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“Em nós a pressa mora, mas do tempo ao passar tal bagatela ignora, entre o que tem vagar. Tudo que corre agora em breve há de acabar: só o que custa e demora nos pode consagrar.” Rainer Maria Rilke - Sonetos a Orfeu, XXII/I


Editorial Chegamos à segunda edição com muito orgulho e satisfação pelo resultado da primeira. Desde a concepção do projeto, todos os participantes sempre apresentaram absoluta dedicação em tudo que envolvia a revista e o projeto de divulgação da literatura nacional, porém nenhum de nós esperava que a repercussão pudesse vir de forma tão rápida e intensa. Foram mais de 4.000 acessos desde o lançamento, o que consideramos uma vitória incrível para um projeto que está apenas no começo. Fomos recebidos com muito carinho e apoio por todo o meio literário brasileiro, desde autores e editoras até os mais ávidos leitores e amantes da literatura fantástica brasileira. Perdemos a conta do número de blogs que compraram a ideia e fizeram questão de divulgá-la por conta própria, sem que precisássemos solicitar tal apoio. Reconhecemos também a qualidade dos textos de nossos parceiros como a Tríade dos Imortais, o blog Psycobooks, a Revista CT, além do especial repórter mirim Hugo Fox, que apoiaram a ideia mesmo antes de ver a revista pronta. Suas contribuições enriquecem o conteúdo da FANTÁSTICA com pontos de vista diferentes e interessantes. Esta vitória de acessos é também deles, que além de criar matérias também deram um apoio importante na divulgação. A segunda edição trás continuidade ao formato da primeira e também apresenta aos leitores novidades como a Conexão RPG Brasil, que consideramos uma seção de grande importância já que existem inúmeras ligações entre a literatura e o RPG. A grande novidade da segunda edição está no lançamento da Livraria FANTÁSTICA, que é um degrau a mais em nosso projeto de massificação da literatura nacional fantástica. A Livraria foi toda concebida para garantir o preço mais baixo possível para os livros. A inserção dos livros na livraria é livre e não há discriminação por experiência do autor, quantidade de livros já vendidos, editora ou mesmo gênero literário. Qualquer escritor nacional tem dentro da Livraria FANTÁSTICA um aliado importante para venda e promoção do seu trabalho, possuindo a revista como apoio. Esperamos poder continuar crescendo com nosso projeto e que tanto a Revista quanto a Livraria FANTÁSTICA possam realmente fazer a diferença dentro do nosso país. Obrigado a todos pelo apoio e desfrutem do nosso trabalho nesta segunda edição. Luiz Ehlers Editor-chefe da FANTÁSTICA

Equipe FANTÁSTICA Editor-chefe: Luiz Ehlers Editores e revisores: Dhyan Shanasa Felipe Pierantoni Editor de arte: Felipe Pierantoni Redatores: Dhyan Shanasa [autor de O Livro de Tunes] Felipe Pierantoni [autor de O Diário Rubro] Leandro Schulai [autor de O Vale dos Anjos] Luiz Ehlers [autor de Divindade das Chamas Gêmeas] Vincent Law [autor de O Mundo de Avalon]

www.revistafantastica.com contato@revistafantastica.com


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Ă?ndice


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PLÁGIO ou INSPIRAÇÃO

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Durante toda a história da literatura brasileira, a influência estrangeira sempre esteve presente. Várias escolas literárias como o Romantismo e Realismo foram fortemente influenciadas por autores europeus. Na literatura fantástica este fenômeno não é diferente, de forma que grande sucessos mundiais inspiraram autores brasileiros. Entretanto, a quantidade de histórias semelhantes aumentou, fazendo muitos acusarem certas obras fantásticas contemporâneas de serem repetitivas e vazias, espelhando-se demais em livros e enredos já existentes. Afinal, é possível ser plenamente inovador? E qual o limite entre influência e cópia?


Dhyan Shanasa autor de O Livro de Tunes

“A influência tem grande importância para qualquer um, pois no início ela é quem julga o que se escreve” Todo aquele que se aventura por esta vasta floresta que chamamos literatura necessitou, em algum momento, abrir uma obra alheia e lançar-lhe um olhar para se inspirar. Não ­admitir isso é tolice, e por mais que ouçamos autores dizer que são inovadores, em algum ponto há sim a influência de alguém. A capacidade criativa humana é tremenda, mas ela precisa sim de um ponto de partida. Esse ponto pode ser o próprio cotidiano, a vida de alguém ou mesmo as histórias e lendas de alguns povos, bem como obras de outros autores. Todavia, existe uma larga diferença entre ser influenciado por um autor e seu estilo e copiá-lo. A influência é como uma brisa, um perfume, um leve e suave toque que, percebe-se, advém de outro lugar, mas que no íntimo absoluto da obra vê-se latente. É uma chama viva que mantém desperta a criatividade do escritor novo, que molda seu ponto de vista, que o faz inovador e coerente em alguns aspectos sem que seja chato e repetitivo. A influência tem grande importância para qualquer um, pois no início ela é quem julga o que se escreve. Passado muito tempo, o escritor maduro abandonará a influência criando ele mesmo a sua própria arte original.

bicho hediondo que tenta esconder-se por detrás da capa de originalidade fingida, tendo como artifício maior para camuflar-se a falsa ideia de inovação. O limite entre influência e cópia é a capacidade observadora do escritor que, quando atento, detecta falhas em sua criação, anulando-as rapidamente antes que se incorporem a essência da mesma. Quando se escreve não basta arregalar um sorriso do leitor, bem que haja mérito nisto, mas cumpre ser breve e que a escrita seja sincera e corra sem que a obra pese nos sentidos. Testar várias formas de abordar determinado assunto é um artifício interessante, que geralmente culmina em achar sua própria linha de raciocínio. Contudo, a pressa é o maior inimigo do escritor que procura esse tesouro chamado originalidade. Talvez a originalidade seja atingida apenas por certos indivíduos que não têm nada em especial. Estes sujeitos simplesmente entregam-se definitivamente à sua arte, deixando-se à mercê de suas nuances, podendo pegar-se quando atravessam o limite entre as influências e as cópias, censurando-se em seguida.

Escritor jovem, procure e ouse, não a velocidaA cópia é feia, mista, enrugada, disfarçada de ou vôo tentador – não! –, pois tudo repousa e disforme, incoerente por fim. Dir-se-ia um no eterno, claridade e sombra, livro e flor.

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Leandro Schulai autor de O Vale dos Anjos

“O ser humano tem a essência de seguir algo que lhe tenha chamado a atenção” Com o avanço e a diversificação da cultura mundo afora, estamos conseguindo acesso a diversas obras de tipos variados. Dia após dia, somos presenteados com livros, filmes, séries e propagandas de todos os gêneros, aumentando nossa bagagem cultural e poder de criação.

Para um autor disposto a criar seu próprio enredo, recomenda-se que se faça antes uma pesquisa sobre o gênero em questão, especialmente se o escritor estiver lidando com elementos tradicionais como vampiros, anjos e bruxos. Nesses casos, todo cuidado é pouco.

Desse modo, é natural que em cada obra publicada hoje – seja qual for seu ramo ou formato – haja a influência de algum outro trabalho lançado anteriormente. O ser humano tem a essência de seguir algo que lhe tenha chamado a atenção.

A influência, contudo, não deve ser tratada negativamente. Ela é, de certa forma, uma homenagem e um elogio ao criador do conceito original. Não há nada de errado em se inspirar, contanto que também se saiba inovar. Por exemplo, em Percy Jackson e Os Olimpianos, de Rick Riordan, existem diversas similaridades à série Harry Potter, de J.K. Rowling. Contudo, o autor soube imprimir seu estilo próprio, tratando a mitologia de maneira extremamente original, tornando um assunto complexo em algo divertido e atrativo para diferentes idades, especialmente para as crianças.

O problema é que muitas vezes tais influências são tão nítidas que o autor perde sua originalidade e sua obra torna-se uma tentativa frustrada de imitar outro sucesso. Isso tende a acontecer no campo da fantasia medieval, onde muitos se inspiraram em O Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien. O curioso é que o próprio Tolkien usou influências para escrever, Assim sendo, nós, como leitores, temos que como o cenário da Primeira Guerra Mundial e ter muito cuidado antes de estereotipar uma a ­mitologia nórdica. obra apenas por reconhecer nela um elemento utilizado em determinada criação anterior. SiAs fanfics (fan fiction) são uma ótima alternati- multaneamente, como escritores, precisamos va para aqueles que desejam apenas enriquecer estar sempre antenados com o mundo cultural. um universo já existente. Estas histórias, escri- A globalização ocorre em velocidade cada vez tas pelos próprios fãs das séries, têm ganhado maior e aqueles que não se atualizarem logo se crescente espaço e destaque na internet. surpreenderão ao serem passados para trás.

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Átila Siqueira

Convidados:

Neilon Márcio

autor de Vale dos Elfos

autor de O Guardião do Graal

Acredito plenamente que é possível chegar à originalidade. Para realizar tal feito, porém, torna-se necessário problematizar o que se entende por originalidade. Será que existe algum autor que não foi influenciado por outros escritores? Dante se inspirou em inúmeros autores para escrever sua divina comédia. O mesmo pode-se dizer de Shakespeare, Miguel de Cervantes, Victor Hugo e Tolkien, somente para citar grandes nomes. No entanto, todos eles foram originais e marcaram a literatura mundial com evoluções e inovações.

A influência está relacionada aos princípios e à lógica literária de um autor ou determinada época, enquanto que a cópia, no meu entendimento, se configura como plágio, ou seja, uma cópia literal ao pé da letra, sem qualquer criatividade ou temática própria. Para mim, o grande problema da cópia é não conferir o crédito ao autor. Cada pessoa faz um conceito diferente do termo originalidade. Eu acredito que é possível ser original mesmo adotando determinadas influências como inspiração criadora. Afinal, de um jeito ou de outro, qualquer obra parte de um contexto pré-existente. A originalidade “completa” seria algo utópico. Todos nós somos influenciados pelo que lemos e isso se reflete em todas nossas obras e, inclusive, em nossas opiniões.

Então, a originalidade, ao meu ver, passa sempre pela questão das influências, pois não há como se livrar delas. Aliás, nem seria bom que isso ocorresse, uma vez que elas são grandes fontes para as nossas criações. As influências – assim como a imaginação – compõe a matéria prima do escritor. O fato é que cada um de nós, autores ou não, ao lermos a obra de outra pessoa, sempre imaginamos caminhos alternativos para as mesmas. São essas possibilidades que abrem a trilha para a nossa criação. Esse mesmo fenômeno acontece nos demais tipo de arte, como música, teatro, cinema etc. Desse modo, a originalidade não é necessariamente escrever algo totalmente revolucionário. Pode ser também instituir novos ares a temas ou situações já abordados. Inspirar-se em outras obras é algo natural. Deve-se apenas ter a sensibilidade de não copiar ideias do outro. Ao invés disso, reintrepertá-las.

Vivianne Fair autora de A Caçadora É complicado chegar ao ponto de ser totalmente inovador, porque sempre estamos sendo influenciados. O problema é quando um autor se apega demais a determinados elementos apenas para imitar algum sucesso. Para chegar à tão desejada originalidade, é preciso ler muito e ser tolerante em aceitar que sua história deve mudar em certos pontos para não ser repetitiva. É importante ter a cabeça aberta para aceitar ideias e inovações diferentes. Por exemplo, ao ler seu livro, o leitor não deve dizer "Já vi isso antes" e sim "Adorei o livro! Ele é estilo O Senhor dos Anéis..."

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O Vampiro da Mata Atlântica Sobre a autora:

Martha Argel é paulistana, e há anos se dedica à literatura fantástica. Doutora em Ecologia pela UNICAMP, é especialista em aves brasileiras, com inúmeros trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior.

Ficha técnica: Editora: Idea ISBN: 8588121239 Páginas: 176

Sinopse: Xavier Damasceno e Júlio Levereaux, dois jovens pesquisadores, são contratados para estudar a fauna de um grande trecho da Mata Atlântica onde será criada uma área de preservação. Depois de uma viagem debaixo de chuva, eles chegam a seu destino, na ainda bem preservada região do Alto Ribeira, sul do estado de São Paulo. O acesso ao local é ruim e só poderão sair de lá após alguns dias de sol. Mas para eles, bem equipados, com comida suficiente e apaixonados pelo mato, aquilo não é uma catástrofe. À medida que realizam seu trabalho, constatam que a área, belíssima, é perfeita para a conservação. Fascinados com suas descobertas sucessivas, porém, não se dão conta de que estão sendo espreitados por um monstruoso ser noturno. Quando se confrontam com a criatura, os dois rapazes devem lutar para salvar suas vidas, e os únicos recursos a que podem recorrer são o equipamento de trabalho de campo, seu conhecimento e sua criatividade.

vampirapaulistana.blogspot.com


Resenha por:

Luiz Ehlers

autor de Divindade das Chamas Gêmeas Embora com um título visto por alguns como muito politicamente correto, O ­Vampiro da Mata Atlântica (Idea Editora) surpreende e traz uma história recheada de biologia, estratégia, angústia e horror. A obra, escrita pela bióloga Martha Argel, narra o trabalho de dois jovens pesquisadores, Xavier Damasceno e Júlio Levereaux. Os dois são contratados para estudar a fauna de um trecho da Mata Atlântica nas ruínas de uma antiga mineradora, onde deverá ser criada uma área de preservação. Ao chegarem à região do Alto Ribeira, sul do estado de São Paulo, encontram receio por parte dos moradores, que temem as ruínas e contam-lhes uma lenda local de Chico Justo, antigo morador que foi morto brutalmente. Diziam que, após sua morte, as pessoas próximas a ele misteriosamente sumiram, gerando um temor a todos. Os céticos pesquisadores, obviamente, riem da tola lenda e do medo dos moradores, partindo destemidos em sua missão de encontrar espécies raras de animais e garantir a preservação da região. Xavier e Júlio deparam-se então com o vampiro da mata atlântica, que lentamente os coloca em uma situação perigosa e assustadora, mas bastante inteligente. A concepção de vampiro na história está longe dos galãs sedutores de livros atuais. Este vampiro é sujo e maltrapilho, quase um animal e, como tal, é veloz, forte, inteligente e sedento por sangue como um predador. Embora tenha traços selvagens, contudo, o vampiro não perde sua humanidade. Há, em cada final de capítulo, trechos narrados em primeira pessoa por ele, o que inclusive ressalta os elementos de terror da obra. Com a aparição do vampiro, o teor biológico do livro é usado para tornar o suspense e o terror que se sucedem reais e verossímeis. Desesperados confrontos corpo a corpo são descritos detalhadamente, numa brutal e sanguinária aula de anatomia. Simultaneamente, diante daquela inacreditável ameaça, os pesquisadores procuram uma saída daquela pavorosa situação. A profissão da autora está sempre presente no livro, que é repleto de explicações sobre o trabalho de biólogos e análises do comportamento de animais e plantas regionais. Esses dados podem parecer excessivos em certos instantes, mas enriquecem a obra e não tiram o brilho da história. O Vampiro da Mata Atlântica é um grande conto de terror, visivelmente escrito com cuidado e dedicação pela autora. Além de ser uma ótima pedida para os fãs de sangue e horror, também oferece uma nova perspectiva para a temática de vampiros, inculturando-os à nossa fauna e flora local. 11


Centúrias Sobre a autora:

Bruna Longobuco nasceu em Belo Horizonte. Hoje é graduada em Comunicação Social e Direito. Pósgraduada em Revisão de Texto, além de romances, também escreve contos, crônicas e músicas.

Ficha técnica: Editora: Novo Século ISBN: 9788576793038 Páginas: 216

Sinopse: Aylá era uma menina de dezoito anos, totalmente diferente das outras de sua idade. Ela não tinha amizades, não queria namorar e preferia ler um bom livro a sair para se divertir. Isso era consequência das constantes mudanças de cidade que sofria. Todas as vezes que sua mãe se decepcionava em um relacionamento, ela ia embora. Daquela vez, a cidade escolhida foi Pitfal. Cidade onde ela tinha nascido e onde tudo se tornou diferente para a moça. Em Pitfal, ela descobre que é descendente de uma antiga ordem de bruxas - As Centurianas. Enquanto desenvolve dons de voar e falar com animais, ela também se apaixona. Com Igor, pertencente a uma família inimiga, ela vive uma intensa paixão, ao mesmo tempo em que lutam contra um mal que teima em tentar separá-los.

romancecenturias.blogspot.com


Resenha por:

Leandro Schulai autor de O Vale dos Anjos

Interessei-me por ler Centúias após conhecer sua proposta de ser um romance com temática sobrenatural. A trama se desenvolve ao redor de Aylá, uma desastrada garota que, no auge de seus dezoito anos, muda-se para Pitfal, uma cidade com traços europeus, no interior do Rio Grande do Sul. Os amores de sua mãe, Valetina, sempre guiaram os rumos de Aylá, levando-a de cidade em cidade. Em Pitfal, no entanto, tudo promete ser diferente. A jovem descobre que faz parte de uma poderosa e milenar linhagem de bruxas, que vivem nas sombras da sociedade com seus poderes ocultos. Este ordem é chamada Centúria, em referência à formação de guerra romana que envolve cem guerreiros, comandados por apenas um centúrião. Em meio a essa descoberta, Aylá se depara com Igor Telfort, um rapaz de uma família rival, que logo rouba seu coração. Abalada pelas revelações sobre sua origem e por seu inesperado romance, a jovem tem de lidar com crises existenciais típicas da adolescência, ao mesmo tempo em que se vê ameaçada pela ordem bruxa dos Dargais, determinada a separar o casal. Medo, ansiedade e incerteza permeiam a vida de Aylá, mas também há espaço para o humor, muitas vezes decorrente do jeito desastrado da garota. A leitura é leve, os capítulos fluem rapidamente e os personagens possuem características fortes. Um dos pontos altos do livro são os animais que contracenam com Aylá e Igor, como seus fiéis companheiros gatos, a despojada coruja falante Itira e o cavalo Tornado, que se vende facilmente por alguns torrões de açucar. O foco da obra é o romance, que se desenvolve com altos e baixos, idas e vindas, encontros e desencontros. Sejam os Dargais, os problemas de Igor ou as frustações do amor - há sempre algo conspirando contra a união de ambos, intrigando o leitor sobre que novos desafios os dois terão de enfrentar. A história, apesar de falar sobre bruxos, consegue ser original e inovadora. É um prato cheio para quem gosta de romace com cenários e elementos da fantasia, como a série Crepúsculo. A autora Bruna Longobucco fez um ótimo trabalho e prova que autores nacionais podem oferecer livros à altura das obras estrangeiras. O livro pode ser devorado em poucos dias e, no final, deixa um gostinho de quero mais. Atualmente, Bruna trabalha na continuação da saga, que promete amarras algumas pontas soltas e desenvolver ainda mais o enredo. 13


Além da Terra do Gelo: A Jornada de Elohim

Victor Maduro Ficha técnica: Editora: All Print Páginas: 343

Sinopse: Quem dera Vanhardt fosse apenas um garoto comum lutando contra a rejeição dos outros habitantes de Crivengart, uma vila ao norte da Terra do Gelo. Ele é também o filho de uma deusa. Mal sabia o jovem, contudo, que sua mãe já fora um dos membros do Panteão dos deuses, e esconde um passado misterioso. Quando adulto, o rapaz é vítima de uma terrível tragédia familiar, e se vê obrigado a sair numa incrível jornada que se mostraria mais longa, difícil, e maravilhosa do que se poderia supor. Com a ajuda da poderosa deusa do gelo, além de amigos que faz durante o caminho como uma fada, um duende, e uma bela guerreira, Vanhardt irá enfrentar desafios épicos. O fantástico mundo de Kether oferecerá perigos como vermes gigantes, exércitos de seres amaldiçoados, feiticeiras, portais selados e ocultos, e o jovem deverá mostrar toda a inteligência, força e crescimento interior para superar tais obstáculos.


