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Revista

Pará+ AGOSTO 2015

BELÉM-PARÁ

WWW.PARAMAIS.COM.BR

ISSN 16776968

EDIÇÃO 162

R$ 8,00

14º Festival de Ópera orquestra sinfônica tira jovens das ruaS CAPA 162.indd 1

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NOVA INDEPENDÊNCIA. Feita pra facilitar sua vida, não pra tirar.

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Depois

JUNHO 2012. Caminho cercado de entulhos, na área onde seria aberta a Nova Independência, a partir da rotatória do 40 Horas até a BR-316.

AGOSTO 2015. A mesma área, agora com a avenida concluída e sinalizada, abrindo novos caminhos e melhorando vidas.

GRIFFO

A Nova Avenida Independência mudou para melhor a vida de muita gente. Com 9 km de extensão, em pista dupla totalmente sinalizada, iluminada e urbanizada, é uma nova via de entrada e saída da capital e uma obra estratégica para integrar toda a Região Metropolitana. Com 42 faixas de pedestres, 21 passarelas para pedestres sobre o canteiro central e 4 pontes, duas sobre o Rio Maguari e 2 sobre o canal do 40 Horas. Além de calçadas e ciclovias ao longo da

GOVERNO DO

avenida. Uma avenida que valoriza os imóveis da área e eleva a qualidade de vida de todos. www.paramais.com.br

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www.pa.gov.br Pará+

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Revista

N E S TA E D I Ç ÃO EDIÇÃO 162 - AGOSTO/2015

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Colégio Militar de Belém - CMBel

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TV Cultura transmite ao vivo o XIV Festival de Ópera do Theatro da Paz

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Presença paterna é indispensável em cada fase da gestação

PUBLICAÇÃO

Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 EDITORA CÍRIOS ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

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ÍNDICE DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES*: Ana Luisa D’Arcadia de Siqueira, Anete Costa Ferreira, Bibianna Teodori, Celso Freire, Dani Filgueiras, Dedé Mesquita, Gabriela Azevedo, Lucila Canto, Marcia Carvalho, Tatiane Dias; FOTOGRAFIAS: Anderson Silva, Antonio Silva, Carlos Sodré, Cristino Martins, Rodolfo Oliveira, Sidney Oliveira / Ag. Pará, BioMA, Divulgação, Gabriel Santos, Geraldo Ramos / Ascom Os Pará 2000, Mirthes Vargas, Sociedade Brasileira de Física, Wagner Almeida; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios

Avenida Independência

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XIV Festival de Ópera

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Continuidade ao plano de investimento em logística do Pará

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Universitário paraense ganha prêmio nacional

C A PA

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10 lições que aprendi com meu pai

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MAIS WWW.PARA

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Pará luta contra o tráfico de pessoas

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* Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Grafeno revoluciona a Física do Pará e do Brasil

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Video Game ajuda na reabilitação de deficientes

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Perita criminal faz sucesso no mundo das artes

Juventude em perigo FAVOR POR

Tecnologias criadas para melhorar sua concentração

40 Queimadas preocupam o Estado do Pará da Sustentabilidade de Municípios 42 Barômetro com Atividades Minerárias no Pará

Entre meninos e botos: um amor pela Etnobiologia

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XIV Festival de Ópera. “A Ceia dos Cardeais”, tendo por palco a igreja de Santo Alexandre. Foto: Geraldo Ramos/Os Pará 2000

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Orquestra Sinfônica ajuda a tirar jovens das ruas

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ERA AL DE ÓP 14º FESTIV SINFÔNICA RA ORQUEST S DAS RUAS N E V TIRA JO

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Colégio Militar de Belém - CMBel Texto Gabriela Azevedo* Fotos Antonio Silva, Cristino Martins / Ag. Pará

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niciaram desde 10/08, as inscrições para o processo seletivo do Colégio Militar de Belém (CMBel), que irá oferecer 42 vagas para alunos do ano, A instituição irá funcionar nas instalações que atualmente abrigam a Escola de Governança do Estado do Pará - EGPA (Avenida Almirante Barroso, ne 4348, bairro Souza), onde também estão sendo realizadas as inscrições (somente presencial) dos candidatos interessados, no horário de 9h às 11h e 14h às 16h. A taxa de inscrição custa R$ 90,00 e as inscrições irão até o dia 11/09. O diretor geral da EGPA, Ruy Martini, não vê prejuízos com a mudança da estrutura. “Vamos preservar os mesmos espaços acadêmicos que temos hoje. Não vamos comprometer nenhum de nossos projetos, nem a execução atual e muito menos o planejamento de crescimento dos cursos. Na verdade, ganhamos, porque pela localização passamos a ter oportunidade de planejar ações em três turnos, hoje trabalhamos em apenas dois. Ou seja, temos saldo positivo”, garante. As mudanças também representam o início de uma fase de adaptação para os funcionários da EGPA. Alguns cursos em andamento serão encerrados em outubro, quando a mudança deverá iniciar. “Evidentemente que algumas ações terão o cronograma repensado porque teremos todas as instalações prontas em outubro, mas acredito que até o final deste ano estaremos estruturados e retomaremos as atividades normalmente”, esclareceu Ruy Martini. Vale reiterar que a Escola de Governança do Pará não será desativada. Apenas mudará de endereço. Esforços - O Colégio Militar de Belém (CMBel) será o 132 Estabelecimento de

Ruy Martini, diretor geral da EGPA, explica que a localização privilegiada do CIG permitirá o funcionamento da instituição em três turnos www.paramais.com.br

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Iniciaram desde segunda, 10/08, as inscrições para o processo seletivo do Colégio Militar de Belém (CMBel), na Escola de Governança do Pará

“Essa será uma instituição que tem como foco valores e princípios que consideramos fundamentais para a sociedade”, declarou Jatene

Ensino do Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB), que atende a 15 mil jovens em todo o País. O CMBel é resultado de uma parceria entre Exército Brasileiro, governo do Estado, Prefeitura de Belém e parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). O início das atividades acontecerá no dia 12 de janeiro de 2016, durante as comemorações dos 400 anos da Capital Paraense. Para o governador Simão Jatene, o conjunto de esforços realizado para tornar o projeto realidade apenas reforça que a educação é prioridade no Pará. “Prioridade é prioridade. Educação é prioridade. E essa será uma instituição que tem como foco valores e princípios que consideramos fundamentais para a sociedade e a criação do Comando Militar do Norte. Tenho certeza

O General Oswaldo Ferreira, Comandante do CMN, assinando o protocolo de intenções que formaliza a instalação do Colégio Militar de Belém (CMBel)

que foi decisivo para a execução desse projeto”, afirmou. A implantação do projeto se arrastava desde 2011. Em março deste ano, uma reunião no Palácio do Governo entre o general de Exército Oswaldo Ferreira, comandante do Comando Militar do Norte (CMN), e o Governador Simão Jatene confirmou a instalação do CMBel, na capital paraense. Com o projeto, o Exército Brasileiro irá atender, inicialmente, cerca de 1.500 alunos, no Pará. A partir de 2017, está previsto um crescimento gradativo do número de vagas oferecidas pela instituição. Informações adicionais e outros documentos referentes ao Concurso de Admissão poderão ser obtidos no site www.cmn.eb.mil.br. (*) Secretaria de Estado de Comunicação

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A Avenida Independência

Avenida Independência Simão Jatene e a primeira-dama do Estado, Ana Jatene, na inauguração da nova Avenida Independência: programação reuniu cultura e lazer

tura e pavimentação, além de urbanismo, sinalização e iluminação, somando um orçamento de R$ 159 milhões. Considerada estratégica por ser uma alternativa de acesso e saída de Belém, a obra foi considerada complexa e precisou ser dividida em duas etapas. Segundo Noêmia Jacob, titular da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), a segunda etapa foi a mais trabalhosa. “Esse trecho tinha um lixão enorme, e tivemos que transpor dois obstáculos, o canal do 40 Horas e o Rio Maguari. Fizemos duas pontes, no trecho mais complicado, e tivemos que fazer esse trabalho em parceria com a população, que foi fundamental no processo todo”, disse a secretária.

Estrutura

A

Texto Tatiane Dias Fotos Cristino Martins / Ag Pará

nova Avenida Independência integra a região metropolitana de Belém acrescida de um trecho de 9,04 quilômetros, que começa na Rodovia do 40 Horas, em Ananindeua, e termina no quilômetro 9 da BR-316, beneficiando diretamente cinco bairros de Ananindeua. A obra de prolongamento começou a ser executada em 06

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março de 2013. É a continuidade do projeto iniciado ainda no primeiro mandato do governador Simão Jatene, quando foi aberto e inaugurado o primeiro trecho da via (de 3,6 Km), que começa na Rodovia Augusto Montenegro, em Belém, e vai até a Rodovia do 40 Horas, em Ananindeua. A Independência é uma alternativa para fugir do trânsito intenso na entrada e saída de Belém. O projeto incluiu serviços de engenharia para implantação da infraestru-

No total, foram implantadas 42 faixas para pedestres, sendo oito faixas elevadas (quatro em cada pista), além de 21 passarelas de travessia sobre o canteiro central. Em toda a avenida, também foram colocados 342 postes de iluminação pública e ciclovia unidirecional de 1,5 metro em cada lado da pista, totalizando 3 metros na via. O novo trecho permite melhor escoamento do tráfego para quem deseja entrar ou sair de Belém, a partir de Marituba, sem precisar passar pelo trecho mais congestionado www.paramais.com.br

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independência do Brasil. Depois do descerramento das placas de inauguração localizadas na rotatória do bairro 40 Horas, o governador Simão Jatene percorreu de bicicleta os sete quilômetros programados de passeio na nova via. Acompanhado da primeira-dama, Ana Jatene, e dos prefeitos de Belém, Ananindeua e Marituba, Zenaldo Coutinho, Manoel Pioneiro e Mário Filho, respectivamente, o governador conduziu o passeio conversando com ciclistas e moradores da avenida. “Essa festa representa a apropriação de algo que é público. Os governos fazem a obra, mas a obra é do povo, porque ela é financiada com o imposto de cada um dos paraenses. Muito obrigado a todos que compareceram, essa obra é todos nós”, disse. O governador fez ainda um pedido para que todos os usuários da via cuidem e usem bem o novo espaço. “Uma avenida como esta muda a vida das pessoas. Este ganho tem que ser uma coisa positiva. É importante que todos entendam que ela foi feita para melhorar a qualidade de vida das pessoas, e não para perder vidas. É importante que todos obedeçam a sinalização, que cada um cumpra seus deveres, para poder ter os direitos respeitados”, frisou o governador.

O projeto incluiu serviços de engenharia para implantação da infraestrutura e pavimentação, além de urbanismo, sinalização e iluminação

Melhorias

Durante a entrega oficial da nova Avenida Independência, com a participação do governador Simão Jatene, os prefeitos Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro

A inauguração

da BR-316. No projeto original, a segunda etapa da obra prevê a construção de um viaduto para fazer esta interligação da Independência com a rodovia federal e também com a alça viária.

Cerca de cinco mil pessoas participaram do grande passeio ciclístico que marcou a inauguração da Avenida Independência, na manhã deste sábado, 15 de agosto, data em que se comemora a adesão do Pará à

Ciclistas de todas idades se alinhavam esperando pela largada. Alguns saíram de bairros próximos, como Cidade Nova 8 e o Centro de Ananindeua e Coqueiro, e outros de Batista Campos. A vontade de cumprir o percurso era a mesma. Josias Sales, 39, saiu do Distrito Industrial para participar do passeio. O paratleta faz parte do Instituto de Pessoas com Deficiência de Ananindeua (IPDA) e já está acostumado a percorrer longos percursos. “A pista da nova Independência está muito boa, dentro dos novos parâmetros, com ciclovia e sinalizada, pronta para receber outros eventos de esporte. Com certeza irei até o final. Vou cumprir o percurso todo”, disse. Ao longo do percurso várias ações foram

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entre Pedro Alvares Cabral e Pass. 3 de Outubro

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oferecidas à população. A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) distribuiu 16 mil copos de água e frutas. A animação ficou por conta de integrantes das oficinas de grafite, hip hop, arrastão cultural e skate. Unidades móveis do Pro Paz Cidadania fizeram atendimento clínico, pediátrico, ginecológico e cardiológico, além de verificação da pressão arterial, glicemia, vacinação, teste rápido de HIV, hepatite e sífilis, emissão de documentos, atendimento jurídico e fotografia. Além disso, cerca de 300 policiais civis e militares participaram da ação, juntamente com homens da Guarda Municipal, Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Secretaria Municipal de Trânsito de Ananindeua (Semutran), Departamento de Trânsito do Estado (Detran), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e Corpo de bombeiros.

