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ISSN 1809-466X

Ano 5 Número 18 2010

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Cobertura completa da COP 15 A Feira Internacional da Amazônia IYB -- Ano Ano Internacional Internacional da da Biodiversidade Biodiversidade

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08 IYB - Ano Internacional da Biodiversidade

O Ano Internacional da Biodiversidade é uma oportunidade para que todo o mundo reconheça a importância da biodiversidade para toda a vida naTerra, para refletir sobre as nossas realizações de preservar a biodiversidade e concentrar-se sobreaurgênciadonossodesafioparaofuturo.Agoraéahoradeagir...

14 FIAM 2009. A Feira Internacional da Amazônia

Na abertura da quinta edição da FIAM, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC, Ivan Ramalho, que representouoministroMiguelJorge,titulardoMDIC,dissequeagamadeprodutoscom tecnologiadepontaapresentadosnaFIAM2009...

26 192 Nações da ONU na Conferência do Clima em Copenhague

As COP 15e COP / MOP 5, realizadas de 7-18 Dezembro de 2009, no Centro de Bella em Copenhague, na Dinamarca, foram o maior e mais importante evento dasNaçõesUnidassobreaconferênciasobremudançaclimáticanahistória. Abriu com diplomatas de 192 nações advertindo que isto poderia ser a última chance paraumacordoparaprotegeromundodoaquecimentoglobalcalamitoso...

60 O Expresso do Clima 62 Fórum de Governadores da Amazônia em Copenhague

65 Pará utilizará tecnologia americana para proteger o meio ambiente

66 Visão e ação do Pará como Soluções para Amazônia

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PUBLICAÇÃO Período (dezembro2009/janeiro2010) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn ARTICULISTAS/COLABORADORES Airton Faleiro, Bruno Taitson; Camillo Martins Vianna; Chirliana Souza; Ivonete Motta; Marcelo Schmid; Karen Leão; Ivonete Motta; Mário Bentes; Marcelo Schmid FOTOGRAFIAS Ana Cláudia Jatahy; Ascom/MDA; David Alves, Eliseu Dias, Eunice Pinto/Ag Pa; Fred Batista; Eduardo Aigner/Ascom/MDA; Hudson Fonseca; Joaquim Souza; Margarida Saraiva; Maria S. Fresy; Peter Grigeby; Ricardo Stucker/PR; Robert van Waarden; Rudolph Hühn; Samuel; Karim Aaren e Klauter Machado EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA Iguana Verde (Iguana iguana), as proximidades do rio Paracauari, entre Soure e Salvaterra, no arquipélago do Marajó - Pará Foto de Fernando Araujo

68 Eduardo Braga fez exposição em Copenhague 70 Klimaforum09 - vozes do povo 73 Ministro Altemir Gregolin diz que 2009 marca a história da Pesca e Aquicultura

76 Economia Verde 78 Nasce a primeira universidade federal do

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Interior da Amazônia...

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79 Meio Ambiente e Desenvolvimento

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80 Amazônia. A maldição do Inferno Verde 81 A 1ª consequência da mudança climática é a fome 82 Sinais de alerta do aquecimento global

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Ano Internacional da Biodiversidade Logotipo e slogan para a COP-10 a ser realizada em Nagoya, Japão, 18-29 outubro 2010

Dr. Ahmed Djoghlaf, Secretorio Executivo da Convention on Biological Diversity (CBD)

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ecentemente foi feito o lançamento do logotipo e o slogan da COP10 - décima reunião da Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre a Diversidade Biológica, que será realizada em Nagoya, Aichi, Japão, em outubro de2010. O Japão marcou assim o primeiro ano em contagem regressiva para o início da COP 10, onde foi lançado juntamente o Ano Internacional da Biodiversidade (IYB) seus logotipo e slogan pelo Ministério do Meio Ambiente,emTóquio. Sr. Sakihito Ozawa, ministro do Ambiente, Governo do Japão e Mr. Issei Tajima, Senior, Vice-Ministro do Meio Ambiente participou de uma conferência de imprensa juntamente com o Dr. Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). "Minha esperança é que este logotipo e slogan, irá transmitir a mensagem de que a COP 10 discutirá medidas necessárias para garantir a existência de longo prazo de toda a vida naTerra, incluindo a humanidade, e é portanto, uma reunião crucial para todos os cidadãos globais", declarou o ministro Sakihito Ozawa. "A inauguração do logotipo para o Nagoya

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Biodiversidade Cimeira, histórica, demonstra mais uma vez a excepcional liderança e o compromisso do povo e do Governo do Japão para ajudar a comunidade Internacional em aceitar o desafio sem precedentes de deter a perda de biodiversidade, que está sendo agravado pelas alterações climáticas. Recomendo o Japão, seu povo e seu Governo para a sua excelente liderança", declarou o Secretário Executivo da CDBAhmedDjoghlaf. AlogodaCOP10,sobaformadeorigami,retrataanossa vida em harmonia com a natureza, organizando flora e da fauna em uma forma circular com um adulto e uma criança no centro. O adulto e a criança representam nosso compromisso de proteger a nossa biodiversidade, muito preciosa para a próxima geração. Origami, é a arte japonesa de dobradura de papel – é um reflexo da culturajaponesaedasabedoria. O slogan para a COP 10 "A vida em harmonia, para o futuro" corresponde ao espírito do logotipo e articula a necessidade de convivência entre humanos e a biodiversidade para o bem das gerações futuras. O logotipo do Ano Internacional da Biodiversidade compreende uma série de elementos simbólicos, iconográfico representando o alcance abrangente da biodiversidade. Pelas representações entrelaçamento de flora e fauna com figuras humanas, o logotipo demonstra como a biodiversidade é a vida e como nós, seres humanos são sempre parte e, e não separados, a partirdabiodiversidadequenosrodeia. O slogan “Biodiversidade é vida”,“A biodiversidade é a nossa vida”, destaca o papel crucial que desempenha na biodiversidade apoiando toda a vida na Terra, incluindo anossa. «A logomarca e o slogan para o Ano Internacional da Biodiversidade vão ser poderosas ferramentas de comunicação para acelerar as atividades de sensibilização para a biodiversidade e nós gostaríamos de fazer pleno uso delas. O Japão vai desenvolver a iniciativa satoyama, a fim de demonstrar como a biodiversidade suporta a subsistência das pessoas", afirmouojaponêsVice-MinistrodaMeioAmbiente,Issei Tajima.

A Assembléia Geral da ONU declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. O ano irá fornecer um fórum para um maior compromisso com o público sobre a importância da biodiversidade e dos diferentes serviços do ecossistema que contribuem para o bemestar humano. Durante IYB - Ano Internacional da Biodiversidade, os Chefes de Estado e de Governo se reunirão em Assembléia Geral da ONU, em setembro de 2010 para tomar medidas e se preparar para outubro de 2010 na Nagoya Biodiversidade cimeira, onde os governos irão definir metas e medidas necessárias para enfrentaraperdadebiodiversidade. Ao notar que a decisão de acolher a COP 10 foi tomada pelo Governo do Japão ao nível do gabinete, o Sr. Djoghlaf disse: "Este foi um caso excepcional na história da Convenção, e o fato de que a decisão do Governo foi tomadatrêsanosantes,foinotável." Confrontados com a perda de biodiversidade continua, estima-se ser tão alto quanto 1.000 vezes a taxa natural, como resultado das atividades humanas, e deverá aumentar ainda mais como resultado dos impactos das alterações climáticas, o IYB – Ano Internacional da Biodiversidade e a Nagoya Biodiversidade Cimeira será uma verdadeira oportunidade para o mundo de reorientar os seus esforços na conscientização sobre a importância da biodiversidade e dos muitos serviços do ecossistema que fornece para o nosso bem-estar e para tomar as medidas necessárias para preservá-lo para as geraçõesfuturas.

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2010 Ano Internacional da Biodiversidade

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Ano Internacional da Biodiversidade é uma oportunidade para que todo o mundo reconheça a importância da biodiversidade para toda a vida na Terra, para refletir sobre as nossas realizações de preservar a biodiversidade e concentrar-se sobre a urgência do nosso desafio para o futuro.Agoraéahoradeagir. É uma ótima oportunidade de como todos nós podemos fazer a diferença embenefíciodavidanaTerra. A Biodiversidade está em crise. Estamos enfrentando uma grave crise na biodiversidade, na rede elaborada de animais, plantas e os lugares onde eles vivem no planeta. E quando falamos de espécies animais, significa também sereshumanos.

O logotipo foi concebido para transmitir o conceito de descoberta e realização. Uma série de elementos simbólicos iconográfico está incluídos dentro do projeto para descrever o âmbito da biodiversidade, que inclui a flora marinha, bem como aspectos da fauna. Juntos, eles demonstram como a biodiversidade é a vida e como nós, como seres humanos, estão realizando o nosso lugar dentro desta viagem. O logotipo é constituído por três componentes principais: - O ano de "2010", que emoldura a campanha e os elementos do logotipo. - Os elementos iconográficos que simboliza a biodiversidade. Estes incluem peixes, ondas, um flamingo, um adulto e infantil, e uma árvore. - O título da campanha "2010 Ano Internacional da Biodiversidade".

A taxa de que as espécies animais e vegetais são extintas, e ritmo em que os ambientes naturais estão sendodestruídos,estãoaumentandoacadadia. Esta maravilhosa diversidade natural complexo sustenta toda a vida no planeta, e sua perda de escalada é uma séria ameaça aos seres humanos e nosso modo de vida,

agoraenofuturo. Bem gerido os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, apoiando as comunidades pacíficas, promovendo assim o crescimento econômico equilibrado e ajudando a reduzirapobreza.

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Ações brasileiras para o Ano Internacional da Biodiversidade Implementação dos três objetivos da Convenção: a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos

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secretária-executiva do ministério do Meio Ambiente (MMA), Izabella Teixeira, o secretário da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), Ahmed Djoghlaf, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, participaram do lançamento do Ano Internacional da Biodiversidade, no parque Barigui, em Curitiba (PR). O ato também encerrou a segunda Reunião de Curitiba para Cidades e Biodiversidade que reuniu cerca de 90 autoridades e técnicos ambientais de 16 países. Organizada pela CDB, a reunião é preparatória para a Conferência das Partes (COP-10)emNagoya(Japão),emoutubrodesteano. A Assembléia Geral das Nações Unidas declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. Em meio aos esforços globais para chamar atenção da sociedade para o valor da biodiversidade, a cerimônia em Curitiba será seguida por outras cidades. Berlim e Paris também realizaram encontros e a próximareunião da Assembleia dasNaçõesUnidas,queaconteceemsetembro,emNova York,teráabiodiversidadecomotema. Segundo IzabellaTeixeira, durante todo o ano de 2010, o Ministério do Meio Ambiente promoverá ações para estimular a implementação dos três objetivos da Convenção, que são: a conservação da biodiversidade, o

Ahmed Djoghlaf, secretário da Convenção da Diversidade Biológica (CDB)

uso sustentável de seus componentes e a distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos. A secretária-executiva do MMA explicou que, nesse último ponto, o Brasil tem investido esforços consideráveis para a aprovação, na COP-10, de um regime internacional específico para repartição de benefíciosoriundosdabiodiversidade. Ela ressaltou ainda outros esforços para reduzir a perda de biodiversidade, como a diminuição da taxa de desmatamento na Amazônia e a ampliação do sistema de monitoramento dos desmatamentos para a Caatinga e o Pampa, além do anúncio, em 2010, dos planos de ação para prevenção e controle do desmatamento no

Izabella Teixeira, secretária-executiva do ministério do Meio Ambiente (MMA)

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José Antonio Andreguetto, secretário municipal do Meio Ambiente no encerramento da 2ª Reunião sobre Cidades e Biodiversidade

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Cerrado e no Pampa, à semelhança do que já é feito no biomaamazônico. Ao participar do encerramento da reunião que discutiu cidades e biodiversidade, a secretária enfatizou a importância do conceito de biodiversidade para a

ONU debate diversidade biológica nas cidades Um plano de ação para que as cidades preservem e minimizem a perda dos elementos do meio ambiente na área urbana. Este foi o resultado da Segunda Reunião de Curitiba sobre Cidades e Biodiversidade, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Convenção da Diversidade Biológica (CDB). O encontro foi realizado no Salão de Atos do Parque e contou com a presença de Ahmed Djoghlaf, secretárioexecutivo da CDB. As medidas discutidas na capital paranaense serão levadas para a Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica (COP 10), que será realizada em outubro deste ano, em Nagoya (Japão). Curitiba sediou, em 2006, a COP 8. O representante do secretariado da CDB, Oliver Hillel, comentou que o encontro de Curitiba pode sair estabelecer indicadores que vão permitir aos governos municipais fazer uma autoavaliação de como estão lidando com a biodiversidade em seu ambiente urbano. “Com esse índice os

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em Angra dos Reis", completou a secretária lembrando que esse é um desafio que será em parte vencido com a descentralização da gestão ambiental a partir da regulamentação do artigo 23 da Constituição Federal quedeveocorreraindaesseano. Os eventos promovidos pelo Ministério durante todo o ano visam a reafirmar a importância estratégica da biodiversidade para o desenvolvimento do país, combate à pobreza, e exemplificar a participação da população brasileira em seu uso sustentável. As datas comemorativas ao logo do ano como o Dia da Caatinga, do Cerrado, da Água terão na biodiversidade seu eixo de discussão. Eventos específicos também ocorrerão como a Reunião Nacional dos Jardins Botânicos e a Reunião Técnica e Ministerial do Grupo dos Países Megadiversos Afins, além do workshop sobre Espécies Ameaçadas da Flora Brasileira; do Congresso Nacional de Botânica: diversidade vegetal brasileira, conhecimento, conservação e uso; do lançamento do LivroVermelho da Flora,entreoutros.

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Encontro reuniu em Curitiba 43 autoridades de 16 países

Jean Lemire, embaixador do Ano Internacional da Biodiversidade

construção da cidadania ambiental e para que a ampliação das cidades se dê em bases sustentáveis. "InserindoavariávelbiodiversidadenoPlanoDiretordas Cidades, podemos criar territórios menos vulneráveis e evitar tragédias como a que ocorreu no início deste ano municípios poderão aferir, de ano a ano, o progresso que eles estão fazendo”, explicou. De acordo com Hillel, é essencial a participação do cidadão. “Desde 2007 a maioria da população do mundo vive em cidades. Mas as decisões do cidadão afetam ecossistemas que estão a milhares de quilômetros de distância. Os governos locais e municipais estão muito mais próximos (dos cidadãos). Com eles podese falar até de forma mais fácil do que com os governos nacionais”, relatou. O secretário municipal de Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, contou que as decisões sobre meio ambiente são tomadas pelas nações. No entanto, as cidades podem contribuir mais efetivamente neste processo. “O que fizemos aqui é um plano de ações para definir o papel das cidades, para ser apresentado em Nagoya. Para que lá se avalie sobre isto. Não podemos aguardar somente que os governos nacionais façam seu papel”, opinou. Durante o encontro, o prefeito Beto Richa anunciou que Curitiba deverá incluir as questões de biodiversidade no seu Plano Diretor e recomendou que todas as cidades tomem a mesma atitude. A ideia do prefeito fará parte do plano de ação, o qual todas as cidades levarão para a Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica (COP 10), que ocorrerá em outubro, em Nagoya (Japão). “Três em cada quatro brasileiros vivem nas cidades, o que nos faz pensar em políticas de desenvolvimento e de proteção à biodiversidade. É preciso mitigar as

consequências do efeito estufa e conservar solo e vegetação”, comentou o prefeito. Ainda durante o evento, foi inaugurado em Curitiba um bosque que é considerado uma dessas ilhas (no bairro Santo Inácio). No total, 100 áreas desse tipo serão inauguradas na cidade. O embaixador do Ano Internacional da Biodiversidade, Jean Lemir, mostrou, com dados concretos, que uma mudança em qualquer canto do mundo pode afetar toda a biodiversidade. Durante mais de 400 dias, ele e sua equipe fizeram estudos na Antártida e confirmaram que as mudanças climáticas interferem na biodiversidade e, consequentemente, mudam a vida de todos os seres. Ele citou o exemplo de um organismo que vive no oceano que, com os degelos, está desaparecendo. “Os chamados krill (camarões pequenos) ajudam a diminuir o CO2 da atmosfera. Então sem krills, mais CO2. Nós estamos perdendo muitas espécies. Nós temos que repensar nossa posição frente a todas as espécies, que acabam interferindo no mundo todo”, afirmou.

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“Declaração de Curitiba"

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Oliver Hillel, membro da CDB

A aprovação da "2ª Declaração de Curitiba Rumo a Nagoya" encerrou a 2ª Reunião sobre Cidades e Biodiversidade. O encontro foi preparatório para a próxima Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica (COP 10), em Nagoya, no Japão, em outubro próximo. Participaram da reunião, prefeitos e representantes de 43 cidades de 11 países. O documento aprovado pelos participantes reafirma o compromisso das cidades na preservação da biodiversidade. "Todas as discussões e debates travados serão reunidos num plano de ação e levado à Nagoya, junto com a Carta de Curitiba. É uma corrida urgente nas ações, pois o que estamos perdendo é o que comemos, bebemos e respiramos", destacou Oliver Hillel, membro da CDB. "Das 300 convenções realizadas pela ONU, a da Biodiversidade é a primeira que adotou um engajamento das autoridades locais", explicou Hillel. As sugestões das autoridades e técnicos feitos nos três dias do encontro em Curitiba serão reunidas em um Plano de Ação, documento paralelo à Declaração de Curitiba. Segundo Hillel, o plano terá três linhas. O primeiro deles é uma a sugestão de Richa sobre os Planos Diretores de Biodiversidade para as cidades. O Índice de Biodiversidade Urbana, defendido por Cingarupa é outro aspecto do Plano. São 25 itens reunidos em um indicador para auto-avaliação das cidades. O secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, encerrou o encontro. "É mais um passo nos debates e nas ações práticas", disse Andreguetto.

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O prefeito de Curitiba, Beto Richa, propôs que as cidades integrantes da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), das Nações Unidas, elaborem Planos Diretores de Biodiversidade

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FIAM 2009

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A Feira Internacional da Amazônia

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Superando desafios com inovação Ivan Ramalho, secretário-executivo do MDIC, representou o ministro Miguel Jorge

Fotos Ana Cláudia Jatahy, Fred Batista, Hudson Fonseca, e Margarida Saraiva

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a abertura da quinta edição da FIAM, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC, Ivan Ramalho, que representou o ministro Miguel Jorge, titular doMDIC, disse que a gama de produtos com tecnologia de ponta apresentados na FIAM 2009 (Feira Internacional da Amazônia) é resultado dos investimentos aprovados no Pólo Industrial de Manaus – PIM, ao longo das mais de quatro décadas de existência do modelo Zona, Franca de Manaus–VZFM. "Só produzir não basta. Há que se mostrar ao Brasil e ao mundo o que o PIM está oferecendo em termos de manufaturados de alta tecnologia com alto valor 14| REVISTA AMAZÔNIA

agregado, uma característica do Pólo de Manaus", destacouIvanRamalho. Para Eduardo Braga, com a inauguração do gasoduto Coari-Manaus – uma das obras mais estruturantes do século21noAmazonas, "Abre-seumanovafronteirada economia regional na geração de emprego e renda, na competitividade dos produtos locais e na redução do custo Amazonas e Amazônia". Ressaltou ainda que, em breve, o Amazonas deixará de ser um Estado com grandes deficiências na área de geração de energia para serreferêncianessequesitoemtodoopaís. O governador Eduardo Braga, em discurso que agradou a gregos e troianos, disse que a vinda de investidores brasileiros e estrangeiros para a FIAM, ajuda a implementar ainda mais o PIM e, com isso, "vender a imagem de um modelo de desenvolvimento que mantémaflorestaempé.

Para Flávia Grosso, titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, a FIAM 2009 mostrou paraasociedadebrasileiraepara omundoasconquistas que vêm se consolidando ao longo do tempo e que contribuirão para que o evento se torne um dos mais importantes eventos de toda a região Amazônica. "A feira reflete o reconhecimento e o apoio do governo federalaomodeloZFM,quereafirmasuaimportânciaestratégicaparaaeconomiadopaís",afirmou. O prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo MC Donald, na abertura da FIAM, avaliou que os produtos fabricados em Manaus tem condições de concorrer em qualquer parte do mundo. "A taxação de 25% torna altamente interessante para o produto brasileiro feito em Manaus". AZFMtemenormepotencial,declarou. Jorge Vasquez, coordenador da FIAM 2009, informou que a Feira constou com 380 expositores, entre

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O Pavilhão Amazônia estava lotado de autoridades e convidados especiais

indústrias, empresas de serviços, produtos regionais, instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento, distribuídos em 190 estandes, em uma área total de 12 milmetrosquadrados. De acordo com os organizadores, cem mil pessoas participaramdetodososeventosem2009,incluindofeira com exposição de produtos, seminários e palestras, em investimentosquechegaramquasea8milhõesdereais. A FIAM é uma promoção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por intermédio da Superintendência da Zona Franca de Manaus–SUFRAMA.

Novidades O Projeto Habitacional Casa Verde, (moradia socialmente sustentável e ambientalmente correta para os municípios da Região) um programa voltado para atender as famílias de baixa renda e que precisam de moradia e de melhor qualidade de vida foi apresentada ao público no estande do Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (Cide), uma incubadora de empresas de base tecnológica que visa estimular a criação e o desenvolvimento por meio de suporte gerencial, científico, tecnológico e de infraestrutura. Foi desenvolvido em conformidade ambiental,

considerando a eficiência energética, o uso racional da água, a inovação tecnológica, o treinamento e melhoria da mão de obra, além da gestão de qualidade, gestão de resíduoseproteçãoàfloresta. Dentre os lançamentos, os visitantes puderam conferir a TV 3D, a LGd. Com previsão de lançamento no mercado brasileiro em 2010, o televisor é um aparelho LCD cujo maior destaque é trazer uma experiência extremamente diferenciadaaoespectador. Outra novidade foi a moto bi-combustível. O veículo de duasrodasdaMotoHondarecebetantogasolinaquanto o álcool ou os dois na mesma proporção. A fabricante mostrou em seu estande os modelos CG 150Titan Mix e a NXR 150 BROS Mix. As motocicletas foram projetadas especialmenteparaoBrasil. No estande da Fuji Film, as fotos em 3D, com uma qualidade primorosa e uma imagem como você nunca viu podiam ser admiradas. A Fuji Film lançou ainda uma câmera digital fabricada no Pólo Industrial, com 12,2 megapixels,3xzoomópticoeLCDde2,7polegadas. No estande da BIC foi apresentado uma caneta ecologicamente correta que aproveita em sua produção o plástico de embalagens longa vida da tetra Pak (materialpósconsumo). A Round Stic apresentou a linha ECOlutions que aproveita as aparas resultantes da produção de

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Flavia Grosso faz seu pronunciamento na abertura da V FIAM

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Flávia Grosso, superintendente da SUFRAMA e o nosso editor/diretor Ronaldo Hühn

embalagens de iogurte, reduzindo o impacto ambiental ao reutilizar sobras de material que seria descartado na natureza, e com corretivo líquido base água ECOlution, que não agride o meio ambiente, uma vez que em sua formulaçãonãoháusodesolventes. Uma linha de preservativos masculinos, com a marca BOA, e sabores: Morango, uva, chocolate e menta. Lançados pela Látex da Amazônia Ltda (LAM), uma empresa instalada no município de Iranduba. Indústrias concentradas no Polo Industrial de Manaus (PIM) mostraram a excelência dos produtos fabricados em Manaus, com alto valor agregado, entre eles, motocicletas, aparelhos eletrônicos, relógios,indústria fonográfica,canetas, isqueiros,dentre uma infinidade de produtosfabricadosnacapitalamazonense. Durante três dias, o pavilhão da Amazônia foi um dos que mais chamou atenção do público. No local foram expostos produtos confeccionados por artistas da floresta, como, por exemplo, pessoas que trabalham

comtécnicasdemarchetaria. Na feira também estavam expostos cosméticos desenvolvidos por acadêmicos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), produtos que já são exportados paraItália,FrançaeEstadosUnidos.Frutasparaocorpoe cabelos, cupuaçu para combater a caspa e a seborréia, açaí para amenizar o efeito causado pelas estrias e buriti parabronzeamento. Mais de 30 cooperativas indígenas apresentaram seus produtos na Fiam 2009. As comunidades mostraram acessórios, objetos de palha e alimentos. Alguns índios viajaram até 24 horas de barco para chegar a Manaus, local da feira. O objetivo era permitir o contato direto dos artesãos com os compradores servindo para que os artesãossintam-sevalorizadosetroquemexperiências. Pavilhão Amazônia ILUSTR: Na abertura do Pavilhão Amazônia Outra novidade da V Fiam foi a tenda climatizada, um espaço especial de mil metros quadrados, destinado à

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Eduardo Braga, governador do Amazonas na abertura da V FIAM

Ivan Ramalho, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com nosso editor a revista Amazônia

O governador Eduardo Braga, Flavia Grosso e o nosso editor Consagração do Pavilhão de Exposição

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Jorge Vasques coordenador da FIAM 2009

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comercialização e lançamentos de livros, produtos da Amazônia e promoção de eventos de responsabilidade social, ambiental e cultural. Na abertura do espaço além da participação de autoridades e convidados especiais, o evento contou com o desfile de moda com fibras naturais organizado pela Agência de Desenvolvimento. Sustentável do Amazonas (AOS) e Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab); o desfile "Sabores da Amazônia" da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – ABRASEL, o lançamento do livro de receitas "Segredo dosChefs,eapresentaçõesmusicais.

