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Resumo. Este trabalho discute a presença de videogames comerciais em sala de aula e a aprendizagem de inglês no Ensino Fundamental. O estudo foi aplicado na Escola Municipal Gal. Freitas Brandão, com alunos do 6º ano. A metodologia consiste em uma investigação bibliográfica, aliada à aplicação de um questionário. Pode-se afirmar que quase todos os alunos da turma estudada (95%) jogam algum tipo de videogame e a maioria (73%) afirmou gostar de Inglês. Esse resultado dará suporte ao desenvolvimento de aulas de inglês baseadas em jogos eletrônicos para fins de pesquisa. 1. Introdução Este trabalho discute sobre a prática de videogames comerciais (não educativos) e a percepção dos alunos sobre a aprendizagem de inglês no Ensino Fundamental, com o objetivo de subsidiar a elaboração de aulas de inglês com base em videogames. As questões motivadoras são as seguintes: “quantos estudantes jogam videogame?”, “eles gostam de inglês?”. As perguntas visam determinar qual o impacto sobre os alunos de uma prática pedagógica que traga videogames para a sala de aula de inglês. Essas questões investigam as condições necessárias para a aplicação de aulas de inglês com games, que é um dos objetivos do projeto ao qual esse estudo está vinculado. Trata-se de uma pesquisa de iniciação científica Jr., em andamento. O estudo foi aplicado na escola supracitada, com alunos do 6º ano, em 2017, e dando seguimento a pesquisas anteriores sobre a prática de jogos eletrônicos por alunos desta escola, realizadas em 2015. Esses estudos têm demonstrado que significativa parcela dos estudantes joga videogames, mas esta é uma dimensão da vida social dos alunos ainda inexplorada pelos professores.

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Neste artigo será discutida a evolução dos percentuais de alunos jogadores do 6º ano de 2015 para 2017. Em seguida, apresentaremos os resultados da relação entre os alunos e a disciplina língua inglesa. 2. Materiais e Métodos Trata-se de uma pesquisa de campo com alunos do 6º ano da a Escola Municipal General Freitas Brandão, em Aracaju/SE. Adotamos uma abordagem quantitativa, pois queríamos identificar o percentual de alunos desta turma que joga videogames, relacionando os dados com a percepção dos alunos sobre sua aprendizagem de inglês. Numa segunda etapa, será elaborada e aplicada uma aula de inglês com base em jogos eletrônicos em parceria com o professor titular da turma. Com relação aos objetivos, a pesquisa pode ser considerada exploratória, uma vez que levantou dados iniciais relacionados à prática de jogos eletrônicos e a aprendizagem de inglês na escola selecionada. A pesquisa foi desenvolvida com o apoio de um bolsista de iniciação científica, financiado pela FAPITEC, e uma voluntária. Para coleta de dados foram feitas reuniões de planejamento e aplicado um questionário com 22 alunos, perguntando se o aluno jogava algum tipo de videogame, bem como se gostava de inglês. Foi pedido aos respondentes que considerassem quaisquer jogos de videogames em quaisquer plataformas (celular, tablet, console etc). Os dados foram tabulados utilizando-se as planilhas e formulários do pacote Google online. Através de reuniões, fizemos a interpretação e análise dos dados coletados. Ao final, comparamos os resultados deste estudo com os de outro estudo realizado em 2015 na


mesma unidade de ensino sobre a prática de jogos eletrônicos.Naquela ocasião foi aplicado um questionário com 102, dos 159 alunos do 6º ao 9º daquele ano letivo. Partimos dos pressupostos apresentados por Magnani (2015), o qual defende a possibilidade de a escola explorar os sentidos e aprendizados dentro de uma cultura de videogames. Isso se aplicaria não somente para trabalhar aspectos linguísticos da Língua Inglesa, mas também as questões que desenvolvem o senso crítico dos alunos e a sua participação cidadã no mundo.

3.1. Percentual de jogadores Em 2015, o 6º ano possuía 37 alunos, enquanto que em 2017 a turma tinha 22 alunos. A Figura 1 mostra a relação entre jogadores e não jogadores no 6º ano.

3. Resultados e discussão Antes de discutir os resultados, é importante mencionar que, no momento da aplicação dos questionários, somente o fato de ser uma pesquisa sobre jogos, que tem como objetivo subsidiar a elaboração de aulas baseadas em games, causou euforia entre os alunos. Tão logo foi anunciada a pesquisa e a aplicação dos questionários, e os estudantes começaram, espontaneamente, a sugerir games para serem utilizados. Mesmo depois da aplicação, os alunos procuraram os aplicadores para conversar e demonstraram certa expectativa com os desdobramentos da pesquisa. Selecionamos dois aspectos para destacar neste artigo, no sentido de sugerir que uma futura proposta que alinhe jogos eletrônicos e ensino de inglês, na turma do 6º ano, desta unidade de ensino terá sucesso junto aos alunos.

Figura 1: Evolução do percentual de jogadores nos grupos pesquisados em 2015 e 2017 (fonte: pesquisa de iniciação científica 2015).

Em 2015, 76% dos 37 alunos do 6º ano afirmaram jogar algum tipo de videogame. Em 2017, esse percentual sobe para 95%, na mesma série.

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A turma pesquisada em 2017 era composta por 10 homens e 12 mulheres. Na pesquisa realizada em 2015, responderam ao questionário, no 6º ano, 25 homens e 12 mulheres.

Como se pode notar, o 6º ano pesquisado em 2017 registra um relativo equilíbrio na distribuição de gênero, guardadas as devidas proporções e considerando os alunos que não participaram da pesquisa. Esse dado é importante para identificar se a prática de videogames é um domínio masculino, feminino ou se está difundida entre os gêneros. Azevedo (2016), em pesquisa realizada na mesma instituição de ensino, notou que, em 2015, o número de mulheres que praticam videogame era de 57%, enquanto que, entre os homens, era de 94%. Com relação ao 6º ano, em 2015, os dados coletados em pesquisa realizada na mesma Escola mostram que houve significativo aumento no percentual de mulheres jogadoras de videogame.

Figura 3: Evolução do percentual de jogadores por gênero (fonte: pesquisa de iniciação científica 2015).

Figura 2: Distribuição de gênero nos grupos pesquisados em 2015 e 2017 (fonte: pesquisa de iniciação científica 2015).

Em 2017, o 6º ano apresentou um percentual proporcional de mulheres de 55%, enquanto que, em 2015, foi de apenas 32%. O 6º ano de 2017 registrou 45% de homens, contra 68% em 2015.

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O estudo atual registrou que 100% dos homens no 6º ano de 2017, que responderam à pesquisa, jogam videogame. Esse percentual já era de 92% no 6º ano de 2015. O percentual de mulheres jogadoras registrado no 6º ano, em 2015, foi de 42% e, em 2017, sobe para 83%. Em 2015, das 12 mulheres da turma, 7 disseram não jogar videogame. Os dados encontrados em 2017 refutam o argumento de que atividades que utilizam jogos eletrônicos podem não ser atrativas para mulheres. Os percentuais evidenciam que a prática de jogos eletrônicos está mais difundida e que as mulheres têm aderido a essa prática em maior número.


3.2. Gosto pela aprendizagem de inglês

Conclusão

Outra pergunta inserida no questionário dizia respeito à relação do aluno com a aprendizagem de Língua Inglesa. Com relação à pergunta “você gosta de inglês?”, os dados coletados mostram que 73% dos alunos gostavam de inglês.

Neste trabalho discutimos a quantidade de alunos do 6º ano da Escola supracitada que jogava videogame em 2015 e procuramos relacionar tais dados com aqueles coletados em 2017. Concluímos que o percentual de alunos e alunas que jogam videogame aumentou proporcionalmente nesta de 2015 para 2017, tendo havido um avanço muito grande com relação às mulheres. Com relação à aprendizagem de Língua Inglesa, vimos que os alunos, em sua maioria, gostam de inglês. Conforme afirmado na introdução deste artigo, os dados analisados visam contribuir para a elaboração de aula de inglês com base em jogos eletrônicos. Os dados sugerem que a turma do 6º Ano 2017, da Escola Municipal General Freitas Brandão oferece condições favoráveis a uma proposta de intervenção pedagógica que una a disciplina inglês com a prática de jogos digitais. Referências

Figura 4: Gosto pela Língua Inglesa

Como se trata de uma pesquisa que visa dar suporte à elaboração de aulas de inglês baseadas em jogos eletrônicos, os resultados sugerem que, para o 6º ano analisado, um trabalho que aliasse a matéria citada com os jogos poderia surtir efeito positivo entre, pelo menos, 76% dos alunos da turma. Outro aspecto é que o fato de os alunos gostarem da disciplina, pode ter impacto positivo também sobre o rendimento dos alunos em atividades inovadoras. Da mesma forma, o fato de gostarem da matéria pode indicar que estejam mais abertos a novas propostas de ensino, mas esses resultados ainda carecem de novos estudos.

AZEVEDO, Rogério Tenório de. “Quem joga videogame marque um x”: um estudo sobre a prática de jogos eletrônicos na escola Freitas Brandão. Revista Feira de Ciências e Cultura, v. 03, n. 03, abril, 2016. MAGNANI, Luiz Henrique. Explorando sentidos e aprendizados dentro de uma cultura de videogames. In: ZACCHI, Vanderlei J.; WIELEWICKI, Vera Helena Gomes. (Orgs.) Letramentos e Mídias. Maceió: Edufal, 2015.

THAN K YOU

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Resumo. Os jogos sempre constituíram uma forma de atividade inerente ao ser humano, pois representa uma ferramenta de entretenimento, raciocínio, diversão e integração social. Neste sentido, o projeto E.N.E.I.A.S visa analisar a influência do jogo digital Role Play Game (RPG) em relação à compreensão e orientação sobre temas concernentes ao mosquito Aedes Aegypti e as doenças causadas por ele. Para tanto, os alunos 2ª ano do ensino médio da rede particular dos colégios Arquidiocesano, Graccho e do Centro de Educação e Tecnologia Albano Franco (SESI/SENAI-CETAF-AJU), em Aracaju/SE, desenvolveram um jogo no Role Play Game Maker cuja finalidade foi de analisar a influência do jogo em alunos do ensino fundamental II quanto ao mosquito Aedes Aegypti, pois os jogos e o lúdico relacionam-se com a motivação, socialização e aprendizagem do indivíduo. 1. Introdução Os jogos já existiam antes mesmo da tecnologia. Suas primeiras aparições foram, em sua maioria, dentro dos palácios, e praticados por jovens promissores como Napoleão Bonaparte, em tempos de guerras. Contudo, com o surgimento da internet e das máquinas tecnológicas, a exemplo do computador, ocorreu um drástico aumento de seu uso, principalmente entre os adolescentes. Consequentemente, os jogos foram inseridos nas escolas como um instrumento motivador para o ensino-aprendizagem, por conseguirem atingir mais rápido os objetivos de determinados assuntos. Os jogos sempre constituíram uma forma de atividade inerente ao ser humano, pois representa uma ferramenta de entretenimento, raciocínio, diversão e integração social desde o seu início. Através do

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jogo, que é uma atividade lúdica, torna-se possível recriar uma situação cotidiana, para vivenciá-la de forma diferente, divertida e interativa (SILVA et al, 2008). Destarte, a capacidade que as crianças têm de assimilar os jogos aos conhecimentos específicos é congênita, pois tal habilidade é exercitada por elas desde pequenas. Desse modo, vê-se que tal projeto, no contexto socioeducativo, busca orientar as crianças e os jovens sobre o uso dos jogos virtuais em benefício do aprendizado pela fácil assimilação, de forma que o nível de esquecimento seja reduzido consideravelmente. Outrossim, os jogos poderão apresentar dupla função: consolidar os esquemas já formados - inclusive a linguagem -, dar prazer emocional, iniciativa e autoconfiança à criança (VYGOTSKY, 1989). Evidentemente, o que faz do jogo um meio de ensino-aprendizagem é o conteúdo que será passado para os jogadores. Por esse motivo, buscamos alinhá-lo à preocupação com o ensino relacionado ao mosquito A. aegypti. Com o advento das epidemias no Brasil, em que tem passado desde o ano de 1981 (BARRETO; TEIXEIRA 2008), sabe-se que esse mosquito transmite doenças, como a dengue, a febre Chikungunya, o Zika vírus e a febre amarela. Este fato causa preocupações para a população brasileira, por isso cabe à escola incentivar práticas de conhecimento sobre esta temática para o aluno, neste caso, através dos jogos. O jogo que compõe o presente artigo foi desenvolvido sob o contexto da feira de ciências escolar – Feira de Ciências, Cultura e Arte do Colégio Graccho, com o intuito de apresentar para a comunidade escolar como esse conteúdo pode ser trabalho de forma diferente e prazerosa. Portanto, o presente trabalho que foi feito por alunos do ensino médio regular,


integrantes do intitulado de Projeto E.N.E.I.A.S, busca proporcionar um ensino e aprendizagem de forma interativa para as crianças do ensino fundamental II, através do jogo virtual desenvolvido em Role Play Game (RPG), sensibilizando os alunos quanto à prevenção e combate do mosquito A. aegypti. Assim, pudemos observar de que maneira os jogos podem influenciar de modo positivo e dinâmico no combate ao mosquito, contribuindo e influenciando o processo de ensino-aprendizagem dos jovens. Dessa forma, esse jogo virtual será de grande importância tanto para a questão do lúdico no processo de ensinoaprendizagem, quanto na sensibilização dos usuários a respeito da prevenção da proliferação do mosquito Aedes Aegypti. 1.1. O mosquito Aedes aegypti e as doenças citadas no jogo A dengue é doença infecciosa que possui quatro variações e sintomas como manchas na pele, forte dor de cabeça, dores no corpo, náuseas, vômito e febre alta. Esta é a chamada dengue clássica ou comum. Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue comum. No entanto, a diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sinais de alerta, a exemplo de dores abdominais fortes, vômitos persistentes, pele pálida, sangramento pelo nariz, boca ou gengivas, manchas vermelhas na pele, sonolência, confusão mental, sede excessiva e boca seca, pulso rápido ou fraco, dificuldade respiratória e perda de consciência. Dado o exposto, vale ressaltar que medidas para a melhoria da qualidade de vida da população devem ser tomadas. De forma divertida e educativa, pretendese alertar sobre a interação desse inseto e o meio onde vivemos, cuidando para reduzir a proliferação do mosquito que tem trazido tanto pesadelo para a população. Por isso, é de grande importância a nossa proposta de intervenção, com um método inovador capaz de nos sensibilizar a respeito dos ataques de mosquitos. Através de um jogo virtual, por exemplo, a criança aprenderá a não acumular água em latas, garrafas, ou qualquer outro tipo de objeto, sabendo de quais riscos essas atitudes podem ocasionar.

