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Revista fevereiro 2008

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 74

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AL DE EDUCAÇÃO DU TA ES A CI ÊN ER NF CO A RUM SOCIAL MUNDIAL MOBILIZAÇÃO PARA O FO IVO INICIO DO ANO LEGISLAT


I CONFERÊNCIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO

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orgulh

PUXIRUM MOSTROU DIVERSIDADE CULTURAL PARAENSE

A ABERTURA DO ANO LEGISLATIVO NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA Domingos Juvenil destacou que 2007 foi um ano positivo. “Esta casa festeja os resultados obtidos, que deverão se repetir em 2008. Tivemos no ano passado grandes resultados para a Assembléia legislativa e, por conseqüência para o governo e o povo...

Cerca de duas mil pessoas participaram da I Conferência Estadual de Educação com representantes dos 143 municípios paraenses, participaram da discussão nos grupos de trabalho sobre o regime de colaboração e financiamento para a educação, além de escolher os delegados para a Conferência Nacional de Educação, aprofundar a discussão sobre as propostas que vão subsidiar a elaboração do Plano Estadual de Educação...

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SEMANA DE MOBILIZAÇÃO PARA O FSM

MOSQUEIRO: CONVITE AO ÓCIO VENHAM VER-A-MARAVILHA

por SÉRGIO PANDOLFO

O que pensar de um lugar chamado Mosqueiro, conhecido popularmente como “A Bucólica”? A bucólica Ilha do Mosqueiro, embora o seu nome possa induzir à imagem de um lugar entregue às moscas, é o local de veraneio preferido da maior parte da população de Belém...

por CLAUDIA NASCIMENTO

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Centenas de moradores de comunidades carentes da cidade de Belém participaram da Semana de Mobilização, no Estacionamento do Estádio Olímpico do Pará, rumo ao Fórum Social Mundial, evento que ocorrerá na capital paraense, em janeiro de 2009...

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MEMÓRIAS DO CARNAVAL DE BELÉM

A CIDADE VELHA ONTEM E HOJE

Essa exposição reuniu peças do acervo da Fumbel (Fundação Cultural do Município de Belém) e de algumas escolas de samba. No Memorial dos Povos Imigrantes, estiveram em exposição, fotos de bailes, das Rainhas das Rainhas...

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Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Í N D I C E

PUBLICAÇÃO

por DULCE ROCQUE

Foto: Montagem fotos da AgPa

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; REVISÃO: Paulo Coimbra da Silva; COLABORADORES: Acyr Castro, Anete Costa Ferreira, Camillo Martins Vianna, Cláudia Campos Nascimento, Dulce Rosa de Bacelar Rocque, Sérgio Martins Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Advaldo Nobre AgPa, Artur Dias, Claudio Souza, Elcimar Neves, Eunice Pinto, Eliseu Dias, José Alfinito, Leonardo Nascimento, Lucivaldo Sena AgPa, Marcos Salomão, Ricardo Massoud, Rodolfo Oliveira AgPa; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES


A aber tura do ano legislativo na Assembléia Legislativa Fotos: Rodolfo Oliveira/Ag Pa

A mesa oficial da sessão solene de abertura do ano legislativo de 2008

A sessão solene foi aberta pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Domingos Juvenil e em seguida, os líderes de bancada acompanharam a governadora até a mesa diretora

Destaque/Balanço omingos Juvenil destacou que 2007 foi um ano positivo. “Esta casa festeja os resultados obtidos, que deverão se repetir em 2008. Tivemos no ano passado grandes resultados para a Assembléia legislativa e, por conseqüência para o governo e o povo paraense”, disse Juvenil. Ele enumerou 2.357 proposições, entre emendas constitucionais, projetos de lei, moções e decretos legislativos que passaram pelo poder legislativo, sendo aprovados 228 projetos de lei, além das 309 sessões realizadas. Juvenil também destacou que com a Assembléia Legislativa totalmente informatizada, as sessões, neste ano, serão transmitidas em tempo real pela internet. E que a reforma que está sendo feita nas instalações físicas da Casa servirão para dar condições mais dignas para exercício de suas árduas atividades parlamentares. A mudança para a nova sede não acontecerá antes do final da atual legislatura, não

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podíamos continuar trabalhando nas condições que estávamos, justificou o deputado. O presidente da AL agradeceu à governadora pelo relacionamento cortês entre os poderes e disse que o apoio do governo foi fundamental para os avanços do Legislativo no ano passado.

Mensagem do governo A governadora Ana Júlia Carepa fez a leitura da mensagem governamental oficial com uma prestação de contas sobre o primeiro ano de governo e as perspectivas de crescimento do Estado para este ano. A Governadora Ana Júlia Carepa destacou a elaboração do Plano Plurianual (PPA) com a participação direta da sociedade


Destacou ações realizadas em diversas áreas em 2007, avanços difíceis de serem alcançados diante das dificuldades orçamentárias em que o governo foi encontrado. "Para atingir os objetivos do novo modelo de desenvolvimento, foi necessário criar algumas forças-tarefa. Instituímos a Junta de Orçamento e Finanças e criamos novas secretarias de Estado", apontou. O governo anterior deixara, na transição, apenas R$ 158 mil no cofres públicos estaduais, para uma despesa empenhada, liquidada e não paga do exercício de 2006 da ordem de R$ 174,1 milhões. Além disso, as contas públicas estaduais fecharam 2007 com um déficit primário de R$ 60 milhões, além de uma deficiência financeira de R$ 53 milhões. Dentre as medidas que ajudaram o Estado a recuperar o fôlego, está o aumento da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que chegou a R$ 3,6 bilhões. Cresceu também, em 8,61%, o volume de transferência de recursos da União ao Estado, que contabilizou R$ 3,5 bilhões.

Avanços Algumas das conquistas mais significativas do governo, logo no primeiro ano, foram destacadas na mensagem da governadora à AL. Uma delas foi o maior aumento concedido em mais de duas décadas ao servidor público estadual, um reajuste de 9,8%, para 128.943 funcionários, entre ativos e inativos. Qualificação, por meio de bolsas de pós-graduação, também foram lembrados como forma de valorização e resgate da dignidade do servidor. A elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 e do Orçamento Geral do Estado a partir da participação popular - através do Planejamento Territorial Participativo - também ganharam destaque na mensagem encaminhada pelo Executivo, como os

Domingos Juvenil, presidente da AL

O BALANÇO DO PRESIDENTE omeçamos um novo ano legislativo. Minha esperança para 2008 é que a Assembléia Legislativa do Pará aprofunde seu relacionamento com a sociedade, melhore ainda mais sua produção legislativa e tenha uma atuação ainda mais transparente. Durante o ano de 2007, o primeiro de nossa administração, a Assembléia Legislativa debateu e aprovou projetos importantes para o Estado. A presença dos deputados foi a maior dos últimos anos. A produção de leis foi superior à de períodos anteriores. Discutimos e aprovamos soluções para problemas como a poluição ambiental, transporte, segurança pública, saúde e geração de empregos. Além disso, Assembléia aprovou projetos fundamentais: o Orçamento do Estado para 2008, o Plano Plurianual para 2008/2010, a reforma administrativa, as autorizações para o governo obter recursos fundamentais para nossa população e tantos outros. A Assembléia também aprovou em 2007 leis que beneficiam milhões de paraenses, em especial os mais carentes. Alguns exemplos são: a legalização em todo o Estado da atividade dos mototaxistas, a isenção de taxas para renovação de carteira de motorista para maiores de 65 anos e a mais importante: a criação do programa Bolsa-Trabalho, o maior programa de transferência de renda já feito no Pará. Em 2007, a Assembléia avançou muito em direção à transparência de suas ações: criamos o Colégio de Líderes, para ouvir a discutir soluções com as bancadas de todos os partidos. Criamos a TV Legislativa, via internet, para que os cidadãos possam acompanhar ao vivo os trabalhos do parlamento e já estamos na luta por um canal de TV aberta. Implantamos também o sistema de pregão eletrônico, para que as compras da Assembléia sejam feitas com máxima transparência e todos possam acompanhar o que, quando e por quanto o Poder Legislativo faz suas compras e contratos. Em 2008, nós, deputados estaduais, esperamos avançar nestas conquistas e aproximar ainda mais a Assembléia daquele que é o verdadeiro dono do poder no Estado: o povo paraense.

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Ozéas Santos/Alepa

avanços obtidos em 2007. Para 2008, de acordo com a governadora, receberão prioridade as ações de infra-estrutura e saneamento dentro do 'Programa Caminhos da Parceria'; os investimentos na área de saúde; a recuperação de escolas e a universalização do ensino; e a ampliação do programa Bolsa Trabalho. 'Serão pelo menos mais 22 mil jovens que terão oportunidade de ter acesso ao programa Bolsa Trabalho este ano', afirmouAna Júlia. Com a instituição do Planejamento Territorial Participativo (PTP), o governo avançou na metodologia de uma gestão compartilhada e democrática. A filosofia vai ao encontro do modelo de desenvolvimento proposto pelo governo, que não priorize uma ou outra região, e sim beneficie cada município naquilo que a sociedade decidir. A finalização e o funcionamento de três hospitais regionais também recebeu menção na mensagem, bem como a instituição de programas como o Água para Todos e o Bolsa Trabalho. Além disso, lembrou Ana Júlia Carepa, o Pará é o Estado da região Norte ao qual foi destinado o maior volume de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 1,3 bilhão, no total.

Eficiência Para o líder do governo na Assembléia, deputado Airton Faleiro, a ida da governadora Ana Júlia Carepa para ler a mensagem à Casa no dia da abertura dos trabalhos demonstra o respeito e cooperação que o Executivo dispensa ao Legislativo paraense. Em 2007, ano em que 99% das demandas do governo foram aprovadas na Casa - algumas por unanimidade -, essa

A sessão solene contou a presença de 38 dos 41 deputados estaduais

parceria foi fortalecidade, pontuou. "Foi a primeira vez que recebemos o orçamento do Estado e o PPA com os anseios da sociedade. Para nós, portanto, é motivo de satisfação receber essa mensagem no primeiro dia de trabalhos legislativos", disse.

