Revista DOT 10 ° edição | DOT#10

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REVISTA DOT | 10ª EDIÇÃO | 02/2015 | FAAL projeto experimental do curso de design



BEM VINDO




Revista

EDITORIAL

Edição #10 2 º Semestre | 2015 DOT é a revista digital produzida pelos alunos da empresa júnior COMA Design, que representa os cursos de design gráfico e produto da Faculdade de Administração e Artes de Limeira- FAAL

É isso ai pessoal, a tão esperada DOT 10 está prontinha, só esperando você. Nesta comemoração de 10 edições separamos muita coisa boa, matérias sensacionais e muitas NOVIDADES. O tempo foi curto e a correria foi grande, porém conseguimos trazer, com muita satisfação esta revista pra você se deliciar e aproveitar o máximo, cada minuto desta experiência única chamada #DOT10. Nesta edição trazemos algumas novidades que você poderá encontrar por meio dela e garantimos que está melhor do que você esperava. Juntos pesquisamos detalhadamente cada assunto abordado para criar o melhor conteúdo para você. Com a #DOT9 aprendemos muitas lições, das quais aplicamos nesta edição para não ser apenas uma revista de design, mas sim uma fonte de informação para quem se interessa pela indústria criativa. Buscamos diferentes assuntos superinteressantes para poder agradar a todos nossos leitores. Agradecemos a todos que participaram de algum modo desta jornada, aos patrocinadores, aos depoimentos para a matéria de comemoração, em especial ao Valdir Brito que nos relatou grandes historias sobre o inicio da Dot, agradecemos a Professora Samara por nos dar a chance de realizar este projeto, pela força que nos deu, pelo incentivo e pela confiança depositada em nossa equipe, Gostaríamos de agradecer também a todos que enviaram os portfólios, e a todos vocês leitores que acompanham cada evolução deste projeto.

Obrigado a todos e esperamos que curtam o máximo a #DOT10

Equipe DOT


P RO F E S S O R E S E ALUNOS FAAL PROFESSORES

Samara P. Tedeschi Orientadora

EQUIPE DOT #10

Samara P. Tedeschi Tomas G. Sniker Banca de avaliação do concurso de portfólios

ALUNOS

MusgUrbanu

Anúncio COMA Design

COLABORADORES EXTERNOS

Sara Cegantin

Lais Cristina

Design Gráfico. Vê cenas cômicas em tudo e todas acabam se transformando em uma ilustração. Adora ficção e boas histórias.

Estudante de Design Gráfico, adora um bom filme e uma boa história, prefere comer pizza com os amigos do que dançar com desconhecidos, pensativa não falante, tranquila por natureza.

Isis Villa

Felipe Madeiros

Insônia Mobiliário e Impressão 3D Patrocínio

CCAA Estudante de Design, adora ilustração e arte urbana, está sempre contando uma piadinha tonta e não entende como as pessoas gostam tanto de tapioca.

Estudante de Design Gráfico e grafiteiro. Faz montagem de todos amigos e ainda terá seus desenhos estampados em skates.

Patrocínio

Henrique Lira Entrevista

Rodrigo Pascoal Entrevista

Valdir Brito Entrevista

Cássia Cegantin

Brinde da camiseta para sorteio

Júlio Cesar

Apenas mais um aspirante a designer buscando seu lugar no mundo. Amante de Van Gogh, Clube da Luta, arte urbana e teorias da conspiração. Contaria uma história interessante sobre Banksy e “Noite Estrelada”, mas a primeira regra não lhe permite.

Capa

Maura Fraile

Marina Fernandes

Thyago Bezerra

Estudante de Design Gráfico, sempre disposta pra novas experiências e conhecimento na área. Gosta de filmes, música, chocolate e viajar, adora séries.

Estudante de design gráfico. Assume a idade por achar tudo curioso. Gosta de ler, mas tem uma estante cheia de livros que nunca abriu. Dança todos os dias.

Um mestre Pokêmon frustado, tentando ser chamado de designer mesmo que seus pais não façam a mínima ideia do que ele faz. Viciado em qualquer coisa que pode ser considerado nerd ou Geek.

Diagramação

Redação

Revisão

Social Media

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SUMÁRIO COMO É O DESIGN EDITORIAL?

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VESTIDOS E REVESTIDOS DE ESTAMPAS

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PIMP MY CARROÇA

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ILUSTRAÇÃO COM RODRIGO PASCOAL

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44

ANIMAÇÃO COM HENRIQUE LIRA

AS 10 EDIÇÕES DA DOT

PORTFÓLIOS

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A REVOLUÇÃO E EVOLUÇÃO DAS CÉDULAS

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O MUNDO DALTÔNICO

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TUTORIAL PHOTOSHOP



|COMO É O DESIGN EDITORIAL? Redação: Isis Villa e Thyago Bezerra


|COMO FUNCIONA O TAL DESIGN EDITORIAL?

Foto: www.99u.com

O Design Gráfico possui áreas multidisciplinares para se estudar e atuar, uma delas é o Design Editorial, que trabalha na edição e produção de livros, jornais, revistas e afins. Basicamente o design de revistas tem sido uma área muito influente do design gráfico contemporâneo, diferente do design de livros, que é uma das mais antigas formas de design editorial, considerada definidora do design gráfico e talvez base para a estruturação de outras formas de publicação. Ainda temos o design de jornais, que possui uma diagramação diferenciada, seguindo a hierarquização das matérias por ordem de importância. É uma especialidade do Design Gráfico que abrange todo o processo de editoração e possui forte intimidade com o jornalismo, escrita criativa, tipografia, infografia e ilustração, exigindo não somente criatividade para se criar algo além da simples elaboração de uma página, mas uma edição visual jornalística que leva em conta estrutura, método, coerência e o peso da informação a ser escrita de acordo com seu público alvo.

_ O QUE PRECISO PARA A EDITORAÇÃO? Para um bom projeto editorial são necessários alguns itens indispensáveis, além do conhecimento em design gráfico, que agrega bastante, mas não é tudo. Entre eles:

_ grid Nada mais é do que uma malha composta por linhas guias, colunas e margens que facilitam a diagramação e servem para encaixar, alinhar e posicionar elementos gráficos de forma harmoniosa.

_ fontes Muito importante para um projeto gráfico, já que errar na fonte pode causar uma difícil leitura, principalmente se for em blocos de texto. Evite fontes “condesed” ou muito grossas, espaço demasiadamente grande dentro das letras em relação as linhas e fontes fantasia ou decoradas, isso torna a leitura lenta. Se decidir combinar fontes lembre-se de nunca utilizar mais de três ou quatro tipos diferentes, pois vai causar confusão e deixar o trabalho desagradável esteticamente. O ideal é que seja usada uma fonte de aparência suave, com caracteres do alfabeto de largura semelhante tornando assim o texto confortável para leitura. 10

Foto: www.galleryhip.com

Os chamados “caminho de rato” (quando os espaços entre as palavras formam caminhos verticais) e “viúva” (quando sobra uma palavra na última linha de um bloco de texto) são duas coisas que também devem ser evitadas em um texto para manter a boa leitura e estética.


_ DICAS! Quer saber mais sobre esse universo do design editorial? Além de cursos existentes por aí, vamos dar algumas dicas de leitura pra você mergulhar nessa.

Guia Prático de Design Editorial – Criando Livros Completos Aline Haluch Aline Haluch que ministrou diversos cursos de design editorial e projetou vários livros, juntou preciosas dicas e informações sobre editorial e como criar um livro, desde a compreensão do briefing, metodologias, escolhas tipográficas, grids, estilos, ilustrações, capas à _finalização capa e questões de produção gráfica. É um material aprofundado para guiá-lo em seus projetos.

Fundamentos da Comunicação Visual Bo Bergström

Fotos: www.computerarts.com.br

Um guia inspirador para aqueles que desejam conquistar uma corrente de comunicação através da estratégia, mensagens até o design e influência para se atingir o público alvo. Aborda os principais temas dos meios de comunicação, com ilustrações que contêm exemplos atuais do que há de melhor na comunicação visual ao redor do mundo.

_ capa Você já deve ter ouvido aquela expressão: “você compra o livro pela capa”. Ela é verdadeira, as capas servem como um outdoor, os elementos gráficos são pensados de forma a atrair a atenção do consumidor, mesmo sabendo que o livro não deve ser comprado apenas pela estética da capa. As informações da capa devem ser simples e objetivas, enfatizando o nome e os assuntos principais no caso de revistas e o título no caso de livros. Os exemplos que vocês acabaram de ler serão utilizados em uma publicação editorial e no qual o designer deve estar em sintonia para se realizar um trabalho contextualizado e de ótima compreensão pelo seu público alvo. Não basta ser designer e apaixonado por leitura ou estética do design editorial, são necessárias regras e conhecimentos.

Bibliográfico - 100 Livros Clássicos sobre Design Gráfico Jason Godfrey

_ capa

Escrito pelo designer e bibliófilo inglês Jason Godfrey, esse livro traz mais de 100 anos de design num mosaico vivo e variado, reunindo uma seleção de

100 títulos que marcaram a produção editorial e o design gráfico nos séculos XX e XXI. Organizado em seis seções: tipografia, livros de referência, didáticos, histórias, antologias e monografias. 11


|O MERCADO DE TRABALHO PARA O DESIGN EDITORIAL Na área editorial vários profissionais podem exercer funções bem distintas, que muitas vezes nós designers temos intimidade e facilidade de trabalhar como ilustrações, diagramação e direção de arte. Veja algumas características de cada umas dessas funções.

Foto: www.ithinkplus-design.com

_ DIAGRAMAÇÃO

_ DIREÇÃO DE ARTE

_ ILUSTRAÇÃO

Também conhecida como paginação, consiste em distribuir elementos gráficos com ilustrações fotos e texto em um espaço limitado da página que vai ser usada em diversas mídias como jornais, livros, revistas, cartazes, sinalização, websites e inclusive na televisão. Tem o trabalho de hierarquizar o conteúdo com tipografia e legibilidade para que seja compreendido de maneira fácil e que não haja confusão do leitor.

Tem a função de gerenciar a trabalho de design e concepção artística, auxiliando na criação e guiando quais aspectos devem ser aplicados a peça utilizando ilustrações, fotos e infográficos. Analisa e orienta para que o briefing que foi passado para criação de um site, jornal ou livro esteja correto como foi pedido.

Tem a responsabilidade de representar de forma gráfica o conteúdo de texto para qual será associado, que podem ser feitas para demonstrar conceitos ou objetivos tenham dificuldade de serem descritos de formal textual, facilitando a compreensão na leitura. Não é necessário ser um designer para ser um ilustrador, mais como grande parte dos profissionais da área de design tem um talento e um gosto por ilustrações, podem também exercer essa função

Foto: www.yalantis.com

_ O CENÁRIO ATUAL Hoje em dia vemos que as mídias físicas estão sendo migradas para as digitais, o que facilita o acesso do leitor através de seus computadores e smartphones que já fazem parte do dia a dia de suas vidas. Mais ainda assim podemos aplicar o design editorial pode ser aplicado em sites, blogs, revistas digitais e jornais ele12

trônicos, que estão espalhados por toda web. Com isso podemos ver o crescimentos desta área e o quanto ela é constante no nosso cotidiano. Então busque se especializar e se atualizar para o novo mercado que já estamos vivendo nesta era dos mobiles.


Como é o Design Editorial?

_ O DESIGN DE INFOGRÁFICOS Os infográficos são vistos por muitos profissionais da área de publicidade, jornalismos e design como a melhor maneira de reunir informação e design de uma forma interessante, clara e dinâmica, guiando o receptor através de imagens, ilustrações, setas e outros atributos do design para passar informações da maneira certa. O design de um infográfico também é muito importante. Por ser uma peça muito visual, ele atrai a atenção e passa a mensagem da matéria. É preciso seguir uma lógica para guiar através de um fluxo o olhar do leitor para áreas importantes. Um buraco branco pode chamar a atenção e dar um descanso para o leitor.

Foto: www-03.ibm.com

_ MAS QUAL A RECEITA? A escolha das cores é fundamental. Cores frias passam seriedade e cores quentes, emoção. O contraste também é uma arma poderosa, está comprovado que as cores pode melhorar aproximadamente 40% a compreensão do texto. Mas não existe uma receita pronta para se fazer um bom infográfico, mesmo com padrões de identidade visual, tipos menores ou maiores, cores diferentes para dar mais destaque ao texto, tudo depende do que é preciso informar e de como precisa ser informado para que o receptor seja instigado a leitura e entenda tudo o que está sendo passado através do infográfico. Não se engane achando que um ótimo infográfico pode salvar um conteúdo ruim, pois mesmo com design rebuscado, moderno,

cheio de efeitos ou flat, uma informação ruim continuará sendo ruim, só que mais agradável ao olhos. Para finalizar, lembre-se que quando se usa um infográfico o mais importante não é somente algo que agrade aos olhos ou chame atenção do leitor, como designer você tem que pensar no infográfico como um projeto que serve para informar, e um infográfico que não consegue isso não serve para nada. Pense bem antes de ser extravagante demais ou minimalista demais, o importante é o receptor. Textos: www.chocoladesign.com | www.alucasdesign.blogspot.com.br www.designnerd.com.br | www.designontherocks.blogspot.br www.artmixweb.com.br | www.logobr.org

_ AS VANTAGENS DO INFOGRÁFICO

Foto: www.dpempresarial.com.br

•Um infográfico pode aumentar até 12% do acesso a um site. •Ele tem aproximadamente 30 vezes mais chances do leitor despertar interesse pela matéria. •A imagem é compreendida muito mais rápida do que informações complexas. •O nosso cérebro tende a receber melhor informações através de imagens.

