Revista Feira de Ciência & Cultura 2022 - V.7 / nº 14

Page 1

Revista Feira de Ciência e Cultura | 1


Apresentação Este volume da Revista Feira de Ciência & Cultura conta com 14 textos selecionados após avaliação do nosso conselho editorial. O compilado retrata trabalhos apresentados na IX edição de 2019 de nossa Feira Científica, marcada como a última realização do evento de forma presencial, pré-pandemia da Covid-19. São projetos nos segmentos das Ciências da Natureza, Exatas e Tecnologias, com abordagens interdisciplinares e de imersão dos alunos às dinâmicas dessas áreas do conhecimento, trabalhando o protagonismo, suas competências e habilidades enquanto investigadores científicos. É a ciência de Sergipe feita por sergipanos e para sergipanos. Os trabalhos aqui presentes são pautados na experimentação e investigação científica, permitindo que o aluno desenvolva, de forma prática, conceitos tratados em sala de aula que, muitas vezes, não são intuitivos ou são de difícil fixação. No eixo que pauta a construção de materiais via experimentos, temos trabalhos brilhantes e oriundos de várias partes do estado, tornando este compilado tão bonito e plural. É o que vislumbramos através de projetos como “Casa de Farinha: Da Mandioca ao Bioplástico”, do Colégio Estadual Dr. Antônio Garcia, e “Perfumes: uma química inesquecível”, do Colégio Estadual Prefeito Anfilófio Fernandes Viana, ambos representando a cidade de Umbaúba; “Papel Plantar: Produção e descarte consciente”, do Colégio Estadual Leandro Maciel, na cidade de Rosário do Catete; “Carregador para celular: produção alternativa com frutas e legumes”, do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo, em Areia Branca; “Potencial aplicação do biogás para conversão de energia de cozimento”, oriundo do Centro de Excelência Professor Hamilton Alves Rocha, em São Cristóvão; e “Cores no mercado de Aracaju: a extração de corantes naturais para produção de giz de cera como abordagem temática para o estudo de química e biologia”, projeto desempenhado por estudantes do Instituto Dom Fernando Gomes, em Aracaju. Este volume também conta com projetos onde as investigações visam diretamente dar clareza aos conteúdos de ciências tratados em sala de aula, estimular os estudos e fomentar a busca por carreiras científicas. É o que observamos em trabalhos como “Modelo didático do Potencial de Ação” e “Atlas digital de Biologia”, ambos do Instituto Federal de Sergipe (Campus Lagarto); “Todo solo é igual?”, do Colégio Estadual Gilberto Freyre, em Nossa Senhora do Socorro; “Montagem da coleção biológica didática de espécies animais com ocorrência no estado de Sergipe do Centro de Excelência Dom Luciano José Cabral Duarte” e “CSI Atheneu: não existe crime perfeito, existe crime mal investigado”, ambos oriundos de Aracaju; e o projeto “O despertar de um cientista: a microscopia como estratégia metodológica para o ensino de ciências da natureza em uma escola de tempo integral”, realizado por professores e alunos de ensino médio do Colégio Estadual Edélzio Vieira de Melo, situado em Capela. Trabalhos científicos focados no desenvolvimento da responsabilidade social, no reconhecimento da importância das Ciências e sua presença em nosso dia a dia também estão presentes nesse volume, como observamos nas produções “Mãos Abelhudas: a importância das abelhas para manutenção de ecossistemas e a interferência humana”, da Escola Municipal Prefeita Ana Maria Habib Mendonça, em Indiaroba e “Nutrição e Saúde: produção e degustação de alimentos saudáveis”, oriundo do Colégio Educativo, da cidade de Neópolis. O encanto e a crença na educação, na cultura e na ciência são os primeiros passos para a manutenção desses bens tão essenciais à vida humana. Sendo assim, esperamos que sua leitura seja proveitosa e que os trabalhos a seguir consigam inspirá-los a consumir e produzir ciência no seu dia a dia assim como nos inspira a cada ano, a cada nova Cienart. Boa jornada! Equipe da Revista Feira de Ciência & Cultura

2 | Revista Feira de Ciência e Cultura


A Cienart A Feira Científica de Sergipe (CIENART) é uma iniciativa da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Associação Sergipana de Ciência (ASCi), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Secretaria de Estado da Educação, Esporte e Cultura de Sergipe (SEDUC) e da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC). O projeto prevê atividades concentradas principalmente em Minicursos e Ciclos e Palestras, promovidos ao longo de todo ano, e na realização da Feira Científica de Sergipe no mês de outubro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). A Feira envolve alunos e professores do ensino fundamental (a partir do 6º ano), ensino médio e profissionalizante das redes públicas e particular do estado de Sergipe.

Equipe executora Zélia Soares Macedo – UFS Raquel Meister Ko. Freitag – UFS Eliana Midori Sussuchi – UFS/ASCi Márcia Regina Pereira Attie – UFS Mario Ernesto Giroldo Valerio – UFS Lucas Santos Silva – Pós-graduando UFS Darcylaine Vieira Martins – C.E. Doutor Antônio Garcia Filho Lark Soany Santos – C.E. Dom Juvêncio de Brito Carlos Alexandre Nascimento Aragão – C.E. 28 de Janeiro Shirley Santos Teles Rocha – IFS Mário Jorge Oliveira Silva – SEDUC/SE Marcus Eugênio Oliveira Lima - UFS Luciana Carvalho – EMBRAPA Comitê editorial Raquel Meister Ko. Freitag Zélia Soares Macedo Eliana Midori Sussuchi Lucas Santos Silva Editora assistente Graziela Santos Andrade Conselho científico Adriano Bof de Oliveira Ailton Fernando Santana de Oliveira Aldenise Cordeiro Santos Alessandra Pereira Gomes Machado Ana Figueiredo Maia Andrey Guimarães Sacramento Bruno Felipe Marques Pinheiro César Moura Nascimento Christina Bielinski Ramalho Cochiran Pereira dos Santos Darkson Kleber Alves da Silva Edvaldo Alves de Souza Junior Emanoela Gonçalves Ramos Fernanda Araújo Florisvaldo Silva Rocha Georgiane Amorim Gerson Cortes Duarte Filho Giancarlo Richard Salazar Banda

Herbet Alves de Oliveira Jairton Mendonça de Jesus Janaina Cardoso de Mello Jaqueline Gomes dos Santos Teles Jhon Fredy Martinez Avila Jorge Alberto López Rodríguez Josilene de Jesus Mendonça Julian Tejada Katlin Ivon Barrios Eguiluz Kelly Araújo Valença Oliveira Laelia Pumilla Botelho Campos dos Santos Leopoldo R Oliveira Luanny Santos Lucas Santos Silva Luiz Anselmo Menezes Santos Luiz Pereira da Costa Marcia Terezinha Jerônimo Oliveira Cruz Márcia Valéria Gaspar de Araújo Marcos Antônio Couto dos Santos Marcos Vinícius dos Santos Rezende Maria Augusta Rocha Porto Maria Inêz Oliveira Araújo Osmar de Souza e Silva Junior Paloma Batista Cardoso Paulo Sérgio de Rezende Nascimento Randeantony da Conceição do Nascimento Ricardo Nascimento Abreu Rodolpho Roberto da Rocha Sandes Samisia Maria Fernandes Machado Samuel Rodrigues de Oliveira Neto Sandro Márcio Drumond Alves Marengo Sarah Karenine Paes Ribeiro Proença Shirley Teles Rocha Tiago Nery Ribeiro Victor Renê Andrade Souza Capa e diagramação Frederick O’Hara Revisão de Língua Portuguesa Graziela Santos Andrade Lucas Santos Silva

Revista Feira de Ciência e Cultura | 3


4 | Revista Feira de Ciência e Cultura


Revista Feira de Ciência e Cultura | 5


Resumo. O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta sustentável com a produção de um bioplástico para mudas de plantas, tendo como matériaprima as cascas de mandioca, em substituição à utilização do polietileno, substância presente no plástico comumente utilizado pelos agricultores, cuja decomposição alonga-se de 100 a 500 anos. Essa ideia surgiu a partir de uma aula interdisciplinar de Química e História, na qual um grupo de alunos do C. E. Dr. “Antônio Garcia Filho” pôde verificar o acúmulo das cascas de mandioca durante uma visita de campo a uma casa de farinha no município de Umbaúba/ SE. 1. Introdução A demanda na procura de materiais poliméricos sintéticos ou plásticos na sociedade torna-se cada vez mais crescente, se comparado às últimas décadas, pois estes materiais possuem propriedades funcionais, versatilidade e um custo baixo que favorecem no seu processamento e na sua utilização em várias aplicações (FECHINE et. al., 2011). De acordo com Piatti et. al. (2005), o plástico é um material cujo constituinte fundamental é um polímero, principalmente orgânico e sintético, sólido em sua condição final, como produto acabado, e que em alguma fase de sua produção foi transformado em fluido, adequado à moldagem por ação de calor ou pressão. Apesar dessas boas características, esses materiais apresentam fatores desfavoráveis ambientalmente. Primeiro, trata-se da sua origem advinda do petróleo, uma fonte não renovável, além de materiais hidrofóbicos que não permitem a ação de micro-organismos em sua cadeia molecular, levando centenas de anos para se decompor (LEITE et. al., 1999). Ademais, esses materiais

6 | Revista Feira de Ciência e Cultura

têm uma descartabilidade muito rápida, causando um grande acúmulo em aterros sanitários e lixões (Franchetti et al., 2006). Na agricultura, antes do plantio definitivo das mudas de plantas, elas são colocadas em saquinhos plásticos que são descartados depois do plantio, causando o acúmulo desse material no meio ambiente. Dessa forma, tem sido reconhecida a necessidade de reduzir a utilização de materiais plásticos na agricultura substituindo por materiais biodegradáveis. Nesse sentido, recipientes de bioplástico são muito valorizados por serem mais condizentes com as propostas de conservação do meio ambiente e também por não precisarem ser retirados para o plantio das mudas, porém são poucas informações disponíveis sobre o uso das embalagens alternativas e biodegradáveis na agricultura. Uma matéria-prima utilizada para esse fim é o amido, pois tem características propícias na formação de polímeros biodegradáveis, além de ser abundante na natureza, tem um custo relativamente baixo, sendo possível a produção de material plástico a partir dele numa ampla escala industrial. O presente trabalho teve como objetivo utilizar o tema gerador Casa de Farinha, numa aula interdisciplinar de Química e História para estimular uma consciência socioambiental nos estudantes a respeito da problemática causada pela geração de resíduos durante as etapas de produção da farinha de mandioca. E, assim, formar sujeitos capazes de opinar e tomar decisões no seu cotidiano de forma consciente e crítica. Como consequência, os alunos criaram vasos de bioplástico utilizando as cascas e o polvilho da mandioca para substituir os tradicionais saquinhos de mudas de plantas utilizados na agricultura do seu município.


2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido com um grupo de alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual “Dr. Antônio Garcia Filho”, situado em Umbaúba/SE, na sua maioria filhos de pequenos agricultores. A escola não possui laboratório de Química; possui apenas o espaço físico, mas sem equipamentos, vidrarias e reagentes. As aulas práticas sempre são adaptadas à realidade da escola. Reforça-se que a “mandioca” foi considerada como tema motivador para o ensino de Química e História pelo fato de ser de grande circulação e importância como fonte de renda e subsistência para a economia agrícola de Umbaúba. Além disso, é um produto alimentício presente na dieta dos sergipanos. Essa temática pode abordar várias vertentes intra e interdisciplinares, tais como: poluição ambiental; investigar atribuição e prejuízos sociais para a região; e a importância histórica da mandioca. Especificamente, para a disciplina de Química, pode-se abranger a separação de misturas, bioquímica e funções orgânicas. O tema possibilitou o uso desses conteúdos de Química durante a problematização sobre as questões ambientais e sociais relacionadas aos materiais descartados na cidade, possibilitando a formação de opiniões diferenciadas sobre a resolução dos problemas, gerando uma discussão construtiva dos conteúdos químicos envolvidos no processo. A primeira etapa do projeto foi realizada em uma aula de 50 min, na qual foi aplicado um questionário investigativo com 10 itens, a fim de sondar os conhecimentos prévios dos alunos a respeito do tema gerador. A segunda etapa foi uma visita de campo às roças de mandioca e outros tubérculos, situadas no Povoado Tauá, no município de Umbaúba/SE, para que os alunos vivenciassem todo o manejo do solo para a produção da mandioca. A pesquisa foi finalizada com uma visita a uma casa de farinha no mesmo povoado. Nesse momento, os alunos perceberam o grande acúmulo das cascas da mandioca. Para a etapa seguinte foi pedido que os alunos pesquisassem em sites acadêmicos a composição bioquímica da mandioca, inclusive das suas folhas, para que pudessem introduzir os resultados da pesquisa em

uma aula sobre Carboidratos e Funções Orgânicas. A aula subsequente foi sobre Química Ambiental, na qual os alunos puderam relatar os problemas ambientais que visualizaram durante a pesquisa de campo, e foram instigados a dar uma solução aos problemas expostos. Foi sugerido por um dos alunos o reaproveitamento das cascas da mandioca para a produção de embalagens ecológicas para serem usadas no setor agrícola do município, resolvendo um outro problema ambiental gerado pelo descarte incorreto dos tradicionais saquinhos plásticos usados para mudas de plantas. Essa ideia serviu de base para a próxima etapa do projeto, que foi a realização de aulas práticas para a produção de recipientes biodegradáveis para substituir as embalagens de polietileno, substância derivada do petróleo. A experimentação foi muito importante, pois motivou e despertou a atenção dos alunos, estimulou o trabalho em grupo, incentivou a tomada de decisões dos problemas vivenciados e aprimorou a capacidade de observação e registro. E após várias tentativas os alunos produziram um vaso de bioplástico sustentável, cuja decomposição atende às normas internacionais ditadas pela ASTM D6400 (Standard Specification for Compostable Plastics), que regulamenta os materiais biodegradáveis. 3. Resultados e discussão Na análise das respostas do questionário respondido previamente pelos alunos, pôde-se constatar que, mesmo sendo filhos de agricultores, os discentes tinham pouco conhecimento do manejo da mandioca, principal produto agrícola de subsistência do município em que moram. Partindo dessa constatação, foi pensada na temática Casa de Farinha para a contextualização do ensino de Química e História, o que permitiu a união do conhecimento prévio dos alunos aliado ao científico para a construção do conhecimento dos conteúdos. O ensino de Química utilizando temas regionais poderá despertar o interesse do aluno, pois os conceitos estudados quando são articulados à realidade do discente fornecem mais significado aos conceitos científicos e,

Revista Feira de Ciência e Cultura | 7


consequentemente, o aluno sente-se mais motivado a buscar novos conhecimentos (ASSIS; et al., 2013). Ao propor temas regionais, o professor está proporcionando que o aluno observe que a Química está presente no cotidiano. A tradição da farinhada passada de indivíduo para indivíduo da mesma família é uma característica da produção de farinha de mandioca em Umbaúba/SE, sendo relatada pelos próprios alunos. A farinhada é trabalho e também atividade lúdica, quando a família, os parentes e os amigos encontram-se para uma ação solidária entre o grupo (COSTA e SANTOS, 2012). Para isso não bastou simplesmente ensinar Química, tratando essa ciência como sendo imutável e isolada dos outros conhecimentos. A interdisciplinaridade com História foi capaz de interligar assuntos que muitas vezes, por si só, o aluno não conseguiria, tornando assim a aprendizagem mais significativa. A professora de História explorou o lado social dos agricultores e a importância da mandioca para a cidade. Foi realizada uma visita de campo para que os alunos pudessem conhecer todas as etapas do plantio da mandioca no seu município, desde a escolha das manivas até o preparo do solo, como mostra a figura 1. Manivas são cortes do caule da mandioca para o imediato plantio. A realização da visita aproximou os estudantes do seu cotidiano, entrando em contato com a realidade natural, social, cultural e produtiva da mandioca. Também contribuiu para o sentido imediato do conhecimento, fundamentando sua subsequente ampliação.

8 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Figura 1: Registro do preparo das manivas e do solo para o plantio da mandioca no Povoado Tauá. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

A caracterização das casas de farinha de Umbaúba, bem como dos produtos de sua produção, foi realizada a partir da visita a um estabelecimento no Povoado Tauá e estão apresentadas em diferentes fotografias, como consta na figura 2.


Para a aula seguinte, foi pedido aos alunos que listassem problemas ambientais visualizados durante a visita de campo. Todos os alunos apontaram para o mesmo problema: o acúmulo das cascas da mandioca, como explicitado na figura 3.

Figura 2: Registro da visita de campo à casa de farinha no povoado de Tauá. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

Os alunos demonstraram interesse em todas as etapas da visita de campo por discutirem assuntos do seu cotidiano, partindo da produção da mandioca até a fabricação da farinha. Quando a professora relacionava métodos de separação e misturas utilizadas na casa de farinha, os estudantes demonstraram facilidade para compreender o conteúdo, pois esse não pareceu tão abstrato, sendo possível ver a sua aplicação. Buscou-se a partir da fabricação da farinha de mandioca trabalhar alguns conceitos e modelos teóricos representativos. Ao final da visita, a professora de História discutiu com os alunos sobre a importância social e econômica da mandioca para o seu município. Para o desenvolvimento da aula seguinte, solicitou-se uma pesquisa bibliográfica para os alunos sobre a composição química da mandioca mansa e brava, com o objetivo de aguçar a curiosidade sobre o tema. Durante a aula, foi esclarecido pela professora que estes termos “mansa e brava” se devem à quantidade variável de ácido cianídrico na raiz e que este por ser um forte veneno, visto que poucos podem ser consumidos sem um prévio processamento adequado para eliminar a toxicidade. Foi importante ressaltar que a mandioca brava só pode ser consumida após ser processada na forma de farinha ou fécula, devido ao alto teor de ácido cianídrico. Aproveitando que a mandioca é rica em amido, foi possível introduzir os assuntos de Carboidratos e Funções Orgânicas ainda durante a aula.

Figura 3: Acúmulo das cascas de mandioca na casa de farinha. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

Foi exposto durante a visita que apenas uma parte dos resíduos das cascas é destinada à alimentação animal e a outra parte é descartada. Sabendo que o aluno é, antes de tudo, um cidadão que precisa desenvolver habilidades, competências e criticismo, foi pedido que eles sugerissem soluções para o problema evidenciado. Assim, foi proposto por um dos alunos a produção de recipientes sustentáveis para serem utilizados na agricultura em substituição aos saquinhos plásticos de mudas de plantas, cujo descarte inadequado após o plantio das mudas gera outro problema ambiental, como registrado na figura 4.

