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Revista agosto 2007

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 67

3,00

O GUARANI

FESTRIBAL EM JURUTI SOMOS CONTRA


Orgulhosamente paraense! OFICINA UNE ARTESÃOS DE MIRITI EM ABAETETUBA IL GUARANI ABRIU O FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓPERA...

O XIII FESTRIBAL DE JURUTI

por Maria Lúcia

Pág. 14 por Jenival Cardoso e Lucas Castro

Pág. 06 PARÁ+ RECEBE PRÊMIO MARKETING EMPRESARIAL

COMO REVERTER O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO Segundo uma pesquisa canadense recente, os benefícios de duas idas semanais à academia de ginástica incluem não somente músculos mais fortes, mas também músculos mais jovens. O estudo com pessoas acima de 65 anos reverteu os sinais de envelhecimento dos músculos...

Pág. 16

O SÉCULO DO RAP

Eu perguntei ao vendedor, "O que a sua empresa faz?", ele disse "Nós vendemos soluções das principais marcas de informática do mundo. Nós vendemos hardware, software e serviços. Nós oferecemos serviços técnicos de alta qualidade e preços sempre competitivos.", "LEGAL! PARABÉNS!

por Ricardo Jordão

Pág. 35

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Pág. 26 AFINAL O QUE É LOBBY?

WORLD MANAGEMENT 2007 MARKETING

Nos últimos dias essa expressão passou a freqüentar todas as conversas. Face à natureza da matéria a que a palavra está vinculada, todos têm, ao menos intuitivamente, uma idéia do que ela significa. Mas, o que é lobby e em que consiste ser lobista?

Kevin Keller é um conceituado catedrático norte-americano, além de consultor de grandes empresas e autor de best sellers, entre eles, “Administração de Marketing”, uma parceria com Philip Kotler. Em sua apresentação alerta para a importância e poder das marcas como um meio de identificar e diferenciar produtos e serviços...

Pág. 40

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Foto: Elza Lima/Secult

por Sergio Tostes

Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Í N D I C E

PUBLICAÇÃO

por Tom Coelho

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; REVISÃO: Paulo Coimbra da Silva; COLABORADORES: Acyr Castro, Camillo Martins Vianna, Garibaldi Nicola Parente, Genival Cardoso, José Vilhena, Lucas de Castro, Maria Lúcia Morais, Ricardo Jordão Magalhães, Sérgio Martins Pandolfo, Sergio Tostes, Tom Coelho; FOTOGRAFIAS: Arão Chaves, Arnaldo Veiga, Claudio Mesquita, Carlos Santos, Eliseu Dias, Garibaldi Parente, Jornal Tribuna da Calha Norte, Leonardo Nascimento, Mario A. Souza, M. Quadros, Maria Lúcia Morais; DESKTOPING: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios

*Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES


Índia Guerreira (Munduruku)

Porta Estandarte (Munduruku)

O XIII

Festribal

de Juruti

Fotos: Jornal Tribuna da Calha Norte

EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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por Genival Cardoso e Lucas de Castro

A Guardiã Tribal II (Munduruku)

Tribo

Munduruku

é campeã do Festribal 2007

cidade de Juruti se emocionou, explodiu de alegria e felicidade com a realização do XIII “Festribal”, durante os três dias da disputa entre as tribos Munduruku's e Muirapinimas. A arena teve seu espaço lotado com pessoas vindas de todas as partes para assistir o Festribal da “Cidade da Bauxita”. A primeira noite serviu para as tribos mostrarem ao público um pouco do que será apresentado no sábado, quando as duas tribos irão se exibir oficialmente. Na segunda noite, aconteceu a tradicional apresentação das Tribos Mirins. As crianças mostraram aos expectadores que também entendem de “Festribal”. As danças, devidamente ensaiadas, foram alvos de aplausos por todos os presentes. A tribo Muirapinima se apresentou com o tema, “Celebração Tribal”, em que destacou a vida com a lenda do Jurupari. Iniciou com a lenda do Yebabelô, onde relata que “no princípio de tudo não havia vida, somente um grande maloca rochosa em que o Deus Yebabelô assoprou e surgiu a água com o ar, em seguida Yebabelô assoprou mais uma vez, surgindo assim a vida”, onde a grande maloca se abriu na arena do Tribódromo aparecendo uma grande índia grávida, e saiu diversos dançarinas vestidas de grávidas para formar o tribão na arena. Para surpresa dos jurados e da platéia presente, surgiu do alto vindo em uma flor a Porta Estandarte, Suelem Gonçalves, que deu um show arrancando duas notas 10 dos jurados. A tribo Munduruku's deu um show em sua apresentação. Entrou na arena com o tema “Amazônia, Cunhantã dos olhos do mundo”, que é “um canto de esperança e de clamor pela vida, neste santuário tão fundamental para a jornada do mundo rumo a um futuro cheio de incertezas...”. O “Regional”, (banda musical que conduz a tribo durante as exibições) se apresentou personificado em forma de “curupiras”, entidade sobrenatural que aparece em forma de um curumim (menino), de pés voltados para trás. Sua principal brincadeira é deslizar em canoas abandonadas nos igarapés e portos das aldeias. Como apresentador oficial estava Junior Batista, representado como Tuxáua Manaó, transformado em mito e símbolo da resistência indígena. Yézen Rocha interpretou os cantos indígenas, inspirada artisticamente como o “Uirapuru”; pássaro encantado no imaginário dos povos amazônicos. A galera também concorreu durante as apresentações. Formada por pessoas apaixonadas pela Tribo Munduruku's, crianças, adultos, idosos, homens e mulheres, cantaram formando um só coro. EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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Apresentador (Munduruku)

A primeira alegoria a entrar na arena foi a “Maloca da Vida”, e trouxe a lenda “A criação da Amazônia na Visão Munduruku”, com destaque para Rairú, “primeiro homem Munduruku, que em gesto súbito de bravura, percorreu os 4 cantos da terra e abriu a maloca da vida. Dessa forma foram criadas a humanidade e a Amazônia, cunhantã dos olhos do mundo”. O que também mexeu com a emoção da torcida foi a Tribo Indígena Munduruku, sob a responsabilidade artística de Geandre Reis. Os Munduruku's, segundo interpretação da tribo, habita hoje na terra indígena

Porta Estandarte (Muirapinima) EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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“Terra do Índio”, “Praia do Mangui” e “Sai Cinza”, localizadas nos municípios de Itaituba e Jacareacanga, e falam português e o munduruku. A Tribo indígena Apiacá também foi mostrada pelos Munduruku's, ela tinha como responsável, a artista plástica Paquita. Outras tribos apareceram durante a evolução, como os Kaiapó e os Satere–Mauwé, inventores da cultura do guaraná e domesticadores da trepadeira silvestre. A dança da criação foi outra grande atração do grupo. As tribos citadas anteriormente realizaram coreograficamente a dança da crença, em reverencia a Karú–Sacaebê e os 4 elementos espirituais da terra. A alegoria seguinte mostrou o “Guaraná vermelho, o pássaro que anuncia o


alvorecer do primeiro dia”. Na concepção dos Munduruku's, o primeiro dia foi anunciado pelo vôo dos pássaros “Guaraná Vermelho”, miticamente considerado como o pai do “sol”, recebido com festa na aldeia, vindo com ele uma bela cunhantã, representado pela Porta Estandarte Nábila Barbosa, com as escritas “Amazônia, cunhantã dos olhos do mundo”, numa perfeita sintonia entre sua

dança e o estandarte, demonstrando todo o seu orgulho e a sua raça de beleza da mulher juritiense. A tribo originalidade disputou através do íten 12, junto com o item “Originalidade em Conjunto”, através do tema “Munduruku's, no rito de iniciação masculina e feminina de tatuagem”. Na ocasião foi destacado uma “viagem ao Tapajós”, enfatizando o convívio com diversas aldeias Munduruku's, em que segundo os

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costumes, 'o índio Munduruku recebe uma tatuagem no corpo quando ainda criança que serve de identificação para o resto de sua vida, e reconhecer em qualquer lugar um nativo Munduruku. A marca é feita quando ainda curumins que são levados pelos seus pais ou pessoas mais velhas até o pajé, que este, com um dente de cotia pontiagudo mergulhado na seiva do jenipapo é feita a tatuagem', sendo encenado o ritual em plena arena com gritos dos 'curumins'. Fazendo parte da apresentação, concorrendo ao item 5, entrou na arena uma grande alegoria denominada de karu-Sacaebê, “o pai das onças bravas”, com um formato de onça e mulher, em que nela estava a jovem Tays Sampaio, a Índia Guerreira da tribo Munduruku. Uma das atrações mais esperadas foi a “Tribo Coreografada” que representaram dentre outras coisas, as feras guaribas, os homens urubus e as mulheres araras, em um show de interpretação. A alegoria “Yrupê”, 'cunhantã, que por uma prova de amor, se transforma em flor das águas. Conta a lenda tupi–guarany, que o guerreiro lua descia nas aldeias uma vez por ano, para escolher uma esposa, para com

ele nos céus viver, transformada em estrela. Naiá, uma das mais belas cunhan dos Apiacás apaixonou-se pela lua e em uma noite ao olhar para o igarapé viu a lua bem pertinho e atirou-se na água, sumindo para sempre e pela manhã a aldeia viu nascer no local uma flor desconhecida, a Yrupê (Vitória Régia), que denominaram de estrela da águas', representando a lenda, entrou na arena uma grande Vitória Régia que dentro estava a Guardiã Tribal dos Munduruku's, Gabriela Batista, que fez uma belíssima apresentação conseguindo duas notas 10 pelos jurados. Um dos momentos que arrancou elogios na apresentação, foi a “Mística do Fogo” onde os refletores apagaram e uma sincronia da galera e índios fizeram um show com fogos, velas e lamparinas. No ritual Xavante, apresentado pela Tribo Munduruku's, o Pajé, é enviado pelo deus Xitó, do Cuo Tipam, o céu, na visão Xavante. Francinelbe Souza é juritiense e levou em sua indumentária todo o esplendor mítico das crenças Xavante da disputa entre os camaleões, fechando a apresentação da Tribo Munduruku's.

India guerreira (Muirapinima)

Originalidade (Muirapinima) EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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Participe da Revista Círios de Nazaré Edição2007 Fechamento anteci pado! Uma publicação Editora Círios

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O maior projeto de inclusão digital do Brasil Eletronorte Fotos: Eliseu Dias/Ag.Pa

O

maior projeto de inclusão digital da história do Brasil viabilizado pela iniciativa de um único Estado, sem a cooperação direta do governo federal. Assim é definido o projeto do governo do Pará que vai levar internet de alta velocidade ao interior do Estado, a partir da utilização da rede de fibra ótica da Eletronorte. O convênio para cessão da rede foi assinado em 30 de março passado. Semana passada, na Prodepa, foi apresentado o projeto de engenharia que vai viabilizar, na prática, toda a iniciativa. Também foram apresentados os tipos de equipamentos usados para captar e distribuir o sinal transmitido via fibra ótica, bem como o poder de alcance e os principais serviços viabilizados. A cerimônia de apresentação foi dividida em duas partes, em que se apresentaram, na primeira parte, o processo de "engenharia política" necessário à concretização do projeto e, na segunda, a "engenharia" propriamente dita - a parte técnica - que vai transformar os dois mil quilômetros de fibra em serviços de telemedicina, teleeducação, videoconferências, infocentros públicos e a integração entre os vários órgãos da governança que prestam serviços diretos à população, como na área da segurança. O presidente da E m p r e s a d e Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), Renato Francês, destacou a c o r a g e m d a governadora Ana Júlia Carepa de transformar a informação e a ciência e a tecnologia em pilares para um novo modelo de desenvolvimento do Estado. O secretário estadual de Planejamento, José Júlio, disse EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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que são grandes as limitações da governança, agravadas pelas grandes distâncias que caracterizam o território paraense. "É quase impossível se chegar a certos lugares, dadas as distâncias, e este projeto de inclusão digital, a partir da fibra ótica da Eletronorte, permitirá uma maior integração entre os municípios e regiões, fazendo as ações de governo chegarem a quem de direito, que é a população". O diretor de produção e comercialização da Eletronorte, Wady Charone Júnior, destacou que, "se há um projeto na empresa que mobilizou não apenas a capacidade técnica, mas também a satisfação pessoal dos dirigentes e engenheiros, é este tocado com o governo do Pará, pelo alcance social imediato e a curto, médio e longo prazos.” O secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, que representou no ato a governadora Ana Júlia Carepa, destacou as duas lições de "engenharia" que viabilizam o convênio e o

