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Edição 007 - Revista Efe

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Ricardo Amorim

Menor taxa de desemprego, maior gasto com seguro-desemprego

Vanessa Pedrosa

Como ter uma comunicação intrapessoal positiva

Marcus Buaiz

Menos operação, mais estratégia: o empresário conta como redesenhou seu papel nos negócios e na vida

Carlos alberto Júlio

Sucessão nas empresas: o problema não são os herdeiros

João Branco

Quando a cultura do “mínimo viável” vira um estilo de gestão permanente

E mais

Entrevistas exclusivas, liderança, imóveis, tecnologia, negócios, vinhos, gastronomia e arte

TENDÊNCIAS
A Revista da Folha de Alphaville

TECNOLOGIA:

Marcus Buaiz

NEGÓCIOS, ESTRATÉGIA E FAMÍLIA: O EMPRESÁRIO FALA SOBRE A FASE EM QUE APRENDEU A ESTAR PRESENTE ONDE REALMENTE IMPORTA

Matéria de capA

18. Tecnologia

As novidades e as principais tendências para 2026

22. Mídia

Como o podcast virou mídia, negócio e plataforma de marcas

26. Negócios

O futuro das empresas passa pela sucessão

42. Liderança

Carolina Tavares Ramos: vice presidente da área de Revenue Growth Management na Coca-Cola

44. Mercado imobiliário

Como atributos intangíveis estão mudando a forma de comprar, vender e projetar empreendimentos

50. Turismo

Mendoza: Uma imersão na região que produz 70% dos vinhos argentinos

54. Gastronomia

Por dentro da Cidade Matarazzo

PUBLISHER

Cesar Foffá

DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS

Marcelo Foffá

DIRETORA ADMINISTRATIVA

Lourdes Foffá

EDIÇÃO E REPORTAGEM

Gabriela Ribeiro e Thais Sant’Ana

EDITOR DE ARTE E PROJETO GRÁFICO

Fábio Tateno

ILUSTRADOR

Carol Salim

FOTOGRAFIA

Rogério Alonso

Omar Paixão

Thiago Henrique

COLABORADORES

Beatriz Bononi

Carlos Alberto Júlio

Fernando Barra

João Branco

Johnny Mazzilli

Ricardo Amorim

Vanessa Pedrosa

CIRCULAÇÃO

Joselito Santos

FINANCEIRO

Thiago Castillo

TECNOLOGIA

Guilherme dos Reis Silva

IMPRESSÃO

Margraf

JORNALISMO

jornalismo@revistaefe.com.br (11) 95595.3433 | 3811.2820

PUBLICIDADE

Marcelo Foffá marcelo.foffa@revistaefe.com.br (11) 98890.6308

ASSINATURAS

assinaturas@revistaefe.com.br (11) 95595.3433

efe. | A Revista da Folha de Alphaville Avenida Cauaxi, 293 | Ed. Alpha Green Alphaville Barueri/SP | 06454-020 (11) 4208-1600

*Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista.

Alphaville em sua melhor versão

Chega um momento em que liderar deixa de ser fazer tudo — e passa a ser pensar o todo.” Essa poderia ser uma frase dita por Marco Buaiz, nosso entrevistado de capa, que nos últimos anos realizou uma transição estratégica, rara e valiosa: sair do operacional para ocupar, de forma definitiva, o lugar de estratégia dentro das empresas. Um baita exemplo! Não por acaso, essa edição da efe mergulha em um tema tão recorrente quanto urgente: sucessão nas empresas. Especialmente em Alphaville, onde histórias empresariais atravessam gerações, famílias e ciclos de crescimento acelerado, falar sobre sucessão é falar sobre continuidade, legado e responsabilidade. É entender que uma empresa não pode ter apenas um rosto — ela precisa ter um caminho.

E quando olhamos para o cenário local, fica impossível não lembrar: Alphaville tem tudo e mais um pouco. Existe aqui um tipo de riqueza que não se mede apenas em cifras ou em metros quadrados — mas em pertencimento, memória e qualidade de vida. Um verdadeiro “metro quadrado emocional”, feito de rotinas bem construídas, encontros, referências e símbolos que atravessam o tempo.

Um desses símbolos é o ATC, clube que completa 50 anos e representa como poucos essa identidade coletiva. Nesta edição, trazemos uma entrevista exclusiva que celebra essa trajetória e reforça o papel do clube como espaço de convivência, tradição e movimento — porque comunidade também é patrimônio.

A efe também se conecta com quem faz Alphaville pulsar todos os dias: moradores que ocupam posições de liderança em grandes companhias, como a executiva da Coca-Cola que entrevistamos em nossa seção de liderança. E ainda abrimos espaço para um dos fenômenos mais marcantes da comunicação atual, com a presença de alguns dos principais produtores de podcast do país — gente que está moldando conversas, tendências e narrativas com inteligência e impacto.

E, claro, porque viver bem também é uma forma de sucesso, fechamos essa edição com o que nos inspira e nos completa: vinho, gastronomia, cultura e arte. No fim, é isso que a gente precisa: bons encontros, boas histórias e motivos reais para brindar.

Bem-vindos a mais uma edição da efe!

Thais Sant’Ana Editora da Revista efe.

COLUNISTAS

12. Ricardo Amorim

Ricardo Amorim é economista, empreendedor, comentarista, palestrante e influenciador digital brasileiro. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris. Foi apresentador do programa Manhattan Connection, na GloboNews, e eleito pela revista Forbes como um dos “100 mais influentes brasileiros”.

@ricamorim

14. João Branco

João Branco é professor e autor do Desmarquetize-se. Ex-VP Marketing McDonald’s, eleito o profissional de Marketing mais admirado do Brasil e top 10 melhores CMOs pela Forbes.

@falajoaobranco

16. Carlos Alberto Júlio

Carlos Alberto Júlio é um executivo experiente, professor, autor e palestrante de destaque no cenário corporativo brasileiro. Tem sólida formação internacional e extensa experiência como CEO e conselheiro.

@profcarlosjulio

20. Fernando Barra

Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação, professor palestrante, fundador da Skillplace.com.br e autor do livro Meu Emprego Sumiu.

@ofernando.barra

32. Vanessa Pedrosa

Fonoaudióloga especialista em voz, mestre e doutora em Ciências pela Unifesp. Atua como fonoaudióloga na Record São Paulo e nos canais ESPN Disney, além de ser sócia-proprietária da Fonoevidence, consultoria especializada em performance comunicativa. Com 25 anos de experiência, atua com executivos e líderes corporativos em setores estratégicos.

@vanessapedrosafono

Briefing

O resumo de notícias que conecta você ao mercado

>> A Audi oficializou sua entrada como equipe de fábrica na Fórmula 1 com o lançamento do Audi Revolut F1 Team e o modelo Audi R26, apresentado em evento global em Berlim. O projeto faz parte do plano estratégico “Mission 2030” e reúne desenvolvimento de potência na Alemanha, chassi na Suíça e centro tecnológico no Reino Unido, com design em fibra de carbono e pintura em “Lava Red”. O piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, de 21 anos, natural de Osasco (SP) e bicampeão das categorias de acesso (F3 em 2023 e F2 em 2024), será um dos protagonistas da equipe ao lado do alemão Nico Hülkenberg, assumindo a missão de desenvolver o carro na temporada inaugural. O plano da Audi é disputar pódios e sonhar com o título mundial até o final da década.

Exposição de carros históricos da Fórmula 1 | Novidades em Alphaville e região | As marcas mais valiosas de 2026 | Novas contratações do mercado AUDI REVOLUT APRESENTA CARRO QUE GABRIEL BORTOLETO VAI PILOTAR NA F1

Nas próximas páginas você também encontra

INSTITUTO EVOLLUTION INAUGURA EM ALPHAVILLE

>> O médico Sandro Ferraz acaba de inaugurar a nova sede do Instituto Evollution, uma clínica de 800 m² em Alphaville voltada à medicina integrativa, estética e performance. Referência nas áreas de nutrologia, emagrecimento, longevidade e performance, Ferraz apresenta agora um espaço concebido no conceito de “Quality Luxury”, que combina sofisticação, cuidado integral e experiência premium para o paciente.

Criador do Programa de Emagrecimento Saudável — que já ajudou mais de 8.500 pessoas a perderem peso — e com uma carteira de pacientes famosos, o médico amplia sua atuação com uma estrutura multidisciplinar que reúne áreas para consultas, exames, procedimentos e cirurgias, além de um auditório para formação de profissionais. O espaço conta ainda com tecnologias como termografia, esteiras a vácuo e cápsulas de nitrogênio. A proposta é oferecer uma jornada completa de cuidado, do primeiro atendimento ao acompanhamento de longo prazo.

YOUTUBE MUDA DE CARA

>> O YouTube anunciou uma reformulação global de sua identidade visual com o objetivo de unificar todo o seu ecossistema de marca. A nova linguagem aposta em um visual mais dinâmico e pensado para o movimento, refletindo o consumo cada vez mais multiplataforma e em diferentes formatos de tela. A mudança marca mais um passo da plataforma na tentativa de reforçar sua identidade para além do player de vídeos e consolidar sua presença como hub central de entretenimento e conteúdo.

SHOPPING TAMBORÉ ANUNCIA NOVIDADES PARA 2026

>> O Shopping Tamboré começa 2026 com um pacote de novidades voltadas a lazer, bem-estar e lifestyle. No primeiro trimestre do ano, a academia Nitrogym passa a integrar o mix do empreendimento em uma área de quase 2.500 m², reforçando a estratégia de expansão no segmento de saúde e qualidade de vida. Outra mudança importante é a ampliação do parquinho do Taste Lab, que passará a ocupar 500 m² — quase o triplo do espaço atual. O shopping também prepara a chegada de novas operações, como o salão de beleza Lady & Co, a marca de colchões Simmons e o restaurante La Guapa, ampliando a oferta de serviços e gastronomia para o público da região.

HONDA REDESENHA LOGOTIPO PARA COMUNICAR NOVA FASE ELETRIFICADA

>> A Honda anunciou uma das mudanças simbólicas mais importantes de sua história recente: a partir de 2027, a montadora passará a adotar um novo desenho do logotipo “H” em toda a sua linha de veículos eletrificados. O emblema, criado especificamente para marcar a era dos elétricos, vai substituir gradualmente o logotipo tradicional usado há décadas e faz parte da estratégia da marca para comunicar inovação, transição tecnológica e novo posicionamento no mercado de mobilidade.

JOVEM PAN

>> O Grupo Jovem Pan passa a exibir seu canal também na TV aberta, no 51.1, ampliando sua presença para além do cabo e das plataformas digitais. A iniciativa faz parte da estratégia de expansão da emissora e marca um novo momento de posicionamento no mercado de televisão aberta, com foco em alcance, distribuição e fortalecimento de marca. A operação começa em fase de implementação e consolida a aposta do grupo em ocupar mais espaço no ecossistema audiovisual brasileiro.

AS MARCAS MAIS VALIOSAS DE 2026

>> A Brand Finance acaba de divulgar o ranking 2026 das marcas mais valiosas do mundo, confirmando a liderança da Apple e a força contínua das gigantes de tecnologia no topo da lista. Entre os destaques do ano está a Nvidia, que avançou posições impulsionada pelo protagonismo na corrida da inteligência artificial, ao lado de nomes como Microsoft e Google nas primeiras colocações. O levantamento também traz um dado relevante para o Brasil: o Itaú aparece novamente como a única marca brasileira entre as 500 mais valiosas do planeta, reforçando sua posição como principal representante do país no cenário global de marcas.

BRADESCO TRANSFERE ÁREAS PARA ALPHAVILLE

>> O Bradesco confirmou a transferência de três departamentos da Cidade de Deus, em Osasco, para o Alpha Building, em Alphaville. A mudança acontece de forma escalonada entre janeiro e fevereiro. Serão realocados os setores de Compras (132 funcionários), Patrimônio (306) e Bradesco Expresso (114). Para facilitar o deslocamento, o banco vai oferecer transporte a partir da Estação Barueri, do Terminal Vila Yara e do Terminal Barra Funda. O Bradesco também informou que o departamento de Cartões deve ser transferido para Alphaville a partir de 2026.

EVENTOS

EXPOSIÇÃO REÚNE CARROS HISTÓRICOS DA FÓRMULA 1 EM SÃO ROQUE

>> O Parque Dream Car, em São Roque (SP), inaugurou o Museu da Fórmula 1, uma exposição com réplicas em tamanho real de carros que marcaram época na principal categoria do automobilismo mundial. O acervo inicial reúne modelos como o MercedesBenz W196 — que consagrou Juan Manuel Fangio nos anos 1950 —, o Lotus 97T, associado à primeira vitória de Ayrton Senna, e o Williams-Honda FW11/FW11B, usado por Nelson Piquet em sua trajetória de tricampeão. São exibidos ainda carros relacionados a diferentes fases da carreira de Senna e uma réplica contemporânea da Ferrari SF-23, pilotada por Charles Leclerc em 2023. As réplicas foram construídas com alto nível de fidelidade pelo designer Adhemar Cabral e o espaço deve ampliar o acervo com novos modelos históricos.

VIDYA STUDIO INAUGURA NO 18 DO FORTE

>> Alphaville acaba de ganhar uma nova opção de bem-estar com a chegada do VIDYA Studio, no 18 do Forte. O espaço é dedicado à prática de yoga em sala aquecida a 40 °C, modelo conhecido como hot yoga, que combina posturas, respiração e alta temperatura para potencializar alongamento, fortalecimento muscular e desintoxicação do corpo.

WW SUMMIT 2026 DEBATE CONEXÕES HUMANAS EM TEMPOS ACELERADOS

>> Na quinta edição, o WW Summit 2026 chega com um tema que ressoa entre lideranças de marketing, comunicação e inovação: “Conexões que nos sustentam: humanidade, emoção e presença”. O encontro, marcado para 31 de março no Hotel Unique, em São Paulo, vai reunir executivas e aliados do mercado para refletir sobre como a presença humana, a escuta e a vulnerabilidade se tornaram diferenciais estratégicos em um ambiente de negócios cada vez mais automatizado e orientado por tecnologia e inteligência artificial. Organizado pelo Women to Watch, o evento parte da premissa de que atributos tradicionalmente considerados intangíveis são hoje ativos centrais para a liderança, criatividade e construção de marcas que fazem sentido para as pessoas.

Fotos:

AZUL TEM NOVO DIRETOR DE MARKETING

>> Com sede no Tamboré, a companhia aérea Azul nomeou Ricardo Andrez como seu novo diretor de marketing. Com mais de 20 anos de experiência, o executivo já atuou em posições estratégicas em redes como McCann Worldgroup, WMcCann e MRM, e agora fica à frente da área com o objetivo de reforçar a estratégia de marca, comunicação e relacionamento com clientes da empresa. Andrez responderá diretamente ao vice-presidente de marketing da Azul e chega em um momento de expansão da aviação no Brasil.

PRODUTOS

BURGER KING APRESENTA CMO PARA O MERCADO BRASILEIRO

>> O Burger King Brasil anunciou a chegada de Pedro Barbosa como seu novo Chief Marketing Officer (CMO), liderando as estratégias de marketing e vendas da operação da marca no país. Barbosa chega com passagens relevantes na Kraft Heinz, onde atuou como Chief Strategy Officer, e experiência prévia com a Burger King em outras regiões da América Latina e EUA, com foco em estratégia integrada de marca e posicionamento de mercado. Sua nomeação marca um movimento da Zamp — master-franqueada da rede no Brasil — de fortalecer a liderança de marketing em um cenário competitivo para o setor de fast-food.

CARMED ATENDE FÃS E ANUNCIA VOLTA DO KIT SORVETES

>> Após alta demanda dos consumidores, a Carmed anunciou o retorno do Kit Sorvetes em edição limitada. O produto volta às prateleiras com três sabores e reforça a estratégia da marca de trabalhar lançamentos sazonais com forte apelo de desejo e escassez. Segundo a empresa, a projeção de faturamento com as vendas chega a R$ 32,5 milhões, confirmando o sucesso comercial da linha e o poder de engajamento da marca com seu público.

HEINZ CRIA CAIXA DE BATATA FRITA COM COMPARTIMENTO PARA KETCHUP

>> A combinação clássica de batatas fritas com ketchup ganhou uma solução pensada para o consumo em movimento. A Heinz apresentou o Heinz Dipper, uma embalagem que integra, em um único recipiente, as batatas fritas e um compartimento exclusivo para o molho. A proposta é permitir que o consumidor mergulhe as porções de forma prática, sem sujeira e sem a necessidade de sachês separados, reforçando o posicionamento da marca em torno de conveniência, design funcional e experiência de consumo.

Fotos:

Menor taxa de desemprego, mas maior gasto com seguro-desemprego da história?

Políticas públicas brasileiras não estão parando de pé. O Brasil vive um paradoxo claro. A taxa de desemprego caiu para 5,2%, que é o menor nível de toda a série histórica. Mas os gastos com seguro-desemprego não param de subir e bater recordes. Nos doze meses que terminaram em novembro, os desembolsos chegaram a mais de R$ 57 bilhões. Bem mais do que os R$ 47 bilhões de 2022. Quando a taxa de desemprego era muito mais alta. Como é que isso é possível? Duas razões.

A primeira é que o conceito de desemprego não é o mesmo para cálculo da taxa de desemprego e para receber o auxílio-desemprego. Para ser considerada desempregada, uma pessoa precisa, para fins do cálculo da taxa de desemprego, não apenas estar sem trabalhar mas, além disso, ela

precisa estar procurando emprego. Já, para receber o seguro-desemprego, basta não estar trabalhando. Aí entra a segunda razão, as enormes falhas no desenho dos programas sociais brasileiros. Com uma batelada de benefícios sociais que são atrelados às pessoas estarem sem emprego, criamos um incentivo perverso para que as pessoas não busquem emprego ou, quando encontrem emprego, não sejam registradas.

Com isso, há atualmente no país cerca de 15 milhões de beneficiários só do Bolsa Família que não trabalham, não procuram emprego e não aparecem na taxa de desemprego. Uma parte deles, inclusive, também recebe, além disso tudo, auxílio-desemprego.