Na inauguração do Auditório Ozias Monteiro Rodrigues do CBA

Eventos anteriores Dentro da programação que antecedeu a abertura da feira aconteceu, pela manhã, no salão Negro do Hotel Tropical de Manaus, a 1ª Conferência Estadual de Geodiversidade do Estado do Amazonas. O evento foi uma realização da SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) por meio da Segeorh(Secretaria Executiva de Geodiversidade e Recursos Hídricos). Foram apresentados os resultados dos 11 fóruns estaduais realizados, em nove municípios do interior, que representam toda a discussão das potencialidades dosrecursosmineraisedeóleoegás. Outro evento anterior à solenidade de abertura da Fiam foioSeminárioProduçãoOrgânicaeSustentávelnaAmazônia, que ocorreu no auditório do Hotel Confort Inn. O Seminário teve como objetivo apresentar aos setores, público e privado as oportunidades do mercado de orgânicos na Amazônia e articular a participação das entidadesligadasaotemanaregião.

Produtos da Amazônia Legal foram destaque no estande do SEBRAE A produção e comercialização de artigos regionais fabricados por empresas de pequeno porte, artesãos e grupos coletivos dos nove estados da Amazônia Legal estavamrepresentadasnaFIAM2009. Ao todo, 66 empreendedores, a maioria membros de

Virgilio Viana da Fundação Amazônia Sustentável e nosso colaborador com nosso editor e a Amazônia Flávia Grosso, superintendente da SUFRAMA e o nosso editor/ diretor Ronaldo Hühn

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cooperativas,artesãos e associações do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Para, Roraira, Rondônia, e Tocantins estavam na rede de expositores doestandedoSEBRAEAmazonasnafeira.

O Encerramento A V FIAM, foi sucesso total em todos segmentos e realizações. Tanto nos seminários, minicursos e encontros, salão de negócios e empreendedorismo inovador, rodadas de negócios, visitações a indústrias, mostras regionais de trabalhos científicos, oficinas técnicas, workshops, lançamentos de livros e evidentemente a visitação do público à verdadeira vitrine da produção industrial do Polo Industrial de Manaus(PIM). Inúmeras delegações de representantes de países vizinhos estiveram em Manaus, durante a FIAM, participando dos diversos eventos, dentre aqueles já enumerados, mas, principalmente, descobrindo oportunidades não somente de comprar produtos aqui industrializados, como também para conhecer de perto dados acerca do modelo de incentivos e desenvolvimento aqui aplicados, o que certamente poderá atrair brevemente novos investimentos estrangeirosparaoPIM.

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas – FIEAM liderou a vinda da representação da Ação PróAmazônia, que dentro da CNI congrega os presidentes de todas as Federações das Indústrias dos Estados da Amazônia Legal, os quais têm desenvolvido ações coordenadas em prol do desenvolvimento do setor industrialdaregiãoNorte. OspresidentesdasFederaçõesreunidos,definiramações estratégicas a serem desencadeadas em conjunto para que possam ter a força e angariar o apoio necessário, quer do Governo Federal, quer dos Governos Estaduais ou Municipais, para os diversos pleitos de interesse da indústriadaregião. A V FIAM propiciou que diversos atores discutissem alternativas de desenvolvimento da região complementares ao setor industrial, hoje ativo e pujante, que certamente servirão de base ao desenvolvimento de novas atividades, possivelmente menos dependentes de incentivos fiscais e mais sustentável no potencial regional enabiodiversidadeamazônica. Os incentivos fiscais certamente são responsáveis pela geração de investimentos e empregos no Pólo Industrial de Manaus, mas a criação de alternativas que possam

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Silvio Marques e Cleriston Marques Silva no Salão de Negócios

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Ronaldo e Rodrigo Hühn com o Dr. José A. Cabral, coordenador do CBA

Wine & Fashion

III Mostra Técnico Científica

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No Salão de Negócios e Empreendedorismo

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Forum WITS 2009 realizado no Tropical Hotel Manaus

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nos posicionar no mercado nacional e internacional como únicos produtores de artigos inovadores na área de biocosméticos, fármacos e produtos naturais, é a oportunidade que se abre com a oferta de novos produtos que poderão ser destaque no mercado mundial.

Co2 liberado durante a V FIAM foi compensado Grande parte das atividades geradas antes, durante e depoisdaFeiraInternacionaldaAmazônia(FIAM2009), tiveram suas emissões de dióxido de carbono (CO2) levantadas para a adoção de boas práticas ambientais durante o evento. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), fez o levantamento em parceria comoInstituoBrasileirodaDefesadaNatureza(IBDN).O impacto da emissão do CO2 foi compensado com o plantiodeárvores. A preocupação com o meio ambiente não parou por aí. Outras ações foram desenvolvidas durante o evento como o uso do papel reciclado, economia de energia, os cuidados com o transporte e a coleta seletiva de resíduos, que foram realizadas por um grupo de

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catadores, em parceria com a Secretaria Municipal deLimpeza(Semulsp).

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Empregos De acordo com dados da SUFRAMA, a Feira gerou o p o r t u n i d a d e d e e m p re g o d i re to a aproximadamente 500 pessoas. “Nessa conta, entram ainda outros 2.000 empregos indiretos, oportunizadospelacadeiaprodutivaenvolvidacom a realização desse grande evento da Amazônia Continental”, disse a superintendente da autarquia, FláviaSkrobotBarbosaGrosso. “A Feira não é só uma área de exposição (de produtos,serviçosenovidadesemtecnologia).Ela é um ciclo que vai desde a geração de oportunidades de trabalho e negócios até a criação de políticas que valorizem o desenvolvimento sustentável da região. Além da exposição, ela inclui a jornada de seminários, mostra de trabalhos técnico-científicos e salão de projetos de investimentos”, afirmou a superintendente.

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Dissertando sobre a conjuntura econômica Alternativas ao Sistema de Comunicação na Amazônia

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Mostrando a atuação do INPE

Palestra sobre o turismo na Amazônia

No estande do CBA

Antonio Carlos Matarazzo falando sobre aquecimento global

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FIAM supera as expectativas Na avaliação dos organizadores, o evento conseguiu atingir o seu principal objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerando benefícios econômicos, sociais, científicos e ambientais para a regiãoamazônica. A Feira também ganhou nova dimensão ao incorporar

atividades com foco na responsabilidade social, ambiental e cultural. Além de superar o número de expositores em relação à edição anterior e apresentar novidades tecnológicas das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), este ano a FIAM também bateu recordes da Rodada de Negócios e inovou na promoção de serviçosambientaisesociais. Durante a feira, mais de 2.500 empregos foram

O Banco da Amazônia promoveu na V FIAM o seminário Turismo na Amazônia: Inovação e Integração como alternativas para estruturação de um destino competitivo

gerados, entre diretos e indiretos. O público também prestigiou mais uma vez em grande número o evento, que registrou mais de 100 mil visitantes ao longo dos cincodiasdeprogramação. Segundo a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávia Grosso, a cada ano a FIAM se fortalece e apresenta novidadesparaopúblicoeempresário. Neste ano, as principais inovações foram o Balanço Socioambiental e o Pavilhão Amazônia, espaço inédito destinado à cultura regional e à divulgação de produtos inovadores com base na matéria-prima amazônica. "O diferencial da FIAM é que ela não se restringe meramente a exposições de produtos, mas difunde o conhecimento, movimenta a ciência e realiza também açõesnaesferasocial",disseasuperintendente.

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O Fórum das CRIANÇAS Crianças do mundo fizeram ouvir as suas vozes na COP15

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Fotos Rudolph Hühn e Karim Aaren

ocê vai se tornar pioneiros de sua geração. Você é o futuro, e espero que você se lembre de Copenhague, quando você se olhar para trás daqui há 10-20", disse Else Sommer, do Departamento da Criança e do Family Care abrindo o Fórum do Clima das Crianças. O simbolismo não poderia ser mais forte quando as 165 crianças delegados, de 44 países, colocaram suas mãos de todas as cores do arcoíris em um mundo grande, declarando o Fórum do clima infantil aberto. "As crianças têm uma grande capacidade de comunicar, porque nós podemos dar as mãos e se unir. Enquanto estamos aqui, nós podemos ensinar uns aos outros muito sobre nossas culturas e que estamos passando nos nossos países. Nós podemos vir acima com idéias de como mitigar os efeitos das alterações do clima para proteger o nosso ambiente, nossos países e no mundo em geral ", disse Vanessa Njovu da Delegação da Zâmbia. Em Copenhague, as crianças partilharam as suas experiências locais das alterações climáticas com soluções e debates, concluindo em uma resolução entregue ao Connie Hedegaard, Ministro da ONU sobre Mudança Climática 2009, no encerramento do Fórum.

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As crianças colocaram suas mãos de todas as cores do arco-íris em um mundo grande, declarando o Fórum do clima infantil aberto

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JOVENS CUMPREM A DEMANDA DE AÇÃO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS Na cerimônia de encerramento, no Copenhagen City Hall, 164 jovens de todo o mundo com idades entre 14 a 17, apresentaram sua declaração, comprometendo-se a mudanças pessoais em suas próprias vidas e exigindo que os governos tomem medidas para proteger o mundo contra os efeitos terríveis das alterações climáticas, ao presidente da COP 15, Ms. Connie Hedegaard, que repassou a declaração aos líderes presentes na COP 15. Ms. Hedegaard , disse: "É tão bom que os jovens de todo o mundo estão nos dizendo – os políticos–queomomentodeagiréagora"... A cerimônia de encerramento teve a banda dinamarquês Beat Club Alien tocando o hino do Fórum

É tão bom que os jovens de todo o mundo estão nos dizendo que o momento de agir é agora

As crianças têm uma grande capacidade de comunicar, porque nós podemos dar as mãos e se unir

"It's My World", cantado pelos jovens. A canção foi escrita especialmente para o CCFC09, pelo dinamarquês HitmakerRemee. À noite, os jovens foram nomeados Embaixadores do Clima, formalizando os compromissos consagrados na sua declaração, inclusive a comprometendo-se às mudanças na vida pessoal de estilo para o "bem comum", para se educar e de suas comunidades para mitigar a mudança climática, a exercer com todas as gerações e os governos para combater a mudança climática. O compromisso é de um ano.

Preparando a Declaração

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As coisas têm de mudar. Não podemos continuar assim

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A cerimónia de encerramento teve cinco porta-vozes jovens: Ulla Klint Heede, 17, Dinamarca, Mohamed Axam Maumoon, 15 Maldivas; Bipra Biswambhara, 16 na Índia; Travis Bruce Mills, 15, Nova Zelândia, Cressida Mawdesley-Thomas,15,ReinoUnido. Oito jovens delegados ficaram para participar da COP15, onde eles vão trazer as vozes das crianças aos líderes do mundo. São eles: Toriqul Islam Momen, 15, Bangladesh; Darwin David Temo Pena, 17, na Bolívia, Marie Moise Louissaint, 16, Haiti; Lourine Millicent Oyodah,15,noQuénia,MohamedAxamMaumoon,15, Maldivas; Khadidiatou Diop, 17, Senegal ; Bridgette Makhubedi Cindy, 16, África do Sul, Kondwani Joe Banda,17,Zâmbia O Fórum foi organizado pela Cidade de Copenhague e da DinamarcaComitêNacionalparaaUNICEF.

Nosso Mundo, Nosso Futuro

Nosso futuro está em risco, e exigimos que algo seja feito. A juventude do mundo está pronta para agir, e pedimos o mesmo dos governos do mundo inteiro»

Delegados do CCFC09, apresentam a Declaração à Connie Hedegaard, Ministro da Dinamarca do Clima e Energia durante a cerimônia de encerramento do Fórum

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Declaração das Crianças no Fórum do Clima

Nosso Mundo, Nosso Futuro As alterações climáticas ameaçam as nossas vidas, nossas famílias e nosso futuro. Nós, os jovens delegados de 44 países irão Clima the Children's Forum 2009, não vamos só sentar e assistir. Nós já enfrentamos os efeitos da mudança climática. Nossas comunidades estão privadas de água potável, negam-nos o acesso à educação e estamos vulneráveis a doenças cada vez que acontecem as inundações. Nossos pratos estão vazios devidoàseca.Nossofuturoestáemrisco,eexigimosque algo seja feito. A juventude do mundo está pronta para agir, e pedimos o mesmo dos governos do mundo inteiro. O tempo para falar é agora, temos que prestar contasdenossoscompromissos. Os desafios podem parecer intransponíveis, mas como partes interessadas, a nossa geração está pronta para colaborarcomestacausa. Comprometemo-nosàsmudançasnoestilopessoalque coloquem o bem comum acima dos nossos desejos individuaisemododevidaatual. Assumimos o compromisso de educar e fortalecer a nós mesmos e nossas comunidades a se adaptar e mitigar a mudançaclimática. Comprometemo-nos a participar e cooperar ativamente com todas as gerações e os governos no combate às alteraçõesclimáticas. Como os nossos esforços por si só não serão suficiente, esperamos que nossos líderes e cidadãos possam

cooperar.Asseguintesaçõesdevemsertomadas: RecomendaçõesparaAdaptação ? Os governos dos países industrializados deveriam contribuir mais, através de apoio financeiro e tecnológico, para a adaptação dos países em desenvolvimentoàmudançaclimática. ? Queremos cidades para serem bem planejadas e sustentáveis,comáguapotável,muitosespaçosverdese redes de transportes eficientes. Os governos devem tomar mais esforços pró-ativa para impedir o crescimento urbano descontrolado e fortalecer as comunidades rurais através da criação de emprego sustentável, educação de qualidade e de entretenimento. ? Regulamentos, normas de segurança e do protocolo de emergência padrão, constante e centrado no conhecimento pelas crianças, precisam ser estabelecidas para se preparar para catástrofes climáticasinduzidas. ? Como a falta de água já está causando a seca e a desertificação em muitas áreas, os governos devem trabalhar para a conservação da água e fornecer fontes deáguapotávelparaáreasquenecessitam. ? Educação na ascensão do nível do mar e as inundações, juntamente com as políticas que permitem que as comunidades se adaptem às mudanças, deve ser implementadas. Quando o abastecimento das comunidades de água estiver ameaçadas pela subida do nível do mar, fontes alternativas devem ser fornecidas parafacilitarasuaadaptação. ? Biodiversidade relacionados com projetos que promovam a conservação de espécies ameaçadas, devemseramplamenteaplicadas. RecomendaçõesparaMitigação ? Pesquisa, desenvolvimento e compartilhamento de

verde e tecnologias de eficiência energética, especialmente a produção de energia renovável, deve ocorrer entre países industrializados e países em desenvolvimento para garantir o desenvolvimento sustentávelanívelglobal. ? Os investimentos devem ser feitos em infra-estrutura de transportes sustentável, como o comboio e as redes deônibus,pistasdeciclismoecombustívelecológico. ? Um sistema internacional de comércio de carbono deve ser introduzido. Todas as transações no mercado e os rendimentos gerados devem ser tributados, devendo serusadoumfundopara/deadaptação. ? Nós propomos uma nova classificação para os países: 1) os países industrializados, 2) países em desenvolvimento que poluem pesadamente e 3) países emdesenvolvimentomenospoluentes. ? Planos nacionais de reciclagem, acessíveis em todas as comunidades e educação para as mudanças climáticas nas escolas além da distribuição equitativa dasresponsabilidadesentreasnações.

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Educação Mudança climática deve ser uma área obrigatória e substancial do currículo escolar. Os governos devem também apoiar organizações que já educam a juventudesobreasquestõesclimáticas. A batalha contra a mudança climática é em cima de todos nós. Estamos prontos para agir e nós convidamos você a se juntar a nós. A mudança climática está afetando nossas vidas, nossas famílias e nosso futuro. Devemos agir imediatamente e nós estamos prontos para cumprir nossos compromissos. Estamos dispostos a dar tudo o que temos, desde que exista a possibilidade desalvarnossoplaneta. Esperamosamesmacoragemdevocê.

Os governos dos países industrializados deveriam contribuir mais

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192 NAÇÕES DA ONU NA

CONFERÊNCIA DO CLIMA EM COPENHAGUE

A XV Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e a V Reunião das Partes do Protocolo de Quioto – COP 15 e COP / MOP 5

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Fotos Ricardo Stuckert / PR e Rudolph Hühn Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCCC

June Budhooram, Secretária da COP 15 e Rajendra Pachauri presidente do IPCC

Antes do início... Lars Lokke Rasmussen e Yvo de Boer na abertura da COP 15

A

s COP 15e COP / MOP 5, realizadas de 7-18 Dezembro de 2009, no Centro de Bella em Copenhague, na Dinamarca, foram o maior e mais importante evento das Nações Unidas sobre a conferência sobre mudança climática na história. Abriu com diplomatas de 192 nações advertindo que isto poderia ser a última chance para um acordo para proteger o mundo do aquecimento global calamitoso. No início da conferência, a capital dinamarquesa, foi rebatizado Hopenhague, referindo-se às esperanças suscitadas. Após o clímax de dois anos de negociações e

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controversas, reuniu-se em um clima de otimismo após uma série de promessas por ricos e as economias emergentes para reduzir os gases com efeito de estufa, mas com as grandes questões ainda não foram resolvidas. Connie Hedegaard , presidente da COP 15, disse que a chave para um acordo é encontrar uma maneira de levantar um canal de financiamento público e privado para os países pobres para os próximos anos para ajudálosacombaterosefeitosdamudançaclimática.

Boer afirmou, durante seu discurso, que ações sólidas serão necessárias durante as próximas duas semanas para que se chegue a um acordo internacional para lidar com a mudança climática. "Teremos oito dias para prepararumpacotefuncionaldepropostasimediatasea longo prazo, que possa ser endossado pelos líderes mundiais" em sua chegada à capital dinamarquesa na próxima semana, disse De Boer. "Eu peço que vocês deem continuidade ao que foi feito até agora e transformemissoemações". O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen 100

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Conquistas nos governos estadual e federal:

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Connie Hedegaard, presidente da COP 15

Antes de De Boer, o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, recebeu os delegados mundiais anunciando que "estamos reunidos aqui para tomar decisões difíceis, porém necessárias para lidar com os problemasdonossofuturo". "O mundo está depositando suas esperanças em vocês por um curto período de tempo na história da humanidade".

Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),foioúnicoafalarsobreorecenteincidente no vazamento de emails de cientistas da Universidade de East Anglia, dizendo que isso mostra como "alguns chegarão a cometer atos ilegais para tentar manchar a imagem do IPCC, mas o painel tem um histórico de transparência e prestação de contas que não será facilmente abalado". AcerimôniadeaberturadaConferênciaClimática da ONU em Copenhague teve início com quase uma hora de atraso, com a apresentação do filme "Please Help the World" (Por favor ajude o mundo, em tradução literal) do dinamarquês Mikkel Blaabjerg Poulsen. No filme, uma menina sonha com a destruição do mundo pelos efeitos da mudança climática. Em seguida, houve uma apresentação do Coral Nacional de Meninas da Dinamarca que interpretou a música "All life is

Na cerimônia de abertura da ONU sobre Mudança Climática 2009 – COP15

No primeiro dia da reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague, a União Europeia fez um apelo por mais financiamentos dos Estados Unidos para projetos de combate ao desmatamento em países como o Brasil. O investimento seria adicional aos planos já anunciados pelos Estados Unidos, de reduzir suas emissões em 17% até 2020 e acelerar os cortes dali para a frente, e seria realizado através de compra de créditos de carbono para compensar (offset) a poluição gerada no país. “Nós estamos prontos para chegar a um acordo que atualize as propostas para REDD (redução de emissões por desmatamento e degradação)”, afirmou o ministro do Meio Ambiente da Suécia, Andreas Carlgren, representante da UE já que o país ocupa a Presidência rotativa do bloco. Ele lembrou que os planos da Europa são cortar o desmatamento no mundo pela metade nos próximos dez anos e acabar com ele em 20 anos.

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Além dos investimentos feitos na Amazônia pelo governo federal, pelos estados e o dinheiro proveniente de fundos, o Brasil pode zerar o desmatamento da maior floresta tropical do mundo até 2020, caso haja um aporte adicional de recursos de US$ 7 bilhões a US$ 18 bilhões. O estudo foi apresentado ontem em Copenhague pelo coordenador de Pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Paulo Moutinho. Segundo ele:“Este é o momento correto para fazermos algo, disse.

Manifestações

A prefeita de Copenhague, Ritt Bjerregard, também falou aos presentes. "A praça central de Copenhague se tornará o centro mundial para a esperança por um acordo climático" na COP15, por isso a cidade foi apelidada de Hopenhagen” (trocadilho com o nome da capital dinamarquesa e a palavra Hope, esperança em inglês). "Porfavor,nosajudem,cheguemaumacordo",elapediu. Rajendra Kumar Pachauri, presidente do Painel Rajendra Kumar Pachauri: alguns chegarão a cometer atos ilegais para tentar manchar a imagem do IPCC, mas o painel tem um histórico de transparência e prestação de contas que não será facilmente abalado

your life" ("Toda vida é sua vida", em tradução literal), composta e acompanhada pelo trompetista de jazz dinamarquês Palle

Ritt Bjerregaard, presidente da Câmara de Copenhague, na cerimônia de abertura da COP 15

O segundo dia da COP-15) foi marcado por manifestações. Dezenas de organizações não-governamentais denunciaram que o ponto de vista dos países em desenvolvimento não estava sendo levado em conta, em manifestos que ocorreram dentro e fora do Bella Center. Um grupo de mais de 30 observadores africanos saiu pelos corredores gritando palavras de ordem e pedindo respeito a todos os povos. Na área central do Bella Center, por onde todos transitam, um grupo de jovens australianos cerca de 15 colegas vestiram pijamas e carregaram colchões e travesseiros para chamar atenção e pedir uma solução conjunta. "Os países devem deitar na mesma cama, estar do mesmo lado e acordarem juntos para a urgência de uma decisão”. Um grupo de ativistas da ONG Action Aid fazia performance, mesmo com um frio cortante, para aqueles que aguardavam na enorme fila na área externa do Bella Center. “Precisamos sair de Copenhague com um bom acordo. Não dá mais para esperar.”

