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Pará+ 46

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amargura como cumpri o que o destino quis./ Mas, agora Jesus, Jesus Criança,/ é tempo d e c h e g a r. . . A g e n t e cansa,/ para sempre, de vez, num certo dia/ em que a penumbra da descrença fria/ toma conta de nós.Ah! nesse dia,/ Jesus Querido, meu Jesus Criança,/ que morra linda a última esperança!.../ Portanto, Jesus Menino, / na folha do meu destino,/ escreva a palavra PAZ!/ Para que eu durma, então, serenamente/ com um sonho de arcanjo adolescente/ e não sinta, e não chore, e não desperte mais”. A referência é infindável em Portugal, no Brasil e outros pontos do mundo nesta celebração especial. A data é especialíssima onde risos e lágrimas se juntam em sentimento uníssomo. Neste âmbito cabe do poema portugêsAntonio Gedeão,” NATAL”. “Hoje é dia de ser bom./ É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,/ de falar e de ouvir com mavioso tom,/ de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças”. Contagiados pelo espírito natalino, encontramos na obra “O Natal na Arte Portuguesa”, de José Régio, a quadra de sua autoria exaltando a Anunciação da Virgem Maria: “ No ventre da Virgem Mãe/ Encarnou divina graça/; Entrou e saiu por Ela/ como o sol pela vidraça”. Ainda na literatura lusitana deparamos com a bonita peça literária de Fernando Pessoa, com o título: “ NATAL” : “Natal... Na província neva./ Nos lares aconchegados/ um sentimento conserva/ os sentimentos passados./ Coração oposto ao mundo,/ como a família é verdade!/ Meu pensamento é profundo/ Estou só e sonho saudade./ E como é branca de graça,/ a paisagem que não sei,/ vista de trás da vidraça/ do lar que nunca terei!” Também na mesma sequência há do poeta lusitano Antonio Feliciano de Castilho este registro nas letras “O NATAL DO PROBREZINHO”: “Oh que aspérrimo Dezembro!/ Treme o frio em cada

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membro/ se cogito, se me lembro/ do que lá por fora vai./ Pelos gelos da vidraça/ olho a rua; ninguém passa,/ mais do que o vento, que envoaça/ sobre a neve; a neve cai./ Mas à nossa residência /Graças mil, ó Providência/ traz de Dezembro a inclemência/ delícias a plenas mãos./ Viva o Natal, santo dia!/ bom fogo aquece e alumia/ a doméstica alegria/ de meninos e anciãos”. Em Portugal sob o frio do Inverno, as vezes com chuva e em algumas localidades a neve se espraiando no chão, nos telhados e nas árvores, os lusitanos param para festejar a Noite Natalina. Há a Missa do Galo rezada nos templos à meia noite. Após reunida toda a família os festejos continuam com a Consoada (Ceia de Natal) onde o bacalhau cozido com couve e batatas é o prato de resistência, regado ao tradicional vinho português. Lampreía doce, Fatias

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Edição 46 - dezembro


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