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dezembro 2009

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 97

6,00 3

E mais:

FELIZ NATAL !

>>> CONFINTEIA VI >>> XIII FERIA DO LIVRO >>> OLIMPIADA VERDE


05 Natal da verdade e do amor

Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

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Porque estamos no mês do Natal

Conferência Internacional 08 VI de Educação de Adultos A XIII Feira Pan-amazônica

23 do Livro 34

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES: Arthur Pantoja, Acyr Castro, Airton Faleiro, Camila Parente, Camillo M. Vianna, Cecim El Achkar, Elielton Amador, Evandro Santos, Fabíola Batista, Floriano Serra, Garibaldi Parente, Jussara Kishi, Sergio Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Advaldo Nobre, Carlos Silva, Claudio Rodrigues; Claudio Santos, David Alves; Eliseu Dias,Elcimar Neves, Eunice Pinto, Lucivaldo Sena, Rodolfo Oliveira,Tamara Saré/Ag.Pá; Garibaldi Parente; Jorge Coelho/Eletrobras, Marcelo Cleiton; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES

É de criança que se forma um leitor

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

X Jogos dos Povos Índigenas,

36 a Olimpíada Verde 2009 41

Amazônia, Nosso Presente de Natal

eletrônica vai revoluci42 GTA onar pecuária do Pará

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O Círio Fluvial de Conceição da minha terra

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Português na internet, ora pois!

PA-538


por Cecim El Achkar

Natal da verdade e do amor

S

erá que a verdade se traduz só a sua volta e passam a vida prejudicando nada mudou? Não mudamos porque somos fracos, sem por palavras de incentivo, de as pessoas? solidariedade, de risos, de Por que alguns trabalham tanto e outros vontade, despreparados ou porque o nosso olhares de aprovação, de não vivem de papo pro ar, e como é difícil para gene não permite mais mudança em nosso se envolver de corpo e alma, os que trabalham reduzir a sua jornada e comportamento? de esperar para que o tempo mais difícil ainda para os que não Vamos pensar um pouco sobre o porque mude o rumo dos fatos, e de não mostrar trabalham um dia começarem alguma não conseguimos mudar, mesmo tendo consciência do certo e do errado e termos os pontos fracos e falhos que todos nos atividade. o firme propósito de mudança. temos? Vamos continuar vivendo de Será que ser amigo é dizer a ilusão, ou precisamos de uma nossa verdade ou a verdade ciência que nos faça mudar para que o amigo gostaria de ouvir? melhor, será a fé faz isso ? Será Será que gostamos mais de que as religiões fazem isso? palavras de elogio do que Qual é o nosso futuro? atitudes construtivas? Chegar à beira da morte, e nos Será que o tempo todo arrependermos dos males que repetimos os mesmos erros e cometemos e jurarmos que se caímos nas mesmas tentações? pudéssemos seriamos Será que já viemos diferente, será verdade....? programados para sermos o Penso que o ser humano que somos e não temos dificilmente vai mudar, mesmo condições de mudar os nossos com todos os esforços. A única defeitos e as atitude auto saída em minha opinião é destrutivas que cometemos educarmos nossos filhos desde todos os dias? Que o natal seja a data do milagre da possível transformação dentro de cada o nascimento com limites, com Por que só uma parcela ínfima um de nós e que se traduza com ações de mudanças reais e permanentes o amor de verdade que usa das pessoas conseguem mudar muito mais a palavra não do que o seu rumo de vida e Por que ser humano consegue matar conseguem não fumar ou deixar do aqueles que deveria amar e não odiar? a sim, e do nosso comportamento como cigarro, não beber ou deixar a bebida, não Será que só ficamos com o gene do Caim espelho para nossos filhos. se viciar em jogos ou conseguir se livrar que matou o Abel, e só ficamos com os Que o natal seja a data do milagre da dele, comer alimentos que fazem mal a genes da maldade , da inveja, e do possível transformação dentro de cada um de nós e que se traduza com ações de nossa saúde ou ter uma dieta saudável ou orgulho? conseguir mudar a sua alimentação Será todo ano no Natal remexemos todos mudanças reais e permanentes. P errada? os nossos defeitos de fabricação e Por que algumas pessoas não têm tentamos mudá-los, e no outro Natal Pediatra escrúpulo e prejudicam a tantos que estão revisamos tudo e percebemos que quase

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por Floriano Serra

Porque estamos no mês do Natal

M

Se você acredita nas magias do Natal, quem sabe, depois de ler este artigo, você conclua que a Paz e a Felicidade estão mais próximas do que pensamos?

uitas coisas mágicas acontecem porque estamos no mês do Natal. Talvez essas coisas mágicas não aconteçam com todo mundo. Nem mesmo sei se acontecem com muitas ou com poucas pessoas. Mas acontecem com algumas – não que estas sejam melhores que ninguém. Apenas são mais perceptivas a algumas sutis mudanças que ocorrem no ar, no humor e no amor das pessoas – só porque estamos no mês de Natal. Uma mudança visível, por exemplo, no mês do Natal, é que as pessoas sorriem mais. Tornam-se mais tolerantes, mais pacientes. Algumas ficam mais otimistas. Outras ficam mais criativas para acompanhar o otimismo daquelas, ainda que não tenham boas razões para serem otimistas. As ruas e os shoppings ficam apinhados de gente que anda de um lado para o outro, de forma deliciosamente barulhenta. Os sons, a confusão e as algazarras de dezembro fazem parte do cenário natalino. Até o trânsito congestionado faz parte. Nas empresas, essas mudanças também acontecem, porque estamos no mês do Natal. Planejam-se almoços, jantares, encontros de confraternização, festas de "amigo secreto", concursos, brincadeiras, distribuição de brinquedos e cestas sempre com a risonha presença do Papai Noel, mesmo com a barba fora do lugar e um leve hálito de cerveja. E as magias do Natal nas empresas não param por aí: os chefes "durões" relaxam, os "bonzinhos" se derretem, os racionais contemplam tudo com um olhar condescendente de superior compreensão, os atrasos são tolerados, as faltas são abonadas... Porque estamos no mês de Natal, as portarias das empresas se enchem de brindes e presentes de fornecedores e clientes. Algumas Normas internas tentam proibir essa prática, mas o máximo que conseguem é fazer os brindes e presentes irem parar em outras portarias residenciais. Porque estamos no mês de Natal todas as equipes de trabalho transformam-se pra valer em equipes de alta performance.

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E como toda magia, é só para sonhar com ela

Nunca a integração, a sintonia e a harmonia são maiores e mais produtivas que no mês de Natal. Isso é fácil de perceber nos alegres encontros dos colegas nos corredores e nas cristalinas gargalhadas nos refeitórios e mesmo no local de trabalho. Porque estamos no mês de Natal, mágoas e ressentimentos são arquivados. Aquele aumento que não veio, aquela promoção que não saiu, aquela ofensa, aquele constrangimento, aquela discussão...tudo isso passa batido porque estamos no mês do Natal. E depois, para coroar as festividades, há o inevitável discurso reafirmando que as pessoas são o maior patrimônio das empresas. E assim todos continuam vivendo felizes para todo o sempre - enquanto durar o mês de dezembro. Querem saber o que eu realmente gostaria que acontecesse? Que ocorressem de fato as mudanças às quais me referi neste artigo. Mas que elas fossem tão duradouras quanto a esperança dos puros de coração, e que, doravante, eu pudesse escrever, a cada mês, mais onze artigos iguaiszinhos a este, mudando apenas o nome do mês no título. E que eu

pudesse começar o texto de cada um dos artigos desta maneira: "Muitas mágicas acontecem...": -Porque estamos no mês da Confraternização Universal... -Porque estamos no mês do Carnaval... -Porque estamos no mês da Semana Santa... -Porque estamos no mês da Páscoa... -Porque estamos no mês do Dia das Mães... -Porque estamos no mês do Corpus Christi... -Porque estamos no mês das Férias... -Porque estamos no mês do Dia dos Pais... -Porque estamos no mês da Independência do Brasil... -Porque estamos no mês do Dia das Crianças... -Porque estamos no mês da Proclamação da República..." e aí recomeçaríamos nossa contínua maratona de fé, esperança e otimismo, porque teria chegado novamente o mês de dezembro, o mês do Natal. Outra alternativa seria decretar que, daqui para a frente, o ano inteiro seria constituído por um único mês, composto de 365 dias, chamado dezembro... Será sonhar demais supor que a Paz e a Felicidade poderiam ser conseguidas simplesmente extinguindo-se o nome dos meses ou transformando-os em um só? Ora, não me levem a sério. Esta pergunta faz parte da magia do Natal. E como toda P magia, é só para sonhar com ela. Psicólogo

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Acyr CASTRO

Jesus Nasceu

E

ste Natal talvez seja o mais importante para a história da humanidade. Porque cheio de muita esperança e de infinita expectativa. 0 mundo continua numa trajetória, que parece interminável, de ódio, guerra e todo tipo de preconceito. A esperança depende da fé, por tanto, da certeza de que Nosso Senhor terá piedade do infinito sofrimento que divide, mais do que nunca, povos e noções de como governar os problemas que permanecem, de uma certa forma, de Norte a Sul e de Leste a Oeste por tanto canto do planeta que dá idéia de como tudo está pegando fogo. A luta é difícil e mais do que sempre exige decisões positivas e firmes que enfrentem as dificuldades do momento, quer nos países ricos, quer nos mais carentes. E quem poderá transformar a terra a não ser o Filho do Homem que veio ao mundo para nos redimir e voltará, no finai dos tempos, para salvar as suas

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criaturas e apagar as chamas. O cristão não tem dúvida de que isso acontecerá, mais cedo ou mais tarde, já que a igreja Católica e Apostólica nunca faltou desde que inspirada pelo Espírito Santo, Nosso Pai e Criador Não se trata de ilusão e sim de certeza. Jesus nasceu exatamente para isso e fora dele não existe salvação. 0 contrário representa uma descrença que não tem cabimento no espírito de quem nasceu, foi batizado e crismado com base na palavra do Evangelho. Um Feliz e abençoado Natal, pedindo para isso a intermediação de Nossa Senhora Auxiliadora e de São Francisco de Assis. São os meus votos para todas as famílias, em especial a família Hühn que edita tão bela revista. (*) (*) Poeta, jornalista e escritor

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Evandro Santos, Jussara Kishi, Fabíola Batista,

por Elielton Amador, Arthur Pantoja e Camila Parente

VI Conferência Internacional de Educação de Adultos

Confintea

A

Fotos: David Alves, Eunice Pinto, Eliseu Dias e Tamara Saré /Ag Pa e Marcelo Cleiton

conferência foi aberta pela diretora geral da Unesco, recém-eleita Irina Bokova; pelo ministro de Educação, Fernando Haddad, e pela governadora do Pará, Ana Júlia Carepa. A princesa Laurentien, da Holanda, representante especial da Unesco para Alfabetização para o Desenvolvimento também esteve presente. O ministro da Educação, Fernando Haddad, pediu, durante discurso na abertura da Confintea, um esforço cooperativo entre todos os países para superar o problema do analfabetismo. Haddad afirmou que o Brasil “está confiante” no cumprimento das metas de redução do analfabetismo estabelecidas em 2000. Assinado durante a Conferência Mundial de Educação, em Dacar (Senegal), o acordo determina que vários países, entre eles, o Brasil, devem reduzir pela metade a

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taxa de analfabetismo até 2015. O Brasil precisa chegar a 6,7%. Hoje o país tem 10% da população maior de 15 anos analfabeta. “A questão da alfabetização continua sendo um assunto da ordem do dia para o governo brasileiro. Os desafios colocados precisam ser perseguidos cooperativamente e não apenas por relações bilaterais, mas multilaterais”, disse em seu discurso. Fernando Haddad, ministro da Educação

Entre 2007 e 2008, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), o analfabetismo caiu de 10,1% para 10%. De 2006 para 2007 a redução foi de 0,4% e de 2005 para 2006 de 0,7%. A diretora geral da Unesco, Irina Bokova, chamou a atenção para a falta de empenho no setor de ensino, por parte dos governos, e disse que a crise financeira mundial "não pode ser justificativa para reduzir o investimento em educação de adultos". A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que foi a última autoridade a fazer seu pronunciamento, conforme o protocolo, na abertura da VI CONFINTEA, disse que em três anos o governo já alfabetizou 52 mil pessoas no Estado e espera cumprir a meta de redução do analfabetismo em 50% até 2015. O evento contou com a presença de educadores de mais de 150 países. Logo no começo da manhã, a governadora Ana Júlia Carepa; o ministro da Educação, Fernando Haddad; a diretora geral da paramais.com.br


A mesa oficial da abertura da VI CONFINTEA

Unesco, Irina Bokova; e outras autoridades plantaram uma muda nos jardins do Hangar, como gesto de contribuição ao programa Um Bilhão de Árvores para a Amazônia, do governo estadual, citado por Ana Júlia, durante o discurso oficial. Ela disse que o Pará e o Brasil estão fazendo a sua parte no combate ao desmatamento e na redução da emissão de gases. Mas ressaltou que é importante que os países ricos também assumam o compromisso de reduzir a poluição da atmosfera. A governadora lembrou que esse compromisso será cobrado de todos os governos na Conferência do Clima, que acontecerá em Copenhague. Ana Júlia Carepa reafirmou também o Walter Hircher, presidente da CONFINTEA