As regras atuais incentivam também outros comportamentos oportunistas, como a migração para informalidade. Cerca de metade dos trabalhadores brasileiros não são registrados, sendo que dezenas de milhões deles se beneficiam também de diversos programas sociais brasileiros, mas nenhum deles contribui para a previdência social.

Isso aumenta muito o déficit da previdência, o que por sua vez acaba forçando a redução dos benefícios daqueles que contribuíram a vida toda para poder se aposentar. Além disso, a política de reajustes do salário-mínimo acima da inflação do atual governo, eleva automaticamente o valor de benefícios que são atrelados ao

salário-mínimo. Isso, por sua vez, pressiona os gastos mesmo no caso de programas que têm menos beneficiários — como no seguro-desemprego — e faz os gastos explodirem quando, além disso, há um aumento do número de beneficiários, como é o caso da previdência.

Na verdade, o Brasil não só gasta muito com programas sociais, mas gasta muito mal. A gente poderia eliminar completamente a miséria e a pobreza no país, gastando pouco mais da metade do que a gente gasta sse os recursos fossem bem utilizados. Só para ter uma ideia, o Brasil gasta 16,8% do PIB com proteção social. Isso é mais do que a média dos países ricos. A maioria dos países da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão gasta proporcionalmente menos do que o Brasil com programas sociais e os resultados são bem melhores. As consequências desses gastos enormes são: impostos elevadíssimos e ainda assim as contas públicas ficam desajustadas. Isso pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter juros muito altos, o que acaba penalizando todos os brasileiros. Mas como sempre, quem sofre mais nessas horas são os mais pobres. Se o gasto com seguro-desemprego está batendo recordes com a menor taxa de desemprego da história advinha só o que vai acontecer quando inevitavelmente em algum momento a taxa de desemprego subir.

folhadealphaville.com.br

Feito é melhor do que perfeito?

Marketeiros adoram siglas e expressões em inglês. Marketeiros digitais gostam ainda mais. CAC, LTV, CTA, MQL, ROAS são algumas das mais usadas. Mas uma delas ganhou especial atenção ultimamente: MVP. Essa é a abreviação da expressão traduzida como “mínimo produto viável”.

Vivemos na era do “rápido e barato”. O mundo das startups nos ensinou a lançar produtos inacabados, testar com clientes e melhorar ao longo do caminho. O tal do MVP. A lógica por trás disso é óbvia: antes de investir rios de dinheiro e tempo em algo que pode fracassar, melhor testar.

Fazer protótipos é algo que faz parte da nossa história antropológica. Desde os primórdios, os seres humanos sempre testaram e aperfeiçoaram ferramentas, técnicas e conceitos antes de adotá-los de forma definitiva. Esse processo de tentativa e erro foi essencial para a sobrevivência, permitindo o desenvolvimento de utensílios mais eficientes, abrigo mais seguro e estratégias de caça e cultivo mais eficazes.

Mas o problema começa quando a cultura do “mínimo viável” vira um estilo de gestão permanente. Quando empresas confundem um rascunho com um modelo de negócio definitivo.

Oferecer uma versão incompleta de um produto ou uma alternativa ultrabásica de um serviço para os clientes pode ser uma boa forma de aprender, mas essa não pode ser a sua proposta de valor no longo prazo. Se seu cliente perceber que sua empresa sempre entrega o mínimo necessário, que percepção ele terá da sua marca?

Imagine que você quer ter uma locadora de automóveis online. Você monta

um aplicativo caseiro, coloca um jovem inexperiente para fazer tudo na operação e oferece apenas duas unidades de veículos. Tudo bem, afinal, você está testando o modelo. Mas agora imagine que, cinco anos depois, sua locadora continua nesse mesmo esquema. A verdade é que você ainda está operando no MVP!

Na fase inicial, o cliente aceita a “versão beta” porque sabe que faz parte do processo. Mas, na sequência, certamente a expectativa é de que os degraus comecem a subir. As grandes marcas não constroem lealdade entregando o mínimo. Elas surpreendem. Elas encantam. Elas investem na experiência. Se o iPhone fosse sempre um MVP, estaríamos até hoje usando um celular tosco, sem tela de retina, sem câmeras incríveis e sem inovação.

Muita gente teme abandonar o MVP porque acha que isso significa perder a agilidade e o espírito de startup. Mas dá para crescer sem perder a essência. Ninguém está esperando a perfeição, mas a evolução.

MVP bom é MVP que dura pouco e se transforma logo em algo que viabiliza clientes satisfeitos de verdade. Seus consumidores sentem essa evolução, acompanham as mudanças e estão dispostos a recompensar as melhorias que os beneficiam. Toda empresa de sucesso começou com um MVP, mas nenhuma delas se manteve nele.

Muita gente coloca a preocupação em iniciar rápido acima de tudo. Concordo que é importante testar logo. Ninguém precisa esperar o produto ideal para começar a pegar feedbacks do mercado. Mas fazer rápido somente vale a pena se isso vier com a clara intenção de aprimorar na mesma velocidade. Na disputa entre o feito e o perfeito, o que funciona melhor é o bem-feito.

A informação que importa

A informação que importa é aquela que é relevante e útil para a tomada de decisões.

Ela pode ser classificada em diferentes tipos, como informação qualitativa e quantitativa, e é fundamental para a comunicação e a gestão de resultados. A forma como a informação é apresentada, através do “efeito de enquadramento”, influencia a percepção e a interpretação, tornando-se crucial para a construção de opiniões e decisões informadas.

Além disso, a relevância da informação é determinada por critérios como utilidade, atualidade e aplicabilidade, sendo essencial para o sucesso em diversas áreas, como negócios e educação.

Governança e sucessão em empresas familiares: o problema não são os herdeiros

Quando uma empresa familiar enfrenta dificuldades na sucessão, a explicação costuma ser rápida — e confortável: “o problema são os herdeiros”. Falta de preparo, disputas emocionais, vaidades, conflitos entre gerações. Essa narrativa, além de recorrente, é conveniente. Ela transfere a culpa para as pessoas e livra o sistema de qualquer responsabilidade. Mas é justamente aí que mora o erro.

Na prática, sucessões malsucedidas raramente são fruto de herdeiros incapazes. Elas são consequência direta da ausência de governança.

Quando não existem regras claras, fóruns adequados e critérios objetivos, a empresa passa a operar no improviso. O que deveria ser discutido em conselhos e acordos formais acaba sendo resolvido em conversas informais, no ambiente familiar ou sob pressão emocional. Negócios até sobrevivem a isso por algum tempo, mas dificilmente prosperam. É preciso afirmar com clareza: sucessão não é um problema de pessoas, é um problema de sistema.

Outro equívoco comum está em ignorar o ritmo diferente de maturação entre empresa e família. O negócio cresce, ganha complexidade, diversifica operações, enquanto a família permanece ancorada na lógica do passado, quando tudo dependia exclusivamente do fundador. Forma-se,

então, um desequilíbrio perigoso: uma empresa grande, sustentada por uma governança pequena.

Nesse contexto, o improviso vira regra. Herdeiros são alçados a posições de liderança sem critérios claros; executivos não familiares perdem referência; decisões estratégicas passam a ser contaminadas por vínculos afetivos. O resultado é previsível: perda de eficiência, conflitos latentes e, não raramente, destruição de valor — econômico e relacional.

Empresas familiares longevas aprenderam uma lição essencial: governança não serve para afastar a família da empresa, mas para protegê-la. Ela estabelece limites, papéis, rituais e instâncias de decisão que permitem que o negócio cresça sem comprometer os laços familiares — e que a família se preserve sem colocar em risco a empresa. Este artigo inaugura uma série especial sobre governança e sucessão em empresas familiares. Na edição de fevereiro, aprofundarei como a governança cria liberdade com regras e discutirei o papel — muitas vezes delicado — do fundador no processo sucessório. Em março, encerraremos a série analisando a transição da empresa do fundador para a empresa da família e, posteriormente, para a empresa profissional. Porque, no fim, sucessão não é apenas troca de cargos. É a transferência de responsabilidade, visão e legado.

Motivos PARA CELEBRAR!

Turma IB Diploma 2025: Uma conquista que reafirma nossa evolução constante.

Na Escola Internacional de Alphaville, a excelência é uma jornada de crescimento. Ano após ano, em 2023, 2024 e 2025, nossos alunos superaram a média global do IB Diploma alcançada no ano anterior!

A superação é um compromisso diário praticado pelos nossos alunos e corpo docente. É uma prática constante de aspirar sempre ao melhor. Celebramos o compromisso de uma comunidade que evolui para formar líderes globais preparados para os desafios mais exigentes.

Prepare seu filho para o futuro global.

Um futuro brilhante começa com o primeiro passo.

O

QUE

ESPERAR DA TECNOLOGIA EM 2026

Da casa inteligente aos robôs humanoides, a CES 2026 mostrou por que a próxima onda de tecnologia não é sobre “gadgets” — é sobre experiência, produtividade e novos modelos de negócio

Robôs que circulam por ambientes, patins que parecem skate voador e hologramas que transformam a forma de conversar: o que parecia exagero de ficção científica ganhou vitrine e propósito na CES 2026 - a Consumer Electronics Show, considerada o maior salão de inovação e tecnologia do mundo.

Encerrada em janeiro em Las Vegas como a maior edição da história do evento, ela deixou um recado claro aos líderes empresariais: o futuro não está mais distante — ele já começou. Com mais de 148 mil participantes e mais de 4.100 expositores, entre gigantes da tecnologia e startups inovadoras, a feira mostrou que a tecnologia está deixando de ser apenas um tema de especialistas para se tornar um elemento prático e decisivo na maneira como se fazem negócios, se atende clientes e se organiza o dia a dia da empresa.

Segundo os organizadores, a edição reforçou a transição da tecnologia de promessa para realidade concretizada — demonstrando aplicações diretas em saúde, mobilidade, casas, escritórios e experiências de consumo.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM TODOS OS LUGARES — E COM SENTIDO PRÁTICO

A maior tendência confirmada na CES 2026 foi a integração profunda da inteligência artificial (IA) em produtos, serviços e processos. Mas o destaque não ficou apenas em algoritmos ou grandes modelos de linguagem: a IA passou a aparecer em coisas que impactam diretamente a experiência do usuário e o funcionamento das empresas.

Alguns exemplos concretos:

• Assistentes de IA incorporados em geladeiras que respondem por voz e ajustam funções sem toque físico — útil para cozinhas profissionais e para empresas que lidam com alimentos.

Assistentes que anotam, transcrevem e resumem reuniões automaticamente, permitindo que equipes se concentrem no essencial em vez de perderem tempo em ata manual.

• IA embarcada em produtos como relógios, TVs e celulares que oferece recomendações personalizadas, reduzindo fricção nas experiências de clientes e colaboradores.

Essa ampliação de IA para funções cotidianas significa que empresas podem automatizar tarefas repetitivas e melhorar a qualidade de serviços, sem investir em projetos experimentais caros — basta olhar para soluções que já estão chegando ao mercado.

ROBÔS E “IA FÍSICA”: DA FÁBRICA AO VAREJO

Uma das tendências mais comentadas foi a chamada IA física, robôs e máquinas que percebem o ambiente, tomam decisões e interagem com humanos de forma intuitiva.

O que foi apresentado:

• Robôs humanoides com capacidades de carga e mobilidade que podem ser usados em logística e operações de armazém.

• Assistentes robóticos capazes de tarefas domésticas ou rotineiras, como dobrar roupas ou ajudar no ambiente de serviços. Para negócios com operações repetitivas ou grande volume de tarefas manuais, isso indica que a adoção gradual de robótica pode reduzir custos operacionais — não necessariamente substituindo pessoas, mas ampliando a capacidade da equipe humana.

Por Thais Sant’Ana

EXPERIÊNCIAS CONECTADAS

NO DIA A DIA DO CLIENTE

Um dos pontos mais palpáveis para quem dirige negócios está em dispositivos que melhoram a experiência do cliente e a eficiência no uso de tecnologia.

Algumas tendências que já podem ser aplicadas são:

• Smart home e escritório conectado: dispositivos que automatizam luz, som e clima com base na presença de pessoas — o que pode melhorar conforto e reduzir contas de energia.

Interfaces naturais: comandos por voz e IA que entendem contextos eliminam a necessidade de cursos ou treinamentos longos para o uso de tecnologia.

• Wearables e sensores inteligentes que interpretam sinais do corpo e do ambiente, abrindo espaço para soluções em saúde corporativa, segurança de equipes externas ou monitoramento de bem-estar de funcionários.

Essas aplicações demonstram que a tecnologia não está mais limitada a telas de celular ou computador, ela está sendo incorporada no ambiente real e faz sentido tanto para empresas tradicionais quanto para quem está investindo em serviços premium.

SAÚDE DIGITAL E BEM-ESTAR COMO FOCO

ESTRATÉGICO

A CES 2026 mostrou que a tecnologia também está entrando na rotina de cuidado com a saúde e o bem-estar.

Produtos apresentados vão além de gadgets curiosos — eles apontam para um futuro onde a tecnologia ajuda tanto o empregado quanto o cliente a manter melhor saúde. Alguns exemplos:

Dispositivos de análise de saúde através de apps que interpretam exames simples.

• Wearables que monitoram sinais vitais e oferecem recomendações personalizadas.

Para empresas que investem em benefícios corporativos, saúde ocupacional e retenção de talentos, essas soluções podem se tornar diferenciais competitivos já em 2026.

MOBILIDADE E VEÍCULOS INTELIGENTES

A CES 2026 mostrou também avanços claros na mobilidade, especialmente com IA no centro de veículos conectados e veículos definidos por software (software-defined vehicles). Isso inclui:

• Novos conceitos de carros autônomos e robôs-táxi com capacidade de aprendizado e adaptação.

• Sistemas que transformam veículos em centrais inteligentes de dados e serviços.

• Para empresas com frotas ou serviços que dependem de mobilidade, essas inovações indicam que 2026 será um ano de transição para operações mais integradas, eficientes e baseadas em dados reais de uso.

O

QUE ISSO SIGNIFICA PARA

EMPRESAS EM ALPHAVILLE

As tendências da CES 2026 não são mais ideias futuristas ou protótipos inalcançáveis, são tecnologias com provas de conceito e aplicações práticas que chegarão ao mercado em 2026.

Para executivos e empresários, a mensagem é clara:

• Automatizar processos que hoje consomem tempo e recursos não é mais um diferencial, mas uma vantagem competitiva;

• Melhorar a experiência do cliente com tecnologia invisível e intuitiva pode impactar diretamente a percepção de valor da marca;

• Investir em saúde e bem-estar digital tende a influenciar produtividade e retenção de talentos;

• Aproveitar IA e dispositivos conectados para operações e serviços ajuda a reduzir custos e abre novas oportunidades de negócio.

Em suma, o que a CES 2026 mostrou é que a tecnologia está saindo dos laboratórios e entrando no cotidiano empresarial com sentido de negócio real — e quem entender isso primeiro terá vantagem estratégica em 2026 e além.

CES 2026 na prática: produtos “de vitrine” que mostram para onde a tecnologia vai

Aeon Robot (robô humanoide para tarefas repetitivas)

Um robô com formato humano que pode realizar atividades industriais, de logística ou serviços básicos — especialmente útil onde falta mão de obra.

Aplicação real: centros de distribuição, armazéns e operações repetitivas podem reduzir custos operacionais e focar equipes em trabalhos de maior valor agregado.

Moonwalkers X (sapatos robóticos que ampliam o passo)

Uma tecnologia vestível que detecta o movimento natural dos pés e ajuda o usuário a andar mais rápido com menos esforço.

Aplicação real: pode inspirar soluções de mobilidade para equipes que se deslocam muito internamente (armazéns, campus corporativos) ou serviços de entrega.

AI Hologram (hologramas em tamanho real para comunicação)

Substituição potencial de videochamadas por projeções tridimensionais realistas de participantes, dando sensação de presença física mesmo à distância.

Aplicação real: reuniões com clientes, apresentações e treinamentos corporativos mais imersivos e expressivos, mesmo com times dispersos.

Skyted Silent Mask (máscara de privacidade para chamadas)

Uma máscara que absorve boa parte da voz humana, permitindo conversar ao telefone ou em chamadas digitais sem incomodar quem está por perto.

Aplicação real: útil em aeroportos, coworkings ou espaços compartilhados, trazendo conforto às comunicações corporativas.

Mind-Linker (dispositivo que ajusta ambiente pelo estado emocional)

Um wearable que lê ondas cerebrais e ajusta luz, aroma e som do ambiente para equilibrar o estado emocional do usuário.

Aplicação real: ambientes corporativos e de atendimento podem criar espaços que ajudam colaboradores e clientes a relaxar, concentrar-se ou descompressão.

X-Sync (ajuste automático de ritmo circadiano)

Sensores que monitoram luz e temperatura do corpo para melhorar a adaptação a fusos horários e otimizar sono profundo.

Aplicação real: para executivos que viajam com frequência, ferramentas como essa podem reduzir fadiga e melhorar desempenho.

Lotus Ring (anel universal para controle de ambiente)

Um anel inteligente que substitui controles por smartphone — com gestos simples, ele ajusta luzes, cortinas e dispositivos conectados.

Aplicação real: poder centralizado e intuitivo de controle de ambientes (como salas de reunião, escritórios smart e espaços de experiência).

Especialista

VOCÊ TEM VERGONHA DE ASSUMIR QUE USA

IA NO TRABALHO?

Quando alguém diz que tem vergonha de usar inteligência artificial, eu não penso em um problema técnico, eu penso em um problema de identidade. Porque se você não sabe quem é, qualquer ferramenta vai parecer uma ameaça

Dias atrás, uma pessoa me procurou meio sem graça. Tinha uma confissão. Ela estava usando inteligência artificial no trabalho, mas com vergonha. Vergonha dos colegas, vergonha de admitir que precisava de uma “ajudinha” da tecnologia para fazer o que antes fazia sozinha.