Aura de Asíris: A Batalha de Kayabashi

Rafael Lima Ficha técnica: Editora: Ísis Páginas: 416

Sinopse: Há séculos, banshees e furous guerreiam ao norte de Asíris, mundo governado por uma avançada tecnologia e permeado por uma energia chamada Aura. Apesar dos banshees terem vencido a maior parte das batalhas, algo está para mudar. Uma antiga lenda, que prevê o nivelamento de forças entre as duas raças e, consequentemente, o fim desta que é conhecida como a Grande Guerra, aparenta ser verdadeira quando os furous inexplicavelmente se tornam mais poderosos e capazes de derrotar seus inimigos pela primeira vez na história. A partir daí, uma batalha sem precedentes eclode em uma região conhecida como Deserto de Kayabashi. Neste cenário de tensão e expectativa surge Yin Ashvick, um menino de doze anos que pode ser a única esperança de todos. Ele terá que enfrentar uma longa e perigosa jornada, mas também contará com a ajuda de outros, como seu mestre Hanai Ashvick e o general do exercito banshee Irwind Heatbolth. 15


Resenha por Victor Maduro

Aura de Asíris: A Batalha de Kayabashi, de Rafael Lima Confesso que só ao terminar a leitura do Aura de Asíris, de Rafael Lima, consegui entender porque esse publicitário formado pela PUC-Rio conseguiu arrebatar uma quantidade sólida de admiradores. Fiquei surpreso e satisfeito também ao perceber que o livro ia muito além de Dragon Ball Z, Star Wars e Final Fantasy, e acabou se firmando como um universo próprio e vivo.

uma imagem belíssima e de singeleza única, completamente dentro do clima da obra.

Apesar da satisfação com o romance, senti a falta de uma figura icônica como representação dos vilões. Ao longo da obra vão se apresentando desafios e vários tipos de inimigos, porém fica a sensação de que faltou “alguém pra gente torcer contra” desde o início. Além disso, algumas palavras ficaAcho que podemos colocar como principal ram um pouco repetidas muito próximas e qualidade do livro o fato de cumprir os objeti- passaram alguns deslizes de revisão. vos que se propõe. A Batalha de Kabayashi é uma obra repleta de ação do começo ao fim, e Em resumo, julgaria a obra de Rafael como algumas surpresas desafiadoras ao longo dela. extremamente corajosa, sólida, e com uma Rafael também parece conseguir lidar muito roupagem nova e agradável daquilo que já cobem com o grande número de personagens, nhecemos. Ao invés de se apoiar nas contas sem se perder durante a trama, e cada um de- de um personagem único, o autor se resguarda les atende a uma função. É engraçado como a de um leque vasto e animador de figuras que gente acaba se apegando a alguns, e rejeitando nos deixam muito próximos do seu universo. outros, prova de que o autor consegue transmi- Extremamente objetivo e sintético, não perdetir carisma ou reprovação quando quer. Aliás, se muito tempo em descrições enfadonhas ou o domínio da trama, o ritmo, é uma dos pontos excessivas, e, ao contrário, consegue nos apremais preciosos de A Batalha de Kayabashi. sentar um cenário diferente e rico de maneira rápida. Além disso, as últimas cem páginas do Outro aspecto positivo que não podemos deixar livro são certamente eletrizantes, no melhor de citar é a capa do trabalho. Licínio Souza, um estilo anime/mangá, nos deixando uma narrados mais criativos, capazes e extraordinários tiva de sabor delicioso. Espero muito para ver desenhistas dessa nova geração, vem nos trazer uma continuação de Aura de Asíris.


Resenha por Rafael Lima

Além da Terra do Gelo: A Jornada de Elohim, de Victor Maduro Uma das primeiras coisas que me perguntei antes de começar a ler Além da Terra do Gelo – A Jornada do Elohim foi o seguinte: teria o livro fôlego para me deixar empolgado até a “longínqua” página 343, sua última? Afinal, pelo pouco que sabia, se tratava de um épico emocionante, recheado de ação, aventura e mistério e eu estava curioso em saber se a jornada do camponês Vanhardt Mohr Daicecriv em busca do filho Erick e da esposa Selena – e todas as tramas que, porventura, orbitariam entre a principal –, atenderia às minhas expectativas. Além da Terra do Gelo é um épico medieval com muitos méritos: é divertido, bemhumorado e de leitura fácil. As situações se desenrolam com fluidez, não costumam empacar e a descrição dos cenários não é enfadonha. Os protagonistas, apesar de pertencerem a grupos comuns na literatura fantástica – fadas, deuses, duendes, minotauros, etc – carregam personalidades interessantes, fazendo uso de moldes tradicionais. Certas vezes soam cômicos, inocentes e descontrolados em demasia, mas sem que isso possa lhes render rótulos de estereotipados. Alguns, inclusive, são muito carismáticos, como a fada Lila, dona de um jeito tão meigo quanto seu porte. Outros, são dignos de uma observação mais atenta, a fim de se descobrir suas reais intenções. Outro aspecto bacana de Além da Terra do Gelo é o tanto de referências orientais que ele engloba. Não de uma ou outra obra em específico, mas a essência delas em si, o que contribui para que o livro não fique tão sóbrio. Isso pode ser observado não só com

relação às localidades, composição física e psicológica de certos personagens, mas, sobretudo, em certos momentos de definição e diálogos. É como se, em determinados instantes, você estivesse lendo um anime romanceado, onde Pokémon encontra O ­Senhor dos Anéis. O principal ponto negativo de Além da Terra do Gelo: A Jornada do Elohim é não ser sintético. É grandioso, Vanhardt e seus amigos passam por várias provações – algumas bem legais –, até encontrar seus destinos, mas é também grande demais. Muitas páginas poderiam ser condensadas em parágrafos e parágrafos grandes em poucas linhas. Uma redundância que, no entanto, não compromete o andar da história e, perto do final, se torna menos evidente. O desfecho da obra é, com certeza, a melhor parte, especialmente a partir do clímax, composto por um inusitado duelo. Depois dele, Victor Maduro deixa a ação desenfreada de lado e começa um pequeno thriller policial para esclarecer, enfim, quem diabos é o “traidor”, aquele que um dia deixou a vida de Léia, mãe de Vanhardt, por um fio. É o momento em que você começar a devorar as páginas para chegar à famigerada 343. Em suma, Além da Terra do Gelo é uma aventura épica com roupagem original e interessante. Tem enredo e cenários criativos, uma penca de aventuras e protagonistas ao mesmo tempo pirados e corajosos. Todos eles têm seu background e sua função na história, buscando, cada um a seu modo, redenção no fabuloso mundo de Kether.

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Por Dhyan Shanasa, Felipe Pierantoni e Leandro Schulai

ADEUS, LIVROS? Será que a popularização dos e-books terminará por esvaziar as prateleiras?


O PROJETO GUTENBERG Pode parecer estranho, mas o conceito de e-books está longe de ser novo ou atual. Como praticamente tudo no ramo das invenções, o e-book é uma ideia relativamente antiga. É evidente que a forma como o temos hoje em dia é tremendamente superior, mas a essência foi criada 29 anos atrás. Vocês já ouviram falar em Michel Hart? Pois bem, foi ele que, em 1971, publicou a Declaração da Independência dos Estados Unidos em formato digital, dando início ao Projeto Gutenberg e gerando os primeiros livros eletrônicos do mundo. Este projeto tem como conceito tornar digital toda e qualquer obra, estando ou não sob domínio público, e disponibilizá-la na internet. Os primeiros textos foram digitalizados pelo próprio Hart e, com o acréscimo de novos integrantes ao projeto, em 1996 o acerto da iniciativa já continha mil livros digitalizados, um número impressionante, visto que o processo quase sempre é feito através de scanners. Hoje, o Projeto Gutenberg conta com mais de 30 mil livros disponíveis para download, mas, como meta, busca atingir uma quantidade de um milhão de obras.

Em 1971, quando teve acesso a um computador na Universidade de Illinois, Michael Hart previu que o destino daquelas máquinas não reservava apenas cálculos numéricos, mas também armazenamento de informações. Como sua mãe era professora de matemática e seu pai mestre em Shakespeare, o jovem Hart sequer hesitou em unir ambas áreas de saber para dar inicío ao ambicioso projeto de criar um acervo de livros eletrônicos.

Michael Hart

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UM NOVO CONCEITO O e-book tem por ideal tornar os livros convencionais mais práticos e baratos. Os conservadores podem até morder os lábios de raiva, mas poder carregar todo um acervo de mais de 200 livros dentro de um tablet ou pen drive, sem ocupar uma sala inteira é realmente o que se pode chamar de prático. O livro como o que conhecemos, impresso, sempre foi um instrumento tido como sinônimo de intelecto ou superioridade. Nas culturas antigas somente a casta mais nobre e letrada tinha acesso a eles e mesmo hoje em dia, quando vemos um sujeito com um livro qualquer em mãos, parece-nos que há uma diferença entre alguém que lê e alguém que não lê. Isso está profundamente ligado ao subconsciente humano que teima em ver status quo em quem tem gosto por literatura. O livro impresso é algo clássico. Somente um amante do gênero compreende a sutileza de tocar e sentir o cheiro do antigo ou do novo em uma obra. O livro é a expressão de alguém ou alguma coisa, e faz parte da experiência sensorial tocálo para conhecer sua essência; o interessante é que com a chegada dos e-books o livro convencional tende a se tornar ainda mais clássico, posto que tornar-se-á objeto de colecionador. Contudo, será que uma obra perde sua essência por ser digital? A diferença entre virar uma página e arrastar o dedo numa tela sensível ao toque pode ser meramente conceitual, mas há opiniões contrárias aos e-books e sua tão notória praticidade.

Ler um livro digital é prático, contudo mesmo com telas avançadas de LED ou OLED, é impossível parear a qualidade de se ler uma página convencional a luz correta. André Aponte, leitor de Pirenópolis - GO

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PRÓS E CONTRAS DE UM AVANÇO TECNOLÓGICO É verdade que estamos no ano de 2010 D.C. e ainda não vimos nenhum futuro como imaginado por Isaac Asimov. Não temos carros voadores, robôs com I.A. e o fim das mazelas humanas. Contudo, saltam aos olhos nossos avanços em muitas áreas, e, mesmo que o processo seja lento e custoso, as coisas tendem a ir para frente. No Brasil, ainda não temos grande repercussão sobre os e-books, posto que não são amplamente divulgados ou apoiados pelas editoras e seus respectivos meios de venda, apesar de já estar acontecendo um moviJô Soares não reclama do Kindle mento em prol disso. Contudo, portais virtuais como a Amazon não existem em nossas terras – ainda! –, e assim estamos um tanto atrasados quando comparados ao que já existe há anos nos EUA e na Europa, onde livros digitais são amplamente vendidos e bem quistos. Muitos leitores praguejam contra e-books, dizendo que não vêem graça em ler determinado conteúdo numa tela de computador. Está certo, e que ninguém contrarie essa opinião. Ler em uma tela de computador realmente não agrada. No entanto, e quanto aos tablets? Usar um dispositivo como o Kindle ou iPad para ler e-books não torna a experiência mais agradável? Talvez sim, talvez não. Como diria Einstein, tudo é relativo. Steve Jobs não consegue tirar os olhos...

2.000.000 iPads

Vendidos desde abril 2010

(isso dá 1 iPad a cada 3 segundos)

8.500 apps nativas para iPad

E 215.000 que também funcionam

35 milhões de apps baixadas O que dá 17 apps por iPad

5 milhões de e-books baixados ... dos números do sucesso do iPad Na conferência WWDC no dia 7 de junho, Jobs fez questão de contar como o e-book reader da Apple vai se saindo.

O que é 22% do mercado de e-books E estará em

19 países

Pelo final de julho 21


Os e-books custam cerca de 50% do valor de um livro impresso e, assim como este, são protegidos pelas leis de direitos autorais. Não podem ser copiados, alterados, distribuídos ou comercializados sem a autorização de quem detém os direitos autorais. As empresas, porém, ainda precisam aperfeiçoar seus programas e aparelhos para que possamos ter uma leitura agradável através da tela. Eu, assim como muitos leitores, ainda prefiro ler um livro na aconchegante poltrona de casa. Os amantes da literatura entendem bem do que estou falando. Fábio Aguiar, editor da Editora Lexia

books. Primeiramente, o preço abusivo cobrado nos leitores de livros digitais. Assim como diversos outros aparelhos eletrônicos, os e-book readers sofrem com a taxaçao exagerada de impostos, chegando a valores incompatíveis à realidade brasileira. Outra questão é que a praticidade dos e-books esbarra em problemas de segurança. Afinal, de que vale poder levar dezenas de livros num No Brasil, outros aspectos específi- iPad, se o usuário não tem coragem de cos atrapalham a popularização dos e- tirá-lo da mochila para utilizá-lo durante uma viagem de ônibus ou metrô? A principal preocupação dos autores no que se refere ao mercado dos e-books é a questão dos direitos autorais. A maioria dos escritores acredita que sua obra será banalizada ou copiada se publicada digitalmente. Entretanto, é preciso levar em conta o outro lado da moeda: a poderosa capacidade de divulgação pela web.

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Ainda assim, mesmo com tais dificuldades, já podemos notar algum avanço deste ramo no brasil. Grandes redes de vendas de livros como a Saraiva e a Cultura já possuem centros de vendas de e-books, demonstrando apoio à publicação de livros eletrônicos.

se atualizar ficará para trás. Grandes empresas faliram por não se adaptar à realidade do momento e hoje, com os livros, não é diferente. Autores desatualizados, fora do contexto das redes sociais (Orkut, Twitter, etc.) já levam desvantagem dos demais. O e-book é mais um divisor de águas que tende a O que é certo é que no mundo globali- recompensar aqueles que souberem utizado em que vivemos aquele que não lizar suas vantagens.

PUBLICAÇÃO DE E-BOOK X PUBLICAÇÃO IMPRESSA É claro que, se indagados sobre qual dessas duas formas de publicação preferem, quase todos os autores optarão pela publicação tradicional e impressa. Afinal, ter um livro nas estantes das livrarias costuma ser tratado como o “vestibular” que transforma um escritor num autor. Chegar naquela mega store do shopping e perguntar a opinião do vendedor sobre o seu próprio livro ou ver a alegria de sua mãe ao ler o nome do filho na capa de um livro são prazeres que o e-book, de certo modo,

não pode proporcionar. Então, afinal, existem vantagens em se publicar no formato e-book? Sim. Tudo depende dos ideais e objetivos do autor. Um e-book, por não ter de compensar custos de impressão, se torna mais acessível financeiramente. Por exemplo, na loja virtual da Saraiva, o livro “Uma Professora Muito Maluquinha”, escrito por Ziraldo, custa R$ 28,00 em sua versão impressa. No formato digital, porém, ele é vendido por R$ 19,60.

