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REVISTA BUSINESS PORTUGAL TEMA

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL TEMA

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL EDITORIAL

Editorial

FICHA TÉCNICA Diretor

Portugal em revista

Fernando Silva

EDITORA

Por Diana Ferreira

Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt)

REDAÇÃO Kathleen Araújo Rita Carreira Sara Gomes Síliva Correia Vera Pinto Ana Miguel Lopes Andreia Lobo Marta Caeiro Rita Burmester Rui Roque Sílvia Martins (redacao@revistabusinessportugal.pt)

PROJETO GRÁFICO, PAGINAÇÃO E DESIGN Tiago Rodrigues

SECRETARIADO Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt)

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO

É só em Setembro que os jovens estudantes portugueses ficam a saber se alcançaram um dos principais objectivos da sua vida estudantil, o acesso ao ensino superior. São três anos de árduo trabalho, estudo e concentração que resultam, ou não, no alcance de uma ambição que, não raros os casos, os acompanha há muitos anos. Mas nem todos os jovens portugueses querem um ‘canudo’. Com as contantes mudanças do mundo do trabalho, muitos acreditam que o seu futuro está no ensino profissional e que esta é a melhor opção para garantirem o dia de amanhã. Por isso mesmo, nesta edição de Agosto, a Revista Business Portugal apresenta-lhe algumas das escolhas que os seus filhos, estes jovens estudantes, têm ao dispor, de Norte a Sul do país. Acredito que desse lado existam alguns futuros arquitectos. Nesta edição, damos a conhecer alguns dos mais conceituados ateliers de arquitectura nacionais que têm vingado em Portugal, mas também no estrangeiro, apresentando e conduzindo projectos de referência e que se distinguem dos demais. Nas jornadas do seu roteiro para uma economia da dinâmica, o Presidente da República passou por Paredes e Paços de Ferreira, onde condecorou algumas das personalidades e empresas de destaque da indústria do mobiliário. Esta é uma indústria em que Portugal e os portugueses são exemplo em todo o mundo. Continuamos a nossa viagem por Portugal, e nesta edição destacamos Vila do Bispo, que foi galardoado com o Prémio Município do Ano Portugal 2015, em reconhecimento do seu desempenho em fazer desta cidade algarvia um exemplo para o país. Mas são muitos mais os destaques com que pode contar nesta sua Revista Business Portugal. Convido-o a folhear a sua revista neste período dedicado às férias. Diana Ferreira não segue o novo acordo ortográfico

Cátia Fernandes Fernando Lopes Filipe Amorim Isabel Brandão José Machado José Alberto Luís Branco Luís Silva

alguns destaques da edição de agosto 12 - erasmus +

Manuel Fernando Paulo Padilha

06 - município de vila do bispo

Pedro Duarte Rui Diogo

CONCELHO DE CASTELO BRANCO

EDIÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE

64 - Freguesia de Sarzedas 72 - Freguesia de Salgueiro do Campo

Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15 6ºandar sala 6.1/6.2 4400-134 - Mafamude (geral@revistabusinessportugal.pt)

CLUSTER DO MOBILIÁRIO

INOVAR PARA CRESCER

Tlf: 224 109 098 (Redação)

34 - Município de Paredes 36 - Divercol 42 - Luís Silva SA

A REVISTA BUSINESS PORTUGAL NAS REDES SOCIAS

ARQUITETURA NACIONAL

MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

CONTACTOS Tlf: 223 754 806 (Geral)

56 - GHF Arquitetura 60 - Arqama

76 - Aquapor 80 - HR Group 84 - Fercopor

92 - Município de Santa Marta de Penaguião 102 - Município de Oleiros

DISTRIBUIÇÃO Gratuita no Jornal i - Dec. Regulamentar 8/99-9/6 Artº 12º nº. ID Depósito Legal: 374969/14 Edição de agosto

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municípios do ano

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Universidade do Minho atribui, desde 2013, os prémios que destacam as boas práticas do poder local, uma organização da plataforma UM-Cidades. Este ano o grande vencedor foi o município de Vila do Bispo com o Festival de Observação de Aves e Atividades de Natureza de Sagres. Os prémios foram atribuídos no passado dia 9 de julho, numa cerimónia que decorreu no Theatro Circo, em Braga. Segundo a UM-Cidades, a atribuição dos galardões obedece a vários critérios. São eles: reconhecer e premiar as boas práticas em projetos implementados pelos municípios com impactos assinaláveis no território, na economia e na sociedade, que promovam o crescimento, a inclusão e/ou a sustentabilidade; colocar na agenda a temática da territorialização do desenvolvimento, perspetivada a partir da ação dos municípios e ainda dar visibilidade e reconhecer, em diferentes categorias, realidades diversas que incluam as cidades de maior dimensão, mas também os territórios de baixa densidade nas diferentes regiões do país. Na edição deste ano, para além do grande vencedor nacional, existiram outros premiados por zonas, sendo que Vila do Bispo venceu também na região do Algarve. Nas restantes categorias regionais foram distinguidos mais nove municípios, são eles: Braga, zona Norte, Santa Maria da Feira, na Área Metropolitana do Porto, Águeda, região Centro, Coruche, Alentejo, Ribeira Grande, Regiões Autónomas e Sintra, Área Metropolitana de Lisboa. Nos municípios com menos de 20 mil habitantes os premiados são Paredes de Coura, Norte e Lousã, na zona Centro. Em 2014, o Prémio Município do Ano Portugal 2014, foi atribuído a Lisboa ao projeto ‘Há Vida na Mouraria’. A Universidade do Minho instituiu estes galardões em 2013, o principal objetivo é “preencher a lacuna entre o conhecimento, a política e a prática na temática das cidades e das regiões”, destaca a organização.

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Destino turístico onde natureza, praia e história se cruzam município de vila do bispo Vila do Bispo tem para oferecer um vasto leque de atividades. Num concelho onde a terra abraça o mar, a beleza natural, aliada aos inúmeros vestígios históricos, tornam a região num local de excelência para os amantes do turismo de natureza, prova disso, é o prémio atribuído ao Festival de Observação de Aves e Atividades de Natureza de Sagres.

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adelino soares Presidente

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aposta nas potencialidades naturais e ecológicas deram frutos e o Município de Vila do Bispo foi o grande vencedor da 2.ª edição, Prémios Município do Ano - Portugal 2015, tendo vencido, primeiramente, o prémio do melhor projeto da região do Algarve. O presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, afirma que “este prémio é o reconhecimento, a nível nacional, do trabalho desenvolvido localmente, na promoção das potencialidades deste território, em parceria com associações ambientais e empresas locais”. O evento realiza-se sempre no primeiro fim-de-semana de outubro, este ano, a 6.ª edição, decorre de 1 a 4 de outubro, em Sagres. A iniciativa é organizada pelo Município em parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e a Associação Almargem, contando com o apoio do Turismo do Algarve, do Instituto da Conservação da Natureza e das

Florestas e STRIX – Ambiente e Inovação. As sinergias criadas em torno do evento “demonstram a importância que tem o estudo das aves do ponto de vista ambiental e turístico, e potencializa uma atividade que conta com milhões de praticantes em todo o mundo, onde Sagres surge com condições excecionais para a sua observação (Birdwatching) ” revela o autarca, Adelino Soares. O Festival tem impacto a nível internacional, onde no ano transato contou com cerca de mil participantes de 18 nacionalidades diferentes. O que faz desta zona do País especial é o número de avistamentos onde “em 2014 tivemos cerca de 140 avistamentos de aves diferentes, entre passeriformes, rapinas e marinhas” sendo que em 2013, ocorreram perto de 180 avistamentos “o período migratório outonal é de agosto a novembro, e algumas das espécies ameaçadas, que raramente são avistadas em outros territórios, como a Gralha-debico-vermelho, surgem com frequência em Sagres”,


REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS DO ANO explica o responsável pelo Município de Vila do Bispo. O Festival de Observação de Aves e Atividades de Natureza de Sagres tem ganho dimensão ao longo das suas 5 edições “através do envolvimento de escolas, associações, empresas e toda a comunidade local, conscientes dos valores ambientais a preservar e das potencialidades turísticas do ponto de vista económico”, salienta o presidente Adelino Soares. Mas nem só de observação de aves vive o festival, e numa visão mais abrangente, onde se potencializam as mais-valias naturais da região, o Município de Vila do Bispo organiza outras atividades como “saídas de campo, caminhadas, saídas de barco para observação de cetáceos (golfinhos e baleias), entre outras, tentando combater o principal problema do Algarve, a sazonalidade”, explica o autarca. O concelho de Vila do Bispo é um dos locais do País com maiores potencialidades ambientais “com rotas e percursos para os amantes do pedestrianismo” onde a fauna e flora surgem com valores excecionais “existem espécies endémicas como o Tojo de Sagres e o Triops Vicentinus”, que podem ser admirados pelos amantes da natureza, sem esquecer que “deve ser dos poucos sítios do mundo, onde se juntam centenas de pessoas, no Cabo de S. Vicente, para observar e aplaudir o pôr-do-sol” realça o presidente do Município, Adelino Soares. Todas estas características do território permitem aos visitantes usufruir de uma experiência sem igual desfrutando da natureza em todo o seu esplendor. Importa salientar que “os cidadãos de Vila do Bispo estão empenhados no sucesso do evento”. O presidente da Câmara Municipal faz questão de frisar que “o Festival não implica grandes custos financeiros” permitindo afirmar que “é possível organizar um evento, que envolve a comunidade local e que desperta interesse nos visitantes, sem gastar muito dinheiro” conclui. Adelino Soares elogia a excelente iniciativa da Universidade do Minho, Projeto UM-Cidades, por premiar os municípios pelas boas práticas, referindo

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que “não é só uma vitória de Vila do Bispo é também do Algarve e de todos os autarcas que trabalham em prol das suas comunidades”, destaca o edil. A riqueza histórica de Vila do Bispo A região está repleta de vestígios que contribuem para o relato da história de Portugal e do Mundo. Para além de todo o património relacionado com a época dos Descobrimentos, presente, sobretudo em Sagres, o autarca destaca as investigações que estão a ser realizadas em parceria com Universidades e a Marinha Portuguesa na procura de vestígios subaquáticos da Primeira Guerra Mundial, que “em 2017 pretendemos que sejam reconhecidos como património da UNESCO”. Ao longo da costa do concelho estão submersos vários vestígios, destacando-se o navio de guerra, da Marinha Francesa, L’Océan, que se afundou junto à Praia da Salema, em 1759, durante a Batalha de Lagos, um episódio da Guerra dos Sete Anos. O vasto património histórico da região engloba também “a maior concentração de menires conhecida em toda a Península Ibérica. Os menires de Vila do Bispo começaram a ser erguidos sensivelmente há 6500 anos concorrendo para um ranking dos mais antigos, num fenómeno que perdurou, provavelmente, até à idade do Bronze. Vestígios mais antigos do Homem moderno, a sul da Península Ibérica, na localidade de Vale de Boi, com

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cerca de 33 mil anos. Sem esquecer as pegadas de dinossauros que podem ser visíveis em vários locais da freguesia de Budens”, realça o presidente do município, Adelino Soares. Um mar de oportunidades Vila do Bispo é um local priveligiado por estar situado entre a costa Atlântica e o Mediterrâneo. A localização geográfica reúne todas as condições para a prática de várias atividades como “o mergulho e a pesca”. O autarca de Vila do Bispo realça que “temos praias fabulosas para a prática do surf, bodyboard, windsurf, Paddel e Kitesurf” afirmando que devido à configuração do território “devem existir poucos locais no mundo com estas condições”. Os desportos náuticos são um atrativo e o Município está consciente da importância que têm para o desenvolvimento da região. Neste sentido, Vila do Bispo “é o patrocinador de vários atletas do concelho onde se destaca a campeã europeia de bodyboard, Joana Schenker”, revelou Adelino Soares. A autarquia dinamiza e apoia também diversas iniciativas relacionadas com o mar com o intuito de captar turistas para a região. A beleza natural das praias, de excelente qualidade ambiental, valeram ao território a distinção do terceiro município do País com mais praias galardoadas com Bandeira Azul e Bandeira Dourada. O mar é um dos pontos fortes de Vila do Bispo, facto que também se


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reflete na excelente gastronomia local, destacando-se a nível nacional pela variedade e qualidade de pescado. Uma das apostas fortes é a afirmação de Vila do Bispo como Capital do Perceve. A autarquia apoia todos os anos a Associação de Marisqueiros de Vila do Bispo e Costa Vicentina na organização do Festival do Perceve, que este ano decorre nos dias 4, 5 e 6 de setembro “atraindo milhares de pessoas a este certame”. Durante todo o ano são realizadas várias reportagens da apanha do perceve “é uma atividade arriscada e impressionante, retratada no filme Filhos de um Mar Maior” destaca o edil. O mar, a gastronomia, a natureza e a história tornam Vila do Bispo num destino turístico singular “o que nos diferencia de outros locais é o facto de usufruirmos de um ambiente natural, com tranquilidade e segurança. Vila do Bispo pode ser visitado durante todo o ano, num ambiente familiar”, remata o presidente da Câmara.

Futuro: Desenvolvimento e crescimento O concelho tem cerca de 5300 habitantes que este ano vão ter ao seu dispor novas infraestruturas “vamos inaugurar um lar de idosos, uma creche e um centro escolar, equipamentos importantes para a melhoria das condições de vida dos nossos munícipes”, revelou o autarca. O Município apoia os estudantes de diversos níveis de ensino, através da atribuição de bolsas de estudo e de investigação, alimentação, transportes e material escolar. A saúde também assume importância para o autarca que tem proporcionado “condições de fixação para os médicos” e que adquiriu uma unidade móvel de saúde que “permite levar os profissionais de saúdes às várias localidades do concelho, possibilitando uma melhor comodidade aos munícipes”. Adelino Soares destaca ainda que “a nível social o Município apoia as famílias com maiores dificuldades financeiras,

Festival do Percêbe

festival de observação de aves

4, 5 e 6 de setembro

bem como as Instituições de Solidariedade Social”. No que diz respeito ao futuro “é importante dar condições de vida aos residentes e proporcionar um bom acolhimento a quem nos visita”. O Município vai continuar a dinamizar e a dar visibilidade ao concelho “através de atividades e iniciativas que projetem o nome de Vila do Bispo, participando em feiras de turismo nacionais e internacionais”. O autarca refere que pretende concorrer, novamente, ao Prémios Município do Ano - Portugal em 2017 “consciente de que será difícil voltar a vencer”, contudo o edil considera que “todos os municípios devem participar, dando visibilidade às boas práticas do poder local”, afirma o presidente da Câmara, Adelino Soares. Créditos às fotos: Município de Vila do Bispo; Carla Salvador; Jorge Menezes; Marcelo Sousa; Nuno Barros; Ricardo Soares; Vanessa Oliveira e Vanda Rita Oliveira.

1, 2, 3 e 4 de outubro 11


ensino em portugal

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a edição de agosto damos ênfase, uma vez mais, ao ensino profissional e universitário em Portugal. Nos últimos anos, o ensino profissional tem tido bastante adesão por parte dos alunos portugueses. O crescimento tem sido constante e acentuou-se desde 2005, quando a oferta de cursos foi generalizada a todas as escolas geridas pelo Estado. Ainda assim, Portugal está abaixo da média europeia, que ascende a 50.3 por cento. Os cursos profissionais são um dos percursos do nível secundário de educação, caracterizado por uma forte ligação com o mundo profissional. Tendo em conta o perfil pessoal, a aprendizagem realizada nestes cursos valoriza o desenvolvimento de competências para o exercício de uma profissão, em articulação com o setor empresarial local. Já o ensino superior perdeu 3 mil vagas nos últimos quatro anos. A diminuição foi constante e atira as vagas no ensino superior para próximo dos valores de 2008, ano em que se mantinha um aumento iniciado no começo dos anos 2000. Em Portugal também existe uma oferta variada no ensino superior privado de excelência e nesta edição damos alguns exemplos.

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Da Europa para o mundo, a criar cidadãos erasmus+ O Erasmus+ tem permitido a diversos jovens e profissionais viver experiências enriquecedoras e desenvolver projetos únicos a nível internacional. Este programa, que pretende “fazer europeus”, já ultrapassou as barreiras fronteiriças da Europa, tendo-se expandido para o resto do mundo.

joana mira godinho Diretora

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Erasmus+ é o programa da União Europeia (UE) destinado a apoiar a mobilidade de estudantes e profissionais de educação e formação, e parcerias entre instituições de ensino, formação, juventude e desportos. O Programa Erasmus+ segue-se ao anterior Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (PALV), refletindo a necessidade de uma maior simplificação e racionalização, maior transparência e facilidade de acesso ao financiamento para as organizações e cidadão europeus.

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O Erasmus+ inclui o Ensino Escolar (Comenius), a Educação e Formação profissionais (Leonardo da Vinci), o Ensino Superior (Erasmus), o Ensino Superior Internacional (International Credit Mobility), a Educação de Adultos (Grundtvig), a Juventude e Desportos (Juventude em Ação). A componente internacional, extra comunitária, destina-se a apoiar a ação externa da União Europeia, incluindo os seus objetivos de desenvolvimento, através da cooperação entre a UE e países terceiros. Por englobar todas estas vertentes, tomou a designação de ‘Erasmus+’, conforme nos

contou Joana Mira Godinho, Diretora da Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação. O Erasmus+ entrou em vigor no dia 1 de janeiro de 2014, e tem permitido a diversos jovens e profissionais viver experiências enriquecedoras e desenvolver projetos únicos a nível internacional. O programa foi criado com base na iniciativa Erasmus, célebre pelas oportunidades que oferece aos estudantes universitários e ao pessoal docente do Ensino Superior em termos de mobilidade para fins de aprendizagem, estágio ou formação. “O Programa Erasmus+ Educação e Formação


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financia instituições – qualquer instituição envolvida em educação ou formação pode concorrer – que, por sua vez, financiam estudantes e profissionais desta área ao longo do ciclo de vida”, explica a diretora. O principal beneficiário do Programa continua a ser o Ensino Superior - grandes universidades públicas na sua maioria. “Quer o Ensino Escolar, quer a Formação Profissional, quer a Educação de Adultos, estão a crescer paulatinamente, e a sua importância no programa Erasmus+ está a aumentar”, afirma Joana Mira Godinho. O Programa, que outrora se focava apenas na Europa, está neste momento a expandir-se pelo mundo inteiro com a nova linha de financiamento International Credit Mobility, que permite receber e enviar estudantes de e para todo o mundo. Carlos Santos, Técnico da Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação, sublinha: “Já ultrapassámos as barreiras fronteiriças da Europa e estamos agora a expandir-nos para o resto do mundo”. Melhores oportunidades de emprego No domínio da educação e formação, o programa visa melhorar o nível de competências e aptidões dos cidadãos europeus, criando mais oportunidades de mobilidade para fins de aprendizagem e, simultaneamente, reforçar a ligação da educação e formação com o mercado de trabalho. Visa também fomentar a cooperação transnacional com vista ao aumento da qualidade, inovação, excelência e internacionalização das instituições de educação e formação; promover e sensibilizar para a criação de um espaço europeu de aprendizagem ao longo da vida; reforçar a dimensão internacional da educação e da formação; melhorar o ensino e a aprendizagem das línguas; e promover a excelência no ensino e nas atividades de investigação no domínio da integração europeia. “O feedback que recebemos, quer de indivíduos, quer de instituições, é de que o programa tem muito bons resultados e muito bom impacto”, diz Joana Mira Godinho. Faz parte dos planos futuros da Agência um estudo de impacto do Programa em Portugal, com questões relacionadas com a internacionalização do ensino e formação no País, e a empregabilidade dos indivíduos que frequentam o programa. Por enquanto, conta a diretora, “sabemos que há menos desemprego entre as pessoas que frequentaram o Erasmus, do que entre pessoas em idênticas circunstâncias que não o frequentaram. Existe um impacto nas taxas de emprego”. Para um empregador, a mobilidade e multiculturalidade é hoje muito importante. “Os empregadores estão à procura de pessoas que tenham tido mobilidade, falem línguas, sejam capazes de trabalhar num ambiente multicultural, estejam habituados a trabalhar noutros

joana mira godinho e carlos santos Diretora e Técnico de Coordenação e Imagem

países, conheçam as culturas e modo de estudo noutros países. Tudo são características típicas que os empregadores hoje em dia procuram e que o programa oferece aos beneficiários”, observa Joana Mira Godinho. Carlos Santos acrescenta que “são as aprendizagens colaterais, que tantas vezes não valorizamos, que lhes dão as competências ou soft skills que são valorizados pelos empregadores. Muitas vezes não é a física quântica ou a medicina que vão aprender lá fora, mas são estas caraterísticas colaterais que vão fazer a diferença mais tarde”. Organizações elegíveis Com exceção das instituições comunitárias (Agências Nacionais, Comissão Europeia, Parlamento Europeu,

Conselho da Europa), qualquer organização de educação e formação é elegível no âmbito do Programa Erasmus+, salvaguardando as especificidades de cada ação. Organizações de todos os setores envolvidos ativamente na oferta de educação formal e não-formal, e formação profissional poderão solicitar financiamento para os seus alunos e funcionários. “Este é um programa para fazer europeus”, reforça Joana Mira Godinho. Para a diretora, isto significa “ter pessoas tão confortáveis a trabalhar em Portugal como em qualquer outro país. O programa financia mobilidade e parcerias e quer contribuir para a internacionalização das pessoas e das instituições e para a excelência do sistema de educação dos países europeus”, acrescenta.

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Candidaturas ao Erasmus+ As bolsas de Educação e Formação destinam-se a organizações, pelo que não será possível apresentar candidaturas individuais. Os cidadãos com interesse em terem uma experiência de formação internacional patrocinada pelo Programa deverão contactar as suas organizações de educação e formação para se candidatarem. No entanto, no setor da Juventude e Desportos podem candidatar-se grupos informais de jovens. “Todos os nossos beneficiários têm que indicar qual é a relevância do projeto que apresentam para os objetivos da Europa 2020 e para os objetivos do programa Erasmus+. É muito importante o número de mobilidades que vão fazer e o desempenho anterior das instituições”,

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explica Joana Mira Godinho. Todas as organizações têm de se registar no sistema de registo online da Comissão Europeia para poderem submeter candidaturas. Este é um novo passo no processo de candidatura e deverão por isso dar tempo suplementar para completar esta etapa ao fazer um pedido. Todas as nstituições de Ensino Superior terão que ser detentoras de uma Carta Erasmus para o Ensino Superior (ECHE) válida para participar nas atividades do novo programa. Uma franca expansão Joana Mira Godinho esteve ligada ao Ministério da Saúde e ao Banco Mundial, onde trabalhou como gestora de setor, programas e projetos. Hoje, em

Portugal, a gerir uma equipa composta por 44 pessoas, sente-se satisfeita por ter encontrado um programa «a funcionar muito bem». “O programa hoje é levado muito a sério”, observa. As candidaturas aumentam de ano para ano, e com elas aumenta também o financiamento. Contudo, a diretora da Agência não hesita em afirmar que o maior problema continua a ser o do financiamento: “Só conseguimos financiar cerca de 1/3 das candidaturas com qualidade que nos enviam”. Enquanto destino para os beneficiários do programa Erasmus+ de outros países, Portugal vai-se assumindo como um país extremamente interessante, com um clima e custos de vida favoráveis a par da excelente oferta de programas educativos. A crença na Europa e a crença na importância da educação e formação das pessoas, sociedades e economias encontram-se entre as palavras de ordem quando nos referimos aos valores da Agência Nacional Erasmus +. Em termos de gestão, o trabalho em equipa e a transparência assumem-se como prioridades. Apostar na inovação O futuro da Agência adivinha-se próspero, com uma desmaterialização em curso que poderá transformar a Agência Nacional na primeira paperless Agency da Europa; e com uma aplicação para smartphones prestes a ser lançada, que será uma novidade em toda a Europa. “Estamos a criá-la de raiz. É dirigida aos estudantes que vêm de fora, mas também aos que vão para fora, e terá toda a informação que um jovem necessita para viver cá”, explica Carlos Santos.


MAIÊUTICA - CAMPUS ACADÉMICO PORTAS PARA O FUTURO

Ano Letivo 2015 | 2016

INSTITUTO UNIVERSITÁRIO DA MAIA - ISMAI

INSTITUTO POLITÉCNICO DA MAIA - IPMAIA 1

CENTRO DE FORMAÇÃO AO LONGO DA VIDA - CFLV

3.º CICLO - DOUTORAMENTO

1.º CICLO - LICENCIATURAS

CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA - CET *

› Psicologia - Especialidade de Psicologia Clínica

2.º CICLO - MESTRADOS › Ciências da Educação Física e Desporto - Especialização em Exercício Físico e Saúde › Ciências da Educação Física e Desporto - Especialização em Treino Desportivo › Criminologia › Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário 1 › Gestão Estratégica de Recursos Humanos › Gestão do Desporto › Gestão de Empresas › Marketing › Psicologia Escolar e da Educação › Psicologia Clínica e da Saúde › Sistemas de Gestão da Qualidade

› Contabilidade › Informática de Gestão › Solicitadoria › Treino Desportivo

CURSOS TÉCNICOS SUPERIORES PROFISSIONAIS - CTeSP 2

› Atividades Rítmicas Expressivas para Crianças e Jovens

› Gestão Administrativa de Recursos Humanos › Gestão Comercial e Vendas

› Criminologia

› Produção Multimédia e Jogos Digitais

› Gestão do Desporto › Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança › Gestão de Empresas

* Em processo de submissão às autoridades competentes.

› Cadastro Predial

› Manutenção Industrial

› Engenharia de Segurança do Trabalho

› Gestão e Controlo de Energia

› Acompanhamento de Crianças e Jovens

› Contabilidade 2

› Energias Renováveis

› Desenvolvimento de Produtos Multimédia

› Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança

› Desporto e Lazer

› Educação Física e Desporto

› Contabilidade e Fiscalidade

Observação: Titulares dos 10º e 11º anos completos realizarão provas de ingresso (gratuito)

› Turismo, Património e Desenvolvimento

› Ciências da Comunicação

› Comércio Internacional

› Exercício Físico

› Contabilidade e Empreendedorismo Organizacional

› Artes e Multimédia

› Aplicações Informáticas de Gestão

Destinatários: www.ipmaia.pt

› Tecnologias da Informação, Comunicação e Multimédia

1.º CICLO - LICENCIATURAS

› Animação em Turismo de Saúde e Bem-Estar

› Redes e Sistemas Informáticos › Segurança Contra Incêndios e Proteção Civil › Secretariado Jurídico › Segurança e Ciências Policiais

INFORMAÇÕES ISMAI - INSTITUTO UNIVERSITÁRIO DO ISMAI Linha Azul: 808 202 214 Email: info@ismai.pt Site: www.ismai.pt

› Gestão de Marketing

› Serviço Familiar e Comunitário

IPMAIA - INSTITUTO POLITÉCNICO DA MAIA

› Gestão de Recursos Humanos

› Tecnologias e Programação de Sistemas de Informação

Linha Azul: 808 203 710 Site: www.ipmaia.pt

› Informática › Informática de Gestão 2 › Psicologia › Redes de Telecomunicações

› Treino Desportivo › Turismo e Lazer Ativo

› Relações Públicas › Solicitadoria 2

1) Obrigatório realizar provas de ingresso (gratuito). Consultar site do ISMAI. 2) O 1.º ano será lecionado no Instituto Politécnico da Maia - IPMaia.

CURSOS TÉCNICOS SUPERIORES PROFISSIONAIS - CTeSP Email: ctesp@ipmaia.pt

CFLV - CENTRO DE FORMAÇÃO AO LONGO DA VIDA

› Tecnologias de Comunicação Multimédia › Turismo

LICENCIATURAS - IPMAIA Email: info.licenciaturas@ipmaia.pt

1) Reconhecimento de interesse público pelo Decreto-Lei nº 114/2015, de 22 de junho. 2) A aguardar aprovação e registo na Direção Geral do Ensino Superior.

Telefone: 229 866 026 Email: cflv@maieutica.pt Site: www.cflv.pt


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formação universitária internacional ISMAI - artigo de carvalho vieira, coordenador do mestrado em marketing O investimento em Marketing é vital para o desenvolvimento. Com a globalização das tecnologias de informação e comunicação, quem não domina o novo conhecimento que permite compreender e atuar no mercado não consegue ser competitivo.

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o ISMAI respondemos com uma ampla fileira de formação em Gestão de Marketing, académicos e profissionais competentes, formando Recursos Humanos Qualificados para responsabilidades de Gestão de Marketing Operacionais, Intermédias e, naturalmente, de Direção. O bom desempenho profissional dos nossos Alunos não é indiferente ao conjunto de mais-valias com que nos comprometemos para o seu futuro: • Cet.s e CTeSPs, Licenciatura e Mestrado em Marketing reconhecidos e acreditados; • Projetos internacionais com reconhecimento externo da Instituição, dos seus Alunos de Marketing; • Parcerias internacionais europeias (joint degrees em Marketing) que fomentam a mobilidade; • Observatório internacional de Marketing & Inovação que presta serviço empresarial; • Plataforma de e-learning de formação em marketing, inovação e empreendedorismo; • Conferências, Seminários e Workshops nacionais/ internacionais; • Job Market de apoio à entrada e reorientação dos nossos Alunos no mercado de trabalho; A área Científica de Marketing no Instituto Universitário da Maia integra o Departamento de Ciências Empresariais, responsável por um conjunto de Licenciaturas e Mestrados acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (a3es): Licenciaturas em Gestão de Empresas, Gestão de Recursos Humanos, Turismo, Energias Renováveis, Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança e Engenharia de Segurança no Trabalho; Mestrados em Gestão de Empresas, Gestão Estratégica de Recursos Humanos, Turismo, Património e Desenvolvimento e Sistemas de Gestão da Qualidade. Prepare o seu futuro em Marketing com quem lhe assegura formação: Internacional e moderna Coordenamos Projetos Internacionais (25 Parceiros Europeus) de elevado impacto: • EMIC – European Marketing and Innovation Centres (400.000 €); • DVJ – Developing Skiils for Future Jobs (32.644 €) • PREMIO – Promotion of Entrepreneurship and Innovation (62.444 €); • ENTER – Entrepreneurship Enhancement and Reinforcement (55.285 €);

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Criativa e Empreendedora Promovemos talento, empreendedorismo, novos projetos, equipas, interatividade, multidisciplinaridade Rigorosa e aplicada Dispomos de sofisticado equipamento de produção vídeo, radio, webdesign, tv, cad, digital fabrication, … A licenciatura renovada em Gestão de Marketing do ISMAI assegura uma ampla e sólida preparação em Gestão de Marketing em diversas áreas da decisão e da gestão, inteligência estratégica da organização, gestão da mudança, da inovação, das tecnologias e dos sistemas de informação. Os nossos licenciados em Gestão de Marketing são competentes e qualificados ao nível estratégico, operacional, tecnológico e sectorial. Estão preparados para apoiar o desenvolvimento e competitividade das organizações como gestores de marketing, analistas de mercado, gestores

Think tank * Seminário Americano * marketing politico * pordata * Zanenga (research seminar)

de produto, de marca, de comunicação, logística e distribuição ou direção comercial. O novo Mestrado em Marketing tem duas especializações: on consumer; on corporation, organiza-se em Dossiers com que os Mestrando irão enriquecer em cada Unidade Curricular e aprofunda a preparação base dos Alunos com formação avançada que lhes confere conhecimentos e capacidades necessárias à sua inserção profissional e empresarial plena, ao desenho e ao desenvolvimento de oportunidades de negócio/projetos que venham a prosseguir. O ISMAI intervém, assim, numa área funcional com forte impacto na internacionalização das Empresas e de toda a Economia Portuguesa (on corporation) e no ajuste da sua oferta comercial às expectativas e preferências dos consumidores (on consumer). Os titulares deste Mestrado estarão habilitados para: 1. Compreender o sentido e o alcance da investigação e gestão de marketing, da nova Geoeconomia, da nova Indústria e do novo “Consumo”; 2. Desenhar e desenvolver ofertas comerciais de valor superior e continuado à sociedade, num quadro de sustentabilidade e responsabilidade social; 3. Integrar a nova vaga de Empreendedores, munidos dos instrumentos teóricos e práticos necessários à conceção, implementação e controlo de projetos com elevada probabilidade de sucesso. A investigação em Marketing no ISMAI enquadra-se na Unidade de Investigação em Ciências Empresariais e Sustentabilidade (UNICES) com três grandes linhas de investigação - 1) Economia, Gestão e Empreendedorismo, 2) Marketing, Inovação e Serviços e 3) Capital Humano e Comportamento Organizacional com ligações formais ao Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Docentes desta Licenciatura e Mestrado Marketing integram Unidades de Investigação classificadas com “Very Good“ (CICS.NOVA e CETRAD) e com “Good“ (NECE), em avaliação internacional no âmbito da FCT. Motivados pelo testemunho dos nossos Alunos sobre (1) a facilidade na obtenção de estágios profissionais, (2) o reconhecimento do seu bom desempenho, quando confrontados com outras formações e (3) o forte impacto nas Carreiras Empresariais e Profissionais dos mais séniores, faremos tudo pelo seu Futuro!