Figura 4: Descarte incorreto dos saquinhos plásticos utilizados na agricultura para mudas de plantas. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

Revista Feira de Ciência e Cultura | 9


Após realizarem diversas pesquisas bibliográficas, seguidas de várias experimentações, os discentes chegaram a um resultado positivo quanto aos materiais e proporções perfeitas para a produção de uma embalagem sustentável para mudas de plantas, utilizando as cascas de mandioca (Figura 5). Os alunos utilizaram a gelatinização do amido para produzir o bioplástico. A gelatinização é o processo de transformação do amido granular em pasta viscoelástica. Durante o aquecimento de dispersões de amido em presença de excesso de água, inicialmente ocorre o inchamento de seus grânulos até temperaturas nas quais ocorre o rompimento dos grânulos, com destruição da ordem molecular e mudanças irreversíveis nas suas propriedades, formando assim o bioplástico. As cascas da mandioca foram adicionadas à mistura de amido e água para diminuir a retrogradação do amido. A retrogradação ocorre com o resfriamento gradativo do material, diminuindo o volume do recipiente produzido. As cascas diminuem a superfície de contato entre as moléculas impedindo a diminuição do volume.

Figura 5: Etapas da produção da embalagem sustentável para mudas de plantas com casca de mandioca. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

10 | Revista Feira de Ciência e Cultura

A realização das várias experimentações, como atividade metodológica, mostrou-se adequada e indispensável para promover uma aprendizagem eficiente e motivadora em Química, de forma vinculada ao conhecimento adquirido no desenvolvimento do projeto pelos alunos. Essa constatação pode ser confirmada pelos resultados acima da média escolar 5,0 nas atividades avaliativas no decorrer das diversas etapas do projeto no qual o interesse e compreensão do assunto pelos alunos foi de grande valia para obtenção desse resultado. O emprego das atividades experimentais, portanto, apesar de ter exigido mais tempo e preparação, serviu de recurso pedagógico nas aulas tornando-as mais vivas, dinâmicas, atrativas e interessantes. As pesquisas bibliográficas durante o desenvolvimento do projeto fizeram os alunos apropriarem-se de conceitos científicos importantes como, por exemplo, Biopolímeros e Sustentabilidade, assim como entenderam as normas internacionais para mensurar biodegradabilidade e compostagem. Esse avanço conceitual foi favorecido pela abordagem temática que permitiu a contextualização do conteúdo Carboidratos relacionando-o à Casa de Farinha. Os diversos questionários avaliativos aplicados ao final de cada etapa do projeto constataram a eficácia do processo de ensino-aprendizagem. Os estudantes realizaram análises de decomposição da embalagem criada por eles, que durou em média 2 meses para se decompor quando colocadas no solo. O resultado dessa análise mostra uma vantagem significativa em relação ao plástico que demora em torno de 400 anos. Os testes de decomposição atenderam às normas internacionais ditadas pela ASTM D6400 (Standard Specification for Compostable Plastics), que regulamentam os materiais biodegradáveis, como mostrado na figura 6. Se reaproveitado como suporte para plantas, o material ainda tem a vantagem de ser colocado diretamente no solo na hora da plantação, sem prejudicar o meio ambiente. Mas a maior vantagem da produção dessa embalagem é reduzir o acúmulo de lixo gerado pelo descarte das cascas de mandioca e dos saquinhos usados na agricultura.


Figura 6: Teste de degradação enterrando o material e regando a cada dois dias. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

O custo da embalagem ainda é uma desvantagem em relação às embalagens convencionais, pois o custo final de uma embalagem pequena é, em média, R$0,80 e uma embalagem plástica custa cerca de R$0,10. Foi possível abordar os conteúdos de Química Orgânica e Ambiental de forma contextualizada, pautados em situações reais da vivência dos alunos, evidenciando as relações da temática casa de farinha e os conteúdos didáticos. Reforça-se assim, o compromisso de buscar maneiras de abordar os conhecimentos oriundos da comunidade onde a escola está inserida e de conduzi-los para a sala de aula, despertando no discente o interesse em aprender Química.

4. Conclusão De um modo geral, os resultados do projeto foram muito satisfatórios. O uso da casa de farinha como um tema gerador favoreceu a contextualização dos conteúdos de Química e História trabalhados e permitiu correlacioná-los entre si. Foi possível a discussão de aspectos científicos, sociais e ambientais relacionados ao tema. Um aspecto do projeto que deu um resultado eficaz foi a criação de condições para que os estudantes buscassem sozinhos a solução de problemas ambientais de sua comunidade, com a produção de recipientes sustentáveis para mudas de plantas com os resíduos das cascas de mandioca. A partir daí, o professor passou a ser apenas coadjuvante do processo de ensinoaprendizagem. Desse modo, percebeu-se a ocorrência de um aprendizado mais efetivo quando as informações eram buscadas ativamente pelos alunos em vez de serem recebidas passivamente por eles. No caso de se desenvolverem condições que tornem o processo de produção em escala maior desses recipientes biodegradáveis, em substituição aos saquinhos de plásticos derivados do petróleo usados na agricultura, seria economicamente viável. Visto que num futuro próximo essa tecnologia permitiria reduzir de forma significativa a utilização de saquinhos plásticos não biodegradáveis e a diminuir o acúmulo das cascas de mandioca, resolvendo um duplo problema ambiental. 5. Referências ASSIS, L. M.; SCHMIDT, A. M.; HALMENSCHLAGER, K. R. Abordagem de temas sociais no Ensino de Química: compreensões de professores. 2013. 23f. Monografia (Artigo de Trabalho de Conclusão de Curso) – Curso de Licenciatura em Ciências Exatas, Universidade Federal de Pampa, Caçapava do Sul, 2013. BRASIL. Secretaria da Educação Média e Tecnológica – Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio; Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC/SEMTEC, v. 3, 1999. COSTA, J.E. da e SANTOS, J.L. Ensaios sobre a Mandiocultura e a Pequena Produção Familiar. Sergipe: Editora UFS, 2012. FECHINE, G. J. M. et al. Estudo da biodegradabilidade de polímeros por meio do respirômetro de bartha. Rev. Mackenzie de Engenharia e Computação, v. 11, n. 1 – Ed. Especial, 2011. FRANCHETTI, S. M. M.; MARCONATO, J. C. Polímeros biodegradáveis: uma solução parcial para diminuir a quantidade dos resíduos plásticos. Química Nova, v. 29, n. 4, 2006. LEITE, P. J. F. et al. Poliestireno biodegradável para embalagens descartáveis: Desenvolvimento da Blenda pela incorporação de amido de mandioca. TECBAHIA Rev. Baiana de Tecnologia, vol. 14, n° 1, 1999. PIATTI, T. M. et al. Plásticos: características, usos, produção e impactos ambientais. Série: Conversando sobre Ciências em Alagoas. Maceió, 2005.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 11


Resumo. O presente projeto foi desenvolvido pelos alunos do 3º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Prefeito Anfilófio Fernandes Viana, localizado na cidade de Umbaúba/SE, e teve como objetivo proporcionar a utilização da pesquisa e da experimentação investigativa, a partir da extração de óleo essenciais, como ferramenta para a contextualização do ensino de química. Os alunos puderam compreender o processo de produção de perfumes, as técnicas de extração de óleos essenciais, bem como produzir diversos perfumes próprios, utilizando essências extraídas de materiais diversos como ervas e especiarias, ao mesmo tempo em que identificaram funções orgânicas, nomenclatura e propriedades dos compostos orgânicos. 1. Introdução Muitas vezes, a disciplina de Química é vista pelos alunos como de difícil compreensão e sem nenhum sentido, marcada pela memorização de informações que serão cobradas posteriormente, sem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. Essa visão distorcida é muitas vezes causada pelo uso inadequado das ferramentas metodológicas em sala de aula. A Química Orgânica, especificamente, está inserida no nosso cotidiano de muitas formas, seja nas roupas, perfumes, alimentos, entre outros compostos. No entanto, muitas vezes as aulas de química ficam comprometidas com o conteúdo de nomenclatura dos compostos orgânicos e suas propriedades, levando os alunos a não se interessarem pela área. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo proporcionar a utilização da pesquisa e da experimentação investigativa, a partir da extração de óleo essenciais, utilizando materiais alternativos à vidraria de laboratório, como ferramenta para a

12 | Revista Feira de Ciência e Cultura

contextualização do ensino de química. 2. Materiais e Métodos O presente projeto foi realizado em uma turma do 3º Ano do Ensino Médio, turno vespertino, do Colégio Estadual prefeito Anfilófio Fernandes Viana, localizado na cidade de Umbaúba/SE. Inicialmente foi realizada uma oficina, onde os alunos puderam assistir a documentários disponíveis na internet como a História dos Perfumes e Caminhos Olfativos. Neste momento, os principais conceitos envolvidos com os perfumes foram abordados e os alunos puderam sentir a fragrância de diversos perfumes, identificando os caminhos olfativos de cada um. De posse dessas informações foi realizado um experimento para a produção de perfumes, utilizando concentrações diferentes dos extratos obtidos, segundo a metodologia adaptada de Gonçalves e Fiuza (2017). Método de extração a frio: Pesou-se 15g de canela em pau triturada, alecrim, casca do limão taiti e laranja lima, separadamente. Transferiu-se as substâncias para frascos de vidros de geleias e doces, previamente esterilizados em água fervente. Adicionouse a cada frasco 100 ml etanol, que foram medidos utilizando copos de medição culinária e em seguida envolveu-se os frascos com papel alumínio para evitar o contato da luz na substância. Os substratos foram deixados em contato com o solvente por duas semanas. Por fim, foi realizada uma filtração utilizando coador de café de papel, transferindo o líquido para outros frascos (GONÇALVES e FIUZA, 2017) Com as essências prontas, realizou-se o preparo de 8 perfumes a partir dos produtos obtidos na extração


por solvente a frio. Os perfumes foram feitos com 20% de essência e 80% de veículo para perfume, utilizando diferentes proporções dos 4 extratos preparados. O veículo para perfume foi preparado utilizando 90 ml de propilenoglicol, 150 ml de água e 480 ml de álcool de cereais (GONÇALVES e FIUZA, 2017). Após os perfumes estarem prontos, os alunos pesquisaram sobre a composição química dos extratos obtidos, suas atividades biológicas e estruturas. Dessa forma, foi possível identificar funções orgânicas, nomenclatura e propriedade dos compostos orgânicos. 3. Resultados e discussão O tema perfumes despertou um grande interesse pela turma, pois trata-se de um produto utilizado por todos e de grande importância econômica para vários países. No primeiro momento, os alunos foram convidados a assistirem dois vídeos produzidos pela empresa de cosméticos Natura: História dos Perfumes, disponível no link: http://youtu.be/k0ihBZlWnlw, animação com duração de 3 min e 23 s, que traz a importância do olfato na história da humanidade desde as civilizações antigas até a atualidade; e, Caminhos Olfativos, disponível no link: http://youtu. be/2oHyvfaO84w, pequeno documentário com duração de 4 min 26 s, que traz a classificação dos perfumes em caminhos olfativos como cítricos, frutais, adocicado, florais, erval e amadeirado, trazendo exemplos também de onde são extraídos. Os alunos ficaram vidrados com as novas informações que receberam, e os vídeos geraram um caloroso debate e discussão sobre os tipos de perfumes, sua história, e a sua importância comercial. Ainda neste momento, os alunos foram convidados a identificar as famílias olfativas de vários perfumes disponíveis no mercado. Muitos não conseguiam identificar essências específicas nos testes olfativos, mas ao lerem os rótulos dos perfumes, ativavam sua memória olfativa e acabam percebendo as famílias olfativas. Posteriormente, através de uma aula expositiva com slides, o professor apresentou aos alunos as

diversas técnicas de extração de óleos essenciais que são utilizadas para a fabricação de perfumes: destilação a vapor, prensagem a frio, hidrodestilação, enfleurage, extração por solventes e fluidos supercríticos. Devido ao tempo limitado na aula, o professor sugeriu que os alunos assistissem em casa ao filme Perfume: a história de um assassino, dirigido por Tom Tykwer e lançado em 2007, que conta a história de JeanBaptiste Grenouille, na perfumista Paris de 1738. Com seu olfato aguçado, o protagonista mergulha em uma aventura cheia de mistério no mundo da perfumaria. Na segunda parte do projeto, os alunos foram orientados a realizar a extração a frio segundo a metodologia adaptada de Gonçalves e Fiuza (2017). Assim, foram armazenados em frascos contendo etanol, canela em pau triturada, alecrim fresco, casca de laranja lima e de limão taiti (Figura 1). Os frascos foram cobertos com papel alumínio para evitar a incidência de raios solares.

Figura 1: Frascos onde foram armazenados as ervas e frutas para obtenção da extração a frio.

Após 15 dias, os frascos foram abertos, e constatou-se através da análise sensorial que o odor liberado estava característico de cada um, inclusive com colorações bem intensas, mostrando que as substâncias foram extraídas pelo etanol. Os extratos possibilitaram a montagem de 8 perfumes, utilizando proporções diferentes de cada essência (Tabela 1).

Revista Feira de Ciência e Cultura | 13


Figura 4: Óleo essencial de canela.

Por fim, foi realizada pesquisa na literatura para identificar as substâncias orgânicas presentes nos extratos, a saber:

Figura 2: Óleo essencial de laranja lima.

Figura 5: Óleo essencial de limão taiti.

Finalmente, se posse dessas informações foi possível realizar a identificação das funções orgânicas presentes em cada composto, bem como conhecer as suas atividades biológicas. Os óleos essenciais são sistemas complexos, com muitos constituintes, contendo proporções variáveis de ésteres, éteres, álcoois, fenóis, aldeídos, cetonas e hidrocarbonetos de estrutura aromática ou terpênica (SIMÕES e SPITZER, 1999, p.467). 4. Conclusão

Figura 3: Óleo essencial de alecrim.

14 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Ficou visível que trabalhar a Química Orgânica utilizando temas geradores cotidianos, como os perfumes, torna a aprendizagem mais significativa, levando os alunos a construírem uma formação sólida e não se limitando apenas a memorizar regras de nomenclatura. A contextualização proporcionou uma aproximação do ensino de química com a realidade do aluno.


5. Referências GONÇALVES, M.; FIUZA, R. Perfume: uso de óleos essenciais na sua composição. Anais do 57º Congresso Brasileiro de Química. Gramado/RS, 2017. Disponível em: <http://www.abq.org.br/cbq/2017/ trabalhos/1/11402-16827.html>. Acesso em 14 de maio de 2019. SIMÕES, C. M. O.; SPITZER, V. Óleos voláteis. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 2.ed. Porto Alegre: UFRGS, 1999. p. 467-495.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 15


Resumo. Diante do desperdício de papel na escola, fez-se necessário pesquisar formas conscientes de reaproveitamento. Assim, os papéis que seriam descartados e poluiriam o meio ambiente são reciclados de forma artesanal e transformados em papel plantar: papel produzido com sementes que, após descartados, possam germinar. Os papéis produzidos também são utilizados na elaboração de trabalhos escolares e na confecção de artesanatos. O projeto Papel Plantar demonstra a importância do reaproveitamento da fibra de celulose, atuando assim na formação de cidadãos conscientes da sua ação sobre o ambiente. 1. Introdução O Brasil é um grande produtor de papel, destacando-se mundialmente por produzir e abastecer os mercados com papel para diversas finalidades. Uma análise de longo prazo do setor, mostra que o consumo de papel responde significativamente ao aumento da renda, bem como ao crescimento populacional, desta forma, o consumo e a produção mundial de papel vêm crescendo ininterruptamente há mais de 15 anos. (MACEDO E VALLENÇA, 1995) Assim, com o aumento do consumo, cresce também o volume de lixo, que é outro grande problema em todos os centros urbanos. Na produção de 1 tonelada de papel são necessárias 2 a 3 toneladas de madeira, uma grande quantidade de água e muita energia. O uso de produtos químicos altamente tóxicos na separação e no branqueamento da celulose também representa um sério risco para a saúde humana e para o meio ambiente, comprometendo a qualidade da água, do solo e dos alimentos. (LIMA, 2009) A reciclagem do papel é tão importante quanto sua fabricação, pois além de diminuir

16 | Revista Feira de Ciência e Cultura

o lixo com papéis destinados a aterros sanitários, também diminui o desmatamento de árvores para sua produção, visto que é feito a partir da celulose extraída das mesmas, além de ser uma importante prática sustentável. O reaproveitamento da fibra do papel é uma atividade que vem ao longo dos anos atingindo importância mundial, tanto no aspecto econômico quanto ecológico, (NASCIMENTO, 2009). Diante do exposto acima, O projeto “Papel plantar: produção e descarte consciente” tem como objetivo demonstrar a importância da reciclagem do papel na preservação do meio ambiente, facilitando o processo de ensino-aprendizagem sobre a composição química dos materiais e suas transformações, na formação de cidadãos conscientes da sua ação sobre o ambiente. Assim, os papéis utilizados no ambiente escolar que seriam descartados e poluiriam o meio ambiente são reciclados de forma artesanal originando o papel plantar, papel produzido com sementes, para que após descartados venham brotar. 2. Materiais e Métodos O presente projeto foi realizado por um grupo de 15 alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio Integral no Colégio Estadual Leandro Maciel do Município de Rosário do Catete - SE, no período de 1 ano, compreendido entre novembro de 2018 a outubro de 2019. Para o processo de reciclagem do papel e produção do papel plantar foram necessários os seguintes materiais: • • • •

Papel usados; Liquidificador industrial 2 Baldes de 15 litros 5 telas de serigrafia (80x60 cm)


• • • • • •

2 toalhas de banho Tecido de isopor 1 prensa (feita artesanal com isopor) Sementes variadas, 1 balança de cozinha 1 piscina infantil (337 litros)

Preparo da polpa Pesou-se 500g de papel cortado, colocando-o em um balde de 15 litros, em seguida acrescentou-se 2 litros de água, deixando-o no molho por 24 horas para separar as fibras. Após esse período, o papel já amolecido foi colocado no liquidificador com água, na proporção de três partes de água para uma de papel, e triturado até obter a polpa. Produção do papel Nesta etapa foi utilizada uma divisória com blocos no meio de uma piscina, para reduzir o consumo de água e evitar desperdício. A polpa foi transferida para uma piscina de lona infantil e acrescentou-se água até obter a concentração desejada (o volume acrescido foi de acordo com a gramatura desejada) e homogeneizado com as mãos. Na sequência, foi mergulhada a tela de serigrafia na polpa, com o tecido voltado para baixo, cuidadosamente para que o espaço ocupado pela polpa seja uniforme, logo após, a tela foi retirada na posição horizontal, bem devagar. Neste momento são adicionadas as sementes desejadas. Para retirar o excesso de água das polpas, foi improvisada uma prensa, cortando uma placa de isopor com as medidas internas da tela. Colocou-se a tela, com a moldura voltada para cima sobre uma toalha de banho, para absorver a umidade, deitou-se um tecido de nylon sobre o papel plantar cuidadosamente para não dobrar nem deixar marcas no papel, em seguido cobriu-se com a prensa de isopor. Colocou-se a tela com o tecido voltado

para cima, pressionou-se com um pano absorvente, retirando parte da água. Feito isso, acomodou-se a tela, com a moldura voltada para cima, em um local seco retirou-se o tecido e a prensa de isopor. O papel plantar úmido, ainda na tela é colocado no sol para toda a água evaporar, o papel plantar livre de umidade foi retirado da tela e guardado até a sua utilização. 3. Resultados e discussões. A principal matéria-prima para a produção de papel é a celulose, um polímero de cadeia longa, muito abundante na madeira. Na obtenção da polpa, processo essencial, o papel é misturado à água para quebrar das fibras de celulose e triturado, tornando-as mais adequadas para a fabricação de papel. Tanto na fabricação a partir da matéria bruta quanto na reciclagem, as fibras de celulose são rearranjadas, devido à presença pontes de hidrogênio, uma das ligações intermoleculares mais fortes da natureza, estas aproximam as fibras de celulose umas das outras e forma vários pontos de união, originando um novo papel (figura 1 e 2). Recicla-se o papel até a perda da fibra, em média, 6 vezes.

