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sum á rio

A BAHIA DOS SEUS OLHOS 08 ONLINE E MURAL 14 FÓRUM DE LIDERANÇA [B+] 16 BLOCO DE NOTAS 18 IMÓVEIS+ 24 MÍDIA+ 28 nEGÓCIOS 29 Precisamos de mais shoppings? 30 [C] 20 anos de Plano Real 35 Contabilidade sem complicações 36 Especial Saúde 38 Expectativa empresarial para o próximo governo 52 [C] A economia do interior da Bahia 55

GOVERNANÇA CORPORATIVA 56 O LEGADO DE NORBERTO ODEBRECHT 59 AZUL SE VOLTA PARA A BAHIA 64 EDUCAÇÃO 67 A importância da educação técnica 68 [C] Comunicação e gestão 72

SUSTENTABILIDADe 73 A Bahia descobre a energia eólica 74 [C] A Copa e o know-how 78

LIFESTYLe 79 Sabor 80 [C] Foco no produto X foco no cliente 82 Decoração e bons pratos 85 O que fazer no Soho 86 [C] Arquitetura como afirmação de marca 88 Autos&Motos+ 90 Guia do soteropobretano 92 Coaching para quê? 94 Notas de Tec 96

aRTE E ENTRETENIMENTO 97 bienal da bahia 98 Homenagem a joão ubaldo ribeiro 102

CONTE AÍ 104 6

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galeria

A Bahia dos seus olhos 1

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Com uma câmera na mão e um estado cheio de possibilidades, os leitores da [B+] mostram através de fotos qual é a Bahia que eles enxergam. Veja algumas imagens abaixo.

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[A-1] @bruolvr [A-2] @lucianomoraes77 [A-3] @mldms [A-4] @claudiojansen [A-6] @fabio_cezar [B-1] @daniellima [B-3] @herbpoison [B-6] @cris_serra [C-3] @laiov [C-5] @piuvitoria [C-6] @falsantos [D-1] @caiccosta [D-2] @kelvinyule [D-5] @kikosilva [E-1] @dcampbell1988 [E-2] @yukadiamantaras [E-4] @adrianoccsilva [F-1] @ricksoncaique [F-4] @daniellima [F-5] @dcampbell1988 [F-6] @jonas.ngr

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Quer participar? Tire uma foto da sua cidade e marque com a hashtag #revistabmais. As melhores serão publicadas na próxima edição.


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A edição 25 traz na capa a criação do baiano Cristiano Franco.

[Tiragem] 10 mil exemplares [Periodicidade] Bimestral [Impressão] Halley SA

[Conselho Institucional] Aldo Ramon (Júnior Achievement), António Coradinho (Câmara Portuguesa), Antoine Tawil (FCDL), Felipe Arcoverde (Abedesign-BA), Jorge Cajazeira (Sindipacel), José Manoel Garrido Gambese Filho (ABIH-BA), Mário Bruni (ADVB), Laura Passos (Sinapro), Pedro Dourado (ABMP), Renato Tourinho (Abap), Wilson Andrade (Abaf) [Conselho Editorial] César Souza, Claudio Vinagre, Cristiane Olivieri, Geraldo Machado, Ines Carvalho, Isaac Edington, Jack London, Jorge Portugal, José Carlos Barcellos, José Roberto Mussnich, Luiz Marques, Maurício Magalhães, Marcos Dvoskin, Masuki Borges, Reginaldo Souza Santos, Renato Simões Filho, Rubem Passos Segundo e Sérgio Nogueira [Diretor Executivo] Renato Simões Filho renato.simoesfilho@grupobmais.com.br [Editora-chefe] Núbia Cristina nubia.cristina@grupobmais.com.br [Editor Assistente] Pedro Hijo pedro.hijo@grupobmais.com.br

Realização Editora Sopa de Letras Ltda. [Presidente] Rubem Passos Segundo (rubem.passos@grupobmais.com.br ) [Diretor de Publicações] Claudio Vinagre (claudio.vinagre@grupobmais.com.br) [Diretora Comercial] Adriana Mira (adriana.mira@grupobmais.com.br) [Diretora de Marketing] Bianca Passos (bianca.passos@grupobmais.com.br) [Diretor Financeiro] Luiz Marques Filho (luiz.marques@grupobmais.com.br) [Gerente Comercial] Ana Carolina Pondé (carol.ponde@ grupobmais.com.br) [Gerente de Planejamento] Rafael Abreu (rafael.abreu@grupobmais.com.br)

[Repórter] Carlene Fontoura carlene.fontoura@grupobmais.com.br

Reserva de anúncio publicidade@revistabmais.com 71 3012-7477

[Projeto Gráfico e Diagramação] Person Design

CNPJ 13.805.573/0001-34

[Colaboração Arte] Leandro Maia Rafaela Palma

Pontos de Venda

[Fotografia] Studio Rômulo Portela [Revisão] Rogério Paiva [Colunistas] Armando Avena, Guilherme Baruch, Glenda Zaine, Isaac Edington, Luiz Marques, Monique Melo, Mila Peixoto, Núbia Cristina, Iuri Barreto, Roberto Nunes, Myriam Fraga.

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A Revista [B+] pode ser lida no site (www.revistabmais.com.br), tablets, smartphones e encontrada nas principais livrarias e bancas de revista da cidade. Pergunte na banca mais próxima da sua casa.

Salvador - Bahia 71 3012-7477 Av. ACM, 2671, Ed. Bahia Center, sala 1101, Loteamento Cidadela, Brotas CEP: 40.280-000 w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m


editorial

Justa homenagem O jornalismo anda de mãos dadas com a história. Em sua frenética atividade de registrar o cotidiano, o jornalista toma para si atribuições típicas do historiador, ao pesquisar, estudar e escrever sobre acontecimentos importantes, figuras ilustres ou personagens que marcaram uma época. No fechamento desta edição, a equipe da [B+], como todo o mundo, foi surpreendida pela notícia da morte do engenheiro e empresário Norberto Odebrecht, fundador da Organização Odebrecht. Logo após a veiculação da nota no portal do grupo, sábado, 19 de julho de 2014, a redação desconstruiu o planejamento anterior e se dedicou ao desafio de produzir uma edição especial, capaz de registrar acontecimentos marcantes da vida do ‘Doutor Norberto’, um homem que acreditava na educação pelo trabalho, que dedicou grande parte do seu tempo à formação de pessoas, que entendia o quanto o ser humano é capaz de ganhar quando descobre sua missão pessoal e aprende a servir. Para vencer o desafio de produzir uma edição capaz de prestar homenagem digna a um dos maiores líderes empresariais do Brasil, fomos investigar a história deste empreendedor que nasceu em Recife, em 1920, e mudouse para Salvador aos 5 anos. Começou a trabalhar na empresa do pai, Emílio Odebrecht, aos 15, onde aprendeu os ofícios de pedreiro, serralheiro, armador. Conversamos com amigos e pessoas que trabalharam com ele. Foram unânimes ao destacar a grandeza da herança deixada, que vai muito além da geração de riquezas, emprego e renda. Diz respeito à criação de uma cultura empresarial ética. Além da homenagem ao ‘Doutor Norberto’, destaco a entrevista com o presidente da Azul, o baiano Antonoaldo Neves, na qual revela com exclusividade que a companhia vai dar vida à operação internacional em dezembro próximo, oferecendo voos diretos de Campinas para Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida. Coincidentemente, ele começou a carreira na Odebrecht e enxerga semelhanças entre o modelo de governança corporativa dessas duas empresas, que preconizam a delegação e a confiança no ser humano. Nesta edição, trazemos exemplos de organizações que têm investido na melhoria das práticas de governança corporativa. Há ainda a reportagem sobre o crescimento dos shoppings na Bahia, com novos investimentos no interior. Não deixe de ler a matéria sobre energia híbrida. Vanguarda na produção de energia eólica, a Bahia atrai novos projetos que integram outras duas fontes limpas de eletricidade: solar e biomassa. No Especial Saúde, reunimos novidades, avanços em gestão e tecnologia em um segmento que não para de crescer. A escritora, poeta e biógrafa Myriam Fraga oferece um presente aos leitores: o belo texto em homenagem ao imortal João Ubaldo Ribeiro. Tem ainda uma matéria imperdível sobre a 3ª Bienal da Bahia, que acontece até o dia 7 de setembro e expõe os trabalhos de 200 artistas em 80 espaços espalhados pelo território baiano. Enfim, esse é o nosso cardápio, que traz ainda economia, sustentabilidade, decoração e lifestyle. Boa leitura!

Núbia Cristina, editora-chefe da Revista [B+]

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AMSTERDAM

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BRUXELAS FRANKFURT MUNIQUE

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PORTO

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NOVA YORK LISBOA

MIAMI

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ASTÚRIAS

HAVANA CANCÚN

SANTIAGO DE COMPOSTELA

PORTO RICO

BILBAO

VIGO

SANTO DOMINGO LA ROMANA PUNTA CANA

ZARAGOZA BARCELONA

DAKAR MADRI VALÊNCIA

CARACAS

IBIZA

BADAJOZ

GRANADA

PALMA DE MAIORCA

ALICANTE

SEVILHA MÁLAGA MELILLA

LANZAROTE

TENERIFE

FUERTEVENTURA

GRAN CANÁRIA

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SALVADOR (BAHIA) SANTA CRUZ DE LA SIERRA (BOLÍVIA)

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online e mural

Comentários ed.24 “Com certeza, uma das melhores, quiçá a melhor revista da Bahia. Artigos, matérias e reportagens incríveis. Parabéns Revista [B+]” Bolivar Alves, pela fanpage

Matéria Salvador, olhe mais para seus museus “Vejo sempre lá fora escolas levando seus alunos, do jardim de infância ao colegial, para visitar museus. Entendo que o gosto se toma quando cultivado desde cedo. Será que isso se aplica aqui?”

Capa

Bruno Sá, pela fanpage

“Viva a Copa! Queria mais dez Copas dessa. E depois? Depois ficam os benefícios”

Alexandre Figueiredo, pela fanpage

Coluna De olhos fechados: bem vestidos, mas com o bumbum de fora “O Brasil ainda precisa melhorar, mas já estamos numa condição bem melhor, diga-se de passagem. Falta à população buscar conhecimento, os políticos honrarem as suas responsabilidades e os empresários descobrirem que, com a melhoria das classes baixas, suas empresas têm mais chances de crescimento. É difícil, mais é mais ou menos por aí”

“Por que jogam lixo nas ruas, muitas vezes de dentro de carros bacanas, mas acham a limpeza e a educação de países europeus e norte americanos fantásticas? Esquizofrenia conveniente, baixa autoestima, complexo de vira-lata... Psicanalistas, sociólogos e antropólogos, se manifestem”

Irena Carneiro Martins, pela fanpage

Matéria Além do Cara Caramba Caraô “Um assunto tão relevante e a matéria não registrou o ponto de vista de nenhuma banda ou artista sobre o assunto?!”

Filipe Bezerra, pelo site

Ricardo Sena, pela fanpage As obras que ilustram a [B+] 25 são do artista baiano Mario Cravo Júnior. O acervo está disponível na Paulo Darzé Galeria de Arte, que fica em Salvador, na rua Dr. Chrysippo de Aguiar, Corredor da Vitória, telefone: (71) 3267-0930

“Não acho que o Brasil esteja melhor do que alguns países da Europa. Mesmo os Ibéricos e os Bálcãs, com toda dificuldade que enfrentam, têm melhores índices do que nós. Portanto, essa falácia de que somos ricos, 6ª, 7ª ou 8ª economia do mundo, não convence. É muito bom notar que enquanto uma Adorra tem um PIB de poucos bilhões, sua população é infinitamente menor do que a nossa. Isso faz a diferença. Educação, saúde, cultura, segurança, saneamento básico, isso, sim, é importante”

As mais curtidas em nossa fanpage

Walter Lopes Frota, pela fanpage

[01] Coluna: De olhos fechados: bem vestidos, mas com o bumbum de fora [02] Salvador, olhe mais para seus museus [03] Coluna: Legado da Copa (?) [04] Além do Cara Caramba Caraô [05] Imóveis+

Matéria A gente não quer só comida “Cada vez que vejo isso de classe A, B, C, sinto que o Brasil regride. Algo como o sistema de castas indiano”

Odair Barbosa Junior, pela fanpage

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Errata

Na matéria “Salvador, olhe mais para seus museus”, o cargo de Sylvia Athayde não foi publicado. Sylvia é diretora do Museu de Arte da Bahia (MAB).

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Coluna Legado da Copa (?) “Comparando tantos projetos que sempre vimos nos outros países que sediaram Copas do Mundo, é fácil constatar que nossos estádios são clichê, sem nenhum requinte arquitetônico. São bonitos porque são novos, mas só por isso. Acho que a única exceção é a Arena Pantanal, que é bem bonita”

Reynaldo Costa Neto, pela fanpage

Matéria Por que nossos serviços são ruins? “Não sou de Salvador. Gosto muito daqui, mas, infelizmente, tenho que admitir que foi a primeira coisa que notei quando cheguei: o mau atendimento. A falta de preparo atinge vários setores. Bancos, restaurantes, colégios, salões de beleza. Ainda não decifrei o porquê. Mas nota-se que falta agilidade, preparo e boa vontade. Colocar aquela alegria que só o baiano tem, na vida profissional também”

Caroliny Anache, pela fanpage

“Complexo de vira lata, primeiro diziam que não ficariam prontos, agora que ficaram prontos, dizem que não ficaram bonitos”

Paulo César Araújo, pela fanpage

Queremos te ouvir

Imóveis+ Obras do hotel Fasano devem começar em julho

A Revista [B+] abre espaço para que você, leitor, dê a sua opinião, crítica e sugestão sobre as nossas matérias. O que lhe agradou? O que poderíamos melhorar? Qual a sua dúvida? Queremos saber o que você tem a dizer para que o conteúdo da [B+] esteja sempre alinhado com o que você quer ler.

“Aqui no comércio as obras nunca saíram do papel. Parece que as famílias que são donas do terreno estão negociando. E na praça, a obra tá parada há um tempão!”

Existem diversos canais pelos quais podemos manter este contato:

Thiago Pacheco, pela fanpage

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Site www.revistabmais.com.br E-mail redacao@grupobmais.com Telefone 71 3012-7477

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14º Fórum de Liderança [B+] debate sobre gestão de saúde FOTOs: Paulo Sousa

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[01] Renato Simões (Grupo [B+]), José Álvaro Carneiro, Marconi Sampaio (palestrantes) e Maiara Liberato (Duetto Eventos); [02] Breno Sena (Hospital Evangélico da Bahia); [03] Carlos Alberto Dumet (Hospital Espanhol); [04] Cláudio Neves (Natulab); [05] Cristina Soares e Eliane Simoni (Hospital Aliança); [06] Eduardo Cruz (Itaigara Memorial); [07] Eraldo Moura (Promédica); [08] Joel dos Santos, (Natulab) Dionísio Ribeiro Neto e Carlos Guimarães (Gofarma Distribuidora); [09] Leila Brito (Fundação José Silveira); [10] Litza Gusmão (Hospital São Rafael) e Maiara Liberato (Duetto Eventos); [11] Marcos Pedreira (Hotel Portal da Cidade); [12] Adriana Mira (Grupo [B+]); [13] Roberto Sá Menezes (SCMB); [14] Rubem e Vera Passos e Eduardo Giudice (BBoss); [15] Wagner Benjamin (Vitalmed)

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+ no site: veja fotos e palestras na íntegra

Na manhã de 31 de julho, empresários e lideranças do mercado de saúde se encontraram no Hotel Matiz, em Salvador, para o 14º Fórum de Liderança [B+]. O evento discutiu as boas práticas em gestão de saúde e contou com palestras de José Álvaro Carneiro, diretor geral corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, e Marconi Sampaio, fundador e atual diretor-presidente da Natulab Laboratório. O 14º Fórum de Liderança [B+] teve patrocínio da Inovacred Desenbahia, Hospital Santa Izabel, Fundação José Silveira e Grupo Natulab, além do apoio da Central de Outdoor, Uranus2, Cidadelle, Enseada, Hotel Matiz e Texto&Cia. O evento teve ainda a Revista [B+], a BandNews FM e o A Tarde como parceiros de mídia.


blo co de no ta s FOTO: Carol Garcia/GOVBA

Saúde

Pesquisa

Complexo para tratamento de câncer é inaugurado em Lauro de Freitas

Bahiafarma é reaberta e vai produzir remédios para SUS

O Nordeste conta com mais uma estrutura para o tratamento do câncer. O Complexo Médico Delfin (CMD) foi construído em Lauro de Freitas e inaugurado em julho. Este é o primeiro centro brasileiro deste tipo pertencente à iniciativa privada e atenderá também pelo SUS. O Complexo recebeu um aporte de R$ 60 milhões e irá gerar mais de 300 empregos diretos. A capacidade de atendimento diária inicialmente é de 2000 pacientes em parceria com convênios e outros acordos.

leia entrevista com Delfin Gonzalez na pág. 50

indústria

Mercado de cosméticos na Bahia A Bahia possui 68 empresas habilitadas na área de cosméticos, sendo que 85% são de micro e pequeno portes. Essa afirmação foi feita por Arthur Gradim, consultor do Programa de Desenvolvimento Setorial de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, no seminário “Boas Práticas de Fabricação Para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes”, no dia quatro de agosto, na Fieb – Federação das Indústrias do Estado da Bahia. Segundo Arthur, a Bahia representa 2,8% das 244 empresas presentes no Nordeste.

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Após 18 anos, a Bahiafarma, laboratório público vinculado à Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), foi reinaugurada no Centro Industrial de Aratu, no município de Simões Filho. O evento, realizado no dia 26 de junho, contou com o lançamento da Cabergolina, produto voltado para uso em pessoas com distúrbios hormonais que hoje é importado da Itália e da Argentina. A produção da Cabergolina, estimada em mais de um milhão de comprimidos ao ano, vai suprir 100% da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), gerando uma economia ao Ministério da Saúde, no primeiro ano, de R$ 3,7 milhões. Fruto de um convênio entre os governo federal e estadual, a Bahiafarma recebeu um investimento R$ 29 milhões (sendo R$ 2 milhões provenientes do estado), que custearam as obras físicas e os equipamentos da unidade industrial localizada no Centro Industrial de Aratu (CIA), em Simões Filho. O projeto vai ampliar a atuação do estado no campo da farmácia, que abrange pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico. A capacidade de produção da planta é de 60 milhões de comprimidos a cada bimestre.


Frango

a テゥ c i r MComabu ina com tudo. SEM HORMテ年IO


blo co de no ta s TURISMO

Efeito Copa:

94% dos turistas voltariam a Salvador

Timeline Os resultados do mundial são positivos para a capital baiana. Em pesquisa aplicada pela prefeitura com os turistas que visitaram Salvador durante a Copa, 94% do 2077 entrevistados afirmaram que gostariam de voltar. Entre os entrevistados, 33% eram estrangeiros. No total dos seis dias de jogo na Fonte Nova, Salvador recebeu 700 mil turistas, sendo 70 mil de fora do país.

3 de julho Prazo de contrato de trabalho temporário passa de seis para nove meses. Novas regras entram em vigor em todo o território nacional.

21 de julho Parque aquático baiano fica entre os melhores do mundo, segundo ranking do site TripAdvisor. O Eco Parque Arraial d’Ajuda aparece em 12º na lista encabeçada pelo espanhol Siam Park.

arte

9 de agosto 15ª edição da Exporural chega a Salvador. A expectativa é de uma movimentação de aproximadamente R$40 milhões em negócios durante os oito dias de feira.

10 de agosto

Dica de arte Nancy Carvalho é soteropolitana e desde pequena se sentia atraída por formas e cores. Agora, exprime a mistura entre experiência e juventude em seus quadros repletos de símbolos e detalhes. A obra acima chama-se “Liberdade” e você pode ter mais informações sobre a artista em nancycarvalho.com.br 20

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É o prazo final para as inscrições para o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2014 que visa reconhecer mulheres empreendedoras em todo o país


A BARBEARIA DO HOMEM MODERNO

marketing

Tricolor e rubro-negro: TIM renova patrocínio com Bahia e Vitória Quando o assunto é o futebol baiano, a operadora TIM escolheu atuar nos dois campos, sem rivalidades. A operadora fechou contrato de patrocínio por mais dois anos com o Esporte Clube Bahia e o Esporte Clube Vitória. A marca estará espalhada por onde quer que a bola corra: a logo da operadora estará estampada no número dos uniformes, backdrop e em placas de publicidade, entre outras ações desenvolvidas pela companhia durante os jogos. Atualmente, a TIM patrocina 11 clubes brasileiros e dispõe de chips personalizados com escudos e hinos dos times. Apostar nos loucos por futebol tem dado certo: no Brasil, a TIM conseguiu mais do que dobrar o volume de vendas mensal dos chips nos últimos 12 meses.

política

Candidatos se encontram com líderes empresariais e empreendedores O Grupo de Líderes Empresariais (Lide) promoveu encontros com candidatos ao governo da Bahia e principais lideranças do estado. Desde o dia 18 de julho, a cada quarta-feira um candidato foi convocado para expor seus projetos. Lídice da Mata, candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Rui Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Paulo Souto, do Partido Democratas (DEM), debateram com associados e convidados do Lide Bahia, incluindo os CEOs de grandes empresas do estado. No fim do mês de agosto, é a vez dos candidatos se encontrarem com jovens empreendedores. O evento “Encontro com os Candidatos ao Governo do Estado”, promovido pela AJE Bahia no dia 28 de agosto, debaterá as estratégias e políticas de estímulo às práticas empreendedoras. O encontro será realizado no Fiesta Bahia Hotel, às 8h. Rui Costa, Mário Dantas, presidente do Lide Bahia, Paulo Souto e Lídice da Mata

FOTOS: Rômulo Portela

Ruaa Ba R Barr Barros r sd de Fa Falc Falcão, lcãã 95 Matatu de Brotas - Salvador/BA

Tel.: (71) 3381-4253 www.cabeloebarba.com.br

SE FOR DIRIGIR NÃO BEBA


blo co de no ta s comércio FOTOS: Paulo Sousa

Mesa Diretora: secretário do Trabalho e Emprego da Bahia, Nilton Vasconcelos, ex-presidente da Fecomércio-BA, Carlos Amaral, o prefeito ACM Neto, o vice-presidente financeiro da CNC, Gil Siuffo, Carlos Andrade, o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Câmara, o presidente da ABCFarma, Pedro Zidoi

mobilidade

Bahia terá investimento de R$ 548 milhões para aeroportos do interior

“Um dos meus principais objetivos será o impulso à interiorização do Sistema” Carlos Andrade, em discurso de posse na presidência da Fecomércio-BA para o quadriênio 2014/2018, na noite de 16 de julho. 22

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Os aeroportos de Barreiras, Lençóis, Irecê e Teixeira de Freitas, na Bahia, vão receber melhorias através de recursos do Governo Federal, por meio do Programa de Investimentos em Logística. O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, esteve em Salvador para se encontrar com o governador Jaques Wagner e divulgar os investimentos que serão feitos no estado. Por meio do Programa, o Governo Federal contemplará 20 aeroportos baianos (sendo que 17 terminais aeroviários são regionais e três são de responsabilidade federal Infraero), com investimento previsto em R$ 548 milhões para a ampliação da aviação regional.