Wady Charone Júnior(e), Diretor de Produção e Comercialização da Eletronorte e Maurílio Monteiro(d), Secrétario de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, durante a cerimônia da entrega do Projeto Básico, que firma o Convênio de Cooperação Técnica com a Eletronorte


projeto. "A Eletronorte demonstra uma alta responsabilidade social em suas ações, não apenas por ceder a fibra ótica para uma iniciativa que vai tirar milhões de pessoas da escuridão digital, como também por elaborar o projeto técnico que vai viabilizar todas as possibilidades da utilização da rede." Maurílio Monteiro destacou ainda que o projeto de inclusão digital vai usar o sinal de rádio, captado por antenas, para baixar as transmissões via fibra ótica e viabilizar serviços, infocentros e interligar instituições públicas como escolas e hospitais, através do programa "Cidades digitais". "Um centro comunitário, um lavrador, um médico vai poder trocar experiências diretas, de forma instantânea, com outro centro, com um hospital, com a Embrapa, de qualquer lugar do país, otimizando os serviços existentes e viabilizando novos, tudo com internet de altíssima velocidade e a custo zero." A demonstração técnica do projeto elaborado pela Eletronorte ficou a cargo do gerente da Divisão de Planejamento de Telecomunicações da empresa, Norberto Moreira. "Nenhum Estado, nem mesmo São Paulo, poderia fazer algo semelhante, por não dispor de tanta fibra", destacou Norberto. "A internet de banda larga mais veloz, oferecida hoje no Brasil, é milhões de vezes

menos potente e menos veloz que a que será viabilizada pelo convênio", destacou. Após fazer uma demonstração dos equipamentos e das soluções encontradas pelos engenheiros, Norberto Moreira disse que a intenção é concluir o projeto até julho de 2008. Renato Francês, Presidente da Prodepa

Fone: (91) 3248-5651 EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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Il Guarani abriu o Festival Internacional de Ópera da Amazônia O Fotos: M. Quadros/Secult

público lotou o Theatro da Paz tanto na estréia como nas demais apresentações da ópera "Il Guarani", do compositor Carlos Gomes,do Festival Internacional de Ópera da Amazônia. O evento é uma promoção do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria Executiva de Cultura (Secult). A adaptação, com três horas de duração dividida em quatro atos, foi muito aplaudida pelos espectadores em todas as apresentações. Os comentários de um modo geral foram mais que positivos, algumas inclusive, com fortes emoções de contentamento. O evento foi aberto pelo secretário de Cultura, Edilson Moura, que destacou o principal objetivo do evento, que foi o de valorizar a mão-de-obra paraense. "O Festival Internacional de Ópera representa o esforço do atual governo em reafirmar a tradição lírica do estado e o compromisso de Edilson Moura valorizar os profissionais paraenses responsáveis por grande parte dos cenários, figurinos e acessórios das óperas", disse. O secretário também declarou que pretende levar as montagens das obras para serem apresentadas no interior do estado.

Créditos

"Il Guarani teve a direção cênica e cenográfica de William Pereira e regência do maestro Roberto Duarte, que também foi responsável pela revisão da partitura. A peça reuniu 60 músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, 60 cantores do Coro Marina Monarcha, 15 figurantes, 20 bailarinos da Companhia de Danças Ana Unger e ainda 9 solistas, sendo que 3 são paraenses: a soprano paraense Adriane Queiroz solista na Staatsoper de Berli no papel principal interpretando Ceci, o tenor Richard Bauer como o índio Peri, líder da tribo Guarani e Attala Ayan, tenor paraense que venceu o I Concurso Internacional de Canto Lírico da Amazônia - Maria Helena Cardoso, como Dom Álvaro, um aventureiro português.

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O Festival continua

O Festival ocorrerá até o dia 9 de setembro, com mais duas grandes obras: "La Cenerentola", do italiano Gioacchino Rossini, nos dias 30 de agosto e 1º de setembro e a ópera em um ato de Giacomo Puccini "Gianni Schicchi", nos dias 07 e 08 de setembro, sempre as 20 horas. Três dos eventos do Festival serão abertos ao público: a Gala Lírica , com o Coral Lírico "Marina Monarcha e os solistas Manuel Alvarez,Luciana Tavares,Dione Colares,Alpha de Oliveira e Atalla Ayan com a pianista Ana Maria Adade, nos dias 09 e 10 de agosto; a Lírica Paraense, com os solistas Jena Vieira,Márcia Aliverti,Guto O'de Almeida,Milton Monte e Antônio Wilson, com piano de Paulo José Campos de Melo, no dia 23 de agosto. E em um palco montado em frente ao Theatro da Paz, o grande concerto de encerramento com a OSTP, sob a regência de Mateus Araújo e telão também na Estação das Docas, no dia 09 de setembro, às 20 horas.


S U

Serviço

O Festival Internacional de Ópera da Amazônia começou desde 1º de agosto e vai até 09 de setembro, no Theatro da Paz. Ingressos para as óperas Il Guarani e La Cenerentola, à R$ 40,00 (platéia, varanda, frisa e camarote de 1ª), R$ 30,00 (Camarote de 2ª, galeria proscênio PE) e R$ 20,00 (paraíso). Já a ópera Gianni Schicchi custará R$ 30,00 (platéia, varanda, frisa e camarote de 1ª), R$ 20,00 Camarote de 2ª, galeria proscênio PE) e R$ 10,00 (paraíso). Informações na bilheteria do Theatro: 4009-8757/8758.

AGENDA DA TRANSMISSÃO PELA REDE CULTURA TV e RÁDIO

La Cenerentola 2ª récita - dia 01/09 (sábado), às 20h 2ª récita - dia 01/09 (sábado), às 20h Gianni Schicchi 2ª récita - 08/09 (sábado), às 20h 2ª récita - 08/09 (sábado), às 20h Concer to de Encerramento, Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, Cantores e Coro 09/09 (domingo), às 20h 09/09 (domingo), às 20h

Il Guarani no Scala de Milão-Itália

Renato Garavaglia, diretor de um dos mais impor tantes centro de óperas do mundo, o museu Alla Scala de Milão, elogiou a montagem da ópera "Il Guarani" apresentada recentemente no Festival Internacional de Ópera da Amazônia no Theatro da Paz. Renato destacou o desempenho dos cantores paraenses, como a soprano Adriane Queiroz, o Coral Marina Monarcha, os cenários. "Acho também que o maestro Rober to Duar te conduziu a orquestra de maneira exemplar. Em minha opinião, no geral, foi um espetáculo de alto nível", afirmou. Renato falou e demonstrou sua vontade de levar a obra do maestro Carlos Gomes para uma apresentação no Scala de Milão, mas adaptado à grandiosidade do Alla Scala.

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Oficina une artesãos de miriti em Abaetetuba

estabelecida a partir do momento em que os artesãos descreveram a diversidade dos brinquedos de miriti”, explica Lúcia Santana, do Museu Goeldi, que coordenou a oficina. Segundo Lúcia Santana, o conceito de brinquedo já está ultrapassando o lúdico, pois a matéria-prima suscita a criação e representação de vários objetos e finalidades, que vão extrapolando a mera brincadeira. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena e os artesãos possuem uma alma gigantesca, pois superam as dificuldades do mundo capital e trazem a bandeira de uma tradição que sinaliza resistência e a persistência de continuar a atividade manual de geração a geração”. Além de produzirem o acervo da futura exposição, os artesãos tiveram uma rara oportunidade para trocar idéias, experiências e discutir o futuro da produção do brinquedo, um dos símbolos do Círio e da cultura do Estado do Pará. “Dificilmente temos essa oportunidade de reunir os artesãos, de trabalharmos juntos”, afirma o vice-presidente da ASAMAB, Desidério Antônio dos Santos Neto. Segundo Desidério, a exposição em outubro vai dar o retrato da produção artesanato de miriti. “Os artesãos estão

Mais de 40 peças foram produzidas durante a oficina Brinquedos de Miriti

A

por Maria Lúcia Morais

criatividade reinou soberana durante os quatro dias da oficina “Brinquedos de Miriti: rios, mãos, entalhes e cores", evento que reuniu, na primeira semana de julho, mais de 60 artesãos e artesãs do município de Abaetetuba (PA), localizado no nordeste paraense, a 80 km de Belém (PA), para a confecção de peças em miriti, artesanato tradicional, símbolo da cultura dessa região, feito a partir do braço do miriti ou miritizeiro (Mauritia flexuosa). O acervo produzido será exposto no mês de outubro, na capital paraense, Belém, durante as festividades do Círio de Nazaré, no prédio da Rocinha, situado no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Museu Goeldi e a Fundação Rômulo Maiorana e contou com o apoio da Associação dos Artesãos de Brinquedos e Artesanato de Miriti de Abaetetuba (ASAMAB), MIRITONG, Prefeitura Municipal de Abaetetuba, SEBRAE/PA, Associação Comercial do Município de Abaetetuba, Pastoral do Menor de Abaetetuba e Cristo Trabalhador, local onde as atividades foram realizadas. Durante quatro dias foram produzidas mais de 40 peças a partir das orientações discutidas e definidas, em conjunto, pelos artesãos e monitores: mundo da fauna, mundo da flora, mítico, sacro, utilitário, decorativo, lúdico, entre outros. “Essa classificação foi

Dona Pachequinho: "Foi o Círio que despertou o amor pelo brinquedo”


O come-come

dando tudo de si”. O próximo encontro dos artesãos está marcado para o dia 13 de agosto, quando haverá a entrega dos certificados e será discutido como as peças serão exibidas na exposição. Produzido a partir dos “braços” (hastes que sustentam as folhas) do miritizeiro – palmeira típica da várzea amazônica muito utilizada pelas populações ribeirinhas - o brinquedo de miriti é um artesanato único, fabricado apenas nesse pedaço da Amazônia. Há décadas, o brinquedo retrata fragmentos da Desidério realidade e do imaginário amazônico, e encanta, com suas cores e formatos diversos, crianças e adultos, além de turistas que costumam visitar a capital paraense durante o Círio de Nazaré. “Qualquer feira ou evento que a gente participa é um sucesso e o

comprador tem curiosidade sobre o brinquedo, pergunta tudo”, explica Desidério. Mais recentemente, o artesão vem tomando consciência do valor e da importância do brinquedo de miriti, artesanato que sustenta diversas famílias das zonas urbana, rural e da região das ilhas de Abaetetuba, como relatam os próprios artesãos que participaram da oficina.

Há dez anos produzindo brinquedos de miriti para comercializar em Belém, durante o Círio de Nazaré, a artesã Maria de Fátima Pacheco, mais conhecida como Dona Pachequinho, de 56 anos, aprendeu com o marido, mestre Antônio Rodrigues Santos, de 57 anos, o ofício de dar vida e formas ao miriti. “Eu corto miriti de janeiro a janeiro”, fala com orgulho a artesã, que

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confeccionou três peças para a futura exposição: uma canoa, uma cobra e uma pombinha. “Está todo mundo entusiasmado para ver quem faz a melhor peça”, revela. Mas nem sempre foi assim. A artesã lembra que antes de se apaixonar pelo brinquedo, achava que a confecção do artesanato era uma perda de tempo. “Antes da Associação (ASAMAB), o brinquedo não tinha valor, só saía daqui para o Círio”, lembra.Aartesã mudou de opinião há cerca de dez anos quando, pela primeira vez, acompanhou o marido nas vendas do brinquedo durante as festividades do Círio de Nazaré. “Foi o Círio que despertou o amor pelo brinquedo”, revela. A atividade hoje envolve toda a família, que hoje sobrevive exclusivamente da fabricação do brinquedo, principalmente dos tradicionais, tais como canoas, pássaros, dançarinos, pombinha, cobra, tatu, entre outros. “Tudo que tenho hoje comprei com dinheiro do miriti”, afirma. “São duas coisas pelo qual sou apaixonada: pelo miriti e pela catequese”, explica a senhora, que também gerencia a venda dos brinquedos. “Esse ano quero levar três mil peças para vender durante o Círio”. Hoje, o preço do brinquedo varia de R$ 5,00 a R$ 500,00, dependendo do tamanho da peça.

“Nós estamos no auge do trabalho, com muitas encomendas”, comemora o artesão Ivan Teixeira Leal, que aprendeu a fazer o brinquedo de miriti ainda criança, com apenas oito anos de idade. “Nós tínhamos que fazer o nosso próprio brinquedo, já que o Papai Noel não ia nos visitar durante o Natal”, lembra. “Também não culpo o bom velhinho, afinal éramos uma família numerosa, com 16 filhos”. Morador da comunidade de Pirocaba, na região das ilhas, Ivan confeccionou para a exposição uma caravela e um arranjo de flores. “A exposição será a oportunidade de mostrar o nosso trabalho para um público maior”, pondera o artesão que gosta de investir na criação de peças diferenciadas e no reaproveitamento de matéria-prima. “Eu trabalho com

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Ivan Teixeira quando criança, fazia os próprios brinquedos com o miriti

tudo aquilo que a natureza descarta. Aproveito até mesmo a casca do miriti”, explica o artesão que vive exclusivamente dessa atividade e já começa a repassar para a sua filha de oitos anos a arte do miriti. Segundo Ivan, a concorrência entre o miriti e o açaí é um sério problema que precisa enfrentando pelos artesãos. “O manejo do miritizeiro precisa ser mais pesquisado”, alerta. “Além disso, não há plantio comercial de miritizeiro, como já ocorre com o açaí, contamos apenas com plantas nativas para fornecimento de matéria-prima”. Morador da ilha Rio Campupena, Zeca do Brechó também aprendeu ainda criança o ofício do miriti. “Faço de tudo, mas minha especialidade mesmo são as embarcações”, explica que vai expor uma rabeta – barco a motor típico da Amazônia - de 70 centímetros de cumprimento. Há cinco anos, Zeca cumpre o ritual de vender suas peças durante o Círio. “Já tenho 700 peças prontas para o Círio deste ano”, comemora o artesão da ASAMAB. “A demanda pelo brinquedo é maior do que produção”.