Foto: www.digitalprblog.com

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|VESTIDOS E REVESTIDOS DE ESTAMPA Redação: Maura Fraile e Marina Fernandes


|VESTIDOS E REVESTIDOS DE ESTAMPA Cada vez mais, as estampas são um diferencial no mercado têxtil, pois abrangem valores na identidade da marca e ainda são mais atrativas para os consumidores. As cores, os desenhos padronizados, as linguagens artísticas como colagem e pintura, tornam o mercado cada vez mais criativo e original. O processo criativo varia de profissional para profissional, mas de forma geral, é através da pesquisa de referências na internet, em livros, criando composições, colagens, elementos gráficos, tudo que sirva de inspiração para a realização do processo conceitual da sua própria composição e linguagem, além do uso dos materiais que o profissional achar adequado para o seu tipo de trabalho, aplicando dentre diversas técnicas: aquarela, guache, nanquim, lápis aquarelado, lápis pastel, diversos tipos de canetinhas,

entre outros materiais que podem compor diversas ilustrações. O designer que atua na criação de estampas deve estar sempre em busca de crescimento e desenvolvimento do próprio potencial, já que o mercado está cada vez mais exigente. O que antes poderia significar apenas um elemento decorativo e ornamental, hoje está repleto de conceitos que resgatam temas regionais, culturais, tropicais, climáticos e históricos que diferenciam uma estampa da outra. É necessário também que o designer de superfície tenha conhecimentos técnicos sobre o processo da filtragem da estampa no tecido, pois essas características podem influenciar na criação das peças, então torna-se essencial que o profissional seja flexível de acordo com o tipo de estampa e material que irá trabalhar.


Vestidos e revestidos de estampa

_ ESTAMPA X PADRONAGEM Antes de qualquer coisa, é importante saber que não existe uma “briga” sobre as confusões que normalmente acontecem na diferenciação de padronagem e estampas, ambas servem para modificar e acrescentar no tecido, e são de grande importância para a indústria têxtil. Para ficar tudo nos trinques e entendermos essa diferença, é importante saber que a estamparia possui muitas variedades de processos e técnicas utilizadas na produção. Como por exemplo, a Estamparia Corrida de Cilindro, onde cada cor ganha um anel de metal exclusivo. Esses anéis são perfurados com o desenho da estampa e quando a máquina gira, os cilindros aplicam a tinta no tecido. Também é comum o processo digital, pois ele dispensa a fabricação de quadros e cilindros e o processo é semelhante ao de uma impressora de papel. Nele, a máquina imprime o desenho direto na base, do computador para o tecido. As cores são formadas pelos pixels dos jatos de tinta e, portanto, a liberdade de criação é imensa. Os tons e desenhos são reproduzidos fielmente e o impacto ambiental desse processo é quase zero. O que todos esses processos têm em comum e se caracterizam como ESTAMPA, é que o desenho é aplicado em cima do tecido que está liso e pronto para ser estampado. Essa aplicação pode ser por tinta ou até mesmo adesivo.

www.casarima.com.br

Já no caso das padronagens, que também trabalham na formação de um desenho dentro dos tipos de estampas (como o xadrez, risca de giz, listras e etc), o processo é executado na tecelagem, onde o próprio tecido forma o padrão do desenho.

_ E QUE HISTÓRIA É ESSA? No mundo da moda e decoração existem as estampas que mais se destacam, com nomes específicos que fazem parte do nosso dia-a-dia, são eles: Listras – Estampa simples que pode ser usada na horizontal, vertical ou diagonal. As listras podem ser finas, grossas ou mistas, em diversas cores. Compõe o estilo Navy, introduzido pela estilista Chanel. Risca de Giz – Estampa de listras, mas sempre seguindo o mesmo padrão: listras finas na vertical. Estilo mais utilizado em roupas formais, social. Poás – Direto da década de 1960, a estampa de bolinhas. Podem ser grandes, pequenas, mistas e em diversas cores. No início a produção só utilizava poás pretos. Chevron – Estampa com forma gráfica em “V”, tornado assim um zigue zague, padronagem que se tornou tendência e tradição. Geométricas – Formas geométricas que juntas podem construir ainda outras formas. Pode ser abstrata, apenas com a repetição de uma mesma figura geométrica.

www.pinterest.com

dosquatro.wordpress.com

Fonte: http://www.eba.ufrj.br/index.php/servicos/direitos­autorais

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andpearls.co

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Tribal – Parecida com a estampa geométrica, porém tem um estilo mais folk e às vezes até meio indígena. Animal Print – Imita a pele dos animais selvagens. As mais famosas são a de onça, zebra e cobra. Floral – As estampas florais podem ser mais coloridas e chamativas no verão e mais sóbrias e com fundo escuro no inverno. Liberty – Estampa Floral, mas a diferença nesse caso é que ela é composta por flores pequenas. Possui esse nome devido à loja inglesa Liberty of London ser a pioneira em padronagens desse estilo. Xadrez – Estampa introduzida pela estilista Chanel, totalmente unissex. Tendência no inverno e presente em vários estilos na moda e decoração. Pied de Poule – Estampa “Pé de Galinha” por sua forma semelhante às pegadas de galinha. Clássica e antiga, criada pela estilista Chanel, padronagem que vem da família do xadrez, também unissex. Pied de Coq – Estampa “Pé de Galo” agora por sua forma semelhante às pegadas do galo. O que o diferencia ao Pied de Poule são alguns detalhes e o tamanho. Texto: talentomoda.com.br

_ ESTAMPA X MODA A moda está presente em todos os territórios, desde regionais a internacionais, e esse campo aumenta cada vez mais, porque está repleta de conceitos que introduzem características locais e pessoais de cada indivíduo. E isso faz toda a diferença, para as marcas e consumidores. A indústria fashion possui variedades de estilos e características que correspondem ao gosto de cada um. Ela não é apenas uma roupa que cobre o corpo, ela diz sobre todos nós. A estampa faz parte de todo esse processo conceitual que diz respeito à moda, ela é um elemento forte e atraente das coleções. Transmitem emoções, e se tornam uma forma de expressão diante da subjetividade do estilista ou do designer. Grandes marcas criam coleções com temas que são representados nas estampas, mesmo em alguns casos onde a ideologia é mais clean. A expressividade atingida pelas estampas e padronagens são tão abrangentes, que é sempre um bom caminho a recorrer. Outras marcas, como a Farm, só trabalham com estampas, tornando o desenho característico da marca. A Farm é uma marca brasileira que nasceu no Rio de Janeiro, e hoje, atua em vários 18

estados. Reconhecida nacionalmente e internacionalmente, as estampas coloridas e descontraídas são trabalhadas com muita originalidade com temas tropicais e brasileiríssimos. Fora isso, a Farm também trabalha com parcerias de outras marcas, como Adidas, Havaianas e Converse All Star, com coleções inconfundíveis e apaixonantes. E não para por aí não! Se você pensa que a Farm tem parceria somente com marcas de roupas, sapatos e acessórios, está super enganado! As estampas FARM foram parar em cadernos, blocos, estojos e outros produtos da Papel Craft, e não menos importante, também assinou as embalagens dos picolés e do isopor Gold do sorvete Itália. É isso mesmo! A Farm é conhecida por suas estampas alegres e são essas características que dão todo o diferencial e reconhecimento da marca. Farm é estampa! Outra marca que sabe usar bem as estampas e cores é a Kenzo. Uma marca japonesa, que conta com os criativos Carol Lim e Humberto Leon. Em 2013, na Semana de Moda de Paris, eles invadiram as passarelas com jaquetas, macacões e calças com o tema JUNGLE.

A selva foi inspiração com cores e estampas que deram destaque à coleção, e foi muito bem avaliada. A Kenzo também trabalha com parcerias. Em 2013, junto com a Vans lançaram a terceira coleção de tênis estampados. Conforme divulgado na Vogue Brasil a parceria é de sucesso, com os modelos de tênis Vans Authentic e Slip-On que receberam as mesmas estampas animal prints. A marca também aplica estampas em coleções outono-inverno. A coleção de inverno 2015 traz cores vibrantes como o amarelo, o preto, o verde e o vermelho, mas o que se o que chama mesmo a atenção são as características selvagens que remente a árvores e florestas.


Vestidos e revestidos de estampa

_ ESTAMPAS MASCULINAS

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A Versace é uma grife italiana de muito sucesso, conhecida principalmente pelos seus modelos de estampas inspirados em medusa, que é também o registro da marca. Uma das principais características que facilmente reconhecemos nas peças são as malhas metálicas, os arabescos e claro, a medusa. Eles trabalham com uma variedade imensa de roupas e acessórios masculinos, onde as estampas estão presentes em tudo: blusas, sapatos, acessórios e até cuecas. Com certeza o dourado e a medusa produzem uma imagem masculina muito elegante e sofisticada que só de olhar sabemos que é Versace. Mas ainda que com toda essa elegância, exploram outras cores como vermelho, preto e tons de cinza, e as estampas também usam forma de listras e figuras geométricas. Claro que eles também trabalham com variedades de roupas, sapatos e acessórios femininos. Viu só? No mundo da moda existem várias marcas que trabalham com estampas frequentemente. Masculinas ou femininas, não importa. As estampas são importantes e bem vindas por seus conceitos facilmente transmitidos ao consumidor que anda cada vez mais exigente. O que é ainda melhor pois a variedade é tanta nos tipos de estampas e modelos que agrada a todo tipo de pessoa, é só escolher.

_ REGISTROS DAS ESTAMPAS Após todo esse processo, algo muito importante que deve ser citado é sobre o registro das estampas que o profissional cria ao longo de sua carreira na área, pois elas precisam ser divulgadas aos clientes para ter o reconhecimento no mercado de trabalho e continuarem preservadas sem correr o risco de cópias, muito recorrentes na internet ultimamente. Indicamos então algumas formas de registro que são bem simples de serem realizadas para que haja segurança na hora da divulgação dos trabalhos.

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Fundação Biblioteca Nacional Para acessar, entre no site www.bn.br Lá você encontra todo roteiro e toda a documentação necessária para o registro de suas obras.

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Escola de Belas Artes da UFRJ Para acessar, entre no site www.eba.ufrj.br Procure por: Serviços > Direitos Autorais.

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Avctoris Um Startup criado por Rudinei Modezejewski, focada na proteção de Direitos Autorais. Para acessar, entre no site: http://avctoris.com Lá os profissionais podem registrar desenhos, ilustrações, layouts, fotos, livros, artigos, músicas e personagens. 19


_ SUBINDO PELAS PAREDES Atualmente as estampas vêm predominando a decoração dos ambientes como uma peça chave, desde estampas minimalistas a cores exuberantes que dão o toque final nas decorações. Antes discretamente aparecia entre um tapete, uma almofada na sala de estar e em uma roupa de cama no quarto, mas hoje ela pode estar presente em todos os cômodos do seu lar, no seu escritório, na sua loja e em diversos ambientes de diferentes formas. O design de estampas hoje é o diferencial que traz a harmonia do ambiente tornando-se atrativo se muito bem combinado e decorado. Profissionais na área de interiores aplicam essa pratica graças a diversas marcas que vem trabalhando nessa área que tiraram as ilustrações do papel e da moda e trouxeram a estamparia para ser usada também nas decorações e composições de espaços. O Composé (mix de estampas) está com tudo na moda atual, e essa padronagem faz com que o ambiente tenha personalidade. Assim como citado, os tipos de padrões que nunca saem de moda, vamos mostrar como algumas dessas padronagens podem ser aplicadas na hora de decorar os ambientes:

_ PADRONAGEM PARA AMBIENTES Listras: Essa padronagem combina com tudo que for aplicada (papéis de parede, almofadas, tapetes, toalhas, etc). Verticalmente transmitem ao ambiente amplitude. Poá: Destaque na moda retrô e associada à feminilidade, pode ser usada nas decorações românticas, provençais, shabby chic e cottage, em tamanhos grandes. Chevron: Nas paredes transmite amplitude ao ambiente também podendo ser usada nos móveis, cortinas, tapetes, almofadas, mantas e roupas de cama. Floral: Nunca sai de moda e pode estar presente em qualquer tipo de ambiente, mas sempre fazendo as combinações corretas. Xadrez: Com suas muitas variações, podemos citar o Tartã e Príncipe de Gales que podem ser aplicados em mantas e dar um ar invernal no ambiente que se tornam perfeitos. Para decorações rústicas e cottage, o Vichy cai perfeitamente, pois essa padronagem cria um clima de fazenda ao ambiente.