Indústria

De olho na Região Metropolitana Grupo O Boticário confirma inauguração da nova fábrica em Camaçari para setembro deste ano. O investimento do Grupo na fábrica baiana é de R$ 380 milhões e gerará 376 empregos diretos. A indústria terá capacidade de produção de 150 milhões de itens por ano, em 12 linhas de perfumaria e nove de cuidados pessoais.

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i móve is + Sede da seleção alemã agora é condomínio de luxo

por Núbia Cristina

Localizado na Vila de Santo André, no sul do estado, o Campo Bahia, sede da seleção alemã durante a Copa do Mundo 2014, tornou-se um empreendimento imobiliário de alto padrão. O complexo é um condomínio resort de luxo formado por 14 casas de dois andares, disponíveis para a venda e aluguel. A área comum inclui espaço de convivência, salas de jogos, musculação, piscina, campo de golfe, serviços de quarto, restaurante e sauna, dentre outros serviços adicionais. A diária de uma casa em frente ao mar, para até dez pessoas, custa R$7,5 mil na alta temporada. Um dia em outros imóveis, que hospedam até oito pessoas, custa de R$3 mil a R$4,5 mil.

FOTO: Divulgação

Líderes da indústria da construção reuniram-se em Goiânia no 86º Enic

Cajazeiras terá novo shopping popular Investimento de R$ 40 milhões do Grupo América Malls, o Shopping Cajazeiras deve ser inaugurado no primeiro semestre de 2015, em um dos bairros mais populosos de Salvador. A Consil é a responsável pela construção, e as obras foram iniciadas em maio deste ano. O diretor Fabiano Lebram ressalta que o empreendimento vai valorizar ainda mais o bairro, conhecido também pela força do comércio local. A construtora toca outro projeto do América Malls, o América Outlet, localizado em Feira de Santana. Serão investidos R$60 milhões nesse equipamento localizado às margens da BR-324, que também tem inauguração prevista para o próximo ano.

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Encontro Nacional da Indústria da Construção em Salvador A Bahia vai sediar em 2015 o 87º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), maior evento do setor na América Latina, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A realização do evento, que reúne as principais lideranças nacionais do setor, está a cargo do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) e da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA). Para a equipe que está trabalhando no planejamento do encontro, o maior desafio é encontrar um local adequado em Salvador. Como a esperada reforma do Centro de Convenções não acontece, existe a possibilidade de mais esse evento ir parar em algum resort localizado na Região Metropolitana. 24

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Visão apurada para enxergar boas oportunidades O empresário Edson Piaggio, presidente da EPP – Empreendimentos Imobiliários, investe em novos shoppings em Camaçari e Feira de Santana Presidente da EPP – Empreendimentos Imobiliários, Edson Piaggio não esconde o entusiasmo ao descrever, com detalhes, cada etapa dos três projetos com os quais está envolvido neste momento. Empreendedor por natureza, com habilidade incomum para enxergar oportunidades,

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Apoio:

o principal acionista do Boulevard Feira de Santana tem a perspectiva de inaugurar em abril de 2016 o Boulevard Camaçari, primeiro shopping da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Projeta para o segundo semestre de 2016 a inauguração do Park Shopping Feira e espera começar em outubro deste ano a construção de um empreendimento residencial de altíssimo luxo em Feira de Santana. Otimista, ele traça o melhor dos cenários para quem investe em shopping centers no interior baiano. O Boulevard Camaçari é um projeto da EPP, em parceria com a Iron House Real Estate - do grupo pernambucano Cornélio Brennand - e a empresa de investimentos do advogado Antonio Carlos Menezes. As obras de terraplenagem do empreendimento foram iniciadas há quatro meses. “Nossa expectativa é

começar a construção agora em agosto ou setembro”, afirma Piaggio. A EPP é um dos principais acionistas do shopping e responsável pela fiscalização das obras. O equipamento terá quatro lojas âncora, quatro megalojas e 120 lojas, entre satélites fast foods, além de quatro salas de cinema (Multiplex). Localizado na entrada de Camaçari, o shopping vai atender a todos os municípios do entorno. “Não temos qualquer dúvida sobre o sucesso do empreendimento, o primeiro da região, que está superando as expectativas desde a fase inicial do projeto, porque existe forte demanda naquela área”. Piaggio conta que o planejamento previa a instalação de apenas duas lojas âncora, mas a procura foi tão grande que o número foi dobrado. “Já fechamos com grandes marcas, mas por hora não posso revelar nomes”, diz. Ele


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Piaggio: aposta no crescimento dos shoppings no interior FOTO: Rômulo Portela

lembra que desde outubro de 2013 a RMS abriga o Outlet Premium, que comercializa produtos de grandes marcas com até 80% de desconto, a cerca de 15 km do aeroporto, na Estrada do Coco. “Estamos implantando outro perfil de empreendimento, o Boulevard Camaçari será o primeiro nesses moldes na região”. Segundo shopping de Feira A EPP não para, e as negociações estão avançadas com as empresas que irão instalar quatro lojas-âncora do Park Shopping Feira. A empresa de Edson Piaggio é um dos principais acionistas do empreendimento, tendo a Aliansce como sócia responsável pela estruturação do projeto, planejamento, comercialização das lojas e, posteriormente, administração do equipamento. Serão quatro megalojas, quatro semiâncoras e 104 lojas, incluindo satélites e fast foods, além de quatro cinemas (Multiplex). 26

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Previsto para ser implementado em três etapas, o empreendimento terá 25 mil metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) na primeira fase, mas a previsão é que esse número chegue a 40 na terceira fase. “A inauguração da primeira etapa está prevista para o primeiro semestre de 2016, mas iniciaremos a ampliação caso a demanda de mercado seja identificada”, diz. O investimento total (empreendedores e lojistas) no Park Shopping Feira é algo em torno de R$ 300 milhões, ao passo que os investidores vão aportar R$ 120 milhões. Quinze anos após a inauguração do Boulevard Feira, a cidade vai ganhar o segundo shopping, localizado em uma área que é o novo vetor de crescimento do município, hoje com mais de 600 mil habitantes. “Feira é um centro fornecedor de bens e serviços para aproximadamente 100 cidades da região, um município de grande força geopolítica”, comenta Piaggio, sem esconder a alta expectativa em relação ao sucesso do empreendimento. “Já fizemos três ampliações no Boulevard Feira e agora identificamos forte demanda para instalação desse novo equipamento em área privilegiada”, diz. Coordenador estadual da Abrasce – Associação Brasileira de Shopping Centers, o empresário Edson Piaggio atua no desenvolvimento de projetos de shoppings na Bahia e Sergipe desde a década de 80. Mesmo sendo profundo conhecedor do setor, ele atua em outras frentes e muda de ares de vez em quando. A EPP está desenvolvendo um projeto para a construção de um empreendimento de alto luxo no bairro Santa Mônica, em Feira de Santana. “Queremos inovar em todos os aspectos, por isso contratamos especialistas em tecnologia, automação residencial, segurança e sustentabilidade”, explica Piaggio. Em uma única torre, serão construídas apenas 25 unidades, de 320 metros quadrados. Com uma lista significativa de itens de luxo, conforto e comodidade, as unidades serão vendidas por R$ 2,2 milhões. “A previsão de início das obras é agora em outubro e o prazo para a construção é 36 meses”, revela Piaggio. Nesse projeto, a EPP tem como sócia a incorporadora Marinho Empreendimentos, de Feira de Santana. Típico homem de negócios, irrequieto, rápido, ávido por identificar oportunidades de mercado, ele revela que o trabalho é seu grande motivador. “Nem penso em parar, a dedicação a novos projetos rejuvenesce”, comenta.

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(71) www.hortobarcelona.com.br Responsável Técnico: Sidney Quintela Oliveira, CAU 56527-0. Imobiliárias: BrasilBrokers Brito & Amoedo - CRECI PJ 1063, Ponto 4 - CRECI PJ 1195, Lopes - CRECI PJ 1122. Projeto Sidney Quintela. Em conformidade com a Lei n° 4591/64, as fotos e imagens utilizadas nesta peça são meramente ilustrativas. Alvará de licença de construção n° 20830. Registro de Incorporação Imobiliária protocolado sob n°322.062, no Cartório do 3° Registro de Imóveis de Salvador.


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Raiz de todo bem continuamente campanhas de arrecadação. O Hospital possui contratualizações com as secretarias estadual e municipal de saúde. São verbas fixas que esses órgãos repassam para a instituição para a realização de atendimento através do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a tabela do SUS possui valores defasados, que não dão conta do alto custo hospitalar. As campanhas vêm para suprir esse déficit, e ainda para permitir a melhoria contínua da assistência”

Saulo: “Vou lá às vezes tocar um violãozinho com as crianças”

FOTO: Divulgação

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aulo Fernandes se juntou ao hospital Martagão Gesteira para divulgar o projeto “Só Tá Faltando Você”. A parceria gerou uma campanha de arrecadação idealizada pela Morya que ganhou força depois que o cantor raspou a cabeça em prol da instituição. Até o fim de 2014, outros artistas baianos participarão do projeto, entre eles Ivete Sangalo, Bell Marques e Tuca Fernandes. Conversamos com os principais agentes dessa campanha para saber mais sobre o projeto.

[Dr. Carlos Emanuel Melo, superintendente do Hospital Martagão Gesteira] “As campanhas vêm para permitir a melhoria contínua da assistência” “Por ser uma instituição filantrópica, a contribuição de pessoas físicas, jurídicas e governos é fundamental para a prestação de serviço de qualidade. Por isso, o Martagão dispõe de programas de captação e desenvolve 28

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[Cristiane Rebouças e Emília Medina, diretoria de atendimento e operações da Morya] “Até o momento, as doações ao hospital tiveram um aumento em torno de 20%” “A ideia para essa campanha com Saulo surgiu em uma visita da equipe de criação da Morya ao hospital, que ficou sabendo que Saulo costumava visitar os pacientes em seu tempo livre. Assim como argumento: o aproximamos das crianças com o gesto simbólico de raspar a cabeça. Ao conhecer a proposta, Saulo topou na hora, o que só fez confirmar que a escolha dele foi super-acertada. A campanha teve excelente repercussão em mídia espontânea, com cerca de 100 matérias positivas em jornal, TV, rádio, internet e até uma matéria dentro do programa de Fátima Bernardes. No site do Martagão a campanha teve cerca de 300 mil visualizações. Até o momento, as doações ao hospital tiveram um aumento em torno de 20%” [Saulo Fernandes] “Talvez, raspar a cabeça tenha sido uma forma de dizer que cada um pode fazer algo simples para ver o outro sorrir” “O que me motivou a participar da campanha “Só Tá Faltando Você” foi o trabalho do Martagão e a ideia do filme. O papel do hospital para o tratamento do câncer é fundamental, porque tem afeto, e eu pude ver isso de perto. Talvez, raspar a cabeça tenha sido uma forma de dizer que cada um pode fazer algo simples para ver o outro sorrir. Eu sou um ajudante como tantos que o Martagão tem, e estou disposto para o que for, vou mais vezes lá tocar um violãozinho com as crianças! Um trabalho tão fundamental e transformador para tantas vidas não pode enfraquecer. Sempre está faltando alguém que pode ajudar! O que você pode fazer?”

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Apoio:

negócios Precisamos de mais shoppings? 30 [C] 20 anos de Plano Real 35 Contabilidade sem complicações 36 Especial Saúde 38 Expectativa empresarial para o próximo governo 52 [C] A economia do interior da Bahia 55

obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte


negócios | s ho pping FOTO: N. Kodama

A Bahia precisa de mais shoppings?

Mesmo com o crescimento do número de shopping centers em Salvador nos últimos anos, especialistas dizem que ainda há espaço para novos, principalmente os que investem no mix entre compras e entretenimento. O estado também segue a tendência nacional de interiorização, com a previsão de pelo menos nove novos empreendimentos até 2016 por Verena Paranhos

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á não é mais necessário esperar aquele domingo de chuva – muito menos liquidações e férias escolares – para ver os shopping centers lotados em Salvador. Apesar da impressão de que se tem shopping para todo lado, com 13 malls, a capital baiana ocupa somente o 7º lugar no ranking da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Se considerarmos a área bruta locável (ABL), total de área construída no shopping voltada para lojas, Salvador fica em quarta posição, com 437.417 m2 de ABL em operação. Além dos números, especialistas acreditam que ainda há espaço para novos estabelecimentos, que deixaram de ser apenas centros de compras e se transformaram em espaços de lazer, entretenimento e socialização. “A questão não 30

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é se tem ou não espaço para shoppings no Brasil, na Bahia, na região da grande Salvador. Espaço tem, o que precisa é tomar cuidado com a superposição de áreas de influência para que os novos empreendimentos estejam afastados dos lugares que já são bem atendidos”, defende Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW, consultoria para shopping centers, e um dos maiores especialistas do setor no país. Edson Piaggio, coordenador estadual da Abrasce, acredita que a região da Cidade Baixa teria potencial para receber um novo empreendimento. “Poderia ser implantado um shopping no entorno da Calçada ou do Comércio, se tivesse um terreno disponível. Mas terreno não tem. Fora daí, Salvador está bem atendida”, avalia o diretor da EPP Empreendimentos Imobiliários, uma das empresas à frente do Boulevard Shopping Camaçari e do Park Shopping Feira, com previsão de inauguração para abril e outubro de 2016, respectivamente. Novo “velho” conhecido Enquanto não há previsão de centros comerciais que se instalem em áreas até então inexploradas na capital, a expectativa é que, totalmente repaginada, uma região velha conhecida dos soteropolitanos movimente a cena. Ainda aguardando a obtenção de licenças da Prefeitura, o Shopping Bosque da Orla será instalado na área do antigo Aeroclube Plaza Show, na Boca do Rio, completamente integrado ao Parque Atlântico, cuja recuperação começou ano passado.

Com um investimento final de R$ 225 milhões, o novo shopping tem projeto arquitetônico do Laguarda.Low Architects (Texas / EUA) e será desenvolvido pela Caramelo Arquitetos. O equipamento terá dois pavimentos de área coberta e climatizada, com restaurantes, sete salas de cinema, academia, 270 lojas satélites, duas lojas âncoras, cinco megalojas e 2.676 vagas de estacionamento. “Assim como os shoppings hoje precisam ter mais entretenimento, o Aeroclube não tinha compras. As pessoas iam lá apenas no final de semana, frequentavam o Rock in Rio Café ou o cinema. Faltava a movimentação de compras para fazer com que a ida ao shopping fosse constante ao longo da semana e do dia inteiro. O novo projeto pretende equilibrar um pouco a oferta. Problemas burocráticos que estão atrasando a obra vão ser superados e certamente ele vai voltar a ser interessante para a população”, avalia Luiz Alberto Marinho. Os números também são expressivos quanto à geração de empregos: estima-se que serão dois mil postos de trabalho durante as obras e mais de três mil diretos com o Shopping Bosque da Orla em operação. Cena da capital Apesar do aumento no número de shoppings na capital, a Bahia está bem atrás na onda de crescimento recorde do setor nacional. De acordo com a Abrasce, em 2008 o estado tinha 16 shopping centers, um a menos que o número atual, 17. Nos últimos oito anos, a expansão no FOTO: Heudes Régis

“Shoppings não são mais locais apenas para compras, mas espaços de convivência das famílias”, diz João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM

Especialistas avaliam que um shopping precise de 3 a 5 natais para se consolidar enquanto centro de compras w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

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negócios | s ho ppi n g PROJETOS: Schematic Design FOTOS: Rafael Fischmann

No alto, projeto do Shopping Bosque da Orla. logo abaixo, andamento das obras no antigo Aeroclube

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país foi de 41% em unidades inauguradas (principalmente em cidades que não são capitais) e de 178,2% em faturamento. Ano passado, o setor nacional registrou alta de 8,6% nas vendas em relação a 2012, atingindo o total de R$ 129,2 bilhões. Para 2014, a expectativa do segmento é de um aumento das vendas em 8,3%. O principal trunfo do setor de shopping centers nas capitais para enfrentar a concorrência com o e-commerce e o comércio de rua é investir em infraestrutura e opções de entretenimento, lazer e gastronomia. “A quantidade de pessoas que vão ao shopping apenas para compras está diminuindo, à medida que aumenta o volume de pessoas que vão comprar e também em busca de diversão, para resolver problemas e principalmente para ver e ser visto. Tem nisso um pouco de socialização, o caos urbano tem ajudado muito o shopping a ser um ponto de encontro”, afirma Marinho. Na capital baiana, o Salvador Shopping puxou, em 2007, a fila de uma nova era de malls com esse perfil. “Entendemos que, mesmo já existindo vários equipamentos comerciais na Bahia, havia uma lacuna para um projeto mais moderno, que representasse a chamada nova geração de shoppings”, comenta João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, responsável pelo Salvador Shopping. “Shoppings não são mais locais apenas para compras, mas espaços de convivência das famílias. O Salvador levou para a cidade um projeto arquitetônico moderno, cuja composição do mix foi capaz de unir boas marcas, entretenimento e gastronomia. Ao se consolidar rapidamente, provou que esse seria o novo caminho do mercado e os projetos seguintes trouxeram essa composição”, completa. Após impactar o cenário com a instalação do Salvador Shopping na área de maior movimento da cidade, a região da Avenida Tancredo Neves, e receber um público médio de 77 mil pessoas por dia, o Grupo JCPM apostou no vetor de crescimento da capital em direção ao Litoral Norte, inaugurando em 2010 o Salvador Norte Shopping, próximo ao aeroporto. “É hoje um dos centros comercias do Grupo cujo crescimento é mais satisfatório, com avanço de dois dígitos a cada ano”, comenta Paes Mendonça. Parte de um projeto mixed used, que investe em uma nova área de empreendimentos imobiliários e comerciais, o Shopping Bela Vista é o mais jovem dos malls da capital. Inaugurado em 2012, especialistas consideram que o estabelecimento ainda está em fase de consolidação, já que em geral são necessários entre três e cinco natais para a maturação de um shopping center. A administração do Bela Vista avalia que a transferência do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) para o centro comercial, no fim de março, tem importante papel no processo de maturação do mall. “Em função da acessibilidade, dos investimentos dos empreendedores, da

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chegada do SAC e da inauguração do metrô, a expectativa é que o empreendimento se consolide antes da média nacional. A entrada do SAC impactou muito positivamente, tanto em fluxo como nas vendas. Os números demonstram um crescimento significativo, principalmente no período da manhã, quando tradicionalmente, o público não é intenso na maioria dos shoppings”, afirma Thiago Azevedo, superintendente do shopping, que recebe um público médio de 22 mil pessoas por dia (cerca de 660 mil pessoas/mês). Neste panorama, após 25 anos de funcionamento, o Shopping Barra inaugurou em 2012 seu primeiro projeto de expansão, que trouxe 57 novas operações, salas de cinema, área gourmet e vagas de estacionamento. O resultado é um acréscimo de 35% no número de visitantes, chegando a dois milhões de pessoas por mês. Em relação à geração de empregos diretos e indiretos, o aumento é de 30%, chegando a 3.500 postos de trabalho.