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Uns acham que e-books são extremamente práticos e úteis. Outros, que nada se compara ao cheiro e toque de um livro. A gente acha que os dois estão certos. Porque somos apaixonados por leitura. Não importa onde, como ou quando. Pode ser um livro impresso ou um e-book. O importante é ler. slogan na entrada da Livraria Cultura Muitas vezes, aliás, os e-books são disponibilizados de graça, como faz o escritor carioca Willian Nascimento com sua série de ficção O Véu, distribuída em seu site oficial Por detrás do Véu. Para entender melhor sua opinião sobre o assunto e o que o levou a investir no e-book, fizemos algumas perguntas ao Willian: FANTÁSTICA - Em sua visão, o e-book pode ocasionar o fim da literatura convencional? Willian - A longo prazo, sim. O original impresso ainda tem seu valor, pois, além de W. Nascimento apostou nos e-books fácil transporte e facilidade de leitura,traz consigo um valor de status que o livro digital não tem. Contudo, com a popularização de aparelhos como o Kindle, acredito que os e-books acabarão tomando o espaço do mercado, já que barateiam o livro e preservam recursos naturais. Adoro os originais impressos, mas reconheço que, no futuro, devam ser mais objetos decorativos do que propriamente mercadoria. FANTÁSTICA - Por que decidiu oferecer O Véu de forma gratuita e digital? Willian - Foi a maneira que encontrei de me divulgar e também tornar meu trabalho circulável. Eu 24


sabia o quanto seria difícil para um autor sem nenhum trabalho publicado como eu conseguir lançar um livro do tamanho de O Véu e, ainda por cima, atrair um público disposto a pagar o valor oneroso que ele teria. Assim, o e-book me ajudou a lançar-me na carreira literária, servindo de referência para futuras publicações. Acho que ele cria um ambiente mais fértil para meu próximo trabalho De Corpo e Alma. FANTÁSTICA - O Véu está no TOP 20 do Skoob entre os livros de ficção nacional com mais intenção de leitura. Qual artifício você usou para a promoção da obra? Willian - Não sabia disso e fico muito feliz com a novidade! Fiz uso de duas estratégias principais. Primeiro, ir de pessoa a pessoa para divulgar meu trabalho. Como sou iniciante, esse contato direto cria laços de confiança e permite a nós, autores, estarmos mais abertos à crítica. Em segundo, a disponiblização gratuita de O Véu, facilitando o acesso à obra e diminuindo o risco de lê-la. FANTÁSTICA - Em comparação com outros países, lê-se pouco no Brasil. Você acha que os livros digitais podem alterar essa conjuntura? Willian - Com certeza ajudariam, mas não resolveriam todo o problema. É claro que o preço dos impressos aqui no Brasil é um grande empecilho. Eu mesmo, na faculdade, tenho que recorrer muitas vezes às fotocópias, pois os livros são caros. Desse modo, os e-books ajudariam nesse ponto. Contudo, a principal dificuldade do panorama nacional é a falta de costume da população quanto à leitura, que só se popularizou a partir da chegada da televisão, nos anos 50-60. Por isso, acho que ainda levará algum tempo para chegarmos ao patamar de outros países, embora estejamos no caminho certo.

De s s e m o d o , v e m o s q u e o e- book chegou par a f icar e, quer que iramos o u n ã o , a l t e r a r á p r o f u n damente o mercado literário mundial. Hoje e m d i a , t a l v e z a i n d a s e j a difícil imaginar o fim dos livros imp ressos. C o n t u d o , é i m p o r t a n t e l e m b r ar que há vinte anos as f itas VHS estavam l ong e d a e x t i n ç ã o . E m m e i o a t antas mudanças e avanços tecnológicos, nos resta a p e n a s m a n t e r o p o d e r s o bre algo que não irá se alterar, seja qual for s eu v e í c u l o : a e s c r i t a . O p a p e l p ode sair de moda. A leitur a, jamais. 25


O BRASIL CONTRA O MUNDO


Hugo Fox

14 anos

Fala pessoal! Tudo beleza? Estive pensando sobre o que escrever nessa matéria e decidi que precisava mostrar o que se passa na cabeça dos jovens quando se diz respeito a um assunto que foi tema da coluna Falando no Assunto da primeira edição: Por que essa preferência pelos livros lá de fora? Bem, durante esse tempo entre uma edição e outra, perguntei a todos os meus amigos, conhecidos e desconhecidos, sobre esse assunto e as respostas que recebi foram um tanto previsíveis, a culpa é toda do Lula! (risos) Okay, é brincadeira, mas deixando nosso presidente de lado, vamos ao que interessa.

Que Graciliano Ramos me perdoe...

... mas prefiro ler Percy Jackson!

A culpa é sua, companheiro?

Eu mesmo, antes de conhecer a literatura fantástica nacional, pensava que aqui as obras literárias eram, basicamente, os clássicos. Para mim, o gênero fantasia era exclusivamente internacional. Sim, eu era desinformado. O que passava pela minha cabeça? Os escritores de clássicos escreveram, morreram e ninguém mais fez um livro aqui? Sei que para as pessoas que têm uma verdadeira noção do que é nossa literatura isso seria uma tremenda besteira, mas o maior problema é justamente esse: os jovens não dão crédito aos nacionais por conhecerem apenas os clássicos (nada contra eles, mas pessoas abaixo de certa idade não se interessam muito, é a realidade). O sucesso de uma obra, independente de qual seja, só vai pra frente se tiver jogada de marketing e, se possível, um investimento forte nessa “jogada”. No Brasil, as editoras não fazem isso. Elas entregam ao autor um material de qualidade (tá, nem sempre) e cuidam para distribuir a obra (coff... coff...), mas se o escritor não suar a camisa e fizer sua parte, provavelmente seu livro irá mofar – se é que livro mofa. 27


Ouvi algo, durante minha pesquisa, algo que me deixou preocupado: certo indivíduo alegou que prefere literatura internacional porque não existem autores brasileiros que se preocupam com fantasia. Caraca! Será possível que haja uma barreira que esconde os escritores de fantasia nacional dos leitores? Espero que nossa revista possa quebrar essa barreira, ou pelo menos, diminuir seu poder ocultista. Outro fator que contribui para a venda dos livros lá de fora é que muitos deles tornam-se filmes de grande repercussão, aí todo mundo quer ter o livro do filme maneiro que acabou de assistir. Já escutei muitas vezes coisas como: “Aí, cara, esse livro vai virar filme”, “Sério? então vou comprar, quero saber a história antes de passar no cinema”. Todo mundo quer comprar livros que estão na moda. Todos querem mostrar para a turma que tem a coleção completa do livro que originou o filme que todo mundo gosta, e mais uma vez, o Brasil sai prejudicado. Como nossa querida nação não Você de novo na minha coluna?? tem dinheiro sobrando – ou interesse – para dispor em produções milionárias nas telonas, não temos uma cidade de cinema como Hollywood, nem o super gingado do pessoal de Bollywood; as produtoras de filmes não conseguem realizar um trabalho louvável baseado em um livro de fantasia, pelo menos não por enquanto. Poderia ser diferente se há quinhentos anos, os europeus tivessem a boa vontade de fazer do Brasil uma colônia de povoamento e não de extração. Imagine-se em uma livraria, sendo um jovem que precisou pedir dinheiro para o pai, que, de cara desconfiada, liberou uma grana. Você vai querer comprar um livro de até que faixa de preço? No máximo trinta e cinco reEntão a culpa é de vocês? ais, certo? Então está aí outro obstáculo a ser quebrado. Como as tiragens de livros nacionais são bastante infeNão está nada perdido nas livrarias... riores aos internacionais, o preço de capa fica superior. Tiragem, para quem não sabe, é basicamente a quantidade de livros impressos de uma só vez pelas editoras. Como um exemplo disso, o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown, teve tiragem inicial de 400 mil livros – que por sinal foi esgotada em pouco tempo. Já uma obra brasileira costuma ter uma tiragem aproximada de mil livros. A diferença é exorbitante! Mas, felizmente, existem homens de bom coração e ótimas intenções, assim como os fundadores da Livraria FANTÁSTICA, um projeto da revista que disponibiliza os livros nacionais por um preço camarada aos leitores. 28


“Ei! Estamos aqui!”

Acredito, porém, que a realidade de nossa literatura irá mudar – para melhor! Ainda somos poucos no ramo e nosso espaço é resumido, mas novos tempos estão por vir. Livros como do André Vianco estão com projetos de adaptação para o cinema/TV e isso é algo que mostrará ao resto do país nossa literatura, como um sinal de: “Ei! Estamos aqui!”. Tenho a esperança de que nossas obras irão crescer muito ainda, e que em um futuro breve os brasileiros estarão na lista de autores best sellers.

Afinal, temos exímios contadores de histórias, que desenrolam tramas nunca imaginadas, que constroem mundos e passam a magia da aventura a cada palavra escrita, se dedicam para mostrar aos leitores o que havia anteriormente apenas em sua imaginação, apresentam o fantástico, estendem a realidade para outras dimensões... É isso que representa a literatura fantástica, e temos no Brasil escritores que estão esperando oportunidades para mostrarem seu trabalho. Portanto, faço um apelo: dê uma chance para os livros nacionais, olhe para os escritores tão talentosos que existem em nosso país, pois eles não são poucos e lhe proporcionarão um bom tempo de descontração. E é isso pessoal, pensem no que esse repórter disse, e até a próxima!

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Em cartaz:

Um Mundo Perfeito,

roteiro por

Leonardo Brum

Sinopse do filme: O que teria acontecido com todos os 207 moradores que desapareceram misteriosamente

em

Pedra-Luz?

Que

força

implacável

abateu-se

sobre a ilha, deixando-a absolutamente deserta? Suas coisas foram deixadas para trás. Ninguém fez as malas. Ninguém planejou nada. Para onde teriam ido sem deixar vestígios? Sua salvação dependia de uma força incompreensível aos seus ideais e sonhos tão distantes... Cuidado com o que você deseja... que um dia você pode conseguir.


O elenco escolhido por Leonardo Brum: C la r ic e : Al i La r t e r Mot ivos: Clar ice é, mesmo angustiada, uma mulher determinada e inteligente, tr abalhando em dois empr egos. E la descobr e antes dos outros a origem do mal que se abateu sobre a ilha. A gar r a de Ali L ar te r como Nikki na sér ie H ­ eroes foi crucial para a escolha desta loir a par a o papel.

Izaak: J o h n n y De p p Mot ivos: Depp é o ator per f eito par a o papel. I zaak é um per sonagem inusitado, um rapaz viciado em mulher es. Com ele acontecem coisas hilárias, mas também um f inal bastante macabr o... É o papel apr opr iado par a Johnny Depp, especialista em per sonagen s pr oblemáticos e incomuns. 31


P ira ta La u rel Win d : Na t h a n i e l Le e s Mot ivos: Com um cur r ículo f antástic o e versátil, indo de Matrix a O Ladrão de Raios, N athaniel desempenhará com facilidade e proeza o Pirata Laurek Wind, que possui uma c ena memorável dentro de uma caravela em a l to mar, num dua ver melho como o sangue.

R es n a rd : Ro d r i g o Sa n t o r o Mot ivos: Rodrigo Santoro u ma

luva

par a

Resnar d,

cairá como her deir o

de

Dom L uiz, que desesper a- se com o peri g o que r onda a ilha.

E le ser á r esponsá-

v el por importantes tomadas como as das e scavaçoes em busca do diamante azul .

D ele g a d o M a g n o : Ni c o l a s Ca g e Mot ivos: Com seu olhar investigativo e r ef lexivo, Nicolas Cage dar á vida ao D e l egado Magno, que, na história, sofre de c onstantes alucinações, as quais ele des c obr e se tr atar de algo muito mais

pro-

f undo do que mer os lapsos de consciência.

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M a d a me Zita : M i c h e l l e Ro d r i g u e z Mot ivos: Com sua descendência latina, Mic helle Rodiguez foi a antipática Ana Lucia d e L ost e a corajosa e despojada Trudy em Avatar . Dessa vez, ela interpretará Zita, uma m ulher que demonstra seu lado sombrio ao a br ir um consultór io e r evelar- se viden te.

D o m L u iz P ereir a : M i c h a e l Ga n b o m Mot ivos: Após terminar seus trabalhos c omo o Dumbledor e de Harry P otter, Mic hael Ganbom encar nar á Dom L uiz Per eira, um enigmático velho encontrado n o farol da ilha, atormentado por um mal q ue há ger ações assombr a sua f amília.

I s m a e l: M i l o Ve n t i m i g l i a Mot ivos: Sua interpretação de Peter Petrelli n a sér ie Heroes lhe gar antiu o papel de Is mael. Milo possuiu um aspecto simulta nea mente curioso, investigativo e inocente. C aberá a ele o personagem que descobre que a ilha se encontr ava absolutamente dese rta.

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J a n ete : ? - Pa p e l e m a b e r t o Mot ivos: Ainda está sendo pr ocur ada a atriz i d eal para o papel da japonesinha Janete, q ue, mister iosamente, é tr ansf igur ada, fic a ndo com olhos tão gr andes como os de m angás. A escolhida passará por profundos e f e itos especiais par a inter pr etar o pap el.

Ga le n o : Br u c e Sp e n c e Mot ivos: P ar a este per sonagem, er a pr eciso a rrumar alguém muito magro. Ao longo da h i stór ia, seu cor po ir ia sof r er uma tr ansformação radical. Portanto, o escolhido foi Bruc e Spence, que já atuou em produções como O Senhor dos A néis e A s Crônicas de Nárnia .

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D ireto r: Ti m Bu r t o n Motivos: Ninguém melhor do que Tim Burton p ara dirigir um enredo imaginativo e repleto d e elementos lúdicos e sombrios. Com toda s ua experiência, também poderá elevar ao m áximo o nível dos caros efeitos espec iais n e cessár ios par a uma pr odução como essa.

Lo ca l d a s g ra v a çõ es : Fe r n a n d o d e No r o n h a Mot ivos: F er nando de Nor onha, além de sua b e leza natur al e sua atmosf er a par adisía ca, também é dona de uma cultura local recheada d e lendas e histór ias f antásticas. Ouvir hist ó r ias como a Caverna do Capitão Kidd dos moradores locais irá inspirar qualquer ator.


PRECONCEITOS LITERÁRIOS Por C. N. David, autor de O Rei e o Camaleão

D i z e m q ue não lemos, ou pelo menos não o suficiente ou o q u e d e v e r í a mos. Por que a escola falha em formar leitores? P o r q u e a l i t eratura é entendida como sendo só para intelect u a i s o u e n t e d iante para grande parte das pessoas?


1. Na literatura infanto-juvenil: Quando escrevi meu primeiro livro não pensei para qual público escrevia. Escrevi o que eu gostaria de ler, uma história que fosse divertida e prendesse a atenção do leitor. Após ter finalizado o livro, lançado em 2006, percebi que era destinado para um público juvenil, mas que também interessaria adultos que apreciassem histórias de aventuras. No meu primeiro contato com a editora fui classificado como literatura infanto-juvenil. Nada contra. Na verdade tudo a favor. Mas inibe uma porção de gente de ler e comprar o livro. Em primeiro lugar não há nada errado em adultos lerem literatura infanto-juvenil ou juvenil, existe o preconceito, mas (como todo preconceito), é completamente infundado. Como dizia C.S. Lewis (o criador de As Crônicas de Nárnia), “Uma valsa não pode ser boa só enquanto você a está dançando”. Se um livro é bom, ele é bom sempre, tenha você 7, 37 ou 77 anos. Ao passo que, se o livro é ruim não importa em que idade você o leia, nunca vai agradá-lo. Lewis dizia também que amadurecer é acrescentar experiências e não trocá-las por outras, isso não seria amadurecimento e sim, simples mudança. Não é preciso deixar de gostar de limonada para passar a gostar de outra bebida. Da mesma forma não é preciso deixar de gostar de contos de fadas para poder ler o que consideramos literatura adulta. Bons livros duram para sempre. Livros considerados clássicos da literatura juvenil universal vivem sendo adaptados para o cinema e assistimos todos sem pestanejar, sabendo que são filmes de aventuras e que são divertidos. Originalmente, essas histórias (Os Três Mosqueteiros, Robin Hood, Os Irmãos Corsos, O Conde de Monte Cristo, O Homem da Máscara de Ferro, e tantas outras), eram, e são até hoje, considerados literatura juvenil. Isso sem falar das adaptações

de personagens de histórias em quadrinhos para as telas de cinema. Ver no cinema pode, ler não pode. Por quê? O problema não é que não lemos literatura juvenil, o problema é que não lemos. E não lemos, muitas vezes, por que o hábito da leitura é associado (quase na base do chicote, na cabeça dos adultos resultantes de uma escola que só ensina a ler os clássicos que são muitas vezes muito chatos), com leituras aborrecidas cheias de interpretações de texto e narrativas monótonas (e não me entendam mal, adoro ler muitos dos clássicos da nossa literatura, mas alguns são decididamente inapropriados em determinadas etapas da vida adolescente). Tudo isso para que a verdadeira literatura brasileira, e se tivermos sorte, universal, não seja contaminada pelas pálidas e desvirtuadas iniciativas de escritores sem talento e sem estilo. Se o livro não mudar a ordem social ou transformar o ser humano de alguma forma, não serve. E sabe o que acontece então? Ninguém lê. Assistir no cinema é mais fácil. Mesmo que se perca metade da história e das intenções do autor. O cinema não tem esse preconceito. Envolve centenas de profissionais e eles querem trabalhar. Mas quando não se lê um livro, é quase só o autor que sofre. Pelo menos é o que se pensa. Não se consegue enxergar que, alargando um pouco a visão e deixando os preconceitos de lado, centenas de profissionais da literatura também poderiam trabalhar e se envolver em projetos literários. Ler não faz só bem para a mente e para o espírito, faz também bem para o país já que abriria um novo mercado que envolveria milhares de empregos! Mas voltando ao caso da literatura juvenil, quando perdemos o preconceito e aceitamos o conselho de C.S. Lewis e nos tornamos leitores amadurecidos, abrimos um leque de opções que antes nos era desconhecido.

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Aprendizado constante sobre como apreciar e valorizar o caráter artístico desses livros (e se divertir fazendo isso!) é o que o pessoal da Confraria Reinações: Confraria da leitura de Textos Infantis e Juvenis tem promovido em seus encontros por já 37 meses ininterruptos. No mês de maio o 37º encontro debateu o livro Ponte para Terabítia e a lista é grande entre clássicos, contemporâneos, fantásticos e tantos outros gêneros etítulos escolhido pelos confrades.