2. Materiais e Métodos O E.N.E.I.A.S é um jogo virtual que foi desenvolvido para a plataforma Windows, com um sistema de aparência 8-bits e um layout moderno, atraente e divertido, que facilmente funciona em qualquer computador. Sendo assim, este projeto tenta quebrar a ideia de que os jogos são utilizados somente para diversão, mostrando que jogos educativos podem ser muito interessantes se feitos de forma correta com esforço e empenho. O jogo é dividido em fases, que permitem ao jogador o retorno para cada uma delas, em busca de mais recursos. Cada jogador recebe missões automaticamente e conta com um conjunto de habilidades que o ajudarão a vencer a praga. Além disso, foram disponibilizados vários personagens carismáticos que ajudarão na jornada entre as cidades. Em um sistema de batalha de turnos, o jogador poderá utilizar vários recursos para alcançar o objetivo de destruir os mosquitos, a saber: • as setas do teclado servem para a locomoção entre os mapas; • a tecla “X” serve para recolher itens; • o “enter” serve para ter um resumo de todo seu personagem, equipamento, vida e energia (que será usada no jogo para lançar as habilidades); • o ”Esc” para ter acesso a outro menu que terá as opções de salvar, sair etc. O desenvolvimento do E.N.E.I.A.S. ocorreu a partir do programa chamado RPG MAKER VX ACE, software feito para desenvolver jogos no estilo RPG ou Role Play Game assemelhando-se, portanto, aos jogos da época medieval. 3. Resultados e discussão Atualmente, muitos sistemas de ensino já estão procurando utilizar jogos em sala de aula como método para ajudar no processo de ensino-aprendizagem. O E.N.E.I.A.S. atrai a atenção dos usuários, pois com referências à cultura pop e o ambiente “pixelado”, isto é, distorcido pela ampliação do espaço jogo, será usado

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de forma subentendida em missões e histórias, na qual o conteúdo a ser trabalhado a priori fora o game do Projeto E.N.E.I.A.S, sendo este sobre “a dengue”. Dessa forma todas as histórias, missões e mecânicas trabalham ao viés de como prevenir e diminuir os sintomas que o mosquito Aedes Aegypti pode causar nas pessoas. Sob essa ótica, na construção do jogo foi utilizado o modelo Role Play Game (RPG) que coloca o jogador em uma experiência intuitiva e imersiva, facilitando, assim, a aprendizagem e o entendimento do conteúdo passado. De modo fácil, o jogo trás quais são os perigos e os sintomas da doença e como amenizar a sua proliferação, deixando o jogador livre para explorar o “mundo” e lutar da forma que ele achar melhor. Os jogos consistem em uma forma de expressão espontânea, de aprender a respeitar regras, de desenvolver-se intelectual, emocional e socialmente. Vale ressaltar, também, que se torna mais agradável trabalhar com crianças, criando situações imaginárias e hipotéticas e seguindo determinadas regras, sobre determinado assunto da realidade. Segundo Vygotsky (1989), a brincadeira pode ter papel fundamental no desenvolvimento da criança. Sua principal teoria do desenvolvimento cognitivo é que esse é o resultado da interação entre a criança e o mundo à sua volta. E é durante as brincadeiras em geral, que elas aprendem e inventam regras e, com isso, passam a adquirir habilidades e atitudes de grande necessidade em sua interação social futura. Portanto, é através do jogo que a criança adquire novas habilidades, tem sua curiosidade estimulada, desenvolve e promove a linguagem, o intelecto, e a interação social, e ainda proporciona prazer. Com o avanço da internet, o professor pode, além de dar o conteúdo de uma forma mais divertida, diferente e prática, ainda pode baixar jogos educativos permitindo uma melhor interação entre os próprios alunos e entre os alunos e o professor. Tudo isso e ainda enriquecer o conhecimento, pois graças a essas novas tecnologias, o método de utilização de jogos em sala de aula ficou mais perto de ser utilizado. Assim, no espaço escolar, o jogo pode ser um veículo rápido e prático para o desenvolvimento social, emocional e intelectual dos alunos (AZEVEDO; SOUZA, 2015). Já que

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os alunos provavelmente irão se interessar mais pelo assunto e a aula não ficará tão monótona. Logo, o professor pode e deve permitir os jogos em sala de aula. Os gráficos foram feitos a partir do modelo do ‘’RPG MAKER‘’ que são em 8-bits ou 16-bits coloridos. Referencias para os gráficos são os famigerados jogos de Pokémon para Game boy advanced ou Game Boy color, porém mesmo não sendo gráficos de alta resolução traz a nostalgia e a fofura de jogos pixelados. Todo o level designer foi feito no próprio programa.

Figura 1: Jogo E.N.E.I.A.S. A. Mapa. B. Fase inicial. C. Descoberta da missão. D. Batalha com o mosquito. E. Aumentando o nível do personagem. F. Desafio final - Fontes: Autores, 2017.

O jogo começa em uma caverna e o personagem está refletindo a respeito do local em que se encontra. Ao perceber barulhos estranhos, o personagem desconfia de alguns perigos. O jogador pode optar pela exploração do território, para identificar e conhecer a região. Em certo ponto, o jogador adormece, acorda em um local totalmente diferente e parte em busca de informações. Em seguida, ele encontra com um personagem automático (NPC). Nesse momento, acontece um diálogo e é revelada a sua missão (Figura 1). Após essa conversa, o jogador também descobre que precisa se manter hidratado, mas que só conseguirá água eliminando mosquito. Em consequência disso, há o aumento no nível do personagem. Assim, ao continuar a exploração do ambiente, encontra uma personagem com problemas e que precisa de ajuda. Ao ajudá-la, em forma de agradecimento, ela o recompensa com o aumento do nível. Com isso, também há o aumento da dificuldade no jogo.


O mapa do projeto (Figura 1) foi feito inteiramente a mão, utilizando a própria plataforma do jogo, sendo contado cada centímetro e cada ponto especial dele. O jogo contém uma caverna onde o jogador inicia o game e que pode retornar para ter uma experiência nova; três cidades, sendo a maior delas inacessível inicialmente, pois ainda há construção no jogo; e o castelo do chefe, onde termina o jogo no momento em que ele é derrotado Ao passar pelas diversas situações que podem ser provocadas por ser picado pelo mosquito, o personagem apresenta os sintomas das doenças que estão relacionadas ao inseto, como, por exemplo, febre, dor de cabeça e tonturas. A solução para acabar com esses problemas é beber água, que ele consegue derrotando os mosquitos, garantindo a sua sobrevivência. Conclusão Diante da criação do jogo E.N.E.I.A.S. foi possível entender a importância da utilização dos jogos no processo educativo, como instrumento facilitador da integração, da sociabilidade e da importância do lúdico e da brincadeira para o aprendizado. Os objetivos do jogo utilizado vão além da facilidade em se conhecer o mosquito Aedes Aegypti e as doenças que ele pode transmitir, uma vez que trabalha os aspectos cognitivos e colabora na construção dos conhecimentos dos alunos. Como perspectiva futura, o jogo poderá ser ampliado para outras áreas de conhecimento. Faz-se necessário ressaltar que muitos sistemas atuais de ensino procuram utilizar em sala de aula ferramentas para ajudar no processo de ensinoaprendizagem. Porém, o Projeto E.N.E.I.A.S utiliza-se do jogo como forma de expressão espontânea, de aprender a respeitar regras, de desenvolvimento intelectual, emocional e social. Nesse interim, entende-se que é importante estabelecer uma ligação entre um jogo virtual aliado a um conteúdo de um contexto social, pois, nesse projeto, percebemos que o jogo serviu como auxílio no processo de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Referências AZEVEDO, M. M.; SOUZA, A. A. N. INFLUÊNCIAS DO USO DE JOGOS NA APRENDIZAGEM. Encontro Internacional de Formação de Professores e Fórum Permanente de Inovação Educacional, v. 8, n. 1, 2015. Disponível em <https://eventos.set.edu.br/index.php/enfope/ article/view/1748/182>. Acesso em: 27 jul de 2017. BARRETO, M. L.; TEIXEIRA, M. G. Dengue no Brasil: situação epidemiológica e contribuições para uma agenda de pesquisa. Estud. av., São Paulo , v. 22, n. 64, p. 53-72, 2008 Disponível em: <http://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142008000300005&lng =en&nrm=iso>.Acesso em: 08 Set. 2017. DIAS, L.; ALMEIDA, S. C. L.; HAES, T. M.; MOTA, L. M.; RORIZFILHO, J. S. Dengue transmissão, aspectos clínicos, diagnósticos e tratamentos. Medicina (Ribeirão Preto), v.43, n2, 2010, p. 147-73. Disponível em:< http://revista.fmrp.usp.br/2010/vol43n2/Simp6_ Dengue.pdf> . Acesso em: 05 ago de 2017. SILVA, T. D.; CARDOSO, F. S.; RODRIGUES, C. R.; LIBERTO, M. I.; CURRIÉ, M.; VANNIER, M. A.; CASTRO, H. C. Jogos virtuais no ensino: usando a dengue como modelo. R.B.E.C.T., v1, n2, 2008. Disponível em: < https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/19091/2/ Silva%20TD%20Jogos%20virtuais%20no%20ensino....pdf>. Acesso em: 20 jun 2017 VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed., São Paulo: Martins Fontes, v1., p. 37-45, 1989.

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Resumo: A presente pesquisa buscou investigar a ação do aluno monitor e o seu impacto no campo da leitura dos estudantes do Colégio Estadual 28 de Janeiro. A partir de 2014, a equipe diretiva, em consonância com o corpo docente do Colégio Estadual 28 de Janeiro, situado em Monte Alegre de Sergipe, inseriu a figura do monitor na Biblioteca Escolar Vinicius Lima Barros. Assim, aplicamos um questionário aos monitores e estudantes frequentadores da biblioteca. Após a aplicação, analisamos os dados à luz da teoria que fundamenta a nossa pesquisa e buscamos expor os resultados alcançados. 1. Introdução Diante da busca para descobrir como é “um bom leitor”, fizemos uma pesquisa, cujo tema era “A Formação do aluno-leitor do 8º ano do Ensino Fundamental no Colégio Estadual 28 de Janeiro” financiada pela FAPITEC através do Edital nº 014/2012, e detectamos que os estudantes gostam de ler (85,75% 8º A e 88,23% 8º B), trazendo consigo a ideologia presente no imaginário social de que a leitura melhora o aprendizado. Além disso, eles se veem como bons leitores (53,38% 8º A e 52,9% 8º B), mas ainda concebem o ato de ler como a decifração de códigos e não a efetiva interpretação. Outro ponto que nos chamou atenção foi a diversidade de gêneros textuais que eles gostam de ler e com uma frequência não tão distante do dia a dia. Esse fato vai de encontro à afirmação de muitos professores de Redação ou de Língua Portuguesa quando dizem que os alunos não gostam de ler. Talvez seja o tipo de leitura que não os atrai. O resultado desta pesquisa foi publicado no Vol. 04 da Revista Scientia Plena Jovem (2015). Após análise dos dados, resolvemos dinamizar a Biblioteca Escolar Vinicius Lima Barros através da

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figura do aluno Monitor que busca estimular a prática da leitura no universo da escola através de ações concretas e com o auxílio dos professores de Língua Portuguesa e da Coordenação Pedagógica. Nessa pesquisa, investigamos a ação do aluno monitor e o seu impacto no campo da leitura dos estudantes do Colégio Estadual 28 de Janeiro. O projeto de monitoria vem sendo desenvolvido desde 2014 e é realizado por estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio durante os três turnos de trabalho do estabelecimento de ensino, assim há o atendimento a toda clientela da escola. Nesse sentido, já é possível percebermos a contribuição dessa ação para o desenvolvimento da leitura e escrita dos estudantes. 2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido através de duas abordagens: qualitativa e quantitativa, entre 2016 e 2017. Os tipos de pesquisa foram: bibliográfica e de campo, devido necessidade da aplicação de questionário aos monitores. Primeiramente, fizemos a leitura dos resultados da pesquisa que nos serviu de base e em seguida adentramos na literatura específica com o intuito de observarmos a teoria. Em seguida, discutimos os pontos que nos serviram de norte para a entrevista com os sujeitos envolvidos. Elaboramos o questionário a ser aplicado aos sete monitores da biblioteca escolar. Aplicamos. Depois, fizemos as análises à luz da teoria que nos serviu de sustentação. Vejamos como o questionário foi elaborado:


QUESTIONÁRIO DE APLICAÇÃO 1) A presença dos monitores na biblioteca é importante? Justifique sua resposta. ( ) Sim ( ) Não 2) Por quanto tempo você exerceu a função de monitor (a)? 3) De acordo com sua concepção, qual é o papel fundamental de um(a) bom(a) monitor(a)? 4) É importante influenciar os alunos e professores a desenvolverem o hábito de frequentar a biblioteca e usarem os livros da mesma como uma forma de ampliar os conhecimentos? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 5) Você costuma/costumava ler livros da biblioteca enquanto está/estava exercendo sua função de monitor(a)? Justifique sua resposta. ( ) Sim ( ) Não 6) Os estudantes frequentam/frequentavam a biblioteca com frequência? ( ) Sim ( ) Não 7) Durante todo o tempo em que você permaneceu/ permanece na monitoria da biblioteca, o que mais se dedica/dedicou a fazer? 8) Os professores utilizam/utilizavam os livros da biblioteca para fazerem pesquisas ou trabalharem em sala de aula? ( ) Sim ( )Não

9) Qual é/era a faixa de idade dos frequentadores da biblioteca do colégio Estadual 28 de janeiro? ( ) De 06 a 12 anos ( ) De 13 a 17 anos ( ) De 18 anos por diante 10) A monitoria pode ser considerada algo que incentiva o ato de ler? Justifique sua resposta. ( ) Sim ( ) Não Você considera o ato de ler importante para a vida do cidadão? ( ) Sim ( ) Não 11) Caso a resposta seja positiva, por que você considera importante? 12) Você se considera leitor(a)? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 13) Os estudantes frequentadores da biblioteca gostam/ gostavam de ler que tipo de livro? ( ) Romance ( ) Crônica ( ) Ficção Científica ( ) Gibis ( ) Revistas ( ) Terror ( ) outro ______________________________ 14) A biblioteca escolar oferta/ofertava uma boa estrutura para os estudantes frequentarem? ( ) Sim ( ) Não

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3. Resultados e discussão Com intuito de chegarmos aos resultados, fizemos uso de um questionário que foi elaborado e aplicado aos sete monitores da Biblioteca Escolar Vinicius Lima Barros de 2014 a 2016. Ressaltamos que alguns monitores permaneceram três anos consecutivos na monitoria devido passarem nas seleções. O questionário buscou investigar o papel do monitor e a sua importância para o desenvolvimento da leitura dos estudantes do estabelecimento de ensino em questão. 3.1. Análise dos Resultados De acordo com as análises dos dados do questionário aplicado, cerca de 90% dos sete monitores avaliados afirmaram que costumavam ler livros da biblioteca enquanto estavam exercendo sua função, porém outros se dedicavam na organização do espaço. No entanto, todos concordam com a importância da presença de monitores na biblioteca escolar devido à colaboração desses na limpeza do ambiente de leitura, além de ajudar os frequentadores na procura de livros e sem os monitores dificilmente seria proporcionado o bom funcionamento da biblioteca. Nesse contexto, depreende-se que 90% dos entrevistados defendem que o papel fundamental de um bom monitor(a) é manter conservado e organizado todo o espaço da biblioteca. Enquanto o restante afirmou ser fundamental o empenho do monitor, ou seja, sua maior dedicação é incentivar os demais estudantes ao ato de ler. Entre os sete avaliados, percebe-se que 70% confirmam que a biblioteca escolar disponibiliza de uma boa estrutura, enquanto apenas 30% dos monitores afirmaram que não, defendendo o argumento de que, se o espaço bibliotecário fosse mais amplo e disponibilizasse uma maior variedade de livros, chamaria mais atenção. Outrossim, nota-se que para muitos a monitoria é, sim, algo que incentiva bastante o ato de ler, já que é função dos monitores incentivarem os estudantes a frequentarem o espaço bibliotecário e aprofundarem-se no mundo dos livros para ampliar seus conhecimentos de mundo.

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Assim, corrobora com o pensamento de FREIRE (1988: 8), “aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”. Ademais, ocorre uma variação de respostas relacionadas aos tipos de livros mais escolhidos pelos frequentadores da biblioteca, alguns dos monitores avaliados responderam que os mais procurados são os romances, as crônicas, os gibis, livros de terror e contos. Nota-se também que o interesse pela leitura depende exclusivamente do gosto dos leitores. A clientela da biblioteca é composta por uma variedade de faixa etária entre 06 a 17 anos. Todos os avaliados consideram, sim, o ato de ler como sendo algo extremamente importante para formação do cidadão, pois isso possibilita ao indivíduo mais conhecimento para crescer profissionalmente na vida e conquistar muito através do universo da leitura, melhorando sua escrita e ampliando seu hábito de ler com frequência e interpretar o que está lendo. Apenas 1% dos monitores analisados afirmaram que não se consideram um leitor, pois não costumam ler com frequência ou se quer por obrigação. Percebe-se que todos os monitores avaliados defendem o argumento de que é necessário e totalmente importante influenciar não somente os alunos a frequentarem o espaço da biblioteca, mas utilizarem os livros como forma de elevarem seus conhecimentos. Muitos afirmaram também que é necessário influenciar os professores da escola a desenvolverem o hábito de usarem os livros da biblioteca do colégio como forma de realizarem pesquisas. Salientaram que alguns professores fazem uso dos livros da biblioteca.


Diante disso, percebe-se que o espaço escolar atende ao que preconiza os PCNs de Língua Portuguesa (2001: 58): Para tornar os alunos bons leitores - para desenvolver, muito mais do que a capacidade de ler, o gosto e o compromisso com a leitura, a escola terá de mobilizá-los internamente, pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador, algo que, conquistado plenamente, dará autonomia e independência. (...) Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente.

Referências ARAGÃO, Carlos Alexandre N. A Formação do aluno leitor do 8º ano: um estudo de caso no Colégio Estadual 28 de Janeiro em Monte Alegre de Sergipe. Revista Scientia Plena Jovem. Vol 04. 2015. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que as completam. São Paulo: Autores associados: Cortez, 1988. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa / Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. – 3ª ed. – Brasília: A Secretaria, 2001.

Conclusão O ato de ler deve ter seu espaço reservado no chão da escola e esta deve buscar meios para que haja a disseminação da leitura entre todos os educandos. Percebe-se que a presença do monitor se tornou primordial para o funcionamento da biblioteca, por não dispor de funcionários para exercerem tal função. Assim, os estudantes não ficaram isentos de um espaço de leitura. Nesse caminho, a leitura vem adentrando na vida de crianças e jovens transformando mundos e ressignificando sonhos.