Greicy Barreiros: preocupação com a sustentabilidade do miriti

O artesão trabalha sozinho e executa todas as etapas da produção, incluindo desde a obtenção da matériaprima através da retirada das “braças” da palmeira até o acabamento e pintura das peças. “Para trabalhar tem que ser braça de miriti novo, com até dois metros de comprimento”, explica. “O pessoal está só retirando a matéria-prima, não está plantando o miritizeiro”, alerta. Zeca conta que na sua comunidade moram 237 famílias, mas apenas ele e um colega produzem o brinquedo de miriti. “Para eles o brinquedo não tem valor e o artesão é sempre questionado sobre a importância de sua atividade”

Sustentabilidade A artesã Greicy Barreiros, colaboradora da organização não-governamental Miritong, também anda bastante preocupada com a sustentabilidade do miritizeiro. Segundo a artesã, que há três anos produz peças tradicionais, decorativas, utilitárias e miniaturas em miriti, a derrubada dos miritizeiros para dar lugar ao açaizeiro vem se tornando uma prática comum entre os ribeirinhos. “Uma palmeira fêmea de miriti precisa de, pelo menos, dez palmeiras machos, que não dão frutos, para ser polinizada”, explica.

A artesã espera que a exposição de produtos feitos em miriti no Museu Goeldi contribua para conscientizar sobre a importância da conservação e do manejo da palmeira. “O artesanato de miriti também merece espaço no Museu por tudo aquilo que ele representa da nossa cultura”, afirma a artesã que vai expor duas peças: uma arraia e um casal de dançarinos.

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E o Cristo...

Rebentou! É

mais um brasileiro a fazer sucesso no Mundo. E um brasileiro-maravilha. Isso mesmo! A estátua do Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara, no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, foi eleita, no passado dia 07.07.2007, em Portugal, uma das sete novas maravilhas do Mundo atual. E não fez por menos: foi a terceira mais votada em eleição considerada a maior já realizada pela Internet e por mensagens de telefones celulares, a qual contou com a participação de mais de 100 milhões de votantes do Mundo inteiro. O resultado foi divulgado em meio a belíssimo espetáculo, que teve a abrilhantá-lo a apresentação de artistas internacionais, no Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal, feericamente engalanado para aquela noite de beleza. À solenidade estiveram presentes vultos dos mais proeminentes das artes, dos esportes e da política internacional, tais quais o ex-astronauta Neil Armstrong, o exsecretário-geral da ONU, Kofi Annan, a atriz e cantora Jenifer Lopez, o ex-técnico da seleção brasileira pentacampeã do Mundo e atual técnico da seleção nacional de Portugal, o gaúcho Luiz Felipe Scolari (que, feliz e emocionado, recebeu o prêmio pelo Cristo) e o primeiro-ministro português José Sócrates, presidente em exercício da União Européia. A apresentação oficial da cerimônia coube ao ator britânico Bem Kingsley e à atriz americana Hillary Swank. A megaprodução foi transmitida por conexão multinacional intercontinental televisiva para mais de 170 países (dum total de 218, hoje), com uma audiência estimada superior a 1,6 bilhão de espectadores ao redor do Mundo (cerca de 30% da população atual do Globo, avaliada em 6 bilhões de terrícolas). Sem ponta de dúvida a promoção do concurso The New 7 Wonders of the World foi uma idéia extremamente feliz e exitosa de uma fundação suíça, e já se fazia necessária para divulgar e tornar conhecidos os mais admiráveis e grandiosos monumentos atuais criados pela genialidade humana. Acostumamo-nos a ouvir falar, desde sempre, das Sete Maravilhas do Mundo da Antiguidade, a saber: a estátua de Zeus (Grécia), o Templo de Artemis (Turquia), os Jardins Suspensos da Babilônia (Iraque), o Mausoléu de Helicarnasso (Turquia), o Farol de Alexandria (Egito), o Colosso de Rhodes (Grécia) e as Pirâmides de Gizé (Egito). Dessas, somente subsistem as pirâmides egípcias. Era tempo, portanto, de

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São só sete as maravilhas Deste Mundo de meu Deus; Uma delas reina, brilha, No Brasil, no Rio, nos Céus.” SerPan

escolher outras, até porque o humano engenho cresceu, apareceu e floresceu. Nada mais oportuno e até culturalmente importante, pra não falar do interesse turístico, em subida expansão atual, que escolher as 7 maravilhas dos nossos dias. Para tal foram apresentadas algumas dezenas, apontadas ao redor do Mundo, das quais foram selecionadas, sempre por processo de sufrágio universal, as 21 mais sufragadas e, finalmente, as sete mais. E o nosso Cristo, que já era visto no Mundo todo como um símbolo do Rio de Janeiro e do Brasil não fosse a excapital federal, ela própria, havida como a Cidade Maravilhosa , foi justa e merecidamente escolhido (3º em número de votos), ao lado de seis outras maravilhas, pela ordem de votação: a Grande Muralha da China; a cidade helenística de Petra, na Jordânia; a cidade inca de Machu-Picchu, no Peru; a pirâmide maia de Chichen Itza, no México; a antiga arena de combates do Império Romano, o Coliseu, em Roma e o túmulo de Taj Mahal, na Índia. Claro está que as pirâmides do Egito continuarão a ostentar, hors-concours, o título que lhes coube, desde antanhos tempos, de maravilha da humana criação. Mas falemos um pouco de nosso Cristo-maravilha. Em missa em ação de graças comemorativa pela eleição, celebrada pelo cardeal-arcebispo emérito do Rio, D. Eugênio Sales, ao abençoar a estátua e os presentes, disse: Não é uma alegria

Do alto do Corcovado o Redentor mira outro elemento-símbolo do Rio: o Pão de Açúcar


só para o Rio e o Brasil, mas para o Mundo todo. Há valores que são postos hoje de lado e Ele veio pregá-los ; palavras que devem merecer a mais profunda reflexão por todos nós e, principalmente, por aqueles que têm o privilégio e o dever de dirigir os destinos desta Nação. O presidente Lula da Silva, em nota oficial parabenizando a feliz escolha, reconheceu que O Cristo Redentor sempre foi uma maravilha do Rio de Janeiro e do Brasil. A partir de agora ele é, também, uma das sete maravilhas do Mundo . O monumento ao Cristo Redentor, que consta ser a maior estátua do Mundo, e talvez o seja, foi inaugurado há 76 anos (12/10/1931) no alto do morro do Corcovado; a ligação para sua iluminação foi feita de Roma, por ondas hertzianas, da estação de Coltano, sob o comando pessoal do físico italiano Guglielmo Marconi (Prêmio Nobel, 1909). É, desde então, um símbolo augusto do Brasil e como tal corre o Mundo. A estrutura feita em concreto armado e recoberta por mosaicos em escama, à base de esteatita, tem 30m de altura por outros tantos de envergadura e repousa sobre um pedestal de 8m de alto; uma escada interna dá acesso à cabeça e aos braços, coisa que poucos conhecem. Pesa 1.145t e recebe anualmente à volta de 1,8 milhão de visitantes, que chegam ao topo do morro por rodovia ou ferrovia. Em 2003 foi inaugurado um sistema de elevadores e escadas rolantes a fim de dar acesso mais fácil e cômodo à plataforma onde se assenta a escultura-símbolo. Projetada pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, a partir de desenho do artista plástico Carlos Oswald, igualmente brasileiro, a monumental efígie do Redentor foi confeccionada pelo escultor francês (de origem polonesa) Paul Landowski. O monumento é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) desde 1937. A estátua está a 710m sobre a Baía da Guanabara e - De tal maneira se integrou ao pedestal de um penhasco negro e formidável que o conjunto é, de longe, um dos maiores momentos criados pela parceria do homem com a natureza , a replicar o festejado escritor e jornalista Carlos Heitor Cony, também imortal da Academia Brasileira de Letras. E é da Lagoa R odrigo de Freitas que se tem a mais bela imagem, a fantástica visão de seu pedestal granítico. Sua indiscutível beleza e fascínio fizeram-no cantado em prosa e verso, em peças antigas e recentes. A inclusão do monumento ao Cristo Redentor entre as maravilhas do O monumento feericamente iluminado é visível de toda a área citadina do Rio Mundo moderno, induvidosamente,

A imponência monumental do Cristo Redentor de braços abertos para o Rio de Janeiro

despertará em todo este rotundo Globo não só admiração pelo nosso País mas também o desejo de conhecê-lo, de visitá-lo, de admirá-lo, o que se reverterá em prestígio e crescimento de nossas receitas turísticas. Igualmente, o conhecimento pela Internet das características e histórico dos monumentos concorrentes e a divulgação festiva do resultado apuratório final na ribalta do Estádio da Luz, levado a cerca de 30% da população atual da Terra só fizeram por elevar o conceito em que o Brasil é tido lá fora. Portanto, caros concidadãos, vamos exultar e comemorar mais essa retumbante conquista que os brasileiros vimos de alcançar. No dizer da jovem guarda de hoje, nosso Cristo rebentou! E nossa Maravilha ninguém tasca.

Fotografia aérea tomada por ocasião da inauguração do monumento ao Cristo Redentor *Médico e Escritor – SOBRAMES

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M

estre, glorifico-me em Tua glória e em Teu poder. Ao se aproximar o dia do juízo quando todos entenderão que fé é razão, mas que não há fé sem caridade, foi gratificante torcer pelo seu reconhecimento como uma das 7 Maravilhas do Novo Mundo. Eleito pelas ferramentas da Era Digital, a distribuição equânime da comunicação entre os homens, Tu fostes conduzido ao reinado que lhe é de direito pela voz de Deus. Mestre amado, compreendendo hoje as fraquezas da alma, que ama e teme mais a César, só poderia ser desta forma, manietando o valente. Como não poderia ser na terceira

hora para clarear a luz do mundo anunciando a sua Boa Nova? Reunida num monumento feito pela criatividade humana e erguido no Rio de Janeiro, em sua memória, não carregando a cruz, mas a sua Misericórdia: de braços abertos, como um Cristo que redime a Cidade Maravilhosa do Novo Mundo. A Estátua do Cristo Redentor. `Que venham a mim as criancinhas porque delas será o Reino de Deus!`. Como não haveria de incomodar os escribas e fariseus, cegos e hipócritas, que plantam a Velha Jerusalém se não estivesse vindo como um salteador em fogo para o entendimento da Justiça Divina? Mas se a sua imagem

CRISTO

MARAVILHA! por José Vilhena

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nascesse um Sumo Sacerdote a propor a exclusividade da Verdade, em seus dogmas, sentado na cadeira de Moisés, assim como muitos que se sucederam a Pedro, para tentar se apoderar de sua Herança. Por acaso, estás a ser respaldada militarmente por Roma ou acredita que fala em nome dos crentes, os cordeiros que farão a Redenção dos lobos pelo amor? Mas o mestre, este explicou aos seus discípulos: não haveria de descer dos céus ao mundo de dor, sofrimento e morte, se não fosse para anunciar o Evangelho. E enquanto os homens não atingem o Verbo, os mansos, descendentes de Abel, esperam a desmoralização do nenhenhém dos anciãos, descendentes de Caim, na compressão tempo-espaço, para que possam viver eternamente em paz como o espírito, cansado, haveria de pedir a glória no fim dos tempos. E não seria a testificação das chagas o testemunho da vida eterna no julgamento do príncipe deste mundo? A fim de que todas as águias possam raciocinar na lógica de Paulo, precursor de Eistein, o

Ricardo Zerrenner / www.zerrenner.fot.br

foi desfraldada por disputa de visibilidade de vários atores: Ibama, Flamengo, União, Estado e Município, desejo a todos sua Sabedoria e que não percam a Unidade. Fazer o quê mestre amado? Se trabalhadores, jogadores e políticos fazem parte da mesma categoria. A Justiça Divina fez a entrega ao Felipão, representante da `família brasileira`. E não haveria de ser a hipocrisia as similitudes entre a agremiação política, a dimensão da carne, e a religiosa, a dimensão do espírito. Assim como disseram que Tu, mestre, era fiel de determinado `Belzebu`, enquanto viestes para salvar o `Cristo`, nada mais plausível neste mundo que