2. Na literatura popular: Muitos livros que eu considero bons e interessantes não seriam considerados literatura por acadêmicos ou entendidos do assunto. Muito populares e sem conteúdo, ou então, mal escritos e sem estilo, diriam. Dessa forma, autores como Dan Brown (O Código Da Vinci), J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis), J. K. Rowling (Harry Potter), Frank Herbert (da série Duna) e tantos outros, apesar de constarem das listas dos mais vendidos e cairem no gosto do público são considerados como literatura menor ou como alguma outra coisa que não, exatamente, literatura, e olhados com desdém por especialistas. Em meios mais eruditos, confessar que leu O Código Da Vinci é como cometer uma heresia, punível com excomunhão intelectual. E só estou falando dos exemplos mais óbvios e conhecidos. É claro que existe toda uma comunidade de leitores e críticos que leem, comentam, premiam e divulgam esses livros, mas ainda é um grupo meio marginalizado e desprestigiado pelos supostos especialistas. Não que ser considerado boa literatura por uma meia dúzia de entendidos seja tão importante assim, mas seria legal ver esses bons livros e autores sendo reconhecidos. Quem não leu Código da Vinci? Ou pelo menos quem não gostaria de dar uma olhada no tal livro? Eu li. É bem divertido e traz algumas questões interessantes, e sinceramente, mesmo que alguém muito culto e inteligente me dissesse que o livro é um lixo, não me arrependeria de tê-lo lido. As vezes, um livro que só diverte 38

pode também ser considerado um bom livro. Li também os outros do Dan Brown e, é claro, percebe-se que o estilo dele é meio repetitivo, mas ainda assim são livros que proporcionam bons momentos de diversão qualificada. Falei especificamente desse livro por ser um exemplo bem conhecido, mas poderia falar de centenas de outros. O primeiro livro da série Duna de Frank Herbert, por exemplo, é, na minha opinião, um clássico que todos deviam ler, mas a maioria nem sabe que esse livro existe. Lembro que na escola éramos obrigados a ler uma série de livros de literatura brasileira. Gostei da maior parte deles, mas alguns eram muito tediosos ou com leitura mal orientada (a orientação ou mediação de leitura é algo ser discutido posteriormente). Gostei dos de Machado de Assis, Josué Guimarães e até hoje vibro com Érico Veríssimo, entre outros, mas ler O Cortiço foi um massacre! Acredito que, na escola, deveríamos ler também alguns títulos de literatura universal e fantasia ou ficção-científica, seria importante para a formação cultural e até mesmo social dos alunos, além de ser divertido. Existem meios de trabalhar esses livros, seus simbolismos e implicações caso alguma escola insista que isso é crucial para que um livro seja adotado e lido. Mas, tirando os percalços do caminho, sobrevivi. E tomei gosto pela leitura.


O Internetês vem aí! A linguagem da internet começa a extrapolar os limites do computador e aparecer nas mais diferentes situações. Serão os livros as próximas vítimas desse fenômeno?

Por Isabella Pina Através da globalização, com o surgimento da internet, foi consolidada uma nova forma de comunicação. O “Internetês” (neologismo de internet + o sufixo “ês”), pode ser visto como uma evolução da língua portuguesa, lembrando sempre que evolução não significa “melhora”. Tal neologismo existe em função da objetividade por meio da abreviação de palavras – com um aproveitamento melhor da relação espaço-tempo –, o que trás uma preocupação maior com a fonética do que com a ortografia, pois o que ocorre, é, normalmente, a abolição das acentuações e simplificação de palavras com a supressão das vogais. Mas, até onde iremos com esse novo código de linguagem? Tal “código” nos remete a uma lembrança das características da primeira fase do Modernismo Brasileiro (1922-1930), já que essa tem características como: incorporação do universo urbano, desobediência às regras gramaticais, quase aban-

dono de normas fixas – já que essa primeira fase diz respeito à poesia, que abandona a forma de soneto –, incorporação da fala coloquial, e até manifestações lingüísticas consideradas incultas, e a ausência de pontuação, transgredindo as normas gramaticais. Fazendo uma analogia com o novo código de comunicação que é o “Internetês”, percebemos quase as mesmas características. Por exemplo, a “incorporação do universo urbano” que no Modernismo estava presente como próprio objeto, como próprio tema, neste caso é quase um meio de utilização, já que é necessária – na maioria das vezes –, para o acesso à tecnologia na qual será utilizada, a inserção de nós próprios no meio urbano. A “incorporação da fala coloquial” está mais que inserida na nova linguagem, pois não podemos negar que a coloquialidade se torna presente com uma maior intimidade entre os indivíduos. A “norma fixa”, nesse caso, está imersa nos próximos itens:


manifestações incultas e a ausência de pontuação, portanto, o abandono da “norma fixa” seria o abandono da própria gramática normativa. Podemos dizer então, que o “Internetês’”, assim como o Modernismo é uma inovação na língua portuguesa. De códigos e formas. Contudo, devemos estar atentos ao seu uso somente nos lugares adequados. Educadores e professores no geral têm observado o uso da nova linguagem em redações e provas escolares. Bem sabemos que o aprendizado da escrita depende muito da “memória fotográfica”, ou “memória visual”, e é só uma questão de costume e rotina para que nos peguemos escrevendo textos que exijam o português em sua norma culta em “Internetês”, portanto é necessária a atenção. No entanto, observa-se que a inedequação dessa forma se dá proporcionalmente ao tempo em que o internauta se encontra utilizando-a nas salas de bate-papo, blogs e outros programas e sites de relacionamento; alguns especialistas afirmam que o uso indevido da mesma se dá pela carência do domínio da língua materna, argumentando que as pessoas não lêem, não procuram ampliar seu vocabulário. É preciso, portanto, diferenciar as linguagens e saber onde e quando utilizá-las. A questão é: Até onde vamos com o “Internetês”? Para alguns espe-

cialistas a invasão dessa linguagem em outros campos, além da Internet, está diretamente relacionada com o investimento financeiro que o fenômeno trará, o quanto vai lucrar. Já se tem notícias de livros que ensinam a como usar o “internetês” nas salas de aula, mas será que chegaremos a ver livros escritos com essa distinta linguagem por esse argumento? Será que todos nossos meios de comunicação estão sujeitos a mudanças da forma de escrita ou que os novos autores passarão a proliferá-la em suas obras? Pode ser que seja inovador, mas não podemos negar que o uso da mesma é análogo ao uso das gírias em livros, textos e etc. Assim que “cair de moda”, podem se tornar incompreensíveis. Os educadores devem, de fato, se familiarizar com as linguagens múltiplas, com a disseminação de tecnologias e as diferentes formas de articulação para saber como lidar com o aprendizado de seus alunos. No entanto, novos escritores, por serem autônomos em seu trabalho e aprendizado, precisam buscar tais informações e se observarem para não se pegarem escrevendo “+ ele n sabia + oq fzr naquela ksa” ao invés de “mas ele não sabia mais o que fazer naquela casa”. A não ser que seja proposital. Será que estamos longe disso?

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? r e v e r c s e e u q Por

ndro por Lea

S

os Anjo d e l a V O utor de chulai, a

Escrever. O que para muitos é apenas um hobby, para outros é tratado como profissão. A cada dia conhecemos mais dessas pessoas dispostas a escrever e, com isso, compartilhamos de seus sonhos e trajetórias. No meio disso tudo, uma pergunta que não quer calar vem em mente: com todas as dificuldades que existem, por quê se tornar um escritor? O que motiva as pessoas a escrever um livro e lutar pela sua publicação? Analisando todos os níveis da nossa cadeia literária, vamos tentar responder a essa pergunta.

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O panorama para o escritor: O hábito de ler vem se tornando algo muito comum no Brasil. De um cenário com pouquíssimas opções, hoje vemos nas livrarias uma variedade praticamente infinita de livros, desde técnicos a obras infantis, para todos os gostos e idades. Isso se deu graças à propagação dos computadores e da internet, ao crescimento das editoras e das grandes livrarias e do aparecimento – e ressurgimento – de fenômenos da literatura mundial, como Harry Potter e O Senhor dos Anéis. Se antes escrever era privilégio para poucos, esses cenários trouxeram o livro ao cotidiano das pessoas. Em consequência, leitores, inspirados por suas obras favoritas, se arriscaram a escrever. O problema foi que, enquanto o interesse pela criação de um livro aumentava, as dificuldades mantiveram-se as mesmas. Com isso, nenhum autor brasileiro, salvo raras exceções, conseguiu se destacar. Essa situação poderia muito bem ter ocasionado o desânimo e a desistência dos novos autores, mas, incrivelmente, o interesse em escrever seguiu crescendo e, dessa forma, a concorrência tornou-se ainda mais acirrada. Antes raridades, surgiram aos montes obras nacionais sobre dragões, bruxos, elfos e vampiros. Mesmo com todas as dificuldades, nossos escritores não desistiram de seus sonhos e fizeram jus ao tradicional lema “Sou brasileiro e não desisto nunca”.

Tentando entender um pouco essa motivação sem limites, conversei com diferentes escritores. Seja qual for a história de cada um, foi surpreendente a similaridade das situações vividas por eles. Por exemplo, Leonardo Brum, autor do livro Um mundo Perfeito (Editora Novo Século), está em constante batalha na divulgação de seu primeiro trabalho. Mesmo já tendo praticamente esgotada a primeira tiragem de sua obra, segue enfrentando diárias batalhas para entrar em contato com novas pessoas – pessoalmente ou virtualmente – e apresentar seu livro. É um processo cansativo, mas que não tira a sua vontade de continuar em frente. Indagado sobre o que o levava a persistir em seu sonho, Leonardo respondeu: “Escrever é uma atividade nobre que traz uma grande responsabilidade: um livro tem o poder de multiplicarse, de fazer transmitir uma mensagem que pode perdurar mais tempo do que a própria existência do autor. É uma arte, uma forma de expressão e, como tal, nos ocorre de forma natural. Essencialmente, é algo que nos faz entrar numa sintonia fina com o mundo à nossa volta e nos fazer pertencer a ele – uma história brota na cabeça repentinamente e fica perseguindo o pensamento até que consiga ser transportada para o papel. É uma realização pessoal e, também, uma revelação”.

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Pa ra u m a o p i n i ã o f e m i n i n a , entr ev i s t e i a a u t o r a d o l i v r o L ázarus (Ed i t o ra N o v o S é c u l o ) , G e orgette Si l e n . Ge o rg e t t e t r a b a l h a e sf or çad a m e n t e e m s u a o b r a ; t a n to que p a r t i c i p a d a c r i a ç ã o d e c o n t os para a n t o l o g i a s h á m u i t o t e m p o, tudo e m n o m e d a l i t e r a t u r a e d o amor p e l a p ro fi s s ã o . C o m t o d a sua bag a g e m e e x p e r i ê n c i a , e l a n os traz u m p o n t o d e v i s t a d e q u e m já pass o u p o r p o u c a s e b o a s e reforça o c o n c e i t o d e q u e o a u t o r sente a n e c e s s i d a d e d e m a t e r i a l i z ar suas ideias: “N a v e rd a d e , o q u e n o s m otiva a q u e re r e s c re v e r, m e s m o sabend o q u e p ro v a v e l m e n t e m u itos de n ó s c o n ti n u a re m o s a t r a balhar e m o u t r a s p ro f i s s õ e s , é a necess i d a d e d e c o n t a r a l g o e que alg u é m v e j a i s s o . E s c re v e r é uma n e c e s s i d a d e e s e v o c ê s e descob re p o r t a d o r d e l a , n ã o h á outra f o r ma . Bro t a e v o c ê p e rd e noites d e s o n o as s i m , c r i a n d o m undos e d r a ma s i nt e i ro s ” . Nã o s ã o a p e n a s o s a u t o r e s com l i v r o s p u b l i c a d o s q u e e n xergam e s s a re a l id a d e p a r a a v i d a de um e s c ri t o r. A q u e l e s q u e e s t ã o com e ç a n d o a s u a e m p r e i t a d a sabem m u i t o b e m o q u e v ã o e n c a r ar pela f r e n t e e a c r e d i t e m : i s s o não os d e s a n i m a . E s s e f e n ô m e n o pode s e r c o m p r o v a d o e m s i t e s e redes c o m o o S k o o b , o n d e a c a da mom e n t o a pa r e c e u m u s u á r i o novo re v e l a n d o - s e u m e s c r i t o r n o início d e j o r n a d a . S ã o p e s s o a s c omo o

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desenhista Samuel Trindad e Rosa que há 2 anos tr abalha na su a obra intitulada A s Crônicas de G unter . S amuel enf r enta na pele todos os desafios da vida de um escritor no pr ocesso de cr iação do livro: incerteza, desconfiança, falta de tempo e motivação. P ar a explicar a razão de seguir adiante, Samuel diz: “Sei dos desafios que um escritor enfrenta, mas vejo tantos motivos interessantes para seguir em fren te que somente um deles já é necessário para continuar” . E ele vai ainda mais longe: “ P enso em escrever um livro, m as não para fazer sucesso e ficar milionário. No meu caso, é mais para realizar-me pessoalmente, alcançar um sonho. I nspiro-m e em tantos bons escritores que sinto a necessidade de esforçar-me para tentar atingir o mesmo nível de qualidade deles.” P erguntado sobr e qual o momento cer to par a uma pessoa começar a escrever um livro, Samuel nos mostra que não há instante exato, mas um momento crucial na vida dessa pessoa: “Não existe uma idade certa. Na verdade, tem uma hora em que se quer parar de ler sobre o mundo que outros criaram, pois os livros são como mundos, não é mesmo? E você passa a querer criar o seu”.


O panorama para as editoras: Não s ã o a p e n a s o s a u t o r e s q u e vêem dif iculdades no pr ocesso de ini ci aç ã o d e s u a s c a r r e i r a s . A s e d itor as também lidam com pr oblemas si mil a r e s . A e n o r m e l e v a d e n o v os escritores gera uma onda de originais e m a n u s c r i t o s p a r a s e r e m a v a l iados, de modo que a seleção de quem s erá p u b l i c a d o t o r n a - s e a i n d a mais sutil e concor r ida. E ntr etanto, o fat o é q u e n u n c a s e p u b l i c o u t antos livr os novos no país. E ntr e as ed itora s d o R i o d e J a n e i r o , a s m é dias são altas. Por mês, a Editora Record – a m a i o r l a n ç a d o r a - , c o l o c a 28 novos títulos na praça, sem contar sua s d e m a i s e d i t o r a s e s e l o s . A Ediouro (mais Relume e Agir) põem 25 t í t u l o s ; R o c c o , 2 5 , N o v o S éculo 20. A Objetiva e Nova Fronteira, cur i o s a m e n t e , s ã o a s m a i s – digamos – cautelosas, com sete títul os cad a . I s s o p o d e l e v a r a u m a c o nclusão: mesmo com tanta competição, exis t e m e s mo e s p a ç o p a r a n o v os autor es. Ess e e s p a ç o s u rg e c o m a p o p u l arização da literatura e com a crescente ace i t a ç ã o d a p o p u l a ç ã o b r a s i l e ir a par a com os livr os nacionais. Autores c o m o O r l a n d o P a e s e A n d ré Vianco abriram as portas para que as edit o re s c o m e ç a s s e m a i n v e s t i r em potenciais caseir os. Um a d a s e d i t o r a s q u e v i u o p ortunidades nos talentos nacionais é a edi t o r a N o v o S é c u l o . D e s d e o sucesso de André Vianco, o primei ro aut o r b r a s i l e i r o p u b l i c a d o p e l a editora com o selo “Novos talentos da lite r a t u r a b r a s i l e i r a ” , a N o v o Século se empenha em publicar livr os nac i o n a i s d e q u a l i d a d e . “Ve m o s q u e e s c re v e r é a c o n cretização de um sonho. A maior parte dos e s c r i t o re s n ã o s o b re v i v e d os livros, mas tomam a publicação como um a re a l i z aç ã o p e s s o a l ”, d i z L etícia, r esponsável pelas r evisões e aco m p a n h a me n t o d a s o b r a s l a nçadas pela editor a Novo S éculo. Outra e d i t o r a q u e i n v e s t e f o r t e em autor es nacionais é a editor a Andro s s . F o c a n d o - s e e m a n t o l o g i as, a editora é uma das que interage com a m a i o r q u a n t i d a d e e v a r i e d a de de escritores. Conversei com Edson Ross a t o , Di r e t o r E d i t o r i a l d a A ndr oss, que, de maneir a detalhada, de screv e u q u a t r o p e r f i s d e e s c r i t or es: 1) O s o nh a d o r : “Aq u e l e q u e t e m c o m o s o n h o publicar um livro, dar a volta ao mundo com u m a c a n o a e d e s c o b r i r a c ura do câncer. Algumas pessoas colocam a po s s i b i l i d a d e d e t e r u m t e x t o publicado como algo difícil de acont e -

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c e r e , e x a t a m e n t e p o r i s s o , ro m a n c e i a m d e t a l f o r m a a s i t u a ç ã o q u e , q u a n d o c o n s e g u e m , p e rd e m l o g o o i n t e re s s e e p ro c u r a m u m n o v o s o n h o para perseguir”. 2) O descompromissado: “ A q u e l e q u e n ã o a l m e j a s e r u m e s c r i t o r p ro f i s s i o n a l , m a s q u e g o s t a d e e s c re v e r re g u l a r m e n t e . E s s e t e m u m b l o g e t a m b é m p a r t i c i p a d e a n t o l o g i a s l i t e r á r i a s , m a s t u d o d e s c o m p ro m i s s a d a m e n t e ” . 3) O profissional: “ A q u e l e q u e q u e r s e t o r n a r u m e s c r i t o r p ro f i s s i o n a l , m a s c o m o n ã o tem muita experiência, publica aos poucos. Por essa razão, também participa de antologias literárias, porém uma, duas, no máximo três vezes. Depois de ver como é, planeja dar um passo maior: um l i v ro s o l o b a n c a d o p o r e l e p r ó p r i o . A í , p ro c u r a u m a e d i t o r a s o b demanda”. 4) O estudioso: “ E s t e q u e r p u b l i c a r s e u ro m a n c e l o g o d e c a r a . P a s s a a n o s l e n d o l i v ro s t e ó r i c o s e f a z e n d o o f i c i n a s p a r a s e i n s t r u i r e , a s s i m , e s c re ver de primeira uma história e batalhar por editoras até conseguir publicá-lo”. Edson Rossato também explicitou o que considera ser o principal agente de motivação para um novo escritor: “ A c re d i t o q u e , e m t o d o s o s c a s o s , o q u e p r i m e i ro i m p o r t a é a s a tisfação pessoal em ter um texto seu lido por incontáveis pessoas. Depois vêm as outras coisas”.