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Após meses dedicados à organização do principal evento sobre educação de adultos do mundo, Belém entra na história da Organização das Nações Unidas como a primeira capital sul-americana e de um país em desenvolvimento a sediar uma Conferência Internacional de Educação de Adultos, Confintea, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Irina Bokova, diretora Geral da UNESCO

compromisso do governo do Pará com a educação de adultos e destacou o esforço que existe no Estado para melhorar do ensino público. Entre as ações na área da educação, ela citou a realização de concursos públicos para a contratações de novos profissionais, a reforma de escolas em todo o Estado, e o programa NavegaPará, que já criou 70 Infocentros no Pará, incluindo as escolas públicas. O senador Cristovam Buarque, foi mais específico. Para ele, o governo federal fez pouco até agora e, além do mais, a sociedade ainda contribui para a baixa escolaridade. "Não somos um povo que põe a educação como um valor fundamental. Nos preocupamos mais com a areia da praia, com a temperatura da Senadora Marina Silva

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cerveja, com o resultado do futebol do que com a educação de nossos filhos", observou. A secretária de Educação do Pará, Socorro Coelho, saiu em defesa do governo Lula e das políticas implementadas no Estado. "Não é de uma hora para outra que você vai acabar com o analfabetismo", disse ela. Segundo dados da Seduc, o Pará tem cerca de 500 mil analfabetos. A governadora Ana Júlia Carepa informou que 52 mil já foram alfabetizados de 2007 até hoje. A novidade no Pará é a criação do ensino médio para indígenas nas aldeias. O esforço do governo Ana Júlia, segundo a secretária de Educação, para melhorar o ensino nas escolas do Pará, passa pela formação dos professores. Neste sentido, 41.300 docentes, que não obtiveram o

Princesa Laurentia, dos Países Baixos, na abertura do VI Conferência

financiamento da educação de adultos. O relatório mostra que poucos países possuem políticas específicas para a educação de adultos, e que o nível de financiamento atual para essa área está muito abaixo dos recursos necessários para permitir que o setor atinja o seu potencial. Belém foi a cidade escolhida porque retrata um dos maiores desafios mundiais: a promoção do desenvolvimento humano com base em paradigmas de sustentabilidade. A sexta edição da Confintea aconteceu de 1º a 4 de dezembro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, e reuniu cerca de 1.500 participantes de mais de 156 Estados-membros da Unesco, outros organismos das Nações Unidas, Ana Júlia citou, entre as ações na área da educação, os concursos públicos, a reforma de Escolas e o programa NavegaPará, que já criou 70 Infocentros públicos

Alpha Oumar Konaré, ex-presidente de Mali, fundador do Movimento pela União dos Países Africanos

diploma do ensino superior, vão poder ser graduados, graças a uma parceira com o governo federal, por meio de cursos especiais. "Os professores terão aulas com mestres e doutores e receberão diploma das melhores universidades do Estado. Isso não é investir em educação?", indagou Socorro Coelho. O evento foi marcado por grandes debates sobre o tema "Vivendo e aprendendo para

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Senador Cristovão Buarque

um futuro viável: o poder da aprendizagem e da educação de adultos". O debate sobre a falta de investimentos na educação de adultos esquentou quando foi apresentado o Grale, sigla em inglês para Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos. O documento mostra a variedade e o desequilíbrio das medidas adotadas em políticas públicas, governança e

agências de cooperação bilaterais e multilaterais, organizações da sociedade civil e do setor privado, além de estudantes adultos de todo o mundo. A Confintea foi realizada em cooperação com Ministério da Educação e Governo do Pará. Um dos objetivos do evento foi chamar a atenção para a contribuição da educação de jovens e adultos ao desenvolvimento

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sustentável em todos os seus aspectos: social, econômico, ecológico e cultural, e vai explorar questões que afetam a educação de adultos no momento, incluindo políticas públicas, e s t r u t u r a e financiamento, inclusão e participação, q u a l i d a d e e alfabetização.

Mobilização As Conferências Internacionais de Educação de Adultos (Confinteas), que a Unesco convoca a cada 12 anos, fazem parte de uma permanente mobilização em torno do tema. São eventos intergovernamentais, que têm como principal objetivo fornecer plataformas para o diálogo e defender

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políticas sobre aprendizagem e educação de adultos dentro e entre países, em âmbito global. Esses encontros são precedidos por processos de preparação e debates, que visam renovar as políticas públicas orientadas para a educação de adultos no espírito da aprendizagem ao longo da vida, e servem como base para questões econômicas, sociais, culturais e políticas emergentes em relação à educação e desenvolvimento internacional. A Confintea anterior, realizada em 1997, em Hamburgo (Alemanha), reconheceu a educação de adultos como um processo desenvolvido ao longo da vida, com o objetivo de proporcionar a autonomia e o senso de responsabilidade a pessoas e comunidades, reforçando sua capacidade de lidar com as mudanças econômicas, culturais e sociais, além de promover a tolerância e a participação crítica e criativa da sociedade. Os compromissos firmados na ocasião resultaram na Declaração de Hamburgo. No entanto, os países signatários do acordo não alcançaram as metas de criação de políticas públicas para esse segmento. Nesse sentido, entre os principais desafios da sexta conferência está a renovação do

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Latina, fortalecendo a educação em diversos países. Ao todo, a rede já beneficiou mais de 2 milhões de adultos com cursos oferecidos nas diferentes áreas do conhecimento. Florenço Mendes, diretor Geral de Educação e Formação de Adultos de Cabo Verde, país integrante da rede, destacou que uma das vantagens do programa é a flexibilidade. "O Sistema Ecca tem a capacidade de se adaptar a diferentes realidades e contextos de cada país", disse ele.

Compartilhar A governadora do Pará, Ana Julia Carepa, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e a princesa Laurencia dos Países Baixos, enviada da UNESCO

movimento e do compromisso político, e o desenvolvimento das ferramentas para implementação e êxito das políticas públicas.

Redes internacionais educam milhões de pessoas em vários países

Foco

No workshop "Cooperações em rede e parcerias internacionais inovadoras", a oficina reuniu as experiências de duas grandes redes internacionais que vêm conseguindo bons resultados no trabalho com a educação de adultos: o Sistema Ecca e a instituição iberoamericana Rieja. O Sistema Ecca de Formação a Distância, surgido na década de 1960 nas Ilhas Canárias, continente africano, utiliza o rádio como principal ferramenta de trabalho. Segundo Margarita Lopez, representante da instituição nas Ilhas Canárias, o sistema trabalha com aprendizagem formal e não-formal de adultos e hoje é utilizado não África e em grande parte da América

O Brasil é o maior país da América Latina, a sexta economia do mundo e possui 189,6 milhões de habitantes, dos quais 14,1 milhões, entre a população maior de 15 anos, não sabem ler nem escrever. Entre os brasileiros que estão acima de 25 anos, 50,2% não atingirão a média da escolaridade obrigatória de 8 anos, o correspondente ao ensino fundamental. Mais do que nunca, o Brasil vai precisar voltar suas atenções para a Educação de Adultos visando atender a determinação da Constituição de garantir o ensino fundamental a todos os cidadãos, e melhores condições de vida a seus jovens e adultos. A programação do Confintea, contou com a participação de universitários paraenses, foi encerrada com um Cortejo Cultural, percorrendo várias ruas da cidade.

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Encarna Cuenca, da Espanha, falou em nome da Rede Ibero-americana para Educação de Pessoas Jovens e Adultas ( R i e j a ) . Tr a t a - s e d e u m a r e d e intergovernamental que integra os Ministérios da Educação de 16 países, incluindo o Brasil, e trabalha na elaboração conjunta de políticas e ações para o setor. "É importante compartilhar experiências neste mundo globalizado, onde não se pode dar as costas para o que o outro está fazendo. Temos que aproveitar os conhecimentos existentes", ressaltou.

A princesa Laurencia dos Países Baixos, enviada da UNESCO, plantou uma muda de arvore para o programa um bilhão de arvore do governo do Estado do Pará paramais.com.br


Na abertura da VI CONFINTEA

O Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, esteve sempre lotado

A Mensagem de Ban Ki-Moon O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse em mensagem divulgada na abertura da Confintea VI,que em todo o mundo a educação de adultos "é uma questão urgente". Ele afirmou que mais de 750 milhões de pessoas são analfabetas no planeta – a maioria é formada por mulheres. "Em um mundo moderno, não poder ler e escrever é uma deficiência devastadora. É uma barreira para Ban Ki-Moon, o desenvolvimento", ressaltou secretário geral Ban Ki-Moon, que não participou das Nações Unidas da Confintea.

A Mensagem de Fernando Haddad Fernando Haddad, ministro da Educação

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O ministro Fernando Haddad disse na mensagem do Confintea, que os imensos desafios "exigem respostas criativas, ações inovadoras e o estabelecimento de parcerias que promovam a melhoria das condições de vida da população mundial". As baixas taxas de participação e acesso desigual permanecem como principais desafios para a educação de adultos atualmente.

A Mensagem de Irina Bokova Irina Bokova, em mensagem divulgada pela assessoria da Unesco no material entregue aos participantes da Confintea VI, afirmou que a educação de adultos tem o poder de transformar vidas. "A aprendizagem fortalece os adultos com dignidade e confiança. Propicia-lhes conhecimentos e habilidades para informar as suas escolhas, melhorar a qualidade de suas vidas, para se adaptarem à mudança e participar de suas sociedades", disse a secretária da Unesco. "O acesso à educação pode representar o divisor entre pobreza e oportunidade, em um mundo crescentemente integrado e impulsionado pela tecnologia", completou. A mensagem de Irina, faz uma crítica aos governos que não investiram na educação de adultos nos últimos 12 anos. Ela afirma que, apesar de as evidências mostrarem a importância do aprendizado de adultos, o apoio político ainda é insuficiente em todo o mundo. "Não podemos construir um futuro mais viável quando 776 milhões de adultos - dois terços dos quais mulheres não possuem as competências básicas de alfabetização", frisou ela. Irina Bokova

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educação, mas a rede pode potencializar esse trabalho. Temos avançado, mas estamos conscientes dos desafios que temos à frente", afirmou Jorge Camors, coordenador de Políticas Educativas do Ministério da Educação do Uruguai, país membro do Rieja.

A Mesa Financiamento da Educação de Adultos

Dificuldades

Totem de informações

O Rieja conta, ainda, com a colaboração de universidades, organizações não governamentais, governos regionais, entre outros, que participam indiretamente das ações. Um ponto em comum entre as duas experiências é a preocupação com a autonomia de cada país que adere às redes de cooperação. "É difícil avançar quando cada país é autônomo em suas políticas de

Em meio aos debates sobre educação, o Boi Caprichoso levou o colorido da cultura amazônica aos participantes da Confintea Ase Kleveland, representante da Noruega

Os representantes das demais regiões também relataram os problemas que dificultam o processo de educação de adultos em seus países, entre os quais estão os níveis elevados de pobreza, o desemprego e a evasão escolar. O Relatório Global, construído ao longo de quase dois anos de estudos e debates, foi organizado em seis capítulos, abrangendo temas como participação e equidade na educação de adultos, qualidade e financiamento. O Relatório mostrou que, desde a última Confintea, realizada em 1997 em Hamburgo (Alemanha), 56 países implantaram políticas de educação de adultos, o que representa 36% do total de Estados membros. O documento revela, porém, que 74 milhões de pessoas continuam sem acesso a esse direito, sendo que dois terços dos marginalizados são mulheres. Como caminhos, o Relatório aponta o reconhecimento da questão como um direito básico que beneficia toda a sociedade, a integração da educação de adultos nas políticas públicas, o fortalecimento de parcerias e pesquisas e a busca por financiamento.

Magdalene Motsi, representante da Associação de Aprendentes Adultos do Quênia

No Stand da Ong Action Aid

Participantes da VI Confintea utilizando a internet do Navega Pará

O ex-secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação do Brasil (MEC), Ricardo Henriques, que presidiu os

Ministra da Namíbia,R.K. Ndjze -Ojo Geoff Erici, diretor de Divisão da Assistência Financeira aos Estudantes e Treinamento e Educação de Adultos da Suécia O visual dos delegados dá um colorido especial ao evento. Destaque para os africanos com seus tecidos brilhosos, estampados e de cores fortes.

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No Painel Inclusão e participação na educação de adultos

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debates sobre o Relatório Global, afirmou que é preciso trabalhar em conjunto para que o conhecimento seja distribuído igualmente. "Os seres humanos estão sempre confrontando mudanças que exigem novas competências, e aqueles que não entrarem na aprendizagem serão sempre marginalizados e explorados", declarou Ricardo Henriques, que completou: "A educação e a aprendizagem transformam as pessoas e o mundo".