Populares e outlet Outro segmento que está crescendo no país é o de shoppings populares, sobretudo estimulado pela ascensão da Classe C. A estimativa é que, até o próximo ano, Salvador tenha cinco shoppings desta categoria, que não entra nas contas da Abrasce, pois, no conceito da associação, as unidades comerciais devem ser alugadas a preço fixo e não vendidas, entre outros critérios. Ano passado, foi inaugurado o JJ Center, na Baixa dos Sapateiros, e no segundo semestre de 2014 passa a funcionar o Shopping da Gente, na Avenida ACM. Com o metro quadrado que pode ser até 70% mais barato do que em um shopping convencional, o modelo é uma oportunidade de negócio para pequenos e médios empresários. “Até 2006, 79% dos consumidores de shopping centers do Brasil pertenciam às classes A e B. Esse perfil começou a mudar um pouco a partir de então e hoje o público é mais eclético. Em Salvador, os shoppings do centro são exceções. Tanto o Piedade quanto o Center Lapa sempre foram mais populares, atendendo à classe C”, analisa o consultor Luiz Alberto Marinho.


negócios | s ho ppi n g FOTOS: Saulo Kainuma

17 é o número de shopping centers em operação na Bahia, com 507.187m2 de ABL

18º tem previsão de inauguração em agosto de 2014, em Teixeira de Freitas

Faturamento previsto para o setor nacional em 2014: R$140 bi (crescimento de 8,5% em relação ao ano passado) Fonte: Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)

13 estão em Salvador, com 437.417 m2 de ABL

4 estão no interior do estado

Edson Piaggio, coordenador da Abrasce na Bahia, considera que os shoppings populares podem ser uma opção ao mercado informal. “Isso está surgindo até como uma alternativa para que o comércio de rua se organize e saia da clandestinidade. Hoje nós temos uma população com vários níveis de renda e espaço para todos os tipos de shopping. Assim como você tem o shopping de grife em São Paulo, você tem também o shopping popular. Cada um tem o seu segmento. Eles não concorrem entre si”. Em 2013, a cena da Região Metropolitana de Salvador (RMS) também foi movimentada por outro perfil de empreendimento. Inaugurado em outubro, o Outlet Premium Salvador comercializa produtos de grandes marcas em perfeito estado com até 80% de desconto durante todo o ano, a cerca de 15 km do aeroporto, na Estrada do Coco, em Camaçari. “O conceito de outlet privilegia cidades com o perfil de Camaçari, perto o suficiente das grandes cidades, mas fora da capital. Isso acontece por uma necessidade do lojista, que precisa desovar o estoque, mas não quer que sua loja de outlet concorra com a loja que está vendendo a coleção atual”, explica Alexandre Dias, diretor de marketing e varejo da General Shopping do Brasil. Além do consumidor da RMS que quer boas marcas e preços mais que competitivos, a localização também 34

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atinge o turista que passa pela região. “Já faz parte dos pacotes de operadoras de turismo regionais e nacionais, inclusive para os resorts do Litoral Norte com ônibus vindo três vezes por semana ao empreendimento”. Tendência à interiorização No estado, o fenômeno dos centros comerciais segue a tendência nacional em direção às cidades do interior, com mais de 400 mil habitantes. Segundo dados da Abrasce, a Bahia possui quatro shoppings em operação fora da capital, em Feira de Santana; Santo Antonio de Jesus; Vitória da Conquista e Itabuna.. Em área bruta local, os 17 malls do estado representam apenas 3% do volume nacional, ocupando o oitavo lugar no ranking da associação. Em comparação com o Rio Grande do Sul – na quarta posição, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais –, a Bahia mostra que ainda tem muito a crescer. Com quatro milhões de habitantes a menos, os gaúchos possuem 37 shopping centers, 21 deles instalados em cidades do interior. A expectativa é que o cenário mude nos próximos dois anos, com a implantação de pelo menos nove novos projetos. Espera-se que o investimento de mais de R$ 600 milhões crie aproximadamente 12 mil postos de trabalho e movimente a economia de cidades como Feira de Santana, Teixeira de Freitas, Camaçari, Vitória da Conquista, Ilhéus, Juazeiro, Barreiras, Alagoinhas e Serrinha. [B+]

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negócios | e co nomia

real por Luiz Marques de Andrade Filho

Em Julho de 2014 comemoramos 20 anos do Plano Real. É um momento importante. Com o Real começamos a vencer a guerra contra a inflação; a juventude de hoje não tem ideia de como é viver em um ambiente cronicamente inflacionário. A América Latina sempre foi uma região inflacionária. No Brasil o século 20 foi marcado por espasmos constantes de inflação, estimulados por descontrole orçamentário e emissão de moeda como financiamento do déficit. Existem duas origens tradicionais de inflação, a de demanda e a de custos, mas a nossa sempre foi esquizofrênica. Em 1963

[gráfico i] inflação anual oficial no Brasil de 1980 a 2013 Fonte: BC

3.000,0% 2.500,0% 2.000,0% 1.500,0% 1.000,0% 500,0% 0,0% 1980

1990

1994

2000

2010

2013

[gráfico Ii] inflação anual estimada para 2014 Fonte: FMI

60,0% 50,0%

50,0%

40,0% 30,0% 16,7%

20,0%

7,9%

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Inácio Rangel, economista maranhense, escreveu A Inflação Brasileira, um clássico cult da análise econômica. Ele dizia que a nossa tinha várias origens e a vitória sobre ela deveria vir de um conjunto de medidas a serem adotadas, tanto clássicas como institucionais. Isto foi em 1963! O tempo passou, os anos oitenta vieram e com eles a correção monetária na veia, ficamos com números fora da curva. Foi descoberto então um terceiro tipo de inflação, a inercial: os preços subiam sem aceleração causal, mas sim de maneira inercial, quando o corpo está em velocidade constante mesmo sem aceleração. O aumento do nível de preços era explicado pela generalização da correção monetária adotada pela sociedade. Todos os planos de controle de preços no Brasil a partir de 1986, que iniciaram com o Cruzado, deram errado. O Real foi o único que funcionou, apesar de ter sido implantado por um governo tampão, o de Itamar, que substituía Collor. Estávamos a uma média inacreditável de 1.800% ao ano de inflação [Gráfico I]. A população estava descrente. A oposição da época, PT à frente, votou contra o Plano no Congresso Nacional. O Ministro de Itamar, FHC, articulou politicamente o improvável. As melhores mentes brasileiras na área da economia ajudaram e deram duro; tínhamos construído um estoque cultural de erros nos planos anteriores, e aprendemos com eles. Utilizamos medidas clássicas como o controle orçamentário e juros altos, aliadas à valorização cambial e à quebra dos contratos de indexação. Depois disto, de forma perspicaz, Lula manteve a estrutura do plano, em especial em seu primeiro mandato. Olhando para trás o mais importante é que o Real foi um plano que representou a vitória da democracia. Nada foi feito às escondidas, as medidas foram amplamente divulgadas, a sociedade aceitou. Nossa meta de inflação tem sido de 4,5% ao ano, com uma margem de 2% pra cima e para baixo. É perigoso aceitarmos um índice ao redor de 6,5% ao ano, no topo das bandas. Em 2014 neste quesito na América do Sul ganhamos apenas da Bolívia, Uruguai, Argentina e Venezuela (se bem que para estes dois últimos é despartido a comparação), [Gráfico II]. Não devemos ter isto com tranquilidade. Os preços da energia, transportes públicos e combustíveis estão represados, o que nos diz que ao abrir a tampa da panela a pressão em 2015 tenderá a ser ainda mais alta. O grande nó que nos atrapalha é o descontrole das contas públicas do Tesouro Nacional, mediante o relaxamento com o superávit primário, a criação de receitas conjunturais e a contabilidade criativa. Infelizmente, a política fiscal deixou de fazer a sua parte nesta batalha. Precisamos comemorar sim, mas levar a sério o perigo que é a inflação. O Brasil avançou, não podemos recuar. Luiz é superintendente da Fundação Escola de Administração da Ufba (FEA) e professor de finanças e economia

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negócios | e xpe riência

Contabilidade descomplicada

Há um ano no mercado, a Agilize atende mais de 200 clientes na Região Metropolitana de Salvador. O segredo? Tecnologia que permite a qualquer empresário gerir uma empresa sem entender de contabilidade e sem gastar tempo com isso por Carol Vidal

foto rômulo portela

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novação é o que difere um projeto bom de uma ideia de sucesso. Muitas vezes são as soluções mais simples – e até mesmo óbvias – que ultrapassam essa linha e fazem as pessoas questionarem: “Como ninguém nunca pensou nisso antes?”. A dificuldade da maioria das pessoas de entender e acompanhar o trabalho de contabilidade fez com que uma empresa de tecnologia, um escritório de contabilidade e um grupo de investidores locais trabalhassem juntos para criar a Agilize Contabilidade. Há um ano no mercado, a empresa oferece serviços para profissionais autônomos e micro e pequenas empresas. A Agilize já conta com uma carteira de mais de 200 clientes em Salvador e Região Metropolitana. Com isso, o retorno do investimento inicial, de R$500 mil, já está próximo de ser alcançado. De acordo com Alberto Vila Nova, 45 anos, contador responsável, em geral, os clientes da Agilize passaram por experiências negativas com outras empresas de contabilidade. A crítica mais comum é 36

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que não conseguiam acompanhar de perto o que estava sendo feito pelos contadores. Para oferecer diferenciação, a Agilize criou um sistema que dá ao cliente acesso a tudo o que o contador está fazendo, documentado por dia, horário e atividade. Por meio de um login e senha, ele tem acesso às informações contábeis confidenciais de sua empresa. “A tecnologia deu segurança, rapidez e transparência. Todas as obrigações contábeis e tributárias estão a poucos cliques, em qualquer local com acesso à internet”, garante Vila Nova. O sistema também permite emitir nota fiscal com aplicativos móveis, via celulares e tablets. Os serviços são oferecidos a partir de R$ 99. A meta da Agilize é oferecer a tecnologia para outros municípios, além da Região Metropolitana de Salvador. “A nossa pretensão é ser uma empresa nacional”, conclui Alberto Vila Nova. [B+]

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ne g ó cio s | e s pe cial saú d e

inovação no tratamento do câncer de mama Ferramenta pode substituir a radioterapia convencional por Pedro Hijo

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ode parecer com um instrumento encontrado em um consultório odontológico, mas o aparelho da imagem ao lado é uma ferramenta pioneira no tratamento de pacientes com câncer de mama. Com o nome de Intrabeam, o equipamento substitui um tratamento de seis semanas de duração por uma aplicação em dose única. O aparelho, adquirido pelo Monte Tabor Hospital São Rafael, é o primeiro do Brasil. Diferente do procedimento convencional, a radioterapia intraoperatória é feita logo após a remoção do tumor, ainda durante a cirurgia. O processo é realizado através de um acelerador linear de elétrons miniaturizado com feixe de fótons de baixa energia (40kVp), e dura de 20 a 30 minutos. “Durante o procedimento, a posição do tumor é calculada e ele é removido. Feito isso, o Intrabeam é colocado na cavidade para fazer a irradiação. Em seguida, o aplicador é removido e a incisão fechada”, explica o coordenador do Serviço de Mastologia do São Rafael, Ézio Novais. Após a retirada do tumor, o médico posiciona o aplicador dentro da cavidade e o físico calcula os parâmetros usados na entrega da dose de radiação. Estima-se que em 2014 mais de 57 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticados no Brasil. Desses, mais de 250 na Bahia. E é justamente no estágio inicial da doença, quando o tumor tem até três centímetros, que o Intrabeam é indicado. O aparelho ainda melhora o resultado estético, protege o tecido mamário e substitui o tempo de radioterapia convencional, que geralmente leva até seis semanas.

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Com o aparelho, pioneiro no Brasil, o paciente pode receber em 20 minutos a mesma radiação que receberia em seis semanas de radioterapia Por enquanto, o tratamento só está disponível para clientes privados, mas de acordo com a gerente médica do São Rafael, Ana Verena Mendes, o hospital já está em tratativas com a Secretaria Estadual de Saúde, para ampliar a utilização da nova técnica, também para usuários da rede SUS: “Nós já fizemos o contato com a Secretaria Estadual de Saúde, que demonstrou interesse pelo assunto e enviou para análise de sua câmara técnica. Acreditamos que é questão de tempo para que isso chegue a uma maior camada da população, inclusive pelas operadoras e seguradoras de saúde”. [B+]

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ne g ó cio s | e s pe cial saú d e

FOTO: Divulgação

Boa aparência sem disfarces

Marcelo Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica: “A Bahia possui 140 cirurgiões plásticos”

Em busca da melhor imagem e melhora da autoestima, brasileiros ocupam primeiro lugar no ranking mundial de cirurgias plásticas por Carlene Fontoura

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egundo estudo publicado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, é a primeira vez que o Brasil supera os Estados Unidos no ranking dos países com maior número de cirurgias para fins estéticos. Foram 1,49 milhão de cirurgias plásticas feitas no Brasil em 2013, quase 13% do total mundial. Lipoaspiração, cirurgia de nariz e mamoplastia de aumento (prótese mamária) são os procedimentos cirúrgicos mais procurados no país e a Bahia segue essa tendência. De acordo com a pesquisa, mais de seis mil lipoaspirações foram feitas somente no estado em 2011. “No âmbito Norte-Nordeste, a Bahia se destaca por possuir mais cirurgiões plásticos - são 140 especialistas. Somos referência e recebemos pacientes de

Foram 1,49 milhão de cirurgias plásticas feitas no Brasil em 2013, quase 13% do total mundial estados vizinhos com frequência”, afirma Marcelo Cunha, presidente da SBCP - Regional Bahia. Juliana Moreno, 28, decidiu implantar prótese mamária para melhorar a autoestima. “Antes da cirurgia, eu não usava decotes, tinha vergonha. De dois anos e meio para cá, quando fiz a mamoplastia de aumento, me sinto mais mulher”, revela. Por acreditar no bom resultado da cirurgia plástica, Juliana já retocou outras partes do corpo. E ainda pretende fazer novas cirurgias. “Não tenho medo e gosto de me sentir bem, prezo pela minha aparência”. Para Isaac de Menezes, cirurgião e sócio-proprietário da clínica Alpha, a decisão de realizar qualquer procedimento estético tem que ser do paciente, com base no que ele quer valorizar 40

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na própria imagem. “Muitas vezes a cirurgia plástica interfere positivamente no aspecto psicológico da pessoa, o que permite melhor relação com a família, amigos e, principalmente, consigo mesma”, completa. Principais cuidados Para o cirurgião Marcelo Cunha, conversar com um especialista a fim de conhecer os benefícios, limitações e riscos é o primeiro passo para realizar uma cirurgia. “Cada procedimento tem sua complexidade. Prezo pela segurança, pelo tempo cirúrgico - evitar ultrapassar cinco horas e cirurgias prolongadas combinadas - e limite da intervenção - saber quantos volumes se retirar numa lipoaspiração, por exemplo”. [B+]

Quanto custa uma cirurgia plástica? Os valores não são fixos e variam de acordo com cada paciente e suas necessidades. Portanto, quem deseja fazer esse tipo de cirurgia, seja estética ou reparadora, só terá uma avaliação precisa e o respectivo orçamento através de uma consulta presencial com o médico. É necessário destacar que o parcelamento das cirurgias não é proibido. Esse tipo de pagamento poderá ser combinado entre o médico e o paciente, sem ação de intermediários. O Conselho Federal de Medicina definiu que o profissional não pode atender pacientes encaminhados por empresas que anunciam ou comercializam planos de financiamento ou consórcios para procedimentos médicos.

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Alternativa à cirurgia Rápida recuperação e resultado imediato são fatores que justificam o aumento de 15% a 20% ao ano na procura por tratamentos estéticos por Carlene Fontoura

Com a expectativa de retardar o envelhecimento da pele e eliminar gordura localizada, aliada à recuperação imediata, pacientes se submetem cada vez mais a tratamentos estéticos alternativos à cirurgia plástica. De acordo com o dermatologista Osmilto Brandão, a procura por esses tratamentos cresce de 15% a 20% ao ano e os resultados têm sido cada vez mais satisfatórios, principalmente por causa do avanço tecnológico e aplicações minimamente invasivas. “É possível combinar vários procedimentos numa mesma sessão e, na maioria das vezes, a pessoa poderá retomar sua rotina já no dia seguinte, o que não se aplica para quem faz uma cirurgia plástica”, argumenta Brandão. “Ainda há outras vantagens que justificam a demanda, como não necessitar de internamento, não gerar cicatrizes e garantir uma aparência natural”, complementa o dermatologista. Para a fisioterapeuta Carolina Serqueira, especialista em dermato-funcional, a questão financeira também influencia na escolha pelos tratamentos estéticos. “O investimento é menor, pois não há custos com internação e anestesia”, aponta. De acordo com os profissionais, os métodos mais procurados no mercado de estética visam eliminar gordura localizada, celulite, flacidez e rugas superficiais, além de definir os contornos de rosto e corpo. No caso da gordura localizada, o tratamento mais moderno é a criolipólise, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O método, aplicado com o aparelho CoolSculpting, destrói células adiposas através do resfriamento controlado, em torno de dois graus. “Eu vejo a criolipólise como um substituto em potencial da cirurgia plástica, pois elimina de 25% a 30% de gordura localizada, sendo comparada até com uma lipospiração, mas sem corte”, opina a fisioterapeuta Camila Carneiro, também especialista em dermato-funcional. O resultado pode ser percebido de 2 a 4 semanas, período em que a gordura é totalmente eliminada pelo organismo. “Além de reduzir minha circunferência abdominal de 91cm para 82cm, meu estilo de vida melhorou muito. Faço atividades físicas e cuido da alimentação. Com essa rotina, tenho disposição para realizar as atividades do dia a dia”, relata o cantor Jr. Ravash, 30. Público masculino Assim como Jr., muitos homens têm recorrido a tratamentos estéticos para melhorar a aparência e a autoestima. “A procura masculina chega a 30% em relação às mulheres. E esse número tende a crescer ainda mais”, avalia Carolina. Assim como o público feminino, os homens priorizam recuperar o colágeno, proteína fundamental para a constituição da pele. “As rugas de expressão na testa, na região dos olhos e da boca (o tradicional bigode chinês) incomodam mais e fazemos aplicações de botox para atenuá-las. Outra demanda é aumentar a maçã do rosto, que proporciona uma feição mais jovial”, completa Brandão. [B+] 42

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Novidades na tela Alta tecnologia do diagnóstico por imagem chega ao interior por Pedro Hijo

Já se foi o tempo em que era preciso sair da Bahia para ter acesso a exames que demandam tecnologia de ponta. Principalmente no que diz respeito ao diagnóstico por imagem, os laboratórios baianos investem cada vez mais na inovação para oferecer serviços de qualidade. João Ricardo Maltez de Almeida, médico da equipe de radiologia do Grupo CAM, explica que as especialidades ligadas aos métodos diagnósticos por imagem, radiologia e medicina nuclear estão na vanguarda do avanço científico. O grupo adquiriu, há cerca de um ano, um aparelho que promove a fusão do método empregado pelos modernos tomógrafos com a mamografia digital. A Tomossíntese, aparelho que é o primeiro da Bahia e um dos poucos no Norte e Nordeste. Está nos planos do grupo a aquisição de novos aparelhos e a expansão da empresa para outras localidades.

Presente em 11 cidades baianas, por meio da clínica Multimagem, o Grupo Med, deseja que a qualidade do serviço prestado na capital se estenda para o interior da Bahia. Esse processo de expansão se deu há oito anos, quando o grupo de Feira de Santana percebeu a oportunidade para descentralizar os serviços, que antes ficavam limitados a Feira e Salvador. Atualmente, 80% da população do interior da Bahia é atendida na área de alta complexidade em diagnóstico por imagem. “Fixamos um médico radiologista em cada cidade, para que eles pudessem interagir com o corpo clínico, trocar experiências”, diz Gileno Portugal, diretor do grupo. “Isso faz com que o padrão de qualidade permaneça o mesmo de Salvador e estimula o mercado de saúde a fazer o mesmo”, completa. O grupo pretende ampliar sua área de cobertura em mais quatro cidades (Região Metropolitana e Chapada Diamantina) nos próximos dois anos. Uma unidade da Multimagem está sendo construída em Petrolina, Pernambuco, a primeira cidade fora da Bahia a receber a clínica. [B+]


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FOTO: Rômulo Portela

Halley Spínola, oftalmologista e gestor do Instituto de Olhos Itaigara, ao lado do aparelho facoemulsificador

Tecnologia de ponta auxilia na recuperação da catarata Com o uso do aparelho facoemulsificador, cirurgia dura dez minutos e índice de recuperação chega a 90% por Carlene Fontoura

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o abrir os olhos, percebe a vista embaçada. Põe os óculos no rosto e a sensação permanece. Retira-o para limpar e, ao colocá-lo novamente, ainda não consegue enxergar com nitidez. Limpa os óculos mais uma vez e nada. Esta cena é real e acontece com dois milhões de brasileiros que são afetados pela catarata anualmente. Conhecida como senil ou congênita, essa deficiência ocular atinge, na maioria das vezes, pessoas com faixa etária entre 60 e 70 anos. “A exposição constante aos raios ultravioletas, sedentarismo e diabetes são as principais causas da catarata. Em dez anos, tivemos o aumento de 30% de casos dessa natureza”, aponta Halley Spínola, oftalmologista e gestor do Instituto de Olhos Itaigara, entidade atuante no mercado de Salvador, há 20 anos. Mesmo com o crescimento da incidência, atualmente a cirurgia de catarata pode ser realizada em apenas dez minutos, com anestesia local e sem necessidade de pontos. O profissional faz uma pequena incisão na córnea e com o facoemulsificador, aparelho mais moderno utilizado no mundo, derrete e aspira a camada de opacidade sobre o cristalino, lente natural que ajuda a focar as imagens. “Essa cirurgia permite melhora em 90% dos casos. Pode acontecer de o paciente voltar um ano depois para fazer a capsulotomia,

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procedimento realizado com laser que dá suporte à lente ocular”, explica Spínola. Segundo o oftalmologista, alguns cuidados são essenciais no pós-operatório, como o uso de óculos com proteção ultravioleta, não coçar os olhos e adotar uma alimentação à base de ômega 3 e vitamina A. Investimento em tecnologia e bom atendimento De acordo com a diretora Rita Lavínia, da Clínica Oftalmológica Dra. Rita Lavínia, o investimento em novas tecnologias é uma necessidade para os novos tratamentos que dependem de avanços, como é o caso da catarata. “Manter uma clínica oftalmológica com aparelhos de ponta requer capital de R$ 5 milhões, podendo chegar a mais”, indica a profissional. Já Marcelo Freitas, presidente do Instituto de Olhos Freitas, aconselha que os profissionais de oftalmologia priorizem o serviço prestado à sociedade. “Queremos oferecer um espaço moderno aos pacientes, mas a qualidade no atendimento é o que faz a diferença. Ter o reconhecimento da clientela é o indicativo de um bom trabalho”, registra. [B+]

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Por que é tão difícil ter uma vida saudável? Os especialistas explicam: a culpa é do prazer, mas pode ser mais simples do que parece por Pedro Hijo

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Leva uma vida saudável aquele que encontra neste estilo de vida um modo de se satisfazer com medida e serenidade De acordo com o coordenador de musculação da academia Bodytech, em Salvador, Carlos Frederico Britto, os mais sedentários, em sua maioria, apontam o ambiente supostamente hostil das academias e as dores musculares depois do primeiro dia de treino como fatores que os afastam dos exercícios físicos. Segundo Carlos, a dica é começar aos poucos. “Um grande erro das pessoas que estão iniciando novos hábitos de vida é tentar realizar essas atividades diariamente”, comenta. “Para conseguir uma melhor adaptação, a pessoa deve fazer a atividade de duas a três vezes por semana. Essa frequência semanal é ideal para iniciar e conseguir resultados”.

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de conhecimento geral que a fórmula para ter uma vida saudável é praticar exercícios com regularidade e seguir uma dieta balanceada. Mas, por que deixar de comer alguns alimentos mais gordurosos e ser fiel à academia é missão quase impossível para alguns? A psicóloga especialista em obesidade e transtornos alimentares, Andréa Pato, acredita que leva uma vida saudável aquele que encontra neste estilo de vida um modo de se satisfazer com medida e serenidade. “Pensar em manter uma vida saudável significa decidir abrir mão do prazer acentuado que o excesso nos causa”, diz. “A comida, as drogas, o jogo, as compras são modos de satisfação muito intensos e, para muitos, não ter acesso a isso é levar uma vida morna, sem prazer”, opina. A estudante Iza Vieira, de 25 anos, topou o desafio de emagrecer com saúde, mas confessa que cumprir a rotina de atividades físicas é a parte mais difícil. “Eu tenho uma rotina teórica e uma prática. Teoricamente, a proposta é frequentar a academia de segunda a sexta, mas as desculpas rolam soltas. Um dia não vou porque estou com cólica, outro dia preciso estudar... Acabo indo menos vezes do que deveria”, comenta.

