os impactos ambientais associados ao uso e ocupação do solo às margens do rio do Sal mais expressivos nas respostas foram aqueles resultantes do tipo de moradia. Constatou-se que 89% dos entrevistados residem em moradias regulares. Com relação ao destino final do lixo doméstico, 100% dos entrevistados relataram que o mesmo é realizado através da coleta regular promovida pela Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro. 3.3 Percepção acerca do ecossistema manguezal Para este bloco de perguntas procurou-se partir do aspecto mais geral (meio ambiente) para o mais específico (manguezal). Assim, as questões que eram lançadas aos entrevistados iam aos poucos se aprofundando na temática manguezal.


Com relação ao manguezal, percebeu-se, através da análise instrumentais, que a importância dos manguezais para os entrevistados está presente nos seguintes termos: pesca como meio de sobrevivência, lazer, proteção do meio ambiente, reprodução da vida marinha, purificação do ar e bem-estar do ser humano. Segundo as respostas dos entrevistados percebese que os mesmos têm consciência da importância da preservação dos manguezais e que é preciso não desmatar e nem aterrá-los. Eles informam, ainda, que é necessário fazer o replantio das árvores que foram retiradas durante as ocupações ilegais, além de chamarem atenção para a necessidade de denunciar aqueles que poluem. (Foto 3)

Conclusão No sentido de sensibilizar e desenvolver o conhecimento da população com relação à importância social, cultural, biológica e econômica do rio e do manguezal, algumas atividades podem ser realizadas sem causar prejuízos ao ecossistema, como a pesca esportiva e de subsistência, cultivo de ostras, atividade turística, recreativa, educacional e pesquisa científica. Ao concluir esse trabalho ficou claro que é imprescindível que os moradores e alunos estejam engajados nas questões em prol da preservação do meio ambiente. Por essa razão, espera-se que os resultados obtidos nessa pesquisa possam servir de subsídio para a continuação dos programas de educação ambiental formal e informal voltados para a comunidade. Referências

Foto 3. Placa de alerta para o não descarte de lixo no local. Fonte: Aluno Fábio A. dos Santos Junior, 2017.

EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 1999. FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Rio de Janeiro: ENG, Crise próxis e autonomia: espaços e resistências. Porto Alegre 2010. KUHNEN, Ariane. Reciclando o cotidiano: representações sociais do lixo. Coleção teses.

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Resumo. Na escola, a criação de um sistema de produção orgânica fornece meios para promover a educação ambiental e a discussão de temáticas como o consumo de alimentos saudáveis. Este trabalho objetivou ampliar o conhecimento dos alunos acerca da sustentabilidade e incentivar uma alimentação escolar saudável. Alunos do 9˚ ao 2˚ ano receberam capacitação com respeito ao tema horta orgânica. Foram construídas horta e estufa, além do setor de compostagem e minhocário para auxiliar a produção de hortaliças. O quintal ecológico tem permitido a execução de Circuitos Educativos interdisciplinares que fazem dos alunos protagonistas sociais e propagadores de saberes para a comunidade escolar. 1. Introdução A implementação de sistemas de produção orgânica em escolas de nível fundamental e médio viabiliza uma série de ações interdisciplinares e estimula o debate sobre temas como sustentabilidade, preservação ambiental e nutrição. Essa experiência vem sendo relatada por muitos autores como uma ponte eficiente entre a teoria e a prática, permitindo a sensibilização dos alunos com respeito à questão ambiental e à criação de hábitos alimentares saudáveis (Cribb, 2010; Pimenta & Rodrigues, 2011). Além disso, a produção de hortaliças orgânicas, no ambiente escolar, permite um diálogo interdisciplinar que passa pela matemática, com o cálculo da área para montagem da horta e proporção de materiais necessários para a produção do composto orgânico, pela química, com a visualização prática da transformação da matéria, e pela biologia, com a identificação das espécies cultivadas e abordagens sobre nutrição. A ideia de criar um sistema de produção orgânica no Colégio Estadual Barão de Mauá foi

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elaborada a partir do Projeto central “Sustentabilidade Ambiental, Social e Cultural”, que desde 2012 promove o desenvolvimento de atividades relacionadas à coleta seletiva, reciclagem de resíduos sólidos, preservação do patrimônio escolar e cultural de Sergipe. A partir do desenvolvimento de atividades da disciplina de Matemática percebeu-se que dentre o montante de resíduos sólidos produzidos semanalmente na escola, os resíduos orgânicos representavam uma parcela significativa, sendo necessária uma ação para redirecionar o destino desses resíduos. A partir desta problemática o presente trabalho foi elaborado, objetivando ampliar o conhecimento dos alunos acerca de práticas sustentáveis, bem como incentivar a alimentação saudável na escola através da produção e consumo de hortaliças orgânicas pela comunidade escolar. 2. Materiais e Métodos Para o desenvolvimento e manutenção das atividades ligadas à horta orgânica, alunos do 9˚ ano do Ensino Fundamental ao 2˚ ano do Ensino Médio se voluntariaram para fazer parte do grupo de “Fiscais do Meio Ambiente”. A esse grupo de alunos foi oferecida capacitação por meio de recursos audiovisuais e aulas expositivas sobre minhocultura, compostagem e horticultura orgânica, promovidas pelos professores da escola e instituições parceiras, como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a SEMARH (Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos). Após a capacitação dos alunos, que ocorreu durante os sábados letivos, foi realizado o processo de construção da horta orgânica. Para montagem da horta, foi feita a capinação de uma área de 200 m2 do terreno não utilizado da escola e realizado o procedimento de


correção do solo com orientação do técnico agrícola disponibilizado pela SEED (Secretaria Estadual de Educação e Desporto), o Sr. Givaldo dos Santos. Foram selecionadas algumas espécies de hortaliças e plantas medicinais para serem cultivadas na horta, dentre elas a cebolinha, coentro, alface, couve-manteiga, tomate cereja e o capim limão. Além da horta, foram construídos um minhocário, um setor de compostagem e uma estufa, para auxiliar o processo de manutenção e permitir que fiscais e demais alunos vivenciassem na prática todos os aspectos ligados ao tema. Para a execução do processo de minhocultura, os Fiscais do Meio Ambiente, auxiliados pelo professor Sergio Andrade, da disciplina Matemática, realizaram o corte das bases de madeira (1,20 x 1,60 m) que serviram de estrutura para o minhocário, o qual permite a produção de cerca de 45 Kg de humos a cada dois meses. Já para a montagem do setor de compostagem foi destinada uma área equivalente à horta orgânica. Neste setor são adicionados, periodicamente, esterco bovino, vegetação viva e cerrada, água e resíduos orgânicos numa proporção de 3:3:3:1. Dentre os resíduos orgânicos utilizados estão cascas de batata, cebola, tomate, melancia, banana e ovos, cerca de 100 Kg mensais provenientes da merenda escolar. Para auxiliar o processo de semeadura e desenvolvimento inicial das hortaliças, foi construída uma estufa com 1,70 metro de altura, a qual foi montada pelo técnico agrícola da escola utilizando como materiais básicos canos de PVC, tela de nylon e arame galvanizado. Finalizada a montagem do quintal ecológico, iniciaramse as atividades do Circuito Educativo no qual os Fiscais do Meio Ambiente promoveram palestras semanais para alunos de todas as séries do ensino fundamental e médio. Além do circuito educativo, foram desenvolvidas atividades como workshop, seminários, cafés filosóficos, exposições, visitas técnicas a escolas e empresas parceiras. Em Matemática, os conteúdos trabalhados em aulas práticas no Quintal Ecológico foram área de figuras planas, perímetro, sólidos geométricos, poliedros e nãopoliedros, medidas de peso, medidas de capacidade, porcentagem, volume, operações com números decimais e transformação de medidas de comprimento. Para que os discentes pudessem compreender melhor o mundo

da matemática com relação às medidas socioambientais no “saber cuidar”, os alunos foram estimulados a fazer a manutenção da horta, medição dos espaços e manipulação dos resíduos orgânicos. Os alunos identificaram as medidas de peso e dados percentuais referentes a cada material orgânico (folhagens viva e serrada, esterco bovino, resto de alimentos), realizaram as medidas de comprimento para a confecção das bases do minhocário, calcularam o seu volume e a quantidade de adubo produzido mensalmente. Para a irrigação da horta, os alunos foram estimulados a compreender o gasto de água e as transformações das medidas de capacidade para o cálculo de volume da água. Na disciplina Química, os alunos trabalharam conteúdos como as transformações e reações químicas, temperatura, misturas, compostos orgânicos e compostos inorgânicos, tabela periódica e pH. 3. Resultados e discussão Sendo a compostagem um processo biológico de reciclagem da matéria orgânica, questionamos o aluno quanto aos tipos de transformações que podem ser observadas na compostagem. Os alunos puderam identificar, nessa formulação, os materiais de origem orgânica e de origem inorgânica e questionar-se a respeito do que seria feito desses resíduos se não tivessem esse destino. Ainda a respeito do processo de compostagem, os alunos puderam refletir sobre o porquê não é aconselhável adicionar restos de alimentos cozidos ou cascas de frutas cítricas e cascas de ovos sem uma lavagem e trituração prévias, e por que se deve revolver esse material verificando a sua temperatura de 30 em 30 dias. Esta ação mostrou a Química na prática. Em sala, mostramos que a mistura inicial é heterogênea, pois fica fácil observar visualmente os materiais que estão sendo agregados, mas que o produto final deve ser o mais homogêneo possível, o que indica que toda a matéria orgânica foi decomposta de forma eficiente. Desse modo, levou-se o aluno a observar que a adição de água favorece o processo de decomposição da matéria orgânica e que essa não pode ser em grande quantidade, pois pode compactar o material dificultando a aeração;

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nesse momento foram feitos questionamentos como: esse processo é anaeróbico ou aeróbico? Por que verificar a temperatura? Qual é a temperatura ideal na compostagem? Assim, trabalhamos o tema temperatura e a importância de se ter o controle dela no processo da compostagem. O projeto teve a proposta de sensibilizar a comunidade escolar a sair do cômodo diagnóstico do uso inapropriado dos resíduos sólidos e da preocupação com a melhoria da merenda escolar no que diz respeito à alimentação saudável. Foi através do cronograma de ações planejadas e desenvolvidas pelos professores, por eixo temático (água, resíduos sólidos, coleta seletiva e alimentação saudável), que promovemos a capacitação dos protagonistas sociais, alunos denominados fiscais do meio ambiente. Através desse processo prático ficou visível o prazer em aprender como ferramenta de concretização dos objetivos alcançados no cronograma de atividades, como a catação dos resíduos orgânicos na cozinha da escola para a produção do adubo, a promoção das medidas socioambientais pelos monitores através do Circuito Educativo, a confecção do quintal ecológico, a realização do intercâmbio entre escolas organizado pelos nossos protagonistas, e a integração do corpo docente. A visibilidade das medidas socioambientais e experimentos científicos pelos alunos está fundamentada na arte de saber ensinar de modo interdisciplinar e na satisfação do aluno em reconhecer os conteúdos ensinados e experienciar as teorias aprendidas.