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menor que será reconhecido como maior entre os apóstolos: `A morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não transgrediram à semelhança de Adão, mas que haveria de ser exterminada por Aquele que haveria de vir`. Mestre, se não conhecem ao Pai, como te compreenderiam? Fui assistir ao documentário `Somos todos Um` naquele ensolarado 07 de julho de 2007 na Cidade Maravilhosa. Se os ditos líderes religiosos não sabem responder o sentido da vida, é porque não escutam suas Palavras. E mais surdos ficarão ao não entenderem a língua do coração. E mais cegos ficarão ao não visualizarem a imagem do espírito. E nos explicou o ensinamento do pecado porque não creram em ti. E advertiu: `lhes digo estas Palavras para que não se escandalizem naqueles dias`. E indicou: `Não sigam o caminho dos escribas e dos fariseus. São cegos. Como um cego poderá conduzir outro cego? As prostitutas entrarão adiante deles no Reino de Deus`. E avisou: `Estão vendo estas grandes construções, não ficará pedra sobre pedra e minha igreja será erguida ao Terceiro Dia`. E respondeu ao ser perguntado sobre a tributação imperialista. `Quem é o fiador desta moeda?` E os homens disseram: `César`. Então, lhes disse: `hipócritas, dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus!`. O mesmo que pediu: `Tenho sede`. E ao beber o vinagre, sabendo que a Escritura havia se cumprido, disse: `Está consumado`. E entregou o seu espírito, como o Cordeiro de Deus anunciado por João Batista, dizendo: `Pai, perdoai porque eles não sabem o que fazem`. Resumido por Paulo: `Cristo tirou o pecado do mundo`. E não é `Vida de Menina`, o diário da condenação feminina, mais uma excelente safra da nascente indústria cinematográfica nacional, material para o vôo da Fênix em sua Vênus verde-oliva? Tão pobrinha hoje, em meia-sala, mantida pelo afeto porque não é ainda uma Bollywood quanto mais uma Hollyood. Apenas profetas à frente de seu tempo, como Gláuber, o `louco`. Mas se não entenderam Mário de Andrade como haveriam de entender Macunaíma, o herói sem caráter? E fomentam a discórdia. E são intolerantes ao diálogo e não admitem o perdão. E evoluem o mundo através do sangue derramado e não aceitam a Justiça Divina que salva os salteadores, que roubam a vida, e mata os cordeiros, os Jean Charles de Menezes. Hipócritas! Se o Pai

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não impediu que o seu próprio Filho fosse à holocausto, como prova de fidelidade aos homens, mesmo tendo poupado Abraão de tamanho desprendimento amoroso, como o homem não haveria de conhecer a vida eterna? E como o povo escolhido não haveria de ser o primeiro a questionar a morte se são transgressores como Abraão? E como não haveriam de concluir que o sentido da vida é viver eternamente. Mas se fé é razão, o direito é um mito numa sociedade sem caridade. E a Justiça se esclerosará com a velhice de seus juízes, enquanto os puros recitam a vida em prosa. Muitas vezes em versos satânicos do Cristo crucificado. No julgamento de seus preconceitos. A lei que balança o berço e a águia que se ressuscita através do entendimento, rompendo o espaço, enquanto as galinhas ciscam no mundo. Como foi bonito ver o seu reconhecimento atendendo ao convite da Rede TV! O Rio estava precisando de auto-estima, olhando para o chão. Toda negatividade emitida, retorna. Toda resistência, persiste. E o cantor norte-americano gritou: `come on Brasil!`, chamando à energia no `Live and the Earth`, nas areias de Copacabana, em tempos de bioenergia. Mas euforia foi a torcida gritar: `Cristo!, Cristo!, Cristo!`, só faltando a Ti, mestre, correr em direção à galera para o abraço após o anúncio do golaço no telão, ensinando o vôo da águia e não a dança do siri. Até o Muralha pôs um poster em seu vestiário, escrevendo mensagens ao seu ídolo como um torcedor fanático. Se o mestre é a referência, Rogério Ceni serás. Fé Muralha, Juscelino venceu o dr. Roberto e a esquerda festiva. E o dom Eugênio? Tão jovem como um cristão, rezando a missa. `Insípida?` Não, em paz. Porque os homens se edificam por suas atitudes. E os cariocas abriram os braços para a Cidade Maravilhosa na foto histórica, imitando o mestre, para que sejam recebidos com afeto, tradição da casa hospitaleira. Incluindo a todos, nós pecadores, ainda no Jardim de Infância. O mesmo Cristo do D.Eugênio, do Muralha, da Marta, do Cabral, do Renan, e de todos que quiserem enxergar o mundo com olhos de primeira vez no Cristo ressuscitado. E até da Geni, aquela que `foi feita para apanhar e é boa de cuspir`, que trabalha na Atlântica. `Quem não tiver telhado de vidro que atire a primeira pedra`. E os


meninos aloprados estão com as pedras de acordo com as suas leis e Geni desabafa: `Só Jesus mesmo`. O lamento por mais um cliente, casado, que pediu para ser passivo, preocupando-se com o futuro da energia no planeta. `Quando temem a homossexualidade, nos agridem`. E revela que ama a profissão como uma missão e, `orgulhosa`, diz que a sua maior satisfação é quando um deles confessa que nunca sentiu algo tão prazeroso, nem com suas mulheres, por causa de seu amor. E diz que poderia até dar um excelente pai de família, mas respeita a lei da atração e da repulsa. E vive. E ama. E sofre, como qualquer mortal. E confessa: `Sabe que eu acho que nenhuma mulher ainda gozou? Nem os homens, os seus bofes. Sendo assim, prefiro continuar como sou e no meu ponto de vista`. E eu a gritar: `Jesus Barrabás não, o Cristo, Redentor`, para que as crianças em minha cidade não sejam conduzidas a suas escolas sob custódia da Uzi. Enquanto o juízo não se estabelece, amemo-nos uns aos outros porque foi isso que Cristo nos ensinou, lembrou-nos Paulo. O fim do martírio que se estabele no riso frouxo do filho de Deus que faz chanchada da comédia sepulcra. E que ao experimentar a comida do doente, diz: `Insípida!`. Assim como a enfermeira relembra ao paciente que a sua família ainda vai visitálo, assim como o ancião que pede para ser levado porque ninguém ri mais de suas piadas e ele não vê mais sentido na vida. Assim como o filho pródigo retorna de sua orgia e é recebido em festa. `Agora posso morrer em paz porque o meu filho amado veio me visitar`, enquanto o outro, servo do pai doente, perdeu a sua juventude e não entende a misericórdia do Pai. Mestre, como duvidaria de sua eternidade? Se estamos presos à dimensão da carne como salteadores, não é a divisão do trabalho que gera a luta de classes, mas o tempo que limita o espaço. E a massa que se transforma em cruz e gera a morte. Mestre amado, serás, até o fim dos tempos, o meu exercício de fé, mesmo que um o tenha traído, outro o negado, nove sumiram e apenas um esteve a seus pés e testemunhou a Paixão, a Dor e a Glória. O discípulo amado que foi conduzido até o seu coração na Última Ceia a fim de que enxergasse o que não estava limpo e o entregaria. Mas se perguntarmos sobre a vida ao nosso irmão amado Boff, que a t u a l i z o u brilhantemente a visão da águia de Isaías para

os dias atuais, responderá, com certeza: `Dentro do princípio da realidade, morremos, devargarzinho....a cada dia`. Mas como as águias reconhecem as águias, elas já circulam: os Lázaros, as Thais, os Míltons, os Seltons, os Leonardos, as Mônicas, as Genis e até os Oliveiras, mesmo com um salto alto a mais em suas jogadas. Assim me despeço, neste jogo retrancado, sem mais voltar a tocar em seu Nome, meu técnico e meu amigo, até o dia do juízo quando poderemos falar abertamente sobre Ti e sobre a diferença da dimensão da carne e a dimensão do espírito na trajetória da Árvore da Vida, cuja proposta sempre foi Ser Deus, ciência ainda oculta desenvolvida pelo nosso irmão amado Einstein, filho de Deus vivo. OBS: Em memória do maior entre todos os homens que clamou aos céus, proclamado no Sermão da Montanha: `Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino de Deus. BemAventurados os mansos porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm sede e fome de justiça porque serão saciados. Bemaventurados os misericordiosos, porque alcancarão a misericórdia. Bem-aventurado os limpos de coração, porque verão a Deus. Bemaventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sóis vós quando vos injuriarem e perseguirem, e, por minha causa, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa glória nos céus, pois assim também perseguiram os profetas que vieram antes de vós`.

* Jornalista

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como reverter o processo de

envelheciment o

S

egundo uma pesquisa canadense recente, publicada pela revista científica "PLoS One", os benefícios de duas idas semanais à academia de ginástica incluem não somente músculos mais fortes, mas também músculos mais jovens. O estudo com pessoas acima de 65 anos reverteu os sinais de envelhecimento dos músculos. Os estudos mostram que treinamentos regulares de resistência parecem reverter os sinais de envelhecimento nos músculos. As análises de tecidos musculares mostraram que, após exercícios, o maquinário molecular que move as células musculares se torna tão ativo quanto o de pessoas de 20 anos.

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Cerca de 25 adultos saudáveis com mais de 65 anos foram submetidos a sessões de uma hora de treinamentos, duas vezes por semana, durante seis meses. Os resultados do levantamento foram comparados aos de participantes com idades entre 20 e 35 anos. Antes das sessões, os mais velhos eram 59% mais fracos que os jovens. Após treinamento com equipamentos tradicionais de ginástica e um programa de 30 contrações de cada grupo muscular, entretanto, os mais velhos estavam apenas 38% mais fracos. Os autores da pesquisa dizem que ela mostra os benefícios de se permanecer ativo durante a terceira idade. EDIÇÃO 65 [JUNHO 07]

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Atividade genética Os pesquisadores também observaram amostras dos tecidos musculares para verificar as mudanças nas mitocôndrias, organismo celular responsável pela geração de energia. Estudos anteriores sugeriram que uma disfunção mitocondrial estaria envolvida na perda de massa e função musculares usualmente verificada em pessoas mais velhas, mas os pesquisadores canadenses queriam verificar especificamente a atividade genética na mitocôndria. As mitocôndrias são as responsáveis

por usar o oxigênio para queimar os alimentos e fazer o organismo funcionar. Elas têm seu próprio DNA e também contam com genes do núcleo da célula para controlar seu trabalho. Conforme os seres vivos com mitocôndrias envelhecem, há indicações de que a expressão dos genes das mitocôndrias cai, tornando-as menos eficientes. Nos músculos, isso levaria à relativa fraqueza dos idosos. Os resultados mostraram que a geração de proteínas funcionais pelos genes caía com a idade. Mas os exercícios resultaram na reversão desse mecanismo de Simon Melov volta a níveis semelhantes aos vistos em adultos jovens. O Phd Simon Melov, um dos coordenadores da pesquisa na Universidade McMaster, em Ontário, se disse surpreso pelos resultados do estudo. "A pesquisa dá credibilidade ao valor dos exercícios físicos, não somente como forma de melhorar a saúde, mas também de reverter o próprio processo de envelhecimento, o que é um incentivo adicional à atividade física para pessoas mais velhas", Melov. Outro co-autor do estudo,o Dr. Mark Tarnopolsky, disse que um acompanhamento quatro meses após o fim do estudo mostrou que a maioria dos participantes mais velhos não estava mais fazendo ginástica formalmente na academia, mas estava fazendo atividades de resistência em casa. Dr. Mark Tarnopolsky "Eles ainda permaneciam fortes, tinham a mesma massa muscular", diz ele. "Isso mostra que nunca é tarde para começar a se exercitar, e que você não precisa passar sua vida inteira levantando peso em uma academia para desfrutar dos benefícios.”

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RUA DOS MUNDURUCUS, 2130 - BATISTA CAMPOS EDIÇÃO 65 [JUNHO 07]

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Dicas e segredos benéficos à Saúde Q

uem já passou dos 60 e até agora não se preocupou com anemia, hipertensão, prisão de ventre, osteoporose, diabetes, doenças cardiovasculares, pode aproveitar este momento para começar a se preocupar. Esses são apenas alguns dos problemas de saúde que podem ser prevenidos e melhorados com o auxílio de uma boa alimentação. Conforme envelhecemos, ocorre perda da massa muscular, o metabolismo diminui e há mais facilidade para acumular gordura. Quem come mal fica com tendência a ter mais gordura abdominal e outros piores problemas. Corrigir a alimentação, mesmo que seja na terceira idade, ajuda muito. Segundo especialistas, é preciso driblar um problema que afeta muitos idosos, principalmente os que moram sozinhos: o desinteresse pela alimentação. "Muitos acabam ficando no café com leite e pão com manteiga em vez de fazer uma refeição mais rica", alertam os nutricionistas... Mesmo quem já se alimenta de forma saudável deve ficar atento à ingestão de cálcio. Devido à maior perda de massa óssea, principalmente em mulheres que passaram pela menopausa, as quantidades recomendadas para quem tem mais de 50 anos aumentam de 1 g para 1,2 g por dia - o equivalente a quatro copos e meio de leite (ou de iogurte, ou uma fatia de queijo).