Presença A sessão solene contou a presença de 38 dos 41 deputados estaduais; o vice-governador do Estado, Odair Corrêa; vários secretários de Estado e representantes de outros poderes, entre eles, a desembargadora Vânia Silveira, representando o Tribunal de Justiça do Estado (TJE); o Procurador Geral de Justiça em exercício, Antonio Eduardo Almeida; o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o conselheiro Fernando Coutinho Jorge; e a conselheira Rosa Hage, representando o Tribunal de Contas do Município (TCM). O plenário lotado marcava o bom relacionamento entre Executivo e Legislativo. Ozéas Santos/Alepa

Secretários de Estado presentes na sessão de abertura do ano legislativo de 2008, na Assembléia Legislativa

Parceria foi fortalecida

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Puxirum mostrou diversidade cultural paraense Fotos: Elcimar Neves, Eunice Pinto/Ag Pa, Ricardo Massoud e Leonardo Nascimento

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uxirum é um termo indígena – Tupi Guarani, que significa cooperação, união, mutirão, coletividade, partilha e ajuntamento de pessoa. Por isso, foi o nome escolhido para batizar a programação de Carnaval do Governo do Estado. Uma programação que pretendeu mostrar a diversidade cultural do Pará e, ao mesmo tempo, refletir sobre nossa identidade, e sobre a relação com o meio ambiente. E foi com esse espírito de coletividade que a

Secretaria de Estado de Cultura (Secult) realizou, em parceria com os outros órgãos do Estado como a Fundação Curro Velho, Fundação Cultural Tancredo Neves, Fundação Carlos Gomes, Instituto de Artes do Pará, Paratur e Funtelpa, o primeiro ajuntório cultural promovido pelo Governo do Estado, no Carnaval. Na Programação, foram incluidas ações como o Encontro de Cultura e Natureza, oficinas de Arte e Ofício, Feira Cultural de Gastronomia Cabocla, Venda

Ao som do Samba de Cacete

Linguarudos EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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de Livro, CD, Periódico, além de cortejos e bailes populares, ação integrada com o Fórum Social Mundial e o grande desfile das Crias do Curro Velho. Segundo o secretário de Cultura, Edilson Moura, o objetivo do evento foi propor a construção e disseminação de uma lógica de afirmação da identidade cultural paraense, dentro de toda sua pluralidade sonora, rítmica, cromático-visual e sociocultural e o respeito com a natureza. “Pretendemos preservar às novas gerações essa Os músicos do Samba de Cacete A governadora Ana Júlia Carepa, autorizando repasse de R$ 1,25 milhão para a programação do Projeto Puxirum e o secretário de Estado de Cultura, Edílson Moura

pluridade cultural e sócio-cultural e a singularidade com que acolhemos pessoas e respeitamos a natureza", afirmou. O projeto pretendeu mostrar que o carnaval tradicional e contemporâneo são partes da mesma cena, cabendo

O Cordão de Peixe-Boi do Arraial do Pavulagem

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ao estado ajustar o foco das lentes para projetar a multiplicidade cultural existente na região, por intermédio de políticas públicas que apóiem essas iniciativas, dando suporte e logísticas, fortalecendo e dando visibilidade para as manifestações culturais. O "Puxirum - Carnavais da Amazônia: folias, cordões, sambas e batuques" que reuniu manifestações culturais de Belém e mais sete municípios, concentrou-se na Cidade Velha. O Puxirum começou com o Encontro de Cultura e Cordão da Bicharada da Vila Juabá de Cametá

Natureza, no Cine Teatro Maria Silvia Nunes. Grupos de cultura popular, pesquisadores, produtores, artistas, carnavalescos, empresários e gestores públicos estiveram reunidos para debater temas como a economia da cultura, a relação cultura e natureza, a diversidade e riqueza cultural do Estado, entre outros assuntos. Em seguida, aconteceu o primeiro Cordão de Rua do Puxirum. Fizeram parte do cortejo, os Pretinhos, de Santarém Novo; Mascarados e Cabeçudos, de São Caetano de Odivelas; a banda de música da Sociedade Musical 25 de Dezembro, de Vigia; a banda de música do Clube Musical União Vigiense, também de Vigia; a Banda João Viana, de Cachoeira do Arari; representantes das escolas de samba campeãs do Carnaval 2007; o Bloco da Sereira, da Cidade Velha; e o Bloco Afro-Religioso Afoxé Italemi Fimavuru, de Belém. O Cordão saiu da Praça Felipe Patroni, na Cidade Velha, percorrendo a Feliz Lusitânia, rua Siqueira Mendes até a Praça do Carmo, onde aconteceu o Baile Popular, em palco armado na praça, e a Feira Cultural, Um Linguarudo

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que contou ainda com a escola de samba Crias do Curro Velho. O cortejo do Dia Mundial de Mobilização, do FSM, saiu da Praça Frei Caetano Brandão (Feliz Lusitânia) até a Presidente Vargas, e termina na Praça da República. O Baile Popular do sábado magro, teve como atrações, o Cordão da Bicharada, o cordão de mascarados Os Linguarudos, os dois de Cametá, e o Samba de Cacete da comunidade quilombola de Umarizal, do município de Baião.

O Cordão de Peixe Boi

Brincantes do Linguarudos

com comidas e bebidas típicas, artesanatos e venda de livros e CDs, no Espaço do Fórum Landi, também no Largo do Carmo. Os grupos folclóricos que participaram do Puxirum se juntaram ao cortejo do Fórum Social Mundial 2009,

O arrastão do "Cordão do Peixe Boi 2008" foi acompanhado por centenas de brincantes que com muita animação percorreram o centro histórico de Belém, da Estação das Docas até a Praça do Carmo, onde foi realizado o show com a banda Arraial do Pavulagem. A alusão ao mamífero é uma forma de chamar a atenção para a ameaça de extinção do animal que vive nos rios da região amazônica. Ainda na "escadinha" o público assistiu a apresentação de grupos de cultura do interior como o "Cordão da Bicharada" da Vila de Juabá (Cametá) e os "Linguarudos de Santana", de Santana, também do município de Cametá. Estes últimos, pela primeira vez

Fone: (91) 3248-5651 EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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em Belém. Carregando adereços feitos a partir de material de garrafas pet a população acompanhou o cortejo ao som do batalhão da Estrela que integra o Instituto Arraial do Pavulagem. Entre as canções executadas ao longo do cortejo estavam: Induauê Tupã (Paulo André e Rui Barata); Florindo Tapera (Ronaldo Silva); Cadê a Floresta (Mestre Cardoso); Preservação da Natureza (Mestre Faustino). Na Roda Ancestral, logo na chegada na Praça do Carmo foram executadas canções indígenas, de origem quilombola (Samba de Cacete), entre outras. Mesmo com a forte chuva, os brincantes que não arredaram o pé da praça, se divertiram à valer. O Cordão do Peixe Boi é uma manifestação popular que tem o objetivo de fortalecer as danças cantos e ritmos da Amazônia. O cortejo tem uma missão lúdica e cultural. Destaque para alguns integrantes do cordão que, ao longo do percurso, disponibilizaram aos brincantes sacos para recolhimento do lixo. O "Cordão do Peixe Boi 2008" integrou a programação do "Puxirum - Carnavais da Amazônia: folias, cordões, sambas e batuques". Animação total

A platéia aprovou

Crias do Curro Velho Pelas ruas do bairro do Telégrafo, a escola de samba mirim "Crias do Curro Velho" entrou, pela primeira vez em 17 anos, na Vila da Barca – comunidade vizinha à Fundação Curro Velho, às margens da Baía do Guajará, foi a grande homenageada da escola este ano. O desfile saiu da Praça Brasil e percorreu a avenida Senador Lemos, a travessa Djalma Dutra e a rua Professor Nelson Ribeiro, até chegar à praça central da Vila da Barca. Uma forte chuva caiu quando a escola passava pela frente do prédio da Fundação em direção à Vila, mas não tirou a animação dos brincantes e do grande número de pessoas que acompanharam o desfile.

Componentes do Samba de Cacete da comunidade quilombola de Umarizal, do município de Baião

O desfile, que este ano reuniu 520 meninos e meninas, terminou com um grande baile carnavalesco no prédio sede da Fundação. Os foliões, em grande parte funcionários do Curro Velho, crianças, pais e moradores da Vila e do bairro do Telégrafo, dançaram animados pelas bandas Tio Bangaré e Los Viegas. A festa foi até as 15 horas. A baianas mirins deram um show de evolução pelas ruas do Telégrafo EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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A bateria do "Crias do Curro Velho”

Enredo O enredo deste ano, "Minha Cria Fantasia Abarca Minha Alegria", foi explorado nas oito alas e três carros alegóricos que compõem a escola. As alas fizeram referência à história da Vila da Barca, seus costumes, suas lendas, dificuldades e alegrias. As crianças e adolescentes da bateria se vestiram de operários, numa homenagem aos trabalhadores do recente processo de urbanização da Vila. Uma outra ala, a do condomínio fechado, fez uma crítica à possibilidade de especulação imobiliária, depois das obras no local.

Preparação As crianças e adolescentes se prepararam por cerca de dois meses para o desfile. Este ano, elas participaram de três oficinas: "Samba no Pé", "Bateria" e "Barracão". A oficina "Samba no Pé" ensinou os passos da dança para crianças de 7 a 13 anos; a oficina de bateria treinou as crianças e jovens de 9 a 20 anos que fizeram a batucada, e a "Barracão" incluiu os jovens e adultos responsáveis pela preparação das fantasias e carros

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Baile popular encerrou o desfile na Fundação Curro Velho

alegóricos da escola. Além disso, as "Crias" estiveram presentes na escolha e discussão do tema e da preparação do visual da escola. "As crianças expressam suas opiniões sobre o tema de várias formas, por meio do desenho, de brincadeiras e da própria fala", explicou o gerente de Iniciação Artística da FCV, Jorge Cunha. Este ano, os moradores da Vila também participaram do processo de desenvolvimento do tema. "Fomos à Vila várias vezes conversar com os moradores, principalmente os mais antigos, que nos contaram a história do local", informou. Os pais contribuíram decorando o interior do Curro Velho, onde aconteceu o baile de carnaval que encerrou o desfile.

Garantia O secretário de Cultura, Edilson Moura, garantiu aos presentes ampliação da programação do Puxirum para o ano que vem. "Vamos trazer ainda mais grupos do interior para mostrar à população de Belém a riqueza deste Estado". O Puxirum - Carnavais da Amazônia será realizado anualmente pelo governo do Estado, por meio de seus órgãos de cultura: Secult, Fundação Curro Velho, Fundação Tancredo Nevez, Fundação Carlos Gomes e Instituto deArtes do Pará.

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Fotos: Advaldo Nobre/Ag Pa e Leonardo Nascimento

erca de duas mil pessoas participaram da I Conferência Estadual de Educação com representantes dos 143 municípios paraenses, participaram da discussão nos grupos de trabalho sobre o regime de colaboração e financiamento para a educação, além de escolher os delegados para a Conferência Nacional de Educação, aprofundar a discussão sobre as propostas que vão subsidiar a elaboração do Plano Estadual de Educação. O PEE tem como meta elevar os índices da educação no Estado, que hoje atinge patamares nada animadores. O Pará está na 24ª posição do Índice de Desenvolvimento da Educação (IDEB). Na abertura, a secretária de Educação Iracy Gallo anunciou algumas medidas que animaram os presentes. Dentre elas, a notícia de que todos os aprovados no último concurso realizado pelo Estado para o preenchimento de vagas no magistério serão chamados até o próximo mês. Mereceu destaque na plenária, a instalação de um Fórum colegiado de Estado (Seduc e municípios) através das secretarias municipais de educação, que vai pactuar as políticas educacionais de forma articulada, visando unificar as ações de educação em todo o Estado. “Nossa idéia é que através do Fórum possamos agregar idéias, mostrar a direção e apontar caminhos que garantam uma educação de qualidade para todo o estado”, disse a secretária de Educação. O Fórum também representa mais um passo dentro do compromisso “Todos pela Educação”, assumido pelo governo estadual em atendimento à convocação do Ministério da Educação. Até agora mais de 80% dos municípios paraenses já aderiram ao compromisso. EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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“Isso comprova que estamos no caminho certo ao propormos um regime de colaboração entre entes federados como garantia de melhoria de nossa educação”, destaca a gestora. Integram o Fórum, além dos representantes da Seduc, todos os secretários municipais de Educação, que deverão se reunir periodicamente, em encontros itinerantes pelas diversas regiões estratégicas do Estado.

Instrumento de inclusão social A governadora Ana Júlia Carepa saudou no Hangar os participantes da I Conferência Estadual de Educação e lamentou o fato da educação em alguns lugares ainda ser um instrumento de exclusão, afirmou entretanto que a tarefa do Plano Estadual de Educação é de mudar essa realidade. ”O desafio de vocês e todos nós é fazer da educação um fato de libertação”, disse a governadora. Mesmo com iniciativas como o Fórum Estadual de Secretários de Educação, a governadora disse ter consciência de que não é possível mudar sozinho a situação da educação. “Precisamos antes superar falsas polêmicas sobre quem merece maior ou menor atenção. Queremos um plano que nos mostre o caminho e nos ensine como fazer uma educação melhor”. Ao destacar o caráter democrático e participativo de seu governo, Ana Júlia Carepa, lembrou que 80 mil pessoas participaram das assembléias do Planejamento Territorial Participativo (PTP) e que outro grande número este presente nas assembléias do PEE tanto


nos municípios quanto nas regionais. A governadora finalizou sua intervenção na conferência disponibilizando o projeto Navega Pará, de inclusão digital, como instrumento para melhorar a qualidade da educação em todo Estado.

