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Diretor: JoĂŁo Vieira Lopes Peridocidade: Semestral

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Editorial

NOVOS E GRANDES DESAFIOS

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ivemos tempos inesperados. Nenhum de nós, há seis meses, podia prever o choque que atravessam a sociedade e a economia em Portugal. Neste momento, nem sequer temos capacidade para prever a evolução e o modo como vamos lidar para sair desta crise e, muito menos, quando ela vai terminar. No entanto, como empresários, estamos no terreno e temos de perceber que, desde já, algumas alterações irão surgir no comportamento do mercado e dos consumidores: • O comércio alimentar de proximidade recebeu novos (ou regressados) clientes durante os recentes meses, pelas restrições à mobilidade ou por ser pouco prático frequentar algumas grandes superfícies (filas, tempo de espera, etc.). Como manter a atração desses novos clientes pelas nossas lojas é um desafio difícil, mas fundamental. Ajustar a gama de produtos ao interesse desses clientes, mostrar que a nossa política do preço na prateleira é competitiva, dinamizar as ações da loja, aproveitando a ação promocional e de folhetos Aqui é Fresco. São estas algumas das preocupações que devemos ter. • O vírus vai manter-se ativo durante meses ou anos. Todos nós – comerciantes, empregados e consumidores – vamos ter de nos habituar a viver uma nova realidade. As preocupa-

ções com a higiene e segurança, em termos de saúde pública, vão continuar, pelo que temos de seguir, de forma ativa, todas as regras acordadas entre Direção-Geral da Saúde e a Confederação do Comércio de Portugal (CCP), em termos de máscaras, álcool, gel, desinfeções dos espaços, etc. O cliente tem de ter confiança de que está num local seguro e onde os riscos de contágio são reduzidos. Esta é uma questão fundamental. • As entregas ao domicílio são uma componente do negócio que vários comerciantes já praticavam. Nos meses recentes, esta atividade cresceu significativamente e tornou-se um hábito para muitos consumidores. Sendo natural que diminua com o progressivo regresso a uma vida próxima do possível “normal”, existirão, no entanto, fatores para que permaneça interessante para muitos consumidores: teletrabalho, desfasamentos de horários nas maiores cidades e, acima de tudo, preocupações com a saúde e bem-estar de populações mais idosas. É um desafio a que teremos de nos adaptar. • O comércio eletrónico, nomeadamente no sector alimentar, mais do que duplicou durante este período. Os comerciantes independentes não podem perder este comboio. Criação e atualização de sites atraentes e acessíveis, envio de mensagens promocionais e receção de encomendas por e-mail e por SMS dos clientes e o

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projeto de cartão de fidelização que apresentámos na última Convenção do Aqui é Fresco são alguns dos desafios que teremos de enfrentar com decisão e rapidez. Já enfrentámos muitas crises e sobrevivemos sempre. O comércio independente, de proximidade, está vivo e vai transformar estas dificuldades numa evolução positiva, que nos permita dar um passo para a modernização e sustentabilidade do nosso negócio. João Vieira Lopes diretor-geral da UniMark


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Índice

O QUE APRENDEMOS NESTES MESES DE COVID?

14 COMÉRCIO PROXIMIDADE NA LINHA DA FRENTE

34 BENS DE GRANDE CONSUMO CRESCEM COM ´CRISE DA COVID-19

38 “O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE TAMBÉM SE PREPAROU PARA A COVID-19”

42 LARGO DO CHICO

REVISTA AQUI É FRESCO

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DEPÓSITO LEGAL N.º : 396902/15 N.º DE INSCRIÇÃO NA ERC: 126837 PERIODICIDADE: Semestral PROPRIEDADE: Aqui é Fresco - Sociedade de Desenvolvimento Retalhista, S.A.

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João Vieira Lopes

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TIRAGEM: 4,5 mil exemplares

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MORADA: Estrada de S. Marcos 27, São Marcos 2735-521 Agualva-Cacém

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IMPRESSÃO: Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas, S. A

ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Malaquias - Distribuição Alimentar, Lda Vogal: M.Cunha & Ca, S.A. Vogal: Pereira & Santos, S.A. Vogal: Marabuto - Prod. Alimentares, S.A. Vogal: Amaral & Filhos – Distribuição, S.A.

ACIONISTAS COM 5% OU MAIS % DO CAPITAL DO AQUI É FRESCO, SA: Amaral & Filhos - Distribuição S.A. - 12,1% M Cunha & Ca. S.A. - 12,1% Malaquias - Distribuição Alimentar, Lda - 12,1% Marabuto - Prod. Alimentares, S.A. - 12,1% Pereira & Santos, S.A. - 12,1% Soprei CRL - 12,1%


46 FERNANDO’S SUPERMERCADO

52 SUPERVARÃO

56 SUPERMERCADO SÃO PEDRO

74 45 ANOS ADIPA EM ENTREVISTA

80 SOGRAPE DISTRIBUIÇÃO: 30 ANOS DE EFICIÊNCIA AO SEU SERVIÇO

82 A FECHAR

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TEXTO CARINA RODRIGUES | FOTOS SHUTTERSTOCK/SARA MATOS

Kantar

O QUE APRENDEMOS NESTES MESES DE COVID? Existem alguns comportamentos, que ocorreram entre 2009 e 2013, que poderão também ajudar a perceber o que podemos estar perante os próximos tempos. Foi em 2009 que surgiu a primeira grande busca pelo preço, que, por um lado, se fez via promoções e, por outro lado, pelo crescimento da marca da distribuição (MDD) nas categorias mais básicas para o consumidor. 6


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m 2010, o shopper virou-se mais para o consumo dentro de casa, de forma mais racional e com compras mais planeadas. No ano seguinte, o consumo de Fast Moving Consumer Goods (FMCG) dentro dos lares aumentou ainda mais e entrou-se numa nova fase, em que o shopper procurou reduzir os seus custos, enchendo ainda mais as suas cestas de MDD e com promoções. Em 2012, já se falava de um ajustamento para o que seria um “novo normal”. Este foi o ano da famosa ação promocional no retalho organizado do 1 de maio e o início de uma nova fase de vida das promoções em Portugal. Houve também o aumento do IVA, que em alguns produtos subiu de 6% para 23%, o que levou a uma maior concentração naquilo que era mais essencial, e ocorreu uma redução do consumo em FMCG pelas famílias portuguesas. Para 2013, o mote foi a gestão do orçamento familiar, com um “out of pocket” ainda mais focado na definição do básico: a alimentação, ainda mais no centro, com os portugueses a voltarem a visitar as lojas mais vezes. De uma forma geral, estes anos de crise levaram a uma maior procura das marcas da distribuição e das promoções. Mas estas já entram em cerca de 60% das ocasiões de consumo dos portugueses, pelo que, em 2020, está-se a falar de um cenário com características diferentes. E este cenário foi traçado por Marta Santos, Manufacturers Sector Director na Kantar, num webinar dedicado à Covid-19.

ANTES E DEPOIS

Os últimos anos significaram alguma recuperação do poder de compra dos portugueses, registando-se mesmo, em 2018, um máximo histórico no consumo privado, o mais elevado desde 1960. “Esse facto, associado a uma maior oferta promocional, culminou num dos mais significativos níveis de crescimento das compras de FMCG para dentro do lar desta década, que ocorreu em 2019”, notou Marta Santos. Porém, apesar dos resultados positivos, em 2020, era já previsto um abrandamento do crescimento do consumo privado. E o início do ano revelava isso mesmo. “Os dois primeiros períodos do ano registaram alguma estabilidade no gasto dos portugueses em FMCG, mas a rápida e inesperada mudança nos acontecimentos, desde a expansão dos casos europeus de Covid-19, no início de fevereiro, e a confirmação dos primeiros casos em Portugal, no dia 2 de março, até à declaração do estado de emergência, levou a que as atenções se focassem na necessidade de aquisição de todos os bens necessários para fazer face a uma das fases mais atípicas vividas na história recente. Com o confinamento forçado pela propagação do vírus, verificou-se um aumento de quase 20% realizado pelas famílias portuguesas no terceiro período”. Com o impulso das compras dentro do lar, outras áreas ressentiram-se com uma menor procura de forma súbita. Com as medidas de confinamento adotadas e com os portugueses a fazerem toda a sua rotina

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pessoal, e até mesmo profissional, no seio dos seus lares, áreas de negócio como o vestuário, gasolineiras e de consumo fora de casa, forçosamente, deixaram de ser uma prioridade para o consumidor, o que levou a quedas históricas do número de compradores. Desde o início, mais de 80% dos portugueses já revelavam uma elevada

lojas”, destacou. Porém, foi a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 em Portugal que deu início à onda de afluência de compradores nas lojas. Primeiro, para cestas mais rápidas e de necessidade imediata, que se verificaram na semana 10; depois, na semana 11, para armazenar um maior número de produtos, tanto em variedade como

preocupação com a crise que se instalava. Porém, se no início do mês de março lavar as mãos com frequência ou promover o distanciamento social eram o principal foco de atenção, na segunda metade do mês, as preocupações rapidamente escalaram para as consequências económicas que possam surgir desta pandemia, tanto a nível nacional como pessoal, sobretudo no que diz respeito à manutenção dos seus próprios empregos. “Falamos, então, de um comprador que se movimentou nas suas compras ao ritmo da crise, que num curto espaço de tempo mudou não só a sua forma de pensar, mas também a sua forma de agir. Um comprador que, na última semana de fevereiro, a semana 9, já começou a sentir a necessidade de fazer mais uma ou outra compra extra de precaução, gerando, nessa semana, um ligeiro aumento no tráfego das

em quantidade. Até que se entrou na fase de confinamento, onde a presença de compradores recuou para níveis nunca antes vistos e a prioridade passou a ser um planeamento cuidadoso e cestas mais volumosas, que suprimissem as necessidades do lar para um período de tempo mais longo que o normal.

COMPRADOR EM PROGRESSIVA MUTAÇÃO

Mas o conteúdo das cestas não foi sempre o mesmo e revelou um comprador em progressiva mutação. Movido pela constante mudança de cenários, alterou as suas prioridades. Tendo como referência a forma como os portugueses dividiram o gasto em FMCG, consegue-se observar, semana após semana, que a importância dada aos três principais sectores de compra – alimentação, limpeza do

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lar e higiene pessoal – mudou rapidamente. Com a iminente chegada do vírus a Portugal, a primeira grande prioridade, na semana 9, foi a higienização do lar e da roupa: basicamente, esterilizar todos os elementos de contacto direto. Na semana 10, assinalou-se a épica corrida à compra de produtos frescos, embora a higienização continuasse a ter lugar de destaque, deixando, inclusivamente, de ser restringida ao lar para passar ao campo pessoal. “Ao mesmo tempo que comprava desinfetantes, o shopper procurava complementar o restante cuidado do corpo, abrindo espaço ao aumento da compra de produtos de segunda necessidade”. À medida que os casos se multiplicavam, na semana 11, aumentava o nível de informação sobre o vírus e os portugueses perceberam, mesmo antes da imposição de algum tipo de confinamento, que esse cenário iria mesmo concretizar-se. “Por essa razão, além da corrida ao papel higiénico, sentiram a necessidade de rechear a despensa com alimentação, tendo como prioridade alimentos básicos, de longa duração, como as conservas, massas e arroz”, detalhou. Mesmo após ter sido declarado o estado de emergência, na semana 12, este tipo de alimentação continuou a ser a principal prioridade, para fazer face a um maior número de momentos de consumo dentro do lar. Porém, aumentou também um outro tipo de necessidade emergente, mais ligado à indulgência. Impossibilitados de ir à rua para preencher aqueles momentos de prazer característicos do consumo fora de casa e dos atos sociais, a solução encontrada pelos shoppers passou pela criatividade e maior diversidade desses momentos de consumo dentro do lar, abrindo espaço a categorias como a cerveja, farinhas, açúcar e doces. O aumento da compra nas diferentes categorias foi feito de forma distinta, pois nem todas têm a mesma finalidade ou regularidade de aquisição. De um universo de 120 categorias de FMCG, metade delas sofreu uma mudança significativa na forma como foram compradas: 37% por antecipação e 14% por armazenamento.


Dentro dos produtos comprados por antecipação, encontram-se categorias que registaram um aumento de compra não por quantidade por comprador, mas sim pelo anormal número de compradores que, em algum momento, iam efetuar esta compra, mas que, devido às circunstâncias atuais, o fizeram no mesmo espaço de tempo. Aqui, destacam-se categorias de alimentação, ligadas à conveniência e ao prazer, mas sobretudo os produtos ligados à higiene pessoal e limpeza de mãos. Nos produtos armazenados encontram-se, essencialmente, categorias de alimentação básica, como as massas e o arroz, de longa duração, como as conservas, e de utilização diária, como o leite, o pet food e o papel higiénico.

NOVAS PRIORIDADES

Dentro destes dois efeitos de compra, existe um pequeno grupo de categorias que foram compradas de forma antecipada, mas também em grande quantidade, que podem ser consideradas como as novas prioridades pro-

APÓS TER SIDO DECLARADO O ESTADO DE EMERGÊNCIA, A ALIMENTAÇÃO CONTINUOU A SER A PRINCIPAL PRIORIDADE vocadas pelo confinamento. Onde se destacam as conservas de carne, vinagres, farinhas e higiene íntima. Por outro lado, existem categorias que acabaram por registar, nesta primeira fase de confinamento, um desempenho abaixo das restantes, que parecem não ter constado na lista de prioridades, seja devido a um armazenamento anterior, até fruto de uma recorrente intensidade promocional, PUB

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Rua Pego - Lage da Sobreira Fracção C Tonda | 3460-471 Tondela Junto ao IP3 ( Nó saída da Adiça-Tondela) Telefone: 232 891 883 | E-mail: geral@bestcool.pt 9


seja porque, em momento de crise, não são uma prioridade. Contas feitas, no final do trimestre, o preço reforçou-se, sobretudo nos sectores onde mais pesam os gastos, como é o caso da alimentação e a higiene pessoal. Os fabricantes conseguiram manter a sua quota em sectores que verificaram uma rotação atípica nos lineares, como, por exemplo, os produtos de limpeza do lar e de papel. “Mais uma vez, verifica-se que são os sectores onde os fabricantes mantiveram a quota que acabam por ser os mais valorizados. Face ao primeiro trimestre de 2019, foram mesmo os produtos de papel e a alimentação animal onde os fabricantes aumentaram quota e onde se obtiveram os maiores crescimentos em FMCG”, analisou Marta Santos. A diferença do preço entre marcas da distribuição e as marcas de fabricante ficou ainda mais nítida pelo abrandar da atividade promocional nas duas semanas após oficializados os primeiros casos de Covid-19 em Portugal. Até à semana 10, primeira semana de março, o peso em valor da MDD estava dentro da sua média. “Porém, as rápidas movimentações estratégicas no início da crise, que levaram a alterações no planeamento previsto, sobretudo no planeamento

AS MARCAS DE FABRICANTE CONSEGUIRAM MANTER A QUOTA DE MERCADO EM SECTORES QUE VERIFICARAM UMA ROTAÇÃO ATÍPICA EM LINEAR, CASOS DOS PRODUTOS DE LIMPEZA DO LAR E DE PAPEL promocional, levaram a que, rapidamente, as MDD ganhassem elevado protagonismo, tendo nas semanas 11 e 12 um peso nas cestas dos portugueses 10% acima da sua média em 2020”. A questão que se coloca é até que ponto esta correlação de eventos foi determinante para a marca própria.

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“Para responder a esta questão, têm de se identificar quais os tipos de compradores que existem no mercado, tendo em conta a sua afinidade com marcas e promoções”, adiantou. E são quatro os tipos de compradores no mercado: os que compram marca de fabricante e compram promoções, acima ou abaixo da média, e os compradores que são mais ligados à marca da distribuição, que também se dividem pela sua fidelidade às promoções. Em primeiro lugar, apesar das marcas de fabricante terem um maior peso no mercado, existem mais compradores fiéis a comprar, acima da média, as marcas da distribuição do que compradores fiéis a promoções. “Logo aqui se percebe uma tendência natural de compradores mais fiéis ao fator preço do que à marca e às promoções”, sustentou. Comparando o peso que as marcas da distribuição tiveram em cada um destes grupos, no período 3 de 2020 face aos três períodos pré-Covid, constata-se que onde as MDD mais aumentaram o seu peso foi não só junto do grupo de compradores fiéis a marcas de fabricante, mas sobretudo junto do comprador de marca de fabricante que também é fiel a promoções. “Este facto ganha maior importância dentro do universo


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de fabricantes, pois no top 15 este comprador está ainda mais presente, tem um índex 10% acima da média. Este grupo é constituído por lares com filhos, que em Portugal são a tipologia com maior gasto médio”.

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NOVAS OPORTUNIDADES

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Mas este momento de crise não trouxe apenas crescimento em termos de busca de preço e de marca de distribuição. Estão também a abrir-se novas oportunidades para as marcas de fabricante, em categorias que, à partida, não surgiriam como as favoritas na intenção de compra. “Em 59% das categorias analisadas, o crescimento das marcas da distribuição foi mais positivo do que o das marcas de fabricante, crescendo, sobretudo, onde os fabricantes têm um peso acima da média total de FMCG. Ainda assim, as marcas de fabricante também cresceram mais em categorias, por sua vez, mais típicas das MDD, verificando-se como que uma troca de territórios. As marcas da distribuição defenderam o seu espaço em categorias de cariz mais básico, sobretudo em alimentação, e ganharam, naturalmente, espaço nas categorias que se distinguem não tanto pelas suas características físicas, mas pela sua intensidade promocional no mercado. Já as marcas de fabricante resguardaram a sua quota de mercado em categorias de higiene pessoal e do lar e cresceram mais do que as MDD num grupo de categorias mais direcionadas para o prazer e para a conveniência”, destacou Marta Santos. Neste momento de crise, há ainda outros fatores que acabaram por evidenciar focos de crescimento no mercado e que não estão obrigatoriamente relacionados com marca, preço ou promoção. Existe um maior número de ocasiões de consumo no lar por transferência das CY

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ocasiões de consumo que se faziam fora, abrindo portas a novas categorias que não têm sido tão exploradas no consumo dentro de casa.

tentação: a vontade dos portugueses em aumentar a sua compra pela Internet, ainda que como uma medida, entre outras, adicional de resguardo.

QUE NOVO NORMAL?

ESPAÇO PARA O ONLINE

O espaço digital também saiu beneficiado, mas os resultados ainda não demonstram toda a sua dimensão. “No início da pandemia, apenas 10% dos lares portugueses concordavam que sentiam que estavam a comprar mais produtos de alimentação e bebidas online e a verdade é que o resultado, apesar de bastante positivo, ficou dentro da média do que, eventualmente, se poderia esperar, com o crescimento de 19% alinhado com a evolução total de FMCG de 20%”. Houve, no entanto, no período 3 de 2020, uma afluência acima da média a este canal, não obstante o gasto realizado por cada lar ficar abaixo da média de FMCG. Contudo, é importante perceber que, com o aumento das opções de compra no canal online, tanto por parte dos retalhistas como das próprias marcas, que se reinventam e encontram modelos alternativos, a perspetiva é de que estes números sejam superados, inclusivamente, por contarem com um grande fator de sus-

Desde meados de março, altura do surgimento do estado de emergência, que o padrão de compra dos portugueses está forçosamente definido. Verifica-se uma menor afluência às lojas e, tanto os carros como as cestas, estão mais cheios. A Kantar perspetiva que os portugueses vão continuar as suas atividades dentro do lar. “Neste momento, é fundamental que a presença das marcas no ‘top of mind’ não seja comprometida e que possam continuar envolvidas nas suas rotinas. Redes sociais, Internet e televisão vão continuar mais presentes no seu dia-a-dia e serão canais de comunicação ainda mais importantes, sobretudo numa altura em que os estímulos exteriores são inferiores aos que se verificavam em pré-Covid”, alertou Marta Santos. As previsões são de que irá continuar a haver mais momentos de consumo em casa e mais tempo para cozinhar, além de que começa a surgir também a necessidade de preparar alguns momentos especiais no lar, como os aperitivos. “Existe a abertura para experimentar coisas novas, não significando, contudo, que tenham que existir novos produtos, mas sim momentos de consumo que se transformam. Também o Do it Yourself ganha uma nova vida, com mais trabalhos manuais e mais tempo na cozinha. Para isso, é crucial que a mensagem seja adaptada a cada momento e a cada consumidor”.

PAPEL DAS MARCAS

Cada vez mais, as marcas deverão compreender como se estão a modificar as necessidades e as preocupações dos portugueses, porque, neste momento, a única certeza é que mudam rapidamente. “Perder o momento pode significar perder espaço no ‘top of mind’ dos consumidores”, sublinhou. A curto prazo, sabe-se que será a alimentação básica a prioridade mais constante das próximas semanas. Algumas categorias, como iogurtes,

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A CURTO PRAZO, SABE-SE QUE A ALIMENTAÇÃO BÁSICA SERÁ A PRIORIDADE DAS PRÓXIMAS SEMANAS charcutaria, queijo, bolachas e bolos, não conseguiram, no início da crise, ser prioritárias na cesta dos portugueses, que afirmam ainda que não planeiam, nas próximas semanas, aumentar a sua compra. Um dos aspetos que mais pode influenciar a estratégia e o desempenho de uma marca será o regresso dos consumidores à convivência fora de casa. “Irá o canal Horeca conseguir manter a sua quota pré-Covid, tendo em conta o crescimento atual dos canais de conveniência da própria distribuição moderna no consumo fora de casa? Ou irá, de forma geral, ocorrer uma valorização do consumo fora de casa devido à vontade de um regresso ao convívio e à liberdade de circulação? Poderão os fatores económicos e as rotinas ganhas com o confinamento ter ainda mais peso, porque existe um vírus invisível, que trouxe profundas incertezas ao que se dava como garantido enquanto consumidor? O uso do ‘delivery’, por exemplo, tem ganho adeptos no confinamento e promete continuar com aumentos da procura. 10,2% dos lares portugueses planeiam aumentar o seu uso”. Por experiências passadas, sabe-se quanto a evolução da economia é importante para o consumo e as previsões não são as mais otimistas para Portugal. O aumento do desemprego parece ser uma ameaça. Quase 14% dos lares portugueses afirmam já ter tido uma alteração da sua situação laboral. “Recordando 2012, quando houve uma maior inflação e a taxa de desemprego atingiu os 16,3%, houve também uma redução do consumo das famílias em FMCG”, concluiu.