Figura 1. Quintal Ecológico do Colégio Estadual Barão de Mauá. Em A o minhocário, em B a estufa e em C e D a horta orgânica com algumas das hortaliças produzidas na escola.

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Figura 2. Palestras promovidas pelos fiscais do meio ambiente.

Conclusão A criação da horta orgânica tem contribuído no processo de ensino e aprendizagem de ciências e da temática sustentabilidade. Por meio de Circuitos Educativos, que abrangem as disciplinas Matemática, Biologia, Arte e Química, os “Fiscais do Meio Ambiente” assumem o papel de protagonistas sociais e repassam o conhecimento sobre as atividades desenvolvidas para os demais alunos, tanto da própria escola, como das escolas parceiras que nos visitam. Além dessas atividades, a horta orgânica tem estimulado a alimentação saudável dentro e fora dos muros da escola, visto que toda produção da horta tem sido incluída na merenda escolar e repassada para a comunidade local. O resultado das ações socioambientais e das intervenções educativas está estimulando e sensibilizando a autonomia e integração entre os alunos no que diz respeito às pesquisas no campo científico e à logística na gestão das tarefas operacionais, promovidas pelos próprios alunos na manutenção da horta, a exemplo de mutirão de capinação da área verde, do revolver dos resíduos orgânicos no processo da compostagem, do cultivar e o regar das plantas. Toda essa dinâmica é de relevante importância para a tão desejada sustentabilidade, a referência “ser ambiente”, o querer e saber cuidar.


Referências PIMENTA, José Calisto; RODRIGUES, Keila da Silva Maciel. Projeto Horta Escola: Ações de educação ambiental na Escola Centro Promocional Todos os Santos de Goiânia (GO). II SEAT- Simpósio Ambiental e Transdisciplinaridade, maio, 2011. CRIBB, Sandra Lucia de Souza Pinto. Contribuições da educação ambiental e horta escolar na promoção de melhorias ao ensino, à saúde e ao ambiente. REMPEC- Ensino, Saúde e Ambiente, v. 3, n. 1, abril, 2010.

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Resumo. Iniciado em 2017, o projeto de pesquisa teve como objetivo principal empregar uma abordagem sustentável e responsável do uso do solo para o cultivo de plantas medicinais e de ervas aromáticas que são utilizados na merenda escolar, visando os benefícios de uma alimentação saudável. Podemos, assim, afirmar que esse projeto foi de salutar importância, devido à grande contribuição no processo ensino-aprendizagem, pois o aluno conseguiu vivenciar a interdisciplinaridade através da construção da horta, de maquetes, do plantio das mudas e da produção de chás e sucos, além de compreender a relação entre uma alimentação equilibrada, uma vida saudável e o cuidado com meio ambiente. 1. Introdução Devido à constatação da falta de responsabilidade e cuidado com a conservação do meio ambiente e da alta incidência de doenças de base no público jovem, tornou-se relevante apontar novas maneiras de cuidar do ambiente que nos circunda e de obter uma vida saudável a partir do zelo com o solo, seu cultivo e alimentação. Por isso, tivemos como objetivo principal compreender, através de uma abordagem sustentável, o cuidado com o meio ambiente por meio do uso do solo e o cultivo de ervas aromáticas e medicinais. Sendo assim, precisamos reaprender como nos relacionar com o outro e com a natureza. Isso requer um fio condutor, uma direção, partindo do princípio da responsabilidade jonasiano através da educação como ação que desenvolve a vida, pois como o próprio Jonas (2006, p.189) afirma “a educação tem, portanto, um fim determinado como conteúdo: a autonomia do indivíduo, que abrange essencialmente a capacidade de responsabilizar-se.” Essa é a tarefa da educação, isto é,

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formar indivíduos capazes de se sentirem responsáveis não somente por suas ações no presente, mas que, através do hoje, terá uma possibilidade ou não de continuidade da existência. Nesse paradigma arquetípico evidencia-se de forma cristalina a ligação da responsabilidade com o Ser vivo. Somente o Ser vivo, em sua natureza carente e sujeita a riscos – e por isso, em princípio, todos os seres vivos - pode ser objeto da responsabilidade. Mas essa é apenas a condição necessária, não a condição suficiente para tal. A marca distintiva do Ser humano, de ser o único capaz de ter responsabilidade, significa igualmente que ele deve tê-la pelos seus semelhantes – eles próprios, potenciais sujeitos de responsabilidade –, e que realmente ele sempre a tem, de um jeito ou de outro: a faculdade para tal é a condição suficiente para a sua efetividade. (JONAS, 2006, p.175-176) Para tanto, no decorrer do processo, foram realizadas com os discentes várias ações relacionadas ao cultivo do solo, a exemplo demonstração de práticas alternativas de cultivo e a verificação da necessidade de sais minerais na constituição do ambiente para o desenvolvimento das culturas. Efetuamos, também, intercâmbios e visitas técnicas e, por último, estimulamos boas práticas relacionadas à saúde por meio da produção de chás, examinando a função de cada planta medicinal no organismo humano. Desse modo, a cada etapa concluída, os alunos conseguiram perceber como é imprescindível cuidar da vida, desde a conservação do solo e de tudo o que dele pode brotar, contribuindo para a formação e constituição de um ser saudável e consciente das suas ações diante da natureza e do outro.


2. Materiais e Métodos A metodologia empregada fundamentou-se em uma abordagem qualitativa, partindo do desenvolvimento de aulas teóricas e práticas na sala de mídia, no laboratório e na área de cultivo da horta com os alunos do 1º ano do ensino médio integral do Centro de Excelência Profº José Carlos de Sousa, no período de abril a setembro de 2017. Foram abordados conhecimentos como tipos de solos e plantas medicinais, composição química do solo, precursores da qualidade de vida, grandezas e medidas, escala e construção de gráficos, pressão e sistema de irrigação. Tendo como objetivo principal o trabalho interdisciplinar desses diversos campos, direcionados para a construção da horta e da obtenção de uma alimentação saudável. Fez-se necessário, então, executar alguns procedimentos metodológicos, a exemplo do levantamento bibliográfico sobre a construção do pensamento ambiental no tocante à relação entre homem, natureza e responsabilidade; produção de apostilas juntamente com apresentações de vídeos sobre o cuidado com o solo e o sistema irrigação; visitas técnicas à horta do Colégio Estadual Barão de Mauá; palestras sobre produção de mudas por meio de aulas no laboratório de Biologia; confecção de maquetes; construção da estufa; podas das árvores; capinagem e preparação do solo. Por conseguinte, esse projeto proporcionou aos alunos que participaram uma maior compreensão da responsabilidade que temos com a natureza e com a qualidade de vida para geração presente, tal como uma reflexão sobre qual mundo devemos deixar para geração futura. 3. Resultados e discussão O nosso projeto teve início em maio de 2017 com aulas e discussões teóricas das áreas de conhecimento envolvidas: matemática, geografia, educação física, química, física e biologia. Todas essas disciplinas colaboraram a fim de provocar uma reflexão sobre a responsabilidade que devemos estabelecer com o meio ambiente através das

dimensões ética, econômica, social, ambiental e política da sustentabilidade. Cada uma, a partir de seu objeto de estudo, desenvolveu temas pertinentes à prática e à construção de ações que efetivassem a relação equilibrada entre homem e natureza no espaço geográfico, onde os alunos vivem 40 horas de sua vida por semana em regime integral, despertando para o cuidado com o meio ambiente que o circunda. Os educandos promoveram, além da implantação da horta, a melhoria de áreas de vivência em seu entorno, preocupando-se em manter o ambiente da sala de aula e corredores limpos e acolhedores, mediante ações protagonistas e de conscientização como colagem de cartazes por toda a escola e avisos semanais nas salas de aulas. A contribuição foi contínua e permanente, a exemplo da disciplina educação física, que desenvolveu em suas aulas a importância dos alimentos em nosso organismo como percussores da qualidade de vida. Ao mesmo tempo, trabalhou com os alunos a necessidade em transformá-los em agentes multiplicadores na comunidade onde moram, pois os conhecimentos que eles aprenderam na escola são disseminados em casa, e, nessa interação com a família, foram relatadas mudanças comportamentais e alimentares. Ademais, houve também o momento de aprendizado sobre a função e os efeitos das ervas medicinais no corpo humano. A partir de então, foram pesquisados os benefícios das plantas, trouxeram as mudas, explicaram suas indicações e contraindicações e confeccionaram placas de identificação com nomes científicos e populares para serem então cultivadas na horta, construindo um momento rico em conhecimento e vivência prática entre ser e natureza. Faz-se necessário destacar a contribuição do ensino da matemática, que consistiu, num primeiro momento, na apresentação dos objetivos e explanações sobre os conhecimentos utilizados para a construção da horta e das atividades práticas que foram desenvolvidas na execução da mesma.

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Os PCNs (BRASIL, 1998) ao tratar do ensinoaprendizagem da geometria destacam que os conceitos geométricos constituem parte importante do currículo de Matemática no ensino fundamental, porque, por meio deles, o aluno desenvolve um tipo especial de pensamento que lhe permite compreender, descrever e representar, de forma organizada, o mundo em que vive (BRASIL, 1998 p.51). Dessa forma, nas aulas iniciais foram revistos alguns conceitos e conteúdos matemáticos com os quais nos deparamos no decorrer das atividades, como grandezas e unidades de medidas, perímetro e área de uma região plana e figuras geométricas, que foram de fundamental importância no planejamento espacial do cultivo. Em seguida, foi realizada a medição e cálculo da área onde seria construída a horta. Em posse dos números da área proposta, foi realizada a confecção de uma planta baixa. As turmas foram divididas em grupos, em que cada grupo explorou sua criatividade para a confecção da planta. Na aula seguinte realizamos uma eleição para escolher a planta baixa vencedora. Nessa escolha foram considerados os seguintes critérios: criatividade, diversidade de figuras geométricas para os canteiros e maior aproveitamento da área. A planta baixa vencedora, foi, desse modo, utilizada como modelo para a construção da horta. Na edificação da estufa (Figura 1), mais uma vez calculamos a distância entre os canos utilizados na armação e também realizamos os cálculos de área dos canteiros onde foram produzidas e preparadas as mudas.

