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Nº 25 - Mai/Jun 2016

BIOMASSA

para geração de energia se consolida como a PRINCIPAL FONTE DAS RENOVÁVEIS

www.revistabiomassabr.com


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Índice

w w w.revistabiomassabr.com EDIÇÃO

Grupo FRG Mídias & Eventos

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Thayssen Ackler Bahls MTB 9276/PR

GERÊNCIA

Bianca Ramos

DIREÇÃO COMERCIAL Tiago Fraga

COMERCIAL

Cláudio F. Oliveira, Douglas Garcia

CHEFE DE EDIÇÃO

Dra. Suani Teixeira Coelho

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Considerações sobre produção de briquetes e cavacos de madeira para geração de energia

CONSELHO EDITORIAL

Javier Escobar – USP, Cássia Carneiro – UFV, Fernando Santos – UERS, José Dilcio – Embrapa, Dimas Agostinho – UFPR, Luziene Dantas – UFRN, Alessandro Sanches – USP, Cláudio Homero CEMIG, Thúlio Cicero – COPEL, Horta Nogueira – UNIFEI, Luis A B Cortez – Unicamp, Manoel Nogueira – UFPA, Vanessa Pécora – USP

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SUPERVISÃO / REVISÃO

Eliane T. Souza, Cristina Cardoso

DISTRIBUIÇÃO

Carlos Alberto Castilhos

REDES SOCIAIS Nicole Fraga

Oportunidades para produção de energia com Biogás no estado do Paraná

PUBLICAÇÕES / EVENTOS André Santos

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO

Gastão Neto - www.vorusdesign.com.br

COLUNISTAS/COLABORADORES

José Dilcio Rocha; Pedro Francio Filho; Patrísia Oliveira Rodrigues; Daniel Pasquini; Douglas Queiroz Santos; Milla Alves Baffi; Bruna Lyra Colombi; Júlia Santos; Patrícia Raquel Silva Zanoni; Lorena Benathar Ballod Tavares; Daniel Ribeiro Grijó; Breno Nonato de Melo

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas, associações, câmaras e federações de indústrias, universidades, assinantes, feiras e eventos dos setores de biomassa, agronegócio, cana-de-açúcar, florestal, biocombustíveis, setor sucroenergético e meio ambiente

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Florestas energéticas de alta produtividade

VERSÕES

Impressa e eletrônica

TIRAGEM

PUBLICAÇÃO

9.000

Bimestral

CONTATO

R. Maurício de Nassau, 1011 - Nova Rússia Ponta Grossa - PR (42) 3025.7825 - (42) 3086.8588

E-MAIL

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Para reprodução parcial ou completa das informações da Revista BiomassaBR é obrigatória a citação da fonte.

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Entrevista com Júlio César Félix (Diretor Presidente do TECPAR)

A Revista Brasileira de Biomassa e Energia é uma publicação da

Tel: 55 (42) 3025.7825

Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião da Revista Biomassa BR, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Artigo

Produção e uso de Briquetes e Cavacos de Madeira

José Dilcio Rocha, pesquisador, Embrapa Agroenergia, Brasília/DF. Esta é uma síntese da apresentação proferida durante do CIBIO em Curitiba/PR nos dias 15 e 16 de junho de 2016.

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xistem grandes oportunidades para a geração de energia usando a biomassa da floresta energética hoje no Brasil.

Com os altos preços da energia praticados pelas empresas distribuidoras; o baixo crescimento econômico do país que tem atrasado os investimentos em geração de energia “nova” de outras fontes tradicionais; alta demanda e existência de novos mercados distribuídos em regiões não atendidas pela rede elétrica ou fornecimento de baixa qualidade; disponibilidade de matérias primas e tecnologias; disponibilidade de investidores; necessidade de usar mais inovações, também existe a necessidade de Politica Industrial consistente para garantir a sustentabilidade no longo prazo, todas essas características reunidas induzem a um ambiente que deve ser usado de forma inovadora e capaz de gerar negócios. A participação das fontes renováveis no consumo brasileiro de energia é de 40%, contra 60% das fontes não-renováveis (fósseis e nuclear). A bioenergia é representada pelos produtos da cana (etanol combustível e bioeletricidade)

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com 15,7% e a lenha e carvão vegetal com 8,1%. No caso do uso da lenha, segundo o BEN 2015, ano base 2014, a sua produção e consumo foi de 80 milhões de toneladas, sendo transformada em carvão vegetal 25 milhões de toneladas (31%).


O Brasil historicamente sempre usou a biomassa da floresta para alimentar os processos produtivos Os produtos derivados da lenha como cavaco, briquetes e pellets têm crescido devido à necessidade de automação e transporte em longas distâncias. No caso específico da geração de energia elétrica por fonte no Brasil teve a participação prioritária de fontes renováveis de mais de 80%, em 2014, principalmente hidráulica com mais de 60% e a biomassa com 8,82 %. A contribuição do bagaço é grande, porém a biomassa florestal com cavaco de resíduos de madeira vem crescendo sua participação. Existem várias tecnologias disponíveis no mercado para a transformação da biomassa florestal em energia, combustíveis e materiais. Muitas outras inovações tecnológicas estão sendo gestadas nas organizações de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil e em outros países, como é o

caso da Embrapa Agroenergia, localizada em Brasilia-DF que se dedica a P&D e inovação nessa área do conhecimento. O Brasil tem reconhecido protagonismo em bioenergia seja devido ao uso do etanol combustível, do biodiesel e dos biocombustíveis sólidos como é o caso da energia da madeira. O biogás, combustível gasoso, vem ganhando mercado interno também. O aproveitamento de resíduos para gerar energia é uma oportunidade de novos negócios que não pode ser esquecida quando o assunto é uso racional dos recursos florestais. O Brasil historicamente sempre usou a biomassa da floresta para alimentar os processos produtivos. Seja em um

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simples fogão a lenha na zona rural até as caldeiras da indústria. Isso não pertence ao passado, mas está presente até hoje de norte a sul do país, mas uma característica deve ser notada; o uso de tecnologias eficientes. Assim, tanto cavaco como briquete e pellet são produzidos pela transformação de lenha, resíduos florestais ou da indústria de base florestal para tornar os processos industriais mais eficientes, automatizáveis e permitir o comércio viável. Eles têm usos semelhantes à lenha tradicional na cogeração. Cavaco é sinônimo de automação dos processos de queima e controle de temperatura, porém tem alta umidade (30-35%) o que reduz um pouco as distâncias economicamente viáveis que pode ser transportado. Equipamentos automáticos de transporte dentro das fábricas como esteiras transportadoras e roscas alimentadoras são perfeitamente usadas com esse biocombustível sólido.

transporte em largas distâncias, inclusive o transporte marítimo. O plantio de florestas é realmente uma atividade dotada de grandes transformações tanto no campo como na indústria. O seu uso energético oferece inúmeras oportunidade de negócios e agregação de valor conforme discutido acima e na apresentação durante do CIBIO em Curitiba.

A carboquímica

vegetal merece destaque e investimentos para se igualar a importância da

Além dessas aplicações, também a produção de carvão vegetal, outra fonte de energia na qual o Brasil usa extensivamente como biorredutor na produção de aço ou naquele churrasco familiar de final de semana, ainda tem muita inovação a espera de mover as linhas de produção para melhorar rendimentos, dar mais sustentabilidade a essa importante cadeia produtiva e se firmar como uma cadeia produtiva baseada na biorrefinarias com produtos derivados do óleo da carbonização e base de produtos da química fina e de materiais renováveis.

Segundo matéria da revista Biomais A carboquímica vegetal merece petroquímica com (www.revistabiomais.com.br) o uso de destaque e investimentos para se iguacavaco na secagem de grãos, que é uma lar a importância da petroquímica com a vantagem de ser atividade de pós-colheita de grande rea vantagem de ser mais limpa. Para isso levância, proporcionou redução de 60% já temos tecnologias brasileiras prontas do custo de mão de obra, redução em e em desenvolvimento como os fornos mais limpa 15% no tempo de secagem, redução de mecanizáveis, controle de processo via 40% do consumo de combustível, secasoftware dedicado, sistemas de recupegem mais uniforme do que com o uso de lenha por manter ração de voláteis e fracionamento do óleo recuperado das a temperatura estável durante todo o processo, redução dos emissões. afastamentos e acidentes de trabalho e menos riscos de incêndios. Outra contribuição da Embrapa é o sistema iLPF – integração Lavoura, Pecuária e Floresta, que vem se disseminanNo caso da fabricação de briquetes e pellets, eles po- do rapidamente no país. dem ser produzidos pelo aproveitamento de resíduos como serragem, maravalha, etc., tem baixa umidade e também Esse modelo de sistema de produção proporciona o uso são bons para automação, principalmente pellet e “bola- múltiplo e simultâneo da mesma área de produtiva para chas” de briquetes. A secagem prévia da matéria prima pro- inúmeras atividades. Grandes avanços são esperados com o porciona maior rendimento térmico na queima e viabiliza o uso dessa técnica pelos produtores rurais para aumentar a

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Também a conexão geração distribuída em unidade existente não tem necessidade de aumento da potência disponibilizada, a distribuidora não pode exigir a adequação do padrão de entrada da unidade consumidora em função da substituição do sistema de medição existente, exceto em caso de inviabilidade técnica devidamente comprovada. Todas essas novas condições na prática pavimento o caminho para diversos arranjos empreendedores.

produtividade, a renda e a sustentabilidade agropecuária e florestal. Como o agronegócio tem sido a principal atividade econômica do Brasil com excelente desempenho, também tem sido um setor altamente demandante de energia. Pequenos, grande e médios produtores rurais estão a busca de soluções energéticas para melhorar a produção e trazer segurança energética a suas atividades no campo e na agroindústria. As fontes renováveis são candidatas naturais para auxiliar nessa tarefa e assim tem sido feito por meio da geração distribuída. Um importante passo foi dado em termos de cenário legal e normativo pela ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica, responsável pela regulação e fiscalização do setor elétrico brasileiro, na edição da RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 687 (REN 687/15), que altera a REN 482/12, que havia instituído a Geração Distribuída. Essa nova resolução torna mais fácil para que pessoas e empresas possam gerar a sua própria energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica, hidráulica e de biomassa). As principais alterações são: estabelecimento das modalidades de autoconsumo remoto e geração compartilhada possibilitando a geração em

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terrenos afastados do local de consumo (na mesma área da distribuidora) e para vizinhos usuários do sistema de compensação de energia; permite

Empreendedorismo na busca e viabilidade de matéria primas alternativas como bambu, raízes, podas de árvores urbanas, poda de cajueiros, reforma de laranjais, etc a compensação de créditos de energia entre matrizes e filiais do mesmo grupo; geração distribuída condominial (pessoas físicas e jurídicas); amplia a potência máxima de 1 MW para 5 MW; ampliação do prazo para uso dos créditos de 36 meses para 60 meses; redução dos prazos de tramitação de pedidos junto às distribuidoras; padronização dos formulários de pedido de acesso; submissão e acompanhamento online de novos pedidos a partir de 2017.