Participantes da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos utilizando o Navegaphone Vice-ministro da Educação do México, Esteban Miguel, na apresentação do Relatório da América Latina e Caribe sobre a Aprendizagem e Educação de Adultos

Carta A rede internacional de educandos também apresentou a "Carta dos Aprendentes", que recebeu contribuições de representantes

governamentais sobre exemplos de políticas que buscam aumentar a participação e enfrentar essas desigualdades. Dos oito artigos da carta, foram destacados os relacionados à inovação, cooperação internacional, recursos para financiamento, qualidade, acesso e participação. "Por que associar à carta com os alunos? Para ter uma experiência de aprendizagem mais rica, de qualidade, reativa, para desenvolver mais capacidades e saber o motivo de as organizações tomamem decisões nessa área", afirmou Magdalene Motsi, da Associação de Aprendentes Adultos do Quênia.

Purandeswari Daggubati, Ministra de Estado de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Índia

Ex-ministro da Educação do Brasil, Ricardo Henriques (c), moderador dos debates do I Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos

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Na apresentação do I Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos

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Para os governos, segundo ela, é interessante assinar a carta para motivar estudantes em suas experiências de educação de adultos e obter resultados positivos, além da facilidade de monitoramento do progresso dos alunos. Cinquenta países já subscreveram o documento e adotaram a Semana dos Alunos Adultos, em 2004. No mesmo ano, a África do Sul realizou a Conferência dos Alunos Adultos, com a participação de 15 países. Em 2005, 14 países estiveram presentes à Semana Europeia de Alunos Adultos. "Gostaríamos de contar com o apoio de todos na nossa visão de futuro e buscamos aqui apoio às vozes dos alunos adultos. Queremos que endossem a carta nessa conferência", disse John Gates, da Rede deAprendentesAdultos do Reino Unido.

Confintea exibiu a riqueza cultural de Belém A Confintea VI, reuniu delegados de mais de 150 países. Até o Vaticano, o menor país do mundo, mandou representante. O encontro de pessoas com diferentes culturas e línguas traduz a diversidade dos povos e revela experiências que, dificilmente, serão esquecidas. O inglês Timothy Ireland, um dos responsáveis pela organização da Confintea, acredita que esse contato multicultural é já um aprendizado para a

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além de muita salada para os vegetarianos. "Até agora, não ouvi nenhuma reclamação sobre comida. Muito pelo contrário. Acho que estão gostando bastante", disse Timothy. O problema é ouvir em russo. Por falta de sintonia nos aparelhos, a tradução não está sendo feita com qualidade, mas nada que atrapalhe o andamento das plenárias no auditório do Centro de Convenções. O desafio da Confintea era garantir a tradução de conteúdos nos encontros das comissões de trabalho que Thimoty Ireland, da Unesco, se reúnem em separado. A coordenador da VI Confintea divisão dos delegados em oito grupos de trabalho exige uma tradução em até seis idiomas; a comissão de redação, exige três línguas. "É uma logística muito complexa para atender todas as necessidades linguísticas", explicou o organizador. Tradução à parte, o visual dos delegados dá um colorido especial à Conferência. Os africanos receber bem os participantes, a Unesco, junto com as entidades parceiras, como o se destacam, com seus tecidos brilhosos, próprio governo do Pará, pensou em tudo. estampados e de cores fortes. A delegada O cardápio, por exemplo, leva em da Namíbia está sempre com chapéu na consideração a cultura e o gosto de cada cabeça; o senegalês não aparece sem o turbante. Todos capricham na elegância e país. A carne de porco foi excluída do cardápio. adoram ser fotografados. Afinal, outra Nele, prevaleceram o peixe e o frango, Confintea só daqui a 12 anos. vida. Ele comentou dois momentos importantes ocorridos dentro da programação do evento. Primeiro foi o coquetel oferecido pelo governo do Pará, na Estação das Docas, onde alguns delegados estrangeiros dançaram o carimbó, ritmo típico da região. Outro momento interessante são as apresentações de danças folclóricas exibidas nos intervalos das plenárias da conferência, como o boi bumbá, que animou a Confintea nesta quarta. Para

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Ministério da Educação vai destinar barcos para ribeirinhos Fernando Haddad, vai entregar embarcações para os municípios da região Norte

Educação de adultos é indispensável para a redução da pobreza A educação de adultos deve ser parte imprescindível da agenda de desenvolvimento de qualquer país no mundo contemporâneo. Essa foi a conclusão da mesa-redonda "Políticas e Governança para educação de jovens e adultos. Representantes de vários países apresentaram suas considerações sobre o tema e expuseram os instrumentos políticos utilizados pelos países para promover a educação de adultos. A representação dos Estados Unidos, por exemplo, afirmou que o país incentiva a educação de adultos através de um ensino

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O ministro da Educação, Fernando Haddad, informou que o Ministério da Educação (MEC) vai entregar embarcações para os municípios da região Norte, onde o acesso à escola é feito pelos rios. Haddad, disse que o projeto já está em andamento, a partir de uma solicitação dos governos estaduais da Amazônia. Os barcos escolares devem ser entregues em 2010. "Vamos fazer uma parceira com a Marinha, e a Marinha, por meio de uma empresa pública ligada ao Ministério da Defesa, é que vai construir os barcos", informou o ministro. Ele não disse quantas embarcações serão construídas, mas adiantou que tudo será feito conforme a demanda dos Estados. O ministro reconheceu que é necessário reforçar o programa Brasil Alfabetizado para atingir a meta de redução do analfabetismo no país até 2015. Segundo ele, a taxa de analfabetismo vem caindo 0,3% ao ano, de 2003 para cá. Este ano, a expectativa é de que a redução seja de 0,45%. "Considero muito viável isso acontecer, sobretudo depois que o programa foi reformulado", disse. Hoje, o Brasil Alfabetizado é executado pelas prefeituras e pelos Estados. Embora a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, tenha dito que poucos países no mundo vão alcançar a meta de redução do analfabetismo, o ministro está otimista e acredita que o Brasil será capaz de reduzir a taxa até 2015.

secundário flexivel, que privilegia a formação profissional. Através dos chamados "colleges", os norteamericanos formam mão-de-obra para a economia local e desenvolvem projetos de educação de adultos, em parceria com empresas e indústria. A representante do Congo afirmou que o desafio da educação de adultos passa pela observação de direitos humanos, fazendo desse ensino um instrumento de transformação pessoal. "O desenvolvimento de projetos

Durante a Mesa "Alfabetização como Competência-chave para a aprendizagem ao longo da vida"

autossustentáveis, uma vez que a falta de recursos é hoje uma realidade para esse segmento da educação, também se faz necessário".

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RELATÓRIO GLOBAL SOBRE APRENDIZAGEM REVELA DESAFIOS DA EDUCAÇÃO O 1º Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos "GRALE", debatido no plenário, se baseia em 154 Relatórios Nacionais produzidos pelos países membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a situação da educação de adultos em todo o mundo. A plenária contou com a presença de representantes das cinco regiões onde foram realizadas Conferências preparatórias em 2008 e 2009: América Latina e Caribe; Ásia e Pacífico; África; Europa e América do Norte, e Estados Árabes. Cada região apresentou seus desafios e propostas debatidos nos eventos preparatórios. O vice-ministro da Educação do México, Esteban Miguel, disse que os países da América Latina e do Caribe ainda sofrem com os altos índices de analfabetismo. Segundo ele, a taxa de alfabetização da região teve um aumento de

Wessam Thabet, representante do Egito, durante Workshop sobre a crise financeira econômica e osimpactos sobre o mercado de trabalho

O presidente da Ásia South Pacific For Basic and Adult Education (ASPBAE), Jose Roberto Guevara, disse que a educação de adultos deve fazer parte de qualquer plano de redução de pobreza. Ele defendeu, junto aos governos, metas

apenas 5% desde a década de 1990, e grande parte da população não chega a concluir o ensino primário. Entre as propostas, ele destacou a atenção às populações marginalizadas, como indígenas, afrodescendentes e rurais, e a destinação, por parte dos governos, de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para ações voltadas à educação de adultos. "Estou certo de que, com a colaboração de todos, alcançaremos as metas, melhorando as perspectivas de vida de centenas de milhões de seres humanos", frisou.

Apresentação do GRALE

Mercedes Calderón, durante apresentação do workshop sobre Cooperações Internacionais na Educação e Aprendizagem de Adultos O vice-ministro da Educação do Brasil, André Luiz de Figueiredo Lázaro participou do debate Alfabetização como Competência-chave ...

Hovard Pedersen(c), representante da Dinamarca, durante workshop sobre a crise financeira econômica e os impactos sobre o mercado de trabalho

Hugo Zemelman, durante apresentação do workshop sobre Cooperações Internacionais na Educação e Aprendizagem de Adultos

para acompanhamento dos resultados, com relatórios a cada dois anos", disse ele. "Incluir a educação de adultos é imperativo nesse momento", concluiu a moderadora da mesa, a educadora norueguesa Ase Kleveland. "Além disso, Alberto Borges Araújo, representante do SENAI , durante workshop sobre a crise financeira econômica e os impactos sobre o mercado de trabalho

muito claras até 2012, que passam pela implementação de políticas públicas devidamente orçadas, com planos para atingir os grupos menos favorecidas. "Devem haver mecanismos de monitoramento de nível internacional

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é preciso incluir instituições nesse processo e trabalhar em cooperação com muitos atores, no sentido de orquestrar as ações da educação de adultos, diante das dificuldades de orçamento e mobilização. Isso tudo faz parte dos desafios que ainda vamos discutir nesse encontro", disse a moderadora Klevenland. Participaram da mesa ainda Franka Alexis-bernadine, ministra de Educação e Desenvolvimento de Recursos Humanos de Granada; Hassan Mneime, ministro de Educação do Líbano; Becky Ndjoze-Ojo, vice-ministra da Namíbia; Jakub Stárek, do Ministério da Educação da República Tcheca; Sylvi Bratten, do Ministério da Educação da Noruega; Ella Yulaelawati, diretora de educação comunitária da Indonésia, além dos representantes dos países convidados que falaram da plateia.

Estudos mostram que desigualdades impedem a educação de adultos De acordo com Purandeswari Daggubati, ministra de Estado de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Índia, o ensino primário universal e a alfabetização de adultos sempre foram importantes nas deliberações políticas e para o desenvolvimento socioeconômico do país, além de direito básico dos seus cidadãos, desde a independência em 1943. "Na época éramos 10% de alfabetizados apenas; agora somos 65%. No entanto, nos demos conta de que grupos de nossa sociedade não atingiram os níveis médios de alfabetização e permanecem motivos de preocupação para nós. Cerca de 40% da nossa população não são alfabetizados, sobretudo as mulheres. Dos não alfabetizados, 60 milhões são mulheres e 10 milhões pertencentes a outros grupos, que se beneficiam de programas de educação do governo federal", enfatizou. Para melhorar a participação dos alunos adultos é necessário observar as dimensões política e ética dos processos de alfabetização, segundo Sérgio Haddad, da Ação Educativa, organização fundada em 1994 com a missão de promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil. "A educação formal é importante, mas não é tudo nesse processo. Quanto mais amplo e participativo for o processo, mais grupos marginalizados e excluídos podem ganhar voz. Os processos participativos devem ser plenos, organizados a partir Sérgio Haddad, das bases e instituídos como políticas de Estado que ultrapassem as estruturas de governos, para que sejam permanentes da Ação Educativa e perenes", ressaltou. Os processos participativos, frisou Haddad, devem ser acompanhados de políticas participativas no campo econômico, social e ambiental.

Responsabilidade de todos com a educação Exemplo da necessidade de oferecer aos adultos a oportunidade de alfabetização

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A senadora Marina Silva ressaltou a responsabilidade do poder público e de todos os segmentos sociais com a educação, "para não tirar o direito de todas as pessoas a uma educação completa; o direito de sonhar e ganhar uma vida melhor". A senadora criada entre seringais do Estado do Acre, alfabetizada só aos 16 anos, fez um relato emocionado de sua experiência pessoal, que considera como exemplo para uma conferência como a Confintea. Nascida no seringal Bagaço, a 70 quilômetros da cidade mais próxima, sem nenhuma infraestrutura, em uma família de 11 filhos, bem cedo Marina teve de ajudar os pais. "Ninguém pensava em estudar naquelas condições", contou. De fato, dos filhos das 300 famílias que moravam no seringal, com média de 11 crianças por cada família, só ela chegou à universidade. "Já me pediram para fazer o discurso de que para estudar é preciso força de vontade. E precisa mesmo, mas tem que ter também oportunidades e condições", frisou. Marina Silva enfatizou que sua história "não é a norma; é a exceção", especialmente considerando as condições do sistema de ensino na época do governo ditatorial.

