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ED. Nº 6 DEZ/FEV 2011 R$ 15,00

ARQUITETURA & DESIGN EM SANTA CATARINA

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ESPECIAL CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO

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Imagens Divulgação

08 ESPECIAL Criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo

12 MERCADO Móveis Planejados

20 CIDADANIA Experiência de Medellín inspira projeto em Palhoça

35 EXCLUSIVO Jardim Botânico de Florianópolis

24

DESTAQUE Cobertura do SISAU

50

QUEM FAZ O perfil do escritório Mantovani e Rita

28

OPINIÃO Medellín, o espaço para a Bienal, por André Schmitt

54

PAPO SÉRIO Da Metrópolis para a Sociópolis, por Fabiana Maioli

32

BEM FEITO Sandstone, tecnologia da terra catarinense

56

NO MERCADO As novidades do setor

40

PROJETO Centro temático da Terra

58

FATOS & FEITOS As últimas da área

48

ARQUITETANDO Concursos: pela qualidade da arquitetura e dos espaços públicos, por Fabiano Sobreira

60

NA ÁREA Lançamento do Anuário de Arquitetura de SC 2011


LETÍCIA WILSON Editora

Enfim, o CAU. Como um desabafo cansado ou como um grito aliviado, essa expressão pareceu ser a mais adequada para servir de título à matéria que publicamos sobre a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. A emblemática e suada conquista da categoria abre essa edição da ÁREA, com emocionados depoimentos de quem participou dessa batalha e uma prévia do que esperar neste ano de transição. Continuaremos acompanhando esse processo ao longo de 2011. Esta edição também traz uma prévia do grandioso e minucioso projeto do Jardim Botânico de Florianópolis, desenvolvido a muitas mãos, carregado de competência e técnica. Temos a honra de apresentar este empreendimento único com exclusividade e garantir ainda mais informações e detalhes sobre ele na próxima ÁREA. E estamos orgulhosos de constatar a intensa produção catarinense e o envolvimento de profissionais e empresários com o poder público e a sociedade civil em prol da qualidade do espaço urbano no Estado. É inegável o impacto social da arquitetura e o seu poder de transformação. Medellín, na Colômbia, é um exemplo bem-sucedido que está servindo de base para um amplo projeto que começa a ser articulado em Palhoça por iniciativas locais. Curioso? Não perca mais tempo. Folheie as próximas páginas sem pressa, absorvendo tudo o que preparamos para você. Boa leitura e boa arquitetura.


EM DIA

ARQUITETURA & DESIGN EM SANTA CATARINA ED. Nº 6 DEZ/FEV 2011

Direção - edição Letícia Wilson leticia@revistaarea.com.br

FEIRAS E MOSTRAS V Paralela Móvel – ABUP Móvel Show Feira de Design e Produtos Contemporâneos De 15 a 18 de fevereiro Na Fundação Bienal, em São Paulo (SP) www.paralelamovel.com.br Abimad Verão 2011 Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração De 16 a 19 de fevereiro Pavilhão de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP) Paralela Gift Feira de Design e Produtos Contemporâneos De 12 a 15 de março No Shopping Iguatemi, em São Paulo (SP) www.paralelagift.com.br Feicon/Batimat 2011 19º Salão Internacional da Construção De 15 a 19 de março Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo (SP) www.feicon.com.br ExpoRevestir Feira Internacional de Revestimentos De 22 a 25 de março Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP) www.exporevestir.com.br I Saloni Milani 2011 Salão Internacional do Móvel de Milão De 12 a 17 de abril Eventos paralelos: Euroluce (iluminação), Salone del Complemento d’ Arredo (decoração), Salone Ufficio (escritórios), Salone Satellite (jovens designers), Fuori Salone (diversos lançamentos pela cidade), Brera, Zona Tortona e Zona Lambrate (exposições de variados estilos realizados nas ruas de Milão) www.cosmit.it 6

Casa Cor Santa Catarina Tema: Dia a dia com tecnologia De 19 de março a 1 de maio Rod. SC 401, 2.600, em Florianópolis (SC) – na antiga sede do jornal O Estado www.casacorsc.com.br

EVENTOS Architectour 2011 Seminário Internacional de Arquitetura para a Cultura e o Turismo De 27 a 29 de abril, em Gramado (RS) www.architectour.com.br

CONCURSOS IDEA Brasil 2011 4ª edição do maior prêmio de design do Brasil Até 16 de fevereiro, para inscrições Organização: Associação Objeto Brasil e da Apex-Brasil Apoio: SEBRAE, ABDI e CNPq www.ideabrasil.com.br Salão Design 2011 15ª edição da maior premiação de design da América Latina Até 25 de março, para inscrições Realização: Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves/RS (Sindmóveis) www.salaodesign.com.br 5º Prêmio Abilux Projetos de Iluminação De 1 de junho a 5 de agosto, para entrega dos trabalhos Realização: Associação Brasileira da Indústria da Iluminação (Abilux) Informações: (11) 3146.7698 e spdesign@sp.senai.br www.abilux.com.br

Subeditora Simone Bobsin materias@revistaarea.com.br Textos Letícia Wilson Simone Bobsin Rodrigo Brasil Colaboração André Schmitt - Arquiteto Fabiana Maioli - Designer Fabiano Sobreira - Arquiteto Vicente Wissenbach - Jornalista Administrativo Tatiana Andrea Machado adm@revistaarea.com.br Comercial Santa Catarina (48) 3259.3626 comercial@revistaarea.com.br São Paulo Eros Lelot – (11) 5543.3894 legendaonline@gmail.com Projeto gráfico e editoração Nuovo Design www.nuovo.com.br Impressão Gráfica Coan Redação Rua João Pinto, 30 sala 901 Centro. Florianópolis/SC (48) 3259.3626 - contato@revistaarea.com.br Capa Detalhe do Portal da Estação Rio Papaquara /Sapiens Parque do projeto do Jardim Botânico de Florianópolis. Imagem: Methafora NEO Imagem/Divulgação A Revista ÁREA é uma publicação trimestral, dirigida a profissionais de Arquitetura, Engenharia, Design e empresas dos setores da onstrução civil e da decoração. É distribuída a um mailing específico e, tambem, a entidades de classe, imprensa e instituições de ensino. Conceitos e opiniões emitidos por entrevistados, articulistas e colaboradores não refletem, necessariamente, a posição da publicação e a de seus editores. Espaços publicitários são negociados diretamente com o departamento comercial da revista. Espaçoes editoriais não são comercializados. A revista ÁREA é um dos produtos da empresa Santa Comunicação & Editora. PARTICIPE! Os profissionais, empresas e projetos executados em Santa Catarina têm prioridade na Revista ÁREA. Participe, enviando suas sugestões para materias@revistaarea.com.br

www.revistaarea.com.br www.twitter.com/revistaarea

Realização:

Apoio institucional:


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ESPECIAL

Enfim, o CAU Por Letícia Wilson

Arquitetos conquistam o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) após meio século de luta. E iniciam o ano de transição com muito trabalho.

Começa a transição Mal começou o ano e os representantes dos arquitetos brasileiros já estavam reunidos para tratar do processo de implantação do CAU, criado pela Lei

Arquitetos brasileiros iniciaram o ano assumindo uma

12.378/10. No dia 5 de janeiro, na sede do IAB, em

grande empreitada em favor da profissão: a organização

Brasília, foi realizada a primeira reunião para deter-

do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). E eles

minar os primeiros passos a serem dados. Participa-

executam tal trabalho com um prazer enorme, pro-

ram do encontro os presidentes das cinco entidades

porcional ao tempo que esperaram para ver realizado

integrantes do Colégio Brasileiro de Arquitetos (CBA):

o sonho do conselho profissional próprio: 52 anos!

Associação

Brasileira

de

Arquitetos

Paisagistas

(ABAP), Associação Brasileira de Ensino de ArquiteA última década, no entanto, é que foi de intensas ba-

tura (ABEA), Associação Brasileira dos Escritórios de

talhas, debates e polêmicas em torno do desmembra-

Arquitetura (AsBEA), Federação Nacional de Arqui-

mento dos arquitetos do atual Sistema Confea/CREA.

tetos e Urbanistas (FNA) e Instituto dos Arquitetos

A guerra foi vencida no dia 30 de dezembro de 2010,

do Brasil (IAB). Fazia-se importante analisar ponto a

com a sanção do então presidente Luiz Inácio Lula da

ponto da legislação e esclarecer aos arquitetos brasi-

Silva ao Projeto de Lei Complementar 190/10, apro-

leiros como funcionaria o processo de transição, que

vado no Senado uma semana antes. Lula assinou o

será gerenciado pelas cinco entidades do CBA e pelas

documento diante de uma dezena de arquitetos, re-

Câmaras de Arquitetura e Urbanismo dos CREAs. As-

presentantes de diversas instituições de classe, que

sim, o CBA divulgou um extenso documento sobre as

fizeram questão de ir a Brasília para participar deste

principais questões.

fato histórico para a arquitetura brasileira. Na comi-

8

tiva catarinense estavam os arquitetos Edson Luis

No final de janeiro, o Sistema Confea/CREA é que re-

Cattoni, presidente do IAB-SC; Roberto Simon, repre-

alizaria uma reunião com todas as Câmaras de Arqui-

sentando a União Internacional dos Arquitetos (UIA);

tetura e Urbanismo do País para tratar do assunto e

e Décio Goes, ex-deputado estadual. “Essa é uma as-

dos encaminhamentos necessários para deflagrar o

piração antiga dos arquitetos, 52 anos de luta sem

processo de eleição para o CAU, a qual deverá ser con-

deixar de lado o foco e objetivo. Envolveu gerações

vocada até o dia 30 de dezembro de 2011, conforme a

de arquitetos absolutamente comprometidos com

Lei 12.378/10. Além disso, os dirigentes discutiriam

esse objetivo, colocando recursos de seus próprios

sobre as determinações já em vigor, como o repasse

bolsos nessa tarefa, que envolveu transporte, estadia,

mensal de 90% do valor obtido com as anuidades,

advogados, etc.. Vencida finalmente! Feliz 2011!!!”,

Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) e mul-

declara, emocionado, Roberto Simon, membro da Co-

tas referentes aos arquitetos e urbanistas registrados

missão de Prática Profissional e de Concursos Inter-

para uma conta específica para custear o processo de

nacionais (parceria UIA/UNESCO) da UIA.

eleição do CAU.


As mudanças

Histórico

Pouco muda na prática para os arquitetos e urbanis-

A primeira tentativa de criar um Conselho próprio de

tas em 2011. Quem está inscrito no CREA continuará

arquitetos data de 1958, quando o IAB encaminhou

sujeito às normas deste Conselho até que o CAU este-

ao Presidente da República Juscelino Kubistchek um

ja completamente instalado. Aqueles que concluírem

projeto de lei que desmembrava o Conselho de Enge-

o curso de Arquitetura este ano deverão se inscrever

nharia e Arquitetura, em vigor na época, criado pelo

normalmente nos CREAs, cujo registro permitirá o

presidente Getúlio Vargas em 1933, por decreto. A

exercício da profissão. Quando o CAU estiver em fun-

matéria ficou esquecida até 1966, com a criação do

cionamento, todos os arquitetos e urbanistas registra-

atual Sistema Confea/CREA pela Lei Federal 5.194,

dos migrarão para o novo Conselho.

que passou a representar aquelas e outras profissões. O PL foi retirado de pauta a pedido do próprio IAB,

A partir da instalação do CAU, o Confea terá 90 dias

já que o Confea solicitara um maior debate sobre a

para contratar uma auditoria para determinar a par-

questão.

cela do patrimônio do Confea e dos CREAs que caberá ao CAU e a seus regionais (as despesas com a con-

Três décadas mais tarde, uma nova tentativa. Desta

tratação serão rateadas entre as instituições). Outras

vez, a categoria estava mais unida e determinada.

mudanças já previstas na Lei estão a substituição da

Entre 1998 e 2003, as cinco entidades nacionais de

atual ART pelo Registro de Responsabilidade Técnica

arquitetos prepararam um anteprojeto de lei para a

(RRT), com taxa de valor único de R$ 60,00. O va-

criação do CAU. Com base no tal documento, o se-

lor da anuidade do novo Conselho foi fixado em R$

nador José Sarney apresentou o Projeto de Lei 347.

350,00, reajustado anualmente de acordo com os ín-

A matéria seguiu a tramitação normal e, após deba-

dices oficiais.

tes, discussões e emendas, foi aprovada no Senado dois anos depois. No entanto, o PL foi vetado pelo Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação

presidente Lula no dia 31 de dezembro de 2007, sob alegação de “vício de origem”, ou seja, a criação de um conselho profissional deve ser uma iniciativa do Executivo e não do Legislativo. Lula, por outro lado, manifestou sua simpatia à causa declarando que “a intenção de desmembrar os profissionais de Arquitetura e Urbanismo do Confea afigura-se razoável”. E determinou aos Ministérios competentes a elaboração de um projeto de lei sobre a matéria. O PL 4413/2008 caminhou a passos lentos na Câmara dos Deputados, sendo largamente discutido e polemizado em cada Comissão pela qual tramitou. Com dezenas de emendas, o PL foi aprovado no dia 16 de novembro de 2010 pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Como tramitava em regime de urgência, seguiu direto para o Senado, onde foi aprovado no dia 21 de dezembro. De lá, seguiu para a Presidência da República e, exatos três anos após o veto, Lula sancionou o Projeto de Lei, criando o tão esperado Conselho de Arquitetura e Urbanismo. 9


ESPECIAL

Foto Divulgação

Entrevista O presidente do IAB/SC, arq. Edson Cattoni, destaca pontos importantes do processo de transição e prevê o CAU/SC ainda em 2011. Revista ÁREA - O senhor acompanhou a sanção do

demais entidades nacionais, sua participação no pro-

então presidente Lula ao projeto em Brasília. Qual foi

cesso de transição e de eleição dos CAUs estaduais,

a emoção de ver a lei promulgada?

bem como apoiando as coordenadorias das Câmaras

Edson Cattoni - Senti a alegria contagiante que en-

de Arquitetura dos CREAs que serão os gestores do

volveria, com certeza, qualquer um que estivesse lá.

processo de transição e organizarão o primeiro pro-

Senti também a necessidade de agradecer a atuação

cesso eleitoral para o CAU. Teremos um 2011 com

de colegas como o arq. Clovis Ilgenfritz da Silva, que

muitos desafios frente a esta conquista que deverá

como tantos outros atuaram nestes 50 anos de traje-

impulsionar em muito a atuação profissional de nossa

tória para chegarmos a este momento histórico e que

categoria.

nos enche de esperanças por conquistar perspectivas melhores para os arquitetos e à arquitetura brasileira.

ÁREA - Como estão os contatos com o CREA/SC? Edson Cattoni - A relação com o CREA/SC, em espe-

ÁREA - Quais as principais mudanças em relação ao

cial na atual gestão, sempre foi colaborativa, muito

Sistema CONFEA/CREA que beneficiarão os arquitetos?

respeitosa e cordial. Acredito e tenho certeza que será

Edson Cattoni - As principais mudanças serão sentidas

fundamental continuarmos a ter esta relação no pro-

ao longo do tempo, pois decorrerão da existência e da

cesso de transição. A propósito, já temos agendado

atuação de um Conselho próprio, autônomo e dedicado

para esta semana a primeira reunião com o presiden-

a zelar exclusivamente pela valorização da arquitetura

te do CREA/SC, Eng. Agr. Raul Zucatto, assim como

e urbanismo no país, tarefa impraticável em meio a

o IAB Nacional e demais entidades do CBA terão sua

um sistema como o CONFEA, que “congrega” algo

primeira reunião com o presidente do CONFEA nesta

como 305 modalidades profissionais enredando-se

mesma semana.

constantemente nas disputas internas deste sistema e desviando-se de seu foco.

ÁREA - Quando o CAU será realidade em SC?

Em médio prazo, destacaria a possibilidade de mol-

Edson Cattoni - Este é um processo que será gerido

dar um novo sistema de fiscalização mais adequado

pelas coordenadorias das Câmaras de Arquitetura.

ao exercício das atividades profissionais de arquitetura

Assim, os próximos coordenadores a serem eleitos

e urbanismo, objetivando tanto a defesa eficiente da

desempenharão esta importante função. Para escolher

sociedade, quanto o exercício profissional competen-

as pessoas com o perfil mais apropriado a este desafio,

te e responsável. De forma bem imediata destacaria,

buscamos incluir no processo de renovação das repre-

principalmente, a conquista de nossas atribuições

sentações do IAB-SC na Câmara de Arquitetura, tanto

profissionais asseguradas em Lei Federal e não mais

as recomendações dos atuais conselheiros represen-

em resoluções do CONFEA.

tantes das instituições de ensino, como a das demais entidades de arquitetura que não têm assento nesta

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ÁREA - Como deverá ser a transição em SC?

