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R$ 14,90

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Índice

Editorial

Chegou a primavera, e com ela o tempo das flores, da beleza, da leveza e da sensação de que fizemos parte da nossa missão. Assim, “florescer” foi o tema central escolhido como inspiração para a nossa 46ª edição, e que complementa a nossa mensagem através dos diversos temas já abordados. Na edição passada, trouxemos o tema “recomeço”. Falamos de como, na natureza, tudo tem o seu tempo; e a chegada da primavera nos mostra isso de maneira ainda mais clara e sábia. Se observarmos as flores, veremos como cada uma tem o seu próprio tempo de germinar, de florescer, e que cada uma tem as suas particularidades, o que as faz únicas no nosso jardim. Na vida, não é muito diferente. Sonhamos, idealizamos, planejamos, focamos e esperamos, ansiosamente, pela hora de colher os resultados. Mas o tempo das coisas é inevitável, e observar as flores na primavera nos mostra isso. O bom de tudo isso é que se fizermos o que nos propomos, se seguirmos o caminho adequado, o jardim estará lá nos esperando, pois sempre é tempo de florescer! Sempre chegará o tempo de colher! Germinando sementes, podando galhos, replantando tudo de novo e, no final, florescer será novamente uma questão de foco, amor e recomeço... sempre! Quantas vezes uma plantinha feiosa precisa de uma boa poda para ressurgir linda e forte novamente? Quantas vezes uma sementi-

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nha pequenina vira uma linda e forte árvore centenária? Temos que ficar atentos às lições que a natureza nos dá! Nesta edição, preparamos matérias incríveis que abordam temas como o movimento “Setembro Amarelo” e a importância da valorização da vida e a prevenção ao suicídio; o Outubro Rosa e a necessidade da prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, além de técnicas voltadas para minimizar os efeitos colaterais dos tratamentos; o Dia das Crianças, e muitos outros. Novos colunistas chegam para renovar a nossa revista, que é terreno fértil para bons conteúdos e histórias: Tiago Villas-Bôas, com a coluna “Business & Finanças”; Cris Arcuri, com “Vamos Falar de Sexo”. Maria Medeiros com toda a sua elegância na coluna de comportamento “Simples Assim”; e Matheus Pastori, que passa a assinar a coluna “Com o Controle na Mão”. Eles trazem novos ares para a Let’s Go, que se reinventa a cada edição e chega aos nossos leitores cada vez mais frondosa e rica em conteúdo. Com a 46ª edição da Let’s Go Bahia iniciamos o uso da hashtag #issoéletsgo nas nossas redes sociais (site e Instagram), visando dar, cada vez mais, personalidade a esta revista que tem como um dos seus maiores objetivos ressaltar a nossa Bahia: a mais colorida flor do jardim de tão ricos conteúdos que é o Brasil. Boa leitura!

Expediente

Business: Insurtech

14

Gastrô: Crepes

30

Decoração: Mesas

44

PUBLISHER

REVISÃO

Verônica Villas Bôas

Gabriela Ponce

veronica.villasboas@letsgobahia.com.br

REDAÇÃO DIRETORA - Monique Melo

monique.melo@letsgobahia.com.br

Roger Simões Moreira rogersimoes44@gmail.com

EDITORA (Revista) Aleile Moura Araújo

COMERCIAL

EDITOR (SITE) Matheus Pastori de Araujo

DIRETORA - Verônica Villas Bôas veronica.villasboas@letsgobahia. com.br comercial@letsgobahia.com.br

aleile@letsgobahia.com.br

Germinando sementes, podando galhos, replantando tudo de novo e, no final, florescer será novamente uma questão de foco, amor e recomeço... sempre! Quantas vezes uma plantinha feiosa precisa de uma boa poda para ressurgir linda e forte novamente?

DEPARTAMENTO DE EDITORAÇÃO E ARTE

Educação: Matrículas

50

Spot: Influenciadores kids

54

Saúde: Outubro Rosa

62

Pet: Filhotes

72

Música: DJs

76

DIRETORA - Monique Melo

Destaque: Flerte Flamingo

90

CONSELHEIROS

Capa: Sorveteria da Ribeira

96

Esporte: Vela

102

Conexão Bahia-Portugal

112

Turismo: Paris

118

Moda: Upcycling

134

Beleza: Barbearias

142

Autos: Civic Si

146

Patrimônio: Mário Cravo Jr.

160

ARTICULISTAS CONVIDADOS

Bairro: Ribeira

163

Pedro Cordier Luíz Felipe Monteiro Mirela Souto KNR Advogados

JORNALISTAS

MARKETING, EVENTOS & MÍDIAS DIGITAIS

Ana Virgínia Vilalva Andréa Castro Alan Fontes e Déborah Moura Carla Visi Filipe Moreira Laís Matos Ludmilla Duarte Lorena Dantas Matheus Pastori de Araujo Marília Simões Roberto Nunes

DIRETORA - Mani Monteiro mani.monteiro@letsgobahia.com.br

PUBLICIDADE Rocha Comunicação www.rochacomunicacao.com.br

CONSELHO EDITORIAL

Abocaboca abocaboca.com

monique.melo@letsgobahia.com.br

Agência Criativa (Mídias digitais) @agenciacriativassa

ASSESSORIA DE IMPRENSA & RP

Claudia Giudice Diego Oliveira Fabio Lima Waleska Rochaat Tereza Paim

Texto & Cia www.textoecia.com.br

COLUNISTAS

ASSESSORIA JURÍDICA

Adriana Cravo Aline Hermida Andréa Castro Bel Saffe Claudia Giudice Cris Arcuri Diego Oliveira Fabiano Lacerda Fernando Machado Gabriela Ponce Ildazio Tavares Karla Borges Leonardo Salgado Marcelo Sampaio Márcia Damasceno Maria Medeiros Mário Bruni Matheus Pastori Patrícia Zanotti Priscila Reis Renata Dias Renata Rangel Rodrigo Palhares Roberto Nunes Tereza Paim Tiago N. Villas-Bôas

LifeStyle Jardinagem Decoração #sósevênabahia Lado B Falando de Sexo Spot Life Coach Reflexões Sessão Pipoca Conectados VIP Saúde Garimpando Beleza Etiqueta Turismo De Olho nas Telas Luxo Direito & Inovação Entrelinhas Moda Let’s Go Party Autos e Motos Gastrô Business e Finanças

FOTOGRAFIA Capa: Bel Saffe Fotojornalismo: Studio Jotta contato@jottafotografia.com.br

Kruschewsky & Nunes Ribeiro Advogados Associados

IMPRESSÃO Gráfica Nywgraf www.nywgraf.com.br

DISTRIBUIÇÃO JR Logística www.jrlogisticaserv.com.br

V2M EDITORA LTDA Av. Tancredo Neves, 909 Edf. Andre Guimarães Business, sala 1.213 Caminho das Árvores Salvador/BA Tel.: 071 3599-7258 www.letsgobahia.com.br

Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 5


Life Coach

Plano B

Nascer

Mãe, eu vejo flores

em você! Sou otimista. Nasci no Dia dos Mortos e adoro viver. Acho que esse paradoxo me ensinou a procurar sempre o lado B, de bom, da vida. Estou fazendo isso exaustivamente agora. Desde o dia 1º de julho, entrei em um túnel, longo, comprido, às vezes, sufocante, que leva a diferentes salas de espera de um hospital. Por uma irônica coincidência, meus pais descobriram estar com câncer quase que no mesmo dia. O do meu pai é chato, mas de fácil solução. Logo, ele estará livre do túnel dele. Já o da minha mãe é bem mais complicado e, portanto, sofrido. Comprido. Meu pai e eu estaremos juntos no túnel dela. Sim, eu sei, este assunto é chato para caramba! Ninguém gosta de falar dessa doença silenciosa e assassina. Desculpem-me. Vou incomodá-los porque descobri que é nessas horas que palavras como resiliência, propósito, paciência, foco, recomeço ou planejamento adquirem real sentido. Nessas horas, o blablabá é posto à prova. O abstrato se torna concreto e pode ser testado de verdade. São nesses momentos limítrofes que se entende por que o amor é o sentimento que nos torna diferentes das plantas e dos animais. Foi dentro desse túnel cinzento e frio (estou em São Paulo e este ano o inverno 6 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

está fazendo jus à fama) que descobri na pele, no estômago e no fígado o amor. O amor que existe no cuidado. O amor que vive na empatia. O amor que faz a gente ter medo da morte do outro. Conheci também o amor da solidariedade advinda da dor, que dói, de verdade, no outro, mas que reflete, também, na angústia que sentimos pela impossibilidade de agir, resolver e curar.

Os jardins florescem na primavera, depois do trabalho e da dedicação de quem semeia e cuida. O florescer é o momento na vida de quem cria, produz e empreende. Esta edição da Let’s Go tem um propósito e uma lógica. É a quinta desde que a marca renasceu. Nestas páginas, já falamos de foco, amor e recomeço. Neste número, era o momento de filosofar sobre como, depois de todo esse esforço, é chegada a hora de ver o nosso jardim florescer. Os jardins florescem na primavera, depois do trabalho e da dedicação de quem semeia e cui-

de novo Claudia Giudice Jornalista, escritora e mãe de Chico

da. O florescer é o momento na vida de quem cria, produz e empreende. É aquela hora em que a gente se senta em um canto distante para, sozinho, observar e namorar a própria obra. Vale para um negócio (sempre faço isso na minha Pousada A Capela, e todas as vezes que a olho me pergunto como eu e minha sócia, Nil Pereira, conseguimos), vale para um trabalho, vale para um filho. É um prazer ver como aquilo que era sonho brotou, cresceu e se tornou realidade. Olhando pela lente do amor, a que descobri nos últimos 50 dias, tenho certeza de que meu jardim estará florido do outro lado do túnel. Não importa o que vai acontecer. Não importa como vai acontecer. Sempre que minha mãe arregala os seus olhos castanhos, cheia de medo, e pergunta o que vai acontecer, respondolhe com calma e otimismo que tudo vai dar certo. Nem sempre a minha certeza é absoluta, mas o desejo é. Vai dar certo, mãe, eu vejo flores em você!

Para nós, seres humanos, o nascimento está ligado a desprender-se do outro, a cortar o laço com alguém que nos ama e assumir a condição de individualidade. O cordão umbilical é o maior símbolo disso, pois quando nascemos a primeira coisa que o médico faz é cortar o cordão, justamente o vínculo que une a mãe e o filho desde a sua formação. Ao longo de nossas vidas, encontramo-nos em situações semelhantes às que experimentamos no nascimento: grandes separações, grandes recomeços etc. Isso nos mostra que nascer não é um momento, e sim um processo que acontece várias vezes ao longo da vida. Nascemos de novo muitas vezes, embora nem sempre compreendamos isso com facilidade, nem de imediato. Você provavelmente já enfrentou situações assim: um amor não correspondido, a perda de um ente querido ou a escolha de uma nova profissão, abandonando uma ocupação que já não te fazia feliz. Enfim, são diversas situações que enfrentamos e que colocam à prova o que acreditávamos ser. A vida é que nos coloca diante desse tipo de experiência, na maioria das vezes. Mas o “nascimento” também pode ser um processo voluntário. Isso acontece quando ele parte de uma decisão que tomamos quando notamos que um ci-

clo se encerra e que é hora de inaugurar um novo. É hora de renascer. Renascer é se permitir viver de forma diferente, cultivar um novo olhar e construir uma nova história, além de ressignificar momentos ruins do passado. Desabrochar para o novo Sobre nascer de novo, de uma coisa podemos ter certeza: nunca seremos tão indefesos como éramos na primeira vez em que nascemos. Mas, ao longo da vida, teremos que voltar a nascer em repetidas oportunidades.

O coach vem como uma peça essencial para nos ajudar a mergulhar profundamente dentro de nós mesmos. Gosto de dar ênfase a esta palavra: oportunidades. Quando algo negativo acontece em sua vida, qual é a sua primeira reação? Ficar angustiado? Reclamar? Ninguém costuma parar para pensar que, quando algo não sai como o planejado, abre-se uma nova oportunidade diante de nós, uma oportunidade de aprendermos com o erro e fazermos diferente da próxima vez.

Fabiano Lacerda

Coach de vida, palestrante e influenciador digital

Eu sei que pode ser difícil, porque com os erros vêm também os traumas que nos acompanham, é algo quase que inevitável. Por isso, a figura do coach é muito importante, pois o processo de coaching nos permite acessar e identificar quais aspectos estão sabotando a nossa evolução emocional e comportamental. Muitas vezes, não encontramos as respostas que procuramos, pois nem imaginamos que elas estão mais próximas do que pensamos: dentro de nós mesmos. São experiências que vivenciamos no passado que fazem com que tomemos certas decisões ao longo de nossas vidas. Nesse caso, o coach vem como uma peça essencial para nos ajudar a mergulhar profundamente dentro de nós mesmos, para nos autodescobrirmos e, assim, alcançarmos memórias, sonhos, valores, crenças e diversos aspectos inerentes à história de vida, redescobrindo a nossa essência e almejando novos horizontes. A vida é o maior presente que podemos receber. Por isso, se for preciso “morrer” em vida para renascer, que a sua escolha seja sempre renascer ainda melhor. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 7


Reflexões

Por que não ir mais além?

Florescer Nos longos invernos vividos em Viena, que estreitavam a primavera, quase dava para notar, dia a dia, o crescimento das plantas do jardim; tinham pressa para garantir sua sobrevivência, sabiam que seu tempo de florescimento havia sido roubado pela extensão do inverno. Em hebraico, o florescer se diz sha qedh, ou shaked, “aquele que desperta”. Na sua raiz, coincide com o verbo apressar, simbolizado na amendoeira, a primeira a se despertar do sono invernal, para florescer antes do inverno seguinte. O shaked representa uma visão de esperança de solução ao inverno das adversidades, à sensação de viver no caos, ao urgente resgate da cor, beleza e energia transformadora da vida. Temos um DNA 98.4% idêntico ao dos chipanzés e bonobos. A que se pode creditar nossa diferenciação e realizações? Por que eles continuam pulando de galho em galho enquanto viajamos pelo cosmos? Linguagem complexa, tamanho do cérebro e outras capacidades nos propiciaram comunicação, conexão mental e cooperação, com base em conceitos e ideias lastreados por sucessivos desenvolvimentos de conhecimentos verificáveis. A materialização desses conceitos e ideias satisfaz nossas necessidades, curiosidades, nos diferencia dos chipanzés e faz a humanidade avançar. Mas isso está ruindo. Neste momento de caos generalizado, talvez a nossa única 8 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

saída seja se espelhar na urgência de florescer da amendoeira, fazendo florescer a nossa organização social e econômica. As razões da derrocada das democracias e economias são múltiplas, mas o espaço nos limita a analisar como contribuímos pessoalmente para isso. Vivemos uma situação disfuncional na qual existe um claro descompasso entre o potencial de aplicação de nossos conhecimentos avançados em Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), de outras inovações

No lo que pudo ser: es lo que fue. Y lo que fue está muerto

Octavio Paz, “Lección de Cosas”, 1955

radicais em constante aceleração, e a sua utilização, o nosso “humanware”. Essa disfuncionalidade questiona o conjunto de narrativas ficcionais que guiam nossas vidas, desequilibra os atuais sistemas sociais e econômicos e representa um obstáculo para o avanço da espécie humana. Por que será que uma época dourada do nosso progresso tecnológico está gerando caos na humanidade? Por que um conjunto tão poderoso de TICs, que deveria estar nos diferenciando mais ainda dos chipanzés e bonobos, está nos tornando cada vez mais parecidos a eles?

Fernando Machado

Consultor Internacional inovação e competitividade

As tecnologias são sempre eticamente neutras e passíveis de abusos. A internet profunda e os ataques cibernéticos fazem da segurança cibernética, juntamente com os riscos geopolíticos, ambientais e as moribundas democracias, o maior desafio atual para a humanidade. Por que nos limitamos a usar as TICs para satisfazer só nossas necessidades básicas de agrupamento e de diferenciação dentro do grupo, desprezando aquelas mais elevadas, de autodesenvolvimento, o ouro potencial das TICs? Recebemos conteúdos parciais, fragmentados - Deus nos livre de textões - aos quais não temos condições de dar sentido, por nos faltar a noção da importância do conhecimento, e, consequentemente, o contexto que formata e estrutura o conteúdo. O que nos permite aprender para saber, integrar, lembrar e atuar. A importância do conhecimento faleceu, ensanduichada, de um lado, pela crescente ignorância e péssima educação. Por outro, pelas narrativas ficcionais que aninham as fake news, incluindo os fundamentalismos religiosos e do politicamente correto. Como resultado, onde prevalecem a ignorância, o narcisis-

mo, o xenofobismo, ortodoxias fossilizadas, temperados com o medo, infundido por lideranças populistas e fundamentalismos, agrupamo-nos em tribos como tábua de salvação. Qualquer divergência de opinião é uma oportunidade para dar vazão às ansiedades sobre o futuro incerto e frustrações, gerando guerras de pixels em letras maiúsculas. Vivemos duas vidas paralelas: uma real, e outra representada por avatares nas redes sociais, hiperpoliticamente corretos, apavorados com o risco de viralização de qualquer escorrego que nos destrua a imagem. Neste mundo complexo e tribal, os mais racionais poderão terminar como os Neandertais, extintos. O resto da humanidade, depois de algumas lutas de autodestruição, tende a seguir rapidamente o mesmo destino. A não ser que adotemos o shaked e, individual e coletivamente, atuemos para enfrentar o caos atual com mudanças radicais na nossa organização social, mais afinadas com o verdadeiro potencial das tecnologias. Isso implica realizar uma urgente revisão dos fundamentos do nosso mundo presumido, do sistema educacional, de crenças e valores, de narrativas de vida, da organização social e econômica existente, das nossas mentes. Significa adotar, a cada dia, a velha utopia da autogestão. Reconstruir, de baixo para cima, nossa vida pessoal e social, colocando a felicidade – outra falsa utopia – como eixo central das organizações sociais, dos sistemas econômico-sociais, cultural e de valores. Privilegiando a ética, o bem comum, criando espaço para o conhecimento e o ócio criativo, para a expansão da consciência humana, para o apoio à inovação. Sem ideologias obsoletas, falsas necessidades de consumo e do sistema de valores sociais associado. Mãos à obra! Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 9


Conectados

Paz, amor &

tolerância Onde você gostaria de viver, ou melhor, qual a situação em que gostaria de estar inserido no ambiente em que vive? Sem dúvida, uma imensa maioria ou a totalidade das pessoas responderia onde exista paz! Aliás, viver em ambientes hostis demanda hostilidades – e daí é um passo para virar guerra, porém, nos dias de hoje, muitos fogem dela ou tentam, ainda bem! O mundo vem passando por mudanças de maneira bem rápida e muito se deve à internet e ao seu incrível poder de abrir e expor as entranhas da sociedade, e, assim, questioná-las! Raça, credo, gênero e família são termos que vão se ressignificando ao passar dos anos, mas me parece que, tristemente, a tolerância do ser humano está a retroceder. Algo paradoxal, pois temos tanta informação na palma da mão, tantas possibilidades de educação à distância que o ignorar só pode ser proposital. Se você prestar bem atenção, os ideais de “Paz & Amor” foram criados nos anos 1960 em um momento ainda tenso de um pós-guerra altamente beligerante (armas nucleares, desfiles de arsenais em praças vermelhas), Vietnã e a famosa

10 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

e tensa Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética travavam uma batalha sem igual em busca de se tornarem a maior potência política do planeta. O povo norte-americano que não concordava com nada disso foi às ruas em históricos protestos e marchas; artistas como os Beatles, Dylan ou antológicos festivais como Woodstock pregavam a paz e o amor!

O mundo vem passando por mudanças de maneira bem rápida e muito se deve à internet e ao seu incrível poder de abrir e expor as entranhas da sociedade. Hoje, temos um cenário muito parecido, só que com o cruel adendo do terrorismo. Então, já está na hora do ideal do Flower Power – que os hippies tanto pregavam ­– voltar com força total e digitalizado, em que o símbolo da

Ildazio Tavares Jr.

Administrador de empresas e radialista

rosa dentro do cano do fuzil, que um dia representou muito bem o que se desejava à época, invada, viralize e que a rede o dissemine de forma maciça. O poder da flor tem que ser impulsionado, retuitado, repostado, enfim, viralizado, pois só teremos a ganhar com isso. Nesses dias, as flores impulsionadas devem ser entendidas como um conceito de paz, amor e tolerância. Querer e fazer o bem sem medir a quem, mesmo sabedores que, muitas vezes, teremos que dar a outra face. A paz urge! A real é que temos que distribuir gentileza, respeito ao próximo, bastarmo-nos cada um em seus particulares, não julgar e, acima de tudo, falar bem, elogiar e se regozijar quando perceber que aquele parceiro fez sucesso, cresceu. Temos mais é que vibrar com isso, pois uma hora chegará a nossa vez e ter ao lado pessoas bacanas, honestas aos sentimentos e que te incentivem é muito bom! Mais flores, menos rancores & peace, brothers and sisters! Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 11


Business & Finanças

Falando um pouco

de mercado financeiro Às vezes, as pessoas me perguntam: Como posso ganhar muito dinheiro no mercado financeiro? Meu dinheiro não está rendendo nada. O que devo comprar agora? Ora, quem não gostaria de ganhar uma bela grana em uma tacada como vemos nos filmes de Wall Street? Na verdade, é impossível dar uma orientação, de forma responsável, sem ter um bom conhecimento da história financeira da pessoa, as suas disponibilidades e o seu perfil de investimentos. Seria algo parecido a um médico prescrever um tratamento sem nunca ter examinado o paciente. Quando falamos em estratégia de investimentos três aspectos são fundamentais: ter conhecimento do ativo que está comprando, saber qual a expectativa de retorno desejada e, por fim, qual o horizonte de tempo disponível. Sendo esses três elementos observados, aumenta-se bastante a probabilidade de obter sucesso. Um erro usual é aplicar os recursos do dia a dia em ativos de maior volatilidade, como o mercado de ações. Pode dar certo? Até pode, mas, conceitualmente, está errado; esse tipo de recurso deveria ser direcionado para ativos de baixo risco. Muito provavelmente esse investidor, quando afetado pela volatilida12 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

de, irá resgatar com perdas. A propósito, o equilíbrio psicológico é tão importante quanto o “fator conhecimento” na gestão de investimentos. Falando de estratégia de investimento, o conceito de portfólio me agrada muito. Warren Buffett, grande investidor norte-americano, indica que concentremos a nossa alocação em poucas empresas de fácil gestão e com alta capacidade de

Todo investimento tem a sua relação risco X retorno e a chance de ter sucesso ou não em determinada aplicação. geração de caixa, aguardando o tempo que for necessário para o resultado se materializar – estratégia denominada buy and hold. Entretanto como a maioria dos investidores aloca apenas uma pequena parcela do seu capital em ações, entendo que a divisão do recurso em vários segmentos permite uma complementaridade bastante interessante, pois cada ativo tem o seu ciclo próprio de maturação, com características como prazo

Tiago Novaes Villas-Bôas Administrador de empresas com atuação no mercado de capitais

e volatilidade diferentes, sendo natural que a cada período uma aplicação se sobressaia e contribua de forma mais relevante para o resultado do portfólio. Curiosamente, a definição de um portfólio de investimentos pode ser comparada à escalação de um time de futebol. Vejamos, os defensores seriam os investimentos que protegem o capital – renda fixa ou poupança, por exemplo; o meio de campo: os investimentos que jogam sem se expor muito e que têm flexibilidade de defender e atacar, a exemplo dos multimercados macro e dos ativos imobiliários; e no ataque, os investimentos com maior potencial de ganho, para fazer o gol, como ações. E com que elenco devemos jogar? Cabe ao técnico – na figura do assessor financeiro, junto ao investidor – realizar essa tarefa a quatro mãos, sendo que todas as informações e os cenários devem estar postos à mesa para a construção da melhor estratégia. No mercado financeiro, assim como no futebol, existem os momentos de atacar e de defender. Estabelecer a estratégia correta, para cada momento, faz toda a diferença no resultado do jogo. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 13


Business Fotos: Gabriel Heusi/divulgação

O baiano que está revolucionando o setor

de seguros no Brasil Gustavo Doria Filho tem sido um dos protagonistas no desenvolvimento das insurtechs no país. Ele acaba de realizar o mais importante evento brasileiro de inovação em seguros Da Redação

Toda vez que termina uma conversa no smartphone, o baiano Gustavo Doria Filho recebe uma notificação de um aplicativo com a análise do seu humor após a ligação. Através do monitoramento da voz dele durante a chamada, a ferramenta é capaz de dizer se ele ficou estressado, calmo, nervoso ou bem-humorado. Além disso, o app é capaz de gerir a saúde do usuário em várias áreas. “Esta é apenas uma das possibilidades que este contexto de novas tecnologias tem oferecido. Temos a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas, Bitcoins, Waze, Netflix...”, enumera o diretor executivo e fundador do Centro de Qualificação do Corretor de Seguros (CQCS), que se diz um apaixonado pelo setor de seguros.

O baiano Gustavo Doria Filho é o idealizador do CQCS Insurtech & Inovação, um grande hub de inovação em seguros na América Latina 14 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Com a experiência de cerca de 30 anos no mercado de seguros e a disposição para as novas tecnologias, Gustavo viu nascer iniciativas com potencial de disrupção para essa indústria: as insurtechs. As “techs” existem nos mais diferentes setores e usam as novas tecnologias para melhorar a eficiência da prestação de serviços para os seus usuários. As “foodtechs” prometem facilitar a compra on-line no setor alimentício, as “agrotechs” estão voltadas para o setor agropecuário, assim como as “fintechs” são do setor financeiro. “As insurtechs são empresas que usam a tecnologia para aprimorar a experiência do seguro”, explica. Entre as vantagens delas está a possibilidade de um segurado solicitar um reboque pelo aplicativo do smartphone e poder visualizar onde ele está e quanto tempo demorará. Outra possibilidade é acompanhar o reparo de um carro em uma oficina pela internet. As inovações podem vir de outros seguros como o de saúde, de vida, de objetos, viagem, residencial, entre outros. Uma das primeiras insurtechs do Brasil, a Minuto Seguros, que surgiu antes do termo ser inventado, é um dos exemplos desse nicho de mercado que, segundo um relatório da Accenture, teve um aumento do número de negociações de

O Insurtech & Inovações, que aconteceu em agosto, estava planejado para 500 pessoas, mas esse número teve que ser ampliado para 750 e contou ainda com mais 410 na lista de espera. Na versão de 2019, ele terá que ser ampliado para 1500 pessoas

INSURance= Seguros TECHnology= Tecnologia Seguros + Tecnologia= INSURTECH 39% em todo o mundo em 2017. De acordo com o criador da startup, Marcelo Blay, o processo de contratação ainda não é realizado totalmente on-line na maioria das vezes. “O contato por telefone é muito importante para a conclusão da compra com segurança, garantia e sem dúvidas”, explica. Através da internet, o cliente pode fazer a cotação de seguros com 15 seguradoras e achar um produto com as coberturas e os serviços que ele precisa. Para Doria, as transformações disruptivas que têm acontecido no setor de seguros são necessárias e estão alinhadas com um movimento que acontece no mundo inteiro. Assim, seguradoras e corretores precisam estar atentos a essas

mudanças. “As seguradoras estão olhando o que vem dessas novas ideias e o que pode ser acoplado aos produtos delas. O corretor é o agente de transformação”, analisa. De acordo com ele, o corretor conhece a necessidade do consumidor e, por isto, muitas insurtechs que tentaram competir com esse profissional faliram ou mudaram o seu plano de negócios para oferecerem os seus serviços através do corretor. Na seguradora Tokio Marine, a avaliação é que as seguradoras precisam entrar na era digital. Com investimentos da ordem de R$ 100 milhões por ano em tecnologias que ajudam os seus corretores e assessorias a venderem mais, a empresa prevê a necessidade de exploração de

tecnologias inovadoras como a Inteligência Artificial, que ainda não é explorada. “É importante que o mercado segurador avalie possíveis parcerias que possam agregar valor aos processos, sejam eles tecnológicos ou operacionais, como serviços diferenciados para corretores e clientes”, defende Wilson Leal, diretor de Tecnologia da Tokio Marine. Doria é um importante personagem no mercado de seguros brasileiro por ter criado em 2001 o CQCS. “Naquele momento, a internet estava se fechando, os sites começavam a cobrar assinaturas. Isso deixou uma estrada para a gente que foi interessante. Acredito que a internet conecta pessoas”, diz ele, que continua: “Criei o CQCS para que todo mundo tivesse acesso à melhor informação de seguros, com o propósito de proteger a sociedade”. O centro de integração e comunicação de inovação de seguros oferece notícias, debates, clipagem, Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 15


Business Fotos: Arquivo Pessoal

conteúdos de TV, cobertura de eventos e espaço para a manifestação do profissional de seguros. Essa comunidade ativa que atende a todo o setor conta com mais de 80 mil inscritos e 25 mil usuários ativos.

Evento de sucesso

Em outubro de 2017, durante a participação na Insurtech Connection, em Las Vegas, maior evento de inovação em seguros do mundo, Doria teve a ideia de criar um evento que reunisse os protagonistas do setor no Brasil para discutir a inovação em seguros com especialistas internacionais. “Fomos convidados pela Insurtech Connection para sermos parceiros oficiais deles no Brasil, ajudar a propagar o seu trabalho e levar brasileiros para lá”, lembra o diretor do CQCS. O CQCS Insurtech & Inovação estreou no último mês de agosto em São Paulo e já é considerado um marco no setor na América Latina. Com um formato que coloca referências internacionais e nacionais para compartilharem as suas experiências em inovação em seguros com o público pela manhã e pela tarde há a abertura de espaço para os empreendedores locais, o evento criou um espaço ideal para networking e novos negócios. “O evento foi muito positivo para a troca de experiências e ampliação do conhecimento a respeito da oferta de serviços no ambiente digital”, avalia Leal, da Tokio Marine. Para o fundador da Minuto Seguros, o evento beneficiou não apenas as insurtechs, mas também o mercado segurador como um todo. “Os debates foram ricos, com muito aprendizado. Acredito que a variedade de personalidades e cases do mercado foram conteúdos que agregaram”, sentencia Blay. 16 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

FAÇA SEU evento no

Com o evento, Doria teve a habilidade de fazer algo que é bem difícil quando se trata da inovação em determinados setores: reunir em um mesmo espaço investidores e aceleradores, várias empresas tradicionais, startups em diferentes níveis de inovação, além do órgão regulador de seguros privados no Brasil, a SUSEP. O órgão, aliás, vem dando importantes passos para regular as insurtechs no país.

O que esperar do futuro das insurtechs?

Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros, uma das primeiras insurtechs no Brasil

Wilson Leal, diretor de Tecnologia da Tokio Marine, seguradora que investe R$ 100 milhões por ano em tecnologias digitais

As expectativas de crescimento desse setor são animadoras. Um relatório da consultoria e corretora de seguros Aon, de novembro de 2017, concluiu que 550 startups no mundo movimentaram US$ 14 bilhões em investimento. CEOs de startups brasileiros no mercado de seguros projetam o crescimento de até 100% nos próximos cinco anos. Para o consumidor, muita coisa ainda deve ser melhorada, na visão de quem está inserido nesse mercado. “Os produtos serão cada vez mais feitos sob medida para o cliente, com melhor precificação, sinistro humanizado e atendimento personalizado”, projeta Blay. A Inteligência Artificial e o monitoramento efetivo, a disponibilidade, capacidade e agilidade em disponibilizar informações em tempo real são as apostas de Leal, da Tokio Marine. Para Doria, que sempre teve “a mente aberta para o seguro” e gosta de ajudar pessoas, estamos apenas no início de muitas oportunidades novas para clientes e seguradoras. Se o criador do CQCS, uma das primeiras comunidades on-line do mundo antes mesmo do Orkut ou Facebook, está dizendo isso, então, só podemos aguardar.

