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FOTO: BRUNO ITAN


EMPTY

Maio 2011 EDITORIAL

SUMÁRIO CULTURA

PRINCIPAL

Crítica do Filme “Rio” , por Flávia Freitas, Pág 5 A Praça do Poder, por Ana Carolina, Pág 6 Maratona ODEON por Pedro Gabriel, Pág 7

Complexo do Alemão e um novo olhar, por Descolando Idéias, Pág 18

POLÍTICA CPI das Armas: Rumo a uma segurança pública diferente, por Marcio Ornelas, pág 8 Avanço sim, vitória não! Texto sobre a aprovação da Meia-Pasagem no RJ, por Romario Regis, pág 10 Opção Sexual e suas discussões, por Priscylla Barros, pág 13

JUVENTUDE Organização da Juventude: Grêmios Estudantis, por Letícia Santana, pág 14 A Importância da Política para os Adolescentes, por Monique Fitanori, pág 15

COMUNIDADES O Beija-Flor, Nova Iguaçú, por Cristiane Almeida, pág 17

ESPORTE Craques de Volta ao Brasil, por Bárbara Jesus, Pág 22

INTERNET Sinal Amarelo Aceso, por Eduardo Lurnel, pág 24

MODA Moda Outono-Inverno, por Bruna Caldas, Pág 27 Dica de Maquiagem para seu Cotidiano, por Herycka Louise, Pág 28

TECNOLOGIA & GAMES GTA anda matando?, por Romario Regis, Pág 30 Desmistificando o Tablet: "A origem dos Tablets", por Yuri Gadelha, Pág 32

COLUNAS Fernanda Aloha: Dez dicas para o primeiro encontro, pág 34 Tatiane Nantes: A arte de ser livre, pág 35 Tá, mas você vai ser Professor?, por Ketiley Pessanha, Pág 36

Caro Leitor, Como esse é o nosso primeiro contato, vamos apresentar o que é a Revista EMPTY. O nome, em inglês, significa vazio. Mas vamos deixar claro que de vazio não temos nada. Nós queremos fazer da EMPTY um canal de ligação entre os mais variados assuntos e você. Desde o que está bombando na internet, até a as grandes questões políticas, passando por moda, cultura e tecnologia. Nossa matéria de capa, o Grupo Descolando Idéias, vai te deixar a par de tudo o que envolve a nova concepção de liberdade do Complexo do Alemão, além é claro de bater um bom papo sobre Direito Autoral, CPI das Armas, Meia-Passagem, Tablets, Maratona Odeon e vários outros temas que só depende de sua leitura. Ah! Também temos uma ótima matéria sobre a Série “The Good Wife” na penúltima página como um Extra, pois não deu tempo de adicionar no sumário, haha. A EMPTY nasceu de rascunhos de Word e de como a comunicação compartilhada poderia funcionar e, principalmente, do prazer de trabalhar com amigos em um projeto descontraído e que fale a nossa língua. Esperamos que você se divirta tanto quanto nós! Abraços, toda da Redação

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REVISTA EMPTY Editor Romario Regis Conselho Editorial Eduardo Lurnel, Flávia Freitas, Gabriela Viana, Márcio Ornelas, Pedro Gabriel, Tatiane Nantes Publicidade Débora Nascimento, Laís Gonçalves Colaboradores Ana Carolina de Oliveira, Bruna Caldas, Bárbara Jesus, Carlos Furtado, Cristiane Almeida, Dayana Silva, Felipe Saldanha, Helcimar Lopes, Herycka Louise, Ketiley Pessanha, Lana de Souza, Letícia Santana, Lorhan Ferreira, Luana Barros, Monique Carvalho, Monique Fitaroni, Nathalia Menezes, Vivi Martins, Priscylla Barros, Raull Santiago, Tallyssa Sirino, Yuri Gadelha,

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CULTURA

Crítica do filme “Rio” por Flávia Freitas

O filme “Rio” revela vários pontos turísticos do Rio de Janeiro além de passar mensagens sociais através da animação. Estreou sexta (8), o longa de animação em 3D Rio, de Carlos Saldanha (um dos criadores de A Era do Gelo 3). O filme, que tem como cenário principal a cidade maravilhosa, aborda o tráfico de animais silvestres e sua extinção. Blu e Linda são as últimas araras azuis do mundo. Se conhecem no Rio de Janeiro em dias de carnaval para salvar sua espécie da extinção e lá passam por várias aventuras. Blu, por ter sido domesticado em um habitat que não é seu de origem, não aprende a voar. Por isso tem grandes dificuldades quando chega ao Brasil e precisa conviver com Linda, uma arara criada na floresta. Rio retrata perfeitamente os cartões postais da cidade, a importância do carnaval para o carioca e põe em evidência o trabalho infantil. Esse fato é demonstrado por um personagem morador de favela que, por não ter família, ganha dinheiro do tráfico de animais silvestres para se sustentar. Tais temas são expostos de forma leve e engraçada, assim escondendo subtemas que ferem a imagem carioca. Alguns micos furtam objetos dos turistas enquanto fazem acrobacias nos pontos turísticos da cidade. Isso nos leva a pensar que os micos são meros personagens de uma crítica social forte. A cena em parte chocou os espectadores atentos à mensagem um tanto ambígua. Ela pode ser entendida no aspecto de que, nós brasileiros, somos enganados facilmente ou que enganamos “os ricos indefesos” com palhaçadas. Porém, mesmo com essa obscuridade de sentido, o filme é um recorde de vendas e já arrecadou US$ 8,3 milhões no Brasil apenas no fim de semana de estreia segundo a Fox. O filme é um sucesso. Só esperamos que esse sucesso não cegue a visão crítica do espectador. Ainda mais quando a história contada relaciona-se com ele.

O Filme “Rio”, do diretor Carlos Saldanha é uma animação em 3D. Estreou no dia 8 de Abril de 2011, é produção de Chris Jenkins e Bruce Anderson com distribuição da 20th Century Fox.

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CULTURA

Praça do Poder por Ana Carolina

Centro da cidade. Gente, muita gente. Pretos. Brancos. Mulatos. Ruivos. Amarelos. Azuis. Brasileiros. Argentinos. Venezuelanos. Chilenos. Câmera lenta. Bandeiras voando. Faixas nos prédios. Polícia. Cordão de isolamento. Helicópteros. Inútil. Ninguém quer violência. Quer mudança. E dignidade. Rostos pintados. Camisas estampam a indignação. Energia aumentando. Movimento no prédio. Tensão. Corações pulsando em uníssono. Relógios correndo. 10 horas. Como combinado. Ele iria se render. Gerações de mãos dadas. Suor escorrendo no rosto. Melhor do que uma vida embaçada. Tambores rufando na mente. Ele aparece. O povo grita. Se alivia. Flashes disparam. Ele encara a multidão. Olha pra baixo. Escolta. Camburão. Vivas. Palmas. Lágrimas. Abraços. Vitória. Mais uma. Do povo... ... Do Brasil.

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CULTURA

Maratona ODEON por Pedro Gabriel

Notívagos agora podem sorrir com a Programação que o Cine Odeon está organizando em sua próxima maratona.

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ara os cinéfilos do Rio de Janeiro, a programação perfeita para a primeira sexta de cada mês está na Praça Marechal Floriano Peixoto, mais conhecida como Cinelândia, no último cinema do que outrora fora a Vila Mimosa da produção cinematográfica. Eram 13 cinemas e agora resta apenas o Cine Odeon (ou Odeon Petrobras), que não se tornou parte de hotel ou uma Igreja Universal. Nele, sempre acontece a famigerada Maratona do Odeon. Não é novidade para o Grupo Estação organizar uma maratona de filmes. Entre 1986 e 1987, realizavam em Botafogo um evento parecido, mas, devido à alta violência no local, acabou com seu público escasseando cada vez mais até se ver obrigado a cancelar a programação. Sim, no mesmo bairro do Rio em que hoje, devido à segurança e tranquilidade, o aluguel de um apartamento com um mísero quarto custa 1500 reais na Rua Farani, impedindo o plano de me mudar. Outros tempos. Essa ideia foi esquecida por mais de uma década até que, em 2002, uma experiência inusitada do Cine Odeon fez com que retornasse à tona. Durante a Copa da Coreia/Japão, decidiram exibir os jogos na tela do cinema, o que atraiu um público considerável durante a madrugada. Por que não voltar a fazer isso com produtos feitos para passar naquele espaço? E foi o que aconteceu. Logo após o término do campeonato, na última sexta-feira de julho, foi organizada a primeira maratona nesse retorno do programa. Essa primeira noite contou com quatro filmes, sendo um deles a dublagem de Eu, uma pornochanchada de 1986. Era uma proposta diferente para os

amantes da arte e que logo atraiu um grande público. Atualmente, a maratona está um pouco mudada. Agora acontece na primeira sexta-feira do mês. Também quase não existe mais um filme surpresa, deixado para trás em 2007, juntamente com a exibição de filmes antigos. Além disso, uma vez ou outra acontece algo especial - como o primeiro dia da programação - que faz com que quatro filmes sejam exibidos, mas o normal é que sejam apenas três, com o cinema abrindo às 23h com boa parte das pessoas dormindo ao longo do último. Fora isso, desde 2002 e DJ Jorge Luiz cuida das músicas que tocam no segundo andar, às vezes servindo de lounge durante a exibição, mas sempre tocando em alto e bom som nos intervalos com uma pista de dança que normalmente só reúne pessoas conversando e não requebrando, mas ainda assim (ou talvez justamente por isso) agradável. E uma coisa é certa: sempre tem bolo, café e chocolate quente pela manhã e eu sempre me queimo bebendo um dos dois. Essa é uma ótima programação para os notívagos apaixonados por cinema, envolvendo uma seleção eclética de filmes e uma relação diferente com a exibição da que se vê nas salas normalmente. Existem muitas figuras recorrentes, personagens da noite da Cinelândia e da própria maratona. Quem sabe também não acaba esbarrando por lá com esse que escreve o texto? Maratona do Odeon Data e local: Odeon Petrobras, em toda primeira sexta-feira do mês. Preço: inteira R$24,00 / meia R$12,00

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POLÍTICA

CPI das Armas: Por uma segurança pública diferente. por Marcio Ornelas

A CPI das Armas foi aprovada pela ALERJ e será um marco histórico para a mudança de postura da segurança pública no Rio de Janeiro. Saiba mais...