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duas DÉCADAS DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL ISMAI - artigo de alexandra neves, vice-reitora para as relações internacionais No Instituto Universitário da Maia vive-se um ambiente internacional e multicultural. Orgulhamo-nos de dotar os nossos estudantes das competências necessárias para ingressarem e serem competitivos no mercado de trabalho global e nesse processo a internacionalização é fator crucial. sua valorização pessoal e profissional. A aquisição de conhecimentos e competências académicas e profissionais, o desenvolvimento de competências transversais, o enriquecimento pessoal que advém do contacto com outras culturas, o aperfeiçoamento de competências linguísticas, a oportunidade de vivenciar experiências diferentes das proporcionadas no seu país de origem, a possibilidade de viajar, alargar horizontes e conhecer o mundo em que vivemos e trabalhamos são apenas algumas das vantagens que os participantes

A

estratégia de internacionalização do ISMAI é alicerçada em vários fatores, entre os quais a mobilidade e o programa Erasmus+, que ocupam um lugar de destaque. O ISMAI, que celebra agora 25 anos, e há muito ciente da importância da mobilidade para a formação e empregabilidade dos seus alunos, aderiu ao Programa há 18 anos. Iniciando os fluxos de mobilidade com apenas 2 estudantes, o ISMAI promove atualmente a mobilidade de aproximadamente 120 alunos incoming e 100 alunos outgoing por ano. No total, promoveu já a mobilidade de

cerca de 1000 alunos para IES estrangeiras e acolheu sensivelmente o mesmo número de fluxos incoming. Quanto à mobilidade de funcionários docentes e não docentes, o ISMAI mobiliza entre uma a duas dezenas de fluxos por ano. Os acordos de cooperação institucional incluem cerca de 150 instituições de ensino superior de 30 países, sendo 25 países participantes no programa Erasmus+. Os benefícios de participar numa experiência de mobilidade são inúmeros e os participantes reconhecem a influência e o impacto que a mobilidade para aprendizagem, ensino, formação ou estágio tem na

referem. Mas o programa Erasmus+, em vigor desde 2014, é muito mais do que mobilidade. O Erasmus+ veio alargar grandemente o espetro de oportunidades de internacionalização não só no âmbito do ensino superior, mas em todos setores da educação e economia. As três ações-chave do programa, as atividades Jean Monnet e as ações para o Desporto do programa Erasmus+ proporcionam inumeráveis oportunidades de cooperação e desenvolvimento, quer a nível europeu, quer com países terceiros. Os projetos em parceria com organizações internacionais são uma realidade no ISMAI, tanto no âmbito do Erasmus+ como noutros enquadramentos. No contexto Erasmus são exemplos: o projeto “EMIC – European Marketing and Innovation Centers”, em parceria com 9 IES e empresas de 7 países; o programa “Intellectual Property Law in E-Environment: Industrial property, copyright and related rights”, a decorrer, em parceria com IES de 5 países; o programa “Virtual Entrepreneurship”, realizado em parceria com IES de 4 países. Além disso, o ISMAI aguarda o resultado da candidatura a vários projetos Erasmus+, quer como promotor, quer como parceiro. Esta instituição está empenhada em alargar a sua rede de cooperação internacional e participar em ações promovidas pelo Programa, especialmente para desenvolvimento de projetos e realização de cursos em conjunto, assim contribuindo não só para a capacitação e empregabilidade da comunidade ismaiata, mas também, e entre outros, para o desenvolvimento regional, para uma Europa mais qualificada e mais competitiva no panorama internacional, para os objetivos da Estratégia Europa 2020.

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“Ser ensino profissional” anqep A Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, I.P. (ANQEP,I.P.) é um instituto público integrado na administração indireta do Estado, sob a tutela dos Ministérios da Educação e Ciência conjuntamente com o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, em articulação com o Ministério da Economia, com autonomia administrativa, financeira e pedagógica no prosseguimento das suas atribuições. Conversamos com Gonçalo Xufre Silva, diretor da ANQEP. aderir ao ensino profissional, mas é também mediático. Queremos levar as pessoas a falar do ensino profissional, a testemunhar o seu percurso profissional desde o momento em que optaram por um curso eminentemente prático e vocacionado para uma entrada no mercado de trabalho. Por essa razão, o movimento inicia com jovens que são designados “Embaixadores do Ensino Profissional”? Exato. Os Embaixadores do Ensino Profissional são jovens adultos com um percurso profissional bem-sucedido que começou no ensino profissional. Eles são o testemunho vivo das vantagens que identificamos no ensino profissional. Através destes testemunhos, esperamos que seja mais fácil fazer compreender aos jovens e às suas famílias esta realidade. Como se sabe, em Portugal o ensino profissional tem sido muitas vezes relegado para segundo plano, sendo encarado apenas como solução para o combate ao abandono escolar ou para promoção do sucesso educativo. A mensagem que queremos passar é outra. O ensino profissional tem mais-valias que advêm da estreita relação que mantém com o mundo empresarial. Mas é, ou não, verdade que o ensino profissional tem permitido reduzir o abandono escolar? Claro que sim, mas essa não é, nem pode ser, a sua missão. A redução do abandono escolar é uma consequência deste ensino que, efetivamente, é mais atrativo pelo facto de trabalhar matérias concretas que os próprios jovens conseguem aplicar de imediato. A matriz curricular do ensino profissional ou de outra via profissionalizante tem esta característica, marcadamente prática, que, de um modo geral, tem mais a ver com o modo como os jovens gostam de aprender. Não é por acaso que alguns “maus alunos” deixam de o ser quando chegam ao ensino profissional. Isto sucede, não pelo facto de o ensino profissional ser mais facilitador, mas sim porque os jovens são levados a trabalhar em projetos que adquirem significado e relevância para os próprios.

A Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) acaba de lançar um movimento social a favor do ensino profissional. Porquê esta iniciativa? O movimento #somosensinoprofissional insere-se nas estratégias de promoção e divulgação do ensino profissional que têm vindo a ser seguidas pela ANQEP, com o intuito de atrair os jovens ao ensino profissionalizante e de valorizar socialmente as vias profissionalizantes de nível secundário, aproveitando as potencialidades que existem atualmente, resultantes da adesão das pessoas aos movimentos sociais potenciados pelas redes sociais. O movimento tem um carácter simbólico, ao demonstrar que qualquer jovem pode

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Acha que os jovens já começam a ter essa perceção, uma vez que os últimos dados revelam que os cursos profissionalizantes já abarcam cerca de 44,5% dos jovens que frequentam o ensino secundário? Sim, são cada vez mais os jovens que optam de imediato por um curso profissionalizante. Mas ainda há uma larga faixa que só se decide pelo ensino profissional depois de ter fracassado no ensino mais tradicional, meramente orientado para o prosseguimento de estudos. Portanto, hoje já não faz sentido trabalhar para se garantir a frequência do ensino profissionalizante por 50 por cento dos jovens. Já estamos muito perto disso. O relevante agora é apostar na qualidade e na garantia das condições de empregabilidade dos jovens.


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E, nessa matéria, o que é que a ANQEP tem feito? A Agência tem em curso um projeto que visa implementar um sistema de garantia da qualidade dos processos formativos e dos resultados obtidos pelos alunos das escolas profissionais, em linha com o Quadro de Referência Europeu de Garantia da Qualidade para o Ensino e Formação Profissionais (EQAVET). Outra matéria que concorre para a garantia da qualidade e que tem sido uma grande preocupação por parte da Agência consiste no ajuste das qualificações às necessidades efetivas do mercado de trabalho, não só no presente mas a curto/médio prazo. Só assim poderemos ter a certeza de que estamos a preparar os jovens para a empregabilidade. E como é que esse ajuste é feito? Este ajuste não pressupõe que se recolha e trate informação não só relativa às necessidades de qualificações das empresas no presente mas também àqueles que vão ser os empregos de amanhã. Com respeito ao presente e a muito curto prazo, a Agência já dispunha de mecanismos que permitiam auscultar as empresas, solicitando-lhes contributos para as qualificações que são hoje trabalhadas nas nossas escolas e centros de formação. Refiro-me, em concreto, aos Conselhos Setoriais para a Qualificação, órgãos técnico-consultivos constituídos para a atualização

regular das qualificações integradas ou a integrar no Catálogo Nacional de Qualificações. Todavia, ainda não tínhamos um instrumento que nos permitisse prospetivar as necessidades futuras das empresas. Esse instrumento – o Sistema de Antecipação de Necessidades de Qualificações (SANQ) - só agora foi criado, com um contributo de mais de 1600 empresas de todo o país. Além disso, criámos recentemente uma metodologia de desenho das qualificações tendo por base os resultados de aprendizagem, ou seja, o que se espera que os jovens saibam quando terminam as suas formações. Dessa forma, teremos a certeza de estar a dotar os jovens das competências efetivamente requeridas pelas empresas. Para já, procedemos, em articulação com a Confederação do Turismo Português, a um estudo de redesenho das qualificações para o setor do turismo, assente nesta metodologia. Neste momento, em conformidade com protocolos de cooperação que assinámos no dia 13 de maio, iniciámos um trabalho semelhante, com outros organismos, para os setores da metalurgia e metalomecânica, da eletrónica e telecomunicações, comércio e serviços e cluster mar. E os empresários? São recetivos ao ensino profissional? Antes de mais, importa não esquecer que todos os cursos profissionalizantes integram um ou mais períodos

de formação em contexto real de trabalho, a que vulgarmente designamos por “estágios”. Logo, não há ensino profissional sem envolvimento das empresas. Em todo o caso, na ANQEP, temos procurado potenciar esse envolvimento e já há indícios de que algo está a mudar. São cada vez mais as empresas que olham para as escolas como parceiras no momento de recrutamento ou de desenvolvimento de projetos. Outros exemplos interessantes consistem na criação de formações à medida das necessidades das empresas. Veja-se o caso da Vodafone (que tem colaborado com duas escolas públicas no desenvolvimento de vários cursos profissionais associadas a áreas de intervenção deste Grupo) ou na adoção por parte das empresas de atitudes responsáveis e colaborativas no combate ao desemprego dos jovens (ex: Grupo Nestlé – que em Portugal está a desenvolver um projeto de apoio dos jovens na transição para o mercado de trabalho). Para além das matérias relacionadas com os referenciais de formação e as matrizes curriculares dos cursos, há alguma preocupação acrescida por parte da Agência com a empregabilidade dos jovens? A ANQEP é um dos parceiros da Garantia Jovem e, como tal, não pode descurar tudo o que se relaciona com empregabilidade dos jovens. Nesse sentido, assinou, no dia 18 de junho, um Memorando de Entendimento com 56 escolas com ensino profissional e com a ANESPO para a criação de uma “Rede Maior Empregabilidade – Ensino Profissional” com o intuito de promover a empregabilidade dos jovens diplomados do ensino profissional e um melhor conhecimento das suas dinâmicas de inserção no mercado de trabalho. Outro projeto centrado nesta temática consiste numa experiência-piloto, assente numa metodologia de outplacement, que visa dotar os jovens de competências que lhes permitam, mais facilmente, encontrar um emprego. O objetivo não é arranjar-lhes um emprego, mas prepará-los para que essa procura seja melhor sucedida.

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Externato de Santa Clara aposta na aprendizagem ao longo da vida externato de santa clara Motivado pela responsabilidade decorrente de mais de 50 anos de ensino e de intervenção na cidade do Porto, o Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP) Beatriz Ribeiro & Filhos, Lda. apresenta-se como instrumento de efetivação do compromisso assumido com todos os jovens/adultos que no Grande Porto procuram uma resposta às suas necessidades, e cujas expetativas estão por realizar.

daniela abrunhosa, josé ribeiro, elsa alves, ana cunha e marta abrunhosa Técnica da ORVC, coordenador da CQEP e técnicas da ORVC

Missão do CQEP O CQEP Beatriz Ribeiro & Filhos, de acordo com a missão do Externato de Santa Clara (entidade promotora), assegura a informação, orientação e encaminhamento, adequados ao perfil de jovens e adultos, assim como o desenvolvimento de processos de reconhecimento, validação e certificação de competências adquiridos pelos adultos ao longo da vida. Neste sentido, a sua principal missão prende-se em

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formar cidadãos com uma sólida formação pessoal, social, científica e tecnológica e que desenvolvam as competências necessárias para um bom desempenho profissional e pessoal, com autonomia e espírito crítico, com vista a integração na sociedade global em constante mudança. Visão do CQEP O crescimento do Externato de Santa Clara foi-se

alargando ao longo dos anos, assente numa preocupação constante com a adequação às necessidades do público-alvo e com a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados. Atualmente, o Externato de Santa Clara conta com uma tradição de mais de 40 anos de ensino noturno e pós laboral tendo desde sempre funcionado como uma escola de segunda oportunidade de ensino, muito assente na personalização e acompanhamento


REVISTA BUSINESS PORTUGAL ENSINO EM PORTUGAL adequar as opções aos perfis, às necessidades, às motivações, às expetativas e capacidades individuais.

individualizado dos alunos. Não obstante, a constituição do CQEP foi para o Externato de Santa Clara um fator decisivo para o prosseguimento do objetivo fundamental da instituição, dando assim resposta às necessidades dos cidadãos que a esta recorrem, nomeadamente aos jovens com idade igual ou superior a 15 anos ou, independentemente da idade, a frequentar o último ano de escolaridade do ensino básico, com vista à informação, orientação e encaminhamento, tendo em conta as diferentes ofertas

de educação e formação profissional, as possibilidades de prosseguimento de estudos e oportunidades de emprego. No que se refere aos adultos (com idade igual ou superior a 18 anos), o CQEP assegura a informação, orientação e encaminhamento, tendo por base as diferentes modalidades de qualificação, designadamente o reconhecimento de competências ou ofertas de educação e formação profissional, as oportunidades de emprego ou de progressão profissional, procurando

Objetivos do CQEP O CQEP é composto por uma equipa especializada e empenhada na construção de percursos individuais de qualificação escolar e formação profissional relevantes e significativos que visam a integração social e profissional dos cidadãos. Assim, a sua atuação prendese com a informação, orientação e encaminhamento de jovens e de adultos que procurem formação escolar, profissional ou de dupla certificação e/ou visem uma integração qualificada no mercado de emprego; e no desenvolvimento de processos de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC) escolares e profissionais, adquiridas pelos adultos ao longo da vida. Coerente com a missão do Externato de Santa Clara, o seu principal objetivo é servir a causa do Ensino e da Cidade, sempre a pensar no futuro.

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Universidade do Minho promove centro de línguas BabeliUM Criado a 26 de setembro de 2009, dia Europeu das Línguas, o BabeliUM – Centro de Línguas procura responder à crescente necessidade de aprendizagem de línguas estrangeiras, através de um grande leque de ações de formação na área das línguas, tanto para a comunidade académica, como para o público em geral.

O

nome BabeliUM escolhido pelo professor Orlando Grossegesse, fundador do BabeliUM, faz alusão ao mito da torre de Babel. Porém, em vez de entender a confusão das línguas como um castigo divino, adota uma outra interpretação, surgida a partir do Iluminismo, segundo a qual a diversidade linguística e cultural é vista como uma dádiva. “E é com esta visão que o BabeliUM se propõe contribuir para que a Universidade do Minho seja uma universidade multilingue aberta ao mundo”, afirma Cristina Álvares, diretora. Entre as instituições de Ensino Superior em Portugal, a Universidade do Minho (UM) é pioneira na introdução de cursos livres de línguas e culturas estrangeiras. “Criado para dar um enquadramento institucional coerente à oferta educativa extracurricular do Instituto de Letras e Ciências Humanas, o BabeliUM é o maior projeto de interação com a sociedade que esta Escola da Universidade do Minho possui. Ao mesmo tempo é o executor prioritário da política de multilinguismo da universidade”, conta a diretora. O BabeliUM oferece vários cursos com qualidade, lecionados por docentes competentes e qualificados, que têm a língua que ensinam como língua materna, a preços bastante acessíveis. Assume-se assim como um centro de difusão de línguas e culturas, estimulando um ensino de qualidade, fundamentado na qualificação dos seus recursos humanos e na prestação de serviços à comunidade. Política de Multilinguismo Consiste em dotar a comunidade académica e a comunidade envolvente de competências de comunicação em línguas necessárias à vida num mundo cada vez mais globalizado. “A política do multilinguismo é um vetor crucial da dinamização da Universidade do Minho como instituição internacionalizada, aberta à pluralidade das línguas e das culturas, em consonância

Cristina Álvares Diretora

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com as políticas do Conselho de Europa e da União Europeia, e como pólo dinamizador de uma região também ela aberta ao mundo. Através de uma grande diversidade de ações, eventos e serviços procura dar ênfase à importância das línguas como ferramentas de cognição, comunicação e convivência intercultural, uma vez que o conhecimento de línguas aumenta competências transversais num mundo multilingue; promover a convivência intercultural como elemento essencial da cidadania em democracia, contrariando tendências xenófobas e de exclusão social; apoiar a consciência generalizada acerca da importância da língua portuguesa e das suas valências no contexto europeu e internacional, nomeadamente através de programas do ensino e da aprendizagem do português como língua estrangeira”.

Assim o BabeliUM ministra cursos de Inglês, Francês, Espanhol, Italiano, Japonês, Alemão que nos últimos anos tem registado muita procura e ainda, Árabe, Turco, Polaco, Checo, Galego, Russo, Romeno e Linguagem Gestual Portuguesa, ainda que estas últimas línguas, ultimamente, não tenham tido muita procura. No BabeliUM também é possível aprender português língua não materna (PLE/PL2). O curso contém três modalidades: o curso anual, que para além das aulas lecionadas tem um programa de atividades e de visitas de estudo; o curso semestral, em horário pós- laboral direcionado sobretudo para os alunos Erasmus e ainda o curso de verão com 72 horas com um programa de atividades culturais em paralelo, executadas com a colaboração da European Student Network que tem na Universidade do Minho o seu núcleo mais dinâmico.

Oferta formativa A Instituição promove um amplo e diversificado programa de formação, dinamizando um espaço de formação multilingue e intercultural e demonstrando uma enorme flexibilidade em ajustar a oferta formativa às necessidades do mercado empregador.

Outros serviços Para além de toda a oferta formativa existente o BabeliUM também presta serviços de tradução, interpretação, legendagem e revisão de textos, não só a nível académico como para a comunidade em geral.

Importância do domínio das línguas “Saber comunicar em outras línguas que não apenas a língua materna é muito bom e positivo em vários aspetos. É uma necessidade no mundo global, aliás sabemos que a possibilidade de emprego e de bom emprego aumenta com a competência em línguas estrangeiras, mas também porque as línguas estrangeiras são ferramentas muito importantes de conhecimento, de comunicação e de convivência intercultural, portanto eu acho que esse é um aspeto bastante importante e desejável no mundo global em que vivemos. Enquanto cidadãos europeus é suposto falarmos três línguas, a nossa língua materna e pelo menos mais duas estrangeiras. Em Portugal as pessoas acham que basta saber inglês, mas as outras línguas representam uma mais-valia importantíssima, porque, à medida que as empresas e as instituições se internacionalizam e têm de comunicar com clientes e públicos de diferentes países e culturas, precisam cada vez mais de um quadro multilingue de recursos humanos. Por isso, tentamos persuadir as pessoas dessa vantagem”, refere Cristina Álvares.

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Criar cidadãos multiculturais multiway Há cerca de duas décadas a investir na formação de jovens e adultos no estrangeiro, a MultiWay tem contribuído para um vasto conhecimento de outras línguas e culturas por todo o mundo.

António valadas Diretor

A

MultiWay é uma organização particular de consultoria educativa que promove cursos e programas no estrangeiro. Através de cursos académicos, de línguas e programas de carácter intercultural, a MultiWay procura contribuir para um melhor conhecimento de outras línguas e culturas. A empresa representa, em regime de exclusividade para o nosso país, grande número de organizações, universidades, colégios e escolas de línguas dos mais variados países. “A MultiWay nasce na sequência de um trabalho anterior”, conta António Valadas, diretor da empresa. O diretor orgulha-se ao afirmar ser pioneiro em Portugal da promoção dos chamados cursos internacionais e

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programas interculturais. “Já os promovo há 40 anos!”, revela. Oferta formativa A empresa iniciou o seu ciclo, há cerca de 20 anos, com os cursos académicos – programas de um ano dirigidos a jovens do ensino secundário -, que são hoje a sua principal atividade. A outra grande aposta voltou-se para os cursos de línguas – maioritariamente, cursos de Verão para jovens -, embora estes últimos representam hoje em dia cerca de 10 por cento da atividade. A MultiWay oferece atualmente aos seus alunos formação em cursos que permitem estudar no ensino secundário ou no ensino superior de outros países. Aqui

se incluem também cursos de preparação para acesso às universidades, bem como cursos mais específicos direcionados às mais variadas profissões e atividades, cursos de línguas para jovens e adultos e ainda cursos em outras áreas complementares como o design, a moda, o cinema ou a música. Uma das grandes apostas da empresa é o acesso a universidades americanas, com um programa de bolsas de estudo parciais. De destacar ainda os cursos de acesso a Universidades no Reino Unido, os de Gestão Hoteleira, na Suíça, os cursos de Medicina na República Checa e os de Design e Moda em Itália. Todas as organizações ou escolas com que a MultiWay trabalha foram, cuidadosamente, selecionadas em


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termos da qualidade dos cursos que oferecem e do serviço que proporcionam. Exigência e rigor são palavras de ordem quando nos referimos aos valores praticados na MultiWay. “Tudo isto tem de conduzir a uma taxa, o mais elevada possível, de empregabilidade”, assegura o diretor. António Valadas honra-se de ter na MultiWay cursos de gestão hoteleira que se encontram entre os melhores do mundo. A organização tem participado no International Recruitment Forum, um evento que tem lugar em Montreux duas vezes por ano, onde representantes das maiores cadeias hoteleira mundiais vão recrutar os estudantes do Swiss Education Group, que são as escolas que pertencem ao grupo com quem trabalha a Multiway. Durante o período do curso, qualquer aluno se sentirá devidamente e permanentemente acompanhado. Importância das línguas Para António Valadas, “as línguas devem ser aprendidas nos países onde são faladas, isto porque de manhã até à noite estamos a respirar essa língua. E também porque devemos aprender a cultura desse país, sobretudo no

mundo dos negócios”. Na MultiWay, as línguas aprendidas vão desde o inglês, francês, alemão ou espanhol, ao russo, japonês, mandarim e até mesmo o árabe, entre outras. Os cursos de línguas para adultos funcionam durante todo o ano e têm a duração que o aluno desejar. São cursos intensivos de determinado idioma ou são específicos para determinadas atividades ou profissões. No caso dos jovens, estes cursos permitem, em simultâneo, o contacto com jovens de todo o mundo, sendo também uma forma útil de passar parte das férias. Preparação para um mundo global Os participantes nos cursos da MultiWay, para além de aperfeiçoarem o seu conhecimento de idiomas, alargam os seus horizontes culturais e desenvolvem a sua capacidade de estar num mundo cada vez mais multicultural. “Os estudantes que estão nove meses e meio num outro país, não vêm só a falar bem a língua do país, vêm com três ou quatro anos de maturidade, e com um à vontade multicultural, com autoconfiança e independência”, observa António Valadas.

Para além desta preparação de jovens e adultos para um mundo global, a MultiWay contribui de forma singular para um apertar de laços entre os povos. “Ninguém quer fazer uma guerra contra um país onde já viveu ou de onde já recebeu um jovem em sua casa”, atenta o diretor. Comunicação intercultural O futuro da empresa reserva o desenvolvimento de alguns cursos, tais como os de jovens na Austrália, os cursos de medicina e os cursos de design e moda, em Itália. Quando se reformar, o presidente confessa querer apostar na formação em empresas sobre comunicação intercultural, pois, “para além das regras fixas que nós temos obrigação de saber, há depois pequenos sinais que devemos estar habituados a detetar”. Por enquanto, as maiores preocupações são “Criar pessoas preparadas para funcionar em qualquer país do mundo, tornando-as multiculturais”, conclui António Valadas.

ESTUDAR NO ESTRANGEIRO

o mundo é a nossa escola A Multiway oferece uma grande variedade de cursos e programas noutros países

Um ano lectivo no estrangeiro para jovens no ensino secundário; Cursos de línguas nos países onde são faladas, para todas as idades; Colocação em Universidade nos Estados Unidos da América

Curso de Gestão Hoteleira na Suíça Curso de Design, Artes Visuais, Comunicação e Moda em Itália e Espanha Cursos de Cinema, Música, Artes Performativas e muitos outros. *novo Cursos de Medicina na República Checa

Avenida dos Estados Unidos da América, 100 - 13º fte. 1700-179 lisboa Tel: 218 132 535 | Fax: 218 154 688 Email: multiway@multiway.org | www.multiway.org

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Escolas em Comunidade Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo O Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo foi reorganizado no ano letivo 2010/2011 e resultou da agregação de nove estabelecimentos de ensino desde o pré-escolar até ao 12º ano. Rosa Figueiredo, Diretora do agrupamento, revelou, em entrevista à Revista Business Portugal, alguns dos fatores que considera essenciais para o bom desempenho educativo.

Rosa figueiredo Diretora

N

um concelho com pouca densidade populacional, cerca de 950 alunos encontram-se distribuídos por cinco escolas de educação pré-escolar, três escolas do 1º ciclo, uma escola com 1º e 2º ciclos e a Escola-sede, com 3º ciclo e secundário. “Temos uma grande mobilidade de alunos devido, essencialmente, a problemas de emigração da população. Mas, atualmente, estamos num ponto em que me parece que a integração foi concretizada e conseguimos criar uma identidade para o Agrupamento”, explica Rosa Figueiredo. Para além dos cursos científico – humanísticos, com a oferta dos cursos de Ciências e Tecnologias e de Línguas e Humanidades, o Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo pretende dar resposta às necessidades da comunidade através da oferta de cursos vocacionais para o ensino básico, com as áreas de pastelaria e cozinha, eletricidade e jardinagem, e de cursos profissionais para o ensino secundário. “Temos uma oferta a nível do ensino qualificante que abrange várias áreas, procuramos todos os anos oferecer mais do que um curso para ver se conseguimos ir de encontro às necessidades e preferências dos nossos alunos. Por isso, temos o curso Técnico de Restauração, variante de Cozinha/Pastelaria, Técnico de Produção Agrária, variante de Produção Vegetal, Técnico de Manutenção Industrial, variante de Eletromecânica, Técnico Auxiliar de Saúde e Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores. No ano letivo de 2015/2016, iremos abrir o curso profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos”, enumera a Diretora. Para a seleção dos cursos que apresentam, a responsável pelo Agrupamento refere que tentam proporcionar uma oferta que corresponda às necessidades da região e do tecido empresarial, de modo a possibilitar a celebração de protocolos com as empresas do distrito, essencialmente nos ramos da restauração e turismo, assegurando, assim, a formação em contexto de trabalho dos alunos. Por outro lado, tentam que os alunos procurem ofertas que os venham eventualmente ligar à terra e à região, dentro das suas capacidades e dentro dos interesses dos alunos e das suas famílias. No que diz respeito à gestão de todas as escolas, a Diretora afirma que tentam fazer a melhor articulação possível entre os vários anos e os vários níveis de escolaridade, uma boa planificação e uma ótima comunicação. “Procuramos também, na medida

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do possível, ir ao encontro das necessidades dos pais e dos alunos, não descurando as exigências do ensino, temos exames nacionais, avaliação externa e temos que dar uma resposta de qualidade”, conta Rosa Figueiredo. Além da oferta diversificada de cursos e de todas as modalidades desportivas que os alunos do Agrupamento podem praticar, o conjunto de estabelecimentos conta com variados projetos em curso, de âmbito extracurricular, que contribuem igualmente para o desenvolvimento integral dos alunos. Tais projetos ligam-se à educação para o empreendedorismo e a atividades de interação com a comunidade, das quais destacou dois: o percurso pedestre histórico-cultural “Caminho dos Galegos”, cuja XI edição, de 2015, registou quase 700 inscrições e mais de 100 figurantes, a maioria constituída por alunos, professores e funcionários que recriaram quadros históricos associados ao tempo das peregrinações a Santiago de Compostela; as marchas populares, que encerraram o final do ano letivo em que estiveram envolvidos alunos e educadoras/ professores da educação pré-escolar e do primeiro ciclo.

OFERTA EDUCATIVA E FORMATIVA 2015/2016

(proposta para 2015/2016)

Educação Pré-escolar

Ensino Básico: - 1º, 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico Regular - 2º ano do Curso Vocacional de 3º C.E.B., de 2 anos, nas áreas de Eletricidade, Pastelaria/Padaria e Jardinagem

aepc

agrupamento de escolas de penalva do castelo

Ensino Secundário: - Cursos científico-humanísticos: - Ciências e Tecnologias - Línguas e Humanidades Cursos Profissionais: - Técnico de Restauração, variante de Cozinha/Pastelaria (1º ano)* - Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos (1º ano)* - Técnico de Produção Agrária, variante de Produção Vegetal (2º ano) - Técnico de Manutenção Industrial – Eletromecânica (2º ano) - Técnico Auxiliar de Saúde (3º ano) - Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores (3º ano)

Em regime pós-laboral - Curso de Educação e formação de Adultos (EFA), de dupla certificação (escolar de nível III e profissional de nível IV), de Técnico de Turismo Ambiental e Rural (conclusão) - Curso de Educação e formação de Adultos (EFA), de certificação escolar, NS – Nível Secundário Tipo C (315 horas de formação), para quem tenha o 11º ano e pretenda concluir o nível secundário.* - Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD), de 25 ou 50 horas, para conclusão do nível secundário de educação por quem frequentou e não concluiu o nível secundário em curso já extinto. * (sujeitos ao número de matrículas)


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Um agrupamento ativo Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido Figueiredo O Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido Figueiredo procura adotar perante a comunidade escolar e o meio envolvente, um papel ativo de colaboração e valorização dos recursos humanos, parte integrante da sua missão social. “Colocamos em pé de igualdade o saber académico com a promoção da cidadania ativa”, diz em entrevista à Revista Business Portugal, Helena Gonçalves, diretora do Agrupamento.