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Reveja conceitos, mude de atitude, construa hábitosa saudáveis, ajuste a, dieta ao seu estilo de vid

e não o contrário

Comer alimentos ricos em ferro, como carne vermelha, também é importante: nos idosos, diminui a produção pelo estômago de uma substância chamada fator intrínseco, o que reduz a absorção desse micro nutriente. Fora isso, as recomendações não mudam muito em relação às de outras faixas etárias: manter uma dieta rica em frutas, verduras e legumes e pobre em frituras e doces, fazer várias refeições mais leves por dia e beber bastante água são algumas orientações. Na prática, pode não ser fácil, principalmente para quem já está acostumado a um tipo de alimentação por muitos anos. A dica, então, é fazer as mudanças aos poucos.


Principalmente nessa idade, a dieta não pode ser muito restritiva. É importante mudar gradativamente e indicar substituições em vez de retiradas radicais. Se a pessoa toma leite, indicamos o leite desnatado. Quem come muita manteiga pode trocá-la por margarina sem gordura trans. É preciso ajustar a dieta ao estilo de vida, e não o contrário. Os especialistas lembram que, na maturidade, é preciso levar em conta certos fatores que afetam a escolha alimentar. Muitas medicações, por exemplo, podem interferir na salivação, diminuir o apetite ou alterar o gosto dos alimentos. Alterações de mastigação e deglutição também são comuns.

Se você é sedentário, fuma e sempre se alimentou mal, pode achar que não adianta se render aos constantes apelos para adotar um estilo de vida saudável. Reveja seus conceitos: Vale a pena, sim! Fazer mudanças no estilo de vida, é essencial mesmo para quem já está na maturidade. "As pessoas trabalham a vida toda e muitas vezes deixam os sonhos de lado. A maturidade pode ser um bom momento para começar. Construir hábitos saudáveis nos faz envelhecer com mais autonomia, e aprender coisas novas protege a plasticidade do cérebro", diz o geriatra Francisco de Brito, coordenador do Centro de Envelhecimento Saudável do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e pesquisador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um estudo publicado neste mês no "American Journal of Medicine" comprova que, de fato, a mudança de hábitos traz muitos benefícios à saúde mesmo para quem não está no auge da juventude. Os pesquisadores, da Universidade da Carolina do Sul

(EUA), acompanharam por quatro anos 15.792 pessoas entre 45 e 64 anos. O objetivo era descobrir se os benefícios de ter um estilo de vida saudável valiam também para pessoas que começam a adotá-lo tardiamente. O resultado foi animador: mesmo para quem fez mudanças recentes, consumir cinco porções diárias de frutas e vegetais, exercitar-se por pelo menos duas horas e meia por semana, manter um peso adequado e não fumar podem diminuir o risco de problemas cardíacos em 35% e o risco de morte em 40% em comparação com pessoas com estilos de vida menos saudáveis. Chamado pelos estudiosos de efeito "turning back the clock" (algo como "revertendo o relógio"), o benefício ocorreu mesmo com alterações modestas, mas foi proporcional à quantidade de hábitos saudáveis adotados. Para incorporar de fato esses hábitos ao estilo de vida, os especialistas são unânimes: é preciso fazer algo de que se gosta. De nada adianta se matricular nas aulas de inglês ou piano se elas se tornam um sofrimento. "A vontade é condição indispensável. Não adianta prescrever coisas benéficas se a pessoa não gosta. Quem não é fã de atividades físicas programadas podem se tornar mais ativo nas tarefas da vida diária, como passar roupa ou subir escadas. Para um envelhecimento bem-sucedido, preservar a saúde mental e as relações é tão importante quanto cuidar da saúde física", afirma o geriatra Francisco de Brito.

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E

m recente pesquisa realizada pela Promolter Brasil Promoções de Eventos Ltda, sobre quais as Empresas e Profissionais, que mais se destacaram promovendo qualidade, na sua área de atuação, e nos serviços prestados à população em 2007, para o desenvolvimento do estado do Pará e conseqüentemente ao Brasil, destacaram-se entre outras empresas: Revista Pará+; Faci – Faculdade Ideal; Escolhinha do Flamengo; Labodental Distribuidora Ltda; Café Diário; Just For Doctors; Walter Guimarães; Programa Bacana; Programa Planeta Gospel; CEMED – Centro de Enfermagem e Emergência; Visuarte; Drª Elza Brito; Interton; Dicari Consultoria de Imóveis; Cia Brasileira de Asfalto da Amazônia; Cooper Doca; TV Record Belém; Saraiva e Cia

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Pará+ recebe Prêmio Marketing Empresarial

É destaque promovendo qualidade no e do Estado do Pará Ltda; Toninho Película e Panificadora e Confeitaria Versailles. A premiação com entrega dos diplomas respectivos foi no Hilton Belém, seguido de saboroso jantar de confraternização entre os premiados e seus convidados.


Walter Guimarães

Luis Soares - Cia. Brasileira de Asfalto da Amazônia

Sra Neli - Panificadora Versailles Messias Neto - FACI

Dra. Elza Brito

Jessé - Interton

TV Record

Toninho Películas

Áurea Saraiva - Saraiva e Cia LTDA

Winner’s Curso

Ideal São Francisco

Kelivan - Cooper Doca

Flávio-Escolinha do Flamengo

Visuarte

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Passeio e poesia por Garibaldi Nicola Parente

A

região do estuário tocantino é pródiga. Resiste na sua diversidade e nos seus fenômenos naturais a qualquer delimitação da sua beleza humana e paisagística. O homem que nela habita ordena-se espiritual e geograficamente na ambiência fisiográfica de maneira harmônica e cuja inserção excitante motiva-o sobremodo para a criação imaginária. A exuberância da floresta, modelada pela Costa Marapatá e pelos seus rios tributários, esparrama-se em afluxos e deflúvios de paranás, igarapés, furos, lagos, igapós, pirizais, aningais, aturiás… varzeando baixios e pequenos tesos com belíssimas praias pequeninas e cheias de sol. Ecossistema que constitui a vida e a alma da própria vida tecida nessa malha da natureza é motivador da poesia, dos contos, das lendas, das histórias fantásticas das cantigas, do folclore, do artesanato… Nessa infusão do espírito criativo a fauna aparece fortemente aliada aos mistérios, às crenças, à mitologia sem limites panorâmicos na sinuosidade cultural dos meandros adaptativos da vida cotidiana e do insuflar existencial de índole animosa. Palpita ao norte a Ilha do Marajó imponente na augusta Muaná de tradições históricas e culturais. Freme a leste o labirinto roncador das ilhas de Abaetetuba e IgarapéMiri emaranhado no manancial de águas virtuosas manifestamente recônditas e em matizes entonativos diferenciados tanto na enchente quanto na vazante. O sol ressona nas praias e nas ribeiras sempre

predispostas a simbolizar as variações circunstanciais dos desafios e das aventuras de suportar os impactos ambientais e de sustentar aquilo que é na união seu maior imperativo: a fragilidade é simplesmente fortaleza. A expressividade da paisagem auto-reflete-se sem nenhum retroceder meditante naquilo que anima para a criação simbólica do homem que nela se envolve e se movimenta num processo persistente de inspiração e de salvaguarda do seu modo de viver, dos seus usos, costumes e bens culturais. A paisagem é um elemento cênico, sempre avoante que se apóia nas suas próprias ilhargas para se introspectar na plasticidade dos seus quadrantes e inclinações do tempo e do vento. Os mistérios? Suas formas não são estranhas. São formas extrovertidas, sugestivas, apaixonantes. Entretecem na sensibilidade dos cenários e na subjetividade dos rios um panorama poético inconfundível. “O rio navega em mim traçando meandros esculpindo labirintos no senso do meu ser”. Passear nunca foi um momento em vão. Passear é festa, é um momento em que a alegria é ventura, o prazer é ledo e o regozijo é divertimento. Auferimos a permissão dos deuses – da Mãe d'água, da Mãe do Mato – para desfrutarmos da mais intensa liberdade. A liberdade de ir e vir nesses rios que modelam a


ensinam que o princípio da liberdade assenta-se no conhecimento como expressão mais valorosa para o desenvolvimento humano e como estimulante do entusiasmo e da altivez espiritual. Atentemos para os versos de Cecília Meireles: “Liberdade, essa palavra Que o sonho humano alimenta Que no há ninguém que explique E ninguém que não entenda”.

geografia da floresta e nos presenteiam as Náiades nutridoras do nosso encantamento da mais natural emoção. Emoção também adornada por aves coloridas, insetos, peixes, mamíferos de pequeno e grande porte em geral arborícolas e que são a expressão exótica da paisagem. O rio condiciona a vida do homem, da sua história da sua criação poética e do seu ritmo ondeante animador da fisiografia e da comunhão social. “O rio é meu enlevo, O rio é meu caminho de encher e de vazar. O rio é meu destino é fuga que não é fuga o meu destino é ficar”. Um passeio descontraído pelas águas e ribeiras que os rios nos levam é uma oportunidade de integração ao meio ambiente e de percepção da vida em novos espaços sociais, ambientais e culturais. Esse desfrute assume o sentimento de descobrir em nossa terra expressões clarividentes para nossas realizações, responsabilidades e esperanças. Água, solo, ar, flora e fauna produzem diferentes formas de estar no mundo. São formas que nos

Soltemos nossas asas em direção ao exercício lúdico de participar dessa comunhão de descobrir novas dimensões da natureza e nossa também. Carlos Drummond de Andrade nos ensina sapientemente: “Somos humanos, isto é, achamos que podemos ser”. Múltiplos sentidos contribuem para atar maior interatividade entre o homem e o homem, entre o homem e o rio, entre o homem e a natureza. “Sigo a ordem do rio, sigo a ordem do rei. Meu reino tem bom comando navego dentro da lei”. Escrevemos a liberdade em todos os modos de expressar o que pensamos, mas ainda não inscrevemos a Natureza em nosso pensamento.

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Acyr Castro

Eneida e Levy:

Saudade

dois livros bem paraenses que completam tempo neste 2007 neste agosto que não rima, não deve rimar, Deus permita, com desgosto. O primeiro desses livros, Aruanda , foi escrito pela nossa grande poetisa e cronista Eneida de Moraes. Um poema com sabor de conto. Eneida Vilas Boas Costa de Moraes fala de uma utopia, um País de Liberdade que vive dentro de cada um de todos nós, um mundo de paz e de amor. A referência é a memória de Angola, misteriosa região em que a injustiça e a desilusão não têm vez, um porto seguro que habita a memória do negro brasileiro que deixou para trás a escravatura política, na ânsia da emancipação econômica e social. O folclore deve bastante a Eneida , com deve! O segundo livro festeja meio século de sua edição: Esquema da Origem e da Evolução da Sociedade Paraense , estudo detalhado e profundo da mentalidade que divide senhores e escravos, interessado na batalha pela igualdade de direitos e a disposição cristã de fraternidade universal. Quando biografei Cléo Bernardo de Macambira Braga, no livro de 2004, intitulado Cléo Bernardo: a Falta que faz , dediquei o trabalho principalmente, afora à minha família, a Levy Hal de

Li

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Moura, professor, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Juiz de Direito, membro da Comissão Regional do Folclore e meu companheiro da Academia paraense de Letras. Falo no livro sobre Cléo, amigo de Levy com sempre fui, que o Estado não pode pesar na mesma balança o gozo dos ricaços e o desespero dos pobres, já que a abolição de privilégios é uma exigência do nosso Deus que, segundo o Apostolo Paulo, é um fogo consumidor . Nocivas as desigualdades, são essenciais as diferenças. Em 1957, no Rio de Janeiro, ganhei o prêmio nacional como orador, e na ocasião, agradecendo o prêmio, fiz referência carinhosa tanto a Eneida quanto a Levy. O prêmio foi um livro que jamais esqueci, R uy o Estadista da República , homenagem de João Mangabeira a Ruy Barbosa, este último mais próximo dos ideais humanistas do que pensa a nossa inútil filosofia. Hal de Moura integrou os quadros da revista Terra Imatura que Cléo dirigiu de 1938 a 1940. Eneida, a essa altura, vivia exilada no Rio. D a l c í d i o J u r a n d i r, romancista do Pará até hoje inigualável, tornou claro: Cada um cumpriu seu caminho, e ninguém envergonhou o pé e o passo . *Acyr Castro é escritor e jornalista