Câmara. Assim, nossos representantes na Câmara

Edson Cattoni - Inicialmente pontuada por dúvidas

de Arquitetura estão mais que preparados para unir

e questionamentos normalmente esperados em um

e fortalecer os arquitetos nesta transição e poderão

processo de significativas mudanças organizacionais

contar com todo o apoio do IAB-SC neste processo.

e que serão esclarecidas gradativamente. Neste sen-

Mesmo tendo um prazo previsto de 3 a 12 meses,

tido, o Instituto de Arquitetos do Brasil cumpre seu

acreditamos que neste processo, mais importante

papel de divulgar e colocar em discussão tais ques-

que a rapidez será a busca por qualidade na elabo-

tões entre os arquitetos assumindo, assim, como as

ração de uma estrutura organizacional eficiente, ágil


e transparente. As expectativas são de o CAU/BR ser uma realidade ainda no primeiro semestre e na sequência o CAU/SC para o segundo semestre. A partir de agora cruzaremos limiares que guardam desafios ainda maiores, seja inicialmente na implantação do CAU e de forma mais permanente com as responsabilidades que assumiremos perante toda a sociedade em conduzir e controlar de forma autônoma nossa atuação profissional. Estes e outros desafios demandam uma estratégia colaborativa entre os profissionais,

A criação do CAU é uma conquista memorável e inquestionável, pela qual esperávamos há algumas décadas. E fomos até surpreendidos pela rápida sanção do projeto. Este reconhecimento denota a importância de uma categoria que está empenhada em disseminar, na prática, os conceitos de sustentabilidade em função do crescimento do País e do aprimoramento da arquitetura e do urbanismo brasileiro. Queremos formar um corpo técnico muito capacitado para que Santa Catarina tenha uma forte representação em todo o País, mostrando o potencial dos profissionais que aqui se formam e atuam.” Arq. Giovani Bonetti - Presidente da AsBEA/SC

entidades representativas e escolas de arquitetura e urbanismo para consolidarmos esta conquista que é de todos nós.

É com uma imensa satisfação que vemos um anseio e uma luta dos mais diversos arquitetos brasileiros iniciada há mais de 50 anos culminar nos dias atuais e se transformar em uma realidade concreta. É interessante perceber que quem mais será beneficiada, a sociedade brasileira, não tem ainda a real consciência do que está acontecendo. O CAU, mais que uma autarquia pública especial, tornar-se-á um endereço de comunicação entre a sociedade, os arquitetos e a arquitetura brasileira. A cultura brasileira será a partir de agora revigorada. Os arquitetos brasileiros terão a oportunidade de demonstrar que as cidades brasileiras precisam de sua participação ativa. As periferias de nossas cidades poderão ser informadas que existe lei que garante a Assistência Técnica gratuita de arquitetos a famílias com rendimentos de até 3 salários mínimos. Nossos dirigentes e governantes poderão ser informados de maneira mais clara que existe um enorme equívoco no sistema de contratação de projetos públicos produzindo assim obras de baixa qualidade e de alto custo. Enfim iniciamos uma nova caminhada que trará, ao povo brasileiro e ao nosso País, consequências bastante positivas”. Arq. Gilson Paranhos - Presidente do IAB Nacional

A preocupação com a profissão do arquiteto leva à investigação sobre os quatro elementos que compõem a sua estrutura profissional: formação, prática, economia e política. Entende-se que o dinamismo que tem caracterizado os mercados contribui de forma relevante para que o conhecimento passe a ser compreendido como fator essencial em qualquer setor ou empresa que pretende perpetuar-se em uma posição de destaque na sua área de atuação. Para enfrentar essa fera, é necessário apelar para um entendimento aprofundado da globalização, da modernidade e do arcabouço da identidade cultural. As escolas precisam ser repensadas e reconstituídas. E o futuro da profissão, numa sociedade Pós-Industrial, haverá de ser pensado. Nesse contexto, a fundação do CAU significa o direito dos arquitetos brasileiros, afinal, de discutirem e decidirem sobre sua prática e sua formação profissional. Só, então, nossa profissão assumirá sua maioridade”. Arq. Roberto Simon - Representante da UIA

Fazer parte desta conquista histórica de independência da profissão, é, sem dúvida, um grande orgulho. Vivenciei juntamente com os demais presidentes que compõem o CBA, a experiência de trabalharmos em harmonia, pensando unicamente no melhor para a categoria. Dessa forma, acredito que construímos uma base sólida para a grande obra de criação do CAU. A aprovação do CAU foi um momento histórico, de independência e valorização da profissão. Essa grande vitória, conquistada depois de mais de meio século, é o primeiro grande passo rumo à maior autonomia, representatividade e reconhecimento da nossa profissão. Temos um trabalho enorme pela frente e estamos desde o primeiro dia de janeiro engajados nisto”. Arq. Ronaldo Rezende - Presidente da AsBEA Nacional

A aprovação da Lei que cria o CAU/BR e os seus pares regionais é muito mais que uma conquista dos profissionais arquitetos urbanistas de quase 50 anos; é muito mais que o reconhecimento legal das atividades que determinados profissionais desempenham na busca da qualidade de vida do homem; e é muito mais que a liberdade profissional de arquitetos e urbanistas que, desde 1933 vêem sua profissão caminhar sobre as asas de um Conselho multiprofissional gigantesco que se tornou incapaz de atender todas as demandas da sociedade em relação ao bom desempenho, justo e perfeito, da arquitetura e urbanismo no Brasil. Neste momento temos dois Conselhos profissionais que trabalharão juntos A aprovação da Lei que criou o CAU é a demonstração da maturidade governamental em relação às necessidades da sociedade com seus espaços de vivência, sejam eles urbanos ou edificados, e a responsabilidade profissional e legal de quem produz estes ambientes. O CAU é uma realidade desde 31 de dezembro de 2010. Não se busca mais, agora, quem seja contra ou favor. O Governo e a sociedade nele representada já disseram que são a favor. A necessidade que temos agora é de construir este Conselho com o olhar contemporâneo de uma nova sociedade que queremos, de um novo país que desejamos, de um novo mundo que almejamos. A Arquitetura e o Urbanismo que já transformaram gerações, sociedades e conceitos, mais uma vez dará a sua contribuição para um novo Brasil, agora fiscalizados por um conselho profissional próprio”. Arq.Urb. José Antonio Lanchoti - Presidente da ABEA


MERCADO

Planejados com personalidade Por Rodrigo Brasil

Para diferentes necessidades, estilos e orçamentos, os móveis sob medida tornaram-se as vedetes do mercado.

O ano de 2010 foi marcante para o segmento de móveis planejados. O crescimento do mercado, o surgimento de novas marcas e o reposicionamento de outras já tradicionais demonstram o aquecimento do setor. Empresas de móveis feitos sob medida projetam crescimento superior a 20% este ano, índice bem maior à previsão de aumento de 5% no faturamento de 2010 para o setor de móveis em geral feita pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). Em Santa Catarina, a previsão de crescimento do mercado de móveis planejados era de 10%, segundo Marcelo Martinez, presidente do Núcleo Catarinense de Decoração (NCD) e franqueado Formaplas nas cidades de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. “Vemos que nosso público-alvo cada vez mais tem consciência da personalização dos produtos e não vê a diferença de preço como empecilho para a compra Fotos Divulgação

neste segmento de alto padrão”, completa o empresário. Os móveis planejados são cada vez mais procurados por aqueles que pretendem otimizar espaços e fazer uma decoração bonita e elegante. Embora a tendência do mercado imobiliário aponte para aparA Dell Anno lançou a linha Fantasy, especialmente formulada para dormitórios infantis. A coleção é produzida com um laminado de alta pressão aplicado sobre uma placa de MDF. Essa combinação permite que os móveis sejam rabiscados ou desenhados e, depois, apagados. Basta usar o apagador do kit de canetas que acompanha as peças

tamentos e residências cada vez menores, falta de espaço não é mais motivo para não deixar a casa aconchegante. O setor está a cada dia mais diversificado e voltado para atender as necessidades daqueles que precisam se adequar a espaços resumidos e funcionais e ter agilidade no seu dia-a-dia.

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Em função da vida moderna, funcionalidade é a palavra de ordem. As empresas oferecem móveis “inteligentes”, com facilidades de uso, novos acessórios e cantos superutilizados. Alguns dos diferenciais oferecidos são a personalização e inovações na composição dos materiais e no design dos produtos. Os espaços devem se beneficiar da utilização harmônica de formas, cores e acessórios, de modo a criar uma composição de sucesso e facilitar a realização das tarefas e a convivência no ambiente. Outro diferencial é a utilização de novas tecnologias - os móveis planejados agora têm prateleiras de vidro iluminadas com LEDs, perfis de alumínio de diversos tons, espelhos adesivados e laminados com padronagens ousadas. Portas de armários que abrem com um simples toque ou deslizam em trilhos ocultos, cabeceiras de cama que podem ser montadas e desmontadas ao gosto do cliente, gavetas com sistemas de abertura anti-impacto ou iluminadas. Em 2010, a Florense completou um programa de reestruturação de todos os processos industriais e modernização total de seu parque fabril, com a instalação de diversas equipamentos de última

Tecnologia: neste closet, da Dell Anno, os nichos camuflados com espelho, especiais para guardar joias, têm sistema de abertura por biometria. O cabideiro, iluminado e rotativo, é acionado por sensor de presença.

geração. O objetivo era duplicar a capacidade produtiva e ratificar sua condição de green company. Máquinas de grande produtividade contemplem todos os tipos de acabamentos: lâminas naturais de madeiras exóticas, importadas da Itália e ecologicamente corretas; pintura microtextura, com dezenas de opções de cores; e o exclusivo acabamento high gloss (sobre madeiras ou pintura microtextura), cujo nível de brilho e resistência é único no Brasil.

Faturamento em alta A Dell Anno contabilizou faturamento de R$ 325 milhões em 2009, e a expectativa para 2010 era crescer 25%. “De uma maneira geral, a influência da construção civil tem contribuído muito para que as pessoas busquem o bem-estar e o bem receber, agregando valor à casa”, argumenta Edson Busin, gerente de marketing da Unicasa Indústria de Móveis, detentora das marcas Dell Anno, New e Favorita. E no Estado, o crescimento deste setor realmente impulsiona o segmento. “Santa Catarina vem despontando no mercado nacional com novos lançamentos imobiliários de alto padrão nos últimos anos. E isso é ótimo para nós da Formaplas, pois temos o produto certo para este segmento”, comemora Marcelo Martinez. O mercado de móveis sob medida, entretanto, não é mais um privilégio apenas das classes mais altas. A indústria moveleira está de 13


MERCADO

olho nos consumidores da emergente classe C, em torno de 40 milhões de brasileiros que tiveram aumento de renda. Financiamentos como o Construcard, oferecido pela Caixa, facilitam o acesso dessa camada da população a esses produtos. O benefício possibilita a aquisição de materiais de construção e de móveis planejados com parcelamento de até 60 meses. “Os fabricantes produtos modulados e populares são as que estão com maior crescimento: 18% a 20%, em comparação com os 7% a 8% da média das indústrias em 2010”, atesta Osni Verona, presidente da Associação dos Moveleiros do Oeste de SC (Amoesc). “Podemos dizer que, de certa forma, conseguimos comprovar este grande movimento no mercado. Há dois anos visualizamos a oportunidade e resolvemos apostar, lançando a New, marca de móveis modulados pensada estrategicamente com produto, comunicação e valor agregado na medida para atender a este público”, reforça Edson Busin. A marca fechou 2010 com 380 lojas no Brasil e com previsão de chegar a 600 lojas em 2011. “É a prova de que realmente a demanda foi surpreendente e continua aquecida”, comemora. “Desconfie de valores muito altos em relação aos praticados pelo mercado e veja a garantia do prazo de entrega”, indica André Tavares, gerente comercial da Finger Móveis Planejados. No caso da empresa, os móveis são adaptados milimetricamente, vindo direto de fábrica, com as medidas específicas de cada cliente. Essa característica é exclusiva do que se denomina de móvel planejado. Portanto, é bom desconfiar de móveis que precisam passar por adaptações nas lojas ou na casa do consumidor. “A peça preparada direto na fábrica significa não só mais qualidade ao acabamento do produto, mas também agilidade e facilidade na hora de sua instalação”, esclarece Tavares.

Investimento em Santa Catarina A Finger Móveis Planejados é uma das empresas que está apostando no mercado catarinense. Com loja em Itajaí desde 2009, a Finger inaugurou lojas exclusivas 14

Planejados da Finger adaptados a cada ambiente a preços competitivos. Empresa aposta no Estado e já programa expansão para 2011


Foto Divulgação

em Florianópolis e em São José no segundo semestre de 2010. “Já estamos planejando uma maior expansão em Santa Catarina”, adianta Rovane Lorenzon, gerente comercial da Região Sul. O segundo semestre do ano passado foi realmente a temporada de novas lojas do segmento. A Concetto/New inaugurou seu espaço em julho, em Florianópolis, também de olho no maior público consumidor do Brasil, a classe C. E os empresários Cristiane e Sérgio Poses já planejam mais duas lojas para 2011: uma está em fase de montagem no bairro Trindade, em Florianópolis, e a outra será na Cidade Universitária Pedra Branca, em Palhoça. A Dell Anno reforçou sua nova loja na SC 401, na Capital, com uma badalada inauguração em outubro, apresentando 17 ambientes numa loja com 35 metros de frente e um pé-direito de 7 metros de altura. A proposta é valorizar o conceito atual da marca com foco em espaços amplos e contemporâneos, onde a arquitetura do espaço é fundamental. Imponente, a edificação chama a atenção pela novidade no chamado corredor do design, via de acesso às praias do Norte da Ilha. “Os ambientes foram pensados cuidadosamente para criar uma harmonia, de modo que conversem entre si e se complementem”, afirma o gerente de marketing da Unicasa, Edson Busin. Um exemplo desta estratégia de interação entre os espaços é a Gourmeteria articulada com o home theater funcional, instalada bem no centro da loja junto a um dormitório de casal e home office, resultando em um grande loft funcional. A Favorita apresentaria, no início de fevereiro de 2011, seu novo showroom, também na SC 401, no bairro Santo Antônio de Lisboa. Ainda no ano passado, em outubro, outra inauguração de peso no Estado: o novo showroom da S.C.A Mobiliário Contemporâneo, em Balneário Camboriú. Com projeto arquitetônico do escritório Edgar Casagranda e arquitetura de Paulo Cardoso, o espaço tem 14 ambientes, entre hostess, cozinhas, dormitórios, home theater, cooking theater, closets e núcleo de soluções. A catarinense Formus, que completou 20 anos em 2010, reformulou sua loja em Joinville, inaugurando a Casa Conceito Formus em abril, propondo uma nova maneira de observar o mobiliário planejado a partir de ambientações conceituais. Em 2011, a indústria, de Tubarão, abrirá Casa Conceito em Balneário Camboriú, prevista ainda para o verão. Outra empresa local com duas décadas de história que amadureceu e expandiu sua marca é a Kretzer, com fábrica em Biguaçu. Deixou o tímido espaço na Avenida Rio Branco para uma ampla casa em estilo modernista na Barão do Batovi, na Capital. Com projeto dos arquitetos Ronaldo Martins e Darley Voltolini, a loja ganhou espaço para mostrar sua produção. 15


MERCADO

Tendências e novidades A personalização e a customização dos móveis é a

“O mercado está cada vez mais diversificado e voltado

maior tendência deste mercado. Os móveis são pro-

a interpretar as necessidades do consumidor. Avalian-

duzidos industrialmente, mas não de forma padroni-

do seus movimentos recentes, percebemos a força

zada, já que oferecem a possibilidade da individuali-

das soluções para ambientes cada vez mais integra-

zação de cada projeto, de acordo com o empresário

dos e funcionais”, considera Edson Busin, da Unica-

Marcelo Martinez, do Núcleo Catarinense de Deco-

sa. Na sua avaliação, outros detalhes prometem se

ração. E isso ocorre conforme as características do

consolidar, face os níveis de exigência e entendimento

cliente, satisfazendo todos os desejos dele, com itens

cada vez maiores do consumidor: acabamentos, mo-

exclusivos e detalhes únicos. “Temos laminados im-

dulações, projetos horizontais e tomados de influên-

portados com texturas exclusivas e desenhos perso-

cias mais limpas como, por exemplo, a ausência de

nalizados, customização de vidros, e complementos

puxadores - incorporados ao próprio móvel através

moldados conforme o desejo de cada cliente. Esta-

de cortes em formato cava. “Também percebemos a

mos cada vez mais unindo a tecnologia com a perso-

textura dos tecidos, hoje presente em pisos, paredes,

nalização, e desenvolvendo produtos para o segmento

e que passam a incorporar os móveis/madeira”, com-

que dá valor e aprecia este tipo de diferenciação”, fi-

plementa.

naliza o executivo, franqueado Formaplas.

Foto divulgação

Cozinha Florense. Indústria moderniza seu parque fabril para duplicar sua capacidade produtiva.

16


Foto Divulgação

Direcionada à “nova classe média”, a New planeja dobrar o número o número de lojas este ano no Brasil, totalizando 600 unidades.