Uma grande deficiência existe hoje no setor florestal não integrado, ou seja, excetuando, por exemplo, os plantios destinados à indústria de celulose, é a falta de informação e dados estatísticos. Várias perguntas ainda aguardam respostas como, por exemplo: Quantos picadores de lenha existem atualmente em operação no país? Quais suas capacidades, localização e marcas? Quais os fornecedores nacionais e importados? São estacionários ou móveis? Onde estão as florestas e quais as suas aplicações? Quantas briquetadeiras existem hoje no país, marcas, capacidade e fornecedores? Quantas peletizadoras existem hoje operando no país, marcas e capacidade instalada? Em síntese, os esforços devem se concentrar na busca constante de sustentabilidade e renovabilidade nas atividades florestais, eficiência energética e eficiência nos processos de produção de cavaco, briquetes e pellets, no uso racional dos recursos naturais, construir bancos de dados para sanar a falta de estatísticas confiáveis para o mercado de briquetes e de cavaco, investir e desenvolver a criatividade. Empreendedorismo na busca e viabilidade de matéria primas alternativas como bambu, raízes, podas de árvores urbanas, poda de cajueiros, reforma de laranjais, etc. O cooperativismo florestal é um caminho a ser trilhado para maior viabilidade do setor de florestas não integradas. ●


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ESTUDO MOSTRA AS OPORTUNIDADES DE PRODUÇÃO DE

BIOGÁS

PARA O ESTADO DO PARANÁ derivados de petróleo, o biogás pode ser gerado a partir de fontes diversificadas e renováveis de biomassa, como resíduos provenientes de atividades agropecuárias, industriais e urbanas.

CONTEXTUALIZAÇÃO A energia é um recurso fundamental para o funcionamento – e até para a própria existência – da vida humana. Hoje, praticamente todas as atividades que desenvolvemos, desde tarefas domésticas até a produção industrial, passando pela locomoção urbana e por tantas outras áreas, têm total dependência do uso de energia. Diante de uma demanda em constante crescimento, a diversificação de nossa matriz energética é uma necessidade. Torna-se cada vez mais evidente que é preciso incentivar e investir em novas formas de geração de energia. E mais do que simplesmente garantir um abastecimento eficiente, essas fontes alternativas surgem como solução especialmente para substituir a enorme dependência global em relação aos combustíveis fósseis. A tecnologia do Biogás deve ser considerada uma das principais alternativas para dar novo impulso ao segmento de energia. Ao contrário dos

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Além disso, é uma tecnologia capaz de se adaptar a distintas escalas produtivas e a diferentes ambientes geográficos, bem como se destinar a múltiplas finalidades, como energia elétrica, térmica ou veicular. Ao mesmo tempo, o biogás é um importante instrumento para a busca da sustentabilidade ambiental, social e econômica, pois atua no combate à poluição, promove a distribuição energética descentralizada e, por consequência, representa um produto de alto valor agregado. O Paraná, com sua expressiva participação na produção industrial, agrícola e de proteína animal brasileira, apresenta amplo potencial na conversão dos resíduos dessa produção em biogás. Porém, como transformar esses resíduos em benefícios ambientais, econômicos e sociais para a regiões onde se instalam essas atividades? Nesse sentido, a discussão do tema aconteceu com especialistas do Grupo de Trabalho Biomassa que levantaram o escopo do estudo Oportunidades da Cadeia Produtiva de Biogás para o Estado do Paraná que resultou em uma ampla investigação acerca das potencialidades de desenvolvimento no estado do Paraná de uma modalidade de

energia limpa, descentralizada e renovável: o biogás. LANÇAMENTO DO ESTUDO O estudo foi lançado durante o Congresso Internacional de Biomassa (Cibio) 2016, em Curitiba no dia 16 de junho, no Campus da Indústria do Sistema FIEP e foi apresentado pelo diretor do Senai no Paraná, Marco Secco, pela coordenadora dos Observatórios Sistema Fiep, Ariane Hinça Schneider e contou com as presenças dos representantes do CIBiogás-ER – Sr. Marcelo Alves de Sousa e do PROBIOGÁS – Sr. Luiz Costa.

O levantamento foi realizado pelo Senai-PR, por meio dos Observatórios Sistema Fiep - no contexto do projeto da Articulação das Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense - Roadmapping de Energia - cuja expertise está na implementação de estudos de futuro para o desenvolvimento industrial sustentável. Na implantação de suas pesquisas uma equipe multidisciplinar de especialistas se


dedicou a levantar dados, efetuar análises e visualizar alternativas, com base em informações oriundas da literatura, de instituições de renome e de visitas técnicas a empreendimentos ligados ao biogás. Além dessa equipe, o estudo teve como parceiros importantes o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás-ER) e o Projeto Brasil-Alemanha de Fomento ao Aproveitamento Energético de Biogás no Brasil (PROBIOGÁS), que compartilharam experiências e informações técnicas de relevância. BIOGÁS PARA O ESTADO DO PARANÁ O estudo está organizado em três grandes etapas, na qual a primeira concentrou-se em identificar, nos mais importantes setores econômicos paranaenses, a capacidade de gerar matérias-primas passíveis de transformação em biogás, as quais podem ser obtidas a partir de uma enorme variedade de resíduos da agropecuários, industrias e urbanos. A segunda etapa, por sua vez, focou na verificação das condições técnicas e tecnológicas de materialização das potencialidades mapeadas. A terceira, por fim, procurou pensar tais oportunidades sob a luz dos hiatos que precisam ainda ser suprimidos para uma significativa evolução do setor de biogás, tanto em abrangência estadual quanto nacional. Conheça mais sobre o conteúdo desta publicação em www.fiepr.org. br/observatorios/download O material contempla o conteúdo referente ao panorama do setor energético no Brasil e no Paraná; apresenta de forma detalhada o levantamento do potencial de geração de biogás no estado do Paraná; descreve as tecnologias para produção de biogás; aborda o panorama paranaense e oportunidades para a indústria do estado na cadeia de suprimentos e uso do biogás e emite considerações acerca do processo de certificação. CASOS DE SUCESSO A tecnologia do biogás tem evo-

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Uma categoria que também ganha visibilidade, diz respeito à recuperação do biogás oriundo do manejo de esgoto em estações de tratamento e do gerenciamento do lixo urbano em aterros sanitários luído nos últimos anos e já conta com alguns casos de sucesso no país. Para a elaboração do estudo, algumas iniciativas na produção de biogás foram visitadas, são pioneiras em diferentes locais do Brasil, são projetos inspiradores para alavancar o segmento do biogás. Lembrando que a diversidade de resíduos possíveis de serem empregados no processo de biodigestão, tanto em volume quanto em espécie, permite a elaboração de uma pluralidade de escalas e de arranjos produtivos, respeitando assim as particularidades de cada projeto. Como exemplo, o aproveitamento de resíduos agropecuários, na modalidade de condomínio de agroenergia, no qual resíduos gerados por um conjunto de pequenos produtores possibilitam a obtenção de biogás, que é centralizado em um único ponto, onde é purificado e transformado em outras fontes de energia (térmica e elétrica), para usufruto do grupo como um todo. Esta parceria entre microempreendedores rurais que gerem resíduos orgânicos e tenham interesses em comum, configura uma alternativa para a aquisição de equipamentos e para a obtenção de escala apropriada à operação da tecnologia do biogás. Para o Diretor-presidente do CIBiogás-ER, Sr. Rodrigo Regis de Almeida

Galvão, a produção e o uso do biogás, que traz soluções para o descarte correto dos resíduos da agricultura, pecuária e áreas urbanas, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a expansão do agronegócio. Uma categoria que também ganha visibilidade, diz respeito à recuperação do biogás oriundo do manejo de esgoto em estações de tratamento e do gerenciamento do lixo urbano em aterros sanitários. Uma terceira categoria contempla casos de sistemas de tratamento de resíduos industriais, dentre os quais se destacam as iniciativas de biodigestão da vinhaça. A produção de biogás para as empresas mostra-se interessante atrelar o procedimento obrigatório de tratamento de resíduos à produção de bioenergia, passível de utilização no próprio empreendimento ou de comercialização, proporcionando abatimento de custos e adequação ao arcabouço legal. O CIBiogás-ER, juntamente com o PROBIOGÁS, criou um mapa interativo, onde são apresentadas as plantas de biogás existentes no Brasil, que representam as categorias analisadas no estudo. Ao acessar o mapa (https://cibiogas.org/ biogasmap), pode-se obter informações sobre os diversos projetos já em operação no país. BIOGÁS – DIFERENCIAL COMPETITIVO Para a Superintendência Fiep – Sr. Reinaldo Tockus e para a Gerência de Meio Ambiente e Sustentabilidade – Sr. Rafael Moreira Cesar da Costa, a geração e aproveitamento do biogás como fonte de energia complementar para o setor produtivo configura um importante diferencial competitivo para qualquer região. No entanto, é necessário conhecer qual o potencial e as tecnologias disponíveis para cada matéria-prima e qual o cenário político, econômico e regulatório necessário para ampliar a sua utilização. Estas são as perguntas que norteiam o estudo desenvolvido pelo Sistema Fiep em parceria com o CIBiogás-ER e PRÓBIOGÁS que expõe os desafios e as oportunidades para cadeia de valor do biogás no estado do Paraná, também