_ FICA A DICA “Para criar um mix de padronagens alegres e o Composé se tornar harmonioso é preciso que escolha um tom em comum entre as padronagens desejadas e optar por uma cor chamativa enquanto as outras possuírem menos informações.” _Westing www.pinterest.com

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Vestidos e revestidos de estampa

_ PAPEL DE PAREDE X TECIDO DE PAREDE Essas aplicações são tendências atuais, alegram e renovam o ambiente trazendo uma nova aparência, pois há diversas opções de texturas e estampas disponíveis e fáceis de aplicar. Uma grande vantagem, por poder fazer aplicações futuras caso enjoe, são as em tecidos/papel, que você mesmo pode fazer a aplicação e além de tudo possui um custo bem mais baixo, ao contrário dos revestimentos com tintas, que o trabalho seria maior e os valores seriam muito mais altos.

_ PAPEL DE PAREDE

_ TECIDO DE PAREDE

Fácil aplicação e durabilidade, se bem aplicados podem chegar a durar, dependendo da escolha do papel, de 3 a 10 anos. Existem três tipos de papéis: Venílico – Indicado para ambientes que possuem grande área de circulação (hotéis, restaurantes, etc) e também na cozinha. Impregna menos gordura e é mais fácil a realização da limpeza, pois aceita o uso de pano úmido. Vinilizado – Ele pode ser lavado e possui muitas possibilidades de padronagem. Acetinado – Indicado para ser aplicado no quarta das crianças, pois acumula menos poeira que os demais tipos de papéis. TNT – Esse material imita o tecido, mas de fato não é. Mica – Feito de pedras naturais.

Os tecidos possuem uma grande variedade de estampas disponíveis para todos os gostos. É preciso os mesmos cuidados de aplicação do papel de parede e ambos terem a ajuda de uma pessoa para realizar o serviço, pois precisam estar bem esticados para não fazerem bolhas. Caso isso aconteça, basta usar uma agulha para furar o local e liberar o ar. Paredes revestidas de tecido devem ter aplicação de verniz para uma durabilidade extensa. Dentre as opções de tipos de tecidos é sempre indicado o Tergal, tecidos de tapeçaria e tecidos de tricoline 100% algodão, que possuam elastano ou poliéster (por serem rígidos) e que sejam resistentes à luz e ao calor. Nunca optar por tecidos impermeáveis, pois eles bloqueiam absorção da cola e com o passar do tempo podem desfiar. A seda também pode ser descartada, pois com o tempo ela enruga ou isso pode ser causado apenas com a mudança de temperatura. Indica-se também o revestimento somente em ambientes que não possuam umidade, como cozinha e banheiro, a cola pode amolecer e estragar todo o tecido, contra indicado para quem possuí alergia à pó, pois o tecido acumula poeira naturalmente. A limpeza do mesmo deve ser feita somente com aspirador de pó, garantindo a sua durabilidade, para manchas é possível limpá-lo com pano úmido e sabão neutro.

A maioria das vendas são feitas em rolos de 50 centímetros a 1 metro de largura e 50 centímetros de comprimento. O revestimento é adequado em paredes com massa corrida, massa acrílica ou gesso, pois quanto mais lisa for a parede menos imperfeições ficarão a aplicação do papel. A limpeza deve ser feita somente com aspirador, espanador ou pano seco. Para papéis com proteção de vinil e é liberado o uso de pano úmido. Para a reaplicação de um novo papel de parede é necessário retirar o antigo e realizar o mesmo processo, parede limpa e lisa, igualmente com paredes de madeira ou azulejo. No banheiro não é indicado usar papéis aplicados com cola e água, a umidade do ambiente faz com que descole facilmente e não devem ser usados papéis frágeis e delicados, assim como nos corredores e salas. Para retirar os papéis é só usar o removedor de papel ou água morna, caso o papel for removível, retire a ponta do papel com uma faca e puxe-o delicadamente sem que rasgue

Fontes: www.dicasdemulher.com.br | www.limaonagua.combr

www.zena.blic.rs

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|PIMP MY CARROÇA Redação: Felipe Madeiros


|PIMP MY CARROÇA

Foto: www.archdaily.com.br

_ O PIMP MY CARROÇA

_ A CAMPANHA NO CATARSE Em 2012 o Pimp My Carroça foi parar no Catarse (site que faz financiamento coletivos de projetos independentes), em busca de arrecadação de fundos para um dia especial a esses catadores. O objetivo era reformar toda a carroça adicionando retrovisores, faixas refletivas, cordas, luvas e em seguida, receber uma pintura com uma frase escolhida pelo colaborador. Enquanto a carroça 24

>>

Pimp My Carroça é um movimento que nasceu em 2007, em São Paulo, através do trabalho do grafiteiro Thiago Mundano. Durante 5 anos, ele pintou diversas carroças, inicialmente com suas frases e em seguida com ilustrações e frases dos próprios catadores. O nome Pimp My Carroça é derivado de um programa americano de carros tunados, chamado Pimp My Ride, de onde surgiu o nome Pimp My Carroça. O movimento busca dar foco a questões sociais e ambientais, como o papel dos catadores de material reciclável. Tentando dar uma melhor impressão ao catador, o movimento integra-o a sociedade e aumenta sua autoestima. O Pimp My Carroça não é somente a pintura, muitas vezes o graffiti fica de lado. O movimento envolve manutenção, melhorias e até a reforma geral da carroça. Muitas vezes a pintura é o mais simples perto do trabalho que se faz na carroça dos catadores de material reciclável.

Tratamento aos catadores pelo Catarse Foto: www.jornaldelondrina.com.br

recebia um tratamento especial de Pit Stop, o dono da carroça recebia um atendimento com um clínico geral, oftalmologista e um especialista em dependências químicas. A primeira edição do Pimp My Carroça aconteceu no dia 03 de junho de 2012, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Contando com 792 apoiadores, a edição teve um total de quase setenta mil reais arrecadados através do projeto feito no Catarse.


Pimp My Carroça

Foto: www.fb.com/pimpmycarroca

_ O CRIADOR Nascido e criado no Brooklyn, em São Paulo, Thiago Mundano é um artista, ativista, grafiteiro e formado em publicidade. Em meados de 2000, Mundano começou a deixar sua marca pelas ruas de São Paulo, inicialmente com mensagens através da pixação. Ao passar do tempo ele teve contato com o graffiti e começou a praticar a arte do spray. Enfrentou um processo ao pintar os tapumes durante a reforma do Teatro Municipal juntamente com outro grafiteiro. Após o ocorrido, a Organização da Virada Cultural Paulista os convidou para finalizar legalmente esse trabalho que eles haviam iniciado. Texto: www.pimpmycarroca.com.br Foto: www.g1.globo.com

Foto: www.m.jc.ne10.uol.com.br

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|O UNIVERSO DA ILUSTRAÇÃO E ANIMAÇÃO Redação: Felipe Madeiros e Sara Cegantin


|AS ILUSTRAÇÕES DE RODRIGO PASCOAL _SOBRE O ARTISTA Rodrigo Pascoal é um Ilustrador e designer, apaixonado por Dragon Ball e atualmente Ilustrador no Mentes Notáveis, portal onde produz material educacional de muita qualidade. Natural de Rio Grande da Serra/SP, Rodrigo enfrenta mais de duas horas diárias todos os dias de trem até seu trabalho, duas horas na qual não são desperdiçadas, pelo contrário, muito bem aproveitadas com seus famosos sketches do trem. O ilustrador que ainda é “novo” no ramo, com apenas 5 anos na área pro¬fissional como ilustrador, com um portfólio de nível técnico altíssimo e com trabalhos impressionantes. Se destaca entre uma elite de ilustradores brasileiros, que estão aumentando o nível dessa tão bela profissão. O ex-operador de manutenção da indústria de autopeças, passou por tempos difíceis. Como muito dos jovens que trabalham para sustentar seus estudos, com Rodrigo não foi muito diferente, mas um acidente de trabalho quase o deixou sem poder seguir sua sonhada profissão.

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Como começou seu interesse por ilustração? E quando você percebeu que poderia viver disso?

Rodrigo

Meu interesse começou muito cedo. Desde criança eu já gostava muito de desenhar, gostava mais de jogar vídeo game, claro, mas como eu não tinha um, eu desenhava bastante. Eu pude perceber que conseguiria viver de desenho quando eu realmente entrei no mercado trabalhando como desenhista de material educacional. Eu já cursava faculdade de design na época, mas ainda trabalhava na fábrica e tinha poucas informações sobre como trabalhar com ilustração. Consegui visualizar o mercado de ilustração depois que conheci vários bons profissionais que me instruíram muito.

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formas dailustração. O tempo que demoro varia um pouco, alguns desenhos quefaço no trem são feitos em 40 minutos no máximo, mas alguns desenhos como o do Goku do Dragon Ball que fiz em pintura digital levam me média 5 horas.

Quais técnicas você usa para criação dos seus personagens, programas que utiliza e tempo?

R

Em geral uso o Photoshop para desenhos digitais, mas em desenhos manuais, como os que faço no trem por exemplo, uso uma lapiseira Pentel de grafite HB 0.9 e uma Pen Brush para o nanquim. Quanto a técnica, eu costumo começar com um esboço bem solto e gestual e depois vou definindo melhor as 28

Foto: www.behance.net/rodrigopascoal


As ilustraçþes de Rodrigo Pascoal

Foto: www.behance.net/rodrigopascoal

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D

Rodrigo, como foi participar do artbook capcom ghting tribute?

R

Nossa, foi algo incrível para mim, um admirador de longa data da Capcom e seus jogos! Eu me lembro que no começo da minha vida como desenhista, eu assistia a serie Street Fighter que passava no SBT. E eu tinha por volta de 10 anos de idade, e começava meus primeiros desenhos,um deles foi marcante, foi um desenho que fiz do Ryu em uma cartolina tamanho A3, e colori com lápis de cor, imagina só o trabalho hahaha!! E me lembro de pendurar na parede da sala, lembro dodesenho como se fosse hoje, era muito ruim, mas na época tinha sido meu melhor desenho! Quase 20 anos depois tenho um desenho meu num Artbookofcial da Capcom distribuído no mundo todo, é realmente emocionante.

Quase 20 anos depois tenho um desenho meu num Artbook oficial da Capcom distribuído no mundo todo, é realmente emocionante.

Foto: www.behance.net/rodrigopascoal

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D R

O que você pode falar sobre ser o Ilustrador dos trens de SP? Como funciona seu processo criativo?

Poxa, não sei se mereço esse título! Vejo outros como eu desenhando nos trens também! Já fiz várias amizades assim! Mas desenhar no trem é algo muito produtivo, e no meu caso, como viajo da primeira até a última estação, o processo permite produzir muito mesmo (risos)! No inicio eu desenhava muito do que eu via dentro do próprio trem ou metrô, mas como as pessoas geralmente ficam nas mesmas poses, acabei enjoando um pouco e comecei a desenhar ilustrações que eu criava sem muita pretensão, ilustrando realmente o que vinha na cabeça! Mas o processo de desenhar as pessoas do trem foi muito útil, foi como um treino de modelo vivo todos os dias e forçou minha agilidade por conta do pouco tempo que tinha pra fazer cada pessoa, já que se movimentavam muito e muitas vezes desciam do trem antes que eu pudesse terminar o desenho.


As ilustrações de Rodrigo Pascoal

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Como foi sua reação após o acidente de trabalho, sabendo que não poderia fazer o que mais ama?

R

Talvez tenha sido o momento mais difícil da minha vida até hoje, foi terrível! Quando acidentei minha mão direita (sou destro) quase perdi o dedo indicador e o polegar, achei que não poderia mais desenhar com a mão direita. Então, depois disso, comecei a treinar desenho com a mão esquerda, na época eu ainda trabalhava como peão em uma fábrica de peças automotivas, onde havia ocorrido o acidente com a mão, e então acabei trabalhando lá por mais dois anos depois do acidente.

Foto: www.tofo.me/pascoaldesign

Foto: www.behance.net/rodrigopascoal Foto: Rodrigo Pascoal

D

Quais seus planos futuros com projetos pessoais?

R

Bom, tenho vários (risos)! O principal deles no momento é um jogo que estou fazendo para celular, um projeto totalmente autoral que estou desenvolvendo com uma equipe de amigos muito competente e estou bastante animado com isso. Num futuro em médio prazo pretendo trabalhar cada vez mais para jogos de diferentes plataformas usando meus desenhos nos conceitos e na produção destes jogos! Quero muito trabalhar em algum jogo de robôs futuramente. Fora desta parte de games eu quero concluir minha obra autoral de quadrinhos, já tenho a história mas tenho que desenvolver alguns detalhes para começar a produção de fato!

Foto: www.behance.net/rodrigopascoal

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|AS ANIMAÇÕES DE HENRIQUE LIRA _SOBRE O ARTISTA Depois de trabalhar anos com publicidade, Henrique Lira decidiu construir seu próprio barco pirata e fundar o ICONIC. Diretor, criador e concept artist freelancer, em 2014 dirigiu um projeto de série de sua autoria para a Nickelodeon International e hoje colabora com a concepção de uma nova série da Cartoon Network.

Dot

Para começar, nos fale um pouco sobre você. O que você está fazendo, o que já fez...

