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ISSN 1809-466X

Ano 3 Número 11 2008

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SUSTENTABILIDADE 2009: O ANO DESTINO AMAZÔNIA A NOVA ELETROBRÁS GOVERNADORES DA AMAZÔNIA NA CALIFÓRNIA

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Governors' Global Climate Summit O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger disse na sessão de abertura da primeira Cúpula de Governadores sobre o Clima Global, em Los Angeles, que a chegada de Barack Obama à Casa Branca representará uma mudança de políticas de proteção ambientalelutacontraamudançaclimáticanosEstadosUnidos...

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Fórum de Comunicação do Governo Federal no Norte O Fórum, uma iniciativa da Eletronorte e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da república – Secom/PR, em parceria com o Banco da Amazônia, teve como objetivo, promover a atualização profissional e a integração entre os profissionais do SistemadeComunicaçãodoPoderExecutivoFederal...

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3º Congresso Mercosul de Sustentabilidade...

Expediente

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PUBLICAÇÃO Período (Novembro/dezembro) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

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DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn

A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e o Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial realizaram recentemente o 3º Congresso MercosuldeSustentabilidade,noClubTransatlântico,emSãoPaulo...

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Bem-vindo à Amazônia em 2009, o Ano do Destino Amazônia A região amazônica vai viver um ano diferente, cheio de emoções, em 2009, o Ano do Destino Amazônia. Os oito países que compartilham a região – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador,Guiana,Peru,SurinameeVenezuela...

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O que é Sustentabilidade? Para o físico Fritjof Capra, Ph.D., teórico de sistemas, diretor fundador do Centro de Ecoalfabetização de Berkeley e autor de diversas obras de referência, sustentabilidade é a conseqüência de um complexo padrão de organização que apresenta cinco características básicas...

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A Nova Eletrobrás O 8º Encontro Nacional dos Urbanitários realizado na cidade de Belém, no Pará, contou com a participação do presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, que fez uma longa exposição sobre o tema: “A Nova Eletrobrás, Sistema isolado e a reorganização das distribuidorasfederaisdeenergia”...

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COMERCIAL Alberto Rocha Rodrigo B. Hühn ARTICULISTAS/COLABORADORES Ana Beatrix Willingshofer, Aldalice Otterloo, Alice WatsonCamillo Martins Vianna, Israel Pegado, Donald Sinclair, Luiz da Motta, Renan Costa, Ricardo Guggisberg FOTOGRAFIAS Adriano Machado, Alencar Roberto, Ascom FAS, Carlos Nader, Debora Amorim, Eliseu Dias, Eunice Pinto, Jefferson Rudy/MMA, José Cruz, Luciana Tancredo, Lúcio Mauro, Luis Machado/Câmara Brasil-Alemanha, Marcos Gonçalves, Odair Scatolini, Ricardo Stuckert/PR, Rodolfo 0liveira, Sérgio Amaral/OTCA

CAPA Vitórias-régias Foto: Agecom/AM

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro

O Prêmio Brasileiro Imortal Seis brasileiros batizaram com seus nomes as novas espécies botânicas da Mata Atlântica, descobertasnaReservaNaturalVale,emLinhares,noEspíritoSanto...

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Animais em extinção O LivroVermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, lançado na sede da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, pelo MMA, deverá chegar a todas as escolas brasileiras, anunciou o ministro Carlos Minc. Ele disse que "a nossa garotada conhece a girafa e o elefante,que,aliás,sãobichosbonitos,masnãoconheceosnossosanimais"...

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No pavilhão das artes Mile End Park em londres Fotografias com algumas das mais importantes questões do nosso tempo estiveram em exposição recentemente, no The Art Pavilion, Mile End Park, Londres leste. Mais de 1400 imagensforaminseridasnoconcurso,queanalisou...

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ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

Emais

Fita 2008 (p.15) Integrando a Amazônia (p.21) O setor produtivo e a sustentabilidade na Amazônia (p.23) A ExpoSustentat e Biofach e a Sala Andes Amazônia (p.26) Câmara Brasil Alemanha anuncia vencedores do Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2008 (p. 30) 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis (p.32) A segunda etapa de expansão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (p.36) Os preparativos para o Fórum Social Mundial 2009 (p.40) Sustentabilidade e bons negócios (p.43) Conferência Mundial ECO 2008 (p.52) II Simpósio Amazônia (p.55) A evolução dos mamíferos aquáticos da Amazônia (p.58) Amazônia: Nossa Guerreirinha Plantadora de Árvores I (p.62)

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WWF-Brasil / Zig KOCH

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As novas sete Maravilhas Naturais do mundo

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fundação New7Wonders abriu a votação para a escolha das Novas Sete Maravilhas Naturais do mundo (nos mesmos moldes da eleição pela internet que consagrou o Cristo Redentor entre as novas maravilhas domundomoderno). Destavez,afundaçãoNew7Wondersabriuavotaçãoparauma pré-seleção de monumentos naturais candidatos.O Brasil tem alguns candidatos. Na lista, aparece o aruqipélago de Fernando de Noronha, as Cataratas do Iguaçu, o Pantanal, o Pão-de-Açúcar e o Rio e a Floresta Amazônica, em uma candidatura compartilhada com Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname eVenezuela, países da Organização do TratadodeCooperaçãoAmazônica–OTCA. Segundo os organizadores, o objetivo da nova votação global

dosinternautasé"fomentaraapreciaçãodostesourosnaturais do planeta, pois admirar a natureza é o primeiro passo para protegê-la". Duas vezes ao dia, o ranking das 77 primeiras candidaturas é atualizado no site www.new7wonders.com, com as votações dosinternautas. Os critérios para que um espaço natural seja elegível para sua nomeação é que não tenha sido criado nem alterado significativamente pela mão do homem por razões estéticas. Não podem ser eleitos fenômenos naturais como as luzes da auroraborealouestrelascadentes,porexemplo. Entre as distintas categorias que podem participar deste concurso estão os espaços naturais, os monumentos naturais, paisagens,reservasanimais,cavernas,canhões,geleiras,oásis, desertos, selvas, recifes de coral, lagos, rios e cataratas, entre outros. A etapa de indicações continuará até de dezembro de 2008. Segundo a Fundação New7Wonders, a seleção de 21 finalistas será feita, até o dia 07 de julho de 2009, por um comitê de especialistas liderado pelo ex-diretor-geral da Unesco, Federico Mayor, a partir do ranking de 77 indicados por votaçãonainternet. Em seguida a escolha final será aberta novamente ao voto popular e eletrônico. O resultado com a lista de Novas Sete Maravilhas Naturais deverá ser divulgado até setembro de 2010. A eleição para as novas sete maralilhas naturais do mundo pode ser feita pela Internet, no site http://www.new7wonders.com

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Governors' Global Climate Summit

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O Fórum de Governadores na Califórnia

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Fotos David Alves/Ag Pa e Los Angeles News

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governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger disse na sessão de abertura da primeira Cúpula de Governadores sobre o Clima Global, em Los Angeles, que a chegada de Barack Obama à Casa Branca representará uma mudança de políticas de proteção ambiental e luta contra a mudança climáticanosEstadosUnidos. Obama, que não estava presente, gravou um vídeo que foi exibido durante a reunião. Nele, prometeu dar prioridade ao meio ambiente quando tomar posse do cargo. Arnold Schwarzenegger enfatizou "Estou muito, muito feliz. Isto é muito importante para nosso país porque fomos os maiores poluentes do mundo e é questão de tempo que nós admitamos isso e trabalhemos juntos com outras nações para combater o aquecimento global",afirmouogovernador. O líder republicano da Califórnia aproveitou para destacar a liderança do Estado na luta pela adoção de políticas "verdes", um processo que começou em 2006, e criticou a administração de George W. Bush neste campo. "Tivemos que encarar obstáculos em um patamar federal. Eles estavam tão entusiasmados com nossas propostas (quando a Califórnia se comprometeu a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa) quanto as pessoas que viram meu primeiro filme, 'Hércules em NovaYork'",disse,arrancandorisosdaplatéia.

A governadora Ana Júlia Carepa, entrega uma lembrança a Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, durante o Fórum Global de Governadores Sobre Mudanças Climáticas

Califórnia está pronta para fazer o que for preciso para ajudar o presidente a seguir sua visão ambiental", afirmou. Ana Júlia Carepa, Eduardo Braga e Blairo Maggi representaramaAmazôniaeoBrasilnoFórumGlobalde Governadores sobre Mudanças Climáticas, realizado em Los Angeles, Califórnia, promovido pelo governador Arnold Schwarzenegger. O Amapá foi representado pelo secretariodePlanejamento,AntonioCarlosPereira.

COOPERAÇÃO Segundo o governador, devido à falta de apoio federal, a Califórnia precisou buscar cooperação com outros Estados do país e nações da América e Europa. O líder não escondeu sua satisfação com as mudanças nas políticas climáticas nos EUA, que seguirão a linha das estabelecidasporseugovernonaCalifórnia. "Como Barack Obamaacabadedizer(novídeo),afutura administração adotará nossas regulações e nossas leis e isto é realmente fantástico. Quero prometer que a 06| REVISTA AMAZÔNIA

O governador Schwarzenegger proferiu um discurso ressaltando a importância de trabalhar com líderes mundiais para resolver o desafio do aquecimento global e a importância da utilização de recursos renováveis como a solar e eólica

Propósito da Conferência de Governadores sobre Clima Global Primeiro: facilitar um encontro de alto nível entre “líderes climáticos” governamentais e concluir uma Declaração de Conferência cooperativa sobre soluções climáticas (tais como os exemplos descritos

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Os governadores de Mato Grosso, Amazonas, da Califórnia e Ana Júlia, do Pará, em Los Angeles

anteriormente). Segundo: discutir a perspectiva para um acordo global completo quanto a soluções climáticas para evitar que o mundo passe do “ponto de desequilíbrio” conforme descritopeloIPCC.

Governadores da Amazônia defendem pagamento por serviços ambientais Detentores de mais de 50% das reservas florestais do mundo, que se encontram na Amazônia brasileira, os governadores do Pará, Ana Júlia Carepa, do Amazonas, Eduardo Braga e do Mato Grosso, Blairo Maggi

«Convido-os a se juntarem a mim, a outros governadores de estados americanos e líderes de todo o mundo nessa Cúpula histórica para o combate ao aquecimento global. Juntos, iniciaremos uma parceria sem precedentes, do nosso estado e região, com líderes de reputação internacional dos Estados Unidos, Austrália, Brasil, Canadá, China, índia, Indonésia, México e União Européia, além de outras nações, no sentido de adotarmos medidas urgentes para conter as mudanças climáticas globais. com essa iniciativas, estaremos também traçando, juntos, um possível roteiro para o próximo acordo global de soluções para as mudanças climáticas.»

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Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, durante a abertura do Fórum sobre mudanças climáticas

defenderam o pagamento de serviços ambientais como estímulo à preservação da floresta. Os três foram unânimes em afirmar que a conservação da biodiversidade e a manutenção da floresta em pé passa pela garantia da melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta, os guardiões desse patrimônio que beneficiatodaahumanidade. Os três governadores da Amazônia firmaram um protocolo de intenções sobre cooperação ambiental entre os estados da Califórnia, Illinois e Wisconsin, representados por Schwarzenegger, Rod Blagojevich e Jim Doyle, respectivamente. Também assinaram o documento os governadores da província de Aceh (Indonesia), Yusuf Irwandy e o governador da Papua NovaGuiné. Os signatários se comprometeram a estabelecer metas de redução dos gases que causam o efeito estufa em 20% das suas emissões. Os estados brasileiros devem concentrar seus esforços no combate ao desmatamento, que representa 75% das emissões do Brasil, se utilizando de um instrumento denominado Redução porDesmatamentoEvitado(RED,nasiglaeminglês). As emissões de queimadas, por exemplo, representam 20% do gás carbônico lançado na atmosfera, duas vezes mais que todos os veículos do mundo. Em 2007 foram constatados44milfocosdecalornoPará. O protocolo estabelece a possibilidade de cooperação científica, tecnológica e de capacitação visando a implementação de atividades que ajudem no combate às mudanças climáticas, um esforço conjunto subnacional,lideradopelosgovernadores.

Peter Seligmann, presidente da Conservação Internacional

metade da biodiversidade do planeta. Segundo ele cerca de 1 bilhão de pessoas pobres dependem da floresta e que se não houver um mecanismo de compensação financeira elas vão avançar sobre os recursosnaturaisparasobreviver.

PRESERVAÇÃO A governadora Ana Júlia Carepa lembrou que é no Pará que está o campo de batalha na luta pela preservação da floresta. Ela disse que embora o Pará detenha o maior A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa

POVOS DAS FLORESTAS O acordo foi considerado histórico por todos os presentes. O presidente da Conservação Internacional, Peter Seligmann, instituição presente em 40 países, se disse surpreso com o envolvimento dos governadores em torno do tema das mudanças climáticas e destacou que a presença deles no evento demonstra que estão engajados e que se importam com o planeta. Seligmann lembrou que os efeitos das mudanças climáticas causam impacto em todos os lugares e que enfrentar esse tema passa pelo combate ao desmatamentoeàsqueimadas. Seligmann defendeu que os povos das florestas precisam ser compensados por ajudarem a proteger

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índice absoluto de desmatamento da Amazônia, com aproximadamente 24 milhões de hectares, o estado ainda detém mais da metade do seu território sob forma de áreas protegidas, seja unidade de conservação em suasdiversascategoriasouTerraIndígena. AnaJúliafoifirmeaodizerquenãohaverásoluçãoparaa Amazônia se não houver enfrentamento à pobreza , por isso defendeu a implementação dos mecanismos de RED para ajudar os que já vivem na floresta a mantê-la empé. A governadora relacionou as várias ações do governo estadual que terão impacto sobre o tema meioambiente, como o programa de regularização fundiária, que prevê a titulação de 7 milhões de hectares até 2010; o incentivo ao uso intensivo da terra; o monitoramento aos ilícitos ambientais; o combate ao desmatamento e às queimadas; o programa de implementação das unidades de conservação sob a gestão do Estado, notadamente na Calha Norte além do programa de restauração florestal "Um Bilhão de Árvores para a Amazônia", que prevê a recuperação de um milhão de hectares, a geração de 100 mil empregos diretos e a retençãode400milhõesdetoneladasdecarbonoem20 anos. “O desenvolvimento que estamos propondo, estabelece o reflorestamento como alternativa econômica para a população do campo”, enfatizou a governadora. Ela defende ainda a valorização dos produtos da floresta, como óleos, resinas, sementes, frutas a fim de que as

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A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa e os governadores Blairo Maggi, do Mato Grosso e Eduardo Braga, do Amazonas, durante o Fórum

pessoas que vivem desses recursos tenham qualidade devida.“AsflorestasdoBrasiltêmefeitosobreoclimado mundo, então é legítimo que os povos e os produtos sejammaisvalorizados”. Ana Júlia aproveitou a oportunidade e convidou o

governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger para visitar o Estado do Pará em 2009, aproveitando a promoção da OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, como – 2009, o Ano Destino Amazônia. Schwarzenegger, aceitou e prometeu ir ao Pará.

AMAZONAS O governador Eduardo Braga lembrou que os povos da florestaesperamumarespostadomundosobre quetipo deapoiopodemdaràsuapreservaçãohápelomenos20 anos, pois possuem uma expectativa de que esse apoio vaiajudaramelhorarseupadrãodevida.Igualmenteele lembrou que o desmatamento é igual à pobreza. Para

Guoqiang Lu, da China, ouve Adrian Fernandez, do México dizer que os EE.UU. precisam assumir a liderança na luta contra as alterações climáticas Charlie Crist, governador da Florida e Kathleen Sebelius, do Kansas, no encontro Governors' Global

Eduardo Braga, governador do Amazonas

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Braga, torna-se difícil pedir a um pai de família que proteja uma árvore, quando ela precisa alimentar os filhos. Ele relacionou os programas de incentivos fiscais e de microcrédito que seu governo desenvolve, como o Bolsa Floresta, cujo contrato prevê a preservação na área do beneficiado. Braga também defendeu mecanismos de

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valorizaçãoeconômicadosprodutosdafloresta. O Amazonas é o maior estado brasileiro, com 1,5 milhão de km2, é duas vezes o tamanho doTexas e quatro vezes a Alemanha, possui 4 milhões de habitantes e uma rendapercapitadiferenciadaparaquemvivenacidadee na floresta. Os primeiros têm renda de aproximadamente 8 mil dólares/ano e os mais pobres vivemcommenosdemildólares/ano.

Pará, Amazonas e Mato Grosso no Governors' Global Climate Summit

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MATO GROSSO

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Apontado como a máquina agrícola do Brasil, o Mato Grosso possui três biomas – pantanal matrogrossense, cerrado e floresta (35%). De acordo com o governador Blairo Maggi, de seus 906 mil km2, 7,8% são ocupados com a agricultura, sendo o primeiro produtor nacional Blairo Maggi, governador do Mato Grosso

de soja , respondendo por 30% da produção nacional e 6% da mundial; primeiro produtor nacional de algodão emilho,alémdeoutrasculturas,comooarroz. Para Maggi, uma forma de evitar a ocupação da floresta para uso agrícola seria por meio dos mecanismos de RED. “O desmatamento poderia ser evitado pagando o produtor que está na borda ou na frente da floresta”, enfatizou. Outro fator apontado por Maggi que gera emissões é o transporte dos produtos agrícolas ao mercado final, seja na Europa, Estados Unidos, Ásia ou mesmo no Brasil. Para minimizar esses efeitos ele propõe a verticalização da produção, assim o milho deixaria de chegar in natura para chegar embalado na mesa do consumidor. Maggi disse que seu estado quer continuar produzindo

alimentos, mas também quer que os filhos da floresta tenhamqualidadedevida. Ele relacionou alguns números que demonstram a queda do desmatamento ilegal no seu estado, que decresceu cerca de 80% em 20 anos, saindo de 11 mil km2para2milkm2. Para Maggi, o RED deve ser levado para o próximo fórum que será realizado na Polônia, para que esse mecanismo premie definitivamente a floresta em pé e não privilegia oquejáfoiderrubado,ouseja,opagamentoporserviços ambientaisprestados.

BANCO MUNDIAL

A representante do Banco Mundial, Michelle de Nevers, disse que os mecanismos para pagamento de RED já compõem a carteira de investimentos da instituição financeira e que a florestafoiincluídanomercadode carbono. Captar esses recursos, segundo ela, depende da capacidade dos governos locais desenvolverem o marco regulatório que vai gerir projetos de RED. O Banco Mundial dispõe de R$ 150 milhões para ajudar os governos a criar assistência Schwarzenegger visitou o “Climate Solutions Showcase” cuja técnica e ambiente jurídico para exposição apresentou diversos produtos e serviços que podem implementar seus programas de ajudar na redução das emissões de gases de estufa RED e outros US$ 200 milhões que podem ser aplicados em projetos que resultem no desmatamentoevitado.

DEUSTCHE BANK A diretora do Deustche Bank da Alemanha, Sabine Miltner, disse em palestra que o mundo precisará investir 4 bilhões de euros entre 2010 e 2030 para

Os governadores mostram suas assinatura na declaração conjunta do Global Climate Summit ao centro a governadora Ana Júlia Carepa, do Pará

manter o aquecimento global em até 2° C, do contrário, o custo para conter as mudanças climáticas vão explodir maisainda.

ENCERRAMENTO No encerramento da Cúpula de Governadores, no Beverly Hilton Hotel, na qual participam líderes regionais de diferentes países, entre eles o Brasil, foi assinada uma declaração que servirá como marco para a redação de um novo tratado que substituirá o Protocolo deKioto,queexpiraem2012.

CONCLUSÃO Governos de todo o mundo trabalharão arduamente para aumentarem sua eficiência energética e reduzir emissões de gases do efeito estufa. O potencial cabal destas políticas somente será efetivado se forem alavancadas estas realizações em acordos que ajudarão todas as regiões do mundo a terem sucessos idênticos e a superar o desafio da mudança climática. REVISTA AMAZÔNIA |09

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Eletronorte Pura energia brasileira Excelência por Natureza

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Fórum, uma iniciativa da Eletronorte e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da república – Secom/PR, em parceria com o Banco da Amazônia, teve como objetivo, promover a atualização profissional e a integração entre os profissionais do Sistema de Comunicação do Poder Executivo Federal (Sicom) e comunicadores dos três Poderes na Amazônia, em níveis nacional,estadualemunicipal. Os desafios de se fazer comunicação pública, a importância estratégica da política de comunicação, o relacionamento com a imprensa, gerenciamento de crises, e comunicação e sustentabilidade no século XXI

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA Secretaria de Comunicação Social

Fotos Lúcio Mauro

foramtemasdebatidos. O evento foi realizado no auditório do Banco da Amazônia

As Palestras Após as apresentações e informações gerais, o I Fórum de Comunicação do Governo Federal no Norte teve início com Armando Medeiros de Faria, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, fazendo a Conferência de Abertura:“Os desafios de fazer a Comunicação Pública. Em seguida: “Mídia e Desenvolvimento na Região Norte: Desafios e José Valentim M. Figueira, do Banco da Amazônia

Fábio Fonseca de Castro, secretário de Estado de Comunicação do Pará e Isabel Cristina e Isabel Cristina Moraes Ferreira, gerente da Coordenação de Comunicação Empresarial da Eletronorte, coordenadora do I Fórum de Comunicação

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Perspectivas”por Ana Maria Fadul, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom. O primeiro do Fórum terminou com um Coqueteldeboas-vindas. Na sexta-feira, após o Credenciamento e as formalidades necessárias, José Valentim M. Figueira, Consultor Especial do Banco da Amazônia deu por

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Evandro Bessa, diretor do Banco da Amazônia, Antonio Maria Barra diretor Econômico Financeiro da Eletronorte e Armando Medeiros de Faria, diretor do Núcleo de Comunicação Pública da Secom/PR, na abertura do I Fórum de Comunicação do Governo Federal no Norte

iniciada o novo ciclo de palestras: ”Comunicação e Sustentabilidade no século XXI” foi o tema de Hiram Firmino, editor da Revista JB Ecológico. Após os debates, e tendo o Secretário de Estado de Comunicacão do Pará, Fábio Fonseca de Castro, como Mediador e o jornalista Raimundo José Pinto, como Debatedor, foi discutido o tema“O Governo como pauta –AvisãodaImprensa”. Após o intervalo para almoço, Wilson da Costa Bueno, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo, dissertou sobre “A importância estratégica de uma PolíticadeComunicação”.

Hiram Firmino, editor da Revista JB Ecológico

“Foi uma excelente oportunidade para discutir temas de atualidade e derrubar mitos. Exemplo: É lugar comum se falar da superioridade da comunicação privada sobre a comunicação publica. Ocorre o contrario. A comunicação publica tem o cidadão como referencia. Justamente o que a empresa precisa aprender. O evento valoriza e torna visível a qualidade da comunicação no Norte”. Francisco Viana

A Eletronorte disponibilizou aos presentes, massagem relaxante

Em seguida, Francisco Viana, professor da PUC - São Paulo, colunista da revista Imprensa e consultor em situação de crise, proferiu a palestra“Gestão de riscos e tratamentodecrisesemComunicação”.

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O I Fórum realizado em Belém teve inúmeras virtudes, mas poderia, de imediato, destacar algumas. Ele permitiu aos colegas que atuam na comunicação pública uma efetiva troca de experiências e informações e certamente consolidou novas amizades e relacionamentos profissionais. Ele contribuiu para o aumento da massa crítica na área, apontando caminhos, enunciando tendências e desafios da comunicação organizacional em nosso País. Mas, sobretudo, ele evidenciou a importância da qualificação do comunicador público e a necessidade de um trabalho integrado, conclamando os colegas para a convergência de competências e de saberes. A mim, ficou a nítida impressão de que temos, na comunicação pública no Norte brasileiro, iniciativas relevantes e profissionais comprometidos com o interesse público. O Brasil e os brasileiros precisam mesmo de uma comunicação pública competente. Wilson da Costa Bueno

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3º CONGRESSO MERCOSUL DE SUSTENTABILIDADE DESTACA A CONSCIÊNCIA DO CONSUMIDOR

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Fotos Luis Machado/Câmara Brasil-Alemanha

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Câmara de Comércio e Indústria BrasilAlemanha e o Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial realizaram recentemente o 3º Congresso Mercosul de Sustentabilidade, no Club Transatlântico, em São Paulo. Os especialistas presentes enfatizaram a importância de as empresas envolverem a responsabilidade social em sua estratégia, diante de uma maior conscientização de clientes e consumidores sobre o tema. Além disso, desmistificaram o conceito da sustentabilidade, mostrando que ela não se resume a ações ambientais, sociais e econômicas, mas que depende do envolvimento de todas as áreas de uma organização. Para Ricardo Rose, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha, "o congresso é bastante oportuno em um momento de crise, pois é quando as empresas mostrarão que re a l m e nte p rat i c a m a re s p o n s a b i l i d a d e socioambiental".