Figura 1: tela de silk com o papel úmido comum e com sementes, respectivamente

Revista Feira de Ciência e Cultura | 17


Figura 2: folhas de papel seca prontas para o uso

Figura 4: papel plantar, germinação e plantio.

Os papéis plantar foram utilizados na confecção de cartões, marcadores de livros e caixinhas de presente (figura 3). Foi observado que os papéis plantares germinam com facilidade (figura 4), graças à água absorvida pelo papel, assim a semente absorve o líquido brotando em até 4 dias.

4. Conclusão Tendo em vista os aspectos observados no presente estudo, nota-se que é fundamental incentivar e conscientizar a sociedade a preservar o meio ambiente, reduzindo o uso do papel, desperdiçando menos e consumindo o necessário. Reutilizar e reciclar papel é uma alternativa muito importante pois previne o corte de mais árvores, utiliza menos energia e água reduzindo a poluição. O objetivo é dar continuidade ao trabalho, permitindo que os discentes aprofundem o conhecimento sobre a química da celulose, dando ênfase às ligações de hidrogênio, bem como ampliar a produção de papel no ambiente escolar, colaborando com metas sustentáveis para o futuro. 5. Referências

Figura 3: materiais produzidos com o papel plantar

18 | Revista Feira de Ciência e Cultura

LIMA, M. Porque reduzir o uso do papel. 27 maio 2009. Disponível em: http:// blogdapaisagista.blogspot.com/2009/05/porque-reduzir-o-uso-do-papel. html. Acesso em: 13 de julho 2019. MACEDO, A. R. P; VALENÇA, A. C.V. Indústria do papel no Brasil e no mundo: Uma visão geral. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/ bitstream/1408/3588/1/A%20indústria%20de%20papel%20no%20Brasil%20 e%20no%20mundo_P.pdf . Acesso em 10 de agosto de 2019 NASCIMENTO, A. C; MOREIRA, J. V; SANTOS, R. A. dos; MARQUES, R. G; LAROSZ, K. C. Influência de fibras recicladas nas propriedades físicomecânicas do papel. Revista de Engenharia e Tecnologia, v. 1, nº. 1, Dez/2009. MACEDO, A. R. P; VALENÇA, A. C.V. Indústria do papel no Brasil e no mundo: Uma visão geral. Disponível Em:< https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/ bitstream/1408/3588/1/A%20indústria%20de%20papel%20no%20Brasil%20 e%20no%20mundo_P.pdf > acesso em 10 de agosto de 2019


Resumo. A Eletroquímica é um tópico importante da Química e tem ampla aplicação no dia a dia. Embora esteja presente no cotidiano, é comumente considerado um tema de difícil compreensão pelos estudantes do Ensino Médio. Uma maneira de conectar os conceitos científicos com a vivência dos discentes é a experimentação por investigação. Desta forma, alunos da 2ª Série do Ensino Médio do Colégio Estadual Deputado Azevedo (Areia Branca - SE) produziram um carregador para celular com materiais alternativos. A comunidade escolar percebeu que a participação em projetos científicos eleva a qualidade do processo de ensino e aprendizagem na escola. 1. Introdução As Ciências Exatas e da Terra são consideradas de difícil compreensão pelos estudantes. É comum eles memorizarem fórmulas para passar nos vestibulares, mas não desenvolverem uma concepção adequada dos conceitos científicos. Nesse sentido, alguns discentes criam concepções alternativas e essas dificultam a aprendizagem. Outra razão para essa dificuldade é a forma de exposição dos dados sem conexão com eventos visíveis aos alunos. Uma forma de reduzir a problemática é a utilização de experimentos com aproximação do cotidiano dos estudantes (YANG et al, 2003). A eletroquímica desempenha um papel importante nos currículos, livros didáticos e na vida cotidiana. No entanto, as aulas são tipicamente baseadas no ensino teórico e sem demonstração de aplicações. Na tentativa de fechar essa lacuna, pode-se utilizar a experimentação e discussão da importância do tema para a sociedade (YERGA et al, 2016). Diante do apresentado, percebe-se que há necessidade de pesquisas para melhorar o processo de

ensino e aprendizagem do tema Eletroquímica tratado nas aulas da Educação Básica. O objetivo do trabalho é demonstrar a construção de um carregador de celular por alunos do Ensino Médio na construção dos conceitos desse tema de difícil entendimento. 2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido por alunos da 2ª Série do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo (Areia Branca - SE). Na etapa inicial, os estudantes realizaram uma pesquisa histórica sobre a fabricação de pilhas e analisaram os materiais necessários para sua construção. A segunda etapa foi selecionar e propor um aparato experimental para a produção de uma pilha com materiais alternativos. Foram realizados testes da melhor maneira de conectar os componentes da pilha. Um multímetro e lâmpadas de Leds foram utilizados para os testes iniciais. Após a definição dos componentes, foram propostos dois carregadores de celulares com materiais alternativos. Em todo o processo foram discutidos os conceitos científicos relativos à Química, Física e Biologia. O projeto foi exposto na sala de aula e no evento “Investigações Científicas em Areia Branca” apresentando grande destaque e despertando interesse do público que visitou a Feira Científica. Além disso, foi divulgado no canal do YouTube S2 Química (www.youtube.com/ s2quimica) para que outros estudantes, professores e admiradores das Ciências da Natureza e da Terra possam ter acesso ao carregador de celular. 3. Resultados e discussão A Eletroquímica é um tópico importante da Química, porém os estudantes consideram um tema

Revista Feira de Ciência e Cultura | 19


de difícil construção do conhecimento. Por ter ampla aplicação no cotidiano pode-se conectar o conhecimento científico com a vivência dos discentes através da experimentação com materiais do dia a dia. De acordo com Hodson (1994), a experimentação tem os seguintes objetivos: motivar, estimular o interesse; ensinar habilidades de laboratório; aumentar a aprendizagem de conceitos científicos; desenvolver atitudes, como aceitar ideias e sugestões dos colegas e trabalho em grupo. Desta forma, alunos da Educação Básica foram instigados a produzir um carregador para celular com materiais alternativos. Inicialmente, os estudantes realizaram pesquisas sobre o histórico das pilhas para conhecimento de materiais utilizados, procedimentos e alterações ao longo dos anos. A pesquisa histórica foi essencial para que eles percebessem as propriedades dos componentes das pilhas e propusessem seus aparatos experimentais. Foram realizados vários testes com distintos materiais na busca da maior diferença de potencial produzida. Para quantificar, os alunos utilizaram o multímetro. A base das pilhas produzidas foi: parafusos ou pregos; moedas de 5 ou 25 centavos e frutas ou legumes. A cidade de Areia Branca - SE tem sua base econômica na agricultura e foi discutido com os alunos que as pilhas poderiam ser feitas com frutas ou legumes visto que estão presentes no cotidiano deles. Um teste inicial foi realizado com Leds e os estudantes perceberam qual aparato experimental exibiu maior diferença de potencial. A Figura 1 apresenta duas formas de circuito elétrico, um em que os Leds estão em série e o outro em paralelo. Eles tiveram a oportunidade de analisar os dados teóricos na prática, como a interrupção do circuito quando adicionava um Led queimado no circuito em série, fato que não ocorria na outra disposição. Além disso, compararam como a tensão e a corrente se comportam nas distintas disposições dos Leds. No experimento, podem-se discutir assuntos como produção de energia, diferença de potencial, circuitos elétricos.

20 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Figura 1: a) Pilha de tomate com Leds em série. b) Pilha com Leds em paralelo.


A partir da definição dos materiais que produziram melhores resultados, os estudantes propuseram dois aparatos para carregadores de celular: um com limão e outro com tomate (Figura 2). Os dois aparatos apresentaram resultados semelhantes, sem diferença satisfatória entre os valores de tensão ou corrente elétrica, indicando que ambos os meios podem ser utilizados, além da produção de carregadores com tomates e limões alternados.

A pesquisa científica desenvolvida na Educação Básica proporciona ao estudante uma maneira distinta de aprender e perceber as Ciências da Natureza e da Terra em seu cotidiano. No decorrer do projeto, uma aluna fez o seguinte relato demonstrando mudança de atitude frente às disciplinas estudadas pelo engajamento com o projeto: “Eu não era uma boa aluna na disciplina de química. Quando comecei a participar do projeto, passei a estudar mais e as notas foram melhorando. A partir desta experiência de criar pilhas alternativas, pretendemos criar futuramente um carregador para celular”. (Relato da estudante 1) Além disso, o conhecimento científico produzido nas aulas pode ser levado para casa dos estudantes e apresentado aos pais, parentes e amigos promovendo a divulgação científica da Química, conforme pode ser verificado no relato da estudante 2. “Com facilidade de acesso, eu pensei até em encher minha casa com a fruta para fazer os experimentos, de tanta empolgação que eu estava em ver resultados do projeto. Não gostava de Química e passei a gostar”. (Relato da estudante 2) A secretária da escola percebeu que os participantes dos projetos apresentam comportamento diferente e resultados mais satisfatórios, conforme verificado abaixo: “Estamos vivendo uma mudança na nossa unidade de ensino com a entrada do projeto, pois está gerando um interesse contínuo do nosso alunado na busca de conhecimento, afinal, eles estão aprendendo a construir energia por meio da pesquisa”. (Relato da secretária da escola) 4. Conclusão

Figura 2: Carregador para celular com a) limões ou b) tomates.

O projeto apresenta uma abordagem interdisciplinar com estudo de conceitos científicos de Química, Física, Biologia e História. Durante o processo investigativo, os alunos realizaram pesquisas para a resolução da situação-problema com combinação de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. As atividades provocaram aproximação do tema estudado

Revista Feira de Ciência e Cultura | 21


com os conceitos científicos, menor dificuldade na compreensão da eletroquímica, maior rendimento escolar com elevação das notas e aspiração de ampliar seus estudos por meio de atividades semelhantes e aplicadas em seu cotidiano. 5. Referências HODSON, D. Hacia un enfoque más crítico del trabajo de laboratorio. Investigación y experiências didácticas, 12, 3, 1994. YANG, Eun-mi; ANDRE, Thomas; GREENBOWE, Thomas J.; TIBELL, Lena. Spatial ability and the impact of visualization/animation on learning electrochemistry. International Journal of Science Education, 25, 3, 2003. YERGA, Daniel Martín; RAMA, Estefanía Costa; García, Agustín Costa. Electrochemical Study and Determination of Electroactive Species with Screen-Printed Electrodes. Journal of Chemical Education, 93, 2016.

22 | Revista Feira de Ciência e Cultura


Resumo. Dentre as tecnologias utilizadas para o aproveitamento da energia da biomassa, a digestão anaeróbia, que é um processo conhecido há muito tempo e desenvolvido principalmente com objetivo de tratar efluentes orgânicos, resíduos domésticos, industriais e agropecuários, vem sendo cada vez mais utilizado por permitir a recuperação de energia por meio do aproveitamento do biogás, prevenindo a poluição ambiental por estes dejetos. O projeto vem sendo realizado por professores e alunos dos 1°, 2° e 3° anos do ensino médio, cuja proposta é compreender a produção biogás de fontes alternativas por meio de biodigestores anaeróbios para conversão de energia de cozimento. 1. Introdução Para a Empresa de Pesquisa Energética (2010), o Brasil apresenta uma matriz de geração elétrica de origem predominantemente renovável, com uma geração interna hidráulica da ordem de 74,0%. Somando as importações, que são essencialmente de origem renovável, pode-se afirmar que, aproximadamente, 86% da eletricidade no Brasil é originada de fontes renováveis. O uso da biomassa residual denota o emprego sustentável de uma fonte de energia e uma excelente diversificação da matriz energética do Brasil, contribuindo com a redução do efeito estufa. De acordo com Zanette (2009), dentre as tecnologias utilizadas para o aproveitamento da energia da biomassa, a digestão anaeróbica, desenvolvida principalmente com o objetivo de tratar resíduos e efluentes orgânicos, vem sendo cada vez mais utilizada por permitir a recuperação de energia por meio do aproveitamento do biogás e nutrientes, bem como prevenir a poluição ambiental. Com a intenção de desenvolver os conceitos

relativos ao estudo dos gases de forma interdisciplinar e contextualizada, o projeto apresenta uma proposta didático-metodológica baseada no desenvolvimento e no estudo de um Digestor Anaeróbio (DA). Além de ser uma ferramenta facilitadora do ensino de conceitos relativos ao estudo dos gases e às leis que regem o comportamento destes (Novais, 1999; Reis, 1993) com o desenvolvimento e o estudo dos fenômenos envolvidos no DA, podem ser discutidos conceitos de física, matemática, biologia e química ambiental, além de serem fornecidas informações sobre a preservação do meio ambiente. Neste contexto, o projeto tem como objetivo compreender a produção biogás de fontes alternativas por meio de biodigestores anaeróbios para conversão de energia de cozimento. A prática proposta motiva a participação acadêmica e possibilita o trabalho em grupo, a comunicação e a defesa-argumentação de ideias, tornando as aulas mais dinâmicas e favorecendo a articulação ensino-aprendizagem, atendendo, assim, às exigências do “Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) de Ciências da Natureza” do Ministério da Educação (Brasil, 2002). 2. Materiais e Métodos Este projeto foi realizado no Centro de Excelência Professor Hamilton Alves Rocha, localizado na cidade de São Cristóvão, conjunto Eduardo Gomes, os alunos envolvidos frequentam os 1°, 2° e 3° anos do Ensino Médio em 2019, durante 8 meses e contou também com a colaboração da professora de Biologia. O referido projeto foi realizado nas seguintes etapas: a) construção de um sistema de armazenamento do biogás; b) cálculo do rendimento do biogás produzido e c) levantamento de mecanismos de incentivo ao aproveitamento do biogás. A proposta interdisciplinar de

Revista Feira de Ciência e Cultura | 23


produção de biogás a partir de fontes alternativas envolveu conceitos de química e biologia, como: estudo dos gases, propriedades dos gases, formação de gases obtidos de biomassa, transformação química, cálculos do rendimento do biogás, processo de digestão anaeróbia. Para montagem do biodigestor anaeróbio, utilizamos materiais alternativos. O experimento foi realizado em escala laboratorial, conforme esquema apresentado na Figura 1. Foi utilizado biodigestor de bancada, compostos de duas garrafas PET de 3L previamente graduadas pelos alunos e uma garrafa PET de 5L, com conexões na parte superior que foram ligadas ao bico de bunsen, utilizado como fonte de calor para aquecimento das substâncias. Essas foram conectadas com mangueiras semi-flexíveis e vedadas com cimento cola tipo epóxi. A garrafa de 5L foi utilizada como recipiente de biomassa, ou seja, recipiente onde ocorre a fermentação e produção do gás, já as garrafas de PET de 3L foram utilizadas como sistema de coleta de gás, sendo que o gás era coletado sob água de cal, solução saturada de hidróxido de cálcio, Ca(OH)2. Para produção de biogás foram utilizados 1000 g de biomassa de esterco de cavalo, bovino e cascas de frutas e misturado com 2000 mL de água destilada, totalizando 3000 g e o pH=6-7. Para aumentar a temperatura, o sistema foi envolvido com fita preta e papel alumínio. A produção do gás foi observada no intervalo de 15 dias.

24 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Figura 1: A - Fotografia do biodigestor. B – Imagem adaptada para obtenção do gás no bico de bunsen (fonte de calor).

3. Resultados e discussão Com o uso do biodigestor e o estudo dos fenômenos nele envolvidos permitem desenvolver a capacidade dos alunos de refletir de forma crítica e imaginativa, buscando desta forma estimular a atividade cognitiva do aluno do Ensino Médio, contextualizando o assunto por meio da apresentação do instrumento e do seu funcionamento de forma a complementar o conteúdo teórico visto em sala de aula. A produção do biogás a partir das biomassas de esterco de equino, bovino e cascas de frutas e legumes foi acompanhada diariamente durante 15 dias. Para determinar a quantidade de biogás produzido, foi marcada no início do experimento a altura da coluna de água das garrafas coletoras que estavam previamente graduadas. Os resultados mostraram que após três dias foi observado um deslocamento vertical do nível da água das duas garrafas coletoras para a biomassa de esterco de equino, seis dias para a biomassa de esterco de bovino e nove dias para as cascas de frutas e legumes, isso foi observado devido a expansão volumétrica causada pelo aumento da massa de gás. Foi observado que após três dias houve a formação de biogás de 300 cm3 para esterco de equino, em seis dias 250 cm3 para esterco bovino e nove dias 200 cm3 de cascas de frutas e legumes, permanecendo constante por mais 15 dias de observação, conforme apresentado na Tabela 1.