A lei Kandir e o Fundeb O professor João Monlevade, consultor do Senado Federal, durante a mesa-redonda “Regime de Colaboração e o financiamento da Educação Pública”, lembrou que há dez anos era muito grande a diferença salarial entre os professores dos municípios, Estados e

federação e que graças ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) pelo menos entre os Estados e municípios, o abismo é bem menor. Ao criticar a lei Kandir, o professor lembrou que ela foi criada há 11 anos num contexto em que o mercado internacional era totalmente desfavorável ao país e que hoje não se justifica mais a não tributação sobre produtos extremamente valorizados no mercado externo como o minério. “Essa lei atua como um torniquete e acaba levando Estados ricos como o Pará a uma situação de mendicância em relação às verbas federais”, assinalou. Para o professor, os impostos cabem perfeitamente

A governadora Ana Júlia Carepa e a secretária Estadual de Educação Iracy Gallo na I Conferência Estadual de Educação

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Para o professor João Monlevade a lei Kandir atua como um torniquete e acaba levando Estados ricos como o Pará a uma situação de mendicância

dentro dos preços internacionais e o governo poderia até mesmo selecionar produtos que com alíquotas maiores ou até menores, caso seja preciso conquistar novos mercados. A professora Rosana Gemaque, da UFPa, demonstrou uma pesquisa com os números e o impacto do Fundeb na educação dos municípios paraenses. Segundo a pesquisa, São João da Ponta é um dos poucos municípios do Pará onde há equilíbrio entre a arrecadação do fundo e o número de alunos matriculados. “Infelizmente nos demais municípios isso não acontece”, confirmou. Para a pesquisadora, isso acontece por que não há colaboração entre os Estados e os municípios e União acaba exercendo um papel que deveria ser do Estado. Tanto Monlevade quanto Gemaque concordaram que o momento é propício para uma reavaliação do processo de municipalização do ensino com atenção especial sobre as diferenças salariais entre os professores. “É muito difícil se falar em educação de qualidade com a realidade que temos hoje”, disse a professora.

de Desenvolvimento da Educação - PDE. Os números dão conta de que: 79 municípios prioritários, pois estão com o IDEB abaixo de 2,8%, quando a média nacional é de 3,4%, já fizeram sua adesão ao PDE. Ao todo, 117

Os índices da educação A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar falou dos números do Pará com relação ao Plano EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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O Hangar esteve sempre lotado


municípios do Pará (cerca de 81%) assinaram o termo de adesão até o dia 16 de janeiro de 2008. Seis municípios do Pará já encaminharam o seu Plano de Ação Articulada -PAR para análise. Das 9.861 escolas prioritárias, 654 estão no Pará: 468 escolas são municipais e 186 são estaduais. Um boa notícia é que, a partir desse mapeamento, os municípios estarão aptos a receber recursos para investimento na formação dos educadores, infraestrutura e novos projetos. O Grupo de Trabalho denominado Capitais e Grandes Cidades, do PDE/MEC conta com três municípios do Pará: Belém, Ananindeua e Santarém. As escolas do estado já tem garantido para este ano, cerca de 120 milhões, oriundos do PAR, para as ações de gestão educacional, valorização dos educadores, práticas pedagógicas e infra-estrutura e recursos didáticos

"Inclusão e diversidade” O perfil um tanto cruel da educação no país foi traçado pelo professor Armênio Schmitd, diretor de educação para a diversidade do Secad/Mec. Ele disse que há no país uma inversão do acesso ao ensino por que as classes mais favorecidas ficam no ensino privado até o segundo grau e depois vão para as universidades públicas, enquanto os mais pobres fazem o caminho inverso cursando até o segundo grau na escola pública e indo para as faculdades particulares fazer o curso superior. O professor disse que além da política de cotas para

Fórum de educação para ampliar ações entre Estado e municípios Fotos: Rodolfo Oliveira/Ag Pa Para unir as ações das políticas educacionais em todo o Estado foi instalado o Fórum de educação, com a presença da governadora Ana Júlia Carepa, da secretária de Educação Bila Gallo e do presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação - Undime, Adelino Ferranti e secretários de Educação de vários municípios que estavam participando da Conferência Estadual de Educação. Também se fizeram presentes os prefeitos de Medicilândia, Cametá, Prainha e Xinguara. A instalação do fórum colegiado entre Estado, através da Seduc e municípios, por meio das secretarias municipais de educação, teve como objetivo pactuar as políticas educacionais de forma articulada, visando unificar as ações de educação em todo o Estado. "Nossa idéia é que através do fórum possamos agregar idéias, mostrar a direção e apontar caminhos que garantam uma educação de qualidade para todo o estado", explicou a secretária de Educação. Para tanto, falou da necessidade da parceria com a Undime para que se estabeleça novos patamares para a educação", disse. Ana Júlia, participa do lançamento do Fórum de Secretários de Educação

Iraci Gallo secretária de Estado de Educação, durante o lançamento do Fórum


Para o presidente da Undime e secretário municipal de Educação de Abaetetuba, Adelino Ferranti os desafios são grandes. "O Estado tem uma dívida grande com a educação, mas acredito que com integração poderemos melhorar a qualidade da nossa educação e resolver os problemas Carlos Renato Lisboa Francês presidente do Estado", avaliou. da Prodepa, apresentou o Projeto Navega Em seu Pará, durante o lançamento do Fórum pronunciamento, a governadora Ana Júlia Carepa elogiou a criação do Fórum e destacou que o governo tem trabalhado para garantir educação de qualidade para todos. "Não adianta garantir só a universalização da educação; precisamos também garantir a qualidade da educação em nosso Estado", defendeu. Adelino Ferranti secretário de Educação O Fórum também de Abaetetuba e presidente estadual da União Nacional dos Dirigentes representa mais um Municipais de Educação – Undime passo dentro do compromisso "Todos pela Educação", assumido pelo governo estadual em atendimento à convocação do Ministério da Educação. Até agora mais de 80% dos municípios paraenses já aderiram ao compromisso. "Isso comprova que estamos no caminho certo ao propormos um regime de colaboração entre entes federados como garantia de melhoria de nossa educação", destaca a governadora. Integram o Fórum, além dos representantes da Seduc, todos os secretários municipais de Educação, que deverão se reunir periodicamente, em encontros itinerantes pelas diversas regiões estratégicas do Estado. REVER Nesta terça-feira (22), à tarde acontece a primeira reunião com os integrantes do fórum, no Hangar para traçar metas e estabelecer uma agenda de atividades para o ano de 2008.

as minorias já implementada pelo Mec, é preciso melhorar a qualidade da educação básica onde grupos como os negros estão inseridos. "Os negros são 46% da população e isso não se reflete no sistema educacional que é excludente", exemplificou. O diretor da Secretaria Adjunta de Educação continuada alfabetização e diversidade (Secad) do Mec disse que o governo Lula trabalha com ações afirmativas para vencer o preconceito e a discriminação contra as minorias. Um exemplo é a lei 10.639 de 2003, assinada logo nos primeiros dias do primeiro mandato, que tornou obrigatório o ensino de História da África e da Cultura Afrodescendente nas escolas. Ele lembrou que isso é importante para mudar interpretações discriminatórias e racistas como nos livros didáticos onde o negro aparece ainda na condição de descendentes de escravos. "Não se descende de uma condição e sim de uma raça", disse o professor. Para ele essas políticas precisam redundar em ações reparem erros do passado e devolvam o que foi tirado dessas populações.

Diversidade A professora Ivanilde Nepomuceno, da UEPA, também esteve na mesa sobre inclusão diversidade. Para ela a Conferência de Educação é um momento privilegiado para discutir assuntos como a diversidade e como fazer uma educação multicultural e inclusiva. Mudar a escola e a estrutura educacional é algo que não se faz por decreto, lembra a professora, é preciso haver também uma mudança de concepção para que esta atitude se torne uma prática. Um caso extremo de não aceitação das diferenças citado por ela são dos diretores que não aceitam a matricula de alunos especiais. "É uma luta política para ter acesso à educação".


E-mail: serpan@amazon.com.br

Sérgio Pandolfo

Ver-o-Peso de Belém o mais completo cartão postal que retrata bem seu povo, cheiros e chão

Ver-o-Peso de Belém maravilha brasileira feira que de um tudo tem és Parauara faceira SerPan

N

ossa querida Santa Maria de Belém do GrãoPará que vem de completar, a 12 de janeiro de 2008, seus 392 anos de frutuosa e promissora existência ela que começou como a primitiva atalaia do Norte, com seu fortim do Presépio, e é hoje a Metrópole da Amazônia acaba de ganhar, entre outros regalos de aniversário, um precioso mimo. Seu mais representativo e conhecido cartão-postal, o Vero-Peso, foi eleito como uma das sete maravilhas do Brasil, no dia 9 de janeiro p.p., em concurso livre e aberto realizado pela Internet e promovido pela revista Caras com o patrocínio do banco HSBC, como se pode ver no sítio internetiano da revista. Durante mais de três meses para mais de um milhão de internautas do Brasil e do mundo tiveram a oportunidade de escolher, entre os trinta pontos turísticos de todos os estados brasileiros, previamente selecionados, os sete mais bonitos e atrativos. Anônimos e personalidades salientes participaram da renhida disputa que, ao final, apontou aquelas que, dagora em diante, passam a ostentar o galardão maior de maravilha brasileira. Interessante é que tal certame se realizou pouco tempo passado (julho 2007) da escolha, também pela Internet, das Sete Maravilhas do Mundo atual, dentre as quais figura, muito justamente, a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Por ordem de classificação foram estas as locações escolhidas: a Fortaleza dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte (1º lugar); a fortaleza de São José de Macapá, no Amapá (2º lugar), a Catedral da Sé, em São Paulo (3º lugar); o Conjunto Arquitetônico de Natividade, em Tocantins (4º lugar); a Feira do Ver-o-Peso, em Belém (5º lugar); o Centro Histórico de Ouro Preto, em Minas Gerais (6º lugar) e o Teatro Amazonas, em Manaus (7º lugar). Vejase que a Região Norte abiscoitou nada menos que quatro dos sete lugares da lista dos mais belos cartões-postais do País, o que poderá ensejar, e certamente o fará, o incremento do turismo receptivo para esta região que não tem sido, ao longo dos tempos,

muito lembrada pelos turistas nacionais e forâneos. A escolha do Veroca, como belenenses e parauaras em geral carinhosamente o chamamos, tem, assim, o justo e público reconhecimento de suas belezas, préstimos e importância, ele que é uma síntese de seu povo e o coração pulsante da cidade. O saudoso jornalista Edwaldo Martins dizia que Belém acorda no Ver-o-Peso e que em meio às torres do Mercado de Ferro, que é a marca-símbolo da Cidade das Mangueiras, o seu cartão-postal, tão significativo para esta terra quanto a Torre Eiffel para os parisienses e o Cristo Redentor do Corcovado para os cariocas, que Belém abre o seu diaa-dia . No Ver-o-Peso, onde se pode encontrar de um tudo , no falar parauara, vocês conhecerão as mandingueiras, mestras na utilização de exemplares de nossa flora e fauna para a confecção de garrafadas e meizinhas que remedeiam todos os males: físicos, psíquicos e de amor. Ervas para curar caiporismo, panemice, quebranto, mau-olhado, coisa-feita, mandingas, fraqueza de Mercado de Ferro, ícone principal da feira do Ver-o-Peso