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CPI das armas que teve início no mês de março, é sem dúvida uma das CPIs mais importantes e mais difíceis da história da ALERJ, maior até do que a tão popular CPI das milícias. O objetivo primário é investigar profundamente como as armas chegam ao Rio de Janeiro, esmiuçando todo o seu percurso e desvendando as estruturas de poder que estão por trás do tráfico de armas. O fato é que não dá para mensurar as proporções que essa investigação irá tomar, quem são os agentes envolvidos e as conexões que essa rede envolve, quanto dinheiro circula, mas dá para perceber a relevância dessa CPI não só para o Rio de Janeiro, mas também para todo Brasil. É importante entender a CPI das armas não só como um esforço

investigativo isolado, contextualmente falando é muito mais do que isso. A política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, há anos é conhecida pelas suas ações imediatistas, baseadas numa forte repressão concentrada principalmente nas favelas. Essa violência histórica que se justificava nos discursos de combate ao tráfico de armas e de drogas, servia na verdade para a repressão aos pobres. Após anos e anos concentrando toda a sua ação na última parte dessa cadeia (a favela), obviamente o Estado jamais conseguiu abalar a estrutura dessa circulação. Por que não acontecem operações nos portos? Na Baía de Guanabara? Poderia dar alguns palpites, mas seriam meramente palpites, talvez essa CPI possa nos responder. E nesse

sentido a CPI das armas representa um avanço concreto na forma de agir e de se pensar a segurança pública no Rio de Janeiro. Trocando essa ação imediata e repressiva em cima do favelado, por uma investigação a longo prazo que visa entender a complexidade do problema e quem sabe até achar soluções que fujam do paliativo. É bom lembrar que essa não é uma iniciativa do Governador do Estado de Rio de Janeiro, aliás, seria uma contradição frente aos seus projetos de UPPs. Essa é uma iniciativa da ALERJ, e vale ressaltar que a CPI das armas representa uma mudança na vontade política de se fazer algo que tenha maior solidez. É uma ação progressiva por parte do parlamento. A CPI é encabeçada pelo Deputado Marcelo Freixo (PSOL) e vice-

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POLÍTICA presidida pelo Deputado Estadual Zaqueu (PT). Foi aprovada por unanimidade. Por mais que o momento seja de comemorar essa ação diferenciada, não podemos deixar de lado a crítica. É lamentável que essa investigação só tenha surgido agora e comandada pela ALERJ. É inacreditável que a polícia nunca tenha assumido tal postura, quantos anos perdemos combatendo o nada? Reprimindo o pobre por ser pobre e o negro por ser negro? O Estado consegue ser mais violento do que aqueles que vai reprimir, e faz dessa violência o seu maior atestado de incompetência. Não concentrar as ações na favela é um avanço dentro das políticas públicas, mas avanço maior é ter a consciência de que segurança pública não é só ação policial, mas é também saúde, escola, cultura e lazer. Não é possível achar que está tudo bem só porque traçantes pararam de atravessar as janelas dos moradores, assume-se aqui um ar cretino como se o Estado estivesse fazendo um favor, quando na verdade é só o mínimo que deveria fazer. É só disso que essas pessoas precisam? Independente dos resultados que a CPI das armas vai obter, ela é um exemplo a ser seguido por ser mais ambiciosa do que a violência, por ser mais pertinente e para que discursos batidos já não sirvam mais para a justificativa de massacre aos

moradores da favela. Ela representa um passo largo para entender um dos grandes problemas que assola o Rio de Janeiro e um passo curto, mas extremamente importante e que tem

que ser seguido de outros, para que possa acontecer efetivamente uma transformação na concepção de segurança pública do Rio de Janeiro e do Brasil.

Essas estatísticas foram tiradas do site da ONG Viva Rio e apresentam o problema desde o passado sobre o porte legal ou ilegal de armas.

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POLÍTICA

Avanço sim, vitória não! por Romario Regis

Meia-Passagem é aprovada no Rio de Janeiro apenas para cotistas e prounistas, beneficiando menos de 30% dos estudantes do município.

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ara quem não sabe, a motivação desse texto foi a aprovação do Projeto de Lei no dia 24 de Março na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro em relação à MeiaPassagem Estudantil aos estudantes oriundos do PROUNI e do sistema de cotas. Admito não entender até hoje por qual motivo o Movimento Estudantil luta pela Meia-Passagem ao invés da Passagem Inteira, mas enfim, vamos levantar uma discussão sobre o tema. No Mês de Março desse ano, ocorreu uma jornada de lutas da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro onde uma das pautas era a Meia-Passagem para os Estudantes Universitários, sejam eles de universidades públicas ou privadas. Como todos nós sabemos, o sistema político obriga com que todas as esferas

tentem negociar ao máximo para que seus interesses sejam cumpridos e não foi diferente, afinal, se você defende 100%, o sistema só permite que consiga 50% e se você já oferece 50% como é a Meia-Passagem o sistema irá permitir apenas uma “Meia-MeiaPassagem” e ao invés de todos os estudantes serem beneficiados, apenas os Cotistas e os oriundos do PROUNI se beneficiaram. Não sou contra a política de cotas e nem o PROUNI, pelo contrário, sou a favor desde que seja uma política com um tempo limite para que o sistema educacional funcione sem necessitar que existam grupos sociais com menos oportunidades, mas o que quero dizer é que mais uma vez o Movimento Estudantil optou por defender o direito do sistema ao invés dos estudantes.

É inegável a formação histórica da UEE (União Estadual dos Estudantes) junto aos movimentos sociais, mas conforme os anos se passaram, percebemos uma má vontade da institução em relação a questionar o Governo Estadual pelas bandas do Rio de Janeiro.

“Dos 45 votos, apenas o Vereador Carlos Bolsonaro votou contro o projeto de lei” Em relação a meia-passagem, percebo que infelizmente o aparelhamento político partidário vem prejudicando sistematicamente as representações coletivas e, cada vez mais, os grupos representados sofrem pela má gestão da representatividade. Esse caso, é por exemplo, um clássico exemplo de como essa representatividade funciona, pois o movimento social completamente aparelhado passa a não representar um grupo e sim a mediar esse grupo com o poder público, fazendo com que nesse caso específico, menos de 30% dos estudantes do Rio de Janeiro sejam

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POLÍTICA beneficiados com a meia-passagem. Isso tudo vai além, pois se fizermos um recorde qualitativo dessa lei aprovada pela câmara dos vereadores, percebemos também que não foi levado em consideração, por exemplo, os estudantes que não são cotistas ou prounistas que possuem uma renda baixa e que sofrem tanto quanto eles, seja com transporte, alimentação, fotocópias, etc. Além da questão social, tem a questão econômica, pois todos os subsídios da metade dessas passagens serão repassados para as empresas de ônibus, ou seja, você garante um direito para menos da metade dos estudantes e em contraponto garante que as empresas receberão esses recursos completos e aí, o transporte que é de licitação pública e que deveria estar a favor da população, se transforma em mais um bem privado que não pode nem ceder esses recursos para o desenvolvimento do Estado. Parece óbvio a forma que as coisas deveriam ser. Estudantes do ensino básico, fundamental, médio, técnico e universitário não deveriam pagar passagem, pois estão numa fase importante para o progresso nacional. Fazer com que paguem passagem é

criar burocracias idiotas apenas por falta de vontade política. Enfim o projeto está dado e agora esperaremos vários anos para que TODOS os estudantes possam ter esse benefício da MEIA-PASSAGEM e talvez um dia, quem sabe, nossos netos, bisnetos ou uma geração futura possa ter Passe Livre para estudar e para aqueles que dizem que a meia-

passagem para cotistas e prounistas foi uma vitória, desculpas, mas vitória mesmo foi dos empresários e do estado, pois as empresas de ônibus continuaram ganhando grana e o prefeito continua sem beneficiar o conjunto dos estudantes. O projeto de lei foi uma avanço, mas só um avanço, simples assim.

Resposta ao tweet grosseiro do Diretor de Comunicação da UEE-RJ Aproveitando a Revista EMPTY, queria responder ao Edson Santana, Dir. de Comunicação da UEE-RJ o Tweet que ele enviou no dia 27 de Março de forma grosseira e arrogante comprovando então o perfil de desrespeito perante uma opinião contrária. “Diretor da UEE-RJ Edson, gostaria de dizer que seu tweet em resposta ao meu ilustra a arrogância que a UNE e a UEE vem tendo ao longo dos últimos anos, sem nenhum tato quando é interpelada por uma opinião contrária. A merda que eu quis dizer é a mesma merda que assombra o aparelhamento que a sua entidade em várias vezes possui, a hipocrisia que digo é a mesma hipocrisia dos discursos revolucionários que saem da boca

para fora sempre em atividade de inércia, o oportunismo que faço é o mesmo oportunismo que vocês fazem quando organizam uma passeata para efetivar o que já foi acertado em reuniões fechadas e minha burrice é a mesma burrice dos que usam licenças poéticas como a sua para defender uma opinião que não possui argumentos.” Obrigado e a revista deixa o espaço aberto para sua resposta. REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 11


POLÍTICA

dúvidas tem

Opção Sexual e suas Discussões por Priscylla Barros

Com a grande mudança das gerações sociais, o homossexualismo tem sido um pouco mais aceito pela sociedade.

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éculo XXI, nunca antes na história um século iniciou-se com tantas novidades. Somos surpreendidos a cada momento com algo diferente à qual não estávamos acostumados e isso nos faz progredir. Seja na forma de se vestir, divertir, viver, e até pensar, as mudanças que cada geração nos trás muitas vezes causam polêmicas. E a polêmica da vez, que talvez não seja tão “da vez”, trata-se do homossexualismo ou bissexualismo. O assunto que diariamente ganha mais espaço nos meios de comunicação, tem discutido dúvidas e preconceitos acerca desta prática. A curiosidade pela diversidade sexual não é novidade, há muitos séculos, pessoas tinham interesse por outras do mesmo sexo, em alguns países tais práticas eram ilegais, e em outros sendo levadas até a morte. Talvez sem os direitos humanos que existem hoje a crueldade estaria pior, pois a cada dia mais pessoas tem experimentado outras opções sexuais.

surgido em torno dessa mudança. Será mesmo que tantos jovens tenham outra orientação sexual? Alguns aderem à ideologia da diversidade sexual por se tratar de um assunto revolucionário, por querer mostra-se diferentes, enfrentar preconceitos, derrubar pensamentos, ter liberdade de escolha. Outros, pela própria moda, por ver os amigos aderir a algo diferente os fazem experimentar também, estes geralmente serão mudaram de opção sexual por pouco tempo se esta não for sua orientação sexual de fato. Mas talvez o motivo mais importante seja a abertura que o assunto vem tendo. Tem-se diminuído os medos e dúvidas daqueles que sente atração por pessoas do mesmo sexo e a esconde. A maior aceitação tem ajudado as pessoas de outras sexualidades a assumir-se e se aceitar.