Painel 1 "Sustentabilidade" o que é, onde estamos e para onde vamos?" O gerente corporativo de Competitividade da Suzano Papel e Celulose e presidente mundial da ISO sobre Responsabilidade Social " ISO 26000, Jorge Cajazeira, destacou que a nova norma tenta apontar o caminho a ser tomado pelas empresas diante de tantas outras convenções existentes (ISO, BS, OHSAS, Metas do Milênio, GSI, Ethos, Agenda 21, Pacto Global, Índice Dow Jones de Sustentabilidade). "A ISO 26000 oferece diretrizes para a tomada de 12| REVISTA AMAZÔNIA

decisãopelosempresários",afirmouCajazeira. Segundo Newton Figueiredo, presidente da Sustentax, "uma nova sociedade sustentável está se formando". Segundo o ministério do Meio Ambiente, 86% dos brasileiros identificam problemas com o meio ambiente e 87% dos consumidores são preocupados com as conseqüências dos problemas ambientais. No ano passado, estudo do Ibope mostrou que 53% dos consumidores fiéis a uma marca deixariam de comprar se descobrissem que o fabricante prejudica o meio ambientee52%estãodispostosaadquirirprodutosque não agridam o meio ambiente, ainda que sejam mais caros. O presidente da Sustentax afirmou que, no futuro, haverá dois tipos de corporações: a primeira terá a sustentabilidadecomoestratégiaeasegundanãodaráa devida importância ao tema. "Para criar a percepção da responsabilidade social corporativa nos consumidores, a empresa deve criar formas de materializar sua nova postura, tanto em produtos e serviços, quanto nas operações",concluiuFigueiredo. Para falar sobre a visão do terceiro setor sobre a sustentabilidade,participouodiretorefundadordaONG Amigos daTerra, Roberto Smeraldi. De acordo com ele, a sustentabilidade é um "alvo móvel", que deve ser buscado sempre, pois os fatores que a definem mudam com o tempo. Smeraldi também enfatizou a importância de as empresas prestarem atenção à sua cadeia de abastecimento, para verificar se os envolvidos nela também praticam a sustentabilidade. O painel também contou com a visão da mídia sobre sustentabilidade, apresentada pela diretora de redação da Revista Com Ciência Ambiental, Cilene Victor. A jornalista traçou um histórico do jornalismo ambiental, desde a década de 60, com cobertura de tragédias, passando pelos anos 80, com uma aproximação entre o jornalismo ambiental e a comunidade científica, e culminando no modelo que surgiu no final da década de

80, sustentado, principalmente, no discurso das empresas. Por isso, esse último é muito criticado nos meios jornalístico e acadêmico. Para ela, "o jornalismo continuará pautando a sustentabilidade, desde que ela esteja presente nas ações das empresas e não baseada no"MarketingVerde"".

Iniciativas das empresas No Congresso Mercosul de Sustentabilidade, a BASF, Nivea e Siemens apresentaram suas experiências. O engenheiro de projetos de ecoeficiência da Fundação Espaço Eco "BASF, Leonardo Vitoriano, falou sobre a aplicação de tecnologias sustentáveis no processo de

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Newton Figueiredo, entrega o Selo Sustentax

Mesa-redonda: "Mitos e incoerências da sustentabilidade"

Péricles Cesar de Oliveira, diretor de Gestão da Qualidade e Gestão Ambiental da Siemens

desenvolvimento de produtos, com base no Centro de Ecoeficiência Aplicada, iniciativa da BASF que visa à promoção do desenvolvimento sustentável e atua nas áreas de ecoeficiência, educação ambiental e reflorestamento.

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A atuação da Nivea na responsabilidade social foi apresentada por sua gerente de Sustentabilidade Corporativa, Ruth Goldberg. Segundo ela, a empresa está buscando uma mudança de cultura e paradigma. De acordo com Ruth, "os desafios da cultura de sustentabilidade na Nivea são atualmente o código de conduta para fornecedores, a ampliação do diálogo com stakeholders, a elaboração de novos relatórios de sustentabilidade, as alianças e parcerias intersetores, e a criação do comitê de sustentabilidade", afirmou a executiva. Péricles César de Oliveira, diretor de Gestão da Qualidade e Gestão Ambiental da Siemens, apresentou o projeto Fit4 2010, criado para desenvolver o potencial de uma empresa de tecnologia integrada, com base em quatro pilares: talentos, excelência operacional, portfólio e responsabilidadecorporativa.

O netweaver da Escola de Redes, Augusto de Franco, abriu a discussão sobre os mitos e as incoerências da sustentabilidade. Segundo ele, a sustentabilidade não está ligada somente ao meio ambiente, embora a sociedade e muitas organizações façam esta relação. "É importante também não encarar a sustentabilidade como resultado da soma artificial de ações econômicas, ambientais e sociais, que têm como objetivo garantir que a empresa continue dando lucro", destacou. É uma

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Ricardo Rose, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha

ilusão encarar a sustentabilidade empresarial como um programa ou um conjunto de idéias que possa ser aplicado independentemente de ações políticas. Além disso, ela precisa ser vista como um objetivo a ser alcançado agora e não no futuro, dependendo fundamentalmente de mudanças no nosso modo de ser:"Nãoexisteumcaminhoparaasustentabilidade,ela éocaminho,éumamaneiradeser".

Os especialistas presentes enfatizaram a importância de as empresas envolverem a responsabilidade social em sua estratégia

Jorge Cajazeira, gerente corporativo de Competitividade da Suzano Papel e Celulose, presidente mundial da ISO sobre responsabilidade social – ISO 26

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VIAGENS, CÂMBIO E TURISMO

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www.turvicam.com.br / e-mail: turvicam@turvicam.com.br Av. Presidente Vargas, 636 a 640 Fone: (91) 3201-5465 Fax: (91) 3201-5454

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Augusto de Franco, netweaver da Escola de Redes

Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management

Ruth Goldberg, gerente de Sustentabilidade Corporativa da BDF Beiersdorf – Nívea

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Augusto de Franco compara o funcionamento de uma rede ao de uma empresa: quanto mais distribuída for a rede (a empresa), ou seja, se todos os colaboradores estiverem interligados entre si, sem centralização ou descentralização das informações, mais sustentável ela é. Hoje, 99% das nossas organizações são descentralizadas (com diversas centralizações), o que significa que elas não são sustentáveis", constata. Para Eliane Belfort, diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da FIESP, a sustentabilidade deve partir de uma mudança de pensamento e de atitude dos indivíduos e não das empresas. "As empresas fabricam e comercializam produtos de acordo com os desejos dos consumidores. Por isso, não podemos afirmar que as indústrias são as responsáveis pelo consumo exagerado ou pela falta de consciência ambiental",argumenta. Maurício Andrés Ribeiro, assessor especial da Agência Nacional da Água (ANA), falou sobre os mitos da sustentabilidade na sociedade, ressaltando a importância do "ecologizar", ou seja, aplicar os conhecimentos das ciências ecológicas e a sabedoria da consciência ecológica às práticas e situações da vida. "Estamos passando da era cenozóica para a ecozóica, na qual a sociedade começa a "ecologizar" sua consciência, seu pensamento, seu desejo, seu comportamento, sua atitude", destaca. Podemos usar uma frase de Mahatma

Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha Filiada à Confederação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria (DIHK), a Câmara Brasil-Alemanha (AHK) atua na ampliação do comércio bilateral entre Brasil e Alemanha, no incentivo à cooperação entre os países do Mercosul e da União Européia. Entre seus mais de 1.300 associados encontram-se, além das empresas de capital alemão instaladas no Brasil, companhias brasileiras e alemãs voltadas ao comércio exterior. Por meio da Câmara Brasil-Alemanha, elas se beneficiam de uma rede de mais de 120 Câmaras Alemãs de Comércio e Indústria espalhadas em 80 países, além das 83 entidades do gênero na Alemanha. A rede conta com 1.200 profissionais e 1.500 executivos que ocupam cargos honorários e oferecem apoio a 40 mil empresas com interesses direcionados ao relacionamento comercial e econômico com a Alemanha. No Brasil, 11 cidades brasileiras contam com escritórios da Câmara Brasil-Alemanha " Belo Horizonte, Blumenau, Brasília, Curitiba, Goiânia, Natal, Rolândia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, sendo que esta estrutura está ligada às Câmara Binacionais da Argentina, Paraguai e Uruguai, formando a Aliança das Câmaras Alemãs no Mercosul. Mais informações estão disponíveis no site www.ahkbrasil.com.

Gandhi, que reflete nossa discussão: "Existem recursos suficientes neste planeta para atender às necessidades de todos, mas não o bastante para satisfazer o desejo de possedecadaum.» O economista-chefe do ABN-Amro Asset Management, Hugo Penteado, também participou da discussão, falando sobre os mitos e as incoerências da

sustentabilidadenaeconomia. «A situação planetária é muito séria, de acordo com os cientistas e, no campo da economia, as visões da realidade só contribuem para agravar tanto a pobreza, quanto a desigualdade, a perda de bem-estar e qualidade de vida, além de causar um estrago ambientalmonumental",comentouPenteado.

Roberto Smeraldi, diretor e fundador da ONG Amigos da Terra

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Leonardo Vitoriano, engenheiro de projetos de ecoeficiência da Fundação Espaço ECO – BASF 14| REVISTA AMAZÔNIA

Kátia Zander, gerente do Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial

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srael Pegado

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FITA 2008

A IV FITA – Feira Internacional de Turismo da Amazônia terá como tema “Turismo e sustentabilidade na Amazônia”

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presentar a oferta de produtos turísticos dos estados e países que compõem a PanAmazônia de forma integrada aos demais mercados turísticos nacionais e internacionais, consolidando assim a atividade turística como uma alternativa viável ao desenvolvimento sócioeconômico, além de atrair de novos e grandes investimentosàregião. É com essa missão, que a Companhia Paraense de Turismo (Paratur) realiza este ano, a quarta edição da Feira Internacional de Turismo da Amazônia (FITA), no período de 04 a 07 de dezembro, no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. O público

estimado para os quatro dias de encontroéde18milpessoas. O evento, que conta com a promoção do Governo do Estado do Pará e apoio do Ministério do Turismo, é uma grande oportunidade para que o trade mundial possa conhecer a oferta de produtos e serviços turísticos da região amazônica. Desde sua primeira versão em 2002, A Feira fortalece a demanda de turistas nacionais e internacionaisemvisitaaregião. Voltada para operadores e agentes de viagens, representantes de empresas de transporte, hoteleiros, órgãos oficias de turismo, imprensa especializada, profissionais do setor, professores e estudantes, a estrutura da FITA inclui a Feira de Produtos Turísticos, espaços temáticos, programação técnico-científica, Bolsa de Negócios e apresentações culturais, além de missões promocionais como a realização de famturs e press-trips. Em 2006, a Fita recebeu 120 buyers (operadores) internacionais e mais de 30 veículos de comunicação especializadosemturismo,amaioriadoexterior.

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Hangar Inaugurado em maio de 2007, o Hangar – Feira e Centro de Convenções da Amazônia, foi construído sobre a área onde funcionava o antigo Parque de Aeronáutica. O investimento de cerca de 75 milhões de reais resultou num belo e moderno projeto arquitetônico. Planejado para ser o mais completo e versátil centro de convenções do Norte do País, com infra-estrutura para realização de diferentes tipos de eventos e de qualquer porte, como feiras, congressos, convenções, encontros, seminários, simpósios,exposiçõeseshows. O auditório central tem capacidade para 2.160 lugares, e pode ser dividido em até oito partes, tendo cada uma delas, a possibilidade de receber 220 pessoas. Além disso, o Hangar conta com 14 salas para palestras, seminários e eventos similares; praça de alimentação, com local para restaurante e lanchonetes; e área de 7,5 mil metros quadrados para feiras e exposições. O estacionamento tem capacidade para abrigar cerca de 800carros. *Assessoria de Imprensa da Paratur REVISTA AMAZÔNIA |15

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Heinz Plenge/Promperú

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Catarata del Gera, San Martín, Perú 0


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BEM-VINDO À AMAZÔNIA EM 2009, O ANO DO DESTINO AMAZÔNIA

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A Amazônia

onsiderada por muitos viajantes uma região misteriosa e desconhecida, a Amazônia vem buscando ganhar espaço no mercado mundial de turismo como um novo destino, um geo-destino que tem a oferecer um encontro com a natureza em sua mais espetacular plenitude. Metade da área coberta com florestas tropicais do planeta encontra-se na região, abrigando uma vasta e deslumbrante diversidade de pássaros, plantas, insetos, animais, árvores, peixes e répteis – um tesouro para os apaixonados pela natureza epelaaventura,umaexperiênciaquenãosepodeterem nenhum outro lugar do planeta. O rio Amazonas é o segundo maior do mundo em comprimento, e uma importante fonte de água doce para os oceanos do mundo. As florestas da Amazônia, tão imponentes quanto o rio, atuam como um importante sumidouro de dióxido de carbono, desempenhando, portanto, um papel crucial na regulação do clima tanto na região comonoplaneta.

O Tratado de Cooperação Amazônica e o Turismo O Ano do Destino Amazônia 2009 é uma iniciativa concebida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em colaboração com os oito países membros que são signatários doTratado de Cooperação Amazônica – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A OTCA, que tem o mandato de promover o desenvolvimento sustentável e integrado da região, considera o turismo sustentável na Amazônia como um dos meios mais importantes de redução da pobreza, proteção do meio ambiente e, ao mesmo tempo, geração de receitas nos países. A

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Fotos Sergio Amaral/OTCA e Carlos Nader Iwokrama Guyana

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Observando a Selva

A região amazônica vai viver um ano diferente, cheio de emoções, em 2009, o Ano do Destino Amazônia. Os oito países que compartilham a região – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela – já estão se preparando para receber turistas de todo o mundo à procura de novas experiências, experiências que só se encontram na Amazônia designação de 2009 como Ano do Destino Amazônia é, portanto,umainiciativaconjuntaquevisadarprojeçãoà região como destino turístico e atrair, a partir de 2009, um número cada vez maior de visitantes conscientes à Amazônia.

Destino Amazônia

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A região amazônica, abençoada em biodiversidade e rica em patrimônio cultural, de expressões tão diversas

na religião, na culinária, na dança, na música e na arte, começa a ganhar o mundo como destino turístico, repleto de experiências extraordinárias e pouco conhecidas. Partindo da cidade colombiana de Letícia, passando pelo Estado de Bolívar, na Venezuela, pela vasta floresta da Guiana e pelas reservas naturais do Suriname até chegar a Roraima, no Brasil; ou pelo Peru, Bolívia e Amapá, cruzando os estado deTocantins, Pará, Amazonas, Rondônia e Acre, a região é marcada por uma sucessão de paisagens deslumbrantes, bem como REVISTA AMAZÔNIA |17

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por expressões culturais fascinantes. Em 2009, turistas de todo o mundo serão recebidos na região, atraídos pela iniciativa Ano do Destino Amazônia 2009 – uma ampla gama de eventos planejados pelos países membrosdaOTCA. Festivais culturais e gastronômicos, conferências e mesas-redondas, expedições por terra e água, concursos e exposições, feiras de turismo e eventos esportivos farão parte do itinerário daqueles que visitarem a região em 2009. Toda essa variedade de eventos tem por objetivo apresentar aos visitantes o corpo e a alma da Amazônia: culinária, manifestações culturais, biodiversidade e riqueza ecológica, paisagens deslumbrantes, espetacular vida animal e encantadores habitantes. As conferências e mesas-redondas previstas para 2009 oferecerão ainda a oportunidade de fazer uma profunda reflexão e discutir com seriedade as questões e temáticas relacionadas ao desenvolvimento futuro da região Amazônica, com foco no desenvolvimento do turismo sustentável e nos desafios queseapresentam.

Concurso de fotografia Em 2009, a OTCA vai promover um concurso de fotografia sobre a Amazônia, voltado para fotógrafos profissionais e amadores. As fotografias inscritas poderão concorrer em uma das três categorias 18| REVISTA AMAZÔNIA

seguintes: Paisagens amazônicas (inclusive fauna), Povos e culturas amazônicos e Flora amazônica. Uma exposição fotográfica reunirá as 30 melhores fotografias sobre a Amazônia. Este concurso visa não apenas estimular o interesse pela Amazônia como destino para a prática da fotografia, mas também divulgar a região comodestinoturísticoentreopúblicomundial.

Mesa-redonda sobre turismo sustentável Em uma parceria com o World Hospitality and Tourism Themes (WHATT), a OTCA está organizando uma mesaredonda sobre desenvolvimento do turismo sustentável na Amazônia. No evento, a ser realizado na cidade de Brasília, os participantes se debruçarão sobre a seguinte pergunta: “O turismo sustentável é uma solução para proteger a floresta amazônica no meu país?”. Cada país membro deverá enviar um artigo de dez páginas expondo a sua situação em relação ao turismo sustentável e analisando esta atividade como ferramenta para proteger suas florestas tropicais. Um resumo de cada artigo será apresentado na mesaredonda, e após as apresentações haverá uma sessão de debate. Os artigos serão publicados em uma edição especial do Periódico WHATT, em 2010, dedicada inteiramente ao desenvolvimento do turismo sustentávelnaAmazônia.

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Primeira Premiação OTCA de Turismo Sustentável Durante os preparativos nos países membros da OTCA para o Ano do Destino Amazônia 2009, estudiosos, profissionais e empresários da área de turismo serão convidados a refletir sobre o potencial da iniciativa de ampliar o espaço para a prática do ecoturismo sustentável na Amazônia. Aproveitando essa oportunidade, a OTCA realizará a Primeira Premiação OTCA de Turismo Sustentável em 2009, no intuito de promover, por meio de exemplos e do reconhecimento das iniciativas mais destacadas, a adoção de melhores práticas nas operações de turismo. A premiação levará em conta os critérios discutidos com os países membros emoficinarealizadanacidadedeCoca,Equador..

Repercussão na mídia A iniciativa Ano do Destino Amazônia 2009 já conquistou seu espaço na mídia, na Amazônia e em outraspartesdomundo.Váriosveículosdecomunicação tomaram a iniciativa como tema central de matérias para revistas e jornais e programas de televisão. Até o momento, a cobertura mais abrangente veio da edição de abril e maio do Jornal do Ecoturismo e Energia Renovável, que é publicado no estado de Rondônia. Em REVISTA AMAZÔNIA |19

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Sergio Amaral OTCA

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2007, a revista peruana Viajeros apresentou uma matéria sobre o Ano do Destino Amazônia 2009. A edição de outubro da revista de viagens Open Jaw, publicada em Ontário, Canadá, trouxe uma matéria intitulada “It's a jungle out there”, sobre a iniciativa de turismo na Amazônia. Na televisão, Brasil, Guiana, Suriname, Peru, Equador e Canadá produziram

programas sobre o Ano do Destino Amazônia 2009. A revista Amazônia têm sistematicamente colocado matériassobre2009,oAnodoDestinoAmazônia. Desde novembro, a OTCA tem realizado uma série de contatos com o setor de viagens do Reino Unido e com a mídia voltada para o turismo no prestigioso evento World Travel Market, em Londres, onde a iniciativa Ano

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do Destino Amazônia 2009 alcançará um público mais amplo,provenientedetodasasregiõesdomundo.

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(*) Coordenador de Turismo da OTCA

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uando se trata da Amazônia tudo é grandioso. Ela é considerada um dos ecossistemas mais ricos do planeta, com a maior bacia hidrográfica do mundo, com um imenso universo de fauna e flora e, lar parainúmerospovosindígenas. A Amazônia está presente no imaginário coletivo onde a região foi sempre considerada sinônimo de “mata virgem” e de local propício a expedições aventureiras. Segundo um estudo de imagem com agências de viagem e operadores turísticos em cinco países europeus, a Amazônia está constantemente ligada aos termos“aventura, exótica e misteriosa”. Porém, contínua sendo muito pouco conhecida e, na maioria das vezes, relacionada unicamente ao Brasil. Mas a Amazônia é tudoissoemuitomais.

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Amazônia

A região é compartilhada política e ecologicamente pelos países que integram a Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA): Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Constitui-se em um espaço de integração, que representa uma oportunidade para que povos que compartilham relações culturais com a floresta possam desenvolver um modelo apropriado, servindo de exemplo para o resto do mundo. Essa constatação passa despercebida quando tratamos de assuntos amazônicos,inclusivesobreotematurismo. Mesmo não sendo considerada como um destino preferido no mercado internacional, o desenvolvimento do turismo na região pode vir trazer benefícios a longo prazo, tanto para as populações locais, como também para a economia dos países amazônicos. No entanto, trabalhar a Amazônia como destino turístico é uma tarefa que exige muita criatividade e esforço conjunto

VENEZUELA GUIANA SURINAME

COLÔMBIA

EQUADOR

por parte de todos os países que a integram. Romper com os estereótipos, trocar experiências e, finalmente, buscar uma imagem que reflita toda a riqueza e fragilidade da maior floresta tropical do mundo, como também a perplexidade que ela provoca em seus visitantes, deve ser o caminho básico para qualquer planejamentoturísticodaregião. Sendo assim, a resposta mais lógica passa pelo planejamento supranacional e a execução de ações regionais. Em vista disso, a OTCA vem implementando um programa de um turismo sustentável na Amazônia com o intuito de melhorar a qualidade de vida da populaçãolocaleconservarabiodiversidadedaregião.É um programa que além de ações a nível macro, como a promoção e a criação de um novo geodestino turístico, também prevê ações a nível local, atuando em Áreas Protegidasenobiocomércio. Em verdade, o que se propõe é reafirmar a importância do planejamento e gerenciamento estratégico, responsável, sustentável e integrado desse grande e vulnerável destino, além de melhor posicionar a imagem turística a ser divulgada. No caso da Amazônia essa proposta deve surgir através da coordenação e harmonização de políticas de turismo dos países que a compõe, representando, ao mesmo tempo, os interesses de toda uma área geográfica de importância vital para a humanidade. Trata-sedeumnovoolharturísticosobrearegião. (*) Assessora Técnica da OTCA

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O setor produtivo e a sustentabilidade na Amazônia

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ex-presidente da Sadia e ex-ministro do Desenvolvimento do governo Lula, Luiz Fernando Furlan hoje preside a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), uma organização não-governamental gerida como uma empresa, obedecendo aos princípios de governança corporativa, recentemente em São Paulo, com a nata empresarial brasileira, que responde por mais de 40% do PIB nacional, apresentou o que ele chamou de uma visãodasustentabilidademenosradicalemaisvoltadaa resultados. Seu principal programa é o Bolsa Floresta, que recompensa os moradores tradicionais e comunidades ribeirinhas pela guarda e manutenção da floresta em pé. Uma das missões do ex-ministro é buscar investidores para compor o fundo para a Amazônia, que pretende somar R$ 100 milhões que seriam usados para criar oportunidades às 10 mil famílias de ribeirinhos que moram em áreas de preservação, evitando que o desmatamento seja a melhor fonte de renda no curto prazo. Em sua apresentação para o Lide – Grupo de Líderes Empresariais, Furlan apresentou Virgílio Viana, diretorgeral da Fundação Amazonas Sustentável. Numa pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com osempresáriospresentesaocafédamanhãmostrouque 70% das empresas ali representadas possuíam ações para minimizar seus impactos ambientais. A pesquisa mostrou ainda que mais de dois terços das organizações planejam, a médio prazo, controlar ou reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. A seguir, uma seleção dos assuntos abordados por Luiz Fernando Furlan sobre o tema Sustentabilidade: CrescimentoEconômicocomRespeitoAmbiental:

Tecnologia agrícola

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Os transgênicos devem ser tratados de forma pragmática. Não se pode fechar as portas para a ciência. O agronegócio brasileiro dá um show em tecnologia, o etanoleaprodutividadedasojasãodoisbonsexemplos. Outro dia conheci em Juazeiro do Norte uma fábrica de mosca-da-fruta esterelizada por radiação que é incrível. Os insetos ficam hibernando e se há uma infestação nas fazendas, as moscas são despejadas sobre os focos e elas controlamapragabiologicamente.

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Fundação Amazonas Sustentável

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A Fundação Amazonas Sustentável tem como missão promover o desenvolvimento sustentável em 34 unidades de conservação no Estado do Amazonas, buscando a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais. Ao todo estão lá 10 mil famílias para explorar cinco hectares por família. O Bolsa Floresta representa um recurso a mais 22| REVISTA AMAZÔNIA

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para as pequenas melhorias nas comunidades, que têm em média onze famílias, num território do tamanho da Inglaterra.

O Brasil no futuro Outro dia um representante do Fed, o Banco Central americano, falou que em 2050, o Brasil deve ser a quarta maior economia do mundo, depois da China, da Índia e dos Estados Unidos, com o PIB da Alemanha e do Japão somados. Com uma economia sustentável, podemos dar um exemplo para todo o mundo. A aplicação da tecnologia é fundamental, foi assim com o manejo

técnicodapecuária.Hojeumacabeçadegadoprecisade menos área e com esse ganho de produtividade, o resultado é conservação ambiental. Hoje existe uma sensibilização muito maior e é importante que o setor privado se organize não para fazer lobby, mas para ser protagonista nas questões ambientais e sustentáveis, porque quem vai pagar a conta no final é o consumidor e sãoasempresas.Eporissoéimportanteamobilização.

Hábitos de consumo Houve uma redução no consumo de carnes e proteínas, com dois movimentos de vetores opostos. O número de

Em busca de investidores para compor o fundo para a Amazônia no 14º Seminário LIDE

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idososempaísesricoscresceu,essaspessoasfazemuma dieta mais leve, com maior consumo de carne branca. Do outro lado do mundo, que representa mais de 50% da população, o crescimento foi maior entre os jovens, que comem mais proteínas. Os hábitos de consumo estãomudandoeissoafetaoagronegóciodiretamente.

Mosca-da-fruta esterelizada 95

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Virgílio Viana, Eduardo Braga e Luiz Fernando Furlan

Energia e natureza O Brasil tem duas vantagens na economia do século XXI, que são a energia e os alimentos, ao mesmo tempo, dois entraves ao desenvolvimento. Os danos de um apagão podem ser ambientais, então sou a favor das usinas do Rio Madeira. Não adianta ter reservas hidrelétricas distantes do mercado de consumo. É muito melhor ter mais uma hidrelétrica do que ficar como é hoje. A energiadeManaus,porexemplo,vemdetermelétricasa óleo diesel. O impacto do diesel na atmosfera é muito maior do que o de construir uma hidrelétrica na Amazônia.

competidores. Só assim para entender como, apesar de todos esses problemas, as empresas brasileiras e os empresáriosnacionaisconseguemcompetirnomercadoglobal. Luiz Fernando Furlan e João Doria Jr., presidente do LIDE

Ser governo Não tem uma solução única para tudo. O maior ativo que um País, um Estado ou um município pode ter são pessoas capacitadas para competir no mundo complexo de hoje. O setor produtivo brasileiro tem boas inspirações e bons exemplos e precisa assumir seu protagonismo.Estivenogovernoesempreacheiqueem Brasília existia uma espécie de varinha mágica que resolvia tudo. Percebi que não é assim.Tudo depende do setor empresarial. Cada um de nós tem que fazer a sua parte.

Ser empresário O Brasil é rico em entraves e em custos impingidos ao setor privado, com problemas de logística, infraestrutura, tudo isso. Somos um País de heróis Termelétricas a óleo diesel

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Sustentabilidade?

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(Um físico, um empresário, uma nutricionista e um escritor dão suas definições de sustentabilidade. Tire suas conclusões.)