Construcard O Construcard, cartão de débito com limite pré-apro-

Ao contrário de outros produtos da Caixa, a versão

vado da Caixa Econômica Federal, cresceu radical-

que mais cresce do Construcard não tem caráter so-

mente nos últimos dois anos. O número de cartões

cial: o valor liberado para gastos está relacionado à

em circulação no mercado foi praticamente multipli-

renda do cliente. O Construcard ‘clássico’ usa recur-

cado por seis entre junho de 2008 e junho de 2010

sos da poupança, mas existe também uma versão

- hoje, são 484 mil plásticos liberados para uso em 45

‘popular’, com uma reserva de R$ 1 bilhão destinada a

mil lojas credenciadas em todo o País.

famílias de baixa renda, com dinheiro do FGTS. O juro é subsidiado - vai de 4,5% a 8,16% ao ano -, e as

O meio de pagamento, embora existente há cerca de

maiores vantagens são para a população mais pobre.

uma década, ganhou fôlego com a transformação do

Outro atrativo da modalidade de pagamento está na

empréstimo em cartão de débito. Desde então, o cré-

redução da burocracia. Qualquer pessoa pode pedir o

dito liberado para compra de materiais de construção

Construcard na agência - munida de documentos pes-

e de móveis planejados subiu de R$ 800 milhões, há

soais e de comprovantes de renda, a liberação sai em

dois anos, para os atuais R$ 4,5 bilhões. O Constru-

cerca de 40 minutos. Para ter acesso ao produto, é

card pode comprar tudo que venha a valorizar os imó-

necessário também abrir uma conta na Caixa, da qual

veis. Por isso, o setor de móveis planejados também

as parcelas serão debitadas ao longo do contrato. De

está incluído. “Emitimos, em média, 30 mil novos car-

acordo com revendedores de materiais de construção,

tões por mês”, afirma Mário Ferreira, superintendente

a modalidade de pagamento ganha espaço no varejo.

nacional de clientes de média e alta renda do banco.

Isso porque o comerciante não tem riscos - o dinheiro é

O meio de pagamento é vantajoso para o consumidor.

depositado pela Caixa, no dia seguinte ao da compra,

A taxa de juros (1,75% ao mês + TR) e o prazo (60 me-

diretamente na conta da loja.

ses, incluindo carência de seis meses) são melhores do que as outras opções do mercado. 17


CIDADANIA

De Medellín para Palhoça

20

Experiência bem sucedida desenvolvida na Colômbia pode servir de base para revitalização da comunidade Frei Damião


A cidade de Medellín, na Colômbia, foi considerada

Andrea Triana, André Schmitt e José R. da Rocha tam-

a mais violenta do mundo na década de 1990. Hoje,

bém integram o grupo, assim como os engenheiros

entretanto, é considerada referência internacional de

da Pedra Branca e representantes do Instituto Comu-

inclusão social, a partir do projeto de reurbanização

nitário Grande Florianópolis (Icom). “Será necessário,

que vem sendo implantado na região desde 2004. Co-

ainda, incluir a participação da comunidade, da Pre-

ordenada pelo arquiteto colombiano Gustavo Restrepo,

feitura de Palhoça e de órgãos do governo que tratam

a transformação da cidade é evidente e comprovada

de habitação”, acrescenta Olavo, Pós-graduado em

por dados impressionantes: a taxa de homicídios caiu

Gestão de Novos Empreendimentos, diretor de Meio

drasticamente, passando de 381 para 27 por 100 mil

Ambiente do Sinduscon Grande Florianópolis e um

habitantes. “Crianças que tocam instrumentos nunca

dos fundadores do Conselho Brasileiro de Construção

irão tocar num fuzil”, sentencia Restrepo, reafirman-

Sustentável (CBCS).

do a importância da educação e da cultura para a promoção da dignidade e da cidadania. Com medidas simples, eficientes e acima de tudo participação da comunidade e vontade política, Medellín fez sua própria revolução social. E é isso que se pretende fazer na comunidade Frei Damião, em Palhoça. Considerada uma das mais carentes da Grande Florianópolis, a região tem uma população estimada em quatro mil pessoas em situação de risco. A ideia

“A qualidade do ensino é fundamental, mas a dignidade dos espaços também é importante para a auto estima e o respeito”, considera o arquiteto colombiano. Fotos Acervo pessoal do arq. Gustavo Restrepo

de reproduzir a experiência bem sucedida de Medellín em Santa Catarina surgiu durante o II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (SISAU), realizado em outubro pela AsBEA-SC na Capital. Entre os palestrantes estavam Gustavo Restrepo e o presidente do empreendimento Cidade Universitária Pedra Branca, Valério Gomes (leia cobertura do evento na página 24). Apresentados pelo engenheiro de Produção Civil Olavo Kucker Arantes e pela arquiteta Andrea Triana, eles começaram a desenhar a parceria que foi divulgada em janeiro deste ano. A convite da Pedra Branca, Restrepo passou uma semana no Estado para analisar o local e participar de reuniões com todos os segmentos envolvidos. “Restrepo apresentou os detalhes do processo de desenvolvimento do projeto de Medellín e de que maneira é possível utilizarmos esta metodologia”, explica Olavo, coordenador das atividades iniciais do grupo de estudo criado para o desenvolvimento do projeto na Frei Damião. Os arquitetos Gustavo Restrepo, Sílvia Lenzi,

Adolescentes participam das aulas de música oferecidas na escola e usufruem dos espaços de leitura comunitários. Ao fundo, imagem de uma típica favela de Medellín. “Crianças que tocam instrumentos e lêem um livro nunca irão tocar num fuzil”, acredita Restrepo.

21


Fotos Acervo pessoal do arq. Gustavo Restrepo

“Começamos melhorando os espaços das escolas, que ficaram mais amplos, iluminados e bonitos”, diz Restrepo sobre o início da transformação de Medellín.

Urbanismo social Na Colômbia, em conjunto com as comunidades, foi

ceito de “acupunturas urbanas”, ou seja, trabalhar

elaborado um plano de reestruturação de Medellín

pontualmente nos focos mais problemáticos da cida-

para um período de onze anos – de 2004 a 2015 –

de, seja áreas degradadas, violentas ou sem uso, para

para alcançar a cidade que os moradores desejam. O

que sejam reintegradas e utilizadas pela comunidade.

projeto de reestruturação vem sendo implantado e já

Sistema viário, transportes, saúde, educação, cultura,

recebeu prêmios internacionais. “O urbanismo social

lazer e segurança são as ferramentas utilizadas para

se faz com e para a comunidade, potencializando os

criar a Medellín dos sonhos.

investimentos em espaços públicos, escolas, centros desportivos, bibliotecas. Mas para isso é preciso ha-

“É preciso tocar o coração das pessoas”, disse Res-

ver um comprometimento verdadeiro do poder públi-

trepo durante a palestra na Unisul em janeiro, des-

co. Afinal, são os políticos que tomam as decisões

pertando sentimentos que conseguem afastar a vio-

mais importantes”, assinala Restrepo. “Não tem sen-

lência e têm poder de transformação. Em Medellín,

tido falarmos de sustentabilidade sem olharmos para

a campanha com o slogan ‘Do medo à esperança’

o entorno. Este bairro, nosso vizinho, precisa efetiva-

mudou o cenário imposto pelo tráfico de Pablo Es-

mente de ajuda. Vamos nos espelhar na Colômbia e

cobar. “Precisamos ouvir o que pensam e quais são

mudar esta realidade”, destaca o empresário Valério

seus sonhos. Acredito que crianças que tocam um

Gomes, presidente da Cidade Universitária da Pedra

instrumento musical dificilmente tocarão num fuzil”,

Branca, que está implantando o primeiro bairro sus-

acredita. Ele acrescentou que em Medellín foram dig-

tentável da América Latina.

nificados os espaços públicos, implantado um sistema de transporte massivo, teleféricos entre as comu-

22

Com a participação fundamental da sociedade co-

nidades, jardim botânico, praças. “O lema é planejar

lombiana, as comunidades favorecidas - que se as-

para não improvisar e administrar com honestidade o

semelham em muito às favelas brasileiras, tanto no

dinheiro público”, enfatizou. A transformação de Me-

caos urbano como nos elevados índices de violência

dellín mostra que o planejamento urbano também é

– “receberam equipamentos urbanos considerados vi-

um dispositivo para promover a paz e a convivência

tais para a sociabilização positiva e criativa entre os

saudável e sustentável entre as pessoas, a cidade e o

cidadãos”, assinala Restrepo. O projeto utilizou o con-

meio ambiente.


Esperança a Frei Damião A proposta inicial para a reurbanização da comuni-

e o setor privado da cidade, que tem hoje mais de 2,5

dade Frei Damião sugere a construção de jardins de

milhões de habitantes e é a segunda metrópole mais

infância, um centro de governo, centro de estudo tec-

populosa da Colômbia. Em Santa Catarina, diversas

nológico, centro habitacional, centro desportivo e es-

instituições estão interessadas em participar da im-

paço de reciclagem. “Não podemos esquecer do tripé

plementação do projeto, como a Prefeitura Municipal

saúde, trabalho e educação”, lembrou Restrepo, con-

de Palhoça, a Cidade Universitária Pedra Branca, a

sultor também em outros países. Olavo Kucker ressal-

Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), o Ser-

ta que a ideia é mostrar a possibilidade de recuperar

viço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a

as áreas que estão habitadas sem condições adequa-

Companhia de Habitação (Cohab), a Polícia Militar e

das para o ser humano. “A utilização da Frei Damião

a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

é devido às informações que temos da área e por ela

“A expectativa é conseguir lograr um projeto e iniciar

ser uma das mais precárias da região”, argumenta.

a sua execução para que outras áreas possam ser também recuperadas, melhorando, assim, a cidade.

Na plateia da Unisul, representantes da comunidade

Esse trabalho não termina, pois essa área passa a

perceberam que é possível mudar. É necessário cos-

contar como um bairro da cidade e, a exemplo dos

turar parcerias, assim como aconteceu em Medellín.

demais, passa a fazer parte do planejamento do mu-

Promovido e sustentado por um grande projeto de re-

nicípio”, reforça Olavo. Para ele, esse é um processo

formulação urbana de grande escala, o projeto foi le-

contínuo, sem volta, que terá vida própria.

vado a cabo por meio da parceria entre gestão pública

Página anterior, à direita: Prédio de uma delegacia projetado pelo arq. Gustavo Restrepo para Medellín. Estrutura diferenciada para evidenciar o conceito de uma polícia mais transparente, presente e acessível à comunidade. Abaixo: Projeto de uma biblioteca, desenvolvido por Restrepo, para a cidade colombiana.


DESTAQUE

Novos caminhos para o urbanismo A aplicação de conceitos ecologicamente corretos no urbanismo possibilita tanto exercitar a cidadania quanto empreender ótimos negócios. A apresentação do projeto de reurbanização da cidade de Medellín, na Colômbia, emocionou a plateia presente ao II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (SISAU), realizado em outubro em Florinópolis. O evento, organizado pela Associação dos Escritórios de Arquitetura de Santa Catarina (AsBEA/SC), aconteceu simultaneamente também em Curitiba e Porto Alegre, e mostrou como a aplicação de conceitos sustentáveis rende tanto cidadania quanto ótimos negócios. Carismático e eloquente, o arquiteto colombiano Gustavo Restrepo, coordenador do projeto que está 1

transformando Medellín, trouxe esperança e entusiasmo aos colegas brasileiros que assistiram atentos a apresentação sobre a revolucionária mudança social e urbana realizada na cidade a partir do envolvimento da comunidade e de parcerias público-privada. O lema adotado é “planejar para não improvisar”. “Estamos construindo um novo conceito de cidadania”, sintetizou Restrepo.

Exemplo catarinense Primeiro bairro totalmente sustentável a ser implantada na América Latina, o Cidade Universitária Pedra Branca, localizado em Palhoça, na Grande Florianó2 Fotos Gabriel Heusi/Divulgação

Imagens: 1. A apresentação de exemplos práticos de itens de sustentabilidade foi destaque na programação do SISAU. 2. Restrepo: “estamos construindo um novo conceito de cidadania”.

24

polis, se transformou em exemplo mundial para o setor. Selecionado pela Fundação Bill Clinton para participar do Programa de Clima Positivo (junto a outras 17 iniciativas internacionais) e reconhecido por meio de diversos prêmios, apresentou, além de tudo, um


grande sucesso de vendas. “Intervenção sustentável,

“À nanotecnologia, que se apresenta como uma nova

tanto na arquitetura e urbanismo como em qualquer

revolução tecnológica, falta ainda certezas sobre os

outra área da economia, é um grande negócio. Não

reais benefícios ou prejuízos que pode causar”, alerta

só do ponto de vista do exercício de cidadania, mas

o cientista. “Nas suas mais diversas aplicações, in-

inclusive do ponto de vista econômico”, garante o em-

cluindo na produção de novos materiais de aplicação

presário Valério Gomes, presidente da Pedra Branca

na construção civil e arquitetura, a nanotecnologia

Empreendimentos Imobiliários.

mostra benefícios no curto prazo, mas ainda é uma incógnita no longo prazo”, continua.

Projetado de acordo com as diretrizes estabelecidas pela escola do novo urbanismo, ou urbanismo sus-

Da mesma forma, do macrocosmo de um megaprojeto

tentável, o bairro-cidade privilegia o pedestre, a den-

de planejamento urbano de uma ilha, como o Island

sidade equilibrada, a diversidade, os usos mistos, o

Treasure Redevelopment Project, dos Estados Unidos,

senso de comunidade, os espaços públicos atraentes,

se conclui que o usuário é o melhor sinalizador da

a segurança, a eficiência energética e a harmonia entre

sustentabilidade que se quer e que se deve produzir. É

a natureza e as “amenidades urbanas”, como o comér-

o que apresentou o arquiteto norte americano Michael

cio, os pontos de encontro e os serviços.

Tymoff, da Fundação Clinton. Ainda em fase de aprovação, o projeto passou por várias etapas de avaliação

Ao apresentar o case do bairro sustentável Pedra Branca

popular, neste caso, da comunidade que será a usuá-

no SISAU, Valério Gomes disse estar convicto de que

ria da ilha, tanto na qualidade de moradores como de

a prática da sustentabilidade é de fato um grande ne-

trabalhadores ou visitantes. “Somente assim vamos

gócio, para a sociedade e para os empreendedores.

refinar o projeto a ponto de fazer com que atenda a

“É um exemplo de cidadania consciente, ética e lu-

toda e qualquer perspectiva sustentável para qual se

crativa. Todos ganham”, afirma Gomes. “Não tenho

aponte”, declara Tymoff.

dúvidas de que Pedra Branca será um modelo para o desenvolvimento urbano sustentável, seja para proje-

Desenvolvido para uma ilha na baía de São Francisco

tos de bairros ou centros urbanos. Há no Brasil uma

que funcionou como base naval da marinha ameri-

carência de projetos com essa abrangência”, conclui.

cana durante a Segunda Guerra Mundial, o projeto atende aos princípios do new urbanism (urbanismo

O empresário destaca que a sustentabilidade não

sustentável), o mesmo aplicado ao bairro Pedra Branca,

deve se restringir aos aspectos urbanos e arquitetô-

na Grande Florianópolis. Ele privilegia o pedestre, a

nicos. Deve incluir, também, a sustentabilidade eco-

vizinhança, as áreas verdes, um sistema inovador de

nômica, para os compradores e empreendedores.

transporte público e vias de acesso, a eficiência ener-

Segundo ele, a economia de água, energia e o melhor

gética, a preservação e reuso de prédios já construí-

aproveitamento dos espaços comuns representam

dos, a acessibilidade, a inclusão social. Um modelo

custos de condomínio mais baixo.

de vida sustentável que perpassa a construção e operação do urbano ao longo da vida. Previsto para rece-

Debates com usuários

ber oito mil novas residências, o projeto deve entrar em construção em 2011 e ser entregue, em etapas, até 2025. O Island Treasure Redevelopment Project,

As palestras do Simpósio tiveram em comum a con-

assim como a Pedra Branca, também faz parte do

firmação de que projetos ou produtos de qualquer es-

programa de Clima Positivo da Fundação Clinton.

cala devem passar pelo crivo de quem eles pretendem beneficiar. O pesquisador Paulo Martins, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo falou sobre o microcosmo das nanopartículas. 25


DESTAQUE

Sustentável ou menos insustentável Esta foi a grande questão apresentada pelo economista e pesquisador Gilberto Montibeller no SISAU. Autor do livro O mito da sustentabilidade (Ed. USC), Montibeller disse que os limites do que é sustentável ou insustentável são estabelecidos pela própria dinâmica da economia. “São, portanto, suscetíveis aos interesses estabelecidos pelo tipo de economia. Nem sempre a política econômica está disposta a ser mais sustentável, mas em ser apenas um pouco menos insustentável, por exemplo”, opina. 3

O equilíbrio das trocas voltou a ser tema na palestra do mestre em Arquitetura, Bruno Moser, que falou como representante do Foster & Partners, o escritório inglês de arquitetura de maior prestígio mundial. No caso apresentado por ele, ficou claro que a alta densidade de carros particulares nas grandes cidades é desproporcional à própria densidade humana. “A solução seria a troca dos carros de uso individual por alternativas de transporte coletivo como o ônibus, por exemplo, que tira 35 carros da rua, ou um bonde, que tira cerca de 50 carros de circulação, ou mesmo um trem ou metrô, que podem substituir até mil carros”, citou Moser, amparado em pesquisas realizadas pelo próprio Foster & Partners.