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Os associados da rede Aqui é Fresco estiveram na linha da frente durante o período de pandemia e permitiram que o comércio de proximidade demonstrasse toda a sua pertinência, quando os consumidores portugueses mais precisaram. 14


“OS CLIENTES PERCEBERAM PERFEITAMENTE AS LIMITAÇÕES E AS MUDANÇAS INTRODUZIDAS” A Abel Narciso Jorge procedeu ao “cumprimento escrupuloso” das medidas implementadas pelo Governo, de modo a assegurar o correto funcionamento do seu cash e respetiva rede de lojas. Cuja oferta ao consumidor será reforçada, em breve, com uma loja online. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Abel Narciso Jorge – A nível do comércio por grosso e do retalho, foram implementados serviços de desinfeção sistemáticos, medidas de proteção individual para todos os colaboradores, controlo de temperatura, diminuição do horário de trabalho para uma melhor reposição e desinfeção e, nos casos em que foi possível, separámos as equipas optando por horários diferenciados, assegurando a autonomia das mesmas, de modo a manter a empresa aberta. Os colaboradores que podiam estar em teletrabalho foram para casa, a lotação dos espaços foi controlada e a distribuição logística passou a operar apenas com mercadoria paletizada, o que permitiu que, durante o estado de emergência, não entrássemos nas instalações de nenhum cliente.

nhados numa fase de reestruturação e termos separado as equipas, fez com que abandonássemos algumas rotas de distribuição. Os clientes perceberam perfeitamente as limitações e as mudanças introduzidas.

AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? ANJ - O facto de ser tudo novo, sem preparação, o facto de serem 10 espaços e o facto de querermos que todas as medidas fossem implementadas em todos os espaços no mesmo momento.

AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? ANJ - No cash, as visitas foram um pouco superiores, uma vez que éramos nós que preparávamos as mercadorias, para diminuir o tráfego interno e, consequentemente, o risco. Os clientes aproveitavam e tinham a mercadoria preparada sempre que entendiam.

AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? ANJ - O facto de termos cumprido escrupulosamente as medidas decretadas pelo Governo, de termos sido apa-

AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? ANJ - Houve alguns produtos com vendas absolutamente anormais, como sejam os desinfetantes (álcool, gel alcoólico, lixívia, etc.) e as farinhas de trigo e fermentos. Penso que as farinhas e fermento de padeiro seria pelo facto das pessoas estarem em casa e haver alguma dificuldade na aquisição de produtos provocada pela diminuição da lotação dos estabelecimentos, o que provocou, em alguns casos, filas com alguma dimensão.

AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? ANJ - Sim, embora o nosso foco seja o retalho e as instituições de solidarieda-

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de social. Mas sentimos essa baixa. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? ANJ - Na área retalhista não tínhamos distribuição ao domicílio e, como tivemos alguns colaboradores em casa a tomar conta de familiares, não conseguimos implementar. Contudo, neste momento, estamos a desenvolver uma loja online e a preparar todos os meios necessários para fazer chegar aos nossos clientes a mercadoria em total garantia sanitária. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? ANJ - Claro que sim. Como costumo dizer, “nunca mais será igual”. A grande alteração foi a separação das equipas. Na verdade, foi possível perceber que os que trabalham de noite produzem mais que os que trabalham de dia. Independentemente de quem sejam. As solicitações são muito inferiores e o trabalho rende mais. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? ANJ - Sim. No que respeita ao retalho, neste momento, tudo voltou já ao normal e o volume de vendas ficou um pouco acima.


“OS PORTUGUESES VÃO MANTER-SE FIÉIS E CONTINUAR A PREFERIR O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE” A Algartalhos faz uma analogia entre a reação do consumidor à Covid-19 e um mês de agosto habitual na região algarvia onde atua. Forte impacto no consumo que levou a necessários ajustes para o correto funcionamento das lojas detidas. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Algartalhos - Apesar da grande dificuldade, no início da pandemia, em encontrar material de proteção e desinfeção disponível, nomeadamente máscaras e álcool gel, conseguimos sempre ultrapassar essa escassez e oferecer aos nossos colaboradores e clientes todas as condições de trabalho e de proteção. Foram também instaladas telas de proteção nas caixas e limitado a acesso ao estabelecimento a apenas quatro pessoas por cada 100 metros quadrados. Foram também colocados painéis informativos, com as medidas e precauções mais importante a tomar. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? A - Como já referido, a dificuldade em adquirir material de proteção e desinfeção em tempo útil. Muitas vezes adquirido a preços bastante inflacionados. Mas não podíamos expor, nem falhar com a nossa equipa. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? A - Esta situação foi nova para todos, sem exceção. O facto de estarmos perante algo que desconhecemos tornou-nos mais cautelosos, pelo que toda e qualquer medida de segurança foi bem aceite. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? A - Para além das equipas existentes, que mantivemos, reforçámos com mais 31 colaboradores, de outra área de negócio, a pastelaria. Esta foi a forma encontrada para não despedirmos ninguém. Temos sempre presente a parte humana e social, con-

tribuindo, sempre que possível, para a satisfação de todos. Com a devida formação, estes colaboradores vieram reforçar o aumento da procura nesta área de negócio. O trabalho foi organizado por turnos, para evitar, o mais possível, grandes concentrações. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? A - Sem explicação aparente, o consumo de papel higiénico explodiu. Os bens de consumo de primeira necessidade, como farinhas, enlatados, produtos de higiene, como é expectável, também aumentaram consideravelmente. Foi, a bem da verdade, um mês de agosto antecipado. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? A - Sim, principalmente nas lojas “de cidade” e aquando da declaração do primeiro estado de emergência. Atualmente, notamos uma estabilização. Nas lojas “de verão”, sentimos uma menor procura, devido à pouca afluência que, mesmo nos meses de março, abril, maio, principalmente de estrangeiros, era considerável. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? A - Não. Não vendemos para esse canal. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? A - Sempre. Mantendo o devido distanciamento social e o uso obrigatório de máscara, para toda e qualquer compra igual ou superior a 20 euros, a entrega gratuita era assegurada.

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Os nossos clientes podem contar sempre connosco, nos bons e, principalmente, nos momentos mais complicados. Juntos, acreditamos que vamos superar. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? A - Quanto a mim, o desordenamento territorial foi um dos fatores que contribuiu para a propagação desta pandemia. Foi nos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto) que ocorreram mais casos. A proximidade habitacional e a dificuldade em haver o devido distanciamento social foram, quanto a mim, o grande inimigo do controlo desta pandemia. Quem de direito, talvez, deva tirar as devidas conclusões. Mas também trouxe alguns ensinamentos. Aparentemente, parece que enfrentamos as situações com mais calma. Após passarmos “as passas do Algarve”, começamos a dar valor ao que, de facto, importa. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? A - É uma incógnita. Nesta fase, todo o comércio de proximidade beneficiou do facto das pessoas evitarem grandes ajuntamentos, as filas intermináveis de alguns grandes espaços comerciais. No entanto, a perda de rendimento que aí vem vai, certamente, fazer-se sentir e nós não vamos ser exceção. Por outro lado, as pessoas têm memória curta. Com o desconfinamento, não sabemos até que ponto voltam aos hábitos antigos. Quero acreditar que a qualidade no atendimento, que tão bem nos caracteriza, não vai passar despercebida e os portugueses vão manter-se fiéis e continuar a preferir o comércio de proximidade.


“A AMARAL & FILHOS SOUBE UNIR-SE E REAGIR DE FORMA MUITO POSITIVA” A Amaral & Filhos acompanhou com rigor as diretrizes emitidas pelo Governo em consonância com a Direção-Geral da Saúde, o que permitiu continuar a oferecer a todos os seus clientes uma experiência de compra segura, mesmo em contexto de Covid-19. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Amaral & Filhos - A Amaral & Filhos esteve sempre coordenada com o departamento jurídico, medicina de trabalho e empresa de HACCP. Assim, conseguimos acompanhar todas as diretrizes governamentais e da Direção-Geral da Saúde. Reforçámos a desinfeção nas lojas, de acordo com novo plano de higienização adequado para a Covid-19. Oferecemos material de proteção e consciencializámos os nossos funcionários para o problema. Organizámos as lojas por turnos e, nos escritórios, mantivemos teletrabalho. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? A&F – O desconhecido. Tudo era novo, por isso, foi importante organizar um grupo de trabalho para acompanhar, diariamente, decretos-lei e diretrizes da Direção-Geral da Saúde. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? A&F - Pontualmente, e ao princípio, regiram mal. Não estavam habituados a esperar para entrar nas lojas, nem a manter a distância de segurança. Mas, com o evoluir da situação, a uniformização das normas e o entendimento de que nada iria faltar, a situação acalmou. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? A&F - A Amaral & Filhos geriu as equi-

pas de acordo com as diretrizes e decretos-lei. Turnos, teletrabalho e muita comunicação entre gerentes, administração e departamento de recursos humanos. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? A&F - Os produtos do cabaz adquirido, desde o início da pandemia, sofreram uma significativa alteração, na medida em que incidiram, essencialmente, numa primeira fase, em produtos enlatados, mercearia seca, papel higiénico e produtos de limpeza, ou seja, de longa duração, em detrimento dos produtos de consumo diário e imediato. Hoje, esta situação tende a esbater-se, mas julgamos que nunca mais será o mesmo. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? A&F - Dada a situação de restrição de entradas nos cash’s, o cumprimento, nomeadamente, das regras de higiene e distanciamento, houve uma redução substancial do número de visitantes, embora não tenha afetado o negócio. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? A&F - O facto da hotelaria e restauração estarem encerradas, áreas em que atuamos com grande incidência e cujas transações representam um volume significativo, o desempenho da nossa atividade ressentiu-se consideravelmente. De realçar que tivemos que reinventar toda a nossa atuação,

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bem como os destinatários, clientes, para minimizar o impacto, objetivo esse que conseguimos alcançar e até superar. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? A&F – A Amaral & Filho, habitualmente, não está vocacionada para entregas ao domicílio, ou seja, fazemos de uma forma residual, o que nesta fase não constitui um grande problema. De qualquer forma, e por questões de higiene e segurança, suspendemos as entregas. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? A&F - Perante uma situação completamente nova e difícil para todos, a Amaral & Filhos soube unir-se e reagir de uma forma muito positiva. Só com o trabalho de todos foi possível chegar a esta altura sem casos positivos de Covid-19. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? A&F – Sem dúvida. Os hábitos criados pelos consumidores, desde o início desta pandemia, alteraram a forma de olhar para o ato de compra. Numa primeira fase, houve um açambarcamento e armazenamento de determinados produtos de longa duração. Agora, começámos a ter uma realidade antagónica. O ato de compra passou a ser mais amiúde, baseado no essencial. O comércio de proximidade serve este propósito e teve de se adequar a este novo tempo, com maior oferta e serviços.


“O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE SAIU REFORÇADO DA CRISE DA COVID-19” A A.Ezequiel manteve a operação a funcionar com total rigor e segurança, implementando, em função da pandemia, algumas medidas estruturais na sua atividade e que serão para manter no futuro. Casos da televenda e de outras funções que podem ser realizadas por via digital. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? António Ezequiel – Elaborámos um plano de contingência, informámos todos os fornecedores e clientes das medidas implementadas, nomeadamente, a não realização de reuniões presenciais com os fornecedores, o uso obrigatório de máscaras e viseiras por parte dos colaboradores, o encerramento na hora de almoço para desinfeção das instalações, assim como a adoção das medidas de segurança, higienização e proteção individual decididas pela Direção-Geral da Saúde. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? AE - Garantir a proteção dos clientes e colaboradores. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? AE - A reação dos clientes foi muito positiva e aceitaram, com agrado, as medidas implementadas. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? AE - Os comerciais da empresa e parte dos colaboradores administrativos passaram a trabalhar em casa, em regime de televenda e teletrabalho. AEF - Em termos dos produtos co-

mercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? AE - Sim, houve um aumento significativo de vendas dos produtos de higiene pessoal e do lar, café em cápsulas, farinha, cereais de pequeno-almoço, refeições prontas e pré-cozinhados ultracongelados.

mia? Qual, no seu entender? AE - Com a pandemia e as alterações implementadas, pudemos concluir que as práticas de trabalho digital têm vantagens, nomeadamente, reuniões com fornecedores e colaboradores, bem como a televenda, que será uma prática a desenvolver na nossa empresa.

AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? AE - Devido ao encerramento dos clientes Horeca e ao seu peso elevado na nossa faturação, sentimos uma queda do número de visitas nos nossos cash’s.

AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? AE - Sem dúvida que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19, pelo facto dos consumidores estarem em casa e passarem a comprar os bens alimentares e de higiene nas lojas mais próximas das suas residências, evitando, assim, a deslocação aos hipers, onde o risco de contágio é maior pelo número elevado de pessoas presentes nesses espaços. A mudança de hábitos de consumo e as compras dos frescos e congelados com maior regularidade vão continuar a ser uma prática dos consumidores e que o comércio de proximidade deve aproveitar com a oferta de um sortido adequado às necessidades dos clientes e complementar com o serviço de entregas ao domicílio das compras, que é muito valorizado pelos consumidores.

AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? AE - Sim, teve um impacto muito negativo nas nossas vendas. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? AE – Mantivemos sempre as entregas aos clientes e adotámos as medidas de segurança dos nossos colaboradores da logística, através do uso obrigatório de luvas, desinfetantes, máscaras, viseiras e desinfeção diária das viaturas. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pande-

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S A M

MACEDO DE CAVALEIROS

“A PANDEMIA VEIO RELEMBRAR AOS PORTUGUESES O SERVIÇO DE QUALIDADE E PREÇOS COMPETITIVOS QUE O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE PODE OFERECER” As medidas de higiene implementadas para fazer frente à Covid-19 serão para manter no futuro, com os Armazéns da Santa a verem o tráfego ao seu cash aumentar em período de confinamento, registando-se, ainda, a fidelização de novos clientes. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Armazéns da Santa - Implementámos o uso obrigatório de máscaras e viseiras por parte de todos os colaboradores do cash. Colocámos acrílico nas caixas de checkout para proteção de colaboradores e clientes e disponibilizámos álcool gel em vários lugares estratégicos no cash, para os clientes e colaboradores poderem desinfetar as mãos, com regularidade. A entrada foi controlada, sendo apenas permitida a entrada de quatro clientes, em simultâneo, por cada 100 metros quadrados. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? AS - Sem dúvida alguma, a dificuldade na aquisição de equipamento de proteção e desinfeção. No auge da pandemia, esta situação gerou algum desconforto. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? AS - Estamos todos a viver tempos muito delicados e, de forma geral, acredito que as pessoas estão conscientes que o nosso comportamento vai determinar a forma como tudo isto irá terminar. Pelo que aceitaram com bastante normalidade todas as obrigações legais impostas, tais como o uso de máscara, entradas controladas, distanciamento obrigatório, entre outras. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? AS - Sempre de forma muito rigorosa

e controlada. Com a mesma equipa, sem necessidade de impor turnos, optámos apenas pela separação das respetivas atividades, distribuição e cash (colaboradores internos). Os motoristas não entravam no cash e eram sempre acompanhados pelo mesmo ajudante, para minimizar o risco de proliferação, em caso de infeção. As viaturas eram sempre desinfetadas e o uso de máscara e luvas era obrigatório. Os colaboradores internos, por sua vez, não tinham qualquer contacto com os motoristas, estando, igualmente, sujeitos às mesmas medidas de proteção, como o uso de máscaras ou viseiras, o cumprimento do distanciamento obrigatório e a desinfeção regular das mãos. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? AS - Em termos de volume, sim. Em período de confinamento, como era previsível, os portugueses optaram por sair menos e comprar mais, tendo a sua preferência recaído nos bens de primeira necessidade. Curiosamente, registámos também um aumento significativo na compra de café. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? AS - Registámos um aumentou significativo, quer no número de clientes, quer em volume de vendas. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? AS - Não, pois não trabalhamos o canal Horeca.

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AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? AS - Não só promovemos, como reforçámos. Sempre habituámos os nossos clientes a um serviço de excelência. Nesta fase, apesar dos riscos que todos corremos, não podíamos falhar. As nossas equipas, devidamente protegidas, continuaram a fazer o seu trabalho, cumprindo o nosso objetivo que é servir o cliente, como se de um amigo se tratasse. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? AS - Acreditamos que as regras de higiene e o cuidado redobrado com instalações e com os colaboradores irão manter-se para o futuro. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? AS - Seguramente. Infelizmente pelos piores motivos, esta pandemia veio relembrar, a grande parte dos portugueses, o serviço de qualidade e preços igualmente competitivos que o comércio de proximidade e organizado pode oferecer. Não posso deixar de partilhar convosco um episódio curioso, de um cliente habitual de uma grande superfície que nos confidenciou que, futuramente, iria mudar os seus hábitos. A atenção para com o cliente, a par dos preços competitivos, oferecia um serviço ímpar, do qual não iria abdicar, seguramente, no futuro.


“ESTA CRISE VEIO AJUDAR A CIMENTAR A MAIS-VALIA DO ATENDIMENTO PERSONALIZADO” Consciente da importância deste negócio para a dinâmica dos portugueses, a A. Monteiro ajustou rapidamente a sua operação para responder aos desafios trazidos pela pandemia da Covid-19. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? A.Monteiro - Reduzimos o horário. Sem necessidade de reforçar as equipas e com os colaboradores de sempre, foram criados dois turnos, para assegurar o normal funcionamento da empresa. Optámos, também, por não permitir a entrada de clientes no cash. Para segurança de todos, as encomendas eram atendidas num balcão colocado na entrada, assim como via telefone, e o cliente deslocava-se ao cash apenas para efetuar o seu levantamento. Alguns colaboradores exerciam as suas funções a partir de casa, em regime de teletrabalho, e as reuniões passaram a ser efetuadas por videoconferência. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? AM - Sem dúvida, o cumprimento das distâncias de segurança e o uso obrigatório de máscara. Trata-se de hábitos que não faziam parte do nosso quotidiano e que vieram, de algum modo, alterar a rotina diária de todos nós. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? AM - Com normalidade. Estamos todos conscientes da importância do cumprimento destes requisitos de segurança, por nós e, essencialmente, por todos. O desconhecimento de como lidar com este novo método de trabalho era generalizado, mas penso que todos os clientes foram compreen-

sivos quanto à necessidade da equipa comercial estar em teletrabalho, pelo que consideramos o feedback como positivo. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? AM - Sim, essa foi uma das medidas tomadas para impedir a propagação do vírus. Por vezes, até devido à necessidade de reposição constante, os horários foram ampliados de forma a que nada faltasse nas lojas dos nossos clientes. Temos consciência da importância deste negócio na casa dos portugueses. Não podíamos, por isso, falhar. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? AM - Sem dúvida. Como é natural e previsível, os artigos de primeira necessidade, como farinhas, fermentos, leite, arroz, entre outros, tiveram, naturalmente, uma procura mais elevada. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? AM - Apesar de encerrados ao público, o volume de encomendas aumentou consideravelmente. Este “inimigo sem rosto” contribuiu para que todos reforçássemos as nossas despensas, pois não sabíamos quanto tempo iria durar o confinamento, o que, obviamente, incentivou a um maior consumo. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho?

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AM - O nosso negócio está mais direcionado para o retalho, pelo que não sentimos grande diferença. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? AM - Sem dúvida. Numa altura em que o recolhimento, principalmente da população mais vulnerável (grande parte dos nossos clientes) era aconselhado, não podíamos falhar. Com as devidas medidas de segurança, máscara, viseira, luvas e cumprimento da distância de segurança, este serviço foi sempre assegurado. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? AM - A pandemia testou a capacidade de adaptação das empresas do nosso ramo e apenas quem se adaptou saiu reforçado desta situação. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? AM - Sim. Pelo que observo, muitas pessoas optam hoje pelo comércio de proximidade para evitar filas e aglomerações, tão comuns nas grandes superfícies. Esta crise veio ajudar a cimentar, ainda mais, a mais-valia do atendimento personalizado e de qualidade. Quem só agora teve oportunidade de nos conhecer, acredito, não vai deixar de continuar a visitar-nos. Por isso, sim, saímos definitivamente reforçados, graças à qualidade do serviço que prestamos.


“A COVID-19 FOI UMA OPORTUNIDADE ÚNICA PARA CAPITALIZAR CLIENTES” A Calheiros Carvalho tomou as medidas necessárias para que a sua atividade comercial decorresse da melhor forma possível neste contexto excecional, o qual, acredita, serviu para capitalizar clientes e vincar a importância do comércio de proximidade junto dos hábitos dos portugueses. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Calheiros Carvalho - Ao contrário de alguns cash’s, nunca tivemos necessidade de fechar portas, podendo, assim, continuar a servir os nossos clientes. Foi, sim, limitado o acesso de pessoas em simultâneo, colocadas barreiras de segurança nos locais de atendimento, cumprindo o devido distanciamento social, com a colocação das respetivas marcas no piso. Foram, ainda, colocados painéis informativos em zonas estratégicas, com informação relevante, nomeadamente, sobre o uso obrigatório de máscara, no interior das instalações, por parte de clientes e funcionários e, ainda, disponibilizado gel desinfetante em vários pontos do cash, para todos podermos minimizar o risco de contágio.

Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? CC - Mantivemos as equipas de sempre, sem necessidade de optar por horários diferentes. Tivemos a felicidade de não registar qualquer caso, o que nos permitiu nunca fechar portas e continuar a fazer o que melhor sabemos: servir os nossos clientes.

AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? CC – Principalmente, no início da pandemia, encontrar no mercado materiais de segurança e proteção. A especulação foi enorme, nomeadamente no que diz respeito a máscaras e álcool. O mercado, agora, está a estabilizar, mas foi um início bastante atribulado.

AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? CC - Não. O volume de visitas não sofreu grande alteração, mantendo-se muito semelhante ao habitual.

AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? CC - De forma geral, foram bem recebidas. Os clientes compreenderam que, para sua segurança e de todos, as medidas adotadas eram incontornáveis. No entanto, como em tudo na vida, existem sempre alguns contestatários que se insurgiram contra as regras estabelecidas, mas tiveram, obviamente, de as respeitar. AEF - Como é que geriu as equipas?

AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? CC - Sem dúvida. Notámos um aumento significativo na venda de produtos de higiene e limpeza, os produtos de panificação tiveram, igualmente, mais procura, bem como a charcutaria embalada. A despensa dos portugueses, em altura de pandemia, sofreu uma alteração significativa.

AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? CC - Bastante. Vendemos também muito para o canal Horeca, pelo que, pelas razões óbvias, o volume de vendas para esta franja de mercado sofreu um decréscimo acentuado. Mesmo agora, com o desconfinamento, continua a notar-se um menor consumo neste sector. Acreditamos que vai demorar algum tempo a voltar à normalidade. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? CC – Sim, continuámos sempre a promover as entregas ao domicílio. Não

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podíamos, numa altura difícil como esta, onde grande parte dos nossos clientes estão numa faixa etária bastante elevada e, por isso, mais expostos, falhar. Puderam contar sempre connosco. Com as devidas medidas de segurança e higiene, mantendo o devido distanciamento, foi possível continuar a prestar este serviço. É também isso, a qualidade no atendimento e a preocupação com o cliente, que nos distingue dos demais. AEF - É possível tirar algum ensinamento? Qual, no seu entender? CC - Sem dúvida. Temos muito a melhorar. Somos do sul da Europa, conhecidos, por isso, como um povo desorganizado. No entanto, o povo português, em várias ocasiões, já demonstrou o seu grande valor. Os nossos dirigentes nem tanto. Medidas tardias, informação contraditória, consideramos até que, por vezes, divulgada de acordo com o “stock existente”, como foi o caso da necessidade em usar, ou não, máscara... Há ainda muito caminho a percorrer. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? CC – Acredito que sim. No entanto, creio que não será para durar. Foi uma oportunidade única para capitalizar clientes, mas, generalizando, a desorganização dentro das lojas é grande. Aloca-se quase a totalidade do tempo a discutir preços e diferenças de cêntimos e muito pouco a definir sortido e organização das lojas. Devia ser, claramente, o oposto. São, no entanto, os grossistas os principais responsáveis por esta forma de estar no mercado. A Sociedade Aqui é Fresco tem muito valor, mas a mensagem não passa corretamente. Em muito, responsabilidade é dos grossistas.


“O MEDO GENERALIZADO DO DESCONHECIDO TORNOU-NOS A TODOS, SEM EXCEÇÃO, MAIS CAUTELOSOS” A Camilo Pereira registou uma alteração no cabaz médio adquirido no seu cash, assim como um aumento significativo na afluência ao espaço comercial, não obstante continuar a assegurar, com todo o rigor e segurança, as entregas ao domicílio.

Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Camilo Pereira - Para reduzirmos, ao máximo, a possibilidade de contágio, dividimos a atividade em quatro sectores: escritório, vendedores, distribuição/ armazém e cash. Foram implementadas rigorosas medidas de higiene e segurança, tanto nas instalações, como individualmente. O uso de máscara, tanto por clientes como por colaboradores, era obrigatório. Foram colocadas no piso marcações para lembrar o distanciamento obrigatório, assim como dispensadores de gel para a desinfeção regular das mãos, em vários locais estratégicos, como o escritório, o armazém e o cash. Também foi disponibilizada informação importante acerca desta pandemia, para esclarecimento geral. Foram ainda implementadas práticas rigorosas de processamento de documentos e mercadorias, externos à empresa. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? CP - O rigoroso cumprimento das regras, o que, de certo modo, foi compreensível, dada a natureza, extensão e quantidade das medidas impostas. Tratando-se de uma situação nova para todos, com forte alteração de hábitos tão enraizados, obrigou a todos a uma maior concentração, por vezes, até dificultando e aumentando o tempo de execução das tarefas. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas?

CP - Com bastante compreensão. O medo generalizado do desconhecido tornou-nos a todos, sem exceção, mais cautelosos e os nossos clientes e colaboradores perceberam que as medidas tomadas eram para o bem comum. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? CP - Reduzimos o horário e alguns colaboradores exerceram a sua atividade em teletrabalho. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? CP - A cesta dos portugueses, neste período, registou um aumento significativo, em muito devido ao facto de reduzirem ao máximo as saídas de casa. Registámos um forte crescimento no consumo de bens de primeira necessidade, como enlatados, massas, arroz, produtos de higiene e limpeza e papel higiénico. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? CP - Notámos um aumento significativo de clientes. Consequência disso foi, naturalmente, o aumento na procura de bens de consumo de primeira necessidade, bem como de produtos de higiene e limpeza. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? CP - Residualmente. Não trabalhamos muito o canal Horeca.

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AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? CP - Continuámos a promover as entregas ao domicílio, cumprindo sempre o distanciamento social obrigatório, o uso de máscara e desinfeção regular das mãos. As compras eram entregues à porta dos clientes, com toda a comodidade e segurança, sem qualquer contacto mútuo. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? CP - O ensinamento que retiramos desta pandemia é a falta de qualidade da nossa classe política. Em nosso entender, os problemas, as crises que vão surgindo, devem ser geridos por quem sabe, por especialistas no assunto, no caso concreto desta crise sanitária, por entidades avalizadas e não por políticos. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? CP - As alternativas existentes não eram as melhores. Em época de confinamento, entre esperar largas horas nas filas dos hipermercados ou recorrer ao comércio de proximidade, é lógico que os portugueses nos elegeram. A par da qualidade dos nossos produtos, temos muito mais para oferecer: atendimento personalizado e preço tão bom ou melhor que os restantes. Posto isto, esperamos que, sim, o comércio de proximidade continue a ser a opção da maioria dos portugueses.


“ESTAMOS A ENFRENTAR UMA SITUAÇÃO NOVA, A QUAL NOS COLOCA DESAFIOS IMENSOS NO DIA-A-DIA” A Fernando Leite fez uma gestão muito eficaz das equipas, potenciando o espírito de equipa como alavanca para superar momentos difíceis e vencer o desconforto da incerteza e da ansiedade trazida pela Covid-19.

Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Fernando Leite – Criámos, desde logo, um plano de contingência, onde foram definidas regras muito precisas de segurança e higiene. Foi ainda colocada, em vários pontos estratégicos, informação importante, sobre como desinfetar corretamente as mãos, o uso obrigatório de máscara ou o respeito pela distância de segurança. Foi, igualmente, suspensa a visita de fornecedores, bem como a entrada de motoristas na logística. Os comerciais deixaram de exercer as suas funções no terreno, continuando, no entanto, a garantir o devido acompanhamento via telefone ou através de plataformas eletrónicas AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? FL - O principal desafio foi, sem dúvida, conseguir manter a calma, evitar o pânico e a ansiedade de podermos ser infetados ou infetar outros. Para um povo de afetos, como o nosso, outro grande desafio foi conseguir manter e respeitar o distanciamento social. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? FL – Reagiram positivamente. A nossa prioridade foi, e continua a ser, a de minimizar os riscos de contágio e de propagação. Só assim podemos continuar a garantir a continuidade dos nossos postos de trabalho, ao mesmo tempo que protegemos a nossa saúde e a dos nossos profissionais.

AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? FL - A gestão das equipas foi francamente positiva. Todos nós, apesar de afastados, ficámos, sem dúvida alguma, mais unidos. Dois colaboradores de risco ficaram em confinamento, outro já se encontrava de baixa, mas, mesmo assim, não houve necessidade de reforçar a equipa. A restante, seis magníficos colaboradores, trabalhou sempre com grande dedicação e afinco. Por vezes, com enorme esforço, mas conseguindo, sempre, vencer o desconforto da incerteza e a ansiedade. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? FL - Sim. Um aumento significativo de produtos de primeira necessidade, como arroz, massa e conservas, e de produtos de higiene e desinfeção, como lixívia, sabão e papel higiénico, entre outros. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? FL - Sem dúvida. No nosso caso, em particular, o receio de contágio foi e continua a ser generalizado, o que contribuiu para uma diminuição drástica de clientes. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? FL - Sem dúvida alguma. O prejuízo direta ou indiretamente é imenso. Apesar do desconfinamento, acreditamos que ainda vai demorar algum tempo para recuperarmos.

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AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? FL - Continuámos a distribuição com todos os cuidados e obedecendo às regras de segurança estabelecidas, como o uso obrigatório de máscara e luvas. Distribuímos, igualmente, álcool gel e insistimos na desinfeção contínua da viatura. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? FL - Acima de tudo, temos todos consciência que estamos a enfrentar uma situação nova, a qual nos coloca desafios imensos no dia-a-dia. A crise que enfrentamos e iremos enfrentar só a poderemos vencer com a partilha, união, empenho e esforço de todos. Pela nossa sobrevivência, em termos de saúde e também económicos. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? FL - Como qualquer crise, esta pandemia também trouxe oportunidades e conferiu, seguramente, um renovado sentido ao conceito de comércio de proximidade. A manutenção do negócio vai passar pela recessão global que se avizinha, o impacto financeiro e, consequentemente, a redução de consumo e a diminuição da confiança dos consumidores. Este é o cenário comum a qualquer atividade. Acreditamos, no entanto, que o comércio de proximidade vai seguramente vencer, pois a nossa forma de estar no mercado é vencedora.


“O PRINCIPAL DESAFIO FOI GERIR O STRESS QUE A PROPAGAÇÃO DO VÍRUS CAUSA” A Henisa continuou a proporcionar aos seus clientes a mais-valia das entregas, assegurando, com total rigor e segurança, a continuidade do serviço quando os seus clientes mais precisaram do apoio do seu cash de confiança.

Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Henisa - Desde o início da propagação da Covid-19, mesmo antes da declaração do estado emergência, começámos a colocar desinfetante para mãos à entrada, a fornecer luvas aos clientes, a limitar o número de clientes em simultâneo na loja, a promover o distanciamento social. Também antes de ser obrigatório o uso de máscara, disponibilizámos máscaras aos clientes. Alguns trabalhadores foram para teletrabalho, de forma a minimizar o risco de contágio. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? H – O principal desafio foi gerir o stress que uma eventual propagação do vírus poderia causar, não sabermos bem que medidas tomar, o conseguir fazer tudo o que é recomendável. Enfim, muita informação e humores para gerir. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? H - Uma grande parte dos clientes compreende e quer também praticar as medidas de distanciamento social, desinfeção/lavagem das mãos ou limitação do número de clientes na loja. Existem, no entanto, clientes que não dão grande importância à possibilidade de transmissão do vírus.

AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? H - Tendo alguns colaboradores sido colocados em teletrabalho e outros optado pela assistência à família, gerir a disponibilidade dos recursos humanos foi complicado. Não optámos por horários distintos, promovemos férias e demos folgas. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? H - Os produtos comercializados sofreram grandes alterações. Com o canal Horeca fechado, os produtos específicos para a sua atividade ficaram com datas expiradas ou sem rotação. As embalagens para serviço de take-away aumentaram as suas vendas. Os desinfetantes, luvas e afins também cresceram em vendas. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? H - O tráfego inicial aumentou, com o medo da falta de produtos. Na segunda fase, aumentou muito menos, devido ao facto dos estabelecimentos Horeca estarem fechados, onde se enquadra grande parte dos nossos clientes. Agora, está a regressar um pouco à normalidade. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? H - O fecho generalizado da restauração baixou as nossas vendas, em

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abril, em 30%. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? H – As entregas ao domicílio continuaram a ser uma das mais-valias habituais da Henisa. Promovemos o uso de máscaras e de desinfetante pelos distribuidores e a colocação da mercadoria no local indicado pelo cliente, respeitando sempre a distância social. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? H - O ensinamento possível é que estamos num mundo incerto, em que temos que estar sempre a adaptarmo-nos. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? H – O comércio de proximidade saiu reforçado, por agora. Mas, à medida que a normalidade se instala, pensamos que voltará a fórmula inicial. Talvez, o comércio de proximidade tenha conseguido mostrar serviço e captado alguns clientes.


“A SOMAR AO MELHOR PREÇO, TEMOS A QUALIDADE NO ATENDIMENTO” A João Ferreira da Silva registou, com bastante agrado, a confiança depositada pelos consumidores nacionais potenciada pelo contexto pandémico. Muitos deles clientes habituais das grandes superfícies e que optaram pelo comércio de proximidade, surpreendidos pela qualidade do atendimento e preços muito competitivos. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? João Ferreira da Silva – Aquando da declaração do primeiro estado de emergência, para proteção de clientes e colaboradores, decidimos trabalhar à porta fechada. Foram, igualmente, adotadas e cumpridas todas as recomendações da Direção-Geral da Saúde, como o uso obrigatório de máscara, a colocação, em várias zonas do cash, de dispensadores de álcool gel para desinfeção regular das mãos. Partilhámos também informação relevante acerca da Covid-19, como a identificação de sintomas, lavagem correta das mãos, comportamento social a respeitar, entre outras. Com alguma sobrecarga individual, os nossos colaboradores conseguiram levar a cabo as suas tarefas, sem necessidade de recorrer a horários desfasados. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? JFS - No nosso caso, em particular, foi encontrar no mercado material de proteção individual e de segurança. Não havia e o que existia era a preços absolutamente inaceitáveis. A falta de fiscalização, neste capítulo, contribuiu, e muito, para a escalada de preços. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? JFS - Reagiram positivamente. Creio que todos tomámos consciência que a proteção individual é a melhor forma de nos protegermos a todos. Tinham, e têm, consciência que, para se ultrapassar este período tão difícil, não só para os portugueses, mas para o mundo, tem

de se trabalhar para o bem comum. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? JFS - Com alguma dificuldade, não foi possível optar por horários desfasados. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? JFS - Sem dúvida, não só em termos de volume, como de produtos. Os portugueses, no sentido de se protegerem e reduzirem o número de saídas, aumentaram o volume das suas compras, tendo as suas preferências recaído nos produtos de primeira necessidade, como massas, enlatados, farinhas e fermento, entre outros. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? JFS - Curiosamente, e no que diz respeito ao número de visitantes, registámos uma ligeira quebra. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? JFS – Certamente. Qualquer atividade que trabalhe para o canal Horeca foi afetada por esta pandemia. Nós não fomos exceção. Apesar da reabertura de alguns estabelecimentos, as restrições a que estão sujeitos irão atrasar significativamente a sua recuperação, pelo que acreditamos que a melhoria neste sector será bastante lenta. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas?

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JFS - Obviamente que sim. Todos os nossos clientes puderam continuar a contar connosco. Com as devidas medidas de proteção e higiene, como o uso de máscara, desinfeção das mãos, antes e depois da entrega da encomenda, cumprindo o devido distanciamento e desinfeção diária das viaturas, continuámos a servir os nossos clientes, reforçando a nossa proximidade com cada um deles. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? JFS - Muitos de nós vivem de forma desenfreada, com demasiadas certezas, pelo que a principal conclusão a tirar desta pandemia é que nada deve ser tomado como, verdadeiramente, adquirido. De um dia para o outro, tudo muda. Há que tirar as devidas elações, para uma melhoria contínua. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? JFS - Acredito que sim. Exatamente como o nome indica, o fator proximidade trouxe de volta alguns consumidores, há algum tempo, afastados. Muitos deles clientes habituais das grandes superfícies, para evitarem as longas filas de espera, optaram por recorrer à “mercearia da rua” e tiveram a oportunidade de constatar que os preços por nós praticados são inferiores, por vezes, a única razão que os obrigava a essa deslocação. A somar ao melhor preço, temos a qualidade no atendimento. Estes dois fatores aliados são a razão do nosso sucesso. Com muito trabalho e dedicação, fazemos aquilo que melhor sabemos, pelo que o resultado só pode ser a satisfação e fidelização do nosso cliente.


“ESTA PANDEMIA VEIO REANIMAR O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE” A Líder Atlantic sentiu o efeito do fecho generalizado da restauração, aproveitando para potenciar o seu negócio noutras frentes, ao alargar o leque de clientes e ao disponibilizar, hoje, mais soluções a todos os profissionais que consigo preferem trabalhar.

Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Líder Atlantic – Implementámos um plano de contingência, colocámos mais funcionários na limpeza e um dedicado exclusivamente a desinfetar carros de compras, WC, balcões, etc. Exigimos o uso de máscara por todos os funcionários, comprámos uma nova máquina de lavar chão, elaborámos turnos desencontrados, colocámos à disposição dos clientes máscaras e álcool gel. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? LA - Creio que foi comum a todos: encontrar material de proteção e higiene no mercado. O que havia era a preços absolutamente proibitivos. Não se compreende como não existiram medidas para impedir esta situação. Vivemos uma situação de calamidade, também a este nível. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? LA - Muito bem. Clientes e colaboradores, desde o início, sentiram-se em segurança. O cuidado com a segurança individual e limpeza das instalações foi uma constante, pelo que o resultado não podia ter sido melhor. Notámos, inclusivamente, que este fator fez aumentar o número de clientes. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos?

LA - Sim, fizemos turnos alternados, o que fez com que se trabalhasse menos 15 horas por funcionário, mas continuámos a efetuar o pagamento de vencimentos a 100%. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? LA - A nossa empresa é muito direcionada para a restauração e bares. Com a declaração do primeiro estado de emergência, caímos cerca de 70% nas vendas e 90% nos destilados. Tivemos, de imediato, de tomar medidas e procurar soluções, colocando à disposição dos nossos clientes os produtos com maior procura na área do retalho. Nomeadamente, produtos de primeira necessidade, como arroz, massa, farinha, café e enlatados, bem como detergentes e produtos de limpeza, o que veio, obviamente, revitalizar o negócio. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? LA – Sim, sentimos. O número de visitantes não só aumentou, como se mantém. Esta pandemia veio reanimar o comércio local. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? LA – Bastante. O encerramento de restaurantes, bares, entre outros, veio contribuir negativamente para o nosso negócio.

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AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? LA - Reforçámos a nossa ação, visto que se instalou o pânico, e fomos para a rua, com todos os cuidados, acabando por ganhar clientes novos. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? LA – Percebo que só os que se adaptarem irão sobreviver. Que temos de tirar partido do “bom” e das oportunidades que uma crise sempre traz. Olhar para o copo meio cheio e nunca para ele como meio vazio. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? LA – Muito. Era importante que os governantes deste país percebessem a importância do comércio de proximidade e que existissem mais apoios com vista à sua modernização. O comércio local tem de ser visto com outros olhos e com mais respeito. As grandes superfícies podem ter muitos funcionários, mas, quando algo corre mal, também são muitos os que enfrentam o desemprego. Vi muitos clientes a manter os postos de trabalho, porque dizem que os funcionários estiveram com eles, desde o início, e que, enquanto puderem, irão mantê-los. Não acredito que seja essa a política dos “tubarões”, que também o são ao pagar um percentual inferior de impostos por “cabeça”.


“O CONSUMIDOR VALORIZOU MUITO A PROXIMIDADE” Apesar de ter tido de tomar algumas decisões práticas em função do fecho generalizado da restauração, a M.Cunha permaneceu de portas abertas e na linha da frente a apoiar os clientes que continuaram a laborar em contexto de pandemia. Para o associado, esta crise, diferente de todas as outras, viu o comércio de proximidade adaptar-se muito bem ao contexto. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? M.Cunha - As medidas tomadas pela M.Cunha foram as que Direção-Geral da Saúde tinha indicado: funcionários devidamente protegidos com máscara ou viseira, luvas descartáveis, gel ou álcool para desinfeção, lavagem de mãos frequente, distanciamento recomendável de 1,5 metros, número limitado de clientes em loja, de acordo com a dimensão de cada espaço. Para além disso, foram criadas duas equipas independentes de funcionários, com horários desfasados, uma de manhã e outra à tarde. Todas estas medidas, como é evidente, ainda se mantêm em vigor. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? MC – O principal desafio foi a escassez de desinfetante e de produtos descartáveis para adquirir. Também tivemos alguma dificuldade na limitação dos clientes em loja, pois, como era uma medida restritiva, nem sempre foi bem compreendida. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? MC - No início, os clientes tiveram alguma dificuldade em perceber que tudo o que estávamos a fazer era para proteção da sua saúde e dos nossos funcionários, mas acabaram

por reconhecer que todo o cuidado era indispensável para haver segurança.

estas atividades. Vamos recomeçar com a reabertura de cafés, restaurantes e esplanadas.

AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? MC - Como já comentado, criámos duas equipas independentes e com horários distintos. Também corrigimos os horários, com o fecho, durante uma hora (entre as 13h30 e as 14h30), para troca das equipas de desinfeção do espaço. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? MC - Houve, sem dúvida. As pessoas procuraram muito os produtos básicos do cabaz: arroz, massas, óleos, conservas, lixívia, papel higiénico, álcool e detergentes para a roupa.

AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? MC – Mantivemos, com alguma redução, as entregas ao domicílio e, para segurança de todos, criámos, durante esse período, equipas noturnas para que fizessem o “picking” das encomendas.

AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? MC - Também em termos de tráfego de clientes, por dia, houve um aumento muito significativo; diria que triplicou o número clientes. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? MC - Sim, afetou a nossa divisão especializada em restauração e vinhos e também a distribuição de gelados Olá. Encerrámos, temporariamente,

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AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? MC - Concluímos que esta crise é diferente das anteriores. Esta é comercial, ao contrário das outras, que eram estruturais e financeiras. Para além disso, temos um inimigo invisível com o qual temos que lutar, sem saber onde se encontra. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? MC – Claramente, o consumidor valorizou muito a proximidade, diminuindo o risco de contágio nas suas deslocações. Notámos, também, que o comércio de proximidade se adaptou muito bem, melhorando a oferta do seu sortido e continuando a ser muito competitivo nos preços e na oferta dos frescos e congelados.