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ara o físico Fritjof Capra, Ph.D., teórico de sistemas, diretor fundador do Centro de Ecoalfabetização de Berkeley e autor de diversas obras de referência, sustentabilidade é a conseqüência de um complexo padrão de organização que apresenta cinco c a ra c te r í s t i c a s b á s i c a s : interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade. Ele sugere que, se estas características, encontradas em ecossistemas, forem 'aplicadas' às sociedades humanas,essassociedades Fritjof Capra também poderão alcançar a sustentabilidade. Portanto, segundo a visão de Capra, “sustentável”não se refere apenas ao tipo de interação humana com o mundo que preserva ou conserva o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras, ou que visa unicamente a manutenção prolongada de entes ou processos econômicos, sociais, culturais, políticos, institucionais ou físico-territoriais, mas uma função complexa, que combina de uma maneira particular cinco variáveis de estadorelacionadasàscaracterísticasacima.

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Afinal, o que é

sustentabilidade?

O conceito de desenvolvimento sustentável, que tomou forma ao final dos anos 80, após décadas de degradação socioambiental sem precedentes e foi consagrado em 1992, na Rio-92, continua até hoje mal compreendido. Sustentabilidade significa sobrevivência, entendida como a perenidade dos empreendimentos humanos e do planeta. Por isso, o desenvolvimento sustentável implica planejar e executar ações – sejam elas de governos ou de empresas, sejam elas locais, nacionais ou globais –, levando em conta simultaneamente as dimensões econômica, ambiental e social. Mercado + sociedade + recursos ambientais: esta é a chave para a boagovernança. Não é tarefa simples, pois exige radical mudança de mentalidade. O setor empresarial moderno tem evoluído rapidamente nesse sentido, impulsionado em grande medida pelos desejos e tendências dos consumidores, que cada vez mais recorrem a valores da cidadania, como ética, justiça e transparência, para tomarem suas decisões de compra. No Brasil, como no mundo, a vanguarda do setor empresarial não está alheia a essas mudanças e tem procurado corresponder, aprendendo a pensar e a agir nas três dimensões da sustentabilidade. Já o setor governamental, assim como boa parte do setor privado, ainda está ancorado, quando muito, na visão ambiental, o que é retrógrado e ineficaz. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva revela perspicácia ao colocar no centro das políticas públicas a dimensão social, das três a mais frágil no Brasil. Mas é preciso mais. Dificilmente, o lamentável panorama social no país mudará se as políticas e ações de governo A sustentabilidade é parte integrante do negócio

*Fernando Almeida

Fernando Almeida

não tomarem em consideração, simultaneamente, os aspectoseconômicoseambientais. E isso começa pela própria estrutura de governo. A nova administração que assumirá o país precisa, por exemplo, rever a estrutura herdada na área ambiental, velha, de três décadas, que não espelha os requisitos da sustentabilidade. Por outro lado, preocupa que a anunciada criação de um Conselho de Desenvolvimento

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O que é Sustentabilidade?

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Estudo feito pela Inteligence Unit, da revista Economist, revela que pelo menos 31% das empresas reconhecem que as ações de sustentabilidade estão mais centrados na comunicação do que em mudanças reais

Econômico e Social não tenha deixado clara a inclusão do meio ambiente na equação. A base de recursos ambientais precisa ser considerada desde a fase de planejamento e implementação. A própria divisão da equipe de transição governamental em cinco grupos – Gestão e Governo; Desenvolvimento Econômico; Políticas Sociais; Infra-Estrutura; e Empresas Públicas e Instituições Financeiras do Estado – já espelha um conceitosuperado. Em outras palavras: para colocar o país no rumo do desenvolvimento sustentável, a noção de sustentabilidade precisa permear todas as esferas de governo. Se for confundida com qualquer das suas dimensões isoladamente, o resultado será a manutenção de uma estrutura fragmentada, em que um ministério cuida do social, outro do meio ambiente, outrodaeconomia. Recentemente, tive a rara oportunidade de viajar pelo sertão do Brasil, percorrendo o interior do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Pernambuco, Piauí e Tocantins, região que concentra boa parte da fome neste país.Terei para sempre nas minhas retinas a imagem de bois e vacas estirados ao longo das rodovias. De longe, os animais pareciam dormir. De perto, verificava-se que morreram de sede e fome e tiveram suas carcaças preservadas devido à baixissima umidade do ar. Eram para mim a evidência de que qualquer política socioeconômica para aquela região que não leve em conta as peculiaridades ambientais estará inviabilizada logodesaída. É de conhecimento geral que o governo jamais terá condições de resolver sozinho males sociais como a fome, muito menos gerar emprego e prover água para o Nordeste.Vejo,portanto,comgrandeesperançaoamplo contrato social proposto para a sociedade brasileira. E vejo os três principais atores atuando de forma sinérgica – governo, empresários e sociedade civil organizada – para termos resultados palpáveis em curto prazo, até porqueafomenãoespera. * Fernando Almeida é Presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

É um conceito sistêmico, relacionado à continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedadehumana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, seus membros e economias possam preencher suas necessidades e expressar seu maior potencial no presente, preservando a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais. A sustentabilidade abrange desde a vizinhança local até oplanetainteiro.

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Requisitos básicos para ser sustentável Um assentamento ou empreendimento humano,necessitaatenderosrequisitos: - ser ecologicamente correto - ser economicamente viável - ser socialmente justo - culturalmente aceito.

Definição Colocando em termos simples, a sustentabilidade é prover o melhor para as pessoas e para o ambiente tanto agoraquantonofuturo.

Segundo Brundtland no final de 1987, sustentabilidadeé: "suprirasnecessidadesdageraçãopresentesemafetara habilidadedasgeraçõesfuturasdesuprirassuas". Isso é muito parecido com a filosofia dos nativos dos Estados Unidos, que diziam que seus líderes deviam sempre considerar os efeitos das suas ações nos seus dependentes após sete gerações futuras. O termo original "desenvolvimento sustentável," foi adotado pelaAgenda21,noprogramadasNaçõesUnidas. *Nutricionista

Saramago e a

Sustentabilidade

Recentemente em coletiva de imprensa com o escritor português José de Sousa Saramago, respondeuàpergunta“Oqueévidasustentável?”: É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar,limparterrenoear,demodoquesepossaviver. Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis peloqueacontece-osricos,osriquíssimos. O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somosnós,nossosimpostos. Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver deremendos. Ésustentáveldesdequesetenhaemprego.

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* Escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português: Prêmio Nobel de Literatura de 1998 REVISTA AMAZÔNIA |25

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O recadastramento é fundamental para a regularização da malha fundiária na Amazônia

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A ExpoSustentat e Biofach e a Sala Andes Amazônia Destaque na Feira Internacional de Produtos Sustentáveis Belo artesanato

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Sala Andes Amazônia (SAA) chamou a atenção de milhares de visitantes da ExpoSustentat e Biofach, maior feira brasileira de produtos orgânicos e única de bens e serviços sustentáveis, realizada entre 23 e 25 de outubroemSãoPaulo. Na SAA, 56 entidades e associações da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru promoveram em conjunto os seus produtos. Martha Ortega, da Nativa Equador, quem considera as feiras como a melhor forma de exibir a produção sustentável, elogiou a iniciativa. "Esta sala é importante porque patrocina uma região em vez de paísesouprodutos",afirmouOrtega,querepresentou11 empresasecercade400famíliasequatorianasnafeira. Para o Secretário-Geral interino da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Francisco Ruiz, a Sala Andes Amazônia se consolida como um instrumento chave para o desenvolvimento do biocomércio na região. Para participar da SAA, as formas de produção e extrativismo das organizações e empresas participantes devem ser sustentáveis, permitindo a preservação dos recursos naturais. A

Fotos Odair Scatolini

exibição de 2008 envolveu 3,5 mil famílias de indígenas, agricultores, povos e comunidades tradicionais que representamariquezadoscincopaíses.

Inovação Nesta edição, a sala foi dividida em três setores: biodiversidade para a alimentação, saúde e bem-estar; biodiversidade para a beleza; e biodiversidade para o ornamento e a moda. Na avaliação de José Antonio Gómez, do Programa de Biocomércio da Colômbia, a apresentação em setores ajudou a oferecer uma visão de produto regional. Entre outros, foram exibidos óleos essenciais, sabonetes, palmito de pupunha, castanha, geléias, guaraná, quinua, amaranto, cacau, artesanatos de fibras vegetais de arumã, tucumã, totora, biojóias, artesanatos, objetos e instrumentos musicais com madeiracertificadadaAmazônia. Já a Assessora do Programa Regional de Biocomércio para a Amazônia (PARBA), Adriana Rivera, acredita que a SAA tem potencial para conquistar o mercado internacional. "A sala é um espaço de iniciativas que

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colocam em prática critérios sociais e ambientais", explica. A Sala Andes Amazônia contou com o apoio da OTCA, Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Programas Nacionais de Biocomércio da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, e GovernosdaAlemanhaedosPaísesBaixos.

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Expansão

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Durante a feira, os produtores tiveram oportunidade de estabelecer contatos com clientes potenciais, permitindooaumentodaspossibilidadesdeexportação de produtos sustentáveis no mercado brasileiro e internacional. Além disso, identificaram canais de distribuição, lojas especializadas, redes de supermercados e exportadoras de pacotes tecnológicos, entre outros, que se apresentam como opções para os produtosandino-amazônicos. Devido à ampla variedade e aos produtos novos apresentados nesta edição, a SAA atraiu desde pequenos comerciantes a grandes redes, como o Grupo Pão de Açúcar, que tem 600 supermercados em 14 estados do Brasil. "Não conhecia muitos produtos que estão na sala", comentou Sandra Caires, gerente de desenvolvimento do grupo. Caires pôde conhecer frutas exóticas dos países da região e manifestou interesse na possibilidade de distribuir esses produtos em nichos do mercadobrasileiro. Já Álvaro Suarez Arze, da iniciativa boliviana Andina Amazónica, considerou muito positiva sua participação na SAA porque a comercialização é a principal deficiência da empresa, que vende matéria-prima para fábricas pequenas e medias. "Tivemos a oportunidade de fazer contatos com fabricantes de cosméticos e distribuidoras",contou.

Produtos da Naturais da Amazônica, de Belém

Expositora da Colômbia vende produtos cosméticos naturais... Como vai ficar...

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Francisco Ruiz (à esquerda), Secretário-Geral da OTCA, e Egon Krakhecke, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, lançando o site da Sala Andes Amazônia

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Oficina de Lutheria da Amazônia (OELA)

Gómez, do Programa de Biocomércio da Colômbia, afirmou que a SAA é uma vitrina comercial para seu país, em especial para os produtos da amazônia colombiana. "Estamos em uma fase de promoção e posicionamento da sala", avalia. Ele explicou que a iniciativa tem dois elementos, o estritamente comercial, e o espaço que permite o encontro e intercâmbiodeexperiênciasentreosprogramasdebiocomércio. O Secretário-Geral da OTCA justamente destaca a importância para os países de um espaço de encontro e de busca de mercados, troca de informações,capacitaçãoempresarialeinovaçãotecnológica. Para a Coordenadora de Agroextrativismo do Ministério do Meio Ambiente doBrasil,ClaudiaCalório,esteanofoipossívelcomprovaramaturidadedos expositores e a maior capacidade de negociação, resultado de um processo preparatório positivo. O MMA promoveu um curso de capacitação para agricultores familiares e agroextrativistas que participaram da feira, com o objetivo de qualificar os empreendedores, aperfeiçoando os aspectos gerencial e administrativo das entidades envolvidas, para melhorar os produtoselevandooconhecimentoparaalémdafeira. Muito interesse nos produtos em exposição

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Coleção de biojóias Palmae

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Peças confeccionadas por grupo de mulheres do Vale do Jari fizeram parte da Sala Andes Amazônia Criar produtos originais e de qualidade a partir do uso consciente de recursos da floresta amazônica é a atividade cotidiana das mulheres da Amarte – Associação de Mães Artesãs do Vale do Jari – região entre os estados do Pará e do Amapá. A coleção de 300 peças de jóias naturais, entre colares, brincos e pulseiras, foi lançada na Exposustentat , maior feira de produtos e serviços sustentáveis, que acontece no Transamérica ExpoCenter, em São Paulo. Batizadas como Palmae, as pecas reúnem produtos a base de couro, prata e semente de bacaba, palmeira nativa da região amazônica encontrada com freqüências nos estados do Amazonas e Pará. A coleção foi realizada com o apoio da Fundação Orsa, e por meio de uma parceira firmada com Ivete Cattani, premiada designer de jóias, de forma que as 23 integrantes da Amarte se tornassem capazes de criar, produzir e comercializar jóias naturais, mais conhecidas como biojóias. Todo o processo de produção destas jóias, desde o beneficiamento da matéria-prima bem como a montagem e a confecção, acontece na sede da Amarte, em Vitória do Jari (AP). A presidente da entidade, Aldenora Duarte dos Reis, afirma que o trabalho desenvolvido pela designer mudou o cotidiano das associadas "Todas as integrantes envolvidas surpreenderam-se com a produção das jóias. Juntar ouro e prata ao trabalho artesanal era um sonho. Hoje a idéia é uma realidade.", diz. Os produtos desenvolvidos têm tamanha qualidade que a Amarte foi convidada a participar com suas biojóias na Expo Brasil Amazônia, evento que ocorre em Nova Iorque, nos Estados Unidos, de abril a julho de 2009.

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Fonte: OTCA

Visite o novo site da Sala Andes Amazônia em: http://otca.org.br/salaandesamazonia/ Oficina de Lutheria - madeira certificada

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A entrega do Prêmio foi realizada no Clube Concórdia

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Câmara Brasil Alemanha anuncia vencedores do Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2008 Fotos Luiz Machado/Câmara Brasil-Alemanha

honrosas. Além do Paraná, os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Paraíba são os que apresentaram ganhadoresesteano.

A cerimônia

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om o maior número de inscrições desde 2002, a nona edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, premiou projetos que promovem o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado com o conceito de desenvolvimentosustentável. Divididoemtrêscategorias–Humanidade,Tecnologiae Natureza, o Prêmio contou, este ano, com a participação de 184 projetos de todo o Brasil. Desde 2000, quando o Prêmio foi criado, o número de projetos inscritos chega a 1.464. Foram 12 projetos escolhidos para receber o Prêmio em cerimônia oficial no dia 11 de novembro pp., no clube Concórdia. Três trabalhos foram selecionados em cada categoria, além de outros três que receberam menções

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Este ano, a cerimônia de entrega do Prêmio foi realizada no Clube Concórdia, tradicional prédio histórico da cidade de Curitiba. O evento teve sua ambientação guiada pelos conceitos de sustentabilidade, história e modernidade, elementos que estiveram presentes em toda a composição do ambiente, desde o paisagismo aos painéis eletrônicos. O toque final do cenário

construído para o evento foi a releitura do fascínio exercido pelos países tropicais durante do século XIX, época em que Carl Friedrich Philipp von Martius veio ao BrasilequeoClubeConcórdiafoiconstruído.

Carbon Free A responsabilidade com o desenvolvimento sustentável motivou a Câmara Brasil–Alemanha, desde 2007, a realizar o Prêmio von Martius de Sustentabilidade carbon free, para o qual é realizado um levantamento de todas as emissões de gás carbônico relacionadas ao Prêmio,que,após,sãoneutralizadaspormeiodoplantio

Ricardo Rose-AHK SP e Dr. Wilson Ballao-AHK Curitiba

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CATEGORIAHUMANIDADE 1º lugar: Organização: Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS). Projeto: Conjunto de dois projetos inscritos: Convivência com a Realidade Semi-Árida - Plantando Sementes de Solidariedade e Cidadania e Bancos de Sementes Comunitários - Resgatando práticas de Solidariedade e Cidadania. Local:Teixeira-PB 2ºlugar:Organização:UniversidadedeTaubaté(Unitau).Projeto:OHomemeorio:educaçãoambiental parasustentabilidadedorioParaíbadoSul.Local:Taubaté-SP 3ºlugar:Organização:BBJAssociados.Projeto:TalentosdoBrasil.Local:RiodeJaneiro-RJ. Menção honrosa: Organização: Fundação Orsa. Projeto: Atuação da Fundação Orsa doVale do Jarí Local: Barueri-SP Mençãohonrosa:Organização:Philips.Projeto:DoeVida.Local:SãoPaulo-SP

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Horta com economia de água da área experimental do CEPFS

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Projeto Oásis Fundacao O Boticario

CATEGORIANATUREZA 1°lugar: Organização: Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Projeto: Projeto Oásis. Local: Curitiba-PR 2º lugar: Organização: Companhia Energética do Ceará (Coelce). Projeto: Programa Ecoelce de troca de resíduosporbônusdeenergia.Local:Fortaleza-CE 3º lugar: Organização: Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (Sema). Projeto: Educaçãoambientalparaafamíliarural.Local:Curitiba-PR Menção honrosa: Organização: Banco Bradesco. Projeto: Fundação Amazonas Sustentável: um Projeto Win-WindeDesenvolvimentoSustentável.Local:SãoPaulo-SP CATEGORIATECNOLOGIA 1°lugar: Organização: Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Projeto: Aproveitamento energético de fontes renováveis em estação de tratamento de esgoto - um projeto de sustentabilidade. Local:Curitiba-PR 2º lugar: Organização: Fundação Mussambê. Projeto: Reaplicação de tecnologia social para o aproveitamento total do coco babaçu: configurando novas relações de trabalho na cadeia produtiva no médioMearimMaranhense.Local:JuazeirodoNorte-CE 3º lugar: Organização: Mercedes-Benz do Brasil. Projeto: Uma abordagem competitiva na solução ambiental-ProgramadeProduçãoMaisLimpa.Local:SãoPaulo-SP

Sanepar, um projeto de sustentabilidade

Ganhadores na Categoria Natureza

de árvores. Este ano, a empresa responsável por essa tarefa é a consultoria em serviços e meio ambiente Atlântica Simbios, que segue os critérios do selo Carbon Fix,comcertificaçãodaBRTÜV. Além disso, por atender a critérios de sustentabilidade socioambiental estabelecidos, em 2007, pelo Grupo Sustentax – Engenharia de Sustentabilidade, a cerimôniaganhouoseloSustentaX.Asvantagensparao ganhador do selo, além da redução do impacto negativo ao meio ambiente e à sociedade, é proporcionar um

maior conforto ambiental para os participantes do evento, uma diminuição dos custos operacionais durante sua organização e uma melhor imagem do evento junto aos seuspúblicos. Para mais informações, os interessados podem acessar o novo site do evento, agora mais moderno e dinâmico, com novos conteúdos:www.premiovonmartius.com.br

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O presidente Lula da Silva na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis

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1ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE BIOCOMBUSTÍVEIS

Fotos Jefferson Rudy/MMA

Etanol brasileiro não agredirá o meio ambiente

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ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, foi taxativo ao afirmar que o etanol brasileiro não representará agressão à Amazônia, ao Pantanal, nem substituirá a vegetação nativa em qualquer bioma do país. Essa afirmação foi proferida com veemência na mesa redonda Biocombustíveis e Mudança Climática, da 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, organizada pela Casa Civil e pelo Ministério das Relações Exteriores, pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pelo Arranjo Produtivo do Álcool (APLA),ocorridarecentementenoHotelGrandHyatt,em SãoPaulo. Os participantes discutiram entre outros, os temas: "Biocombustíveis e Segurança Energética: transição da matriz energética; diversificação das fontes; universalização de acesso"; "Biocombustíveis e Mudança do Clima: Mitigação das emissões de gases de efeito estufa; mudança do uso da terra, análises Edison Lobão, ministro das Minas e Energia

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comparativas de ciclo de vida"; ”Biocombustíveis e Inovação:pesquisaedesenvolvimento;biocombustíveis de primeira e segunda geração; oportunidades para a ciênciaetecnologia”. O ministro Celso Amorim, ressaltou a importância do evento: "Estamos todos aqui dispostos a discutir a economia real, ou seja, o crescimento econômico, investimentos e geração de emprego. É tudo o que o Brasil vem fazendo, há mais de 30 anos, com a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, reduzindo a dependência do petróleo, a emissão de gases de efeito estufa e gerando emprego e renda no campo", disse. Amorim também criticou os subsídios agrícolas milionários e a imposição de vários tipos de barreiras, que impedem a criação de um mercado internacional para os biocombustíveis. "Esses produtos fazem parte da solução para enfrentar três grandes desafios da atualidade: segurança energética, mudança do clima e combate à fome e à pobreza", destacou. O relator da Sessão, Paul Roberts, destaca que entre as alternativas para reduzir a dependência de petróleo, a plenária sugeriu a mistura, obrigatória, de 10% de etanol em toda gasolina consumida mundialmente, uma vez que as tecnologias disponíveis tornam a ação viável. Roberts ressaltou ainda a necessidade da adoção de políticas públicas relacionadas com a segurança energética, bem como o uso dos biocombustíveis como alternativa para o setor de transportes e a importância

O presidente da República em visita a aeronave Ipanema, fabricada pela Embrear e primeira no mundo certificada para voar com álcool

da cooperação internacional, a partir de experiências já existentes. Dezesseis países participaram da sessão e a representante da União Européia anunciou que até 2010 a meta do uso de energia renovável deverá atingir 5,75% da matriz energética do continente e em 2020, chegara10%. O evento reuniu 70 expositores, entre empresas, entidades setoriais e órgãos de governo, com o objetivo deapresentaraosvisitantesatecnologiabrasileiraparaa produção de biocombustíveis. A Petrobras marcou presença com um estande e com a participação em duas. O presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, participou da plenária "Biocombustíveis e Segurança Energética: transição da matriz energética; diversificação das fontes; universalização de acesso", moderada por Márcio Zimmermann, secretário-

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executivodeMinistériodeMinaseEnergia. A diretora de Gás & Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, estará presente na plenária "Biocombustíveis e Sustentabilidade: segurança alimentar; geração de renda, desafios para os ecossistemas", moderada pela ex-Ministra doMeioAmbiente,MarinaSilva. Com o tema "Os biocombustíveis como vetor do desenvolvimento sustentável", a conferência debateu assuntos como segurança energética, produção e uso sustentáveis, agricultura e processamento industrial, além de questões ligadas a especificações e padrões técnicos, comércio internacional, mudança do clima, e o futuro dosbiocombustíveis Lula e a primeira motocicleta a Biocombustível "A área do meio ambiente está participando durante a Conferência Internacional decisivamente do Programa Brasileiro de Biocombustíveis e posso garantir que o etanol não representará agressão ao meio ambiente", disse o ministro a uma platéia de mais de quarenta chefes de delegação de diversos países da Europa, da África, da Ásia e da América Latina, além dos Estados Unidos. Minc defendeu que a liderança em relação à produção dos biocombustíveis seja repartida com outros países e apontou que o caminho para que se alcance esse objetivo é a transferência de tecnologia. "Temos interesse que os biocombustíveis se transformem em comodities e podemos estender a tecnologia para parceiros da América Latina, da África e do continente asiático como forma objetiva de reduzirmos asemissõeseatacarmosesseproblemaqueéamudançaclimática",afirmou. Ele adiantou ainda que o primeiro Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas deverá ser assinado pelo presidente Lula no início de dezembro, antes da Conferência das Partes dasNaçõesUnidasSobreoClima,naPolônia,ondeserãodiscutidasmetaspós-Kyoto. A conferência contou com a participação de representantes de 50 países e foi uma iniciativadopresidenteLuizInácioLuladaSilvaparaampliarasdiscussõesemtornodos biocombustíveis, principalmente do etanol, e atrair investimentos internacionais para essatecnologiapioneira. OpresidenteLulaparticipoudoencerramentodoencontro.

Atividades sustentáveis Como estímulo às atividades sustentáveis, o ministro Carlo Minc defendeu durante 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, a criação de mais mecanismos de financiamento para investimento em extrativismo, planos de manejo florestal, piscicultura e outras áreas. Essas atividades podem beneficiar os 25 milhões de habitantesdaAmazôniasemdestruirafloresta",disse. Ele destacou a redução do desmatamento da Amazônia em 22% nos últimos meses, mas disse ser necessário ampliar acordos que estimulem a sustentabilidade e gerem empregos sustentáveis, a exemplo do Fundo Amazônia, instrumento criado para estimular a sustentabilidade e reduzir a exploração desregrada da natureza. "É possível estimularmos o biocombustível mantendo a sustentabilidade econômica, ambiental e socialeéesseocaminhoquenósqueremosparaoBrasil",afirmouoministro. Ministro Carlos Minc em sua exposição

Com o tempo o mundo vai "se curvar" aos biocombustíveis Ao fazer um balanço da 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, realizada em São Paulo na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo irá “se curvar” ao biocombustível e que isso seria apenas uma questão de tempo. Para ele, o encontro teve “êxito total e extraordinário” com a participação de cerca de 100 delegações, quase a metade representada por ministros. Segundo Lula, há uma “quase unanimidade” de que o mundo precisa apostar em uma nova matriz energética. “Sabemos que o mundo precisa produzir mais biocombustível, que é preciso diminuir a emissão de gases de efeito estufa e que, para isso, não podemos usar a mesma quantidade de petróleo que estamos utilizando”, disse o Presidente. Lula lembrou ainda que, em dezembro deste ano, o país comemora a produção de 7 milhões de automóveis flexfuel (veículos capazes de funcionar tanto com álcool quanto com gasolina), tecnologia, segundo ele, “aprovada e comprovada” de que os mesmos motores, mesmo utilizando álcool, têm bom rendimento. “Além disso, já estamos trabalhando a produção de etanol de segunda geração, o que é uma coisa mais importante, porque vamos poder produzir etanol de cavaco de madeira e de bagaço de cana. Temos que fazer um debate internacional. Não é uma coisa fácil as pessoas mudarem, mas acho que o Brasil, com esse seminário, saiu na frente.” Sobre uma possível relação entre a alta nos preços dos alimentos e a produção de biocombustíveis, Lula afirmou que, muitas vezes, as pessoas tinham como objetivo criticar o etanol produzido de milho nos Estados Unidos e que então “generalizavam” tudo, criando uma “grande confusão”. “Acho que as pessoas se convenceram de que o Brasil e o mundo têm terra, água e sol para produzir biocombustível e para produzir alimento. Na verdade, o que não se disse na época é que o aumento dos alimentos acontecia porque havia uma especulação no mercado futuro de alimentos e a gente estava pagando o preço da especulação e não o preço real.”