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Exposição nas ruas de Copenhague atraía a atenção dos visitantes/moradores em meio à realização da COP 15. Batizada de Cool Globes "Globos Frios", na tradução livre do inglês, a mostra exibe globos com os mais variados desenhos e cores, inclusive o de um porco atingido pela poluição do planeta, que intrigam os transeuntes

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Destaques do 2º dia

Lars Lokke Rasmussen discursa na abertura da COP 15

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Nas sessões plenárias de abertura da SBI e SBSTA tomou lugar, vários grupos de contactos e consultas informais foram convocados para apreciar as questões, incluindo as medidas de longo prazo de cooperação, uma visão compartilhada, finanças, mitigação e tecnologia sob o AWG-LCA, Anexo I reduções de emissões, outros problemas e as possíveis consequências no âmbito do AWG-KP e REDD no âmbito do SBSTA.

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Wangari Maathai com Kumi Naidoo, do Greenpeace

Wangari Maathai, a laureada com o Nobel

Lars Lokke Rasmussen e Kumi Naidoo, presidente executivo internacional do Greenpeace

No segundo dia da Conferência, um dos palestrantes de maior destaque foi o secretário-geral da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Michel Jarrud. Ele garantiu que o planeta está sofrendo um rápido aquecimento desde a década de 1970 e que se acentuou nos últimos anos. "Nós estamos em uma tendência de aquecimento não temos nenhuma dúvida sobre isso", disse. Ele fez divulgação de estudos mostrando que a década atual foi até agora a mais quente de que se tem registro. Os dados apresentados pela OMM são muito semelhantes aos do escritório britânico de meteorologia, o Met Office, que confirmam a década de 2000-09 como a mais quente já registrada. A década do ano 2000 superou em 0,40°C a média de 1961-1990, de 14°C.

Mikkelborg. A composição contém fragmentos de um poema norueguês, bem como de canções originárias da Groelândia,DinamarcaeIlhasFaroe. A cerimônia foi encerrada com a deposição do presidente da COP14, Maciej Nowicki, e a eleição da Ministra do Meio Ambiente da Dinamarca, Connie Hedegaard, como presidente da COP15. "Eu prometo ouvi-los e garantir transparência", ela disse durante seu discurso de posse: "Nunca haverá maior vontade. Está é a nossa chance, se perdermos a oportunidade serão precisos anos para que outra apareça", disse Hedegaard. "Usem todas suas habilidades para pavimentar o caminho para os líderes mundias que esperam adotar um acordo internacional em 11 dias". Hedegaard, disse, se os governos perderem essa chance na Cimeira de Copenhague, a melhor oportunidade pode nunca mais vir. "Esta é nossa chance. Se faltar, ela pode levar anos antesquenóscomeçamosumnovoemelhor. Em causa está um acordo que visa a afastar o mundo de distância a partir de combustíveis fósseis e de outros poluentes de fontes de energia mais verde, e à transferência de centenas de bilhões de dólares dos

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ONU apresenta estrutura que dá forma a 1 t de CO2

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José Maria Figureres

países ricos para os países pobres a cada ano durante décadas para ajudá-los a se adaptarem à mudança climática. Os cientistas dizem que sem esse acordo, a Terra vai enfrentar as consequências de ter cada vez mais elevação das temperaturas, levando à extinção de espécies animais e vegetais, a inundação de cidades litorâneas - cerca de metade da humanidade vive com 100 milhas (160 quilômetros) do litoral - mais extremas condiçõesclimáticas,asecaeapropagaçãodedoenças. As negociações se arrastaram por dois anos e só recentemente dão sinais de avanços com novos compromissos a partir dos Estados Unidos, China e Índia paracontrolarasemissõesdegasescomefeitodeestufa. A primeira semana da conferência foi focada em um textocomplexoderefinodeumprojetodeTratado. Ainda no primeiro dia da COP 15, Angela Merkel, a chanceler alemã apelou à China e à Índia para fazerem mais em matéria de redução de emissões, para permitir a conclusão de um acordo em Copenhague. O objetivo da conferência “deve ser concluir um acordo internacional para limitar o aquecimento global aos dois grausem2050”. “Todos devem fazer mais, sobretudo países como a China e a Índia que atualmente não aceitam este objetivodosdoisgraus”,afirmouMerkel. O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe do Brasil, afirmou que o país não deixará de investir recursos próprios em ações de mitigação e adaptação - como projetos de Redd (redução de emissões por desmatamento e degradação). "O financiamento tem que ser para todos os países, mas nós faremos mais e melhor se tivermos acessoarecursosinternacionais",afirmouodiplomata. Na bertura da COP 15, um coral cantou para os delegados

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As Nações Unidas apresentaram uma inovadora instalação artística digital que dá uma forma palpável a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2), que é a quantidade do gás de efeito estufa emitido em média por mês por um habitante de um país industrializado. A obra intitulada "Cubos de Instalação batizada de Cubos de CO2 CO2: Visualize uma Tonelada de Mudanças" “Visualize uma Tonelada de Mudanças", foi instalada no centro de Copenhague. em frente ao Tycho Brahe Planetarium, A estrutura formada por contêineres de onde ficará até o fim da cúpula transporte marítimo organizados em forma de cubo sobre os quais serão projetados vídeos artísticos, imagens de televisão, dados e mensagens sobre a mudança climática de pessoas comuns recolhidos através do site YouTube, entre outras coisas. "O CO2 é invisível ao olho humano e, às vezes, o que você não vê você ignora", disse Mia Hanak, diretora da Millennium Art, a empresa de San Francisco responsável por elaborar o projeto junto com a Obscura Digital, da mesma cidade americana. Hanak ressaltou que o objetivo da instalação idealizada pelo artista Alfio Bonano e pelo arquiteto Christophe Cornubert é dar visibilidade através da "linguagem universal da arte" ao que representa uma tonelada de um dos gases causadores do efeito estufa. "Todo mundo fica surpreso quando dizemos que essa é a quantidade emitida em média por pessoa em um mês, e se for nos Estados Unidos, em duas semanas. Normalmente Pessoas observam as acreditam que é a de todo um ano", imagens projetadas no acrescentou. Travis Threlkel, diretor criativo contêiner, em frente ao Tycho Brahe da Obscura Digital, disse que este cubo une a Planetarium arte à tecnologia digital para oferecer uma "nova plataforma de comunicação". "A intenção é chamar a atenção do público com algo completamente novo, que ainda não foi visto", afirmou Threlkel, que ressaltou que um bom número das obras digitais que serão projetadas no cubo foi elaborado especialmente para esta ocasião.

Cerca de 15.000 delegados de 192 países, além de milhares de observadores, manifestantes, membros da imprensa, se encontravam em Copenhague para o que o Secretário-Executivo da Convenção do Clima, Yvo de Boer,chamoude"omaiorshowdaTerra". Após a cerimônia de boas-vindas. AWG Seguiram-se as plenárias de abertura da COP 15, a COP / MOP 5, 8-LCA e AWG-KP10.

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“Trilhões para adaptação”

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Para ações contra desmatamento, entretanto, serão necessáriostrilhõesdedólaresnaspróximasdécadas,ea fonte desse financiamento promete ser um dos assuntos maispolêmicosemCopenhague. Ospaísesricossemovimentamnosentidodeapresentar uma proposta apelidada de“Fast Start Fund”, um fundo de cerca de US$ 10 bilhões que garantiria o início imediato de ações de adaptação nos países mais pobres e atingidos pelas mudanças climáticas, como BangladesheasilhasMaldivas,porexemplo. No entanto, o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que a “falta de engajamento claro dos países desenvolvidos” na questão financeira “é um dos problemas” da reunião e rejeitou categoricamente o “fast start fund”. “Não é possível sairmos daqui com um financiamento de curto prazo”,afirmou.

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A China classificou críticas de "injustas"

Réplica de um mundo erigido no centro de Copenhague

Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, no Mural do Clima

Para o Brasil e outros países em desenvolvimento, interessaagarantiadefinanciamentosdelongoprazo. Uma reportagem publicada pelo jornal alemão FinancialTimes Deutschland afirma que a Europa estaria disposta a entrar com 1 a 3 bilhões de euros para este fundo.

Aviação reduzirá emissões

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WWF na COP 15 30| REVISTA AMAZÔNIA

O setor da aviação se comprometeu a reduzir as emissõesdedióxidodecarbono(CO2)em50%até2050 com a utilização de aparelhos com menor consumo e uso de biocombustíveis, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Em comunicado divulgado nesta terça, a Iata anunciou que as companhias aéreas estão investindo mais de US$ 1,5 trilhão em novos aviões para reduzir a emissão de gases gerados pela indústria da aviação em 21%até2020.

Com relação ao seu compromisso ambiental de redução de intensidade energética e contra-atacou dizendo que são os países ricos que devem cortar as emissões por causa da "responsabilidade histórica", como causadores damudançaclimática. Odiretordodepartamentochinêsdemudançaclimática da Comissão do Desenvolvimento Nacional, Su Wei, afirmou que não se podem equiparar as propostas dos países desenvolvidos com as das nações em desenvolvimento. "Não é legítimo comparar uma medida de redução voluntária e nacional, como é a da China, com os compromissos internacionais de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a que estão obrigados os países desenvolvidos pelo Protocolo de Kioto",manifestou. O chefe do comitê chinês insistiu que os países em desenvolvimento têm "responsabilidades distintas",

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Greenpeace oferece café aos delegados

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Destaques do 3º dia Negociação difícil - Nos três primeiros dias da reunião foram realizadas sessões plenárias e vários grupos de contactos e consultas informais convocados para uma série de questões, incluindo uma visão compartilhada, mitigação, adaptação, financiamento e tecnologia sob o AWG-LCA, Anexo I reduções de emissões e outras questões no âmbito do AWG-KP, e vários temas no âmbito do SBSTA e do SBI. Os 192 países enfrentaram muitos problemas para avançar no sentido de um acordo global que possibilite esse tipo de ações. A desconfiança entre países ricos e em desenvolvimento e até mesmo sinais de desgaste entre o segundo grupo parecem estar dificultando um entendimento. Se as emissões continuarem a subir depois de 2020, o Met Office afirma que a única forma de manter o aumento da temperatura terrestre abaixo dos 2ºC seriam os chamados projetos de geoengenharia – para retirar o gás carbônico da atmosfera. Entre essas propostas, estão algumas que soam como ficção científica: espelhos no espaço que refletiriam de volta os raios do sol, “árvores” artificiais que sugariam o dióxido de carbono do ar para compartimentos que poderiam ser enterrados ou ainda a criação de nuvens com sprays de água no ar. Mesmo os projetos de geoengenharia já em teste, como Captura e Armazenamento de Carbono (CCS, na sigla em inglês) – que retira o gás produzido pela queima de carvão em usinas e o prepara para armazenamento – ainda estão longe de serem viáveis economicamente. Pouco se sabe sobre os reais custos ambientais, sociais e financeiros deste tipo de operação. E muito menos as consequências que eles poderiam ter sobre a Terra. A pequena ilha de Tuvalu (sul do Pacífico) foi a sensação, ao exigir um esforço obrigatório de redução das emissões poluentes aos gigantes chinês e indiano, principalmente. Tuvalu propôs emenda "juridicamente vinculante" ao Protocolo: ele estabeleceria, a partir de 2013, metas de redução para os grandes emergentes que representam mais da metade das emissões mundiais de gases de efeito estufa. "Devemos avançar, é preciso um acordo vinculante que preserve o planeta e proteja os mais pobres, todo o resto é distração," declarou Dessima Williams, representante de Granada e da Associação de Pequenos Estados Insulares (AOSIS).

apesardeseupaísseroquemaislançougasespoluentes na atmosfera e ressaltou que a quem cabe reduzir de forma linear as emissões são os países ricos. Su Wei criticou que as propostas de nenhum dos países industrializados sobre a recomendação da ONU que as emissões poluentes se reduzam em entre 25% e 40% em2020comrelaçãoaosníveisde1990. Do Japão, o delegado chinês afirmou que sua anunciada redução de 25% sirva de requisito para os Estados Unidos assinarem o Protocolo de Kioto, algo que classificoude"impossível". Su Wei criticou também que o montante que os países ricos propõem para atenuar a mudança climática nas nações pobres seja "só" de US$ 10 bilhões anuais entre 2010 e 2012. "Se dividimos esse número entre a população mundial, caberia US$ 2 a cada um", lamentou.

Olhando para um mundo que é uma parte de uma instalação no centro de Copenhague

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Uma mulher toca uma escultura de gelo de um urso polar no centro de Copenhague

Combinação diferente de globos como parte de uma instalação no centro de Copenhague Escultura de gelo do urso polar derretendo e revelando um esqueleto de bronze

Ativista ambiental fixa grande balão no chão, na abertura da COP 15

Um homem caminha na direção de uma instalação de arte localizado perto da saída do Bella Centro

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A pequena ilha de Tuvalu foi a sensação

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Actionaid

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Destaques do 4º dia

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Na sala de computadores

No quarto dia de Conferência da ONU sobre o Clima, a estátua da Pequena Sereia, um dos símbolos de Copenhague, ficou com cartaz pendurado no pescoço e usando máscara contra radiação, em protesto contra o aquecimento global, pelos organizadores da campanha "Don'tnuketheclimate". No Bella Center, ativistas com cartazes nas mãos voltaramacercardelegados,quechegavamousaiamde reuniões. Um grupo americano se destacou tirando quase toda a roupa. De cuecas ou lingeries, eles arrancaram alguns sorrisos das autoridades que transitavampelolocal. Outros manifestantes investiram nas fantasias, que também não costumam faltar em grandes protestos. Umgrupodisfarçadodealienígenascirculoupelacapital dinamarquesa enquanto, em outro ponto, um ativista vestidodeursopolarrecebeuatéumabraçocarinhoso. Parem as alterações climáticas aqui diz a faixa ondula ao vento, no “Beluga”, o barco da Greenpeace

Um mágico frustrado tenta fazer um avião e desaparecer as suas emissões através de compensação, mas o truque não funciona

Mulher relógio vagando pelos corredores distribuindo panfletos sobre a contagem regressiva

Foi considerado o cumprimento da proposta do Cazaquistão para alterar o Protocolo anexo B e propostas pelas partes para alterar o protocolo. Além disso, grupos de contactos e consultas informais foram convocados à uma série de questões, incluindo uma visão compartilhada, mitigação, adaptação, financiamento e tecnologia sob o AWG-LCA, Anexo I reduções de emissões e outras questões no âmbito do AWG-KP, e vários temas em SBSTA e do SBI.

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Delegados antes de entrar na sala onde o grupo AWG-LCA se reuniu

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Vestido em pijamas e travesseiros de detenção, os jovens realizada uma versão alternativa da canção de Lennon "Give Peace a Chance" 32| REVISTA AMAZÔNIA

Vendendo maçãs orgânicas Outra instalação dos Globos

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Uma visão da mesa durante a sessão plenária SBSTA

Arthur Rolle, Presidente do Grupo de Peritos em Transferência de Tecnologia (direita) intervém durante a sessão plenária SBSTA

Bernarditas Muller, representando o G-77/China, no grupo de contacto AWG-LCA

O urso polar da WWF, no centro da cidade

Manifestação

Thomas Kolly, Suíça, Angela Churie, Suécia, Amjad Abdulla, Maldivas, e William Kojo Agyemang-Bonsu, Gana, discutindo questões relacionadas à adaptação

Durante a cúpula da ONU sobre mudança climática (COP15) em Copenhague, Gil, que estava em viagem artística por 15 cidades europeias, considera que a queda de emissões de dióxido de carbono (CO2) alcançada nos últimos anos devido à Gilberto Gil, ganhador do Grammy, redução do desmatamento de cantor e ex-ministro da Cultura do Brasil florestas tropicais no Brasil corresponde à recente oferta de corte deste gás pelos EUA. Os Estados Unidos ofereceram diminuir em 17% suas emissões de CO2 até 2020 a respeito de 2005, o que equivale a 4% em termos reais, tomando como comparação o ano de 1990, como fazem outros países industrializados. Lembrou também que o Brasil só usa a cana-de-açúcar para produzir biocombustíveis, e em nenhum caso o milho, que interfere nos preços da cadeia alimentícia, como aconteceu no México. Perguntado pela política ambiental do brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, respondeu que merece nota sete em dez, devido a suas omissões e declarações, às vezes grandiloquentes, mas admitiu que, em seu país, houve muitos progressos neste assunto, que inclui a redução do desmatamento. Segundo ele, o Brasil, está em Copenhague com uma delegação de mais de 700 membros, tem uma longa tradição na luta pela proteção do meio ambiente, o que explica a grande expedição à capital dinamarquesa, na qual também há jovens, estudantes e ONGs nacionais.

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ONG's do Brasil

Atiq Raman, do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh, e o secretário executivo da UNFCCC, Yvo de Boer

Luiz Machado, Vice-Presidente da AWG-LCA e repórter Lilian Portillo e o relator Michael Zammit Cutajar da AWG-LCA

Verificando o CCTV para a programação diária

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Harald Dovland, vice-presidente da AWG-KP e Claudio Forner, Secretario da UNFCCC

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Iniciativa da Wooloo.org viabiliza a hospedagem dos "sem-teto" da conferência

Outro Globo onde vários eventos e apresentações foram realizadas Uma superlotada sala de reunião

Manifestações

Grupo de ativistas do Greenpeace escalou o Coliseu de Roma para exibir um cartaz (cartaz de aproximadamente 300 metros quadrados) pedindo a assinatura de um acordo histórico na cúpula da ONU sobre mudança climática (COP15)

Programa Mundial de Alimentos Josette Sheeran, presidente do Programa Mundial de Alimentos – PMA, lançou um "apelo à ação" para que os países ajudem os agricultores do mundo a se prepararem para as consequências do aquecimento global. "Não podemos baixar a guarda", afirmou. Lembrando o auge da crise de alimentos há dois anos, "quando 150 milhões de pessoas entraram para a estatística dos famintos praticamente do dia para a noite", ela alertou que "as causas da vulnerabilidade continuam presentes". Um novo relatório do PMA, intitulado "As mudanças climáticas e a fome: responder ao desafio", calcula que "até 2050, o número de pessoas que podem passar fome aumentará de 10% para 20% por causa do aquecimento global". Josette Sheeran, presidente do Programa Mundial de Alimentos

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Kim Nguyen, 28 anos, ciclista australiano chegou ao centro de convenções após pedalar 18 mil km durante 16 meses para entregar uma mensagem de conscientização ambiental. Segundo ele a variação climática "começa com as mudanças de mentalidade das pessoas comuns"

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O Centro de Informação e Comunicação da China, em Copenhague Os Estados Unidos em Copenhague instalaram uma bandeira enorme, estrategicamente colocada no ponto de passagem para as delegações. Uma enorme esfera interativa que representa a terra, chamada "SOS esfera da ciência" é detalhada com animações para apoiar os pontos mais quentes do globo.

Michel Jarraud explica a tendência de aquecimento global registrada pela OMM

Ativistas ambientais acreditam que as alterações do clima motivam o comportamento canibal entre ursos polares

ONG pede justiça com o clima durante a cúpula Uma ameaça de bomba colocou a polícia dinamarquesa em alerta em torno de um antigo depósito da cerveja Carlsberg, usado como prisão temporária para possíveis manifestantes detidos durante a Conferência

O carro elétrico, Tesla Roadster foi destaque no encerramento do segundo dia de atividades da cúpula. O veículo possui uma autonomia de 392 km por "tanque" (um pack de bateria carregado por lítio e íon

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Kimoon, disse que os e-mails vazados de uma universidade britânica não contribuíram para enfraquecer a opinião da ONU de que a mudança climática está acelerando por culpa dos seres humanos. "Nada do que veio a público como resultado do recente acesso ilegal de e-mails lançou dúvida sobre a mensagem científica básica sobre a mudança climática e a mensagem é muito clara - a mudança climática está acontecendo muito mais rápido do que percebemos e os seres humanos são a causa principal", afirmou ele. Ban afirmou esperar que o encontro seja bem sucedido, apesar da expectativa geral de que não consiga produzir um acordo legalmente vinculador sobre metas globais para a redução das emissões de dióxido de carbono.

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África do Sul vai sediar Conferência do Clima em 2011

O anúncio foi feito pela dinamarquesa Connie Hedegaard, presidente do encontro. A próxima conferência, em 2010, será realizada no México. Em 2012, o encontro ocorrerá em um país asiático ainda não definido.

Início real/O esboço O primeiro esboço oficial para o novo plano global de luta contra as alterações climáticas entende que a temperaturadoplanetanãodeveaumentarmaisdoque 1,5ou2ºC. “As partes devem cooperar para evitar uma mudança

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O documento servirá de base às negociações...

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Café livre de CO2

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No salão de entrada do Bella Center REVISTA AMAZÔNIA |35

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Um modelo gigante da Terra é iluminada pela eletricidade gerada por bicicletas das pessoas andando em frente à prefeitura de Copenhague

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As plantas verdes são vistos no Bella Center

"Kit da desobediência" A polícia da Dinamarca apreendeu com alguns grupos de ativistas vinham ameaçando perturbar a COP 15, um arsenal com bombas de tinta, escudos e outros itens que supostamente seriam usados em manifestações violentas durante a conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague. O arsenal contava: 58 lâmpadas tubulares cheias de tinta e óleo, alicates, 193 escudos de madeira, nove móveis metálicos com rodinhas e 200 caixotes plásticos que, segundo a polícia, seriam usados como escadas para que os manifestantes pulassem cercas. O arsenal seria usado em manifestações ...

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Instalação do projeto artístico "O Pulso da Terra" é parte de uma iniciativa para chamar a atenção para as consequências das alterações climáticas

climáticaperigosa(...),reconhecendoqueoaumentoda temperatura média global em relação aos níveis préindustriaisnãodeveultrapassar(2ºC)(1,5ºC)”,podelerse neste documento de sete páginas, e que servirá de baseàsnegociações. O G8 e as principais economias do planeta chegaram a acordo, em Julho em L'Aquila (Itália), para limitar o aumento da temperatura aos 2ºC, para lá do qual as consequências para o planeta seriam perigosas. Mas os pequenos Estados insulares têm vindo a insistir que essa meta é, já de si, perigosa. Durante a COP 15, reforçaram os alertas, lembrando a ameaça real da subida do nível da água dos oceanos. A meta dos 1,5ºC é defendidaporcempaíses. Para atingir este objetivo, o texto entende que as emissõesmundiaisdeverãodiminuirmuitoaté2050em relação a 1990, deixando em aberto três opções: menos 50 por cento, menos 85 por cento ou menos 95 por cento. O esboço indica ainda outro objetivo específico para os países industrializados que, enquanto grupo, deverão reduzir as suas emissões, até 2050, em “75 a 85 por cento”,“em pelo menos 80 a 95 por cento”ou“mais de 95 porcento”.

O Pulso da Terra: Dois portões infláveis onde os delegados eram capazes de caminhar, fazer a escolha entre o aquecimento global e a proteção do clima, da terra

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Consultas durante a sessão plenária

Brasil exige mudanças climáticas, agora e para o futuro Visão da mesa do Grupo de Contacto sobre a redução das emissões do Anexo I

Visão da sala durante uma sessão plenária

Um trabalhador ajusta um toco de árvore enorme (parte da Exposição Espírito Floresta) em frente do Parlamento dinamarquês Thomas Kolly, do AWG-LCA grupo de contacto sobre a adaptação, e Frederic Schafferer, França Um homem apela às pessoas para combater a mudança climática, em Copenhague central

Todd Stern, enviado especial dos Estados Unidos, para as Alterações Climáticas, em Copenhague

Connie Hedegaard, president da COP 15, consulta membros da Secretaria

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Jovens ativistas em protesto

O nosso futuro não é negociável

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Destaques do 5º dia

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Na sexta-feira, 5º dia da COP 15, grupos de contactos e consultas informais foram convocados à uma série de questões, incluindo uma visão compartilhada, mitigação, adaptação, financiamento e tecnologia sob o AWG-LCA, Anexo I reduções de emissões no âmbito do AWG-KP, e vários temas, no âmbito do SBSTA e SBI.