Conclusão: E s c re v e r u m l i v r o t r a z u m sentimento de r ealização. Apar te de senti r q u e re a l i z o u u m s o n h o , o novo autor também se sente um model o d e i n t e l i g ê n c i a , d e t e r m inação e criatividade para os outr os. Os de s a fi o s e m e s c r e v e r p o d e m ser inúmer os e as ar madilhas constante s . En t re t a n t o , q u a n d o s u per ados, o pr azer em tal f eito f az toda a jo rn a d a v a l e r a p e n a .

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Por Luiz Ehlers

convidado:

Márson Alquati autor de: Ethernyt - A Guerra dos Anjos

Márson Alquati é gaúcho, natural de Caxias do Sul. Hoje casado e pai de três filhos, começou a planejar sua série literária em 2006, durante seus percursos de ônibus até o trabalho. Aos poucos esses esboços tomaram forma, nascendo então seu principal projeto, a trilogia Ethernyt: A Saga dos Anjos.

O primeiro volume da série intitula-se Ethernyt: A Guerra dos Anjos e narra a aventura de Rafael Thomas, um agente especial designado para investigar a morte de um estimado diplomata estrangeiro, morto em solo brasileiro. Durante suas investigações, mistérios se desdobram e segredos milenares são revelados. Thomas se defronta com uma seita determinada a provocar o Armagedon Bíblico, une-se a um grupo conhecido como Os Escolhidos e, para sua surpresa, descobre uma terrível realidade: Anjos e Demônios existem e estão prestes a entrar em guerra, utilizando a Terra como campo de batalha.

www.ethernyt.com


Luiz – Alguns costumam dizer que uma literatura sem propósito não existe, toda obra e todo texto tem um objetivo, por mais simples que ele seja. Inicio perguntando qual é o propósito da sua literatura, o que acima de tudo Ethernyt quer passar aos leitores? Márson – Ethernyt é uma trilogia ficcional e, como toda boa ficção, o seu maior objetivo é contar uma história que, ao mesmo tempo, seja original, atraente, polêmica e divertida,

“Ethernyt [...] tenciona ainda quebrar alguns paradigmas, apresentando uma nova proposta inerente à temática Anjos X Demônios” proporcionando, acima de tudo, agradáveis momentos de lazer e diversão ao seu público leitor. Que possa, simultaneamente, levantar alguns questionamentos e transmitir uma vasta gama de informações e curiosidades interessantes. E, somando-se a isso, tenciona ainda quebrar alguns paradigmas, apresentando uma nova proposta inerente à temática “Anjos X Demônios”.

Cúpula da Rocha, em Israel

Luiz – Ethernyt – A Guerra dos Anjos é uma história repleta de complicados enigmas, viagens ao redor do mundo e mistérios que culminam em fatos surpreendentes. A presença destes elementos remete a comparações da sua obra com os livros de Dan Brown, os quais você declarou que são sim influências para a sua escrita. Em sua opinião, ser comparado a livros de sucesso como os dele é benéfico para a sua literatura ou acaba prejudicando-a de alguma forma?

“Cada enigma tem a sua dose de dificuldade; e em todos eles eu precisei quebrar a cabeça até encontrar uma solução lógica” Márson – As duas coisas. Acho que toda e qualquer comparação pode ser tanto benéfica quanto prejudicial. Deixe-me explicar: todo livro ou autor, famoso ou não, possui aqueles que o admiram e aqueles que o execram. Portanto, a mesma comparação atribuída a um autor ou obra pode beneficiar ou prejudicar a obra que foi comparada, dependendo de quem a faz e de quem essa comparação atinge. No meu caso, é importante deixar bem claro que, embora eu tenha extraído alguns dos elementos que mais me atraíram em praticamente todas as obras que li e também dos inúmeros filmes que já assisti, procurei inseri-los na trama de Ethernyt, de uma maneira inovadora, totalmente original e fugindo dos clichês tradicionais. Luiz – O agente especial Thomas na companhia de Desirée Lechaud, Barrabás e Leon seguem, a partir da misteriosa morte do embaixador D´aurillac, um rastro de enigmas e pistas espalhadas por todo o mundo. As pistas 49


vão desde mensagens secretas em poemas até inscrições em famosos monumentos. Grande parte delas são complexas, repletas de detalhes lógicos e sutis. Como é o processo de criação destes complicados quebra cabeças? Houve algum deles que deu mais trabalho? Márson – Devo confessar que não é uma tarefa nada fácil. Cada enigma tem a sua dose de dificuldade; e em todos eles eu precisei quebrar a cabeça até encontrar uma solução lógica e plausível, e que, principalmente, não plagiasse outros autores. E como um não poderia ser igual ao outro, precisei encontrar diferentes soluções para os diferentes enigmas apresentados. Quanto ao processo de criação, primeiro temos que ter em mente que tipo de chave usaremos para decodificar o enigma para só então pensarmos no próprio enigma. As chaves podem ser as mais variadas, desde coordenadas geográfi-

“A Guerra dos Anjos, assim como os demais livros da série Ethernyt, é multigênero” cas, coordenadas bíblicas, alusões cifradas ou disfarçadas a monumentos históricos famosos ou até inscrições nos próprios. Embora todos tenham me dado bastante trabalho, o primeiro foi, sem dúvida, o mais complicado, pois até então eu jamais havia escrito um poema (risos). Luiz – A rotulação de gênero é um fato que acontece tanto com o leitor, com as editoras e quanto com a locação dos livros nas prateleiras. Ethernyt – A Guerra dos Anjos inicia 50

como uma história policial, recheada de tiros e perseguições, e termina como um grande épico com direito a um imenso confronto de proporções gigantescas. Como você define o gênero do seu livro? Márson – Eu diria que A Guerra dos Anjos, assim como os demais livros da série Ethernyt, é “multigênero”, ou seja, por conter elementos dos mais diversos gêneros literários, pode ser classificada igualmente como ficção, aventura, ação, suspense, fantasia, policial ou épico-histórico. Luiz – O seu livro tem a roupagem dos bons e clássicos filmes de ação, como Duro de Matar, Máquina Mortífera e até Hora do Rush. A violência é um ponto presente nas cenas. Existe um teor sanguinário nos vários confrontos, seja com os anjos e demônios, seja através dos tiros precisos do agente Thomas ou com os

“Ethernyt foi escrito para todos os públicos, do infantojuvenil ao adulto” potentes machados de Barrabás. Esta característica define o público do livro, ou seja, a sua literatura é feita para adultos? Márson – Isso é bastante relativo. Ethernyt foi escrito para todos os públicos, do infanto-juvenil ao adulto. Se levarmos em conta a censura, sim, é um livro para adolescentes e adultos, mas se levarmos em conta toda a violência que nos cerca no dia-a-dia, assim como a violência disfarçada inerente a muitos filmes, desenhos infantis modernos e jogos, o


livro pode sim ser lido pelo público pré-adolescente. Para se ter uma ideia, dentre os meus leitores há pessoas com mais de oitenta anos, assim como crianças de dez anos, além de toda a faixa etária intermediária, obviamente.

na trama de Ethernyt. Ademais, para aqueles que, como eu, sentem atração pelos detalhes, também me dei ao trabalho de disponibilizar as fotos de todas as armas, veículos e cenários no site oficial da série.

Arco do Triunfo, na França

Capitólio, nos Estados Unidos

Luiz – Durante o desenrolar da trama, existe Luiz – Ethernyt mostra uma nova concepção uma preocupação sua em descrever em deta- de anjos e demônios, eles são de carne e osso lhes veículos (carros e aeronaves, como os de e têm uma origem ousada e bem fundamenLeon) e também as armas, tanto as brancas tada. Em entrevistas suas, você afirmou que (como as utilizadas pelos esta concepção é algo novo, Guerreiros da Luz e Bar- “Acho que a descrição diferentes das tantas que já rabás) como as de fogo existem na literatura. Para detalhada e precisa (utilizadas por Thomas você, a inovação é algo ese Desirée). Qual a razão [...] ajuda bastante sencial dentro da literatupara o detalhamento desra, algo que um autor deve na visualização da tes utensílios na história? sempre buscar especialmente dentro de um tema tão história” Márson – Acho que a desabordado quanto os anjos e crição detalhada e precisa, demônios, ou não, o autor não apenas dos veículos e tem que aceitar que semearmas, mas também dos lhanças existem e nada pode “A minha proposcenários e monumentos, ser tão original? ta é: tanto o Bem ajuda bastante na visualização da história, sendo ­quanto o Mal não são Márson – Realmente, tudo que também confere mais em Ethernyt foge do con­absolutos” verossimilhança à trama vencional. Os anjos e demôcomo um todo. Eu, partinios da minha história são cularmente, adoro esse tipo de descrição nos seres ímpares, diferentes de tudo o que já foi livros que leio e, justamente por isso, procurei dito a respeito dessa temática. Eles não são seinserir, sem exagero, esse tipo de informação res místicos nem divinos, pelo contrário, são 51


Castelo de Windsor, na Inglaterra

Catanzaro, na Itália

de carne e osso, possuem defeitos e virtudes e podem ser mortos. Os anjos, apesar de representarem o lado do bem, não são perfeitos. Eles são passíveis de erros e crueldades, da mesma forma que os demônios igualmente não são de todo maus. A minha proposta é: tanto o Bem quanto o Mal não são absolutos. E isso é apenas uma das muitas inovações que me propus trazer à tona em Ethernyt. Mas voltando à pergunta inicial, acho fundamentalmente necessária a inovação, não só na literatura, mas

gem da vida humana. Alguns autores como Phillip Pullman ou o próprio Dan Brown sofreram alguns problemas por parte de religiões por tocar em questões delicadas como estas. Existe em você algum tipo desse receio nestas questões ou você acha que é preciso haver uma separação entre realidade e ficção?

“Novos ângulos de vista sobre qualquer assunto são sempre interessantes [...], pois despertam a curiosidade”

em qualquer área. Novos ângulos de vista sobre qualquer assunto são sempre interessantes e bem-vindos, pois despertam a curiosidade, enquanto que os já batidos tornam-se comuns e com o tempo tendem a ficar enfadonhos e repetitivos. Isso serve para qualquer temática de qualquer gênero. Luiz – Os anjos e demônios de Ethernyt nada têm dos traços divinos e religiosos que somos acostumados a acreditar. Da mesma forma, existe na história uma explicação sobre a ori52

Márson – Em primeiro lugar é preciso sim separar a realidade da ficção. Toda a obra Ethernyt, apesar da precisão das descrições dos ce-

“Quanto às possíveis retaliações por parte das religiões [...],

meu único receio é de que não aconteçam”

nários, monumentos e fatos épico-históricos, consubstanciados por muita pesquisa e relatados como aconteceram de fato, é cem por cento ficção. Fruto da minha imaginação. Em segundo lugar, gostaria de deixar bem claro que nada tenho contra religião alguma e que sou um admirador de todas, embora não siga nenhuma em específico. Quanto às possíveis retaliações por parte das religiões e seus representantes em voga atualmente, o meu único receio é de que não aconteçam, uma vez que sei que foram elas, as grandes responsáveis pelo


estrondoso sucesso dos escritores citados acima e de todos os outros que ousaram questionálas, mesmo que indiretamente. E esse sucesso inegavelmente se deu depois de eles terem as suas obras execradas oficialmente. Portanto, que venham, o quanto antes, as críticas dos fanáticos religiosos de plantão! (risos).

tive com os especialistas nas áreas científicohistóricas abordadas. Enfim, nada do que está nas páginas dos livros da série Ethernyt, foi simplesmente jogado ali. Tudo foi minuciosamente pesquisado antes de ser passado para o papel. Cada mínimo detalhe possui um propósito dentro da trama.

Luiz – Os personagens passam, além do Brasil também pela Itália, Inglaterra, EUA, Israel e até o Congo. Além de conter os elementos culturais destes países o livro também é repleto de detalhes históricos, sociológicos e também biológicos, que acabam por fundamentar

Luiz – Literatura clara e dinâmica, muita ação, fatos surpreendentes e batalhas são os elementos que dão início a esta interessante série. O segundo volume já foi lançado, Ethernyt – Sob o Domínio das Sombras, que leva a trama para as trevas e dá novos rumos à história, que

“85% do tempo gasto para escrever o livro foi destinado à pesquisa”

“Cada mínimo detalhe possui um propósito dentro da trama”

a mitologia de Ethernyt. Como foi este pro- tem começo, meio e fim no primeiro volume. cesso de pesquisa para tornar todas estas in- O que podemos esperar do terceiro volume formações tão verossímeis? Ethernyt – A Batalha Final (título provisório) e na conclusão da Trilogia dos Anjos? Márson – Na verdade, oitenta por cento do tempo gasto para escrever o livro foi destina- Márson – No primeiro volume A Guerra dos do à pesquisa, que se deu em várias fontes: na Anjos, somos apresentados aos personagens Internet, nos inúmeros livros e filmes que já principais e conhecemos as suas histórias, li e assisti e durante as várias conversas que além de que é nesse livro, em meio à toda agi-

Arca da Aliança

Templo de Salomão 53


tação “pré-Armagedon”, que o passado secreto dos anjos nos é revelado, desde a origem ainda no seu planeta natal até os motivos que os trouxeram à Terra. Também neste primeiro livro conhecemos uma nova concepção sobre a origem da humanidade e explicamos alguns dos vários mistérios da antiguidade. No segundo, Sob o Domínio das Sombras, temos, em meio ao início do

“Nesse livro [...] o passado secreto dos anjos nos é revelado, desde a origem no seu planeta natal até os motivos que os trouxeram à Terra” Armagedon propriamente dito, a revelação sobre a real origem dos demônios e suas razões para serem como são, temos explicações sobre a extinção dos dinossauros, o congelamento da Antártida e do Ártico e somos apresentados a uma nova roupagem para o mito de Atlântida. Já no terceiro e último volume da trilogia, A Batalha Final, a ser lançado em 2011, teremos um breve apanhado geral sobre o Advento das Religiões, como surgiram, com quais propósitos e os seus impactos para a humanidade ao longo da história; e finalmente, como o próprio título sugere, o livro culmina na realização da tão aguardada Batalha do Apocalipse.

Ficha técnica: Editora: Giz Editorial Páginas: 448

seção:

JOGO-RÁPIDO Uma grande influência... Todos os grandes mestres da literatura Um grande livro... Todos os livros que li me ensinaram algo Um grande filme de ação... O Senhor dos Anéis (trilogia) Uma cena de ação marcante... A fuga de Londres (Sob o Domínio das Sombras) Uma batalha épica... Na fortaleza da montanha (A Guerra dos Anjos) O anjo favorito em Ethernyt... Arcanjo Gabriel O demônio favorito em Ethernyt... Lúcifer Thomas em uma palavra... Coragem Desirée em uma palavra... Inteligência Leon em uma palavra.... Astúcia Barrabás em uma palavra... Força Duke em uma palavra... Desastre A Guerra dos Anjos em uma palavra... Começo Sob o Domínio das Sombras em uma palavra... Meio A Batalha Final em uma palavra... Fim

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Angus, Volume 3 Sobre o autor: Or l a ndo Pa e s Fi l ho n a s c e u e m S ã o Pa u l o e v i v e h o j e e m Sa nt a C a t a r i n a . S e u ­p r i m e i r o l i v r o Angus - O Primeiro Guerreiro foi um sucesso em 2004 e, hoje, su a s o b r a s j á s ã o v e n d i d a s e m di v e r s o s p a í s e s .

Ficha técnica: Editora: Editora Record Páginas: 336 + 76 páginas em cor

Sinopse: “ Id a d e d a s t r e v a s ” , c a v a l eir os com ar madur as, magos, r eis, p r i n c e s a s , f l o r e s t a s e n c antadas. Esses são apenas alguns e x e m p l o s d a n a r r a t i v a f antástica que fascina milhares de p e s s o a s a t é h o j e . N a s é r i e Angus, com uma nova edição feita p e l a E d i t o r a R e c o r d , e s s e s elementos são combinados a uma a m b i e n t a ç ã o h i s t ó r i c a c e ntrada nas ilhas britânicas da Alta Id a d e Mé d i a ( s é c u l o s V- I X ) . R e s u l t a d o d e u m a p r o f u n da pesquisa histórica que durou 25 a n o s , a s é r i e d e O r l a n d o Paes Filho mostra, nos seus sete v o l u m e s , a s a g a d o g u e r reiro Angus MacLachlan e seu clã e s c o c ê s , d e s d e o s e u s u rg imento até sua cr istianização, pass a n d o p e l o p r o c e s s o d e barbarização com as invasões das i l h a s p o r p o v o s g e r m â n i c os e pela chegada dos missionár ios d a I g r ej a C a t ó l i c a , p a r a “ pregar o batismo entre os escotos” e b u s c a r s u a s p r ó p r i a s e l e vações espirituais em um estilo de v i d a p ra t i c a m e n t e t r i b a l . Paes Filho começa a sua narrativa d e s s e p o n t o e n o s m o s t r a como a nossa cultur a nasceu desse a m b i e n t e d e l u t a s e c o n quistas, com as virtudes e valores m o ra i s q u e t o d o s d e v e r i a m ter.

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A Essência do Dragão Sobre o autor:

Andr é s Ca r re i ro Fum e g a , c a r i o c a , e s t u d o u Fí s i c a e Hi s t ó r i a n a UFRJ , m a s f o i n o o f í c i o d e e s c r i t o r q u e e n c o n t r o u s u a v e rdadeira realização, trabalhando na continuação de sua saga.

