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abril 2009

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 89

6,00 3

ESPECIAL DOM ORANI


É TEMPO DE AGRADECER

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ormalmente escrevo as mensagens por ocasião do Círio e do Natal para esta publicação Pará+. Agradeço a oportunidade que me faz chegar mais próximo das pessoas através dos leitores que, interessados em nosso estado, difundem as idéias e os conceitos emanados aqui. Hoje aqui estou para despedir-me: fui chamado por Deus, através da mediação da Igreja, para servir à Igreja que está no Rio de Janeiro. Deixo Belém, onde vivi com muita alegria quatro anos e quatro meses de minha vida, e que, embora pareça pouco tempo, na realidade se em vez de medirmos a extensão do tempo medirmosaintensidadedomesmoteriaumamultiplicaçãodeserviçosedealegrias. Foram, sim, anos intensos de trabalho e de partilha e pelos quais agradeço a Deus. Agora é tempo de partir, deixando um abraço carinhoso e apertado a todos e dizendo: cuidem bem deste nosso estado de grandes rios e florestas, sentinela do norte, mas cuidem principalmente do ser humano que necessita sentir-se amparado e amado vivendo com dignidade. A todos, sem distinção, deixo uma bênção especial por intercessão de N. Senhora de Nazaré, rainha da Amazônia. Sejam construtores da paz e da fraternidade – este povo moreno e de coração acolhedor merece esta dedicação. Agradeço toda a atenção e carinho que recebi nesta cidade e região, toda confiança e acolhimento e prometo levar todos vocês comigo em meu coração. D. Orani João Tempesta, O. Cist. 9º Arcebispo de Belém do Pará

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Dom Orani João Tempesta, o novo arcebispo do Rio

Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

10 A despedida de Dom Orani 17

O pastor da comunicação e da unidade

Bibliografia de Orani

22 João Tempesta

32 Na ilha de Urubuoca

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES: Acyr Castro, Ascom/Sagri, Camillo Martins Vianna, Garibaldi Nicola Parente, Ricardo Jordão Magalhães, Sérgio Martins Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Carlos Cesar/ASCOM, Claudio Santos; David Alves, Elcimar Neves,Eunice Pinto, Lucivaldo Sena, Rodolfo Oliveira/AgPa; Jeziel Rodrigues; José Sampaio, Elivaldo Pamplona, João Gomes/Comus; Luiz Estumano;Marcelo Martins; Oséas Santos/Alepa; Martha Cride, Secom/MP; Sérgio Maranhão e Walquiria Souza; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES

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Belém sediará conferência sobre educação de jovens e adultos

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A verdade e o balanço real sobre os conflitos agrários

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Novidades da Frutal Amazônia e do Flor Pará

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Recomposição florestal com prazo ampliado

46 Feliz Aniversário Da Vinci!

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

ES/AG VID ALV Foto: DA

PARÁ


Mensagem da Governadora

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esses quatro anos em que esteve à frente da Arquidiocese de Belém, Dom Orani mostrou ser um pastor sensível aos problemas da sociedade e parceiro na luta contra as injustiças sociais. Por isso mesmo manifesto meus agradecimentos por tudo o que ele fez pelo povo de Belém. Aproveito para desejar boa sorte na sua nova caminhada, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, para onde ele foi designado pelo Papa Bento XVI. Ganha o Rio de Janeiro e ganha o Brasil com o trabalho de Dom Orani, que com certeza se dedicará de corpo e alma a mais essa grandiosa missão. Boa sorte, dom Orani. Ana Júlia de Vasconcelos Carepa Governadora do Estado do Pará

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Dom Orani João Tempesta, o novo arcebispo do Rio Fotos: David Alves/Ag. Pará, Inaldo F.Costa Rego, Gustavo de Oliveira

Sacramento da bondade de Deus, segundo Dom Eusébio

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o chegar à Catedral, Dom Orani Tempesta foi recebido na porta por Dom Eusébio Scheid, e seus bispos auxiliares. A missa de posse começou após a chegada de Dom Orani Tempesta à Catedral, ao lado de Dom Eusébio Scheid e do Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri. Depois de Dom Lorenzo Baldiseri, Núncio Apostólico, representante do Santo Padre: Dom Orani toma posse nesta arquidiocese, que está entre as mais antigas do Brasil

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entrarem pelo vão central da Catedral, os três se dirigiram à capela do Santíssimo Sacramento para orar. De lá, seguiram para se paramentar e teve início a celebração. Depois de ouvir a leitura da Carta Apostólica do Papa Bento XVI e as palavras do Núncio, Dom Orani recebeu o báculo de novo pastor do povo carioca e assumiu a presidência da celebração. A homilia, porém, foi feita pelo Cardeal Arcebispo Emérito Dom Eusébio Oscar Scheid. A solenidade, contou com as principais autoridades da igreja católica e outras igrejas cristãs na posse de dom Orani João Tempesta como novo arcebispo metropolitano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Caravanas de leigos e religiosos se deslocaram de São José do Rio Preto (SP), onde Dom Orani iniciou suas atividades como bispo, e também de Belém, onde ele atuou nos

Chegando à Catedral

últimos quatro anos. Representantes dos Círios de Copacabana, de Saquarema, da Tijuca, de Anchieta e de Acari também participaram da solenidade. A governadora Ana Júlia Carepa participou do evento, que durou três horas e arrastou uma multidão à igreja. O cardeal Dom Eusébio Shaeid, exarcebispo do Rio de Janeiro, disse que Dom Orani é um “Sacramento da bondade de Deus”, desejou um bom trabalho ao seu


Assumo hoje a Arquidiocese do Rio de Janeiro como alguém que é assumido por esse povo e, ao mesmo tempo, que vem para viver a vida de cada dia: visitar as pessoas, as comunidades, o povo, tentando encontrar os melhores caminhos para uma vida melhor, mais justa e solidária. Sinto-me muito emocionado em poder acolher o chamado do Santo Padre de vir aqui ao Rio de Janeiro para servir, não só a Igreja Católica, mas servir como um sinal para toda essa cidade que clama por vida, por paz e por fraternidade

Dom Orani e os concelebrantes

sucessor e exortou todos os religiosos a lutarem em defesa da vida. Temas como desigualdade social e violência foram lembrados como grandes desafios por dom Eusébio, que falou também da alegria do povo carioca e do fervor religioso dos católicos, que vão caminhar juntos com o novo bispo. “Talvez o senhor não sinta tanta saudade de Belém do Pará”, disse o ex-arcebispo do Rio de Janeiro, que falou do Círio de Nazaré e da grande festa que se realiza na capital paraense, no segundo domingo de outubro. Uma réplica da santa, a virgem peregrina, foi conduzida pela governadora Ana Júlia Carepa e pelo casal Cesar Neves, coordenador da diretoria da Festa de Nazaré, durante o ofertório. Antes mesmo da solenidade, um grupo de padres e militantes católicos paraenses realizou uma romaria com a virgem peregrina, que foi introduzida na catedral numa réplica da berlinda do Círio de Nazaré. Dom Orani disse que como cristão, não se sente estrangeiro e como bispo não se pertence, pois é de todo o rebanho. “Desde minha nomeação tantos me falaram de vocês, do carinho, da fé, do entusiasmo e agora venho para servir a todos, na alegria. Coloquei um espaço no meu coração para amá-los Eis-me aqui”, declarou o arcebispo, sob intensos aplausos dos que lotavam a moderna catedral carioca. Além da governadora Ana Júlia estiveram presentes ao ato o vice-governador do Rio de Janeiro, Fernando Pezão; o prefeito da cidade, Eduardo Paes; o senador paraense, José Nery; os cardeais Geraldo Magela,

Durante a solenidade na catedral metropolitana

A governadora Ana Júlia Carepa e o casal Cesar Neves, coordenador do Círio conduziram a imagem de Nossa Senhora de Nazaré ao altar

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Frente à Catedral

Dom Orani e dom Eusébio, seu antecessor

A cerimônia de posse de Dom Orani teve a presença e cerca de 10 mil pessoas entre autoridades eclesiásticas, políticas e fiéis católicos

arcebispo primaz do Brasil e Cardeal Arcebispo de Salvador; Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB e Arcebispo de MarianaMG, Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo,; Dom Eugenio Sales, Cardeal Arcebispo Emérito do Rio; bispo Vicente Zico, arcebispo emérito de Belém; os bispos auxiliares da Arquidiocese do Rio de Janeiro, muitos padres, seminaristas, além de representantes das igrejas ortodoxa, anglicana, luterana e prebisteriana. Entre os milhares de fiéis, um grupo chamava atenção pela concentração e silêncio. Cerca de 20 surdos acompanhavam com entusiasmo cada momento da celebração da posse. O professor César Bacchim através da Libras (Língua Brasileira dos Sinais) reproduzia cada palavra que era dita no altar. Tivemos hoje na missa um surdo e uma cega participando da procissão. Então pra nós foi uma união mesmo, como o lema do Arcebispo 'para que todos sejam um', é bom que ouvintes e surdos estejam juntos, afirmou o professor. Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, prefeito da cidade e a governador Ana Júlia Carepa

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Representantes do Círio da Tijuca e Copacabana

Nós viemos com a tristeza de quem perde um arcebispo da qualidade de Dom Orani, mas ao mesmo tempo com uma imensa alegria por saber que Deus só coloca nas mãos de quem tem condições, missões tão difíceis. Ele sempre mostrou a sua opção pelos mais pobres, sua vontade de fazer parceria, e soube construir essas parcerias para melhorar a vida dos mais necessitados, afirmou a governadora do Pará


Bula do Papa Bento XVI nomeando Dom Orani Jo達o Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro


A despedida de Dom Orani

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oi na Praça Santuário de Na zaré a mis sa de despedida do ex-arcebispo de Belém, dom Orani João Tempesta. Milhares de pessoas não continham suas emoções no adeus de despedida ao pastor que governou por quatro anos a arquidiocese da capital do Pará. A missa foi concelebrada pelos bispos: o emérito dom Vicente Zico, dom Flávio, de Abaetetuba, Dom Alessio Saccardo, de Ponta de Pedras, Dom Carlos Verzeletti, de Castanhal, e dom Jesús Cizaurre, de Cametá. Muitos padres, diáconos, seminaristas, colaboradores, grupos litúrgicos e comunidades católicas participaram da solenidade, que contou também com a presen ça de da governadora do Estado Ana Júlia Carepa e do secretário de Cultura, Edilson Moura.

A despedida

Fotos: David Alves/Ag Pa, Marcelo Martins

A missa foi celebrada com alegria, porém com a marca da saudade tanto de Dom Orani quanto dos fiéis que se despediam e homenageavam o novo arcebispo da arquidiocese do Rio de janeiro. Durante a missa na Praça Santuário foi lembrada a rápida adaptação de Dom Orani à cultura e aos costumes paraenses. No momento do ofertório, um grupo de dançarinos de ca rimbó, fez uma apresentação, seguidos por fiéis que trouxeram cestas com frutas típicas, como pupunha, cupuaçu, cachos de açaí, peixes da região, plantas, e uma canoa, que foi colocada em frente ao altar com os outros símbolos de ofertas, tipicamente do Pará. Seu episcopado foi de grande êxito e crescimento para Belém. Ele foi um arcebispo que muito fez, e muitos frutos ainda vão brotar de seu trabalho com certeza, nos disse emocionada, Edna Fonseca,

secretária da Arquidiocese de Belém há mais de 20 anos. Dom Vicente Zico, disse “Ele não olhou para si, mas viveu para nós", disse o arcebispo emérito. Édna Fonseca, secretária Em seu discurso, da Arquidiocese de Belém Dom Orani disse: "Eu, antes de mais nada, agradeço a Deus por ter me tornado paraense de coração. Eu vim para mergulhar nessas águas e aqui ficar, e a providência levou isso a sério, que eu mergulhei mesmo", brincou Dom Orani, relembrando o episódio em que caiu de uma ponte de estiva numa visita a uma comunidade ribeirinha.“Se algo resultou em fruto bom, a graça é de Deus”,”


Com os concelebrantes Com as crianças

Mostrando o selo lançado em sua homenagem

Garanto que nunca mais esquecerei o calor do povo católico paraense”, completou agradecendo a todos os colaboradores e aos funcionários da Arquidiocese de Belém. A governadora do Estado, Ana Júlia Carepa, também presenteou Dom Orani com um cálice e um crucifixo e disse "A

Igreja e o Estado têm papéis distintos, mas juntos podemos e devemos trabalhar em favor dos mais pobres; foi o que fizemos". Entre diversas homenagens, os Correios lançaram um selo para eternizar o tempo em que Dom Orani se dedicou à Belém e, principalmente, ao Círio de Nazaré.

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A Basílica Santuário de Nazaré também o homenageou, mudando o nome do Centro Social de Nazaré para "Centro Nazaré de Pastoral e Oração Dom Orani João Tempesta". Dom Orani ganhou ainda uma réplica da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, com um dos mantos originais, bordado com seu Brasão, ofertada pela diretoria da Festa da Círio. "É para o senhor colocar em seu gabinete de cardeal naArquidiocese do Rio de Janeiro", declarou. o Padre Ramos, reitor da Basílica Santuário de Nazaré. Ao final da solenidade, Dom Orani pediu a todos os fiéis que fizessem uma recepção ao próximo arcebispo tão bem quanto a ele.

Um dos presentes

A Praça Santuário ficou lotada na despedida

Os dançarinos de carimbó

No momento do ofertório

O casal coordenador do Círio com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré

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Um banner enorme, do futuro Centro Nazaré de Pastoral e Oração Dom Orani João Tempesta, com a imagem de Dom Orani com uma túnica laranja, a cor das vestes dos cardeais, foi colocado no meio da praça Santuário, onde foi celebrada a missa campal de despedida.