Henrique

Bom, eu sou Henrique Lira, comecei a trabalhar com uns 12 anos em programação, depois de um ou dois anos passei a me interessar por Photoshop e por ilustração quando conheci um ilustrador chamado Josh Agle. Vi o trabalho dele e pensei: é isso que eu vou querer pra minha vida, é muito legal! Então eu comecei a mexer com Photoshop e estudar bastante design gráfico, tudo por conta, nunca fiz nenhum curso nem nada. Com 14 anos eu fiz o meu primeiro freela. Já foi internacional e eu já tomei calote, então foi uma ótima primeira experiência (risos). Com 15 anos eu entrei na primeira agência de publicidade que eu trabalhei. Fiquei lá por dois anos, era uma agência bem pequena com 3 pessoas, mas foi uma experiência muito boa. É interessante como a vida acontece, porque eu entrei lá e de lá eu conheci outra pessoa que me levou pra outra agência, e que me levou pra outra agência que tinha mais de 40 pessoas aqui de Campinas. Foi uma experiência super legal e eu fiquei por mais de 5 anos assim, uma experiência bem ampla. Trabalhei como web designer, direção de arte e também motion graphics. Eu sempre fui muito curioso em relação a muita coisa, então eu já fiz um pouco de tudo, sabe? Sou muito interessado por fotografia também.

Sempre fui curioso em relação a muita coisa, então eu já fiz um pouco de tudo.

Então eu entrei na faculdade, acho que com 19 anos, e fiz artes plásticas na PUC de Campinas. E é uma coisa engraçada porque eu nunca mexi com artes plásticas, sabe? E eu tinha entrado lá. 32

Sempre ficava no computador e isso não mudou muito mesmo depois do curso. Continuei mexendo bastante com o digital, mas eu comecei a agregar alguns aspectos das artes plásticas no meu trabalho. Então fiz escultura, pintura, gravura... eu só não fiz performance (risos), mas de resto eu fiz.

D H

O que te motivou a sair da publicidade para entrar na área de animação? Você se arriscou sem ter nada ou se preparou antes?

De noite eu estudava artes e de dia fazia publicidade, então acho que isso conflitou os dois mundos. Ao mesmo tempo que fazia ilustrações eu estava fazendo peças publicitárias pra anúncio de remédios (risos). Com o tempo a publicidade parou de fazer sentido para mim, eu já estava saturado porque queria ter um trabalho mais autoral, passar a minha mensagem pro mundo, queria desenvolver a minha voz. Eu tinha vários sonhos e um deles era ter uma série própria de animação. Então em 2013 eu consegui uma bolsa pra estudar na Holanda durante um ano e saí da agência. Lá eu mudei totalmente, o meu curso era de cinema e animação, foi uma mudança muito legal e eu falei: cara, esse ano eu vou fazer a minha primeira animação. Só que quando eu afirmei isso para mim mesmo não sabia a bucha que estava assumindo, porque animação é um processo extremamente trabalhoso, pelo menos se você quer fazer uma coisa refinada, e eu sou muito exigente com o meu trabalho, não gosto de fazer nada mais ou menos. Se eu for fazer mais ou menos eu prefiro nem fazer, sabe? (risos). Neste processo minha mente mudou, eu entrei em contato com coisas e pessoas totalmente diferentes. Lá eu fiz amizade com uma pessoa que me apresentou pra um grupo sensacional de estudo de arte e aí que eu comecei a evoluir de verdade artisticamente e foi quando eu fiz o Harrdy também.


As animações de Henrique Lira

D

Através de qual trabalho ou a partir de que ponto sua carreira começou a alavancar? Quando você começou a se destacar?

H

A minha carreira é muito recente, é até difícil falar (risos), mas eu acho que o momento que eu comecei a me destacar foi com o Harrdy, que é o meu projeto selecionado pela Nickelodeon e que começamos a produzir. E foi com este projeto real-

mente, porque aí eu comecei a entrar em contato com os estúdios de animação do Brasil. Em 2013, o Jonas da Split me chamou para trabalhar lá, mas eu estava na Holanda, então não pude entrar pra equipe de arte deles. E eu nunca tinha considerado trabalhar num estúdio de animação. Quando eu voltei em 2014, ao invés de ir trabalhar lá, chamei eles para trabalhar comigo na Nickelodeon (risos). Então desenvolvemos o Howdy Harrdy com eles na Split. Lógico, este ano veio o Iconic que também ajudou um pouco neste quesito.

Foto: www.acontecendoaqui.com.br

D H

Você pode nos falar um pouco sobre a nova série que você está produzindo com a Cartoon Network?

Claro! O Jonas tem um projeto pessoal dele chamado We Boom, é uma série que estará em produção daqui a seis meses mais ou menos. Trabalhamos como co-diretores no Howdy Harrdy e descobrimos que somos almas gêmeas, sabe? (risos). O trabalho foi maravilhoso, nos demos super bem dirigindo um negócio juntos, criou uma sinergia incrível. A partir daí decidimos que queríamos fazer outras coisas juntos, o Jonas apresentou este projeto para a Cartoon e agora eles aprovaram. Ele me convidou pra fazer o conceito da série junto com eles e escrever os episódios. Se trata de uma série pré-escolar, o público tem de 4 a 7 anos e é a história de dois amigos, o We e o Boom, o We é um coelhinho e o Boom é um monstrão. Eles saem pelos países coletando sons, é uma série musical. O We cuida da parte de instrumentos, toca todos os instrumentos do mundo, e o Boom coleta sons do lugar, por exemplo, estão em Paris e eles coletam sons do croissant. Então a criança vai aprendendo quais são os países através da música, o que foi uma série deliciosa de escrever.

D

Você tem pretensão ou almeja trabalhar em algum lugar no seu próximo job?

H

Então, eu pensava assim antigamente. Falava “puts, eu quero ir pra Pixar” ou “um dia eu quero ir pra YZ”. Hoje eu já não sei tanto, porque eu gosto de ter flexibilidade. Já faz muito tempo que eu trabalho freelancer e que eu sou “chefe de mim mesmo”, sabe? E isso é muito bom, então eu pretendo abrir um estúdio na verdade. Mas se eu fosse ter que mirar em algum lugar um dia, acho que eu tentaria ir pra Pixar sim, pela experiência de estar com tanta gente sensacional. Eu também não acharia ruim ir pra qualquer outra das empresas grandes, nem das emissoras de TV, como a Cartoon ou a Nickelodeon. Mas também já considerei outros estúdios mais artesanais, por exemplo tem o Cartoon Saloon, na Irlanda, que é um estúdio que eu trabalharia, com certeza. E aqui no Brasil também, seria uma ótima experiência trabalhar num dos estúdios daqui. Mas por hora eu prefiro seguir o meu próprio rumo. Ainda mais que o Iconic está tomando um protagonismo muito grande na minha vida, tem sido uma experiência muito legal poder ajudar os outros (risos), e o feedback do >> 33


evento foi muito bom, então eu pretendo não deixar isso de lado, ao mesmo tempo que pretendo tocar alguns projetos pessoais também. Por hora estou com a ideia de escrever e ilustrar um livro, além de escrever outra série. Uma coisa que tenho na minha cabeça é que além de artista, estou me tornando um empreendedor, quase que um empresário. O que é até estranho para algumas pessoas, um artista empreendedor, mas é uma coisa que não deveria ser estranha porque é muito sensacional você criar as suas coisas, sabe? É difícil, óbvio, mas eu estou tentando conciliar este meu lado empreendedor com o meu lado artístico. Acho que é o meu próximo grande desafio.

e o lenhador - escolhi o lenhador porque eles fazem “howdy!” e o pirata, de praxe, fala “arrr!”. Mas aí percebi que uma história tem que ter um clímax, um ponto de conflito porque uma história sem isso não é tão interessante. Depois de conversar bastante com o meu orientador na Holanda, desisti dessa ideia. Uma das coisas mais difíceis foi abandoná-la, porque as vezes a gente casa com a nossa ideia e se desvincular dela fica muito difícil. Então uma dica que dou é: não case com suas ideias (risos). Eu decidi reescrever do zero, peguei um monte de post-it, colei no armário e tentei entender quem eles eram, porque eles estavam lá, pra onde eles estavam indo, de onde eles vieram e todas estas questõezinhas. Isso me abriu os olhos para tentar fazer algo mais consistente. Então defini o contexto da história: e se o pirata estivesse atrás de um tesouro? E se um animal o roubasse? E no clímax da história a gente descobre que o tesouro estava com o Howdy o tempo todo.

D H

Foto: www.iconic.network

D H

Sobre a animação Harrdy, como foi definido o conceito do curta?

Bom eu tenho uma relação com piratas que é muito distante. Meu filme favorito da infância era o Hulk (Capitão Gancho), com o Robin Williams. Desde lá eu já era fascinado por piratas e eu acho que o que me fascina mais é a questão deles serem seres livres. Então é uma temática que sempre esteve presente na minha vida e eu sempre quis usar ela porque eu gosto e me simpatizo com essa noção mais romântica dos piratas. E ai, de onde veio a história do lenhador, né? Eu estava um dia pensando com meus botões sobre fazer uma animação e teria que ser algo mais cômico, eu não conseguiria fazer algo sério mesmo. No começo pensei numa disputa de “olás”, era uma Foto: www.henrique.pl idéia totalmente diferente. Ia ser o pirata 34

Quanto tempo levou para a produção, em média, do Harrdy?

Onze meses (risos). Só que não foram onze meses trabalhando continuamente nele, fiz muita coisa em paralelo. Se eu fosse dizer quanto tempo fiquei 100% nele, eu diria quatro meses. No começo era muito pontual trabalhar nele, mas eu acho que desde o primeiro momento em que pensei em fazer isso até a conclusão foram onze meses. Mas de trabalho intenso foram quatro. E demora mesmo, viu? Eu nunca tinha feito uma animação antes, não tinha nem conhecimento da pipe line - os processos da animação - então foi uma curva de aprendizado muito intensa. Queria fazer uma coisa com qualidade muito grande em um espaço de tempo muito pequeno. Tanto que eu não o terminei (Harrdy) na Holanda. Acabei o intercâmbio e finalizei no Brasil, depois de um mês inteiro trabalhando no projeto. A animação durou um mês. Foram todos os dias trabalhando aproximadamente 5 segundos de animação, porque fiz tudo sozinho mesmo. Desde a folhinha se mexendo, o personagem falando, a dublagem de todos os sons.


As animações de Henrique Lira

D

E como foi o processo de criação do curta?

H

Eu comecei com aquela primeira ideia e depois de discutir muito com o orientador mudamos e virou o que é hoje. Na verdade eu comecei pelos personagens, não é o mais indicado mas foi por eles que eu comecei (risos). Aí eu fiz o roteiro, porque com os personagens prontos eu consegui imaginar melhor como

eles iam se comportar. Depois comecei a listar tudo que ia precisar de arte, do visual mesmo, então eu fiz os props, que são os detalhes. Você não imagina o trabalho que dá fazer isso! Assim que criei todas as artes eu joguei no After Effects e lá eu fiz os riggins que são basicamente os esqueletos da animação cut out. Então eu fiz as vozes e todos os barulhos com a boca, minha roupa, barulho de mordida, tudo. Foi muito legal, uma das partes que eu mais gostei foi gravar as vozes (risos). Depois veio a música, que quem fez foi um compositor alemão chamado Marius Hirstein, eu conheci ele num evento e eu disse “cara, um dia eu vou fazer um projeto e vou falar com você”. E olha que engraçado, um dia eu fiz um projeto e conversei com

ele! (risos). E é engraçado esse negócio de networking, porque as vezes te leva a alguma coisa. Por último veio a animação, fechamento e o rendering, que foi a semana mais infernal da minha vida porque eu não tenho uma estrutura, uma “render farm”, então tive que renderizar no meu notebook, paralisar outros três computadores para poder inscrever a tempo no edital da Nickelodeon.

Foto: www.henrique.pl

D H

Sobre seu trabalho, como você usa as cores? Você busca referências?

Eu sempre tive uma relação muito intensa com cor, porque se você ver o trabalho do Josh Agle, o trabalho dele tem cores muito vibrantes. Desde que eu comecei com 12 anos é essa minha referência, então acho que escolha de cores é uma coisa herdada. Ao longo do tempo, de tanta referência que eu peguei, de tantos testes que fiz, eu acabei inconscientemente criando uma série de processos, onde eu já sei o que funciona com o que. Por empirismo, por experiência. Lógico que com muito cuidado pra não adquirir vícios, como sempre usar a mesma paleta de cor. E uma coisa que eu busco é sempre deixar o meu trabalho com uma paleta mais “felizinha”, uma coisa alegre, gosto muito. Mas a minha relação é essa: experimentação e sensação. Eu busco sempre algo que me dá uma sensação boa, é sempre muito intuitivo.

Não uso nenhuma fórmula de cor maluca, nem teoria das cores, cores análogas, não, eu nunca usei nada disso (risos). E eu procuro sempre entender qual é a relação delas, porque as cores não funcionam sozinhas. Se você usar uma cor sozinha ela pode te dar uma sensação muito boa, mas se você coloca em outro contexto, ela se transforma.

D

Ocorrem muitas mudanças durante seu processo de criação? Por exemplo, você planeja tudo e depois acaba mudando?

H

Ah sim, com certeza. Sempre busco pensar de maneiras diferentes, nunca caso com o primeiro teste. Acho que experimentação é o caminho para ser bem sucedido no seu trabalho. 35


D

Qual é o seu período do dia mais criativo?