“ACREDITAMOS QUE O COMÉRCIO TRADICIONAL SAI REFORÇADO” O Malaquias foi um dos associados com maiores limitações ao normal decorrer da sua atividade comercial, em função da cerca sanitária de Ovar. Uma medida extrema, mas necessária, no entender do associado, que enfrentou com um gratificante sentimento de missão, a nível moral e emocional, o facto de ser fornecedor de bens essenciais à população. Que contou, ainda, com o reforço da distribuição por parte do Malaquias. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Malaquias - No final de fevereiro, elaborámos um plano de contingência com implementação imediata. Ministrámos formação a todos os colaboradores sobre a identificação dos sintomas da Covid-19, modo de atuação, regras de higiene e comportamento social. Criámos equipas para acompanhamento de casos suspeitos e de desinfeção e disponibilizámos equipamentos de proteção individual e desinfeção de mãos. Nas áreas de venda, aplicámos um conjunto de medidas, desde a marcação horizontal do pavimento para garantir o distanciamento entre pessoas, a limitação do número de clientes em cada espaço, barreiras acrílicas em alguns postos de trabalho, bem como a desinfeção obrigatória das mãos dos clientes à entrada. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? M - Diria que os desafios foram vários, sendo que os principais foram a necessidade de rigor, rapidez e determinação nas ações. Conseguirmos planear, adquirir equipamentos, formar e aplicar regras tanto de proteção pessoal, como nas áreas de venda, com a maior antecipação possível. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade

de optar por horários distintos? M - Não foi e não é fácil de gerir. Colocámos uma parte significativa de colaboradores em teletrabalho e aplicámos, sempre que possível, o trabalho por turnos. AEF - Em termos dos produtos comercializados, a pandemia promoveu alguma alteração significativa no cabaz adquirido? M - Neste período de confinamento, existiram algumas alterações nos hábitos de consumo dos portugueses. Numa fase inicial, a preocupação com o reforço da despensa traduziu-se numa maior procura de produtos de mercearia, higiene e limpeza. Numa segunda fase, notou-se uma corrida desproporcional a alguns tipos de produtos, nomeadamente café, fermento, chocolates e farinha. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? M – Verificámos um aumento, num primeiro momento, nos clientes de retalho, mas, nesta fase, está normalizado. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho comercial? M - Sim, o canal Horeca, que tem um peso de aproximadamente 20% da nossa faturação, desapareceu de um dia para o outro. É uma área de negócio que nos preocupa bastante. Os nossos clientes estiveram encerrados, a reabertura vai

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ser condicionada e parcial, sendo prematuro prever o ritmo e a extensão da recuperação deste sector. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? M - Do ponto de vista humano, penso que a solidariedade e os afetos saem reforçados. Foi extraordinário assistir à mobilização da sociedade na luta contra a Covid-19. A nível económico, e a uma escala mundial, esta crise pandémica mostrou-nos que, a qualquer altura, poderemos ficar expostos a um grau de imprevisibilidade e vulnerabilidade nunca antes pensado. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? M - Acreditamos que o comércio tradicional sai reforçado. Numa calamidade desta natureza, a confiança, a relação de proximidade com os clientes e a mobilização geral do sector transmitem segurança e conforto. No entanto, a tendência de agravamento da crise económica e social vai originar uma quebra no consumo, que afetará também o comércio de proximidade.


“O QUE IDENTIFICA O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE É O SABER E GOSTAR DE SERVIR O PRÓXIMO” Sem necessidade de reforçar equipas, o Marabuto conseguiu dar resposta ao mercado em contexto de pandemia. Período no qual a cesta básica teve um grande crescimento e onde, no seu entender, o posicionamento do comércio de proximidade saiu reforçado, ao ser, cada vez mais, opção para a maioria dos portugueses.

Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Marabuto - Foram adotadas diversas medidas. Colocámos à disposição de todos os colaboradores materiais de proteção e higiene, nomeadamente máscaras, luvas e álcool gel. Colocámos telas de proteção nos postos de trabalho mais expostos. Para proteção dos nossos clientes e colaboradores, encerrámos as portas do cash, continuando, no entanto, sempre disponíveis para atender encomendas, desde que devidamente agendadas. Colocámos marcações no piso, de forma a respeitar o distanciamento obrigatório. Quando a função assim o permitiu, a mesma foi desempenhada em regime de teletrabalho. Foram, ainda, canceladas as reuniões presenciais, e optámos por videoconferências. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? M - Um dos principais desafios com que nos deparámos foi conseguir dar resposta capaz, e em tempo útil, ao aumento da procura. O elevado número de encomendas nem sempre nos permitiu manter a qualidade e rapidez no serviço a que os nossos clientes estavam habituados. Fomos, no entanto, criando soluções que nos permitiram ultrapassar algumas dificuldades e adaptar a esta nova realidade. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas M - Na sua maioria, reagiram de forma muito positiva e colaboraram. Os nossos clientes estão conscientes que só conseguiremos ultrapassar estes tempos

difíceis se trabalharmos em prol do bem comum, protegendo-se e aos outros. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? M - Não tivemos necessidade de reforçar as equipas, mantivemos as existentes. Houve dias, no entanto, em que, devido ao grande volume de encomendas, tivemos de ampliar o horário de trabalho. Só assim pudemos assegurar o normal funcionamento da empresa. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? M - A cesta básica teve um grande crescimento. A principal alteração centrou-se mais no aumento significativo do consumo e não tanto nos produtos selecionados. Em tempos de pandemia, a cesta básica dos portugueses foi composta, basicamente, por bens de primeira necessidade e produtos de higiene e limpeza. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? M – Notámos, efetivamente, um ligeiro aumento. Recebemos a visita dos clientes de sempre e registámos, com agrado, o aparecimento de novos. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? M - Não muito. O facto de não trabalharmos o canal Horeca fez com que não registássemos desvios negativos na nossa atividade. AEF - Continuou a promover entre-

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gas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? M - Apesar do acréscimo de clientes no cash, em tempos de confinamento, os portugueses puderam contar sempre connosco. Devidamente protegidos, equipados e informados, os nossos colaboradores estiveram sempre na linha da frente, servindo os nossos clientes, sem qualquer hesitação. É, também, isto que identifica o comércio de proximidade. O saber e gostar de servir o próximo. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? M - Podemos tirar várias conclusões desta pandemia. Saber que nada está seguro, aprender a lidar com o desconhecido, testar a nossa resiliência. Ainda que, com a equipa de sempre, conseguimos ultrapassar obstáculos nunca antes imaginados, conseguindo, com grande esforço individual, atingir os objetivos a que nos propusemos. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? M - Seguramente. O confinamento veio reforçar, ainda mais, o nosso posicionamento no mercado. Em tempos de pandemia, fomos, para muitos, a opção para não enfrentar as filas dos grandes espaços comerciais. A qualidade do serviço prestado fez o resto. Como diz o ditado, “em equipa vencedora não se mexe”, por isso, afirmamos, cada vez com maior certeza, que o comércio de proximidade é, cada vez mais, opção para a maioria dos portugueses.


“SABER LIDAR COM A IMPREVISIBILIDADE” A rápida implementação de medidas de segurança permitiu ao Pereira & Santos dar uma resposta a todos os que o procuraram num contexto de imprevisibilidade e onde o comércio de proximidade soube demonstrar a sua pertinência e valia. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Pereira & Santos - Desde o dia 13 de março, foi adotado um conjunto de medidas de forma a acautelar a integridade dos nossos colaboradores e clientes. Foi reduzido o horário normal de funcionamento da loja, fracionada a equipa de colaboradores em dois turnos, de forma a que não se cruzassem dentro da empresa, foram criadas restrições de acesso aos clientes e, por sua vez, ao número de pessoas dentro da loja. Passou-se, ainda, a utilizar equipamento de proteção individual e a distribuir máscaras aos clientes que entravam na loja. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? P&S – A rapidez com que tudo isto teve que ser implementado e a aceitação e consciencialização de todos os intervenientes para estas mudanças. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? P&S - Numa fase inicial, foi complicado os clientes compreenderem e aceitarem as novas regras. Até porque vivíamos um período de procura muito elevada de produtos, levando a que houvesse um açambarcamento algo exagerado e à rutura de muitos produtos, particularmente no alimentar. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? P&S - Em primeiro lugar, houve necessidade de salvaguardar a saúde dos nossos colaboradores, adotando medidas de segurança para todos. Distribuímos materiais de proteção individual a todos os colaboradores e

separámos o grupo em duas equipas e dois turnos de trabalho distintos. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? P&S - De forma geral, todos os produtos básicos (alimentar) tiveram um aumento exponencial no consumo, fundamentalmente nos bens mais essenciais, mas também em produtos de desinfeção, como, por exemplo, as lixívias e outros. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? P&S - Sim, com o aumento da procura nas lojas de proximidade pelos consumidores, houve necessidade dos nossos clientes recorrerem ao cash para comprarem os produtos, aumentando, significativamente, o tráfego, gerando filas de espera como nunca existiram. Dobrámos e, em alguns dias, triplicámos o volume de vendas habitual. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? P&S - Não, no nosso caso, o peso das vendas a este canal é residual, logo, o efeito provocado pelo encerramento deste sector não se notou na nossa atividade. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? P&S – 65% das nossas vendas passam pela distribuição, embora tenhamos alterado o modo de visitas da equipa de vendas, deixando de o fazer presencialmente. Houve um incremento significativo de encomendas, levando-nos a ter que

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concentrar uma parte dos recursos na preparação e entrega das mesmas. Neste caso, as pessoas que tinham contacto com o exterior/clientes foram as primeiras a receber uma formação básica dos comportamentos a adotar, passaram a utilizar equipamento de proteção individual e a entregarem as encomendas sem entrarem dentro das lojas. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? P&S - Claro que sim. Nada do que aconteceu tinha sido imaginado, ninguém estava minimamente preparado, logo, houve uma necessidade imediata de nos adaptarmos a uma realidade nova. Isto ensinou-nos a ter que saber decifrar, de forma racional e rápida, que tudo pode ser alterado de um dia para o outro, mesmo sem estarmos preparados, levando-nos a ter que saber lidar com a imprevisibilidade. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? P&S – Acredito que esta será uma das últimas oportunidades para o comércio de proximidade fazer valer a sua importância, demonstrar que é uma alternativa muito válida para o consumidor fazer as suas compras. Os donos destas lojas devem tirar algumas elações que lhes permitam encarar o futuro com otimismo, devendo afirmar-se como uma alternativa na cadeia de abastecimento. Mais do que era já a tendência que se vinha a verificar, de uma maior importância deste canal, será importante consolidar esta afirmação, demonstrando a valia deste canal.


“O COMPORTAMENTO SOCIAL SERÁ DETERMINANTE PARA O SUCESSO DESTA ‘MISSÃO’” A Saner antecipou as medidas que viriam, de forma geral, a ser aplicadas no estado de emergência e estabeleceu, em tempo recorde e com eficiência, um plano de contingência que visou proteger colaboradores e clientes. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Saner - Preparámo-nos com alguma antecedência. Ainda antes da declaração do primeiro estado de emergência, foi elaborado um plano de contingência e divulgado internamente. Foi, igualmente, partilhada, com todos, informação importante, nomeadamente, sobre a identificação de sintomas da Covid-19 e regras de higiene e comportamento social. Além disso, foi disponibilizado, a todos os colaboradores, equipamento de proteção individual. No cash, no sentido de minimizarmos qualquer risco na circulação de clientes e colaboradores, sinalizámos o pavimento de forma a garantir o devido distanciamento social. Foi limitada a entrada de clientes em simultâneo, colocadas telas acrílicas em alguns postos de trabalho e tornado obrigatório o uso de máscara. Foram, também, colocados e sinalizados, em zonas estratégicas, dispensadores com álcool gel, para desinfeção regular das mãos. Recomendámos, ainda, que as compras fossem pagas com cartão, reduzindo, assim, o risco de contágio através do manuseamento de dinheiro, grande fonte de infeção. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? S – O principal desafio foi conseguir, em tempo recorde, planear, adquirir e aplicar equipamentos e procedimentos. Foi, e continua a ser, uma situação ímpar para todos. Estamos a lidar com algo que desconhecemos, pelo que a dificuldade em fazer cumprir determinadas medidas é, igualmente, um desafio. No entanto, já todos entrámos em “velocidade cruzeiro”, começando já a sentir-se algumas melhorias. Mas, mais importante ainda, a consciência comum que o

comportamento social será determinante para o sucesso desta “missão”. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? S - Curiosamente, tivemos reações distintas, principalmente no início. Alguns clientes entraram em pânico, tendo aceite muito bem as medidas rigorosas impostas. Outros consideraram excessivas, mas, rapidamente, perceberam a sua importância, chegando mesmo a reconhecer a relevância das medidas tomadas. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade de optar por horários distintos? S - Parte da equipa exerceu as suas funções em teletrabalho. Foram criados dois turnos para os colaboradores não se cruzarem e, ainda, canceladas as reuniões externas e presenciais, optando-se por videoconferências. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? S - Sem dúvida que sim. No início, e uma vez mais o desconhecido ditou o comportamento dos portugueses, registou-se um reforço excessivo das suas despensas, nomeadamente com produtos de mercearia e de limpeza. Numa fase posterior, ocorreu uma ligeira mudança nos produtos adquiridos, com maior procura de farinhas, fermentos, chocolates, etc. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? S - Sentimos, principalmente, no início. O reforço das despensas dos portugueses, obrigou a um aumento de visitas. Verificamos, no entanto, que atualmente está normalizado. AEF - O fecho generalizado da restau-

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ração afetou o seu desempenho? S - Sim, bastante. Foi e vai, certamente, continuar a ser. A recuperação deste sector será faseada, pelo que a nossa recuperação terá os devidos efeitos. O canal Horeca tem um peso significativo na nossa atividade. O desaparecimento total e imediato deste sector, mesmo que temporário, resultou em perdas significativas para a nossa empresa, sendo ainda prematuro antever qualquer cenário de recuperação. AEF - Continuou a promover entregas ao domicílio? S – A Saner não vende a consumidores finais / particulares. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? S - Queremos acreditar que sim. Depois de tanto tempo sem afetos, esperamos que os portugueses reconheçam e deem o devido valor ao simples ato de poder cumprimentar. Como qualquer crise, esta também traz oportunidades e veio, seguramente, reforçar a certeza de que nada é garantido. E, talvez, a preocupação com o próximo possa ser uma realidade mais presente na vida de cada um de nós. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? S – Acredito que sim. O comércio de proximidade teve também de se reorganizar, de se reinventar, aderindo, cada vez mais, às redes sociais, adotando diferentes medidas e métodos de trabalho, mesmo em horário reduzido. As limitações impostas à mobilidade das pessoas também contribuíram para que minimizassem as deslocações para as respetivas compras, dirigindo-se mais ao comércio de proximidade.


“É POSSÍVEL APRENDER A VIVER E A TRABALHAR MAIS, E MELHOR, MESMO EM CONTEXTOS ADVERSOS” A Soprei tomou todas as medidas necessárias para continuar a apoiar o negócio dos seus clientes, ao estar de portas abertas durante o período da pandemia e ao potenciar a sua distribuição. Aqui é Fresco - Que medidas tomou para impedir a propagação da Covid-19 no seu estabelecimento? Soprei - Para impedir a propagação da Covid-19 no nosso estabelecimento, implementámos as diretrizes recomendadas pela Direção-Geral da Saúde, como o uso de máscara e viseiras, o reforço da limpeza e desinfeção dos espaços, a limitação da lotação de clientes no cash, a entrega de mercadoria na distribuição no exterior dos estabelecimentos, entre outras. AEF - Qual foi o principal desafio à implementação dessas medidas? S – A adaptação da equipa aos novos equipamentos de proteção, o receio e o medo de contágio, assim como o facto dos clientes mais idosos demorarem muito a aceitar a gravidade da situação. AEF - Como é que os seus clientes reagiram à implementação dessas mesmas medidas? S - Dependendo da faixa etária, e do grau de conhecimento da situação, uns exigiram que assim fosse e outros menosprezaram as medidas adotadas. E, ainda, houve outros que até reclamaram, pois entendiam que ter a mercadoria no interior dos seus estabelecimentos seria mais importante que a proteção de ambos. AEF - Como é que geriu as equipas? Houve, por exemplo, necessidade

de optar por horários distintos? S - Devido ao elevado fluxo de trabalho, não houve possibilidade de divisão de equipas, pelo contrário, houve necessidade de reforço da equipa existente para conseguir dar resposta às encomendas. AEF - Em termos dos produtos comercializados, registou alguma alteração significativa no cabaz adquirido? S - A procura incidiu mais nos bens de primeira necessidade, pelo que nos limitámos a reforçar, em larga escala, uma referência de cada produto, por forma a tentar evitar ruturas de produtos, por exemplo, uma marca de azeite, uma marca de farinha, uma marca de arroz, etc. AEF - Em termos de tráfego no cash, sentiu diferença? S - Mais alguma afluência no cash e muito mais encomendas na distribuição. AEF - O fecho generalizado da restauração afetou o seu desempenho? S - O fecho da restauração foi absorvido pelo aumento do consumo dentro das casas dos portugueses, pelo que houve uma transferência da procura que acabou por não se sentir negativamente na nossa atividade. AEF - Continuou a promover en-

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tregas ao domicílio? Como fez de modo a obedecer às regras de segurança estabelecidas? S – As encomendas foram entregues no exterior dos estabelecimentos, sem contacto com os clientes, sujeitas a conferência, e todos os pagamentos efetuados por meio de transferência bancária. AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? S - É possível aprender a viver e a trabalhar mais, e melhor, mesmo em contextos adversos. Se houver uma mobilização de todos os sectores da sociedade, consegue-se enfrentar os problemas e alcançar o sucesso. AEF - Acredita que o comércio de proximidade saiu reforçado da crise da Covid-19? S – Ainda por algum tempo, a população vai preferir comer em casa, vai preferir o seu pequeno supermercado da aldeia, em detrimento dos grandes centros comerciais e, muito provavelmente, até os próprios comerciantes vão saber aproveitar esta fase para fazer ver aos consumidores quanto o comércio de proximidade é importante. Pois, se não existisse, muito provavelmente, ainda não tínhamos saído do estado de calamidade e muita gente tinha passado fome nestes últimos três meses.


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TEXTO CARINA RODRIGUES | FOTOS SARA MATOS

Nielsen

BENS DE GRANDE CONSUMO CRESCEM COM CRISE DA COVID-19 A 4 de maio terminava, em Portugal, o período de confinamento, após longas semanas da economia nacional em pausa. Ao entrar numa nova etapa dos tempos tão particulares vividos em função da pandemia da Covid-19, a Nielsen desenvolveu uma visão macro daquilo que têm sido as grandes tendências de consumo neste contexto social e económico tão distinto.

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erminou, no dia 4 de maio, o período de confinamento em Portugal. Entrando agora numa nova fase, a Nielsen desenvolveu uma visão mais macro daquilo que têm sido as grandes tendências em tempos de Covid-19. Como se comportou o consumo de Fast Moving Consumer Goods (FMCG) em Portugal nas fases pré-Covid (semanas 1 a 8), armazenamento (semanas 9 a 11) e quarentena (semanas 12 a 18)? Segundo a análise da Nielsen, e de uma forma geral, a pandemia de Covid-19 veio trazer crescimento no sector dos bens de grande consumo em Portugal. Houve, nitidamente, um período de armazenamento, entre 24 de fevereiro e 15 de março, em que o mercado cresceu 31% sobre o homólogo de 2019. Nas semanas de quarentena, entre 16 de março e 3 de maio, o crescimento foi de 9%. ARMAZENAMENTO Enquanto no período pré-Covid todas as categorias cresciam sensivelmente ao mesmo ritmo, foram detetados diferentes comportamentos

nas etapas posteriores. Durante a fase de armazenamento, foram as categorias de higiene pessoal e do lar (+37%) e de alimentação (+35%) as que apresentaram maior dinamismo. Em higiene, o crescimento do papel higiénico, que mereceu mesmo algum destaque noticioso, não deixou dúvidas quanto à necessidade dos portugueses de se abastecerem previamente. Esta categoria cresceu 87% durante todo o período de arma-

zenamento. Destacaram-se também, nesta fase, os acessórios de limpeza (+54%) e os rolos, guardanapos e lenços (+54%). No sector da alimentação, sobressaíram, claramente, os produtos de maior durabilidade, como é o caso das conservas (+102%), dos produtos básicos (+89%) e dos congelados (+44%). No que diz respeito aos frescos, os portugueses não quiseram que faltassem os produtos a que estão haPUB

Cuidados no Banho

35 corinedefarme.pt

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com a limpeza (mais 62% em acessórios de limpeza) e com a embalagem e conservação de alimentos (mais 43% em produtos para este efeito). Por outro lado, com os portugueses confinados nas suas casas, notaram-se decréscimos acentuados em categorias como os produtos solares (-88%), produtos para calçado (-46%), perfumes (-37%) e maquilhagem (-29%). Nos frescos, a tendência foi de quebra durante a quarentena. Registaram-se, no entanto, crescimentos nas frutas e legumes (+10%) e no talho (+6%). bituados à mesa, exemplo da carne, do peixe e das frutas e legumes, que, neste período de armazenamento, cresceram, respetivamente, 30%, 26% e 18%. As bebidas não alcoólicas (+16%) evoluíram no período de armazenamento, influenciadas pela preocupação em ter água em casa. Efetivamente, os portugueses prepararam a sua despensa no sentido de enfrentar as necessidades associadas à permanência no lar. QUARENTENA No período de quarentena, com todo o consumo a ser realizado em casa, foi na alimentação que se verificou o maior dinamismo (+14%). As bebidas quentes, onde se inclui o café, ocuparam um lugar de relevo nesta fase, com um crescimento de 52%. Embora com menos destaque, continuou a notar-se uma preocupação dos consumidores por manter a sua

despensa recheada, com um dinamismo de 33% nos produtos básicos, de 29% nos congelados e de 28% nas conservas. Quando ficaram em casa, é evidente a preocupação dos consumidores

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O take-away e cafetaria do retalho alimentar, que apresentava o maior dinamismo no período pré-Covid, inverteu a tendência na quarentena (-68%). LOJAS DIFERENTES PARA NECESSIDADES DISTINTAS Se é pelas lojas maiores que os portugueses optaram no momento de armazenar, na vida em quarentena, a proximidade ganhou visibilidade, possibilitando deslocações mais próximas de casa e de menor duração. Face à evolução do consumo desde que se começaram a sentir os efeitos desta pandemia, “é notória uma adaptação dos consumidores às distintas necessidades que esta nova realidade impôs nas suas vidas e rotinas. Os dados analisados pela Nielsen mostram uma tentativa de responder a novas exigências, quer no momento


de assegurar uma despensa recheada que permitisse enfrentar o confinamento, quer na compra de produtos que tornassem mais fácil a permanência prolongada em casa”, explica Inês Pimentel, Client Consultant da Nielsen. “A procura por diferentes tipologias de canais de retalho evidencia que o consumidor possui uma capacidade para ajustar os seus hábitos e adotar novas rotinas, quando tal se revela indispensável. Lojas de maior e de menor dimensão adquirem um papel específico quando se trata de suprir determinadas necessidades e em distintas fases, neste longo processo de confinamento e restrições. As próximas semanas trarão, certamente, novidades. A possibilidade de voltar a uma rotina mais aproximada à realidade pré-Covid, com maior liberdade de movimentos, significará também mais liberdade para os consumidores realizarem as suas compras e o fim de algumas exigências modificará o aspeto da sua cesta”, conclui. APÓS A QUARENTENA Terminado o período de quarentena,

o Barómetro Covid-19 da Nielsen revela o impacto do novo coronavírus no mercado dos bens de grande consumo na semana 19 (4 a 10 de maio), marcada pelo início de uma nova fase: viver uma nova normalidade. No período em que se deu início ao processo de desconfinamento, com a reabertura do pequeno comércio, os Fast Moving Consumer Goods registaram um crescimento de 17% com-

parativamente à semana homóloga, totalizando 187 milhões de euros. Nesta semana 19, os portugueses voltaram a armazenar e todas as categorias denotaram crescimentos. Alimentação (20%), bebidas (18%), higiene pessoal e do lar (9%) e comida e acessórios para cães e gatos (6%) registaram incrementos de vendas comparativamente à semana homóloga. PUB

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Opinião

O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE TAMBÉM SE PREPAROU PARA A COVID-19

I

nicialmente, a pandemia da Covid-19 veio confinar-nos ao espaço do nosso lar, reduzindo, consequentemente, o espaço profissional e laboral. Com esta crise de saúde pública, a maioria de nós não saiu de casa, desde 18 de março, data da primeira declaração do estado de emergência, até 4 de maio, dia do desconfinamento parcial. Em abril, registou-se ainda um “fenómeno” curioso. Muitos portugueses,

para não enfrentarem as filas dos grandes espaços comerciais, começaram a aumentar as compras online, mas os prazos de entrega dilatados, no mínimo de três a quatro semanas, fizeram com que muitos optassem pelas lojas de proximidade. Um “regresso ao passado” que fez reativar costumes antigos e que, para muitos de nós, estavam adormecidos. A facilidade da encomenda por telefone, ou online, e a entrega no conforto do

TEXTO CARLA ESTEVES, DIRETORA EXECUTIVA SOCIEDADE AQUI É FRESCO | FOTOS SARA MATOS

TEXTO CARINA RODRIGUES | FOTOS SHUTTERSTOCK/SARA MATOS

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nosso lar, em curto espaço de tempo, traduziu-se numa grande vantagem, especialmente para os grupos considerados de risco. A rede Aqui é Fresco continua a reorganizar-se, a reinventar-se e é, exatamente, em tempos de crise que se destaca o que de melhor temos para oferecer. Mas a nossa ação coletiva não se esgota nas quase 800 lojas que dispomos em Portugal. Com os meios digitais, nomeadamente as redes sociais onde estamos presentes e ativos, a serem âncoras para estarmos perto dos nossos aderentes e consumidores, assistimos a uma comunhão de interesses entre o retalho e a indústria. Outro grande objetivo, alcançado, durante esta fase, com grande esforço de todos os envolvidos, foi conseguir dar resposta ao elevado aumento da procura. Conseguimos, sempre, não registar quebras de qualquer bem essencial. Continuamos, no entanto, a viver tempos delicados, sem prazo para acabar, com a duração desta crise a ser determinante para a dimensão final do problema económico gerado. Não tenho dúvidas de que o coronavírus vai ter um impacto económico grande em várias áreas da economia e, naturalmente, na economia em geral. Basta pensar nas áreas do turismo, nos restaurantes, no comércio não alimentar e nos serviços de contacto direto com os clientes, tais como cabeleireiros, SPA´s, clínicas dentárias, etc. Apesar de haver fortes intervenções por parte do Estado, provavelmente, não irão ser suficientes.