Na inauguração, no dia em que o Pará celebrava a adesão à Independência do Brasil, cinco mil pessoas participaram do grande passeio ciclístico Durante a inauguração

O governador Simão Jatene e a alegria da inauguração da nova Avenida Independência

A Avenida Independência integra a região metropolitana de Belém acrescida de um trecho de 9,04 km, que começa na Rodovia do 40 Horas

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TV Cultura transmite ao vivo o XIV Festival de Ópera do Theatro da Paz

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Texto Marcia Carvalho* Fotos Carlos Sodré / Arquivo Ag.Pará

m dos mais importantes eventos do calendário cultural paraense, o Festival de Ópera do Theatro da Paz está tendo cobertura completa da Cultura Rede de Comunicação. A TV Cultura transmite ao vivo os concertos de abertura e encerramento do festival e exibe também as duas óperas da programação, nos meses de agosto e setembro. O XIV Festival de Ópera do Theatro da Paz é promovido pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Cultura (Secult). A programação foi aberta com concerto que reúne a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, pela primeira vez sob a regência do maestro, produtor e diretor Mauro Wrona, e as solistas Eliane Coelho e Denise de Freitas. No repertório, árias e duetos célebres de Bellini, Verdi, Ponchielli e Donizetti, entre outros. A transmissão ao vivo terá apresentação da jornalista Mari Tupiassu. A exibição da ópera “A Ceia dos Cardeais”, de Iberê de Lemos, foi na Igreja de Santo Alexandre (Museu de Arte Sacra do Pará). Com direção cênica de Mauro Wrona, o concerto traz a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Carlos

Moreno, e os solistas Paulo Mandarino, Inácio de Nonno e Carlos Eduardo Marcos. Baseada em peça homônima de Júlio Dantas, “A Ceia dos Cardeais” foi composta entre os anos de 1925 e 1942, pelo compositor paraense Iberê de Lemos, após uma temporada de estudos na Inglaterra. No enredo, os três solistas - tenor, barítono e baixo - representam velhos cardeais reunidos em uma ceia no Vaticano, quando resolvem confidenciar seus amores juvenis, antes de se decidirem pela carreira eclesiástica. É considerada pelos musicólogos Vicente Salles e Mauro Chantal como a obra-prima de Iberê de Lemos. A TV Cultura também exibirá a ópera “Os Pescadores de Pérolas”, o grande destaque do festival. A obra da juventude do mestre francês Georges Bizet será apresentada nos

dias 09, 11, 13 e 15 de setembro, às 20h, sob a direção cênica do cineasta Fernando Meirelles. O espetáculo será regido pelo maestro Miguel Campos Neto, tendo como solistas Fernando Portari, Camila Titinger, Leonardo Neiva e Andrey Mira, atuando ao lado do coro lírico do festival. O concerto de encerramento será realizado no dia 19 de setembro, às 20h, reunindo a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência de Miguel Campos Neto, os solistas Fernando Portari, Camila Titinger, Leonardo Neiva e outros, e o coro lírico do evento, também com transmissão ao vivo pela TV Cultura do Pará. Quem estiver fora do Estado pode acompanhar a programação pelo Portal Cultura (www.portalcultura.com.br). (*) Fundação Paraense de Radiodifusão FUNTELPA

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A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo maestro Mauro Wrona

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O público que foi ao Theatro da Paz teve a oportunidade de prestigiar um concerto memorável digno dos grandes espetáculos operísticos

Ópera XIV Festival de Texto Dedé Mesquita Fotos Anderson Silva / Ag. Pará, Geraldo Ramos / Ascom Os Pará 2000

O maestro Miguel Campos Neto, maestro titular da OSTP, regeu a OSTP no prólogo de “O Guarani”, de Carlos Gomes

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a abertura oficial do Festival, que é realizado pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), o maestro Mauro Wrona, também diretor artístico do Festival, acompanhado pelas cantoras Eliane Coelho e Denise de Freitas, regeu a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), pela primeira vez. O público que lotou as dependências do Theatro da Paz teve a oportunidade de prestigiar um concerto memorável digno dos grandes espetáculos operísticos. Wrona conduziu a orquestra com entusiasmo e precisão, contagiando a plateia presente. O brilhantismo de sua regência fez do concerto um espetáculo grandioso. No repertório, árias e duetos célebres dos compositores Bizet, Verdi, Ponchielli, Donizetti, entre outros, como Bellini, do qual foi ouvida a abertura da ópera “Norma“. De Donizetti, a peça será “Lucrezia Borgia”, com “Il Segreto per Essere Felice”; de Wagner, a ária “Dich Teure Halle” de “Tannhäuser”. O concerto teve um intervalo de 15 minutos, e retornou com peças de Giuseppe Verdi, dueto de Amneris e Aída, da ópera “Aída”; e também a conhecida “Seguidille” da ópera “Carmem”, de Georges Bizet. Com problemas de saúde, a mezzo-soprano Denise de Freitas participou apenas

A maior estrela da noite foi a soprano Eliane Coelho, que foi muito celebrada em todas as suas aparições no palco

O concerto de abertura reuniu um grande público, que lotou as dependências do Theatro da Paz

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do primeiro momento do concerto, e precisou sair de cena. Por isso, o maestro Miguel Campos Neto, maestro titular da OSTP, regeu a OSTP no prólogo de “O Guarani”, de Carlos Gomes, muito conhecida por estar na abertura do programa A Voz do Brasil. O jovem regente arrancou muitos aplausos do público.

“A Ceia dos Cardeais” gira em torno de três personagens: o cardeal Gonzaga de Castro, com 81 anos, o cardeal Rufo, com 73 anos; e o Cardeal Montmorecy

Sonhos

A OSTP, em resposta ao seu regente, produziu uma sonoridade de qualidade ímpar. Estreante na orquestra, o jovem Fabrício Santos, de 17 anos, não escondia a emoção em fazer parte da orquestra. “Sempre tive o sonho de integrar o grupo da OSTP e agora esse sonho se tornou realidade. Sempre que assistia as apresentações eu dizia que um dia faria parte do grupo. A emoção é grande não somente por fazer parte da orquestra, mas também por estrear em um grande evento como é o Festival de Ópera“, declarou o jovem. Fazer parte da OSTP também era o sonho de Erick Marvin, de 26 anos. Há um mês ele foi efetivado como integrante da orquestra. “Eu fazia apenas participações na orquestra, mas não tinha vínculo com o grupo. Quando não tinha apresentação eu ficava parado. Agora a situação mudou e os ensaios são constantes. Sei que tenho que continuar me esforçando para melhorar a cada dia“, comentou. A maior estrela da noite foi a soprano Eliane Coelho, que foi muito celebrada em todas as suas aparições no palco. Com uma interpretação marcante, a cantora foi ovacionada e teve que voltar ao palco para receber os aplausos. “Todos os anos faço questão de prestigiar o Festival, pois gosto muito de música clássica. Sempre venho na abertura do evento, mas vou tentar retornar na apresentação da ópera ‘Os Pescadores de Pérolas’, em setembro”, declarou a estudante Yasmim Santa Brígida, de 19 anos, presente no recital. Quem também fez questão de conferir

o concerto de abertura foi o jovem Rayann Cardoso, de 23 anos. “Tenho amigos envolvidos na produção e isso me motivou muito, além de adorar esse tipo de programação. Belém necessita de mais eventos como este, pois temos excelentes artistas clássicos paraenses. Todos os anos eu venho e estou ansioso para assistir as duas óperas que estão na programação deste ano”, declarou o jovem, enquanto subia as escadarias do teatro. Programação- Além dos espetáculos, o festival tem uma intensa programação paralela de palestras e masterclasses, tudo com entrada gratuita.

“A Ceia dos Cardeais”

A ópera gira em torno de três personagens: o cardeal Gonzaga de Castro, com 81 anos, de origem portuguesa; o cardeal Rufo, com 73 anos, de origem espanhola; e, por último, de proveniência gaulesa, o Cardeal Montmorecy, o mais novo, com 60 anos. Reunidos em uma luxuosa sala do Vaticano durante o papado de Bento XIV, no século XVIII, eles partilham uma ceia digna da riqueza da Cúria romana. No cardápio, faisão dourado acompanhado de trufas e xerez (vi-

nho branco produzido na região de Andaluzia), servidos em baixelas de prata e ouro. Os religiosos falam sobre assuntos do cotidiano, como a sucessão papal e, claro, sobre o amor. As falas são excepcionalmente soberbas e comoventes. O espanhol Rufo é o mais exagerado ao relatar suas histórias de amor. O francês Montmorecy exalta as mulheres que já possuiu. O único que não foge da verdade é o português Gonzaga, que revela ter entrado para a Igreja após ter tido uma desilusão amorosa. Os relatos amorosos evocados no texto representavam o espírito dos países personificados por cada um dos cardeais. No primeiro monólogo, relatado pelo cardeal Rufo, a imagem estereotipada da valentia espanhola; o segundo, do cardeal Montmorecy, corresponde à imagem convencional do espírito francês; e, por último, o episódio amoroso do cardeal português, que reflete bem o sentimentalismo lusitano e, de todos os sentimentos à mesa confessados, acaba por ser o mais verdadeiro. “A Ceia dos Cardeais” – um clássico da literatura lusitana transportado para um cenário deslumbrante. É do compositor paraense Arthur Iberê de Lemos, estreou na tendo por palco a igreja de Santo Alexandre, no bairro da Cidade Velha. A estreia da montagem atraiu um grande público, que lotou a igreja de Santo Alexandre. Os cantores Paulo Mandarino, Inácio de Nonno e Carlos Eduardo Marcos, sob a direção cênica de Mauro Wrona, foram acompanhados pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), regida pelo maestro Carlos Moreno. Músicos e figurantes enriqueceram a encenação. O altar da igreja centenária se transformou numa luxuosa sala do Vaticano, na qual três velhos cardeais lamentam o peso do tempo e relembram seus amores. A trama resume-se às confidências dos três religiosos. Cada episódio lembrado pelos personagens é identificado pela música e representação teatral. (*) Theatro da Paz

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Direção: Ana Rosa Crispino (Professora Registrada e Membro da Royal Academy of Dance)

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A igreja de Santo Alexandre foi o cenário deslumbrante do clássico da literatura lusitana www.paramais.com.br

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Presença paterna é indispensável em cada fase da gestação

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ma gravidez costuma ser acompanhada de medos, dúvidas e anseios. Afinal, nesta fase da vida a gestante vive situações únicas e que jamais serão esquecidas. Durante esse período, as mudanças são inevitáveis na vida de toda a família e, sobretudo, na mulher. Dentre tantas alterações físicas e hormonais, é comum que muitas gestantes, apesar de radiantes de felicidade, fiquem mais sensíveis e sintam uma necessidade muito maior de apoio e atenção do companheiro. Segundo o ginecologista especialista em Reprodução Humana da Criogênesis, Dr. Renato de Oliveira, ao longo da gestação, o envolvimento do futuro papai é indispensável para a formação de um vínculo, tanto com o filho ainda na fase uterina, quanto com a mulher, que poderá compartilhar as emoções desta fase da vida. “É importante lembrar que a gravidez é do casal e não apenas da mulher. Por isso, durante o pré-natal, o cuidado do pai com a gestante envolve atenção e compreensão em relação às modificações estruturais e psicológicas da mulher. O acompanhamento em consultas médicas e exames, além do compartilhamento de responsabilidades, evita a sensação de sobrecarga na mulher e permite melhor aproveitamento do casal desses momentos únicos”, explica. Ainda de acordo com o especialista, o pai engajado colabora para o desenvolvimento físico e psicológico do bebê, além de trans-

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mitir à futura mamãe afeto e segurança, fazendo com que ela se sinta muito mais preparada para acolher o recém-nascido. E, após o nascimento do bebê, o homem pode e deve auxiliar diretamente nos cuidados básicos, como trocar fraldas, alimentar, dar banho e participar das consultas com o pediatra. “O homem pode conversar com especialistas, com amigos ou fazer pesquisas em revistas ou livros sobre a paternidade. Vale ressaltar que a aprendizagem vem com a prática e as mamães também passam por isto. Portanto papais, lembrem que comprometimento, apoio e muito amor são imprescindíveis para mãe e filho”, destaca.