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Sociólogo defende políticas concretas para a educação de adultos "Basta de políticas somente declarativas e de boas intenções. Estamos em condições de oferecer políticas?", questionou Hugo Zemelman, sociólogo e fundador do Instituto do Pensamento e da Cultura da América Latina, durante workshop sobre a consolidação de cooperações internacionais em matéria de educação e aprendizagem de adultos. Para ele, a política educativa é uma questão central para todo o continente e ainda possui recursos mínimos, além da ausência de estratégias de políticas intersetoriais. "Os governos do continente, em geral, são de retórica; falta que essa política seja concreta. A educação de adultos é um problema que não se resolve com declarações", reiterou. Ele constata que há melhorias internas em cada país da região, mas que carecem de desenvolvimento para que saiam das ideias iniciais. O que se observa na maioria dos governos latinoamericanos, segundo o sociólogo, é a falta de uma leitura organizada da realidade, pois não há sistema de informações sobre educação de adultos, qualificado e balanceado. "O discurso monetário e o discurso da educação fazem parte da mesma realidade. Se não conhecermos esta realidade, fica difícil a tomada de decisões. A tendência é a imitação de modelos não só econômicos e financeiros, mas também educativos. Temos que tomar da nossa racionalidade cultural, que deve permear as decisões para que tenham sustentação na sociedade", analisou. Hugo Zemelman questionou ainda como os países latinoamericanos estão enfrentado a política de educação de adultos. Segundo ele, deve ser promovida a educação de adultos com estratégias de inserção laboral desses alunos na sociedade. "De outro modo, assumimos os riscos de termos massas ilustradas de marginais", frisou. Dentre as propostas apresentadas, ele sugere o diálogo entre o Centro de Cooperação Regional para Educação de Adultos na América Latina e Caribe (Crefal) e governos, visando solucionar os problemas existentes nos aparatos estatais,

como a falta de recursos humanos qualificados nas instituições públicas para formulação e execução das políticas educativas. Ao Crefal também caberia, de acordo com o sociólogo, articular governos e universidades para organização dos sistemas de leitura da realidade. "O que conhecemos do que está sendo construído nas instituições de pesquisa do continente? As universidades também precisam responder a este desafio", afirmou. Mercedes Calderón, diretora geral do Crefal, apresentou a plataforma de cooperação para as políticas públicas de educação com pessoas jovens e adultas na América Latina e Caribe. A proposta, resultado de pesquisa em 20 países, parte do reconhecimento dos avanços obtidos na Confintea V, com os aspectos fundamentais que cada um dos países membros do Centro aprofundarão em seu desenvolvimento. "Uma das tendências observadas é a emergência de grupos específicos que demandam atenção educativa, como os migrantes, mulheres e jovens dos setores urbanos e populações indígenas. A eles se somam os setores tradicionalmente atendidos: analfabetos, pessoas com educação básica inconclusa e trabalhadores que requerem capacitação para o trabalho", explicou. Diante das possibilidades de criação de vínculos de cooperação regional, ela destacou três aspectos que respondem às necessidades concretas dos países no campo da educação de jovens e adultos. A reconfiguração do espaço da educação para esse segmento, a profissionalização dos educadores e a pesquisa no campo da educação de jovens e adultos. "Devemos ter como premissa que a educação transcende a alfabetização; ela melhora a qualidade de vida nas comunidades, reduz a mobilidade e amplia as possibilidades de trabalho. Destacamos o caráter marginal da educação de jovens e adultos. É importante pensarmos as políticas públicas da educação por toda a vida e reconhecer as múltiplas diversidades, fortalecendo a participação da sociedade civil na elaboração dessas políticas", concluiu.

Navegafone sucesso à parte

Fernado Haddad, ministro da Educação do Brasil e Presidente da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos, e a representante da Governadora do Estado, Socorro Coelho, na mesa de encerramento da Confintea VI

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O NavegaPará, o maior programa de inclusão digital do Brasil, propiciou aos participantes da Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea VI) o acesso livre à internet, por meio de 40 máquinas e ligações internacionais gratuitas via Navegafone. O acesso à internet teve aprovação unanime dos participantes do evento, que também destacaram a hospitalidade do povo paraense. "Esse serviço é muito bom e neste evento está sendo muito útil para todos nós. Agora, por exemplo, estou na internet falando com a minha filha, que mora no Canadá. Sem falar que as pessoas daqui nos receberam muito bem. Estou impressionado", disse o nigeriano Thomas Olusola, que utilizou os serviços do NavegaPará no infocentro montado exclusivamente para o evento. Esse comentário era reproduzido de várias formas e maneiras peloa participantes da Confintea VI.

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A Mesa de encerramento da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos

“Bosque das Nações” Uma ação simbólica de plantio de mudas de árvores nativas da Amazônia para construir um pequeno “Bosque das Nações”, para minimizar os impactos ambientais produzidos nos três dias de encontro.

A ação teve como base o comitê de sustentabilidade com o objetivo de articular políticas de educação ambiental para a Educação deAdultos. Entre os participantes estão nomes como Moacyr Gadotti, do Instituto Paulo Freire; Marcos Sorrentino, professor da Universidade de São Paulo; Rachel Trajber, coordenadora de Educação Ambiental do Ministério da Educação (MEC), da coordenadora de Educação Escolar Ambiental da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Socorro Lopes; além de Lisa Ito, representante das Filipinas; José Roberto Guevara, representante da Associação de Educação de Adultos do Pacífico Sul e Cecília Viteri, do Equador. A comissão fez um inventário com os

gastos relativos de cada delegação para calcular a quantidade de emissões de gás de efeito estufa, desde a energia consumida, transporte aéreo e terrestre utilizado ao consumo dos resíduos sólidos. “Com esses números foram calculados o impacto gerado para saber o número de mudas nativas plantadas por cada delegação, que se comprometeram em fazer o plantio em seu país”, explicou Rachel Trajber, do MEC. Para Trajber, a ação, embora simbólica, pode motivar mais ações sustentáveis em prol do meio ambiente que possam contribuir para diminuir os impactos causados pelas emissões de efeito estufa na atmosfera. “Sabemos que é impossível revertermos isso, mas se não tomarmos atitudes como essas o planeta não vai agüentar, disse.

O encerramento da Confintea VI Após três dias de intensos debates, os delegados aprovaram por aclamação, o documento final, que representa o Marco de Ação de Belém, contendo um conjunto de definições conceituais e propostas para melhorar, ampliar e fortalecer a educação de adultos.

Jean-Marie Bill Cataria, relator Geral da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos, durante a leitura do documento final da Conferência

delegação tem de voltar ao seu país e implementar esse Marco de Ação", disse Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil. "O Marco de Ação vai fazer progredir a educação de adultos no mundo", completou o diplomata. O documento foi divulgado em inglês. Ainda não há versão em português. A elaboração do Marco de Ação deu trabalho para a equipe de redação da Confintea. Os delegados responsáveis pela redação trabalharam muito para chegar a um consenso. O texto foi enviado a Paris, onde houve a tradução para os idiomas oficiais do evento. "O trabalho merece reconhecimento", disse o ministro Fernando Haddad. Fruto de 42 sessões, o documento final da Conferência destaca pontos considerados urgentes para a melhoria da educação de adultos. O financiamento das ações educativas foi um dos pontos considerados pelos delegados. Apesar da crise financeira

Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil, no encerramento da Confintea

Ana Maria Freire, esposa do pedagogo e educador Paulo Freire, recebendo das mãos do Presidente da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos e ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad o troféu e a medalha Paulo Freire

O encerramento transcorreu em clima de esperança, a partir do compromisso assumido durante o encontro. "Cada paramais.com.br

Paul Bélanger, educador canadense e presidente do Conselho Internacional de Educação de Adultos durante o encerramento da VI Confintea

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A diversidade cultural integrando povos de países tão distintos marcou a primeira edição da Confintea realizada na América Latina

internacional, todos concordaram que é preciso sair do discurso e ir para a prática. Caso contrário, a melhoria da educação ficará só no papel. O canadense Paul Bélanger disse que os resultados da Confintea V (ocorrida em Hamburgo, Alemanha, em 1997) foram decepcionantes. "É preciso sair da retórica", declarou ele, no discurso proferido na última planária da Conferência, cobrando ações concretas. O ministro Fernando Haddad homenageou o educador Paulo Freire, entregando uma condecoração à viúva, Ana Maria Freire, durante o encerramento da Conferência Internacional de Educação de Adultos. Na ocasião, escritores de língua portuguesa também foram agraciados com certificados do Ministério da Educação, por terem vencido um concurso de literatura promovido pelo MEC. A educação de adultos poderá ser melhor daqui a 12 anos no mundo, se os governos dos países cumprirem as recomendações da Confintea VI, encerrada em Belém, pelo ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad.

O cortejo final A VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea) terminou com um grande cortejo da diversidade cultural pelas ruas do bairro

da Cidade Velha, em Belém. A conferência, também serviu para mostrar o trabalho de vários grupos que representam a cultura do Estado para os próprios paraenses e visitantes. O início da programação foi marcado pela interpretação do Hino Nacional Brasileiro pela índia Liliane Xipaia, no palco armado na lateral do Museu Histórico do Estado do Pará (MEP), na primeira estação do cortejo. "Estamos aqui representando o nosso país, filhos teus que não fogem à luta na nossa pátria amada; um país de cor, de raça de mitos, de samba. É uma honra cantar o nosso hino. Tenho orgulho de ser remanescente de Xipaia e agradeço por essa miscigenação. O progresso chegou e queremos a nossa autonomia", afirmou. Também participaram do cortejo as etnias Tembé, Munduruku, Assurini, Juruna, Kaiapó e Guarani. "É a primeira vez que a conferência acontece na América Latina. Foram feitas várias discussões para uma política mundial para a educação. Esse cortejo da diversidade é em favor da formação humana e esses grupos representam as várias áreas da nossa cultura", ressaltou Daniel Araújo, superintendente da Fundação Carlos Gomes, que participou da organização do evento. Depois da emoção de Liliane Xipaia, o som da floresta e a percussão amazônica tomaram conta do palco nas apresentações do Trio Manari, do grupo

No Hangar, o colorido e o ritmo da Marujada da Irmandade de São Benedito, foi uma das atrações no último dia da Conferência

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Durante o cortejo

Batuque e dos integrantes da Associação dos Percussionistas do Pará. Atabaques, curimbós, maracas e alfaias atraíram a atenção do público.

Samba Antes da saída do cortejo houve roda de grupos culturais, como as escolas de samba Rosa da Terra Firme e Crias do Curro Velho, que colocaram as pessoas para sambar, e os bois Caprichoso, Malhadinho e Orube. Em seguida, os grupos folclóricos e pássaros juninos puxaram o cortejo, juntamente com o Batalhão da Estrela e Cordão do PeixeBoi até as demais estações. Na segunda estação, as comunidades afroreligiosas amazônicas representadas pela AssociaçãoAcaoã e o terreiro IlêAxé Nagô Oxaguiã Iemanjá, ambos do bairro de São Brás, fizeram uma saudação especial aos participantes da conferência. Na terceira estação, as Crias do Curro Velho mostraram um pouco mais do samba que levam às ruas do bairro do Telégrafo durante o carnaval. O encerramento do cortejo, já no Píer da Casa das Onze Janelas, ficou por conta da Marujada de Quatipuru, com retumbão e carimbó, acompanhada do grupo Sancari. Na programação da conferência ainda se apresentariam no palco do Píer os grupos Arraial do Pavulagem, Trio Manari e os pernambucanos na banda Cordel do Fogo Encantado. P

No palco armado na lateral do MEP paramais.com.br


A XIII Feira Pan-amazônica do Livro Fotos: Advaldo Nobre, Elcimar Neves, Eunice Pinto, Rodolfo Oliveira/Ag Pa e Marcelo Cleiton

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berta oficialmente pela governadora Ana Júlia Carepa a 13ª edição da Feira Pan-amazônica do Livro se fortalece como um dos mais importantes eventos de estímulo à literatura no país, este ano com uma homenagem à França tendo como patrono o escritor paraense Dalcídio Jurandir. A cerimônia realizada no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia contou com a presença do secretário de Estado de Cultura, Edilson Moura; do Cônsul Honorário da França, Bruno Stefany; da Comissária Geral do Ano da França no Brasil, Anne Layou, e dos filhos do escritor homenageado, José Roberto Pereira e Margarida Benincasa, ambos professores. Em seu pronunciamento, Ana Júlia Carepa falou sobre a expectativa de expansão do evento. "Nós pretendemos

O escritor José Roberto Pereira, se disse honrado com a homenagem a Dalcídio Jurandir

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continuar a crescer com a Feira do Livro, fazendo com que chegue a outras regiões do Estado do Pará", afirmou ela, lembrando que o governo já realizou duas edições da Feira em Santarém, no oeste do Estado, e outras duas em Tucuruí, município do sudeste. Também estão

Edílson Moura, secretário de Estado de Cultura discursando na abertura da Feira do Livro

A XIII Feira Pan-amazônica do Livro foi aberta oficialmente pela governadora Ana Júlia Carepa e pelo secretário de Estado de Cultura Edilson Moura

previstos eventos em Marabá, no sul, e em municípios doArquipélago do Marajó. Após dar as boas vindas ao público, o secretário Edilson Moura enfatizou o crescimento da Feira Pan-amazônica,

A Comissária geral do Ano da França no Brasil, Anne Louyot, durante a abertura da Feira do Livro

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Nós pretendemos continuar a crescer com a Feira do Livro

hoje considerada a quarta maior feira literária do Brasil. "Vocês participarão de uma das maiores feiras do livro do mundo inteiro, que já se tornou tradição no calendário cultural do Pará", ressaltou. A Feira Pan-amazônica do Livro também marca as comemorações do Ano da França no Brasil. "É uma grande emoção e uma honra estar aqui para essa grande festa. Quero agradecer ao governo do Estado por este presente para a França",

declarou Anne Layou. José Roberto Pereira também se disse honrado com a homenagem a Dalcídio Jurandir. "Toda vez que venho à terra de meu pai sinto e m o ç ã o . Ve n h o a g r a d e c e r p e l a homenagem ao escritor que procurou trazer para a terra em que viveu suas emoções, denunciando, também, a desigualdade social", acentuou.