“E se me julgarem?”, perguntou. Na hora, tentei conter o riso, mas confesso: minha cabeça voou longe. Se ela tem vergonha de usar inteligência artificial, será que também deveria ter vergonha de usar o computador? Melhor seria voltar para a máquina de datilografia. Aliás, pensando bem, talvez devesse ter vergonha da máquina de datilografia também. Que tal voltar para papel e caneta? E não vale caneta esferográfica não, hein. Se for pra ser raiz mesmo, que seja uma caneta de pena mergulhada no tinteiro.

A questão aqui é muito simples, mas reveladora: a gente romantiza o passado e demoniza o presente. Esquecemos que toda tecnologia, em algum momento da história, gerou medo, resistência, até vergonha. Quando o telefone foi inventado, diziam que era o fim da conversa olho no olho. Quando a televisão chegou, os intelectuais previram a decadência da leitura. E quando o computador virou ferramenta de trabalho, muitos disseram que “a máquina ia tomar o lugar do homem”. Sabe o que aconteceu? A máquina tomou o lugar do homem... robótico. Daquele que repetia sem pensar. Daquele que cumpria ordens sem questionar. Daquele que não criava, só executava. Esse, sim, foi substituído. Porque deixou de ser humano no processo. A inteligência artificial não veio pra nos substituir. Ela veio pra nos mostrar o que em nós é insubstituível. E é aí que entra o conceito de inteligência ampliada, que não é sobre terceirizar o pensamento, mas sobre expandi-lo. Não é sobre copiar e colar respostas, mas sobre combinar saberes, criar novos caminhos, tomar decisões me-

lhores, pensar com mais clareza, sentir com mais presença e agir com mais propósito. Quando alguém diz que tem vergonha de usar inteligência artificial, eu não penso em um problema técnico, eu penso em um problema de identidade. Porque se você não sabe quem é, qualquer ferramenta vai parecer uma ameaça, mas se você tem clareza sobre o seu valor, qualquer ferramenta pode se tornar uma aliada.

Eu cresci encantado com tecnologia. Não pela técnica em si, mas pela possibilidade de criação. Enquanto uns viam uma tela fria, eu enxergava possibilidades infinitas. Sites, sistemas, conexões, soluções. A tecnologia era pra mim como o pincel é para um artista. O meio, não o fim. Mas sempre soube de algo essencial: o computador é uma ferramenta. Ele não tem coração, não tem intuição, não tem empatia. Isso é com a gente.

E é por isso que eu acredito tanto na inteligência ampliada, porque ela começa onde a inteligência artificial termina. Eu vejo a IA como uma lente de aumento. Se você for criativo, ela te ajuda a criar mais.

SE VOCÊ USAR A INTELIGÊNCIA
ARTIFICIAL PRA COLAR, TRAPACEAR OU FINGIR QUE É AUTOR DO QUE NÃO CRIOU, TALVEZ DEVA SENTIR
VERGONHA, SIM. MAS NÃO DA IA, MAS DE VOCÊ MESMO!

Se for curioso, ela te faz aprender mais. Se for generoso, ela pode te ajudar a compartilhar mais. Mas se você for vazio, ela só vai amplificar esse vazio, vai acelerar a mediocridade, repetir o superficial, escancarar o que você ainda não desenvolveu. É como dar uma faca para alguém: nas mãos certas, ela vira um instrumento de um chef, nas mãos erradas, vira uma arma. A ferramenta é neutra, quem define o uso é o usuário. A IA, assim como qualquer tecnologia, escancara uma verdade antiga: não é sobre a ferramenta, é sobre o uso. E, acima de tudo, é sobre o usuário. Se você usar a inteligência artificial pra colar, trapacear ou fingir que é autor do que não criou, talvez deva sentir vergonha, sim. Mas não da IA, mas de você mesmo!

Agora, se você usa a IA para ampliar seu repertório, aprimorar sua escrita, testar ideias, explorar novas perspectivas, organizar pensamentos, aí não há nada mais humano do que isso. Porque o que nos torna humanos não é decorar respostas, é fazer perguntas melhores.

Costumo dizer que o diferencial no mundo da IA é ser ampliado! Ampliado pela curiosidade, pela criatividade, pela capacidade de se adaptar. E, sobretudo, ampliado pela coragem de se reinventar.

Eu conheço médicos que estão salvando mais vidas porque usam IA para cruzar dados de exames. Conheço advogados que estão economizando horas em pesquisas jurídicas para poderem se dedicar mais à estratégia dos casos. Conheço professores que usam IA para personalizar conteúdos e engajar alunos como nunca antes.

Todos eles têm algo em comum: não têm vergonha da IA. Porque sabem que estão usando a tecnologia como alavanca, e não como muleta. E você? Está usando como quê?

Termino com uma provocação que venho fazendo em todas as minhas palestras: você está ampliando as suas possibilidades com a IA ou está apenas repetindo o que ela te diz, como um robô nas mãos de outro robô?

O BOOM DOS PODCASTS

De experimento caseiro a produto profissional, o áudio sob demanda entra na lógica de negócio e consolida seu espaço no ecossistema de mídia

Por Gabriela Ribeiro

Durante algumas semanas de 2022, milhões de brasileiros apertaram o play com um misto de curiosidade, desconforto e fascínio. A história era perturbadora: uma mulher que viveu por anos em condições degradantes em uma mansão no bairro nobre de Higienópolis, em São Paulo, cercada de lixo, mistérios e silêncio. A Mulher da Casa Abandonada não era uma série de TV nem um documentário da Netflix — era um podcast. Narrativo, investigativo, episódico. E virou um fenômeno cultural. Apresentado pelo jornalista Chico Felitti, o podcast da Folha de S. Paulo rapidamente ultrapassou a bolha dos ouvintes habituais de áudio. Entrou nos trending topics, virou assunto em rodas de conversa, gerou debates éticos, aná-

lises jornalísticas e até adaptações para outras mídias, como uma série documental no Prime Video. Em poucas semanas, somou milhões de downloads e liderou rankings nas plataformas. O sucesso não veio do acaso. Ele reuniu elementos que hoje definem os podcasts mais bem-sucedidos do mundo: storytelling sofisticado, narrativa serializada, apuração profunda, identidade clara e uma experiência sonora capaz de capturar algo cada vez mais raro, a atenção.

O caso não explica sozinho o crescimento do podcast no Brasil, mas ajuda a simbolizar um movimento maior: o momento em que o áudio sob demanda deixou de ser apenas um hábito alternativo e passou a ocupar espaço central na cultura, na mídia e nos negócios.

MAS COMO TUDO COMEÇOU?

Muito antes de se tornar um fenômeno, o podcast nasceu como uma solução técnica, quase artesanal. No início dos anos 2000, nos Estados Unidos, produtores independentes começaram a distribuir programas de áudio via RSS (Really Simple Syndication), permitindo que o conteúdo fosse baixado automaticamente para tocadores digitais. A lógica era simples: ouvir quando quisesse, sem grade, sem horário, sem intermediários.

A combinação entre rádio, blogs e tecnologia deu origem a um novo formato de mídia, ainda experimental, mas profundamente libertador. Sem depender de concessões públicas ou grandes estruturas, qualquer pessoa podia criar, publicar e distribuir um programa. O áu -

dio deixava de ser ao vivo para se tornar sob demanda, uma mudança silenciosa, mas estrutural.

No Brasil, o movimento chegou cedo, ainda nos anos 2000, impulsionado por comunidades ligadas à tecnologia e à cultura digital. Em 2006, o lançamento do NerdCast marcou um ponto de virada. Com episódios semanais, linguagem informal e temas variados, de entretenimento a ciência, o programa se tornou o primeiro podcast brasileiro a alcançar audiência massiva e recorrente – o primeiro a alcançar 1 bilhão de downloads e o terceiro podcast do mundo a chegar nessa marca, junto com o Stuff You Should Know e o The Daily, do The New York Times. Mais do que números, criou hábito.

Na década seguinte, novos projetos ampliaram o alcance e a diversidade do formato. Podcasts como Braincast, Mamilos e Um Milkshake Chamado Wanda trouxeram discussões sobre cultura, comportamento, política e sociedade, atraindo públicos distintos e consolidando o podcast como espaço legítimo de debate. O formato deixava de ser nichado e começava a ocupar um lugar próprio no consumo de mídia.

A CONSOLIDAÇÃO DO PODCAST

NO DIA A DIA

Se o podcast começou como experimento, ele se consolidou quando passou a acompanhar a rotina. A popularização dos smartphones, o uso constante de fones de ouvido e a lógica multitarefa criaram o am-

biente perfeito para o crescimento do áudio sob demanda. O formato se adapta à vida móvel: pode ser ouvido no trânsito, na academia, durante tarefas domésticas ou em momentos de pausa — sempre em segundo plano, mas com atenção plena. Em uma pesquisa do IAB Brasil e da Offerwise, 53% dos ouvintes relataram ouvir podcasts enquanto realizam tarefas do dia a dia, 30% enquanto se deslocam e 48% antes de dormir, mostrando que o formato já faz parte da jornada cotidiana do público brasileiro.

Esse comportamento ganhou escala na segunda metade da década de 2010 e foi acelerado durante a pandemia. Em um estudo divulgado pela Globo em parceria com o Ibope, 57% dos entrevistados afirmaram ter começado a ouvir podcasts durante o isolamento social. Com mais tempo em casa e menos deslocamentos físicos, o consumo de conteúdo se intensificou, e o áudio se mostrou um formato especialmente adaptável. Diferente do vídeo, ele não exige exclusividade visual. Diferente do texto, não pede imobilidade.

E mais: pesquisas divulgadas por plataformas como Spotify e pelo IAB Brasil indicam que o Brasil está entre os maiores mercados consumidores de podcasts do mundo. O crescimento ano a ano de ouvintes foi consistente, assim como a frequência de escuta. O público é majoritariamente formado por jovens adultos, de classe média, com consumo semanal e, em muitos casos, diário. Mais do que alcance, o podcast passou a entregar algo raro no ambiente digital con-

temporâneo: tempo. Episódios longos, de uma ou duas horas, deixaram de ser exceção. O ouvinte não apenas clica, ele fica e volta.

QUANDO A FORMA VIRA PARTE DA NARRATIVA

Com audiência formada, o podcast deixou de ser apenas áudio gravado para se tornar linguagem. O formato evoluiu e com ele, a experiência.

O modelo mais popular hoje é o das entrevistas em mesa, os chamados mesa-casts, que combinam conversa longa, informalidade e forte presença em vídeo, especialmente no YouTube. Mas esse é apenas um dos caminhos. Podcasts narrativos e investigativos, como Serial (EUA) ou Projeto Humanos (Brasil), apostam em temporadas fechadas, roteiro sofisticado e construção dramática, aproximando o áudio do cinema e da literatura.

Outros projetos expandiram ainda mais os limites do formato. Podcasts gravados em cenários específicos, com estética pensada como parte da identidade, ganharam força. Em alguns casos, o ambiente não é pano de fundo, é discurso. O espaço comunica valores, tom e posicionamento.

No exterior, exemplos como The Daily, do New York Times, mostram como o podcast pode ser extensão direta de uma marca editorial. No Brasil, criadores passaram a entender que formato não é detalhe técnico, mas parte central da narrativa e da construção de marca. Áudio, vídeo, cenário, duração, linguagem e ritmo passaram a ser decisões estratégicas, não improvisos.

PESQUISAS

DIVULGADAS POR PLATAFORMAS COMO SPOTIFY E PELO IAB BRASIL INDICAM QUE O BRASIL ESTÁ ENTRE OS MAIORES MERCADOS CONSUMIDORES DE

PODCASTS DO MUNDO

O Amor na Influência é um dos podcasts produzidos pelo Pod360, de Tiago Bianco

Alguns dos maiores podcasts do mundo

• The Joe Rogan Experience Entrevistas longas – Spotify

• The Daily – The New York Times Jornalismo narrativo diário – Spotify, Apple Podcasts, NYT Audio

• Call Her Daddy Entrevistas e comportamento –Spotify

• Serial Narrativo investigativo – Spotify, Apple Podcasts

• SmartLess Entrevistas com celebridades –Spotify, Apple Podcasts

• Stuff You Should Know Educação e curiosidades – Spotify, Apple Podcasts

• Crime Junkie

True crime narrativo – Spotify, Apple Podcasts

• This American Life Storytelling jornalístico – Apple Podcasts

• Huberman Lab Ciência, saúde e comportamento –Spotify, YouTube

• TED Talks Daily Palestras e ideias em áudio – Spotify, Apple Podcasts

Foto:
Divulgação

A PROFISSIONALIZAÇÃO

O amadurecimento do podcast foi consequência direta da convergência de três fatores: audiência fiel, atenção prolongada e valor percebido por marcas e plataformas. Quando esses elementos passaram a coexistir de forma consistente, o improviso deixou de ser suficiente — e o formato precisou se estruturar.

Criadores que começaram gravando em casa passaram a investir em estúdios, roteiro e identidade sonora. Plataformas passaram a disputar conteúdos exclusivos. Empresas, por sua vez, deixaram de enxergar o podcast como mídia alternativa para tratá-lo como um canal estratégico de posicionamento, relacionamento e construção de marca. A profissionalização deixou de ser estética e se tornou operacional.

“Quando começamos a Pod360, há sete anos, o podcast ainda era visto como conteúdo experimental, quase um projeto paralelo”, afirma Tiago Bianco, fundador da Pod360, hub especializado na criação de

Podcasts muito populares no Brasil

• NerdCas

Cultura pop, ciência e entretenimento – Spotify, Apple Podcasts

• Podpah

Entrevistas – YouTube, Spotify

• Flow Podcast

Entrevistas – YouTube, Spotify

• Mano a Mano

Entrevistas – Spotify

• O Assunto (G1)

Jornalismo diário – Spotify, Apple Podcasts

• Projeto Humanos

Narrativo investigativo – Spotify, Apple Podcasts

• Mamilos

Comportamento e debates –Spotify, Apple Podcasts

• Não Inviabilize

Storytelling – Spotify, Apple Podcasts

• Inteligência Ltda

Entrevistas – YouTube, Spotify

• PodDelas

Entrevistas e comportamento feminino – YouTube, Spotify

podcasts profissionais. “Hoje, ele já nasce como produto de mídia. Qualidade técnica não é mais diferencial — é requisito.”

Segundo Bianco, a mudança mais profunda está na lógica de criação. O podcast deixou de ser apenas um bom conteúdo para se tornar um sistema. “Hoje ninguém entra no mercado sem pensar em planejamento editorial, posicionamento, distribuição e monetização desde o primeiro episódio. Se não houver clareza de público e de proposta, o projeto não se sustenta.”

Esse novo estágio trouxe processos mais definidos: roteiros, direção de conteúdo, identidade sonora, calendário editorial, metas por temporada e métricas de performance. “Um podcast sustentável é aquele em que curadoria, produção, distribuição e BI funcionam como um organismo único. Um projeto pode ter ótima produção, mas sem estratégia de distribuição, não vira negócio. E pode ter tráfego, mas sem identidade editorial, não se sustenta”, diz.

Outro ponto central dessa transformação foi a integração entre plataformas. O áudio deixou de existir isoladamente. “Hoje o podcast já nasce pensado como ecossistema”, explica Bianco. “Áudio, vídeo, cortes para redes sociais, presença no YouTube, SEO, estratégia comercial e construção de marca caminham juntos.”

Na prática, isso significa que o podcast passou a funcionar como ponto de partida de um universo maior — capaz de gerar audiência recorrente, comunidades e novos formatos de monetização. Projetos produzidos pela Pod360, como Agro360 Podcast, Pelas Pistas 360, Vi na Vivi, Isso Ninguém Vê e Amor na Influência (em parceria com Amazon/Wondery), exemplificam esse modelo: conteúdos pensados desde a origem para circular, escalar e gerar impacto além do áudio.

“O podcast deixou de ser um arquivo publicado semanalmente. Hoje, ele é uma plataforma editorial viva”, resume Bianco.

MUITO ALÉM DO PLAY

Alguns projetos exemplificam com clareza esse salto de formato para plataforma. O Braincast, do grupo B9, é um dos casos mais emblemáticos do Brasil. Mais do que um podcast semanal, o projeto se consolidou como uma estrutura editorial ampla, com milhares de episódios publicados, alcance mensal superior a 13 milhões de impactos e uma audiência altamente qualificada — parte significativa em cargos de liderança e decisão.

Além do áudio, o Braincast opera como hub de conteúdo, com newsletter, presença ativa em debates do setor, eventos e uma comunidade engajada. É o retrato de um podcast que ultrapassou o formato original para se tornar influência cultural e intelectual.

Em outra frente, o Podpah representa a força do entretenimento e da conversa longa como produto multiplataforma. Com episódios que ultrapassam milhões de visualizações no YouTube, o podcast transformou entrevistas em um ativo de mídia altamente rentável, conectando marcas, convidados e audiência em escala nacional.

Já o Poddelas ocupa um espaço estratégico ao falar com e para mulheres, abordando temas como carreira, maternidade, autoestima e comportamento. O sucesso do projeto mostra como podcasts segmentados conseguem criar conexão profunda com públicos específicos — e, ao mesmo tempo, alcançar relevância comercial expressiva.

Esses exemplos têm algo em comum: nenhum deles depende apenas do áudio. Todos operam como marcas editoriais.

PODCAST COMO UM BOM NEGÓCIO – INCLUSIVE EM

ALPHAVILLE

Esse movimento de profissionalização também se materializa territorialmente. Alphaville, que já concentra executivos, empreendedores e empresas de diferentes setores, passou a enxergar o podcast como negócio e oportunidade. A prova está na quantidade de produtoras e estúdios locais que surgiram ou se reestruturaram nos últimos anos, para atender essa nova demanda – tanto criadores independentes quanto marcas e empresas.

Entre elas estão a Produtora76, de Daniel Pereira, além da RREC, de Rodrigo

O Podpah, de Igão e Mítico, já alcançou faturamento anual na casa de dezenas de milhões de reais

Righetti; a 24Set Studios, produtora da Realiza Network comandada por Gabriel Terçarolli; e a Bufalos TV, de Guilber Hidaka. Com gente cada vez mais especializada, a monetização também evoluiu. O modelo tradicional de anúncios deu lugar a soluções mais complexas e integradas. Branded content, séries patrocinadas, projetos especiais, podcasts corporativos e pacotes multiplataforma passaram a dominar o mercado.