Medicina reprodutiva e o sonho da paternidade

O sonho de ter um filho não é único das mulheres. Muitos homens também desejam a paternidade. No entanto, alguns casais passam por momentos difíceis quando tentam engravidar devido a alguma causa de infertilidade, seja ela feminina, masculina ou de ambos. Nos últimos 30 anos, as técnicas de reprodução assistida avançaram muito e o sonho de ter um filho ficou mais próximo da realidade de muitos casais considerados inférteis. Para Dr. Renato, a Fertilização in vitro (FIV) foi um dos procedimentos que propiciou uma possibilidade para vários casais, inclusive os com laqueadura ou com alguns

Após o nascimento do bebê, o homem pode e deve auxiliar diretamente nos cuidados básicos, como trocar fraldas, alimentar, dar banho e participar das consultas com o pediatra

dos fatores masculinos para a infertilidade. O número de casais que se submetem à FIV aumentou significativamente, devido a diversos fatores: “seja por conta da participação da mulher no mercado de trabalho, que a faz adiar o sonho da maternidade; baixa concentração de espermatozoides no espermograma; pacientes com laqueadura, além de outras indicações. Independente do motivo, as técnicas de reprodução assistida oferecem possibilidades de aumentar as chances de gravidez”, finaliza o ginecologista.

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10 lições que aprendi

com meu pai Texto Bibianna Teodori*

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s pais de hoje estão, cada vez mais, perdendo força e identidade. Vejo isso quando comparo os atuais com meu pai, por exemplo. As gerações vêm mudando muito, dando a sensação que não existe mais aquela determinação do lindo e importante papel de genitor. Um indicativo da falta de identidade é que alguns pais têm problemas em saber se podem ou não desenvolver certas tarefas. É uma grande crise, pois eles demonstram que não têm raízes nem sabem como agir, o que fazer com os próprios filhos. A diminuição da função paterna tem consequências sobre a estruturação psíquica dos indivíduos na infância e juventude e, indiretamente, sobre a sociedade, que valoriza muito mais a figura materna. Sem dúvida a mãe é uma fonte de segurança para os filhos, contudo, a relação entre mãe e filho necessita da complementação decorrente da função paterna. O pai é aquele que diz não, que declara os limites do possível. Ou pelo menos fazia isso. A imagem do pai é imprescindível para o desenvolvimento psicológico equilibrado dos filhos e desempenha, com efeito, uma espécie de mediador entre o filho e a realidade. Permite a criança ou adolescente tomar iniciativas, aprender a distinguir entre o certo e o errado e, a partir disso, entender as consequências de uma ou outra escolha. Às vésperas do Dia dos Pais, quero compartilhar parte de minha história, os ensinamentos que meu pai deixou. Compartilho com vocês 10 lições que aprendi com ele: 1) Um gesto vale mais de mil palavras. Demonstre através do seu comportamento. Se você acha que uma pessoa é importante na sua vida, não basta somente dizer isso; faça algo de concreto. 2) Cada um tem o próprio jeito de expressar o amor. Não existe um jeito mais justo que o outro. Seja você mesmo e compreenda a forma do outro. Há quem saiba dizer “gosto de você” sem grande emoção enquanto há os que fazem isso com um sorriso, com os olhos brilhando. Há quem te dê um abraço de paz e quem, com uma frase simpática, te dará uma tapinha nas costas.

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Um gesto vale mais de mil palavras

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Receba o amor na forma na qual é dado. O seu coração saberá reconhecer sempre. 3) Falência não existe. Vá além! No final, você simplesmente descobre o que não quer e o que não funciona. 4) Todos os problemas têm solução. Eu aprendi que para um problema há três soluções, cabe a você escolher a certa. Use o problema como uma oportunidade para crescer, aprender e melhorar dia após dia. 5) Seja curioso. Aquela curiosidade que te faz sentir vivo e apaixonado, te faz ver o

mundo a cores e te deixa descobrir mil lugares. Leia, leia e leia ainda mais. Seja apaixonadamente curioso. Existem tantas coisas na vida a serem descobertas! 6) Caímos, mas podemos levantar novamente. Lembro muito bem quando aprendi a andar de bicicleta. Meu pai queria me ensinar, mas eu era bem desastrada. Era difícil manter o equilíbrio e acabava sempre no chão, geralmente em lágrimas, com os vestidos sujos e os joelhos ralados. Lembro que meu pai me colocava novamente na biwww.paramais.com.br

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Cada um tem o próprio jeito de expressar o amor

cicleta e, cada vez que eu dizia “não consigo”, ele respondia “você consegue”; a cada meu choramingar de dor, ele falava “passará”. Os machucados físicos passam, mas as lições são aprendizados para sempre. 7) A opinião dos outros não deve plasmar o que você é. As pessoas continuarão

a te criticar em qualquer coisa faça. Em vez disso, pergunte-se qual é o primeiro passo que pode dar agora para criar a vida que deseja e ser feliz. Não se sacrifique pelos outros! Nunca! 8) Não existe luz sem sombras. Isso quer dizer que você não é perfeito nem nun-

ca será, mas poderá ser perfeitamente você mesmo com a luz e as suas sombras. As pessoas verdadeiras da sua vida te amarão por tudo aquilo que você é. Com as outras, não se preocupe. 9) A coragem de fazer uma escolha. Você sabe que faz uma escolha quando renuncia a outra. Explore novas oportunidades, mude de ideia, mas escolha sempre! Seja o protagonista de sua vida. 10) Seja presente com as pessoas que você ama. Há momentos em que a vida é mais dura e outros nos quais você coloca tudo a perder. Haverá dias nos quais os joelhos ficarão doloridos, a dor será mais intensa e a vontade de deixar tudo será forte. Momentos nos quais terá desesperadamente a necessidade de um abraço, de sentir aquela voz que te deixa segura e que te acalma. Aquela presença que te traz paz. Lembre-se: conseguimos receber o amor que somos capazes de doar. Esta é a lição que aprendi do meu pai, porque, no fundo, a capacidade de doar amor é a coisa mais bonita que existe. Parabéns a todos os pais do mundo! (*) Executive e Master Coach, idealizadora e fundadora da Positive Transformation Coaching. Autora do livro “Coaching para pais e mães – Saiba como fazer a diferença no desenvolvimento de seus filhos” e coautora de “Coaching na Prática - Como o Coaching pode contribuir em todas as áreas da sua vida”

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Continuidade ao plano de investimento em logística do Pará

Plano vai construir e reformar 24 aeroportos no Pará Texto Dani Filgueiras*

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Pará será contemplado com a construção e reforma de 24 aeroportos dentro dos 270 pontos de embarque e desembarque de aeronaves que serão construídos em todo o país pelo Plano de Incentivo à Aviação Regional, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com os governos estaduais. A iniciativa foi confirmada recentemente, quando o governador Simão Jatene recebeu uma equipe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), que veio ao Pará para dar continuidade ao plano de investimento em logística na parte dos aeroportos regionais. Os municípios beneficiados são Almeirim, Altamira, Breves, Cametá, Castanhal, Conceição do Araguaia, Dom Eliseu, Afuá, Itaituba, Jacareacanga, Marabá, Monte Alegre, Novo Progresso, Oriximiná. Oriximiná -Porto de Trombetas, Ourilândia do Norte, Paragominas, Paraubepas, Redenção, Rurópolis, Santana do Araguaia, Santarém, São Felix do Xingu e Tucuruí. O critério de seleção considerou uma série de quesitos, mas o principal deles foi a região de influência. Foram selecionadas cidades naturalmente polarizadoras, ou seja, municípios que detém serviços essenciais como hospitais, bancos, correios e universidades, o que atrai populações das cidades vizinhas. As obras serão realizadas pelo Governo Federal e, uma vez concluídas, passam a ser administradas Equipe da Secretaria de Aviação Civil se reuniu com o governador Simão Jatene, que garantiu apoio total ao Plano de Incentivo à Aviação Regional

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pelo governo estadual. O diretor do Departamento de Outorgas da SAC, Ronei Glanzmann, falou das necessidades para a implementação dessas obras e para a melhoria e aprimoramento da gestão desses aeroportos. “A gente precisa fazer com que o aeroporto funcione como um todo e para isso a gestão aeroportuária é um importante item. Num segundo momento vamos trabalhar a questão do incentivo às operações das linhas aéreas, através do plano de incentivo, mediante subsidio do governo Federal”, contou o titular do departamento, que definiu a Região Amazônica como prioritária. O governador Simão Jatene destacou que

O governador Simão Jatene participou do anuncio da nova etapa do programa de logística que vai alavancar crescimento da economia, gerar mais empregos e melhorar serviços

o Governo tem total interesse no projeto e que o Pará será um parceiro efetivo. “Vamos prover os meios necessários para que o Estado recepcione esse investimento que é muito bem-vindo” afirmou aos emissários da aviação civil, além de solicitar à secretaria a ampliação da quantidade de municípios marajoaras contemplados pelo projeto. “Sei que nem todos os municípios da Ilha do Marajó se encaixam perfeitamente nas características dos municípios selecionados, mas essa é uma região que precisa de aeroporto para realmente se integrar”, lembrou Jatene. A Secretaria de Aviação Civil se comprometeu em estudar o caso da Ilha do Marajó, considerada uma região delicada e estratégica do ponto de vista nacional. “Vamos levar essa demanda para Brasília e estudar a questão, porque nós realmente entendemos a complexidade e a dificuldade de acesso à ilha do Marajó, sabemos que é um caso especial e que demanda atenção tanto do governo Estadual como do governo Federal. O Pará pode contar o nosso apoio, nós vamos tentar endereçar ainda mais aeroportos do que já temos planejado para essa região”, garantiu Ronei Glanzmann, do Departamento de Outorgas da Secretaria de Aviação Civil. Para o secretário Estadual de Transporwww.paramais.com.br

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tes, Kleber Menezes, a reunião não foi para discutir aeroportos, e sim para tratar da aproximação e da mobilidade do povo paraense. A via aérea é uma das alternativas para interligar um estado com dimensões continentais, como é o estado do Pará. “Temos uma grande demanda de acessibilidade dos paraenses em seu próprio território, essa é que é a grande demanda. Nós temos que aproximar as pessoas para que nós possamos dar uma qualidade e um exercício de cidadania plena à sociedade”, destacou. O titular da Secretaria de Estado de Transportes (Setran) disse ainda que o Estado tem planos de adequação estatutária da Companhia de Postos e Hidrovias do Pará (CPH) para que ela se transforme numa Reunião para tratar da mobilidade do povo paraense

companhia de logística e, assim, possa se responsabilizar não apenas pelos portos e hidrovias, mas também pelos aeródromos. O diretor do departamento de Gestão do Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (DPROFAA), Eduardo Bernardi, parabenizou a iniciativa do governo Estadual em dar os primeiros passos para a criação de uma organização estadual voltada para o setor. “Eu acho que é o início de um trabalho muito bom e que vai poder ser feito a partir de agora. O primeiro passo foi essa primeira conversa e a boa vontade do governador em se colocar à disposição, junto com sua equipe, e realmente criar uma possibilidade para o Estado assumir esses aeroportos. O segundo será continuar com estudos e pro-

As obras dos aeroportos serão realizadas pelo Governo Federal e, uma vez concluídas, passam a ser administradas pelo governo estadual

jetos para que a gente possa ter editais e começar as obras em 2016”, reiterou Eduardo Bernardi, diretor do DPROFAA . As equipes da Secretaria de Aviação Civil e do Governo do Estado vão se reunir com os prefeitos dos municípios beneficiados pelo programa, na sede da Setran. À tarde, a partir das 14h, uma comitiva composta pelo secretário Kleber Menezes e gestores da Secretaria de Aviação Civil fará vistoria nos aeroportos dos municípios de Belém, Itaituba, Conceição do Araguaia, Paragominas e Santarém. (*) Gabinete do Governador

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o a r t n o c a t u l á r Pa

Estado está na rota dos traficantes que atraem te n e m l a ip c in r p as mulheres

o c i f trá s a o s s e p de

Fotos Divulgação, Wagner Almeida

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Pará é um dos Estados que está na rota do tráfico de pessoas. Segundo o mapeamento feito pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Sejudh, os números são altos: de 2011 a 2014 foram registrados 70 casos de vítimas de tráfico de pessoas. Três regiões do Estado se destacam: Região Metropolitana de Belém, Xingu e Arquipélago do Marajó. Neste ano de 2015, há registro de cinco vítimas do tráfico de pessoas. A maioria é de mulheres e adolescentes.