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2. Materiais e Métodos O projeto Feira das Nações foi realizado no Colégio Estadual Professor Gonçalo Rollemberg Leite nos meses de junho e julho de 2017, com culminância no dia 04 mês de agosto, envolvendo todos os alunos e professores do Ensino Médio dessa unidade de ensino. O mesmo foi executado de acordo com as seguintes etapas e/ou procedimentos: Inicialmente o projeto foi apresentado aos professores e alunos das turmas envolvidas no trabalho. Em seguida ocorreu a escolha do país que cada turma decidiu pesquisar. O critério utilizado foi a escolha livre ou sorteio. A relação de países escolhidos para a Feira das Nações 2017 contemplou nações de todos os continentes, com vários graus de desenvolvimento e diferentes situações políticas e culturais. As turmas e suas respectivas nações

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O projeto em questão se propôs trabalhar com práticas pedagógicas diferenciadas e voltadas para a melhoria da aprendizagem e desempenho do aluno, tendo em vista que o educador atual tem que abalizar a sua prática educativa nos pilares da educação das sociedades modernas. Para a concretização, tomou-se como norte a ideia de envolver o aluno numa perspectiva na qual ele pudesse explorar o estudo das nações e suas particularidades, com seus fatores políticos, sociais e históricos. Avigora-se, nesse momento, a interação provocada pela oportunidade de pesquisar, de construir e se expressar dentro do contexto escolar, fazendo-o se aproximar e /ou estreitar suas relações com outros colegas e professores. Ao mesmo tempo, ampliar sua noção de mundo ao ter contato com a cultura de outros povos e informações relativas a outras nações. Buscou-se “levar o educando a compreender o mundo em que vive, da escala

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1. Introdução

local até a planetária, dos problemas ambientais até os econômico-culturais.” (VESENTINI, 2013, p.22) Dessa forma e objetivando fazer um trabalho interdisciplinar, procurou-se fazer o aluno compreender que a ramificação do saber é apenas uma maneira mais fácil de se estudar a parte de um todo, o mesmo valendo para as disciplinas, onde cada conteúdo destas faz parte de uma totalidade (MEDEIROS, 2009). O trabalho foi desenvolvido focado no processo e não somente no resultado final, pois um projeto é considerado satisfatório baseado nas aprendizagens que proporciona aos seus alunos e não pela qualidade pontual do seu produto final. Assim, o aluno foi acompanhado durante todo o processo de execução do trabalho, aproximando professor e aluno num processo de socialização escolar baseado na construção de valores de integração social (BERGER, 1985).

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Resumo. O presente trabalho foi desenvolvido junto aos alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Prof.º Gonçalo Rollemberg Leite, em Aracaju-SE. Ele consistiu numa pesquisa sobre os aspectos históricos, culturais, geográficos, científicos e tecnológicos de diversos países, com vários graus de desenvolvimento e diferentes situações políticas e culturais. O aluno foi estimulado a pesquisar, produzir textos, confeccionar cartazes, folhetos, painéis, maquetes e organizar apresentações culturais relativas a cada país pesquisado. Possibilitou-se, por fim, a oportunidade de ampliar sua noção de mundo, relacionar os conteúdos estudados com a realidade ao redor e melhorar suas relações com colegas e professores através do trabalho em equipe.

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foram as seguintes: 1ºA – Austrália, 1ºB – Argentina, 1ºC – Japão, 1ºD – Colômbia, 1ºE – Espanha, 1ºF – Inglaterra, 1ºG – Índia, 2ºA – Estados Unidos, 2ºB - Angola, 2ºC – Rússia, 2ºD – Itália, 2ºE – Tailândia, 3ºA e B – França e 3ºC – Alemanha. Cada turma ficou sob a orientação de, no mínimo, um professor, aliado as professoras de Geografia, Artes Cênicas e Dança, as quais ajudaram na orientação de todas as turmas. Junto a cada turma foi desenvolvido o seguinte trabalho: os alunos foram divididos em quatro grupos, cada um desses grupos desenvolveu uma pesquisa segundo um dos quatros aspectos (históricos, culturais, geográficos e científicos/tecnológicos) que foram definidos por escolha ou sorteio. Assim, nos aspectos históricos o trabalho foi direcionado para que os alunos não deixassem de pesquisar e analisar dados e informações relativas a origem do país, os povos que influenciaram a história do mesmo, os principais fatos que marcaram a história dessa nação, o sistema político, a estrutura do sistema educacional e pessoas que tiveram grande importância na história do país. Em se tratando dos aspectos culturais, a pesquisa realizada resultou em um apanhado de informações, imagens, áudios e vídeos sobre as danças, folclore, comidas típicas, músicas, arquitetura, artesanato, artes, povos nativos e curiosidades sobre os países. Nos aspectos geográficos foram obrigatórias informações relativas ao mapa, bandeira, fronteiras do país, extensão territorial, renda per capita, densidade demográfica, economia do país, clima, hidrografia, vegetação, relevo, recursos minerais e população. Também foi obrigatória a apresentação de alguns fatos relativos à Ciência e à tecnologia, a exemplo das principais descobertas científicas e do avanços tecnológicos que ocorreram no país; o papel desempenhado pelas ciências (Física, Matemática, Biologia, Químima etc) no processo de crescimento do país; os grandes pesquisadores; principais centros de pesquisas, Universidades e Tecnopolos. As pesquisas foram realizadas no Laboratório de Informática da escola. Os alunos produziram textos que foram entregues ao professor responsável pela turma ou

à professora de Geografia, os quais fizeram correções e apontamentos sobre os textos produzidos. Durante dois meses, gradativamente, os alunos foram desenvolvendo as atividades e confeccionando os materiais necessários para a apresentação ao público. Foi realizada uma oficina sobre a confecção de maquete geomorfológica para os alunos que ficaram com os aspectos geográficos, mais especificamente os que trabalharam o relevo e a hidrografia de cada país. Nessa oficina, os alunos puderam aprender como demonstrar em 3D o relevo e a hidrografia de um determinado país ou região, utilizando mapa, folha de isopor, papel higiênico, cola branca, tinta guache, pincel, vela, clip e água. Para que os trabalhos fossem apresentados à comunidade escolar, no dia da culminância do projeto, os alunos foram orientados a elaborar cartazes, folhetos; fazer pesquisas de imagens, fotos e imprimi-las; apresentar danças típicas com pessoas vestidas com trajes típicos de cada país; apresentar vídeos e músicas sobre o tema pesquisado; demonstrar e oferecer comidas típicas para degustação; caracterizar-se de personalidades de destaque internacional. Foram promovidos vários ensaios das apresentações culturais, sob a supervisão das professoras de Dança e Artes Cênicas. Cada turma teve o direito de executar uma apresentação de dança ou encenação com duração de até 5 minutos. Algumas turmas elaboraram vestimentas ou trajes típicos para essas apresentações. Um dia antes do evento foi promovido um ensaio geral. Na semana que antecedeu a culminância ocorreu a escolha das salas de aula que foram utilizadas por cada turma; foi elaborado um cronograma das apresentações, exposto nos diversos ambientes da escola. Dois alunos de cada turma, caracterizados com vestimentas do país escolhido, saíram de sala em sala convidando os colegas para prestigiar o evento. No dia anterior à culminância, no final da tarde, os alunos tiveram acesso às salas de aulas e puderam limpálas e arrumá-las de acordo com o objetivo de cada um. No dia da culminância ocorreram apresentações culturais na quadra da escola, exposição e apresentação das pesquisas nas salas de aula.

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Cada turma elaborou um relatório, no qual consta a participação e contribuição de cada aluno na execução do trabalho, bem como a avaliação da turma em relação ao projeto. A avaliação ocorreu de forma processual, através do professor responsável pela orientação da turma e, no dia da culminância do projeto, através dos professores avaliadores. Levou-se em consideração a organização das turmas, dos grupos e dos indivíduos de cada grupo; o grau de aprofundamento e representatividade da pesquisa executada e do país pesquisado; a limpeza das salas ou ambientes durante a Feira e no final da mesma; além das observações pontuais que foram feitas pelos avaliadores e que foram anotadas na folha de avaliação.

adentrar em algumas salas era a de que realmente estávamos naquele país. Em algumas turmas, o professor coordenador praticamente não interferiu na execução do trabalho, por tamanha organização. No geral, todas as turmas souberam organizar as salas antecipadamente e, depois do evento, as mesmas ficaram limpas e arrumadas, preenchendo assim um dos requisitos do processo avaliativo do trabalho.

3. Resultados e discussão A execução desse trabalho possibilitou o envolvimento da comunidade escolar em prol de uma atividade comum. Estreitou as relações aluno-aluno, aluno-professor e professor-professor, tendo em vista que esses segmentos participaram efetivamente do projeto. Vários professores de disciplinas distintas se engajaram na orientação dos trabalhos e das turmas. Entre as disciplinas ministradas pelos professores que participaram da execução do projeto podemos citar as disciplinas de Geografia, História, Filosofia, Sociologia, Matemática, Língua Portuguesa, Educação Física, Artes, Biologia, Química e Física. O trabalho também ofereceu condições para que os alunos pudessem desenvolver a capacidade de liderar, pois em cada grupo de trabalho e em cada turma acabaram surgindo pessoas que se envolviam mais com as atividades, principalmente de pesquisa, e que acabavam sendo verdadeiros monitores do professor coordenador. Da mesma forma, outros alunos se destacaram na produção/confecção de vestimentas, maquetes (Figura 1), objetos de decoração (utilizando material reciclado) e coreografia de danças, demonstrando a capacidade que os mesmos têm de criar e inovar, além de se organizarem para que o trabalho fosse feito e apresentado da forma mais coesa possível. A sensação que sentíamos ao

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Figura 1: Maquete geomorfológica da Tailândia (Fonte: Autores)

É importante ressaltar que parte do material utilizado por algumas turmas foi reaproveitado de outros eventos realizados na escola, como caixas de papelão, rolos de papel higiênico, garrafa pet, restos de galhos de árvores (Figura 2). No final da Feira das Nações, muitos alunos guardaram esses materiais para utilizarem em outros eventos, materiais como TNT, emborrachado e isopor. Essa atitude demonstra uma consciência ambiental em relação ao reaproveitamento do material, evitando gastos extras, a retirada de mais recursos do meio ambiente e a geração de lixo.


alunos, pois a partir da ação de preparação do evento, que possibilita discussões para a tomada de decisões, eles aprendem a exercitar a convivência com as diferenças de opiniões, cujas divergências devem ser superadas em favor do bem comum.” Conclusão

Também foi constatado, através do texto escrito pelos próprios alunos, no relatório final de cada turma, que o trabalho possibilitou-lhes a ampliação dos seus conhecimentos sobre o mundo, além de fazê-los saber relacionar os conteúdos estudados, sobre os mais diversos países, com a realidade ao redor. Nesse contexto, destaca-se os registros dos alunos nos relatórios, no qual demonstram que gostaram bastante desse projeto pela organização, pela aprendizagem leve e prazerosa, empenho das turmas, criatividade dos alunos, apresentações artísticas/culturais, contato com a cultura de outros países, participação e orientação dos bolsistas do PIBID de Geografia, pela oportunidade de terem contato/ conhecerem os alunos de outros turnos de ensino, pela aproximação no relacionamento com alguns professores. Alguns fatos negativos também foram registrados nos relatórios dos alunos. Segundo eles, alguns colegas foram embora sem limpar e arrumar a sala de aula, o que significa que o trabalho de conscientização tem que ser reforçado, além da permanência do individualismo por parte de alguns alunos na hora de organizar as atividades e apresentações. Os professores também registraram suas opiniões destacando que “consideramos a Feira das Nações um evento relevante para a comunidade escolar, por entender que a mesma estimula a capacidade criativa dos alunos, a pesquisa e o trabalho em equipe, valorizando tanto a produção individual como coletiva. Acreditamos que contribui também para fortalecer a relação entre os

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Figura 2: Objetos confeccionados utilizando alguns materiais reaproveitados (Fonte: Autores)

A Feira das Nações, em sua terceira edição, é um projeto que já faz parte do calendário de eventos da escola, e de tamanha aceitação por parte da comunidade discente e docente. Com o passar das edições, foi aumentando o número de professores interessados pelo trabalho e o empenho dos alunos nas atividades propostas, o que repercutiu na melhoria da qualidade do trabalho, pois a troca de saberes entre as diversas áreas do conhecimento tende a enriquecer a visão de mundo do aluno, objeto principal desse trabalho. Acreditamos que o contato com outras culturas, entre tantas vantagens, torna o jovem mais aberto às mudanças, mais flexível, tolerante em relação às diferenças e mais maduro para encarar os desafios da vida pessoal e profissional. A expectativa é de que nas próximas edições o processo de aprendizagem, de socialização e de pertencimento em relação à comunidade escolar, se torne mais eficaz e profundo, estreitando os laços entre todos que fazem parte da unidade de ensino em prol de uma educação que valorize as diversas habilidades do aluno como um todo. Observa-se, por fim, que essa interatividade provocada pela intimidade do aluno com a nação escolhida para estudo e pesquisa se traduz como mais um estimulador atrativo no processo de ensino-aprendizagem. Referências BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. Tratado e Sociologia do conhecimento. 25ª ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1985. MEDEIROS, M. A Interdisciplinaridade na Escola. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/a-interdisciplinaridade-naescola/24165/ >. Acesso em 20 de setembro de 2017. VESENTINI, J. W. Educação e ensino de geografia: instrumento de dominação e/ou de libertação. In: CARLOS, A. F. A. A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.

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Resumo. Esse artigo tem como objetivo descrever as atividades desenvolvidas no ano letivo de 2017, período de maio a outubro, com o projeto “Minha escola sem drogas – a divulgação do saber científico no ambiente escolar”, em turmas do 9º ano, no CEPJK, em Nossa Senhora do Socorro - Sergipe. Neste trabalho interdisciplinar entre língua portuguesa e ciências, aliamos às informações científicas sobre o tema a noção de gêneros textuais e sequência didática. Produzimos, com os resultados dos debates, leituras e discussões, jornal mural, panfleto e jogo de perguntas e respostas. Proporcionamos, do mesmo modo, no ambiente escolar, o compartilhamento de informações sobre o tema através de palestra e de depoimentos de pessoas que vivenciaram o problema de conviver com a dependência química. Contribuímos, dessa forma, para a circulação e difusão de informações que atentem para o caráter nocivo das drogas. Complementando a interlocução do projeto com o pensamento científico, também recebemos, no CEPJK, a ação Ciência na Escola, da equipe Cienart. 1. Introdução Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos, mulheres e homens perceberam que era possível – depois preciso – trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar. (Freire, p.26) No processo ensino-aprendizagem, a vivência em sala de aula apresenta desafios para o educador. Nesse espaço de troca de saberes, onde o docente trafega entre o ensino, a pesquisa e a coerência entre seu fazer pedagógico e os princípios éticos que o norteiam (FREIRE, 2005), deparamo-nos, frequentemente, com o problema das drogas. A suspeita sobre o consumo das drogas lícitas e ilícitas no ambiente escolar e, possivelmente, sobre sua eventual comercialização torna-se objeto constante de

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nossas preocupações enquanto educadores. Por conta disso, urge incluirmos projetos e atividades didático-pedagógicas em nosso planejamento que visem à prevenção desse problema, pois ele atinge de forma nefasta a sociedade da qual fazemos parte. Partimos, assim, do pressuposto de que a socialização da informação científica se torna um meio eficaz de prevenção e alerta aos nossos estudantes sobre as consequências trazidas pelo uso das drogas psicotrópicas ao indivíduo. Unimos forças, assim, língua portuguesa e ciências, num trabalho com esse tema transversal. Esse, aliás, já previsto na LDB (ART. 26,§7º) é um dos meios do qual dispomos a fim de contextualizar o conteúdo programático de nossas áreas de conhecimento, aliando-o ao compromisso social. Portanto, o projeto “Minha escola sem drogas – divulgação do saber científico no espaço escolar” nasceu e se desenvolveu a partir dessa reflexão. Enquanto nas aulas de ciências os alunos apreenderam informações sobre como as drogas atuam na esfera fisiológica, nas aulas de língua portuguesa desenvolveram as habilidades de leitura e produção textual que contribuíram com o processo de levar à comunidade escolar a atenção para as consequências negativas do uso de drogas – e, nesse caso, enfatizamos os danos que as psicotrópicas trazem ao indivíduo e à sociedade. Assim, durante o ano letivo de 2017, a transversalidade nos auxiliou a trabalhar no âmbito da conscientização sobre a importância das escolhas e o quanto elas podem definir o futuro dos estudantes. 2. Materiais e Métodos O projeto Minha escola sem drogas – divulgação do saber científico no espaço escolar trouxe ao ambiente escolar um trabalho interdisciplinar entre as áreas do


conhecimento língua portuguesa e ciências, no Colégio Estadual Juscelino Kubitschek, em Nossa Senhora do Socorro, Sergipe, no período de maio a outubro do ano letivo de 2017, culminando com a apresentação dos resultados do projeto na Feira de Ciências e Artes, Cienart, São Cristóvão - UFS. Seu público-alvo foi, especificamente, as turmas dos nonos anos, abarcando, porém, toda a comunidade escolar do Juscelino Kubitschek ao promovermos o debate coletivo sobre os efeitos nocivos das drogas no organismo, dando-se ênfase aos das psicotrópicas. No primeiro semestre, fizemos a sensibilização para introduzir o tema através de apresentação de vídeos da Discovery Channel. Esses vídeos apresentaram resultados de pesquisa feita por cientistas sobre como usuários de drogas psicotrópicas realizavam determinadas tarefas sob o efeito delas em seu organismo. Pesquisas sobre o tema em revistas, internet, foram propostas para os alunos e compartilhadas oralmente pelos estudantes. Em outro momento do projeto, os alunos dos nonos anos assistiram à palestra do PROERD – programa da polícia militar dedicado à informação e prevenção contra as drogas, a partir da conscientização sobre a importância das escolhas; e, noutro, a comunidade escolar assistiu ao relato pessoal de um ex-dependente químico, o qual superou a dependência, e o depoimento de uma ex-aluna da escola, que convive com o marido dependente químico. Todos abordaram, de formas distintas, mas profundas e intensas, o papel importante das escolhas que fazemos.