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elena Gonçalves, diretora do agrupamento, começa a nossa entrevista revelando alguns dos fatores que considera essenciais para o bom desempenho e sucesso educativo. Nesse sentido, investem na excelência e na qualidade, alicerçadas na capacidade de trabalho e numa visão estratégica e empreendedora, só conseguidas com um esforço coletivo e um trabalho em equipa. “Um dos nossos principais objetivos é reduzir o abandono escolar e dentro dos nossos recursos e das nossas possibilidades, melhorar os resultados escolares dos nossos alunos. Assim, considero que a nossa escola oferece boas condições para os alunos aqui permanecerem, ou para ingressarem pela primeira vez”, menciona a diretora. A realidade do agrupamento resultou da junção, em 2012, do Agrupamento de Escolas de Tondela e o de Lajeosa do Dão. Cobre a Escola Básica de Tondela, a Escola Básica de Lajeosa do Dão e a Escola Secundária de Molelos, às quais se junta um conjunto de jardins-de-infância e escolas do primeiro ciclo repartidos pelas diferentes freguesias do município. “Embora as três principais escolas correspondam a contextos diferentes, tentamos implementar a igualdade, para que todos os nossos alunos recebam a mesma qualidade de ensino e usufruam de boas estruturas físicas e humanas”, explica a responsável pelo agrupamento. Num concelho onde a emigração é uma realidade, o agrupamento tem vindo a perder todos os anos algumas dezenas de alunos e, atualmente, conta com cerca de 1.600 estudantes. De qualquer forma, o agrupamento oferece

helena gonçalves Diretora

respostas de maneira a dar um futuro ao universo estudantil. Para além dos cursos científico – humanísticos, onde oferecem os cursos de Ciências e Tecnologias, o Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido Figueiredo pretende dar resposta às necessidades da comunidade através da oferta de cursos vocacionais para o ensino básico e cursos profissionais para o ensino secundário, e ainda o ensino regular do pré-escolar ao secundário. “Temos uma oferta a nível do ensino profissional que abrange várias áreas, procuramos todos os anos oferecer mais do que um curso para ver se conseguimos ir de encontro às necessidades e preferências dos nossos alunos e das suas famílias. Por isso, temos o curso Técnico de Turismo Rural e Ambiental e Técnico de Multimédia”, enumera a diretora. Para a seleção dos cursos que apresentam, Helena Gonçalves refere que há o cuidado de estabelecer uma oferta que corresponda às necessidades da região e do tecido empresarial, de modo a possibilitar a celebração de protocolos com as empresas do distrito, essencialmente nas unidades hoteleiras, assegurando assim, a formação em contexto de trabalho dos alunos. Por outro lado, tentam que os alunos procurem ofertas que os venham eventualmente ligar à terra e à região, dentro das suas capacidades e dentro dos interesses dos alunos e das suas famílias. “Os cursos profissionais são uma mais valia para o sucesso académico dos alunos e oferecem boas perspetivas de trabalho dentro da região e fora dela”. “Temos vários protocolos com diversas entidades para os nossos alunos realizarem os estágios a maior parte são realizados nas empresas locais, mas também temos alunos em Viseu no grupo Visabeira, Aveiro e em Óbidos”, conta a diretora.

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Educação de excelência no centro do país Agrupamento de Escolas de mangualde Em 2010, várias escolas de Mangualde juntaram-se num só espaço e nasceu o Agrupamento de Escolas de Mangualde, passando a ser a única escola pública do concelho. A Revista Business Portugal foi conhecer a dinâmica desde agrupamento junto do seu diretor, Agnelo Figueiredo, engenheiro de formação e que envergou pelo ensino aos 19 anos de idade, quando ainda estudava em Coimbra em tempos do 25 de abril.

Agnelo figueiredo Diretor

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omos uma escola pública, única no concelho de Mangualde portanto é nesta área geográfica que exercemos a nossa influência. Este agrupamento é jovem e resultou da agregação de três antigos agrupamentos e escolas”, começa por explicar Agnelo Figueiredo. A partir do momento em que passa a ser a única escola do concelho, Agnelo Figueiredo acredita que o seu agrupamento tem que ser obrigatoriamente uma escola integradora, inclusiva e capaz de dar respostas para todo o público do concelho. “Temos que ter uma oferta formativa que se adeque a todos os alunos. Não podemos privilegar uma determinada área ou outra como se faz nas grandes cidades”, frisa o diretor. Ligado à oferta que o agrupamento interliga com a inclusão, 40 por centp dos seus alunos do ensino secundário frequentam ofertas personalizantes o que é ‘’muito significativo num concelho interior como Mangualde, conseguir captar estudantes para este tipo de cursos. “Temos uma oferta abrangente e ultimamente temos optado por ter uma oferta, dentro dos cursos profissionais, muito diversificada. Este ano oferecemos oito cursos em regimes de meias turmas ou seja, meia turma de mecatrónica, desporto, turismo, contabilidade, eletrónica, entre outros. São oito percursos diferentes que abrangem uma vasta panóplia de áreas, muito negociados com os parceiros”. A ligação da escola à comunidade é um dos aspetos de maior importância para Agnelo Figueiredo, conjuntamente ao tecido empresarial. “Não é possível termos uma escola com percursos personalizantes se a escola não estiver inserida no meio e podemos dizer, com algum orgulho, que temos 102 empresas neste momento a colaborar conosco. Ter protocolos de colaboração com 102 empresas é um marco muito importante. Em Mangualde temos um poder industrial considerável”, frisa, orgulhoso. Grande parte dos alunos estagiam no final do curso e alguns posteriomente conseguem ofertas de emprego nas empresas onde estagiaram e com as quais o Agrupamento de Escolas de Mangualde tem protocolo ou as próprias empresas pedem prolongamento dos estágios. “É compensador e fazemos os possíveis, apesar das dificuldades. Somos uma escola com ambição e expetativas”, confessa. Para elaborar a oferta formativa,

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Agnelo Figueiredo explica que “ouvimos os alunos, as associações empresariais e ouvimos a comunidade intermunicipal. Através desta ligação temos a certeza de uma oferta abrangente e complementar”. Com 2500 alunos no total, 170 frequentam o 12.º ano e 80 invergaram por uma área profissional. A escola recebe ainda alunos de Penalva do Castelo, Fornos de Algodres, Nelas pois não encontrando na sua área de residência o curso que querem, procuram Mangualde. Porém, devido à baixa taxa de natalidade da região, a escola recebe cada vez menos alunos e é essa a maior preocupação de Agnelo Figueiredo para o futuro da escola. “No futuro, primeiro gostaria que esta escola que existisse. Perdemos em média todos os anos 60 alunos, a este ritmo em 10 anos são 600 alunos, o que quer dizer que a nossa oferta não existirá e isso já existe em concelhos vizinhos.” Mas acrescenta “Temos vindo a progredir muito ao longo dos anos, muito ao nível da qualidade. Gosto do que faço. Aqui temos a possibilidade de ouvir as pessoas, ver efeitos das decisões que tomamos. Sinto-me realizado na atividade que desenvolvo e no exercício deste cargo.”


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INTERNATIONAL BUSINESS (4ªed.) -

Prof. Doutor Vítor Corado Simões Prof. Doutor Pedro Picaluga Nevado

Duração: 221 horas

GLOBALIZAÇÃO: TENDÊNCIAS E DESAFIOS NA EUROPA E NO MUNDO INTRODUÇÃO AO INTERNACIONAL BUSINESS GESTÃO ESTRATÉGICA INTERNACIONAL GESTÃO INTERCULTURAL E-BUSINESS GLOBAL 2.0 & 3.0

José Maria Brandão de Brito

CONTRATOS INTERNACIONAIS (PERSPETIVA JURÍDICA) INTERNATIONALIZATION PROCESSES GESTÃO DA EXPORTAÇÃO: A REALIDADE PORTUGUESA BORN GLOBALS E EMPREENDEDORISMO INNOVATION AND INTERNATIONAL STRATEGIC ALLIANCES

Vasco Branco Guimarães Bent Petersen Manuel Carlos Costa da Silva Pedro Dominguinhos Jonas Puck

GESTÃO FINANCEIRA INTERNACIONAL MARKETING INTERNACIONAL GESTÃO INTERNACIONAL DE RECURSOS HUMANOS E CARREIRAS LOGÍSTICA GLOBAL E MACROLOGÍSTICA GESTÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO (PERSPETIVA INTERNACIONAL)

João Cantiga Esteves Fernanda Ilhéu Jorge Gomes José Augusto Felício Jorge Vieira Jordão

CONTROLO DE GESTÃO (PERSPETIVA INTERNACIONAL) FUSÕES E AQUISIÇÕES INTERNACIONAIS GESTÃO INTERNACIONAL GESTÃO DE IDE E SUBSIDIÁRIAS

Francisco Lopes dos Santos Telmo Francisco Vieira Vítor Corado Simões Pedro Picaluga Nevado

Vítor Corado Simões Pedro Picaluga Nevado Maria Eduarda Soares Dário Félix Rodrigues

Todos os seminários são ministrados por personalidades nacionais e/ou internacionais de relevo. *Mentes abertas para um mundo em mudança. ** Universidade de Lisboa: SIR Iber 2015 (www.scimagoir.com/sir_iber.php); Best Global Universities 2014 (www.usnews.com/education/best-global-universities/rankings); Academic Ranking of World Universities 2014 (www.shanghairanking.com).


cluster do mobiliário

REVISTA BUSINESS PORTUGAL

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oi no passado dia 29 de junho que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, realizou a 5.ª jornada do ‘Roteiro para uma Economia Dinâmica’, dedicada às indústrias da madeira e do mobiliário e centrada nos concelhos de Paredes e Paços de Ferreira. A jornada iniciou-se logo pela manhã com a inauguração do Museu do Design de Mobiliário de Paredes e com a inauguração da incubadora para o design de mobiliário e das Residências Criativas de Paredes.


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Seguiu-se uma visita às empresas Aleal e ABrito, ambas sediadas em Paredes e reconhecidas pelo elevado dinamismo que trouxeram ao setor em Portugal sendo que a a sua produção destina-se essencialmente à exportação. Em Paços de Ferreira, após almoço, o Presidente da República, visitou as empresas Sarimóveis, especializada num estilo clássico e contemporâneo e em peças de mobiliário auxiliar, a Luís Nunes da Silva, empresa dedicada ao fabrico de sofás e a loja ‘Móveis Henrique’.

O autarca Humberto Brito, presidente do município de Paços de Ferreira acredita que a assinatura do protocolo para dinamização de um cluster do mobiliário representa “a vontade genuína” de dois municípios que uniram esforços “em prol daquilo que mais importa ao setor, que é a capacidade e competência”. Começando por elogiar a classe empresarial trabalhadora do setor do mobiliário, o líder do executivo municipal de Paços de Ferreira, considera que esta soube “transformar momentos difíceis em oportunidades” em tempos de crise que o país e a Europa atravessaram e que consequentemente se conseguiram “afirmar como referência no setor”. Para o autarca, a assinatura de um protocolo entre os municípios de Paredes e de Paços de Ferreira e quatro associações empresariais para a dinamização de um cluster de mobiliário, no encerramento da 5ª Jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica, liderada por Aníbal Cavaco Silva é “um passo essencial na promoção do setor no país e no mundo”. Apesar da díficil situação financeira que a câmara municipal atravessa, Humberto Brito, destaca o decréscimo da taxa de desemprego no concelho e admite que “mais importante do que falar do que nos oprime, é importante falar dos nossos projetos de valorização para o setor e para a nossa classe trabalhadora, que nos enche de orgulho”. No seu discurso, congratula também os empresários sediados em Paços de Ferreira, Arménio Moura, Rodrigo Pedrosa Francisco e Mário Silva e os restantes empresários do concelho vizinho, agradeciados com a Comenda da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial. “Nesta terra habituada a criar momentos difícieis em oportunidades, foram muitas as empresas que conseguiram afirmar-se no seu setor. Resultado disso são os empresários que de forma absolutamente meritória, receberão tão honrosa distinção. Como presidente da câmara, é com muito orgulho que assito a esta justíssima distinção”. Humberto Brito termina o seu discurso reafirmando a ambição do município em tornar Paços de Ferreira Capital Europeia do Mobiliário.

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O Centro de Formação Profissional das Indústrias da Madeira e Mobiliário, em Paredes, foi palco da cerimónia de encerramento da 5.ª jornada do ‘Roteiro para uma Economia Dinâmica’, onde foi assinado um protocolo entre os municípios de Paredes e de Paços de Ferreira, a Associação Empresarial de Paredes e Paços de Ferreira e a Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, para a dinamização de um ‘cluster’ de mobiliário. Na cerimónia foram também distinguidos, por Aníbal Cavaco Silva, sete empresários do setor com a Comenda da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial entre os quais, Arménio Moura, Carlos Aquino, de Tábua, Mário Martins da Silva, Ilídio Machado, Mário Silva, Rodrigo Pedrosa Francisco e Silvino Lindo. “O protocolo, cuja assinatura testemunhei e à qual atribuo um significado muito especial, reflete a conjugação das vontades do poder autárquico e dos agentes económicos de corrigir os erros do passado e de dar um novo impulso ao ‘cluster’ do mobiliário. A esta nova geração, gostaria de transmitir a minha confiança nas suas capacidades. Estou certo de que podem levar ainda mais longe o esforço e a herança do ‘saber fazer’ dos vossos antepassados”, frisou no seu discurso o chefe de Estado.

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“O mobiliário será o próximo caso de sucesso em Portugal” município de paredes A cerimónia de encerramento da 5ª jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica, que teve lugar no Centro de Formação Profissional das Indústrias da Madeira e do Mobiliário, em Lordelo, Paredes, contou com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, depois de este ter visitado cinco empresas de mobiliário, duas em Paredes e três em Paços de Ferreira. Nesse mesmo dia, inaugurou também o Museu do Design de Mobiliário e o Design Hub, em Paredes.

Celso Ferreira Presidente

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cerimónia culminou com a assinatura de um protocolo para a criação de um ‘Cluster de Mobiliário’ entre os Municípios de Paredes e Paços de Ferreira, as respetivas associações empresariais e as duas associações nacionais do setor. Para Aníbal Cavaco Silva, este protocolo é importante para “dar um novo impulso ao setor do mobiliário”. Já Celso Ferreira, líder do executivo municipal de Paredes, sustenta que é “um passo fundamental para o planeamento estratégico partilhado e de implementação conjunta”, salientando a projeção e notoriedade que o mobiliário português poderá atingir à escala mundial através da união de esforços das entidades envolvidas na assinatura deste protocolo. No decorrer da cerimónia foram também condecorados, com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, sete empresários da região. Um “ato magnânimo de Aníbal Cavaco Silva na distinção dessas personalidades, com histórias de vida exemplares e que contribuíram para a evolução do setor e da região”, considera Celso Ferreira. Paredes, um município com tradição no setor do mobiliário Paredes e Paços de Ferreira são as principais referências a nível nacional no setor do mobiliário. Dois territórios muito semelhantes e com algum grau

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de especialização, sendo que Paredes tem mais empresas industriais e Paços de Ferreira mais empresas comerciais. Dois territórios que se encaixam e para Celso Ferreira a explicação para esta forte ligação tem que ser sociológica. “Há cerca de 25 anos, Paços de Ferreira fez um percurso com grande mérito no domínio da cadeia de valor, que era o modelo da época, ou seja, direto ao consumidor final. As empresas seguiram esse modelo, enquanto Paredes, por não ter essa geo referenciação junto do consumidor final, foi desenvolvendo uma competência industrial, desde logo para abastecer as empresas comerciais de Paços de Ferreira e baseando o crescimento na internacionalização, na exportação”, começa por explicar o autarca em entrevista à Revista Business Portugal. Com o advento da crise em 2009, o mercado interno implodiu por completo e isto levou a que os dois modelos que foram construídos nos 20 anos anteriores tivessem resultados diferentes. Ou seja, enquanto Paços de Ferreira viveu e ainda vive um período particularmente difícil, porque a procura interna é reduzida, as fábricas de Paredes, como já apostavam nas exportações, reforçaram essa área de negócio e cresceram exponencialmente. Para Celso Ferreira, “os territórios têm que se reinventar. Aquilo que em tempos era uma fraqueza hoje é para nós uma força, porque o modelo de negócio das empresas foi alterado e encaminhado para os mercados externos. E é por isso que a indústria de mobiliário em Paredes esta a crescer”. Em 12 meses, o desemprego em Paredes foi reduzido em 23 por cento, um dos melhores resultados a nível nacional. Para o ano, Celso Ferreira espera uma redução semelhante, o que, a acontecer, “poderá ser um caso de estudo”, como o próprio acredita. Apostas inovadoras Enquanto no setor do mobiliário existem em Paredes profissionais qualificados para a primeira e segunda transformação, para a higiene no trabalho específica do setor, para a manutenção industrial, para a formação profissional e para assistência pós-venda, faltavam

profissionais para o primeiro degrau, que é o da criação, o do design. “Os equipamentos que o senhor Presidente da República inaugurou são absolutamente essenciais para se constituir o primeiro degrau. É essencial apostarmos na formação dos nossos designers. Em Paredes, temos o curso de Engenharia de Madeiras e Mobiliário e em Paços de Ferreira a pós-graduação em Design de Mobiliário”, frisa o autarca. Um dos projetos mais reconhecidos promovidos pelo município de Paredes, o Art on Chairs, começou a ser trabalhado sustentadamente em 2010, mas os trabalhos e o diagnóstico, começaram a ser feitos em 1999, de forma muito organizada. Na primeira edição do Art On Chairs, Paredes ganhou o prémio de melhor projeto europeu do ano. “O mobiliário português vai ser o próximo caso de sucesso, a seguir ao do setor do calçado”, acredita Celso Ferreira. Futuro do setor e da região Embora esteja no seu último mandato, Celso Ferreira, autarca de nova geração, bem como o líder do executivo municipal de Paços de Ferreira, acredita que a cultura de cooperação entre os dois municípios é fundamental para a ligação supra municipal, porque, segundo defende, “Paços de Ferreira não vai deixar de ser a Capital do Móvel e nós (Paredes) não vamos deixar de ser a Rota dos Móveis nem deixar de organizar o Art on Chairs”. “É primordial termos uma estratégia comum em benefício de todos e não andarmos com estratégias diversificadas. Temos tido bons projetos de média dimensão, que são projetos individuais de Paredes, de Paços de Ferreira, das associações setoriais e das associações locais, mas está na hora de pegar nesses projetos de média dimensão e torná-los de grande dimensão. É este o segredo”, explica o autarca, acrescentando que é importante valorizar a marca Portugal além-fronteiras. “Temos o compromisso de tornar o mobiliário português no melhor do mundo e necessitamos para o efeito de valorizar a sua imagem externa. Para isso muito contribui o ‘Cluster de Mobiliário’”, conclui.


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Mobiliário com revestimentos de excelência divercol A Divercol é uma empresa crucial no Cluster do Mobiliário, responsável pela produção de tintas, vernizes, esmaltes, diluentes, entre outros. A empresa foi fundada por Rodrigo Pedrosa, há 40 anos. Agora, o empresário viu o mérito do seu trabalho reconhecido publicamente pelo Presidente da República, através da atribuição do grau de Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial.

rodrigo pedrosa Administrador

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os 75 anos Rodrigo Pedrosa passa os dias nas fábricas que possui em Lordelo, Paredes. A principal é a Divercol, que surgiu em 1975, depois de ter regressado de Angola, onde começou a trabalhar aos 19 anos. Recordando os tempos de emigrante, relata que foi “gerente de uma empresa importante onde eram produzidos rádios e aparelhagens de som. Tenho orgulho de ter estado em Angola, a mentalidade era diferente e existia espírito de entreajuda”, relata Rodrigo Pedrosa, experiência que contribuiu para a sua formação enquanto pessoa e empresário. De volta a Portugal, com 35 anos, depois de ter recusado algumas ofertas de trabalho que não eram do seu agrado, decidiu dedicar-se à indústria de colas para o mobiliário, com o apoio de um familiar (eng. Químico) que havia vindo de Lisboa abrir uma sucursal bancária em Paços de Ferreira, a região começou a desenvolver-se “na área do mobiliário e carpintaria e o princípio da minha vida foi esse”, relata o comendador, explicando que optou pelas tintas e vernizes, “comecei

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por uma área mais pequena, com muitos contratempos e dificuldades em comprar matéria prima, mas consegui dar a volta. Penso até, ter sido dos primeiros, fora do sistema, a entrar nesta área industrial, a partir daí a democracia fez tudo”, relata o interlocutor, aludindo às dificuldades ainda existentes na criação de empresas, um ano pós 25 de abril. Conseguiu atingir os objetivos e a primeira entidade sugiu em Freamunde com a designação de Frecol - Colas de Freamunde. Em 1983 adquiriu as instalações de uma fábrica de móveis em Ferreira, Paços de Ferreira, que “a 4 de julho de 1996 às 12:20 começou a arder e desapareceu”, relata com a certeza de uma memória infalível e, ainda com algum desgosto, o proprietário da Divercol. Perante as contrariedades, foi fundamental a veia do empresário persistente e empreendedor que não desistiu. Rodrigo Pedrosa revela, assim que após um grande contratempo, conseguiu erguer a Divercol, em Lordelo, Paredes. Após o incêndio em Ferreira, “já tinha este terreno comprado, andava já a fazer levantamentos com o arquiteto para

fazer o projeto”, na altura, acrescenta o entrevistado, foi fundamental o apoio da Câmara Municipal de Paredes para a viabilização do projeto. O empresário revela que a “10 de junho de 1998 mudámos para as novas instalações. Naquela época, eram demasiado grandes, agora, felizmente, são pequenas”, relata com orgulho o interlocutor, demonstrando que a aposta na empresa de Lordelo foi um sucesso. De 2000 até ao presente A inauguração oficial da unidade industrial de Lordelo foi em 1999, com as novas instalações, a empresa passou a estar preparada para vencer os novos desafios com que o setor se tem defrontado. Rodrigo Pedrosa, revela que a sua “filosofia de vida” é investir consoante as possibilidades e o sucesso dos projetos que lidera estão relacionados com esta visão de um crescimento sustentado. O nome Divercol resulta das iniciais de diluentes, vernizes e colas, apostando na investigação e no desenvolvimento de novos produtos. A empresa


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conta atualmente com 35 trabalhadores, dos quais cinco são engenheiros. Associadas à Divercol, entidade mãe, sugiram três empresas associadas, o Tintinhas comercializa produtos utilitários e complementos de pintura, vendendo material com uma excelente relação qualidade/preço. A Portimpact dedica-se à construção de escadas e escadotes em alumínio, Rodrigo Pedrosa faz questão de frisar que “tudo é produzido em Portugal, prefiro comprar em Portugal, mesmo que seja mais caro”. Existe ainda outra empresa, a Vedeta que se dedica a uma linha de produtos especiais como vernizes e tintas decorativas para velas, vidro, cerâmica e ainda uma tinta aquosa para restaurar pneus, Esta diversificação mostra que o nosso entrevistado é detentor de um espírito polivalente, procurando sempre novos nichos de mercado que possibilitam a exploração de diferentes áreas de negócio. Contudo, é a produção de material para a indústria do mobiliário que mais vende, com o mercado em crescente desenvolvimento, “a área do mobiliário é a que tem mais peso na faturação da empresa”, revela o entrevistado. Na Divercol, a vertente comercial assume uma importância crucial, principalmente nas tintas onde “o produtor tem a vertente do comércio, é a mistura de empresário comercial e empresário produtor”, explica o fundador da empresa, Rodrigo Pedrosa. O surgimento de novos projetos revela que aos 75 anos, o comendador continua com uma visão de mercado excecional, exemplo disso, é a produção “do verniz aquoso para as casas de madeira, atualmente, tem aumentado produção de casas de madeira para exportação”, e a empresa do comendador está a apostar fortemente neste nicho de mercado. Um outro exemplo de inovação, é a produção de um gel único em Portugal, desenvolvido para ser utilizado na base do fondue. Numa visita pela fábrica, a boa disposição apresentada durante a entrevista, é a mesma com a qual cumprimenta todos os seus colaboradores. O nosso interlocutor, revela que o facto de ser bem humorado contribui para a longevidade e para a vontade de executar novos projetos. O comendador revela que ainda não colocou em prática todos os projetos, revelando com humor, esperar que “o percurso de vida acabe daqui a 31 anos, portanto aos 106”, é o tempo que diz necessitar para executar todos os desafios que tem em mente. O futuro do Cluster do Mobiliário A 29 de junho deste ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, presidiu à cerimónia da assinatura do protocolo entre os municípios de Paredes e de Paços de Ferreira e quatro associações empresariais para a dinamização de um cluster do mobiliário. Nesta cerimónia foram distinguidos com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe

do Mérito Industrial alguns empresários do setor, entre eles o nosso interlocutor, que confessou ter sido supreendido com a nomeação. Contudo, reconhece que o seu percurso enquanto empresário, mas também como membro de associações ligadas ao setor devem ter pesado na escolha. Rodrigo Pedrosa foi presidente da Associação Empresarial de Paços de Ferreira e esteve nove anos como membro da direção da Associação Portuguesa de Tintas. No seu entender, considera que existem outros empresários na região que mereciam ser, igualmente reconhecidos, pois a região está repleta de bons exemplos. Questionado sobre o futuro do setor do mobiliário, Rodrigo Pedrosa refere que a constituição

do cluster é importante e, no seu entender, os autarcas de Paços de Ferreira e de Paredes “são dois jovens, virados para o futuro, sabem que é preciso procurar outros mercados, estão com uma dinâmica muito forte. Desejo que não haja areia nas engrenagens e que tudo corra pelo melhor. O projeto tem condições para andar e agora é preciso dar as mãos. Felizmente, o nosso móvel tem crescido e ultrapassado fronteiras”, explica o empresário. No que toca ao papel da Divercol, o empresário, pretende continuar a desempenhar um papel fundamental neste cluster, contribuindo para a excelência do setor em Portugal e além fronteiras.

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Maior empregador privado da zona centro Aquinos O CEO da empresa, Carlos Aquino foi agraciado como Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial pelo Presidente da República. O presidente da Aquinos, empresa localizada em Tábua, considera que é o “reconhecimento de 30 anos de trabalho” na produção de sofás e colchões.

carlos aquino CEO

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empresa Aquinos comemora, em 2015, 30 anos de existência. Sediada na zona centro, no Pólo Industrial de Sinde, concelho de Tábua, a empresa produz sofás e colchões. Atualmente, é o principal motor da economia da região, a operar no setor privado, sendo responsável por quase dois mil postos de trabalho, distribuídos entre Tábua e Nelas, onde recentemente foi inaugurada uma nova fábrica. No seguimento do reconhecimento público aos empresários do mobiliário, que a Presidência da República levou a cabo, Carlos Aquino considera que é importante, mas que ao mesmo tempo “aumenta a responsabilidade, temos de continuar a fazer o nosso melhor, ajudar o país e criar postos de trabalho, na zona Centro e Interior do país”, frisa o CEO da Aquinos. O interlocutor revela que foi com muito esforço e dedicação que a Aquinos se tornou uma referência no setor do mobiliário. Quando foi agraciado com a Ordem de Comendador, Carlos Aquino revela que “fiz questão de o partilhar com a minha equipa porque sem ela não tinha conseguido, podia ter conseguido qualquer coisa, mas não tudo”, remata.

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30 anos de trabalho, excelência e qualidade Em retrospetiva, o presidente do Conselho de Administração da empresa revela que a Aquinos nasceu no dia 15 de março de 1985, “eu e os meus dois irmãos trabalhávamos numa empresa de sofás em Tábua, desde pequeno que tinha o sonho de ter uma empresa, o negócio em si, a transformação, tudo isso fazia sentido. Desde cedo aprendi o que era um sofá, quis construir o meu próprio caminho, convidei os meus irmãos e com seis pessoas iniciámos o negócio”, revela. Atualmente, Carlos Aquino continua a trabalhar com os dois irmãos, Jorge Aquino e António José Aquino, juntos criaram a empresa que é hoje uma referência na indústria do mobiliário em Portugal, mas também além fronteiras. Recorrendo à sabedoria popular, Carlos Aquino, revela que “fomos crescendo devagar, nunca demos um passo maior do que a perna”, apostando num crescimento sustentado e equilibrado. Ao longo dos 30 anos, a empresa apostou sempre em investimentos que visavam o crescimento industrial, através da criação de novas unidades industriais, recorrendo a equipamentos de vanguarda, tendo sempre em conta

a formação e a motivação dos colaboradores, a criação de equipas de investigação, o desenvolvimento e o design de novos produtos. A proteção do ambiente e a melhoria das condições de trabalho são fatores que também pesam na gestão do grupo. A Aquimos também sentiu a crise que assolou o país e a Europa, mas o CEO revela que conseguiram ultrapassar o problema. Com uma visão alargada e pragmática perceberam desde muito cedo “que a exportação seria o caminho, o nosso país é pequeno, fruto disso, conseguimos chegar a mais mercados”, atualmente a exportação tem um peso de 90 por cento na faturação da empresa, sendo que os principais mercados são França e Espanha. A presença em África e na América do Sul não é tão expressiva como nos mercados europeus, devido, essencialemente, ao volume dos produtos comercializados. O segredo do sucesso da Aquinos passou por uma aposta forte na capacidade produtiva e também no armazenamento, através da disponibilização de stocks, “a capacidade produtiva instalada, em Tábua, aliada às sinergias na produção das matérias primas mais críticas, aliciam os nossos clientes a trabalharem connosco”, refere o


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responsável. Carlos Aquino explica que “tudo o que é preciso para construir um sofá está concentrado, em Tábua. Trabalhamos com pele verdadeira, material que temos de importar. Sempre que podemos tentamos atrair a produção dos materiais para Portugal, mas nem sempre é possível. Para além da capacidade produtiva, temos uma capacidade de stock, armazenamos 40 mil sofás e queremos ampliar para o dobro. Temos capacidade para armazenar 90 mil colchões, tudo isto é permitido através de um armazém inteligente. Oferecemos a produção e o armazenamento garantido uma resposta rápida ao mercado”, revela o empresário. Esta eficência e qualidade valeu à Aquinos estar presente nas lojas IKEA e Conforama, levando os sofás e colchões made in Portugal a todo o mundo. Atualmente, a empresa está prestes a criar uma nova sinergia estando a terminar “a construção de uma fábrica de produção de espuma, um investimento de cerca de 20 milhões de euros. A produção vai arrancar ainda este mês. Temos também uma fábrica de produção de fibra de poliéster. Em Nelas, inaugurámos uma unidade de produção de sofás, que exporta 100 por cento daquilo que produz”, relata o CEO, acrescentando que a fábrica foi inaugurada em março, mas já estava a funcionar desde setembro do ano passado. Na cerimónia inaugural esteve presente o vice-primeiro ministro, Paulo Portas. Nem tudo está facilitado para o contínuo desenvolvimento da empresa, o facto de estar situada em Tábua tem representado algum entrave ao nível do recrutamento. O CEO explica que “uma das dificuldades que temos é na contratação,

sobretudo, de quadros, apesar de estarmos a 55 km do litoral”. Contudo, grande parte dos trabalhadores que ingressaram na Aquinos continuam na empresa, demonstrando que “estão satisfeitos com as condições de trabalho”, mesmo com a grande exigência e rigor exigidas por parte do responsável, que reconhece ser “muito exigente, mas a minha equipa sabe que pode contar comigo para tudo, se os trabalhadores vêm e ficam, é porque estão satisfeitos”, constata Carlos Aquino.

crescimento sustentável, tendo sempre em conta os clientes, os trabalhadores e toda a região onde está localizada, contribuindo para a expansão e dinamização da economia local e nacional.