Atenção ao contexto Já a arquiteta dinamarquesa Dorte Mandrup Polsen falou sobre o caráter regional da sustentabilidade aplicada à arquitetura e o planejamento urbano. “Não existe um material, produto ou processo que seja sustentável no mundo todo. A sustentabilidade tem a ver com onde você está e o que é sustentável no seu contexto”, alerta a arquiteta. Clima, cultura, história, hábitos, meio ambiente, tudo interfere na construção de 4

soluções sustentáveis para a arquitetura. No caso da Dinamarca e de boa parte dos países europeus, os fatores que norteiam a prática da sustentabilidade se

Fotos Gabriel Heusi/Divulgação

referem especialmente ao clima, totalmente diverso do brasileiro, por exemplo,

Imagens: 3. Michael Tymoff, da Fundação Clinton, sobre o Island Treasure Redevelopment Project, desenvolvido numa antiga base naval da marina americana localizada na baía de São Francisco (EUA): “somente com a participação da comunidade vamos refinar o projeto a ponto de fazer com que atenda a toda e qualquer perspectiva sustentável para qual se aponte”. 4. “Intervenção sustentável, tanto na arquitetura e urbanismo como em qualquer outra área da economia, é um grande negócio”, defendeu Valério Gomes.

e à existência de uma história arquitetônica muito antiga. Desta forma, sustentabilidade para eles é principalmente a adoção de soluções que maximizem benefícios e minimizem prejuízos do próprio clima e o reuso de construções antigas. O case da Casa Solar Flex trouxe ao SISAU uma experiência realizada por acadêmicos de seis universidades brasileiras, incluindo grupos de estudos da UFSC e coordenado pelos professores Roberto Lamberts, engenheiro, e José Kós, arquiteto. O projeto foi desenvolvido para uma competição internacional, a Solar Decathlon, que acontece neste ano em Madri (Espanha). “É uma espécie de Fórmula-1 de residências sustentáveis”, explica Lamberts.

26


5

Preparada para atender ao conceito de sustentabilidade aplicado

Imagens: 5. Palestrantes do SISAU, o Grupo de Sustentabilidade e a diretoria da AsBEA-SC 6. Os arquitetos Gustavo Restrepo, Andrea Triana e Giovani Bonetti e o engenheiro de produção civil Olavo Kucker Arantes. 7. O presidente da AsBEA-SC, Giovani Bonetti, entre o empresário Valério Gomes e o arquiteto colombiano Gustavo Restrepo.

ao país onde será exposta, a casa deve receber versões aplicáveis às diversas regiões do Brasil. Trata-se de uma residência compacta, com pouco mais de 50 m² de área condicionada, com todas as diretrizes de sustentabilidade: sistema estrutural em módulos, cobertura com painéis fotovoltaicos, iluminação flexível e com lâmpadas led, uso da água como massa térmica, e uso de vaso sanitário a seco. “Queremos viabilizar a construção de uma casa com energia zero e neutralização de carbono. A iniciativa vai nessa linha e acreditamos que vai ser a única forma de amenizar a questão das mudanças climáticas”, garante Kós.

6

7

10 ideias pela sustentabilidade Uma lista de dez ideias sugeridas por experts nacio-

a criação de um conselho intermunicipal de planeja-

nais e internacionais para o desenvolvimento urbano

mento sustentável. “As ações não podem ser isoladas.

sustentável da Grande Florianópolis foi apresentada

Quem vive em uma área conturbada tem que ter as

no encerramento do SISAU. Uma das mais importantes,

mesmas preocupações e buscar as mesmas solu-

ressalta Giovani Bonetti, presidente da AsBEA/SC, é

ções”, defende Bonetti.

Sustentabilidade passa pela educação do ser: sensibilização também via meios de comunicação (difundir o que é ser sustentável);

Melhorar e ampliar a rede de ciclovias e incentivar o estacionamento de bicicletas nos espaços públicos e privados;

Cidades com uso misto, com morfologias variadas;

Articular a criação de um conselho intermunicipal de planejamento sustentável da Grande Florianópolis (envolvimento da gestão pública como vetor das práticas ambientalmente corretas);

Desenhos de edifícios públicos com incorporação de princípios sustentabilidade como incentivo para outros setores; Buscar maior qualificação ambiental na relação edifício/passeio público, ampliar os espaços para pedestre, valorizar a mobilidade;

Realizar ‘acupunturas’ urbanas integradas de modo a transformar, a longo prazo, a qualidade dos espaços degradados; (trabalhar pontualmente os problemas da cidade, inserindo em determinadas áreas problemáticas equipamentos de cultura, lazer e de encontros);

Educação continuada dos profissionais ligados à arquitetura e ao planejamento urbano com foco na interdisciplinaridade (utilizar o máximo de conhecimentos de outras áreas em prol do ambiente);

Aproveitamento da malha urbana existente com retrofit (renovação e recuperação) das edificações e incentivo ao uso misto;

Estimular a criação de transporte público eficiente e sustentável.

27


OPINIÃO

Medellín, o espaço para a Bienal Por André Schmitt

banismo, em Medellín, na Colômbia, foi difícil dividir o tempo entre a excelente

Imagem abaixo: Plaza Botero com a “instalação” do painel/mapa de Medellín, para registro participativo das “sensaciones” de seus cidadãos. A intervenção, coordenada pelo arq. Carlos Pinto, integrou a programação do Ciudad Abierta– Encuentros de arquitectura y ciudad, um dos diversos eventos paralelos à VII BIAU.

programação do evento e a incrível e instigante cidade que reinventou seu futu-

Foto Acervo pessoal do arq. André Schmitt

Para quem participou da VII BIAU - Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Ur-

ro. Com o tema “Arquitetura para a Integração Cidadã”, a VII BIAU encontrou em Medellín o espaço ideal para reverenciar o sucesso deste modelo de coesão entre arquitetura, cidade e políticas públicas. Foram quatro dias de evento, com mais de 60 palestras, painéis e debates de altíssima qualidade, além da magnífica mostra de trabalhos selecionados pela curadoria específica dos países participantes. Em paralelo, várias exposições relacionadas ao tema da Bienal (incluindo a importante exposição e premiação da XXII Bienal Colombiana de Arquitetura), e, de quebra, quatro roteiros organizados para conhecimento das mais importantes obras arquitetônicas e das intervenções urbanas na cidade. A estruturação da Bienal contou com três eixos temáticos, referentes a três instâncias consecutivas na geração e experiência da arquitetura e da cidade, visando a integração cidadã: Políticas Públicas, Ofício e Matéria. Enquanto os dois primeiros estavam concentrados nas “iniciativas, processos e meios”, o terceiro eixo, denominado “matéria”, e seu complemento “itinerários” (de visitas), se concentrou nos resultados pontuais positivos e nos processos posteriores da apropriação cidadã. De qualquer forma, os três eixos em conjunto procuraram cobrir o amplo espectro das práticas que dizem respeito à Arquitetura, ao Espaço Público e ao Urbanismo, enfatizando as incidências da sociedade sobre as disciplinas, e, em “mão dupla”, às vezes esquecidas, as incidências das disciplinas e do conhecimento técnico sobre a sociedade. Um dos pontos altos da BIAU foi o painel (ou “conversatório” como chamam os colombianos) contando com a participação de Henrique Peñalosa e Sérgio Fajardo, respectivamente ex-prefeitos de Bogotá e de Medellín. O primeiro foi responsável pelo início dos processos de transformação das cidades colombianas, que teve sua gênese em Bogotá, conectando renovação do espaço público, sistemas integrados de transporte, resgate e proteção do patrimônio, com construção de equipamentos públicos, tais como bibliotecas, escolas e centros sociais, 28


que repercutiram em outros contextos de território

as pontes, entre as comunidades e entre os cidadãos,

nacional e com grande força na cidade Medellín. Já

infelizmente abrindo outras, imprevisíveis...”, conti-

Sérgio Fajardo é considerado “o grande maestro” da

nuou Fajardo, contando que “... a ideia da equipe foi

inacreditável - porém, real - transformação urbano-

construir um sonho, um novo futuro”. Medellín, que

social de Medellín em menos de uma década. “Quan-

se divulgava como a “Cidade da Eterna Primavera”,

do decidimos colocar nosso nome para concorrer ao

ou, também carinhosamente chamada como “La Tacita

governo municipal, levantamos a cidade por la piel; em

de Plata” (devido às suas características físicas, de

el coraçon e per la razon (el conocimiento)...” disse ele.

altiplano, cercada por montanhas que lhe configuram uma forma de taça), criou uma campanha/desafio de

Medellín era vista como uma cidade fragmentada, ce-

intitular-se: MEDELLIN, LA MAS EDUCADA...

nário de profundos conflitos oriundos de problemas sociais somados pela delinquência do narcotráfico

A cidade apostou fundo em educação e na qualifica-

(não diferente de muitas de nossas cidades brasileiras

ção dos espaços públicos. Por um lado, o plano ini-

e latino americanas). “O medo fecha e segrega a so-

cial de dez novos colégios para bairros de periferia

ciedade..., o medo destrói o espaço público..., fecha

da cidade, desenvolvidos por equipe de destacados

29


OPINIÃO

arquitetos da cidade, logo foi ampliado para programas mais complexos, atrativos e dinamizadores das comunidades. “Parques Bibliotecas” ou praças com equipamento multifuncional convergem infraestruturas de transporte coletivo produzindo efeitos de coesão social, criando verdadeiras novas centralidades de bairro. Por outro lado, no centro da cidade e junto aos sistemas viários existentes mais significativos, os investimentos foram realizados visando à qualificação e hierarquização dos espaços públicos já urbanizados, somando a este movimento a implantação de importantes equipamentos de abrangência metropolitana, como o Centro de Convenções e Feiras – Plaza Major, a Biblioteca Central – Plaza de la Luz, o Orquideorama e Antes

1

o Jardin Botanico, e, dentre outros, o Parque Explora (ou Parque do Conhecimento), elementos catalisadores e complementares ao Sistema Educacional de Colégios e Bibliotecas Públicas da cidade. Como concluiu o prefeito Fajardo, “... a marca de Medellín é a da Transformação..., os seus edifícios públicos são símbolos da transformação social...” e “... a arquitetura, quando faz parte de um processo político, tem que ser da melhor qualidade.” Afinal, nos seus 335 anos completados no dia 2 de novembro, a cidade, em sua última campanha, afirmando que “Cualquier detallito es cariño”, perguntava aos seu cidadãos: “Y tu que le vas a regalar a MEDELLIN, para que siga IMPARABLE?”

Depois

2 Fotos Acervo pessoal do arq. André Schmitt

30 3

4


Imagens: 1 e 2. A transformação do bairro com a implantação da estação do metro-cable (ao fundo). À esquerda, colégio “La Candenaria”, um dos primeiros projetos do programa Educação de Qualidade. 3. Parque Biblioteca Espanha: doação do governo da Espanha para a cidade de Medellín. O projeto, de autoria do arquiteto Giancarlo Mazzanti Sierra, recebeu o 1º prêmio na Bienal Iberoamericana (Lisboa/2008) e Menção Honrosa na XXI Bienal Colombiana de Arquitetura (2008). 4. Orquideorama do Jardim Botânico de Medellín, projetado pelos arquitetos Felipe Mesa, Alejandro Bernal, Camilo Restrepo e J. Paul Restrepo. Menção Honrosa na XXI Bienal Colombiana de Arquitetura (2008).

5

Imagens: 5. Parque Biblioteca San Javier. O projeto, do arquiteto Javier Vera, foi agraciado com Menção Honrosa na XXI Bienal Colombiana de Arquitetura (2008). À esquerda, a estação intermodal (metro-metrocable) San Javier. 6. Parque Biblioteca Espanha: doação do governo da Espanha para a cidade de Medellín. O projeto, de autoria do arquiteto Giancarlo Mazzanti Sierra, recebeu o 1º prêmio na Bienal Iberoamericana (Lisboa/2008) e Menção Honrosa na XXI Bienal Colombiana de Arquitetura (2008). 7. Parque Biblioteca Belén: doação do governo do Japão para cidade de Medellín. O projeto é do arquiteto Hiroshi Naito.

6

Imagens: 8.Café Del Bosque: portal de acesso ao Jardim Botânico de Medellín. O projeto, dos arquitetos Ana Elvira Velez Villa e Lorenzo Castro Raramillo, recebeu Menção Honrosa na XXII Bienal Colombiana de Arquitetura (2010) e na VII BIAU (2010). 9. Colégio Santo Domingo Savio. Projetado pelos arquitetos Carlos P. Botero, Mauricio Zuluaga Latorre e Nicolas Vélez Jaramillo, conquistou 1º Prêmio na categoria Arquitetura na XXI Bienal Colombiana de Arquitetura (2010) e Menção Honrosa na VII BIAU (2010).

7

8

André Schmitt Arquiteto Sócio-diretor da Desenho Alternativo Arquitetura & Urbanismo Vice-presidente da AsBEA-SC O arquiteto André Schmitt representou a Revista ÁREA na VII BIAU.

9

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BEM FEITO

Design da terra Recurso natural abundante em Santa Catarina, a areia vem multiplicando seus usos. Deu origem a uma tecnologia inovadora – sandstone -, servindo de matéria-prima para a produção de banheiras de forma limpa e sustentável.

Empregada pela primeira vez no Brasil, a tecnologia sandstone é uma exclusividade da catarinense Sabbia (areia, em italiano), desenvolvida em parceria com uma empresa europeia, com patente já requerida. A areia é a principal matéria-prima das banheiras que vem sendo produzidas pela Sabbia desde junho de 2010 em Tijucas, na Grande Florianópolis, num processo de produção que não utiliza sequer uma gota de água e apresenta um baixíssimo consumo de energia elétrica, com trabalho totalmente artesanal. Da pesquisa à implantação da empresa, passaram-se um ano de trabalho, com investimentos em equipamento, treinamento e marketing. “Foram realizados encontros de negócios, treinamentos no exterior com a equipe de produção e, então, a tecnologia foi adaptada às características das matérias-primas brasileiras. Desenvolvemos diversos treinamentos, testes, estudos inovadores no Brasil durante quase um ano até que nos sentimos preparados para lançar nossos produtos”, conta a gerente de marketing da Sabbia, Clarice Mendonça. O resultado é o encantamento com a beleza estética de uma peça sofisticada, com design de formas orgânicas aliadas à robustez e ao toque natural proporcionado pela sensação de se estar tocando em uma pedra. A primeira coleção, com sete diferentes modelos de banheiras (Brisa, Solare, Onda, Libero, Lago, Marea e Clássica) será oficialmente apresentada ao mercado em março, na Feira Kitchen & Bath em São Paulo (SP). A pré-estréia ao público catarinense aconteceu no dia 9 de dezembro, no evento de lançamento da quarta edição do Anuário de Arquitetura de Santa Catarina, em Florianópolis, realizado pela Revista ÁREA. “O perfil do nosso consumidor final é predominantemente de pessoas que buscam inovação, qualidade e design sem abrir mão da estética, da funciona32


lidade, tudo isso com características de um produto natural e artesanal. Também nos relacionamos com arquitetos, decoradores e engenheiros, em função do design dos produtos, seus atributos especiais e praticidade de instalação”, destaca Clarice. A apresentação visual da marca evidencia um convite a desfrutar de momentos de relaxamento, em banhos de imersão que transmitem a sensação de um contato direto com a natureza e com a essência simples da feminilidade - nos traços delicados e nas curvas sinuosas. A equipe da Paradesign se dedica a desenvolver novos modelos para ampliar cada vez mais as linhas de produtos, adaptando as últimas tendências de moda ao universo do banho. Em termos técnicos, a praticidade também é um elemento importante para os arquitetos e, portanto, valorizado na construção

Fotos Divulgação

das banheiras. Assim, o conceito freestanding proporciona liberdade na concepção dos projetos arquitetônicos. As banheiras são instaladas depois do piso de cerâmica pronto, possibilitando uma colocação prática, segura e rápida, sem necessidade de alvenaria ou assentamento com argamassa.

33


BEM FEITO

A criação O desenvolvimento das novas banheiras está a cargo da Paradesign, de Florianópolis, que acumula dezenas de prêmios de design, inclusive o “oscar” do setor, o IDEA Brasil (2009). O titular da empresa, Célio Teodorico, fala sobre o processo de criação nesta entrevista. Mestre e Doutor em Design, Célio está no mercado há Foto Divulgação

28 anos e nunca havia projetado este tipo de produto. Para ele e sua equipe, esse foi “um trabalho divertido

Célio - O designer enxerga na matéria-prima uma fonte

e rico em possibilidades”.

de inspiração e, neste caso não foi diferente. A tecnologia empregada pela Sabbia e o seu processo

Revista ÁREA - Como foi o processo de criação das

produtivo atestam ao produto final um acabamento

banheiras?

superficial excelente e um toque muito semelhante ao

Célio Teodorico - Antes de iniciarmos o processo criativo

material cerâmico. Quanto ao processo (artesanal ou

de geração de soluções alternativas procuramos com-

industrial), para o designer não importa; ele precisa

preender a estratégia da empresa e sua filosofia, qual

buscar soluções que sejam adequadas e ricas em

o caráter a ser transmitido. As coleções normalmente

atributos estéticos e técnicos, independentemente do

se baseiam em conceitos que são extraídos das per-

processo produtivo.

cepções ou correntes que conduzem a uma possível tendência ou movimento mais duradouro. A inovação

ÁREA - Você já tinha projetado banheiras antes? Qual

passa pela extensão do produto, o ambiente e os dife-

a peculiaridade?

rentes modos de interação do usuário e em particular,

Célio - Ainda não, mas a maneira de abordar o problema

as experiências sensoriais obtidas nessa interação.