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homem e fastio de mulher; outras para atrair o sexo oposto, trazer de volta a pessoa amada e os banhos de cheiro para dar sorte e tirar o catingoso. Nossa Fafá diz que o Ver-o-Peso sintetiza a mistura da cultura européia com a tradição cabocla, bem no meio da Amazônia . Fato é que o Ver-o-Peso é a maior feira aberta da América Latina e uma referência turística na Amazônia. Lá estão locadas 1420 barracas, distribuídas por 20 setores, onde trabalham cinco mil feirantes e circulam, diariamente, 50 mil pessoas (dados da Secretaria Municipal de Economia - SECON). P elos brasis afora o Ver-o-Peso ganhou tanta notoriedade quanto a Rampa do Mercado ou a Feira da Água dos Meninos, em Salvador, da Bahia a redizer Leandro Tocantins. O escritor espanhol Álvaro de Las Casas sobre ele assim se expressou: Isto parece o Zoco Chico de Tanger ou o Vieux Port de Marselha , com o olhar guloso de pitoresco. O rei Leopoldo, da Bélgica, em outubro de 1962, aí passou quase um dia inteiro filmando e fotografando os costumes e as manhas artes, habilidades, destrezas que tanto despertaram seu interesse, nos diz ainda Leandro. O multicolorido das velas que equipam as vigilengas , a azáfama dos caboclos nos barcos de todas as formas e tamanhos, o troca-troca de mercadorias das mais diversas origens (porcos, galinhas, aves de variadas espécies, telhas, manilhas, potes e filtros de barro, caranguejos, peixes e que tais) passadas por entre redes armadas e o po-po-pô dos motores, conjuntos com os aromas, os cheiros mais diversificados, estão presentes desde as primeiras horas do dia e se estendem até que a carga se esgote e o mestre determine o momento conveniente da viagem de retorno e os barcos abandonem a doca em verdadeiras acrobacias aquáticas. Ponto sempre sujeito a interpretações diversificadas, algumas até caricatas, é o relativo ao nome da feira, bem como o início de sua existência. Os portugueses costumavam implantar em portos movimentados de suas colônias e mesmo em alguns atracadouros reinóis, continentais ou ilhéus, postos fiscais a que davam o nome de Casa do Haver o Peso ou do Haver do Peso, pois que os tributos eram determinados, quase sempre, a partir de um

Mandingueiras em sua faina diária

Na feira do açaí o fruto é trazido e exposto em paneiros confeccionados a partir de talas de miriti

Comercialização do pescado no interior do mercado de peixe

percentual estabelecido sobre o peso bruto das mercadorias (do ouro, por exemplo, era o quinto lembram-se? -, isto é, 20%, a parte que tocava à Coroa) ou então por conjunto de unidades (dúzia, grosa, arroba, quintal, cento, milheiro) dos quais eram retidos, em produtos ou espécie monetária, os tributos reais. Para isso havia de funcionar uma balança. Ernesto Cruz nos fala de uma dessas casas de haver o peso que existira no Rio de Janeiro, em 1614, para taxar o açúcar. A verdadeira data de origem de nossa casa fiscal ficou encoberta pela pátina do tempo e pela insipiência histórica destes confins setentrionais, sabendo-se apenas que se situava na boca do igarapé do Piri , sobre um trapiche equipado com balança para ver o peso das mercadorias e cobrar tributos. No meado

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Embarcações ancoradas na doca com as velas recolhidas

do século XVIII o Grão-Pará já era o sustentáculo maior do erário real português, com as drogas do sertão, produtos da fauna e da flora e mesmo alguns minerais, visto que as minas de ouro das cidades coloniais mineiras estavam à exaustão. Uma Ribeira do Peixe Fresco foi mandada instalar ali, em 1839, por Bernardo de Souza Franco, Presidente da Província, em substituição à primitiva casa fiscal, a que o governo provincial denominou doca da Imperatriz , mas que o povo teimosamente continuou a chamar de Haver o Peso; com o correr do tempo, por contração, o nome ficou reduzido para Ver o Peso e assim se manteve até nossos dias. As casas fiscais foram sendo extintas e a primitiva denominação desaparecendo, só restando o nosso Veroca, que também se modificou, diversificou, ampliou e modernizou, principalmente com a construção da doca em forma de quadrilátero revestida de pedra e a ereção do Mercado de Ferro, levadas a efeito no alvor do século passado, na intendência de Antônio Lemos, sob a supervisão profissional do arquiteto paraense Francisco Bolonha, e o magnífico casario colonial que o circunda, revestido com azulejos portugueses. O Complexo do Ver-o-Peso, guardião de um riquíssimo patrimônio histórico e arquitetônico, também se reflete e muito! na economia da região. Consoante dados da SECON, responsável pelo gerenciamento do espaço, cerca de R$ 1,3 milhão são injetados, todos os dias, na receita do erário estadual, com a comercialização de

diversos tipos de produtos. É o Complexo composto pelas feiras livres do Açaí e do Ver-o-Peso, a Pedra do Peixe, os mercados de Peixe e de Carne, além do estacionamento. O Ver-o-Peso não dorme nunca, o trabalho é ininterrupto, informa o Secretário Municipal de Economia, João Amaral. A Feira do Açaí recebe o maior volume do fruto na região, algo como cinco milhões de toneladas/mês, em sua maior parte providas das ilhas próximas e do Arquipélago do Marajó. A Feira do Vero-Peso é o maior entreposto de pescado da região Norte e uma das mais movimentadas do País. Cerca de 80 toneladas/dia de diversos tipos de pescado, desembarcam na Pedra do Peixe, provindas principalmente da região do Baixo-Amazonas, Marajó e da costa paraense. Nas barracas, além de hortifrutigranjeiros, importados, mercearia, peixe seco, artesanato regional, aves e ervas medicinais, pode-se degustar, também, uma rica, apetitosa e única gastronomia genuinamente parauara, de criação indígena. Eis aí, caro turista do Pará ou de fora, em rápidas pinceladas, uma síntese da riqueza e da beleza de nossa feiramaravilha, que não passou despercebida aos olhos encantados do aclamado poeta brasileiro Manuel Bandeira que, em suas andanças por estas plagas, assim se referiu sobre ela: Nunca mais me esquecerei das velas encarnadas, verdes, azuis, da doca do Ver-o-Peso. Nunca mais!

Vista panorâmica do complexo do ver-o-peso

*Médico e escritor – SOBRAMES

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Convite ao

Ócio

O que pensar de um lugar chamado Mosqueiro, conhecido popularmente como “A Bucólica”? A bucólica Ilha do Mosqueiro, embora o seu nome possa induzir à imagem de um lugar entregue às moscas, é o local de veraneio preferido da maior parte da população da região metropolitana de Belém. E não é de hoje que esta ilha com cerca de 212 km² no estuário dos rios Amazonas e Tocantins atrai àqueles que querem um bom descanso e repor suas energias. por Claudia Campos Nascimento

mbora haja várias versões para a origem do seu nome, como local de desembarque de piratas ou como referência à, também pacata, vila portuguesa homônima, a mais popularmente aceita faz referência à técnica do moqueamento, isto é, uma forma de fumeiro lento feito em carnes e, especialmente em peixes, sobre trempes de madeira, que eram trazidos das baías do Marajó e Colares, ou mesmo da costa norte da ilha. No processo, pequenos cortes eram dados para melhor penetração do carbono – as mosqueias. Ao sul da ilha do moqueio (que depois, por corruptela, tornou-se Ilha do Mosqueiro) eram tratados estes produtos antes de serem levados à comercialização no mercado do haver-o-peso (conhecido atualmente como Ver-o-Peso), desde o século XVII. Já nesta época, as suas praias eram local estratégico para esta paradinha antes de seguir viagem. Ocupada pelos índios tupinambás, é interessante notar que essa nação tradicionalmente guerreira não se importunasse com essas visitas fortuitas. Não creio que seja possível atribuir a este caso as propalada preguiça OSQUEIRO indígena. Defendo, contudo que deva haver uma relação indissociável entre a ILHA DE M Ilha do Mosqueiro e uma certa vocação para a preguiça e a tolerância. O primeiro núcleo de ocupação da ilha se fez ao norte, na vizinhança das piscosas baías do Sol e de Colares, de onde retiravam o pescado – nada mais cômodo – e lá surgiram as primeiras fazendas para o cultivo do gado e do ócio. O sul da ilha, no entorno de onde atualmente temos a praia do Areão, foi pouco a pouco sendo ocupado surgindo um novo núcleo urbano. Isto nos faz crer que a paradinha para a defumação do pescado foi se tornando cada vez mais longa...

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Fato a se destacar é que seus 17 quilômetros de praias, cada uma com características geomorfológicas e paisagísticas diversas, são convite irrecusável ao ócio. Como resistir, sob o sol ou chuva equatoriais, à proteção dos ajirus, taperebazeiros, cupuaçuzeiros, murucizeiros e outras frutíferas, ao cheiro de peixe a assar lentamente, a brisa das praias de água doce com ondas? Isto sem contar os banhos nos gelados igarapés ou, vencendo o interior da ilha, nos rios que entrecortam matas densas de terra firme e manguezais! Neste ritmo Mosqueiro foi se desenvolvendo até a população ser elevada à categoria de freguesia em 1868 e à vila em 1895, sendo a porção sul a sua sede. Um lugar como esse não ficou alheio ao influxo econômico do ciclo gomífero do limiar dos séculos XIX e XX. Tendo a Vila uma ocupação crescente, a cerca de 40 quilômetros, por mar, da cidade de Belém, facilitou o acesso àqueles que queriam construir vivendas para o seu descanso. Desta forma, tanto os ingleses da "Pará Electric Railways Company", responsáveis pela instalação de energia elétrica e de meios de transportes interno, quanto alemães, franceses e americanos, funcionários de companhias estrangeiras como a "Port of Pará" e a "Amazon River", e mesmo os endinheirados seringueiros,

balateiros e grandes comerciantes da época elegeram a Ilha como local ideal para o descanso. Muitos, inclusive, para se pouparem da jornada por terra até os seus chalés, construíam à frente destes seus trapiches e portos particulares, como os ainda existentes Portos Franco e Artur. Nem se esforçavam em entender esta terra: repetiam nestas plagas a tipologia arquitetônica nórdica e curavam-se de todos os males físicos e espirituais deitados em suas redes acompanhando o remanso da maré. Atualmente podemos reafirmar esta vocação ao ócio. Não só pelas benesses divinas de seu clima e paisagem, mas por ser tratada como cidade turística de segunda residência. Alheios ao fato de sua população residente vir crescendo ao longo das últimas décadas – especialmente após a construção da ponte Sebastião R. Oliveira, inaugurada em 1976 que permite a ligação rodoviária Belém-Mosqueiro através de 86 quilômetros de estradas em quase duas horas de viagem – não existem indústrias ou mesmo comércio de grande porte nesta ilha que possui dimensão maior que a porção continental do município de Belém. Conseqüentemente o maior empregador é o poder público. Isto é, ou se é funcionário público (com todo o seu estigma) ou pescador, artesão, pequeno empreendedor,... atividades sazonais que levariam a população se esforçar no trabalho umas duas ou três vezes por ano: carnaval, julho e reveillon. Como disse certa vez uma das herdeiras do mais tradicional hotel do Mosqueiro, o Farol: “Mosqueirense passa o dia esperando a maré encher para ver ela vazar. Passa o ano esperando julho chegar...”

* Arquiteta e urbanista, chefe da Divisão de Estudos e Pesquisas da Fundação Cultural do Município de Belém. É mosqueirense há sete anos. crodianascimento@yahoo.com.br

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Semana de mobilização para o FSM

Centenas de moradores de comunidades carentes da cidade de Belém par ticiparam da Semana de Mobilização, no Estacionamento do Estádio Olímpico do Pará, rumo ao Fórum Social Mundial, evento que ocorrerá na capital paraense, em janeiro de 2009. O público pôde ter contato com palestras que discutiram o tema: “Direito à Cidade”, tendo como foco principal as ações do Programa de Aceleração do Crescimento Urbanização e Saneamento na Região Metropolitana de Belém.