Ligue

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Leila Silva, coordenadora de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo, vinculada à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh/PA), ressalta que esses resultados são compartilhados com os dados das Polícias Civil e Militar. “Para mentalizar ações nessas regiões onde tem maior número de pessoas”, disse Leila. O tráfico de pessoas no Pará é chamado de “mão dupla”. Os escravizados deixam o Estado, como também são trazidos de outros lugares, principalmente atraídos pelos grandes projetos implantados no Estado. Normalmente as vítimas são recrutadas de municípios que não possuem recursos

financeiros. E ai que o traficante convence a pessoa. Oferece trabalho, melhor condição de vida, realização de sonhos. “A pessoa sempre quer alguma coisa, sonha, tem expectativas”, constata Leila. Geralmente, segundo a Sejudh, as vítimas são pessoas de baixa renda, mas a classe média e alta também é atingida, principalmente na rede de estudo no exterior. Segundo a titular da coordenadoria, mulheres, crianças e adolescentes são as maiores vítimas. “A mulher pensa na família para sustentar e quer progredir na vida. Muitas vezes acabam aceitando propostas duvidosas. Para não cair nesse crime a pessoa deve

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ganização das Nações Unidas (ONU), referência mundial para o combate ao tráfico de seres humanos”, comenta Jordy.

Prevenir para não remediar

te s Aeroportos são alvos de conscientização

ficar atenta e ver se essa oferta de emprego é muito fora do contexto, saber se a documentação é retida desde o local da viagem, se você tem que pagar valores altos pela alimentação, para beber água ou tomar banho. Até mesmo a compra da passagem, porque muitas vezes é tráfico internacional de pessoas”, alerta.

Crime

O deputado federal Arnaldo Jordy (PPSPA) afirmou que atua pelo enquadramento e tipificação penal do tráfico de pessoas. Ele, que é relator da comissão especial da Câmara e ex-presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, revelou que no 1º semestre o projeto de lei (PL 7370/14) que define ações de prevenção e repressão ao tráfico de pessoas foi aprovado pela Câmara e está no Senado Federal. A expectativa é de que até o final do ano, passando pelo Senado, seja sancionado pela presidente Dilma Roussef. “A CPI, que se encerrou no final do ano

Leila Silva da Sejudh-Pa alerta sobre o tráfico de pessoas no Pará

passado, produziu uma legislação e foi criada uma comissão especial. Essa comissão produziu um relatório que cria o projeto de lei já aprovado na Câmara dos deputados e agora está no Senado. Deve ser aprovado e espero que ainda este ano a presidente possa sancionar essa matéria, que é extremamente importante porque é uma tipificação jurídica que não há hoje. Hoje a legislação brasileira se ampara no Protocolo de Palermo, da Or-

EXPRESSO

A defensora pública federal do Pará Rita Tomaz ressalta que esse problema deve ser enfrentado com políticas públicas sociais contra o tráfico de pessoas. Mesmo com o amplo acesso à informação, as pessoas ainda acabam caindo no golpe. Mas, segundo a defensora Rita Tomaz, a desinformação ainda é a maior causa. Ela vem atrelada a um contexto e tudo está ligado e relacionado e que dificulta a conscientização das pessoas da problemática do tráfico. As mulheres e crianças são as maiores vítimas, principalmente na exploração sexual. A defensora pública do Estado, Felícia Fiúza, disse que o órgão tem o dever de alertar a sociedade para essa problemática, que é o trafico de pessoas. “Muitas vezes as pessoas se iludem, pensando que vão mudar de vida mas, na verdade, vão se deparar com uma realidade totalmente contrária”, disse a defensora. “Podemos ingressar com ações judiciais a de indenizações e danos morais contra o traficante”, conclui. Há vários canais para a denúncia. Um deles é a Coordenadoria de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo, na Sejudh. “Também pode procurar o serviço do Posto Avançado de Atendimento ao Imigrante, no aeroporto, e a rede de segurança. A pessoa também pode ligar para o disque 100, 180, 181, ou ir até a delegacia mais próxima”, informa. Para o deputado Arnaldo Jordy, a dificuldade maior é a maneira como os traficantes se apresentam às vítimas. “É alguém que aborda moças desempregadas, com dificuldade para ter emprego. É alguém que se apresenta para adotar alguma criança pobre. Garotinho que tem a promessa de ser jogador de futebol. E promete que ele vai ganhar milhões. Como aconteceu com jovens

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no Pará. E nesse momento é importante prevenir. A prevenção só ocorre com muito debate e informação. Lembrar a data é uma forma de prevenir”, afirma.

Mundo sofre com o tráfico

Órgãos municipais, estaduais e federais estão unidos para combater o tráfico de pessoas em todo o Brasil. Essa mobilização faz parte da campanha intitulada Coração Azul, lançada pela Organização das Nações

tica esse crime. Ainda segundo dados do levantamento do Ministério da Justiça, só no Brasil foram registrados 254 pessoas vítimas de tráfico humano, em 18 estados brasileiros, onde mais da metade levada para fins de exploração sexual, que é a principal atividade do tráfico de pessoas. Entre os estados brasileiros com o maior número de escravos estão São Paulo, com 184 casos, e Minas Gerais, com 29 pessoas. Segundo o levantamento, em 2013 foram constatados, entre as unidades da Federação, registros de nove tipos de tráfico de pessoas ou crimes correlatos. Houve pelo menos um registro de entrega de filho ou pupilo (protegido ou afilhado), submissão de criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual e remoção de órgãos, tecidos, ou partes do corpo humano. Os tipos mais comuns foram o tráfico para fins de exploração sexual, que respondeu por 134 do total de 254 casos, somando-se os crimes de tráfico interno e internacional (52,8% das ocorrências) e o trabalho escravo, que respondeu por 111 das 254 ocorrências registradas (43,7% das ocorrências).

Disque 100

Unidas. Os números preocupam a sociedade. Dados da Divisão de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores mostram que, em 2013, houve um total de 62 vítimas brasileiras no exterior. Dessas, 41 (66%) foram de tráfico para exploração sexual e 21 (34%), de trabalho escravo. O tráfico de pessoas é o terceiro maior no mundo, perdendo apenas para drogas e armas, e movimenta bilhões por ano. Ele movimenta 30 bilhões de dólares por ano no mundo inteiro e milhões são vítimas. O Brasil está entre os 10 países que mais pra-

Segurança 24 horas

Pelos dados do Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), há uma concentração maior de mulheres do que de homens em todos os anos. O maior número de vítimas está nas faixas etárias correspondentes a crianças e adolescentes. Conforme as denúncias, a maior parte das vítimas era

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Campanha para evitar o tráfico nos aeroportos

branca. Em seguida, vieram as pardas e pretas. No Ministério do Trabalho e Emprego, observa-se que, a partir de 2007, o número de pessoas resgatadas, em condições análogas à escravidão vem decrescendo. O número de trabalhadores imigrantes resgatados tem aumentado nos últimos anos. O Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificações do Ministério da Saúde apresenta informações semelhantes e revela que, na maior parte dos casos atendidos, as vítimas eram do sexo feminino e tinham até 29 anos de idade. Quanto às características dos traficantes, o sistema fornece informações sobre o sexo dos suspeitos de tráfico de pessoas e, de acordo com as notificações feitas pelas vítimas, em cerca de 80% dos casos, os agressores são do sexo masculino. O relatório informa ainda que a Polícia Federal instaurou 343 inquéritos em 2013, não havendo alteração em relação ao ano de 2012, que teve 348 procedimentos policiais. De acordo com dados do Ministério Público Federal, no ano de 2013, foram registradas 30 denúncias e 24 ações penais sobre tráfico interno e internacional de pessoas para fins de exploração sexual. Outro dado importante apresentado no relatório foi da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República que registra aumento de denúncias recebidas

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Como prevenir?

sobre tráfico de pessoas de 2011 a 2013, de 26 para 218, e quadruplicado entre 2011 e 2012. O número total de vítimas em 2013, de acordo com as denúncias feitas à secretaria, foi 309, cerca de dez vezes maior que o número de 2011 (32), e o dobro do ano anterior (170).

O que é o Tráfico de Pessoas

tráfico pode acontecer para vários fins: exploração sexual, trabalho equivalente ao de escravo, extração de órgãos humanos, adoção ilegal e vários outros.

Campanha

O Tráfico de Pessoas é como um comércio de seres humanos. Acontece quando a pessoa é levada a uma situação de exploração, mesmo que, de início, tenha concordado. O

*Antes de aceitar ofertas de trabalho, procure conhecer seus direitos como trabalhador e as condições de trabalho oferecidas. *Prefira ofertas de emprego de instituições formalmente reconhecidas. *Não entregue documentos pessoais de identificação a ninguém. Além do documento original, tenha sempre uma cópia em mãos. *Deixe contatos telefônicos e endereço com familiares e amigos. *Disque 100 ou Ligue 180

A Campanha Coração Azul é para sensibilizar e despertar a solidariedade com as vítimas e encorajar a sociedade a participar do enfrentamento ao tráfico de pessoas. Trata-se de uma iniciativa do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC/ONU), que acontece em vários países do mundo. O Ministério da Justiça aderiu a campanha Coração Azul em 2013. Desde 2014, realiza, no final de julho, a Semana Nacional de Mobilização para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

S O deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA) afirmou que o projeto de lei (PL 7370/14) já foi aprovado pela Câmara e está no Senado Federal. A expectativa é de que até o final do ano, passando pelo Senado, seja sancionado pela presidente Dilma Roussef

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Universitário paraense ganha prêmio nacional

Felipe Araújo se destacou com projeto que ajuda catadores de lixo

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graduando do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Pará (UFPA), o paraense Felipe Araújo, 22, foi eleito o Estudante do Ano Unilever na competição nacional da Enactus, promovida, em São Paulo, no último dia 18 de julho. Ele foi premiado com uma bolsa de estágio na multinacional Unilever, ao participar do Campeonato Nacional Enactus Brasil 2015, que reuniu 30 times competidores, e mobilizou uma plateia de 900 pessoas do Brasil inteiro, além de 120 executivos. “Empreender é apostar no potencial que temos para contribuir para uma realidade mais justa e inovadora”, disse Felipe, que é membro do grupo Enactus UFPA, que também se destacou na competição levando o Prêmio Liga Rookie. A equipe é formada, ainda, pelos estudantes Ana Paula Martins, Ciro Britto, Felipe Araújo, Fernanda Fleury

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e Gustavo Benjamim. O projeto apresentado pelos paraenses foi o “Cíclica: trabalho, renda e sustentabilidade”, que é voltado ao estímulo do empreendedorismo social. Felipe conta que foram três meses de trabalho para lapidar o Cíclica, sob orientação da coaching da Unilever, Alessandra Oshiro. “As reuniões eram feitas via Skype. A troca de experiência foi fundamental para aprimorarmos o nosso projeto”, conta Felipe, membro do Clube de Empreendedorismo da Universitec, coordenado pela professora Luciana Centeno. “O Cíclica busca organizar e fortalecer o trabalho dos catadores que atuam na triagem do lixo. O diferencial é que buscamos empoderar os catadores a fim de torná-los agentes ambientais, gerando emprego e renda a partir da sustentabilidade”, explica Araújo a respeito do projeto contemplado com o prêmio Liga Rookie, voltado para ti-

mes formados a menos de um ano. A primeira etapa do Cíclica atendeu três associações de catadores: Associação das Águas Lindas (ARAL), a Associação Cidadania para Todos e a Associação de Catadores da Coleta Seletiva de Belém (ACCSB). A segunda etapa do projeto começará em agosto deste ano e encerra em 2016: a tempo de concorrer na liga principal do Campeonato Nacional da Enactus em 2016.