Para se ter uma ideia, em entrevistas à imprensa, os criadores e apresentadores do Podpah, Igão e Mítico, afirmaram que o projeto já alcançou faturamento anual na casa de dezenas de milhões de reais, impulsionado por publicidade, contratos de marca e projetos especiais. A meta em 2026 é ultrapassar R$ 100 milhões de faturamento.

“Nem todo podcast precisa de milhões de ouvintes para ser bem-sucedido”, explica Daniel José Pereira, CEO do Grupo76 e diretor executivo da Produtora76. “Em muitos casos, o valor está na autoridade,

Principais formatos de podcast hoje

Mesa cast

Formato mais popular no Brasil. Conversas longas, geralmente em vídeo, com múltiplos participantes. Forte presença no YouTube e grande capacidade de gerar cortes virais.

Podcast corporativo

Criado por empresas para posicionamento institucional, educação de mercado, comunicação interna ou relacionamento com clientes.

Podcast narrativo

Episódios roteirizados, investigação jornalística ou storytelling em temporadas. Exige alta produção e apuração, mas entrega atenção profunda e alto valor editorial.

Podcast em vídeo

Integra áudio e imagem desde a concepção. Pensado para múltiplas plataformas, amplia alcance e potencial comercial.

Podcast-experiência

Vai além do estúdio tradicional: gravações externas, cenários simbólicos, formatos autorais e experiências imersivas. O ambiente passa a fazer parte da narrativa e do posicionamento da marca ou do apresentador.

no relacionamento e na geração de oportunidades. O erro é pensar só em volume.”

Segundo ele, o mercado corporativo é um dos que mais cresce. Empresas passaram a criar seus próprios podcasts para comunicação interna, posicionamento institucional, educação de mercado e relacionamento com clientes. Isso abriu espaço para as produtoras especializadas, estúdios profissionais e equipes focadas em estratégia, não apenas em captação e edição.

Na prática, o podcast se tornou um produto atraente também para quem está nos bastidores. A cadeia produtiva cresceu: direção criativa, roteiristas, editores, estrategistas, designers, especialistas em dados e distribuição. O áudio deixou de ser apenas conteúdo. Virou indústria.

E DAQUI PRA FRENTE?

Se o passado foi de experimentação e o presente é de profissionalização, o futuro aponta para expansão. Estudos recentes do mercado de mídia e áudio, divulgados por plataformas como Spotify e por consultorias globais, indicam que os podcasts tendem a ser cada vez mais pensados como propriedades intelectuais, capazes de gerar livros, séries, eventos, produtos, experiências e novos formatos.

A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, deve acelerar processos de edição, distribuição e análise de dados. Mas o diferencial continuará humano. Em um cenário saturado de conteúdo, vence quem constrói narrativa, identidade e relação genuína com a audiência.

O podcast não é mais uma promessa. É mídia, negócio e cultura. E, ao contrário do que muitos imaginavam, ainda está longe de atingir seu limite.

O

MODELO TRADICIONAL DE ANÚNCIOS DEU LUGAR A SOLUÇÕES MAIS COMPLEXAS

E INTEGRADAS. BRANDED CONTENT, SÉRIES PATROCINADAS, PROJETOS ESPECIAIS, PODCASTS CORPORATIVOS E PACOTES MULTIPLATAFORMA PASSARAM A DOMINAR O MERCADO

O Braincast tem alcance mensal superior a 13 milhões
A Mulher da Casa Abandonada virou uma série documental no Prime Video
Deive Pazos e Alexandre Ottoni, apresentadores do Nerdcast

LIDERAR TAMBÉM É SABER SAIR

Entre poder, legado e continuidade, como a sucessão se transformou em uma decisão-chave para empresas que querem durar

Há décadas, o roteiro é conhecido: empresas nascem do esforço de um fundador, crescem sob sua liderança direta e se tornam referências em seus mercados. O problema surge quando esse fundador precisa — ou deveria — sair de cena. Sem plano, sem regras claras e, muitas vezes, sem sucessor preparado, o que seria legado vira risco.

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que a maioria das empresas brasileiras tem controle familiar e que poucas chegam à terceira geração mantendo crescimento e estabilidade. O motivo raramente está no negócio em si, mas na forma como a liderança é transmitida, ou não é.

Hoje, a sucessão deixou de ser um tema associado apenas a herança, idade avançada ou situações de emergência. Ela passou a ser reconhecida como uma decisão estratégica, diretamente ligada à continuidade e ao valor do negócio. Em um ambiente onde liderança, cultura e governança pesam tanto quanto resultados financeiros, não planejar a sucessão se tornou um risco operacional.

Em regiões como Alphaville, que concentram empresas familiares, esse debate deixou de ser conceitual. Ele acontece dentro das empresas, nos conselhos e nas famílias empresárias — mas, muitas vezes, tarde demais. A pergunta já não é se a sucessão precisa ser feita, mas quando e como conduzi-la sem comprometer o futuro do negócio.

SUCESSÃO NÃO É HERANÇA

Uma das maiores armadilhas no debate sobre sucessão empresarial no Brasil está na confusão entre dois conceitos distintos: herança e sucessão. Embora se cruzem, eles não são sinônimos, e tratá-los como se fossem costuma gerar conflitos familiares, decisões emocionais e perda de valor do negócio.

Como explicam especialistas em sucessão empresarial da UNE Sucessão e Governança, empresa de consultoria que integra especialistas em sucessão, governança, advogados, psicólogos e mediadores comportamentais, “a sucessão da gestão trata da passagem de responsabilidades na liderança da empresa, enquanto a sucessão patrimonial consiste na transferência de propriedade”. Essas duas transições nem sempre acontecem juntas ou com as mesmas pessoas. Quando são confundidas, a empresa passa a ser guiada por vínculos afetivos e laços familiares, e não por critérios de competência, preparo e governança.

Ainda de acordo com o IBGC, a ausência de estruturas de governança, como conselhos ativos, regras claras de decisão e protocolos familiares, está entre os principais fatores de descontinuidade desses negócios.

A Fundação Dom Cabral (FDC) reforça esse diagnóstico ao apontar que os maiores riscos para a longevidade das empresas familiares não estão no mercado, no produto ou na concorrência, mas sim nos conflitos sucessórios e nas falhas de governança. Decisões emocionais, falta de preparo dos sucessores e centralização excessiva no fundador comprometem mais a continuidade do negócio do que fatores externos.

DECISÕES EMOCIONAIS, FALTA DE PREPARO DOS SUCESSORES E CENTRALIZAÇÃO EXCESSIVA NO FUNDADOR COMPROMETEM MAIS A CONTINUIDADE DO NEGÓCIO DO QUE FATORES EXTERNOS

Para Carlos Júlio, conselheiro de empresas e um dos principais especialistas em governança do país, além de colunista da efe., “sucessão é garantir a perenidade do negócio, o que pode resultar em uma herança duradoura. Já a herança, sozinha, pode se extinguir rapidamente”.

MAS O QUE É GOVERNANÇA — E

POR QUE ELA DECIDE O FUTURO

DA EMPRESA

Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas são dirigidas, monitoradas e incentivadas. Na prática, trata-se de definir quem decide o quê, com base em quais regras, com quais responsabilidades e com quais mecanismos de controle.

Segundo o IBGC, a boa governança se apoia em quatro princípios fundamentais: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Em empresas familiares, ela cumpre um papel ainda mais crítico: separar emoções de decisões estratégicas. É a governança que estabelece conselhos, define papéis entre sócios e executivos, cria regras para entrada e saída de familiares da gestão e organiza o processo sucessório antes que ele se transforme em crise. A partir desse ponto, a sucessão deixa de ser uma decisão pessoal e passa a ser um processo institucional.

Para Carlos Júlio, governança não limita o fundador — protege o negócio. “Quando temos conselho atuante, compliance estruturado e regras claras, a liderança conhece seus limites, metas e responsabilidades. Isso cria um ambiente propício a negócios, inovação e longevidade.” Em outras palavras: governança não é burocracia. É infraestrutura.

Números que explicam o risco da sucessão

•Mais de 90% das empresas brasileiras têm controle familiar (IBGE)

•Apenas 30% sobrevivem à segunda geração

Menos de 10% chegam à terceira geração

•Conflitos sucessórios e falhas de governança estão entre as principais causas de descontinuidade (IBGC / FDC)

“O MAIOR ERRO É ACHAR QUE O PROBLEMA É ENCONTRAR QUEM VAI ASSUMIR. NA MAIORIA DAS VEZES, O PROBLEMA ESTÁ NO SUCEDIDO. ELE REALMENTE VAI PASSAR O BASTÃO? VAI DAR ESPAÇO PARA O TRABALHO DO SUCESSOR OU CONTINUARÁ MANDANDO À SOMBRA DELE?”, CARLOS JÚLIO, ESPECIALISTA EM GOVERNANÇA

POR QUE TANTAS EMPRESAS

AINDA ADIAM ESSA CONVERSA?

A sucessão segue sendo adiada em muitas organizações, não por falta de informação, mas por resistência. Para Carlos Júlio, o entrave raramente está no sucessor.

“O maior erro é achar que o problema é encontrar quem vai assumir. Na maioria das vezes, o problema está no sucedido”, afirma. “Ele realmente vai passar o bastão? Vai dar espaço para o trabalho do sucessor ou continuará mandando à sombra dele?”

Um dos equívocos mais comuns é tratar o planejamento sucessório como algo distante, associado apenas à idade avançada ou à aposentadoria do fundador — quando, na prática, ele deveria começar enquanto o líder ainda está no auge. Para o IBGC e a FDC, a sucessão deve ser pensada muito antes de qualquer saída formal, independentemente da idade do gestor.

“Sucessão é pauta urgente”, reforça Carlos Júlio. “Um acidente, uma doença ou uma crise podem expor a fragilidade de uma empresa despreparada. Quando isso acontece, o custo é altíssimo.”

Além do impacto emocional e operacional, uma sucessão mal planejada afeta diretamente o valor do negócio. Investidores se afastam, decisões travam, conflitos se intensificam. Em muitos casos, o problema não é a troca de liderança, mas a falta de

clareza sobre quem manda, quem decide e com qual legitimidade. “Ninguém investe em um negócio se não confia em quem o dirige”, resume.

O RISCO JURÍDICO DE NÃO PLANEJAR

Do ponto de vista jurídico, os riscos são igualmente relevantes. Uma sucessão sem planejamento pode gerar disputas societárias, paralisação da gestão, bloqueio de contas, conflitos entre herdeiros e até perda do controle da empresa.

Especialistas em direito societário do Pinheiro Neto Advogados, um dos escritórios mais tradicionais do país na área empresarial, destacam que a governança se materializa em instrumentos concretos: acordos de sócios ou acionistas, protocolos familiares, definição clara de poderes de administração, cláusulas de sucessão e saída e mecanismos formais de resolução de conflitos.

O alerta é recorrente: empresas que não formalizam essas regras acabam levando para o Judiciário disputas que poderiam — e deveriam — ser resolvidas no âmbito da governança. O resultado costuma ser desgaste interno, perda de valor e insegurança para investidores e parceiros. No fim, o direito não cria a sucessão. Ele dá segurança para que ela aconteça sem colocar a empresa em risco.

Sinais de alerta em empre sas sem sucessão planejada

Decisões concentradas em uma única pessoa

•Ausência de conselho ou instâncias formais de decisão

•Falta de critérios para cargos estratégicos

•Conflitos familiares recorrentes

•Resistência a falar sobre sucessão

•Confusão entre patrimônio pessoal e empresa

Antes da urgência Estruturação

Identificação de riscos, mapeamento de lideranças e início da conversa.

QUANDO A SUCESSÃO VIRA ESTRATÉGIA E NÃO TRAUMA

Linha do tempo da sucessão bem feita

Preparação

Criação ou fortalecimento de conselho, definição de regras e instrumentos jurídicos.

Algumas empresas transformaram a sucessão em uma vantagem competitiva justamente por não tratá-la como um evento pontual, ligado à idade, à aposentadoria ou a crises inesperadas. Nesses casos, a troca de liderança é entendida como processo contínuo, sustentado por governança, tempo e clareza de papéis.

A trajetória da MPD Engenharia, empresa que nasceu em Alphaville e hoje figura entre as maiores construtoras do país, ilustra esse movimento ainda pouco comum no Brasil. Fundada em 1982, a empresa se aproximava de seus 50 anos quando decidiu estruturar formalmente seu plano de sucessão.

“Foi uma reflexão estratégica sobre longevidade e futuro”, explica Milton Meyer, co-presidente da companhia. “Queríamos garantir a perenidade e a vanguarda em um mercado altamente competitivo.”

O processo foi conduzido diretamente pelos sócios fundadores, Milton Meyer e Mauro Piccolotto Dottori, que escolheram Fábio Nossaes e Débora Bertini para assumir as posições de diretores gerais de Construção e Incorporação, respectivamente. A decisão refletiu a aposta em executivos com ampla experiência de mercado, alinhados à cultura da empresa e preparados para conduzir a operação em uma nova fase de crescimento.

Desenvolvimento de sucessores, familiares ou executivos, em diferentes níveis.

Transição gradual Novo ciclo

Transferência progressiva de responsabilidades, com o fundador atuando como mentor.

ALÉM DO IMPACTO EMOCIONAL E OPERACIONAL, UMA SUCESSÃO MAL PLANEJADA AFETA DIRETAMENTE O VALOR DO NEGÓCIO. INVESTIDORES SE AFASTAM, DECISÕES TRAVAM, CONFLITOS SE INTENSIFICAM

Fundador em papel estratégico, empresa com liderança clara e governança ativa.

A transição foi pensada de forma gradual, contínua e respeitosa ao tempo da organização, sem rupturas bruscas. Mais do que trocar nomes no organograma, a MPD fortaleceu sua governança, descentralizou decisões e ampliou a profissionalização da gestão. Os fundadores seguem presentes, agora em um papel mais estratégico — como mentores e guardiões da cultura e dos valores da companhia.

“O maior cuidado foi preservar nossos valores enquanto abríamos espaço para novas visões”, afirma Meyer.

DA SUCESSÃO LOCAL À REFERÊNCIA NACIONAL

Um dos exemplos mais consistentes no Brasil é o Magazine Luiza. A transição de Luiza Helena Trajano para fora da operação começou anos antes de sua saída formal da presidência executiva, em 2016. O movimento foi acompanhado por um conselho atuante, critérios claros de desempenho e uma separação objetiva entre propriedade, gestão e estratégia.

Ao assumir a presidência do conselho, Luiza não saiu de cena — mudou de função. Seguiu influente, mas sem interferir no dia a dia da operação. A empresa passou a ser liderada por executivos profissionais, enquanto a fundadora atuava como guardiã da cultura e da visão de longo prazo.

Imagem gerada por I.A.

O resultado foi uma organização capaz de atravessar ciclos de crescimento acelerado, aquisições e crises sem rupturas de liderança. “O fundador não precisa sair da empresa. Ele precisa sair da operação. O conselho é o lugar onde sua experiência gera mais valor”, resume Carlos Júlio.

QUANDO A SUCESSÃO FALHA E O CUSTO APARECE

Se exemplos bem-sucedidos apontam caminhos, o caso da Disney funciona como alerta. Bob Iger deixou o cargo de CEO em 2020 após 15 anos à frente da companhia. Seu sucessor, Bob Chapek, assumiu em um dos momentos mais complexos da história recente da empresa.

O problema não foi apenas o contexto externo, mas a forma como a sucessão foi conduzida. Iger permaneceu como presidente do conselho sem limites claros entre seu papel e o do novo CEO. Internamente, o comando parecia dividido. Externamente, a empresa transmitia insegurança.

O resultado foi desgaste com talentos criativos, conflitos públicos e queda de confiança do mercado. Em menos de três anos, a Disney reverteu o processo: Iger

voltou ao cargo de CEO em 2022. A sucessão falhou não por falta de nome, mas por falta de transição real, alinhamento cultural e clareza de governança.

COMO PLANEJAR BEM A SUCESSÃO?

Depois de entender o que dá certo e o que dá errado, a pergunta é prática: como planejar bem a sucessão?

Herdeiros ou executivos profissionais?

Para Carlos Júlio, não existe resposta única — existe preparo, método e clareza de critérios. “Se o filho ou a filha se preparou, gosta do negócio e quer se dedicar, por que não dar essa oportunidade? Por outro lado, forçar alguém sem vocação pode acelerar a ruína da empresa.”

O erro está nos extremos. A boa governança existe justamente para tirar a emoção do centro da decisão e colocar regras, critérios e processos no lugar.

Na prática, planejar bem a sucessão envolve pilares recorrentes entre empresas longevas: identificação antecipada de sucessores, programas estruturados de desenvolvimento de liderança, avaliações periódicas de desempenho, conselhos atu-

antes e papéis bem definidos entre quem executa e quem decide.

Estudos de consultorias globais como PwC e Deloitte indicam que empresas com governança estruturada atravessam processos de sucessão com menos conflitos, menor perda de valor e maior confiança do mercado.

SUCESSÃO É DECISÃO DE LIDERANÇA

Planejar a sucessão não é sinal de fraqueza, fim de ciclo ou perda de poder. É uma das decisões mais maduras que um líder pode tomar.

Líderes que se preocupam com a continuidade entendem que seu maior legado não é permanecer no cargo, mas deixar uma empresa capaz de prosperar sem sua presença diária. Onde há planejamento, governança e clareza, a transição tende a ser menos traumática e mais estratégica.

Em Alphaville, essa conversa deixou de ser tabu. Virou pauta de conselho, discussão entre sócios e tema recorrente nas decisões de longo prazo. Porque, no fim, sucessão não é sobre quem sai, é sobre quem fica. E sobre como fica.

COMO A MPD ESTRUTUROU SUA SUCESSÃO

Entrevista exclusiva com Milton Meyer, co-presidente da MPD Engenharia

efe. - Em que momento a MPD entendeu que precisava estruturar um plano de sucessão?

