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Resumo. Águas residuais provenientes de indústrias têxteis são uma fonte significativa de poluição ambiental devido a sua alta concentração de compostos orgânicos. Esses podem danificar os ecossistemas aquosos seriamente. Para a descolorização pode-se utilizar métodos eletroquímicos, como a eletrocoagulação. Neste trabalho é apresentada a eletrocoagulação de soluções aquosas do corante vermelho de remazol. Com este experimento, pretende-se discutir conceitos de eletroquímica, misturas homogêneas e heterogêneas, métodos de separação de misturas. A realização deste procedimento, em sala de aula, possibilita participação efetiva, sendo constatada a curiosidade e interesse dos discentes pelo conteúdo científico. 1. Introdução Efluentes gerados por várias indústrias tem sido um problema ambiental grave. Água residual têxtil é um dos efluentes mais poluentes devido à sua coloração, grande quantidade de sólidos em suspensão, pH amplamente flutuante, alta demanda química de oxigênio (DQO) e biotoxicidade. Estima-se que cerca de 50.000 toneladas de corante são descartadas a partir das indústrias de tingimento e coloração a cada ano. As águas residuais apresentam componente coloridos e tóxicos que no ecossistema provocam mudanças químicas, bem como biológicas, e consomem o oxigênio dissolvido, tornando-se uma fonte de poluição estética e perturbação na vida aquática. É, portanto, necessário tratar efluentes têxteis e atualmente, a indústria têxtil está sob considerável pressão para reduzir a cor em efluentes antes da sua descarga nas águas receptoras (CERQUEIRA, RUSSO, MARQUES, 2009; WEI et al, 2012) 6 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Muitas técnicas são aplicadas para o tratamento de águas residuais, incluindo adsorção de carvão ativado, ozonização, a oxidação de cloro, oxidação avançada, e tratamento anaeróbio-aeróbio combinado. Nos últimos anos interessantes técnicas avançadas de acoplamento têm sido desenvolvidas para o tratamento de efluentes de corantes têxteis. Por exemplo, o acoplamento de fotocatálise e tratamento biológico foram desenvolvidos para remover os corantes. No entanto, estas técnicas apresentam baixa remoção ou altos custos que muitas vezes limitam a sua utilização. Neste sentido, a Eletrocoagulação é uma técnica simples e de baixo custo para o tratamento de águas residuais com corante (MBACKÉ et al, 2016). Os conceitos de Eletroquímica são um dos mais complexos para a construção de conhecimento nos processos de ensino-aprendizagem. Grande parte dos alunos não conseguem aprender tais conceitos, talvez pelo distanciamento sobre a forma de construção do conhecimento no contexto cotidiano e científico. Portanto, é interessante que a discussão deste tema seja acompanhada de experimentos em que os alunos possam visualizar e construir conceitos a partir de suas observações. Neste trabalho é apresentado o estudo de remoção do corante Vermelho de Remazol de soluções aquosas por meio da eletrocoagulação. 2. Materiais e Métodos Neste trabalho é apresentado um experimento sobre Eletroquímica discutido com os alunos do 3º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Governador João Alves Filho, localizado em Areia Branca-SE. O


experimento Ê a remoção do corante Vermelho de Remazol por eletrocoagulação. A discussão em sala do tema Eletroquímica se deu por meio da seleção de uma atividade experimental, escolhida e adaptada as condiçþes estruturais da escola. Para a seleção foi proposto aos alunos uma pesquisa de experimentos sobre tal conteúdo. A discussão do conceito científico ocorreu em sala de aula a partir da apresentação da atividade experimental selecionada pelos alunos e observaçþes da pråtica realizada. Para realizar o experimento foram necessårios os seguintes materiais: bÊquer de 50 mL ou um copo de vidro, ågua, solução aquosa Vermelho de Remazol (100 mg/L), solução aquosa de cloreto de sódio (NaCl), clipes para papel ou grafite, fonte externa – carregador de celular, papel de filtro, funil simples. Todas as soluçþes utilizadas foram preparadas pelos alunos em sala. No bÊquer de 50 mL (cÊlula microeletroquímica), foram colocados 20 mL de solução aquosa de NaCl (20g/L), este Ê usado como eletrólito inerte, e 20 mL da solução aquosa do corante vermelho de remazol (100 mg/L), que foi utilizado como resíduo. Para a construção da cÊlula microeletroquímica utilizou-se um bÊquer, os eletrodos foram clipes para papel. Aos eletrodos conectou-se uma fonte externa, que pode ser um adaptador de tensão ou simplesmente uma pilha de 9 V. Os fios, que ligam a fonte aos eletrodos, podem ser com jacarÊs ou apenas unidos fisicamente. Deve-se ter o cuidado para não encostar os fios ou atÊ mesmo os jacarÊs, pois isso farå o circuito entrar em curto. (Figura 1).

Figura 1. Aparato experimental da eletrocoagulação do corante.

Para quantificar a porcentagem de corante removido em determinados tempos, foram realizadas anålises espectrofotomÊtricas na região visível num espectrofotômetro SP-22 da Bioespectro na Universidade Federal de Sergipe. Para tal, foi construída uma curva de calibração (Absorbância versus concentração do corante em mg.L-1) na faixa de 1-100mg.L-1. As leituras de absorbância foram realizadas no comprimento de onda de måxima absorbância do vermelho de remazol (520 nm). A porcentagem de remoção do corante foi determinada com a seguinte equação(PAJOOTAN, ARAMI, MAHMOODI, 2012):

%đ?‘…đ?‘…đ?‘…đ?‘…đ?‘…đ?‘…đ?‘…đ?‘…çãđ?‘œđ?‘œ =

đ??śđ??ś! − đ??śđ??ś! . 100 đ??śđ??ś!

Em que, C0 e Ct são concentração inicial e em determinado tempo (mg.L-1), respectivamente. 3. Resultados e discussão Eletrocoagulação envolve a utilização de energia elÊtrica para gerar íons metålicos que formam coagulantes na solução, utilizando ânodos de sacrifício seguido de coagulação-floculação de poluentes. O cåtion de metal (produzido no ânodo) reage com os íons hidróxido (produzidos no cåtodo) de modo a formar um hidróxido de metal que, em seguida, atua como um coagulante. As partículas poluentes e hidróxidos de metal formam agregados maiores que podem tanto precipitar ou ser transportados à superfície como flocos, por bolhas de hidrogênio produzido no cåtodo (PAJOOTAN, ARAMI, MAHMOODI, 2012). Neste experimento para a remoção de corantes, um eletrodo de ferro (clipe para papel) Ê usado para fornecer íons metålicos para a formação de um hidróxido de ferro (II ou III) pouco solúvel que absorverå um corante presente na solução. Adicionalmente, bolhas de gås são produzidas no cåtodo, que arrastam alguns dos flocos formados pelo hidróxido e ajudam no estågio de separação. O corante utilizado neste experimento Ê o vermelho de remazol, no entanto, corantes alimentícios tambÊm podem ser usados. O cloreto de sódio Ê utilizado como eletrólito Revista Feira de Ciências e Cultura  |  7 


inerte, pois seus íons não são descarregados nos eletrodos, porém com o aumento de íons em solução a condutividade elétrica aumenta tornando o processo de eletrocoagulação mais rápido. No processo eletroquímico, o coagulante é gerado como resultado da oxidação do material do ânodo pela passagem de corrente elétrica. A eletrocoagulação da solução de corante utilizando eletrodos de ferro ocorre de acordo com as seguintes reações para a produção de Fe(OH)2 (MBACKÉ et al, 2016):

homogênea e heterogênea e fazer uma proposta de separação da mistura resultante. Ao final, faz-se a medida de pH do filtrado e da água para comparação com o pH inicial da solução.

Fe(s) → Fe2+(aq) + 2é Fe2+(aq) + 2OH-(aq) →Fe(OH)2(s) Na eletrocoagulação, há a produção eletrolítica de gases (O2 e H2). Neste momento, no ânodo da célula começa a produção de oxigênio enquanto que no cátodo há a produção de hidrogênio, constatada pela diferença no volume de gases formados.

Cátodo: 2H2O(g) +2é → H2 (g) + 2OHAnôdo: 2H2O(g) → O2 (g) + 4H+(aq) + 4é O gás borbulhado transporta o poluente para o topo da solução onde este pode ser facilmente removido (Figura 2). A partir destas observações, o estudo pode ser direcionado pelas equações apresentadas acima, com a construção do conceito de oxidação e redução, agente oxidante e agente redutor, e cálculo do número de oxidação das espécies envolvidas.

Figura 3. Filtração Simples dos produtos da eletrocoagulação.

A demonstração do experimento em sala de aula foi concluída nesta etapa. Porém, na discussão do experimento, os alunos questionaram a possibilidade de quantificar a porcentagem de corante removido da água. Para realizar esse passo, se fez necessária a utilização de equipamento não presente no Colégio Estadual Governador João Alves Filho, o espectrofotômetro UVVis. Esse procedimento foi realizado na Universidade Federal de Sergipe, no Laboratório de Corrosão e Nanotecnologia. O espectro na região do visível do corante vermelho de remazol em diferentes tempos de eletrocoagulação é apresentado na Figura 4. Para a determinação da porcentagem de remoção escolheu-se o comprimento de onda 520 nm, que corresponde ao de máxima absorção do corante na região do visível.

Figura 2. Início da eletrocoagulação do corante.

A remoção do resíduo do corante pode ser feita com uma simples filtração (Figura 4). Para isto, devese dialogar com os alunos a diferença entre mistura 8 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 4. Espectro de absorção na região do visível do vermelho de remazol com diferentes tempos de eletrocoagulação.


A Figura 5 apresenta os dados da porcentagem de remoção do corante em determinados tempos de eletrocoagulação. Com apenas 30 minutos de passagem de corrente elétrica, a porcentagem de remoção supera os 90% demonstrando ser um método eficiente para o tratamento de águas residuais.

Figura 5. Porcentagem de remoção do corante vermelho de remazol por eletrocoagulação.

Neste processo de ensino-aprendizagem, os alunos participaram de forma ativa nas etapas de construção de conceitos científicos da eletroquímica. No primeiro momento, as pesquisas de experimentos deixaram motivados a buscar as explicações para tais fenômenos. O estudo da eletroquímica é considerado um tema que apresenta baixa aprendizagem dos estudantes de Ensino Médio, seja por existirem termos de difícil compreensão, ou ainda por exigir um aprofundamento ao nível microscópico dos fenômenos, que ocorrem em relação às migrações de elétrons. A apresentação em sala de aula com discussão produtiva dos conceitos científicos e a busca por explicações não obtidas em suas pesquisas traz um processo de ensino-aprendizagem mais prazeroso e efetivo. A correlação entre a teoria e a prática, partindo daquilo que eles conseguiram enxergar, o que se denomina de nível macroscópico ou fenomenológico para o nível microscópico, em que se trabalham com os modelos explicativos através das evidências das transformações químicas que ocorrem durante o

processo de eletrocoagulação foram fundamentais para um aprendizado efetivo. Além disso, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer e trabalhar em um ambiente de pesquisas científicas, no Laboratório de Corrosão e Nanotecnologia. 4. Conclusão Neste trabalho foi apresentado o experimento de remoção do corante vermelho de remazol por eletrocoagulação. Com esta atividade, o professor pode discutir conceitos de eletroquímica, preparo de soluções, tipos e separação de misturas. Este processo pode envolver estudos de eletricidade com a disciplina de física. Além disso, o tema social e ambiental, a contaminação das águas por corantes, é explorada em sala de aula. Devido à complexidade do tema Eletroquímica, a utilização da experimentação é necessária para a assimilação de conceitos, partindo do nível macroscópico para o microscópico de maneira efetiva e prazerosa. Os resultados demonstraram que o processo de eletrocoagulação é um método efetivo para remover corantes de águas residuais coloridas. Referências CERQUEIRA, A. RUSSO, C., MARQUES, M. R. C. Electrofloculation for textile wastewater treatment. Brazilian Journal of Chemical Engineering, 26, 4, 2009. MBACKÉ, M. K. et al. Electrocoagulation process applied on pollutants treatment experimental optimization and fundamental investigation of the crystal violet dye removal. Journal of Environmental Chemical Engineering, 4, 2016. PAJOOTAN, E. ARAMI, M. MAHMOODI, N. M. Binary system dye removal by electrocoagulation from synthetic and real colored wastewaters. Journal of the Taiwan Institute of Chemical Engineers, 43, 2012. WEI, M. C. et al. Improvement of textile dye removal by electrocoagulation with low-cost steel wool cathode reactor. Chemical Engineering Journal, 192, 2012.

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Resumo. Neste trabalho os alunos apresentam uma forma alternativa de recarregar os celulares usando a energia solar, uma fonte renovável de energia, que não polui o ambiente, que não contribui para o aumento do efeito estufa, que pode ser utilizada em qualquer lugar e de forma gratuita. O projeto tem como objetivo despertar nos alunos o interesse da pesquisa sobre a utilização de formas renováveis de energia que preservam o meio ambiente. 1. Introdução O consumo de energia elétrica no mundo aumenta de forma alarmante, o que faz com busquemos formas alternativas de se produzir energia e como estamos sofrendo com o aumento da temperatura do planeta, então devemos preservar o meio ambiente para não comprometermos os recursos naturais das futuras gerações. Uma contribuição para a preservação desses recursos é a utilização de fontes renováveis de energia, como a energia solar, utilizada para a produção da energia elétrica que é usada no funcionamento de vários aparelhos eletrônicos, como o telefone celular. Um dos maiores problemas dos aparelhos de celular é o tempo de duração das baterias. Com a utilização de tantos aplicativos, elas acabam rápido. E achar uma tomada na rua para recarregá-las é muito difícil. Atualmente no mercado existem vários tipos e modelos de carregadores portáteis para celular, e que podem ser utilizados em situações de emergências quando a bateria do aparelho está descarregando. 10 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Este trabalho tem como principal objetivo, montar um dispositivo portátil para o carregamento dos celulares através da energia solar e que pode ser carregado em qualquer lugar mesmo que você esteja parado ou até mesmo em movimento, dependendo somente da exposição ao Sol. 2. Materiais e Métodos Inicialmente os alunos do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Hamilton Alves Rocha, em São Cristóvão, estudaram o que seria um circuito elétrico, quais são os seus principais componentes e de que formas podemos obter a energia para alimentá-lo, depois fizemos uma pesquisa na internet sobre os projetos desenvolvidos na montagen de carregador solar portátil para celular, para então, selecionarmos dentre os projetos encontrados aqueles que utilizavam materiais que faziam referências aos componentes estudados em sala de aula. Os modelos escolhidos como referência estão disponíveis nos blogs citados na referência bibliográfica, neles podemos observar um circuito elétrico em que há a associação mista de seus elementos que permitem a passagem da energia elétrica. A principal função do circuito adotado é fazer com que a tensão máxima que chegue na bateria do celular seja de 5 V e também verificarmos através do acendimento do led que a corrrente elétrica está sendo gerada pela placa solar.


Após a escolha do projeto compramos os seguintes materias (Figura 1) para a montagem do carregador: 1 regulador de tensão 7805, 1 capacitor eletrolítico 100uF x 50V, 1 capacitor de poliéster 100nF x 100V (ou tensão maior), 1 chave ON/OFF, 1 conector USB fêmea, 1 led de alto brilho, 1 protoboard PCI ilhada 5cm x 10cm, 3 metros de fio 1mm e 1 resistor de 150 Ω e 1 painel solar de pelo menos 6 V e 500 mAh. Também utilizamos material para solda, alicate e estilete.

do silício dando-lhes energia e transformando-os em condutores. Esses dispositivos têm a capacidade de gerar diferanças de potencial quando iluminados pela luz do Sol, transformando a energia solar, predominantemente luminosa, em energia elétrica. A placa (Figura 2) utilizada no nosso carregador quando exposta diretamente à luz do Sol gera uma ddp superior a 6 V.

Figura 2. Placa solar Figura 1. Materiais utilizados na montagem do carregador

Finalmente com todos os materiais em mãos, fizemos a montagem do carregador no laborátorio de Ciências da escola. 3. Resultados e discussão Apenas uma pequena parte da energia irradiada pelo Sol chega à Terra e se ela fosse completamente transformada em energia elétrica, toda a demanda mundial por esse tipo de energia seria suprida por um longo período de tempo. Estima-se que a energia solar recebida na Terra a cada ano equivale a cerca de 10 mil vezes o consumo mundial anual de energia elétrica. O problema é como captar essa energia de modo econômico. Uma forma de captação da energia solar é através do uso de painéis solares fotovoltaicas, cada um deles é composto por várias células de silício cristalino. Ao incidir a luz sobre a célula fotovoltaica, os fótons que a integram chocam-se com os elétrons da estrutura

A tensão gerada pelo painel solar é controlada através do circuito montado na placa PCI e que seguiu o modelo utilizado (Figura 3). O regulador de tensão 7805 é utilizado para proteger as baterias contra sobrecarga, pois a tensão para o carregamento das baterias do celular dever ter no máximo 5 V. A montagem dos materiais na placa PCI faz com que ocorra uma perda de tensão de mais ou menos 2 V.

Figura 2. Modelo Fritzing

Antes de soldar as peças na placa PCI, os alunos posicionaram os componentes (Figura 4) e planejaram as conexões. Assim ficou mais fácil soldar os componentes na placa. A posição deles na placa não Revista Feira de Ciências e Cultura  |  11 


importa, mas tem que seguir o modelo Fritzing, fazendo as devidas ligações em série ou paralelo dos materiais. As únicas peças que precisam ser posicionadas na borda da placa são o LED e o conector USB.

na prática os conteúdos (circuitos elétricos) vistos em sala de aula, o que proporcionou para eles um melhor resultado nas suas avaliações. Também aprenderam uma forma alternativa de recarregar os seus aparelhos de celular usando uma forma de energia renovável, limpa, abundante e constante em nosso estado. A desvantagem ainda é o custo do placa solar, a que nós utilizamos custou em média 60 reais e tivemos que comprar pela internet. Mas existem outros projetos disponíveis na internet e mais baratos, e que levam mais tempo para recarregar os celulares, mas devemos ter cuidado com a tensão gerada pelo placa solar. Referências

Figura 4. Alunos posicionando os componentes da placa

Terminada a montagem do carregador, conectamos um celular a placa e levamos os equipamentos para fora do laboratório de Ciências da escola, com a finalidade de expor o painel solar à luz do Sol. E o que nós observamos é que o nosso carregador solar começou a recarregar a bateria do celular (Figura 5), mesmo sem estar diretamente exposto a luz do Sol.

Figura 5. Celular sendo carregado

4. Conclusão A montagem do carregador possibilitou aos alunos, verificarem que existe um circuito elétrico que controla a tensão que irá alimentar a bateria do celular e o tipo de corrente elétrica do circuito, que esse circuito é composto por condutores, resistor, capacitor, receptor e gerador, entendendo as suas utilidades e observando 12 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

ENERGIA solar. Wikipédia. Disponível em: <http:// pt.wikipedia.org/wiki/Energia_solar>. Pesquisado em: 20 setembro 2016. TORRES, Carlos Magno A. Física: ciência e tecnologia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2013. http://www.tecmundo.com.br/area-42/60526-area-42-fazercarregador-solar-celular-video.htm. Pesquisado em 11 de Julho de 2016 http://professormarlonnardi.blogspot.com.br/p/como-fazerum-carregador-solar-para.html. Pesquisado em 11 de Julho de 2016


1. Introdução

Resumo. Neste projeto elaboramos diversas tiras em quadrinhos digitais (Webtiras) para a divulgação e alfabetização de conceitos científicos ligados as disciplinas de física, química, matemática e biologia. Ao longo do projeto foram aplicados uma série de questionários para alunos do ensino Fundamental e Médio, contendo questões sobre ciência e tecnologia para avaliarmos a contribuição das tirinhas no entendimento e na apropriação da linguagem de conceitos voltados a ciência e tecnologia. Observamos que as tirinhas tem obtido uma relevância significativa como ferramenta didática na promoção da Divulgação e Alfabetização científica para diversos alunos do Ensino Fundamental e Médio.

As histórias em quadrinhos (HQs) tem se tornado uma ferramenta didática extremamente eficiente para a divulgação e alfabetização científica de alunos das séries do ensino fundamental e médio. Diversos estudiosos na área de educação e na área de Ensino de Ciências reconhecem o uso das HQs como um recurso didático de grande relevância pedagógica (RAMOS, 2009), possibilitando um aprendizado reflexivo e prazeroso nas salas de aula. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) recomendam o uso das histórias em quadrinhos no ensino de diversas disciplinas e observa-se a inserção das HQs em livros didáticos e provas do ENEM (BRASIL, 2002). Em particular, as tirinhas, que são histórias em quadrinhos de poucos quadros, onde personagens são apresentados em diversas situações cotidianas, tem representado um material didático com grandes potencialidades, devido as suas características de concisão, e por fazerem parte do universo do jovem que revelam o seu fascínio pelo mundo através das imagens (SIQUEIRA, 2011; VERGUEIRO, 2004). Por estas razões, acredita-se que as tirinhas podem servir como um suporte poderoso na promoção da divulgação e alfabetização científica. Este projeto tem como objetivo a produção de um material didático em forma de tirinhas digitais (webtiras), contendo roteiros que abordam e explicam conceitos científicos e tecnológicos. As histórias Revista Feira de Ciências e Cultura  |  13 


produzidas têm como desafio produzir um material que desperte a curiosidade do aluno, permitindo que ele seja capaz de refletir e formular suas próprias conclusões e deduções. As webtiras são disponibilizadas em um site e em redes sociais, e futuramente para dispositivos móveis que utilizam o sistema Android. Os meios digitais de disponibilização das tiras facilitam para que sejam utilizadas em sala de aula por alunos do Ensino Fundamental e Médio, podendo também ser utilizada no ensino a distância. 2. Materiais e Métodos Este projeto é realizado com alunos do Ensino Médio do Colégio de Aplicação da UFS e bolsistas do PIBICJr da FAPITEC. Inicialmente o projeto teve início com diversas discussões e análises sobre conceitos da linguagem dos quadrinhos tais como gêneros, representações, oralidade, narrativa e espaço tempo nos quadrinhos (MCCLOUD, 2005; EISNER, 1989). Os roteiros das tirinhas foram elaborados após pesquisas em revistas científicas, jornais e sites de divulgação científica. As tirinhas foram desenhas e artefinalizadas utilizando os programas Clip Studio Paint e Photoshop CS5. Após finalizadas as tiras são publicadas quinzenalmente no site www.hqciencia. com desenvolvido pelo grupo, em redes sociais e serão implementadas para dispositivos que utilizam o sistema Android desenvolvido pela plataforma MIT App Inventor. Por fim, as tirinhas também foram impressas para serem lidas em sala de aula nas turmas do Ensino Fundamental (9º ano) e Médio (1º e 2º Anos), onde aplicamos uma série de questionários para analisarmos qual o impacto que leitura das tirinhas possui no entendimento de conceitos ligados a ciência e tecnologia.

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3. Resultados e discussão As tirinhas elaboradas procuram abordar diversos conteúdos das disciplinas da área de Matemática e Ciências da Natureza. Os argumentos das tirinhas sempre abordam diversas situações cotidianas do universo infantil do garoto Guga, e as explicações científicas do personagem Buba, seu animal de estimação. A opção de sempre utilizar os mesmos personagem é estratégica para criar um identificação e apego aos personagens, e despertar interesse sobre o que acontece aos personagens. Através de um questionário, analisamos o interesse que os estudantes possuem na leitura de HQs, onde este resultado é apresentado no gráfico da figura 1.

Figura 1. Interesse por histórias em quadrinhos.

Podemos observar que 89% dos estudantes manifestaram possuir interesse na leitura de histórias em quadrinhos. Consideramos este interesse bastante significativo, quando comparado aos 11% que revelaram não possuir nenhum interesse por HQs. Este resultado demonstra que um material didático no formato de tiras pode ser uma poderosa ferramenta na tentativa de despertar o interesse dos estudantes para temas voltados a ciências e tecnologia e facilitar a compreensão de diversos conteúdos. Para a elaboração do roteiro das tiras, buscamos a leitura de revistas científicas, sites e livros. A imagem da figura 1, a tirinha elaborado pelo grupo, busca


Figura 2. Tirinha 19 do Guga & Buba publicada no site www.hqciencia.com.

explicar os conceitos de temperatura e calor, sendo que a maioria dos estudantes possuem concepções diferentes destas grandezas físicas do que é estabelecido como cientificamente aceito. A tirinha aborda o calor como uma forma de energia em movimento e temperatura como uma grandeza que está diretamente relacionada com o grau de agitação das moléculas de um corpo. O entendimento por parte do estudante destes conceitos é de fundamental importância para a interpretação e aprendizagem satisfatórias dos assuntos relacionados a termodinâmica.

Em algumas tirinhas procuramos abordar diversos assuntos de maneira interdisciplinar, relacionando conceitos da física com as disciplinas de química, biologia e matemática. Esta tentativa de relacionar disciplinas é apresentada na figura 3. A tirinha aborda a brincadeira da personagem Guga em um balaço. As explicações do personagem Buba procuram abranger conceitos físicos analisando o movimento periódico de um pêndulo, e apresentando diversas grandezas físicas que dependem o tempo de oscilação do pêndulo, tais como gravidade e comprimento da corda. No último quadro da tira é apresentado na forma textual e por imagem o movimento do personagem através do desenho de um parábola, que é um conceito importante no estudo da geometria analítica. É importante salientar que o recurso do texto aliado com a imagem é extremamente colaborativo para a fixação de conceitos (MARTINS,1997). “(...) O meio visual é menos problemático do que a linguagem” verbal-escrita “e de leitura e compreensão mais imediatas”, porque as representações gráficas “(...) parecem favorecer essa posição de que o meio visual não só é mais ‘transparente’ que a linguagem [escrita], mas também de que ele impõe menos restrições à expressão de idéias”. As tirinhas digitais (webtiras) foram impressas e aplicadas na sala de aula, ou distribuídas para estudantes em feiras científicas para a leitura. Na sala de aula, elas foram utilizadas para iniciar a discussão Revista Feira de Ciências e Cultura  |  15 


Figura 4. Gráfico comparando o número de acertos e erros dos estudantes que leram ou não as tiras.

Figura 3. Tirinha 14 do Guga & Buba no site www.hqciencia.com.

de um determinado tema, ou para que os alunos criem familiaridade com a linguagem científica e de conceitos tecnológicos, inclusive os alunos que ainda não tiveram contanto com assuntos em suas respectivas séries de estudo. Através de um questionário contendo perguntas cientificas, analisamos o números de acertos de um grupo de alunos que leram as tirinhas e confrontamos com as respostas com um grupo de alunos que responderam os questionários e não leram as tirinhas. A figura 4 apresenta o resultado do questionário aplicado. 16 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Observamos que os alunos que leram as tirinhas obtiveram 85% de acerto e uma apenas 15% de erros, representando uma diminuição significativa quando comparamos estes resultados com as respostas obtidas pelos alunos que não leram as tirinhas. Esta sondagem através dos questionários revela que os alunos se apropriaram dos conceitos científicos e de uma linguagem científica que nem sempre faz parte do seu cotidiano.


4. Conclusão Este trabalho inicialmente mostrou que uma grande quantidade de estudantes do ensino médio e fundamental possuem interesse em histórias em quadrinhos, viabilizando o uso de tirinhas, que abordam conceitos científicos, como uma ferramenta didática importante para a divulgação e alfabetização de conceitos científicos. As tirinhas elaboradas no projeto procuram abordar diversos conteúdos de forma interdisciplinar, envolvendo conteúdos de física, química, matemática e biologia. E observamos que um dos fatores que tornam as tirinhas um poderoso recurso é a união entre os textos e as imagens, pois possuem a capacidade de despertar o interesse no aluno, ilustrar conceitos e organizar ideias. Da análise dos questionários os dados demonstraram que alunos que leram as tirinhas produzidas e responderam os questionários com perguntas de cunho científico, possuem mais acertos das questões quando comparamos com as respostas obtidas do grupo de alunos que não leram as tirinhas. Referências RAMOS, P. A leitura dos quadrinhos. São Paulo, Contexto, 2009. _________. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 126p. 2002. SIQUEIRA, D.C.O. Ciência e poder no universo simbólico do desenho animado. Revista Ciência e Público, em: http://casadaciencia.ufrj.br/Publicacoes/terraincognita/ cienciaepublico. Acesso em Novembro de 2011. VERGUEIRO, W.; RAMA, A.; et al. Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula. São Paulo, Contexto, 2004. MCCLOUD, S. Desvendando os quadrinhos. São Paulo, Mbooks, 2005. EISNER, W. Quadrinhos e arte sequencial. São Paulo, Martins Fontes, 1989. MARTINS, I. O papel das representações visuais no ensino aprendizagem de ciências. In: Anais do I ENPEC, Águas de Lindóia, SP, 1997.