Ficha técnica: Editora: Novo Século Páginas: 310

Sinopse:

Os Li-Seugs viviam n o noroeste da Ásia há 3000 anos. Aquela dura realidade os fez migrar para terras mais pacíficas. No caminho, para uma vida melhor, acabaram testemunhando uma cena inusitada. Algo caído do céu, talvez alg uma coisa dos deuses, repousava em uma clareira perto de seu provisório acampamento. Quando foram verificar mais de perto o estranho objeto, viram uma criatura sair de suas entranhas. A Es sência do Dragão: Ressurreição levará o leitor a uma aventura extraordinária. A cada capítulo haverá reviravoltas e informações que aguçarão a curiosidade e a vontade de continuar nesta jornada. E se o ser humano não é a única espécie inteligente nascida no planeta Terra? E se esta forma de vida inteligente evoluiu de tal maneira que sua tecnologia possibilitou desbravar o Universo? Por que não deixaram nenhum vestígio de sua existência no planeta? Ficção científica? Fantasia? Aventura? Tire suas próprias conclusões e envolva-se nesta história! 58


A Guerra Justa Sobre o autor:

C a r l o s O r s i é j o r n a l i s t a e s p ecializado em cobertura de temas ci e n t í f i c o s e e s c r i t o r. Se u s t r abalhos de ficção aparecem em antologias, revistas e fanzines n o Br a s i l e n o e x t e r i o r.

Ficha técnica: Editora: Draco Páginas: 152

Sinopse:

Abalada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento. Duas irmãs, a freira Rebeca e a cientista Rafaela, veemse envolvidas em um perigoso jogo de manipulação da realidade e são transformadas em agentes de uma conspiração que busca minar a influência do culto e desvendar o segredo de suas profecias. Mas se o culto for destruído, quem protegerá a humanidade de uma natureza cada vez mais descontrolada? Como a conspiração poderá vencer um inimigo capaz de prever cada um de seus passos? E afinal, o que define uma guerra justa? 59


Lázarus Sobre a autora:

G e o r g e t t e Si l l e n j á o rg a n i z o u diversas antologias e participou d e d i f e r e n t e s p r o j e t o s l i t e r ários. Além de escritora, também trabalha como arte educadora e revisora.

Ficha técnica: Editora: Novo Século Páginas: 396

Sinopse:

Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida d e Laura Vargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra, a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue. 60


O Vale dos Anjos: O Torneio dos Céus Sobre o autor:

Leandro Schulai nasceu em 1986 e formou-se em Processamento de Dados. Aos 15 anos, concebeu a ideia de O Vale dos Anjos. Vendo potencial na história, decidiu investir no projeto.

Ficha técnica: Editora: Novo Século

Sinopse:

Para muitas pessoas a frase “até que a morte os separe” é a afirmação de que morrer é o fim de tudo, inclusive para o amor. A opinião do grego Dimitris Saloustros, no entanto, é diferente.Com uma morte precoce e uma promessa feita à sua amada, o rapaz parte em busca do desconhecido Vale dos Anjos, onde se encontram as maravilhas do paraíso e o medo e apreensão das oito prisões. Levado por esse mundo místico e cheio de novidades, como hierarquia de anjos e a presença de oito divindades intituladas “Anjos Deuses”, Dimitris procura seu pai falecido e uma maneira de voltar à vida para ficar ao lado de sua amada Mariah e cumprir a promessa que efetuara no dia de seu velório. Auxiliado pelo anjo guia de enterro Obelisco, pela cupido Anne e treinado pelo misterioso mestre Ramirez, Dimitris viverá uma jornada recheada de grandes belezas, pessoas marcantes e mistérios complexos, que o farão perceber que nada é por acaso e que sua estadia nesse misterioso local já era aguardada há muito tempo . . . 61


Saudações tenebrosas, amados mortais!

Íncubos & Súcubos. Demônios Sensuais, perversão fantasmagórica, ou mera ilusão da mente humana, entorpecida pelo poder escravizador da religião? Existe algo real nessas histórias, que se contam há séculos? Ou seria mais uma "historinha" vinda da Roma Medieval, um mero subterfúgio da Igreja Católica, usado para assustar os crentes da Idade Média? Para entendermos essas "lendas", e como a humanidade acaba se debruçando sobre esse tema instigante e polêmico, vamos voltar no passado.


- Súcubo: Um demônio em forma de mulher, que drena a vitalidade dos homens durante o sono, algumas vezes causando a morte. Escritos do Antigo Testamento relacionam a lenda de como Adão foi visitado, por um período de 130 anos, pelo demônio do sexo feminino chamado Lilith, envolvendo-se com ela. Outra lenda narra como sob o reinado de Roger, rei da Sicília, um homem jovem estava se banhando pelo luar e pensou ter visto alguém se afogando e correu para o resgate. Tendo retiraSucubo do da água uma bela mulher, ele se apaixonou de imediato, casaram-se e tiveram um filho. Em seguida, ela desapareceu juntamente com a criança, fazendo todos desconfiarem se tratar de uma súcubo. Acreditava-se que as súcubos apareciam com maior frequência durante o sono.

- Íncubo: Demônio que visitava mulheres, a fim de estuprá-las. Como a Súcubo, a sua contraparte feminina, o Íncubo se alimenta da força vital de suas vítimas para se sustentar. Inccubus é a palavra em latim, para “pesadelo” e diz-se que os íncubos e súcubos são a causa de todos os pesadelos.

Sucubo

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Lendas de Súcubos ao redor do mundo: I - Lilin, Espíritos da noite - filhas de Lilith e Adão. Demônios, tal como a mãe. Mulheres também temiam o ataque das Lilin, pois acreditava-se que elas sequestravam as crianças. II - Mara - definição da mitologia escandinava de um demônio feminino que atacava pessoas dormindo. As pessoas relatavam que observaram Mara pressionando-lhes o peito, por vezes sufocando seus pescoços. III - Rusalka - na mitologia eslava, "Rusalka"era um fantasma feminino, ninfa das águas ou como demônio succubus, que vivia em um lago. Seus olhos brilhavam como um fogo verde. Homens seduzidos por ela morriam em seus braços. Em algumas versões, seu riso também podia causar a morte. Corresponde ao demônio, Nixie, de escandinavos e alemães. A versão fantasmagórica da succubus eslava, conta que a alma de uma jovem mulher, que foi morta em um lago (diz-se que as Rusalkas geralmente eram assassinadas por seus amantes), ficou amaldiçoada para sempre e, portanto, passaria a assombrar o lago. A Rusalka não era particularmente malévola e podia descansar em paz se o causador de sua morte pagasse pelo crime e ela fosse vingada. IV - Ona-Yuki - "Yuki-onna"(mulher de neve) era um espírito do folclore japonês. Ela é uma figura popular na animação japonesa, mangás e literatura. Yuki-onna é muitas vezes confundida com o Yama-uba ("velha montanha"), mas as duas figuras não são as mesmas. Yuki-onna aparece como uma bela e alta mulher, com longos cabelos. Sua pele é pálida, desumana, às vezes transparente, fazendo com que ela se misture com a paisagem de neve. Por vezes, usa um quimono branco, mas outras lendas descrevem-na nua. Apesar de sua beleza inumana, seus olhos causavam terror nos mortais.Ela flutua pela neve, sem deixar pegadas (alguns contos afirmam que ela não tem pés), e pode se transformar em uma nuvem de neblina ou neve, quando ameaçada. É ao mesmo tempo bela e serena, ainda que implacável na matança de inocentes mortais. Até o século XVIII, foi quase uniformemente retratada como o Mal. Hoje, porém, as histórias mostram-na mais humana, enfatizando sua natureza espectral e beleza efêmera. Exatamente o que Yuki-onna é, varia de conto para conto. Às vezes, ela se satisfaz de ver a morte de sua vítima. Em outras, ela podia ser como um vampiro, sugando o sangue das vítimas, drenando-lhes a "força da vida". V - Allu: Na mitologia Acadiana, as “Allueram” eram uma raça de demônios monstruosos e sem rosto, que destruíam tudo o que podiam capturar. Na mitologia suméria, as “Allueram” representavam um poder demoníaco. VI - Lâmia - personagem de antigas lendas inglesas. A Lâmia aparecia em cemitérios, apresentava-se como uma mulher bonita, frágil e em perigo. E usando desses subterfúgios, atraia os homens jovens para a morte. Esperamos, que tenham gostado. Nos debruçamos sobre este tema com toda a nossa dedicação para vocês, queridos mortais. Mas, lembrem-se, de quando forem dormir, ao apagar das luzes, especialmente hoje, tenham cuidado! Beijinhos sombrios. 64

Por: Nana B. Poetisa, Celly Borges e Nelson Magrini


Classificação das obras nacionais de ficção fantástica:

Visite o perfil da FANTÁSTICA no Skoob!

Os Sete

O Turno da Noite Vol. 1

André Vianco

Os Filhos do Sétimo André Vianco

3033

TOP - Mais lidos

leram

1

leram

Sétimo

Sementes no Gelo

André Vianco

André Vianco

1934 leram

2

leram

A Casa

André Vianco

André Vianco

leram

3

Bento

leram

8

881

leram

O Turno da Noite Vol. 2

André Vianco

1305

7

946

O Senhor da Chuva 1577

Revelações André Vianco

4

780

9

leram

O Vampiro Rei Vol. 1

O Vampiro Rei Vol. 2

André Vianco

André Vianco

1092 leram

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

6

991

5

767

leram

- O Turno da Noite Vol. 3 - O livro de Jó [André Vianco] - O Caminho do Poço das Lágrimas [André Vianco] - Os Vampiros do Rio Douro Vol. 1 [André Vianco] - Amor Vampiro – Vários Autores [André Vianco & Martha Angel] - Os Vampiros do Rio Douro Vol. 2 [André Vianco] - A Batalha do Apocalipse [Eduardo Spohr] - O Turno da Noite - Volume Único [André Vianco] - Um Mundo Perfeito [Leonardo Brum] - Kaori - Perfume de Vampira [Giulia Moon] - Anjo: a Face do Mal [Nelson Magrini]

10 593 371 331 261 256 255 157 142 105 83

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* Para estimular a interação entre autor e leitor, só são contabilizados livros cujos escritores possuam perfil no Skoob ** Contabilização fechada em 1 de julho de 2010


Os Sete

Bento

Classificação das obras nacionais de ficção fantástica:

André Vianco

1169 vão ler

1

A Batalha do Apocalipse

André Vianco

Da queda do mundo ao crepúsculo do mundo Eduardo Spohr

vão ler

2

O Senhor da Chuva André Vianco

858 vão ler

3

Um Mundo Perfeito Leonardo Brum

774 vão ler

4

André Vianco

760 vão ler

7

678

vão ler

O Vampiro Rei Vol. 2 André Vianco

8

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vão ler

O Turno da Noite Vol. 3 O livro de Jó André Vianco

O Vampiro Rei Vol. 1

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

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753 vão ler

Sétimo 889

TOP - Vou ler

André Vianco

662

9

vão ler

O Turno da Noite Vol. 2 Revelações André Vianco

5

10

570

vão ler

- Amor Vampiro – Vários Autores [André Vianco & Martha Angel] - O Véu - Volume 1 [William Nascimento] - Sementes no Gelo [André Vianco] - O Caminho do Poço das Lágrimas [André Vianco] - Diário de um Anjo [Mandy Porto] - A Caçadora - Sorriso de Vampiro [Vivianne Fair] - A Casa [André Vianco] - Setor 27 [Daniel Pedrosa] - Crianças da Noite [Juliano Sasseron] - Os Guardiões do Tempo [Nelson Magrini]

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* Para estimular a interação entre autor e leitor, só são contabilizados livros cujos escritores possuam perfil no Skoob ** Contabilização fechada em 1 de julho de 2010

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Resenha de Skoobers georgette silen Caçapava - SP Triskle Simone O. Marques Editora: Biblioteca 24x7

*Resenha de toda a série Paganus Quando Simone O. Marques me presenteou com um exemplar de seu livro, Triskle, da série Paganus, naquele dia 21 de novembro de 2009, eu não sabia que, na verdade, estava entrando por livre e espontânea vontade em uma armadilha. Uma verdadeira trama de letras, palavras e frases, aliadas com precisão literária a um enredo alucinante e cheio de vigor, tornou-me cativa de sua leitura até a última linha. E a surpresa? A história não terminava ali, havia mais. E eu queria mais... Alucinadamente pedi a Simone que me desse à honra de ler os outros dois volumes da série: Gênese Pagã e Tribo de Dana. Foram angustiantes dias de espera por um translado do serviço nacional dos correios, entre Recife e São Paulo, até que, finalmente, em 18 de dezembro de 2009 os livros estavam em minhas mãos. E ali ficaram, até que todos os seus segredos e mistérios me fossem revelados por Lucas, Sara, Felipe, Irmã Letícia, Sérgio, Gwenneth, Danielle, Antônio, entre outras deliciosas criações. E como personagens protagonistas e antagonistas, onipresentes e opressores, Deus e a Deusa decretam, em meio a toda trama, Sua guerra particular, manipulando títeres que se recusam a subserviência inexpressiva. Mortais que querem ditar o próprio destino, trilhar uma estrada aberta com seus próprios passos. Ter o direito de escolha. E há aqueles que trilham cegamente Suas instruções, sem pesar consequências ou medir seus atos. Na série Paganus, Simone O. Marques nos faz questionar, entre outras coisas, os limites entre a fé cega, a razão, a vontade e o 68


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livre-arbítrio, esse último como algo que deveria ser parte intrínseca da vida dos homens. E, ao mesmo tempo, nos coloca diante de uma verdade que poucos querem cogitar: haverá somente um Deus, como prega a sociedade judaico-cristã? Existem outras Divindades? E qual é o Seu caráter? Que motivações levam esses Seres, considerados como pilares da fé para milhões de pessoas, a travar verdadeira guerra no mundo terreno? Interferir, de forma direta e pouco “celestial”, nos destinos e escolhas dos homens? E a quem recorrer, quando Eles estão aparentemente contra nós? Mas, além disso tudo, Simone ainda nos brinda com uma belíssima história de amor, de devoção para com o ser amado, entrega e sacrifícios como não mais encontramos nos dias de hoje. Em tempos onde o amor é banalizado e tratado como algo consumível e descartável, Simone O. Marques nos faz ver e crer que o homem pode ser maior do que ele imagina. Pode amar incondicionalmente e se entregar, de tal forma, que ousa desafiar os deuses, cristãos ou pagãos, em nome desse sentimento. Isso sem deixar de mencionar a pesquisa dedicada da autora sobre o universo mítico da cultura celta através da história da humanidade, e um retrato muito bem construído e relatado sobre a Inquisição e suas perseguições. Começando no século XVII e chegando aos dias atuais a série Paganus nada deixa a desejar, em qualidade e força, comparada a obras de peso da literatura mundial, como as Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley. E agora, que venha A Era de Aquário, para coroar essa brilhante série da Literatura Fantástica Brasileira, nascida da fervilhante mente dessa paulistana, adotada pelo Recife, irrequieta e talentosa. Parabéns Simone, pela maestria! E obrigada pelo “presente dos deuses”. 69


Por Cristiano Rosa

CRIANDO TESTRรLIOS

Alรงando voos por universos fantรกsticos www.blogcriandotestralios.com


As influências de nossos autores Comparar uma obra literária à outra, dentro dos estudos de leitura e literatura, sempre foi um meio de engrandecer as partes referidas. Ao mesmo tempo em que achamos semelhanças que nunca antes havíamos percebidos antes, também se destacam as diferenças, que acabam por tornar cada obra como única. Para esta coluna, fez-se uma análise, uma comparação e um debate acerca da literatura fantástica moderna apresentada nas o b r a s A s C r ô n i c a s d e N á r n i a , F ro n t e i r a s d o U n i v e r s o , H a r ry Potter e O Senhor dos Anéis, no intuito de mostrar uma visão crítica e literária das séries, assim como também as suas adaptações cinematográficas.

Agora, vocês podem se perguntar: por que essas comparações? Simples: as quatro séries de livros apresentam muitas semelhanças, como referências mitológicas, a presença da magia, o ensinamento de valores, a crítica social e a ambientação em um mundo encantado com suas próprias criaturas e cultura; assim como algumas diferenças, como a discussão acerca da religião, o n í v e l d e l e i t u r a c o m b a s e e m s u a l i n g u a g e m e o s p r ó p r i o s r e c u rsos lingüísticos utilizados pelos escritores para tornar suas obras verossímeis. O encanto de cada obra se baseia inteiramente nas particularid a d e s q u e e l a s a p r e s e n t a m a o l e i t o r, c o m e ç a n d o p e l o s m u n d o s e m q u e o s e n r e d o s s e p r o j e t a m . E n q u a n t o J . R . R . To l k i e n c r i o u t o d o u m m u n d o à p a r t e e m O S e n h o r d o s A n é i s – a Te r r a M é d i a –, J. K. Rowling e C. S. Lewis, com suas obras Harry Potter e As Crônicas de Nárnia, respectivamente, se ocuparam de um mundo

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“ao lado” do nosso, mas nem por isso sem sua própria cultura e criaturas. Já Philip Pullman utiliza o paralelo do nosso mundo com os out r o s d e n o s s o u n i v e r s o e m F ro n t e i r a s d o U n i verso, trabalhando justamente essa transição em sua trilogia. Claro que não proponha aqui a eleição da melhor obra dentre essas quatro citadas, pois cada uma é, como afirmado anteriormente, única. A C.S. Lewis questão que quero levantar aqui é acerca da importância da leitura dessas séries, pois estas podem ser consideradas como contos de fadas modernos, visto que os principais aspectos dos contos clássicos foram mantidos e suas leituras também estimulam a imaginação dos leitores, contribuindo da mesma maneira para a sua formação como cidadão em busca de amadurecimento e sabedoria. E para quem torce o nariz quando me refiro aqui dizendo que Harry Potter e as outras obras são os atuais contos de fadas, saibam que os contos de fadas clássicos, como Chap e u z i n h o Ve r m e l h o , B r a n c a d e N e v e , A B e l a A d o r m e c i d a e O s Tr ê s P o rq u i n h o s n ã o e r a m feitos para crianças, apenas elas começaram a lê-los quando estes saíram dos círculos liPhilip Pullman terários dos adultos. Na época, tudo o que os adultos não queriam ou não se interessavam mais, ia para o quarto das crianças, inclusive peças de mobílias.