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3 dicas para não fugir dos exercícios dicas do coordenador de musculação Carlos Frederico Britto

• Procure um profissional para te orientar • Deixe um pouco o elevador de lado e suba escadas • Comece aos poucos. Vá para a academia de duas a três vezes na semana. Só depois, aumente a frequência

3 dicas para manter a dieta sugestão de dicas da nutricionista Daniela Brige

• Prepare as refeições no dia anterior e tenha sempre lanches saudáveis (como frutas e oleaginosas) à disposição • Estabeleça objetivos a serem alcançados a curto, médio e longo prazos • Atente para o rótulo! Muitos produtos que são comercializados como saudáveis possuem grandes quantidades de açúcar, gordura, sódio e baixa quantidade de fibras

“Um grande erro das pessoas que estão iniciando novos hábitos de vida é tentar realizar essas atividades diariamente” Carlos Frederico Brito, coordenador de musculação Por mais fácil que possa parecer na teoria, mudar hábitos é tarefa que demanda muita disciplina. “Toda mudança é difícil de ser absorvida, e com a alimentação ainda mais, trata-se de uma forma de prazer para muitos”, opina a nutricionista Daniela Brige. Para ela, o segredo do sucesso para adotar uma alimentação mais saudável é descobrir prazer em outras coisas e em outros tipos de alimentos. “A dica é começar aos poucos, nenhuma mudança brusca ou radical perdura por muito tempo”, completa. [B+]

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boas práticas de gestão no setor de saúde

Para elevar a qualidade do atendimento, hospitais, clínicas e laboratórios apostam em tecnologia, treinamento e novas ferramentas de administração por Pedro Hijo

Base para o sucesso de uma empresa, a boa gestão é pauta em debate no mercado de saúde. Laboratórios, clínicas e hospitais apostam na tecnologia e na humanização do tratamento com seus pacientes e funcionários para ter clientes cada vez mais fiéis e satisfeitos. Para melhorar a gestão, a equipe da clínica odontológica Ortobahia promove treinamentos e cursos especializados. “O conceito da empresa é que líderes possam gerar e formar continuamente novos líderes com mentalidade inovadora”, diz o cirurgião-dentista João Batista Silva.

“O conceito da empresa é que líderes possam gerar e formar continuamente novos líderes com mentalidade inovadora” João Batista Silva, cirurgião dentista Presente no ranking que enumera as melhores empresas para se trabalhar, o Laboratório Leme elaborou o programa “O Leme de Nossas Vidas”, um projeto voltado para valorizar os funcionários. “Nossos colaboradores, muitas vezes, passam mais tempo no Leme do que nas suas casas, sendo assim, convidamos seus familiares 48

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para conhecer o ambiente de trabalho deles, com uma visita programada em que conhecem toda a empresa”, explica Marla Cruz, médica endocrinologista e sóciadiretora do Grupo Leme. O investimento gera resultados: em pesquisa recente da empresa, 96% dos usuários dos serviços do laboratório responderam estar satisfeitos com o atendimento do Leme. O Hospital Português sabe que frequentemente o processo dentro de uma instituição de saúde pode se tornar impessoal e resolveu priorizar o atendimento humanizado. Mário Rocha, gerente técnico do hospital, acredita que atender de forma humana é uma forma de fidelizar o cliente. Para atingir essa meta, o Português tem partido para a prática, “buscando colocar os pacientes no centro dos processos, além de valorizar o capital humano que trabalha na instituição”, diz. Com a visão estratégica de uma organização longeva, o Hospital Santa Izabel direciona sua gestão para a melhoria da segurança de pacientes e funcionários e na eficiência dos processos de operação. “Isso ajuda a fidelizar os clientes e atrair novos usuários e, consequentemente, o cliente traz recursos que ajudam no equilíbrio financeiro da instituição”, diz Eduardo Queiroz, superintendente de saúde da Santa Casa. Para 2015, o Santa Izabel investirá na infraestrutura tecnológica, “especificamente para um novo e robusto sistema de gestão (ERP)”, afirma. [B+]

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FOTO: Divulgação

Diagnóstico de empreendedor O médico baiano que dá o nome à quarta maior clínica de diagnóstico do Brasil mostra que empreender não é para poucos, mas para os que querem

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m meio à franca expansão de negócios, o Grupo Delfin, que completa 35 anos de história em 2014, administra uma rede de 15 empresas, e está presente em quatro estados do Nordeste, com uma equipe de 1.300 funcionários e faturamento anual em torno de R$ 120 milhões. Em julho, o grupo inaugurou o Complexo Médico Delfin, em Lauro de Freitas, um novo espaço com infraestrutura e tecnologia de ponta para estudo, pesquisa, diagnóstico e tratamento do câncer. Pioneiro em inovação, o médico Delfin Gonzalez trabalha em novo projeto. Ele percorrerá cidades do interior para dar palestras a jovens sobre exemplos de empreendedorismo. Delfin foi campeão do Top of Mind por dez vezes e quatro do Benchmarking - que elege os melhores do setor de saúde do Nordeste.

comprometidas. Hoje temos uma participação na área acadêmica, com a residência no Hospital São Rafael e também em Alagoas.

Em que momento o empreendedorismo surgiu em sua vida? Em 1979, vi um material sobre ultrassonografia que na época era algo pouco disseminado. Os médicos achavam que isso era modismo e eu achei que seria uma oportunidade. Acreditei nesse algo novo, promissor. Talvez tenha vindo daí a visão de acreditar em um projeto. Eu acho que empreender é acreditar no que você idealiza.

Quais são os projetos sociais que caminham em paralelo com a rotina das clínicas? Temos um projeto de rastreamento do câncer de mama, que percorre capital e interior, funcionando gratuitamente o ano todo, em parceria com o Governo do Estado. Em três anos, foram mais de 225 mil mamografias realizadas em mulheres de baixa renda. No meu mais novo projeto, ainda embrionário, me proponho a trabalhar em palestras com jovens, para que eu possa despertar neles o prazer e o gosto por empreender.

Quais decisões importantes marcaram a expansão do Grupo Delfin? Nos anos 90 havia uma dificuldade de importação muito grande, e fomos o primeiro serviço de saúde na Bahia a adquirir um Doppler convencional (aparelho para ultrassonografia), e, três anos depois, o Doppler colorido. Em 1995 resolvemos montar uma estrutura que tivesse um multisserviço de imagem, e assim surgiu a clínica Delfin, com o primeiro serviço do estado a realizar uma ressonância fora do ambiente hospitalar. Quais são as dificuldades que esse mercado impõe? O problema maior é na área econômica, porque precisamos da estabilidade do dólar e isso nem sempre é possível. O outro é estar sempre formando pessoas treinadas e 50

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Quais são as próximas tendências para o mercado de saúde? Temos no Brasil os mesmos equipamentos utilizados em países de primeiro mundo. O problema maior dos tempos atuais é popularizar esses métodos para uma classe menos favorecida, com qualidade de diagnóstico. Sempre achei que isso seria possível e estamos transformando em realidade.

Quais são as perspectivas de crescimento? Nos próximos três anos nossa ideia é implantar um projeto de pesquisa em novos métodos e instrumentos que possam dar diagnósticos mais precoces e seguros. Em julho, lançamos o complexo médico de Lauro de Freitas, onde é feita a pesquisa junto com o trabalho de diagnóstico. A ideia não é apenas diagnosticar, mas facilitar o acesso dos pacientes ao tratamento. [B+]

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O horizonte depois das eleições Setores da indústria, comércio e serviços apresentam propostas para os candidatos a governador da Bahia por Carlos Eduardo Freitas

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xpectativa ou preocupação? O cenário de eleições para a Presidência da República e para o Governo do Estado tem movimentado lideranças empresariais de setores estratégicos da economia baiana. Que medidas prioritárias o próximo presidente e o governador deverão adotar para estimular e tornar mais competitiva a indústria, o comércio e o turismo? O setor produtivo tem demandas específicas e está atento às campanhas e aos programas de governo dos candidatos. “Acredito que a reforma tributária deveria ser colocada em prática pelo novo governo federal, beneficiando não só o comércio, mas todos os setores produtivos. Para se ter uma ideia, a carga tributária no 52

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Brasil é superior a 36% do PIB nacional”, destaca Carlos Andrade, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio). Para ele, com a desoneração, o empresário pode reverter boa parcela do que é gasto com tributos em benefícios diretos aos seus funcionários, como melhores salários. Na mesma direção, Antoine Tawil, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado da Bahia (FCDL-BA) e da CDL-Salvador, almeja do novo governador um foco especial ao setor. “Espero que continuemos a ter atenção ao segmento do comércio. Somos uma das mais importantes artérias da economia do estado e

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José Alves, da Abav, sugere a implantação de novos hotéis em Salvador. Praça Castro Alves atrai projetos de turismo e hotelaria.

Carlos Andrade

Antoine Tawil

[Fecomércio]

[FCDL-BA]

“Reforma tributária deveria ser colocada em prática pelo novo governo federal”

“Mais atenção ao segmento do comércio”

o principal gerador de emprego e renda”, crava. Carlos Henrique Passos, presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon), destaca que é preciso qualificar a indústria de material de construção. “Precisa de fomento do governo para a cadeia produtiva do material de construção, para que ela busque a certificação de sua produção. O setor está compelido a usar só materiais certificados (pelo ISO ou PBQP-H)”. O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) foi criado pelo governo federal para “organizar o setor da construção civil” com foco na melhoria da qualidade do habitat e numa produção modernizada. Passos explica que a indústria da construção civil obedece a essas regras de qualidade e que a Bahia só possui uma indústria certificada: “Essa medida vai tornar mais competitiva a indústria local, que não consegue atender à demanda e deixará de pagar frete dos materiais comprados no Sul e Sudeste”. Essas lideranças empresariais concordam que a Bahia ainda é um celeiro de oportunidades de negócios, em várias regiões do interior, que ainda precisa ser melhor explorado. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), na Bahia, José Alves, vê com bons olhos o atual cenário de negócios em solo baiano: “Uma medida positiva é a implantação de novos hotéis na capital. Esse é um investimento grande, estamos atraindo investidores e eles sabem que aqui é bom para fazer negócios”. Alves relembra que o turismo foi o setor que mais apareceu durante o mundial. “Mais de três mil empregos temporários foram gerados para atender à demanda de turistas em bares, restaurantes etc”, pontua. Alves defende, contudo, que o novo


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governador precisa investir mais para transformar as diversificadas zonas turísticas da Bahia, “novamente”, em vitrine mundial. “A Bahia era pioneira em tudo, mas deu uma recuada e outros estados, como Pernambuco, estão protagonizando grandes eventos. Precisamos de participação mais efetiva do governo”, diz.

Carlos Henrique Passos [Sinduscon] “É preciso qualificar a indústria de material de construção”

José Alves [Abav] “A Bahia precisa protagonizar grandes eventos”

André Trajano [Médico] “Deve-se investir em eficiência e na redução dos gastos” 54

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Diálogos Diálogo é outra palavra chave que, segundo os representantes dos setores de indústria, comércio e turismo da Bahia, o próximo governador precisa priorizar. “Estamos numa fase de encerramento do ciclo de crescimento. Conclusão de negócios e não renovação. O segmento imobiliário em Salvador está com menos obras, o ambiente está com redução de investimentos. Mas ao mesmo tempo o setor foi favorecido por um canal de diálogo com o governo”, afirma o presidente do Sinduscon. Para ele, “otimista”, o debate entre o setor político e a sociedade permitirá que os candidatos firmem esses compromissos com as prioridades da população: “Muitas delas passam pela construção”. “Outra medida importante seria a criação de uma política de atração e manutenção de novos investimentos para a capital e Região Metropolitana, que decaiu nos últimos anos, e também para o interior. Nesse caso, o comércio precisa ser visto com mais atenção do que nos governos anteriores, pois comércio e serviços geram muito mais postos de trabalho do que a indústria, além de responderem por uma parcela de 66% do PIB baiano, segundo projeções da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI)”, opina o presidente do Sistema Fecomércio. Segundo Andrade, Salvador ainda sofre os reflexos de administrações anteriores, “que prejudicaram”, sobretudo, um de seus maiores trunfos, o turismo. “A revitalização da capital baiana deve resgatar a segurança, o próprio orgulho do soteropolitano pela cidade, os turistas e também sua economia”. Para ele, as políticas públicas estaduais carecem de planejamento de longo prazo e do estabelecimento de metas: “O governo precisa entender que o empresário é aliado no desenvolvimento social do nosso país”. O presidente da FCDL, Antonie Tawil, reforça que o novo governante do estado, independente de quem seja o eleito, não pode construir uma distância entre a realidade brasileira e a baiana. “Há uma expectativa muito grande quanto ao controle inflacionário e o desempenho do PIB. É muito importante manter a estabilidade e estimular o crescimento”, alerta. No setor da indústria de saúde, o panorama não é diferente. O médico André Luiz Cavalcante Trajano, que tem atuado nos últimos anos como cirurgião de tórax em Salvador e em São Paulo, conhecedor do setor, pondera que o próximo governo precisa investir em educação e treinamento para qualificar produtividade, agenciar linhas de financiamento de longo prazo e melhorar infraestrutura logística. Para ele, o ambiente atual na Bahia está “aquém da região Sul em massa crítica de negócios”, além de possuir centros de decisão “com baixa inovação”. Uma saída, na opinião dele, é a nova gestão estadual investir em eficiência e na redução dos gastos públicos. [B+] w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m


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A economia baiana se volta para o interior

obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte

por Armando Avena

A economia das cidades médias do interior da Bahia está fortemente aquecida e já é possível identificar investimentos em várias cadeias produtivas, especialmente no comércio, nos serviços e na mineração. O avanço das cidades médias é fundamental para dar mais consistência ao crescimento da economia baiana, que só possui uma única cidade com mais de 500 mil habitantes, enquanto estados como São Paulo, Minas e outros possuem muitos aglomerados urbanos desse porte. Na área comercial, o avanço dos investimentos é nítido. Basta verificar, por exemplo, que mais de dez novos shoppings serão inaugurados na Bahia até 2016 e todos eles em cidades do interior. A construção desses shoppings representa um investimento de mais de R$600 milhões e uma geração de cerca de 12 mil empregos e estão sendo construídos em Feira de Santana, Teixeira de Freitas Camaçari, Vitória da Conquista, Ilhéus, Juazeiro, Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e outras. Essa tendência de regionalização de investimentos na área do comércio tem como primeira explicação a ampliação da classe C, que passou a ser o foco do crescimento do consumo na Bahia e no Brasil, mas não é apenas isso. Na verdade, a explicação passa também pelo processo de crescimento e diversificação da base produtiva que se verifica em algumas cidades do interior, mesmo no quadro de crescimento moderado a que está submetido o país. Tomo como exemplos as cidades de Feira de Santana, Camaçari e Eunápolis. Feira de Santana tornou-se a nova área de expansão industrial/comercial no estado e nos últimos anos os investimentos no setor superaram o montante de R$1,2 bilhão,

atraindo empresas como Nestlé, Pepsico, Boticário, e outras. Por ter uma localização estratégica, próxima a Salvador, ao Polo Industrial de Camaçari e ao Porto de Aratu e constituir-se no maior entroncamento rodoviário do Nordeste, Feira é localização privilegiada para empresas e centros de distribuição que querem atingir o mercado nordestino, que é o que mais cresce no país. Os investimentos industriais em Camaçari são bem maiores por conta do Polo Industrial aí sediado, mas o que impressiona nessa cidade são os investimentos em shoppings, lojas comerciais e de serviços, construção civil, serviços e outros segmentos. Já vai longe o tempo em que as pessoas trabalhavam em Camaçari e faziam as compras em Salvador. Hoje quem trabalha na cidade consome lá mesmo. Já Luís Eduardo Magalhães figurou em reportagem da revista Veja como uma das cidades que mais crescem no país, e sua população de 80 mil habitantes é acrescida todo mês com, em média, 500 pessoas. Grande parte encontra ocupação, especialmente se tiver qualificação. O município de Luís Eduardo Magalhães, onde a exportação de grãos aumenta em um ritmo sete vezes superior ao da média do país, cresceu tanto que é chamado de a Chicago do Mapitoba, termo que define as principais áreas produtoras de soja e algodão do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. Essas três cidades são bons exemplos, mas existem mais de uma dezena delas na Bahia, o que permite dizer que está em curso um claro processo de interiorização dos investimentos. Armando é economista, jornalista e escritor

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FOTO: Acervo Odebrecht

O século da governança corporativa Na atualidade, princípios como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa devem ser incorporados à gestão por Antônio Netto e Carlene Fontoura

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undamentais para a longevidade das empresas, as boas práticas de governança corporativa são elementos de vantagem competitiva e diferenciação. Para especialistas, administradores e executivos, essa é a filosofia da gestão empresarial do século 21. O jogo é simples: vence a batalha quem é bom, ganha confiança quem tem clareza e administração profissional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, fomentar uma estrutura interna organizada é assegurar que o comportamento de a toda equipe esteja sempre em concordância com o interesse da empresa. Para isso, quatro princípios básicos devem ser considerados: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. “Quanto mais se investe em governança, mais a empresa se desenvolve de forma integrada, alinhada ao mercado e com segurança para alcançar resultados no longo prazo”, defende Maria Tereza Roscoe, professora da área de pessoas e gestão empresarial da Fundação Dom Cabral. Maria Tereza ressalta ainda que a filosofia de uma organização deve atingir os vários níveis que a compõem. Ela reconhece essa característica na Odebrecht, holding baiana que tem sua origem marcada pelos princípios e valores da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO). Criada e sistematizada por Norberto Odebrecht, a TEO estabelece critérios que devem ser adotados pelos funcionários nas diferentes frentes de atuação do grupo e nos 23 países onde está inserida. “Norberto foi visionário, pois estimulou a autonomia dos executivos e, ao mesmo tempo, acompanhou o crescimento dos negócios”, relata a professora. André Passos, diretor corporativo do Grupo LM, compactua com o sentimento de Maria Tereza e conta que aplica os princípios da TEO em seu dia a dia. “O conhecimento que tenho sobre a vida empresarial se deve às experiências vividas na Odebrecht, no início da minha carreira profissional”. Gestão profissionalizada Assim como a Odebrecht, o Grupo Natulab nasceu na Bahia. Idealizada pelos irmãos Marconi Sampaio e Milton Júnior, a empresa tem sede em Santo Antônio de Jesus. Em 2013, ocupou a 25ª posição na lista das 250 Pequenas e Médias Empresas que mais cresceram no Brasil entre 2010 e 2012 (análise da revista Exame PME e da Consultoria Deloitte). “Em três anos aumentamos nosso faturamento anual em mais de 50%, passando de R$ 77 milhões para R$ 176 milhões”, revela Roger Viana, diretor de administração de RH. De acordo com Viana, esse crescimento se deve ao investimento num modelo de gestão pautado nas boas práticas de governança corporativa. “Há quatro anos começamos o processo de organização com foco nos resultados e longevidade da Natulab. Com consultoria do Instituto de Desenvolvimento Gerencial, redesenhamos nosso planejamento estratégico para identificar de que forma cada departamento poderia contribuir. Definimos metas, indicadores e valorizamos o trabalho dos funcionários através da remuneração por resultados”. A empresa tem base familiar, mas hoje o conselho e diretoria contam com executivos do mercado, passando para uma gestão profissionalizada,

mas sem perder os laços com a tradição. “Somos uma companhia que tem em sua cultura propor objetivos e desafios ousados. Por isso, priorizamos diminuir os erros em nossa gestão”, avalia Viana. Como o segmento farmacêutico requer altos investimentos para se desenvolver, o Grupo pretende abrir seu capital em 2018. Para o diretor, até lá o dever de casa continua. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, a asma afeta cerca de 10% a 25% da população brasileira. Pensando em atingir esse público, a Natulab está desenvolvendo um aerossol, o primeiro a ser fabricado no Brasil, que atenderá demandas do Sistema Único de Saúde e farmácias. Com base sintética, o produto não tem previsão de lançamento. “Há seis anos estamos investindo em pesquisas e precisamos aguardar autorização para colocá-lo no mercado”, justifica Marconi Sampaio, diretor-presidente. Investimento em longevidade Responsável pela produção de celulose de eucalipto no mundo, o Grupo Suzano também desenvolveu seu próprio código de conduta empresarial. De acordo com Jorge Cajazeira, diretor de relações institucionais e certificações, a governança corporativa existe para deixar os papéis claros dentro da hierarquia e gerar lucro. “Para ganhar dinheiro, você pode fazer tudo errado. Você pode até trabalhar, por exemplo, no mercado pirata. O problema todo é manter sua organização por muitos anos. Pouquíssimas empresas brasileiras têm perto de cem anos”, provoca. Em 2014, a Suzano comemora 90 anos de história. Apesar de ser uma organização com base familiar, a companhia abriu seu capital em 1980, e foi a primeira do segmento a lançar ações em bolsa de valores. Para estabelecer novos parâmetros no relacionamento com acionistas e investidores, a Suzano aderiu, em 2003, ao Nível 1 de Governança Corporativa da BM&FBovespa. A partir de então, a organização passou a ter acesso ao capital internacional, um dos fatores que permitiram inaugurar a Unidade Imperatriz, no Maranhão, em março deste ano. Com investimento de US$ 2,4 bilhões, a fábrica tem capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano e atenderá


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Grupo Natulab insveste em pesquisa, mantendo parcerias com universidades e empresas de fomento

os mercados europeu e norte-americano. “Se você tem dinheiro para investir em ações, imagino que vai escolher uma empresa que tenha uma maneira de gerir de forma responsável. É uma garantia de que está investindo em negócios que são sérios, de origem legal”, analisa Cajazeira. Relacionamento com stakeholders Professor da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Adriano Bruni acredita que a conduta de uma empresa reflete na própria imagem. “Falhas de controle ou conflitos internos, mesmo em empresas familiares, de capital fechado, são vistos com péssimos olhos por clientes, fornecedores e financiadores”, afirma. Bruni ainda argumenta que as boas práticas de governança corporativa devem ser adotadas por empresas de qualquer porte ou área de atuação, já que essa conduta minimiza riscos e agrega valor ao relacionamento com stakeholders - acionistas, investidores, empregados, fornecedores, clientes, governo e comunidade. Horácio Hastenreiter Filho, professor da Escola de Administração da Ufba, compartilha da mesma opinião e complementa: “Se tem consciência de que sua missão não pode ser dissociada da confiabilidade dos stakeholders, a empresa estabelecerá um sistema de gestão que garanta transparência nas suas ações e que preste conta às diversas partes interessadas nas suas atividades”. Foi esse um dos motivos que levaram o 58