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Business

Tem dendê no mundo do vinho Como o empresário baiano Sérgio Queiroz encontrou na Enofilia a paixão pelo trabalho Por Ana Virgínia Vilalva

18 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Segundo Sérgio Queiroz, a capital baiana é uma das favoritas para receber a edição Nordeste do Wine and Food Festival

Fotos: Arquivo Pessoal

O hábito do consumo de vinhos tornou-se uma paixão na vida de muitas pessoas. O levantar da taça, os aromas e os sentidos aguçados atraem os mais diferentes entusiastas a aproveitar um bom momento com um vinho em mãos. E essas foram algumas das razões que fizeram com que o empresário Sérgio Passos Peltier de Queiroz enveredasse para essa área, tornando-se referência no setor. De início, familiares e amigos estranharam, segundo ele, por desconhecerem o mercado do vinho, à época, ainda não consolidado no Brasil. O empresário, que tem experiência nos setores de Construção Civil, Incorporação, Tecnologia da Informação, Mídia e Marketing, decidiu mergulhar no mundo da Enofilia e uniu o útil ao agradável: trabalho e vinho. Quando ainda era diretor da Revista Forbes Brasil, veio a primeira investida no mercado de publishing, com a idealização da Revista Adega, hoje, referência entre entusiastas da arte do vinho. Inicialmente, a ideia era criar um núcleo de revistas dentro da CBM, detentora da marca Forbes, mas o projeto ganhou vida própria em sociedade com uma editora de publicações customizadas. Devido às mil funções desempenhadas, Queiroz precisou se afastar da publicação no seu terceiro ano, mas sem deixar a paixão pelo vinho de lado e sempre observando as tendências do mercado. A essa altura, mesmo com a correria do dia a dia, o vinho já tinha um lugar especial na vida do empresário. Para ele, trabalhar com uma bebida ancestral o fez se aprofundar ainda mais nesse mundo e ver os seus encantos, seja na própria be-

bida e em suas inúmeras variações ou nos diversos atrativos que vêm junto com ela, como a gastronomia e as harmonizações, viagens, lugares, pessoas, histórias, uma infinidade de sabores e descobertas, sem falar nos benefícios à saúde. Assim, Queiroz acredita ter se encontrado nesse novo ramo. Com o aquecimento do mercado, muitas demandas e oportunidades, Sérgio viu a oportunidade de voltar ao segmento e se uniu a Marcelo Copello, amigo de longa data, desde a Gazeta Mercantil e também da Revista Adega, para montar o Grupo BACO Multimídia, empresa de comunicação e inteligência de mercado que tem na geração de conteúdo, consultoria e nos eventos a sua plataforma de atuação, como se definem. Mas não adianta pedir: eles não trabalham com a venda de vinhos nem com consultoria às vinícolas e importadoras. Com um mantra de desmistificar a bebida e torná-la mais acessível e amigável, Queiroz desenvolveu diversos projetos e ações, buscando sempre levar a bebida a mais pessoas - e a aceitação e a curiosidade eram a motivação que precisavam para isso. “O

A Chapada Diamantina vai ser, em breve, uma bela revelação e nos dará grandes vinhos

vinho chegou à grande mídia, onde não tinha espaço. Uma coluna sobre vinhos era impensável. Hoje, não há um jornal ou uma revista que não tenham um espaço para falar do assunto”. Queiroz assume que o início não foi fácil. Sentiu-se temeroso com os riscos que eventualmente poderia vir a enfrentar, mas como era um mercado com espaço, em um segmento pelo qual nutria um grande apreço, pensou: “Por que não arriscar?”. Com essa motivação, o engenheiro de formação e hoje sóciodiretor do Grupo BACO dava a largada nos primeiros projetos. “São tantos que não teríamos espaço para listar todos, mas, certamente, o Deus Baco agradece pelo trabalho em prol da indústria do vinho”, disse Queiroz. Os eventos corporativos vieram nos primeiros dias de empresa, mas o mercado editorial estava

no sangue e logo veio a publicação da Revista Portugal - Os 50 melhores vinhos para o Brasil, ancorada na seleção desses vinhos dentre um universo de 1.500 e nos eventos programados para apresentá-los no Rio e em São Paulo. Não demorou a lançar a Revista Baco e o Anuário Vinhos do Brasil, já na sua 6ª edição e realizado em parceria com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). A publicação apresenta o panorama do setor, enoturismo, regiões produtoras, vinícolas e vinhos. Hoje, um dos grandes carros-chefes é a “Grande Prova de Vinhos do Brasil”, que em 2018 chegou a um recorde de 920 amostras e 117 vinícolas participantes, consolidando-se como a maior e mais prestigiada avaliação às cegas de vinhos brasileiros disponíveis no mercado. E Sérgio fala com paixão sobre a prova de vinhos, em que atua como jurado. O evento é um grande orgulho para o empresário, que divulgou para a Let’s Go Bahia, em primeira mão, o resultado da prova, que você confere no box desta matéria. Com o mesmo sentimento, o empresário enaltece a qualidaJul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 19


Business CAMPEÕES GPVB 2018 CATEGORIA Espumante Brut Branco Champenoise Espumante Brut Branco Champenoise Espumante Brut Branco Charmat Espumante Brut Branco Charmat Espumante Brut Rosé Champenoise Espumante Brut Rosé Charmat Espumante Extra-Brut,Nature Branco Espumante Prosecco/Glera Espumante Moscatel Branco Espumante Demi-Sec Branco Espumante Moscatel e Demi-Sec Rosé Branco Chardonnay Branco Chardonnay Branco Sauvignon Blanc Tintos Outras Castas Branco Riesling Branco Moscato Branco de Outras Castas e Cortes Tinto Cabernet Sauvignon Tinto Merlot Tinto Merlot Tinto Tannat Suco de Uva Integral Branco Tinto Super Premium Suco de Uva Integral Tinto Tinto Syrah Tinto Pinot Noir Tintos Outras Castas Tinto Cabernet Franc Tinto Marselan Tintos Outras Castas Tinto Cortes Rosé Doces e Fortificados

de que os vinhos brasileiros vêm alcançando na atualidade, sendo, hoje, as válvulas propulsoras do mercado, com muitas novas fronteiras surgindo por todo o país. “A Chapada Diamantina vai ser, em breve, uma bela revelação e nos dará grandes vinhos”, confidencia. Outra paixão declarada são os eventos, área em que tem grande know-how e que fez questão de trabalhar em associação ao 20 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

VINHO SAFRA VINÍCOLA Espumante Casa Valduga RSV Brut 25 Meses (Empate) 2015 Casa Valduga Espumante Cave Geisse Brut Blanc de Noir (Empate) 2015 Família Geisse Espumante Panizzon (Empate) N/V Panizzon* Espumante Saint Germain Brut (Empate) N/V Vinícola Aurora* Espumante Cave Geisse Brut Rosé 2016 Família Geisse Espumante Garibaldi Brut Rosé N/V Vinícola Garibaldi* Espumante Valmarino Nature 2012 Vinícola Valmarino Espumante Monte Paschoal Prosecco N/V Basso Vinhos e Espumantes* Espumante Casa Perini Moscatel N/V Casa Perini* Espumante Aurora Demi-Sec N/V Vinícola Aurora* Espumante Peterlongo Presence Demi-Sec N/V Peterlongo* Segredos da Adega Gran Reserva Chardonnay (Empate) 2015 Casa Marques Pereira Casa Valduga Gran Terroir Leopoldina Chardonnay (Empate) 2017 Casa Valduga Miolo Reserva Sauvignon Blanc 2018 Vinícola Miolo Kranz Malbec 2010 Vinícola Kranz Miolo Single Vineyard Riesling Johannisberg 2018 Vinícola Miolo Monte Paschoal Moscato Frisante N/V Basso Vinhos e Espumantes* Leone di Venezia Garganega 2017 Leone di Venezia Fabian Reserva Cabernet Sauvignon 2005 Vinhos Fabian Monte Paschoal Reserva Merlot (Empate) 2013 Basso Vinhos e Espumantes D’Alture Merlot (Empate) 2012 Vinícola D’Alture Cordilheira de Sant’Anna Tannat 2007 Cordilheira de Sant’ana Suco de Uva Integral Branco Galiotto N/V Vinícola Galiotto Miolo Lote 43 2012 Vinícola Miolo Suco de Uva Integral Tinto Don Affonso N/V Don Affonso Almaúnica Ultra Premium S8 Syrah 2016 Almaúnica Bellavista Estate Pinot Noir 2014 Bueno Wines Miolo Single Vineyard Touriga Nacional 2017 Vinícola Miolo Cave Boscato Cabernet Franc 2014 Vinícola Boscato Viapiana Expressões Marselan 2013 Vinícola Viapiana Lidio Carraro Singular Teroldego 2011 Lidio Carraro Lidio Carraro Grande Vindima Quorum 2008 Lidio Carraro Miolo Seleção Rosé 2018 Vinícola Miolo* Don Affonso Distinto Mistela N/V Don Affonso

vinho. “Poder levar a experiência do universo do vinho ao público nas suas mais diversas formas é muito interessante”, diz. O importante é a leveza, fugir da “enochatice”, o vinho tem que estar no contexto das situações do cotidiano. É nessa linha que eventos como “Vinho & Jazz”, “Vinho e Cinema”, “Vinhos do Mundo”, entre outros tantos, viraram o carro-chefe do Grupo BACO junto ao mercado corporativo.

Incansável que só, Queiroz sentia que faltava o pulo do gato, um projeto grandioso, de alto impacto e para um grande público. O desafio, ou oportunidade, viria em uma conversa informal com o Governo e a Prefeitura do Rio de Janeiro. E, assim, nasceu o Rio Wine and Food Festival, evento com 10 dias de duração que transformou no último mês de agosto o Rio de Janeiro na capital

mundial do vinho, com ações por toda a cidade, para todos os bolsos e públicos, desde os salões do Copacabana Palace até os grandes mercados populares. “Mal acabou e já iniciamos os preparativos para a 7ª edição do RWFF 2019”, conta com entusiasmo de garoto. Hoje, além do Grupo BACO, onde fermentam os eventos e projetos em leveduras criativas, ele programa viagens de gru-

pos às regiões vinícolas e presta consultoria de mercado e posicionamento para as empresas do setor. Sua nova motivação, confidenciada com orgulho, é o grupo PRÓ-VINHO, formado por trinta profissionais de diferentes áreas do segmento e entidades como a ABRAS, ABBA e Ibravin, com o foco em disseminar a cultura do vinho e ampliar o seu consumo no Brasil. E as ideias não param por

*10 CAMPEÕES QUE TAMBÉM SÃO BEST BUY, COM PREÇOS ABAIXO DE R$ 50

aí. O empresário, que realiza eventos em diversas cidades pelo país, confirma que pretende levar o Rio Wine and Food Festival às demais regiões do Brasil. Com uma paixão declarada por sua terra, Queiroz confidenciou que a capital baiana é uma das favoritas para receber a edição Nordeste do Wine and Food Festival. Aguardamos ansiosos, então, o festival em Salvador. Santé! Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 21


KNR Advogados

Crédito O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e, inclusive, subiu quatro posições, conforme dados relativos a 2009 divulgados neste ano pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Trata-se de uma entidade internacional com sede em Paris (França), composta por 33 países, e que leva em consideração a arrecadação tributária comparada com o Produto Interno Bruto (PIB). Com carga tributária de 34,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o Brasil está à frente de países como o Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão, por exemplo. Além do impacto financeiro gerado pela incidência dos tributos, há, em geral, um clima de insegurança quanto à interpretação da legislação tributária. Em que pese a existência do Código Tributário Nacional, que delimita no seu bojo a competência dos entes tributantes e as hipóteses de incidência dos impostos, taxas e contribuições, a regulamentação dos critérios para o lançamento dos tributos (sujeito passivo, base de cálculo, alíquota), bem como das obrigações assessórias a estas relacionadas, está prevista na legislação esparsa, o que torna o domínio da correta aplicação da norma um desafio para os contadores, gestores de departamento pessoal e advogados que auxiliam o empresariado. Nesse cenário, algumas empresas se especializaram na realização de consultoria/auditoria fiscal, com o fim precípuo de revisitar os lançamentos dos tributos para a identificação de even22 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

na crise

tuais inconsistências que possam gerar crédito fiscal a se recuperar ou passivo a ser regularizado, a fim de evitar autuações. Por conseguinte, um importante trabalho vem sendo desenvolvido no mercado baiano mediante a revisão dos lançamentos da contribuição previdenciária para dar conformidade e, em muitos casos, promover a recuperação de créditos fiscais, beneficiando diversas empresas. Trata-se de um trabalho desenvolvido ex-

Com carga tributária de 34,5%, segundo o IBPT, o Brasil está à frente de países como o Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão, por exemplo. clusivamente no âmbito administrativo, através da análise das Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social - GFIP dos últimos cinco anos. Os dados obtidos nas declarações são confrontados com a legislação aplicável à atividade empresarial, visando identificar o tratamento tributário mais benéfico previsto na norma e que a empresa não tenha adotado e, ato contínuo, promover as retificações necessárias e o aproveitamento do crédito fiscal a que faz jus através do Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP).

Importante ressaltar que não se deve confundir essa oportunidade com as demandas judiciais já ajuizadas que visam ao reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias, tese essa que vem sendo enfrentada pelo Poder Judiciário com decisões já proferidas pelos Tribunais Superiores em sede de repercussão geral, tais como auxíliocreche, aviso-prévio indenizado, terço constitucional de férias etc. Ou seja, não há tese jurídica, discussão sobre legalidade, liminares ou ações judiciais, pois a operação independe do posicionamento de quaisquer tribunais. Ao revés, através de um estudo minucioso da legislação aplicável à atividade desenvolvida por cada empresa e da análise das GFIPs fornecidas pelas mesmas, tem-se mostrado possível a recuperação de quantias vultosas em favor do empresariado em procedimento administrativo, quantias essas muitas vezes desconhecidas. Ademais, trata-se de contrato de êxito, cujo custo de realização está condicionado ao efetivo proveito econômico para a empresa, bem como por se tratar de uma operação segurada por uma grande empresa de seguros. Desta forma, no atual momento socioeconômico do país, a oportunidade de identificação de créditos fiscais passíveis de serem compensados/restituídos vem sendo recebida com entusiasmo, haja vista que, além de tratar-se de procedimento administrativo, e não judicial, não traz aos interessados qualquer tipo de risco.

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Primeiro Poke Bar de Salvador

kawaipoke Rua Ilhéus, 241 • Rio Vermelho Ter • Dom | a partir das 18h

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Direito e Inovação

“Eu (não) vejo flores em você”:

como a pornografia de vingança pode afetar a sua vida

A primavera é como um coração apaixonado. Tudo é mais colorido, mais florido, mais feliz. Até o céu parece ficar mais azul. E quando a primavera passa, chega o verão, quente e acolhedor como o amor. Tudo pode ser bonito e especial, ainda que saibamos que o outono e o inverno virão, trazendo ventos fortes, que, às vezes, abalam as estruturas de uma relação, como também o inverno, que pode congelar tudo, ou não, a depender do hemisfério em que se encontra o coração. O amor forte e sólido, contudo, pode sobreviver a todas as tormentas, sabendo que, depois, sempre haverá mais uma primavera. Agora, vamos trazer toda essa problemática para o ambiente do Direito e da Tecnologia. Já notamos que até o amor se modernizou. Uma das matérias de capa da Revista The Economist do mês de agosto de 2018 foi justamente sobre o tema “Amor Moderno”, tratando dos relacionamentos que, cada vez mais, têm sido iniciados na internet. E do mesmo jeito, a forma de se comunicar, de paquerar e de namorar também mudou. Afinal, seria um erro ou uma imprudência enviar um nude a alguém? Para quem não sabe, nude, no mundo da tecnologia, é aquele autorretrato da pessoa sem roupa. Essa prática de enviar nudes pode ser um absurdo para você, leitor, mas para milhares de jovens (e até adultos) é o 24 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

mais novo jeito de paquerar, de se valorizar, de namorar. É também muito utilizado nos namoros virtuais ou à distância, afinal, uns podem pensar que apimenta a relação. E seria isso um absurdo? Não há resposta certa e cada um pode ter a sua opinião.

O amor forte e sólido, contudo, pode sobreviver a todas as tormentas, sabendo que, depois, sempre haverá mais uma primavera. Há, contudo, que se levar em consideração o tipo de relacionamento que se tem com a pessoa, o nível de envolvimento e confiança, pois quem está enviando tais imagens nem sempre pensa nas possíveis consequências desse envio. O relacionamento, se já existente, pode estar na fase da primavera mencionada no início deste texto, quando tudo são flores e há confiança plena no parceiro. Mas e se, de repente, o casal entrar na fase da tormenta? Aquele que recebeu um nude, por exemplo, sem pensar (ou pensando), pode acabar divulgando aquela imagem íntima enviada por outrem em confiança, realizando um ato de pornografia de vingança ou revenge porn. Ao

Priscila Reis

Advogada especialista em Direito Digital e consultora de Negócios On-line. @advocaciadofuturo

cair na rede, as consequências daquele compartilhamento podem ser extremamente danosas para ambos os lados. Para os desavisados, vale registrar que desde 24 de setembro de 2018, a Lei 13.718 incluiu no Código Penal o crime de divulgação de fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual “que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza à prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia”. Para esses crimes, a pena é de reclusão de um a cinco anos, se o ato não constituir crime mais grave. E será aumentada de um a dois terços se o crime for praticado por agente que mantém relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança e humilhação. Espera-se que a tipificação desse crime passe a coibir a pornografia de vingança, e que as pessoas tenham mais consciência dos seus atos. Diante dessas mudanças na forma de agir e de se relacionar, há que se ter mais atenção, cautela e menos impulso na hora de compartilhar os famosos nudes e se expor. Afinal, quem viu flores em você pode muito bem deixar de vê-las algum dia. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 25


Freepik

Gastrô

É primavera e eu vejo

flores em

você!

Flores, além de lindas, são também comestíveis e usadas na culinária de várias formas: para cozinhar, para servir de moldes para doces, saladas, decorações ou até para o prato principal. Quer impressionar os seus convidados ou criar um clima romântico em casa? Usar flores pode ajudá-lo. De origem antiga - muito utilizadas pelos gregos, romanos e povos orientais antigos -, o uso das flores comestíveis na cozinha parece ter seduzido muitos chefs nos últimos anos. As flores de abobrinha, por exemplo, são uns dos ingredientes mais populares para preparar deliciosas receitas. E a alcachofra, não é uma flor? Além de bonitas e perfumadas, as flores são ricas em nutrientes, especialmente em substâncias minerais como fósforo e potássio. O pólen contém lipídios, o néctar contém açúcares e proteínas, enquanto as pétalas são ricas em antioxidantes. Mas nem todas as flores são comestíveis e, por isso, enumero as que são adequadas para o consumo humano. A capuchinha ou flor de Nastúrcio, muito decorativa, de gosto levemente picante e 26 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

rica em vitamina C, combina na perfeição com saladas. Nativa do Peru, essa flor foi introduzida na Europa no final do século XVI e hoje é cultivada em todo o mundo.

Além de bonitas e perfumadas, as flores são ricas em nutrientes, especialmente em substâncias minerais como fósforo e potássio. O pólen contém lipídios, o néctar contém açúcares e proteínas, enquanto as pétalas são ricas em antioxidantes. As pétalas de rosa há muito que são usadas em infusões e conservas. Agora, são ingredientes de eleição para sobremesas e conferem um sabor suave e muito agradável a pratos fritos, como a tempura de pétalas de rosas, uma entrada deliciosa e rica em vitaminas. Na Idade Média, a calêndula, originária do Centro e Sul da Europa e da Ásia, era cultivada nas hortas, desidratada e utili-

Tereza Paim

Cozinheira, pesquisadora e apaixonada pela cozinha baiana

SALADA MIX DE FOLHAS E FLORES E MOLHO DE MARACUJÁ INGREDIENTES

zada como corante em caldos, queijos amarelos, manteiga e bolos. As suas pétalas são utilizadas frescas em saladas, em crepes ou no arroz, em substituição ao açafrão. O amor-perfeito, nativo da Europa e da Ásia Ocidental, contagiou o mundo inteiro. Além de lhe serem atribuídas propriedades diuréticas, é muito requisitado para saladas e sobremesas. A flor de borago, oriunda do Norte da África, é secularmente conhecida por possuir efeitos benéficos sobre o corpo e a mente. Deve ser sempre utilizada fresca, uma vez que perde as suas propriedades depois de seca, e marca presença frequente em saladas ou em bolos e sobremesas. A begônia, a tulipa, a alfazema e o gerânio são também contemplados nesta seleção e as suas utilizações variam consoante a imaginação e a experiência dos cozinheiros, tendo sempre em conta as suas características – no fundo, tal como se utiliza qualquer outro ingrediente em culinária.

Salada 1 folha de alface-mimosa roxa 1 folha de alface-americana 4 folhas de radicchio 1 manga tenra 3 unidades de morango 6 pétalas de amor-perfeito 2 rosas mimosa 6 unidades de beiju-barquinha crocante



Molho de maracujá 100 ml de óleo de oliva 50 ml de suco de maracujá 30 ml de água 1 colher (café) de sal 1 colher (café) de pimenta MODO DE PREPARO Salada: lave bem as folhas e as rasgue em pedaços. Para começar a montar, utilize o radicchio nas laterais do prato, dispondo todas as folhas, uma ao lado da outra, de modo a formar uma estrela e intercalando com as pétalas das rosas. Corte a manga em cubos e os morangos em fatias espalhando-os sobre as folhas. Regue com o molho e decore com o amor-perfeito e com os beijus-barquinhas. Molho: bata os ingredientes no liquidificador e o sirva gelado.

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Mito do Caruru:

como os Ibejis enganaram Exu

Josmara Fregoneze

CARURU INGREDIENTES 200 quiabos ½ kg de camarão seco ½ kg de cebolas 1 colher (sopa) de gengibre ralado 250 g de amendoim torrado sem pele 250 g de castanha-de-caju torrada Azeite de dendê a gosto Sal e pimenta-do-reino a gosto 28 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

MODO DE PREPARO 1. Corte os quiabos no seu comprimento em quatro partes e depois pique-os em pedaços bem pequenos. 2. Em uma panela grande, coloque dois copos de água e deixe ferver. 3. Adicione os quiabos e mexa algumas vezes até ferver. 4. Bata no liquidificador as cebolas e os camarões lavados, sem as espículas da cabeça e do rabo, o gengibre, o amendoim, as castanhas e adicione o quiabo. 5. Adicione o dendê, mexa algumas vezes e desligue o fogo. O dendê não deve ferver, para não saturar.

Todos os dias, quando Xangô se preparava para comer o seu amalá, Exu Ijèlú, atraído pelo delicioso cheiro, entrava no palácio do rei, feito um pé de vento, e arrebatava a gamela de amalá das mãos da moça que servia Xangô. Em poucos minutos, Exu já tinha devorado tudo e saía alisando a sua barriga. Xangô ficava tão irado, que quando batia os pés no chão a terra toda tremia e quando balançava os braços eram raios caindo para todo lado. Um dia, Xangô recebeu os seus filhos gêmeos, os Ibejis. Depois que eles se acomodaram, cada um em uma perna de Xangô, perguntaram-lhe: “Meu pai, por que o senhor anda tão bravo, fazendo a terra tremer e lançando raios para todos os lados?”. Xangô lhes disse: “Estou bravo porque todos os dias, quando vou comer o meu amalá, Exu aparece e come tudo, deixando-me sem nada. Não sei como resolver este problema”. Então os Ibejis lhe disseram: “Nós podemos ajudar”. Xangô replicou: “Mas vocês são tão pequeninos! Como vão poder contra Exu?”. Os Ibejis lhe responderam: “Muitas vezes, as crianças entram onde os adultos não alcançam”. Xangô, então, lhes disse: “Está bem, confio em vocês. O que devo fazer?”. Os Ibejis disseram: “Nós queremos que o senhor mande fazer um tambor batá pequeno, do nosso tamanho, e o coloque naquele canto ali; e, então, faça uma festa convidando todos os orixás”. Assim foi feito. No momento em que as moças entravam com os pratos de amalá, Exu entrou e parou no meio do salão, todo escabreado, vendo Xangô com uma criança no colo e todos os orixás sentados ao redor. Mesmo assim, não resistiu e foi pegar o amalá. Então Taiwo, filho de Xangô, lhe disse: “Parado aí, essa comida é de meu pai”. Exu respondeu: “O que você tem de pequeno, tem de ousado”. Taiwo lhe respondeu: “O que você tem de grande, tem de bobo; quero fazer um trato com você”. Exu, muito irritado, lhe perguntou: “O que você quer?”. Taiwo lhe disse: “Vou tocar aquele batá e você vai dançar. Se você não aguentar, nunca mais vai entrar aqui e comer toda a comida de meu pai”. Exu deu uma gargalhada, dizendo: “Eu sou o rei das danças, vamos ver quem vai se cansar primeiro”. Só que Exu não sabia que havia dois meninos gêmeos. Assim, Taiwo começou a tocar e Exu a dançar e quando os seus bracinhos já estavam fraquejando, rapidamente, Kehinde, vestindo uma roupa igualzinha à de Taiwo, tomou o seu lugar sem ninguém perceber e o ritmo do tambor au-

Pierre Verger

Gastrô

Mulher servindo caruru para sete meninos, festa de Cosme e Damião. Salvador, 1946

mentou ainda mais. Novamente, quando os braços do tocador de batá já estavam se cansando, Taiwo o substituiu, e assim fizeram várias vezes até que Exu caiu exausto no meio do salão e disse: “Chega, pare esse tambor, você venceu!”. Exu, então, se levantou, cumprimentou todos e disse ao rei: “Trato é trato. Como não venci, nunca mais vou pegar o seu amalá, mas, por favor, quando o Senhor fizer uma festa, deixe o meu pratinho ali fora”. Xangô disse: “Que assim seja! Em todas as festas você será homenageado e será o primeiro a ser servido”. Assim, Exu foi embora satisfeito. Em seguida, os dois meninos entraram e se sentaram no colo de Xangô, que lhes perguntou: “O que vocês querem de recompensa, meus filhos?”. Os Ibejis lhe disseram que queriam que quando tivesse amalá deixassem uma parte sem pimenta para eles. Em memória desse evento, todos os anos, os Ibejis são homenageados com o caruru, que é muito parecido com o amalá, mas não leva carne nem pimenta. Acompanhando o caruru, tem o feijão-preto e a pipoca de Omolú, a bananada-terra frita de Oxumaré, o acarajé de Iansã, o abará e o mulukum de Oxum e o inhame cozido de Oxalá. Também faz parte da tradição que, antes de todos comerem, sete meninos recebam o caruru completo em memória dos Ibejis, Taiwo, Kehinde, Idhoú, Alabá, Talabí, Adoká e Adosú.

Este material faz parte do livro “Cozinhando Histórias”, de autoria de Josmara Fregoneze, Marlene Jesus da Costa e Nancy de Souza. Editora Fundação Pierre Verger.

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A evolução de uma receita: o crepe presente em todos os momentos Salgado ou doce, fechado, aberto, no palito ou em pedaços, os crepes tomam conta do mercado gastronômico e são uma boa opção para todas as horas

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Ana Virgínia Vilalva

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Há os que afirmam que o crepe nasceu acidentalmente, quando uma mulher derramou a mistura no fogo e percebeu que era de rápido cozimento, era fácil de virar e delicioso. Mas a primeira notícia que se tem da criação do crepe vem do século V, quando peregrinos franceses chegaram a Roma para a Festa da Canderola. O Papa Gelásio I, vendo-os com fome, mandou abastecer a cozinha com ovos, farinha e leite e, assim, a massa nasceu do acaso. O nome crêpe, originário do francês, significa crespo, uma referência à textura da massa depois de pronta. A receita, inicialmente doce, combinava farinha de trigo integral, ovos, leite, água, açúcar e baunilha. A salgada, chamada de galette, levava trigo sarraceno, água e sal. A primeira receita que se tem conhecimento na França data de 1390. Os crepes eram cozidos em banha de porco e manteiga e polvilhados com açúcar antes de serem servidos. Até hoje, eles são muito populares não somente na Europa, mas em todo o mundo, e

recheados de acordo como os costumes alimentícios locais, com diversos sabores e tamanhos. Muitas nacionalidades têm as suas variações do prato, a exemplo dos russos, com o blini; os judeus com o blintz; os mexicanos com o taco; escandinavos com a panqueca; italianos com o cannellone; e por aí vai. Desde o começo do século XX, diversas creperias surgiram em todo o mundo. Em Salvador, ficaram conhecidas por estabelecimentos como a Creperê, em Itapuã; o Mariposa, com diversas unidades na capital, além de novos empreendimentos que vêm conquistando o público, como a Nuts, especialista em crepes doces, no Shopping Barra. Ah, e é bom anotar no calendário, pois essa iguaria tem um dia todinho dela: 2 de fevereiro é considerado o Dia Internacional do Crepe! Tuchê. Esse foi o primeiro nome da Creperia Creperê, quando abriu as portas no Jardim Brasil, há quase 19 anos. De acordo com Cláudia Moura, uma das sócias do espaço, a ideia de abrir a casa surgiu durante uma viagem em grupo ao sul da Bahia, quando ninguém mais aguentava comer peixe e encontraram uma creperia na vila. A brincadeira entre amigos se tornou uma empreitada que segue até hoje em novo endereço – no bairro de Itapuã. O nome Creperê também veio ao acaso: um amigo pediu o crepe com tudo de doce que tivesse na casa: e assim foi criado com doce de leite, creme de chocolate, castanha e sorvete, o crepe de erê. Hoje, a casa trabalha com um cardápio diversificado e com os carros-chefes: filé acebolado com queijo cheddar, frango com requeijão cremoso, as novidades fraldinha com molho barbecue e camarão com queijo holandês e molho pesto tradicional de manjericão, além dos crepes vegetarianos que levam shitake,

Divulgação

Gastrô

Em Salvador, as creperias ficaram conhecidas por estabelecimentos como a Creperê, em Itapuã; o Mariposa, com diversas unidades na capital; e a Nuts, especialista em crepes doces, no Shopping Barra. brócolis, palmito, e também com peixe: salmão e atum. Outra novidade é o crepe aberto, servido como pizza, no sabor tomate seco, mozzarella de búfala e rúcula, além dos crepes congelados, que são vendidos embalados a vácuo, o que possibilita que os crepes sejam levados e preparados em casa, com boa aceitação no mercado.

Criatividade - Criada em 2004, a Creperia Mariposa e as suas diversas unidades espalhadas pela cidade também agradam ao paladar soteropolitano, aliando ainda sushis ao seu cardápio. Com opções também para vegetarianos, os crepes têm a opção de serem servidos em tamanho menor com salada ou apenas eles, na versão fechada. Lá, a criatividade está no diferencial dos apelidos dados aos diferentes sabores oferecidos. O frango com catupiry, por exemplo, lá se chama Carijó. Já o queijo e presunto com orégano é chamado de Sem Graça. E o crepe recheado com mozzarella de búfala, tomate seco e rúcula é o conhecido Família. Ah, e o vegano Parú leva shimeji, brócolis, tofupiry (catupiry de tofu) e alho torrado. Crepe de Nutella - Com foco em crepes doces, a Nuts Brasil foi criada há dois anos em Recife, inspirada em hábitos europeus, Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 31


Gastrô ONDE COMER   CREPERIA MARIPOSA: Shopping Barra  Av. Centenário, 2992 Chame-Chame, 3º Piso Jardim Apipema  R. Prof. Sabino Silva, 14 - Jardim Apipema Shopping Boulevard 161: R. Anísio Teixeira, 161 – Itaigara

Divulgação

Salvador Shopping Av. Tancredo Neves, 3133 - Caminho das Árvores, 3º Piso

onde o produto é feito na hora. Em Salvador, a unidade localizada no Shopping Barra abriu as portas em agosto deste ano. No cardápio, é possível escolher entre o carro-chefe com creme de avelã ou com doce de leite argentino, além das coberturas de morango e banana, Oreo, farofa de leite Ninho ou amendoim, paçoca, M&M’s e coco queimado. Na capital baiana, o crepe de Nutella viralizou e nos fins de semana a unidade chega a vender quatro vezes mais do que em dias normais. Para Victor Hugo Silva, sócio da empreitada, a parceria com a Nutella faz toda a diferença, com um bom retorno, e ele aposta no segmento como um novo boom no mercado de alimentação. “Quem viaja para a França ou Bélgica pode ver que há muitas barracas de crepes doces nas ruas, já é uma tendência”, diz o empresário, que pretende instalar mais dois quiosques em outros dois shoppings de Salvador até o final do ano. Crepe Suzette - Um dos crepes mais famosos no mundo é o Crepe Suzette, que é frequen32 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

temente montado em um prato próprio e à vista dos clientes. Ele é preparado com manteiga, açúcar, licor ou suco de laranja, raspas de laranja e raspas de limão, e tem um gostinho amargo de licor que conquistou diversos adeptos. Na receita tradicional, é usado o Grand Marnier, mas há receitas adaptadas para outros licores que não deixam a desejar. O crepe suíço, também chamado de crepe no palito, foi popularizado pelo mercado como uma inovação, com a máquina que preparava diversos crepes ao mesmo tempo. Preparado em uma forma própria, com uma prensa, ele pode ser encontrado em eventos diversos, e como opção prática para festas e comemorações. A diferença é que a sua massa pode ter a consistência também de pão de queijo, com os mais diversos recheios: queijo, queijo e presunto, salsicha; tudo depende do gosto do cliente. Deu água na boca, não foi? Então, que tal correr para a creperia mais próxima e pedir o seu sabor favorito?

Shopping da Bahia Av. Tancredo Neves, 148, 3º piso Mundo Plaza Expositor 2 - Av. Tancredo Neves, 620 - Caminho das Árvores Shopping Paralela Av. Luís Viana, 8544, 2º piso Vilas do Atlântico Av. Praia de Itapuã, s/n - Quadra 02 Lote 21 Vilas do Atlântico Instagram: @mariposa NUTS BRASIL Creperia Express Shopping Barra Av. Centenário, 2992, Chame-Chame, 2º Piso Instagram: @nutsbrasil CREPERÊ  Rua Carlos Drumond de Andrade, 166 – Itapuã. Tel: (71) 3022-7977 Instagram: @crepere

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Simples Assim

A inclusão da pessoa com deficiência

é uma questão relacional

No Brasil, existem mais de 45 milhões de pessoas que declaram possuir algum tipo de deficiência. Em nível mundial, elas representam 15% da população. E onde estão essas pessoas? Em países como o nosso, a maioria delas está apartada do convívio social comum e corrente. E por quê? Por vários motivos. E o principal deles não é a falta de acessibilidade aos mesmos bens, serviços e experiências sociais e profissionais disponíveis para as pessoas sem deficiência. O principal motivo de isolamento, acreditem, é relacional. Em geral, as pessoas não estão tão abertas a conhecer ou mesmo a se relacionar com o diferente. Nossa sociedade, apesar de ser intitulada democrática, desvalo-

riza as diferenças e, muitas vezes, as percebe como patologia. É necessário entender que somos seres equivalentes, mas que alguns possuem limitações ou impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial. Nesse sentido, compartilho a opinião de muitos especialistas que elegem a educação inclusiva como a estratégia que nos levará a ser capazes de entender a diversidade, pois é o convívio que nos faz pensar no outro, nos colocarmos no lugar do outro e o outro se colocar em nosso lugar. Apesar de envolver questões relativas à educação e às relações interpessoais, o comportamento com relação às pessoas com deficiência física, sensorial ou cognitiva é pouco discutido

EXPERIMENTE:

34 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

no âmbito da Etiqueta Social e Profissional. Por esta razão, prefiro sugerir uma experiência de como pautar as nossas relações do que estabelecer parâmetros rígidos de como se comportar, uma vez que cada ser humano é singular e a deficiência não deve caracterizá-lo. Como seres sociais, acredito que possamos estabelecer parâmetros para uma convivência respeitosa e harmônica, permitindo que o nosso jardim social floresça, a partir da semente da inclusão.

O O QUE QUE ERA ERA

BOM AGORA FICOU MUITO AGORA FICOU MUITO

MELHOR ee ainda ainda mais mais chmoso! chmoso!

EVITE: 1 Usar  o termo “portador de deficiência”. 2 Insistir em rotular as pessoas com deficiência; os rótulos podem vir a inferiorizá-las. 3 Chamar de especial a pessoa com deficiência. Muitas delas preferem ser tratadas como equivalentes. 4 Ignorar a deficiência. No entanto lembre-se que a deficiência faz parte da pessoa, mas não a representa em sua totalidade. 5 Subestimar a capacidade da pessoa com deficiência de compartilhar as mesmas atividades e experiências que você.

abocaboca.com abocaboca.com

1 Ser solidário, mas não invasivo. Observe, antes de oferecer ajuda. Melhor se apresentar e perguntar se a pessoa precisa de ajuda. Talvez ela queira exercitar a sua autonomia. 2 Apresentar-se aos que possuem deficiência visual e oferecer-lhes o braço para ajudá-los. Descreva o trajeto e se despeça quando for embora. 3 Usar recursos como a língua de sinais, a mímica, e-mail, e outras formas de comunicação escrita ou visual ao se comunicar com pessoas surdas. 4 Respeitar o tempo de fala e tentar entender o que querem dizer, quando se tratar de pessoas com deficiência cognitiva. 5 Ao conversar com pessoas em cadeira de rodas, coloque-se na altura do campo visual delas.

Maria Medeiros

Consultora de Etiqueta, Cerimonial e Protocolo @mariamedeirosoficial

O Bella Gourmet O Bella Gourmet agora é agora é

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Gastrô

Cozinhar está no seu DNA

INGREDIENTES

Fernando

mida francesa, e o sous chef do bistrô, Cláudio Cerqueira. Nesse bistrô, Fernando começou como lavador de pratos e chegou ao cargo de sous chef. Após seis anos, foi ser o chef do restaurante italiano Tappo Tratoria. Decidiu se aperfeiçoar e fez o curso superior de Gastronomia, no HOTEC, Grupo Educacional Hospitalidade, Gestão e Saúde. “Eu queria conhecer mais a gastronomia, novos restaurantes, técnicas e sabores. Sair do comodismo e arriscar”, assim ele se definiu, depois de graduado, quando veio passar férias em Salvador e recebeu a proposta para ser chef do Restaurante Mistura, em Itapuã.