H

Acho que isso é uma coisa que mudou ao longo do tempo pra mim, mas em geral: madrugada, infelizmente. Mas é um momento mais tranquilo, sinto que o mundo está dormindo e isso me inspira de alguma maneira. Mas eu gosto da manhã também porque ela me dá a sensação de um novo dia, de novas oportunidades para fazer algo e de que ainda tem muita coisa pela frente, mas isso varia. Tem dia que é de manhã, tem dia que é a tarde. Mas se fosse pegar uma média eu diria madrugada. Não sou muito constante em relação a isso.

D

Sobre o mercado de animação brasileiro, como você o vê?

H

Eu vejo ele em expansão e estou muito otimista. Existem, além da leis de incentivo que antes não existiam, muitas pessoas mais engajadas e acho que o que uniu isso foi a internet. Então a gente começa a ter dois grandes núcleos de animação no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo. Lá temos alguns estúdios que já estão articulando projetos bem grandes, como longas metragens. Teve, por exemplo, a História de Amor e Fúria que foi um dos primeiros longas brasileiros a realmente ter projeção internacional. E aí veio o Menino e o Mundo, do Alê Abreu, Guida, da Rosana, enfim, está crescendo muito. É recente, mas está crescendo. Por exemplo, você pega a Split, em São Paulo, já está com mais de 40 pessoas lá dentro fazendo animação, uma coisa que era inimaginável alguns anos atrás. O Estúdio Birdo está fazendo um trabalho excepcional. Recentemente eles fizeram um trabalho pro Genes que ficou passando na Times Square! Tem o Copa Studio fazendo o Tromba e que está fazendo Irmãos do Jorel que já está na América Latina inteira e está fazendo bastante barulho. Tem o Monster Pack, do Pedro Eboli, foi feito pro edital da Nick que talvez role. Tem o Oswaldo agora, da Catoon também. Tem o Howdy Harrdy, o meu (risos), que talvez role também. Então caramba, está crescendo muito! E isso é muito legal. O número de pessoas interessadas no ramo está aumentando muito. Eu acho que está engatinhando pro tamanho do negocio que vai vir ainda. Não é fácil trabalhar num estúdio de animação hoje, mas acho que a tendência é ficar cada vez mais acessível.

Guida, Rosana Urbes

Cena de História de Amor e Fúria

Foto: www.photoarts.com.br

Foto: www.pitangadigital.wordpress.com

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As animações de Henrique Lira

D

O que você acha essencial para alguém trabalhar na área de animação?

H

Depende muito de qual área que estamos falando, porque você pode ser um concept artist, um animador, um roteirista, um históricologista, tem um monte de coisa. Mas eu acho que existem traços em comum para todos eles e o principal é resiliência, persistência, a capacidade de você buscar sempre ser melhor, de bater a cabeça, de cair, mas conseguir levantar. Eu acho que isso em qualquer meio artístico, é você ser persistente em relação ao seu trabalho e não ficar satisfeito com o “mais ou menos”. Sempre buscar o máximo que você puder, a busca da excelência e ter muita paciência, porque animação é algo muito trabalhoso, muita coisa dá errado no processo. Não tem um projeto de animação que foi 100% do jeito que deveria ser. Eu nunca vi e te garanto que a Pixar nunca viu também, nem a Disney nunca viu um projeto que sai liso. Sempre há contratempos e você tem que estar preparado para esse tipo de coisa. E força de vontade. Acho que o principal é isso: você ter vontade de fazer um negócio bem feito, de ter humildade de escutar as pessoas mais experientes e sempre estar disposto a melhorar. Jenny LeClue, Henrique P. Lira Foto: www.henrique.pl

D H

Para fechar, poderia deixar um recado para quem sonha em entrar nesta área?

Claro! Eu sempre digo nos meus Iconic Lives é que não importa da onde você vem e nem pra onde você vai. E a primeira coisa pra uma pessoa que entra nesta área é mudar pra uma mentalidade de abundância, de se sentir capaz de chegar aonde quer, porque é possível. Hoje todo mundo que tem acesso à internet e que tem uma estrutura básica é capaz de ser um artista excepcional. Vai muito da sua busca pessoal, então corra atrás do que você quiser, seja positivo e trabalhe muito, porque é assim que faz. Sempre

seja crítico com o seu trabalho, analise o que está fazendo, veja o que você precisa fazer melhor e nunca ache que você não tem mais o que aprender. Então sempre temos essa capacidade de melhorar e de buscar essa melhora. Esteja em volta de gente que pensa como você, de artistas que querem crescer tanto quanto você porque você é fruto do seu ambiente. Se você entra num ambiente onde as pessoas ali trabalham mais ou menos, fazem algo mais ou menos e só querem mais ou menos alguma coisa, cara,

você está no lugar errado. Se envolva de pessoas engajadas, monte um grupo, faça este grupo e vá em frente.

H

Um hábito muito importante do critério de “o que eu vou fazer em seguida” é: o que eu posso fazer hoje que vai impactar positivamente o maior número de pessoas? Se eu não estou fazendo isso, porque eu não estou fazendo isso? Então eu nunca vou entrar num projeto só por causa de um projeto, sempre vou fazer com um propósito muito forte e sempre pensando se eu poderia fazer algo de maior impacto. Hoje, dentro das minhas limitações, o que eu poderia estar fazendo para que realmente faça a diferença? É só isso que eu queria dizer (risos). Foto: www.henrique.pl

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|AS 10 EDIÇÕES DA DOT


especial

|AS 10 EDIÇÕES DA DOT A revista Dot comemora suas 10 edições e nesta festa preparamos uma matéria especial para nossos leitores. A revista passou por diferentes equipes e cada uma deixou sua marca em cada edição. Vamos relembrar quando tudo começou, de como surgiu a revista Dot e como o pessoal abraçou este projeto. Um dos fundadores, Valdir Brito, conta como foi a criação da revista Dot que teve início em 2011 quando a Faculdade mudou-se de prédio (antes localizada no shopping de Limeira) para o endereço atual, e foi nesta transição que tudo começou. A turma de Valdir estava no quinto semestre, e com a nova diretoria após o falecimento do diretor Orlando tudo parecia muito novo, foi então que a ideia da revista surgiu. Lucas, um dos participantes do grupo que faziam parte da matéria da disciplina de práticas, sugeriu criar uma revista digital. No começo a ideia da revista era informar sobre a FAAL Júnior e servia também como ponto de informação e comunicação sobre acontecimentos da faculdade e alunos. Foi nessa ideia de ponto de informação que Karine Caires, outra participante da equipe, sugeriu o nome DOT, que é um termo proveniente do inglês, significando “ponto”, a revista queria ser um ponto de referência, de informação e de interação, por isso o nome DOT. O logo foi idealizado por Henrique Leme.


As 10 edições da DOT

o início da revista

|DEPOIMENTO DE VALDIR BRITO Designer gráfico e ilustrador em Piracicaba/SP, Valdir Brito foi o primeiro gerente da revista DOT. Graças a ele e a sua equipe, a DOT nasceu, cresceu e se tornou esse projeto tão importante para quem passa por aqui.

_ COMEÇANDO PELO COMEÇO... A DOT surgiu na Faal Júnior, quando minha turma ingressou éramos em número maior que as turmas anteriores a nossa, então houve a necessidade de criarmos novos projetos. Esse já foi o primeiro desafio! A Faal Júnior ainda não era clara para nós, não sabíamos nem que ela exista. Então, que projeto criar? Bem, o Lucas sugeriu de criarmos esse departamento, que ficou conhecido como: departamento de revista digital. Fui indicado pra ser o gerente deste projeto pelos alunos da sala, pois na época eu era o único que tinha tido experiência com revista, por ter trabalhado 6 meses como ilustrador e auxiliar de diagramação em uma editora da minha cidade. Era um projeto novo e tínhamos que tirar todos os “nãos” da frente. Não podíamos escrever sobre design, pois já tínhamos a Aipim, que fazia parte da disciplina de impressos e já contemplava o tema design. Nenhum de nós era um bom escritor, não tinhamos blog ou coisa assim, então: o que escrever? Foi aí que identificamos uma necessidade. Era uma nova fase da faculdade, então por que não escrevermos sobre a própria faculdade? Na época, nós achamos importante apresentar a Faal Júnior à nova faculdade. Eu enxergo que a DOT é um projeto muito especial dentro da Faal Júnior, pois ela veio antes mesmo do Coma Design existir. Uma das maiores dificuldades para qualquer projeto da Faal Júnior era fazer com que os projetos continuassem de uma turma para a outra. Cada turma que entrava queria criar algo novo, do zero, e isso não permitia que nenhum projeto fosse à diante. Naquele ano, nós enxergamos que a DOT poderia se tornar no futuro uma captadora de recursos pra Faal Júnior, tanto que posteriormente ela recebeu apoio da Zupi e de lojas da região. Por último, o fator de sucesso é o custo. A DOT, além de uma potencial captadora de recursos, teve custo zero para a Faal. Vimos que existiam muitos projetos legais sendo desenvolvidos pelas turmas anteriores, porém eles morriam quando chegavam na etapa do recurso, não se tinha dinheiro pra tirar eles do papel e aí no semestre seguinte matavam o projeto e começavam outro.

Nossa revista era viável, pois a mão de obra é dos alunos, é acessível, pode vir a ser rentável e está destinada a um público alvo onde a cultura digital já está mais que consolidada. Eu, como primeiro gerente e um dos fundadores da DOT, tenho muito carinho e orgulho desse projeto, mesmo depois de ter concluído a faculdade eu ainda acompanhava as gerencias posteriores a minha e sempre estive próximo. Eu curto muito a evolução que a DOT vem apresentado edição após edição. Cada gerente que entra soma as experiências anteriores e acrescenta a sua, com isso ela está sempre crescendo. Hoje ela já não segue mais o que eu pensava quando comecei o projeto, mas por outro lado, se fossemos continuar falando só da Faal, seria um projeto medíocre, então eu achei super legal essa guinada que o projeto deu. Eu vejo também que a DOT foi se encontrando ao logo desses anos. As duas primeiras edições ficaram meio sem identidade, ainda estávamos engatinhando. A terceira já se apoiou na Computer and arts, e ficou bem bacana, a quarta edição, já foi mais para o assunto da fotografia, tivemos um pessoal de renome apoiando a revista, mas na quinta edição eu acho que a revista “se achou”. A diagramação inspirada na revista Sorria, as ilustrações junto com o conteúdo e o belo trabalho de capa me conquistaram de cara. Daí pra frente foi só sucesso! Acho que hoje a gente olha pra DOT, e consegue ver “a DOT”. Ela já tem a sua carinha, sua personalidade, pra mim já é um projeto maduro, ela tem que voar pra longe agora. Eu quero afirmar que vejo a DOT caso de sucesso na Faal. Ela surgiu em um momento de mudança, e de certa forma, fez parte desta mudança também. É um projeto que eu sei que é querido pela Samara e pela Adriana, e todo mundo se conecta a DOT. Quem participa da criação de uma edição não consegue mais se desligar e pra mim isso é o fator de maior sucesso do projeto, os alunos adotaram a DOT, vestem a camisa mesmo e eu não vi isso acontecer com outros projetos da faculdade. Isso é um motivo de imenso orgulho. 41


orientadora do Coma Design

|DEPOIMENTO DE SAMARA TEDESCHI Samara Tedeschi é formada em Design pela UNESP de Bauru, atualmente é doutoranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar e está na FAAL desde 2010.

_ “NÃO ENTREGAR NÃO É UMA OPÇÃO” A disciplina de Atividades Práticas é ministrada para os alunos do 5º e 6º semestre do curso de Design Gráfico e Produto da Faculdade de Administração e Artes de Limeira. Nesta disciplina há a simulação de uma agência de design, a Coma Design, na qual os alunos têm a oportunidade de vivenciar experiências práticas com o desenvolvimento de projetos, atendendo a demandas internas da faculdade e externas com clientes reais. Na Coma Design os alunos se dividem em grupos, que chamamos de departamentos e aplicam o conhecimento que adquiriram durante os semestres anteriores da graduação. E foi assim que surgiu a revista DOT, como um dos departamentos da agência experimental, com uma proposta diferente e desafiadora: fazer design editorial sem que esta disciplina tivesse sido oferecida até o momento. Os alunos só cursam esta disciplina no 7º semestre! Mas decidi apoiar e ver aonde isso poderia parar. Lembro-me como se fosse hoje quando os alunos que compunham este departamento pela primeira vez propuseram desenvolver uma revista digital. Isso foi em 2011. Ainda não estava muito claro o que aconteceria e qual seria o seu foco. Na época existia a FAAL Júnior, que era a empresa júnior da FAAL, composta por alunos de todos os cursos da instituição. Naquele momento foi

decidido que a revista seria a porta-voz daquela experiência de empresa júnior. No semestre seguinte a experiência se repetiu, novos alunos foram abraçando a ideia e trazendo mais conhecimento técnico ao longo dos semestres e chegamos enfim, à 10ª edição!!! Muitos alunos já tiveram a oportunidade de passar pela DOT e deixar sua marca, pois esta experiência é semestralmente construída e reconstruída. Hoje ela fala sobre Design sob a perspectiva do aluno de Design. É claro que muitos erros já foram cometidos em termos de redação, diagramação, entre outros. Mas eu acho que é o momento de errar, de experimentar, porque no mercado o designer não pode errar. O mais interessante é que os alunos que já fizeram parte da DOT a acompanham e dão suas sugestões de melhorias, pois há uma preocupação com a continuidade do projeto e a qualidade que este material deve apresentar. Isso é o que me deixa feliz! Saber que é um projeto que marca a vida dos que passam pela revista e isso faz com que eles se sintam mais seguros em relação ao seu potencial. Eu tenho orgulho de ter presenciado, orientado, compartilhado conhecimento e principalmente, de ter aprendido com os alunos que criaram e criam a DOT. E faça-se a DOT#10!