J.K. Rowling

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As adaptações de tais sagas para o cinema também – e isso é indiscutível – auxiliaram na divulgação – e muito, em alguns casos – da obra literária. Muitos jovens leitores provavelmente não conheceriam a saga de To l k i e n , e s c r i t a e n t r e 1 9 3 7 e 1 9 4 9 , c a s o n ã o a tivessem visto em filmes. O mesmo podese dizer a respeito dos livros de Lewis, escritos de 1950 a 1956. Porém, quando pensamos nas produções de Pullman e Rowling,


s e n d o o s l i v r o s r e c e n t e s – F ro n t e i r a s : 1 9 9 5 a 2000 e HP: 1997 a 2007 – é diferente, pois as obras encantaram a todos mesmo antes de suas versões cinematográficas. Um dos grandes méritos desses autores é que não consideram o público infantil ou infantojuvenil como menos exigente para com a literatura, e se utilizam da fantasia para dizer o que pretendem dizer com seus livros, ao passo que Tolkien os elementos fantásticos, acredito eu, só vêm a tornar os reais mais interessantes ainda. Além disso, a presença de seres não-humanos nas tais obras compõe uma bela analogia com os humanos, pois, mesmo sem características de pessoas, se comportam como tais, mostrando que as pessoas às vezes também não se mostram tão humanas assim. A s s i m c o m o A s C r ô n i c a s d e N á r n i a , F ro n t e i ras do Universo, Harry Potter e O Senhor dos Anéis, podemos também citar aqui outras belíssimas histórias de fantasia que nos trazem uma nova visão da vida e nos mostram a literatura como meio para amadurecimento e aquis i ç ã o d e s a b e d o r i a , c o m o a Tr i l o g i a d a H e r a n ça, de Christopher Paolini, e A História Sem Fim, de Michael Ende.

Christopher Paolini

Portanto, nada de preconceitos para com as obras fantásticas, e sim, vamos valorizar essas sagas que se propõe a acompanhar a nossa saga individual, de crescimento emocional e intelectual, e ter em mente que a literatura transforma e traz forma ao ser humano. Sendo assim, não fique somente com a magia e o encantamento dos livros de Harry Potter, aproveite seu tempo livre e pegue um desses outros livros citados e leia! Com certeza você vai conhecer um novo mundo que marcará sua vida, mudará sua visão de mundo e te enriquecerá de valores.

Michael Ende

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P s ychobooks

Entendemos sua loucura!

O que ĂŠ um Chick lit, o que ele pode acrescentar na minha vida, e por que as mulheres gostam tanto?

www.psychobooks.com.br


Só mesmo sendo mulher para entender o que a chegada dos Chick Lits fizeram na nossa vida. Sério, para a gente, foi uma verdadeira revolução literária! Para os leitores homens entenderem essa revolução, vamos usar uma metáfora futebolística: “Chick Lit está para a vida literária feminina assim como o futebol de domingo com cerveja está para os homens” Pegaram? Ainda não? Então vamos desenhar! Quando as bancas eram abarrotadas de livros no melhor gênero romance meloso (aqueles Sabrina, Júlia e Bianca) e que todas as mulheres compravam e ficavam suspirando pelos cantos, a realidade não era palpável... Os homens eram símbolos da perfeição, não bebiam, não fumavam, eram apaixonados, másculos, exibiam seu abdome bem delineado e o mais importante: tinham dinheiro!

E era aí que a ficção se desligava total e completamente da realidade. Enquanto as mulheres viciadas em romances de bancas suspiravam pelos cantos em busca do homem perfeito, saído diretamente das páginas dos livros, o que se encontrava nas ruas era um tipo totalment inverso... Se não bebia, fumava. Se não fumava, era pobre. Se tinha dinheiro, era grosso. Se não fumava, não bebia e não era pobre, era gordo... Pegaram a contrariedade? Como achar no mundo real o herói idealizado nos ­r omances? Missão Impossível! Essa, meus queridos, nem Tom Cruise, com seus pulos histéricos no sofá da Oprah, seria capaz de resolver.

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E as heroínas desses romances? Todas lindas! Belezas exóticas, saídas diretamente de uma pintura! Olhos de gata, corpo delgado, pernas definidas! Bem resolvidas nos seus ideais. Mulheres fortes, desprovidas de dúvidas. Celulite e estria? Inexistente. Pelos? Onde? Todas nasciam nas páginas desses romances de realidade inatingíveis já com depilação definitiva e sobrancelha bem delineada. Pois aí se criou o gênero Chick Lit, que em sua tradução mais tosca, significa “Literatura para garotas”. A partir daí, queridos leitores, o mundo se abriu para nós mulheres de carne e osso – e se abriu também para os homens com barriguinha de cerveja e pouco cabelo. Viva a celulite, viva as estrias, viva o cabelo frisado! (Opa... sem forçar a amizade, faça uma escova definitiva e se livre disso, amiga!) As heroínas do Chick Lit são mulheres reais. Elas mentem o peso, enfiam-se em sapatos que acabam com seus pés, só dão atenção para homens que não as merecem e passam vexame, muito vexame... Que tal exemplos como: - Vomitar no paquera; - Ser abandonada no altar; - Confessar todos seus segredos mais íntimos para o homem ao lado, para depois descobrir que ele é o chefe; - Ter o noivo roubado por aquela melhor ­a miga; - Ser viciada em compras ao ponto de pedir dinheiro emprestado ao paquera; - Se apaixonar por um CrossDresser (não sabe o que é? Joga no Google e segura o queixo que a boca está aberta!)

“Eu já passei por isso!!”

A lista se estende por alguns quilômetros. E quanto mais engraçada e surreal a situação, mais sucesso faz o Chick Lit! As mulheres do lado de cá gritam: “Não é só comigo! Então eu sou normal!” E é aí também que entra o próprio homem NORMAL. Que não tá nem cá nem lá... Pode beber um pouco, talvez fumar, precisa voltar para a 76


a­ cademia – mas anda sem tempo –, não lembra mais o que é ter dinheiro no banco... Até que é um cara legal, mas não é aquele herói clássico. Fica então a dica: leia Chick Lit! Para as mulheres, é não só uma ótima diversão, mas um processo de identificação pessoal. Você não está sozinha! E, para os homens... Bem, é a chance de compreender o que move o mundo feminino. Quem disse que “mulher é um bicho difícil de entender” foi algum troglodita antes da Era Chick Lit! Confira duas sugestões nossas: Chick Lit nacional:

Pobre Não Tem Sorte

Chick Lit estrangeiro:

O Noivo da Minha Melhor Amiga

Autora: Leila Rego

Autora: Emilly Giffin

Editora: All Print

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 208

Páginas: 352

Sinopse:

Sinopse:

“Toda garota do interior sonha em se casar com o cara dos sonhos, ter uma casinha, filhos e ser feliz até que a morte os separe, certo? E se esse cara for lindo, rico, super fashion e divertido? E se tal “casinha” for um mega apartamento no melhor bairro da cidade? Mariana encontrou o cara perfeito e vai se casar com ele! Sua vida torna-se imediatamente maravilhosa como um sonho. Mas isso só dura até um dia em que Mariana... Bom, leiam o livro e descubram!

O livro conta a história de Rachel, uma jovem advogada de Manhattan. A moça sempre foi reconhecida por si mesma e seus amigos mais próximos como “a certinha” e “a boa moça”, mas tudo isso muda subitamente em seu aniversário de 30 anos, durante a festa oferecida por sua melhor amiga, Darcy. Meio deprimida por chegar aos 30 sem o marido e os filhos desejados, Rachel bebe demais e termina a noite se envolvendo com Dex, seu grande amigo de faculdade e noivo de Darcy.

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por Edson "Druida das Pradarias" Lemes Júnior

“O que é RPG?”

www.rpgbrasil.org


Falar de RPG e não citar a Fantasia é praticamente impossível. A proximidade entre ambos é tão forte que muitas vezes os dois se misturam. Ainda assim, alguns leitores, ao começarem a ler esta matéria, se perguntarão: "Mas o que é exatamente o RPG?". O RPG, ou Role Playing Game – que pode ser traduzido como "Jogo de Interpretação de Papéis" –, nasceu com os mestres Gary Gygax (27 de julho de 1938 a 4 de março de 2008) e Dave Arneson (01 de outubro de 1947 a 7 de abril de 2009) a partir de uma partida de Wargame, um jogo que simula estratégias de combate com miniaturas. Conta-se que em uma das partidas, Gary havia feito uma fortaleza impenetrável onde muitos soldados haviam perdido a vida. Dave propôs então que as defesas desta fortaleza fossem quebradas com um ou poucos soldados, que pudessem invadir sorrateiramente o local.

Wargame

Na próxima vez que os dois se encontraram, montaram as regras de como seria a representação individual de um único soldado. Dali para o nascimento oficial do RPG, bastou apenas um pulo. Em 1974, era lançado o primeiro Role Playng Game: Dungeons and Dragons. O jogo rapidamente virou um sucesso, ganhando até uma série de desenho na TV, conhecida aqui no Brasil por Caverna do Dragão.

1º edição de Dungeons and Dragons

Atualmente, existem diversos tipos de RPG, que podem ser jogados em várias formas de cenário, como cyberpunk, apocalíptico, moderno, horror, fantástico ou aquilo que sua imaginação permitir.

O estilo de RPG mais comum atualmente é o Medieval Fantástico, quase totalmente inspirado no folclore criado por Tolkien. Tolkien foi não apenas um grande inspirador para a Fantasia Medieval dos livros sucessores, mas também o pai da fantasia dentro do RPG.

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Hoje, um fenômeno inverso começa a se apresentar, com cenários de RPG inspirando a criação de livros de romance.

Elementos de um RPG: Confira abaixo alguns dos elementos que compõe um RPG: Mestre: é aquele que cria a história do jogo. É como um roteirista de um seriado ou novela. Cenário: como o nome diz, o cenário é o plano de fundo de uma sessão de RPG, o local onde os personagens dos jogadores vivem. Um cenário pode ser uma cidade, um planeta, uma nave espacial, uma casa, e por aí vai. Sessão de RPG: é o período que os jogadores estão jogando. Seria o início e o fim do jogo em um dia. No dia seguinte, inicia-se uma próxima sessão. Sistema: são as regras usadas naquele jogo. Existem sistemas mais realistas, outros que seguem um estilo mangá, e até mesmo alguns com perfil cinematográfico. O sistema serve para reger as leis dentro do jogo. Ficha: é onde constam as informações e estatísticas de um personagem, tais como seus atributos físicos, intelectuais e sua personalidade. Serve como base para calcular resultados de ações realizadas pelo jogador. Personagem: é o alter-ego do jogador dentro do jogo. Os personagens têm caráteres próprios, que são descritos em sua ficha.

O mercado nacional de RPG O RPG tem seu grande peso concentrado no mercado internacional, com empresas gigantescas como a Wizzard of the Coast. Estas companhias não investem apenas em livros de RPG, mas também em produtos derivados, como jogos de video game, miniatura e cards game. Ainda assim, o mercado nacional não se intimida, contando com diversas editoras e projetos que são de fazer inveja a muitos RPG’s gringos. Conheça alguns deles:

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- Editora Daemon: conta com grandes publicações, tais como o seu sistema Trevas, que trata de um cenário moderno no melhor estilo Supernatural (seriado da Warner Channel). - Projeto Tagmar 2: Outro destaque vai para TAGMAR, um sistema de RPG publicado em 1991, com o título de “o primeiro RPG Brasileiro” a ser publicado. Porém em 1997 ele veio a falecer junto com a sua editora GSA. Em 2004, porém, os autores de Tagmar se reuniram novamente e decidiram reviver o sistema online conhecido como TAGMAR 2. É um projeto de grande sucesso que conta com a publicação de vários livros online (todos gratuitos para download) e reúne diversos escritores. - 3D&T: Na mesma época de Tagmar existia a revista especializada em RPG conhecida como Dragão Brasil que algum tempo depois apresentou o sistema 3D&T, um sistema simples, feito para aqueles que desejavam iniciar nos jogos de RPG. Porém o jogo evoluiu e ganhou novas versões e vários suplementos. - Cenário de Tormenta: Junto com o 3D&T, surgiu o cenário de TORMENTA, um cenário de fantasia bastante rico em detalhes e com diversas edições publicadas. Tormenta chegou a ter uma série de quadrinhos chamada Holly Avenger, que contava a história de alguns personagens que viviam naquele mundo. - Cenário de ERA: um cenário de RPG totalmente nacional e on line que tem como objetivo ser o RPG gratuito mais completo já criado. Ele conta com o apoio de diversos escritores e colaboradores, que auxiliam no desenvolvimento de materiais. Confira mais sobre ERA em www.rpgbrasil.org. Poderíamos falar de diversos outros sistemas e cenários gratuitos que pipocam na internet atualmente, porém precisaríamos de uma revista FANTÁSTICA inteira para descrever todos eles.

Imagem do mapa de ERA

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Mensagem via Skoob de: Fernanda Duarte – Belo Horizonte – MG A Revista FANTÁSTICA é uma ótima iniciativa, afinal, os livros brasileiros são muito pouco valorizados. Eu não leio muitos livros nacionais, mas, depois de conhecer a FANTÁSTICA, vi que temos que dar mais valor aos nossos escritores... Acho que uma parte da culpa por eu não ler livros brasileiros é a falta de divulgação. Tenho certeza de que há livros por aí que eu nunca ouvi falar, mas que eu iria adorar! Gostei muito da FANTÁSTICA, todas as matérias são ótimas, e, se não fosse a matéria de capa sobre O Senhor das Sombras, possivelmente eu nunca ficaria doida para ler O Legado Goldshine, como estou agora. FANTÁSTICA – Fee, muito gratificante a sua mensagem. Mostrar a uma pessoa que existem obras nacionais interessantes é mais do que missão cumprida para nós. Este é o grande propósito da FANTÁSTICA. Agradecemos o elogio para a matéria de capa e temos a certeza de que o Leandro Reis também agradece. Abraços!

Mensagem via Orkut de: Felipe Arthur de Souza Moreira – 16 anos – Manhuaçu – MG

Caros amigos da FANTÁSTICA, parabéns pela 1° edição! Gostei bastante de todos os quadros, em especial a matéria sobre a obra Filhos de Galagah, ficou muito legal a forma como vocês colocaram as imagens, me fez até ficar com vontade de comprar o livro. Continuem assim e não desistam. A propósito, que tal fazerem um quadro especial contando sobre como eram as guerras medievais antigas? Isso teria um tom informativo. FANTÁSTICA – Felipe, é muito bom que tenhamos leitores da sua idade, pois é importante que os jovens também conheçam os bons trabalhos nacionais e mudem um pouco esta fixação pelo estrangeiro. Quanto à sua sugestão, é uma boa ideia. As guerras medievais antigas influenciaram muito a literatura fantástica. Está nos nossos planos uma matéria sobre isso! Não deu para colocar algo parecido com isso nessa edição, mas, quem sabe, na próxima!


Mensagem via Skoob de:

Andres Carreiro – Rio de Janeiro - RJ aessenciadodragao.blogspot..com

Parabéns, pois a FANTÁSTICA está sensacional! Ótimas resenhas, ótimas análises. A Revista é um presente para nós autores nacionais e um presente para os leitores que poderão conhecer o que os brasileiros fazem nesta área. Em minha opinião, um dos pontos em destaque está exatamente na análise que Shanasa, Law, Pierantoni e Schulai fizeram do mercado nacional e dos autores nacionais de literatura fantástica. Os textos se complementam e nos dão uma visão interessante e próxima da realidade. As resenhas também são pontos positivos, pois fiquei com vontade de ler vários livros! E, ainda, gostei da conexão Psychobooks! Só posso agradecer pela fantástica iniciativa! FANTÁSTICA – Andres, obrigado pelos elogios e, realmente, aquele assunto rendeu muito, podemos ver pelo número de páginas (risos). Que bom que conseguimos despertar o gosto pela leitura dos resenhados, não há nada melhor para quem escreve o texto, acredite. Abraços e que venha seu livro, A Essênca do Dragão!

Mensagem via Orkut de: Juliano Sasseron – Andradas - MG juliano-sasseron.blogspot.com Li a FANTÁSTICA logo no dia do lançamento. Acho que qualquer palavra que eu coloque não dirá tudo sobre o incrível trabalho que fizeram, desde a diagramação e editorial, até as ilustrações e resenhas. Realmente maravilhoso. É bom saber que há pessoas que batalham pela literatura fantástica no Brasil. Tenho certeza que esse trabalho irá longe, mais uma vez parabéns! FANTÁSTICA - Juliano, obrigado pelo apoio à revista. Receber elogios de novos e promissores escritores como você é muito importante. Da mesma forma que os autores precisam de nosso apoio, nós precisamos do deles. Essa troca não enriquece apenas a revista, mas, é claro, a nossa literatura como um todo.