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Colégio Anchieta, em Salvador, com 33 anos de fundação, a apostar em práticas de governança. A partir de 2003, o colégio passou por um processo de profissionalização que, através de uma controladoria, integrou as diretorias administrativa, operacional e pedagógica. “Crédito no Brasil hoje é muito mais rígido e complexo. Os bancos querem saber quem são as pessoas que compõem a direção de um negócio, o nível de gestão, o compromisso social”, diz Carlos Alberto Negrão, controlador do Colégio Anchieta. “O que o banco pode lhe dar? Dinheiro. No passado, acreditava-se que isso era garantia. Hoje capital não é garantia. Na verdade o que paga dívidas e garante sustentabilidade é a boa gestão”, questiona. Com o crescimento do Anchieta e a preocupação com sua longevidade, o executivo explica que as questões estratégicas da governança se tornaram fundamentais para a instituição. Porém esbarraram no conservadorismo de alguns setores. “O maior desafio foi convencer os sócios de que estava na hora de nos reinventaram para os próximos 30 anos. É preciso olhar o que já foi feito e projetar o que é preciso fazer”. Além dos muros empresariais Com o acesso rápido e instantâneo às informações, o leque de stakeholders se ampliou e a sociedade passou a ser mais participativa e a exigir responsabilidade das empresas, independente do segmento. “Se uma organização polui o meio ambiente ou não cumpre os direitos trabalhistas - para citar alguns aspectos -, haverá pressão de outros públicos, como sociedade, mídia, etc.”, alega o professor Sandro Cabral, da Escola de Administração da Ufba. “Organizações menos transparentes e que se sentem menos obrigadas a envolver os interesses e perspectivas das partes interessadas, perdem e perderão, cada vez mais, espaço no mercado”, finaliza Horácio Hastereinter Filho. [B+]

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FOTO: Acervo Odebrecht

Líder educador,

sempre disposto a servir Em 70 anos de atuação, o empresário e engenheiro Norberto Odebrecht compartilhou conhecimentos e valores, construindo as bases para uma organização global, presente em 23 países por Pedro Hijo


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Era 1941 quando Norberto Odebrecht viu a empresa de seu pai afundar em dívidas, a Emílio Odebrecht & Cia. importava materiais de construção vindos principalmente da Europa, e, com a alta dos preços provocada pela Segunda Guerra Mundial, entrou em falência. A família não conseguiu cumprir contratos, estava devendo a bancos e coube a Norberto a tarefa de tirar a companhia do buraco. O estudante de engenharia da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), na época com 21 anos, precisou negociar com credores e começar a pagar as contas. Conseguiu que a empresa se tornasse a principal fornecedora do governo do estado, concentrando o maior número de obras. Formou-se em 1943 e abriu a própria empresa no ano seguinte. À época, a Norberto Odebrecht Construtora Ltda. era apenas uma semente do que hoje é a Odebrecht, uma organização global, presente em 23 países, com aproximadamente 200 mil empregados, e atuação diversificada, nos setores de engenharia e construção, indústria, desenvolvimento e operação de projetos de infraestrutura e energia. A família Odebrecht veio para a Bahia em 1925, pois via no estado oportunidades de crescimento, devido à valorização do cacau e carência de serviço especializado no mercado da construção civil. Norberto, recifense nascido no dia 9 de outubro de 1920, veio junto, com 5 anos. A rigorosa educação germânica passada pelos pais, Emílio e Hertha Odebrecht, o moldou para o trabalho, lhe ensinando o valor de servir. Por outro lado, aprendeu com o pastor Otto Arnold, que morava com a família, ensinamentos luteranos de altruísmo, ética e disciplina. O jovem Norberto tinha apreço pelo Exército, pela artilharia, foi ensinado a pôr a mão na massa, costumava dizer que foi educado “pegando ovo, vendo a galinha botar, sabia, de acordo com a lua, o dia que o pintinho ia nascer”. Aos 15 anos, começou a trabalhar nas oficinas da empresa do pai, onde aprendeu os ofícios de pedreiro, serralheiro, armador; foi chefe de almoxarifado e responsável pelo transporte; conviveu e aprendeu com mestres de obras e operários. Foi no canteiro de obras que Norberto aprendeu a necessidade de valorizar o trabalho coletivo. Ao criar a própria construtora, ele passou a dividir com os funcionários a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso. Criou um acordo com os colaboradores: era como se cada um deles fosse dono do próprio negócio, eram líderes das obras e podiam recorrer à matriz para apoio financeiro e complementaridade. O chamado Pacto Social formaria futuramente a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), cultura que 60

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“Eu era do departamento de máquinas e estávamos produzindo algumas correntes e Norberto perguntou para um colega meu quanto custaria uma delas. Meu colega disse que não custava nada para Norberto, que logo se opôs. “Se você fez, ela tem um preço”, disse. Ele tinha uma linguagem muito franca, sabia se comunicar em todos os níveis da empresa” Carlos Alberto Vieira Lima, ex-presidente do Sinduscon-BA e ex-funcionário da Odebrecht “O Dr. Norberto Odebrecht foi com certeza um dos maiores empresários das últimas décadas no país. Mas seu exemplo de líder e empreendedor vai além do mundo dos negócios. Ele deixou sua marca também como um ser humano ético, acima de tudo, e deixa um legado de grandes ensinamentos para as futuras gerações” Jaques Wagner, governador da Bahia

“O grande legado do engenheiro Norberto Odebrecht é o de ter sido um dos responsáveis pela construção do Brasil moderno. É indiscutível a presença do empresário na vida do país e sua importância como o empreendedor responsável por fundar uma das organizações mais importantes do mundo da construção civil. A Odebrecht não apenas está presente na vida de milhões de pessoas. A empresa se transformou, nos últimos 70 anos, em marca de engenharia, referência em obras de impacto na urbanização de cidades de vários países” Marco Amigo, engenheiro e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia


estabelece, dentre outros princípios, a descentralização administrativa, baseada na confiança e parceria entre todos os envolvidos. Este tema é amplamente discutido em um de seus diversos livros. A obra “Sobreviver, Crescer e Perpetuar”, publicada em 1981, sistematizou a tecnologia da empresa, e é considerada referencial para empresários até hoje. A aposta na prática diferenciada de gestão fez a empresa crescer. Norberto passou para os peões aquilo que aprendera com seu pai e valorizava as habilidades de cada um deles. Com meta de expansão, fomentava em cada executivo a capacidade de formar novos líderes que os pudessem substituir. Quem não formasse, não era promovido. Uma das primeiras obras de Norberto Odebrecht como engenheiro foi o Ciclo Operário da Bahia, construído em 1948, a pedido de Irmã Dulce, a quem, ao longo de sua vida, chamou de “mãe empresarial”. Estreitou laços com a freira e suas obras sociais. Foi com ela que aprendeu as primeiras estratégias de marketing. Irmã Dulce ensinava: “Precisamos começar a obra pela fachada, assim as pessoas vão passar, ver que a obra está crescendo e querer nos ajudar”, ele ouvia com atenção. A Fundação Odebrecht, criada em 1965, serviu primeiramente como um braço da organização para atender os colaboradores. Começaria em 2003 um movimento que levaria a Fundação a concentrar suas ações em projetos sociais exclusivamente no Baixo Sul da Bahia, com um modelo de desenvolvimento baseado nas cadeias produtivas. Só em 2013, a Fundação investiu R$ 84 milhões na região baiana, com mais de 800 comunidades envolvidas e 23 mil pessoas beneficiadas diretamente. Primeiro presidente do Sinduscon-BA Proprietário de uma então média empresa, Norberto atuou como líder empresarial à frente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia em 1954. Criado em 1952, o Sinduscon-BA teve Odebrecht como um dos fundadores e como seu primeiro presidente. De 1968 a 1972, Carlos Alberto Vieira Lima, ex-presidente da instituição, trabalhou com “Doutor Norberto”, como era conhecido, e participou da construção da Ponte do Funil, na Ilha de Itaparica. “Em 1968, ele abria a porta da sala dele para qualquer engenheiro que quisesse fazer uma consulta. Quando o assunto era relevante, a conversa era gratuita, mas se não fosse, ele aplicava uma conta na obra do funcionário, porque a hora dele era muito cara”, conta Vieira Lima, sorrindo. “Norberto inspirava pelo exemplo”, diz. w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

“Ele tinha muito em comum com Irmã Dulce. A perseverança, a obstinação, a vontade de servir, a simplicidade. Norberto e Irmã Dulce não tinham vaidade, eram avessos a homenagens. Você não via Norberto em coluna social, recebendo premiações” Maria Rita Pontes, superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce

“Norberto Odebrecht foi um visionário ao construir uma das maiores empresas do mundo. Em todos os setores em que atuou, foi pioneiro, contribuindo para o desenvolvimento da Bahia e do Brasil, gerando milhares de empregos. Norberto se orgulhava de morar na Bahia e nunca quis sair do estado. Além de ser o maior empresário baiano de todos os tempos, o que fica do Doutor Norberto também é o seu vínculo com o social” ACM Neto, prefeito de Salvador

“Empresário brilhante, formador de líderes, extremamente preocupado com a perpetuação da empresa. Desenvolveu tecnologias construtivas inovadoras. Em 1947, ergueu o Edifício Cruz, no Comércio, em apenas dez meses, prazo recorde para aquela época. Graças a uma técnica desenvolvida por ele, criando um novo método para a construção de concreto. Sempre esteve à frente de seu tempo, almejando novos desafios” Ângelo Calmon de Sá, sócio da Aratu Empreendimentos Seguros e presidente do Conselho de Administração das Obras Sociais Irmã Dulce; foi ministro da Indústria e Comércio durante o governo de Ernesto Geisel

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Da esquerda para a direita: O pequeno Norberto em Recife, Pernambuco; (abaixo) o empresário no Baixo Sul da Bahia; em 1941, ano em que começou a tomar conta da empresa do pai; as três gerações: Norberto, Emílio e Marcelo; Norberto Odebrecht em Plataforma da OPL; ao lado de Irmã Dulce, com quem aprendeu suas primeiras noções de marketing

Da Bahia para o mundo Entre 1976 e 1977, o faturamento da empresa quase dobrou com as obras nas regiões mais ricas do país, durante a época da ditadura militar. Segundo dados da Folha de S. Paulo, o crescimento real do grupo no período de 1973 a 1977 foi de 212%. Nessa época, a Odebrecht já tinha uma sólida parceria com a Petrobras e começava ali o processo de internacionalização da empresa. Iniciou com a contratação das obras da hidrelétrica Charcani V, no Peru, e as do desvio do Rio Maule, no Chile. Em 1979, é iniciado o processo de diversificação de negócios, com a criação da Odebrecht Perfurações, e com a compra da Companhia Petroquímica de Camaçari. Em Miami, construiu o aeroporto local, ganhando reputação imediata. No fim da década de 80, a empresa entra no grupo dos grandes conglomerados nacionais. Sediada em São Paulo, é criada a Braskem, maior empresa de petroquímica da América Latina. Norberto Odebrecht começou seu contato com Angola quando participou de uma viagem a Moscou com o então ministro Delfim Netto. Lá, ampliou sua atuação fora do Brasil. A Odebrecht foi uma das pioneiras em levar investimento brasileiro para Angola. Informações da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran) estimam que os profissionais baianos representam 50% da mão de obra brasileira no país. A multinacional é hoje uma das grandes acionistas no país, seja no setor de engenharia, imobiliário ou comercial. A atuação da empresa em Angola não evoluiu sem escândalos: em junho deste ano, o Ministério do Trabalho iniciou um processo contra a empresa, por trabalho escravo e tráfico internacional de cana de açúcar. Na época, a Odebrecht disse que só se pronunciaria sobre o caso após ser notificada judicialmente. 62

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Corrigir o mais rápido possível Quando ainda era estudante, o engenheiro Marcos Galindo trabalhou durante a construção da primeira sede da Odebrecht em Salvador, em 1981. “Algo que me chamava a atenção em Doutor Norberto era a relação dele com o erro. Dizia que a questão não é errar, é corrigir o mais rápido possível”, conta. “Ele sempre foi um educador. Um empresário com visão muito objetiva, que sempre transmitia sua experiência”. “Houve uma vez em que eu estava reticente ao tomar uma decisão e ele me disse: tome emprestado um pouco da minha coragem e faça. Não tive resposta para dar, a não ser fazer o que tinha que ser feito”, conta Galindo. No momento, ele está envolvido com a restauração de dois monumentos em Morro de São Paulo, projeto idealizado por Norberto, em seus últimos 15 anos de vida. As novas gerações Emílio, o primogênito de cinco herdeiros, assumiu a presidência da empresa em 1998, dez anos depois, foi a vez do neto, Marcelo, filho de Emílio, assumir o comando. Durante esses 16 anos que antecederam sua morte, Norberto foi apontado como o nono homem mais rico do Brasil pela revista Forbes e passou a se dedicar à Fundação Odebrecht, a cuidar das fazendas de cacau e projetos ambientais no Baixo Sul da Bahia. Nessa época, opinou sobre as diversas voltas que o mundo dá: “Todos somos produtos das escolhas que fazemos e das oportunidades que a vida nos dá. Temos de transformar a crise numa oportunidade. É preciso mais coragem do que análise, porque se ficar só analisando, o tempo passa.” [B+]

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Azul antecipa

operação internacional A velocidade no planejamento e execução dos voos diretos de Campinas para os Estados Unidos revela por que a Azul, em apenas seis anos, tornou-se a terceira maior companhia aérea do país por Núbia Cristina

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m apenas seis anos de existência, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras tornouse a terceira maior do país. Foi eleita pela quarta vez consecutiva a melhor companhia aérea low-cost da América do Sul, pela Skytrax World Airline Awards, título concedido durante a Feira Internacional de Farnborough, na Inglaterra, em julho deste ano. A premiação é uma das mais reconhecidas do mundo, referencial de excelência no setor aéreo. A consultoria especializada ouviu quase 20 milhões de passageiros em uma pesquisa de satisfação sobre a experiência de viagem em companhias aéreas de pequeno e grande portes de dezenas de países. Aspectos como atendimento no aeroporto e a bordo, check-in, limpeza da cabine, alimentos e bebidas foram avaliados. Na presidência da Azul desde 27 de janeiro deste ano, o baiano Antonoaldo Neves revela em entrevista exclusiva para a [B+] que a companhia vai dar vida à operação internacional em dezembro próximo, oferecendo voos diretos de Campinas para Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida. Um marco na história da empresa. Ele nasceu em Salvador, onde morou até os 17 anos, começou sua carreira na Odebrecht, aos 21. Da cultura local, incorporou a habilidade para lidar com as pessoas, a fácil comunicação e um perfil conciliador. 64

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Voos internacionais em dezembro deste ano “Temos dois pilares de crescimento hoje: aviação regional e operação internacional. Nesse sentido conseguimos antecipar o que estava previsto para o primeiro trimestre de 2015 e vamos iniciar voos diretos de Campinas para os Estados Unidos a partir de dezembro deste ano, partindo do aeroporto de Viracopos para Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida. Vamos voar para Nova York, em janeiro do próximo ano, depende apenas da aprovação da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil. Trabalhamos com bastante agilidade, na verdade em tempo recorde, pois aprovamos essa operação no conselho de administração em abril. Para permitir a expansão, serão incorporados cinco Airbuses A350-900 – a mais avançada aeronave comercial do mundo – e mais seis Airbuses A330-200. Dessa maneira, pelos próximos três anos, serão acrescidas 11 aeronaves wide-body (fuselagem larga) aos atuais 80 Embraer e 56 ATR. Queremos ser a única companhia a levar o cliente em voo direto de Alta Floresta, no interior do Mato Grosso, para Miami, nos EUA.” Agilidade no planejamento e execução “O projeto de internacionalização entrou no planejamento da companhia há dois anos, quando percebemos a força de conectar o Brasil do interior com o mundo e o mundo com o interior do Brasil. Foi tudo muito rápido, porque temos agilidade na tomada de decisão e execução. Nossa cultura aqui é a do líder servidor, minha e de todos os outros tripulantes em posição de liderança (na Azul os colaboradores são chamados de tripulantes) nos colocamos como facilitadores de uma equipe brilhante. Importante aqui é a força do time. Estamos na organização para servir. Esse pensamento vai do fundador (David Neeleman), ao presidente, até a ponta: os nossos comissários de bordo, que têm foco no serviço ao cliente. Quando pensamos em criar os voos internacionais, nos perguntamos: é bom para o cliente? Para o tripulante? Concluímos que sim e a partir disso começamos o planejamento. Trabalhamos para que a Azul seja o melhor emprego da vida dos tripulantes e ofereça aos clientes a melhor experiência de voo da vida deles.” Crescimento vertiginoso “A Azul tem seis anos, apenas, e em tempo recorde se transformou na terceira maior companhia aérea do país,

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Antonoaldo Neves acredita que é o facilitador de uma equipe brilhante

“Para ocupar esse cargo de presidente, na liderança de uma equipe de 10.300 funcionários, é preciso gostar de gente”

responsável por mais de 33% do total de decolagens no Brasil. Deixou de ser aquela companhia de Campinas para se tornar líder em decolagens em Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Manaus (AM) e Cuiabá (MG). Um exemplo de conectividade sem precedentes na história recente da aviação brasileira. Hoje ela serve a 105 destinos, sendo a empresa brasileira de maior abrangência, com 876 voos diários. Para você ter uma ideia, chega a municípios mais longínquos, como Eirunepé, no estado do Amazonas.” Aposta no interior baiano “A Bahia é o segundo estado de maior presença da Azul. A empresa opera em oito municípios e vamos chegar a dez até o final deste ano. Em 30 de agosto a companhia inicia operações em Valença. A Anac autorizou a operação de voos diretos aos sábados entre o destino baiano e Campinas. A gente enxerga o crescimento do interior baiano, não apenas daqueles municípios com vocação turística, mas os de outros segmentos, a exemplo de Barreiras. Nós transportamos clientes de Porto Alegre (RS), líderes do agronegócio, direto para o oeste baiano.” w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

Governo LANÇA plano de subsídio à aviação regional “Temos grande expectativa em relação ao plano de subsídio à aviação regional. Novos investimentos em infraestrutura, nos aeroportos foram e estão sendo feitos, mas agora falta a parte mais importante, que é diminuir a alta carga tributária sobre o combustível de aviação, no Brasil um dos mais caros do mundo. O governo desenhou plano de isenção, que, através de subsídios para os passageiros, pode reduzir a carga de impostos. Existem cerca de 100 municípios que podem ser atendidos depois da aprovação desse plano. Não somos favoráveis ao protecionismo, mas entendemos que os preços dos combustíveis precisam estar compatíveis com o padrão internacional. Temos uma lista de dez novas cidades para atender ainda em 2014, dessas, duas na Bahia. A aprovação do plano vai garantir a sustentabilidade dos nossos projetos de expansão e da compra de novas aeronaves da Embraer. Isso é muito importante, porque o combustível representa 50% dos custos das companhias aéreas brasileiras.” agosto/setembro 2014

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Azul em números

33%

do total de decolagens no Brasil

105

destinos

876

voos diários

8

municípios da Bahia são atendidos pela empresa

82

E-Jets da Embraer em operação e mais 11 pedidos em carteira

Com o governador Jaques Wagner, o presidente da Azul afirma que a empresa aposta na Bahia

10.300 funcionários

Confiança na Embraer “Além de pautar a aviação doméstica no mercado brasileiro sob a ótica da integração nacional, a Azul contribui para o desenvolvimento da indústria brasileira. A família de E-Jets da Embraer é a base da nossa frota e, recentemente, a companhia assinou carta de intenções com a empresa, prevendo a encomenda de 50 aeronaves E195-E2, sendo 30 firmes e 20 opções. Primeira companhia aérea a encomendar o E195-E2, a Azul passa a ser o operador-lançador dessa aeronave. Hoje, a empresa tem um total de 82 E-Jets em operação e mais 11 pedidos em carteira. A companhia opera a maior frota de jatos E195 no mundo.” Delegação e foco no ser humano “Comecei minha carreira na Odebrecht, em São Paulo, aos 21 anos. Essas empresas são bem diferentes, em relação à governança corporativa, mas têm algumas singularidades, como a delegação e a confiança no ser humano. No dia do jogo Brasil x Chile, em Belo Horizonte, por exemplo, o aeroporto fechou e um grupo de clientes chegou faltando uma hora e 15 minutos 66

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“Nossa cultura aqui é a do líder servidor, minha e de todos os outros tripulantes (funcionários) em posição de liderança” para começar a partida. O gerente do aeroporto não pensou duas vezes e alugou um ônibus para levá-los até o estádio. Chegaram ao Mineirão bem na hora do hino nacional. Ele tomou a decisão de levar os passageiros, sem custo para eles, sem consultar os superiores. Eu não quis saber quanto custou, o essencial é que durante a Copa não deixamos um único passageiro sem ver os jogos, em decorrência de atrasos.” Singularidades da cultura baiana “Nasci em Salvador, onde morei até os 17 anos, mas tenho em mim duas características da cultura local, que são muito importantes no ambiente de negócios. A primeira é a conciliação: o baiano tem habilidade para juntar pontos de vista divergentes e chegar a uma situação integrada. A outra é o gostar de gente. Para ocupar esse cargo de presidente, na liderança de uma equipe de 10.300 funcionários, é preciso gostar de gente.” [B+] w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m


obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte

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educação A importância da educação técnica 68 [C] Comunicação e gestão 72


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e d u cação | qual i ficação

Educação para o amanhã Essencial para a qualificação do mercdo de trabalho, a educação profissional na Bahia registra uma série de avanços nos últimos anos, mas ainda é preciso vencer muitos desafios por Murilo Gitel

FOTO: João Alvarez/FIEB

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jovem Patrícia Soares Cruz havia se desiludido com a informática e descoberto um interesse por carros, quando decidiu cursar mecânica industrial no Senai/Cimatec. Dois anos se passaram, ela se aprimorou no curso de mecânico de usinagem e, em 2012, acabou contratada pela Bridgestone como jovem aprendiz. Hoje, aos 22 anos, Patrícia atua como técnica em mecânica industrial da empresa. “Com esses cursos, conheci uma realidade muito além da que é passada na escola. Adentrei no mercado de trabalho, encontrei-me na área de 68

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mecânica e agora posso dar o próximo passo para a educação superior. Chegarei à faculdade com uma visão ampla e focada nas minhas metas”, projeta a jovem, que iniciou o curso de engenharia mecânica em agosto. A experiência de Patrícia não


Cursos de graduação do Senai/Cimatec com processo seletivo aberto GRADUAÇÃO BACHARELADO Engenharia Mecânica; Elétrica; Civil; de Controle e Automação; de Materiais; e de Produção.

GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA Mecatrônica Industrial; Inspeção de Equipamentos e de Soldagem; Logística; Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Redes de Computadores.