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Resumo. Este projeto foi elaborado para ser trabalhado com 10 (dez) alunos da 3ª série do ensino médio, do Colégio Estadual Vitória de Santa Maria, escola pública, localizada no bairro Santa Maria, em Aracaju/Se, no período de julho a outubro de 2016, com o objetivo de conhecer Aracaju, a partir da elevação à capital da província de Sergipe e suas primeiras transformações, através do seu traçado inicial, o Tabuleiro de Pirro. E assim, fomentar a conscientização da importância de valorizar e preservar a memória da nossa cidade. Percebemos que as ruas e seus nomes contam e guardam histórias, e, com esse trabalho de pesquisa, pudemos descobrir como eram feitas as escolhas dos referidos nomes e o que estes representavam no cenário sóciopolítico, com suas nuances e particularidades. A preocupação com a arborização, a disposição dos espaços residenciais e comerciais, a arquitetura dos prédios públicos e particulares e a finalidade dessas edificações, tudo marca a cultura e os padrões de uma época que se preserva ou se renova à medida que a sociedade muda seus valores e interesses. 18 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


1. Introdução As transformações que ocorreram nos principais centros urbanos, no século XIX, primeiramente, na Europa, a exemplo de Paris, que servia de modelo a ser inspirado, marcaram profundas e significativas mudanças. Tais modelos não ficaram apenas nos grandes centros, espalhou-se e chegou a terras longínquas, o Brasil. Seguindo as tendências modernistas do século XIX, Aracaju foi projetada para ser a mais nova capital do Estado de Sergipe. Assim sendo, as cidades têm sido objeto de estudo frequente, não só de intelectuais, mas de todo àquele que queira conhecer, valorizar e preservar a história de sua cidade (ABREU, 1998). Ainda, Graça (2005) completa que o interesse cada vez mais crescente pela história das cidades vem consubstanciando em inúmeras publicações por todo o mundo. A trajetória da cidade não tem sido somente mais um objeto de curiosidade de intelectuais preocupados em conhecer o próprio lócus de atuação coletiva da humanidade contemporânea, constitui-se também numa importante contribuição à elevação da cidadania. Ainda de acordo com Graça (2005): Várias foram as motivações que impulsionaram a transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, sendo as questões econômicas de maior relevância, já que havia a necessidade premente de transferir a capital de Sergipe para um local que facilitasse o escoamento da produção açucareira. Nesse contexto, o presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, assinou o decreto: Resolução nº 413, de 17 de março de 1855, determinando a transferência. Em 17 de março de 1855, Aracaju tornou-se a capital de Sergipe e uma das primeiras cidades projetadas do Brasil. O engenheiro responsável foi Sebastião Pirro, que fez um traçado baseado num tabuleiro de xadrez. Assim sendo, o objetivo do trabalho consiste em promover ao alunado, através da pesquisa, a construção do conhecimento das origens da cidade de Aracaju, a partir do Tabuleiro de Pirro, além de fomentar uma

consciência de preservação do patrimônio cultural material e/ou imaterial. De acordo com Graça (2005), assim, conhecer e reconhecer-se como parte da história da cidade é imprescindível à participação e ao exercício pleno da cidadania. Para a execução do projeto, dividiremos em três etapas que se constituem em: 1ª etapa: Pesquisas: jornais, periódicos, internet, imagens...; 2ª etapa: Visitas aos pontos determinantes para a elaboração do tabuleiro: Colina de Santo Antônio, Centro Histórico, Praças Fausto Cardoso e Olímpio Campos; e 3ªetapa: construção de maquete que possa mostrar aspectos espaciais do tabuleiro. 2. Materiais e Métodos Inicialmente, o projeto, “Ruas de Ará” foi apresentado à turma da 3ª série do ensino médio integral, do Colégio Estadual Vitória de Santa Maria. Ao todo, integraram-se à proposta um total de dez alunos. Para a execução do projeto, dividimos em três etapas que se constituíram em: 1ª Pesquisas: jornais, periódicos, internet, imagens. 2ª. Visitação aos pontos determinantes para a elaboração do tabuleiro: Centro Histórico, Praças Fausto Cardoso e Olímpio Campos. 3ª construção de maquete que possa mostrar aspectos espaciais do tabuleiro e suas toponímias que desde cedo passaram por mudanças. Para Porto (2003), apagando ou deslocando para pontos remotos ou de menor valor urbano nomes de logradouros, muitos deles já arraigados na tradição popular. A exemplo da Rua da Conceição que com a edificação da residência do Barão de Maruim passou-se a chamar Rua do Barão, depois, Rua de Japaratuba, e por fim, Rua de João Pessoa e hoje, Calçadão da João Pessoa. Várias foram as causas que motivaram as mudanças desses topônimos, uma delas remete-se ao descaso da administração pública, como pontua Porto (2003), que sacrificam as designações tradicionais das ruas à glorificação de celebridades transitória. Na primeira etapa, os alunos pesquisaram em jornais, periódicos e internet, sobre as origens de Aracaju, os motivos para transferência, e como foi projetada a nova cidade. Na etapa seguinte, produziram fichas-resumos sobre o tema objeto da pesquisa. A partir daí, fizemos as visitas in locus, indo ao Museu Revista Feira de Ciências e Cultura  |  19 


Palácio Olímpio Campos. Nesse espaço, a História é contada dentro de uma plasticidade que o passado pode ser presente na imaginação dos ouvintes. A riqueza de detalhes que vai desde a projeção da cidade até os nomes dos logradouros permite ao público construir uma identidade com base nos elementos que compuseram a riqueza patrimonial e cultural dessa cidade. A última etapa do trabalho foi a confecção de uma maquete que tinha como objetivo retratar os primeiros logradouros e prédios dentro da área do Tabuleiro de Pirro. 3. Resultados e discussão O município de Aracaju foi elevado à capital de Sergipe com a assinatura da Resolução nº 413, de 17 de março de 1855, assinada pelo então presidente da província Joaquim Inácio Barbosa. (GRAÇA. 2005) A partir de então, a cidade projetada começou a ser ocupada, principalmente, pela área delimitada pelo Tabuleiro de Pirro. As ruas do “Tabuleiro” foram abertas, sempre obedecendo as mesmas dimensões. Deram espaço para as construções particulares e também a prédios públicos, a exemplo da casa do Barão de Maruim, Barão de Propriá, do Palácio do Governo, Igreja do São Salvador, A Cadeia, Alfândega e a Mesa de Rendas Provinciais. Se por um lado, as primeiras ruas foram abertas obedecendo a um padrão, por outro, verificamos que os mesmos critérios não foram aplicados na preservação dos nomes dos logradouros, pois constatamos que essa prática de mudança tinha o intuito de homenagear pessoas ou apenas para dar um tom mais pomposo ou mesmo poético. A constatação da prática de mudanças se deu a partir do exemplo do nome da rua que permeia o Rio Sergipe, popularmente conhecida como Rua da Frente, e, oficialmente batizada como Rua da Aurora. No entanto, segundo Porto (2003), Rua da Frente sempre sobrepujou o de Aurora e ainda hoje, depois de várias mudanças, ele é invocado talvez mais que o nome oficial, num caso singular, em Aracaju, com o nome antigo predominando sobre os mais novos. Tudo isso decorrente de sua destacada posição topográfica e da que teve na vida da cidade. É interessante perceber, que no decorrer do tempo novos nomes foram dados 20 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

à Rua da Aurora (Av. Rio Branco e Av. Ivo do Prado), mas continua na memória coletiva e cotidiana o uso do nome “Rua da Frente”. Um outro exemplo da celeuma de nomes das primeiras ruas de “Ará” é a da Rua da Conceição. Havia rumores de que a atual capital não permaneceria por muito tempo em Aracaju. O Barão de Maruim, proprietário de vários terrenos, resolveu construir sua residência, e também, doou lotes de terra a familiares e amigos, a fim de promover a ocupação da mais jovem cidade. Mediante essa ocupação, e, pela relevância política do Barão, passou a ser nomeada popularmente, Rua do Barão, pois, oficialmente era Rua da Conceição. Em 08 de janeiro de 1873, a Câmara Municipal denominou que a partir de então a Rua da Conceição seria Rua de Japaratuba, em homenagem ao Barão de Japaratuba, também residente nesse espaço. Em 1930, mais uma mudança: a Rua de Japaratuba passou a ser chamada Rua João Pessoa. Cada vez mais o patrimônio cultural tem recebido um novo olhar, uma vez que, é o conjunto de todos os bens culturais, materiais e imateriais, antigos e novos, representativos das manifestações de um povo. Nesse contexto, o trabalho insere-se na questão da preservação do patrimônio cultural. A vida agitada do dia a dia, muitas vezes, não nos permite parar e observar o patrimônio cultural da nossa cidade. Passamos pelo centro histórico, onde encontramos vários logradouros que foram marcos do início de Aracaju, como capital da província, a exemplo da Escola Normal (Rua do Turista-hoje, Rua 24 horas e Centro de Turismo) e não nos atentamos a isso. Outro exemplo da nossa história que passam despercebidas são as pinturas feitas em azulejos por artistas como: Jenner Augusto e Tintiliano. Mediante as constatações, os alunos foram motivados a pesquisarem a respeito da transferência de Aracaju e seus primeiros logradouros. Foram despertados para algo que até então não conheciam: os nomes antigos das ruas atuais e não só isso, imergiram através da pesquisa no passado e compreenderam o quão importante é preservá-lo. Para representar o que foi pesquisado e apreendido durante o processo de execução do projeto, construíram uma maquete, objetivando destacar a ideia


primeira da cidade projetada por Sebastião Pirro. Nessa elaboração, o grupo reuniu-se diversas vezes, para a confecção do produto final. Vale ressaltar que, para que essas reuniões ocorressem, havia a obrigatoriedade da presença dos professores responsáveis, pois, não é permitido ao alunado permanecer no espaço escolar sem estar em companhia de um professor, seja no laboratório de informática, seja em qualquer outro ambiente. Também, percebemos que em alguns momentos os alunos se confrontavam, discordavam, questionavam, mas, logo depois, a situação era contornada. Todas essas situações, de quebra de padrões na rotina escolar, resultaram na promoção do conhecimento, produzindo crescimento individual junto ao coletivo: o aluno protagonista de suas descobertas.

4. Conclusão Na conclusão desse projeto, pudemos observar o espírito de companheirismo na resolução dos problemas oriundos do respectivo processo de aprendizagem. Como ponto positivo, percebemos com essas diferenças foram motivacionais para o crescimento do sujeito enquanto protagonista. Constatamos, então, que o objetivo do trabalho foi alcançado, uma vez que, através da interação teoriaprática, os alunos pesquisaram sobre o tema, fizeram visitas in locus, e, depois, produziram a maquete como resultado das experiências. E o mais relevante, foram despertados para um olhar de descoberta daquilo que comumente dizemos fazer parte da cidade, “memória”, e, por conseguinte, da identidade de um povo. Acreditamos que de posse desse novo olhar, os nossos alunos puderam despertar um sentimento de pertença, para assim, valorizar e preservar a memória histórica, cultural e patrimonial da nossa cidade. 5. Referências

Figura 1. Visita ao Museu Palácio Olimpio Campos

ABREU, Maurício de Almeida. Revista TERRITÓRIO, ano 111, nº 4, jan. /jun. 1998. GRAÇA, Tereza Cristina Cerqueira da. De Maçaranduba à Industrial: história e memória de um lugar. Aracaju: Gráfica Editora J. Andrade, 2005. PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns Nomes antigos de Aracaju. Aracaju: Editora J. Andrade, 2003.

Figura 2. Início da produção da maquete Revista Feira de Ciências e Cultura  |  21 


Resumo. “História e Evolução da Alimentação” foi o tema desenvolvido na 2ª Mostra de História do Colégio Estadual Professor Hamilton Alves Rocha, situado no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão. É um projeto interdisciplinar que contou com a participação dos professores e envolveu os alunos do Ensino Fundamental e Médio, que apresentaram de forma científica, lúdica e artística uma pesquisa sobre o processo evolutivo de alguns grupos humanos em determinados períodos da história sob o ponto de vista da alimentação. As ações empreendidas foram: visitas técnicas à Indústria Alimentícia, feira de produtos naturais e pizzaria orgânica; seminários; cursos práticos e culminância. 1. Introdução Alimentar-se é um hábito inerente à condição humana, sem o qual seria impossível o desenvolvimento da humanidade. Estudar a história dos povos vai além de compreender suas ações políticas, sociais, econômicas e culturais, uma vez que, esse processo evolutivo tem estreita relação com a alimentação. Por esta razão, “História e Evolução da Alimentação” foi o tema desenvolvido na 2ª Mostra de História do Colégio Estadual Professor Hamilton Alves Rocha, situado no Conjunto Eduardo Gomes, Bairro Rosa Elze, em São Cristóvão. O projeto interdisciplinar contou com a participação dos professores e alunos que apresentaram de forma científica, lúdica e artística, uma pesquisa sobre o processo evolutivo de alguns grupos humanos em determinadas épocas históricas sob o ponto de vista da alimentação. A viagem pelo passado perpassou a Pré-história, a Antiguidade, a Idade Medieval, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea, onde foi possível compreender as nuances de cada período. 22 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


Através da temática em foco, foi possível analisar alguns conteúdos, a saber: as relações de poder presentes na sociedade; a relação do homem com a natureza; as formas de produção, conservação e desperdício dos alimentos; hábitos de higiene; qualidade de vida; doenças decorrentes de uma má alimentação entre outros. Desta maneira, o projeto articulou as diversas disciplinas e conteúdos curriculares de forma integrada, proporcionando um amplo aprendizado. Com a Matemática foi possível construir gráficos e analisar patamares do quantitativo de alimentos produzidos e desperdiçados no mundo, o que daria parar sanar a fome da população. Leitura, compreensão e produção de texto, premissas básicas da Língua Portuguesa, foram indispensáveis em todas as etapas da pesquisa e da análise dos conteúdos trabalhados no Projeto. Através da Biologia, verificou-se a relação de uma boa alimentação com a saúde física e mental do ser humano. Foram identificadas doenças (diabetes, pressão alta, obesidade, doenças gástricas e cardiovasculares) advindas da má alimentação e que podem ser tratadas mediante uma alimentação saudável e consciente. A Filosofia levou-nos a refletir sobre o ato de comer, o qual vai além de uma simples ingestão e digestão de alimentos, sendo um hábito natural, mas também social e cultural que atravessa várias épocas da história humana e estabelece relações de poder na sociedade. Em cada espaço territorial, urbano ou rural, a prática alimentícia vai acompanhando as transformações socioeconômicas e geopolíticas. Por isso, a Geografia contribuiu significativamente ao fazer o mapeamento e a análise do desperdício em cada continente, desde a produção até chegar ao consumidor. Mostrando ainda como o alimento pode ser reaproveitado e quais as formas de se evitar o desperdício através da alimentação alternativa. Ao fazer uma análise dos principais componentes nutricionais presentes nos alimentos, percebemos como a ciência e a tecnologia, por meio de experimentos químicos e físicos, vêm transformando a forma de se alimentar em todo o mundo. Para atender às demandas da crescente população houve um aumento da produção de alimentos em larga escala, com isso algumas técnicas foram introduzidas, a exemplo do uso de agrotóxicos e de

inseticidas na lavoura, bem como a modificação genética dos alimentos. E que tem afetado a saúde dos seres vivos e provocado problemas ambientais. 2. Materiais e Métodos O projeto interdisciplinar realizado no Colégio Hamilton Alves contou com a participação dos professores de História, Geografia, Português, Química, Física, Matemática e Biologia e envolveu os alunos do Ensino Fundamental Maior (7º, 8º e 9º Anos) e do Ensino Médio (1º, 2º e 3º Anos), do turno vespertino. O tema “História e Evolução da Alimentação” foi dividido em subtemas, levando-se em consideração o período histórico trabalhado em cada série e a pertinência do assunto. O método analítico qualitativo foi aplicado em todo o processo, buscando construir um arcabouço teórico a despeito do assunto, através de pesquisa bibliográfica em sites, livros, revistas etc. Para tanto, utilizou-se com frequência o Laboratório de Informática da Escola e cada professor ficou responsável por uma turma. No intuito de ampliar e sedimentar o conhecimento acerca do tema, discussões e debates também foram realizados em sala de aula. O passo seguinte foi a realização de atividades práticas e visitas técnicas à Maratá Sucos do Nordeste Ltda, em Estância-SE; à Reciclaria e Aho Pizzas Artesanais; ao Horto e Farmácia Viva localizados no Parque da Sementeira, em Aracaju e à feira de produtos orgânicos, em Aracaju; palestra e oficina de Alimentação Alternativa na Escola; Seminários Integrados; apresentação de teatro de fantoche sobre alimentação saudável. Construído o arcabouço teórico e prático partiuse então para a confecção de cartazes, banners, jogos, maquetes, slides, livrinhos de receitas, pinturas e músicas para serem apresentados durante a culminância. 3. Resultados e discussão As ações empreendidas durante o Projeto tinham a finalidade de ampliar o conhecimento adquirido durante as pesquisas e conciliar teoria com a prática. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  23 


3.1. Seminários Integrados Para entender o processo evolutivo humano e sua relação com a alimentação foram realizados os Seminários Integrados. Cada turma expôs o assunto conforme os subtemas, distribuídos da seguinte forma: Alimentação na Idade Média (7º Ano A); Alimentação Indígena, Asiática, Árabe e Africana (8º Ano B); Alimentação no Brasil Colônia, Império e República (9º Ano B); Alimentação na Antiguidade Clássica: Grécia e Roma (1º Ano C); Alimentação na Pré-história e na região do Crescente Fértil - Egito, Mesopotâmia, Hebreus, Persas e Fenícios (1º Ano D); Alimentação Industrializada (2º Ano C); Desperdício de alimentos e água no planeta e reaproveitamento de alimentos (2º Ano D); Alimentação saudável e consciente (3º Ano C). Os Seminários (Figuras 1 e 2) foram importantes para socializar o conhecimento adquirido com as pesquisas e também perceber as dificuldades e os obstáculos enfrentados pelos alunos na elaboração dos trabalhos e confecção dos materiais (maquetes, banners, cartazes, slides, teatro de fantoches etc), favorecendo a troca de experiências.

Deste modo, constatou-se que através do hábito de alimentar-se é possível identificar o perfil de uma sociedade com sua cultura, crenças, técnicas e contradições (FRANCO, 2010). 3.2. Visitas técnicas A fim de aprofundar o conhecimento sobre alimentação saudável e consciente, comparando custos e benefícios, os alunos do 3º Ano C juntamente com os professores visitaram uma feira orgânica na cidade de Aracaju, onde puderam perceber as diferenças de um alimento orgânico e natural daquele que contem agrotóxicos. No Horto e na Farmácia Viva (Figuras 3 e 4), localizados no Parque Augusto Franco (Sementeira), a bióloga explicou alguns tipos de plantas essenciais na complementação de uma alimentação nutritiva e saudável. Em seguida, mostrou e explicou algumas plantas usadas como remédios e na constituição de uma alimentação alternativa.

Figura 1. Apresentação de Seminário sobre Alimentação na Idade Média (7º Ano A). (Fonte: arquivo do autor)

Figura 2. Apresentação de teatro de fantoche sobre Alimentação Saudável (3º Ano C). (Fonte: arquivo do autor) 24 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 3 e 4. Visita técnica à Farmácia Viva e ao Horto, no Parque da Sementeira (3º Ano C). (Fonte: arquivo do autor)


Na Aho Pizzas Artesanais, situada na Reciclaria, em Aracaju (Figuras 5 e 6), os alunos e professores degustaram pizzas orgânicas e sucos naturais, mas antes os responsáveis pelo estabelecimento deram alguns esclarecimentos acerca da problemática dos alimentos transgênicos, consumismo e impactos ambientais. Para discutir esta questão, ganha destaque a obra de Portilho (2005), que traz à tona alguns questionamentos interessantes mostrando a questão ambiental como um problema relativo aos estilos de vida e de consumo.

Figura 7 e 8. Visita técnica à Maratá Sucos do Nordeste Ltda, em Estância-SE (2º Ano C e D). (Fonte: arquivo do autor)

Figura 5 e 6. Visita técnica à Aho Pizzas Artesanais com palestra e degustação (3º Ano C). (Fonte: arquivo do autor)

Na visita técnica à Maratá Sucos do Nordeste Ltda, em Estância-SE (Figuras 7 e 8), os alunos do 2º Ano C e D verificaram o funcionamento de uma indústria alimentícia, observando passo a passo o processo de triagem, produção, conservação, armazenagem e distribuição do produto.

3.3. Palestra e oficina de Alimentação Alternativa A oficina (Figuras 9 e 10) foi direcionada aos alunos, pais e professores. Numa abordagem clara e dinâmica a fitoterapeuta Ivonete Costa Oliveira Freitas esclareceu o que é e qual a importância da alimentação alternativa, mostrando como reaproveitar tudo do alimento para se evitar o desperdício e manter a refeição mais natural e nutritiva. O Brasil além de grande produtor de alimentos é também um dos que mais desperdiçam e, segundo pesquisas, quase metade da comida produzida no mundo é jogada fora e boa parte desse desperdício acontece em casa, daí a importancia da oficina.

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Verificou-se que com o crescimento da população cresce também o papel da ciência e da tecnologia como aliadas no combate à fome e ao desperdício no planeta, fomentando técnicas que aumentem a produção sem perder a qualidade nutricional dos alimentos. Referências

Figura 9 e 10. Palestra e oficina sobre Alimentação Alternativa com alunos, professores e pais. (Fonte: arquivo do autor)

4. Conclusão Através da 2ª Mostra de História e sua temática “História e Evolução da Alimentação”, os alunos adquiriram um maior conhecimento sobre a história das civilizações e sua relação com a alimentação, identificando algumas questões pertinentes como: relações de poder presentes na sociedade; relação do homem com a natureza e suas tecnologias; formas de produção, distribuição, conservação e desperdício dos alimentos. Além disso, o projeto também buscou conscientizar o público a respeito de uma alimentação saudável e consciente, quebrando mitos e paradigmas de que “comer bem é comer muito”, ou de que “alimentação saudável é ruim e cara”, visto que ainda é grande a falta de informação da população sobre o assunto. As ações empreendidas foram direcionadas no sentido de elucidar e sedimentar o conhecimento histórico e interdisciplinar. 26 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

ALVIM, Moema de Castro. Os cereais na alimentação humana. Disponível em: <http://pinheiroempauta.blogspot. com.br/2014/06/os-cereais-na-alimentacao-humana.html>. Acesso em julho de 2016. Coisas de alimentos um olhar diferente sobre os alimentos. Disponível em <http://coisasdealimentos.blogspot.com. br/2013/04/alimentacao-ao-longo-dos-tempos.html>. Acesso em agosto de 2016. Conheça 18 dicas para evitar o desperdício de alimentos em casa. Disponível em<http://www.ecycle.com.br/component/ content/article/62-alimentos/1562-conheca-18-dicas-para-evitar-o-desperdicio-de-alimentos.html>. Acesso em julho de 2016. FRANCO, Ariovaldo. De Caçador a Gourmet - Uma História da Gastronomia. São Paulo: Senac, 5ª ed. 2010. LEONARD, William R. Alimentos e evolução humana: mudança alimentar foi a força básica para sofisticação física e social. Disponível em<http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/alimentos_e_evolucao_humana.html. Acesso em julho de 2016. MIAN, Sandra. A Sopa da Idade da Pedra é muito parecida com a receita da minha avó. Disponível em <http://www. ruadoalecrim.com.br/blog/entrevistas/a-sopa-da-idade-da-pedra-e-muito-parecida-com-a-receita-da-minha-avo/>. Acesso em julho de 2016. PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. São Paulo: Cortez, 2005.


Resumo: Prática educativa e sustentável: Reciclagem do óleo de cozinha utilizado pela comunidade escolar na produção de sabão ecológico, vendo sendo desenvolvido por professores e alunos bolsista do PIBIC_Jr, do Colégio Estadual Prof. Hamilton Alves, em São Cristóvão.Tem a finalidade de discutir as causas e consequências do impacto ambiental causado pelo descarte indevido do óleo de cozinha na pia, pois além de causar o entupimento do encanamento e refluxo de esgoto, contamina as fontes de água doce. O objetivo principal é a reciclagem do óleo de cozinha, armazenado pela comunidade escolar, para a produção de um sabão ecológico e destruição na escola. 1. Introdução A Reciclagem permite reduzir o consumo de matérias-primas, de utilização de energia e a poluição do ar e da água, ao reduzir também a necessidade de tratamento convencional de lixo e a emissão de gases do efeito estufa (MELO & CASTRO, 2014). No Brasil existem diversas organizações e leis em defesa do meio ambiente, mas mesmo assim ainda são ineficientes os programas de conscientização e preservação do meio ambiente, assim como a fiscalização e punição dos causadores de danos ambientais. Dentre os desastres ambientais a contaminação e a escassez das águas de rios e lagos têm preocupado toda a sociedade, isso porque da água doce existente no planeta apenas 0,3% está disponível para o consumo (TOZONI-REIS, 2006). Revista Feira de Ciências e Cultura  |  27 


Um dos agentes de contaminação da água é o óleo de cozinha, pois cada litro de óleo despejado pode poluir cerca de um milhão de litros de água. Essa poluição provoca a mortandade de peixes e de outros animais aquáticos, encarece o processo e prejudica o funcionamento das estações de tratamento de água. Outro problema é o acúmulo de óleo e gordura nos encanamentos, pois pode causar entupimentos e refluxo de esgoto (BORTOLUZZI, 2011; MELO & CASTRO, 2014). Para minimizar os impactos provocados pelo óleo de cozinha, a sua reciclagem e transformação em sabão é uma prática que pode ser realizada por qualquer cidadão, além de baixo custo é uma estratégia de reaproveitamento de resíduos de forma ecológica (RIBEIRO et al, 2010). Diante desse exposto, o projeto “Prática educativa e sustentável: Reciclagem do óleo de cozinha utilizado pela comunidade escolar na produção de sabão ecológico”, vem sendo um veículo de discussão no âmbito escolar sobre as questões ambientais, especialmente no que diz respeito à poluição por causa do óleo de cozinha. Este projeto, vem sendo executado pelos professores coordenadores e voluntários, assim como alunos-bolsistas e voluntários do Colégio Estadual Professor Hamilton Alves Rocha, localizado no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão-SE. A motivação desse trabalho é centrada na oportunidade de que nossos alunos estarão em contato com a Pesquisa e com a Ciência, assim como na tecnologia de fabricação de sabão ecológico. Além disso, o projeto contribuirá na formação de cidadãos intelectualmente críticos e participativos das questões socioambientais. 2. Materiais e métodos O presente projeto é desenvolvido por professores das diversas disciplinas e alunos dos 2ºs e 3ºs anos do Ensino Médio, dos turnos vespertino e noturno, do Colégio Estadual Professor Hamilton Alves Rocha, localizado no Conjunto Eduardo Gomes, no bairro Rosa Elze, em São Cristóvão-SE.

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O trabalho foi desenvolvido nas seguintes etapas: I) Pesquisas em sites de internet, artigos científicos e em livros acadêmicos, sobre reciclagem, produção de sabão caseiro, impactos ambientais; II) Aplicação de um questionário junto aos alunos do Colégio Hamilton Alves, a fim de levantar o consumo e descarte mensal do óleo de cozinha em suas residências; os conhecimentos dos alunos sobre os impactos ambientais causados pelo descarte indevido do óleo de cozinha; III) Visitação ao Bairro Rosa Elze para registrar e fotografar os impactos ambientais da localidade, com ênfase ao saneamento básico, coleta do lixo e poluição às margens do Rio Poxim; IV) Discussão dos dados levantados sobre os impactos ambientais na comunidade do Hamilton Alves e do questionário respondido pelos alunos; V) Campanha na escola para mobilizar os alunos a armazenar o óleo de frituras de suas casas; parceria com a empresa de coleta de óleos saturados, a Recigraxe; VI) Produção do sabão ecológico a partir do óleo de cozinha recolhido pelos alunos. Todo o processo de filtração do óleo à fabricação do sabão ecológico foi executado no laboratório de ciências do Colégio Hamilton Alves. 3. Resultados e discussão 3.1. Pesquisa de campo no bairro Rosa Elze Foi detectado nas visitas pelas ruas do bairro Rosa Elze alguns problemas ambientais, dentre eles, a poluição às margens do rio Poxim (Figuras 1 e 2); descarte de lixo e resto de materiais de construção em via pública, esgotos transcorrendo pelas ruas e ruas não asfaltadas (Figuras 3 e 4).


De acordo com informações dos alunos que moram no Bairro, a população também é responsável pelo descarte indevido do lixo e de resto de material de construção nas ruas, pela poluição às margens do Rio Poxim. No entanto, é sabido que o governo pouco tem feito para sanar os problemas ambientais da região. 3.2. Análise do questionário Diante dos questionários respondidos pelos 350 alunos do Ensino Fundamental e Médio, houve a possibilidade de quantificar, tabular e transformar em gráficos para melhor visualização dos resultados obtidos. Quando perguntado sobre a forma de descarte, a maioria das famílias dos alunos descarta o óleo de cozinha de forma indevida (87%), sendo que apenas 4% doam para alguma empresa de reciclagem, como pode ser visto na figura 5.

Figura 1 e 2. Moradia e descarte indevido do lixo nas margens do Rio Poximdo bairro Rosa Elze. (Fonte: arquivo do autor)

Figura 5. Forma de descarte do óleo de cozinha pela comunidade escolar.

Quanto ao consumo de óleo mensal, foi detectado, conforme figura 6, que 31% dos alunos consomem três frascos de óleo (900 mL/fraco); 25% consome dois frascos e 15% quatro frascos.

Figura 3 e 4. Problemas de saneamento básico e descarte indevido de lixo nas ruas do bairro Rosa Elze. (Fonte: arquivo do autor)

Figura 6. Percentual do consumo mensal de óleo de cozinha (frasco de 900 ml) pelas famílias dos alunos do Colégio Hamilton Alves. (Fonte: Arquivo do autor) Revista Feira de Ciências e Cultura  |  29 


3.3. Produção de sabão ecológico Os óleos armazenados pela comunidade escolar passaram por alguns procedimentos no laboratório de ciências da escola, entre eles, a filtração (Figura 7) para a remoção das impurezas e a estocagem em garrafas “PET” identificadas pela equipe do projeto (Figura 8).

Figura 7 e 8. Filtração e armazenamento das amostras de óleo de cozinha doadas pela comunidade escolar. (Fonte: arquivo do autor)

Para a produção do sabão ecológico foram utilizadas as metodologias, propostas por Alberici & De Pontes (2004) e Bortoluzzi (2011). Devido à emissão de gases do processo reacional, a etapa de obtenção do sabão foi realizada fora do laboratório de ciências, conforme figuras 9 a 11. 30 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 9 a 11: Etapas do processo de preparação do sabão ecológico. (Fonte: arquivo do autor).