Observamos nas medidas feitas ao longo do projeto, que a quantidade de gás capturado apresentava um maior teor de metano devido à remoção de parte do gás carbônico em razão da formação de carbonato de cálcio, que ocorre quando o hidróxido de cálcio presente na água reage com o gás carbônico presente na mistura gasosa produzida. Para verificação da formação do biogás, foi realizada também a queima do gás combustível acumulado. Os gases coletados foram submetidos a um teste de inflamabilidade, verificando a formação de chama com fósforo de segurança aceso. Neste momento, discutimos sobre os fenômenos envolvidos e apresentamos conceitos associados à preservação ambiental e ao combustível alternativo, com discussões sobre práticas do cotidiano para uma sociedade responsável pelo meio ambiente. Um dos parâmetros que controlamos na produção de biogás foi o nível de acidez do inóculo, ou seja, da biomassa, que deve ser mantido entre 6 – 7. Para o controle do pH da biomassa de esterco de cavalo, medimos o pH inicial com uma fita medidora de pH, que foi em torno de 6,5, e a cada três dias era medido, durante 15 dias, sendo que, neste período não foi observado alteração do pH. Esse controle de pH é fundamental para a eficiência das enzimas presentes nas bactérias que agem na quebra das

macromoléculas, produzindo ácidos orgânicos de cadeias pequenas (bactérias acetogênicas) e aquelas que produzem metano a partir desses ácidos (bactérias metanogênicas). Para garantir a ausência de vazamento de gás, foram realizados previamente os testes com todas as conexões entre as garrafas PET, utilizando o teste de espuma com o auxílio de uma esponja e detergente. Foi observado que o sistema não tinha vazamento, garantindo a eficiência na produção do biogás. Considerando a influência da temperatura no processo de biodigestor, aquecemos o biodigestor, envolvendo com fita crepe preta e papel alumínio, a garrafa de PET de 5 L. O efeito desse procedimento foi notado por garantir a produção do biogás. 4. Conclusão O experimento realizado a partir da construção do biodigestor para obtenção de biogás, demonstrou que a produção de combustível a partir de matéria orgânica (esterco de cavalo) pode ser uma alternativa viável na obtenção de combustível alternativo e, dessa forma, auxiliar na diminuição dos impactos ambientais causados pelo consumo de combustíveis fósseis e pelo descarte

Revista Feira de Ciência e Cultura | 25


de resíduos da criação de animais em áreas rurais. Os resultados mostraram a produção de 300 cm3 de biogás a partir de 1000 g de biomassa de esterco de cavalo, foi possível aquecer uma massa de água de 100 mL. No entanto, não foi possível aquecer esta mesma quantidade de água com o volume de biogás obtido para a biomassa de esterco bovino e cascas de frutas e legumes. Dentro deste contexto, foi possível também desenvolver as habilidades e a capacidade criativa dos alunos, por meio da contextualização do assunto de química, relacionando de forma interdisciplinar os conteúdos do Ensino Médio, favorecendo com isso a renovação das metodologias e diminuindo as limitações das aulas tradicionais. Assim, o efetivo aproveitamento energético do biogás requer, inicialmente, o estabelecimento de metas claras para a elaboração e direcionamento das políticas, além da coordenação entre os órgãos responsáveis pelas políticas energéticas, ambientais, agrícolas e de desenvolvimento urbano para a definição das atribuições de cada um. É necessário também promover a interação entre os diversos agentes envolvidos e facilitar e estimular a transferência

26 | Revista Feira de Ciência e Cultura

de conhecimento, além dos esforços coordenados em pesquisa, desenvolvimento e implementação. Como propostas futuras, utilizaremos biomassa de esterco de galinha, suíno, bagaço de cana de açúcar e mesocarpo do coco para produção de biogás. Além disso, pretendemos ampliar o sistema de armazenamento e aumentar a quantidade de biomassa para gerar mais biogás e deste modo produzir energia suficiente para o cozimento de alimento durante a preparação da merenda escolar. 5. Referências Empresa de Pesquisa Energética. 2010. Balanço Energético Nacional 2011. Ministério de Minas e Energia. Rio de Janeiro: EPE, 2010. ZANETTE, André Luiz. Potencial de Aproveitamento Energético do Biogás no Brasil. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Rio de Janeiro, 97p. 2009. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica – Semtec. PCN + Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais – Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC/Semtec, 2002. NOVAIS, V. Química. São Paulo: Atual, 1999. REIS, M. Química Integral. São Paulo: FTD, 1993.


Resumo. Neste trabalho é apresentada uma metodologia alternativa para o ensino de Química e Biologia utilizando a extração de corantes naturais, com o intuito de despertar nos estudantes do Ensino Médio o interesse pelas Ciências da Natureza e o gosto pela pesquisa, além de proporcionar a construção de conceitos científicos, bem como suas implicações nos aspectos sociais e ambientais. Como recurso para atingir tal objetivo, utilizou-se a experimentação investigativa com alimentos descartados no Mercado Municipal Maria Virgínia Leite Franco, em Aracaju/SE, como base para a extração dos corantes e produção de giz de cera de abelha com uma abordagem CTSA. 1. Introdução O ensino de Ciências, e particularmente Química e Biologia, no Segmento Médio, sofre com as consequências de aulas com abordagens tradicionais, em que o aluno é considerado um mero receptor. Nesse modelo metodológico de ensino, o aluno é levado à memorização e não à compreensão de conteúdos, que, na maioria das vezes, apenas decora conceitos, regras, nomenclaturas e fórmulas. É importante que o discente tenha um mínimo de conhecimento científico, de forma a adquirir uma compreensão dos fenômenos naturais e acontecimentos que compõem a sociedade ao seu redor. Para tanto, busca-se trabalhar com informações diretamente vinculadas aos problemas sociais e ambientais que afetam o cidadão e seu meio, exigindo um posicionamento crítico dele quanto às decisões, contribuindo, assim, para a formação de um sujeito capaz de refletir sobre a sociedade em que vive. Pensando nisso, uma nova abordagem de ensino propõe um modelo pedagógico que traz o processo de construção do conhecimento científico para mais

próximo dos alunos e, com isso, desenvolve uma visão mais humana de Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente. Esse modelo é denominado ensino CTSA e tem como prioridade aproximar os alunos das realidades do cotidiano e garantir-lhes a adequada alfabetização científica e tecnológica para que possam atuar como cidadãos, tomando decisões e agindo com responsabilidade social (SANTOS; MORTIMER, 2001). Ao integrar a abordagem CTSA ao Ensino de Química e Biologia, os recursos e as estratégias didáticas utilizadas se mostram relevantes para alcançar os objetivos e dar significado aos conhecimentos. Sabese que as cores acabam sendo usadas como atrativo nas indústrias que empregam corantes sintéticos em seus produtos e que, nos últimos anos, a inocuidade dos corantes sintéticos começou a ser questionada, levando à proibição de alguns deles em função da descoberta de suas toxicidades e baixa biodegradabilidade. Devido a essa limitação e à tendência mundial de consumir produtos chamados “naturais”, o interesse pelos corantes naturais tem crescido substancialmente (ROSA, 2004). Sendo assim, o uso de corantes como objeto de estudo justificase pelo fato de a “cor” ser uma propriedade organoléptica marcante das substâncias. Logo, este projeto pedagógico apresentou para os alunos formas de extração e utilização de corantes naturais encontrados no seu cotidiano, dentro de uma perspectiva socioambiental. O referido projeto pedagógico tem como objetivo aproximar o aluno do seu cotidiano e promover um ensino de Química e Biologia utilizando a abordagem CTSA, através da extração de corantes naturais a partir de alimentos descartados no Mercado Municipal Maria Virgínia Leite Franco, em Aracaju/SE, e a produção de giz de cera de abelha, despertando o interesse e a motivação nos alunos em aprender Ciências e buscando incentivar

Revista Feira de Ciência e Cultura | 27


discussões e comentários que busquem soluções para a problemática do lixo no Mercado. 2. Materiais e Métodos Este projeto pedagógico iniciou-se em março do ano letivo de 2019 e teve uma duração de sete meses, começando com um questionário investigativo a respeito de corantes sintéticos e naturais, respondido por um grupo de alunos das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do Instituto Dom Fernando Gomes. Em seguida, foi realizada uma visita de campo ao Mercado Municipal Maria Virgínia Leite Franco (Mercado Central), situado no Centro de Aracaju/SE. Essa visita tinha um caráter investigativo, e lá os alunos entrevistaram comerciantes do mercado para identificar quais os alimentos mais descartados e a causa desse desperdício. Antes de ir a campo, foi estabelecido um plano de observação e a elucidação clara das tarefas e objetivos que deveriam ser refletidos pelos alunos. Na aula seguinte, foi feito um levantamento dos dados coletados dos alimentos mais citados durante a pesquisa de campo. Na sequência, os alunos fizeram uma pesquisa bibliográfica das fórmulas estruturais das moléculas responsáveis pela cor dos alimentos catalogados e da relação entre as cores e os nutrientes que eles fornecem, servindo para iniciar uma aula interdisciplinar de Química e Biologia, em que foram abordados os conteúdos de funções orgânicas e vitaminas. Uma segunda visita de campo foi realizada pelos alunos com o objetivo de arrecadar dos comerciantes do mercado legumes e verduras que iriam para o lixo, com a finalidade de utilizar esses alimentos para extração de corantes naturais e contribuir com a diminuição do acúmulo de lixo no mercado. A seguir, foram desenvolvidas atividades práticas, das quais os corantes vegetais foram extraídos. Esses experimentos aconteceram em dias diferentes (duas aulas por semana), e os corantes extraídos eram utilizados para a produção de giz de cera de abelha, tornando o produto final artesanal, de baixo custo e com pouco acúmulo de resíduos. As aulas no laboratório aconteciam sempre após uma explanação teórico-expositiva dos conteúdos de Química (Solubilidade, Funções Orgânicas e Métodos

28 | Revista Feira de Ciência e Cultura

de Separação de Misturas) e de Biologia (Vitaminas, suas funções e deficiência). Os materiais e as técnicas para extração dos corantes estão demonstrados a seguir. 2.1. Materiais e Reagentes: tomate; couve; beterraba; cenoura; abóbora; açafrão; urucum; álcool etílico; béquer; balança; ralador; funil de vidro; papel filtro. 2.2. Procedimentos para a extração dos corantes: Em um béquer, colocaram-se 100 gramas do vegetal triturado ou ralado (tomate; couve; beterraba; cenoura ou abóbora), foram adicionados 100 mL de álcool etílico e foi deixado em repouso por 24 horas. O procedimento foi diferente apenas para a extração do corante do urucum, que foi medido 5 gramas de sementes de urucum num béquer, adicionados 30 mL de álcool etílico e deixado em repouso por 24 horas. Após 24 horas, procedeu-se à filtração para obtenção da solução alcoólica dos corantes naturais respectivos. 2.3. Manufatura artesanal de giz de cera de abelha: Para fazer o giz de cera foram usados: 200g de cera de abelha; 50g de cera de carnaúba; 01 béquer; 01 bastão de vidro; forminhas de silicone. As ceras foram compradas no Mercado Central de Aracaju. Colocaramse as ceras e o corante escolhidos no béquer e a mistura foi levada ao fogo para derreter em banho-maria. Depois, pingou-se uma gota num béquer com água para endurecer e riscou essa gota endurecida num papel para testar. Feito isso, o líquido derretido foi transferido para as forminhas de silicone. Após 24 horas, o giz de cera estava pronto para uso. 3. Resultados e discussão Os cidadãos devem possuir conhecimentos básicos para assim se posicionarem de forma crítica quanto às problemáticas atuais e participarem de decisões como, por exemplo, a diminuição do acúmulo de lixo e do desperdício de alimentos no mercado de suas cidades.


Bazzo (2007) defende que é necessário ultrapassar a meta de uma aprendizagem apenas de conceitos e teorias para um ensino mais cultural, que proporcione uma melhor compreensão, apreciação e aplicação da ciência e da tecnologia, levando-se em conta as questões sociais e entendendo que tanto a ciência quanto a tecnologia são resultados do saber humano e que, portanto, estarão sempre presentes na vida de cada cidadão. Na execução do projeto, várias etapas foram desenvolvidas, como descritas a seguir. Através da análise das respostas dos alunos referentes ao questionário investigativo inicial, constatou-se que os discentes não possuíam conhecimento sobre corantes e pigmentos, sejam eles naturais ou artificiais nem conseguiam relacionar o assunto com os conteúdos de Química Orgânica. A primeira visita de campo ao Mercado Central de Aracaju fez com que os estudantes percebessem que estudar Química e Biologia vai além da sala de aula, e foi importante para despertar a curiosidade dos alunos pelo tema trabalhado na pesquisa feita por eles no momento da visita. Durante as entrevistas, os discentes puderam constatar que o tomate é o alimento mais descartado no Mercado por conta do seu rápido apodrecimento, seguido das folhas como, por exemplo, alface e couve. De acordo com os comerciantes consultados, grande parte do desperdício de alimentos no Mercado Central de Aracaju deve-se à logística e ao manuseio, que não são feitos de maneira correta. Esse desperdício acaba gerando um grande acúmulo de lixo orgânico no Mercado (Figura 1).

Figura 1: Registros da pesquisa de campo no Mercado Central de Aracaju/SE. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

Após um levantamento dos dados coletados dos alimentos mais desperdiçados e registrados durante a pesquisa de campo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, na qual os alunos tiveram conhecimento das substâncias responsáveis pela cor de cada alimento, sua fórmula estrutural e sua nomenclatura, que são citadas a seguir: açafrão (cor amarela) CURCUMINA; beterraba (cor roxa) BETANINA; cenoura (cor laranja) BETACAROTENO; couve (cor verde) CLOROFILA; urucum (cor vermelha) BIXINA; tomate (cor vermelha) LICOPENO. O resultado dessa pesquisa serviu de ponto inicial para a aula interdisciplinar de Química (abordando as funções orgânicas nas estruturas moleculares) e de Biologia (relacionando a cor dos alimentos com as vitaminas e nutrientes que eles contêm). Durante a aula interdisciplinar, estabeleceramse constantes diálogos com os estudantes, com o intuito de auxiliá-los na construção e na reconstrução do conhecimento. Os corantes artificiais também fizeram parte das discussões, pois por serem de baixo custo e alta estabilidade são intensamente utilizados em produtos industrializados. Nesse momento, houve certa preocupação em enfatizar a importância da química sintética e seus impactos para o meio ambiente e, em seguida, entrou-se no contexto dos corantes naturais. Ressaltou-se a importância do uso dos corantes naturais, que, além de atribuir cor aos alimentos que os contêm, também possuem propriedades benéficas à saúde humana. Com isso, sua utilização torna-se muito

Revista Feira de Ciência e Cultura | 29


conveniente e interessante, visto que além de melhorar a aparência dos alimentos, podem ajudar a promover a saúde de quem os consome. Os corantes naturais são pigmentos extraídos diretamente da natureza, tanto de origem orgânica (vegetal e animal) como mineral (terras e rochas). A pintura realizada por meio de tintas naturais pode ser obtida das mais diferentes fontes, como flores, frutos, raízes, insetos, solos, folhas e cascas, por exemplo (PEZENTE, et al., 2014). Com as aulas experimentais, os alunos vivenciaram métodos de extração, separação de misturas e obtenção dos extratos coloridos, que foram usados na produção de giz de cera (Figura 2).

Figura 2: Aulas experimentais de extração de corantes naturais e produção do giz de cera. (Fonte: Arquivo pessoal das professoras.)

Foi importante ressaltar para os discentes que a produção dos corantes, reaproveitando os alimentos que seriam descartados no Mercado contribui na diminuição dos impactos ambientais e sociais da cidade, já que o descarte inadequado desses resíduos orgânicos pode atrair animais nocivos à saúde, além de produzir chorume, que

30 | Revista Feira de Ciência e Cultura

pode infiltrar no solo e contaminar águas subterrâneas. Durante as experimentações, foi notado pelos alunos que não tinha nenhum alimento, dentre os listados, de cor azul. Surgiu, então, o interesse em pesquisar sobre a extração de um corante natural azul. Os discentes fizeram pesquisas em sites e tomaram conhecimento de que na natureza a cor azul é rara, quando comparada com a ubiquidade do verde, do amarelo ou do laranja. As moléculas responsáveis pela cor azul são, em geral, antocianinas, compostos que têm crescente interesse na investigação alimentar e farmacêutica, devido à sua atividade antioxidante. Após várias pesquisas bibliográficas, os alunos souberam que podiam confeccionar o corante azul a partir do fruto do jenipapo verde. Penalber et al. (1996), determinaram que o fruto de jenipapo ainda verde produz por oxidação um corante azul escuro solúvel em água e etanol. Diante disto, os alunos pegaram frutos do jenipapo verde no Mercado, cortaram ao meio, deixaram em repouso por 24 horas, tempo necessário para o escurecimento do fruto, e, em seguida, deixaram mais 24 horas os frutos submersos em álcool etílico para a extração do corante e produção de giz de cera azul. O projeto foi encerrado com uma culminância no pátio da escola, ocasião em que os alunos do Ensino Fundamental puderam testar o giz de cera produzido durante as atividades. Constatou-se, através de avaliação oral e depoimentos, que o desenvolvimento do projeto foi extremamente positivo, uma vez que proporcionou aos alunos a oportunidade de observar o problema do lixo no Mercado de perto, não ficando somente nas discussões em sala de aula. Foi possível fazer com que os estudantes elaborassem uma análise crítica e tivessem um maior envolvimento e compromisso com o problema ao desenvolver atividades em consonância com o ensino CTSA. 4. Conclusão Com o desenvolvimento dessa sequência didática, com uma abordagem em CTSA, evidenciou-se o desenvolvimento dos alunos envolvidos em discutir os


problemas sociais e, ao mesmo tempo, aprender conteúdos de Química e Biologia, incorporando-os ao seu cotidiano, vivenciando a realidade do seu município e sendo sujeitos ativos na construção de uma sociedade melhor. Ficou claro que trabalhar com enfoques inovadores é importante para o desenvolvimento de uma prática pedagógica eficaz no ensino de Química e Biologia. Nesse sentido, é importante realizar ações concretas, como as atividades realizadas neste projeto, para conhecer as concepções prévias dos discentes e fornecer-lhes teorias e estratégias para uma aprendizagem contextualizada na abordagem CTSA, na construção e reconstrução de saberes e formação do cidadão crítico e participativo. 5. Referências BAZZO, W. A.; PINHEIRO; N. A. M., MATOS, E. A. S. A. Refletindo acerca da ciência, tecnologia e sociedade: enfocando o Ensino Médio. Revista Iberoamericana de Educación, n.44, 2007. PENALBER, T.J. de A.; SADALA, M. A.C.; CASTRO, M.S.; FARIA, L.J.G. de. Ensaios de extração e aplicação de corantes do fruto do jenipapeiro (Genipa americana). Revista Brasileira de Corantes Naturais, 1996. PEZENTE, et al. Oficina de cores como ferramenta para o ensino de ciências: relato de experiência desenvolvida pelos bolsistas do PIBID de Ciências Biológicas da UNESC. In: IV Simpósio Nacional de Ensino de ciência e tecnologia, 2014, Ponta Grossa-PR. ROSA, L.C.C. Corantes Naturais em Alimentos: Preferência do Consumidor e Aplicação Industrial. 2004. 104f. Tese (Mestrado em Ciências e Tecnologia de Alimentos) – Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Tomada de decisão para ação social responsável no Ensino de Ciências. Ciência/Educação, 2001.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 31


Resumo. O potencial de ação tem etapas consideradas complexas pelos estudantes. Assim, o desenvolvimento de um modelo que possa esquematizar essas fases é de grande importância para o meio acadêmico. Neste trabalho, objetivou-se desenvolver um modelo didático do potencial de ação utilizando o Arduino, leds bicolores, motores e fiação. Durante todo o projeto foram desenvolvidos conteúdos relacionados à fisiologia nervosa e bioeletricidade, mostrando a interdisciplinaridade do conteúdo. Os alunos puderam desenvolver o conteúdo biológico e eletrônico, bem como o senso crítico científico. 1. Introdução Com o passar dos anos, o ensino de Biologia nas escolas tornou-se um grande desafio a ser enfrentado, uma vez que possui na sua grade curricular diversos conteúdos difíceis de serem assimilados pelos discentes, exigindo-se assim uma metodologia diferenciada e atrativa por parte dos professores. Dessa maneira, projetos que unem a robótica com a educação estão se tornando uma importante ferramenta a ser utilizada nas salas de aulas (OLIVEIRA et al., 2015). É perceptível que os métodos tradicionais de ensino em muitas ocasiões não são eficazes, isto é, os alunos não adquirem os conhecimentos que estão sendo transmitidos. Diante disto, o desenvolvimento tecnológico proporcionou a criação de instrumentos que podem ser usados pelos professores, permitindo uma maior disponibilidade de informações e recursos para o educando. Além é claro de transformar o processo educativo em algo dinâmico, eficiente e inovador. Verifica-se que nessa perspectiva a visualização de organismos ou estruturas como a do Sistema Nervoso por parte dos alunos torna-se mais fácil (MARTINS & FERNANDES, 2015).