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Ressalvo outro elemento de grande importância: alterações no consumo. Neste caso concreto, esta mudança de hábitos e o menor poder de compra de muitos portugueses vão, inevitavelmente, dar origem a menos consumo. Por outro lado, nem todos os sectores da economia vão voltar à normalidade logo após o desconfinamento (apontamos, como exemplo, o importante sector do turismo). Resumindo, na minha opinião, uma crise económica é, inevitavelmente, o cenário mais provável. Embora saibamos que as compras online vão sempre existir, e fazem parte também do nosso processo de crescimento, temos perfeita consciência de que os recursos humanos são, e serão sempre, uma parte fundamental da cadeia logística. Por mais que se automatizem os processos, o comércio de proximidade não irá nunca abdicar disso. A rede Aqui é Fresco tem reforçado o espaço digital (Facebook, Instagram, LinkedIn) e vai lançar, em breve, um novo e apelativo site. Temos também realizado todos os esforços para conseguir dar resposta ao aumento da procura. Muitas das nossas lojas iniciaram as entregas ao domicílio. Um sentimento de comunidade e partilha, onde as compras para os vizinhos mais seniores e com dificuldades não são esquecidas. Como qualquer crise, a da Covid-19 também trouxe oportunidades e conferiu, seguramente, um renovado sentido ao conceito de comércio de proximidade. O nosso compromisso com os nossos parceiros é estar sempre presentes, nos bons momentos e, especialmente, nos menos bons. Verificamos, igualmente, que a crise tem aberto novas oportunidades para as marcas de fabricante, em categorias que não eram eleitas na intenção de compra dos nossos consumidores. O crescimento verifica-se em categorias de cariz mais básico, sobretudo em alimentação, foi acompanhado do natural ganho de espaço nas categorias que se distinguem, não tanto pelas suas características físicas, mas pela sua intensidade promocional. A nossa previsão é que irá continuar a haver mais momentos de consumo em casa e mais tempo para cozinhar. Um fator relevante é que grande parte das empresas irá manter os seus colaboradores em teletrabalho. Também o “do it yourself” ganha uma nova vida, com mais trabalhos manuais e mais tempo na cozinha. Para isso, é crucial que a mensagem seja adaptada a cada momento e a cada consumidor. A curto prazo, sabe-se que será a alimentação básica a prioridade mais constante das próximas semanas. Algumas categorias, como iogurtes, charcutaria, queijo, bolachas e bolos, não conseguiram, no início da crise, ser prioritárias na cesta dos portugueses, que afirmam que não planeiam também, nas próximas semanas, aumentar a sua compra. Um dos aspetos que mais pode influenciar a estratégia e o desempenho de uma marca será o regresso dos consumidores à convivência fora de casa. Seja qual for o desfecho desta situação de impacto imprevisível, o comércio de proximidade demonstrou, uma vez mais, que nos bons e nos maus momentos, soube e vai estar ao lado dos portugueses e podemos afirmar que está, e continuará a estar, na linha da frente!

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TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS SARA MATOS

Largo do Chico

“É COM MUITO ORGULHO QUE VISTO A CAMISOLA DO AQUI É FRESCO” É através do Largo do Chico que Frederico Neves dá continuidade ao trabalho de uma vida dos seus progenitores. A loja proporcionou um importante apoio à comunidade local em contexto de Covid-19. 42

É

na calma de Urqueira que se localiza o Largo do Chico. Uma loja Aqui é Fresco gerida pelo jovem empresário Frederico Neves e que, como tantas outras, se viu confrontada com uma ameaça invisível que chegou sem pedir licença. Entre a admiração pela situação coletiva que se instalava em Portugal e a necessária resposta foi um ápice, com Frederico Neves, rapidamente, a implementar as medidas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde para o comércio de proximidade alimentar. Decisões que passaram por, numa primeira instância, limitar o número de pessoas e o respetivo acesso ao espaço de loja. “Depois, começámos a ver o que, realmente, era necessário fazer e o que se aplicava no nosso caso, como desinfetar, o mais possível, as mãos e as bancadas, entre outros locais, assim como praticar um horário mais reduzido face ao que era praticado até aqui”, introduz Frederico Neves, proprietário do Largo do Chico.


Medidas de reação que foram, de certo modo, acolhidas com alguma surpresa por todos aqueles que preferem fazer compras nesta loja. Entre a surpresa e o acatar das mesmas, havia uma nova etapa a percorrer. Se, numa primeira fase, os clientes não estavam à espera ou, simplesmente, não queriam acreditar, depois, acabaram por ser bastante exemplares. “As pessoas perceberam, felizmente. Esperavam pela sua vez de entrar na loja, perguntavam se podiam entrar, como, aliás, ainda hoje acontece. Foi ótimo e nem sequer houve grandes entraves. As pessoas perceberam, logo, que as coisas tinham de mudar. Faziam sugestões, o que é ótimo”, acrescenta. A rapidez na adoção de uma nova mecânica de compra deve-se, também, ao facto de Frederico Neves ser natural de Urqueira, pelo que a comunicação com todos os clientes se tornou muito simplificada, pelo simples facto de conhecer toda a gente que, diariamente, lhe entra porta adentro. “Com a informação que havia, as pessoas estavam com muito AF_AquiFresco_anuncio210x149mmCC_alta.pdf 1 medo. Aqueles que, inicialmente, não

estavam a acreditar no que se estava a passar, começaram a ser os mais exigentes. Nós dizíamos, ‘olhe que isto vai-se passar, isto é sério’. Quando se aperceberam que as coisas iam ser de outra maneira, foram os primeiros a exigir ‘isto ou aquilo’, a sugerir e a tentar cumprir ao máximo”, detalha. Respeito pelas medidas implementadas em espaço de loja e atualizadas ao ritmo que novas informações chegavam a casa de cada de um de nós. E se, nos meios urbanos, as imagens de enchentes em hipermercados ainda fazem parte de um passado não muito distante, também nos meios mais rurais, se registaram algumas mudanças, quer na afluência, quer no tipo de cabaz médio adquirido, onde os produtos básicos, como as farinhas, as tostas, as conservas, as frutas e legumes, o papel higiénico e o álcool foram dos artigos mais procurados. “Certos produtos foram procurados desde início, porque as pessoas não sabiam se havia logística, ou se tínhamos logística para assegurar a continuidade. Felizmente conseguimos, graças ao cash Pereira & Santos, 16/04/2020 11:50 que foi um aliado ‘cinco estrelas’ nes-

O LARGO DO CHICO CONTINUOU DE PORTAS ABERTAS DURANTE O PERÍODO DE PANDEMIA se campo’, e aos nossos fornecedores, sem dúvida. Impecáveis”, recorda Frederico Neves.

GESTÃO DAS EQUIPAS

Sempre atento à evolução da situação, o proprietário do Largo do Chico teve que tomar uma decisão no que à gestão das equipas diz respeito. “Chegámos à conclusão de que íamos fazer turnos de 15 dias. Quem estava ao serviço, assegurava 15 dias, com mais sacrifício, e depois ficava 15 dias em casa e voltava a outra equipa. Ainda estou a fazer isso na loja de Urqueira. PUB

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Já na loja de Ourém não foi possível”, detalha. O que não impediu a contratação de mais uma pessoa, de modo a assegurar a qualidade do serviço e o correto funcionamento da loja, com uma gestão de esforço e de tempo, pessoal e coletiva, muito própria, sempre com muito esforço e dedicação para fazer frente ao contexto de exceção vivido. “Foi meter as ‘mãos na massa’ e não só fazer as encomendas à meia-noite, porque tinha de fazer encomendas, como ter de estar na loja a repor produto. A tentar dar a volta às coisas, a trabalhar muito. Foi muito duro e complicado, mas conseguiu-se. E graças às pessoas que estão a trabalhar, que foram impecáveis. Excelentes profissionais, sem dúvida”, atesta o proprietário do Largo do Chico. Decisões tomadas num muito curto espaço de tempo e que permitiu aferir, de forma concreta, que o mercado é muito dinâmico e complexo. O que possibilitou, por outro lado, conquistar, ou reforçar, a confiança depositada pelos fregueses de Urqueira, pois, quando mais precisaram, o Largo do Chico continuou a assegurar o abastecimento de toda a comunidade local. “A pandemia veio reforçar que somos uma alternativa viável, com preços interessantes, com pessoas simpáticas, com ONDE FICA bons produtos perecíveis, onde existe o aconseLargo do Chico Loja 1 Rua Principal, N.º 27, lhar sobre o produto. Urqueira As pessoas perceberam 2435-700 Ourém um pouco isso e creio que

esta crise vai ser benéfica para nós. Penso que não temos nada a perder com isto, só temos a ganhar, porque reforçámos, um bocadinho, o elo de ligação com os clientes”. Uma alternativa credível, capaz e viável, que continuou de portas abertas num contexto de medo e de imprevisibilidade, onde as mais rotineiras ações do quotidiano individual e coletivo foram condicionadas. Com uma resposta concreta, em termos de serviço, disponibilização de produto e horários praticados, o Largo do Chico orgulha-se de nunca ter tido falta de produto nas prateleiras, “muito graças aos nossos funcionários e aos nossos fornecedores, principalmente, ao Pereira & Santos. Concluímos, ainda, que nada está seguro. Hoje, fomos beneficiados, amanhã, podemos ser prejudicados com outra

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situação qualquer. Há que continuar a trabalhar”.

BALANÇO MUITO POSITIVO

Integrado no Aqui é Fresco desde fevereiro de 2019, Frederico Neves faz um balanço muito positivo do tempo que leva na rede. Não só a imagem moderna e apelativa convence quem visita a loja, como a ligação comercial ao cash do associado Pereira & Santos é outro dos aspetos decisivos para o balanço agora feito. “Cada vez mais, as pessoas olham para a imagem. Eu creio que a evolução faz parte do negócio do comércio. Quem fica para trás acaba por perder e deixar de ter clientes. Nós temos evoluído e é com muito orgulho que visto a camisola do Aqui é Fresco. Gosto e quero, têm-me convencido e penso que não me vão desiludir”, conclui.


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Fernando’s

QUALIDADE E SEGURANÇA AO SERVIÇO DE AVEIRO O Fernando’s reagiu de forma proativa à crise da Covid-19, ao antecipar algumas medidas que viriam a ser postas em prática no estado de emergência. Uma forma prática de conciliar a segurança de colaboradores e de todos os clientes que o preferem.

TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS SARA MATOS

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É

pelo nome Fernando’s que o estabelecimento de Fernando e Fernanda Marques se dá a conhecer à comunidade que serve. Um hábito criado pelos muitos anos que leva de portas abertas e que faz com que seja uma referência do comércio de proximidade de Aveiro. Mesmo em tempo de pandemia de Covid-19, com Fernando Marques a tomar medidas para a defesa dos seus colaboradores e clientes, ainda antes do estado de emergência ser decretado e, com ele, novas regras serem aplicadas ao comércio. “Ainda antes de ter sido anunciado o estado de emergência, e terem sido definidas as regras que viriam a ser implementadas, restringi logo o número de pessoas na loja. Na altura, passei para 10 pessoas. Quando saiu a legislação, passei para seis pessoas, pois a loja tem 150 metros quadrados. Também pusemos álcool-gel e pedimos às pessoas para fazerem a desinfeção das mãos quando entrassem. Disponibilizámos luvas no autosserviço para os clientes poderem usar. Passámos a fazer, na hora do almoço, desinfeção de todos os carrinhos de compras, de todas as zonas de vidros e arcas onde as pessoas mexem mais e que têm asas. Toda essa zona é lavada e de-


sinfetada. O chão é lavado duas vezes ao dia. E passámos a fechar uma hora mais cedo, à noite”, recorda Fernando Marques, proprietário do Fernando’s. O encerramento uma hora mais cedo, ao final do dia, foi feito de forma voluntária, para transmitir segurança a quem visita este supermercado, assim como todos a quem, diariamente, assegura que a porta continua aberta. “Para além da questão da saúde, é também uma questão comercial. Há uma questão de confiança nas pessoas e é muito mau se um de nós ficar infetado. Porque, se acontecer, não são as duas ou três semanas, ou um mês, que tenha que estar fechado por causa da quarentena que está em causa. É toda uma confiança que se perde junto do cliente”, reforça Fernando Marques. Medidas que foram compreendidas, e bem aceites pelos clientes, de uma forma geral, que entenderam que as mesmas visavam promover o bem-estar coletivo, com ninguém a entrar na loja sem usar máscara, obrigatória para poder frequentar o espaço apoiado pelo associado Marabuto.

DESAFIOS

Claro está que a implementação, e gestão de todas estas medidas acarretou um maior volume de trabalho para a equipa do Fernando’s, que teve que reajustar os seus procedimentos, de modo a assegurar a correta higienização do espaço à luz das medidas exigidas pelo contexto vivido. Uma tarefa adicional para as quatro pes-

soas que permitem ao Fernando’s abrir portas todos os dias. “E tivemos uma ajuda muito preciosa, que foi a da minha filha, Daniela Marques, neste momento, parada em termos profissionais. Senão, já tinha que ter reforçado com mais alguém”, acrescenta. E se o ajuste a uma nova realidade se fez de forma progressiva, o mesmo se pode dizer em relação ao cabaz méPUB

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AS MEDIDAS DE HIGIENIZAÇÃO IMPLEMENTADAS SERÃO PARA MANTER NO FUTURO NO FERNANDO’S

dio adquirido. Sendo que, após a fase inicial da pandemia, onde se registou um “boom” do consumo, a tendência é para normalizar. Mas uma nota fica: os cabazes cresceram, não só por se comprar mais quantidades de alguns produtos, mas também por se comprar mais artigos do que o ONDE FICA costume. “Com destaque Rua 1.º Maio, N.º 26 A para o papel higiénico, Alagoas de tudo o que é desin3810-032 Aveiro fetante, detergentes multiusos, lixívias, farinhas, fermento, massas e arroz. Tudo o que não era perecível subiu as vendas. Mas os perecíveis também cresceram, não

porque as pessoas comprassem mais, mas porque houve mais afluência de clientes à loja”, detalha Fernando Marques. Com a rotina trazida pela Covid-19 a gerar um “novo normal”, que ainda não se encontra estabilizado, o “boom” inicial demonstrou que o comércio, em geral, não estava preparado para um pico inesperado de consumo, com algumas falhas de abastecimento, em determinadas referências, ainda a registarem-se. “Nós, pequeno comércio, não tínhamos, nem podíamos ter, equipas dimensionadas para aqueles 15 dias a três semanas

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que sucederam. Se, habitualmente, vendemos 50 e passamos a vender 120, é um pouco difícil termos uma equipa preparada. Nem é a altura para podermos aumentar a equipa, porque uma pessoa que agora entrasse, nos primeiros dias, iria precisar de muito apoio que não poderíamos dar”, comenta Fernando Marques. Memória de dias vividos não há muito tempo e que levou a que pessoas que nunca tinham entrado no Fernando’s ali fizessem as suas compras, percebendo, com isso, que, afinal, “têm aqui tudo aquilo que precisam. Não precisam de ir a um hipermercado. Têm aqui muita coisa, com melhor preço que um hipermercado”. Fernando Marques garante, ainda, que, na sua loja, as regras de higienização serão para continuar a ser aplicadas. Até porque não se sabe quando “isto irá desaparecer. Seja hoje ou amanhã, depois, aparece outra coisa qualquer”, pelo que é uma prática a manter. De modo a veicular uma mensagem de segurança, associada à qualidade da oferta e serviço que o comércio de proximidade transmitiu nesta pandemia, saindo reforçado enquanto canal de comercialização. “Houve pessoas que ficaram clientes. E, se calhar, veem que têm que esperar menos tempo do que o que esperavam para entrar na minha loja. Tenho pessoas que costumam vir e ficam à espera cinco, 10 ou 15 minutos para entrar, em alguns dias. Mas as pessoas esperam e entram. É porque gostaram”, conclui.


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O

s Laboratórios Sarbec são uma empresa familiar francesa, que foi fundada há cerca de 40 anos, no norte de França, em Neuville-en-Ferrain. Para além de produtos de higiene pessoal, a empresa é, ainda, especialista em toalhitas, perfumes e produtos profissionais de limpeza e desinfeção. É na nossa sede, em Neuville-en-Ferrain, que construímos os nossos produtos de raiz: desde a sua conceção à produção e ao acondicionamento. A nossa equipa de R&D conta com 25 profissionais, entre os quais farmacêuticos, bioquímicos e peritos em desenvolvimento, que trabalham diariamente para colocar o seu conhecimento ao serviço da qualidade e segurança dos nossos produtos. Fazemos uma abordagem natural da cosmética há três gerações. O nosso know-how da cosmética natural e biológica permite-nos responder às necessidades do consumidor de hoje e de amanhã. ESTRATÉGIA DA MARCA CORINE DE FARME EM PORTUGAL A estratégia inicial passou pelo foco na gama de bebé, por se tratar de uma categoria de consumo que exige um grande trabalho a nível de construção de marca. É muito mais exigente e complexo conquistar a confiança das mães para a utilização de produtos de higiene para os seus bebés, do que conquistar a sua confiança para a utilização de produtos para elas próprias. As mães e os pais têm maior atenção e são mais exigentes face aos produtos que utilizam nos seus bebés, ainda mais quando se trata do primeiro filho, do que face aos produtos que utilizam para si mesmos. Assim, considerámos mais importante conquistar a sua confiança, nesse sentido, e, posteriormente, tendo a marca mais consolidada, levá-los a experimentar e a consumir os nossos outros produtos, das nossas restantes gamas. Houve um grande trabalho de construção de marca e de notoriedade e um grande esforço no sentido de trabalharmos com parceiros que nos possibilitaram o primeiro contacto com as mães e os pais portugueses. Este primeiro contacto aconteceu

Publireportagem

40 ANOS DE LABORATÓRIOS SARBEC

nas maternidades, nos centros de saúde, nos centros de ecografias, onde procurámos sempre dar a conhecer os nossos produtos e as nossas valências, através da oferta de amostras e distribuição de panfletos. Em termos de desenvolvimento de produto, a nossa estratégia passa por uma constante aposta em inovação e por estarmos sempre atentos às tendências. Atualmente, há uma preocupação,

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cada vez maior, por parte do consumidor, em procurar produtos mais naturais e isentos de ingredientes catalogados como alergénicos ou prejudiciais. Nesse sentido, temos vindo a melhorar constantemente as fórmulas dos nossos produtos, a utilizar extratos 100% naturais, a procurar ingredientes com benefícios comprovados para a pele, isentos de parabenos, sulfatos, silicone, sabão, entre outros. Sabemos que esta


preocupação com os produtos e com as respetivas fórmulas, para já, ainda é considerada um nicho, mas, ainda assim, necessita de resposta. Para além disso, temos centrado todos os nossos recentes lançamentos em torno do conceito de Clean Beauty, isto é, fórmulas isentas de ingredientes catalogados como controversos, e, ainda, em torno do minimalismo, isto é, fórmulas com o menor número possível de ingredientes, apenas com o necessário para garantir uma utilização segura e agradável. A nossa estratégia no mass market consiste em oferecer ao nosso consumidor produtos de qualidade, seguros e inovadores, a um preço acessível e justo. No que diz respeito à comunicação, nos últimos anos, temos feito uma maior aposta no digital, essencialmente, através das nossas embaixadoras Mafalda Sampaio, Carolina Patrocínio, Catarina Raminhos, Inês Mocho, Ana Gomes e Mariana Rocha. Orgulhamo-nos de trabalhar com embaixadoras que partilham os mesmos valores que nós, que são mães ativas e que falam com o nosso público-alvo diariamente, encarando a maternidade de uma forma descontraída e natural. A MARCA E O SEU PORTFÓLIO Corine de Farme tem uma oferta

alargada que acompanha o consumidor nos vários momentos da sua vida e, por isso, abrange várias faixas etárias: bebé, higiene íntima (com produtos para a mulher e também para meninas a partir dos dois anos de idade), cremes de duche, protetores solares, capilares, produtos de higiene para criança (sob licenças da Disney, Marvel e Lucas), perfumaria e, até, uma gama de produtos para idosos e/ou acamados (sob a marca Hygienet, uma marca dos nossos laboratórios). Recentemente, lançámos várias gamas de produtos certificados biológicos para responder a uma nova tendência. O certificado de que as nossas fórmulas são portadoras é o Cosmos Organic, atribuído pela Ecocert Greenlife, o certificado líder na sua categoria, com maior quota de mercado. Neste momento, somos a única marca que aposta em fórmulas sem sulfatos. A legislação no nosso sector é muito exigente e está em constante atualização, pelo que tentamos sempre antecipá-la e, naturalmente, adaptarmo-nos a ela. Para além disso, também temos um consumidor cada vez mais exigente e informado, o que nos obriga a melhorar constantemente as nossas fórmulas, apostando em fórmulas cada vez mais naturais e “skin friendly”.