A partir da teoria, de pesquisas e da orientação das professoras, os alunos participantes do projeto, dispostos em grupos, dentro da proposta, desenvolveram, em língua portuguesa, textos como jornal-mural, panfleto e letra de “rap”. De acordo com os interesses e habilidades de cada equipe, a construção textual deles se deu coletivamente, em sexto horário ou como tarefa extraclasse. Buscamos, através dessa coparticipação, incentivar os jovens a comporem gêneros textuais diversos, cujo objetivo foi a veiculação de informações que incentivassem a prevenção contra as drogas por parte dos estudantes. Já em ciências, abordaram-se os conhecimentos sobre as drogas. Os alunos confeccionaram um “quiz” de perguntas e respostas sobre como as elas atuam no organismo e as características de cada uma delas. Esse “quiz” foi apresentado na Cienart, ponto de culminância do projeto.

PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Programa da Polícia Militar) Alunos dos nonos anos – CEPJK – N. Srª do Socorro (SE), 2017.

“Quiz” com perguntas e respostas ao público visitante, produzido nas aulas de ciências, sobre como as drogas atuam no organismo; distribuição de panfleto. Cienart, UFS, São Cristóvão, 2017.

Relato sobre dependência química: a superação - convidado e alunos do CEPJK – N. Srª do Socorro (SE), 2017

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Também comprometemo-nos, junto com a escola, a sediar o projeto “Ciência na escola”, da Cienart, que visa à popularização da ciência. Durante essa ação houve, na escola CEPJK, palestras de bolsistas do Pibic Jr., de professores pesquisadores e exposição de jogos matemáticos. Embora não estivesse em nosso planejamento inicial, essa ação veio complementar e multiplicar o trabalho de divulgação científica na escola.

Exposição de jogos matemáticos. Equipe Cienart, Ciência na Escola. CEPJK, 2017.

3. Resultados e discussão 3.1 Sobre as drogas – o conhecimento científico Aluna Yasmin Santana de Andrade, bolsista do Pibic Jr. Ciência na Escola, CEPJK, 2017

Palestra da profª Mai-Ly Vanessa Almeida Saucedo Faro, “A ciência do sigilo - introdução à criptografia”. Equipe Cienart, Ciência na Escola. CEPJK, 2017.

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Droga é toda substância que provoca alterações no funcionamento do organismo. Algumas delas agem no sistema nervoso e modificam a maneira de pensar, sentir, agir. São as chamadas drogas psicotrópicas. Elas atuam nas sinapses, reforçando ou diminuindo a atuação dos neurotransmissores. Estes agem como estimuladores ou depressores no sistema nervoso. Os efeitos delas dependem das regiões do encéfalo em que atuam. Seu uso constante faz o indivíduo desenvolver tolerância a elas. Seu corpo torna-se, gradativamente, sujeito a seus efeitos. Para obter a mesma sensação, são necessárias doses mais frequentes. Existem drogas que estimulam as sinapses. Com o tempo seus neurotransmissores são insuficientes para garantir a passagem eficiente de impulsos nervosos. A droga passa a ser fundamental para a transmissão desses impulsos. Quando acontece isso, ocorre a dependência. No momento em que a droga for suspensa e o indivíduo, dependente, pode ocorrer a síndrome da abstinência com dores, cãibras, febre, calafrios, tremores, sudorese,


convulsões, vômitos, ansiedade, insônia, diarreia e, até, levar à morte. As substâncias psicotrópicas são classificadas de acordo com a sua atuação no sistema nervoso central. Existem as alucinógenas que fazem o cérebro funcionar fora do seu normal, como a maconha. Também existem as estimuladoras, como a cocaína, o crack, as anfetaminas e a nicotina, que agem no cérebro, aumentando sua atividade depressora. Os prejuízos causados pelas drogas não se limitam aos danos físicos à saúde, mas também ao desenvolvimento da personalidade, à aprendizagem, ao desempenho profissional, relacionamento com as pessoas, capacidade de enfrentar os problemas do cotidiano. Por outro lado, seu consumo e dependência atingem a família, amigos e sociedade em geral. Para deixá-la, o usuário necessita de tratamento específico.

Cartaz confeccionado pelos alunos do CEPJK para o projeto “Minha escola sem drogas”, durante as aulas de ciências. Nas estrelas, colocava-se o nome de quem deixou o vício. Nas cruzes, o nome de conhecidos/ ou pessoas públicas, mortos por causa das drogas. O cartaz não durou muito tempo exposto.

3.2 O trabalho com o gênero textual para circulação de informações científicas A prática docente em língua portuguesa requer busca constante de instrumentos que a tornem mais dinâmica. Nessa busca, o contexto social em que se insere o estudante da escola pública se tornou fio condutor de nossa atividade pedagógica. Assim como em 2016 desenvolvemos na mesma escola o projeto Cuidaids, a informação é o melhor meio de prevenir (SANTOS, 2017), buscamos usar essa experiência para

tratar de outro assunto preocupante: o uso das drogas psicotrópicas por estudantes do ensino fundamental. Este, agora, foi o mote para o estudo dos gêneros textuais na escola (DOLZ, 2004). Buscamos, através dessa prática, tornar a construção dos saberes necessários ao desenvolvimento das competências da leitura e escrita em relação aos gêneros textuais (REFERENCIAL CURRICULAR, 2011) mais próxima da realidade dos alunos. Desta forma, cumprimos também o papel de educadores ao orientálos para outra perspectiva – a da construção em relação ao tema abordado, pois muitos de nossos estudantes já convivem com o problema das drogas em seus lares. Após o momento de sensibilização em relação ao tema proposto feito com palestras, apresentação de vídeos, leitura de pesquisas e reportagens sobre o tema do projeto, debates em sala sobre as consequências negativas das drogas psicotrópicas, buscamos o gênero textual que mais cumprisse o papel de partilhar as informações entre os estudantes. Nesse momento, optamos por organizar os alunos que participariam da culminância na Cienart em grupos. Cada grupo construiu coletivamente o texto que auxiliasse na circulação das informações. É importante frisar que o desenvolvimento do projeto abarcou os alunos dos nonos anos. Entretanto, durante os trabalhos de construção de textos, cartazes e “quiz”, os participantes foram os inscritos no projeto. Porém, alguns outros espontaneamente fizeram parte como: Gilcivan R. da S. Neto, Narlane A. Silva, Paulo R. A. Souza, Kaylani L. dos Santos, Laura S. da Silva e Mª Amália dos A. Guimarães. O jornal mural cumpriu bem esse papel. Isso porque o ele, embora seja um meio de comunicação antigo, ainda é muito utilizado. Por atingir a coletividade, permite a veiculação de informações de modo rápido, além de ser de baixo custo. Com o material encontrado na escola, os alunos puderam montá-lo e fixá-lo num espaço em que havia maior circulação. Além desses aspectos positivos, o jornal mural também contribui para o meio ambiente, evitando descarte de papel. Para confeccioná-lo, os estudantes analisaram as informações recebidas através dos vídeos, palestras e debates em sala sobre o tema “Minha escola sem drogas”. No momento

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da confecção, o grupo escolheu os textos, organizaram o “layout” e a disposição deles no jornal. Esse jornal mural teve a finalidade de abordar o projeto, publicando textos em que se demonstravam as consequências negativas das drogas tanto para o indivíduo, quanto para a sociedade. Buscaram charges e entrevistas que abordavam o tema.

Confecção do jornal mural, CEPJK, 2017

Panfleto produzido pelos alunos e distribuído durante a Cienart, UFS, São Cristóvão, 2017

Era um cara novo, Jovem, com sabedoria; Se jogou na rua Com um monte de droga fria. Rua gelada e sem graça No meio dessa desgraça... Sabendo que deixou pra trás, sua família chorando em casa. Minutos atrás Ele bateu tanto na mulher, Tudo isso porque o pó Destrói até quem ele não quer.

Alunas do CEPJK ao lado do jornal-mural, de cuja confecção fizeram parte

Outro aspecto interessante surgiu durante a efetivação do projeto. Os alunos elaboraram panfletos para que fossem distribuídos durante a Cienart. Neles, trouxeram a ideia de resgatar razões pelas quais o estudante deve evitar as drogas.

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O efeito passou, A vida voltou... Como de costume, Ele pegou uma flor. (Droga de Infância – trecho da composição das alunas do CEPJK, 9º A, 2017, Kaylane Lima e Laura Soares)


Conclusão No projeto “Minha escola sem drogas”, trabalhamos os gêneros textuais jornal mural e panfleto como meio de compartilhamento das informações sobre os efeitos nocivos das psicotrópicas no organismo. Através de pesquisas e leituras ensejamos aliar ao conteúdo específico de ciências e língua portuguesa abordagens que trouxessem discussões e debates sobre as consequências negativas advindas do consumo de drogas. Nosso propósito foi de levar o estudante a refletir sobre o que o rodeia, e, quiçá, auxiliar na mudança de comportamento sobre o papel importante de suas escolhas. Dessa forma, partimos do pressuposto de que a partilha da informação científica deve ser parte intrínseca da atividade docente e deve aproximar-se da realidade do estudante. Por isso, valorizamos, durante o projeto desenvolvido, a circulação de textos e ideias que, além de propagar o saber científico, também trouxessem a experiência pessoal de quem já conviveu com o problema da dependência química. Nosso aluno teve, assim, orientação e incentivo que possam despertá-lo tanto para o interesse científico, quanto para uma perspectiva diferente em relação às drogas psicotrópicas. Seu desenvolvimento foi extremamente importante para a escola, já que trouxe reflexão sobre o tema através de debates, vídeos, palestras, textos, jogos como o “quiz” de ciências e, até, o evento “Ciência na escola”, ação que despertou o interesse científico dos alunos. Consideramos ser mais eficaz, portanto, trazer informações científicas que possam proporcionar a conscientização sobre os efeitos negativos das drogas para a sociedade, do que reprimir e/ou punir.

Referências CANTO, Eduardo Leite. Ciências naturais. 5ª ed. São Paulo: Moderna, 2015 BISCALQUINI, Hamilton. Disponível em:<https:pt.linkedin.com/ pulse/como-agem-drogas-sistema-nervoso-central-hamiltonbiscalquini-jr>. Acesso em 27/09/2017 CHANNEL, Discovery. Disponível em:< https://www.youtube.com/ watch?v=qatkbKFPfvc> . DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2005. GENANDS E NAJDER, FERNANDO. Ciências nosso corpo. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2016. GOWDAK, Demétrio e MARTINS, Eduardo. Ciências novo pensar. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2015. LDB. Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. REFERENCIAL CURRICULAR – Rede Estadual de Ensino de Sergipe. Aracaju, 2011. www.seed.se.gov.br SANTOS, Jaci dos. Cuidaids – A informação é o melhor meio de prevenir.. Revista Feira de Ciências e Cultura, vol 4/nº 6, agosto, 2017 http://www.ielgo.com.br/dados/noticia/thumb/jornal_mural.jpg Acesso: maio/2018

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Resumo. O presente artigo é resultado do trabalho coletivo de professores e alunos do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe que tiveram como foco a leitura da realidade escolar sob a ótica da sustentabilidade. As informações aqui apresentadas fazem parte da segunda etapa do Projeto “A escola que temos e a escola que queremos”, iniciada em 2016. Nessa síntese, encontram-se alguns caminhos e ações desenvolvidos pelos participantes para cobrar (Carta de reivindicação) e divulgar (com a criação do Jornal CODAP em Foco) melhorias das ações não sustentáveis identificadas no diagnóstico participativo. 1. Introdução Este trabalho apresenta o desdobramento do diagnóstico pedagógico participativo intitulado “A Escola que Temos e a Escola que Queremos” apresentado na CIENART de 2016. Nesta fase, fundamentados pelos dados sobre a (in)sustentabilidade ambiental do Colégio de Aplicação – CODAP/UFS, este texto apresenta resultados das intervenções realizadas no Colégio para mudança dos pontos críticos levantados pelos educandos. Para tanto, algumas etapas foram executadas: realização do mapeamento das características que representam o estado da sustentabilidade do CODAP; elaboração de um documento reivindicativo que apresente a situação da sustentabilidade no colégio; produção de proposta de intervenção na escola sobre os pontos críticos identificados no mapeamento; estímulo à toda comunidade escolar a conservar as características sustentáveis e modificar as não sustentáveis. A partir desse diagnóstico, foi elaborado um plano de ação que apresentou proposta de intervenção nos pontos críticos identificados. A partir da realização dessa pesquisaação (FRANCO, 2005), pretende-se estimular toda a

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comunidade escolar a conservar as características sustentáveis e modificar as não sustentáveis na Escola em foco. O que, também, favorece a formação de sujeitos e cidadãos com um olhar e atitudes diferenciadas à questão ambiental. 2. Materiais e Métodos O trabalho foi construído com a participação do alunado matriculado no sexto e no sétimo ano do ensino fundamental do CODAP e mediado pelos professores participantes, dentre eles uma professora que já realizou projeto semelhante em outra Escola Pública Estadual e, atualmente, está como técnica pedagógica do Núcleo de Educação do Campo – NECAM/SEED. Este trabalho foi resultado de um diagnóstico socioambiental participativo (DiPUC, 2002) que seguiu algumas etapas – umas já cumpridas, e outras a cumprir –, as quais foram realizadas em sala durante a aula, bem como em oficinas no contra turno, a saber: 1) diagnóstico da situação de sustentabilidade ambiental por meio de discussão participativa dos alunos do sexto ano e escolha dos conceitos e situações significativas à realidade local a serem trabalhadas posteriormente; 2) leitura, interpretação de textos e discussão relacionados à temática; 3) divisão de tarefas entre as equipes para compreender melhor os pontos positivos e negativos identificados no diagnóstico; 4) tabulação de dados e produção de texto interpretativo; 5) divisão de tarefas por equipe para divulgar os resultados encontrados; e 6) elaboração de alternativas para concretizar intervenções de mudança ambiental, com a participação de toda a comunidade escolar. A realização desse trabalho teve como embasamento conteúdos/temas interdisciplinares (Ciências, Geografia, Português, Matemática, Educação


Física e Espanhol) e o debate retroalimentava as aulas disciplinares para entender a realidade local e global sobre diversas temáticas, entre elas: ecossistema, meio ambiente, sustentabilidade, saúde integral, dinâmica da paisagem, relação homem e natureza, questão do uso da água, problemas ambientais urbanos, sociedade e indicadores sociais. Utilizou também instrumentos de sistematização e interpretação da realidade, a partir das narrativas de experiências dos educandos, leitura e interpretação de imagem e expressão, elaboração de carta argumentativa, aplicação da proporção, porcentagem, média, moda e mediana, uso de tabelas e gráficos, jogos e brincadeiras tradicionais, ritmo e expressão corporal, práticas corporais em saúde e fomento a espaços de (co)gestão. 3. Resultados e discussão Os diversos debates dentro e fora da sala criaram nos alunos ideias para divulgar, de modo criativo, possíveis ações de mudança de postura para conservação e respeito ao espaço Escolar. Do mesmo modo, se pensar em melhorias estruturantes no contexto diagnosticado. Nessa perspectiva, os alunos produziram, em duplas, uma carta reivindicativa apontando uma síntese dos resultados adquiridos, enfatizando os pontos negativos que precisavam de um apoio institucional para maior concretização. No dia 8 de março de 2017, os alunos apresentaram, oralmente, as cartas à vice-reitora e à toda comunidade escolar (Figura 1A). Dentre as principais reivindicações, tivemos: conserto dos ares-condicionados, retirada de entulho da Ala C, conserto e reposição de carteiras escolares, ampliação do número de bebedouros e conserto do telhado da quadra esportiva (Figura 1B). Algumas dessas cartas também apresentaram propostas de como resolver parte dessas situações. Após essa entrega, foi possível observar que algumas demandas começaram a ser atendidas com maior rapidez, uma vez que a gestão da escola já havia feito solicitações para que esses problemas fossem atendidos. Com o auxílio do apoio da vice-reitoria, visibilizou-se com maior agilidade essas questões, que se

tornaram prioridade também para a administração da UFS como um todo. Assim, o colégio recebeu 70 novas carteiras escolares, 1 bebedouro industrial, conserto dos bebedouros antigos, conserto da maioria dos arescondicionados e prioridade na recolha do material que se encontra na Ala C.