Ordem do Mérito Grão Pará

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Fotos: David Alves/Ag Pa

A Governadora Ana Julia Carepa condecora D. Orani João Tempesta com a Ordem do Mérito Grão Pará, a mais alta insígnia, que distingue os que prestaram relevantes serviços ao povo paraense

Já condecorado e bastante emocionado, D. Orani agradece...

Governo do Estado do Pará, homenageou Dom Orani João Tempesta com a medalha da Ordem do Mérito Grão Pará, a mais importante comenda existente no Pará, no grau de Grande Oficial, pelos serviços que prestou à frente do arcebispado de Belém. A solenidade aconteceu na Capela do Museu de Arte Sacra do Pará, Igreja de SantoAlexandre. Segundo o Decreto que oficializou a comenda, Dom Orani, como 9º Arcebispo de Belém, “prestou serviços inestimáveis à Amazônia” e, especialmente ao povo do Pará, com sua incansável labuta social, demonstrando sua sensibilidade para com as questões humanas, sociais e de ordem pública, “com desmedido empenho, competência técnica e postura ética”. Ao agradecer Dom Orani lembrou que a escolha do local para a solenidade foi muito feliz, por tratar-se de uma capela histórica, que estava honrado e agradecido com a de honraria

umEstadoqueeledisseterassumidoeadotado. “Vou para o Rio, mas levo comigo Belém, o Pará, o calor desse Estado e a simpatia desse povo”.

Ana Julia homenageia e agradece a presença e atuação de Dom Orani em terras paraenses

Recebendo cumprimentos dos presentes

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EPOIMENTOS

Padre Bruno Secchi, Contribuir para uma cultura de paz: esta tem sido, a meu ver, a insistência maior da presença de D. Orani na Arquidiocese de Belém: paz construída através de uma Igreja viva e ativa, encarnada na vida das pessoas.

Padre Bruno

Pe. Irineu Roman, Pároco da Paróquia Santa Edwiges. D. Orani é um bispo sempre atento às necessidades espirituais, pastorais e sociais do povo de Deus. Assim como na passagem do Evangelho da multiplicação dos pães, Jesus diz aos discípulos: “Dai-lhe vós mesmos de comer”, assim também D. Orani coloca em prática este ensinamento de Cristo

César Neves

César Neves, diretor-coordenador do Círio de Nazaré, "Dom Orani teve uma passagem surpreendente por Belém. Num tempo curto ele despertou coisas na nossa religião que outros não enxergaram, por exemplo, ver o Círio como forma de evangelização o ano todo. Ele teve esta sensibilidade sem ser um paraense nato. Outra característica é para o fato dele ter sempre disponibilidade, ser muito participativo, ir a todos os eventos sempre com a mesma boa vontade, com a capacidade de se envolver". Domingos Juvenil , presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Pará. Dom Orani deixa uma profunda saudade e também um modelo de união. "Ele soube trabalhar pela e com a unidade, essa foi uma marca da passagem no Pará.

Ele acredita que o novo arcebispo do Rio de Janeiro receberá ainda mais as bênçãos de Deus em sua nova missão. "Eu sempre admirei seu jeito participativo, ele esteve em todos os eventos da Assembléia Legislativa. Agora “desejo para ele sucesso em sua missão no Rio, e sendo uma arquidiocese importante no país, terá muito mais trabalho” Para o Padre Ronaldo Menezes , chanceler da Arquidiocese de Belém, ao mesmo tempo em que a saída de Dom Orani é motivo de lamento, também é motivo de alegria. "Dom Orani é um

Padre Ronaldo Menezes

homem dinâmico e sua competência tem feito seu trabalho aparecer, por isso foi escolhido para a arquidiocese do Rio de Janeiro. É importante ver também que nossa arquidiocese não passa despercebida pela Igreja". Na opinião do arcebispo emérito Dom Vicente Zico, seu antecessor no Pará, Dom Orani é homem de atividade fora de série, bem organizado, comunicativo,

Pe. Irineu Roman

Jesus, envolvendo e responsabilizando presbíteros, diáconos, religiosos e leigos (as), dando-nos um verdadeiro testemunho de Bom Pastor.

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Domingos Juvenil Dom Vicente Zico

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"superficialidade da vivência da fé". Para Dom Jesus Maria Cizaurre, presidente da Regional Norte 2 (Pará e Amapá) da Comissão Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), "Dom Orani trouxe a sua grande marca como bispo da comunicação e o espírito incansável do trabalho, marcando presençaemtodososlugares". Monsenhor Raimundo Possidônio Padre Cid Dom Eusébio Oscar Sheid

dedicado à ação pastoral e de excelente diálogo com o clero. Dom Eusébio Oscar Sheid, é só elogios para seu sucessor. Refere-se a Dom Orani, como detentor de "profunda religiosidade" e acrescenta que é "bom administrador" e "acostumado à pastoral de massas". Disse ainda que o grande problema que Dom Orani vai enfrentar na cidade é a

Falo por mim, Dom Orani!

Dom Jesus Maria Cizaurre

por Jorge Arbage or mercê de Deus, meu relacionamento com os dignatários da Igreja Católica, data de muitos anos. Dom Alberto Gaudencio Ramos, diria que foi um amigo incondicional. Devo-lhe, a corajosa recomendação à família católica, para que sufragasse o meu nome como Deputado Federal Constituinte de 1988. Através dele, conheci o Bispo Auxiliar Dom Vicente Zico, seu sucessor, no Arcebispado Metropolitano de Belém, com o qual cultivo sincera, honrosa e fraterna amizade até hoje, e para sempre! Também, por intermédio de Dom Zico, vim a conhecer o Arcebispo Dom Orani João Tempesta. No lastro dos quatro anos e, quatro meses e alguns dias, período que durou o trabalho Episcopal de Dom Orani entre nos, tive confirmado todos os conceitos, notáveis e por excelência, feitos por Dom Zico a respeito do sucessor, Humilde, comunicador, afeito as causas sociais em favor dos "sem nada de bens materiais", conselheiro espiritual, exemplo de propagador da fé cristã, em suma, o Bom Pastor que conhece as ovelhas e estas o seguem, pela confiabilidade na sua palavra. Dom Orani deu-me o privilegio de interceder junto a amigos na

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Carneiro da Mata (Padre Cid), atual administrador diocesano de Belém, eleito por grande maioria do Colégio de Consultores. Dom Orani , têm entre outros, o dom da comunicação, a capacidade e habilidade de dialogar com todos, de todas as paróquias, a qualquer hora e sempre com a habilidade serena da conciliação, um cultuador da Paz.

busca de soluções para o sistema de comunicação (Radio e TV Nazaré). Nenhuma delas ficou insolúvel. Não raramente, conversávamos por telefone. Tinha por mim um respeito incomensurável, próprio da idade. Por sugestão sua, o Clero reunia, no mês de dezembro, em nossa residência no Lago Azul, para a festa de confraternização. Nesses encontros, era perceptível a maneira com que o Arcebispo tratava os Sacerdotes, diáconos e religiosos. Como o espaço não comporta dimensionar detalhes, concluo a mensagem afirmando: "O Arcebispo que foi capaz de realizar em tão curto espaço de tempo, a obra Episcopal que unificou a Família Católica, incentivou a devoção à Virgem de Nazaré e deixou, tais conquistas, solidas como a rocha, por esse fato espetacular, merece viver para sempre na memória do Jorge Arbage Povo Paraense".

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A homenagem dos

Bombeiros

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Corpo de Bombeiros, em reconhecimento, gratidão e admiração por Dom Orani João Te m p e s t a , o homenageou, concedendo-lhe a Medalha do Mérito Defesa Civil, no quartel do Comando Geral do CBMPA, onde a tropa formada da Corporação, também lhe prestou todas as honras militares e desfilou para homenagear o arcebispo, que tanto fez pelo Estado do Pará. Segundo o Coronel BM Paulo Gerson, Comandante Geral do CBMPA, o arcebispo sempre teve uma presença ativa na instituição, e sua participação foi de suma importância para o sucesso dos trabalhos realizados nesse período. “Deus sempre escolhe pessoas boas e as enche de missão, tenho certeza que Dom Orani, vai continuar ajudando a todos. E de onde estiver, vai abençoar o Estado do Pará, afirmou o Comandante Geral. Em seu discurso, o então Administrador Apostólico de Belém, ressaltou o belo trabalho que o Corpo de Bombeiros realiza em prol da população, e agradeceu

Dom Orani saúda a Bandeira Nacional Durante o Hino Nacional

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Fotos: Carlos Cesar/ASCOM

Coronel QOBM Paulo Gerson, Comandante Geral do CBMPA e D. Orani João Tempesta, já com a Medalha do Mérito Defesa Civil

a homenagem recebida. “Não é a toa que o Corpo de Bombeiros é a entidade mais bem quista por todos”, afirmou. Muito obrigado, essa medalha me enobrece ainda mais. O Major BM Emanuel, capelão e diácono do Corpo de Bombeiros, ressaltou que durante o seus quatro anos de arcebispado, Dom Orani, ajudou, e foi de grande importância para a construção da Igreja de S a n t o E x p e d i t o d o C B M PA , oficializando-a como Igreja da região metropolitana de Belém. E recordou também, que o missionário sempre esteve presente em momentos relevantes para os militares desta corporação. Estiveram presentes na solenidade: o Coronel PM, Luiz Dário, Comandante Geral da Polícia Militar; Coronel BM RR Marcos Aurélio, Diretor do IESP; Delegado Justiniano Alves, Superintendente do Sistema Penal; José Ferreira Sales, Diretor Geral da SEGUP; Roosenet Pantoja, Promotor de Justiça; Antônio Nilo, Diretor Geral do Detran em exercício; Padre Alberto Breschiani, Diretor do Colégio do Carmo; Capitão de Corveta Lenilson, Capelão do 4º Distrito Naval; Tenente Valmor, Capelão da 8ª Região Militar, dentre demais oficiais, praças e civis do CBMPA.

A Medalha do Mérito Defesa Civil é destinada a reconhecer, distinguir e homenagear autoridades, personalidades, instituições que tenham prestado serviços relevantes vinculados à Defesa Civil.


O pastor

da comunicação e da unidade

Para líder do Governo, Dom Orani é o pastor da comunicação e da unidade

Ozéas Santos/Alepa

Dom Orani e Ana Júlia, no lançamento da CF 2009

homenagem na Assembléia legislativa, à Irmã Dorothy Stang por sua atuação junto as comunidades rurais e pela defesa de um desenvolvimento com equilibrio ambiental na Amazônia e também concedeu homenagem à Irmã Henriqueta Cavalcante, por seus serviços prestados a comunidade a frente do Comitê Estadual de Combate a Corrupção eleitoral. "Dom Orani sempre teve uma boa relação com Alepa, contando com a admiração pelo conjunto dos parlamentares da Casa, onde ele foi recebido inúmeras vezes com muito carinho", finalizou o deputado.

Irmã Henriqueta Cavalcante e seu Diploma na ALEPA

Luíz Estumano

procurou estar ao lado do povo, indo até o povo, onde o povo estiver. Isso mostra o seu comprometimento com a igreja, com o cristão, com Deus", enfatiza do deputado. Outro ponto destacado pelo líder do governo é a capacidade de diálogo e integração que dom Orani sempre teve com todos os segmentos da sociedade, inclusive junto ao poder público. "Como bom condutor, um pastor de fato, o arcebispo soube manter um canal aberto de diálogo, com empresários, autoridades políticas, gestores de entidades, imprensa, enfim, buscar de todas as formas uma unidade para enfrentar conflitos e problemas sociais", declara o d e p u t a d o acrescentando ainda que ida de dom Orani para o Rio de Janeiro é uma missão dada ao arcebispo por Deus, para conduzir o povo cristão carioca num difícil momento em que a violência é infligida a população desta cidade. Dorothy Stang e Aírton Faleiro, por ocasião da homenagem na ALEPA O trabalho de Tempesta para aArquidiocese de Belém, o religiosos na luta pela defesa da vida e da líder do Governo na Assembléia garantia dos direitos humanos, na visão do Legislativa, deputado estadual Aírton deputado, deve ser reconhecido como um dos meios para a construção de um mundo Faleiro. Para o parlamentar a comunidade cristã na mais justo e fraterno. "Devemos capital e em todo o Estado teve o reconhecer o trabalho feito pelos padres, privilégio de contar com o grandioso freiras, pelos representantes da igreja, na empenho do sacerdote paulista, que se luta contra as injustiças sociais e pela tornou paraense de coração, para preservação da vida e dos bens naturais, fortalecer a igreja no Pará. "Vimos o pois eles traduzem a voz do povo, trabalho que ele fez não só juntos as daqueles que não conseguem muitas comunidades, aos grupos na cidade de vezes se fazer ouvir e que pedem apenas a Belém, como também no interior, nos garantia de sua dignidade e cidadania", lugares mais distantes. Ele sempre afirma Aírton Faleiro, que prestou uma m uma terra em que a fé do povo é tão intensa e tão vigorosa, quanto Belém, dom Orani fez brotar ainda mais a espiritualidade nos corações dos fiéis. No papel de pastor ele lutou pela unidade dos cristãos da mesma forma em que esteve lado a lado com a sociedade contra injustiças. Sua presença na Amazônia foi marcante e muito mais será em sua nova missão no Rio de Janeiro", assim ressaltou a importância de dom Orani João

Ozéas Santos/Alepa

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A homenagem do Ministério Público terminou com todos de mãos dadas rezando o "Pai Nosso". "Levarei no coração todo esse trabalho de parceria entre a sociedade civil e a Arquidiocese, tanto nos aspectos de evangelização, quanto social, bem como a preocupação também com o bem da comunidade. Coloco nas mãos de Deus para que meu substituto, assim como eu, seja muitofelizemBelém",disseDomOrani.