O grafiteiro Manoel Pinto dando as dicas

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Forum Social Mundial Fotos: Eliseu Dias, Rodolfo Oliveira, Eunice Pinto, Lucivaldo Sena/Ag Pa e Leonardo Nascimento

Jovens de Belém, participam das atividades realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Celso Malcher


PAC

T

écnicos da Unidade Gestora do PAC, e dos órgãos executores do programa no Pará Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab), Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) e Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedurb) - atenderam o público tirando dúvidas por meio de palestras, cartazes, folderes, vídeos e até mesmo teatro de bonecos, tendo em vista que o PAC visa diminuir as desigualdades sociais, levando à população mais carente benefícios nas áreas de habitação, urbanização e saneamento básico. A rtur Fa ria s, d i r et o r d e Pl an ej ament o e Desenvolvimento Habitacional da Cohab, disse que o tema “Direito à Cidade” está efetivamente contemplado pelas ações do PAC na Região Metropolitana de Belém, pois, como explica, estas possibilitarão o direito à melhoria na qualidade de vida urbana, por meio do saneamento, da moradia, da

O evento contou com a participação do DJ Alessandro Nanini

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Os fantoches prenderam a atenção ...

mobilidade urbana, e, acima de tudo, da reorganização do espaço físico de cada área. “A partir daí essas comunidades passarão a se inserir no bairro e na própria cidade”, argumentou. Farias ressalta ainda que as obras do PAC terão maior sucesso se a população participar mais das decisões. “Todas essas ações tem sua sustentabilidade garantida através de um processo de gestão democrática e controle social, na qual os principais atores são os beneficiados com as obras.Aexpectativa é que as pessoas se apropriem das informações e assumam a responsabilidade de fiscalizar os recursos públicos”, argumentou. Ildo Terra, da coordenadoria de Participação Popular da Sedurb, também enfatizou as ações do órgão junto à comunidade durante a programação do Fórum Social Mundial. Ele disse que o objetivo principal é esclarecer a população sobre as obras do PAC no Tucunduba. “É um projeto importante porque vai abranger quatro bairros da cidade como Guamá, Terra Firme, Canudos e Crianças do bairro do Bengui, participam das atividades realizadas no Estádio do Mangueirão

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Marco. Além disso, prevê a participação popular, geração de emprego e renda através do ingresso em cursos que os membros das comunidades tenham mais afinidade”, explicou. Lene Oliveira, coordenadora da Assessoria Comunitária da Cosanpa, disse que a companhia já desenvolve um trabalho social em parceria com associações de moradores, Organizações NãoGovernamentais, escolas e universidades. “Neste evento estamos chamando as comunidades que receberão benefícios do PAC e os técnicos estão


Keila Damaso assessora dos projetos sociais do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC

exploração sexual, obre direitos das pessoas com deficiências e problemas psíquicos, Sistema Nacional de Atendimento Sócio-Educativo; apresentação de Hip Hop; oficinas de rádio

Stand da Companhia de Saneamento do Pará – Cosanpa Stand da Secretaria de Desenvolvimento Urbano – Sedurb

explicando os projetos para elas. Queremos ampliar nosso contato com outras entidades comunitárias”, declarou. O tema “Direito, Saúde e Cidadania”, teve realização de oficinas, teatro, jogos; palestras sobre o combate ao câncer de colo de útero e mama, sobre o combate às drogas, prevenção de gravidez na adolescência, aleitamento materno, segurança alimentar e nutricional, campanha de prevenção às doenças renais; apresentação teatral sobre impacto da violência com mulheres e crianças; campanha de doação de órgãos; atendimento da Defensoria Pública e do Procon; palestra sobre combate ao trabalho Infantil, abuso e

Ibrahim Rocha procurador geral do Estado em palestra com o tema Estatuto da Cidades - acesso à terra urbana

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comunitária; apresentação do projeto Música e Cidadania nos bairros (Fundação Carlos Gomes); discussão do Estatuto do Idoso; palestras de educação fiscal; apresentação do projeto Música para a Terceira Idade; palestras sobre Direitos da Mulher; e Exposição do Planejamento Territorial Participativo. Os jovens de Belém também participaram das atividades realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Celso Malcher, O evento contou com a participação do grafiteiro Manoel Pinto.

O Encerramento A Semana de Mobilização para o Fórum Social Mundial de 2009 em Belém terminou alcançando um dos seus objetivos – aumentar a consciência da população em relação a seus direitos e registrando um grande público na área interna do estacionamento do Mangueirão, onde a Cohab,

Sedurb e Cosanpa, atendiam o público nos estandes, prestando todos os esclarecimentos. O sentimento geral foi que o evento encerrou com resultados bastante positivos. O que a gente mais viu aqui foi gente procurando exercer o direito à cidadania.

O cortejo Político-Cultural

Representantes de movimentos sociais no cortejo Político-Cultural no Dia Mundial de Mobilização e Ação Global do Fórum Social Mundial percorreu ruas e avenidas da cidade que em 2009 será a sede do FSM

No Dia Mundial de Mobilização e Ação Global do Fórum Social Mundial foi realizado um cortejo Político-Cultural por representantes de movimentos sociais, percorrendo ruas e avenidas de Belém – a cidade que em 2009 será a sede do FSM. Foi uma apoteose de cores, ritmos, credos e anseios percorrendo as ruas do centro histórico da capital paraense, unidos afirmando que é possível transformar o mundo num lugar de maior justiça social. A caminhada falou Globalização Neoliberal; Guerra e

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Paz; Luta das mulheres; Luta contra o racismo; Colonialismo ontem e hoje e os Desastres ambientais. Cerca de seis mil pessoas aderiram ao cortejo, dentre elas a governadora Ana Júlia Carepa. Saudada por representantes das dezenas de movimentos e organizações sociais participantes da manifestação,Ana Júlia Carepa frisou que é importante lembrar que, daqui a um ano, Belém estará no centro das atenções mundiais discutindo alguns dos temas que também são desafios dentro do governo do Estado. A governadora acompanhou o cortejo a partir do quinto ato programado pela organização, cujo tema foi "Colonialismo ontem e hoje". Em seguida, a chefe do Executivo Estadual fez questão de integrar a caminhada, até o fim, na praça da República. A participação do governo do Estado no evento foi marcada ainda, com serviços, palestras e debates, durante toda a Semana de Mobilização e Ação Global, que antecedeu a passeata. governadora do Estado do Pará, Ana Júlia Carepa, participou do cortejo EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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Segundo os organizadores, as expectativas para o Dia de Mobilização Global foram superadas, com a participação representativa de diversos segmentos sociais, como homossexuais, negros, índios, mulheres, quilombolas e afroreligiosos, dentre outros. A caminhada saiu do Complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha, até a praça da República, onde aconteceu um grande show no palco montado em frente ao Theatro da Paz. O cortejo começou com a chegada de um barco no píer das Onze janelas com dezenas de afro-religiosos, para a cerimônia de oferenda às águas, elemento que é considerado um dos símbolos da Amazônia. Durante o trajeto, houve performances que simbolizaram as lutas mundiais com os temas "globalização neoliberal", "guerra e paz", "patriarcado e a luta das mulheres", "racismo", "colonialismo ontem e hoje" e desastres ambientais. Nos intervalos entre os atos, a marcha foi conduzida por diversidade de cores, sons e sotaques da cultura da floresta. As Crias do Curro Velho, bloco carnavalesco da Fundação Curro Velho, integraram-se à manifestação. Segundo a organização do FSM, o Dia de Mobilização Global teve mais de 770 ações em 89 países. Foram 156 ações no

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As Crias do Curro Velho, participaram do Dia Mundial de Mobilização e Ação Global do FSM

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Brasil, em 19 Estados. No Pará, as manifestações aconteceram em Belém e nos municípios de Santarém, Itaituba e Altamira, durante a semana. "O cortejo foi um presente a Belém e ao mesmo tempo uma demonstração para o mundo da capacidade da capital paraense e da vontade dos povos da floresta em receber, em janeiro de 2009, o Fórum Social Mundial", disseAldalice Otterloo.

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História do Dia de S. Valentim Valentine's Day é uma época para os amigos, a família e para os namorados. Ninguém sabe, com certeza, a origem de Valentine's Day. Esta é uma das muitas histórias. Parece que o nome vem de um padre de Roma chamado Valentine, que se tornou um mártir em 270 a.D. Os costumes deste feriado religioso ficaram interligados com ocasiões mais conhecidas como o "the Roman Feast of Lupercalia". Este festival era dedicado ao Deus Pastoral Lupercus e à Deusa doAmor Juno. Também conhecida como a Deusa das Mulheres e do Casamento. O feriado de 14 de Fevereiro era um feriado dedicado a Juno. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, começava o "Festival de Lupercalia", que era dedicado a muitos Deuses e Deusas. Os meninos e meninas viviam completamente separados. Durante o Festival os meninos tiravam à sorte um nome de menina de um vaso, tornando-se parceiros durante o Festival. Os pares dançavam e brincavam juntos. O mais belo dos mares, Às vezes os pares ficavam juntos durante o ano todo, é aquele que ainda não vimos. apaixonando-se algumas vezes e casando. A mais linda criança, Hoje em dia, Valentines Day é ainda não nasceu. uma oportunidade para as Os nossos dias mais formosos, pessoas expressarem consiainda não os vivemos. e o melhor de tudo que tenho para te dizer, deração, amor e amizade não só ainda não te disse: para namorados, mas também amo-te...hoje...e sempre... para professores, colegas, pais e amigos. Nazim Hikmet *Aqui no Brasil o Dia dos Namorados é comemorado oficialmente na véspera do Dia de SantoAntônio, 13 de junho. Na maioria de outros paises, o Dia de São Valentim, 14 de Fevereiro, é um dia especial para os que se amam. Para a equipe da Pará+, todos os dias são "dia dos namorados" e dos que se amam. Feliz Valentines Day...

Amo-te!

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aplicado no estado em 2006 e R$ 17,9 milhões referente a aplicações de outros recursos. Essas contratações superaram o orçamento inicial destinado ao estado do Pará em 2007 que era de R$ 107 milhões.

Saneamento e Infra-estrutura

superintendente da CAIXA no Pará, Noêmia Jacob, divulgou semana passada os números de investimentos de 2007, as previsões para 2008, e principalmente, o belo incremento de financiamento e contratações em habitação em nosso Estado. A seguir os dados: A Caixa Econômica Federal encerrou 2007 com recorde de contratação no estado do Pará, em habitação , saneamento e infra-estrutura. Quantia superior a R$ 774,8 milhões foi contratada, dos quais R$ 338,1 milhões foram destinados à habitação e R$ 436,7milhões destinados a outras áreas de desenvolvimento urbano. Esses resultados foram 174,8% superiores aos de 2006. Desses valores, R$ 545,9 milhões referem-se a recursos destinados a obras do Programa deAceleração do Crescimento (PAC).

Em habitação As contratações habitacionais foram suficientes para atender aproximadamente 5.000 famílias, sendo que 80% dessas famílias possuem renda mensal bruta de até cinco salários mínimos.Apopulação de baixa renda também pôde contar com R$ 20 milhões de subsídio do FGTS. Como parte do total contratado (R$ 774,8 milhões), os financiamentos habitacionais no estado do Pará atingiram o montante de R$ 338,1. O incremento foi 166 % superior ao mesmo período de 2006. Os mutuários contaram com R$ 68,5 milhões do FGTS (38% a mais que o valor aplicado em 2006), R$ 67,8 milhões do SBPE, que gerou um crescimento de 131 % em relação a 2006, R$ 183,8 milhões do Orçamento Geral da União ( PAC), superior em 280% o que foi

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Mais de 50 mil pessoas receberão benefícios com as operações de saneamento e infra-estrutura contratadas no último ano. Dos R$ 436,7 milhões contratados, o Orçamento Geral da União (OGU) contribuiu com R$ 362 milhões de recursos.