32 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Portanto, é evidente a importância e a influência das inovações tecnológicas no meio acadêmico, evidenciando assim a proposta do projeto, ou seja, elaborar uma ferramenta que auxilie os docentes no processo de ensino do potencial de ação nas escolas (SCARPA & CAMPOS, 2018). Além é claro de estimular no meio acadêmico da biologia o desenvolvimento de projetos que auxiliem os docentes, bem como comprovar a importância dos avanços tecnológicos para diversas áreas da educação. 2. Materiais e Métodos As placas, fosfolipídios e proteínas foram projetadas no software SolidWorks 2018, este que é um software CAD para desenhos 2D e 3D auxiliados por computador. Com a base do nosso modelo pronto, levamos o arquivo do desenho para ser impresso na impressora 3D do nosso campus em material PLA. Tivemos como resultado duas placas, doze representações esquemáticas em aproximação real dos fosfolipídios e quatro representações de proteínas. Com a parte mais complexa finalizada, reunimos os materiais do projeto para a montagem, entre eles: 1 Arduino Mega, 16 LEDs bicolores (vermelho e amarelo, importantes para demonstrar a passagem dos nutrientes nos canais), 1 módulo bluetooth RS232 HC-05, 16 resistores de 150 ohms ¼ W, jumpers e fios, conectores tipo sindal e 4 motores de passo. Para montar a base física, fizemos quatro buracos com um ferro de solda aquecido nas duas placas de PLA para posicionar os motores de passo. Feito isso, tingimos o biscuit com duas cores diferentes e forramos as placas com o intuito de representar os canais diferentes da interação do impulso nervoso, sendo a cor azul o lado externo e a cor rosa o lado interno, e também pintamos


o meio do modelo com cor verde para representar a membrana plasmática, onde ocorre toda a transmissão de sinais. Colamos os motores em suas respectivas localizações com cola quente, unimos ambas as placas por junção temporária com quatro parafusos e colamos os LEDs em série na placa. Na parte elétrica, soldamos 1 resistor no neutro de cada LED, pois sem esses resistores, os LEDs provavelmente queimariam por conta da alta corrente. Depois disso conectamos os resistores nos conectores de tipo sindal para facilitar nosso processo de soldagem e prevenir que tivéssemos que refazer a solda caso houvesse algum erro. Depois soldamos todos os neutros dos LEDs pelo fato do Arduino ter apenas uma entrada gnd (ground / terra), unimos os neutros aos conectores sindal para ter uma única conexão. Também usamos jumpers para conectar os LEDs nas entradas digitais do Arduino, assim possibilitando fazer o controle das cores de cada LED de forma individual e conjunta. Finalizando a construção da parte elétrica, conectamos o touch e o módulo bluetooth por meio de jumpers no Arduino. 3. Resultados e Discussão No desenvolvimento do projeto foi utilizado como ideia central o Arduino, que consiste em uma plataforma de prototipagem eletrônica que possui hardware livre. Esta disponibiliza uma programação, conhecida como C/C ++, que permite o controle dos componentes ligados a ele. No início da apresentação, os discentes colocaram os comandos em forma de texto no programa presente no computador, este enviou para o Arduino as ações que deveriam ou não executar. Posteriormente, por meio dos pinos digitais (entradas), uma conexão entre a plataforma e a placa, além dos outros componentes também ligados ao Arduino foi estabelecida. A Figura 1 representa a base onde toda a estrutura foi montada.

Figura 1: Modelo utilizado para produção da estrutura impressa da membrana neuronal, demonstrando fosfolipídios e canais proteicos (arquivo pessoal dos autores).

Para demonstrar a programação do projeto é necessário entender o básico e para o quê ela foi utilizada. Utilizamos o Arduino para programar e definir cada detalhe, desde o tempo de abertura e fechamento dos canais de Na+ e K+, até a voltagem mostrada no display LCD. A programação feita no Arduino foi necessária para todo o processo de criação do projeto. Basicamente, ele é responsável por controlar tudo que vai acontecer no modelo de neurônio: quando e como os LEDs vão acender, o movimento que os motores farão, como o LCD vai funcionar e fazer com que todo o acionamento do circuito fosse dependente do botão Touch. Dentro do Arduino, na sua programação, definimos onde cada pino deveria se encaixar e a sua função para, a partir desse ponto, fazer com que o programa funcionasse. Programamos utilizando duas situações, uma onde o touch seria pressionado e outra onde ele não seria acionado, o que é a base fundamental do sistema. Quando o touch não é utilizado, o circuito mantém os motores fechados, padroniza o LCD em -70 mV e deixa os LEDs da parte interna do neurônio na cor amarela e da parte

Revista Feira de Ciência e Cultura | 33


externa na cor vermelha, sendo que a parte amarela representa cargas negativas e a parte vermelha representa cargas positivas. Caso o botão touch seja acionado, a primeira coisa que acontece é a troca de voltagem no LCD, ele sai de -70 mV para 30 mV. Após isso os motores começam seu processo de abertura, sendo que o motor que representa o sódio é mais rápido em sua abertura do que o motor que representa o potássio. A partir do começo das aberturas ocorre o início do processo de inversão. As inversões basicamente vão inverter dois LEDs seguidos, sempre vermelho entrando e amarelo saindo, representando a inversão de polaridade exercida pelas células do sistema nervoso. A Figura 2 exibe uma parte da programação utilizada neste projeto.

a -70 mV. Caso o touch não seja acionado novamente, o sistema se mantém na sua posição padrão. A Figura 3 demonstra a circuitaria eletrônica utilizada neste projeto.

Figura 3: Estrutura eletrônica utilizada no controle dos leds (arquivo pessoal dos autores).

Figura 2: Trecho da programação utilizada para controle do aparato eletrônico (arquivo pessoal dos autores).

No final do processo de inversão os primeiros LEDs começam a normalizar, ou seja, voltam a seu padrão, vermelho fora e amarelo dentro. Isso também ocorre com os motores que estavam se abrindo. Quando os dois primeiros motores finalizam sua abertura, os outros dois motores começam a se abrir, enquanto os primeiros vão começar a se fechar, retornando para sua posição padrão. Conseguinte, quando os primeiros se fecham os últimos começam o mesmo movimento. Esse processo representa a abertura e fechamento dos canais de Na+ (sódio) e K+ (potássio). Todo esse processo segue por 16 LEDs e 4 motores e, quando todos voltam ao padrão, o LCD retorna

34 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Durante as mudanças de cores, os motores de passo fazem as aberturas e os fechamentos das portas por onde passam os íons Na+ (sódio) e K+ (potássio), simbolizando assim a fase de polarização e repolarização. O tempo e a velocidade de abertura foram controlados pelo motor, sendo que as portas de sódio abrem de forma mais rápida que as de potássio. Nesse intervalo de tempo, a parte externa (LED amarelo) e a interna (LED vermelho) voltarão a possuir a sua cor inicial. 4. Conclusão O trabalho satisfez os nossos objetivos com a pesquisa. Conseguimos um modelo didático de neurônio e comprovamos a eficácia dele no quesito aprendizagem. Durante todo esse tempo trabalhando no projeto percebemos que ainda será possível melhorar a estrutura, aperfeiçoando a programação para aprofundamento de conceitos. Ainda assim, o modelo atual já supre bem a necessidade de se ter material didático de um processo que praticamente não possui recursos didáticos físicos que possam ser utilizados em sala de aula.


5. Referências MARTINS, S.M.P.C.; FERNANDES, E.M.S. Robots como ferramenta pedagógica nos primeiros anos a aprendizagem como participação. Revista Brasileira de Educação., Rio de Janeiro, v. 20, n. 61, p. 333-358, 2015. OLIVEIRA, A. D. D. Desafios no ensino de Biologia. Realize, v. 1, n. 1, p. 1-10, 2016. SCARPA, D.L.; CAMPOS, N.F. Potencialidades do ensino de Biologia por Investigação. Ensino de Ciências. Estudos. Avançados., São Paulo, v. 32, n. 94, p. 25-41, 2018.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 35


Resumo. As principais dificuldades enfrentadas pela comunidade escolar estão relacionadas a estrutura física da escola, falta de disponibilidade de materiais didáticos, ausência de incentivos, entre outras problemáticas que não favorecem a realização de aulas práticas. A finalidade desta pesquisa foi desenvolver um atlas digital de biologia, para utilização por estudantes e professores. Dessa forma, pretendeu-se aliar as atividades práticas às teóricas com auxílio do recurso da realidade virtual. A criação desse instrumento tecnológico permitiu melhorar o relacionamento interpessoal daqueles envolvidos no procedimento de produção, bem como auxiliou no aumento do conhecimento científico dos alunos.

móveis, favorece o mercado educacional a buscar cada vez mais métodos, softwares e aplicações que inovem o processo de aprendizagem (GADOTTI, 2010). Diante disso, despontou-se a ideia da criação de um atlas virtual para facilitar o processo de ensino-aprendizagem em laboratório de biologia. O uso de atlas histológico, além de ser um recurso que apresenta uma boa aceitação pelos alunos, é importante para melhorar o rendimento escolar. É necessário salientar que quanto mais funcionalidade e didática um recurso oferecer, mais atraente e estimulante se torna para o aluno (SILVA & SANTANA, 2012). Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo a criação de um atlas virtual de biologia.

1. Introdução

2. Materiais e Métodos

A busca por novos métodos de ensino, ultrapassando o modelo tradicional existente, é crescente e, nesse contexto, as inovações tecnológicas têm se destacado como uma estratégia pedagógica. Considerando uma modalidade facilitadora para os estudantes, essas inovações, aliadas com os processos em sala de aula, podem fornecer um aprendizado mais dinâmico e ágil. A principal característica é a interatividade, que facilita o acesso às informações, dessa forma o aluno passa a ser o ator de sua própria aprendizagem e o professor é o mediador do processo. Os materiais visuais facilitam a absorção do conteúdo pelos alunos de forma mais leve e precisa (SOUZA, 2018). Assim como em outras instituições de ensino, o Instituto Federal de Sergipe sofre com a escassez de modelos histológicos práticos de estudo, o que dificulta a associação do conteúdo teórico ao prático no processo de aprendizagem. A acessibilidade e facilidade na aquisição de dispositivos computacionais e dispositivos

Inicialmente foi feito o reconhecimento das lâminas dos tecidos disponíveis no Instituto Federal de Sergipe, Campus Lagarto, baseado em pesquisas e livros que explicavam as estruturas do material biológico nelas presente. Os alunos envolvidos no projeto são discentes dos cursos de edificações, eletromecânica e redes de computadores. As estruturas escolhidas foram: Earthworn, Azolla, Honeybee Mouth, Honeybee Leg, Sunflower Stem, Epidermis Of Vicia Faba, Epidermis Of Onion, Honybee Wing, Populos Stem, Root-Tip Of Zea Mays, mantendo a originalidade e obedecendo a classificação taxonômica da escrita dos nomes científicos. Foram utilizados os microscópios do tipo estereoscópico, na objetiva de 2x, e óptico, nas objetivas de 4x, 10 e 40x (OPTON) e a partir disso foram examinados os tecidos histológicos, identificando as partes das estruturas e capturando as imagens com o smartphone da marca Samsung modelo A10 com a câmera de 13mpx. O LibreOffice Impress foi a ferramenta escolhida

36 | Revista Feira de Ciência e Cultura


por ser de fácil manuseio e acessível a todos os membros da equipe e aos usuários. Foram selecionadas sete cores fixas adicionadas nas criações – amarelo, vermelho, verde, branco, roxo, preto, azul – de forma inédita para cada assunto abordado no atlas. As fontes utilizadas foram Arial Black e Bowlby One SC, na cor preta e numeração 18-88. Cada slide contém animações de surgimento e opção para pessoas com deficiência visual, possibilitando escutar o conteúdo através de áudios. O estudo teve limitações, como o limite de temas para os slides, a fim de contornar isso foi identificada uma nova plataforma, a “Canva”, isto possibilitou elaborar novos temas para a apresentação e ofereceu variedade de elementos. 3. Resultados e discussão Para o usuário examinar os tecidos de forma interativa e dinâmica foi utilizado o recurso da realidade virtual com óculos VR BOX, no qual era possível visualizar as estruturas sendo movimentadas pelo charriot, possibilitando ao observador uma experiência de simular a realidade das práticas. Além disso, no VR BOX Video Player os vídeos foram editados, dividindo o cenário em duas telas para a visão do observador. Cada tecido histológico teve sua definição e função tornandose um material auxiliar para os conteúdos abordados. O Atlas Digital desenvolvido nesta pesquisa simula o funcionamento de microscópio ópticos e estereoscópicos, que permite observar os cortes histológicos em vários aumentos de modo interativo em uma realidade virtual, acessível também a alunos deficientes visuais (Figuras 1, 2 e 3). Dessa forma é possível a complementação das aulas teóricas e práticas. É válido ressaltar que não é uma substituição ao trabalho realizado em sala de aula ou mesmo descarte da leitura complementar de livros textos. Na Universidade de Iowa, para aumentar o interesse no aprendizado por meio de apresentações expositivas e sessões laboratoriais com as tradicionais caixas de lâminas que estão disponíveis nas aulas práticas, passaram a realizar sessões pré-laboratoriais com a exibição de fotomicrografias presentes em um banco de

imagens digitalizadas disponíveis em rede e no website do curso. Já na Universidade de John Hopkins realizou-se uma pesquisa para analisar a utilização de atlas digital no ensino de histologia. Como resultado, notou-se o aumento da satisfação do aluno com relação ao laboratório, da disposição para o estudo da disciplina, da facilitação da discussão e da produtividade dos docentes com esse tipo de ferramenta (SANTA ROSA & STRUCHINER, 2011). No laboratório é interessante a utilização de recursos virtuais, pois facilitam o entendimento do aluno na disciplina de biologia. Já existem muitos sites destinados ao estudo de tecidos no microscópio, mas poucos se aproximam das atividades práticas desenvolvidas nas aulas do Ensino Médio, além de pouca fundamentação teórica. Foi com a intenção de elaborar um livro digital com imagens capturadas dos microscópios que o projeto surgiu, assim o Atlas Virtual de Biologia é resultado do trabalho colaborativo dos orientadores responsáveis e estudantes do Ensino Médio, que contribuíram de maneira significativa para que o material produzido tivesse a construção mais didática possível e fosse elaborada a melhor forma de ensino-aprendizagem.

Figura 1: Tela inicial do atlas (arquivo pessoal dos autores)

Revista Feira de Ciência e Cultura | 37


à distância e em tempo real de múltiplos sujeitos geograficamente dispersos, fornecendo estruturas técnicas para a comunicação e o acesso à informação. 5. Referências

Figura 2: Tela de exibição das partes do microscópio de luz (arquivo pessoal dos autores)

Figura 3: Tela que exibe a estrutura de Azolla no atlas digital (arquivo pessoal dos autores)

4. Conclusão O atlas digital de biologia sugere uma perspectiva diferenciada de trabalhar o conteúdo desta disciplina, com grande potencial para ser uma ferramenta auxiliar no processo de ensino aprendizagem. No sistema educacional acreditamos que o uso de novas tecnologias pode proporcionar aprendizado dinâmico, possibilitando a todos os alunos interagirem no próprio processo, assim rompendo velhos modelos pedagógicos. Dessa forma, o aluno torna-se o protagonista da própria educação. Além disso, o atlas digital permite o rompimento de barreiras espaço-temporais, oportunizando a comunicação

38 | Revista Feira de Ciência e Cultura

GADOTTI, MOACIR. Perspectivas atuais da educação. São Paulo, v. 14, n. 2, p. 03-11, 2000. SANTA-ROSA, José Guilherme; STRUCHINER, Miriam. Tecnologia educacional no contexto do ensino de histologia: pesquisa e desenvolvimento de um ambiente virtual de ensino e aprendizagem. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 35, n. 2, p. 289-298, 2011. SILVA, K. D. C. D.; SANTANA, O. A. Objetos de aprendizagem utilizados para o ensino da anatomia humana: uma revisão da literatura. Associação Brasileira de Educação a Distância, Recife, 2012. SOUZA, RÔMULO FRANCISCO DE. Material didático virtual livre para o ensino e a aprendizagem no âmbito dos centros de estudo. Campinas, v. 57, n. 2, p. 1189-1219, 2018.


Resumo. O estudo dos solos foi abordado durante as aulas de química. Numa das etapas do projeto foi realizado o experimento “como medir o pH dos solos”, onde foram discutidos os conceitos de ácido, base e pH, bem como a importância desse conhecimento para a agricultura através da observação prática do solo. Na metodologia aplicada foram coletadas amostras de solo no entorno da escola. Essas amostras foram testadas com um pHmetro e com um indicador ácido-base (fenolftaleína). Com o uso do referido tema, foi possível perceber que os alunos conseguiram aprender de forma significativa os conteúdos abordados. 1. Introdução O tema foi escolhido devido ao projeto adotado pela escola intitulado “Bora Plantar”, que conta com o apoio e supervisão da EMBRAPA, com o Programa EMBRAPA escola. Nesse projeto, os alunos participaram de atividades relacionadas ao plantio no entorno da escola. Esse local é circundado por uma grande área antes ociosa, onde hoje existem dois espaços definidos: um mini SAF, onde são plantadas árvores frutíferas, flores, plantas ornamentais e culturas regionais, tais como macaxeira, batata doce, entre outras. No outro espaço é cultivada uma horta orgânica. Sobre a importância do solo e sobre o hábito de plantar, podemos destacar que: Ao longo da história da humanidade, o homem sempre conviveu com o solo. No começo, ele apenas colhia os produtos da terra. Depois, teve de aprender a cultivar a terra para obter o seu alimento. Para o homem, o solo é um recurso tão importante quanto a água que ele bebe e o ar que ele respira. Ele não poderia existir sem essa principal fonte de produção de alimentos. (MELO). O questionamento “Todo solo é igual?” surgiu devido às diversas tentativas de plantar na escola, onde

criamos uma área de experimentoteca para os alunos. Nesse processo eles perceberam que nem todas as culturas se adaptavam ao ambiente. Por outro lado, na área da horta, onde houve a aquisição de terra preta de adubo, foi feita a correção do solo. Desde então as plantas cresceram bonitas, saudáveis e o solo foi escolhido como tema gerador com o objetivo de abordar os conceitos de ácido, base e a introdução ao conceito de pH através da observação prática, e da importância desses conhecimentos para a agricultura. 2. Materiais e Métodos O estudo dos solos foi feito durante as aulas de química no ano letivo de 2018 com as três turmas do 1º ano do ensino médio integral do Colégio Estadual Gilberto Freyre. A escola está inserida no Programa Residência Pedagógica e o presente trabalho ocorreu com o auxílio dos alunos da UFS Alexandre Batista dos Santos e Valdilene de Sá Xavier, que realizaram uma palestra sobre o tema e fizeram a orientação de um grupo de alunos da escola para que participassem da Feira de Ciências. No CIENART será apresentado apenas uma das etapas da sequência didática construída com esse tema e o experimento relacionado ao pH dos solos. Os materiais utilizados durante o processo foram: amostras de solo coletados na escola, vinagre, bicarbonato de sódio, soda cáustica, pHmetro, fenolftaleína, água, peneira, copos descartáveis, cola, papel. 2.1- Etapas • Foi feita uma conversa informal sobre os solos, para verificar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema. Logo após foi usado um texto com informações

Revista Feira de Ciência e Cultura | 39


sobre o que é solo e qual sua importância para a humanidade; • Foram coletadas amostras de solo na área de entorno e dentro da escola, verificando as diferentes texturas e cores; • Foi realizado o experimento de produção de tinta de solo, onde foram observadas as diferentes cores a partir das amostras coletadas; • Palestra com os alunos do Residência Pedagógica sobre a química dos solos; • Análise de texto sobre os elementos químicos e as cores dos solos; • Aula expositiva sobre ácidos e bases; • Experimento: Como medir pH do solo? 3. Resultados e discussão 3.1. Conhecimentos Prévios Foi lançada a pergunta problematizadora “Vocês acham que todo solo é igual?”. Entre as respostas, 60% dos alunos não sabiam responder, 30% respondeu que sim, mas não conseguia dar uma explicação e 10% dos alunos respondeu que não, porém não sabiam explicar, entre esses, alguns indicaram a diferença de cor.