1 cauda de lagosta limpa (400 g) 250 g de purê de mandioquinha 2 aspargos branqueados 2 cebolas roxas baby assadas 2 tomates-cerejas confit Sal

Cerqueira Por Marília Simões Filho do Sertão baiano, natural de Conceição do Coité, Fernando Cerqueira, 35 anos, percorreu um longo caminho na sua carreira e hoje é o chef do Restaurante Veleiro. Nascido em uma família humilde, de oito filhos, a mãe precisava se ausentar de casa, na luta contra a seca. Nas atividades domésticas divididas entre os irmãos, os afazeres da cozinha eram os mais disputados. A necessidade virou aprendizado e muitos na família seguiram a vida profissional na área gastronômica. Aos nove anos, Cerqueira foi para São Paulo, e, aos 19 anos, iniciou na área da Gastronomia. Lá, já moravam dois de seus irmãos, atuando em restaurantes. Ernandes Cerqueira, atual chef do Ici Bistrô, referência em co-

Fotos: Jotta

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Cozinhar está no meu DNA. Eu cozinho com amor. O ápice para mim é quando eu vejo o comensal feliz com aquilo que eu preparei. Aí, eu me sinto realizado!

O bom cozinheiro à sua terra volta

PARA O AZEITE DE ERVAS

2 g de tomilho picado 2 g de alecrim picado 5 g de salsa picada 2 g de estragão picado 20 ml de azeite extravirgem 5 g de alho e cebola brunoise 2 g de pimenta dedo-de-moça 10 g de alcaparras

MODO DE PREPARO DO AZEITE

Misture tudo e leve ao fogo bem baixo, sem ferver, só aquecer para soltar os aromas das ervas e, já fora do fogo, acrescente as alcaparras.

MODO DE PREPARO DA LAGOSTA

Abra a lagosta, tempere-a com sal e leve-a para a grelha até dourar. Após dourar, leve-a ao forno em 180°C, por 8 minutos.

PURÊ DE MANDIOQUINHA

Cozinhe a mandioquinha na água com um pouco de sal grosso. Depois de cozida, faça a mousseline de mandioquinha, acrescentando creme de leite fresco e, para finalizar, manteiga sem sal.

LEGUMES

Em uma frigideira aquecida com azeite, coloque um pouco de alho, acrescente os aspargos, a cebola baby e o tomate confit. Dê uma salteada em todos os legumes e estará pronto!

Do Mistura foi para o Pobre Juan, onde ganharam o prêmio como o Melhor Restaurante de Carnes de Salvador. Então, chegou a vez de assumir o leme do Veleiro, restaurante do Yacht Clube da Bahia, aberto ao público, onde está há dois anos. Em 2017, ganhou o prêmio de Chef-Destaque do festival gastronômico Salvador Restaurant Week. Cerqueira adquiriu experiências nas cozinhas francesa, italiana, mediterrânea, argentina, contemporânea e, claro, na culinária baiana. “Ver que a nossa gastronomia está sendo valorizada, graças ao trabalho de chefs brasileiros e nordestinos, é muito gratificante e inspirador”, comenta o chef baiano. Para criar o cardápio do Restaurante Veleiro, ele usa como inspiração a vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos. Segundo ele, um mar azul que inspira qualquer pessoa. E foi inspirado nesse mar que o chef Fernando Cerqueira dividiu conosco o passo a passo da receita da lagosta grelhada com mousseline de mandioquinha, legumes sauté e azeite de ervas e alcaparras. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 37


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Decoração

Um cantinho para o

Por Andréa Castro Jornalista e apaixonada por decoração dea_castro4@hotmail.com @ih_dea

Fotos: Ana Paula Lopes

Para além do aspecto estético, as decorações de quartos infantis buscam, cada vez mais, valorizar a capacidade que o ambiente possui de proporcionar interação, desenvolvimento motor e autonomia. Foi-se o tempo em que as preocupações ao arrumar o quarto giravam em torno dos objetos decorativos, cores e o papel de parede da moda. Os profissionais que desenham a decoração infantil buscam criar ambientes lúdicos que não só proporcionem bem-estar, mas também contribuam para o desenvolvimento dos pequenos.

Já fomos crianças. Nunca se esqueçam... A obra clássica “O Pequeno Príncipe” sempre foi inspiração para muitos projetos. Na decoração não seria diferente. Mas tinha que ser feito de forma diferente. Um modelo bem-sucedido dessa proposta foi o quarto temático desenvolvido pela Manarelli e Guimarães Arquitetura, com escritórios em Salvador e São Paulo. O quarto pertence à rede de hotéis Sofitel, no Guarujá (SP), e foi feito em parceria com o grupo que detém os direitos de uso e imagem do Pequeno Príncipe na América Latina. 40 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

“A ideia da rede era criar um cenário especial para o período de férias e reportar a criança para dentro do livro, de forma inovadora”, afirma a arquiteta Ana Paula Guimarães. O aviãozinho do personagem se transformou em uma cama, uma máquina interativa para que a criança possa brincar dentro dela, e o teto ganhou ares do céu ilustrado no livro. “Ambientes como esse ajudam a criança a se sentir confortável e protegida, além de promover a criatividade”, ressalta o arquiteto Thiago Manarelli.

deu ênfase aos elementos utilizados e à leveza. Na roupa de cama foram usados diversos tecidos e formas de almofadas, criando algo bem personaliza-

do. “As cores também são um ponto forte nesse quarto, e para dar a sensação de amplitude, especificamos uma parte da parede em espelho”, completa. Fotos: Xico Diniz/Divulgação

desabrochar

Ambientes inspirados no modelo montessoriano também trazem um cuidado especial em estimular a independência da criança. A arquiteta Cristina Chaves recebeu uma proposta desafiadora para projetar um quarto criativo, personalizado e funcional para a pequena Maria em um espaço reduzido. “Usei elementos lúdicos como a casinha, o puxador de coração, cama tipo deck, banquinho em forma de elefante, sem deixar de contemplar a funcionalidade”, conta a arquiteta. As paredes viraram um céu cheio de nuvens. A iluminação

Lucas Silva

Uma extensão de si mesmo

Um clássico é sempre um clássico Para fechar, não poderíamos deixar de mostrar um estilo mais clássico, que segue encantando gerações. A arquiteta Mariana Gurgel projetou um quarto belíssimo para outra pequena Maria. Detalhes de boiserie foram aplicados na parede e os tons neutros predominaram no enxoval assinado pelo Ateliê Nunes, com bordados no tom de rosa seco. A arquiteta usou ainda um piso em madeira natural que compõe com o berço, dando mais aconchego e personalidade ao quarto. “Para complementar cada projeto, busco mesclar o moderno e o clássico, tornando-o contemporâneo”, relata Mariana. Na produção final, a arquiteta valoriza objetos de arte, texturas, tecidos e flores naturais. Seja lá qual for o estilo, o mais importante ao se pensar em projetos de quartos para crianças é permitir aos pequenos segurança e acolhimento, fruto do amor que a família lhe proporciona. Afinal, citando mais uma vez o Pequeno Príncipe, “o essencial é invisível aos olhos”. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 41


Jardinagem

Flores, frutos e pássaros esquivar dos agrotóxicos. Infelizmente, o movimento é contrário ao bom senso e algumas leis absurdas aparecem do nada! Porém quando há uma vontade de colher os nossos próprios frutos dos quais veremos as flores e o crescimento, o prazer é redobrado. Já há tempos, em São Paulo, a jabuticabeira virou uma frutífera-fetiche das varandas de muitos edifícios. Esse tronco todo recheado de bolinhas pretas remete à nossa tropicalidade, a Monteiro Lobato e ao Sítio do Picapau Amarelo. Ce-

Aline Hermida Paisagista @deco__green

A grumixama (Eugenia brasiliensis) é uma espécie ameaçada de extinção, mas vejam que bacana: tem um sabor entre jabuticaba e pitanga! Árvore de porte grande, mas que se acostuma ao plantio em um vaso. Aconselho uma espécie anã (Eugenia itaguahiensis) para termos mais probabilidades de sucesso. 42 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

A pitangueira é uma árvore bonita que filtra, de forma romântica, a luz do sol. Os frutos que conhecemos bem parecem brincos de rubis. Acho ela simpática porque, mesmo sem uma colheita abundante, já podemos nos regalar com uma roska preparada com frutas colhidas no pé.

Maracujá! Não poderia faltar uma fruta trepadeira. Eu sou apaixonada pela versatilidade dessas plantas que cobrem paredes e ocupam pouco espaço. E teremos, de quebra, as famosas flores do maracujá. Efeito decorativo máximo e suco fresquinho e calmante. Da hora!

lebramos um pouco da nossa cultura e mantemos as nossas espécies nativas no nosso cotidiano. E elas vivem muito bem em vasos. A seguir, vejam alguns tipos de plantas que você pode cultivar em sua varanda. Fotos: Reprodução Internet

Nós percebemos que frutas nativas estão cada vez mais difíceis de ser encontradas no mercado. Seriguela, pitanga, jabuticaba e por aí vai, elas não respondem às necessidades de produtividade e logística às quais estamos obrigados a nos conformar nesta era de grande distribuição. Eu morro de saudades de quando era criança e pedia para minha mãe comprar na feira as frutas da estação em vez de guloseimas calóricas e impróprias que damos aos nossos filhos hoje em dia. Além disso, é muito difícil se

A caramboleira (Averrha carambola) é uma ótima opção para o clima baiano, quente e úmido. Comprando uma muda enxertada de caramboleira-mel podemos obter uma colheita razoável, ainda que seja em vaso. Necessita de solo arenoso-argiloso e bastante adubo orgânico. Quem tem problemas renais não deve consumir carambola. Rins doentes não processam a caramboxina, que é tóxica para o sistema nervoso.

A fruta-de-sabiá (Acnistus Arborescens) é uma espécie interessante. Seu nome vem da enorme atração que exerce sobre os pássaros, obviamente o sabiá tem o protagonismo nessa história. Mas são 45 tipos que não resistem ao gosto doce da fruta. Ela apresenta flores brancas e perfumadas, os frutos pendem dos caules lembrando a jabuticabeira, mas a sua cor é entre amarelo e laranja. Tem cachos incríveis! Talvez provoquem alguma frustração porque antes de ficarem maduros os seus frutos são alvo dos passarinhos. É difícil prová-los, mas, em compensação, a delícia da sua companhia nos fará perdoar esses pequenos ladrões.

A seriguela (Spondias purpurea) pertence à família das Anacardiaceae e é, por isso, aparentada com o caju. Por ser uma planta de Cerrado, aguenta períodos de seca, o que é mais prático para os jardineiros menos atentos.

O minikiwi (Actinidea arguta) é outra opção de trepadeira. A tenho em casa e ela se espalha pela tela de suporte. Essa espécie é autofértil. Ao contrário do kiwi, não é necessária a presença de uma planta-macho e outra fêmea para frutificar. Na primavera, tem floração perfumada e no outono, uma boa produção de kiwais Issais, pequenos kiwis de casca lisa e com mais vitamina C que o kiwi comum. Não são nativos, mas são tão originais e resistentes que vale a pena procurá-los. Além disso, eles se adaptam à meia-sombra. Achamos mudas e sementes no Mercado Livre. Enfim, existe uma variedade grande de frutíferas que se adaptam à vida em vasos. Seria um desperdício não aproveitar um espacinho de sol. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 43


Decoração

Que venham

Os objetos tro pica deram um char is m em uma monta e gem perfeita para um café da manhã

Jotta

Por Andréa Castro

44 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Outubro chegou e com ele a alegria da primavera, das flores e cores. Mas também trazemos a responsabilidade de cuidar das nossas “pétalas”, chamando a atenção para o cuidado com a saúde da mulher, através do Outubro Rosa, que alerta para o câncer de mama e o câncer de colo do útero. E para levantar o astral, mais do que nunca, a influência nor-

te-americana traz a alegria do Halloween para as nossas noites enluaradas. Inspirada na primavera, a advogada e influenciadora digital Juliana Bacelar (@printepersonalize) utilizou um jogo americano em formato de flor e nos menus para os convidados, uma estampa floral. Para dar um toque ainda mais primaveril à composição, Juliana colocou

clean A composição teve o intuito de o ranj evidenciar o ar ante, er ub ex e o ad delic ue aq st de ou nh que ga na mesa

uma flor em cada guardanapo, e para deixar a decoração descontraída, optou por acessórios mais rústicos. A composição clean, com peças da Unique Locação, teve o intuito de evidenciar o arranjo delicado e exuberante da Empório Flores, que ganhou destaque na mesa. Quem também se rendeu às flores foi a dentista de profissão e “meseira” por paixão Vilma Palomino. Os elementos tropicais deram um charme em uma montagem perfeita para um café da manhã. O abacaxi, considerado por ela o queridinho da decoração, foi escolhido como o tema central. Palha, madeira, bambu e linho foram os materiais escolhidos para trazer à decor ares de rusticidade, naturalidade e frescor. E para arrematar, miniabacaxis naturais e astromérias – flores que simbolizam a união e a amizade – deram ainda mais cor e alegria em um mix de vasos.

Os elementos sa, abusaram do ro a ez til su a o nd leva minino do universo fe para a mesa

Arquivo pessoal

A alegria da primavera, o movimento Outubro Rosa e a fantasia do Halloween inspiraram as mesas desta edição

Arquivo pessoal

as flores

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Decoração

Bruna Domingues

Bruxinhas, caveiras eo gato preto são algun s elementos que não podem ficar de fora de uma mesa para a festa de Halloween

Outubro Rosa

Que tal agradar as amigas com uma produção lindamente delicada e ainda passar uma mensagem de carinho e alerta para os cuidados que a mulher deve ter com a saúde? A mesa produzida por Vilma Palomino inspirada no Outubro Rosa cumpre muito bem essa missão. Os elementos abusaram do rosa, levando a sutileza do universo feminino para a mesa. Vale lembrar que todas as peças podem ser locadas; a @byvilmapalomino e a @objetounico são locais que dispõem de peças de mesa posta, uma excelente op46 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

ção para quem deseja variar em cada ocasião.

Doces ou travessuras?

A alegria do outubro também traz a doçura e a travessura do Halloween. A festa do Dia das Bruxas, cada vez mais celebrada no Brasil, segue com os seus personagens horripilantes (mas encantadores!) na composição da empresária Maitê Freitas, da Criative Locações. Bruxinhas, caveiras e o gato preto são alguns elementos que não podem ficar de fora. Para quem gosta da pegada do “faça você mes-

mo”, as lojas de festas oferecem opções para todos os gostos. E é possível ainda dar um toque pessoal fazendo algumas peças com as próprias mãos. Os fantasminhas utilizados por Maitê, por exemplo, foram feitos manualmente usando uma bola de isopor, papel EVA preto para os olhos e tecido voil branco. Depois, foi só prendê-los no teto com uma linha de nylon. Outra ideia que pode ser acrescentada é a de uma abóbora bonita e iluminada. O bolo da mesa ficou por conta da Alugue seu Bolo e as forminhas são da Dom Divino Decor. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 47


A Escola Concept é uma escola trilíngue que reúne o melhor

A ES C O LA Q UE VA I FA Z ER HI ST Ó RIA, FA Z ENDO O FU T U R O.

das melhores escolas do mundo. Com metodologia inovadora, que faz do aluno o protagonista do aprendizado, ela prepara o seu filho para ser fluente no mundo.

Venha conhecer a Escola Concept. Agende a sua visita.

www.escolaconcept.com.br Educação Infantil | Ensino Fundamental

S Ã O PA U L O | R I B E I R Ã O P R E T O | S A LVA D O R 48 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

APRENDENDO O SENTIDO DE APRENDER Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 49


Divulgação

O desenvolvimento do aluno é buscado em suas dimensões cognitiva, afetiva e psicomotora na direção da plenitude de sua formação, conforme o diretor do Colégio Anchieta, João Batista de Souza

Matrículas Com a proximidade do novo ano letivo, como as escolas estão se preparando para receber os alunos em 2019? Da Redação 50 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

abertas Um novo ano letivo se aproxima e as famílias e escolas já começaram a se planejar para o período de matrículas. Não importa a idade dos alunos, a preocupação dos pais é sempre a mesma: qual escola está mais bem preparada para receber o meu filho? Por outro lado, as instituições de ensino buscam incrementar os seus ser-

viços e atender aos desejos de pais e alunos. Quando decidiram transferir as duas filhas (1º e 5º anos) de uma escola pequena para o Colégio Antônio Vieira, Fábio Amorim e a sua esposa buscavam uma instituição que oferecesse uma formação cristã e valorizasse a família. “A escola é muito

transparente, constrói a relação na base da confiança e não visa somente à tecnologia, porque se preocupa com a religião e a sociedade”, afirma Fábio. Para ele e a esposa, uma grande surpresa foi o fato de professores e funcionários da escola conhecerem os pais e os filhos pelos seus nomes. “Apesar de a escola ser muito grande, existe uma personalização, o que nos transmite segurança. Os funcionários chegam a reconhecer até as mochilas das minhas filhas”. Para Leila Rodrigues, que tem duas filhas do 1º e 5º anos do Colégio Anchieta, a segurança e o rigor no ensino foram os pontos preponderantes para a escolha da escola. “O Anchietinha tem uma estrutura que acolhe bem a criança e as aulas no turno complementar preparam os alunos muito bem”, declara Leila, que também destaca o fato de os funcionários da escola reconhecerem as suas filhas pelo nome. As escolas também se esforçam para promover inovações em suas estruturas e planos pedagógicos para atenderem às expectativas dos pais. Um exemplo disso é a Escola Concept, que possui unidades em São Paulo, Ribeirão Preto e Salvador. Para a campanha de 2019, a instituição tem destacado pilares como a sustentabilidade, o empreendedorismo, a fluência digital e a colaboração. “Desenvolvemos estudantes protagonistas dentro de um currículo estruturado focado nas demandas da Base Nacional Comum Curricular e no currículo internacional da Fieldwork Education”, explica a diretora da Escola Concept Salvador, Nadja Valente. No Colégio Oficina, a inserção dos alunos no processo de planejamento, organização e execução de atividades complementares e o acompanhamento pedagógico no turno oposto

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Educação

Para Ana Paula Marques, diretora acadêmica do Colégio Antônio Vieira, a escola usa a tecnologia para oferecer um diagnóstico assertivo na aprendizagem dos alunos

A preocupação de pais e escolas na hora de definir os seus planos para o próximo ano letivo culmina no momento de transição dos filhos e estudantes para a vida adulta. são alguns dos diferenciais. “A formação continuada de nossos professores e técnicos, em sua grande maioria pós-graduados e com cursos de especialização, é outra prioridade do Oficina”, lembra a diretora do colégio, Márcia Kalid. “Entendemos que a escolha da escola é uma das decisões mais importantes para as famílias. A escola de seus filhos deve estar aderente aos valores da família e aos planos que os pais têm para o futuro”, reflete o superintendente da Pan American School of Bahia (PASB), Larry Molacek. A instituição é a única escola internacional do Estado a oferecer o diploma de Bacharelado Internacional (IB DP) – um programa de Educação rigoroso para alunos do 2º

e 3º anos do Ensino Médio, cujo diploma é aceito em processos seletivos de universidades em todo o mundo. Uma plataforma digital própria é o grande diferencial do Colégio Bernoulli, que possui unidades em Belo Horizonte e Salvador, além do Colégio Módulo, adquirido em 2015. “A plataforma ‘O Meu Bernoulli’ é inovadora e proporciona uma experiência única de extensão da vivência escolar do aluno em um ambiente virtual”, declara o diretor pedagógico executivo do colégio, Marcos Raggazzi. Ainda segundo ele, o estudante tem acesso a recursos didáticos selecionados pelo professor, à resolução de exercícios, a videoaulas e pode consultar resultados de provas e simulados com o método de avaliação do ENEM.

Estratégias

Na Concept, uma metodologia exclusiva, com princípios de universidades como Harvard, Singularity, Minerva, Stanford e MIT, e uma estratégia para trabalhar os conteúdos de forma integrada, através de projetos transdisciplinares, esportes e artes, estimulam o raciocínio crítico, a reflexão e empatia dos alunos. Laboratórios, salas de Informática, Robótica, a aplicação do conceito maker e a oferta de oito aulas semanais complementares de inglês, em turno oposto, são alguns diferenciais das escolas do Grupo Anchieta e São Paulo. O aluno tem a proficiência do inglês avaliada pela Universidade de Cambridge, da Inglaterra. Para os estudantes do Ensino Médio, o espanhol também é oferecido e o alemão está disponível para alunos do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, em nível iniciante, e na primeira ou 2ª série do Ensino Médio para a conclusão. “Mais de 40 alunos que estudam alemão no Colégio Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 51


Educação Anchieta já foram para a Alemanha como bolsistas”, revela o diretor João Batista de Souza. No Colégio Módulo, alunos e professores devem passar a utilizar materiais didáticos e recursos digitais de modo mais amadurecido em 2019. “Todos já conhecem a nossa estrutura e já passaram por treinamentos e capacitações. Nosso foco é na formação de cidadãos globais, com habilidades e competências capazes de lidar com os desafios do século XXI”, afirma Raggazzi.

Na Concept, uma metodologia própria e uma estratégia para trabalhar os conteúdos de forma integrada, através de projetos transdisciplinares, esportes e artes, estimulam o raciocínio crítico, a reflexão e empatia dos alunos.

Como uma escola internacional, o PASB segue um calendário compatível com as instituições de ensino norte-americanas, com o início do ano letivo em agosto, o final do primeiro semestre em dezembro e com o segundo semestre ocorrendo entre janeiro e junho. De acordo com a diretora de admissões, Sabrina Amorim, para os alunos da Educação Infantil a admissão se dá após uma entrevista com a diretora do Ensino Infantil. Para os alunos a partir do 1º ano do Ensino Fundamental são avaliados o histórico acadêmico, as habilidades linguísticas, as características sociais e emocionais e o comprometimento dos pais com o desenvolvimento educacional da criança.

Terceiro ano

Uma grande preocupação de pais e escolas é o terceiro ano. Ele representa uma faixa de transição dos alunos para o ingresso em uma faculdade, a escolha da carreira futura e a entrada na vida adulta. Colégio de onde saiu uma das redações nota mil do ENEM de 2017, o Antônio Vieira realiza simulados de avaliações externas com correção pela TRI (Teoria de Resposta ao Item) - o mesmo método usado pelo ENEM –, oferece 52 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

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Escola internacional

gráficos de desempenho dos alunos, mapeamento de competências, extensão de carga horária em turno oposto para o aprofundamento em Redação e Ciências da Natureza. No Colégio Bernoulli, primeiro lugar em Salvador no ENEM de 2017, e no Colégio Módulo, que ficou em 3º lugar, entre as estratégias para reforçar o último ano dos alunos estão os plantões de dúvidas individualizados, equipe de professores e material didático próprio, correção de simulados para o ENEM com correção TRI, carga horária de 43 horas semanais, além de oficinas de Redação semanais com correção e o uso da tecnologia digital. Parcerias com instituições de Ensino Superior na Alemanha e em Portugal são algumas opções dos estudantes do Colégio Anchieta, segundo lugar no

ENEM em 2017, e do Colégio São Paulo. Os alunos podem até usar a nota do exame nacional para entrarem em uma faculdade portuguesa, por conta das parcerias. Os alunos do 3º ano ainda contam com o Ciclo de Revisões Anchieta, o Revisafast, no mês de julho, com os conteúdos mais relevantes do primeiro semestre; e com o Curso de Revisão para o ENEM e Vestibulares. O PASB prepara os seus alunos tanto para o ENEM, com simulados, quanto para avaliações de faculdades e universidades internacionais, como os exames internacionais SAT, usados por muitas universidades nos EUA e Canadá. Os alunos passam por orientações individuais e elaboram o seu próprio plano de desenvolvimento para se prepararem para a universidade de sua escolha, segundo a orientadora educacional Rhonda Fisher. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 53


Os conteúdos produzidos e consumidos por esses mini-influenciadores, apesar de todo o glamour, requerem cuidados especiais por parte dos pais Por Lorena Dantas

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Na sua infância, você se recorda de algum dia ter desejado ser “youtuber?”. Certeza que não. Porém, hoje em dia, diante desse fenômeno digital, ao perguntar a alguma criança o que ela sonha em ser quando crescer, muito provavelmente você terá “blogueira” ou “youtuber” como umas das respostas. Ser um (a) digital influencer kids ou, em bom português, influenciador digital mirim, tem sido cada vez mais o desejo profissional dessa criançada. Algumas delas já são tão digitais e interativas que nem precisaram crescer para realizar esse sonho.

Os canais voltados para o público infantil, entre outubro de 2015 e setembro de 2016, juntos, conquistaram mais de 50 bilhões de visualizações. Seguindo os passos dos influenciadores adultos, muitos influenciadores mirins possuem canais no YouTube, fanpages no Facebook e perfis no Instagram, e produzem conteúdos que despertam interesse, inspiram e influenciam no comportamento dos seus seguidores/fãs, tanto na internet quanto fora dela. Consequentemente, essa exposição acaba atraindo empresas que estão prontas para “mimar” essas crianças em troca das divulgações dos seus produtos e/ou serviços. Os conteúdos compartilhados, em sua maioria, estão ligados ao cotidiano, como brincadeiras, filmes, livros, moda infantil, dança, entre outros assuntos bacanas que mexem com a cabeça dessa turminha. Em uma pesquisa realizada pela coordenadora da área de Família e Tecnologias da ESPM Media Lab, Luciana Corrêa, e divulgada pela Folha de São Paulo, dos 100 canais que mais “bombam” no YouTube brasileiro, quase a metade desses abordam temas consumidos por crianças de até 12 anos. Os canais voltados para esse público infantil, entre outubro de 2015 e setembro de 2016, juntos, conquistaram mais de 50 bilhões de visualizações. Impressionante, não é?! Para conhecer um pouco mais desse universo digital infantil nos conectamos com uma garotada que, através das suas redes sociais, tem influenciado e se tornado tendência em Salvador. E também conversamos com os seus pais, para entender como eles lidam e monitoraram essa precoce carreira. A lifestyle influencer Maria Clara Mascarenhas tem 7 anos, já participou do quadro Vovô e as Crianças, no programa do apresentador Raul Gil, no SBT, e em seus perfis sociais, que juntos somam quase 35 mil seguidores, a talentosa menina compartilha dicas para crianças,

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Nos seus perfis sociais, a talentosa Maria Clara Mascarenhas compartilha a sua rotina, dicas de moda infantil, tour de viagens e outros conteúdos

Luis Henrique Leal é embaixador do portal de modas “Pequenos Blogueiros” e coleciona os títulos de Mister Negro, Beleza Negra e Beleza Black (2º lugar)

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mostrando o que tem de legal na cidade para diversão, dicas de moda, tour de viagens, entre outros assuntos. Para a pequena digital influencer, o Instagram lhe proporcionou muitas amizades com coleguinhas da sua idade e ela enxerga tudo isso como uma grande brincadeira. Seguindo a tendência digital, Luis Henrique Leal só tem 8 anos, mas já é embaixador do portal de modas “Pequenos Blogueiros” e coleciona os títulos de Mister Negro, Beleza Negra e Beleza Black (2º lugar) em sua jovem carreira. O garoto, que gosta de compartilhar o seu dia a dia em seu perfil @leal_luishenrique no Instagram, possui mais de 23 mil seguidores. Brincalhão, o blogueiro negro e de belos olhos azuis conta que tem hábitos iguais aos das outras crianças. “Eu tenho uma rotina normal. Vou para a escola, depois para a banca e separo um tempo para fazer livestories (transmissão ao vivo)”, exemplifica. Também são incluídos à sua rotina os desfiles, eventos e divulgações patrocinadas. As gêmeas blogueirinhas Beatriz e Bianca Tavares, 8 anos, mais conhecidas como “as Bias”, através dos seus vídeos engraçados, têm conquistado e atraído muitos seguidores no perfil @asbias.gemeas do Instagram. Os conteúdos divulgados, em sua maioria, são produzidos espontaneamente, em meio à rotina diária das meninas. Porém em eventos que requerem uma maior produção, como desfiles e campanhas, os pais se encarregam de ajustar as atividades. “Priorizamos tudo o que não interfira nos estudos, nas tarefas escolares e nos momentos de lazer delas. Buscamos otimizar tudo para que a carreira continue sendo divertida e que ocorra da forma mais natural para elas”, conclui Dôra Almeida, mãe das Bias. Na contramão dessa geração tecnológica, ainda que faça parte desse universo, a digital influencer mirim Beatriz Dornbusch @bia_dornbusch, 9 anos, ainda prefere brincar de bonecas ou alguma atividade lúdica a qualquer jogo eletrônico. Seu perfil na rede social Instagram foi criado quando a garota tinha uns três anos de idade e é composto por fotografias tiradas, editadas e postadas, até hoje, por sua mãe, Tina Batalha. O perfil da garota agradou tanto que, de lá para cá, a 56 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

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As gêmeas Beatriz e Bianca Tavares, mais conhecidas como “as Bias”, através dos seus vídeos engraçados, têm conquistado e atraído muitos seguidores

O perfil no Instagram de Beatriz Dornbusch já conquistou mais de 93 mil seguidores; ela participa de vários eventos e ensaios fotográficos

Marina Akemi, além de herdar o talento musical do pai, o cantor Tiago Velame, faz parte da empresa de dança FitDance e faz aulas de teatro

A influenciadora digital Lulu Menezes tem 13 anos e é apresentadora e porta-voz teen e kids da FitDance

pequena digital influencer já conquistou mais de 93 mil seguidores e participa de vários eventos e ensaios fotográficos. Diante de tantos holofotes, é necessário que os pais orientem e acompanhem essa profissão com cuidado. As necessidades e expectativas criadas diante desse consumo, padrões e comportamentos podem prejudicar o desenvolvimento da criança. E quanto mais jovem, mais difícil será a compreensão desse universo digitalmente deslumbrante e encantado. Em meio a tantos compromissos, Tina conta que em determinado momento foi necessário reavaliar a exposição e a carreira de Beatriz. “Quando percebi que ela estava com muitas atividades, eu resolvi dar um tempo. Levei-a a um psicólogo, que havia dado uma palestra na escola dela sobre os “malefícios da estimulação com eletrônicos infantis”, e, hoje, com esse acompanhamento, temos o suporte para continuar fazendo algo que não a prejudique”, analisa. Também mãe de uma digital influencer mirim, Milena Ikeda afirma que cuida para preservar a vida pessoal de Marina Akemi @marinakemioficial, 11 anos, e conscientizá-la de que essa fama é passageira. “Sempre digo para ela que essa atividade tem que ser divertida, criança tem que se divertir, não pode se sentir pressionada em relação a seguidores, à aceitação. Tudo flui muito naturalmente por aqui, se ela quer, ela faz, se não quer, não precisa fazer nada por obrigação”, avalia. A garotinha, além de herdar o talento musical do pai, o cantor Tiago Velame, também faz parte da empresa de dança FitDance e faz aulas de teatro. Apresentadora e porta-voz teen e kids da FitDance, a influenciadora digital Maria Luíza Menezes @mlulumenezes, 13 anos, apesar de ser a mais “velha” entre a turminha entrevistada, tem a mãe, Flávia Menezes, como responsável por responder profissionalmente por ela no Instagram. Como toda adolescente, sobretudo com essa participação nesse mundo digital, Lulu requer atenção e cuidados. “Sempre mostramos os lados negativo e positivo dessa exposição. Como ela já tem 13 anos, nós conversamos sobre pedofilia, bullying, e a alertamos sobre tudo”, conta Flávia. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 57


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Sobre a Terceira Idade,

a Fafá e os afetos… De certa forma, a minha trajetória profissional está marcada pela insistência em trazer o tema Terceira Idade para o centro do debate. Mas não me limitei a apenas discorrer sobre o grupo de pessoas categorizadas como “idosos” do ponto de vista sociodemográfico, ou mesmo mercadológico, ou ainda em uma perspectiva meramente profissional. Isso porque, para mim, trata-se de um tema circunscrito à “rede de afetos”, esta que transcende, inclusive, os meus interesses de estudo. Em outras palavras, é na interseção desse campo de estudo e afetos que venho buscando viver e “degustar” o entendimento acerca do que se convencionou a chamar de Terceira Idade. E foi justamente assim, impregnado de interesses e afetos, que conheci a cantora Fafá de Belém, uma artista com mais de 40 anos de uma emblemática e respeitável carreira. Apresentado a ela por sua filha, Mariana, me vi contagiado pela sua alegria de viver e pelo seu indescritível sorriso. A Fafá, além de todo o seu talento musical, tem uma capacidade ímpar de nos levar a refletir sobre as situações e dádivas que a vida nos presenteia. A conversa, que deve ter durado cerca de duas horas, me levou a conjecturar sobre um universo que me parecia muito familiar. Ledo engano! Estudei tanto os idosos para constatar que a Fafá tem a força de um tsunami quando o 58 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

assunto é contagiar e quebrar paradigmas. Mas o que tem a ver a Fafá de Belém com a Terceira Idade? Tudo e nada! Tudo, porque hoje ela já pertence ao grupo dos 60 anos de vida – categorizada entre os brasileiros da Terceira Idade –, e nada, porque ela nos faz rever todos os antigos paradigmas do que é “ser contabilizado entre os idosos”. Saí de lá me perguntando: de que Terceira Idade eu estava falando mesmo?