Números Nacionais Em todo Brasil, a CAIXA encerrou 2007 com uma quantia superior a R$ 37,2 bilhões em contratos, dos quais R$ 21,5 bilhões foram destinados à habitação e R$ 15,7 bilhões destinados a outras áreas de desenvolvimento urbano. Esses resultados foram 100,7 % superiores aos de 2006. Desses valores, R$ 31,6 bilhões referem-se a recursos destinados a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Com esses números foram atendidas aproximadamente um milhão de famílias, sendo que 82% dessas famílias possuem renda mensal bruta de até cinco salários mínimos.Apopulação de baixa renda também pôde contar com R$ 1,8 bilhão de subsídio do FGTS.

Orçamento de 2008 O orçamento inicial de 2008 destinado a área de habitação é de R$112 milhões para créditos com recursos do FGTS e SBPE. Contratações superaram o orçamento inicial destinado ao estado do Pará


Redução da taxa de juro SBPE Além do resultado recorde em habitação, a CAIXA anuncia a redução na taxa de juro pós-fixada para financiamento de imóvel residencial com recursos do SBPE, para os mutuários que optarem pelos encargos mensais do empréstimo em conta corrente na CAIXA ou por meio de desconto em folha de pagamento. As taxas de juro são ainda mais atrativas para quem, além de optar pelo débito da prestação, possuir o pacote básico, composto por conta corrente com cheque especial e cartão de crédito CAIXA. A redução pode chegar até 1% a.a. dependendo da modalidade a ser contratada. Para as operações enquadradas fora do SFH (valor de avaliação do imóvel acima de R$ 350 mil ou valor de financiamento superior a R$ 245 mil) haverá aumento do prazo máximo de amortização de 180 para até 360 meses e da quota de financiamento de 70 % para até 80%, de acordo com o prazo contratado.

Vantagens para os cotistas do FGTS A CAIXA começou o ano de 2008 com regras diferenciadas para beneficiar os cotistas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi> ço (FGTS). A alteração principal foi a redução de 0,5% a.a. na taxa de juro dos empréstimos concedidos no programa Carta de Crédito FGTS - CCFGTS, individual e imóvel na planta, exclusivamente para os proponentes titulares de conta vinculada do FGTS com no mínimo três anos de opção, ininterruptos ou não. Outra mudança foi a criação de uma linha específica para os cotistas do FGTS, com investimento de R$ 1 bilhão, sendo R$ 700 milhões direcionados à CAIXA. O programa obedece aos limites operacionais estabelecidos para o Sistema Financeiro Habitacional, podendo o financiamento chegar a R$ 245 mil, observado a quota de 85% para imóvel novo e/ou em construção e 80% para imóvel usado, avaliado até R$

350 mil, a uma taxa de juro de 8,66% a.a. e prazo de amortização de até 30 anos. Não há limitação de renda familiar, podendo o trabalhador apresentar renda acima de R$ 4,9 mil por mês, limite definido para o programa CCFGTS.

Atendimento personalizado para pessoa física Com o objetivo de agilizar o atendimento dos mutuários, a CAIXA lança Ilhas Habitacionais nas 825 agências que, atualmente, são responsáveis por 80% dos financiamentos habitacionais em todo o país. As ilhas são formadas por equipes especializadas que fornecerão informações e farão operações de financiamento imobiliário para até dez clientes simultaneamente.

Feirão da Casa Própria Este ano a CAIXA continua com os Feirões da Casa Própria, que já foram incorporados ao calendário da instituição. Por meio deles, a CAIXA se aproxima do mutuário final, facilitando o acesso à moradia. No último ano, foram realizados 10 feirões e 30 feiras, que receberam 673 mil visitantes. Os eventos permitiram a realização de 11.078 negócios no valor de R$ 479 milhões, além de outros 48.153 encaminhados, representando R$ 2,3 bilhões.

Recorde de contratação no estado do Pará, em habitação , saneamento e infra-estrutura

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Vamos dar uma volta através dos anos pela Cidade Velha para lembrar como era, como está hoje e de quem é a responsabilidade de toda essa perda de "memória histórica”

A Cidade Velha ontem e hoje por Dulce Rosa de Bacelar Rocque* - Saí da Praça da Bandeira ainda pequenina e fui morar na Avenida 16 de Novembro, numa casa que dava para contemplar o pátio interno do prédio dos bombeiros e sua movimentação. Esse "sobrado", tinha um enorme balcão de pedra trabalhada e mantinha sob ele os segredos de um sapateiro dedicado ao seu ofício além de uma movimentada oficina de soldagem cujas faíscas eu observava curiosa. Internamente, o sobrado possuía uma escada linda, de pau amarelo e acapú que me lembrava os filmes americanos da época. Hoje, um Ministério Público ocupou o local, modificando-o totalmente."Ao lado desse Ministério Público, quase de canto com a Pça. Felipe Patroni, um casarão pede socorro. Abandonado, com suas janelas a bater quando chove e quando faz sol, será, brevemente, um outro pedaço de história perdida, por puro descaso, mesmo se a Prefeitura está ali bem próximo, do lado de lá da Praça Felipe Patroni." - Defronte daquela nossa casa e ao lado do prédio dos bombeiros tinha uma casa baixa, com duas janelas e uma porta, arquitetura típica da época e que eu observava do balcão de casa. Ela foi demolida para ceder espaço ao estacionamento dos caminhões-pipas e a construção de um alojamento para a tropa de bombeiros. - Cursando o primário, saía de casa correndo sob o sol do meio dia para assistir aulas na casa da Prof.ª Teresinha, a última da rua Joaquim Távora (conhecida como "Beco do Cardoso"), aliás, um casarão, bem na beira do Rio Guamá. Para chegar até lá passava pelo Grupo Rui Barbosa, onde também estudei, pelas casas das professoras Lamarão - com seu "saguão"- e Nazaré - com sua alcova fechada e misteriosa -, outras minhas professoras do primário. Também passava pela casa do Seu Xavier (pai da nossa deputada Elcione), que era bastante conhecido pois tinha a habilidade de consertar as clavículas de toda a criançada da Cidade Velha que se machucava nas traquinices da infância. Quando chegava a Praça do Carmo, com seu belo coreto, já estava próxima do meu destino. Chegava arfando a porta da casa que servia de escola e que se localizava a beira do rio. Hoje, um portão abusivo fecha a rua Joaquim Távora retirando da população a visão do rio e nenhum órgão público conseguiu ainda removê-lo. Passava, juntamente com irmãs e primas, por muitas casas que ainda tinham porão, saguão e eram compostas de sala, alcova, varanda, corredor com dois ou três quartos, dispensa, cozinha, banheiro, muitas com quintal e todas com assoalho de madeira - acapú e pau amarelo e tetos trabalhados. A criançada - hoje gente importante quando saia da casa da Prof. Rebordão, aproveitava para apitar em todas as campainhas dessas casas. Iam a pé e desacompanhadas. Outros tempos, mesmo.

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1-Recordações da Infância

2-Juventude

- A avenida 16 de Novembro era margeada de palmeiras imperiais que aumentavam ainda mais a grandiosidade da estrada. Vejo-me pequenina quase a cair de costas para poder olhar o topo daquelas palmeiras, controlando se tinham urubus, antes de começar a brincar embaixo delas. Hoje, essas palmeiras não existem mais na 16: ninguém as replantou depois que morreram. - A Tamandaré não podia nem ser chamada de Avenida, pois era um enorme pântano, um lamaçal. Começavam a construir as primeiras casas de alvenaria - de dois andares e com pátios - que depois penderam para um lado a causa do terreno alagadiço. Hoje essa "avenida" é um grande esgoto a céu aberto com seu odor fétido e seus bloketes irregulares que destroem veículos e os ossos de seus passageiros. - Naquela época freqüentava o cinema Guarani e de vez em quando o Universal, para ver "bang-bang", ou seja, filmes de "cow-boy". Hoje, outros Ministérios Públicos ou coisa parecida ocupam esses lugares. Entre um cinema e o outro, a casa do nosso Bruno de Menezes, que, se hoje ainda permanece intacta, é somente por mérito de sua família. Na Tomázia Perdigão as investidas de órgãos públicos nem sempre tiveram êxito. Duas ou três casas se salvaram. Ainda bem, mas as moradoras, todas idosas, tem que conviver, também, com as "boites" que surgiram no canto da Assembléia Legislativa. De tarde íamos brincar na Praça Felipe Patroni, com sua fonte rodeada por benjaminzeiros e, de um lado, três tamarineiros nos enchiam a boca de água, quando não conseguíamos encontra-los no chão e come-los. Na Praça dos Leões (D.Pedro II) comíamos manga e, brincando de ju-ju, nos escondíamos atrás dos bambus que ficavam dentro dos lagos que enfeitavam a praça. Ela foi consertada, ficou bonita de novo, mas os bambus desapareceram do lago. - Já cursando o científico no Paes de Carvalho, passei a morar na Praça Amazonas esquina com a 16. A casa tinha três salões enormes que se enchiam de jovens quando fazíamos festas e de "subversivos" quando a usava como "aparelho" para reuniões clandestinas durante a ditadura. Hoje ali tem um edifício e defronte, no lugar do casarão onde a mangueira do quintal fazia sombra quando esperava o ônibus "Circular" para ir para a faculdade, tem um posto de gasolina. Nesse tempo ainda não existia nenhum edifício, seja na Avenida 16 de Novembro que na Praça Amazonas. Aí, outras casas e casebres foram demolidos para dar lugar ao Clube dos Sub-Sar, na Praça e mais tarde a espigões na Av. 16 de Novembro também. O Presídio S.José ainda abrigava os presos e tinha missa na sua igrejinha aos domingos.

Lembro-me que nos anos 60, talvez entre 65 e 67, foi inaugurada uma fabrica de tintas em Belém, com financiamento da SUDAM. Em tal ocasião fizeram uma campanha para pintarem as casas para o aniversário da cidade. Neste período, notei o desencadear do desastre na Cidade Velha. Alguns moradores aproveitaram para tirar os azulejos e pintar as fachadas. Foi então que relevei a presença do estilo "raio que o parta" em casas do bairro. - Mais tarde, em meados dos anos 70, o trapiche com posto de gasolina situado ao lado da Igreja do Carmo parou de funcionar. Em pouco tempo, começaram a ocupar a margem do rio. O vigia do posto, desocupado, com sua família, providenciaram essa ocupação inicial. Algum órgão público competente em matéria tomou providências? Não. Nos anos que passaram aquela margem do rio se encheu de casebres, sem nenhum tipo de saneamento vedando outra vista para o rio ao fechar a Tv. D. Bosco. A cidade crescia e o numero de automóveis também, criando outro problema para a Cidade Velha. Suas ruas estreitas e suas calçadas de lioz começaram a ser depredadas por excesso de peso dos veículos. A falta de estacionamento também foi um fato que ninguém se preocupou em resolver. Notamos também que as calçadas de pedra de lioz começaram a desaparecer, cobertas, muitas vezes por cimento. Por que isso? Os leitos das estradas, cada vez que esburacava o asfalto, em vez de serem nivelados, recebiam outra camada de asfalto por cima do anterior ao ponto de hoje, serem mais altos do que as calçadas. Resultado, a água das chuvas acabava invadindo casas e lojas, porque ficavam em um nível mais baixo. Como se defenderam os proprietários? Aumentaram as calçadas também, colocando cimento sobre as pedras de lioz.... e ficou por isso mesmo. A quantidade de linhas de ônibus que começaram a usar aquelas "ruinhas" já com seus paralelepípedos cobertos por asfalto, aumentou. A trepidação provocada nas casas pelo excesso de caminhões, ônibus e carros que passam pela Dr. Assis foi, e é, outro problema que ninguém se preocupa em resolver. - Nos anos setenta/oitenta, a proliferação de órgãos públicos defronte das praças onde eu e tantas outras crianças brincaram na infância, já tinha modificado o visual que eu recordava. Entre a Praça Felipe Patroni e a Igrejinha de S.João Batista, a Justiça impôs seu estilo, ignorando toda e qualquer teoria de conservação do nosso patrimônio arquitetônico, criando um, todo seu, que desconheço o nome. Na praça "dos leões", o mesmo tinha acontecido. A Assembléia Legislativa fez a sua parte descaracterizando o entorno, talvez para não criar "falsos históricos". Esses órgãos públicos deram o exemplo e alguns moradores do bairro seguiram a idéia. As demolições pouco a pouco foram renovando a face