é um caso isolado. Embora ainda apresente uma série de desafios, a educação profissional – tida por especialistas como fundamental para a qualificação do mercado de trabalho – tem registrado avanços na Bahia. Só na rede estadual voltada ao tema (a segunda maior do país), são mais de 69 mil estudantes matriculados em 80 cursos técnicos de nível médio, segundo dados do Censo Escolar, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “Este reconhecimento nacional evidencia um esforço coletivo, que inclui o governo da Bahia, com investimentos do Tesouro do Estado e de recursos captados do governo federal, de professores, funcionários e gestores”, enumera o superintendente de Educação Profissional do Estado, Almerico Lima, segundo o qual mais de 30 mil novos técnicos foram formados de 2010 a 2013. Pronatec 2.0 Em nível federal, o ministro da Educação, Henrique Paim, anunciou recentemente que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) será ampliado e ofertará 12 milhões de vagas em 220 cursos técnicos de nível médio e em 646 cursos de qualificação, a partir de 2015. Criado em 2011 com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica, o Pronatec tinha como meta inicial oferecer oito milhões de matrículas até 2014 - contabiliza atualmente 7,4 milhões de matrículas e R$14 bilhões em investimentos. Batizada de Pronatec 2.0, a nova fase do programa buscará organizar nacionalmente a trajetória de formação profissional. “Sabemos que a educação profissional no Brasil sempre foi relegada a segundo plano, fizemos um esforço expressivo e avançamos muito”, ressalta o ministro. Mestrado Uma das principais entusiastas da educação profissional na Bahia é a professora Tânia Fischer, criadora do primeiro mestrado profissional do país em administração, na Ufba. Atualmente coordenadora do Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gestão Social (Ciags), ela explica a real importância dessa pós-graduação. “O mestrado profissional dá todas as vantagens e créditos de uma pós-graduação acadêmica, mas tem uma natureza diferenciada, na medida em que sua aplicação é voltada ao mundo do trabalho”, destaca w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

a educadora, que recebeu a [B+] em uma das salas de aula da Escola de Administração. Segundo Tânia, esse conceito é aplicado a todos os cursos e áreas, tais como engenharia, educação e saúde. Para a coordenadora do Ciags, um bom mestrado profissional é aquele que se destaca pela diversidade. “Em gestão social de territórios, por exemplo, nós temos membros do Sistema S, Fieb, governos, bancos, movimentos sociais e empresas como Petrobras, Odebrecht, Veracel, Gerdau e Dow. Isso é essencial, porque a nossa sociedade é diversa”, justifica. Gestão Quem viveu essa experiência, entre 2009 e 2011, foi o relações-públicas Rodrigo Maurício Soares, hoje mestre em gestão social e coordenador executivo de alguns dos projetos do Ciags. “O mestrado profissional instrumentaliza os alunos para a gestão. Destaco também o contato com profissionais de outras áreas”, ressalta. O Programa de Residência Social no exterior, voltado à formação dos gestores sociais do desenvolvimento, é outro atrativo do mestrado profissional oferecido pelo Ciags/Ufba. “Fui para Lisboa estudar políticas públicas voltadas ao artesanato, como fator de geração de renda”, lembra Rodrigo. De acordo com Tânia, o mestrado profissional vive uma realidade ascendente. “É um campo de inovação fantástico, mas é preciso investir em modelos inovadores e reflexões sobre a prática. Ser cada vez mais aderente ao mundo do trabalho, ter resultados mensuráveis, importância social e produtos valorizados”, defende. Crítica Sobre a educação profissional na Bahia, no âmbito geral, uma visão mais crítica é expressada por Luiz Alberto Dantas, professor do Instituto Federal da Bahia agosto/setembro 2014

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e d u c aç ão | qual i f i cação FOTO: Rômulo Portela

(Ifba). “A infraestrutura vem sendo montada depois que os cursos são criados, o que não é o ideal. Eu já trabalhei na Ufba, na UFRJ, e geralmente aqui no Brasil é assim: os cursos são criados, depois vem a batalha para mantê-los. São demandados mais equipamentos, professores, e a coisa vai ficando precária”, pontua o também coordenador do curso de metalurgia, de onde saem profissionais para empresas como Petrobras, Gerdau e Paranapanema. Luiz concorda que muitos investimentos têm sido feitos no ensino técnico e superior nos últimos anos, sobretudo quanto ao aumento no número de cursos e vagas, mas observa outras necessidades. “O curso de metalurgia em Simões Filho chegou a ser interrompido há três anos, porque faltavam professores para atender a demanda. Tivemos que interrompê-lo para frear a entrada de alunos. Vai ser retomado em 2015, porque a Reitoria do Ifba já solicitou mais professores.” Segundo ele, muitas vezes faltam planejamento e pesquisa de mercado, mas as instituições também sofrem com a limitação da autonomia. “É um processo muito burocrático criar e extinguir um curso. A demanda não é fixa, varia muito. Sempre é preciso melhorar a infraestrutura. As instituições precisam de mais liberdade. Estamos jogando pessoas no mercado e elas não estão sendo absorvidas. Isso não diz respeito só à área técnica”, aponta. Dever Para o economista baiano Rafael Lucchesi é preciso melhorar e incentivar a questão da educação profissional. “É importante, para ter uma política educacional de maior articulação com os jovens e que assegure desenvolvimento econômico e social para o país”. Do contrário, segundo ele, “não vamos contribuir para a sustentabilidade de ciclos de desenvolvimento”. A educadora Tânia Fischer conclui sua aula com o dever de casa: “Hoje, temos que pensar no futuro e educar para o amanhã.” [B+] 70

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Tânia Fischer: “Temos que pensar no futuro e educar para o amanhã”

Principais instituições de educação profissional na Bahia: Ufba, Uneb, UFRB, Ifba e Senai/Cimatec FOTO: João Alvarez/FIEB

O Cimatec vai receber, no primeiro semestre de 2015, a Fábrica Modelo Brasil, primeira da América Latina. O projeto consiste num ambiente único, onde líderes de operações e profissionais podem desenvolver capacidades de manufatura e gestão lean, abrangendo teoria e prática. Será uma fábrica totalmente funcional, com foco em educação profissional e pesquisa aplicada FOTOS: João Alvarez/FIEB

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ABRH BAHIA · 25 ANOS Passado, Presente e Futuro da Gestão de Pessoas: Tendências e Oportunidades

71 3341-0877 | 0820

25 e 26 de Setembro de 2014 Bahia Othon Palace Hotel • Salvador – BA

eventos@abrhba.org.br

Em 2014 a ABRH Bahia celebra seus 25 anos de existência e, para comemorar, a entidade e seus associados já se mobilizam. Veja os palestrantes que irão compartilhar suas experiências no Maior Evento de Gestão de Pessoas da Bahia.

Eugênio Mussak (SP): Apresentador, Educador, Escritor e Palestrante

Dulce Magalhães (SC): Educadora, Escritora, Pesquisadora e Palestrante

Rogério Leme (SP): Diretor Executivo da Leme Consultoria

Cícero Penha (MG): Vice Presidente Corporativo de Talentos Humanos do Grupo Algar e Presidente da Universidade Algar

Marly Vidal (DF): Diretora Administrativa e de Pessoas do Laboratório Sabin

Alvaro Mello (SP): Presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades

Confira estes e outros palestrantes de destaque e inscreva-se pelo www.abrhba.org.br

Acompanhe também através das redes sociais: /abrhbahia

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obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte

Comunicação é uma grande aliada da Governança Corporativa por Monique Melo

Cada dia fica mais clara a força da comunicação para as empresas. Há muito tempo ela deixou de ser um departamento para estar presente em todos os setores, fazendo parte dos seus direcionamentos estratégicos. Esta grande tecnologia (como gosto de definir), se bem gerida, antevê problemas e previne crises, caracterizando-se como um grande diferencial no mundo midiático em que vivemos. Construir uma sólida reputação leva anos, mas para destruí-la bastam alguns minutos. Por isso, um especialista deve participar das grandes decisões da gestão, não só para opinar sobre as suas consequências, mas também, para mostrar os caminhos e os momentos de divulgar as informações relevantes para cada público-alvo. Desenvolver processos de comunicação mais transparentes, colaborativos e integrados é fundamental na construção de boas práticas de governança corporativa e isso se reflete, sem dúvidas, no resultado financeiro, na credibilidade e imagem das companhias. Sem contar que possibilita uma maior adaptação às transformações que acontecem a todos os instantes. Se por um lado é necessário ter normas claras que regulamentem os processos, costumes, procedimentos, atuação e função de uma empresa, por outro é importantíssimo comunicar que essa legislação existe. Não dá apenas para imprimir um manual, encaderná-lo e deixá-lo em uma prateleira ou distribuí-lo aos funcionários – é 72

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fundamental saber como comunicar essas normas aos stakeholders, universo tão amplo que vai além de funcionários e acionistas. São stakeholders todos aqueles que direta ou indiretamente são impactados pela atuação de uma empresa. Este grupo chama a atenção mais por sua diversidade do que por sua extensão. Aqui a estratégia de comunicação é a chave. O que devem saber? O que precisam saber? Compartimentar, quantificar e qualificar as informações são as primeiras premissas de todo este processo; saber com quem se está comunicando as orientações, missão, atuação de uma empresa é a seguinte premissa. Estabelecer a forma, linguagem, estrutura e hierarquia da informação é o próximo passo. O conteúdo tem que ser entendido tanto pelo diretor como pelo funcionário da fábrica, por exemplo. Portanto, não há governança sem uma boa comunicação estratégica bem direcionada, atendendo às especificidades de cada stakeholder. Não adianta aprender a transmutar ferro em ouro se não souber respeitar a necessidade de conhecimento de quem tem investimento social, político, emocional e ambiental nesta alquimia. Ou seja, que todos os envolvidos conheçam, entendam, participem e apoiem o resultado dos negócios. Monique é diretora da Texto&Cia - Assessoria de Comunicação e .TXT Agência Digital & Conteúdo

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Apoio:

sustentabilidade A Bahia descobre a energia e贸lica 74 [C] A Copa e o know-how 78

obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darz茅 Galeria de Arte


s ust e nta b ilidad e | tend ências

Prazer, energia híbrida A Bahia consolida-se como um dos principais estados do Brasil na produção de energia eólica. Mas dois projetos em especial chamam a atenção por integrar também outras duas fontes limpas de eletricidade: solar e biomassa por Murilo Gitel

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matriz energética brasileira ainda é extremamente dependente das hidrelétricas e, em último caso, das termelétricas. A crise atual vivida pelo setor no país pode ser atribuída, entre outros fatores, à falta de diversidade das fontes de geração de energia, segundo apontam os especialistas. No entanto, a Bahia tem se notabilizado por atrair grandes projetos de energia eólica nos últimos anos. Mas dois empreendimentos em especial chamam a atenção por integrar também outras duas fontes limpas de eletricidade. Por trás deles estão as empresas Renova Energia e a Quifel Energy. O estado será o primeiro do país a receber um complexo híbrido de geração de energia eólica e solar, que será construído pela Renova Energia em Caetité,

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no sudoeste baiano. Com investimentos de R$130 milhões, o empreendimento terá capacidade instalada de 26,4 megawatts (MW), sendo 21,6 MW de eólicas e 4,8 MW pico de energia solar. A Renova já recebeu a primeira parcela de R$6 milhões do financiamento de R$108 milhões firmado com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para iniciar a construção da usina, que está prevista para entrar em operação no início de 2016. Viabilidade O complexo prevê a instalação de cerca de 20 mil placas fotovoltaicas, que serão ligadas a quatro inversores e, em seguida, a uma subestação. A estação também receberá a energia que será

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R$ 130 milhões é o investimento da Renova no empreendimento que terá capacidade instalada de 26,4 megawatts (MW), sendo 21,6 MW de eólicas e 4,8 MW pico de energia solar.

R$ 3 bilhões é o investimento da Quifel, por meio de um consórcio, com o objetivo de construir um parque eólico com capacidade de gerar 630 Megawatts (MW) - energia suficiente para abastecer uma cidade de dois milhões de habitantes.

A Bahia será o primeiro estado do país a receber um complexo híbrido de geração de energia eólica e solar

Segundo a Renova, a empresa deverá incluir projetos de fonte solar e eólica no leilão de energia do tipo “A-5” (que negocia contratos com início de fornecimento em cinco anos), marcado para setembro, e no leilão de energia de reserva, ainda em estudo pelo governo. No ano passado, a empresa cadastrou 200 MW de fonte solar no leilão “A-5”.

+ no site: Saiba como instalar energia solar em casa

produzida pelos parques eólicos. Segundo o presidente da Renova Energia, Mathias Becker, o objetivo é encontrar uma forma economicamente viável de explorar a energia solar no Brasil. “Na região de Caetité, as duas fontes são complementares. Na prática, a produção de energia eólica é maior no período noturno, quando a geração de energia solar é praticamente nula. A combinação das duas fontes garante o fornecimento contínuo de energia do projeto e reduz o custo da fonte solar, que separadamente ainda é elevado”, afirma Becker. Leilões O fornecimento de energia firme do complexo, de 12 MW médios (o equivalente ao consumo de uma cidade com 130 mil pessoas), foi comercializado por meio de um contrato de 20 anos de duração no mercado livre. w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

Integração Já a Quifel escolheu o município de Sento Sé, no norte da Bahia, para abrigar um projeto com capacidade para produção eólica, solar e de biomassa. Na etapa inicial, a empresa portuguesa vai formar um consórcio para investir R$3 bilhões com o objetivo de construir um parque eólico com capacidade de gerar 630 Megawatts (MW) - energia suficiente para abastecer uma cidade de dois milhões de habitantes. “Do ano passado para cá obtivemos todos os licenciamentos necessários, ambiental, de construção e localização. Agora é participar do leilão (A-5, em setembro), ganhar e construir o parque”, projeta o diretor da empresa, Rafael Cavalcanti. Segundo ele, as obras devem começar em 18 meses e o prazo final para entrega é 2019. De acordo com Cavalcanti, os projetos de energia solar e biomassa da Quifel estão sendo desenvolvidos separadamente. “Aguardamos o resultado do primeiro leilão exclusivo de energia solar (em outubro) para saber se essa fonte agosto/setembro 2014

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s us te n ta b ilidad e | te n dências

Quifel energy investimento de R$ 3 bilhões

Renova Energia investimento de R$ 130 milhões

estará mais competitiva, com preço para ser produzida em escala. O que se espera é que o governo reaja e torne o valor viável. Ainda falta demanda”, observa. Sobre a produção de biomassa no complexo de Sento Sé, o diretor da Quifel destaca que o projeto encontra-se na fase de estudo ambiental. “A ideia é dividir o manejo florestal em áreas específicas. Depende de uma regulação muito rígida. Temos que fazer sistemas de replantio. Na região em que estamos, segundo os estudos, o período de recuperação da vegetação é de 15 anos. Estamos na fase do inventário florestal, que vai dizer quais espécies estão ali, se podem ou não ser utilizadas, quais se recuperam ou não”, ressalta. Complementares Para o especialista em energia e ambiente Ednildo Andrade Torres, a Bahia possui um verdadeiro corredor eólico que atravessa o estado por cima da Chapada Diamantina. “Podemos considerá-lo um segundo ‘Rio São Francisco’ de vento e energia, que contempla a região semiárida”, compara o professor-doutor da Escola Politécnica da Ufba. Segundo ele, o potencial solar da Bahia também é uma realidade. “Um verdadeiro celeiro a ser aproveitado, com dados que podem variar de 700 a 1.000W/m2, o que viabiliza a instalação de usinas fotovoltaica e solar térmica de alta temperatura”, aponta, além de ressaltar que a combinação das duas fontes pode garantir o fornecimento contínuo de energia do projeto. Linhas de transmissão Os dois projetos de energia híbrida previstos para o estado nos próximos anos não deverão sofrer com o atraso da entrega das linhas de transmissão, que distribuem a energia gerada pelos empreendimentos à população. 76

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Quem viveu o problema até bem recentemente foram os parques eólicos da Renova, situados no sudoeste. Inaugurados em 2012, eles não contavam com o atraso da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) na entrega das linhas, o que fez com que a energia gerada (294,4 MW) deixasse de chegar à rede – desperdício que virou prejuízo para o governo. Como entregou os parques eólicos no prazo, a empresa recebeu do governo federal o que estava previsto nos contratos, mesmo sem ter por onde distribuir a energia. No Nordeste, empreendimentos do Rio Grande do Norte e Ceará também passaram pelo mesmo problema. Só até maio do ano passado, eles já haviam recebido R$263 milhões dos cofres públicos. A Chesf foi multada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em mais de R$11,5 milhões. Em nota, a companhia atribuiu o atraso às exigências dos órgãos ambientais e ao curto espaço de tempo para montar a distribuição de energia dos novos parques eólicos. Legislação Em contato com a Chesf, a [B+] foi informada de que as linhas referentes aos parques da Renova (Igaporã-Bom Jesus da Lapa) foram entregues no dia 31 de maio e inauguradas oficialmente em 18 de junho. “Isso (o atraso) não deverá mais acontecer porque a legislação mudou. Agora você já participa do leilão com responsabilidade de integrar a energia dos seus parques a rede. A obrigação pelas linhas de transmissão é nossa, e não mais de companhias externas”, salienta Rafael Cavalcanti, da Quifel. Agora é esperar pela energia híbrida. [B+]

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Copa 2014 em Salvador: Práticas de Governança e Know-How por Isaac Edington

A Copa aconteceu. Apesar de todas as expectativas sombrias que cobriam a realização do mundial em nosso país, até pelos mais céticos, ele foi considerado exitoso. Não estou falando da Seleção Brasileira, não é objeto deste artigo. Meu objetivo aqui é ressaltar aspectos que considero relevantes das interações relacionadas a processos de governança vividos entre grupos de gestores e servidores públicos, da esfera municipal com seus pares-, estadual e federal e membros da FIFA e COL - Comitê Organizador Local. Posso afirmar que essas interações, provenientes de toda a cadeia de operações necessárias para realizar um megaevento internacional, influenciaram de forma positiva o capital intelectual ligado a diversas áreas do poder público. 78

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Somos entes relacionais, quanto mais interagimos, mais aprendemos. Diversas atividades relacionadas ao transporte, realizadas com êxito durante o mundial, já influenciam operações cotidianas em eventos em nossa cidade, a exemplo do Carnaval do ano passado e jogos nos estádios, que já se utilizaram de novas metodologias. Exaustivas etapas de planejamento, novas formas de atuar, monitorar e controlar processos, conceitos e abordagens diferenciadas, aspectos relacionados à qualidade, confiabilidade, avaliação de risco, prazos inexoráveis e inadiáveis tornaram-se presentes durante todo o período de preparação e realização dos eventos ligados ao mundial. Toda a vivência dessas interações ficou como aprendizado, know-how e formou um capital intelectual que rapidamente tende a ser assimilado pela gestão pública. Uma das atividades marcantes para mim engloba ações que foram assimiladas e praticadas antes mesmo da realização dos jogos. O Programa de Proteção às Marcas, que utiliza conceitos para preservar direitos dos patrocinadores, definir perímetros exclusivos, coibir atividades ilegais, como falsificações, marketing de emboscada, publicidade ilegal, comercialização de produtos falsificados, além de favorecer o ordenamento do espaço público e comércio informal, entre outras atividades. Essa nova dinâmica já contribui para uma nova visão de valorização do espaço público, que vem favorecendo a captação de recursos junto à iniciativa privada para viabilizar eventos importantes em nosso calendário anual, a exemplo da Festa de Iemanjá e Réveillon, realizados com grande sucesso, e o nosso último Carnaval, que além de mais organizado em todos os aspectos, estabeleceu um divisor de águas na governança pública, pois a mais importante festa popular do Brasil foi totalmente financiada pela iniciativa privada, e ainda gerou superávit para a Prefeitura. Salvador teve grandes benefícios de imagem por meio da grande exposição de mídia nunca antes vista, que promoveu a cidade para o mundo. Recebemos 70 mil turistas estrangeiros, entre um total de 700 mil, e segundo pesquisa, 94% pretendem voltar. Dentro deste mesmo contingente entre os que estiveram aqui há um grupo que muito nos interessa, os que tomam decisões. Dirigentes das marcas e empresas dos mais variados setores. A imagem projetada para este exigente grupo foi a de que Salvador, com a sua nova governança, tornou-se um lugar atrativo para receber e organizar eventos das mais diferentes atividades, de qualquer porte e em qualquer época do ano. Que venham mais marcas e eventos para a nossa cidade. Sejam bem vindos a Salvador. Isaac é secretário municipal para Copa do Mundo na Prefeitura de Salvador


Apoio:

lifestyle Sabor 80 [C] Foco no produto X foco no cliente 82 Decoração e bons pratos 85 O que fazer no Soho 86 [C] Arquitetura como afirmação de marca 88 Autos&Motos+ 90 Guia do soteropobretano 92 Coaching para que? 94 Notas de Tec 96

obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte


lif e st yle | s abo r

Apoio:

Paixão que vem do berço Ao realizar seu sonho, a produtora e chef Valéria Silveira revela que valorizar o alimento é o segredo na hora de cozinhar por Carlene Fontoura

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a ponta dos pés, ela consegue se debruçar na mesa. Os olhos azuis brilham cada vez que um tempero é acrescido à receita. Esperta que é, não perde nenhum detalhe: a pitada de sal, a fervura da água, o punhado de arroz. A criança da história é Valéria Silveira, ao observar a avó na cozinha. Hoje, aos 50 anos, Valéria vive o sonho de cozinhar profissionalmente. “Sou apaixonada por gastronomia. Gosto de experimentar, estimular o diferencial de cada alimento”, diz. Especialmente para [B+], a chef preparou um filé de robalo assado com purê de raízes e caprichou na arrumação do prato. “A arte final faz a diferença”, alega. Antes de concluir a formação em Gastronomia, Valéria quis ampliar seus horizontes. Por oito meses estudou na Universidade de Barcelona (Espanha), onde teve contato com renomados chefs do país. Dentre as técnicas aprendidas, ela destaca a gastronomia molecular, ciência que contempla todos os sentidos na hora da degustação. “Além de comer, a pessoa tem que sentir a textura, cheirar os aromas e se emocionar ao ver um prato”, explica. No cotidiano, Valéria atua como produtora, mas o contato com a cozinha é semanal. À noite ela serve um jantar especial, autoral ou temático, para convidados. “Comecei sem pretensões, mas hoje vejo essa atividade como um projeto-piloto. Estou avaliando as possibilidades de crescimento”. 80

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Receita Filé de robalo com purê de raízes

[01] Para o filé de robalo 1 kg de filé de robalo; tomilho fresco; 5 dentes de alho e sal a gosto

Modo de preparo Tempere o peixe com alho e sal e reserve por 15 minutos. Aqueça uma frigideira e grelhe os filés com um fio de óleo. Coloque os filés numa assadeira untada com azeite e leve ao forno por 10 minutos.