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Steven Foster e Shamanov Oleg da Embaixada Real Dinamarquesa em Moscou

Olhando para Mohamad Shinaz, um ativista do clima Maldivas com o cartaz "Act Now Salvar Vidas", submerso na água em um metro 3 (9 pés) tubo de acrílico fora do Centro de Bella Uma visão da sala de reunião durante o AWG-LCA, conjunta com a AWG-KP Durante a reunião da AWG-LCA

Michael Zammit Cutajar, presidente da AWG-LCA e Luiz Alberto Figueiredo Machado, embaixador brasileiro, negociador-chefe do Brasil e Vice-presidente da AWG-LCA

Instalação no Bella Center Pausa para ouvir o discurso de aceitação do prêmio Nobel do presidente Barak Obama

Avaaz convidou os participantes para chamar os líderes europeus para um negócio real em Copenhague. Um call center foi criado com o telefone e laptops com crédito Skype gratuitamente

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Um ciclista e seus filhos esperam para atravessar a rua em Copenhague

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Primeiro-ministro grego George Papandreou (C, costas) posa com os alunos que entregou-lhe cerca de 56.000 assinaturas de cidadãos e de 2.500 cartas de crianças pedindo um acordo contra a mudança climática na conferência de Copenhague, em seu gabinete no Parlamento, em Atenas, capital da Grécia 38| REVISTA AMAZÔNIA

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Um escultor de gelo faz uma estátua de guerreiro Maasai fora do Centro ...

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Durante a reunião do grupo de contacto sobre o Anexo I comunicações nacionais e inventários de GEE As esculturas de gelo de guerreiros Masaai

A Vencedora do Concurso de Fotografia e Vídeo 2009 sobre MDL da UNFCCC apresentado pelo secretário executivo da UNFCCC, Yvo de Boer

Novas manifestações

Destaques do 6º dia

As pegadas...

Ambientalistas cantam chamando a atenção das pessoas para a proteção do ambiente

Na manhã de sábado, plenárias convocadas da COP e COP / MOP. Na parte da tarde e à noite, as sessões plenárias de encerramento da SBI e SBSTA tomaram lugar. Durante todo o dia, grupos de contactos e consultas informais foram convocadas para uma série de questões, incluindo a mitigação, finanças e tecnologia sob o AWGLCA, Anexo I reduções de emissões e outras questões no âmbito do AWG-KP, e vários temas no âmbito da COP / MOP, SBSTA e do SBI.

Exposição Sala de preparação de cartazes com slogans, para as manifestações de uma ONG ...

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Connie Hedegaard reúne balanço das plenárias da COP e da COP / MOP

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Luiz Alberto Figueiredo Machado, negoc iador-chefe do Brasil e Vice-presidente da AWG-LCA em negociação com Yvo de Boer

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Pessoas olham para fotos em exibição durante uma exposição fotográfica sobre alterações climáticas na capital dinamarquesa

Entrega ao Secretário Executivo da UNFCCC, Yvo de Boer e à Presidente da COP Connie Hedegaard, a vela gigante do barco pintada com mensagens de clima e imagens por organizações que participam na marcha do clima, como Mary Robinson, ex-Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, e Kumi Naidoo, Diretor Executivo do Greenpeace

Consultas informais sobre REDD no SBSTA

VIGÍLIA/PASSEATA

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ezenas de milhares de pessoas de diferentes países estavam nas ruas de Copenhague no sábado 12 de dezembro, para a vigília/passeata. Muitas ONG todo o mundo, colocando pressão, demonstravam a necessidade de buscar medidas drásticas e efetivas contra o aquecimento global. Uma maré humana foi formada – centenas de jovens de todos os países europeus chegaram de comboio à noite – todos vestidos de azul, juntaram-se as dezenas de milhares de pessoas de todas as origens de recurso para o ultimato do clima, em direção ao

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Os ambientalistas colocando pressão

Manifestantes marcham nas ruas de Copenhague até o local da reunião da Conferência do Clima

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Crianças participaram da vigília/passeata Preparando as velas/lampiões

Dezenas de milhares de pessoas estavam nas ruas de Copenhague

Parlamento dinamarquês. Foi uma caminhada, a vigília/passeata, de seis quilômetros do Parlamento ao Castelo de Christiansborg através do distrito de Christiania alternativa para o Bella Center – o centro da conferência sobre o aquecimento global, onde os manifestantes acenderam milhares de velas/lampiões. Foi um dia muito especial para destacar a necessidade de se selar um acordo "real" nas negociações lideradas pela ONU às mudanças climáticas. Ativistas calculam que cerca de 500 organizações não-governamentais participaram da vigília/passeata/

protesto seguido por uma caminhada à luz de velas em frente ao centro de convenções. Entre participantes anônimos de todo o mundo, fantasiados de ursos polares, marcianos e outros personagens, estavam personalidades como a modelo Helena Christensen, o arcebispo Desmond Tutu, o líder da igreja anglicana, Rowan Williams e a excomissária para direitos humanos da ONU Mary Robinson. Só o Greenpeace afirmou ter reunido representantes de 32 países para participar da passeata. "A nossa mensagem para os mais de

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Mpilo Desmond Tutu, ex-arcebispo, Sul Africano, prêmio Nobel da paz participando da vigília Na vigília/passeata

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Ambientalistas se preparando para a passeata e com ânsia de acordos benéficos sobre as alterações climáticas 42| REVISTA AMAZÔNIA

120 chefes de Estado que chegam na semana que vem a Copenhague é unida, é global, é alta e clara: chegou a hora de nos unirmos e o futuro é agora", disse o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo. A polícia de Copenhague prendeu pelo menos 300 manifestantes que participavam da passeata. Apesar de o ato ter sido pacífico, alguns jovens atiraram tijolos contra a sede da Bolsa de Valores dinamarquesa, e os policiais entraram em ação para realizar o que chamaram de "detenções preventivas". Segundo organizadores, reuniu mais de 100 mil participavam da passeata. Desfiles semelhantes foram programadas em Sydney, Paris, Washington ...

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A ex-presidente irlandesa Mary Robinson participa da vigília/passeata, chamando atenção para o aquecimento global, em Bella Center. Os participantes apelaram para os delegados da ONU para chegar a um acordo o mais rapidamente possível

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Segundo Romain Pirard, doutor em Economia Ambiental, especialista em questões sobre o desmatamento no Instituto para o Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI): “O desmatamento ocorre principalmente nos trópicos, é responsável por cerca de 12 a 20% de todas as emissões de gases com efeito de estufa”

Seria positivo se os resultados fossem aplicáveis imediatamente

Multidão aguarda para tentar entrar no Bella Center, em Copenhague Apoio à posição africana na COP 15

Dinamarca, Connie Hedegaard, que preside a conferência, designou os ministros do Meio Ambiente da Alemanha e da Indonésia para conversar com as delegações africanas mais irritadas e tentar chegar a um ponto pacífico entre a China/G77, grupo que reúne os países mais pobres em desenvolvimento e os países desenvolvidos.

O pedido de Ban Ki-moon Os 53 países da delegação do continente africano aceitaram voltar à mesa de negociações após uma paralisação de cinco horas na COP 15. Para acalmar os ânimos, a ministra do Meio Ambiente e Energia da

"Este é o momento de gesticular. Cada país deve assumir sua parte para selar um acordo em Copenhague ", advertiu o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, pedindo aos negociadores para superar obstáculos.

Yvo de Boer, secretário-geral da ONU sobre a Mudança Climática (COP15), disse que já seria positivo se a reunião levasse a resultados aplicáveis imediatamente, mesmo sem a existência de um documento que exija compromissos obrigatórios. Disse ainda que um tratado sobre a redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa deve acontecer em meados ou no final de 2010. "Milhares de pessoas fazem sentir sua pressão", como demonstram as manifestações em todo o mundo para pedir uma solução para a mudança climática, afirmou o secretário-geral, em referência aos protestos ocorridos h em muitos países para pedir um acordo em Copenhague.

Consultas entre as delegações foi "muito produtivo"

Connie Hedegaard, a dinamarquesa presidente da COP15, disse que o dia de consultas entre as delegações foi "muito produtivo", mas admitiu que ainda há "muitos desafios e problemas para resolver". Hedegaard citou a necessidade de obter "mais compromissos para o financiamento", com recursos dos países ricos, do combate aos efeitos do aquecimento global nas nações pobres porque "boas intenções e vontade não bastarão". Disse também que discursará nos grupos de trabalho dentro de consultas informais. Tanto Hedegaard como De Boer destacaram que o processo de consultas ficou mais fácil com a minuta de sete páginas que circula desde na cúpula e que prevê um corte global das emissões de gases estufa entre 50% e 95% até 2050. "Se os povos indígenas e nativos no mundo em desenvolvimento não forem reconhecidos e não tiverem garantidos seus direitos claros, teremos mais desmatamento", disse Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana e Nobel da Economia de 2009. Há um risco de expulsões de comunidades e corrupção nos esquemas de preservação a menos que salvaguardas sejam estabelecidas, disse ela.

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Manifestação do Greenpeace na Praça do Parlamento

Destaques do 8º dia Negociações na COP-15 são suspensas As sessões principais das negociações sobre o clima, promovidas pela ONU, em Copenhague foram suspensas na segunda-feira, 14, devido a um protesto liderado por países africanos que acusam os países ricos de tentar acabar com o Protocolo de Kyoto. "Se aceitarmos essa situação, assinaremos a morte de Kioto, o único documento legalmente vinculativo existente. O próximo tratado deverá ser ratificado e até que entre em vigor, passarão mais do que os sete anos que o de Kyoto", disse Kamel Djemouai delegado argelino, presidente do grupo africano. O Grupo dos 77 (G-77), que representa países em desenvolvimento e grandes economias emergentes como Brasil, Índia e China, também abandonou as discussões na cúpula, deixando as negociações climáticas das Nações Unidas, em Copenhague, nesta segundafeira, informou um diplomata brasileiro. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusou os países ricos de tentar "inverter papéis" e tratar as nações em desenvolvimento - incluindo o Brasil como se fossem desenvolvidas. "Sinto uma inversão de responsabilidades aí. Digam quanto vocês (os países desenvolvidos) vão colocar (no fundo), a responsabilidade é de vocês. Aceitar que desenvolvidos e em desenvolvimento tenham o mesmo tratamento é um escândalo", afirmou a ministra. Após 5 horas de protestos, negociações foram retomadas

Konrad Otto-Zimmermann, Secretario Geral, ICLEI

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"Chegou o momento de agir", disse ele. Segundo ele, os Estados enfrentam uma escolha histórica muito clara. "Nós podemos avançar para um crescimento sustentável e verde, ou continuar no caminho que levará ànossadestruição",disseele.

ranking, ficaram os Estados Unidos (46.3). "É muito bom que países emergentes estejam ganhando posições neste ranknig", avaliou o diretor europeu da rede CAN, Matthias Duwe. "Estão

Brasil na cabeça Segundo Christoph Bals, diretor de políticas da ONG Germanwatch (organização não-governamental europeia ) e a rede Climate Action Network (CAN), pela primeira vez desde que o indicador começou a ser medido – o Brasil, um país emergente ocupou a liderança no ranking, passando para trás países desenvolvidos como a Suécia, a Alemanha e a Noruega. OBrasilobteveumanota68,oqueocolocanogrupodos países cujo desempenho nesse sentido é considerado "bom". No mesmo grupo ficaram a Suécia (67.4), Grã-Bretanha e Alemanha (65.3), França (63.5), Índia (63.1), Noruega (61.8) e México (61.2). No fim da lista, entre os países com desempenho "muito ruim", ficaram o Canadá (40.7) e a Arábia Saudita (28.7). A apenas oito do fim do

Al Gore, Gro Harlem Brundtland, enviado especial da ONU para as Alterações Climáticas, e Jonas Støre, Ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês

Ativistas da Oxfam que vestiram suas vestimentas de ursos polares peludos para lembrar aos delegados as ameaças das alterações climáticas

Delegações do Brasil e da França em confabulações

Ministros do Brasil, China, Índia e África do Sul vai ao encontro do Presidente da COP para consultas

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Tck tck tck em ação

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180,000 crianças de 13 países usando o transporte sustentável pegadas verdes, para as suas viagens diárias

Crianças também podem tomar medidas para ajudar a proteger o clima

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mandando um sinal claro, durante as negociações de Copenhague, de que estão comprometidos em combater a mudança climática. Gostaria apenas que outros países europeus estivessem demonstrando o mesmo compromisso para com as mudanças positivas". As organizações elogiaram a melhora do marco legal de proteção ao clima no Brasil. Mas adotaram uma postura cautelosa em relação à desaceleração do ritmo de desmatamentos no país, que reduziu as emissões de carbonodopaís. «Ainda não está claro se isto é resultado de uma menor demanda por óleo de palma e soja na atual crise econômica."

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Dilma defende acordo do clima tímido

ONGs fora do Bella Center Ao fim de um dia de grande tensão no Bella Center, com acessos praticamente bloqueados e corredores tão cheiosquequasenãosepodiacircular,enquantoque,do

Al Gore, ex-vice-presidente americano disse que novos dados indicam que a camada de gelo polar pode desaparecer durante o verão até 2014

As cozinhas do Bella Center servem até 15 toneladas de alimentos orgânicos e sazonais a cada dia

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Connie Hedegaard, presidente da COP 15, durante a sessão plenária da tarde, após resolvido o impasse com o Grupo dos 77 Mais de 3.000 convidados da COP15 encontraram alojamento em casas particulares dinamarquês através do projeto Vida Nova Copenhague

Ao final de seu primeiro dia como chefe da delegação brasileira na negociação do clima, a ministra Dilma Rousseff defendeu uma meta global de corte de 50% nas emissões de gases do efeito estufa até 2050, em relação aos números de 1990. O número é o mais tímido entre os três que foram incluídos em uma proposta de acordo apresentada na semana passada com apoio do Brasil (50%, 85% e 95%). Mas representa um avanço na posição da própria Dilma, que, dias antes de ir para Copenhague, não queria nenhum valor que implicasse em um compromisso dos países em desenvolvimento que viesse depois a ser cobrado. "Esse número é o mínimo de 50%, até 2050, afirmou Dilma após passar a tarde reunida com outros chefes de delegação discutindo a proposta de acordo. O texto precisa ser entregue a premiês e presidentes nesta quinta para que eles o assinem na sexta. Enfática, Dilma colocou a hipótese de não haver acordo nenhum em Copenhague caso ele acabe com a diferenciação de responsabilidades entre países ricos e pobres definida em 1997, pelo Protocolo de Kyoto. "Não posso deixar que haja uma volta para trás. Eu não posso voltar para casa com um acordo desses!” Dilma afirmou que antes de definir a posição brasileira quer ver dinheiro na mesa. Para ela, primeiro os países ricos, donos da responsabilidade, precisam mostrar suas ofertas. "Se vai ter contribuição voluntária ou não é um segundo momento." A ministra defende que a discussão em Copenhague se balize pelo PIB per capita e, em linha com a posição tradicional do Brasil, considere o histórico de emissões. Alguns países dizem que os emergentes, por estarem entre os que mais contribuem hoje para o aumento dos gases-estufa, deveriam fazer mais --o que Dilma classifica como um "escândalo". A ONU estima que em 2020 serão precisos US$ 150 bilhões anuais para bancar as ações de adaptação e mitigação no médio prazo. Dilma diz que o Brasil vê um número entre US$ 100 bilhões e US$ 500 bilhões. "Florestas e questões climáticas nunca estiveram tão em alta na agenda política", disse Gro Harlem Brundtland, enviada especial da ONU para a Mudança Climática, em uma reunião paralela às negociações. Apesar disso, as florestas estão sendo destruídas a níveis alarmantes, sem uma diminuição no ritmo da destruição desde 1987, ela disse. "Estamos no caminho de destruir uma área do tamanho da Índia até 2017", acrescentou.

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Troca de comando

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Obama, Hatoyama e Merkel como os personagens do filme Matrix: Salvem o mundo

No primeiro dia com a presença oficial de chefes de Estado no encontro, a ministra dinamarquesa de Meio Ambiente e Energia, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo de presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Copenhague. Hedegaard, vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimentodequererbeneficiarospaísesricosnas negociações, foi substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca,LarsLokkeRasmussen.

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A mulher faz moinhos de papel na frente de um cartaz ambientalista no Bella Centro Lançando moda

> Bright Green Expo Empresas líderes apresentaram soluções para um futuro mais verde no “Bright Green Expo”, organizado pela Confederação da Indústria Dinamarquesa. São soluções climáticas de ponta, que vão desde máquinas de lavar roupa inteligente para novos meios de transporte e cidades verde de carbono neutro. No estande Bright Green carimbando e assinando a petição do clima

Soluções para um futuro mais verde Simulador ecodriver da Toyota

lado de fora, centenas de pessoas faziam fila durante horas e sob um grande frio, os organizadores tomaram a drásticadecisão: Para as ONGs presentes na conferência sobre o clima em Copenhague acabou a festa dos 22 mil delegados credenciados, já que apenas 90 representantes poderão ter acesso na sexta-feira ao Bella Center, onde aconteceramasdeliberaçõesfinais Mais de 50 ONGs enviaram carta de protesto a Connie Hedegaard, a ministra dinamarquesa responsável pela cúpula e a Yvo De Boer, o chefe da ONU para o clima, classificando as restrições de inaceitáveis e pouco democráticas.

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Manifestantes carregam banner gigante em direção à Bella Center José Serra, governador de São Paulo, Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, e Gordon Campbell, da Columbia Britânica

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ONU reduzirá dióxido de carbono A Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira que produz quase 2 milhões de toneladas métricas de emissões de dióxido de carbono por ano, mas prometeu reduzir os gases causadores do efeito estufaquelançanaatmosfera. "A ONU emite o equivalente a 1,7 milhão de toneladas de dióxido de carbono anualmente, das quais aproximadamente 1 milhão de toneladas correspondem às operações de manutenção de paz", afirmouoporta-vozMartinNesirkyarepórteres. "A ONU irá trabalhar agora em direção a uma abordagem comum para a redução das emissões e também das estratégias de redução para cada instituição", ele disse. Há quase 50 organismos e agênciasdaONUespalhadospelomundo.

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DECLARAÇÕES: Negociador-chefe brasileiro discorda Ban Ki-Moon, Secretario-Geral da ONU

A Polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo, cães e gás de pimenta, e detiveram mais várias dezenas de manifestantes..

Polícia usa gás lacrimogêneo para conter protestos em Copenhague

As negociações sobre o clima estavam num impasse

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Lars Løkke Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês, que substituiu Connie Hedegaard, Ban Ki-moon, secretário Geral da ONU, Sua Alteza Real o Príncipe de Gales, Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCCC, e Wangari Maathai, Mensageira da Paz ONU

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O negociador-chefe da delegação brasileira, Luiz Alberto Figueiredo, discorda oficialmente no relatório(rascunho) preliminar divulgado, do qual ele mesmo foi co-autor, no papel de vicepresidente LCA (Grupo de Trabalho do Acordo de Ação de Longo Prazo, na sigla em inglês). "O Brasil reconhece no texto várias das suas bandeiras. É um texto equilibrado", disse Figueiredo. "Mas a questão de uma determinação de metas (de redução de emissões de gases de efeito estufa) nos países em desenvolvimento não encontrou simpatia nestes países", afirmou, explicando que a oposição se refere ao fato de que, para se comprometer com objetivos de diminuição das emissões, os países emergentes querem garantias de que terão financiamento externo para adaptar o país para atenuar as mudanças climáticas. Ele também lamentou que o rascunho não tenha sido claro sobre o financiamento das ações de redução da poluição para os países em desenvolvimento a longo prazo. "Vimos muitos anúncios interessantes sobre curto prazo, mas não pode parar por aí. As mudanças do clima são em si um problema de longo prazo", afirmou Figueiredo. O negociador acredita que os valores do financiamento só devem ser conhecidos no último dia da conferência. Estado na cúpula, a partir de amanhã, deve impulsionar as propostas concretas de cada país. "O pacote financeiro vai ser possivelmente uma das coisas finais da reunião. A reunião com os ministros deu um impulso para que os valores comecem a ser colocados sobre a mesa". O brasileiro também destacou que os negociadores só têm um único objetivo na conferência: o consenso. "Caso haja um país que diga que não quer trabalhar sobre esta base (o documento preliminar), não se trabalhará sobre esta base. Temos de ter respeito absoluto e completo por todas as delegações". O aumento de 2°C, até 2100, na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais é uma ameaça "vital" para alguns países, disse o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, o indiano Rajendra Pachauri. "O limite de temperatura imposto como meta depende da parte do mundo para a qual olhamos. Se for de 2°C, o nível do mar pode subir até um metro, o que ameaçaria a vida em alguns países", disse Pachauri. O especialista destacou que a ciência é clara sobre as possíveis consequências do aumento da temperatura, seja este de 1°C, 1,5°C ou 5°C. Caso se opte pelo teto de 2°C, isto exigirá ações imediatas e outras a longo prazo, reiterou Pachauri, segundo quem os custos das medidas para conter a mudança climática são "muito mais baixos" que outras alternativas e oferecem "benefícios enormes".

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O encerramento da COP 15 A cúpula climática da Organização das Nações Unidas conseguiu evitar um fracasso total para o encontro, após concordar, neste sábado, 19, em reconhecer um acordo político mediado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, com a China e outros países emergentes. Segundoespecialistas,oacordonãoteveaunanimidade de que precisava para vigorar, porém, ainda assim, pode seraplicado. A decisão foi tomada após uma sessão plenária que se estendeu durante toda a madrugada, na qual um pequeno grupo de países bloqueou o "Acordo de Copenhague", nome que foi dado ao texto, porque este não contava com objetivos específicos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Após um breve recesso, o presidente da cúpula tomou a decisão de considerar o "Acordo de Copenhague", especificando, no entanto, quais eram os países de acordo com o documento. O acordo, não obrigatório, prevê US$ 30 bilhões em financiamento ao longo dos próximo três anos aos países pobres para combater a mudança climática. Pela proposta apresentada, os EUA vão contribuir com US$ 3,6 bilhões no período de três anos, 2010-12. No mesmo período, o Japão vai contribuir com US$ 11 bilhõeseaUniãoEuropeiacomUS$10,6bilhões. O plano não especifica qual deve ser o corte de emissões necessário para alcançar a meta de dois graus Celsius, considerado um limite para evitar mudanças climáticas

Destaques do 9º dia

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Schwarzenegger o Governador da Califórnia

Na noite de terça-feira, a cerimônia de boas-vindas do segmento de alto nível ocorreu e tarde da noite, as sessões plenárias de encerramento do AWGLCA e AWG-KP foram convocada. Durante todo o dia, grupos de contactos e consultas informais foram realizadas em uma série de questões, incluindo potenciais consequências e outras questões no âmbito do AWG-KP, ação a longo prazo de cooperação no âmbito do AWG-LCA e do Fundo de Adaptação, sob a COP / MOP. A apenas três dias do fim da reunião, centenas de pessoas foram impedidas de entrar no Bella Center - a maioria era formada por representantes de organizações não-governamentais. Por volta de 35 mil pessoas se credenciaram para a reunião climática, mas a sede do encontro, o Bella Center, tem capacidade para apenas 15 mil. Cedendo à pressão, a organização elevou o número para 18 mil. O negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, também ficou preso na multidão quando voltava para o hotel após virar a noite em negociações.