“A ocorrência de diversas características morfológicas de diferenciação entre horizontes e camadas são facilmente observáveis e também podem ser exploradas. Por exemplo, as cores, texturas, agregação das partículas do solo, conteúdo de matéria orgânica (fixação/ sequestro de carbono), atividade biológica (formigas, minhocas, profundidade, formas e quantidade de raízes), compactação, entre outras.” (CAPECHE, p. 9, 2010) 3.3- Produção de tinta de solos Com os solos coletados foram feitas tintas de diferentes cores. Depois, os alunos realizaram atividades de pintura fazendo uso delas. A atividade se mostrou bastante produtiva, prazerosa e relaxante, onde podemos destacar: A pintura com tinta de solo oferece aos professores e educadores ambientais a possibilidade de tratar do tema meio ambiente ou ensino do solo de forma motivadora para o aluno ou aprendiz. Isto porque dois dos materiais utilizados - solo e água - são partes integrantes da natureza e estão presentes no dia a dia do público-alvo. O terceiro material, a cola, pode ter sua utilização abordada como o elo que une estes dois importantes recursos naturais, mostrando a dependência de um em relação ao outro: o solo não existe sem a água e vice-versa; e os dois são fundamentais para os seres humanos e a biodiversidade animal e vegetal do planeta. (CAPECHE, p. 15, 2010) 3.4- Palestra com os alunos de residência Pedagógica

Figura 1: Gráfico conhecimentos prévios

3.2- Coleta de solos Os alunos foram convidados a coletar diferentes amostras de solos na área ao redor da escola. Foi solicitado que um deles fizesse um buraco um pouco fundo para observar os possíveis horizontes do solo. Colocou-se as amostras para secar e foram organizadas de acordo com as cores coletadas. Sobre os solos podemos destacar que:

40 | Revista Feira de Ciência e Cultura

A palestra sobre a química dos solos foi realizada e com ela os alunos conseguiram melhor embasamento científico sobre a dinâmica dos solos. 3.5- Experimento: Como medir o pH do solo? Antes do experimento, os alunos tiveram uma aula expositiva sobre ácidos e bases, bem como sobre indicadores ácido base. Sobre a abordagem de pH podemos considerar que:


O potencial hidrogeniônico (pH) é um dos assuntos abordados no Ensino Médio que, salvo raras exceções, é relacionado com outras áreas do conhecimento e com a própria vivência do aprendiz. Na maioria das vezes, como a sua aplicação e importância não são contextualizadas, os alunos acabam por considerar o conteúdo sem sentido, já que não conseguem estabelecer relações entre ele e o seu cotidiano. Em função disso, passam a apenas memorizar os conceitos e as fórmulas matemáticas presentes nessa matéria. (ANTUNES, 2009)

5. Referências ANTUNES, Márjore. et al. pH do Solo: Determinação com Indicadores Ácido-Base no Ensino Médio. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/ online/qnesc31_4/11-EEQ-3808.pdf>. Acesso em 10/12/2018. MELO, Francisco de Brito. O que é e como se forma o solo. Disponível em: <https://www.embrapa.br/contando-ciencia >. Acesso em 10/12/2018. CAPECHE, Cláudio Lucas. Educação ambiental tendo o solo como material didático: pintura com tinta de solo e colagem de solo sobre superfícies. Disponível em: < file:///C:/Users/pattr/Downloads/ AC946B40d01.pdf> Acesso em 10/12/2018.

Nesse contexto, os alunos tiveram a oportunidade de visualizar a importância do conteúdo abordado, já que, partindo da observação que algumas plantas sobreviveram e outras não, podemos considerar: Os solos podem ser naturalmente ácidos em função da própria pobreza em bases do material de origem ou devido a processos de formação que favorecem a remoção de elementos básicos como K, Ca, Mg, Na (Lopes e cols., 1991). De acordo com artigo publicado pelo GEPEQ (1998), a alteração de alguns minerais bem como o uso de alguns fertilizantes podem tornar o solo ácido, prejudicando o crescimento de alguns vegetais como a soja, o feijão e o trigo, e diminuir a ação de micro-organismos presentes neste compartimento. Em regiões áridas e com pouca chuva, também pode ocorrer de o solo se tornar alcalino, o que pode ser prejudicial ao crescimento dos vegetais. (ANTUNES, 2009) 4. Conclusão Com a aplicação da sequência de aprendizagem foi possível perceber o envolvimento e a participação dos alunos nas atividades propostas, bem como a eficácia do processo de ensino-aprendizagem.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 41


Resumo. As coleções científicas constituem uma fonte crucial de informação e servem como arquivos para o ensino e pesquisa. Este trabalho objetivou montar uma coleção biológica didática de animais, com ocorrência em Sergipe, para utilização nas aulas práticas de biologia do ensino médio. Serão coletados animais mortos, posteriormente identificados através das chaves de identificação pertinentes, e incorporados à coleção. A conservação se dará em via úmida ou seca. Todo material será catalogado num banco de dados específico. Tais ações estimulam o entendimento do caráter complexo do meio ambiente e suas relações, além de servirem como importante suporte para as atividades docentes.

oportunidade. Relatos e dados científicos apontam que o aprendizado se mostra mais eficaz quando o educando se vê diante do material objeto de estudo reforçando a importância acerca da utilização destas coleções nas práticas docentes (AZEVEDO, et al. 2012, SANTOS, GONDIN; 2013, PINHEIRO et al. 2017). Diante da necessidade de se educar para o desenvolvimento sustentável, da praticidade e utilidade que as coleções zoológicas representam para ensino e pesquisa, este trabalho visa a construção de uma coleção didática de animais que ocorrem no Estado de Sergipe, para utilização nas aulas práticas de biologia do ensino médio e conscientização ecológica.

1. Introdução

2. Materiais e Métodos

As coleções zoológicas são itens essenciais para a prática e desenvolvimento do ensino das ciências biológicas contribuindo para o estudo seja no nível fundamental, médio ou superior, podendo inclusive fornecer importantes embasamentos para pesquisas sobre a diversidade animal. De modo que, as coleções biológicas são recursos de grande valor didático, fornecendo, também, subsídios a programas de Educação Ambiental promovendo a conscientização para inúmeros questionamentos acerca da preservação do ambiente em que vivemos e nos inserimos (GRAÇA et al, 2013). É inegável a importância das coleções como importante instrumento de conservação e entendimento da biodiversidade, além disso, o ensino promovido através de aulas práticas utilizando os exemplares de coleções zoológicas proporciona aos alunos um contato com os seres vivos presentes nas coleções, melhorando a aprendizagem destes em comparação aos que não tem a

O trabalho foi desenvolvido com a participação dos alunos do Centro de Excelência Dom Luciano José Cabral Duarte, das turmas dos segundos anos do ensino médio. Foram realizadas, ao longo de 2019, coletas de animais mortos e tais animais, após minuciosa identificação através da utilização de chaves biológicas pertinentes, foram incorporados por inteiro à coleção didática e alguns exemplares, em situação de duplicata, ainda serão dissecados para obtenção dos órgãos internos. A conservação se dará em via úmida, por meio de imersão em solução conservante (formol a 10%), ou via seca. Quando exemplares de maior porte forem coletados receberão injeções de fixador nos músculos e cavidade abdominal para garantir a perfeita conservação e o líquido conservante utilizado na imersão será periodicamente renovado parcialmente ou totalmente. O projeto ainda está em sua fase inicial e, portanto, ainda não foi construído o banco de dados

42 | Revista Feira de Ciência e Cultura


que catalogará todos os espécimes coletados e que será um banco de dados utilizado exclusivamente e especificamente para esse fim.

identificação concomitante com a orientação presencial das professoras.

3. Resultados e discussão Inicialmente, ocorreram reuniões com os alunos participantes do projeto para explicar detalhadamente as etapas a serem desenvolvidas e esclarecer eventuais dúvidas. Os educandos foram orientados a realizar a coleta apenas de animais mortos, tendo em vista que nosso objetivo não era promover uma “caça” aos animais, já que o trabalho também tem um viés ecológico ao tentar proporcionar uma visão adequada do papel humano dentro do meio ambiente. Tendo em vista essa especificidade da coleta, o crescimento numérico da coleção ocorrerá num ritmo mais lento. Também foram realizados encontros onde se demonstrou a utilização das chaves de identificação para certos grupos de animais que se acreditava serem os mais comuns e fáceis de coletar no dia a dia dos estudantes. Foi mostrada também, a existência de alguns sites onde é possível encontrar tais chaves à disposição com imagens bem ilustrativas e didáticas. Orientações acerca dos dados básicos de cada coleta também foram repassadas aos alunos, ou seja, que a cada coleta deveriam ser anotadas informações sobre horário, o local de recolha (cidade, propriedade rural, etc.), quem coletou, o estado do animal na coleta (morto, atropelado etc.). Acrescentamos que, se possível, deveriam ser registradas informações adicionais, como: ambiente de coleta (lago, riacho, campo, zona úmida etc.), dados climáticos do dia da coleta (chovendo, ensolarado, nublado, etc.). À medida que os alunos foram recolhendo os animais, trouxeram para o laboratório para dar início ao processo de identificação, o qual ao final passou pela supervisão das orientadoras. Na Figura 1 abaixo pode-se observar o processo de identificação de um exemplar coletado. Em situações pontuais, nas quais os alunos não conseguiram identificar o espécime sozinhos realizou-se um encontro onde se promoveu a

Figura 1: Aluno realizando identificação com auxílio de chave dicotômica pertinente. Fonte: autores

Até o momento a coleção possui alguns crustáceos (ex. siri), mamíferos (ex. rato e lagartixas), anelídeos (ex. minhocas), peixes (ex.: enguias), dentre outros animais. Na Figura 2 abaixo é possível visualizar alguns espécimes que foram coletados pelos alunos participantes.

Figura 2: Alguns espécimes coletados pelos alunos. Fonte: autores

Revista Feira de Ciência e Cultura | 43


4. Conclusão A proposta de organizar uma coleção zoológica no Laboratório de Biologia do Centro de Excelência Dom Luciano José Cabral Duarte teve sua etapa inicial concluída. O benefício da melhoria das condições dos laboratórios é importante para os alunos que poderão aliar a teoria à prática. O projeto também criou oportunidades para que o aluno se envolvesse em atividades relacionadas com o ensino, bem como em aprendizado teórico e prático acerca dos conhecimentos zoológicos. Como perspectiva futura espera-se continuar com o projeto, envolvendo mais alunos como colaboradores para a manutenção da coleção além de numa outra etapa buscar conhecer as percepções dos alunos após as aulas práticas de biologia com os exemplares da coleção zoológica. Ações como essa são extremamente importantes, principalmente com finalidade de educação ambiental, a fim de estimular o entendimento do caráter complexo do meio ambiente e suas inter-relações com os seres humanos, além de servirem como importante suporte prático para o ensino das ciências biológicas despertando um senso crítico e investigador dos alunos. 5. Referências SANTOS, L. A. S.; GONDIM, M. J. C. Ações para a organização de uma coleção didática de zoologia em uma escola de Uberlândia, MG. Revista Ciência em Extensão. v.9, n.2, p.19-27, 2013. PINHEIRO, Maristela dos Santos, SCOPEL, Janete Maria, BORDIN, Juçara. Ações para a organização de uma coleção didática de zoologia em uma escola de Uberlândia. Scientia Cum Industria v. 5, n. 3, p. 156 — 160, 2017. GRAÇA, Rodrigo Junio da, LIMA, Flávia Sicielli de, MACHADO, Marion Haruko. Reposição e manutenção de coleções didáticas para o ensino de ciências e de biologia: coleção helmintológica. Terra e Cultura. n 56 - Ano 29 - Janeiro a Junho de 2013 AZEVEDO, Hugo José C. C., FIGUEIRÓ, Ronaldo, ALVES, Dimitri Ramos, VIEIRA, Valéria, SENNA, André R. O uso de coleções zoológicas como ferramenta didática no ensino superior: um relato de caso. Revista Práxis, ano IV, nº 7 - janeiro 2012 SOUZA, Anny Mikaelly de, SARMENTO, Edvania da Conceição, VERAS, Daniel Silas Uso de coleções didáticas como metodologia alternativa de aprendizagem de botânica, fotografando a flora no ambiente escolar. III Congresso Nacional de Educação CONEDU. Natal, 2016. disponível em: http://www.editorarealize. com.br/editora/anais/conedu/2016/TRABALHO_EV056_MD4_SA18_ ID4875_17082016142101.pdf. Acesso em: 17 de agosto de 2019.

44 | Revista Feira de Ciência e Cultura


Resumo. Este trabalho teve por objetivo propiciar conhecimentos técnico-científicos aos discentes acerca de alguns métodos que são usados na investigação de um crime, bem como fazê-los perceber a importância da contribuição do conhecimento das diversas áreas do saber como, física, biologia, matemática e química, por exemplo, numa investigação científica. A atividade pedagógica foi realizada com alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Médio do Centro de Excelência Atheneu Sergipense - CEAS, no município de Aracaju, SE, desenvolvida na disciplina Eletiva no ano de 2018. 1. Introdução Segundo a pesquisa de 2018 do Fórum Brasileiro de Segurança, Sergipe se configurou como a 5ª unidade da federação mais violenta. No artigo 6 º da nossa Constituição Federal (CF) vigente, Educação e a Segurança Pública são citadas como um Direito Social imprescindível a todo brasileiro. Na mesma Carta Magna, garante-se que a segurança pública é um dever do Estado, sendo responsabilidade e direito de todos, cuja finalidade é a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Porém o Estudo da Ciência e Pericia Criminal ficam distantes da realidade dos estudantes da Educação Básica, pois não há um componente curricular que discipline tais conteúdos, tornando-os como grade curricular de alguns cursos do Ensino Superior. Assim, conseguimos contextualizar a ciência e a perícia criminal com os componentes curriculares de: Física, Química, Biologia e Matemática de modo a levar os alunos do Centro de Excelência Atheneu Sergipense à compreensão crítica sobre os fatores que levam a repressão do crime, bem como o modo operandi da atividade pericial. O

termo repressão, ora em comento, foi extraído do Código de Processo Penal Brasileiro (CPP) que versa sobre meios de investigação e coleta de provas pericias para elucidação do autor delitivo. As atividades foram desenvolvidas por discentes do Ensino Médio, em uma disciplina eletiva, que consistiram em simulações, experimentos que elucidam as atividades desenvolvidas por peritos criminais, investigadores, agentes e delegados de polícia no combate à criminalidade; no que se refere à investigação, definida como coletas de provas periciais que dão indícios suficientes de autoria de um delito. O trabalho desta eletiva é inédito, logo não há publicação em revista, artigos científicos que tratam do escopo de nosso artigo. Para Peirtrocola 2003, curiosidade e imaginação são imprescindíveis no processo ensino-aprendizagem; algo marcante a ser desenvolvido nas práticas desta eletiva. 2. Materiais e Métodos No decorrer do segundo semestre letivo de 2018, durante 02(duas) horas-aulas semanais, foram desenvolvidas tais atividades: aulas expositivas, práticas experimentais, simulações por um professor de: Física, Química e Biologia, em sala de aula, no horário de disciplina eletiva obrigatória aos estudantes da instituição. Foram 40 alunos matriculados para o “CSI Atheneu”, com idade de 15 a 17 anos, integrantes do 1º ao 3º Ano do Ensino Médio. Através de fotografias e por escrito de relatos registramos nossas ações. As aulas foram expositivas, abordando cada um dos assuntos; no seu decorrer, houve uma divisão de tarefas: ora uma equipe participava do grupo pericial ora participava das simulações. Ao realizarem a simulação da cena do crime, os discentes que ficaram incumbidos com

Revista Feira de Ciência e Cultura | 45


a função de peritos, colheram todas as provas obtidas na cena e as entregaram à “autoridade policial (‘delegado’)”; este, por sua vez, conduzirá todo andamento da investigação. Feito isso, o delegado ouvirá o ofendido e o indiciado. Em Seguida, procederá no reconhecimento de pessoas, de coisas e realizará a acareação. O próximo passo é determinar o exame de Corpo de Delito e de outras perícias. Por fim, realizará o Exame Papiloscópio e averiguará a vida pregressa do envolvido. Para concluir, redigirá um documento, tipo inquérito policial, concluindo a materialidade ou/e a autoria do fato. A tabela 1 descreve os assuntos abordados, já a tabela 2 tem a lista de material utilizado.