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Ministério Público do Estado também homenageou o exArcebispo de Belém, Dom Orani João Tempesta, que foi transferido da cidade para assumir a Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ele recebeu das mãos do Procurador-Geral de Justiça, Geraldo de Mendonça Rocha uma

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Membros e servidores do MP ao lado de Dom Orani

placa de agradecimento pelos serviços prestados na busca da cidadania em nosso estado. Logo após a apresentação do Coral do Ministério Público, que cantou "Jesus Alegria dos Homens" de Johann Sebastian Bach, foi franqueada a palavra para que membros e servidores fizessem agradecimentos e votos de sucesso ao Bispo em sua nova missão. A solenidade

Geraldo Rocha entrega placa em homenagem a Dom Orani


CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM

MENSAGEM A CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM, por seu Presidente abaixo assinado e em nome das Senhoras e Senhores Vereadores que a integram, associam-se às justas homenagens que a sociedade belenense acabou de prestar à Sua Excelência Reverendíssima DOM ORANI JOAO TEMPESTA, Ex-Arcebispo Metropolitano de Belém e atual Arcebispo Episcopal do Rio de Janeiro. Durante quatro anos, quatro meses e alguns dias, inestimáveis serviços registram a operosidade da atividade Episcopal e Social de DOM ORANI à frente da Igreja de Belém, merecendo especial destaque o apoio espiritual e a carinhosa dedicação em beneficio da melhoria de qualidade de vida às comunidades carentes de varias Ilhas na periferia desta Capital, como o fornecimento de água potável e saneamento básico, entre outros. Formulamos votos de pleno sucesso ao nosso inesquecível Arcebispo, com desejos de que, através do dialogo intensivo, iluminado pelo Espírito Santo, possa repetir, no Rio de Janeiro, os feitos religiosos e sociais que o tornaram imortal na memória de todos nós, belenenses ou não!

Dr.WALTER WILTON ARBAGE Presidente da Câmara Municipal de Belém


PMB homenageia Dom Orani

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prefeito municipal de Belém, Duciomar Costa, homenageou a Dom Orani João Tempesta, na inauguração da reforma da igreja na Paróquia de São Miguel Arcanjo, bairro da Cremação. Dom Orani fez um agradecimento às autoridades presentes e disse que durante sua atuação arquidiocesana procurou fazer um trabalho de parceria e colaboração com a administração pública para melhorar a vida dos cidadãos, em especial na área de segurança pública, que muito o preocupa. "Nós rogamos a Deus para que Belém e o Pará tenham dias melhores, em especial na questão da segurança pública, um problema grave que aflige as nossas comunidades, nossas famílias, e essa é a hora de refletir e reagir sobre ele, seguindo o exemplo do tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que propõe esse reflexão", destacou o arcebispo. Duciomar Costa, subiu ao presbitério e entregou uma placa de agradecimento a Dom Orani e disse: "Nós agradecemos de coração por sua dedicação e parceria. O s e n h o r chegou aqui,

Duciomar Costa entregou uma placa de agradecimento a Dom Orani em nome da sociedade de Belém

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Fotos: João Gomes e Elivaldo Pamplona/Comus

O senhor chegou aqui, plantou sua semente de paz e deixou muitos ensinamentos para todo o povo de Belém e do Pará

Dom Orani e Abidias Junior na assinatura do Convênio

plantou sua semente de paz e deixou muitos ensinamentos para todo o povo de Belém e do Pará. Sua passagem oxigenou os ânimos de todos e trouxe uma mensagem de força, amor e paz”, afirmou o prefeito que também ressaltou a importância do religioso no atual contexto de insegurança e desagregação que a cidade vive: “Dom Orani sempre buscou a solução para a crise da violência, muitas vezes causada pela falta de fé”. Dom Orani disse que era impossível não falar da despedida, mas disse que irmãos em Cristo não se despedem, "nem mesmo na morte, porque um

dia todos nos encontraremos na eternidade, principalmente quando entregamos nossa vida para Deus, porque quando assim o fazemos, ganhamos a verdadeira vida por meio da eterna aliança com Deus", afirmou. Com pesar pela partida de Dom Orani, Duciomar divulgou suas expectativas a respeito do sucessor ao cargo de arcebispo. “Espero que o próximo líder da arquidiocese tenha sabedoria para continuar a missão evangelizadora e de apoio às comunidades que mais precisam. Desejo também que Dom Orani possa mostrar toda a sua capacidade neste novo desafio no Rio de Janeiro”, concluiu o prefeito. Participantes na celebração da inauguração da reforma da igreja de São Miguel Arcanjo


Ainda na PMB

A homenagem da PMB a Dom Orani

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om a presença de todo o secretariado municipal, o prefeito em exercício Anivaldo Vale recebeu o arcebispo Dom Orani João Tempesta, no Palácio Antônio Lemos. Em sua chegada, Dom Orani foi recebido pela Banda de Música da Guarda Municipal de Belém, ao som de “Nossa Senhora”, de autoria de Roberto e Erasmo Carlos, na escadaria do Palácio. Na oportunidade houve a assinatura de um convênio de cooperação mútua, por tempo indeterminado, entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMMA e o Instituto de Desenvolvimento Integral – IDHI, vinculado à arquidiocese de Belém, para a realização de atividades, programas e projetos de educação ambiental e cidadania. Assinaram o convênio o titular da Semma, José Carlos da Costa, o presidente da IDHI, Celso Botelho, e o

prefeito em exercício,Anivaldo Vale. “O momento é de tristeza por vê-lo

partindo, mas ao mesmo tempo de satisfação por termos caminhados juntos ao longo de quatro anos na fé e devoção à Maria”, agradeceu o prefeito em exercício,Anivaldo Vale. Bastante emocionado pelas homenagens, Dom Orani falou sobre os bons momentos que viveu em Belém como arcebispo. “O Círio é típico da região e modela o coração do paraense, que acolhe as pessoas e não mede esforços em fazer o bem”, comentou o arcebispo. Mesmo deixando o Pará, Dom Orani diz que tem esperanças de voltar algum dia. “Espero que de longe ou de perto eu continue ouvindo coisas boas de Belém, pelo seu progresso e fraternidade”, ressaltou.

A assinatura do convênio de cooperação mútua, por tempo indeterminado, entre a SEMMA e o IDHI

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Na celebração da missa em comemoração ao aniversário da cidade de Belém

Bibliografia de Orani João Tempesta, o novo arcebispo do Rio de Janeiro

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om Orani João Tempesta, O. Cist.,é um monge da Ordem Cisterciense, é o atualArcebispo do Rio de Janeiro. Foi o terceiro bispo de São José do Rio Preto e nono arcebispo de Belém do Pará, Especialista em comunicação, é também o presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da CNBB. Orani João ingressou na Ordem Cisterciense, no Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo, no dia 20 de janeiro de 1968, iniciando seu noviciado no dia 1º de fevereiro de 1968, tendo emitido seus primeiros votos no dia 2 de fevereiro de 1969. Realizou seus estudos eclesiásticos em São Paulo, na Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento, de 1969 a 1970, e

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no Instituto Teológico Pio XI, dos religiosos salesianos. No dia 2 de fevereiro de 1972 fez sua profissão solene na ordem. Sua ordenação presbiteral foi em 7 de dezembro de 1974, aos 24 anos, pelas mãos de Dom Tomás Vaquero, na Matriz de São Roque, em São José do Rio Pardo. Dom Orani foi vice-prior do Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo no período de 1974 a 1984, quando foi nomeado prior pelo Capítulo da Congregação em Roma. Pároco de São Roque (São José do Rio Pardo) - 07 de dezembro de 1984. Permaneceu até sua elevação a abade, em 1996. Eleito 1ºAbade daAbadia de N. Sra. de São Bernardo - 05 de dezembro de 1996

Dom Orani João Tempesta como o novo arcebispo do Rio de Janeiro, vai substituir dom Eusébio Oscar Sheid, arcebispo do Rio de Janeiro desde 2001, quando substituiu dom Eugenio Sales que completou 75 anos em 2007, quando apresentou sua carta de renúncia ao papa. Dom Orani, de 58 anos, Monge da Ordem Cisterciense, na qual ingressou em 1968, estudou na Faculdade de Filosofia do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, e no Instituto Teológico Pio XI. Foi consagrado bispo de São José do Rio Preto há doze anos e em 2004 foi eleito arcebispo de Belém do Pará


Bispo de Rio Preto No dia 26 de fevereiro de 1997 o Papa João Paulo II o designou para ser o terceiro bispo de Rio Preto. Foi ordenado bispo no dia 25 de abril de 1997, aos 46 anos, Ao ser nomeado Bispo de pelas mãos de Dom Rio Preto em 01.05.1997 J o s é d e A q u i n o Pereira, Dom Dadeus Grings e Dom Luís Gonzaga Bergonzini. Lema Episcopal: "UT OMNES UNUM SINT" "Que todos sejam um". Foi administrador apostólico da abadia territorial de Claraval (Minas Gerais) no

Quando Bispo de Rio Preto

Dom Orani Tempesta, arcebispo metropolitano de Belém, dom Vicente Zico e o núncio apostólico do Vaticano, dom Lourenço Badisseri

período de 24 de março de 1999 a 11 de dezembro de 2002. Dom Orani João Tempesta foi o terceiro bispo de Rio Preto, sucedendo a Dom José de Aquino Pereira e sendo sucedido por Dom Paulo Mendes Peixoto.

Arcebispo de Belém No dia 13 de outubro de 2004, foi eleito Arcebispo de Belém, Brasil, onde tomou posse solenemente na Praça Frei Caetano Brandão no dia 8 de dezembro de 2004, na SolenidadedaImaculadaConceição. Dom Orani João recebeu o pálio das mãos do PapaBento XVI,no dia29 dejunho de2005. Participou da Conferência de Aparecida

em 2007, como membro delegado pela CNBB. Dom Orani João Tempesta foi o nono Arcebispo de Belém, sucedendo a Dom Vicente Joaquim Zico, CM.

Arcebispo do Rio de Janeiro No dia 27 de fevereiro de 2009, o Papa Bento XVI nomeou Dom Orani Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro. Dom Orani assume no lugar de Dom Eusébio Oscar Scheid, que, aos 76 anos, teve de apresentar sua renúncia por motivos de idade conforme o Código de Direito Canônico (bispos devem renunciar ao completar 75 anos).

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Cesar Neves, a governadora, Dom Orani e Pe. José Ramos

Datas Marcantes 23 de junho de 1950. Nasceu Orani João Tempesta em São José do Rio Pardo (SP), caçula de nove filhos de Achille Tempesta e Maria Bárbara de Oliveira. 01 de fevereiro de 1968 : Aos 17 anos, Orani ingressou no Mosteiro Cisterciense de Itaporanga. Na missa campal da Trasladação 1969-1970: Estudou na Faculdade de Filosofia do Mosteiro de São Bento e fez estudos de Teologia no Instituto Teológico Pio XI, dos religiosos salesianos, ambos em São Paulo. 07 de dezembro de 1974 : Orani é ordenado sacerdote por D. Tomás Vaquero, na Igreja Matriz de São Roque, em São José do Rio Pardo-SP; 26 de fevereiro de 1997 : Orani foi nomeado 3º Bispo de Rio Preto; 01 de maio de 1997: Tomou posse na Sé Catedral (SP) de Rio Preto, tornando-se seu novo bispo, Dom Orani João Tempesta. 13 de outubro de 2004: Recebe do Papa João Paulo II a nomeação para o arcebispado na Arquidiocese de Belém. 8 de dezembro de 2004: Assume a Arquidiocese de Belém, substituindo Dom Vicente Zico, que “ut omnes unum sint” (Jo 17,21 - “que todos sejam um”). Faz parte do Conselho Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil onde se "aposentou" aos 75 anos. exerce o cargo de presidente nacional da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e 27 de fevereiro de 2009: O Para Comunicação Social. Dom Orani também é membro do Conselho Superior da Redevida de Bento XVI anuncia a nomeação de Televisão e do Conselho de Comunicação do Senado Federal. Dom Orani para a Arquidiocese do Dom Orani, tem como hobby: leitura, música e caminhada. A“Sagrada Escritura” e a “Liturgia Rio de Janeiro. das Horas”, são os seus livros de cabeceira. Gosta de ouvir música clássica, música popular 19 de abril de 2009: Tomou posse da brasileira e alguma música sertaneja de raiz, além das músicas religiosas. É fã do Botafogo. Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Dom Orani tem como lema episcopal:

Matemática e Português Adaptação e Reforço Escolar Da Alfabetização ao Ensino Médio Av. Generalíssimo Deodoro, n° 1893 (entre Conselheiro e Mundurucus) Tel: 3241-4753

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Dom Orani:

missão, desafios e temas polêmicos O Rio de Janeiro tem proporcionalmente, o maior número de ateus do país – 15,5% da população, o dobro da média do Brasil e – é marcado pela violência.