4. Conclusão Este trabalho de conscientização será contínuo no ambiente escolar, pois somente assim é possível formar cidadãos que se envolvam nas questões socioambientais. Os sabões ecológicos produzidos são doados para a própria comunidade escolar. A parceria com a Recigraxe, empresa coletora de óleos saturados, é uma das perspectivas do trabalho, assim como a confecção de uma revista em quadrinhos para sensibilizar de forma dinâmica e educativa, a comunidade escolar e local do Colégio Hamilton Alves, sobre os impactos ambientais provocados pelo óleo de cozinha descartado na pia. Referências ALBERICI, R. M.; DE PONTES, F. F. F. Reciclagem de Óleo Comestível usado através da Fabricação de Sabão. Eng. Ambient., Espírito Santo do Pinhal, V.1, N.1, 2004. BORTOLUZZI, O. R. S.. A poluição dos subsolos e águas pelos resíduos de óleo de cozinha. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade de Brasília. Departamento de Biologia. Formosa-GO, 2011. MELO, R. A. A.; CASTRO,V. D. Análise da destinação do óleo de cozinha residual na Região Oeste de Belo Horizonte/ Minas Gerais e sua transformação de forma sustentável. E-xacta, Belo Horizonte, Editora UniBH, v. 7, n. 2, 2014. RIBEIRO, E. M. F.; MAIA, J. O.; WARTHA, E. J. Química Nova na Escola. As Questões Ambientais e a Química dos Sabões e Detergentes. Vol. 32, N° 3, 2010. TOZONI-REIS, M. F. C. Temas ambientais como “temas geradores”: contribuições para uma metodologia educativa ambiental crítica, transformadora e emancipatória. Educar, Curitiba: Editora UFPR, n. 27, p. 93-110, 2006 RECICLAGEM. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/ Reciclage. Pesquisa realizada em 24 de abril 2016.

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Resumo. O trabalho consistiu em construir um biodigestor para produzir energia elétrica a partir da decomposição anaeróbia dos resíduos orgânicos, contribuindo assim, para a redução da quantidade de lixo e a poluição no meio ambiente. Melhorias e ajustes ainda estão sendo implementados de forma a aumentar o rendimento de produção do biogás e, consequentemente, a produção de energia. O projeto destaca-se como uma fonte renovável de energia elétrica, minimizando os efeitos poluidores decorrentes da decomposição do lixo orgânico presente no ambiente, com possibilidades reais de retorno financeiro diante da economia de energia propiciada pela produção do biogás. 1. Introdução A quantidade de resíduos orgânicos que são desperdiçados diariamente é exorbitante. De forma a evitar sérios problemas de poluição, existe a possibilidade de reaproveitar esses resíduos transformando-os em biogás, mediante a utilização de um biodigestor para gerar energia elétrica. O biogás é um tipo de gás inflamável produzido a partir da mistura de dióxido de carbono e metano e o aproveitamento do mesmo ocasiona uma redução no potencial de poluição do meio ambiente (Alves et al., 2017). 32 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


O biogás pode ser utilizado para produzir energia elétrica, contribuindo para a redução da quantidade de lixo e também da poluição ambiental na cidade. Na indústria petroquímica ele é utilizado como combustível veicular em substituição ao gás natural, podendo ser usado também como fonte de energia elétrica através de geradores, contribuindo para um aumento de renda para algumas empresas, devido ao seu baixo custo. A maioria dos lugares que se frequenta está cercada de materiais orgânicos. Denomina-se por biomassa todos os materiais, que pela ação de diferentes tipos de bactérias, entram em decomposição. O biogás proveniente da atividade dos microorganismos é composto por uma mistura de diversos gases, entre eles o metano, o dióxido de carbono, o hidrogênio e o dióxido de enxofre. O biogás é inflamável devido ao metano, gás mais leve que o ar, sem cor e odor. O que causa o odor no biogás é o dióxido de enxofre, que mesmo em quantidades pequenas é perceptível pelo olfato e bastante corrosivo (ZANIN et al., 2010). De acordo com Prati, 2010, os microrganismos que atuam na ausência de oxigênio atacam a estrutura de materiais orgânicos complexos, produzindo compostos simples como o metano e o dióxido de carbono. Para que ocorra a fermentação da matéria orgânica, essas bactérias precisam de um ambiente favorável para seu crescimento e desenvolvimento, tais como a ausência de compostos químicos tóxicos (sabão, detergente); temperatura adequada (entre 30 e 45°C); presença de matéria orgânica (dejetos) e ausência de ar (OLIVER et al., 2008). Configura-se como biodigestor, o equipamento em cujo interior se propiciam condições controladas de temperatura, umidade, homogeneidade e aeração durante a produção de composto. Nele ocorre a produção de gás metano (biogás), que pode ser usado como combustível, uma parte sólida que decanta no fundo do tanque (biofertilizante) e uma parte líquida que corresponde ao efluente mineralizado (tratado). (OLIVER et al., 2008). Assim, o trabalho consistiu em construir um biodigestor para produzir energia elétrica a partir da decomposição anaeróbia dos resíduos orgânicos,

contribuindo assim, para a redução da quantidade de lixo e da poluição no meio ambiente, possibilitando à população uma energia limpa, renovável e com baixo custo. 2. Materiais e Métodos O projeto foi desenvolvido com alunos do 3º ano do Curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio nas dependências do Instituto Federal de Sergipe, campus Aracaju. Na confecção da caixa de fermentação foram utilizados diversos materiais, como por exemplo, ferro galvanizado, eletrodos de solda de alumínio, manômetros, válvulas de pressão e mangueiras para a saída de gás combustível. Para a construção do biodigestor utilizou-se uma caixa metálica de alumínio antioxidante (50cm x 50cm x 20cm), adaptou-se uma mangueira para gás em PVC flexível, para possibilitar a saída do gás produzido; acoplou-se um regulador de gás de metal (Φ= 3/8”) e um manômetro analógico, para que fosse possível medir a pressão de biogás presente na caixa metálica. 3. Resultados e Discussão O custo total do projeto do biodigestor ficou em torno de R$ 554,00, sem considerar os acessórios necessários à conversão do gás em energia elétrica. O biodigestor que foi construído (Figura 1) é um tanque protegido do contato com o ar atmosférico, em cujo interior se propiciam condições controladas de temperatura, umidade e homogeneidade, onde os resíduos são metabolizados por bactérias, produzindo o biogás e o biofertilizante. A quantidade de gás produzido está diretamente relacionada com a quantidade de dejetos e de água por dia. Em um biodigestor de dimensões pequenas com um volume de 0,05 m³, foi possível produzir 6 m³/mês de biogás, com uma carga diária de 5 kg de esterco e 5 litros de água, levando em consideração 35 dias para a retenção hidráulica (OLIVER et al., 2008). Com essa produção é possível chegar a uma energia equivalente a 33 kWh/mês, podendo manter 4 lâmpadas fluorescentes de 23W por 12 horas/dia ou um Revista Feira de Ciências e Cultura  |  33 


ventilador de 135W ligados por 8 horas/dia por um mês completo (OLIVER et al., 2008). Para a conversão do gás em energia elétrica foi utilizado um motor Sterling que é constituído por dois pistões, lâmpadas led, uma polia, correia e gerador. O pistão de ar quente é responsável em produzir o trabalho do motor a partir do aquecimento gerado pela combustão do biogás e o pistão frio é responsável pela compressão e descompressão do sistema. O ciclo geral consiste em comprimir o gás (ar fresco), o aquecimento do gás, a expansão do gás quente e, finalmente, o arrefecimento do gás antes de se repetir o ciclo.

Figura 1: Biodigestor construído e motor acoplado ao mesmo.

Resultados preliminares na obtenção do biogás produziram energia suficiente para acionar 4 leds de alto brilho. Melhorias e ajustes ainda estão sendo implementados de forma a aumentar o rendimento de produção do biogás e, consequentemente, a produção de energia. 4. Conclusões As preocupações em preservar o meio ambiente em virtude da necessidade de ampliar a matriz energética brasileira fazem com que a ideia de utilização dos resíduos orgânicos para geração de energia elétrica surja como meio de investimento a ser considerado. Assim, o projeto destaca-se como uma fonte renovável de energia elétrica, minimizando os efeitos poluidores decorrentes da decomposição do lixo orgânico presente no ambiente, com possibilidades reais de retorno financeiro diante da economia de energia propiciada pela produção do biogás. 34 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

5. Referências Bibliográficas ZANIN, A.; BAGATINI, F. M.; PESSATTO, C. B. Viabilidade econômico-financeira de implantação de biodigestor: uma alternativa para reduzir os impactos ambientais causados pela suinocultura. Custos e agronegócio on line - v. 6, n. 1 Jan/Abr - 2010. ALVES, R. T.; GUNTZEL, D. J.; REGHELIN, C. G.; BARICHELLO, R. Geração de Energia Elétrica com Biogás: Um Caso Prático na Suinocultura. 1° SAEP – Semana Acadêmica da Engenharia de Produção – FAHOR. 2010. Disponível em: <http://www.fahor.com.br/publicacoes/ saep/2010_geracao_energia_suinocultura.pdf>. Acesso em: 25 de Setembro de 2017. OLIVER, A. P. M.; SOUZA NETO, A. A.; QUADROS, D. G.; VALLADARES, R. E. Manual de Treinamento em Biodigestão. Disponível em <http://www.ieham.org/html/docs/Manual_ Biodigestao.pdf.>. Acesso em: 25 de Setembro de 2016. PRATI, L. Geração de energia elétrica a partir do biogás gerado por biodigestores. Monografia, UFPR, Curitiba-PR, 2010.


Resumo. O óleo de fritura utilizado em residências, estabelecimentos comercias, como restaurantes, bares é de fundamental importância no preparo de diversos alimentos, mas o seu descarte incorreto no ralo das pias agride o meio ambiente, o Brasil produz 9 bilhões de litros de óleos vegetais por ano onde boa parte não está sendo reciclado. Tendo em vista a importância da preservação da natureza e a formação de alunos conscientes, ao lidar com o meio ambiente de forma correta, o trabalho que segue, visa informar de forma clara, objetiva conceitos como reciclagem, coleta seletiva, preservação ambiental, voltado para uma sociedade mais sustentável. 1. Introdução O Brasil se destaca como um dos maiores produtores de soja do mundo, bem como sua grande utilização como na culinária, na preparação de alimentos que são submetidos a processos de fritura, à altas temperaturas, o óleo começa a sofrer um processo de degradação, este processo tem incentivado pesquisadores do mundo todo a avaliarem as alterações produzidas nos óleos, quando os mesmos são submetidos a aquecimentos prolongados, assim determinando-se que é hora de descartar o óleo. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  35 


A crescente preocupação em relação ao meio ambiente e o aumento do uso do óleo de cozinha, frequentemente utilizado em frituras, sem falar no mal que o “excesso” pode causar ao organismo, também produz dano ao meio ambiente se jogado pelo ralo da pia, pois provoca o entupimento das tubulações nas redes de esgoto, aumentando em até 45% os seus custos de tratamento (BIODIESEL, 2008). Visando a importância da preservação da natureza e a formação de alunos conscientes para lidar com o meio ambiente de forma correta, o trabalho que segue visa informar de forma leve e objetivos conceitos como: reciclagem, coleta seletiva, preservação ambiental, voltado para uma sociedade mais sustentável. A reação de saponificação é aquela em que um éster reage em meio aquoso com uma base forte, ou seja, é uma hidrólise alcalina. Essas reações são denominadas de reações de saponificação porque, quando ocorre uma reação desse tipo, com um triéster proveniente de ácidos graxos, formam-se os sabões. 1. Materiais e Métodos 1.1 Aplicação de um questionário Através de uma abordagem nas residências dos moradores, da comunidade de São Francisco/Se. Foram entrevistadas 50 residências de forma aleatória.

frasco de detergente de 500mL, e por último 100g de sabão em pó. Após o término a pasta foi adicionada a duas vasilhas para acomodação, após 5 dias o sabão foi testado com água para se avaliar a formação de espuma. 1.4 Distribuição do Sabão para a População Após a fabricação do sabão foi feita a entrega do sabão para as pessoas que contribuíram para a coleta de óleo, tendo em vista conhecer a opinião da população sobre o resultado. 2. Resultados e discussão Após a coleta de dados e os mesmos tabulados, obteve-se os resultados a seguir. De acordo com o assunto abordado no trabalho, é preocupante a degradação do meio ambiente que vem ocorrendo nos últimos anos devido ao descarte incorreto de resíduos poluentes, como o óleo de cozinha usado. Quanto a quantidade de óleo descartado no mês pelos moradores, observa-se que a maior parcela 46% descartam 1L durante o mês, 24% descartam de 1L a 2L, 12% descartam de 2L à 3L e 18% descartam 4L ou mais. Dessa forma é possível observar que uma quantidade significativa é descartada de forma incorreta no meio ambiente, conforme observado no gráfico (Figura 1).

1.2 Arrecadação do óleo Após a aplicação do questionário, foi feita uma nova abordagem nas residências após 15 dias do prazo solicitado para a coleta, para a fabricação de sabão. 1.3 Fabricação do Sabão Para realização desse experimento foram aquecidos 1,5 Litros de água, antes de acontecer a fervura, foi adicionada 1kg de hidróxido de sódio, popular soda cáustica, em seguida foi adicionado 5 litros de óleo, misturando-se por cerca de 30 minutos até formação de uma pasta, depois foi adicionado um 36 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 1: Qual a quantidade de óleo de fritura descartado no mês em sua residência? (Fonte: Pesquisa de campo)


De acordo com gráfico 02, observa-se que 64% das pessoas descartam o óleo em pias ou esgoto, um percentual de 14% das pessoas descarta em garrafas PET, 20% utilizam o óleo como matéria-prima, 0% das pessoas utilizam como venda e 0% como doação para entidade. Vale destacar aqui que o percentual de despejo incorreto, sendo na pia ou esgoto demonstra que a população contribui muito para degradação do meio ambiente.

Figura 2: Destino dado ao óleo de fritura descartado. (Fonte: Pesquisa de campo)

Observa-se no gráfico abaixo (Figura 4) que 92% das pessoas tem consciência do reaproveitamento do óleo de fritura, para a fabricação de sabão. Somente 8% das pessoas não tinham consciência sobre o reaproveitamento.

Figura 4: Você sabia que dá para aproveitar o óleo, até mesmo para a fabricação do sabão. (Fonte: Pesquisa de campo)

Observa-se no gráfico abaixo (Figura 03), que sobre a contaminação resultante do óleo de fritura, 50% das pessoas tem informação de que 1L de água pode contaminar 1 milhão de litros de água, e os demais 50% das pessoas sabem que o óleo contamina mais de 1 milhão de litros mas ainda despesa de forma incorreta.

Figura 5: Gostaria de contribuir com o armazenamento do óleo em garrafa PET durnte 15 dias, para a coleta e fabricação de sabão? (Fonte: Pesquisa de campo)

Figura 3: Um litro de óleo despejado de forma errada poderá contaminar até 1 milhão de litros de água, você tem consciência dessa informação? (Fonte: Pesquisa de campo)

Observa-se gráfico acima (Figura 5) que 2% não se propuseram a contribuir com o armazenamento do óleo durante 15 dias, 98% das pessoas entrevistadas se comprometeram em contribuir com o armazenamento. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  37 


Com ênfase na importância da preservação da natureza e a formação de alunos conscientes para lidar com o meio ambiente de forma correta, o objetivo desse trabalho é informar de forma leve e objetiva conceitos como: reciclagem, coleta seletiva, preservação ambiental, voltado para uma sociedade mais sustentável. A figura 6 mostra da esquerda para direita: a entrevista com a aplicação do questionário nas residências de São Francisco, fabricação do sabão com o óleo de fritura e o sabão já pronto para o uso.

4. Conclusão Este trabalho utilizou uma temática social para trabalhar com os alunos os conhecimentos científicos referentes a reações de saponificação, realizando um trabalho social de conscientização sobre a preservação do meio ambiente, não somente com eles, mas envolvendo a comunidade. A realização da experimentação, produção de sabão, envolveu os alunos e os motivou. As atividades realizadas visam a mudança de comportamento em relação ao meio ambiente, conscientizando tanto o aluno quanto a comunidade, da importância de preservar o meio ambiente com o reaproveitamento do óleo de cozinha usado. Por envolver a mudança de comportamento, é necessário acompanhamento posterior e frequente da comunidade e dos alunos, com entrevistas, questionários e observação, para perceber se o objetivo do trabalho foi realmente efetivo, pois esse tipo de mudança envolve um processo a longo prazo. Referências

Figura 6: Entrevista com a aplicação do questionário nas residências de São Francisco, fabricação do sabão com o óleo de fritura, sabão já pronto para o uso.

A entrevista com aplicação de questionário na comunidade nos possibilitou conhecer como a população descarta o óleo de cozinha e qual o conhecimento delas a respeito do seu reaproveitamento, além de conseguir o material necessário à realização do experimento cedido pela população, além da conscientização da mesma. A realização do experimento auxiliou na construção de conhecimentos relativos a reações de saponificação, juntamente com a temática social da preservação do meio ambiente, envolvendo o reaproveitamento de óleo de cozinha.

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SUPER ABRIL. Descarte de óleo de cozinha é coisa séria já pensou nisso. Disponível em <www.super.abril.com.br> Acessado em agosto de 2016. ECYCLE. O que fazer saiba como onde jogar fora descartarcoleta-formacorreta-destino-do-óleo-cozinha-comestívelfritura-domestico-velho-usado-soja-risco-saude-poluicaocontaminacao-meio-ambiente-utilidade-dica-reaproveitamentoreciclagem-sabao-caseiro-biodiesel. Disponível em: <www.ecycle. com.br > Acessado em agosto de 2016.


Resumo. A célula é unidade fundamental da vida. Identificar suas diversas estruturas e seus respectivos funcionamentos constitui-se em fatores primordiais para a compreensão dos mais variados assuntos de Biologia. Entretanto, em boa parte das escolas públicas brasileiras, o estudo citológico tem sido comprometido pela falta de laboratórios e equipamentos adequados, ou ainda, pela precarização daqueles já existentes. Nesse cenário, foram realizadas atividades de construção de maquetes de células animais e vegetais, com alunos de uma turma do 1º Ano do Ensino Médio, com o objetivo de auxiliar na identificação das principais organelas citoplasmáticas. Os resultados mostraram-se satisfatórios para o(a) ensino/ aprendizagem. 1. Introdução Com o advento do microscópio composto em 1663, criado pelo cientista inglês Robert Hooke, a Citologia ganhava corpo e forma. A partir desse momento um “novo” mundo passou a ser conhecido pelas civilizações humanas que, por sua vez, culminou com o rompimento de vários paradigmas da época e avanços consideráveis para a medicina, tais como a descoberta e a identificação dos modos reprodutivos de diversos agentes infecciosos (ALMEIDA; MAGALHÃES, 2010).

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No âmbito escolar a transferência dos conteúdos pertinentes a este ramo da Ciência, muitas vezes, tem se dado sem qualquer nexo com a realidade dos educandos. Além disso, as públicas brasileiras, em sua maioria, não dispõem de qualquer tipo de laboratório de Ciências ou de Biologia e, quando o tem, os mesmos passam por um processo de precarização muito grande. Nesse cenário, não resta muitas opções aos professores, a não ser seguir o tripé da educação tradicional: Aula expositiva – Exercícios – Avaliação (KRASILCHIK, 2000). O presente trabalho trouxe uma proposta diferente para a Citologia ser abordada em sala de aula. Ele teve como objetivo estimular os alunos do 1º Ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual Professor Gentil Tavares da Mota – CEPGTM, Frei Paulo, Sergipe, a compreender e visualizar as estruturas celulares, através da construção de maquetes representativas de células eucarióticas animais e vegetais, evidenciando assim suas funções e as principais diferenças entre cada uma.

Para a construção das maquetes foram fornecidas duas imagens, extraídas de livros de didáticos de Biologia, representando as células eucarióticas animais e eucarióticas, bem como suas respectivas organelas citoplasmáticas (Figura 1).

2. Materiais e Métodos 2.1 Construção das maquetes Para a confecção das maquetes foram utilizados materiais de baixo custo e de fácil acesso, encontrados na escola, em papelarias ou até mesmo em casa (Tabela 1).

Figura 1: A – Célula eucariótica animal; B – Célula eucariótica vegetal. Fonte: brasilescola.com

A turma composta por 30 alunos, na sua maioria do sexo feminino, foi dividida em três equipes e, em cada uma delas, as células foram construídas sobre uma placa de isopor, pintada com tinta guache preta e azul escura para contrastar com as estruturas celulares. Em seguida, as organelas citoplasmáticas celulares, representadas na figura acima, foram moldadas com massa de modelar e coladas sobre as células com cola quente. Para confeccionar o núcleo, foram utilizadas bolas de isopor, que destacavam através de pinturas, os poros da membrana nuclear, o nucléolo e o material

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genético. O citosol contido na região do citoplasma foi feito utilizando-se de gel para cabelo. Já a membrana plasmática foi produzida utilizando folhas de EVA, por serem maleáveis e facilitar o molde ao longo da maquete. Vale ressaltar que cada estrutura foi devidamente etiquetada com o auxílio dos palitos de dentes e recortes de folha A4. 2.2 Avaliação

Figura 1: Apresentação das células eucarióticas animal e vegetal. A – grupo 01; B – grupo 02; C – grupo 03.

A fim de avaliar se tal prática pedagógica foi eficiente para o processo de ensino/aprendizagem, durante as apresentações dos alunos, foram feitas anotações em diário de campo, onde se levou em consideração aspectos como: qualidade nas apresentações e na produção das maquetes e, ainda, se eles foram capazes de associar cada estrutura a sua função.

Além de representativas, foi possível perceber que estas maquetes ajudaram os alunos a compreender um pouco mais do universo celular. Compreensão essa que ficou evidente durante as explanações das equipes, as quais, por exemplo, conseguiram associar o nome de cada uma das organelas com a sua respectiva função. De acordo com Chassot (2003), atividades como essas despertam o interesse do aluno para a educação científica, uma vez que transformam o aluno num agente ativo na construção do conhecimento e não apenas, num ser memorizador de conceitos. Além disso, segundo Neto e Fracalanza (2003), essas atividades fogem da retórica do livro didático, o qual, muitas vezes, traz consigo discursos totalmente desvirtuados da vida dos alunos. Para Moreira e Schwartz (2009), essas atividades lúdicas possuem a capacidade de demonstrar a Ciência como processo da cultura e da vida. Sendo assim, acabam por se tornar pontos de partidas para outras discussões ou temas dentro do próprio conteúdo. Isso ficou evidente nas discussões realizadas em sala de aula, quando os alunos levantaram questionamentos sobre as principais diferenças entre as organelas citoplasmáticas vegetais e animais, além de discussões sobre o metabolismo celular, reprodução e doenças como o câncer. Dessa forma, ressaltamos que práticas pedagógicas diferentes do modelo tradicional de ensino em Biologia podem ajudar, e muito, no processo de ensino/aprendizagem, favorecendo, assim, a construção de uma educação científica de qualidade.

3. Resultados e Discussão O resultado da confecção das maquetes das células eucarióticas animais e vegetais é apresentado a seguir (Figuras 2A; B; C):

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4. Conclusão Atividades lúdicas são verdadeiros instrumentos efetivos no processo de ensino/aprendizagem de Biologia, especialmente, nos conteúdos pertinentes à Citologia, uma vez que demonstram na prática as estruturas que compõem tanto a células eucarióticas animais quanto as vegetais. Referências ALMEIDA, A. V. de; MAGALHÃES, F. de O. Robert Hooke e o problema da geração espontânea no século XVII. 2010. Scientle sutidia, v. 8, n. 3, p. 367-388. CHASSOT, A. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. 2003. Revista Brasileira de Educação, n.22, p. 89-100. KRASILCHIK, M. Reformas e realidade: o caso do ensino de ciências. 2000. São Paulo em perspectiva, v.14, n.1, p. 85-93. MOREIRA, J. C. C.; SCHWARTZ, G. M. Conteúdos lúdicos, expressivos e artísticos na educação formal. 2009. Educar, n. 33, p. 205-220. NETO, J. M.; FRACALANZA, H. O livro didático de Ciências: problemas e soluções. 2003. Ciência e Educação, v.9, n.2, p. 147-157.

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Resumo. O presente artigo descreve trabalho realizado por alunos do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, localizado na cidade de Umbaúba/SE, que teve como objetivos: identificar os principais suplementos alimentares consumidos por praticantes de musculação; compreender a importância de orientação médica para o uso de suplementos alimentares; e, entender os possíveis riscos que os suplementos alimentares podem causar ao ser humano. 1. Introdução Os suplementos alimentares, tais como vitaminas, minerais e aminoácidos são usados para servir de complemento a uma alimentação deficiente, principalmente para quem possui carências nutricionais. Quem pratica atividades físicas intensas também costuma usar os suplementos alimentares para conseguir obter melhores desempenhos e também a fim de repor as perdas nutricionais sofridas durante o exercício físico. No entanto, é importante que tenhamos consciência que o consumo de suplementos alimentares por conta própria e o uso de vários suplementos ao mesmo tempo, sem aconselhamento médico, pode ser perigoso e provocar graves danos à nossa saúde.

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Nesse sentido, nos questionamos: quais são e de que forma se dá o uso dos suplementos alimentares por praticantes de musculação da cidade de Umbaúba/SE? O presente trabalho teve como objetivos: identificar os principais suplementos alimentares consumidos por praticantes de musculação; compreender a importância de orientação médica para o uso de suplementos alimentares; e, entender os possíveis riscos que os suplementos alimentares podem causar ao ser humano. 2. Materiais e Métodos

Figura 1. Resposta da pergunta: utiliza suplementos alimentares? (Fonte: dados da pesquisa, 2016).

A pesquisa foi realizada por alunos do 3º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, localizado na cidade de Umbaúba/SE, durante o primeiro semestre de 2016. Para tanto foi realizada uma pesquisa bibliográfica e de campo. A pesquisa bibliográfica consistiu na busca de autores que explicassem os tipos de suplementos alimentares, sua ação no corpo humano e possíveis efeitos colaterais. A pesquisa de campo foi realizada com praticantes de musculação da cidade de Umbaúba/SE. O instrumento utilizado foi um questionário e as respostas foram tabuladas e analisadas à luz de autores pertinentes ao tema.

Observa-se que a maioria dos entrevistados (54,8%) utilizam suplementos alimentares. É comum a compra de algum suplemento nutricional após o início da prática de exercício físico, principalmente aqueles que prometem hipertrofia muscular, pois os indivíduos acreditam que o suplemento será o principal responsável pelo sucesso do treinamento e que a quantidade é proporcional ao desempenho (LANCHA JUNIOR, 2002). Ao perguntamos aos usuários de suplementos, se notaram benefícios (Gráfico 2), 95,6% responderam que sim. Em geral, os benefícios esperados pelos usuários são aumento da massa muscular, diminuição de gordura corporal, prolongamento da resistência, aprimorar a recuperação, e/ou gerar alguma característica que melhore sua rentabilidade esportiva. Esses resultados, muitas vezes, são obtidos com um conjunto de fatores como alimentação, treino e descanso, podendo ou não, serem ajudados pelos suplementos.

3. Resultados e discussão O questionário foi aplicado a 42 pessoas praticantes de musculação. Os dados mostraram que 64,3% dos entrevistados são do sexo feminino, mostrando que existe uma maior preocupação das mulheres em adquirir um corpo dentro do padrão de beleza estipulado pela sociedade. Quanto a idade, 23,8% dos entrevistados possuem entre 15 e 17 anos, são, portanto, jovens em processo de formação do corpo e 50% estão na faixa entre 20 e 30 anos, pessoas adultas que tem perfeito poder de decisão. Quando questionados se usam ou já usaram algum suplemento alimentar, obtivemos os seguintes resultados (Gráfico 1): 44 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Figura 2. Resposta da pergunta: notou benefícios? (Fonte: dados da pesquisa, 2016).


Em relação a prescrição dos suplementos (Gráfico 3), 41,6% dos usuários os usam por indicação de amigos ou ainda por conta própria, o que é um dado preocupante, pois normalmente não possuem conhecimento ou formação para identificar possíveis efeitos colaterais que estes suplementos podem trazer.

Os suplementos mais citados foram os aminoácidos (24%) como os BCAAs e glutamina, e os hipercalóricos, popularmente chamados de massa. Muitos desses suplementos citados podem trazer efeitos colaterais como sobrecarregar os rins e o fígado, causar aumento da pressão arterial, entre outros. Dessa forma, faz-se necessário um conhecimento mais aprofundado do produto antes de consumir. 4. Conclusão

Figura 3. Resposta da pergunta: quem prescreveu o suplemento? (Fonte: dados da pesquisa, 2016).

Os suplementos precisam ser empregados com cuidado e apenas depois da revisão cautelosa de sua força e da literatura corrente sobre os ingredientes que constam no rótulo do produto. Eles não devem ser indicados até que se faça uma avaliação da saúde, da dieta, das necessidades nutricionais, do uso atual de suplementos e drogas e das necessidades energéticas do indivíduo. Obviamente, o profissional indicado para realizar toda essa avaliação é o nutricionista, que foi o menos citado nas respostas (4,2%) (RIGON e ROSSI, 2012). O Gráfico 4 mostra os suplementos alimentares utilizados pelos entrevistados.

Podemos concluir que a maioria dos entrevistados consome ou já consumiram suplementos alimentares, muitas vezes prescritos pelos professores da educação física, que não conhecem profundamente os efeitos causados por esses produtos. Apesar de serem produtos comercializados livremente, o nutricionista é o único profissional habilitado para prescrever esses produtos ao realizarem uma análise das necessidades nutricionistas do indivíduo. Referências HALACK, A.; FABRINI, S.; PELUZIO, M. C. Avaliação do consumo de suplementos nutricionais em academias da zona sul de Belo Horizonte, MG, Brasil. Rev Bras Nut Esportiva. 2007; 1: 55-60. LANCHA JUNIOR, A. H. Nutrição e Metabolismo: Aplicado à atividade motora. São Paulo. Atheneu, 2002. PEREIRA R. F.; LAJOLO F. M.; Hirschbruch MD. Consumo de suplementos por alunos de academias de ginástica em São Paulo. Rev Nutr. 2003; 16: 265-72. RIGON, T. V.; ROSSI, R. G. de T. Quem e por que utilizam suplementos alimentares Rev Bras Nut Esportiva. 2012; 6:420-426.