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A Minuta O discurso da Sua Alteza Real o Príncipe de Gales

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Um debate YouTube hospedado por Becky CNN Anderson com Yvo de Boer, Daryl Hannah, Thomas Friedman e Bjørn Lomborg 48| REVISTA AMAZÔNIA

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projeto de declaração discutido nesta sexta pelos negociadores internacionais omite o ano de 2010 como data teto para a assinatura de um novo acordo sobre o tema. A minuta, que tem 12 pontos, fixa 2ºC como o limite de aumento da temperatura global para evitar graves mudanças no clima, mas aponta que o acordo será revisado em 2016, quando essa alta poderia ser limitada a 1,5ºC, um pedido dos países mais ameaçados pelo fenômeno. O documento propõe uma redução global de emissões de 50% até 2050 em comparação com os níveis de 1990 e não aponta uma data para que as emissões alcancem seu pico máximo

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Brasil apela a Palavra de ordem durante o início do segmento de alto nível

ONG's apelam para um resultado justo, ambicioso e juridicamente vinculativo

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DECLARAÇÕES: Luta contra aquecimento não implica só privações

mais perigosas, como enchentes, deslizamentos de terra, tempestades de areia e elevação do nível dos oceanos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o acordo "terá efeito operacional imediato", que trabalhará "para transformar este texto em um tratado legalmente vinculativoem2010",quandoserárealizada a próxima conferência sobre mudança climática, no México.

Sem unanimidade Para que pudesse se transformar em um acordo da ONU, o texto deveria ser adotado por unanimidade pelos 192 países presentes na conferência. Mas ele foi duramente criticado como ilegítimo por países como Nicarágua, Tuvalu, Cuba, Bolívia, Sudão eVenezuela.. afirmaram, na plenária da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, que não iriam endossar o documento. Isso quer dizer que o documento acertado entre Estados Unidos, China, Brasil, Índia e África do Sul no início da noite de sexta-feira não foi reconhecido como resultado da 15ª conferência da ONU sobre o clima,aCOP15. antes de começarem a cair. Na minuta, os países desenvolvidos acordam fornecer os recursos financeiros, tecnologia e capacitação adequados, previsíveis e sustentáveis para ajudar os países em desenvolvimento a adaptar-se aos efeitos da mudança climática, sobretudo os mais vulneráveis. Os países ricos se comprometem a reduzir suas emissões individualmente ou conjuntamente em pelo menos 80% até 2050 e a fixar cortes até 2020 sem especificar se serão determinados em comparação com os níveis de 1990 ou de 2005. O cumprimento desses compromissos e o financiamento que forem fornecidos pelos países desenvolvidos serão verificados de maneira rigorosa, sólida e transparente. Os países em desenvolvimento

A presidência da conferência anunciou que incluirá umalistadospaísescontráriosaotexto.

Os BASIC's Uma reunião de mais de duas horas selou a posição conjunta entre americanos e os chamados países BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), negociado pelos trinta países, defendendo ações para limitar o aumento da temperatura a 2ºC, sem, noentanto,prevermetasparapaísesdesenvolvidos. “O que nós fizemos, foi procurar resgatar alguma coisa daqui, desbloquear essa questão do MRV (“mensurável, reportável e verificável”, no jargão), que estava bloqueando qualquer entendimento”,

A última reunião e Os BASIC's salvaram Copenhague...

realizarão ações para mitigar suas emissões, que serão publicadas em nível nacional a cada dois anos, aponta o texto. As ações de mitigação dos países que contarem com apoio do exterior estarão sujeitas a uma verificação internacional. A minuta confirma uma ajuda de US$ 30 bilhões para mitigação e adaptação no período entre 2010 e 2012, enquanto os países desenvolvidos se comprometem a mobilizar US$ 100 bilhões anuais com este fim até 2020. Os fundos de adaptação devem ser dirigidos, sobretudo, aos países menos desenvolvidos, pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países da África afetados pela seca, pela desertificação e pelas inundações.

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Angela Merkel, chanceler da Alemanha, disse que a luta contra a mudança climática não significa apenas renúncias, e afirmou que as medidas que forem adotadas em Copenhague não têm que, necessariamente, impor limitações. "O bem-estar, em primeiro lugar, não é uma questão de consumo em quantidade. Tem a ver com o sentir-se bem”. "Não faremos mais que nos bloquear inutilmente e colocar em jogo o nosso futuro" se o medo se antepor à renúncia na mudança necessária enfrentada pela humanidade, comentou a chanceler, que defende o comércio mundial associado a licenças de emissão de CO2. "Seria desejável que no futuro o comércio seja feito com certificados de CO2 e que (esse comércio) seja fiscalizado internacionalmente para economizar CO2 onde é mais fácil e barato". Faz "pouco sentido mobilizar com grandes custos as últimas reservas na indústria do aço quando, em outro lugar, por exemplo, no saneamento da totalidade das velhas instalações, é possível alcançar uma economia clara de modo mais rápido e barato". "É importante reconhecer, entre as causas da atual crise ecológica, a responsabilidade histórica dos países industrializados", afirmou o papa Bento XVI. "Os países menos desenvolvidos e, em particular, os emergentes, não estão isentos da responsabilidade ante a Criação, porque todos têm o dever de adotar progressivamente medidas e políticas de meio ambiente eficazes". "Como permanecer indiferentes ante problemas que derivam de fenômenos como as mudanças climáticas, a desertificação, a degradação e a perda da biodiversidade, o aumento do desmatamento das zonas equatoriais e tropicais?", questionou o Sumo Pontífice. O papa Bento XVI disse ainda que a humanidade não pode continuar indiferente à mudança climática e que é necessário que os países ricos diminuam o consumo de energia e que promovam as com menos impacto ambiental, e que haja uma mudança no modelo de desenvolvimento global. "São como crianças", disse Connie Hedegaard, a ministra dinamarquesa que preside a conferência que ocorre até dia 18 de dezembro, e cujo objetivo é selar um novo pacto para combater o aquecimento terrestre. "Se têm um prazo muito longo para entregar um exercício, eles esperarão para o último minuto... Basicamente, isso é tão simples como aquilo", disse ela, prevendo um acordo na sexta-feira para evitar ondas de calor, elevação no nível dos oceanos, deslizamentos de terra ou tempestades de areia. REVISTA AMAZÔNIA |49

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afirmou o embaixador extraordinário para mudança climática do Itamaraty, Sérgio Serra, acrescentando que Lulatevepapelprotagonistanasnegociações. Após selar o “acordo”, Lula, Obama e outros líderes embarcaramdevoltaaosseus.

O não reconhecimento (O acordo precisava ser aprovado na plenária) O acordo foi recebido com críticas por países em desenvolvimento, mas foi saudado por líderes europeus comoumprimeiropasso. Tuvalu foi a primeira delegação a pedir a palavra, pouco depois de o presidente da reunião, o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Loekke Rasmussen, ter suspendido a plenáriaporumahora,"paraapreciaçãodotexto". "Em termos bíblicos, parece que estão nos oferecendo 30 peças de prata para trair o nosso povo. Nosso futuro nãoestáàvenda.Lamentoinformá-lodequeTuvalunão pode aceitar este documento", disse o representante do pequenopaísinsular.

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Conferência de imprensa: Ação imediata às mulheres e o meio ambiente, com Ban Ki-moon, e Josette Sheeran, diretora do Programa Mundial de Alimentação (terceira da direita)

mas já foi um avanço...“Temos que ser honestos sobre o que temos. O mundo sai de Copenhague com um acordo. Mas claramente as ambições precisam subir significativamente se queremos manter o mundo a 2ºC”, afirmou. Rajendra Pachauri, o indiano presidente do Painel

Declarações após o término Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU: comemorou a aprovação, do acordo de "efeito operacional imediato". Reconheceu que isso foi "só o começo" na tentativa de firmar um acordo com metas para cortes nas emissões de CO2 e um processo para redigir um tratado sobre a redução de emissões.“Vamos tentar chegar a um acordo obrigatório com valor legal até a COP 16, no México”, disseosecretário-geral. Yvo de Boer dissequeéprecisotornaroacordo“algoreal, mensuráveleverificável”,comoinícionãofoioesperado,

significativa" a emergência do grupo Basic, afirmou o presidente do IPCC. Disse ainda que a cúpula de Copenhague foi "polêmica" e poderia ter sido mais bem-sucedida. Lula da Silva, o presidente do Brasil, considerou um avanço nas negociações climáticas o acordo fechado entre China, Índia, África do Sul, Brasil e Estados Unidos no fim da conferência, mas reconheceu que a solução global precisa ser legitimada por todos os países. Até o próximo encontro, no México, nós deveremos fazer um acordo e todo mundo concordar para que a gente possa, então, definir uma política mundial para que a gente trabalheodesaquecimentoglobal-enfatizou. Para Nicolas Sarkozy:“ O acordo não foi perfeito, mas foi o melhor possível ...” O texto que temos não é perfeito ...

Evo Morales e Hugo Chavez Muito papo...

Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, destacou que a participação na COP-15 e um dos maiores destaques da cúpula foi a coordenação das nações do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China). Segundo Pachauri, ficou claro que qualquer acordo futuro sobre o meio ambiente terá que levar estes países em consideração. Do ponto de vista político, é "muito

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Destaques do 10º dia Primeiro ponto de bloqueio: ainda não há acordo sobre as emissões de gases com efeito de estufa. Apenas os países desenvolvidos têm que reduzir suas emissões, em nome da sua responsabilidade histórica "do aquecimento global? Ou deve também definir metas obrigatórias para os países emergentes, que são poluidores de amanhã? Esta questão crucial ainda não está resolvido, muito menos de metas. Também discordam sobre financiamento de assistência aos países em desenvolvimento: Japão colocou sobre a mesa na quarta-feira, 16 de dezembro, quinze bilhões de dólares por ano durante três anos, para além dos três bilhões e meio de já anunciadas pela União Europeia. Este é um passo na direcção certa, mas ainda não há um compromisso por uma assistência a longo prazo. As necessidades são avaliadas em 100 bilhões de dólares anuais até 2020. Também continua num impasse sobre a questão-chave da verificação dos compromissos de cada instituição. Os Estados Unidos faz com que seja uma condição prévia a qualquer acordo final. China, ela não ouve a opinião externa sobre a política climática. Finalmente estamos no total mais borrão sobre a forma jurídica de um acordo hipotético: o novo tratado ou remodelação do já existente, o Protocolo de Quioto? Impossível dizer, antes do final da conferência. Também na quarta-feira, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, falou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como parte de seus esforços para impulsionar um resultado positivo da cúpula sobre mudança climática (COP15. Os governos da Austrália, França, Japão, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos anunciaram durante a reunião das Nações Unidas sobre mudança climática, financiamento de US$ 3,5 bilhões para projetos de proteção de florestas e de redução de emissões provocadas por desmatamento e degradação (Redd). A liberação de verba para projetos de Redd faria parte do fundo "fast start", que vem sendo discutido na conferência climática e ficaria disponível já no ano que vem. Em um anúncio à parte, o governo japonês prometeu liberar US$ 11 bilhões para o fundo emergencial, mas condicionou a liberação do dinheiro a um acordo em Copenhague. Em uma entrevista coletiva, o presidente da UA, Meles Zenawithe, o presidente da UE, Fredrik Reinfeldt, e o comissário europeu, José Manuel Durão Barroso, pediram financiamentos de US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento até 2020.

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Felipe Calderón, presidente mexicano, doa um Globo a Gordon Brown, primeiroministro britânico, por sua liderança na proteção do meio ambiente

Uma garota segura uma lâmpada na Hora da Terra

Li Bingbing, atriz chinesa presença na Hora da Terra, em Copenhague para as famílias e empresas da cidade para desativar as suas luzes não-essenciais e outros aparelhos elétricos de uma hora, com o objetivo de sensibilizar para a necessidade de tomar medidas sobre mudança climática

para mim falta-lhe duas coisas: a meta de 50% em 2050 ... e a segunda coisa é uma decepção: não há uma organizaçãoglobaldemeioambiente... Para Barack Obama:“Fizemos um avanço significativo e sem precedentes em Copenhague ... nós trabalhamos todos os dias para estabelecer um novo consenso ... Nós chegamoslonge,masaindatemosmuitoafazer”. O presidente rotativo da UE, o sueco Fredrik Reinfeldt, sustentou que este documento "não é perfeito", mas acrescentou que o texto, batizado como Acordo de Copenhague, "é um acordo entre os principais atores" reunidosnacapitaldinamarquesa. Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, sintetizou: "Este acordo é melhor do que nenhum acordo.Temcoisasboasecoisasnãotãoboas". Para Angela Merkel, chanceler alemã: Os resultados da cúpula de Copenhague não devem ser menosprezados, pois constituem "um primeiro passo rumo a uma nova ordem mundial do clima". "Quem menosprezar Copenhaguetorna-secúmplicedosquefreiamemlugar deavançar",disseMerkel. AchancelerprometeuqueseuGovernofarrátudodesua parte para avançar a partir dos resultados de Copenhague, e o primeiro passo o constituirá a conferência ministerial extraordinária que propôs para meadosdoanoemBonn. ParaGordon Brown, primeiro-ministro britânico "Conseguimos um começo. O que devemos fazer agora

O diretor-executivo do Greenpeace da Espanha, Juan López de Uralde, e outra ativista do grupo foram detidos nesta pela Polícia dinamarquesa após burlarem a segurança e irem ao jantar de gala para líderes mundiais na Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague. Uralde e sua acompanhante, vestidos em trajes de gala, burlaram a segurança do Palácio de Christiansborg onde a rainha Margarida II da Dinamarca presidia o jantar. Na entrada ao banquete, os dois ativistas pregaram cartazes diante das câmaras da rede de televisão pública dinamarquesa DR que diziam "o políticos falam, os líderes atuam", antes de serem detidos pela Polícia

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Destaques do 11º dia O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse que "os desafios são enormes, mas não insuperáveis" na busca de um acordo sobre a mudança climática na Cúpula da ONU (COP-15) realizada em Copenhague. Brown fez o comentário na sessão plenária de hoje, no momento em que a conferência entrava na reta final. "O dever da política é superar os obstáculos por maiores que sejam", apontou o dirigente britânico, após afirmar que "fazer o possível não basta, mas é preciso fazer o necessário" para combater a mudança climática. Com relação a isso, Brown renovou as propostas feitas pela União Europeia de destinar US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para atenuar as consequências geradas pelos gases do efeito estufa nos países em desenvolvimento. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, fez um dramático apelo aos participantes da Cúpula da ONU Sobre o Clima (COP-15), que acontece em Copenhague (Dinamarca), ao pedir que todos se esforcem em prol de um acordo vinculativo que limite a 2°C o aumento da temperatura no planeta. "Todos os especialistas estão nos advertindo das consequências dramáticas de um aquecimento acima deste nível. Copenhague será um fracasso se não chegarmos a um acordo vinculativo para evitar isso", disse Merkel no Parlamento alemão. "Se não tomarmos medidas oportunas hoje, nos arriscaremos a sofrer danos dramáticos, que serão de consequências especialmente dramáticas para os países mais pobres, mas dos quais ninguém vai se livrar", destacou a chanceler. O tamanho e a força da delegação brasileira que participa da COP-15, é tema de uma reportagem do jornal El País. Com o título: "Brasil mostra o músculo na Cúpula do Clima", o jornal cita o protagonismo e o destaque brasileiro no evento, do qual participa com a maior delegação entre os mais de 190 países participantes, com 600 pessoas credenciadas. A reportagem começa com uma frase dita pelo consultor especial do Ministério do Meio Ambiente sobre mudanças climática, Tasso Azevedo: "o desmatamento na Amazônia caiu porque todos os brasileiros estão aqui". Para o jornal, a vontade de se tornar uma potência mundial, segundo mostra o Brasil na Dinamarca, já ajudou o País a conquistar os Jogos Olímpicos batendo as cidades rivais de Tóquio (Japão), Chicago (EUA) e Madri (Espanha). O Brasil anunciou uma linha de 5 bilhões de dólares para países mais pobres se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas. A ajuda será por empréstimos a fundo perdido ou com juros muito baixos, além de apoio técnico gratuito. O atual presidente da COP 15, Lars Lokke Rasmussen, anunciou hoje a criação de dois grupos de trabalho para tentar de salvar no último momento esta reunião, que está em ponto morto há dias. O sudanês Stanislaus Lumumba Di-Aping, porta-voz do G77 de não- alinhados, exigiu o início das negociações com o documento de Kioto, que foi o ponto da discórdia entre os países em desenvolvimento e os Estados Unidos, que não chegou a ratificar esse protocolo. Sobre o prazo máximo para ter pronto um acordo final, Rasmussen afirmou que "será curto", sem precisar uma hora concreta.

rapidamenteégarantirqueodocumentopasseatervalorlegal. Para Xie Zhenhua, chefe da delegação chinesa: "O encontro teve um resultado positivo, todos deveriam estar felizes. Após as negociações, ambos os lados conseguiram preservar seus interesses essenciais. Para nós, era nossa soberania e interesse nacional." Para Lumumba Stanislas Dia-Ping, o sudanês que preside o grupo G77 de 130 países em desenvolvimento, disse que o projetodeacordofoiopiordahistória. Para Carlos Minc, a chamada COP-15 foi "uma frustração", embora com "alguns poucos avanços”. A COP-15 foi marcada por posições egoístas de países, com "cada um olhando para o seu umbigo", e até mesmo ideológicas, como foi o caso de nações com aVenezuela e Cuba que, sem nunca terem se destacado nas lutas ambientais, teriam rejeitado o acordo final apenas para se contrapor ao Estados Unidos - um dos maiores fiadores do documentoquefoilevadoaplenárioeacabourejeitado. ParaoembaixadorSergioSerra,queparticipoudanegociaçãodo acordocomosEUA,admitiufrustração. “Estou decepcionado. Estou muito decepcionado”, disse o diplomata, afirmando que ao longo dos últimos anos vários países apresentaram números de redução, “mas nunca os colocaramnamesa” Para Nnimmo Bassey, Amigos da Terra Internacional: "Copenhague foi um fracasso abjeto. A justiça não foi feita. Ao adiar a ação, os países ricos condenaram milhões das pessoas

CONSENSO

O protocolo das Nações Unidas aceita apenas decisões por unanimidade, de forma que o anúncio de apenas um país já seria suficiente para inviabilizar um acordo em Copenhague

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Presidente Lula durante encontro com o primeiroministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen

Presidente Lula cumprimenta o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, durante encontro na COP 15 100

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Durante café da manhã em Copenhague

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Hillary prometeu que os EUA se juntarão a um financiamento de US$ 100 bilhões por ano para ajudar países pobres Gordon Brown, primeiro-ministro do Reino Unido

mais pobres do mundo à fome, ao sofrimento e à perda da vida à medida que a mudança climática se acelera. A culpa desse resultado desastroso é honestamente das naçõesdesenvolvidas." Para John Sauven, Greenpeace britânico: "A cidade de Copenhague é cenário de um crime esta noite, com os culpados correndo para o aeroporto. Não há metas para cortes de carbonoe não há acordo sobre um tratado com

Angela Merkel, chanceler da Alemanha

valor legal. Parece que há poucos políticos neste mundo capazes de enxergar além do horizonte de seus próprios interesses, muito menos de se importar com as milhões de pessoas que estão intimidadas pela ameaça da mudançaclimática." Para John Ashe, Chefe das Negociações do Protocolo De Kyoto: "Levando-se em conta de onde começamos e as expectativas para essa conferência, qualquer resultado que não seja um acordo de valor legal não alcança o objetivo. Por outro lado... talvez nossas expectativas tenham sido muito altas e o fato de que agora há um acordo... talvez nos dê algo em que possamos nos apoiar." Para Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente: "Incompetência e egoísmo" marcaram a cúpula do clima de Copenhague. Minc afirmou ainda que, com o Chineses e dinamarqueses tentam achar saída para acordo

Visitante sustenta uma projeção do espaço e da Terra, na apresentação da ONG Oeksnehallen

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Durante sessão plenária

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Outra projeção na apresentação da ONG Oeksnehallen

Wen Jiabao se reúne com Luiz Inácio Lula da Silva

fracasso da cúpula, o mundo "perdeu uma grande oportunidade", mas ressaltou terem ocorrido "vários avanços" antes da reunião que, se efetivados, ainda podemterefeitopositivosobreasmudançasclimáticas. Para um embaixador em Copenhague: O projeto de acordofoiperdido"nosmeandrosdosprocedimentosda ONU" e nas intransigências de países quase nada expressivos, perderam o bonde da História, seus nomes ficarão gravados pata sempre. O Mundo é que sai perdendo... Delegados dormem no Bella Center enquanto as negociações se prolongam pela noite para dar forma a um texto final

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, presidente da França, convocaram a reunião de emergência

Acertando os detalhes...

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Foi um discurso de estadista. A fala do presidente Lula na COP-15, na quinta-feira (17/12), veio ao encontro de nossas melhores expectativas. Foi desfeita, de forma corajosa, a grande dificuldade de posicionamento claro e contundente de nossa delegação em relação às contradições que vêm impedindo o acordo do clima. Mais do que corajoso, esse discurso expressa o melhor espírito de responsabilidade esperado de um estadista que representa uma nação que não pode se omitir do comprometimento planetário com o acordo climático. Foi convincente na defesa do imperativo social neste combate às mudanças climáticas, bem como da prerrogativa que os países insulares mais pobres têm de se candidatarem primeiro à ajuda internacional. Na minha opinião, corroborada por personalidades como o cientista Carlos Nobre e o jornalista Washington Novaes, é que, com este pronunciamento presidencial, o Brasil selou sua opção pelo desenvolvimento sustentável. O discurso do presidente esteve à altura da importância histórica desta conferência. Mas as palavras dele precisam sair do papel e transformar-se em ações respaldadas pelo Congresso, pelo próprio Executivo federal e pelos governos locais. Mas avançamos e esta é a melhor notícia que trago de Copenhague para o Brasil.

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O discurso de Lula

Lula, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma

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Para Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos

Lula exigiu que os países desenvolvidos "assumam metas à altura das suas responsabilidades históricas". "É inaceitável que os países menos responsáveis pelo aquecimento global sejam as principais vítimas. E os efeitos da mudança climática já se fazem sentir sobretudo pelos países mais pobres", completou. Além de alertar para a necessidade de implementar medidas emergenciais, Lula defendeu uma colaboração das nações desenvolvidas no que diz respeito à tecnologia e informação que podem ser utilizadas no combate às mudanças climáticas. "O fluxo internacional de tecnologia e informação neste setor ainda é uma tímida promessa, uma miragem." Lula disse que os países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, devem contribuir, mesmo na ausência de recursos internacionais, no combate ao aquecimento. O presidente brasileiro comentou durante o discurso a atuação do governo federal contra o desmatamento da Amazônia e também sobre o uso de energias renováveis no País. "O Brasil

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As ONG's ambientais e a sociedade civil Para Pascal Husting, diretor do Greenpeace na França, a conferência de Copenhague foi um fracasso, pois, os paísesparticipantesquaseconseguiramchegaraacordo sobre qualquer coisa, mas afirmou que os únicos vencedores deste fracasso são as ONGs através da mobilização que eles criaram. A sociedade civil, em últimainstânciaprevalecerá. Mesmo que o fracasso seja total em Copenhague, todo o trabalhoquetemosfeito...acabarápordarfrutos,éclaro ... os únicos beneficiários de Copenhagen, em certo sentido,sãoasONG's...

Destaques do 12º dia

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O discurso de Lula foi muito aplaudido, foi objetivo e correto nas cobranças e profético no final

Ministros do Brasil, da República da Coréia, da República Federal Democrática do Nepal e na República Democrática do Congo explicam como o verde, o crescimento e a sustentabilidade são essenciais para a sobrevivência de seus países, muitos empregos e o crescimento econômico futuro O Brasil participa desta conferência com a determinação de obter resultados ambiciosos

A hora de agir é esta. O veredicto da história não poupará os que faltarem com suas responsabilidades neste momento

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possui as matrizes energéticas mais limpas do mundo. Cerca de 40% das nossa energia é renovável." "Esta conferência não é um jogo de esconder cartas na manga. Ao final da partida, poderá ser tarde demais e todos seremos perdedores". No encerramento de seu discurso, Lula clamou pela ação de todas as nações nos últimos dias de negociações na cúpula em Copenhague. "O Brasil participa desta conferência com a determinação de

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obter resultados ambicioso, mas esta ambição deve ser compartilhada por todos. A fragilidade de uns não deve servir de pretexto para o recuo de outros, e não podemos permitir que interesses corporativos e políticos ditem as discussões", disse o presidente brasileiro. "A hora de agir é esta. O veredicto da história não poupará os que faltarem com suas responsabilidades neste momento.”