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etanol de cavaco de madeira e de bagaço de cana

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Miguel Colasuono, diretor de Administração e José Antônio Lopes Muniz, presidente da Eletrobrás, Franklin Moreira, secretário de Energia da FNU e a presidente do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas, Amélia Fernandes

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8º Encontro Nacional dos Urbanitários realizado na cidade de Belém, no Pará, contou com a participação do presidente da Eletrobrás, José AntonioMunizLopes,quefezumalongaexposição sobre o tema: “A Nova Eletrobrás, Sistema isolado e a

Fotos Alencar Roberto

Eletrobrás

O presidente da Eletrobrás e os trabalhadores do setor elétrico

reorganização das distribuidoras federais de energia”. Na oportunidade ele reafirmou o compromisso do Ministério de Minas e Energia e da direção da Eletrobrás de inserir estas empresas em um novo patamar, com justiça e isonomia de tratamento. Muniz chegou a afirmar que esta reestruturação é um fato histórico. “Somente um governo popular como o do presidente Lula poderia ter tomado uma atitude dessa magnitude”. EmsuapalestraopresidentedaEletrobrásfalousobreacriação da Nova Eletrobrás em relação às mudanças que acontecerão no futuro, com a nova nomenclatura, o crachá único para os trabalhadores do Sistema Eletrobrás. Ou seja, neste novo contexto vão acontecer mudanças conjunturais, pois agora os trabalhadores vão fazer parte de um sistema e não mais do grupocomoaconteciaatéhoje. Em sua esclarecedora palestra ele garantiu a continuidade de existência de todas as empresas da holding. Em um determinado momento ele fez a seguinte analogia:“A Holding

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pode ser comparada à divisão do corpo humano, sendo a cabeça a Eletrobrás, aquela que comanda todos os atos e as demais empresas são os membros, ou seja, um depende do outro para funcionar perfeitamente. Eu garanto que todas as empresas serão mantidas nesse novo formato, pois, elas são intocáveis”,disseMuniz. O presidente Muniz foi enfático ao afirmar que a construção desta Nova Eletrobrás é viável porque os trabalhadores estão qualificadosparaessegrandesalto.Porreconheceresteesforço ele confirmou que já está avançado o processo de formatação do novo PCS, que será apresentado em Brasília no próximo dia 09 com aplicação para o ano de 2009, que terá por objetivo corrigir todas as distorções existentes, bem como criar um ambiente que proporcione novas perspectivas profissionais paraoquadrofuncional. Na segunda parte da sua apresentação os delegados puderam fazer questionamentos e perguntas para dirimir todas as dúvidas sobre o tema. Mais uma vez foi cobrada a participação

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Renan Costa entrevistando José Antonio Muniz Lopes para um video institucional da FNU

dos trabalhadores no processo de reestruturação da Holding, ficando garantido pelo presidente Muniz que periodicamente serão repassadas informações sobre o andamentodoprocessodecriaçãodaNovaEletrobrás. O CNE acredita que a apresentação trouxe esclarecimentos fundamentais para acabar com boatos infundados de que a Nova Eletrobrás significaria retirada de direitos e o fim das empresas, segundo o presidente isso não acontecerá.Todavia, colocamos a importância de serem realizadas novas reuniões com o CNE para debaterasmudanças. O presidente José Antônio reafirmou o compromisso de criar uma empresa referência como a Petrobrás, capaz de intensificar sua atuação não somente no país, como também no exterior. Para Muniz todas as condições são favoráveis, principalmenteporqueexistevontadepolíticadoPresidenteLulaparaisso. O CNE considera a Nova Eletrobrás uma alternativa estratégica do governo para fortalecer o Sistema Eletrobrás para atuar de forma integrada e blindar o setor para qualquer tipo de ameaça futura, por isso defende sua criação, mesmo entendendo que toda discussão nesse sentido deva ser feita com amplo debate comostrabalhadoresdogrupoedasociedade. Quanto ao sistema isolado já há estudos para sua interligação ao sistema nacional até2012,salientouopresidenteMuniz. No final do debate, o Secretário de Energia da Federação Nacional Nacional dos Urbanitários, Franklin Gonçalves, que foi o mediador dos trabalhos, elogiou a participação do presidente da Eletrobrás. “Agradeço em nome da FNU, das entidades dos trabalhadores do setor elétrico e da CUT, a exposição esclarecedora dopresidentedaEletrobrás,bemcomosuafrancadisposiçãoparaodiálogo”.

Durante cerca de seis horas, Muniz Lopes explicou, cada etapa que a empresa está vivendo. Destacou a nova Medida Provisória (Lei 11.651/08), que ampliou as prerrogativas da empresa, permitindo que a Eletrobrás seja majoritária em novos negócios e empreendimentos, inclusive em outros países, e as novas medidas de gestão e de saneamento em curso, em especial a que unificou o processo de gestão das empresas de distribuição da Eletrobrás (Boa Vista, Eletroacre, Ceron, Ceal, Manaus Energia e Cepisa), que tiveram de adaptar seus estatutos e respondem hoje para a recémcriada Diretoria de Distribuição da Eletrobrás. “São empresas que não serão privatizadas, mas terão que sair do prejuízo, aliás terão como meta aumentar a eficiência e dar lucro”, disse Muniz Lopes, para quem o impacto das medidas favorecerá a vida de todos, principalmente dos trabalhadores a elas vinculadas. Como proposta geral, Muniz Lopez disse que a Eletrobrás deve ser hoje compreendida através de dois eixos, o de negócios Eletrobrás S/A, uma empresa holding de capital aberto, voltada para o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro; e a Eletrobrás Governo, empresa implementadora de programas sociais, setoriais e de comercialização de energia elétrica, por delegação de seu acionista majoritário (Governo Federal).

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A nova Eletrobrás será a Petrobrás do setor elétrico. Esta é uma decisão do presidente Lula, é uma decisão na qual estamos todos envolvidos e trabalhando muito para torná-la realidade

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A segunda etapa de expansão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí

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Fotos Eliseu Dias/Ag Pa e Ricardo Stuckert/PR

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presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a segunda casa de força da Usina e visitou as obras das eclusas, que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. "Tenho uma imensa gratificação em inaugurar a conclusão da segunda fase de uma obra dessa magnitude. Sintome orgulhoso em ver está grande bandeira do Brasil aqui na Hidrelétrica, onde trabalhadores e empresários estão juntos. Essa inauguração é um exemplo de que a produçãonoPaísdevecontinuar",destacouLula. Estiveram presentes na cerimônia, a governadora do Pará, Ana Júlia; a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o ministro do Trabalho, Carlos Lupi; o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes; o presidente da Agência NacionaldeÁguas-ANA,JoséMachado; odiretor-presidentedaEletronorte, JorgePalmeira;demaisdiretoreseautoridadeslocais. A governadora Ana Júlia considera que Tucuruí é uma das grandes responsáveis pela ampliação da oferta de energia ao mercado regional e nacional: “Esse é um empreendimento fundamental para o Estado do Pará, que será ainda mais beneficiado quando as eclusas forem concluídas e o RioTocantins retomar a sua navegabilidade”. Já o

presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, disse que o evento significou o fim de um ciclo de grandes reservatórios hidrelétricos para a Amazônia. Para Jorge Palmeira, ressaltouaimportânciadeTucuruínocontextoatualdoSetorElétricobrasileiro. Dilma Rousseff foi enfática ao dizer:“sem a capacidade da Eletronorte, a UsinaTucuruí não existiria da forma como terminou de ser construída”. Afirmou ainda que“Tucuruí representa um caminho para os novos investimentos hidrelétricos, com grande respeitoaomeioambiente.Ahidrelétricaéamigáveldopontodevistaambiental.Essa éumaáreaondeaEletronorteéumadasprotagonistas",concluiuaministra. A ministra disse ainda, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Pará vai aplicar cerca de R$ 18,3 bilhões, incluindo a usina de Belo Monte, a pavimentação das rodovias BR-163 (Cuiabá/Santarém), BR-230 (Transamazônica), a Linha de Transmissão Norte/Sul III, que vai ligar Tucuruí a Serra da Mesa (GO), a interligação Tucuruí/Macapá/Manaus, a ampliação do porto de Vila do Conde, as eclusas de Tucuruí, o Luz paraTodos, além de obras de saneamento e habitação. "O governo tem condições de manter o ritmo dos investimentos, agora que eles ganham volume e rapidez".

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a governadora Ana Júlia Carepa e o presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira, na inauguração da segunda etapa de expansão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí

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De acordo com a ministra, é fato que o mundo inteiro enfrenta a falta de crédito, mas assegurou que o Brasil está preparado para auxiliar o setor privado no enfrentamento à crise e assim garantir emprego e renda, numciclosustentado. O presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira destacou que Tucuruí vai ajudar a tirar muitos municípios da margem esquerda do rio Amazonas do isolamento em que se encontram com a implantação da Linha de TransmissãoTucuruí/Macapá/Manaus, prevista para ser concluída no segundo semestre de 2011. Ao discorrer sobre os benefícios do empreendimento, lembrou que a Eletronorte repassou R$ 260 milhões em royalties a sete municípios da área de influência em um período de 10 anos. Representando a classe trabalhadora, Fernando Leite registrou seu testemunho do progresso trazido pela usina deTucuruí que segundo ele permitiu o acúmulo de experiências técnicas que hoje podem ser aplicados em outros empreendimentos semelhantes. Agradeceu ao presidenteLulapelaimplantaçãodoPóloTecnológicoda Universidade Federal do Pará, que possibilitou a implantação dos cursos das engenharias elétrica, civil e mecânica.

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Dados técnicos

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A capacidade instalada de Tucuruí é de 8.370 MW. Nos seis meses do período de chuva a geração atinge 8.300 MW, energia suficiente para atender 40 milhões de pessoas, segundo explicou Adhemar Palocci, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte. As 11 unidades geradoras da segunda casa de forças acrescentaram mais 4,1 mil MW de potência instalada. As obras nessa segunda etapa contaram com investimentos de R$ 3,5 bilhões, do governo federal. O valortotalinvestidonahidrelétricaédeU$7,5bilhões. A energia gerada em Tucuruí atende aos mercados do Pará, Maranhão e Tocantins, que absorvem cerca de 3,5 mil MW mensal. Somente o Pará consome 25% da energia produzida pela usina. O restante da energia

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Marina Silva (MMA) e Guilherme Cassel (MDA), anunciando o recadastramento

geradaéexportadaparaossistemasNordeste,Sudestee Centro-Oeste, através do Sistema Interligado Nacional. Tucuruígera9%daenergiainstaladanoBrasil. As obras das duas eclusas de Tucuruí integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e segundo Palocci encontram-se com seu cronograma físico e financeiro em dias. A previsão é de que entrem em operação já no primeiro semestre de 2010. As obras daseclusasvãoconsumirinvestimentosdeR$1bilhão.

Esse é um momento histórico, é uma resposta à crise...

investimentos de R$ 150 milhões. Posteriormente outras 13 mil também reivindicaram o benefício e estão sendo atendidas com acesso à energia, das quais, quatro mil já foram atendidas nesse novo contrato. Segundo Palocci,atéofinalde2009todasserãoatendidas. Em todo o Pará o programa Luz para Todos deverá atender360milfamíliasatéofinalde2010.

Luz para Todos

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Obras da segunda etapa de expansão da UHE Tucuruí

O presidente Lula entregou simbolicamente mais uma etapa do programa Luz para Todos que, nesta fase, irá beneficiar quatro mil famílias do entorno do empreendimento. De acordo com Palocci, em 2004, quando a segunda máquina, da segunda etapa foi inaugurada, mais de 21 mil famílias do entorno não tinhamenergiaelétrica. Para levar o benefício a essas famílias, elas foram enquadradas no Programa Luz para Todos e foi firmado um contrato específico para atendê-las, com

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Carlos Lupi, Lula e Ana Júlia

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ParaissoforamassinadoscontratosnaordemdeR$1,5bilhão,dosquaiscercadeR$1bilhãofoi aplicado.EmtodooEstado,153milfamíliasjáforamatendidascomoprogramaLuzparaTodos.

UTE Sobre a instalação de uma usina termelétrica à carvão, Wadi Charone Júnior, diretor de promoçãoecomercializaçãodaEletronorteexplicouqueaempresaestánegociandocomaVale a formação de um consórcio onde a estatal brasileira teria o controle de 30% da energia gerada, de 600 MW e estuda a construção de uma segunda termelétrica, também movida a carvão, a serimplantadaem2012. O presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira, acompanhou a governadora Ana Júlia na viagem à China, para conhecer de perto a tecnologia utilizada pelos chineses e que será adotada pela Vale.

A governadora Ana Júlia Carepa falou sobre as eclusas de Tucuruí destacando que a obra representa um sonho para todos os paraenses, que é ver a navegabilidade do rio Tocantins restaurada

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Unidades de geradores da segunda etapa da expansão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí 38| REVISTA AMAZÔNIA

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O Pará precisa de

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Belo Monte

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Fotos Rodolfo Oliveira/Ag Pa

governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, declarou que quer agilizar o processo de construçãodahidrelétricadeBeloMonte,no rio Xingu, para solucionar problemas no abastecimento de energia no Estado e no Brasil. "Não abrimos mão de ter essa hidrelétrica", afirmou ela, durante cerimônia no Centro Integrado de Governo (CIG). A manifestação da governadora em favor da construção de Belo Monte aconteceu no ato de assinatura do protocolo de intenções com a Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A), que garante a construção da segunda usina termoelétrica no município de Barcarena, região do Tocantins. A usina terá capacidade para gerar 600 megawatts de energia elétrica, a mesma potência da termoelétrica que a empresa Vale pretende construir no município. Sobre Belo Monte, no entanto, Ana Júlia Carepa disse que o projeto de construção da hidrelétrica, defendido porela,incluiumplanodedesenvolvimentosustentável para a região. "O povo do Pará precisa de Belo Monte", ressaltou a governadora, ao frisar que o projeto tem de beneficiar também as comunidades que ainda não têm luzelétricanoPará.

USINAS Além de Belo Monte, outro projeto defendido pelo Governo do Pará é o que visa construir uma plataforma de cinco usinas no rio Tapajós, com capacidade para gerar 10.680 megawatts. O investimento estimado na

A governadora Ana Júlia Carepa e o presidente da Eletronorte Jorge Nassar Palmeira, durante assinatura do 1º Termo Aditivo ao Convênio de Cooperação Técnica celebrado entre o governo do Estado do Pará e a Eletronorte, no CIG

obraédeR$31bilhões. A plataforma de usinas do Tapajós beneficiará, primeiramente, o município de Itaituba, na região do Tapajós, e depois todo o estado, sendo possível ainda exportar energia elétrica para outras unidades da Federação. "Temos pressa", disse o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro. O diretor-presidente da Eletronorte, Jorge Nassar Palmeira, informou que o estudo de impacto ambiental do projeto das usinas já está pronto e foi entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O próximo

Jorge Nassar Palmeira, o paraense presidente da Eletronorte

passo é a elaboração do estudo de viabilidade econômica. Depois, cabe ao Ministério de Minas e Energiaabrirlicitação. O estudo de viabilidade pode demorar mais de ano, mas o governo trabalha para que o processo de licitação da obrasejaacelerado.

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Maurílio Monteiro, secretário de Estado de Desenvolvimento Ciência e Tecnologia assinando o 1º Termo

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OS PREPARATIVOS PARA O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009

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e um modo geral estamos caminhando bem. Sabíamos que não seria uma tarefa fácil, construir, de forma participativa, um evento dessa magnitude (+ ou - 80 mil pessoas de 150 países, dos 5 continentes), tarefa essa aindaagravadapelaconjunturaeconômicaadversa,que dificulta a captação de recursos. Entretanto, a cada dia, estamos avançando, vencendo barreiras, ultrapassando cada obstáculo e buscando alternativas possíveis para não onerar ninguém, mas procurando operacionalizar a carta de princípios do FSM que é de possibilitar a todas as organizações comprometidas com a construção de ummundomaisjusto,ainclusãonoprocesso. O Grupo de Facilitação do FSM 2009 é formado por um conjunto de organizações que estão no Conselho Internacional e no Comitê brasileiro (relação anexa) e de representantes dos Grupos de Trabalho em diferentes áreas como Metodologia; Comunicação, Informação e Memória; Mobilização; Economia Solidária; Recursos e Logística, Cultura, Acampamento da Juventude, Organizações Indígenas e Comitê Interreligioso. Além desses GTs formados por organizações e movimentos da sociedade civil, houve a necessidade de se criar comissões paritárias entre governo e sociedade que facilitasse a construção da logística e monitoramento dos processos relacionados à Segurança, Transporte, Saúde, Hospedagem, Alimentação, Turismo, Tecnologia da Informação que viabilizasse o Sistema de Inscrições on line, obtendo para isso o apoio do Serpro (governo federal) e da Prodepa (governo estadual), monitorado pornósdoGF. Embora o FSM seja um espaço de diálogo, articulação e construção de plataformas de ação, organizado pela sociedade civil comprometida com a democratização da sociedade,apromoçãoegarantiadedireitos,melhoremais justadistribuiçãodariquezaecombateàsdesigualdades,é imprescindível o apoio dos governos federal, estadual (estes dois tem dado uma excelente contribuição na construção da infra e da logística tanto em termos de recursos quanto na assessoria técnica) e municipal que aindaestáseconstruindoeprecisaserampliada.

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Ao escolher as universidades públicas federais (UFPA e UFRA) como território do FSM 2009, o GF teve como objetivo fazer com que os investimentos feitos para a construção da logística fossem permanentes, beneficiando os/as alunos/as das universidades, assim comoosinvestimentosno transporte, na segurança pública, na saúde etc sejam também para a população local. Também estamos dialogando com a população de Belém, através de vários eventos, e utilizando a mídia, para que percebam o FSM não como invasão, mas como oportunidade de dialogar com outras culturas, de geração de trabalho e renda, participação com a oferta de hospedagem familiar e solidária ou inscrevendo atividades através de sua organização.. Os GTs de Cultura, Comunicação e Mobilização estão realizando diversos eventos, principalmente nos bairros que circundam o território do FSM ou aproveitando eventos organizados por outros grupos, para divulgar e esclarecer a população de Belém e do estado do Pará sobreaimportânciaeosobjetivosdoFSM.

O significado do FSM 2009 para os povos da Amazônia Primeiro dar visibilidade às questões amazônicas tanto do ponto de vista da sua riqueza multicultural, sua biodiversidade, como às lutas dos povos originários e tradicionais da Amazônia para manter sua cultura, sua língua, sua identidade. Em segundo lugar, mostrar a disputa acirrada de projetos políticos motivada principalmente pelo acesso, uso e controle dos recursos naturaisdaAmazônia. O GF tem procurado c r i a r e s p a ço s d e diálogo e buscado recursos para viabilizar o envolvimento propositivo dos povos da Amazônia na preparação do FSM, articulando junto com as organizações indígenas da

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Aldalice Otterloo e o nosso editor

Amazônia brasileira (COIAB e FORIN) quanto da Pan Amazônia (CAOI e COICA) para que sejam protagonistas da socialização e debate em torno das suas lutas, propostas e visibilização das alternativas que essas organizações vem criando para preservação de suas terras, de seus territórios, suas culturas e identidades enquantopovoeenquantoetnia.Assimtambémcomas organizações de populações remanescentes de quilombos e afrodescendentes, extrativistas e ribeirinhos. Estamos conseguindo construir processos interessantes e promissores que podem frutificar para além do FSM com os países da Pan Amazônia intercambiando idéias, debates e plataformas de luta e de construção de alternativas, a partir de temas como modelos energéticos e agrocombustível; Integração Regional (IIRSA), Militarização, Terra e Território, Desmatamento, Mudanças climáticas e Migrações Humanas, que nos unificam e convergem para um aprofundamento que possa contribuir para o enfrentamento a esse modelo de desenvolvimento implantado em nossa região, que é predador e violador dos direitos dos povos tradicionais, destruidor das identidades culturais, da biodiversidade, facilitador do aumento das desigualdades, e coloca a sobrevivência do planeta em risco na medida em que destrói a floresta fazendo avançar a monocultura, a pecuária e a poluição dos rios. Pretendemos abrir um diálogo com outras regiões do mundo que já sofreram esse mesmo impacto como Indonésia, Malásia, Congo e outros. Queremos possibilitar ainda que as manifestações culturais e políticas, articuladas dentro do FSM, valorizem prioritariamente as vozes dos grupos que foram “subalternizados”, vozes que geralmente estão

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invisíveis, inaudíveis, em decorrência da predominância dos valores definidos pelas classes dominantes, pelo chamado“mercado”, oriundo das idéias neoliberais e do modeloeconômicofundamentadonessasidéias. Há um GT de organizações indígenas que vem se fortalecendo a cada encontro, tendo alguns representantes participado da reunião do CI em Copenhagen e algumas organizações também na Guatemala, no Fórum Social das Américas, articulando alianças com povos de outras regiões do mundo para inserir atividades para o segundo dia do FSM dedicado à Pan Amazônia, . definir a dinamicidade da Casa dos Povos Originários, que será construída no território do FSM e preparar a grande finalização da marcha de abertura.

Principais temas a serem debatidos durante o Fórum Pelo que vimos discutindo até agora alguns temas vem sendorecorrentes: Desenvolvimento e Dhesca (Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), Modelos Energéticos, Exploração mineral, Justiça Ambiental, MudançasClimáticaseSegurançaAlimentar; Trabalhoe todas as formas de precarização; Fim da Violência e da Criminalização dos Movimentos Sociais; Terra e Território, Identidade e multiculturalismo, Soberania PopulareIntegraçãoRegional.

Expectativas da Organização Esperamos e estamos trabalhando nessa perspectiva que o FSM 2009: a) seja efetivamente um espaço onde se constroem alianças que fortaleçam propostas de ação e formulação de alternativas, ampliando o diálogo entre os diferentes movimentos, redes e organizações; b) possua um claro acento pan-amazônico, aberto à interlocução com outras regiões do mundo que queiram participar dos d e b a t e s re l a c i o n a d o s diretamente às questões amazônicas, o qual será priorizadonosegundodiadoFSM; c) Cause impacto, obter repercussão externa e reverberação interna no próprio FSM para os temas delutadospovosamazônidas; d) Dê uma demonstração visual e sensorial da força da aliança entre os povos amazônidas e os povos do mundointeiro; e) Facilite a aproximação e integração entre as dezenas demilharesdeparticipantesdoFSM-2009; f) Possibilite a experimentação de novas linguagens de luta, fundindo ao longo de cada dia testemunhos, encenações teatrais, rituais, musicais e outras formas de expressão e manifestação artísticocultural; e

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Índios, seringueiros, colonos: para os habitantes da Amazônia, a preservação da floresta é uma causa Comum

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ecossistemas) como fonte de vida para o PlanetaTerra e aos povos originários do mundo (indígenas, afrodescendentes, tribais, ribeirinhos) que exigem seus territórios, línguas, culturas, identidades, justiça ambiental,espiritualidadeebomviver.

g) que seja o mais simples e menos oneroso e possa contar com a solidariedade do povo de Belém no sentido de hospedar as pessoas e tratá-las da melhor formapossível.

Objetivos da ação do Fórum Social Mundial 2009 As diversas atividades autogestionadas do FSM serão realizadas em torno de um entre os 10 objetivos a seguir, definidos, após a realização de uma ampla consulta pública às diversas organizações e entidades participantesdoprocessoFSM: 1-Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre de armas, especialmenteasnucleares; 2-Pela libertação do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de comércio, com cancelamento da dívida dos países empobrecidos; 3-Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, dasflorestasefontesrenováveisdeenergia; 4-Pela democratização e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual; 5-Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero, raça, etnia, geração, 42| REVISTA AMAZÔNIA

orientação sexual e eliminação de todas as formas de discriminação e castas (discriminação baseada na descendência); 6-Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente os direitos à alimentação (com garantia de segurança e soberania alimentar), saúde, educação, habitação, emprego, trabalho digno e comunicação; 7-Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos,inclusivedasminoriasedosmigrantes; 8-Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio éticoejusto,centradaemtodosospovos; 9-Pela construção e ampliação de estruturas e instituições políticas e econômicas (locais, nacionais e globais) realmente democráticas, com a participação da população nas decisões e controle dos assuntos e recursospúblicos. 10-Pela defesa da natureza (Amazônia e outros

Para o FSM 2009, também será possível inscrever atividades de troca de experiências, balanço dos movimentos altermundialistas (antiglobalização) e do processo Fórum Social Mundial e sobre as perspectivas futuras de ambos, que não se vinculem necessariamenteaumdesses10objetivosespecíficos. O FSM ocorre de 27 de janeiro a 1o de fevereiro, nos campi da Universidade Federal do Pará (UFPA) e UniversidadeFederalRuraldaAmazônia(UFRA).