C

om Orani, devoto de Nossa Senhora, São Bernardo e São Bento, como Arcebispo do Rio de Janeiro terá a missão de pastorear os serviços das 252 paróquias da cidade, divididas em sete vicariatos territoriais, além dos movimentos leigos e novas comunidades. Logo que assumir, Dom Orani irá conhecer a Igreja e o povo do Rio, o que já existe de trabalho, de lutas, de parcerias. Colaborar com o poder público e a população para diminuir a violência, crescer a fraternidade, para viver e vivenciar em um Rio de Janeiro mais

tranqüilo será uma de suas principais metas. Irá cuidar para que aqueles que são católicos estejam bem orientados e bem esclarecidos. E para os que não creem, quer encontrar caminhos culturais de convivência, respeito mútuo. “Somos diferentes, mas temos problemas parecidos e podemos trabalhar juntos”. Cada lugar tem seus desafios, de um jeito ou de outro. E a Igreja tem de estar próxima das pessoas para procurar respostas e minorar os problemas da população.

A Catedral de São Sebastião

Células-tronco Não podemos concordar em querer eliminar pessoas para a obtenção de célulastronco embrionárias, porem com relação às células-tronco adultas, que parecem que dão mais resultado, a gente incentiva com muito carinho para que os pesquisadores encontrem métodos que ajudem a saúde das pessoas.

CristoRedentor: O Rio de Janeiro continua lindo...

Aborto Eu caminho com toda a igreja. Nós acreditamos na vida e procuramos defender a vida em todas as etapas. O que falta é a sensibilidade pela vida em todas as etapas para as pessoas. Quando elas virem essa sensibilidade e sabem realmente da importância da vida e das consequências das opções por uma cultura de morte tenho certeza que haverá mudança social nesse sentido.

Descriminalização das drogas? Oassuntodevesermuitobemdiscutido.Temos o caso da bebida alcoólica. Não é proibida, mas faz muito mal a saúde das pessoas. Então, não seiseessa(adescriminalização)éasolução. Precisamos discutir, conversar se esse é o caminhoousehátipodecaminhoparadiscutira questão.

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No Rio de Janeiro

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omOraniTempesta,fezuma breve visita à cidade que será sua próxima residência para conhecer o funcionamento da Arquidiocese do Rio de Janeiro. “Foi uma visita para encontrar D. Eusébio, bispos-auxiliares e o clero. E também para conhecer os caminhos que vamos ter de trilharaqui",disseD.Orani. No desembarque, o Arcebispo eleito da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro foi recebido pelo Cardeal Emérito Dom Eusébio Oscar Sheid e seus bispos auxiliares. Em entrevista à imprensa no saguão do aeroporto, Dom Orani falou sobre oqueopovocariocapodeesperardele. - Venho para servir e poder levar adiante o trabalho que vinha sendo feito anteriormente. Continuar na trilha de levar todos os cristãos a serem discípulos e missionários é o que podem esperar de mim, explicou. D. Orani disse que os constantes episódios de violência na cidade não o assustam e lembrou que Belém, onde é arcebispo desde 2004, também sofre com a criminalidade. "Belém também tem suas dificuldades com violência. Acho que cada um na sua proporção. O Rio é uma cidade maior, tem mais habitante, aparece mais na mídia e as violências também

Fotos: Gustavo de Oliveira

Missa presidida por Dom Orani Tempesta e concelebrada por Dom Eusébio, seus bispos auxiliares e os padres formadores do seminário

aparecem mais. Mas não podemos trabalhar sozinhos com relação a isso. Toda a sociedade tem que trabalhar junto, tanto a Igreja quanto governantes, quanto a sociedade", defendeu. DaIlhadoGovernadorparaGlória,acomitiva dos bispos seguiu para o Palácio São Joaquim, onde Dom Orani foi recebido pelas Irmãs do Bom Conselho que trabalham na residência oficialdonovoArcebispodoRio. Após o almoço reservado com o Cardeal e com os bispos auxiliares, no palácio, Dom Orani seguiu para o Edifício João Paulo II, para conhecer o prédio. Em seguida o Arcebispo conheceu o Seminário São José onde celebrou uma missa para os seminaristas da Arquidiocese.

Prefeito foi recebido por Dom Orani

Café da manhã com prefeito Eduardo Paes e vice-governador Luiz Fernando Pezão

No Aeroporto Dom Orani foi recebido pelo Cardeal Emérito Dom Eusébio Oscar Sheid

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O prefeito Eduardo Paes e o Vice-Governador Luiz Fernando Pezão estiveram com o novo Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, no Palácio São Joaquim, residência oficial do Arcebispo. No encontro foram tratados os projetos comuns entre a Arquidiocese, o Governo do Estado e a Prefeitura. - Não tenho dúvida que Dom Orani vai representar muito para nossa cidade, nosso estado. Viemos aqui para dar-lhe as boas vindas, fazer com que ele se sentisse em casa. Sabemos que a Igreja tem um papel

fundamental, complementar ao papel do Estado, nas ações sociais, na entrada em lugares que o Estado não consegue acessar. Nós vamos trabalhar muito juntos: a Igreja Católica, a Prefeitura e o Governo do Estado, afirmou o prefeito depois do encontro. Em entrevista à imprensa, Dom Orani falou de sua disposição em dar continuidade às parcerias que promovem a dignidade do povo carioca, se mostrou aberto a novas possibilidades e falou da violência como um grande desafio. - Acredito que a violência não se resolve apenas com uma das partes. Somos todos co-responsáveis pela paz social, pela fraternidade e pela segurança. Isso não se resolve a curto prazo. Temos que tomar atitudes a curto, médio e longo prazo onde nós possamos ver o que se pode ir minorando das situações. Quanto mais e melhor trabalharmos na evangelização e quanto mais parcerias tivermos com as várias entidades, mais poderemos colaborar. A Igreja está disposta a fazer sua parte. O Governador do Estado, Sérgio Cabral não pôde comparecer ao café da manhã. Ele foi ao encontro do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em Londres, na reunião do G20 - as vinte maiores potências econômicas do mundo. Dom Orani no Sumaré e Seminário Depois de conhecer os funcionários e departamentos do Edifício João Paulo II, Dom Orani subiu para a casa do Arcebispo


Emérito do Rio Dom Eugenio Araujo Sales, no Sumaré. De lá, seguiu para encontro com os seminaristas arquidiocesanos no Seminário São José onde celebrou a santa missa e encerrou o dia. - Tenho a certeza que a Arquidiocese do Rio está em boas mãos. Com esse espírito guerreiro, batalhador, Dom Orani conseguirá muitas melhorias para o Rio de Janeiro, afirmou Dom Eugenio em entrevista à TV Canção Nova. No Seminário São José, no Rio Comprido, Dom Orani foi recebido por 132 seminaristas que cantaram “Ecce Sacerdos Magnus” (Eis o grande Sacerdote) em homenagem ao seu novo pastor. Dom Eusébio Scheid definiu os Seminários São José e Rainha dos Apóstolos como o pedaço mais precioso desta arquidiocese.

Sendo apresentado ao décimo Plano de Pastoral

- Vou procurar preservar esta preciosidade, disse Dom Orani antes de seguir para a celebração da missa. Em sua homilia, o Arcebispo do Rio expressou sua alegria em estar naquele lugar e apontou os seminaristas como o presente e futuro da Igreja no Rio. Vocês são dom de Deus que Ele chamou para viver uma vida de gratuidade, entrega e serviço, disse Dom Orani. Ao citar a Primeira Leitura do livro de Daniel, Dom Orani mostrou-se confiante em Deus. - Quando estamos neste momento de dificuldade o Senhor está conosco. Esse encontro com o Cristo muda nossa vida e temos a coragem de nadar contra a maré. Não sabemos como será o amanhã. Mas tenho certeza que conosco estará o Senhor. A missa foi presidida por Dom Orani Tempesta e concelebrada por Dom Eusébio, seus bispos auxiliares e os padres formadores do seminário. Para finalizar a breve passagem pelo Rio, o Arcebispo eleito concedeu uma coletiva no sexto andar da Mitra.

Reunião com parcela do clero do Rio

Atendendo a imprensa após o café da manhã com o prefeito

Não sabemos como será o amanhã. Mas tenho certeza que conosco estará o Senhor

Um "plano de nação" om Orani Tempesta, disse que "não tem a ilusão" de que a questão da violência será resolvida em "um ano ou na quaresma" - período em que dura a Campanha da Fraternidade sobre Segurança Pública. Ele defendeu um "plano de nação" para o combate da criminalidade. "Temos de encontrar meios para que a curto, médio e longo prazo estabeleçamos um plano de nação onde a vida humana seja valorizada de tal maneira que haja emprego, saúde, educação, para que as pessoas tenham dignidade no seu viver", defendeu no último dia de sua breve visita ao Rio. Ele reconheceu o desafio e disse que a maneira de a igreja trabalhar "é um pouco diferente (das outras religiões) e dificulta um pouco mais" a conquista de fiéis. "Nós não fazemos proselitismo, nós não somos da opinião de que quem não mudar de religião está condenado. Pode parecer uma fragilidade, mas é um respeito muito grande pela liberdade da pessoa", afirmou. "A questão dos ateus e daqueles que não têm religião é própria de região onde se faz muito proselitismo. As religiões tentam pegar para si os seus fregueses e as pessoas acabam muitas vezes desiludidas de todas elas".

D Visita a Dom Eugenio Sales

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Convênio entre o Banco da Amazônia e a Cáritas Fotos: Cláudio Santos/Ag Pa

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a sede do Banco da Amazônia, com a presença de D. Orani João Tempesta, exarcebispo de Belém, de Abidias Junior, presidente do Banco e do diácono João Bosco, presidente Cáritas Metropolitana de Belém (CAMEBE), aconteceu a assinatura do convênio entre o Banco da Amazônia e a Cáritas de Belém para a implantação do projeto ecológico seco na Ilha de Jutuba, que contempla a instalação de 79 sanitários ecológicos secos e a capacitação e conscientização dos membros da comunidade sobre a importância de

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Dom Orani e Abidias Junior na assinatura do Convênio

hábitos de higiene diminuindo a incidência de várias doenças. Um dos problemas recorrentes para quem mora nas ilhas da região Metropolitana de Belém é a falta de saneamento básico e de um sistema de tratamento de água e esgoto, utilizando, portanto, as águas da Baia do Guajará como fonte de abastecimento e local de depósito de dejetos, tornando assim a contaminação ainda maior. Como solução alternativa, foi criado o projeto do sanitário ecológico seco que é um sistema o qual respeita o meio ambiente, uma vez que não utiliza água, evita a transmissão de doenças e é de baixo custo. É uma tecnologia simples,

que transforma os dejetos humanos em adubo orgânico. É "seco" porque não utiliza ou desperdiça água. É "compostável", pois se vale de um processo bioquímico que, por meio da ação de bactérias e microorganismos, converte os dejetos em composto orgânico fértil e isento de patogênicos. E, principalmente, é "ecológico" por se aproveitar dos ciclos biológicos naturais não tendo como produto o esgoto e, portanto, não contaminando a água. Ao todo, serão beneficiadas 79 famílias, ou seja, quase 300 pessoas, que vivem na ilha de Jutuba. Elas terão um sistema de sanitário que garantirá melhoria do ambiente ao seu redor garantindo condições de vida mais saudável. O projeto terá um monitoramento permanente e uma avaliação final, com a participação da comunidade beneficiada, membros da CAMEBE e entidades parceiras, dentre elas, o Banco daAmazônia.


Feirantes homenageiam Dom Orani João Tempesta Fotos: João Gomes / Comus

Recebendo a comenda Amigo do Ver-o-Peso

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om Orani João Te m p e s t a , a t u a l administrador diocesano de Belém,foi o grande homenageado na festa dos 382 anos do Ver-o-Peso. Recebeu a comenda “Amigo do Ver-o-Peso” – um reconhecimento dos feirantes à sua atuação nos quatro anos em que esteve à frente da Arquidiocese de Belém. Dom Orani se declarou muito feliz pela homenagem feita pelos trabalhadores do maior cartão-postal da cidade: “Recebo a homenagem com muito carinho e deixo uma benção especial para todos que frequentam e trabalham no Vero-Peso. As comidas, os cheiros e seus costumes, representam o povo, por isso fico muito feliz de ser homenageado pelas que trabalham aqui, de receber o carinho de todos eles”. Atualmente são 1.150 feirantes cadastrados como trabalhadores da feira,

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mas, aproximadamente,quatro mil trabalham de forma direta e indireta no complexo. O bolo de 20 metros foi uma atração à parte. Enfeitado com frutas regionais, ele atraiu a atenção de quem participou da festa no Ver-o-Peso. Nas cores alvi-

celeste, o bolo gigante foi resultado de uma aposta entre feirantes torcedores dos clubes do Remo e do Paysandu. Um passeio com crianças de escolas municipais pelo Complexo do Ver-o-Peso e uma oficina de pintura em cuias foram as atrações da festa voltadas para o público Recebo a homenagem com muito carinho e deixo uma benção especial para todos que frequentam e trabalham no Ver-o-Peso


Apagando as velas do bolo de 20 metros

No maior cartão-postal da cidade

infantil. A programação de aniversário contou ainda com shows de grupos e bandas parafolclóricas no palco armado pela Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) em frente ao Solar da Beira. Já as ações de saúde e de cidadania, como cortes de cabelo e limpeza de pele para os feirantes, aconteceram no calçadão ao lado do Solar da Beira.