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evidencia o grande potencial de geração no estado, especialmente no setor agroindustrial em virtude de ser um dos líderes brasileiros na produção de alimentos, tanto agrícola quanto de proteína animal. Neste setor, o biogás também é visto como uma alternativa para destinação dos resíduos e biomassa gerados pela atividade agropecuária e industrial, o que contribui para a preservação do meio ambiente. Além disso, a transformação do biogás em energia elétrica proporciona uma oportunidade de redução de custos de produção e melhoria do suprimento em regiões onde há menor estabilidade no fornecimento. A publicação também apresenta alternativas utilizadas em outros países para estimular a produção de energia por meio de fontes renováveis e aponta a necessidade de incentivos econômicos, fontes de financiamento e melhoria do ambiente regulatório para impulsionar a cadeia do biogás e posicionar esta importante fonte de energia como estratégica na matriz brasileira. Para o sócio proprietário do Grupo Hübner e vice-presidente do Sistema Fiep, Sr. Nelson Hübner, o próximo passo é angariar empresários e pesquisadores para a transferência de know-how e tecnologia (que ainda são em grande parte internacionais) em projetos aplicados de grande escala.

Potencial de geração de biogás por mesorregião e distribuição desse potencial por atividade (pecuária, agroindústria e indústria e resíduos urbanos)

Potencial de geração de biogás por mesorregião e distribuição desse potencial por atividade (agricultura, pecuária, agroindústria e indústria, resíduos urbanos)

POTENCIAL DE GERAÇÃO DE BIOGÁS POR MESORREGIÃO E DISTRIBUIÇÃO DESSE POTENCIAL POR ATIVIDADE O estudo preocupa-se em determinar o potencial de geração de biogás no estado do Paraná em relação ao panorama nacional. Para tanto, efetua um percurso que aborda matérias-primas disponíveis em três instâncias: no universo agropecuário, a partir do cultivo de vegetais e da criação de suínos, bovinos e aves; no setor industrial, por meio da produção de álcool e açúcar, biodiesel, laticínios, processados de mandioca, cítricos, cervejas, cortes de carne, papel e celulose; e no ambiente urbano, pelo adequado recolhimento de lixo, esgoto, restos de varrição e poda, bem como de excedentes do comércio hortifruticultor no atacado. Tal trajetória evidencia uma extensa variedade de resíduos capazes de atuar enquanto insumo produtivo de biogás. Aqueles de maior potencial são expostos nos mapas demonstrativo, que propicia comparações e análises mais refinadas. O estudo aponta que o potencial de geração de biogás na pecuária no estado do Paraná é da ordem de 1.846,56 GWh/ano, suficiente para o abastecimento de 709 mil habitantes, equivalente a soma atual da população das cidades de Londrina e Paranaguá. Disonei Zampieri - gestor da Área de Bioenergia e Sucroalcooleira e Programa de Desenvolvimento, SEAB – DERAL (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento – Departamento de Economia Rural), considera que

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"um conjunto de ações diversificadas através de um amplo programa de pesquisa de dados, indicadores e análise por região da agropecuária do Paraná, permitem identificar o desempenho histórico e atual por setor, que possibilita a elaboração de planos, programas e projetos de desenvolvimento". PROBIOGÁS/GIZ – USINAS DE BIOGÁS As oportunidades existentes para a disseminação do aproveitamento energético do biogás no Brasil foram objetos de estudo do projeto PROBIOGÁS. Com início em 2013,


Potencial de geração de biogás na pecuária (m³/ano)

o projeto é fruto da cooperação técnica entre o Governo Brasileiro, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, e o Governo Alemão, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. O PRO-

BIOGÁS contribui com a elaboração de estudos como o realizado pela Fiep, na certeza de que estes resultados são fundamentais para apoiar o planejamento e a implementação de usinas de biogás em larga escala nacionalmente.

Cabe ressaltar o pioneirismo do estado do Paraná, que já serve de vitrine no país em termos tecnológicos e conta com projetos de referência para o uso de biogás tanto no setor agroindustrial quanto no ambiente urbano, com o tratamento de esgotos e resíduos sólidos urbanos. O estado conta também com uma cadeia de potenciais fornecedores para instalações de biogás. De acordo com um levantamento realizado pelo PROBIOGÁS e disponibilizado no site da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (http://fornecedores.abiogas.org.br/) o estado já conta com 28 empresas aptas a fornecer equipamentos para instalações de biogás e como o próprio estudo reflete, o potencial para o aumento no número destas empresas é enorme. SENAI/PR – INSTITUTO SENAI DE TECNOLOGIA EM MEIO AMBIENTE E QUÍMICA O uso de biomassa como combustível alternativo vem, nos últimos anos, ganhando muita atenção no país.

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Diante desta realidade o IST em Meio Ambiente e Química está prestando serviços de consultoria, análises de viabilidade técnico-financeira, análises laboratoriais, treinamentos e capacitações técnicas na área de biogás para atender às indústrias que desejam implementar ou adequar biodigestores anaeróbios, reatores UASB ou demais sistemas de tratamento de resíduos ou efluentes visando o aproveitamento energético do biogás para geração elétrica ou térmica. Tais serviços compreendem medições e análises químicas de biogás, cálculos e estimativas de aproveitamento energético, análise técnica-financeira para a otimização de arranjos elétricos, térmicos, cogeração, autossuficiência energética, injeção de excedente no grid, treinamentos para operadores de estações, eficiência energética, automação, entre outros. Informações em: http://www.senaipr. org.br/para-empresas/instituto-tecnologia-em-meio-ambiente/

mandam equipamentos especialmente projetados”. Diferentes biodigestores e modos de operação, assim como a complexidade do sistema de purificação do biogás, são etapas cruciais que necessitam avaliação técnica pré-implementação. Ao mesmo tempo, o pesquisador afirma que são as áreas que apresentam as maiores oportunidades para a indústria paranaense em construção de equipamentos e desenvolvimento de tecnologias para aproveitamento do grande potencial do estado para produção de biogás e energias dele derivadas.

TECNOLOGIAS DE GERAÇÃO DO BIOGÁS

A existência de um sistema de certificação, associado a uma efetiva regulamentação, fortalecerá expressivamente o setor produtivo de biogás, o qual deve assim evoluir com maior credibilidade, facilidade e dinamismo.

O estudo correlaciona técnicas e equipamentos necessários a cada uma das etapas produtivas, as quais, sinteticamente, compreendem: o tratamento da matéria-prima, a biodigestão para a obtenção de biogás e a purificação com vistas ao emprego propriamente dito do recurso energético. Para o pesquisador em Engenharia de bioprocessos Dr. Eduardo Bittencourt Sydney, integrante do grupo de autores do estudo, “a biodigestão propriamente dita e o tratamento do biogás gerado são as etapas que caracterizam esse sistema produtivo e de-

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CERTIFICAÇÃO Entende-se relevante a criação de um certificado de qualidade de biometano, que chancele unidades purificadoras de biogás em relação ao atendimento à norma da ANP – Resolução Normativa 8, e às demais que se consolidarem.

Um sistema de certificação nacional para o biogás purificado deve alicerçar a comercialização e a utilização deste recurso. CONSIDERAÇÕES DO ESTUDO O delineamento das deficiências e oportunidades permite identificar o panorama atual da cadeia produtiva de biogás no estado do Paraná, a elaboração de estudos, a divulgação de dados

sobre o potencial de produção de biogás a partir de diferentes matérias-primas e a constante discussão sobre o tema são fundamentais para o planejamento e a implementação de usinas de biogás em larga escala no Brasil. Partindo dessas informações, podem ser estruturadas políticas públicas e mecanismos de incentivo para essa fonte de energia. Para a coordenadora dos Observatórios Sistema Fiep – Ariane Hinça Schneider, “ainda hoje o biogás é visto mais como um subproduto de baixo valor agregado do que como um ativo energético”. Complementa que “o que não é usado como biofertilizante, acaba virando passivo ambiental”. Mas esse cenário deve mudar com o apelo crescente da energia limpa e da geração caseira. Além de gerar autossuficiência em energia, a eletricidade excedente ainda pode ser vendida para a rede. Assim, estimular o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores para elaborar, operar e manter plantas de biogás no estado, é um dos objetivos do levantamento do Senai-PR. O Sistema Fiep tem por propósito, com essa publicação, incentivar o debate público, a continuidade da pesquisa científica e a propulsão das aplicações do biogás em diversos nichos industriais. A expectativa é difundir entre os leitores a firme certeza de que o Paraná tem um expressivo potencial de geração e uso do biogás, capaz de se destacar na trajetória do setor energético nacional. ● Conheça o blog setorial: www.fiepr.org.br/observatorios/energia/


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FLORESTAS DE ALTA PRODUTIVIDADE: TECNOLOGIA E RESULTADOS CONCRETOS NA PRODUÇÃO DE BIOMASSA Pedro Francio Filho – Engenheiro Agrônomo, consultor florestal, instrutor e palestrante profissional no setor do agronegócio, especialista na área de silvicultura e agrossilvicultura, sócio-diretor da Unisafe Consultoria. pedro@unisafeconsultoria.com.br - www.unisafeconsultoria.com.br