Futuro passa pela aposta em novos produtos No seguimento dos investimentos que têm sido efetuados ao nível da expansão do negócio, com a construção de unidades complementares, a Aquinos “investiu cerca de 80 milhões de euros” nos últimos cinco anos, revelou Carlos Aquino, acrescentando que “temos alguns projetos de crescimento sempre para exportação” e, provavelmente, no próximo ano serão apresentados ao mercado “novos produtos” sempre na linha conforto. A qualidade é a principal bandeira do grupo que está atento às alterações existentes no mercado, tanto ao nível das tendências dos clientes como na evolução tecnológica, que tem possibilitado o crescimento e expansão da empresa, com a aposta em tecnologia de ponta. Exemplo disso é o sistema de armazenamento inteligente, onde estão milhares de sofás e colchões. O principal objectivo da Aquinos continua a ser a afirmação como uma entidade empresarial de referência e sucesso, baseada num

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Culminar de anos de trabalho e sucesso SML- Silvino Lindo-Ibérica SA Foi com muito esforço e dedicação que Silvino Lindo juntamente com a sua esposa, Conceição Lindo, construiram a SML- Silvino LindoIbérica SA, uma empresa sediada em Gandra, Paredes e que está presente nos quatro cantos do mundo. Tendo iniciado atividade há 27 anos, a SML tem como principal atividade a conceção, fabrico e instalação de equipamentos para secagem de madeiras e para linhas de acabamento da indústria de mobiliário.

silvíno lindo CEO

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epois de vários anos a trabalhar por turnos no Grupo Sonae, no setor da eletromecânica, o que lhe permitia dar assistência a várias empresas de mobiliário a nível de equipamentos e notar as suas necessidades, Silvino Lindo decide criar o seu próprio negócio. Do zero, construiu uma empresa sólida, pioneira em vários processos e procedimentos na área do mobiliário e que lhe permitem ser uma referência no setor. Resultado disso, foi a recente distinção liderada por Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, na assinatura de um protocolo para a dinamização de um cluster de mobiliário. Contribuição para o desenvolvimento do setor Uma das maiores necessidades das empresas por onde trabalhou consistia na secagem da madeira, como o

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próprio nos explica. “Faziam os móveis mas a madeira era seca ao tempo e estava sempre sujeita a certas condições. Muita estragava-se e havia muito prejuízo. Começamos então por fabricar secadores de madeira, foi um êxito, temos centenas espalhados por Portugal, cerca de 98 por cento dos secadores no país são SML”, sendo o primeiro grande passo inovador de Silvino Lindo, sucedido pela introdução de caldeiras em biomassa, aproveitando os resíduos das fábricas que até então eram queimados ao ar livre havendo posteriormente um aproveitamento da biomassa e energético. Depois, quando o setor estava mais ou menos estabilizado, a SML começa a fabricar cabinas de pintura para tratar a madeira de início e os móveis no final. “Foi igualmente um passo de sucesso. Há cerca de sete anos trabalhávamos muito com verniz agora é só

lacados, é o que o mercado internacional pede neste momento e nós adaptamos as nossas cabinas para trabalhar com todos os produtos. Neste momento os produtos aquosos estão muito fortes também por questões ambientais. Com as cabinas de pintura, onde fomos pioneiros, deixou-se de poluir o ambiente porque absorvem todos os resíduos”, conta o empresário. O mercado de fabricação de paletes foi o que se seguiu, paletes de madeira provenientes de serrações. Posteriormente, a empresa introduz-se nas serrações pois Silvino Lindo considera que “este setor é que deveria ter os secadores de madeira e que deviam fornecer madeira seca aos fabricantes de móveis e é o que esta a acontecer agora. Os fabricantes deixaram de comprar secadores, compram a madeira já seca e só a que necessitam. Desde o controlo energético às movimentações das matérias-primas


REVISTA BUSINESS PORTUGAL CLUSTER DO MOBILIÁRIO e que são empresários de sucesso, fruto da formação que damos aqui diariamente e isso para mim é um orgulho. O nosso objetivo é que os nossos funcionários se formem de forma adequada ao nosso tipo de trabalho e que cresçam”.

silvíno e conceição lindo

sendo uma engenharia de processos, os móveis estão todos estudados. Trabalhamos no melhoramento dos processos e procedimentos, assim como na manutenção dos equipamentos, para que as empresas tenham cada vez menos custos. Vamos ao encontro do que o cliente necessita e normalmente estamos presentes nas áreas mais difíceis e específicas. Trabalhamos também para o mercado do calçado, do têxtil e para todo o tipo de trabalho especializado e é isso que nos dá valor acrescentado.”, refere o líder da SML. Os nossos produtos • Secadores para madeiras e cortiça; • Secadores para o tratamento de paletes de madeiras; • Cabinas de pintura para mobiliário e para calçado; • Caldeiras de Biomassa Florestal; • Aspiração industrial; • Sistema integrado de redes de ar comprimido; • Redes de incêndio.

Presente nos quatro cantos do mundo Ao longo de 27 anos de atividade a dimensão da SML foi crescendo e hoje tem equipamentos em 20 países diferentes, França, Espanha, Brasil, Equador, Estados Unidos da América, Roménia, são alguns exemplos, sendo atualmente uma empresa perfeitamente internacionalizada. “A SML acrescenta valor, moderniza as empresas, diminui custos de produção. Desenvolvemos o projeto desde a modelação peça a peça até à fabricação, à montagem e a assistência pós venda e 60 por cento dos secadores de madeira existentes no mercado espanhol são SML sendo que é um mercado difícil de penetrar”, refere. Em termos de feiras internacionais a SML expõe em França, Itália, Brasil e México e o futuro da empresa passará pela América Latina pois Silvino Lindo considera que o setor ainda não esta muito desenvolvido e os processos ainda estão muito rudimentares tendo assim um potencial enorme. Uma empresa familiar Foram 27 anos de desenvolvimento, de constante evolução e sempre atentos às necessidades do mercado sendo que o mais importante, segundo Silvino Lindo, para uma empresa vingar é a humildade e ter uma boa estrutura familiar. “Começamos esta empresa sem nada, tudo foi fruto do nosso trabalho e do nosso esforço. Iniciei a empresa juntamente com a minha esposa e hoje tenho os meus três filhos a trabalhar connosco, a Diana que trabalha na parte comercial, a Sílvia que terminou o curso de Gestão de Empresas trabalha também na SML e o André que

trabalha na parte técnica”. Na comemoração do seu 57º aniversário a família de Silvino Lindo e os seus funcionários prepararam uma surpresa para o empresário e comemoraram em conjunto a data especial, reflexo e reconhecimento do seu esforço e dedicação. “Foi um dia e uma comemoração marcantes para mim. Não estava à espera mas fiquei muito feliz”, confessa Silvino Lindo. Distinção por parte do Presidente da República Para além de empresário de sucesso, Silvino Lindo é também um autarca de sucesso. Enquanto Presidente da Junta de Freguesia de Gandra, fez a distribuição de água da freguesia desde o projeto à execução sendo uma mais valia para a região e que ainda se reflete atualmente no concelho. Mas foi no papel de empresário que Silvino Lindo foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial por Aníbal Cavaco Silva, facto que orgulha o empresário. “Se me foi atribuída essa distinção foi porque acharam que merecia e pelo trabalho que desenvolvi de evolução deste setor. Estou obviamente muito orgulhoso”. Posteriormente, destaca a importância da assinatura do protocolo para a dinamização do cluster de mobiliário. “Este protocolo é muito importante para nós, empresários e para a região no geral. Não foi fácil as duas associações envolvidas chegarem a um acordo mas Aníbal Cavaco Silva teve muita influência nesta decisão. Foi uma das coisas mais importantes que poderiam ter feito”,conclui.

A ‘escola’ SML A SML tem 68 funcionários, todos formados na empresa e a formação é uma das prioridades de Silvino Lindo. Formado na Escola Industrial, o empresário considera que a sua formação foi determinante no trabalho que desenvolveu posteriormente. “Quem estudou na Escola Industrial estava perfeitamente preparado para o mercado de trabalho. Tínhamos a parte técnica e a prática, o que foi muito importante. Já saíram daqui alguns funcionários que se estabeleceram

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O SUCESSO DOS SOFÁS PORTUGUESES Luís Nunes da Silva, Lda Perto de comemorar os seus 30 anos de história, a empresa portuguesa Luís Nunes da Silva, Lda nasceu em 1986 e é hoje uma referência nacional e internacional na conceção, desenvolvimento e fabrico de sofás.

D visita do presidente da república

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esde o seu surgimento, foram muitas as transformações da empresa sempre com olhos postos no futuro, na continuidade e na qualidade pela qual é reconhecida. Ter um sofá confortável, personalizado, atrativo e produzido tendo em conta padrões de alta qualidade é o sonho de qualquer pessoa. E não é mero acaso que em tempos o slogan da casa era “A Qualidade que Conhece”. A história da empresa tem início quando o administrador Luís Silva tinha os seus 10 anos de idade, e começou a trabalhar na área. Atualmente, o conforto e a qualidade são os pontoschave da empresa, agora com uma equipa de 30 pessoas, que veio a crescer progressivamente adaptando-se às necessidades e à crescente procura dos clientes. É com orgulho que o administrador Luís Silva, fala sobre


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as suas instalações que inaugurou a 2 de janeiro de 1995 e sem qualquer tipo de ajuda externa. É também com orgulho que fala do seu “braço direito” nas decisões da empresa, o seu colaborador Paulo Antunes, que chegou com o mote de certificar a empresa, adaptando os processos e procedimentos consoante as necessidades do mercado. Luís Silva sempre foi visionário, adotando um plano estratégico que tem permitido alcançar um crescimento sustentável, sendo este o motivo do sucesso. A certificação veio facultar à empresa um processo automatizado e simplificado. A organização que exige uma certificação ajuda a todo o trabalho e a projetos futuros. Concluído o processo da certificação, seguiu-se um novo objetivo - a internacionalização. Hoje, a exportação da empresa representa 95 por cento do volume de negócios. Neste sentido, o seu produto estende-se a países como: França, Itália, Noruega, Alemanha, Rússia, Estónia e ainda Cazaquistão, Angola, Moçambique, entre outros. A carteira de clientes é fixa e fiel. Embora um sofá não seja algo que se troque com frequência, o cliente da Luís Silva volta. Apesar da qualidade dos sofás e da flexibilidade da empresa para satisfazer o cliente com o seu produto final, esse não é o único segredo para a fidelização do mercado. Desta forma, fornecemse hotéis 5 estrelas a celebridades e a todos os que procuram qualidade, conforto e dedicação por um preço competitivo em função de todo o produto oferecido. Luís Silva está agora a passar o seu conhecimento ao filho, Luís Miguel Silva, que demonstra grande paixão pelo negócio e, que, por sua vez, tem vindo a adquirir competências na área da gestão da produção, compras

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a fornecedores e logística. A formação continua destaca-se como uma mais-valia, no sentido de alcançar uma melhor qualidade. Os sofás Luís Silva são concebidos desde o design, passando pelas melhores matérias primas, procurando sempre acrescentar algo de inovador ao mercado. Os três pilares da empresa tomam hoje decisões conjuntas pela visão e consciência das necessidades que o futuro pode apresentar. Com os olhos postos no futuro, Luís Silva, quer agora ser uma marca ainda mais reconhecida. Este é, portanto um dos grandes objetivos para o futuro, reforçar a marca e levá-la às bocas do mundo.

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um olhar sobre paredes

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aredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagisticamente interessantes de Portugal: o Vale do Sousa. Pertencente ao distrito do Porto e à região Norte o município é limitado a norte por Paços de Ferreira, a nordeste por Lousada, a este por Penafiel, a sudoeste por Gondomar e a oeste por Valongo. O concelho de Paredes possui uma grande tradição na indústria do mobiliário, assegurando cerca de 30 por cento da produção de mobiliário nacional. A relação tradição/modernidade da arte de trabalhar a madeira nas suas diferentes vertentes sustentam um produto turístico-cultural denominado ‘Rota dos Móveis’. Com quatro cidades (Paredes, Rebordosa, Gandra e Lordelo) é o concelho português com maior número de cidades. Com uma mancha florestal considerável - segunda maior do Vale do Sousa - é sistematicamente apontada como uma mais-valia que o concelho potencia, dada ser fonte de riqueza e de emprego no município. De realçar que a zona sul do concelho tem área inserida na Rede Natura 2000. A cidade integra também a Rota do Românico do Vale do Sousa. Quem visita a freguesia tem muito para visitar e vários sabores para experimentar, tais como o tradicional cabrito assado no forno a lenha, a sopa seca e a regueifa.


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Visitar Gandra e descobrir a terra do mobiliário e da “Posta” Junta de freguesia de gandra Junta de Freguesia de Gandra assume como desafio expandir o saneamento.

paulo ranito Presidente

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ispensa balanços do mandato que lidera desde 2013 na Junta de Freguesia da Gandra, no concelho de Paredes. Prefere falar da região com mais de seis mil habitantes, do seu desenvolvimento nos últimos anos e das suas gentes. Paulo Ranito, 46 anos, é advogado de profissão e presidente de Junta por paixão. “Não estou a tempo inteiro, estou é sem tempo”, ironiza enquanto se prepara para responder às questões colocadas pela Revista Business Portugal. Então, optamos por pedir a Paulo Ranito que nos dê a conhecer Gandra através dos seus olhos. “A freguesia de Gandra tem muitas valências, quer a nível turístico, gastronómico e geográfico”, começa por contextualizar. Para quem não sabe, Gandra é a primeira freguesia fronteira para quem se descola a Paredes via A4 oriundo da cidade do Porto. Por isso, “é chamada a porta do concelho”. Há cerca de dois anos, uma requalificação profunda

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da estrada nacional 15, orçada em mais de dois milhões de euros, somou-se à lista de intervenções que elevam o potencial da Gandra. “Foram usados materiais nobres, como granito, as infra-estruturas aereas foram eliminadas e tudo está excelente”, confirma Paulo Ranito. Uma via nestes moldes, garante o presidente, “propicia o potencial gastronómico”. Historicamente, a razão do “elevado número de restaurantes”, prende-se com o facto de “antigamente a freguesia ser a última paragem de quem se deslocava vindo de Amarante e vila real ao Porto.” Hoje não serão as mesmas “casas de repasto” desses tempos, mas muitos deles mantêm a mesma estrutura nuclear. Por outro lado, as zonas industriais sediadas na região, gozam ao mesmo tempo do espaço necessário, da mão-de-obra e do acesso particularmente favorável quer pela A4, quer pela A41, ao Aeroporto de Sá Carneiro, na Maia, distrito do Porto. Ora, a acessibilidade, também à linha ferroviária, tem em muito contribuído

para “potenciar e desenvolver a indústria do mobiliário que começou a desenvolver-se na década de 70 e 80”, garante Ranito. “A freguesia de Gandra nas décadas de 70 e 80 era capaz de albergar quase 90 fábricas de móveis que vendiam sobretudo para o mercado interno”, recorda o presidente. Um comércio que sofreu a estagnação derivada da sua pequena dimensão de negócio. “As fábricas que sobreviveram foram as que se voltaram para o comércio internacional, porque conseguiram criar outras estruturas.” Uma indústria que, “com a ajuda da Câmara Municipal de Paredes tem tido um crescimento exponencial”, tornando o conselho na verdadeira ‘capital do móvel’, e aponta como exemplo o projeto ‘art on chairs’ recentemente distinguido internacionalmente. Para quem associa Paços de Ferreira a esta expressão, Paulo Ranito desengana: “O concelho de Paredes é o maior produtor de móveis do país, ao contrário do que


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as pessoas dizem.” Segundo o presidente a explicação é uma: “Paços de Ferreira vende muito o que Paredes produz!” Seja como for o mote de ‘capital do móvel’ produz efeitos em termos de marketing. Quando chegou à presidência vinha com uma presença já em dois mandatos anteriores, na qualidade de membro da Assembleia de Freguesia. Foi o anterior presidente de Junta e um amigo vereador do presente executivo municipal, que lhe lançou o desafio do novo cargo. Refletindo sobre as mudanças pessoais de ter aceitado o repto, Paulo Ranito acusa a notoriedade com que se viu a braços. “O maior impacto que tive foi com a exposição pública, a qual não estava nada habituado. Pensei que por ser uma Junta de Freguesia seria uma coisa pequena, mas não!” ‘Senhor presidente pode-me ajudar?’ Paulo Ranito tem constatado que o presidente de uma Junta de Freguesia tem uma proximidade muito grande da população. “Qualquer evento que ocorra, a pessoa não vai à Câmara Municipal, mas vem ter connosco, mesmo que seja para os aspetos mais insignificantes e díspares!”

Quezílias com vizinhança. Limpeza de matas. “As pessoas pensam sempre que a Junta de Freguesia tem competência para resolver tudo, mas para além das competencias legais temos contrangimentos orcamentais”. A freguesia da Gandra requer “muita atenção”, alerta o Paulo Ranito. Gere a sua própria rede de abastecimento de água, com captação e tratamento. Conta com mais de quatro mil contadores instalados. “Temos mantido e melhorado as nossas estruturas e temos canalizado muita da nossa energia para esses recursos.” A existência de uma nova concessão para a exploração da água no concelho tem tornado num desafio a manutenção da rede nas mãos daquela autoridade local. Outra das bandeiras da equipa de Paulo Ranito é colmatar as necessidades da freguesia ao nível do saneamento, cuja estrutura e acesso estão, segundo o seu presidente, deficitárias. “Há saneamento que passa na nacional 15, mas abarca uma faixa muito estreita da freguesia. E nós queremos estendê-lo a toda ela.” Para isso, confessa “precisamos de negociar e trabalhar com a Câmara Municipal de Paredes, já tivemos mais do que uma reunião e estamos a caminhar nesse sentido”.

Ao nível educativo, a freguesia conta com estabelecimentos de ensino até ao Básico. Há três anos foi inaugurado o Centro Escolar. O que originou que todas as escolas primárias fossem encerradas e os alunos direcionados para o novo equipamento. “Tem condições excelentes, um pavilhão com aquecimento e uma cantina, salas de aula climatizadas, bem como transportes dos alunos ”, destaca o presidente da Junta. Em jeito de conclusão, porque o dia vai longo, Paulo Ranito, reserva algumas dicas para quem quiser meter os pés à estrada e conduzir até à Gandra. “Somos conhecidos pelos tradicionais grelhados, dos quais destaca a célebre Posta, um prato típico de carne, e o bacalhau na brasa” Depois há outras iguarias da panificação, como sendo a Broa de milho, caseira e produzida em forno de lenha. As Festas da Freguesia de Gandra decorrem durante seis dias a partir do primeiro fim de semana de agosto. Mas em cada um dos seus “lugares”, o Lugar da Granja, das Fontainhas e de Vilarinho há sempre uma festa religiosa que continua a realizar-se anualmente. Fica o convite.

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Luta pelo desenvolvimento e qualidade de vida Junta de freguesia de duas igrejas Desde 2007, à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Duas Igrejas, António Bessa Oliveira e a sua equipa têm norteado o seu trabalho através de políticas de proximidade que visam o desenvolvimento, a qualidade de vida e o bem-estar da população desta freguesia do concelho de Paredes. cento da população diariamente e que se encontra extremamente degradada, como nos confessou o presidente da Junta de Freguesia. “No decorrer deste mandato, queremos pavimentar outras vias que ainda se encontram em terra batida e construir uma casa mortuária”, referiu, lembrando que são obras bastante ansiadas pelos habitantes, mas que a Junta de Freguesia também entende de grande importância para o desenvolvimento da freguesia e para a melhoria da qualidade de vida da população. No que concerne ao embelezamento dos espaços, “apostámos na requalificação do adro da Igreja e da Avenida Padre Manuel Pinto Preda, no entanto pretendemos requalificar as restantes vias envolventes e criar espaços de aparcamento”, destacou. antónio bessa oliveira Presidente

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topónimo da Freguesia de Duas Igrejas parece não deixar espaço para grandes dúvidas acerca da sua origem. Conta-se que, de facto, existiram duas igrejas, uma vez que se construiu uma nova, por motivos de proximidade, sem demolir a outra. Situada no concelho de Paredes, Duas Igrejas tem uma área de cerca de quatro quilómetros quadrados e uma população superior a quatro mil habitantes, pese embora eleitores sejam pouco mais de três mil. A indústria e a agricultura são principais atividades económicas que predominam na freguesia. António Bessa Oliveira encontra-se a liderar a Junta de Freguesia de Duas Igrejas, desde 2007, altura em que por força das circunstâncias, teve que substituir o

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anterior presidente em exercício. “Quando vim para a Junta de Freguesia, foi algo inesperado, porque foi na sequência da morte do anterior autarca, ou seja, uma situação extraordinária”, referiu, acrescentando que quando tomou posse a sua principal preocupação centrou-se na ampliação do cemitério da freguesia, uma vez que não existiam campas disponíveis. “A minha prioridade foi resolver a situação referente ao cemitério, que se encontra resolvida desde 2013”, evidenciou o autarca. Atualmente, a maior preocupação do executivo de Duas Igrejas passa pela requalificação de algumas infraestruturas viárias da freguesia, nomeadamente, a AV. 13 de Maio, via por onde passa cerca de 70 por

Esfera social A freguesia de Duas Igrejas regista um equilíbrio entre população mais envelhecida e população mais jovem, por isso mesmo António Bessa Oliveira tem levado a cabo políticas sociais transversais, lembrando a construção de um centro escolar e da criação de um centro de convívio para os mais idosos, e OTL, para as crianças no período de férias escolares, em colaboração com a ADI - Associação de Solidariedade Social de Duas Igrejas. “Em colaboração com esta associação, já disponibilizávamos diversas atividades como karaté, ginástica, destinadas a todos, mas agora abrimos duas salas para um centro de convívio, para proporcionar atividades e convívio”, reiterou o autarca, sublinhando que este espaço tem colaboradores em regime de


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Loja Social (antiga Escola Primária do Souto)

Centro Escolar JI-EB1 Duas Igrejas

voluntariado e a frequência dos idosos tem um pequeno custo associado, no sentido de suportar as atividades desenvolvidas e o lanche providenciado diariamente. Quanto à Adi, António Bessa Oliveira disse ser uma

associação sem fins lucrativos que pretende dar resposta às necessidades sócio-económicas dos cidadãos da freguesia de Duas Igrejas e, neste momento, “estamos a trabalhar no sentido de virmos a prestar apoio domiciliário”, lembrou. Ainda a nível associativo, o presidente da junta, lembra a existência de mais duas associações, que estão a desenvolver atividades culturais e desportivas. São elas ‘A PorDuas’ e ‘Associação Cultural e Desportiva de Duas Igrejas’. Festividades e património As Festas do Divino Espírito Santo, que se realizam sete semanas após a Páscoa e as Festas da Nossa Senhora do Ó, a padroeira da freguesia que se realiza em julho, são as que apresentam maior expressão na freguesia. “O papel da Junta é colaborar com as comissões de festas, no que for preciso, como na disponibilização de espaços, logística e disponibilização de recursos humanos para limpeza”, lembrando que contam com o apoio da Câmara Municipal de Paredes. As duas festas atraem muitos visitantes de outras paragens,

principalmente pelos grupos de animação e pela procissão religiosa. O património da freguesia obriga a uma visita, nomeadamente a Igreja Matriz, a Capela do Espírito Santo, o Cruzeiro de Soutinho e a Casa Brasonada da Agrela. António Bessa Oliveira referiu ainda o Centro de Espiritualidade Betânia, uma estrutura que nasceu para dar apoio aos diversos grupos missionários dehonianos. A construção, rodeada de uma bela e extensa quinta, serve também para dinamizar algumas iniciativas orientadas para a juventude. Olhos postos no futuro Nos últimos anos, a face da freguesia de Duas Igrejas tem vindo a mudar, afirmando-se cada vez mais no contexto concelhio, sendo este um reflexo das políticas de proximidade adotadas pelo executivo. E para este mandato António Bessa Oliveira, presidente da Junta de Freguesia, reiterou à população que conte com todo o seu esforço e dedicação, em prol de uma maior valorização e qualidade de vida.

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Em prol das pessoas Junta de freguesia de louredo “Temos caracterizado a nossa ação nestes últimos 18 meses em prol das pessoas, é nesse sentido que temos canalizado o nosso trabalho e o nosso empenho”. Quem o diz é José Augusto Borges, presidente da Junta de Freguesia de Louredo, no concelho de Paredes. Através da implementação de várias medidas de apoio à população, a Junta de Freguesia tem proporcionado melhores condições de vida aos seus fregueses nas mais diversas áreas, como é exemplo a saúde.

josé augusto borges Presidente

C

om um património invejável em relação ao restante concelho, a freguesia de Louredo conta, em cada edifício, em cada monumento e até em casa fachada, um pedaço de história. E são esses pedaços que José Augusto Borges, juntamente com o restante Executivo, têm feito questão de preservar. “A nossa conduta à frente dos destinos da freguesia tem como propósito manter os nossos traços originais, a nossa ruralidade, e pensar bens nos projetos que queremos levar a efeito em termos de reestruturação da freguesia e do seu património”, refere o edil. Para tal, a Junta de Freguesia tem feito nos últimos 18 anos um trabalho intensivo e de excelência no que concerne ao restauro e conservação do património

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arquitetónico e histórico de Louredo. “O que temos é muito vasto e muito rico, pelo que temos desenvolvido

mas também a toda a população de Louredo, a Junta de Freguesia tem estabelecido alguns protocolos com

vários projetos nesse âmbito”, esclarece José Augusto Borges. Desta feita, foi recuperada a igreja matriz, “um edifício do século XVII que estava em completa decadência, onde foram investidos cerca de um milhão e 200 mil euros. A igreja foi restaurada no exterior mas também no interior, onde os altares são todos em talha de ouro”. Outros dois marcos da freguesia encabeçaram também este restauro, nomeadamente o Pelourinho e a Forca. “Criamos uma zona verde envolvente, que se tornou um espaço e lazer muito aprazível e trouxe outra beleza à freguesia”, diz-nos o presidente. “Todas as intervenções que temos vindo a fazer ao longo dos tempos têm, precisamente, como base a nossa história, o nosso passado e tentamos preservar esse nosso património”.

entidades na área da saúde, para uma ajuda extra às famílias mais carenciadas. “No âmbito da saúde oral, temos um protocolo com a CESPU. Nos últimos tres meses realizamos 216 consultas dentárias que estão a ser financiadas pela Junta de Freguesia. Pretendemos eliminar os problemas de saúde oral em Louredo no espaço de dois anos”. Já na área dos olhos, José Augusto Borges e o seu Executivo já ofereceram com o apoio da Câmara Municipal de Paredes, perto de 30 pares de óculos a pessoas carenciadas e várias contas de medicação para que aqueles com menos posses possam garantir o direito á saúde e assim, adquirir os seus medicamentos. “Temos caracterizado estes 18 meses nas pessoas e na ação social,com apoio alimentar e oferta de cadeiras de rodas a diminuídos fisicamente, este tem sido o nosso grande empenho”. Questionado sobre o futuro, José Augusto Borges diz que este passa pela dinamização do que a freguesia tem para oferecer atualmente, “sem pensar em grandes obras. Sinto que quando chegamos há 18 anos, não tínhamos nada e hoje temos o essencial à freguesia e é desta forma que devemos pautar o nosso trabalho”, crescer e desenvolvermo-nos com qualidade, naturalidade e tranquilidade, finaliza.

Com foco nas pessoas Seguindo o que tem acontecido no concelho de Paredes, que é atualmente um dos concelhos mais jovens do distrito do Porto, a freguesia de Louredo tem recebido muitos jovens e casais em início de vida que escolhem Louredo para construir a sua família. “Foram construídos aqui dois pólos de bastante qualidade, o que tem chamado novas pessoas para cá”, diz José Augusto Borges. Com o objetivo de proporcionar a estes novos casais


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Se é para ir ao supermercado, não é para comprar problemas! supermercados europoupança Proximidade e carinho aos clientes fazem o sucesso dos supermercados Euro Poupança.

para o cliente ter sempre perto de si alguém que lhe dê uma informação caso precise.” Quem percorre os corredores do Euro Poupança não encontra o caos “que existe um pouco por todo o lado”, sublinha João Ferreira. “Quando era comercial, via muitos defeitos nas lojas que visitava. Clientes a serem mal tratados. Sempre pensei que isso não poderia

joão ferreira Administrador

A

s prateleiras nunca ficam vazias. O chão da loja cheira a limpeza. Os funcionários atendem os clientes no que eles precisam. Respondem às dúvidas sobre os produtos, com simpatia e clareza. “Fazemos a diferença pelo atendimento personalizado e de proximidade”, explica João Ferreira, 36 anos, dono dos supermercados Euro Poupança. Tudo começou há nove anos quando era um fornecedor daquele supermercado. Na altura, o negócio sofria alguns reveses e entre perder dinheiro e assumir a gestão da loja, João Ferreira decidiu arriscar e ficar com o estabelecimento. Hoje com três lojas situadas nas freguesias de Lordelo, Baltar e Sobrado os desafios que se colocam são muitos. Desde logo face à concorrência. O segmento encontra oponentes de peso. Grandes marcas de supermercados. Vencê-los, implica vender com diferenciação. Sob o lema “A Força de Vencer”, transformada em imagem de marca, o administrador enfrenta uma grande

batalha ao nível dos recursos humanos. “Lidar com pessoas é um dos maiores desafios de quem trabalha nesta área.” Com “nome bem implantado” e o negócio “bem enraizado”, João Ferreira revela o segredo do sucesso: “Temos uma forma de estar no mercado diferente da concorrência”. Ocupado, sempre ocupado, João Ferreira interrompe a entrevista para atender um fornecedor e dar ordens a um dos funcionários. Voltando ao assunto, conseguimos saber em que consiste essa tal diferenciação: “Na disposição de produtos, no preço, mas essencialmente no tratamento com o cliente.” É com “muita proximidade” que lidam com quem diariamente faz compras na loja, adianta João Ferreira. Ao contrário do que acontece noutras grandes superfícies conhecidas por “poupar nos funcionários” e “deixar os clientes na fila de espera”, nas três lojas Euro Poupança não falta gente a trabalhar. Ao todo são 28 empregados. “Até me dizem que é um exagero ter tantos funcionários e eu digo que devíamos ter mais

acontecer.” A verdade é que muitos donos e gerentes de superfícies comerciais esquecem-se de algo que o administrador faz questão de ter sempre presente: “São os clientes que nos dão a vida a ganhar. Quanto mais carinho e atenção lhes dermos e eles se sentirem próximos de nós, mais optam pela nossa loja.” A experiência diz-lhe que “cada vez mais os clientes precisam de ser atendidos por pessoas que os conheçam e onde não sejam simplesmente mais alguém.” E não custa dizer: “Bom dia!” Ou simplesmente perguntar: “Precisa de alguma coisa?” Entrar na loja e saber que o funcionário pode aconselhar a uma compra esclarecida é uma das vantagens de um supermercado local. Com esta forma de estar “ganhamos todos os dias novos clientes”, assegura. Nos primeiros oito anos em que João Ferreira assumiu a gerência, a loja registou um surpreendente crescimento. “Fruto desse trabalho do dia-a-dia na procura da satisfação do cliente”, diz. Na loja não há problemas no que diz respeito a trocas. O cliente pode reclamar com qualquer produto, mas sai da superfície comercial sempre bem atendido. “Há esse tato de não dificultar a vida às pessoas”, diz João Ferreira e desabafa: “Hoje em dia a nossa vida já é uma dificuldade. Imagine que vai ao supermercado e ainda vai comprar problemas? Não quero isso para os meus clientes!”

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arquitetura nacional

REVISTA BUSINESS PORTUGAL

N

esta edição de Agosto damos especial destaque a um tema que desempenha um papel crucial no panorama nacional: a Arquitetura. Desde a construção nova a particulares, à construção de unidades públicas, à reabilitação e recuperação de edifícios, a arquitetura faz de qualquer meio um organismo vivo e dinâmico que, para além da sua vertente artística, envolve várias dimensões e áreas de conhecimento. Assim sendo, no universo arquitetónico existe uma importante componente técnica, uma dimensão construtiva - através de materiais e técnicas de construção moldadas às exigências de uso e conforto dos espaços - uma dimensão humana, que vai de encontro às expectativas dos seus utilizadores, e uma dimensão local, uma vez que um mesmo objeto terá de se adaptar ao local onde se insere. Neste contexto, cabe ao talento do arquiteto projetar uma obra esteticamente harmoniosa atendendo a todas estas valências, refletindo na sua “obra de arte” os princípios de construção, beleza e função. Importa ainda referir que a arquitetura encontra-se em permanente evolução, estando intrinsecamente aliada a ferramentas tecnológicas avançadas que permitem conceber e organizar projetos de espaços públicos e privados de uma forma muito mais eficaz que outrora. E para melhor contextualizarmos os nossos leitores, nas próximas páginas expomos a visão de diferentes arquitetos portugueses que nos dão a conhecer não só o seu método de trabalho, como os projetos nacionais/ internacionais que executam nos seus gabinetes e, de igual forma, a sua perspetiva sobre a essência e importância da arquitetura para a sociedade.


REVISTA BUSINESS PORTUGAL ARQUITETURA NACIONAL

Criatividade e inovação em sintonia área branca As memórias são reflexos dos espaços. Recuamos no tempo e logo as tornamos indissociáveis de onde tudo aconteceu: a cozinha da avó, a sala onde os nossos filhos deram os primeiros passos, o escritório onde trabalhamos, o restaurante especial que tanto apreciamos. São esses espaços onde nos sentimos bem que fazem toda a diferença.