Fone: (91) 3248-5651 paramais.com.br

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Na ilha de Urubuoca Fotos: David Alves e Rodolfo Oliveira/Ag Pa

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m sistema simples de abastecimento, que utiliza água da chuva, faz a diferença para os ribeirinhos que vivem no território insular de Belém. A governadora Ana Júlia Carepa inaugurou 44 microssistemas de abastecimento de água potável na ilha de Urubuoca, distrito de Outeiro, a 30 minutos de barco da orla da capital.

predominantemente de várzea. A primeira foi Jutuba, a segunda, Urubuoca, e a próxima é a ilha do Combu. Antes do sistema de abastecimento, a população de Urubuoca tomava água do rio ou se deslocava, durante uma hora de barco, para buscar água de poço da ilha de Arapiranga. Como não existem condições técnicas para captação de água subterrânea, o sistema alternativo de água hoje é aprovado e comemorado pelos

As crianças aproveitam a água limpa, que agora jorra com fartura na ilha de Urubuoca, após a inauguração do microssistema de abastecimento

A única professora do lugar, Kátia Regina Cardoso, se emocionou ao ver, pela primeira vez, um governante em Urubuoca. Ela agradeceu ao arcebispo de Belém, Dom Orani João Tempesta, que após uma visita ao local determinou que a Cáritas buscasse uma alternativa para resolver o problema de abastecimento de água na ilha. Dom Orani destacou a sensibilidade da governadora Ana Júlia Carepa em atender as demandas da população ribeirinha. “A senhora é a primeira governante que vem a Urubuoca, e não veio para pedir votos, e sim para trazer benefícios”, disse o líder católico, que aproveitou para se despedir, já que após a semana da Páscoa assume o Arcebispado Metropolitano do Rio de Janeiro. A governadora ressaltou o papel da Igreja Católica e a parceria com a Cáritas, e disse que a principal marca de seu governo é “cuidar de gente”. Segundo ela, o sistema alternativo de abastecimento de água representa sobretudo melhoria na qualidade de vida da população mais pobre, que sofre com doenças decorrentes da água não tratada.

Contradição A obra beneficia 248 pessoas e custou R$ 144 mil. O sistema aproveita a água da chuva, coletada por uma calha instalada no beiral do telhado, e depositada num reservatório de fibra de vidro. Depois, a água é colocada em garrafas plásticas, de dois litros (com uma parte pintada de preto), que ficam expostas ao sol, durante seis horas, para eliminar os microorganismos patogênicos. O serviço foi executado em parceria com a Pastoral da Igreja Católica, Cáritas Metropolitana de Belém, que trouxe do nordeste brasileiro a tecnologia. A população ribeirinha aprovou a experiência, que agora está sendo instalada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedurb) em várias ilhas, cujo terreno é

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moradores das ilhas, que vivem do extrativismo vegetal e da pesca.

Ela enfatizou que o governo paraense está empenhado em reduzir o dramático quadro de saneamento herdado, já que 52% da população do Estado não conta com água tratada. “É uma contradição. Vivemos na região onde está a maior bacia

Kit escolar A governadora também aproveitou para fazer a entrega de kit escolar a 40 alunos do Anexo Urubuoca da Escola Marta da Conceição, que também recebeu novas carteiras para as salas de aula e transporte escolar fluvial. A estudante Simone Beatriz César Mendes agradeceu os benefícios e lembrou que, antes do barco escolar, as crianças “viajavam em casquinho quase alagando”, referindo-se a pequenas canoas, utilizadas nas ilhas de Belém, ou se deslocavam pelas margens da ilha, com lama no meio da perna.

Utilizando a água potável, captada pelos novos microssistemas de abastecimento


Na entrega dos Kits Escolares O diácono João Bosco, presidente da Karitas Belém, participou da entrega dos Kits Escolares e da inauguração do Sistema de Abastecimento de Água

Inaugurando o novo Sistema Alternativo de Abastecimento de Água por Energia Solar da Ilha do Urubuoca

hidrográfica do planeta e padecemos de falta de água potável. Nós estamos mudando isso com o programa Água para Todos”, declarou. Ana Júlia Carepa citou a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), que em 38 anos de existência contabiliza apenas 400 mil ligações em todo o Estado. A meta do governo é atingir metade do que foi feito em quase quatro décadas - 200 mil ligações de água potável. A governadora anunciou que vai mandar providenciar a instalação de uma brinquedoteca na escola, uma das reivindicações apresentadas pela estudante Simone Mendes. Participaram também da solenidade na ilha de Urubuoca a secretária de Desenvolvimento Urbano e Regional, Suely Oliveira; o secretário adjunto da Secretaria de Educação, Fernando Azevedo, e o presidente da Cáritas Metropolitana, João Bosco Chaves. Dom Orani agradeceu à governadora Ana Júlia Carepa o empenho em levar melhorias à população da ilha

Agradecendo os kits, o barco e a água potável, que chegaram à ilha para dar mais qualidade de vida aos moradores de Urubuoca

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Acyr CASTRO

Conversa com o meu Bispo

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osso amado Arcebispo Metropolitano está nos deixando para ocupar a Arquidiocese da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Diretor de Cultura da Conferência Nacional de Bispos do Brasil, ganham Rio de Janeiro, a CNBB e o povo do Rio com essa transferência. Perdemos nós esta sofrida Santa Maria das Graças de Belém do Grão-Pará e o povo desta Capital tão necessitada de cada vez mais, maior e melhor evangelização, a fim de manter, de pé e altaneira, o amor de Jesus o Cristo de Deus e do Divino Espírito Santo. Conheço pessoalmente Dom Orani João Tempesta e sei de sua maravilhosa ação pastoral que não é, única e exclusivamente, religiosa mas está também à altura das responsabilidades voltadas, permanentemente, para a população em volta, com atenção especial em direção aos mais pobres, carentes e que necessitam tanto de oração e de alimento que curem tanto a alma quanto o corpo. O decreto de nomeação de Dom Orani João para o Arcebispado do Rio, uma escolha pessoal do Papa, é sinal de quanto não apenas Sua Santidade Bento XVI mas o Vaticano respeitam e honram o Bispo que, neste 19 de abril, parte para assumir novas e tão vastas atribuições na grande metrópole pontilhada de mil e umas dificuldades espirituais, morais e físicas. Perdemos os paraenses, ganham nossos irmãos cariocas com a posse do novo representante da nossa Igreja muitas vezes incompreendida e negada, atacada por quantos proliferam nos males, pecados e dores sobretudo os movidos pelo ódio, o preconceito, a violência tanto urbana quanto rural, quer no tamanho do

Estado quer na continuidade desses males. A extensão desses problemas deve preocupar Dom Orani que ora nos deixa para encarar outros talvez até piores no centro cultural do hoje amargo povo brasileiro infelizmente infelicitado pelas mazelas que o fazem mendigar e explodir em revoltas aqui e ali. Gostaria de expressar ao Bispo que sai meus sentimentos de profunda saudade e, por incrível que pareça, de alegria já que há possibilidades e até indícios, que possa ele chegar ao Cardinalato. De Arcebispo a Cardeal, a promoção é lógica e conseqüência do muito trabalho e de muito suor para fazer chegar aos povos de Deus o amor e a caridade de Jesus. Daqui, deste cantinho de página da querida revista Pará +, modelo da coerência e do denodo dos amigos Ronaldo e Rodrigo Hühn, transmito, ao querido Dom Orani João Tempesta, a solidariedade e a gratidão da família Paiva Pereira de Castro que tanto lhe pertencem por direito de conquista e de ação constante exercida no decorrer desses anos todos em que esteve entre nós, comungando conosco das sofrências nossas. São pobres e humildes as palavras aqui sofridas, porém que fluem do coração e falam de uma fidelidade e de uma ternura que ainda criança aprendi em casa sob os auspícios de minha madrinha de batismo, Nossa Senhora Auxiliadora. Que Dom Orani entenda, se soube eu explicar o que se derrama do fundo de minha alma o quanto lhe devemos e a todos nos une no amor católico e na unidade da paixão, na Semana Santa que marca o início de uma vida nova enquanto aguardamos, com certeza,a chegada do Cristo Salvador. Receba o abraço sincero e comovido para o novo chegar do Ministério que ajudará o Rio como ajudou Belém. E a sua população antecipadamente agradece. Com todo respeito e afetuosamente, subscrevo-me certo da sua vitória. Que o Pai, o Filho e o Santo Espírito o inspirem nas funções que passará a ocupar a partir do dia 19 de abril. Até já, até breve, Dom Orani. Que Deus o acompanhe na jornada, nova cruzada em favor da paz, e da Palavra de Jesus, de Nossa Senhora e de Todos os Santos, em nome do povo quão parecido tanto em suas igualdades como nas suas dessemelhanças. Aceite tais expressões de quem aprendeu a respeitar-lhe e a querer-lhe bem. Aqui permaneço, cheio de agradecimento e consideração. Seja feliz, a nova tarefa vai certo, distinto amigo. Seu sempre Acyr Castro (*) Jornalista e Escritor

Até já, até breve, Dom Orani

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Camillo VIANNA

Um brasileiro que entendeu a Amazônia permanência de D. Orani João Tempesta como Arcebispo de Belém, agora transferido pelo Papa Bento XVI à Arquidiocese do Rio de Janeiro, uma das unidades federativas mais conflituosas do Brasil, teve apenas quatro anos de duração, porém deixou legado extremamente consolidado e diversificado, mostrando os novos rumos da Igreja. D. Orani arregimentou em torno de si devotos que estavam meio desesperançados, apesar do empenho de seu antecessor, D. Vicente Zico, que na realidade deixou preparado o suporte básico para o apostolado de D. Orani, a igreja que passa por acelerado desenvolvimento frente a outras ramificações cristãs que não fazem citações em suas orações à Mãe de Deus, centro maior das pregações do incansável Pastor. Aos primeiros contatos com o seu povo D. Orani pareceu-nos pouco comunicativo. Ledo engano, pois antes de chegar a estas paragens ele já estava sob a guarda e proteção de Nossa Senhora de Nazaré, que no Pará recebe as honras de Chefe de Estado, merecendo também, em solenidades oficiais, as honras, com a presença obrigatória de Guarda de Honra, formada por cadetes da Polícia Militar do Estado, em uniforme de gala. Foi tão rápida a integração de D. Orani ao âmago de nossas raízes culturais que sua passagem será marcada como a de um brasileiro que entendeu e valorizou a Amazônia e os amazônidas. Sensibilizado com a religiosidade dos romeiros que acompanham o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ao tomar conhecimento de grupos de promesseiros que chegam do interior após caminharem a pé por vários dias, enfrentando sol e “chuva de cabeceira” como dizia meu amigo João Cabeça, e ao chegar a Belém, muitos não tinham onde se agasalhar, D. Orani reuniu-se com integrantes do clero, devotos, empresários interessados em colaborar no que seria o projeto Casa de Plácido, que

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Plantando muda de cedro na praça Frei Caetano Brandão, em frente a Sé Catedral

consistia na construção de um local para agasalhar aqueles que ficavam ao relento antes e depois da peregrinação. Na casa receberiam alimentos, agasalhos, cuidados médicos, atenção social, lazer, etc. Graças a aceitação e grande colaboração de devotos de vários segmentos da sociedade, D. Orani realizou seu sonho e dos dirigentes da paróquia de Nazaré, devendo estar em Belém no dia da inauguração da obra, prevista para o próximo mês de maio. A Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (SOPREN), desde de 1968 luta pela preservação do meio ambiente, cultura popular e valorização do homem da região, teve em D. Orani, parceiro muitas vezes presente: em cerimônia realizada no bosque Rodrigues Alves, recebeu muda de andiroba (Carapa guianenses) madeira nobre e de muita importância na medicina artesanal; em outra ocasião plantou muda de cedro juntamente com Tatiana Sá, presidente da EMBRAPA, na ocasião, e com Noemi Leão, pesquisadora da EMBRAPA, na praça Frei Caetano Brandão, em frente a Sé, Catedral. Por sugestão e com a participação ativa de D. Orani, foram distribuídas um milhão de sementes - doadas pela EMBRAPA e SOPREN que as encaminhou para as Dioceses e Prelazias do Brasil e, particularmente da Amazônia. A SOPREN costuma homenagear seus grande colaboradores, desde lavradores, pescadores, seringueiros, pesquisadores, universitários. Durante a sua visita a Belém o Papa João Paulo II recebeu o diploma de Mestre Preservador da SOPREN. D. Orani será também homenageado com o título, e pela sua atuação entre nos jamais será esquecido pelo povo amazônida. *SOPREN/SOBRAMES


Belém sediará conferência sobre educação de jovens e adultos, será a CONFINTEA VI

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Sexta edição da Conferência Internacional de Educação de Jovens e Adultos - CONFINTEA VI - acontecerá de 19 a 22 de maio, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Trata-se de um evento da UNESCO - organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - que teve a Secretaria de Estado de Educação como principal articuladora para trazê-la ao Pará. Os detalhes do evento foram expostos à governadora Ana Júlia Carepa, no Palácio dos Despachos, por uma comissão da UNESCO. Segundo o diretor-geral da UNESCO no Brasil, Vicent Defourny, o objetivo da CONFINTEA, que pela primeira vez acontecerá no Brasil, é “discutir o estado da arte da educação de jovens e adultos em nível mundial e debater as orientações e políticas de educação para a próxima década”. A CONFINTEA é realizada a cada 12 anos, em diferentes regiões do planeta. É a primeira vez que a CONFINTEA acontece no hemisfério Sul e em um país em desenvolvimento, como o Brasil. Para o encontro em Belém, até o momento, informou o especialista em Educação da UNESCO, Timothy Ireland, já estão confirmadas as participações de 106 países e 62 ministros de educação. “Estamos na expectativa de ter mais participantes. Um bom número seria algo em torno de 170 países”, estimou Ireland.

Fotos: Eunice Pinto/AgPa e Elivaldo Pamplona/Comus

computadores nas escolas, quer seja para o aprimoramento de seus estudos, pesquisando ou se comunicando com o resto do mundo”, destacou a governadora, definindo a internet como uma “fantástica ferramenta de inúmeras possibilidades” para a educação.