Além das cartas reivindicativas, tivemos a construção do Jornal Codap em Foco (on-line e impresso) para divulgação dos resultados e ações coletivas necessárias para melhorar a sustentabilidade escolar. Esse jornal, produzido pelos discentes, será distribuído na escola e divulgado no site do Colégio. Cabe destacar que o jornal escolar é um instrumento muito importante para o desenvolvimento da metodologia dos projetos didáticos para despertar a criticidade dos alunos (cf. KAUFMAN; RODRIGUEZ, 1995; BRANDÃO, 2011), assim como apregoam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998). O Jornal Codap em Foco, em sua primeira edição, tem seções de: 1) história – reportagem sobre o Centro de Memórias do CODAP e entrevista com a vicediretora sobre a gestão democrática no CODAP; 2) meio ambiente – tirinha com a temática da preservação do Figura1. A - Leitura e entrega das cartas à vice-reitora da UFS; B – Exemplo de uma das cartas lidas e entregues à vice-reitora.

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patrimônio pessoal e escolar; 3) social – HQ referente à temática bullying e entrevista sobre a formatura do ensino médio; 4) esporte – basquete no CODAP; 5) cultura e lazer - reportagem sobre o Festival Cultural do CODAP e confecção de poesias e músicas. Na figura 2, está a tirinha produzida pelos discentes; nessa, a temática selecionada foi conservação do patrimônio escolar. Essa dinâmica entre o social (a prática de referência), a escola (a prática escolar e escolarizada) e a construção do protagonismo estudantil (a prática identitária) foi de extrema importância para despertar o senso crítico dos discentes, mostrando-se protagonistas das ações de manutenção e divulgação das características sustentáveis do Colégio, além das mudanças e superação das características não sustentáveis.

Referências BRANDÃO, H. N. Gêneros do discurso na escola. São Paulo: Cortez, 2011. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998. DiPUC. Diagnóstico Participativo de Unidades de Conservação. Belo Horizonte, IEF/IBAMA. 2002. FRANCO, M.A.S. Pedagogia da pesquisa-ação. Educação e pesquisa. v. 31, n.3. SãoPaulo: set./dez. 2005, p. 483502. KAUFMAN, A. M.; RODRÍGUEZ, M. H. Escola, leitura e produção de textos. Porto Alegre: ARTMED, 1995.

Figura 2. Tirinha confeccionada por estudantes do projeto para ser exposta no jornal.

Conclusão A dinâmica de leitura da realidade escolar no contexto da sustentabilidade tem apresentado resultado significativo no campo pedagógico. Também, foi perceptível o desenvolvimento do senso crítico dos discentes, mostrando-se protagonistas das ações de manutenção e divulgação das características sustentáveis do Colégio, além das mudanças e superação das características não sustentáveis.

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Resumo. Atualmente, a distopia voltou a mexer com o imaginário mítico da sociedade, o fim da humanidade ou da sociedade tal como conhecemos surge em estórias de filmes, jogos e séries. Este estudo foi desenvolvido através do debate dessas representações da distopia. Para subsidiar análise, foi pesquisado críticas e análises dos filmes em debate, bem como a revisão bibliográfica de autores que debatem a distopia no pós guerra e no mundo atual, culminando em resultados de natureza qualitativa e quantitativa. Concluímos que na contemporaneidade vivemos o paradoxo do avanço tecnológico da sociedade e aumento do pessimismo e, consequentemente, da distopia. 1. Introdução Distopia é um termo que advém do grego antigo cujo significado está dividido em duas partes: “dis” significa dor ou dificuldade e “topos” lugar. Sendo assim a distopia é caracterizada como o inverso da utopia, retratando, na maioria das vezes, um estado de vivência ruim, de pouca esperança e, em alguns casos, pós apocalíptico. No século passado, a literatura deu espaço às histórias distópicas que fizeram grande sucesso principalmente em decorrência das perturbações do século e, consequentemente, incertezas em relação à continuidade da vida na terra (ZUBEK, 2015). O futuro da humanidade está em xeque na literatura distópica. Com o uso das armas nucleares na Segunda Guerra Mundial e os massacres em massa que a sucederam, alimentou-se o pessimismo que já vinha sendo discutido por vários filósofos a partir da observação da racionalidade instrumental que foi conhecida por teorias desenvolvidas na Escola de Frankfurt no século XX (ZUBEK, 2015). Atualmente, a distopia voltou a mexer com o

imaginário mítico da sociedade, principalmente quando se trata dos jovens. Um exemplo de como a distopia vem garantindo espaço na sociedade contemporânea é a sua aparição e preferência juvenil no que concerne às temáticas de vários filmes, como Jogos Vorazes, Divergente, V de Vingança, Matrix e Mad Max; em jogos como Resident Evil, Half-life, Final Fantasy VII e Injustice; e séries como The Walking Dead, The 100 e Black Mirror. Esse tipo de entretenimento revela a antítese da utopia ou uma utopia negativa. Em grande parte desses filmes há um líder ou comunidade totalitarista contra uma maioria oprimida pelo sistema político, realidade cada vez mais próxima da sociedade atual, sendo basicamente uma luta para revoluções comandada por revolucionários. Posto isso, o presente trabalho busca fazer um revisão de literatura acerca da distopia contemporânea que vem alimentando o pessimismo quanto o futuro da sociedade. Esse pessimismo, num primeiro momento, possui caráter aparentemente conflitante tendo em vista as evoluções evidentes feitas ao longo dos séculos (ZUBEK, 2015). 2. Materiais e Métodos A metodologia de estudo foi desenvolvida através do debate dos filmes e séries assistidos de forma individual e coletiva. Assim, para subsidiar análise, foi pesquisado críticas e análises dos filmes em debate, bem como a revisão bibliográfica de autores que debatem a distopia no pós guerra e no atual momento histórico, culminando em resultados de natureza crítica e reflexiva. A revisão bibliográfica em artigos científicos foi realizada em plataformas de dados como a BIREME, Scielo, Repositório e Google acadêmico. No ato da investigação foram utilizados como palavras chaves para a pesquisa as categorias analíticas: razão, distopia e pessimismo na

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atualidade. A seleção dos artigos ocorreu a partir dos seguintes critérios: objetividade, revisão bibliográfica e menor tempo de publicação, levando em consideração a distopia como instrumento de pesquisa. 3. Resultados e discussão O fim da Segunda Guerra Mundial culminou no avanço de teorias filosóficas representativas dos significados de ética, razão, silêncio e poder. Teóricos como Hannah Arendt afirmam que a violência expressada pelo homem em acontecimentos como a Segunda Guerra Mundial propiciou o silenciamento político. Este, por sua vez, gerou o fim do diálogo necessário para o estabelecimento da racionalidade (ZUBEK, 2015). O uso das armas nucleares foi apontado como uma amostra do fim da racionalidade que antes distinguia o homem das demais espécies. Para tanto, é necessário compreender as relações de poder que permeavam a Segunda Guerra Mundial, as quais põem em evidencia uma razão instrumental, termo usado por filósofos e pensadores da Escola de Frankfurt (nomeação dada a um grupo de estudiosos do instituto de pesquisas sociais de Frankfurt na Alemanha). Nesse instituto desenvolveramse grandes teorias filosóficas, entre elas nasceu um posicionamento quanto o real significado do termo razão (ZUBEK, 2015). Dentre os pensadores do século XX que participavam do Instituto de Frankfurt e compartilhavam do posicionamento estão Herbert Marcuse, Theodor Andorno e Walter Benjamim. Os mesmos acreditavam que o uso manipulado da racionalidade pode ser usado para o benefício em determinadas situações ou para um malefício da humanidade, como ocorreu na utilização de bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial (ROSSATTI, 2016). Partindo desse princípio, surge uma distopia da razão e da tecnologia. Distopia é um termo do antigo grego que significa um lugar ruim ou uma situação difícil, ou seja, é o inverso da utopia que trabalha sempre um otimismo de futuro próspero. Depois dos ataques da bomba de Hiroshima e Nagasaki, a evidente desvalorização do ser

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humano alimentou o pessimismo que vem se refletindo nas distopias contemporâneas (ROSSATTI, 2016). Para tanto, a crise estrutural do capitalismo alimenta a atual onda distópica, impondo a humanidade severidades que em certo momento histórico foram propagandeadas como problemas superados.

Figura 1: Destruição em Hiroshima e Nagasaki após lançamento das bombas atômicas

Essa aversão e desanimo com o futuro vêm se mostrado de várias formas, entre elas através da literatura e dos cinemas. Desde o século passado livros como “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, “1984” e “Admirável Mundo Novo”, de George Orwell, e “Não Verás País Nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão, fazem um alerta ao que antes era considerado vantajoso para sociedade como uma arma de destruição em potencial. O futuro utópico é abandonando face o pessimismo que ronda a sociedade. O capitalismo exacerbado e o desejo do poder podem ser apontados como raízes da distopia. No inverso, a utopia de uma sociedade perfeita poderia relatar em uma literatura o espírito de comunidade e crescimento múltiplo, sentimento presente em literaturas infantis que pouco tratam da realidade contemporânea e apresentam no fim da trama o vilão devidamente derrotada (SANTOS,2011). Razão, tecnologia, capitalismo e ciência. O uso de todas essas promessas futuristas segundo as distopias contemporâneas levam a creditar que o fim do ser humano ou do mundo em si será pelas nossas próprias mãos (CARVALHO ENRÍQUEZ,2015).


Figura 2: Livros Distópicos

Distopias como a série de filmes “Jogos Vorazes” e “Divergente” tratam de um regime totalitarista que não raro se vê de forma mascarada na sociedade contemporânea, o que contribui ainda mais para o sucesso dessas literaturas e aquece cada vez mais o debate filosófico sobre a vivencia atual de um mundo distópico. Desde o totalitarismo bem expressado como no caso da trilogia de “Jogos Vorazes” até a crítica da manipulação midiática em que vivemos na obra “Fahrenheit 451”, a distopia vem se mostrando muito mais que uma literatura. A leitura da distopia expõe uma previsão futurista do fracasso humano mediante seus próprios anseios (CARVALHO ENRÍQUEZ, 2015). Partindo desse princípio é possível especular possíveis causas para o pessimismo da atualidade que vem evidenciando uma distopia na atualidade. Se pensarmos

nos avanços que a sociedade conseguiu nos últimos séculos em praticamente todos os aspectos da vida, chegaremos a conclusão que a distopia contemporânea tornou-se um paradoxo. Atualmente, há mais tecnologia, mais desenvolvimento, mais perspectivas e maior divisão de poder. O que leva ao pessimismo diatópico é justamente o descontrole (ir)racional do capitalismo. O desejo de maior poder e controle da riqueza levou a destruições em massa como na Segunda Guerra Mundial. Conclusão A partir da discussão entende-se que a distopia ganhou espaço na literatura e nos cinemas ainda no século passado. e que o debate que ele proporcionou renasceu nesse século tendo em vista as décadas pessimistas que estamos vivendo, principalmente pelo reforço do imaginário mítico Revista Feira de Ciências e Cultura  |  33 


de um possível fim dos tempos, desde o ano 2000, com a espera do fim da vida na terra com data marcada, depois em 2012, 2015 e, mais recentemente, em 2017. Dessa forma, a nossa sociedade vem perdendo a capacidade de imaginar um mundo melhor, ou seja, utópico, e começa a acreditar em um futuro cada vez mais distópico. Vimos que existem vários tipos de distopia na literatura e, assim, na contemporaneidade. Foi dado o exemplo de livros que tratam de uma distopia do meio ambiente, em que a degradação da natureza pode levar a uma situação de vida humana insustentável na Terra, assim como já previram grandes cientistas; distopia da racionalidade como a relacionada com o instrumentalismo da razão da Escola de Frankfurt; distopia da ignorância, no caso de “Fahrenheit 451”; a distopia do controle da tecnologia dos aspectos mais gerais ao foro mais íntimo da vida e do subconsciente humano, processo visto na série “Black Mirror” e na obra “Laranja Mecânica”; em suma, uma distopia do capitalismo . Vivemos o paradoxo do avanço científico/ tecnológico da sociedade e aumento do pessimismo - e consequentemente da distopia. Entre os fatores que podem contribuir pra isso está o maior desenvolvimento do senso crítico que não necessariamente acaba com a esperança mais finda com algumas ilusões utópicas, crítica observada em vários filósofos ao longo de década, como no caso de Theodor Adorno e Jean Baudrillard. Referências CARVALHO ENRÍQUEZ, Igor de Razão Prática, Autoridade e Normatividade. InterSciencePlace, v. 10, n. 1, 2015. ROSSATTI, Gabriel Guedes. Hannah Arendt e a filosofia política na era atômica. Veritas (Porto Alegre), v. 61, n. 3, p. 535-552, 2016. SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. In: Para um novo senso comum: a ciência, o direito e a política na transição paradigmática. Cortez, 2011.ZUBEK, Izadora. Silêncio atômico: política, violência, exceção após Hiroshima e Nagasaki Carta Internacional, v. 10, n. 1, p. 65-82, 2015.

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Resumo. Com este trabalho, pretendemos contribuir para (res)significar a aprendizagem dos estudantes da Escola Estadual Professor José Franklin, situada em Barra dos Coqueiros, estimulando o conhecimento histórico, geográfico, socioambiental e cultural local através do turismo pedagógico, utilizando como fonte/roteiro o Rio Sergipe e como meio de transporte a embarcação Tototó. As cidades que margeiam o rio são ricas em pontos turísticos e oferecem ótimos cenários para colocar em prática tal atividade. Esses atrativos são instrumentos para o aprendizado sobre a nossa história. 1. Introdução Melhorar a aprendizagem de estudantes do ensino básico é um desafio para os professores de qualquer disciplina. Pensar novas formas de dinamizar as aulas e torná-las mais interessantes e prazerosas é sempre item na pauta do planejamento pedagógico escolar. Objetivando melhorar o processo de ensinoaprendizagem na Escola Estadual Professor José Franklin, elaboramos o Projeto intitulado “Educação Patrimonial: Conhecer e Valorizar”. Nele idealizamos a realização de atividades externas na forma de visitas/excursões como ferramentas capazes de facilitar a compreensão do aluno em relação aos conteúdos presentes nas diversas disciplinas trabalhadas em sala de aula pelos professores. A partir do conteúdo desenvolvido na disciplina História, escolhemos bens patrimoniais significativos para a comunidade e criamos a proposta das expedições pelo Rio Sergipe, utilizando a embarcação Tototó. Além disso, pensamos em trabalhar de forma interdisciplinar conteúdos das disciplinas Língua Portuguesa e Inglesa, Geografia, Ciências e História.

2. Metodologia A partir das aulas sobre patrimônio histórico e cultural, propomos aos alunos do Ensino Fundamental e Médio a realização de pesquisas sobre os bens patrimoniais do município de Barra dos Coqueiros e eles nos apontaram, entre os resultados do trabalho, principalmente a Tototó e o Rio Sergipe. Descobriram que ambos os bens são tombados pelo Governo Estadual. O trecho do Rio Sergipe entre os municípios de Barra dos Coqueiros e Aracaju, através da Lei n. 2.825 de 1990, como Paisagem natural notável e área especial de proteção ambiental e a embarcação Tototó, através da Lei n. 7.320 de 30 de abril de 2011. Iniciamos a pesquisa bibliográfica sobre o tema e descobrimos uma boa oportunidade de inovar no planejamento pedagógico inserindo como metodologia para facilitar a aprendizagem, o turismo pedagógico. Objetivando descobrir se seria viável utilizar esse recurso, aplicamos, para alunos do Ensino Fundamental, Médio, Professores e Coordenação pedagógica do turno vespertino da Escola Estadual Professor José Franklin, um questionário para avaliar se havia interesse por parte desses grupos em realizar atividades fora da escola que auxiliassem na promoção da aprendizagem. As respostas foram positivas. Os grupos acreditavam que atividades externas seriam uma boa oportunidade para aprender mais. Com a informação em mãos, elaboramos então, dentro da proposta do projeto “Educação Patrimonial: Conhecer e Valorizar” as expedições de Tototó pelo Rio Sergipe com o objetivo de levar os alunos em aulas passeio para locais que guardassem a memória e a cultura sergipana, bem como seu patrimônio natural, explorando lugares além da travessia Aracaju-Barra dos Coqueiros-Aracaju.