Figura 1. Construção da estufa. (Fonte: Profª.: Elvira Suzi)

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Na culminância do projeto conseguimos despertar nos alunos o gosto pela disciplina matemática, o estímulo pelo estudo, além de facilitar no aprendizado, pois este foi construído na prática, criando um vínculo significativo com o discente, contribuindo para a construção de cidadãos mais críticos e ativos, capazes de utilizar os conhecimentos adquiridos na escola na solução de situações de seu cotidiano. Ou seja, esses conhecimentos terão aplicabilidade para a vida, e, por meio deles, talvez haja uma transformação da realidade. Já na disciplina geografia foi demonstrado e discutido como uma relação sustentável pode ser construída entre homem e natureza, por intermédio de conceitos filosóficos como cuidado e responsabilidade. Com base no pensamento de Jonas (2006), o Princípio Responsabilidade abre uma nova perspectiva da ação através de uma projeção de longo prazo, direcionada ao agir humano no que concerne aos seus resultados e efeitos. Dessa forma, esse princípio, voltado para educação, deve apresentar como meta uma formação pedagógica, visando uma gradativa transformação de conduta diante da relação com o outro e com a natureza, o que implicará no cuidado com os valores e as atitudes que fazem da vida um bem primordial. Nessa direção, precisamos de um novo paradigma de convivência, uma relação diferenciada com o outro e com a terra, objetivando à preservação da vida. E a proposta de Jonas de uma ética que parta da responsabilidade com o futuro da Humanidade possibilitará a viabilidade pedagógica para formação do indivíduo, fundamentada em dois grandes imperativos: o primeiro que consiste na existência e o segundo que os homens vivam bem, uma vez que a possibilidade da existência precisa ser mantida, o que significa cumprir o dever de existir, pois o cuidado que devemos ter com a vida requer atitude, ação e responsabilidade. Após essa reflexão inicial, começamos a trabalhar, de acordo com Brady (1979), o cuidado primeiramente com a formação do solo, perfis, horizontes, textura, porosidade, estrutura, erosão, fertilidade, biologia e desenvolvimento das plantas no solo. Um momento de especial destaque foi a experiência em que foram extraídas


do solo cores para pintar, método chamado colorteca, colorindo com o solo. Foi um momento de construção em grupo e compreensão de que do solo podemos criar e recriar. Através de vídeos, discutimos sobre a capacidade que o solo tem em acumular água e também seu nível de porosidade. Mediante as vivências na área física da horta, ocorreram também rodas de conversa com o técnico agrícola Sr. Givaldo sobre o cuidado com as plantas e o solo. Nesse momento e espaço, também começamos a limpar o terreno e aerar o solo sob seu direcionamento. Após um estudo detalhado do terreno, inclusive com o intermédio de órgãos externos especializados, realizamos a poda das árvores (figura 2), na qual os alunos interagiram de maneira participativa e enriquecedora. Começamos também a construção da estufa, utilizando canos de PVC, manufaturando-a na forma de uma concha acústica e, por fim, realizamos a abertura dos canteiros para o plantio das mudas.

da escola. Sendo assim, foi um momento em que eles perceberam que é possível construir e aprender com a natureza a viver de forma sustentável e equilibrada, pois, segundo Grun (1996), a ética ambiental conduz o homem pelo caminho da harmonia e do respeito com a terra e os seres vivos, fazendo com que ele se reconcilie com a natureza, afetiva e espiritualmente, mantendo uma visão holística e integrada do mundo. Nas demais áreas do conhecimento, como na disciplina química, uma amostra do solo foi coletada e discutida a importância do conhecimento do pH do mesmo, de acordo com Ernani (2008) para as práticas agrícolas, bem como a sua correção. No laboratório foi realizada experiência para verificar a salinidade do solo. Na disciplina física, foram apresentados programas que mostravam a importância da pressão em um sistema de irrigação. Posteriormente foi realizado um experimento utilizando uma garrafa pet com água, contendo nela um pequeno buraco para que o aluno fizesse a relação entre altura e pressão. A partir desse entendimento, foi construída uma maquete (figura 3), que demonstrava a utilização da água do ar condicionado para a irrigação da horta. Sendo assim, esse momento de aprendizado, foi de grande enriquecimento prático de tudo aquilo que eles se apropriaram na teoria, configurando-se numa verdadeira vivência.

Figura 2. Poda das árvores (Fonte: Profª.Elvira Suzi B. Garção)

Para estimular ainda mais os alunos, fizemos um intercâmbio com o Colégio Estadual Barão de Mauá, que já tem uma horta bem desenvolvida. Os alunos puderam, assim, ver o resultado do trabalho que eles apenas ainda estavam iniciando, aprenderam sobre a biologia do solo, mediante o conhecimento e visualização da macrofauna, composta por formigas, minhocas e cupins, estabelecendo a relação entre esses seres e a fertilidade e equilíbrio do solo e a contribuição dos micro-organismos na decomposição do material orgânico. Depois, os alunos cultivaram sementes na horta e tiveram uma palestra sobre todo o desenvolvimento do projeto socioambiental

Figura 3. Maquete da Horta (Fonte: Profª.: Elvira Suzi B. Garção)

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Conclusão Entendemos, portanto, que houve uma grande interação entre os conhecimentos de todas as áreas, pois conseguimos construir uma aprendizagem significativa, relevante e expressiva, contribuindo para a formação de um cidadão autônomo, criativo e responsável. Apesar de todas as dificuldades e obstáculos que se apresentaram no desenvolvimento desse projeto, como a falta de verba e de apoio, conseguimos alcançar a nossa maior meta, a reflexão dos alunos e professores de perceberem-se como seres responsáveis pela preservação da nossa única morada, a Terra, começando pelo lugar em que compartilhamos uma boa parte do nosso dia-a-dia. Por isso, temos como perspectivas a continuidade desse projeto pedagógico e de vida no ano de 2018, envolvendo cada vez mais alunos, professores e funcionários na constituição de uma única rede, a rede da vida. “Assim, a esfera da educação mostra de maneira mais evidente como se interpenetram (e se complementam) a responsabilidade parental e a estatal, a mais privada e a mais pública, a mais íntima e a mais universal, na totalidade dos seus respectivos objetivos.” (Jonas, 2006, p.181) Referências BRADY, N. C. Natureza e propriedade dos solos. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1979. 647 p. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais- Matemática 5ª a 8ª série. Brasília: SEF, 1998 ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de Nutrientes. Lages: O autor, 2008. 230p GRUN, Mauro. Ética e Educação Ambiental: a conexão necessária. 11ª edição, Campinas, SP, Papirus, 1996. JONAS, Hans. O Princípio Responsabilidade: Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Trad. Marijane Lisboa e Luiz Barros Montes. Rio de Janeiro. Rj. Ed. Puc-Rio, 2006.

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Resumo. A caatinga é referenciada nos livros didáticos como bioma de chuvas escassas e pouca variedade de organismos, além de enfatizar vegetais adaptados à vida na seca (xerófilos), ocultando a grande variedade de espécies existentes e suas inter-relações. O objetivo do presente estudo foi de despertar o interesse dos educandos pela biodiversidade da caatinga através de fotografias. Foram registrados diversos organismos, dentre eles insetos, aracnídeos, vegetais e aves em diferentes ambientes do município de Poço Verde/SE. Observou-se grande variedade de espécies, cujas fotografias foram expostas em painéis espalhados pela escola. Assim, faz-se necessária a inserção de componentes locais nas atividades didáticopedagógicas, visando tornar o processo de ensinoaprendizagem significativo. 1. Introdução A riqueza de organismos, sejam eles animais, vegetais, fungos ou demais seres vivos, é denominada biodiversidade. Esta tem nos biomas brasileiros o ambiente ideal de expressão das inter-relações ecológicas, devido à variedade climática e dos demais componentes biofísicos existentes. Entre os referidos biomas, a caatinga é mais conhecida por características como baixos índices pluviométricos, altas temperaturas e precárias condições de vida humana em detrimento da riqueza de vegetais e animais adaptados a este ecossistema, principalmente plantas xerófilas (NASCIMENTO; MACHADO; DANTAS, 2015). Esse limitado conhecimento pode estar relacionado às informações insuficientes trazidas pelos livros didáticos que, em sua maioria, são editados em outras regiões do país. Matos e Landim (2014), ao analisarem o conteúdo de livros didáticos adotados por escolas públicas do Estado

de Sergipe, observaram que um número muito baixo de obras se adequou a aspectos satisfatórios, como abordagem da riqueza de espécies e características culturais do bioma. Do mesmo modo, a maioria dos materiais utilizados traziam informações de forma incompleta e distanciada da realidade, como a pouca diversidade de espécies e ausência de discussão de impactos socioambientais, o que reforça a necessidade de abordar as características desse bioma de maneira contextualizada. Dessa forma, a importância da escolha correta do material a ser adotado pela escola é imprescindível. Baseadas nas mencionadas reflexões, ascendem as seguintes indagações: é possível inserir a discussão sobre a biodiversidade local nas aulas de Biologia? De que forma desmistificar a visão simplista do bioma caatinga trazida pelos livros didáticos? Como utilizar tecnologias, de forma a enriquecer o conhecimento sobre a biodiversidade da caatinga de forma contextualizada à realidade? Partindo desse questionamento, o objetivo do presente trabalho foi despertar o interesse dos educandos pela biodiversidade da caatinga por meio de registros fotográficos. 2. Materiais e Métodos 2.1 Proposta de atividade As práticas aconteceram como proposta complementar às aulas de Biologia da 2ª série do Ensino Médio Regular (noturno) do Colégio Estadual Prof. João de Oliveira, localizado na cidade de Poço Verde/SE. Foi solicitado aos educandos que fotografassem, com seus aparelhos celulares, organismos encontrados em diferentes locais do município, tanto na zona rural, quanto na urbana. Os discentes foram divididos em grupos, de forma a abranger temáticas distintas, escolhidas de acordo com a

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preferência dos componentes. Nesse contexto, por se tratar de uma atividade complementar relacionada às unidades de conteúdo, a pesquisa foi conduzida por um bimestre letivo, entre os meses de agosto a outubro de 2017. 2.2 Trabalho de campo A pesquisa de campo foi conduzida e organizada pelos próprios educandos, em contraturno às atividades de aula, de acordo com as possibilidades, pois se tratavam de alunos matriculados no turno noturno, que trabalham em período contrário. Com isso, foram fotografados cerca de 60 organismos, que variaram entre fungos, insetos, aracnídeos, plantas e aves. As fotografias foram selecionadas junto às duas turmas envolvidas na pesquisa e os organismos foram identificados, primeiramente, a nível de nomes populares, habitat e nicho ecológico. Posteriormente, contou-se com o auxílio de especialistas em taxonomias animal e vegetal para identificar, de maneira básica, as espécies estudadas.

outros. Com a exposição das fotos, foi possível observar a curiosidade dos demais estudantes em aprofundar o conhecimento sobre o nicho ecológico daqueles organismos, dos quais muitos já eram conhecidos por eles, além de poder aplicar os conceitos de Taxonomia aprendidos durante as aulas regulares de Biologia. Do ponto de vista pedagógico, o protagonismo discente possibilitado por essa prática ofertou um maior envolvimento e interesse pela temática, fazendo com que os conteúdos abordados durante as aulas fossem aplicados à realidade, como também permitiu o conhecimento e valorização do bioma em que estão inseridos.