Superação

O Enactus UFPA reúne 29 membros e foi criado há cinco meses, mas há apenas três meses realiza reuniões efetivas. Felipe conta que o pouco tempo de formação do grupo foi um dos primeiros desafios a serem superados - mas outros obstáculos vieram em seguida. “Nos organizamos para conseguir patrocínio para tudo. Desde a gráfica para

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Felipe Araújo (ao centro) comemora prêmio com o grupo Enactus UFPA, que também se destacaram na competição levando o Prêmio Liga Rookie

imprimir a pasta com a apresentação do projeto, até as passagens aéreas. Tudo isso tendo que conciliar a rotina de aulas e o período de provas”, relata. Já em São Paulo, o trio teve de lidar com o prazo apertado para preparar os slides de defesa do projeto, e teve pouco tempo para ensaiar a apresentação. Nesse momento, a estratégia foi fundamental. “Muitas equipes estavam ensaiando há dias. Mas a gente só teve condições de ensaiar no dia a apresentação. Optamos por fazer um levantamento de todas as perguntas possíveis e ensaiar as respostas, para passarmos segurança. Outra estratégia foi um discurso descontraído, atrativo e objetivo. Fomos a última equipe a subir no palco, então precisávamos conquistar a atenção dos jurados e do público”, conta Felipe.

Felipe Araújo foi eleito estudante Enactus 2015

Para o estudante, a oportunidade de investir no seu potencial empreendedor é a realização de um objetivo profissional e pessoal. “Desde que eu entrei na UFPA, eu decidi não ser uma calculadora, mas me desenvolver profissional e pessoalmente, e por isso participei de vários grupos, pesquisas, desafios. E estar agora na Unilever é poder experimentar esse ambiente de trabalho estimulante e de crescimento”, diz Felipe. Empenhado e determinado a superar as dificuldades, Felipe Araújo recebeu elogios da equipe Unilever. “Ele se saiu muito bem em todas as etapas. Demonstrou resiliência, humildade, foco, maturidade. Estamos felizes de dar as boas-vindas para ele na Unilever”, declara Dahra Quintella, que integra o RH da multinacional e avaliadora do desempenho de Felipe.

Missão Enactus Presente em 36 países, a Enactus é uma organização sem fins lucrativos que mobiliza estudantes a criarem soluções para problemas de comunidades carentes em todo o mundo. Atualmente 1500 estudantes e 130 professores se dividem em 73 faculdades pelo Brasil, onde a organização está presente desde 1998. A cantora paraense Fafá de Belém é embaixadora da Enactus Brasil. “Nós não estamos aqui para discutir business cases, nossos alunos realmente fazem acontecer. Em eventos de congregação como esse, eles percebem que há solução para os problemas do mundo, e que não estão sozinhos nessa jornada”, diz Kleber de Paulo, presidente da Enactus Brasil.

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Estrutura da malha do grafeno

Grafeno revoluciona a Física do Pará e do Brasil Descoberta de cientistas paraenses abrem perspectivas às pesquisas desse material resistente Fotos Divulgação, Sociedade Brasileira de Física

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magine um material que pudesse estender as horas de uso de baterias, limpar águas contaminadas por lixo atômico e até mesmo ser usado em camisinhas para aumentar a resistência do produto. Pois é, esse produto existe e é chamado de Grafeno, que tem como características naturais, força, flexibilidade, condução de energia e baixo custo de produção. Com as pesquisas para futuras aplicações podem se expandir ainda mais e deve revolucionar a ciência e a tecnologia nos próximos anos. O grafeno é fruto da descoberta dos cientistas paraenses que mudou o paradigma da comunidade científica sobre o material. O estudo foi resultado de uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade de Utrecht, da Holanda, intitulado Interaction Induced Quantum Valley Hall Effect (Efeito Hall Quântico de Valley no Grafeno Induzido pela Interação). Ele foi publicado em uma 24

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Com o grafeno se poderá processar dados 10 vezes mais rápido, finos como um cabelo, flexiveis como o plástico e duros como o diamante

das revistas científicas internacionais mais respeitadas da área a Physical Review X. O professor Van Sérgio Alves, que integra o programa de pós-graduação em Física da UFPA (PPGF/UFPA), é um dos autores do estudo. Ele conta que o trabalho foi iniciado na UFPA entre os anos de 2012 e 2013 e, além dele, o estudo contou com a participação do docente Eduardo Cantera Marino (UFRJ); de Cristiane de Morais Smith, docente de Utrecht; dos ex-alunos da UFPA Leandro Oliveira do Nascimento, que atualmente cursa dou-

torado na UFRJ, e Walace de Sousa Elias, doutorando pela Universidade do Estado de São Paulo (USP). O professor Van Sérgio espera que a descoberta incentive novos estudos e a maior troca de experiências entre os pesquisadores de Física da Amazônia e do Pará. “Esperamos que isso gere incentivo para que a Física do Pará se aproxime cada vez mais das pesquisas de ponta e ainda explore essa teoria e modelo que criamos para aglutinar grupos de pesquisas diferentes. A gente espera com isso aglutinar as pessoas para que a UFPA permaneça nesse alto nível de pesquisa”, avalia. O docente almeja ainda que, no futuro, o Instituto de Física da UFPA continue sendo capaz de desenvolver pesquisas avançadas em aspectos teóricos e experimentais.

Descoberta

“O primeiro ponto é que esse é um trabalho pioneiro porque ninguém conseguiu obter e usar um modelo para o granfeno já que toda interação eletromagnética era descartada. Fatalmente, com as conclusões desse trabalho criamos uma nova linha na física “valleytrônica””, destaca o professor Van Sérgio. www.paramais.com.br

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Em breve estará presente nos nossos smartphones tablets e outros dispositivos

soalmente com os autores e gostou do resultado. “Você ter uma conversa com Nobel de Física, que tinha programado ficar apenas dez minutos e que fica mais de uma hora e meia com você indica que o trabalho é muito importante”, concluiu o professor Van Sérgio.

Utilidades

Parecido com pacotinhos de chá, com apenas dez miligramas de óxido de grafeno é capaz de descontaminar a água com metais tóxicos como o mercúrio

Os resultados também indicam o surgimento de um novo efeito, uma condutividade transversa de Valley quantizada e universal em temperaturas da ordem de dois Kelvin (equivalente a -271°C), que foi demonstrada por uma fórmula dos pesquisadores, gerada também por efeitos quânticos. Van Sérgio conta que esse trabalho é um importante passo para considerar efeitos dinâmicos da interação eletromagnética no grafeno. “Tivemos que convencer muitos físicos para ele ser publicado. Esse trabalho demorou um ano e meio em análise. Eles defenderam a posição deles e nós defendemos o nosso estudo. Depois de muita discussão, ele saiu. É muito difícil publicar um trabalho

desse nível, porque a revista é muito seletiva, com a luta que nós tivemos conseguimos mudar o paradigma, que considerava que a interação eletromagnética não era importante”, relembra. Na comunidade acadêmica, as conclusões geraram interesse de físicos experimentais. Os pesquisadores paraenses acham que as conclusões do projeto podem ser aplicadas em um futuro próximo a alguma nova utilidade para o grafeno, já que os resultados atraíram a atenção de outros cientistas em congressos internacionais da Suécia e Portugal. Até um vencedor de Nobel da Física, premiação de maior reconhecimento mundial, o professor Gerard EHooft, conversou pes-

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O grafeno pode ser aplicado em diversos usos. Ele é ultraleve, é 100 vezes mais rápido que o silício, se mostra 200 vezes mais forte do que o aço e tem diversas características ópticas e térmicas. Pesquisadores acreditam que as propriedades quânticas do material permitirão que os novos circuitos fabricados com ele sejam menores e ainda mais eficientes. Alguns pesquisadores da Universidade da Califórnia desenvolveram o primeiro fone de ouvido de grafeno do planeta, com qualidade nunca antes vista. Eles recriaram a tradicional estrutura de um alto-falante, aproveitando todas as propriedades revolucionárias do material. Entre outros estudos realizados com o grafeno existem também alguns trabalhos que visam aplicar o material em uma nova espécie de cabo de transmissão de dados para a internet. Segundo uma pesquisa publicada pela revista Nature Communication, a ideia é aproveitar toda a velocidade alcançada pelos elétrons no grafeno – as células se movem nele centenas de vezes mais rapidamente do que nos cabos atualmente utilizados. Mas, o grafeno não serve só para criar equipamentos eletrônicos. Ele funciona também para purificar a água, por exemplo, inclusive transformando a água salgada em potável. A ideia é simples e segue os mesmos princípios dos filtros tradicionais. As baterias são um dos campos de estudo mais abordados pelas universidades do mundo todo quando o assunto é o grafeno. As propriedades do material vêm sendo aplicadas de diversas maneiras – e vários resultados bem positivos já apareceram em testes relativamente simples.

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Video Game ajuda na reabilitação de deficientes Aplicativos prometem melhorar a vida de crianças e adolescentes

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Fotos Divulgação, Rodolfo Oliveira, Sidney Oliveira/ Ag. Pará

possível reabilitar portadores de paralisia cerebral através de um simples jogo de Video Game? A terapeuta ocupacional Ana Irene Alves de Oliveira garante que sim. Ela é responsável em colocar em prática o tratamento conhecido como “Gameterapia”. “Temos protocolos avaliativos, primeiramente antes do usuário se submeter a utilização da “Gameterapia”, inclusive protocolos internacionais. Após essa intervenção com o usuário, fazemos uma reavaliação. Por isso, notamos que eles têm uma avaliação bem positiva sobre suas reações cognitivas e funções motoras”, atesta Ana de Oliveira, que coordena o Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da Universidade do Estado do Pará (Uepa). Segundo a terapeuta ocupacional, a avaliação é feita a cada quatro meses. Se o paciente conseguir se desenvolver, ele passa por outras diversas etapas do processo. Caso ele não apresente nenhuma melhora, será feito um replanejamento das sessões terapêuticas, como por exemplo, troca de games e até de recursos.

Jogos para desenvolver a capacidade

A “Gameterapia” começou a ser usada no Estado há três anos, através de uma pesquisa feita por três alunos da Uepa. “Resolvemos investir, adaptar para nossos pacientes e conseguimos provar através de testes que o resultado estava aparecendo muito rápido”, detalha Ana de Oliveira. O tratamento com a “Gameterapia” é gratuito e atende atualmente cerca de 70 crianças e adolescentes, desenvolvendo novas tecnologias de acessibilidade. Eles passam por uma avaliação para se conhecer suas limitações, suas potencialidades e dificuldades, e então saber o que eles podem desenvolver. Á partir daí é traçado um plano terapêutico. Os jogos de Video Game, inclusos no tratamento, são variados e escolhidos após uma rigorosa avaliação dos aplicativos de games das marcas Playstation, X Box e Nintendo. Os preferidos são jogos de corrida, tênis, basquete, futebol e etc. “Escolhemos

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A tecnologia também ajuda vítimas de Parkinson a viver melhor Terapeuta Ocupacional Ana Irene Alves de Oliveira

os jogos dependendo da necessidade do que o usuário vai desenvolver, como por exemplo, a atenção, a concentração, o raciocínio lógico, a sequência de pensamento”, afirma a terapeuta.

Mãe vê avanços na recuperação do filho

Everton de Souza, de 23 anos, é portador

de paralisia cerebral. Ele faz tratamento no Nedeta. No início ele não andava, não falava e muito menos conseguia jogar vídeo game. Após nove anos de tratamento no Nedeta, Everton desenvolveu diversos avanços. “Até os 10 anos de idade, eu tinha que carregar meu filho no colo. Eu já não tinha mais forças e não saía mais de casa com ele. Quando vejo meu filho caminhando na praça, sorrindo e fazendo atividades normais, eu me emociono”, diz Rita de Souza, mãe do rapaz, ao site da Uepa.