[02] Para a manteiga de tomilho 100g de manteiga e tomilho-limão

Modo de preparo Numa panela acrescente a manteiga e quatro ramos de tomilho-limão. Aqueça por alguns minutos até que a manteiga fique derretida. Deixe descansar por alguns minutos, coe e reserve.

[03] Para o purê de raízes 1 litro e meio de caldo de carne; 200g de mandioquinha; 200g de batata doce roxa; 100g de mandioca; 50g de batata inglesa; 50g de cenoura; 10g de canela em pau; 100g de manteiga; 200ml de creme de leite fresco; sal e pimenta do reino

Modo de preparo Descasque e corte as raízes em pedaços médios. Coloque numa panela com caldo de carne, canela em pau e sal, misture e leve ao fogo alto. Quando as raízes estiverem cozidas, escorra o caldo, retire a canela em pau e amasse as raízes ainda quentes. Junte a manteiga e o creme de leite e bata vigorosamente.

[04] Para arrumação do prato Coloque uma colher do purê, disponha o filé de peixe e regue com a manteiga de tomilho-limão. Finalize com uma folha de tomilho-limão, minicenouras ou ervas da sua preferência. Rendimento: cinco porções. w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

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M obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte

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Foco no Produto X Foco no Cliente por Guilherme Baruch

Uma vez, eu entrei na Mesbla para comprar uma máquina de lavar e uma vendedora me disse: “Melhor levar essa, porque é a última”. O foco da Mesbla era no produto e este pode ter sido um fator para a sua falência. Posso explicar: atualmente, os clientes possuem tantas opções de compras que, dificilmente, a decisão é por alguma característica exclusiva do produto e sim por outros atributos como preço, comodidade ou impulso mesmo. A facilidade para chegar e estacionar na porta da loja pode ser mais determinante na escolha do produto que uma ou outra caraterística de seu funcionamento. Em maio de 2001, a Apple inaugurou a primeira Apple Store depois de várias tentativas de diferenciar a apresentação de seus produtos em quiosques e seções especiais nas grandes lojas de varejo. Na mesma época, uma concorrente, a americana Gateway, estava fechando cerca de 200 pontos de venda direta e voltando ao seu modelo comercial tradicional. A Gateway havia optado por posicionar suas lojas ao lado de grandes supermercados para que os clientes aproveitassem a oportunidade para lhes fazer uma visita quando precisassem comprar o seu computador ou acessório. Com essa estratégia e uma decoração óbvia, a Gateway conseguia em média 250 visitas por semana enquanto as Apple Stores tinham picos de duas mil pessoas por turno. Já Ron Johnson, ex-Target, contratado por Steve Jobs secretamente para conduzir a entrada da Apple no varejo, escolheu os mais valorizados pontos de venda e dividiu as lojas em zonas de solução para expor exemplares de seus quatro modelos de computadores da época, dois desktops e dois notebooks, em lojas com até 560m2. Cada uma dessas zonas apresentava os mesmos computadores acompanhados dos softwares e acessórios que iriam resolver os anseios dos 82

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clientes nas áreas de educação infantil, música, vídeo, trabalho, etc. Mesmo numa época em que os mais tecnológicos acessavam a internet através de modems e conexão discada, todos os computadores da loja estavam on-line à disposição dos clientes. Outra inovação relevante foi a criação do Genius Bar, uma área da loja onde o cliente podia tirar dúvidas sobre a utilização do seu Mac e conexão de acessórios, mesmo que não os tivesse comprado na loja. A intenção era fazer o cliente realmente atingir seus objetivos iniciais ao comprar aqueles computadores. Para evitar que seus vendedores empurrem para os clientes produtos que eles não precisam, a Apple não paga comissão sobre vendas, isso mesmo, não paga. Então como motivar os vendedores que na sua maioria são estudantes universitários trabalhando meio turno? Distribuindo o título de Mac Genius para aqueles de melhor desempenho. Imagine o peso disso no currículo desses estudantes e o que eles não fariam para consegui-lo? Mas espere aí! Onde estão as informações como tipo do processador, tamanho da memória ou capacidade do HD? Em letras pequenas num display porque isso não é relevante. O que importa é atender à necessidade do cliente. Isso é foco no cliente e não foco no produto. E aí, vamos repensar nosso negócio sobre essa ótica e procurar ver o que realmente motivará o cliente a comprar? Aposto que a resposta não está em nova característica do produto. Guilherme é bacharel em processamento de dados pela Ufba, especialista em administração pela Unifacs e em marketing pela FTE. Tem 13 anos à frente da Agente Marketing de Relacionamento

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lif e st yle | de co ração

Comer com os

olhos Conheça a decoração da unidade baiana da cadeia de restaurantes que faturou, só em 2013, R$ 200 milhões fotos Luciano Oliveira

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antiga música caribenha que ambientava o salão do Coco Bahia agora dá lugar ao acústico do Kid Abelha, que embala as refeições. O som ambiente é apenas uma das mudanças que acompanha o novo projeto de arquitetura e decoração feito para o restaurante, que outrora ambientava um clima tropical com chão de areia, palha no teto e araras em viveiro. Na oportunidade de reconstruir a casa, o arquiteto baiano Mário Figueiredo foi chamado para dar um upgrade no antigo empreendimento, e, ao mesmo tempo, criar um diálogo com os salões das outras unidades no Brasil, a fim de criar uma identidade visual padrão para a rede. Entre as mudanças, tijolos aparentes trazidos de Fortaleza, semelhantes ao do primeiro Coco Bambu na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, estruturam os dois andares da casa de 1700m2, que passou a comportar quatro vezes mais pessoas, com 600 lugares disponíveis. Logo na entrada, o teto traçado com madeira de eucalipto dá noção à originalidade do desenho do arquiteto. No interior, Mário optou por manter o estilo rústico e o charme da madeira misturado a poltronas confortáveis e grandes luminárias. Com 23 anos de carreira, Mário se vê como um arquiteto plural, com foco em projetos residenciais e comerciais. Entre seus trabalhos, um dos mais grandiosos é o Hotel Grand Palladium, na reserva de Imbassaí, um desafio que durou quatro anos e do qual se orgulha em ter feito parte. Já na linha de restaurantes, ele já mostrou sua habilidade com o projeto do Raízes, no Shopping Barra. “Em restaurantes a lógica funcional é fundamental, e a arquitetura precisa traduzir em espaço físico aquilo que a operação pede”, frisa ele. Para os saudosos da antiga casa, Mário explica outro motivo de não se repetir o antigo conceito: “O mercado baiano não permite manter um restaurante no estilo ame-o ou deixe-o, precisamos oferecer um meio termo para agradar a todos. A areia e o ambiente não climatizado atraiam clientes, mas afugentava também”. Preferências à parte, após um ano de reinauguração, a nova casa mostra pela segunda vez que foi bem aceita pelo público baiano.


EM CONJUNTO As funcionais mesas redondas, boas para desenrolar conversas democráticas, foram pensadas em conjunto com o cardápio, que oferece grandes porções para ser compartilhadas em grupo TODOS PODEM Comprados no galpão paulista Wharehouse, os objetos que decoram o ambiente podem enfeitar também o seu espaço PERSONALIZADA A adega de vinhos, projetada por Mário Figueiredo, é o charme da casa, com disponibilidade para armazenar até mil rótulos

RÚSTICO O efeito requintado da casa se mistura aos modos rústicos, com a escolha da madeira em variadas tonalidades. O teto, anteriormente com revestimento de palha, deu lugar a cobertura das telhas shingle, aliando resistência e sofisticação. O revestimento acústico Sonique garante uma boa sonorização em todo o ambiente COISA DO CHEFE Os lustres desenhados pelo engenheiro e fundador da rede Coco Bambu, Afrânio Peixoto, já virou identidade visual da marca e está presente em várias casas do país

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Um domingo no Soho, em Nova York por Glenda Zaine CEO do site JustStyleMag

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Soho é um daqueles destinos superagradáveis e descolados, um lugar ideal para curtir o domingo sempre que se está em Nova York. É muito prazeroso cruzar as ruas e deparar-se com grupos de jazz fazendo maravilhosas apresentações e transformando as calçadas em verdadeiros palcos. Além disso, o lugar ainda tem gastronomia, cultura variada e é um ótimo destino para compras.

Comida O Ideal é começar com a escolha de um bom brunch. Adoro o The Mercer Kitchen 99 Prince St, localizado em um dos hotéis mais badalados do Soho, Mercer Hotel, chique, sofisticado, frequentado por celebridades. O chef Jean-Georges apresenta o menu americano com ingredientes sazonais preparados em estilo simples com resultados que agradam aos mais exigentes comensais. Compras O Soho possui lojas incríveis, como a famosa e badalada Prada 575 Broadway e muitas outras grifes internacionais que fazem desse destino único e cheio de bossa. Adoro conferir as novidades na Moncler, Chanel, Chloé, Burberry, Herver Leger, Alexander Wang, Balenciaga, dentre tantas outras. Grandes marcas A loja badalada Kirna Zabeti 477 Broome St. possui dois níveis e apresenta uma curadoria de moda fantástica, incluindo pesos-pesados como Lanvin, Celine, Alaia, Alexander Wang, Altuzarra e Prabal Gurung, ou seja, um verdadeiro oásis de puro luxo para as consumistas de plantão. BIRD A Bird na 203 Grand St. é um destino perfeito para o público masculino e feminino, possui uma curadoria feminina com grandes nomes da moda: Détacher, Acne Studios, Alasdair, Alexander Wang, APC, Proenza Schouler, são algumas. A curadoria masculina inclui Acne Studios, Alex Mill, APC, Rag & Bone, Robert Geller, entre outros. A loja possui uma coleção de joias de designers como Adina Mills, Blanca Monros Gomez, Etten Eller, Grace Lee. Para as mamães Uma superdica para as mães é a Giggi, um dos points mais badalados para fazer comprinhas para os bebês. Lá encontram-se roupinhas, carrinhos e muitos acessórios contemporâneos. A Diesel Kids, na 416 West Broadway, possui jeans, camisetas, agasalhos e sapatos desta marca italiana voltada para os que têm um estilo de vida urbano.

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Para a casa De Vera, fundada em São Francisco por Federico Vera, está localizada na 1 Crosby Street, e é o destino ideal para aqueles que procuram uma seleção de esculturas de marfim, vidros venezianos, broches raros, joias antigas e pedras preciosas, incluindo coral da Sardenha e pérolas barrocas, laca japonesa e figuras religiosas do século 18. Óculos de sol Aventure-se em uma sala de consulta VIP e aproveite o serviço personalizado e exclusivo da Ilori, loja que possui as últimas coleções das grifes de óculos de sol. Cozinha Para os que adoram compras gourmet, o destino é a Dean & Deluca na 560, Broadway. A loja oferece uma variedade de alimentos especiais, vinhos premium e utensílios de cozinha high-end. Se preparem para conhecer a história das melhores trufas produzidas no mundo! Uma verdadeira excelência gastronômica com uma variedade dos melhores cafés, doces e chás da cidade. Petiscos Direto de San Sebastian (recorde de chefs com estrelas Michelin), da Espanha para o Soho 341 West Broadway, em Nova York, Holga Dulce Hogar, é uma pâtisserie com história que encanta nova-iorquinos e turistas com seus deliciosos doces, e as famosas torrijas (rabanadas). Para fechar o domingo O destino é Dominique Ansel Bakery, 189 Spring St. se você quer fechar o dia provando o verdadeiro cronut, uma mistura de croissant e donut. Mas atenção! Só são produzidos 240 cronuts por dia, então, é preciso ter sorte. Mas não se preocupe, outra opção é o Cookie Shot, a mais nova criação de Dominique Ansel, uma verdadeira febre! O cookie é quente e o leite é gelado com infusão de baunilha. Se possível, experimente os dois!


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Arquitetura e a identidade da marca por Mila Peixoto

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Igreja Católica se utilizou de recursos arquitetônicos para imprimir sua marca e impor poder. Ao fazer a arquitetura em uma escala muito maior do que a humana, utilizando-se de grandes alturas internas e construções monumentais, a Igreja impunha respeito, fazendo o ser humano sentir-se diminuído diante da grandiosidade ali representada. Atualmente, outras igrejas seguem esta linha de construir suas sedes em escalas monumentais, mas, nem de longe, com qualquer relação à qualidade das igrejas históricas. Em Salvador, a igreja do CAB (Centro Administrativo da Bahia), projeto do arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé) é um dos únicos exemplos de qualidade de arquitetura nas obras contemporâneas da Igreja. Houve uma justa e bem-sucedida campanha contra a demolição da igrejinha do Largo do Rio Vermelho, mas faltou uma campanha, tão importante quanto, a favor da demolição da nova, erguida defronte, junto à sereia, do lado do mar. O antigo e o novo: será uma síntese de para onde estamos indo? Ao lado da igreja, cuja imagem arquitetônica e universalidade são incomparáveis, outros exemplos da utilização da imagem física das sedes em beneficio da marca

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FOTOS: Rômulo Portela

podem ser observados. No varejo, Mcdonald’s e Pizza Hut são absolutamente identificáveis, mesmo que de arquitetura discutível! Banco Itaú, quando muito, fez uso de artifícios decorativos muito mais do que as formas arquitetônicas para tentar criar uma identidade visual. Brasília, com sua arquitetura, seus erros e seus equívocos é bem uma imagem e síntese do Brasil a sua época. De qualquer modo, ainda melhor do que Palmas, mais recente, em menor escala, mas com todos iguais defeitos e sem nenhuma das qualidades (também síntese de sua época). Quando a arquitetura representa e simboliza a marca, a eterniza. Mesmo em caso de seu desaparecimento, o marco arquitetônico sobrevive ao tempo. Os CEOs das empresas, quando contratam uma obra, deveriam se perguntar para que querem este espaço. Seria apenas espaço físico para a equipe trabalhar ou seria uma sede para a empresa? Uma sede de uma empresa tem que representar e colaborar com a marca, tem que ser a cara e a alma desta empresa. Qual CEO gostaria de implantar sua empresa em um espaço físico com a cara de outra empresa? Esta arquitetura é o melhor outdoor e a melhor propaganda da sua marca. E na esfera pública, idem! [B+]

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Atribuir novos usos ajuda a preservar O Instituto do Cacau, no Comércio, é um dos exemplares mais significativos da arquitetura moderna em Salvador. Com um fantástico espaço interno, hoje está queimado e abandonado. Por que não se pensou em utilizá-lo como terminal marítimo, em vez de investir milhões em uma nova obra, arquitetonicamente sem nenhuma expressão? Uma passarela por cima da Avenida da França faria a ligação com a borda, além de ser uma oportunidade para preservar um elemento arquitetônico significativo.


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por Roberto Nunes

Camaro, um ícone americano Esportivo chega em versão conversível com motor V8 de 406 cavalos por R$ 239.900

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cone dos Estados Unidos, o Chevrolet Camaro desembarca no mercado nacional em sua versão mais vistosa, a SS Conversível. Equipado com o motorzão V8 6.2, de 406 cavalos de potência (5.900 rpm) e torque “animal” de 56,7 kgfm (4.600 rpm), o esportivo é um autêntico pony car, rival do também cultuado Ford Mustang e estrela maior da quinta edição da franquia Transformers: A Era da Extinção, em exibição nos cinemas em todo o mundo. Nada é por acaso na história do Camaro. Lançado nos anos 60, o esportivo da Chevrolet evoluiu em design e, principalmente, em mecânica. Sua versão descapotável sempre foi a cereja do bolo. Basta apenas acionar o sistema elétrico da capota de lona no console central para, em um passe de “mágica” de 20 segundos, transformar, literalmente, a aura do veículo e de quem está ao volante. Para garantir a alegria dos amantes da velocidade, a Chevrolet já comercializa a configuração Sunrise

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SS com motor V8 acoplado ao câmbio automático de seis velocidades, com a opção do comando por meio das aletas localizadas atrás do volante. Seu maior diferencial é, de fato, a capota de lona ao estilo retrô que faz lembrar o modelo dos anos 60. O novo Camaro conversível chega ao Brasil por R$239.900. O esportivo é igualzinho ao modelo cupê, levando em consideração apenas a capota de lona e outros elementos que valorizam ainda mais o veículo. Entre os diferenciais, estão a antena tubarão localizada na tampa do porta-malas, faróis de LED, rodas de 20 polegadas, MyLink de última geração e reforços extras estruturais nas partes dianteira e traseira, que garantem a rigidez necessária para o maior equilíbrio dinâmico em curvas e retas do Camaro. Para acelerar e frear, o veículo traz ainda um pacote de segurança, com freios ABS com EBD e sistemas de assistências do duplo controle de tração e de estabilidade. Está disponível na rede autorizada nas cores preto, branco, prata e amarelo. Já o Camaro cupê sai por R$222.096.

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Direção certa 3008 renovado A Peugeot prepara a chegada do crossover compacto 2008, modelo derivado da plataforma do hatch 208. No entanto, já oferece o utilitário urbano 3008 totalmente renovado. O veículo chega em versão única Griffe com o conhecido motor 1.6 THP (turbo), de 165 cv, e transmissão automática de seis velocidades. De visual mais modernoso, o 3008 já vem com teto solar panorâmico, seis airbags, freios ABS com EBD, ar-condicionado digital e novo multimídia com conectividade. Agora, traz também o head up display, uma tela translúcida colorida que oferece as informações do carro no parabrisa do veículo. Na faixa dos R$100 mil.

Mercedes anabolizado Nada melhor do que um carro confortável e de performance de esportivo. Este é o novo CLA 45 AMG, um cupê de quatro portas preparado pela divisão esportiva da fabricante alemã Mercedes-Benz. Desembarca por aqui com motor 2.0 turbo calibrado pela AMG para gerar 360 cavalos, auxiliado pelo câmbio automático Speedshift DCT de sete velocidades, suspensão esportiva e tração integral 4Matic. Tem velocidade controlada eletronicamente em 250 km/hora e faz de zero a 100 km/h em apenas 4,6 segundos. Seu preço está à altura: R$ 289.900.

Novo T4 ganha força no terreno 4x4 A cearense Troller, marca controlada pela Ford, apresentou o novo utilitário T4. Produzido em Horizonte, o T4 2015 é um carro de “alma” baiana. Desenhado pela equipe do Centro de Design de Camaçari, o veículo ganhou ares mais modernos e reforçou ainda seu conjunto motriz, com o motor 3.2, turbodiesel, que gera 200 cavalos de potência, acoplado ao câmbio manual de seis marchas. Seu pacote mecânico é o mesmo que equipa a picape Ranger, com novas calibrações para o sistema de tração 4x4. Custa a partir de R$110.990 e, entre os itens opcionais, inclui snorkel, pneus lameiros, guincho, quebra-mato e estribos laterais de metal.

3 perguntas para João Marcos Ramos, chefe do Centro de Design da Ford em Camaçari O que mudou no novo Troller T4? O T4 é um carro totalmente novo. Mudou praticamente tudo. Do desenho da carroceria, seu interior, chassi e a parte mecânica. A Troller remodelou o T4 inteiro. Isso deixou o carro mais robusto e bonito também. Quais os planos para o veículo? Antes de tudo, é bom dizer que agora o Troller T4 é um carro com personalidade. Deixamos de lado a inspiração inicial dos carros Jeep. A ideia foi reforçar seus aspectos de carro trilheiro e oferecer ainda um modelo para o uso urbano. O novo T4 preserva o perfil 4x4 e entra mais no mundo das cidades. A Troller pensa em outros modelos? Naturalmente, a marca Troller pode gerar outros veículos. Na prática, isso vai depender muito dos estudos de mercado e do marketing. Mas do novo T4 é possível sim ter outro modelo (no caso, a plataforma do utilitário T4 pode ter uma derivação picape, por exemplo).

Waze com agenda O aplicativo de trânsito Waze, o GPS social mais popular do mundo, ganhou uma versão 3.8 atualizada. O usuário pode fazer agora o agendamento de tarefas e reuniões. Usando o arquivo dos últimos endereços, o aplicativo oferece ao usuário identificar, sem precisar digitar novamente o local, a pessoa desejada para o Waze encontrar. O dispositivo organiza o trajeto e destaca se você está atrasado ao encontro, por meio de alertas para o outro usuário envolvido. w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

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Salvador nĂŁo ĂŠ um ovo por Iuri Barreto

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foto luciano oliveira

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ão é de hoje que a gente escuta (e repete) que Salvador é um ovo. Para alguns um ovo de galinha, para outros um ovo de avestruz, mas quase sempre um lugar onde encontramos as mesmas pessoas, onde há sempre um amigo em comum separando dois soteropolitanos, e onde qualquer vislumbre de novidade é consumido à exaustão (como um grito de desespero anti-mesmice), até que ela própria se torne mais uma chatice rotineira, e seja preciso um novo impulso para nos tirar da procrastinação. E nós não estamos errados em pensar isso. Regra geral, o soteropolitano médio tem o costume de frequentar os mesmos locais. Os mesmos restaurantes. Os mesmos bares. Os mesmos shoppings. As mesmas praias. E aí uma cidade com infinitas possibilidades como

“O tamanho do mundo é definido pela visão que temos dele, e com Salvador não é diferente” Salvador termina inevitavelmente assumindo a sua condição de ovo de codorna. Mas não por culpa dela – a culpa é toda nossa. O tamanho do mundo é definido pela visão que temos dele, e com Salvador não é diferente. Acredite, enquanto estagnarmos no comodismo de repetir no fim de semana seguinte tudo o que fizemos no anterior, tudo vai nos parecer chato, enfadonho, e – odeio essa palavra – provinciano. Moramos numa cidade com um dos maiores potenciais artísticos e culturais do País, e ainda assim não nos permitimos descobrir nem metade do que ela tem a oferecer. E não estou aqui falando apenas dos incontáveis museus, teatros, e galerias, mas de bairros inteiros que - de tão peculiares - são praticamente pequenas cidades com identidade e personalidade próprias. Em cada rua, praça, esquina, casarão histórico, ou prédio moderno existe algo a ser desvendado - e quando não houver nada, sempre vai existir o que há de mais pitoresco nessa terra: nós, os soteropolitanos. Falta-nos somente o olhar de turista para ver o que nossos olhos parecem não prestar mais atenção. w w w. r e v i s t a b m a i s . c o m

Ah, como temos tanto a aprender com os turistas! Uma ocupação maravilhosa de quem vai, visita, e – com sorte – guarda na memória as melhores lembranças de um determinado lugar. É assim com quem sobe no Pão de Açúcar, caminha no Leblon, e dá um mergulho em Ipanema. Também é assim com quem passa o dia no Beach Park, numa megabarraca da Praia do Futuro ou curtindo um pôr do sol em Canoa Quebrada. A vida real, por outro lado, é bem diferente, e em cada cidade podemos conhecer pessoas que moram ali, e ouvir opiniões que passam longe do suposto paraíso perfeito moldado pelo ingênuo ponto de vista de quem está apenas a passeio. Entendido isso, e partindo-se desse pressuposto, por que não trazer ao nosso cotidiano o mesmo comportamento que temos quando estamos na posição de turistas? Se é verdade que todos têm problemas – o trânsito caótico e a violência urbana descontrolada, por exemplo, não são exclusividade nossa – , nada mais justo, portanto, que aliviar as dores do dia a dia com uma postura mais positiva diante da cidade (a não ser que você queira passar o resto dos seus dias reclamando da vida, o que é um direito seu). Buscar o melhor de Salvador significa extrair o melhor de nós – que pertencemos a ela –, e consiste num exercício diário de reflexão entre o criticar inocuamente a cidade ou valorizar o que ela tem de bom. Pegar emprestado o olhar turístico e ir além dos guias de viagem. Para cada um de nós existe uma Salvador múltipla, muito superior ao ovo que os desinformados pensam se tratar, e ainda capaz de surpreender e encantar até o mais cético dos habitantes. Seja um turista na sua própria cidade, e se apaixone por ela. Não é sempre que esse amor vai ser retribuído, mas quando for, você vai sentir como terá valido a pena.