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urante décadas, as grandes empresas estiveram na vanguarda da tecnologia e produtividade, mas detinham muito conhecimento em sigilo. Porém, por uma demanda crescente de madeira, várias indústrias tiveram que criar programas de fomento e desenvolvimento florestal com produtores rurais. Além disso, devido a um déficit de matéria-prima em diversas regiões do país, o governo federal criou políticas de apoio, e algumas linhas de crédito que acabaram exigindo uma estrutura para concretizar esses planos. Surgiram então, mais universidades, vagas de cursos técnicos e superiores, mais profissionais, empresas ligadas ao setor e pesquisas. A partir deste período, a silvicultura se tornou pública, aberta e mais conhecida pela sociedade. Passou a ter uma amplitude de pesquisa, difusão de tecnologia, convênios publico-privado e a velocidade da informação tomou um rumo sem volta. O setor florestal brasileiro tem vivido nos últimos 10 anos uma agitação considerável, desde a produção de mudas, passando por revoluções nos plantios, alguns em tempo recorde, até as grandes máquinas de colheita. Tanto essa

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evolução, quanto a rentabilidade tem chamado atenção de investidores, desde profissionais liberais até enormes aportes de capital para a construção de grandes indústrias, e plantios a perder de vista. De fato, um investimento interessante, mas se realizado de forma equivocada, sem planejamento ou a devida engenharia, pode gerar surpresas lastimáveis. As espécies florestais exóticas ou nativas podem ter cuidados parecidos na silvicultura, cada uma com peculiaridades, mas neste artigo o foco será o cultivo de eucalipto. Com grande plasticidade ecológica, potencial de adaptação, estabelecimento, crescimento e produção às mais variadas condições edafoclimáticas do território nacional, além da elevada produtividade. Para se realizar a implantação florestal devemos considerar vários fatores importantes: localização do terreno; reconhecimento da área; levantamento topográfico; mapeamento do solo; análises químicas e físicas do solo; levantamento da vegetação; condições edafoclimáticas regionais; distribuição de reservas legais e áreas de preservação permanente; escolha da espécie e/ou procedência; estradas, aceiros e talhonamento; cercas divisórias; limpeza da área; controle de pragas; correção do solo, preparo do solo; es-


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colha do espaçamento; fertilização mineral; plantio; replantio; e tratos silviculturais. A localização do terreno servirá para realizar o plano de negócio, avaliar a viabilidade e logística do empreendimento. O reconhecimento da área tem por finalidade conhecer e avaliar as condições locais para certificar se atende às exigências pré-determinadas para o projeto a ser desenvolvido. Análises estratificadas químicas e físicas do solo servem para conhecer a fertilidade, estrutura física, camadas adensadas, solo pedregoso, e áreas sujeitas à erosão. Sem essas informações é impossível fazer uma recomendação correta e precisa da área, mas isso normalmente ocorre na silvicultura convencional, onde são descartadas as análises e utilizadas às conhecidas “receitas de bolo”. Precisam-se utilizar metodologias mais inteligentes de correção e fertilização, respeitando os 16 elementos químicos essenciais em equilíbrio. As correções por meio de doses adequadas, formato de aplicação conforme necessidade de gesso, calcário, fosfato natural reativo e outros fertilizantes são fundamentais. A penetrometria é usada para medir a compactação do solo, o mapeamento é fundamental para a tomada de decisão desde planejamento, gerenciamento das células produtivas, levantamento de rendimento operacional até a colheita da madeira. A escolha da espécie e qual material genético deverá ser utilizado está intimamente ligada ao objetivo final a que se destina a madeira e a aptidão silvícola local. Clones ou sementes melhoradas devem ser preferidas, mesmo com custo superior, devem ser provenientes de locais com características do clima, do solo e geográficas semelhantes às da área que pretende plantar. Precisa-se ser minucioso na escolha do material genético. Existem espécies melhoradas e adaptas tanto a neve quanto a situações de seca e baixíssima precipitação. Estes melhoramentos estão direcionados basicamente a produção de celulose, energia, ou serraria. A locação e a construção das estradas e aceiros definem o tamanho e a forma dos talhões e devem levar em consideração aspectos de conservação do solo, planialtimetria da área, proteção e colheita da floresta plantada, princi-

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palmente em áreas de topografia acidentada, fundamental para evitar assoreamentos e voçorocas, além de facilitar as atividades realizadas durante as operações. As operações de limpeza variam em função do tipo de vegetação e topografia, podendo ser manuais, mecanizadas ou químicas. Para maior eficiência nos herbicidas pós-emergentes utilizados antes do plantio deve-se levantar quais são as plantas infestantes, saber qual herbicida utilizar, dosagem, estádio fenológico adequado, que facilite a absorção e translocação do produto. Vale lembrar a importância de usar água limpa, pHmetro, e na aplicação, tecnologias como bicos com indução de ar, termo higrômetro, dentre outros detalhes. No controle da matocompetição pós-plantio é importante utilizar-se herbicidas pré-emergentes seletivos para controlar a sementeira.


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Para a escolha do espaçamento em maciços, deve-se ter preocupação quanto à espécie, grau de melhoramento, fertilidade do solo e objetivo do plantio, mas principalmente a precipitação. Normalmente, para o eucalipto, o espaçamento mais recomendado é o de 3 m (metros) entre as linhas e 3 m entre as mudas, ou seja, 9 m² (metros quadrados) por planta, o que corresponde a 1.111 mudas por ha (hectare). Em alguns casos, precisa-se aumentar o espaçamento para a utilização de máquinas nas entre linhas, por exemplo, 4 x 3 m, 3,6 x 2,5 m, dentre outros. Em áreas com menor precipitação, são recomendados espaçamentos maiores como, 3,5 x 3,5 metros até 4 x 4 metros, chegando até 16 m² (metros quadrados) por planta, cada projeto sempre terá seu espaçamento específico e planejado anteriormente para não haver surpresas. A engenharia que envolve a silvicultura deve ser tomada levando sempre em consideração os dados e a metragem quadrada por planta. Portanto, não existe regra única! As mudas devem ser adquiridas em viveiros confiáveis e de qualidade conhecida. Na expedição devem estar rustificadas, manter o vigor, sistema radicular integro, estarem protegidas de vento, frio e compactação durante o transporte. O controle de pragas existentes deve ser executado antes, durante e pós-plantio. O plantio deve ser realizado no início e durante o período chuvoso, depende de cada região. Com a utilização do hidrogel pode-se plantar em qualquer época do ano, respeitando outros fatores além da umidade e temperatura, para evitar o cozimento das raízes. O replantio deve ser evitado, e quando feito, precisa ser realizado no máximo 30 dias após o plantio, utilizando-se mudas com o mesmo padrão de qualidade das plantadas inicialmente. No caso de uso múltiplo da madeira, a poda precisa ser realizada, utilizando-se serrinhas profissionais de dupla face, ou tesouras próprias para esta atividade. A poda, desrama ou desgalha deve ser realizada no período seco, bem rente ao tronco, para evitar nodulação e aumentar o valor agregado da madeira, produzindo a clear-wood, madeira limpa de forma manejada na silvicultura. Para a produção de biomassa não é necessário realizar a poda. A colheita da madeira deve ser planejada no inicio do projeto. Para determinar a intervenção é preciso conhecer o Incremento Médio Anual e a corrente da floresta. Esta análise é possível mediante a realização de inventários contí-

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nuos. Se a finalidade do projeto for biomassa os ciclos são curtos, de 5 a 7 anos, e são realizados cortes rasos. Mas se o objetivo for uso múltiplo são feitos desbastes com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável, que resultam em vários produtos, com corte raso de 12 a 15 anos. As produtividades médias do Brasil estão muito abaixo do seu potencial produtivo. Não adianta usar somente o melhor clone, sem atentar para o ambiente de produção, pois a genética representa apenas uma parte do processo, no máximo 50%. Relembre uma regra básica: F (Fenótipo) = G (Genótipo) + A (Ambiente). O Brasil não deixa a desejar no melhoramento genético, mas o A envolve pelo menos 52 fatores listados, e infelizmente, de um modo geral a silvicultura está sendo tratada com remendos, e não com a devida engenharia. O único problema é que o tempo em floresta representa anos, e essas surpresas custarão caro no futuro. Por que nas mesmas condições edafoclimáticas a produtividade é tão diferente? Por que existem várias regiões e empresas conseguem em plantios comerciais, IMA (Incremento Média Anual) de 60 m3/ha/ano (metros cúbicos por hectare ao ano), e em casos acima de 80 m3/ha/ano, quando ainda falamos em média nacional de apenas 40 m3/ha/ano? Nossa produtividade vem decaindo com o tempo com tudo que temos nas mãos, onde deveria ser o contrário. Na realidade, as respostas são simples, as informações existentes neste artigo são um resumo de alguns tópicos importantes relacionados à silvicultura. Boa parte dos conceitos relatados, são básicos e existem há muitas décadas. Agora, por que eles não são colocados em prática? Essa pergunta pode ter várias justificativas... Última pergunta: Se a terra representa um custo muito elevado no setor de produção, não seria mais vantagem aumentarmos a produtividade, do que plantar mais hectares? Será que não está na hora da silvicultura ajudar a genética? O principal objetivo de uma floresta comercial é fornecer matéria-prima para a fabricação de produtos indispensáveis. Estas florestas estão se multiplicando a partir da necessidade de abastecimento da indústria e preservação das florestas nativas. Portanto, é imprescindível o planejamento completo de todo o cultivo florestal para não se inviabilizar o investimento extremamente rentável. ●


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Entrevista

Entrevista com Júlio César Félix

Diretor Presidente do Tecpar - Instituto de tecnologia do Paraná

Revista Biomassa BR - A quanto tempo existe o TECPAR e quais suas principais atividades? Júlio César Félix: O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) tem 76 anos de atividade e atua em quatro pilares: Soluções Tecnológicas, oferecendo ao mercado ensaios laboratoriais e serviços tecnológicas para em apoio às empresas que buscam inovar; Empreendedorismo Tecnológico Inovador, com a Incubadora Tecnológica do Tecpar (Intec), que já apoiou mais de 90 empresas, entre elas algumas que hoje são multinacionais, e com os parques tecnológicos, como o Parque Tecnológico da Saúde (PTS), que busca atrair companhias inovadoras na área da saúde para dentro dos campi CIC e Araucária; Educação, na área não-formal, com cursos de qualificação para o mercado privado e ainda com desenvolvimento de capacitações para servidores municipais de prefeituras paranaenses; e Indústria Farmacêutica e Biotecnológica, com desenvolvimento de kits diagnósticos veterinários, vacina antirrábica e produção de medicamentos de alto valor agregado para a saúde pública brasileira. Além disso, o instituto atende a demandas do Governo do Estado, sendo executor de projetos na área de energias renováveis e empreendedorismo tecnológico. RBBR - Fale um pouco sobre os principais projetos realizados nos últimos anos?