Preconceito O preconceito, que ainda existe, vem da condição natural de uma Moda ou Realidade? mulher juntar-se a um homem, e vice Hoje em dia, um grande versa, e a variação disso era inaceitável número de jovens tem se dito Bissexual em outras gerações, o que está havendo ou Homossexual no Brasil, e muitas é a conformação com novos gostos, a

mídia tem ajudado bastante a trivialidade do pensamento em relação a liberdade de escolha da orientação sexual. O homossexualismo também é mais criticado por pessoas religiosas, que seguem uma doutrina dada pela igreja, no qual tal orientação é vista como pecado. Acima de tudo o amor. Cartas de Paulo ¨Apostolo¨. Aos Coríntios, 13. O amor vem sendo usado como justificativa e defesa por aqueles que se apaixonam por pessoas do mesmo sexo sem desejar, sem escolher, sem querer. O amor os faz crer que nenhuma variação sexual será destinada as trevas se ali há um amor puro. O avanço deste tema em diálogos, mídias, debates, e até propagandas políticas, indicam que o mundo tem se aberto cada vez mais para aqueles que ainda sentem-se a margem da sociedade. Tudo um dia precisou ser uma grande polêmica antes de se torna algo comum e aceitável, como grande exemplo o racismo, no qual a supremacia da raça branca era superior às demais, principalmente às negras. Prevê-se que em um futuro, não muito distante, gays e lésbicas terão mais liberdade, haverá uma sociedade com uma visão menos estereotipada. A abolição completa do preconceito é quase impossível, mas a amenização é algo que já vem acontecendo. Pois ter um pensamento aberto e liberal, é ter um pensamento que evolui, para o melhor de uma sociedade, e de gerações que estão por vir.

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JUVENTUDE

Organização da Juventude - Grêmios Estudantis. por Letícia Santana

Os grêmios estudantis estão desestruturados, entretando são uma grande ferramenta de representação da sociedade.

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palavra de ordem é: Juventude Organizada! É histórica a necessidade que os jovens tem de se organizarem para defender seus direitos. Já dizia Che Guevara "Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética." A partir dessa necessidade da juventude observamos as ferramentas que temos para alcançar os nossos direitos e por que não, nossa liberdade. Uma dessas ferramentas é o direito de fazer parte de um grêmio estudantil, direito esse que foi reconquistado após um período irracional em que o Brasil esteve mergulhado, o período da ditadura militar. Sendo ainda o grêmio estudantil uma das primeiras oportunidades que os jovens tem de participar da sociedade. O que é um grêmio estudantil? Os grêmios estudantis são responsáveis pela representação, organização e defesa dos estudantes dentro das escolas. Cada escola com o seu grêmio,sendo ele construído após um processo democrático, e eleito através de eleição direta pelos estudantes da escola referida, e composto por estudantes matriculados na Unidade de Ensino. Direito garantido. Ainda que alguém tente impedir a atuação ou até mesmo a formação do grêmio estudantil, devese informar ao mesmo que A Lei Nº 7.398, de novembro de 1985, assinada pelo então presidente José Sarney, nos garante esse direito. Eis então realçada a necessidade que cada cidadão tem de conhecer os seus direitos para que possa reivindicar os mesmos. Observando que os grêmios são responsáveis pela incersão da cidadania dentro dos muros da escola, fazendo com que os alunos conheçam seus direitos, e também por fazer com

que os mesmos interajam entre si. O que um grêmio pode/deve fazer? O grêmio deve atuar de diversas formas como por exemplo valorizando a cultura através de montagens de peças de teatro, saraus poéticos, passeios e mais;E ainda valorizando o esporte através dos campeonatos e mini olimpíadas; Levando a política para dentro da escola através de palestras e debates, garantindo aos estudantes representatividade no Conselho Escolar; Além de conscientizar os alunos para que participem de campanhas sociais como reciclagem de lixo, campanhas de prevenção, campanhas do agasalho, de alimentos e outros diversos temas. A comunicação e até mesmo parceria com grêmios de outras escolas pode ampliar o alcance dessas campanhas, tornando a campanha ainda maior e ajudando ainda mais pessoas. São tais atividades que farão com que a escola se torne de fato uma comunidade escolar. Agora digo que ainda mais importante é a comunicação com a escola. É através de um jornal dos alunos, da radio escolar, facilidade de acesso a sala do grêmio e comunicação regular através de reuniões ordinárias com o Conselho de Alunos Representantes de Turma, que os alunos terão conhecimento das atividades organizadas pelo grêmio, portanto tem muito que investir e explorar essa área. Quem pode me ajudar? O movimento estudantil, que agrega pessoas que ultrapassam os muros da escola e passam a atuar na representatividade dos estudantes de todo um município, um estado e até mesmo do país, através de entidades municipais, estaduais e a nacional, acaba por ser tornar responsável pela

formação do grêmio estudantil nas escolas, afinal em sua maioria os militantes do movimento estudantil são ou foram membros do grêmio de sua escola e têm uma vasta experiência no campo. São eles que irão orientar os interessados no processo de formação, além de ensinar aos eleitos como trabalhar com a parte burocrática do grêmio, que são as atas e o estatuto, que é onde se encontram os direitos e deverem de um grêmio estudantil e de seus membros, e o mesmo deve ser observado e respeitado. Relacionamento com a direção da escola. Ainda que haja implicações no inicio do processo, a parceria com a direção, coordenadores e professores é muito importante e saudável para a comunidade escolar, por que essa parceria facilitará o trabalho e atuação do grêmio e da direção da escola. Sendo ao fim os alunos os maiores beneficiados. Porém, o grêmio nunca deve se omitir a alguma injustiça, abuso ou atitude irregular da direção, sendo sempre o direito e o respeito aos estudantes o seu foco. Mas por que fazer parte? Em todos os lugares há algo a ser construído ou melhorado, dentro da escola é você gremista que vai lutar junto, ou não, da direção para melhorar a escola. É você quem vai reclamar a falta dos professores e abusos cometidos pelos mesmos dentro da sala de aula, é você quem cobrar melhorias na quadra de futsal e logo depois vai organizar aquele campeonato, é você quem vai melhorar o dia-a-dia do estudante dentro da sua escola. Cabe a você ver a necessidade que a sua escola passa e ter a ousadia de atende-la. E uma das formas de atender a necessidade é participando do grêmio estudantil da sua escola.

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JUVENTUDE

A Importância da Política para os Adolescentes por Monique Fitanori

Cada vez se faz mais necessário a participação dos jovens nas discussões políticas e uma jovem de 17 anos fala da importância da conscientização.

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olítica não é um assunto que chama muito a atenção das pessoas, principalmente dos adolescentes. A falta de interesse pela política afeta diretamente a formação do cidadão. Obviamente, aqueles que não se interessam pelo assunto não votam com consciência. Geralmente deixam-se levar por opiniões de amigos e não formam uma personalidade crítica, capaz de decidir por si mesmo seus candidatos, isso, na maioria das vezes, leva os candidatos e partidos mais presentes na mídia a virem a ganhar o maior número de votos. O problema é quando estes não são dignos destes votos, por isso a importância de se conscientizar. O desinteresse pela política não é algo que nasce com o indivíduo. Trata-se de uma influência indireta dos governantes que é feita atráves da desvalorização de várias discussões, distraindo a atenção dos cidadãos com outras importâncias que não dizem respeito à formação do caráter de um eleitor consciente, etc. O problema e o grande “x” da questão é que não dá para formar um eleitor realmente consciente às vésperas das eleições. É preciso opinião, conhecimento, pesquisar e, só depois disso, chegar a uma conclusão de qual o melhor candidato. E é claro que não tem como fazer tudo isso às pressas. É compreensível que uma pessoa – principalmente quando esta é

adolescente – não se interessa por política. Simplesmente não é um assunto que lhe parece importante, uma vez que não sabe o verdadeiro papel da política na sociedade. Quando alguém resolve mostrar algum interesse pela política, rapidamente o assunto fica interessante pois começamos a entender do que realmente se trata e da importância que o assunto traz ao nosso dia-a-dia e, posteriormente, ao nosso futuro. É algo que nos envolve e não tem jeito. Começamos a entender que papel é atribuído a cada um, do vereador ao presidente. Entendendo os papéis, forma-se a conscientização e então consegue-se entender também qual é o verdadeiro papel do eleitor nesse meio todo. Se tantos por aí querem experimentar coisas que não lhe acrescentam nada, por que não experimentar um pouco desse assunto?! Não podemos virar as costas para um tema tão importante, tampouco podemos esperar que as outras pessoas façam o nosso papel. Tornar-se um eleitor consciente é uma decisão sua e pode partir de você mesmo. Então, que tal começar? Pesquisando o que cada cargo eleitoral representa, qual a importância do mesmo e o que isso poderia afetar no seu dia-a-dia, na sua cidade, é um jeito de começar a se interessar. E pode-se procurar conhecer e saber mais da vida dos atuais governantes, o que eles

estão fazendo ou deixando de fazer, formar uma opinão sobre isso e, aos poucos, você verá que está começando a entender. E quando chegar a sua hora de votar, não saia por aí dando o seu voto para qualquer um. Pesquise o passado, a vida, os feitos dos candidatos. Discuta com pessoas conhecidas, procure saber mais! Você pode também ver a qual partido este candidato pertence, qual é o histórico deste partido, se ele é de esquerda ou não, a sua ideologia e quais as causas que eles defendem. É preciso ser curioso e fofoqueiro nessas horas. Afinal, errado mesmo seria colocar qualquer um no poder. O aconselhável mesmo é não deixar a sua mente ficar alienada. Não precisa virar um expert em política, mas pode-se pelo menos saber o básico para não se tornar massa de manobra. Frisando mais uma vez o que foi dito, pesquisar é a palavra chave! Pesquise tudo. Não se deixe levar pela mídia e nem pela opinião daquele seu amigo ou de qualquer outro. É essencial nessas horas que o seu ponto de vista seja formado por você mesmo, pelos seus métodos de conhecimento. Converse com pessoas de todos os tipos, esquerdistas, direitistas, integralistas, centralistas e colete informações de todos os jeitos. Vale de tudo para fazer parte da porcentagem que fará a diferença.