Informações: FórumSocialMundial2009-EscritórioBelém RuaPresidentePernambuco,40.LargodaTrindade Fone:55-91-3230-2285 SitedoFSM2009:www.fsm2009amazonia.org.br

(*) Membro da Diretoria Colegiada da Abong (Associação Brasileira de ONG´s) e do Grupo de Facilitação do FSM 2009

Recente reunião do Comitê Indígena do FSM

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Sustentabilidade e bons negócios A

busca por lucratividade baseada em processos sustentáveis é, hoje, uma realidade, que visa o equilíbrio entre três pilares ambiental, econômico e social, para obter bons negócios. Em uma gestão responsável é preciso que as práticas sustentáveis sejam multiplicadas entre todos os atores envolvidos. Toda a rede de fornecedores, parceiros, clientes e até mesmo consumidores e governos, devem estar comprometidoscomacausa. Portanto, a sustentabilidade exige a convergência de mercados em busca de objetivos comuns, buscando ações e ferramentas que contribuam para essa integração. Ao percebermos que apostar em crescimento sustentável é investimento e não despesa, tanto para empresas privadas como para o setor público,todossairãobeneficiados. Do lado corporativo, além de fortalecer as estruturas da empresa no mercado, oferecendo credibilidade e confiabilidade à marca, a visão sustentável também auxilia a companhia na aquisição de créditos e contribui com a eficiênciadonegócio,gerandomaiorlucratividade. Alguns fatos do mercado mundial também já demonstram algumas mudanças significativas. Por exemplo, as principais bolsas de valores do mundo,incluindoaBOVESPA,possuemíndicesdiferenciadosparaosnegócios sustentáveis e suas ações têm mostrado uma estabilidade maior do que as outras, mesmo, em tempos de crise. Os bancos de varejo disputam a posição do “mais sustentável”, afinal, esse valor significa ainda mais segurança no longoprazo. No Brasil, o investimento em controle ambiental das indústrias passou de R$ 2,2 bilhões, em 1997, para R$ 4,1 bilhões, em 2002, dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-empresa). Foram consideradas, além da aquisição de máquinas indústrias que incorporam a concepção de tecnologia limpa, a aquisição de equipamentos, obras Ricardo Guggisberg, o com estação de tratamento e organizador da Eco Business Show gastos para colocar esses itens em funcionamento. Cada vez mais, é preciso estar atento aos novos nichos de mercado. Principalmente em tempos de crise, os negócios “verdes” podem gerar grandes oportunidades de negócio. A ONU estima que a economia “verde”

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deverá contribuir, no mundo, com mais de 20 milhões de empregos até 2030. Esperamos que essas estimativas cresçam ainda mais e que, com uma maior consciência, possamos romper com o atual processo de desenvolvimento a qualquercustoparaalcançarodesenvolvimentosustentável. (*)Ricardo Guggisberg é organizador da Eco Business Show, feira de sustentabilidade e negócios que acontece em São Paulo de 25 a 27 de novembro, além de presidente da MES Eventos que tem uma proposta inovadora e criativa de realizar projetos que contribuam para um mundo sustentável

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OS 210,7 MILHÕES DE HECTARES DE FLORESTAS PÚBLICAS DO BRASIL

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Desse total 25 milhões são áreas florestais sem destinação; 12 milhões, florestas sob administrações estaduais

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Brasil tem 210,7 milhões de hectares de florestas públicas, segundo a versão 2008 do CNFP (Cadastro Nacional de Florestas Públicas), divulgado pelo Serviço Florestal

Brasileiro. Desse total, 185,4 milhões de hectares são florestas protegidasemunidadesdeconservaçãofederaiseterras indígenas. Outros 25,3 milhões são de florestas localizadas em terras sem destinação, ou seja, em áreas que não tiveram nenhuma destinação pública ou privadaestabelecidaoficialmente. O Cadastro Nacional de Florestas Públicas é uma iniciativa do Serviço Florestal Brasileiro. A primeira versão saiu no ano passado, quando foram catalogados 193 milhões de hectares. Seu objetivo é mostrar o tamanho e onde se localizam as florestas sob administração da União, dos Estados de Municípios. E, a

destinadas e não destinadas, depois vem o Amapá (2,3 milhõesdehectares). Não-destinadas – Um dado importante que a nova versão do Cadastro Nacional de Florestas Públicas indica é a diminuição das áreas florestais sem destinação, que são áreas onde não foi criada nenhum tipo de unidade de conservação, terra indígena ou mesmo assentamentosdoIncra. Em 2007, havia cerca de 29 milhões de hectares de florestas públicas sem destinação oficial. Um ano depois, esse número caiu para aproximadamente 25,3 milhões – graças à criação de novas unidades de conservação no Amazonas (3, 2 milhões de hectares) e noAcre(628milhectares). “A queda desses números é um dado positivo, uma vez que – como mostram os estudos – áreas sem destinação são mais vulneráveis ao desmatamento.

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As florestas públicas federais são classificadas em 3 tipos: ² Florestas Públicas do TIPO A (FPA) - São as florestas que se encontram localizadas em áreas que tenham sido destinadas à proteção e conservação do meio ambiente (Unidades de Conservação de Proteção Integral e de Uso Sustentável) e ao uso de comunidades tradicionais (ex. terras indígenas e Resex), os assentamentos e outras formas de destinção previstas na lei. ² Florestas Públicas do TIPO B (FPB) - São as florestas que se encontram localizadas nas áreas publicas arrecadadas pelos entes da federação que ainda não foram objeto de destinação especifica por parte do órgão gestor da terra publica. ² Florestas Públicas do TIPO C (FPC) - São as florestas localizadas em áreas de dominialidade indefinida, comumente chamadas de terras devolutas.

partirdaí,poderestudarsuamelhordestinação. “O cadastro indica as áreas passíveis de uso sustentável, como as Áreas de Proteção Ambiental, por exemplo, ou as vetadas para o manejo, como as reservas biológicas”, explicaTasso Azevedo, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro. “Desse total de áreas catalogadas, apenas 20% são passíveis de serem destinados às concessões florestais”,afirmaAzevedo. Na versão atual, iniciou-se o cadastramento de florestas públicas estaduais. Amazonas, Amapá, Acre e Pará enviaram as primeiras versões dos mapas com as florestas públicas por eles administradas. As outras UnidadesdaFederaçãoaindanãopublicaramomapade suasflorestaspúblicas. Ao todo os quatro estados identificaram 12 milhões de hectares de florestas. A maior parte localiza-se no estado do Pará (7,8 milhões de hectares), entre áreas 44| REVISTA AMAZÔNIA

Quando é instituída alguma forma de administração pública não a área, a conservação da floresta aumenta”, afirmaAzevedo. O Amazonas é o estado que mais tem áreas sem destinação identificadas (13,6 milhões de hectares), seguido do Pará (5,9 milhões de ha) e Roraima (4,7 milhões). Segundo Tasso Azevedo, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro“ a estimativa é que quando o cadastro estiver completo, deveremos chegar a 300 milhõesdehectaresdeflorestaspúblicas”,afirma. AVersão 2008 do Cadastro traz ainda informações sobre áreas florestais onde foram implantados projetos de assentamentos agroextrativista pelo Incra – os chamadosPAEs-,numtotalde1,5milhãodehectares. CNPF – A Lei de Gestão de Florestas Públicas, aprovada em 2006, criou o Cadastro Nacional de Florestas Públicas

(DNFP), a ser gerido pelo Serviço Florestal Brasileiro. O cadastro inclui todas as florestas naturais ou plantadas localizadas nos diversos biomas brasileiros, em bens sob o domínio da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal ou das entidades da administração indireta. (*)Analista Ambiental

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O desafio da regularização fundiária na Amazônia

Fotos Roosewelt Pinheiro/Abr e Jane de Araujo

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«O que vai acontecer se as nossas propostas forem implementadas é que as posses de até 1.500 hectares serão rapidamente regularizadas. As posses entre 1.500 e 2.500 hectares, que dependem, para sua venda, de licitação, ficarão por algum tempo numa situação ainda indefinida, e as posses acima de 2.500 hectares, portanto, as grandes invasões dos aventureiros, ficarão sujeitas a retomadas pelo Governo Federal. Portanto, é completamente errado dizer que a regularização fundiária da Amazônia que se propõe vai beneficiar os grileiros. Vai, ao contrário, permitir acabar com as condições que favorecem a grilagem e a violência na Amazônia",afirmouUnger.

presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou na abertura do seminário internacional “O desafio da regularização fundiária na Amazônia”, organizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República e pelo Banco Mundial. que considera extremamente importante que se incentive o debate sobre a O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes

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inúmeras interfaces, envolvendo terras indígenas, populações tradicionais, exploração da biodiversidade, biopirataria, exploração mineral, além, claro, das

Garibaldi Alves O presidente do Senado, Garibaldi Alves, ao discursar, na abertura do evento, afirmou que a Amazônia hoje é foco das atenções do mundo inteiro, dada a sua importância para a vida do planeta e entende que o primeiro passo

regularização fundiária na Amazônia.“Nós sabemos que esse quadro de insegurança jurídica acaba por gerar um estado de ilegalidade permanente”, declarou. Considerando “a base territorial expressiva que a Amazônia ocupa no Brasil”, o ministro Gilmar Mendes disse concordar com Mangabeira Unger em relação à necessidade de uma ação conjunta e de políticas públicas para atender a um objetivo comum. Para ele, a medida evitaria as contradições que às vezes surgem com o Incra de um lado e Ibama de outro, o que causa também a insegurança jurídica. “É fundamental que nós tenhamos uma clareza em relação à situação jurídicadasterrasdaAmazônia.” O ministro disse também que a discussão sobre preservação e proteção do meio ambiente não pode ser feita dissociada da idéia de desenvolvimento. “O Brasil temumgrandedeverdeintegraçãosocialeissotemque serrealizadomediantedesenvolvimento.”

Mangabeira Unger

Jane de Araújo

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Garibaldi recomenda fim do caos fundiário na Amazônia

para que o Brasil encontre uma solução para os problemas da Amazônia é acabar com o caos fundiário existente na região.. Na opinião do senador, a regularização fundiária é ponto de partida para o equacionamento dos problemas ali existentes, sobretudo os que se referem à exploração predatória da floresta. - O assunto é um desafio enorme, a tarefa é hercúlea, há O ministro Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, no seminário internacional O Desafio da Regularização Fundiária na Amazônia

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dá entrevista, depois de participar da abertura do seminário internacional O Desafio da Regularização Fundiária na Amazônia

questões ambientais, entre outras. Além disso, menos de quatro por cento das terras estão em mãos de particulares na Amazônia com situação jurídica consumada. Como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse em discurso anterior que são menos de cinco por cento os detentores dessas terras, Garibaldi provocou risadas na platéia ao afirmar, como brincadeira: "Eu não teria a ousadia de contestar o PoderJudiciário". Garibaldi disse ainda, que a pedra de toque para acelerar a regularização fundiária na Amazônia é a simplificação normativa. O seminário reuniu especialistas internacionais e representantes de entidades da sociedade civil para discutir temas como a definição do tamanho das glebas de terra que devem ser imediatamente regularizadas na região. 100

Já o ministro da SAE, Mangabeira Unger, falou sobre a criação de uma agência executiva para apoiar, coordenar e monitorar o trabalho do estado e dos municípios na regularizaçãofundiáriadaregião. Essa agência, segundo ele, seria uma entidade "leve e enxuta", com o objetivo de simplificar as regras e os procedimentos da regularização. Ele disse que a regularização vai permitir, pela primeira vez na história do país, construir um modelo econômico que beneficia ospequenosenãoosgraúdos.

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Fotos José Cruz e Adriano Machado

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world social forum

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Sessão Especial no Plenário do Senado Federal em comemoração ao Fórum Social Mundial

Homenagem ao Fórum Social:

"Um outro mundo A

pedido do senador José Nery, o Senado realizou sessão especial para homenagear o Fórum Social Mundial que acontecerá em 2009 em Belém. O lema do evento será "Um outro mundo é possível", e a expectativa é de que o encontro reunirá cerca de 120 mil pessoas, entre representantes de entidades da sociedade civil, movimentos sociais e organizações nãogovernamentais. Compuseram a mesa Álvaro Dias, José Nery , José Luiz Del Roio, presidente do Comitê Internacional do Fórum; Ana Cláudia Cardoso, representante da governadora do Pará (Ana Júlia Carepa); eTatiana Cibele Oliveira, da Marcha Mundial de Mulheres,organizadoradoevento. Para Alvaro Dias, 2º vice-presidente do Senado, que

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é possível"

Evento volta ao Brasil, onde começou em 2001. Desta vez acontecerá em Belém, entre 27 de janeiro e 1º de fevereiro, com expectativa de reunir 120 mil pessoas presidiu a sessão, boa parte dos debates do Fórum, que ocorrerá entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro, deverá centrar-se na busca do desenvolvimento sustentado que todos desejam para refrear o desmatamento, preservar a água e a Floresta A m a zô n i c a , q u e d e té m a m a i o r biodiversidadedoplaneta. – O agronegócio está afetando a Amazônia, com seu modelo voraz de crescimento. É preciso dar meia-volta, enquanto isso é possível, e pensar numa modalidade diferente de exploração de riquezas que utilize esses meios, mas não destrua os bens quepertencematodos–assinalouAlvaro.

Nery observou que a capital paraense sediará o evento "para representar o grito de todos os excluídos e inaugurar um novo modelo que combata a injustiça e a exclusãosocial". O senador destacou a importância de o Fórum acontecer numa cidade da região pan-amazônica, que abrange nove países, para servir de alerta sobre as conseqüências do aquecimento global. A região detém as maiores reservas de água doce e de florestas primárias do mundo. Nery disse também que um dos principais objetivos do evento será buscar a libertação do mundo da ditadura do capital, das multinacionais e do neocolonialismo, e tem como pilar inicial o cancelamento da dívida externa

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dos países mais empobrecidos, para resgatar o que a Humanidade tem de melhor: sua capacidade de sonhar e de realizar o que parece impossível, através da esperança de paz e prosperidade para todos. Segundo o senador, o Fórum também pretende garantir o acesso universal aos bens do mundo, em especial a água, a floresta e as fontes renováveis de energia. José Nery comentou que no Brasil o crescimento econômico tem sido, tradicionalmente, sinônimo de devastação. O senador Flexa Ribeiro afirmou que a escolha de Belém como sede do encontro revelou-se "uma medida das mais acertadas" para o estado do Pará e, principalmente, para o Brasil, que voltará a sediar o evento, como nos primeiros anos de criação do fórum. O senador Eduardo Suplicy sugeriu aos organizadores que convidem estudiosos da renda básica da cidadania para debater o tema durante o encontro, lembrou também ter participado de todos os encontros do Fórum

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A cantora paraense Andréa Pinheiro, acompanhada do violonista Floriano, interpretando o hino nacional brasileiro e a canção Sonho Impossível, de Chico Buarque e Ruy Guerra

Ana Cláudia Duarte Cardoso , secretária de Estado de Governo, durante Sessão Especial no Plenário do Senado Federal em comemoração ao Fórum Social Mundial que ocorrerá em Belém, em Janeiro de 2009

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Ana Claudia Cardoso , José Luiz Del Roio, Álvaro Dias e José Nery e Tatiana Cibele Oliveira

já realizados, garantindo que certamente estaránasreuniõesnacapitalparaense. O senador italiano José Luís Del Roio, representante do Comitê Internacional do Fórum, fez uma retrospectiva histórica do Fórum e lembrou que a idéia inicial do FSM está ligada à cidade de Belém, já que ocorreu durante o 2º Encontro Americano pala Humanidade e contra o Neoliberalismo, em Belém. O Encontro ocorria simultaneamente ao movimento que em Seattle (EUA) combatia a Organização Mundial do Comercio e fazia contraponto ao Fórum Econômico Mundial deDavos,naSuíça. A secretária de governo Ana Cláudia Cardoso, que representou a governadora, disse que o governo do Pará tem dispensado máxima atenção à organização do Fórum para garantir que os militantes sejam bem acomodados na capital paraense. Ela informou sobre a parceria dos diversos setores do governo federal à organização do FSM e solicitou apoio para demandas relacionadas a eventos de grande porte, como é o caso de segurança preventiva, condições de acesso e alojamento. A secretária destacou, ainda, que o Governo do Pará tem trabalhado para solucionar problemas históricos e estruturais que resultam em exclusão social em todo o Estado. Ao final da sessão para representar“a Belém que canta, luta, e trabalha”, José Nery chamou a cantora Andréia Miranda Pinheiro e o violinista Floriano, para interpretar Uirapuru, do compositor paraense WaldemarHenrique.

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Fotos Luciana Tancredo

O Prêmio

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Brasileiro Imortal

escolha dessas personalidades foi via voto p o p u l a r p e l a i nte r n e t, n o s i te www.brasileiroimortal.com.br. A votação durou dois meses e chegou a quase250milvotosemtodooBrasil. Foram duas premiações: uma nacional e outra regional, para cada uma das cinco regiões brasileiras. Na categoria nacional, , foi escolhido como vencedor o jornalista paulista José Hamilton Ribeiro, que registrou o maior número de votos de toda a premiação. No total, conquistou mais de 70% da preferência entre os eleitores. Mais conhecido como Zé Ribeiro, com 52 anos de carreira e uma referência do jornalismo brasileiro, foi homenageado com uma espécie do gênero Anthurium, popularmente conhecido como Antúrio mirim, descoberto pelo pesquisador Marcus Nadruz Coelho, do J a rd i m B o t â n i co d o R i o d e J a n e i ro. No Norte, foi a escritora e poetisa Zeneida Lima, da Ilha de Marajó, onde desenvolve belo trabalho na ONG

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Seis brasileiros batizaram com seus nomes as novas espécies botânicas da Mata Atlântica, descobertas na Reserva Natural Vale, em Linhares, no Espírito Santo

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Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale e Celso Silva Carvalho, Diretor Regional dos Correios do Rio de Janeiro com os Selos lançados

Pesquisador Marcus Nadruz e Miguel Krigsner, fundador da empresa O Boticário e da Fundação O Boticário de Proteção Ambiental Zeneida Lima e o pesquisador botânico Carlos Victor Mendonça Filho

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Caruanas do Marajó. Ela deu nome a um Antúrio quilhado, outra espécie descoberta por Nadruz. Ela recebeu o prêmio pessoalmente do pesquisador pesquisador botânico Carlos Victor Mendonça Filho e destacou a importância da iniciativa da Vale para o incentivo à preservação ambiental no Brasil, quando novos tipos de plantas são descobertas e batizadas com nomes de pessoas que dedicam parte de sua vida à defesadanatureza. No Nordeste foi escolhida a escritora Raquel de Queiroz, sendo imortalizada batizando uma espécie também do gênero Anthurium, popularmente conhecida como Antúrio verdão, mais uma descoberta do botânico Marcus Nadruz. Na entrega do prêmio, ela foi representadaporseunetoFláviodeQueirozSalek. No Centro-Oeste, foi eleito o economista e historiador Paulo Bertran, já falecido, que vai dar nome a uma orquídea, descoberta pelo pesquisador Cláudio Nicolleti, também do Jardim Botânico do Rio. Ele foi representado pelo seu filho André Gustavo Bertran. “Trabalho para dar continuidade às ações do meu pai. E esseprêmiomeincentivaaindamais”,ressaltou. Na Região Sul o empresário catarinense Miguel Krigsner

ficou com o primeiro lugar, com pouco mais de 40% da preferência dos votos. Miguel Krigsner, fundador da empresa O Boticário e da Fundação O Boticário de Proteção Ambiental, batizou a espécie Salacia, descoberta pelo botânico Júlio Antonio Lombardi, da UniversidadeEstadualPaulista. Na região Sudeste o maestro Antônio Carlos Jobim foi o escolhido. Tom Jobim vai batizar a uma espécie do gênero Machaerium, conhecido como Bico branco, descoberta pelo botânico CarlosVictor Mendonça Filho, das Faculdades Integradas de Diamantina/MG. Recebeu o prêmio, representando o compositor carioca, a nora deleElianeJobim. 100

Homenagem Especial A Vale, durante a premiação, prestou uma homenagem especial à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que também teve seu nome imortalizado em uma das novas espécies descobertas em Linhares. Ela batizou um Philodendron, conhecido como Imbé feliz, descoberto porNadruz. Doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia,

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Poucas homenagens foram tão sensíveis com esta, principalmente porque a mãe da Ruth era bióloga, disse FHC

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realizadas na Reserva de Linhares, que possui 22 mil hectares, isso, desde que foi adquirida pela mineradora, nos anos 50. Nesse período, 96 novas plantas já foram reveladas e nós estamos trabalhando para que esse número aumente ainda mais. Roger Agneli informou ainda, que a decisão de batizar os novos vegetais com nomes de brasileiros ilustres foi tomada em conversa com os botânicos responsáveis pelas descobertas, tendo como principal critério que fossem pessoas cujas atividades nas áreas social e ambiental tenham

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Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, Evangeline, nora de FHC, Roger Agnelli, diretorpresidente da Vale, Fernando Henrique Cardoso, Julia, neta de FHC, Bia Cardoso, filha de FHC

Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), D. Ruth fundou e presidiu, durante o governo FHC, o Conselho da Comunidade Solidária, responsável por programas sociais e de voluntariado. Ao sair do governo, a ex-primeira-dama deu continuidade ao trabalho, através da Comunitas, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu o prêmio e emocionado disse: “Poucas homenagens foram tão sensíveis com esta, principalmente porque a mãedaRutherabióloga”,disseFHC.

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André Gustavo Bertran, neto de Paulo Bertran e o pesquisador Marcus Nadruz

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Carlos Victor Mendonça Filho, pesquisador botânico, José Hamilton Ribeiro, jornalista e vencedor do grande prêmio Brasileiro Imortal e Marilene Ramos, secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro

Eliane Jobim nora de Tom Jobim e o pesquisador Marcus Nadruz

Reconhecimento Segundo o presidente da Vale, Roger Agneli, com o Brasileiro Imortal, a empresa buscou homenagear os descobridores das espécies e dar visibilidade às suas ações sustentáveis, principalmente as que estão sendo

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Pesquisador botânico Carlos Victor Mendonça Filho e Flávio Salek, neto de Rachel Queiroz

importânciaparaodesenvolvimentodopaís. Todas as novas espécies, assim como os nomes dos escolhidos, foram estampadas em um conjunto de selos pelos Correios. Os selos foram ilustrados por Dulce

Nascimento, membro do Conselho da Fundação Botânica Margaret Meet e uma grande referência na sua área. Seis brasileiros batizaram com seus nomes as novas espécies botânicas Os candidatos ao Prêmio Brasileiro Imortal foram escolhidos por uma Comissão de Especialistas, formada por pessoas que atuam na área de sustentabilidade. A escolha dos novos nomes, conforme acerto prévio com os botânicos descobridores das novas espécies teve como principal critério que fossem brasileiros, cujas atividades nas áreas social e ambiental tenham real importância para o desenvolvimento do país.

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As novas espécies Salacia - Descoberta pelo professor assistente de Botânica, Julio Antonio Lombardi, a Salacia é da familia Hippocrateaceae. Esta é constituída de 25 gêneros, distribuídos nas regiões tropicais e subtropicais dos HemisfériosSuleNorteepoucorepresentadasnaszonas temperadas. No Brasil, onde ocorrem mais de cem espécies em 13 gêneros, a família está distribuída nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país, com poucas na região Sul. Dos gêneros brasileiros, Salacia é o maior, commaisde20espécies. Segundo Lombardi, a espécie encontrada na Reserva é uma trepadeira grande que pode ultrapassar cinco metros de altura. Dá frutos grandes, verdes e lisos, similares no tamanho a côcos descascados. Suas folhas sãoduraseverde-clarascomnervurasaindamaisclaras.

Salacia

As flores são pequenas, marrom-esverdeadas e sem perfume. É uma planta que cresce exposta ao sol e tendo acesso a bastante água - tanto que foi encontrada em umaáreainundada. Machaerium - É um gênero de plantas que pertence à família das leguminosas (Fabaceae), apresentando muitas espécies conhecidas popularmente por "jacarandás". São encontradas no México e Américas Central e do Sul. No Brasil, ocorrem em diferentes ambientes, como na Amazônia e Pantanal, além de região de caatinga, cerrado e mata atlântica. Podem ser arbóreas, arbustivas ou trepadeiras, apresentando uma resina avermelhada quando cor tadas. A espécie nova encontrada pelo pesquisador Carlos Victor Mendonça Filho é arbustiva, embora possa ser também trepadeira, de acordo com as condições de luminosidade. Apresenta semelhança com algumas espéciesamazônicasquantoàscaracterísticasdasfolhas e possui flores brancas e frutos dispersados pelo vento. Tais espécies possuem folhas compostas, com espinhos retos ou recurvados na base. As flores são pequenas, com pétalas brancas, amarelas, lilás ou roxas e são

Machaerium

polinizadasprincipalmenteporabelhas.Ofrutopodeser disseminadopelaágua(algumasespéciesamazônicase do pantanal) ou pelo vento (as demais espécies). Muitas apresentam um alto valor econômico pela qualidade da sua madeira, como o jacarandá-caviúna ou apresentam importância medicinal. Várias espécies apresentam associações com bactérias fixadoras de nitrogênio sendo, portanto, indicadas para a recuperação de áreas degradadas. Anthurium - Os três novos antúrios descobertos pelo pesquisador Marcus Nadruz na Reserva NaturalVale, em Linhares, fazem parte da família Araceae (vulgarmente designadas por jarro ou arão). A família é composta por 107 gêneros e cerca de 3 mil espécies, sendo freqüente nos trópicos da América. Os antúrios, assim como os copos-de-leite, são integrantes bem conhecidos nesta família. As novas espécies têm preferência por ambientes úmidos e sombrios. São típicas da Mata Atlântica, porém são pouco encontradas, sendo conhecidas, até o momento, somente do local onde foram descobertas. São herbáceas (também conhecidas como ervas) com poucopotencialornamental. Esse grupo de plantas possui flores reunidas, formando uma inflorescência (várias flores juntas, consistindo normalmente num prolongamento semelhante a um caule). Da mesma forma, os frutos são organizados numa infrutescência (conjuntos compactos onde cada fruto está aderido ao outro, de forma que se assemelhe a um grande fruto, como um cacho de uvas). Anthurium

Vanilla - A espécie descoberta pelo pesquisador Cláudio Nicoletti é uma vanilla, pertencente à família das orquidáceas. A planta é trepadeira, classificada em um gênero que congrega cerca de 50 espécies, todas provenientes de zonas tropicais. É encontrada na Reserva Natural Vale numa ilha do litoral paulista conhecida como Ilha deVitória. É de difícil cultivo por ser uma trepadeira e ainda não se sabe se sua vagem teria o mesmo sabor característico da fava já famosa. A espécie tem em média sete centímetros de diâmetro e suas flores são grandes e de curta duração, podendo morrer após 24 horas de nascidas. De acordo com Nicoletti, a espécie é típica do mato, suas pétalas são verdes com labelo branco e não pode ser considerada

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vistosa. Suas folhas são moles. É a única baunilha que tem estrutura na flor, ou seja, um calcar onde normalmenteéguardadoonéctar. Philodendron - Descoberta pelo pesquisador Marcus Nadruz, a espécie pertence a família da Araceae, composta por 107 gêneros, entre os quais o Philodendron, popularmente conhecida no Brasil pelo nome de Imbé. São em geral plantas semi-trepadeiras, de caule frágil, com raízes aéreas pouco resistentes. Possui grandes folhas em forma de lábios, com flores minúsculas, agrupadas em espigas sob uma capa que se abre quando aptas à fecundação. O Philodendron é freqüente na América, ainda que se distribua nas regiões temperadaseuropéiassetentrionaisatéaostrópicos.