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Em biocombustíveis, o Tecpar atuou em importantes projetos na Região Metropolitana de Curitiba... Na área de energias renováveis, o Tecpar desenvolveu um projeto de reatores biológicos que reduzem a poluição de chaminés com o uso de microalgas. O sistema implantado em uma churrascaria de Curitiba redireciona a fumaça, produzida pela queima de carvão vegetal e gordura das carnes, para dois tanques de 500 litros de água, onde são cultivadas microalgas, que têm a capacidade de assimilar diferentes poluentes por seu metabolismo. Esses organismos, em presença de luz e com nutrientes da própria fumaça, removem compostos nocivos. Em biocombustíveis, o Tecpar atuou em importantes projetos na Região Metropolitana de Curitiba. Na Linha Verde, novo eixo de transporte de Curitiba, o Tecpar fez o monitoramento da qualidade dos biocombustíveis utilizados pelos ônibus do transporte públi-

co. O instituto participou ainda de um programa de reutilização de óleo de fritura como biocombustível em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. O Tecpar atuou ainda para o desenvolvimento de aditivos para a área de biocombustíveis e também no auxílio do desenvolvimento de sensores de identificação de biocombustíveis para veículos pesados. Na área de soluções tecnológicas, mais de 600 empresas de 96 cidades paranaenses receberam atendimento da Rede de Extensão Tecnológica do Paraná, coordenada pelo Tecpar. As modalidades de atendimento tecnológico ofertadas pela Rede às empresas participantes do projeto foram unidade móvel, adequação de produto para o mercado externo, gestão do processo produtivo e arranjos produtivos ou aglomerados de empresas. O Tecpar Certificação, divisão de certificação de produtos e sistemas do Tecpar, é o órgão certificador do Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO), que intensifica as ações e contribui para consolidar o Paraná como o maior produtor orgânico do país. Para que possam passar da produção convencional para a orgânica e receberem a certificação, os agricultores são orientados por técnicos e estudantes das sete universidades estaduais. Eles fazem um acompanhamento e capacitação dos produtores paranaenses, para que trabalhem den-


"Na área de energias renováveis, o Tecpar desenvolveu um projeto de reatores biológicos que reduzem a poluição de chaminés com o uso de microalgas" Julio Félix

tro das normas previstas na legislação brasileira para produtos e sistemas de produção orgânica. No Campus Tecnoparque, no Parque Industrial de Maringá, está em construção a unidade de Produção de Medicamentos, cujas instalações vão abrigar a produção do Bevacizumabe, utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer e degeneração macular. O funcionamento da unidade se dará por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), programa do Complexo Industrial da Saúde para produzir medicamentos e biológicos, também para fornecimento ao Ministério da Saúde, com previsão de entrega em 2017. Na área de educação, o Tecpar está à frente do projeto Escola de Gestão Inteligente, uma plataforma educacional desenvolvida pelo governo estadual para capacitar servidores municipais, principalmente os que atuam na área de gestão. RBBR - Como surgiu a ideia do programa SMARTENERGY? O Projeto Smart Energy Paraná foi criado oficialmente por meio do Decreto 8.842/13, do governador Beto Rich. Os objetivos do projeto são a promoção da adequação da rede de energia elétrica convencional em rede inteligente e a disseminação da geração distribuída por fontes de energias renováveis, o

incentivo a modelos de aplicação para a eficiência energética, o desenvolvimento de competências locais neste tema e sensibilização da sociedade na utilização dessas novas tecnologias e a consolidação da competência do Estado do Paraná em geração distribuída, por fontes de energias renováveis conectada a redes inteligentes. RBBR - Qual a importância do projeto SMARTENERGY para incentivo de tecnologias limpas no estado do Paraná? O Projeto Smart Energy tem objetivos amplos, mas o principal deles é a mobilização dos ativos tecnológicos, de empresas públicas e privadas de todo o estado, propiciando um melhor ambiente para o desenvolvimento deste importante setor econômico do Paraná, bem como apoindo a atração de investimentos. Queremos com o projeto buscar novas soluções para produzir energia limpa no estado. O Projeto Smart Energy Paraná pretende colocar o Estado, estrategicamente, em posição competitiva mundial com relação à geração distribuída por fontes de energias renováveis interconectadas a redes inteligentes. RBBR - Como você vê a atual situação do cenário das energias renováveis no Brasil? Tivemos avanços importantes nos últimos anos, entretanto ainda há carên-

cias no marco regulatório para que o setor tenha segurança jurídica na consolidação dos investimentos e para que os empreendores tenham o retorno financeiro esperado. O cenário amplia a necessidade de se desenvolver novas e eficazes tecnologias para geração de energia limpa. O Tecpar atua em programas governamentais com esse fim, para desenvolver novas competências para apoiar esse setor do ponto de vista tecnológico, econômico, ambiental e social. RBBR - Quais os projetos em que o TECPAR esta participando dentro do contexto de geração com fontes renováveis? A estação solarimétrica instalada no Tecpar foi integrada com sucesso à rede nacional do Sistema de Organização Nacional de Dados Ambientais (Sonda), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com os dados coletados pela Plataforma, o Paraná passa a ter um levantamento próprio da insolação no Estado e, ao ser integrado à rede nacional, passa a estudar o potencial de geração de energia solar em todo o território paranaense. Nosso parque de energias renováveis gera dados que são avaliados por nossos especialistas, para dar ao mercado privado informações precisas sobre o potencial energético do Paraná e assim mobilizar as empresas a desenvolver novos produtos e soluções neste setor. ● Revista Biomassa BR

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A r t i g o Té c n i c o a p r e s e n t a d o n o

HIDRÓLISE DO BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR UTILIZANDO UM CONSÓRCIO ENZIMÁTICO PRODUZIDO por Aspergillus fumigatus E A. niger Patrísia Oliveira Rodrigues; Daniel Pasquini, Douglas Queiroz Santos, Milla Alves Baffi

Email: patytrisia15@yahoo.com.br, Universidade Federal de Uberlândia-UFU, Uberlândia, MG

Palavras chave: Sacarificação, celulases, hemicelulases, açúcares fermentescíveis. Introdução Enzimas que degradam biomassa lignocelulósica (celulases e hemicelulases) podem ser produzidas por diferentes microorganismos, tais como bactérias e fungos. Nesse trabalho, a eficiência sinergística de extratos enzimáticos bru-

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tos concentrados (ExBC1 e ExBC2), produzidos por Aspergillus fumigatus (SCBM6) e Aspergillus niger (SCBM1) foi avaliada na hidrólise do bagaço de cana-de-açúcar previamente submetido a pré-tratamento alcalino e comparada com uma hidrólise utilizando o extrato comercial (ExC) CELIC CETEC 3.

Metodologia A biomassa foi pré-tratada utilizando 100g de bagaço e 2,5L de solução de hidróxido de sódio 2% e submetida a refluxo no extrator Soxhlet por 4 horas a 121 ºC. Após o pré-tratamento o bagaço foi lavado até atingir pH neutro e seco a 50ºC

por 12 horas. A produção do extrato enzimático foi feita por fermentação em estado sólido (FES) em frascos 250 mL, contendo 5g de uma mistura de bagaço e farelo de trigo (1:1) e acrescido de 5 mL de solução nutriente. Cada frasco foi inoculado com 107 esporos por grama de substrato. A fermentação


Fig. 1: Monossacarídeos liberados após hidrólises com enzima comercial (ExC) e extratos concentrados (ExBC).

ocorreu por sete dias, a 45 ºC para A. fumigatus e 30 ºC para A. niger. Os extratos produzidos foram concentrados com 65 % de saturação de etanol. A solução foi mantida por 24 horas em banho de gelo seguido de centrifugação (10.000 g / 20 min) e os precipitados foram ressuspendidos em tampão

citrato de sódio pH 4,5. As hidrólises foram realizadas em erlenmeyers de 125 mL, contento 20 mL de uma mistura de tampão citrato (pH 4,5), 0,4g de bagaço levemente umedecido e extratos enzimáticos concentrados, ambos contendo 10U de β-glicosidase por grama de bagaço a 45 ºC por 12 horas.

Os hidrolisados foram filtrados e o rendimento em Açúcares Redutores Totais (ART) foi quantificado pelo método do ácido-dinitrosalissílico (DNS). Os dissacarídeos e monossacarídeos liberados foram analisados por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE).

lisados obtidos utilizando ExBC1/2 apresentaram altas concentrações de xilose e arabinose, sugerindo que os extratos enzimáticos utilizados foram mais eficientes na despolimerização da fração hemicelulósica (Figura 1).

Resultados e Conclusões: Após as hidrólises com ExBC1/2 e ExC (Celic Ctec 3) foram obtidos 6,57 g/L e 33,82 g/L em ART, respectivamente. Na análise cromatográfica, apenas os açúcares xilose e arabinose foram liberados após hidrolise com ExBC1/2 (652,07 mg e 4427,24 mg por grama de hemicelulose, respectivamente). Após a hidrólise com ExC, foram obtidos glicose (614,00 mg por grama de de celulose) e arabinose (7022,32 mg por grama de hemicelulose). Os hidro-

PEREIRA, J.C.; SILVA, R.; GOMES, E.; MARTINS, D.A.B. Thermophilic fungi as new sources for production of cellulases and xylanases with potential use in sugarcane bagasse saccharification. Journal of Applied Microbiology, 118(4), 928-939, 2015.