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acalme-se, ainda dá tempo!

www.issuu.com/revistadot

orientadora do Coma Design


As 10 edições da DOT

_ AS CAPAS

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PORTFร LIO DESTAQUE

Wender Guelder Design Grรกfico, 3ยบ semestre contato: wendelguelder@gmail.com


PORTFÓLIOS


PORTFÓLIO DESTAQUE Wender Guelder Design Gráfico, 3º semestre E-mail: wendelguelder@gmail.com Ilustrações inspiradas no seriado Narcos.

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Portfólios

Bruno Fazardo Bruno Fazardo Design Gráfico, 7º Semestre pela FAAL Behance: behance.net/brunofazardo Facebook: facebook.com/bruno.fazardo

Projeto editorial feito em conjunto com Rieli Boldrini. O projeto consistia em criar todo o projeto de um livro, como a diagramação, tipografia e capa.

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Gabriel Lahr Artes visuais, 6º Semestre Facebook: facebook.com/dkfigures E-mail: g.lahr03@gmail.com Há alguns anos venho me dedicando ao trabalho com esculturas, mais precisamente esculturas de personagens de filmes, séries, HQ’s, enfim, personagens da cultura pop. Geralmente para o trabalho utilizo uma massa chamada Plastilina, ela é bem fácil de se trabalhar e permite no final a pintura da escultura. Na metade deste ano, por incentivo de amigos que me sugeriram criar uma página para a divulgação dos trabalhos, criei a página Dark Side Figures no Facebook, onde divulgo novas esculturas que produzo bem como busco mostrar um pouco mais do trabalho geral com estas esculturas.


Portfólios

Karina Camacho Design Gráfico, 6º Semestre pela FAAL Behance: behance.net/karinacamacho

Fotos Still de Joias produzidas para Prateando, Rio de Janeiro/RJ

Fotos Still de Produtos Orbi Química, Leme/SP


Lídia Costa Grigorini Design, 2º Semestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP) E-mail: lidiagrigorini@gmail.com Facebook: fb.com/lidiacostagrigorini

Série de projetos gráficos desenvolvidos em conjunto com o aluno Gustavo Ferrés para a disciplina de Projeto Visual I, sob a orientação do professor Vicente Gil - FAU USP. A proposta foi trabalhar com a tipografia dada visando traduzir visualmente os conceitos pré-determinados em cartazes A4, utilizando técnicas de fotocópia, ampliação e colagem. Os cartazes aqui apresentados foram retocados digitalmente.

Conceito – Estrutura Tipografia – Peignot

Conceito – Voo Tipografia – Gill Sans

Conceito Movimento Tipografia Babyteeth


Portfólios

Matheus Muniz Artes Visuais, 2º Semestre Behance: www.behance.net/matheusouza Blog: www.comehdia.blogspot.com.br E-mail: souza@ag22.com.br

Espelho do Futuro A fotografia foi produzida com a técnica de cianotipia sobre tecido de algodão. Essa técnica se deve para reforçar a questão lírica do antigo, confrontando o novo; afinal é uma técnica antiga de produção, porém foi necessário um desenvolvimento tecnológico para gerar o fotolito, usado de fotograma para revelação dessa imagem, criando um contraste de gerações. Foi escolhido o momento de se barbear, pois faz parte do cotidiano de algumas pessoas, e que além de expor esse momento, expõe suas vulnerabilidades, afinal o ambiente em que foi registrado é o banheiro; ambiente que pela monotonia das situações, promovem breves devaneios e reflexões, também são momentos íntimos e sozinhos que promovem a ação solitária de pensar. Ter essa fotografia publicada estaria proporcionando ao público à experiência de se ver no contexto de contrastes, onde podemos pensar no passado e levantar hipóteses que projetem nosso futuro, mesmo estando em nosso presente. Cianotipia produzida durante curso ministrado por Ligia Minami na Oficina Cultural Carlos Gomes em Limeira.

Cianotipia Colorida Ainda com a técnica de cianotipia, aqui é resgatada a técnica antiga de colorir fotografias por meio de um modo artístico com pigmentos. No caso dessa foto, ela passou pelo processo de cianotipia e posteriormente colorida com aquarela. 51


MusgUrbanu Gustavo Borges João Marcus Andrade de Souza Design Grafico, 6º Semestre pela FAAL Site: www.musgurbanu.com.br Facebook: facebook.com/musgurbanu Behance: behance.net/musgurbanu Instagram: @musgurbanu Desenvolvemos a identidade visual da Buriti, um casal de fotógrafos especialistas em fotografia de família, tendo como foco gestantes, partos humanizados e bebês. Da língua indígena buriti significa “Árvore da Vida”, uma árvore da família das palmeiras que era e é utilizada para o fornecimento de matéria prima e alimento. Usamos o significado indígena e a própria palmeira para criar o símbolo, onde as folhas da palmeira fazem alusão a um berço.


Portfólios

Rodrigo Cardozo Design Gráfico, 8º Semestre pela FAAL Behance: be.net/rodrigocardozo Instagram: @rodrigoounao

1ª Corrida Rock n’ Run A Rock n’ Run é uma corrida especial, feita especialmente para os amantes do rock. Fui responsável pela criação da marca, identidade, ilustrações, materiais especiais e toda a comunicação do evento. Projeto desenvolvido em 2013 pela Scuderia Propaganda.

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Thayná Alekssandra Mendes Design de Interiores , 4º semestre Facebook: www.facebook.com.br/TMinteriores Facebook: www.facebook.com.br/thayna.mendess

Projeto banheiro, traz lembranças retrô de um ambiente relaxante e confortável. No chão, revestimento da Portobello linha Ampla Design Retrô. Na bancada, Cuba esculpida na pedra Nanoglass e madeira Louro Preto.

Quarto projetado para filha de 16 anos da cliente Morgana Sailer. A pedido, um quarto alegre, com cama baixa onde pode ser usado como sofá. Os tons coloridos dão um ar tropical junto das estampas florais. O painel em madeira da cama, envolve todo o quarto.

Quarto de bebê, as lembranças provençais com ar delicado, marcam o quarto. Um ambiente com tons neutros, destacam as cores escuras da madeira tabaco do berço e da bicama, deixando o ambiente leve e confortável, sem agredir os olhos.


Portfólios

Walison Fernando Design gráfico , 6º Semestre pela FAAL Linkedin: br.linkedin.com/in/walisonfsilva Behance: www.behance.net/walisonfsilva

Alogy é uma empresa que presta serviços de automação industrial a outras empresas. Portanto, foi construída uma identidade visual que representasse tecnologia, qualidade e modernidade, elementos principais dos valores da marca.

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|REVOLUÇÃO E EVOLUÇÃO DAS CÉDULAS Redação: Júlio César e Marina Fernandes


|A REVOLUÇÃO E EVOLUÇÃO DAS CÉDULAS DE DINHEIRO

www.thinglink.com

As cédulas não são apenas pedaços de papéis usados em transações financeiras. Elas também atuam como “cartão de visita” de seus países. Sendo a economia uma das principais características de um país, as cédulas são a representação desse fator, por isso a imagem do dólar é tão difundida pelo mundo, sendo a nota usada na maior economia mundial. Muito além disso, as notas também trazem outras referências históricas e culturais de seu país, seja com o uso do rosto de grandes personalidades nacionais, até a representação de animais nativos. O projeto de criação de uma nova família de cédulas bancárias não é algo simples, requer um amplo conhecimento em diversas áreas, como o substrato a ser usado, durabilidade e adequação. Tecnologias gráficas de segurança contra falsificação, características de identificação de leitura por diversas máquinas, elementos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, tudo isso de forma que todas as cédulas sejam perfeitamente idênticas entre si, independentes de quantas fábricas de papel ou gráficas estiverem envolvidas no processo. Lembrando, claro, que é um espaço reduzido, que o resultado final deve ser visualmente agradável, e que o custo do processo produtivo seja vantajoso. 58


A revolução e evolução das cédulas

_ HISTÓRICO DAS CÉDULAS NO BRASIL

_ réis (Rs) No início, o comércio brasileiro era feito através de troca de mercadorias, mas a necessidade do dinheiro foi aumentando conforme os territórios iam se desenvolvendo. As primeiras moedas, chamadas de réis, foram trazidas pelos portugueses e eram feitas de ouro, prata e cobre, mas com o crescimento do país, foram criadas as primeiras casas de moedas em território nacional. Mais tarde, quando se tornou independente, em 1822, o réis foi mantido como unidade monetária e oficialmente a primeira moeda brasileira.

commons.wikimedia.org

_ cruzeiro (Cr$) No governo Getúlio Vargas foi estabelecido o Cruzeiro como padrão monetário. Em 1967, foi alterado para Cruzeiro Novo, onde as cédulas do padrão anterior foram apenas carimbadas com os novos valores, mas essa medida foi tomada temporariamente, já que em 1970, a denominação voltou a ser Cruzeiro. Com o passar dos anos, o dinheiro brasileiro obteve crescimentos econômicos e desvalorizações intensas, e essas mudanças econômicas influenciaram também na estética das cédulas. Uma das famílias do Cruzeiro foi desenhada pelo designer Aloísio Magalhães,

considerado pioneiro do design brasileiro, tendo ajudado a fundar a primeira escola de design no Brasil. Aloísio venceu o concurso de design que o Banco Central criou para elaborar um novo padrão às cédulas. Figuras da monarquia, imagens de Brasília e Rio de Janeiro são alguns elementos que fazem parte desse padrão monetário. É de grande notoriedade também a nota de 500 cruzeiros, caracterizada pela diversidade do povo e a evolução do território brasileiro desde seu descobrimento, comércio, colonização, independência e integração.

casavogue.globo.com Aloísio Magalhães - O Dia Nacional do Design, 5 de novembro, foi instituído em homenagem ao seu nascimento.

Cédula de 500 Cruzeiros, desenhada por Aloísio, representa a diversidade étnica do povo brasileiro. vejasp.abril.com.br

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_ cruzado (Cz$) A reforma monetária e a criação do Cruzado foram adotadas como medida para conter altas dívidas e inflação herdada dos governos militares, durante esse período foram implementados sucessivamente vários planos econômicos. Entre eles está o Cruzado, o Cruzado Novo, a volta do Cruzeiro, o Cruzeiro Real, até enfim chegar ao Real. No Cruzado, as primeiras notas foram reaproveitadas das cédulas do Cruzeiro, apenas carimbando os novos valores. Logo depois, novas notas traziam personalidades como Machado de Assis, Heitor Villa-Lobos, e Cândido Portinari.

www.delcampe.net Cédula de Cruzeiro reaproveitada como Cruzado.

www.tempoantiguidades.com.br Cédula do Cruzeiro Real. A moeda vigorou apenas de 1993 à 1994.

www.banconotemondiali.it 50 Cruzados Novos – Representação de Carlos Drummond de Andrade e seu poema “Canção Amiga”..

Desprendido de imagens que rompem a um capricho dos deuses, tu regressas ao que, fora do tempo, é tempo infindo, no secreto semblante da verdade. Carlos Drummond de Andrade

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Já do Novo Cruzado, na nota de 50 havia o retrato do escritor Carlos Drummond de Andrade e também a reprodução dos versos de seu poema “Canção Amiga”. Além de Carlos Drummond, na nota de 100 foi retratada a escritora Cecília Meireles, juntamente com os desenhos feitos por ela, onde apresentava o universo da criança. É no Cruzado Novo que pela primeira vez é usado a efígie simbólica da República. A gravura foi inspirada na figura feminina do quadro “A Liberdade guiando o Povo”, de Eugène Delacroix, importante pintor francês do Romantismo. A efígie está presente até hoje no plano Real.


A revolução e evolução das cédulas

_ real (R$) O plano Real que vigora até os dias atuais, foi criado pelo presidente Itamar Franco, em 1994. Foi na implantação do Real que houve uma grande mudança estética nas notas. Criou-se uma padronização entre elas, sendo todas ilustradas pela efígie simbólica da República em forma de escultura, e no verso a ilustração variava de acordo com cada valor, mas todas as notas exibiam gravuras de animais em cenários referentes ao ecossistema de cada espécie. Apesar da padronização, a diferenciação entre elas é muito simples e perceptível, por suas cores, forma e grafias.

mfabior.tumblr.com

Em 22 de abril de 2000, a nota de R$ 10,00 contou com uma cédula comemorativa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, com o rosto de Pedro Álvares Cabral. Foi produzida em plástico polímero apenas para a circulação do mesmo ano.

colecoes.mercadolivre.com.br

_ segunda família do real A partir de 2010, a Casa da Moeda e o Banco Central colocaram em circulação a nova família do Real. Com um design totalmente inovador, moderno, e eficiente, mas mantendo as características marcantes, como as cores e as gravuras dos animais, para que não houvesse confusão ou um grande impacto na mudança. As alterações em relação às anteriores variam desde mudanças ti-

pográficas até o formato das notas, e mesmo que mantidas as gravuras, as ilustrações foram redesenhadas e distribuídas de maneira mais limpa. A diagramação das informações também sofreu uma pequena alteração, deixando as notas menos poluídas visualmente, e diferente das anteriores, frente e verso estão em sentido horizontal.

www.bcb.gov.br

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|DESVENDANDO OS MISTÉRIOS DA NOVA NOTA Conheça os elementos gráficos de segurança e acessibilidade da segunda família do real.