é semelhante em diferentes projetos. É como o equilíbrio dos pratos, todos girando ao mesmo tempo. Às

ÁREA - Quais os diferenciais do desenho?

vezes o produto é mais técnico e você precisa girar

Célio - O design é visto e feito nos detalhes na com-

mais forte o prato dos atributos técnicos, ou produto é

posição do todo, como conceito geral, procuramos

mais visual e o prato dos atributos semânticos deve girar

trabalhar com características de estilo mais clássico

mais forte, ou seja, o propósito do designer é dotar o

e contemporâneo e de uma estética mais duradoura,

produto de significados e evocar os desejos e neces-

tendo em vista os investimentos a serem realizados

sidades do usuário. Desenhar banheiras para equipe é

pela empresa. Dessa maneira, é importante buscar

um trabalho divertido e rico em possibilidades.

um alinhamento na estratégia empresarial. ÁREA - O que você considerou na hora do planejamento? ÁREA - Há algo de ‘brasileiro’ nesse design?

Célio - A equipe Paradesign se reuniu com a equipe

Célio - Eu diria que sim. O Brasil já há algum tempo

Sabbia e traçou um planejamento focado em um con-

apresenta um Design de excelência. Para nós, designers,

ceito mais amplo, baseado nos pilares da Sabbia (O

a cada experiência de trabalho devemos firmar um

Cliente, Design e Tecnologia) para dar ao cliente uma

propósito, o resto é vivenciar todo o processo.

maior interatividade por meio de soluções criativas e inovadoras, apresentar um design rico em atributos e

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ÁREA - Quando a matéria-prima colabora para o design

diferenciais na firmação de um caráter próprio e por

planejado? E o fato da mão de obra ser artesanal, facilita

meio do uso adequado de tecnologias engajadas com

ou atrapalha?

o meio ambiente.


futura

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EXCLUSIVO

Jardim Botânico de Florianópolis

Numa proposta inédita em Santa Catarina, o Jardim Botânico de Florianópolis está sendo planejado por alguns dos principais arquitetos e urbanistas do Estado

O projeto baseia-se num novo conceito de jardim bo-

maciço central divisor de águas e do Sapiens Parque.

tânico, composto por três estações ambientais, repre-

As funções científicas do Jardim Botânico Florianópo-

sentativas dos ecossistemas que integram o bioma

lis estarão voltadas à atuação eficaz na conservação

Marinho e de Mata Atlântica da Ilha de Santa Catari-

de plantas, à preservação da diversidade genética, ao

na. No desenvolvimento do plano de Organização Físi-

auxílio no uso sustentável das espécies de plantas dos

co-Espacial, apresentado ao comitê gestor no dia 13

ecossistemas em que elas ocorrem e ao fornecimento

de dezembro de 2010, a equipe técnica surpreendeu.

de plantas medicinais à pesquisa e às populações de

Como premissa conceitual do projeto está a valori-

baixa renda. “Estimulando soluções para as questões

zação do contexto botânico local; a sustentabilidade,

ambientais essenciais e urbanas locais, além de es-

com visão holística e sistêmica; a conectividade; a

paço de encontro e lazer, estará o Jardim Botânico

educação ambiental; a ecogênese, no sentido de re-

Florianópolis consolidando seu papel de ‘Portal de

cuperar ambientes urbanos, com novos valores sobre

Celebração’ da relação homem/natureza”, considera

a biodiversidade local; e a promoção da arte, cultura e

André Schmitt.

lazer. Idealiza-se que a nova etapa de detalhamento seja cumprida ao longo de 2011, paralela ao Plano de Gestão.

O plano é resultado da visão de futuro de seus idealizadores – os presidentes e técnicos Fatma, Epagri/

Diferentemente dos jardins botânicos tradicionais -

Ciram e da Fapesc; o deputado estadual Cesar Souza

históricos, ornamentais, universitários, zoobotânicos,

Junior, autor do projeto de lei que cria o Jardim Botâ-

agrobotânicos, de horticultura, temáticos, comuni-

nico; e Murilo Flores, coordenador do Conselho Gestor

tários ou clássicos - o Jardim Botânico Florianópolis

do Jardim Botânico – e do patrocínio da empresa OSX,

pretende enquadrar-se, dominantemente, como um

que viabilizou o desenvolvimento do projeto.

jardim de conservação de plantas nativas ambientadas em seu ecossistema natural. “Iniciando por estas três estações, deve cumprir papel irradiador da criação de outras, baseadas nos demais ecossistemas, como dunas, restingas úmidas e secas, promontórios, costões, praias, ilhas, lagoas e o próprio fundo do mar”, explicam os coordenadores do projeto, os arquitetos André Schmitt e Nelson Saraiva. Estará montado, desse modo, um jardim botânico jamais vu, que caminha sobre a Ilha, detendo-se em pequenas estações valorizadoras das singularidades de cada ecossistema e possibilitando manutenção econômica, por não recriarem microclimas exóticos. O que for proposto para essas três estações iniciais, produzirá efeito multiplicador sobre as contíguas, extensas e significativas áreas verdes do manguezal do Itacorubi, do 36

Ab´Saber avaliza a Ilha de Santa Catarina como sede natural do Jardim Botânico proposto para a região da Grande Florianópolis, quando diz: “a alongada ilha possui um mostruário de feições que, em miniatura relativa, representa todo o rol de fatos fisiográficos e paisagens ecológicas do Brasil tropical atlântico, visto que está na faixa de transição entre os climas quentes e subtropicais úmidos.” Aziz Nacib Ab´Saber Geógrafo brasileiro, referência em arqueologia, geologia e ecologia, em Litoral do Brasil (São Paulo: Metalivros, 2001).


As estações O projeto completo do Jardim Botânico será apresentado

Imagens divulgação

1

na próxima edição da Revista ÁREA. Adiantamos, a seguir, um pouco sobre cada estação.

Estação Manguezal do Itacorubi A Estação Manguezal do Itacorubi será instalada junto ao rio Itacorubi, antigo acesso fluvial à freguesia do Córrego Grande e ao bairro Itacorubi, vizinha ao Cemitério São Francisco de Assis. Dispondo de 25 hectares, soma áreas

2

da Epagri, do antigo “lixão” da Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap) e de todo o manguezal com área gerenciada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ligada às rodovias SC 401 e SC 404. Ao mesmo tempo em que vão se agregando novos anéis viários e crescentes atividades urbanas ao entorno da Bacia do Itacorubi, seu mangue, como um grande vazio verde, dificulta solução de continuidade urbana, impondo-se novas propostas de articulação. 01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10.

Praça Verde de Acesso Praça Coberta Multiuso Administração / Centro de Pesquisa Passeio da Transição – da Cidade ao Mangue Jardim Açoriano Centro de Imagens da Paisagem Passeio Didático – Viveiros de Espécies do Mangue Parque Urbano Linear Passeio da Celebração – Passarela sobre o Mangue Passeio da Transformação – do Lixo ao Orquidário

Imagens: 1. Ampla Praça Verde de Acesso que ressalta espécies nativas mais discursivas, como as massas verdes dos Olandís, desafogando o burburinho da avenida e marcando visualmente a entrada da Estação. 2. O Passeio Didático se faz em calçada, com estares verdes objetivando a recuperação do mangue e a purificação das águas. Sustenta blocos compactos das espécies vegetais conformadoras do ecossistema mangue, garantindo sua identificação e estudo. Do outro lado do canal, junto à nova via de mão única, bolsões de estacionamento e um generoso Parque Urbano Linear com pontos organizadores de quiosques, bancas de jornal e revistas, quadras esportivas e equipamentos de ginástica.

Imagens Methafora NEO Imagem/Divulgação

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EXCLUSIVO

Estação Cidade das Abelhas A área de 20 hectares da Estação Cidade das Abelhas está atualmente, em quase sua totalidade, coberta com uma floresta de eucaliptos. Situada próxima à rodovia SC 401 e ao mangue do Saco Grande, faz vizinhança com a Floresta Ombrófila Densa Baixo Montana do maciço central divisor de águas guardado pela UFSC, sugerindo em altura, na cota 300 metros, a criação de belvedere como estação ambiental. O tema desta estação do Jardim Botânico será priorita-

1

riamente a restauração da floresta original.

01. Praça Verde de Acesso 02. Portal – Administração e Museu das Abelhas 03. Caminho da Conectividade - do Mangue à Mata Atlântica 04. Anfiteatro / Espaço Cultural 05. Viveiros e Totens de Marcação 06. Museu da Madeira 07. Trilha Interpretativa da Mata Atlântica 08. Trilha de Acesso ao Mirante no Topo do Maciço

2 Imagens: 1. A Passarela sobre a SC 401 atua como pórtico e marco visual do acesso à Estação Cidade das Abelhas, também como acesso ao pedestre e ao ciclista ao Boulevard, que estabelece conexão entre a SC 401 e a antiga estrada Geral, frontal ao Jardim Botânico. 2. Grande Praça de Verde de Acesso emoldurada por extenso lago, proporcionando uma valorização do parque e, ao mesmo tempo, ampliando sua relação com o boulevard e entorno imediato.

Imagens Methafora NEO Imagem/Divulgação

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01. Via de Acesso / Passeio Vicinal 02. Portal / Centro de Informações 03. Vila Botânica – Biblioteca / Laboratórios / Centros de Pesquisas 04. “Ilha” do Futuro – Auditório / Restaurante / ... 05. “Ilha” do Passado – Torre de Observação 06. Demarcadores da Paleo Laguna 07. Canal Hidroviário – Galeria de Esculturas

Estação Rio Papaquara Sapiens Parque

08. “Ilha” do Presente – Torre de Observação 09. Trilha Interpretativa

Com dominância de área alagada, nos 20 hectares originalmente

1

previstos foram identificadas três elevações com terreno seco em condições de sediá-la. A estação está localizada junto às várzeas úmidas do Rio Papaquara (antigo acesso fluvial às freguesias do Norte da Ilha), dentro do Sapiens Parque, no bairro Canasvieiras, ligada à rodovia SC 401. Faz parte, como um item, da grande proposta contemporânea do Sapiens Parque, situado no centro da cidade balneária do Norte da Ilha, com desenho urbano inovador, contrapondo-se à retícula tradicional dos balneários preexistentes.

2

Imagens: 1. Passeio Vicinal: Formado pela via de acesso ao JB, com faixas preferenciais para pedestres, ciclistas e transporte coletivo (verdinho). Tem por objetivo introduzir o visitante à temática do JB, através de um “túnel verde”, contrastando com a SC. Organiza uma seqüência de espaços para feiras tradicionais (frutas/ hortaliças/flores), culturais, artísticas, ..., de permanência temporária. 2. Vila Botânica composta por equipamentos científicoculturais como bibliotecas, laboratórios, centros de pesquisa, etc, que propiciam suporte às fundações, institutos e ONGs, autônomos ou ligados ao Jardim Botânico.

Conselho gestor:

Equipe técnica do Jardim Botânico:

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS); Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC); Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI); Fundação do Meio Ambiente (FATMA); Sapiens Parque S/A.

Desenho Alternativo/Arquitetos: André Francisco Câmara Schmitt (coordenador), Daniel Carlos Ceres Rubio, Ana Carolina Ogata - Marchetti+Bonetti/Arquitetos: Giovani Bonetti, Taís Adriana Marchetti Bonetti, Darley Fúlvio Voltolini – Methafora/Arquitetos: Michel Mittmann, André Lima de Oliveira – Biosphera: Luis Henri-

que Ike Gevaerd, Maria Heloíza Furtado Lenzi, Rogério Heusi – Colaboradores/ Arquitetos: Bernardo Dartagnan de Mesquita, Eduardo Momm Ferreira, Jardell Farias, Maurício Pontes Holler. Consultores Especiais: Arq. Urb. Dr. Profº Nelson Saraiva da Silva (coordenador), Biólogo Dr. Profº Ademir Reis. 39


PROJETO

Foto André Matos/Divulgação

Uma proposta coerente Concebido de acordo com princípios de bioarquitetura, o Centro Temático da Terra nasceu da necessidade de um espaço físico adequado para o desenvolvimento das atividades educacionais, culturais e ambientais, ligadas ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, focadas na divulgação de informações sobre o parque e a cidade de São Bonifácio, onde está localizado. Inaugurado pela Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Fatma) no segundo semestre de 2010, esta unidade soma-se ao Centro Temático das Águas, criado há dois anos na área central de Imaruí. Trata-se de um centro de atividades culturais sob a temática TERRA, com ênfase na educação ambiental, pioneiro na região. A estrutura conta com museu, auditório, salas de exposição, biblioteca e brinquedoteca, onde serão desenvolvidas atividades de educação ambiental voltadas às escolas da região e eventos destinados à população local que promovam o desenvolvimento sustentável do município. “Para aumentar a efetividade deste contato com as pessoas e se aproximar das comunidades locais, ao mesmo tempo promover a parceria com os municípios que possuem áreas dentro do Parque do Tabuleiro, é que foram planejados os dois Centros Temáticos, com recursos oriundos do Projeto Microbacias 2, onde a Fundação Estadual do Meio Ambiente era uma das executoras”, explica Shigueko T. Ishiy, bióloga da Fatma. O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é a maior Unidade de Conservação do Estado com proteção integral. Abrange quase 1% da área de Santa Catarina e compreende oito municípios: Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, São Bonifácio, São Martinho, Imaruí e Paulo Lopes. Seu Centro de Visitantes está localizado em Palhoça, na região denominada Baixada do Maciambú, onde é recepcionada a população em geral. 40


Projeto de arquitetura

Conforto bioclimático

A equipe técnica contratada pela Fatma apostou nas

“Arquitetura bioclimática envolve a redução do uso

diretrizes de um desenho bioclimático e um conjunto

de equipamentos elétricos como ar condicionado,

de ecotécnicas integradas de bioconstrução e paisa-

aquecedores, iluminação, com projeto que utiliza a

gismo produtivo. “A opção por este tipo de constru-

ventilação natural, boa vedação, e iluminação natu-

ção é uma alternativa inevitável para obras da Fatma

ral”, explica o arquiteto Renato Krzyzanowski, consul-

e de outras instituições públicas. É pelo exemplo que

tor do projeto pela Fatma e Banco Mundial.

se desperta interesses nas pessoas para as questões ambientais”, afirma Shigueko. “Nossa equipe buscou

Para garantir conforto ambiental, foram utilizadas

referenciar o projeto com soluções de sustentabilidade

estratégias de melhor aproveitamento das condições

na busca de educar as pessoas para construções

climáticas locais e recursos como orientação solar ap-

mais sustentáveis”, completa Katia Véras, uma das

ropriada para iluminação natural; captação do calor

arquitetas participantes do projeto. Ela considera

no inverno e isolamento térmico no verão; ventilação

como um dos fatores mais importantes durante o de-

cruzada com efeito chaminé; teto jardim e paredes de

senvolvimento do projeto “o desejo do grupo de que

tijolo cerâmico maciço como barreiras térmicas; lar-

o nosso planeta seja mais ‘cuidado’ no futuro, cons-

eira eficiente como complemento da calefação no in-

cientes de que a nossa atuação pode contribuir para

verno e equipamentos e lâmpadas de baixo consumo.

que isso aconteça.”


PROJETO

Baixo impacto ambiental A obra utilizou materiais diversificados de baixo impacto a partir do uso eficiente de cada escolha e levando em conta o fator funcional no elemento construtivo. Entre as opções, a equipe escolheu eucalipto de reflorestamento, com tratamento em autoclave; tijolos maciços e telhas cerâmicas de olarias da região; painéis de OSB, no forro e mobiliário; aproveitou as pedras existentes, provenientes de terraplanagem, vidros temperados e vitral de garrafas reaproveitadas; apostou no telhado com cobertura vegetal; usou Cascaje, uma laje de argamassa armada; e piso externo permeável, em bloquetes de concreto. Até a mangueira de incêndio, com validade vencida, teve reuso como fechamento do guarda corpo das rampas. A equipe soube que o Pesque Pague da região ampliaria suas lagoas e descobriram que o material a ser extraído do solo era ideal para produção de tijolos. “Encaminhamos, então, este material para uma pequena olaria local para a confecção e queima desses tijolos, de forma artesanal e com boa qualidade, evitando maiores impactos ambientais e reduzindo a necessidade de transporte”, conta Renato. Para ele, com a utilização de recursos como esses, o CT é um

Acessibilidade

exemplo único de prédio público com caráter sustentável aberto a visitação.