Referências:

Agradecimentos: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG). ●

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A r t i g o Té c n i c o a p r e s e n t a d o n o

PRODUÇÃO DE ETANOL A PARTIR DE EUCALIPTO PRÉ-TRATADO POR PROCESSO ALCALINO

Bruna Lyra Colombi1 ; Júlia Santos1 ; Patrícia Raquel Silva Zanoni2 ; Lorena Benathar Ballod Tavares1 1. Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, bruna_lyra@hotmail.com 2. Embrapa Florestas, Colombo, PR

Resumo: O objetivo do estudo foi avaliar a obtenção de etanol a partir de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, utilizando processo de pré-tratamento alcalino com licor verde, seguido de hidrólise enzimática e fermentação por Saccharomyces cerevisiae PE-2. PALAVRAS-CHAVE: fermentação; hidrólise; biocombustível; biomassa florestal.

Introdução A crescente demanda por fontes renováveis de energia tem motivado intensas pesquisas sobre a produção de etanol lignocelulósico. O pré-tratamento é a primeira etapa do processo e visa principalmente remover a fração de lignina, que atua como uma barreira às etapas subsequentes [1]. Posteriormente, deve ser realizada a quebra das cadeias de celulose e hemicelulose por meio da hidrólise enzimática. A seguir, os monos-

sacarídeos gerados são fermentados a etanol [2]. Um exemplo de pré-tratamento baseia-se em uma adaptação do processo de polpação Kraft utilizando licor verde [3]. Esta proposta está alinhada ao atual conceito de biorrefinarias, já que permitiria que indústrias de papel e celulose pudessem produzir não somente polpa de celulose, mas também etanol, conforme o cenário econômico do momento. Metodologia

Figura 1. Perfil cinético de crescimento celular, consumo de glicose e produção de etanol por S. cerevisiae PE-2 em meio hidrolisado

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Amostras de E. urograndis foram pré-tratadas em reator de alta pressão na proporção de 4 g de sólido para 16 mL de licor verde, a 180 °C por 40 min. O sólido tratado seco foi submetido à hidrólise enzimática, com um complexo contendo celulases, β-glicosidases e

hemicelulases. As amostras foram incubadas em tampão citrato pH 5,0 por 72 h a 45 °C e 250 rpm. A concentração de sólidos foi de 10 % (m/v) e a de enzima foi de 30 % (massa de enzima/ massa de sólido). Para a fermentação, os hidrolisados foram suplementados com (g/L): extrato de levedura (0,5), NaH2PO4.H2O (1,0), MgSO4.7H2O (0,25) e (NH4)2SO4 (4,5), pH 5,0. Adicionou-se 10 % (v/v) de inóculo de S. cerevisiae PE-2, obtido previamente em meio YPD, e incubou-se por 24 h, a 30 °C e 150 rpm. Acompanhou-se o crescimento celular pelo método da massa seca; o consumo de glicose pela técnica enzimática-colorimétrica; e a produção de etanol por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas. Paralelamente foi realizada uma fermentação controle em meio sintético com glicose. Resultados e Discussões Na etapa de pré-tratamento registrou-se perda de massa de 47,9% e rendimento de 87 % em relação à glucana inicial, sendo que parte dos carboidratos extraídos do material bruto permaneceu na fase líquida (ou licor negro). Já na fase de hidrólise, obser-


vou-se que 91 % da glucana presente no material pré-tratado foi efetivamente convertida a glicose no hidrolisado. Na etapa de fermentação, no entanto, apenas 50 % da glicose inicial foi efetivamente convertida a etanol no período de 24 h. Isto corresponderia a um rendimento global do processo de 40 % em relação ao máximo teórico. Comparando os resultados da fermentação do hidrolisado de eucalipto (Figura 1) com a do controle (Figura 2), verificou-se redução significativa das taxas médias de produção de células e produto e do consumo de substrato. Embora os fatores de conversão tenham-se mantido similares, grande quantidade de glicose ainda permaneceu no meio ao final das 24 h, indicando que a fermentação não havia sido finalizada. Esta interferência negativa na cinética do processo pode estar relacionada à presença de compostos inibidores gerados no processo de pré-tratamento da biomassa florestal. APOIO: CAPES, CNPq e Embrapa.

Figura 2. Perfil cinético de crescimento celular, consumo de glicose e produção de etanol por S. cerevisiae PE-2 em meio sintético

Referências [1] MOSIER, N.; WYMAN, C.; DALE, B.; ELANDER, R.; LEE, Y.Y.; HOLTZAPPLE, M., et al. Features of promising technologies for pretreatment of lignocellulosic biomass. Bioresource technology, v. 96, n. 6, p. 673-86, 2005. [2] TAHERZADEH, M.J.; KARIMI, K. Enzyme-based hydrolysis processes for ethanol from lignocellulosic mate-

rials: a review. BioResources. v. 2, n. 4; p. 707-738, 2007. [3] MAGALHÃES, W.L.; HELM, C.; SILVA, P.; LIMA, E.; HOFFMAN, K.; HIGA, A.; LIMA, T. Pre-treatment of eucalypts biomass towards enzymatic saccharification. BMC Proceedings, v. 5, 2011. ●

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A r t i g o Té c n i c o a p r e s e n t a d o n o

Óleo de sementes de cânhamo: Ácidos Graxos Poli-Insaturados Daniel Ribeiro Grijó1; Breno Nonato de Melo2

Resumo O cânhamo é uma variedade da Cannabis sativa L. que possui baixa concentração de substância psicotrópica e vem sendo cultivado em muitos países. As sementes desta planta apresenta alto rendimento em óleo com ácidos graxos poli-insaturados e pode ser considerada uma matéria-prima promissora em diversos seguimentos industriais do país. PALAVRAS-CHAVE: Cannabis, cromatografia, derivatização. Introdução Recentemente no Brasil, alguns medicamentos derivados da espécie foram liberados à importação[1], sendo o óleo das sementes importante na emulsificação e valor nutricional destes[2]. É possível produzir 2,0 ton/ha de sementes, sendo até 44% em óleo quando descascadas, porém usualmente análises são com sementes inteiras[3]. As sementes não possuem substância psicotrópica[4] e tem elevado teor de ácidos graxos poli-insturados[5]. Além do potencial nutricional as insaturações também agrega valor ao biodiesel[6] e materiais poliméricos. O objetivo desse trabalho foi demonstrar o potencial de ácidos graxos poli-insaturados do óleo das sementes do cânhamo. Metodologia A. Local do trabalho: Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade da República do Uruguai, durante Fevereiro a Julho de 2015. B. Procedimento: A extração do óleo seguiu o Método Hara-Folch[7] e a identificação dos ácidos graxos a derivatização NF T60-233[8]. Utilizou-se um cromatógrafo Shimadzu (CG2010) com FID, coluna SP 2330 (25m x 0,5mm x 0,25μm)

e N2 de alta pureza a 40 kPa. Split 1:80 e 4ºC/min (160 ºC ~ 230 °C). C. Análise Estatística: duplicatas. Resultados e Discussões O rendimento em óleo (32,44 ± 0,10)% foi em acordo à literatura, bem como ácidos �6 (58,90 ± 0,31)%, linoleico (pico 6) e γ-linolênico (pico 7), e �3 (24,93 ± 0,02)%, α-linolênico (pico 8) e estearidônico (pico 9), como mostra a Figura 1.

2.

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Agradecimentos A Iván Jachmanián Alpuy3, Nicolás Callejas Campioni3 e Alberto Fassio Araújo4. Referências

Anvisa. RDC 17/2015. DOU 8/Maio – p50, 2015. [2] BlueBird Botanicals. Hemp Extract, 2016. [3] Callaway, J. C. Hemp Seed as a Nutritional Resource. University of Kuopio – Filand, 2004. [4] UNODC. Recommended Methods for the Identification and Analysis Cannabis, 2009. [5] Scherz, H. et al. Food Composition and NuFigura 1 - Cromatograma dos ácidos graxos. trition Tables, 3rd ed, 1986. [6] Li, S.Y. The Feasibility of Converting Conclusões Cannabis sativa L. Oil into Biodiesel, O óleo das sementes de cânhamo BioRTech, 2010. é uma fonte de ácidos graxos poli-insa- [7] Hara, A. et al. Anal. BioCh. 90: 420, turados de grande importância, porém 1978. são necessárias mais análises para ga- [10] NF. Norme Française T60-233, 1977.

Mestrando em Engenharia Química – Bolsista CAPES – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil, dr.grijo@gmail.com Professor Doutor – Departamento de Ciências Naturais – Universidade Federal do Espírito Santo, São Mateus, ES, Brasil 3. Departamento de Ciencias y Tecnologia de Alimentos – Facultad de Quimica – Universidad de la República, Montevideo, Uruguay 4. Estación Experimental La Estanzuela – Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria, Colonia, Uruguay 1.

rantir o seu uso como matéria prima no país.

[1]


CIBIO 2016 e Feira EXPOBIOMASSA superam todas as expectativas Cerca de duas mil pessoas estiveram visitando os eventos nos dois dias

A

proximadamente dois mil profissionais do setor da Biomassa e Energia participaram nos dias 15 e 16 de junho dos principais eventos do setor no Brasil. Recebemos visitantes e congressistas de 20 estados Brasileiros, e 06 países, Colômbia, Uruguai, Chile, África, Portugal e Argentina. O setor da Biomassa e Energia viveu um momento histórico nestes dois dias. Segundo a coordenação do evento, reunir um número tão expressivo de participantes, já na primeira edição do evento, mostra a força do setor no Brasil.

global de pellets, apresentou números e estatísticas sobre o mercado na América do Norte e Europa. Segundo Lehmann, o Brasil tem total condições de entrar neste mercado global, que gera milhares de empresas e movimentar a economia do país. Zilmar Souza, (ÚNICA), apresentou uma palestra sobre bioeletricidade, e sua importância para o Brasil alcançar as metas assumidas na COP21 em Paris, final do ano passado.