1_ quebra-cabeças Coloque a nota contra luz e veja que o desenho da frente e do verso se completam, formando o número do valor da nota.

2_ alto-relevo Há diversos locais onde pode ser usado o tato e sentir o relevo. FRENTE: - Legenda “REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”; - Numeral do canto inferior esquerdo; - Numeral no canto superior direito (exceto notas de R$10,00 e R$20,00); - Nas duas extremidades laterais, na região central. VERSO (apenas notas de R$ 20,00, R$50,00 e R$100,00). - Legenda “BANCO CENTRAL DO BRASIL”; - Figura do animal; - Numeral.

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3_ marca d’água Todas as cédulas tem em seu espaço em branco, próximo a efígie representativa da república, uma marca-d’água com seu respectivo animal e valor. Para enxergar basta posicionar a nota contra a luz.

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4_ faixa holográfica

5_ elementos fluorescentes

Presente apenas nas notas de R$ 50,00 e R$ 100,00. - R$50,00: durante a extensão da faixa holográfica é possível ver diversos números “50”, folhagens, o número “50” e “REAIS” que se alternam, e o rosto da onça pintada; - R$100,00: durante a extensão da faixa holográfica é possível ver diversos números “100”, corais, o número “100” e “REAIS” que se alternam, o rosto da garoupa e uma estrela-do-mar.

Sob luz ultravioleta, alguns elementos ficam visíveis: - o número do valor da nota aparece na frente, ao lado da faixa holográfica; - O número de série vermelho, no verso, fica amarelo; - Pequenos fios se tornam visíveis na cor lilás, espalhados pela nota.


A revolução e evolução das cédulas

_ curiosidade: inspiração para efígie “A liberdade guiando o povo” – Eugène Delacroix. Rosto da mulher representando a liberdade inspirou a criação da efígie da república, usada nas cédulas até hoje.

9_ número que muda de cor

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Presente apenas nas notas de R$10,00 e R$ 20,00. No canto superior direito, indicando o valor da nota. Movimente-a e veja alternar da cor verde para o azul, com um efeito brilhante correndo pelo número.

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6 6_ fio de segurança Com exceção às notas de R$2,00 e R$5,00, se apontadas contra a luz na região central é possível ver uma faixa escura com os dizeres do valor da nota e a palavra “REAIS”.

8_ número escondido Direcionando a cédula na altura dos olhos, horizontalmente, é possível ver os números indicativos do valor de cada nota no quadrado ao lado da efígie. Nas notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, também há um número escondido no verso, no canto inferior esquerdo, nas folhagens e nos corais, respectivamente.

7_ tamanhos e barras Além de todos os elementos de segurança mais modernos e de fácil verificação, as cédulas também apresentam maior facilidade de diferenciação para pessoas portadoras de deficiência visual e analfabetas. As notas possuem tamanhos diferentes, e no canto inferior esquerdo da face da frente existem marcas táteis correspondentes a cada valor: 2 reais: 121 x 65 mm - Marca tátil: 1 barra inclinada 5 reais: 128 x 65 mm – Marca tátil: 1 barra horizontal 10 reais: 135 x 65 mm - Marca tátil: 2 barras verticais 20 reais: 142 x 65 mm - Marca tátil: 2 barras inclinadas 50 reais: 149 x 70 mm - Marca tátil: 2 barras horizontais 100 reais: 156 x 70 mm - Marca tátil: 3 barras verticais


vale a pena conferir

|AS DELICADAS NOTAS HÚNGARAS DE BARBARA BERNÁT

www.tsfzona.hu

_ O CONTEXTO A Hungria é um dos poucos países europeus que não fazem o uso do Euro como moeda oficial. Apesar de ser uma das mais valiosas do mundo, e muitas empresas e investidores insistirem na adoção da moeda, o governo se mostra relutante e afirma que manterá a independência financeira do país. A Hungria atualmente adota o uso do Florim Húngaro, ou Forint, cuja cotação atualmente é de aproximadamente 1U$D para 276 HUF. Com base na discussão que circula o país, Barbara Bernat, designer e ilustradora húngara, desenvolveu o projeto do euro húngaro, uma possível solução para a polêmica. Barbara é designer gráfica de formação, e esse trabalho foi seu mestrado pela University of West Hungary. 64


A revolução e evolução das cédulas

_ SOBRE A ARTISTA Designer gráfico húngara formada no curso de Design Gráfico MA da University of West Hungary. Ela tem experiência em diversos campos do design gráfico e utiliza seus conhecimentos em técnicas tradicionais como desenho, pintura e gravura, mas gosta de fazer experimentos com novas e desconhecidas técnicas para atingir o resultado desejado. Ela ama a natureza e todos os pequenos e grandes habitantes, especialmente roedores. Sua imaginação não para nos limites da mente, criaturas fantásticas aparecem com frequência em sua arte. Os trabalhos de Barbara são limpos e divertidos, eles transmitem as diversas maravilhas da vida.

soha.vn

Confira esse e mais projetos da designer: Behance: www.behance.net/Bidka Tumblr: www.barbesz.tumblr.com

_ O DESENVOLVIMENTO Barbara queria apenas manter os elementos essenciais de uma cédula de dinheiro. A parte mais importante além dos gráficos como as denominações, número de série, a autoridade emissora e as assinaturas. Deixando os elementos gráficos desnecessários para trás, conseguiu causar um impacto visual mais limpo para seu projeto. “Eu queria enfatizar os animais e as plantas. A tipografia e as marcas de segurança são secundárias nas minhas notas”, explica Barbara. “Comecei com miniaturas, elas evoluíram para desenhos mais detalhados que conduziram o layout final.” www.pinterest.com

_ O PROJETO O projeto foi o mais próximo possível do que seria o desenvolvimento de cédulas reais. Desde as ilustrações, usando animais característicos da fauna europeia, até os elementos de segurança, utilizando também elementos visíveis apenas em luz ultravioleta. Ela chegou fazer até mesmo as placas de cobre para a impressão das notas, que seguem o mesmo padrão do euro em seu tamanho, com medidas crescentes de acordo com os valores. Fonte: https://www.behance.net/Bidka

todoviral.net

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|O MUNDO DALTÔNICO Redação: Júlio César e Lais Cristina


O Mundo Daltônico

Design e daltonismo se entendem? Poucas áreas trabalham tanto com o uso das cores como o design. Seja na identidade visual de uma marca, combinação de cores em produtos e ambientes, layout de sites, materiais gráficos, etc. Tudo que é produzido por designers envolve o uso de cores. Porém, aproximadamente um décimo da população mundial sofre de Daltonismo, ou seja, apresenta alguma dificuldade na diferenciação de certas cores. Considerando que design é projeto, o designer deve pensar, na hora de produzir qualquer material, que uma a cada dez pessoas terá dificuldade para identificar as cores que diferenciam determinados locais num mapa, enxergarão logotipos em cores completamente diferentes da projetada, confundirá peças coloridas de um determinado produto, e até mesmo se sentirá desconfortável com as cores usadas em paredes e decoração de um determinado ambiente. Uma pesquisa recente apontou que o design inclusivo pensado para pessoas daltônicas é praticamente nulo, e o principal motivo apontado foi o desinteresse de empresas e designers em produzir peças voltadas para esse público, e que esse desinteresse muito se deve a falta de conhecimento das pessoas em relação ao dis-

O que é daltonismo? Também chamado de discromatopsia ou discromopsia, o daltonismo é uma deficiência na visão que dificulta a percepção de uma ou de todas as cores. A deficiência ocorre nas células cones, no centro das retinas, que são responsáveis pela percepção das ondas eletromagnéticas das cores em três níveis diferentes: vermelho, verde e azul (sistema RGB). O daltonismo se caracteriza por alguma alteração ou ausência dessas células. O transtorno pode ser adquirido durante a vida por alguma lesão ocular ou de origem neurológica, embora esses casos sejam extremamente raros. Sendo assim, o daltonismo se caracteriza por ser uma falha genética ligada ao cromossomo X. Isso justifica a recorrência maior em homens, já que estes possuem apenas um cromossomo X, e as mulheres possuem dois, sendo necessário então que os dois cromossomos apresentem essa condição – estima-se que 9% dos homens são daltônicos, contra 1% das mulheres. 68

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túrbio. Existe no mundo aproximadamente o mesmo número de pessoas canhotas e daltônicas, porém é comum conheceremos muito mais canhotos do que daltônicos. Isso revela outro dado importante sobre o Daltonismo: a dificuldade do diagnóstico da doença. Embora a maioria seja identificado na infância, quando a criança escolhe pintar a árvore inteira da mesma cor, muitas vezes o daltonismo se passa despercebido até a vida adulta, principalmente quando a criança, após os primeiros erros nas escolhas de cores, se sente inferior aos demais, e deixa de pintar desenhos, passando a evitar atividades que necessitem a escolha de cores. E isso novamente se deve a falta de conhecimento disseminado entre as pessoas, que demoram a perceber a dificuldade é uma limitação física, e não intelectual. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-enxergam-os-daltonicos http://www.revistacliche.com.br

A palavra daltonismo se deve à John Dalton (17661844), responsável pelos primeiros estudos e também portador do distúrbio. Conta-se a história que ele descobriu sua condição após comprar um par de meias para sua mãe pensando que as mesmas eram pardo-azuladas, quando na verdade eram vermelhas, o que não permitia que sua mãe as usasse por fazer parte de um grupo cristão chamado Sociedade dos Amigos, que pregava a total igualdade entre as pessoas não permitindo dessa forma o uso de vestimentas que destacassem um dos outros, como por exemplo o uso de cores fortes.

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O mundo daltônico

Tipos de daltônismo O Daltonismo é classificado em alguns tipos diferentes, que são eles: Monocromacia:

Protanopia:

Casos extremamente raros, onde o portador apresenta o distúrbio nas células das três cores, enxergando dessa forma apenas tons de cinza.

Afeta os cones responsáveis pela cor vermelha, impossibilitando discriminar cores do espectro na faixa verde-amarelo-vermelho-laranja, ou seja, ondas de longo comprimento. O vermelho tende para o verde, enxergando essas cores em tons de marrom.

Deuteranopia:

Tritanopia:

Afeta os cones responsáveis pela cor verde, impossibilitando discriminar cores do espectro na faixa verde-amarelo-vermelho, ou seja, ondas de médio comprimento. O verde tende para o vermelho, e por isso o resultado final é semelhante ao da Protanopia, variando apenas a tonalidade dos tons de marrom.

Afeta os cones responsáveis pela cor azul, impossibilitando discriminar cores do espectro na faixa azul-amarelo, ou seja, ondas de pequeno comprimento. Os azuis mudam de tonalidade e tons de amarelo, laranja e vermelho tendem para o rosa. Esse tipo ocorre com menos frequência que os outros dois anteriores. http://www.minhavida.com.br/saude/materias/5334-entendao-que-e-o-daltonismo-e-como-e-feito-o-diagnostico-precoce

nerdwars.blog.br

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Teste de Ishihara Shinobu Ishihara (1879-1963) desenvolveu o teste que leva seu nome em 1917, e até hoje é usado para ajudar a identificar o Daltonismo. O teste consiste na exibição ao paciente de diversos cartões com pequenos círculos de cores levemente diferentes por todo o cartão, e ao centro círculos de tons mais diferentes formam geralmente números, que apenas pessoas de visão normal conseguem distinguir. Para crianças que ainda não foram alfabetizadas o teste pode ser aplicado com formas simples ao invés de números, como quadrados e triângulos. O teste completo é formado por 32 cartões de diferentes cores, e o número de acertos varia conforme o tipo de Daltonismo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_cores_de_Ishihara

oculos.blog.br

Photoshop Desde sua versão CS4, o Photoshop apresenta uma ferramenta de acessibilidade para daltônicos. Mais precisamente para portadores Pratonopia (ausência de cor vermelha) e Deuteranopia (ausência de cor verde). Para ativar esse modo basta ir em View > Proof Setup > Color Blindness e selecionar entre os dois tipos de Daltonismo. Isso possibilitará você trabalhar sua área de trabalho da mesma forma que um daltônico enxergaria as cores. Para auxiliar na criação de material pensando no público daltônico e não-daltonico, você pode trabalhar em duas janelas de visualização de modo simultâneo,

basta seguir os seguintes passos: 1) Window > Arrange > New Windows for #NomeDoArquivo# (Para abrir uma nova janela idêntica com o mesmo arquivo). (Photoshop Português: Janela > Organizar > Nova Janela para #NomeDoArquivo) 2) Window > Arrange > Float All in Windows (Isso irá transformar as duas imagens abertas em janelas flutuantes caso ainda não estejam). (Photoshop Português: Janela > Organizar > Nova Janela para #NomeDoArquivo) 3) Windows > Arrange > Tile (Organização final das janelas). (Photoshop Português: Janela > Organizar > Lado http://photos.com.br/daltonismo-e-o-photoshop/ a Lado)