Milton - A decisão surgiu à medida que a empresa se aproximava de um marco importante: seus 50 anos de história. Fundada em 1982, a MPD entendeu que, para garantir perenidade e vanguarda em um mercado altamente competitivo, seria fundamental planejar uma transição de liderança gradual e bem estruturada. Foi uma decisão proativa, com foco no crescimento sustentável dos próximos anos.

efe. - Como foi o processo de construção do plano de sucessão?

Milton - O processo foi conduzido diretamente por mim e pelo meu sócio, Mauro Piccolotto Dottori. Optamos por escolher executivos com ampla experiência de mercado e alinhados à cultura da empresa. Assim, Fábio Nossaes e Débora Bertini assumiram as posições de Diretores Gerais de Construção e Incorporação, respectivamente, liderando a operação nessa nova fase.

efe. - Quanto tempo levou do início da discussão até a implementação do modelo atual?

Milton - Não trabalhamos com um prazo fechado. Entendemos a sucessão como um processo natural, que precisa respeitar o tempo da empresa, das lideranças e das transformações necessárias. Desde o início, optamos por uma transição gradual, contínua e evolutiva.

efe. - O plano envolveu apenas a liderança máxima?

Milton - O foco principal foi a alta liderança, mas o processo nunca acontece de forma isolada. A sucessão na MPD envolve diálogo constante, troca de conhecimento e participação ativa de diferentes níveis da organização. Sucessão não se sustenta apenas no topo — ela precisa estar conectada às lideranças intermediárias, aos times e à cultura da empresa.

efe. - Qual foi o maior desafio ao longo do processo?

ESTUDOS DE CONSULTORIAS GLOBAIS COMO PWC E DELOITTE INDICAM QUE EMPRESAS COM GOVERNANÇA ESTRUTURADA ATRAVESSAM PROCESSOS DE SUCESSÃO

COM MENOS CONFLITOS, MENOR PERDA DE VALOR E MAIOR CONFIANÇA DO MERCADO

Milton - O principal cuidado foi garantir que a transição preservasse a cultura e os valores da empresa, ao mesmo tempo em que abrisse espaço para novas visões, inovação e evolução da gestão. O alinhamento entre estratégia, cultura e pessoas foi essencial para que o processo fosse fluido e consistente.

efe. - O que mudou na rotina dos sócios fundadores após o início da sucessão?

Milton - Seguimos presentes nas decisões da companhia, mas em um papel mais estratégico. Atuamos como mentores e guardiões da cultura, permitindo que os novos líderes assumam as responsabilidades operacionais e de gestão do dia a dia.

efe. - Que impactos concretos a sucessão já trouxe?

Milton - Entramos em uma nova fase de profissionalização e inovação. Houve ganho de eficiência operacional, diversificação do portfólio, que inclui incorporação própria, obras para terceiros e projetos nos segmentos de saúde, educação e infraestrutura, e fortalecimento de uma cultura de decisões mais técnicas, compartilhadas e estratégicas.

Foto: Divulgação

Comunicação intrapessoal: o primeiro passo para um ano produtivo e saudável

Minha primeira filha chegou em um momento feliz e planejado da minha vida. Mas, nos primeiros meses como mãe, percebi algo curioso: a palavra “medo” aparecia em quase todas as minhas falas. Medo disso, medo daquilo… Eu estava verbalizando um sentimento intenso de vulnerabilidade.

Reconheço que essa emoção é comum na maternidade, mas não pode ser sem controle. Quando percebi que essa palavra estava sendo usada mais do que o aceitável, comecei a monitorar minha comunicação interna. Mudei meu diálogo comigo mesma, o que fez toda a diferença.

Essa experiência pessoal ilustra um ponto importante: comunicar é uma habilidade tão humana quanto complexa. Não existe a possibilidade de não comunicar e sim comunicar com consciência na vida pessoal e profissional. No mundo corporativo, a forma como você se comunica é determinante para sua saúde física, mental e para seus resultados. Uma comunicação intrapessoal positiva (aquela que você tem consigo mesmo) é uma ferramenta poderosa para reduzir estresse, aumentar a produtividade, melhorar relacionamentos, gerar bem-estar e felicidade.

Por que isso importa? Porque os números são alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada — cerca de 18 milhões de pessoas. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pela pandemia, que elevou em 25% os casos de transtornos mentais. Esses dados mostram que cuidar da mente é tão estratégico quanto cuidar das metas. É aqui que entra o Janeiro Branco como convite à reflexão. Criado pelo psicólogo brasileiro Leonardo Abrahão, o movimento propõe que o primeiro mês do ano seja dedicado à saúde mental. Janeiro simboliza recomeços — uma “folha em branco” para reescrever não apenas metas, mas também a forma como nos relacionamos conosco e com os outros. Comunicação interna saudável é o primeiro passo para uma comunicação externa eficaz.

DICAS PARA UMA COMUNICAÇÃO INTRAPESSOAL POSITIVA

1. Observe seus padrões de fala: palavras negativas indicam emoções que precisam de atenção. Você pode iniciar a mudança pela fala. Elabore melhor o que tem a dizer;

2. Ajuste o tom de voz: tons muito agudos ou graves podem transmitir tensão ou ameaça;

3. Reduza a velocidade da fala: isso ajuda a processar pensamentos e emoções;

4. Respeite a escuta: abra espaço para o diálogo, não apenas para a defesa de ideias;

5. Não reaja impulsivamente: opiniões diferentes podem gerar soluções melhores;

6. Invista em sua autoestima: autoestima alta é um dos preditores mais fortes de felicidade e bem-estar. Autoestima é a qualidade de quem se valoriza, demonstra confiança em seus atos e julgamentos e impacta positivamente a comunicação;

7. Estabeleça metas de mudança equilibradas: pequenas ações diárias constroem hábitos duradouros.

Janeiro é só o começo. Que tal escrever um ano inteiro com mais clareza, equilíbrio e propósito? Comunicação assertiva, metas inteligentes e cuidado emocional não são apenas tendências, são diferenciais competitivos para quem deseja crescer de forma sustentável.

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gerada por I.A.

FORMAR PARA A VIDA: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO EM TEMPOS COMPLEXOS

Tamboré, fala sobre a mudança de eixo do ensino

Em um mundo cada vez mais complexo, instável e atravessado por múltiplos estímulos, a escola deixou de ser apenas um espaço de transmissão de conteúdo para assumir um papel muito mais amplo: garantir aprendizagem real, promover desenvolvimento humano e fortalecer o senso de pertencimento.

Para Tania Calazans, diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, essa mudança representa uma verdadeira virada de eixo na educação. “Além do conteúdo acadêmico, tornou-se essencial formar competências que sustentem a aprendizagem e a vida em comunidade”, afirma. Inserida em um território como Alphaville, que reúne empresas, diversidade cultural e alto nível de exigência, a escola encontra um ambiente fértil para projetos educacionais conectados à realidade, com significado, aplicabilidade e engajamento. “Na prática, isso se traduz em formar estudantes capazes de compreender o mundo, resolver problemas reais e agir com propósito”, resume a gestora. Confira a entrevista a seguir.

efe. - Na sua visão, o que mais mudou no ato de educar nos últimos anos? O que as escolas ainda estão aprendendo a fazer melhor?

Tania - Acredito que não houve uma “única” mudança na educação, mas uma mudança de eixo: da escola como lugar de transmissão de conteúdo para a escola como um sistema que precisa garantir aprendizagem verificável, promover desenvolvimento humano e fortalecer o pertencimento, em um mundo mais complexo e instável. Hoje, a escola é mais cobrada por resultados com evidências e pela experiência oferecida às famílias, enquanto lida com maior atenção ao bem-estar e à saúde mental, turmas mais heterogêneas e tecnologia como infraestrutura.

efe. - Quais competências, hoje, são tão importantes quanto o conteúdo acadêmico na formação dos alunos?

Tania - Além do conteúdo acadêmico, hoje é essencial formar competências que sustentem a aprendizagem e a vida em comunidade. Isso inclui autogestão, disciplina, organização e responsabilidade para manter rotina e constância, habilidades socioemocionais e pensamento crítico para avaliar informações, argumentar com equilíbrio e tomar decisões com base em evidências em um mundo de excesso de estímulos.

efe. - Dirigir uma escola envolve decisões pedagógicas e empresariais. Onde estão, hoje, os maiores pontos de tensão entre educar bem e manter o negócio saudável?

Tania - Acredito que esteja em conciliar a qualidade pedagógica de longo prazo com a pressão por resultados e satisfação imediata das famílias; sustentar uma proposta consistente enquanto o mercado pede “novidades” para não dispersar foco e orçamento; equilibrar inclusão e personalização com a capacidade real de entregar apoios, formação docente e equipe multiprofissional sem tornar o custo inviável; decidir entre investir no que mais impacta aprendizagem; lidar com a valorização e retenção de bons professores em um cenário de margens apertadas; e, por fim, calibrar a comunicação e a governança para que a escola não vire refém de demandas individuais, mantendo critérios pedagógicos claros e uma experiência positiva, sem perder identidade e sustentabilidade.

efe. - O que faz de Alphaville um ambiente tão fértil para o desenvolvimento de projetos educacionais?

Tania - Alphaville oferece um ecossistema singular: um conjunto raro de condições que, quando integrado às práticas curriculares, amplia as possibilidades de projetos educacionais com significado, aplicabilidade e alto engajamento. Na prática, isso se traduz em uma escola que vai além do conteúdo, forma estudantes capazes de entender o mundo, resolver problemas reais e agir com propósito.

efe. - Quais tendências devem pautar a educação infantil e os ensinos fundamental e médio nos próximos anos, especialmente em regiões como Alphaville?

Tania - Quando penso em “tendências” com impacto real, entendo que elas não se referem a modas tecnológicas, mas a mudanças curriculares, pedagógicas e avaliativas que respondem a três grandes pressões: o desenvolvimento de novas competências, o cuidado com bem-estar e saúde mental e a transformação digital, sempre com foco em evidências de aprendizagem.

“ALPHAVILLE OFERECE UM CONJUNTO RARO DE CONDIÇÕES QUE, QUANDO INTEGRADO ÀS PRÁTICAS CURRICULARES, AMPLIA AS POSSIBILIDADES DE PROJETOS EDUCACIONAIS COM SIGNIFICADO, APLICABILIDADE E ALTO ENGAJAMENTO”

Em 2022, Tania assumiu como diretora da unidade em Alphaville. Em sua carreira, já atuou como professora e coordenadora no Mackenzie São Paulo
Foto: Divulgação

MARCUS BUAIZ EM SEU MELHOR MOMENTO

DOS PRIMEIROS PASSOS NO GRUPO BUAIZ À ATUAÇÃO ESTRATÉGICA EM EMPRESAS COMO MYND, AZOS E BILLBOARD BRASIL, ELE CONTA COMO MUDOU SEU PAPEL NOS NEGÓCIOS — E NA VIDA

Por Thais Sant’ Ana e Gabriela Ribeiro

Fotos Omar Paixão

Quem vê o empresário Marcus Buaiz, 46 anos, de longe, entre um voo e outro, com uma agenda que o faz se dividir entre Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, talvez não imagine que foi aqui, em Alphaville — bem pertinho da gente — que ele encontrou seu ponto de equilíbrio. “Vivi em Alphaville por 15 anos e posso afirmar com propriedade: a estrutura, a segurança e a qualidade de vida do bairro são essenciais para quem vive uma rotina intensa de negócios. Aqui, empresários e executivos conseguem organizar melhor o tempo, pensar com mais clareza e equilibrar trabalho e vida pessoal. Isso impacta diretamente a forma como se toma decisão”, diz. E talvez essa seja uma das chaves para entender o momento que Marcus vive hoje: o de um empreendedor que aprendeu a crescer com consistência, sem perder o eixo. O que muitos empresários desejam, mas poucos conseguem executar, ele colocou em prática. Aos 40 anos ele

decidiu sair da operação diária para atuar de forma mais estratégica, participando de conselhos, fortalecendo a governança e ajudando a desenhar o futuro dos negócios no longo prazo — um movimento de maturidade que reflete tanto sua evolução profissional quanto pessoal.

Sua trajetória, no entanto, foi o alicerce para essa virada. Ele começou ainda jovem no Grupo Buaiz — conglomerado empresarial fundado por sua família no Espírito Santo, com atuação em áreas como alimentos, logística e comércio exterior. Foi ali, aprendendo o negócio desde a base, que absorveu disciplina, gestão e visão de longo prazo — características que mais tarde se tornariam marcas registradas de sua atuação.

Com o tempo, decidiu criar seus próprios caminhos. Do entretenimento aos investimentos, Buaiz construiu uma atuação multifacetada e hoje está à frente — ou no conselho — de empresas como Mynd, Azos Seguros, Billboard Brasil e o Rio Branco, tradicional time capixaba. Também

“EM ALPHAVILLE, EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS CONSEGUEM ORGANIZAR MELHOR O TEMPO, PENSAR COM MAIS CLAREZA E EQUILIBRAR TRABALHO E VIDA PESSOAL. ISSO IMPACTA DIRETAMENTE A FORMA COMO SE TOMA DECISÃO”

Nas fotos, Marcus Buaiz palestrando, uma das atividades que mantém atualmente

atua como embaixador do BTG Pactual, banco que administra seu patrimônio há mais de uma década. Negócios distintos, mas conectados por uma mesma lógica: cultura forte, governança, gestão profissional e estratégia.

É nesse ambiente pulsante e criativo da Mynd — uma das maiores agências de marketing de influência do país, que também abriga a operação da Billboard Brasil — que ele concede esta entrevista. Fala com a tranquilidade de quem já viveu fases intensas de execução, mas hoje escolhe com mais precisão onde coloca sua energia.

E se Alphaville foi onde Marcus encontrou equilíbrio, é também onde ele mantém o que considera essencial. “É onde estão as coisas mais importantes da minha vida, meus filhos”, conta. Pai de José Marcus (14) e João Francisco (11), frutos do seu relacionamento com Wanessa Camargo, e recém-casado com a atriz Isis Valverde, ele organiza a rotina para estar presente no que realmente importa.

Foto: Divulgação
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efe. - Você começou na empresa da família?

MB - Comecei estagiando na empresa da minha família, conhecendo o negócio desde a base. Foi uma escola muito importante, tenho muito orgulho da minha história e respeito profundo por tudo que foi construído ali. Aprender ali foi fundamental, mas o desejo sempre foi construir algo com propósito e identidade própria. O entretenimento foi o pontapé inicial para isso.

efe. - Como assim? Qual foi o ponto de virada que tirou você do caminho óbvio?

MB - O ponto de virada foi quando decidi seguir uma carreira solo e idealizei o Vitória Pop Rock. Era um evento de 12 horas de música, com sete bandas, com ponto de equilíbrio estimado em 10 mil pessoas — e que terminou com 28 mil pagantes. Aquele festival mudou a minha vida. Ele me colocou no lugar de quem cria, assume risco e constrói do zero. Foi ali que comecei, de fato, a escrever a minha própria história como empreendedor.

efe. - Por que você atua em negócios de segmentos tão diferentes?

MB - Eu sempre gostei de diversificar e invisto com propósito. Busco negócios com lógica econômica clara, seja por resultado direto ou por construção de valor ao longo do tempo. Minha lógica de investimento equilibra razão e intuição: 50% número, 50% sentimento. Olho muito para o time. Seja no entretenimento, na mídia, no mercado de seguros ou no esporte, tudo passa por cultura forte, boa gestão, impacto constante e sociedades complementares.

efe. - O que faz você acreditar em uma marca antes de investir tempo e energia?

MB - Antes de qualquer coisa, eu olho para as pessoas. Time é determinante. Depois, observo se existe coerência entre discurso e prática. Marca que promete muito e executa pouco não se sustenta. Eu me envolvo onde há alinhamento de valores, capacidade real de execução e espaço para construção de longo prazo. Quando isso está claro, o investimento faz sentido.

“BUSCO NEGÓCIOS COM LÓGICA ECONÔMICA CLARA, SEJA POR RESULTADO DIRETO OU POR CONSTRUÇÃO DE VALOR AO LONGO DO TEMPO. MINHA LÓGICA DE INVESTIMENTO EQUILIBRA RAZÃO E INTUIÇÃO: 50% NÚMERO, 50% SENTIMENTO”

efe. - Em que fase profissional você se sente hoje?

MB - Até os meus 40 anos, eu atuei diretamente como gestor da maioria dos negócios em que investi. Estava muito presente na operação, no dia a dia e na tomada de decisão executiva. A partir dos 40, tomei uma decisão clara: migrar para um papel mais estratégico. Hoje contribuo principalmente na visão de longo prazo e nos conselhos das empresas em que atuo, ajudando a direcionar crescimento, cultura e governança.

efe. - Quando você percebeu que sua marca pessoal também precisava de estratégia?

MB - Tem uma frase do Jay-Z que traduz bem isso: “I’m not a businessman, I’m the business” — eu não sou um homem de negócios, eu sou o próprio negócio. Quando você entende isso, percebe que a reputação passa a ser parte central da construção. Não é sobre exposição. É sobre coerência e verdade. Expor, com consistência, quem você é, no que acredita e o que constrói ao longo do tempo.

efe. - A superexposição pode ser um risco para líderes e executivos?

MB - Pode. Tudo que é exagerado deixa de ser positivo. Comunicação precisa ter intenção, não excesso. O que sustenta posicionamento é consistência entre discurso, prática e tempo. A exposição deve servir a isso — nunca substituir.

efe. - Que conselhos você daria para CEOS e fundadores que querem se posicionar, mas têm medo de errar?

MB - Errar faz parte do processo. O problema não é o erro, é a falta de verdade. Posicionamento não se constrói tentando agradar todo mundo. Quando existe coerência entre quem você é, o que você faz e o que você comunica, o posicionamento acontece de forma natural. Com o tempo, o medo diminui e a clareza aumenta.

efe. - Você também atua como embaixador do BTG Pactual. Como esse papel se conecta com sua trajetória empreendedora?

MB - Verdade e confiança sempre estiveram na base da minha história com o BTG. Todo o meu patrimônio é gerido pelo banco há mais de 15 anos, com consistência e resultados ao longo do tempo. Sempre tive o critério de me cercar de pessoas complementares a mim. O BTG tem uma visão muito clara de apoio ao empreendedor, entende risco, crescimento, gestão e toma-

da de decisão no longo prazo. É o melhor banco de investimentos que eu conheço. Isso faz toda a diferença para quem constrói negócio. O papel de embaixador nasce dessa história real, sustentada por alinhamento, tempo e resultados.

efe. - O que muda quando marcas financeiras passam a investir mais em narrativa, conteúdo e relacionamento?