Produtores de pellets, briquetes, cavacos de madeira, estiveram presentes nos dois dias de evento, aproveitando a vitrine oferecida pelo evento, par a buscar novas parcerias, além de ver de perto as últimas tendências do mercado.

Outro destaque do evento foi a presença de 38 expositores, de 4 países, EUA, Alemanha, Chile e China. No dia 15 a tarde a organização consultou todos os expositores sobre como foi o evento. Ter um retorno positivo de todos os 38 expositores, foi algo fantástico comemorou Douglas Garcia (Grupo FRG Mídias & Eventos).

Markus Lehmann, palestrante com experiência e conhecimento do mercado

Todos os expositores do evento confirmaram interesse em participar da 2ª

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edição do evento que acontecerá nos dias 27,28 e 29 de junho de 2017. Conforme a coordenação do evento, para 2017 a Feira contará com em media entre 70 e 90 empresas. O evento também teve um foco específico para a parte “Acadêmica”. Foram premiados os 10 primeiros colocados nas apresentações orais, posters. 20 trabalhos foram selecionados para publicação na Revista Brasileira de Biomassa e Energia. O evento teve apoio e patrocínio do Sistema SENAI, TECPAR, ITAIPU, ANDRITZ e BRDE. O CIBIO 2016 e FEIRA EXPOBIOMASSA são eventos realizados pelo Grupo FRG Mídias & Eventos, organizado em parceria com o PARANA METROLOGIA. No final de julho será lançado de forma oficial o CIBIO 2017 e 2º Feira EXPOBIOMASSA.


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Rumos do setor sucroenergético

UNICA marca presença no CIBIO 2016 e ressalta expectativas do setor Sucroenergético para os próximos anos O setor sucroenergético do país vem passando por diversas modificações ao longo dos anos, principalmente na questão de produção de energia limpa. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a qual é a maior organização representativa do setor produtor de açúcar, etanol e bioeletricidade do Brasil, o país produziu cerca de 20,2 TWh na safra de 2015/2016, o que é equivalente 4,3% do consumo nacional de energia elétrica em 2015. Dados da UNICA demonstram que existem atualmente no país cerca de 370 unidades produtoras e mais de 1.000 municípios com atividades vinculadas à indústria sucronergética no País. Mais de 120 empresas associadas, que respondem por 60% da cana-de-açúcar, etanol, açúcar e bioeletricidade produzidos no

Brasil. Apesar de obter um crescimento acentuado com a produção de etanol, o setor vem passando por complicações devido à política de precificação da gasolina, o que fez com que o produto derivado do petróleo tivesse aumento das vendas e diminuísse a procura pelo biocombustível. De acordo com Zilmar de Souza, representante da ÚNICA no CIBIO2016, a gravidade da crise do setor é proporcional à sua importância para a economia brasileira e derivou principalmente do controle e subsídio de preços à gasolina até 2014. A expectativa do setor é que com as metas estabelecidas na COP21, em Paris,

o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional passe para 18%. De acordo com as metas do governo o objetivo é reduzir as emissões de gases poluentes em até 45%. Além dos biocombustíveis, a geração de energia limpa através do sol, dos ventos e também da biomassa passam a ter incentivo, de modo que as mesmas aumentem ao uso sustentável de energias renováveis e passem de 10% para 24% até 2030. Em 2015, a geração de energia pelo setor sucroenergético para o Sistema Interligado Nacional foi equivalente a ter atendido mais de 10 milhões de residências e reduzido as emissões de CO2 em 8,6 milhões de toneladas, além de ter poupado 14% de água nos reservatórios das hidrelétricas no submercado SE/CO.

Geração distribuída

Leonardo Caio (COGEN) fala sobre os benefícios da Geração Distribuída Boa parte da produção de GD é produzida através da Cana de Açúcar, a qual é a maior fonte renovável do país, cerca de 87% da produção brasileira vem da cana.

A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) também esteve presente no CIBIO 2016. Com o objetivo de divulgar os benefícios da Geração Distribuída (GD) e de como ela pode ser importante para o meio ambiente e para empresas, a associação encontrou no congresso uma oportunidade para falar sobre o assunto. O Diretor de Regulação e Tecnologia da COGEN, Leonardo Caio, ressaltou que atualmente no Brasil existem 95 associados que atuam na cadeia da cogeração de energia, dentre eles estão fornecedores de equipamentos e também a indústria sucroenergética. Aos poucos a Geração Distribuída está se desenvolvendo no país. Desde 2000 a cogeração cresceu cerca de 280% até 2015.Em contato com o governo fe-

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deral muitos estudos de mercado, bancos de dados, ambiente de negócios e a disseminação de tecnologias estão sendo realizadas para alavancar o setor. Durante sua palestra, Caio destacou que existem inúmeros benefícios desse tipo de produção de energia como a redução de perdas, a segurança energética, estímulo aos investidores entre outros.

De acordo com Caio os incentivos por parte do governo também tem vindo através dos leilões de reserva de energia, o que favorece a comercialização do produto. Mesmo com os incentivos, o setor ainda deverá passar por desafios futuros como ações para VRES Biomassa e aperfeiçoamentos da Portaria MME 538/2015, o aumentos dos preços da biomassa nos leilões e também ações para desenvolver o Leilão de Energia de Reserva Biomassa, o qual é exclusivo para o setor.


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Empresa Andritz apresentou palestra sobre Tecnologias para conversão de biomassa: Etanol Celulósico e Química Verde. A empresa foi patrocinadora do evento, participando de forma direta, com estande, destaque na grade da programação, com apresentação técnica. André Leonardo Leite - KFT, BioRefinery Sales &Technology Manager

Mercado global de Biomassa

Mercado global de biomassa tem potencial para o Brasil sólidos para a produção de energia renovável. Lehmann acredita que o setor de biomassa no Brasil ainda é bastante complexo, porém se o mesmo se adaptar as normas da Europa e seguir os processos de inovação e financiamento existem grandes chances do setor decolar nos próximos anos.

Brasil possui potencial para alimentar mercado internacional de Pellets O desenvolvimento do setor de biomassa brasileiro passa por grandes modificações nos últimos anos. Apesar de ainda precisar de grandes incentivos tanto financeiros como sociais, o Brasil possui grandes potenciais para desenvolver o setor e produzir uma infinidade de produtos. A produção de biomassa florestal foi um dos temas debatidos durante o Congresso Internacional de Biomassa. Um dos palestrantes, o professor Markus Lehmann, por exemplo, destacou que a

produção de pellets de madeira tem sido um grande atrativo estrangeiro e pode ser um grande passo para comercializar o produto fora do país. Países como Suécia e Dinamarca já utilizam grande parte de seus resíduos

Internamente o país vem se desenvolvendo muito bem de acordo com o professor. Mesmo precisando demais políticas públicas para desenvolver seus projetos, o setor pode contribuir muito com a produção de energia limpa, biocombustíveis entre outros produtos para consumo próprio.

Cogeração

Projetos de Cogeração desenvolvidos pela CEMIG são destacados no CIBIO 2016 de Minas, o que envolve a geração de energia a partir de biomassa já está em construção e pretende ser finalizado em 2017.

Para falar sobre as tendências e expectativas da Companhia elétrica de Minas Gerais (CEMIG), o engenheiro de tecnologia da empresa, Cláudio Homero Ferreira da Silva, esteve presente no Congresso Internacional de Biomassa (CIBIO-2016). Vista como um dos destaques em ações de sustentabilidade no país, a CEMIG vem se destacando por suas ações na projeção de Micro e minigeração de energia, tanto no mercado residencial como comercial. Apta a encarar novos desafios, a companhia está presente em 22 estados e também no Chile. De acordo com Silva, a empresa vem investindo cerca de 585.164.480,16 desde 2008 em sua eficiência energética. Já existem atualmente 11 casos de sucesso

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com micro geração de energia no estado de Minas, onde são centrais de cogerações de energia que geram uma grande economia de energia. Além disso, a companhia já investiu em cerca de 84 projetos voltados para fontes alternativas limpas. A CEMIG já possui dois atlas que envolvem energia solar e eólica do estado

Algumas ações já estão sendo realizadas para o setor de biomassa como a Cogeração usando gases residuais da produção de carvão vegetal, um sistema de purificação para biogás de vinhaça e também desenvolvimento de um protótipo de pilha a combustível de óxido sólido com potencia de geração de 1 kW. Ressaltando a importância do setor de biomassa para o país, Silva ressaltou que a biomassa possui um papel fundamental no cenário energético tanto pela diversidade de insumo quanto pela variedade de tecnologias.


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Empresa Alemã DOPPSTADT participou da grade da programação com apresentação Empresa é referência mundial na fabricação de trituradoVinicius Casseli – Doppastadt

res, picadores, sistemas para RSU, etc.

Estudo de Caso sobre Biomassa Florestal no Oeste do Paraná é apresentado no CIBIO 2016

As florestas energéticas foram tema de palestras durante o CIBIO 2016, mas para exemplificar melhor o tema, o palestrante e gerente de projetos do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), Giordano Corradi, mostrou um estudo de caso realizado no Oeste do Paraná.

utilizadas para o uso intensivo, para o uso com florestas energéticas para atender principalmente o Agronegócio” explicou ele.

Abrangendo as principais cidades como Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, o estudo destacou informações importantes sobre a região para o setor renovável do estado. Cerca de 24% da produção de grãos é produzida no oeste, 29% das empresas que exportam frango são da região e também 45% dos rebanhos suínos estão localizados nessa parte do Paraná.

Apesar de boas expectativas, o estudo de caso destacou algumas estratégias que estão sendo feitas para que a produção aumente ainda mais, dentre elas estão à seleção de áreas pela metodologia de tvf, florestas descentralizadas, adubação com biofertilizante, um manejo florestal destinado a biomassa energética e também florestas de baixo custo.