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3. Resultado e Discussão Nas reuniões para o planejamento do ano letivo de 2017, nas quais estavam presentes o corpo docente e a coordenação pedagógica, apresentamos um rascunho do projeto de educação patrimonial e, a partir daí, planejamos aulas expositivas e atividades didáticas para alunos do Ensino Fundamental e Médio que pudessem ser ampliadas e desenvolvidas utilizando roteiros turísticos pelo rio. Tudo isso com o sentido de promover a aprendizagem dos conteúdos trabalhados em sala de aula nas disciplinas envolvidas, relacionandoos com a prática. Optamos por usar o aparelho celular como recurso de pesquisa em função das diversas possibilidades informativas oferecidas por esse meio digital e pelo fato da escola disponibilizar o acesso à rede WI-FI para os alunos. Os professores prepararam aulas expositivas específicas, abordando os temas: Patrimônio histórico, cultural e natural; História e Geografia de Sergipe (Barra dos Coqueiros e Aracaju); Bacias hidrográficas; Bacia hidrográfica do Rio Sergipe e sua importância para os sergipanos; e História da Barra dos Coqueiros e Aracaju. Foram apontadas também as dificuldades para realizar efetivamente tal atividade. A principal questão apontada foi a financeira, diante da situação de carência do alunado. Passamos, então, a realizar atividades como bazares e rifas, com doações feitas pelos professores, para arrecadar fundos capazes de cobrir as despesas com o projeto, como aluguel da embarcação, almoço, camisas e produção de materiais, frutos da pesquisa. Acessamos as Associações envolvidas com o turismo e com a atividade canoeira para verificar se já existia alguma proposta pedagógica planejada de atividade de turismo pelo rio para estudantes. Como não encontramos, utilizamos a proposta dos roteiros turísticos para as embarcações tototós pelo estuário do Rio Sergipe propostos no Caderno Virtual de Turismo, publicado em agosto de 2016. Escolhemos iniciar as atividades de expedição a

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partir do roteiro “Ilha da Tartaruga”. Planejamos quatro expedições. Realizamos a primeira em agosto de 2017. 3.1 A expedição Partimos do atracadouro das Tototós na Barra dos Coqueiros e seguimos em direção à Ilha da Tartaruga fazendo algumas paradas no percurso para abordar aspectos históricos, geográficos e naturais da região. Tivemos a oportunidade de conhecer áreas como a “Boca da mangaba”, Vela do navio e Salinas. Na “Boca da mangaba” foi possível observar características da vegetação e do rio, circular pelo leito do rio no período da vazante e experimentar a maneira como as marisqueiras catam o “massunin”, espécie de marisco muito apreciado pela comunidade. Foi o local do primeiro banho. Seguimos viagem até a Vela do navio, onde encontramos um paredão de areia bem branca com cerca de 10 metros de altura, lembra uma grande vela de navio. Local interessante para usar na prática do sky com pequenas pranchas ou descer rolando mesmo. Caminhamos até um local denominado poço das virgens, pequena lagoa onde a água é bastante vermelha. Ótima oportunidade para planejar aulas de geografia e ciências. Foi o local do segundo banho. Retornamos ao barco para ir à Ilha da tartaruga, lugar muito pitoresco. Conhecemos o Restaurante Preto e Preta e a figura muito simpática do dono do restaurante. Pausamos para o lanche e para realizar as entrevistas com os canoeiros e o dono do restaurante. Durante todo o percurso, os alunos se mostraram muito interessados em tudo. Ficaram encantados com o lugar que, até então, não imaginavam que existia na cidade onde residiam. Fizeram muitas perguntas, principalmente à professora de geografia. Os professores também registraram tudo para elaborar as atividades que serão inseridas no planejamento pedagógico das disciplinas. No retorno, fizemos uma parada na área da Salinas e tivemos a oportunidade de ver paredões de sal que se formados há décadas. Não se faz mais a produção


de sal no local, mas a extração acontece regularmente e, em virtude da quantidade acumulada do produto, ainda ocorrerá por vários anos. 3.2 A avaliação De volta à sala de aula, aplicamos questionário de avaliação da expedição aos alunos, abordando desde as condições da embarcação até as informações que foram apresentadas pelos professores e pelos próprios canoeiros e pessoas com quem conversamos nos locais nos quais fizemos paradas. Nas narrativas sobre a expedição, eles colocaram que nunca pensaram fazer um passeio como este e que nem sequer imaginavam que os locais visitados existiam. A divulgação das fotos e as histórias contadas sobre os acontecimentos durante a visita se espalharam pela escola e em pouco tempo muitos já queriam informações sobre o próximo momento, se alunos de qualquer ano poderiam participar, como poderiam fazer para ir no próximo barco. Os professores fizeram um momento de avaliação também, observaram que a riqueza do lugar permite elaborar um planejamento diversificado com várias abordagens e conteúdos que podem ser trabalhados em todas as séries. Conclusão De acordo com Perinotto “Aprender a história do patrimônio local é uma tarefa a ser cumprida pela comunidade, através da escola, de atividades socioculturais e também dentro da própria família, repassada de geração para geração. Trata-se de promover o reconhecimento da população local enquanto parte produtora e transformadora da sua história formalmente por intermédio das escolas ou informalmente por intermédio do lazer.” (2012, p. 91) Percebemos, ao passar pelas ruas da frente, tanto no município da Barra dos Coqueiros quanto em Aracaju, que sempre há algum Tototó navegando pelo rio Sergipe. A partir dessa percepção, começamos a viajar com a ideia

de utilizar esses dois patrimônios culturais dos sergipanos, bastante significativos para as comunidades a quem pertencem, como recurso pedagógico para ampliar o conhecimento dos discentes através de excursões didáticas. Já na primeira expedição realizada, foi possível observar uma mudança no comportamento dos alunos. Aqueles mais tímidos, que sequer participavam das aulas, passaram a interagir mais com a turma e com os professores. Nos momentos em que começamos a delinear as atividades do projeto, durante as aulas, vários estudantes disseram ter relação de parentesco com alguns canoeiros e informaram que gostariam de inserir o avô ou o tio nas atividades do projeto. Nas entrevistas realizadas com os canoeiros, percebemos o interesse deles em trabalhar com o turismo como alternativa para melhorar a renda das famílias pois, após a construção da ponte construtor João Alves, a atividade com o transporte de passageiros caiu bastante. Essa situação também foi percebida pelos estudantes que se mostraram dispostos a construir, junto com os professores, um roteiro especial para promover a aprendizagem de forma interdisciplinar que englobasse, inclusive, o alunado de qualquer escola. Até a realização da próxima expedição em novembro de 2017, esperamos oferecer aos canoeiros uma proposta de roteiro pedagógico tendo como base a experiência anterior e, além disso, pretendemos auxiliálos na venda de um passeio para alunos do 9° ano do Ensino Fundamental. Referências DOS SANTOS, G. N.; ARAGÃO, I. R.; SOUZA, A. M. B. Patrimônio Cultural Naval e Proposta de Roteiros Turísticos para as Embarcações Tototós pelo estuário do Rio Sergipe. Caderno Virtual de Turismo. Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 93-110, ago. 2016. GOMES, D.S.; MOTA, K.M.; PERINOTTO, A. R. C. Turismo pedagógico como ferramenta de educação patrimonial: a visão dos professores de História em um colégio estadual de Parnaíba. Turismo e Sociedade. Curitiba, v. 5, n. 1, 2012. P. 82-103. MARTINS, L. A. V.; NETO, F. R. A. O Turismo Pedagógico como Dinamizador do Processo Ensino Aprendizagem no PROEJA. Revista Educere Et Educare. Vol. 8 n. 16 jul/dez. 2013. P. 455-468. OLIVEIRA, Leandro Sousa de. De Palmeiras a Rios: Aspectos do Tombamento de Bens Naturais em Sergipe 1979-2001. Disponível em: https:// simposioregionalvozesalternativas.files.wordpress.com/2012/11/leandrosouzatrabalho-completo.pdf. Acesso em 01/09/2017.

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Resumo: A cultura literária nordestina, especificamente a Literatura de Cordel, foi a inspiração para o desenvolvimento do projeto “Teatralizando o Cordel”. O projeto culminou na apresentação da peça “O casamento de Zé da Lasca com Maria Banda Mole” executada pelos alunos do terceiro ano do Colégio Estadual Professor Gonçalo Rollemberg Leite em Aracaju– SE. Objetivando o protagonismo dos discentes e o enaltecimento da cultura popular nordestina, os alunos participaram de todas as etapas para a construção de um espetáculo teatral, desde a produção cenográfica à atuação. O resultado foi uma apresentação fiel à cultura nordestina. A metodologia adotada neste trabalho foi composta por pesquisa bibliográfica, análise de textos dos livretos de cordel e análise de filmes que exploram o gênero. Tendo como inspiração a temática do casamento caipira, o texto foi escrito com base nos versos do cordel preservando a originalidade e evidenciando a raiz nordestina. Os resultados obtidos a partir do debate e problematização da peça teatral levam à conclusão que a arte da dramaturgia ultrapassa os limites do espaço cênico. O teatro está na

Imagem 1. Mosaico da apresentação teatral na escola 2017 (Fonte: acervo escolar.)

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escola e é uma estratégia pedagógica capaz de modificar o pensamento humano e promover o protagonismo do aluno, enaltecimento da sua cultura e identidade social.

Imagem 2. Apresentação teatral na CIENART 2017. (Fonte: acervo escolar.)

Imagem 3. Apresentação teatral na CIENART 2017. (Fonte: acervo escolar.)


Resumo: O referido trabalho apresenta a continuação do desenvolvimento paisagístico e da horta orgânica feita pelos alunos no Colégio Estadual Professor Genaro Dantas Silva com a inclusão dos estudantes da educação especial. Para isso, os alunos mantiveram-se aprimorando o jardim e a horta, reutilizando também materiais recicláveis. Assim, além cultivarem hortaliças para a merenda escolar e aprofundarem conteúdos nas áreas de Artes e Ciências, como paisagismo sustentável, design, proporção e pintura, ecologia, sustentabilidade, alimentação saudável, desenvolvimento vegetal, polinização e ciclo de vida dos insetos, os discentes prosseguiram sua relação harmoniosa com a escola e seu meio.

a construção da horta na escola, torna-se possível desenvolver, dinamizar, acompanhar e avaliar ações destinadas à educação, por meio da oferta de recursos para conteúdos de ensino que resultem na promoção de atitudes dos alunos em relação aos hábitos alimentares saudáveis (ROCHA et al, 2013). Ademais, as atividades em questão objetivam o oferecimento das hortaliças na merenda escolar, a cidadania, a interdisciplinaridade e a aprendizagem de importantes conteúdos curriculares na disciplina Artes como paisagismo, proporção, design e pintura; na matéria Ciências, alimentação saudável, desenvolvimento vegetal, ciclo biológico de artrópodes, polinização, ecologia e sustentabilidade.

1. Introdução

2. Materiais e métodos

A escola é um local importante na formação de indivíduos responsáveis e capazes de colaborar e tomar decisões acerca de questões sociais, restabelecendo suas relações com o ambiente onde vivem (SILVEIRAFILHO et al, 2011). No entanto, os colégios públicos são entregues de forma padronizada, com construções pouco atrativas que não facilitam – ou até mesmo dificultam – a interação dos educandos com seu meio, além do mal aproveitamento de seu espaço interno. Tendo em vista essa realidade ainda observada no atual Colégio Estadual Professor Genaro Dantas Silva, percebeu-se a necessidade de continuar este trabalho a partir do projeto “Florescendo a Escola: Paisagismo e Sustentabilidade no Ambiente Escolar” apresentado na CIENART 2016 e remodelar visualmente as áreas não utilizadas da referida escola com um paisagismo sustentável, tornando o ambiente escolar mais “vivo”, além de melhorar a horta orgânica a partir do plantio, colheita e replantio de novas culturas. Com

Inicialmente, foram estudadas ideias para a melhoria do jardim e da horta orgânica, em seguida, os alunos do ensino fundamental, médio e, dessa vez, incluindo os discentes da educação especial, recomeçaram a limpeza das áreas verdes com o objetivo de otimizá-las (FIGURAS 1). Após isso, reiniciou-se, no mês de abril do corrente ano, a semeadura de hortaliças como cenoura, tomate, couve, coentro, pimentão, cebolinha, etc. nos fundos do colégio (FIGURA 2). Outrossim, ocorreu a implantação de mudas trazidas pelos próprios discentes e, nos meses que se seguiram, os alunos, organizados em escalas, ampliaram a área da horta e se mantiveram cuidando das culturas plantadas, colhendo e replantando novas hortaliças, além de serem colocadas também telas de proteção contra a radiação solar em parte de sua extensão.

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Figura 1. Alunos limpando a parte central do colégio

Figura 2. Reinício do plantio de novas culturas Fonte: autoria própria

3. Resultados e discussão

3.2 Colheita de hortaliças Como recompensa pelo intenso trabalho feito por alunos, professores e voluntários, conseguiu-se uma produtividade muito maior do que a alcançada no ano anterior. Colheram-se alface, cenoura, cebolinha, couve, pimentão, beterraba, feijão, repolho e coentro orgânicos que, por sua vez, foram deixados na cantina do colégio para a merenda escolar ou diretamente oferecidos aos próprios estudantes. (FIGURA 3 e FIGURA 4). Tudo isso foi possível graças à ampliação da área da horta e ao plantio na época das chuvas, o que minimizou problemas provenientes da falta de água.

Figura 3. Couve, pimentão e tomate colhidos na horta (Fonte: autoria própria).

3.1. Paisagismo sustentável Neste ano, os educandos ampliaram o plantio de vegetais ornamentais, prosseguindo-o com o reaproveitamento de garrafas pet e suas tampas, abridores de latinhas, entre outros. As garrafas foram usadas no cultivo de mudas a fim de, posteriormente, serem reaproveitadas no jardim e na confecção de cercas para canteiros; já as tampas e os abridores foram pintados e utilizados na confecção de enfeites e vasos para plantas. Logo após, discutiu-se em sala de aula sobre a importância da reutilização de materiais recicláveis. Tudo isso, além de proporcionar o aprendizado sobre pintura, paisagismo e design, fez suscitar nos alunos a consciência ecológica pelo reaproveitamento dos objetos acima mencionados. 40 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 4. Hortaliças colhidas usadas na merenda escolar (Fonte: autoria própria).


3.3 Alunos da educação especial Diferentemente do ano anterior, foram incluídos agora os discentes da educação especial que, auxiliados pelos professores, trabalharam no preparo do solo, plantio e rega das plantas. Dessa maneira, estes discentes desenvolveram aptidões como o trabalho em equipe, eficiência, disciplina, além de ampliarem suas capacidades cognitivas oriundas do conhecimento sobre solo e as plantas objeto de tais atividades (FIGURA 5).

3.4 Laboratório vivo para as aulas de Ciências As atividades paisagísticas com materiais recicláveis e a horta orgânica proveram novos recursos didáticos, como plantas vivas de diferentes espécies, insetos polinizadores e até mesmo as pragas nas plantações tiveram sua utilidade, o que permitiu ao professor de Ciências explorar assuntos como ciclo de vida de insetos, agentes polinizadores e sua importância, nutrição e alimentação saudável, ecologia, solo, progresso sustentável, crescimento e desenvolvimento vegetais. Inicialmente, foram ministradas aulas de campo sobre os referidos assuntos (FIGURA 6). Em seguida, tais conteúdos foram aprofundados em sala de aula e, após isso, os discentes fizeram exercícios para fixação da aprendizagem, sendo avaliados e corrigidos. Dessa forma, foi constatada uma maior assimilação dos conhecimentos transmitidos.

Figura 6. Aula sobre solo, plantas, nutrição e ecologia, na horta (Fonte: autoria própria)

3.5 Vivência e troca de experiências

Figura 5. Alunos da educação especial trabalhando na horta, auxiliados pelo professor (Fonte: autoria própria).