Números Quase 600 mil pessoas visitaram a Feira do Livro nos 10 dias de programação, superando o público de anos anteriores. O número de estandes também surpreendeu: este ano foram 178, movimentando cerca de R$ 25 milhões em negócios. Para o universitário Edney Monteiro, a Feira atrai "pela variedade de livros e editoras no mesmo espaço. Isso facilita muito". A professora Dayse Cunha, que havia visitado a Feira pela última vez em

Os estandes paramais.com.br


No Estande da Escola de Governo

A internet, sempre sucesso

Assistirndo os episódios do programa Catalendas, da TV Cultura. O infantil "Catalendas" é um dos programas mais bem-sucedidos da TV paraense

2007, dois anos depois constatou que o evento "cresceu bastante". "Acho que as opções de lazer, a distribuição do espaço, tudo melhorou", disse ela, destacando que a Feira ajuda a valorizar cada vez mais a região.

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Atrações movimentaram a Feira do Livro Entre as diversas atrações estava o espaço da Fundação Curro Velho (FCV), onde as apresentações de vídeos do programa Catalendas , com a exposição "Dez Anos de Catalendas", sob curadoria da Fundação Curro Velho e da Fundação

Paraense de Radiodifusão (Funtelpa).atraíram a atenção de crianças, jovens e adultos. O acesso à internet de alta velocidade nos estandes do Navegapará também fez enorme sucesso entre os visitantes, que podiam fazer ligações gratuitas através do Navegafone. Lendas paraenses, como o Boto, a Matintaperera e a Cobra Grande do Programa Catalendas, da TV Cultura, no

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telão instalado do estande , o teatro de fantoches e as diversas oficinas ministradas pelos profissionais da Fundação Culho Velho, fizeram a alegria dos jovem e nem tanto, visitantes na Feira. Os estandes da "Amazônia e a Turma da Mônica" e os espaços da "Cidade dos Livros" e "Contações de Histórias" estavam também sempre lotados. Os 65 computadores disponibilizados nos espaços do Navegapará, maior programa de inclusão digital do Brasil estavam sempre lotados e os visitantes ainda podiam fazer ligações nos orelhões do Navegafone, via ligação voip, feita via internet. Para conferir, um telão também mostrava o funcionamento da webtv, reproduzindo ao vivo a movimentação da

O Navegafone, bastante acessado na Feira do Livro era oferecido pela Prodepa, o usuário podia fazer ligações gratuitas

A XIII Feira PanAmazônica do Livro esteve sempre lotada

feira via web. Ainda mais, a TV ao vivo podia ser acessada pelo www.webtv.prodepa.gov.br. Sucesso total.

Projeto Xadrez Escolar No estande da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o projeto Xadrez Escolar, foi o carro-chefe atraindo crianças, jovens e adultos que aproveitavam a visita à feira para testar suas habilidades nas partidas, disponíveis em quatro mesas do estande. Segundo o professor Mário Cardoso, que coordena o projeto Xadrez Escolar, “as pesquisas comprovam que o jogo de xadrez pode melhorar a concentração, a atenção, a

memória e até o comportamento do aluno em sala de aula”. Desde 2007, cerca de 80% de professores da Região Metropolitana de Belém (RMB) já foram capacitados e receberam kits com o tabuleiro para trabalharem o jogo na escola. A meta da Secretaria é capacitar professores de 520 escolas da capital e interior do Estado até 2010 e fazer com

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lenço branco, Juraci Siqueira aguçou a imaginação dos atentos participantes em sua apresentação: barcos que viravam chapéus, que se transformavam em roupas íntimas masculinas e que se transformavam em ratos brancos. Tudo dependendo do olhar de cada um. A poeta Ângela Pastana, fez o lançamento da sua obra “Suspiros Poéticos”, que compõe a série “Notáveis Poetas Brasileiros” - literatura composta por 40 poesias. “Todas as poesias são feitas quando estou sentindo. A poesia para mim não tem hora nem lugar”, explicou ela. Estande da Turma da Mônica

que 261.000 alunos aprendam a jogar uma partida de xadrez.

Poesia no estande da Seduc O poeta Antônio Juraci Siqueira apresentou aos visitantes da Feira sua “Vara Poética”, com poesias e nomes de diversos poetas paraenses em fios coloridos, que lembram as fitas da Banda Arraial do Pavulagem, encantaram as pessoas que por lá passavam. Com um

O escritor e professor Juracir Siqueira e sua “Vara Poética”

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Cidade do Livro Um teatro interativo voltado para crianças de 3 a 10 anos, em uma tenda refrigerada de 450m², crianças puderam participar das atividades que envolvem a preservação do meio ambiente e o estímulo à leitura. Em uma hora de apresentação as crianças interagiam com os personagens da Cidade do Livro: o Prefeito, Secretária, Tracinha e a Vó Cotinha. A encenação contava uma história sobre o incentivo à leitura, a

alimentação saudável e a preservação do meio ambiente. O cenário – uma réplica do espaço original de São Paulo e mostra a prefeitura, a casa da vó Cotinha e o espaço do lanchinho saudável. Todas as crianças eram acompanhadas de monitoras, todas estudantes de Pedagogia. Sucesso espetacular

Palestrantes

Durante a palestra do escritor Emir Sader

Zuenir Ventura-No auditório Inglês de Sousa, lotado, Zuenir disse que o livro "Chico Mendes - Crime e castigo” foi o mais importante, pois foi por meio dele

O secretário de Integração Regional André Farias, recebe o autografo do escritor Emir Sader

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No estande da UFPA, o espaço Curie, homenageava os notáveis cientistas Pierre e Marie Curie, vencedores do Prêmio Nobel de Física de 1903.

Todos os estandes lotados

Após o bate-papo, ele fez sessão de autógrafos. Cristóvão Tezza-Autor do premiadíssimo do“O filho eterno” cujo tema foi seu filho com Síndrome de Down. Esta é a

Mek Pinheiro

que descobriu aAmazônia. Autor de mais de dez publicações, entre elas "1968: o Ano que Não Terminou", que inspirou a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela Rede Globo, "Cidade partida", vencedor do Prêmio Jabuti em 1995 e "Minhas histórias dos outros". “Afirmou também que depois do Rio de Janeiro, Belém é a segunda cidade que eu escolheria para viver”.

Cristóvão Tezza

primeira vez que Tezza veio à Belém. Ele se mostrou fascinado com a cidade e com a dimensão da Feira do Livro. “Essa interação com o público é fundamental em uma feira como essa. Um dos problemas

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Exposição de Jóias na XIII Feira Pan-Amazônica do Livro

Verificando o texto...

do Brasil é a falta de letramento. Temos que aumentar consideravelmente o número de leitores nesse país”, opinou. Zeca Camargo

Frei Betto falou de política, imprensa, religião e MST

Mek Pinheiro

Zeca Camargo- O apresentador do “Fantástico” da Rede Globo distribuiu muita simpatia, foi tietado e acarinhado pelos leitores paraenses que lotavam o no

auditório Machado deAssis. Para Zeca, o mais importante é conhecer histórias de vida. “Eu não viajo só para ver monumentos, mas para ver gente. Só no dia palestra foram vendidos 3150 livros dos quatro títulos que ele já publicou. Foi muito aplaudido, houve forte interação com os presentes. Frei Betto-Frei Betto, participou de um bate-papo e falou de sua relação com os integrantes do governo Lula, do qual foi assessor por dois anos. Apesar dos problemas que enfrentou, ele disse que

O futuro nas mãos dos pequeninos

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Moacyr Scliar, escritor gaúcho, no bate papo literário

teve a "felicidade" de trabalhar para a Presidência da República. Amigo de Lula há mais de 30 anos, o dominicano procurou ter uma atuação transparente enquanto assessorou o Fome Zero. Frei Betto respondeu a várias perguntas do público e depois autografou livros. Indagado pelo jornalista Alfredo Garcia sobre o Brasil de hoje, o escritor considerou que o país e a América Latina "são melhores com Lula do que sem Lula".

Moacyr Scliar-Encanou o público no auditório Inglês de Sousa, com seu sotaque gaúcho, sua prosa versátil, e suas histórias e motivações de uma obra extremamente criativa, seja nos contos, nas crônicas ou ainda nos romances. Ao final disse que

XIII Feira Pan-Amazônica do Livro é uma das melhores do país, aliás, também é uma das maiores e com instalações muito confortáveis”. Laurentino Gomes-Encantou o público presente no auditório Inglês de Sousa. Em estilo bem-humorado, com apresentação de imagensehistóriassobreaHistóriadoBrasil Autor do best-seller “1808”, Laurentino deu aula de bom-humor, também, ao falar dos bastidores da vinda da Família Real Portuguesaparao Brasil,objetodeseulivro. Ao final do encontro o escritor autografou

Crianças aproveitavam e brincavam

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livros para uma platéia formada por professores, estudantes e outros interessados.

Laurentino Gomes

Ariano Suassuna-O autor de “O auto da compadecida”, acompanhado do cantor, violeiro e repentista Oliveira de Panelas, arrancou risos e aplausos do público presente ao auditório Machado de Assis.

O cartunista Maurício de Sousa na Feira Pan-amazônica do Livro

A governadora Ana Júlia Carepa, o secretário de Cultura Edilson Moura e o romancista

Suassuna contou causos, fazia o público rir e depois dava uma aula de poesia nordestina com suas características próprias. Deu um com um show de inteligência e bom humor.

Bônus para a compra de livros Os servidores estaduais da educação puderam mais uma vez contar com o bônus do Créd-Leitura para comprar livros na XIII Feira Pan-Amazônica do Livro. O bônus do Créd-Leitura no valor de R$ 150,00 fica disponível na conta do correntista do Banpará e só pode ser usado no período da feira. Além da Feira do Livro, em Belém, o crédito também é usado para aquisição de

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O cartunista Maurício de Sousa conversou com o público, composto de crianças, jovens e adultos, o auditório Inglês de Souza estava lotado

Grupo de Gaita da Colômbia

Lendo e ouvindo Maurício de Sousa

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Grupo Teatral da Associação Cultural Dalcídio Jurandir se apresentando, durante a XIII Feira Pan-Amazônica do Livro

livros em dois salões organizados pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult) no interior do Estado. No II Salão do Livro do Lago de Tucuruí, realizado em junho, 1.368 trabalhadores da educação de 19 municípios foram beneficiados com o crédito. Mais 1.844 trabalhadores de 19 municípios também receberão o crédito para usar no II Salão do Livro de Santarém, que acontece de 23 a 28 de

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novembro. Segundo a coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares (Siebe) da Seduc, Vilma Tavares de Lacerda, a novidade deste ano é que houve um acréscimo de 60% em relação ao ano passado no investimento do Créd-Leitura. “Mais profissionais da educação poderão usufruir do benefício. A lista contempla novos servidores, professores que

estavam de licença e profissionais readaptados. O objetivo maior desse crédito é oferecer maior qualificação desse profissional ao adquirir a obra de interesse”, disse ela. “Tem muitos livros interessantes e o crédito é válido. Pelo menos temos a possibilidade de adquirir mais conhecimento. E sem o bônus, muitos professores teriam de tirar o dinheiro do seu próprio bolso”, disse ela. P

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É de criança que se forma um leitor Criador da Cidade do Livro aponta 5 dicas para estimular à leitura

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studo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) referente ao hábito da leitura em 52 países revela que o Brasil ocupa a 47ª posição. Mais do que isso, mesmo tendo elevado a média de livros que os brasileiros leem por ano de 1,8 para mais de quatro nos últimos anos, o ranking é um sinal de alerta para que haja maior empenho em relação à Educação. Em países desenvolvidos, uma pessoa lê em média 10 livros ao ano. Na opinião da Claudio Amadio, criador da Cidade do Livro, há que se comemorar a transformação por que a educação vem passando. “Percebemos uma ação conjunta de pais e educadores no sentido de desmistificar a ideia de que os livros são chatos e de mostrar na prática que é perfeitamente possível se divertir em meio a livros e num ambiente cultural”. Amadio revela que a cada ano aumenta o número de escolas que adotam o primeiro parque temático cultural brasileiro como passeio. Inaugurada há 12 anos, a Cidade

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do Livro combina diversão e cultura em um grande espaço, onde as crianças são recebidas num cenário de livros gigantes. Cerca de 10 mil educadores e 80 mil alunos realizam o passeio monitorado todos os anos, entre os meses de março e dezembro. “Muitos educadores relatam ter percebido que as crianças passaram a se interessar mais por livros depois de visitar a Cidade do Livro. Mas há outras atitudes que devem ser tomadas para incentivar a leitura. Quando os livros são enaltecidos em sala de aula, por exemplo, os alunos geralmente se sentem motivados a ler em casa, junto aos pais e aos irmãos”, diz o empresário.