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COMUNIDADES

O Beija-Flor por Cristiane Almeida

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uem nunca ouviu a Fábula do Beija-flor? Essa fábula nos conta que houve um incêndio na floresta, e, enquanto todos os bichos corriam apavorados, um pequeno beija-flor ia do rio para o incêndio levando gotinhas de água em seu bico. O leão vendo aquilo perguntou para o beija-flor: "Ô beijaflor, você acha que vai conseguir apagar o incêndio sozinho?" E o beijaflor responde: "Eu não sei se vou conseguir, mas estou fazendo a minha parte." Pois bem, será com base nessa fábula que pretendo contribuir com a EMPTY, contando histórias reais de “beija-flores”, pessoas comuns, que objetivando interferir no contexto a que estão inseridas socialmente, com pequenas grandes ações, fazem a sua parte nessa transformação, e, por muitas vezes, carrega consigo uma legião de seguidores que diante de tal esforço decidem fazer parte dessa história. Decidi começar com a história de Dona Vanda, mãe e moradora da Comunidade do Zumbi dos Palmares em Nova Iguaçu. Eu à conheci há alguns anos quando fui à comunidade pela primeira vez falar aos moradores sobre um projeto social destinado à

adolescentes que seria implantado no local. Eu precisava de um espaço para desenvolver o projeto, e, precisava também de alguém que conhecesse a comunidade e tivesse livre acesso aos seus caminhos. Fui surpreendida pela história de Dona Vanda, mulher negra, sem nível superior, líder comunitária que, coordena o Núcleo Institucional Comunitário de Educação Infantil - NICEI desde 2005. A creche existe desde 1992, passou por algumas administrações até “cair” nos braços de Tia Vanda que já trabalhava lá e carinhosamente adotou seus filhos, pais e demais envolvidos, bem como todas as dificuldades de se coordenar uma creche comunitária. Hoje a creche é mantida apenas com eventos realizados para geração de renda e com doações feitas por parceiros que reconhecem seu esforço e trabalho, isso vai desde material didático aos alimentos oferecidos as crianças que passam até oito horas no local. “Eu fui criança dessa creche e hoje trabalho aqui. Entendo que assim como eu um dia precisei, outras mães ainda precisam”, diz uma das mães e voluntárias. “Boa parte da família está envolvida, eu e

minhas irmãs acreditamos nesse trabalho, é muito bom colaborar com a educação dessas crianças”, diz Viviane, filha e uma das educadoras da creche comunitária. Assim como na Fábula do Beija Flor, imagino que alguns leões tenham se levantado e confrontado essa guerreira. Então, assim como o rei das selvas e questionei: o que te move? O que te fez manter a Creche Comunitária do Zumbi dos Palmares em funcionamento? Isso não seria responsabilidade do Estado? E a resposta: “puro e simplesmente o amor! O amor e a certeza de que, se queremos uma sociedade mais justa, devemos começar na base, nas crianças e através da educação, da boa educação. Até tentei municipalizar a creche, mas meu pedido foi negado. Nossas crianças precisam, nossas mães precisam, não posso e não vou parar.” Não me impressionei ou me surpreendi com tão sábias palavras, apenas precisava da resposta para me certificar que estava diante de um Beija-flor que, sabe que sozinho, não resolverá tudo, mas tem a certeza e a sabedoria de alguém que faz a sua parte.

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PRINCIPAL

COMPLEXO DO ALEMÃO E UM NOVO OLHAR Depois da ocupação no Complexo, vários agentes e perfis sociais pensam na comunidade de uma nova forma e com outra perspectiva. Nesta coluna, nós do Descolando Idéias, queremos que todos vocês possam enxergar um lado muito mais bonito do Complexo do Alemão. As coisas ruins o mundo inteiro já conhece. Chegou a hora de o Complexo ser visto como um lugar de gente do bem, de gente criativa, educada e com visão de futuro. Sejam bem vindo e curtam Um Novo Olhar! Porque falar de liberdade? Não que os moradores fossem prisioneiros dentro de suas próprias casas, mas antes da ocupação, não se sabia o que poderia acontecer, mães tinham medo de deixar seus filhos saírem de casa, com medo da volta. Depois do dia dia 28 de Novembro de 2010, muita coisa mudou. É possível ver as crianças brincando na rua, o que antes não seria possível, por conta das dezenas de motos que passavam com muita rapidez. Agora só depende de nós moradores, fazer com que o Complexo do Alemão seja visto como um lugar de gente de bem, de paz! Para conseguir expressar de forma clara o que realmente significa liberdade para os moradores do Complexo do Alemão, do que ouvir os próprios moradores. Todos, sem exceção, se disponibilizaram a dar o seu depoimento, inclusive alguns participantes do Descolando Idéias, cada um com a sua visão, cada um com a sua história. Muito legal o depoimento do H., ex-traficante, mostra que todo mundo tem direito a uma segunda chance.


PRINCIPAL

Raul Santiago, 22 anos, Coord. Executivo Descolando Idéias O depoimento de um jovem que não entrou na vida do crime e além disso participa de um projeto social dentro do Complexo do Alemão.

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ode-se dizer que tudo ainda é muito novo, muitos no Complexo do Alemão jamais imaginariam que a pacificação aconteceria tão antes de diversas outras favelas cariocas, acredito que moradores, traficantes, comerciantes nem levavam fé de que tal feito poderia vir a se tornar realidade. O diferente e novo até o momento era o teleférico que liga o conjunto de favelas e as novas moradias construídas pela obra do PAC. Até que aconteceu aquilo que era terror não só do tráfico como também dos moradores, forças militares se unem e rapidamente o conjunto de favelas ao lado, o Complexo da Penha e tomado pelas forças do poder público e pior, os traficantes de lá são filmados atravessando em direção a nossa favela, terror total, era óbvio que o morro seria invadido, a mídia não deixaria o Governado em paz se isso não acontecesse! Mas porque terror dos moradores? Estávamos cansados de ver pessoas sem envolvimento com qualquer das partes com a casa destruída por tiros, baleadas e pior, mortas e com tamanho poderio bélico do tráfico e quantitativo de policiais a

invadir era previsível que a guerra seria feia e única como jamais havíamos presenciado! Moradores evitavam sair de casa, porém como eu sou curioso fiquei nas proximidades do local onde moro, acompanhando aterrorizado com as táticas de guerrilha dos traficantes, sem contar que todos estavam bem armados. Todos tinham fuzis, pistolas, muita munição e granada. Acompanhava também pela TV o tanto de militares fortemente armados com tanques de guerra se preparando para entrar, sem contar o batalhão de jornalistas que se encontravam ali presentes, era a GUERRA começando. Falar que não houve reação é mentira, alguns grupos de traficantes em diversos pontos da favela trocaram tiro com a polícia, mais nada comparado a guerras anteriores que nós moradores já presenciamos e para a alegria de todos os moradores o morro foi tomado rapidamente, sem nenhum morador se ferir. Quanto ao antes e depois, com o “antes” já estávamos acostumados e o “depois” ainda estamos aprendendo a conviver. Com o crime era ruim, com a policia também é ruim, o que quero é a favela por nós, só que para isso

precisamos do governo não só com a força policial e militar, e sim com assistência na saúde, no trabalho, no estudo, na valorização das pessoas que aqui vivem. Precisamos de muita coisa além de homens armados, até porque entre tráfico e polícia continuam as armas. Era chato ver um traficante fumando um cigarro enorme de maconha na porta de sua casa, ou a boca toda na frente de seu bar, de sua loja vendendo diversos tipos de drogas e você não poder fazer nada. Era difícil criar um filho na favela, o luxo e o poder do crime enchiam os olhos de muitos. Esse é o lado bom da pacificação. O ruim são policiais despreparados e marrentos também se garantindo no poder das armas para intimidar as pessoas. Com o passar do tempo este convivo está melhorando, moradores e policiais estão começando a se entender e é assim que tem que ser. Sem crime e com policiais de bem exercendo dignamente sua função. Gostei muito da pacificação, seja bem vinda UPP, Poder Público, Serviços, Trabalhos, Oportunidades, Saúde... E que não seja algo passageiro!

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PRINCIPAL H.S.B , 24 anos, Ex-Traficante Tráfico trocado pelo Trabalho e uma nova oportunidade surge na vida de H.S.B. Liberdade... Me refiro a liberdade de não ficar com medo de ir ao shopping. Só vivia dentro da favela, mas, agora eu tenho a minha vida! Sou uma pessoa que posso curtir a vida, sair pra onde quiser, sem medo de ser surpreendido por um policial, sem ter medo de sair e não voltar pra casa. Agora sim vou curtir a vida de verdade. Antes eu não vivia a minha vida, eu vegetava. Hoje sou uma pessoa normal para a sociedade, um trabalhador, posso ganhar até menos, mas é meu dinheiro! Trabalho para ganhar esse dinheiro, e ele dura mais porque Deus reconhece meu esforço. Agora vou conhecer um mundo novo, pessoas novas e só penso nisso: liberdade acima de tudo e com certeza manter a minha humildade de sempre. Sou uma pessoa que tive a oportunidade e venci na vida. E estou muito alegre e orgulhoso de mim mesmo.