O crescimento demográfico da população brasileira na faixa etária de mais de 60 anos tem sido motivo de grande interesse por pesquisadores. Essa pergunta ecoou na minha mente até eu me sentar para escrever este texto. Estou em um campo no qual os estudos de comunicação e mercado tentam categorizar os agrupamentos dos targets mais velhos a fim de facilitar o acesso e possibilitar uma maior eficácia na abordagem comercial, assim, o “[…] marketing sênior divide seus alvos em ‘masters’, ‘liberados’, ‘pacatos’, ‘grandes ancestrais’: é um marketing hipersegmenta-

Por Diego Oliveira CEO da Youpper

do que cria novos mercados das terceira e quarta idades […]” (LIPOVETSKY, 2007, p. 123). O referido campo de marketing encontra guarida e acolhimento no Brasil tão somente porque não é novidade alguma que hoje se vê no país um verdadeiro boom de idosos. A faixa etária de 60 anos ou mais foi a que mais cresceu em termos proporcionais. Segundo as projeções estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025, a população de idosos no país crescerá 16 vezes contra cinco vezes a da população total, o que colocará o Brasil, em termos absolutos, com a sexta população de idosos do mundo, isto é, com mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Não é por acaso, portanto, que o crescimento demográfico da população brasileira na faixa etária de mais de 60 anos tem sido motivo de grande interesse por parte dos pesquisadores acerca da Terceira Idade, entre os quais eu me incluo. Devemos, inclusive, recordar que essas projeções são baseadas em estimativas conservadoras de fecundidade e mortalidade, mas se houver uma melhoria mais acentuada em nossas regiões pobres, o envelhecimento do brasileiro será muito maior. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 59


Saúde

Mais de

Você está preparado

para morrer hoje? Se o título desta coluna te chocou, eu gostaria de te lembrar que você vai morrer, provavelmente não será hoje, mas você vai morrer, alguém que você ama também vai morrer, e você não pode fugir disso. Costumase dizer que esta é a única certeza da vida. Na sua evolução, o homem teve consciência de que era um ser finito há cerca de 50.000 anos, e isso o tornou único no planeta, de lá para cá, essa consciência criou a cultura e transformou a humanidade. Mas se todas as pessoas no planeta sabem que um dia irão morrer, por que ninguém se prepara para isso? O problema é que saber que iremos morrer algum dia no futuro não nos afeta o suficiente para pensar sobre isso, e saber que isso poderá acontecer em pouco tempo nos apavora a ponto de nos paralisar. No Brasil, morrem por ano cerca de 1.300.000 pessoas, e dessas, aproximadamente, 900.000 morrem de câncer ou de doenças crônico-degenerativas; na prática, essas pessoas tiveram uma morte anunciada, pois receberam um diagnóstico de alguma doença grave que seguiu o seu curso natural e progrediu até a morte. Mas será que essas pessoas aproveitaram a oportunidade e conseguiram ressignificar a sua existência e, assim, morrer com a dignidade desejada? Os profissionais de saúde que os acompanharam em suas jornadas estavam preparados para oferecer a eles alívio para os sofrimentos físicos, emocionais, espirituais e sociais? Há quem defenda um conceito de “bem-morrer” como uma morte com o mínimo de sofri60 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

mento possível, com tempo suficiente para a pessoa resolver os seus relacionamentos pendentes com os perdões e para os agradecimentos necessários, além de estar cercado pelas pessoas que ama. O fato é que na nossa sociedade as pessoas estão morrendo de uma maneira completamente diferente da que idealizaram e com muito mais sofrimento do que seria inevitável. Neste contexto, destacam-se os cuidados paliativos, que são cuidados assistenciais com o objetivo da melhoria da qualidade de vida de uma pessoa doente e sem a probabilidade de cura. Quando questionados como e onde desejam morrer, a maioria

O número de profissionais de saúde interessados em Medicina Paliativa vem crescendo consistentemente e a internação domiciliar já é uma realidade nas principais cidades do Brasil. dos brasileiros responde que em casa, sem dor e com a família ao seu lado, mas a maioria deles morre nos hospitais e, muitas vezes, em unidades de tratamento intensivo, longe da família. Esses pacientes não tiveram contato com equipes de cuidados paliativos, pois no Brasil temos somente cerca de 110 serviços de cuidados paliativos associados à Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), o que é muito pouco para um país de tamanho continental. Nos EUA são cerca de 1.700 serviços. A boa notícia é que esta rea-

Dr. Leonardo Salgado Médico geriatra, gerontólogo e clínico médico

lidade está mudando. O número de profissionais de saúde interessados em Medicina Paliativa vem crescendo consistentemente e a internação domiciliar já é uma realidade nas principais cidades do Brasil, além disto, hoje, qualquer pessoa com mais de 18 anos já pode fazer as suas Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), um documento no qual o paciente registra um conjunto de vontades prévias, e expressamente manifestadas, sobre cuidados e tratamentos que o mesmo deseja ou não receber no momento em que estiver incapacitado de manifestar a sua vontade. Então, quando um paciente se encontra diante de uma doença grave e terminal, se ele tem a oportunidade de ser acompanhado por profissionais capacitados para auxiliá-lo, ele terá boas chances de fazer as suas DAV e poderá morrer com dignidade. Vale lembrar que um percentual menor de pessoas não tem a sua morte anunciada com um diagnóstico, e que todos nós estamos sujeitos a morrer a qualquer momento, então, que tal resgatarmos as nossas relações a partir de hoje, com todos os perdões e agradecimentos necessários? Pois a morte, mesmo com toda a dignidade, ainda é triste, mas a vida é bela.

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Outubro Rosa:

uma campanha que faz milagres As ações do Outubro Rosa vão além da iluminação de monumentos. A campanha visa alertar mulheres e sociedade sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama Da Redação

40 anos para a detecção da doença. Sempre nos meses de outubro, diversos monumentos passaram a ser iluminados com a cor rosa para relembrar a importância da prevenção, entre eles a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Elevador Lacerda, em Salvador. As ações do Outubro Rosa vão além da iluminação de monumentos. A campanha é um

Ana Furtado explica que na crioterapia, técnica para diminuir a queda de cabelos na quimioterapia, as temperaturas chegam a -10°C no couro cabeludo

Nos últimos anos, cada vez mais, a campanha tem tido a estão relacionados ao estilo adesão da população e de insde vida que as pessoas levam, tituições de saúde. Desde o ano com hábitos como o tabagisde 2012, a Delfin +Saúde partimo, o consumo de álcool, o secipa do Outubro Rosa e já atendentarismo e a obesidade. deu cerca de 47 mil mulheres Nos últimos anos, cada vez somente durante a campanha. mais, a campanha tem tido Pelo Projeto de Rastreamento do a adesão da população e de Câncer de Mama, que acontece instituições de saúde. Desde o ano inteiro, principalmente no o ano de 2012, a Delfin +Saúinterior do Estado, mais de 500 de participa do Outubro Rosa mil mamografias já foram realizae já atendeu cerca de 47 mil das. “O diagnóstico precoce é a chave para um tratamento eficaz e ajuda a salvar a vida de muitas mulheres”, afirma Delfin Gonzalez, fundador da Delfin +Saúde.

mulheres somente durante a “Sabemos que a mortalidade por câncer cai à medida quede o campanha. Pelo Projeto diagnóstico é feito precoRastreamento do mais Câncer de cemente, então, o quanto antes Mama, que acontece o ano ino paciente descobrir que a teiro, principalmente notem intedoença, chances de rior do maiores Estado, as mais de 500 cura”, reflete a oncologista do mil mamografias já foram realiCehon, Anadiagnóstico Amélia Viana. zadas. “O precoce a um Secretaria da é aSegundo chave para tratamento Saúde Estado (SESAB), eficaz edo ajuda a salvar a vidaende tre 2015mulheres”, e 2017, foram 500 mil muitas afirma Delfin exames de fundador mamografia Gonzalez, darealizaDelfin dos pelo Estado, 20 mil apenas +Saúde. na Segundo campanha aOutubro Rosa de Secretaria da 2017, ações no CICAN, enno Saúdecom do Estado (SESAB), Hospital Mulher, nas500 unidatre 2015 da e 2017, foram mil des móveis do programarealizaSaúde exames de mamografia sem Fronteiras emmil hospitais dos pelo Estado,e 20 apenas que já oferecem o exame. na campanha Outubro Rosa de Para 2018, a SESAB prevê 2017, com ações no CICAN, no ações nodaCICAN, atenHospital Mulher, com nas unidadimentos os sábados des móveistodos do programa Saú(exceto dia 13/10), além do de sem no Fronteiras e em hospiHospital Mulher e no interior, tais que da já oferecem o exame. com unidades De janeiPara 2018, móveis. a SESAB prevê ro até setembro, foram ações no CICAN, comrealizaatendas cerca de 50 mil dimentos todos osmamograsábados fias de rastreamento noalém Estado. (exceto no dia 13/10), do A Secretaria Municipal da Hospital da Mulher e no inteSaúde (SMS) também realiza rior, com unidades móveis. De ações prevenção ao câncer janeirodeaté setembro, foram de mama ao longo porealizadas cerca dedo 50ano, mil marém em outubro as ações ficam mografias de rastreamento no mais intensas em todas as 127 Estado. unidades da capital baiana. Em 2018, além de palestras, exames clínicos, caminhadas e feira de saúde, todas as quartas-feiras do

Divulgação NOB

Agecom/Divulgação

Principais pontos turísticos de Salvador e algumas instituições aderem ao Outubro Rosa com uma iluminação especial

O ano era 1991, quando 2,5 mil mulheres, entre elas sobreviventes do câncer de mama, participaram da Corrida pela Cura, nas ruas de Nova Iorque. Todas elas ganhavam um laço cor-de-rosa. De lá para cá, o evento cresceu no país americano e deu origem a uma campanha mundial de prevenção ao câncer de mama que estimula a realização de exames de mamografia anualmente entre mulheres com mais de

fenômeno fenômeno que que une une governos governos federal, federal, estadual estadual ee municipal, municipal, ONGs ONGs ee iniciativa iniciativa privada privada em em um objetivo: alertar muum mesmo mesmo objetivo: alertar lheres e sociedade sobre asobre premulheres e sociedade venção e o diagnóstico precoa prevenção e o diagnóstico ce do câncer de mama. Quanprecoce do câncer de mama. do detectado em fase inicial, Quando detectado em fase iniacial, chance de cura é deé 95%. “A a chance de cura de 95%. promoção de ações educativas “A promoção de ações educareduz a chance do surgimento tivas reduz a chance do surgida doença e, ao mesmo tempo, mento da doença e, ao mesmo difunde conhecimentos a restempo, difunde conhecimentos peito da importância do diaga respeito da importância do nóstico precoce, o queoaumenta diagnóstico precoce, que auas chances de melhores resulmenta as chances de melhores tados no tratamento”, refletereo resultados no tratamento”, diretor técnicotécnico assistencial do flete o diretor assistenHospital Santa Izabel, cial do Hospital SantaRicardo Izabel, Madureira. Ricardo Madureira. Dados Dados do do Instituto Instituto Nacional Nacional do do Câncer Câncer (INCA) (INCA) indicam indicam que que o o câncer câncer de de mama mama éé o o que que mais mais acomete acomete as as mulheres mulheres brasileibrasileiras, ras, depois depois do do melanoma, melanoma, ee aa expectativa expectativa éé de de 59,7 59,7 mil mil novos novos casos casos por por ano ano até até o o próximo próximo ano. ano. Na Na Bahia, Bahia, espera-se espera-se que que aa incidência incidência de de câncer câncer seja seja de de 2.870 2.870 casos casos para para cada cada 100 100 mil mil habitantes habitantes em em 2018, 2018, segundo segundo o o INCA. INCA. O O estudo estudo ainda ainda inforinforma ma que que em em cada cada 10 10 casos, casos, três três estão relacionados ao estilo de vida que as pessoas levam, com hábitos como o tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo e a obesidade.

Reprodução Instagram

Saúde

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Jul/Ago Jul/Ago 2018 2018 Let’s Let’s Go Go Bahia Bahia || 63 55


Outras ações

Clínicas e hospitais que realizam tratamentos e detecção do câncer também estão engajados na campanha. “As

Apesar de incomodar na hora da realização, exames de mamografia precisam ser realizados por mulheres acima de 40 anos todos os anos

campanhas anteriores mostraram ter grande impacto na conscientização da nossa comunidade interna, pacientes, familiares e funcionários do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), além do público externo”, relembra a oncologista Luciana Landeiro. Segundo ela, a instituição participa no dia 21 de outubro, às 7h30, da Corrida Outubro Rosa, no Parque da Cidade, com duas oficinas de maquiagem, do “Projeto de Bem com Você”. Além disso, apoiará o lançamento do livro “Inspire Ser: Mulher e o Câncer”.

CAMPANHA OUTUBRO ROSA DEIXOU O ANO MAIS COLORIDO

VEJA: Janeiro Branco: Saúde Mental Fevereiro Roxo: Alzheimer Fevereiro Laranja: Leucemia Março Lilás: Câncer do Colo do Útero Março Azul: Câncer Colorretal Abril Azul: Autismo Maio Roxo: Doenças Inflamatórias Intestinais Maio Amarelo: Prevenção de Acidentes de Trânsito Junho Vermelho: Doação de Sangue Julho Amarelo: Câncer Ósseo e Hepatites Virais Agosto Laranja: Esclerose Múltipla Agosto Dourado: Aleitamento Materno Setembro Amarelo: Combate ao Suicídio Setembro Verde: Incentivo à Doação de Órgãos Outubro Rosa: Câncer de Mama Novembro Azul: Câncer de Próstata Novembro Dourado: Câncer Infantojuvenil Dezembro Vermelho: HIV Dezembro Laranja: Câncer de Pele

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Projeto Inspire Ser: Mulheres e o Câncer Com base no coaching de carreira para mulheres e no medical coaching, Carina Cidade idealizou em 2017 o Grupo Inspire-se, que tem o objetivo de acolher mulheres com câncer de mama, ajudando-as durante o tratamento. Especialista em Marketing e Coaching de Carreira e Empregabilidade, ela teve câncer de mama aos 29 anos e passou por sete cirurgias ao longo do processo. Carine e outras nove mulheres que também foram diagnosticadas com câncer resolveram compartilhar em um livro as suas histórias e inspirar outras pessoas sobre a importância da prevenção e detecção precoce dos tipos de câncer que mais acometem mulheres. A obra também discute relacionamento, carreira, espiritualidade e família. O Grupo CAM, formado pela Clínica CAM, Clion, Ion, Osteo e GMN, acaba de comemorar 40 anos de existência e preparou algumas ações para potencializar as suas campanhas de prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Segundo a instituição, todos os detalhes estão disponíveis em suas redes sociais e site. Na Delfin +Saúde, o tema da ação será “Outubro Rosa. Não Deixe Passar em Branco. Cuide Agora, Cuide Sempre”. “Serão realizados milhares de atendimentos na capital e no interior durante a campanha, no período em que a busca pelo exame é intensificada”, explica Gonzalez. O Cehon participará da campanha com artistas e influenciadores digitais em meios de

O Grupo Inspire-se tem o objetivo de acolher mulheres com câncer de mama, ajudando-as durante o tratamento

Divulgação

mês haverá o “Dia D”. A paciente sem agendamento poderá ir à unidade de saúde, ter a mama examinada, ser encaminhada para a mamografia e até realizar exames preventivos se já tiver indicação médica. “Sem dúvidas, outubro é um mês em que a procura nos postos se intensifica por conta da campanha e em novembro também, como reflexo do mês anterior”, analisa a subcoordenadora do Campo Temático Materno Infantil da SMS, Mirelle França. Ainda segundo ela, entre os dias 8 de 11 de outubro, a SMS estará na Sala Rosa, no Shopping Lapa, uma ação da Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) que acontece durante duas semanas com palestras para o cuidado das mamas. Outras atividades realizadas pela prefeitura no Outubro Rosa estão disponibilizadas no site da SMS.

Camila Souza/GOVBA

Saúde

comunicação informando sobre a necessidade de prevenção e tratamento. Em anos anteriores, mais de 2,3 milhões de usuários se engajaram nas redes sociais. Palestras educativas e distribuição de material informativo são as apostas do Hospital Santa Izabel para apoiar a campanha. Outra ação da instituição será a iluminação da fachada em tons de rosa e a decoração interna com imagens em referência à campanha. No Hospital Aristides Maltez, nos dias 3, 6 e 17 de outubro, haverá palestras e a apresentação do coral das pacientes do Grupo Gamma (Grupo de Apoio à Mulher Mastectomizada) no hospital, na Livraria Paulina (Av. 7 de setembro) e na Braskem, em Camaçari, respectivamente. No dia 17, será apresentado um espetáculo de música dançante para os pacientes do hospital. No dia 22 de outubro, ocorrerá a Manhã de Beleza, em parceria com a Bel Salvador, no auditório do Aristides Maltez, com pacientes em tratamento de quimioterapia. Haverá doação de perucas, lenços, maquiagem, massagem e a presença de um

cabeleireiro. A instituição está recebendo doações de perucas e lenços para essa ação e busca um profissional habilitado para a construção de perucas, que seja voluntário.

Evolução no tratamento

A detecção precoce e o tratamento do câncer de mama vêm passando por diversas evoluções tecnológicas e na pesquisa. No Hospital Santa Izabel, que oferece atendimento integral e multidisciplinar em diversas áreas que compõem a saúde da mulher, foi fundado o Instituto Baiano do Câncer. A instituição tem um dos centros de radioterapia mais modernos do Norte-Nordeste, com aceleradores lineares de última geração e técnicas modernas de tratamento. “Essas técnicas permitem uma abordagem eficiente ao tumor, minimizando os efeitos da radiação sobre tecidos vizinhos normais”, explica Madureira. O hospital também mantém o Programa de Cancerologia Clínica na área da Residência Médica e o Centro de Pesquisas Clínicas Multicêntricas, com

iniciativas científicas de amplo alcance e a partir de protocolos mundiais. A instituição ainda oferece procedimentos de apoio no tratamento e diagnóstico por imagem, como a quimioembolização, a tomografia computadorizada, ressonância magnética, gama-câmara, Medicina Nuclear e PET-CT. Na Delfin +Saúde, o paciente conta com Medicina Nuclear, mamógrafos digitais e equipamentos de ultrassonografia e ressonância com imagens melhores. Para avaliar e acompanhar pacientes com metástases ou suspeitas, o PET-SCAN realiza o mapeamento do corpo inteiro e capta imagens anatômicas de alta resolução. Equipes capacitadas e equipamentos de última geração são as apostas do Grupo CAM para a detecção precoce e tratamento do câncer. Segundo os diretores da instituição, uma das diretrizes em suas estratégias ao longo da história é sempre buscar ampliar a qualidade dos serviços prestados. Recentemente, eles inauguraram uma nova unidade em Lauro de Freitas. A crioterapia, que ganhou visibilidade após a apresentadora Ana Furtado, da Rede Globo, passar pela terapia, é um dos diferenciais do NOB. O procedimento pode reduzir a queda de cabelos entre 40% e 100%, a depender do protocolo de quimioterapia usado. Ele consiste na aplicação de gelo, neve carbônica e outros veículos de frio intenso para promover a contração de vasos sanguíneos, preservar os folículos pilosos e reduzir a quantidade de medicamento que chega até as raízes. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 65


Crioterapia

capilar

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Médica oncologista

A preservação do cabelo está diretamente ligada à sustentação da essência feminina e à sensualidade para aquelas mais vaidosas

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A queda de cabelo provocada por alguns tipos de quimioterapia consiste em um dos efeitos colaterais que mais assusta as mulheres. Isso motivou, durante anos, uma série de pesquisas que culminaram no desenvolvimento de uma técnica inovadora denominada crioterapia capilar, cujo objetivo é minimizar a queda de cabelo. O Reino Unido foi o pioneiro e estudos iniciais envolveram mais de 2000 pacientes com taxas de sucesso de 49% a 100%. O procedimento foi aprovado nos Estados Unidos em 2015 e chegou ao Brasil em 2016. O método consiste no resfriamento do couro cabeludo, através de um capacete revestido por um gel e conectado a uma máquina que reduz a temperatura local a 4°C. O objetivo é reduzir a quantidade de medicamento que atinge a raiz do cabelo, já que os quimioterápicos atingem não somente as células tumorais, mas também as sadias. O resfriamento provoca uma contração dos vasos sanguíneos locais, o que reduz a quantidade de sangue carregando a medicação que chega até o folículo capilar, e, consequentemente, a chance de queda de cabelo. O capacete é conectado à paciente cerca de uma hora antes do início da administração da quimioterapia, permanecendo durante toda a sessão e por mais uma hora após o término do processo. Pacientes com diversos tipos de câncer podem ser sub-

Mirela Souto

metidos à técnica, porém a maioria dos estudos foi voltada para pacientes com câncer de mama. Caso haja o comprometimento do couro cabeludo pelo tumor, o procedimento é contraindicado, já que a medicação precisa atuar na região. Portadores de câncer hematológico, como linfoma

e leucemia, tampouco podem fazer uso da crioterapia. Outra contraindicação é a presença de alergia na região do couro cabeludo. Os principais efeitos colaterais da crioterapia são dores de cabeça, frio e tontura, porém tais sintomas cedem com analgésicos e mantas para manter o paciente aquecido durante o procedimento. Felizmente, o método costuma ser bem tolerado pela maioria dos pacientes. O sucesso do método varia entre os pacientes, mas pode promover a preservação de cerca de 80% dos fios. Levando-se em consideração que grande parte das pacientes encontra-se fragilizada com o diagnóstico, a manutenção da sua autoestima é de extrema importância para que a condução do tratamento seja feita da melhor forma possível. A preservação do cabelo está diretamente ligada à sustentação da essência feminina e à sensualidade para aquelas mais vaidosas. Nos casos de câncer de mama, a magnitude desse ganho é ainda maior, já que a mama é símbolo de beleza corporal e feminilidade, e muitas mulheres possuem o órgão modificado pela cirurgia. Apesar de não haver comprovação científica por tratar-se de variável subjetiva, acreditamos que pacientes que permanecem felizes e com a autoestima preservada durante o enfrentamento do câncer podem obter maior sucesso no curso do tratamento contra a doença. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 67


Falando de Sexo

Os pilares para ter um relacionamento nos moldes do

“Felizes para Sempre” Quando somos novos, acreditamos que só o amor é suficiente para salvar e manter qualquer relacionamento. Porém isso não é verdade e a vida não demora muito tempo para te mostrar a realidade. Um relacionamento é construído com base em outros pilares além do amor – e, muitas vezes, eles são ainda mais importantes para manter a estrutura e impedir que o casal desabe. O amor é uma experiência maravilhosa. É uma das maiores experiências que a vida tem para nos oferecer. E é um sentimento que todos devem aspirar a sentir e apreciar. Mas, como qualquer outra experiência, pode ser saudável ou insalubre. Como qualquer outra experiência, ele não pode nos definir e nem definir o nosso propósito de vida. O amor é mágico, mas não é o suficiente. Outro pilar de extrema importância, a meu ver, é o diálogo. Parece simples, não é? Em primeiro lugar, você tem que entender que tem o direito de pedir as coisas que você precisa. Não tenha medo de deixarem conhecer os seus pensamentos, porque essa é a sua responsabilidade consigo. 68 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Se você tem dificuldades com isso, tente começar expressando uma pequena necessidade e depois parta para as coisas mais importantes. Todo mundo tem as suas próprias “peculiaridades”, e é normal, com o tempo, descobrir algumas particularidades com as quais você não concorda.

A importância da comunicação é ajudar a criar um relacionamento amoroso e saudável com base na honestidade e na empatia. Mas lembre-se: você não deve se comunicar para ganhar uma discussão. Você deve se comunicar para garantir o amadurecimento e a felicidade de vocês dois como um casal. A importância da comunicação é ajudar a criar um relacionamento amoroso e saudável com base na honestidade e na empatia.

Cris Arcuri

Educadora sexual, palestrante e especialista em entretenimento para chás de lingerie

Divisão de tarefas - Parece bobagem o que eu vou escrever aqui, mas em pleno século XXI a desigualdade de gênero nesse quesito é responsável por muitos divórcios no mundo, e não sou eu que estou afirmando isto. Um estudo feito pelo professor Michael J. Rosenfeld, da Universidade de Stanford, em 2016, descobriu que 69% das vezes é a mulher quem dá início ao processo de divórcio, contra 31% dos homens. No Brasil, as mulheres passam 26 horas por semana cuidando do lar, contra 10 horas oferecidas pelo homem. E o fato de a mulher trabalhar mais, cuidar dos filhos, usar pílula anticoncepcional e, consequentemente, estar sempre cansada atrapalha demais a vida sexual do casal. Sejamos práticos e inteligentes. O que parece óbvio para alguns é algo que assombra muitos relacionamentos, principalmente com a chegada dos filhos: tarefas e mais tarefas, e nada de intimidade. Por isso, organizem mais as tarefas para que o casal desfrute de bons momentos juntos e possa ter uma vida sexual ativa e saudável. Afinal de contas, sexo é importante para que um relacionamento seja feliz.

Um bate-papo sobre empoderamento feminino, carreira, relacionamentos, família, moda, negócios, tecnologia, música, e muito mais. É isso que faz do Band Mulher um programa especial. Assista as entrevistas, par�cipe das promoções e informe-se sobre os temas que estão bombando nas redes sociais. Tudo isso ao vivo, contando com uma par�cipação especial: A SUA.

Band Mulher. De segunda a sexta, às 13h15. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 69


A melhor

aposta Setembro amarelo é o mote da campanha do Centro de Valorização da Vida para a divulgação de informações e prevenção ao suicídio. Tratase de uma iniciativa importante, pois enfoca um tema delicado e, ao mesmo tempo, um tabu. Falar sobre suicídio é, sobretudo, uma maneira de promover a atenção e o cuidado ao sofrimento vivido por muitas pessoas que, no limite de seus impasses na vida, cogitam a própria morte. Abordar o tema costuma trazer mais abertura e possibilidades de outras saídas para sofrimentos, muitas vezes, difíceis de suportar. Cada suicídio é um ato de um sujeito singular e não há uma única determinação para tal, contudo estamos falando de uma subjetividade situada no contexto de uma época. Afinal, como entender, por exemplo, o aumento gradual do número de suicídios entre crianças e adolescentes nas últimas décadas? Um suicídio na juventude representa uma vida que não encontrou um lugar em seu próprio futuro. Muitas vezes, estamos falando de garotos e garotas que sentem não ter um lugar em suas próprias vidas e, assim, como quem não vê outra saída, encontram na ideia de morte uma resposta. A travessia da adolescência envolve inevitavelmente um confrontamento com perdas, falhas, decepções; e quando essas experiências não en-

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Luiz Felipe Monteiro

Psicanalista, membro da EBP/AMP luizfelipemonteiro@gmail.com

contram um reconhecimento e uma elaboração, surge a sensação de falta de pertencimento à própria vida. Quais são as impressões sobre a vida e sobre o futuro

Um suicídio na juventude representa uma vida que não encontrou um lugar em seu próprio futuro. Muitas vezes, estamos falando de garotos e garotas que sentem não ter um lugar em suas próprias vidas e, assim, como quem não vê outra saída, encontram na ideia de morte uma resposta para que esses sujeitos sintam não possuir um lugar para eles mesmos? Certamente, estamos falando de percepções marcadas por uma impossibilidade de abrigar aquilo que não corresponde ao que cada um “deveria ser”. Nessas situações, a culpa e a sensação de impotência se superpõem de tal maneira que a autossegregação e a autoacusação tornam-se a tônica. Quando a felicidade, o sucesso e o amor tornam-se obrigações imperativas, perde-se de vista que a vida de cada um é também uma sucessão de erros, enganos e perdas. A presença dessa di-

mensão apenas se torna trágica quando esquecemos que ela é parte inerente da experiência de estar vivo. Tal visada é muito importante quando falamos sobre os jovens que se dão conta de que a vida é bem menos gloriosa que os dias de criança. Muitas vezes, esse é um confrontamento vivido de maneira abrupta e massiva em uma perda amorosa importante, no senso de uma completa inadequação ou em um fracasso em corresponder a expectativas muito elevadas. As tentativas de suicídio e os pensamentos de morte podem estar presentes no desespero ou em uma angústia extrema. Em momentos como esses faz diferença o sujeito ter alguém com quem falar ou mesmo um lugar para onde ir. Nem sempre a família ou os amigos serão os procurados nem mesmo aqueles que têm a condição para manejar a situação. É comum que muitos jovens procurem nas redes sociais algum ponto de apoio ou um lugar para compartilhar a dor. Ainda que muitos encontrem na internet uma forma de lidar provisoriamente com o problema, faz uma diferença relevante encontrar um “abrigo para a tempestade” com pessoas preparadas. Uma escuta atenta e cuidadosa continua sendo a tecnologia mais sofisticada para tratar daquilo que é humano, demasiado humano. Falar segue sendo a melhor aposta. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 71


Pet A cadelinha Meg, da raça Shitzu, é o xodó do radialista Gilberto Romano

Eles

Quem não chora não mama!

chegaram,

Como lidar com a chegada dos filhotinhos quando eles vêm ao mundo cheios de fragilidades e muita vontade de ocupar os seus espaços? Por Andréa Castro

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Arquivo pessoal

e agora?

Leonardo explica que a mãe também pode ter um pouco de agressividade no momento do desmame. “É natural querer que eles passem a se alimentar sozinhos”, explica. Depois que passa esse período, ela volta a se comportar normalmente na matilha. E quando estiverem interagindo de uma forma saudável, é importante também fazer o reforço positivo, dar um carinho, um petisco, para ser prazeroso e transformar esses momentos de interação em boas memórias. O radialista e apresentador Gilberto Romano passou por uma experiência tranquila quando os cachorros Ticy e Billy tiveram filhotes. Foram três cadelinhas da raça Shitzu: Belinha, Meg e Amora. “Quando havia a disputa de território, eu colocava uma de cada vez para mamar, para não se ferirem nem ferirem

Ao perceber que as brigas entre os bichinhos estão mais intensas, cuide dos filhotes separadamente, dê a comida em potinhos diferentes e dê um brinquedo para cada um.

O médico veterinário Leonardo Azevedo e sua cadela Azeitona; ela é da raça Pug e tem um aninho

a mãe”, conta. Em relação à cadela mãe com os filhotes, Romano explica que fez uma espécie de “trato”. “Foi tranquilo, não houve ciúmes dela. Eu brincava com as cadelinhas perto dela também”, explica.

Desmame

O desmame, geralmente, ocorre próximo a seis semanas de idade, quando a quantidade de leite da mãe começa a ser reduzida e a cadela passa a afastar os filhotes. O veterinário ressalta que animais desmamados muito jovens podem precisar de uma papinha de desmame ou um substituto do leite. No período correto, já podem começar a receber alimentação sólida.

Xô, vermes!

Quando o filhotinho chega, o ideal é que ele seja levado logo ao veterinário para uma avaliação clínica e a verificação do seu estado nutricional, a qualidade da pelagem e se tem alguma alteração congênita. Nesse momento, o melhor seria fazer um exame de fezes, para ver a necessidade da vermifugação e qual o tipo de vermífugo é o mais adequado. “Geralmente, as pessoas fazem esse exame por conta própria. Aí, pode ser usado um vermífugo de amplo espectro para fazer essa cobertura com mais segurança”, afirma o especialista. O procedimento deve ser feito a partir dos 15 dias de vida do animal, que já está com os sistemas or-

Arquivo pessoal

A chegada dos filhotes tão fofos e cheios de gás é sempre um momento delicado. Por isso, convidamos o veterinário Leonardo Azevedo, da Clínica Santé Animale (IG @santeanimaleba), para explicar como devemos lidar com esses animaizinhos e os principais cuidados necessários nos seus primeiros meses de vida. A disputa de território, segundo o veterinário, é normal, faz parte da socialização entre eles e o crescimento da própria espécie. “É saudável essa disputa. No entanto, devemos prestar atenção para que não se torne agressiva a ponto de gerar ferimentos ou traumas”, pondera. A dica é: se perceber que as brigas estão mais intensas, cuide dos filhotes separadamente, dê a comida em potinhos diferentes, dê um brinquedo para cada um, e os separe quando houver briga.

gânicos formados. Outro cuidado que se deve ter é contra a Dirofilariose, ou “verme do coração”, feito através de preventivos injetáveis e orais. “Recentemente, têm sido identificados alguns casos em Salvador”, alerta Leonardo.

Vacinação

A partir dos 45 dias de vida, a vacinação deve ser feita nos animais saudáveis. Inicia-se, normalmente, com a polivalente, que age contra 8 a 10 tipos de doenças, entre vírus e bactérias, e algumas causam doenças potencialmente fatais. Também se deve vacinar contra a giárdia, que causa uma doença intestinal, e a tosse dos canis, respiratória e contagiante. Recentemente, houve um surto dessa doença em Salvador. Para os cães a partir dos quatro meses, há ainda a vacina antirrábica e a vacina contra a leishmaniose, ou calazar, feita após um exame negativo, aos seis meses.

Pulgas e carrapatos

Outro cuidado que se deve ter com os filhotes é combater os ectoparasitas, a partir dos 30 dias. Se o animal já estiver infestado, podem ser usados alguns produtos antes desse período, mas isso deve ser feito com a orientação do veterinário, porque há o risco de gerar intoxicação. “É importante que se faça esse controle, principalmente quando os animais começam a iniciar o contato social, os passeios”, reforça Leonardo Azevedo.

Castração

Os tutores também devem estar atentos para a necessidade e o período da castração precoce. A castração nos cães a partir dos seis meses pode evitar o aparecimento de tumores de mama e a infecção no útero para as fêmeas, além de gestação indesejada, e nos machos, tumores de próstata, marcação de território com a urina, fuga por conta de fêmeas no cio e até um comportamento de agressividade. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 73


Fotos: Divulgação

Evento

Ivan Machado/Divulgação

Temas como jardins e brinquedos estão entre os preferidos das crianças

O Festeleco oferece um espaço amplo e arborizado e preza pela socialização entre o aniversariante e convidados

Eles são pequenos,

mas a diversão é grande Buffets infantis oferecem serviços personalizados para agradar aos pais e aos festeiros mirins Por Filipe Moreira

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É difícil encontrar alguém que não goste de estar com as pessoas que ama, em meio a muita comida, bebida, música, dança e, quem sabe, até uma decoração temática. Crianças não são diferentes e adoram ser o centro das atenções nos seus aniversários. Por outro lado, os pais, para festejar o aniversário do filho, em especial o primeiro aninho, planejam e buscam uma festa bem elaborada, já que é nessa ocasião que eles apresentam a criança aos amigos e familiares. Pensando nisso, os buffets infantis estão cada vez mais bem equipados, modernos e produzindo festas exclusivas, repletas de personalizações e cenários encantadores. Tudo isso reunido, sem dúvida, encanta pais e, principalmente, os filhos, que, apesar da pouca idade, estão muito antenados às novas tendências. O Planeta Encantado, localizado no bairro da Pituba, por exemplo, atende um público de um a 12 anos e segundo a gerente Sandra Oliveira, hoje, a maioria das crianças já decide o tema das suas festas, que optam pelos mais lúdicos como “jardins” e “brinquedos”, porém quando as mães gostam de incrementar,

O colorido dos temas lúdicos traz alegria para a festa e encanta os aniversariantes

os filhos acabam ficando com um pensamento mais gourmet, apostando em um cardápio mais elaborado. Para ela, a exclusividade e o atendimento personalizado são diferenciais. “Damos um retorno imediato e buscamos personalizar a festa, montando uma decoração específica para cada cliente”. Seja na unidade do Caminho das Árvores ou do Imbuí, o Planeta Festa, no mercado há 21 anos, realiza festas, na sua maioria, para crianças de um a seis anos, apostando também em um atendimento personalizado. “Algumas crianças ainda

A personalização é um dos diferenciais dos espaços de festa

preferem temas tradicionais, como princesas, outras já pedem filmes, e as mães ainda influenciam bastante. Dentre as festas mais recentes que realizamos, teve ‘discoteca’, ‘Show da Luna’ e ‘Mundo Bita’”, conta Cinara Matos, funcionária do buffet. Segundo Cinara, as crianças mais velhas, a partir de oito anos, já não querem mais festas infantis e já participam ativamente da organização do aniversário, partindo desde a escolha do local até a decoração e os atrativos da festa. Pensando nesse público, o Planeta Festa oferece o Balada Hall. “As crianças adoram ser estrelas por um dia; cantam, curtem com os amigos e fazem coreografias dos hits do momento. Elas querem uma festa exclusiva, com decoração neon, cores vibrantes e alegres, que destaque personagens do momento, como unicórnios, para poderem compartilhar em suas redes sociais”, completou Cristiane Vita, sócia da casa. O Festeleco, por sua vez, oferece um espaço amplo e arborizado na Pituba, o que deixa a festa aconchegante e confortável para a correria das crianças. Lá, os brinquedos eletrônicos são poucos, para incentivar a maior socialização entre o aniversariante e convidados. “Por incrível que pareça, tem funcionado muito bem e, aqui, os videogames não são os brinquedos mais procurados”, disse Priscila Chaves, sócia do buffet. Segundo ela, o desejo por temas de jogos como Minecraft, Clash of Clans e os populares emojis de celular mostram como a internet está presente na vida dos pequenos, que não dispensam comemorar em grande estilo o seu dia. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 75


Música

A música eletrônica tem ganhado espaço e notoriedade no Brasil. Seja em festivais, camarotes, trios elétricos, raves e baladas, em line-ups principais ou palcos alternativos, não faltam espaços para quem gosta de curtir uma boa mixagem Por Filipe Moreira

Fotos: Divulgação

Não é à toa que a música é considerada como a “primeira arte”. É quase impossível não entrar na harmonia desenvolvida por acordes, notas, batidas e a diversidade de instrumentos que a compõem. A variedade de gêneros é gigantesca e o Brasil tem grandes fronteiras de sono-

Vou tocando na pista, assim como toco na vida, e enquanto isso alimentar a minha alma, estarei na ativa! Renata Dias

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ridades que são fortes referências culturais pelo mundo todo, como o samba, frevo, funk, axé, bossa nova, entre outros. No entanto, nos últimos anos, é visível a notoriedade que a música eletrônica tem conquistado em terras tupiniquins. Não nos faltam grandes nomes que representam a força da Electronic Dance Music (EDM) no nosso país atualmente, tais como Vintage Culture, Tropkillaz, Felguk, Cat Dealers e Alok, o goiano que foi consagrado como o 19ª melhor DJ do mundo, pela DJ MAG, revista inglesa dedicada à música eletrônica. Disc Jockeys ou DJs são profissionais da música que selecionam canções ou gravações e desenvolvem uma improvisação através delas, construindo uma atmosfera de acordo com cada ambiente em que se apresentam. Manter as pessoas conectadas ao som que está envolvendo qualquer festa não é uma tarefa fácil, porque é preciso conhecer o público e preparar uma performance que se integre com todos os outros componentes do evento. Nascido em Goiânia (GO), o DJ Hugo Haus começou a carreira em sua cidade natal, mas já mora em Salvador há 18 anos, e disse que o que lhe despertou a vontade de ser DJ foi a música e o poder que ela tem quando colocada na hora certa.