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs quinta-feira a manutenção do Protocolo de Kyoto, contrariando a posição preferida pela União Europeia, e alertou que as negociações climáticas da ONU "se encaminham para um desastre." "Então as pessoas querem manter Kyoto, ok, mantenhamos Kyoto. Mas nos deixem entrar em acordo quanto a um enquadramento político global", disse ele a delegados da COP 15. "Vamos nos dar seis meses depois da conferência de Copenhague para transformar os compromissos políticos em um texto jurídico." A UE deseja que o evento defina um novo tratado para substituir o Protocolo de Kyoto, já que o atual pacto não exige medidas dos países em desenvolvimento e não inclui algumas nações desenvolvidas, especialmente os Estados Unidos. Os países em desenvolvimento gostariam de prorrogar a vigência do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy convidaram os representantes de todos os países reunidos em Copenhague para uma reunião sem hora para a acabar para tentar chegar a um consenso sobre o acordo de Copenhague. Mesmo se o presidente Barack Obama ainda não chegou à capital dinamarquesa, eles pensam que a secretária de Estado Hillary Clinton poderia representá-lo para uma decisão durante a noite e a madrugada, se for necessário. Os dois presidentes concordaram que não querem ser fotografados como os líderes que não foram capazes de salvar o planeta enquanto ainda possível. "Nós não seremos cúmplices", advertiu o francês. Para Lula, se os governos não conseguiram acertar uma posição comum até agora, é porque chegou a hora de os presidentes eleitos de cada país tomem as decisões. Uma ofensiva diplomática de última hora tenta encontrar um denominador comum na madrugada desta sexta-feira para que se feche um acordo na conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, em Copenhague. Os primeiros passos foram dados ainda à tarde, com a menção, pela primeira vez pelos Estados Unidos, de financiamentos de longo prazo para países em desenvolvimento combaterem as mudanças climáticas. A poucas horas do final da cimeira da ONU sobre a luta contra o aquecimento global, os líderes de 27 países, representantes de grandes regiões do mundo e o presidente da Comissão Europeia reuniuram-se para tentar salvar as negociações . O novo texto foi REVISTA AMAZÔNIA |55

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Destaques do 12º dia

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debatido durante toda a noite por trinta chefes de Estado e de Governo que estão conduzindo as negociações. Nesse pequeno grupo, encontravam-se representantes de todos os blocos regionais: os países industrializados, com a U. S. Hillary Clinton, da Alemanha, Angela Merkel, ou o francês Nicolas Sarkozy. Os países emergentes, com o brasileiro Luis Inácio Lula da Silva e representantes da China, a Índia ou a Arábia Saudita. Os países em desenvolvimento, incluindo o Sudão e África do Sul. - Componentes diferentes são encontrados neste texto a ser apresentado esta tarde a todos os Chefes de Estado e de Governo. Um compromisso para limitar o aquecimento global a 2 ° C acima dos níveis pré-industriais, através da redução das emissões de gases com efeito de estufa. Mas o texto parece não compreender os objetivos. - A segunda parte diz respeito ao financiamento que tem o valor de 100 bilhões em ajuda por ano até 2020 para os países mais vulneráveis ao aquecimento global e, finalmente, o desejo de transformar este acordo político mais vinculativos legalmente " no prazo de 6 meses. A discussão foi descrita como "sucesso" pelo primeiro-ministro dinamarquês Rasmussen, que organizou a conferência, no entanto, senti que era "muito longe disso." Mas há pelo menos um texto que serve como base de trabalho, o que não acontecia há vinte e quatro horas. O relatório, com cabeçalho da convenção sobre mudança climática das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), soma todas as metas de redução de emissão apresentadas até o momento e conclui que elas não conseguiriam tirar o planeta da rota do aquecimento global, que poderia alcançar 3ºC. A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera ficaria por volta de 550 ppm (partes por milhão), bem acima das 450 ppm preconizadas pelo IPCC. Os Estados Unidos estão preparados para trabalhar com outros países na direção da meta de mobilizar conjuntamente 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para tratar das necessidades dos países em desenvolvimento quanto à mudança climática", disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em entrevista coletiva.

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Lula, o protagonista da COP 15

Os principais pontos do acordo

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acordo,fechadoentreEstadosUnidos,Brasil, China, Índia e África do Sul, não faz referência a um tratado com valor legal e nem prevê um prazo para que o texto seja transformado em um tratado com valor legal, como reivindicavam alguns países em desenvolvimentos e ambientalistas. No entanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que esta mudança de status precisa acontecer em 2010. As 193 nações participando do encontro “tomaram nota” do documento, mas não o aprovaram, o que necessitaria do apoio unânime dos participantes. Ainda não está claro se o documento pode ser considerado um acordoformaldaONU.

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Aumento de temperaturas O texto reconhece a necessidade de limitar o aumento das temperaturas globais a 2ºC acima dos níveis préindustriais. A linguagem no texto revela que 2ºC não é uma meta formal, mas que o grupo de países "reconhece a posição

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Rajendra Pachauri, presidente do IPCC e o presidente Lula da Silva

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Lula elogiado, Obama espinafrado

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Após discursos intermitentes, o Lula entusiasmou os poucos otimistas que ainda restam no centro de conferências, o de Obama decepcionou, foi alvo de críticas dos que esperavam que ele pudesse mudar o rumo das negociações na reta final. Lula teve quatro vezes o discurso interrompido por aplausos, enquanto Obama nenhuma vez. Paulo Adário, um dos coordenadores do Greenpeace Brasil disse: "O Lula mandou muito bem e abriu a porta para quem sabe as negociações tomarem outro rumo"; elogiou a postura de vanguarda que o Brasil assumiu, ao oferecer contribuição financeira para o Fundo Global de Mudanças Climáticas para os países pobres. "A gente sabe que o Brasil não é mais nenhum Haiti e vínhamos cobrando isso há anos do presidente. Lula fez o que a gente esperava dele." Rubens Harry Born, coordenador da ONG Vitae Civilis, destacou que a fala improvisada de Lula fez toda a diferença. "Ele foi ele mesmo, falou com o coração e passou uma mensagem muito legal de comprometimento. O francês Fabrice Bourger, membro da delegação do seu país, achou que o país deu um exemplo "sem precedentes" e que o discurso de Lula o aproxima ainda mais dos europeus. "Foi constrangedor para os outros países. Mas, sinceramente, nós não esperávamos outra coisa de Lula", afirmou Bourger. "Ele se destaca de todos os outros líderes com essa posição aberta ao diálogo, sem perder a firmeza e a determinação.»

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Obama Já as palavras em relação a Obama foram bem diferentes. "Arrogante", "estúpido", "burocrático" e autor de um "mico histórico" são apenas algumas das definições empregadas nos corredores da COP-15. Carlos Minc, também criticou o presidente americano e disse que o seu discurso "foi uma desgraça". "O Obama foi muito frustrante. Parecia até que o Lula tinha mais responsabilidades do que ele no plano climático mundial, de tanto que o Obama falou mal.

Lula foi muito aplaudido...

Ajuda financeira O acordo promete US$ 30 bilhões de ajuda para países em desenvolvimento nos próximos três anos. O texto também prevê o objetivo de oferecer US$ 100 bilhões Obama chega em Copenhague

científica" de que a alta nas temperaturas deve ficarabaixodestenúmero. No entanto, o acordo não identifica um ano de pico para as emissões de carbono, algo que gera oposição entre alguns países em desenvolvimento maisricos. Os países devem dizer até 1º de fevereiro de 2010 quais são suas propostas para cortar as emissões de carbono até 2020, mas o acordo não especifica punições para os países que fracassarem em cumprirsuaspromessas.

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Se tivermos que fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto também a colocar mais dinheiro para ajudar os países que necessitam de ajuda, afirmou Lula

Jacob Zuma, Sul Africano, Wen Jiabao, primier chinês. Manmohan Singh, primeiro-ministro indiano e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em consultas informais REVISTA AMAZÔNIA |57

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Apesar de terem ficado negociando um acordo até as 2h da madrugada, os líderes demonstraram não ter pressa para seguir nas negociações e não discutiram o texto-base que saiu do encontro emergencial promovido por Lula e o presidente francês Nicolas Sarkozy. Sarkozy disse:"A boa notícia é que estão continuando as negociações, e a má notícia é que ainda não chegaram a uma conclusão", disse ele, acrescentando: "Existe muita tensão". Ele disse que a China ainda estava se opondo ao monitoramento internacional das emissões de carbono e que esse era um dos problemas que estavam bloqueando as discussões. De acordo com o ministro Carlos Minc, "há uma base de acordo político" para ser debatida e aprovado um acordo sobre reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 80% até 2050, para as economias desenvolvidas. A média de reduções no período, incluindo os países em desenvolvimento, deve ser de 50%. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse nesta sexta-deira que o país leva "muito a sério" a mudança climática e que, qualquer que seja o resultado da cúpula da ONU sobre a mudança climática, honrará as metas de redução nas emissões que fixou para si. O líder chinês também afirmou que, para combater a mudança climática, a comunidade internacional precisa "reforçar a confiança, construir um consenso e aumentar a cooperação". Wen foi o primeiro líder a discursar na cúpula na sexta-feira. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, afirmou neste último dia da COP15, que o tempo restante em insuficiente para se chegar a um acordo e pediu que a negociação sobre o clima continue em 2010. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, garantiu nesta sexta-feira (18) que os Estados Unidos vão contribuir com a diminuição das metas climáticas definidas em Copenhague e se esforçar para obter os US$ 100 bilhões para financiar o fundo climático. "Não há mais tempo a perder em relação ao clima", disse ele em discurso realizado no último dia da Conferência das Nações.

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Maria Gutierrez, do secretariado da UNFCCC, e Marcelo Rocha, do Brasil, consultor da LULUCF

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon Ban Ki-moon, comemorou a aprovação, do acordo de efeito operacional imediato

por ano até 2020 para ajudar países pobres a lidar com osimpactosdamudançaclimática. O acordo diz que os países ricos devem juntos chegar aos US$ 100 bilhões e que o dinheiro deve vir de fontes variadas: "públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindofontesalternativasdefinanças". Um fundo verde para o clima também será estabelecido pelo acordo. Ele vai financiar projetos em países em desenvolvimento relacionados a ações de mitigação (redução de emissões), adaptação, "construção de capacidade"etransferênciadetecnologia.

Transparência nas emissões As promessas dos países ricos passarão por um exame detalhado segundo a Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês). Ban Ki-moon em consulta com Yvo de Boer, Lars Løkke Rasmussen e Richard Kinley

Yvo de Boer ouve de representantes da Nicarágua, Venezuela, Cuba e outros, o não aprovamento do acordo

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Luiz Machado, Vice-Presidente da AWG-LCA, Dilma Rousseff, e Lula 58| REVISTA AMAZÔNIA

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Sarkozy disse: A boa notícia é que estão continuando as negociações com muita tensão

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A entidade Climate Justice Action (CJA), uma das principais organizadoras dos protestos mais espetaculares, destacou que, apesar da controvertida atuação policial, a cúpula de Copenhague permitiu reforçar o movimento internacional pela justiça climática

As negociações para aperfeiçoamento e revisão desse acordo/ tratado prosseguirão em Bonn, Alemanha, em Junho, e na próxima conferência climática, a COP 16, na Cidade do México, no final de 2010.

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Ativistas cortaram os cabelos em protesto contra o aquecimento global. Chorando, com cartazes nas mãos criticando a falta de um acordo para conter o avanço nas emissões de gases de efeito estufa

Pelo acordo, países em desenvolvimento vão submeter propostas para cortar emissões segundo um método "quegarantaqueasoberanianacionalsejarespeitada".

Barack Obama: “Fizemos um avanço significativo e sem precedentes em Copenhague ...”

Revisão de avanços A implementação do acordo de Copenhague será revista em 2015, cerca de um ano e meio após a próxima avaliação científica do clima global pelo IPCC, o Painel IntergovernamentalparaMudançasClimáticas. No entanto, se em 2015 os participantes quiserem adotar uma nova meta, mais baixa, para o aumento da temperaturaglobal,porexemplo1,5ºCemvezde2ºC,já seriatardedemais.

Durão Barroso: Este acordo é melhor do que nenhum acordo

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Ministro Carlos Minc durante coletiva na Cop 15

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No Bella Center quase no final REVISTA AMAZÔNIA |59

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O Expresso do Clima O

trem simbólico saiu de Quioto em uma épica viagem de 9.288 quilômetros durante 3 semanas e meia, entre outros ao longo da rota trans-siberiano, organizado pela Russian Railways (RZD), tendo

Durante a viagem... de 9.288Km

Copenhague – a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas – COPP 15, o seu destino final. A equipe levou uma mensagem especial da comunidade de transporte ferroviário: um documento de posicionamento global intitulado "Manter a Mudança Climática Soluções em Tema: O papel do transporte ferroviário". Mais de 400 líderes empresariais, ambientalistas, jornalistas e negociadores de alterações climáticas, foram a bordo do Expresso do Clima, livre de CO2, para a conferência sobre mudança climática da ONUemCopenhague. Eles foram hospedados por Jean-Pierre Loubinoux, diretor-geral da União Internacional dos Caminhos de Ferro (UIC) e do promotor deste trem especial, juntamente com Achim Steiner, diretor executivo da No interior do Expresso do Clima

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Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente e James P. Leape, diretor Geral do WWF. Os passageiros também foram acompanhado por campeões do British Council Clima jovem de todos os cinco continentes em sua viagem à conferência de Copenhague. O objetivo da viagem foi apoiar e incentivar os decisores a entregar um sucessor para o Protocolo de Kyoto, o primeiro esforço internacional para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Sua finalidade é também para enviar a mensagem de que a próxima geração de acordo sobre o clima e as suas políticas e procedimentos de apoio à necessidade de abordar as emissões de c re s c i m e n t o d o s e t o r d o s t r a n s p o r t e s . Durante sua viagem a Copenhague via Colônia e Hamburgo, os passageiros participaram de uma ampla gama de atividades no Expresso do Clima, incluindo discussões de alto nível com o objetivo de aumentar a consciência da influência do sector dos transportes sobre as alterações climáticas. Achim Steiner, James Leape e Pr. Jean-Pascal van Ypersele do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também participaram de um painel de discussão sobre "Atualizar a Ciência do Clima: O que está em jogo?". A bordo do trem, as oficinas e mesas-redondas sobre os diferentes aspectos da mobilidade sustentável e como ela pode ser abordada em um acordo pós-2012 foi uma oportunidade fundamental para os passageiros a bordo, para discutir as negociações sobre o clima decisivo pela frente. A viagem foi uma viagem totalmente livre de emissões de CO2, como a energia gasta para a locomotiva vem inteiramente a partir de fontes renováveis de energia. Se o mesmo grupo de pessoas fossem de avião para Copenhague, eles produziriam 115 kg de CO2 por pessoa. O clima Express foi recebido à chegada em Copenhague por Connie Hedegaard, o ministro da ONU sobre Mudança Climática 2009 em Copenhague e Comissário para a Ação Climática, Søren Eriksen, CEO da empresa dinamarquesa (DSB) e Kim Carstensen, Líder do WWF GlobalInternationalClimateInitiative.

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Este trem é um símbolo que ferroviárias pode ser a espinha dorsal de transporte não poluentes, disse o primeiro passageiro a sair do comboio, Jean-Pierre Loubinoux, diretor-geral da União Internacional dos Caminhos de Ferro (UIC)

Bertrand Piccard, presidente do Solar Impulse e Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, logo após seu lançamento da "People's Orb", a bordo do Expresso do Clima

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Os passageiros também foram acompanhado por campeões do British Council Clima jovem de todos os cinco continentes em sua viagem à conferência de Copenhague

A esfera de prata People's Orb no início de sua viagem a Copenhague REVISTA AMAZÔNIA |61

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Fórum de

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Governadores da Amazônia em Copenhague

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No Fórum de Governadores da Amazônia em Copenhague

Fotos David Alves/Ag Pa, Klauter Machado

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a reunião do Fórum de Governadores da Amazônia, em Copenhague, que reuniu um público formado por organizações nãog o ve r n a m e n t a i s, i n ve s t i d o re s e observadores internacionais. Além de Ana Júlia, participaram do Fórum dos Governadores Binho Marques (Acre), Waldez Góes (Amapá), Eduardo Braga (Amazonas), Blairo Maggi (MT e Carlos Gaguinho (Tocantins). Eles reforçaram a parceria que está selada com os estados da Califórnia, Illinois e Winsconsin e nas conversas coletivas e separadas que mantiveram com o governador Arnold Schwarzenegger sugeriram a elaboração de uma lei estadual que permita a criação de um fundo onde as empresas e organizações públicas e

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privadas que queiram aportar recursos para a proteção da floresta, possam se utilizardessemecanismo. Schwarzenegger gostou da sugestão e prometeu se empenhar pela criação desse mecanismo, embora não tenha entrado em detalhes técnicos e jurídicos, papel que caberá à sua equipe e aos legisladores californianos. De toda forma, a idéia de criar acordos subnacionais partiu dele e é de seu interesse que a cooperaçãoaconteçanaprática. A governadora Ana Júlia, que estava acompanhada do secretário de Meio Ambiente, Aníbal Picanço, se reuniu reservadamente por três vezes com

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Durante o Fórum

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>> Os governadores da Amazônia entregaram uma carta a Schwarzenegger sugerindo que ele crie uma lei em seu estado instituindo a metodologia do pagamento pela Redução do Desmatamento e Degradação Evitados (REDD, na sigla em inglês), possibilitando empresas californianas, do Vale do Silício, como a Microsoft, a investirem e apoiar projetos de conservação da floresta. Schwarzenegger prometeu lutar pela ideia. Para a governadora Ana Júlia, esse sinal de Schwarzenegger é um reconhecimento de que as relações subnacionais, construídas entre estados, estão fortalecidas e que as florestas são reconhecidas como um bem importante para o mundo. A governadora esteve por duas vezes na Califórnia, no Fórum de Governadores e agora deverá recebê-los, como co-líder do grupo, assim como Eduardo Braga, no segundo semestre de 2010. "Estamos transformando em oportunidades o que antes era visto como adversidade, que é a utilização de forma sustentável e com distribuição de riquezas dos nossos recursos naturais".

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Schwarzenegger quando discorreu sobre a importância de financiamento para o reflorestamento, como estratégia para manter a floresta conservada, em pé. A governadora enfatizou que sem incentivo econômico o plantio de florestas tende a ser demorado, o que aumentariaapressãosobreosremanescentesflorestais. Eduardo Braga expôs os projetos que o Amazonas desenvolve na área de compensação ambiental.

mundo perdeu a oportunidade, em Kyoto, de incluir as florestas nos meca- nismos de compensação. Não podemos repetir o mesmo erro agora, em Copenhagen", asseverou O fórum reúne governadores de estados detentores de florestas tropicais. Na próxima reunião o Tocantins, que participou como observador, representado pelo governadorCarlosGaguin,deveráseintegraraogrupo.

O Redd vai entrar, está decidido...

Mostrou que o programa Bolsa Floresta – que remunera famílias para evitar o desmatamento – é uma realidade e que o Estado está aberto a novas práticas que garantam a preservação da floresta, mas também a qualidade de vida dos quem habitam o lugar. “Queremos as árvores de pé, sim, mas, principalmente, queremos qualidade de vida para nossos caboclos e caboclas que estão no interior do Estado”, disse o governadordoAmazonas. O governador do Amapá Waldez Góes, destacou a importância da união dos governadores“Independente dos resultados finais da COP 15, estaremos sempre unidos pela Amazônia”. Segundo ele, se a devastação das florestas é o quarto principal fator causador do efeito estufa, é fundamental que sejam criados mecanismos que incentivem a conservação das florestas em pé. "O

Governors' Climate and Forest Task Force Força Tarefa (GCF) O governador do Amazonas, Eduardo Braga, e a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, assumiram a presidência do Governors' Climate and ForestTask Force - ForçaTarefa (GCF). Eles substituem o antigo presidente Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, Estados Unidos, em Copenhague, na COP 15, no Fórum MundialsobreoClima. Schwarzenegger assumiu o compromisso de defender a inclusão do Redd no documento final da COP 15 atribuindo valor econômico às florestas preservadas.“O Redd vai entrar, está decidido, mas hoje tivemos um recuo no que diz respeito a florestas preservada. Então, queremos mais esta adesão à nossa luta ”, afirmou Eduardo Braga. O governador do Amazonas, convidou Schwarzenegger para visitar o Amazonas e ele garantiu queatémarçoestaráemManauseemagostonoPará. Braga e Ana Júlia Carepa ficam à frente da GCF de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2010 e têm o compromisso de executar o Plano de Ação Conjunta desenvolvido pelos estados e províncias membros do grupo e assegurar que as preocupações e questões envolvendo carbono florestal subnacional sejam representadas em esforços de políticas climáticas a níveis estaduais, nacionais e internacionais. Os dois dividirão a presidênciaeadministraçãoseismesescadaum. O CGF foi criado para implementar os termos do Memorando de Entendimento (MoU) estabelecido ano

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O governador do Amazonas convidou Schwarzenegger para visitar o Amazonas

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Durante a reunião da Forca Tarefa dos Governadores sobre Clima e Floresta

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, entre Eduardo Braga, governador do Amazonas, Ana Júlia Carepa, governadora do Pará, os novos dirigentes da Governors Climate and Forest Task Force

em 2010 para implementação do MoU e do Plano de Ação Conjunta; identificar estados e províncias adicionais que possam fazer parte do grupo; e desenvolver um orçamento e estratégia para levantamento de fundos para conclusão dessas atividades. Os novos presidentes terão que manter coordenação com os Estados do GCF através de reuniões periódicas e desenvolver, coordenar e liderar as duas reuniões da Força Tarefa em 2010 com os consultores do grupo. Também fica sob a responsabilidade de Braga e Carepa o recrutamento de membros para o GCF e a comunicação

O governador do Estado americano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, vestindo uma gravata verde para combinar com as ambições climáticas da Conferência de Copenhague, o astro de filmes violentos como Exterminador do Futuro e Predador mostrou descontração e arrancou risadas da plateia em várias ocasiões. Segundo ele, "os governos do mundo não podem fazer sozinhos o progresso que é necessário à mudança climática global". "Eles precisam da ajuda de cidades, estados, províncias e regiões. Necessitam de corporações, ativistas, cientistas e universidades", afirmou.

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do grupo com todos os que não façam parte da Força Tarefa (ONGs, empresas, governos federais e internacionais, etc.) de forma coordenada entre todos os membros, de modo a assegurar que haja um consenso emtodasasmedidasendossadaspeloGCF. A partir de agora os dois estados vão coordenar todas as atividades relacionadas ao Fórum, inclusive o encontro anual dos governadores, que por dois anos consecutivos foi realizado em Los Angeles e que agora será sediado emumadasduascapitais.

passado durante a 1ª Conferência de Governadores sobre Clima Global, assinado pelos estados brasileiros do Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Acre e Pará, as províncias indonésias de Aceh e Papua e os estados norte-americanos da Califórnia, Illinois e Wisconsin, provendo a fundação para a futura cooperação em diversos problemas relacionados a política climática, financiamento,trocadetecnologiaepesquisa.

Tarefas À frente do CGF, o governador do Amazonas e a governadora do Pará terão tarefas específicas a cumprir, como: identificar localidades para servirem de possíveis sedes aos dois próximos encontros do GCF; desenvolver produtos específicos de trabalho a serem completados

"Alguns podem dizer que Copenhague vai falhar se não houver um acordo poderoso. Mas essa conferência já é um sucesso. Kyoto – o protocolo, assinado em 1997, que põe sobre os países ricos a responsabilidade pelas emissões históricas de gases de efeito estufa, mudou a forma de pensar das pessoas. Vamos preservar Kyoto e aproveitar esse momento", afirmou Schwarzenegger. "A Califórnia tem a 17ª maior economia do mundo. Muitas pessoas vão até lá para saber o que estamos fazendo. Queremos transformar nossa matriz energética para que 45% dela seja renovável em 10 anos." Schwarzenegger, diante de um auditório lotado, ainda encontrou clima para brincar ao final do discurso: "Eu voltarei", lembrando a célebre frase do personagem interpretado por ele no consagrado do filme "O Exterminador do Futuro".