Segurança Preocupado com a segurança durante a realização do evento, o diretor-geral da UNESCO perguntou à governadora como o Estado do Pará procederá nessa questão. “Não haverá problema, visto que o desempenho das forças de segurança do Estado, com o apoio da Força Nacional, foi um sucesso durante o Fórum Social Mundial”, frisou Ana Júlia Carepa, ao se referir ao grande encontro mundial realizado no início deste ano em Belém, do qual participaram mais de 100 mil pessoas, dos mais diferentes países. Vicent Defourny quis saber sobre a possibilidade de a Força Nacional colaborar em mais este evento. A governadora disse ao diretor-geral da UNESCO que solicitará ao Ministério da Justiça não só a prorrogação da permanência da Força Nacional, como também o aumento do efetivo, para

A governadora Ana Júlia Carepa e o diretor da UNESCO, Vicent Defourny no Palácio dos Despachos

garantir a tranquilidade dos participantes da CONFINTEAVI. A secretária de Educação, Iracy Gallo, destacou a importância que um evento dessa natureza representa para o Brasil. “Temos uma dívida com a educação dos jovens e adultos neste país. Com esta conferência, é possível pautar a educação em um ponto em que não haja mais retorno”, disse ela. Também participaram da audiência o representante do Ministério da Educação, Jorge Telles; o secretário-adjunto de Gestão, Jorge Azevedo, e Cincinato Souza Jr, da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

O Diretor da Unesco na PMB O prefeito de Belém, Duciomar Costa,

Avanços A governadora Ana Júlia Carepa listou aos representantes da UNESCO alguns dos avanços que o governo do Estado tem conseguido na área da educação, com a criação de cidades digitais, inauguração de Infocentros – por meio do maior programa de inclusão digital do país, o Navegapará –, reformas de escolas, aquisição de materiais escolares e investimento na qualificação de professores. “É muito gratificante ver a alegria, não só dos jovens alunos, mas também dos estudantes adultos, usando os

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Vicent Defourny, da UNESCO e comitiva, definiu com a governadora Ana Júlia Carepa os detalhes da VI Conferência Internacional de Educação de Jovens e Adultos – CONFINTEA, que pela primeira vez acontecerá no Brasil


CONFINTEA Brasil - 2009

A secretária Iracy Gallo destacou ao representante da UNESCO a importância do evento para a educação de jovens e adultos

recebeu a visita do diretor da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, e do coordenador da CONFINTEA - Conferência Internacional de Educação de Adultos, professor Timothy Ireland. Durante o encontro Duciomar foi convidado a participar do evento, que acontecerá em Belém no período de 19 a 22 de maio.

VI

A CONFINTEA é uma conferência intergovernamental, realizada pela primeira vez em 1949, que conta com representantes da maioria dos 193 países membros da Organização. Esta é a primeira vez que a Conferência se realiza em um país do hemisfério Sul. As cinco edições anteriores foram realizadas em Elsinore (Dinamarca, 1949), Montreal (Canadá, 1960), Tóquio (Japão, 1972), Paris (França, 1985) e Hamburgo (Alemanha, 1997). A Sexta Conferência Internacional da UNESCO em Educação de Adultos - CONFINTEA VI, que acontecerá em maio de 2009, no Brasil, visa a promover o reconhecimento da educação e aprendizagem de jovens e adultos como um fator importante e condutor para a capacidade de aprendizagem ao longo da vida e a Conferência também tem por objetivo permitir um exame global da situação da educação e da aprendizagem de jovens e adultos (EJA). A CONFINTEA VI dará ênfase às novas questões políticas, culturais, sociais e econômicas vinculadas à educação e ao desenvolvimento internacionais, como a Educação para Todos (EPT), os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), a Década das Nações Unidas para a Alfabetização [UNLD - United Nations Literacy Decade], a Iniciativa de Alfabetização para o Empoderamento [LIFE - Literacy Initiative for Empowerement] e a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS). A Conferência deverá também produzir ferramentas que permitam garantir aplicações dos compromissos assumidos em favor da EJA.

Duciomar Costa conversando com o diretor da Unesco no Brasil

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A verdade e o balanço real sobre os conflitos agrários

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Força Nacional de Segurança (FNS) já se encontra em Belém para reforçar as ações de segurança na capital paraense e permitir o deslocamento de policiais militares ao interior do Estado, disse-nos o chefe da Casa Civil da Governadoria, Cláudio Puty. Ele reafirmou a determinação do Executivo em dar continuidade ao cumprimento das decisões judiciais, promovendo as reintegrações de posse com uso de estratégia pacífica. O governo do Pará encaminhou ofício ao Ministério da Justiça, dia 2 de abril pedindo a permanência da tropa, que estava na cidade desde janeiro deste ano devido à realização do Fórum Social Mundial, e ainda a duplicação do efetivo. Mas, c o m o o Ministério teve 42% dos recursos orçamentários O chefe da Casa Civil Cláudio Puty ressaltou que, com a Força Nacional previstos para o em Belém, o governo enviará mais ano de 2009 PMs ao interior sem prejudicar o contingência dos policiamento na capital no último dia 09, não foi possível atender integralmente a solicitação. Inicialmente, a FNS deveria apoiar as ações de segurança para a VI Conferência Internacional de Educação de Jovens e Adultos – CONFINTEA, que ocorrerá entre os dias 19 e 22 de maio em Belém, com a presença de cerca 150 Ministros de Educação de todo o mundo. Porém, informou Cláudio Puty, houve nova negociação entre as duas esferas de governo, em decorrência dos fatos A Força Nacional de Segurança já se encontra em Belém

Fotos: Eunice Pinto/Ag Pa

ocorridos recentemente no Estado: o assassinato do sindicalista Raimundo Nonato do Carmo, em Tucuruí, e o conflito ocorrido na fazenda Espírito Santo, no município de Xinguara, entre seguranças particulares e trabalhadores rurais sem-terra. “Sempre que precisamos fortalecer o policiamento no sul do Pará temos de retirar efetivo da capital, o que fragiliza a segurança na capital. Às vezes, dos 500 policiais que atuam em Belém, precisamos retirar 200. Com a presença da FNS, os policiais militares, mais experientes e agora mais capacitados em conflitos agrários, poderão ser deslocados sem prejudicar o policiamento em Belém”, explicou Puty.

Avanços Cláudio Puty enfatizou que o Estado tem avançado no processo de cumprimento das decisões judiciais e aparelhamento do sistema de segurança pública. “Recebemos do governo anterior um saldo de 170 reintegrações de posse. Nós, de 2007 até hoje, já fizemos cerca de 70, 56 delas só na área rural”, citou. Ele reafirmou também que o governo optou pelo respeito aos direitos humanos e a legalidade como princípios norteadores de suas ações. Números divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) refletem isso. “Entre os anos de 2002 e 2006 foram cerca de 50 mortes por conflitos no campo. De 2007 até hoje não chegam a dez”, ressaltou. O Pará ainda enfrenta um déficit considerável no número de policiais. “Foram 10 anos sem concurso para a PM, enquanto a população crescia geometricamente. Tínhamos um efetivo de 10 mil homens, em 2007, quando

deveríamos ter 25 mil. De lá pra cá, fizemos concurso e treinamos 1.500 homens e novo concurso já foi feito este ano”, frisou Puty. Ele lembrou ainda, que foram criadas duas delegacias de conflitos agrários, uma em Redenção e outra em Marabá (ambas no sul do Estado), além da Defensoria Agrária, num esforço de montar um sistema público mais eficiente na prevenção e no combate a conflitos fundiários.

Na ALEPA No plenário da AL, o PT apresentou requerimento que se guirá para a Procuradoria em nome de toda a Assembleia Legislativa do Pará, ou seja, será assumido por todos os 41 deputados. No documento, a bancada do PT: chama atenção para o fato de que uma intervenção no Pará seria “um ato extremo em um país federativo como o Brasil". Para a líder da, b a n c a d a , d eputada Regina Barata, o que está havendo na prática é uma intervenção no Pará, promovida " p o r u m a pecuarista e senadora de outro Estado, em uma Dep. Airton Faleiro, intromissão líder do governo indevida e incabida ". Para o deputado Airton Faleiro, líder do governo na Assembleia: “A Kátia Abreu, confunde os papéis de presidente do CNA com o de senadora de partido de oposição ao governo Lula. Ela está incitando a violência aqui no Pará”. “O Estado entende como natural o papel do CNA de cobrar as reintegrações de posse. Esse é um papel legítimo, mas quem está pedindo o impedimento da governadora não é a presidente, mas a senadora do DEM”, disse Faleiro. AAssembleia – posição e oposição, unida em consenso – não concorda com a atitude de KátiaAbreu. A bancada federal também reagiu e abomina a intromissão de quem está fazendo “proselitismo político”. Para a OAB, nem CNA nem a senadora, têm legitimidade no assunto.


por Ascom/Sagri

Novidades da Frutal Amazônia e do Flor Pará

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omeçam a se intensificar os preparativos para a Frutal Amazônia e o Flor Pará 2009, feiras que serão realizadas no período de 25 a 28 de junho, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, sob a coordenação da Secretaria Estadual de Agricultura - SAGRI. Os eventos fazem parte dos calendários estadual e nacional de exposição e comercialização de frutas e flores e, todos os anos, colocam o Pará num grande centro de debates sobre o que há de mais moderno no que se refere à produção, à agroindústria e à comercialização dentro dos setores. Como ocorreu nos últimos dois anos, os agricultores familiares terão destaque especial no evento. Uma ampla programação foi elaborada para assegurar a participação desse segmento em todas as atividades que ocorrerão paralelas às exposições. Entre as atividades, está a realização de nove cursos técnicos, que contarão anda com a participação de técnicos dos órgãos agrícolas, estudantes e jovens rurais. “Com os cursos, queremos melhorar a qualidade da produção no campo, com ênfase na agricultura familiar”, afirma o diretor técnico da SAGRI, MarceloAlves.

Açaí e Cacau Uma novidade da FRUTAL este ano será a realização dos Seminários do Açaí e do Cacau, culturas que apresentam grande potencial no Estado. Os Seminários irão reunir os agricultores das principais

Fotos: Elcimar Neves e Lucivaldo Sena /Ag Pa

Começam a se intensificar os preparativos para a Frutal Amazônia e o Flor Pará 2009

regiões produtoras das frutas. No caso do açaí, as regiões em destaque serão o Tocantins e o Marajó e, no que se refere ao cacau, as regiões são o Xingu, Tocantins e Sul do Pará. No evento, o foco serão as discussões sobre a cadeia produtiva das culturas, inclusive, com a realização, pela primeira vez no Pará, da reunião da Câmara Nacional do Cacau. Durante a programação, também, será fundada a Federação das Cooperativas de Agricultores Familiares do Baixo Tocantins, com a finalidade de fortalecer o associativismo local. Inclusa na programação está, ainda, o lançamento da Festa do Cacau 2009, que este ano sairá da região da Transamazônica e irá para o Sul do Pará. O município escolhido foi Tucumã por vir se destacando na produção da fruta. Na ocasião, será lançada também a Festa Estadual doAçaí.

Programação intensa A Frutal Amazônia e o Flor Pará terão uma intensa programação. Além das exposições de frutas e flores nos cerca de 300 estandes que estarão espalhados nas feiras, os eventos terão seminários, debates, cursos, rodadas de negócios e até um parque tecnológico com a apresentação de experiências que deram certo no campo. No primeiro dia, haverá o Seminário de

Gestão dos Conselhos de Desenvolvimento Rural Sustentável, com a participação de 240 conselheiros municipais, representando o governo e a sociedade civil dos municípios paraenses que possuem o Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável. No segundo dia, serão apresentados relatos de experiências dos trabalhos dos conselhos dos Estados do Pará, Paraná eAmazonas. No terceiro e último dia, ocorrerá uma série de palestras voltadas à melhoria dos Arranjos Produtivos Locais (APL) ligados à fruticultura; à questão fundiária do Pará; ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e à comercialização de produtos da agricultura familiar. Paralelo, um parque tecnológico será montado para mostrar várias experiências bem sucedidas de agroindústria no segmento da agricultura familiar. No local, por exemplo, será montada uma Casa de Farinha, em que os visitantes poderão acompanhar como ocorre a produção da farinha de mandioca e até saborear o produto. No espaço da Unidade Agropecuária da SAGRI, emAnanindeua, será ofertado no período da FRUTAL um curso de produção de doces e compotas, que depois serão expostos e comercializados no evento. “Com essa programação, a SAGRI, contempla toda a cadeia produtiva da fruticultura”, reforça MarceloAlves.

A Frutal Amazônia e o Flor Pará terão uma intensa programação

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Recomposição florestal com prazo ampliado

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secretário de Estado de Meio Ambiente, Valmir Ortega, entregou ao Dep. Domingos Juvenil, presidente da Assembléia Legislativa do Pará (Alepa), o Projeto de Lei de iniciativa do Executivo, alterando dispositivos da Lei Estadual 6.462, de 4 de julho de 2002, que trata da recomposição da reserva florestal, na presença de políticos, representantes do setor produtivo rural e de organizações não governamentais ambientalistas. O Executivo propõe alteração de dois artigos da lei anterior. A nova redação determina “recompor a reserva florestal legal mediante plantio ou condução da regeneração, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária a sua complementação, com espécies nativas ou exóticas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente”. A atual legislação, que define a área de reserva legal em 80% do total da propriedade, prevê um prazo de nove anos para a recuperação total da reserva legal que tenha sido desmatada. Com a proposta do governo, os produtores rurais terão 30 anos para recompor a floresta. “Este projeto garante segurança jurídica para que os produtores rurais possam fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR) sem medo de serem punidos com multa”, disse Valmir Ortega. O secretário afirmou

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Foto: Ronny Marcelino e Cláudio Santos/AgPa

Valmir Ortega, secretário de Meio Ambiente, entrega ao Dep. Domingos Juvenil, presidente da ALEPA, o Projeto de Lei de iniciativa do Executivo

que a atual legislação, além de prever apenas nove anos para a recomposição florestal, pune com multa no ato do cadastro rural, quando constatado o desmatamento na área de reserva legal. Com a nova legislação, o governo garante, por etapas de três anos, a recomposição gradual das áreas antropizadas (que sofreram alteração em suas características originais pela ação do homem).