2.3 Exposição A fim de possibilitar a divulgação dos trabalhos e promover a interação com os demais estudantes do colégio, as imagens foram expostas em painéis espalhados por locais de grande circulação no ambiente escolar, a exemplo dos corredores e espaços de convivência. Durante três semanas, as fotografias foram expostas e a cada uma delas a temática do evento modificava, sendo substituídas as fotografias anteriores por novas, que expunham outros grupos de seres vivos. Junto a cada fotografia estava a ficha de identificação que continha dados da espécie, local onde foi fotografada, autor e data, além de informações acerca do nicho ecológico que trata do modo de vida como cada organismo interage com o ecossistema.

Figura 1. Inseto da Família Syrphidae Fonte: Jaqueline Santana, 2017

3. Resultados e Discussão Nas fotografias selecionadas, pôde-se observar grande variedade de espécies, como insetos (Figura 1), plantas (Figura 2), aracnídeos (Figuras 3 e 4), dentre

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Figura 2. Ipomoea nil – Convolvulaceae Fonte: Joana Aparecida Rabelo, 2017


Figura 3. Escorpião amarelo - Tityus serrulatus Fonte: José Cláudio Trindade Júnior

interajam com os processos de ensino-aprendizagem não mais como espectadores, e sim como protagonistas do seu aprendizado”. A exemplo dessa prática, a aprendizagem pôde se tornar significativa, pois possibilitou que a realidade do seu lugar pudesse vir à tona entre os conteúdos curriculares comuns, fazendo com que o discente pudesse ver seu cotidiano abordado e seu conhecimento de mundo valorizado. A possibilidade de reunir tecnologias, hoje tão presentes no cotidiano escolar, como os smartphones, pode ser uma forma de associar esses elementos ao desenvolvimento da aula, ofertando possibilidades que vão de encontro aos entraves estabelecidos entre tais tecnologias e as práticas pedagógicas tradicionais de ensino, que não admitem tal protagonismo. Dessa forma, o processo de ensino-aprendizagem torna-se interativo e fornece elementos para a ativa participação discente, onde o educando interage e traz recursos que enriqueçam a discussão sobre o conteúdo curricular e permita ao professor a reflexão sobre sua prática e, assim, avalie-a com múltiplos recursos. Conclusão

Figura 4. Aranha de prata - Argiope argentata Fonte: Daniel Victor Vieira

Com as atividades de campo, os discentes puderam observar com mais precisão os organismos componentes da biodiversidade local. Do mesmo modo, o fato de estarem munidos do celular para capturar as imagens pôde iniciar o educando à condição de pesquisador, estimulando o prazer pelas atividades de pesquisa, pelo simples fato dos discentes terem construído o conteúdo a ser exposto durante a aula, fazendo-se, assim, parte do processo. Para Santos, Melo e Souza e Costa (2017), é necessária, na escola, “[...] uma prática que abranja características locais, que permitam que os educandos

Associar as tecnologias utilizadas pelos educandos em atividades relacionadas ao conteúdo que está sendo desenvolvido pode ser um meio eficaz para despertar o interesse dos estudantes à temática trabalhada. As fotografias revelaram uma biodiversidade antes oculta, até mesmo para os que convivem diariamente com essa realidade, indo além das plantas xerófilas, tão comum nos livros didáticos, e que sequer foram registradas. De igual maneira, a inserção de componentes que estejam relacionados ao cotidiano discente mostra-se importante, pois dota de sentido e amplia a apreensão dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula, uma vez que os estudantes começam a visualizar a aplicação dos conteúdos curriculares à sua realidade. Assim, estimular a participação discente por meio do uso de instrumentos presentes no cotidiano, como o celular, e incentivar a observação do entorno pode incentivar a construção de conhecimentos acerca do bioma caatinga, estimulando a autonomia.

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Referências MATOS, Elaine Cristine do Amarante; LANDIM, Myrna. O bioma caatinga em livros didáticos de Ciências nas escolas públicas do alto sertão sergipano. Alexandria, Florianópolis, v.7, n.2, p. 137-154, nov. 2014. NASCIMENTO, Eliane Oliveira do; MACHADO, David Dias; DANTAS, Marcelo Campêlo. O bioma caatinga é abordado de forma eficiente por escolas no semiárido? Revista Didática Sistêmica, Rio Grande, v. 17, n. 1, p. 95-105. 2015. SANTOS, Luiz Ricardo Oliveira; MELO e SOUZA, Rosemeri; COSTA, Jailton de Jesus. A metodologia da problematização no contexto da educação básica: possíveis caminhos para a formação de reeditores ambientais. Cadernos de Estudos e Pesquisa na Educação Básica, Recife, v. 3, n. 1, p. 257-274. 2017.

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Resumo. Os estudantes do Colégio Estadual Edélzio Vieira de Melo, assim como toda a população da cidade de Capela/ SE, convivem com o ônus e o bônus da atividade canavieira. Neste sentido, foi proposta uma intervenção interdisciplinar com o objetivo de inserir no contexto educacional as problemáticas ambientais, sociais, econômicas, éticas e políticas, que são comumente encontradas na região. O trabalho, que tem como tema gerador a cana-de-açúcar, iniciou-se com um levantamento bibliográfico sobre a questão histórica-geográfica. O cálculo da contribuição da atividade, para a composição do Produto Interno Bruto por Pessoa (PIB per capita) da cidade e do estado foi contemplado, assim como a discussão sobre a presença de metais e organoclorados, em córregos próximos às áreas de cultivo. Outro fator importante é a queima da palha seca, que libera toneladas de gases para atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2). Por fim, foi proposto aos aprendizes praticarem a elaboração da autoria, com a confecção de um cordel. 1. Introdução Diferentes pesquisadores têm discutido a importância de introduzir no dia-a-dia da escola novas perspectivas de ensino/aprendizagem, principalmente as vinculadas às situações da vida e para vida do aprendiz, ou seja, questões do cotidiano. No entanto, é preciso ficar claro que não se trata de citar exemplos no início ou no fim da aula como algo ilustrativo, para dar ênfase ou chamar a atenção para um aspecto do conteúdo trabalhado. É preciso ir mais fundo. No intuito de promover a inserção de problemáticas, essencialmente vividas pela comunidade do Colégio Estadual Edélzio Vieira de Melo (CEEVM), do município de Capela no estado de Sergipe, utilizamos procedimentos metodológicos que são defendidos nos

documentos oficias (BRASIL, 2000) e em grupos de pesquisa (SANTOS e MORTIMER, 1999; LUTFI, 1998), como a contextualização e a interdisciplinaridade. A escolha do tema a ser trabalhado se deu pelas interações construídas com uma turma de terceiro ano do ensino médio do CEEVM, através do estudo de fontes de energia. Nesta oportunidade, as questões que envolvem a substituição dos combustíveis fósseis por outras tecnologias menos poluentes permitiram apresentar aos alunos três questões motivadoras a serem pesquisadas. A cana-de-açúcar apareceu com maior ênfase nas respostas dadas pelos estudantes e se constituiu num tema de trabalho relevante para a comunidade, visto que, na cidade de Capela e seu entorno, a atividade de cultivo, manejo e beneficiamento do produto constitui uma das bases da economia. Quase a totalidade da turma tem algum amigo, parente ou vizinho que trabalha, direta ou indiretamente, com atividades relacionadas à indústria do açúcar/álcool. Além disso, o assunto é explorado nas avaliações oficiais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O objetivo geral do trabalho foi de utilizar a cana-de-açúcar como tema gerador para ensinar ciências por uma perspectiva interdisciplinar e tendo a contextualização como ferramenta para conectar os campos do conhecimento. Para testar a hipótese do uso da interdisciplinaridade como perspectiva para ensinar ciências, solicitamos as alunas e aos alunos que escrevessem e exercitassem a autoria, através da construção de uma espécie de cordel, que chamamos de “cordel da cana”.

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2. Materiais e Métodos Durante as aulas sobre fontes de energia, incluídas no planejamento curricular do primeiro bimestre, nas turmas de terceiro ano do ensino médio, as questões que envolvem a substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias menos poluentes, permitiram apresentar aos alunos três questões motivadoras a serem pesquisadas: • quais os impactos provocados pela agroindústria da cana-de-açúcar? • quais os impactos provocados pela implantação de um parque eólico? • quais os impactos provocados pela construção de uma usina termelétrica? Para o encaminhamento da pesquisa bibliográfica, que teve como base o banco de dados da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), pedimos que o foco principal fosse na região nordeste e em especial no estado de Sergipe. Foi dado um prazo de uma semana para que os grupos, compostos cada um por seis alunos, apresentassem os resultados encontrados. Os relatos deveriam destacar os aspectos sociais, econômicos, ambientais e éticos envolvidos no uso destas tecnologias. No encontro, os alunos descreveram oralmente o que observaram. Foi fácil perceber uma maior familiaridade com a problemática que envolve a cana-de-açúcar. Neste contexto, foi construída uma abordagem contextualizada e com ênfase na perspectiva interdisciplinar, tendo como culminância final um seminário e a confecção de um cordel, que chamamos, simplificadamente, de “cordel da cana”. A primeira parte da ação (seminário) aconteceu somente com a turma e os professores, mas a segunda teve a exposição dos resultados aos interessados. O intuito desta atividade foi de divulgar o conhecimento científico com a comunidade escolar, para que os professores pudessem refletir sobre novas formas de ensino, e os alunos de conhecerem outros caminhos para a aprendizagem.