Juliana Cardoso soares e Tânia camboa cabral Administradoras

É

partindo desse princípio que surgiu a Areabranca, uma marca da empresa White Area, que procura aliar a arquitetura e o design de interiores às melhores memórias dos seus

clientes. Esta empresa, sediada em Rio Meão, Santa Maria da Feira, surge do sonho de duas jovens empreendedoras, de criar uma empresa diferente do existente até então. Para isso decidiram deixar os seus empregos fixos na área da arquitetura e design de interiores e colocaram mãos à obra. O risco era grande mas a vontade de vencer era maior. Começaram sozinhas, sem recorrer a qualquer apoio da Banca, num espaço pequeno com apenas duas secretárias e em que foram as próprias a aplicar o chão e a pintar as paredes. Passado um ano e meio, reconhecem com um sorriso e um brilhozinho nos

olhos que não poderiam ter tomado melhor decisão. A Areabranca, apesar de ser uma empresa jovem, é já um sucesso tendo como mais valia as várias vertentes que tem ao dispor do seu cliente. O segredo? Trabalho, muito trabalho, rigor e dedicação. É daí que vem a qualidade reconhecida pelos seus clientes. “Estagiamos juntas durante ano e meio, depois mantivemos o contato mas cada uma foi trabalhar para um sítio diferente. Começamos a ter algum trabalho extra e quisemos ter um negócio em comum. O nosso objetivo era ter um espaço em que pudéssemos receber fornecedores e clientes, um espaço independente, nosso”, começa por explicar Tânia Camboa Cabral. O espaço que outrora servia para desenvolverem os seus projetos começa a ser pequeno para o volume de trabalho que possuem e mudar de instalações começa a ser um objetivo a cumprir. Um objetivo de futuro, que acreditam, facilmente será riscado à lista de muitos outros que escreveram há um ano e meio quando iniciaram a Areabranca. Nem tudo foi fácil, todas as empresas têm os seus altos e baixos, mas a procura por novas oportunidades e desafios é constante por parte desta dupla de arquitetas. “No ínicio do ano vimos o setor muito parado e começamos então a dedicarmo-nos a pensar em outras alternativas porque não estávamos a receber feedback como no final do ano anterior. O importante é não estarmos paradas, procurar novas alternativas, ir ao encontro dos clientes”, conta por sua vez, Juliana Cardoso Soares. Para além de todos os serviços ligados à arquitetura,

como projetos de execução, licenciamentos, projetos desde o esquiço até ao final da obra, passando por perceber o que o cliente pretende, a Areabranca oferece serviços ligados á decoração/design de interiores, construção de maquetes, visualização arquitetónica 3D, Web design e design gráfico. Fazendo uso de tecnologias de ponta, como os Oculus Rift, proporcionando aos seus clientes uma experiência única de imersão 3D, onde podem circular pelo projeto da sua casa como se estivessem realmente lá. “Temos padrões de qualidade muito elevados e preferimos não fazer um trabalho a fazê-lo sem qualidade e recusamo-nos a dar ao cliente aquilo que não gostávamos de ter para nós e isso é fundamental. Primamos sempre pelo gosto do cliente porque é ele que vai viver o espaço”, destaca Juliana Cardoso Soares. Evidenciar materiais de marcas portuguesas é também um dos princípios desta equipa que quer crescer de forma consolidada e passo a passo apesar de não lhes faltar sonhos e vontade de criar projetos novos e inovadores. “Tivemos já desafios e clientes interessantes. Entre eles, a RTP, para quem tivemos o prazer de colaborar. Outro desafio aliciante foi avaliar as unidades de saúde familiar entre Douro e Vouga de forma a otimizar os espaços a nível físico e sensorial, bem como a informação que chega aos utentes. O objetivo tinha como pressuposto melhorar a qualidade de vida dos utentes e profissionais de saúde que utilizam os centros de saúde. Estamos a contribuir para a felicidade das pessoas e isso é ótimo”, conclui Tânia Camboa Cabral.

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ARTE E A CULTURA ALIADAS À ARQUITETURA gabinete hélder ferreira “A arquitetura é cultura, não precisa de ser arquiteto para ter bom gosto!” refere Arquiteto Hélder António Ferreira, gestor do gabinete com o seu nome. Licenciado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1981, trabalhou em profissão liberal vários anos e abre o seu gabinete em 1990. Quando começou a ter trabalho a nível nacional? Foi o facto de ter vários trabalhos que me impulsionou a ter aberto o gabinete. Comecei com projetos nacionais nas áreas da habitação, equipamento e indústria; entretanto na área do turismo. O trabalho variava conforme as necessidades e a evolução do mercado. Para sobreviver temos de ser proativos, criar mercado e incentivar as pessoas a investir em obras que valem a pena de modo a todos lucrarem.

Hélder antónio ferreira Gestor

Hoje já tem uma equipa que trabalha consigo. Como a carateriza? É uma equipa dedicada e muito empenhada. Estamos ligados a vários gabinetes de engenharia que nos apoio e com os quais temos parcerias.

O seu percurso profissional começou quando ainda estudava. Fale-nos sobre dele. Comecei a trabalhar num atelier quando frequentava o 3º ano de Belas Artes, ainda estudante trabalhei no LNEC, por concurso, cumpri o serviço militar obrigatório como arquiteto e estava a dar aulas na cidade universitária quando fui convidado a participar num concurso internacional para equipamento, que fiquei em 1º lugar e trabalho com essa ONG até hoje.

Houve algum projeto que o marcou? Eu tento manter distanciamento de todos os projectos mas sempre com muito empenho e dedicação a todos os trabalhos. Temos obras de caráter social lares de juventude e seniores, habitação social, de luxo, escolas e várias igrejas com dimensão e alguma complexidade, edifícios industriais. Temos trabalhos em Lisboa, Cascais, Portimão, Setúbal, Porto, Funchal, Machico, Alentejo e fora de Portugal em Angola, Guiné-Bissau, Alemanha.

E quando deu o salto e abriu o seu espaço? O meu arranque foi através de uma organização internacional, consequência de ter ganho o concurso que referi, tendo como consequência realizado vários trabalhos em Portugal, nas ilhas da Madeira e Açores. Houve várias sociedades pontuais com colegas mas sempre com gabinete próprio e desde 1990 em firma organizada.

Acredita que o trabalho dos arquitetos portugueses é reconhecido a nível internacional? Eu acredito que sim, há muitos arquitectos portugueses com trabalhos fora do país. O ensino da arquitetura em Portugal foi e continua a ser bom, com muita qualidade, fornece uma boa informação como ponto de partida, mas como em todas as profissões há bons e maus profissionais. Temos excelentes exemplos do

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que referi, há muitos anos. Tendo estado em contacto com novos países, na sequência da descolonização portuguesa, encontramos exemplos de arquitectura que sobreviveram a guerras e estão lá, cumprindo a função inicial ou adaptada a outras realidades, é esse o objectivo da arquitectura – servir, ser útil. Sente um fosso cultural muito elevado quando faz um projeto para Portugal ou para outro país? Existem sempre diferenças, cultura, clima, mentalidades, etc.. Quando iniciei projetos para Angola, fiz questão de visitar o país pela primeira vez em 2010, para poder absorver o máximo de informação arquitetónica e cultural dos angolanos, conhecer. Creio que é essencial compreender a arquitetura a todos os níveis: desde o melhor e mais famoso edifício do país à casa do comum cidadão, porque ambos têm sabedoria e detalhes que vão ser úteis quando estamos a lançar os primeiros esquiços do projeto. Posto isto, acredita que o estudo do local é importante? Sem dúvida. Eu costumo dizer que a roda já foi inventada há muito tempo, é preciso vê-la de outra perspetiva. Eu tento ‘beber’ informação às construções comuns, aos musseques, nas intervenções mais simples porque o instinto de sobrevivência das pessoas leva-as a utilizar os recursos naturais de uma forma como muito saber e que, se não sairmos dos gabinetes para as irmos ver, nunca saberíamos que elas existem e que são utilizadas daquela forma; é importante falar com as pessoas, compreender as suas necessidades e fundamental ter em consideração as caraterísticas do local.


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Viajar para conhecer novas culturas é importante para a profissão de arquiteto? Sim, é fundamental para valorizar o conhecimento e criar uma maior capacidade de entendimento dos desafios que se nos deparam em cada novo projeto. A crise que afetou a construção civil levou-o a implementar outro tipo de posicionamento no mercado nacional? Acho que nos esquecemos da nossa verdadeira escala de país e cometeram-se loucuras em termos de ocupação do território, por pura ignorância e estamos a sofrer as consequências. Houve e continua a haver falta de planeamento, com visão global e distanciamento suficiente para podermos analisar com objetividade o que pretendemos. Deparamo-nos com uma pesada e complicada teia burocrática no âmbito da legislação que nos dificulta muito nos investimentos estrangeiros e que ainda não conseguimos ultrapassar. Não podemos ir pelo facilitismo, temos que avançar em conjunto com rigor, com objetividade em resolver os problemas do país. Há pela frente muito trabalho de reinventar, de nos superarmos, de encarar a nova realidade de profunda crise estrutural, há novos e complicados desafios.

Qual é a sua visão sobre o setor da arquitetura em Portugal? Houve uma grande evolução cultural e de mentalidade. Hoje as pessoas maioritariamente já a encaram como necessária, o que é bom para todos os profissionais, criando oportunidade de intervenção. Há futuro, mas o caminho não vai ser fácil. O que é, para si, uma boa arquitetura? É a intervenção que responde aos quesitos pré-definidos, desempenhando a função ao qual está destinada. Não me atrevo a criticar, gosto ou não gosto e digiro em silêncio. Não há regras para o gostar. Por onde passa o futuro deste gabinete? Trabalhar, trabalhar com empenho e humildade, mas sempre com atitude. Luta diária contra a burocracia em Portugal para conseguirmos a aprovação dos projetos em curso, investimentos estrangeiro e continuação de projetos em África com trabalho de fiscalização das obras de nossa autoria. Várias parcerias com outros colegas em diversos países. Não vamos ter um caminho de “autoestrada”, muita luta, muita perseverança.

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EDIFÍCIOS QUE SE GUARDAM NA MEMÓRIA aripa A arquitetura define-se entre muitos outros parâmetros pela sua simplicidade e o gabinete ARIPA Arquitectos, sediado na rua Julieta Ferrão em Lisboa, adota essa mesma premissa nas várias obras que abraça, sendo hoje uma referência nacional especialmente em projetos hospitalares que independentemente da sua dimensão procura tornar simples.

sara pelicano e ilídio pelicano Administradores

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omo último responsável pelo gabinete, o

que na sua ótica é dos projetos mais difíceis em termos

arquiteto, Ilídio Pelicano, é apoiado pela sua filha também arquiteta, Sara Pelicano. Ilídio Pelicano começa por contar a história do gabinete de uma forma peculiar: “A vida não é aquilo que nós programamos, mas aquilo que vai acontecendo ao lado do que programámos”, esclarecendo que quando decidiu ser arquiteto não imaginava o percurso e dificuldades que teria de enfrentar. A primeira alavanca deste gabinete aconteceu em 1978 quando os arquitetos decidiram concorrer a um projeto de arquitetura para um Centro de Saúde em Terras de Bouro que acabaram por ganhar tendo a felicidade de acompanhar a obra e vê-la entrar em funcionamento. A partir daí, orientaram o gabinete para este tipo de projetos no âmbito da saúde, sendo que o início da ARIPA teve por base uma estratégia: apostar naquele

arquitetónicos - o projeto hospitalar -, que, segundo Ilídio Pelicano, era um daqueles que a maior parte dos arquitetos colocava de lado, dada a sua complexidade “nós optámos porque para além de serem projetos muito desafiantes e complexos, estão relacionados com o ser humano e com a criação de melhores condições de saúde para as pessoas e isso para nós é muito importante”, informa-nos o nosso interlocutor. Assim, em 1979 o gabinete forma-se por um lado, mediante uma perspetiva comercial e por outro, procurando uma estrutura mais coordenada dentro do setor da prestação de serviços de projeto. Seguindo este nicho de atividade, o arquiteto revela que em 1987/89 a ARIPA ganhou, em simultâneo, dois hospitais no âmbito de projetos de conceção/ construção: o Hospital Divino Espírito Santo em

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Ponta Delgada, Açores, e o Hospital de Leiria (fase de concurso), cada com cerca de 50/60 mil metros quadrados de área bruta total. O gabinete ARIPA posicionou-se assim no mercado e a carteira de projetos aumentou de forma significativa. Prova disso foram os concursos de conceção/ construção de que saiu vencedor para os hospitais de Santa Maria da Feira, Penafiel e Tomar, em regime de conceção/construção e, ainda, o hospital Dr. João de Almada no Funchal, entre muitos outros de norte a sul de Portugal. “A partir de 1998, evoluiu-se para os projetos exclusivamente de conceção (com ou sem pré-qualificação) sob anonimato, através de concursos internacionais de conceção, tendo saído vencedor do IPO de Lisboa à Praça de Espanha”, realça o arquiteto. Para além destes, seguiram-se outros concursos de projeto de âmbito concetual, nomeadamente: o Hospital da Guarda, da Póvoa de Varzim, Vila do Conde e das Caldas da Rainha, estes dois últimos entretanto suspensos por decisão governamental. Mais recentemente, no âmbito das Parcerias PúblicoPrivadas, a ARIPA venceu os concursos para os hospitais de Cascais (incluindo prestação de cuidados clínicos) e hospital da Ilha Terceira, recentemente inaugurado. Mantêm-se suspensos face à crise económica os hospitais Central da Madeira, de Proximidade de Barcelos, de Proximidade do Seixal, e remodelação


REVISTA BUSINESS PORTUGAL ARQUITETURA NACIONAL ampliação de Castelo Branco, tendo entrado em funcionamento mais recentemente, o hospital de Proximidade de Lamego, todos estes em regime de concursos internacionais de conceção. Encontram-se em desenvolvimento as ampliações e remodelações do hospital de São-João do Porto e IPO de Coimbra. Importa ainda referir que partir de 1983, a ARIPA estende a sua atividade ao mercado externo, sendo classificada pelo Banco Mundial (N.Y. - U.S.A.), para estudos para países em vias de desenvolvimento, pelo Governo da República Federal da Alemanha e pelas Nações Unidas - (1986) e, incluída na Base de Dados HABIRES – CNUA. Arquitetura como perspetiva de vida De acordo com Ilídio Pelicano, os arquitetos são apenas uma componente de uma grande equipa, em que o processo tem de ser gerido e compatibilizado entre si de forma a despistar erros. Neste sentido, o nosso interlocutor defende que os projetos têm de ser cada vez mais aferidos e rigorosos. Como anteriormente afirmado e devido à crise, assiste-se em Portugal à suspensão de um vasto conjunto de projetos, o que muito afeta a arquitetura e os arquitetos. Respondendo sobre o que poderia ser melhorado nesta área, Ilídio Pelicano realça que seria importante “o

reconhecimento por parte das entidades governamentais de que a profissão de arquiteto é fundamental para o bem-estar deste país, não havendo população saudável sem equipamentos saudáveis, preventivos e curativos” e sublinha, “bem projetados por quem esteja habilitado para os realizar”. Atualmente, o gabinete ARIPA continua a registar um peso significativo na área hospitalar, não só no âmbito nacional, mas também internacional, nomeadamente em projetos de centros de saúde e hospitais na Argélia, Moçambique (hospitais de Massinga e Xai-Xai) e Angola. Mas para além dos projetos hospitalares, este gabinete também se encarrega de projetos de outro tipo de equipamentos coletivos e ainda recuperações em escolas e universidades, requalificação de habitações sociais, espaços urbanos, planeamento, entre outros serviços. Presentemente, a ARIPA conta com uma equipa de 15 arquitetos, duas secretárias que servem de apoio ao gabinete, e quatro estagiários. E o que faz com que um projeto seja bem-sucedido e possua qualidade? O arquiteto não hesita em responder e explica minuciosamente: “temos de realizar um projeto cujos custos de manutenção, funcionamento, de economia energética, de espacialidade, de vibração interior dos espaços, de conforto e bem-estar – funcione e custe o mínimo possível a quem o vai explorar e ainda que acolha bem quem da obra se aproxima e dela

guarde boa memória quando da mesma se afaste”. E apesar de todos os obstáculos que a arquitetura portuguesa enfrenta atualmente, Ilídio Pelicano afirma que existe uma vontade férrea de continuar em Portugal, acrescentando que é neste país e não noutro, que pretende colocar todo o seu conhecimento e esforço. Numa linha geral, Ilídio Pelicano e Sara Pelicano enfatizam o facto de que a arquitetura não existe pela beleza nem pela grande dimensão em si mesma, mas pela capacidade que cada um de nós tem de apreender o edifício e os volumes na sua globalidade quando os edifícios são colocados à nossa disposição ou seja, quando os utilizamos. Edifícios sem humanos e sem uso, são peças ocas e vazias de significado. Para o futuro, o arquiteto ambiciona que a ARIPA continue viva por muitos e bons anos, “capaz de ultrapassar todos os momentos menos bons e que cada elemento que a integra tenha contribuído para construir um ‘barco’ capaz de se aguentar num mar revolto”, conclui o arquiteto. Como planos para os próximos tempos, Ilídio Pelicano diz que gostaria de continuar a participar em parcerias com empresas portuguesas e estrangeiras, estabelecendo pontes de trabalho fora de Portugal e participar na recuperação/reabilitação do património construído no domínio da saúde em Portugal porque nos tempos atuais obra nova no domínio da saúde é utopia.

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REABILITAÇÃO: UMA FORMA DE CONCRETIZAR SONHOS arqama Quando falamos da ARQAMA falamos de um atelier relativamente recente, criado em 2012, que trabalha na sua essência obras de reabilitação/recuperação, tanto a nível geral como interiores e exteriores. Vocacionada para a arquitetura, remodelação de interiores, decoração e design, esta empresa sediada em Belas conta atualmente com uma carteira de obras de cariz particular localizadas na área da grande Lisboa e arredores.

ana mafalda almeida e solange sousa Arquitetas

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RQAMA reflete na sua designação não só o nome da arquiteta fundadora, Ana Mafalda Almeida, mas também a sua vasta bagagem de experiência, tendo colaborado entre 2004 e 2012 com vários arquitetos e gabinetes de arquitetura, onde desempenhou o cargo de coordenadora de arquitetura. Hoje assume a função de gerente e arquiteta coordenadora da ARQAMA, onde desenvolve vários projetos em diferentes áreas da arquitetura e design. Não afastando a hipótese do universo da construção nova, as arquitetas Ana Mafalda Almeida e Solange Sousa revelaram à Revista Business Portugal, que mediante o cenário económico atual a empresa temse concentrado intensamente naquela que consideram ser uma área com futuro na arquitetura: recuperação/

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reabilitação de imoveis e arquitetura de interiores. Neste sentido, a grande missão desta empresa é a arquitetura no seu todo e o acompanhamento personalizado ao cliente, sobretudo, o serviço integrado e chave na mão. De acordo com Ana Mafalda Almeida “interessa-nos a reabilitação urbana, a recuperação de imóveis e a remodelação de interiores porque existem

design Interiores e de mobiliário que conferem uma mais-valia ao cliente. Uma das áreas que Ana Mafalda Almeida identifica como vital é o design de mobiliário, muito solicitado também pelo mercado externo, que permite personalizar a casa e criar um ambiente com um estilo peculiar e personalizado, “o espaço reflete sempre a alma de quem o habita e como tal terá que

tantos imóveis espalhados pelas nossas cidades, conscientemente são áreas cujo mercado tem um potencial enorme e que ao intervirmos melhoram o património e o edificado” acrescentando que cada vez mais as pessoas já se preocupam com o espaço «casa». Atualmente, a ARQAMA tem em mãos duas obras de especial destaque: uma moradia em Linda-a-Velha, que conta com uma área bastante considerável e que segundo as arquitetas é “a obra do ano” porque tem sido um desafio constante, com um nível de exigência bastante elevado, uma vez que será totalmente recuperada e remodelada. E uma penthouse em Belas, que é igualmente uma obra que exige redobrada dedicação. Sobre os principais desafios inerentes à reabilitação urbana, as nossas interlocutoras explicam que depende muito do tipo de intervenção na obra. No entanto, como trabalham obras que já têm a sua raiz salientam que muitas vezes ficam um pouco limitadas aos espaços e às estruturas, sendo desafiante arranjar soluções que permitam concretizar as vontades dos clientes. Mas, para as jovens arquitetas, o essencial é fazer com que a intervenção arquitetónica proporcione o maior conforto possível e no final possa refletir a «casa de sonho» do cliente. A par da arquitetura a ARQAMA abraça também a área do design dispondo de ferramentas como

corresponder às suas necessidades”. Relativamente às características diferenciadoras deste gabinete, Solange Sousa realça que o trabalho da reabilitação é complicado mas é sempre feito com gosto, dedicação e muito esforço e isso tem-se refletido nas várias obras que possuem “além disso andamos sempre em cima dos acontecimentos, acompanhamos a obra do início ao fim, estamos sempre em contacto com os nossos clientes e é essa proximidade e esse apoio que nos diferencia, sendo essencial para o sucesso do nosso trabalho” esclarece. Para o futuro, as arquitetas afirmam que ainda há muita obra para fazer em Lisboa e Ana Mafalda Almeida adianta que felizmente as mentalidades das pessoas já estão a mudar em relação à importância que tem área da reabilitação/recuperação e principalmente na remodelação de interiores, “são obras cujo acompanhamento profissional de um técnico especializado faz toda a diferença, ficam esteticamente e funcionalmente de acordo com as exigências do cliente e monetariamente mais económicas no sentido que estabelecem um fio condutor para o resultado final, por norma o projeto de arquitetura estendese, posteriormente e na maioria das vezes, à fase de decoração e design de mobiliário” afirmando que tem boas expectativas quanto ao futuro da ARQAMA.


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O PRAZER DE FAZER ARQUITETURA CCG arquitectos Desvendando um pouco sobre a história deste gabinete de arquitetura, o arquiteto fundador revela que começou a trabalhar em 1978. Mais tarde e depois de passar por vários gabinetes de arquitetura, entendeu que estava em condições de dar início a uma aventura com a arquitetura em exclusivo, arrancando em Lisboa com o CCG Arquitectos em 1994, sendo este “fruto de um projeto de vida” conforme indica.

Cândido gomes Arquiteto

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ândido Gomes explica que inicialmente foi vital avaliar as suas capacidades, refletir sobre as suas experiências pretéritas e conhecer-se a si próprio. À medida que identificou referências, foi igualmente adotando o que as viagens lhe revelavam, acabando por

descobrir aquilo que nele lhe despertava maior interesse e sensibilidade. A partir daí avançou com projetos de forma determinante e concisa. Algumas das suas obras conhecidas são o Castelo, a Barbacã e a Igreja de São Francisco, todos na Cidade de Portalegre, o Complexo Cultural e Museológico da Levada em Tomar, a Escola Básica de Palmela, o Núcleo Sede do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, Escolas Secundárias de Viseu e Vila Viçosa, entre muitos outros. Para além das obras nacionais, o CCG Arquitectos também está presente além-fronteiras, tendo iniciado a sua atividade em Cabo Verde e na Argélia, em programas tão vastos como planos, habitação individual e multifamiliar, equipamentos educativos e desportivos, museus, turismo e cultura. Um dos prazeres revelado por este gabinete é a colaboração desenvolvida com artistas plásticos. Esta partilha de experiências, proporciona ao trabalho uma visão que acresce ao funcional, o desejo do belo e da singularização de cada intervenção. Desta feita, para Cândido Gomes a dimensão social da arquitetura é primordial. Mas a sua dimensão funcional não deverá subvalorizar os aspetos da beleza e durabilidade (tempo) que têm de ser devidamente acautelados. Sobre o seu modo de atuar no universo profissional, Cândido Gomes esclarece: “Tenho um profundo respeito por todas as pessoas e tento produzir num quadro de comportamento que, do ponto de vista ético

e profissional, proporcione o prazer de viver” contando que tudo isto é o desafio. Neste contexto, o arquiteto não poupa nas palavras quando questionamos sobre quais os caminhos que ditam os seus projetos “o desafio de desenhar um garfo, uma cadeira ou uma cidade é igual, as estruturas de pensamento são iguais” e mediante este prisma, elucida-nos que cada obra tem de valer por si e dar conforto, qualidade e prazer a quem a vai usufruir. Assim, o CCG Arquitectos possui um projeto pessoal que, cada obra corresponda a um autorretrato em matéria e em forma materializada. E quando falamos do mercado externo, a Argélia é desde logo destacada. A equipa do CCG Arquitectos já trabalha com obras argelinas há algum tempo e tem obtido sucesso. Prova disso são os concursos ganhos, nomeadamente, em 2012, sendo o 1º classificado com o concurso público Internacional para projeto de modernização das unidades hoteleiras da Empresa de Gestão Turística de Zeralda, Argélia; Também 1º classificado em 2006 no concurso para a “Elaboração de uma Piscina Olímpica” em Setif, ou o concurso público Internacional para a “Elaboração do Centro de Formação de Jovens Talentos” também em Setif. “Apesar de muitas vezes ser difícil, tem sido gratificante trabalhar na Argélia, tendo em conta a boa relação estabelecida com os nossos clientes e o reconhecimento dos mesmos quanto à nossa qualidade e empenho” conclui Cândido Gomes.

CÂNDIDO CHUVA GOMES ARQUITECTOS, LDA. R . D E “O S É C U LO ” 5 0 , 1 º D , 1 2 0 0 - 4 3 6 L I S B O A | P O RT U G A L TEL +351 213432545 | ATELIER@CCG-ARQUITECTOS.PT | WWW.CCG-ARQUITECTOS.PT

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concelho de castelo branco

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ara quem não conhece, Castelo Branco é a sede do terceiro maior município português, com 1 438,19 km² de área2 e 56 109 habitantes, estando subdividida em 19 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Fundão, a leste por Idanha-a-Nova e a sul por Espanha. É certo que Portugal dispõe de cidades com um património riquíssimo, em que a história, o turismo, a gastronomia e a cultura fazem delas lugares dignos de investir, viver e visitar. Deste modo, damos-lhe a conhecer nas entrevistas que se seguem a região de Castelo Branco, uma cidade com uma forte componente rural, sendo interessante não só do ponto de vista turístico como da própria valorização dos seus produtos endógenos que, por conseguinte, elevam a sua qualidade gastronómica. Mas as potencialidades desta região vão muito além da gastronomia. A vasta oferta turística, o crescente empreendorismo, os projetos inovadores, as oportunidades de emprego, o dinamismo das associações, as festividades e eventos tradicionais, são algumas mais-valias que contribuem para o bem-estar de quem vive e visita a cidade. E não é por acaso que em 2006 Castelo Branco foi considerada, mediante um estudo elaborado pela DECO, a 2ª capital de distrito do país com melhor qualidade de vida. Desta feita, convidamo-lo a ler e ficar a conhecer aquilo que pode encontrar na cidade e os projetos que os autarcas têm delineados para os próximos tempos.


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REVISTA BUSINESS PORTUGAL CONCELHO DE CASTELO BRANCO

COMBATE AO DESPOVOAMENTO Junta de Freguesia de Sarzedas A rede das proclamadas “Aldeias do Xisto” integra 27 aldeias de 16 concelhos que se situam no centro de Portugal, no território que se situa entre Castelo Branco e Coimbra. Sarzedas é a única Aldeia do Xisto que foi agraciada com um título nobiliárquico e, por conseguinte, a Revista Business Portugal foi descortinar a natureza da mesma.

património histórico muito rico, sendo que em 1212 teve os primeiros forais, dados por D.Sancho na altura do repovoamento. celeste rodrigues Presidente

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as quando falamos da freguesia de Sarzedas, não podíamos deixar de falar com Celeste Rodrigues, que mais do que Presidente da Junta de Freguesia é uma lutadora nata pelos ideais da Terra, que de forma dedicada e apaixonante, tenta diariamente elevar o nome da freguesia e fazer valer o seu potencial. Sarzedas é, deste modo, uma freguesia rural, com 1400 habitantes e composta por 43 localidades. É uma das maiores freguesias do concelho, com uma área de 17 mil hectares, o que faz com que tenha aldeias compostas por uma população mais envelhecida e outras com uma população mais jovem e ativa. É também uma vila com

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Urgência em atrair população Do ponto de vista populacional, Sarzedas está a sofrer com o acentuado despovoamento. Neste momento, a presidente afirma que a sua grande preocupação centra-se na desertificação, “e de momento o meu sonho é aumentar a população desta freguesia” desabafa. No entanto, Celeste Rodrigues afirma que a falta de apoio para esta problemática tem sido uma constante “as políticas do governo não estão direcionadas para o despovoamento das nossas aldeias, exemplo disso foi a imposição de portagens na A23 que ainda complicou mais o acesso a Sarzedas” enfatiza a presidente. Apesar disso, a nossa entrevistada revela que já se nota a volta de algumas pessoas à aldeia, não só das que já tinham raízes, mas também por parte de quem não tinha qualquer vínculo à Terra. De acordo com a presidente, motivos para viver na sua

vila não faltam. Nas palavras da nossa interlocutora, Sarzedas tem locais lindíssimos, ribeiras, trilhos e percursos pedestres homologados. Distingue-se pelos traços de cor demarcados a caminho da Fonte da Vila. Antiga vila e sede de concelho, o seu pelourinho, o largo, as igrejas e capelas, que se destacam numa malha urbana com casas históricas e gentes calorosas. E no alto de São Jacinto, junto à Igreja Matriz, o Campanário com a sua Torre Sineira. Potencialidades da freguesia Recentemente foi criado um Centro de BTT - dos mais modernos do país segundo a presidente - que será brevemente inaugurado e que inicialmente contará com quatro percursos de BTT “este centro é para nós muito importante porque atrai pessoas de fora para a freguesia, sendo que estas poderão usufruir não só do desporto em si mas também do contacto com as nossas paisagens” salienta. Atualmente Sarzedas conta com um total de 30 associações que trabalham para um objetivo comum:


REVISTA BUSINESS PORTUGAL CONCELHO DE CASTELO BRANCO potenciar a freguesia criando os seus mais diversos eventos e ações. Relativamente à gastronomia, esta aldeia de xisto também tem motivos de orgulho. Prova disso foi o prémio gastronómico recebido na Feira de Sabores e Tradições, em Castelo Branco, que venceu com os pratos de “carne de cabra” e “sopa da boda”. Para a presidente todas as festas tradicionais são importantes para trazer pessoas à freguesia. Uma delas, e a que menciona como a mais marcante, é a Feira Medieval, que se realiza em finais de maio e que atrai imensos visitantes “é uma feira bastante positiva porque nos ajuda a promover os nossos produtos locais, o artesanato e é ótimo para a nossa economia” sublinha. Das valências inerentes à freguesia, Celeste Rodrigues menciona um dos maiores empregadores: o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Sarzedas, que presta um serviço a tempo inteiro, prestando também assistência diurna e apoio ao domicílio.

todas as condições, mas sabemos que é necessário termos gente empreendedora que crie novos postos de trabalho. Temos em termos económicos, uma grande riqueza na Floresta e no Olival, que começam a ter uma exploração cada vez mais profissionalizada e competitiva e que esperamos tenham um grande impulso com o Programa Comunitário Portugal 2020. O nosso grande objetivo é que as pessoas percebam que Sarzedas tem potencial, tem respostas e tem futuro”, finaliza a presidente.