Mais uma vez, os discentes trouxeram muito de sua vivência para as atividades realizadas, pois grande parcela deles está ligada à agropecuária e mostraram conhecimentos importantes na execução das tarefas. Neste ano, graças ao recebimento de recursos, foram compradas sementes, pás, enxadas, entre outros, e outra parte desses materiais permaneceu fornecida pelos educandos e seus familiares. Aliás, no corrente ano, houve uma maior colaboração dos próprios alunos, o

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que diminuiu a dependência de auxílio externo. Ainda assim, recebemos no início dos afazeres, o indispensável suporte técnico de ex-alunos do colégio, graduandos em engenharia agronômica. Conclusão O trabalho em questão surgiu da necessidade de aprimorar a parte visual e a horta, já iniciadas a partir do projeto anterior no referido colégio. Partindo dessa premissa, foram reiniciados intensos afazeres, cujos frutos colhidos refletiram em uma escola mais colorida, viva e ecologicamente consciente. Além do mais, as atividades com produtos descartáveis no jardim e o aumento da produtividade agrícola geraram novos recursos pedagógicos que permitiram ao professor ministrar aulas de forma mais dinâmica. Todavia, apesar do incremento de alunos nos referidos serviços, apenas uma parte daqueles e um número mínimo de docentes ainda estão engajados. Portanto, vale lembrar a necessidade da criação de estratégias no sentido de potencializar o apoio de todos os envolvidos na escola. Ainda assim, os alunos evoluíram na sua relação com o ambiente escolar, progredindo, consideravelmente, no que diz respeito à sua prática imediata de cidadania e sustentabilidade, dando passos largos para a criação definitiva de uma escola sustentável. Referências SILVEIRA-FILHO, José; SILVA, A. R. F.; OLIVEIRA, A. L.T.; BARROS, J. M. V.; PINHEIRO, J. V.; SEGUNDO,V. C. V. A horta orgânica escolar como alternativa de educação ambiental e de consumo de alimentos saudáveis para alunos das escolas municipais de Fortaleza, Ceará, Brasil. Disponível em: http://aba-agroecologia.org.br/revistas/index.php/cad/ article/view/11293. Acesso em: 21/08/2017. ROCHA, A.G.S.; AMORIM, A.L.P.S.; SANTOS, A. T.; SANTOS, E. M.; CAVALCANTI, G. M. D. A IMPORTÂNCIA DA HORTA ESCOLAR PARA O ENSINO/ APRENDIZAGEM DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL. Disponível em: http://www.eventosufrpe.com.br/2013/ cd/resumos/R0272-2.pdf. Acesso em: 21/08/2017.

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Resumo. O alto nível mundial de produção e uso de corantes geram águas residuais coloridas, que causam preocupação ambiental. Dentre as opções de tratamento, a adsorção parece ter um potencial considerável para a remoção de cor dos efluentes industriais. Nos últimos anos, os adsorventes que contêm polímeros naturais e biopolímeros receberam grande atenção para a remoção de contaminantes orgânicos e inorgânicos da água. O bagaço de cana-de-açúcar é um resíduo agroindustrial produzido em indústrias de açúcar e álcool. Neste trabalho é apresentado o estudo da eficiência de remoção do corante têxtil Amarelo de Remazol pelo bagaço de cana. 1. Introdução Os corantes sintéticos são amplamente utilizados nas indústrias têxteis, porém os resíduos de tintas são prejudiciais e cancerígenos, causando um perigo para os organismos aquáticos vivos. Muitas tecnologias de tratamento convencional, como coagulação química, adsorção de carbono e processos de fotodegradação para a remoção de corantes, são apresentados na literatura (LIN e LIN, 1993). As águas residuais contendo corantes são difíceis de remover devido às suas propriedades inertes. Outra dificuldade surge durante a remoção de corantes pela presença de quantidade mínima de suas moléculas em águas residuais. Os altos custos envolvidos na remoção de vestígios de impurezas tornam os métodos convencionais de remoção de corantes impopulares para serem aplicados em grande escala. Entre as inúmeras técnicas de remoção, a adsorção é o procedimento de escolha e dá os melhores resultados, pois pode ser usado para remover diferentes tipos de materiais colorantes (SHAJAHAN et al, 2017). Vários resíduos são obtidos no processo de moagem da cana-de-açúcar, incluindo o bagaço que é o

resíduo deixado depois de esmagar os talos da cana-deaçúcar para extração do suco rico em sacarose. Ao longo dos anos, uma grande quantidade de bagaço se acumulou devido à expansão das culturas de cana-de-açúcar. Assim, esse resíduo é uma alternativa adequada e economicamente atraente para a remoção de efluentes e tintas têxteis. Recentemente, mais atenção foi dada ao bioadsorvente, especialmente os resíduos agrícolas, como o bagaço de cana-de-açúcar. Esse material consiste em celulose (50%), polioses (27%) e lignina (23%) (TAHIR et al, 2016). O presente trabalho demonstra a remoção do corante têxtil Amarelo de Remazol pela utilização do bioadsorvente bagaço de cana a partir de soluções aquosas. A influência de alguns parâmetros na adsorção, tais como pH, tempo de contato, agitação e temperatura na remoção foram estudados. 2. Materiais e Métodos O bagaço de cana foi coletado na cidade de Areia de Branca/SE, lavado com água, seco ao ar e triturado com auxílio de um liquidificador. O corante Amarelo de Remazol foi cedido pela Indústria Têxtil Santista (Sergipe). Para o estudo da influência do pH na remoção, foram utilizadas soluções aquosas de NaOH (0,1 mol L-1) e HCl (0,1 mol L-1) para ajuste de pH do meio aquoso. Os experimentos de adsorção foram realizados em três temperaturas distintas, 25, 40 e 50 °C, utilizando soluções do corante com concentração inicial de 50 mg L-1. Em cada ensaio, 0,4 g do bagaço de cana foram adicionados a 100 mL da solução do corante em recipientes de 200 mL, com ou sem agitação na temperatura determinada. A concentração do corante foi determinada medindo absorbância a 414 nm em um espectrofotômetro Varian Cary 100 Scan. Essa parte do

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trabalho foi realizada no Laboratório de Nanomateriais e Corrosão da Universidade Federal de Sergipe. A porcentagem de remoção do corante Amarelo de Remazol foi determinada com a seguinte equação (TAHIR et al, 2016): Em que C0 e Ct são concentração inicial e em determinado tempo (mg L-1), respectivamente.

3. Resultados e discussão O presente estudo foi desenvolvido por alunos bolsistas e voluntários PIBIC JR dos 2° e 3° Anos do Ensino Médio do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo, localizado em Areia Branca/SE. O bagaço de cana-de-açúcar foi testado como adsorvente in natura para o corante amarelo de Remazol. Para os testes de remoção, as seguintes condições experimentais foram avaliadas: pH da solução, tempo de contato, agitação e temperatura. O efeito do pH na adsorção do corante foi investigado a 25 °C com concentração inicial de 50 mg L-1 (Figura 1).

encontrado 5,0 (ZHANG et al, 2013). Nesse valor de pH, o material tem carga zero. Acima do pH 5, o bagaço estará carregado negativamente. Enquanto que, com pH inferior a 5, o bagaço estará carregado positivamente. O corante Amarelo de Remazol é aniônico. Dessa forma, quando o pH decresce de 10 para 2, a porcentagem de remoção do corante aumenta de 56% para 89%. Esse resultado pode ser atribuído à diminuição das atrações eletrostáticas entre o corante e o bagaço de cana. Esse material contém, principalmente, grupos carboxílicos e hidroxilas, e sua carga superficial terá dependência das propriedades da solução (ZHANG et al, 2013). Experiências para investigar o efeito do tempo de contato na adsorção do corante Amarelo de Remazol no bagaço de cana foram realizadas para determinar o tempo de equilíbrio de adsorção. Esses ensaios foram realizados com concentração inicial de 50 mg L-1 do corante a um pH 2, temperatura 25 °C. Como pode ser verificado na figura 2, a porcentagem de remoção aumenta, atingindo um valor máximo com o aumento do tempo de contato, após 360 minutos. Como resultados, esse tempo foi fixado como tempo de contato em equilíbrio. Esse tempo foi utilizado nos ensaios posteriores.

Figura 2. Efeito do tempo de contato na adsorção do corante Amarelo de Remazol em bagaço de cana. Figura 1. Efeito do pH da solução aquosa na remoção do corante Amarelo de Remazol pelo bagaço de cana.

De acordo com a literatura, o ponto de carga zero (pHPZC) do bagaço de cana-de-açúcar foi

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A adsorção do corante foi avaliada com e sem agitação da solução. Os resultados apresentaram que a porcentagem de remoção do Amarelo de Remazol aumenta de 88% para 98% com a agitação (figura 3). A agitação da solução favoreceu o processo de adsorção, pois há uma


possibilidade maior de interação das moléculas do corante com o adsorvente devido ao movimento do sistema.

o aumento da temperatura, diminui as forças adsortivas entre as espécies do corante e os sítios ativos na superfície do bagaço de cana, resultando na diminuição da quantidade adsorvida de Amarelo de Remazol. Esse comportamento sugere que o processo de adsorção é de natureza exotérmica e que os valores da entalpia serão negativos (ZAHEER et al, 2014). Conclusão

Figura 3. Efeito da agitação na adsorção do corante Amarelo de Remazol em bagaço de cana.

A figura 4 apresenta o efeito de diferentes temperaturas na adsorção. Para esse ensaio, foram utilizadas soluções do Amarelo de Remazol 50mg L-1, pH 2, sem agitação.

O bagaço de cana in natura foi avaliado na adsorção do corante Amarelo de Remazol. Esse material demonstrou ser eficiente na remoção do corante em soluções aquosas. A natureza da adsorção sugerida foi exotérmica. Na otimização do processo, a porcentagem de remoção alcançou valores maiores com: pH 2, tempo de contato 360 minutos, temperatura 25 °C e com agitação. Nessas condições, a porcentagem de remoção 98% foi conseguida. Os resultados sugerem que o bioadsorvente tem potencial para a remoção do corante Amarelo de Remazol de águas residuais provenientes das indústrias têxteis. Referências

Figura 4. Efeito da temperatura na adsorção do corante Amarelo de Remazol em bagaço de cana.

A temperatura é conhecida por desempenhar um papel importante na capacidade de adsorção de corantes por diferentes bioadsorventes. A porcentagem de remoção do corante pelo bagaço de cana diminuiu de 88% para 78% com o aumento da temperatura. Com

LIN, S. H.; LIN, C. M. Treatment of textile waste effluents by Ozonation and Chemical Coagulation. Water Research, 27, 12, 1993. SHAJAHAN, A.; SHANKAR, S.; SATHIYASEELAN, A.; et al. Comparative studies of chitosan and its nanoparticles for the adsorption efficiency of various dyes. International Journal of Biological Macromolecules, 104, Part B, 2017. TAHIR, H.; SULTAN, M.; AKHTAR, N.; HAMEED, U.; ABID, T. Application of natural and modified sugar cane bagasse for the removal of dye from aqueous solution. Journal of Saudi Chemical Society, 20, 2016. ZAHEER, S.; BHATTI, H. N.; SADAF, S.; SAFA, Y. Biosorption characteristics of sugarcane bagasse for the removal of Foron Blue E-BL dye from aqueous solutions. Journal of Animal & Plant Sciences, 24, 1, 2014. ZHANG, Z.; HARA, I. M. O.; KENT, G. A.; DOHERTY, W. O. S. Comparative study on adsorption of two cationic dyes by milled sugarcane bagasse. Industrial Crops and Products, 42, 2013.

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Resumo. A tradição e a cultura do plantio do milho, bem como a química envolvida na preparação e composição dos principais pratos típicos tendo como ingrediente principal o “milho”, podem ser utilizadas como estratégia didática para promover uma abordagem contextualizada e interdisciplinar da Química e da História. Assim, buscando uma aprendizagem significativa, utilizou-se a temática “CUSCUZ COM LEITE” no trabalho de pesquisa realizado por estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Dr. Antônio Garcia Filho, em Umbaúba/SE, com o objetivo de identificar as funções orgânicas, fazendo um levantamento da composição química nos pratos típicos à base de milho consumidos na cidade. 1. Introdução O currículo escolar, em sua maior parte, não privilegia e não valoriza os saberes que não sejam validados pela ciência. Gondim (2008) compreende que o ser humano constitui-se a partir de uma diversidade de saberes e, dentre eles, os saberes populares, tão presentes na cultura de nosso país, são desconsiderados em nossas escolas. Contudo, percebe-se a importância do resgate dos saberes populares na construção do conhecimento científico. Chassot (2008) reforça que valorizar o saber popular é envolver a comunidade e o estudante na construção do conhecimento, apresentando os conteúdos formais do currículo de maneira contextualizada e, portanto, mais atrativa. A agricultura de subsistência, caracterizada pela utilização de métodos tradicionais de cultivo do milho, realizada pelas famílias da cidade de Umbaúba, serviu de base para o desenvolvimento desse projeto pedagógico que ressalta também a função da escola em valorizar o saber popular, próprio da comunidade de Umbaúba/

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SE, onde a escola está inserida, a partir de uma pequena pesquisa etnográfica realizada pelos alunos do C. E. Dr. Antônio Garcia Filho em torno da tradição e da cultura do plantio do milho, passando pelo conhecimento e produção dos pratos mais consumidos no município tendo como ingrediente principal o “milho”, listando os ingredientes mais utilizados na confecção dessas iguarias para posterior identificação das funções orgânicas presentes nas moléculas desses ingredientes. O objetivo deste trabalho é identificar as funções orgânicas nas moléculas presentes nos ingredientes dos pratos típicos à base de milho consumidos no município de Umbaúba, partindo de uma pequena pesquisa etnográfica realizada pelos alunos para compreender a relação e a tradição entre o agricultor de subsistência de Umbaúba e a produção agrícola do milho. 2. Materiais e Métodos A metodologia abordada neste trabalho foi a contextualização e a interdisciplinarização dos conteúdos de Química e História por meio do tema gerador “CUSCUZ COM LEITE”, aplicado aos alunos das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do C. E. Dr. Antônio Garcia Filho, escola da rede pública de ensino, no município de Umbaúba, Estado de Sergipe, contribuindo para a construção do conhecimento. A atividade inicial foi um levantamento etnográfico realizado por meio de conversas informais com os parentes mais velhos dos alunos envolvidos no projeto. Essas conversas foram orientadas pela professora de História, que instigou os alunos a procurarem os parentes mais idosos e coletar as respostas da conversa. A partir dessas conversas, foram obtidas informações sobre a tradição em volta da produção agrícola do milho na


cidade, tais como: dia do início do plantio e sua relação com santos católicos, tempo de colheita e profetas da chuva consultados pelos moradores da cidade. O conhecimento da tradição e da cultura em torno do milho incentivou os alunos a fazerem sua própria plantação. Assim, com a ajuda dos pais, fizeram o plantio do milho de acordo com os conhecimentos adquiridos pelos mais velhos. Posteriormente, os alunos fizeram uma pesquisa de campo para identificar os principais pratos consumidos na cidade, cujo ingrediente principal é o milho. Com essas informações, os alunos puderam listar as receitas dessas iguarias e fizeram pesquisas em sites e artigos acadêmicos para identificar as moléculas e funções orgânicas presentes nas estruturas químicas dos principais ingredientes das receitas. As receitas serviram para a confecção de um livreto com o modo de preparo das iguarias. A pesquisa de campo foi realizada por meio de excursões à cidade e aos povoados de Umbaúba entre fevereiro e maio de 2017. A culminância da pesquisa foi uma tarde de degustação dos pratos listados, em que os alunos tiveram a oportunidade de expor e explicar tudo que aprenderam durante a execução deste trabalho. Logo após esse momento, foi possível fazer uma avaliação com os alunos de todo o processo de aprendizagem obtido com o projeto com a aplicação de um exercício avaliativo. 3. Resultados e Discussão

memorização de fórmulas são as formas com as quais os alunos estão acostumados. Sendo assim, os discentes são agentes passivos que não estão habituados a nenhuma forma de manifestação. Para os alunos, os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas da sua vivência e de sua realidade social. Tal reflexão apontou a contextualização do cotidiano como ponto de partida para o ensino de Química Orgânica e para a interdisciplinaridade entre Química e História a fim de aproximar as crianças da cultura e da tradição de sua cidade. Sendo assim, foi pensado na temática “CUSCUZ COM LEITE” como eixo norteador para as aulas de funções orgânicas, aproximando os alunos da sua realidade. Foi, então, pedido pela professora de História que os alunos tivessem uma conversa informal com os parentes mais velhos a respeito da tradição do plantio do milho, aproveitando que os alunos envolvidos no projeto tinham pequenas plantações de milho em suas residências. Nessas conversas, tiveram conhecimento da relação entre tradição e religiosidade na cultura do milho, o que motivou os alunos a quererem participar de todo o ritual para a plantação do milho, que se inicia na procissão de São José, em 19 de março, quando os pequenos agricultores da cidade pedem as bênçãos ao santo e oram por chuvas, iniciando, assim, o plantio. O grupo de alunos, por sua vontade, participou da procissão de São José no povoado Eugênia (figura 1).