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noite do dia 13 de novembro foi movimentada para o Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Pará que finalizou a primeira edição do Prêmio Crea Pará de Meio Ambiente e Recursos Hídricos 2008, evento que reuniu cerca de 300 convidados no Teatro Maria Sylvia Nunes para prestigiar os autores dos 16 projetos premiados, que se dividiramemoitomodalidades. A comissão julgadora, formada por especialistas, assessores e Conselheiros do CREA-PA, recebeu cerca de 50 propostas coerentes ao objetivo

Presidente do CREA-PA, Eng. Agrônomo Antonio Carlos Alberio e o premiado pela “Escolha de Símbolo e Troféu de Premiação” Thyago Maia Rego

Premiado na modalidade Produção Agronômica com o projeto “Peixe é renda – melhorando a vida do homem do campo”, Geovanny Farache Maia e o Presidente do CREA- AP, Eng. Agrônomo Luiz Alberto Pereira Freitas

Premiado na modalidade Meio Ambiente Rural, com o projeto “Tipitamba”, Engenheiro Agrônomo Milton Kanashiro, e o presidente do CREA-GOIAS, Eng. Agrônomo Francisco Antônio Silva de Almeida

do prêmio. Seis delas, apesar de não terem alcançado a pontuação máxima na avaliação, receberam um certificado de Menções Honrosasporteremsidodestaquedentreosdemais. O Prêmio foi lançado no dia 30 de abril, no aniversário de 74 anos do CREA-PA. Institucionalmente, o órgão fiscaliza o exercício profissional das áreas ligadas à tecnologia, porém sente-se na obrigação de contribuir com a qualidade de vida no Estado, que passapelapreservaçãodanaturezaedabiodiversidade.

Miguel Agostinho de Lalor Imbiriba, premiado na modalidade Saneamento com o “Projeto de dragagem e revestimento do canal Tucunduba”, e o coordenador adjunto da Câmara Especializada de Engenharia Civil do CREA-PA, Eng. Civil Antonio Noé Carvalho de Farias

Coordenadora da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do CREA-PA, Engª Eletricista Beatriz Ivone Costa Vasconcelos e a premiada na modalidade Imprensa Escrita, com a reportagem “Faltam praças em Belém e região”, jornalista Aletheia Patrice Rodrigues Vieira

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Vice-governador do Estado Odair Corrêa discursou durante a cerimônia

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Coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica do CREA-PA, Eng. Mecânico José da Silva Neves e o representante da TV Record, premiada na modalidade Imprensa Eletrônica/Televisão, com a reportagem “Arsênio vidas contaminadas”

Fabíola Corrêa, premiada na modalidade Imprensa Eletrônica/Rádio com o “Programa de rádio Re-ciclo”, e o Engenheiro Eletricista José Chacon de Assis, representante do Confea Zeila Andrade Diniz, premiada na modalidade Arquitetura e Urbanismo com o projeto “Ecovila para o novo milênio”, e o coordenador da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA-PA, Arquiteto Mariano de Jesus Conceição

Ronaldo Martires Coelho, premiado na modalidade Educação Ambiental, com o projeto “Educação ambiental em comunidades situadas no interior do estado do Pará”, e o coordenador da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do CREA-PA, Geólogo José Waterloo Lopes Leal

Rubens Rodrigues Lima recebendo Menção Honrosa na modalidade Produção Agronômica com o projeto “Consorciação de culturas subsistentes com culturas perenes, em capoeiras derrubadas, bem rebaixadas e não queimadas” Secretária Municipal de Meio Ambiente, Sylvia Christina e o Coord. da Câmara Especializada de Agronomia do Rodrigo Rodrigues da Cunha recebendo Menção Honrosa CREA-PA, Eng. Agrônomo José Paulo da Costa Chaves S. O. Santos, representante da Prefeitura de Belém, na modalidade Produção Limpa com o projeto “Os recebendo Menção Honrosa na modalidade Arquitetura desperdícios na construção civil brasileira: conceito, e Urbanismo com o projeto “Via Parque Marquês de Herval” e o ex-presidente do CREA-PA, Eng. Civil Cândido classificação e melhoria utilizando a produção enxuta” e o ex-presidente do CREA-PA Eng. Civil e Eng. de Segurança Antônio Barbosa Bordalo do Trabalho, João Messias dos Santos Filho

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Heline Santana Modesto Neves, premiada na modalidade Produção Limpa, com o projeto “Estudo da influência dos compostos orgânicos no cultivo do milho” Ex-presidente do CREA-PA, Eng. Civil João de Oliveira e Odilson Antônio Silva Picanço e Emilene Moreira Santos recebendo Menção Honrosa na modalidade Meio Ambiente Rural com o projeto “Recomposição do Ecossistema Florestal da nascente do rio Uraim, localizado no município de Paragominas – PA”

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Vice-presidente do CREA-PA Eng. Civil José Leitão de Almeida Vianna e a senhora Oro Serruya recebendo Menção Honrosa na modalidade Educação Ambiental com o projeto “Bombardeio de sementes – Bombardeio Ciliar”

Ex-presidente do CREA-PA, Eng. Eletricista João Alberto Fernandes Bastos e Rogério Paiva Pinto recebendo Menção Honrosa na modalidade Imprensa Eletrônica com a reportagem “Guerra pela Amazônia”

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Andrés Gianni, coordenador do Instituto Atenas, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do DF, Cássio Taniguchi, o presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves, o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia e Adhemar Palocci diretor da Eletrobras

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Conferência Mundial ECO 2008 Fotos Débora Amorim

Em Brasília grandes nomes do ambientalismo mundial

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rasília recebeu personalidades brasileiras e estrangeiras na Conferência Mundial ECO2008, entre os dias 29 e 31 de outubro, no Museu do Complexo Cultural da República. Mais de trinta conferências trataram de paz e sustentabilidade, mudanças climáticas, novas fontes de energia, políticas públicas para o meio ambiente, cidades sustentáveis, educação ambiental, mídia e meio ambienteeAmazônia. O encontro foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Engenharia (OSCIP) em conjunto com o Governo do Distrito Federal e o Instituto Atenas de Pesquisa e Desenvolvimento. “Ninguém precisa ter dinheiro e experiência para

propagar a paz e a sustentabilidade no mundo, basta pensamento positivo e criatividade”, afirmou Gunter Pauli, da Bélgica, fundador da Zero Emissions Research and Initiatives (ZERI), na abertura da Conferência Mundial ECO 2008. "Cerca de 99% de tudo o que o café produz é desperdiçado. Usamos os rejeitos para a produção de shitake e a sobra, rica em aminoácidos, serve de ração para porcos", afirmou Gunter, na abertura da ECO2008. Pauli falou sobre a experiência de aproveitar resíduos da produção de alimentos para comocultivarcogumelos. Além de Pauli, participaram ainda do primeiro dia do evento a paranaense Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e Michael Kramer, membro do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, da Suíça. Os conferencistas discutiram sobre paz e sustentabilidade. Para Zilda Arns, a formação da criança tem influência direta na paz. "O aleitamento materno é uma força incrível para o desenvolvimento da afetividade e da tolerância", acredita a pediatra e sanitarista. Segundo dados da

pastoral, toda criança maltratada antes de um ano tem tendência a ser violenta, por isso a instituição não só cuida da mãe desde a gestação, como atende a dois milhõesdecrianças.

Aquecimento global e novas fontes de energia José Miguez, Carlos Nobre, Susana Kahn e Paulo Artaxo, membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), falaram sobre estratégias para enfrentar o aquecimento global e as mudanças climáticas, além da utilização de fontes alternativas de energiaparaoséculoXXI. Uma das conseqüências do aquecimento global é a redução da produtividade das hidrelétricas, causada pela diminuição da vazão dos rios. O alerta foi feito pelo doutor em Meteorologia Carlos Nobre. O pesquisador explicou que a alteração no clima será cada vez menos favorável ao cultivo de cana e de outras culturas. Como solução, Nobre propôs um melhor aproveitamento do potencial energético eólico do Brasil, que hoje é de 60GW,massãoutilizadosapenas0,28GW. A mudança nos padrões de consumo é outra alternativa proposta pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo. "Se a pessoa escolher um carro a álcool em vez de um carro a gasolina, já contribui para reduzirasemissões",exemplifica. Segundo dados do IPCC, em 300 anos o nível do mar subirá cerca de sete metros. Aproximadamente 70% das

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cem maiores cidades do planeta são litorâneas. A previsão é de que nos próximos 100 anos a temperatura médiaglobalaumenteentre2e4graus,oqueacarretará naperdasignificativadabiodiversidadenoplaneta.

Mídia e meio ambiente e educação ambiental O jornalistaWashington Novaes, supervisor do Repórter Eco (TV Cultura) criticou a falta de debate nos meios de comunicação sobre as questões ambientais. "Você não encontra em nenhum jornal matérias sobre a emissão de metano pelo rebanho bovino brasileiro que é de 10 milhões de toneladas por ano", alertou. "O problema é que para incluir estes assuntos o jornal, é preciso enfrentar entraves com o governo e com a publicidade", concluiu. A escritora e apresentadora da BBC de Londres Joanna Yarrow acredita que o papel da mídia é fazer a sociedade compreender porque agir mais sustentavelmente. "No ano 2000 existiam 500 milhões de carros no mundo, em 2050 serão 5 bilhões. As pessoas precisam entender que é mais vantajoso ser sustentável", afirmou a autora de "1001 maneiras de salvar o planeta", editado no Brasil pelaPublifolha. A inclusão das pessoas no processo de desenvolvimento sustentável foi ressaltada pela pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Michèle Sato. "Se você chega a uma comunidade que não tem o que comer para falar sobre consumo sustentável, parece um crime", destacou. A bióloga e filósofa alertou sobre a importância de erradicar a pobreza e a miséria, realidadesincompatíveiscomapreservaçãoambiental. Para introduzir a temática de cidades sustentáveis, o arquiteto e teórico Richard Register (EUA) explicou o Zilda Arns no painel Paz e Sustentabilidade

conceito de cidades verdes, que dão oportunidade dos moradores conviverem diretamente com a natureza. "Temos que celebrar a natureza na organização das cidades", aconselhou. Para Register, cidades verdes são aquelas onde há o uso de energia solar, reutilização de água e despavimentação de áreasdestinadasaoplantiodeflorestaseparques.

Amazônia está ameaçada de desertificação, segundo especialista "O destino da Amazônia é virar grama depois de 2050 com o avanço da savana", preveniu Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia. Ele falou sobre as ameaças climáticas no último dia da ECO2008 na plenária que discutiu a preservação da Amazônia. O pesquisador apresentrou pesquisas de vários países que mostram o mesmo resultado: em 72 anos, se o mundo continuar na trajetóriaemqueseencontra,aflorestaseráumdeserto. A ex-ministra do Meio Ambiente alertou sobre a responsabilidade e a participação de todos os setores nesta causa e a manutenção das políticas governamentais suprapartidárias e contínuas, apesar dasmudançasdegoverno. Como solução para a conservação do bioma, Marina sugeriu a preservação de terras indígenas como as da Raposa Terra do Sol. "Aonde temos áreas indígenas, temos uma área preservada",disse. Paulo Nogueira-Neto, vicepresidente da WWF Brasil e um dos ambientalistas mais antigos do Brasil, disse que a prioridade dos ambientalistas agora é acabar com a miséria e ressaltou o papel das

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Paulo Nogueira-Neto, vice-presidente da WWF Brasil, recebendo a medalha Eco & Peace Global Award 2008

comunidades tradicionais e extrativistas na preservação da Amazônia. "As reservas estão destinadas à produção sustentável. Reservas extrativistas resolveriam o problemadaAmazônia",afirmou.

Homenagem Seis conferencistas convidados receberam o Eco & Peace Global Award 2008, medalhas em ouro maciço cunhadas especialmente para o evento pela Casa da MoedadoBrasil,umadaspatrocinadoras. Os homenageados foram Zilda Arns, Marina Silva, Washington Novaes, Paulo Nogueira-Neto, Michael Kramer (Cruz Vermelha Internacional) e Gunter Pauli (ZERI–Bélgica).

Conferência do Futuro Na tarde de encerramento da ECO2008 foi realizada a Conferência do Futuro, quando 700 crianças da rede pública do Distrito Federal discutiram o futuro do planeta. Como conferencistas convidados, estiveram presentes o biólogo Sergio Rangel (Rede Record), o astronauta Marcos Pontes e a apresentadora Xuxa Meneghel(RedeGlobo). Homenageada pelas crianças participantes do evento, Xuxa também recebeu a medalha Eco & Peace Global Award,comoreconhecimentopelos19anosdetrabalho frente à Fundação Xuxa Meneghel, que desenvolve projetos de educação e conscientização ambiental para criançasde3a12anos.

O belga Gunter Pauli, fundador do Zero Emissions Research and Iniciatives Zeri

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II Simpósio Amazônia

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específicas e a formação de p e s q u i s a d o r e s ", reiterou. Ele complementou que o Brasil responde por 2 % d a p ro d u ç ã o científica mundial, mas esse percentual poderia ser elevado, sobretudo do ponto de vista qualitativo, com o apoiomaciçoaprojetos de inovação científica voltados para a Amazônia. Ele informou que a Finep já destinou recursos para o reforço da infra-estrutura de pesquisa, em convênio com a Rede Nacional de Pesquisas e os governos estaduais, no valor aproximadodeR$28milhões.

Uma das mesas diretoras

A Comissão da Amazônia e os cientistas Um tema em destaque do II Simpósio Amazônia foi a parceria da Comissão da Amazônia e Desenvolvimento Regional com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência–SBPC, comoobjetivodeincentivaraprodução científica na região. O presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, ressaltou que há nove anos a entidade p ro m o ve d i s c u s s õ e s s i s te m át i c a s s o b re desenvolvimento da Amazônia. "Um dos temas da agenda acadêmica é a definição de estratégias para fomentar a formação de pesquisadores com especialização em temas relacionados com o desenvolvimentodaAmazônia",complementou. A presidente da Comissão da Amazônia, deputada Janete Capiberibe defendeu a parceria e disse que a atuação conjunta da comissão com a comunidade científica pode render frutos a médio e curto prazo. "Iniciamos essa parceira já faz algum tempo e a cada reunião anual da SBPC o trabalho tem avançado, o que nosdeixaotimistaseentusiasmados",avaliou. Segundo dados da SBPC, apenas 30% das pesquisas realizadas atualmente sobre o bioma amazônico são feitas por brasileiros. A deficiência, segundo Raupp, é conseqüência da falta de doutores nas universidades da região, diante desse panorama, a SBPC lançou a propostadeincentivosparaaformaçãodedoutorespara a Amazônia, a fim de reforçar os estudos locais e ampliar a participação do Brasil na produção científica sobre o bioma amazônico. "Esse incentivo é fundamental para o desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológicodaregião",reforçouRaupp.

Financiamento O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luís Fernandes Rabelo, destacou que a Amazônia representa o maior patrimônio mundial em termos de biodiverisdade e de potencial de pesquisa e de inovação. "A ciência e a tecnologia integradas à inovação são a chave para o desenvolvimento da Amazônia, o que requer investimentos em pesquisas 54| REVISTA AMAZÔNIA

Transportes Outro foco do debate foi a necessidade de redefinição dos modelos de transportes na região amazônica, como a substituição das embarcações de madeira por materiais mais seguros, como o ferro. Para o representante da Marinha, o capitão-de-mar-e-guerra Milton Benevides dos Guaranys, "as embarcações de madeira não atendem mais aos modernos padrões de segurança". Ele defendeu um sistema integrado de incentivos fiscais e de financiamento a baixo custo para a construção de barcos, com a participação de todos os estadosdaregião. A presidente da Associação dos Armadores do Transporte de Cargas e de Passageiros do Amazonas, Alessandra Pontes, denunciou os riscos no transporte de passageiros pelos rios da região. "A falta de segurança é alarmante, sobretudo no estado do Amazonas, que tem registrado acidentes freqüentes. Apesar disso, nenhuma medida efetiva foi tomada até agora para garantir a segurança dos usuários desse tipo de transporte", afirmou.

Falta de planejamento para região amazônica Para a presidente da comissão, deputada Janete Capiberibe, a herança atual é de graves equívocos nos modelos econômicos adotados na região, em que foi privilegiado por muito tempo o desflorestamento. Ela espera que essas práticas sejam superadas e defende mais investimentos em pesquisa e em ensino. "Os centros de pesquisa na Amazônia são poucos, faltam investimentos e recursos humanos, mas mesmo assim tem sido neles que as soluções de desenvolvimento sustentáveltêmaparecido",disse.

Falta de recursos O subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da

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Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Daniel Barcelos Vargas, informou que o governojátemprontosprojetosdedesenvolvimentoem áreas como transporte, educação, tecnologia e apoio a sustentabilidade para a região amazônica, mas falta recursosparaimplementá-los. Ele aponta como o principal problema da região o grande número de pessoas que trabalham na ilegalidade - por falta da regularização de documentos ou por atuarem em atividades proibidas, como a extraçãoilegaldemadeira. Vargas explicou que uma das ações do governo para regularizar as atividades econômicas na região é a simplificação do registro de terras para permitir a regularização fundiária na região. Segundo o subsecretário, menos de 4% dos que têm terras na região estão dentro da lei. "Pode-se dizer que isso beneficiaria grileiros, mas pelo contrário, se damos um choque de legalidade na Amazônia, vamos expor os invasores e grileiros", explicou. Segundo ele, 98% das posses da Amazônia têm menos de 1.500 hectares e a titularidade só pode ser resolvida por doação ou venda diretapeloPoderPúblico.

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Economia informal A coordenadora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, Edna Maria Ramos Castro, advertiu que é preciso discutir um conjunto de medidas para reduzir a informalidade econômica na Amazônia. Ela lembrou que o extrativismo é a principal atividade da região. "É preciso, portanto, reestruturar as atividades das pessoas que atuam nessa área para, no futuro, transformar o minerador e o madereiro, por exemplo, em processador de minério e operador de manejo florestal, respectivamente", disse. Ela lembrou que o núcleo já conta mais de 300 mestres formados em diferentesárease80tesesdedoutorado.

Financiamento Já o ex-senador João Capiberibe, que governou o Amapá entre 1995 e 2002, defendeu uma mudança no financiamento para as atividades econômicas na Amazônia. Para ele, é preciso redirecionar os créditos para a região, principalmente de bancos oficiais e do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). Segundo ele, entre 1989 e 2002, 5,8 bilhões de dólares em créditos foram destinados à região, sendo que metadedessevalorfoiinvestidoempecuáriabovina. 100

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Professor Ignacy Sachs e a deputada Janete Capiberibe

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N OSSAS MARCAS N ÃO PARAM DE CRESCER.

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W W W. S C H I N C A R I O L . C O M . B R

A PRECIE COM MODERAÇÃO.

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A comemoração do 20º aniversário do IPCC

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Rajendra Pachauri abriu a festa e registrou a conjuntura histórica do aniversário

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Fotos Jefferson Rudy/MMA

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IPCC foi criado pela OMM – Organização Mundial de Meteorologia e pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente , em 1988 e para celebrar esta data foi organizada uma sessão extraordinária – a 29ª sessão do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), realizada no "Centre International de Conférences de Genève" (CICG), na Suíça, sendo assistida por mais de 300 participantes e com a presença de Ban Ki-moon, Secretário-GeraldaONU. Ban Ki-moon, felicitando o IPCC pelo seu 20º aniversário

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Rajendra Pachauri abriu a festa e registrou a conjuntura histórica do aniversário e do conhecimento acumulado que representa, bem como o reconhecimento interposto pelo Prémio Nobel da Paz 2007, ganho pelo IPCC. Ele ainda apontou para as muitas referências feitas durante a UNFCCC 2007 Bali, o 4º Relatório de Avaliação (AR4) como indicativo do Painel da contribuição para o processo internacional da política climática. À luz das elevadas expectativas colocadas no IPCC, ele sugeriu que mudanças internas podem ser necessárias para permitir os futuros trabalhos do Painel, pelo aumento da

procura de conhecimento do clima. Ele agradeceu a centenas de escritores e críticos que têm contribuído os seusconhecimentosaolongodosanos,paraoIPCC. O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, felicitou o IPCC em seu 20o aniversário, ressaltou a importância do IPCC resultados, e agradeceu a OMM e PNUMA o seu apoio. Ban sublinhou a necessidade de se chegar a um acordo global, em Copenhagem, em 2009, dizendo que deveríamos aprender com a experiência de duasdécadasdenegociaçõesambientais,masnãopode ser aprisionado por ele. Ele acrescentou que os resultados concretos das negociações eram necessários em Poznan, Polônia, em dezembro e exortou a Polónia a proporcionar liderança e envolver outros dirigentes nacionais. Durante o encontro, que comemorou o 20 º aniversário do IPCC, o Painel elegeu a nova Mesa diretora do IPCC.

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Rajendra Pachauri foi reeleito como presidente do IPCC. O painel também prosseguiu a sua reflexão sobre o futuro do IPCC e concordaram em criar Bolsa de Estudos para jovens cientistas com especialização em alterações climáticas, para países em desenvolvimento, com os fundosdoPrêmioNobel,ganhopeloIPCC. Moritz Leuenberger, Conselheiro Federal e Chefe do Departamento de Meio Ambiente, Transportes, Energia e Comunicação da Suíça, agradeceu ao IPCC e seu

Ban Ki-moon, Secretário-geral das Nações Unidas na sessão de abertura do 20º aniversário do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC)

Nações Unidas e, sobretudo o público, e afirmou que o IPCC entrega fatos e números que não podem ser ignorados pelos dirigentesdomundo. Roberto Acosta da UNFCCC – Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que estava falando em nome do Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCCC. destacou os vínculos entre o impacto nas alterações climáticas, a pobreza e o abastecimento alimentar. Ele disse que as pessoas do mundo precisam compreender a forma como as alterações climáticas vão afetá-los, se um acordo não for alcançadoemCopenhagem. Renate Cristo, secretário do IPCC, pediu para pagar uma homenagem especial ao Professor Ber t Bolin, exBan Ki-moon, à esquerda, e o ministro presidente do IPCC, e de outros suíço Moritz Leuenberger, à direita contribuintes para o Painel de trabalho que haviam falecido. Aos Delegados foram apresentadas fotos da coleção de presidente Pachauri, pelo seu empenho para uma Yann Arthus-Bertrand "Terra do céu", assim como uma melhorcompreensãodasalteraçõesclimáticas. préviadoseufilmesobreoEstadodaTerra. Michel Jarraud, secretário-geral da OMM, falou do A cerimónia foi encerrada com festa por Rajendra orgulho da sua organização nas realizações do Painel. Pachauri fazendo observações sobre os futuros desafios Ele salientou as atividades da OMM para trazer a atenção paraoIPCC. para as alterações climáticas induzidas pelo homem. À noite, os delegados participaram de uma recepção Jarraud felicitou o IPCC sobre a sua AR4, dizendo que oferecida pelo Conselho Federal Suíço, o membro do serviu como base para o que foi acordado em Bali, em Conselho da República e o Conselho de Administração 2007. Ele incentivou o Painel de manter a sua forma daCidadedeGenebra. atual e de se concentrar no apoio à especialização e desenvolvimento de capacidades nos países em desenvolvimento que serão mais afetados pelos impactos da variabilidade climática. Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, falou da importância do IPCC no processo e ressaltou a ciência e o conhecimento em criarumimperativodeagiredepensarsobre como a sociedade irá desenvolver no futuro. Steinerdissequeoséculo21vaireformularo paradigma de desenvolvimento. Ele Da esquerda para a direita: Wolfgang concluiu que a ciência e o conhecimento Kusch, Wolfgang Tiefensee, Michel Jarraud capacitarão políticos, empresários, as

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O esqueleto da Maíra, fêmea de peixe-boi-amazônico que viveu no Parque Zoobotânico até fevereiro deste ano

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A evolução dos mamíferos aquáticos da Amazônia Fotos Ag.Museu e Eunice Pinto/Ag Pa

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objetivo da mostra“Da Água para aTerra e de Volta para a Água: A Evolução dos Mamíferos Aquáticos da Amazônia”foi mostrar como se deu a evolução dos mamíferos aquáticos na Amazônia. Essa Evolução, o Museu Paraense Emilio Goeldi apresentou na I Feira Paraense de Ciência e Tecnologia, no Hangar – Centro de Convenções e Feiras daAmazônia. A Feira integrou a programação da Semana Nacional de Ciência eTecnologia (SNCT) 2008 no Pará e, assim como nas demais regiões do Brasil, abordou o tema“Evolução Peixe-boi-amazônico

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e Diversidade”, para mobilizar crianças, jovens e adultos em torno da importância do tema, em comemoração aos150anosdoenunciadodaTeoriadaEvolução. Namostra,opúblicoteveaoportunidadedeobservarde perto os esqueletos montados dos dois mamíferos aquáticos que ocorrem atualmente na Amazônia: o boto e o peixe-boi. Também houve maquetes de reconstituições de vários animais pré-históricos das linhagens das quais descendem esses dois animais tão representativos da região e da própria cultura amazônida. A orientação do público foi realizada por uma equipe de monitores universitários instruídos pela curadoriadamostra. O esqueleto do peixe-boi tem um significado especial para o Museu Goeldi. São os ossos da Maíra, a fêmea de peixe-boi-amazônico que viveu no Parque Zoobotânico até fevereiro deste ano. Quando faleceu, constatou-se que os 55 anos que viveu representam um recorde de longevidade nos registros existentes para esta espécie. Hoje, tanto a população de peixes-boi como a dos botos cor-de-rosa e tucuxi estão protegidas por lei, pois essas espéciesencontram-seameaçadasdeextinção.