Cenário baiano

Como Salvador é uma cidade muito versátil e influenciada por uma diversidade de produções culturais, mesmo sendo apaixonado por música eletrônica, Hugo enxerga as possibilidades de entreter o público com outras produções sonoras. “Para mim, tudo veio dos anos 1980 e 1990. Sempre fui apaixonado por House Music e pelas suas vertentes. Falar de

novos “ Os produtores

e DJs estão com todo o gás para fazer tudo diferente, sem medo de errar, coisas que os mais experientes já não fazem mais

Hugo Haus

influências é complicado, pois sempre fui muito eclético. Amo e toco vários estilos musicais diferentes”, conta. O DJ ainda falou sobre um crescimento na produção de grandes eventos da Bahia. “Os novos produtores e DJs estão com todo o gás para fazer tudo diferente, sem medo de errar, coisas que os mais experientes já não fazem mais”, destaca. Já a soteropolitana Renata Dias, depois de muito frequentar eventos na cidade, recebeu a proposta de se tornar residente de uma antiga boate e desde 2007 se dedica ao agito de pistas de dança. Com 11 anos de carreira, a especialista em House Music já viu e viveu muita coisa,

inclusive oscilações no cenário baiano e brasileiro. “Noto que hoje muitas festas segmentadas estão rolando e fico feliz em ver que existe um público que valoriza o trabalho do DJ”, diz. Entretanto ela acredita que as boates começaram a perder o foco e se tornaram casas de shows, nas quais o público não valoriza tanto a EDM. “Se eu quisesse fazer parte do line-up, tinha que tocar funk, sertanejo... e eu não sentia prazer em adequar a minha pesquisa para atender a essa expectativa do público e de alguns contratantes”. Exalta que há profissionais bacanas atuando no mercado hoje, mas também acha que muita gente não sabe manuseJul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 77


Música ar o equipamento além do volume e do botão do play. “Em um curso, ouvi de um instrutor que o DJ tem a obrigação de saber fazer mixagens, mesmo errando, mas isso é o mínimo para sair da mediocridade”, diz.

Presente e futuro

Nomes como Anne Louise, Alexandre Schnitman e Miss Cady também são populares na cena. Festivais, camarotes, trios elétricos, raves e baladas sempre são palcos para DJs, seja em line-ups principais ou palcos alternativos, não falta espaço para quem gosta de curtir uma boa mixagem. O duo Clubbers, formado pelos mineiros L. Lopez e John Patrício, que embala as pistas de dança desde 2015

e, recentemente, fez uma colaboração com o Vintage Culture na música “Memories”, acredita que o cenário eletrônico no Brasil está cada vez maior e a tendência é melhorar. “As cidades estão recebendo mais festivais, as festas cresceram e o público jovem está cada vez mais interessado na música eletrônica”. Um bom exemplo dessa evolução foi a primeira vez do DJ Haus como DJ residente do Carnaval de Salvador, experiência que ele considera uma das mais importantes de sua carreira. “Toquei em um grande camarote no circuito Barra-Ondina. Minha cabine e um grande som ficavam de frente para a rua e alguns trios passavam, os artistas falavam comigo e eu

lhes respondia fazendo interação. Ver todo o camarote e a energia do público com aquele mar de gente na rua foi inesquecível”, finaliza. Dividida entre os trabalhos como escritora, terapeuta e DJ, Renata Dias vive uma realidade diferente de 11 anos atrás, quando começou a sua carreira. “Já me permito selecionar os lugares onde me apresento. Era DJ aos 30, sou hoje aos 40 e posso continuar sendo aos 50, se isso me fizer feliz”. Sem expectativas fantasiosas e com muita experiência, os seus sonhos não estão ligados a prazos. “Vou tocando na pista, assim como toco na vida, e enquanto isso alimentar a minha alma, estarei na ativa!”.

O duo Clubbers, formado pelos mineiros L. Lopez e John Patrício, embala as pistas de dança desde 2015.

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Party

Tanqueray Weekend Não foi apenas uma balada, mas um fim de semana com um mix de experiências em um paraíso de alegria e diversão. Festas e calmaria se completaram no Tivoli Eco Resort – Praia do Forte, um cenário de beleza natural ímpar! Famílias, empresários, artistas, modelos e “baladeiros” juntos, com a mesma vibe positiva e com o modo Tanqueray ativado!

Beatriz de Alcântara e Ianna Araújo

Mavi Oldemburg e Carol Seubert

Laura Iohanna

Maria Cunha e Cayque Costa

Rodrigo Palhares e Clara Lisboa

Tricy

Denny Denan e Adelmo Casé

Rodrigo Palhares e Rodrigo Gil

Água Lôa Team

Alexandre Schnitman

Talita Zioli e Daiane pingo

Lud Prado, Íris Stefanelli e Priscila de Oliveira

Maria Paula e Cyro Freitas

Nadja e Maurício Barbosa

Babi Costa

Nubia Gouveia e Jessica Turini

Nenel Rebouças, João Viena, João Eça e Rick Valladares

Philippe Franco e Lippinho Franco

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Herbet, Catarina Dias e Amigos

Juliana Guilherme e Heshilla Mendes

Dany Brugni e Gabriela Rocha

Ronald

Jhu Novelli

Nagib Daiha e Karen Machado

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Party

Zão Sampaio, Rodrigo Palhares e Hamilton Filho

Tanqueray Team

Íris Stefanelli

Uma onda de sucesso A festa Onda, com incríveis seis sold-outs seguidos, ou seja, com ingressos esgotados em todas as edições realizadas, tem uma nova data confirmada: uma nova edição acontecerá no dia 20/10, no Farol da Barra, em Salvador. Com certeza, estarei lá tomando o meu Tanqueray! A festa, que já passou pelo Sol Victoria Marina, Nano Beach Club e Hotel Iara, está sempre inovando junto à tendência mundial do Day Party. São festas à luz do dia, lideradas pelas baladas europeias, invocando a mistura de ritmos com o melhor do funk, hip-hop, reggaeton e deep house.

Eduardo Punzi e Erasmo Viana

Júlia Garcez, Isabella Mota e Gabriel Gazineu

Gabriella Rocha, Vanessa Machado, Júlia Garcez, Bianka Solla, Malu Calazans, Sérgio Mota, Rafael Saraiva e Isabella Mota.

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Paula Bandeira, Marianna Barreto, Luanna Barreto e Beatriz Caldas

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Social & Eventos

Coluna Social

Solidariedade

Fotos: Divulgação

VIP

Isabela Brussel Coelho foi a responsável pelo vitorioso projeto da Sanave Veículos intitulado “Visão Brasil - Um Olhar Positivo sobre os Princípios Básicos da Sociedade”, com a finalidade de ajudar pessoas e instituições de caridade através das vendas de camisas com mensagens positivas sobre a vida.

Karla Borges Administradora de empresas, bacharela em Direito e professora

Posse na ANEEL O paraibano, servidor de carreira, André Pepitone da Nóbrega, tomou posse no último dia 15 de agosto como diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em uma cerimônia concorridíssima no auditório do Ministério das Minas e Energia em Brasília, contando com a presença do amigo baiano Joaci Góes.

30 anos do Tivoli O empresário português João Eça, o ator Henri Castelli, o querido fotógrafo Kin Kin e o cônsul da Suíça Daniel Kunz estiveram presentes no aniversário de 30 anos do Hotel Tivoli, na Praia do Forte, com direito a show do cantor Saulo.

A doce Aline A atuante primeira-dama do Estado da Bahia, Aline Peixoto Costa, foi surpreendida com um almoço-surpresa pelo seu aniversário promovido pelas Voluntárias Sociais no Restaurante Tuty por Paty, na Vitória. Na foto, Aline entre as amigas Ivana Pitanga e Juliana Medrado.

O aniversário de Eugênia Coelho Ribeiro Lima

A aniversariante de setembro Casamento em Berlim Paulinha Souza e o alemão Felix Kruger casaramse em uma linda cerimônia em julho, no Castelo de Lubbenau, próximo a Berlim, mas a celebração no Brasil acontecerá no dia 3 de novembro, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, seguida de uma grande festa no Palácio da Aclamação oferecida por seus pais Ana e Paulo Roberto Evangelista de Souza. 84 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

A extraordinária médica Clarissa Mathias foi a querida aniversariante do mês de setembro, quando recebeu inúmeras felicitações de amigos e pacientes.

Comenda ao Benemérito Benedito Borges recebeu, na Arena Fonte Nova, a comenda Valdemar Costa pelas relevantes contribuições prestadas ao Esporte Clube Bahia, enquanto dirigente de futebol, sendo responsável pelo time que conquistou a primeira Taça Brasil de 1959. Na foto, o homenageado entre os netos Tiago e Ricardo Maracajá, o autor do requerimento, Lula Bonfim, o eterno centroavante Beijoca e demais dirigentes do Bahia.

Impossível enumerar as amigas que prestigiaram o animado aniversário de Eugeninha, como é carinhosamente chamada. A festa prolongou-se até a madrugada com direito a flashback. Na foto, Eugênia, à esquerda, com um belíssimo vestido em tom champanhe, sendo abraçada pela cunhada Itana Coelho, pela irmã Catarina Coelho, por Kátia Ribeiro Lima, Nina Sá, Cristiana Souto Maia, Marcia Garcez e Valéria Gomes.

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Festa

Social & Eventos A baiana Paula Mendonça casou-se com o norte-americano Ryan Griffin em Punta Cana, no Hotel Paradisus Palma Real Golf & Spa. O casal passou a lua de mel no Havaí e fixou residência em Boston.

15 anos Gabriela Nunes, filha de Bianca Nunes e Paulo Brito, comemorou os seus 15 anos com uma grande festa no Instituto Feminino da Bahia oferecida pelos avós Fátima e José Nunes.

Almoço de Indira Indira Dantas Araujo comemorou o seu aniversário oferecendo um almoço a um pequeno grupo de amigas no Restaurante Mistura, na Av. Contorno. Na foto, Indira com a amiga Marta Moraes.

HISTÓRIA VIP A grande empresária que um dia foi médica Aurora Mendonça é uma dessas pessoas raras, de um equilíbrio e enorme competência em tudo o que se propõe a fazer. Nascida em Nazaré das Farinhas-BA, mudou-se para a capital com a sua família, ainda criança, em busca de educação. Aos 18 anos, realizou um sonho de infância: ingressou na Faculdade Bahiana de Medicina, onde se formou aos 24 anos. Trabalhou na área de sua paixão, a Pediatria.  Dividida entre a família, a Medicina e as atividades empresariais no setor de locação de veículos, deixou de ser médica para se dedicar às duas filhas e às empresas que construiu. Hoje, é vice-presidente do Grupo LM e encanta o mundo social e dos negócios com a sua postura ética e solidária! Que mais Auroras possam fazer parte deste universo!

Fotos: Bel Saffe

Casamento na praia

A tradicional feijoada da Let’s Go aconteceu no Restaurante Sombra do Coqueiral, no Tivoli Praia do Forte

Feijoada da Let’s Go Bahia reúne empresários no Tivoli À frente da Revista Let’s Go Bahia, as sócias Mani Monteiro, Monique Melo e Verônica Villas Bôas receberam empresários e a imprensa no Restaurante Sombra do Coqueiral, no paradisíaco Tivoli Ecoresort, localizado em Praia do Forte, para a tradicional feijoada da publicação, que completou 10 anos. No encontro, o baiano Fritz Paixão, CEO da CleanNew,

As sócias da Revista Let’s Go Bahia: Monique Melo, diretora de Redação; Mani Monteiro, diretora de Marketing e Mídias Sociais; e a publisher Verônica Villas Bôas

apresentou, pela primeira vez, o case de sucesso que tornou a sua empresa, em dois anos, a maior franquia de higienização e blindagem de estofados do país, e hoje já tem filiais nos Estados Unidos, Argentina e Colômbia. A festa contou, ainda, com atrações musicais como a Banda Flerte Flamingo e os DJ’s Renata Dias e Hugo Haus.

Monique Melo, Renata Dias, Verônica Villas Bôas e Hugo Haus

Celebração do amor A bonita designer Ana de Villar e o médico-cirurgião Flavio Villar completaram oito anos de casados em grande estilo e já planejam uma viagem para breve. 86 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Banda Flerte Flamingo

Fritz Paixão, CEO da CleanNew

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Festa

Karla Borges e Heuconio Almeida, Ana Carolina e Victor Araripe, Maristela e Marcelo Sapucaia, Mariana Oliveira e Augusto Leite com Verônica Villas Bôas

Carla e Jonga Bigglia

Lila e Daniel Kunz

João Eça, do Tivoli, e Vanderlei Miranda, da Itaipava

Eneida e João Paulo Lima

Vi ve nci e um natal e s pe cial co m a s ua famí l i a.

Marilda Silva e Arlindo Andrade

Marta e Ricardo Luzbel

PATROCINADORES

APOIO

T ivoli Ecoresort P raia do Forte w w w.t ivo liho tels.co m | T: +55 7 1 3 676 40 0 0 | B a hia , B ra sil

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Destaque Banda marca o momento de renovação da música baiana Por Laís Matos pendência da grande indústria fonográfica. Com dois EPs na bagagem e uma trajetória de apresentações por diversos espaços, a banda é formada atualmente por Leonardo Passovi (guitarra e vocal), Bernardo Passos (percussão), César Neto (baixo e vocal), Rodrigo Santos (guitarra e vocal) e Moacyr Cortes (bateria). Originada de um encontro entre amigos que, até então, tocavam sozinhos no próprio quarto, a Flerte Flamingo nasceu do desejo de tocar e desen-

volver música sem se prender a definições de estilo, explica o vocalista Leonardo Passovi. “Resolvemos montar a nossa banda sem estabelecer previamente do que seria. Ainda não tínhamos um gosto em comum por um gênero específico. Nessa época, a gente só sabia que seria algo original, algo que saísse da gente”. O grupo, no entanto, sempre teve o rock como base para a sua construção musical. “Fomos formados ouvindo bandas de rock e o nosso principal gosto era a música

Bel Saffe

No palco, a formação clássica das bandas de rock: duas guitarras, baixo e bateria. No repertório, uma sonoridade própria que reúne samba, pop rock, samba-reggae e outras influências genuinamente regionais que marcam a cena da nova música popular brasileira. Com três anos de história e quase dois de presença em shows e eventos pela cidade, o grupo Flerte Flamingo segue a tendência dos novos artistas da cena local, demarcada por originalidade, conceito e inde-

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estrangeira, mas nos encontramos justamente em uma fase da vida em que a gente começava a sair dessa coisa juvenil do gênero para olhar com mais carinho para as influências que estavam à volta. Após um longo processo de criação e maturação da própria identidade, os meninos abriram os olhos para outras vertentes da música, “inclusive mais ricas”, destaca Leonardo. “Quando comecei a explorar o instrumento voltado para esse sotaque mais regional, mais nacional, comecei a me sentir muito mais solto e percebi que se eu tentasse compor canções nos moldes do rock com aquela levada rítmica, aquele tipo de harmonia e melodia, não iria soar natural, porque não é isso que está à minha volta, não é essa pulsação rítmica que bate naturalmente no cidadão que nasce em Salvador. A gente se sentiu muito mais à vontade, vimos muito mais verdade no som. Não foi uma opção e sim um processo de experimentação de coisas novas até chegar à conclusão: é aqui que eu tô em casa”. Dessa maneira, a partir de uma união orgânica da música lo-fi (feita por aparelhos eletrônicos no computador) – uma vertente da internet que vem crescendo especialmente no Oriente, na Austrália e também nos Estados Unidos – e da já tradicional familiaridade com o rock foi construída a base para o estilo musical da Flerte Flamingo. São composições que, se tocadas em voz e violão, viram “samba”, mas quando levadas para a estrutura da banda, com guitarra, baixo, bateria e, às vezes, teclado, ganham uma nova personalidade musical, dançante e repleta de afetos. Gravado em 2017, o primeiro EP da Flerte Flamingo é uma introdução da banda no cenário da música local autoral. Apenas depois das primeiras gravações que o grupo decidiu fazer o seu show de estreia, em abril do mesmo ano, no Irish Pub. O segundo EP, “Postura e Água Fresca”, produzido por Paulinho Rocha no Estúdio Lagoa Grande e

lançado pelo selo Satellite Music, veio logo depois e apresenta um trabalho mais consistente, uma nova fase do grupo.

Renovação

Ainda em processo de construção, o cenário musical alternativo vem conquistando públicos maiores e imprimindo uma nova forma de fazer música, marcada pela experimentação e por uma identidade própria, que não depende mais de grandes gravadoras. “Estamos em uma fase de renovação em que os nomes começam a surgir aos poucos. Há uma proliferação de artistas que estão atingindo um cenário de mais holofote. A BaianaSystem é o maior exemplo, porque conseguiu crescer de dentro para fora e fez um barulho tão grande em seu reduto que foi inevitável não se aventurar para fora da Bahia e do país”, afirma Leonardo.

Quando nos sentamos para fazer algo, buscamos o diferente dentro daquilo que fazemos como natural. A gente tenta não fazer ‘mais do mesmo’, a não ser que a intenção seja realmente ironizar a situação e explorar o clichê como algo gritante Leonardo Passovi, vocalista

Influências

Jorge Ben Jor, Dorival Caymmi, Caetano, Gil e todo o movimento tropicalista, junto com os Beatles, são as principais referências da banda que também bebe de outras influências indiretas como Artic Monkeys e os trabalhos paralelos de Alex Turner, Noel Gallagher, Di Melo, Paul Mccartney, Marcos Valle,

Baden Powell e Vinícius com Afrosamba, Childish Gambino, Erasmo Carlos e o seu trabalho pós-Jovem Guarda, Mac DeMarco e Novos Baianos, entre outros artistas caracterizados por uma identidade forte, mas que sempre se reinventam em busca de novas sonoridades. “Quando nos sentamos para fazer algo, buscamos o diferente dentro daquilo que fazemos como natural. A gente tenta não fazer ‘mais do mesmo’, a não ser que a intenção seja realmente ironizar a situação e explorar o clichê como algo gritante”, avalia o vocalista. Com letras que abordam, sobretudo, o amor, o repertório da Flerte Flamingo passeia pelo universo de cada um dos integrantes. Leonardo, que costuma escrever as canções, conta que não tem muito domínio do próprio processo criativo. “Às vezes, sinto-me um pouco preso com a verdade diante dos meus olhos e acabo retratando demais apenas o que vivencio. Agora é que estou começando a fazer músicas sobre temas mais genéricos, explorando ‘eu líricos’ que não são necessariamente do meu universo”. A música “Ladinho”, uma das mais cantadas, é um exemplo literal das vivências do compositor, já que foi inspirada em uma pequena briga com uma antiga namorada. “Ficamos sem nos falar, coisa de duas horas; eu via uma coisa legal, pensava em mandar para ela e desistia. Larguei o celular e veio a melodia: ‘Tenho tanta coisa para te contar, mas a gente tá brigado’. Essa talvez seja a história de letra mais interessante, o resto é só mazela do coração mesmo”. Este mês, a Flerte Flamingo vai lançar mais duas músicas, também com a produção de Paulinho Rocha. Para o futuro, o plano é “jogar os tentáculos para cima do Nordeste, explorar para sentir a resposta por lá e levar o nome da Bahia. A ideia, agora, é partir para os lugares onde a gente acha interessante tocar”. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 91


A filosofia

Ikigai De acordo com os japoneses da Ilha de Okinawa, ao sul do Japão, todos têm um Ikigai, que significa, literalmente, razão de ser, propósito de vida, o motivo pelo qual acordamos todas as manhãs. Ikigai é muito mais do que um conceito. É um estilo de viver, de ser produtivo, de encarar a vida com tranquilidade e alegria. Descobrir qual é o seu Ikigai requer um mergulho profundo em si mesmo. Essa busca é extremamente essencial porque somente a partir dela é possível colher resultados extraordinários em todos os aspectos da sua vida, em total harmonia com a sua verdadeira essência. Para traduzir melhor o seu significado, foi criada uma mandala, que é composta por quatro círculos que representam: O que você ama fazer - todo o processo transformador e a realização do potencial humano se iniciam com o entendimento desta questão: O que eu amo fazer? É no cerne de tal questão que encontraremos o que, para a Filosofia e para o Método Ikigai, se traduz por motivação profunda. O que você faz bem - este é o ponto em que surge o nosso compromisso com a excelência, pois apenas amar uma atividade não é o suficiente para determinar que seremos referência no que realizamos. Ser referência, na visão Ikigai, tem pouca relação com o reconhecimento exterior (sucesso), está diretamente relacionado com o sentido de propósito e missão ou com aquilo que denominamos grandeza. O que você pode fazer e ser pago por isso - quando amamos 92 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Pedro Cordier Escritor, coach, palestrante e professor

o que fazemos e nos dedicamos a fazê-lo benfeito, para ser um trabalho e não um hobby é necessário que consigamos encontrar um plano que defina a nossa expectativa de remuneração e um projeto para atingir esse fim. Muitas pessoas acham que fazer aquilo que amam pode significar que não vão ganhar dinheiro. Na visão Ikigai, para se ganhar dinheiro preservando a felicidade, é preciso fazer, com excelência, o que se ama para alcançar um resultado financeiro efetivo. O que é bom para o mundo - uma vida significativa perpassa

Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre o porquê Mark Twain

pelo sentido de que o que realizamos causa resultados positivos para o mundo. Na filosofia Ikigai, refere-se ao sentido profundo de ação altruísta e resultados positivos de nossos trabalhos e atitudes. Quem tem a clara percepção de que o seu trabalho não é apenas um meio de ganhar dinheiro e sim um meio de transbordar o seu talento para o outro e para o mundo tem muito mais faci-

lidade de se destacar e de encontrar satisfação e motivação profunda no que realiza. E na interseção dos quatro círculos está o nosso Ikigai. É fazendo o que amamos, da melhor forma possível, colhendo os frutos dessa dedicação e deixando um legado positivo, que encontraremos os resultados extraordinários de uma vida significativa!

O método Ikigai

Para os japoneses de Okinawa, que nascem e são criados dentro dessa base filosófica, não parece ser tão complicado compreender e vivenciar o seu Ikigai. Mas no Ocidente, em sociedades fortemente regidas por uma visão materialista, imediatista e utilitarista da vida, esta é uma abordagem que pode se mostrar difícil de ser alcançada. Percebendo essa realidade, a Ikigai Brasil traz ao nosso mercado a primeira metodologia de desenvolvimento humano totalmente orientada pela filosofia Ikigai. Essa metodologia tem por objetivo levar a filosofia Ikigai aos mais diferentes públicos, permitindo que eles possam viver todos os seus objetivos. O método Ikigai permite a cada um dos participantes dos diversos cursos, workshops, treinamentos e formações fazer uma profunda e transformadora jornada de (auto) conhecimento, reconectando-se com a sua essência, em que podemos nos perceber únicos, belos e cheios de talentos. Verdadeiros agentes proativos de transformação! E você, já sabe qual é o seu Ikigai? Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 93


Life Style de verdades prontas, em que a fragmentação da informação e a falta de concentração levam o ser humano à passividade e à mais profunda alienação. Doze projetos individuais foram eleitos pelo curador-geral, Gabriel Pérez-Barreiro. Sete artistas-curadores foram convocados a apresentarem mostras coletivas com total liberdade na escolha dos artistas e na seleção das obras. A única estipulação foi que incluíssem trabalhos de sua própria autoria. Além das exposições, um programa de encontros, palestras, performances e ativações de obra acontecem nos espaços. Em novembro, conversas, oficinas e performances serão realizadas em torno do tema “Práticas de Atenção”. Um app foi criado a fim de que o usuário encontre conteúdos da exposição, além de uma versão digital e jogável da publicação educativa “Convite à Atenção”, que propõe quatro etapas de exercícios de atenção, entre outras atividades. A proposta do evento é de criação de espaços favoráveis a desacelerar, observar e compartilhar experiências. Imperdível! A 33ª Bienal de Arte de São Paulo estará aberta de 7 de setembro até 9 de dezembro de 2018, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque Ibirapuera. Entrada gratuita.

K-Culture

de semana, grupos de adolescentes ensaiam passos de dança do K-pop (CCSP - R. Vergueiro, 1000, Liberdade); no Bom Retiro, além de restaurantes, cafés e docerias coreanas, é possível fazer compras em um mercado de itens coreanos, o Otugui (Otugui - Rua Três Rios, 251, Bom Retiro); e na Santa Cecília fica o Centro Cultural Coreano no Brasil (Al. Barros, 192, Santa Cecília).

Luxury in the air

Quer uma experiência de viagem exclusiva? Frete um jato com os seus amigos e se divirta no destino desejado. Esta é a nova tendência entre os endinheirados brasileiros. É muito simples: junte a sua turma, escolha o país e a cidade a ser visitada, frete o jato de acordo com a distância e a autonomia do aparelho ou faça a escolha do tamanho do seu sonho! Linhas aéreas comerciais estão vendendo packs de serviço de voos altamente elaborados, com suítes e apartamentos particulares para fazer com que a 1ª Classe seja mais extravagante e glamourosa do que nunca, mas jamais oferecerão o luxo e a conveniên-

Adriana Cravo Relações Públicas

cia dos voos particulares. A possibilidade de escolha do cardápio, com o take-out do seu restaurante favorito, salões e terminais exclusivos para partida e chegada, sem o desperdício de tempo, são alguns dos benefícios. Aeroportos lotados, aduana, imigração e mais um sem fim de incômodos causados pelo enorme trânsito de pessoas ao redor do mundo chegaram ao fim! Programe-se para as suas próximas férias em alto estilo!

Atenção plena

Com o título “Afinidades Afetivas”, a 33ª edição da Bienal de São Paulo foi aberta no dia 7 de setembro, no Ibirapuera. Este ano, o maior evento de arte do Hemisfério Sul terá como temas principais a presença e a atenção dentro de um mundo

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Pablo Picasso em La Californie, Cannes, 1957. Foto de Irving Penn. Doação prometida ao The Metropolitan Museum of Art pela The Irving Penn Foundation

IMS - Irving Penn

Fotos: Divulgação

Você já ouviu falar em hallyu? Essa é a nova onda que toma conta do país, a cultura coreana. Encampada como estratégia de soft power pelo governo da Coreia do Sul, desde o início deste século, ela está chegando ao Brasil com força total. Em São Paulo, o enorme interesse pela cultura do pequeno país asiático tem aporte em uma numerosa comunidade que, mais de 50 anos depois de sua chegada, integra-se à multiplicidade da grande metrópole brasileira. Se por anos trabalharam, invisíveis, no ramo do vestuário, impulsionando o tradicional bairro do Bom Retiro, hoje, coreanos e descendentes trabalham em diversas áreas, graças ao hallyu. A quantidade de cafés, restaurantes e mercados que se multiplicam no Centro mudou o cenário da cidade. E não apenas a gastronomia ganhou foco, outras sensações exportadas há mais tempo são o k-drama (novelas), o K-pop (música) e a K-beauty, (cosméticos). Estando em São Paulo, não deixe de visitar: no Centro Cultural São Paulo, especialmente aos finais

como Truman Capote, Picasso e Audrey Hepburn. A mostra, que foi exibida pela primeira vez no Metropolitan Museum of Art (The Met), em NY, no Grand Palais, em Paris, e pelo C/O Berlin, apresenta um panorama da produção do fotógrafo norte-americano. A curadoria é de Maria Morris Hambourg, curadora independente, e de Jeff L. Rosenheim, curador do departamento de Fotografia do Met.

O Instituto Moreira Sales celebra o centenário de Irving Penn com uma exposição espetacular. Mais de 230 fotografias concebidas ao longo de quase 70 anos de carreira, além de cerca de 20 periódicos, fazem parte da belíssima retrospectiva. Estão presentes as suas fotografias de alta-costura, trabalhos iniciais em Nova Iorque, na América do Sul e no México, retratos de povos indígenas de Cusco, no Peru, e retratos de figuras icônicas

IRVING PENN: CENTENÁRIO Visitação: de 21 de agosto a 18 de novembro (Galerias 2 e 3) Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 10h às 20h. Às quintas-feiras, até as 22h. Entrada gratuita Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 95


Bel Saffe

Capa A Sorveteria da Ribeira, que carrega consigo o imponente título de sorveteria mais lembrada de Salvador, é sinônimo de um passeio em família nas tardes de domingo Por Matheus Pastori de Araujo Quem é da Bahia ou vem aqui regularmente sabe que há, em Salvador, regiões quase que sagradas e, por isso, intocáveis. São, no geral, aquelas que foram cantadas e contadas em verso e prosa pelos vários de nossos prodígios nas artes em geral, as quais, pelo que parece, têm alta afinidade com os comportamentos singulares que se só se veem por aqui. Esses recantos conservam tradições igualmente seculares, passeando pelo sagrado, pela história, pelos hábitos consagrados pelo tempo e pela própria cidade. A essência do ser baiano. Alguns clássicos dos costumes: ouvir o Olodum, comer o acarajé de Dinha, contemplar a imponência e o colorido do Pelourinho quando, de lá, aproveita-se para descer o Elevador Lacerda. Enquanto admira-se o espelho

É como se a sorveteria, de tão tradicional e amada, interagisse diretamente com os seus fregueses. d’água que banha a Cidade Baixa, comprar lembrancinhas no Mercado Modelo. E, dali, aqueles caminhos que percorrem o Comércio levam, invariavelmente, ao Bonfim, parada estritamente obrigatória. Do alto da Colina Sagrada, entre o sacodir das fitas é possível ter uma vista panorâmica de parte do Largo de Roma, do próprio Bonfim e da Ribeira. Bairros icônicos interligados. Não há quem os visite e não sinta a alma da cidade pulsar no ritmo mais compassado de nossas origens, tão lembradas e até hoje intrínsecas à nossa maneira de viver. Sem perder de vista o brilho aguçado das águas, é quase au-

tomático que se desça o cume daquela basílica mais famosa do Nordeste e, andando mais um pouco, se chegue aos casarios coloniais que têm o luxo de estar ao nível da Baía de Todos-osSantos; ali, a alguns metros da balaustrada. Com as suas ruas charmosas, sinuosas e enfeitadas com o encanto de uma cidade do interior, chegamos à Ribeira. Mais precisamente à Península de Itapagipe, em frente ao seu mais famoso, bem-sucedido e simbólico estabelecimento: a sua sorveteria. A Sorveteria da Ribeira não somente leva o nome do bairro, como é, para nós, sinônimo de um passeio em família em uma dessas lindas tardes de domingo. Com 88 anos de história, a casa, hoje pintada em fortes tons de azul, carrega consigo o imponente título de sorveteria mais lembrada de Salvador. E como não seria? Como um desses lugares que aparentam ter vida própria, é como se a sorveteria, de tão tra-

SUCESSO QUE

ATRAVESSA

GERAÇÕES

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Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 97


dicional e amada, interagisse diretamente com os seus fregueses, vizinhos e com as ruas que a abrigam, repletas de restaurantes, bares e turistas atraídos por iguarias das mais variadas. Isto, somado à brisa do mar e ao clima tão sereno em que é possível ouvir a melodia dos pássaros, resulta em uma experiência que, de tão simples, beira a magia. Cajá, biribiri, algodão-doce, açaí com banana, chocolate branco. Desafio o leitor a passar, uma ou duas vezes, em frente àquela casa e não encontrar filas de gente para experimentar a gama de 63 sabores que preenchem o quase secular letreiro principal; diariamente, são vendidos mais de 300 litros de sorvete. Entre crianças, casais, turistas e clientes fidelíssimos, o hábito de saborear a história se criou muito antes dos mais profundos conhecimentos de marketing. No boca a boca, o lugar – que não ostenta nada senão o necessário – fez fama por aquilo que não precisa de teoria nenhuma para ser identificado: a qualidade. Composta por dois salões e tradicionais mesas e cadeiras na calçada, quem entra hoje na sorveteria a teria reconhecido também há décadas. Isto basta para que o local seja lembrado como um programa familiar quase que unânime de soteropolitanos e de quem mais vier.