O

século do

Secadapalavra queeudisser pudesselhefazer sorrir,eufalaria parasempre

Não chore por mim, não fale por mim, não sinta emoções por mim. Tenha cuidado com os seus pensamentos, eles se tornarão suas palavras. Anote as minhas últimas palavras: Não tenha medo da vida. Acredite que a vida vale a pena ser vivida se imersa em imensos riscos. A sua crença irá ajudar a criar o fato. “ EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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Q

por Ricardo Jordão Magalhães

uerida(o)Amiga(o), Eu perguntei ao vendedor, "O que a sua empresa faz?", ele disse "Nós vendemos soluções das principais marcas de informática do mundo. Nós vendemos hardware, software e serviços. Nós oferecemos serviços técnicos de alta qualidade e preços sempre competitivos.", "LEGAL! PARABÉNS! O que a sua empresa faz?" perguntei novamente, "Nós vendemos notebooks, produtos para você montar redes de computadores, serviços de suporte técnico da mais alta qualidade com excelentes profissionais que trabalham em equipe visando sempre a satisfação do cliente", "LEGAL! PARABÉNS! O que a sua empresa faz?", perguntei pela terceira vez, "Nós temos uma estrutura sólida, filiais em vários estados, nós atendemos todos os clientes de todos os tamanhos com o mesmo comprometimento e dedicação. Nós trabalhamos pelo sucesso dos nossos clientes." Eu parei por ali mesmo para salvar a pele do vendedor. Quanto mais o cidadão tentava se explicar, mais se complicava em um emaranhado de palavras difíceis que não fazem sentido algum, não significam nada, não carregam prova alguma do que eles fazem. Você oferece "serviços de suporte técnico de alta qualidade"? PROVE! Você possui "filiais em vários estados"? O QUE ISSO TEM A VER COMIGO? Você tem "excelentes profissionais que trabalham em e q u i p e " . Q U A N D O E X ATA M E N T E I S S O ACONTECEU? Você "trabalha pelo sucesso dos seus clientes"? O QUE EXATAMENTE VOCÊ CRIOU PA R A A F I R M A R E S S A R E A L I D A D E ? Será que o discurso de marketing e vendas da sua empresa está cheio de palavras vazias? Competência, criatividade, determinação, experiência, modernidade, flexibilidade, inovação, motivação, desafio, benefício, tecnologia, convergência, capital humano, confiabilidade,

sucesso, trabalho em equipe, qualidade e organização são palavras fantásticas mas totalmente vazias. Enciclopédias inteiras foram escritas para explicar o significado dessas palavras, entretanto, de tanto abusarem do verbo, desgatou. O vento levou. Éramos seis. Eu altamente recomendo que você suspenda imediatamente o uso dessas palavras em todas as comunicações de marketing e vendas realizadas pela sua empresa. Ao invés de dizer "serviços de suporte técnico de alta qualidade", diga "20 profissionais atendem 15 mil ligações por semana com 1,5% de perda de ligações"; ao invés de dizer "excelentes profissionais que trabalham em equipe", diga "o trabalho colaborativo entre a equipe de vendas e a equipe de atendimento ao cliente assegura que o cliente seja atendido 24 horas por dia 7 dias por semana", ao invés de dizer "você trabalha pelo sucesso dos seus clientes", diga "os nossos engenheiros de sistemas criaram um software capaz de prever a interrupção de energia que atinge os sistemas de proteção de energia de 750VA." Luís Vaz de Camões, o maior escritor da língua

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Facção Central

portuguesa em todos os tempos, em alguma galáxia muito muito distante, exatamente no Lusíadas, escreveu: Quando os Deuses no Olimpo luminoso, Onde o governo está da humana gente, Se ajuntam em concílio glorioso, Sobre as cousas futuras do Oriente. Pisando o cristalino céu fermoso, Vêm pela Via Láctea juntamente, Convocados, da parte do Tonante Pelo neto gentil do Velho Atlante. Carlos Eduardo Taddeo, letrista, líder do grupo de rap Facção Central, recentemente escreveu: Infelizmente o livro não resolve O Brasil só me respeita com um revólver Deita, porra, quero dólar, brilhante, gargantilha Tô seguindo os capítulos da sua cartilha. Camões é bárbaro. Eu imagino que os imortais da academia brasileira de letras relaxam e gozam quando tão sublimes palavras lusitanas são recitadas durante o chá das cinco. Por outro lado, o sangue de cinquenta mil pessoas ferve quando Dum-Dum, vocalista do Facção Central, incorpora a vítima, o traficante e a polícia ao cantar os versos que suas letras carregam.

Discurso de marketing

Qual das duas poesias é mais clara para os dias de hoje? Qual das duas poesias vende o que se propõe a vender? Deixe-me ensinar uma lição: Se você tem algo a dizer que precisa de dez palavras para ser dito, use cinco ; se exigir cinco, diga em três. Quanto mais você falar, mais se enroscará nas

próprias pernas. Economize palavras! Palavras vendem! Palavras espantam. O século do rap não engole mais o corporativismo dos versos vazios do coral de tiradores de pedidos vestidos a caráter para a missa das seis. 2007 pede uma linguagem direta, objetiva, franca, orgulhosa, próspera, positiva, eficaz, que promove a renovação das coisas e a revitalização da alma. Eu altamente recomendo que você adote, adapte e inclua as seguintes palavras no discurso de marketing e vendas da sua empresa. Elas rimam com os versos do século vinte e hum. Elas vibram. Elas fervem o seu sangue. Elas vivem. Elas são: Imagine, Orgulho, Simplicidade, Paz de Espírito, Prosperidade, Você pode, Você tem direito, Você exige, Você reclama, Estilo de Vida, Revolução, Renovação, Revitalização, Restauração, Independência, Segurança Financeira e Cultura.

Escolha as suas palavras como se fossem diamantes, você não é um vendedor, você é um poeta. NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA! QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você? *Rapper da Revolução ricardom@bizrevolution.com.br

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contribui com a queda da desigualdade Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo sobre as iniciativas de transferência de renda promovidas pelos governos do Brasil, México e Chile. No caso dos dois primeiros, a pesquisa apontou que os programas brasileiro Bolsa-Família e o mexicano Oportunidades tiveram impacto importante na redução da desigualdade de renda em seus respectivos países, no período compreendido entre 1996 e 2006. O estudo do Ipea demonstrou que o Bolsa-Família, assim como o Oportunidades, contribuiu com 21% na queda do chamado coeficiente Gini (índice internacional para medir desigualdade social) verificado nos últimos dez anos. No estudo foram analisados programas de transferência de renda com exigências de condicionalidades, ou seja, aqueles que determinam uma contrapartida do beneficiário. O BolsaFamília, por exemplo, estabelece que crianças em idade escolar devam ter 85% de freqüência, bem como mantenham seus cartões de vacinação em dia. Os autores verificaram que no Brasil e no México as iniciativas foram responsáveis pela redução de 0,6 e 0,5 pontos, respectivamente, do índice Gini nos anos avaliados. Ao todo, entre 1996 e 2006 o coeficiente de Gini caiu 2,8 pontos no Brasil e 2,7 pontos no México. Já no Chile, o índice se manteve estável e a contribuição do Chile Solidário foi marginal. Conforme a pesquisa, os programas de transferência de renda foram o segundo fator que mais contribuíram com a queda na desigualdade de renda, atrás apenas da renda proveniente do trabalho. De acordo com o pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo, Sergei Soares, esse resultado é bastante significativo se considerar que o mercado de trabalho representa 75% da renda das famílias. Ainda segundo o pesquisador: "uma queda de 2,8 pontos no índice Gini pode parecer pequena, mas é bastante grande. Os países europeus EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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quando introduziram o Estado de Bem-estar Social tiveram a evolução do Gini neste mesmo patamar". O estudo mostra que os dois aspectos que fazem com que os programas tenham bons resultados são a focalização e a cobertura. Nos três países avaliados foi constatada uma focalização bastante eficiente. No Brasil, verificou-se que 80% dos benefícios do BolsaFamília são direcionados para 40% das famílias mais pobres. Além disso, o Oportunidades e o BolsaFamília atingem milhões de pessoas. Apenas o programa chileno - Chile Solidário - alcança um número bem mais reduzido de famílias (225 mil) fato que aliado ao baixo valor do benefício oferecido ocasionou em um impacto bem inferior na queda da desigualdade de renda. No caso brasileiro, a boa focalização do programa é proveniente de uma parceria entre o governo federal e os municípios que identificaram as famílias beneficiárias. Isso fez com que os programas de transferência de renda, que representam apenas 1% da renda do País, tivessem um impacto tão significativo na redução da desigualdade. Conforme Sergei Soares, um dos pontos que mais chamaram a atenção no estudo foi o baixo custo mantido pelo governo brasileiro para se atingir uma focalização eficiente."No Brasil com uma estrutura enxuta e barata é alcançado o mesmo resultado em termos de focalização que no México e no Chile onde as despesas são bem altas", explicaFoco dos programas. Sergei Soares, pesquisador do Ipea


ar eting World Management 2007

M

Acompanhe a seguir um resumo das três palestras magnas realizadas no segundo dia do World Management 2007 abordando Marketing. por Tom Coelho*

“ Gestão Estratégica das Marcas Kevin Keller é um conceituado catedrático norteamericano, além de consultor de grandes empresas e Kevin Keller autor de best sellers, entre eles, “Administração de Marketing”, uma parceria com Philip Kotler. Em sua apresentação alerta para a importância e poder das marcas como um meio de identificar e diferenciar produtos e serviços. Uma marca forte deve ser envolvente, previsível em sua capacidade de criar expectativas e satisfazer clientes. Vale ressaltar que grande parte do valor intangível das empresas é representado pela marca, sendo comprovada a relação positiva entre valor de marca e retorno de lucro. Branding é o nome do jogo. Um conjunto de ações adotadas na administração de uma marca buscando torná-la única. É a única alternativa contra a diferenciação baseada unicamente em preço e custo. Construir valor de marca baseado no consumidor consiste em trabalhar a percepção deste cliente, possibilitando sua fidelização, a aplicação de preços premium e até mesmo a extensão da família de produtos.

Keller estabelece oito dicas para se conquistar a excelência de uma marca 1. Visão da marca centrada no consumidor e interesse pelo consumidor. Transcender as descrições e limites físicos do produto, descobrindo uma finalidade

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superior vinculada às aspirações do consumidor. Os passos para isso são: inspirar, inovar, focar, conectar e cuidar. Modelo a seguir: Nike. 2. Posicionamento superior em relação à concorrência. A tarefa é desenvolver “pontos de diferença” em relação aos concorrentes que sejam atraentes para o consumidor e viáveis para a empresa. E estabelecer “pontos de paridade”, ou seja, aspectos similares capazes de neutralizar os diferenciais da concorrência. Um exemplo de quem está fazendo isso: Accenture. 3. Estrutura da marca claramente definida. É o que chamamos de arquitetura da marca. O ponto de partida é compreender o potencial de cada marca dentro do portfólio da empresa e estabelecer uma hierarquia de marca. Isso significa criar sub-marcas de uma marca principal apenas se tiverem papéis estratégicos claros. E maximizar a cobertura de mercado, minimizando a sobreposição por outras marcas. Um ótimo exemplo é a BMW (marca principal) com suas sub-marcas série 3, 5 e 7. 4. Programa de marketing totalmente integrado. A comunicação começa no boca em boca, passa pelo patrocínio, degustação, ações em PDV e, obviamente, alcança a mídia impressa, eletrônica, exterior, entre outras. A Red Bull tem observado este princípio. 5. Cultivo de relações da marca. A meta agora é estender a percepção da marca para além do produto. Construir uma identidade e significado de marca capaz


Peter Draper

de estabelecer uma dualidade entre o desempenho do produto e a imagem da marca. Produzir respostas positivas racionais e emocionais. O exemplo aqui só poderia ser a Harley-Davidson e seus fiéis HOGs (proprietários de motocicletas Harley). 6. Estratégias de preço orientadas por prêmios. Em lugar de apenas reduzir preços, maximizar o valor para o cliente, participando de promoções extensivas no varejo, financiando campanhas publicitárias em parceria com revendas, estabelecendo uma comunicação direta com o cliente. Quem ilustra esta estratégia: Intel. 7. Inovações relevantes em marketing. Introduzir novos produtos, comunicações e outras atividades de marketing criativas e cativantes. Buscar o encadeamento de clientes, conquistando novos e fidelizando os existentes. Há um ícone nesta categoria e seu nome é Apple. A inovação em seus produtos sempre esteve presente, desde os Macintosh até o advento do iPod. Muito além do design, a empresa tem disponibilizado produtos complementares (fones de ouvido, cabos diferenciados, adaptadores para carro) e um primoroso atendimento ao cliente. 8. Administração adequada de estratégias de desenvolvimento de marca. Alavancar de maneira ininterrupta o valor da marca em novos produtos e mercados. Tomemos como exemplo a Starbucks. O desenvolvimento do produto está presente na oferta de novos sabores, aromas e embalagens de café, além de produtos complementares, como o cartão de crédito em parceria com a Visa. Já o desenvolvimento do mercado está representado pelas novas lojas em pontos como hotéis, aeroportos, livrarias, empresas, entre outros, além de novos mercados (já são mais de 30 mercados fora daAmérica do Norte). A excelência de uma marca deve ser responsabilidade de toda a organização. Não é atribuição de algumas pessoas ou do departamento de marketing. Diretoria e funcionários, todos sem exceção, comprometem de forma positiva ou negativa a imagem da marca, afetando direta ou indiretamente as percepções e experiências de seus clientes.