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COMPROMISSOS CORINE DE FARME 1. Preocupamo-nos, em primeiro lugar, com o nosso consumidor e asseguramos transparência e qualidade no que diz respeito aos nossos produtos. 2. Mantemos as nossas promessas. Não prometemos que os nossos consumidores emagreçam ou rejuvenesçam, mas prometemos proporcionar-lhes um momento único de prazer que revele a sua beleza natural, sempre em segurança. 3. Os nossos produtos são formulados com um mínimo de 95% de origem natural e selecionamos ingredientes cujo processo de extração é natural ou biológico. 4. Defendemos o ideal Clean Beauty e banimos das nossas fórmulas todos os ingredientes catalogados como controversos. 5. Vamos além dos requisitos europeus e suprimimos os sulfatos das nossas fórmulas Bio. 6. Produção 100% francesa, o que nos permite orgulhosamente dar trabalho, direta e indiretamente, a centenas de pessoas por toda a França. 7. Somos nós que produzimos os nossos próprios frascos, para reduzir a nossa pegada de carbono associada ao transporte de frascos vazios, e escolhemos sempre embalagens recicláveis.


TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS SARA MATOS

Supervarão

O MELHOR, AO MELHOR PREÇO O Supervarão foi buscar inspiração para a sua denominação comercial à freguesia que o acolhe: Santo Varão. Mais concretamente, à aldeia de Formoselha, onde os empresários Mafalda Cunha e Jorge Pereira têm localizada a sua loja. A funcionar desde novembro de 2017, estes jovens empresários consideram os três anos de atividade “uma aposta ganha”, tendo, recentemente, implementado o kit de visibilidade Aqui é Fresco. No sentido de servir, ainda melhor, a população que os acolheu e que continuou a preferir esta loja, mesmo em contexto de pandemia. Com o Supervarão a estar ao lado da comunidade local quando esta mais precisou. 52


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oferta ampla, a forte presença de produtos de marca própria UP, muito apreciada pelos seus clientes habituais, a experiência de Mafalda Cunha, conjugada com a vontade de aprender de Jorge Pereira, respetiva resiliência e capacidade de trabalho de ambos são alguns dos fatores de sucesso destes empresários, que servem a comunidade local com entregas ao

domicílio gratuitas, cujas encomendas chegam via SMS, telefone ou, mesmo, por e-mail. Com o apoio do associado Pereira & Santos, disponibilizam o que os seus clientes necessitam nos seus 100 metros quadrados de área de loja, procurando, sempre que possível, adaptar o cardex às exigências daqueles. Em contexto de Covid-19 ou fora dele, já que é pelo bom serviço que o

projeto de vida de Mafalda e Jorge se tornou conhecido nesta localidade que os acolheu. Mas a chegada da Covid-19, após as cheias do Mondego, trouxe consigo um necessário período de adaptação e de adoção de procedimentos, até então desnecessários no decorrer normal dos dias. “Foi uma questão de hábito e de arranque. Nas primeiras duas semanas, foi mais complicado. Tivemos que incentivar e explicar os procedimentos, porque, sobretudo os mais idosos, não queriam saber de nada. Para eles, era tudo nos outros lados”, comenta Jorge Pereira, proprietário do Supervarão. Estabelecimento que é, hoje, uma referência do comércio de proximidade nesta localidade dos arredores de Coimbra (Santo Varão) e que serve uma população mista, com forte predominância de faixas etárias mais envelhecidas, mas também jovens que optaram por aqui viver, apesar de trabalharem fora. “Tivemos que alterar os horários e, portanto, os idosos tiveram que vir só de manhã, por causa das normas da Direção-Geral da SaúPUB

Meia história a branco e tinto. SEJA RESPONSÁVEL. BEBA COM MODERAÇÃO. 53 SEJA RESPONSÁVEL. BEBA COM MODERAÇÃO.


de. De modo a respeitar essas normas, tiveram que se adaptar. Houve alguns que se adaptaram bem, outros que não gostaram, mas tiveram que se habituar. Sabemos que têm os seus hábitos, mas foi ONDE FICA necessário. Contudo, Urbanização Vale Mondego, Lt. 5, R/C Esq. creio que o comércio já 3140-363 Santo Varão está a começar a voltar, Montemor-o-Velho um bocadinho, ao normal. Vai voltar, espero, em breve”, detalha, por sua vez, Mafalda Cunha, proprietária do Supervarão. Mas não foram só os clientes que tiveram que se adaptar a uma nova realidade. Também este casal de empresários viu a sua vida pessoal e profissional alterada com o encerramento compulsivo dos espaços de ensino. “Como reorganizámos a nossa

O SUPERVARÃO CONTINUOU A FAZER ENTREGAS AO DOMICÍLIO, SERVIÇO MUITO VALORIZADO PELOS CLIENTES

vida? Um fica em casa, de manhã, e o outro fica à tarde. Até aqui, tínhamos um part-time e essa pessoa está sempre de manhã. Mas tivemos que arranjar um outro part-time para a tarde. A única coisa que alterou foi, mesmo, termos que arranjar alguém”, recorda Mafalda Cunha. Alteração a que se junta o encerramento, à segunda-feira à tarde, para o necessário abastecimento do espaço, com Jorge Pereira a chamar a si essa responsabilidade. Medidas efetuadas para responder às exigências do “novo normal” trazido pela Covid-19.Que consigo trouxe mudanças significativas ao nível não só do tráfego na loja, como do próprio sortido comercializado, onde aos artigos habitualmente comercializados se juntaram, ainda, os bens essenciais numa primeira fase do confinamento social. Situações potenciadas, numa primeira instância, pelas cheias do rio Mondego, em fevereiro último, a que se juntou, agora, a pandemia da Covid-19 e que trouxeram um renovado leque de clientes ao Supervarão, que continuou a fazer entregas ao domicílio de forma ininterrupta, um serviço muito valorizado pela sua clientela. “Fazemos no fecho. Fechamos à hora do almoço e vamos distribuir. Dá para fazer quando temos alguns momentos de calmaria. Durante a tarde, somos dois que cá estamos. Recebo uma encomenda e, se a loja está com menos movimento, consegue-se fazer as entregas, pois é tudo aqui nos arredores. Também há casos de gente que faz a encomenda, nós separamos e vêm buscar. Nem entram na loja. É só levar lá fora e receber o pagamento”, descreve Jorge Pereira.

ATENDIMENTO PERSONALIZADO

Procedimentos facilmente integrados e apenas possíveis pela empatia gerada por este casal, que alia a simpatia à competência do atendimento, predicados incontornáveis de uma loja que tem vindo a reforçar laços e créditos junto de todos os que preferem comprar “o melhor, ao melhor preço” no Supervarão. Pelo que perante a necessidade, incontornável, de ter que reduzir horário na loja, também por causa da gestão familiar e acompanhamento dos dois filhos menores,

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a reação da população foi a melhor possível. “Não conseguimos estar em todo o lado. Era impossível. Das 9 às 13 horas e das 15 às 20 horas, era muito tempo fora de casa. E nós tínhamos as crianças, uma vez que acabou a escola. Mas conseguimos nos adaptar. E os clientes perceberam tudo isso”, acrescenta, em concordância, o casal.

INTEGRAÇÃO NA REDE

Desde que aderiram à rede Aqui é Fresco, Mafalda Cunha e Jorge Pereira têm vindo, constantemente, a investir no seu negócio, sendo, hoje, um motivo de fixação de população em Santo Varão. Com a crise da Covid-19

a contribuir para esse reforço da ligação com a população local, que assim evita as deslocações às grandes superfícies comerciais, onde, ao haver um maior número de pessoas, há, necessariamente, uma maior possibilidade de contágio. “Aqui, é um meio familiar, mais pequeno, onde toda a gente se conhece. Como as pessoas estão mais próximas, estão à conversa, assim como estamos aqui, porque se sentem à vontade”, comenta Jorge Pereira. “O ser humano é adaptável, nós somos adaptáveis. Temos é que aceitar as alterações. Se aceitarmos, conseguimos fazer tudo”, acrescenta. Palavras de quem visa, a cada momento, potenciar o seu negócio, disponibilizando aquilo que os seus clientes lhe solicitam, sempre com um sorriso nos lábios. Para os clientes que já conhecem, como para outro qualquer que entre, seduzido, pela imagem apelativa da rede Aqui é Fresco e sem ainda saber o excelente atendimento que o espera.


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N

uma localização privilegiada junto à Praia do Furadouro, em Ovar, a história do Supermercado São Pedro cruza-se com a da sua proprietária, Ana Paula Fonseca, que abriu o espaço hoje gerido em conjunto com o seu esposo, Porfírio Magalhães. Para a memória ficam os anos, “muitos”, como diz sorridente, já passados e que fizeram com que este estabelecimento seja uma referência do comércio de proximidade nesta localidade costeira. Fazendo prevalecer a localização privilegiada, assim como um cardex lato, frescos apetecíveis e o bom preço de prateleira com que a rede Aqui é Fresco já habituou o mercado. Mesmo em contexto de pandemia da Covid-19, que veio obrigar a necessárias alterações no normal funcionamento da loja. Desde logo, a implementação das medidas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde, como a obrigatoriedade da utilização de luvas descartáveis por

Supermercado São Pedro

UMA REFERÊNCIA DE QUALIDADE NO FURADOURO De forma dinâmica, o Supermercado São Pedro conseguiu dar resposta aos desafios trazidos pela Covid-19. Medidas de prevenção que asseguraram a proteção de clientes e equipa, neste estabelecimento que beneficia de uma localização privilegiada para a sua atividade comercial.

TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS SARA MATOS

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parte do cliente e a desinfeção das mãos com álcool-gel, à entrada na loja. A que se junta o acesso condicionado ao interior, em função da capacidade da área para atendimento. “Assim como a higienização dos espaços mais suscetíveis de contaminação. Toda essa preocupação e o bom senso, que aqui também tem relevância, af_Insercao_Upfield_210x149mm.pdf 1 Maga20/04/2020 imperaram”, comenta Porfírio

lhães, do Supermercado São Pedro. Desafios colocados não só à gerência deste espaço, como ao comércio de proximidade, em geral, que, no caso do Supermercado São Pedro, se deparou com uma questão adicional ao quadro geral e que se prende com a organização do espaço de loja. “A adoção das medidas de segurança e higiene foi relativamente fácil, embora tenhamos aqui uma dificuldade particular: temos uma loja bastante comprimida e, portanto, no que respeita ao condicionamento de clientes, fomos um pouco para além daquilo que são as regras estipuladas”, reforça o responsável. Também a gestão dos clientes de faixas etárias mais elevadas causou, aqui ou ali, um pouco mais de desgaste, pois, mesmo com a possibilidade de se levar as compras até casa, insistiam em frequentar o espaço apesar de, regra geral, pertencerem ao denominado grupo de risco. “Eles continuavam a vir, era uma maneira de sair de casa. Vinham três ou quatro vezes ao dia”, recorda. 17:25 Isto apesar da redução da carga

horária estabelecida nesta loja, de modo a poder gerir as necessidades operacionais trazidas pelo “novo normal”, apesar do Supermercado São Pedro, mesmo antes da pandemia, já funcionar em turnos. “Optámos por funcionar em complementaridade, numa lógica de nós, a gerência, não estarmos também a trabalhar ao mesmo tempo. Para nos precavermos e resguardarmos um pouco, de modo a ficar sempre uma equipa pronta para assegurar o normal funcionamento da

A GESTÃO EQUILIBRADA DAS EQUIPAS PERMITIU AO SÃO PEDRO CONTINUAR A TRABALHAR SEM INTERRUPÇÕES PUB

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loja”, comenta, por sua vez, Ana Paula Fonseca. E a opção prática passou por, não só, fechar mais cedo (às 19 horas), como também ONDE FICA encerrar ao domingo Av.ª Bombeiros à tarde, com os finsVoluntários do Porto Furadouro -de-semana a serem 3880-352 Ovar muito fortes nesta loja com uma localização privilegiada junto à praia do Furadouro. Decisões tomadas de modo a proteger colaboradores e clientes, com o Supermercado São Pedro, à semelhança de outros estabelecimentos, a sentir algumas alterações nos pro-

dutos que figuravam no cabaz médio adquirido, nomeadamente, artigos de longa duração, enlatados essencialmente. “Depois, evoluiu para o consumo de farinhas e frescos. Muitos legumes, que era para congelar. As farinhas também foram um fenómeno, porque as pessoas passaram a produzir o seu pão em casa e a fazer bolos, o que levou também ao aumento da venda de fermentos. E, claro, problemas com o fornecimento de produtos de higienização, que, creio, terá sido transversal”, detalha Porfírio Magalhães. E se há ensinamento que a pandemia da Covid-19 vem trazer é de que nada

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é adquirido, com o vírus a vir prejudicar, claramente, a dinâmica social, com determinados comportamentos, considerados normais e naturais até aqui, a serem, hoje, práticas consideradas de risco. Já para o comércio de proximidade, esta pandemia foi um forte dinamizador de negócio, que permitiu que “as pessoas ficassem com uma visão um bocadinho diferente do negócio local. Tenho ideia que se vai diluir no tempo. Poderá haver um ganho, mas muito mais ligeiro do que o impacto que teve com a crise. É lógico que surge a oportunidade de muitas pessoas que não tinham tido, ainda, contacto com as lojas de proximidade e perceberam-nas de uma forma diferente”, considera Ana Paula. Sobretudo, ao atender à boa resposta que foi dada, não só pelo Supermercado São Pedro, como pelo canal, como um todo, destacando-se, no caso desta loja, o importante apoio dado pelo associado Malaquias. “Normalmente, o nosso fornecedor de referência, que esteve muito bem e foi capaz de responder com qualidade e disponibilidade e fazer entregas mais vezes, pelo que se registaram poucas ou nenhumas ruturas. Estamos muito agradecidos pela resposta porque, depois, fomos capazes de a dar também aos nossos clientes”, conclui.


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TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS D.R.

Nestlé Portugal

“SENTIDO DE MISSÃO QUE A TODOS NOS ENCHEU DE ORGULHO” A Nestlé Portugal foi um dos fornecedores-parceiro da rede Aqui é Fresco mais visados pela crise da Covid-19, com a cerca sanitária de Ovar a fazer com que cerca de 130 colaboradores, de um total de 415, tenham sido impedidos de desempenhar as suas funções na unidade produtiva de Avanca. O que levou a uma necessária reorganização do ciclo produtivo por parte da companhia, como explica João Partidário, diretor de vendas da Nestlé Portugal. 60


Aqui é Fresco - A cerca sanitária em Ovar, imposta pelo Governo como medida de contenção da Covid-19, obrigou à reorganização da fábrica da Nestlé em Avanca. Em termos práticos, por que aspetos passou a reorganização desta unidade produtiva? Como é que se coloca a laborar uma fábrica, com determinados procedimentos até aqui não previstos, de “um dia para o outro”? Foi um processo célere ou nem por isso? João Partidário - Devido à cerca sanitária de Ovar, que impediu cerca de 130 trabalhadores de Avanca, que moram naquela cidade, de sair de casa para trabalhar, tivemos de fazer algumas mudanças nas nossas produções e turnos de trabalho. Para compensar a ausência desses trabalhadores, reduzimos os turnos de trabalho e concentrámo-nos na produção dos nossos principais produtos, os mais desejados pelas famílias portuguesas, e, com isso, conseguimos manter a produção no mercado interno e também para exportação. Durante este período, privilegiámos a produção de produ-

tos como as papas infantis Cerelac, os cereais para toda a família Nestum, os cereais de pequeno-almoço Chocapic e Estrelitas e as bebidas de cereais Mokambo, Pensal, Tofina, Bolero e Brasa. O sucesso desta operação deve-se, sobretudo, ao grande sentido de responsabilidade para com os consumidores portugueses demonstrado por todos os nossos colaboradores, um sentido de missão que a todos nos encheu de orgulho. AEF - Quantos foram os colaboradores retidos em Ovar e atingidos por esta decisão do Governo? De um total de quantos que a unidade emprega? JP - Cerca de 130 colaboradores ficaram em casa para sua proteção e, também, para proteção dos seus colegas na fábrica. O total de colaboradores da fábrica de Avanca é 415 e, durante este período, estivemos a trabalhar com apenas 285. AEF - A reorganização da produção também foi necessária. Qual foi o critério para os produtos a produ-

zir, em detrimento de outros? Foi possível manter os rácios de produção e o tempo médio de disponibilização desses respetivos produtos ao mercado? JP - Sim, como explicado anteriormente, reorganizámos a nossa produção, por forma a dedicarmo-nos aos produtos com maior procura e rotação no mercado. PUB

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Avanca produz também várias gamas de produtos para o canal fora do lar, que, devido a esta situação de pandemia, esteve totalmente fechado. Assim, parámos a produção nessas linhas, realocámos colaboradores destas para as linhas mais relevantes neste período e conseguimos manter os nossos níveis de produção dos SKU’s mais procurados. O mesmo foco foi tido no nosso principal centro de distribuição, a nível nacional, que está também localizado em Avanca, contíguo à fábrica. AEF - Alguma vez recearam ter de deixar de produzir de uma forma generalizada? JP - Não, essa possibilidade nunca esteve equacionada, até porque, desde início, o nosso sector de atividade foi considerado fulcral e estratégico. AEF - A produção da linha profissional foi cancelada devido ao fecho generalizado do canal Horeca? JP - Sim, a produção destas gamas de produtos foi suspensa, para que nos pudéssemos concentrar naqueles mais procurados pelas famílias portuguesas. AEF - Em termos de acesso a matérias-primas, houve alguma limitação? Isso influenciou o cabaz de produtos que foi decidido produzir? JP - Durante toda esta crise, estivemos e estamos sempre em contacto com os nossos fornecedores de matérias-primas e de materiais de embalagem. Uma vez que eles, tal como nós, foram considerados sectores estratégicos, que podiam, e deviam, continuar a laborar, nunca encontrámos constrangimentos a este nível. AEF - A fábrica de Avanca exporta boa parte da sua produção para mais de 30 mercados internacionais. Este canal sofreu com a pandemia da Covid-19? As exportações da companhia foram afetadas? JP - Mantivemos as nossas exportações ativas, mas, agora, focadas nos mesmos produtos cuja produção privilegiámos.

“O CANAL DE PROXIMIDADE JÁ ESTÁ ENRAIZADO NOS HÁBITOS DE CONSUMO DOS PORTUGUESES” AEF - É possível tirar algum ensinamento, ou conclusão, desta pandemia? Qual, no seu entender? JP - A grande conclusão é que, trabalhando como uma “Antecipative Organization”, algo que já está no “mindset” da Nestlé, é mais fácil e rápido reorganizarmo-nos para manter o nível de resposta que os nossos clientes e os nossos consumidores esperam de nós. Mas o principal ensinamento está nas nossas pessoas, no orgulho que temos em ver o espírito de equipa que se reforça, ainda mais, nestes momentos. Durante toda esta crise, a resposta de todas as nossas pessoas tem sido a de que nada nos fará travar na entrega do nosso propósito de melhorar a qualidade de vida e contribuir para um futuro mais saudável. AEF - Como é que a Nestlé vê o crescimento do canal de proximidade? Como se destaca o Aqui é Fresco nesse contexto? JP - O canal de proximidade já está enraizado nos hábitos de consumo dos consumidores portugueses. Ao ter sido um dos canais com melhor performance na atual pandemia, o canal proximidade revelou, mais uma vez, ser uma excelente opção para o consumidor. Quando surgiu, numa altura de crise económica, em que os consumidores privilegiavam conveniência e preço, veio renovar um hábito perdido, havia já alguns anos, de fazer compras no próprio bairro, no dia ou na hora em que o consumidor mais necessita de um determinado bem de consumo. O sucesso do comércio de proximidade reside aí, na conveniência e na familiaridade entre consumidor e cliente, algo

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que já não se via há umas décadas na vivência de cada bairro, em cada cidade. Estas próprias lojas vieram revitalizar muitos bairros, fixando pessoas, fidelizando consumidores, criando hábitos de consumo. No fundo, um sentimento de pertença à loja. Com mais de 800 lojas presentes na sua rede, o Aqui é Fresco é, sem dúvida, uma presença incontornável no panorama do comércio de proximidade. A rede da insígnia tem feito um excelente trabalho em conjunto com os seus parceiros de negócio, dando uma ajuda preciosa ao dia-a-dia do consumidor, em linha com aquele que é o seu lema “Perto e de Confiança”. Ao agregarem tantas lojas numa só insígnia, espalham pelo território nacional este mesmo conceito e forma de estar e de servir o seu consumidor, conhecendo-o de perto e privilegiando os produtos que este mais gosta de ver na sua loja. O comércio de proximidade é, ele mesmo, um negócio de personalização da experiência de compra. AEF - Quais as oportunidades que surgiram no negócio e parceria com a Unimark e o Aqui é Fresco? JP - A relação comercial que temos com a Unimark e o Aqui é Fresco é de constante adaptação e captura de novas oportunidades. E, este ano, não foi exceção. Numa altura em que o shopper procura formatos maiores, dado estar mais tempo em casa, testámos novos formatos nas marcas Fitness, Chocapic, Nescafé Dolce Gusto e snacks KitKat e Lion. Lançámos três variedades de cápsulas de alumínio com a marca Buondi, compatível com o sistema Nespresso. Em nutrição infantil, fizemos, por exemplo, uma comunicação especial do novo formato de Cerelac com 250 gramas e menos 40% de açúcares e já estamos a dinamizar novas variedades de refeições para bebés a partir dos oito e 12 meses. Com a preocupação que a Nestlé tem em melhorar a qualidade de vida e contribuir para um futuro mais saudável dos consumidores, trabalhámos com o Aqui é Fresco, desde o início do ano, na implementação da campanha “Toma o Gosto”, onde a Nestlé desafia o consumidor a adquirir bons hábitos alimentares e a educar o paladar.