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Maíra foi um recorde de longevidade nos registros existentes para esta espécie 58| REVISTA AMAZÔNIA

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Orientação aos jovens na I Feira Paraense de Ciência e Tecnologia

Evolução Todos os vertebrados terrestres têm, em comum, um ancestral que se aventurou em terra há cerca de 400 milhões de anos: um peixe cujas características lhe permitiam passar mais tempo fora da água. Quando da extinção dos dinossauros, há aproximadamente 65 milhões de anos, um grupo ocupou o vazio deixado no

planeta: os mamíferos. Em pouco tempo, a competição em terra firme tornou-se acirrada e alguns mamíferos, que viviam nas praias e beiras de rios e lagos, começaram a explorar os recursos aquáticos – peixes, crustáceos,algas. D ecorridos aproximadamente mais trinta milhões de anos, descendentes desses

mamíferos costeiros e ribeirinhos, já adaptados à vida na água, abandonaram para sempre a terra e se fixaram no mesmo hábitat que seus ancestrais longínquos haviam deixado.

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Filhote de Peixe-boi-amazônico REVISTA AMAZÔNIA |59

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Phyllomedusa ayeaye

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Animais em

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dos professores, o livro pode ser decisivo para a salvação dessas espécies”, avalia Minc. Com 1.500 páginas, que mostram onde se encontra, como vive e como é popularmente conhecido cada um dos animais, peixes, aves e insetos em perigo, a obra vai chegar primeiro às unidades de conservação nacionais sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes de ConservaçãodaBiodiversidade. O ministro ressaltou a importância da publicação,

Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, lançado na sede da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, pelo MMA, deverá chegar a todas as escolas brasileiras, anunciou o ministro Carlos Minc. Ele disse que "a nossa garotada conhece a girafa e o elefante, que, aliás, são bichos bonitos, mas não conhece os nossos animais". A obra traz detalhes sobre as 627 espécies que correm o risco de desaparecer.“Nas bibliotecas e na mão Tolypeutes tricinctus

lembrando que sua edição é a continuidade de um trabalho do MMA, que em parceria com a Fundação Biodiversitas, a Conservação Internacional Brasil e a Universidade Federal de Minas Gerais, elaboraram uma pesquisa sistemática da maior importância para a identificaçãodasespéciesameaçadas.Cadacidadão,em cada município, terá condições de conhecer a biodiversidade à sua volta e se engajar na luta para salvar a fauna em risco, espera o ministro. "Você só

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Chrysocyon brachyurus 60| REVISTA AMAZÔNIA

OAV Marques

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Eduardo J. R. Dias

Psophia viridis

Cnemidophorus abaetensis

defendeaquiloquevocêamaesóamaaquiloquevocê conhece", analisou. Para Minc, o LivroVermelho é "um chamamento à sociedade. É um grito. Um basta à degradação ambiental". O ministro avalia ser "intolerável" que em nome do progresso se esteja levando um número tão significativo de espécies à extinção. "Esta lista é um tapa na cara pelo modo irresponsáveldeproduzir",alertou. A pesquisa que resultou no livro acabou por introduzir espécies novas na lista de risco e também retirar dele algumas que deixaram a situação de risco. As principais causas apontadas para o aumento de 217 para 627 espécies em extinção são o desmatamentos, o tráfico de animais silvestres e a degradação ambiental. Novos dados foram introduzidos pelos pesquisadores, principalmente sobre os peixes e Callicebus coimbrai insetos, contribuindo para ampliar a lista. Minc lembrou uma série de medidas que o MMA vem tomando para diminuir o impacto da ocupação humanasobreasespéciesameaçadas. As iniciativas vão desde o investimento na infra-estrutura dos parques nacionais até a criação de outros em áreas onde espécies da fauna e da flora correm risco de ser extintas até a contratação anunciada de três mil novos fiscais, com o objetivo de coibir e combater os crimes ambientais. "Mas não pensem que isso é fácil, pois não basta chegar para o presidente Lula e dizer para ele assinarumdecreto",disseMinc.

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Leopardus pardalis Trichechus inunguis

Maria Cecilia Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas, ministro Carlos Minc, Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes e João Pessoa, representante do Ibama, na cerimônia de lançamento do Livro Vermelho Gecarcinus lagostoma

Tangara yanocephala cearensis

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abi, aquelas árvores que tu e teus irmãos plantaram na Colônia Nova de Abaetetuba, todas estão lindas, porém eu tenho um segredo que ficará só entre nós: o teu Paricá (Schizolobium parayba amazonium) está muito mais lindo que os outros. Ela é considerada uma das maiores árvoresdaAmazônia. Presta a atenção Gabriela, nós estamos nos preparando para semear outras árvores, perto da que nós plantamos naquelemutirãofamiliar. Só está faltando uma, justamente a do Gustavinho, aquele teu irmãozinho chorão, que chegou a nossa comunidadefamiliarapoucotempo. Precisamos ter muito cuidado quando for plantar, porque senão ele bota a boca no mundo e faz um alarido daquelesquetuconhecesmuitobem. O arco-íris duplo noTapajós: Eu vi essa maravilha da naturezaquandoestavanotrapichedeFordlândia,queé uma cidade criada pelos norte-americanos para plantio deseringueiras. O vovô ficou encantado, pois foi a primeira vez que viu isso,depoisdepercorrerrioseterrasdoParaísoVerde. Os pretinhos da crista da Onda Grande da Pororoca durante o Campeonato de Surfe no Rio Capim, no Estado do Pará: Nossos amigos ribeirinhos daqui debaixo, acreditam que estes três personagens da Amazônia é que tocam a Pororoca pra frente. Este ano porém, a Cobra-Grande desse rio andou fazendo uma misura e um dos pretinhos levou sumiço e a Pororoca amofinou, pois não teve força para mostrar suasqualidades. Os moleques dos pés tortos: Outra coisa interessante entre os nossos ribeirinhos é o que diz respeito aos moleques dos pés tortos, pois na realidade Gabi, quando uma criancinha se afasta dos pais que estão indo para o roçado, ela some. E sobre influência de um dos personagens do mato, ela só é encontrada depois e com os dois pés pra trás. Fica conhecida como Curupira,queéadefensoradamata. A cruz na montanha Piroca de Alter do Chão no

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Paricá, agora conhecido como Schizolobium parayba amazonium 62| REVISTA AMAZÔNIA

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Nossa Guerreirinha Plantadora de Árvores I

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A saudosa Gabi, Gabriella Bittencourt Lobato Vianna ia plantar sua arvorezinha

Rio Tapajós: No chamado tempo dos americanos, eles começaram a plantar seringueiras em Belterrra e Fordlândia fincaram também Cruz de madeira nativa que podia ser vista da antiga comunidade Burari, hoje Alter do Chão. Muito recentemente, a Cruz desabou e outrafoicolocadanolugar. Gabi, bem na frente de Alter do Chão, existe o LagoVerde compraçasmuitobonitas. Pretinho da Samaumeira do furo Ipiramanha – Região das Ilhas de Abaetetuba – Pará: Personagem muito falado que já assustou meio mundo porlá. As trombas d'água do Mosqueiro e do Tapajós: Muito recentemente foram documentadas por pessoas que estavam passeando nas praias e puderam ver esse fenômeno da natureza, onde as águas são impulsionadas de baixo pra cima, parecendo subir para oscéusedepoisdesaparecem. Estrelas Cadentes: Quando não chove e o céu está bonito,umaluzcorrenocéuatédesaparecer,Gabi,esseé um fato conhecido, são pedaços de corpos celestes que são atraídos pelaTerra. É sempre prudente, como dizem os antigos ribeirinhos desses lugares, a pessoa que vê,

fazertrêspedidoscombastanteféparaseratendido. Ouro do Gurupi: O Professor Napoleão Figueredo, Antropólogo da UFPA, conhecedor dos mais profundos segredos da Amazônia, faz referência a embarcação Madagascar, pertencente à Rainha da Inglaterra e que vinha com grande carregamento de ouro das muito faladas minas do rio Gurupí-Pa, que atraía muito dos navegantes europeus, tais como ingleses, franceses, portugueses, espanhóis e outros, que traziam nas embarcações a bandeira Joli-Roger, aquela da caveira com ossos cruzados e o fundo preto que identificava os saqueadoresdeentão. Não se sabe porque cargas d'água, a embarcação 100

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afundou nas costas de Bragança, na região do Salgado, atualAmazôniaAzul. OouroestáGabizinha,paraquemquiserencontrá-lo. Histórias do Povo Velho I: Guerreirinha, a Ilha do Marajó, também chamada de Arquipélago do Marajó, é um mundo praticamente desconhecido, se comparado com a Amazônia Continental, que também não é lá muito divulgadas. Gabi, o Vovô conversava com os antigos marajoaras Dona Zula, Mestre Constantino, Tio Sanda, entre outros, e ficou sabendo que durante a Guerra do Paraguai, os fazendeiros usavam de artifícios para impedir que seus filhos, uma vez convocados, fossem lutar; colocavam seus vaqueiros para substituir seus filhos ou filhos dos brancos assim conhecidos no lugar. Os “voluntários” que eram laçados, caíam nos matosounoscampos,ouseja,sumiam. Histórias do Povo Velho II: Ouve-se com razoável

Gabi, com vovó Norma e vovô Camillo

freqüência, a história dos potes carregados de moedas de ouro, que eram encontrados no fim do arco-íris.Outra versão é que esses potes eram escondidos cheios de moedas pelos guerrilheiros de roupa piranga, ou seja, os Cabanos. Gabi, na entrada da cidade de Bragança, que era onde terminava a Estrada de Ferro Belém-Bragança, que foi desativada no período chamado revolucionário e quando praticamente todo material desapareceu, existe uma enorme escultura do Santo Preto (São Benedito) que tem, como tu dizias, um neném no col que é o MeninoJesus. Rio Arari: Bem na boca desse rio existe a partir da Baía do Marajó, uma coluna de mais ou menos 4 ou 5m, feito de mármore branco com letras metálicas encravadas, identificando esse importante rio marajoara que faz parte,nãosódahistóriadaIlha,comodoEstadodoPará, que era visitado anualmente pelo governador de então, noDiadaAberturadaPesca. Abundância: As ilhas do Marajó, Caviana e Mexiana, sempre foram ricas em jacarés. Quando o campo enchia, os lagos e lagoas apareciam e enxergávamos de quando em quando, alguma coisa parecida com pedras dentro d'água,équenarealidadeeramcabeçasdejacaré. Começando a secar o campo, as jacarouas subiam para as beiradas, onde faziam ninho - um pequeno monte de capim e folhas com pouco mais de meio metro, e a jacaroua ficava só olhando. Ai de quem se aproximasse, elaavançavaepunhaointrusoparacorrer. Borboletas: Outra coisa interessante são as pequenas

Marina Silva (MMA) e Guilherme Cassel (MDA), anunciando o recadastramento

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Alguma coisa parecida com pedras dentro d'água, é que na realidade eram cabeças de jacaré

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praiotas que ficam nas beiras de rios e igarapés, onde aparecem verificam borboletas de cor amarela em grande quantidade, chamadas pelo agrônomo Flávio Vianna, teu pai, curuquerê da couve, onde elas estão se alimentando. Elas não voam o tempo todo de comprido, mas de quando em quando atravessam os rios e igarapésevoampelasmargens. Borboletas I I: Essas mesmas borboletas, em quantidade muito maior, passam voando um, dois ou mais dias, possivelmente procurando alimentação e acasalamento. Foguetes de Rabo: Era tradição o lançamento para os céus, nos festejos religiosos ou profanos, de foguetes de rabo , sendo muito conhecidos os fogueteiros da Vigia, hoje Vigia de Nazaré, que forneciam seu produto, considerado de excelente qualidade, para o Círio de Belém, principalmente para os estivadores, que no passar da Santa por eles, eram lançadas de 100 a 200 dúzias. Nos últimos anos, são soltados fogos de vista adquiridos em Mato Grosso do Sul e mesmo do exterior (China). Entrechoque de dois jabutis Una: Diz o pessoal que esses cascudos são os maiores encontrados na região e quando estão lutando, principalmente nas noites escuras e chuvosas são acompanhados de uma zoeira infernal de raios, coriscos, trovões e estalos que vêm do céu. A luta não é nada mais, nada menos do que pela posse daJabota. Nossa Senhora do Tempo: Perto da Baía do Arrozal, na costa de Barcarena, moradores de antigamente colocaram uma imagem que ficou conhecida como NossaSenhoradoTempo. Bem perto de lá, existia uma construção dos tempos antigos, com trezentas janelas e portas (Casa de Engenho), que ficou abandonada muito tempo. Um cidadão,comumtítulodoutoral,mandouderrubá-la.

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Adjutório: A maromba para agasalhar os boiecos dos ribeirinhos, para serem alimentados da canarana, cortada na beira e colocada na maromba, era feita de troncos de miriti, com a colaboração de toda a comunidade. Festejo: Acender fogueira em mutirão familiar, nas atividades de comemoração aos santos joaninos ou juninos faz parte da tradição. O acendimento não só da fogueira como o enfeite do terreiro com balões e bandeirolas coloridas, além de galhos de árvores, fazem partedadecoração. Aos convidados eram servidos mingau de milho branco (munguzá),pamonhaeoutrascomidasdaépoca. Festas Juninas: É nessa ocasião que entra a tradição de pular fogueira para os puladores se tornarem cumpadres, cumadres, padrinhos, afilhados, conterrâneos, pareceiros, e outras coisas desse tipo. Esse compromissopodeduraravidatoda. Esmoleres: Os esmoleres para a festa de São Benedito deBragança,saemempequenascomitivasdetocadores pelos campos, antecipando a festa, uma das maiores

demonstraçõesdaculturapopulardaAmazônia. Paia: Gabizinha, tu vais ver daí de cima a praia do Atalaia, onde estivestes com teus pais, uma das mais bonitas praias oceânicas, que só se compara com as da Contra-Costa marajoara. No período das férias, ela fica abarrotadadegente,inclusivedeforadoPará. Surto Rodoviário: As estradas chamadas BR (s), vem aparecendo em surtos, de acordo com nosso amigo Paulo Cavalcante, conceituado botânico do Museu EmílioGoeldi. Carroças Rangedouras: Gabi, perto de Bragança, bem na Costa Atlântica, precisamente em Fernandes Belo, as pessoas que vão até lá, ou enxergam daí de cima, vêem as famosas carroças rangedoras, puxadas por bois, parecendo ser o único lugar onde elas se podemserencontradas. Produção de Carvão: Gabi, o vovô está precisando da tua ajuda aí em cima e dos teus amigos anjinhos também. O pessoal que vem de fora, está fazendo coisa errada. Eles derrubam as árvores para fazer caieiras, onde se faz carvão para ser usado fora da Amazônia e mesmo aqui, nas fábricas de beneficiamentodeferro. Camboas: Na cidade de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, bem na beira d'água, na praia da Mangabeira, existemaschamadascamboas dos padres, que são, Gabi, grandes cercados de pedras pretas feitas pelos antigos missionários jesuítas. Quando a maré enche, os peixes ficam presos e são apanhados pelos pescadores, tanto para venda, Ninhais de pássaros como: garças, colhereiros e guarás quanto para consumo da família.

Estudantes: O vovô viu no barranco alto, na beira do Amazonas, num lugar chamado Ipanema, uma coisa bem interessante: crianças um pouco maiores que tu, em fila indiana com uniforme do colégio, alpercatas de fitaeumabolsinhacommaterial. As crianças vão pro colégio que fica perto de onde moram,levadospelospaisemcanoas. Pirataria: Guerreirinha, é muito comum a presença em rodovias que vão para o sul e sudeste do país, carretas gigantescas transportando madeira, carvão, malva e outras cargas de ocasião, como frutas e animais. Esse e este pessoal não está pensando como nós em proteger a Amazônia. Ninhais: Outra coisa bonita que se enxerga aí de cima, Gabizinha, são os ninhais de pássaros como: garças, colhereiros e guarás. Uma vez ou outra aparece um atrevidourubuporlá. Essas aves foram as primeiras a serem protegidas, Guerreirinha, havendo mesmo na Europa, o chamado convênio das Egretes, pois as garças e outras aves eram mortas para a retirada das plumas, que eram utilizadas por soldados dos exércitos europeus e por toda elite, principalmenteassenhoras. Só o Petróleo? Guerreirinha, temos uma novidade: tem uma longa Estrada de Ferro que vai da Serra dos Carajás, no Pará, até o Porto de Itaqui, no Maranhão, levando minério de ferro em grande quantidade. De vez em quando, os índios e o M.S.T, que moram ao longo da estrada, impedem o trânsito, sendo necessário a presença da Polícia Militar. para desobstruí-la. O Vovô e seus amigos estão questionando o comportamento do nossogovernohátempos. Porquesóopetróleoénosso? Corisqueira: No rioTapajós, em noite de céu limpo, dá para ver em grande quantidade o que foi chamado pelo autor de Corisqueira, verdadeira descarga de eletricidade entre as nuvens, parecendo uma luta, com

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No Coleginho da SOPREN, ramal do Castanhal II, em Abaetetuba, após um mutirão de plantio

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No rio Sapucajuba, na região das Ilhas, começo de plantio...

estalosdetrovões,entredeusesmitológicos. Lazer: Outra coisa muito interessante que nós podemos identificar com facilidade nas fazendas e comunidades marajoaras, é a famosa atracação de luta marajoara, típica entre os rapazes, como observamos na festa de São Sebastião, na fazenda do Professor Guaraciaba GamadaUniversidadeFederaldoPará. O perdedor deve ficar por baixo e o vencedor precisa pediraojuizumacuiaoucopocomágua. Garanhão: Do lote de cavalos Delicado que é o garanhãonaFazendaLivramento,porexemplo,chamaa atenção da presença de dois poldros, chamados de pampas, pois são malhados de branco e vermelho acinzentado. Minhaamiga,elessãolindos. Quebra Jejum: Gabi, o pessoal, quando está trabalhando no roçado, campo ou em outra atividade, faz uso do quebra-jejum, assim pelo meio da manhã, com jabá ou peixe seco acompanhado de pretinho bem quente (café). É um hábito bastante comum no Marajó naZonaBragantina. Bezerrinhos: Tu vais gostar de ver, Gabi, é quando as vacas barrigudas dão cria a pequenos bezerrinhos, que

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(*)SOBRAMES / SOPREN

Bombons regionais Cupuaçu - Bacuri - Castanha do Pará - Açaí e outros

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Casado de Cupuaçu - Rosca de Castanha - Licores de Açaí e Cupuaçu Paçoca de Castanha do Pará - Castanha Cristalizada

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não se afastam das mães e de suas tetas, o tempo todo namamação. Mureru: Tu vais gostar de ver também, seja em frente a Santarém ou em lagos, logo no princípio do inverno, quando aparecem lindas flores, além do que chamam noTapajósdemureru,semelhanteaumprato. Gabi, os estudiosos trocaram o nome da Vitória Régia paraVitóriaAmazônica. Paricá: Por seu rápido crescimento e utilidade, faz parte da nossa SOPREN, o plantio em grande quantidade de uma das mais belas árvores da região, que é o Paricá, agora conhecido como Schizolobium parayba amazonium. Ilha dos Papagaios: Bem perto de Belém, existe uma ilha chamada dos Papagaios, pois essas aves são as donas do lugar, fazendo zoada infernal ao despertar do dia e quando a noite chega, apresentando fato interessante: eles vivem a vida toda acasalados, desde a saídadosovosatéofinaldaexistência. Malhada: O Vovô e seus companheiros de viagem ao Marajó, participaram na dobração da malhada doVelho Josino, que era encontrada com facilidade perto da Ilha Escura,naFazendaLivramento.

O Tio Jô como também era chamado, era o mais antigo da fazenda, onde era querido e respeitado e nunca se afastoudolugar. Lua: Éumabelezaemqualquerlugarda Amazônia, quando a lua cheinha, logo na boca da noite, vai despontando acimadasárvores. Gabi, o Vovô fez contigo um trato de te mostrar as coisas que conheceu nas viagenspelanossaAmazônia. Tua passagem foi muito breve entre nós, nãosendopossívelrealizaressesonho. AgoraoVovôestárelacionandotudoque nãopudestesverjuntocomele,paraque daí de cima ao lado de outros anjinhos possas zelar pelo nosso maior patrimônio. Minha querida Guerreirinha, temos certeza que teu exemplo como plantadora de árvores será bastante importante para todos aqueles que não tem amor pela nossa Amazônia e aprenderão respeitála. Gabi, tu continuarás ajudando o Vovô e todos os outros batalhadores que lutam pela salvação da Amazônia. E tu, com apenas um ano e sete meses de vida, deixaste uma mensagem maravilhosa. Temos certeza que continuaremos a contar contigo e com os outros anjinhos,poisnoprincípiosóelesentenderamtuafala. O Vovô, tuas Vovós, teus pais e irmãos Flavio, Ricardo e Gustavo continuarão a contar contigo. Temos certeza que Gustavinho, aquele teu irmão chorão, vai seguir tua orientação. Deus te abençoe. Com muito amor, Vovô Camillo, vovó Norma, vovó Nette, papai Flávio, mamãe Érica, teus irmãoetios. Agradeço a participação do Soprenista Walter Chile na elaboraçãodestedocumento.

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Av. 25 de Setembro 2333 Marco - Belém/PA Fone: (91) 3246-1972 e-mail: artjurua@amazon.com

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O primeiro Prix Pictet de melhor fotografia sobre Sustentabilidade

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canadense documentou o processo de desertificação em algumas áreas da China e a imagem vencedora retrata duas mulheres usando máscaras para se proteger da poeira que paira em pleno centro urbano de uma cidade do interiordaMongólia. Fotógrafos de várias nacionalidades, entre eles o brasileiroChristianCravo,chegaramàfinal. Cravo retratou como a água é celebrada como fonte de vida em diferentes países. Uma de suas fotos mostra um ritual no Haiti que cultua a relação entre o ser humano e oelemento. O Prix Pictet foi concedido emTóquio em uma cerimônia que contou com a participação do ex-secretário-geral daONU,KofiAnnan. "A minha esperança é que o Prix Pictet, o primeiro prêmio do mundo dedicado à fotografia e

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Um fotógrafo canadense ganhou o1º Prix Pictet de melhor fotografia sobre sustentabilidade. A série de trabalhos de Benoit Aquin foi a vencedora do prêmio de 50 mil libras, R$175 mil.

Benoit Aquin. o vencedor do 1º Prix Pictet

sustentabilidade ajude a profundar o entendimento das mudanças que ocorrem no nosso mundo e aumente a consciência pública sobre a urgência da tomada de ação",disseoex-secrétário.

A imagem vencedora de Benoit Aquin, retrata duas mulheres usando máscaras para se proteger da poeira que paira em pleno centro urbano de uma cidade do interior da Mongólia

Foto de Jesus Abad Colorado, Rio Atrato, Colômbia

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Em Hashail, Munshiganj, Bangladesh, a erosão na sua forma mais violenta levou à miséria o povo de Munshiganj. Munem Wasif - Vencedor do Prémio Pictet Comissão 66| REVISTA AMAZÔNIA

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Kofi Annan:

Foto de Thomas Joshua Cooper, Punta Almina, Ceuta, Spain

"A minha esperança é que o Prêmio da Pictet, o primeiro prêmio do mundo dedicado à fotografia da sustentabilidade, ajudará a aprofundar a compreensão das mudanças que ocorrem no nosso mundo e aumentar o conhecimento público sobre a urgência de tomar medidas preventivas. Cada artista tem abordado o ambiente e o social, que enfrentamos, desafios em seu próprio caminho. O resultado é um poderoso conjunto de imagens que se destinam a confrontar-nos com a dimensão da ameaça que enfrentamos e para inspirar os governos, as empresas – e todos nós, como indivíduos – ao passo à altura do desafio e apoiar mudanças para um mundo sustentável. "

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Foto de Edward Burtynsky, Em Baku, Azerbaijan

Kofi Annan, Prêmio Nobel e ex-Secretário Geral das Nações Unidas, anunciou Benoit Aquin, fotógrafo canadense, como vencedor do 1º Prix Pictet

Omar Bin Sulaiman faz a abertura da exposição do Prêmio da Pictet em Dubai

Foto do brasileiro Christian Cravo, No Haiti

Falando na abertura da exposição do Prêmio da Pictet em Dubai HE Dr. Omar Bin Sulaiman, Governador do Dubai International Financial Center (DIFC) disse:"Estamos satisfeitos por estender o nosso apoio ao Prémio Pictet, como parte do nosso compromisso com a sustentabilidade, que está no cerne da responsabilidade social empresarial. É a nossa firme convicção de que políticas e práticas que promovam sustentabilidade são críticos para o crescimento e desenvolvimento das organizações empresariais. As excepcionais fotografias exibidas no Prêmio Pictet, exibidas em Dubai, servirão para a sustentabilidade, tanto na comunidade empresarial e para exemplos à sociedade. " A exposição dos trabalhos dos artistas selecionados para o 1º Prémio Pictet ficará até final de novembro, coincidindo com o maior simpósio DIFC para líderes empresariais globais. A abertura recepção contou com a presença de mais de 130 convidados VIP, bem como imprensa TV e Rádio. A exposição Dubai é o primeiro passo em uma turnê internacional, que irá visitar Tessalónica, Londres, Genebra, São Paulo e novos locais a serem anunciados. A próxima exposição do 1º Prêmio Pictet será em Tessalónica, no Museu da Fotografia, na Grécia, em dezembro, onde fica até o final de março. Imagens do Prêmio Pictet também serão exibido no Simpósio Intelligence Squared, que será realizada em janeiro de 2009. REVISTA AMAZÔNIA |67

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NO PAVILHÃO DAS ARTES MILE END PARK EM LONDRES

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Exposição com imagens ressonantes, criativas e belas

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otografiascomalgumasdasmaisimportantes questões do nosso tempo estiveram em exposição recentemente, no The Art Pavilion, MileEndPark,Londresleste. Mais de 1400 imagens foram inseridas no concurso, que analisou questões como a pobreza, alterações climáticas, direitos humanos, lazer, cultura, biodiversidade e belezas naturais. As categorias foram: Mudança climática; Black & Veatch do Mundo de Diferença; Qualidade de Vida; O Mundo Natural, e uma categoria especial Sub-21 que não tinha limites temáticos. Asinscriçõesforamjulgadasemmomentodeimpacto,a criatividade, composição, originalidade e habilidades técnicas, por parte de alguns dos mais respeitados fotógrafos ambientalistas, incluindo Gary Braasch, vencedor do Prêmio de Conservação Ansel Adams Fotografia, Anthony Epes e Ronnie Israel e por Chris Smith, presidente da Agência do Ambiente. Aconteceu no Pavilhão das Artes, no Parque Mile End Ecologia.