Esperança no futuro Uma das coisas que Celeste Rodrigues preza é a sua proximidade com as pessoas. De acordo com a nossa interlocutora, o futuro de Sarzedas passa pela luta ao despovoamento “queremos fomentar o crescimento, o desenvolvimento, uma vez que temos potencialidades naturais para que as pessoas possam vir para cá com

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL CONCELHO DE CASTELO BRANCO

OUVIR A POPULAÇÃO E RESPONDER ÀS SUAS NECESSIDADES Junta de Freguesia de Lardosa/vale da Torre Situada no extremo norte do concelho de Castelo Branco, com uma área de 44,47km2, a freguesia da Lardosa conta atualmente com 1000 habitantes e é vincada pela sua vasta história, tendo um foral que remonta ao ano de 1223. da Torre, Associação Social Recreativa e Cultural do Vale da Torre, Associação de Festas da Lardosa a Associação de Caça e Pesca e, por fim, o Núcleo de Intervenção Cultural (NIC). “A Junta dá todo o apoio que as associações precisam, porque estas desempenham um papel muito importante, sendo as maiores dinamizadoras da freguesia” realça o José Dâmaso. Feira do feijão frade - outubro No seu plano de festividades, Lardosa já contava com

josé dâmaso Presidente

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ara darmos a conhecer melhor a natureza desta freguesia, contamos com a entrevista do Presidente da Junta, José Dâmaso, que também nos elucidou sobre a função da Junta nas diversas atividades locais. Hoje em dia o empreendedorismo em Lardosa incide, essencialmente, na agricultura, no lar e na Scutvias e algumas oficinas e minimercados, restauração sendo estes os maiores empregadores da localidade. E porque todas as freguesias necessitam de grupos associativos para dar vivacidade às mesmas, Lardosa não foge à regra e atualmente embarga oito grupos: o Centro Popular de Cultura e Desporto de Lardosa, um Grupo de Bombos da Lardosa, o Rancho Folclórico “Os Loureiros” da Lardosa, um Grupo de Cantares do Vale

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as romarias de verão, a festa de Santo António e uma festa histórica em honra de São Sebastião realizada no dia 19 Janeiro designada de “Bodo”. “Mas chegamos à conclusão que estas festas não tinham a força que pretendíamos para potenciar a freguesia, então lançamos o desafio e criamos a Feira do Feijão Frade” explica o presidente, realçando que o feijão-frade sempre foi um produto típico de Lardosa e diferenciador pela alta qualidade nele inerente. De acordo com José Dâmaso, esta feira foi um sucesso logo no seu primeiro ano, isto porque que os agricultores locais puderam escoar o seu produto e encetar contactos importantes para futuras encomendas. Esta feira decorre no primeiro fim-de-semana de outubro e conta com cerca de 60 expositores e seis restaurantes. Para além do feijão e dos seus mais variados pratos e subprodutos, o presidente refere que outros produtos regionais podem ser apreciados e adquiridos na feira, como é o caso dos queijos, enchidos, mel, vinho, pão e bolos. Importante será ainda referir que um dos pratos ali confecionados, nomeadamente, “Feijão-frade Refogado com sardinhas em Molho de Escabeche” ficou em primeiro lugar no Concurso Perdidos e Achados da Feira

Sabores de Perdição em Castelo Branco. Aliado à Feira, há dois passeios incorporados na festa que é um passeio de bicicletas antigas e um passeio pedestre, de forma a proporcionar às pessoas uma interessante viagem pelos caminhos paisagísticos de Lardosa. Hoje, José Dâmaso desabafa que a Junta, ao criar este evento, nunca pensou que o mesmo tivesse tanta importância para a freguesia e significasse tanto para as gentes da Terra. Locais a visitar E quem vem à feira pode ficar para visitar alguns lugares emblemáticos da freguesia. O forno comunitário por exemplo, é um marco histórico e bastante apreciado. Por sua vez este forno encontra-se de frente para a Igreja Matriz de São Martinho, que tem cinco altares com uma talha dourada sendo, de igual forma, alvo de várias visitas. Outros pontos de atração são a capela de São Sebastião, as fontes romanas - fonte da Devesa e fonte Coberta “e temos o cuidado de fazer trilhos pedestres que passem por lá para as pessoas poderem apreciar a nossa riqueza cultural e natural” salienta José Dâmaso. Num futuro próximo, uma das obras que José Dâmaso ambiciona concretizar é a Casa Museu “já temos o espaço, e queremos expor peças antigas e tradicionais de Lardosa como teares, máquinas de costura, ferramentas de campo, objetos antigos do caminho de ferro. Agora só nos falta o despacho da Câmara” explica o presidente. Outra obra que José Dâmaso planeia concretizar é um espaço de lazer para crianças e adultos, com baloiços e máquinas de desporto.


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UMA FREGUESIA COM FUTURO EM ASCENSÃO União de freguesias Escalos de Cima e Lousa Constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, a União de freguesias de Escalos de Cima e Lousa, com um total de cerca de 1.700 habitantes, tem a sua sede em Escalos de Cima e conta hoje com um presidente dinâmico e experiente, José Lourenço, que pretende criar soluções elevando a qualidade de vida da população. afirma o presidente. No que concerne a festas e eventos, esta União de Freguesias está bem servida. Na freguesia de Escalos de Cima há a Feira de Santo Amaro, realizada a 15 de janeiro; Festa em honra de S. Pedro que se realiza no 2º domingo de maio; o São João no mês de junho e o S. Sebastião no mês de setembro. Já na Lousa, romaria de Santa Bárbara que se realiza

José lourenço Presidente

D

esde a sua entrada, o presidente identifica algumas obras públicas realizadas pela Junta de Freguesia que marcaram a diferença. Uma delas foi a remodelação de ruas degradadas, requalificando a parte antiga da freguesia, outra foi reforço da iluminação nos espaços públicos, bem como, a manutenção de parques. Do ponto de vista cultural, o presidente faz questão de distinguir as Danças da Lousa, recentemente reconhecidas como Património Cultural Imaterial, uma vez que estas são o reflexo da identidade da comunidade de Lousa. Trata-se de um conjunto de danças cerimoniais (dança das virgens, dança dos homens e dança das tesouras) realizadas em honra de Nossa Senhora dos Altos Céus, padroeira da freguesia, que se realiza no terceiro fimde-semana de Maio e cuja origem está associada à Lenda da Praga de Gafanhotos que assolou a região no século XVII. Para além destas danças, José Lourenço realça na área

artesanal, o conhecido bordado de Castelo Branco, trabalhos de cortiça e barro. Área social Perante uma população maioritariamente idosa, José Lourenço indica que a junta está sempre focada em dar respostas sociais destinadas à terceira idade. Neste sentido e em parceria com os Centros de Dia existentes na freguesia, um dos projetos que o presidente visa implementar é um Centro de Noite em cada aldeia que sirva de complemento aos Centros de Dia existentes. “Porque há pessoas que não têm os familiares por perto e precisam de cuidados permanentes e é por isso que estamos a tentar, juntamente com a Câmara Municipal, avançar com este projeto o quanto antes” revela o presidente. Neste contexto, o nosso interlocutor salienta que a colaboração da Câmara Municipal “é essencial para dar respostas às várias necessidades e aos projetos que nos foram apresentados os quais Junta de Freguesia apoia”

na segunda-feira a seguir á Páscoa; a Festa em honra da Nossa Senhora dos Altos Céus, que se realiza no terceiro fim de semana de maio onde se podem apreciar as Danças Tradicionais; a festa de Santo António no mês de Junho e a festa de S. Sebastião no mês de agosto. Para além das festividades tradicionais da união de freguesias, o presidente enumera a longa e importante rede associativa da região: Squalius, que gere o rancho folclórico, os Guardiões da Luz (associação juvenil), Escalar, os Turbulentos (associação de motas), o Clube desportivo e Associação de Caça e Pesca. Já na Lousa há a associação Lousarte, que gere as danças tradicionais da Lousa, a ACAPEL (associação de caça e pesca), a União Lousense e a Liga de amigos da Lousa. Quanto ao património cultural e religioso, José Lourenço fala das capelas quinhentistas, cruzeiros, a igreja Matriz, várias sepulturas medievais, fornos antigos, moinhos, lagaretas (lagares antigos), entre outros. Respondendo à questão sobre por onde passa o futuro da freguesia, o presidente afirma ter vários projetos em mente para pôr em prática, como ruas e parques infantis, assim como considera fulcral manter e restaurar obras públicas já existentes. Em modo de conclusão, José Lourenço considera que a sua atuação enquanto presidente da união tem sido positiva e que continuará com o mesmo espirito dedicado em prol daquilo que são as necessidades da população.

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Freguesia com história junta de freguesia de s.vicente da beira Terra de José Hipólito Vaz Raposo, conhecido político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano. São Vicente da Beira, freguesia do concelho de Castelo Branco, foi sede de concelho entre 1195 e 1895. Atualmente, a freguesia recorda os tempos de outrora com a celebração da Viagem Medieval que já vai no segundo ano. No primeiro ano recordou-se D. Afonso Henriques e no segundo D. Sancho I.

vítor louro Presidente

V

ítor Louro refere que São Vicente da Beira é uma das mais anigas vilas de Portugal pertencendo hoje ao concelho de Castelo Branco. Segundo a lenda, a povoação foi fundada por D. Afonso Henriques, em 1173, tendo recebido o nome de S. Vicente em virtude de nesse dia os restos mortais daquele santo estarem a ser transladados. Recebeu foral, pela primeira vez, em 1195, pelas mãos de D. Sancho I, sob o propósito de povoar um território que, depois das invasões muçulmanas, se encontrava praticamente deserto. Mas viajemos até aos dias de hoje. É uma das maiores freguesias do concelho “O património, aqui, é muito vasto e acreditamos que um investimento para a

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divulgação do mesmo em termos turísticos seria uma mais valia para a região, não só para S. Vicente da Beira, mas também para o concelho Castelo Branco”, refere o nosso interlocutor. Baseado nisso mesmo, Vítor Louro tem em mente juntar o vasto património onde possam ser expostos todos os bens existentes na freguesia condignamente. São peças riquíssimas, algumas únicas no país e talvez no mundo, que datam nas suas inscrições terem sido criados há centenas de anos. Envelhecimento da população Com cerca de 1.300 habitantes, a falta de crianças e o elevado envelhecimento da população têm-se revelado os grandes problemas de São Vicente da Beira. “Neste

momento, contabilizamos cerca de três nascimentos por ano. Sabemos que não podemos inverter este situação mas acreditamos que podemos manter a qualidade de vida de quem vive na freguesia e daqueles que pretendam morar entre nós”, diz o presidente da Junta de Freguesia. Para tal, contam com a preciosa ajuda da Santa Casa da Misericórdia de São Vicente da Beira que ajuda os mais carenciados e serve de suporte aos nossos habitantes mais idosos. “Felizmente podemos dizer que a freguesia de São da tem o essencial paea alguma qualidade de vida”, finaliza Vítor Louro.


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Em crescente evolução junta de freguesia de benquerenças Com apenas 600 eleitores, a freguesia de Benquerenças, em Castelo Branco, é uma verdadeira ‘freguesia-dormitório’, Com pouco comércio e serviços que possam empregar os habitantes, quem aqui vive trabalha nas freguesias vizinhas, com maior incidência em Castelo Branco. A Revista Business Portugal conversou com Carlos Barreto, presidente da Junta de Freguesia, cumprindo atualmente o seu primeiro mandato.

carlos barreto Presidente

A

penas 12 quilómetros separam Benquerenças da capital concelhia albicastrense. Esta proximidade é uma mais valia para esta pequena aldeia que vê todos os dias os seus habitantes deslocarem-se até Castelo Branco para trabalharem. “Não temos muito comércio nem serviços implementados aqui em Benquerenças, pelo que os habitantes da freguesia trabalham fora daqui”, refere o presidente de Benquerenças. Para colmatar esta necessidade, a Junta de Freguesia assume nas suas instalações os serviços de correios, pois de outra forma “as pessoas teriam obrigatoriamente que se deslocar a Castelo Branco para enviar uma carta ou receber uma encomenda”. Além disso, e com a implementação do sistema PayShop, a Junta de Freguesia entendeu ser uma vantagem para os seus fregueses poderem usufruir do mesmo, pelo que este

está também disponível na sede da Junta desde o início do mandato de Carlos Barreto. Ainda promovendo um serviço de proximidade com a sua população, a Junta de Freguesia tem um protocolo com o Centro de Saúde local tratando dos pedidos de receitas de medicação crónica e outros, não obrigando a população de Benquerenças a deslocar-se ao mesmo. A falta de equipamentos Ao contrário do que seria espectável, até porque a escola já foi encerrada, Benquerenças tem muitas crianças, “só que como os pais trabalham fora da aldeia, preferem colocá-las em escolas próximas dos seus empregos, por se tornar mais fácil de leva-los e ir busca-los à escola”, explica-nos o nosso interlocutor. Perante esta realidade, Carlos Barreto acredita ser fundamental a criação de um parque infantil em

Benquerenças para que as crianças da freguesia possam brincar durante o tempo que aí estão. “Obviamente, não temos condições financeiras para tal, pelo que já apresentamos este projeto à Câmara Municipal e já reinvindicamos o mesmo”, esclarece o edil. Pensando também nos mais velhos e na restante população, Carlos Barreto tem o objetivo de transformar a antiga escola primária num espaço multiusos. “Gostávamos de criar naquele espaço uma sala de convívio, um local onde as pessoas possam estar umas com as outras, onde possam organizar alguns eventos, no fundo, um espaço multiusos para Benquerenças”. Felizmente, esse é um projeto já foi entregue na Câmara de Castelo Branco a aguardar que seja aprovado . Um outro projeto deste Executivo e que está igualmente em fase de apreciação é a criação de um percurso pedestre com uma extensão de 10 quilómetros, classificado em grau médio de dificuldade. “Acreditamos que este projeto trará muita gente a Benquerenças e, consequentemente, a Castelo Branco, pelo que será um ganho para todo o concelho”, refere o nosso interlocutor. O Centro de Dia Instituição com grande peso na freguesia é o Centro de Dia. Esta instituição de solidariedade social atua também na aldeia de Maxiais. Com as valências de centro de dia e apoio domiciliário a cerca de 35 pessoas. “É uma instituição muito importante aqui em Benquerenças e mantemos uma relação de proximidade com a mesma em prol dos nossos fregueses”. Carlos Barreto aproveita a oportunidade para deixar o convite a todos os leitores para que visitem Benquerenças no último fim de semana de agosto e vivenciarem as Festas da Nossa Senhora das Preces.

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À beira Tejo plantado Junta de freguesia de malpica do tejo Distando apenas 18 km de Castelo Branco encontramos a freguesia de Malpica do Tejo. Com uma paisagem lindíssima com o Tejo como pano de fundo, as potencialidades turísticas são muitas. Captar mais visitantes e investir na progressão do turismo é um dos grandes objetivos de José Manuel Galvão, Presidente da Junta de Freguesia de Malpica do Tejo.

josé manuel galvão Presidente

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asceu em Angola e em 1974 regressa a Portugal em pleno 25 de abril, época de revolução. Malpica do Tejo era onde tinha a sua família e é lá que vive, apenas com um pequeno período de interregno a morar em Lisboa. No seu último mandato como presidente da freguesia, José Manuel Galvão, tem o sentimento de dever cumprido mas acredita que o futuro da sua freguesia passará pela aposta turística e dinamização das potencialidades da freguesia, muitas delas, únicas. “Estamos situados junto ao rio Tejo que faz fronteira com

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Espanha e temos cerca de 560 habitantes. No sentido de potenciar o turismo na região criei, juntamente com dois sócios, uma empresa turística em que recorremos ao melhor que temos: a paisagem e o rio Tejo”, contanos o autarca. A empresa, criada através de um financiamento do Proderm, adquiriu um barco para navegar no Rio Tejo e com apenas um ano de atividade, o balanço tem sido bastante positivo. As atividades da empresa não se ficam por aqui e incluem passeios pedrestes, BTT, passeios de burro, programas de apanhas, um leque de opções para

tornar a visita a Malpica do Tejo inesquecível. “Remodelamos o café que era dos meus pais e surgiu então a Tasca Maria Faia que é um restaurante típico e desta forma tentamos levar mais turistas à aldeia. A gastronomia beirã é conhecida pela sua qualidade e é isso que confecionamos”, revela José Manuel Galvão. Neste sentido, assume um problema que está a dificultar o contacto dos visitantes com o rio. “Estamos a divulgar bastante a região e está a correr bem mas falta-nos um caminho condigno para o rio. Estamos relativamente perto do rio Tejo mas temos


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uma grande dificuldade que é o acesso. Estamos a quatro quilómetros e meio do rio, dois quilómetros já conseguimos alcatroar com fundos comunitários mas o resto ainda está em terra batida. Existe um proprietário que não nos deixa arranjar um caminho condigno para o rio apesar de ser possível lá ir, com um carro ligeiro não é fácil”, informa. Ligação com Espanha Hoje em dia o Tejo é bastante largo mas há 30, 40 anos passava-se a pé e a ligação entre Portugal e Espanha era feita desta maneira potenciando o intercâmbio entre os dois países. “Havia muitas famílias de Malpica a residir em Espanha e existe uma relação de proximidade em que nós agora, mesmo com o rio cheio, conseguimos ir a Espanha com alguma regularidade e eles cá. Esse percurso é feito de barco e passam vários espanhóis aqui por dia para visitarem a nossa freguesia e Castelo Branco”, explica o presidente. Ajudar a população Em Malpica do Tejo existe um centro de dia que emprega algumas pessoas e neste momento preparase para inaugurar um novo lar, que já está construído faltando apenas o licenciamento. A inauguração está

prevista para este mês, altura em que o lar entrará em funcionamento. “Temos também apoio domiciliário, às pessoas que ainda conseguem estar em casa mas que necessitam de algum apoio, ou porque vivem sozinhas porque têm algumas limitações”. Já na clase mais jovem, existe uma escola primária e pré primária a funcionar com cerca de 30 crianças e que emprega dois professores e uma auxiliar de educação. Não é uma das escolas para fechar, acredita o autarca. Autarca de muitos ofícios Para além de presidente de junta, José Manuel Galvão é também mediador de seguros, presidente do lar de Malpica do Tejo e empresário. Cargos, que apesar da responsabilidade, lhe dão muito orgulho “Não me posso queixar, para além de preidente da junta também sou presidente do lar, é díficil mas só me queixo da falta de tempo. Tenho muito apoio da câmara municipal, que está sempre disponível para nos ouvir e ajudar. É o meu último mandato, temos feito muita coisa para o bem da população de Malpica e o lar é a obra de que mais me orgulho. Neste momento são só 10 quartos, mas que albergam 17 pessoas que certamente ficarão felizes de ficar na terra delas”, explica.

Festas ao longo do ano A festa mais emblemática da freguesia acontece no primeiro fim de semana de agosto mas existem outras atividades ao longo do ano que trazem muita gente à região. Outro evento que recebe milhares de pessoas é a apanha da azeitona e José Manuel Galvão explica porquê. “Antigamente só os ricos é que tinham oliveiras mas agora as pessoas que têm o seu terreno a primeira coisa que fazem é plantá-las e há 50 anos foi criada a cooperativa da azeite. As pessoas que não vivem cá todos os anos vêm a Malpica do Tejo ajudar a apanhar as azeitonas. É um orgulho para eles terem o seu azeite”. Com esta atividade foi também desenvolvida, tendo já sete edições, a Feira da Azeitona que dura dois dias e são dois dias de festa. A padroeira de Malpica é a Senhora das Neves e é feita uma romaria na segunda-feira de Páscoa. O grande desejo do autraca é que a sua terra continuasse dinâmica e que dessem continuidade ao seu trabalho. “Um dos objetivos é termos também mais hotelaria e está a decorrer um projeto mais direcionado para o turismo rural, com cerca de três camas, no centro da freguesia. Temos que continuar a apostar no turismo”, conclui.

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UM COMPROMISSO: REVITALIZAR SALGUEIRO DO CAMPO Junta de Freguesia de Salgueiro do Campo Desta vez exibimos uma freguesia pertencente ao concelho de Castelo Branco: Salgueiro do Campo, que integra também a localidade de Palvarinho, terra igualmente influente a nível social e económico na freguesia. Encontra-se a 12 quilómetros de Castelo Branco, numa encosta do monte da Penha e debruçada para um vale, tendo uma área de cerca de 30km2 e cerca de 800 habitantes. Por exemplo, o CCRSC organizou o primeiro torneiro inter-aldeias com as aldeias vizinhas (cerca de oito equipas), e conta já este ano com a 3ª edição, depois deste costume desportivo entre aldeias do concelho praticamente se ter perdido. Neste contexto, ao nível do desporto existe uma grande tradição na prática do futebol na freguesia. Salgueiro do Campo possui um campo de futebol com bancadas cobertas, pertença do Centro Cultural e Recreativo de

sebastião gomes Presidente

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om uma povoação muito antiga e de característica extremamente rural, esta é uma freguesia onde a agricultura de subsistência é a realidade da maior parte da população Salgueirense. Segundo a lenda, o nome da freguesia tem origem numa época em que os matagais eram contínuos e, pelas feras existentes, era perigosa a sua travessia. Os almocreves, nas suas viagens para a charneca, costumavam agrupar-se junto a uma fonte, a atual Fonte

série de projetos em vista para concretizar. A primeira intervenção que considera crucial é um projeto que visa a requalificação da escola da freguesia, de forma a proporcionar melhores condições à comunidade educativa, assim como a ampliação dos dois cemitérios de Palvarinho e Salgueiro. E porque a dinamização da freguesia é sempre importante, Sebastião Gomes afirma que o Associativismo está muito presente no quotidiano da freguesia. Exemplo disso são a Associação Popular do

Fria, perto da qual existia um enorme salgueiro, que acabou por dar o nome à povoação. Numa entrevista com o presidente da Junta de freguesia, Sebastião Gomes, ficamos a conhecer alguns dos seus projetos que trarão vantagens e incentivos para a freguesia. Deste modo, o presidente manifesta que tem uma

Palvarinho, a Associação do Centro Social de Salgueiro do Campo, o Centro de Convívio de Palvarinho e o CCRSC - Centro Cultural e Recreativo de Salgueiro do Campo. Todas trazem dinâmica às duas aldeias da freguesia, com atividades revitalizantes como por exemplo festas populares, noite de fados, passeios de tratores, entre outros certames.

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Salgueiro do Campo, fundado em 1978, cuja equipa se sagrou campeã da IIª Divisão Distrital em 2001/2002. A festa mais marcante de Salgueiro do Campo é a festa de São Pedro, padroeiro da aldeia, que se realiza a 17 e 18 julho, contando com missa, procissão, jantar e animação musical. Quanto ao futuro, ainda que Sebastião Gomes tenha esperança que melhores dias virão, ainda tem um problema a colmatar: “o despovoamento, a nossa aldeia está a ficar deserta. Primeiro porque não há emprego, a maioria dos jovens que agora acaba o curso ficam por lá, depois por causa da centralização de tudo, escolas, saúde, habitação, etc. Mesmo que queiramos que as pessoas se fixem na freguesia, não existem apoios nem facilidades para que estas possam construir habitação ou mesmo reconstruír” salienta o presidente, acrescentando que assim será complicado ver a freguesia crescer. Neste âmbito, Sebastião Gomes afirma que a sua missão para o futuro é manter e recuperar os espaços da freguesia, criando melhores condições para a população residente. E apesar dos obstáculos, para os próximos tempos o presidente segue confiante: “O balanço que faço do mandato é positivo, espero que nos próximos dois anos consigamos realizar aquilo que foi a nossa campanha, e acredito que vamos conseguir chegar a bom porto” conclui.


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inovar para crescer

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novar é criar algo novo, ter um ideia e colocá-la em prática, alguma coisa que seja pensada com um

objetivo específico e que gere um resultado. A inovação está associada ao crescimento, um profissional que tenha um espírito inovador tem uma probabilidade maior de crescer, isto também se reflete no sucesso dos negócios e no crescimento das empresas. A palavra inovação significa ideias novas em ação, nesta edição mostramos casos de sucesso de empresas que souberem adotar os modelos certos, inovaram e cresceram. Entidades que operam há décadas e que continuam no mercado de forma sólida porque souberam posicionarse, apostando nos modelos certos de inovação. A FERCOPOR – Grupo Alberto Ferreira da Costa é uma empresa de Construção, Promoção e Investimentos Imobiliários que atua nos vários segmentos do mercado imobiliário, como habitação, comércio, escritórios, armazéns e indústria. Iniciou a atividade na área da construção e promoção imobiliária em Portugal no ano de 1981, tendo já uma vasta experiência no setor. Outro exemplo é a Pedra Base – Consultoria e Formação vocacionada para o apoio às organizações empresariais e públicas, na criação de valor e de vantagens competitivas através do contínuo processo de melhoria dos modelos de negócio e gestão das pessoas. A HR Group trabalha na conceção, fabricação e comercialização de vestuário de trabalho e uniformes, e comercialização de material de protecção, higiene e segurança no trabalho. O HR Group através do seu know how ambiciona consolidar uma posição de liderança nos mercados onde atua desde 1986, nomeadamente Portugal Continental e Ilhas, França, Angola, Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. As empresas já reconheceram a importância da inovação e recorrem a práticas que estimulam esta vertente aumentando a competitividade e o crescimento, que resulta muitas vezes na procura e conquista de novos mercados. Inovação, crescimento, competitividade e internacionalização são o caminho para o fortalecimento da economia e os empresários portugueses estão a dar bons exemplos do caminho certo a seguir.


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em prol do cluster da água, pelo desenvolvimento do setor Aquapor Desde 1987, a AQUAPOR / LUSÁGUA é um dos principais players do mercado na Gestão de Concessões Municipais e Prestações de Serviços de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais diretamente à população, às autarquias e às industrias. Atualmente o Grupo é constituído por várias empresas tais como TRATAVE, Águas de Gondomar, Águas do Vouga, Águas da Teja, Águas do Planalto, Águas da Figueira, Águas do Lena, Luságua Alcanena, Águas de Alenquer, Águas de Azambuja, Luságua Lisboa, Águas de Cascais, Águas do Sado, Visaqua e Aquagest, empresas que constituem uma enorme fonte de know-how do grupo e mesmo referências no setor. A Revista Business Portugal conversou com António Cunha, diretor da Aquapor.

antónio cunha Diretor

Para que possamos contextualizar os leitores, importa inicialmente perceber como surgiu a empresa e qual o papel que desempenham no setor? Em 1987 é constituída a LUSÁGUA como operador privado de sistemas municipais de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais. Dez anos depois é criada a AQUAPOR, uma sociedade de direito privado com o intuito de ser o instrumento empresarial da Águas de Portugal e vocacionada para a participação no mercado nacional e internacional de concessões de abastecimento de água e saneamento de águas residuais. Em 2001 dá-se a aquisição da totalidade do

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capital social da LUSÁGUA pela AQUAPOR, que após a reestruturação dá origem ao atual grupo de empresas. Em 2008 a Águas de Portugal vende a totalidade da AQUAPOR à Criar Vantagens, atual e único acionista, com capital 100 por cento português. A AQUAPOR é, atualmente, um dos maiores operadores privados a nível nacional no mercado de concessões de sistemas de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais e ultimamente tem alargado o leque de serviços na área do ambiente, através da sua participada LUSÁGUA, ao mercado dos resíduos e gestão dos recursos energéticos.

Em Portugal, o grupo AQUAPOR opera em diferentes regiões, através de empresas diversas. Quais são as entidades que pertencem ao grupo e em que localidade operam? A AQUAPOR, através das concessões em que participa na vertente ‘em baixa’, distribuiu, em 2014, 50 milhões de m3 de água a cerca de 378 mil clientes. Adicionalmente, as empresas Tratave e Águas do Vouga servem 11 municípios ‘em alta’ e uma população de 455 mil habitantes. Presta assim serviços de distribuição de água a um universo de 878 mil habitantes e de recolha e tratamento de águas residuais a mais de 1,7 milhões de habitantes, estando presente em 25


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municípios. No âmbito das concessões ‘em baixa’, a AQUAPOR participa nas empresas Águas de Gondomar, Águas da Teja, Águas do Planalto, Águas da Figueira, Águas do Lena, Luságua Alcanena, Águas de Alenquer, Águas de Cascais, Águas do Sado, Águas da Azambuja e Luságua Lisboa. No âmbito das concessões em alta, participa na Tratave e na Águas do Vouga. A AQUAPOR detém ainda a LUSÁGUA, empresa que atua na prestação de serviços ambientais de operação e manutenção de infraestruturas hidráulicas (ETA, ETAR, entre outros), assistência técnica, auditoria especializada,

sistemas e áreas atrás mencionadas. Por outro lado, somos um grupo que detém uma grande e diversificada estrutura, onde se englobam entidades gestoras de abastecimento e drenagem de águas residuais, tanto na vertente em alta como em baixa. E tal permite-nos oferecer propostas de serviços completas, credíveis e sólidas que acrescentam valor ao mercado das tecnologias do ambiente.

controlo analítico, recolha de resíduos e limpeza urbana, bem como na área das TI ao nível de consultadoria e fornecimento de software especializado. Na área internacional participa ainda na Visáqua, empresa de direito moçambicano, e na Lusaquis, a empresa veículo de direito português para o mercado angolano.

Arábia Saudita, que trabalho estão a desenvolver nesses países? A Área Internacional da AQUAPOR está vocacionada para, no âmbito de assistência técnica e contratos de gestão, assegurar a transferência de conhecimento desenvolvido no seio do grupo. A AQUAPOR está presente fisicamente em três mercados, Moçambique, Angola e Arábia Saudita. Em Moçambique, a VISAQUA tem concentrado a sua atividade em contratos de prestação de serviços e consultoria nas áreas da gestão de resíduos sólidos e saneamento. A VISAQUA, a par do trabalho de gestão de resíduos sólidos que serve 520.000 habitantes na região da Matola, está a desenvolver dois importantes projetos de consultoria na área do saneamento e da redução de emissões e adaptação às alterações climáticas. Em Angola, a atividade, em parceria com a AET Greentech, tem-se concentrado em contratos de prestação de serviços e consultoria nas áreas da gestão de resíduos sólidos e saneamento, que incluem recolha de RSU, varredura e limpeza de praias. Na Arábia Saudita, foi estabelecido um acordo com a Al Bawani, tendo em vista a criação de uma empresa. Recentemente foi acordada a constituição de um consórcio, com a TAWZEA, para os concursos de Operação e Manutenção de cinco cidades industriais.

A AQUAPOR apresenta soluções ao nível da gestão do ciclo urbano da água, da gestão integrada de resíduos e na gestão de recursos energéticos, o que são estes três ciclos e qual a sua importância? A estruturação de tais soluções decorreu na necessidade identificada de clarificar a oferta ao mercado. Os ciclos identificados iniciam-se com a etapa de produção/disponibilização do recurso, passam pela sua utilização – na qual se valorizam a eficiência e a utilização racional e terminam com a reutilização, ou valorização, voltando a reiniciar-se os ciclos. A importância da estruturação desta oferta com o apoio da empresa LUSÁGUA, prestadora de serviços dentro do grupo, permite direcionar o desenvolvimento de soluções ambientais, já perspetivando o futuro, aos objetivos ambientais nacionais e comunitários no que toca à preservação do ambiente e dos recursos naturais. Trata-se de uma visão global do que acontece nas nossas comunidades, onde os serviços, quando baseados em know-how sólido, geram sinergias que não seriam possíveis de alcançar separadamente. Tendo em conta que existem várias entidades a operar no setor, o que vos diferencia das restantes empresas? O que diferencia a AQUAPOR é sobretudo a experiência e know-how de quase 30 anos na operação dos

A AQUAPOR apostou na internacionalização estando presente em Moçambique, Angola e

No vosso entender, a constituição de um cluster da água, tanto em Portugal, como internacionalmente é benéfico para o setor? Porquê? Sim, para nós é claro que a existência de um cluster forte da água ajuda todas as empresas ligadas ao setor. O setor teve um grande desenvolvimento nos últimos anos e houve uma forte aposta na infraestruturação

do país por forma a que a globalidade da população pudesse ter acesso a água de boa qualidade e a sistemas adequados de tratamento de águas residuais. Esta aposta fez com que surgissem várias empresas ligadas ao setor com grande capacidade técnica e de realização de projetos, ao nível do melhor que se faz internacionalmente. Assim será sempre positivo fomentar e proporcionar a associação e cooperação entre elas, de modo a que haja uma alavancagem das capacidades, tanto em Portugal, como principalmente no estrangeiro. Finalizando, por onde passa o futuro do grupo AQUAPOR? Se por um lado existem fortes constrangimentos económicos na conjuntura nacional, por outro o setor está a atingir um nível de desenvolvimento que começa a exigir evoluções significativas ao nível da gestão dos recursos nas empresas gestoras e prestadoras de serviços em sistemas de abastecimento de água e águas residuais. As leis ambientais são cada vez mais complexas e exigentes, exigindo dos operadores cada vez mais sofisticação na operação e manutenção das suas infraestruturas. Espelho disso são os plano estratégicos para o setor, como o PENSAAR 2020 e mais recentemente o POSEUR, onde claramente se quer introduzir uma nova abordagem na utilização de fundos para o desenvolvimento do setor. O foco passa a estar mais na eficiência e eficácia da gestão dos recursos do que no investimento produtivo em infraestruturas, tal como acontecia nos anteriores planos comunitários de apoio. Esta abordagem está alinhada com a estratégia dos últimos anos da AQUAPOR, na medida em que temos procurado agregar o know-how das empresas e transformá-lo em produtos e soluções, de preferência inovadoras, que ajudem os clientes a aumentar a sua performance, quer no domínio nacional, quer no internacional. O futuro da AQUAPOR continua a passar também pelo seu core business principal, ou seja, o mercado privado de concessões do setor da águas, na expectativa de que ele se volte a dinamizar, pois consideramos que é uma ferramenta essencial para atingir o nível qualitativo e quantitativo que o setor necessita.