Lana de Souza, 21 anos, Parceira do RJ e Coord. de Comunicação do Descolando Idéias. Atuante na Comunidade, Lana de Souza é mais uma jovem do Complexo que luta pelos direitos da liberdade na comunidade. Liberdade, apesar de nunca ter me sentido presa dentro do Complexo, é visível que hoje as pessoas circulam com muito mais tranquilidade por todos os cantinhos da favela. Quem diria que a gente poderia adentrar a famosa “mata”? Hoje em dia fazemos até trilha por lá!. Minha mãe já não tem tanta preocupação quando eu saio, ela sabe que volto tarde, mas não terá nenhum perigo na volta. Tem uma letra da Zélia Duncan que diz assim: “(...) Abre as asas sobre mim. Oh, senhora liberdade, eu fui condenado sem merecimento (...)” O que é liberdade para os que habitam o Complexo do Alemão? Moradores, ex-traficante, ativista cultural. Cada um tem a sua visão de liberdade. Cada um expressa de uma maneira. Mas no fim a idéia é a mesma: Depois de anos calados, todos podem falar, todos podem ser realmente LIVRES. Já estamos libertos da condenação que nos assustou por décadas. Não devemos nada a ninguém, por isso somos livres. Livres para expressar a nossa opinião, para realizar as nossas idéias, etc. Seja muito bem vida Senhora Liberdade! REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 20


PRINCIPAL Helcimar Lopes, 35 anos e Ativista Cultural Além da nova geração, quem está a mais tempo na comunidade também sente a mudança. Hoje me sinto muito mais feliz, me sinto “LIVRE”. Se antes não tinha vergonha de dizer onde morava, hoje grito aos quatro ventos que sou CRIA DO COMPLEXO DO ALEMÃO! Liberdade, sentimento que foi difícil de acreditar, de aceitar. Logo nos primeiros dias, meses, era algo impensável! Como assim? De uma hora pra outra? Somos livres? Estamos livres? Podemos ir e vir? Sim, AGORA PODEMOS, somos igualzinho à todos! Podemos exercer nossa cidadania. Podemos fazer o que quiser sem ter medo do TRIBUNAL, antes temido. Posso ir à casa da minha avó com felicidade sem ter que pedir licença aos seguranças da boca com seus fuzis para entrar. Nossas crianças podem brincar na rua sem ter que ver traficantes desfilando em motos roubadas, ostentado armas e jóias. Gritando, pó disso, maconha daquilo e ainda mais, os seres humanos jogados ao relento, dependentes do crack como uma praga, como carrapatos, aos montes em cada viela, além das famílias sendo destruídas pelas drogas à luz do dia. Não vejo mais as filas da Boca, não ouço mais aqueles funks proibidões que exaltavam A ou B. Eram um monte de siglas. FB, DG, PH e por aí vai... Liberdade meus caros, enfim chegou, ainda que para os mais desacreditados seja difícil de acreditar. Os boatos existem, mas para nós, para a grande maioria, para os crentes, para os que têm fé, essa liberdade foi conquistada e nunca mais será perdida! Louve-se o disque denúncia, a coragem do Estado e de toda sociedade. Liberdade! Palavra gostosa se pronunciar. Liberdade abre as asas sobre nós. Cantemos, cantemos e continuemos povo do Complexo! Aleluia! Salve. REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 21


ESPORTE

Craques de Volta ao Brasil por Bárbara Jesus

Os craques estão de volta e o Futebol Brasileiro está mais forte. As próximas temporadas prometem ótimos jogos com ótimos jogadores.

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arece incoerente dizer isso, num momento em que a seleção brasileira está em quinto lugar no ranking da FIFA tendo sido fiasco em duas Copas do mundo consecutivas, mas o fato é que o futebol brasileiro nunca esteve tão forte. Alguns fatores explicam esse fortalecimento repentino e o otimismo que ele acarreta. A maioria dos clubes de grande porte – leia-se paulistas e cariocas – tem tido, nos últimos dois anos, aumento de suas receitas; além das parcerias financeiras e dos investimentos na preparação para a Copa do Mundo de 2014. O Brasil não é mais apenas uma vitrine que exibe craques em potencial para os clubes europeus, é também um mercado convidativo para os jogadores que estão no chamado “melhor futebol do mundo”. O mercado da bola no país do futebol está fervendo! O que está acontecendo por aqui é uma verdadeira repatriação de atletas de enorme talento, que já fizeram o mundo todo ir à loucura com o legítimo futebol-arte. A contratação dos jogadores de alto nível é um excelente investimento para o clube que os recebem, pois o retorno financeiro é quase imediato devido à venda de camisas, aos direitos de imagem do atleta e à maior exibição do clube nos veículos de comunicação. Mais do que reforço para o futebol do “clube-empresa”, os craques reanimam o setor de marketing dos times brasileiros. Em 2009, o atacante Fred, insatisfeito com sua situação no Lyon, abandonou o clube francês para vestir a camisa do Fluminense. Sua participação, logo na primeira temporada representando o tricolor, foi fundamental para que o Fluminense escapasse heroicamente do rebaixamento; e colaborou para a conquista do Brasileirão no ano seguinte. Mas quem estampou ainda mais capas de jornais do todo o mundo, neste mesmo ano, foi

Ronaldo, o fenômeno, quando o clube paulista Corinthians anunciou a sua contratação. Este momento marcou a ascendência do futebol nacional. Ronaldo esteve em quatro Copas do Mundo e é o maior artilheiro da história nesta competição. Pelo Corinthians, Ronaldo conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista. Também em 2009, em abril, Adriano, que ganhou no clube italiano Roma a alcunha de “Imperador”, voltou ao Flamengo, clube que o formou como atleta há mais de uma década. Como era de se esperar, o atacante, apesar de provocar muitas polêmicas, tornou-se ídolo da nação rubronegra. Carregado por Adriano, o clube da Gávea sagrou-se campeão brasileiro em 2009. Ainda tivemos recentemente o retorno de Robinho ao Santos e Roberto Carlos, pelo Corinthians (ambos não jogam mais no Brasil), do luso-brasileiro Deco, pelo Fluminense, Luís Fabiano, o “Fabuloso”, pelo São Paulo – seu clube de coração -, Rivaldo, também pelo São Paulo, Elano pelo Santos. Liédson, que já está novamente acumulando gols, e o imperador Adriano formarão, em breve, a nova dupla de ataque do Corinthians, assim que se recuperar da lesão. O Brasileirão 2011 terá um número recorde de craques e, por esse motivo, esperamos ver um torneio realmente disputado. A previsão é de estádios ainda mais cheios, lotados pelas torcidas apaixonadas e incentivadas pelos “novos velhos ídolos”. A CBF inclusive bolou uma estratégia para evitar o desânimo típico dos times que cumprirão tabela nas últimas rodadas: oito clássicos estão marcados para o último ato. O São Paulo, por exemplo, joga contra o Palmeiras na penúltima rodada e contra o Santos na última. Corinthians e Palmeiras também se enfrentam na última rodada, assim como haverá o clássico Grenal, entre outros.

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INTERNET

Sinal Amarelo Aceso por Eduardo Lurnel

Depois de tantas polêmicas em torno do Direito Autoral, vale a pena uma análise conjuntural do caso.

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ara a primeira edição da Revista Empty, os Direitos Autorais foi o tema escolhido para a coluna sobre política cultural. Desde os primeiros dias de 2011 o debate sobre o tema tomou conta das páginas dos jornais, postagens nas mais diversas redes sociais e blogs pela internet a fora. Mas por quê? Que confusão é essa? O Ministério da Cultura (MinC) no governo Lula foi gerido por Gilberto Gil, que foi substituído por Juca Ferreira em 2007. Durante últimos 3 anos dessa gestão, o MinC realizou uma série de seminários em todo o território nacional sobre a gestão da propriedade intelectual e dos direitos autorais no Brasil. Esses seminários tinham como objetivo formar massa crítica e acumular conhecimento para a elaboração de um ante projeto de lei. Em julho de 2010, o MinC publicou para consulta pública um anteprojeto de lei que visava substituir a atual dos lei dos direitos autorais (Lei 9610/98). O projeto de lei ficou 2 meses em consulta pública e segunda o próprio ministério recebeu 7863 contribuições. A participação acontenceu de todas as formas, cartas, artigos, emails e até sinais de fumaça. O processo de consolidação das contribuições demorou. Apenas no dia 23 de dezembro de 2010 o Ministério da Cultura enviou para a Casa Civil o anteprojeto de lei consolidado para análise e posterior envio ao Congresso Nacional. E chegou a nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Depois de um mês de instabilidades e inseguranças de todo setor cultural do país, no dia 21 de dezembro a presidenta Dilma Rousseff confirmou a cantora e gestora Ana de Hollanda no lugar do então ministro Juca Ferreira. É normal, natural e elegante que um tema dessa magnitude, que será debatido no Congresso Nacional durante um bom tempo, seja analisado pela nova gestão do Ministério da Cultura antes do envio para a Câmara dos Deputados. A Casa Civil, que também tinha ministro

novo, devolveu ao MinC o anteprojeto de lei sobre os direitos autorais. Isso é pratica da Casa Civil. Ela fez isso com todas as matérias enviadas no fim do ano independente do setor. Quem diz que esse procedimento foi solicitado pela nova gestão do MinC está sendo leviano e mentiroso. Até esse momento, não havia problema nenhum. Tinha era muita gente colocando chifre na cabeça de cavalo, como diz a minha avó Mané. No entanto, nos primeiro dias da nova gestão ministerial, foi retirado do site do MinC (www.cultura.gov.br) a licença Creative Commons (CC). E o que o CC tem haver com essa discussão? Tudo! O Creative Commons disponibiliza licenças para uso de obras, sejam elas, textos, vídeos, fotos ou músicas. Com o CC o autor diz de que forma a sua criação pode ser difundida na sociedade. O que não quer dizer que o autor não poça ser remunerado pela sua criação. O uso das licenças Creative Commos é opcional e todas as licenças são totalmente adaptadas à atual legislação brasileira (Pra saber mais sobre as licenças entre www.creativecommons.org.br). Porém, não é o que a ministra vem dizendo por aí. Para justificar a retirada da licença do site do ministério, Ana de Hollanda argumenta que o Creative Commons é uma ONG que não pensa na remuneração do autor e que o selo na página eletrônica do ministério é uma propaganda da entidade. Esse ato, junto com essa explicação estapafúrdia, desencadeou uma onda de manifestações contra a ministra. Muitas legítimas, porém muita gente usou a instabilidade política instalada para fazer disputas menores e debates desqualificados. Tem muita gente preocupada mais com o “pinga aqui” ou com “Cadê meu dinheirinho” do que realmente fazer o debate sobre os direitos autorais no país. É uma pena, só com a mobilização social e a participação dos atores da cultura que é possível avançar e aprimorar as políticas públicas de cultura.