Figura 4. Resposta da pergunta: Qual(is) suplemento(s) você já utilizou? (Fonte: dados da pesquisa, 2016). Revista Feira de Ciências e Cultura  |  45 


Resumo. O presente artigo descreve o trabalho realizado no Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, localizado na cidade de Umbaúba/SE, que teve como objetivos: compreender os fatores que levam os jovens a usar drogas; investigar os tipos de drogas utilizadas pelos estudantes do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento; entender os efeitos das drogas no corpo humano. 1. Introdução Atualmente o número de adolescentes que pratica algum tipo de introjeção com substâncias tóxicas vem aumentando gradativamente. O álcool, a maconha e o tabaco, são as três drogas mais populares entre os adolescentes, às vezes, são chamadas de drogas de porta de entrada, pois seu uso costuma levar ao uso de substâncias mais aditivas, como a cocaína ou a heroína (GERSTEIN e GREEN, 1993). Tais substâncias causam dependência segundo a Organização Mundial da Saúde (O. M. S.). O meio externo é um dos pilares que influenciam o jovem a praticar o uso de toxinas. Adolescentes que praticam o uso tem mais “status” dentre o seu grupo de amigos. Diante dessa realidade, nos questionamos: Quais as drogas consumidas pelos estudantes do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento e quais os seus efeitos para o corpo e para a sociedade? Na literatura, vários autores tentaram buscar explicações para o crescente consumo de drogas lícitas e ilícitas entre os jovens, no entanto, na esfera local, trata-se de uma pesquisa inédita. 46 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


Nesse sentido, os objetivos desse trabalho foram: compreender os fatores que levam os jovens a usar drogas; investigar os tipos de drogas utilizadas pelos estudantes do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento; e, entender os efeitos das drogas no corpo humano. 2. Materiais e Métodos A pesquisa foi realizada por alunos do 3º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, localizado na cidade de Umbaúba/SE, durante o primeiro semestre de 2016. Para tal, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e de campo. A pesquisa bibliográfica consistiu na busca de autores que explicassem os fatores que levam os jovens a usar drogas lícitas e ilícitas e como essas drogas agem no corpo humano. A pesquisa de campo foi realizada no Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, tendo como público-alvo os alunos do turno noturno. O instrumento utilizado foi um questionário e as respostas foram tabuladas e analisadas à luz de autores pertinentes ao tema. 3. Resultados e discussão A adolescência compreende o período da vida que engloba a faixa etária entre 10 e 19 anos e o Estatuto da Criança e do Adolescente define essa faixa como sendo dos 12 aos 18 anos . Está relacionada com identidade sexual, comportamento, emoções, relações familiares e com amigos, e muitas vezes com as drogas. Essa susceptibilidade dos adolescentes às ofertas de droga pode estar relacionada à inerente pressão do grupo ao qual estão vinculados (ALBERTS et al., 1992), o afastamento da família ao longo do fenômeno de “experimentar”, o sentir-se adulto, falta de integração às atividades escolares violência doméstica, e, além disso, o fator “vulnerabilidade”, característico da adolescência (PIMONT & BARRERO, 1982). O consumo de drogas, seja ela lícita ou ilícita, pode estar relacionado com violência, roubo, assassinato, prostituição, problemas de saúde e sociais.

Faz-se necessário, portanto, que os jovens reflitam sobre os caminhos que escolhem para a sua vida. O questionário foi aplicado a 95 alunos do turno noturno regularmente matriculados no Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento. Os dados mostraram que 55,8% dos alunos entrevistados são do sexo feminino. Quanto a idade, 24,2% dos estudantes possuem entre 16 e 17 anos, são, portanto, menores de idade e não podem consumir nenhum tipo de drogas, seja ela lícita ou ilícita. Os demais 75,8% são maiores, com predomínio na faixa etária entre 18 e 20 anos (49,5%). Vale lembrar, que por se tratar do turno noturno, a maioria dos alunos estão fora da idade-série regular. Conforme nos mostra o Gráfico 1, o álcool é a droga mais amplamente usada pelos estudantes, com 48% dos alunos afirmando que já consumiram bebidas alcoólicas. Estudos mostram que cada vez mais cedo esta droga entra na vida dos jovens. Para Newcomb (1995), na adolescência, o jovem não aceita orientações, pois está testando a possibilidade de ser adulto, de ter poder e controle sobre si mesmo. É um momento de diferenciação em que afastam-se da família e aderem ao seu grupo de iguais, que muitas vezes veem o uso de bebidas alcoólicas como uma demonstração de status social.

Figura 1. Consumo de bebidas alcóolicas. (Fonte: dados da pesquisa, 2016)

Os efeitos do álcool no corpo são muitos, sejam a médio ou em longo prazo, muitos órgãos são danificados, como o cérebro e o sistema nervoso, e os órgãos do aparelho digestivo.

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Em relação ao consume de tabaco, o Gráfico 2 nos mostra que cerca de 9% dos alunos disseram já terem fumado, o que é um percentual satisfatório, visto que o tabaco não é mais uma droga popular entre os jovens.

maconha por muitos anos, se tornam dependentes, e propensas a utilizarem outros tipos de drogas. O consumo de todo tipo de droga, além de provocar os efeitos imediatos como alucinações, euforia ou calmaria, podem causar uma série de problemas no organismo como câncer, lesões no fígado, doenças contagiosas, destruições de neurônios, mau funcionamento dos rins e problemas de coração, podendo levar o jovem a morte precoce por doenças ou overdose. 4. Conclusão

Figura 2. Consumo de bebidas alcóolicas. (Fonte: dados da pesquisa, 2016)

O cigarro, possui além de nicotina uma série de outras substâncias tóxicas que causam dependência, provocar danos ao cérebro e contribuir para o desenvolvimento de câncer. Sobre as drogas ilícitas, o Gráfico 3 nos mostra o consumo dos alunos entrevistados.

Figura 3. Consumo de drogas ilícitas (Fonte: dados da pesquisa, 2016)

Observamos que 32% dos alunos disseram já terem consumido algum tipo de droga, com destaque para a maconha com 11% dos jovens. A maconha é a droga mais popular do Brasil, e pessoas que usam 48 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Concluímos que as drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas estão presentes entre os alunos do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento. Faz-se necessário programas de orientação e esclarecimento para esses jovens, no sentido de prevenir a dependência, bem como detectar e encaminhar para tratamento possíveis indivíduos com problemas relacionados ao uso e abuso de drogas. Referências ALBERTS, JK, HECHT ML, MILLER-RASSULO M & KRIZEK RL. The communicative process of drug resistance among high school students. Adolescence, 1992; 27(105): 203-26. GERSTEIN, D. & GREEN, L. W. (Eds). Preventing Drug Abuse. Washington, DC, National Academy Press, 1993. NEWCOMB MD, Bentler PM. Substance use and abuse among children and teenagers. Am Psychol, 1989. Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), 2015. PIMONT RP & BARRERO IL. O universitário brasileiro frente ao problema dos tóxicos. Ciência e Cultura, 1982; 34(10): 1279-85.


Resumo. O objetivo do trabalho foi de construir com um grupo de alunos do ensino médio, doravante chamados de multiplicadores, a motivação para estudar ciências com o uso da experimentação investigativa. Para isso, criamos a estratégia da “caixa do saber”, com materiais de baixo custo e atividades simples a serem reproduzidas em sala de aula. A proposta usada permitiu que os indivíduos refletissem sobre o que ouviam, visto que a cada experiência os multiplicadores apresentavam reflexões e questões a serem respondidas. A postura estimulou o aprendizado em grupo e a pesquisa científica, tão necessária para uma prática cidadã. 1. Introdução No Colégio Estadual Edélzio Vieira de Melo, no município de Capela, tradicionalmente, a Química tem sido ensinada com reprodução de fórmulas e conceitos, retirados de livros didáticos ou repassados pelos professores, a partir de verdades consideradas absolutas. Os exercícios não levam a reflexão sobre a realidade vivida, pois são decorados para as avaliações e logo depois esquecidos, não permitindo assim que o aluno se aproprie do conhecimento. O objetivo do trabalho foi construir com um grupo de alunos do ensino médio, chamados de multiplicadores, a motivação para estudarem ciências com o uso da experimentação investigativa. Para isso, criamos a estratégia da “caixa do saber”, com materiais de baixo custo e atividades simples a serem reproduzidas em sala de aula. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  49 


A proposta usada permitiu que os indivíduos refletissem sobre o que ouviam e a cada experiência, os multiplicadores apresentavam reflexões e questões a serem respondidas. Esta postura, estimulou o aprendizado em grupo e a pesquisa científica. A previsão é que o trabalho seja concluído até o quarto bimestre do ano letivo de 2016, contudo alguns resultados já podem ser apresentados. No entanto, a questão inicial que era estimular o ensino de ciências de forma experimental e a final, de “contaminar” a comunidade escolar para “forçar” a discussão sobre a necessidade de “reativar” o laboratório de ciências, “esquecido na escola”, foi e está sendo cumprida. 2. Materiais e Métodos A escola apresenta sujeitos matriculados regularmente no ensino médio nos turnos matutino, vespertino e noturno. Apesar dos alunos pertencerem a mesma unidade escolar, possuem particularidades que são inerentes a problemáticas que envolvem a idade, como por exemplo, a condição social e econômica, principalmente. Estas influenciam, direta e indiretamente, no binômio ensino/aprendizagem e contribuem para diminuir a motivação de estudarem as ciências naturais. No intuito de minimizar os efeitos destas condições, com o uso da experimentação investigativa, os alunos do turno matutino e divididos em grupos, apresentaram experiências de baixo custo com seus pares dos turnos vespertino e noturno. Alguns materiais utilizados são encontrados no dia a dia dos alunos, mas que muitas vezes não são identificados por eles como algo a ter utilidade em aulas de ciências, como por exemplo o vinagre, o comprimido de sal de fruta, o termômetro, a vela de parafina, a palha de aço, o “prendedor” de roupa de madeira, os copos de vidro tipo de “extrato de tomate”. Aos aprendizes foi proposto uma espécie de narrativa adaptada de Moraes e Galiazzi (2016), como forma de inserir o uso dos materiais e as possibilidades de desenvolvimento da pesquisa. Cada grupo de quatro alunos, selecionados de um universo de 36, escolheram um dos materiais/reagentes, descritos acima, para 50 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

buscar uma experiência (procedimento experimental) e apresentar aos colegas. Em seguida, houve a descrição e a narrativa do que deveria ser desenvolvido e das aplicabilidades dos materiais, a serem trabalhados. Finalmente, foi apresentado o trabalho experimental e os resultados. 3. Resultados e discussão A teoria da aprendizagem de Vygotsky (2008), que envolve pensamento e linguagem, foi apropriada por pesquisadores da área de ensino de ciências já há algum tempo. Sendo assim, através do referencial teórico histórico-cultural, foram propostas cinco atividades de demonstração experimental aberta, que foram executadas com os estudantes, seguindo uma sequência didática. Para uma melhor compreensão das atividades experimentais executadas com os sujeitos, citamos os autores Araújo e Abib (2003) que apresentam a definição de atividades de demonstração experimental aberta: [...] apesar da pesquisa sobre essa temática revelar diferentes tendências e modalidades para o uso da experimentação, essa diversidade, ainda pouco analisada e discutida, não se explicita nos materiais de apoio aos professores. Ao contrário do desejável, a maioria dos manuais de apoio ou livros didáticos disponíveis para auxílio do trabalho dos professores consiste ainda de orientações do tipo “livro de receitas”, associadas fortemente a uma abordagem tradicional de ensino [...]. (p.177) Com a proposta idealizada realizou-se uma seleção de alguns estudos para reunir elementos que pudessem fornecer um quadro mais esclarecedor sobre o tema e contribuir para a prática pedagógica da experimentação nas aulas de ciências. Pretende-se ao longo desta pesquisa, que irá acompanhar um grupo de alunos do primeiro ao terceiro ano do ensino médio, colher algumas impressões que permitam, ainda que parcialmente, responder aos seguintes questionamentos:


• Que competências e habilidades podem ser desenvolvidas, através destas atividades experimentais? • Quais as dificuldades para desenvolver certas competências e habilidades no contexto das aulas experimentais, e quais estratégias devem ser empregadas para tentar superá-las? • De que maneira as atividades experimentais podem ser abordadas nas aulas de ciências? E quais as limitações e contribuições de cada tipo de abordagem? • Que estratégias podem ser colocadas em funcionamento a fim de tornar cada tipo de abordagem mais eficaz do ponto de vista pedagógico? Um grupo de dez alunos, do terceiro ano do ensino médio, foi selecionado para inicialmente serem apresentados à pesquisa. Estes se dividiram em cinco duplas, que ficou responsável por um material ou reagente apresentado e separado por sorteio. Cada dupla, após identificar qual material utilizaria, teve a atribuição de pesquisar um procedimento experimental na Web 2.0 (internet), apresentar ao professor e descrever, simplificadamente em uma frase, qual a finalidade de tal material/reagente. Com isso, retiramos do grupo as suas impressões prévias que acreditávamos ser um pouco mais elaboradas, visto que apresentam uma maior maturidade por serem alunos do terceiro ano. Na tabela abaixo, seguem os resultados obtidos inicialmente.

As atividades experimentais apresentadas pelos alunos, no contato inicial, foram aceitas pelo professor, que logo após propôs a cada dupla uma pesquisa sobre o processo com que cada material/reagente era fabricado ou produzido pela indústria. Além disso, deveriam identificar também a qual ramo a indústria se enquadrava. Com isso, esperávamos que os aprendizes tivessem um contato maior com a linguagem e o aspecto cientifico. Foi então confeccionada a tabela 2, com os dados recolhidos. A apresentação e a discussão das atividades experimentais, com os alunos nos turnos vespertino/ noturno, foi desenvolvida dentro das expectativas. Acreditamos, que a pesquisa poderá influenciar na visão inicial de alguns professores. Mas, também na forma como eles encaram o ensino e a aprendizagem de ciências em nossa escola, o que poderá favorecer a introdução por eles de atividades experimentais em seus planejamentos.

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4. Conclusões O ensino de ciências, deve apontar para uma visão mais próxima dos conteúdos científicos e relacioná-los com o dia a dia do aprendiz. Para isso, é necessário modificar as formas de ensinar e construir novas perspectivas curriculares que discutam cotidiano, contextualização e temas CTS. As atividades experimentais, nesse sentido podem contribuir com uma parcela significativa. Mas, torna-se necessário não trabalhar com procedimentos experimentais como se fossem “receitas” prontas e acabadas. Estas não levam a reflexão, mas a repetição de assuntos que muitas vezes estão desconectados do universo dos meninos e das meninas.

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Referências AULER, Décio. DELIZOICOV, Demétrio.Ciência-TecnologiaSociedade: relações estabelecidas por professores de ciências. Revista electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 5, n°2, p. 337-355, 2006. DE ARAÚJO, Mauro Sérgio Teixeira. DOS SANTOS ABIB, Maria Lúcia Vital. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 25, n°2, 2003. DORNELES, Aline Machado. GALIAZZI, Maria do Carmo. Investigação Narrativa na Formação de Professores de Química. Roteiro, v. 41, n°1, p. 179-196, 2016. FERREIRA, Luiz Henrique. HARTWIG, Dácio Rodney. OLIVEIRA Ricardo Castro de. Ensino Experimental de Química: Uma Abordagem Investigativa Contextualizada. Química Nova na Escola. Vol. 32, n°2, Maio 2010. GEHLEN, Simoni Tormolhen. MALDANER, Otavio Aloisio. DELIZOICOV, Demétrio. Momentos pedagógicos e as etapas da situação de estudo: complementaridades e contribuições para a educação em ciências. Ciência & Educação, v. 18, n°1, p. 1-22, 2012. GIORDAN, Marcelo. O papel da Experimentação no ensino de Química. Química Nova na Escola. n°10, Novembro 1999. GUIMARÃES, Cleidson Carneiro. Experimentação no Ensino de Química: Caminhos e Descaminhos Rumo à Aprendizagem Significativa. Química Nova na Escola. Vol. 31, n°3, Agosto 2009. MORAES, Roque. GALIAZZI, Maria do Carmo. Análise textual discursiva. 3. ed. Revisada e Ampliada. Ijuí: Editora Unijuí, 2016. VYGOTSKY, Lev Semenovitch. Pensamento e Linguagem. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2008.


Resumo. O trabalho com a escrita de contos nas aulas de Língua Portuguesa permite ao aluno adentrar no mundo de múltiplas possibilidades significativas, pois, os mesmos são conduzidos a refletir sobre o contexto que os rodeia, como também, a viagens pelo mundo da imaginação. O trabalho com conto em sala de aula oportuniza ainda a materialização das produções dos alunos em uma nova linguagem, a cinematográfica, especificamente, com o gênero curta-metragem (curta). O objetivo desse projeto, é apresentar a utilização do gênero conto e curta-metragem nas aulas de Língua Portuguesa e Artes com o intuito de promover o desenvolvimento de uma escrita críticareflexiva a partir do trabalho com múltiplas linguagens (literária e cinematográfica). E assim, desenvolver o lado escritor do alunado, a partir da elaboração de textos (contos), como também, o produtor, ator, roteirista por meio da produção inicial de um curta, o qual, serve de suporte para trabalhar aspectos da interação humana, principalmente, a linguagem. 1. Introdução O conto é um gênero textual curto que carrega um significado próprio ao explorar conflitos aparentes ou enigmáticos despertando no leitor a curiosidade de desvendar seus mistérios. Esse gênero retrata situações reais ou fictícias mergulhando em várias temáticas e ambientes diversos. Cada elemento linguístico que compõe o conto é usado pelo autor como um meio multissignificativo tornando os mínimos detalhes valiosos para a compreensão final do texto. Nesse sentido, o trabalho com a escrita de contos nas aulas de Língua Portuguesa possibilita ao aluno adentrar no mundo de múltiplas possibilidades significativas, pois, os mesmos são conduzidos a refletir sobre o contexto que os rodeia, como também, a viagens pelo mundo da imaginação. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  53 


O trabalho com conto em sala de aula possibilita ainda a materialização das produções dos alunos em uma nova linguagem, a cinematográfica, especificamente, com o gênero curta-metragem (curta). Já que o curta, além do seu formato conciso, tem um reduzido número de personagens e diálogos, narrativa condensada assim como, a linguagem, espaço e tempo, e apresenta desfechos, na maioria das vezes, inusitados. Pela questão estrutural entre o conto e o curta é pertinente a materialização e/ou conversão do conto para a linguagem cinematográfica, sendo uma ferramenta artístico-literária que une tanto as nuances do mundo linguístico como as peculiaridades da linguagem artística, fazendo com que o aluno construa, roteirize e dramatize a partir dos seus escritos curtas-metragens. Assim, o objetivo do trabalho é apresentar a utilização do gênero conto e curta-metragem nas aulas de Língua Portuguesa e Artes nas turmas do 2º A, 2º B, 3º A e 3ºB anos do Ensino Médio do Colégio Estadual Almirante Barroso (CEAB) / MuribecaSE, com o intuito de ampliar o repertório cultural do alunado, como também, o desenvolvimento de uma escrita crítica-reflexiva a partir do trabalho com múltiplas linguagens (cinematográfica e literária). Ressalta-se ainda, que o trabalho com conto e curta no contexto escolar contribuiu para uma aprendizagem significativa, visto que, permite ao professor trabalhar práticas linguísticas que circulam em esferas diferentes, especificamente, a literária (conto) e cinematográfica (curta-metragem) possibilitando ao aluno um adentrar no mundo multissignificativo que a língua adquire através dos textos. 2. Materiais e Métodos Os trabalhos de produção de textos e curta foram desenvolvidos por 120 alunos das turmas do 2º A, 2º B, 3º A e 3ºB anos do Ensino Médio do Colégio Estadual Almirante Barroso/ Muribeca-SE entre os meses de maio e junho de 2016. A pesquisa utilizouse da abordagem qualitativa de cunho experimental, a partir da observação direta dos professores investigadores (coordenadores do projeto) e elaboração de contos e curta-metragem, posteriormente, foi realizada pesquisas bibliográficas para fundamentar os argumentos explanados no texto. 54 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Os dados foram coletados e analisados pelos professores investigadores, a partir das discussões em classe entre os professores supracitados e os alunos sobre a elaboração de contos e curta-metragem. Em primeiro lugar, foram realizadas discussões em sala de aula sobre a estrutura de um conto, e ainda, debates sobre suas características e em seguida, leituras de contos contemporâneos, essa etapa do projeto teve duração de 7 aulas. A posteriori, foram discutidas possíveis temáticas a serem abordadas na confecção dos textos (contos) já que, os alunos em sua maioria queriam escrever a partir de fatos da sua realidade, ou seja, uma escrita engajada. E sob orientação dos professores investigadores, os alunos envolvidos produziram os seus textos, essa etapa durou 5 aulas. Ressalta-se ainda, que os textos (contos) elaborados foram expostos para a comunidade escolar com o intuito de despertar na comunidade uma reflexão acerca da importância da leitura e escrita no contexto atual. A partir da elaboração de 120 contos, foi selecionado apenas um, intitulado “Eu amo odiar você”, para ser o primeiro a ser roteirizado e transformado em curta-metragem. É importante destacar que, a seleção do conto a ser roteirizado, foi uma escolha coletiva através de votação. Para a confecção do curta-metragem, foi discutido em sala sobre a estrutura de um roteiro e aspectos da dramatização, essa etapa durou 2 aulas. Em seguida, os professores orientadores (coordenadores do projeto) selecionaram 10 alunos para serem personagens e 25 para fazerem parte da roteirização, produção e direção do curta, o qual foi gravado por uma câmera pertencente a um dos professores envolvidos no projeto em horário oposto as aulas dos alunos analisados. E por fim, salienta-se que o trabalho com conto e curta serve de suporte para trabalhar aspectos da interação humana, principalmente, a linguagem. 3. Resultados e discussão O trabalho com textos, especificamente, através de gêneros textuais em sala de aula promove um conhecimento muito mais abrangente da língua, nesse caso a Língua Portuguesa, como também um adentrar do alunado no mundo multissignificativo da leitura.


Nesse contexto, os professores orientadores escolheram os gêneros, conto e curta-metragem, para serem trabalhados em sala de aula com os alunos do 2º A, 2º B, 3º A e 3ºB anos do Ensino Médio do Colégio Estadual Almirante Barroso em Muribeca-SE, por ser o primeiro, uma narrativa sucinta que aborda situações reais e/ou fictícias mergulhadas em várias temáticas e ambientes diversos, sendo assim, o aluno adentra em um nível profundo de interpretação, como ainda,, amplia seu repertório cultural e, consequentemente, expressa uma escrita crítica-reflexiva. E o segundo, pela questão estrutural já que, o conto e o curta têm características semelhantes em sua estrutura, como, formato conciso e narrativa condensada, sendo pertinente a materialização do conto para a linguagem cinematográfica. Para assim, valorizar a criatividade do aluno por meio da conversão da linguagem textual para a cinematográfica, assim, o aluno compreende as nuances entre as linguagens (literária e cinematográfica), como também, o processo de construção de um filme. Koch, (2007 apud TEIXEIRA, 2012, p.02) aborda que “o texto é o lugar da interação dos interlocutores, sujeitos ativos no processo de construção dos sentidos, tanto na leitura quanto na produção textual. Ou seja, o texto/discurso é a materialização da língua”. Nesse contexto, o trabalho em sala de aula com a estrutura, nuances e escrita de contos possibilitou, aos alunos analisados, refletir acerca das possibilidades significativas que o conto pode adquirir, como ainda, desenvolveram um olhar crítico sobre diversas temáticas associadas aos textos, despertando com isso, tanto a capacidade criativa como a crítico-reflexiva do alunado. Com relação à escrita dos contos, nota-se que os alunos supracitados abordaram em seus escritos inúmeras temáticas, mas em sua maioria elaboraram textos que ressaltavam a sociedade em seus conflitos atuais como explícito nos exemplos abaixo (ver figura 1 e 2). Ressalta-se que, a partir dos escritos, os alunos referidos, puderam utilizar uma ferramenta artísticoliterária que une tanto as nuances do mundo linguístico como as peculiaridades da linguagem artística, o curta. Pois, através do processo de construção, roteirização e dramatização, o alunado pode dialogar entre a linguagem literária e a cinematográfica fazendo a materialização do conto em curta. Moletta (2009, p. 17-

18), afirma que o curta-metragem cinematográfico: [...] equipara-se ao conto na literatura ou ao haicai na poesia: trata-se de uma forma breve e intensa de contar uma história ou expor um personagem [...] Esse formato de cinema tem como principais características a precisão, a coerência, a densidade e a unidade de ação ou impressão parcial de uma experiência humana. É importante salientar que, foram selecionados coletivamente alguns contos, dentre diversos escritos, para serem roteirizados e, por conseguinte, materializados em curta. Destaca-se nesse momento, a obra intitulada “Eu amo odiar você” (ver figura 3), a qual foi a “piloto” desse projeto. Com a ajuda dos professores de Artes e Língua Portuguesa (coordenadores do projeto), 35 alunos, das turmas citadas anteriormente, foram separados em grupos e delegado funções a partir de suas competências e habilidades para com isso, atuarem nas diversas fazes da confecção do curta. A primeira fase foi a roteirização do conto “Eu amo odiar você”, em que a autora do mesmo, juntamente com uma equipe selecionada pelos professores envolvidos roteirizaram o texto, separaram as cenas e intitularam o curta de “ Você ama, eu odeio amar”. Em uma segunda fase, foi lido para todos o roteiro final, por conseguinte, delimitado os grupos de alunos que participariam do elenco, da produção, direção, edição. Salienta-se que, todos os ensaios e grande parte das filmagens foram realizadas no contexto escolar, já que, o conto selecionado tem como temática “a paixão adolescente entre colegas de turma”. Segundo Field (2001 apud FRITZEN et al., 2104, p. 367) “o roteiro é uma história contada em imagens, diálogos e descrições, localizada no contexto da estrutura dramática”. Portando, peça fundamental para detalhar a história.

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Figura 1: O melhor momento. Fonte: Elaborado pela aluna Carine Santos Dantas, 2º ano A do CEAB.

Figura 2: Coisas do destino. Fonte: Elaborado pela aluna Silvanete dos Santos Andrade, 2º ano A do CEAB.

Figura 3: Eu amo odiar você. Fonte: Elaborado pela aluna Lycia Adrielle Melo Martins, 2º ano B do CEAB. 56 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


Dos ensaios até o resultado final, o curta, percebeu-se que o alunado estava engajado em fazer um trabalho satisfatório, já que, realizavam diversos ensaios e repetiam as cenas inúmeras vezes almejando esboçar sentimentos e emoção através dos diversos tipos de linguagem envolvidas (corporal, oral, etc.) na elaboração do curta (ver figura 4).

gêneros conto e curta-metragem, nas aulas de Língua Portuguesa e Artes, propicia um adentrar do aluno no universo multi e plurissignificativo sendo um veículo para o desenvolvimento da autonomia e criticidade por meio práticas linguísticas que circulam em esferas diferentes (literária e cinematográfica). Koch e Elias (2009, p. 74) afirmam que: cabe, pois, à escola possibilitar ao aluno o domínio do gênero, primeiramente, para melhor conhecê-lo ou apreciá-lo, de modo a ser capaz de compreendê-lo, produzi-lo na escola ou fora dela; para desenvolver capacidades que ultrapassam o gênero e são transferíveis para outros gêneros próximos ou distantes.

Figura 4: Ensaio de uma das cenas do curta “ Você ama, eu odeio amar”. Fonte: Alunos dos 2º anos (A e B) e 3º anos (A e B) do CEAB.

O diálogo entre o conto (linguagem literária) e o curta (linguagem cinematográfica) promoveu o encontro entre a ficção e realidade concreta, materializada no curta-metragem, tornando possível por meio da interação entre a linguagem uma realidade multissignificativa. É importante frizar que, o primeiro curta produzido, “ Você ama, eu odeio amar”, foi postado no youtube pelos cordenadores do projeto, e pode ser encontrado no link: https://youtu.be/EQDg3QZeug8. Portanto, nota-se que o texto é o alicerce do ensinoaprendizagem, já que, é a representação material, social e histórica da língua. O aluno no processo de ensino utilizando o gênero textual e, em especial, o conto e o curta, não somente adquirirá procidência na língua formal como também reconhecerá as variedades linguísticas e as peculiaridades da linguagem artística, pois a escrita como também as interpretações artísticas põem em prática de produção os conhecimentos adquiridos de forma crítica. 4. Conclusão A escrita, a partir da leitura e interpretação de contos, desperta no alunado o interesse pela produção textual em sala de aula e fora dela. O trabalho com

A partir da análise de todo o desenvolvimento do trabalho com contos e curta no contexto de sala de aula, percebeu-se que as leituras e debates feitos em sala contribuíram para que os alunos edificassem seus textos de forma consistente e engajada com os problemas vivenciados em suas realidades. Constatou-se ainda que houve uma quebra de paradigma, pois, o alunado não estava habituado a roteirizar e confeccionar um curtametragem saindo de sua zona de conforto e adentrando em novas possibilidades de aprendizagem. Referências

FRITZEN, Maristela Pereira et al. Curta-metragem e sustentabilidade: multiletramentos no subprojeto letrasportuguês do PIBID. Olh@res, Guarulhos, v. 2, n. 2, p. 352374. Dezembro, 2014. KOCH, Ingedore Villaça & ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009. MOLETTA, Alex. Criação de curta-metragem em Vídeo Digital: Uma proposta para produções de baixo custo. São Paulo: Summus, 2009. TEIXEIRA, Juçara Moreira. O ensino do gênero conto por meio de sequência didática: relato de uma experiência no ensino fundamental. Letras Escreve – Revista de Estudos Linguísticos e Literários do Curso de Letras-UNIFAP, vol 2, nº1, 2012, Disponível em http://periodicos.unifap.br/index. php/letras.