“RETOMA O GOSTO” É O INCENTIVO DA NESTLÉ AOS PORTUGUESES DURANTE A PANDEMIA

Re TOMA O GOSTO A MAIS SABORES

S

abendo que para adquirir bons hábitos alimentares é necessário conhecer os alimentos, experimentá-los e educar o paladar, a Nestlé lançou o desafio ‘Toma o Gosto a Mais Sabores’. Esta campanha corporativa para o ano de 2020, iniciada em janeiro, pretende demonstrar que é na variedade que reside o segredo para uma vida mais saudável. “Toma o Gosto” a novos sabores, novas experiências e novas aprendizagens reforça o caminho que a Nestlé tem vindo a tomar de forma a mudar comportamentos, melhorar a qualidade de vida e contribuir para um futuro mais saudável. Com a atual pandemia tornou-se extremamente importante para as empresas adotarem novas formas de comunicar com os seus consumidores. A Nestlé não é exceção e tem trabalhado continuamente com o objetivo de alinhar iniciativas com o seu propósito e impactar positivamente as comunidades. A campanha “Toma o Gosto” será adaptada às novas circunstâncias, não perdendo como principal foco o incentivo a um estilo de vida mais saudável, mas incorporando uma mensagem de positivismo que proporcione às pessoas o conforto que necessitam.

Sabe mais em www.nestle.pt/toma-o-gosto

O “Toma o Gosto” mudará para “Retoma o Gosto”, direcionando-se para todos os aspetos da normalidade de que sentimos tanta falta e que tencionamos retomar. Re TOMA O GOSTO A MAIS SABORES

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Desde o começo da pandemia que as iniciativas da Nestlé Portugal têm sido muitas. Mais de nove toneladas de produtos alimentares e bebidas foram doados a 70 hospitais e instituições de saúde de norte e sul do país. Em abril, a Nestlé Portugal associou-se à campanha #EuAjudoQuemAjuda da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), através da doação de 130.000 equipamentos de proteção individual, num valor global de 100 mil euros. De forma a apoiar os seus parceiros no canal HORECA, através das suas marcas BUONDI, SICAL, NESCAFÉ, CHRISTINA e TOFA, a Nestlé Professional ofereceu a todos os seus Clientes uma quantidade de produtos equivalente a uma semana de consumo nos respetivos estabelecimentos, o que totaliza mais de 100 toneladas de café e outros produtos. 63


Super Bock Group

“FLEXIBILIDADE PARA GERIR A VIDA PROFISSIONAL COM A PESSOAL” Apesar da sua predominante atividade industrial, o Super Bock Group teve cerca de um terço dos seus colaboradores a laborar em regime de teletrabalho, fruto da pandemia da Covid-19. Um regime que a empresa já adotava, ainda que não nesta escala, que obrigou a ajustes de ordem diversa e trouxe desafios acrescidos à organização, que a mesma tem procurado ultrapassar. TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS D.R.

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tt

Tem existido um esforço comum da parte da gestão, e das próprias pessoas, para conseguir manter a estabilidade e a tranquilidade, dentro deste novo contexto, que é inédito para todos. Face a esta nova organização, os desafios são, sobretudo, de contacto, de interação e relacionamento, bem como de motivação, mas também de flexibilidade para gerir a vida profissional com a pessoal, cientes de que este é um tempo bastante adverso”. As palavras são de Miguel Araújo, diretor de Comunicação e Relações Institucional do Super Bock Group, a propósito do contexto penalizador que levou a que todo o tecido empresarial se tivesse que adaptar e adotar novos procedimentos, de modo a poderem continuar a desenvolver a sua normal atividade empresarial. O Super Bock Group não foi, naturalmente, exceção, ao priorizar a proteção das pessoas, através da transferência gradual para regime de teletrabalho dos colaboradores cuja função assim o permitia. “Tivemos de nos reorganizar, é certo, mas o facto é que o Super Bock Group tem investido,

desde há vários anos, na digitalização de processos e ferramentas, o que foi facilitador neste momento. Já existe um grande aproveitamento do potencial tecnológico dentro da organização e, como tal, também promovemos a renovação de competências dos colaboradores, nesta matéria”, reforça Miguel Araújo. O que conferiu uma maior flexibilidade e agilidade ao nível da organização, de modo a, por um lado, assegurar o desenvolvimento do negócio, assim como o cumprimento de processos definidos e, por último, a partilha de informação de forma íntegra e com total segurança. Já a nível industrial, considerando as especificidades do negócio e de modo a assegurar a continuidade da atividade industrial, o Super Bock Group estabeleceu rotinas de alternância de equipas, como medidas acrescidas às tomadas de forma abrangente de proteção e de higiene individual. “A primeira medida foi criar, logo no início do mês de março, um gabinete de crise e um plano de contingência que continua a ser avaliado e ajustado em função da evolução da

situação em Portugal, que segue sempre as recomendações das entidades oficiais. Integra medidas acrescidas de proteção e de higiene individual, bem como dos espaços de trabalho e zonas comuns, de forma a garantir a segurança das nossas pessoas. Ainda no início de março, antes de implementarmos a transferência para o regime de teletrabalho, adotámos um conjunto de procedimentos onde se recomendava a não realização de reuniões presenciais e que se evitasse também a participação em eventos ou outras iniPUB

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ciativas. Creio, acima de tudo, que as nossas pessoas reagiram com responsabilidade e a tranquilidade possível perante uma conjuntura com tantas incógnitas”, considera. Contexto que faz com que o Super Bock Group continue a acompanhar a situação e a estudar, de forma contínua, os diferentes cenários indicados pelas autoridades competentes, cujas atualizações são feitas de forma regular. Mas, não obstante a vontade inerente a todo o tecido empresarial de retomar a sua atividade de forma regular, o Super Bock Group antecipa que o regresso à normalidade, como a conhecíamos até há muito pouco tempo, ainda pode tardar, pois, no seu entender, a retoma da atividade económica no país “será um processo gradual e prolongado no tempo, bem com a atividade exportadora, que continua com constrangimentos. Não obstante, continuamos com os nossos planos para assegurar o desenvolvi-

EM CONTEXTO DE PANDEMIA, O SUPER BOCK GROUP MANTEVE A DINÂMICA PROMOCIONAL NO CANAL DE PROXIMIDADE graduais e que tenderão a ser muito prolongadas.

AÇÕES DESENVOLVIDAS

Atento ao mundo que o rodeia, o Super Bock Group tem vindo a promover um conjunto de iniciativas que

apoiar os estabelecimentos que fazem parte das suas rotinas diárias, através da compra de vales que poderão descontar junto dos pontos de venda por si eleitos, no momento da abertura. “Por cada voucher comprado [valor mínimo de 10 euros], a Super Bock adiciona uma oferta fixa de cinco euros, que se traduz em mais valor para o ponto de venda e para o consumidor, sendo esta verba enviada diretamente para os proprietários dos estabelecimentos. Estamos, ainda, a finalizar um conjunto de ações para implementação na reabertura do Horeca, com as quais contamos surpreender os nossos retalhistas e consumidores, sempre no sentido de apoio à retoma do negócio”, avança Miguel Araújo. Atividade comercial que, no caso do comércio de proximidade, cujas lojas mantiveram “uma atividade de relevo durante esta situação”, ganhou novo fôlego com a evolução natural do período de confinamento, com a cabaz médio adquirido nas lojas Aqui a Fresco a passar da restrita aquisição de bens essenciais, para, com o tempo, também contemplar artigos mais associados a um consumo de indulgência, como as bebidas refrescantes, pelo que o Super Bock Group manteve uma dinâmica promocional recorrente junto deste canal.

COMÉRCIO DE PROXIMIDADADE

mento e a sustentabilidade do negócio e a proporcionar às nossas pessoas as condições para que possam continuar a produzir, a partir de casa, e a gerir a vida profissional com a pessoal”, detalha Miguel Araújo. Na base das limitações das exportações de uma das maiores empresas nacionais, encontram-se alguns constrangimentos logísticos e externos, a que se junta a natural quebra nos mercados de destino, devido à dimensão mundial da pandemia, pelo que a reabertura das economias levará o seu tempo, com retomas

visaram, por um lado, dinamizar a sua presença no canal de proximidade e, por outro, apoiar os estabelecimentos do canal Horeca. “Das diversas ações que implementámos para apoio aos retalhistas do canal Horeca, gostaríamos de destacar a ação desenvolvida conjuntamente com a plataforma Preserve.pt. tech4COVID19, para apoiar os bares, cafés, restaurantes e discotecas, atualmente sem receitas devido ao encerramento obrigatório provocado pela pandemia de Covid-19”. Nesta ação concreta, os consumidores são desafiados a contribuir para

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Com a crise da Covid-19, as lojas de proximidade ganharam, no entender do porta-voz do Super Bock Group, ainda mais importância, quer seja por questões sanitárias, devido a serem espaços mais pequenos, logo com menos concentração de clientes, quer pelas limitações à circulação impostas pelo estado de emergência. “Neste canal, das lojas de proximidade, aquelas que apresentavam um sortido mais vasto foram as que mais cresceram. Os portugueses passaram a visitar menos as lojas, mas a comprar mais em cada ato de compra. O mercado vive um momento orientado para a fidelização dos clientes habituais e pela angariação de novos consumidores que descobriram na proximidade múltiplas vantagens. Vai requerer condições sanitárias e de segurança robustas, acompanhando de perto eventuais mudanças nos hábitos dos portugueses e com especial atenção à variedade e qualidade do sortido”, conclui.


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Renova

PRODUÇÃO 24 SOBRE 24 HORAS A crise da Covid-19 trouxe consigo grandes alterações em termos dos padrões de consumo. Antes de ser decretado o estado de emergência, os portugueses passaram pela chamada fase de armazenamento, onde algumas categorias apresentaram um dinamismo fora do normal, entre as quais, a higiene pessoal e do lar. Dizem os dados da Nielsen que, nesta fase, estes produtos cresceram 37%. A Renova esteve na linha da frente na resposta a esse acréscimo da procura com uma produção contínua, entre outras medidas, como assinala o diretor de marketing da marca, Luís Saramago. TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS D.R/SARA MATOS

TEXTO CARINA RODRIGUES | FOTOS SARA MATOS/D.R.

O

papel higiénico mereceu mesmo honras de destaque noticioso. Durante o período de armazenamento, esta categoria cresceu 87%, um incremento que a Renova sentiu nos vários mercados onde se faz representar. Mas também os rolos, os guardanapos e os lenços de papel cresceram de forma assinalável: 54% de acordo

com a Nielsen. Para Luís Saramago, diretor de marketing da Renova, na origem deste comportamento, terá estado uma perceção de escassez, por parte dos consumidores, que não correspondia à realidade. “O nosso produto é muito volumoso e, quando aumenta um pouco as vendas, se a reposição não for imediata, os espaços começam a

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ficar vazios. Isso pode transmitir uma perceção de escassez e potenciar a compra de abastecimento”, comenta.

ADAPTAÇÃO

Para fazer face às encomendas, a Renova focalizou toda a capacidade de produção em produtos de maior rotação. “Abdicámos, inclusivamente, da produção de alguns produtos de


lume de encomendas tão significativo como o que aconteceu. Pelo que, daqui para a frente, as organizações têm que interiorizar este clima de imprevisibilidade. Para lhe dar resposta, há que agilizar o processo, tanto quanto possível, não só a nível de produção, como também a nível de serviço, de disponibilidade para partilhar informação com o mercado, com toda a cadeia de fornecimento. As organizações têm de se tornar mais ágeis para responder, de forma eficaz, a um clima de imprevisibilidade que nos parece que vai continuar”.

DIGITAL maior margem, para nos focarmos nos produtos de ‘coração de mercado’. Como tínhamos stock de produtos premium, que também saíram, focámos a nossa capacidade de produção para responder ao volume de encomendas que estava a crescer, de dia para dia, e sobre o qual havia uma certa imprevisibilidade em termos de evolução de vendas. Estas estavam a ser muito acipub_3castelos_mpag.pdf 1 15-04-2020 12:50:21 ma do que era esperado”.

Mantendo a produção 24 sobre 24 horas, a Renova agilizou, tanto quanto possível, a operação. Os ciclos de produção começaram a ser maiores, de forma a que as mudanças de lote fossem menos frequentes e elevar a produtividade. “Nunca tínhamos tido uma situação deste género. Em janeiro, nada nos dizia que teríamos que, de repente, de uma semana para a outra, conseguir responder a um vo-

A pandemia de Covid-19 potenciou também o salto digital de muitos consumidores, mesmo os menos habituados a lidar com as novas tecnologias. O incremento no volume e valor de vendas foi sentido pela Renova também ao nível da sua loja online. “Na nossa loja estão produtos premium, cujo benefício é essencialmente intangível ou emocional (tem que ver com a estética e a decoração), mas também os produtos de ‘coração de mercado’. Pode-se, por exemplo, PUB

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limpeza mais acentuada dos espaços e superfícies, desfasamento de horários de acesso à cantina, cancelamento das visitas às instalações. Como não podia deixar de ser, e tendo em linha de conta que as empresas também têm uma responsabilidade social, também fizemos algumas ações de apoio a instituições no concelho e oferecemos dois equipamentos de Raio X portátil, para diagnóstico, ao Centro Hospitalar Médio Tejo”, detalha. Uma responsabilidade social de importância acrescida nestes novos tempos vividos, onde as marcas têm que ser ética e socialmente corretas. “Têm um papel a desempenhar. Têm um posicionamento mais humanizado. As marcas são constituídas por pessoas para pessoas. Têm que ser verdadeiras e genuínas, porque essa é a atitude correta e o mercado está informado e não admite que haja outro tipo de conduta”, defende Luís Saramago.

ENSINAMENTOS

comprar produtos vocacionados para o canal Horeca. Também notámos a disponibilidade para comprar online não apenas por prazer, mas também o produto básico, pelo que essas vendas também cresceram”, confirma Luís Saramago, para quem esta será uma tendência que veio para ficar. “Quem se disponibilizou para comprar online descobriu um meio cómodo para adquirir este tipo de produtos que, muitas vezes, são incómodos de comprar numa loja física, pelo seu volume”.

PROPÓSITO

Focada em dar resposta aos consumidores, a Renova não esqueceu também as suas pessoas, sem as quais essa resposta não teria sido possível. Com 620 pessoas na sua operação em Portugal e 50 em França, promoveu, logo de início, medidas

de combate aos efeitos da crise da Covid-19, desde logo implementando um plano de contingência nas instalações, permanentemente atualizado em função das indicações das autoridades de saúde. “Este plano tem por objetivo, essencialmente, proteger as nossas pessoas, de forma a conseguir manter os centros de produção a funcionar em pleno, quer em Portugal, quer em França. Neste momento, estamos muito focados no seu cumprimento rigoroso e também em responder às solicitações do mercado. Claro que, para isso, tivemos que alterar um conjunto de regras de laboração: horários desfasados, distanciamento social, medição da temperatura de todas as pessoas que entram nas instalações, utilização obrigatória de máscara, disponibilização de kits de proteção individual e de gel alcoólico, desinfeção e

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Se existe algum ensinamento a retirar desta pandemia é, na opinião de Luís Saramago, que situações deste género podem surgir de um momento para o outro e as organizações têm que estar preparadas para conseguir responder a este tipo de imprevisibilidade. “Portanto, devem calcular os riscos das decisões que tomam e assegurar que reúnem as condições para que possam ter uma resposta rápida, eficaz e eficiente até ao final, para mitigar os efeitos de uma situação deste género que possam surgir. Nada está ganho. O dia de amanhã poderá ser diferente e ter condições completamente inesperadas e as organizações têm de estar o melhor preparadas possível para fazer face a esse tipo de situações. Pode haver uma questão que tenha que ver com os combustíveis, uma pandemia como esta, ainda hoje não sabemos se vai haver uma segunda vaga. Não sabemos qual será o futuro próximo. Existe ansiedade e receio e é neste clima que as organizações têm de continuar a viver”, conclui. Nesse sentido, as marcas, e a Renova de um modo particular, têm um papel a desempenhar, como referência e como transmissão de valores, pelo que devem continuar a comunicar, a dizer que estão presentes e que têm soluções, quer para resolver problemas, quer do ponto de vista emocional.


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O VINAGRE NA ANTIGUIDADE O vinagre é um produto conhecido há muito tempo, sendo que as primeiras referências datam de 8.000 anos a.C. Na época, tratava-se de um condimento muito aproveitado devido às propriedades benéficas ao organismo humano e à sua importância na alimentação. Foi muito utilizado como bebida refrescante, diluído na água, e também como medicamento. Foi recomendado, também, para tratar de disfunções respiratórias, feridas e úlceras, devido às suas propriedades desinfetantes e anti-inflamatórias. Na cozinha, o emprego do vinagre era generalizado e constante e nunca deixou de ser usado até aos nossos dias.

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Comtemp – Companhia dos Temperos, Lda é uma empresa que tem 125 anos de história, em diversas áreas de negócio. Uma delas é a área alimentar, de onde se tornaram notáveis algumas marcas, nomeadamente a marca Cristal. O negócio evoluiu de tal modo, sobretudo o dos vinagres, que a Cristal se tornou na marca mais importante da empresa, de elevada notoriedade no mercado nacional, sendo, aos dias de hoje a marca de vinagres líder em Portugal.

CRISTAL, 80 ANOS A TEMPERAR PORTUGAL Há marcas que fazem parte da nossa cultura, da nossa história. São memórias da nossa infância, um capital valioso que não se pode perder. Quem não se lembra do jingle Cristal que ecoava nas rádios e nas vozes das donas de casa? A marca Cristal, que tempera Portugal com paixão há mais de 80 anos, é uma dessas marcas com um vasto património construído ao longo do tempo, desde 1939. O vinagre Cristal é produzido em Portugal, com elevados padrões de qualidade e características únicas no mercado, no qual o consumidor confia. Um vinagre único, feito com paixão, mestria e ingredientes rigorosamente selecionados. É uma marca com visão de inovação e sempre atenta às tendências do mercado e às necessidades dos consumidores que nela têm depositado a sua confiança.


MARCOS HISTÓRICOS: • Em 1939, foi o ano de lançamento da primeira marca de vinagre em Portugal: o vinagre de vinho branco Cristal. Quem não se lembra do vinagre da tampa amarela?

• Desde a sua origem, Cristal é produzido no Entroncamento. • Foi a primeira marca a lançar no mercado um vinagre em garrafa de vidro com tampa de cortiça. • Em 1940. lançou o primeiro vinagre rotulado, onde mencionava “O Rei dos vinagres portugueses”. • Na década de 70, foi a primeira marca a fazer publicidade na TV e na rádio.

• Desde 1985 até à atualidade, a marca continua viva e dinâmica, lançando referências novas de diversos sabores, bem como gamas de produtos mais virados para a saúde e bem-estar, tais como produtos funcionais, biológicos, vegan, mais doces, nomeadamente os vinagres balsâmicos, entre outros que vai lançar brevemente. Todos os produtos são sempre desenvolvidos em simbiose perfeita com o mercado e com os consumidores. A forma como a marca se relaciona com o mercado levou a Com-

temp a criar programas educacionais para o consumidor, de modo a que a mensagem da proposta de valor da marca seja claramente percebida. Programas de responsabilidade social são outras formas de envolvimento da marca com os seus clientes e consumidores. Lembramos a ação que a marca fez, em 2018, dando apoio à Associação Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. A iniciativa consistiu em angariar 0.01€ por cada garrafa de 500ml vendida, entre junho a outubro desse ano, o que resultou num valor de 7.000€, que permitiu acolher uma família, durante aproximadamente um ano, na Casa Acreditar de Coimbra. LONGEVIDADE NO MERCADO Cristal é associada a uma presença constante e duradoura no tempo, uma marca presente no mercado há já várias décadas, que atravessou gerações, que vem do tempo da casa dos pais/cozinha da mãe, com estatuto de “herança” familiar. É confiável, segura, manteve um bom desempenho, nunca defraudou expectativas. É uma compra e consumo por hábito/rotina, uma escolha quase “automática”. Cristal continua e continuará a temperar as casas dos consumidores portugueses.

• Em 1985, foi lançada uma gama intitulada “Cristal Gourmet”, em garrafa de vidro e tampa em faia.