Roupa especial também ajudam crianças com paralisia cerebral

Além da “Gameterapia”, o Nedeta apresenta outros projetos que prometem ajudar no tratamento de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. “Desenvolvemos diversos aplicativos para tablets e ajudar Taíssa Silva reaprendendo a andar

Taíssa Silva testando a roupa biocinética www.paramais.com.br

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Gameterapia Everton de Souza durante o tratamento

pessoas que não falam, não leem e não escrevem. Desenvolvemos ainda mobiliários para escolas que possuem crianças com deficiência neuromotoras. O nosso objetivo é melhorar a condição de funcionalidade desse aluno e fazer sua inclusão escolar, social e melhorar a sua qualidade de vida”, disse a terapeuta Ana de Oliveira. Outro projeto que colhe resultados positivos é a roupa biocinética, criada em 2013, pela própria terapeuta ocupacional junto com uma de suas alunas. A roupa é feita de laicra e anéis metálicos, que corrige a postura, dá firmeza e ajuda a executar movimentos. Ela já era utilizada em outros países, mas foi adaptada para nossa realidade. Atualmente, oito crianças no Pará utilizam a roupa biocinética como tratamento. Taíssa Silva, de 7 anos, utiliza a roupa há nove meses. Em pouco tempo de tratamento, os movimentos realizados por ela melhoraram consideravelmente. “Eu divido o tratamento da minha filha em dois momentos: antes e depois de começar a usar a roupa. É incrível como ela melhorou, como passou a ter mais postura e equilíbrio”, diz Lucidéia da Silva, mãe de Taíssa. As roupas são confeccionadas por profissionais terapeutas ocupacionais do núcleo, em parceria com uma malharia que se propôs a ajudar a causa. Após fazer o tratamento dentro da unidade, as crianças podem levar a roupa para casa, para continuar o tratamento.

Everton de Souza apresentou evolução por causa do jogo

Rita de Souza e seu filho Everton durante sessão do Gameterapia

Outras tecnologias A terapeuta Ana de Oliveira cita ainda outras tecnologias na reabilitação de pacientes, como o VoxLaPS, um vocalizador para língua portuguesa que auxilia no tratamento de pacientes com problemas ou limitações na linguagem oral. Há, ainda, o aplicativo chamado “Desenvolve”, um software especial com características adaptadas, com eixo principal de um sistema de escaneamento (varredura) trabalhando com imagens, textos e sons para favorecer o trabalho com as crianças com paralisia cerebral, possibilitando, assim, avaliar Taíssa Silva ao lado dos alunos do curso de Terapia Ocupacional

e desenvolver as habilidades cognitivas dessas crianças que apresentam alterações neuromotoras e sensoriais. Ana de Oliveira ressalta que esse trabalho só é possível graças a parceria com diversos órgãos, professores da Universidade Federal do Pará e principalmente com o curso de Ciência da Computação, do Cesupa. “A gente não tem esse curso aqui na Universidade do Estado. Então, o curso de Terapia Ocupacional trabalha a perspectiva desse usuário, estuda a tecnologia que vai ser utilizada e vamos buscar apoio com o pessoal da informática para desenvolver dispositivos e aplicativos”, revela a professora Ana de Oliveira, que recebeu, em 2007, em Brasília, o Prêmio Direitos Humanos pela elaboração do Software Desenvolve. O projeto do software, assim como outros produtos desenvolvidos pelo Nedeta, foi financiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa). Serviço: Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta) Endereço: Travessa Perebebuí, 2623 entre Avenida Almirante Barroso e 25 de Setembro, Bairro do Marco - Telefone: [91] 3277-1909

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Perita criminal faz sucesso no mundo das artes

Berna Reale concilia profissão com a arte plástica e coleciona prêmios Artista quer chamar a atenção para a violência

para a vida de Berna Reale. Além de desenvolver novos projetos, ela teve a surpresa de ser convidada para representar o Brasil, com mais dois artistas, no pavilhão brasileiro, em Veneza, na Itália. “Isso, realmente é uma coisa que jamais tinha passado pela minha cabeça. Eu geralmente só sonho com aquilo que eu acho que é possível de alcançar”, revela Berna, que mostrou um resumo de todos os seus trabalhos para os italianos. “Eu trato de questões contemporâneas, do dia a dia”, define a artista, que recentemente venceu a 5ª edição do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas.

Trabalhos de repercussão internacional

Momento em que a artista é levada como um pedaço de carne

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Fotos Divulgação

artista plástica paraense Berna Reale faz sucesso por todo o Brasil. Constantemente premiada pelos concursos de artes e chamada para conceder entrevistas à programas de Televisão e de Rádio, Berna não tem tempo para mais nada, ou quase nada. Sua agenda é cheia e sua vida é considerada uma “loucura”, já que tem que conciliar as artes plásticas com o seu trabalho oficial, que é o de perita crimi-

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nal do Centro de Perícias do Estado do Pará. Dois trabalhos totalmente distintos? Ela diz que não. Pelo menos, Berna consegue conviver entre a violência e as artes. Ela conta que seu trabalho de perita criminal repercute em seu trabalho de artista plástica. Suas performances são pensadas com o objetivo de criar um ruído provocador de reflexão. “Eu já tinha um trabalho voltado para a questão da violência, mas eu sinto que ele se intensificou depois que me tornei perita criminal”, garante a artista. Este ano promete ser ainda mais singular

O trabalho de maior repercussão de Berna Reale, até o momento, é onde ela mesma aparece sendo carregada por dois homens como se você uma peça de carne. Ela é retirada de um carro frigorífico e exposta pelas ruas de Belém como se fosse um pedaço de carne pendurada. “A reação do público foi a mais diversa possível. Alguns sentiram pena, outros ligaram para a polícia”, revela Berna. E a própria Polícia Militar já chegou a abordar o ato, pensando em se tratar de uma mulher morta sendo carregada. “As pessoas ficaram mais preocupadas com a condição da mulher, dizendo tadinha, em vez de pensarem que ela estivesse passando por tortura”, indignou-se Berna. Outra obra que chama atenção das pessoas foi apresentada no centro de Belém. A própria artista aparece nua, deitada numa mesa colocada no mercado do Ver-o-Peso. O detalhe é que Berna está coberta de vísceras com diversos urubus sobrevoando ao seu redor. “Queria mostrar o ser humano servido ali. Não é só mostrar a morte, é mostrar que a violência nos coloca num banquete. Você vai para rua e não sabe se vai voltar para casa”, disse artista. A ideia principal da perita-artista é mostrar a indiferença das pessoas diante de coisas que chocam. Segundo ela, tudo em seu trabalho é pensado, nada é colocado em vão. É realmente para mexer com a sociedade. “Tem que ser planejado pra passar o que eu quero. Não apareço nua à toa nas minhas obras. O corpo é um elemento do meu trabalho e tento dialogar com meu trabalho”, ressalta Berna Reale. www.paramais.com.br

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Trabalho de Berna Reale em exposição

que reúne artistas de todo os Brasil. “Ele pediu pra pensar numa instalação pra dentro de um mercado. Pensei em um mercado de carne. Vou fotografar cadáver. Vou colocar dentro do mercado de carne vísceras humanas, porque o mercado é um lugar de fartura, violência, miséria, prostituição. Fui ao IML para fotografar e fui gostando da ideia”, conta a perita-artista.

Curriculum vitorioso e cheio de prêmios

A perita gosta que seu público questione seu trabalho artístico. “Não adianta pensar que a arte é capaz de mudar muita coisa, porque infelizmente não é. Ela chega a um restrito número de pessoas. Ela não tem a abrangência que a gente gostaria de ter. Isso é uma ilusão. Mas quanto mais você tem oportunidade de mostrar seu trabalho para um número maior de pessoas, claro que a possibilidade de você transformar alguma coisa ou alguém, por meio do que você faz, é maior”, afirma Berna Reale.

Trabalho de perita é um aprendizado

Berna Reale aproveita tudo que vê nas

ruas quando está trabalhando de perita criminal. Ele abrange de tudo: brigas de casais, desavenças de vizinhos, problemas com pessoas alcoólatras, homicídio e etc. Berna conta que se acostumou com o serviço. Ela não se choca quando vê uma pessoa morta. “Quem aciona o perito é o delegado. Eu já chego depois da polícia. Fico muito concentrada com o trabalho. Mas eu me choco mais quando leio uma carta de alguém que se suicidou, por exemplo”, disse. Berna conta ainda que antes de se tornar perita criminal, se formou em artes plásticas. Um fato fez com que ela fosse “chamada” para a área policial: um trabalho solicitado pelo curador do Arte Pará, concurso

Berna estudou arte na Universidade Federal do Pará e participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e na Europa, como a Bienal de Cerveira (Portugal, 2005) e a Bienal de Fotografia de Liege (Bélgica, 2006), além da exposição “Amazônia – Ciclos da Modernidade”, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro, RJ, 2012). Recebeu o grande prêmio do Salão Arte Pará, em Belém (PA, 2009), e foi selecionada para o “Rumos Visuais – Itaú Cultural” (2012-2013); participou da exposição “From the margin to the edge”, Somerset House, Londres (RU, 2012), “Boletim”, Galeria Millan, São Paulo (SP, 2013), “Vazio de nós”, Museu de Arte do Rio de Janeiro (RJ, 2013), “Cães sem Plumas”, Galeria Nara Roesler, RIo de Janeiro (RJ, 2013), “Arquivo Vivo”, Paço das Artes, São Paulo (SP, 2013) e da I Bienal de Fotografia MASP- Pirelli, São Paulo (SP, 2013). Trabalho de Berna Reale levado para Veneza

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Não passei no vestibular. Devo fazer intercâmbio?

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Texto Ana Luisa D’Arcadia de Siqueira*

oa parte das universidades de todo o Brasil já divulgou seus resultados de vestibular. Milhares de estudantes fizeram provas buscando a tão sonhada vaga em uma faculdade. Entre eles, muitos não conseguiram a aprovação, e aí surge aquela dúvida: o que fazer? Muitos vão reiniciar os estudos encarando os cursinhos pré-vestibulares. Entretanto, há outras formas de adquirir conhecimentos que podem fazer a diferença no futuro antes de retomar os estudos. É o caso do intercâmbio cultural. Mas, até que ponto ele pode fazer a diferença para os futuros universitários? Um intercâmbio cultural é uma excelente experiência para alunos de todas as idades. É uma forma de amadurecimento, de evolução nos conhecimentos culturais e a melhor maneira de aprimorar um segundo idioma. E, talvez, esse período antes do início da vida universitária seja recomendável para muitos alunos. Quanto tempo é necessário ficar fora? É possível ficar de duas semanas a um ano. Não existe período ideal, isso varia muito de aluno para aluno e das necessidades de cada um. Se o aluno não quer passar muito tempo fora, um mês é tempo para dar uma leve avançada nos conhecimentos do idio30

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ma. Para quem quer ficar um tempo que garanta uma boa melhora na segunda língua, é interessante ficar entre três e seis meses. Claro que quanto maior o período, maior o aprendizado da língua e bagagem cultural adquirida. Quem quer embarcar em um curso de longa duração, pode optar por estudar um ano. Os resultados podem ser melhores para períodos mais longos, mas tudo será determinado pela dedicação do aluno.