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Pará utilizará tecnologia americana para proteger o meio ambiente

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Participando de reunião com o presidente Lula e comitiva do Brasil em Copenhague

por Ivonete Motta

Fotos Peter Grigsby e David Alves/Ag Pa

E Ana Julia Carepa participa de café da manhã com Arnold Schwarzenegge

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m encontro reservado entre a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, ficou acertado que o governo do Pará vai se utilizar de tecnologias já desenvolvidas pelo estado americano nos últimos oito anos, na área ambiental. A governadora convidou Schwarzenegger para visitar o Pará em agosto

de2010eoconvitefoiaceitodepronto. O encontro foi realizado durante recepção oferecida ao governador californiano na embaixada dos Estados Unidos na Dinamarca na noite de segunda-feira, 14. A governadora estava acompanhada do secretário de Meio Ambiente, Aníbal Picanço. A Califórnia se destaca por sua economia verde e lidera o debate em torno da questão ambiental. Schwarzenegger tem conseguido inclusive influenciarogovernodeBarackObamanessetema.

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Visão e ação do Pará como Soluções para Amazônia

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A governadora Ana Julia Carepa na apresentação: Visão e ação do Pará como Soluções para Amazônia, junto com a Fundação Roberto Marinho e o Grupo Orsa

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Fotos David Alves/Ag Pa

m sua apresentação, a governadora demonstrou que a economia florestal é a saída para compatibilizar a reserva legal já alterada. Ela destacou os esforços do governo na estruturação de uma economia com regras ambientais claras e o uso da terra condizente com a premissa de sustentabilidade. Para isso, relacionou algumas políticas que sua gestão está desenvolvendo, dentre elas a lei estadual da regularização fundiária, o Cadastro Ambiental Rural, o programa de restauração florestal 1 Bilhão de Árvores

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para a Amazônia, o Zoneamento Ecológico-Econômico, o Plano de Prevenção, combate e alternativas ao desmatamento, o decreto que institui a recomposição florestal e a Fórum Paraense deMudançasClimáticas. A governadora enfatizou que todo esse esforço visa criar um ambiente propício, regulamentado que transmita confiança e segurança jurídica aos investidores, e com isso se promova o desenvolvimento de atividades rurais de forma duradoura. O Pará possui pelo menos 20 milhões de hectares de áreas abertas que podem receber essas atividades, seja para o plantio de palmas, formação de pastagens, reflorestamento e produção alimentar em escala de pequeno, médio e grande porte. "O desmatamento não vai ser combatido apenas com comando e controle, só poderá ser enfrentado com alternativas econômicas de produçãoeéissoqueestamosfazendonoPará". A governadora voltou a cobrar dos países ricos que ajudem a proteger as florestas tropicais do mundo. "É preciso enxergar que na floresta vivem pessoas, que querem ter qualidade de vida". Para isso, ela defendeu

mecanismos de pagamentos como a Redução por Desmatamento e Degradação Evitados (REDD) e a flexibilidade do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para financiar crédito de carbono do

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Arnold Schwarzenegger e a governadora Ana Júlia Carepa conversam sobre o uso de tecnologias para proteger o meio ambiente no Pará

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Com a The Nature Conservancy – TNC

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A governadora se reuniu ainda com o presidente global da The Nature Conservancy (TNC), Mark Tercek, com quem falou sobre as metas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa, e das metas de redução do desmatamento do Pará, de 80% até 2020. Falou ainda sobre a importância da flexibilidade da metodologia do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) a fim de que esse mecanismo possa financiaroreflorestamento. A governadora lembrou a Tercek que todo esse esforço

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Durante a apresentação

reflorestamento. "Os mecanismos para a conservação da florestal tem que ser responsabilidade de todos", acentuouAnaJúlia. Segundo Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente "Esse Fórum demonstra a unidade existente entre os governadores da Amazônia, que caminham juntos independentedaquestãopartidária",ressaltouMinc. Na quarta-feira,15, os governadores da Amazônia, mais o governador de São Paulo, José Serra, se reuniram com Lula, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para discutir a posição do Brasil em relação à conferência. Os governadores da Amazônia querem que o tema floresta sejaabordadocommaisênfase. A reunião, fechada à imprensa, durou cerca de duas horas e ao final, a governadora falou com a imprensa quando reiterou que a liderança mundial do presidente Lula deverá influenciar no documento final e servirá de base para os compromissos futuros inclusive para a COP 2016. "O Brasil cumpre um papel importante no debate sobre as mudanças climáticas, um clamor do planeta, pois embora não necessite assumir compromissos com meta de redução, se impôs metas ousadas, um exemplo a ser seguido pelos países do Anexo I do Protocolo de Kioto", destacou Ana Júlia, referindo-se aos países que integramumalistacommetasacumprir.

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Ana Julia Carepa, Aníbal Picanço, secretário de Estado de Meio Ambiente, e Mark Tercek, presidente Global da TNC, Mark Tercek, apos a reunião sobre as ações da TNC no Pará

A apresentação de Sergio Amoroso do Grupo Orsa, durante a apresentação Visão e ação do Pará como Soluções para Amazônia

de governo, para instituir a regularização ambiental e fundiária e promover negócios sustentáveis tem um custo e que é preciso apoio a projetos que resultem em geraçãodebenefíciosparaapopulação. TercekdissequeacompanhadepertoasaçõesdaTNCno Pará e que a organização mantém um bom time na Amazônia. "Para nós, dar suporte à Amazônia é ajudar a nósmesmos",ressaltouTercek. A TNC, que mantém sua sede na Amazônia em Belém, está desenvolvendo um projeto de Redução por Desmatamento e Degradação Evitados (REDD, na sigla em inglês), no município de São Félix do Xingu e acaba de aprovar um projeto no Fundo Amazônia para financiar atividades relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), mecanismo de regularização ambiental da propriedade rural, implementado pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema). REVISTA AMAZÔNIA |67

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Eduardo Braga fez exposição em Copenhague

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Fotos Klauter Machado

Braga relatou os exemplos adotados no Estado como o Zona Franca Verde

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governador do Amazonas, Eduardo Braga, foi um dos expositores, do painel de Visão Global sobre Florestas e Mudanças Climáticas, evento paralelo a COP 15. Braga falou como o Amazonas tem agido para preservar seus recursos naturais utilizando de forma racional o que a natureza deu ao Estado e chamou atenção para a necessidade dos habitantes da floresta terem qualidade de vida para assegurar a preservação.“Uma mãe que vê seu filho passar fome não vai deixar de cortar uma árvore, então é preciso recompensar esta mulher pelo serviço que ela presta: de guardiã da floresta “, disse o governador. Braga relatou os exemplos adotados no Estado como o Zona Franca Verde que, ao fortalecer a economia do interior com produção agrícola e estímulo ao comércio, afasta a ameaça de desmatamento; falou sobre o programaBolsaFloresta,quepagatodososmesesR$50 a famílias para manter a floresta de pé. E falou, ainda, do projeto da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, área onde famílias recebem o pagamento por serviços ambientais, para manter a floresta em pé. Presente ao mesmo evento, também como expositor, o ministro inglês do Meio Ambiente, Hilary Benn, não poupou elogios às iniciativas do Amazonas na questão da conservação ambiental, valorização econômica da floresta em pé e preservação da qualidade de vida dos habitantes daquele meio.“O Amazonas está fazendo sua tarefa ambiental, está de parabéns. Ao mesmo tempo em que desenvolve economicamente, preserva a floresta e diminui a pobreza, o que reduz o desmatamento”, afirmou Benn, durante o painel sobre Visão Global sobre Florestas e Mudanças Climáticas. O chefe do Instituto de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente da Escola Econômica de Londres, Nicholas Stern, fez uma leitura sobre a questão econômica relacionada a prestação de serviços ambientais muito parecida com a do governador Eduardo Braga. Para Stern, é necessário uma ação integrada dos países do mundo para conter o aquecimento global. E ele lembrou que tudo isso está diretamente ligada a contenção da pobreza. “O dinheiro deve estar onde estão as árvores, para que as pessoas que ali habitam tenham boas condiçõesdevidaepreservemolugar”,disse. Braga diz a Lula que floresta é um ativo brasileiro Durante reunião dos governadores da Amazônia com o presidente da República, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, afirmou a Lula que durante as

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negociações finais na Conferência Mundial sobre o Clima Global, a COP-15, a floresta precisa ser vista como um ativo e o Brasil deve se posicionar como o país que possui este bem, o que o diferencia do resto do mundo. “É hora de dar um passo à frente usando nossa floresta como facilitador de acordos. O Brasil tomou decisão firme: anunciou redução de desmatamento com metas determinadas, deu exemplo e pode pedir uma posição clara”,entendeBraga. Estavam presentes à reunião com Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Meio Abiente,

Carlos Minc, a equipe de negociadores do Brasil na Cop e ogovernadordeSãoPaulo,JoséSerra. Braga acredita ser possível sair com uma sinalização positiva quanto ao Redd - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, mecanismo criado para recompensar os países que abrigam florestas para protegê-lasdodesmatamento.“Souotimistaeconfiona liderança do presidente Lula, neste momento em que começam as discussões entre os chefes de estado, para costurar algo que pode ter o desfecho na reunião do Méxiconoanoquevem”,afirmouBraga.

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populações que guardam esta florestas tenham melhorianaqualidadevida”,ponderouogovernador. Convidado a compor a mesa da plenária, o governador doAmazonas,EduardoBraga,observouquecomoRedd assegurado será um novo tempo para o meio ambiente brasileiro e amazônico. “A grande mudança é que o que era passivo transformou-se em ativo e haverá, agora, estudos de mecanismos de compensação e formas de remunerar quem possui a floresta preservada. Esta é uma vitória importante para o Amazonas”, afirmou Braga. No mesmo horário em que Dilma, Minc e Braga estavam na plenária, o Amazonas mostrava, em um evento paralelo, coordenador pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) um exemplo prático de Redd: a reserva do Juma, no interior do Estado, foi a primeira a receber recursos de uma rede internacional de hotéis, quepagaparamanteraflorestapreservada.

Após a reunião com Lula, o governador do Amazonas participou de um encontro da Avoid Deforestation Partners(ADP),umaONGnorte-americana,quetratade desmatamento evitado, em que foi discutido entre a comunidade empresarial e legisladores as oportunidades quanto a criação de parcerias públicoprivadas no que se refere a Redd e a mudança de paradigma quanto a transferência de grandes doações internacionais para o estabelecimento de parcerias e projetos. Estavam presentes no evento o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick; o primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg; o presidente do World Wildlife Fund (WWF), Carter Roberts; a ambientalista prêmio Nobel da Paz, Wangari Maathai entre outras autoridades. Braga falou sobre o papel a mais importante pioneiro na proteção ambiental e Durante plenária brasileira da COP 15 oportunidades comerciais que visem a prevenção do desmatamento. Ele destacou que é importante preservar a floresta e também garantir vida digna aos habitantes desta floresta. “Nós temos no Amazonas experiências positivas de preservação, diminuímos o desmatamento e reduzimos nossas emissões, mas precisamos de recurso para valorizar a floresta e investir em políticas publicas para que as

Durante a mais importante plenária brasileira da Conferência Mundial sobre o Clima do Planeta, a COP-15, a chefa da delegação brasileira, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciaram que o Brasil já incluiu no documento final do evento a questão do Redd – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, mecanismo criado para recompensar os países que abrigam florestas para protegê-las do desmatamento. “Já deixamos claro que o Brasil não assinará o documento final caso o Redd não seja contemplado. A floresta é a nossa causa e hoje somos ativos neste processo, pela reserva florestal que temos”, disse um confiante Minc, anunciando que o Governo Federal possui projetos para trabalhar a preservação da floresta na região Amazônica, como o incentivo a pesca. “Nossa idéia é ter pirarucu e tambaqui sendo vendidos em vários locais do Brasil e, por meio de práticas como essas, manter o índice de desmatamento da Amazônia em baixa, como os que atingimos agora, o menor em 21 anos”, disse Minc.

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a conferência da

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Fórum Internacional do Meio Ambiente O seu encontro com a natureza já tem data marcada. Olinda, 26 a 29 de maio de 2010.

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Klimaforum09 vozes do povo

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Na cerimônia de abertura

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Fotos Klauter Machado

rganizações da sociedade civil levantam suas vozes na Cúpula dos Povos do clima global em Copenhague, em evento paralelo à COP15, para apoiar a negociação de um novo acordo climático global que considera os interesses da sociedadecivilglobaldiversificada. O ponto de partida do Klimaforum09 foi o reconhecimento de que não existe uma "solução técnica" ou qualquer outra tecnologia de cromo se pode nos levar para fora da crise do clima, seja ela nuclear, dos bicombustíveis, o armazenamento de CO2, etc Tais

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Naomi Klein no Klimaforum09

soluções normalmente levam mais problemas do que resolvem. Uma transformação sustentável de nossa sociedade exige e implica uma grande mobilizaçãodetodaasociedadecivil. Acima da exploração unilateral da natureza e da confiança incondicional no crescimento econômico que caracteriza a comunidade global de hoje, precisamos investir em uma interação mútua com a natureza e para reduzir o consumo. Ela exige uma nova maneira de pensar, novos valores culturais e novas formas de organizar a nossasociedade. Com essa abordagem o Klimaforum09 promoveu e debateu a autenticidade das soluções renováveis e ambientalmente sustentáveis para as alterações climáticas.Issosignificaqueassoluçõessão: 1. prioritárias para a conservação de energiaeeficiênciaenergética, 2. promover o uso do seguro, energia limpaerenovável; 3. reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, portanto, não promover ou perpetuar o uso de combustíveis fósseis,

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VANDANA SHIVA NO KLIMAFORUM09: Uma das líderes do International Forum on Globalization, ganhou o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prêmio Nobel da Paz, diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Déli

4. com base em métodos atuais, modernos e científicos de agricultura, com liga de carbono no solo, reduzindo o uso de fertilizantes e que não representam uma ameaça para os ecossistemas, clima e biodiversidade; 5. garantir uma exploração sustentável de um acesso mais equitativo e justo aos recursos daTerrae 6. Avaliação crítica de um foco cego no crescimento do consumo, o que caracteriza acomunidadeglobaldehoje. Nosso desejo é que esse conjunto de princípios possam ajudar a criar uma plataforma positiva para o debate construtivo/soluções e também ajudar a criar coesão nasconferências,workshops,exposições,etc.

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VOZ DA SOCIEDADE CIVIL GLOBAL: Nnimmo Bassey, presidente da Friends of the Earth, um dos principais oradores do Klimaforum09

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No encerramento os novos músicos da Klezmofobia e Mames Babegenush

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Bandeiras assinadas na Petição do Clima

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panoeacrescentouasuavozaestacampanhapoderosa, agradecemos a sua preocupação e apoio", disse Steiner a grande multidão que se reuniram para o lançamento. As bandeiras foram enviadas para a Copenhague por uma combinação diversificada da comunidade internacional, interessada em levar a sua mensagem direta a funcionários do governo que estão reunidos na COP15.

entenas de bandeiras de pano assinadas e carimbadas são apoiadoras da campanha estavamemCopenhague. Osbannersforramasparedesdeumlabirinto gigante erguido em Kongens Nytorv Square, no centro dacidade-sededaCOP15. Desde o lançamento da campanha liderada pelas NaçõesUnidasnoiníciodesteano,milharesdepessoasa partir de Banguecoque paraWashington e de Camarões à Vladivostok, no mundo todo, colocaram a sua assinatura para as bandeiras que fazem parte da Petição

Heather Allen, da Associação Internacional de Transportes Públicos, admira o labirinto das assinaturas Klaus Bondham Prefeito de Técnico e Gestão Ambiental de Copenhague e Achim Steiner, Diretor Executivo do PNUMA, no lançamento de Hard Rain

Mark Edwards criador do projeto Hard Rain, acompanhado por Fanina Kodre-Alexander e Marks Julie do PNUMA Se você assinou uma bandeira de pano, as chances são de que você esteve em exposição em Copenhague

Mensagem vermelha de alerta de ativistas, que aderiram à campanha em ação

Clima que pede aos governos para selar um novo acordo climático em Copenhague. OLabirintodoClimaeseuHardRain acompanha a exposição fotográfica foi aberta oficialmente por Klaus Bondham, presidente da Câmara de Copenhague, para a técnica e Meio Ambiente, Achim Steiner, criador do projeto e diretor executivo do PNUMA,, e Hard Rain, MarkEdwards. «Se você assinou um banner de

Multidões se reúnem no lançamento de Hard Rain

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Na audiência pública sobre os povos tradicionais realizada na ALEPA pelo Dep Airton Faleiro


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Ministro Altemir Gregolin diz que 2009 marca a história da Pesca e Aqüicultura no Brasil empregos”, afirmou o ministro da Aqüicultura e Pesca, AltemirGregolin.

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Situação da pesca na Região Amazônica

A criação do Ministério da Pesca consolidou avanços significativos para o setor pesqueiro

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Fotos Eliseu Dias, Eunice Pinto/Ag Pa, Joaquim Souza e Samuel

financiamento da produção. Empresas de beneficiamento, transformação e industrialização de pescado também poderão se beneficiar dessas linhas de crédito, desde que, comprem a matéria prima diretamentedospescadoresoudesuascooperativas. “As duas leis são extremamente importantes para o desenvolvimento do setor, com avanços significativos que não estavam previstos na legislação anterior. Teremos agora mais autonomia e mais recursos para investirmos no aumento da produção e geração de

A Região Amazônica tem hoje, uma produção de 325 mil toneladas de peixe, com mais de 300 mil pescadores que vivem desta atividade. A pesca e a aquicultura na Região gerammovimentoseconômicosemtornode1,5bilhão. O Ministério da Pesca e Aqüicultura, tem construído um conjunto de políticas que tem por objetivo melhorar a renda dos pescadores. Uma delas é garantir o pagamento do Seguro Defeso, que beneficia pescadores de todos os estados brasileiros com um salário mínimo por mês, durante o período em que a pesca é proibida e que vai direto para o bolso do pescador. Mulheres que desempenham atividades complementares à pesca artesanal, como consertar redes de pesca, por exemplo, tambémteráosmesmosdireitosdospescadores. Os investimentos por ano somam mais de 250 milhões para o pagamento do Seguro Defeso. No ano de 2003 para 2009, o número de pescadores que recebem o benefício subiu de 90 mil para 350 mil. Os investimentos também tiveram aumento de 60 milhões para 550 milhões. O Ministério criou linhas de Créditos e incluiu a pesca e a aqüicultura no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Mais Alimentos, que é uma linha de crédito especial, com 10 anos para pagar, temtrêsanosdecarência,apenas2%dejurosaoano,ou seja, é subsidiado e o pescador pode ter acesso até R$ 100mil.

ALTEMIR GREGOLIN, ministro da Pesca e Aqüicultura

pós intensos debates na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, em junho de 2009, a Lei que transformou a antiga Secretaria de Aqüicultura e Pesca (Seap)emMinistériodaPescaeAqüicultura(MPA). Com a criação do Ministério, Altemir Gregolin, que já atuava na Seapa desde novembro de 2004, tornou-se ministro da Pesca e Aqüicultura. Segundo ele, o novo Ministério tem mais autonomia e recursos para o desenvolvimentodosetor. Em busca de regulamentar a profissão dos pescadores e aquicultores, para que esses pudessem ser considerados produtores rurais, o presidente Lula também sancionou em junho, o Projeto da Lei da Pesca, que garante direito ao crédito rural com acesso a recursos mais baratos no

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Muitos recursos foram investidos em infraestrutura, principalmente em fábricas de gelo, caminhões de transporte de pescado, caminhões frigoríficos, terminais pesqueiros e feiras de peixe. “Só este ano, nós compramos 120 fábricas de gelo para o Norte. Foi a maior compra que nós fizemos desde 2003 e vamos fazer uma nova compra para o próximo ano”, informou AltemirGregolin. Os caminhões facilitarão as vendas nos bairros e nas cidades para a comercialização do pescado diretamente para o consumidor. Estes investimentos em infraestrutura melhoram as condições de desembarque, de processamento do pescado, de conservação, de comercialização e redução de custos para o pescador. Inclusive,paraagregarvaloraopescado. Os investimentos em terminais pesqueiros na Região Norte já beneficiaram vários estados e municípios da Região, ente eles, Porto Velho-RO, Manaus-AM, Jacundá, Iotero no Pará, com dois terminais pronto para inaugurar, Cara Caraí-RR e Santana-AP. Também estão sendolicitadosterminaispesqueirosparaBelém.

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Altemir Gregolin, ministro da Pesca e Aqüicultura, durante o I Congresso das Cidades Amazônicas

Com a nova resolução da Lei da pesca o problema da cessão de águas da União foi resolvido, hoje, é possível produzir em reservatórios de hidrelétricas e na costa marítima. Isso dará um grande impulso na produção. No entanto, foi lançado na Região o edital para selecionar famílias no reservatório deTucuruí. A expectativa, é que mais de duas mil famílias entrem no processo de produção em tanques verdes, com uma renda de três saláriosmínimospormês. Há outros seis reservatórios na Região que são prioridades e já estão sendo demarcados. Existe um conjunto de medidas criado pelo Ministério com um plano de desenvolvimento local da maricultura, demarcandoáreasnacostadoPará,paraproduzirostras, mariscosedesenvolverapisciculturamarinha.

O Plano Amazônia Sustentável de Aquicultura e Pesca

Demandas de recursos para o setor

Altemir Gregolin apreciando A Amazônia

Desde a criação do Ministério, houve um aumento significativo no orçamento para o setor. Em 2003, o recurso era de 11 milhões, em 2009, chegou a 464 milhões. De acordo com Gregolin, a meta para 2010, é de superar os R$ 700 milhões. “Isso é uma demonstração que, antes do governo Lula, a pesca e a aquicultura não era prioridade e agora passou a ser”,ressaltou.

OPlanoAmazôniaSustentáveldeAquiculturaePescafoi lançado este ano, em Belém do Pará, no Congresso das cidades Amazônicas. É o Plano 2009/2015, com previsão de investimentos de recursos orçamentários de 1,4 bilhões e mais 1,5 bilhões de recursos de linhas de crédito. O ministro disse que a intenção é aumentar a produção de 325 mil toneladas de peixe para 780 mil toneladas. Ele considera a produção de pescado na Regiãoamelhoropçãodopontodevistadeproduçãode proteína animal e argumenta que, ao invés de produzir boinaRegiãoémelhorproduzirpeixe. “A Região tem a maior reserva de água doce do mundo, com espécies de rápido crescimento, como o pirarucu, que chega até 12 kg em um ano, o clima é favorável, a rentabilidade é maior do que a produção bovina. A produção do tambaqui em tanques escavados, por exemplo, chega a ter uma rentabilidade pelo menos dez vezes maior por hectare do que a produção bovina, além disso, a marca Amazônia tem apelo de mercado, principalmente no mercado externo. Esta riqueza pode ser produzida sem precisar destruir a floresta. Dentro de

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que o Ministério assumiu novas atribuições, além da ampliação dos recursos, que facilitará ações.“O grande desafio é inaugurar uma nova fase na área de gestão dos recursos pesqueiros. Combinando ordenamento, fomento, fiscalização, monitoramento de estoques e fazendo isso com a participação dos pescadores”, declarou. Pela confiança, participação e pelos trabalhos que foram desenvolvidos Gregolin afirmou que 2009, ficará para a história da pesca e da aquicultura no Brasil. Isso porque muitos resultados foram alcançados de forma conjunta ecomapresençaefetivadoCongressoNacional.