A eletiva teve uma boa aceitação, desde o momento da divulgação e da inscrição, a quantidade de inscritos e interessados em relação ao número de vagas chegou à proporção de 15:1, em um universo de 40 vagas disponíveis. Notoriamente, os estudantes preferiam ser integrantes dos grupos dos peritos, por gostarem do espirito investigativo e científico pertinentes às práticas pedagógicas sucedidas. Tal disciplina recebeu o codinome “CSI Atheneu: Não há crime perfeito, há crime mal investigado” inspirado no telesseriado norte americano da Comercial Aberta Americana (CBS). O acróstico é do inglês: CSI: Crime Scene Investigation. Para o português melhor se adequou para C.S.I.: Investigação Criminal. O seriado de televisão levava o nome de onde se desenvolvia trama da ficção, como exemplo, CSI Miami, CSI Las Vegas, por conseguinte, o nosso CSI, localizou-se no Atheneu. Os professores tiveram que se debruçar sobre o Código de Processo PENAL, Código Penal e na Constituição Federal além de buscar algo factual para criar simulações de cenas de crimes de modo a ser possível a reprodução em uma prática. No início das aulas, por meio de uma avaliação diagnósticas, concluímos que 100% dos alunos inscritos na disciplina desconheciam quais eram as áreas de formação acadêmica dos peritos e o que fazer para ser

46 | Revista Feira de Ciência e Cultura


um perito. A totalidade destes alunos não compreendia porque o Poder Público faz a repressão de crimes e a importância para o Desenvolvimento de Política Pública voltada para segurança. Houve uma desmistificação de que há crimes perfeitos, quando há uma investigação criminal satisfatória, pois eles compreenderam que toda mudança no mundo natural, provoca uma reação correspondente na alteração do estado e da modificação das coisas. A absorção de termos técnicos da perícia criminal por partes dos integrantes foi se ratificando a partir do terceiro mês das atividades, isso foi observado no decorrer das simulações, no momento em que eles queriam que os termos fossem ditos de acordo com o Código de Processo Penal Brasileiro. Na prática de Impressão Digital, falamos da importância desta no processo de identificação e autenticação, destacamos o processo genético, e a formação de papilas digitas desde o momento da gestação. Destacamos a importância de ser criado um banco de dados de perfis genéticos, desta forma o Estado terá como identificar todos os infratores reincidentes. Porém, no primeiro momento os participantes não perceberam a importância da criação do referido banco de dados. Assim, tivemos que definir o que era um banco de dados para que eles entendessem

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Revista Feira de Ciência e Cultura | 47


que a partir de cruzamento de dados de DNA (ácido desoxirribonucleico) armazenados com outros, obtidos no exame de corpos de delitos, era possível identificar em poucos instantes quem é o portador da sequência de DNA analisada. Ressaltamos ainda a necessidade de que o banco de dados de perfis genéticos deve ser aplicado em todo o território brasileiro, e, até mesmo, integrar outros sistemas de informação, tipo a Polícia Internacional (Interpol). Na prática de Timbre, trabalhamos a identificação e autenticação por meio do timbre, baixamos um aplicativo para mostrar as ondas produzias pelas pregas vocais de cada discente, as quais geram padrões únicos passíveis de identificação pessoal. Sendo este um dos recursos usados pela perícia criminal. Aproveitamos a oportunidade para revisar demais conteúdos de Físicas. No reconhecimento de papel-moeda e outros documentos, por meio do ultravioleta demonstramos o reconhecimento da falsidade documental, usamos como exemplo o passaporte, conforme recomenda a Casa Moeda. Nas simulações de cena de crime, os envolvidos participaram de livre manifestação de vontade. Tivemos o cuidado de não violar a honra, a imagem, a intimidade e a vida privada. Como também, deixamos de lado, situações que os expusessem a perigo. As figuras 1, 2 e 3 são imagens dos trabalhos de microscopia, impressão digital e cena de crime, respectivamente. 4. Conclusão As atividades desenvolvidas durante as aulas serviram para os discentes compreenderem que não há crime perfeito, porém mal investigado e que não há juízo, sentença, cumprimento de pena ou prisão sem que haja um processo de investigação criminal forense. Ademais, uma vez que a escola está inserida num contexto social faz-se necessária a abordagem de temas cuja temática sirva para sensibilizar os alunos na prevenção da criminalidade e vulnerabilidade juvenil. Por fim, salientamos a importância de numa próxima

48 | Revista Feira de Ciência e Cultura

atividade realizar visitas à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SE), bem como, à Secretaria de Estado da Justiça no intuito de averiguar a quantidade de peritos em nosso estado, a demanda de crimes solucionados e a ocorrência dos crimes em Sergipe. Também, verificar quais são às medidas para execução de políticas públicas em enfrentamento à violência e à criminalidade em nosso estado. 5. Referências CSI. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/CSI:_Crime_ Scene_Investigation, acessado em 25 de agosto de 2019 PIETROCOLA, Mauricio. Curiosidade e imaginação: os caminhos do conhecimento nas ciências, nas artes e no ensino. Anais. Curitiba, PR: [s.n.], 2003. BRASIL. Código de Processo Penal (1941). Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado. BRASIL. Constituição. (1988) Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Revista Fórum de Segurança Disponível em: http://www. for umseguranca.org.br/publicaco es/anuario-brasileiro-deseguranca-publica-2018/ >. Acessado em 22 de agosto de 2019.


Resumo. A experimentação no ensino de Ciências da Natureza pode contribuir para uma aprendizagem significativa, seja no desenvolvimento da compreensão de conceitos científicos ou na formação de futuros pesquisadores/cientistas. Sendo assim, foram desenvolvidas cinco aulas experimentais, com turmas de segundo ano do ensino médio em uma escola de tempo integral, no município de Capela/SE. Dentre as atividades práticas, buscou-se a confecção e observação de lâminas histológicas de células vegetais e animais. Foi possível perceber o entusiasmo dos alunos, seja no aprendizado das preparações citológicas e participação nas atividades, como também no levantamento de questões sobre as observações feitas dos experimentos. 1. Introdução A Educação Científica, como premissa pedagógica, deve auxiliar o aluno na ruptura de obstáculos ao conhecimento científico e proporcionar a formação de um sujeito capaz de discutir os principais problemas da sociedade contemporânea. Segundo Roitman (2007), o conhecimento científico é o capital mais importante do mundo civilizado, pois seu investimento significa a busca por qualidade de vida da sociedade, na medida em que a pesquisa científica tem como principal objetivo o conhecimento de tudo que nos cerca. O ensino de Ciências da Natureza e de outros campos do conhecimento enfrentam grandes desafios, como, por exemplo, o desinteresse pelas aulas teóricas (HACHICH; FIGUEIRA; COSTA-JUNIOR, 2018). Neste sentido, o uso da experimentação tem potencializado o aprendizado por ser uma estratégia que busca romper com o ensino tradicional, de memorização de conteúdos e fórmulas. Para Azevedo (2004, p. 22), “utilizar atividades

investigativas como ponto de partida para desenvolver a compreensão de conceitos é uma forma de levar o aluno a participar de seu processo de aprendizagem, sair da postura passiva e começar a perceber e agir sobre o seu objeto de estudo (...)”. O objetivo principal deste trabalho é aproximar o estudante da experimentação científica, por meio do microscópio óptico monocular e binocular, com uso de lâminas histológicas obtidas de células vegetais e animais. 2. Materiais e Métodos As atividades experimentais foram realizadas durante a disciplina Práticas Experimentais do Laboratório de Ciências do Centro de Excelência Edélzio Vieira de Melo (CEEVM), localizado no município de Capela/SE. Os sujeitos envolvidos são alunos que pertencem a duas turmas do segundo ano do Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI). A metodologia interdisciplinar envolveu, inicialmente, aspectos da física óptica, com a identificação das estruturas e o funcionamento dos microscópios monocular e binocular. Em seguida, houve orientação sobre o preparo de lâminas histológicas, utilizando a epiderme da cebola (Allium cepa), o mesófilo da espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata) e a mucosa bucal para observar células animais. Foram planejados cinco encontros. A primeira aula experimental teve cunho teórico, com a exposição das Normas de Conduta no Laboratório e uma pequena introdução aos aspectos da Microscopia. Destacou-se os microscópicos monocular e binocular, com caracterização das estruturas e suas respectivas funções. No segundo encontro, a prática foi voltada à observação de células da epiderme vegetal. Nesta atividade

Revista Feira de Ciência e Cultura | 49


foram utilizados os seguintes materiais: cebola; lâmina para microscopia; lamínula; conta-gotas; pinça de metal; corante azul de metileno; e papel toalha. Primeiramente, com o auxílio da pinça, retirou-se cuidadosamente a película que recobre o bulbo da cebola na forma de pequenos quadrados (cerca de 1cm2), que foram dispostos sobre as lâminas. Adicionou-se, uma gota de corante azul de metileno em cada lâmina que, em seguida, foram cobertas com as lamínulas. O excesso de corante foi retirado com papel toalha. Utilizando-se das objetivas de 4x e de 10x foi possível observar as lâminas no microscópio monocular, verificando claramente as células presentes na epiderme da cebola. Nas terceira e quarta aulas, buscou-se estimular a visualização dos estômatos e parênquimas presentes no mesófilos de folhas. O material utilizado compreendeu: lâminas; lamínulas; água destilada; lâmina de barbear; vidro relógio; folhas da “Espada de São Jorge”. O preparo das lâminas seguiu-se com cortes paradérmicos nos estômatos e longitudinais do parênquima, para facilitar a visualização ao microscópio. Os fragmentos foram depositados no vidro relógio contendo água, no intuito de escolher o corte mais fino para ser colocado sobre a lâmina e cobrir a lamínula. Utilizando a objetiva de 10x observou-se, no microscópio binocular, os estômatos e os parênquimas presentes nas folhas da “Espada de São Jorge”. Na quinta e última aula, o objetivo foi observar células animais. Utilizou-se lâmina; lamínula; espátula de madeira; corante azul de metileno; papel toalha; e muco bucal. Coletou-se, inicialmente, células da mucosa bucal com a espátula de madeira. Em seguida, o material foi depositado na lâmina e recebeu gotas do corante azul de metileno. Colocou-se, a lamínula sobre a lâmina tendo o cuidado de não deixar criar bolhas, através da técnica de esfregaço. Por fim, com o auxílio do papel toalha, foi retirado o excesso do corante das bordas da lâmina. Utilizando a objetiva de 10x e de 40x foi possível observar as lâminas no microscópio monocular e verificar exemplos de células animais. Em todas as aulas práticas, após a preparação e observação das lâminas histológicas vegetais e animal nos microscópios, os alunos foram orientados a desenharem o

50 | Revista Feira de Ciência e Cultura

material que visualizaram e, em seguida, pesquisar sobre a função de cada célula. 3. Resultados e discussão O planejamento das atividades experimentais desenvolveu-se entre os meses de maio e agosto, do ano letivo de 2019, segundo consta no QUADRO 1. Foram cinco encontros, com duração de 50 minutos cada, que contou com a participação de, aproximadamente, 30 alunos de cada uma turma envolvida no projeto.

Na aula 01 apresentou-se o Laboratório de Ciências aos estudantes, visto que para muitos deles era o primeiro contato com esse ambiente da escola. Inicialmente, expõe-se os materiais e equipamentos disponíveis, como vidrarias, algumas substâncias químicas, modelos didáticos, exemplares de espécimes biológicas e os microscópios. Em seguida, alguns alertas foram feitos sobre os cuidados nas vestimentas, no manuseio de equipamentos e ou substâncias químicas, além da limpeza do ambiente como forma de evitar acidentes e de obter resultados satisfatórios. Na última etapa, do primeiro encontro, fez-se uma pequena introdução à Microscopia, abordando a


importância dos aparelhos e da técnica para a evolução do estudo da célula. Além disso, apresentou-se as estruturas e funcionamento. Ao longo dessa aula, as turmas estiveram atentas às orientações e explicações, tecendo comentários pertinentes e fazendo questionamentos a respeito do uso do laboratório e das funções e manuseio dos microscópios monocular e binocular. Os alunos tiveram a oportunidade de manusear os microscópios, demonstrando entusiasmo e curiosidade ao ter contato com o aparelho. Esses sentimentos, observados nos alunos, também foram relatados em outros trabalhos semelhantes (SILVA; VIEIRA; OLIVEIRA, 2009; THOMAZ et al., 2017). No segundo encontro, iniciou de fato as atividades experimentais, sendo esta primeira prática voltada à observação de células da epiderme vegetal, utilizando o bulbo de cebola. Com os materiais desta prática em mãos, os alunos se dividiram em grupos e puderam fazer suas próprias lâminas para serem observadas no microscópio óptico (FIGURA 01).

Figura 1: Produção de lâminas de epiderme da cebola

Devido à pequena quantidade de vidrarias disponíveis no laboratório, a maioria dos alunos utilizaram tampas de potes de vidro no lugar do vidro relógio. Infelizmente, a escassez de materiais e de estrutura para a execução de aulas práticas no ensino de Ciências da Natureza é comum nas escolas da rede pública de ensino, sendo necessário que o professor improvise e busque alternativas, mas com cuidado para não prejudicar a qualidade na execução da atividade (SILVA; VIEIRA; OLIVEIRA, 2009). Com as lâminas confeccionadas pelos estudantes observou-se, ao microscópio óptico, as células vegetais epidérmicas (FIGURA 02). Para maior compreensão dos

fatos estimulou-se os sujeitos a desenharem os materiais histológicos, completando a tarefa com uma pesquisa sobre a função das respectivas células. O mesmo procedimento foi realizado nas demais práticas.

Figura 2: Lâmina da epiderme da cebola (microscópio monocular: A = objetiva 4x; B = objetiva 10x)

Na terceira e na quarta aula prática, os alunos também se dividiram em pequenos grupos e produziram lâminas histológicas do mesófilo da folha da “Espada de São Jorge”, isto é, do conjunto de tecidos presentes entre a epiderme superior e inferior das folhas destas plantas. Em relação à primeira, os discentes fizeram cortes paradérmicos na folha e confeccionaram lâminas para observação de estômatos, que estão localizadas na região inferior das folhas e responsáveis pelas trocas gasosas que ocorrem nas plantas. Na quarta aula, cortes longitudinais na folha foram feitos para favorecer a visualização dos parênquimas, ou seja, das estruturas que tem como principal função o preenchimento (FIGURA 03).

Figura 3: Lâminas histológicas da folha da “Espada de São Jorge”: objetiva de 10x em microscópio binocular (A = estômatos; B = parênquima).

É importante destacar que os professores acompanharam os estudantes durante o manuseio da

Revista Feira de Ciência e Cultura | 51


lâmina de barbear, para evitar acidentes. Sugeriu-se, que alguns indivíduos fizessem os cortes e outros realizassem os procedimentos seguintes. A quinta e última aula foi dedicada à visualização da célula animal. Os alunos se mostraram eufóricos ao saber que a amostra sairia de suas mucosas bucais. Com os procedimentos de confecção da lâmina da célula animal, os alunos compararam a diversidade de aspectos entre as

Figura 4: Lâminas da mucosa bucal/microscópio monocular e objetiva de 40x

células vegetal e ou animal (FIGURA 04). Observou-se, de modo geral, em todas as práticas uma certa cautela dos estudantes em realizar as atividades, demonstrando seriedade. Muitos fizeram registros fotográficos para divulgar em redes sociais, inclusive da escola. Acreditamos que a divulgação das atividades de pesquisa realizadas na escola é de fundamental importância, para difundir o conhecimento científico e que muitas vezes se apresenta distante de suas realidades cotidianas. 4. Conclusão Nos cinco encontros de aulas experimentais foi possível perceber o entusiasmo dos alunos, seja no aprendizado das preparações citológicas (secção, coloração e esfregaço) ou na participação das atividades, como também no levantamento de questões sobre as observações feitas dos experimentos.

52 | Revista Feira de Ciência e Cultura

5. Referências AZEVEDO, M. C. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In: CARVALHO, A. M. P. (Org.). Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, v. 1, p. 19-33. HACHICH, N. F.; FIGUEIRA, R.; COSTA-JUNIOR, I. L. A apreciação dos alunos de Ensino Médio às aulas de Ciências Naturais e à ciência em si. In: II Congresso Nacional de Educação em Poços de Caldas, 2., 2018, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas, 2018. ROITMAN, I. Educação Científica: quanto mais cedo melhor. Brasília: Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, RITLA, 2007. SILVA, D.R.M.; VIEIRA, N.P.; OLIVEIRA, A.M. O Ensino de Biologia com Aulas Práticas de Microscopia: uma experiência na rede estadual de Sanclerlândia-GO. III Encontro Estadual de Didática e Prática de Ensino. 3., 2009, Goiânia-GO. Anais... Goiânia-GO, 2009. THOMAZ, J. S.; DIAS, L. B.; OLIVEIRA, L. S.; COSTA, G. G. S.; CAVALCANTI, M. L. F. Aula Prática de Microscopia Aplicada no Ensino de Célula no Ensino Médio: relato de caso. In: IV Congresso Nacional de Educação, 2017, João Pessoa - PB. Anais... Campina Grande-PB: Realize Eventos & Editora, 2017.


Resumo. O presente artigo tem por objetivo descrever os trabalhos planejados e desenvolvidos na Escola Municipal Prefeita Ana Maria Habib Mendonça, relacionados ao Projeto Mãos Abelhudas: a importância das abelhas para a manutenção de ecossistemas e a interferência humana. O projeto teve por objetivo conhecer a função polinizadora desses insetos, reconhecer a necessidade de preservação das espécies, identificando os problemas causados pela ação humana e a polinização manual. 1. Introdução Notou-se no cotidiano escolar que várias alunas deixavam de frequentar as aulas em determinados períodos do ano letivo porque iriam trabalhar nos plantios de maracujá, os quais são vários nas proximidades da escola, como uma fonte de renda extra. Então, através de conversa informal com as mesmas, descobriu-se a forma que era feito esse trabalho: de forma manual, realizariam o trabalho das abelhas, ou seja, polinizar as flores do maracujá. A partir dessa realidade, foi proposto o desenvolvimento do projeto junto aos alunos da Escola Municipal Prefeita Ana Maria Habib Mendonça durante os meses de julho/agosto do corrente ano, objetivando mostrar aos mesmos a importância das abelhas para a manutenção dos ecossistemas e conhecer o processo de polinização que é fundamental para a reprodução das plantas e equilíbrio da biosfera terrestre. “A manutenção dos serviços de polinização está diretamente relacionada à segurança alimentar e à sustentabilidade econômica de ecossistemas naturais e agrícolas.” (PERUCHI, 2015, p. 31).