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• ciências da natureza e suas tecnologias – presença de contaminantes, como metais e organoclorados, em córregos próximos as áreas de cultivo da canade-açúcar (CORBI et al, 2006) e a queimada da palhada, antes da colheita (RONQUIM, 2010); • ciências humanas e suas tecnologias – levantamento bibliográfico da questão histórica e geográfica que levou a implantação da atividade na região, inclusive com dados sobre a escravidão e a presença de quilombos no Vale do Cotinguiba, durante o século XIX (OLIVEIRA, 2015); • linguagens, códigos e suas tecnologias – praticar a elaboração da autoria, baseando-se em Orlandi (1996), que afirma que aprender a se representar como autor é assumir, diante da escola e fora dela, um papel social; • matemática e suas tecnologias – entender a contribuição da atividade sucroalcooleira, para a composição do Produto Interno Bruto por pessoa (PIB per capita) de Sergipe (LOPES, 2014). Para facilitar a organização das tarefas e a orientação dos professores, dividimos a proposta por campos do conhecimento, com destaque para os conteúdos e os referenciais a serem utilizados pelos docentes: Para avaliar a profundidade dos trabalhos desenvolvidos, antes do seminário uma mostra dos resultados foi realizada, tendo uma abordagem bem simples, ou seja, foi construído um “varal” com a descrição, em uma folha, dos dados encontrados. 3. Resultados e discussão A pesquisa bibliográfica (PB) do rigor acadêmico tem como característica principal o estímulo a leitura e ao fichamento de um conteúdo teórico que visa, principalmente, dar sustentação ao trabalho. Acreditamos que qualquer área do conhecimento exige uma PB antes da construção de um trabalho, mas esta se torna essencial quando envolve a educação básica, pois representa um segmento que carece de novas atitudes de ensino/aprendizagem e que venha a romper com o ensino


tradicional (tecnicista e racionalista). Freire (2001, p.32) afirma que “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”. Nesse contexto, o professor deve respeitar os saberes dos educandos adquiridos em sua história, assim como estimular a curiosidade, instigar à observação e o questionamento para elaborar hipóteses. Com posse dos dados recolhidos da BDTD, foi selecionado o tema da cana-de-açúcar, devido a uma maior identidade com a região em que se encontra a escola. A tabela 1 relaciona a PB feita pelos estudantes. A preocupação foi de utilizar a BDTD como fonte principal de pesquisa, e se deu pela forma de tratamento dos conteúdos que permite associar os saberes trazidos pelos alunos e comparar com o rigor cientifico da academia. No entanto, estimulamos a conexão dos saberes/conhecimentos, mas sem valorizar ou subjugar um ou outro. Grupos 1 2

3 4 5 6 7 8

que o professor deve ser um pesquisador que constrói e reconstrói seu projeto pedagógico, ou seja, é preciso produzir ou reelaborar o material didático, buscando sempre inovar a prática em sala de aula. A PB feita pelos grupos de trabalho e conduzida pelos professores, segundo o referencial cientifico proposto pelo tema gerador da cana-de-açúcar, resultou na separação das TD por campo do conhecimento, segundo a tabela 2. Campos do Conhecimento Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resultados da Pesquisa Assentados e não assentados no povoado Boa Vista, Capela/SE: sustentabilidade e pequena propriedade/(RIBEIRO JÚNIOR, A. E. P., 2010); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/1313 Do latifúndio e do agronegócio: as novas territorialidades do capital no campo sergipano e as formas em que se reveste o domínio do senhor ao escravo/(DE OLIVEIRA, S. S, 2011); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/2218 Plano de gestão sustentável dos resíduos na agroindústria canavieira em Sergipe/(DA CRUZ, I. S., 2011); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/1119 Pesticidas no alto do rio Poxim e os riscos de contaminação (BRITO, F. B., 2011); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/382 Influência do cultivo da cana-de-açúcar nas nascentes do alto e baixo rio Japaratuba/(LIMA, J. F. dos S., 2013); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/1136 Efeitos de estresses bióticos sobre os parâmetros ecofisiológicos e componentes de produção de quatro variedades de cana-de-açúcar/(DA SILVA, F. L. S., 2015); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/2761 Das interfaces do projeto de irrigação de fruticultura platô de Neópolis ao agronegócio da cana-de-açúcar/(VASCONCELOS, J. S. de O., 2015); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/3112 Eficiência de uso da água no cultivo de cana-de-açúcar, 1ª folha, em diferentes épocas de plantio/(DE CARVALHO, T. B., 2016); http://bdtd.ufs.br/handle/tede/3085

Resultados da Pesquisa Pesticidas no alto do rio Poxim e os riscos de contaminação; Influência do cultivo da cana-de-açúcar nas nascentes do alto e baixo rio Japaratuba; Do latifúndio e do agronegócio: as novas territorialidades do capital no campo sergipano e as formas em que se reveste o domínio do senhor ao escravo; Assentados e não assentados no povoado Boa Vista, Capela/SE: sustentabilidade e pequena propriedade;

Matemática e suas Tecnologias

Efeitos de estresses bióticos sobre os parâmetros ecofisiológicos e componentes de produção de quatro variedades de cana-de-açúcar; Eficiência de uso da água no cultivo de cana-de-açúcar, 1ª folha, em diferentes épocas de plantio;

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Plano de gestão sustentável dos resíduos na agroindústria canavieira em Sergipe; Das interfaces do projeto de irrigação de fruticultura platô de Neópolis ao agronegócio da cana-de-açúcar

Tabela 2. Separação das Teses e Dissertações por Campos do Conhecimento, tendo a cana-de-açúcar como tema gerador

Tabela 1. Pesquisa Bibliográfica através da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), para o tema cana-de-açúçar

A seleção das teses/dissertações (TD) a serem utilizadas pelos grupos seguiu uma ordem cronológica. Ainda assim tivemos a preocupação de propor uma escolha que promovesse a relação entre as disciplinas e favorecesse a contextualização dos conteúdos, respeitando as problemáticas de cada trabalho encontrado na PB. Contudo, concordamos com Demo (2007) ao afirmar

A construção da tabela 2 teve o intuito de demonstrar a importância do papel do professor na condução do trabalho, seja para contribuir na superação do senso comum ou estimular o rigor cientifico da investigação. No entanto, não desprezamos o respeito ao contexto e à situação cultural em que estão inseridos os aprendizes. O espaço da sala de aula que mantém o professor apenas como transmissor de conhecimentos precisa ser repensado e transformado. Portanto, é fundamental desenvolver o trabalho em equipe e perseguir a valorização da cidadania, com o uso do pensamento crítico para contestar situações que são hegemônicas na escola a muito tempo. Concordamos novamente com Demo (2007) ao levantar a questão de que a base da educação escolar é a pesquisa, pois só o conhecimento é capaz de

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intervir de forma competente, crítica e inovadora para transformar a realidade: [...] não é possível sair da condição de objeto (massa de manobra), sem formar consciência crítica desta situação e contestá-la com iniciativa própria, fazendo deste questionamento o caminho de mudança. Aí surge o sujeito, que o será tanto mais se, pela vida afora, andar sempre de olhos abertos, reconstruindo-se permanentemente pelo questionamento. Nesse horizonte, pesquisa e educação coincidem, ainda que, no todo, uma não possa reduzir-se à outra (p. 8). Das diversas abordagens, a contextualização e a interdisciplinaridade têm se mostrado eficientes para inserir no contexto educacional as problemáticas ambientais, sociais, econômicas, éticas e políticas, que são comumente encontradas na região. Essas abordagens podem contribuir para que os aprendizes contestem a realidade em que vivem e possam transformá-la para melhor. 3.1 A Contextualização e a Interdisciplinaridade Diferentes grupos de pesquisa, assim como os pesquisadores Santos e Mortimer (1999), têm alertado para o equívoco que alguns professores da educação básica têm feito com os termos contextualização e cotidiano, muitas vezes sendo utilizados como sinônimos. Os autores defendem a contextualização abordando o ensino de ciências/química, através de uma relação com o contexto econômico, social, cultural e político, no intuito de formar indivíduos para exercitar a cidadania com abordagens contextualizadas sobre ciência e tecnologia, além de favorecer o desenvolvimento de atitudes e valores que contribuirão para a tomada de decisões. A conclusão que os autores chegaram foi a de que os professores entendiam a contextualização como uma descrição científica de fatos e processos envolvidos no cotidiano do aluno, mas sem muita profundidade para criar atividades que levem a reflexão crítica sobre problemas reais.

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Santos e Mortimer (2010) destacou, de forma crítica, que a contextualização no ensino de ciências tem sido abordada na escola erradamente, onde esbarra na forma tradicional do professor em ensinar, com destaque para a memorização de conteúdos, cálculos matemáticos e a preocupação com fixação de nomes de compostos químicos: A contextualização esteve presente em todas as etapas de nossa proposta de trabalho, ou seja, desde a PB até a culminância e que envolve a prática da autoria com a literatura de cordel, manifestação artística tipicamente nordestina. A escolha do cordel se deu pela linguagem informal, com humor, sarcasmo, ironia e que é tão presente nas manifestações dos estudantes. Portanto, o uso de rimas, da métrica e da oralidade permitem discutir e refletir a realidade social, sem abrir mão do pensamento científico. A interdisciplinaridade (ID), como perspectiva de trabalho no ensino de ciências, facilita a integração entre as diferentes áreas do conhecimento, promovendo a interação entre o aluno e o professor. Mas para que a ID ocorra é preciso tornar as disciplinas comunicativas entre si. De acordo com Brasil (1999), a interdisciplinaridade é importante pois [...] o ensino de ciências, na maioria de nossas escolas, vem sendo trabalhado de forma descontextualizada da sociedade e de forma dogmática. Os alunos não conseguem identificar a relação entre o que estudam em ciência e o seu cotidiano e, por isso, entendem que o estudo de ciências se resume a memorização de nomes complexos, classificações de fenômenos e resolução de problemas por meio de algoritmos (p.4). A ID não cria novas disciplinas ou saberes, mas utiliza os conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema ou compreender um determinado fenômeno sob diferentes pontos de vista. Sendo assim, fica mais fácil compreender a ID levando em conta o diálogo permanente que existe entre as disciplinas,


[…] não dilui as disciplinas, ao contrário, mantém sua individualidade. Mas integra as disciplinas a partir da compreensão das múltiplas causas ou fatores que intervêm sobre a realidade e trabalha todas as linguagens necessárias para a constituição de conhecimentos, comunicação e negociação de significados e registro sistemático dos resultados (p. 89). O que buscamos com esse trabalho foi propor um ensino pautado na prática interdisciplinar, formando estudantes com uma melhor visão de mundo e tendo a possibilidade de contextualizar os conhecimentos adquiridos. Conclusão A familiaridade dos estudantes com a problemática que envolve a cana-de-açúcar foi um facilitador para aproximar o conhecimento científico com os saberes trazidos pela convivência em comunidade, visto que muitos deles têm na atividade canavieira uma realidade cotidiana. O trabalho encontra-se em fase de finalização, com os resultados da interação entre as disciplinas sendo catalogadas para o seminário. A confecção do cordel abre novas possibilidades de trabalho, pois valoriza a oralidade, a autoria e a cultura popular. A utilização da interdisciplinaridade, tendo um tema gerador muito presentre nas avaliações oficiais, motivou os alunos à pesquisa. Apesar do pouco contato que os estudantes têm com a PB, a presença dos professores para conduzirem à coleta dos dados contribuiu para a seleção das teses/dissertações pelos grupos. A contextualização com o envolvimento de aspectos econômicos, éticos, ambientais, sociais e politicos não só permitiu aos alunos uma nova abordagem do coteúdo, como também possibilitou aos professores modificarem a proposta de ensino, caucada no tradicionalismo e com o livro didático como principal fonte.