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Resumo. O modo de fazer a Renda Irlandesa é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tendo como referência o município de Divina Pastora. Entretanto, é produzida em outros municípios, como em Laranjeiras, onde existe uma produção significativa, reunindo rendeiras de várias partes do município que produzem, expõe seus trabalhos e divulgam a renda para os visitantes que chegam à cidade. Porém, a sua história e importância é pouco conhecida o que torna necessário o desenvolvimento de ações voltadas a aproximar esta comunidade do um bem cultural que é parte da sua identidade. Através dessa pesquisa, os alunos envolvidos conhecem a história da Renda Irlandesa, como também se tornam multiplicadores de informação sobre a importância das ações de salvaguarda desse patrimônio cultural. Os estudos desenvolvidos partem de pesquisas bibliográficas e trabalho de campo, com a realização de entrevistas e o registro fotográfico da confecção da renda. O conhecimento do patrimônio cultural é um elemento importante na formação do aluno e deve ser trabalhado em sala de aula, contribuindo para a ampliação de seus conhecimentos, possibilitando, desta forma, uma formação que aproxime o aluno da sua história e de elementos importantes que compõe a sua identidade cultural. 58 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


1.Introdução A cidade de Laranjeiras, localizada há 18 km da capital sergipana, é uma cidade histórica que possui uma grande riqueza arquitetônica e cultural, concentrando, durante o século XIX parte importante da vida econômica cultural de Sergipe. Entre museus, igrejas, casarios, estão também diversas expressões a cultura popular, como grupos folclóricos e um rico artesanato. Esta riqueza e diversidade do Patrimônio cultural é um elemento importante para a formação de crianças e jovens, sento um tema que necessita está presente em sala de aula. Trata-se de um elemento que faz parte da construção da identidade cultural de um povo. Cada estado possui suas referências culturais e para que estas possam se manter presente no cotidiano da sociedade, torna-se necessário a presença de ações de salvaguarda e proteção desse patrimônio. Neste sentido, a escola tem um papel importante, pois contribuir para a formação de jovens conscientes de seu papel na sociedade, e da importância do seu patrimônio cultural. Esta pesquisa é fruto desta necessidade, ou seja, despertar a valorização e o sentimento de pertencimento nos jovens, buscando aproximá-los de sua cultura. No que diz respeito ao patrimônio cultural imaterial, foram criados os livros de registro, a partir do Decreto nº 3.551, de 4 de agosto de 2000, reconhecendo como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, as expressões culturais relacionadas aos saberes e fazeres, às celebrações e festas, às formas de expressão e os lugares. Sendo assim, tudo aquilo que faz parte da cultura imaterial passou a ser reconhecido como patrimônio, sendo construídas ações para a sua proteção. De acordo com o dossiê sobre os modos de fazer a renda irlandesa de Divina Pastora,

“Em Sergipe, a opção das mulheres no município de Divina Pastora por trabalharem com o lacê do tipo cordão sedoso achatado, mesmo empregando uma técnica que é muito difundida no Nordeste, resultou na confecção de uma renda singular, de grande beleza, ressaltada pelo relevo e brilho do lacê. Isto confere ao produto do seu trabalho um diferencial em relação às rendas produzidas em vários estados da Região. Desse modo, a renda irlandesa de Divina Pastora, devido ao tipo de matéria prima empregada, apresenta características próprias, gerando um produto em que textura, brilho, relevo, sinuosidades dos desenhos se combinam de modo especial, resultando numa renda original e sofisticada.” (IPHAN, 2009, p.4) Esta particularidade da renda também está presente em Laranjeiras. As rendeiras do município desenvolvem suas peças, buscando inovações no que é produzido, e não naquilo que é o diferencial da renda, a matéria prima. Desta forma, contribuem para manter a sofisticação e o brilho que é atribuído à renda irlandesa, diversificando suas produções que vai de peças ornamentais às peças que são inseridas no vestuário. Entretanto, o seu trabalho é pouco conhecido na própria cidade, principalmente pelos jovens que pouco conhece sobre a sua história. Desta forma, tornase necessário levar a história deste bem cultural para a sala de aula, despertando nos alunos a valorização deste elemento da sua cultura. 2. Materiais e Métodos No desenvolvimento desta pesquisa, o tem foi trabalhado durante as aulas de arte, com as turmas dos 9 anos,com 40 alunos no total. Estes realizaram uma pesquisa bibliográfica sobre o tema na internet e em publicações existentes sobre o assunto, buscando, a partir das referências, construir um breve esboço didático sobre a Renda Irlandesa e sua história no município de Laranjeiras. Associado a este levantamento, foi realizado também um busca por imagens além sobre a renda, o que contou com a participação das próprias rendeiras da cidade, que guardam o registro de seus trabalhos. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  59 


Os alunos do 9º ano participaram de uma conversa com as rendeiras, registrando seus depoimentos e esclarecendo dúvidas acerca da confecção da renda e da comercialização. Após os registros e os levantamentos bibliográficos, foi discutido sobre as informações coletadas e analisados documentários sobre a renda irlandesa. Concluída esta etapa, foi realizada a divisão do conteúdo para ser apresentado. Após este trabalho desenvolvido em sala de aula, três alunas foram selecionadas para aprofundar a pesquisa e participar da apresentação durante a CIENART. Elas tiveram que organizar as apresentações e participaram também da seleção das peças de renda irlandesa que foram levadas para a apresentação do trabalho. Conheceram os principais pontos utilizados pelas rendeiras e um pouco da história de alunas dessas mulheres que dedicam parte de suas vidas para a manutenção desse saber cultural tradicional.

Imagem 01. Alunas entrevistando a rendeira Marinês. Foto: Janaina Couvo

3. Resultados e discussão Em Sergipe o modo de fazer a Renda Irlandesa tendo como referência o município de Divina Pastora, recebeu o registro no livro de saberes e fazeres em 21 de janeiro de 2009, passando a ser reconhecida como Patrimônio Imaterial do Brasil. Entretanto, é importante ressaltar que a produção da renda também acontece em outros municípios, como Laranjeiras. A cidade concentra um número considerável de manifestações folclóricas, além de festas e celebrações que são referência da cultura popular nacional e local. Assim, a presença da renda irlandesa no município também é 60 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

parte desta cultura, sendo produzida e divulgada por mulheres que diariamente produzem suas rendas ou em suas casas, ou no centro de artesanato da cidade.

Imagem 02. Alunas apresentaodo o trabalho dep esquisa na CIENART 2017-03-27 Foto: Janaina Couvo

Os alunos envolvidos nesta pesquisa terão a oportunidade não só de conhecer a história da Renda Irlandesa, como também desenvolver a pesquisa em sua formação, entrando em contato com toda a sua estrutura, e organização ao longo do desenvolvimento deste projeto. O contato com as rendeiras, assim como também com todo o material pesquisado foi uma experiência importante, contribuindo para aproximar o aluno de um importante referencial de sua cultura e de sua identidade. Foi possível percebe que, durante o período em que a pesquisa foi desenvolvida (agosto à setembro de 2016), os alunos se dedicaram a conhecer a renda irlandesa, a sua história , como chegou em Laranjeiras e de que maneira está constituída. Seus pontos, os modos de fazer, toda a diversidade de modelos e de peças produzidas apartir deste trabalho foram observadas com a atenção de todos. Além disso, conhecer um pouco da história de vida ddas rendeiras também foi importante paraa compreensão da importância da renda enquanto elemento de importância para a economia local. Assim, esse contato direto com a confecção da renda foi fundamental para que eles pudessem conhecer melhor um bem cultural que é muito importante para a cidade, não só porque é parte da sua identidade cultural como também gera renda para as mulheres envolvidas no ofício de produção.


4. Conclusão Promover uma atividade de pesquisa voltada a valorização do patrimônio cultural de uma cidade é algo que contribui para a valorização dos bens culturais, possibilitando que a juventude local possa refletir sobre a sua importância. Esta aproximação do aluno com a sua cultura contribui para a sua formação, tornando-o consciente de seu papel na sociedade, e de como suas ações podem ser importantes na preservação do patrimônio cultural de sua cidade. Referências DANTAS, Beatriz Góis. As rendeiras de Divina Pastora. Relatório apresentado ao Artesanato Solidário. Aracaju: 2000. IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Bens registrados: modo de fazer renda irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora/SE [online]. Disponível em <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ publicacao/Dossie_Renda_Irlandesa_DivinaPastora web.pdf > Acesso em 22 de junho de 2016. OLIVEIRA, Ana Karina Rocha de. Registro do imaterial: critérios de eleição e exclusão. Disponível em <http://www. encontro2014.rj.anpuh.org/resources/anais/28/1400381728_ ARQUIVO_RegistrodoimaterialAnphuANAKARINA.pdf> acesso em 20 de junho de 2016. FERREIRA, Maria de Fátima. Mulheres tecendo renda irlandesa e a vida em Divina Pastora, Sergipe. Disponível em <http://www.encontro2012.historiaoral. org.br/resources/anais/3/1340390945_ARQUIVO_ FERREIRA,MFRendaIrlandesaemDivinaPastora,2012.pdf> acesso em 20 de junho de 2016.

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Resumo. Das fontes renováveis de energia, a luz solar, por sua capacidade de gerar calor, é a mais abundante e mais fácil de ser empregada . O forno solar é um aparelho eficaz de simples confecção e utilização, eles são cada vez mais usados ao redor do mundo para reduzir a dependência das pessoas a lenha e GLP. Desenvolvemos um projeto juntamente com os alunos do 2 ano A do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento, para apresentar uma forma de redução de custo do cozimento de alimentos, mediante a construção do “forno solar caseiro” através de materiais recicláveis e baratos. 1. Introdução O GLP (gás de cozinha) é uma mistura de gases condensáveis que estão presentes no gás natural ou dissolvidos no petróleo, a sua principal fonte de obtenção. Por não ser uma fonte renovável de energia e um alto custo para o consumidor final, o gás de cozinha muitas vezes torna-se caro para utilização no cozimento dos alimentos em famílias de baixa renda ou que estão abaixo da linha da pobreza. O objetivo do trabalho foi procurar uma alternativa barata e de simples montagem, que utilize além de uma fonte renovável de energia, materiais de baixo custo e reutilizáveis. Desse modo utilizando a grande quantidade de energia solar do Brasil e procurando reduzir a quantidade de gás de cozinha utilizado por essas famílias, para obter uma economia financeira. Por isso pensamos em um “Forno Solar Caseiro” para baratear o custo do cozimento dos alimentos dessas famílias. 62 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


2. Materiais e Métodos Esse projeto foi realizado pelos alunos do 2 ano A, do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento localizada na cidade de Umbaúba-Se, durante as aulas de Física no período de 30 de maio à 15 de junho de 2016. Os materiais utilizados foram: duas caixas de papelão em tamanhos diferentes, uma folha de papelão para fazer a tampa, um rolo de papel alumínio, tinta preta e um pincel, cola branca, tesoura, fita adesiva, materiais isolantes (isopor, jornal, etc), um pedaço de vidro, palito de churrasco. Comece cortando as abas de cima da caixa maior, em seguida passe cola nas abas da parte de baixo da caixa para dar mais firmeza, cole o papel alumínio no fundo e nas laterais da caixa, repita todo o procedimento com a caixa menor. Encaixe a caixa menor dentro da maior e para que ela fique firme e centralizada, faça com papelão dobrado e colado no fundo, quadro suportes. Coloque isopor ou outro material isolante em toda área que ficará em contato entre as caixas maior e menor. Pinte a parte externa da caixa maior com tinta preta. Para fazer o refletor corte um pedaço de papelão do tamanho da tampa, deixando duas abas com suporte para prender. Cole papel de alumínio em uma das faces e prenda o refletor na tampa e coloque um palito do churrasco para que o forno fique entreaberto.

Figura 1: Construção do forno solar

3. Resultados e discussão

Figura 2: Montagem do forno solar

O uso de energias renováveis e não poluentes pode ajudar a preservar a natureza e reduzir, ao mesmo tempo, o orçamento doméstico. Das fontes renováveis de energia, a luz do sol é a mais abundante e mais fácil de ser empregada através de tecnologias simples e de baixo custo como o forno solar. Inicialmente os alunos iniciaram a construção do forno solar, seguindo os todos os procedimentos necessários (Figuras 1-3).

Figura 3: Forno solar construído pelos alunos. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  63 


Após a construção do “Forno Solar Caseiro”, foram adotados alguns procedimentos para testar a eficiência do forno. Inicialmente foi colocada manteiga numa panela preta, rasa, com tampa para absorver mais o calor e mantivesse a temperatura dentro da panela por mais tempo, a manteiga levou cerca de 30 min para passar para a forma líquida. (Figura 4).

Com a utilização do forno solar percebeu-se que o melhor horário para a sua utilização vai das 8h às 15h (horário onde o sol é mais abundante) em dias com poucas nuvens e altas temperaturas para potencializar o calor dentro do forno, já o tempo de cozimento varia conforme o alimento utilizado. Em geral o cozimento mais eficiente se faz em panelas médias ou pequenas, de preferência panelas rasas em vez de fundas, sempre pretas ou de cores escuras e com tampas. Depois de testado o “Forno Solar Caseiro”, os resultados foram apresentados na I Feira de Ciências e Tecnologia (Fecintec) do Colégio Estadual Benedito Barreto do Nascimento que ocorreu no dia 17 de junho de 2016 (Figura 6). 4. Conclusão

Figura 4: Manteiga na forma líquida após a utilização do forno solar.

O segundo procedimento foi tentar esquentar água no forno solar, depois de cerca de 2h recebendo os raios solares a água aumentou consideravelmente a sua temperatura mais não entrou em ebulição. Depois utilizou-se alguns alimentos de fácil cozimento como: bananas e legumes, utilizando uma lata e um saco plástico, sem o auxílio de água para não retardar o processo. Cada alimento utilizado teve um tempo estimado de cozimento entre 2h e 5h, o que nos leva a perceber que o tempo de cozimento é alto, para obter o resultado esperado precisa-se começar muito cedo para que os alimentos fiquem cozidos pra serem consumidos.

Após a construção e a utilização do “Forno Solar Caseiro” constatamos que ele conseguirá derreter manteiga e outros alimentos sensível ao calor como o chocolate, bem como alguns cozinhar alguns alimentos de fácil cozimento desde que fiquem durante algumas horas dentro do forno solar devidamente fechados e embalados em um saco plástico. O forno solar terá maior eficiência durante os dias com sol abundante, mas não terá muita eficiência quando estiver nublado ou chuvoso. Isso indica que a utilização dessa alternativa de cozimento terá maior eficiência em regiões com pouca chuva e sol abundante como o sertão nordestino e muitos locais da África. Referências ALBANO, José. Disponível em: http://ieham.org/html/docs/ programa_forno_solar.pdf. Acesso em: 29/09/2016 ALBANO, José. Disponível em: https://fornosolar.wordpress. com/about/. Acesso em: 24/09/2016 ZIMMERMANN, Andrea e FRANÇA, Fabio. Disponível em: http://sustentavelnapratica.net/arquivos/fogaosolar.pdf . Acesso em: 23/09/2016

Figura 5: Manteiga na forma líquida após a utilização do forno solar. 64 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


Resumo. Esta pesquisa tem como objetivo estimar a demanda de água necessária anualmente para o cultivo de laranja em Sergipe. A estimativa da pegada hídrica da produção de laranja foi realizada através de pesquisas bibliográficas. A Pegada Hídrica pode ser utilizada como uma das medidas de sustentabilidade ambiental. Concluise que no período de 2007 a 2015 a cadeia produtiva de laranja utilizou mais de 4 bilhões de metros cúbicos de água, tal consumo contribui para a degradação dos recursos hídricos do Estado. 1. Introdução A água doce é um recurso finito essencial para a nossa vida além desta ser um dos principais fatores para a produção na agricultura e para o desenvolvimento sustentável na atividade agrícola. Sergipe situa-se como o segundo produtor de laranja do Nordeste (40,5 %), estando atrás apenas da Bahia com 54,6 %. (VASCONCELOS, 2014). De acordo com Xavier e Bezerra (2004) o estado de Sergipe tem uma insuficiência per capita em termos de disponibilidade hídrica. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  65 


As nossas reservas de água doce são limitadas com isso se faz necessário maximizar o aproveitamento hídrico de acordo com a oferta ambiental e avaliar a sustentabilidade das pegadas hídricas numa dada região. De acordo com Tadeu e Sinisgalli (2012) a contabilização da Pegada Hídrica torna-se relevante para auxiliar na compreensão do uso da água pelo mais diversos setores, pois ajuda a identificar pontos focais para melhorias de gestão e necessidade de preservação e conservação do recurso. Nesse contexto e diante da relevância da citricultura para a economia e sociedade sergipana se questiona qual a demanda de água necessária anualmente para o cultivo de laranja no Estado de Sergipe? O objetivo desta pesquisa é estimar a demanda de água necessária anualmente para o cultivo de laranja no Estado de Sergipe. Elenca como objetivos específicos: i) Desenvolvimento do conceito de pegada hídrica; ii) Caracterização da Citricultura em Sergipe e a Gestão dos Recursos Hídricos; iii) A estimativa da Pegada Hídrica na produção de laranja em Sergipe. 2. Material e Métodos Esta pesquisa foi desenvolvida no Colégio Estadual Dr. Jessé Fontes–Pedrinhas-SE, incluindo um contexto interdisciplinar com professores e um grupo de alunos que foram agentes multiplicadores da temática. Os alunos multiplicadores se reuniram em horários opostos as suas aulas da matriz curricular para realizar os estudos e suas pesquisas com orientações dos professores. No primeiro momento, o grupo de alunos fez uma leitura do artigo da Revista de Engenharia Agrícola e Ambiental de Silva et al. (2012) “Uma medida de sustentabilidade ambiental: Pegada Hídrica” sob a orientação do professor de Educação Física. Foram discutidos os tópicos do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica: Estabelecendo o Padrão Global de Hoekstra et al (2011): O conceito, a avaliação, os objetivos e os desafios futuros da Pegada Hídrica em forma de debate com os alunos e os professores participantes do projeto de pesquisa. Os professores de História e Geografia colaboraram com a coleta de dados de colheita de laranja e o estudo bibliográfico da Citricultura Sergipana. Os dados de colheita de laranja 66 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

no estado de Sergipe entre os anos de 2007 a 2015 foram obtidos no Instituto de Geografia Estatística (IBGE) referente à produção agrícola municipal do período analisado. Com os dados da colheita de laranja (IBGE2007-2015) e o valor da contabilização da pegada hídrica da cultura pesquisada por Hoekstra e Hung (2002) que contabilizaram a necessidade hídrica de 9.400 m3/ha no Brasil, elaboramos uma tabela com a estimativa dos volumes de água utilizados anualmente pelo cultivo de laranja no Estado de Sergipe. 3. Resultados e discussão Segundo Hoekstra et al (2011) a pegada hídrica de um produto é o volume de água utilizado para produzi-lo medida ao longo de toda cadeia produtiva. Esse indicador multidimensional que oferece uma perspectiva mais adequada e mais ampla sobre a forma como um consumidor ou produtor se relaciona com o uso dos sistemas de água doce. O autor representa seus componentes da pegada hídrica em verde, azul e cinza. A Pegada Hídrica pode ser utilizada como uma das medidas de sustentabilidade ambiental como aborda Vicente et al. (2013) que a pegada hídrica é capaz de monitorar o impacto humano sobre o meio ambiente. Os autores ainda afirma que os indicadores de sustentabilidade devem ser usados e interpretados em conjunto visando à avaliação dos impactos ambientais de produção e consumo. Os dados obtidos através desta pesquisa possibilitaram a elaboração da Tabela 1, que apresenta a estimativa dos volumes anuais de água necessários para o cultivo da laranja em Sergipe entre 2007 a 2015. Estima-se um valor de 4 bilhões de metros cúbicos de água para cultivar mais de 400 mil hectares de laranja. Neste volume consumido estão inseridos os determinados componentes da pegada hídrica como: a água verde que é constituída pela água da chuva armazenada em forma de umidade do solo que são renovadas através das precipitações (TICKNER AND CHAPAGAIN, 2012). E a água azul que é um indicador do uso e consumo das águas superficiais (lagos e rios) e subterrâneas (HOEKSTRA et al. 2011). Está inserido também o volume de água que foi degradado pela


cultura da laranja, no qual é definida como água cinza que se refere ao volume de água doce necessário para assimilar a carga de poluentes, a partir de concentrações naturais e de padrões de qualidade água existentes. (HOEKSTRA et al, 2011).

Fonte: Plano Estadual de Recursos Hídricos de Sergipe-PERHS-SE-2011

Fonte: Plano Estadual de Recursos Hídricos de Sergipe PERH-SE -2011

Os dados para a pesquisa não permitiram fazer inferências para uma abordagem prática para o desenvolvimento local sustentável, mas de acordo com Kronemberger (2011), o desenvolvimento sustentável pressupõe mudanças na organização da economia e da sociedade, bem como reconstrução permanente. A autora ainda aborda que as discussões mais importantes serão aquelas que apresentarem soluções para os desafios atuais, não aquelas que apresentarem apenas críticas, engessadas em visões de mundo e tradições ultrapassadas, não flexíveis e que entravam a busca das necessárias inovações. O regime pluviométrico de Sergipe é associado aos sistemas meteorológicos que atuam na região Nordeste do Brasil (NE), apresentando uma grande variabilidade espacial e interanual. Essas variabilidades causam secas severas e enchentes em anos diferentes, e algumas secas duram dois anos ou mais. (PERH-SE, 2011) Observamos a partir da Tabela 2 uma análise sucinta da situação dos saldos de balanços apurados por Bacia hidrográfica e por Unidade de Planejamento no Estado de Sergipe (UP).

Diante do exposto, constatou-se áreas críticas nas bacias dos rios Real, Piauí, Vaza Barris, Japaratuba e no Grupo de Bacias Costeiras 1 e 2 (GC s.). De acordo com PERH-SE (2011) são consideradas áreas criticas para expansão das atividades demandadoras as UP com saldo positivo compreendido entre 95 e 5 L/s. Após estas reflexões e análises de dados de acordo com Carvalho (2014) a gestão hídrica não deve estar dependente de apenas um órgão gestor: deve partir também de ações coletivas em diferentes dimensões e escalas, envolvendo os diversos atores sociais das localidades estudadas na busca de um objetivo comum: gestão descentralizada e participativa visando o uso mais sustentável dos recursos hídricos da bacia. De acordo com Carvalho (2014) os principais instrumentos de gestão dos recursos hídricos em nível estadual são: o Plano Estadual de Recursos Hídricos; o Enquadramento dos corpos de água em classes e a Outorga de direito de uso de recursos hídricos que objetivam assegurar o uso e controle quantitativo e qualitativo dos recursos hídricos, visando à melhoria na oferta de água e promovendo o acesso legal da água para todos os usuários. Tais informações evidenciam a necessidade de implantação de uma gestão local sustentável dos recursos hídricos no estado de Sergipe. Faz-se necessário modificar as estratégias educacionais vigentes como cita Leff (2011) as Revista Feira de Ciências e Cultura  |  67 


estratégias educacionais para o desenvolvimento sustentável implicam a necessidade de reavaliar e atualizar os programas de educação ambiental, ao tempo que se renovam seus conteúdos com base nos avanços do saber e da democracia ambiental. 4. Conclusões Os resultados deste trabalho permitiram as seguintes conclusões: 1. A estimativa da pegada hídrica no período foi de 4 bilhões de metros cúbicos de água para cultivar mais de 400 mil hectares de laranja; 2. A situação das bacias dos rios Real, Piauí, Vaza Barris, Japaratuba e no Grupo de Bacias Costeiras 1 e 2 (GC s.) apresentam déficits na disponibilidade hídrica; 3. O plano Estadual de Recursos Hídricos de Sergipe não utilizou o indicador pegada hídrica como medida de sustentabilidade. Referências CARVALHO, Márcio Eliane Silva. Um olhar geográfico sobre as águas no Vaza Barris sergipano. São Cristovão: Editora UFS, 2014. HOEKSTRA et al. Water Fototprint assessmente manual: setting the global standard. London: Earthscan, 2011. HOEKSTRA, A Y.; HUNG,P.Q. Virtual water ; a quantification of visual water flows between nations in relation to international crop trade. Delf: Unesco-IHE, 2002. (Value of water reserarch report series, n.11) IBGE. Produção agrícola municipal, Sergipe. 2007-2015. KRONEMBERG, Denise. Desenvolvimento local sustentável : uma abordagem prática. São Paulo: Editora Senac, 2011. LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Tradução: Lúcia M.E, Orth. 7.ed, Petrópolis : Vozes. Rio de Janeiro, 2009. NEVES, F. M.;LOPES, F.F.(Org.). Estratégias para a laranja no Brasil. São Paulo: Atlas, 2005. SERGIPE. Plano Estadual de Recursos Hídricos de Sergipe/ PERH-SE. Relatório Final (RF-1) Vol 1 e 2. Aracaju: Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos/ SEMARH. Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos PROÁGUA Nacional, 2011. SILVA, Vicente de P.R.; et al. Uma medida de sustentabilidade ambiental: Pegada hídrica. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental,v.17, n.1, 2013. 68 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

TADEU, N.D.; SINISGALLI, P. O uso da pegada hídrica na análise do ambiente. IN: EMPINOTTI, Vanessa; JACOBI, P. R.(Org). Pegada Hídrica: inovação, correponsabilização e os desafios de sua aplicação. São Paulo: Annablume, 2012. TICKNER, D.; CHAPAGAIN, A.K. Pegada hídrica: evolução do conceito e sua utilidade na prática. IN: EMPINOTTI, Vanessa; JACOBI, P. R.(Org). Pegada Hídrica: inovação, corresponsabilização e os desafios de sua aplicação. São Paulo: Annablume, 2012. VASCONCELOS, Carlos Alberto. Território citricultor sergipano: estratégias capitalistas de mercado nacional e mundial. São Cristovão : Editora UFS, 2014. XAVIER, M. de A; BEZERRA,N.F.(Org.). Gestão Legal dos Recursos Hídricos dos Estados do Nordeste do Brasil. Fortaleza: Fundação Konrad Adenauer, 2005.


Resumo. O bairro Jabotiana em Aracaju/Sergipe, apresenta atualmente uma nova configuração fruto da expansão residencial. Essa expansão urbana provocou uma reorganização do espaço geográfico, com reflexos sobretudo, no setor comercial. O objetivo da pesquisa consistiu em analisar a configuração sócioespacial do setor terciário diante da expansão urbana do bairro Jabotiana. Como metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica sobre a temática, entrevistas a moradores, e posteriormente, essas informações foram transformadas em gráficos, tabelas e mapas. A inserção dos alunos envolvidos no projeto facilitou o processo ensinoaprendizagem para além dos conteúdos geográficos, bem como suscitou o interesse pelo conhecimento da história do lugar, do setor terciário e pela pesquisa científica na Educação Básica. 1. Introdução O estudo dos setores econômicos constitui um conteúdo geográfico abordado no ensino fundamental e médio. Discutir esse conteúdo para além da teoria suscitou a proposta de pesquisa para o conhecimento do bairro Jabotiana diante da expansão residencial e comercial. Para tanto, foi inserida a investigação com o denominado pequeno comércio, ou seja, aquele onde os proprietários residem geralmente no mesmo espaço físico onde está instalado estabelecimento comercial. Além disso, o lugar de trabalho constitui, Revista Feira de Ciências e Cultura  |  69 


ao mesmo tempo, uma unidade familiar, e sua família estava também envolvida no funcionamento do empreendimento. A escolha desse bairro para o desenvolvimento da pesquisa se deu por ser um local de expansão urbana na cidade de Aracaju/Sergipe e nas últimas décadas ter sido alvo da reorganização do espaço geográfico. Além disso, é o bairro onde está localizado o Colégio Estadual Professor Joaquim Vieira Sobral, escola de Ensino Fundamental e Médio, e por concentrar grande número de alunos residentes na comunidade, tornando fundamental a necessidade de conhecimento local, para além dos muros escolares, onde as relações sociais acontecem. A pesquisa desenvolveu-se através de estudos realizados por alunos/bolsistas inseridos no Programa Pibic Júnior da citada escola. A importância do conhecimento do lugar que residem os alunos é essencial na prática de ensino, para Callai (2004) por vezes conhecemos diferentes paisagens, estudamos vários conteúdos de lugares diferentes que nos impressionam nos chamam atenção e não conhecemos, não sabemos o que está acontecendo no lugar onde vivemos. A autora assevera que “o mundo da vida precisa entrar na escola, para que esta seja viva, que consiga acolher os alunos e dar-lhes condições de realizarem a formação, além de desenvolver o senso crítico e ampliar a sua visão de mundo” (CALLAI 2004. P.02). Para tanto, faz-se necessário inserir novas formas e metodologias que suscitem os interesses e motivações no processo de ensino aprendizagem. Santos (2011), Freire (1996), Callai (2004) ressaltam a importância da inserção da pesquisa como uma possibilidade de busca, investigação e produção do conhecimento na Educação Básica. Com a inserção da investigação permitirá aos discentes a compreensão e o conhecimento que te servirá para a vida, assim ocorrerá o desenvolvimento cognitivo que lhe possibilitará ler o mundo a partir do seu espaço vivido. Portanto, o objetivo geral da pesquisa consistiu em analisar a configuração socioespacial do setor terciário diante da expansão urbana do bairro Jabotiana. Fundamentado na busca de novas metodologias e ao observar a dinâmica no bairro com a expressiva explosão imobiliária que reflete nas diferentes funcionalidades dos setores econômicos e as transformações no espaço. 70 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

2. Materiais e Métodos Procurando relacionar os conteúdos trabalhados nos livros didáticos à realidade local, os alunos/bolsistas envolvidos no projeto, buscaram através da pesquisa, compreender o processo de expansão do setor terciário e suas ressignificâncias no comércio do bairro. Para o desenvolvimento da pesquisa utilizouse inicialmente um levantamento bibliográfico com busca em jornais, livros e artigos científicos sobre a área estudada, em seguida foi realizada uma pesquisa de campo para identificar o comércio formal e informal no bairro, sendo dada uma atenção especial aos pontos de vendas como: bodegas e mercearias, analisando os tipos de produtos comercializados e a aceitação da população local com esse tipo de comércio. Foram aplicados roteiros de entrevistas junto aos moradores (antigos e novos), proprietários e funcionários de pontos comerciais. As informações coletadas foram transformadas em gráficos, tabelas e mapas para facilitar a explanação das informações. No que se refere às ações educativas na efetivação da pesquisa, foi apresentada uma Palestra na própria escola, explanando o resultado do trabalho e as informações adquiridas aos alunos e componentes da escola, mostrando a importância do conhecimento do bairro onde residem, estudam e desenvolvem suas atividades. 3. Resultados e discussão Diante da atual configuração do bairro Jabotiana com uma expansão vertical e horizontal, intenso comércio nas vias que interligam os Conjuntos JK, Sol Nascente ao Conjunto Santa Lúcia e os condomínios verticais e horizontais, aparentemente o pequeno comércio não existe, entretanto, a presença desses estabelecimentos ainda é expressivo espalhados pelo bairro. Os alunos entrevistaram os proprietários, funcionários e consumidores em diversos espaços do bairro, obtendo informações essenciais sobre o setor terciário do bairro. Figura 1.