2. Materiais e Métodos Inicialmente, o projeto seria desenvolvido apenas com as turmas do Fundamental Anos Finais, porém viu-se a importância de também se trabalhar com os anos iniciais. Assim, toda a escola participou da execução das ações, aproximando a quantidade de 135 alunos, desde a Educação Infantil até o 8º ano, que são as séries atendidas pela escola neste momento, incluindo o programa Mais Educação oferecido pela mesma. A partir de então, apresentou-se o projeto para toda a comunidade escolar, partindo da caracterização do próprio cotidiano dos alunos. Apresentou-se o objeto de conhecimento como se tratando da polinização que, de uma forma empírica, já era desenvolvida por eles. Foi feito um levantamento de informações sobre a vida das abelhas de modo a conhecer seus hábitos, espécies, corpo e tipos. Assim como foi mostrada a estrutura da flor, identificando-as e conhecendo como se dá o processo da polinização. “É mais um caso de mutualismo, quer dizer, de uma associação entre duas espécies em que ambas se beneficiam” (GEWANDSZNAJDER, 2015, p. 247). Também foram realizadas aulas práticas em plantações de maracujás, identificando as técnicas e produtos utilizados pelos agricultores no combate às pragas e na melhoria dos frutos, as principais espécies polinizadoras, caracterizando a pesquisa de campo. Na oportunidade, realizamos palestras com apicultores locais, demonstrando seu trabalho na criação das abelhas e os cuidados que devem ser tomados, conhecendo seus instrumentos de trabalho e as orientações sugeridas. Houve a demonstração dos produtos produzidos por elas, com direito a degustação.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 53


Para finalizar o projeto, realizamos um Mostra de Ciências, através da qual foram confeccionadas várias maquetes mostrando uma série de conceitos ligados às abelhas e os alunos demonstraram o seu conhecimento a respeito do tema, através de apresentações musicais e exposições. 3. Resultados e discussão O presente trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal Prefeita Ana Maria Habib Mendonça, localizada no distrito Botequim - município de Indiaroba/Se – no período de julho e agosto do ano de 2019, por alunos e professores desta comunidade. As atividades aqui mencionadas foram executadas principalmente pelos alunos do Fundamental Anos Finais. Através de conversa informal com os alunos, notou-se que eles sabem muito a respeito das abelhas, partindo da cultura local do cultivo do maracujá. Puderam informar que a abelha mamangava é o principal polinizador dessa cultura e que as principais pessoas que fazem a polinização manual são mulheres. Segundo eles, isso se deve a delicadeza das mãos femininas. Em aula prática com um agricultor local, este pode nos mostrar como desenvolve o cultivo, os cuidados e como combate às pragas. Na oportunidade, os alunos fizeram uma série de perguntas, extraindo o máximo de informações do senhor. Puderam perceber quais as consequências do ataque de insetos às plantações, demonstradas nos frutos, e como ele faz questão de preservar uma estreita faixa de mata que ainda resta em sua propriedade. Percebeu-se que o próprio agricultor reconhece que o uso de pesticidas e o desmatamento têm causado o desaparecimento das abelhas. Os próprios alunos também demonstraram como é feita a polinização manual, identificando a flor adequada para realizar o processo. (Figuras 1, 2, 3 e 4)

Figura 1: (Arquivo pessoal): visita de alunos e professores em plantação de maracujá em comunidade local

Figura 2 : (Arquivo pessoal): visita de alunos e professores em plantação de maracujá em comunidade local

Figura 3: (Arquivo pessoal): visita de alunos e professores em plantação de maracujá em comunidade local.

54 | Revista Feira de Ciência e Cultura


Figura 6: (Arquivo pessoal): palestra realizada na escola com apicultor local com demonstração de manuseio de equipamentos.

Figura 4: (Arquivo pessoal): visita de alunos e professores em plantação de maracujá em comunidade local.

Na escola, foi realizado um encontro entre comunidade escolar e apicultor local, onde este descrevia minuciosamente como cuidava das abelhas, quais as espécies e cuidados necessários, seus equipamentos utilizados, a situação atual das abelhas, etc. Os alunos também tiraram várias dúvidas e houve a constatação de que vários deles já criaram ou criam abelhas de espécies sem ferrão. (Figuras 5 e 6)

A partir do conhecimento adquirido no decorrer das aulas, formaram-se então vários grupos de alunos por turmas para confeccionar maquetes e painéis, com o intuito de realizar a Mostra de Ciência. No decorrer desse período, os alunos construíram sua aprendizagem a partir da realidade que vivenciam, utilizando diversos materiais e confeccionando seus trabalhos sob a orientação dos professores. Procuraram demonstrar a importância das abelhas para a produção de alimentos, o modo de vida delas, sua organização, espécies nativas e estrangeiras, os produtos produzidos por elas, as prováveis causas de seu desaparecimento e a necessidade de preservação das espécies (Figura 7 e 8). De acordo com Peruchi, (2015, p. 41): Além do pólen e do néctar oferecido às abelhas, as plantas podem oferecer as raízes, o caule, as folhas, os frutos e até as sementes como alimento para outros animais, inclusive para os seres humanos. Muitos animais dependem das plantas para sobreviver. Uns dependem diretamente; outros, indiretamente.

Figura 5: (Arquivo pessoal): palestra realizada na escola com apicultor local Revista Feira de Ciência e Cultura | 55


Na realização da Mostra, houve uma grande oportunidade de divulgação de conhecimento. Os alunos, de formas variadas, fizeram exposição de informações adquiridas e vivenciadas por eles mesmos, demonstrando segurança e domínio de causa, utilizandose de muita criatividade para divulgar o tema. Receber visitantes advindos de outras escolas foi gratificante para eles, pois tinham se preparado bastante, para vencer a timidez e fazer um bom trabalho. A exposição feita pelo apicultor durante a mesma também foi ótima, de muito proveito, inclusive com a participação dos pais vendo o trabalho dele e de seus filhos. (Figura 9 e 10)

Figura 7: (Arquivo pessoal): apresentação de alunos na Mostra de Ciências

Figura 8: (Arquivo pessoal): apresentação de alunos na Mostra de Ciências

56 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Figura 9: (Arquivo pessoal): apresentação de alunos na Mostra de Ciências


nomenclatura científica e, a partir dessa realidade, fazêlos compreender esse processo é satisfatório. Perceber que práticas cidadãs estão sendo vivenciadas por eles, por exemplo, quando nos falam que não podem usar os agrotóxicos ou que querem cuidar de um enxame é realizador. Ouvi-los dizer que fazem a flor para produzir mais frutos bons ou que a “flor macho” não serve para “fazer” nos mostra que eles têm muito conhecimento agregado e a partir do momento que inserimos, por exemplo, a estrutura da flor e o caminho percorrido pelo pólen até a fecundação, torna esse conhecimento mais acessível e acabam por compreender melhor os saberes. A partir do momento que relacionam a cadeia alimentar com a polinização, conseguindo notar a importância das abelhas e a dependência entre os seres vivos nos mostra que realmente o trabalho teve muito valor. 5. Referências

Figura 10: (Arquivo pessoal): apresentação de alunos na Mostra de Ciências

4. Conclusão Após esse período de trabalho voltado ao projeto, é muito importante analisar as suas contribuições ou não para um bom trabalho pedagógico focado em desenvolver habilidades e práticas de cidadania e preservação ao meio ambiente. É notório o saber de que as abelhas desempenham um papel fundamental para a produção de alimentos. A abelha, enquanto busca alimentos, ela colabora com a polinização das flores, garantindo maior produção de frutos. A polinização está diretamente relacionada à produção de alimentos e a ausência de agentes polinizadores em um cultivo agrícola resulta em baixa produtividade e em menor qualidade dos produtos agrícolas. Assim, está diretamente relacionada à segurança alimentar e à sustentabilidade econômica de ecossistemas naturais e agrícolas. É muito curioso ver que os alunos realizam esse trabalho manual, que o chamam de “fazer a flor do maracujá” mesmo sem uma explicação ou

GEWANDSZNAJDER, Fernando. Projeto Teláris: ciências 7º ano: ensino fundamental 2/ Fernando Gewandsznajder. -2. Ed. -São Paulo: Ática, 2015. PERUCHI, Rosane Malusá Gonçalves. Sem abelhas sem alimento: caderno de atividades para educação ambiental/Rosane Malusá Gonçalves Peruchi, Lionel Segui Gonçalves – Rio de Janeiro: Funbio, 2015.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 57


Resumo. O presente trabalho teve como objetivo a experimentação de método educativo para promoção da alimentação saudável, tendo a culinária como seu eixo estruturante. O experimento foi desenvolvido por duas turmas de sétimo ano do Colégio Educativo da cidade de Neópolis/ SE. Na degustação, os alimentos que obtiveram maior satisfação foram: o patê de frango com pão integral e muffins de chocolate e os que foram rejeitados foram aqueles que não havia açúcar no seu preparo. Verificamos que a ingestão de alimentos ultraprocessados, muito calóricos e doces podem afetar o paladar da criança ou adolescente. Trabalhar com intuito investigativo, estimulou os discentes a compreenderem a importância de uma alimentação saudável para a promoção da saúde e longevidade. Ao final da pesquisa, os discentes distribuíram folders com dicas para uma alimentação saudável e nutritiva. 1. Introdução O Brasil é um país que enfrenta dois extremos de um mesmo problema: a obesidade e a desnutrição. Pesquisas apontam que hábitos alimentares inadequados praticados por crianças e adolescentes têm aumentado os índices de obesidade infantil e consequentemente o aumento precoce de doenças crônicas como a diabetes, pressão alta e até câncer (COUTO, 2013). Em consoante, a ingestão de alimentos ultraprocessados e pouco nutritivos pode ser uma das causas da desnutrição infantil (LOUZADA, 2015). Nesse contexto, a escola exerce um grande papel de influenciadora sobre as crianças e os adolescentes, contribuindo significativamente para a formação de seus valores. A escola é o lugar ideal para o desenvolvimento de ações que visam à promoção da saúde, pois quando desenvolvidas na escola, tais ações passam a atingir alunos,

58 | Revista Feira de Ciência e Cultura

pais, professores e comunidade em geral. Esse espaço de convivência escolar torna-se relevante para mudanças de hábitos alimentares, pois estamos participando na construção do conhecimento do indivíduo estimulando-o a assumir atitudes mais saudáveis. Dessa forma, visando contribuir com a mudança consciente na alimentação de crianças e adolescentes, propomos a criação deste projeto por meio da produção e degustação de lanches saudáveis e nutritivos. Desenvolver um estudo no âmbito escolar sobre a prática de uma boa alimentação leva os alunos a se interessar por uma alimentação nutritiva e variada. A avaliação da pesquisa apontou a necessidade no aprimoramento e desenvolvimento de métodos educativos que integrem conteúdo informativo e motivação sobre alimentos saudáveis, privilegiando a construção coletiva do conhecimento. 2. Materiais e Métodos Este projeto foi desenvolvido com 43 alunos de duas turmas de sétimo ano do ensino Fundamental, do Colégio Educativo (situado na cidade de Neópolis/ SE). O projeto foi transcorrido num espaço de quatro semanas, que foi introduzido com a explicação de como funciona o sistema digestório e os problemas nutricionais enfrentados em decorrência da má alimentação no Brasil, até a produção de folders com dicas de saúde. O desenvolvimento de tais atividades favoreceu a conscientização de uma alimentação saudável com ingestão de lanches mais nutritivos. Após a explanação do conteúdo sobre sistema digestório, abrimos um debate sobre a alimentação no Brasil e sobre os problemas nutricionais de saúde. Logo após, a professora solicitou aos discentes que


pesquisassem receitas saudáveis e em casa realizassem a produção de um vídeo em grupos de 4 alunos. O intuito dessa produção é que os alunos percebam que é possível eles mesmos produzirem alimentos mais saudáveis. O prazo para o envio dos vídeos foi de uma semana. Transcorrida a semana, em sala, fizemos as exibições dos vídeos e a criação de um canal no Youtube. Logo após, propomos a degustação às cegas, em que os discentes teriam que levar a receita saudável e outra tradicional. Selecionamos alunos de outras salas para fazer a degustação e posteriormente responderam a um questionário como pesquisa de satisfação do que consumiram, a fim de levantarmos dados e verificarmos como está o paladar deles. Na quarta e última semana, os discentes do sétimo ano, em grupos, apresentaram o resultado da pesquisa e elaboraram folders com dicas de alimentação saudável e algumas receitas. O folder selecionado por votação foi reproduzido e distribuído na escola. Os discentes tiveram total autonomia na produção total do trabalho.

processo de ensino e aprendizagem, críticos e decisivos em suas opiniões (ROCHA, 2016).

Figura 1: Criação de canal de Youtube para publicação das receitas realizadas pelos alunos.

3. Resultados e discussão O levantamento de debate em sala com os alunos sobre os problemas nutricionais e a reflexão sobre os problemas de saúde e sociais enfrentados pela obesidade e desnutrição foi bem proveitoso. Segundo COUTO et al. (2013), as doenças relacionadas à obesidade são: diabetes, colesterol alto, pressão alta. O que também se verifica no Brasil é o que se chama de “fome invisível” onde o indivíduo tem carência de alguns nutrientes em sua dieta (MONTEIRO, 1984). Na produção das receitas, os discentes fizeram a filmagem e todos os vídeos foram publicados em um canal criado no Youtube em sala – link para o canal https://www.youtube.com/channel/ UCGKQQxEsIbr5wpcf00gNWEw?view_as=subscriber (FIGURA 1). A produção das receitas pelos próprios alunos possibilitou a construção não só das receitas nutritivas como também o conhecimento acerca dos nutrientes relacionados. A elaboração e execução das atividades práticas tornam os discentes sujeitos ativos no

Figura 2: degustação às cegas.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 59


Entre as receitas apresentadas pela turma do sétimo ano A, tínhamos: suco de tangerina e maçã (sem adição de açúcar) suco de tangerina (com açúcar), bolo de ovos tradicional e bolo de banana, biscoito tradicional e biscoito de banana, aveia e uva passas, bolo de banana, canela e aveia e bolo comum, muffins de chocolate tradicional e saudável. Já as receitas do sétimo ano B foram: hambúrguer e sanduíche natural, cookies de granola e cookies de chocolate, crepioca de banana com aveia, crepioca de chocolate, tapioca de queijo e crepioca de chia com queijo, sanduíche integral com patê de frango light e sanduíche de patê de frango. Cada grupo ficou em uma mesa em que os alimentos estavam numerados para que o experimentador percebesse as diferenças. Antes de selecionarmos os participantes, questionamos se possuem alguma restrição alimentar. Durante o processo, os componentes responderam a um questionário, com as seguintes perguntas: entre os dois alimentos quais ele mais gostou? O que achou de cada alimento? Você achou que estava faltando algo em um ou nos dois alimentos? O quê? Para você qual a importância de uma alimentação saudável? Dentre os alimentos oferecidos, o que obteve menor satisfação foi o suco de tangerina e maçã. As respostas obtidas foram: é ruim, péssimo, falta açúcar. As respostas para os demais lanches foram as seguintes: sanduíche natural - é bonito, mas eu não gostei, o segundo, não gostei porque tinha coisas que não gosto; muito ruim de mastigar. Do bolo de banana – não gostei, porque tem gosto de banana, não gostei por conta da banana, é muito doce. Da panqueca - o gosto é bom; não gostei da combinação de sabores. Dos alimentos produzidos, dois obtiveram maior aceitação entre os participantes da pesquisa: o patê de frango com pão integral e os muffins de chocolate. Para o primeiro as respostas foram: porque é feito à base de alimentos que eu gosto; porque ele é muito saboroso; porque é bom. As respostas para os segundo foram: porque ele está mais fofo; gostoso; gostei da textura e do sabor; eu adorei.

60 | Revista Feira de Ciência e Cultura

Figura 3: Alimentos que se destacaram na prova às cegas (a esquerda muffins de chocolate e a direita patê de frango).

Constatamos que entre as respostas do que você sentiu falta? O que os participantes mais responderam foi o açúcar. Esta resposta pode decorrer da má alimentação, com produtos ultraprocessados e com muito açúcar, que acabam prejudicando significativamente o paladar dos consumidores, acarretando em uma necessidade maior de açúcar para se sentir satisfeito. Porém, esse consumo em excesso de açúcar é prejudicial à saúde, podendo causar doenças crônicas como diabetes e obesidade, além de aumentar a incidência de cárie dental (LOUZADA et al. 2015). Para as perguntas: pra você qual a importância de uma alimentação saudável? As principais respostas foram: para não ter problema de saúde; para ter uma vida saudável e um corpo saudável, a importância é ter


uma saúde maneira; não ter muito açúcar; melhoria na saúde e chegar a uma idade avançada bem; uma vida sem tantas preocupações; futuro sem tantas preocupações com a saúde; para uma vida melhor e mais longa; para fazer bem a saúde; ter um corpo melhor; para mim é importante pra ter uma vida com mais saúde; melhoramento no físico da pessoa, manter a saúde estável. Analisando as respostas, percebemos que os discentes relacionam bem a questão entre ter saúde a uma alimentação saudável, outros a questão corporal, e também a ter longevidade. Na última etapa, os alunos apresentaram em sala o resultado da pesquisa e cada equipe produziu um folder com dicas de alimentação saudável (figura 4). Não escolhemos o melhor para a reprodução, mas aproveitamos os principais pontos de todos e foi confeccionado outro com as principais dicas (figura 5).

4. Considerações Finais A realização deste projeto através das ações educativas, debates, confecção e degustação dos alimentos proporcionou aos participantes, motivação, reflexão, aprendizado conceitual, estímulo ao desenvolvimento de habilidades culinárias e instrumentalização para as escolhas e práticas alimentares corretas. Entretanto, ainda que se sentissem mobilizados para a ação, eles sinalizaram a necessidade de maior aprofundamento teórico sobre o tema e de mais subsídios para as ações de promoção de alimentação saudável. Foi percebido claramente que as escolhas alimentares ainda são um grande desafio a ser enfrentado, pois os alimentos sem açúcar foram os mais rejeitados e os alimentos que obtiveram maior satisfação foram: o patê de frango com pão integral e muffins de chocolate. Tal como o aluno aprende na escola, os conhecimentos científicos e os hábitos sociais que lhe permitirão enfrentar os problemas da vida na comunidade, também deve aprender a adquirir os conhecimentos e os hábitos de saúde, que lhe permitirão alcançar o maior grau possível de saúde, física, mental e social (SANMARTI, 1988, apud PRECIOSO 2004). Trabalhar o ensino de Ciências de forma investigativa e prática, torna o processo de ensino aprendizagem mais dinâmico e participativo (ROCHA, 2016). 5. Referências LOUZADA, Maria Laura da Costa; MARTINS, Ana Paula Bortoletto; CANELLA, Daniela Silva; BARALDI, Larissa Galastri; LEVY, Renata Bertazzi, CLARO, Rafael Moreira et al. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. Rev. Saúde Pública [Internet].2015. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034 89102015000100227&lng=en. Acesso em: 29 de julho de 2021. COUTO, Shanda de Freitas; MADRUGA, Samanta Winck; NEUTZLING, Marilda Borges e SILVA, Marcelo Cozzensa da. Frequência de adesão aos “10 Passos para uma Alimentação Saudável” em escolares adolescentes. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2014, vol.19, n.5, pp.15891599. ISSN 1413-8123. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014195.21392013. Acesso em: 24 de julho de 2021. ROCHA, Luciana Bellé, A Importância das práticas de Ciências para o processo de Ensino Aprendizagem. Artigo disponível em: https://faveni.edu.br/wp-content/uploads/2017/01/5praticas-em-ciencias-v1n3-2016.pdf Acesso em: 24 julho de 2019. PRECIOSO, José Alberto G. Algumas estratégias de âmbito intra e extracurricular para promover e educar para a prática de uma alimentação racional. Revista Portuguesa de Educação, Lisboa: 1992 MONTEIRO, C. L. B. Critérios antropométricos no diagnóstico da desnutrição em programas de assistência à criança. Ver. Saúde pública, 18:209-17,1984. Artigo disponível em: file:///C:/ Users/Micro/Downloads/23219-Article%20Text-26853-1-10-20120528%20(2).pdf. Acesso em

Figura 4 e 5: folder final produzido

27 de julho de 2021.

Revista Feira de Ciência e Cultura | 61


62 | Revista Feira de Ciência e Cultura


Revista Feira de Ciência e Cultura | 63


64 | Revista Feira de Ciência e Cultura