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ONTEM: das ruas. Várias casas com pátios já tinham se instalado pela Cidade Velha no lugar das casas coloniais. Quem podia destruía o "velho" e substituía por algo mais moderno e assim a Praça do Carmo também perde seu coreto, por mérito da Prefeitura. Hoje, ao redor de tais órgãos públicos, a quantidade de automóveis estacionados ignorando o código do transito, representa um outro péssimo exemplo de "civilidade". De fronte da Igreja de S.João obra prima de Landi é uma vergonha. Cada dia piora mais e precisa-se de muita atenção andando a pé e, muita paciência para passar, guiando um ônibus, por exemplo, e dar a volta por aquelas praças. Pensar que a maioria dos problemas que o pedestre encontra é causado por pessoas que vão ali para redigir, aprovar e aplicar as leis!!! - Nos anos 90, Belém já tinha crescido bastante e quem usava jóias começou a substituí-las com bijuterias. As casas se encheram de grades e, para evitar seqüestros, os vidros dos carros foram pintados de escuro. A insegurança se generalizava. Pergunta que não quer calar: o numero de policias foi adequado ao aumento do numero de habitantes?

3-Idade Adulta A Cidade Velha e seu entorno já tinham mudado de fisionomia. Somente em 1994 aprovam uma lei para evitar que acabassem de demolir totalmente o que tinha sobrado da nossa historia. Mas, não somente a parte arquitetônica tinha sido alterada, os nomes das ruas também. As cidades portuguesas foram substituídos por nomes de pessoas que, hoje, ninguém sabe quem foram, a começar pelo meu pai que dá nome a ex-travessa da Vigia. O Palacete Pinho caia aos pedaços. Árabes, portugueses e japoneses, principais moradores do bairro, começaram, pouco a pouco a se afastar. A face da Cidade Velha tinha mudado. Menos gente pela rua nos fins de semana pois as casas de família tinham mudado de patrão e, principalmente, de uso. Resultado: as paradas de ônibus transformaram-se em "ponto de assaltos". Vários cantos de rua se tornaram "lixeiras" a céu aberto. Em frente a Igreja do Carmo (não somente depois de casamentos), na Dr. Assis, na Dr. Malcher e em muitas outras ruas e travessas, os lixões abundam. Ninguém tomou providências, então tornou-se um costume generalizado. Bueiros cobertos, não existe quase nenhum. Muitos são usados inclusive como lixeira criando problemas quando chove. O risco de cair nos outros é permanente. Já mais recentemente, na tentativa de salvar o que tinha sobrado do nosso patrimônio arquitetônico, vimos desaparecer o muro do Circulo Militar. O Forte do Castelo guardado nas nossas lembranças nada tem a ver com o belíssimo resultado obtido com seu "restauro". Pena que os escombros do Bechara Matar tenham continuado ali, como uma sentinela. Uma tristeza também que o lindo prédio do Instituto Histórico, permaneça praticamente inutilizado, como um alerta ao descaso.

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Forte do Castelo

As belas palmeiras imperiais da 16 de nov. Vista da entrada da Cidade Velha

Praça D. Pedro II

Presídio São José


HOJE: Comparando os comportamentos do setor público e do cidadão, me pergunto: como reclamar ou pretender dos moradores ou proprietários de bens no bairro o respeito das leis, quando os órgãos públicos deram e dão maus exemplos. Esquecem os próprios deveres, abrem exceções, fecham os olhos para coisas gritantes que vemos ao nosso redor. Assim sendo, aquelas casas abandonadas que ninguém vê - ou seja, todo aquele povo que vai assistir o Arraial do Pavulagem ou a saída do Círio não vê -, estão esperando um vendaval para cair definitivamente. Quem sabe o que será construído no lugar delas! É claro que dizer que "a minha liberdade acaba, onde começa a tua", não vale na nossa terra. Muitos se sentem donos de tudo. Desse jeito, praças viram campo de futebol e as boladas vão acabar nos carros estacionados ou nas portas das casas. Não é mais possível sentar para pegar vento ou conversar na porta, como antigamente, nem passear com filhos ou netos nessas praças. Isso porque as áreas que poderiam ser utilizadas para lazer, continuam abandonadas. Na Av. Tamandaré não faltam exemplos e poucos dias atrás, muitos vereadores votaram contra a proposta de emenda do orçamento que pedia o conserto da quadra de esportes que está inutilizada há anos nessa avenida. Sempre falando dos "confins" da liberdade, quando desce a noite, a poluição sonora abunda em todos os cantos impedindo o sono dos moradores. Alguém faz alguma coisa? Os locais barulhentos fazem publicidade em jornais e Tvs e ninguém vai controlar a altura do som. As calçadas ocupadas com mesas e cadeiras, estão respeitando as leis em vigor? Quantos tem autorização para essa ocupação? Onde estão os controladores? Existem fiscais? Não é desleixo, isso? E acaba tornando-se um direito adquirido difícil, depois, de ser corrigido. Na cidade, o caso dos ambulantes da Presidente Vargas é um exemplo notório. Cadê o Código de Postura do Município? Alguém o conhece? E o Código do Transito? Passar com sinal fechado é previsto no nosso Código do Transito? Estacionar em cima do espaço das Praças, é previsto? Quantas campanhas foram feitas para ensinar quem usa bicicleta, não andar na contramão e quem tem automóvel, não estacionar nas calçadas, tirando o direito dos pedestres?. Quantas são as pessoas destinadas a controlar o respeito dessas leis? Poderia continuar com outros problemas do bairro: O antigo Grupo Rui Barbosa, não serve os moradores do bairro; não existe posto de saúde por aqui também; a falta d'água é constante e sem pré-aviso e quando volta tem uma cor marrom; as depredações, inclusive relativas a azulejos, não acontecem somente em casas abandonadas; os turistas sentem falta de caixa eletrônico na Praça da Sé e no Mangal das Garças. Mais do que tudo faltam PM BOXs, faltam guardas nas ruas pois a insegurança é generalizada. E como se tudo andasse as mil maravilhas descobrimos que o principal instrumento de planejamento urbano, o Plano Diretor Municipal, atualmente em discussão, contém uma série de artigos que consideramos extremamente perigosos, não somente para a Cidade Velha, mas para toda Belém. Paralelamente, construtoras se mexem para alterar o "gabarito" do bairro... e quer ver que conseguem? São Tomas tinha razão quando dizia que " a qualidade da cidade depende da qualidade dos cidadãos", incluindo aqueles que elegemos. Presidente Associação Cidade Velha-Cidade Viva

Forte do Castelo

Cadê “As belas palmeiras imperiais da 16 de novembro”

Vista da entrada da Cidade Velha

Praça D. Pedro II

Presídio São José ( São José Liberto) EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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Camillo Vianna

AMAZÔNIA: SAQUE E ENTREGAÇÃO

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e repente, não mais que de repente, novamente a questão amazônica veio à tona com incrível impetuosidade, transformando o que seria o futuro Celeiro do Mundo e Berço de Civilizações, em um incrível emaranhado de problemas que vão desde o saque organizado, devastação desenfreada, queima acelerada e cobiça internacional aguçada, superando, em todos os aspectos, quaisquer problemas que de um modo ou de outro fazem parte da história da Amazônia ao longo dos séculos. A história sempre mal contada, dependendo do interesse de cada qual, comprova a desintegração do que deveria ser patrimônio da Humanidade. Não é possível que a navegadores espanhóis como De Lepe, Niño e Pinzon (este com certeza), não tivessem andado por aqui antes da trombeteada viagem de Pedro Álvares Cabral, sem nenhuma pompa e circunstância, e deixando de lado também o patrício Duarte Pacheco, que teria dado com os costados no então cafundós do Mundo Tropical, bem antes do seu conterrâneo ilustre. Aberta ao saque ao longo dos seus séculos, o que se chama hoje de biopirataria, é o estigma maior do que poderia vir a ser o Paraíso Tropical. Distanciada dos centros de administração Lisboa, Madrid, Salvador, Rio de Janeiro e Brasília desde priscas eras a Amazônia está entregue à própria sorte. Os fantasiosos e suntuosos projetos costumam, como

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dizem além-mar, dar com os burros n'água, não sem antes deixar rastros de violência, pobreza, miséria, destruição, roubo puro e simples e cobiça nacional e internacional. Em nome de Deus, da ciência, da dignidade humana, do desenvolvimento chamado não se sabe porque de sustentável, a Amazônia brasileira vem se transformando em verdadeira e gigantesca casa da mãe Joana, e ao que parece já foi dito solenemente por emérito amazonólogo só faltaria ordem de comando para Terra Primorosa ser ocupada, não a manu miltari, mas pura e simplesmente por todos os instrumentos que têm corrupção como lema e bandeira. Em verdadeiro mutirão, estão empenhados de corpo e alma os de dentro e fora do país a se apossarem não só dos bens


materiais como também da própria região. Com esmero e eficiência, pesquisadores, cientistas, turistas, acadêmicos, estudantes, políticos, madeireiros, missionários, catequistas, diplomatas, fazendeiros e ONGS, fardados ou a paisana, é uma relação imensa de outros trambiqueiros, corsários e piratas que vão de simples macuqueiros a prodígios afanadores em todos os quadrantes do universo, estão igualmente comprometidos. Como se tudo isso não fosse suficiente o alheiamento dos nativos também compõe o quadro que longe de ser fantasioso representa a verdade verdadeira, pura e cristalina. Quem viver, naturalmente, verá. Louvado seja Deus e bendito seja seu santo nome. Belém, 01 de junho de 2000 *A quem interessar possa: entregação é entregar mesmo, por bem ou por mal.

*SOPREN/SOBRAMES

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Acyr Castro

odnacilpxEExplicando qui estão 4 pontos pelos quais considero Ruy Guilherme Paranatinga Barata um dos mais extraordinários poetas de todos os tempos, não importam escolas, estilos, tendências. Para mim é o maior e melhor. Soube, como nenhum outro, inclusive este aprendiz de viver e de tecer textos em verso e prosa, encarnar todas as cidades estaduais, por entre Belém, Santarém e o universo paraense que sozinho, vale por todo um país. Ruy interpretou, como só ele, o encontro das águas quando o mar, doce e salgado como somente os rios, entende que a hora é do rei. Guilherme transformou versos em sinais e vice versa, espalhando, espaçoso como ninguém, e se espraiando, escrita e desviver. Bebeu todas e todos engoliu, copos e copas, dono absoluto da espada. A palavra é Paranatinga e quem souber que explique o que o colunista desta magnífica P ará+ de fevereiro de 2008 não quer explicar, mesmo porque Ruy Barata era claro como transparente ficou, imortalizado na escrita que resiste aos tempos. Ruy Barata nasceu em 1920 e viajou para o outro lado da existência em 1990. Uma semana antes de partir, me telefonou de São Paulo: queria o endereço dos meus amigos Haroldo e Augusto de Campos, sabedor da minha amizade com os papas do movimento concretista. Era abril que, W. H. Auden, repetindo T. S. Eliot, é o mais cruel dos meses do Zodíaco, o que se cumpre no Ocidente, que no oriental a coisa acaba atravessada.