A combinação das duas atitudes, contextualização e interdisciplinaridade, vislumbra novos caminhos para discutir na escola questões afrodescendentes, por exemplo, visto que a cidade é campo histórico de mão-de-obra escrava. Referências BRASIL. Ministério da Educação (MEC), Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec). Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: MEC/Semtec, 2000. CORBI, J. J. et al. Diagnóstico ambiental de metais e organoclorados em córregos adjacentes a áreas de cultivo de cana-de-açúcar (Estado de São Paulo, Brasil). Química Nova, p. 61-65, 2006. DEMO, Pedro. Educar Pela Pesquisa. 8 ed. Campinas: Autores Associados, 2007. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. LOPES, R. C. et al. Efeitos do investimento em capital físico e humano no crescimento econômico local: uma análise para os municípios do Estado de Sergipe. 2014. LUTFI, M. Cotidiano e educação em química: os aditivos em alimentos como proposta para o ensino de química no segundo grau. Ijuí: Unijuí, 1988. OLIVEIRA, I. F. de. “Por não querer servir ao seu senhor”: os quilombos volantes do Vale do Cotinguiba (Sergipe Del Rey, século XIX). 2015. RONQUIM, C. C. Queimadas na colheita da cana-de-açúcar: impactos ambientais, sociais e econômicos. Embrapa Monitoramento por Satélite-Documentos (INFOTECA-E), 2010. SANTOS, W.L.P. e MORTIMER, E.F. Concepções de professores sobre contextualização social do ensino de química e ciências. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 22, 1999. Anais. Poços de Caldas: Sociedade Brasileira de Química, 1999. SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Tomada de decisão para ação responsável no ensino de ciências. Ciência e Educação, Brasília, DF, v.7, n.1, p.95-111, 2001. Disponível em: <http://www2.fc.unesp.br/ cienciaeeducacao/viewarticle.php?id=115>. Acesso em: 06 out. 2010.

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Resumo. A usina termoelétrica é uma instalação industrial na qual a energia elétrica é produzida a partir da combustão de produtos combustíveis, como o carvão, óleo combustível, gás natural ou biomassa. O Estado de Sergipe terá em funcionamento em 2020 a maior usina termoelétrica do país, com capacidade de atender cerca de 15% da demanda por energia no Nordeste. Assim, é importante discutir com os alunos essa forma de produção de energia elétrica. Para tal, foi proposto aos discentes que apresentassem experimentos sobre o tema. Nesse trabalho, os discentes exibiram dois experimentos de conversão de energia térmica em elétrica. 1. Introdução Diante da expansão constante das economias mundiais e do crescimento populacional, a demanda global de energia vem aumentando a um ritmo acelerado. Para reduzir os impactos dessa necessidade, deve-se apresentar uma participação maior das distintas formas de produzir energia elétrica (LELLIS et al, 2016). No Brasil, a maior parte da energia elétrica é produzida nas usinas hidroelétricas. No período de falta de chuvas, principalmente no Nordeste Brasileiro, os níveis de água nas represas das hidrelétricas registram diminuição expressiva, resultando em significativa redução na produção de energia elétrica. O país tem algumas termoelétricas que são utilizadas em situações nas quais as hidroelétricas não atendem toda a demanda, como nesses períodos de seca (MARTINS e FREITAS, 2015). A proposta deste projeto é apresentar dois experimentos: a produção de uma mini usina termoelétrica e o Efeito Seebeck, para discutir a conversão de energia térmica em energia elétrica de forma contextualizada.

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2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido por estudantes do 3° Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo. Nesse trabalho, os discentes apresentaram dois experimentos de conversão de energia térmica em elétrica na sala de aula. As atividades foram solicitadas pelo professor para a discussão do tema Produção de Energia. No primeiro, observaram a corrente elétrica produzida a partir de duas junções de fios condutores de diferentes metais quando estão a distintas temperaturas (Figura 1). Foram utilizados arrames, fios de cobre, recipiente com água, fonte de calor e multímetro.

Figura 1. Esquema do experimento do Efeito Seebeck.

Os fios de cobre e o arrame foram enrolados nas pontas, formando as junções cobre/ferro. Uma junção foi colocada em um recipiente com água e gelo e a outra junção na chama de uma vela. Com o auxílio de um multímetro, mediu-se a corrente elétrica gerada.


No segundo experimento, demonstraram uma mini termoelétrica fabricada com materiais recicláveis, como lata de alumínio, arrames, motor de aparelho DVD e seringas (Figura 2).

Figura 3. Execução do experimento do Efeito Seebeck na sala de aula.

Figura 2. Esquema da mini usina termoelétrica.

Conforme visto na Figura 2, para a produção da mini usina, foi preparado um suporte para a lata de refrigerante. No suporte de madeira com pregos, é colocada uma fonte de calor, nesse experimento utilizou-se um recipiente de metal com álcool. A lata de refrigerante deve ter um pequeno orifício na frente e certa quantidade de água. Com o aquecimento da lata, a água vaporizará e fará com que o motor de DVD gire suas hélices e produza energia elétrica. Posicione o motor de DVD de forma que suas hélices se movimentem com o vapor que sai da lata de refrigerante. Para adicionar água na lata, foi usada uma seringa. 3. Resultados e discussão O experimento do Efeito Seebeck foi realizado com materiais simples. Com esse, foi possível identificar o aparecimento do potencial elétrico quando a junção de metais condutores foi submetida a uma diferença de temperatura, conforme demonstrado na Figura 3.

O Efeito Seebeck deve-se à movimentação dos elétrons livres dos metais da junção quente para a junção fria proporcionando a tensão elétrica, medida com o auxílio do multímetro. Assim, os níveis de energia dos elétrons em cada metal mudaram de forma diferente e uma diferença de potencial entre as junções criou uma corrente elétrica e, portanto, um campo magnético em torno dos fios. O Efeito Seebeck depende dos materiais utilizados e da diferença de temperatura, quanto maior a variação, maior corrente será produzida (SOUZA, 2013). O segundo experimento foi a produção de uma mini usina termoelétrica (Figura 4). A usina é utilizada para a geração de energia elétrica a partir da energia liberada por materiais que possam gerar calor, tais como óleo diesel, gás natural, madeira.

Figura 4. Experimento da mini usina termoelétrica em funcionamento da sala de aula.

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Para a produção de energia elétrica, a água é colocada na lata de refrigerante e aquecida. A lata tem apenas um orifício pequeno, é aquecida e após certo tempo, inicia a saída de vapores de água. Um motor de aparelho DVD é posicionado para girar com a força do vapor liberado. Com o funcionamento do motor, podese conectar um multímetro em seus fios para medir a corrente elétrica produzida. A utilização desses procedimentos experimentais oferece a discussão de fontes de produção energia elétrica, conversão de energia, necessidade energética no país, vantagens e desvantagens da termoelétrica, além de trabalhar com uma forma de produção de energia que será produzida em breve no Estado de Sergipe. Conclusão Este trabalho apresenta procedimentos experimentais com materiais simples e de fácil acesso que docentes e discentes poderão reproduzir em suas escolas, mesmo as que não apresentam laboratórios de Ciências. Desta forma, com estas atividades, pode-se discutir o tema conversão de energia térmica em energia elétrica de forma contextualizada com participação ativa dos alunos no processo de ensino-aprendizagem. Referências LELLIS, M. DE; MENDONÇA, A. K.; SARAIVA, R.; TROFINO, A.; LEZANA, Á. Electric power generation in wind farms with pumping kites: An economic analysis. Renewable Energy, 86, 2016. MARTINS, J. C. V.; FREITAS, S. N. L. Aspectos sociambientais de uma usina termelétrica no Rio Grande do Norte. Anais do IV SINGEP, São Paulo – SP, 2015. SOUZA, R. F. Caracterização do Efeito Seebeck em junções heterogêneas de óxido de cobre. Anais do VIIIEPCC, Maringá-PR, 2013.

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Resumo. É de conhecimento geral que a queima de combustível fóssil é altamente poluente e traz grandes prejuízos ao meio ambiente. Nessa perspectiva, o presente trabalho propõe o uso do biogás como combustível sintetizado por processos biológicos, alternativo ao uso de combustíveis fósseis como o gás natural. Para a execução deste trabalho, utilizamos como método a decomposição da matéria orgânica pela ação de microrganismos anaeróbios para a produção de biogás. Como matéria prima, foram usados os rejeitos orgânicos produzidos na cozinha do Centro de Excelência Maria das Graças de Azevedo Melo, local onde foi desenvolvido o referido projeto. 1. Introdução O planeta terra, ao longo dos anos, vem sofrendo com a ação do homem que explora a natureza de maneira predatória ocasionando vários problemas ambientais. A poluição das águas e do ar são consequências graves causadas pela interferência humana e compromete a qualidade de vida na terra. Pensar sobre a reversão desse quadro em face ao nível de devastação a que chegamos constitui-se em uma ação nobre e cidadã, embora saibamos que as condições naturais do nosso planeta dificilmente recobrariam seu perfeito funcionamento. Contudo, nesse cenário, torna-se imprescindível discutir sobre fontes de energia renováveis e pensar sobre isso é contribuir para a sustentabilidade do nosso planeta, visto que a produção de energia limpa contribui diretamente para a melhoria das condições socioambientais do planeta. Partindo dessa compreensão, investir em sustentabilidade torna-se um caminho viável para descontinuar o processo incauto iniciado pelo homem. Propõe-se, desta maneira, o biogás, combustível sintetizado por processos biológicos, como uma alternativa sustentável, eficiente e com menor

emissão de resíduos poluentes, alternativo ao uso de combustíveis fósseis, a exemplo do gás natural. O biogás é um gás incolor, altamente combustível, de alto poder calorífico e queima com um mínimo de poluição. Obtido a partir da fermentação anaeróbia de dejetos animais, de resíduos vegetais e de lixo residencial. É uma mistura gasosa combustível, composta basicamente de dois gases, o metano (CH4), que representa 60-70% da mistura, e o gás carbônico (CO2) que representa os 40-30%. Havendo ainda outros gases como o nitrogênio (N2), hidrogênio (H2) e gás sulfídrico (H2S) que participaram da mistura em proporções menores (COMASTRI FILHO, 1981). O metano (biogás) é produzido por meio de processos biológicos de fermentação anaeróbia a partir da matéria orgânica na presença de bactérias e isto se faz por meio de um biodigestor, que transforma esses materiais em condições anaeróbias, ou seja, na ausência do ar atmosférico (VESPA, 2005). Sendo, esse gás, coletado e estocado ao longo do processo pelo gasômetro. Segundo Dos Santos et al (2012), as principais reações bioquímicas que ocorrem no processo de fermentação anaeróbia e produção de biogás estão divididas em: hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese, nessa última ocorre a conversão do acético em CH4; e do H2 em CH4, sendo esse o metano, o biogás. O uso do biogás como fonte energética alternativa, além de emitir menos poluentes que a queima de combustíveis de origem fóssil, tem sua matéria prima para realização do processo proveniente de restos de alimento de origem vegetal, os quais seriam descartados e gerariam um outro fator preocupante e problemático, a produção de lixo. O resíduo obtido ao final do seu processo de produção também pode ser aproveitado, sendo utilizado como biofertilizante.