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INTERNET

Ana de Hollanda trocou o diretor da pasta que coordenou todo o processo de discussão sobre os direitos autorais, o que é normal durante uma mudança de gestão. Muito foi falado sobre o ato, contudo, pessoalizar as discussões é cair em um debate vazio e s e m c o ns e qü ê nc i a s p ro ve i t o s as . Importante mesmo é saber se a nova diretora de direitos intelectuais vai implantar uma política de gestão da propriedade intelectual democrática e progressista, preocupada não só com a remuneração dos autores, mas também com o acesso da população aos bens culturais. A gestão atual do MinC colocou o anteprojeto de lei dos direitos autorais novamente em consulta pública, mas agora de forma restrita e complicada. Segundo o novo cronograma, dia 15 de julho um novo anteprojeto de lei será enviado à Casa Civil para apreciação e posterior encaminhamento ao Congresso Nacional. Não há nada que justifique de fato gritarias, fortes protestos e manifestações contra a atual ministra da cultura, no entanto, são evidentes os sinais que podem ocorrer alterações nesse anteprojeto de lei que valorize o direito de propriedade em detrimento a circulação de idéias. É urgente um novo marco legal que organize a gestão da propriedade intelectual no país. Um novo regramento que amplie circulação a difusão de conteúdos, mas que também remunere d e f o r m a a d e qu a d a o a u t o r . É fundamental, que o atual sistema de arrecadação e distribuição de recursos para artistas e autores seja revista, e que o novo modelo seja transparente e com controle social.

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MODA

Tendências Outono-Inverno por Bruna Caldas

Leveza, cores e estampas. Essa é uma temporada outono-inverno menos sombria e mais colorida, totalmente diferente das outras que já passaram.

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odo mundo conhece o inverno pelas cores escuras, o tom “sério” das roupas, mas a coleção outono-inverno deste ano está fugindo deste padrão. As roupas são mais leves e coloridas. As cores mais usadas vão dos tons fortes como o preto, cinza, marrom, verde até os tons mais claros como nude e branco. Haverá bastante contraste na combinação delas. Para fugir do couro e dos casacos pesados temos opções como os casacos com tecidos leves como os cardigãs, o terninho, o sobretudo e os casacos mais curtinhos além do tricô. Alguns opostos do verão ainda estão em alta, o romântico das rendas deixa ainda mais masculino o militarismo, mas isso não quer dizer que usando peças militares você não vai ser romântica, sem contar o navy que também te deixa com ar romântico e ao mesmo tempo sexy. Mas o que tem tudo para dominar as ruas nesta temporada outono-inverno são vestidos, saias, blusas, shorts e calças (aparecem com elementos esportivos), étnicos, peças inspiradas nos uniformes de balé, transparência, brilho, geometrias e estilo grunge, como combinações de saia longa com camiseta comprida. Porém a moda não fica completa se não falarmos dos amados sapatos, na temporada 2011 as tendências são as botas de cano curto e cano médio, de saltos não muito altos e com detalhes em fivelas, tiras e metais, sandálias com meias, sapatilhas (que são a melhor opção para o dia-a-dia) e saltos com amarrações em tecidos de cetim com referência aos modelos da sapatilha de balé. Além das ankle boots e dos sapatos oxford que continuam sendo usados na temporada de inverno. Os acessórios da temporada são as meias 7/8 (na altura dos joelhos), bolsas grandes, que para nós mulheres independente da tendência são sempre a melhor opção, e mochilas estilo pasta com um efeito mais desgastado, golas e luvas imitando pele de animais (só use sintéticos, pelo amor aos animais), cintos finíssimos, pulseiras coloridas, maxianéis são tendência em acessórios, esses três últimos estão super em alta na moda nas ruas. REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 27


MODA

Dica de Maquiagem para seu Cotidiano por Herycka Louise

Para você que tem a vida corrida e cheia de tarefas, agora pode aproveitar essa dica super fácil de maquiagem rápida. Olá pessoal, para quem não sabe meu nome é Herycka, tenho 15 anos e sou estudante. Com essa coluna, darei dicas de maquiagem, mostrar os lançamentos, testar e indicar produtos, falar das últimas tendências, tirar dúvidas, indicar os tipos certos de maquiagem para ocasiões específicas e confesso que algumas vezes fugirei um pouco do assunto para não ficar monótono. Não sou expert no assunto, mas espero que minhas dicas ajudem vocês. Bom, vou começar do básico, rímel nos olhos, mas sem exageros, bochechas levemente coradas, para dar um ar saudável, olheiras corrigidas e lábios hidratados: tudo bem de leve, para nem parecer que está maquiada! E lembrem-se: Durante o dia, base líquida sempre com protetor solar!

1º passo: Base. Aqui foi usada uma esponjinha específica para base líquida que pode ser encontrada em qualquer loja de cosméticos e até mesmo em farmácias. Caso você tenha manchinhas na pele e queira escondê-las, aplique antes da base, um corretivo facial.

2º passo: Pó compacto. Ao contrário do que todo mundo pensa, o certo pra se passar pó não é com aquela famosa esponjinha, mas sim com um pincel específico que também pode ser encontrado em loja de cosméticos e farmácias. Pode ser aplicado depois da base em todo o rosto ou em pontos específicos, para fixar ainda mais o make.

3º passo: Blush. Fique atenta ao formato de seu rosto. Os ovais pedem mais produto nas maçãs. Os redondos exigem a aplicação de uma linha na direção da boca. Bastam algumas pinceladas, sempre de dentro para fora. Quanto às cores, as rosadas vão bem em peles claras. Marrom, dourado e terracota fazem bonito nas morenas e negras.

4º passo: Sombra. Para todos os tipos de pele sombras em cor champanhe, bronze, rosa queimado e marrom cintilante utilizadas de forma correta durante o dia, são super bemvindas! rs

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MODA

5º passo: Rímel. O mais básico de todos é o preto. Sempre dá um up no olhar e escurece os fios.

6º e último passo: Gloss. Como uma textura cremosa e quase líquida, o gloss cria a impressão de que a boca tem uma tonalidade mais brilhante de forma natural, sendo que este brilho também proporciona volume, o que faz com que as bocas com lábios finos fiquem bem turbinadas.

Bom, é isso, rs. Nas próximas edições, darei dicas para antes e depois do make. Como preparar a pele e como retirar a maquiagem, etc. REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 29


TECNOLOGIA & GAMES

O jogo GTA anda matando? por Romario Regis

Após encontrar o jogo GTA na casa do invasor da escola Tasso da Silveira a discussão sobre jogos violentos volta a tona.

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um dia desses acordei cedo e bum... a escola Tasso da Silveira é invadida por um maníaco que mata várias crianças sem nenhum motivo e posteriormente comete suicídio. Alguns dias depois acordo novamente e bum... O jornalista @werneckantonio escreve em sua coluna um texto tentando conectar esse atentado com a possibilidade,

repito, possibilidade de influências dos jogos GTA¹ e Counter-Strike² em algum dos planejamentos do crime. Eis que pergunto, será mesmo que jogos eletrônicos “violentos” influenciam a realidade intelectual de um jogador ao ponto dele construir um crime? A pergunta acima é quase impossível de ser respondida por não ser palpável gerar uma estatística de

crimes por motivações pessoais e culturais, entretanto, dizer que um usuário de games de tiro tenha predisposição para cometer um crime de homicídio é o mesmo que dizer que um morador que esteja frente a uma boca de fumo tenha predisposição para ser traficante ou de dizer que um mulçumano tenha predisposição para ser um homem bomba, é preconceito por desinformação demais isso. Tá! É óbvio que a influência existe, afinal vivemos numa sociedade em rede e que cada acontecimento gera uma resposta imediata de nossos conhecimentos, seja para passaportes positivos ou negativos, mas atribuir aos games o resultado de uma chacina como foi a de Realengo é um

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TECNOLOGIA & GAMES tanto quanto exagerado. Voltando aos games, queria dizer de forma muito pessoal de que eles só ajudaram em minha construção sócio-intelectual. O eixo de uma discussão dessas não pode ser o produto vídeo-game ou mais especificamente o produto GTA ou Counter Strike, mas a discussão deve ser feita em relação ao vício desses jogos. Não consigo acreditar que uma pessoa sem problemas psicológicos seja influenciada por algo dessa forma, tanto que se fosse assim, eu deveria ser um serial killer por ter vivido minha vida inteira vendo filmes violentos, jogando games violentos, brincando de brincadeiras violentas, assistindo

programas violentos na TV e sabendo que fora de minha casa eu não poderia sequer andar sem medo de ser roubado, seqüestrado, atacado, etc. Resumir o ato de jogar vídeogame numa reprodução mecânica de atos criminosos não pode ser feito sem algum tipo de prova muito concreta. Creio que a sociedade seja mais violenta que o GTA e enquanto com um controle eu possa matar centenas de pessoas, um governante pode matar outras centenas deixando as escolas sem assistência educacional. Com um controle no GTA eu posso atropelar várias outras pessoas, mas quando a sociedade não respeita as leis de trânsito, morrem 57.116 em estradas

como foi o caso de 2008 no Brasil. Com um controle posso matar a facadas alguém no Counter Strike, mas o sistema de saúde do Rio mata muito mais. Por agora é só e espero que o preconceito em relação aos jogos eletrônicos acabe, pois o mercado cultural, econômico, social que ele está envolvido é muito maior daquilo que se pensa. Antes de criticar os games violentos ou não violentos, jogue, se divirta e seja feliz. AH! Se você matar alguém por jogar GTA, me avisa, porque até hoje não conheci ninguém, diferente das drogas, religião, casamento, trânsito, pisadas de pé e etc.

COUNTER STRIKE E GRAND THEFT AUTO Conheça mais dos jogos que causam polêmica desde seu lançamento.

Counter Strike, conhecido como CS é um jogo de computador de tiro em primeira pessoa que funciona através de rodadas, no qual equipes de terroristas e contra-terroristas fazem um confronto até a vitória. Desde 2000, em seu lançamento, o Counter Strike fez não só uma mudança no formato dos jogos em rede, como também foi fundamental para a difusão das Lan Houses pelo mundo, iniciando não somente o processo de diversão de jovens, mas também o processo profissional, pois o jogo fez com que vários bons jogadores ganhassem uma boa grana para jogar. Aqui no Brasil, em 2008, o jogo teve todo seu mercado proibido, seja a comercialização em livros, encartes, revistas tudo com a argumentação de que o jogo possuía violência excessiva. O jogo voltou a ser comercializado em 2009 baseado na concepção que um jogo não pode causar estímulos à subversão da ordem social.