AS 5 DICAS PARA FORMAR BONS LEITORES: Maior participação dos pais “Além de estreitar os laços familiares, a leitura favorece a diferenciação entre a palavra escrita e a impressa, permitindo

que a criança construa um vocabulário mais rico, desenvolva habilidades auditivas e concentração, crie o gosto pela literatura e encare a leitura como uma alternativa de lazer para a família.” Comprometimento da escola “Cada vez mais os educadores integram o incentivo à leitura e o letramento aos projetos interdisciplinares da escola. Tanto as escolas particulares como as públicas vêm desenvolvendo excelentes projetos de leitura. Em face das limitações de verba, o ideal sempre fala mais alto e a criatividade acaba compensando.” Envolvimento da iniciativa privada “Com a criação de leis de incentivo à cultura, tanto federal (Lei Rouanet) como estadual (ProAC/SP), a iniciativa privada já está se dando conta do importante papel social que pode e deve desempenhar. Devido ao bom uso de recursos públicos, crianças de outros estados estão entrando em contato com o projeto itinerante da Cidade do Livro, por exemplo.” Maior atenção das editoras, livrarias e autores “No Brasil, temos poucas livrarias em

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Fundada em 1997, a Cidade do Livro é um espaço cenográfico tematizado, no qual milhares de crianças se divertem todos os anos. O grande diferencial é que este projeto é altamente educativo e ajuda a formar desde cedo o hábito da leitura. Nos vários ambientes distribuídos por uma área de dois mil metros quadrados com forte apelo visual, os visitantes aprendem a importância dos livros e abordam temas transversais: saúde, meio ambiente, pluralidade cultural, ética e cidadania.

relação à nossa área física e à população do país. Mesmo assim, um livro fechado na estante apenas decora o ambiente. Por

isso, é preciso intermediar esse contato com o livro de maneira lúdica e criativa. Cada vez mais as crianças têm acesso a livros que se diferenciam nos formatos, tipos, ilustrações e assuntos. Existem livros para todas as idades e todos os bolsos, com muita qualidade nos textos de escritores nacionais e nos

textos traduzidos”. Aumentar oferta de diversões globalizadas “Este quesito combina iniciativas mistas, que partem tanto do governo, como das empresas, das escolas, dos pais e da mídia. Ao lado dos esportes, das viagens, do videogame e da televisão, é importante que a oferta de programas de lazer passe a enfatizar mais a diversão e a cultura ao mesmo tempo. Crianças habituadas desde pequenas a rituais culturais certamente desenvolvem maior interesse pela leitura na fase adulta”. P

*Criador da Cidade do Livro – primeiro parque temático cultural do Brasil, associa diversão e cultura em um espaço de dois mil metros quadrados localizado no coração da Zona Norte de SP. O principal objetivo do passeio monitorado é oferecer entretenimento lúdico e educativo a alunos do Ensino Fundamental e da Educação Infantil (www.cidadedolivro.com.br)

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X Jogos dos Povos Indígenas, a Olimpíada Verde 2009

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Fotos: Lucivaldo Sena / Ag. Pará e Jorge Coelho/Eletrobrás

om uma oração feita pelos índios Tembé, anfitriões da festa, e com o Ritual do fogo foi aberto os X Jogos dos Povos Indígenas, em Paragominas, sudeste do Pará, promovido pelo Comitê Intertribal. Com a participação de 33 etnias de indígenas brasileiros e reuniu aproximadamente 1300 índios, vindos de todas as regiões do país. Todas as demais etnias, com suas pinturas e adereços característicos, deixaram as ocas para dançar, cantar e tocar instrumentos de percussão. Os Assurini, por exemplo, exibiram instrumentos de sopro de um metro e meio, feitos em bambu. Com a lua cheia já despontando, a poeira levantou com o

movimento firme e ritmado dos pés descalços, em bela coreografia. Jornalistas e fotógrafos não tiveram acesso a esse momento da festa.Apenas os atachê (ajudantes) e os organizadores ganharam permissão para ver o ritual coletivo de celebração. Aos poucos, os índios se organizaram em fila para entrar na arena. Na saída da aldeia instalada ao lado do Parque, dezenas de fotógrafos profissionais se concentraram para conseguir as primeiras imagens. A abertura contou com a participação de aproximadamente 10 mil pessoas, lotando a arena montada no Parque Ambiental de Paragominas. A cerimônia começou às 18h20, com o anúncio das etnias. Os Tembé, que têm uma reserva em Paragominas, foram os primeiros a entrar,

seguidos pelas delegações Kaiapó (MT), Kaigang (RS), Xokleng (SC), Xavante (TO) e outras representantes de todas as regiões do país.

O colorido das pinturas e adereços invadiu a arena do Parque Ambiental de Paragominas, na cerimônia de abertura dos Jogos Indígenas

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Celebração Após as apresentações das características de cada etnia foi realizada a corrida de toras. Duas equipes Xavante, sempre se revezando, deram três voltas na arena carregando uma tora de buriti de 120 quilos. A equipe número um ganhou, mas as duas celebraram, pois nos Jogos dos Povos Indígenas não há placar. "Aqui, mais importante que os vencedores é estar juntos, celebrando", explicou o apresentador do evento, Pacífico Júnior, com a experiência de quem já participou de todas as edições dos Jogos. Os Terena, etnia do embaixador para as Nações Unidas (ONU), Marcos Terena, um dos idealizadores dos jogos, dançaram no ritual do fogo, em volta de uma grande fogueira. As piras dos totens, símbolos dos Jogos, foram acesas, junto com uma queima de fogos. A cerimônia de abertura terminou por volta de 20h30.

Depoimentos Segundo um dos idealizadores da competição, Marcos Terena, do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena

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índios Xavante fizeram a tradicional corrida de tora, carregando pela arena um tronco de buriti de 120 quilos A beleza da dança em volta da fogueira chamou a atenção do público na arena de Paragominas, na cerimônia de abertura dos Jogos Indígenas

(ITC), a competição teve como propósito, além de difundir a cultura indígena, ressaltar a importância do respeito à natureza. “Esse evento já prepara o terreno para os grandes eventos esportivos que acontecerão no país nos próximos

anos, como a Copa e as Olimpíadas do Rio. O modelo de organização dessas competições deve também focar no conceito da sustentabilidade”, declarou. O prefeito da cidade de Paragominas, Adnan Demachki, reforça o caráter

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A beleza da dança em volta da fogueira

ecológico dos Jogos Indígenas. “A competição trará visibilidade para um projeto chamado Município Verde, idealizado por 51 entidades da sociedade civil organizada, que preza pelo pacto do desmatamento zero, incentivo ao reflorestamento, educação ambiental nas escolas municipais e outras ações que colocarão a cidade em um novo momento, em sintonia com as tendências da sustentabilidade”, afirmou Demachki. Durante os jogos, foram realizadas competições de esportes tradicionais, como futebol e corrida de 100 metros, e demonstrações

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de esportes típicos dos indígenas, como a corrida de tora, praticada por Xavantes, Kâhos, Kanelas e Gaviões Kyikatêjê; o Kagot, esporte com flechas praticado pelos povos Xikrin e Kayapós, do Pará; e o huka-huka, luta corporal praticada pelos Bakairi, etnia do Mato Grosso

O encerramento Após sete dias de apresentações, demonstrações da cultura indígena, jogos, exposições de trabalhos artesanais, e o contato direto que envolveu índios e o

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homem “branco”, Paragominas encerrou com chave de ouro, a décima edição dos Jogos dos Povos Indígenas. As 28 ocas que foram construídas no Parque Ambiental Municipal, espaço que recebeu o apelido de “vila olímpica”, agora abrigarão o museu do Parque Municipal. Paragominas deu exemplos importantes por ser a cidade que comporta duas etnias e o município que menos desmatou na Amazônia. Graça a isso décima edição dos JPI recebeu o nome de ”Olimpíadas Verdes”. A cada dia eram feitas demonstrações

sobre o cotidiano do índio e seu contato direto com a natureza. Entre eles os rituais para abençoar boas colheitas ou apenas danças tradicionais, ou ainda um futebol bem diferente, onde os atletas jogam partida com uma bola confeccionada a base da seringa pura. Para muitos os instrumentos de caça e pesca, como o arco e a flecha, foram as armas de competições acirradas as quais chamaram a atenção do público, que durante os sete dias de evento foi de mais

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Durante a abertura Integrantes de várias etnias indígenas chegando ao Parque Ambiental de Paragominas Integrantes de várias etnias indígenas chegando ao Parque Ambiental de Paragominas 2 Dando os últimos retoques

de 120 mil pessoas. Arremesso de lança, cabo de força, canoagem, corridas, corrida de fundo, além de Jãmparti; Jawari; Kagot; Kaipy; Katukaywa; Ronkrã; Tihimore e Zarabatana. Além de lutas corporais como as Aipenkuit; Huka-huka; Iwo e Idjassú. Por fim uma das maiores demonstrações de força e habilidade a corrida de tora. Um desafio que seria encarado com dificuldade pelo homem “branco”, os índios realizam com facilidade. Com as demonstrações de organizações por parte dos índios, foi entregue um documento para o ministro dos esportes, Orlando Silva, assinado pelo Comitê Intertribal juntamente com 34 caciques de todo o Brasil. O ministro afirmou que a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, poderão ser em caráter indígena. “O que queremos é passar uma imagem verde, como é a Amazônia”, disse Carlos Terena, ele que é um dos idealizadores e coordenador dos jogos. Segundo Sarô Assurini, 28 anos, da etnia Assurini aqui do Pará, o índio

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vem ganhando seu espaço no mundo dos “brancos”. “Vejo nossos ancestrais, os mais velhos sempre nos dizem que eles não tinham contato com brancos. Hoje isso mudou. Esse é o décimo jogo que acompanho e tenho contato com a população urbana, diferente do que as pessoas pensam, índio também tem seu espaço nesta sociedade”, afirmouAssurini. O evento de encerramento foi marcado com demonstrações de todas as provas. Ao final foi feita a leitura da declaração dos Jogos Indígenas, onde foi aberta uma mensagem para os poderes executivos. Os índios pediram a demarcação das terras indígenas, para que eles possam viver em paz. “Se o Brasil quiser ser sede da copa do mundo, deve aprender com os indígenas”, disse Carlos Terena. Em seguida foi à vez das 33 etnias se reunirem e dar as mãos para mais uma finalização dos jogos indígenas. 33 caciques foram chamados a frente, para receber os respectivos troféus para seus

Lance da partida entre as equipes de Paragominas (verde) e seleção Indígena (azul), no Campo João Gomes Lance da partida entre as equipes de Paragominas (verde) e seleção Indígena (azul), no Campo João Gomes 2

povos, onde foi lembrado mais uma vez: “O importante não é ganhar, e sim P competir”.

A décima edição dos Jogos dos Povos Indígenas no município de Paragominas, aconteceu no Parque Ambiental Municipal, foi patrocinado pela Eletrobrás, por meio do Departamento de Responsabilidade Social e Projetos com a Sociedade (PGR), utilizou o benefício da Lei de Incentivo ao Esporte. A data escolhida obedeceu ao calendário lunar indígena. *Com informações de Bruno Nascimento, de Paragominas e Guilherme Navarro/Eletrobrás


Camillo VIANNA

Amazônia, Nosso Presente de Natal

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aseado em longa e diversificada pesquisa, verdadeira catação, por todas as fontes de informação possíveis, incluindo aquelas de boca própria, de tudo que é possível encontrar por este Mundo Velho e Verde de Deus, não é nada, não é nada, são bem pertinho de quatro décadas de andanças, avoanças e naveganças em competição desigual com invencíveis devoradores de papel como traças, cupins, baratas e outros mais, principalmente se eles estiverem sob a forma de documento armazenado ou ignorado em algum lugar que, com muito boa vontade, pode ser chamado de biblioteca. E tem mais, muito mais. Muitas vezes os informantes põem a imaginação, ou a desinformação, para funcionar a toda carga. Desde o princípio das atividades, por algum disparo compulsivo de minha mente, como atividade paralela, comecei a catalogar histórias, não só sobre a Amazônia Verde, como a do próprio Adamastor dos Rios, o maioral de todos - o Amazonas-, em todos os cantos e recantos. De tanto escarafunchar, imaginar e recordar amealhei, mais de mil e duzentas denominações, apelidos, verbetes, conceitos e tudo o mais. Por essas e outras é que o escritor não duvida absolutamente nada que a Grande Amazônia Verde já pode ter sido apelidada de A Majestosa Árvore de Natal dos Trópicos. Em caminhanças que às vezes parecem não ter fim, de quando em vez me deparei com coisas que até Deus duvida. No cruzamento do rio Trombetas com o Mapuera, bem “deconfronte” à Cachoeira Porteira, bem lá dentro desse rio, há mais de 40 anos, uma missionária americana, arriou acampamento e, em verdadeira lavagem cerebral, arrasou a cultura da tribo lá existente. É aí que entra o Papai Noel com Natal e tudo o mais que possa ser enfiado pela goela abaixo dos “bárbaros”. E não é só lá que está ocorrendo essa verdadeira agressão cultural. Interessante é que aí por volta de 20 anos ou mais, representantes de todas as religiosidades transformaram a Amazônia em campo de batalha. Depois de longas e infrutíferas deblaterações houve compromisso, de papel passado, que as tradições dos primitivos donos das terras seriam respeitadas, o que, aliás, não aconteceu e, fatos novos estão ocorrendo. Com a ascensão dos protestantes, mais conhecidos como evangélicos, de múltiplas ramificações, está havendo interferências em tribos inteiras, incluindo os caciques. Com a aculturação, incluindo a internet, o processo, com todos os seus malefícios, funciona como instrumento de desagregação. Por outro lado, fato novo tem ocorrido em todo o Brasil, a tomada de posição de remanescente silvícolas, que travam luta pela preservação da cultura, com a integração de componentes absorvidos em colégios bilíngües, escolas técnicas e