Conversor Existe diversos sites e até mesmo aplicativos para smartphones que fazem simulação da visão daltônica. O site que apresentamos aqui é um dos que fazem isso de forma bastante simples porém muito eficiente, pois é possível utilizar imagens salvas em seu computador, aplicar a conversão de cores, e depois salvar sua nova imagem editada. Ele apresenta os três tipos de deficiência das cores, e é possível selecionar a intensidade. http://asada.tukusi.ne.jp/cvsconv/

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O mundo daltônico

ColorAdd ColorAdd é um sistema de código que serve para identificar cores. Em comparação simples e prática, é um braile para daltônicos. Criado pelo português Miguel Neiva, designer e professor na Universidade do Minho, em Braga, o sistema já está sendo usado por muitas empresas pelo mundo e principalmente em Portugal. Inúmeros produtos apresentam o código: caixas de lápis de cor, camisetas, medicamentos, linhas de metrô, tintas, e etc. Os códigos foram criados a partir das cores primárias (vermelho, azul e amarelo), sendo um símbolo diferente pra cada uma delas. A combinação de dois desses símbolos formam as respectivas cores secundárias (verde, laranja e roxo). A partir disso há também a representação do branco e do preto, e a junção disso para tons mais claros ou mais escuros.

www.viarco.pt

http://www.coloradd.net/why.asp

www.marcasportuguesas.pt

Alguns dados:

www.creads.fr

37% dos daltônicos não sabem sobre o daltonismo que possuem

42% dos daltônicos não se sentem totalmente integrados à sociedade

90% dos daltônicos afirmam pedir ajuda para comprar roupas

88% dos daltônicos já tiveram problemas ou pediram ajuda para se vestir

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EnChroma

Daltônicos enxergam cores pela primeira vez A empresa EnChroma, levando cores para daltônicos, localizada em Berkeley na California, inventou pela primeira vez, junto a sua equipe composta por pesquisadores, engenheiros e especialistas em tecnologia uma linha de lentes que revolucionou o mercado de óculos. Os óculos EnChroma CX, sustentados por lentes de policarbonato (Plástico) melhoram significativamente a visão de daltônicos , corrigindo a deficiência de visão de cores. Estima-se que a empresa ajudaria 300 mil pessoas no mundo que possuem daltonismo.

noticias.bol.uol.com.br

E foi um acidente... Don McPherson Ph.D. em Ciência de vidro da Universidade Alfred, é especialista em criação de eyewear para os médicos para usar como proteção durante a cirurgia a laser. Durante uma partida de Frisbee em uma tarde de 2005, em Santa Cruz- (EUA), Don McPherson, como de costume, usava os óculos por terem um design atraente e serem confortáveis, substituindo os óculos de sol, “As lentes faziam com que todas as cores parecessem incrivelmente saturadas. Faziam o mundo parecer muito brilhante”, diz. Michael Angell, um amigo daltônico, que acompanhava McPherson na partida, admirado com seu eyewear, pediu para pegá-los emprestado, por curiosidade, e então a surpresa, “Consigo enxergar os cones!”, disse referindo-se aos cones alaranjados do tráfego nas proximidades, pela primeira vez ele conseguia ver a cor laranja e assim diferenciar a cor do concreto e da grama. Diante desta situação Mcpherson concluiu que as mesmas lentes que antes eram usadas para cirurgias poderiam agora ajudar muitas pessoas daltônicas a enxergar cores.

www.homesquare.pl

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www.pessegadoro.com

Após a descoberta McPherson, sem saber quase nada de daltonismo começou uma ampla pesquisa junto com seus amigos Tony Dykes e Andrew Schmeder fundando assim a EnChroma. Após anos de pesquisas e testes foi lançada em 2012 a primeira versão das lentes, e agora no final de 2014 com um grande atualização, mudando a base da lente toda de vidro por uma totalmente de plástico, podendo assim ser receitadas para atletas, crianças e daltônicos para qualquer atividade, sem risco de segurança.


O mundo daltônico

E como funciona? McPherson explica “todas as pessoas têm três tipos de fotoreceptores nos olhos, também conhecidos como cones, que são sensíveis ao azul, verde e vermelhos. O azul opera de forma relativamente independente, enquanto os cones vermelhos e verdes podem se sobrepor, o que afetaria a percepção de certas cores”. A tecnologia dos óculos EnChrome funciona através da colocação de uma banda de absorção nas lentes que capta a luz, fazendo com que os cones sejam empurrados, tendo uma distancia um do outro, deixando passar apenas o suficiente das luzes para sensibilizar os fotorreceptores e assim corrigir os defeitos na visão . “Nós não reivindicamos que este é uma cura para o daltonismo - não é uma cura. Como qualquer produto de óculos, é um dispositivo de apoio óptico” diz McPherson. O produto foi capaz de resolver o problema na visão de 80% dos clientes.

www.megacurioso.com.br

“ Em última análise, a nossa missão é aproveitar nosso conhecimento profundo da cor ciência visão para criar produtos eficazes, seguros e úteis que ajudam as pessoas a ver o mundo melhor. E estamos apenas começando.”

www.enchroma.com/technology www.prnewswire.com www.noticias.bol.uol.com.br www.smithsonianmag.com

Designer Daltônico? Imagine a situação: Você é um diretor de arte, então em um belo dia descobre que é daltônico. Pois é aconteceu com Felipe Elioenay, um designer brasileiro de Montreal em São Paulo, ao receber uma visita de uma clínica de oftalmologia na agência em que trabalhava, Felipe descobre ser cego das cores. Em um artigo escrito por ele “Azul é a cor mais loka”, Felipe relata como foi descobrir seu daltonismo: A médica: “Tá, isso é bem comum entre homens. Mas você não trabalha na criação não, né?” Respondi: Trabalho sim, sou Diretor de Arte. Após a descoberta, na tentativa de criar uma marca de café marrom, Felipe faz um charmoso logo vintage, verde, e então percebe sua necessidade de saber a real cor de tudo, eis que surge a ideia de criar um aplicativo para este erro não acontecer mais, nem com ele e nem com nenhum outro designer daltônico.

frizzacom.com.br

Usando os códigos de Miguel Neiva, Colorblindness é um aplicativo que está sendo desenvolvido junto com seu amigo Ader Moreira com a intenção de ajudar daltônicos a saber qual cor está vendo. O aplicativo é simples, a pessoa que usa apenas precisa apontar o celular para a cor que deseja saber, e então o aplicativo mostra a cor pelo código de Miguel Neiva e pelo nome. https://www.behance.net/felipeelioenay www.colorblindnessapp.com

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|25 VELINHAS PARA O PHOTOSHOP Redação: Maura Fraile


|25 VELINHAS PARA O PHOTOSHOP Foto: www.adobe.com

_ O CONTEXTO Esse ano o Adobe Photoshop completou 25 anos de existência, em 19 de Fevereiro de 1990 o revolucionário editor de imagens foi criado. “Em meio às gravações em videocassetes e disquetes, o idealizador do Photoshop e engenheiro de softwares,

Thomas Knolle seu irmão John, resolveram investir em uma ideia. Três anos depois, a Adobe lançou um programa baseado em edições por meio de pixels, popularmente conhecido como Photoshop” (techtudo). Usado por todos e especialmente por pro-

fissionais da área de criação o Photoshop se tornou algo de extrema importância e nos dias atuais é inimaginável fazer trabalhos sem o uso dophotoshop na fotografia tanto artística quanto na publicidade. Com a ajuda dessa ferramenta e o alcance da tecnologiaé possível criar imagens que vão além da nossa imaginação, temos um leque muito vasto de possibilidades. “Em entrevista para a The Next Web, o gerente de projetos da Adobe Stephen Nielson fala sobre o futuro “Na verdade, acho que os melhores dias do Photoshop ainda estão por vir. Temos oportunidades imensas a nossa frente para fazer coisas ainda mais incríveis do que fizemos no passado para causar ainda mais impacto no mundo” Texto: www.tecmundo.com.br

Foto: www.tecmundo.com.br

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“Evolução dos ícones do programa ao longo dos 25 anos de criação.”


25 velinhas para o Photoshop

|APRENDA A FAZER UM EFEITO CLÁSSICO DE LUZ NO PS Siga este tutorial feito pelo Abduzeedo para fazer este efeito clássico de luz. Abduzeedo é um blog sobre design. Há todos os tipos de artigos para aqueles que querem inspiração. Além disso, você vai encon-

trar tutoriais muito úteis para os aplicativos mais usados lá fora, com uma seleção especial de Tutoriais de Photoshop e Illustrator. Claro que existem outros softwares como Pixelmator, Fireworks, e tutoriais de web design.

_ PASSO 1 Abra o Photoshop e crie um novo documento, depois que se certificar de que o fundo está na cor preta.

_ PASSO 2 Para tornar o efeito mais realista, vamos usar uma foto, podemos indicar o banco de imagens FreeImagens, freepik ou se preferir um banco de imagens pago, o Shutterstock. Coloque a imagem no centro do documento, mas certificar-se que a área de filamento é grande o suficiente.

_ PASSO 3 Vá em Layer > LayerMask > RevealAll. Em seguida, com a Brush Tool (B) selecione um pincel bem macio (0% de dureza) e preto na cor. Comece a pintar as áreas da luz que você deseja ocultar. Use a imagem abaixo como referência.

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_ PASSO 4 Agora vamos excluir a área de filamento, onde vamos adicionar o texto com o efeito de luz mais tarde. Para fazer isso é muito fácil, com a ferramenta Conta-gotas (I) selecione a cor da área que você vai pintar, com a Brush Tool (B) e um brush suave, iniciae a pintura sobre o filamento. Nota: foi adicionado uma nova camada em vez de pintar por cima. Outra dica é se você

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estiver usando a ferramenta Brush Tool (B) você pode apenas pressionar Alt usar a ferramenta Conta-gotas.

_ PASSO 5 Com a Horizontal Type Tool (T) adicionar a palavra luz em branco. Neste tutorial está sendo usado oExmouth para a fonte, você pode baixá-lo aqui www.dafont. com/exmouth.font. Para o tamanho está sendo usado 82 pixels, mas o tamanho vai depender do tamanho do seu documento. Depois que adicionar uma nova pasta na paletaLayers mude o BlendMode dessa pasta para Color Dodge. Mova o texto claro para a pasta que acabou de criar.

_ PASSO 6 Com o texto selecionado, vá em Filter>Blur>GaussianBlur. Use 4 pixels para o Radius.

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Como o texto branco está dentro da pasta com a cor de Dodge, o efeito será o mesmo que se a camada de texto tivesse um fundo preto. Você pode ver que as bordas obtêm um tipo de mistura com o fundo que cria um efeito de luz perfeita.

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_ PASSO 8 Mais uma vez para adicionar mais realismo, em vez de criar um alargamento da lente no Photoshop vamos usar uma foto real. A imagem do tutorial foi encontrada no Google Imagens e você pode encontrá-lo aquiweb.williams.edu/astronomy/IAU_ eclipses/jmp_eclipse03_04.jpg. Uma vez que você importou a foto, a primeira coisa a fazer é excluir as áreas que não será necessário e manter apenas o flare. Depois disso vá até Image>Adjustments>Desaturate. 78

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25 velinhas para o Photoshop

_ PASSO 9

_ PASSO 10

_ PASSO 11

Mais uma vez para adicionar mais realismo, em vez de criar um alargamento da lente no Photoshop vamos usar uma foto real. A imagem do tutorial foi encontrada no Google Imagens e você pode encontrá-lo aquiweb.williams.edu/astronomy/IAU_ eclipses/jmp_eclipse03_04.jpg.

Adicione uma nova layer e vá em Filter> Render>Clouds. Certifique-se de que você teve preto e branco para o fundo e as cores de primeiro plano. Esta camada também será em cima dos outros.

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Alterar camada BlendMode de ‘Clouds’ para Color Dodge. Depois que adicionar uma nova pasta no painel Layers e mova a camada de ‘Clouds’ para ele. Depois que a mudança dos BlendMode desta pasta para Overlay.

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_ PASSO 12 Adicione uma nova layer dentro da pasta na qual você moveu camada dos ‘Clouds’. Certifique-se de que a nova camada abaixo da camada é dos ‘Clouds’. Depois disso, com a Brush Tool (B) e um brush suave com # f5d38b pintar uma mancha redonda no centro do efeito de luz. Mude o BlendMode dessa camada para Overlay também.

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_ PASSO 13 Agora adicione outra camada em cima de todas as outras e, em seguida, com a Brush Tool (B) e um pincel grande e muito suave usando a cor branca, pinte outro grande ponto no centro do efeito de luz. Depois disso vá em Layer> Camadas Styles> Color Overlay. Use # ffd648 e Linear Burn. A idéia é fazer com que a luz fique um pouco mais forte. Após isso, é feito e como você pode ver, a maioria dos efeitos de luz são todos sobre a mistura de cores com as fotos. Os modos de mistura no Photoshop são muito poderosos para este tipo de efeito, recomenda-se você estudar mais sobre eles, especialmente o Color Dodge. Texto e Fotos: www.abduzeedo.com

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