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O biofertilizante é o efluente gerado pela biodigestão que, resultado do processo de fermentação anaeróbia da biomassa de um biodigestor, possui grande importância para a agricultura (BARBOSA; LANGER, 2011). Comastri Filho (1981) afirma que, após a digestão anaeróbica no interior do digestor, os resíduos sobrenadantes apresentam alta qualidade (em média apresentam 1,5 a 2,0% de nitrogênio, 1,0 a 1,5% de fósforo e 0,5 a 1,0% de potássio) para uso como fertilizante agrícola (biofertilizante). Dessa forma, temos um adubo de origem orgânica, isento de agentes causadores de doenças e pragas às plantas, reestabelecendo o teor de húmus do solo. 2. Materiais e Métodos O presente trabalho foi realizado por um grupo de seis educandos do primeiro ano do Ensino Médio em tempo integral do Centro de Excelência Maria das Graças de Azevedo Melo, localizado no bairro Coqueiral do município de Aracaju/SE. As atividades tiveram início em maio de 2017 com a proposta central de apresentar uma fonte alternativa, menos poluente e sustentável de energia. A sugestão por parte dos alunos foi o uso do biogás para essa finalidade. Foram consultados trabalhos realizados com a mesma temática em busca de referencial teórico e informações norteadoras para início e execução do projeto. Após revisão da bibliografia disponível, teve início a fase de execução do trabalho. O protejo foi realizado com materiais simples, de baixo custo, com materiais reutilizáveis e com matéria orgânica que seria descartada como rejeito: 2 vasilhames de água mineral com 20 litros de volume e 2 garrafas pet, de refrigerante, com volume igual a 2 litros (esses recipientes atuam como os biodigestores); 2 balões de borracha utilizados em festas, 2 balões de borracha, gigantes; balde plástico; elástico para prender cédulas de dinheiro; sacolas plásticas utilizadas em supermercado para embalar compras; restos de legumes, verduras e frutas; e fezes de animais equinos e bovinos.

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3. Resultados e discussão O presente trabalho teve início no mês de maio, na primeira semana do ano letivo de 2017 do Centro de Excelência Maria das Graças de Azevedo Melo. Partindo da sugestão dos professores orientadores de desenvolver um projeto de pesquisa com relevância ao cenário socioeconômico atual, os estudantes pesquisadores trouxeram a proposta da utilização do biogás como fonte alternativa de energia, em substituição ao uso de combustíveis fósseis (gás natural). A Tabela 1 evidencia o cronograma das atividades realizadas para idealização e execução do projeto: Tabela 1. Cronograma de atividades. Maio/2017

- Apresentação da atividade de pesquisa aos educandos; - Proposta do tema biogás pelos educandos.

Maio, junho e julho/2017

- Pesquisa e consulta às referências bibliográficas relevantes à temática; - Levantamento do material necessário a execução do projeto.

Agosto e setembro/2017

- Pesquisa e consulta às referências bibliográficas relevantes à temática; - Sensibilização das servidoras da escola para separação do material biológico a ser utilizado; - Montagem do experimento; - Observação e registro dos resultados; - Redação do artigo.

O experimento foi montado e executado utilizando a seguinte metodologia: 1° ETAPA – os estudantes pesquisadores, no turno matutino, solicitavam às servidoras que trabalham na cozinha da escola a separação dos restos vegetais, os quais seriam descartados no lixo comum, em baldes plásticos. Nessa etapa, os educandos fizeram um trabalho de sensibilização com as servidoras da escola, apontando os objetivos do trabalho e explicando o destino do material biológico. Houve adesão e colaboração de 100% desses profissionais. 2° ETAPA – Ao final do almoço, esse material orgânico era recolhido e depositado nos recipientes de 20 litros e nas garrafas pet de 2 litros. Sempre após o depósito do material orgânico, os recipientes tinham suas aberturas fechadas com sacolas plásticas (vasilhames de 20 litros) e suas respectivas


tampas (garrafas pet), evitando o contato com o ar atmosférico. O ar atmosférico possui 21% de oxigênio gasoso, O2. Essa substância é indispensável ao processo de respiração celular realizado pelos organismos aeróbios, mas é letal aos anaeróbios estritos, como os que participam dos processos fermentativos para a produção do biogás, devendo assim evitar o contato direto com o O2 presente no ar atmosférico. Nesta etapa, foi possível observar a formação de bolhas de ar na fase aquosa da mistura, o que evidencia a produção de gases no processo, resultado da proliferação e ação fermentativa das bactérias presentes no sistema. 3° ETAPA – Após preenchidos cerca de 1/2 do volume de cada recipiente com restos de vegetais, foi acrescentado aproximadamente 1/3 do volume de cada recipiente com fezes equinas e bovinas, sempre fechando a abertura dos recipientes após o processo. Com a adição das fezes, foi observado um aumento na formação de bolhas, fato explicado pela presença de bactérias anaeróbias em grande quantidade nesse material. Esses microrganismos compõem a flora intestinal de animais equinos e bovinos, realizando naturalmente o processo fermentativo com produção de metano (biogás) no trato intestinal desses animais. 4° ETAPA – Ao final do processo descrito nas etapas anteriores, foram colocados balões de borracha gigantes nos recipientes de 20 litros, e nos recipientes de 2 litros balões de borracha comum e fixados com elástico. A fermentação anaeróbia e formação do biogás é um processo relativamente lento, embora seja observável a formação de bolhas no sistema indicativo da produção dessa substância gasosa, a obtenção em quantidades satisfatórias para sua utilização ocorre no período médio de um mês. Sendo assim, a produção ainda é pequena, porém já se observa nos balões a presença de gás metano (Figura 1 e Figura 2).

Figura 1 e figura 2 - Produção de Biogás

Conclusão Após a realização deste trabalho, podemos concluir que, por se tratar de um processo biológico relativamente lento, a produção do biogás em quantidade utilizável deve ser realizada em um período superior a trinta dias, embora ainda em pequena quantidade, proporcional ao sistema utilizado (biodigestor e Revista Feira de Ciências e Cultura  |  43 


gasômetro). Para substituir a utilização do gás natural (gás de cozinha) em uma residência, o sistema utilizado no processo deve ser construído proporcionalmente à demanda dessa fonte energética. Podemos concluir que o biogás (metano – CH4) é uma alternativa viável ao uso de combustíveis de origem fóssil. A utilização de produto orgânico, matéria prima para produção dessa substância, a qual seria descartada, alinhada ao fato de que todo o resíduo produzido é aproveitado como adubo orgânico rico em nutrientes proporcionando bom desenvolvimento de espécies vegetais cultiváveis, atribui caráter sustentável à realização desse processo. No que diz respeito ao aprendizado e vivência dos estudantes, este projeto foi uma oportunidade para a construção de um conhecimento necessário não só como um saber acadêmico, mas também um saber aplicável à vida dos educandos de maneira positiva. Essa iniciativa os permitiu vislumbrar outra alternativa para utilização de resíduos domésticos, não só o descarte como lixo, e os fez refletir sobre o uso responsável e consciente dos recursos naturais, bem como uma nova visão da ciência e seu compromisso com o processo de aprendizagem. Referências BARBOSA, George; LANGER, Marcelo. Uso de biodigestores em propriedades rurais: uma alternativa à sustentabilidade ambiental. Unoesc & Ciência-ACSA, v. 2, n. 1, p. 87-96, 2011. COMASTRI FILHO, José Anibal. Biogás: independencia energetica do Pantanal Mato-Grossense. 53 p. Embrapa Pantanal-Circular Técnica (INFOTECA-E), 1981. DOS SANTOS, Kenia Gabriela et al. FERMENTAÇÃO ANAERÓBIA: UMA ALTERNATIVA PARA A PRODUÇÃO DE HIDROGÊNIO. Revista Brasileira de Energias Renováveis, v. 1, p. 1-12, 2012. VESPA, Izabel Cristina Galbiatti. Características minerais e energéticas do lixo urbano em processos de compostagem e biodigestão anaeróbia. 57 p. Dissertação de Mestrado – Curso de Agronomia - Área de Concentração em Energia na Agricultura. Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp - Campus de Botucatu, 2005.

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Resumo. A experimentação desperta o interesse dos alunos pelas disciplinas de Ciências Naturais devido seu caráter motivador e lúdico. Deficiência na infraestrutura do ambiente escolar com frequência é descrita como limitadora para a inserção da atividade experimental no processo de ensino-aprendizagem. As aulas práticas podem ser desenvolvidas com materiais simples, acessíveis ao aluno e que ofereçam contextualização e interdisciplinaridade. Este trabalho tem o objetivo de apresentar um canal no YouTube para a divulgação de experimentos com materiais alternativos denominado Química em Areia Branca. Vídeos de experiências realizadas com materiais alternativos são apresentados para que professores e/ou alunos possam reproduzi-las sem dificuldades. 1. Introdução As atividades experimentais são práticas promotoras incondicionais da aprendizagem e da motivação no processo de ensino-aprendizagem das Ciências Naturais. O desenvolvimento dos experimentos deve superar o caráter meramente ilustrativo de conhecimentos teóricos e criar situações problemas e investigações para o melhor conhecimento da Ciência. A ausência de laboratórios equipados nas escolas, ou seja, com materiais, reagentes e equipamentos sofisticados, não deve ser causa da não realização de experimentos. Essa situação deve ser superada pelos docentes com criatividade para promover as aulas investigativas e práticas (GONÇALVES e MARQUES, 2011). Nesse sentido, há a proposta de utilizar materiais diversos para confeccionar instrumentos ou aparelhos (por exemplo, destiladores, calorímetros) similares aos disponíveis comercialmente, com potencial para aperfeiçoar e viabilizar as atividades experimentais em escolas sem laboratórios. A

utilização de materiais alternativos no ensino de Química faz com que o aluno produza experimentos com materiais de seu cotidiano. A experimentação pode ser investigativa ou demonstrativa, com planejamento adequado à infraestrutura disponível. Para este tipo de proposta, o professor leva o material necessário para os experimentos ou informa aos alunos como obtê-los ou produzi-los (VIEIRA et al, 2007). No ano passado, foi criado um blog (www. quimicacegjaf.blogspot.com) para divulgação de experimentos adaptados de Livros Didáticos de Química do Ensino Médio com materiais alternativos (SANTOS et al, 2017). Com a finalidade de melhorar a proposta de divulgação de atividades experimentais que podem ser utilizadas em sala de aula, foi produzido um canal no YouTube. Desta forma, este trabalho tem o objetivo de apresentar o canal denominado “Química em Areia Branca” desenvolvido por alunos do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo para a divulgação de experimentos com materiais alternativos. 2. Materiais e Métodos O projeto foi realizado por alunas bolsistas e voluntárias PIBIC JR do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo dos 2º e 3º Anos do Ensino Médio. Para o desenvolvimento deste trabalho, as etapas seguidas foram: * Pesquisa de experimentos em Livros Didáticos de Química, endereços eletrônicos e revistas científicas; * Seleção dos experimentos; * Teste de experimentos; * Filmagem das atividades experimentais; * Adequações dos vídeos; * Publicação dos vídeos no canal do YouTube Química em Areia Branca.