Grand Theft Auto ou mais famoso como GTA é um jogo de Ação e Mundo Livre, tendo sido lançado em 1997 com sua primeira versão. Segundo estudiosos o jogo é extremamente popular, tendo sido vendidas mais de 40 milhões de cópias legais, fora a pirataria e downloads. O jogo dá uma grande liberdade para o usuário, que dentro de uma limitação normal do vídeo-game, pode fazer quase tudo e por isso, o jogo é dedicado exclusivamente para adultos. Por isso, algumas pessoas que dizem que esse jogo é estimulante, saibam que se você é pai e deixa seu filho de 10 anos jogar um jogo dedicado para maiores de 18 anos, ai sim você vai estimular seu filho de forma negativa. Vale lembrar que o jogo é um dos principais jogos do mundo, seja no quesito interatividade, jogabilidade e diversão. Até hoje, nunca ficou provado que nenhuma pessoa DENTRO DAS NORMAS DE FAIXA ETÁRIA PRÉ-ESTABELECIDAS pelo fabricante tenha cometido algum tipo de crime aparente com o que se joga, por isso, também é uma grande falácia creditar culpa no GTA. REVISTA EMPTY | REVISTAEMPTY@GMAIL.COM | MAIO 2011 | 31


TECNOLOGIA & GAMES

Desmistificando o Tablet: "A origem dos Tablets" por Yuri Gadelha

Saiba um pouco mais a fundo a história e origem dos Tablets que a cada dia ganham mais mercado Nacional e Internacional.

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pergunta que não larga a mente dos brasileiros: “Afinal, o que é isso de tablet?”. Para explicar o que é um tablet, precisamos voltar os primórdios da telefonia móvel, o início dos celulares. Os celulares surgiram da necessidade crescente do homem de se comunicar. Com o incremento na tecnologia os processos de fabricação se tornaram cada vez mais sofisticados, e chegaram ao que conhecemos hoje. O mais engraçado de tudo é que estamos entrando em um loop, pois quanto mais tecnologia nós temos mais fácil se torna criar mais tecnologia e de forma mais rápida e eficiente. Isso também aconteceu com a telefonia móvel. Do primeiro telefone fixo, criado em meados de 1860, ao primeiro telefone realmente móvel passaram-se décadas – Aproximadamente 100 anos! –, no entanto, do primeiro telefone celular ao primeiro smartphone foram menos de 20 anos. Acontece que o ponto realmente interessante dessa história, para nós, foi um pouco mais recente. À época, smartphone era o famoso celular de empresário, de uso difícil e

alto custo por causa de suas funções extras. No entanto, no início de 2007 a Apple estava prestes a mudar as regras do jogo. No dia 9 de janeiro o iPhone foi apresentado ao público por Jobs, exCEO da Apple, e chegou ao mercado em 29 de junho. Surpreendendo a todos foi um sucesso estrondoso, com filas nas portas das lojas e estoques se esgotando. Desde a criação da marca iPhone a Apple já comercializou mais de 40 milhões de celulares. Em suma: Um mercado muito lucrativo. Pode-se afirmar que um dos segredos para o sucesso do iPhone é a simplicidade e elegância de seu sistema operacional. Baseado no Mac OS X (Sistema operacional dos computadores da maçã mordida) o iOs é um sistema móvel criado especialmente para a arquitetura do iPhone. É um sistema inovador, com uma interface de toque e sem teclado numérico. Possui apenas o botão Home na frente do aparelho e os botões de volume laterais. O uso do aparelho é extremamente simplificado, com ícones de programas e aplicativos na tela principal. E por falar em aplicativos, o iPhone conta com um

GIGANTESCO mercado de aplicativos, a App Store, onde os usuários do sistema iOs da Apple (iPhone, iPod Touch e iPad) podem encontrar diversos aplicativos para download(principalmente pagos, mas também gratuitos), tanto para trabalho quanto para diversão e consumo de mídia. Vendo tanto dinheiro assim a concorrência não podia ficar parada. No entanto, por incrível que pareça, talvez tenha sido o próprio Google que iniciou tudo isso. No ano de 2005 o Google adquiriu uma pequena empresa chamada Android Inc., localizada em Palo Alto, Califórnia. Em 2006 correram boatos de que o Google estaria desenvolvendo uma plataforma Mobile para celulares. No ano seguinte o iPhone foi lançado. Em 22 de Outubro de 2008, o Google, em parceria com a HTC, lançou o HTC Dream (ou HTC G1), o primeiro celular disponível comercialmente a rodar o Android, um sistema operacional para celulares criado pelo Google. O mais triste dessa história toda é que inicialmente o Android, ao contrário do iOs, foi um desastre.

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TECNOLOGIA & GAMES

É claro que o Google não podia ficar parado vendo todo seu projeto ir por água abaixo e então investiu mais ainda, tanto no sistema em si como na imagem de seu sistema. Foi daí que surgiu a linha Nexus. Como o Google é uma empresa de software, e não hardware, eles fizeram uma parecia com a HTC para criar o aparelho da marca: O Nexus One. A partir daí o desenvolvimento do Android era direcionado ao Nexus One, que foi lançado em 5 de Janeiro de 2010. As atualizações do robozinho verde eram constantes, algumas semestrais e outras trimestrais. Então o sistema saiu de algo com potencial, porém meio embaralhado, para um sistema realmente bem trabalhado e finalizado. Atualmente, projeções indicam que o Android vai ultrapassar o iOs em Market Share. Mas por enquanto o iOs ainda é mais vendido do que o Android. É claro que precisamos notar que o iOs é restrito aos aparelhos da Maçã, enquanto o robozinho é um sistema de código livre que pode ser usado por qualquer fabricante de aparelhos celulares (desde que cumpram algumas restrições). Mas a batalha entre a Maçã e o Google, com iOs e Robozinho verde não ficou restrita ao campo de smartphones. Com o lançamento do iPad pela Maçã, iniciou-se outra era para o consumo de mídia: A Era dos Tablets! Mas... afinal, o que é isso de tablet?

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COLUNAS

Dez dicas para o primeiro encontro

por Fernanda Aloha

E ai galera, para quem não me conhece sou Fernanda, mas conhecida como Fernanda Aloha. Tenho 18 anos e ainda sou estudante, moro em Niterói e sou conhecida pelas minhas fotos, loucuras e outras “coisitas” mais que ainda não descobri [haha]. Vou tirar suas dúvidas sobre: sociedade, maquiagem, roupa, homens, mulheres, sexo, drogas, baladas e outras coisas, é só fazer a pergunta. Sou péssima de escrever em palavras formais, vou ser eu mesma aqui e espero que gostem e ignorem se eu falar alguma besteira, faz paaaaarte! É a primeira vez que faço uma coluna e não vai aqueeela coisa. Até mesmo que escrever e ler para mim são coisas que acontecem uma vez na vida, brincadeira (quase isso, haha). Vou começar o assunto com uma das dúvidas que mais perturbam a cabeça de qualquer menina, calma meninos a próxima coluna pode ajudar vocês, por aqui falarei as 10 coisas que NUNCA devem ser feitas no primeiro encontro: 1 – Nunca esteja mal arrumada, mal maquiada e principalmente mal cheirosa. Pode ter certeza que você ganhará muitos pontos com ele. 2 – Nunca fale demais deixa o menino expor suas ideias. Meninos odeiam meninas que falam demais! 3 – Nunca fale de sexo no primeiro encontro, isso não é bom. Deixe bem claro para o menino o que você pretende no primeiro encontro, que é apenas conhece-lo! 4 – Nunca demonstre ser uma garota fácil, sexo no primeiro encontro não rola. Mas também não vá ficar fazendo joguinhos com o garoto.

5 – Nunca fale sobre ex-namorados, ele está ali para se divertir e te conhecer, não para saber sobre seus relacionamentos passados. Lembre-se está entrando em uma nova etapa de sua vida. 6 – Não seja vulgar, coloque uma roupa adequada para ocasião. Você não vai querer mostrar nada no primeiro dia, deixo-o com expectativas, com vontade de descobrir o que você tem para “mostrá-lo”. 7 – Nunca beba mais do que o costume, acompanhar ele no chopp é sempre bom. Se não aguentar não ligue, vômitos e “bebisse” só irá afastá-la do menino. Ah! E não se esqueça do Trident [haha]. 8 – Nunca fique falando sobre manter relacionamento sério. Vá com calma, é só o primeiro encontro. 9 – Nunca seja mal educada, trate-o com respeito e não ache que é por que vocês estão juntos que você vai poder se comportar da mesma maneira que em casa. Afinal, respeite para ser respeitada. 10 – Nunca fique ligando para o menino como uma louca apaixonada, meninos odeiam menina chiclete. No máximo, espere o dia seguinte e mande uma mensagem falando que curtiu o dia anterior, mas nada de mensagens gigantes, apenas para ele se lembrar e saber que você gostou. Gostinho de quero mais sempre é bom! Então essa foi uma das coisas que ajudei de alguma forma, agora mande suas perguntas ou me ajude sobre o que posso falar na próxima coluna. Beijos galera. Espero que tenha ajudado!

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COLUNAS

ANTES DE LER, ASSISTA NO YOUTUBE “O Povo Quer Saber: Jair Bolsonaro”

A arte de ser livre!