Há várias opções de destinos

Os mais procurados são Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Irlanda e Austrália para cursos de inglês e Espanha para cursos de espanhol. Existem destinos menos procurados, como Nova Zelândia, África do Sul, Malta e países da América Latina. O importante é que o local escolhido se encaixe no perfil

do aluno e ofereça um curso de qualidade. Onde ficar? Existem opções de casa de família, onde o aluno mora na casa de residentes locais, sendo que pode ou não ter refeições inclusas no pacote. Para maiores de 18 anos, também há a opção de residência estudantil, normalmente uma casa, dividida com estudantes de diferentes nacionalidades. Nesta opção, não há refeições no pacote e cada estudante cozinha sua própria comida. Há opções de quartos individuais ou compartilhados e as regras variam conforme o país e escola escolhidos. É fundamental que o aluno que se interessar por fazer um curso no exterior, procure uma agência de intercâmbios com consultores educacionais qualificados. Assim, terá todas as necessidades atendidas e poderá viajar com mais tranquilidade e segurança. Um intercâmbio cultural traz muitos benefícios para a vida de um aluno. Além de aprimorar um segundo idioma, o estudante vai conhecer novas pessoas, novos lugares, adquirir conhecimentos e amadurecer ao ter que conviver com os problemas do dia a dia. Com essa experiência na bagagem, com certeza, entrará na faculdade com uma visão diferente do mundo, o que contribui muito para o desempenho universitário e, futuramente, profissional. (*) Diretora de marketing da Global Study, franquia de intercâmbios

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Papel colorido nas festas de Campo Maior A Festa das Flores de Papel de Campo Maior

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Texto Anete Costa Ferreira* Fotos Divulgação

eza a História que Campo Maior, vila portuguesa da região do Alentejo foi uma povoação dominada pelos Mouros cerca de meio milénio e reconquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz, no ano de 1219. Tornou-se famosa por abrigar pessoas perseguidas pela Inquisição. No século XVI foi por muito tempo o maior reduto alentejano no acolhimento da comunidade judaica. Tornou-se o mais importante centro militar do Alentejo, no século XVII, que segundo a estatística em cada habitação de quatro pessoas uma pertencia às forças armadas. O imponente Castelo abrigou seus moradores dos ataques dos exércitos espanhóis durante a Guerra de 1640. A Vila desenvolveu-se e atualmente realiza uma das mais bonitas demonstrações da arte portuguesa – A Festa das Flores de Papel. O evento é considerado como a Festa www.paramais.com.br

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do Povo pelo fato de ser organizado pelos moradores, de quatro em quatro anos. As ruas, casas, os templos, bancos públicos, estabelecimentos comerciais, postes, coretos e praças são decorados com flores e objetos de papel, numa perfeição artística não encontrada em outras localidades do país. A festa se realiza em finais de Agosto, início de embro, quando cada rua exibe seu padrão decorativo e as cores variam conforme a inspiração dos seus autores. A originalidade e o colorido são a tónica desta arte que é considerada uma das maiores festas populares de Portugal. Seus habitantes se envolvem com dedicação vários meses para preparar o fascinante jardim florido de Campo Maior. São milhões de rosas, cravos, tulipas, glicínias, papoilas, margaridas e jasmins tudo confeccionado em papel que isoladas ou juntas são transformadas em guirlandas, bandeirinhas, arcos, colunas, animais, figuras várias e grinaldas que enfeitam além das ruas, os troncos de árvores, bonecos, colunas, carros, vasos, os tetos falsos, pisos e ainda formam vários

As Festas do Povo consistem na ornamentação das ruas de Campo Maior, onde são usadas flores de papel e outros objetos em cartão e papel, feitos artesanalmente pela população

outros objetos que encantam os visitantes pela beleza que ostentam. A gastronomia está presente nas barraquinhas armadas em locais estratégicos, tendo a música como pano de fundo a alegrar os comensais que se deliciam com as iguarias regionais. A alegria enche os dias e as noites dos participantes, quer moradores ou turistas, envolvidos com a festança. Recusam-se a olhar para o relógio e ficam tristes quando ecoa o último som, dando por encerrada a Festa das Flores de Papel de Campo Maior. Moradores e entidades apelam às autoridades locais e as empresas de turismo para que assumam o destino desta magnifica festa a fim de não deixar que se perca a tão importante arte do papel colorido na festa da bonita cidade alentejana. (*) Correspondente em Portugal

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Atualmente, o grupo é formado por cerca de 20 músicos, essencialmente, jovens e adultos

Orquestra Sinfônica ajuda a tirar jovens das ruas de Belém Crianças e adolescentes carentes ganham novas expectativas de um futuro melhor Fotos Divulgação

O

que faz dezenas de jovens carentes se interessarem por uma orquestra sinfônica, ter aula de música clássica e tocar instrumentos pouco comuns, como o violoncelo e o violino?. O professor Áureo de Freitas tem a resposta: “Eles sempre gostaram de música, só não tinham a oportunidade”, garante o educador, que coordena 20 jovens, entre crianças e adolescentes, na Orquestra de Violoncelistas da Amazônia (OVA), da Escola de Música da Universidade Federal do Pará. Mas, qual o segredo para atrair os jovens alunos?. “O produto que eu apresento é a música popular, que vai dar 32

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um retorno financeiro imediato”, completa. Então, o segredo do professor Áureo de Freitas é formar uma orquestra sinfônica que toca música clássica e popular. Mas não é só. O repertório ainda passa pelo rock and roll e heavy metal. “A maioria dos meninos carentes, que precisa de recursos, tem que abraçar aquilo que vai te dar oportunidade. Aquele sonho que era estudar um certo tipo de música vai terminar virando um pesadelo”, explica o educador. Áureo argumenta que, por intermédio da música erudita, num país como o Brasil, numa cidade como Belém do Pará, jamais a OVA iria se apresentar com tantas crianças, adolescentes e adultos no exterior. A saída foi montar um repertório inovador, que reúne

compositores da música erudita, música popular paraense e rock. E ele tem razão. A mistura de ritmos atraiu o adolescente Daniel Castro para a OVA. Ele diz que não tem palavras para expressar o que sente ao participar da orquestra. “Eu toco violoncelo e a música faz parte da minha vida desde criança. Ela me traz felicidades”, disse. “Me apaixonei pela música clássica”, completa Daniel. O músico Gustavo Borges toca violoncelo. Ele é aposta de sucesso da OVA, de onde já saíram nomes consagrados, como Diego Carneiro, Joaçi Cardoso, Diego Cardoso e Vagner Matos, que hoje residem no exterior. “É muito bom participar de uma orquestra eclética, passear pelos estilos musicas e aperfeiçoar muito tecnicamente”, diz Gustavo, que também foi atraído pelo desafio de tocar rock no violoncelo. “Já tocamos Led Zepellin, Metálica, Guns N’ Roses e Titãs”, enumerou. Após cumprirem um ciclo, os estudantes deixam a orquestra. “Eles precisam verticalizar para outro nível, ir para uma universidade, ou seja, seguir a carreira dele e dar oportunidade para outros, senão o programa de inclusão acaba sendo um problema de exclusão”, afirma Áureo, que concluiu seu bacharelado em Violoncello Performance na University of Missouri at Columbia em 1989. O mestrado foi em 1992, na Louisiana State University – Baton Rouge e o doutorawww.paramais.com.br

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Programa Cordas da Amazônia recruta novos violoncelistas

Professor Áureo de Freitas comanda a Orquestra que virou uma banda de rock

do em Ph.D. em Educação Musical na University of South Carolina, em 2005. A filosofia do educador Áureo de Freitas é incentivar crianças e adolescentes nas comunidades a tocar o violoncelo visando manter e apoiar alunos que queiram posteriormente ingressar em uma universidade,

onde possam ter uma educação musical e cultural do mais alto nível, contribuindo para o seu desenvolvimento econômico e social.

Apresentações e viagens

A Orquestra de Violoncelistas da Ama-

zônia (Amazon Cello Choir) foi criada em 1998, pelo professor Áureo de Freitas. “É a menina dos meus olhos”, disse ele. Atualmente, o grupo é formado por cerca de 20 músicos, essencialmente, jovens e adultos. Eles pertencem a Escola Técnica de Música e ao Curso de Licenciatura em Música da

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UFPA. “Esta é a quarta formação, que agora se transformou numa banda rock and roll. Nós temos violoncelistas, pianista, baterista, baixista e guitarrista”, conta Áureo. O trabalho musical desenvolvido com a orquestra permitiram participações em programas de rádio e televisão tais como Radio BBC, TV BBC, National Public Radio, TV Educativa, Sem Censura, Gente Inocente, Jô Onze e Meia, Jornal do SBT Brasil, Bom Dia Brasil, Programa Ação e Bom Dia Pará. Os integrantes da orquestra vem representando o Estado do Pará em turnês realizadas no Brasil e exterior: Turnê Holanda 2004; Turnê Estados Unidos 2002; Turnê Rio de Janeiro 2000, 2001, e 2004; e Turnê Curitiba, 1999. Desde o final do mês de junho e início do mês de julho, a OVA fez apresentações internacionais: na Suíça, onde se apresentaram na cidade de Lausanne e na França, onde participaram do 26º Festival Eurochestries. “Já fizemos outros shows internacionais e dentro do Brasil também. Fomos convidados por causa da nossa perseverança, fizemos shows em praças e conseguimos recursos para manter o grupo, essa atitude se tornou tema de palestra na Suíça e, assim, surgiu o convite”, declarou o coordenador da OVA. Ian Souza, de 19 anos, já fez apresentações na China com a orquestra. “Já tenho experiência em tocar fora do Brasil, mas a adrenalina é a mesma da primeira vez. É muito bom mostrar o nosso trabalho para o mundo, voltamos com um aprendizado ainda maior”, disse Ian. Mas o sonho da turnê quase vai por água abaixo. A falta de recursos inviabilizava a viagem dos integrantes. O jeito, segundo o professor Áureo, era criar uma campanha pelas ruas da cidade. E assim foi feito. O convite para as turnês só contava com a alimentação e hotel. Mas faltavam as passagens e o recurso para se manter no exterior. “Eu estava contando com os políticos locais e há três meses não tinha um estendendo as mãos para a agente”, disse. Então, segundo o professor Áureo, o jeito foi pedir nos semáforos. Conseguiram uma

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doação de uma operadora de telefonia e sortearam um celular de última geração. Após a campanha, os membros da OVA contaram os lucros. E que lucros!. Ao todo, foram arrecadados R$ 45 mil. Depois de três meses compraram todas as passagens dos integrantes.

Trabalho especial com crianças especiais

Na Orquestra de Violoncelistas da Amazônia (OVA) tocam dois músicos autistas. O professor Áureo de Freitas diz, com orgulho, que a presença deles é um resultado de sete anos de pesquisa. “Eles não estão ai brincando, estão realmente tocando”, afirma. Carlos Augusto tem 31 anos e é autista. Segundo ele, “é muito bom tocar violoncelo”. “Me apresento em shows e gosto muito de Beethoven, Vivaldi...”. O seu trabalho de pesquisa com os alunos englobou os estudos do transtorno do desenvolvimento de dificuldade de aprendizagem, grupo apoiado pelo programa Cordas da Amazônia, pelo núcleo de atendimento a pessoas com necessidade específicas da UFPA, crianças e adolescente com autismo, dislexia, com déficit de atenção e atividade e com síndrome de down. Tudo começou quando Áureo de Freitas retornou do doutorado, e teve a missão de mapear a Escola de Música da UFPA. Saber

o que estava faltando. E ele descobriu que a inclusão social não estava sendo feita. Até o ano de 2006 nenhum professor trabalhava com a inclusão. “Depois consegui a adesão do professor de viola, depois veio a professora de violino, que trabalha com alunos cegos e de baixa visão. Somos quase 50 professores, por isso, precisamos de mais adesão”, completou. Levar essas crianças para o mundo da música faz com que elas se sintam melhores. “É muita gratidão, mas ao mesmo tempo, tenho aquele sentimento de desespero em saber que se trabalha tanto, e que só existe uma pequena luz no final do túnel e que há grande caminho para percorrer”, disse o educador. A solução para vencer os desafios, segundo professor Áureo, é formar opinião. “As pessoas precisam participar das palestras, precisam ver o que está acontecendo no mundo inteiro”, finaliza. Professor Áureo e seus pupilos da OVA

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Juventude em perigo

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Texto Lucila Cano*

á 15 anos, pesquisa da Unesco, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, colocava o Brasil no terceiro lugar entre os países com o maior número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos de idade. Na época, só perdíamos para a Colômbia e a Venezuela. Sobre as vítimas, reproduzo, a seguir, alguns trechos de notícia da Agência Folha “Jovens são os que mais matam e mais morrem” de 17 de agosto de 2000: “A maior vítima dos homicídios no Brasil tem 20 anos, é homem, vive em cidades grandes e morre nos fins de semana, ferido por armas de fogo. De acordo com o Mapa da Violência 2, preparado pela Unesco, a maior parte dos brasileiros assassinados morre entre os 19 e os 23 anos. O pico é aos 20. Nesta idade, 37,1% das mortes ocorrem por assassinato. Ao mesmo tempo, os jovens morrem mais nas capitais. Aí, 40% das mortes jovens acontecem por homicídios.” “(...) ‘O jovem é quem mais mata e que mais morre hoje no país’, afirmou Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pela pesquisa. Segundo outro estudo feito pelo pesquisador, 65% das mortes de jovens são provocadas pelo seu próprio grupo etário, pelos companheiros ou inimigos – normalmente homens.” “(...) As armas de fogo são o principal meio: em 66% dos homicídios de jovens no país foram usados revólveres ou armas semelhantes. ‘Se há uma briga, e há uma arma,

são muito maiores as possibilidades de se chegar a um assassinato’, disse Waiselfisz.”