MB - Muda o patamar da confiança. No mercado financeiro, performance é obrigação. O diferencial está em quem consegue sustentar credibilidade ao longo do tempo. Quando uma marca financeira investe em narrativa e relacionamento, ela deixa claro como pensa, como decide e no que acredita. Para o mercado, isso gera previsibilidade. Para as pessoas, gera entendimento. E confiança nasce exatamente aí.

efe. - Quais erros as marcas ainda cometem ao trabalhar com influenciadores?

MB - O erro está em confundir alcance com influência. O influenciador é, sim, um meio de mídia. Mas a força dele não está só no número, está na relação de confiança que construiu com a audiência. Quando não existe verdade entre influenciador e marca, a comunicação vira transação, não conexão. E o público percebe rápido. Influência de verdade acontece quando há coerência, uso real do produto e continuidade no discurso. Sem isso, vira apenas publicidade — e publicidade sem credibilidade não sustenta marca.

efe. - Qual é o critério de formação dessa nova geração de empresários?

MB - O principal critério é a forma como esses empresários foram formados e expostos ao mundo. Eles cresceram em um ambiente de mais informação, mais comparação global e menos tolerância ao improviso. Essa geração foi educada com acesso a dados, referências internacionais, novas formas de gestão e maior consciência sobre impacto, cultura e governança. Muitos passaram por formações híbridas — acadêmicas, práticas e empreendedoras — e aprenderam cedo que construir negócio não é só gerar resultado, é sustentar decisões ao longo do tempo. O que define essa nova geração não é idade nem setor, mas a capacidade de tomar decisões mais informadas, pensar no longo prazo e entender que reputação, cultura e execução caminham juntas. É isso que está formando esse novo perfil de empresário.

Marcus com os filhos, enteado e o CEO do Rio Branco Atlético Clube, Renato Antunes; e abaixo, com Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

ATÉ OS MEUS 40 ANOS, EU

ATUEI DIRETAMENTE COMO

GESTOR DA MAIORIA DOS

NEGÓCIOS EM QUE INVESTI.

ESTAVA MUITO PRESENTE

NA OPERAÇÃO, NO DIA A DIA

E NA TOMADA DE DECISÃO

EXECUTIVA. A PARTIR DOS

40, TOMEI UMA DECISÃO

CLARA: MIGRAR PARA UM

PAPEL MAIS ESTRATÉGICO

efe. - Alphaville ainda é um ponto estratégico para quem empreende ou lidera grandes negócios?

MB - Eu vivi em Alphaville por 15 anos, então falo com propriedade. Alphaville foi fundamental para a minha vida pessoal e profissional. Era um ambiente que oferecia estrutura, segurança e qualidade de vida, algo essencial para quem vive uma rotina intensa de negócios. Alphaville se consolidou como um polo onde empresários e executivos conseguem organizar melhor o tempo, pensar com mais clareza e equilibrar trabalho e vida pessoal. Isso impacta diretamente a forma como se toma decisão. Por isso, continua sendo um lugar estratégico para quem lidera e empreende.

efe. - Como foi criar seus filhos no bairro?

MB - Incrível. Eles continuam morando lá com a mãe, estudam na região e têm acesso às atividades extracurriculares, ao clube, tudo muito integrado. Esse ambiente faz diferença. Dá estrutura, segurança e uma

dinâmica que facilita a rotina da família e o desenvolvimento das crianças.

efe. - A paternidade mudou sua visão sobre trabalho, tempo e sucesso?

MB - Mudou completamente. A paternidade me ensina a ser uma pessoa melhor todos os dias. Eu desejei ser pai, e isso muda tudo. A partir do momento em que você escolhe esse papel, a vida ganha outra dimensão. Ser pai, pra mim, é educar, é formar. Não é estar o tempo todo junto, mas estar inteiro quando está presente. É educar pelo exemplo, não só falar, mas demonstrar. Meus filhos são minha prioridade. Eles sabem disso. E também sabem que eu amo o que faço. Trabalhar é essencial na minha vida, faz parte de quem eu sou e da minha felicidade. Acho importante que eles vejam isso, que entendam que o pai faz o que ama e que o trabalho dele tem valor. Um dos meus maiores sucessos será ver meus filhos se tornarem quem desejam ser, com respeito, ética e consciência

efe. - Como é sua rotina hoje entre negócios, vida pessoal e família?

MB - Eu começo o meu dia com uma primeira reunião comigo mesmo, praticando atividade física. Sempre estruturei minha vida em um tripé muito claro: saúde, fé e conhecimento. A saúde é o que me sustenta. Sem ela, não consigo ser marido, pai, empresário ou estar presente de verdade. A fé me dá direção e equilíbrio. E o conhecimento é essencial, porque ninguém é bom em tudo — aprender é uma necessidade constante. Dentro disso, entram naturalmente as minhas prioridades. Participo ativamente dos meus negócios e sou dedicado ao que faço. Ao mesmo tempo, sou marido, pai e filho. A minha família é a base de tudo. Essa organização não é rigidez, é consciência. É possível conciliar tudo isso quando existe planejamento, clareza de prioridades e intenção nas escolhas. É assim que consigo manter o ritmo da vida que escolhi viver, sem perder o que é essencial.

efe. - Você casou recentemente. Existe um esforço consciente para estar mais presente na vida a dois?

MB - Existe, sim. A gente valoriza muito a qualidade do tempo juntos. Nós torcemos um pelo outro e amamos o que fazemos. O trabalho é importante para nós dois e faz parte de quem somos, e isso é respeitado dentro da relação. Ao mesmo tempo, temos clareza sobre o que é prioridade. Mesmo com uma rotina intensa, fazemos questão de preservar nossos momentos, nossas viagens de lazer, a vida a dois e a família. Presença, para nós, é escolha — e escolher um ao outro faz parte dessa construção.

efe. - O que você faz questão de manter na sua rotina, mesmo em meio a uma agenda cheia?

MB - Presença de verdade. Mesmo com agenda cheia, faço questão de manter contato diário, conversar, acompanhar o que está acontecendo na vida deles. Não é sobre quantidade de tempo, é sobre constância. Eles sabem que podem contar comigo, que

Buaiz em família: nas fotos, ele posa ao lado dos filhos, José Marcus (14) e João Francisco (11), a esposa Isis Valverde e o enteado Rael
Foto: Divulgação

estou disponível e atento. Isso cria vínculo e segurança, independentemente da correria.

efe. - Que valores você faz questão de transmitir como pai e que também refletem sua forma de liderar?

MB - Respeito, ética e responsabilidade. Acredito muito no valor do exemplo. O que você faz pesa mais do que o que você fala, em casa e no trabalho. Também faço questão de transmitir disciplina, curiosidade e o respeito pelas pessoas. Afinal, não somos diferentes de ninguém: somos todos iguais. Esses valores formam caráter e orientam decisões ao longo da vida.

efe. - O que ninguém te contou sobre paternidade que você aprendeu vivendo?

MB - Que a paternidade te coloca em aprendizado constante. Ela ensina humildade, escuta e adaptação todos os dias. Você aprende que educar não é controlar, é orientar. E educar não é fácil. Muitas vezes é saber dizer não, mesmo querendo dizer sim. Cada fase exige um olhar diferente, e a presença emocional é tão importante quanto a presença física. E, acima de tudo, você passa a sentir o coração bater fora do corpo.

efe. - Você acredita que a nova geração de líderes está mais aberta a falar sobre equilíbrio e vulnerabilidade?

MB - Acredito, sim, e isso tem uma explicação clara. O mundo ficou mais complexo, mais rápido e mais exposto. As estruturas ficaram menos hierárquicas, os times mais diversos e os ambientes de trabalho mais pressionados por performance constante. Nesse contexto, liderança baseada apenas em autoridade e invulnerabilidade deixou de funcionar. Hoje, liderar exige clareza emocional, capacidade de escuta e responsabilidade sobre pessoas, não só sobre resultados. Falar de equilíbrio e vulnerabilidade não é uma escolha pessoal, é uma adaptação ao mundo real. Líderes que entendem isso constroem ambientes mais saudáveis, tomam decisões melhores e sustentam resultados no longo prazo.

efe. - É possível, de fato, dar conta de tudo ou aprender a priorizar virou a habilidade mais importante?

MB - Dar conta de tudo é uma ilusão. O que existe, de verdade, é a capacidade de priorizar bem em cada fase da vida. A maturidade vem quando você entende que não dá para estar em tudo, ao mesmo tempo, com a mesma intensidade. Priorizar não é abrir mão, é escolher com consciência. É saber onde você precisa estar inteiro agora. Quem aprende a fazer isso reduz culpa, toma decisões melhores e sustenta resultados no longo prazo. No fim, a habilidade mais importante não é fazer mais — é escolher melhor.

ATIVAMENTE DOS MEUS NEGÓCIOS E SOU DEDICADO AO QUE FAÇO. AO MESMO TEMPO, SOU MARIDO, PAI E FILHO. A MINHA FAMÍLIA É A BASE DE TUDO. É POSSÍVEL CONCILIAR TUDO ISSO QUANDO EXISTE PLANEJAMENTO, CLAREZA DE PRIORIDADES E INTENÇÃO NAS ESCOLHAS

PARTICIPO

CAROLINA TAVARES RAMOS:

LIDERANÇA QUE UNE DADOS, DECISÃO E GENTE

Vice Presidente na área de Revenue Growth Management na Coca-Cola, executiva conta como transformou escolhas difíceis em carreira — e como Alphaville ajuda a sustentar uma rotina intensa.

Carolina Tavares Ramos construiu sua trajetória longe do roteiro tradicional. Começou em vendas, guiada por ambição e disciplina, e foi acumulando repertório em empresas como Nestlé, Mondelez e Unilever — sempre buscando desafios com alto impacto, mesmo quando envolviam risco. Hoje, como Vice President of Revenue Growth Management na The Coca-Cola Company, lidera decisões que influenciam portfólio, preços e rentabilidade na América Latina, combinando estratégia, tecnologia e execução. Fora do trabalho, a rotina intensa ganha suporte em Alphaville, onde ela encontra logística mais fácil, qualidade de vida e o contato com o verde — um respiro importante entre calls e decisões de alto impacto.

efe - Para começar, você pode resumir sua trajetória profissional e como chegou ao cargo atual?

Carolina - Minha trajetória foi construída com escolhas conscientes e muito trabalho. Comecei como vendedora e não segui o caminho tradicional, mas tinha um sonho claro: trabalhar em multinacionais.

Um marco foi entrar na Nestlé — uma empresa que eu via da janela do meu quarto. Depois, na Mondelez, desenvolvi uma visão mais analítica e integrada do negócio.

Na Unilever, avancei em transformação comercial e comecei a trabalhar com IA aplicada à decisão. Essa combinação me levou à Coca-Cola, onde hoje direciono resultados na América Latina com decisões que impactam preço, portfólio e rentabilidade.

efe - Quais decisões foram determinantes para você chegar a um cargo global?

Carolina - Três foram determinantes: buscar transformação, não conforto; aceitar posições de alto impacto mesmo com risco; e construir uma reputação técnica forte, junto com a capacidade de mobilizar pessoas para liderar mudanças.

efe - Houve um momento em que você precisou escolher entre segurança e crescimento?

Carolina - Sim, mais de uma vez. Especialmente quando aceitei liderar transformações estruturais, com alta visibilidade e pouco histórico de sucesso. Era menos

seguro, mas tinha muito mais potencial de aprendizado e impacto.

efe - Que habilidade você desenvolveu “na marra” ao longo da carreira?

Carolina - Influência sem autoridade formal. Liderar agendas regionais exige alinhar e engajar stakeholders com realidades e culturas diferentes. Técnica é essencial até certo ponto — depois, engajar pessoas para mover a agenda é o que gera impacto.

efe - O que mudou no conceito de liderança nos últimos anos?

Carolina - Liderança deixou de ser comando e passou a ser direção clara em ambientes ambíguos. Menos microgestão, mais alinhamento estratégico, confiança e empowerment. E a tecnologia aumenta ainda mais a necessidade de clareza sobre onde queremos chegar.

efe - Na sua função, como você equilibra ousadia e cautela em decisões que afetam preço e rentabilidade?

Carolina - Hoje a tecnologia ajuda a dizer o que deve ser feito para otimizar indicadores.

Mas do “plano no papel” para a realidade, o que faz diferença é a viabilidade de execução com recursos e o consumidor no centro. O equilíbrio vem de quem está na ponta — por isso, estar conectada com as pessoas sempre foi parte da minha estratégia.

efe - Morar em Alphaville influencia sua rotina e qualidade de vida?

Carolina - Sim. Alphaville me traz qualidade de vida e logística fácil, o que ajuda a sustentar uma rotina intensa. E também gosto muito quando estou de home office do contato com a natureza e poder ver bastante verde enquanto estou em call.

efe - Que tipo de liderança o mercado não tolera mais — e o que será essencial daqui para frente?

Carolina - Não há mais espaço para líderes inflexíveis, autoritários e avessos à tecnologia. O mercado vai precisar de líderes com clareza estratégica, domínio de tecnologia e capacidade de transformar dados em decisões — e decisões em execução, mobilizando pessoas para mudar a forma como o negócio opera.

Fotos: Thiago Henrique

IRRIGAÇÃO SUSTENTÁVEL E JARDINS

PRESERVADOS EM ALPHAVILLE

Com uso de água não potável e planejamento, a AREA Alphaville preserva áreas verdes e valoriza a região mesmo em períodos de altas temperaturas

Especialistas apontam que o verão 2026 tende a ser mais quente do que a média histórica em muitas áreas do Brasil, com dias de calor intenso e possibilidade de episódios de ondas de calor, em parte devido à atuação de sistemas de alta pressão que dificultam a formação de chuva uniforme. Há projeções indicando que, em eventos extremos, algumas regiões do país podem alcançar temperaturas próximas ou acima de 45 °C, como reflexo do avanço das tendências de aquecimento global.

Nesse contexto, a manutenção das áreas verdes e a limpeza das vias do Centro Empresarial e Industrial de Alphaville exigem atenção redobrada. Atenta a esse cenário, a AREA Alphaville adota práticas sustentáveis e responsáveis no uso dos recursos hídricos, garantindo a preservação do paisagismo sem comprometer o meio ambiente.

Por meio do Departamento de Manutenção, a associação mantém uma rotina eficiente de irrigação e serviços contínuos de jardinagem, assegurando a vitalidade e a beleza dos jardins que caracterizam a região. Todas as ações são planejadas para evitar desperdícios e promover o uso racional da água.

E sabia que a água utilizada pelos caminhões-pipa nos serviços de irrigação e lavagem das vias é não potável? Ela é proveniente de uma represa localizada junto à Via Parque. Essa prática de reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água potável, substituindo-os por água de qualidade inferior adequada para essas finalidades.

Com uma gestão consciente e sustentável, a AREA Alphaville reafirma seu compromisso com a preservação ambiental, a eficiência operacional e a valorização dos espaços urbanos, demonstrando que o cuidado com o território e com os recursos naturais faz parte de sua rotina diária.

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Divulgação

O METRO QUADRADO EMOCIONAL

Em Alphaville, o mercado imobiliário mostra que o novo luxo não se mede só em metros, mas em experiência, tempo e qualidade de vida.

No fim do dia, quando fecha o computador, encerra ligações e atravessa a última reunião, Anderson Batista, de 57 anos, não está apenas voltando para casa. Está voltando para um lugar que cumpre uma função prática e cada vez mais rara na vida executiva: desacelerar.

Empresário do setor de logística e transportes em Santana de Parnaíba, ele vive sob pressão constante, com agenda cheia e uma relação antiga com noites mal dormidas. Quando se mudou com a família para Alphaville, em 2015, a escolha não começou por uma planilha de metragens, nem por comparativos de preço por metro quadrado. Começou por uma pergunta muito mais simples e muito mais decisiva: onde eu consigo viver melhor?

“Eu não estava procurando um tamanho específico de casa. Eu estava procurando tranquilidade, conforto, um lugar onde desse para descansar de verdade”, resume.

Morador do Residencial 12, Anderson buscava algo que não aparece nas plantas de venda: silêncio, segurança, ritmo mais lento, a possibilidade de ter seu próprio espaço de lazer e, sobretudo, um quintal onde o dia termina diferente. “Acordar sem

barulho e ver o pôr do sol em casa muda tudo. Parece detalhe, mas não é.”

A escolha foi funcional, quase estratégica. “Eu passo o dia inteiro resolvendo problema. Quando chego em casa, preciso de um ambiente que ajude a desligar.”

Com o tempo, a percepção virou também convicção de investimento. Hoje, além do imóvel onde mora, Anderson já pensa em comprar outras propriedades na região. Não apenas porque sabe que Alphaville está entre os mercados imobiliários mais valorizados do país — inclusive Barueri está no topo do ranking nacional de valor médio de aluguel —, mas porque entende que, aqui, o imóvel carrega algo além da metragem.

“Não é só o metro quadrado que valoriza. É o conjunto todo. O bairro, o jeito de viver, o que o lugar entrega no dia a dia.” Anderson descreve exatamente o que o mercado imobiliário começa a tratar como metro quadrado emocional: o valor que não está apenas no tamanho do imóvel, mas na experiência cotidiana de morar ali.

E é justamente essa mudança de lógica, do espaço para a sensação, que começa a redesenhar o jeito de comprar, vender e projetar imóveis em regiões como Alphaville.

Vista do Neo Alphaville, empreendimento da MPD

“ALPHAVILLE TEM UM ECOSSISTEMA URBANO SINGULAR: INFRAESTRUTURA CONSOLIDADA, ÁREAS VERDES, SERVIÇOS, SEGURANÇA E INTEGRAÇÃO COM A NATUREZA. ISSO CRIA UM TIPO DE VALOR QUE VAI ALÉM DA ÁREA FÍSICA. AQUI SE VENDE EXPERIÊNCIA, BEM-ESTAR E QUALIDADE DE VIDA”, DÉBORA BERTINI, DIRETORA-GERAL DE INCORPORAÇÃO E VENDAS DA MPD

O QUE É O METRO QUADRADO EMOCIONAL

O caso do empresário não é exceção. Ele é, na verdade, um retrato bastante fiel de uma mudança silenciosa e profunda no jeito como o brasileiro passou a escolher onde morar.