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cursos superiores. Apesar desses movimentos, o processo histórico da integração da Amazônia está caminhando de mal a pior. O capitalismo desenfreado, visando o lucro imediato, põe em prática verdadeiro processo de massificação. A mídia bombardeia dia e noite todas as classes sociais, comunidades remotas e periféricas. A mensagem principal é Papai Noel que se cuide! comprar, comprar e comprar, seja lá o que for, nos enormes centros de venda, tudo o que se possa imaginar, acompanhados sempre das infernais musiquinhas, ditas de Natal, que do meio para o fim do ano provocam ataque auditivo que ninguém suporta mais. Não duvido mais de coisa nenhuma e tenho certeza que as gangues roubam, saqueiam, agridem e, se for o caso matam, seja lá quem for e aonde for para terem de graça o que o consumismo oferece. Só nos resta uma solução, inverter os papéis. Ao invés de nós recebermos os presentes de Natal, Papai Noel é que nos ajudará a preservar as árvores da Amazônia, ele que é originário da “caixa prego”, a tal Lapônia, que nem botando o baralho, nem a peso de promessa, o pessoal brasílico adivinha onde fica e que dizem ser mais frio do que porta de geladeira. Em seu lugar, queriam sapecar o Vovô Índio, que não deu em nada, pois caiu no esquecimento, como está acontecendo com o curupira, já substituído por mercadoria importada dos Estados Unidos, o tal Halloween.

No cruzamento do rio Trombetas com o Mapuera, bem “deconfronte” à Cachoeira Porteira

(*)

*SOPREN/SOBRAMES

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GTA eletrônica vai

revolucionar pecuária do Pará

A

partir de 9 de dezembro, o Pará dará um salto tecnológico que permitirá o monitoramento, em tempo real, on line, da comercialização à sanidade do rebanho bovino e bubalino do Pará, o quinto maior do País, com mais de 18,5 milhões de animais. Isso será possível com a implantação da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica, que servirá de modelo para toda a região. A revolução na pecuária do estado terá impactos profundos sobre o meio ambiente, a qualidade dos produtos e a expansão do mercado consumidor. "Nós

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Fotos: Lucivaldo Sena e Rodolfo Oliveira/Ag Pa; Carlos Silva/ ACS-MAPA

Técnicos cadastram propriedades para a expedição da Guia de Trânsito Animal Eletrônica, que entrará em vigor no Pará a partir de 9 de dezembro

estamos criando um ambiente saudável para um novo modelo de desenvolvimento, que tem que ser

inclusivo, com sustentabilidade ambiental, segurança para todos e paz no campo", disse a governadora Ana Júlia, ao lembrar que os desafios do seu governo são tão grandes quanto a extensão territorial do Estado. O primeiro impacto – mas não o maior – será sobre a arrecadação do Estado. Hoje, com a GTA manual - um formulário em quatro vias - essa arrecadação gira em torno de R$ 12 milhões por ano, mas estima-se que o governo deixe de arrecadar, anualmente, outros R$ 6 milhões. A taxa financia a Agência de Defesa Agropecuária e o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Pará paramais.com.br


A meta da Adepará é vacinar 98% do rebanho paraense, que hoje, de acordo com dados oficiais do Ministério da Agricultura, está em torno de 18,5 milhões de cabeças

(respectivamente, Adepará e Fundepec). Com mais dinheiro em caixa, ambos poderão ampliar seus serviços.

Barreira O monitoramento via satélite representará uma barreira quase instransponível ao comércio de rebanhos produzidos em fazendas que desmatam florestas nativas, para a ampliação de pastagens. Ou, ainda, que utilizam trabalho escravo. Ou, o trabalho de crianças, que deveriam estar numa sala de aula. A GTA eletrônica ajudará a separar o joio do trigo. No primeiro semestre deste ano, a carne bovídea do Pará foi alvo de um embargo nacional: por recomendação do Ministério Público Federal (MPF), grandes redes de supermercados se recusaram a comercializá-la depois que um estudo constatou que parte dessa produção procedia de fazendas que não respeitavam legislações ambiental e trabalhista. E como não havia disponível, ainda, esse rastreamento do rebanho, todos sofreram. O Governo do Estado entrou em campo para mediar o conflito. E a assinatura de um Termos de Ajuste de Conduta (TACs) entre MPF, Governo, produtores e frigoríficos permitiu adequar a pecuária paraense às exigências da legislação. A GTA eletrônica já, na Amazônia, nasceu daí. Até então, a idéia do Ministério da Agricultura era que o sistema atingisse, a curto prazo, apenas estados do Sudeste e Centro Oeste. Mas, a governadora Ana

A governadora Ana Júlia Carepa e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes visitaram a propriedade do Sr. José Maria Miranda, no KM 08 da Transamazônica,após o lançamento do projeto piloto da Guia de Trânsito Animal (GTA) Eletrônica, que entre outros benefícios poderá reduzir a zero o desmatamento causado pelas atividades pecuárias na região amazônica. O projeto é parte do programa Boi Guardião elaborado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, que utiliza imagens de monitoramento por satélite. O Pará é pioneiro no Brasil a contar com a GTA Eletrônica, que é regulamentada pelo Ministério da Agricultura e é obrigatória para o transporte de animais entre propriedades, cidades e estados, frigoríficos e exportação.

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A governadora Ana Júlia Carepa durante reunião com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes

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Júlia Carepa se comprometeu com o MPF a implantar o sistema, em todo o Pará, até meados do ano que vem. Em várias rodadas de negociações com o Ministério da Agricultura, construiu uma parceria, para trazer essa tecnologia imediatamente para o estado. O sistema inclui chips, imagens de satélites e internet. No mesmo momento em que é digitada no computador, a GTA eletrônica já está disponível, para consulta, em qualquer ponto do País. E o cruzamento de dados permite controlar em tempo real a veracidade das informações. "A emissão da GTA manual não é demorada, mas, favorece desvios. Às vezes, por exemplo, alguém pode informar que um animal vai para um determinado local e isso não acontece. E pode acontecer, também, de alguém tirar uma "GTA calçada": quer dizer, vender 100 animais, mas tirar nota fiscal da venda de apenas 10. Já houve até demissão de

técnicos por causa disso", explica Aliomar Arapiraca, presidente daAdepará.

Recadastramento

A implantação da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica também beneficiará os consumidores, permitindo maior controle sobre a vacinação e a sanidade do rebanho, além de reduzir drasticamente a possibilidade de abate clandestino

Para implantar a nova GTA foi preciso recadastrar e georreferenciar todas as fazendas paraenses com rebanhos bovinos e bubalinos. Pelos dados atuais, elas s e r i a m 111 m i l . M a s , c o m o recadastramento e o tratamento das informações digitais, a previsão é que chegue a 120 mil. Nessa primeira fase, que já está em vias de conclusão, foi preciso, também, "plotar pontos de GPS", ou seja, as coordenadas geográficas de cada uma dessas propriedades, o que é fundamental para a rastreabilidade da movimentação do rebanho paraense. O georreferenciamento é feito em parceria com o Ministério da Agricultura. "Fizemos um projeto-piloto para seis

O criador que transporta o rebanho sem a Guia de Trânsito Animal GTA, pode ser autuado e multado

municípios do Sudeste do Pará: Marabá, Eldorado dos Carajás, Água Azul do Norte, Ourilândia do Norte , Tucumã e São Félix do Xingu", conta Arapiraca. Funcionário da Adepará realiza levantamento de informações sobre a propriedade Rural

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Com 19.3 mil propriedades rurais já cadastradas em campo, esses seis municípios concentram mais de 3,8 milhões de bovídeos, ou seja, 20,73% do rebanho paraense. Neles, são emitidas 5.200 GTAs por mês, ou quase 15% das 35 mil guias expedidas em todo o estado. Esses documentos correspondem, nesses seis municípios, à movimentação mensal de mais de 75 mil bovídeos, em 90% dos casos para abate ou engorda. Em todo o Pará, a movimentação do rebanho fica em cerca de 650 mil cabeças/mês. E quando o sistema estiver funcionando em todo o território paraense, em meados do ano que vem, a estimativa é de um aumento de 40% na emissão de GTAs. A GTA eletrônica também beneficiará os consumidores, permitindo maior controle sobre a vacinação e a sanidade do rebanho, além de reduzir drasticamente a possibilidade de abate clandestino. Como todas as informações estarão disponíveis em tempo real, será possível agir rapidamente, com o isolamento da área e bloqueio do trânsito de animais, por exemplo, caso seja detectada doença grave, em alguma propriedade rural. O melhor, porém, é o efeito demolidor sobre o abate clandestino, que é calculado em 600 mil animais por ano, em todo o estado. O Pará é um dos seis primeiros estados brasileiros contemplados com a GTA eletrônica. O investimento do Ministério da Agricultura, para a implantação do sistema, é de R$ 1 milhão. Outros R$ 2,5 milhões serão destinados à manutenção anual. O sistema foi elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Hoje, a agropecuária responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará.

Atividade de uma propriedade rural

A implantação da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica também beneficiará os consumidores, permitindo maior controle sobre a vacinação e a sanidade do rebanho, além de reduzir drasticamente a possibilidade de abate clandestino. P

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Garibaldi PARENTE

O Círio Fluvial de Conceição da minha terra

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maior de todos os homens é sempre um herói popular que se aventura a vencer quotidianamente suas próprias fraquezas. Essencialmente, o espírito humano precisa dessa coragem combativa para triunfar ao remover qualquer empecilho. Esse ideal de virilidade e amor talvez pertença aos céus, mas aqui na terra o mar é imenso, a perder de vista, e nesse lance muitas vezes não nos encontramos: Nenhum perigo põe medo, fantasma da noite escura. Não ter medo nada conta, vale mais tê-lo em bravura. É somente com bravura que conseguimos manter a ordem social, cultural e religiosa. Não é por acaso que a Hidra tem sete cabeças, não é por acaso que todas renascem ao serem cortadas. Tudo Bem! A nossa atividade guerreira tem um aspecto mágico: não é simplesmente mortal, é sobretudo divina. Qualquer ação que vise o bem comum é digna de ser memorável, mesmo pequena é sempre grandiosas. A grande maioria dos homens mora no Olimpo, alguns põe a luta apenas no palavreado. Por isso moram em qualquer lugar, num beco estreito e tortuoso, sob penumbra de uma luz tacanha. O rio Maratauira abre-se, desdobra suas águas na foz do mundo, busca desposar no céu do seu destino a imaculada juventude. Olhos vivos formados pelos reflexos luzidios das estrelas moram nos seus peraus. Nele, a frota do Círio – um grande número de embarcações de todos os tipos: gaiolas, iates, canoas, bajaras, voadeiras, rabetas… formam um conjunto de rara beleza. O barco São Benedito, proeiro do cortejo, ostentava com galhardia a berlinda da Santa Padroeira. Bem às proximidades, na tentativa de ordenar os viageiros para evitar acidentes, o

Ajuri da Capitania dos Navegantes desdobrava sua atenção oficial àquele putirum aquático de bandeiras, balões, arrelias e adoração. A bombordo, o majestoso Sagres sagrava-se na alegria estilística a nos lembrar com o garbo que todo louvor desse cunho é herança que vem de Portugal, pátria irmã das nossas crenças, abusões, costumes e tradições. A estibordo, o Milagre lançava sinais veementes de seu manifesto feito de maravilha como guardião de todos os símbolos, motivos e legendas propulsores das esperanças celestes. Os irmãos Cantídios – José e Antônio, atraíram-me para navegar no entusiasmo do romeiro do Círio fluvial. Na calmaria do rio, o céu movimentava-se com o estrondear dos foguetes a pipocarem no ar vivas de vontade de ser feliz. Nas tréguas dos ribombos, nas refregas do vento próspero, o hino à Virgem ecoava na voz do cantor e nos acordes da banda musical, como um lençol de emoção em ondas envolventes. Os versos do poeta Bruno de Meneses amplificavam-se na renovação das virtudes e dos desígnios do mar e do céu: “Sob teu manto, sagrado abrigo, cobre-nos todos à vida inteira”. Embora tenha percebido a razão, não sei explicar porque o boto namorador insistia em acompanhar alegremente nossa embarcação. Nos eflúvios dos seus encantos, o mar parecia divinizado pelas proezas das mesuras e leros: “Na tribuna dos meus versos digo tudo em guarda-voz. Meu coração tem segredos que não são meus, são da foz”. Segredos são segredos, pecados não são pecados. O José convidou-me para louvar, ou mesmo rezar. No entanto, não conheço