Regularização O segundo artigo a ser mudado ficará, segundo o projeto, com a seguinte

redação: “A regularização mediante recomposição por meio de plantio ou condução da regeneração pode ser implementada em até 10 (dez) etapas consecutivas de recuperação da vegetação da reserva legal, em área equivalente a no mínimo 10 por cento do total do passivo em cada período de 3 (três anos) e deve ser formalizada mediante a celebração entre o interessado e o órgão ambiental estadual, de sucessivos termos de compromisso correspondente a cada etapa”. “Somente será celebrado o termo de compromisso da etapa subsequente quando for constatada a efetiva


recomposição ou regeneração da área correspondente à etapa em curso, mediante apresentação de laudo técnico pelo interessado e vistoria em campo feita por técnico do órgão ambiental ou por conferência de imagens de satélite em escala e resolução apropriadas”, frisa a governadora Ana Júlia Carepa, na minuta do projeto de lei entregue à Assembléia Legislativa. Dados não oficiais mostram que o Pará tem cerca de 250 mil propriedades rurais e o cadastro rural daria consistência a esses números. Os pequenos produtores, que correspondem a aproximadamente 220 mil proprietários, terão os custos de fiscalização nas áreas custeados pelo governo do Estado. Os grandes proprietários, em torno de 30 mil, pagarão suas próprias despesas.

Consenso O projeto deve ter trâmite rápido na Assembléia Legislativa, devendo ser votado ainda no primeiro semestre, Na ocasião da entrega do Projeto de Lei que trata da recomposição da reserva floresta

porque há consenso de sua viabilidade por parte dos setores produtivos e ambientalistas. “Se há diálogo entre o setor produtivo e o governo, isso vai dar mais velocidade ao projeto“, afirmou o presidente da Alepa, Domingos Juvenil. “Nós estamos nos entendendo e concordamos em 90% com o projeto”, ressaltou o presidente da Federação da Agricultura no Estado do Pará (Faepa), Carlos Xavier. O deputado Bosco Gabriel (PSDB) disse que, “como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, posso fazer um parecer rápido, para que o

projeto seja logo votado”. “A ideia do projeto é boa e, a princípio, não temos nada contra o que está escrito”, disse Justiniano Neto, da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). O representante do Instituto do Homem e do Meio Ambiente (Imazon), Adalberto Veríssimo, reforçou o consenso. “Estamos, de fato, criando condições para melhorar a economia do Estado e garantindo o cadastro rural”, disse ele. Segundo o deputado estadual Aírton Faleiro, líder do Governo na Alepa, “nós estamos caminhando para fazer uma força tarefa que ajudará a resolver os problemas ambientais do Estado”.

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Green Talents estimula tecnologias sustentáveis

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BMBF (Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha) inscreve até 31 de maio para o concurso "Green Ta l e n t s - T h e International Forum for High Potentials in Green Technologies". Podem participar jovens cientistas e pesquisadores que se dedicam à busca e desenvolvimento de tecnologias ambientais sustentáveis. Serão selecionados 15 jovens cientistas de todo o mundo para participar de um programa de intercâmbio exclusivo na Alemanha, que irá estimular a ampliação de redes de pesquisa. Durante uma semana, os selecionados irão viajar pela Alemanha e terão a chance de se informar sobre instituições e empresas alemãs. Nelas, poderão conversar com os interlocutores e planejar formas concretas de cooperação.

Para participar do concurso, os jovens devem ter até 35 anos e mestrado com nota acima da média È também preciso realizar a inscrição no site do programa. Além disso, é preciso enviar o currículo, uma carta de recomendação e explicar, em no máximo duas páginas, os motivos para a participação, o que espera do programa e como a participação no projeto irá contribuir para o futuro de sua carreira. Os vencedores, escolhidos com base em seu perfil científico e no interesse em cooperar com parceiros alemães, participarão, durante um semana, do Fórum Científico Internacional que vai acontecer no mês de setembro na Alemanha. Além disso, eles poderão apresentar sua própria pesquisa durante o Fórum. Um júri de alto nível, formado por cientistas alemães, decidirá quem participará desta iniciativa.

Os interessados devem enviar currículo, carta de recomendação e texto que explique seu interesse pelo "Green Talents" – todos em inglês – até o dia 31 de maio para o endereço greentalents@research-in-germany.de. Todas as informações, assim como o edital do programa estão disponíveis no site www.research-in-germany.de/greentalents.

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31ª Olimpíada Brasileira de Matemática Não há divisão em modalidades: todos os participantes de um mesmo nível fazem a mesma prova e a premiação é distribuída segundo percentuais de acerto. Os resultados serão divulgados em dezembro. Os vencedores da 31ª OBM serão convidados a participar, em janeiro de 2010, da 13ª Semana Olímpica. A partir do torneio nacional são selecionadas as equipes que representarão o Brasil nas diversas olimpíadas internacionais. A OBM é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática

(SBM) e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). O evento tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto do Milênio Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira e da Academia Brasileira de Ciências. Universidades que desejam participar deverão entrar em contato peloe-mail: cadastro.obm@impa.br com o assunto Nível universitário. Mais informações: www.obm.org.br

Olimpíada Brasileira de Matemática

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s inscrições da 31ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) estarão abertas até o dia 5 de maio para colégios das redes pública e particular. As instituições interessadas devem se cadastrar pelo site da olimpíada. A participação dos estudantes na OBM é dividida em quatro níveis. A primeira fase será realizada no dia 6 de junho, a segunda fase dia 12 de setembro e a terceira fase nos dias 17 e 18 de outubro.

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por RICARDO JORDÃO MAGALHÃES

10 anos NO DIA

MUNDIAL

"As pessoas sempre querem saber por que eu escrevo o que eu escrevo, por que eu escrevo tantas coisas terríveis e macabras. Eu gosto de dizer a elas que eu tenho o coração de um garoto... e o mantenho preso dentro de uma jarra em cima da minha mesa."

DO LIVRO

E

Querida(o)Amiga(o), u quero ser um grande escritor desde que me conheço por gente. Mas, desde que me conheço por gente me pergunto se realmente tenho alguma habilidade especial ou dom além da conta para me tornar um verdadeiro talento na escrita. Será que sirvo para a coisa? Não sei. Mas fui atrás para descobrir. Desde que me conheço por gente procuro ler e estudar a vida dos grandes autores que admiro. Será que eles nasceram com algum dom especial? Será que eles comeram alguma sopa especial quando crianças? Quais livros eles leram, quais foram suas inspirações, será que eles praticavam algum tipo de ritual para conseguir escrever? Li a biografia de grandes autores, desde tratados sobre Shakespeare passando por Agatha Christie, Ayn Rand até Mark Twain e Fernando Sabino. Há anos assino revistas sobre a vida de grandes autores, sobre como fazer livros, blá blá blá. Leio todo tipo de entrevista e assisto a todo tipo de palestra que autores de verdade fazem por aí.

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O que eu descobri? Nenhum deles acredita que nasceu com algum dom especial. Eles simplesmente acreditam que é preciso trabalhar duro para escrever um livro. Muitos deles, mesmo alguns muito famosos como Stephen King, chegam a afirmar que o parto de um novo livro é tão doloroso quanto o nascimento do primeiro livro. Não existe mágica. Não existe talento nenhum, apenas muito trabalho duro. Na biografia de Agatha Christie, que li quando tinha uns 10 anos, ela disse para uma repórter, "O quê é preciso para ser uma grande escritora? Minha cara, pela minha experiência, eu precisei de 10 anos para escrever um livro que eu considero soberbo". Muitos anos se passaram. Uns dez anos atrás, lendo uma entrevista de Stephen King para uma revista gringa, eu escuto: "São necessários 10 anos para uma pessoa normal se transformar em um escritor que mereça ser lido por milhares de pessoas. Escreva todos os dias durante 10 anos da sua vida e provavelmente você será um escritor relevante". 10 anos. De novo.

Stephen King

Já fazia algum tempo que não ouvia ninguém mais mencionar a regra dos 10 anos. Será que perdera a validade? Nãooo, eis que a regra surge novamente. Outliers, de Malcon Gladwell, é um livro muito bacana. Ele pertence ao time dos livros sobre negócios que ainda fazem algum sentido nos dias de hoje: livros pragmáticos que vendem idéias baseadas em pesquisas, experimentos, fatos concretos etc. De uma certa maneira, Outliers é do time do Good to Great do Jim Collins. A palavra Outliers não tem uma tradução


perfeita para o português, uma das traduções mais próximas seria Excepcional, Fora de Série etc. O livro procura levantar a lebre sobre o que transforma um ser humano como eu e você em um cara fora de série. É preciso nascer fora de série? É preciso ter pais fora de série? É preciso viver em um país fora de série? O talento inato existe? No início da década de 90, o psicólogo K. Anders Ericsoon e dois colegas realizaram o estudo Exhibit A numa instituição de alto nível, a Academia de Música de Berlim. Com a ajuda de professores, formaram três grupos com os violinistas da escola. No primeiro ficaram as estrelas, os alunos que tinham potencial para se tornar solitas de nível internacional. No segundo, foram reunidos aqueles considerados apenas "bons". No terceiro, estavam os estudantes que dificilmente chegariam a tocar como profissionais, mas que pretendiam se tornar professores de música. Todos eles tiveram que responder à seguinte pergunta: ao longo da sua carreira, quantas horas você praticou?

O quê é preciso para ser uma grande escritora?

Todos os violinistas começaram a tocar mais ou menos na mesma época, em torno dos cinco anos de idade. Nessa fase inicial, praticavam por um tempo quase idêntico - duas a três horas por semana. Por volta dos oito anos, diferenças reais começaram a surgir. Os alunos que acabariam se revelando os melhores das suas turmas passaram a se dedicar mais do que todos os outros: seis horas por semana aos nove anos, oito horas por semana aos 12 anos, 16 horas por semana aos 14 anos e, cada vez mais. Aos 20 anos, estavam praticando - isto é, tocando de forma compenetrada com o objetivo de melhorar - bem mais do que 30 horas semanais. Nessa idade, os melhores músicos, os do primeiro grupo, haviam totalizado 10 mil horas de treinamento em sua vida; os meramente bons, oito mil horas; e os futuros professores de música, pouco mais de quatro mil horas. Ericsson e seus colegas compararam depois pianistas amadores com pianistas profissionais. Identificaram um padrão idêntico. Os amadores nunca haviam praticado mais do que cerca de três horas por semana durante a infância. Assim, aos 20 anos, totalizaram duas mil horas de prática. Os profissionais, por outro lado, foram aumentando o tempo de treinamento a cada ano até que, aos 20 anos, chegaram também a 10 mil horas. O fato surpreendente nesse estudo é que Ericsson e seus colegas não encontraram nenhum "talento natural" - músicos que tenham sido capazes de chegar ao topo sem esforço, praticando somente uma fração do tempo dos colegas. Eles também não identificaram alunos que, embora se empenhassem mais do que os outros, não tenham conseguido ficar entre os melhores. Essa pesquisa indicou que, quando uma pessoa tem capacidade suficiente para ingressar numa escola de música de alto nível, o que a distingue dos demais estudantes é o seu grau de esforço.

Uns dez anos atrás, lendo uma entrevista de Stephen King para uma revista gringa, eu escuto: "São necessários 10 anos para uma pessoa normal se transformar em um escritor"

É exatamente isso. E mais: quem está no alto não apenas se dedica mais do que os outros - dedica-se muito mais do que os outros. Essa regra sempre fez muito sentido para mim, e nunca saiu da minha cabeça. Agatha Christie, Stephen King, 10 anos, 10 mil horas. Coloquei esse número como meta anos atrás e comecei a escrever todos os dias. Isso foi há mais ou menos 10 anos. Tá chegando a minha hora. QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você? Feliz 10 anos de QUEBRATUDO! BIZREVOLUTION E-Mail e Messenger: ricardom@bizrevolution.com.br EU SOU FÃ DO SER HUMANO! E Você?