Durante muito tempo, o mercado imobiliário foi uma conta objetiva: localização, metragem, número de dormitórios, valor por metro quadrado. Essa régua continua existindo, mas deixou de ser suficiente.

Cada vez mais, o comprador coloca na balança atributos que não aparecem na planta, mas pesam todos os dias na rotina: silêncio, luz natural, sensação de segurança, presença de verde, qualidade do entorno, tempo de deslocamento que não drena energia, espaço para respirar.

Essa virada ficou especialmente clara a partir de 2020 e 2021, quando a casa passou a concentrar trabalho, descanso e vida social. “A partir desse período, fatores como luz natural, conforto térmico, acústico e conexão com o verde passaram a ser tão relevantes quanto a metragem”, observa Débora Bertini, diretora-geral de Incorporação e Vendas da MPD. “Hoje, a decisão de compra é cada vez mais orientada pela qualidade de vida e pela experiência de morar, e não apenas por metragem ou localização.”

É essa soma de fatores, subjetiva, mas extremamente concreta, que o mercado passou a chamar de metro quadrado emocional. Em outras palavras: o imóvel deixou de ser apenas espaço. Passou a ser ambiente de vida.

E poucos lugares traduzem essa lógica de forma tão clara quanto Alphaville.

ALPHAVILLE: ONDE O

INTANGÍVEL SEMPRE FOI ATIVO IMOBILIÁRIO

Desde que surgiu, Alphaville nunca vendeu apenas casas, apartamentos ou terrenos. Sempre vendeu — talvez antes de isso virar discurso de mercado — uma promessa de modo de viver.

Planejamento urbano, ruas mais silenciosas, áreas verdes, sensação de proteção, organização e um certo distanciamento do caos das grandes centralidades metropolitanas sempre fizeram parte do pacote. Para muita gente, morar por aqui nunca foi apenas uma decisão racional. Foi uma decisão de estilo de vida.

A diferença é que, hoje, essa escolha deixou de ser intuitiva e passou a ser consciente e estratégica.

O comprador sabe que está abrindo mão de algumas coisas, como estar na capital, em troca de outras que, para ele, valem mais: qualidade do tempo, qualidade do entorno, qualidade do descanso.

E essa troca, cada vez mais, não é só emocional. Ela já aparece nos números.

Para a MPD, isso faz parte do próprio DNA da região. “Alphaville tem um ecossistema urbano singular: infraestrutura consolidada, áreas verdes, serviços, segurança e integração com a natureza. Isso cria um tipo de valor que vai além da área física. Aqui se vende experiência, bem-estar e qualidade de vida”, resume Débora Bertini.

Barueri lidera o ranking nacional de aluguel

Segundo o Índice FipeZap de Loca-

município que abriga Alphaville, registrou em dezembro de 2025 o maior valor médio de aluguel do Brasil: R$ 70,35 por metro quadrado ao mês. Na prática, isso significa que um apartamento de 50 m² custa, em média, cerca de R$ 3.500 por mês apenas em aluguel, valor acima de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.

ção Residencial, Barueri,
Débora Bertini, diretora-geral de incorporação e vendas da MPD
Perspectiva do mirante do Florà Alphaville, novo empreendimento da MPD. Localizado dentro de um condomínio fechado, em uma rua tranquila sem saída, e integrado a uma vasta área de preservação ambiental de 22 mil m²
Os moradores de Alphaville Anderson Batista e Elizabeth Vale
Fotos: Divulgação

“EU QUERO QUE MEUS FILHOS TENHAM MAIS LIBERDADE, MAIS CONTATO COM A NATUREZA, QUE POSSAM BRINCAR NA RUA. É UMA EXPERIÊNCIA

QUE EU TIVE E QUE FEZ MUITA DIFERENÇA PARA

MIM.”, MARINA ESTRELLA, JORNALISTA

O MERCADO COMEÇOU A PRECIFICAR ISSO

Se durante muito tempo a valorização imobiliária foi explicada quase exclusivamente por localização e escassez de terreno, hoje os números mostram que outro tipo de ativo entrou definitivamente nessa conta: a qualidade de vida.

Não é apenas percepção. É comportamento de compra.

“Os compradores estão cada vez mais conscientes de que aspectos ligados à experiência, ao bem-estar e ao entorno impactam mais o dia a dia do que o ganho de alguns metros quadrados”, afirma Débora Bertini. “Hoje, muitas vezes, o cliente está disposto a pagar mais por isso.”

Essa mudança também explica por que bairros planejados e regiões com forte

apelo de qualidade de vida ganharam papel ainda mais estratégico nas carteiras de investimento imobiliário. O imóvel deixa de ser apenas uma reserva de valor baseada em escassez física e passa a ser também uma aposta em estilo de vida.

É exatamente essa lógica que faz com que moradores como Anderson, além de viver na região, passem a olhar para Alphaville também como território de investimento.

QUANDO O ENDEREÇO VIRA

PROJETO DE VIDA

Para a jornalista Marina Estrella, de 36 anos, a relação com Alphaville e região não é apenas geográfica. É quase biográfica.

Foi em Aldeia da Serra que ela, ainda adolescente, descobriu que morar também é uma experiência sensorial. Antes

disso, vivia em Santo André, em um cotidiano mais tenso. “Quando cheguei em Aldeia, vi uma vida completamente diferente. Muito mais livre. O silêncio e a sensação de segurança me marcaram muito.”

Anos depois, o casamento e o trabalho a levaram para São Paulo. Uma decisão prática, coerente com o momento de vida. Mas o vínculo com Alphaville nunca foi apenas afetivo. Ele virou plano.

Em 2022, Marina chegou a comprar um imóvel no Neo Alphaville, justamente pensando em voltar para a região e criar os filhos em um ambiente mais próximo daquele em que ela mesma cresceu. “Queria muito proporcionar para eles a mesma sensação de liberdade e qualidade de vida que eu tive.”

A mudança, no entanto, não aconteceu. A rotina de trabalho acabou falando

De acordo com o Índice FipeZap de Venda Residencial, o valor médio do metro quadrado em Barueri chegou a cerca de R$ 11.696 por m² no fim de 2025. Para efeito de comparação, a cidade de São Paulo aparece no mesmo levantamento com valor médio em torno de R$ 11.900 por m², o que coloca Barueri praticamente no mesmo patamar da capital paulista em termos de preço. O valor coloca o município entre os mercados imobiliários mais valorizados do país fora das capitais e indica que, na região, o preço reflete não apenas a metragem, mas também o pacote de atributos ligados ao modo de viver.

Venda residencial em Barueri (Índice FipeZap)
Marina Estrella com o marido Rento Sguerri, o filho Rafael e a pet da família, Nala
Varanda do Sunset Itapecuru, empreendimento da NLS Incorp.
Fotos: Divulgação

mais alto naquele momento. A decisão foi adiada, mas não abandonada. Mesmo morando na capital há sete anos, Alphaville nunca saiu do radar. “A gente continua flertando. Sempre que aparece alguma oportunidade, a gente olha. Está nos planos voltar.”

Hoje, com um filho pequeno e grávida do segundo, esse desejo ganhou contornos ainda mais claros. “Eu quero que meus filhos tenham mais liberdade, mais contato com a natureza, que possam brincar na rua. É uma experiência que eu tive e que fez muita diferença para mim.”

No fundo, Marina não fala de tamanho de imóvel. Ela fala de tipo de vida.

O OLHAR DE QUEM

CONSTRÓI

Essa mudança no comportamento do comprador não acontece apenas na ponta final do mercado. Ela começa muito antes, no momento em que um novo empreendimento ainda é apenas um terreno e um conjunto de ideias.

Nos últimos anos, incorporadoras e construtoras passaram a trabalhar com um briefing diferente. Se antes a lógica era maximizar área vendável, hoje a pergunta é outra: como as pessoas vão se sentir vivendo aqui?

Na MPD, essa virada é clara. “Hoje, a decisão de compra é cada vez mais orientada pela qualidade de vida e pela experiência de morar”, afirma Débora Bertini.

Na NLS, a leitura é semelhante. Para Neuman Storto, CEO e fundador da incorporadora, o imóvel deixou de ser apenas um ativo físico. “O cliente avalia a experiência completa de morar. Aspectos como bem-estar, conforto emocional, relação

O que compõe o “metro quadrado emocional”?

com a natureza, silêncio, vista e iluminação natural passaram a ter peso determinante.”

Na prática, isso muda tudo: da escolha do terreno à implantação, da arquitetura às plantas. “A primeira análise já considera entorno, topografia, orientação solar, ventos e vistas possíveis. O projeto nasce com o compromisso de priorizar sensações, fluidez e bem-estar”, explica Storto.

Por isso, elementos como paisagismo, recuos, ventilação cruzada e orientação solar deixaram de ser acessórios e passaram a ser estruturantes.

Essa lógica ajuda a explicar por que imóveis mais compactos podem ter alta valorização. “Quando a experiência de morar é superior, a percepção de valor se eleva, independentemente da metragem”, resume Storto.

Débora complementa: “Plantas bem desenhadas e projetos inteligentes muitas vezes entregam mais qualidade de vida do que unidades maiores, porém pouco eficientes.”

A nova régua do mercado imobiliário

Durante muito tempo, o mercado ensinou o comprador a fazer contas objetivas: tantos metros, tantos quartos, tantos reais. Essa conta continua existindo. Mas deixou de ser suficiente.

Hoje, cada vez mais, as decisões de moradia passam por outra régua: a do tempo, do silêncio, do entorno, da sensação de proteção e da qualidade do dia a dia. O metro quadrado continua importante. Mas já não caminha mais sozinho.

No fim das contas, o endereço vale cada vez menos pelo espaço que ocupa no mapa, e cada vez mais pelo espaço que abre na vida de quem mora ali.

do

Tempo ganho no dia a dia

Conforto acústico e térmico

Áreas de convivência e lazer

Sensação de refúgio

“O CLIENTE AVALIA A EXPERIÊNCIA COMPLETA DE MORAR. ASPECTOS COMO BEM-ESTAR, CONFORTO EMOCIONAL, RELAÇÃO COM A NATUREZA, SILÊNCIO, VISTA E ILUMINAÇÃO NATURAL PASSARAM A TER PESO DETERMINANTE.”, NEUMAN STORTO, CEO E FUNDADOR DA NLS INCORP

Neuman Storto, CEO e fundador da NLS Incorp
Luz natural
Silêncio
Vista e relação com o verde
Sensação de segurança
Qualidade
entorno

ALPHAVILLE TÊNIS CLUBE: 50 ANOS DE INOVAÇÃO, TRADIÇÃO E VIDA EM COMUNIDADE

Ao longo de cinco décadas, o ATC acompanhou o crescimento de Alphaville e se consolidou como um dos principais espaços de convivência da região

Cinquenta anos. Não é todo dia que um clube — principalmente nos tempos atuais — alcança esse marco. Mas o Alphaville Tênis Clube, o conhecido ATC, chegou lá. Em 2026, o clube completa cinco décadas bem vividas em Alphaville, e o segredo para se manter firme — e, diga-se de passagem, disputado — até hoje está na inovação.

E de inovação, o ATC entende. Logo que chegou à região, foi responsável pela construção da primeira pista de skate da América Latina, no fim dos anos 1970. Em 1985, foi inaugurada a Boite Mu’leka, que atraiu moradores da região e também da cidade de São Paulo ao sediar grandes festas e shows.

No mesmo ano, foi inaugurado o Ginásio Takaoka e, na década de 1990, o

Conjunto Poliesportivo Estefano Carrieri. Sem contar a criação da Olimpíada Inter Alphas, em 1992, considerada a maior competição do esporte amador da região, reunindo mais de 3 mil atletas.

Hoje, muita coisa mudou, incluindo o perfil de quem mora em Alphaville e, com isso, o ATC também precisou se adaptar. Segundo o presidente do clube, Carlos Eduardo Mantelli Martins, o ATC que nasceu há 50 anos é diferente do atual, resultado de uma evolução natural.

“Mantivemos valores essenciais como convivência, esporte e relacionamento social, mas o clube se modernizou em estrutura, serviços, governança e visão de gestão. O que permanece é o espírito de comunidade; o que muda é a forma de entregar valor ao associado. O perfil do

associado acompanhou o crescimento e a diversificação de Alphaville. Hoje temos famílias multigeracionais, profissionais altamente qualificados, empreendedores e jovens que buscam não apenas esporte, mas experiências completas”, explica. Na visão de negócios, Carlos Eduardo aponta que o principal desafio de gerir um clube do porte do ATC é equilibrar a excelência na experiência do associado com sustentabilidade financeira e eficiência operacional.

“Somos 12 mil associados. Um clube desse porte exige planejamento, governança, controle de custos e, ao mesmo tempo, sensibilidade para lidar com pessoas, expectativas e tradições. É uma gestão que combina razão e emoção. Além disso, outro grande desafio é manter a tradição

“O

PERFIL DO ASSOCIADO ACOMPANHOU O CRESCIMENTO

E A

DIVERSIFICAÇÃO DE ALPHAVILLE. HOJE TEMOS FAMÍLIAS MULTIGERACIONAIS, PROFISSIONAIS ALTAMENTE QUALIFICADOS, EMPREENDEDORES E JOVENS QUE BUSCAM

NÃO APENAS ESPORTE, MAS EXPERIÊNCIAS COMPLETAS”

e inovar constantemente. Isso porque tradição sem inovação leva à estagnação; inovação sem respeito à história pode afastar o associado. O equilíbrio entre esses dois pilares é o que mantém o ATC atual, desejado e relevante.”

CRESCIMENTO DE ALPHAVILLE

Carlos Eduardo enfatiza que o crescimento de Alphaville influenciou diretamente o posicionamento e as decisões estratégicas do clube, elevando o nível de exigência.

“Isso nos levou a profissionalizar ainda mais a gestão, investir em infraestrutura, serviços e pensar estrategicamente o clube como um centro de convivência, esporte e bem-estar à altura do bairro que se consolidou como referência. Hoje o associado busca experiências completas: qualidade de atendimento, diversidade de atividades, espaços bem cuidados, segurança, tecnologia e ambientes que favoreçam o convívio social. O clube deixou de ser apenas um local de prática esportiva para se tornar um espaço de vida”, pontua.

Não por acaso, nos últimos anos, o ATC realizou investimentos importantes que refletem essa transformação, como a criação de novos pontos de alimentação, com conceitos modernos e qualidade reconhecida no mercado, elevando a experiência gastronômica dos associados.

“No fim de 2025, entregamos o Sports Bar, um espaço de convivência contemporâneo, pensado para integrar esporte, lazer e relacionamento social, além de novos vestiários amplos, modernos e confortáveis, alinhados ao padrão de excelência que o associado espera”, destaca.

Alinhado a esse movimento, os próximos anos devem ser marcados por investimentos estruturantes. De acordo com o presidente do ATC, em 2026 estão previstas a entrega de novas quadras de padel, pickleball e squash, ampliando e diversificando a oferta esportiva do clube.

“Também está programado o início da construção de um novo complexo aquático, uma obra de grande porte que incluirá piscina, saunas e novos vestiários, reforçando o posicionamento do ATC como referência em esporte, lazer e bem-estar para seus associados.”

LEGADO

Ao longo desses 50 anos de história, Carlos Eduardo destaca que o maior legado do ATC é ter sido — e continuar sendo — um ponto de encontro.

“Um espaço que promove esporte, convivência, amizades e histórias compartilhadas entre gerações. O clube ajudou a construir o tecido social de Alphaville e segue como um símbolo de pertencimento, qualidade de vida e relacionamento”, conclui.

Hoje, o ATC tem 12 mil associados e disponibiliza mais de 40 modalidades esportivas, além de cursos sociais, eventos esportivos e sociais
Fotos: Divulgação e Acervo ATC
Carlos Eduardo Mantelli Martins é presidente do Alphaville Tênis Clube desde janeiro de 2023. Frequentador do clube desde a juventude, construiu ao longo dos anos uma relação próxima com a instituição e com seus associados
Fotos: Divulgação

MENDOZA PARA ALÉM DO MALBEC

A Revista Efe foi à Mendoza, a maior e mais renomada região vitivinícola argentina, onde são produzidos cerca de 70% dos vinhos do país

Por Johnny Mazzilli

MENDOZA CONTA COM 150.000 HECTARES DE VINHEDOS CULTIVADOS POR MAIS DE 1.200 VINÍCOLAS

Acidade encontra-se em uma região desértica. A altitude, o clima seco e a proximidade da Cordilheira dos Andes proporcionam condições ideais para a maturação de uvas como Malbec, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, que dão origem a vinhos de grande frescor e excelente capacidade de guarda. Mendoza é uma região vitivinícola de grande reputação internacional. Outras uvas, como Syrah, Chardonnay, Torrontés e Sauvignon Blanc são também largamente cultivadas e com resultados expressivos.

Mendoza possui diversas sub-regiões bem delimitadas e estabelecidas, como Lujan de Cuyo, Valle de Uco, Maipú, Perdriel e Agrelo. São nada menos de 150.000 hectares de vinhedos cultivados por mais de 1.200 vinícolas. Muitas destas bodegas têm excelente apelo turístico, com degustações e infraestrutura hoteleira e gastronômica de alto padrão.

Houve um tempo em que o consumo de vinhos (e carnes) na Argentina era massivo – na década de 1950, esse número atingia impressionantes 150 litros per capta, algo sem comparativo na América Latina e que pareava com o consumo de países como a França no pós-guerra. A produção de vinhos simples, de mesa, era toda destinada ao volumoso consumo interno, sem foco em exportações. A Malbec já tinha importância naqueles tempos, porém era utilizada quase estritamente na produção de blends, ou seja, era misturada a outras uvas para dar volume aos vinhos.