Envie-nos também sua mensagem! Clique aqui! 83


A Revista FANTÁSTICA nasceu com o objetivo de fortificar e massificar a literatura fantástica nacional, tornando-a tão atrativa e competitiva quanto a estrangeira. Existem atualmente dois fatores principais que impedem a sua ascensão: divulgação e preço. A divulgação é um grande entrave ao jovem escritor no Brasil. Em geral, ela resume-se ao lançamento do livro, um site e algumas difíceis participações dentro de palestras e eventos. As grandes editoras pouco apostam em escritores novatos, sempre preferindo investir em best sellers, onde têm um retorno garantido. Da mesma forma, as grandes livrarias pouco expõem estas obras e, pelo risco de ter um novo autor, cobram uma comissão elevada, tornado o preço do livro nacional exorbitante. Muitos chegam a custar o dobro de obras internacionais. A Livraria FANTÁSTICA é uma extensão natural da revista, que busca contribuir para a divulgação maciça das obras nacionais, através de preços baixos e promoção. Os livros que apresentamos em nosso catálogo são obras de autores nacionais, experientes ou novatos. Não há nenhum tipo de restrição para a entrada na Livraria FANTÁSTICA, que, inclusive, é totalmente gratuita e permanece aberta a todos. Qualquer autor nacional tem o seu espaço dentro de nossa livraria, sem nenhum tipo de discriminação de gênero, editora ou experiência literária. É importante salientar que toda a concepção da livraria foi visando o menor preço, mesmo que isso signifique a perda de algumas comodidades como o pagamento por cartão de crédito. Com isso, conseguimos atingir o nosso objetivo máximo que é levar aos leitores brasileiros as obras nacionais a preços acessíveis e promovê-las dentro das matérias da revista para que as mesmas despertem o interesse aos leitores. Desfrutem do nosso catálogo, que tende a aumentar constantemente, e dêem uma chance para os autores nacionais. Para contato, dúvidas ou informações: livraria@revistafantastica.com

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* Porcentagem de desconto calculada tomando o preço médio das obras nas grandes livrarias virtuais e o preço de venda pela Livraria FANTÁSTICA, desconsiderando o custo de frete.

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Histórias, lendas e mitos por Dhyan Shanasa

ilustrações por Eic eic.deviantart.com


Um relance de olhos sobre a origem dos seres fantásticos

Parte I A Fantasia Moderna (podemos chamá-la contemporânea, para quem prefere o termo), trás uma variedade assombrosa de seres mágicos e mitológicos. Há desde reles duendes horrendos a belíssimos elfos; de basiliscos a temíveis dragões; do guerreiro parvo ao guerreiro lírico; da bruxa tola ao mago sábio; do hábil ferreiro ao hábil feiticeiro; da batalha branda a guerra épica. Estes seres – e consequentemente as situações criadas por eles tal qual seus mundos -, estão a tantos anos em nosso cotidiano, misturados a nossa literatura, cinema, jogos eletrônicos e outras coisas, que esquecemos sua origem nas histórias que tornaram-se lendas e nas lendas que vieram a tornar-se mitos de alguns povos. Todo livro fantástico que abrimos tem como alicerce algum ponto que, outrora, pode ter sido uma lenda muito bem quista na cultura de algum país. Nós já nos acostumamos aos nomes estranhos que lemos na Literatura de Fantasia. Termos como elfo, orc e troll são tão comuns quanto gato, cão e rato, mesmo não sabendo o que significam de fato, e qual a sua função real. Usamos estes termos, estes seres, por que aprendemos, não se sabe com quem, qual a sua função primordial como raça, mas quem sabe o que é um elfo de fato e qual a sua natureza nítida?

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1. Dos elfos trapaceiros aos elfos tolkenianos Linguisticamente falando, o termo elfo é “Elfos Negros” (Svartálfar), e referiu-se uma textualização para o português do in- aos outros como “Elfos da Luz” (Ljósálfar), glês elf, que, por sua vez, tem por origem que são associados com freqüência a Freyr, o anglo-saxão ylfe, que o deus nórdico do Sol. deriva do nórdico antigo No poema Austrfaravíalfr, plural álfar. sur (Versos da Jornada Um elfo não é para o Leste), composto As mais antigas histórias por volta de 1020 D.C., somente um e relatos sobre elfos esSigvat Thordarson diz sujeito de um povo tão na Edda Germânica, que, por ser cristão, específico, mas um e falam sobre seres muirecusou-se a entrar em tas vezes feios, porém um lar pagão, na Suétipo de ser. poderosos, que tinham cia, pois um álfablót vínculos profundos com (sacrifício aos elfos),

Elfos nem sempre são bonitos

Tolkien popularizou os elfos

os elementos da natureza. Um elfo não é somente o sujeito de um povo específico (como sugere J.R.R. Tolkien), mas um tipo de ser, uma entidade das forças naturais sem a menor inclinação ao heroísmo e que podem apresentar-se em várias formas, sejam elas belas ou horrendas. Há quem diga que a crença em elfos não se restringe aos escandinavos, abrangendo todas as tribos germânicas, posto que existem outros nomes etimologicamente relacionados a álfar.

estava em andamento. Esse tal sacrifício envolvia uma oferenda de alimentos. Os elfos eram amplamente descritos como semideuses da fertilidade ou dos ancestrais.

Nas baladas nórdicas, os elfos são ligados aos Æsir – deuses de primeira grandeza -, pela frase “Æsir e os Elfos”, que, presumese, significa “todos os deuses”. Estudiosos comparam-nos aos Vanir, deuses da fertilidade, mas está no Alvíssmál (Os ditos do Conhecedor de Tudo), que os elfos são conO mitólogo e historiador islandês Snorri siderados diferentes tanto dos Vanir quanto Sturluson, referiu-se aos Anões (Dvergar), dos Æsir, daí a crença de que fossem semicomo “Elfos da Escuridão” (Dökkálfar), ou deuses, estando abaixo das duas casas. Diz92


se que o primeiro rei elfo foi Alf, e o último Gandálfr (Elfo do Cajado), nome inspiração para o personagem Gandalf de J.R.R. Tolkien em O Senhor dos Anéis.

tinha o sentido de “dor aguda causada por elfos”, mas que passou a denotar pontas de flechas de pedra lascada, do neolítico, que no século XVII eram atribuídas pelos

Gandalf, de O Senhor dos Anéis

Representação de elfo tolkeniano

Na tradição da Inglaterra ou da Escócia, os escoceses aos elfos e usadas em rituais de elfos são seres representados como sinis- cura. Diz-se também que as bruxas as usatros e perversos. Shakespeare imaginava-os vam para causar mal a pessoas e gado. O como criaturas pequeninas e astutas, e, já na Elf-lock (madeixa élfica), são tufos de caIdade Moderna, eram vistos como grandes belo embaraçado que surgem nas pessoas e, trapaceiros que interferiam em assuntos hu- claro, sempre atribuídos à travessuras dos manos, tendo assim tornado-se sinônimos elfos. Paralisias repentinas eram, às vezes, das fadas da mitologia céltica. Desta forma, atribuídas a golpes élficos. De fato, eles o termo elfo chegou ao ponto de denotar, em eram culpados de praticamente tudo em algeral, vários tipos de esguns lugares. píritos da natureza, como pwcca, hobgoblin, Robin O termo elfo chegou É muito comum lermos o Goodfellow, o brownie estermo elfo hoje em dia e a denotar vários cocês e por aí vai. Não há lembrarmos de algo lindo mais distinção entre estes tipos de espíritos da e perpétuo. Essa visão foi termos no folclore daquecriada por J.R.R. Tolknatureza. la gente, passando assim a ien que, diga-se de passerem equivalentes entre sagem, detestava os elfos si, tal como o termo porvistos como pequenituguês “encantado”. nos e travessos. Tolkien aceitava mais os aspecO Elf-shot (elf-bolt ou elf- Elfos eram culpados tos originais da natureza arrow, ‘flecha élfica’), é mitológica deles, e tendo de praticamente tudo uma expressão encontraestudado a fundo a mitoda na Escócia e Norte da em alguns lugares. logia germânica, criando Inglaterra desde o século a sua própria, fez dos elXVI que, inicialmente, fos seres de beleza espan93


O escritor Michel Moorcock

O termo elfo já incluiu os anões

tosa, imortais para o tempo, sábios irrefutáveis, os primeiros Oradores (Quendi), as Crianças de Ilúvatar, cujos feitos guiaram o destino de Arda. Nas histórias do Quenta Silmarillion, Tolkien conta-nos como os elfos eram o centro de todas as atenções num passado tão remoto que não se pode medir com o tempo. Fingolfin talvez tenha sido o elfo mais poderoso de todos os tempos (na mitologia tolkeniana), por ter desafiando face a face Morgoth, o Sinistro Inimigo do Mundo.

elfo dançando ao luar, e caso os olhos mortais caiam sobre sua figura magistralmente mágica, serão amaldiçoados pelo rei élfico que virá a casa do intruso obrigando-o a se casar com a filha. Contudo, não sabemos até que ponto isso pode ser considerado uma maldição, tendo em conta relatos de figuras belíssimas como Lúthien Tinúviel, esposa de Beren.

Nas obras de Michel Moorcock, os habitantes de um reino são em diversos aspectos uma subversão dos elfos tolkenianos. Em Artemis Fowl, de Eoin Colfer, os elfos são mais avançados do que os humanos, morando no subsolo da Terra e possuindo tecnologia absolutamente surreal quando comparada a que temos. No Anel dos Nibelungos, de Richard Vagner, o herói máximo Sigfried tem seu destino inteiramente regido pelo Anel de Poder que fora forjado por Alberich, que nada mais é que um Elfo da Escuridão (Dvergar), chamado comumente de anão. Há uma lenda que diz que se alguém enxergar um brilho ofuscante em uma noite de lua clara, numa planície deserta, não deve olhá-lo de frente, pois será uma filha de 94

Um elfo é, antes de tudo, um pedaço da história Germânica. Em suma, dos Ljólsálfar dos germânicos aos Eldar de J.R.R. Tolkien, dos Duendes aos Orcs, das Fadas aos Goblins, todos eles estão incluídos nesta nomenclatura elfo, por assim dizer, e essas múltiplas facetas de um só tipo de ser mostra-nos o quão rico seu passado é. Seja o que for, um elfo é, antes de tudo, um pedaço da história Germânica.


1. Os dragões na Fantasia e na História Humana O símbolo máximo da Fantasia com toda sas tarefas míticas, como a sustentação do a certeza é o dragão. Contudo, sua origem mundo ou o controle de fenômenos climátivaza das páginas dos contos perdidos, ten- cos. Assim, os dragões estão presentes em do como base a nossa milhares de culturas cultura. Alguns entenao redor do mundo. didos dizem que eles são uma das mais anA imagem mais contigas manifestações hecida dessas criaO símbolo máximo culturais da humanituras vem das lendas da Fantasia com toda dade, tendo represenceltas, escandinavas tações mitológicas e germânicas, mas certeza é o dragão. datadas de aproximaa figura é recorrdamente 40.000 A. C., ente em quase todas em pinturas rupestres as civilizações ande aborígines prétigas. Dos dragões

Dragões estão em diversas culturas

Representação asteca de dragão

históricos na Austrália. Acredita-se que o mito dessas criaturas tenha surgido quando os povos antigos encontraram fósseis de dinossauros e outras grandes criaturas, como baleias, crocodilos ou rinocerontes, tomando-os como ossos de dragões. Certo, não é uma constatação das mais sabidas, mas dêlhes um desconto pela época em questão.

com formas de serpentes e crocodilos da Índia até as serpentes emplumadas adoradas como deuses pelos Astecas, passando pelos grandes lagartos da Polinésia e diversos outros, variando em formas, tamanhos e significados, eles estão em praticamente todas as culturas.

Por serem geralmente grandes, os dragões aparecem nas histórias quase sempre como adversários de heróis lendários, e, geralmente, são seus piores inimigos. Às vezes diz-se que sejam responsáveis por diver-

O escritor grego Filóstrato, dedicou uma extensa passagem da sua obra Vida de Apolônio de Tiana aos dragões da Índia (livro III, capítulos VI, VII e VIII). Ali encontram-se informações muito detalhadas sobre esses dragões com formas de serpentes e crocodilos. 95


No Oriente Médio, os dragões eram vistos como encarnações do mal. Os persas citam vários dragões como Azi Dahaka que aterrorizava os homens, roubava seu gado e destruía florestas (provavelmente foi uma

Azi Dahak, mito dos persas

consorte mitológico Apsu, uma personificação das águas doces sob a terra, unemse e dão à luz os diversos deuses mesopotâmicos. Apsu, no entanto, não conseguia descansar na presença de seus rebentos, e

Tiamat, da cultura babilônica

decidido a destruí-los, é morto por Ea, um de seus filhos. Para vingar-se, Tiamat cria um exército de monstros, dentre os quais 11 são considerados dragões, e prepara um ataque contra os jovens deuses. Liderados pelo mais jovem entre eles, Marduk, que mais tarde se tornaria o principal deus do Os dragões dos mitos sumérios frequent- panteão babilônico, os deuses vencem a emente cometiam crimes, e por isso aca- batalha e se consolidam como senhores do bavam punidos pelos deuses — como Zu, Universo. Do corpo morto de Tiamat são o deus-dragão sumeriano criados o céu e a terra, das tempestades, que em enquanto do sangue de O termo elfo chegou certa ocasião teria roubaKingu, o principal general a denotar vários do as pedras onde estavam do seu exército, é criada escritas as leis do univera humanidade. O Dragão tipos de espíritos da so, e por tal crime acabou de Mushussu é subjugado natureza. sendo morto pelo deuspor Marduk, tornando-se sol Ninurta. A importânseu guardião e símbolo cia destes seres na cultura do poder. suméria é vista no Enuma Elish (épico babilônico da Elfos eram culpados Na mitologia chinesa os Criação do Mundo), que de praticamente tudo dragões chamam-se long, conta-nos como a dracedividindo-se em quatro em alguns lugares. na - ou dragão-fêmea -, tipos: celestiais, espíritos Tiamat, uma personifida terra, os guardiões de cação do oceano, e seu tesouros e os dragões imalegoria mística a opressão que a Babilônia exerceu sobre a Pérsia na antiguidade). Dizse que foi na mitologia persa onde originou a ideia de dragões que guardam grandes tesouros podendo ser tomados por aqueles que o derrotassem.

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periais. O dragão Yuan-shi tian-zong ocupa uma das mais altas posições na hierarquia divina do Taoísmo, tendo surgido no princípio do Universo e criado o céu e a terra. Já no Japão, os dragões desempenham papel divino semelhante. Ryujin, por exemplo, era considerado o deus dos mares e controlava pessoalmente o movimento das marés através de jóias mágicas. Os dragões segundo a cultura cristã, são aqueles que mais influenciaram a nossa visão contemporânea. De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, no Antigo Testamento, dragões tipificam os inimigos do Povo de Deus, como em Ezequiel 29:3. Ao fazer isso, associa-se a ideia das mitologias de povos próximos, para dar maior entendimento aos israelitas. É por isso que a Septuaginta, na sua narrativa da história de Moisés, traduz “serpente” por “dragão”, para dar maior glória à ação de Deus (Êxodo 7:9-12). O caso do mais célebre de dragão cristão é aquele que foi morto por São Jorge, que se banqueteava com jovens virgens. Esta história originou outro clássico

tema da Fantasia: o nobre cavaleiro que enfrenta um vil dragão para salvar uma princesa. Básico. O lendário chefe da tribo norte-americana Apache (segundo a lenda chamava-se Apache ele próprio), duelou com um dragão usando arco e flecha. De acordo com a lenda, a criatura usava como arco um enorme pinheiro torcido e disparava árvores jovens como flechas. Disparou quatro flechas contra o jovem Apache, que conseguiu se desviar de todas, e em seguida, disparou ele mesmo quatro flechas, matando a besta. Em nosso folclore existe o Boitatá, uma cobra gigantesca que cospe fogo e defende as matas daqueles que as incendeiam.

Na totalidade, a visão ocidental sobre o dragão é de que ele seja um ser caótico e maligno. Para os mitos europeus a figura do dragão aparece constantemente, mas na maior parte das vezes é descrito como mera besta irracional, visão O mais célebre dragão essa que choca-se com o cristão é aquele que foi papel divino/demoníaco que recebia no oriente. morto por São Jorge. A visão negativa de dragões é bem repre-

Yuan-shi tian-zong

São Jorge e o dragão 97


pertos, poderosos e perversos, filhos de Morgoth, o Sinistro Inimigo do Mundo. Dentre todos os dragões da mitologia tolkeniana, o mais poderoso foi Glaurung, ­responsável pela sina de Túrin Turambar. Há também o grande Ancalagon, o Negro, alado morto por Eärendil na Guerra da Ira, mas o mais Nesta mesma lenda também pode ser visto célebre foi Smaug, o Magnífico, que deu um traço comum em histórias fantásticas de riqueza ao hobbit Bilbo, e tornou-se símdragões, as propriedades mágicas de partes bolo clássico dos dragões da ­Alta-Fantasia. do seu corpo. O mito diz que após matar Fafner, Siegfried assou e ingeriu seu coração, e Os dragões são arquétipos preciosos da assim ganhou a habilidade de se comunicar psique humana. Se Freud não explica, Jung com animais. Não apenas isso, derramou o fala. Representam, em parte, a liberdade e o sangue de Fafner sobre o corpo, tornando- poder que o Homem deseja atingir. se imortal. Todavia, ainda não se sabe como é que a Aqui, não discutiremos sobre Hércules e ideia de uma criatura com asas, sopro de suas dezenas de lutas com tipos de dragões, fogo, escamas e potencialmente mágica, para que não se torne enfadonho. Contudo, pode chegar a culturas tão distantes e diferexiste uma lenda da mitologia grega em que entes como a China Antiga ou os Maias e os sentada na lenda nórdica de Sigfried, em que o gigante Fafner transfigura-se em um dragão por apodera-se do Anel de Poder dos Nibelungos, e justamente por sua ganância e cobiça durante jamais torna a sua forma original.

Cadmo mata o dragão

Smaug, o Magnífico

o herói Cadmo mata um dragão que havia devorado seus liderados. Após isso, a deusa Athena aparece no local e aconselha Cadmo a extrair e enterrar os dentes do dragão. Os dentes “semeados” deram origem a gigantes, que ajudaram Cadmo a fundar Tebas.

Astecas. A profundidade e complexidade do passado do mito destas criaturas, estão enraizadas no mais profundo de nosso inconsciente, dando-nos base para a Fantasia.

Seja como for, por todos os tempos passados e vindouros, o Dragão será sempre aquele Falando de literatura, J.R.R. Tolkien de- bicho que, em última instância, o herói terá screve os dragões como tremendamente es- de enfrentar para provar seu valor. 98


“A primeira condição de quem escreve é não aborrecer” Machado de Assis


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Revista FANTÁSTICA - Edição nº2 - junho/julho