Os três Franciscos

É também de família a administração do lugar. Desde a sua inauguração, em 1931, com o italiano Mario Tosta, a Sorveteria da Ribeira passou por mais duas mãos de homens apaixonados por essa tradição. O espanhol José Hermida a assumiu em 1960, e quando se mudou para o Rio de Janeiro vendeu a empresa para um morador da região: Francisco Carlos Lemos, o Fafá, que, há uma década, então, vem 98 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Fotos: Bel Saffe

Capa

Francisco Carlos Lemos Neto, Fafazinho, é um dos administradores da Sorveteria da Ribeira

A sorveteria é um patrimônio da cidade, e nós a vemos desta forma

Francisco Carlos Lemos (Fafá), empresário

mantendo e levando adiante esse patrimônio da cidade. Pela tarde de uma quarta-feira, a reportagem da Let’s Go Bahia reuniu Francisco Lemos, o Seu França, Fafá e Francisco Lemos Neto, carinhosamente chamado de Fafazinho pela família. As três gerações que hoje respondem pela Sorveteria da Ribeira não podiam ser mais “a cara” do bair-

ro. De um a um, foram chegando despretensiosamente à mesa, e, quando reunidos, transformaram a energia do lugar. Como ocorre na realidade, em que eles são mais conhecidos pelos seus apelidos do que pelos seus nomes próprios, os trataremos assim nesta matéria. Era nítida em seus semblantes a alegria de estarem juntos para falarem sobre o sucesso que, até hoje, aquele empreendimento representa. Mais tímido, Fafazinho via e ouvia o pai e o avô cumprimentarem cada um e, claro, distribuírem sorvetes a torto e à direita. Ninguém de nossa equipe deixou de provar o seu sabor preferido. Nós também passamos a nos sentir em casa. Conhecido por seu espírito inquieto, Fafá se sentava e se levantava da cadeira para atender ao telefone. Os negócios não param nem mesmo para dar entrevistas e a expansão da Sorveteria da Ribeira também não poderia parar. “Ser dono daqui era um daqueles sonhos de infância. Eu frequentava a Sorveteria da Ribeira e aquele ponto de venda de caldo de cana logo ali [ele aponta para o local]. Certo dia, um amigo chegou a mim e me perguntou: Por que você não compra o lugar? Respondi que não, que o valor era muito alto. Mas como Seu Hermida me conhecia e gostava muito de mim, graças a Deus, negociamos e chegamos a um preço que era possível”, relembra Fafá, que, finalmente, havia deixado o telefone de lado.

Do fogo ao gelo

À época em que Fafá fechou o negócio, o lugar já havia se tornado um símbolo de Salvador. Mas quem poderia imaginar isso antes? Como vários dos cases de sucesso pelo mundo, a nossa Ribeira se tornou sinônimo de sorvete por um acaso.

É que, lá na década de 1930, Mario Tosta abriu incialmente uma pizzaria. Sim, os freezers que hoje ocupam a cozinha eram, afinal de contas, o seu extremo oposto. Fogões a lenha foram os primeiros a ser instalados no lugar. Mas não ficaram ali por muito tempo. Não longe dali, Tosta, explorando as variedades da Feira de São Joaquim, resolveu então unir o útil ao agradável e passou a fazer, de forma caseira, os primeiros sorvetes daquela casa: os de sabor de frutas tropicais. No entanto, a princípio, as iguarias geladas não eram comercializadas, mas sim dadas como uma espécie de brinde, uma cortesia da pizzaria aos seus clientes mais frequentes; que as provaram e aprovaram. As aprovaram tanto, e tal foi a fórmula encontrada para a receita original, que o italiano não demorou em trocar uma especialidade de seu país por outra igualmente tradicional e deliciosa. A partir dali, a novidade foi se espalhando pelas quatro cantos do Estado e, trinta anos depois, o nome Sorveteria da Ribeira estava consagrado. Diante deste histórico, e dessa fórmula secreta que mais parece coisa de filme, questiono aos três Franciscos como a qualidade do produto que é vendido ali é mantida por quase um século de história. Quem responde primeiro é Fafá. “A sorveteria é um patrimônio da cidade, e nós a vemos desta forma. Asseguramos a qualidade com um critério de seleção e treinamento rigoroso, além, é claro, da nossa receita original dos sorvetes”, afirma. “Além de nós [os proprietários], apenas mais três pessoas conhecem a receita. Entre os nossos sorveteiros, há quem esteja na empresa há mais de três décadas”, diz Seu França, completando a resposta do filho.

O meu salário é pago quando ouço alguém comentar ‘que delícia!’

Francisco Lemos (Seu França), empresário

Diariamente, são vendidos mais de 300 litros de sorvete

A freguesia

O sucesso da sorveteria está, naturalmente, não só nos sorvetes, mas, sobretudo, nos clientes que os apreciam. Como já mencionamos aqui, a reputação do empreendimento veio muito antes dos mecanismos de que a sociedade dispõe hoje em dia, capazes de dar ascensão a produtos e perso-

nalidades que, na realidade, nem são tão extraordinários assim. Ainda que a Sorveteria da Ribeira esteja no topo das recomendações de usuários de aplicativos como o Trip Advisor e o Google como um dos estabelecimentos essenciais para se conhecer em Salvador, estes são apenas reflexos de um prestígio consolidado com o tempo. Há décadas, pais passam para filhos, avós para netos, namorados para namorados, amigos para amigos a dica de visitar e provar o sorvete dali. Do alto dos seus 82 anos, Seu França é a quem recorremos para saber mais das muitas histórias que devem ter se dado nesses anos em que a Sorveteria da Ribeira é cenário para os mais diversos e especiais encontros. “Os nossos clientes são a nossa maior riqueza. Agora mesmo, estive com um de 98 anos que já me contou uma história interessante. Na década de 1930, não era fácil namorar como nos tempos de hoje, né? Então, esse cliente, quando era moço, já frequentava a sorveteria e viu uma menina... Não teve coragem de puxar assunto com ela e, para isso, lhe propôs comprar uma casquinha. Assim, o namoro começou e durou por anos! Pense... não é bonito? É dessas coisas de que nós nos orgulhamos”, pontua com o ímpeto de alguém realmente encantado. “A diferença de ser dono de uma sorveteria é ver crianças, namorados, turistas, casais de idosos, todos satisfeitos. O meu salário é pago quando ouço alguém comentar ‘que delícia!’. Com apenas essa frase eles assinam o meu cheque”, conclui o patriarca. Como o casal que o sorvete uniu, não é difícil encontrar alguém que tenha uma lembrança carinhosa da sorveteria, sendo ela protagonista, figurante ou loJul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 99


Capa

Futuro

Mas nem só de história vive a Sorveteria da Ribeira. Os ares da modernidade vêm na forma de projetos que incorpo100 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

O sucesso da sorveteria está, naturalmente, não só nos sorvetes, mas, sobretudo, nos clientes que os apreciam. Artistas como Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, Rodrigo Santoro, Luiz Caldas, Ivete Sangalo, Saulo Fernandes, Sidney Magal são algumas das celebridades que frequentam a Sorveteria da Ribeira.

Fotos: Arquivo Sorveteria da Ribeira

cação de histórias como a do microempresário Ivo Albuquerque. “Minha mãe, de 90 anos, esteve internada por mais de dois anos, depois de complicações de um AVC. Ao ser liberada do hospital, perguntamos ao médico qual programa ele indicaria para que a levássemos para comemorar. ‘Um sorvete não lhe faria mal’, ele disse. Eu e meus três irmãos a levamos, então, à Sorveteria da Ribeira, onde ela costumava ir com o meu pai na juventude.”, relembra Ivo, emocionado. Agraciada com os mais variados prêmios, títulos e reconhecimentos, dentre eles o de Top of Mind do segmento na Bahia, é difícil ver e se referir à Sorveteria da Ribeira tão somente como um estabelecimento comercial ou mesmo apenas mais um case de sucesso. E, talvez, isto seja o que a difere das demais. As paredes daquele lugar, literalmente, carregam registros desses tipos de clientes especiais que nos seus quase cem anos de atividade já passaram por lá. Muitas celebridades estão entre eles. Atores, apresentadores de televisão, músicos, cantores, políticos. De Gilberto Gil a Antônio Carlos Magalhães (ACM), figuras notáveis da Bahia e do Brasil frequentam e frequentaram regularmente a sorveteria. “Todos eles têm uma relação muito especial conosco. Caetano (Veloso) vem de lancha e só gosta de sorvete de tapioca, ele entra aqui e toma uma casquinha sempre que pode, tranquilamente. Ele diz que não gosta de sorvete, que gosta do nosso sorvete. Gil... A filha dele (Preta) vem sempre quando está em Salvador. E aquela menina... Aquela que teve bebê agora (Ivete Sangalo) ama a sorveteria, inclusive já disse isso na TV. Sempre que podemos, mandamos uma caixa, dessas que vêm com três bolas, aonde quer que ela esteja”, conta Seu França, em um tom da mais alta normalidade em interagir com alguns dos nomes mais famosos do país.

ram à empresa novas maneiras de chegar ao público mais jovem, por exemplo, levando em conta aqueles que nasceram na era da instantaneidade, e que têm como lema a filosofia do “tudo ao mesmo tempo, agora”. Perguntado sobre como os clientes devem esperar que as próximas gerações da família assumam o negócio, Fafá reforça o seu compromisso em preservar a experiência original do lugar. “A sorveteria é um patrimônio da cidade. Mesmo que mudemos a administração internamente, isso não vai afetar a experiência que os clientes vivem aqui, nem os sorvetes, nem o local. Ainda que as novas tecnologias venham das gerações dele (ele aponta para o filho de 23 anos), temos um compromisso de manter a sorveteria como ela é e sempre foi”, conclui Francisco. Durante toda a entrevista, concedida em pleno horário comercial, não houve sequer um comportamento incomum do público, que ia e vinha com os seus sorvetes, alheios à estrutura montada devido à presença da reportagem por ali. E existe uma razão muito simples para isso. Todos nos sentimos um pouco donos da sorveteria azul. Aquela casa banhada nas águas da Península de Itapagipe tem um pedacinho seu guardado, com muito afeto, na lembrança de quem tem por ali memórias sortidas e de sabores tão complexos que ainda nem mesmo foram inventados. Que não se culpem os sorveteiros, e que fique só entre nós: talvez a Let’s Go tenha desvendado a fórmula secreta. Não digo quantos gramas ou doses de leite e açúcar geram a alegria de um reencontro ou o deleite de estar entre os que te amam, mas de certo é que há, nisto e naquele lugar, um gosto efêmero, mas incontestável: a felicidade. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 101


Esporte

Navegar

é preciso! Maurício Cunha/Divulgação

A sensação de paz, liberdade e aventura tem levado para a navegação à vela um número cada vez maior de adeptos. Na Bahia, a atividade também se profissionalizou, ganhando destaque no cenário esportivo nacional e internacional Por Andréa Castro

Se o barulhinho peculiar e exclusivo do mar, o vento no rosto e a incerteza do que se pode encontrar no trajeto fazem da navegação à vela uma atividade fascinante, a Bahia é o cenário perfeito para quem gosta de velejar. Com a Baía de Todos-os-Santos banhando e encantando a terrinha, os baianos têm feito desse esporte um hobby cada vez mais frequente e têm trazido títulos e premiações de destaque para o Estado, que também se transformou em palco para eventos de grande porte, com participantes de todo o mundo. “A vela brasileira tem respeito mundial, temos atletas olímpicos”, afirma o Comodoro do Yacht Clube da Bahia, Marcelo Sacramento. Os títulos de campeões mundiais na classe Snipe, campeões brasileiros da classe Optimist e da Vela Jovem, entre outros, consolidam a posição da Bahia na vela nacional. “O que antes estava exclusivamente no eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul passou a ter esse polo no Nordeste e ser radiador de grandes conquistas e inspirações na formação de velejadores”, destaca o Comodoro.

Filha de peixe...

Desde o primeiro ano de idade, os pais da arquiteta Mila Peixoto velejavam com ela a bordo. O pai, também arquiteto, tem um barco de oceano projetado por ele, sob medida para a família. As viagens de férias sempre foram velejando pela Baía de Todos-os-Santos, Baía de Camamu, Morro de São Paulo. “A sensação é de liberdade, de sair desse ritmo da vida urbana e passar para um momento perto da natureza”, define ela, que foi a única menina da primeira turma da escolinha do Yacht. Para Mila, velejar não é o destino, é o caminho. “O percurso é o que faz a gente curtir e é sempre diferente. Podemos ir para o mesmo lugar, mas há diversos fatores que interferem: o clima, o vento, um passarinho que te olha, um golfinho que te acompanha na viagem, um vento esquisito que rasga a vela; sempre há surpresas. Às vezes, não tão boas, mas eu me sinto segura em um barco à vela”, declara.

Inspiração

Segundo a arquiteta, essa experiência proporciona outros valores e qualidade de vida. “A vaidade fica de lado, você come um peixe que pescou ali mesmo”. Na regata de Fernando de Noronha, Mila teve que passar por algumas privações. “Foi uma experiência muito legal, ficar 10 dias dentro de um barco muda a sua relação com as pessoas

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Velejar nos ensina a respeitar a natureza, a ter procedimentos de segurança, a tomar decisões rápidas e a entender o tempo das coisas, como o período da maré, a hora em que o vento sopra e muitos outras detalhes que nos fazem ver a vida sob outra perspectiva

Maurício Cunha/Divulgação

Arquivo pessoal

Esporte

O relaxamento proporcionado pela vela recarrega as baterias do dia a dia, além de propiciar uma convivência saudável com a família

Magno Freitas, advogado

Manuel Bandeira, arquiteto

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Magno participa de grupos de velejadores de Dingue e de Skipper21 do Yacht

Arquivo pessoal

O maior orgulho de Mila Peixoto foi levar os filhos para a vela

que estão ali, e as suas prioridades. Quando eu voltei, o cabelo estava tão grande e só lavado com água salgada, que tive que cortar a trança que eu fiz”, revela. O maior orgulho de Mila foi levar os filhos para a vela. “A menina, que eu achava que não tinha perfil para o esporte, mais delicada, acabou querendo entrar e se apaixonou”. Essa paixão levou os garotos a evoluírem rapidamente e eles logo passaram para a Flotilha, a equipe oficial do Yatch. Hoje, Fernanda, com 17 anos, já ganhou vários títulos femininos, e Bernardo, com 16, já representou o Brasil na Tailândia, no Paraguai, no Caribe, e velejou na Argentina. Para Mila, os seus filhos são o que são por causa da vela. “Eles são extremamente focados, equilibrados, pois passam por muitos desafios no mar para vencer medos e problemas, por questão de sobrevivência mesmo”. Ela lembra que a vela é um esporte tão complexo que há coachs que fazem treinamento para CEOs aprenderem a ser líderes, a trabalhar em equipe, a tomar decisões e

Hoje, Magno disputa campeonatos ao lado dos filhos. As regatas também propiciam experiências prazerosas, como as de Aratu-Maragojipe, Salinas, e Salvador-Ilhéus, que são regatas de percurso; a última com quase 20 horas de navegação. Sempre que viaja para uma localidade de praia, Magno aluga, pelo menos, um monotipo. Já velejou em Ilhabela, Bahamas, Caribe e no sul da Itália.

Unidos pela vela

Manuel Bandeira começou a velejar cedo, aos cinco anos de idade

a dar ordens através das suas experiências no barco.

Integração com a natureza

Velejar por cenários paradisíacos como a Baía de Todos-osSantos mostrou ao advogado Magno Freitas que morar em uma cidade como Salvador e não se lançar ao mar, como

lazer ou esporte, não faria sentido. “O relaxamento proporcionado pela vela recarrega as baterias do dia a dia, além de propiciar uma convivência saudável com a família. No veleiro, vivemos momentos únicos em que não temos televisão, tablets nem telefones celulares para interromper essa convivência”, declara.

Magno participa de grupos de velejadores de Dingue e de Skipper21 do Yacht, além de outros grupos como a Flotilha de Veleiros de Oceano da Bahia, que fazem passeios e eventos de integração. Segundo o cirurgião plástico Geza Urmenyi, as relações na comunidade dos velejadores são extremamente saudáveis. “A camaradagem e o auxílio aos que precisam de ajuda são regras”, garante. Geza conta que já prestou resgate a velejadores de windsurf, stand up, velejadores de outras classes, pescadores, e jet ski. Geza começou a velejar aos

A sensação é de liberdade, de sair desse ritmo da vida urbana e passar para um momento perto da natureza

Mila Peixoto, arquiteta

15 anos, era atleta de natação do Yacht quando via os barcos saindo para velejar. “Quando passei para o polo aquático, adquiri um laser e fui participar das regatas. Logo, passei a compor a tripulação de veleiros oceânicos competindo nas duas modalidades”, conta. “Além disso, é sempre um momento de admiração e alegria velejar ao lado de um golfinho que acompanha o barco, encontrar uma tartaruga, uma baleia, peixes saltando no mar”, completa. Para o médico, a vela pode funcionar como terapia, como um desligamento dos problemas, além de fazer sentir a for-

ça e beleza da natureza. Além da Bahia, ele já velejou em Fortaleza, Rio de Janeiro, Vitória e nos Estados Unidos, mas garante que nada se compara às condições da Baía de Todos-os-Santos, com o seu clima, temperatura da água e vento ideais para velejar.

Contado em verso e prosa

O arquiteto Manuel Bandeira começou a velejar cedo, aos cinco anos de idade, por influência do pai, também velejador. Bandeira lembra que a vela, na figura dos saveiros, faz parte do imaginário coletivo da Bahia, citado na obra de Jorge Amado e difundido no mundo. “Precisamos fazer valer esse legado, criando meios e incentivos para a prática desse esporte”. Considerando a extensão da Orla Marítima e por ter a maior baía do país, com águas abrigadas e vento constante, o arquiteto acredita que a Bahia deveria ter a cultura náutica melhor inserida no seu cotidiano. Para o arquiteto, governar um barco à vela simplesmente otimizando as forças do vento e do mar faz qualquer pessoa se sentir especial. “Velejar nos ensina a respeitar a natureza, a ter procedimentos de segurança, a tomar decisões rápidas e Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 105


Esporte

A camaradagem e o auxílio aos que precisam de ajuda são regras

Geza Urmenyi, médico

Divulgação

a entender o tempo das coisas, como o período da maré, a hora em que o vento sopra e muitas outras coisas que nos fazem ver a vida sob outra perspectiva”, declara.

Bons ventos

Fundado em 1935, para fazer uma fábrica de veleiros e induzir a prática da vela, o Yacht Clube da Bahia cresceu e estabeleceu uma relação com outros esportes náuticos, como natação, remo, caça submarina, pesca. E a vela é o seu destaque. Com uma longa história de atuação, passou por altos e baixos, mas nos últimos três anos tem revelado grandes resultados, como a captação de recursos da Loteria Esportiva para o fomento da prática da natação e da vela. Com os investimentos, o clube convidou o treinador Bernardo Arndt para treinar a equipe, comprou 56 embarcações e mandou atletas para campeonatos no Brasil e no mundo. A escola de vela, que formava de 10 a 15 atletas por ano, hoje forma de 80 a 100. O Yacht fez toda a orientação técnica da maior regata transoceânica do mundo, a Jacques Vabre, e isso rendeu um convênio com a Liga de Vela da Normandia, um dos seis centros de formação olímpica da França, que vai sediar as Olimpíadas de 2024. Os atletas baianos passam a ser treinados pelos franceses e vice-versa. Este ano, a Bahia recebeu três campeonatos de vela e, em dezembro, receberá o Campeona106 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Marcelo Sacramento é o Comodoro do Yacth Clube da Bahia

COM A PALAVRA, O TREINADOR O treinador Bernardo Arndt, o Baby, foi contratado pelo Yacht para treinar a equipe de vela. Ele traz na bagagem uma vasta e premiada experiência, ajudando na preparação de mais de 100 atletas. Entre aqueles que ele acompanhou por mais tempo, encabeça a lista Robert Scheidt, bicampeão olímpico e 15 vezes campeão mundial. Para Arndt, entre os atributos que os atletas da vela devem ter, em primeiríssimo lugar, tem que estar uma vontade autêntica. Depois, vêm disciplina/dedicação, aptidão física e, com o tempo e a evolução, naturalmente, a experiência passa a

to Norte-Nordeste de Optimist. “Em breve, anunciaremos a captação do Campeonato Mundial de Vela Jovem”, antecipa o Comodoro Marcelo Sacramento, que estima a participação de mais de 70 países, cerca de 600 atletas, fora técnicos, imprensa, entre outros profissionais.

contar mais e mais. “Muitos atletas dizem desejar atingir um nível de excelência, mas deixam a vela como terceira prioridade”, ressalta. Por outro lado, o treinador destaca que nenhum esporte é formado somente pelos aficionados e profissionais. “Não há nada de errado no fato de o velejador querer apenas ser competitivo entre os seus amigos do clube, mas é fundamental que ele seja honesto consigo e justo ao saber que “x” treino a que ele se dedica vai resultar em “x” resultado, e que para atingir “2x”, serão necessários, no mínimo, “2x” de treino”, constata.

Seriam mais de mil pessoas do mundo inteiro ligadas ao mundo da vela. No ano passado, o evento aconteceu em Pequim, na China, este ano, no Texas, nos EUA e em 2020 será em Salvador. Que os bons ventos tragam muita força e prosperidade para a vela na Bahia! Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 107


Náutica

O veleiro Fraternidade navegando pela

África do Sul

Assim que cheguei à África do Sul, perguntei logo na Durban Marina por meu amigo Gilbert Goor, que conheci em 2001. Depois, ele deu uma volta ao mundo e esteve comigo em Salvador. Por sorte, ele estava lá, morando a bordo do Zazu. Meia hora depois, já estávamos juntos planejando uma viagem pela Savana Africana com passagem pelo Kruger Park. Ele tinha uma Kombi e dois dias depois já estávamos na estrada. Tripulação navegando no Cabo da Boa Esperança

Eu já conhecia aquela região, mas fiquei impressionado com a beleza da paisagem. Montanhas e vales, tudo muito verde, e toda a terra perfeitamente aproveitada para a agricultura; lembrava os campos da Europa. Muita cana, milho, laranja, mamão, nozes e frutas em geral, mas tudo em grande escala. Provavelmente, para exportação. Quando voltamos pela região montanhosa, encontrei muitas minas para a extração de todo tipo de minério, inclusive os mais nobres como ouro, urânio e diamante. As minas de carvão são intermináveis e, às vezes, a céu aberto, é só cavar e levar. Não deixava dúvida, a África do Sul é uma potência. Possivelmente, o país mais rico e desenvolvido do continente africano. E até Durban parece uma cidade europeia.

Por Aleixo Belov Fotos: Leonardo Papini (www.leonardopapini.com.br)

O Kruger Park fica a 900 km de Durban, sendo que a sua primeira metade é de terras muito boas para a agricultura, tudo verde. Mas dali em diante começa a Savana, onde as árvores ficam um pouco afastadas umas das outras e cresce um capim que alimenta os elefantes e todo tipo de animais herbívoros. Os elefantes, muito fortes, andam quebrando as árvores por esporte e as girafas aparam as suas folhas mais novas sem piedade. Fizemos reuniões com crocodilos, hipopótamos, búfalos, impalas, kudu, gnu, zebras, girafas, rinocerontes, cães selvagens, chitas, macacos babuínos, com uma leoa e muitos outros. Os filhotes de macaco brincavam como humanos. Os elefantes são uma praga, vi bem uns 200 e mais

de 100 impalas. Passeavam na beira do caminho tartarugas, galinhas-d’angola e as codornas que nem levantavam voo quando a gente passava. Passamos quatro dias no Kruger, dormindo cada dia em um camping diferente, mas nem assim vimos tudo, o parque nacional é muito grande. De volta a Durban, comprei mais algumas cartas náuticas e fiz reuniões com vários comandantes experientes sobre a melhor maneira de contornar o Cone Sul da África e chegar a Cape Town. Todos recomendam esperar por uma janela de bom tempo para começar a viagem, podendo parar em East London, Port Elizabeth ou Mossel Bay, caso uma nova depressão venha ao nosso encontro. Ali, quando a corrente quente que vem descendo de Moçambique encontra o vento contra, em cima de um banco mais raso em frente ao Cabo das Agulhas ou do Cabo da Boa Esperança, o mar se desespera e cria ondas anormais que podem chegar a 20 metros. Por isso, se uma depressão vem chegando, todos recomendam entrar em um porto a caminho e esperar a depressão passar para só então continuar a viagem.

Farol de Mossel Bay

A janela de bom tempo foi ótima, parecia que a natureza tinha adormecido para deixar a gente passar. Chegamos a Cape Town com o mar liso e vimos o sol nascer e iluminar a Table Mountain

Almoço entre Aleixo, tripulação e amigos da Cidade do Cabo

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Saímos de Durban depois que Igor e Ialda chegaram e só precisamos parar em Mossel Bay, cidade linda onde Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama pararam em 1487 para se abastecer de água. No museu, vimos a réplica de sua caravela. Eram bons os navegadores portugueses. Naquele tempo, não existiam cartas náuticas nem a previsão de tempo e o Cabo da Boa Esperança virava Cabo das Tormentas. Infelizmente, não se fazem mais homens como antes. Papini e Walter, que fizeram parte da tripulação do Fraternidade, mergulharam em uma gaiola para ver os tubarões-brancos de perto. Chegaram a alisar um deles. A depressão passou e seguimos em frente. A janela de bom tempo foi ótima, parecia que a natureza tinha adormecido para deixar a gente passar. Chegamos a Cape Town com o mar liso e vimos o sol nascer e iluminar a Table Mountain. Não podia pedir mais do que isso. Se melhorasse, estragava. Mas o último sonho não mudou. O sonho é atravessar o Atlântico e chegar em casa. Na chegada, ali no mesmo lugar de onde saí, no segundo Distrito Naval, quem sabe, abraçar todos vocês. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 109


Turismo

Air Europa e seu entretenimento.

Eu vejo uma viagem

de navio em você! po, para a mente e para a alma; e tem mais: viajar de navio não custa tão caro como pensamos. Viajar de navio fará com que a alegria floresça, o corpo descanse e o coração vibre. Muita coisa acontece em um navio: shows, apresentações musicais e de mágica, exercícios, aulas de dança, esportes e jogos nas piscinas, eventos gastronômicos, degustação de vinhos, desafios culinários, exposição de arte, desfiles dos personagens da Disney, encontros; enfim, muita distração e diversão. Em um só lugar, várias atrações, um mundo de pessoas de diferentes sotaques e idiomas, mas com um único objetivo: viver a vida! Em um cruzeiro, temos a oportunidade de conhecer diferentes cidades e até países, a depender da rota, da companhia marítima e dos cruzeiros escolhidos. Você não terá problemas com o excesso de bagagem, como em um voo, por exemplo; não terá que ficar entrando e saindo em diferentes hotéis, abrindo e fechando malas; nem terá que ficar em filas de táxi ou chamar

Cada detalhe conta.

Mário Bruni Engenheiro e empresário do turismo

um Uber para se deslocar até o seu hotel, porque você já estará em um hotel flutuante, ou melhor, em um resort flutuante, dada a variedade de entretenimento e lazer a bordo. Imagine-se agora, junto com a sua família e amigos, em um lindíssimo navio da MSC, da Royal Caribbean ou da Costa Cruzeiros, por exemplo, entre tantos outros, cruzando os “Sete Mares” (Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul, Índico, Antártico e Ártico). Agora que você já sabe o que precisa, vá até uma agência de viagens e compre uma viagem de navio, faça um cruzeiro marítimo ou fluvial, vá ser feliz e leve a sua família. Eu vejo uma viagem de navio em você! Divulgação

Há quase cinco anos, milhões de brasileiros estão em uma verdadeira batalha diária, lutando de todas as formas para pagar as inúmeras contas e impostos vencidos, se reinventando, economizando, reajustando o padrão de vida; e há os que se dão ao luxo de estar empregados ou os empresários que ainda conseguiram manter as suas empresas abertas, trabalhando com garra e afinco, resiliência e perseverança. Só que chega uma hora que ninguém aguenta mais e temos, então, que buscar algo para nos colocar para cima, para nos manter motivados, focados; temos que cuidar da saúde, buscar alegria, irmos a uma igreja, tirarmos umas férias. Mas como tirar férias sem dinheiro? Pois é, porém tirar férias é preciso, ainda que seja para ficar em casa, lendo, praticando yoga, pintando a casa, cuidando do jardim, da horta, descartando coisas já sem utilidade, caminhando nas manhãs pelas ruas do seu bairro ou pela Orla. Sim, mas e aquela viagem de navio que “você” viu em mim? Boa, pois viajar de navio faz um bem enorme para o nosso cor-

Graças as novas telas individuais em nossos voos de longa distância, já é possível desfrutar como nunca da melhor oferta de cinema, séries, documentários, música ou jogos.

MSC- Seaview, o mais novo navio da empresa 110 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Royal Caribbean - Simphony of the Seas. O maior navio do mundo Voos diretos para Madri saindo de Salvador, São Paulo e Recife com conexões para demais destinos na Europa e TelJul/Ago Aviv. 2018 Let’s Go Bahia | 111 Para mais informações: (71) 3347-8899 | (11) 3876-5607 | (81) 3314-7038 ou consulte seu agente de viagem.


Conexão Bahia-Portugal

Em Portugal, o brasileiro deve ter atenção ao roçar

a língua de Luís de Camões

Ritmo da fala e diferenças no vocabulário podem colocar os recémchegados em maus lençóis - e você não quer virar uma piada de português, não é?

mas (por sorte, diga-se) teve que apresentar previamente os slides ao diretor de Recursos Humanos. Abbadhia havia tascado logo na introdução da palestra que, no Brasil, ela “ganhava umas pilas fazendo bicos” como atriz. Surpresa: recebeu orientação de retirar aquilo do material imediatamente. “Em Portugal, ‘pila’ é o órgão sexual masculino, e ‘fazer bicos’ é fazer sexo oral. Eu ia entrar na palestra como atriz e sair como prostituta”, diverte-se a brasileira, que acaba de lançar o seu livro “Gargalhadorismo – Empreendedorismo com Humor”.

Mestiçagem e intimidade

João Martinho/wikimedia.org/divulgação

Por Ludmilla Duarte

Divulgação

Se você tomou uma chávena de garoto em seu pequeno-almoço, depois foi à casa de banho, mas saiu correndo da moradia esquecendo-se de acionar o autoclismo da sanita porque se deu conta de que estava atrasado para pegar o comboio com destino ao seu doutoramento... Bem-vindo às terras lusitanas! Onde o lirismo de Camões é embalado pelo ritmo do fado e alimentado pela deliciosa gastronomia à base de vinhos e bacalhau – que, aliás, são “de chorar por mais”! O número de brasileiros vivendo em Portugal – são, hoje, 85.426 de acordo com a contagem mais recente do Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) – deu um novo salto em 2017. E uma das razões pelas quais os brasileiros que desejam experimentar, estudar ou morar na Europa acabam escolhendo Portugal é exatamente a língua: nada melhor que estar em outro continente podendo pular uma das mais árduas etapas de adaptação, que é o aprendizado do idioma local, certo? Bem... cuidado! Escutar bastante antes de desatar a falar o português ao modo brasileiro pode ser uma boa ideia, pois você não vai querer estar “feito ao bife”, tás a perceber? O ritmo rápido da fala dos portugueses é a reclamação geral dos brasileiros recém-chegados, mas, além disso, algumas palavras e expressões que usamos no Brasil têm significado depreciativo em além-mar. E vice-versa, então, antes de (se) ofender é bom contar até dez e dar uma pesquisada, até para não estar a meter-se em briga com um gajo à toa. “Ter um amigo português de confiança ajuda a não pagar mico”, ensina a atriz e empresária Abbadhia Vieira, morando em Lisboa há um ano e meio. Ela mesma passou aperto na chegada. Foi convidada por certa empresa para fazer uma palestra de motivação,

112 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Se a língua materna é a mesma, por que as diferenças do falar são tantas e tão notáveis? As razões são várias, explica Pompéia Souza, professora aposentada de Literatura Portuguesa do Instituto de Letras da Universidade Católica de Salvador (UCSAL). “Os portugueses daqui da Colônia tiveram contato com diversos povos, como os africanos, franceses, indígenas, holandeses. Esses povos deixaram as suas marcas no modo brasileiro de falar a língua portuguesa”, explica. Mas o comportamento, que tem lá o seu aspecto cultural, acaba também se refletindo na fala. “O povo português é muito formal. Eles se tratam entre si por vós. Enquanto o português gosta de manter certa distância na relação interpessoal, o brasileiro é chegado a uma intimidade. Aqui, as pessoas se tratam intimamente Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 113


Conexão Bahia-Portugal Fotos: Divulgação

CURIOSIDADES DE AQUI E DE ACOLÁ “Chorar por mais” Comer de joelhos “Estou feito ao bife” Estou frito!

GLOSSÁRIO LUSO-BRASILEIRO Chávena: xícara Garoto: café com leite Pequeno-almoço: café da manhã Casa de banho: banheiro Moradia: casa Autoclismo: descarga do vaso sanitário Sanita: vaso sanitário Comboio: trem Doutoramento: curso de Doutorado Fato de banho: biquíni ou sunga

por tu ou você”, observa a professora, que em sala de aula percebia certo grau de dificuldade de seus alunos para compreender textos de alguns autores portugueses, como Miguel Torga, Fernando Pessoa e José Saramago.

“Tua mãe ainda fala brasileiro!”

Entre os que moram ou já passaram uma temporada em terras lusitanas, uma dificuldade de compreensão é queixa unânime e deve-se ao ritmo rápido com que o português se expressa. “Quando eu não entendo nada do que foi dito, eu já sei que o meu interlocutor é alguém dos Açores”, ri Abbadhia Vieira. “Parece até que há um dialeto particular naquelas ilhas”, concorda Adriana Diniz, arquiteta, fotógrafa e velejadora que, junto com o marido, vive em 114 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Lixívia: água sanitária Guarda-redes: goleiro Telemóvel: celular Gasóleo: diesel Carrinha: van Gelado: sorvete Frigorífico: geladeira Rapariga: moça Trolha: pedreiro

alto-mar cruzando os mares da costa de Portugal desde 2014. “Como moramos em um barco e navegamos pela costa portuguesa, conseguimos perceber uma diferença forte nos sotaques. E eles realmente são diferentes entre o norte, o Algarve e o Alentejo, por exemplo”, conta. “Eles falam tão rápido que engolem as sílabas”, reforça Josane Noronha, juíza de Direito, que morou por dois anos em Portugal enquanto fazia o seu mestrado em Ciência Jurídica na Universidade de Lisboa. “Fiquei bastante tempo pensando que um creme de espinafre muito comum em Portugal se chamava ‘espargado’, até resolver comprá-lo congelado no supermercado e descobrir que se escrevia esparregado”, lembra. Os portugueses, ao contrário, têm muita faci-

“Atar o atacador” Amarrar o cadarço “Passadeira de peão” Faixa de pedestre “Encher chouriços” Encher linguiça “Partiu a loiça toda” Arrasou!

lidade de entender os brasileiros, observa a magistrada. “Eles imitam o nosso jeito de falar quase perfeitamente, o que se deve à exibição constante de novelas brasileiras na TV portuguesa”, destaca. Uma história curiosa aconteceu quando ela foi buscar os filhos, de 3 e 5 anos, no colégio e escutou um amiguinho das crianças perguntar: “Tiago, quando a tua mãe vai aprender a falar português? Ela ainda fala brasileiro!”.

Será piada?