“ Transformar Clubes de Futebol em Marcas Globais Administrador Nacional da Liga da Bola de Basquete Inglesa por dez anos, Diretor de Marketing da Umbro

Sportwear por treze anos e depois do Manchester United, onde foi o responsável pela imagem global da marca, seu desenvolvimento e patrocínio. Com este currículo, Peter Draper proferiu a segunda palestra do World Management no dia dedicado ao marketing. À luz da experiência vivida no Manchester United, um dos clubes de futebol mais festejados da Inglaterra, Draper aplicou uma abordagem corporativa ao marketing esportivo, equiparando o clube a uma empresa, o futebol a um produto e elevando os torcedores à categoria de clientes. O primeiro passo foi a definição de uma visão clara e bem comunicada: “Ser o melhor clube de futebol do mundo tanto dentro quanto fora do gramado”. Para alcançar esta visão, um conjunto de valores formado por: união, inovação, excelência, determinação e não-discriminação (um clube acessível a todos, independentemente de idade, raça, sexo, crença e condição sócio-econômica). Atingir a primazia no gramado demanda reunir os melhores talentos e equipe técnica, preparação intensa e inovação constante, sempre respeitando o espírito e as regras do jogo. E fora do gramado deve-se criar uma cultura de negócios capaz de satisfazer as necessidades de fãs, jogadores, acionistas e colaboradores; melhorar continuadamente o conforto e a segurança das instalações do estádio; aumentar os lucros com atividades futebolísticas e comerciais; oferecer excelência em serviços aos clientes; e participar ativamente da comunidade. A força do Manchester United enquanto negócio reside primeiro no equilíbrio de seu orçamento, cujas receitas são distribuídas proporcionalmente entre venda de ingressos, mídia e área comercial. A maioria dos clubes depende da mídia (TV e cotas de patrocínio) porque são fracos comercialmente e passam a ter seu faturamento controlado por terceiros. A dica é aumentar a renda de bilheteria, através da criação de diferentes categorias de ingressos e venda de pacotes para toda uma temporada. O Manchester ampliou a capacidade de seu estágio e atualmente 20% de seus 75 mil lugares são comercializados antecipadamente sob o sistema de cotas gerando mais receita e maior fidelização. Mesmo na mídia os negócios são integrados abrangendo além da TV e do rádio, mídia impressa, internet e celular, entre outros. Antes de estabelecer uma estratégia de crescimento, o clube realizou uma ampla pesquisa em 1999 para identificar o perfil de seus torcedores, descobrindo que EDIÇÃO 67 [AGOSTO 07]

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tem 75 milhões de simpatizantes em todo o mundo, sendo 10 milhões apenas na Inglaterra (20% da população) e 41 milhões na Ásia. O levantamento possibilitou, por exemplo, o lançamento de um cartão de crédito com a bandeira do Manchester na Coréia do Sul, com a rápida adesão de 160 mil pessoas.

Algumas estratégias adotadas para o crescimento dos negócios foram:

- Maximizar as receitas do estádio; - Construir uma presença coesa na mídia; - Desenvolver parcerias estratégicas; - Expansão internacional sustentável; - Desenvolvimento de negócios empresariais em diversas mídias. O desafio final e permanente consiste em colocar o cliente em primeiro lugar. Refletir sobre seus desejos e necessidades, reposicionando produtos e serviços. Prestar uma permanente assistência ao cliente, edificando a marca e conquistando fidelização. Inovar em benefícios ao cliente sempre – e divertir-se fazendo isso.

“ A Marca da Publicidade Brasileira Premiado no Brasil e no exterior, eleito por duas vezes o “publicitário do século”, Washington Olivetto, fundador e presidente da W/Brasil, agência que atua apenas com empresas privadas, dispensando por princípio a participação em concorrências públicas, apresentou um panorama da publicidade brasileira a partir dos anos setenta, período em que começou a ser reconhecida internacionalmente. O ano de 1974 marcou a conquista do primeiro leão de ouro de publicidade brasileira com uma campanha feita para o Conselho Nacional de Propaganda contra os anúncios de emprego que declaradamente discriminavam profissionais com mais de quarenta anos de idade. Em 1978 surgiu a campanha da palha de aço Bom Bril,

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Washington Olivetto

com o garoto-propaganda Carlos Moreno, um ícone na história da publicidade, presente no Guiness Book pelo número de diferentes peças veiculadas. Os anos oitenta assinalaram a fase mais exuberante de nossa comunicação. Algumas campanhas antológicas e seus slogans: Guaraná Taí, “Gostoso como o primeiro beijo”; leite de alfazema Phebo, “Desperta o prazer de ser mulher”; e posto São Paulo, “A primeira rede em simpatia”. Neste período emplacamos os dois únicos comerciais em língua não-inglesa entre os cem melhores divulgados no livro “The 100 Best TV Commercials”: “Primeiro Sutiã” (Valisère) e “Hitler” (Folha de S. Paulo). O advento dos anos noventa trouxe o crescimento da publicidade na mídia impressa e digital. Mas deixou claro uma das máximas de Olivetto: “Não importa o meio, mas a idéia”. A virada do século denunciou uma baixa auto-estima na publicidade do Brasil e do mundo. A forma ganhou mais evidência que o conteúdo, prejudicando a qualidade das propagandas. Muita edição, grandes trabalhos de produção gráfica e de som, muitas vezes em detrimento da simplicidade, um dos melhores ingredientes da boa publicidade. O Brasil entrou definitivamente na rota das grandes contas globalizadas trazendo-nos o desafio de sermos mais competitivos, criando campanhas que resistam ao tempo, sejam fascinantes, encantadoras e capazes de gerar resultados para os anunciantes. *Formado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA


Afinal, N

o que é lobby ? por Sergio Tostes*

os últimos dias essa expressão passou a freqüentar todas as conversas. Face à natureza da matéria a que a palavra está vinculada, todos têm, ao menos intuitivamente, uma idéia do que ela significa. Mas, o que é lobby e em que consiste ser lobista? O significado primário da palavra é conhecido. Em inglês, é o nome dado à recepção dos hotéis, por onde, em geral, todos os hóspedes circulam. Mas, o que têm em comum o lobby de hotel e as atividades dos `lobistas` brasileiros? A vinculação do lobby com o lobista, tal como hoje conhecemos a atividade, exige um passeio pela História. Quando a capital dos Estados Unidos da América foi transferida de Filadélfia para Washington, essa cidade parecia a Brasília dos primeiros tempos. Havia muitos prédios públicos onde funcionavam os diversos órgãos dos poderes constituídos, alguns hotéis e pouquíssimas residências particulares. Dentre os hotéis destacava-se o Washington Hotel, situado próximo da sede do Legislativo e onde se hospedava a maioria dos parlamentares, todos vindos de outros estados. Qualquer pessoa que tivesse alguma reivindicação a fazer ou uma sugestão a apresentar teria melhor acesso aos legisladores se os encontrasse fora das salas de sessão. Assim, o mais conveniente era se dirigir ao Washington Hotel. Aqueles que não tivessem intimidade para serem recebidos nos aposentos dos legisladores, os esperavam no lobby do hotel, para abordá-las quando passassem a caminho da Câmara ou do Senado. Como as reivindicações provinham dos estados, alguns a boa distância de Washington, surgiu uma denominação para aqueles que, profissionalmente, representavam os interesses de pessoas dos vários estados. Essa nova categoria profissional exercia seu mister principalmente no lobby do Washington Hotel e, conseqüentemente, passaram a ser apelidados de lobistas. Tal como qualquer apelido bem dado, esse `pegou`. E pegou de tal maneira que em pouco tempo passou a ser adotado pelos próprios `lobistas`. Hoje o `lobby` é admitido pela legislação americana mas, para poder atuar junto ao Congresso, o lobista tem

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O Lobby

que estar devidamente registrado. Trata-se, portanto, de uma profissão regulamentada. Os lobistas, nos EUA, prestam um serviço legítimo, vez que representam transparentemente o interesses de pessoas, empresas e, hoje em dia, com a evolução do comércio internacional, até de países e comunidades estrangeiras. São recebidos pelos parlamentares, apresentam proposições e, não raro, são chamados a depor em sessões de comissões parlamentares temáticas (os `public hearings`). Os próprios parlamentares reconhecem que os lobistas são tão capacitados em determinados assuntos que suas opiniões merecem ser ouvidas em público. Como era de se prever, tal proximidade com as autoridades, por vezes, propicia desvirtuamento da atividade e, eventualmente, acontecem excessos em jantares em restaurantes finos, recepções e até mesmo festinhas privadas, etc. Mas, como a profissão é regulamentada, existem parâmetros definidos que, se desrespeitados, provocam severas punições a beneficiados e benfeitores. O lobista não só perde sua qualificação, como está sujeito a sanções criminais e civis. O que tem a ver a atividade de `lobby` em sua origem com o que se denomina de lobby no Brasil? Nada, rigorosamente nada. Nossa eterna tendência de


Os lobistas à brasileira são notória e perfeitamente identificáveis não só nos órgãos dos Poderes Executivo e Legislativo mas até no Judiciário”... suavizar nas palavras a gravidade das situações adotou a aparentemente sofisticada expressão `lobby` para designar o que é pura e simplesmente corrupção. E os chamados `lobistas`, como se constata pelo farto noticiário em todos os meios de comunicação, nada mais são do que agentes da corrupção. Aqueles que exercem cargos públicos, e admitem manter relações com pessoas que se intitulam ou aceitam a denominação de lobistas, devem saber que estão tratando com agentes da corrupção. Não se admite que ministros, governadores, parlamentares, magistrados e dirigentes de estatais sejam ingênuos. Se o forem, apenas por isso estarão desqualificados para os cargos que exercem. Os lobistas à brasileira são notória e perfeitamente identificáveis não só nos órgãos dos Poderes Executivo e Legislativo mas até no Judiciário, onde pululam advogados e profissionais de diversas outras especialidades que não têm procuração

Washington Hotel

para atuar nas causas em que demonstram tanto interesse. Os últimos anos e, especialmente, os acontecimentos revelados nos últimos meses, não deixam margem a dúvidas de que lobista é, na realidade, um eufemismo para se designar o corruptor. Não há nessa afirmação nenhum prejulgamento em relação às pessoas cujos nomes aparecem envolvidos. Ocorre que os fatos notórios não exigem prova adicional, e qualquer autoridade que admita contato com um notório lobista, seja em seu gabinete de trabalho, seja por telefone, em sua casa, no meio da rua ou por meio de assessores, não deve ignorar que, quando menos, está se sujeitando a uma tentativa de corrupção. Nos tempos do Brasil monocultor, dependente da exportação do café, a saúva ameaçava os cafezais. Foi cunhada a célebre frase: ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil. A corrupção está na raiz de todos os males de nosso País. Ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção eternizará nossas injustiças sociais. Aresponsabilidade é de cada de um de nós. Advogado, foi Presidente do Tribunal de Ética da OAB e é Mestre em Direito Comparado pela New York University. Em AEPET

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Camillo Vianna

Federal do Amapá e Amazônia Ocidental, englobando os Estados do Amazonas e Acre e territórios de Rondônia e Roraima. Em relação à cobertura florestal da região, tudo leva a crer que esteja em andamento ativo processo de agressão ambiental, com peculiaridades nunca vistas em nosso país, chegando a haver esquisita coincidência em dois polos opostos da grande Amazônia com a existência de núcleos de extrema desintegração da manta verde, desencadeada com a chegada de migrantes do Sul e do Sudeste do país. Um deles está situado no Estado do Pará, ou mais exatamente, nas regiões Sul e Sudeste, e o outro fica no recém criado Estado de Rondônia, onde a agressão adquire aspectos de verdadeira Solução Final, com o {Porto Velho, 22 de junho de 1985} desaparecimento da flora e da fauna, e, o que é pior, com agressão humana em igual escala de gigantismo. Carentes de suporte culturológico em preservação do meio ambiente e respeito aos seus hábitos, usos e costumes, reage-se confusa e atabalhoadamente diante desses fatos. A cearencização da Hiléia de Humboldt por mais de um século de duração e esencontradas informações sobre a Amazônia de pouca interferência na destruição do meio ambiente com pobre brasileira não vêm permitindo que se possa ter equipamento predador, vem sendo substituída por migrantes de outras conhecimento, com razoável aproximação, do regiões, desordenadamente introduzidos e, basicamente, a serviço do verdadeiro estado de coisas que representa o término capital, trazendo severas conseqüências. O fósforo, o machado, a roça, o do processo de conquista e início da integração ao território terçado e a pobreza dos nordestinos, foram trocados pelo helicóptero, pelo brasileiro. trator, pela motoserra, pelo correntão, pelo agente laranja - sobra da guerra A conceituação de Amazônia Legal fica mais complicada, pois do Vietnam - pela imensas queimadas, pelo incentivo fiscal e pelos conflita com aquela Tradicional, Clássica ou Ribeirinha e, gigantescos projetos de agropecuária e mineração, estes com vinculação portanto, Geográfica, apesar da diversidade de denominações que multinacional, grandemente estimulados pela corrupção a todos os níveis e servem para caracterizar e mesmo conhecer aspectos do pela cobiça maquiavélica do lucro imediato. problema. A região não deve ser considerada sob um único ângulo Essa complexa associação de esforços configura incrível processo de visada. Por outro lado, evidências que já começam ser predador, que não vem acompanhado de qualquer atividade que busque o delineadas, permitem aceitar a divisão da Amazônia em dois equilíbrio da ocupação humana agredindo-a violentamente. Levas de grandes segmentos, sob influência diversificada tais sejam: migrantes, como acontece em Rondônia, por exemplo, tornam Amazônia Oriental, representada pelo Estado do Pará e Território praticamente impossível as tímidas tentativas de se disciplinar a