Com relação à diferença de preços dos produtos no bairro Jabotiana, comparados a outros locais da cidade, na visão dos proprietários que comercializam seus produtos, 80,6% dos entrevistados relata não existir diferença nos preços com outros locais. Para o consumidor, nem sempre os preços condizem com a realidade de muitas famílias moradoras no bairro, porém, 90,2% dos entrevistados afirmaram que os preços em alguns produtos, são inferiores a outros locais.

Figura 1. Fonte: Pesquisa de campo, 2016.

Das entrevistas realizadas verificou-se que 90,3% dos proprietários e 90,2% dos consumidores responderam que os serviços oferecidos no comércio local atendem às necessidades da população, não sendo necessário o deslocamento para outros bairros. O baixo poder aquisitivo de parte dos moradores do bairro é revelado também no perfil de consumo de sua população que, dispondo de magras rendas no seu dia-a-dia, se abastece de pequenas quantidades de produtos. Para Santos (2004, p. 274), “nos bairros, é a necessidade de uma resposta imediata às necessidades de uma população sem dinheiro que explica a presença do circuito inferior”. Além desses consumidores, outros que habitam os novos núcleos residenciais em decorrência da distância das grandes redes de supermercados buscam nesses estabelecimentos suprir as necessidades diárias. Foi constatada nessa pesquisa, a presença de um “ônibus mercearia” que passou a comercializar diversos produtos da cesta básica e gêneros de uso diário de um modo geral há quatro anos no bairro. Segundo relato do proprietário, “é um ótimo lugar para vender os produtos, não tem problemas para comercializar, vendo bem”. Essa forma de comércio demonstra a ressignificação do comércio nos bairros e exerce uma função preponderante nas vendas e na viabilidade do setor residencial. Esse comércio itinerante pelo bairro vem sendo cogitado atender a outros bairros da capital, sobretudo, nos locais onde foram instalados condomínios verticais para a população de renda baixa e distante dos centros comerciais.

Figura 2. Fonte: Pesquisa de campo, 2016.

Quanto à frequência nas compras – Figura 02 percebeu-se que devido à proximidade dos estabelecimentos às residências, há uma procura mais intensa por produtos diariamente (gêneros de primeira necessidade), evidenciando a facilidade de acesso ao comércio local. Salgueiro (1996, p. 124), ressalta a relevância dos tradicionais pequenos comércios dos bairros da cidade: “as grandes superfícies nunca poderão anular completamente o pequeno comércio, pois há muita coisa que será sempre preciso adquirir ao pé da porta e até em horas menos normais”. Figura 03. Esse fato relatado pelo autor foi constatado na pesquisa.

Figura 3. Interior da bodega. Fonte: Pesquisa de campo, 2016. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  71 


Quanto à forma de pagamento, predomina no comércio local, as vendas à vista com o uso do dinheiro – 96,7%, essas relações comerciais estão baseadas no dinheiro líquido, indispensável para a reprodução social no circuito inferior da economia urbana discutidas por Milton Santos (2004). Embora prevaleça as compras realizadas com a circulação da moeda corrente, percebeu-se que há ainda uma forma de pagamento pouco utilizada nas relações econômicas da sociedade moderna - o uso da caderneta - denominada por muitos dos entrevistados como “caderninho”. Figura 04.

4. Conclusão

Figura 4. Caderneta de anotações do fiado

Referências

Quando eram feitas as entrevistas, tanto os proprietários, funcionários e consumidores, não deixavam claro essa forma de comercialização, porém quando eram instigados a falar sobre a relação de compra e venda no comércio local, todos afirmaram existir o uso das negociações através de registro em cadernetas. Para os comerciantes, a venda existe, porém só ocorre com pessoas de “relacionamento mais próximo”, onde apresentem através do convívio local uma confiança entre os interessados. A venda fiada denota as relações de proximidade e, ou, como ilustra Milton Santos (1996, p. 133), pode-se tratar do denominado acontecer solidário homólogo: “o território atual é marcado por um cotidiano compartido mediante regras que são localmente formuladas ou reformuladas. Os resultados alcançados mostraram que embora diante das inovações tecnológicas nas relações de compra e venda existentes no mundo globalizado, as relações interpessoais do comércio local, persistem e estão pautadas na proximidade dos envolvidos, na confiança e facilidade de negociação no comércio local.

CALLAI. Helena. O Estudo do lugar como possibilidade para desconstrução da identidade e do pertencimento. In: Anais do VIII Congresso Luso Afro Brasileiro de Ciências Sociais. Coimbra: Setembro 2004, p1-10. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org.). Ensino da Geografia: práticas e textualizações no Cotidiano. 9. ed. Porto Alegre: Mediação, 2009. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à pratica educativa. 34. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. SANTOS, Ana R. – “Conversa com quem ensina geografia”. In: REGO, Nelson; CASTROGIOVANNI, A. C.; KAERCHER, N. A.(Org.). Geografia: Práticas pedagógicas para o Ensino Médio – Porto Alegre: Penso, 2011. SALGUEIRO, Teresa Barata. Do comércio à distribuição: roteiro de uma mudança. Oeiras: Celta Editora, 1996. SANTOS, Milton. O Espaço Dividido: Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos; tradução Myrna T. Rego Viana- 2. ed., 1. Reimp- São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2008. _______, A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec.1996.

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A pesquisa realizada mostrou que os conteúdos geográficos podem e devem ser trabalhados de forma prática e as experiências devem ser vivenciadas pelo aluno, cabendo ao professor, “prever o re-ligar dos conhecimentos a partir das dúvidas e das verdades provisórias” Castrogiovanni (2000, p. 35), evidenciando o papel da escola na construção do conhecimento para além dos muros escolares. Os problemas apontados são comuns a qualquer área urbanizada, porém sem perder a essência de existir ainda relações sociais de proximidade e confiança entre comerciantes e consumidores. Vale ressalta a importância da inserção dos alunos na pesquisa científica e o papel do professor/ educador de Geografia na tarefa de “fazer pensar” determinados contextos socioeconômicos e culturais vivenciados no mundo moderno a partir da realidade do aluno no seu lugar, tornando-o um cidadão crítico e reflexivo, facilitando assim o processo ensinoaprendizagem.


Resumo. O artigo Hino Cidade de Deus: cruzando linguagens visa apresentar os resultados de uma ação desenvolvida com alunos do 3º ano do ensino médio (2015), do C.E. Dr. Augusto César Leite, Itabaiana, SE, a qual teve por objetivos: a) estudar a letra do hino oficial de Itabaiana em seus aspectos formais e histórico-culturais, com destaque para o caráter identitário do itabaianense, bem como a história desse hino e de seu compositor Edson Dias, professor de História da escola; e b)divulgar, através de vídeo-documentário e encenação teatral, com destaque, neste artigo, para a produção audiovisual, os resultados desse estudo para a comunidade escolar e comunidade local. 1 Introdução O artigo Hino “Cidade de Deus”: cruzando linguagens tem como proposta apresentar as etapas e os resultados de um projeto de ensino de leitura e de produção textual que envolvem o uso das tecnologias, em especial a produção audiovisual, e de outras formas de linguagens, como a encenação teatral. Tal projeto surgiu da necessidade de dar vazão à criatividade dos alunos das turmas de 3º ano dos turnos matutinos e vespertinos, ano letivo 2015, do Colégio Estadual Dr. Augusto César Leite, Itabaiana, Sergipe, os quais, enquanto desenvolviam etapas de um outro projeto (Projeto Jornal César Leite), pesquisaram sobre o hino oficial de Itabaiana e, ao descobrirem que o compositor do hino era seu professor de História, que lecionava Revista Feira de Ciências e Cultura  |  73 


na escola há algum tempo, sentiram vontade e mesmo necessidade de dar a conhecer essa descoberta. Aproveitamos, então, essa necessidade para desenvolver práticas de leitura e de produção de alguns gêneros textuais: letra de hino, roteiro de peças teatrais, roteiros de vídeos. Para isso, formulamos alguns objetivos: a) criar a oportunidade de estudar a letra do hino oficial de Itabaiana - Cidade de Deus – em seus aspectos formais e histórico-culturais, com destaque para o caráter identitário de um povo presente no texto, e de conhecer um pouco mais sobre a sua história e a de seu compositor; e b) transformar esse conhecimento em uma produção textual, especificamente encenação teatral e vídeodocumentário, para divulgar o hino e seu compositor, com destaque para a produção audiovisual, uma vez que, embora todos, em algum momento, tenham tido contato com esse tipo de produção, facilitado pelas novas tecnologias de informação e comunicação, a grande maioria dos alunos demonstra desconhecer o processo envolvido numa produção audiovisual. A evolução dos estudos de gêneros textuais (ou gêneros discursivos) tem nos colocado o desafio de transformar o ensino de língua com ênfase em seu efetivo uso nas várias esferas sociais. Assim, a escola tem o papel de proporcionar ao estudante o contato com os vários gêneros de texto, desde os mais utilitários aos literários. Adotamos, neste bojo, a concepção de leitura para além da decodificação, pois perpassa pela construção de sentidos, já que ler é um processo ativo que estimula a capacidade de compreensão, reflexão e envolvimento com o texto (PISA, 2009). Para Rocha (2013, p. 01), ler é “utilizar a capacidade de relacionar os conhecimentos já adquiridos com os novos conhecimentos proporcionados pela leitura”. Do mesmo modo, produzir textos é muito mais do que organizar sintaticamente períodos e parágrafos; é mostrar-se enunciador, sujeito interativo; sujeito identitário; sujeito de ação, argumentação e persuasão por meio das diversas formas linguagens que estão dispostas e com as quais se podem representar ou fazer releituras dos conhecimentos adquiridos. Nesse sentido, questiona-se sobre a constituição da interação texto-leitor no contexto das inovações tecnológicas, desde o uso do vídeo ao uso das mídias digitais. Questiona-se ainda se a escola tem contribuído 74 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

para formar um leitor e produtor de textos ativo, fazendo uso das múltiplas linguagens – escrito, oral, imagético – possibilitada, também, e potencializada pela tecnologia. É preciso que a escola promova múltiplos letramentos, considerando os convencionais e os que envolvem as tecnologias e toda sua gama de facetas que desafia a prática pedagógica hoje, pois, na era da informação, com o letramento digital, especialmente, contempla-se além da interpretação, o aspecto da interação (ARAÚJO, 2008, p.2). Como o projeto “Hino ‘Cidade de Deus’: cruzando linguagens”, desenvolvido pelos estudantes, envereda pela experiência audiovisual na escola, atividade pouco desenvolvida e que pode causar estranhamento nesse contexto, reportamonos a Pires (2010, p.28) que ressalta: “em uma sociedade mediatizada, deparamo-nos não apenas com diferentes ‘saberes’, mas com múltiplas formas de mediação e difusão desses saberes [o que modifica] os modos de aprender relativos a esses saberes”. Ainda segundo a autora, a produção audiovisual induz a comportamentos e interesses que perturbam a ordem disciplinadora do espaço escolar, uma vez que a produção midiática lida com a dimensão emotiva, com o imaginário, com as mitologias de nossa época (PIRES, 2010, p. 283), fenômenos pouco relevantes na estrutura clássica do espaço escolar. Mas é justamente essa perturbação, provocada pela incursão da produção midiática, por exemplo, que renova as potencialidades dos educandos e do espaço escolar. A autora remetenos também aos processos de subjetividade em que um processo de produção de significados está ancorado em referentes humanos, materiais e imateriais, dentro de um contexto histórico-político-cultural. Em se tratando do referido projeto, essa subjetividade é levada em conta tanto na produção de uma peça teatral quanto de um documentário, já que o trabalho com a leitura e a produção de texto, em ambos os casos, prima pela subjetividade, mobilização e protagonismo, configurados no processo de autoria e de coautoria dos estudantes, os quais se reconhecem no texto produzido, desde a análise linguístico-discursiva da letra do hino oficial de Itabaiana aos aspectos estruturais de elaboração dos gêneros textuais (encenação teatral e vídeo): roteiro, entrevistas, cenários, equipamentos de gravação no caso da produção de vídeo, etc.


2 Materiais e métodos O projeto “Hino ‘Cidade de Deus’: cruzando linguagens” foi organizado e desenvolvido em duas etapas: na primeira, foram trabalhados aspectos formais e históricos culturais do hino com os 3º anos A1 e A2; e na segunda, as duas turmas apresentaram e representaram os conhecimentos com os quais tiveram contato em outras formas de linguagem: encenação teatral e vídeo-documentário. A primeira etapa do projeto foi desenvolvida em seis aulas de 50 minutos, durante as quais, foram trabalhados alguns conceitos, dentre eles: o conceito de hino, a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, seguido de pesquisa sobre o significado da palavra “hino” em dicionários (convencionais e on-line, através de celular conectado à internet), bem como o significado de palavras desconhecidas pelos alunos que integrassem a letra “Cidade de Deus”; o conceito de ritmo e de esquemas rítmicos próprios da poesia que dão cadência à música, através da leitura, análise da letra e audição do hino; o conceito de identidade e de identidade cultural, através da carga semântica do vocabulário selecionado pelo compositor. Feito o estudo de tais aspectos, os alunos foram orientados a buscar informações sobre a história do hino e sobre seu compositor, por meio de entrevistas e pesquisa pela internet. A segunda etapa durou aproximadamente seis semanas. Nessa fase, foi definida uma forma de representar, através de outras linguagens, todo o aprendizado, a fim de apresentar para a comunidade escolar. A turma de 3º ano A1 ficou responsável pela produção audiovisual: um documentário biográfico sobre o músico e compositor Edson Dias. Para isso, houve a mobilização de todos os alunos e a distribuição de tarefas diferentes. Inicialmente, trabalhou-se o gênero roteiro de vídeo para que os mesmos pudessem se organizar e organizar os conhecimentos adquiridos, selecionando aqueles que deveriam compor o texto audiovisual. Depois, a turma foi dividida em equipes (de filmagem; fotografia e sonorização; de entrevistas, de contato com os entrevistados; de apoio técnico para manuseio e operação dos recursos de filmagem; de elaboração do roteiro de entrevistas; de montagem e edição) para produção do vídeo. Foram utilizados como

recursos para gravação: celular, fones de ouvido e jogo de luzes (softbox), este último montado artesanalmente pelos alunos. Já a tarefa do 3º ano A2 foi apresentar uma encenação teatral com uma releitura da letra do hino. Para isso, os estudantes tiveram de realizar mais pesquisas sobre o município que pudessem ser relacionadas ao hino, além de elaborar roteiro de peça teatral, selecionar os atores, realizar ensaios, definir figurinos e cenários. 3 Resultados e discussão 3.1 Hino Cidade de Deus: leitura, audição e análise O hino oficial de Itabaiana recebeu o título de “Hino Cidade de Deus”, mas em pesquisa na internet, aparece apenas como “Hino de Itabaiana – SE”. O título original não é colocado, talvez para facilitar a busca, já que no Portal Letras, onde os estudantes fizeram a pesquisa, o hino se encontra no campo “Hino de Cidades”. Essa informação faz-se necessária, já que neste artigo usamos o título original. Durante o trabalho de leitura e análise do “Hino Cidade de Deus”, permitiu-se aos estudantes do 3º ano mobilizarem alguns conhecimentos de ordem escolar, como questões estilísticas e semânticas e de ordem histórico-cultural a respeito do município. HINO “CIDADE DE DEUS” Compositor (letra/música): Edson Dias Verdes campos viram lendas e histórias De um passado de labuta e esplendor Para sempre ficarão bem na memória De um povo hospitaleiro e vencedor. Ele evoca um francês que é Simão Dias, Nosso filho da coragem e do brio És o gênio da liberdade! Uma terra secular e varonil. Ó serrana és augusta da vontade Romaris eu sei que hão de te lembrar O teu povo em epopéias da verdade Tem em Deus o homem santo a abençoar. Que nas artes Euterpe te contempla, Grandes filhos tua alma engrandecer Revista Feira de Ciências e Cultura  |  75 


És o gênio da liberdade! Terra do ouro, do progresso e lazer. E o porvir, o arrebol vêm nos mostrar, Santas almas, a labuta consagrou, Festejos vêm a ti, exaltam o teu amor, Nos lares a sorrir o Deus abençoou. Ergamos nossa voz, minha augusta serrana. Gritemos o teu nome, Itabaiana! (Fonte: Portal Letras) ¹Segundo o compositor, houve alteração do vocábulo “Romaris”, que nomeia uma tribo indígena, por “Velhas tribos”, na 3ª estrofe, conforme se constata na audição do hino, por circunstâncias de imprecisão histórica da existência dessa tribo em terras itabaianenses.

Durante a leitura e análise do hino “Cidade de Deus”, os estudantes puderam relembrar e mesmo se apropriar de alguns conhecimentos sobre o texto poético pela proximidade da música com a poesia. Dessa forma, perceberam que o ritmo dado ao hino foi possível pelo uso de rimas graves e agudas, pela escolha da posição das silabas tônicas de cada verso, pelo esquema de rimas adotado. Outro aspecto bastante peculiar foi a seleção vocabular que fez com que os alunos usassem a pesquisa em dicionários (convencionais e on-lines) sobre as palavras desconhecidas ou cujo significado desconheciam, a exemplo de “labuta”, “varonil”, “epopeias”, “augusta”, “porvir”, “arrebol”; além dessas palavras, dois nomes próprios, que aparecem no hino, estimularam outra pesquisa feita na internet: “Simão Dias” e “Euterpe”. O primeiro levou os alunos à história das origens do município, e o segundo, à mitologia grega, resgatada pelo compositor para enfatizar o valor das artes, inclusive do próprio hino, através da Deusa da Música, musa inspiradora dos poetas e compositores. Além desses aspectos, foi dada ênfase à escolha lexical, cuja carga semântica revela as características do município de Itabaiana exaltadas no hino, reforçando o caráter identitário do povo itabaianense, por meio dos seguintes elementos revelados e destacados: a) a religiosidade, expressa pelas palavras “Deus” e “festejos”, em referência aos festejos religiosos da cidade, especialmente ao dia de Santo Antônio; b) as origens lendárias, reveladas por vocábulos e expressões como “lendas e histórias”, “memória”, “Simão Dias”, “velhas tribo”; c) o progresso e o caráter empreendedor 76 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

e hospitaleiro do itabaianense, destacados nas palavras “labuta”, “esplendor”, “hospitaleiro”, “vencedor”, “terra do ouro, do progresso e lazer”, “porvir” (este vocábulo, na última estrofe do hino, marca a esperança de dias sempre melhores). O município é, então, ovacionado por sua história, por sua cultura, pelo caráter, coragem e empreendedorismo do seu povo. Destacamos, nessa etapa, a mobilização e interesse dos estudantes em realizar as tarefas, principalmente, porque, certamente, cada um sentiu-se representado no hino e se identificou com cada elemento ressaltado e exaltado por sua letra. Além disso, o fato de os educandos conhecerem o compositor e de estudarem com ele parecia encher-lhes de orgulho, o que acabou despertando maior respeito tanto pelo texto em estudo quanto pela autoria e coautoria da produção realizada. 3.2 Hino Cidade de Deus: cruzando linguagens. A segunda etapa do projeto envolveu duas atividades diferenciadas (peça teatral e documentário), mas não menos complexas e válidas pedagógica e humanamente. A ideia de produção do vídeo surgiu como uma novidade e mobilizou euforicamente todos os estudantes do 3ºA1, uma vez que poderiam utilizar novas tecnologias (fato pouco corriqueiro no espaço escolar) para preparar o documentário sobre o hino e sobre a vida do músico e compositor Edson Dias. Nesse sentido, foi preciso um trabalho de coordenação cuidadoso e centrado para que os estudantes não perdessem o foco da atividade. Um ponto que merece destaque é a capacidade mobilizadora que envolveu a produção do vídeo. Os estudantes não mediram esforços para contactar os entrevistados, para montar manualmente o aparato tecnológico (softbox) que deu apoio às filmagens, para realizar, fora da escola em turnos contrários, as entrevistas e pesquisas necessárias. Além da mobilização, notamos o laço de união fortalecido com o intuito de fazer o melhor que pudessem para surpreender a comunidade escolar e o músico e compositor Edson Dias, para os quais o documentário seria exibido. Outro aspecto bastante relevante foi o respeito de cada aluno pela habilidade e aptidão dos demais para desenvolver a atividade,


sendo que não foi preciso muito esforço para conseguir voluntários para elaboração do roteiro, seleção da fotografia e das imagens, realização das entrevistas, montagem do cenário para entrevistas, filmagem (áudio e vídeo) e edição do documentário. Atividades diversas e complementares, somadas, deram um produto no qual todos os coparticipes sentiram-se tanto produtores quanto espectadores do documentário no qual se viram representados.

Figura 02 – Estudantes do 3ºA2 encenando o Hino Cidade de Deus. Em 08/03/2015. Fonte: Arquivo da equipe de elaboração da encenação teatral (CEDACL).

4. Considerações

Figura 01 – Estudantes do 3ºA1 realizando entrevista sobre o hino Cidade de Deus, utilizando-se de softbox produzido artesanalmente pelos eles. Em 08/03/2015. Fonte: Arquivos da equipe de elaboração do vídeo (CEDACL).

A encenação teatral, atividade mais comum realizada pela escola, exigiu dos alunos do 3º A2 um trabalho coletivo no qual superassem suas diferenças em prol do mesmo objetivo: apresentar de forma lúdica e criativa a releitura do hino de Itabaiana. Nessa turma, foi possível perceber que o trabalho com o texto teatral mexeu com as subjetividades, com as escolhas, com as decisões dos estudnates para superar limites. Alguns talentos foram descobertos e outros foram consolidados: o roteirista, o diretor, o protagonista, os atores coadjuvantes e demais atores, os cenógrafos, os figurinistas, os sonoplastas, os narradores e oradores, todos, de alguma forma, entraram no hino e saíram dele para se mostrarem sujeitos de ação, participação e criação. A linguagem do texto teatral, poetizada nessa atividade pelo roteirista e pelos atores, revelou ao público escolar os aspectos identitários da história e cultura de Itabaiana presentes no hino, aproximando, dessa forma, público e obra de arte.

Equivocadamente, há quem acredite que trabalhos que destoam da prática pedagógica clássica prescinde de conteúdo e de significação para o estudante. O fato é que a escola precisa garantir a esse mesmo estudante os conhecimentos escolares de que ele precisa para seguir sua vida escolar. Mas é fato também que a sociedade exige hoje muito mais que um indivíduo enciclopédico. Exige um indivíduo multiletrado e habilidoso no sentido de ler e de produzir textos (sejam orais ou escritos). Por isso, no desenvolvimento do projeto “Hino ‘Cidade de Deus’: cruzando linguagens”, destacamos o caráter mobilizador, protagonista e subjetivo do trabalho com os gêneros textuais em pauta, além de levar em conta o contexto de produção. A definição do roteiro de ambos os trabalhos das turmas levou em conta a funcionalidade do uso da língua e do texto produzido: para que, por que e para quem produzir. Outro aspecto relevante foi a identificação dos alunos com sua própria produção. Assistir ao documentário ou sentir a interação da plateia, no caso da encenação teatral, revelou-se um feedback do aprendizado adquirido, aprendizado que foi multiplicado, pois, sem dúvida, muitos alunos que assistiram às apresentações, no dia da culminância das atividades, levaram consigo novas informações e, principalmente, a certeza de que também podem e poderão fazer atividades escolares como estas, dotadas de conteúdos cognitivos, sociais, afetivos. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  77 


Referências ARAÚJO, Rosana Sarita de. Letramento digital: conceitos e préconceitos. In: SIMPÓSIO HIPERTEXTO E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO – MULTIMODALIDADE E ENSINO, 2, 2008, Recife. Anais eletrônicos. Recife: UFPE. Disponível em: http://www.ufpe.br/nehte/simposio2008/anais/RosanaSarita-Araujo.pdf BRASIL, INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS ANISIO TEIXEIRA. Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA: Resultados Nacionais 2009. Brasília: MEC/INEP, 2009, 130 p. DIAS, Edson. Hino de Itabaiana – SE. Hino de Cidades. Disponível em: https://www.letras.mus.br/hinos-decidades/1656801/. Acesso em 22/03/2017. PIRES, Eloiza Gurgel. A experiência audiovisual nos espaços educativos: possíveis interseções entre educação e comunicação. Educação e pesquisa, v.36, n.1, p. 281-295, jan/ abr, 2010. ROCHA, Maria Edriana dos S. Leitura e produção de textos: a retórica argumentativa nos caminhos da multimodalidade. Anais do VI Fórum Identidades e Alteridades e II Congresso Nacional Educação e Diversidade, ISSN 2176-7033 - 28 a 30 de novembro de 2013. UFS/Itabaiana/SE. Disponível em: http://docplayer.com.br/14965857-Leitura-e-producaode-textos-a-retorica-argumentativa-nos-caminhos-damultimodalidade.html. Acesso em 29/09/2016

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Resumo. O presente artigo tem como objetivo apresentar as ações, discussões e reflexões realizadas durante a aplicação do projeto O uso de sacolas plásticas no município de Tobias Barreto e seus impactos socioambientais, desenvolvido no Colégio Estadual Maria Rosa de Oliveira. A análise dos dados obtidos em uma das etapas do projeto permitiu concluir que para uma educação ambiental efetiva, é necessário diálogo, reflexão e ação no mundo, o que a torna ainda mais desafiante. Destarte, percebe-se que não basta apenas o reconhecimento do problema ambiental, é necessário mudança de pensamento e de atitude. 1. Introdução Um dos maiores problemas a ser enfrentado pela humanidade é o descarte dos resíduos sólidos, os quais são produzidos diariamente em cada lar, comércio, indústria, enfim, em todos os espaços sociais em que há um ser humano ou por onde ele simplesmente passa. Ao perceber tal problemática e acreditar que através da educação escolar é possível mudar a realidade positivamente, a presente pesquisa buscou estimular o hábito de utilizar sacolas permanentes nas diversas compras que os alunos e familiares fazem. Dessa forma, a proposta caracteriza-se como um projeto que se baseia na ideia de Yin (2001, p.33), “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real”. Sendo assim, com o projeto O uso de sacolas plásticas no município de Tobias Barreto e seus impactos socioambientais foi possível envolver os alunos na problemática que, apesar de não perceberem anteriormente, está muito próxima deles, representando um comportamento que contribui negativamente para o meio ambiente. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  79 


2. Materiais e Métodos

3. Resultados e discussão

Dividida em cinco etapas, a presente proposta foi desenvolvida na 3ª série do Ensino Médio, composta por 30 alunos, no turno matutino do Colégio Estadual Maria Rosa de Oliveira, o qual se localiza no município de Tobias Barreto/SE. O período de execução do projeto foi de 3 meses. Com a exibição do vídeo/documentário Ilha das Flores para a provocação temática, a primeira etapa foi o momento de adentrar no tema e reconhecer o problema, além de identificar as possíveis causas e soluções. Ainda nessa etapa inicial, foi feita a leitura do texto Consumismo: mal do século XXI, presente no livro didático Química Cidadã, o qual contribuiu para que o objetivo de analisar o impacto causado pelas sacolas plásticas ao meio ambiente fosse atingido. Na etapa seguinte, os alunos receberam um questionário em que registrariam a frequência de utilização de sacolas plásticas descartáveis nas suas compras cotidianas, identificando os pontos comerciais de origem como também o destino dado às sacolas. Na mesma perspectiva do objetivo anteriormente mencionado, foi realizada uma visita de campo ao lixão municipal. Na quarta etapa, foi o momento da roda de conversa, com a finalidade de discutir sobre os dados obtidos no questionário, bem como sobre as impressões vivenciadas durante a visita ao lixão. Nesse momento, fora divulgado também o resultado dos questionários preenchidos pelos alunos a respeito do uso das sacolas plásticas em suas residências. Para concluir, fora exibida uma animação desenvolvida pelo Instituto Akatu, “ De onde vêm e para onde vão as sacolas plásticas”, recurso que abriu a roda de conversa para discutir sobre as ações já desenvolvidas e seus resultados. Desse modo, a realização da roda de conversa foi fundamental para que, à luz do que tinha sido observado durante a visita ao lixão e, com base nos dados coletados no questionário, finalizássemos o ciclo de desenvolvimento das estratégias educativas propostas, o qual culminaria com a produção e distribuição de sacolas permanentes produzidas pelos próprios alunos.