Além da produção de biogás, que pode ser gerada a partir dos dejetos dos animais, a produção de biomassa florestal está se desenvolvendo aos poucos, contribuindo com pequenos proprietários rurais.

De acordo com Corradi a ideia é produzir mais florestas energéticas, de forma que o meio ambiente seja favorecido e o pequeno proprietário rural também. “Estimular a utilização de terras que devido a algum motivo não estejam sendo

O TECPAR, apoiador do evento, apresentou palestra sobre as tendências Tecnológicas em Biocombustíveis. Reginaldo Joaquim de Souza – Diretor TECPAR

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O estudo realizado fez uma analise de todo o processo utilizado pelas propriedades rurais selecionadas. Desde a adaptação de equipamentos para o plantio das florestas até o seu plantio em época de corte. As propriedades familiares escolhidas vão permitir que o estudo gere dados, produza mais estudos e também valide resultados. Corradi ressalta que estudos como este desenvolvido no Paraná contribuem para que o setor de biomassa florestal acredite no seu potencial e invista cada vez mais. A ideia de selecionar uma propriedade rural é uma alternativa para a regularização do balanço de oferta e demanda de biomassa florestal para fins energéticos.


CIBIO 2017 e EXPOBIOMASSA já tem data marcada Eventos serão realizados em Curitiba nos dias 20, 21 e 22 de junho

Sucesso absoluto de público, e de alcance nos objetivos o CIBIO 2016, abriu as portas para um fórum anual de discussão sobre os temas ligados ao setor da Biomassa e Energia. Dias 20, 21 e 22 de junho de 2017 será a data do encontro nacional do setor! Nos dias 15 e 16 de junho passado, aproximadamente 2 mil pessoas participaram dos eventos, EXPOBIOMASSA e CIBIO 2016. Os eventos tiveram apoio das principais entidades ligadas ao setor, TECPAR, SISTEMA SENAI, CEMIG, ALCOPAR, WBA, entre outros. O sucesso e satisfação dos participantes garantiram a marcação da data para 2017. Em 2017 serão três dias de evento, com foco em discussões sobre biomassa e energia e da Exposição de máquinas, equipamentos e tecnologias do setor na EXPOBIOMASSA.

A Feira EXPOBIOMASSA deve reunir 80 empresas expositoras, sendo que as 36 empresas participantes como expositoras em 2016, já fizeram reservas e pré reserva para o evento de 2017! O evento tem organização e realização do Grupo FRG Mídias & Eventos. Serviço: 2º CIBIO – CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIOMASSA E FEIRA EXPOBIOMASSA DATA: 20, 21 e 22 DE JUNHO DE 2017 LOCAL: CURITIBA/PR Site CIBIO: www.congressobiomassa.com Site EXPOBIOMASSA: www.expobiomassa.com Telefone para exposição e informações sobre o CIBIO: (42) 3086.8588 (42) 3025.7825.


Entrevista

A Revista Brasileira de Biomassa e Energia traz uma entrevista com

Joel Padilha Gerente de vendas IMTAB Revista Biomassa BR: Há quanto tempo a IMTAB INDUSTRIAL está no mercado e como foi o começo da empresa, seus fundadores, etc.? Joel Padilha: A empresa IMTAB já esta no mercado a mais de 5 anos, a empresa foi fundada com o objetivo de trabalhar no ramo de manutenção industrial. Mas logo após a fundação, eu e meu sócio Robson Daboit, decidimos aplicar o conhecimento que tivemos em experiências anteriores no mercado, de quase uma década, para nos dedicarmos integralmente na fabricação de Caldeiras e Fornalhas. Atuei durante 4 anos na área técnica e 5 anos na área comercial, neste outro projeto que estávamos envolvidos, meu sócio durante 8 anos se dedicou a área de montagem, coordenação e assistência técnica de caldeiras e fornalhas. Mantivemos a empresa de manutenção IMTAMON e em paralelo, abrimos a empresa de fabricação de Fornalhas e equipamentos industriais, voltadas para o setor de Biomassa e Energia; “IMTAB INDUSTRIAL”. No primeiro ano da empresa já tivemos sucesso em projetos realizados para instalação de fornalhas para sistemas de secagem, a primeira instalação foi na cidade de Xanxerê, em uma empresa de Maravalhas, onde o equipamento teve rendimento esperado pelo cliente e o mesmo nos auxiliou na indicação destes equipamentos para outros parceiros. Nos anos seguintes mantivemos este crescimento, fazendo com que nossos

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No primeiro ano da empresa já tivemos sucesso em projetos realizados para instalação de fornalhas para sistemas de secagem... equipamentos fossem conhecidos no mercado, e se tronaram referência na utilização de diversas matérias primas para geração de energia além de ter um dos melhores sistema de grelhado para queima de biomassa. Em 2015 com o projeto das fornalhas já consolidadas, faltava então a realização de um sonho dos fundadores , que era ingressar na fabricação de caldeiras, porém nossa ideia era trazer algo de diferente para o mercado. Criamos então o projeto da caldeira Flamotubular Verticalizada e a Batizamos de ZEUS, que representa Resistência e Eficiência, o primeiro projeto foi instalado em uma renomada empresa fabricante de portas, em União da Vitória. O melhor foi atingir o objetivo do projeto “diferenciado”, eficiente e robusto. Temos inclusive este cliente, como grande parceiro na divulgação dos nossos produtos e serviços.

A empresa hoje trabalha também com as caldeiras para micro geração de energia, que vão de 250kw/h a 2.500kw/h todas utilizando como fonte de energia resíduos de biomassa aperfeiçoou tecnologia do grelhado movél no qual possui sistema inovador com menor índice de manutenção do mercado. RBBS: Quais os primeiros equipamentos fabricados pela empresa para o setor de Biomassa e Energia? Fornalha Gás Quente, Patios de cavaco e Caldeiras geração de energia a partir queima de resíduos da biomassa. RBBS: Como você vê o setor da Biomassa e Energia no Brasil? A biomassa disponível no brasil, hoje já representa um percentual de aproximadamente 11% na geração de energia elétrica. Não há problemas técnicos para mudança da matriz energética dos combustíveis fósseis, para biomassa. Na última década, o número de países que exploram biomassa para o fornecimento de energia tem aumentado e o uso de biomassa para energia dobrou nos últimos 40 anos. O potencial futuro para a energia da biomassa depende da disponibilidade de terra e atualmente, a quantidade de terra dedicada ao cultivo de biomassa energética ainda é pouco perto da disponibilidade de área existente em nosso país.


NOVA UNIDADE EM CONSTRUÇÃO

Estamos todos da IMTAB muito empolgados com a construção da nossa nova unidade fabril. Hoje estamos em um local já bem limitado em termos de produção, com a inauguração da nova unidade, poderemos trabalhar ainda mais nosso potencial de vendas e ampliação de projetos. Temos confiança que estamos no caminho certo, e consideramos uma grande conquista em tão pouco tempo, podermos estar finalizando uma sede própria, finaliza Joel . Isso tudo fruto de muito trabalho dos sócios e também de nossos colaboradores!!!

Outro ponto positivo e a melhoria na tecnologia de nossos equipamentos para processamento e queima da biomassa , que hoje podemos com certeza dizer que temos tecnologia muito similar à de países mais desenvolvidos como Alemanha. RBBS: Quais os principais diferenciais dos equipamentos da IMTAB, e fale um pouco sobre os lançamentos mais recentes da empresa? O diferencial de nossos equipamentos é a robustez e eficiência, nossos grelha-

dos podem queimar diversos tipos de resíduos industriais e agrícola. Mesmo com alto teor de umidade e impurezas, nosso sistema móvel do grelhado combustível, faz a pré secagem dentro da própria fornalha, e a limpeza da grelha ocorre no avanço e recuo do grelhado. Outro diferencial é a forma construtiva das fornalhas , que hoje conseguimos temperaturas abaixo de 40° nas suas paredes externas, isso com geração de gases a mais de 1200 graus em seu interior. Nosso último lançamento foi a caldeira Verticalizada Flamotubular ZEUS

para geração de Energia, que trabalha com pressão de até 30 bar , mas nosso objetivo não é para por ai, em breve teremos o lançamento da caldeira para 42 bar para micro geração. RBBS: A empresa participou como expositora da Feira EXPOBIOMASSA 2016, você gostou do evento? Sim bons contatos, o evento foi bem direcionado e o público bem seleto, para nós foi muito boa a feira e esperamos já a próxima. ●

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A Universidade Livre do Meio Ambiente UNILIVRE – é uma Organização Não – Governamental pioneira na inclusão dos vários segmentos da sociedade na discussão sobre o meio ambiente.

Local de produção de conhecimento multi e interdisciplinar sobre meio ambiente e sustentabilidade urbana, a UNILIVRE desenvolve e executa projetos sócio-ambientais e programas de capacitação para diversos segmentos: escolas, empresas, órgãos públicos, sindicatos e demais entidades do terceiro setor. Nossas atividades Organização de cursos, seminários, conferências e exposições; desenvolvimento e execução de projetos e atividades de educação ambiental; prestação de serviços de consultoria para a iniciativa privada e organismos governamentais; realização de estudos e pesquisas; coordenação de grupos de

estudos temáticos; A UNILIVRE conta com um corpo técnico e operacional permanente, encarregado pela coordenação das atividades didáticas, gestão de projetos e operações administrativas. Para a realização de cursos e outras atividades, a UNILIVRE, além de seu quadro próprio de profissionais, mantém parcerias técnicas com diferentes instituições de ensino e pesquisa, tanto no Brasil como no exterior. Dessa maneira, disponibilizamos técnicos, professores e pesquisadores entre os mais renomados especialistas de cada setor, garantindo credibilidade técnica às nossas ações. ●

Visite a UNILIVRE. R. Victor Benato, 210 l Pilarzinho l Curitiba-PR - Telefone: 55 (41) 3123.3700 42

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BIOMASSA para geração de energia se consolida como a PRINCIPAL FONTE DAS RENOVÁVEIS.

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