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Os experimentos foram realizados sob a orientação do docente. Para a gravação dos vídeos, os discentes utilizaram seus aparelhos celulares. A edição dos vídeos foi através do software Windows Movie Maker. 3. Resultados e discussão Diante dos resultados apresentados anteriormente (SANTOS et al, 2017), foi proposto a evolução do projeto com a inserção de vídeos com experimentos no YouTube. Esse site tem grande acesso pela população e o canal com divulgação de atividades experimentais pode servir para a popularização e incentivo à Ciência. Além disso, os discentes envolvidos encontram-se num ambiente de pesquisa de experimentos para adaptá-los, gravá-los e divulgá-los. Além de incentivar o estudo de fenômenos ocorridos durante as atividades experimentais, os vídeos divulgados darão oportunidade a outros estudantes e professores de utilizar estes experimentos de fácil manuseio e aquisição em sala de aula, sem necessidade de Laboratórios de Ciências. A produção de vídeos para o canal do YouTube torna-se uma metodologia colaborativa, pois provoca a busca de conhecimento nos estudantes que foram desafiados a participar do projeto e aos alunos que utilizarão as atividades experimentais após serem divulgadas. Para ampliar a busca de experimentos, nesse projeto, utilizaram-se Livros Didáticos de Química, Endereços Eletrônicos e Revistas Científicas, tais como: Revista Feira de Ciência & Cultura, Química Nova na Escola, Química Nova. Após a seleção das atividades, foram realizados testes e a gravação dos vídeos. Os vídeos divulgados no canal “Química em Areia Branca” estão listados a seguir: * Há espaço vazio na matéria? * Preparo de soluções * Diluição de soluções * Bomba de Hidrogênio * Produção de sabão * Produção de desinfetante * Pilha com limão * Pilha com tomate.

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No canal do YouTube, são apresentados os materiais que podem ser facilmente adquiridos/ encontrados e os procedimentos simples e de fácil reprodução para a realização dos experimentos. A falta de laboratórios apropriados nas escolas é um argumento que alguns professores utilizam para não conduzirem aulas experimentais. A falta de infraestrutura, especialmente em instituições públicas de educação no Brasil, é denominada “situação limite”. Essa é considerada como barreira aos sujeitos, pois pode inibir o desenvolvimento de atividades experimentais (FREIRE, 2005). Por outro lado, há a possibilidade de realizar experiências, mesmo na ausência de laboratórios, com materiais alternativos. A figura 1 apresenta o slogan do canal “Química em Areia Branca”. Nele, há a presença de elementos referentes à Química e à cidade Areia Branca, conhecida pelas tradicionais Festas Juninas. A figura 2 apresenta uma fotografia de um vídeo divulgado no canal do YouTube.

Figura 1. Slogan do canal do YouTube “Química em Areia Branca”.

Figura 2. Fotografia de vídeo divulgado no Youtube: Produção de Bomba de Hidrogênio.


A utilização de vídeos presentes no YouTube como recurso didático no ensino de Química possibilita efeitos positivos no processo educacional, pois o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) permite ao docente aproximar-se da linguagem e vivência dos alunos. Além disso, há experiências com resultados positivos sobre a inserção de vídeos no YouTube como instrumento de ensino-aprendizagem. Um exemplo é a disciplina de graduação “Learning from YouTube” ofertada na Pitzer College (BISPO e BARROS, 2016). O site de entretenimento YouTube se popularizou pelo compartilhamento de vídeos na internet. Desta forma, sua utilização para a divulgação de experimentos pode ser efetiva e alcançar grande quantidade de docentes e discentes. Além disso, pode ocorrer interesse maior pela Ciência visto que as atividades experimentais apresentadas são facilmente reproduzidas em escolas que não apresentam laboratórios de Ciências.

Referências BISPO, L. M. C.; BARROS, K. C. Vídeos do YouTube como recurso didático para o ensino de História. Atos de Pesquisa em Educação, 11, 3, 2016. FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 40 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. GONÇALVES, F. P.; MARQUES, C. A. A problematização das atividades experimentais na educação superior em química: uma pesquisa com produções textuais docentes. Química Nova, 34, 5, 2011. SANTOS, D. O.; MUNIZ, D. C.; ROSÁRIO, M. R. Divulgação de Experimentos com Materiais Alternativos através de um Blog. Revista Feira de Ciência & Cultura, 4, 6, 2017. VIEIRA, H. J.; FIGUEIREDO-FILHO, L. C. S.; FATIBELLO-FILHO, O. Um Experimento Simples e de Baixo Custo para Compreender a Osmose. Química Nova na Escola, 26, 2007.

Conclusão A produção de vídeos e divulgação no YouTube permite criar um banco de dados de experimentos com materiais simples que podem ser reproduzidos em sala de aula, sem necessidade de materiais e/ou equipamentos sofisticados. Os docentes podem sugerir a observação dos vídeos para realizar as experiências em casa ou na sala, como também podem apresentar o conteúdo digital em suas aulas como ferramenta no processo de ensinoaprendizagem. O canal “Química em Areia Branca” possibilitou aos alunos participantes a atividade de pesquisa científica com busca, adaptação dos experimentos, além do incentivo à criatividade com a produção de vídeos para o canal. Dessa forma, o projeto contribuiu para a formação dos estudantes participantes e para a melhoria no processo educacional para os docentes e discentes que assistiram aos vídeos.

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De um modo geral, a arte faz com que nossos educandos se desliguem desse “adestramento” de respostas prontas e passem a pensar, reconstruir, transformar o meio, seja através da forma dinâmica (teatro, dança, música, etc.) ou estática (desenho, pintura, escultura etc.). Sabe-se que, atualmente, o mundo precisa de seres pensantes e pulsantes. Uma obra de arte é para ser vivenciada, sentida e não copiada. A falta de contato com o “humano” torna a violência, o ódio, a ira, a única forma de expressão das emoções. Não só a apreciação teatral, mas o teatro na escola é de fundamental importância por proporcionar aos alunos um trabalho em equipe, dando-lhes oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento da linguagem oral, da expressão corporal e da criatividade. O objetivo não é formar o aluno “ator”, mas dar a oportunidade de desenvolver habilidades de observação, percepção e criação. Nessa perspectiva, foi criado a disciplina de Improvisação teatral no Colégio Estadual Maria das Graças de Menezes Moura, na cidade de Itabi/SE. Os alunos que participaram da disciplina estão desde o início do ano letivo fazendo parte do ensino em tempo integral. No 1º bimestre foram trabalhadas algumas técnicas de improvisação teatral, segundo Viola Spolin, na qual o aluno-ator é o principal protagonista de cada ação. A cada aula é feito um alongamento e aquecimento corporal, seguidos de jogos e dinâmicas de grupo com o intuito de interação entre os alunos. No 2º bimestre foram abordadas algumas técnicas vocais e o uso da fala em cena, sendo encerrada a disciplina com a produção de um espetáculo teatral que aborda a cultura do sertão, uma vez que a cidade fica no sertão sergipano. A disciplina teve uma duração de quase 6 meses, tendo alunos dos 1º anos A, B e C, em um total de aproximadamente 30 alunos.

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O resgate da história da nossa escola nos faz reviver momentos importantes que elucidam vários questionamentos alçados cotidianamente. Nesse resgate, podemos unir diferentes áreas do conhecimento, tais como: História, Arte e Português. Nessa perspectiva, foi criada a peça teatral “Repintando o sete” (https://www. youtube.com/watch?v=bqbPYsnpijM), que resgata, unindo o poético ao real, a história de idealização e criação do Centro de Educação Básica Auxiliadora Paes Mendonça. Tal trabalho objetivou, em caráter interdisciplinar, retratar a história do centro com base nas informações e conclusões extraídas do projeto “O sonho, uma história e minha escola” realizado na instituição com alunos do 8º ano em 2017. No processo criativo da peça, produzida pelos alunos do 9º ano, são recriadas apresentações de teatro, oficinas que fizeram parte do “Projeto Pintando o Sete”, primeiro projeto idealizado e executado pela Fundação Pedro Paes Mendonça voltado para a juventude de Serra do Machado, Ribeirópolis/SE. A ideia foi recriar apresentações que fizeram parte do projeto implementado na mesma comunidade. Com esse trabalho, os alunos tiveram a oportunidade de adquirir conhecimento sobre pesquisa histórica, gênero dramático e performance. Esse conhecimento possibilitou o resgate da história da instituição e reconhecimento do impacto positivo na vida dos alunos e da comunidade em que o centro está inserido.

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Este trabalho é resultado da disciplina eletiva Dance Comigo, da parte diversificada do Ensino Médio Integral do Centro de Excelência Santos Dumont. A disciplina foi realizada articulando teoria e prática a partir de diferentes tipos de danças, como as Urbanas, de Salão, Moderna e Árabes. Foram realizados, também, estudos do corpo sob o olhar da Filosofia e da Educação Física - essa interdisciplinaridade proporcionou um conhecimento acerca do corpo, da dança e do movimento. Faz-se necessário ir além dos entendimentos de dança como junção de passos, repetições de coreografias, e de que a área da Dança não constrói conhecimento. Referências DARIDO, Suraya Cristina. JÚNIOR, Osmar Moreira de Souza. Para Ensinar Educação Física: Possibilidade de intervenção na escola. 7ª edição. Campinas/SP: Editora Papirus, 2013. HASS, Jacqui Greene. Anatomia da Dança. [Tradução Paulo Laino Cândido]. – Barueri, SP: Manole, 2011.

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Revista Feira de Ciência e Cultura 2018 - v. 5/nº8  

O contato com uma diversidade de abordagens para uma pesquisa sobre educação básica e enriquecedor e estimulante! Que novos números deste vo...

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