A esperada e triunfal chegada; todos os barcos realizaram a volta olímpica em frente ao litoral da cidade

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nenhuma oração, a não ser aquela que me vem da imaginação. O Antônio, ao contrário, queria fazer-me pecar, um pecadinho desses triviais. Mas, como eu já disse: não sei rezar, também não sei beber. Admiro quem sabe sorver uma cervejinha bem gelada. A cada latinha de cerveja que abria, o Antônio jogava o primeiro gole nas águas do rio: “lá vai, Janaina! É pra alegrar a Mãe D'água! Um gole aqui, outro ali não faz mal a ninguém!” O boto encantado cada vez mais alegre , em consonância com nossos impulsos, encandeava um diálogo de reconhecimento: o sobrenatural esconde nas suas histórias e nas suas crenças um grande apego à verdade. Só vivemos na medida em que os outros vivam, que as expectativas sejam plenas de satisfação e que a atenção entre as forças criativas se justifique socialmente. Entre os convivas, um americano do norte que nada entendia em nossa língua, dos seus olhos azuis atônitos, flutuavam espanto de admiração. Também ligado numa cervejinha, de gole em gole dia: “It's marvelous! It's marvelous!” Existem deuses de muitas proezas, mas a maior proeza de todos os deuses nasce do desejo latente de juntar todas as realidades numa só, numa rede de alegrias que o povo bem merece desfrutá-la. Embalado na tranqüilidade de espírito e na ciência de saber beber, o Antônio nos ensinava que o excesso de cerveja não guarda segredos, como o vinho, a cerveja pode ser um sopro divino que refresca a alma e aquece o coração. A invenção do pecado aumenta a distância entre o céu e a terra. O inferno é aqui mesmo ou, no dizer do padre Manoel Bernardes: “O inferno é o reino da morte viva”. Por questão, lembro do adágio que sentencia: “Bem que se faz por temor, não tem duração nem valor”.O que mais importa é termos bons sentimentos, inclinações para o bem. Quem ensina e edifica não precisa usar clavas impiedosas contra os pecadores. Bem que eu posso dizer que entre o crer e o não-crer está o criar. Quem não crê, crê em alguma coisa, naquilo que imagina existir. O criar também é um mistério que usa acenos de esperança para transformar a consciência íntima de cada um num poderoso meio de comunicação coletiva: não negamos a Deus porque acreditamos em nós. Por mais que o Olavo Bilac tenha razão em afirmar que “O medo é o pai da crença”, isso não nos impede de sermos grandes poetas neste maravilhoso universo da existência humana. O círio acabou, todos os barcos realizaram a volta olímpica em frente ao litoral da cidade. Encostamos no trapiche da serraria Porto Alegre. Despedi-me de todos os companheiros e ao cumprimentar o americano nortista, ele respondeu-me na estampa de um sorriso largo de entusiasmo e vibração: “It's marvelous!”. Foi nesse momento que pude ver o nome da embarcação que viajáramos: HERCULES, “a tua auréola feita de estrelas”. (*)

* Escritor

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A Berlinda de Nossa Senhora da Conceição de Abaetetuba No Comandante Lucas de Abaeté

O espírito humano precisa dessa coragem combativa para triunfar ao remover qualquer empecilho

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serpan@amazon.com.br

Sérgio PANDOLFO

Português na internet, ora pois!

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presidente Lula em recente pronunciamento à Nação durante o encerramento da 2ª Cúpula América do Sul-África (28/09/2009) em Isla Margarita (Venezuela) afirmou que o Brasil ainda não se deu conta de que é uma grande nação. “De que saiu da condição de país receptor para um país doador”. Tem inteira razão o presidente e, similarmente, acrescentaríamos mais: O povo brasileiro desconhece a importância e o alcance do português que adotamos como língua nacional. Por isso que se vale tão amiudada e afoitamente de estrangeirismos, máxime de anglicismos. E, o que é pior e mais deplorável ainda, sem sequer saber com exatidão o significado e/ou a propriedade das palavras e expressões de que se utiliza nessas línguas alienígenas. Desconhece que nosso idioma é um dos mais ricos, sonorosos e difundidos do mundo atual, sendo o quinto mais falado em números absolutos, o terceiro em números relativos e na banda ocidental deste “rotundo globo”, de que se utilizam cerca de trezentos milhões de viventes como primeira ou segunda forma de expressão, e reconhecido como uma das “línguas universais de cultura”, ao lado do inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e árabe. Daí a profusão, na Internet, de termos como: download, link, laptop, desktop, notebook, e-mail, site, webmail, data show, mouse, spam, banner e outros que tais, alguns, ou maioria deles, ignorados em sua exatidão pelos internautas. O governo de nosso País, de certa forma, é o responsável por esse estado de coisas, na medida em que não coíbe a entrada de aparelhos e equipamentos de informática neste “patropi” sem a devida – e necessária – adequação ao nosso idioma

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pátrio. Não se trata de xeno ou anglofobia. Nada contra o idioma de Shakespeare, mas é que, constitucionalmente, o português é o idioma oficial do País e isso deve ser acatado e respeitado! Se tanto lusofilia ou lusoconservação. Na França, quem quiser vender computadores (ou outros aparelhos de informática) pra lá tem que fornecê-los editados em francês, condição “sine qua non”. E na China? Os equipamentos de informática para uso dos chineses têm de adotar os enigmáticos ideogramas, se não... nada feito! Então, por que para nós só são enviados aparatos editorados em inglês, mesmo quando fabricados em Taiwan (China), Singapura, Malásia e até na Zona Franca de Manaus? A maioria dos termos utilizados na linguagem internetiana pode ser, vantajosamente, substituída por expressões genuinamente portuguesas ou aportuguesadas, para felicidade geral da Nação e valoração do vernáculo camoniano. É bom exemplo o verbo deletar, um neologismo simpático que nos chegou do latim por meio do inglês (latim delere, que em português deu delir e em inglês delete. Neologismo por relatinização). Similarmente ao ocorrido no futebol – os mais vividos lembram-se bem –, em que os lances, as infrações, as posições dos jogadores e até as marcações do campo eram designados em inglês (os britânicos se dizem “inventores” do popular esporte em que somos pentacampeões mundiais, em marcha para o hexa; mas há controvérsias) e hoje tudo isso foi devidamente remarcado para o bom e prestante português (só ainda não conseguimos acertar o plural de gol, que segundo as regras da gramática é gois, igual a sal/sais, sol/sóis, azul/azuis, anel/anéis... gol/gois, mas relutantemente persistem grafando “gols”, forma espúria, inexistente na língua; mas chegaremos lá!). Seria tão fácil! Bastaria com que o governo brasileiro designasse uma comissão superior de expertos (nada de experts, ó pá!) a fim de

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elaborar uma listagem com os designativos pátrios correspondentes dessa infernália de estrangeirismos que assola nossa cibernavegação, maioria deles impróprios ou inadequados ao nosso vernáculo. Até nos atrevemos a dar o pontapé inicial. Quem sabe surte efeito. Vejam-se algumas sugestões: Site (ingl.= local, lugar); proposição: sítio, página, espaço. E-mail (ingl. electronic mail = correio, correspondência eletrônico/a); proposição: endereço (ou correio) eletrônico. Cx. virtual. Link (ingl. = elo, ligação); proposição: atalho, acesso. Webmail (ingl. web = teia, tecido, rede; mail = correio, correspondência; proposição: correio virtual, correio cibernético. WWW (ingl. World Wide Web = rede de alcance mundial); proposição: esta. Download (ingl. down = embaixo, abaixo e load = carga, peso); proposição: levantamento (em oposição a baixar, como usado), recolha. Laptop (ingl. lap = colo + top = em cima, sobre). Proposição: datamóvel (latim data = conjunto de dados, informações + móvel = portátil), em analogia com telemóvel, nosso popularíssimo celular. Desktop (ingl. desk = escrivaninha, mesa + top = em cima,

sobre). Proposição: computador convencional (estático). Notebook (ingl. note = notas + book = livro). Proposição: datamóvel. Data show (latim data = dados, informações + ingl. show = mostrar, apresentar). Proposição: datavisão; datavisor (o aparelho). Mouse – o periférico mouse (Brasil) ou rato (Portugal/Europa) é assim chamado em função de sua semelhança com o roedor. Proposição: “rato”, manípulo. On-line (ingl. on = sobre, em + line = linha, fio); proposição: em linha, em rede, ligado, conectado. Spam [abreviatura em inglês de “spiced ham” (presunto condimentado) = mensagem eletrônica nãosolicitada, indesejada, incomodativa, enviada em massa, quase sempre com fins publicitários e caráter apelativo]; proposição: “morcego” (são “voadores”, indesejados, inoportunos, temídos, lembram vampiros, como Drácula e dão raiva). Wireless (ingl. wire = fio condutor + less = sem, ausência); proposição: sem fio. Banner (ingl.= estandarte, bandeira, faixa); proposição: faixa. Real-time (ingl. real = verdadeiro + time = tempo). Proposição: em simultâneo. Tag [ingl. = etiqueta (de identificação, de preço)]; proposição: palavra-chave. Como ocorrido com a Reforma Ortográfica, a adesão, sem ponta de dúvida, seria imediata e pacífica. (*)

Médico e escritor. SOBRAMES/ABRAMES www.sergiopandolfo.com

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“Expansão previdenciária no Pará traz dignidade ao cidadão”, diz Aírton Faleiro Para o deputado estadual e líder governista governo Lula está mudou a cara do atendimento na previdência social

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Ministro José Pimental durante sessão especial na Assmebléia Legislativa sobre o Plano de Expansão

Fotos: David Alves e Elcimar Neves /AgPá

governo do presidente Lula tem mostrado a cada ação, programa, plano, que a população é a prioridade em sua gestão. A expansão previdenciária é prova disso, pois trará dignidade ao atendimento, ao cidadão”, afirma o deputado estadual Aírton Faleiro. O Pará será beneficiado com 74 novas agências previstas no Plano de Expansão da Rede de atendimento (PEX), coordenado pelo ministério da Previdência Social. Com isso o estado irá ampliar a abrangência de sua rede previdenciária a 118 municípios. “O governo Ana Júlia, os municípios e as câmaras municipais estão trabalhando intensivamente para viabilizar esta expansão”, enfatiza. Além do aumento do número de agências no Pará também serão realizadas mais 8 obras para melhorar o serviço da rede de atendimento, através de reforma, ampliação e construção de novos prédios que abrigarão unidades já existentes, totalizando um investimento de R$ 62,4 milhões no Estado. De acordo com Faleiro as agências recebem recursos do Ministério da Previdência e também de emendas de parlamentares cujo maior volume é o do deputado federal Zé Geraldo (PT) que teve aprovada uma emenda com recursos para 16 agências.

prédios, com o objetivo de dar ao servidor e ao usuário uma condição de atendimento com qualidade, assim como garantir celeridade nos processos de concessão e manutenção dos benefícios. “Se pudermos fazer com que um cidadão entre numa agência e consiga resolver seu problema em poucos minutos, isso será uma revolução no país”, enfatizou o líder do Governo na Assembléia Legislativa. O Estado e os municípios estão trabalhando intensivamente para a implantação dessas unidades. A questão do tempo inclusive é uma das preocupações nesta “repaginada”, da rede. O governo federal está trabalhando para facilitar e agilizar cada vez mais o atendimento ao usuário. O governo vai antecipar esse processo através de cadastramento, assim desburocratizando o atendimento pois com o número do CPF o cidadão ao chegar na agência já poderá saber se tem direito ao benefício. As novas instalações da rede têm um

layout padronizado, primando pela segurança e pelo conforto e comodidade para quem trabalha e para quem estiver sendo atendido. Portais detectores de metais, sinalização interna, modernos equipamentos de informática, fazem parte dos novos ambientes que também estão adaptados para portadores de deficiência. Segundo Aírton Faleiro – que em sua agenda de visita aos municípios paraenses ao lado do deputado federal Zé Geraldo sempre escutou as dificuldades com relação ao acesso à previdência - esse passo do Governo Lula é decisivo para a integração do cidadão do meio rural, agora bem melhor atendido com políticas públicas como os programas estaduais “Água Para Todos” e Caminhos da Parceria” e o programa federal “Luz Para Todos”. “Se antes viver no interior significava não ter direito ao acesso a quase nada, nos governos de Lula e Ana Júlia estamos vendo os municípios se desenvolverem”, afirmaAírton Faleiro. P

PEX em todo o Brasil Além de criação das novas agências, a rede da Previdência Social está passando por uma intensa recuperação. Todas as unidades estão sendo reformadas, ampliadas ou transferidas para novos

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Em reunião no Palácio dos Despachos, deputados Zé Geraldo, Aírton Faleiro, Paulo Rocha, ministro José Pimentel e governadora Ana Júlia Carepa paramais.com.br


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Feliz Natal!

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