AMAZÔNIA Problemas e perspectivas

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integração racional da região. Explodem em todos os quadrantes do antigo Inferno Verde, focos de atritos sociais e grupos armados começam a ser identificados, como se alguma coisa, em termos de maior abrangência, estivesse em ebulição. Milhões de hectares de mata foram transformados em terras degradadas, de acordo com afirmativa do atual Presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), ao mesmo tempo que superhidrelétricas, financiadas e construídas à revelia dos raríssimos defensores da região, tumultuam a vida dos moradores das áreas onde são erguidas, uma vez que nelas foi ignorado o principal - o homem. Como exemplo, temos as duas Tucuruís a de Luxo e a de Lixo que caracterizam a segregação. Os grande enclaves de mineração representam simulação de progresso, não passando de melhoria transitória para uns poucos vindo de fora com a exclusão da comunidade básica da própria região como um todo, ficando apenas, ao seu esgotamento, como ocorreu no Amapá, em relação ao manganês e outros minérios, a pobreza e a miséria. A agressão ambiental em expansão, pode ser identificada com extrema facilidade desde o estuário do rio Amazonas nas zonas de pesca, o que representa verdadeiro saque aos estoques pesqueiros, base de alimentação de ribeirinhos ou não, até aos mais remotos rios, lagos e igarapés e aos campos e florestas de todo o Ex-Futuro Celeiro do Mundo. A construção das super-rodovias, pessimamente planejadas e pior conservadas, permitiram a chegada de milhares de neo-hileianos (goianos, paulistas, paranaenses, catarinenses, gaúchos) como vem ocorrendo no antigo Território Federal do Guaporé, hoje área tumultuada,

onde doenças medievais como a malária, tuberculose, sífilis, hanseníase e doenças venéreas, se associam a outras de identificação mais recente, aumentado o número de baixas entre os usuários do também denominado, Cemitério dos Cearenses a Amazônia. Os mecanismos de anti-devastação ainda engatinham em passos hesitantes, muito embora tentativas isoladas venham sendo postas em prática, como é o caso da atuação da Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (SOPREN), atuando desde 1968 na maior área contínua do País, em atividades precursoras nas áreas do meio ambiente, cultura popular e valorização do homem e da própria região, em parceria com a Universidade Federal do Pará, através do Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária (CRUTAC), Ministério da Agricultura, Movimento Brasileiro de Alfabetização de Adultos (MOBRAL), Projeto Rondon, professores e grupos de jovens sensíveis ao problema. Associando esforços com maior ou menor agressividade operacional, a SOPREN é possuidora de rico acervo de realizações que visam atenuar o processo de violentação da Terra da Promissão dos Trópicos. A entidade conservacionista vem buscando encontrar soluções que amenizam os graves problemas da destruição ambiental, visando a integração harmoniosa do Maior Patrimônio do Povo Brasileiro. *Sopren/Sobrames

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BELÉM 01 a 16/10

AGO

Festival Internacional de Ópera da Amazônia Theatro da Paz 20h FONE: (91) 4009-8707

STO

Até 30/11 XXIII Prêmio Jovem Cientista “Educação para reduzir as desigualdades sociais” www.jovemcientista.cnpq.br

S U BRASÍLIA até 08/10

Prêmio Inclusão Cultural da Pessoa Idosa 2007 INSCRIÇÕES FONE: (61) 3226-1084 premio@institutoempreender.org

INHANGAPÍ 17 a 19 X Festival do Açaí Espaço Cultural Dr. Achiles FONE: (91) 3809-1159 FAX: (91) 3809-1160

SOURE 19 OURÉM 19 Círio de Nossa Senhora de Nazaré Altos da capelinha FONE/FAX: (91) 3467-1140

ABAETETUBA 15 a 22 XXVII – Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba Ginásio Poliesportivo Hildo Tavares Carvalho FONE/FAX: (91) 3751-2022 abaetur@ig.com.br

ALTAMIRA 25 Corrida do Dia do Soldado principais ruas da cidade FONE: (93) 3515-1476 FAX: (93) 3515-1338

Festividade de São Sebastião Festividade de São Sebastião FONE: (91) 9626-6310 / 9119-6848 FAX: (91) 3741-2223 helomartins16@ hotmail.com

ITAITUBA 18 a 26 18ª Exposição Feira Agropecuária e Industrial de Itaituba Parque de Exposição Hélio da Mota Gueiros FONE/FAX: (93) 3518-1640

CASTANHAL 25 a 02/09 Exposição Feira Agropecuária de Castanhal Parque de Exposições Pedro Coelho da Mota FONE/FAX: (91) 3721-7107 spr_cast@linknet. com.br

TRACUATEUA 19 Círio de Nossa Senhora de Nazaré Principais ruas da cidade FONE: (91) 3485-1220 FAX: (91) 3485-1190

BREVES 19 a 22 XXIV – Festival Brevense de Folclore Ginásio de Esporte FONE/FAX: (91) 3783-1180 E-mail: vanda_turismologa@hotmail.com

NOVO PROGRESSO 26 Campeonato Paraense de Velocidade na Terra Balneário do Bambu FONE: (93) 3528-1222 FAX: (93) 3528-1031

BELÉM até 31 Prêmios “Professor Samuel Benchimol” e “Medalha do Conhecimento” Inscrições www.basa.com.br FONE: (91) 4008-3415

SANTARÉM 18 a 23 IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará FONE: (91) 3201-2300 FAX: (91) 3201-2319 www.seelpara.com.br

MARAPANIM 20 Regata da Festividade de Nossa Senhora das Vitórias Rio Marapanim FONE: (91) 3723-1170 / 8116-9055

COLARES 21 e 22 Festival do Folclore Aldeia Cultural FONE: (91) 3461-7290 / 8831-0604 secdetcolares@yahoo.com. br / princealmeida@ bol.com.br

PORTEL 27 Romaria Fluvial Rio Arucará FONE: (91) 3784-1126 FAX: (91) 3784-1163


BELÉM 01 a 04

SETE

Encontro Internacional de Dança do Pará Theatro da Paz FONE: (91) 3241-4130 anaunger@nautilus.com.br

MBR

BELÉM até 28 2° Festival da canção de Icoaraci Inscrições: Na Agência Distrital de Icoaraci FONE: (91) 3073-7620 9635-8119

NOVO REPARTIMENTO 05 a 09 XVII Festa do Peão Parque de exposição da APRONOP FONE: (93) 3528-1109 E-mail: dudupiran@hotmail.com

PARAUAPEBAS 07 Corrida Rústica da Independência Ruas da cidade FONE: (94) 3346-1633 / 3346-3979 FAX: (93) 3346-1037 E-mail: franciscoseden@yahoo.com.br

CURRALINHO 13 a 16 XI Festival do Açaí Arena do Festival do Açaí FONE: (91) 3633-1404 / 3212-6565 FAX: (91) 3212-6565 E-mail: pmcurralinho@hotmail.com

O CASTANHAL 02 a 09

Feira Agropecuária de Castelo Branco Agrovila Castelo Branco FONE: (91) 3721-2475 E-mail: funcast@castanhal.pa.gov.br

BAGRE 07 a 09 XVII Festival do Açaí Calçadão FONE: (91) 9155-9404 FAX: (91) 3606-1219 E-mail: prefeituradebagre@yahoo. com.br

IGARAPÉ-AÇÚ 08 Apresentação de Bandas Marciais e Fanfarras Praça Nações Unidas FONE: (91) 3441-1203 ramal: 225 E-mail: secturigassu@hotmail.com

SANTARÉM 13 a 17 Sairé Praça do Sairé FONE: (93) 3527-1171 / 9656-4041 / 9653-4763 FAX: (93) 3523-2434 secretario@netsan.com.br semtur@netsan.com.br

MARABÁ 05 a 09 XIV Feira da Indústria, Comércio e Arte Ginásio Poliesportivo FONE: (94) 3321–1020 FAX: (94) 3321-1328 acim@skorpionet.com.br

FLORESTA DO ARAGUAIA 07 a 15 Festividade de Nossa Senhora das Dores Igreja Católica FONE/ FAX: (94) 3432-1305 www.pmflorestadoaragu aia.com.br

SALINÓPOLIS 08 Procissão de Nossa Senhora do Socorro Igreja Matriz FONE: (91) 3423-1167 E-mail: pmsturismo@hotmail.com

BOM JESUS DO TOCANTINS 14 a 16 9ª Grande Cavalgada Fazendas da região FONE: (94) 3341-1150 / 9149-8014 secultbjt@hotmail.com

BELÉM até 04 ARTE PARÁ 2007 Galeria da Residência Tv. Padre Prudencio, 1612 FONE: (91) 3242-8758 www.frmaiorana.org.br

NOVO PROGRESSO 05 a 09 XVII Festa do Peão e VIII - Exponp Parque de Exposição da Apronop FONE: (93) 3528-1109 E-MAIL: dudupiran@hotmail.com

PAU D'ARCO 07 a 09 4ª Festa do Mel FONE: (94) 9152 5225 / 3356-8120 FAX: (94) 3356 - 8104 E-MAIL: josiasso@yahoo.com.br

CACHOEIRA DO ARARI 10 a 12 Feira de Artesanato Cultura e Arte Marajoara Praça da Independência FONE: (91) 3758-1461 coopeturgmarajo@yahoo. com.br

ALTAMIRA 15 e 16 XIII Festival do Tacacá Instituto Maria de Mattias FONE: (93) 3515-1331 FAX: (93) 3515-3188 mattias@amazoncoop. com.br


INFORME PUBLICITÁRIO

Jordy reapresenta projeto de Política de Educação Ambiental

P

reocupado com a falta de uma política de educação ambiental atualizada para o Estado do Pará e levando em conta que não existe nenhum projeto neste sentido tramitando na Assembléia Legislativa, o deputado Arnaldo Jordy (PPS) reapresentou, no mêsde junho, o projeto de sua autoria que institui a Política Estadual de Educação Ambiental. Protocolado na Mesa da Assembléia Legislativa, no dia 31 de maio de 2006, o projeto de lei cria o Programa Estadual de Educação Ambiental e complementa a Lei Federal nº 9.795/99 no Estado do Pará. Segundo Jordy, "qualquer modelo de desenvolvimento sustentável que vise à melhoria da distribuição de renda e o bem estar da população deve levar em conta a questão da educação ambiental". Com uma biodiversidade que tem mais de 50 mil espécies desconhecidas e cerca de 20% dos recursos hídricos do planeta, o país, segundo o deputado, não tem dado a devida atenção ao meio ambiente. O projeto considera a educação ambiental como um componente essencial e permanente da educação estadual e nacional e deve estar presente, de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. Segundo Jordy, a Lei que prevê educação ambiental nas escolas, baseada no Artigo 255 da Constituição do Estado, "foi um passo importante para que víssemos este tema tratado em escala macro, utilizando-se a rede de ensino para debater temas importantes à preservação ambiental. Entretanto, a Lei, que

tomou o nº 5.600 e é datada de 15 de junho de 1990, encontra-se defasada diante deste enorme debate que se vem fazendo sobre a Amazônia e sobre a necessidade de zonear áreas para as diversas atividades econômicas, além daquelas que precisam de proteção integral". A Política Estadual de Educação Ambiental engloba o conjunto de iniciativas voltadas para a formação de cidadãos e comunidades "capazes de tornar compreensíveis à problemática ambiental e de promover uma atuação responsável para a solução dos problemas ambientais", define o projeto. A Política Estadual de Educação Ambiental engloba, em sua esfera de ação, instituições educacionais públicas e privadas dos sistemas de ensino do Estado e dos municípios, de forma articulada com a União, com os órgãos e instituições integrantes do Sistema Estadual de Meio Ambiente e organizações governamentais e não-governamentais com atuação em educação ambiental. O projeto prevê ainda que as instituições de ensino básico, públicas e privadas, incluirão em seus projetos pedagógicos a dimensão ambiental, de acordo com os princípios e objetivos desta lei e da Lei Estadual nº 5.600, de 15 de junho de 1990.


APRECIE COM MODERAÇÃO

DRAFT

CERPA. AGORA, AINDA MAIS GOSTOSA!

EMPRESA INCENTIVADA PELO GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ

Pará+ 67  
Pará+ 67  

O Guarani Festribal em Juruti

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