E, sim, as velhas anedotas de português têm lá a sua correlação com a realidade, atestam aqueles que andam por aquelas paragens. “Um caso engraçado ocorreu anos atrás, quando estávamos em Lisboa”, conta Adriana Diniz. Era domingo, ela, o marido e mais um casal de amigos que-

riam almoçar em um restaurante famoso, mas não sabiam exatamente qual era o endereço. “Entramos em um hotel e perguntamos na recepção onde o restaurante ficava. O funcionário nos respondeu cordialmente e foi até a porta da rua nos ensinar como chegar até lá”, relata. Para a decepção de todos, ao chegar ao local, eles encontraram o restaurante fechado. “Meu marido e o amigo resolveram voltar ao hotel e, ao vê-los, o recepcionista logo lhes perguntou: ‘Acharam o restaurante?’. Sim, mas o senhor não nos disse que ele estava fechado!”, retrucou o marido de Adriana. Ao que responde o português: “Vocês me perguntaram onde era o restaurante e não se ele estava aberto ou fechado”. “Foi sem maldade, pois é assim que eles pensam e nós temos que entender essa maneira deles”, ri Adriana. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 115


Portugal de

minh’alma Portugal faz parte de minha história, é um destino onde o meu coração bate mais forte e a emoção explode. Minhas raízes contam muito e eu amo me encontrar com esse povo. Lisboa, poética, vive um momento especial; remodelada e com atrações contemporâneas, a cidade brilha sem esquecer-se dos clássicos costumes. Curti alguns dias a capital desse país hospedado em um hotel sensacional: Nau Palácio do Governador, um mergulho na história lusitana; além da elegância, oferece uma excelente gastronomia e atendimento premium. Através do Receptivo Portugal Sense Five, recebi um olhar “boutique” sobre Lisboa e arredores, realizando voos de helicóptero (Lisbon Helicopters) sobre o Tejo e monumentos históricos. Fui acompanhado de historiadores ao Castelo de São Jorge e de um autêntico fadista ao Museu Nacional do Fado. Chefs me acompanharam em degustações inesquecíveis, tudo costurado com conteúdo e bossa. Ser conduzido por uma equipe que sabe exatamente os seus desejos, apresentando o melhor em pontos emblemáticos com gastronomia premiada e lifestyle autêntico, faz toda a diferença. Quantos sabores provados, quantos fados sentidos, quantas belezas entregues aos meus olhos! De lá, fui ao Algarve, e são apenas duas horas e meia de carro. Pelo litoral, programe uma parada para comer o famoso ar-

116 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

roz de ligueirão no Restaurante Cais da Estação, em Sines. Outra parada obrigatória é Porto Covo, um pequeno vilarejo com uma praia lindíssima e hypes caminhando por todos os lados. O Algarve é um destino escandaloso, com um mar deslumbrante e cidades especiais. Ficar hospedado em uma hotelaria de alta qualidade é fundamental no sul ensolarado e minha opção foi o Hotel Anantara, com destaque para os espaços de Golf e SPA. O próprio Anantara já realiza experiências exclusivas para os hóspedes, como a visita com garimpos de sabores ao mercado público da cidade histórica de Loulé, o passeio de tuktuk até Puro Beach, na Marina (lounge especial da cadeia Minor em frente ao mar), jantares harmonizados no Restaurante EMO, dentro do próprio hotel,

Marcelo Sampaio Apresentador e influenciador digital @garimpando.life

massagens, entre outras delícias. A excelência de um hotel eterniza um destino. Adoro viajar de carro por Portugal e, para isso, é fundamental estar com um seguro completo tanto para o auto quanto para o todo da viagem (saúde, bagagens etc.) e eu sempre contrato a Assist Card, com a qual me sinto protegido full time. Dessa vez, resolvi avançar além-mar e desbravar a Ilha da Madeira e a Ilha de São Miguel, Açores. A Ilha da Madeira encanta desde a chegada ao aeroporto incrustado nas montanhas até as paisagens que mesclam

Casinhas típicas em Santana, Ilha da Madeira

mar, florestas e falésias. Para todo canto que olhamos existe uma beleza a ser admirada. O Hotel Pestana Casino Park, projetado por Oscar Niemeyer, é deslumbrante e apresenta uma arquitetura contemporânea. Foi a decisão mais assertiva pela sua excelente localização e por uma hotelaria de altíssima qualidade. Comer na Ilha da Madeira é um caso à parte e o que não faltam são delícias como o bolo de mel, as espetadas (churrasco preparado no pau de louro), o peixe-espada com banana e os frutos do mar. Fiquei impressionado com um lugar que almoçamos chamado Fajã dos Padres, em um vale à beira-mar, cujo acesso é feito apenas através de um teleférico. A Taberna dos Petiscos, em Santa Cruz, com guloseimas locais, é o que existe de melhor como parada obrigatória. O povo da Madeira, ainda por cima, é de uma simpatia ímpar. Quanta magia nesse lugar! De Funchal parti para os Açores, Ilha de São Miguel, com duas horas de voo tranquilo e um visual esplendoroso. A ilha é toda vulcânica e por diversos pontos vemos o vapor incandescente sair do solo, bem à nossa frente. Impressionante! Fiquei no Azor Hotel, um hotel-boutique

Fotos: Arquivo Pessoal

Garimpando

Vista de Lisboa de cima, Castelo de São Jorge

em frente à Marina e com uma ambientação bem diferenciada. Os serviços prestados nessa hotelaria são de tirar o chapéu e em cada canto somos surpreendidos com mais elegância e profissionalismo. E a gastronomia, então? Um show de sabores gourmets. A ilha é de uma diversidade incrível, com pontos ensolarados e outros bastante gelados. Lagoas, florestas e montanhas que encantam a todos os visitantes. Sabores além-mar não podem deixar de ser menciona-

Lagoas e florestas da Ilha de São Miguel, Açores

dos: a carne de São Miguel é considerada uma das melhores do mundo e o filé preparado com molho local é algo de babar de tão bom. Um prato à base de carne de porco e de vaca e com legumes é preparado enterrado debaixo da terra, no coração do vulcão: um cozido que leva 12 horas para ficar pronto. Que loucura de bom! Os queijos produzidos na ilha são deliciosos. Todo paraíso tem que ter um doce especial e em São Miguel as queijadas são as maiores especialidades. Não posso me esquecer da cultura do ananás, que está por toda a ilha com um gosto que eu jamais havia provado. Portugal é um destino para retornar sempre. Portugal é terra, mar, alma e emoção. É um pedacinho da gente em cada esquina no encontro com esse povo amado e irmão. Meus olhos se enchem de lágrimas cada vez que me recordo das experiências ali vividas. Logo, logo retornarei à minha amada terrinha. SERVIÇO: www.portugalsense5.com www.palaciogovernador.com www.pestana.com www.azorhotel.com www.anantara.com www.lisbonhelicopters.com

Deslumbrante Anantara Vilamoura Hotel, Algarve Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 117


Paris: um guia para visitar e comer saindo

daquidesalvador Por Alan Fontes e Déborah Moura Pode até parecer clichê, mas quem nunca pensou em conhecer a capital francesa que atire a primeira pedra. Paris povoa os sonhos de muitos, é o tipo de cidade que divide opiniões, mas à qual não se dispensam adjetivos. A Cidade Luz é encantadora, elegante, repleta de charme, poderosa e o destino perfeito para os casais apaixonados. Que é uma cidade com muitos encantos isso ninguém discute, mas também é sinônimo de comida deliciosa, pela forma como leva a sério a arte da boa gastronomia. Difícil pensar em uma viagem a Paris sem, de cara, já fazer uma lista daqueles lugares em que você vai comer verdadeiras m a rav i l h a s .

118 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Justamente por ser uma das cidades mais gastronômicas que existe, aqui se concentra um seleto grupo de restaurantes capitaneados pelos melhores chefs do mundo, e para não deixar nada escapar, combine os seus passeios com o que há de melhor na culinária francesa e se permita! Saindo daquidesalvador não tem voo direto para a França. Os que partem da capital baiana, obrigatoriamente, têm que fazer conexão em outra cidade e, a depender da empresa aérea escolhida, desembarcar em um dos dois aeroportos que servem a cidade de Paris: Charles de Gaulle ou Orly. De ambos, existem diversas formas de chegar à capital, já que os dois ficam distantes da Região Metropolitana de Paris. Em cada destino, há aqueles lugares que não podem sair da lista do “tem que ir”. Programe-se para partir da Place de la Concorde e caminhar pela Avenida Champs-Élysées admirando toda a sua beleza, sem pressa! No caminho, escolha entre a Ladurée (75 Av. des Champs-Élysées), com toda a sua pompa e sofisticação, ou a loja-conceito da Pierre Hermé com a L’Occitane (86 Av. des Champs-Élysées), onde cada mordida é uma descoberta, para se deleitar com o melhor da pâtisserie francesa. Suba no Arco do Triunfo e admire o caos organizado que é o entroncamento das 12 avenidas na Place Charles de Gaulle. Ainda pertinho dessa que é uma das avenidas mais famosas do mundo, visite o Restaurante Pershing Hall (49 Rue Pierre Charron), que fica no átrio central do hotel de mesmo nome. O lugar é lindo, animado e superbem frequentado. A decoração é requintada e elegante, tendo como ponto alto um jardim ver-

Fotos: @daquidesalvador

Turismo

Comer um crepe no Marais e saborear o sorvete em forma de flor, na Amorino, são quase obrigações de quem vai a Paris

tical lindíssimo. A comida é espetacular e o preço condizente com tudo o que é proposto. Reserve um fim de tarde para organizar um piquenique aos pés da Torre Eiffel. Já que os franceses se orgulham da tradição de produzirem os melhores queijos do mundo, escolha entre as muitas opções disponíveis na Fromagerie Barthélémy (51 Rue de Grenelle) combinados com

croissants e baguetes, regados a um bom vinho francês. Claro! Um passeio barato, repleto de charme e, de quebra, você ainda assiste ao “pisca-pisca” mais famoso do mundo! Não é do time de sentar-se no chão? Quer ver a torre de um jeito chique? Reserve uma mesa no Monsieur Bleu (20 Av. de New York), com todo o conforto. Desfrute de um excelente menu, carta de vinhos e atendimento cordial. Não se esqueça de solicitar a sua mesa perto de uma das janelas, ou no terraço, caso esteja no verão, para garantir toda a experiência de jantar com a vista da Torre Eiffel acesa. A Opera Garnier é uma pérola e uma das construções mais lindas da cidade. Um edifício espetacular repleto de luxo, onde é possível agendar uma visita guiada para conhecer a Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 119


Turismo imponência do seu interior. Falando em sofisticação, não muito longe dali fica o Restaurante Epicure (112 Rue du Faubourg Sanit-Honoré) com toda a sua exclusividade. Comandado pelo chef Eric Frechon, com três estrelas Michelin, a excelência é levada a sério, com requinte e perfeição. Ainda próximo da Opera, se a opção for culinária italiana e manter o bolso a salvo, escondido no 9º arrondissement fica o Bar Italia Brasserie (22 Rue de Moncey). Um restaurante pequeno, com excelente comida, atendimento primoroso e sobremesas deliciosas. Sem reserva, dificilmente conseguirá sentar-se. Sempre um programa agradável é visitar o bairro do Marais. Aquele que já vem com o rótulo de mais cool da cidade, tem uma atmosfera leve e muita coisa boa para ver e fazer. A Place des Vosges é um dos pontos importantes do bairro, com a sua perfeita e elegante

simetria, é a praça mais antiga de Paris. Se bater a fome, a dica aqui é se jogar no crepe e garantir uma deliciosa refeição no La Droguerie du Marais (56 Rue des Rosiers). Como o lugar é bem pequeno, a solução para não deixar de provar o crepe é comer na rua mesmo, sendo servido pela janela, onde o próprio dono prepara os crepes. Nada de pressa, aqui, sempre há fila de espera. Se quiser conhecer o bom e velho bistrô francês e comer os tradicionais pratos da culinária francesa, aposte no Bistrot Paul Bert (18 Rue

Paul Bert), onde a comida é feita para parisiense comer. A casa preza pela fartura e o menu conta com clássicos como o filet au poivre e o crème brûlée. Separe um tempo para visitar a Île de la Cité, marco zero de Paris, que abriga um dos pontos turísticos mais famosos da cidade, a Catedral de Notre-Dame, além da Sainte Chapelle e da Conciergerie. Combine esse passeio com uma visita à Amorino (13 Rue d’Arcole) e saboreie o famoso sorvete em forma de flor. Independente do tipo de viagem ao qual você se propuser, há muito o que visitar em Paris. Procure próximo de cada atração a melhor opção para não perder tempo e se entregue aos prazeres da mesa! A culinária de cada país sempre conta uma parte de sua história, e conhecê-la dessa forma é, sem dúvida, uma das maneiras mais gostosas.

COMO CHEGAR A PARIS

Partindo dos dois aeroportos (Charles de Gaulle ou Orly) se chega à cidade de ônibus público ou expresso, trem, tramway, metrô, micro-ônibus, táxi, carros de aplicativos ou contratando o transfer do seu hotel. O aplicativo NEXT STOP PARIS – RATP te auxilia em português e off-line com as alternativas a escolher, informando os horários, os preços e ainda servirá de apoio durante toda a viagem para aqueles que forem se deslocar pela cidade de metrô.

NÃO DEIXE DE VISITAR Jardim das Tulherias

Palais Royal

Jardim de Luxemburgo

Panthéon

Museu do Louvre

Basílica de Sacré Couer

Museu D’Orsay

Ponte Alexander III

Petit Palais

Invalides

Grand Palais

Montparnasse

PARA VISITAR E COMER Galeria Lafayette La Grand Epicerie Bom Marché Le Marché des Enfant Rouge

Caminhar pela Avenida Champs-Élysées, admirando toda a sua beleza, é um dos passeios que não podem faltar na lista do “tem que ir”

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Luxo O U.SK Firmness Recovery restaura os sinais avançados da idade com ação específica sobre as rugas dinâmicas. O creme amplia a manutenção das estruturas intercelulares, ativa o metabolismo das células, tem efeito antioxidante e diminui os sinais de contração muscular, reduzindo rugas e linhas dinâmicas.

Tempo de

primavera A nova estação é, sem dúvida alguma, a melhor época do ano para viajar. Na coluna desta edição, uma seleção de novidades para quem deseja programar uma viagem com muita sofisticação nos detalhes. Au revoir!

Patricia Zanotti Fotos: Divulgação

Jornalista

DressCode

Nécessaire

Destinos

À beira da vasta floresta tropical de Nyungwe, em meio à paisagem montanhosa do sudoeste de Ruanda, o One&Only Nyungwe House abre as suas portas e começa a receber hóspedes a partir de 1º de outubro de 2018. O local escolhido para receber o segundo Resort de Natureza da rede One&Only é uma exuberante plantação de chá em funcionamento, ao lado de uma das maiores e mais bem preservadas florestas tropicais da África. Jantar no restaurante chinês Mr. Chow, localizado no icônico Hotel W South Beach, é uma daquelas inesquecíveis experiências gastronômicas que todo mundo deve vivenciar. Inaugurado em agosto de 2009, o restaurante oferece um menu de clássicos chineses, além de receitas novas e criativas que 122 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

levam a assinatura do chef executivo Hing Fung Matt Chan. Além dos pratos, atendimento e decoração, outro ponto alto da visita ao Mr. Chow é o tradicional Handmade Noodle Show: uma apresentação em que um dos chefs prepara uma massa de macarrão ao vivo e que acontece todos os dias, às 21h.

A NARS apresenta o NARSissist Wanted Power Pack Lip Kit, três pares de edição limitada do Powermatte Lip Pigment, a fórmula mate mais poderosa da marca, em versão miniatura. Uma gama ideal de nudes e vermelhos que deslizam suavemente com a sua textura líquida para criar uma cobertura completamente saturada, confortável e de longa duração.

Nosso queridinho, o Prep + Prime Fix+, da MAC Cosmetics, se reinventa em três novas fragrâncias deliciosas, incluindo a romântica Rose, a calmante Lavender, a suave Coconut e, claro, o aroma original calmante e herbal. Vitaminas e minerais dão à pele hidratação instantânea e a sua fórmula leve e prolongada ajuda a revigorá-la enquanto fixa a maquiagem.

Partindo de um olhar para dentro, do resgate das raízes e origens e da força da fauna e flora, a marca carioca A.Brand apresenta o editorial Entre Trópicos. Os looks produzidos contam com peças da coleção Amazônia, lançamento de verão da marca, que faz uma releitura dos elementos da maior floresta tropical do mundo.

O verão 2019 da PatBO resgata a tropicalidade com o toque latino da marca. Tendo o Brasil como ponto de partida, o resultado é uma coleção alegre, cheia de cor e bossa. Para completar o clima vibrante da temporada, Patricia Bonaldi e Maria Dolores se unem para uma terceira collab. São, ao todo, 30 modelos de joias, entre pulseiras, brincos, colares e anéis em ouro, ródio negro, madeira e variações de pedras e cores.

Para eles Movimente-se. É o que propõe a nova coleção da linha Move, da Animale. O animal print, sempre aposta da marca, vem pontuado em cores. Em contraponto, peças com estampas gráficas chegam em versão metalizada. As apostas são as leggings, os macacões de costas trançadas e looks casados com pegada hot, sem perder a graça.

Pioneiro da moldagem e da coloração da safira para as caixas de seus relógios, a Hublot vai ainda mais longe no domínio desse material ultrarresistente, cujo trabalho é tão complexo. Seu turbilhão “esqueletado” e de fabricação própria revela-se graças à transparência total, que é mantida por uma barrinha esculpida na safira. O novo Big Bang Sapphire Tourbillon revela uma limpidez completa. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 123


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Evento: Carlos Rodeiro Desfile Comemorativo 20 anos Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Priscila Macedo / Agência Model Clube

Evento: Desfile Cantão Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Gionvanna Antonielle / Agência Mega

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Evento: Desfile Gregory Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Maiara Araújo / Agência Model Clube

Evento: Desfile Foorlí Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Karol Silva / Agência The Agent 128 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

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Evento: Desfile Maria Filó Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Priscila Macedo / Agência Model Clube

Evento: Desfile IO Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Dany Brugni 130 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

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Evento: Desfile Cambodja Fotógrafo: Valter Pontes Modelo: Camila Figueiredo / Agência Model Clube Evento: Desfile Paula Frank Fotógrafo: Valter Pontes Influenciadora: Carol Lisboa

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Moda

g n i l c y Upc oda ea m

l e v á t n e sust A prática do upcycling é um dos grandes exemplos da chamada Economia Circular

Fotos: reprodução Pinterest/divulgação

Por Carla Visi

O upcycling é uma das maneiras mais inovadoras de transformar o universo da moda porque é sustentável, rentável e criativo. 134 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Por muito tempo, a moda esteve associada ao glamour e à beleza, porém também a identificavam com o desperdício e a ostentação. Apesar do conceito de moda ser mais abrangente, pois se trata de um fenômeno sociocultural que expressa valores da sociedade em determinada época, raramente conseguimos associá-la à sustentabilidade. O modelo capitalista ainda predominante e que gerou impactos ambientais alarmantes tinha e ainda tem como base a produção e a aquisição de bens de consumo. O fato é que para fabricar qualquer produto retiramos da natureza matéria-prima, energia, água e outros recursos naturais. Com a ideia equivocada de que tais recursos eram infinitos, o capitalismo praticado pós-Revolução Industrial apenas se concentrava em fabricar e vender sem se preo-

cupar com o rastro de destruição que deixava, e muito menos com o lixo que gerava. Diante de catástrofes ambientais como a chuva ácida, a poluição de rios e o aquecimento global, e dos problemas sociais como a urbanização desordenada, a violência, a desigualdade e doenças causadas pela industrialização, o mundo passa a pensar novos modelos de economia e de desenvolvimento. Na ECO 92 ou Rio 92, consolidou-se o conceito de Desenvolvimento Sustentável, em que as gerações atuais se responsabilizam em usar os recursos naturais dentro dos limites que garantam a disponibilidade desses recursos para as gerações futuras. Novos eventos e muitos estudos foram realizados para encontrar meios de praticar o desafio da sustentabilidade. Hoje, temos diversas propostas de economia. Alguns exemplos: a Economia Criativa, cujos principais capitais são a imaginação e o conhecimento; a Economia Solidária, baseada na cooperação ou autogestão, na qual todos são patrões e empregados; a Economia Regenerativa, que reconhece o valor real do meio ambiente como sistema de suporte à vida; e, finalmente, a Economia Circular, conceito baseado na inteligência da natureza, em que nada é desperdiçado e tudo é continuamente nutriente para um novo ciclo. O upcycling atende a essa tendência mundial, agregando valor e status de arte às nossas antigas roupas customizadas. Nessa dinâmica de produção e criatividade, marcas e designers se unem para passar uma mensagem de respeito à natureza através do reaproveitamento de resíduos e produtos aparentemente defeituosos. Antes rejeitado, agora, esse material é

Além de ecologicamente correto, o upcycling surge como uma oportunidade de negócios. A decoração, ao lado da moda, tem sido o campo que mais pratica o upcycling.

reintegrado ao ciclo produtivo, gerando novos produtos e um consumidor mais responsável. A prática reduz a quantidade de resíduos produzidos que passariam anos em aterros sanitários ou em locais inadequados, além de diminuir a necessidade de exploração de matéria-prima para a geração de novos produtos. No caso do plástico, isso significa menor extração de petróleo, menos árvores derrubadas no caso

da madeira e, no caso do metal, menos mineração. E isso conta também com uma economia significativa de água e energia, usadas tanto na exploração dos recursos naturais quanto na reciclagem, ainda que em menor quantidade neste último caso. A prática do upcycling é um dos grandes exemplos da chamada Economia Circular,  que propõe que os resíduos sirvam de insumo para a produção de novos produtos. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 135


Além de ecologicamente correto, o upcycling surge como uma oportunidade de negócios. A marca Cavalera lançou uma linha com mais de 50 modelos de bolsas e carteiras feitas com sacos de cimento usados. A empresa americana TerraCycle, fundada em 2001 e presente no Brasil desde 2010, já coletou mais de três bilhões de resíduos em todo o mundo, utilizando-os para criar bolsas, guardachuvas, cadernos, entre outros produtos verdes, evitando que tais resíduos fossem destinados a lixões ou aterros sanitários. O pessoal do Studio Bike Furniture Design, de Michigan, nos EUA, transforma peças de bicicleta descartadas em móveis modernos e irreverentes. A decoração, ao lado da moda, tem sido o campo que mais pratica o upcycling. O fato é que está na moda ser sustentável, por isso o consumidor precisa ficar atento para não cair no Green Washing, ou maquiagem verde, que significa que o discurso do ecologicamente correto é apenas uma estratégia de marketing. O nosso papel é conhecer e divulgar as marcas realmente comprometidas com o viver melhor. Uma iniciativa importante para o mundo da moda é o Banco de Tecidos de São Paulo, que recebe e revende restos de panos. Segundo a Organiza-

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Reprodução Pinterest/Divulgação

Moda

ção das Nações Unidas (ONU), o Brasil descarta cerca de 175 mil toneladas de sobras têxteis por ano e apenas 15% são reaproveitadas. Dependendo da composição do tecido, ele pode demorar anos para se decompor, intoxicando o solo e a água. Agustina Comas, professora do curso on-line Upcycling da Aprende Aí e do Instituto Rio Moda, afirma que o conceito reflete o “Slow Fashion”, ou

seja, novas formas de produção e consumo que beneficiam os consumidores e o planeta. Na marca que possui o seu nome, ela reutiliza saias e camisas e as transforma em novas peças com um toque atemporal e ótimo acabamento para despertar o desejo do durável. A marca gaúcha Insecta Shoes produz sapatos e acessórios ecológicos e veganos com base no upcycling e na moda ética. Outro projeto interessante é o Re-Roupa, que foca no reaproveitamento de resíduos e na valorização da mão de obra local. Assim, fizeram parceria com a marca Farm para  o upcycling de mil peças por mês e com a Rede ASTA (negócio social para a formação de empreendedoras), cocricando moda e acessórios com artesãs de todo o Brasil. O upcycling é uma das maneiras mais inovadoras de transformar o universo da moda porque é sustentável, rentável e criativo. O resultado final, geralmente, é um produto ou item único, feito à mão e social e ambientalmente comprometido, superando antigas práticas como a Economia Linear, a obsolescência programada e a ditadura do estilo. Às vezes, demoramos a assimilar novos hábitos, mas, conscientes, podemos fazer melhores escolhas a favor da vida.

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Moda

Além do arco-íris: hora de iluminar as suas produções para a próxima estação A primavera chegou e com ela um exuberante arco-íris iluminou o mundo da moda, tendência alegre inspirada no fenômeno meteorológico que reflete, refrata e dispersa a luz da água e que, além de ser um símbolo da diversidade e do amor sem barreiras, certamente trará mais cor para as suas produções. O padrão caleidoscópico e divertido está por toda parte: da pista para a rua, da cabeça aos pés, com tons quentes e abrasivos, estampas, listras, lantejoulas multicoloridas e aquela revigorada que diversas marcas renomadas já apostaram, dentre elas Gucci, Chanel, Rolex, Dolce & Gabbana, Missoni, Louis Vuitton, Charlotte Olympia e muitas outras.

Renata Rangel

Advogada, digital influencer e apaixonada por moda

Fotos: Divulgação

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Blusas românticas, acessórios, trajes de banho, peças em alfaitaria, vestidos de festa mais elaborados: a estampa assumiu as mais diversas formas, garantindo aquele ar retrô sofisticado na medida certa. Use e abuse dessa tendência alegre para adicionar um toque especial às suas peças e não tenha medo de experimentar tamanhos, cores e texturas diferentes!

O uso de todas as cores do arco-íris e de desenhos multicoloridos se traduz em itens diversos produzidos pelos designers do mundo inteiro, com peças que vão desde t-shirts inspiradas nos anos 1970 até vestidos e acessórios, sugerindo que a nossa ânsia pela cor veio para ficar, e com ela um espectro completo de cores nesta primavera. Aproveitando a nova temporada, que tal aderir à tendência agora mesmo e escolher peças de tons brilhantes e arrojados para iluminar o seu visual, revitalizar os seus looks e fazer a transição perfeita para adicionar cor e alegria ao seu guarda-roupa nas próximas estações?

Com a bola toda: aposte no polka dot, a estampa clássica que está com tudo! Boas notícias para os fãs das tradicionais bolinhas: o mood vintage tem sido uma constante nos diversos desfiles internacionais, e a prova disso é a volta com força total do clássico poá, também conhecido como estampa de bolinhas, petit-pois ou polka dot, verdadeiro clássico do guarda-roupa feminino consagrado nos anos 1950 e que atravessou tantas décadas na moda, tendo sido usado por ícones como a Princesa Diana, Marilyn Monroe e Kate Moss. Muito embora a padronagem menor e mais tradicional seja uma das favoritas, o poá vem sendo flagrado também em versões maxi, fazendo mix de padronagens com estampas florais e também em versões mais artísticas em tamanhos e espaçamentos diferentes: tem para todos os gostos, inclusive misturado com estampas como o animal print.

It bags: os modelos queridinhos dos looks das fashionistas A melhor forma de se preparar para entrar de cabeça na próxima estação é escolher uma bolsa que traduza as tendências com personalidade. Uma bolsa é a maneira mais rápida de saber se alguém está de olho no que é, realmente, a it bag do momento. Observar o que está sendo usado pelo street style durante as semanas de moda internacionais é um ótimo ponto de partida para atualizar o seu estilo e buscar novidades, e pensando nisso selecionei modelos com propostas e marcas diversas que você precisa conhecer já: MARYAM NASSIR ZADEH

WAIWAI

BOYY

Pequenos e cheios de estilo A cada temporada, os óculos de sol ganham novas versões, e quando pensamos no aumento da temperatura imediatamente nos vem à cabeça esse item que já se tornou essencial para o dia a dia, mas que também confere um up instantâneo e destaca qualquer produção. O modelo que despontou como hit absoluto entre as fashionistas é o chamado Tiny Sunglass ou óculos bem pequenos, tendência de eyewear supercool inspirada no mood dos anos 1990 e que pode ser encontrada nos mais diversos modelos: cat eye, redondos, quadrados, hexágonos; o que importa nesse quesito é a premissa do quanto menor, melhor, garantindo um visual atual e cheio de frescor.

DANSE LENTE

SIMON MILLER

REJINA PYO

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Beleza

Cabelos e estilos. Sim,

Dicas incríveis do maquiador Miuson Matos para mulheres ruivas e com sardas

podemos renová-los!

É difícil ser ruiva? Segundo a cabeleireira, tricologista e visagista Thaise Fias (foto), o cabelo ruivo pede uma atenção especial, entretanto, é necessário seguir com os cuidados adequados e terá o cabelo dos sonhos. Você precisará fazer a manutenção mensalmente, pois, como qualquer outro tom, o ruivo sofre oxidação e desbota com mais facilidade. É necessário investir em xampus de qualidade e utilizar produtos que bloqueiem os raios UV.

Se você está nesse processo de brincar com as cores, saiba que o difícil mesmo é ser ruiva e escolher um tom. Tem ruivo claro, ruivo escuro, laranja, acaju, amadeirado, acobreado, bordô, vinho, cereja, vermelho dourado, vermelho intenso e por aí vai. Geralmente, os tons mais escuros, puxando para o vinho, combinam com as mulheres naturalmente morenas, enquanto tons mais claros e alaranjados caem superbem nas loiras. É claro que isto não é uma regra, mas pode ser um bom ponto de partida para quem está pensando em tingir os fios. Se este é o seu caso, aproveite as dicas.

Márcia Damasceno

Empresária e Relações Públicas

Existe tonalidade certa para cada cor de pele?

Fotos: Divulgação

Busque o seu estilo, assim, você se apaixonará por sua imagem. Quando nos olhamos no espelho e nos identificamos é o começo de um novo caminho a ser percorrido. Curto, longo, liso, crespo, loiro, preto ou ruivo, cada pessoa tem o seu jeito de se ver e se reconhecer. O interessante é encontrar a verdadeira identidade. Mudar a cor dos cabelos ou simplesmente um novo corte nos deixa mais seguras, determinadas e fortes! Constatamos que mudanças no nosso exterior, em certos momentos da vida, são necessárias para que haja revoluções em nosso interior.

Sem dúvida. Existem tons de peles quentes e frios e eles devem estar em harmonia com a coloração dos cabelos para que o resultado da transformação não seja artificial. Por exemplo, peles em tom frio combinam com tonalidades acinzentadas, irisadas, beges, amadeiradas e platinadas, enquanto as de tons quentes ficam melhor com tons acobreados, chocolate, avermelhados, acaju e dourados.

Ser ruiva é uma tendência ou uma questão de personalidade? Todas as pesquisas sobre tendências indicam que as duas maiores são a despadronização e a customização, que é a personalização. Prefiro criar um estilo e estar atenta para não padronizar imagens baseadas nas “tendências” de moda. A melhor opção é identificar a diferença entre o desejo da cliente e o que ela quer expressar.

“Mulheres ruivas têm um jeito todo especial de ser. Como a sua pele é clarinha e, muitas vezes, elas apresentam sardas, o primeiro passo é usar uma maquiagem bem suave, quase nada de base, deixando as sardas à vista. Pois bem, houve um tempo em que se fazia de tudo para escondê-las, mas, para a nossa felicidade, hoje já é possível recriá-las no rosto para dar aquele ar de sapeca. Para as ruivas podemos apostar nos tons terrosos e acobreados para iluminar o olhar e reservar os tons mais marcantes, como o vinho e o marrom, para as noites especiais. Nos lábios, valorizamos com a gama do vermelho bordô ao vinho, com uma pitada de blush levemente rosado, dando aquele ar de saúde, ou, se preferir, até mesmo um tom de vinho iluminado com um toque de bege dourado. Essa dica vai deixá-la uma deusa! Nos cílios, uma batidinha do velho curvex e camadas generosas de máscara preta para dar o efeito bonequinha”.

Dalva Maria Cunha e o maquiador Miuson Matos

Quais os principais cuidados para que a cor permaneça por mais tempo nos fios? O retoque de raiz deve ser feito com o intervalo de, no máximo, 30 dias. A tonalização deve ser feita nas pontas a cada dois meses e deve ser evitado o uso de chapinha ou modeladores com a temperatura muito elevada.

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Beleza As barbearias estão tomando conta do país e são verdadeiros templos de exaltação da diversidade de formas que o rosto do homem moderno pode ter Por Filipe Moreira Falar sobre questões estéticas e masculinidade pode gerar polêmica, porque dentro do ideal de homem que é comum no imaginário da sociedade contemporânea eles não devem se embelezar muito. No entanto, as barbearias que estão tomando conta do país são verdadeiros templos de exaltação da diversidade de formas que o rosto do homem moderno pode ter. Tudo isso com uma cerveja artesanal gelada, ambientes rústicos, uma boa música de fundo e o imprescindível: um atendimento personalizado. Um corte de cabelo simples e retirar ou aparar a barba se tornaram verdadeiros rituais. São cremes, pomadas, géis, shampoos e condicionadores especiais, além de dégradés, topetes, riscos e uma infinidade de possibilidades que os homens podem encontrar nesses espaços desenvolvidos especialmente para o seu conforto. Depois do boom da metrossexualidade, no início dos anos 2000, parece que muitos meninos tiveram representatividade suficiente para abraçar o seu lado brioso. “É um mercado que está crescendo, mas que não é fácil e não tem “receita de bolo”, porém a crescente do público masculino, que está cada vez mais vaidoso, é um pró”, disse Bruno Figueredo, administrador da Barbearia Moustache, 142 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

localizada no bairro da Pituba, em Salvador. O interesse de Bruno pelas barber shops começou depois de anúncios na internet sobre elas e, segundo ele, a Moustache tem um ambiente amplo, com diversos entretenimentos, incluindo uma grande diversidade de bebidas artesanais e comidas, além de profissionais atualizados. A boa recepção é um ponto crucial para desenvolver uma boa clientela. Raphael Schleier, proprietário da Barbearia La Firma, situada na Avenida Manoel Dias, reafirma esse posicionamento incluindo até uma política de respostas praticamente automáticas para dúvidas, elogios e reclamações. “Recentemente, lançamos o nosso aplicativo exclusivo, através do qual o cliente pode agendar o seu horário, avaliar cada atendimento, acompanhar os seus pontos acumulados etc. Ao que me parece, apenas nós possuímos esse tipo de ferramenta”. A ideia de criar a La Firma surgiu da vontade que Raphael tinha de tomar outros rumos profissionais e, pesquisando, ele acabou conhecendo um modelo de negócio que vinha sendo aplicado principalmente em São Paulo. “Achei interessantíssimo”, disse. Seus investimentos envolveram uma identidade vi-

sual forte, estrutura e decoração, criando um ambiente retrô, rústico, semelhante ao de alguns pubs, contendo até uma mesa de sinuca. “O projeto em si chama a atenção, porque ele foi realizado com muito carinho e cada detalhe foi pensado para o cliente”, completa. Esse mercado vem crescendo desde 2016 e, hoje, é possível encontrar diversos estabelecimentos além dos já citados, como o Jack Navalha, na Barra; a Confraria da Barba, com sedes no Bonfim, Alphaville e Shopping Barra; e a A (Bar) bearia Bar e Barba, também na Pituba. “Sempre digo que existe espaço para todo mundo, é só trabalhar com seriedade e dedicação”, falou Raphael. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 143


Autos e Motos Velar traz requintes de um Ranger Rover As marcas inglesas Jaguar e Land Rover estão em crescimento em todo o mundo. No Brasil, a oferta dos carrões da Land Rover só aumenta. Um deles é o Range Rover Velar, que chega ao mercado baiano com nova opção de motor 2.0 turbo, de 4 cilindros e com 300 cavalos de potência e 40,8 kgfm de torque. A linha

Mercedes-Benz Classe X:

“picapeiro” com muito glamour

figurações da Classe X são Pure, Progressive e Power. A versão mais simples vem com grade, para-choques, espelhos retrovisores e maçanetas na cor preta. As rodas são de aço e há faróis e lanternas em LED. A opção de entrada Pure X220d vem com o mesmo 2.3 da Frontier, com apenas um turbo, associado ao câmbio automático de sete marchas. Mas há ainda a versão Progressive X250d 2.3 com os dois turbos, de 190 cv e 45 kgfm, e transmissão de sete velocidades. Na mais cara, a Power X350d, o motor é 3.0 V6 turbo, de 258 cavalos e 56 kgfm, com tração integral 4x4 e cabine dupla. A inédita Classe X só chega ao mercado brasileiro no ano que vem, mas a equipe da Rodobens Salvador já recebeu o treinamento para a venda da Classe X.