A rampa é um forte elemento de composição da edificação, delimitando o seu contorno, e privilegia a

Ecotécnicas

acessibilidade, além de integrar a edificação projetada com a antiga edificação existente, onde funciona a Casa do Produtor Artesanal, que foi restaurada. Entre

A preocupação com a aplicação de recursos sustentá-

as duas construções uma pequena praça possibilita

veis norteou também o projeto hidráulico e sanitário,

a ampliação do espaço para eventos maiores, inte-

além do paisagismo produtivo. As chamadas ecotéc-

grando o auditório ao ambiente externo, permeado

nicas inclui captação e aproveitamento da água da

por jardim com espécies da região.

chuva para descarga sanitária, irrigação dos jardins

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e limpeza; sistema de tratamento de maior eficiên-

Utilizando elementos da arquitetura tradicional lo-

cia para as águas servidas, através de filtros naturais

cal, foi feita uma releitura do enxaimel, que utiliza a

com plantas; separação e destino adequado ao lixo

madeira como estrutura principal e fechamentos em

gerado; e plantio de jardim agroflorestal no setor po-

tijolo cerâmico que, em algumas situações, recebe re-

ente do terreno.

boco natural de acabamento.


Foto André Matos/Divulgação

Mobiliário lúdico O Centro Temático da Terra tem museu, auditório, salas de exposição, biblioteca e brinquedoteca, onde serão desenvolvidas atividades de educação ambiental voltadas às escolas da região, além de eventos que promovam o desenvolvimento sustentável do município. Para a biblioteca e a brinquedoteca foi desenvolvido mobiliário lúdico, utilizando painéis OSB, quadros negros, caixas de frutas, com design que busca estimular as habilidades sensoriais das crianças. “Nosso desejo é ver o Centro Temático sendo utilizado para os fins aos quais foi idealizado, ver crianças se apresentando, as rampas cheias de gente circulando, um estudante de cadeira de rodas podendo participar, a curiosidade de todos com o mobiliário em OSB,

Equipe técnica:

com as diferentes ecotécnicas como o Cascaje ou o sistema de evapotranspiração”, reforça a arquiteta Katia. O projeto também foi contemplado com o desenvolvimento da comunicação visual: logomarca, site e banners educativos, descrevendo as atividades do parque e evolução histórica do município, sua colonização de origem alemã, suas atividades econômicas e potencial turístico.

Arquitetos Sumara Lisboa Paulo Rodriguez Márcio Holanda Marina Horta Katia Maria Véras José Francisco da Silva Beatriz Boell Álvaro Vargas Consultor Arq. Renato Krzyzanowski

Paisagistas Roseli Paulo Madeira (Bióloga) Luiz Fernando Schuler (Eng. Agrônomo) Eng. Civis Paulo de Tarso Fábio Elias Araújo Eng. Mecânico Hans J. Hueblin Designer Grafico Ivan de Sá

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PROJETO LATINO

Foto Divulgação

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casa Los Vilos Por Vicente Wissenbach

A casa do arquiteto chileno Cristián Boza em Los Vilos, na região de Coquimbo, no Chile, espalha-se pela montanha rochosa como esculturas integradas à paisagem.

Os espaços da casa se distribuem ao longo de um caminho de pedras que, descendo com o terreno, cria uma série de terraços e plataformas permitindo o acesso à água para banho de mar e pesca. O caminho reproduz a atmosfera de uma aldeia de pescadores do Mediterrâneo na sequência de portas e janelas que o ladeiam, “criando uma série de surpresas ao longo do caminho. Num certo momento, abre-se para uma área de estar onde ocorre o acesso com a escada que leva ao terraço superior, defronte à cozinha, situada do outro lado do caminho. No primeiro nível situa-se o mais significativo ambiente da casa, organizado em torno da lareira: a sala de estar, bem diante do mar, com 6 metros de largura por 14 metros de comprimento e altura máxima de 8 metros. No segundo nível, a sala de jantar; o terceiro nível abriga o dormitório principal, integrado ao conjunto por meio de grandes portas de correr. Aproveitando o pé-direito alto, o arquiteto criou um mezanino para a biblioteca que se debruça sobre o estar e cujo acesso se dá pelo segundo andar. A laje superior é plana servindo de terraço, acessível pelo caminho de pedras e pela parte superior da propriedade. Com 6 metros de largura e 25 de comprimento, este terraço termina em frente ao mar, em degraus que permitem a contemplação do pôr-do-sol. A proteção contra os ventos é dada por uma parede amarela, com aberturas que dão acesso à piscina - um tanque 45


de pedras, de forma cilíndrica, na lateral da encosta. Daí pode-se ver toda a geografia do lugar, particularmente o Oceano Pacífico. A grande espessura das paredes permite a circulação ao redor da piscina e acessa um volume secundário, com uma sauna e banheira de hidromassagem, também de frente para o mar. A situação geográfica peculiar do terreno influencia o projeto e a habitabilidade. Trata-se de uma península rochosa sobre o mar, um promontório com visão de 360 graus (mar, praia, escarpa, encostas e outeiros) e grande declividade dos dois lados, terminando em uma ponta proeminente na direção oeste, para o mar. O tema ‘pedra’ se repete em outras casas de Boza, em Los Vilos. Grandes paredes de pedra definem volumes que se acomodam à geografia do lugar. Nas amplas áreas externas, Boza criou o parque das esculturas, reunindo uma seleção de peças de artistas chilenos e do próprio arquiteto.

Vicente Wissenbach é jornalista. Editor e crítico de arquitetura, consultor editorial e curador de exposições do setor. É articulista da revista ÁREA. Fotos Divulgação

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ARQUITETANDO

Concursos: pela qualidade da arquitetura e dos espaços públicos Por Fabiano Sobreira

1

O Brasil passa por um momento de crescimento econômico e de oportunidades para o desenvolvimento. Estão sendo investidos bilhões em equipamentos e infra-estrutura para sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016; o programa Minha Casa, Minha Vida prevê a construção de 1 milhão de moradias, com investimentos em torno de 34 bilhões de reais; para os próximos anos estão previstos mais alguns bilhões em escolas, hospitais, infra-estrutura, equipamentos culturais, urbanização e instalações para a modernização dos serviços públicos em geral (PPA 2008-2011). Pergunta-se: como estão sendo selecionados e contratados os projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo que deveriam orientar e garantir a qualidade e o legado desses empreendimentos públicos para as cidades?

2

Desde 1993 a legislação federal brasileira (Lei de Licitações - 8666/93) define o concurso como forma preferencial para a contratação de projetos pela administração pública. Essa preferência, no entanto, não se converteu em prática, e os concursos de projeto são raros. A cada ano no Brasil são realizados cerca de 10 concursos de abrangência nacional, enquanto a França realiza 1200 concursos a cada ano; a Suiça realiza 200 e outros países como a Espanha e os países escandinavos (Finlândia, Noruega, Dinamarca e Suécia) nos dão demonstração de uma cultura de qualidade arquitetônica baseada nos concursos. Vale ressaltar que desde 2004 a União Europeia (Diretiva 2004/18/CE) estabeleceu a obrigatoriedade 3

dos concursos como forma de contratação de projetos para obras públicas. A opção pelo concurso nesses países não é casual, afinal trata-se de um instrumento baseado em princípios que são fundamentais para a gestão pública responsável: 1. prioridade ao julgamento qualitativo; 2. fundamentação nos princípios da isonomia, transparência, economicidade, publicidade e impessoalidade; 3. amplitude do repertório de soluções possíveis para um mesmo problema; 4. legitimação pública na decisão sobre espaços e equipamentos públicos onde deve prevalecer o interesse coletivo. Mas qual seria a razão para o sucesso e a freqüência do sistema de concursos nesses países e a sua instabilidade e escassez no Brasil? O que nos falta para vencer essa etapa rumo ao desenvolvimento?

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Se analisarmos o histórico dos países que fizeram do concurso um instrumento cotidiano para a administração pública, observaremos que a principal razão para o seu sucesso é a existência de uma cultura e de uma política pública baseada na qualidade arquitetônica e os concursos de projeto como instrumentos para a promoção dessa qualidade e para a consolidação da arquitetura como objeto de interesse público. Em primeiro lugar, para construir tal política pública, é preciso pensar no interesse coletivo e não em interesses corporativos. O concurso deve ser apresentado não como um sistema que interessa à profissão, mas como

Imagens: 1. Museu da Memória – Chile. Projeto selecionado em concurso. Autores: Estudio America (www.estudioamerica.com). Fonte: concursosdeprojeto.org 2. Biblioteca em Montarville – Québec – Canada. Projeto selecionado em concurso. Autores: Briere, Gilbert + Associés (www.brieregilbert.com). Fonte: concursosdeprojeto.org 3. Sede da Fundação Habitacional do Exército – FHE. Brasília. Projeto selecionado em concurso. Obra concluída em 2010. Autores: Danilo Macedo, Elcio Gomes, Fabiano Sobreira, Newton Godoy, Filipe Monte Serrat, Daniel Lacerda. Fotografia: Joana França. 4. Centro de Convenções de Bruxelas – Bélgica. Projeto selecionado em concurso. Autores: A2RC (www.a2rc.be). Fonte: concursosdeprojeto.org

4 Foto: divulgação Vigliecca & Associados

um instrumento necessário à coletividade para garantir a desejada qualidade do espaço público. A valorização e o reconhecimento da profissão, neste caso, seria uma conseqüência natural, e não o objetivo em si. Para que esse instrumento seja disseminado é preciso, antes de tudo, estar disposto a reconhecer e gerenciar os conflitos de interesse em potencial e, em alguns casos, as contradições que desafiam a sua popularização. Provavelmente o concurso não faz parte do cotidiano da administração pública também pela falta de informação e porque existem preconceitos sobre o sistema que provocam insegurança entre gestores e profissionais, deixando dúvidas sobre as vantagens do sistema. Da mesma forma que se deve garantir aos profissionais que os concursos serão sempre procedimentos baseados na isonomia, na transparência, na legalidade e na impessoalidade; é preciso também garantir à Administração Pública que os projetos selecionados seguirão os princípios da economicidade, da exeqüibilidade, da sustentabilidade e que atendem ao interesse público. Enfim, é preciso promover a disseminação e a regulamentação dos concursos de projeto no Brasil. Para isso, é fundamental reconhecer a diversidade de perspectivas que estão sempre em jogo, fazendo prevalecer sempre o interesse coletivo. Apenas dessa forma os concursos deixarão de ser eventos de exceção e poderão se tornar instrumentos cotidianos e democráticos para a promo-

Fabiano Sobreira é arquiteto e urbanista. Doutor em Desenvolvimento Urbano (UFPE/University College London). Pósdoutorado em Arquitetura na Université de Montréal. Arquiteto e Analista Legislativo da Câmara dos Deputados. Professor do Centro Universitário de Brasília. Diretor Cultural do Instituto de Arquitetos do Brasil. Editor do portal concursosdeprojeto.org

ção da qualidade da arquitetura e dos espaços públicos; para que as oportunidades não se convertam em riscos e para que o desenvolvimento não se torne insustentável. 49


QUEM FAZ

Parceria forte Por Simone Bobsin

O escritório Mantovani e Rita, de Florianópolis, acaba de completar três décadas de atividades. A soma das diferenças, de competências e de talentos dos arquitetos Roberto Rita e Sylvio Mantovani é traduzida em bons projetos

Roberto Rita é expansivo, gosta de falar, de conceder entrevistas e de frequentar festas e eventos da área. Sylvio Mantovani prefere os bastidores; pouco fala em público e é avesso a badalações. Com personalidades opostas, evidente até no jeito de vestir e nas opiniões sobre Arquitetura, poucos apostaria no sucesso dessa sociedade. A diferença, no entanto, revelou-se a matéria-prima para a construção de uma empresa sólida e próspera.

Sylvio Mantovani e Roberto Rita

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Fotos Divulgação

Roberto Rita é manezinho da Ilha de Santa Catarina, mas foi estudar Arquitetura na Unisinos, no Rio Grande do Sul. Lá, conheceu o gaúcho Sylvio Mantovani, que aceitou o convite do colega para passar as férias em Florianópolis e se encantou. Graduados, decidiram abrir escritório na Ilha e lá se passaram 30 anos de atuação no mercado de arquitetura catarinense. As obras começaram “em família”. Um dos primeiros projetos foi a residência de Pedro

Imagens: 1. No Residencial Parque da Luz, no centro de Florianópolis, a dupla apostou num acabamento refinado e sóbrio para o empreendimento de alto padrão de 17,5 mil m2. A volumetria dinâmica é garantida pelas formas geométricas do embasamento e pela assimetria das sacadas. Há uma importante diferenciação de planos enfatizada pelos revestimentos e acabamentos em azul, branco e marrom. 2. O Edifício Porto Fino, em Jurerê Internacional, foi idealizado com cores sóbrias e curvas, as quais bem representam o desenho próprio do escritório. A edificação, de 5 mil m2, confere especial ênfase à esquina onde está situado, onde foi disposta a piscina e para onde se abre boa parte de sua área de lazer.

Rita, pai de Roberto. Depois, a casa do próprio Roberto. Isso lá em 1982, quando ele se casou. Depois seguiram uma sequência de trabalhos: obras verticais residenciais, comerciais, loteamentos, condomínios, arquitetura de interiores, objetos de design e até cenografia. Sylvio projeta os cenários das óperas encenadas pela Camerata de Florianópolis. No escritório, Sylvio é quem comanda a equipe de arquitetos, desenvolve estudos preliminares, desenvolve projetos e elabora croquis à mão. Tudo com o acompanhamento de Rita, que se divide com a captação de projetos e participa das reuniões externas, já que sua personalidade expansiva lhe confere esse papel. Rita teve participação ativa na criação e consolidação da regional catarinense da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA-SC), da qual foi o primeiro presidente, há três anos. 51


QUEM FAZ

Elementos regionais

1

Mantovani e Rita contabilizam 600 projetos realizados, entre os executados e os que ficaram na prancheta. Parte da paisagem urbana de Florianópolis foi desenhada pela dupla, que procura explorar a contemporaneidade nos projetos, sempre alinhando com elementos regionais. Entender a evolução da arquitetura nestas três décadas é extremamente importante para a compreensão da cidade. As edificações são, simultaneamente, vetor e resultado de um vertiginoso processo de desenvolvimento urbano, expansão econômica e transformações culturais e ambientais que estão em curso.

Fotos Divulgação

3

Imagens: 1. Este apartamento, na Praia Brava, traz projeto de interiores idealizado para um casal de clientes bastante despojado, que usa o imóvel como “casa de veraneio”. O espaço integrado entre sala de estar, jantar, cozinha gourmet e varandas lhes permite receber amigos constantemente. Materiais rústicos, como pedra, pinus jateado e forro com palha, contrapõem com sofisticados equipamentos de som e de climatização. 2. Recursos tradicionalmente presentes nas obras do escritório: reboco rústico, mistura de materiais, uso da madeira e a forma do círculo marcando uma das fachadas desta residência. 3 e 4. A dupla participou da Mostra Casa Nova 2010, assumindo o projeto desta cozinha, onde promoveram diversos jantares comandados por chefs locais em comemoração aos 30 anos do escritório. O amplo ambiente facilitou a setorização entre a área de trabalho, o espaço para refeições e o lounge, otimizando a circulação. Cubos em pedra translúcida serviam de mesas, contrastando com bancos de madeira e de metacrilato transparente. Destaque novamente para o círculo no teto, uma característica dos arquitetos, e da utilização divertida da chita com impressão sobreposta em dourado.

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2

A linguagem predominante nos projetos do escritório apresenta linhas limpas, com a utilização de madeira, de pedra e de símbolos bem característicos, como as circunferências, as colunas de 40x40cm, as chaminés inclinadas, as cores em detalhes e o reboco rústico, por exemplo. “Respeitamos sempre as condições locais e buscamos conhecer o cliente na sua essência antes de desenvolver qualquer projeto”, comenta Rita. A dupla se consolidou ao impor um estilo próprio na Arquitetura que passou a definir o cenário local. Eles gostam de surpreender. “Adoro o desafio, independente do tamanho do projeto”, assume Sylvio Mantovani, com seu senso crítico apurado e sempre atento a detalhes. Ele pode ficar horas desenhando um rodapé até chegar ao resultado esperado. “Este é um dos grandes dons do Sylvio: melhorar, melhorar, melhorar”, observa o sócio.

4

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PAPO SÉRIO

Da Metrópolis para a Sociópolis: vivendo em um network de cidades sustentáveis Por Fabiana Maioli

O novo habitar parte da Natureza e investe em Tecnologia.

adicionando sofisticados sistemas high-tech em grau

Redescobre os valores da convivência, crê na condivisão

de incidir positivamente sobre a saúde do morador.

como modalidade de relação e cuida da qualidade do ar.

O modo de viver esta casa também muda, porque, ao

Novamente, a urgência ambiental como tema dominan-

tornar-se menos exibitiva e vistosa, falará mais do que

te, como ponto de partida que governa todas as possí-

somos e menos do que queremos ser (e possuímos),

veis visões urbanísticas e arquitetônicas. Todos já temos

fazendo da casa um relicário cheio de modéstia, rea-

consciência de que o mundo se salvará da catástrofe am-

lismo e beleza singela. Na movimentação pelo mundo

biental só se o natural e o artificial encontrarem formas

externo, não apenas pela crise do óleo que virá, mas

de dialogar. Mas, como? A solução para este quesito são

por necessidade de espaço, teremos que reconsiderar

os novos modelos para o nosso habitar.

o modo com o qual nos movemos na cidade e assis-

De fronte à urbanização voraz das megalópolis, metrópo-

tiremos a difusão de bicicletas e triciclos bem como

lis e cidades, o renascimento cultural do nosso planeta

meios de transporte a impacto zero. Não será á toa que

deverá partir da aliança entre o eco e a tecnologia. Uma

a própria Ford, através de seu programa New Mobility,

reconciliação que permitirá a gênese de uma nova cate-

está estudando novas formas de se movimentar e já re-

goria de objetos a serviços do bem-viver. Desta forma,

comenda que usemos menos

a Casa do Futuro se abre sobre a Natureza. E os proje-

o carro, e que a China já possua 10 milhões de bicicle-

tos residenciais terão seus espaços multifuncionais com

tas elétricas, contrapondo-se a 18 milhões de carros.

cada vez mais importância, no mesmo modo com que a

Continuaremos a nos mover, mas de formas diversas.

convergência atua no design dos produtos atuais.