Iuri é a mente criativa por trás do Guia de Sobrevivência do Soteropobretano, página no Facebook que acumula mais de 38 mil fãs agosto/setembro 2014

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coaching para quê? CEO da empresa HB – Coaching & Mentoring, Hélide Borges desmitifica um processo que virou modismo e explica por que a técnica dá resultado por NÚBIA CRISTINA

O coaching funciona mesmo? Traz resultados práticos? Funciona na medida em que o coach (profissional) apoia o coachee (cliente) para que ele formule objetivos e metas, encontrando dentro de si os caminhos para atingi-los. Coach é uma palavra de origem francesa, era um tipo de carruagem utilizada na França. O termo chegou aos Estados Unidos e passou a ser traduzido como treinador. O profissional é um veículo que ajuda a conduzir o cliente a um resultado final, ele é um facilitador. Não existe milagre, tudo é fruto de um trabalho árduo. As pessoas podem recorrer a esse processo na tentativa de atingir objetivos pessoais e profissionais? Sim. Eu tenho certificação para fazer coaching executivo, voltado para objetivos profissionais e para empresas, e realizo também o coaching de vida. Muitas vezes as pessoas procuram um profissional para atingir metas profissionais, mas com o desenrolar do processo surgem questões pessoais, até psicológicas, que acabam gerando dificuldades de relacionamento, com os colegas de trabalho, funcionários, chefes ou mesmo com os parceiros. E aí a gente lida com isso. Mas as questões psicológicas não devem ser tratadas na terapia, com o profissional de psicologia? Meu trabalho é desenvolvido em várias etapas. A primeira é avaliação, na qual faço diagnóstico da situação atual do cliente, o que incomoda, aonde quer chegar. Na segunda ou terceira sessão consigo identificar se a pessoa precisa de terapia ou não. Em alguns casos, todas as questões que a pessoa traz devem ser resolvidas na terapia e aí eu oriento para que procure um especialista, para se fortalecer, e não recomendo o coaching. Também 94

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ocorre um trabalho integrado, no qual indico a terapia para trabalhar algumas questões mais profundas, de ordem psicológica. E atuo nas questões que dizem respeito ao processo de coaching. O processo dura cerca de três meses, são 12 seções normalmente, uma por semana. Qual o passo seguinte depois da etapa de avaliação? Na primeira, etapa a gente identifica o estado atual e o estado desejado, aonde o coachee quer chegar. Passamos por várias perguntas e exercícios para chegar a um processo de fundamentação. Eu as chamo de perguntas poderosas, questões que as pessoas muitas vezes têm medo de encarar. Todo mundo vê aquele problema em nós e não o enxergamos, porque nunca paramos para pensar. Depois trabalhamos para descobrir quais as crenças limitantes e as apoiadoras. Todos nós temos crenças limitantes e apoiadoras. O passo seguinte é a formulação de uma meta que tem de ser cumprida dentro do ciclo previsto. Essa meta é definida pelo cliente, o coach não deve interferir, sugerir. Há uma enxurrada de coaches no mercado e esse tema virou mania. Há risco de ser um modismo passageiro? Neste mundo acelerado, competitivo e repleto de informação, creio que a técnica tem grande importância, porque estimula a reflexão. Leva as pessoas a momentos de pausa, nos quais podem contar com apoio para colocar suas questões, dentro de princípios de confidencialidade. Apesar de lidarmos com emoções e sentimentos, esse é um processo muito objetivo, que estimula resultados práticos, em determinado período. O ruim do modismo é que nem sempre as pessoas percebem que, para fazer coaching, o profissional precisa não apenas da teoria, da formação. É essencial que tenha larga experiência em formar e liderar equipes. + no site: www.revistabmais.com

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notas de te c 3 coisas que você não sabia sobre o Whatsapp

5 apps gratuitos para cuidar da saúde Antes de começar o Projeto Verão, veja as nossas sugestões

Quase todo mundo se comunica por Whatsapp. O aplicativo de troca de mensagens ficou tão famoso aqui no Brasil que ganhou até uma versão tupiniquim: o Zap Zap. Mas há quem ainda não conheça todas as ferramentas que esse gigante dos apps tem a oferecer.

[1]

Os tiques verdes não indicam que a mensagem enviada foi lida

Há quem pense que os dois tracinhos significam que a mensagem foi lida pelo destinatário. Elas só indicam que o texto foi entregue ao celular.

[2]

Calcula seu IMC, indica o peso ideal e permite que você estabeleça uma meta. O app ainda controla o tempo de seus exercícios e as calorias ingeridas.

Full Fitness Se você precisava de motivação, ela está aqui. O app funciona como um programa de musculação para definir o corpo e melhorar a saúde.

Dá para saber se você foi bloqueado

Você envia mensagens para a pessoa e aparece apenas um tique? As informações de data e hora do último login não aparecem? Esses são alguns indícios de que a pessoa realizou o bloqueio.

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Health Tracker

Impeça que as fotos sejam salvas no celular

Tecnonutri O app traz um banco de dados com mais de dois mil alimentos e seus valores nutricionais. O aplicativo te avisa quando e o que comer.

Basta ajustar as configurações do aplicativo para impedir que fotos sejam baixadas automaticamente no seu celular.

Runkeeper Um dos mais recomendados por atletas, o app é voltado para aqueles que gostam (ou querem começar a gostar) de correr. Disponível em português.

67% dos brasileiros não compram pela internet O setor de comércio eletrônico ainda tem pouca participação dos brasileiros, segundo pesquisa da multinacional Mintel. O relatório feito pela empresa aponta que 67% dos consumidores brasileiros não compraram nenhum produto pela internet nos últimos 12 meses e que 9% adquiriram somente um item neste período. O setor de vendas online de diárias em hotel e passagens é o que tem a maior penetração entre os brasileiros, com 14% dos consumidores afirmando que adquiriram esses itens nos últimos 12 meses; 13% dos entrevistados responderam ter comprado algum eletroeletrônico e 3% dos consumidores mencionam que fizeram alguma compra de comida ou bebida pela internet nos últimos 12 meses. 96

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Sleep Cycle Alarm Clock É um despertador inteligente que monitora os seus movimentos e só te acorda na última fase do seu sono. Você deve dormir ao lado do celular.


obra: Mario Cravo Jr / Paulo DarzĂŠ Galeria de Arte

arte & entretenimento Bienal da Bahia 98 JoĂŁo Ubaldo Ribeiro por Myriam Fraga 102


a rt e & e ntret e nimento | b ienal d e ar te

Acervo da Laje, no bairro de Plataforma, é uma das seções do Museu Imaginário do Nordeste

O Fim do Silêncio Durante 100 dias, a 3ª Bienal da Bahia resgata uma das mais polêmicas censuras da história da arte brasileira e propõe diálogos com as múltiplas visões de Nordeste por Luis Fernando Lisboa fotos Alfredo Mascarenhas

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oram necessários 46 anos de gestação para que a Bahia tocasse nas feridas deixadas pela ditadura no campo artístico do país. O rebento desse processo é a realização da 3ª Bienal da Bahia - uma espécie de retomada e homenagem à última edição do evento, realizada em 1968 e censurada pelo regime militar. Naquele ano, foram apreendidas mais de duas mil peças de cerca de 500 artistas nacionais e internacionais, dentre eles nomes como Juarez Paraiso, Lênio Braga, Claudio Tozzi, Siron Franco e Farnese de Andrade. Em 2014, a programação da Bienal gira em torno do questionamento “É Tudo Nordeste?” e até o dia 7 de setembro expõe os trabalhos de 200 artistas em 80 espaços espalhados pelo território baiano. Vinte cidades estão mobilizadas por uma série de atrações culturais que vão desde exposições e performances até ocupações e intervenções

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(de cima para baixo) Área interna da Galeria Esteio, projeto do artista Maxim Malhado, na Escola de Belas Artes; A Reencenação: Exposição que remonta às bienais de 66 e 68, em cartaz no Mosteiro de São Bento; O artista visual Arthur Scovino, na Ocupação Caboclo dos Aflictos: São Jorge Elevador; Homem-Tubo: obra de Juarez Paraíso, que integra a exposição A Reencenação, em cartaz no Mosteiro de São Bento

“É uma grande oportunidade para pensar os problemas da Bahia e do Brasil. Você pode até ter muitas críticas sobre a 3ª Bienal da Bahia, mas outra coisa é achar que o projeto de bienais não é válido” Marcelo Rezende, curador-chefe da 3ª Bienal da Bahia e diretor do Museu de Arte Moderna

artísticas. Segundo dados da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), o evento absorve recursos de R$ 6,8 milhões somente do governo local, totalizando investimentos de R$ 7,4 milhões. Para o secretário de Cultura Albino Rubim, a terceira edição da Bienal, em sua singularidade, reivindica continuidade como homenagem às duas bienais acontecidas em 1966 e 1968. “Elas tiveram repercussão nacional e este processo foi brutalmente interrompido pela ditadura militar”. No entanto, ele afirma que a nova bienal não é só continuidade. “Ela é reinvenção da própria noção de bienal e abrange muitos espaços culturais do estado. Em sua terceira edição, a Bienal da Bahia envolve muitas linguagens artísticas, é memória e criação, é (re)invenção de tradições”. O artista plástico Juarez Paraíso, coordenador das duas primeiras bienais realizadas no estado e pioneiras na América Latina, conta que ambos os eventos alcançaram os seus objetivos, transformando Salvador na capital artística do país, mas com muitos esforços e sacrifícios. “Realizar a 3ª Bienal da Bahia significa um resgate histórico por conta do absurdo de sua suspensão. A Bienal atual pretende assumir novos compromissos ideológicos atrelados às formas de expressão da arte contemporânea”. Resgate histórico A Reencenação - exposição em cartaz no Mosteiro de São Bento desde a abertura do evento - trata exatamente do hiato histórico causado pela intervenção militar. Marcelo

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a rte & e nt ret e nime nto | b ienal d e ar te

A artista Camila Sposati, responsável pela obra Teatro Anatômico da Terra

Rezende, curador-chefe da Bienal e diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), explica que uma das principais responsabilidades dessa mostra é se relacionar com o passado, mas também pensar o presente para arquitetar o futuro. “A exposição traz acontecimentos de 66 e 68, mas também pontua fatos desenrolados na Bahia nos últimos 20 anos. Queremos mostrar que a luta cultural continua e permanece”. De acordo com Marcelo, a importância do evento transcende o cenário baiano ou mesmo nordestino. “Uma das metas é recuperar uma parte desconhecida e pouco documentada da arte brasileira”. É Tudo Nordeste? A programação do evento passeia por conceitos artísticos articulados a partir de um mote curatorial: “É Tudo Nordeste?”. Segundo Marcelo Rezende, a intenção é pensar o mundo através de uma perspectiva nordestina, levando em consideração aspectos econômicos, sociais e históricos. “Outro ponto relevante é pesquisar e descobrir as diversas visões que o Nordeste tem sobre si mesmo. Muitas imagens e questões regionais - baianas ou nordestinas - são, de fato, questionamentos universais”. Os artistas colaboradores de alguma maneira se relacionam com a temática central e mexem sua produção ao redor deste conceito. Exemplo disso é o projeto Esteio, do baiano Maxim Malhado. Natural de Ibicaraí, ele construiu três casas de taipa de sopapo na área aberta da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Fruto da sua experiência 100

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na pequena vila de Sítio Novo - onde transformou um ambiente familiar em galeria de arte, Maxim promove exposições temporárias com obras de artistas contemporâneos que valorizam a cultura nordestina. “A curadoria buscou contemplar na sua programação artistas que não conseguiram inserção no establishment das artes locais e nacionais”, argumenta Marcelo Rezende. Camila Sposati, artista que realiza o processo de construção da obra Teatro Anatômico da Terra na Ilha de Itaparica, esclarece a relação do seu trabalho com a perspectiva nordestina da Bienal. “A minha aproximação se dá pela importância da terra. O Nordeste para mim existe constantemente na questão da sobrevivência vital e a terra, como no caso do sertão”. Inspirada pelos teatros anatômicos do corpo humano surgidos em meados do século 16 em cidades europeias, Camila comenta que realizar esse projeto em Itaparica tem força por conta da história. “O período do descobrimento da Ilha foi o mesmo em que o primeiro Teatro Anatômico foi construído em Pádova. Hoje esse teatro propõe outro descobrimento - que ignoramos tanto no contexto da história da Terra (geológico) como da civilização (arqueológico)”. Valor da Bienal O Museu Imaginário do Nordeste é um dos eixos centrais da 3ª Bienal e vem subdividido em seções espalhadas pela cidade. Um relevante exemplo é Acervo da Laje, no bairro de Plataforma, que integra o Departamento do Saber Universal - Seção: Psicologia do Testemunho e reúne peças criadas por autores do Subúrbio Ferroviário de Salvador como pinturas, imagens e esculturas feitas com palha. Outro ponto forte da programação é a ocupação de Arthur Scovino: Caboclo dos Aflictos - São Jorge Elevador. O artista visual montou um ateliê vivo - que sofre influências do contato com os visitantes - dentro da Igreja dos Aflitos. Além disso, ele produz fotos em lugares públicos da cidade em poses e gestos de caboclo. Nesse sentido, como afirma o curador-chefe Marcelo Rezende, a Bienal é por natureza uma ação política porque não aceita uma realidade dada: decide desafiá-la. “É uma grande oportunidade para pensar os problemas da Bahia e do Brasil. Você pode até ter muitas críticas sobre 3ª Bienal da Bahia, mas outra coisa é achar que o projeto de bienais não é válido”. [B+]

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a rt e & e ntret e nimento | memór ia

A Bahia é um privilégio para quem nasceu nela por Myriam Fraga

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o ano de 1961, a publicação de um pequeno e antológico volume agitou os ares da então pacata cidade de Salvador. Vivia-se uma época feliz, com a Universidade da Bahia norteando caminhos mais abertos à nova cultura que surgia. Foram tempos de ouro, marcados por um entusiasmo que se revelava de várias maneiras, impulsionado pelos ventos da inovação e do conhecimento. O livro ostentava o singelo titulo de Reunião e, em verdade, reunia o trabalho de quatro jovens talentos que, com o respaldo da Ufba, se lançavam à arriscada travessia da literatura. Eram eles: Noênio Spinola, David Salles, Sonia Coutinho e João Ubaldo Ribeiro. Cada um à sua maneira, deixando uma marca que assinalava seu itinerário. O que mais provocava a admiração dos leitores na época eram a qualidade e a atualidade dos textos escolhidos, com sua aura de inovação e maturidade em autores ainda tão jovens. O mais moço, João Ubaldo, que nesta ocasião tinha apenas ainda 20 anos, logo depois escreveria seu primeiro romance Setembro não tem sentido 1962; em seguida o consagrado Sargento Getúlio e finalmente Viva o povo brasileiro, que o marcaria de imediato como um dos mais importantes escritores de nossa literatura. Nascido em 23 de janeiro de 1941, na cidade de Itaparica, na ilha do mesmo nome, situada nas águas profundas da Baía de Todos os Santos, João Ubaldo Ribeiro viveu os primeiros anos em Sergipe, até que seu pai, Manoel Ribeiro, professor e político influente, transferiu-se com a família para a cidade do Salvador, na Bahia. Na capital baiana, estuda a princípio no Colégio Sofia Costa Pinto, matriculando-se a seguir no curso clássico no Colégio da Bahia, conhecido como Colégio 102

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Central, onde faz parte de uma turma que agitava a cena literária baiana, integrando o grupo responsável pelas famosas “Jogralescas”, movimento de teatralização de poesia, onde pontuavam Glauber Rocha, Fernando da Rocha Peres, Calasans Neto, Paulo Gil Soares, João Carlos Teixeira Gomes e outros que, em seguida, fundaram a revista Mapa, nome que passou a assinalar esta geração e, em seguida, as Edições Macunaíma, responsável por belas edições de poesia, ilustradas por Calasans Neto, com o que esperavam suprir a carência editorial da Bahia. Juntamente com Glauber Rocha, edita revistas e jornais culturais, participando ativamente do movimento estudantil, e publica na antologia Panorama do conto baiano, organizado pelos escritores Nelson Araújo e Vasconcelos Maia em 1959. Em 1958 inicia seu curso na Faculdade de Direito da Bahia, onde conviveu, segundo relata em seu discurso de posse na Academia de Letras da Bahia, entre juristas e pensadores de nível universal, época em que também inicia sua carreira de jornalista no então recém-criado Jornal da Bahia. Em 1964, viaja para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos para fazer o Mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul. De volta ao Brasil, no ano seguinte, começa a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia durante seis anos, após o que desistiu da carreira acadêmica, retornando ao jornalismo. Com o romance Sargento Getúlio, lançado pela Editora Civilização Brasileira, em 1971, recebeu no ano seguinte o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, na categoria “Revelação de Autor”, iniciando uma carreira vitoriosa. Recebeu outros prêmios igualmente relevantes ate que, finalmente, o premio Camões de Literatura, o mais importante em língua portuguesa, abrangendo escritores do Brasil, Portugal e países lusófonos.

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Em 1982 inicia o romance, Viva o povo brasileiro - Prêmio Jabuti, 1985, e passa a morar em Itaparica onde viveu durante sete anos, após os quais passou um ano em Berlim, na Alemanha, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio. Retornando ao Brasil, em 1991, volta a residir definitivamente no Rio de Janeiro até o fim de seus dias, o que nunca impediu que todo verão regressasse à sua Ilha querida para reencontrar amigos, rever afetos, encontrar suas origens. Eleito, em 7 de outubro de 1993, para a Academia Brasileira de Letras, tomou posse em 8 de junho de 1994, sendo recebido pelo acadêmico Eduardo Portela, outro notável baiano. Ingressou na Academia de Letras da Bahia, em 22 de novembro de 2012, quando, nas palavras finais de seu discurso de posse, expressando seu amor pela Bahia e pela civilização baiana, em sua singularidade, afirma: “Não é ufanismo bairrista dizer que a Bahia é um privilégio para quem nasceu nela, ou foi por ela adotado.” “Não somos brancos, negros ou índios; somos baianos. Não pertencemos, no maior rigor da palavra, a nenhuma religião, nem mesmo somos ateus; somos baianos. Não pretendemos ser melhores do que ninguém. Mas somos baianos.” Myriam é escritora, poeta, biógrafa, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado. É membro da Academia de Letras da Bahia e do Conselho de Cultura do Estado + no site: Ouça a entrevista que João Ubaldo concedeu à [B+] em 2012

FOTO: Bruno Veiga

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co nt e aí

obra: Mario Cravo Jr / Paulo Darzé Galeria de Arte

A estatística do velho filósofo por Adriano Leal Bruni

O Professor Francisco Pinheiro Lima Júnior foi um dos grandes oradores sacros da Bahia. Deixou a batina ao se render aos mistérios do amor, mais fortes que os compromissos com a fé. Casou com Lice e, juntos, viveram por mais de 40 anos na velha casa da Horácio Urpia, na Graça, cercado de livros e corujas. Criança, eu era encantado por suas enciclopédias manuscritas em latim. Eram raras, feitas antes de Gutemberg, e trabalhosas, já que eu malmente rabiscava alguma coisa que assistia nas minhas aulas no Colégio São Paulo. As corujas também não ficavam por menos. Desde a maior e mais pesada, na entrada da casa trazida de caminhão de Búzios, até as mais exóticas de cerâmica, sisal, palha ou madeira. Em certa ocasião, com dois capangas, tentei sequestrar a grandona, tentando convencê-la a ir viver em Jauá. Mas a danada recusou. Não aceitou de forma alguma deixar seu posto. Continuou sentinela, guardando sua antiga morada. Chiquinho das Corujas trabalhava em muitas línguas. Algumas vivas, outras tantas falecidas. Sua sabedoria permitia dizer, de modo sempre pacífico e tranquilo, que o que lhe importava era o conhecimento. O idioma seria uma mera embalagem. O cérebro, a todo vapor, o fazia catar milho na 104

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velha Olivetti sobre a mesa da sala. A pequena e poliglota estante, com muitos e variados dicionários, dava apoio moral. Trabalhou enquanto pôde e viveu tudo o que pôde. Dirigia o fusquinha, contrariando a clareza das vistas e a fraqueza das pernas. Assustava até o mais precavido dos postes. Em casa ou no mocotó das Sete Portas, abastecia o total flex com uma variedade digna de um Quincas Berro D’Água. Sempre lhe faziam companhia a alegria e o amor pelos seus (aí incluindo o Baêa!). Em um dos últimos registros que guardo da sua quase centenária parceria com a vida, brinquei: - Meu tio, minha sogra teve cinco filhos. Na média eles são normais. Sabendo que as três mulheres são muito, muito bonitas, adivinhe aí como são os meus dois cunhados? A lógica da molequeira fez o velho filósofo sorrir como menino. Com os olhos brilhando e o sorriso aberto prontamente respondeu: - Seus cunhados são “ahnormais”! Até a mais séria das corujas caiu no riso... Adriano é doutor e mestre em Administração e professor titular da Universidade Federal da Bahia

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Em 70 anos de atuação, o empresário e engenheiro compartilhou conhecimentos e valores, construindo as bases para uma organização global, pre...

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