Sudip Roychoudhury, Tigre nadando

Sorriso deslumbrante ajuda a vencer o concurso Feliz em seu próprio mundo por Abhijit Nandi Foi a foto que ganhou o primeiro prêmio no Chartered Institution of Water and Environmental Management (CIWEM). Incluir uma foto de um agricultora pobre na Índia carregando uma criança nas costas depois de um árduo dia de trabalho nos campos, ganhou primeiro prêmio do concursofotográfico. A jovem mulher, em Bengala Ocidental não pode acreditar que alguém deseje ter o seu retrato e gargalhouemdeleite. A fulgurante verde esmeralda do arroz campo contrasta

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Foto vencedora , também venceu a categoria de Qualidade de Vida: ser objeto de uma fotografia, por isso, quando eu disse a ela que gostaria de tirar uma foto dela, ela só riu. Feliz em seu próprio mundo; de Abhijit Nandi, fotógrafo ambiental "Minha imagem reflete as relações entre o ambiente do ano (Na descrição do vencedor da competição, a foto reflete a (Mãe Terra) e de pessoas, ou mãe e filho. relação entre a Mãe Terra e seus filhos. "Fiz a foto quando esta mulher "A mãe e a criança, o campo verde e o céu azul depois da voltava para casa após um longo dia no trabalho. Quando disse que chuva, me enchem de alegria, esperança e alegria." Apoiada pela Oxford Scientific (OSF), o concurso atraiu queria tirar uma foto dela, ela apenas sorriu".) com o céu azul e evidencia a mulher do sorriso deslumbrante. Algumas declarações de Abhijit Nandi sobre a foto vencedora: "Eu tirei esta fotografia de uma aldeia remota chamada Gourdah em Bengala Ocidental. A mulher na minha imagem, volta para casa após um longo dia no trabalho no campo. "Existe também uma forte sugestão da renovação da vida, com a vaca estar profundamente ligada ao culto da fertilidade na mitologiaindígena. «Ela nunca pensou que uma mulher de aldeia poderia 100

Saikat Mukherjee, Aquecimento (Dezembro em um pobre vilarejo no leste da Índia. Mulheres se agacham ao lado de uma fogueira para se aquecer do frio à medida que a noite cai. Esta é a única forma que têm para se aquecer porque são escassas as roupas de inverno)

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Donnie Mackay, Coletor de vento (A imagem destaca um moinho de vento em meio a paisagem selvagem. A competição da Instituição para Gerenciamento da Agua e Meio ambiente premiou fotos que melhor evocam o impacto das mudanças climáticas na sociedade)

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Jean François, Sobrevivente

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Sandesh Kadur, Pavão na alvorada (O pavão é a ave nacional da Índia. Ele sai à caça de alimentos no amanhecer e pouco antes do anoitecer. As aves passam boa parte do dia abrigadas sob as sombras das árvores para fugir do calor. Alimentam-se de sementes, insetos e frutas) mais de 1400 fotos com imagens de questões ambientais e sociais e mostrando algumas das conseqüências e possíveis soluções para as alterações climáticas. Eles mostram tanto a belezaeadegradaçãoterrívelqueexistenomundo. O novo presidente da Oxford Scientific (OSF), Senhor Smith, disse ao vencedor da fotografia: "Uma bela foto que levanta o coração. Captura a importância da relação entre a humanidade e o mundo natural que habitamos, lembrando-nos da alegria, assim como a fragilidade do nossomeioambiente". Todos os vencedores foram altamente elogiados por seus trabalhos no Pavilhão de Arte da EcologiaMileEnd'sPark,emLondres.

Alex Masi, Curtição ilegal Andy Hornby, Alto e seco

Tenho que ir, Abhijit Nand

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Mundo natural, Verdes passos, de Ly Hoang Long, Vietnã. Terraços de arrozais que requerem grandes quantidades de água e têm um impacto ambiental negativo (As plantaçõe de arroz ocupam degraus construídos sobre as colinas. Em geral, precisam de grandes quantidades de água para irrigação. A cultura do arroz pode causar um impacto ambiental pela grande quantidade de gás metano que emite)

Dois jovens, Peter Davies

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Clare Kendall, Sopa de insetos 72| REVISTA AMAZÔNIA

Vandalismo, Jakob Aungiers

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Alegria, Mustafa Demirbas

Nimai Ghosh, Equipe vencedora

Melinda Nagy, Nuvem na Fábrica

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Elizabeth (Esta mulher carrega uma lata na cabeça após coletar água de um poço perfurado por membros da comunidade do vilarejo onde mora, em Gana. Antes do poço, ela tinha que ir buscar água em um rio, o que aumentava riscos de doenças), Jon Spaull Jon Spaull

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Clay Bolt, Sapo sobre árvore REVISTA AMAZÔNIA |73

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IV Diálogos Sustentáveis

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Como mensurar o valor de compensação ambiental?

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são imprescindíveis projetos de longo prazo para a urante o "IV Diálogos Sustentáveis", eliminação da pobreza nessas áreas", lembrou o patrocinado patrocínio pela Alcoa, cerca de presidente a Amata S.A. (empresa florestal dedicada a 130 convidados, entre empresários de produçãodemadeiracertificada),RobertoWaak. diversos segmentos, representantes de ONGs Ele acredita que a relação pobreza e deterioração do eprofissionaisespecialistasnoassunto,sereunirampara meio-ambiente talvez seja um ponto importante a ser discutir sobre os mecanismos de compensação considerado na compensação. Afinal, a atuação da ambiental existentes no Brasil e compará-los com empresa não tem apenas incidência na fauna ou flora outros países. A idéia era de ir além do que a legislação local,masemtodaaestruturasocialdaregião. exige do setor privado e fazer aportes voluntários para Para o diretor do Departamento de Conservação da tornar negativos os impactos de sua ação ao meio Biodiversidades do Ministério do Meio Ambiente, ambiente. Bráulio Dias, esse tema deve ser analisado com cautela. «O mecanismo de compensação voluntária é de fato "Há um grande risco de se adotar um teto arbitrário", uma proposta ambiciosa e inovadora. As empresas que argumentou. assumem esse compromisso o fazem com a proposta de Nas apresentações que se seguiram, o receio melhorar a sua imagem perante a sociedade, mas apresentado por Dias foi unânime. Mesmo Roberto também em busca da construção de um novo modelo Waak não tinha certeza se possíveis custos para a de desenvolvimento, que não se limita a predação população local (como uma política de educação) infinitadosrecursosnaturais",explicouosecretáriogeral deveriaentrarnaconta. doFunbio,PedroLeitão. Para entender, a Política Nacional Pedro Leitão, secretário geral do Funbio S eja como for, um dos fundadores do Greenpeace do Meio Ambiente, estabelecida Brasil, Paulo Adário, que em 1981, e a legislação em vigor coordena a Campanha (Lei 9.985/2000), que criou o Amazônia da organização, alega Sistema Nacional de Unidades de que não há mais tempo para Conservação – SNUC, tornaram apenas discussão. "Estamos a obrigatória a compensação dois anos do primeiro recorte ambiental via o pagamento dos Objetivos do Milênio da ONU financeiro equivalente ao valor do eorespeitoaomeioambienteestádiminuindo.Estamos dano para os empreendimentos causadores de impacto falhando",criticou. ambiental. Apenar dessa constatação, a senadora Marina Silva, exNo entanto, há divergências sobre o valor a ser pago. ministra do Meio Ambiente, afirma que o Brasil pode se Como quantificar financeiramente o impacto? O que orgulhar de uma série de projetos em que, senão foi exatamente entra na conta? Essas questões motivaram pioneiro, é referência em postura. "Temos muitas os convidados para quarta edição do Diálogos. conquistas a comemorar? Existem aqueles que fazem "Estamos diante de desafios muito grandes. Precisamos certo no Brasil. Aqui, não ocorre só o erro". O Brasil tem encontrar o valor econômico das áreas de conservação. que começar a fazer jus à potência ambiental que é, e Como precificar o carbono, uma onça? Por outro lado,

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Bráulio Dias, diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidades do Ministério do Meio Ambiente

nesse aspecto as empresas são fundamentais para ajudar a levar essa cultura para outros países, porque a biodiversidade é no planeta e não em alguns países. Temos sim capacidade de desenvolver um novo modelo de produção de carne, grãos e biocombustíveis com foco nasustentabilidade

Alianças internacionais Durante o IV Diálogos Sustentáveis, foi celebrado o lançamento do Programa de negócios e Compensações Voluntárias para a Biodiversidade (BBOP). A iniciativa busca desenvolver metodologias para projetos de compensação voluntária que equilibrem adicionalmente os impactos que não podem ser mitigados, ou que já foram compensados por exigência de lei, para diferentes setores da economia. "Existe uma preocupação global com o tema. Um dos objetivos do BBOP é criar ferramentas e guias internacionaisdeatuação,quepossamajudarempresas, comunidades e governos na implantação de projetos coerentes", afirmou a diretora da organização, a inglesa KerrytenKate.Umdosgrandesbenefíciosdaparceriado Funbio com o BBOP para o setor privado brasileiro será a possibilidade de participar de um programa internacional e multi-setorial. São integrantes do BBOP empresas como Shell, Rio Tinto e Newmont, além de ONGs como Conservação Internacional, World

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Diálogos Sustentáveis Diálogos Sustentáveis é um programa de encontros proposto pelo Funbio para promover o envolvimento do setor privado com a conservação da biodiversidade. São convidados a participar desses Diálogos, lideranças acadêmicas, ambientais, empresariais e governamentais, nacionais e estrangeiras. Através dessas participações pretende-se expor o que há de mais atual sobre os aspectos conceituais e práticos da sustentabilidade, visando a estabelecer um novo canal de comunicação e de trabalho sobre esse tema.

ConservationSocietyeForestTrends. Associada à Ong Forest Trends, ela lidera um grupo de mais de 40 instituições como o objetivo de implantar projetos-piloto de compensação voluntária para a biodiversidade. "O aumento no investimento em pontos de proteção não é uma questão apenas de financiamento, mas uma busca real pela sustentabilidadedomundo".

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Plano Nacional de

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Fotos Jefferson Rudy

Plano Nacional de Mudanças do Clima, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamentoilegalzero. "É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhõesdetoneladasdegáscarbônicoporano,sejapela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do MeioAmbiente,CarlosMinc. O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter

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Redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais

Suzana Kahn, Carlos Minc e Sérgio Rezende

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Mudanças do Clima

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Os ministros da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende e do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresentam o Plano Nacional de Mudanças do Clima

permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateuotemaMudançasClimáticas. O texto foi apresentado pelos ministros Minc e Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia, e pela secretária de

Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Suzana Kahn.. A expectativa é que receba contribuições de diversos setores e esteja pronto até a próxima ConferênciadoClimadaONU,emdezembro,naPolônia. Entre os objetivos do plano está eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil, até 2015. A partir desta data, o Brasil vai plantar mais do que cortar. Teremos um desmatamento legal e ilegal decrescente e um plantio de árvores crescente, disse o ministro. As florestas são importantes por serem reservatórios ou sumidouros de carbono, fundamentais para a manutençãodoequilíbriodoclima. O ministro afirmou que o governo vai investir em "programas agressivos de reflorestamento de matas nativas"paraconseguircumpriroobjetivoeacrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou uma verba R$ 1 bilhão, com 12 anos de carência, para aqueles que pretenderem recompor áreas de preservação permanenteereservaslegais.

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O Plano também possui metas de aumentar o estoque de carbono de biomassa no País em 6 milhões de hectares; fomentar aumentos de eficiência no desempenho dos setores produtivos e manter a elevada participação de energia renovável na matriz brasileira, inclusive com leilões específicos para fontes eólicas Na área de biocombustíveis, o já em 2009. "No caso da objetivo é fomentar o aumento co-geração, devemos sustentável da participação... passar de 0,5% para 20%,umganhomuitosignificativo",acrescentouMinc. Na área de biocombustíveis, o objetivo é fomentar o aumento sustentável da participação do produto na matriz de transportes nacional. Considerando apenas a demanda nacional de combustível, estima-se que a sua produção poderá passar de 25,6 bilhões de litros em 2008 para 53,2 bilhões de litros em 2017. Segundo o ministro, apenas com o avanço da produção de etanol em 11% ao ano, 508 milhões de toneladas de C02 na atmosferadeixarãodeserjogadosnaatmosfera. O MMA também trabalha na elaboração de manuais de orientação voltados às prefeituras do País. O objetivo é oferecer ferramentas para a realização de estudos de emissões e remoções antrópicas de gases de efeito estufa e para a elaboração de planos, programas, projetos e/ou ações locais relacionados à mudança do clima. REVISTA AMAZÔNIA |75

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A assinatura do pacto pela madeira legal e sustentável

O PACTO PELA MADEIRA LEGAL E SUSTENTÁVEL

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Fotos Elcimar Neves/Ag Pa e Martim Garcia/MMA

ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinou em Belém, o Pacto pela Madeira Legal e Sustentável. Essa é a terceira ação acordada nos últimos meses pelo MMA no estabelecimento de acordos voluntários com os setores econômicos, para assegurar o consumo responsável e as bases para os investimentos em negócios sustentáveis. Jáforamcontempladosossetoresdasojaedominério. Durante o evento, Minc anunciou para o início de agosto o lançamento do Fundo Amazônia, uma ação de crescimento e fortalecimento da produção sustentável. Segundoele,aprevisãoéquejánoprimeiroanooFundo tenha um orçamento de US$ 900 milhões de fonte de captação estrangeira. O recurso será empregado na gestão das florestas públicas e áreas protegidas, no manejo florestal sustentável, na conclusão do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia, no ordenamento da regularização fundiária, e na conservaçãodasáreasdesmatadas,disse. A governadora Ana Júlia Carepa, disse que a questão ambiental deve ser tratada com firmeza e as devidas concessões, mas com tolerância zero à ilegalidade, que, diferente do que vinha acontecendo no Pará há mais de 76| REVISTA AMAZÔNIA

dez anos, agora as leis ambientais são respeitadas. Não há concessões para quem destrói a floresta e comercializa madeira oriunda da atividade irregular. "Temossidofirmesnadefesadomeioambienteevamos seguirassim,poisaquinãoéumaterrasemlei". Em Belém, as medidas anunciadas foram bem recebidas pelos presentes. Assinaram o pacto a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), José Conrado de Azevedo Santos, o presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex), Manoel Pereira Dias, e o presidente do Grupo de Produtores Florestais Certificados da Amazônia (PFCA),LeandrodosMártiresGuerra. Pelo acordo, a iniciativa privada se compromete a não comprar madeira oriunda de áreas desmatadas e a aumentar o rastreamento de suas matérias-primas, chegando inclusive na ponta de cadeias importantes, comoamoveleira. No acordo, o governo do Estado também se comprometeu a licitar 150 mil hectares de concessão de florestas estaduais até o final de 2009. "Nós estamos fazendo acordo com as atividades produtivas. Fizemos

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No auditório da Federação das Industrias do Estado do Pará (FIEPA) 0


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com o setor exportadordasoja,quegarantiuquenãovai mais comprar soja de áreas desmatadas. Fizemos com a Vale, que não vai vender minério para setores ilegais. O pacto estabelece que nós vamos dobrar a disponibilidade de madeira legal certificada e o setor madeireiro não vai mais comprar madeira ilegal oriunda de desmatamento. O governo entende que a única forma de combater a madeira ilegal é aumentar a disponibilidade de madeira legal e certificada. É o que nósfaremos",disseoministro.Minc.Emcontrapartida,o governo ajudará o setor a resolver gargalos que hoje comprometemoaumentodosinvestimentosindustriais naregião. Como exemplo, Minc citou o pacote de medidas chamado"destravaIbama"- anunciadoanteriormente, em Brasília, para agilizar, simplificar e ordenar o processo de licenciamento ambiental. A morosidade na liberação das licenças era uma das reclamações das empresas do Pará. Contudo, Minc afirmou que não haverá complacência para criminosos ambientais. "É possívelsermaiságilemaisrigoroso",defendeu. O acordo prevê o compromisso entre os governos federal e do estado do Pará de estabelecerem como meta a realização de quatro milhões de hectares de concessões florestais, em florestas públicas federais ou estaduais até o final de 2009. Além disso, se responsabilizarão pelo desenvolvimento de esforços e articulações relacionados com a regularização ambiental e de gerenciamento dos assentamentos e das áreas de várzea, para viabilizar o manejo florestal comunitário tendo como objetivo a produção de madeira sustentável. Os governos federal e estadual vão assumir ainda o compromisso de apresentar a regulamentação para a

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exploração de florestas plantadas nas áreas de reserva legal das propriedades situadas na Amazônia, no prazo de até 60 dias a contar da assinatura do acordo, e também garantir eficiência, transparência e agilidade no licenciamento ambiental, criando, no prazo de 60 dias, câmaras técnicas que, de forma participativa, trabalhem para a simplificação dos instrumentos de gestãoambiental. Pelo pacto, as entidades empresariais assumem a responsabilidade de só adquirir produtos de origem florestal de fontes legais e sustentáveis, verificando a fontedesuprimentodosfornecedores. Os produtos adquiridos devem vir de fontes legalizadas pelos órgãos ambientais competentes, acompanhados da Guia Florestal (GF) ou Documento de Origem Florestal (DOF). Se comprometem também a informar aos órgãos competente sobre eventuais irregularidades que possam comprometer a segurança dos sistemas de

Os governos federal e do estado do Pará estabelecerem como meta a realização de quatro milhões de hectares de concessõesflorestais, em florestas públicas federais ou estaduais até o final de 2009

Maurílio Monteiro, secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia

Manoel Pereira Dias, presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará

controle de produtos florestais ou ameacem as atividadesnaáreasdemanejo. As entidades nãogovernamentais e instituições de pesquisa participarão do acordo auxiliando no seu cumprimento por meio de atividades de monitoramento e de apoio às iniciativas de manejo florestal sustentáveloureflorestamento. Nós vamos dobrar a disponibilidade de madeira legal certificada REVISTA AMAZÔNIA |77

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TEMPERATURAS NÃO DEVEM SUBIR NA PRÓXIMA DÉCADA

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Especialistas alemães dizem que a temperatura da Terra deve se manter estável na próxima década devido à aproximação de ciclos climáticos mais frios

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e acordo com a pesquisa, publicada pela revista Nature, a justificativa para esta conclusão, que contraria previsões de que o planeta teria entrado num processo irreversível de aquecimento, se encontra no ciclo natural dastemperaturasdooceanoAtlânticoNorte. Conhecido como Oscilação Multidecadal do Atlântico, o fenômeno altera as temperaturas da superfície do mar, influenciando as correntes marítimas que levam calor dostrópicosàEuropa. Segundo os especialistas, o fenômeno, que ocorre num intervalo de 5 a 8 décadas poderia explicar por que as temperaturas elevaram-se no início do século passado voltandoaseresfriarnosanos40.

Resfriamento das águas do Atlântico oscila com correntes quentes

No curto prazo De acordo com um modelo de computador criado pelos cientistas, as correntes quentes em direção à Europa estariam se enfraquecendo, abrindo espaço para a oscilação multidecadal e o conseqüente resfriamento daságuasdoAtlântico. Apesar de local, o fenômeno teria efeitos em todo o planeta, à semelhança do que acontece com os fenômenos El Niño e La Niña, que ocorrem no Oceano Pacífico. “Uma mensagem que tiramos desse estudo é que em curto prazo será possível observar alterações nas temperaturas globais que talvez não pudessem ser previstas a partir dos dados e relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 78| REVISTA AMAZÔNIA

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da ONU”, disse Noel Keenlyside, do Instituto de Ciências MarinhasLeibniz,daUniversidadedeKiel. Os cientistas, no entanto, crêem que as projeções de estabilização das temperaturas, no entanto, se aplicam apenas aos próximos 10 anos, ao fim dos quais, os termômetrosdevemvoltarasubir. “Temos de levar em consideração que há incertezas no nosso modelo; mas ainda assim, ele sugere uma invariabilidade nas temperaturas para em seguida acusarumnovoaumento”,afirmouKeenlyside.

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Correntes superficiais o Atlântico Norte

Richard Wood, da Agência de Meteorologia da GrãBretanha "As primeiras tentativas de realizar previsões para a década sugerem que é possível antecipar com certa exatidão qual será o efeito combinado do aumento da concentração de gases do efeito estufa e das variações climáticas naturais", disse Richard Wood, da Agência de Meteorologia da GrãBretanha, em um comentário publicado na Nature. Wood não participou da pesquisa comandada por Keenlyside.

Oscilação Multidecadal do Atlântico

Correntes oceânicas e circulação térmica no Atlântico

«As variações naturais alteram o clima nessa escala temporal e os dirigentes mundiais podem pensar ou que as ações de mitigação já dão resultado ou que não há qualquer tipo de aquecimento global", afirmou Noel Keenlyside, pesquisador do clima no Instituto Leibniz de Ciências Marinhas, da Alemanha. Keenlyside comandou o estudo. Noel Keenlyside, do Instituto de Ciências Marinhas Leibniz, da Universidade de Kiel

O relatório de um painel do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) lançado neste ano previu que as temperaturas da Terra subiriam entre 1,8 e 4,4 graus Celsius neste século, em par te por causa da queima de combustíveis fósseis que produz dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa. Cientistas afirmam que a elevação das temperaturas poderia gerar um aumento do nível dos oceanos, o derretimento de geleiras e

um aumento na freqüência e na força de tempestades e secas. Esses fenômenos, de outro lado, poderiam criar levas de "refugiados do clima". Segundo Keenlyside, um motivo possível para o relativo efeito de resfriamento na próxima década seria o esperado enfraquecimento do sistema que leva água quente para o nor te do oceano Atlântico, o que compensaria pelo previsto aumento no volume emitido de gases do efeito estufa.

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AÇAI E BABAÇU

EM DESTAQUE Produção primária florestal cresceu 6,8%, revela IBGE

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valor daproduçãoprimáriaflorestaldoBrasilalcançouR$10,9 bilhõesem2006,mostrandocrescimentode6,8%emrelação ao ano anterior. O dado consta da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada recentemente peloInstitutoBrasileirodeGeografiaeEstatística(IBGE). Segundo o gerente da pesquisa, Luis Celso Guimarães Lins, 66% desse total, correspondente a R$ 7,2 bilhões, vieram da silvicultura, produtos retirados de matas plantadas. Nesse setor, o aumento apurado do valor da produção foi de 6% em comparação a 2005, informou Lins. Os R$ 3,7 bilhões restantes se referem ao extrativismo vegetal, relativo às matas naturaisexistentesnopaís. Apesar de o valor da produção ter aumentado em 2006, o pesquisador afirmou que muitos itens registraram produção menor que no ano passado.

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Lins, no entanto, observou, que a silvicultura vem se expandindo e mantendo um nível de produção constante. “Como os produtos da silvicultura são destinados diretamente às fábricas, eles precisam ter o plantioplanejadoaolongodosanos”,explicou. No extrativismo vegetal, a pesquisa do IBGE mostra que o valor da produção madeireira, que também abrange carvão vegetal, lenha, madeira em tora e nó-de-pinho, totalizou R$ 3,2 bilhões no ano passado. Em relação aos 37 produtos não-madeireiros pesquisados, nove se destacam em razão do volume de produção. Os principais são frutos de açaí (R$ 103,2 milhões) e amêndoasdebabaçu(R$102,2milhões). A Região Norte deteve 90,7% da produção nacional de açaí, 98,3% da produção de castanha do Pará, 94,7% da produção de palmito e 99,8% da produção de látex. O Nordeste liderou a produção de amêndoas de babaçu (99,2%) e praticamente 100% das produções de cera e pó de cera de carnaúba, além de 88,7% das produção de fibras de piaçava. O Sul concentrou 99,8% da produção nacionaldeerva-mate.

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1ª fábrica a capturar seu próprio CO2

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essetipodetecnologia,ocombustívelfóssilé queimado em contato com oxigênio puro, e não com ar. O resultado é um gás de escape com grande concentração de CO2, pronto paraserseqüestradoearmazenado. Na fábrica de Schwarze Pumpe, o resultado será calor, vapor de água, impurezas e nove toneladas de CO2 por hora. O carbono será separado, comprimido para um volume equivalente a 1/500 do seu original, e transportado em cilindros a mil metros de profundidade, onde ficará armazenado pelas próximas décadas. A energética sueca Vattenfall, proprietária das instalações, financiou por conta própria o projeto de 70 milhões de euros(R$175milhões)porquequerialiderar uma tecnologia que o principal assessor do governo britânico para assuntos científicos, David King, já descreveucomo"aúnicaesperançadahumanidade". A tecnologia é apontada como uma maneira de garantir fornecimento de energia evitando o problema das emissões de carbono na atmosfera, responsáveis pela mudança climática e o aquecimento global. "Estamos muito orgulhosos - achamos que este é o futuro para o carvão", disse o engenheiro-chefe da Vattenfall, HubertusAltmann.

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ONGs como o Greenpeace, por exemplo, dizem que o seqüestro de carbono tal como existe hoje é uma "falsa promessa", e que a saída sustentável é investir seriamenteemtecnologiaslimpas. A União Européia quer incentivar a criação de 10 a 12 plantas industriais de larga escala realizando o seqüestro de CO2 nos próximos anos. Muitas companhias devem em breve embarcar nesta corrida com projetos pilotos, mas até agora nenhuma fábrica movidaacarvãoemlargaescalafoiencomendada. A fábrica de Schwarze Pumpe

Pontos de interrogação Mas ainda há muitos pontos de interrogação pairando sobre o uso deste tipo de tecnologia, particularmente em relação a onde o CO2 será armazenado e quem pagará os altos custos da construção e operação das instalaçõesdeseqüestrodecarbono. Asúltimasestimativassugeremqueaenergiaproduzida em processos semelhantes custará mais ou menos o equivalente à eólica - talvez 50% a mais do que custa atualmente. Além disso, ambientalistas questionam a tecnologia, afirmando que se trata apenas do adiamento de uma solução final e sustentável para o problema das emissões.

Estamos muito orgulhosos disse o engenheirochefe da Vattenfall, Hubertus Altmann

No interior da fábrica

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Amazonia 11  

Revista Amazônia edição 11

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