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Cidadão paraense O ministro da Pesca recebeu ainda no último dia 12 de dezembro, o título de cidadão paraense da Assembléia Legislativa do Pará. A homenagem é justificada pelas iniciativas de Gregolin em prol do Pará. A proposta da concessãodotítulofoidodeputadoestadualMiriquinho Batista. uma estratégia de desenvolver de forma sustentável na Região Amazônica, não há dúvidas que a produção do pescado é uma excelente alternativa, pois a atividade está diretamente relacionada à cultura da Região Amazônica”,explicou.

Inauguração da fábrica de gelo, em Cametá

Parceria

Planos para 2010 De acordo com o ministro, em 2010, o grande objetivo é consolidar o Ministério da Pesca e Aquicultura e a política que está sendo desenvolvida. Ele disse ainda,

Eliete Ramos

Em 2009, a Comissão da Amazônia, Integração Nacional edeDesenvolvimentoRegionalfoipalcodeimportantes discussões para o setor da pesca. Ela reuniu todos os estados da Amazônia Legal para debater questões relativasaodesenvolvimentosustentávelnaRegião. Além de ter participado de importantes debates na Comissão, Gregolin também participou do III Simpósio Amazônia, realizado no dia 7 de outubro, em Brasília. Segundo ele, a Comissão tem sido um espaço privilegiado para debater o desenvolvimento sustentáveldaRegiãoAmazônica.

Durante a entrega de 41 caminhões frigoríficos e outros equipamentos para colônias de pescadores artesanais, associações, cooperativas e prefeituras municipais. Apoiarão a atividade de pesca e aqüicultura em cerca de 60 municípios

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ECONOMIA VERDE Fortalecimento e incentivo para o trabalhador da floresta

da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a Medida Provisória nº 468/2009, que alterou todo o regime de posse de terra na região.“Se você é titulado, você é coreponsabilizado. Pelo menos agora é possível identificar quem está desmatando”, declarou o secretário nacional deAgriculturaFamiliar,AdoniramSanchesPeraci. Uma outra etapa dessas ações, depois da parte da organização fundiária, emerge um novo padrão de desenvolvimento sustentável na região, o qual engloba um conjunto de políticas públicas que fogem do padrão clássico da cultura do centro sul do país - fazer desmatamento para plantio de grãos como milho, arroz ou soja – agregando valor e renda aos produtos nativos daflorestaemfavordeumaeconomiaverde. Para Adoniram Sanches, a região é diferente e muita coisa precisa ser feita. É necessário ter muita criatividade e paciência no sentido de primeiro conter o desmatamento e depois chamar os entes públicos para queseencaixemnestanovaformadepolítica.

Fotos Eduardo Aigner/Ascom/MDA e Ascom/MDA

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mbuscadesoluçõespreventivasedecombate às ações do efeito estufa sobre a atmosfera e interessados em combater o aquecimento global, líderes mundiais reuniram-se em Copenhagen, na Dinamarca, em dezembro de 2009, com o propósito de definir parâmetros e estratégias para aelaboraçãodeumnovodocumentosobreaemissãode gases poluentes no planeta, em substituição ao ProtocolodeKyoto. No Brasil, a preocupação com a situação ambiental já existe desde 2003. Por esta razão, o Governo Federal passouacriarpropostasdepolíticaspúblicasespecíficas, mediante ações interministeriais, como a operação Arco Verde Terra Legal, que cuida do bioma Amazônia, liderada pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Com a crise do desmatamento e da ausência de zoneamento ecológico econômico, que envolve os estados que compõem a Amazônia Legal, o presidente

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Pronaf Sustentável e Pgpaf

Adoniram Sanches Peraci, secretário nacional de Agricultura Familiar

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) possui linhas de crédito específicas para custeio, investimento e comercialização, dentre as quais destacamos o Pronaf Floresta, Pronaf Agroecologia, Pronaf Eco e o Pronaf Semiárido, destinadasàpreservaçãodomeioambiente. Emjunhode2009,oGovernoFederalpublicouoDecreto nº 6.882 e instituiu o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Unidade de Produção Familiar - Pronaf

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Sustentável, no âmbito do Ministério do DesenvolvimentoAgrário(MDA). Com enfoque na concessão de crédito rural, inicialmente o Pronaf Sustentável atenderá a Amazônia Legal e se estenderá a todos os estados brasileiros. O Objetivo é atender as unidades familiares rurais de produção, planejar, orientar, coordenar e monitorar a implantação dos financiamentos de agricultores familiares e assentadosdareformaagrária. “Esse decreto vem inspirado em um novo modelo de financiamento para a região e está em franco processo deadaptação”,disseSanches. Outro programa está sendo executado pelo Pronaf em prol dos trabalhadores que exploram produtos da agricultura familiar: o Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) e, tem, por objetivo, garantir a sustentação de preços, estimular a diversificação da produção agropecuária e articular as diversas políticas de crédito e de comercialização agrícola. No PGPAF, o beneficiário passa a ter automaticamente um valor de referência na assinatura do contrato com o banco, vinculando o valor financiado à produção, desta forma o produtor tem direito a um bônus de desconto

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Estimular os agricultores a trabalhar com culturas que contribuam para o manejo florestal

desflorestamento. A partir da matéria prima oriunda da floresta, vários produtos passaram a ser fabricados, como as famosas biojóias e os saborosos frutos, tão resquisitados no comércio nacional e internacional. “A procura da sociedade urbana por produtos dessa natureza cresceu significativamente”, afirmou o secretário nacional de AgriculturaFamiliar. Para estimular este novo mercado, o Governo Federal autorizou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a comprar estes produtos de forma a atender às necessidadesdasociedaderuraleurbana.

Rota Verde

aplicável nas operações de custeio e investimento, variávelconformeaunidadedafederação. A intenção em fomentar o custeio de produtos como o açaí, babaçú (amêndoa), borracha, pequi (fruto) e Piaçava (fibra), é estimular os agricultores a trabalhar comculturasquecontribuamparaomanejoflorestal.

Quando o nível de desmatamento começou a tomar proporções assustadoras, o Governo Federal tomou medida para combater o comércio clandestino de madeiras na região e pôr fim a esta prática com a operação Arco de Fogo, logo depois substituída pela operação Arco Verde Terra Legal. Esta iniciativa interministerial uniu atividades de prevenção e redução do desmatamento em 43 dos municípios que compõem a Amazônia Legal, responsáveis por mais de 55% das derrubadas. A Rota Verde surgiu como uma resposta política a esta

operação, com o intuito de promover e sincronizar ações entre os governos federal e estaduais voltadas para regulamentação fundiária, ambiental e também à aplicação e regularização das ações de fomento às atividadesprodutivas,cujopúblico-alvosãoagricultores familiares de até quatro módulos fiscais, regularizados pelo Programa Terra Legal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) ou àqueles que aderiramaoPronafSustentável.

Desafios NoBrasil,odesenvolvimentotecnológicoparaaagricultura foidirecionadoemconhecimentosapenasparaaculturade grãos.Naatualidade,umdosmaioresdesafiosenfrentados nestafasededesenvolvimentosustentávelestánaausência de referências tecnológicas que deem sustentação a esse novoconjuntodepolíticaspúblicas. Ainda há uma carência de estudos voltados para a região, porém, trabalhos já foram iniciados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a fim de elaborar uma pesquisa mais aprofundada com projetos cientificamente validados. “Apesar de toda a sua exuberância a floresta precisa de cuidados”,ressaltouosecretário.

É necessário ter muita criatividade e paciência no sentido de primeiro conter o desmatamento

Pronaf e a Sociobiodiversidade

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Para inovar e incentivar o trabalho dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares o Pronaf lançou o Plano Nacional de P ro m o ç ã o d a s Ca d e i a s d e P ro d u t o s d a Sociobiodiversidade. O plano tem por objetivo criar um comércio justo e solidário, agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade a serem comercializados e consolidar os mercados sustentáveis, além de evitar o

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Nasce a primeira universidade federal do interior da Amazônia para apoiar o desenvolvimento sustentável

UFOPa em Santarém-Pá

Embora muitos queiram pleitear estes louros, presidente Lula e governadora Ana Júlia (PT) são os pais desta criação histórica: a Ufopa

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resenciar a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará - Ufopa foi o coroamento de um ciclo de defesa, mobilização e reivindicação desta instituição. Lembro de quando o presidente Lula se elegeu no primeiro mandato e nós reunimos as lideranças do Partido dos Trabalhadores e dos movimentos populares da região oeste do Pará e fizemos uma pauta que foi levada ao presidente da república e lá estava entre os itens colocados a pauta de criação de uma universidade no oestedoPará.Entregamosestapautaeficoutãodistante o que nós estávamos pedindo das possibilidades. Mas o presidente Lula é uma pessoa que tem muita sensibilidade - é conhecido como o pai da educação no nosso país - e ele mesmo defendeu uma política de ampliação das universidades no Brasil, batendo recorde, pois o último presidente que criou 10 universidades foi Juscelino Kubitschek e agora chegamos, com a Ufopa, a 12 universidades e o objetivo é chegarmos ao número de 14 até o final do segundo mandato do governo Lula, alémdaimplantaçãodosinstitutostecnológicos. Nós temos que entender o trabalho desenvolvido pela governadora Ana Julia junto ao presidente Lula e ao ministro da Educação, Fernando Hadad, este com grande desempenho neste processo. No ponto de vista político faço minhas queixas: tem alguns políticos que estão querendo pegar carona nas políticas do governo

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do PT, parlamentares que só porque exerceram alguma função no Congresso agora querem passar para a opinião pública que são os criadores da universidade. Se fosse por isso nós tínhamos que dar crédito ao deputado federal Zé Geraldo por ter sido o primeiro a apresentar o projeto da universidade e ele mesmo sabe que um projeto como este tem que ser de iniciativa do governo, mas fez para fomentar o debate e eu não o vejo reivindicando a paternidade desta universidade enquanto que parlamentares do PSDB e do Democratas quando governaram o Estado não implantaram a universidade e agora querem se colocar como pai da Ufopa e é bom que se diga que se tiver algum pai da universidade, esse pai se chama presidente Luís Inácio LuladaSilva(PT).Umpaiatentoaopedidodeseusfilhos que são as lideranças políticas e a sociedade do oeste do Pará. Se a universidade tem mãe, ela se chama governadora Ana Julia Carepa (PT), que intercedeu incansavelmente pela implantação desta universidade. Diante disso, recomendo aos políticos da oposição que não tentem ludibriar a opinião pública se colocando como os conquistadores da universidade. Quem conquistou a Ufpa foi o povo do Pará e no ponto de vista político foi o governo do PT, do presidente Lula e da governadora Ana Julia e dos nossos partidos aliados. Faço este alerta porque vejo uma forma muito intensiva de tentar convencer a opinião pública de que eles são os grandes criadores desta universidade e iremos debater isso e confio muito na inteligência da população para ter arealvisãodosfatos. Devo também ressaltar que o povo do oeste paraense

Aírton Faleiro ao lado da professora Raimunda Monteiro, vice-reitora da nova instituição, na cerimônia de sanção da UFOPA pelo vicepresidente José Alencar, com Fernando Haddad, ministro da educação, Ana Julia Carepa nossa governadora ...

recebe com muita alegria e até mesmo perplexidade a criação da Ufopa, porque muitas pessoas não acreditavam que seria possível. A nossa Ufopa é um sonho que se realiza, que sai do papel para virar uma política pública. Muita gente não tem a dimensão do que representa esta universidade, mas vamos ter em pleno funcionamento uma instituição com cerca de 10 mil alunos matriculados. Vamos ter, além de Santarém, campus nos municípios de Itaituba, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Oriximiná e Juruti e os municípios que não tiverem campus serão atendidos com cursos e assim por diante.Vamos ter em torno de 500 professores. Mas o debate não é só de números, o debate é de conteúdo, esta é a primeira universidade criada no interior da

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José Alencar, presidente da República em exercício, sancionou o Projeto de Lei que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)

Amazônia, pois todas as outras estão nas capitais. Ela será implantada em uma região que tem uma peculiaridade muito grande mas que, por outro lado, tem uma diversidade de recursos hídricos, com um território abundante já que mais de 70% da região é de floresta e já temos uma área alterada em pleno processo produtivo. É uma região pesqueira, inclusive com a pesca artesanal. Com uma produção mineral muito grande tanto de garimpo como de outros minérios. Com a instalação de empresas para beneficiamento desses recursos minerais que temos. Com uma produção agropecuária importante e com um diferencial que é a área de várzea com uma capacidade produtiva muito grande,aindanãopesquisadasuficientemente. Então eu vejo que esta nova universidade vai fazer muito mais do que capacitar pessoas. Esta universidade vai orientar e intervir no processo produtivo da nossa região no âmbito sócio-cultural e teremos uma alteração a médio prazo muito grande na região a partir da vinda de doutores, mestres e especialistas. Já teremos uma intervenção a partir dessas pessoas que vão receber essa formação quando se dedicarem a aplicar o ensinamento dentro do processo produtivo, social e econômico da região, então é uma ação de muito impacto e não tem com não festejar. A Universidade Federal do Oeste do Pará - Ufopa é a primeira universidade federal do interior da Amazônia altamente moderna para apoiar o desenvolvimento sustentável da região. O Pará está de Parabénspormaisestaconquista.

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Meio Ambiente e Desenvolvimento

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biodiversidade da região Amazônica é única e uma das mais ricas do mundo. Estima-se emcercadeummilhãodeespéciesanimaise vegetais, o que representa a metade das espécies registradas em todo o planeta. São cerca de 2500 tipos de peixes, 2500 tipos de pássaros, 3500 tipos de árvores com mais de 30 cm de diâmetro. Esta biodiversidade constitui uma reserva estratégica para a sobrevivênciadoserhumano. E um dos maiores desafios do governo Lula é transformar essa enorme riqueza natural da nossa região em elementos que apontem desenvolvimento, não apenas desenvolvimento de empresas, mas também voltado para o povo que habita a Amazônia. Nesse sentido, vem adotando políticas para o uso da floresta,noentanto,combinandocomapreservação. Uma prova disso foi o anúncio na COP 15, em dezembro, na Dinamarca, do menor desmatamento da Amazônia em 21 anos, 7 mil km2 de área desmatada, um terço da médiadosúltimosdezanos. Essa boa notícia juntamente com apresentação de metas de redução de emissões de 36% a 39% em relação a 2020 colocou o Brasil numa posição de protagonistanaConferênciadeCopenhague. AposiçãodoBrasilfoidecisivaparaqueoutrospaísesem desenvolvimento assumissem metas, como a Coréia e a Indonésia, e ajudou o movimento mundial de repúdio à declaração conjunta da China e dos EUA de que não

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levariammetasparaCopenhague. A resistência mundial ao naufrágio levou os EUA e a Chinaaapresentaremmetas,aindaquetímidas,etrouxe alentoaCopenhague. A virada da posição do governo foi demanda dos ambientalistas, da sociedade civil e de setores do empresariado;foiconstruídacomespecialistasdasáreas ambiental, de ciência e tecnologia, da Embrapa e da energia renovável; estes demonstraram que a redução

David Alves/Ag Pa

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Paulo Rocha plantando muda no viveiro municipal de Portel para abastecer projetos de manejo

de emissão seria obtida com crescimento da economia, aumento de produtividade e com criação de milhões de empregosverdes. Não temos dúvida de que essa queda no índice de desmatamento da Amazônia é resultado de políticas específicas do setor, como o Mutirão ArcoVerde, Mutirão ArcoVerdeTerra Legal, uma grande ação interministerial paraapreservaçãodaAmazônia. OMutirãoconcentraaçõescomatividadesimediatasem 43 municípios do Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima, considerados prioritários para a prevenção e o controle do desmatamento. Nesses municípios se localizam 55% do desmatamento na Amazônia. O Mutirão combina acesso a direitos e cidadania para milhares de brasileiros com ações de regularização fundiáriaecombateàgrilagemdeterrasnaregião. Até outubro de 2009, três caravanas do Mutirão Arco Verde Terra Legal vão percorrer mais de 20 mil quilômetros e mobilizar 300 agentes do GovernoFederal,dosEstadosedosMunicípios. Os mutirões marcam o início do Terra Legal Amazônia, programa de regularização fundiária que beneficiará cerca de 300 mil posseiros que ocupam terras federais não destinadas em 463 municípios dos nove estados da Amazônia Legal. A ação abrange uma áreapotencialde67,4milhõesdehectares. O compromisso do governo Lula com a biodiversidade conta ainda com o incremento do etanol, do biodiesel, da retomada das hidrelétricas, o aumento da participação da energia eólica e da biomassa reduzirão o carbonodamatrizenergética. A preocupação do governo Lula em relação ao meio

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Programa de regularização fundiária que beneficiará cerca de 300 mil posseiros

ambiente também inclui a afirmação de direitos indígenas fundamentais, que passa pela demarcação das terras dos índios, a proteção do meio ambiente, da biodiversidadebrasileiraeaintegraçãodaAmazôniaaum projetonacionaldedesenvolvimento. A questão ambiental não pode ser um entrave ao desenvolvimento. Ao contrário, tem que fazer parte do desenvolvimentohumanoeeconômicodonossoEstado. (*) Deputado Federal, coordenador da bancada da Região Amazônica e da bancada do Pará no Congresso

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Amazônia. A maldição do Inferno Verde

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pós longa peregrinação por mais de quatro décadas por este MundoVerde de Meu Deus, muito antes da pretensa integração da Amazônia, que seria, de acordo com as autoridades ditas competentes, a salvação da mesma, com a ocupação da região por homens sem terra em terrassemhomens(PresidenteMédici). Nesse meu relacionamento com a região, a época já se falava do mau uso do fogo, que se acreditava, apesar de tudo, ser a melhor maneira de sobrevivência dos lavradores e ribeirinhos, usados em praticamente todas asatividades. Em artigo publicado pela então Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, de autoria do Prof. Virgílio Ferreira Libonatti, faz brado de alerta sobre a agricultura tradicional dos colonos, quase sempre oriundos do nordeste do país e de poucos parauaras de raiz. O professor não deixou por menos e caracterizou essa lavragemcomoitinerante,predatóriaeincendiária. Por outro lado, havia começado no Pará, a substituição da ferrovia Belém-Bragança, pela malha rodoviária que foi se expandindo rapidamente para outras regiões do Estado do Pará. Alguns futurólogos ou adivinhões de plantão já previam a construção das poderosas trans, a começar pelo Caminho das Onças, (Belém-Brasília) assim apelidada pelo Presidente Jânio Quadros, mesmo que isso custasse a devastação da floresta, o que vem se concretizandorapidamente. Influenciados pela propaganda governamental, surgiram pequenos criadores, mostrando sua preferência em possuir pequenos lotes de gado, sem imaginarqueissoostornariapredadoresdafloresta. O mesmo ocorreu na parte relativamente seca da Amazônia, com o plantio de malva, e de juta, na várzea, estaintroduzidapelosjaponeses. Como suporte para essas atividades e outras mais que

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Ferrovia Belém-Bragança

contribuíram para a expansão da fumaça, como a lenha, carvão, botar roçados, preparo da alimentação, e outras como a queima do lixo doméstico e urbano para espantarpragasdoinverno. O surto rodoviário, assim denominado pelo botânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, Paulo Cavalcante, contribuiu para o bamburro da queimação, agravado pela presença maciça de fazendeiros e madeireiros do suledosudeste,alémdasmineradorasmultinacionais. Os pequenos garimpos nas beiras de barrancos dão também sua contribuição na produção de fogo e de fumaça. Nos céus da região não escapavam, desde então, nem mesmo os aviões de grandes e pequenas linhas, pois com o verão, como agora é freqüente, os pilotos tinham queespicharaviagemporimpossibilidadedeaterrizar. Atualmente, os piromaníacos ou incendiários patológicos passaram a queimartudoquepode ser incinerado, quando reivindicam qualquer direito de que se julgam merecedores, não escapando trapiches, pontes, ônibus, lanchas, residências, prefeituras e distritos policiais, escolas, hospitais, delegacias, quartéis, Pequenos garimpos ... postos de saúde e até dão também sua contribuição igrejas. na produção de fogo e de fumaça

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Dmitri Kessel, tirada em 1957

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Belém-Brasília, apelidada pelo Presidente Jânio de “Caminho das Onças”

Como se vê o estigma do intitulado InfernoVerde está se concretizando e o nosso ParaísoVerde ex-Maior Floresta dos Trópicos sofre as conseqüências dessa má palavra, que estimula todo tipo de devastador incendiário e inclua-seoMSTnisso. (*) SOBRAMES/SOPREN

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Fenômenos já observáveis e que devem se agravar nos próximos anos: >Derretimento ártico O derretimento das geleiras do Ártico, que cobrem 15 milhões de km2, começou. Isso ameaça a sobrevivência das espécies, como os ursos polares. Menos os raios solares são refletidos pelo gelo e mais o seu calor é absorvido pela água, o que acelera o derretimento. Pela primeira vez em 2008, a passagem do Noroeste - ao longo da América - e a passagem do Nordeste-aolongodaRússia-ficaramsemgelodurante algumassemanasduranteoverão.

>Derretimento polar O derretimento das calotas polares, principalmente na Groenlândia e no continente antártico, co nt r i b u i p a ra o aumento do nível dos oceanos. A diminuição da calota antártica, antes limitada à parte ocidental deste continente, atinge agora as regiões costeiras de sua parte leste. O derretimento completo das geleiras da Groenlândia elevaria o nível dos mares em7m,adacalotaantárticaamaisde70m.

>Derretimento nas alturas O derretimento das geleiras de altitude, principalmente as do Himalaia, ameaça o abastecimentodeágua

em inúmeras regiões (norte da Índia, China). As geleiras dos Andes tropicais perderam entre 30% e 100% de sua superfície em 30 anos, a dos Pirineus podem todos desaparecer até 2050. 85% da calota polar que recobriam o Kilimandjaro em 1912 já haviam desaparecidoem2007.

>Elevação dos mares A elevação do nível dos mares é mais rápida que o previsto porque o derretimento das calotas polares não foi levado em conta no último relatório do IPCC. Os especialistas da ONU haviam então calculado que a alta atingiria de 18 a 59 cm até o fim do século. A elevação pode ultrapassar 1 m, afirmam ainda os especialistas em clima. Estados insulares, como as Maldivas, serão engolidos. Regiões costeiras muito densamente povoadas (Bangladesh,Vietnã, Holanda) e inúmerasmegalópolesestãoameaçadas.

>Recifes de corais Os recifes de corais, que abrigam um terço das espécies marinhas do planeta, além de meio bilhão de pessoas, e protegem as costas dos maremotos, estão ameaçados pela acidificação dos oceanos: uma leve queda do PH da água provoca também uma menor fixação do cálcio pelasconchas,queestãofragilizados.

>Fenômenos meteorológicos Os fenômenos meteorológicos extremos são mais numerosos que antes. Haverá, sem dúvida, nos próximos anos e décadas mais ondas de calor extremo, inundações e secas nas zonas áridas.

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>Desmatamento de florestas tropicais

O desmatamento de florestas tropicais, em primeiro lugar da Amazônia, pode tirar sua capacidade de estocar carbono. Atualmente, a Amazônia recicla a cada ano 66 bilhões de t de CO2, ou seja, quase três vezes o que liberamoscombustíveisfósseisdomundo.

>Desertificação A deser tificação se intensifica, principalmente no Sahel ou no norte da China. O lago Tchad perdeu 90% de sua superfície em 40 anos, passando de 25 mil km2 a 2,5 mil km2. A seca de zonas úmidas já provocou um aumento de 20% do CO2 que libera na atmosfera, segundo a ONG Wetlands International. Os principais países emissores são Indonésia, Rússia e China. A emissão do metano contida nos solos antes gelados em permanência do Grande Norte e nos fundos marinhos (hidratos de metano) começou. O metano é um gás de efeito estufa 25 vezes maisfortequeoCO2.

Sinais de alerta do aquecimento global

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