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por Ricardo Jordão Magalhães

"Eu estou impressionado com a urgência de fazer. Saber não é o suficiente, nós precisamos aplicar o que sabemos. Ter vontade não é o suficiente, nós precisamos fazer." Leonardo Da Vinci

Querida(o)Amiga(o), eonardo Da Vinci nasceu no dia 15 de Abril no ano de 1542 como filho ilegítimo de Piero da Vinci. Da Vinci foi aprendiz de Andrea Del Verrocchio, famoso artista da época, mas logo desenvolveu o seu próprio estilo de pintura que se transformou em um alto padrão renascentista adotado vinte anos depois por Michaelangelo e Rafael. O seu trabalho principal era a pintura, mas a sua mente imaginativa e inventiva o levou a outros campos do conhecimento, tais como inventor, cientista, engenheiro,

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arquiteto, escultor, músico, matemático, anatomista, astrônomo, geólogo, biólogo e filósofo. Leonardo teve muitas idéias a frente do seu tempo. Os diários que resistiram ao tempo mostram desenhos de novos tipos de relógios, máquinas voadoras etc etc etc. Ele escreveu o primeiro livro sobre anatomia humana e foi o primeiro ser humano a compreender que a luz da Lua era um reflexo da luz do Sol. "Salas pequenas disciplinam a mente, salas grandes a enfraquecem". Da Vinci. Mas Da Vinci não completou os grandes projetos que ele desenhou em seus diários. Da Vinci pulava de um tópico para o outro

com grande velocidade, terminando pouca coisa em vida. Nem a Monalisa ele entregou. Quando


morreu, ele tinha em sua posse apenas 20 pinturas, entre elas a Monalisa. Aparentemente, ele ainda estava trabalhando nessas obras. «A pior coisa do mundo é quando você vê a teoria vencer a performance". Da Vinci. Nos dias de hoje, Da Vinci talvez fosse contratado como Chefe de Pesquisas de Alguma Universidade Famosa. Nada mais do que isso. Ele deixou muitas anotações, mas pouca coisa prática para colocar em um portfólio de verdade. Durante 35 anos, Da Vinci anotou os seus pensamentos em dezenas de diários, estima-se hoje que algo em torno de 100 volumes foram escritos. Muito se perdeu. Apenas 5 mil páginas foram preservadas, algumas delas arremetadas por Bill Gates alguns anos atrás. "Uma vez que você tenha experimentado o gosto de voar, você passará a andar pela Terra com os olhos voltados para o céu". Da Vinci Leonardo era o tipo de pessoa que hoje chamamos de "gênio". Mas ele tinha sérios problemas em focar sua mente em um único projeto por um longo período de tempo. Depois de resolver os problemas conceituais, Da Vinci perdia o interesse

pelo assunto até que alguém o cobrasse de alguma coisa. Além disso, Da Vinci fazia o tipo perfeccionista sobre detalhes mínimos que ninguém

Leonardo tinha medo do sucesso, ele nunca deu o melhor de si para nada

conseguia enxergar. Essa é uma das razões porque os seus trabalhos nunca terminavam. "Leonardo da Vinci foi um procrastinador irremediável. Leonardo tinha medo do sucesso, ele nunca deu o melhor de si para nada. Dessa maneira não existiam

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chances de falhar. É melhor sabotar-se a si mesmo do que se expôr ao ridículo." Giorgio Vasari, biógrafo de Da Vinci. Pode-se dizer que Da Vinci foi o mais famoso Ser Humano com Distúrbio do Deficit de Atenção a passar pelo planeta. Por outro lado, talvez não tenha surgido na face da Terra, alguém com tantos insights relevantes para diferentes áreas como Da Vinci. "Eu ofendi a Deus e a Raça Humana ao entregar um trabalho que não atendeu a qualidade mínima necessária. " Da Vinci, no leito de morte. Procrastinação é mais do que um defeito da nossa personalidade. É uma doença que precisa ser cuidada com carinho para não

Leonardo Da Vinci Leonardo da Vinci nasceu em 1452, na cidade de Vinci, perto de Florença, e faleceu em 1519, na França. Além de fazer muitos trabalhos artísticos, como o retrato de "Mona Lisa", "Del Giocondo", conhecida por "La Gioconda" e "A Última Ceia", foi poeta, matemático, arquiteto e engenheiro militar. Realizou desenhos e projetos em matemática, perspectiva, ótica, mecânica, balística, fortificações, hidráulica e astronomia, projetando também uma máquina para voar. Dedicou-se a vários problemas astronômicos e mostrou alguma evidência de fatos favoráveis à hipótese de que a Terra girava ao redor de seu eixo de rotação, idéia esta não aceita em sua época.

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deixar se transformar em algo mais grave. Eu penso que a melhor coisa que podemos tirar da procrastinação é a certeza do que queremos fazer na vida. Quando procrastinamos algo, é porque esse algo é a coisa mais importante para nós. Se você tem dúvidas sobre onde é bom, no que é bom, ou sobre o quê realmente deseja fazer na sua vida, basta olhar para as coisas que você está barrigando com alguma desculpa furada. Escrever diários, blogs, twitters, conversar no messenger é dú caramba, mas quais são as coisas reais que você tem entregue nos últimos tempos? NADAMENOS QUE ISSO INTERESSA! QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você? O Homem Vitruviano


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Sérgio PANDOLFO

POESIA E PÁSSAROS AMEAÇADOS

E

m que pese ser o Pará e, em particular, chamada Casa do Poeta, em Icoaraci e ao Teatro São sua capital, Belém, detentores de um Cristóvão, em Belém. dos mais ricos e diversificados A primeira é o imóvel em estilo colonial português patrimônios cultural e arquitetural, situado na “rua da frente” (Avenida Siqueira granjeados principalmente pelo fato de Mendes, 585) da antiga Vila do Pinheiro, atual ter sido este torrão brasílico, ao longo dos séculos Icoaraci, “em frente ao mar”, como diz o poeta XVII e XVIII por suas riquezas naturais, Antônio Tavernard em uma de suas mais belas representadas maximamente pelas assim poesias, intitulada “Similitudes”, que lá veio ao chamadas “drogas do sertão”, o sustentáculo mundo e morou por alguns anos, cujo centenário de maior do império luso-brasileiro, que voltou para nascimento festejamos a 10 de outubro p.p. e que cá especialmente as atenções e cuidados e, por sua reconhecida importância literária foi depois, no século XIX e início do XX, com o fastígio escolhido como patrono da XII Feira Pan-Amazônica da borracha, os sucessores desse áureo período do Livro, em setembro do ano passado. não têm sabido manter incólumes esses Tavernard é, sem ponta de dúvida, um dos nossos estupendos bens materiais e imateriais que nos poetas de primeira grandeza, em todos os tempos, Interior do imóvel que abrigava o Teatro foram legados. conquanto tenha falecido precocemente aos 27 Estamos a assistir com um misto de desânimo e São Cristóvão em estado de ruína anos de idade, na plenitude de sua capacidade perplexidade, mas também com subida indignação ao quase intelectiva e produtiva. A casa, que poderia vir a ser um ícone desaparecimento de duas importantes edificações representativas do patrimônio cultural e arquitetônico de nossa terra. Queremos nos referir à

“ preservado Patrimônio é povo

Casa em que nasceu Tavernard, em Icoaraci. “Nasci em frente ao mar./ Meu primeiro vagido misturou-se ao fragor do seu bramido.” Disse o grande vate paraense num instante sublime de seu estro poético

Antiga sede da União Beneficente dos Chauffeurs do Pará, muito degradada e ameaçada

bem educado” SerPan

representativo do vate parauara e de sua obra literária e um marcante referencial da cultura, não só da assim chamada “Vila Sorriso”, onde se constituiria em verdadeiro tesouro histórico, como no geral da terra paraense, está em ruínas e cumpre urgentemente sobre ela intervir para que não a percamos de vez. Até aqui a única intervenção do poder público que se vê é uma placa trilíngue (português, francês e inglês) com os seguintes dizeres: “Casa do Poeta Antônio Tavernard. Casarão antigo do século passado”. A outra é a antiga sede da União Beneficente dos Chauffeurs do Pará, situado na Av. Magalhães Barata, bem em frente ao Parque da Residência, na qual durante muitos anos funcionou, na parte posterior, o Teatro São Cristóvão, vulgarmente conhecido como o Teatro dos Pássaros, eis que lá era o local onde normalmente se exibiam esses conjuntos folclóricos da quadra junina, típicos de nossa região, bem como grupos de pastorinhas, bumbás e assemelhados, integrantes da cultura popular parauara, que ficam, assim, privados desse espaço acolhedor para seus folguedos. O imóvel, do início do século passado, em art déco, era belíssimo e está em lastimáveis condições de conservação, com árvores (apuizeiros, embaubeiras) tomando conta das paredes e dos vãos, ameaçando ruir a qualquer momento e totalmente saqueado de pisos, telhado, forros, equipamentos e ornamentos. Cumpre assim pressionar as ditas “autoridades competentes” para que tomem providências, necessariamente urgentes, a fim de que não nos vejamos irremediavelmente privados de mais esses dois evocativos símbolos de nossa cultura regional e de nosso patrimônio arquitetural. Vamos à luta, belenenses! Não nos deixemos abater.

(*) Médico e escritor. SOBRAMES/ABRAMES

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por GARIBALDI NICOLA PARENTE

SAKURÁ

“Em minha outra vida eu gostaria de ser flor de cerejeira” Bashô

Deixaram uma cartinha no coletor do portão da minha casa. Não tinha endereço, emissário, destinatário. No envelope lia-se apenas uma palavra: TEGAMI. Hesitei em abri-la. Após muito refletir e atendendo aos impulsos intuitivos - uma carta para todos os destinos, por mais que esteja lacrada e sem selo, é uma carta aberta e deve ser lida. Abri o envelope e…

17 sílabas sonoras distribuídas na ordem 5-7-5. Nessa forma o poeta apanha instantaneamente um momento qualquer da natureza e coloca esse evento em reduzida expressão, capta o imprevisto e penetra bem fundo nos germes das coisas. “À luz da lua nova espalham-se pelo chão flores de saber” Bashô A atenção concentra-se nos olhos, no

urpresa imediata. No centro do papel alvíssimo, apenas três versinhos tão simples e uma única inscrição “Bashô”. - É um poema! É um poema que é uma carta! A carta não está escrita. Ela surge em lampejos sensoriais, motivados no âmago da flor. A flor é para ser lida, ela é mensageira do equilíbrio e das infinitas possibilidades de alcançarmos um bom fado quando enveredamos pelo caminho certo. Então, seremos capazes de perceber o invisível no visível e de nos inspirar em coisas que nos parecem inexpressivas ou mesmo desprezíveis. Aprendo que Bashô é o pseudônimo do poeta japonês Matsuó Munefusa, singela alegoria, representação intelectual densamente figurada que nos fornece elementos do ideário poético e das concepções imagéticas do autor. Para ilustrar narro uma breve história: Ainda jovem, Matsuó, iniciante na poesia, foi visitar um amigo dileto que labutava no campo e morava numa humilde casinha rodeada de bananeiras. Ao se aproximar da morada as folhas das bananeiras pareciam saudá-lo com muita alegria. Matsuó contemplou a paisagem encantada e na sua mente descortinou-se, num átimo, ilimitado entusiasmo criativo. - De hoje em diante chamar-me-ei Bashô! Neste aludimento define-se simbolicamente no afazer literário do poeta a perspicácia de nimbar seus poemas com o anelo da intimidade combinada à natureza. As bananeiras são plantas rizomatosas, as “batatas”, caules subterrâneos que emitem raízes e ramos folíferos comumente chamados de pseudos-caules. Nos rizomas as plantas armazenam reservas nutritivas que servirão à nutrição das folhas e a frutificação. O verdadeiro caule, inaparente, está enraizado no seio

humilde e puro olhar capaz de buscar no íntimo do que se vê a altivez espacial da imagem, lugar de encontro simultâneo do princípio e do fim. Momento luminar de conjunção e eternização harmônica do real e do espiritual. Nada termina tudo recomeça. A palavra do agora transcende o tempo, todos os rizomas e a vida inteira. Bashô passou para a outra vida. Realizou seu sonho primaveril… sonho de fraternidade cultural, de nacionalidade, de esperança, de amor, de cidadania, de preservação ambiental, de profundo apreço às mulheres e à manutenção dos laços familiares… Constitui hábito dos japoneses cultivar e participar do HANAMI, evento espontâneo do povo para observar a beleza das flores de modo espiritualizado, de reunir a família sob as copas das cerejeiras floridas em causa da liberdade, da memória nacional e para cultuar uma prece ao porvir. Por ventura e fortuna, nas flores do SAKURÁ, em cada uma, mora uma princesa descida dos céus.

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da terra, pleno de energia para vivificar o que está à vista – folhas, flores e frutos. Firmado na morfologia botânica das bananeiras o poeta diz o que não quer dizer. Apenas sugere em cada verso – uma folha aberta, a luz que nos leva a acender criativamente nossas próprias candeias. Planta das famílias das rosáceas, a cerejeira contempla milhares de espécies distribuídas em várias regiões da terra. No Japão a cerejeira é ornamental, não produz frutos, oferta sementes. Viceja nos vales e campos, nos sopés dos montes. Lá a cerejeira em flor chama-se SAKURÁ. Suas flores rosadas desabrocham no mês de março e embelezam a paisagem do sul ao norte do país. A floração é efêmera e não uniforme, vai acontecendo ao longo do território nessa mesma direção, de OKINAWA à HOKAIDO em ondas móveis de alegria e emoção, contagiantes. Sua missão é ser bonita e o espetáculo simplesmente singular. Por fim, o HAIKAI é um poema curto de apenas três versos que no total perfazem


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Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Pará, reunidos nesta data, após avaliarem a conjuntura atual do Estado, vêm a público esclarecer: 1. Estão sendo tomadas efetivas providências para a garantia do Estado Democrático de Direito no Pará. 2. Como prova disso, verificamos o esforço que vem sendo feito para cumprimento das decisões judiciais acerca de reintegrações de posse no campo e na cidade. 3. As ações vêm sendo realizadas com o emprego legal da força e respeito aos direitos humanos. 4. O resultado desta postura, é que o Pará se tornou o estado brasileiro onde ocorreu a maior redução de mortes por conflitos de terra nos últimos dois anos. 5. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário continuarão atuando, de forma independente e harmônica para garantir paz, segurança e tranquilidade a todos aqueles que trabalham e produzem no Pará.

Belém, 25 de abril de 2009.

ANA JÚLIA DE VASCONCELOS CAREPA Governadora do Estado do Pará DOMINGOS JUVENIL Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará ROMULO JOSÉ FERREIRA NUNES Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará

Pará+ 89  

Especial Dom Orani

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