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O papel do agente de execução na Guarda António Fonseca

Influenciado pela família, com pai e mãe solicitadores, António Fonseca decidiu enveredar pela área. Mais tarde, em 2008, acrescentou mais uma função ao seu trabalho, tornando-se agente de execução, profissão que o obrigou a “reformular toda a estrutura” laboral, revelou.

António fonseca Agente de Execução

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ntónio Fonseca optou inicialmente por uma área de formação bem distinta da solicitadoria. O entrevistado revelou que completou até o curso de gestão de empresas e, só mais tarde, depois de todos os conhecimentos que adquiriu, enquanto “menino de recados” do pai, ajudando no que era necessário, percebeu como “funcionava a estrutura”. Posteriormente, decidiu mudar de carreira e foi estudar novamente, “na altura, tirei o curso, ainda pela Câmara dos Solicitadores, no Porto”, relata o interlocutor. Em 2008, resolveu inscrever-se como agente de execução, vertente que continua a exercer até ao dias de hoje. Explica que trabalha em parceria com “alguns advogados, 90 por cento dos processos que tenho para resolver surgem por esta via”, revela

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o agente de execução. António Fonseca confessa que quando decidiu enveredar pelas penhoras, não pensou que fosse uma profissão “tão exigente, quer psicologicamente, quer fisicamente”, tendo mesmo, passado por alguns problemas de saúde, devidamente solucionados. António Fonseca explica que “de 2008 a 2011, julgo que era o único a ter as execuções, no distrito da Guarda, foi muito complicado, tinha muito trabalho, fui obrigado reformular a estrutura. Na altura, como rebentou a crise, surgiram muitas execuções, em diversas áreas, estava de segunda a quinta-feira fora do escritório”, ocupado com as diligências. O agente de execução convive com realidades difíceis que, por vezes, “nos chocam e alguns casos levamos para casa, somos afetados. Depois, começamos a conviver e, se calhar,

ficamos um pouco mais insensíveis, mas é a minha função. Tive um caso de uma senhora que trabalhou comigo um dia no terreno e desistiu, vamos a locais muito complicados”, relata o interlocutor, exemplificando a complexidade do trabalho realizado. No presente, consegue manter algum distanciamento e explica que é trabalho que tem de ser feito, tem a noção que num meio relativamente pequeno como é a Guarda existem “pessoas que não me apreciam devido à profissão, mas tenho clientes que também já foram meus executados, inclusivamente, há pessoas que pensam que eu sou cobrador e me procuram, aí tenho de explicar como funciona todo o processo, que têm de consultar um advogado e que depois ele me delega o processo”, revela António Fonseca. Para além da Guarda, atua também na zona do Sabugal, Almeida, Vila Nova de Foz Côa, Pinhel, Seia, Gouveia, Trancoso, Aguiar da beira, Mangualde, Fornos de Algodres, Belmonte e Figueira de Castelo Rodrigo. As áreas do comércio, construção civil e agricultura é onde realiza a maioria das diligências. No que diz respeito à profissão, considera que “seria bastante importante a Câmara dos Solicitadores passar a Ordem dos Solicitadores, em termos de execução, penso que está a funcionar muito bem”, funções facilitadas pelo programa Sistema Informático de Suporte à Atividade do Agente de Execução, SISAAE, acrescentando que “quando comecei, em 2008, devia estar a funcionar assim”, o que demonstra a evolução do trabalho desde essa altura. António Fonseca revela que existe uma relação saudável e de cooperação entre os colegas da região. Quanto à perspetiva, que tem vindo a ser noticiada, de virem “a fazer a execução das dívidas do Estado, no âmbito dos processos administrativos” considera que devem “ser capazes de o fazer, tal como as execuções”, que antes eram da responsabilidade dos tribunais.


Soluções Integradas de Vestuário Profissional e Equipamentos de Protecção Individual

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767.000 Equipamentos de Protecção Individual Comercializados Anualmente

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HR Indústria, SA


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Uma referência no mercado dos EPI´s e do Vestuário Profissional HR – Group O HR Group, é constituído pelas empresas HR Protecção S.A. e HR Indústria S.A., com sede em Mangualde – Viseu, com 30 anos de experiência na área da concepção, fabricação e comercialização de vestuário de trabalho e uniformes e comercialização de material de proteção, higiene e segurança no trabalho (EPI´s – equipamentos de proteção individual).

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HR Protecção S.A. foi fundada a 11 de setembro de 2001, em casa dos seus administradores (Hermínio Rodrigues e Isabel Cabral), em Pedreles – Mangualde, dedicando-se, na altura, à comercialização de EPI´s. Mais tarde, em 2008, em resposta às constantes solicitações que ia recebendo do mercado e fruto também da experiência acumulada na conceção e comercialização de vestuário profissional, a HR Protecção S.A. avançou para a aquisição da Benilde Confeções, Lda. - que já contava com 22 anos de experiência no âmbito da confeção e fabricação de vestuário profissional e que deu origem à HR Indústria, S.A. - permitindo a incorporação da fileira industrial no HR Group. Desde então, o HR Group, passa a ser constituído pelas empresas HR Proteção S.A. e HR Indústria S.A. O HR Group conta com uma equipa resiliente, de excelente qualidade, preparação e conhecimento do sector, empregando atualmente 95 colaboradores. “Estamos e continuamos focados para sermos considerados uma empresa referência nacional e internacional, no nosso setor”, afirma o diretor geral, Fernando Mateus.

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Neste âmbito, de fazer notar o recente posicionamento estratégico, que visou ser um pouco mais pragmático, ou seja, a estratégia que foi delineada foi comunicar com o mercado de forma mais clean. O processo passou por reposicionar comunicacionalmente o HR Group, tendo sido definidos quatro grandes segmentos: • HR Group Safety;

HR Group Line;

HR Group Design.

HR Group Tech;

O HR Group Safety inclui uma vasta gama de EPI´s (equipamentos de proteção individual), desde os capacetes ao calçado de segurança, passando pelas luvas, óculos, máscaras, descartáveis, entre outros. O segmento HR Group Tech inclui toda uma gama de vestuário profissional certificado (vestuário de proteção)


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e produzido em Portugal, que se insere na temática de produtos de valor acrescentado, ou seja, artigos que incorporam uma maior complexidade técnica. “Um dos exemplos concretos do segmento Tech é a nossa gama AntartidA, que é uma gama de vestuário profissional para a fileira/logística do frio; este ano a AntartidA vai estar presente na feira A+A Dusseldörf, na Alemanha, fazendo parte do stand From Portugal. Esta é uma gama que está certificada com o selo Portugal Sou Eu, insígnia que muito nos orgulha”. Já o segmento HR Group Line consiste em vestuário profissional de coleção do catálogo da empresa, que tem um serviço de stock mais imediato, que já estão definidos e que não podem alterar a gama. “O que o cliente procura é um produto com relação qualidade/ preço interessante”. Por último, no HR Group Design, desenvolvem produtos com particular incidência na área do vestuário profissional à medida e imagem do cliente por três vias: com design HR, utilizando o design do cliente ou em parceria de designers (HR e Cliente). “Esta é a linha que estamos a dar mais cartas, porque é um mercado mais diferenciado. Ao apresentamos isto e quando falamos que temos desde o design, concepção, planeamento de corte, produção, acabamento e a própria personalização temos a fileira integrada o que nos dá alguma vantagem competitiva e penso que isso é um fator crítico de sucesso”, comenta Fernando Mateus. Com objetivo de reforçar a qualidade de vida do trabalhador o HR Group tem como missão proporcionar conforto, ergonomia, mobilidade e funcionalidade aos utilizadores dos seus produtos. “Não podemos abdicar de alguns vetores chave, por um lado a personalização, por outro, pensar que este setor é mais de que um cumprimento legal e assim acrescentar valor ao mercado em componentes de qualificação subjetiva, nomeadamente perceção de conforto, bem-estar e qualidade de vida. Não nos pretendemos posicionar num mercado «do que a lei obriga», mas sim fortalecer a produtividade das indústrias, das empresas e das instituições. Tudo isto são as correntes que assumimos. Cada vez mais acreditamos que temos uma Responsabilidade Social acrescida, porque os nossos artigos contribuem duma forma veemente para a Qualidade de Vida Laboral de quem os utiliza e, por essa via, da Felicidade corporativa. Efetivamente, para além da segurança (que para nós se assume cada vez mais como um requisito básico e inerente a quem está neste sector), pretendemos fortalecer a qualidade de vida no trabalho e daí o nosso posicionamento no mercado – partilhar qualidade de vida”, comenta Fernando Mateus. Com presença no mercado de Portugal Continental e Ilhas, Moçambique, Cabo Verde, Angola, França e São Tomé e Príncipe, a empresa possui um conjunto

de marcas próprias e representa algumas marcas de prestígio na área. Por outro lado a parceria com a Elis Portugal/Elis França tendo como destinatário final o vestuário profissional da Autoeuropa e a produção do vestuário profissional duma prestigiada marca internacional com grande presença e elevada notoriedade no nosso pais na área da restauração/ fast food, constituem dois momentos de relevância estratégica para o fortalecimento do HR Group. “O nosso propósito é, cada vez mais, atingir o cliente final, definir um conjunto de parceiros fortes que nos possam representar no mercado internacional, deter uma estrutura comercial externa mais reduzida, acompanhada com um crescimento consistente na estrutura comercial interna”, completa. Quando questionado sobre a avaliação que atualmente faz do setor, Fernando Mateus revela que “este é um setor bem formado/preparado, que tem evoluído positivamente nas últimas décadas e que nos orgulha, fruto também de muitas parcerias que o setor faz com as universidades e com centros tecnológicos e nesse caso, nós não somos exceção. Estamos atentos às universidades/centros de investigação e tentamos, sempre que possível, participar em projetos em que possamos promover sinergias”.

No que toca a projetos a médio prazo, o HR Group vai estar presente na maior feira do setor na Europa – A+A Dusseldörf, Alemanha, onde vão apresentar a nova gama AntartidA Plus, vestuário profissional contra o frio, que neste momento se encontra em processo de renovação de certificação, nomeadamente: a calça, o blusão, o casaco, a parka, o anorak e o fato macaco (EPI de Categoria II de acordo com a norma NP EN 342) e Vestuário de Proteção Contra Ambientes Frios, nomeadamente: colete (EPI Categoria II de acordo com a norma NP EN 14058). De salientar também o processo de certificação de vestuário profissional de alta visibilidade, de acordo com a norma EN ISO 20471. Recentemente, concluíram um Sistema de Incentivos à Inovação em modernização na unidade industrial o que lhes permite pensar em lançar novos produtos. E ainda, estão a preparar um novo posicionamento em termos virtuais, que poderá incluir um simulador de vestuário profissional que irá melhorar e reforçar a área do segmento do design. Por fim, Fernando Mateus desvenda que o que os distingue das outras empresas do mesmo setor “é a atitude, a capacidade de ir à luta, o acreditar e confiar no HR Group, nas suas pessoas, nas suas soluções e naturalmente, no mercado”, conclui.

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Pedra Base, experiência consolidada em consultadoria e formação pedra base Sediada em Lisboa, a Pedra Base é uma empresa focada no apoio às organizações, empresariais e públicas, na criação de valor e de vantagens competitivas através do contínuo processo de melhoria dos modelos de negócio e gestão das pessoas. Em entrevista à Revista Business Portugal, Anabela Vaz Ribeiro, fundadora e líder da Pedra Base, fala-nos sobre os serviços que a empresa oferece aos seus clientes e sobre as áreas em que atua. A Pedra Base é uma entidade de Consultoria e Formação constituída em 1997 que apoia as empresas e instituições em diversas vertentes, neste sentido, quais os serviços que têm para oferecer? - A Pedra Base disponibiliza serviços integrados de formação e consultoria em diversos domínios da gestão. Apoiamos as empresas através das suas equipas de gestão em processos de mudança organizacional, desenvolvimento do negócio e alinhamento do seu modelo de gestão com a sustentabilidade. A Pedra Base trabalha para os objetivos da organização, sendo que nos procuram quando há decisões a tomar que afetam as pessoas, as operações e o negócio como um todo. A gestão espera que proporcionemos uma perspetiva isenta, agregadora e ajustada ao mercado em que estão inseridos. A nossa experiência centra-se sobretudo em PME’s, a maioria multinacionais, mas temos também muitos casos de consultoria a empresas familiares. A natureza integrada dos nossos serviços propicia esta ligação porque temos uma equipa pluridisciplinar que consegue intervir nas principais áreas da empresa, desde a área comercial, aos recursos humanos e sempre no apoio à gestão. Tendo em conta a importância da aplicação da ética ao mundo empresarial, que papel desempenham nesta área? Os vossos clientes estão sensibilizados para esta matéria? A Pedra Base é a única empresa em Portugal a trabalhar na área da ética empresarial de forma consolidada e nos últimos anos temos realizado diversos projetos em ética e conduta, mas também nos domínios da responsabilidade social e da sustentabilidade. Investimos muito nestes temas nos últimos 10 anos e de facto temos vindo a assistir a uma crescente necessidade de apoio da parte das empresas, nos mais diversos setores de atividade. A nossa intervenção tem ido desde a indústria farmacêutica, aos transportes, banca, setor público, entre outros. O despertar para este tema vem sobretudo da necessidade e as empresas sentem de facto uma necessidade crescente de criar confiança nos clientes e nos mercados destino. As empresas não querem ver-se envolvidas em escândalos éticos que arruínam o negócio e a reputação, para além de saírem muitíssimo dispendiosos. Por isso, optam por formalizar a ética na organização e criar instrumentos e mecanismos de acompanhamento internos. É aí que podemos ajudar. Desde a formalização dos valores e princípios (porque eles existem; são é difíceis de demonstrar) à criação dos instrumentos e alinhamento dos colaboradores.

Anabela vaz ribeiro Administradora

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Qual a importância da implementação de políticas de responsabilidade social e sustentabilidade nas empresas/organizações? Os gestores portugueses estão sensibilizados para estas áreas? Mais uma vez a sensibilidade vem muitas vezes dos requisitos dos clientes. Naturalmente que existem empresas pioneiras que acreditam nos benefícios da adoção de políticas


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de sustentabilidade, porque compreendem as maisvalias para o negócio. Contudo, na maioria dos casos são fatores externos que alavancam estes processos. A sustentabilidade é um objetivo que todos procuramos alcançar. A responsabilidade social é o contributo que podemos dar enquanto organização para esse grande objetivo. Ao implementar uma política de responsabilidade social a organização está a funcionar de acordo com uma nova filosofia de gestão, mais inovadora, que incorpora os desafios do futuro em termos de desenvolvimento, de economia de recursos, de investimento nas comunidades. As organizações que compreendem o conceito obtêm resultados muito positivos, pois a sustentabilidade traz muitas oportunidades ao negócio. Para além disso, os mercados internacionais valorizam e exigem políticas coerentes neste domínio, pois não querem correr riscos e ver a sua imagem ameaçada por más práticas. Por isso as empresas portuguesas que fornecem grandes

cadeias internacionais são alvo de tantos questionários e auditorias. Temos apoiado muitas empresas nestes processos e de facto podemos afirmar que estamos capacitados para responder a estes desafios com um baixo nível de esforço. O acréscimo da competitividade e rentabilidade passa por seguir boas práticas de gestão, neste sentido que conselhos têm para dar às empresas portuguesas? O maior conselho que podemos dar é o investimento nas suas pessoas. Faz-se muita formação para cumprir requisitos legais e regulamentares, mas muito pouca para desenvolver as pessoas e as equipas. A liderança e as estruturas de decisão também carecem de atualização, de programas que lhes mostrem a inovação de processos, de metodologias, acesso às melhores práticas. Só com esse conhecimento e apoio especializado poderão evoluir para outros patamares de desenvolvimento dos seus negócios. No que toca Pedra Base, futuramente quais são os vossos projetos? Para além da nossa aposta nas áreas da ética e da sustentabilidade, apoiar os nossos clientes na resposta

a uma necessidade relacionada com o bem-estar organizacional, que designamos como corporate wellness. Começámos a trabalhar há um ano atrás nesta nova área e vamos lançar o serviço formalmente no dia 13 de outubro num evento em Lisboa. A Corporate Wellness é uma dimensão da responsabilidade social interna que engloba o conjunto de políticas e ações desenvolvidas pela organização com o objetivo de promover a saúde física, mental e social dos colaboradores e o seu bem-estar em geral. As alterações demográficas, tecnológicas, económicas, políticas e, inclusive, ambientais que se operam atualmente exigem uma abordagem mais flexível e profunda aos riscos associados ao trabalho e ambiente em que este é exercido, mas também aos estilos de vida que podem potenciar ou despoletar esses riscos, e que interferem significativamente com o desempenho das pessoas. O bem-estar está assim diretamente relacionado com a sustentabilidade, observando-se um impacte direto na capacidade da organização para ser produtiva e competitiva, com pessoas saudáveis, que exercem a sua competência de forma plena, comprometidas com objetivos e resultados.

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QUALIDADE | CONFORTO | LOCALIZAÇÃO | INOVAÇÃO | RIGOR FERCOPOR – GRUPO ALBERTO FERREIRA DA COSTA “O foco da empresa sempre foi investir nas cidades do Porto e Vila do Conde, esta última devido às raízes do fundador da FercoPor, Alberto Ferreira da Costa. Atualmente decidimos inovar e alargar as zonas de investimento para a capital com a compra de um terreno no centro de Lisboa e investimos recentemente em Vila Nova de Gaia”, refere Mário Almeida, gestor da FercoPor.

ferreira da costa júnior e mário almeida Administradores

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omos uma “empresa de promoção e investimentos imobiliários que é detida por um construtor português que está radicado no Brasil há muitos anos e iniciou a sua atividade no ramo da construção. Começou pela construção tradicional de habitações e passou para o ramo empresarial e pela hotelaria.” Recentemente o fundador da FercoPor, Alberto Ferreira da Costa, “enamorou-se pelo antigo edifício da Coats&Clark, em Vila Nova de Gaia, e adquiriu-o para potenciar uma nova vertente de negócio àquele espaço.” Alberto da Costa Júnior, administrador da FercoPor clarifica que “ o pai, Alberto Ferreira da Costa é português,

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natural de Vila do Conde, daí a origem do nome da empresa mãe: Rio Ave - Investimentos Imobiliários, que detém milhares de metros quadrados construídos no Nordeste do Brasil, tendo aí iniciado a sua atividade em 1969. A FercoPor, na pessoa de Alberto Ferreira da Costa, iniciou a sua atividade na área da construção e promoção imobiliária, em Portugal, no ano de 1981. Para além disso, queremos ter imóveis em carteira para arrendar – que é outro braço do negócio – e queremos que esses imóveis estejam bem situados e que gerem receitas. Queremos transformar terrenos em espaços lucrativos: pelo negócio da venda e para manter uma carteira de imóveis através do arrendamento. O caso da Coats&Clark entra na lógica do imóvel que está na

carteira de arrendamento e gera retorno a longo prazo.” Com empreendimentos já construídos e em pleno funcionamento, como é o caso da Casa da Praça em pleno centro histórico da cidade de Vila do Conde, Mário Almeida salienta que é um “empreendimento com uma parte de habitação que se focou no ramo da venda e outra parte dedicada ao comércio, com lojas e escritórios para arrendamento.” O Centro Empresarial FercoPor I está implantado à face da Estrada Nacional Nº13 em Vilar (Vila do Conde) e “é composto por 15 armazéns e lojas disponíveis para arrendamento e já está praticamente todo ocupado.” Alberto da Costa Júnior complementa: “ temos seis prédios construídos na cidade do Porto, nomeadamente na zona da Avenida


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e Rotunda da Boavista (Praça Mouzinho de Albuquerque) e também comprámos alguns terrenos na zona nobre desta cidade e que, neste momento, estão em carteira.” A antiga fábrica Novinco, em Matosinhos, foi comprada pelo grupo FercoPor, e vai ser transformada num parque industrial, mas como explica o gestor “já estava num estado de degradação muito avançado tivemos de optar pela demolição total do edifício ao contrário do que pretendemos fazer com o edifício que adquirimos em Vila Nova de Gaia.” A mais recente aquisição da FercoPor foi o antigo edifício da Coats&Clark, sito na Avenida Vasco da Gama (E.N. 222) em Vila Nova de Gaia, com aproximadamente 32 mil metros quadrados de área de construção que corresponde a 12 pavilhões. Este ”foi um dos muitos edifícios visitados pela administração, mas foi eleito não só pela sua localização”, próximo da Câmara Municipal, metro e da cidade do Porto, “mas também por ter caraterísticas únicas.” E reforça afirmando que “queremos manter a traça do edifício, mas com uma vertente mais moderna, os espaços são muito diferentes

e potenciam a junção dos mais diversos ramos de atividade. O nosso desejo era que uma empresa se pudesse implantar neste local e ter os parceiros no mesmo edifício.” A dinamização dos espaços e a junção de parceiros fazem parte da visão de futuro que Mário Almeida tem para este edifício: “era ótimo os funcionários poderem vir trabalhar e também pudessem deixar os filhos na creche, o carro no mecânico e ir ao ginásio sem ter de deixar o edifício.” Numa visão micro, Alberto da Costa Júnior salienta que “quanto maior for o número de empresas a instalarse no edifício, mais serviços podem ser prestados à população, procuramos pequenas e médias empresas e/ou indústrias que tragam diversidade de serviços para o centro da cidade. A colaboração da Câmara Municipal foi “undamental no desenvolvimento do nosso projeto e queria agradecer ao presidente da Câmara municipal, Eduardo Vítor Rodrigues, por ter sido inexcedível” Mário Almeida, gestor da FercoPor, reforça que a “Câmara Municipal, na pessoa do presidente, abraçou o projeto desde a primeira visita e demonstrou total

disponibilidade para ajudar em tudo o que compete à Câmara Municipal e tem sido incansável no que lhe temos solicitado.” A perspetiva de reabilitação do edifício, de criação de emprego e o facto de gerar movimento na cidade “são fatores que trazem benefícios para a cidade e a Câmara Municipal soube ter essa visão, bem como os laços afetivos que ligam os gaienses à empresa Coats&Clark que agora é nossa inquilina.” Além disso, reforça o administrador da FercoPor, Alberto da Costa Júnior, “o conceito vai para além disso. Queremos abrir o centro empresarial a todas as pessoas que queiram visitar o edifício para que possam usufruir deste espaço e dos serviços, como ginásios, restauração, centro de estudos, entre outros. A maioria das pessoas não imagina o que está por detrás da fachada. Num futuro muito próximo contamos ter 50 por cento da área ocupada e estamos a trabalhar no nome e imagem para o local.”

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cidade de cantanhede

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EXPOFACIC - Exposição, Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede celebra 25 anos. Considerada um dos maiores certames da região centro, a Expofacic é a montra do concelho, este ano decorre de 23 de julho a 2 de agosto. Através de centenas de expositores, os visitantes ficam a conhecer as potencialidades da região no que diz respeito à agricultura, comércio, turismo, gastronomia, entre outros. A feira popular e os espetáculos musicais são outros dos atrativos. A freguesia de Ançã é uma das que se faz representar durante esta semana, o bolo de Ançã e o roteiro turístico pelas ruas típicas da localidade e património arquitetónico são os principais pontos de interesse. No verão, a piscina natural localizada no centro da vila ganha também especial destaque. Cantanhede é um concelho que se divide entre a Praia da Tocha e as vinhas pertences ao Roteiro da Bairrada, uma região diversa com vários pontos e locais de interesse que passam pelo enoturismo, as praias, o património histórico, a gastronomia e o lazer. A economia do concelho de Cantanhede vive sobretudo do setor terciário e da agricultura e pescas, na última década a indústria tem conhecido alguma evolução e crescimento. As principais entidades empregadoras estão localizadas no parque industrial de Cantanhede, Tocha, Murtede e Febres. Este crescimento é resultante do forte investimento municipal no reforço dos fatores de atratividade para instalação de empresas, designadamente nos acessos através de uma rede de estradas e vias rápidas.


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Ançã: Uma freguesia a descobrir Junta de Freguesia de Ançã Reza a história que a freguesia de Ançã teve o seu nome atribuído por monges italianos que assim a terão nomeado pela abundância de água e caça. Esta localidade histórica com foral concedido em 1514 tornou-se vila em 2001 e é detentora de um riquíssimo património cultural.

joão perdigão Presidente

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erecem destaque várias edificações e marcos, como a Fonte de Ançã, cujo caudal é superior a 20.000 litros por minuto, ou a Capela de São Bento, a mais importante das capelas de Ançã, onde se fazem as maiores romarias – S. Bento e S. Tomé, construída no final do século XVI, mais precisamente no ano de 1599, que se ergue no cimo de um outeiro, do lado oposto à Várzea, por onde corre a Ribeira. Mas podíamos ter referido qualquer outro do seu sem fim de pontos de interesse: os moinhos de água recuperados e preservados, as casas nobres brasonadas, o Museu Etnográfico, a Capela de Nossa Senhora das Mercês, a casa onde nasceu Jaime Cortesão, o Terreiro do Paço, o Paço dos Marqueses de Cascais ou as Janelas

Manuelinas. Outro excelente motivo para visitar Ançã é o bolo de Ançã, a sua origem perde-se no tempo, tendo o segredo do seu fabrico sido transmitido de pais para filhos. O bolo é de confeção simples mas de reconhecida qualidade, e tem como base um processo artesanal de fabrico, sendo amassado manualmente e cozido em forno de lenha. Este fabrico tradicional, mantido durante gerações de boleiras, tornou-o num produto típico desta vila, conhecido e apreciado sobretudo na Beira Litoral. Como produto característico de uma localidade, pretende-se que a sua confeção continue a ser a mais fiel e genuína, preservando as características únicas que o tornaram num famoso património gastronómico. João Perdigão, presidente da Junta de Freguesia, tem mais um encanto a acrescentar à sua vila: a simpatia

e o calor das gentes da terra, que sabem acolher e mostrar o que de melhor preservam, exemplo disto são os passeios guiados gratuitos com oferta de jeropiga que os funcionários do posto de turismo proporcionam aos visitantes. É desta união que brota também o forte associativismo que coroa a vila com constante animação, com instituições como o Ançã Futebol Clube, Avança – Associação para o Desenvolvimento e Promoção da Qualidade de Vida no Meio Rural, a Confraria do Bolo de Ançã, o Grupo de Teatro NOVO RUMO, o Grupo Típico de Ançã e a Philarmónica Ançanense e várias festas populares durante o ano, tornando Ançã num destino em que a cultura e a diversão se cruzam. Mais recentemente, Ançã viu também concretizarse um projeto de grande utilidade e que traz grandes vantagens à população: o Espaço do Cidadão, onde é possível aceder a vários serviços de atendimento público no mesmo local potenciando o desenvolvimento da zona e onde nem falta o atendimento digital assistido, permitindo aos cidadãos interagir com a Administração Pública de uma forma rápida e eficaz. João Perdigão tem ainda um desejo que quer ver concretizado no seu mandato: construir um auditório para que todos os grupos e entidades associativas possam ter um palco para mostrar o melhor do seu trabalho.

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Freguesias ricas em tradição União de Freguesias de Covões e Camarneira A União de Freguesias de Covões e Camarneira foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa pela agregação das antigas freguesias e tem a sua sede em Covões.

Asdrúbal torres Presidente

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sta freguesia do concelho de Cantanhede tem cerca de 4000 habitantes no seu conjunto e uma vasta tradição gastronómica, musical e cultural. Covões, freguesia muito antiga tem a sua Banda Filarmónica, ininterruptamente, desde 1868 e, agregada a ela, uma escola de música de ensino gratuito. Tem ainda uma orquestra juvenil e um grupo coral. Merece ainda destaque o “Monumento ao Músico”,

homenagem do povo aos músicos e o recentemente inaugurado “Monumento aos combatentes” sem esquecer a imponente Igreja matriz e os Cruzeiros do Santíssimo de Covões e do Monte Arcado, assim como a escultura de Santo António executada por João de Ruão. Já em Camarneira, são paragens obrigatórias a Capela de Nossa Senhora dos Milagres, o Cruzeiro da Camarneira e o Monumento ao Emigrante. Estas são duas freguesias com uma forte ligação e tradição no associativismo, nomeadamente nas áreas socias, culturais e desportivas. Covões e Camarneira possuem três IPSS que atuam nas valências da infância e terceira idade. Mas é igualmente importante referir a excelência do leitão assado de Covões. Foi a partir desta convicção profundamente enraizada na comunidade que a Filarmónica de Covões decidiu organizar o Festival do Leitão do Concelho de Cantanhede, que decorre

anualmente em Covões, e cuja edição inaugural assumiu desde logo contornos de grande feira de gastronomia temática. Este evento, que celebra este ano a sua 10ª edição envolve todas as associações locais e tem como organizadores a Prodeco – secção de futebol e a Prodeco – centro social. Este ano o evento «decorre no fim de semana de 15 e 16 de agosto no Pavilhão de Covões e num ambiente geral de festa, animado com espectáculos musicais, folclore, actuações teatrais e mostras regionais diversas, o leitão é servido como manda a tradição, com batata cozida com pele, laranja e outros complementos e vai à mesa acompanhado com vinho de Cantanhede ou com o seu magnífico espumante tinto. Antes disso é possível apreciar outros pratos associados ao rei do certame, como a cabidela de leitão, confecionada de forma única, ou a entrada de bola de leitão, a anteceder a canja de galinha ou o caldo verde gandarez. A não perder.

“A qualidade é a nossa prioridade” RRMP A empresa nasceu em 2012, resultado da veia empreendedora de Manuel Ribeiro e João Paulo Ramos. Em três anos de trabalho, a RRMP tem 11 colaboradores e trabalha para o mercado europeu. Inicialmente, a empresa foi “criada para fazer peças para máquinas de ferramentas”, mas três anos depois estão também presentes na medicina dentária, no setor

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ediada na Zona Industrial da Praia da Tocha, a RRMP opera na área da metalomecânica de alta precisão, setor onde são exigidos critérios rigorosos de produção, assegurados pelo controlo de qualidade. Manuel Ribeiro, sócio e responsável de produção explica que “quando as pessoas nos perguntam o que fazemos, costumo dizer que estamos por trás de tudo aquilo que nos rodeia, produzindo componentes para vários utensílios”.

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automóvel e na aeronáutica, embora o maior volume de produção continue a ser para as máquinas ferramenta. Manuel Ribeiro trabalhou na área desde muito cedo, a experiência de 20 anos de trabalho na Suíça associada à “visão” do João Paulo Ramos, levaram os dois amigos de Cantanhede a constituírem a RRMP. Na altura, trabalhavam no ramo da distribuição, “a dada altura, João Paulo disse que devíamos mudar de setor, a distribuição ia entar em crise. Devíamos mudar para a área da metalomecânica”, revela o responsável de produção. O investimento inicial foi com capitais próprios e com o apoio do QREN, os “equipamentos que temos são muito dispendiosos”, explica Manuel Ribeiro, relatando como foram os primeiros meses de trabalho, “começámos com três máquinas, durante esse tempo, procurámos dois clientes para fazer peças de teste entrando naquilo

que consideramos ser o modo escola. Durante ano e meio fomos buscar pessoas com formação base em engenharia mecânica, é difícil formar os primeiros profissionais, mas depois é fácil, a formação agora é mais rápida”, ao fim de seis meses temos profissionais a produzir os primeiros componentes de forma autónoma. Futuramente, a RRMP pretende apostar na especialização, através da criação de setores distintos, a curto prazo querem chegar aos 20 colaboradores.


municípios em destaque

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REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

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sta edição da Revista Business Portugal coloca, mais uma vez, em evidência as dinâmicas autárquicas, os projetos e os objetivos dos autarcas, projetando as suas estratégias, no sentido de catapultar os seus concelhos e as suas freguesias para um desenvolvimento sustentável. Santa Marta de Penaguião apresenta-se como um município com grande expressão em termos culturais e patrimoniais, que respira história e tradição. As suas caves são um ex-líbris do concelho marcado pela produção de vinho de qualidade, sendo um dos principais motores económicos da região. Mais para sul, encontramos Gavião, uma vila portuguesa no distrito de Portalegre, com uma paisagem monumental, um artesanato tradicional e uma gastronomia regional rica, variada e saborosa, vale a pena conhecer este Alentejo diferente. Na freguesia de Vimeiro, as praias e o turismo de aventura e religioso aliados à história e cultura são os pontos-chave para atrair visitantes a esta que é a mais antiga freguesia do concelho da Lourinhã. Carregado e Cadafais é constituída por um conjunto de paisagens urbanas e, ainda, por alguns traços rurais que lhe conferem caraterísticas únicas, que valem a pena conhecer. A União de Freguesias de Apúlia e Fão torna a organizar o maior festival do marisco do norte, assim como a jornada gastronómica que já é distintiva da região. É em terras de sol e mar, com algum encanto à mistura que poderá, conhecer sabores e saberes. Aproveite ainda para conhecer Oleiros!