Este trabalho surgiu da dificuldade que os alunos tinham de identificar os grupos funcionais orgânicos e de não conseguirem traçar uma relação dos conteúdos trabalhados em sala de aula com o seu cotidiano. Essa observação se deu com a análise das notas baixas obtidas pelos alunos percebidas em um exercício avaliativo de Química, em que o único assunto abordado foi a identificação das funções orgânicas e cuja média das turmas foi 2,0. Ficou evidente neste momento que os alunos estavam habituados com a pedagogia tradicional, aquela que se preocupa apenas com a universalização do conhecimento. O treino intensivo, a repetição e a

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era o milho e que são consumidos durante todo o ano e não apenas nas festas juninas. O resultado da pesquisa encontra-se no gráfico 1, abaixo.

Figura 1 – Alunos participando da procissão de São José no povoado Eugênia.

Após participarem do rito religioso, os alunos começaram a preparação da terra e iniciaram o plantio do milho com a ajuda de alguns de seus pais (figura 2).

Gráfico 1 – Resultado da entrevista sobre o prato típico à base de milho mais consumido em Umbaúba.

No contexto etnográfico, os alunos conheceram alguns “profetas das chuvas” que moram na cidade e que são consultados antes do plantio começar, lendas e crendices para o plantio do milho e, ainda, algumas dicas do saber popular para o preparo de alguns pratos típicos. Essas visitas foram registradas, em fotografias, pelos próprios alunos (figura 3).

Figura 2 – Alunos durante o plantio do milho.

Em sequência, realizaram uma pesquisa de campo para que pudessem catalogar os pratos típicos à base de milho mais consumidos e produzidos por moradores da região com o intuito de confeccionar um livreto de receitas. Foram citados pelos moradores entrevistados 07 pratos típicos cujo principal ingrediente

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Figura 3 – Registro dos alunos na pesquisa de campo.


O prato típico mais citado pelos entrevistados foi o cuscuz, preparado de maneira tradicional: ralando o milho. Os alunos ainda fizeram procuras em sites e artigos acadêmicos para identificar as funções orgânicas presentes nas estruturas químicas dos principais ingredientes das receitas citadas. Já de posse das fórmulas estruturais

dos ingredientes, eles puderam fazer a identificação das funções orgânicas presentes em cada estrutura. E o resultado dessa pesquisa está na tabela 1, abaixo. Por meio dessa investigação “on-line”, os alunos ainda tiveram a possibilidade de descobrir novas informações, curiosidades sobre a história e origem do

Tabela 1. Fórmulas estruturais dos ingredientes utilizados nas receitas

Ingredientes CASEÍNA (proteína do leite)

Fórmulas Estruturais

Funções Orgânicas Ácido Carboxílico Amida Amina Fenol

LACTOSE (açúcar do leite)

Álcool Éter

GALACTOSE (açúcar do leite)

Álcool Éter

AMIDO DE MILHO (maisena)

Álcool Éter

TRIGLICERÍDEO (manteiga)

Éster

CINAMALDEÍDO (canela)

Aldeído

GLÚTEN (farinha de trigo) EUGENOL (cravo da índia)

Ácido Carboxílico Amina Cetona Haleto Orgânico Éter Fenol

SACAROSE (açúcar comum)

Álcool Éter

ALBUMINA (Proteína da clara do ovo) ↓ Aminoácidos

Ácido Carboxílico Amina

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milho, bem como o despertar para a leitura. Coube às professoras a incumbência de gerenciar e orientar os seus alunos na busca de informações, disponibilizando referências bibliográficas e sites confiáveis, oferecendo melhores condições para o desenvolvimento da pesquisa. Foi sugerido pelos próprios alunos que o projeto fosse encerrado com uma pequena culminância na sala de aula, onde eles iriam preparar os pratos típicos, colocar os ingredientes com suas fórmulas estruturais e identificar suas funções orgânicas. Essa ideia foi consentida, pois acredita-se que a cerimônia de fechamento desse projeto didático daria aos alunos visibilidade para o processo de aprendizagem pelo qual passaram e, apresentando o trabalho para toda a turma, todos iriam perceber o avanço dos educandos. Neste momento, os alunos também distribuíram os livretos com as receitas citadas para toda a comunidade escolar. A produção dos pratos típicos pelos alunos está demonstrada na figura 4.

Após a culminância, os alunos receberam um exercício avaliativo com questões do tipo situação-

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Figura 4 – Alunos preparando os pratos típicos à base de milho orientados pelas professoras.


problema e todos os discentes conseguiram identificar de forma correta as funções solicitadas nos exercícios, além de diferenciar os diversos processos químicos utilizados no preparo das iguarias, o que não foi visto quando o primeiro questionário foi respondido. Para os alunos, foi importante não só identificar as funções orgânicas por meio da memorização delas, mas compreender que as diferenciar é a forma mais aplicada de caracterizar as propriedades organolépticas dos ingredientes. O resultado deste questionário serviu como diagnóstico final do projeto. A média obtida pelos alunos nesse novo exercício avaliativo, aplicado após o projeto, subiu para 8,0, resultado satisfatório para a conclusão do projeto. Conclusão Esse projeto pedagógico preocupou-se em integrar conhecimentos científicos para torná-los úteis e mais próximos à realidade do aluno. Caracterizouse pelo estímulo à pesquisa e à preparação para a vida, aproximando o aluno do meio em que vive a partir de

uma metodologia de ensino baseada em métodos ativos, de acordo com a concepção oriunda dos princípios presentes nas novas orientações curriculares para o Ensino Médio do MEC. Considerando o exposto acima, concluise que trabalhar os conteúdos de Química de forma contextualizada pode contribuir positivamente para o aprendizado do aluno, pois esse se envolve ativamente na realização das atividades, levando a uma aprendizagem mais significativa. Referências BRASIL. Ministério da Educação (MEC), Secretaria de educação Básica. Orientações curriculares para o Ensino Médio. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Vol. 2. Brasília: MEC/SEB, 2006. CHASSOT, A. Fazendo Educação em Ciências em um Curso de Pedagogia com Inclusão de Saberes Populares no Currículo. Química Nova na Escola, n.27, p. 9-12, 2008. GONDIM, M. S. C.; MÓL, G. S. Saberes populares e o ensino de ciências: possibilidades para um trabalho interdisciplinar. Química Nova na Escola, 2008.

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Resumo. Os corantes sintéticos são amplamente aplicados em muitos campos tecnológicos, incluindo a indústria têxtil. O efluente descartado pela indústria causa vários problemas ao meio ambiente devido à presença de uma ampla gama de contaminantes, como os corantes. Vários métodos são testados para remover a cor dos efluentes industriais com o objetivo de diminuir seu impacto no meio ambiente. A adsorção é um dos processos mais eficazes utilizados na sua remoção. Este trabalho avaliou a adsorção do corante Azul de Remazol por bagaço de cana e investigou a cinética de adsorção por meio de um modelo cinético empírico. 1. Introdução A remoção de corantes das águas residuais industriais é uma questão ambiental, devido a sua elevada contaminação, baixa biodegradabilidade, toxicidade e carcinogenicidade; mesmo em baixas concentrações, a cor confere uma aparência indesejada à água. Vários processos físicos, químicos e biológicos são utilizados para a remoção de corantes: coagulaçãofloculação, precipitação, biodegradação, processos de membrana, oxidação química e extração de solvente. No entanto, todos estes métodos convencionais não são comparáveis à técnica de adsorção em termos de eficiência, custo operacional, flexibilidade do processo e facilidade de operação. Além disso, todas estas técnicas foram encontradas ineficientes e incompetentes devido à solubilidade e estabilidade razoavelmente altas dos corantes em relação à luz, agentes oxidantes e digestão aeróbica. Uma pesquisa abrangente indica que a técnica de adsorção foi a mais apropriada e eficiente (BELBACHIR e MAKHOUKHI, 2017). O bagaço de cana-de-açúcar foi utilizado como

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adsorvente de baixo custo de alguns materiais poluentes, como metais pesados, fenol e corantes. Este material está amplamente disponível no Brasil como um desperdício de indústrias de açúcar e etanol. Uma grande quantidade de bagaço de cana disponível no mundo torna uma opção atraente para aplicações tecnológicas, pois pode ser usado para obter numerosos produtos industriais, como biocombustíveis (etanol de segunda geração), bioeletricidade, polímeros biodegradáveis e vários outros materiais. Além disso, o bagaço de cana possui grande quantidade de grupos hidroxilo de celulose, hemiceluloses e lignina que podem ser utilizados como locais reativos para produzir novos materiais adsorventes com propriedades específicas (FERREIRA et al, 2015). O presente trabalho tem o objetivo de avaliar os parâmetros cinéticos do processo de adsorção do corante Azul de Remazol no bagaço de cana. Alguns fatores que influenciam a remoção do corante foram avaliados, tais como: pH da solução, temperatura e tempo de contato. 2. Materiais e Métodos O bagaço de cana foi obtido na feira livre da cidade de Areia Branca/SE. O material foi lavado com água, seco ao ar e triturado para utilização como adsorvente. O corante Azul de Remazol foi doado pela Indústria Têxtil Santista (Sergipe). Os estudos cinéticos foram realizados em forma de batelada à temperatura constante. O bagaço de cana (0,4 g) foi adicionado a 100 mL da solução do corante Azul de Remazol (50 mg L-1) após termostatização inicial da solução por 30 minutos na temperatura desejada. A cada determinado tempo de contato foi realizada análise espectrofotométrica no comprimento de onda 540 nm


em um espectrofotômetro Varian Cary 100 Scan. Essa etapa da parte experimental foi realizada no Laboratório de Nanomateriais e Corrosão da Universidade Federal de Sergipe. As quantidades adsorvidas de corante nos estudos cinéticos foram calculadas utilizando a seguinte equação (SANTOS et al, 2013):

Qt é a quantidade adsorvida do corante por grama do adsorvente em mg g-1, C0 é a concentração inicial do corante, em mg L-1, Ct é a concentração do corante na solução após um tempo predeterminado t, em mg L-1, v é o volume da solução em L e m é a massa do adsorvente em g. A porcentagem de remoção do corante foi determinada com a seguinte equação (SANTOS et al, 2013):

Existem vários modelos cinéticos desenvolvidos para analisar dados de adsorção na interface sólido/ solução. Neste trabalho foi aplicado o modelo de ordem variável, representado pela seguinte equação: Qe representa a quantidade adsorvida no equilíbrio, k é a constante cinética e n outra constante, associada ao mecanismo de adsorção. 3. Resultados e discussão Este projeto foi desenvolvido por alunos bolsistas e voluntários do PIBIC JR do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo, localizado em Areia Branca/ SE. O bagaço de cana foi avaliado na remoção do corante Azul de Remazol. Nesse processo, foram avaliados os seguintes fatores: pH da solução, tempo de contato e temperatura.

O pH da solução é um fator importante nos estudos de adsorção, pois não só afeta as cargas superficiais e a dissociação dos grupos funcionais do adsorvente, como também a especificação química e a taxa de difusão do soluto. Neste trabalho, o estudo foi realizado a 25 °C com concentração inicial do Azul de Remazol de 50 mg L-1 (figura 1).

Figura 1. Efeito do pH da solução aquosa na remoção do corante Azul de Remazol pelo bagaço de cana.

O aumento do pH da solução resultou na diminuição da porcentagem de remoção do corante pelo bagaço de cana. Em pH menor, a superfície do adsorvente apresenta carga positiva devido às reações de protonação, com aumento das atrações eletrostáticas entre o bagaço de cana e o corante aniônico Azul de Remazol (DIVBAND et al, 2016). Os experimentos de adsorção foram realizados em duas temperaturas diferentes (25 e 50 °C) para investigar o efeito da temperatura na porcentagem de remoção do corante (figura 2).

Figura 2. Efeito da temperatura da solução aquosa na remoção do corante Azul de Remazol pelo bagaço de cana.

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O aumento da temperatura elevou a porcentagem de remoção do corante pelo bagaço de cana, atingindo aproximadamente 100% de remoção. Esse resultado indica que o processo de adsorção é de natureza endotérmica. Resultados similares foram reportados por Divband et al (2016) na adsorção de nitratos em bagaço de cana modificados. A cinética de adsorção foi estudada utilizando o modelo de ordem variável para determinar o mecanismo predominante na adsorção do Azul de Remazol pelo bagaço de cana. A figura 3 apresenta a quantidade de corante adsorvido pelo bagaço de cana em diferentes temperaturas. A quantidade de corante removida da solução aumenta com tempo até atingir um valor máximo em aproximadamente 400 minutos.

locais de adsorção disponíveis no interior do material.

Tabela 1. Parâmetros cinéticos da adsorção do Azul de Remazol pelo bagaço de cana.

Conclusão O bagaço de cana apresentou potencial para remover o corante Azul de Remazol de soluções aquosas. A porcentagem de remoção atingiu aproximadamente 100 % nas melhores condições experimentais de adsorção. Os estudos cinéticos indicaram que o mecanismo do processo independe da temperatura e ocorre via difusão do corante para os sítios de adsorção internos do material. Referências

Figura 3. Resultados experimentais (pontos) e calculados utilizando-se o modelo cinético de ordem variável (linhas) da remoção do corante Azul de Remazol pelo bagaço de cana.

O modelo cinético apresentou bom ajuste aos dados experimentais, visto que os valores de R2 estão próximos à unidade (tabela 1). Conforme verificado na figura 3, a quantidade de corante adsorvido pelo bagaço de cana é maior na temperatura mais elevada. A constante de velocidade (k) apresenta valor mais elevado na temperatura mais baixa, porém a diferença de velocidade não é significativa. A constante (n) indica o mecanismo predominante de adsorção, com valores maiores que a unidade, indica adsorção superficial e valores menores que a unidade sugere difusão dos íons no adsorvente (SANTOS et al, 2003). No presente estudo, há a indicação de que os íons do corante interagiram nos

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BELBACHIR, I.; MAKHOUKHI, B. Adsorption of Bezathren dyes onto sodic bentonite from aqueous solutions. Journal of the Taiwan Institute of Chemical Engineers, 75, 2017. DIVBAND, L.; HOOSHMAND, A.; ALI, A.; et al. Removal of nitrate from aqueous solution by modified sugarcane bagasse biochar. Ecological Engineering, 95, 2016. FERREIRA, S.; CHRISTIANO, B.; SIMÕES, F.; et al. Application of a new carboxylate-functionalized sugarcane bagasse for adsorptive removal of crystal violet from aqueous solution: Kinetic, equilibrium and thermodynamic studies. Industrial Crops and Products, 65, 2015. SANTOS, D. O., et al. Investigating the potential of functionalized MCM-41 on adsorption of Remazol Red dye. Environmental Science and Pollution Research, 20, 2013.


O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519 de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares. Rememorar esta data é debater e refletir sobre as diferenças raciais e a importância de cada um no processo de construção de nosso país, Estado e comunidade. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar.

percepção da grande influência e da contribuição que os africanos e seus descendentes proporcionaram à cultura de modo geral. Na prática, em sala de aula, seguiu-se a metodologia de contextualização do Maculelê com temas como: África – história e cultura, aliando às contribuições das civilizações africanas para a formação da sociedade brasileira. Ao final, buscou-se encenar no espaço escolar a dança teatral do Maculelê. Isso para que, por meio da linguagem corporal dos alunos participantes, ocorra a promoção do respeito mútuo entre as diversas culturas e povos que formam a identidade nacional. Referências BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais e ética. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf>. Acesso em 27 setembro 2017. LEOPOLDINO, Elcio Rezek; CHAGAS, Andréia Souza de Lemos. Relato de uma experiencia Maculelê: vivencia e saberes de um corpo brincante. Disponível em: <http://educonse.com.br/2012/eixo_07/PDF/19. pdf>. Acesso em 28 de setembro de 2017.

Figura 01- Alunos encenando o Maculelê na escola.

Nesse sentido, aplicou-se aos alunos das turmas do 8° ano do ensino fundamental e do 2° ano do ensino médio do Colégio Estadual Prof. Hamilton Alves Rocha, situado em São Cristóvão/SE, o estudo e a prática artística do MACULELÊ – manifestação cultural oriunda da cidade de Santo Amaro da Purificação (Bahia). Procurando dessa maneira, estabelecer a importância das diversas manifestações culturais afro-brasileiras, bem como a preservação de cada uma delas. Simultaneamente, procurou-se ultrapassar as fronteiras do preconceito racial e a

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Revista Feira de Ciência & Cultura 2018 - v.5/nº 7  

Aqui estão os trabalhos apresentados na Feira Científica de Sergipe 2017 e publicados em 2018. Boa leitura!

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Aqui estão os trabalhos apresentados na Feira Científica de Sergipe 2017 e publicados em 2018. Boa leitura!