Roberto Nunes

Jornalista automotivo mr.robertonunes@autosemotos.com

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NINJINHA MAIS POTENTE A Kawasaki lançou a nova Ninja 400 no país. Depois de aparições estáticas para causar furor entre os amantes de motos esportivas, enfim, chegou a nova Ninja. Chamada anteriormente de Ninjinha, a moto cresceu e ficou mais potente. Tem as versões Ninja 400 (verde ou preta), com o valor de R$ 23.990, e Ninja 400 KRT (pintura especial), com o preço de R$ 24.990. Ganhou novo chassi e motor com 48 cavalos de potência.

SUV MÉDIO DA JAC A JAC Motors tem novidades. Agora, com revenda na região do Horto, em Salvador, a marca chinesa desembarca com o renovado crossover T50. O SUV médio da JAC vem equipado com motor 1.6 16V DVVT, de 138 cv de potência, e câmbio CVT de 6 velocidades programadas eletronicamente. O preço varia de R$ 82.990 a R$ 86.990.

Toro Ranch veste roupagem da roça Chega a terceira geração do Cayenne

Fotos: Divulgação

O mundo dos rodeios, festas de peão e da poeira na roça vai ganhar glamour com a chegada da picape Classe X, a primeira do gênero produzida pela Mercedes-Benz. Esqueça a dureza da suspensão e a falta de refinamento nos materiais do painel de instrumentos. Imagine você dirigindo uma picape com a estrela estampada na grade cromada. É ostentação demais! Além de grade cromada, para-choques e retrovisores pintados, a nova Classe X vem com rodas de liga leve de 17’’, retrovisores externos elétricos, oito alto-falantes e revestimento de couro no volante, câmbio e alavanca do freio de estacionamento. A primeira picape média da marca alemã estreia em três versões, com preço inicial entre R$ 170 mil e R$ 180 mil. As con-

2019 do Velar mantém a engenharia mecânica com o propulsor V6 Supercharged, de 380 cv de potência. O Land Rover Velar em suas configurações SE e HSE traz ainda assistência de estacionamento (Park Assist), sensores 360º e monitoramento de tráfego traseiro. Tem valor entre R$ 339.300 e R$ 529.300.

Ícone no mundo premium, o Cayenne chega renovado ao Brasil. A terceira geração do SUV da Porsche ganhou melhorias em diversos aspectos. Feito na mesma plataforma do Audi Q7 e do Volkswagen Touareg, o Porsche Cayenne tem três versões, todas com motor V6. A menos potente é a 3.0, com turbo para gerar 340 cavalos. Seu preço é a partir de R$ 423 mil. Em seguida, a Porsche oferece a configuração S, com motor 2.9 biturbo de 440 cavalos, custando R$ 523 mil. Já a versao top deixa o Cayenne com motor 4.0 V8 turbinado de 550 cavalos, o seu preço salta para R$ 733 mil.

O segmento de picapes tem modelos de pequeno porte e do segmento médio. No entanto, o brasileiro tem a opção da Renault Oroch e da Fiat Toro. A marca italiana apresentou mais uma opção da Toro, a versão Ranch. A picape é baseada na configuração Volcano, a topo de gama, com motor Diesel 2.0 Turbodiesel, tração 4×4 e transmis-

são automática de 9 velocidades. A Fiat deu um upgrade no interior. Além do visual, a Toro Ranch é bem equipada. Tem sensores de chuva e crepuscular, câmera de ré, sistema Keyless enter’n’go (sem a utilização da chave), partida elétrica por botão e com sistema remoto pelo controle. A Fiat posiciona a picape Toro Ranch por R$ 149.990.

CAOA CHERY NA PARALELA A Caoa Chery, marca brasileira com carros de origem chinesa, ganha um novo concessionário na Bahia. A própria Caoa, grupo especializado na venda de carros multimarcas, amplia a opção de compra e aposta no Tiggo 2, SUV que mais parece um hatch. Tem motor 1.5 16V flex, de 115, e opção do câmbio CVT. Parte da faixa dos R$ 60 mil.

CR-V EM SUA QUINTA GERAÇÃO Salvador sediou um evento regional para a apresentação da quinta geração do CR-V. O SUV da marca japonesa foi apresentado na revenda Imperial Alphaville com a presença do Pedro Resende, gerente de RP da Honda. O novo CR-V tem motor 1.5 turbo, de 190 cavalos e transmissão CVT. Está com novo visual e o seu multimídia traz navegação por GPS e o smartphone pode ser espelhado. O preço está na faixa dos R$ 190 mil. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 145


Civic Si : a evolução de um esportivo de rua

O Honda Civic Si desembarca direto do Canadá com melhorias no visual e, principalmente, na mecânica. O esportivo da Honda impressiona pelo visual mais agressivo, sobretudo pela bela traseira com aerofólio, para-choques alargados, lanternas modernas e escapamento com saída dupla Por Roberto Nunes

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Fotos: Divulgação

Autos

A evolução chegou ao Civic Si. Em sua 10ª geração, o esportivo da Honda desembarca direto do Canadá com melhorias no visual e, principalmente, na mecânica. Produzido em Ontário, o Civic Si “transpira” esportividade. Sua traseira, digamos assim, é mais bonita que o carro inteiro, com um aerofólio radical na parte alta da tampa do porta-malas e escapamento com saída dupla na parte baixa dos para-choques. O novo Civic Si largou o tradicional motor aspirado e traz sob o capô um endriabrado propulsor 1.5 turbo, o mesmo do Civic Touring vendido no mercado brasileiro. Com isso, o sedã-cupê de duas portas deixa a timidez para saltar dos antigos 173 cavalos para os generosos 208 cavalos. Sua força chega a 26,5 kgfm na faixa dos 2.100 a 5 mil giros. Com valor sugerido de R$ 159.900, o novo Honda Civic Si impressiona pelo visual mais agressivo, sobretudo pela bela traseira com aerofólio, para-choques alargados, lanternas modernas e escapamento com saída dupla. 

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Autos Pegada moderna

O esportivo Civic Si bebe na fonte da conectividade. A central multimídia possui uma tela de sete polegadas sensível ao toque, com Apple CarPlay e Android Auto. Sua direção é elétrica e o volante tem comandos dos sistemas ofertados no veículo.

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A Honda oferece um Civic Si com melhorias e avanços na mecânica. Na prática, a engenharia não perdeu tempo para garantir exclusividade e belas doses de adrenalina para quem está sentado em frente ao volante. A direção é elétrica e o volante tem comandos dos sistemas ofertados no veículo. Esta geração deu um salto de qualidade tanto na eficiência mecânica quanto na oferta de um pacote mais extenso de segurança e conectividade. A Honda tirou peso e deixou o Civic Si mais leve (8% a menos de peso). Esta geração tem a suspensão mais ajustada com o sistema McPherson na dianteira e multibraços na traseira. Há alguns componentes oriundos do Type-R, como as buchas e os braços ultrarrígidos. A Honda instalou no Civic Si rodas de liga leve de 18 polegadas, pneus 235/40 e destacou as grandes tomadas de ar na parte dianteira. O esportivo Civic Si bebe na fonte da conectividade. A central multimídia possui uma tela de sete polegadas sensível ao toque, com Apple CarPlay e Android Auto. Há um sistema de áudio de 450 watts, câmera de ré e sistema Lane Watch, uma câmera localizada no retrovisor direito, que é acionado no momento em que você sinaliza que vai para o lado direito, mostrando por meio de imagens no retrovisor o que se passa na pista. O carro tem ainda ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar, freio de estacionamento eletrônico, além de sistemas de controle de tração e de estabilidade, hill start assist, seis airbags e cinto de segurança de 3 pontos para todos os ocupantes. O novo Civic Si é ofertado nas cores branco Orchid Pearl, preto Crystal Black Pearl, azul metálico Brilliant Sporty e vermelho Rallye. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 149


QUE TAL REPETIR AQUELE VERÃO? Foi naquele verão que tudo começou. Quando tomar sorvete à beira-mar, de repente, se tornou uma mania. E sabor de fruta se tornou Ribeira. Aquele bairro onde os amigos se encontravam com mais frequência. As famílias se reuniam para ver o por-do-sol. E tudo era mais simples e o tempo não corria tanto. Deu saudade? Pega seu amor e vem pra Ribeira hoje mesmo. Aqui é sempre verão.

Salvador Shopping, Shopping Barra, o. Silver Shopping do Imbuí e Aeroport HORÁ RIO DE FUNCI ONAM ENTO DOS SHOP PINGS

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Praça General Osório, 87 - Ribeira

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NOVA UNIDADE: Villas do Atlântico em

breve Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 151


#sósevênabahia

Poesia em imagens Esta foto foi feita em Mar Grande, um dos lugares que mais gosto de fotografar, na Ilha de Itaparica (BA). Cheguei à praia por volta das 4h30 para fazer uma foto do dia nascendo e, para a minha surpresa, o mar estava uma piscina; maré baixa e água cristalina. Como não tinha leva-

do uma lente de longo alcance (zoom), costumo trabalhar com uma “Olho de Peixe”, então, tive que entrar no mar com câmera e tudo para me aproximar do barco. Quando o sol nasceu havia uma luz maravilhosa, e o resultado foi esta imagem, que ganhou vários prêmios. Até a próxima!

Por Bel Saffe /bel.saffe @belsaffe100

Título da foto: “Mar Grande Paradise” I Local: Mar Grande / Ilha de Itaparica – BA 152 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

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Sessão Pipoca

Gabriela Ponce

Tradutora, revisora e apaixonada por cinema

Em cartaz:

uma nova primavera! Eis que chega a estação das flores! Em uma Bahia eternamente solar, a primavera vem para colorir ainda mais a paisagem e florescer novos sentimentos. É aquela sensação do último trimestre começando (e mais um ano caminhando para a sua reta final). Seguindo o tema desta edição, “Eu vejo flores em você”, além do seu sentido literal, os filmes que sugiro esta vez trazem histórias de pessoas que deram a volta por cima: plantaram, viram flores em seus caminhos e foram colher os seus merecidos frutos. “Sob o Sol da Toscana” (Under the Tuscan Sun) é um filme de 2003 que narra a história de reviravolta na vida da escritora Frances Mayes; destroçada ao descobrir a infidelidade do marido, ela comete uma daquelas loucuras que mudará a sua vida completamente. Com o apoio de sua melhor amiga, Frances decide viajar à Toscana após divorciar-se e se encanta por uma romântica casa em um vilarejo; a construção se encontra em um estado muito parecido à sua situação pessoal: precisa de reformas e de novas histórias. É nesse contexto que ela recomeça a sua trajetória. Entre uma experiência e outra, a personagem vai dando sentido ao seu novo momento de vida. O filme é autobiográfico e baseado em um livro publicado em 1996 pela própria Frances Mayes, tem uma fotografia 154 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

bucólica que dispensa comentários e um enredo motivador e apaixonante. “O Jardim Secreto” (The Secret Garden, 1993). Este drama de produção estadunidense é baseado na obra infantojuvenil de Frances Hodgson Burnett e, de forma metafórica, aborda temas como o recomeço e as mudanças “mágicas” que podemos realizar em nossos destinos. É um filme lindo! A trama se desenvolve em uma mansão na qual duas crianças, com um histórico de abandono, se encontram e têm um reinício em suas histórias de vida. O jardim da casa é o local secreto que os salva e os acolhe da realidade; ao devolver vida ao jardim que estava abandonado, eles se descobrem também vivos. O filme apresenta uma beleza visual fascinante e nos provoca reflexões sobre a vida e a nossa capacidade de ressignificá-la. “Frances Ha” é um filme de 2012 que eu adoro! Em preto e branco, esta comédia dramática conta a história de Frances (interpretada brilhantemente por Greta Gerwig), uma bailarina que divide um apartamento com a sua melhor amiga em Nova Iorque. Frances é divertida, superpositiva e preza muito por seu espírito livre e pouco sério. Um personagem profundo que passará por uma série de dificuldades para se estabelecer sozinha e se encaixar na vida adulta. A forma como ela lida com os problemas é motivadora. A sua trilha sonora é sensacional: David Bowie, Rolling Stones e Paul McCartney embalam as cenas dessa história que nos ensina a seguir em frente com humor e positividade. Recomendo também: “Aconteceu na Primavera”, “Hope Springs: Um Lugar para Sonhar”, “À Procura da Felicidade” e “Flor do Deserto”. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 155


De olho nas Telas RETORNOS MAIS AGUARDADOS Athypical Narcos

A regra virou

exceção

Trago novidades! O diferente e o incomum nunca estiveram tão presentes nos roteiros, na imaginação e, portanto, no comportamento popular dos brasileiros. Se é a vida que imita a arte ou o inverso, não sei dizer, mas as telas – como mostrou “Black Mirror” – são, hoje, os espelhos mais fidedignos à realidade que sequer cogitávamos haver alguns anos atrás. Diante da explosão dessa pluralidade de suas audiências – que se empoderam –, nós, a mídia, não temos outra solução a dar senão termos cada vez mais uma gama de produtos que abarquem toda essa miríade de cores, tons e intensidades. E aí estão as primeiras levas deste pensamento. As grades de programação, pouco a pouco, estão conseguindo superar preconceitos, tabus e convenções que já não convêm mais a nada nem a ninguém. A seguir, confira indicações de séries imperdíveis.

Matheus Pastori de Araujo

Fotos: divulgação

Jornalista, nascido e criado nos bastidores da mídia @matheuspastori

Freddie Highmore interpreta o cirurgião Shaun Murphy em “The Good Doctor”

A MAIS COMENTADA A série mais comentada vem de uma edição especial da Tela Quente, da Rede Globo. Dentro da nova estratégia cross156 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

mídia da emissora, o aplicativo Globoplay trouxe à TV aberta uma versão em longa-metragem de um dos seus maiores

sucessos de audiência: a websérie “The Good Doctor” (O Bom Doutor). Lá, Shaun Murphy (Freddie Highmore, da série “Bates Motel”) é um jovem cirurgião com Síndrome de Savant, condição em que o seu portador possui deficits intelectuais. Portadores dessa síndrome têm sérias dificuldades em se comunicar, compreender o que lhe é transmitido e estabelecer relações interpessoais. Ainda assim, logo no princípio da trama, as habilidades médicas extraordinárias do protagonista fazem com que o diretor de um grande hospital ponha o seu próprio emprego em risco para contratar Shaun como o seu mais novo residente. A maestria no domínio da Medicina é o que dá suporte ao jovem cirurgião nos novos relacionamentos que naturalmente vão surgindo de maneira transversal à sua atuação profissional, a qual, pouco a pouco, vai fascinando chefes, colegas e a própria direção do hospital, a princípio, avessa à ideia de dar espaço para a atuação de alguém nas condições de Shaun.

Dentro de seu projeto ambicioso – e até agora bem-sucedido – de produções e criações originais, a Netflix divulgou a segunda temporada de “Athypical”, série que tem como personagem principal o cativante Samuel (Keir Gilchrist), o Sam, um jovem autista de 18 anos que enfrenta os desafios de qualquer um nessa idade. A produção, assinada por Robia Rashid, aborda o autismo em seus variados graus. Sam, por exemplo, se enquadra nos estágios mais leves do chamado espectro autista – o que o faz capaz de se relacionar socialmente com mais facilidade, tendo condição de frequentar um colégio regular, trabalhar e até mesmo namorar; mesmo que metodicamente, diante de sua incapacidade de mentir e do seu amor e fiel obediência às regras.

House of cards Já estão disponíveis o teaser e a data de estreia da sexta e última temporada de “House of Cards”, que finalmente revela qual será o destino de Frank Underwood (Kevin Spacey), na trama final. Spacey foi demitido da série no ano passado, depois de graves acusações contra o ator. As filmagens da sexta temporada estavam acontecendo em Washington D.C., quando a equipe e o elenco foram comunicados da decisão. Na época, a série foi quase cancelada; já tinha todos os roteiros da sexta temporada, além de ter filmado, pelo menos, três episódios. Porém a equipe conseguiu reverter a situação reformulando toda a história, com Claire Underwood (Robin Wright) sendo o novo foco da trama. A temporada final estreia dia 2 de novembro.

A série que viralizou com o baiano Wagner Moura interpretando o famoso traficante Pablo Escobar vai ganhar uma nova temporada. “Narcos: México”. O enredo conta a história da ascensão do Cartel de Guadalajara nos anos 1980, quando Félix Gallardo (Diego Luna) assume o comando e une os traficantes para construir um império. “Narcos: México” é produzida pela Gaumont Television para a Netflix. Estreia dia 16 de novembro.

Quarta temporada de “Narcos” será ambientada no México

American Horror Story Foram divulgadas as primeiras informações sobre a oitava temporada de “American Horror Story”, a série de terror mais amada de todos os tempos. Intitulada de “Apocalypse”, a produção já ganhou o primeiro pôster oficial e data de estreia. Na primeira imagem divulgada, a mão de uma criatura macabra toca em um bebê vermelho igualmente assustador. A estreia aconteceu no dia 12 de setembro deste ano, nos Estados Unidos. Vale lembrar que, por algum motivo, desde 2016, a produção está fora do catálogo da Netflix, sendo reexibida pelo canal da rede norte-americana FX, no Brasil. A oitava temporada da série de terror mais amada de todos os tempos já tem data de estreia

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Entrelinhas

Nós

podemos,

flores, ser... Para quem um dia se viu pequenino e passeou despercebido por entre as muitas mudas com quem divide a existência, reconhecer ter a capacidade de desenvolver-se e de grão, semelhante a tantos outros, virar pura beleza é um momento de celebração. É depois desse romper da casca que todas as possibilidades se apresentam e isso não quer dizer que tenha chegado a cessação das dificuldades, mas,

certamente, quem um dia foi semente agora está pronto para seguir em frente, consciente dos seus dons e potenciais latentes. Ver-se florescer é reconhecer que, apesar das barreiras impostas no caminho, a sua coragem foi recompensada e valeu todo o sacrifício. Que finalmente chegou o gozo, o riso, o regozijo. A pureza, a sutileza, a fortaleza. O florescimento não deixa de ser um despertar para um novo mundo, com novos desafios e

Renata Dias Escritora, terapeuta e DJ

novas recompensas, pois, ao atingir esse estágio, deixamos de nos guardar dentro de nós e nos doamos ao outro, ao todo, com autenticidade e maestria. Sem títulos de derrotas, apenas de superação. Sem receios. Somente com a certeza de que nós podemos, flores, ser! Vamos às dicas desta edição:

Em “Sobre Viventes”, publicado pela Editora Penalux, a jornalista Laís Matos apresenta cinco relatos biográficos de amigos e familiares de suicidas, reunindo as experiências pessoais de cada entrevistado e de que forma cada um foi afetado pelo suicídio. Além de dar luz a um assunto velado, o livro abre mão de fontes tradicionais para lançar um olhar mais demorado para a dor de perder alguém, o luto e a saudade. Fruto de uma extensa pesquisa sobre o suicídio e suas as abordagens pela imprensa, a obra tem o objetivo de mostrar que é possível falar sobre o tema dentro do jornalismo e em outros espaços e aponta o diálogo como elemento fundamental para a prevenção.

“A Coragem de Ser Imperfeito”, da autora norte-americana Brené Browm. Nessa obra, ela traz informações, frutos de pesquisas realizadas ao longo de 12 anos de investigação, sobre como, muitas vezes, nos isolamos, deixando de experienciar as verdadeiras transformações; não vivenciando o amor, a aceitação, a empatia e a criatividade na sua totalidade por estarmos acorrentados pelo medo, pela vergonha e por outras susceptibilidades. Seu lema, que está de acordo com a fala de Theodore Roosevelt em “O Homem na Arena”, como citado no livro, é viver com ousadia e honrar aqueles que se entregam por inteiro, porque as pessoas mais realizadas são aquelas que não têm medo de arriscar e mergulham profundamente nos seus propósitos. “Eu Sou Malala” conta a história da jovem paquistanesa Malala Yousafzai desde a sua infância, marcada pela desigualdade social, quando decidiu usar a sua voz para falar sobre a valorização da mulher e defender os direitos à educação após o Talibã ter proibido as jovens de frequentarem as escolas. Ela foi baleada na cabeça e quase perdeu a vida. “Os terroristas pensaram que mudariam os meus objetivos e freariam as minhas ambições, mas nada mudou na minha vida, exceto isto: fraqueza, medo e falta de esperança morreram. Força, poder e coragem nasceram”, disse a ativista em um discurso na sede da ONU, em que ressalvou que a educação é a única solução para o avanço das sociedades. Hoje, aos 21 anos de idade, é a mais jovem laureada com um prêmio Nobel da Paz e considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. 158 | Let’s Go Bahia Jul/Ago 2018

Espero que cultivem a primavera nas suas vidas todos os dias e a cada instante, independente das circunstâncias, explorando as suas essências e deixando desabrochar tudo aquilo que têm de melhor, permitindo experienciar as divinas sensações do florescer! Bemvinda, primavera! Até a próxima edição. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 159


Matheus Pastori de Araujo Como descrever a fragrância de um raro perfume? Como tornar um desses sentidos textual quando não há, na língua portuguesa, palavra ou adjetivo que se equivalham ao tato, ao paladar, ao olfato? E, mesmo diante das novas mídias e das mais aguçadas tecnologias, como falar do indescritível, do subjetivo e da genialidade? Foram essas as questões com as quais esta reportagem se deparou ao iniciar a matéria, que trata, veja só, não de um objeto,

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de um negócio, de um conceito ou uma cultura linearmente definida, mas de um homem, passível de todos os valores, acertos, falhas, dúvidas, e essas coisas da vida que vamos encontrando ao longo do tempo. O tempo. Falamos de um homem e da sua relação com o tempo, ao retratá-lo, de forma tão única e singular; ele tornou toda a Salvador a sua tela, o seu ateliê, a sua matéria-prima. Falamos de Mário Cravo Júnior, um dos mais importantes artistas plásticos da história do Brasil, cujo sobrenome, hoje, é sinônimo de imortalidade.

Um gênio imortal. Não é de jeito algum incomum que sejamos precavidos ao tentar definir alguém assim. Definir é limitar e limitar não é possível quando se trata de uma figura que teve justamente no vanguardismo o seu maior aliado. Baiano, nascido em 1923, Mário Cravo era um modernista, um sonhador, um tradutor da realidade em cor, cobre, bronze, mármore, granito na forma de obras e monumentos espalhados pela Bahia e pelo mundo afora. Mário Cravo, juntamente com o carioca Henrique Oswald que ensinou na Escola de Belas

Mário foi um artista modernista de projeção que sempre voltou para a Bahia. Era aqui que ele se inspirava e era feliz Adriana Cravo

Artes da Universidade Federal da Bahia -, assim como Hansen Bahia, é considerados como os criadores da moderna gravura baiana. Aos frequentadores do ateliê de Mário no Porto da Barra, Carybé acresce os nomes de Poty, Mary Vieira, Lenio Braga, Aldemir Martins e Marcelo Grassman. “Ali [no ateliê], havia sempre arquitetos, pintores, escultores, críticos, curiosos, gravadores, cineastas, grandes bate-papos e café. O mais importante era a generosidade de Mário quanto ao local, ferramentas, diálogo e materiais de que os artistas necessitassem”, disse Carybé em entrevista a nada menos do que a jornalista e escritora Clarice Lispector, datada de 1960. “Ele adorava ser desafiado intelectualmente. Leitor compulsivo. Amava Stravinsky e no cinema não resistia a um blockbuster ao estilo Ridley Scott! (risos)”, diz Adriana Cravo, esposa de Christian Cravo (neto do escultor) e colunista da Let’s Go Bahia. “Mário foi um artista modernista de projeção que sempre voltou para a Bahia. Era aqui que ele se inspirava e era feliz. Acredito que ele teve a sorte de estar no lugar certo,

Mário Cravo Júnior é um dos mais importantes artistas plásticos da história do Brasil

Márcio Filho/MTur

Mário Cravo Jr. o artista que tornou salvador a sua tela, o seu ateliê, a sua matéria-prima

Mário Cravo Neto

Especial Patrimônios

Ao lado do Elevador Lacerda, o Monumento às Quatro Raças possui contornos que contrastam com os traços datados dos séculos da colônia

na hora certa, em que o projeto político vigente contemplava a arte pública. Ele vivia a arte! A família era parte dessa vivência e a arte, parte dessa família”, completa.

A assinatura desse nosso eterno prodígio está no cenário dos mais impactantes, famosos e internacionalmente consagrados cartões-postais da capital da Bahia. Ao lado do Elevador Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 161


Especial Patrimônios

Especial Bairros

Christian Cravo

Muito recentemente, em 1º de agosto de 2018, a Bahia enlutou-se pela morte do escultor, aos 95 anos

A Cruz Caída, localizada no Pelourinho, é uma homenagem à antiga Igreja da Sé

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Patrimônio em nossa edição 44. “A Cruz Caída, para mim, é um grande marco na trajetória de Mário! É um monumento belíssimo, que consegue traduzir a história naquela maravilhosa obra. Os Orixás dos Correios também são fabulosos. O Oxalufã e o Exu são majestosos! Essas são as minhas obras preferidas!”, diz Adriana, com tom de fã. Mas Mário Cravo coincide com mais do que isso. Quando dissemos, no início deste texto, que Salvador havia se tornado um ateliê do artista, não se usava apenas de linguagem figuraMárcio Filho/MTur

Lacerda, do Mercado Modelo e das águas sublimes da Baía de Todos-os-Santos, foi Cravo quem concebeu o imponente “Monumento às Quatro Raças”, cujos contornos futuristas contrastam, em peculiar harmonia, com os traços datados dos séculos da colônia. Subindo à Cidade Alta, mais precisamente na Sé de Salvador, encontramos a “Cruz Caída”, uma de suas criações icônicas de cunho religioso que faz, veja só, vista para o Palácio Arquiepiscopal da cidade, sobre o qual escrevi neste mesmo Especial

tiva. De fato, Cravo teve a honra – ou nós a tivemos? – de dispor de todo um parque para expor o seu talento. Em Pituaçu, o espaço ao ar livre que leva o nome do bairro abriga o Parque das Esculturas de Mário Cravo, em que, novamente, as linhas ousadas dessa criatividade fora da curva preenchem o ambiente e exercitam a imaginação de quem passa. Muito recentemente, em 1º de agosto de 2018, a Bahia enlutou-se pela morte do escultor, vítima de falência múltipla de órgãos, aos 95 anos. Mário deixa uma linhagem invejável não só de trabalhos, como de talento na família. Além do filho, o também artista plástico Mário Cravo Neto (morto em 2009), deixa o neto, o fotógrafo Christian Cravo, que se dedica a preservar o belo legado que vem com o sobrenome. “Ele era uma grande fonte de inspiração. Fazia arte por amor! Era uma necessidade visceral! Ter aquela cabeça louca, pulsante e brilhante por perto foi um grande privilégio para toda a família! Especialmente para quem bebeu água na fonte das artes”, conclui Adriana Cravo.

Max Haack/Agecom

Ribeira:

do sorvete ao dominó

Livres pelas ruas, meninos correm de calções de banho e senhores de idade assistem à juventude bucólica enquanto trocam peças de dominó nos bancos de praça Por Matheus Pastori de Araujo Esta edição do Especial Bairros começa ao som de Gilberto Gil, o mestre do movimento tropicalista que ajudou a levar a Bahia para o mundo. Em “Domingo no Parque”, canção de 1967, Gil discorre sobre a rotina do fim de semana de Juliana, José e João, que, diferente da Let’s Go Bahia, não foram à Ribeira jogar.

O leitor, naturalmente, observou que a capa desta 46ª edição é dedicada à famosa sorveteria do bairro cercado pelas águas. Neste espaço, exploraremos um pouco mais da história deste que é um dos destinos mais emblemáticos para turistas e soteropolitanos. Ligado ao restante da Cidade Baixa de Sal-

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Especial Bairros

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Reprodução Facebook Amo a História de Salvador

A Ribeira é um dos destinos mais emblemáticos para turistas e soteropolitanos

A Ribeira, o bondinho e a marinete

Solar Amado Bahia, na Ribeira

Max Haack/Agecom

Fotos: Divulgação

vador pelas ruas popularmente apelidadas de Caminho de Areia, é justamente o mar – os seus frutos e variações – que dá o tom de tudo o que se trata da Ribeira. É ele que nos recepciona e nos acompanha ao longo de toda a Costa da Península de Itapagipe, um dos pontos mais sinuosos da primeira capital do Brasil. Abençoada à beira da praia pela Igreja de Nossa Senhora da Penha, datada de 1742, e sem sinais explícitos da chegada da globalização, quem sai do centro econômico moderno de Salvador em direção à Ribeira demora a raciocinar de que se trata da mesma cidade. Livres pelas ruas, meninos correm de calções de banho e senhores de idade, nascidos e criados ali, assistem à juventude bucólica enquanto trocam peças de dominó nos bancos de praça. “Moro na Ribeira desde que nasci. A Ribeira representa, praticamente, todo este Itapagipe. É a imagem que as pessoas têm no imaginário popular do que é a Península. A Ribeira é muito mais do que a ribeira. Quando se visita o bairro, a gente observa o seguinte: é como se você estivesse na capital, mas em um interior dentro da capital”, diz Jorge Garrido, professor de História. As particularidades do lugar vêm do seu próprio surgimento, que não tem data precisada nem mesmo pelos historiadores mais dedicados. O que é certo é que a Ribeira – como muitos dos bairros litorâneos de nossa cidade – foi, a princípio, uma grande colônia de pesca devido à sua localização privilegiada, ao nível da Baía de Todos-os-Santos. Pela mesma razão, donos de embarcações se uniram e formaram a que hoje é conhe-

Avenida Beira Mar, Ribeira

cida como Marina da Ribeira, que, antes, chegou até mesmo a abrigar um hidroporto por iniciativa de norte-americanos residentes em Salvador. A missão era servir como base para aviões que faziam o patrulhamento da costa baiana. Até o então presidente da República Getúlio Vargas desembarcou no Hidroporto da Ribeira, em

1939, por ocasião de comemoração à descoberta do primeiro poço de petróleo do Brasil, no bairro do Lobato. Assim, o mar e os seus encantos atraíram mais e mais famílias de classe alta por décadas, as quais, como herança, deixaram imponentes casarões que ostentam o preciosismo da arquitetura colonial, com as

suas fachadas repletas de elementos que remetem aos movimentos Clássico e Renascentista, vindos juntos aos costumes das expedições portuguesas que lá primeiro estiveram. Com o crescimento populacional e a ascensão do bairro como área nobre da cidade, passou-se, então, a ver a Ribeira como uma região potencial para os negócios. Com isto, surgiram os quase centenários bares, restaurantes e, é claro, a sorveteria que dispensa apresentações. “Um domingo na Ribeira é um domingo diferente de todo o restante de Salvador. É um dia em que as pessoas ainda saem para se movimentar, para azarar; a meninada ainda está por aquelas praias. Isso marca quem nasceu ou mesmo quem viveu por um curto período de tempo ali, porque a forma de viver, de falar e de pensar é diferenciada. É muito curioso”, conclui o professor.

Um domingo na Ribeira é um domingo diferente de todo o restante de Salvador

(Jorge Garrido, professor de História)

É com o sorvete na mão e diante de um lindo pôr-dosol que damos um até logo à Ribeira. Um bairro que não é bairro tão somente, mas uma extensão da casa de quem por ali habita e de quem por ali preserva, com muito carinho e baianidade, a alma de aconchego e um dos recantos desta quarta maior metrópole brasileira. Jul/Ago 2018 Let’s Go Bahia | 165


Crônica

O tempo Tudo na vida tem o seu tempo e ele é imperioso, é sujeito. O tempo não retém nada, chega e vai, ele é fluido. Há o tempo de chegar e o tempo de ir embora. Tempo de guardar e tempo de jogar fora. Há o tempo para se ter tempo de sonhar e acreditar que a esperança se renova e que os desejos acontecem. Há o tempo para trabalhar, meditar e o tempo para fazer preces. O tempo pode nos trazer uma felicidade gratuita impressionante, porque é de brecha em brecha que a gente vai ganhando tempo para ser feliz. O tempo é bom, tem cheiro, cor e tom. O tempo é muito bom e é melhor ainda para quem sabe aceitá-lo. Mesmo que o tempo amarele fotografias, envelheça amores... Em contrapartida, ele

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Cris Moraes Advogada, devota do amor, apaixonada por esportes radicais e amante das palavras

Mesmo que o tempo amarele fotografias, envelheça amores... Em contrapartida, ele cura dores, cicatriza feridas e nos traz um novo olhar.

cura dores, cicatriza feridas e nos traz um novo olhar. As estações são os seus adereços; outono, inverno, verão e primavera. Tem o tempo de hoje, ontem, e tem o tempo do já era. O tempo também tem tempo de espera.

O tempo chove e faz sol, às vezes, o tempo tem o seu próprio tempo. Tem o “destempo”. Tem o tempo das flores, dos espinhos, o tempo que renova folhagens... O tempo é bagagem. Feliz de quem sabe deixar-se queimar, molhar, crescer e florescer em sentimentos. Tem o tempo que traz bons os vinhos... Tem o tempo de se amar e de ficar sozinho. O tempo envolve o mistério das frases não ditas, é que ele inventa as suas próprias leis, modifica juízos, gestos; o tempo é simples, não é complexo. Não se preocupe com o tempo, apenas viva. O tempo está em nós, nos passos que damos e nos que deixamos para trás, e te asseguro que há muito chão, luz e amor nesta vida, e saber disso nos consola o espírito. O tempo tem uma parcela enorme de mar, porque ele é cheio de ondulações e incertezas. O tempo é vasto, mas não se preocupe com o tempo, apenas vá, o tempo é agora!

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No trânsito, a vida vem primeiro.

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Revista Let's Go Bahia - Edição 46 - Outubro e Novembro de 2018  

A edição 46 da Revista Let's Go Bahia traz como matéria de capa a história de 88 anos de sucesso da Sorveteria da Ribeira, em Salvador.

Revista Let's Go Bahia - Edição 46 - Outubro e Novembro de 2018  

A edição 46 da Revista Let's Go Bahia traz como matéria de capa a história de 88 anos de sucesso da Sorveteria da Ribeira, em Salvador.

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