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No Douro os durienses têm que viver bem” município de santa marta de penaguião Em pleno “Reino Maravilhoso”, como Miguel Torga descreve a Região Demarcada do Douro, encontramos o pequeno município, apenas em dimensão mas grande em termos culturais e patrimoniais, de Santa Marta de Penaguião.

luís reguengo machado Presidente

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ntre curva e contracurva, num pequeno percurso entre Vila Real e o Peso da Régua, Santa Marta é um destino de paragem obrigatória. As suas Caves, que outrora foram as maiores da região e uma das maiores a nível nacional, são um ex-líbris do concelho pautado pela produção de vinho de qualidade, sendo um dos principais motores económicos da região. Os produtores conservam a tradição e as suas uvas produzem dos melhores vinhos do mundo, premiados consecutivamente alémfronteiras. Estes são alguns dos motivos para se deixar encantar por um dos concelhos mais bonitos da mais bela região do país. Um concelho que respira história e tradição Quando a questão é o surgimento da Região Demarcada do Douro, Santa Marta de Penaguião, ganha nítido destaque e Luís Reguengo Machado, líder do executivo municipal, começa por nos explicar o porquê. “Santa Marta é o melhor concelho da Região Demarcada do Douro por duas razões: primeiro porque é padroeira desta região e porque sendo a região do Douro a mais antiga região do mundo demarcada e regulamentada,

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foi um penaguiense Frei João de Mansilha que projetou, elaborou e fundamentou o Douro. Portanto, podemos dizer com muita alegria que o Douro nasceu a partir de Santa Marta e por isso somos o concelho mais diferenciador na região”. Assumindo o papel principal, o vinho de Santa Marta sempre acompanhou a gastronomia típica da região e é recorrente ser premiado pela sua qualidade e diferenciação. “A nossa gastronomia prende-se muito com a produção do vinho. O vinho é o nosso produto por excelência e a gastronomia acompanha-o de certa forma. Hoje em dia não é diferente mantemos o nosso cabrito, as nossas tripas, o nosso cozido. Temos vários pratos com castanha porque Santa Marta, para além do Douro também tem o Marão, o que nos dá um potencial turístico e de paisagem ímpar. Temos cerca de 15 produtores engarrafadores que, no último concurso em que estiveram presentes conseguiram 10 medalhas e o nosso vinho do Porto alcançou uma grande medalha de ouro”, realça o autarca. Potenciar a arte de bem receber Que o Douro está na moda, toda a gente o sabe mas,

para Luís Reguengo Machado ainda há muito a fazer no que respeita ao turismo duriense. “O Douro tem muita visita turística mas não tem turismo”, explica. No seu entender, a solução passa por apresentar o Douro na rua, pela qualidade de bem receber e pela apresentação dos melhores produtos que o Douro tem para oferecer. “Os agentes turísticos têm que perceber que para haver turismo tem que haver paisagem e para haver paisagem tem que haver criação de riqueza, ou seja, os durienses têm que receber em função daquilo que produzem para continuarem a produzir e a manter a paisagem e, simultaneamente, viverem bem para ficar no Douro. Passando este paradigma o que é preciso é que o Douro se sirva na rua. Há a ideia de que no Douro existem muitos e bons serviços e é verdade, que são as unidades hoteleiras de quatro e cinco estrelas e essas sim sabem servir bem mas, o nosso Douro serve-se na rua, serve-se na tasca, no restaurante, à beira da estrada e são esses os turistas que nos queremos, turistas que comam e durmam no Douro. Não queremos os que chegam aqui com um pacote pré-pago, em que fazem duas ou três visitas e vão embora, não deixando um


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cêntimo na região”. Em Santa Marta de Penaguião, esse trabalho já está a ser desenvolvido de modo a aumentar o fluxo turístico no concelho. “Estamos a desenvolver um trabalho junto da restauração e da hotelaria que passa por saber dar de beber, saber dar de comer e saber acolher. Temos também em andamento uma nova unidade hoteleira e temos a expetativa que em agosto a mesma vai avançar. O mais importante é termos o Douro em cada esquina, para que quem visite Santa Marta se sinta no Douro, que seja bem servido com o vinho e a gastronomia de qualidade de modo a que mais tarde volte e recomende aos seus amigos”. Ligação entre concelhos vizinhos Ferrovia a dez minutos, A24 a cinco e o rio Douro a mais de um par de minutos, chegar a Santa Marta é fácil. Num espaço médio de meia hora, o concelho proporciona várias realidades únicas no Douro. Na opinião de Luís Reguengo Machado, a proximidade entre Vila Real, Lamego e Peso da Régua deve ser potenciada como geradora de emprego para pessoas da região. “Não é prioritário que Santa Marta cresça enquanto emprego só por si. O que é prioritário é que o eixo Santa Marta, Vila Real, Peso da Régua e Lamego crie mais de mil empregos. É importante que se criem bolsas de emprego que permitam que as pessoas se mantenham nas suas casas”, ressalva acrescentando que a sua principal missão enquanto autarca passa essencialmente pelo bem-estar e felicidade dos penaguienses. Outra das soluções apontadas pelo autarca para a criação de emprego passa por gerar riqueza, nomeadamente através do vinho e das potencialidades de recursos do Marão como a castanha, a resina e o mel. Incentivar a produção de produtos regionais que permitam gerar rendimentos e que facilitem que as pessoas se fixem na região, nomeadamente os mais jovens que, segundo Luís Reguengo Machado, estão a começar a formar-se em áreas em que possam ser úteis para Santa Marta e que Santa Marta lhes possa dar a oportunidade para as aplicar. Iniciativas para penaguienses e não só Promoção é a palavra de ordem num concelho com vários eventos ao longo do ano. Na divulgação da cultura local reside a maior preocupação numa autarquia que começa a ser reconhecida nacional e internacionalmente. “Estamos a realizar muitos eventos culturais essencialmente para promover o nosso concelho porque entendemos que é através da nossa cultura que conseguimos vender os nossos produtos. Estes eventos têm duas vertentes: uma é local, ou seja, satisfazer as vontades da população local e proporcionar momentos de alegria e, numa segunda vertente o nosso objetivo é

criar eventos que tragam pessoas de fora”. Na Caminhada Noturna que a autarquia realizou, houve cerca de 600 participantes e mais de 350 vieram de fora de Santa Marta. “Tivemos espanhóis, gente de Lisboa, do Alentejo, do Minho e de Timor a participar na nossa Caminhada Noturna, sendo uma oportunidade muito boa para promovermos o nosso concelho. Estamos a realizar muitos eventos culturais essencialmente porque entendemos que é através da nossa cultura que conseguimos promover os nossos produtos. ”. A Semana Cultural de Santa Marta de Penaguião é uma tradição longa de 26 anos que visa dar às nossas coletividades a oportunidade de mostrarem os seus trabalhos e é uma montra extraordinária da cultura da região. Futuro promissor São muitos e promissores os projetos definidos para o futuro de Santa Marta de Penaguião. A educação, o emprego para os mais jovens e o turismo são as áreas

que irão merecer maior destaque e mais intervenção por parte da autarquia. “Para o futuro temos vários projetos âncora sendo que o primeiro é a felicidade e bem-estar de quem vive em Santa Marta. O segundo é a educação. É importante que Santa Marta forme as melhores pessoas do país para que seja distintiva e diferente. Por outro lado, temos as áreas económicas onde estão projetados três projetos a nível turístico: um centro de interpretação do Douro que irá ser complementado com um miradouro a que chamamos “Douro Vivo” em que colocaremos todas as castas regulamentadas e autorizadas do Douro e criar um espaço de lazer para que quem nos visite e queira estar durante o dia tenha todas as condições para se sentir em casa, complementado pelo Marão”. A nível económico os projetos passam pela criação de uma plataforma logística e de uma incubadora de empresas. “Se conseguimos concretizar todos estes projetos Santa Marta será um Município totalmente sustentável”, finaliza Luís Reguengo Machado.

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Festivais de sabores e de cores união de freguesias de apúlia e fão É em terras de sol e mar, com algum encanto à mistura que poderá, no próximo mês de agosto, saborear o que de melhor há no norte do país. A União de Freguesias de Apúlia e Fão torna a organizar o maior festival do marisco do norte, assim como a jornada gastronómica que já é característica da região. A apresentação dos festivais contou com uma degustação dos principais pratos que aí serão servidos.

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Luís Peixoto Presidente

oi junto às belas praias da Apúlia, e já com um aroma delicioso a pairar no ar, que Luís Peixoto, presidente desta União de Freguesias, juntamente com o seu Executivo, apresentaram o programa dos três festivais que, por esta altura, enchem Fão e Apúlia de turistas e de todos os que são ‘bom garfo’. Organizados integralmente pela União de Freguesias de

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Apúlia e Fão, Luís Peixoto refere que os festivais são complementares “e não se sobrepõem. Na Apúlia temos pratos variados, de carne e peixe, com destaque para o mais recente prato do concelho, o polvo da pedra. Em Fão, a aposta passa claramente pelo marisco”. A 11ª Jornada Gastronómica toma lugar entre 31 de julho e 5 de agosto, na freguesia de Apúlia, “é um evento mais diversificado”, diz Luís Peixoto, fazendo questão de referir que todas as condições de higiene e segurança estão garantidas. Este ano, o festival ocorre junto ao edifício da Colónia de Férias, proporcionando uma magnífica vista para o mar. Em Fão, de 8 a 17 de agosto, decorre a 19ª Festa da Cerveja e do Marisco que já é considerado por muitos o maior festival de marisco do norte. “Aqui temos marisco sempre fresco, complementado com

saborosas sobremesas típicas como as Clarinhas de Fão, os afamados folhadinhos e dois doces novos já galardoados: os Cavalinhos de Fão e as Folhas de Outono”, revela o edil. A complementar esta oferta gastronómica tem também lugar a Feira de Artesanato, um evento que é também já uma referência na região e que atrai muitos a Fão. Esta feira acontece em simultâneo com o festival de marisco, no mesmo recinto. Uma das novidades de 2015 passa pelo estacionamento, uma vez que está garantido um parque com capacidade para cerca de 160 viaturas, com vigilância. Do parque aos recintos está também garantido o transporte através de autocarros, que farão viagens regularmente de 10 em 10 minutos. Então, do que está à espera?


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Gavião, o concelho onde o Alentejo é diferente município de gavião Gavião pertence ao distrito de Portalegre e quer marcar a diferença através de uma aposta forte no turismo, a natureza da região é propícia com o Tejo em pano de fundo. Os museus e os percursos pedestres são outro dos atrativos e o município está a criar todas as condições necessárias para que Gavião se torne uma referência. Gavião é uma vila que pertence ao distrito de

josé pio Presidente

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Portalegre. O lema do município é “Um Alentejo diferente”, o que significa esta máxima? Situado ao extremo do Norte Alentejano, é por excelência o único concelho que abraça as duas margens do Rio Tejo pela freguesia de Belver. O concelho inserese no Distrito de Portalegre (Alentejo) e insere-se na sub-região do Alto-Alentejo. É composto por quatro freguesias: União das Freguesias de Gavião e Atalaia, Belver, Margem e Comenda. Nos dias de hoje, o concelho de Gavião dedica-se a uma economia virada para a agricultura, pecuária e pequena indústria, aliada a estes setores está a sua geografia muito diversificada e contrastante. A este contraste de paisagens multifacetadas há no entanto uma homogeneidade de alma humana: as gentes são de boa feição e de sublime beleza nos afetos. Por tudo isto nos intitulamos de ‘Um Alentejo Diferente’

Em termos turísticos e, para quem nunca visitou Gavião, quais são os atrativos do concelho? Que eventos há a destacar? Beneficiar das nossas paisagens, do Tejo, da Praia do Alamal, da Ribeira da Venda, do Castelo de Belver, do Museu do Sabão, do Museu das Mantas e Tapeçarias, dos Percursos Pedestres e de tantas outras coisas boas que temos e que pretendemos fomentar é um privilégio que os nossos visitantes podem desfrutar. Aliando a tudo isto uma oferta gastronómica de eleição, estão reunidos os condimentos para uma escapadinha ao ‘Alentejo Diferente’. Temos quatro freguesias com uma identidade muito própria e em todas queremos ter uma atividade de referência onde os produtos locais possam ser divulgados. Se em Belver temos a Feira Medieval, no terceiro fim de semana de junho e a Feira dos Folares, (sábado


REVISTA BUSINESS PORTUGAL MUNICÍPIOS EM DESTAQUE empresas, devolvemos a todos munícipes os 5 por cento de IRS que cabiam ao Município. Também nas políticas sociais, somos diferentes, ao contrário do Governo Central, acreditamos no Interior do País. Fomos contra o encerramento de todos os serviços de proximidade, queremos ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades de quem vive no Litoral.

de Páscoa) em Margem a já tradicional Festa do Feijão-Frade, (durante o mês de 0utubro) na sede de concelho a Feira de Artesanato Gastronomia e Atividades Económicas, (3º fim de semana de julho), na Comenda teremos, este ano, pela primeira vez na Ribeira da Venda a Festa da Juventude (18 e 19 de setembro). Para além disso, sobretudo nos meses de verão, são inúmeras e por todo o concelho as festas de cariz religioso e pagão. O Alentejo, à semelhança das regiões do interior do país, sente as dificuldades inerentes à desertificação. O município de Gavião está a ser afetado? O que está a ser feito para combater esta tendência? É verdade um dos grandes problemas do interior do país é a desertificação e o concelho de Gavião não foge à regra. Poderia enumerar imensas coisas que fazemos para minorar esta tendência, mas há uma verdade que é indesmentível, quando o poder Central não quer, não ajuda, não incentiva, todos os nossos esforços são infrutíferos. Lamentavelmente temos um país a duas velocidades, onde o Litoral é privilegiado em relação ao resto do país. É desumano e injustificado todos os dias sentirmos que os nossos jovens vão sair para estudar e não vão regressar mais. Será que o interior não tem potencialidades? Não acredito!!! Até porque ali ao lado está Espanha, mais propriamente a Estremadura Espanhola, e só a título de exemplo veja-se o incrível desenvolvimento de uma cidade chamada Badajoz. E já agora a talhe de foice, Madrid fica no interior de Espanha. Quais as infraestruturas disponíveis no concelho em termos de escolas e apoio a idosos? Em termos associativos existem entidades? Em jeito de brincadeira costumo dizer, que começamos a ter todos os espaços de utilização coletiva que têm as grandes cidades. Falta-nos gente para os utilizar. Temos um concelho devidamente infraestruturado, à nossa dimensão temos um centro de saúde moderno e eficiente, excelentes instalações escolares, uma biblioteca municipal devidamente equipada, um bom pavilhão desportivo, espaços verdes de qualidade, um moderno complexo desportivo, um cine teatro de excelente qualidade, uma rede viária adequada às

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necessidades, muitas e ativas associações e quatro lares de terceira idade, que fazem da economia social o maior empregador do concelho. Se estamos satisfeitos? Não, não estamos, queremos mais e melhor e para isso temo-nos vindo a substituir à Administração Central nos apoios aos nossos concidadãos senão vejamos: A criação do Cartão do Idoso que proporciona redução da água a 50 por cento do custo, a redução dos custos de ambulância também a 50 por cento e a existência de uma equipa multidisciplinar para pequenas reparações em casa. Também e através do Gabinete de Ação Social do Município existe uma parceria com a Universidade Sénior espaço de convívio de excelência para os menos jovens com aulas de música, culinária, bordados, costura, dança, teatro, informática, hidroginástica, etc. Para além disso é proporcionado a todos os séniores anualmente uma viagem que lhes permite conhecer

melhor o nosso país. Mas não descuramos o apoio aos mais jovens, as bolsas de estudo aos estudantes do ensino superior, a oferta de manuais escolares a todos os estudantes até ao 2º Ciclo, os apoios à natalidade, os apoios à construção de habitação para os mais jovens, são exemplos que referenciamos. Inserido ainda na política de fixação de pessoas e empresas no concelho, fixamos as mais baixas taxas de IMI permitidas por Lei, isentamos de derrama as

Quais os projetos, que a Câmara Municipal de Gavião, tem para o futuro? De forma sustentada entendemos como fundamental a criação de postos de trabalho como grande projeto para o futuro e é nesse sentido que a nossa maior aposta incidirá na criação de um espaço na Zona Industrial que pretenderá ser uma incubadora de empresas, sobretudo viradas para o empreendedorismo e novas tecnologias. Não descuramos contudo aquilo que entendemos ser uma lacuna na sede de concelho, a inexistência de uma piscina municipal descoberta e tudo faremos para que esse objetivo também seja uma realidade. Manteremos uma aposta forte na criação de condições para que o turismo seja uma das nossas principais fontes de riqueza e de criação de postos de trabalho. Para finalizar, gostaria de deixar alguma mensagem aos seus munícipes? Como já perceberam, mantemo-nos fiéis ao nosso

compromisso eleitoral. Temos como primeira prioridade as pessoas, a exclusão social, e o apoio ao desemprego. Somos ambiciosos e estamos confiantes que com a ajuda de todos conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos. Somos audazes nas propostas e determinados na sua defesa. Queremos um concelho dinâmico e preparado para os desafios da modernidade. Queremos mais e melhor concelho de Gavião.


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Uma freguesia viva união de freguesias do carregado e cadafais Inserida na grande área metropolitana de Lisboa, a freguesia do Carregado e Cadafais oferece “qualidade de vida, onde o objetivo principal é proporcionar bem-estar a todos os habitantes”. Quem o afirma é José Manuel Mendes, presidente da junta de freguesia do Carregado e Cadafais responsável pelo comando dos destinos da terra.

José manuel mendes Presidente

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arregado e Cadafais é uma freguesia portuguesa do concelho de Alenquer com cerca de 15 mil habitantes e cerca de 25 quilómetros quadrados. A freguesia que pertence ao núcleo urbano da cidade é banhada pelo rio Tejo e é constituída por um conjunto de paisagens urbanas e, ainda, por alguns traços rurais que “lhe dão uma característica diferente”, refere o autarca. Uma freguesia extremamente diversificada e rica culturalmente “temos uma população com bastantes etnias e várias comunidades, sobretudo Cabo Verdianos, Paquistaneses, Chineses, Ucranianos, Angolanos, Guineenses, Moçambicanos, Brasileiros, há uma grande diversidade cultural”, conta José Mendes, presidente da junta de freguesia. Com bastantes equipamentos públicos, de teor social e de serviço à população, tais como centro de saúde, posto de correios, escolas com 1º, 2º e 3º ciclo e cerca de 11 coletividades “que ajudam a tornar mais eclética a própria resposta cultural, recreativa e desportiva da freguesia”, boas acessibilidades e uma ótima rede de transportes esta é uma freguesia com “características arquitetónicas muito específicas”, que se “sustenta a

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ela própria” e que “qualifica a vida de quem cá reside”, salienta o presidente. Em termos empresariais, embora tenham uma elevada taxa de desemprego, tem também nos seus domínios algumas empresas de referência nacional e internacional, tais como a Matutano, indústrias do ramo automóvel – Manuel da Conceição Graça, Salvador Caetano -

na freguesia são os festejos do 25 de abril com uma volta de bicicleta à freguesia, o dia da vila que se realiza a 4 de junho onde consagram duas entidades ou personalidades que se destacaram na vila ao longo dos tempos. As festas dos Cadafais em final de julho e em setembro as festas do Carregado. No Natal realizam um almoço de convívio com os idosos da freguesia. E em

empresas de logística - Luís Simões, armazéns das grandes superfícies comerciais, e algumas pequenas e médias empresas. “Foi feito um estudo por uma empresa de marketing que revelou que a freguesia representava cerca de 50 por cento da receita total direta e indireta no concelho de Alenquer”, acrescenta José Mendes. Do ponto de vista turístico temos o ex-libris da antiga freguesia do Carregado um marco de caminho para indicações das estradas, em Cadafais temos duas torres romanas e ainda, temos a primeira linha de caminhos de ferro em Portugal. Já no que toca à gastronomia a região tem como produto típico as broas de mel.

paralelo, colaboram com as escolas locais no Carnaval, no dia mundial da criança e no encerramento do ano letivo.

Festividades Os eventos e demais certames que ocorrem anualmente

Ação social A intervenção das Autarquias e dos Municípios no âmbito da Ação Social, tem-se revelado cada vez mais indispensável e pertinente, tendo como principal objetivo a atenuação dos fenómenos de pobreza e exclusão social. Assim sendo, e com um grande número de famílias carenciadas a Junta de Freguesia de Carregado e Cadafais procura dar respostas às necessidades existentes no âmbito da ação Social, apresentando um inúmero leque de serviços e projetos que possam ajudar na resolução de alguns problemas que surjam,


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junto dos segmentos mais vulneráveis da população. De maneira, a conseguir promover uma plena integração social. “Temos uma loja social nas antigas instalações da escola primária, onde as pessoas têm ao dispor vestuário, calçado, móveis e alimentos. Mensalmente distribuímos um cabaz com géneros alimentares a cerca de 90 famílias carenciadas; diariamente uma empresa fornece a cerca de 20 crianças necessitadas o jantar; temos o convívio sénior para pessoas com mais de 50 anos para que estas possam ocupar de forma positiva os tempos livres; apoiamos pontualmente, dentro do possível, a compra de medicamentos para pessoas necessitadas; organizamos passeios com os mais idosos. Já nas instalações da junta temos apoio judicial, pagamos a um advogado para fazer um trabalho de aconselhamento, temos também ao serviço da junta uma psicóloga que também faz trabalho comunitário, principalmente direcionado para crianças. Também fazemos apoio em termos de documentação para a segurança social, temos também um protocolo com o instituto de emprego e formação profissional onde as pessoas que estão desempregadas e estão à procura de emprego podem vir às instalações da junta no âmbito do registo eletrónico quinzenal e também temos uma colaboração com a reinserção social em que recebemos

várias pessoas que cumprem horas de trabalho comunitário, em colaboração com a Direção – Geral de Reinserção e Serviços Prisionais – Equipa do Oeste”, conta o presidente. Projetos Relativamente, a projetos futuros “já disponibilizamos um espaço para ter uma loja do cidadão e estamos aguardar a aprovação. Enviamos um baixo assinado e várias petições dos utentes do Centro de Saúde do Carregado, para o Ministério da Saúde, Diretor do ACESAgrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo e ao Diretor da ARSLVT – Administração Regional de Saúde Lisboa e Vale do Tejo, IP, a reclamar sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Carregado. Solicitámos, mais uma vez, à Câmara Municipal de Alenquer e a outras entidades competentes a limpeza urgente do Rio da Regateira (Ribeira do Sarra). Assim como a resolução urgente das descargas de poluentes nesta ribeira, e dos maus cheiros dai provenientes. Temos envidado esforços no sentido de existir mais policiamento de proximidade. Reclamámos também a urgência da construção de um parque urbano com zonas pedonais” conclui.

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Município rico em património natural município de oleiros Situado numa zona de grande beleza natural, o município de Oleiros carateriza-se pelas suas paisagens rurais de pinhais e abundantes cursos de água. É também na sua gastronomia tradicional e única que reside uma das principais razões que tornam Oleiros um ponto de paragem obrigatória.

vítor antunes Vice-Presidente

“O

leiros tem um património natural e gastronómico riquíssimo e ao longo destes anos o município tem tentado tirar o maior proveito disso já que no meio onde estamos inseridos não abunda outro tipo de património”, conta-nos Vítor Antunes, vice-presidente da câmara municipal. Oleiros apresenta também um interessante património religioso, como se pode observar na sua Igreja Matriz,

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classificada como Imóvel de Interesse Público. Evolução no setor do turismo No entender de Vítor Antunes e do atual executivo municipal a grande aposta de futuro do município deve passar pelo turismo e consequentemente pela criação e dinamização de unidades hoteleiras e restauração. “Temos tentado divulgar e criar condições que possam trazer até nós o máximo de visitantes e de turistas.

Se recuarmos alguns anos praticamente não existia uma cama para as pessoas pernoitarem em Oleiros. Hoje, felizmente essa situação já não acontece e o nosso concelho dispõe de algumas boas unidades de alojamento”. Neste sentido, Vítor Antunes enumera algumas unidades hoteleiras que estão ao dispor dos visitantes e turistas dando especial destaque ao Hotel Santa Margarida. “Recordo o Hotel de Santa Margarida, que entrou em


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funcionamento em 2012 e que o município construiu através dos seus meios sendo que o terreno já nos pertencia O município criou a infrestrutura, equipou-a e abriu o procedimento com vista à concessão desse hotel. À margem disto têm surgido outros investidores do concelho e hoje Oleiros já dispõe de boas unidades a nível de turismo e alojamento”. O autarca destaca igualmente e numa vertente de turismo rural, o empreendimento Vilar dos Condes, na freguesia de Madeirã, a Casa dos Hospitalários na freguesia de Álvaro, uma aldeia integrada na rede de Aldeia de Xisto, uma unidade de alojamento na freguesia do Estreito, o turismo rural de S. Torcato Moradal, um dos mais antigos do concelho e também a Casa do Dão, esta em Oleiros. A criação de um novo empreendimento, designado Refúgidos do Pinhal, é também uma realidade neste concelho empreendedor, um projeto que está em fase de ultimação das obras e que entrará em funcionamento ainda este mês de agosto.

concelho”, frisa o vice-presidente. No seu entender, a integração no Geo Parque NaturTejo é também uma mais valia e uma das principais razões para receberem cada vez mais pessoas no concelho.

“Com todas estas unidades hoteleiras foram criadas as condições para que as pessoas possam vir a Oleiros visitar o concelho e degustar a nossa gastronomia que é riquíssima”, declara Vítor Antunes.

de incentivos para que as pessoas se possam fixar aqui. Estes incentivos, sem a criação de emprego, não são suficientes”, reflete. No sentido de combater o desemprego e a consequente desertificação, o município criou um Gabinete de Apoio ao Investidor, para apoiar quem queria criar o seu negócio e o seu posto de trabalho no município. “Temos vários produtos endógenos e a aposta deve e poderá passar por aqui”, acredita Vítor Antunes.

Cabrito Estonado e o seu Festival Oleiros é conhecido pelo seu cabrito estonado, uma especialidade única e no sentido de divulgar e promover esta iguaria realiza-se no concelho um festival anual, o Festival do Cabrito Estonado. Este ano, o município concretizou um desejo antigo que consistia na criação da Confraria do Cabrito Estonado, que teve lugar no dia 31 de maio deste ano. Mas os eventos não se ficam por aqui. “A partir do próximo dia 5 de agosto entraremos na época alta de Oleiros em que de facto nos visitam muito imigrantes e pessoas de concelhos vizinhos. Vai abrir nesse dia a nossa XV Feira do Pinhal, um certame que ganhou expressão e que trouxe algum dinamismo ao nosso território. Nesta feira é possível encontrar os nossos melhores produtos, o melhor artesanato e gastronomia da região para além dos espetáculos musicais e dos nossos espetáculos pirotécnicos, já que estamos no concelho em que temos uma das melhores unidades pirotécnias do país, que é a Pirotecnia Oleirense”, explica Vítor Antunes. Ao longo dos anos a câmara tem vindo a trabalhar a questão do turismo e para isso muito contribuiram as associações do concelho. Associações dinâmicas e que colaboram com regulariedade nestes eventos e em vários que a câmara organiza ao longo do ano. “No ínicio de novembro o município promove também o Festival do Medronho e da Castanha, onde fazemos uma mostra desses produtos e o respetivo calendário de animação. Em conjunto com a associação Pinhal Total, o município organiza também uma Rota BTT pelo

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Criação de emprego e fixação de pessoas na região Vítor Antunes assume que uma, se não a principal preocupação do executivo, é criar condições para empresas se sediarem no concelho e consequentemente gerarem emprego pois como na maior parte dos municípios do interior do país, Oleiros debate-se com a desertificação. “As empresas não se vão sediar em Oleiros se não criarmos as condições para isso e consequentemente as pessoas não se vão fixar cá. Temos incentivos para a natalidade, temos a água ao mais baixo custo do país, apoiamos as nossas crianças a nível de transportes escolas e dos livros, enfim, temos um lote

Apoio Sénior Para apoiar a classe sénior do concelho, maioritariamente marcado por uma população mais idosa, o município desenvolveu vários projetos inovadores no concelho. “Disponibilizamos uma carrinha de transporte para os idosos usufruirem de tratamentos nas Termas da Ladeira

e temos também uma Unidade Móvel de Saúde que percorre as nossas freguesias com uma assistente social e uma enfermeira e que prestam alguns cuidados necessários a nível de saúde a quem necessitar”, explica Vítor Antunes. Numa vertente mais cultural e diversificada, o município apoia também as visitas anuais levadas a cabo pelas freguesias disponibilizando para o efeito os seus autocarros à população sénior. Preocupação ambiental Oleiros é um concelho maioritariamente florestal e foi alvo de um flagelo muito grande ao longo destes anos sendo que o mais grave foi em 2003 em que praticamente 60% do seu território foi afetado por um grande incêndio. Hoje, a floresta esta praticamente composta a nível de regeneração natural e o “que necessitava era de limpeza e desbaste para que não aconteça o mesmo flagelo”, diz o autarca. Com as recentes visitas do Secretário de Estado do Ordenamento do Território e do Ministro do Ambiente, a autarquia quer consolidar passos no sentido de preservar essa floresta. “É igualmente importante delimitar espaços e territórios, saber quem são os seus donos e estes tratarem deles a nível de limpeza. Tem sido um trabalho muito árduo por parte do município”, frisa. Apesar do desgaste e esforço que é necessário, Vítor Antunes admite que gosta de se sentir útil às gentes da sua terra e que quando querem tratar de um assunto “é à minha porta que vem bater, dando algum espaço ao presidente da câmara, que tem igualmente muito trabalho.” “Estou muito satisfeito, tem sido um desafio muito aliciante”, finaliza.


Hotel do Parque - Health Club & Spa Termas de S. Pedro do Sul

Eventos e Reuniões Business Center O Hotel do Parque dispõe das infra-estruturas e dos equipamentos necessários para responder às necessidades de grupos empresariais, na realização de congressos, apresentações, reuniões, workshops, simpósios, seminários ou colóquios. Todas as salas têm luz natural e estão equipadas com retroprojectores, ecrãs, sistema de som, quadros de apoio e Internet sem fios - Wireless. Dispõem ainda de salas para equipas de secretariado e bares de apoio para coffee break com serviço de catering.

Aventura e Lazer Pode sempre aliar ao trabalho um pouco de lazer. A nossa unidade proporciona ainda momentos inesquecíveis, contando para isso com um Salão de Festas com capacidade para 350 pessoas e um Health Club & Spa para praticar um pouco de exercício ou simplesmente relaxar. Mas se procurar um pouco de atividade ao ar livre pode sempre aventurar-se em passeios TT, caminhadas ou atividades mais radicais num belo cenário rodeado de serras, rios e passando também por aldeias de xisto.

Salão Terrace O Salão Terrace está preparado para receber vários eventos, com possibilidade de se subdividir em três salas independentes. Capacidade. 150 pessoas com plateia, 45 pessoas em mesa em «U», 100 pessoas organizadas em sala de aula ou 350 pessoas em banquete ( mesa redonda). Cada uma das sub salas recebem 25 pessoas em plateia, 20 pessoas em mesa em «U» e 20 pessoas em sala de aula.

Auditório O auditório do Hotel Do Parque é uma sala em anfiteatro, preparada com os mais recentes equipamentos audiovisuais. O auditório tem capacidade para 175 pessoas e está equipado com vídeo projector, retroprojector, quadros de apoio, ecrã, sistema de som, videoconferência e cabine para tradução simultânea.

Rua do Serrado - Termas de S. Pedro do Sul . 3660-692 Várzea | Tel: 232723461 | geral@hoteldoparque.pt | www.hoteldoparque.pt


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Revista Business Portugal | Agosto '15  
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