E quando falamos de cidades para habitar encontra-

E os criativos arquitetos cercarão de tornar às origens

mos que, segundo previsões da UN-Habitat e Harvard

do projeto, partindo dos materiais naturais e sustentá-

Proyect onthe City, dirigido por Rom Koolhaas, em

veis, por exemplo, como a madeira e seus derivados, as

2030 teremos mais de 80% da população mundial

peles e os couros, as fibras naturais, os vidros. Em ou-

vivendo em cidades, e destas, 17 megacidades terão

tras palavras, da Terra ao Fogo, sob a efígie do conceito

mais de 10 milhões de habitantes. Mumbay, Shangai,

Casa-Caverna. Esta casa terá a atmosfera de um ‘refúgio

Moscow, London, São Paulo, Paris, Milan, Hamburg,

contemporâneo’. Talvez a arquitetura redescubra a po-

New York e Los Angeles juntas, serão mais poderosas

tencialidade expressiva do emprego das pastas e argi-

do que 80 nações. E mesmo que a crise atual tenha

las naturais, assim como no passado aconteceu com o

feito vir à tona todos os Nacionalismos, Protecionis-

cimento e talvez crie uma estética mais primitiva, não

mos e Regionalimos possíveis, este novo Urban Being

apenas porque feita de elementos simples e autênticos,

continuará a interpretar a sua cidade como seu país,

mas porque usará minerais, cristais e outros tesouros ain-

sua nação de pertencimento. É um novo tipo de cida-

da escondidos. Na raiz, talvez o resgate da essência do

dão e é para este indivíduo que a nova cidade deve ser

movimento de Arte Povera.

pensada e projetada.

A casa que está em pauta vai aniquilar a exposição ao

Mas quais são então as alternativas não-utópicas que

dióxido de carbono, ás antenas telefônicas e o fluxo de

já podemos pensar em implantar, que atendam a todos

ondas eletromagnéticas provocada pela miríade de gad-

estes anseios? Confira na próxima edição.

gets que fazem parte da nossa vida. O habitante vai procurar melhorar, sustentar e economizar energia com os produtos que usa cotidianamente e o próprio ambiente se encarregará de adequar temperatura e iluminação, 54

* Fabiana Maioli é designer e Trend Researcher. Mestre em Management of Creative Process (IULM) e Especialista em Trendsetting (IED), ambas em Milão. É articulista da revista ÁREA.


NO MERCADO

Para os apreciadores da decoração de luxo, a Rex Decor oferece as grifes Omexco e Casamance em papéis de parede. Criada em 1976, a belga Omexco conta com 30 coleções diferentes, enquanto que a francesa Casamance (foto), há dez anos no mercado, se configura como uma das grifes mais disputadas no segmento. Os papéis trazem aplicações de materiais nobres, como quartzo em pedras e seda.

Inspirada no estilo retrô, a LG lançou o televisor Série 1, na versão CRT (tubo) slim com 14” e base cromada removível. A peça vem com antenas e botões seletores de ajuste manual e permite o ajuste de imagem em P&B ou sépia. A modernidade fica por conta do controle remoto, em forma de cone.

Fotos Divulgação

A cadeira Flexform Green’s é a primeira cadeira corporativa em material 100% reciclável. Criação dos designers italianos Adriano Baldanzi e Alessandro Novelli, a peça apresenta sistema de flexão do encosto, oferecendo mobilidade de postura inédita em cadeiras monobloco.

A ThyssenKrupp Elevadores lançou a cadeira elevatória para escadas Levant, projetada com assentos mais largos e medida adequada para o transporte confortável de uma pessoa sentada com até 138 quilos. O assento, revestido com material resistente e impermeável, pode ser dobrado quando a cadeira não estiver sendo usada, deixando livre o acesso à escada.

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Os nichos e acessórios da linha Oslo, da Formus, são produzidos em alumínio curvado, contrapondo mínima espessura e alta resistência. Inovadoras e ecoeficientes, as peças podem receber aplicação de couríssimos ou artegrapho (customização com design de superfície), outra exclusividade da empresa.


A Mannes, tradicional fabricante de colchões, estofados, espumas industriais e travesseiros de Santa Catarina, e a premiada designer catarinense Renata Moura acordaram uma parceria para a criação de peças exclusivas para a linha MDesign 2011, que conta com trabalhos de grandes nomes do design brasileiro. Marcelo Rosenbaum, Guto Índio da Costa, André Cruz e Roberto Mannes Jr. já criaram para a coleção. Com dez anos de estrada, Renata Moura investe no design autoral e já conquistou algumas das principais premiações do setor no Brasil, como Movelsul, Museu da Casa Brasileira e IDEA/Brasil. Ela também já foi finalista no concurso internacional IDEA Awards e, por três vezes, no IF Awards. O Banco Goma, também utilizado como mesa lateral e luminária, está entre os seus trabalhos mais premiados.

O movimento das areias foi a fonte de inspiração da coleção Verão 2010/2011 da Saccaro Móveis. O design revela pequenos detalhes sinuosos, remetendo às formas das dunas. As peças têm estrutura de madeira, com acabamentos naturais a base d’água que protegem do sol e da chuva, e ferragens em aço inox, para maior durabilidade.

O guarda-Sol Avório Papaiz é um dos mais recentes lançamentos da Udinese. O produto traz sistema de giro 360º e pode ser associado a outros guarda-sóis, formando grandes áreas de coberturas. Tem estrutura em alumínio na cor café e cobertura de PVC com tratamento contra radiação ultravioleta, na cor avório.

Há quatro anos o Shopping Casa & Design vem colhendo bons frutos resultado do seu programa de fidelização voltado para os especificadores. E registra significativo aumento, em torno de 45% ao ano, por conta da crescente adesão dos profissionais de arquitetura, design e decoração ao Clube do Profissional do empreendimento, localizado na Rod. SC 401, em Florianópolis. A cada edição, os especificadores que mais pontuam nas 17 lojas do complexo - ranking de vendas, levam prêmios e ganham projeção nas ações de relacionamento desenvolvidas. Para 2011, está valendo uma temporada em Berlim, na Alemanha, prêmio destaque para o profissional que mais pontuar.

Os papéis de parede The Fornasetti Colection é uma das novidades da Casa a Caso Santa Mônica, em Florianópolis. Produzidos na Europa, reproduzem parte da obra do designer italiano Piero Fornasetti, também pintor e escultor, considerado um dos talentos mais originais e criativos do século XX.

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FATOS & FEITOS

AsBEA/SC tem nova diretoria

Contagem regressiva para a Casa Cor 2011

O arquiteto Giovani Bonetti permanece no comando

O ritmo intenso das obras no antigo prédio do Jornal

da regional catarinense da Associação dos Escritórios

O Estado, na Rodovia SC 401, bairro João Paulo, em

de Arquitetura de Santa Catarina (AsBEA/SC). Ele foi

Florianópolis, anuncia que está próxima a abertura da

reconduzido ao cargo para um mandato de dois anos.

Casa Cor Santa Catarina 2011, programada para o

A nova diretoria foi empossada durante a festa de fim

dia 19 de março. Com o tema regional “História da

de ano da entidade, realizada no Dia do Arquiteto, 11

Comunicação e da Imprensa de Santa Catarina”, a

de dezembro, em Florianópolis.

mostra apresentará aos visitantes 53 ambientes pro-

Entre as ações propostas para o próximo biênio estão

jetados pelos melhores profissionais de arquitetura,

a criação do Prêmio Estadual de Arquitetura, a forma-

decoração e design do Estado.

ção de grupos de trabalho setoriais (sustentabilida-

O evento, que neste ano homenageia os 25 anos de

de, legislação e utilização do conceito BIM – Building

Casa Cor, também terá foco no tema nacional, “Dia a

Information Modelling ou Modelagem de Informação

dia com a tecnologia”, mostrando aos visitantes am-

da Construção), a estadualização da entidade e a

bientes que interagem entre os mais diversos estilos

continuidade de ações bem-sucedidas, como a mos-

arquitetônicos e as últimas apostas em tecnologia do

tra Destaques das Bienais e os debates e palestras

mercado. Os organizadores prometem surpreender,

paralelos às mostras Casa Nova e Casa Cor.

pela qualidade, bom gosto e organização. Os ambientes estão maiores do que na edição passada e os visitantes contarão com mais espaços abertos, além do Restaurante Taikô e do Café Empório Mineiro. A mostra ficará aberta até o dia 1 de maio.

Metropolitan Solutions Soluções inteligentes para as grandes cidades e áreas metropolitanas. Isto é o que oferece a “Metropolitan Solutions” – a nova área de exposição na Feira de Hannover 2011. O evento é a plataforma número 1 para inovações tecnológicas, com cerca de seis mil expositores de 61 países, e será realizado de 4 a 8 de abril Fotos Divulgação

Conheça a nova diretoria: Presidente: Giovani Bonetti (Marchetti + Bonetti Arquitetura). Vice-presidentes: Ronaldo Martins (Martins Arquitetura) – Eventos, Marketing e Comercialização; Lilian Mendonça (Prospectiva Arq. Restauro e Consultoria) – Relações Políticas Institucionais; Juliana Castro (Jardins & Afins Arquitetura Paisagística) – Administrativo e Financeiro; Ricardo Fonseca (Pinheiro e Serrano Fonseca Arquitetura) – Cidadania e Comunicações. Vice-presidentes suplentes: Marília Ruschel (Ruschel Arquitetura e Urbanismo) e Eduard Wolfgang Nardi (Nardi Ventura Arquitetos Associados). Conselho deliberativo: André Schmitt (Desenho Alternativo), Nelson Teixeira Netto (NTN Arq. e Urbanismo) e Giovani Bonetti (Marchetti + Bonetti Arquitetura) Conselho Fiscal: Maria Lucia Mendes Gobbi (Mendes Gobbi Arquitetura) e Roberto Simon (Studio Domo Arquitetura e Design)

na cidade alemã. Na “Metropolitan Solutions” serão apresentadas quatro áreas principais de inovações urbanas - infraestruturas de energia; água / águas residuais; mobilidade; e infraestruturas de prédios - , com soluções holísticas, subsistemas e componentes para as cidades do amanhã. Especialmente para a ÁREA - Exclusiva e gratuitamente, oferecemos aos nossos leitores e-tiquetes de entrada para a Feira de Hannover 2011. Para receber o seu, basta se registrar no link www.hannovermesse. de/promo2011?hpzgt. A quantidade é limitada.

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Arquitetura emocional Formus completa 20 anos apostando na “expressão de viver a casa” O espírito empreendedor, a natureza inquietante e a

criativo. A forma como esse olhar é construído é um

busca pelo novo a partir do foco no design emocional

conjunto que envolve determinação, experiência, pai-

fez surgir, há 20 anos, uma empresa genuinamente

xão e exercício. Assim você acaba formatando este

catarinense que conquistou espaço privilegiado em

olhar. Criação é exercício contínuo.

meio às grandes marcas do segmento de mobiliário planejado do País. Formus é a empresa comandada

ÁREA - O que a empresa quer comunicar ao mercado?

com rigor pela arquiteta de formação Cláudia Silves-

Cláudia - Não nos posicionamos como empresa de

tri. Nessa trajetória de sucesso, iniciada em Tubarão,

mobiliário, mas uma organização que propõe uma

onde fica a fábrica, somaram-se lojas em Criciúma e

expressão de viver a casa. Nosso cliente se apropria

Casas Conceito em Florianópolis, Joinville e, em bre-

de um portfólio, transcendendo, expressando quem

ve, Balneário Camboriú. Nesta entrevista, ela fala do

ele é, sua identidade, forma de ser e viver. Mais que

crescimento da empresa nesse competitivo segmento

comunicar, queremos propor experiências multissen-

e dá a dica: “emoção é a nossa principal ferramenta”.

soriais. A casa como uma moldura psicológica, como um ideal, não como uma máquina de morar ou atri-

Revista ÁREA - Nesses 20 anos, quais as principais

buto de status. A casa sendo um refúgio, santuário,

conquistas da empresa?

casulo, referência e sustentação de uma vida.

Cláudia Silvestri - Gosto de falar de evolução. A maior talvez seja da marca Formus ter fundamentos estéti-

ÁREA – Como fidelizar o cliente neste mercado?

cos claros, valor no mercado forte e ser reconhecida

Cláudia - Emoção, emoção e emoção. É sensibilizar as

por isso. Evoluímos nos últimos anos como uma em-

pessoas através das experiências que propomos nas

presa de criação e não de produção. Nossos diferen-

Casas Conceito e ações junto a elas. Este é o caminho

ciais são nossas maiores conquistas: ter um Centro

num mundo atribulado e caótico de informações. É

de Design, Studio da Marca e um núcleo de Comuni-

preciso limpar e deixar apenas a emoção, propor in-

cação e Relacionamento, o que nos permite ter ações

teração, resgates da memória afetiva, mesmo que no

inusitadas e criativas.

primeiro momento não seja compreendido. A oportunidade de relacionamento que temos no mercado

ÁREA - Como arquiteta de formação e participante

é muito valiosa, porque interagimos, é uma troca de

ativa da empresa em todas as áreas, como você con-

ambas as partes. Além disso, a Formus é um projeto

duz o processo de criação dos produtos?

de vida não só meu, mas de uma grande equipe, onde

Cláudia - Para mim, o processo criativo não é algo

exercitamos nossas crenças e valores. A elegância de

complexo, mas intenso. Quando há intensidade, é pre-

ser e viver sem excessos e a busca pela excelência e

ciso ter bagagem, experiência e visão. A capacidade

essência. Coerência e consistência com o momento

de fazer leituras/olhares é que determina o processo

que vivemos. Fotos Divulgação

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BIBLIOTECA

Após quatro anos morando em Kyoto, no Japão, arquiteto e paisagista brasileiro Sarkis Sergio

Kaloustian

lança

Exemplares da

o

primeiro livro em língua portuguesa sobre a história, os tipos e as técnicas dos milenares jardins japoneses: “Jardim Japonês – A magia dos jardins de Kyoto” (Editora K, 223 págs., R$159,00).

Nas páginas da edição 2011 do Anuário de Arquitetura de Santa Catarina estão projetos de arquitetura residencial, comercial, corporativa, hospitalar e industrial. Há, ainda, trabalhos diferenciados de paisagismo e de urbanismo. Em textos e fotos, a publicação valoriza a importância da intervenção arquitetônica para um resultado eficiente. “O respeito ao entorno do ambiente construído é uma constante nos projetos apresentados”, afirma a jorna-

“O Negócio do Design” é o primeiro título da coleção “Registro do Design”, uma parceira entre a Associação Objeto Brasil e a Impren-

lista Letícia Wilson, diretora e editora da publicação, pioneira no Estado. “No geral, percebe-se que a intervenção arquitetônica está cada vez mais voltada à promoção da qualidade de vida”, complementa a jornalista Simone Bobsin, também editora do anuário.

sa Oficial do Estado de São Paulo. O livro traz artigos as-

Edição 2012

sinados por profissionais importantes para a história do design mundial e mostra que o design é um elemento estratégico para o planejamento, a execução e o êxito dos negócios (96 págs. R$ 55,00).

O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) lança

A edição comemorativa dos cinco anos do Anuário de Arquitetura de Santa Catarina será lançada em dezembro de 2011. “Já estamos trabalhando nesta edição e programando as reservas dos arquitetos participantes”, adianta Letícia. Está sendo planejada uma edição especial, com ainda mais conteúdo, para

1

o “Manual de Construção em Aço – Estruturas Mistas Vol. 1 e 2”. A publicação é a 17ª produzida pela entidade. De autoria de Gilson Queiroz, Roberval José Pimenta e Alexander Galvão Martins, o manual é totalmente baseado na edição de 2008 da norma ABNT NBR 8800, que passou a incorporar os pilares mistos, as lajes mistas e as ligações mistas. 60

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NA ÁREA

arquitetura catarinense celebrar a consolidação da publicação. Editado pela Santa Comunicação & Editora, o Anuário de Arquitetura de Santa Catarina é uma realização da Revista ÁREA e conta com o apoio institucional da regional catarinense da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-SC) e do programa Missão Casa (TVCOM). A publicação está à venda nas bancas e livrarias das principais cidades do Estado a apenas R$ 15,00. Encomendas e reservas podem ser feitas pelo e-mail anuario@revistaarea.com.br. Lançamento: O Anuário 2011 foi lançado no dia 9 de dezembro de 2010 em Florianópolis, em evento realizado na Saccaro, patrocinadora desta edição. Confira algumas fotos. Acesse www.revistaarea.com.br e veja mais.