E

por Tatiane Nantes

stamos em tempos de suposta liberdade total, de pontos corridos, de culpa nenhuma. Falar sem temer virou charme, sex appeal. Quanto mais sincero, mais valorizado se torna o seu discurso. Opa! Nosso querido deputado Jair Bolsonaro,ilustre parlamentar de nosso legislativo mergulhou intensamente neste conceito, ou não, talvez só tenha nascido bitolado mesmo. Questões psíquicas não cabem a mim, porém me sinto altamente motivada a tentar entender o porquê de toda essa polêmica em torno de um único homem, um único engravatado. Não tenho o hábito de assistir ao programa CQC, não por falta de interesse, mas por amnésia. Mas não é necessário assistir todos os dias para perceber que o programa é um notável instrumento de pressão política, e tem funcionado. Eu me atreveria a dizer que nas noites de segunda-feira todo aquele que assiste ao programa se torna um pouco revolucionário, um pouco mais brasileiro ou no mínimo reflete frente ao fato de que existe algo maior ao redor de nossas cabeças e que rege a nossa vida de alguma forma: a política. Fazer política, discutir sobre ela e suas implicações é um ato de sensibilidade. Por mais absurdo e incoerente que possa parecer, não posso dizer nada diferente disto. Lidar com pessoas, com caminhos de vidas e futuros é uma tarefa inegavelmente emotiva. É preciso refletir a cada atitude e palavra, talvez seja cansativo, mas não dispensável. Não me refiro ao parlamentar somente, que como representante de uma parcela da população não pode agir arbitrariamente jamais (em minha humilde concepção), mas me refiro especialmente a mim, a você, a cada um que vive em um país democrático e altamente corrupto como o que vivemos. É um exercício contínuo de humanidade, olhar o outro e buscar em nós algo que preencha de forma pacífica a expectativa alheia. Talvez isso tenha sido a grande causa da mobilização ao redor do Bolsonaro, ele infelizmente, baseado em seus próprios conceitos, resolveu colocar pra fora, ignorando que estaria sendo escutado por ouvidos de diferentes tímpanos culturais, de diferentes olhos de vida. Voltaire utilizou uma frase que cabe a este momento, dizia assim: Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las, porém baseada no momento que vivemos eu reformularia esta citação dizendo que a liberdade eu defenderia, desde que ela não atingisse a vida, os sentimentos e a dignidade de outras pessoas tão humanas quanto eu.

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COLUNAS

Tá, mas você vai ser professor? por Ketiley S Pessanha

S

abe quando chega aquele momento, mas 'aqueeele' momento mesmo, em que ficamos sem respostas para certos assuntos? Por vezes, quando menos esperamos, nos vemos obrigados a tomar decisões que podem servir para uma vida inteira. Mas, sejamos realistas, nem o mais nerd da turma toda do colégio sabe, com certeza, aquilo que vai fazer ou querer estudar daqui para frente. Este tipo de coisa acontece sempre, em diversas situações, e não dá para saber se é bom ou ruim não termos respostas imediatas. Inclusive, aconteceu comigo, aliás, em dois momentos específicos interessantes ao assunto: o primeiro foi sobre a carreira profissional a ser seguida, e o segundo, sobre minha colaboração nesta revista. Fiquei sem chão em ambos! Confesso até que devo permanecer assim por um bom tempo... Havia terminado o ensino médio amando leitura, com altíssimas notas em língua portuguesa, literatura, produção textual etc, no entanto, quando ouvia perguntas sobre o que eu queria fazer da vida, a resposta era uníssona e objetiva: Direito! Tudo bem que não dava para cursar uma faculdade de Direito apenas gostando de português, saber um pouquinho de história, e não ter problemas de falar em público; assim como não tem a menor possibilidade de cursarmos quaisquer que sejam as disciplinas somente por uma certa “afinidade”. Isso ajuda muito a dar o primeiro passo, contudo, à medida que reduzimos nossa visão, limitamos automaticamente o nosso intelecto, e o resultado é que não percebemos o “leque” de opções que poderíamos ter. Foi por eu não ter passado direto para o curso de Direito que eu comecei a observar o meu leque de opções. Decidi por “afinidade”, e condições outras, a cursar Letras na estadual do Rio de Janeiro. Sem saber exatamente o que eu estava fazendo, a todo o momento internalizava: “esta talvez não seja a faculdade que sempre quis estudar, talvez seja uma das que mais sofre preconceitos, mas não vou desistir na primeira dificuldade. Vou encontrar o meu propósito aqui.”. E tem dado certo. Encontrei pelo caminho inúmeros colegas que partilham da mesma situação, que estão no último período, e ainda não sabem responder “Mas você vai mesmo ser professor?”... Também não sei responder, mas decidimos fazer o nosso melhor, tendo em vista a oportunidade que tivemos. Quanto à revista, caí de pára-quedas do mesmo jeito! Nunca tinha escrito nada parecido para este tipo de veículo comunicativo, no mais, vou tentar. Sei que fiquei responsável por inserir a literatura por aqui, mas ainda não consegui. Penso que para um texto inaugural é preciso que haja uma certa 'apresentação', o que de algum modo, estou fazendo, direta ou indiretamente. Segundo citação da renomada escritora “ucranianobrasileira”, Clarice Lispector, em que diz: “Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.”, percebesse-se a importância dada aos acertos, ao querer respostas prontas, e não damos conta que são as perguntas que movem o mundo. Por isso, continue sem pressa de chegar aos resultados, sem pressa de descobrir se é mais vantagem fazer faculdade ou morar no exterior; temos que ter pressa na busca pela felicidade, sempre. Pois, ainda que as perguntas fiquem temporariamente sem resposta, a vida vai sendo vivida da melhor forma, o tempo não vai sendo perdido, e até, sem querer, a literatura vai aparecendo no texto inaugural de uma revista.

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EXTRA

Série “The Good Wife”, uma boa Recomendação por Lorhan Ferreira

Conheça um pouco mais de uma das séries mais badaladas da Televisão na atualidade.

A

recomendação de hoje se trata de uma das séries mais populares da atualidade. Criada pelo casal Robert e Michelle King (os mesmos de "In Justice"), "The Good Wife - Pelo Direito de Recomeçar" teve sua triunfal e arrebatadora estreia nos Estados Unidos pela CBS no dia 22 de setembro de 2009 e pouco tempo depois, já em 7 de outubro, foi decidido que a série teria uma temporada completa devido ao enorme sucesso, sendo estendida de 13 para 23 episódios. O drama gira ao redor da vida de Alicia Florrick (Juliana Marguiles) ("ER"), uma bem sucedida advogada que volta a exercer seu cargo na firma "Stern, Lockhart & Gardner" para sustentar seus dois filhos após um enorme e propalado escândalo sexual e de corrupção envolvendo seu marido, o promotor Peter Florrick, que foi preso posteriormente. A série é incrivelmente bem escrita, tendo inclusive a produção do mestre Ridley Scott ("Gladiador", "Alien, O Oitavo Passageiro", "Blade Runner - O Caçador de Andróides", "Thelma e Louise", "Falcão Negro em Perigo") e seu irmão Tony ("Dias de Trovão", "Déjà Vu", "Top Gun Ases Indomáveis", "Incontrolável"). Outro destaque é o elenco. Eu acompanho séries americanas há bastante tempo e ainda fiquei muito surpreso em como pode haver tantas boas atuações no mesmo programa. Juliana Marguiles faz um ótimo trabalho na pele da protagonista da série, tornando quase impossível não se apaixonar pela profissional que interpreta e pelo enorme contraste entre a astúcia e fragilidade de Alicia. Christine Baranski ("Chicago", "Mamma Mia!", "The Big Bang Theory") interpreta magnificamente a advogada de defesa sênior Diane Lockhart, sócia de William Gardner (Josh Charles outro trunfo da série, com uma sólida e convincente atuação) ("S.W.A.T.", "Sociedade dos Poetas Mortos") na renomada firma de advocacia de Chicago. Ele e Alicia foram colegas de faculdade e lutam para negligenciar a evidente atração que sentem um pelo outro desde então. Outro destaque é Kalinda Sharma (Archie Panjabi), investigadora particular da "Stern, Lockhart & Gardner" que já trabalhou com Peter Florrick mas foi demitida um tempo depois. Ela sempre tem uma fundamental participação na investigação dos casos e vai até o fim para que eles sejam desvendados. É astuta e praticamente invulnerável emocionalmente, o que

lhe rende uma vantagem ímpar na realização de seu trabalho. Ainda falando em bons desempenhos, temos Cary Agos (Matt Czuchry) ("Tal Mãe, Tal Filha"), um advgado júnior recém-formado que se destaca pelo seu trabalho bem feito e precoce profissionalismo. Outro membro da firma é Derrick Bond, (Michael Ealy) ("+ Velozes + Furiosos", "Ladrões") um novo parceiro da firma que não chega a fazer feio, mas que é totalmente dispensável à série. Ele na verdade aparece mais tempo sentado em algum canto degustando uma dose de uísque numa pose sexy pra que seu sex appeal seja desesperadamente notado, do que apresenta alguma relevante participação para o desfecho da trama. O elenco ainda conta com nomes como Alan Cumming ("X2: X-Men United") e Chris North ("Sex And The City"). Me arrisco a dizer que "The Good Wife" é, na minha opinião, uma das melhores séries que já foram feitas. Seja pelos inusitados casos apresentados que te deixam envolvido de inúmeras formas, seja pela pitada de suspense implícito em cada sequência de cena ou ainda pela sutil dose de humor perspicaz presente a todo instante. O envolvimento com os personagens também é inegável, como toda boa tragédia que se preze. Outro ponto de destaque é a imperceptível familiarização involuntária com os termos legais, leis e outros elementos do Direito que se torna praticamente inata quando assistimos a mais de um episódio. Por esses motivos e muitos outros, "The Good Wife - Pelo Direito de Recomeçar"é um dos maiores êxitos dos últimos tempos na história das séries americanas e vale a pena ser conferida. A série já foi indicada ao "Globo de Ouro" (Melhor Atriz em Série Dramática), "Sattelite Awards" (Melhor Série Dramática; Melhor Atriz em Série Dramática) e "Screen Actors Guild (SAG)" (Melhor Elenco de Série Dramática; Melhor Atriz em Série Dramática), ganhando nas categorias de "Melhor Atriz em Série Dramática" no Globo de Ouro e SAG, para Juliana Marguiles. No Brasil, é transmitida pela "Universal Channel" desde novembro de 2009. O horário de exibição é às 22:00 horas nas quartas-feiras. Para conferir os horários alternativos das reprises, basta visitar o espaço da série no site do canal clicando ( uc.globo.com/thegoodwife)

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Nº0 | Revista EMPTY | MAIO | 2011  

Nossa matéria de capa, o Grupo Descolando Idéias, vai te deixar a par de tudo o que envolve a nova concepção de liberdade do Complexo do Ale...

Nº0 | Revista EMPTY | MAIO | 2011  

Nossa matéria de capa, o Grupo Descolando Idéias, vai te deixar a par de tudo o que envolve a nova concepção de liberdade do Complexo do Ale...

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