Com a exibição do curta/documentário Ilha das Flores, tendo como justificativa a sensibilização diante dos problemas ambientais, os alunos sentiramse provocados. Ao final desse momento, os alunos compreenderam que aquilo que é supérfluo para uma determinada pessoa pode ser básico para outra, ou seja, tudo seria relativo e que, portanto, cabe a cada um dimensionar e ter consciência ambiental na hora de consumir ou adquirir um determinado produto. Nesse sentido, para adentrar no tema gerador do projeto, algumas provocações partiram de questionamentos envolvendo a percepção de causa e efeito, tais como: Há possiblidade de vocês ficarem sem adquirir produtos para uso pessoal e para o lar? Se esses produtos continuam sendo adquiridos, há como levá-los para casa sem a utilização de sacolas plásticas? Substituir as sacolas plásticas por outro tipo resolveria o problema ou causaria outro? Com tais questionamentos provocativos, foi possível despertar nos alunos a preocupação quanto ao problema investigado por esta pesquisa, produzindo em cada um o olhar ambiental diante de suas próprias ações, gerando, dessa forma, um conhecimento mais consciente, o que contribui significativamente para mudança de atitudes. Toda discussão travada anteriormente ganhou consistência e notoriedade quando da realização da visita ao lixão do município de Tobias Barreto, a qual fez parte da segunda etapa das ações a serem desenvolvidas durante a aplicação do projeto. Essa visita, para reconhecimento da problemática foi de grande importância para provocar ainda mais a consciência ambiental. Além das primeiras impressões, um dos pontos a se destacar foram as condições vivenciadas pelos catadores de lixo no local. Muitos alunos desconheciam a existência dos mesmos, outros achavam que eles eram funcionários públicos que trabalhavam em condições difíceis. Daí mais um choque saber que pessoas tiram do lixo o sustento para sua sobrevivência.

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Outrossim, o quantitativo de sacolas plásticas dispersas no lixão era imenso, o que chamou a atenção de todos e, inclusive, o reconhecimento de “para onde vão as sacolas que descartam”. Ao se considerar o tempo de decomposição na natureza e o alto custo ao meio ambiente na produção das mesmas, uma vez que em seu processo de produção envolve o consumo de petróleo (recurso não renovável), água e energia, as sacolas plásticas, aparentemente inofensivas, tornam-se vilãs em decorrência do mau uso que o próprio homem faz das mesmas. Outro aspecto de agressão ao meio ambiente a se destacar foi o lixo em decomposição produzindo o chorume, substância líquida resultante do processo de degradação e solubilização resíduos diversos, incluindo matéria orgânica exalando cheiro forte e altamente poluente. As imagens 1 e 2 a seguir reforçam o que fora descrito anteriormente:

Nesse período foram contabilizadas 534 sacolas plásticas, perfazendo uma média aritmética de 76, 28 sacolas/dia. Esses dados também apontam que a maior parte dessas sacolas são oriundas de padarias (49%), seguida pelas compras em supermercados/mercearias (29%), depois pela feira livre (19%) e, por fim, lojas diversas (3%). Uma das questões, estrategicamente elaboradas para confrontar esse quantitativo de sacolas plásticas no período em estudo, foi estimar a frequência de compras mensais da família em cada ambiente de compra investigado. Vejamos alguns desses dados nos gráficos abaixo:

Gráfico 1

Gráfico 2 Figura01e2–Lixão no Município de Tobias Barreto. Fonte: Arquivo do autor

Finalizada essa etapa e para conhecer o nível de utilização das sacolas plásticas pelos próprios alunos e familiares, foram apresentados os resultados obtidos pelos questionários aplicados, lembrando que cada aluno levou um questionário com uma planilha em que registrariam, durante uma semana, o quantitativo das sacolas plásticas que adentraram à casa deles e qual o destino dado a cada uma.

No gráfico 1, como já fora descrito, os dados apontam para os locais de onde vem a maior parte das sacolas plásticas para dentro de casa. Já no gráfico 2, ressalta-se que é através das padarias que o consumo constante desse tipo de sacolas mais persiste, uma vez que as pessoas do grupo estudado declararam ir de 22 a 30 vezes ao mês, nesse tipo do comércio. Ainda com base no gráfico 1, percebe-se que a feira livre aparece com o segundo maior índice. Uma possível explicação para esse fato é que a cidade possui feira livre Revista Feira de Ciências e Cultura  |  81 


todos os dias da semana, o que possibilita a ida à feira constantemente. Questionados sobre o uso de sacolas retornáveis, os gráficos a seguir representam claramente a realidade dos alunos:

Gráfico 3

Gráfico 4

O gráfico 3 expõe que a maior parte do público alvo (80%) não utiliza sacolas retornáveis, enquanto que o gráfico 4 aponta o porquê do não uso dessas sacolas, trazendo como principal justificativa o fato de os estabelecimentos comerciais não possuírem esse tipo de sacola gratuitamente, estimulando cada vez mais a utilização da plástica. Por fim, ao analisar os dados coletados a partir do questionário, pode-se verificar que 100% do grupo estudado reutiliza a sacola plástica para armazenar e descartar o lixo doméstico, acreditando que estão contribuindo para a proteção do meio ambiente. Para Santos (2011, p. 2), “As atividades de educação ambiental também têm um papel importante na destinação adequada, pois contribui para evitar o descarte incorreto das sacolas plásticas após sua utilização”. De posse dessa análise, fora realizada uma 82 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

roda de conversa para apresentação dos resultados e impressões da turma diante da problemática. Nesse momento, foram entrelaçadas as etapas do projeto, especialmente quanto ao resultado do questionário e à visita ao lixão. Nesse momento, houve uma participação também ativa dos alunos, os quais questionavam e davam suas contribuições. Ao serem questionados, por exemplo, sobre qual o significado de retornável, os alunos foram uníssonos em afirmar que se trata de uma atitude de consciência ambiental, pois ao passo em que reutilizamos algo, não haverá necessidade de produzir maior quantidade deste produto, conseguindo assim reduzir o impacto ambiental. Por outro lado, uma das alunas, por exemplo, disse em uma de suas falas que “o que falta não é conhecimento, professor, mas consciência ambiental, pois todos nós já sabemos o que é certo ou errado”. Outros alunos afirmaram que o que não há é o incentivo para as práticas corretas, no entanto, mais uma vez a mesma aluna alerta dizendo que “na loja X vende sacolas retornáveis. Isso é desculpa. É que ninguém quer sair de casa com uma sacola e trazer tudo; quer mesmo é trazer várias outras”. É importante reforçar que, durante a roda de conversa, foram dadas sugestões pelos próprios alunos para a confecção de sacolas personalizadas para, pelo menos, a utilização ao ir comprar o “pão de cada dia”. A decisão de confeccionar sacolas retornáveis evidenciou que os alunos assimilaram e compreenderam o conteúdo abordado no projeto, de modo que apresentaram uma proposta para mitigar os problemas causados relativos ao uso em excessivo de plásticos no meio ambiente. As figuras abaixo são das sacolas criadas pelos próprios alunos:


4.Conclusão

Fig 3 e 4 – Sacolas produzidas e distribuídas pelos alunos. Fonte: arquivo do autor

Para confecção das sacolas retornáveis, a turma foi dividida em equipes. Uma das equipes ficou responsável pela arte gráfica, outra ficou com a responsabilidade de pesquisar o custo do metro e o melhor tecido. A outra equipe fez a costura e a pintura. O custo total de cada sacola foi de R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos), sendo que havia entre os próprios alunos dois costureiros, fato que fez com que os custos fossem minimizados. A sacola confeccionada foi de tecido brim em 100% algodão e a pintura feita a quente com ferro de passar, técnica comum para decalcar tecido. Para o fechamento da sacola foi utilizado cordão sintético de nylon denominado “rabo de rato”. Importante ressaltar que para viabilizar a produção de sacolas, a equipe de pesquisa de custo buscou entre as padarias do município patrocínio. Dessa busca, apenas uma contribuiu com financeiramente, a qual, em contrapartida, recebeu um quantitativo de sacolas para ser distribuído com os seus próprios clientes. O mais gratificante diante disso tudo foi perceber que alguns clientes adotaram a nossa ideia.

Trabalhar ou desenvolver um projeto na esfera da Educação Ambiental é sempre um desafio. Romper paradigmas, sem dúvida, é o obstáculo mais difícil desse desafio. A execução desse projeto possibilitou a todos os envolvidos refletir aspectos de cunho socioambiental e também educacional dentro da sua própria realidade. A experiência proporcionada com a realização desse trabalho certamente contribuiu para o engrandecimento do conhecimento de mundo do público alvo, o qual passou a refletir sobre as consequências ambientais a partir de suas próprias atitudes. Nesse sentido, os próprios alunos concluíram que a mudança de hábitos simples como, por exemplo, ao comprar um produto, se não tiverem com uma sacola retornável, pelo menos buscarem reduzir ao máximo o quantitativo de sacolas para transportar o produto adquirido, contribuindo, assim, para a construção de um mundo cada vez mais sustentável. Apesar de o desenvolvimento do projeto não apresentar dificuldades na sua realização, uma vez que os alunos participaram ativamente e puderam refletir sobre suas próprias atitudes, não houve como mensurar se houve (ou haverá) mudança de postura. Essa dúvida, faz gerar a possibilidade de continuidade da pesquisa, na tentativa de reconhecer (ou não) os resultados sociais do projeto. Referências ILHA das Flores. Direção: Jorge Furtado. Produção executiva: Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil e Nora Goulart. Narração: Paulo José. Produtora da Casa de Cinema Porto Alegre, 1989. Duração/ gênero: 13min, documentário YIN, R.K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. SANTOS, Amélia S. F. e. Sacolas Plásticas: Destinações Sustentáveis e Alternativas de Substituição. Disponível em: http://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-14282012000300005> Acesso em 27/06/2016. SANTOS, Wildson Luiz Pereira dos; MÓL, Gerson de Souza, (coords). Química Cidadã. Volume 1: ensino médio: 1ª série. 2ª ed. São Paulo: editora AJS, 2013. Instituto Akatu. De onde vem? Para onde vai? - sacolas plásticas. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=AXrIWrJL0> Acesso em 10 maio 2016.

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Resumo. A presente proposta de trabalho partiu da necessidade de integrar conteúdo curricular (leitura, interpretação e produção de textos através do gênero poema) a linguagens lúdicas (ilustração) e tecnológicas (antologia poética em formato de videoclipe), com o objetivo de promover o letramento literário. 1.Introdução Esse artigo apresenta uma proposta de mediação do letramento literário (Cosson, 2014) em interface com gêneros multimodais – definido como “o uso de diversos modos semióticos na concepção de um produto ou evento semiótico, juntamente com o modo particular segundo o qual esses modos são combinados” (Rojo, 2012, p.147151) _, elaborada a partir da necessidade de desenvolver a leitura literária na Educação Básica, fazendo uso do gênero literário poema, numa abordagem interdisciplinar - integrando as disciplinas de Artes, História, Geografia e Cultura -, associada às TICs - Tecnologias da Informação e da Comunicação: aprendizagem necessária ao indivíduo para circular e interagir no mundo das mídias digitais, como consumidores e como produtores de seus conteúdos e processos; trata-se de recursos tecnológicos disponíveis, canais de comunicação disponibilizados para tornar cada vez mais fácil e ampla a comunicação entre pessoas situadas em qualquer lugar do planeta, formando a sociedade da informação e do conhecimento (disponível em: http://www.scholar.google.com.br). 84 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


Para alcançar os objetivos pretendidos, foi idealizada uma oficina de leitura e escrita de poemas que contemplou a retextualização de poemas (ilustração e antologia em formato de videoclipe) como estratégia metodológica para promover o letramento literário e mediar a aprendizagem de conteúdos curriculares como a leitura, a interpretação e a escrita e promover a dinamização das aulas de Língua Portuguesa através da “sequência básica do letramento literário na escola” proposta por Rildo Cosson (2014, p.51-69), constituída por quatro passos, a saber: motivação, introdução, leitura e interpretação. Para tanto, foram selecionados para a organização de uma antologia ilustrada em videoclipe, os poemas Pátria minha, de Vinicius de Moraes, Este é o lenço de Cecília Meireles, Serra do rola- moça de Mário de Andrade e Os estatutos do homem de Tiago de Melo. Como objetivos específicos, pretendeu-se explorar o potencial educativo da poesia, valorizando a apreciação e estimulando a produção do texto poético, bem como a exploração dos recursos existentes na oralidade e a percepção das especificidades da linguagem poética, promovendo a interação com linguagens próximas do universo social dos discentes, como é o caso da interpretação textual através da ilustração e da leitura através do videoclipe.

2. Materiais e Métodos A proposta de trabalho, apresentada na introdução deste artigo, foi desenvolvida no Colégio Estadual 28 de Janeiro, situado no município de Monte Alegre de Sergipe, alto sertão sergipano. Para cumprir

com os objetivos a que se propôs, as atividades foram desenvolvidas com 50 alunos matriculados em duas turmas dos 6º ano do Ensino Fundamental, nas aulas de Língua Portuguesa distribuídas em 11 horas/aulas (uma por semana), no período de abril a agosto de 2016. As estratégias metodológicas adotadas, a saber, antologia ilustrada e em videoclipe, pautaram-se na sequência didática básica proposta por Rildo Cosson (2014, p. 5169) abaixo especificada.

Assim, iniciamos o processo pela motivação, que consistiu na visita à biblioteca escolar para que os alunos entrassem em contato com os títulos disponíveis: explorassem, escolhessem e lessem livremente. Nesta ação, foram utilizados os livros que compõem o acervo da biblioteca escolar, disponíveis para toda a comunidade escolar. Feito isso, foi solicitado que os alunos escolhessem um livro de poemas e selecionassem apenas um para ser lido em voz alta e justificassem sua escolha pelo poema. A segunda ação, também desenvolvida na biblioteca, consistiu na seleção de livros pertencentes a Revista Feira de Ciências e Cultura  |  85 


outros gêneros textuais, a saber: contos, crônicas, fábulas e para os quais foi solicitado que realizassem a leitura, a apresentação e caracterização de personagens. Em sala de aula, realizamos a terceira ação motivacional que consistiu no desenvolvimento de uma aula expositiva sobre os conceitos básicos do poema: diferença entre poema e prosa, o que é verso e o que é estrofe; seguida da discussão sobre as diferenças existentes entre os gêneros textuais que havíamos lido nas aulas anteriores. Para a realização da nossa quarta ação, desenvolvida na sala de aula, utilizamos um aparelho de televisão e caixa de som e uma mídia reprodutiva, um pen drive, para a leitura audiovisual da letra de música Aquarela (1983), composta por Toquinho (disponível em http://www. youtube.com/watch?v=IG1ZU56tsdo); na sequência, os alunos ilustraram a música, seguindo a sugestão da letra.

Na terceira etapa do método, executamos a leitura dos poemas selecionados para compor a antologia em videoclipe, obedecendo os seguintes critérios: a atividade foi realizada por duplas, que munidas de um celular, faziam a gravação audiovisual do/a parceiro/a lendo um dos poemas. Na sequência, revezavam os papéis e postavam o resultado da leitura nos grupos do WhatsApp de cada uma das turmas envolvidas (6º ano A e 6º ano B), criados para postagens de trabalhos da turma. Finalizando os procedimentos da sequência, efetuamos a interpretação imagética, que consistiu na transformação das palavras em visualizações lúdicas, procedimentos artísticos, fazendo uso de técnicas como a pintura, mosaicos e colagens, integrando-se assim, à disciplina de Artes. Principiamos então, a nossa última ação, a produção de poemas: a partir do poema Pátria minha de Vinicius de Moraes, os alunos foram convidados a produzir poemas que apresentassem a história, a cultura e a geografia da cidade que habitam. Para isso, os estudantes realizaram pesquisas prévias na biblioteca escolar, municipal, via internet e contaram também com o apoio dos professores das disciplinas de referência. 3. Resultados e Discussão

Obedecendo aos procedimentos da sequência sugerida por Cosson (2014, p.51-69)), introduzimos o projeto principiando pela apresentação das obras selecionadas para compor a antologia ilustrada e em videoclipe: os poemas Pátria minha, de Vinicius de Moraes; Este é o lenço de Cecília Meireles; Serra do rolamoça de Mário de Andrade; Os estatutos do homem de Tiago de Melo. Para dar prosseguimento às ações, os alunos foram solicitados a realizarem uma pesquisa via internet, em sites de busca, sobre a biografia dos autores Vinicius de Moraes, Cecilia Meireles, Thiago de Melo e Mário de Andrade. Para cumprir o previsto nesta ação, os alunos precisaram utilizar computadores ou celulares com acesso à internet, disponibilizados pelos familiares e amigos dos mesmos e, na aula seguinte, apresentaram os resultados das pesquisas biográficas solicitadas. 86 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

A etapa motivacional (visita à biblioteca escolar para que os alunos entrassem em contato com os livros disponíveis no acervo da biblioteca escolar), teve por finalidade fazer com que os estudantes percebessem e se apropriassem daquele espaço e material destinado à leitura e ao mesmo tempo vivenciassem a leitura como fruição, mas também como busca de informação e como pretexto para outras produções (Geraldi,2011, p.92-99). Esse objetivo foi alcançado, visto que os educandos no decorrer do processo tornaram-se frequentadores assíduos da biblioteca e tomaram por empréstimo outras obras por livre e espontânea vontade, também recorreram a esse espaço como fonte de pesquisa para outros trabalhos. Cumpriu-se assim a meta esperada, a experiência da leitura como fonte de prazer e de informação. Na etapa destinada à introdução do autor e da obra tivemos a possibilidade de realizar as vivências de leitura como pretexto para a realização de pesquisas que serviram


para aprofundar o nosso conhecimento de mundo, mas também para ativarmos novos meios e formas de busca de informação, bem como na apresentação dos resultados dessas buscas. Na terceira e quarta etapa do método, destinadas respectivamente à leitura e interpretação, vivenciamos a leitura dos poemas selecionados como pretexto para composição da antologia em videoclipe e postagem nos grupos de WhatsApp, fazendo uso da inserção das TICs, também como pretexto para produzir ilustrações e escrever poemas. A sequência didática básica planejada e executada proporcionou a interação desejada e esperada, favoreceu a mediação da aprendizagem, desenvolvendo, ampliando e aprimorando a leitura e a escrita de poesia em sala de aula, incorporando a concepção multimodal que considera o conhecimento em sua riqueza polissêmica, nos permitindo estabelecer conexões, instaurando uma atitude dialógica entre leitor e texto, contribuindo com a interpretação e produção de sentidos. No tocante à leitura de poemas no espaço escolar como prática didático-pedagógica cotidiana, observamos que é uma prática eficaz, por ser um gênero textual curto, que provoca as emoções e sensações dos leitores de qualquer idade, em virtude da multiplicidade de sentidos que a leitura de um mesmo poema pode suscitar; contribui ainda para a ampliação do conhecimento geral dos alunos, através da abordagem de questões culturais suscitadas pela leitura. As TICs utilizadas (leitura oralizada em áudio e vídeo via aparelho celular e difundida via aplicativo de mensagem instantânea), na sequência didática executada no presente projeto de intervenção como novas práticas introduzidas no cotidiano escolar, promoveram a ludicidade e favoreceram a comunicação e interação entre aluno/aluno e professor/aluno, pois atuaram como mediadoras do processo ensinoaprendizagem de forma significativa e produtiva, aproximando a escola da realidade do educando, estabelecendo conexões entre o conhecimento científico e as experiências dos discentes. Para finalizar, podemos afirmar que a sequência didática promoveu ainda a interdisciplinaridade (Fazenda, 2013, p.17-21), em virtude do diálogo realizado não só com outros meios, como a ilustração

e as novas tecnologias, mas também com formas de conhecimento pertencentes a outras áreas do saber, estabelecendo, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade). 4. Conclusão A idealização da oficina de leitura e produção de poemas em ambiente escolar teve por ideologia formar leitores e escritores de poemas e, conforme a apresentação dos resultados alcançados, ratificamos que os poemas selecionados favoreceram a interação almejada, uma vez que a partir deles, ativamos diversos recursos multimodais, que combinados serviram para reforçar os objetivos propostos por este trabalho, suscitaram discussões interessantes sobre os aspectos históricos, geográficos e culturais, promoveram a integração entre as diversas áreas do conhecimento, como também a atualização do processo de ensinoaprendizagem através da inserção de recursos tecnológicos como a leitura oral realizada em áudio e vídeo e difundida via aplicativo de mensagens instantâneas, como o WhatsApp. Além das considerações tecidas anteriormente, enfatizo ainda que a sequência didática básica contribuiu significativamente para que atingíssemos os objetivos pretendidos: priorizamos o trabalho com a leitura de poemas, mas não deixamos de contemplar a multiplicidade de gêneros e suas formas de circulação, promovendo a leitura multimodal e a inserção das inovações patrocinadas pelas tecnologias da informação e da comunicação; o conhecimento foi construído, contribuindo para a formação de leitores críticos e capazes de e capazes de reconhecer as sutilezas e particularidades das construções literárias e não-literárias.

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Resumo. Este trabalho tem como objetivo avaliar a sustentabilidade ambiental do Colégio de Aplicação. Para tanto, serão realizadas seis etapas de execução que ocorrerão desde o diagnóstico à elaboração de um plano de ação com alternativas para concretizar intervenções de mudança ambiental. O diagnóstico foi a primeira etapa realizada, indicando 25 pontos positivos e 24 pontos negativos a serem trabalhados interdisciplinarmente pelos estudantes nos horários de aula e no contraturno. A partir do diagnóstico, estamos trabalhando o senso crítico dos discentes para torná-los atores das ações de manutenção e divulgação das características sustentáveis do colégio e mudança das características não sustentáveis. 1. Introdução Discutir sobre a sustentabilidade ambiental é um tema emergente e necessário nos espaços educacionais. Em uma instituição de ensino formal, uma das maneiras de se comprometer com a melhoria do meio ambiente é a partir da educação ambiental como tema transversal a ser visto através da interdisciplinaridade. Cabe destacar que a interdisciplinaridade está presente no cenário educacional brasileiro com a LDB nº 9.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (BRASIL, 1998; 2002) e indica que uma axiomática em comum, como a Educação Ambiental, coordena as ações disciplinares através de cooperação e diálogo. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  89 


Dessa maneira, neste trabalho a interdisciplinaridade ocorre por organização/articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares de Ciências, Geografia, Matemática, Português e Educação Física orientadas por um interesse comum: intervir ativamente na construção de mudanças que façam com que o colégio que temos torne-se o colégio que almejamos. A interdisciplinaridade é vivenciada na construção e execução das etapas da pesquisa, com ações coletivas em que todos os professores participam como articuladores no processo. Foi essa interdisciplinaridade que tornou possível de ser colocado em prática o projeto de forma eficaz e de, ao criar coletivamente as metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos professores escolhidos, realizar uma prática de aprendizagem significativa (JAPIASSU, 1976). Partindo-se do pressuposto da aprendizagem significativa, o conhecer se constrói por um conjunto de atividades individuais e coletivas, sendo necessário que o educando compreenda a realidade por meio de trocas sociais (LOPES, 1996). Assim, as ações enraizadas nos processos ativos, nos quais o sujeito (estudante) participa da elaboração de seus próprios conceitos, com sua lógica de sentidos e respeitando seu desenvolvimento pessoal terão como resultado o aprendizado. Ao vivenciar ativamente a aprendizagem de conceitos, processos e atitudes são mais bem elaborados e enraizados no conjunto de conhecimentos do indivíduo, o que chamamos de aprendizagem significativa (MOREIRA, 2006). Essa aprendizagem significativa alia os conhecimentos vistos em sala de aula, com a vivência e a mudança de visão e atitude conseguida através de atividades integradas com as várias áreas do conhecimento e com os conhecimentos prévios do aluno (PELIZZARI et al., 2002). Na perspectiva de uma alternativa pedagógica, sobre/no/para/a partir do meio ambiente (BRASIL, 2007) o presente trabalho tem como objetivo avaliar a sustentabilidade ambiental do Colégio de Aplicação (CODAP), a partir do mapeamento das características das formas de uso e impactos socioambientais no Colégio. Para tanto, os objetivos específicos são: realizar o mapeamento das características que representam o estado da sustentabilidade do CODAP; elaborar um 90 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

documento que apresente a situação da sustentabilidade no colégio; produzir proposta de intervenção nos pontos críticos identificados no mapeamento; estimular toda a comunidade escolar a conservar as características sustentáveis e modificar as não sustentáveis. A partir desse diagnóstico, será elaborado um plano de ação que apresente proposta de intervenção nos pontos críticos identificados. Com proposta de estimular toda a comunidade escolar a conservar as características sustentáveis e modificar as não sustentáveis. 2. Materiais e Métodos O trabalho está sendo construído coletivamente, com a participação do alunado matriculado no sexto ano do ensino fundamental do Colégio de Aplicação e mediado pelos professores participantes, a partir do uso adaptado da metodologia diagnóstico participativo de unidades de conservação (DIPUC, 2002). Este trabalho apresenta um diagnóstico socioambiental participativo que contou com ações em sala, durante a aula, bem como em oficinas no contraturno com todos os professores e alunos envolvidos presentes. Entre as fases da pesquisa se tem: a) diagnóstico da situação de sustentabilidade ambiental por meio de discussão participativa dos alunos do sexto ano e escolha dos conceitos e situações significativas atreladas ao tema; b) Leitura, interpretação de textos e discussão relacionados à temática; c) Divisão de tarefas entre as equipes para compreender melhor os pontos positivos e negativos identificados no diagnóstico; d) tabular esses dados e produzir texto interpretativo; e) Divisão de tarefas por equipe para divulgar os resultados encontrados; e f) elaborar um plano de ação com alternativas para concretizar intervenções de mudança ambiental, com a participação de toda a comunidade escolar. Vale ressaltar que o sentido de educar ambientalmente precisa ir além de sensibilizar os alunos para o problema, é preciso o exercício pleno de nossa cidadania em um processo de conscientização em busca de um equilíbrio socioambiental que deve ser iniciado no ambiente escolar. Para tanto, é fundamental, promover condições reais de atividades e experiências práticas que possibilitem uma formação interdisciplinar aos estudantes,


formação indispensável para a vida dos estudantes enquanto cidadãos e também como profissionais. O trabalho interdisciplinar implica, necessariamente, um trabalho de equipe coordenado, “havendo enriquecimento ou modificação das disciplinas envolvidas, com a finalidade de estudar um objeto sob diferentes ângulos” (ORRICO, 1999, p. 145). Para o alcance disso, estão sendo abordados conhecimentos interdisciplinares a partir das seguintes áreas: Ciências, Geografia, Matemática, Educação Física e Português. Os conteúdos utilizados para implementação deste projeto são: ecossistema; meio ambiente; sustentabilidade; ambiente escolar; saúde integral; conceitos de paisagem, lugar e espaço geográfico; espaço natural e espaço construído; uso correto da água; problemas ambientais urbanos; proporção; estatística básica; porcentagem; média, moda e mediana; tabelas e gráficos; jogos e brincadeiras tradicionais; ritmo e expressão corporal; práticas corporais em saúde; fomentos a espaços de cogestão; leitura e escrita; biografia; narrativa de experiência; carta argumentativa; imagem e expressão. Esses conteúdos são vistos nas aulas das disciplinas e discutidos/vivenciados nas ações coletivas coordenadas pelos professores durante as etapas da pesquisa. A primeira etapa, de diagnóstico, ocorreu no contraturno com as duas turmas do 6º ano a partir do uso da metodologia de diagnóstico participativo e da análise dos sentidos dos estudantes, entendidos como positivos e negativos de acordo com Spink e Gimenes (1994), Machado (2003), Bardin (2007) e Spink (2010). Os alunos tiveram uma breve apresentação do projeto e explicação de como ocorreria a oficina de diagnóstico participativo naquele dia. No segundo momento, os alunos foram divididos em subgrupos de seis componentes que contemplassem estudantes das duas turmas e dos gêneros masculino e feminino, para ampliar a integração e diversidade entre eles. Cada grupo teve 25 minutos para elencar os pontos positivos e negativos presentes no Colégio de Aplicação (Figura 1A). Após essa etapa, cada grupo elegeu dois representantes para apresentar os pontos elencados por eles a todos os presentes (Figura 1B). Enquanto os grupos se apresentavam, os professores mediavam anotando os aspectos citados

em tarjas que eram fixadas em dois quadros: um com pontos positivos e outro com pontos negativos. Esses aspectos foram organizados em categorias de sentidos. Ao fim das apresentações, foram discutidos os pontos citados de maneira geral, observando os aspectos mais críticos e elogiados. Por último, distribuiu-se uma matriz a cada aluno presente, para que apontassem formas de divulgar os pontos positivos e maneiras de resolver os negativos. Essas matrizes serão utilizadas na segunda oficina que ocorreu em outubro na escola.

Figura 1. A – Grupos de alunos discutindo os pontos positivos e negativos do Colégio de Aplicação. B – Apresentação dos aspectos elencados por um dos grupos para todos os presentes.

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3. Resultados e discussão A oficina de diagnóstico foi realizada dia 23 de agosto de 2016 com a participação dos professores mediadores e 54 estudantes do 6° ano do ensino fundamental. No universo de discussões, os temas mais abordados foram relacionados à infraestrutura do colégio, às relações interpessoais, a produção do meio ambiente, comportamento dos educandos e dos professores, espaço externo e interno ao meio ambiente, análise da paisagem, a presença dos seres vivos no espaço, entre outros. Dentre os aspectos mencionados pelos grupos, 24 foram elencados como negativos e 25 deles como positivos, ocorrendo a repetição de citações de alguns desses aspectos por mais de um grupo (Figura 2 A e B).