A

Quem pode medir um homem? Quem pode um homem julgar? Um homem é terra de sonhos, Sonho é mundo a decifrar. Naveguei ontem no vento, Hoje cavalgo no mar. Hoje sou. Ontem não era. Amanhã de quem serei?

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Ruy Barata antes


Ruy Barata depois Um homem é sempre um segredo. Por qual deles purgarei? Dos meus netos, qual o neto Em que me repetirei? Ruy Guilherme Paranatinga Barata passou do poemar escrito para a poesia cantada. Apenas teve um rival no Brasil, Vinícius de Moraes. Deixemos que os dois ontem e hoje, aqui e agora, ganhem a cada dia novas audiências. Nenhum outro homem se sente à vontade, tal me sinto, herdeiro de maestros, poetas e compositores, para expressar tanto harmonia quanto musicalidade. Lembremos que dois poemas meus, Dúvida e Estilhaços , ganharam o mundo na música de Altino Pimenta, pura saudade, na voz memorável de Dione Colares. Poemas citados integram um dos treze livros que publiquei. Era o que me cabia tentar explicar, neste resumo que vai às mãos do povo, iniciativa de Ronaldo e Rodrigo Hühn, que vocês podem encontrar nas bancas de jornais e revistas, a preço acessível, uma revista excelente e de qualidade internacional vendida por sinal mais barato que uma xícara de café. E tenho dito.

(*) Poeta, jornalista, escritor, membro da Academia Paraense de Letras e do Instituto Histórico do Pará

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“Memória do Carnaval de Belém: Fotografias, Vestuário e Adereços”

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ssa exposição reuniu peças do acervo da Fumbel (Fundação Cultural do Município de Belém) e de algumas escolas de samba. No Memorial dos Povos Imigrantes, estiveram em exposição, fotos de bailes, das Rainhas das Rainhas, adereços e alegorias e outros itens representando o quadro momesco. No Cine Olympia, com circuito paralelo, estavam expostas memórias de manifestações culturais do carnaval de rua, com fotos e recortes de jornais antigos, fazendo com que a população visitante viajasse desde os carnavais de outrora até os festejos mais atuais. A exposição foi dividida nas décadas de 50, 60, 70, 80,

90 e 2000, passando pelo primeiro momento da predominância dos blocos de rua como o Xavantes, Ritos e Mitos e Unidos de Nazaré, seguido pelos bailes de sala, as batalhas de confete, que eram promovidas nos anos 70 pelos veículos de comuni-cação, e os desfiles das escolas de samba, com o objetivo de contar a história do carnaval de Belém em caráter didático.

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Conforme Heitor Pinheiro, diretor da Fumbel, “A expo-sição teve grande parte de suas fotografias cedidas pela Fumbel e as demais por fotógrafos amigos, enquanto os adereços, alegorias e fantasias usadas nas agremiações foram emprestadas por instituições e pessoas que desfilaram como destaques de escolas de samba”. O recolhimento, tratamento e identificação do material da exposição levou cerca de 30 dias e foi realizado por técnicos da área de museologia da Fumbel, responsáveis pela curadoria. EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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Os

Mascarados

de Trás-os-Montes por Anete Costa Ferreira

Museu Ibérico de Máscara e do Traje

O

carnaval considerado uma festa pagã teve sua origem em épocas remotas, talvez uma vertente da Saturnália que começava em finais de Dezembro seguindo-se pelo mês de Janeiro, sem data fixa para encerrar. Os antigos justificavam os festejos como agradecimento aos deuses pelo êxito na agricultura. Reza a história que em Roma um carro em forma de navio abria alas em meio à multidão que usava máscaras, promovendo as mais diversas brincadeiras. No Egito Antigo eram os colonos fantasiados e mascarados que festejavam as boas colheitas em Honra à Deusa Íris e ao Deus Osíris. Por sua vez a Igreja Católica absorve as folias

Careto

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consideradas diabólicas e fixa como início, as Festas de Reis (Epifania), terminando na quarta-feira de Cinzas (véspera da Quaresma) ou seja sete domingos antes da Páscoa. O Romantismo, na Europa, propiciou que a sociedade adotasse os bailes de máscaras, as fantasias e os carros alegóricos, dando uma nova feição aos folguedos que foram batizados de “festas carnavalescas”. Em Portugal, a folia inicialmente, caracteriza-se pelos desfiles em vários pontos do país, buscando mostrar as raízes ancestrais, daí passando a ser considerado um “carnaval autêntico português”. Todavia, observa-se ao Norte, na Região de Trás-osMontes um carnaval com características especiais pelo brilhantismo com que se apresentam os mascarados,


brincando e se divertindo a valer com outras pessoas, pois estando disfarçados podem fazer diabruras sem serem reconhecidos. Anualmente, o reinado de Momo se reveste de grande pompa pelos desfiles de mascarados na cidade de Bragança, capital transmontana, A Festa dos Rapazes para onde convergem brincantes das mais diversas localidades. Nos cortejos, acompanhando os foliões vão os músicos com seus instrumentos adufe, bombo, flauta pastoril, tambor, caixa e a gaita-de-fole. É uma forte tradição que atrai grande número de simpatizantes e estudiosos que intercambiando a riqueza cultural daquele gente, mantém viva o tradicional ritual dos mascarados. Destacam-se nos cortejos o “Careto”. São homens disfarçados que andam pelas ruas das povoações, usando máscaras feias para causar medo como se fossem criaturas de outro mundo. Fazem barulho e perseguem as moças solteiras. Suas máscaras são de couro, madeira ou de cortiça, em estilo feíssimo. Trajam fantasia de lã nas cores verde, azul, preto, vermelho e amarelo, listradas. Usam grandes chocalhos pendurados na cintura e guizos nos tornozelos e que ao se movimentarem produzem grande zoadeira.. Apoiam-se num pedaço de pau ou uma moca para impressionar os assistentes. Segundo a tradição, as mulheres não podem se vestir com fantasias semelhantes, uma vez que esta manifestação é tida como “A Festa dos Rapazes”. Os meninos são chamados “Facanitos” e se vestem igual aos mais velhos, imitando seus gestos, a fim de manter viva a brincadeira carnavalesca. Nas crenças transmontanas diz a lenda: “ existe algo de mágico em todo o ritual da festa que permite aos mascarados fazerem coisas que os outros não são capazes”. Sublinham os historiadores que esta tradição existe mesmo antes do cristianismo, estando associada à praticas mágicas relacionadas com os cultos da fertilidade na agricultura. A cidade de Bragança, visando perpetuar a tradição criou em 2002 a “Bienal da Máscara “, em parceria com a zona de Zamora (Espanha), evento que atrai grande número de visitantes de vários pontos do mundo num intercâmbio envolvente de arte, antropologia, arqueologia, história, etc. com o objetivo de eternizar a tradição nestas duas cidades ibéricas. Recentemente, foi inaugurada em Bragança, a “Academia das Máscaras” , cuja temática servirá como reconhecimento da atividade dos mascarados e dos artesãos que participam em todo este mundo mágico das máscaras. Há também outra verente que é a formação de artesãos e grupos de Caretos mais jovens. Outro dado importante é a criação do “Museu Ibérico de Máscara e do Traje”, fruto da cooperação transfronteiriça entre Bragança (Portugal) e Zamora (Espanha) com a finalidade de manter viva a tradição nestas cidades luso-espanholas. Na 3ª Feira Gorda realiza-se a queima do “Mascareto”, encerrando as folias do Rei Momo transmontano. A máscara, os mascarados e todas as festas envolvendo os rituais de Inverno característicos da identidade de Trás-os-Montes constituem-se numa autêntica referência cultural da cidade de Bragança.

Mascarados de Trás-os-Montes

Facanitos

*Representante da Pará+ em Portugal EDIÇÃO 74 [FEVEREIRO 08]

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CACHOEIRA DO ARARI 10 a 20

FEV.

Carnaval nos Campos do Marajó Principais ruas da cidade FONE/FAX: (91) 3758-1116 / 3758-1550 prefeituraca@hotmail.com

E MA

R.

PLACAS 17 a 20 IV Placafolia - Carnaval Praça pública, quadra Carlinhos e quadra da Escola Almir Gabriel FONE/FAX:(93) 3552 1311/ 3552 -1223 andradetomaela@hotma il.com

PEIXE-BOI 23 a 26

SOURE fevereiro a março

4º Peixe-Boi Folia Orla Beira-Rio FONE/FAX: (91) 3821-1177 / 38211281 / 3821-1145 leilafast@yahoo.com.br

Rallye Les Illes du Soleil Restaurantes, Praias Fazendas FONE/FAX: (91) 9119-6848 / 3741-1275 helomartins16@hotmail.com

SÃO CAETANO DE ODIVELAS 01/03 a 30/06

SALVATERRA 03 a 10/03

SÃO DOMINGO DO CAPIM 07 e 10/03

ÓBIDOS 08 e 09/03

Apresentação de Orquestra de Musica Sinfônica Praça do Pescador FONE/FAX: (91) 9155-0049 r.rodrigues@hotmail.com

Festa da Cultura Marajoara Praça das Comunicações FONE/FAX: (91) 8812-5315 / 3765-1281

Campeonato Nacional de Surf na Pororoca Arena da Pororoca FONE/FAX: (91) 3483-1431 / 9166-0246 pedrojunior.sodre@bol.com.br

Festival da Castanha Comunidade Andirobal FONE/FAX: (93) 3547-1060 moises-sp@bol.com.br

PARAUAPEBAS 08 a 12/03

PIÇARRA 08/03

BELÉM 20 Festividade de Iemanjá Chapéu Virado Ilha do Mosqueiro FONE / FAX: (91) 3771-1264 3771-1755 / 3771-3150 tony_russo_mo@hotmail. com

Semana da Mulher Praça de Eventos e Ginásio Poliesportivo FONE/FAX: (94) 3346-8216 goreteturismo@hotmail.com

BELÉM 18/02 a 14/04 Fapespa publica edital de seleção de projetos de pesquisa Av. Presidente Vargas, 1020 FONE: (91) 4009-2500 www.fapespa.pa.gov.br

Soltura de Quelônios Vila de Itaipavas FONE/FAX: (94) 3422-1230 / 1341 / 1038 pmp.picarra@yahoo.com.br

BELÉM 20 Anos do Bar do Gilson Exposição de artistas da Fotografia Fones: 3276-7403 ; 91164988 Travessa Padre Eutíquio, 3172, Condor

MOJU 14 e 15/03 EXPOCANTAPARÁ Praça da Matriz FONE/FAX: (91) 3083-8008 / 8119-4801 www.expocantapara.com.br centrocasa@click21.com.br dantas.selva@hotmail.com

BELÉM Janelas da Cidade Exposição de Quadros de Antar Rohit MABE Museu de Arte de Belém Pça D.Pedro II Palácio Antonio Lemos Fones: (91) 3283-4712

PIÇARRA 01 a 03/03 Vaquejada Vila Cigana km 12 FONE/FAX: (94)3422-1310 pmp.picarra@yahoo.com.br

BELÉM 19/02 MOSTRA DE ARTE FRESTAS Galeria Theodoro Braga - CENTUR Av. Gentil Bittencourt, Nº 650 – Nazaré 19h30

BELÉM até 31/03 “Prêmio Sim de Artes Visuais" Praça Frei Caetano Brandão s/nº Cidade Velha - 10 às 18 h FONE: (91) 4009-8825 onzejanelas@gmail.com

S U


Central de Atendimento

(91) 3204-8200


Pará+ 74  

Conferencia Estadual de Educação

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