Imagens: 1. Arq. Margaret Schneider. 2. Arq. Karina Koetzler. 3. O empresário James Cesar Sperotto, da Sabbia, entre os designers Célio Teodorico e Felipe Dausacker da Cunha, da Paradesign. 4. Arq. Danielle Marion Gioppo, arq. Mariana Pesca e seu marido Fábio Renato Santos. 5. Simone Bobsin e os arqs. André Schmitt, Roberto Rita e Marília Ruschel. 6. Arqs. Juliana Pippi e Henrique Silvério. 7. Os arqs. Leandro Rotolo Soares, Silvana Carlevaro, Marcos Jobim, Lúcia Horta de Almeida César Rocha, Clarice Castro, Emerson da Silva e Francine Faraco com as jornalistas Letícia Wilson e Simone Bobsin. 8. Arqs. Celso Thomé, Pablo Trejes e Priscila Toniolo. 9. Simone Bobsin, arq. Katia Véras, Letícia Wilson, arq. Giovani Bonetti, arq. Taís Marchetti Bonetti e empresária Márcia Maurano, da Saccaro. 10. Letícia Wilson e Simone Bobsin com os arqs. Maria Lúcia Mendes Gobbi, Paulo Cezar Gobbi e Caroline Porto.

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Fotos Mariana Boro

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ONDE ENCONTRAR

ABEA (11) 2171-1500 www.abea.com.br Álvaro Vargas (48) 3232-8627 arquitetoalvaro@terra.com.br André Schmitt (48) 3224-2833 AsBEA-SC (48) 3028-3628 www.sc.asbea.org.br Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) www.abimovel.com Associação dos Moveleiros do Oeste de Santa Catarina (Amoesc) (49) 3328-4144 Beatriz Boell – Arquiteta biaboell@terra.com.br Bookman Editora www.bookman.com.br C.A Mobiliário Contemporâneo (47) 3363-3300 Café Empório Mineiro (48)3232-0931 www.cafeemporiomineiro.com.br Caixa Econômica Federal www.caixa.gov.br Casa a Caso (48) 3028-1662 www.casaacaso.com.br

Editora Senac www.editorasenacsp.com.br

Núcleo Catarinense de Decoração (NCD) (48) 3324-2982 www.nucleocatarinensedecoracao. com.br

Fabiana Maioli – Designer www.designtrendsteam.blogspot. com

Objeto Brasil (11) 3032-7191 www.objetobrasil.com.br

Fabiano Sobreira - Arquiteto (61) 8445-5340

Olavo Kucker Arantes - Eng. Produção Civil (48)3224-1121

Fábio Elias Araújo – Eng. Civil planalto@planalto-sc.com.br Favorita (48) 3235-1555 www.favoritamodulados.com.br Finger Móveis – Planejados www.fingermoveis.com.br Florense 0800 970 0053 www.florense.com.br

Paradesign (48) 3235-2424 www.paradesign.com.br Paulo de Tarso – Eng. Civil paulotcp@hotmail.com Paulo Rodriguez (51) 3334-3818 arqbaixoimpacto@gmail.com

Formaplas (48) 3224-8022 www.formaplas.com.br

PW Gráficos e Editores Associados (11) 3864-8011 | 3938-9310 Renato Krzyzanowski – Arquiteto bioconstrutor@gmail.com

Formus (48)3631-5400 www.formus.com.br

Renta Moura – Designer (41)3015.8045 www.renatamoura.com

Hans J. Hueblin – Eng. Mecânico hueblin@gmx.net

Restaurante Taikô (48)3282-9714 www.taikofloripa.com.br

IAB (48) 3224-4428 www.iab-sc.org.br

Roberto Simon – Arquiteto (48) 3224.0005

Ivan de Sá – Designer Gráfico equipe@lagoavirtual.com

Roseli Paulo Madeira – Bióloga ronijen@gmail.com

Casa Conceito Formus (47) 3433-9234 www.formus.com.br

José Francisco da Silva – Arquiteto chicoarquiteto@gmail.com

Sabbia (48) 3263-7070 www.sabbia.com.br

Casa Cor SC www.casacor.com.br

Katia Véras – Arquiteta (48) 3224-4440 contato@katiaveras.com.br

Saccaro (48) 3238-1616 www.saccaro.com.br

Kretzer (48) 3243-6067 www.kretzermoveis.com.br

Shopping Casa e Design www.shoppingcasaedesign.com.br

CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) www.cau.org.br Centro Brasileiro da Construção em Aço www.cbca-iabr.org.br Cidade Universitária Pedra Branca (48) 3203-1110 www.cidadepedrabranca.com.br Concetto/New - (48) 3239-7949 CONFEA www.confea.org.br CREA/SC www.crea-sc.org.br Dell Anno (48) 3206-9040 www.dellanno.com.br

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Editora K www.keditora.com

Duratex 0800 55 7474 www.duratex-madeira.com.br

LG 0800 707 5454

Sumara Lisboa – Arquiteta (48) 9991-7817 arquiteta@sumaralisboa.net

Luiz Fernando Schuler - Eng. Agrônomo ronijen@gmail.com

ThyssenKrupp Elevadores www.thyssenkruppelevadores. com.br

Mannes (47) 3373-9200 www.mannes.com.br

Udinese/Papaiz www.udinese.com.br

Mantovanni e Rita Arquitetura (48) 3223-3620 www.mantovanierita.com.br Márcio Holanda – Arquiteto arqbaixoimpacto@gmail.com Marina Horta – Arquiteta (48) 9916-4516 arquiteta@marinahorta.com

Unicasa Indústria de Móveis (54) 3455 4444 www.unicasamoveis.com.br Vigliecca & Associados www.vigliecca.com.br


Francine Faraco

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A proposta da arquiteta Patrícia Volpa-

tamento com todo o conforto e tecnolo-

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to surpreendeu os proprietários, um ca-

gia que estavam acostumados na cidade,

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sal da região Sul do Estado que gosta de

porém com atmosfera de praia. A solução

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,

receber com bom gosto nos fins de semana e na temporada de praia. Por isso, a co-

foi apostar na luminotécnica e em equipamentos de áudio e vídeo automatizados.

,

zinha superequipada com eletrodomésti-

A decoração promove a mistura equili-

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cos de design e a adega para armazenar

brada do “rústico chique”, como a madeira

s

os vinhos.

de demolição, com acabamentos nobres e

.

O casal solicitou à profissional um apar-

tecnológicos, como o corian e a laca fosca.

O

projeto de interiores desta clínica odontológica iniciou com a participação da arquiteta já na compra do imóvel. A sala, no centro de Florianópolis, tem 45,00m2 de área. E nesse espaço, a arquiteta Francine Faraco recebeu a missão de acomodar sala de espera, dois consultórios, laboratório, escritóri o, copa e lavabo com as dimensões mínima s exigidas. O espaço compacto determi nou escolhas

A paixão pela gastronomia foi um dos motivos que levou o proprietário a solicitar uma cozinha especial, completa, dotada de equipamentos de ponta e alta tecnologia. Antes fechado e localizado nos fundos do imóvel, o espaço foi transferido para a frente, sendo totalmente integrado ao amplo living e com vista para o mar.

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ambiente. Painéis ripados em laca branca contrastam com a madeira utilizada no painel e no aparador.

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Fotos : divulgação

Darley Voltolini e Ronaldo Martins

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adaptação de  imóveis residenuma ciais para implantação de empresa tem sido uma realidacomercial. No de frequente na arquitetura adequada paentorno desta edificação a no alto ra uma nova atividade, localizad Centro de Floda rua Barão de Batovi, no s, com casas rianópolis, há vários exemplo de 1960 e 1970. construídas entre os anos um período de “Essas obras são prova de ação por clareza formal e de boa investig se buscava parte dos arquitetos, em que 

o diao quarto, com acess nheiro integrado a. A pise de fácil manutene vista privilegiad iais de cor clara reto para o closet, eitamento da água e prainha, está interaia aprov ta, de as casca sistem cina, com ira. to solar. No desen amplo deck de made huva e de aquecimen grada ao SPA pelo a ção sta, Celso priorizou central e pressuriza mento da propo Elevador, aspiração no. lógicos que foentes com o entor são recursos tecno gração dos ambi água da astar com o azul os em vidro com contr ment Para fecha . por jados a opção ram plane rbranca que também propo da piscina, a cor uadrias de PVC, do céu e das águas aico e ra da casa. O guard isolamento térm nam um eficiente foi eleita para a pintu sace selocalizou garagens, das sacadas ofere inox aço em ústico. No subsolo, corpo erir no de. No térreo, esinterf deria sem lavan idade e de máquinas gurança e pratic ira, escom churrasque ico da edificação. r, jantar, cozinha senho arquitetôn rio. E, no pavimento , Lohn ritório, fitness e vestiá Ar Condicionado, Esmechal da Ilha Sistemas de com sacadas. A másParceiros: Clima suítes o e Termoplac. quatr Isabelita a or, uperi Esquadrias, Serralheri bao pergolado, tem er, localizada sobre

na relação enincorporar a transparência os arquitre interior e exterior”, ressaltam Voltolini. tetos Ronaldo Martins e Darley as plantas baiGeralmente, segundo eles,

um diáloxas desses projetos mantêm criando espago peculiar com o terreno, muita vitalidaços internos dotados de nas edificações de. “Também se encontra s muito ledessa região brises de desenho uma suave reves, comumente formando linguagem artícula, que caracterizam a entam. quitetônica destas obras”, complem

está coberta A maioria dessas residências as ou cobertupor lajes impermeabilizad das, resras escondidas por suas platiban aparentes. saltando a ausência de telhados desta loja, Neste contexto nasceu o projeto Ronaldo, com desenvolvido por Darley e os Marlon Psa colaboração dos arquitet Ferreira. cheidt, Thiago Duarte e Rodrigo uma edificaLogicamente, o programa de de uma resição comercial é bem distinto a nova atividadencial e a adaptação para de um grande de implicou na necessidade Os profissioaumento da área disponível. de luz, aquinais mantiveram, em forma   gerainterno, pátio um foi antes lo que Das edifidor de um dinamismo central. ta a ideia dos cações vizinhas, foi transpos que dá unidabrises para um novo forro, o uso destas fide à loja, tentando manter nas reticulas de madeira.

O antigo pátio interno da

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pela “arquitetura da edificação foi preservado

Parceiro: Móveis Kretzer

s de mento de porta ipal com o fecha

. No correr de vidro

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tura Voltolini e Martins Arquite Praça Pereira Oliveira, 64/401 Centro - Florianópolis/SC (48) 3223.9049 escritorio@voltolini.com.br ronaldo@martins.arq.br www.voltolini.com.br

as de ontais das janel Os recortes horiz frontal e cam a fachada vidro fixo desta as e volumes o jogo de form acompanham na segue itetônico. A pisci do projeto arqu com s retas e conta o desenho de linha cimento solar. aque de a sistem

ada do estar princ

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A edição 2011 está à venda em bancas, livrarias e lojas especializadas

PARCEIROS: WR Design, La Luce Iluminação, Fabiano Cortinas, Corremar Crystal Box. Móveis,

PROJETO 1

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como o uso de divisórias em vidro com película opaca para proteção visual. A solução para a estreita e alongada sala de espera foi o rebaixo do forro, em gesso, com aberturas para iluminação no sentido contrário. No laboratório, a necessidade de acesso visual ao consultório orientou a opção pela abertura em vidro com película espelhada com dupla função, permitindo a visualização do dentista, de um lado, e a sua utilização como espelho, de outro. A interven ção feita durante a obra – foram cinco meses desde a compra do imóvel - revestiu um dos consultórios com chapas de chumbo para raNo consultório, mobiliá rio de fácil diografar com segurança. manutenção agiliza o dia a dia dos Por se tratar de um espaço comercial, profissionais. A tela assinada pela artista Francine privilegiou a neutrali plástica Flávia Tronca se dade nos destaca no acabamentos, usando a cor ambient e. No lavabo, a madeira branca como aparece base da ambientação. Para em seu estado natural. tornar os esPágina ao lado: Mobiliá paços mais aconchegantes, rio sob medida elegeu acabacom acabamento amadeir mento amadeirado escuro ado e vidro para o mobiliáverde floresta conferem aconchego ao rio sob medida, executado em MDF. Objeescritório, rompendo a primazia do tos decorativos, tapetes e persiana branco. Na sala de espera, s como trabalho pletam os ambientes, tornand no forro, em gesso, e o uso o a clínica de espelhos acolhedora e menos impesso disfarçam o formato retangu al. lar do

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Fotos : Phili PP e ArrudA /divulg Ação

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Fotos : divulgação

A reforma garantiu mais conforto à casa de final de semana no canal da Barra da Lagoa, em Florianópolis. A integração foi fundamental para valorização do belo visual do lugar.

O na relação enincorporar a transparência os arquitre interior e exterior”, ressaltam Voltolini. tetos Ronaldo Martins e Darley as plantas baiGeralmente, segundo eles, um diáloxas desses projetos mantêm criando espago peculiar com o terreno, muita vitalidaços internos dotados de nas edificações de. “Também se encontra s muito ledessa região brises de desenho uma suave reves, comumente formando linguagem artícula, que caracterizam a entam. quitetônica destas obras”, complem

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está coberta A maioria dessas residências as ou cobertupor lajes impermeabilizad das, resras escondidas por suas platiban aparentes. saltando a ausência de telhados desta loja, Neste contexto nasceu o projeto Ronaldo, com desenvolvido por Darley e os Marlon Psa colaboração dos arquitet Ferreira. cheidt, Thiago Duarte e Rodrigo uma edificaLogicamente, o programa de de uma resição comercial é bem distinto a nova atividadencial e a adaptação para de um grande de implicou na necessidade Os profissioaumento da área disponível. de luz, aquinais mantiveram, em forma   gerainterno, pátio um foi antes lo que Das edifidor de um dinamismo central. ta a ideia dos cações vizinhas, foi transpos que dá unidabrises para um novo forro, o uso destas fide à loja, tentando manter nas reticulas de madeira.

O antigo pátio interno da

canal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, é um dos lugares mais pitorescos da cidade – ponto de passagem de embarcações de pesca da tradicional colônia de pescadores e dos aman-

pre gelada” – bebida preferida do cliente. Esta característica e as belezas naturais do local determinaram a “cara do projeto”. A cozinha foi transformada no ambiente principal da casa, com diferentes ilhas. A de

tes da náutica. O proprietário desta casa é um deles – um velejador experiente conhe-

cocção, mais leve e dotada dos eletrodomésticos básicos, foi voltada para o salão prin-

cido por sua paixão pelo mar. Ele transformou esse refúgio de final de semana num espaço especial para receber a família e reunir os amigos. Na reforma, a arquiteta Katia Véras deveria respeitar a tradição de ser este um lugar onde “se come muito bem e a cerveja esta sem-

cipal. A outra, separada por uma parede divisória, recebeu equipamentos especiais, como fritadeira e forno para altas temperaturas, além da área de limpeza e preparo preliminar dos alimentos. Duas grandes mesas em madeira maciça, já pertencentes ao proprietário, foram reapro-

valorizam a fachada projetada. Materiais naturais pela “arquitetura da luz” edificação foi preservado

da no vão da escada, junto a uma pequena adega.

tura Voltolini e Martins Arquite Praça Pereira Oliveira, 64/401 Centro - Florianópolis/SC (48) 3223.9049 escritorio@voltolini.com.br ronaldo@martins.arq.br www.voltolini.com.br

Parceiros: Donatelli Tecidos, Formus, Marmoraria Rajada, Ouse Iluminação e Verde e Cia. Garden Center.

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A cozinha, conjugada com a churrasqueira, é o centro de referência da casa. A cervejeira foi instalada no vão da escada, para um melhor aproveitamento do espaço. Lambri na parede e escotilhas confere atmosfera marinha ao home theater.

Katia Véras Arquitetura Rod. Rafael da Rocha Pires, 2279 Sambaqui - Florianópolis/SC (48) 3334.7670 contato@katiaveras.com.br www.katiaveras.com.br

Acesse www.revistaarea.com.br e saiba onde encontrar. Informações: (48) 3259.3626 / anuario@revistaarea.com.br A N U Á R I O

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madeira com cobertura de palha. Esta foi integrada ao deck e ao trapiche voltado para o canal, que costumam ser utilizados em dias de sol com o apoio de uma churrasqueira portátil. Diversas pecas náuticas colecionadas pelo proprietário foram somadas à ambientação no projeto, que contou com a colaboração da arquiteta Fernanda Teixeira Gorski. As paredes do home theater, revestidas por lambris de madeira, receberam escotilhas, lanternas, barômetro e alguns dos vários troféus conquistados em competições de barco a vela. Na parte externa, um engate rápido para rebocador adquirido em um desmanche de navio no porto de Itajaí indica aos que transitam no canal que a casa é de um “marinheiro”. O relógio, acima da churrasqueira interna, foi montado pelo cliente em uma escotilha sob base de madeira. E para garantir a temperatura ideal da bebida preferida do dono da casa, uma cervejeira foi instala-

e os interiores.

Parceiro: Móveis Kretzer

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veitadas. Uma para o jantar, disposta junto à churrasqueira interna, e outra para o ambiente externo, protegida pela estrutura em

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Revista Área - Arquitetura e Design