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Entrevista

“A ADIPA É MUITO MAIS DO QUE UMA MERA ESTRUTURA DE REPRESENTAÇÃO DAS EMPRESAS DO SECTOR DA DISTRIBUIÇÃO ALIMENTAR” No ano em que a ADIPA assinala 45 anos ao serviço da distribuição alimentar, Luís Brás, secretário-geral da Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares, traça a atualidade da atividade da associação, do comércio de proximidade e da respetiva resposta à pandemia da Covid-19. TEXTO BRUNO FARIAS | FOTOS SARA MATOS

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Aqui é Fresco - A ADIPA assinala, em 2020, 45 anos de atividade. A associação continua a ser tão pertinente, hoje, como aquando da sua criação? Luís Brás - Para responder a esta questão, é necessário fazer um enquadramento prévio, sem o qual não é, de todo, possível aferir da relevância de hoje, face àquela que a ADIPA tinha em 1975. Nesse sentido, importa referir que a ideia da sua constituição nasceu, em outubro de 1974, nas instalações do, então, recém extinto Grémio dos Armazenistas de Mercearia (GAM), sendo posta em prática por um conjunto de homens de boa vontade, empresários e colaboradores do GAM, cujo principal objetivo foi o de continuarem a dar voz ao sector da distribuição alimentar, com principal enfoque no canal grossista. Numa altura em que o clima socioeconómico se encontrava excessivamente politizado, e onde os empresários daquele canal eram, na generalidade, alvo de uma certa hostilidade por parte do poder “revolucionário” de então, a constituição de uma associação patronal de âmbito nacional constituiu,

naquela época, mais do que um ato de cidadania, mas antes um ato de coragem. A constituição da ADIPA deveu-se, assim, a um movimento de um conjunto de empresários que, não se conformando com o ostracismo a que foram votados pelo poder político de então, pretenderam, antes de mais, colmatar o vazio de representação associativa de base empresarial e, dessa forma, defender os legítimos interesses de uma classe que, injustamente, fora muito maltratada no período que se seguiu à revolução e que cumpria, e continua a cumprir, uma das mais nobres atividades económicas. Ou seja, aquilo que está na base de sustentação de qualquer sociedade desenvolvida: fazer chegar à população os bens alimentares de primeira necessidade, a distribuição alimentar. Naturalmente, no presente, a pertinência da existência da ADIPA continua a fazer todo o sentido, embora o quadro socioeconómico onde esta desenvolve a sua ação seja, substancialmente, diferente daquele que motivou a sua constituição. No entanto, há uma linha condutora no tempo que permanece

inalterada, ou seja, o próprio exercício da atividade de distribuição alimentar, nas vertentes grossista e retalhista, de um modo independente. Pelo que continua a justificar-se a existência de uma associação como a ADIPA, que dê expressão a um sector vital para a nossa economia. AEF - Na base, o que mudou desde a sua criação? A ação da instituição é, hoje, mais lata face à época e contexto em que foi criada? LB - Mudou praticamente tudo, desde a forma como se comunicava com as empresas associadas, no passado, e a forma como, hoje, a ADIPA comunica. Neste campo, a única coisa que não mudou foi a língua em que se continua a comunicar, o maior legado que os nossos antepassados nos deixaram, a língua portuguesa, a nossa verdadeira pátria, como diria Fernando Pessoa. Hoje, comunicamos através das mais diversas formas e meios. Destaco, por exemplo, o nosso sítio em Adipa. pt, bem como através das principais redes sociais: Facebook, Instagram e LinkedIn. Naturalmente, cada meio utilizado depende da mensagem e do PUB

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vidade constitui, muitas vezes, uma dimensão desse diálogo. A representação ao nível da contratação coletiva constitui outro ponto muito relevante desta dimensão, na medida em que se trata de participar ativamente na promoção do diálogo social junto das estruturas de representação dos trabalhadores do sector. O trabalho desenvolvido nesta área passa pela procura dos consensos que permitam o desenvolvimento da atividade pelas empresas sem sobressaltos e evitando qualquer espécie de conflituosidade laboral.

público-alvo onde a pretendemos fazer chegar. E, então, do comércio nem se fala. Hoje, o nível de competitividade está em patamares inimagináveis face há apenas uns anos. Só empresas com uma elevada resiliência é que conseguem manter-se num mercado altamente competitivo, como é o caso do alimentar. A maioria das empresas associadas que representamos possui essa característica, o que, de alguma forma, prestigia o nosso trabalho. Não é fruto do acaso que dezenas de empresas associadas têm sido distinguidas, ao longo dos últimos anos, com o estatuto PME Líder e PME Excelência pelo IAPMEI. Naturalmente, a ação da ADIPA é, hoje, muito mais vasta do que aquela que, outrora, constituía o cerne da sua atuação. Esse alargamento do raio e âmbito de atuação decorre da própria evolução socioeconómica já referida, mas também do aumento da notoriedade que a associação foi granjeando, ao longo das últimas décadas, nomeadamente pela afirmação e rigor do trabalho produzido nos mais diversos âmbitos, em prol dos seus associados.

AEF - Quais são as principais valências e serviços que a ADIPA oferece aos seus associados? LB - Nesse campo, identificaria, claramente, duas dimensões no âmbito do exercício da atividade, cada uma com o seu propósito e relevância: a dimensão institucional de representação do sector e a dimensão interna, ligada ao apoio que, todos os dias, prestamos às empresas associadas. Como facilmente se perceberá, a primeira dimensão relaciona-se com o trabalho desenvolvido a um nível macro, ou seja, estudar e dar parecer sobre todas as matérias que, direta ou indiretamente, confinam o exercício da atividade das empresas do sector que representamos. Nesse âmbito, inclui-se o diálogo permanente que mantemos com o Governo, no sentido de ultrapassar as dificuldades/problemas com que as empresas se debatem nas mais diversas áreas da sua atividade, apresentando e debatendo diversos aspetos com o propósito de acautelar devidamente os interesses legítimos das empresas associadas. O estudo e a emissão de pareceres sobre projetos de diplomas que regulamentam a ati-

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AEF - Ao longo dos seus 45 anos em atividade, a ADIPA tem-se assumido como uma instituição de referência no seio associativo. É através do conhecimento profundo do sector retalhista e grossista nacional, e das suas necessidades consequentes, que a ADIPA se torna uma associação com uma ação muito “sui generis”? LB - Respondo a esta questão referindo que, hoje em dia, a ADIPA é muito mais do que uma mera estrutura de representação das empresas do sector da distribuição alimentar. É uma instituição de referência no seio do movimento associativo, que se afirmou pelo rigor do trabalho desenvolvido, ao longo das últimas décadas, e cuja principal missão é a de assegurar a representação das atividades exercidas pelas empresas associadas perante quaisquer entidades públicas ou privadas nacionais. Mas também não posso deixar de referir que a sua particularidade reside, um pouco, no facto da associação ser, igualmente, a fiel depositária dos valores morais e da boa ética empresarial/ comercial que, desde o início, sempre nortearam os empresários da distribuição alimentar, nomeadamente dos canais grossista e retalhista. Naturalmente, a própria forma como a associação foi criada, partindo da vontade dos empresários, tem contribuído, em larga medida, para o desenvolvimento de uma ação que apelida como “sui generis” e que eu complementaria dizendo que deriva do facto de serem os próprios empresários a liderar a sua ação, beneficiando a associação, em larga medida, do conhecimento concreto que têm do sector, das respetivas dificuldades e oportunidades.


AEF - A sua participação ativa nas Convenções Coletivas de Trabalho é uma das faces menos visíveis da atividade da associação. A relação laboral é um tema do qual ninguém gosta de falar ou é uma simples opção estratégica da ADIPA manter-se como um interveniente com um perfil “low profile”? LB - A Convenção Coletiva de Trabalho é um instrumento fundamental no âmbito da regulação do exercício da atividade e que se encontra ao serviço das empresas e respetivos trabalhadores, razão pela qual a associação tem-se empenhado fortemente no seu acompanhamento. Tem desempenhado, ao longo dos anos, um papel importantíssimo no âmbito da regulação das condições de trabalho no seio das empresas, servindo de ponte entre as posições de empregadores e trabalhadores do sector. Não se trata de ser um tema que ninguém gosta de falar, mas antes de uma dimensão que tem implicações diretas ao nível do desempenho económico das empresas e também com impactos diretos na vida dos trabalhadores ao seu serviço.

“A ADIPA É UMA INSTITUIÇÃO DE REFERÊNCIA NO SEIO DO MOVIMENTO ASSOCIATIVO PELO RIGOR DO TRABALHO DESENVOLVIDO” Não considero que a ADIPA seja, nesta matéria, um interveniente com um perfil “low profile”, bem pelo contrário, tem sido um interveniente bastante proativo. Coisa bem diferente é procurar intervir nesta matéria na “praça pública”, posição nada recomendável para quem pretende contribuir para um salutar diálogo social com

as respetivas organizações sindicais representativas dos trabalhadores do sector. Muitas vezes, as “luzes da ribalta” desviam-nos do foco e isso temos procurado evitar, ao longo dos anos em que temos vindo a negociar com as organizações sindicais respetivas. A proatividade que referi constata-se pelo facto da associação ter vindo, ano após ano, a negociar e a acordar, com êxito, com as referidas estruturas sindicais, as revisões anuais das convenções coletivas de trabalho para o canal da distribuição grossista alimentar, bem como para o canal retalhista. Estes dois instrumentos têm contribuído, decisivamente, para a manutenção de um saudável diálogo social no seio das empresas, na medida em que à mesa das negociações, as partes – empresarial e sindical – têm, com toda a seriedade e lealdade, desenvolvido um intenso trabalho com o propósito da obtenção dos necessários compromissos e acordos, onde ambas se revejam. AEF - O comércio de proximidade continua a ser o “patinho feio” do comércio em Portugal? Como é que PUB

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a ADIPA tem apoiado este canal a manter-se ativo e a modernizar-se? LB - Não diria o “patinho feio”, mas considero que houve, durante um certo período de tempo, um certo preconceito em relação a um determinado formato de comércio, embora, hoje em dia, considere menos relevante essa atitude. Penso que, ao nível do Governo, ainda persistirá um défice de conhecimento em relação à real relevância deste segmento que a ADIPA representa no seio da economia nacional, em geral, e na distribuição alimentar. Pensemos nos milhares de postos de trabalho diretos que são assegurados pelo comércio de proximidade, bem como na importância que este representa ao nível do abastecimento alimentar por todo o território nacional e, em particular, nas zonas mais remotas do interior, onde outros operadores não têm interesse em investir, mas as nossas empresas associadas estão presentes. Pensemos também no contributo dado pelos milhares de estabelecimentos de comércio alimentar de proximidade na dinamização dos centros urbanos, evitando, assim, a sua desertificação. Como já referi em relação a outras questões, a ADIPA, ao ter promovido, ao longo dos anos, uma reflexão interna sobre a evolução do comércio alimentar, ao ter apoiado o lançamento de determinadas iniciativas relacionadas com o fortalecimento das relações entre empresas grossistas e retalhistas de base independente e ao ter prestado todo um leque de serviços a estas empresas, tem dado um “input” decisivo para a sua modernização. Os já referidos serviços que a associação presta a estas empresas permitem a este tipo de organizações libertarem recursos para as atividades essenciais diárias e ligadas àquilo que estas de melhor fazem, ou seja, o exercício da atividade. AEF - A pandemia da Covid-19 veio relembrar a importância do comércio de proximidade? É esta a janela que este canal de comercialização necessitava para reforçar a respetiva preponderância e importância junto dos consumidores nacionais? LB - Sem dúvida que esta pandemia veio contribuir para uma alteração significativa de comportamentos por parte dos consumidores, bem como chamar-lhes a atenção para a im-

portância do fator proximidade. No entanto, as principais valências já lá estavam. Não foi a pandemia que veio criar o conceito de comodidade intrínseco às compras realizadas no comércio de proximidade, nem o tratamento personalizado tão característico no atendimento neste tipo de comércio. Admito que apenas tenha contribuído para a recuperação de um modo de vivência mais prático face às transformações ocorridas, nos últimos anos, a nível social. O consumidor de hoje já não se encontra disponível para perder muitas horas no abastecimento, preferindo, antes, ir fazendo com uma maior regularidade as compras de que precisa, nomeadamente no alimentar. A pandemia veio, precisamente, destacar a importância do fator proximidade, evitando, por um lado, grandes concentrações de consumidores e, por outro, diminuindo o tempo médio de cada abastecimento. Para além disso, demonstrou, claramente, a excelente oferta deste canal, nomeadamente em termos de relação preço/qualidade, desmistificando um pouco a ideia de que, neste comércio, se praticam preços mais elevados. Creio que também veio demonstrar a importância do comércio de proximidade, no que concerne ao abastecimento alimentar por todo o território nacional e, em particular, nas zonas

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mais remotas do interior. Tenho tido a oportunidade de salientar, por diversas vezes, estes aspetos, nomeadamente nas reuniões em grupo de trabalho e acompanhamento e avaliação das condições de abastecimento de bens nos sectores agroalimentares e de retalho, em virtude das dinâmicas de mercado determinadas pela Covid-19, lideradas pelo senhor secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres. AEF - Surpreendeu-o o facto de muitos cash & carries passarem, também, a vender ao consumidor final neste período de exceção? LB - Não me surpreendeu, absolutamente, nada. Por duas razões: primeiro, porque a ADIPA tem considerado, no âmbito das reflexões internamente promovidas, ao longo dos anos, que as empresas grossistas que representa devem apostar numa dinâmica que envolva chegar ao consumidor final, seja por constituição de retalho próprio, seja por fortalecimento de parcerias com empresas de retalho de base independente. Segundo, porque essa possibilidade foi por nós defendida junto do Governo, como forma de mitigar os efeitos nefastos que o encerramento do canal Horeca, em virtude da promulgação do estado de emergência, teve junto das empresas grossistas, cujo cerne


da sua atividade se baseava quase em exclusivo no abastecimento deste canal. Foi com satisfação e naturalidade que vimos acolhidas estas nossas sugestões. No fundo, é este tipo de trabalho “invisível” que desenvolvemos, mas que, na prática, contribui para mitigar as dificuldades concretas das empresas.

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turismo. Essa atividade é, naturalmente, muito importante e tem dado um contributo extremamente valioso para a economia, mas temos, paralelamente, de fixar uma base forte de consumo interno de natureza mais duradoura e que, em momentos de crise, como a que atualmente estamos a viver, dê suporte e garanta a vida das pessoas e a sua subsistência, como é o caso do comércio de proximidade. Aliás, o próprio sector do turismo e também a restauração perceberam isso, há uns anos, quando davam pouca importância ao consumidor nacional. Em face das crises por que passaram, adaptaram-se e começaram a prestar mais atenção aos consumidores nacionais.

AEF - O declínio do comércio de proximidade nos centros urbanos está muito associado à saída de pessoas dos centros das respetivas cidades. Portugal poderá acompanhar a tendência europeia e ver o comércio de proximidade alimentar voltar com maior força aos centros das cidades? LB - Para isso acontecer, teremos que reverter o êxodo de habitantes dos AEF - Qual é a principal ilação que centros das cidades, em especial dos se pode tirar desta pandemia, para casais mais jovens, a que temos vindo grossistas e retalhistas? a assistir ao logo dos últimos anos. É LB - Penso que a mais importante de necessário promover políticas que todas é a de que estas empresas – apoiem e desenvolvam o mercado de grossistas e retalhistas – preenchem arrendamento e que devolvam vida um papel extremamente relevante aos principais centros urbanos, evitanno seio da cadeia de abastecimendo que estes se transformem em locais to alimentar. Com a sua ação, têm de mera passagem. contribuído para a manutenção do Anuncio Botanica_meia pag impar.pdf 1 14/04/2020 11:54 Não podemos apostar tudo apenas no normal abastecimento do mercado,

evitando ruturas no abastecimento de produtos alimentares de primeira necessidade, em diversos pontos do país, mantendo milhares de postos de trabalho, evitando, assim, um maior agravamento da situação social. Por outro lado, veio demonstrar aos grossistas a necessidade de diversificarem a atividade, evitando, tanto quanto possível, a excessiva concentração e dependência da atividade num único tipo de clientela. Em ambos os casos, veio demonstrar a importância das parcerias e sinergias que grossistas e retalhistas têm estabelecido e que lhes permitem continuar a ser competitivos, mesmo em épocas de crise como aquela em que vivemos. Veio, ainda, lembrar a estas empresas a importância da filiação associativa de base empresarial. Em concreto, por todo o apoio que têm recebido ao longo dos tempos e, em particular, em momentos difíceis como o atual, onde, para além de contarem com o apoio prestado pelos serviços da ADIPA, veem também defendidos os seus legítimos interesses junto dos membros do Governo que tutelam a atividade. PUB

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Reportagem

SOGRAPE DISTRIBUIÇÃO: 30 ANOS DE EFICIÊNCIA AO SEU SERVIÇO Criada em 1989, com o objetivo de dinamizar o mercado nacional, a Sogrape Distribuição é a empresa do Grupo Sogrape especialista na distribuição de vinhos e bebidas espirituosas em Portugal, contando com um percurso de 30 anos marcado pela qualidade e eficiência do seu serviço.

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os primeiros tempos, a distribuidora do grupo começou por assumir a representação exclusiva dos vinhos da produtora nacional, fundada em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, contribuindo fortemente para o desenvolvimento das suas marcas. Os anos foram passando e o negócio da Sogrape Distribuição evoluindo, o que permitiu alargar o seu portfólio com a integração de novas marcas e bebidas espirituosas. Hoje, conta com uma equipa de cerca de 60 pessoas focadas na construção e na venda de marcas nos principais canais da distribuição moderna organizada, cash & carry e Horeca. Além disso, são mais de 150 os clientes e parceiros que, através de uma forte relação de compromisso, têm acesso ao vasto portfólio da distribuidora. “Depois de tudo o que alcançámos, desde 1990 até ao presente, o balanço que fazemos é, sem dúvida, extremamente positivo e de enorme sucesso. Para a Sogrape, poder contar com um parceiro exclusivamente dedicado à distribuição dos seus vinhos, a nível nacional, é uma mais-valia para o seu negócio, sobretudo pela importância que tem o acesso e o contacto próximo com os seus clientes. Desta forma, podemos identificar e entender melhor as suas necessidades, enquanto estabelecemos e reforçamos parcerias. A nossa relação com o universo Aqui é Fresco é, precisamente, um exemplo vivo deste nosso propósito”, sustenta Júlio Martins, diretor geral da Sogrape Distribuição. Que passa por acompanhar, sempre com muita atenção, a evolução e especificidade do canal de comercialização onde a empresa se faz representar, com a Sogrape Distribuição a assistir, “com muito agrado, a um importante crescimento com o universo Aqui é Fresco no ano de 2019. Acreditamos que o comércio de proximidade vai crescer em importância e que a Sogrape Distribuição conseguirá, junto dos seus parceiros, encontrar as fórmulas certas para continuar a fazer parte dessa jornada de expansão”. OFERTA NACIONAL Das marcas de produção nacional da Sogrape, e para destacar algumas, a

oferta da distribuidora integra Gazela, Casa Ferreirinha, Quinta dos Carvalhais, Herdade do Peso, Sandeman e Mateus, esta última a verdadeira joia da coroa da empresa produtora e que, no último ano, viu renovada a sua garrafa – agora mais alta e elegante – e o seu rótulo – mais moderno –, num look mais premium e contemporâneo que faz jus aos seus mais de 75 anos de existência. “Mateus é a joia da cora da Sogrape. Mateus é passado, presente e futuro. Uma marca que nasceu num período de instabilidade mundial, da ideia inovadora de um homem visionário, que sonhou um produto à frente do seu tempo – um vinho rosé, numa garrafa baixa e bojuda em formato de cantil, um símbolo icónico de Portugal. Mateus rapidamente se tornou um sucesso global e, hoje, passados 75 anos, e com presença em mais de 120 países, continua a acompanhar tendências, a reinventar-se, a adaptar-se aos novos momentos de consumo e a toda uma nova geração de consumidores. Mateus é, sem dúvida, uma marca que terá sempre um papel principal quando alguém contar a história dos vinhos rosés no mundo. A comprovar isto tudo temos o sucesso com que foi recebida a mais recente

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alteração de packaging”, reforça. OFERTA INTERNACIONAL Mas não é só de referências nacionais que se compõe a oferta da Sogrape Distribuição. De produção internacional destacam-se as marcas LAN, Viña Los Boldos e Framingham, subsidiárias do grupo, bem como a reconhecida gama de vinhos da Familia Torres, recentemente chegada ao portfólio da Sogrape Distribuição. A oferta na categoria de espirituosas conta também com nomes de referência internacionais, como Jack Daniels, Gin No.3, Gancia, Codorníu e Taittinger. “Para além do portfólio base da Sogrape Distribuição, composto pelos vinhos de produção nacional da Sogrape e também, mais recentemente, por algumas marcas de origens internacionais do grupo, soubemos, ao longo do tempo, acrescentar à nossa oferta um conjunto de marcas de prestígio internacional, nomeadamente na área dos espirituosos e espumantes, e que hoje fazem da Sogrape Distribuição um operador de referência no mercado nacional, algo que queremos e iremos seguramente reforçar nos próximos anos”, conclui Júlio Martins.


A Fechar

RETALHO ALIMENTAR TRADICIONAL COM TRANSAÇÕES 13% ACIMA DOS NÍVEIS PRÉ-PANDEMIA O retalho alimentar tradicional é um dos sectores económicos que mais tem crescido, desde o início da pandemia de Covid-19 em Portugal. A conclusão é do mais recente relatório da REDUNIQ, rede de aceitação de cartões nacionais e estrangeiros, que analisa a evolução dos movimentos transacionais desde o início das medidas de contingência no país até à quarta semana do plano de desconfinamento.

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e acordo com este documento elaborado pelo REDUNIQ Insights, o retalho alimentar tradicional, também conhecido por retalho de proximidade, continua a crescer, tanto no número de transações quanto na sua faturação. Só na semana de 24 a 30 de maio, este tipo de estabelecimentos comerciais registou um total de transações 13% superior aos valores alcançados no período pré-pandemia (mais precisamente, na semana de 1 a 7 de março). Já ao nível da faturação, a percentagem de crescimento deste sector é mais expressiva, tendo atingido mais 28% em relação à primeira semana de março. Na mesma medida, também o ticket médio deste sector, ou seja, o valor médio de cada compra, subiu em comparação com os níveis pré-pandemia. Enquanto que, nessa altura, o ticket médio estava nos 18,51 euros, na semana de 24 a 30 de maio, encontrava-se nos 21,03 euros. Em contraste com este fenómeno estão os hiper e supermercados, que ainda registam um número de transações abaixo daquilo que conseguiam obter antes da pandemia. Contudo, estes valores têm vindo a subir gradualmente, com a semana em análise a acumular um número de transações 19% mais baixo do que os

números pré-pandemia. Segundo Tiago Oom, diretor da REDUNIQ, “o crescimento do retalho alimentar tradicional deve-se a uma maior valorização deste tipo de estabelecimentos desde o início do confinamento em Portugal, uma vez que representam uma alternativa às grandes superfícies, não só pela sua proximidade às habitações, evitando, assim, que as famílias façam grandes deslocações para realizar as suas compras, como pela maior segurança que estes podem proporcionar, já que existe uma menor concentração de pessoas e, por sua vez, um menor risco de contágio”. Outro destaque vai para a restauração que, na semana de 24 a 30 de FOTOS SARA MATOS

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maio, ultrapassou o patamar dos 50% da faturação registada no período pré-pandemia. No sábado, dia 30 de maio, alcançou cerca de 82% da faturação média diária da primeira semana de março. Para Tiago Oom, “a ainda pouco expressiva faturação registada neste sector reflete, sobretudo, a reabertura gradual dos estabelecimentos, dado que muitos não abriram portas no dia 18 de maio. Se na primeira semana da segunda fase de desconfinamento tínhamos apenas 40% dos restaurantes e cafés abertos ao público, na semana seguinte, esse valor aumentou 94%, com 77% do total de estabelecimentos de restauração já em plena atividade”.


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