somente era consumido pelas gentes de mais baixa renda. Com o passar do tempo os marujos acostumavam-se ao seu paladar e, na volta, mesmo com a situação financeira melhorada e às vezes até enricados, continuavam a consumir a iguaria em casa, com a família e convidados, popularizando o acepipe que, assim, acabou por chegar à mesa dos cortesãos. Os lusonavegantes também tornaram conhecido o repasto nas terras por eles visitadas ou colonizadas, como é o caso do nosso pernil brasílico. Por isso é que, para nós, bacalhau é quase emblemático, verdadeiro ex-líbris de nossos “achadores” e colonizadores. E com toda a justeza, ora pois pois! No Natal, então, não pode faltar à mesa dos mais abastados uma supimpa bacalhoada à lusitana, regada, à farta, por “azeite português” (de oliva). Diga-se o mesmo em relação ao “natal dos paraenses”, o Círio de Nazaré, em que o ansiado “bacalhau do Porto” comparece em abundância e gostosura à mesa dos parauaras. Dissemos no início que bacalhau não é um peixe, mas sim o modo de preparo da carnadura de vários deles. Atualmente, cinco ou seis espécies de peixes são transformados, com maior freqüência, em bacalhau, como já se verá. O principal representante pertence à família dos gadídeos (Gadus morrhua), internacionalmente conhecido como Cod; é o “príncipe
dizer que nas águas territoriais portuguesas inexistem estirpes piscosas geratrizes de bacalhau e nem são os lusos os maiores produtores desse saboroso manjar. Os noruegueses e espanhóis, por exemplo, produzem mais e, segundo alguns, melhor bacalhau. Mas foram os compatrícios do genial Camões, sem ponta de dúvida, os responsáveis pela popularização e universalização da iguaria, aquando do ciclo das grandes navegações transoceânicas para o descobrimento de novas terras, logrando dar “novos mundos ao mundo”. Como eram essas viagens “por mares nunca de antes navegados” assaz longas e demoradas, com muitos dias e às vezes meses entre um porto e outro, havia o problema da conservação dos alimentos, os quais quase que se resumiam a peixes salgados (sardinha e bacalhau, máxime) e “biscoitos do mar” (de bis = duas vezes e coctus = cozido), constituídos por “massaroca” farinácea de água e sal posta a cozer duas e até três vezes nas fornalhas do reino, a fim de fazê-la resistir ao tempo e ao mofo e garantir a alimentação dos mareantes. Bacalhau e biscoito, logo adotados pelas outras nações desbravadoras e colonialistas, foram, destarte, os garantidores desses feitos. Mas voltemos ao bacalhau. Antes do ciclo das grandes navegações e durante a maior parte desse período, tal tipo de alimento
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Edição 46 - dezembro