Vinhos produzidos pela Casarena Bodegas Y Viñedos
Fotos: Johnny Mazzilli

CASA NAOKI, HOSPEDAGEM LUXUOSA DA CASARENA BODEGAS Y VIÑEDOS

ASCENSÃO DA MALBEC

Em 1988, Paul Hobbs, o famoso produtor novaiorquino de vinhos, que já havia feito uma bem-sucedida carreira em vinícolas de renome na Califórnia antes de se tornar um consultor mundial, chegou à Argentina e ficou impressionado com o potencial do terroir mendocino. Hobbs começou a trabalhar a uva Malbec, contrariando a crença da época de que ela só servia para misturas e produziu um vinho que chamou a atenção da imprensa especializada norte-americana.

A partir desse momento, Hobbs começou uma revolução no cenário do vinho argentino, dando início à produção de tintos de grande qualidade e alçando a Malbec ao patamar de protagonista de vinhos finos que, rapidamente, alcançaram grande prestígio internacional, com foco no terroir e na elegância. Ele provou que a uva Malbec tem enorme potencial para vinhos de classe mundial, com alta pontuação e reconhecimento internacional.

Hoje, a Malbec é a variedade mais plantada da Argentina, seu cultivo segue se expandindo pelo país e se propaga por outros lugares do mundo, pelas mãos de viticultores inspirados no trabalho pioneiro de Paul Hobbs.

Com isso em mente, a Efe foi à Mendoza, onde visitamos a Casarena Bodegas Y Viñedos, uma renomada vinícola cuja sede situa-se em Perdriel, uma das mais cobiçadas sub-regiões mendocinas. A bodega funciona em um belo edifício histórico de 1937, junto a um de seus quatro vinhedos, Jamilla, de onze hectares. A visita teve início pelas instalações de vinificação e pela adega subterrânea com safras históricas. Lá, fomos convidados a escolher um vinho do acervo para acompanhar um assado que seria preparado naquela mesma noite. Foi escolhido um Cabernet Franc da safra 2008. Seguimos para o Sávia, o surpreendente restaurante da vinícola, com gastronomia internacional. Fomos recebidos com uma primeira

degustação de seis vinhos, durante o almoço. Em seguida, emendamos uma visita ao impressionante Lauren, o maior dos quatro vinhedos da propriedade, com 80 hectares, situado na sub-região Agrelo.

Após uma caminhada pelas videiras, seguimos para nossa hospedagem na luxuosa Casa Naoki, que funciona como uma espécie de guest house da vinícola. Ao redor da casa, encontra-se o vinhedo Naoki, com 18 hectares, onde brilha a variedade Malbec em um solo marcado pela presença de gesso, que dá aos vinhos excelente textura. Mais tarde, foi preparado um espetacular assado, apreciado com outros vinhos excepcionais da vinícola e a estrela da noite, o Cabernet Franc escolhido na adega histórica. Um vinho que, aos 18 anos, tinha ainda um impressionante potencial de guarda pela frente.

O dia seguinte iniciou sob calor intenso e forte insolação. Junto ao Naoki, visitamos o pequeno e exótico vinhedo Quebra-

da Las Flores, onde as videiras misturam-se à vegetação nativa e suas folhas miúdas e muito aromáticas. Este vinhedo de Cabernet Franc rende uma colheita de menos de 1.000 kg de uvas, destinadas à elaboração de um vinho ícone de pequeníssima produção exclusivo para o mercado brasileiro (que chegará ao Brasil em abril deste ano).

O último dos quatro vinhedos que visitamos foi o curioso Owen, com 30 hectares de Cabernet Sauvignon plantados em 1930. As videiras, com nada menos de 95 anos, têm rendimento muito baixo e suas uvas de grande qualidade são destinadas à elaboração de um vinho de altíssimo padrão, o Casarena Single Vineyard Owen Cabernet Sauvignon.

Para fechar com chave de ouro, voltamos ao Sávia, onde um menu degustação nos aguardava, acompanhados de outros sete vinhos. Missão cumprida!

e parreiras da

Instalações
Casarena Bodegas Y Viñedos

CIDADE MATARAZZO: O NOVO

EPICENTRO

DO LUXO E DA GASTRONOMIA EM

SÃO PAULO

Com a estreia do Mata Città e novas aberturas no radar, o complexo acelera sua vocação como polo de experiências — do brunch ao bar

Inaugurado em 2022, o Cidade Matarazzo é um dos projetos urbanos mais audaciosos e emblemáticos dos últimos anos em São Paulo. Localizado no coração da cidade, a poucos passos da Avenida Paulista, ele combina história, cultura, arte, moda, lifestyle e, acima de tudo, gastronomia.

E por falar em gastronomia, essa é justamente a aposta do complexo para o ano de 2026. Em janeiro, o espaço inaugurou o Mata Città: uma área de 1.600 metros quadrados e sete ambientes interligados, com capacidade para 470 pessoas, projetada pelo escritório Toca, que oferece espaços dedicados ao café da manhã, almoço e jantar, passando também por uma sorveteria, uma pizzaria, um bar de coquetelaria e uma padaria - cada um com ambientação distinta inspirada na estética da Itália dos anos 1960 e 1970, evocando a sensação da dolce vita.

Mas você deve estar se perguntando: qual a importância desse complexo para a cidade? Mais ainda: qual a importância dele para Alphaville?

Além do impacto turístico e econômico, o projeto representa um movimento raro: resgatar um patrimônio histórico gigantesco e devolvê-lo ao cotidiano urbano, sem que ele vire apenas uma lembrança ou um espaço fechado em si mesmo. Ou seja, para a cidade de São Paulo e para Alphaville, o complexo trata-se de um exemplo de resgate de patrimônio histórico, que foi transformado em um lugar que mistura cultura, comida, arquitetura e convivência, com a sensação de que o passeio vale tanto quanto o destino final.

E QUAL A HISTÓRIA POR TRÁS

DO CIDADE MATARRZO, AFINAL? O terreno onde hoje funciona o Cidade Matarazzo abrigou, por décadas, um dos endereços mais emblemáticos da saúde paulistana: o antigo Hospital Umberto I, popularmente conhecido como Hospital Matarazzo, além da Maternidade Condessa Filomena Matarazzo. O complexo chegou a ser referência na cidade, mas foi

desativado nos anos 1990 e permaneceu abandonado por décadas — tempo suficiente para que o local ganhasse ares de ruína urbana e virasse assunto entre curiosos, cercado por histórias e lendas urbanas.

A virada veio quando o espaço foi adquirido, em 2007, pelo empresário francês Alexandre Allard, que idealizou um projeto com um desafio raro em São Paulo: reviver esse conjunto histórico preservando sua arquitetura e significado, integrando-o ao futuro urbano com espaços de uso contemporâneo — incluindo um hotel de luxo, residências, áreas de arte e cultura, lojas e um boulevard gastronômico vibrante.

O QUE O COMPLEXO OFERECE HOJE

Atualmente, o Cidade Matarazzo funciona como uma espécie de “cidade dentro da cidade”, com áreas integradas para circular, consumir, comer, beber e descobrir. Entre os destaques estão o Hotel Rosewood São Paulo - um dos hotéis mais luxuosos do Brasil, que ocupa o prédio restaurado da antiga

maternidade e também uma torre contemporânea com jardins verticais, assinado pelo arquiteto Jean Nouvel e com interiores de Philippe Starck; a Casa Bradesco - um centro dedicado a exposições, arte e cultura, com programação rotativa de alto nível -, e o clube Soho House - um clube privado de membros criado para pessoas da indústria criativa, como gente de cinema, música, moda, publicidade, design, artes e tecnologia.

Vizinha a Casa Bradesco e a Soho House, está também uma novidade do complexo, inaugurada em dezembro do ano passado, a Mata Lab, um espaço de três mil metros quadrados e que oferece a curadoria de mais de 200 marcas, que vão desde vestuário até joalheria e móveis.

Entre os produtos vendidos no Mata Las estão marcas nacionais como Osklen, PatBo e Missoni, assim como Forca Studio, Santa Resistência e The Paradise. O espaço também é o primeiro do Brasil a contar com uma seleção de produtos da badalada Dover Street Market, loja londrina da designer Rei Kawakubo que é adorada pelos antenados em moda. No geral, as etiquetas também trazem conceitos como sustentabilidade, peças de segunda mão e upcycling.

UM TOUR PELO MATA CITTÀ

Voltando a grande novidade, o Mata Città, vale entender melhor seus sete ambientes. Lembrando que é possível sentar em qualquer um dos espaços — já que o menu circula entre eles — mas cada ambiente tem personalidade própria, como capítulos de um mesmo filme.

Dolce Vita é o pátio onde o café e o brunch se estendem ao longo do dia, com doces e gelatos que ajudam a compor o clima leve do espaço.

No Tivoli, salão de inverno cercado de verde, a cenografia ganha um toque clássico com a presença de uma cópia de As Três Graças, de Antonio Canova — referência que dá ao ambiente um ar quase museológico.

Já o Conde é a sala mais intimista, em homenagem a Francisco Matarazzo, fundador das Indústrias Matarazzo. Ali, o décor mistura elementos industriais, tapeçarias e retratos históricos, além de um detalhe que chama atenção de imediato: cerca de 1.200 pratos espalhados por paredes e tetos, como uma instalação permanente.

O Cucina funciona como um cruzamento entre restaurante e empório, com um mesão coletivo de 26 lugares, prateleiras de produtos italianos e ingredientes que ganham protagonismo — de queijos cortados à mão a embutidos maturados. É também dali que saem as pizzas, assadas em forno da marca portuguesa Ramalho.

INAUGURADO EM 2022, O COMPLEXO CIDADE MATARAZZO REPRESENTA UM MOVIMENTO RARO: RESGATAR UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO GIGANTESCO TRANSFORMANDO-O EM UM LUGAR QUE MISTURA CULTURA, COMIDA, ARQUITETURA E CONVIVÊNCIA

RECÉM-INAUGURADA,

A ÁREA

GASTRONÔMICA

MATA CITTÀ CONTA COM 1.600 METROS QUADRADOS E SETE AMBIENTES INTERLIGADOS, COM CAPACIDADE PARA 470 PESSOAS - COM FOCO NA GASTRONOMIA ITALIANA CONTEMPORÂNEA

No Positano, o limão-siciliano domina a narrativa visual, com paredes que exibem garrafas e luzes âmbar, criando um clima quente e mediterrâneo.

O Capo é o bar grandioso — quase teatral — com balcão, prateleiras que sobem até o teto, piano e cortinas vermelhas, reforçando a vocação do espaço para encontros noturnos.

E para quem prefere mesas ao ar livre, o Terrazza oferece um pergolado com cobertura de tecido branco e o detalhe que costuma decidir o passeio de muita gente: é o único ambiente pet-friendly.

Como arremate da experiência, o restaurante ainda abriga dois banheiros que disputam o título de “mais fotografados da cidade”, incluindo um espaço com referências ao tarô e uma tela touch para quem quiser brincar com a própria sorte.

MENU E BEBIDAS: UMA EXPERIÊNCIA DE CASA ITALIANA, EM ESCALA DE ESPETÁCULO

Em vez de se apresentar como uma “estreia gastronômica” no sentido tradicional, o Mata Città funciona como uma casa italiana contemporânea onde o que se serve importa tanto quanto o jeito de servir — porções generosas, pratos de conforto e uma ideia clara de mesa compartilhada, em um formato pensado para encontros longos, com pausas e retornos.

O cardápio é amplo, com mais de 60 preparos, e percorre o repertório clássico italiano com apelo popular e acabamento de alto padrão: entradas para beliscar sem pressa, saladas que equilibram a refeição, pizzas que entram em cena com protagonismo, massas que sustentam a alma do menu e pratos principais que pedem tempo — daqueles que chegam com presença e se tornam assunto na mesa.

Há espaço para sabores diretos e reconfortantes, como fritas com creme de queijo e pimenta-do-reino, e também para entradas que flertam com ingredientes mais marcantes, como trufas, burratas e preparos empanados que lembram a cozinha de trattoria — só que em uma versão cenográfica, do tamanho do Cidade Matarazzo.

As massas aparecem como eixo central, transitando entre receitas minimalistas e outras mais intensas, com molhos longos, queijos curados e cortes suculentos. Já as pizzas, além de clássicas, entram como ponte entre o almoço descontraído e o jantar que pede vinho e conversa. Nos pratos principais, a casa investe em preparos de cozimento lento e clima de celebração — daqueles que chegam à mesa com cara de domingo italiano, mas prontos para viver no ritmo paulistano de uma noite grande.

A operação é conduzida por Felipe Rodrigues, chef executivo do complexo, e Thiago Saldiva, chef executivo da casa, com uma equipe robusta: 70 profissionais na cozinha e 150 no salão, número que revela o tamanho da ambição do projeto.

COQUETELARIA E VINHOS: UM BAR À ALTURA DO CENÁRIO

As bebidas seguem a mesma lógica do restaurante: mais do que acompanhar o prato, elas ajudam a construir a atmosfera.

A carta de coquetéis, assinada por Gabriel Bressane (chefe de mixologia) e Carlos Franco (chefe de bar), transita entre clássicos reinterpretados e criações autorais com sotaque ítalo-brasileiro — drinques que funcionam tanto como abertura do jantar quanto como motivo para estender a noite no balcão do Capo.

Para quem prefere vinho, o Mata Città sustenta uma adega com cerca de 300 rótulos, reforçando o caráter de casa italiana pensada para encontros longos e brindes sem pressa.

SOBREMESAS: O FINAL DOCE COMO RITUAL

Na confeitaria, sob liderança da chef-pâtissière Bárbara Andrade, as sobremesas cumprem o papel de fechamento de espetáculo: aparecem com estética generosa, vontade de colher e clima de compartilhamento. A Torta al Limone e Meringa surge como assinatura — servida em taça grande, daquelas que chegam com presença e pedem para ser divididas — e divide atenção com clássicos italianos como tiramisù, cannoli e opções com pistache.

E O QUE VEM POR AÍ?

O Cidade Matarazzo segue em expansão e, nos bastidores, a gastronomia aparece como um dos motores do futuro. Uma das apostas é a chegada de nomes internacionais — como o Em Sherif, restaurante de culinária libanesa conhecido globalmente, com previsão de abrir unidade no complexo, marcando sua estreia na América Latina.

A expectativa é que o Cidade Matarazzo avance cada vez mais como hub gastronômico: um lugar onde novos projetos podem estrear com força, onde chefs e grupos encontram vitrine, e onde o público — local e turista — sabe que sempre haverá algo novo para descobrir.

Mata Città

Rua Itapeva, 569, lj L0A1001, Bela Vista, São Paulo, SP

Horário de funcionamento: Dolce Vita aberto todos os dias, das 8h às 23h; Capo, Cucina, Tivoli, Positano, Conde e Terrazza abertos de segunda a domingo, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Reservas pelo site

Mata Lab Alameda Rio Claro, 260, Bela Vista, São Paulo, SP

Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingo, das 12h às 20h.

Fotos: Divulgação

DO CEMITÉRIO AO MUSEU, PELA PRIMEIRA VEZ

Aobra ao lado adornava, no Cemitério do Araçá, em São Paulo, o túmulo da poetisa Francisca Júlia, falecida no dia 1 de novembro de 1920. Ela foi encomendada por um grupo de intelectuais articulados com o Governo do Estado, devido a grande importância da poetisa - em uma época em que quem ditava as regras era o universo masculino, Júlia teve muito sucesso com suas obras literárias e se tornou percursora da literatura infantil no país. O selecionado para o trabalho foi o então jovem escultor, Victor Brecheret (autor do Monumento as Bandeiras), que estava como bolsista em Paris. Foi a partir do estudo de poemas de Francisca Júlia que Brecheret fez a escultura - em mármore - entre 1921 e 1923, em Paris. Ela ganhou o nome do poema homônimo de Júlia: a Musa Impassível. Envolvida por sensualidade, os olhos fechados remetem a querer esquecer a dor da morte, os seios grandes e fartos afirmam a importância da mulher na sociedade e os dedos e braços longos e delicados simbolizam a força e a superioridade de uma mulher que abriu segmento na literatura feminina.

Em 2006, devido a deterioração causada pela ação do tempo, principalmente pelas chuvas ácidas, a Musa Impassível foi transferida para a Pinacoteca do Estado, no Parque da Luz, em São Paulo. Pela primeira vez na história da cidade, uma obra tumular saiu do cemitério e foi para um museu. Lá, passou por higienização e um meticuloso processo de restauração e segue deslumbrando os admiradores de arte. No lugar onde antes estava a escultura de mármore original, foi colocada uma réplica de bronze.

Vale lembrar que junto com essa obra, há também um acervo enorme na Pinacoteca do Estado que pode ser visitada diariamente. Já Victor Brecheret tem obras e monumentos espalhados por toda a cidade - inclusive em lugares públicos, como o Parque do Ibirapuera.

Musa Impassível, Victor Brecheret
Pinacoteca do Estado
da Luz, 2, Luz, São Paulo
quarta a segunda, das 10h às 18h
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Incorporadora responsável: ALPHA 1 EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO SPE LTDA, incorporação registrada em 28/12/2021, sob R.11/98.693 da matrícula n º 98.693, do Ofício de Registro de imóveis de Barueri. O detalhamento dos serviços, equipamentos e acabamentos que farão parte deste empreendimento constam no memorial descritivo. As imagens são meramente ilustrativas, estão sujeitas à alterações e não representam fotografias exatas do empreendimento. As plantas são ilustrativas com sugestão de decoração, os móveis e utensílios são de dimensões comerciais e não fazem parte do contrato de compra e venda do imóvel. A vegetação que compõe o paisagismo retratado nas perspectivas é meramente ilustrativo e apresenta porte adulto de referência, na entrega do empreendimento essa vegetação poderá apresentar diferenças de tamanho e porte, mas estará de acordo com projeto paisagístico do empreendimento. Planejamento e Vendas: COELHO DA FONSECA EMPREEENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA – Avenida Brasil, 1064 – São Paulo SP. www.coelhodafonseca.com.br - Telefone: 3888-3000 | Creci: J961.*

Concepção artística da alameda
Foto ilustrativa gerada por IA

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