Alguns desses pontos têm sido citados com recorrência nos conselhos de classe realizados no colégio desde o ano de 2014, tais como: a) aspectos positivos - a capacitação dos professores, a estrutura da escola e presença de ar-condicionado nas salas; b) aspectos negativos - falta de trincas nas portas dos banheiros, água quente e de gosto estranho nos bebedouros, defeitos no ar-condicionado, insegurança ao transitar por outros espaços da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Essa situação indica a necessidade de intervenções mais efetivas de divulgação dos aspectos positivos e melhoria dos aspectos negativos, pois parte dos aspectos observados foram identificados por discentes diferentes em momentos diversos na escola. Essa recorrência sugere que os sentidos atribuídos aos pontos positivos e negativos estão atrelados ao contexto coletivo atual do CODAP, não apenas aos sextos anos participantes deste trabalho (SPINK; GIMENES, 1994; SPINK, 2010). Após a realização da oficina os resultados foram socializados informalmente para outros professores e direção do colégio. Alguns dos aspectos negativos estão sendo trabalhados neste momento e já temos algumas mudanças no colégio, como a abertura de redes WiFi para os estudantes, com as senhas divulgadas pelo colégio, abertura de chamados para conserto de arcondicionado com defeito e desobstrução da Ala C com a coleta de materiais danificados que estavam armazenados no espaço, reuniões semanais com a psicóloga do colégio, com as duas turmas, para discutir o bullying. Os demais aspectos negativos e positivos também serão trabalhados posteriormente, a partir das sugestões de abordagens vindas pelos alunos e alunas participantes da oficina. 4. Conclusão

Figura 2. A – Pontos positivos citados pelos grupos sobre o Colégio de Aplicação. B – Pontos negativos citados pelos grupos sobre o Colégio de Aplicação. 92 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

No mundo contemporâneo, muito temos discutido sobre a ausência ou pouca participação dos estudantes nas atividades propostas no ambiente escolar. Porém, podemos notar que ao fomentar espaços de cogestão o que encontramos foi justamente ao contrário, a disposição dos estudantes em olhar para os problemas (pontos negativos) e ao mesmo tempo identificar e reconhecer as potências (pontos positivos) do seu ambiente escolar, bem como a qualidade desta


participação. Portanto, nos parece fundamental o fomento e a aposta na Cogestão enquanto diretriz da construção do plano de sustentabilidade ambiental do CODAP. Destaca-se como pontos positivos o despertar do senso crítico dos discentes e a formação de grupos com estudantes de turmas diferentes, pois auxilia na interação e observação mais ampla do colégio, agora como comunidade e não apenas alunos de uma determinada turma. Os educandos estão se sentindo motivados a construir a realidade que desejam no colégio e apresentam interesse na participação da próxima oficina do projeto. Pode-se observar alguns pontos negativos, como a dificuldade de interação entre os alunos sem a intervenção dos professores, devido a atividades no turno oposto que inviabilizam os encontros de membros da equipe de turmas diferentes (como aulas de campo e atendimentos obrigatórios). Para tanto, é necessário realizar planejamento de dias e horários e marcar previamente para que os alunos e alunas sejam encorajados a se reunir nesses momentos. Para as próximas etapas a serem realizadas no projeto, temos como perspectiva a execução de estratégias indicadas pelos estudantes para divulgar as informações discutidas no diagnóstico, sensibilizar a comunidade do CODAP sobre os pontos positivos a serem reforçados e negativos a serem modificados e articular com demais professores, alunos, técnicos e terceirizados a execução das ações de sensibilização e intervenção no colégio.

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Resumo. Este trabalho versa sobre o uso da literatura de cordel na sala de aula como estratégia pedagógica facilitadora para a aplicação dos conteúdos programáticos de História. O trabalho foi realizado na Escola Municipal Mário Trindade Cruz em Pirambu-SE. Além do objetivo principal, a iniciativa visa também estimular a prática da leitura, da produção textual, bem como promover a socialização entre os alunos. Os cordéis produzidos durante a experiência são registrados em livretos e em gravações. Nosso aporte teórico foi baseado nas propostas de Diniz e Ramires (2014). 1. Introdução A literatura de cordel é um elemento da cultura popular que foi trazido para o Brasil pelos portugueses durante o processo de colonização. Composto por uma estrutura relativamente simples e por possuir uma linguagem coloquial, o cordel tem no seu corpo a oralidade, elemento relevante no processo ensino aprendizagem. As narrativas exploradas nos livretos de cordel podem tratar de romances, tragédias, cultura, cidadania, meio ambiente, educação. Sendo assim, o cordel pode ser utilizado sem restrição na educação formal e em qualquer área do conhecimento conforme sugestão de Lucio (2002). 94 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


A sensibilização dos alunos, especialmente de escolas públicas de comunidades carentes, requer o uso de estratégias motivadoras e atrativas para que a prática docente surta resultados exitosos. A tarefa do profissional da educação nessa nova conjuntura política dos gestores é criar esse ambiente estimulante, mesmo diante da falta de condições de trabalho dentro das escolas. A indisciplina, as limitações cognitivas, dificuldades de socialização e de aprendizagem, são os desafios que buscamos superar no cotidiano escolar. Diante desse cenário, propomos o uso da Literatura de Cordel para aplicar os conteúdos de História. O nosso desafio é pautado na ideia de que o educando deve agregar às suas experiências o saber histórico proposto em sala de aula. Diante da difícil realidade de aplicar os conteúdos de História nas turmas do 7º ano D e 8º ano A é que propomos o uso da literatura de cordel na sala de aula, elemento artístico que de acordo com a nossa avaliação, é atrativo e gera resultados satisfatórios. Além do estímulo à leitura e à escrita, o cordel desperta outras habilidades como o desenho o que exige do educando a criatividade e uma imaginação ampla sobre nossa realidade. 2. Materiais e Métodos A escola Municipal Mário Trindade Cruz tem 1200 alunos matriculados no Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano, a maior da rede municipal e agrega alunos da sede e dos povoados do município de Pirambu-SE. Nessa localidade, nós professores convivemos com jovens que possuem características bem diferentes no tocante aos aspectos culturais e socioeconômicos. Na sua maioria, crianças e adolescentes que não são orientados pelos pais durante o trajeto escolar, o que dificulta imensamente a prática docente. Para superar o desafio de lecionar para um público diferenciado a metodologia aplicada foi desenvolvida de duas formas:

2.1 Produção direta Foi realizada uma oficina de cordel para que os alunos sentissem a arte. Em seguida foi feito o estudo dos conteúdos com esclarecimentos e retiradas de dúvidas. Na sequência ocorreu a produção e correção das estrofes de cordel produzidas pelos alunos. Por fim, se fez a apresentação do cordel em forma de recital. Além disso, em nossa vivência usamos a técnica de gravação dos textos em cordel para arquivamento e uso na posteridade, aberto também para outras expressões artísticas como a música e o teatro, observando o que diz Diniz e Ramires (2014). A partir dessa metodologia nasceram os cordéis intitulados Liberté, Egalité e Fraternité sobre a Revolução Francesa e Islã sobre a religião islâmica. Durante a etapa de produção das estrofes, houve também a aplicação de outras formas de arte como a isogravura (gravura em isopor) para montagem das capas de cada folheto produzido. Foi solicitado aos alunos a montagem de desenhos de acordo com os conteúdos estudados e após seleção um desenho foi transformado na capa de cada cordel montado. 2.2 Produção indireta Repete-se os dois primeiros pontos do item 1, sendo que a etapa de produção é feita pelo professor/cordelista durante as aulas. Isto é, o assunto é transformado em cordel pelo professor com a participação oral dos alunos. A montagem das estrofes ocorre paralelamente ao estudo do assunto. A colaboração dos alunos na construção dos versos é requerida pelo professor, mecanismo usado para estimular a oralidade. Dessa metodologia nasceu o cordel intitulado “1º Reinado no Brasil” baseado na atuação do imperador D. Pedro I como regente do Brasil no começo do século XIX. As atividades duram em média um bimestre para a proposta um e em torno de seis aulas para a proposta 2, dependendo da relevância do assunto abordado. Para a proposta 1, toda produção é convertida em nota previamente discutida com a coordenação pedagógica e prevista no Plano Anual de Ensino. Essa Revista Feira de Ciências e Cultura  |  95 


dinâmica se repete durante o ano letivo conforme a adesão dos alunos. A culminância ocorre com a apresentação dos cordéis em sala de aula ou em eventos realizados na escola. O texto do cordel é postado na internet no endereço eletrônico www.radiotrindade. com e nas redes sociais. 3. Resultados e discussão Os resultados das vivências pedagógicas envolvendo a Literatura de Cordel são sentidos no cotidiano das aulas por meio de depoimentos dos discentes, testes de conhecimento como exercícios escritos e orais, recitais e gravação dos textos de cordel.

Figura 2. Oficina de cordel/prática. Foto: prof. Agnaldo Silva

Figura 1. Oficina de cordel/sensibilização. Foto: prof. Agnaldo Silva

A Literatura de Cordel não faz parte das vivências realizadas na escola. Para muitos alunos é algo novo e há a necessidade da realização de oficinas de cordel para que ocorra a sensibilização dentro do que se propõe aplicar.

Durante a oficina os estudantes têm acesso aos temas expostos nos livretos de cordel, conhecem a sua estrutura que é composta de estrofes, rimas e versos organizadas em quadras (com quatro versos), sextilhas (seis versos), septilhas (sete versos) ou decassílabos (com dez versos). Costumamos usar a estrutura constituída de quadras e sextilhas, pois a sua montagem é mais acessível para iniciantes. Esse conhecimento prévio sobre a estruturação dos cordéis define o perfil dos livretos produzidos em sala de aula.

Figura 3. Oficina de cordel/resultados. Foto: prof. Agnaldo Silva 96 |  Revista Feira de Ciências e Cultura


“Liberté, Egalité e Fraternité”

Figura 4. Gravação de texto de cordel. Foto: prof. Agnaldo Silva

E para comprovar o diferencial desse trabalho com a Literatura de Cordel, todas as obras produzidas são gravadas, veiculadas na rádio da nossa escola e publicadas no blog disponível no endereço eletrônico www.radiotrindade.com. Além de postadas nas mídias sociais (WhatsApp, Facebook). 3.1 Texto em literatura de cordel sobre a Revolução Francesa Autoras: Rafaela Silva, Jeise Cláudia Santos, Jeicielle Santos e Nataly Santos (alunas do 8º ano da Escola Municipal Mário Trindade Cruz em Pirambu-SE). Coordenação e finalização: Profº Agnaldo Silva

Nós estudamos e descobrimos Que um grande movimento Marcou assim a transição E que agora neste momento Nós transformamos em cordel Para criar um documento * Falamos da Revolução francesa Como um marco divisório Da polêmica Idade Moderna Que deu muito falatório E chega ao contemporâneo Como marco introdutório * A Revolução Francesa Teve influência certeira Ao redor de todo o mundo Uma ideia aventureira Chegando até ao Brasil Na Inconfidência Mineira * Para que vocês entendam Essa nossa narração A sociedade francesa Era uma grande aberração Era dividida em estados Pense só na confusão * O clero e a nobreza Formavam o primeiro estado Tinham vários privilégios Não davam um tostão furado Não pagavam impostos Deixando o povo ferrado * Esse povo do qual falamos Era a classe burguesa Artesãos, comerciantes E a turma camponesa Formava o terceiro estado Uma vida de incerteza * Revista Feira de Ciências e Cultura  |  97 


Incerteza porque imposto Era só o que eles pagavam Uma vida independente Era o que eles desejavam E por vida com liberdade Era pelo que eles lutavam * Tudo aconteceu na França Quando uma movimentação Tentou barrar as vontades Do rei Luis sem noção Foi lá no século dezoito E chamou muito atenção * Dois grupos se formaram De um lado os girondinos Defensores da nobreza Do outro os jacobinos Grupo que levou as pessoas Mudar de vez os seus destinos * O absolutismo monárquico Estava com dias contados O pessoal do Iluminismo Trouxe a todos um recado Acabar com a tirania! Para o povo ser libertado * Foi convocada uma assembleia E o com o voto individual O terceiro estado venceria Um feito fenomenal Mas a nobreza não aceitou E veio um ponto final * A Nacional Constituinte Foi logo estabelecida O terceiro estado saiu Para lutar pela vida A guerra só começou Uma atitude atrevida * A Liberdade, a Igualdade E a Fraternidade é o lema 98 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Dessa grande revolução Que modificou o sistema Político e econômico E inspirou esse poema * A invasão da Bastilha Foi um feito interessante Pôs fim ao absolutismo O rei perdeu num instante Todo poder que tinha Um ato impressionante * A Declaração dos Direitos O respeito à dignidade O direito contra a opressão E também à propriedade A liberdade de pensamento E também à igualdade * Tudo isso foram conquistas Por meio da Revolução O Estado foi reformado E criada uma Constituição Uma sociedade mais justa Graças à luta d’uma nação * Os poderes do governo De um lado o Executivo Do outro na observância Está na cola o Legislativo E a justiça ficou por conta De um Judiciário ativo * Naquele exato momento Também houve a separação Do Estado e da Igreja Para o bem da população Estado laico é bem melhor Para evitar doutrinação * O rei Luis Dezesseis Quis fazer uma campanha Aliou-se com a Áustria E quis ganhar essa barganha


Voltar com a monarquia Uma ousada artimanha * O rei Luis fugiu da França Para preparar um ataque Mas foi logo reconhecido E nesse longo embate Foi capturado e preso O começo do desembarque * O desembarque da nobreza De uma vez do poder O povo estava decidido Não dava o braço a torcer E quem defendesse o rei O destino era morrer * Com o advento da República A Assembleia Constituinte Sofreu uma adaptação E transformou-se no seguinte Em Convenção Nacional Para o poder ser conseguinte * Robespierre e Saint-Just Jacobinos de carteirinha Queriam a morte do rei E na guilhotina amoladinha Degolar o nobre monarca E acabar com a ladainha * O Tribunal Revolucionário E o Comitê de Salvação Foi o terror da nobreza Instalou-se uma perseguição Gerando o “Grande Medo” Em parte da população * Quem não era jacobino Poderia ser guilhotinado A ditadura jacobina Tinha deixado um recado Ou rezava a cartilha deles Ou o cabra tava ferrado

* Como nenhum poderoso Fica pra fazer semente Robespierre conheceu A fúria dos resistentes A Planície uniu forças E o decapitou de repente * Além do conflito interno A França também enfrentava Inimigos como a Espanha Com a Prússia também brigava O Reino Unido e a Rússia Uma lista completava * Nesse contexto perverso Cresce firme a burguesia Ganhando força e poder E também nessa freguesia Perambulava um cabra Que provou ter ousadia * O nome dele é Napoleão Que deu um golpe de Estado Com o apoio do Exército Instalou o Consulado Dissolveu o Diretório Foi tudo muito pensado * O nome dessa façanha É Dezoito Brumário Mas vamos dar um stop Porque terminou o horário E vê se noutro momento Focaremos nesse evento Aqui no chãozinho do Mário* *Escola Municipal Mário Trindade Cruz Pirambu-SE

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4. Conclusão Os resultados obtidos com o uso da Literatura de Cordel durante as aulas de História são satisfatórios considerando o nível de interesse dos alunos. Essa afirmação é respaldada nas avaliações orais e escritas propostas para os alunos após cada etapa de trabalho. Percebemos que as vivências em sala de aula melhoram o índice de aprendizagem do conteúdo, a socialização, a leitura e a produção textual, pois o “fazer” cordel exige todos esses aspectos juntos. Leitura, produção textual, concentração são importantes para que os resultados apareçam. Constatamos que durante as gravações dos textos de cordel os alunos se divertem ao ouvir suas vozes e ao mesmo tempo fazem correções no tocante à pronúncia e o significado das palavras o que faz enriquecer o vocabulário de cada participante. Após cada etapa de trabalho executada é possível constatar a necessidade de continuidade da proposta uma vez que os resultados são satisfatórios, chama a atenção e cria um aporte metodológico que estimula a prática de outras expressões como a interpretação teatral, cantoria, desenho e pintura. É possível envolver outras linguagens artísticas, elementos que estão sendo testados para outras vivências. É um trabalho que se renova a cada ano letivo, pois encontramos turmas com características e dificuldades semelhantes às anteriores o que requer o uso de métodos diferenciados para aplicarmos os conteúdos programáticos. Referências DINIZ, Marcela Bezerra de Menezes; RAMIRES, Vicentina. Literatura de cordel: história e oralidade. Cadernos do tempo presente. n. 15, p. 86-100, mar./abr., 2014. LUCIO, Ana Cristina Marinho. Professores de todas as áreas podem trabalhar com o cordel. Disponível em <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal. html?idConteudo=2319>. Acesso em 30 de setembro de 2016.

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Resumo. O objetivo da presente pesquisa consiste na investigação de aspectos concernentes à história do Grupo Escolar Fausto Cardoso da cidade de Simão Dias/SE, no recorte temporal de 1925 a 1958, período que corresponde à sua criação e ao final do “domínio” que a instituição exercia no ensino primário daquela localidade. Com o envolvimento de discentes do 9º Ano, utilizamos a metodologia da análise de fontes por meio de documentos encontrados na própria escola, bem como de jornais do período. Dessa forma, apresentamos como resultados da pesquisa o conhecimento de elementos daquela nonagenária instituição como a localização de sujeitos, práticas educativas e aspectos do cotidiano que deram vida ao Grupo Escolar e movimentaram a cidade de Simão Dias.

1. Introdução Em 2012, como Professor de História vinculado à Secretaria do Estado da Educação de Sergipe, lotado na Escola Estadual Fausto Cardoso em Simão Dias/SE, desde a primeira visita à instituição fiquei deslumbrado com o prédio histórico, com a arquitetura imponente na praça central do Barão de Santa Rosa e uma estrutura, que, claramente remetia ao início do século XX. No entanto, mesmo diante de tamanho valor, era nítido o desconhecimento da história daquela instituição pelos próprios membros da comunidade escolar. Nessa perspectiva, o trabalho na referida escola juntamente com as pesquisas no campo da História da Educação, desenvolvidas desde a Graduação em História até o Doutorado em Educação, culminou no projeto “A cultura escolar” na imprensa sergipana: vestígios das práticas escolares do Grupo Escolar Fausto Cardoso” que contou com a colaboração direta de uma co-orientadora somada a três bolsistas, sendo que todos assinam a escrita deste trabalho. O projeto desenvolvido teve como objetivo geral analisar as notícias publicadas na imprensa sergipana entre as décadas de vinte e cinquenta do século XX, no tocante às práticas escolares do Grupo Escolar Fausto Cardoso (GEFC) da cidade de Simão Dias, no interior de Sergipe. Revista Feira de Ciências e Cultura  |  101 


2. Materiais e Métodos Contando o envolvimento de discentes do 9º ano do Ensino Fundamental das turmas A e C, realizamos uma pesquisa por meio de documentos localizados na própria escola, como atas, cadernetas e fotografias, bem como uma entrevista com uma exprofessora que atuou no período estudado. Além dessas fontes, foi desenvolvida uma investigação e análise da imprensa sergipana, sobretudo dos jornais “A Semana” e “O Ideal”, em diálogo com os referenciais teóricos e metodológicos da História Cultural que problematizam a análise desses documentos. Aliada à pesquisa documental, os bolsistas realizaram uma série de leituras para o conhecimento de aspectos básicos da pesquisa histórica como o trato com documentos arquivísticos e o uso da imprensa como fonte. Os estudantes debruçaram-se ainda sobre trabalhos que tratam sobre os Grupos Escolares no Brasil e em Sergipe, o conceito de “cultura escolar”, bem como sobre aspectos históricos da cidade de Simão Dias. As leituras de textos especializados e a análise da documentação foi sistematizada em fichamentos e relatórios que registraram o desenvolvimento do projeto, ao longo de doze meses de trabalho. As preciosidades localizadas, assim como a procura pelas fontes, eram compartilhadas em uma página criada na rede social Facebook com o intuito de popularizar os resultados da pesquisa. 3. Resultados e discussão O projeto para a criação de um Grupo Escolar na cidade existia já na segunda década do século XX. Em Relatório para a Inspeção Pública de 23 de julho de 1913, João Esteves da Silveira, que exercia a função de Inspetor Geral do Ensino, alertava sobre a necessidade de criação de grupos escolares no Estado de Sergipe e prossegue “[...] notadamente de Propriá, Estância e Anápolis, em edifícios apropriados e satisfazendo o quanto possível as atuais exigências pedagógicas”. As localidades sugeridas no citado Relatório de 1913, que deveriam contar com a presença de 102 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Grupos Escolares só foram contempladas mais de uma década depois, quando em 1923, inaugurou-se o Grupo Escolar Gumercindo Bessa, em Estância e no ano de 1925, iniciaram-se os trabalhos do Grupo Escolar João Fernandes de Brito em Propriá. No caso do GEFC, sua inauguração ocorreu no início de 1925 . Com relação à construção do prédio do GEFC, observamos a tabela de despesas com obras públicas examinadas por Azevedo (2009), no ano de 1924. Ali consta, entre outras, o “Grupo Escolar Fausto Cardoso” com um gasto de 85:970$000, sendo 9:265$800 de serviço de consertos no Palácio, que foi inaugurado já no governo de Maurício Graccho Cardoso (1922-1926). A imponência arquitetônica do GEFC pode ser vislumbrada, ao localizarmos o nome do prédio na lista dos maiores bens imóveis pertencentes ao Estado, no ano de 1926. Conforme aponta Azevedo (2010), o palacete que abrigava o Grupo na Praça da Matriz da cidade de Anápolis, tinha o valor de 120:000$000. Na lista, ainda consta outro edifício na cidade, o Quartel de Polícia na Praça da Independência com o valor de 25:000$000. O valor do prédio do Grupo em Anápolis era semelhante a outros congêneres do interior do Estado e mesmo os da capital de Sergipe. Em trabalho de monografia intitulado “Uma viagem pelas memórias do Grupo Escolar Fausto Cardoso”, Verônica Silva (2009) afirma que existiam dez escolas isoladas em Simão Dias, tanto na sede do município como no interior, até a fundação do GEFC, sendo todas elas incorporadas ao novo espaço, criado com o objetivo de reunir as escolas isoladas. O nascimento do Grupo Escolar em foco seria assim: “[...] um novo marco na Educação simão-diense [...] marca também uma nova etapa na vida dessas profissionais de educação que tinha com a inserção nos grupos a possibilidade de crescimento profissional” (SILVA, 2009, p. 35). Outro ponto relevante concerne às práticas educativas desse estabelecimento de ensino, pois essas não ficavam restritas ao ambiente escolar. Assim como ocorria em diferentes locais do Brasil, os alunos dos Grupos Escolares faziam apresentações fora da instituição educacional como uma forma de se legitimar e também reforçar o papel de destaque que a educação


exercia na República brasileira. Nesse sentido, o jornal “A Semana”, periódico que contava com a direção de Francino Silveira Déda e José de Carvalho Déda, redigido e editado na própria cidade de Simão Dias trouxe em uma das suas manchetes: Festival de Arte No palco do Cine-Ipiranga, realizou-se, na noite de quinta-feira um festival artístico infantil, promovido pelo professorado do ‘Grupo Escolar Fausto Cardoso’, em benefício da Caixa Escolar adstrita aquele estabelecimento. O espetáculo agradou muito, sobremaneira o número “A Bahiana” interpretado pela menina Maria Isabel Matos que demonstrou muita graça, naturalidade e vocação para a ribalta. Por três vezes, a platéa, entusiasmada, exigiu que a pequena “estrela” aparecesse em cena. A casa estava repleta. Na próxima terça-feira, segundo informaram-nos, o espetáculo, com novos números, será reprizado em benefício da Lira Santana (JORNAL A SEMANA, 20.10.1946, p. 1). Nota-se como a pequena cidade tinha atrativos para a mocidade, a exemplo do cinema e de suas exibições ao longo da semana. Por outro lado, o “professorado” do GEFC realizava eventos naquele espaço tanto para benefício da Caixa Escolar, como também para auxiliar outras instituições como é o caso da Lira Santana. A matéria ainda traz em destaque o nome de uma das alunas do Grupo e o entusiasmo da plateia que preencheu os espaços para assistir ao espetáculo. Nessa mesma perspectiva, em entrevista com a ex-professora do GEFC, durante a década de 1940, Olda do Prado Dantas, a docente se refere às festas do Grupo da seguinte forma: Sete de setembro quando chegava semana da pátria, as pessoas participavam, desfilavam nas ruas. Deve em quando também faziam assim umas representações, no fim do ano, umas dramatizaçõezinhas, preparava e eles representavam. Aquela peça (DANTAS, 2016). As fontes dialogam com a pesquisa realizada por Azevedo (2011), quando a mesma afirma que

diferentes grupos sergipanos declaravam a existência de solenidades comemorativas alusivas ao dia 7 de setembro durante toda a Primeira República, contando, de modo geral, com a reunião das demais escolas da cidade, palestras de autoridades, hinos, poesias, apresentação de ginástica e desfiles cívicos. Entre esses estabelecimentos de ensino estava o GEFC. No tocante ao corpo docente, localizamos somente os nomes de Olda do Prado Dantas e Agnor Hora Fonseca, esta última enviou ofício para a Diretoria Geral de Instrução em 21 de março de 1930, com comunicando que deixaria o exercício da Escola da Vila de Campo do Brito devido a uma promoção para o Grupo “Fausto Cardoso em Anapolis”. (Ofício de Agnor Hora Fonseca, apud. AZEVEDO, 2009, p. 266). Olda Dantas (2016) fala do Grupo Escolar como uma escola modelo que servia como parâmetro para diferentes instituições educacionais da circunvizinhança. Relembra dos trabalhos realizados e da alegria que era ser Professor de uma instituição reconhecida pela sociedade local. As docentes do Grupo figuravam nas notícias dos periódicos locais, como pode ser visto a seguir: “Acha-se internada no hospital de Cirurgia, na Capital do Estado, nossa conterrânea prof. Olda do Prado Dantas, regente de uma das cadeiras do Grupo Escolar Fausto Cardoso” (JORNAL A SEMANA, 24.11.1946, p. 2). Já no “Correio de Aracaju”, as férias do GEFC também viraram notícia: Annapolis: Férias do Grupo Escolar Não podia ter maior brilho as férias realizadas no grupo escolar Fausto Cardoso ao tardar do dia 28 do mês passado. O seu diretor Marcos Ferreira, lidando pelas professoras deu início ao julgamento das provas escritas. Ao terminar falaram algumas alunas, com dessa voltará, com elegância, mostrando assim quanto tem lucrado intelectualmente naquela casa de ensino. Seguiu-se uma secção de cantos, recitados monólogos que causou bela impressão a numerosa assistência; Por último foi aberto o amplo salão de exposição de bordados, desenhos e crochês. A assistência afluiu, ficando surpreendida com os trabalhos, competentemente feito pelas alunas do Grupo (JORNAL CORREIO DE ARACAJU, 3.12.1926, p. 3). Revista Feira de Ciências e Cultura  |  103 


Um periódico de circulação estadual ressalta a finalização do ano letivo no GEFC e as atividades realizadas pelos discentes, tanto no tocante às exposições orais quanto aos trabalhos manuais eram apresentadas à sociedade de Simão Dias. Era o momento de colocar os alunos e suas produções em uma “vitrine” para serem vistos e admirados. Vale salientar ainda a figura das professoras, a metodologia avaliativa, além do nome do Diretor do Grupo, único nome citado na notícia que deixa explícito “a bela impressão” que as apresentações causaram aqueles que assistiam. Ainda em busca de notícias na imprensa sergipana acerca do GEFC, analisamos o Jornal “O Ideal” produzido por estudantes do GEFC. No único número que localizamos, o periódico está datado de primeiro de outubro de 1942, consta o nome de José R. Montalvão, como Diretor José Matias Neto como Secretário e o Tesoureiro Alexandre Cardoso da Silva. Sobre o jornal “O Ideal”, esse estampa na capa que trata de “Um órgão mensal do Grupo Escolar Fausto Cardoso Fundado pelo 4º Ano de 1934”. O jornal de 1942 pertencia à segunda fase do periódico, que teria começado a funcionar em 1936, contando com redatores diversos. Entre as notícias publicadas nesse número do periódico consta um escrito acerca da docente Agnor Hora Fonseca. RECORDANDO Lembro-me com saudade, do tempo feliz que passei no “Grupo Escolar Fausto Cardoso” recebendo salutares lições de tão abnegadas mestras: No meu último ano de estudo foi a professora Agnor Hora da Fonseca, que além de competente é devotada ao magistério de todo o coração. Nas proximidades dos exames, ela desdobrava sua inteligente atividade no interesse vivo dos seus alunos serem aprovados, e o seu esforço teve feliz êxito. Todos receberam o almejado diploma, inclusive eu que era a mais fraca da turma. Hoje longe do bulício da cidade, no silêncio da vida rural, ouvindo apenas o gorgeio das aves nas fruteiras que circundam minha singela residência, recordome saudosa do Grupo Escolar “Fausto Cardoso”. JOSEFA CORREIA SANTOS (JORNAL O IDEAL,1.10.1942, p. 2). 104 |  Revista Feira de Ciências e Cultura

Com Olda Dantas, Agnor Fonseca e vários outros docentes ensinaram vários sergipanos que conseguiram alcançar a escolarização na primeira metade do século XX. O GEFC formou parcela significativa da juventude simãodiense e das cidades circunvizinhas, suas características arquitetônicas, os detalhes da “águia”, símbolo do Governo Graccho Cardoso (1922-1926) convergem com diferentes construções erguidas na mesma época em várias cidades de Sergipe, bem como estão inseridas nas propostas educacionais brasileiras dos primeiros decênios do século XX. 4. Conclusão Mesmo diante da importância histórica do Grupo, que está em pleno funcionamento desde a sua fundação até os dias atuais, seu nome ficou imerso na poeira do tempo. A História da Educação silencia acercas das práticas educativas existentes nesse Grupo Escolar do interior do Estado. Na tentativa de romper com esse silêncio, a análise das fontes nos permitiu apreender o significado que tal estabelecimento de ensino teve para a população de Simão Dias, bem como os meandros do processo político que possibilitou a construção do mesmo naquela localidade. Os jornais investigados apontam ainda para as vinculações que o GEFC possuía com outras instituições congêneres e a formação de diferentes sujeitos nas primeiras décadas de funcionamento da instituição. A imprensa possibilitou conhecer elementos daquela nonagenária instituição educacional e localizar sujeitos, práticas educativas e aspectos do cotidiano que deram vida à escola e movimentou a cidade sergipana de Simão Dias, ao longo dessas décadas do século XX. Tais aprendizagens foram colocadas em diálogo com a história da Escola Fausto Cardoso e diretamente articulados com os conteúdos da disciplina de História, referentes ao último ano do Ensino Fundamental, que abordam o Brasil e Sergipe, no século XX, contribuindo, sobremaneira, na construção da História de uma significativa instituição educacional sergipana.


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Revista Feira de Ciência & Cultura 2017 V4/nº 5  

Os trabalhos apresentados na Feira Científica de Sergipe 2016, dentro do projeto CIENART, e selecionados para compor este número da revista...

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