Negros e presos

Em 17 de outubro de 2013, a Faculdade Zumbi dos Palmares (SP) divulgou síntese de pesquisa realizada pelo IPEA, que mostrava que:

“(...) A probabilidade de um brasileiro negro ou pardo ser assassinado no Brasil é oito pontos percentuais maior do que a de um não negro (brancos e amarelos).” “Segundo o estudo, a taxa de homicídios entre negros e pardos (36,5 por 100 mil) é mais do que o dobro do que entre não negros (15,5 por PANIFICADORA MOURA 100 mil). Como conCGC: 04.318.432/0001-04 INSCRIÇÃO - ESTADUAL: 15.101.285-7 sequência, a perda de expectativa de vida para negros devido à violência letal é 114% maior e o risco de homicídio tira 1,73 ano de expectativa de vida do negro e 0,71 ano do não ne25 de Setembro (esq. com a Humaitá) Fone: 3226-3236

Antecipe suas encomendas

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gro. Os dados dão conta que mais de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil.” “Os presos do sistema penitenciário brasileiro são majoritariamente jovens, negros, pobres e de baixa escolaridade”, segundo levantamento do Infopen – Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, que o Ministério da Justiça publicou em seu portal na internet em 23 de junho último. O Infopen identifica que 56% dos presos no Brasil são jovens entre 18 e 29 anos e que há mais jovens nessa faixa etária dentro do que fora dos presídios. Na população total, eles representam 21,5% dos indivíduos. Na população prisional, são 56% deles. O levantamento destaca que da população prisional, independentemente da faixa etária, dois em cada três presos no Brasil são negros, o que corresponde a 67% do total; o grau de escolaridade é muito baixo (cerca de 53% possuem ensino fundamental incompleto); e a maioria é de solteiros (57%).

O mapa mais recente

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) continua responsável pelo Mapa da Violência, pesquisa de vital importância para a orientação de políticas públicas. O mais recente Mapa, com base em dados de 2013, foi levado ao Senado na segunda-feira, 29 de junho, “como forma de tentar conter o avanço nas discussões da maioridade penal”, informou Natália Cancian, do UOL, na mesma data. Em seu texto, ela relata que “cerca de 10,3 jovens entre 16 e 17 anos são assassinados por dia no Brasil. É a maior proporção de mortes por homicídios entre crianças e adolescentes no país, segundo dados do novo Mapa da Violência”. Ainda em relação ao estudo, “(...) a maior parte das vítimas é do sexo masculino, negro e de baixa escolaridade. Em 82% dos casos, o principal instrumento usado nos homicídios foi a arma de fogo”. (*) Formada em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (SP). Trabalhou como redatora publicitária em várias agências e também como assessora de imprensa. **Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor

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Entre meninos e botos: um amor pela Etnobiologia Tese de doutorado mostra interação de crianças com animais míticos da Amazônia Fotos BioMA, Gabriel Santos, Rodolfo Oliveira/Ag Pará

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lenda conta que o boto, às margens dos rios, se transformava em um charmoso homem vestido de branco que usa um chapéu e seduzia as jovens meninas em dias de festas. Quando elas apareciam grávidas, a paternidade era atribuída a esse animal mítico da Amazônia. Essa relação entre as crianças e o boto inspirou a pesquisadora Angélica Rodrigues, que montou uma tese de doutorado sobre o assunto, orientada pela professora Maria Luisa da Silva, do Programa de Pósgraduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento, na Universidade Federal do Pará (UFPA). Angélica Rodrigues faz parte do Grupo de Pesquisa “Biologia e Conservação de Mamíferos da Amazônia” (BioMA), o qual reúne pesquisadores da UFPA e de vários outras instituições. Ela explica que botos, baleias, golfinhos, peixes-boi e lontras (mastofauna aquática) são importantes nos ecossistemas aquáticos por suas interações na cadeia alimentar, pois, é preciso grandes ambientes para manter populações destes animais. Além disso, “para que a legislação seja efetivamente aplicada em prol da conservação destas espécies, é preciso, urgentemente, reunir informações acerca da ecologia, biologia e do conhecimento local a respeito destes animais”, defende.

Boto-vermelho (Inia geoffrensis) no rio Tapajós

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As crianças tem ainda uma forte ligação com os botos

Na água ou no imaginário “As interações de botos com as populações humanas ocorrem principalmente através de emalhes acidentais durante a pesca, eventos de encalhes ou pelo valor simbólico e mágico-religioso que estes animais representam, e desta forma estas interações podem resultar em percepções positivas ou negativas. Os botos, peixes-boi

e lontras são personificados como seres mágicos e despertam sentimentos que variam da vingança ao apreço”, enumera a pesquisadora. Durante as pesquisas para a tese de doutorado, Angélica Rodrigues analisou os conhecimentos etnozoológicos sobre os mamíferos aquáticos entre estudantes do Ensino Fundamental II de escolas públicas localizadas em Abaetetuba, Mocajuba, Marajó, Santarém e na Região Metropolitana de Belém, por meio de redações, entrevistas, questionários e pranchas topográficas, unindo métodos quantitativos e qualitativos de pesquisa. Os resultados demonstram que a lenda e o imaginário sobre os botos são amplamente difundidos em todas as regiões do estado do Pará e estão associados, principalmente, aos botos vermelhos. Nas narrativas de crianças e adolescentes pesquisados, 66% se referiam ao boto vermelho, 22% ao boto cinza e tucuxi (Sotaliasp), 7% aos peixes-boi e outros 7% às baleias. “Vale ressaltar que o sentimento de indiferença (30%) juntamente com o de medo (32%) foram os mais frequentes nas falas dos discentes e, de modo geral, os alunos possuem conhecimentos prévios sobre as características morfológicas, diversidade, www.paramais.com.br

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lendas, comportamento e ameaças à sobrevivência das espécies de mamíferos aquáticos”, revela a bióloga. Ela explica que são as lendas sobre estes animais as principais causas do sentimento de medo entre as crianças e adolescentes pesquisados, especialmente, entre os que viviam nas ilhas da região de Abaetetuba e do Marajó. Nestes casos, os pais e avós narram histórias sobre os botos e os atributos destes “seres encantados” trazem algum temor às crianças. “Esta lenda e estes comportamentos foram identificados especialmente aqui na Amazônia. Em outros locais onde o boto-rosa não habita, a relação com os golfinhos mostra-se mais amistosa”.

Nadando entre botos

Mas foram as interações diretas entre crianças e adolescentes com botos tucuxis e cor de rosa que chamaram atenção e foram registradas pela primeira vez na pesquisa. Em lugares próximos às feiras de Santarém e Mocajuba, os botos nadam, brincam e são alimentados por jovens e meninos. As observações da pesquisadora indicam que nadar com os botos ainda é mais uma prática cultural do que turística. “Em Mo-

O boto está no imaginário das crianças

cajuba é um tradição e, supostamente, vem acontecendo há trinta anos e repassada por gerações, segundo os próprios moradores e frequentadores da feira. Em Santarém, ela é mais recente e se dá de uma forma mais turística”. A relação amistosa é, até certo ponto, uma exceção aos resultados gerais da pesquisa que indicam a indiferença e o medo como principais sentimentos ligados a estes animais. Quem interage diretamente com os botos apresentou conhecimentos sobre a aparência, ocorrência, interação com outros mamíferos aquáticos, lendas e características do animal e não demonstraram medo ou indiferença em relação a eles. O contato direto é mais frequente entre meninos e adolescentes de 8 e 17 anos, os quais forneciam aos botos espécies de peixes comerciais. “Apenas uma menina foi vista participando deste tipo de interação”, recorda Angélica Rodrigues. Ela assegura que as interações parecem ser inofensivas às crianças, mas é preciso cautela e aumento no esforço da pesquisa,

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Boto se transforma num homem para atrair as mulheres

pois estudos anteriores envolvendo animais de vida livre a humanos neste tipo de interação podem causar prejuízos para ambas as partes, fora os riscos de zoonoses. “Um grupo de meninos estava acostumado a nadar com os botos, mas, ao mesmo tempo, registramos pequenos acidentes que envolviam cortes nos dedos ao alimentar os botos e serem surpreendidos por mordidas. Este tipo de incidente, porém, é atribuído aos que seriam ‘mais desatentos’. No geral, nada mais grave foi relatado pelos jovens”, reforça a pesquisadora. “Percebemos que embora os mamíferos aquáticos que ocorrem na Amazônia sejam pouco conhecidos do ponto de vista biológico ou mesmo sejam temidos por uma parte dos alunos entrevistados, eles podem ser bem aceitos pelos estudantes por meio da articulação entre os saberes populares e científicos em programas de conservação

Boto seduz as mulheres

ambiental”, assegura Angélica Rodrigues. A bióloga da UFPA reitera a necessidade de pesquisar os impactos que a interação direta entre os botos e o público e de “promover medidas educativas sobre a conservação de mamíferos aquáticos na região da Amazônia Oriental, área de maior densidade humana da Amazônia e que, por esta razão, sofrem com os efeitos danosos da pressão antrópica”.

Nosso diretor Rodrigo Hühn nadando e fotografando entre botos Pará+

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Tecnologias criadas para melhorar sua concentração Antes de você começar a ler esse artigo, uma pergunta: você está realmente prestando atenção?

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rovavelmente não, especialmente se você estiver lendo isso no escritório. Pesquisas indicam que estamos tendo cada vez mais dificuldade em nos desligarmos de estímulos externos e internos. E a culpa é da tecnologia. A professora Gloria Mark, do Departamento de Informática da University of California, em Irvine, nos Estados Unidos, disse que e-mail, mídias sociais, notificações e várias outras distrações digitais estão destruindo nossa capacidade de focar a atenção em tarefas individuais. “Em 2004, monitoramos trabalhadores do setor de informação com cronômetros e medimos cada ação (que faziam)”, disse Mark. “Eles mudavam seu foco de atenção, em média, a cada três minutos. Em 2012, observamos que o tempo gasto na tela de um computador antes de que os trabalhadores transferissem seu foco para outra tela era 1 minuto e 15 segundos”. “No verão de 2014, a média foi 59,5 segundos”, disse a especialista.

Fluxo

Acadêmicos e cientistas estão cada vez mais interessados nos efeitos da tecnologia sobre o ambiente de trabalho. Há relativamente poucos estudos a respeito do impacto sobre o trabalho de sites como Twitter e Facebook ou de games como o Candy Crush - que buscam, deliberadamente, manter usuários em conexão constante. Antropólogos culturais como a professora Natasha Dow Schull, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), destacam o trabalho de Mihaly Csikszentmihalyi, que há várias décadas criou o conceito de flow (em tradução livre, fluxo). Czikszentmihalyi identificou várias características típicas do estado onde a pessoa está concentrada em algo - explicou Schull. “Tem a ver com uma sensação de controle, de podermos escolher se somos atraídos por algo envolvente, que não vai além de nossa capacidade nem nos deixa confusos e

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Se você está desconcentrado ou procrastina no trabalho, isso pode não ser sua culpa

frustrados porque não sabemos como fazer (essa atividade)”, explicou Schull à BBC. “Para obter fluxo, sua atividade precisa se adequar à sua habilidade. Mas descobri, no meu próprio trabalho, que o fluxo não depende apenas de mim e é preciso reconhecer que ele pode ser afetado pelo ambiente”.

Soluções

O conceito de fluxo forma a base de um serviço de áudio streaming chamado Focus@will. O serviço busca se fundir ao ruído ambiente de forma tão perfeita que o usuário deixa de notar sua presença, porém, sua mente é mantida em um estado prolongado de fluxo. Fundado por Will Henshall - ex-integranEsteira voltada não para corridas, mas caminhadas - e pode ser usada no escritório

te da banda de dance music angloamericana Londonbeat - o serviço remixa música de vários tipos e tempos. A maior parte das faixas começa com uma introdução instrumental básica, mas depois é completamente modificada. “Descobrimos que não são apenas os vocais. Instrumentos que soam como a voz humana também podem distrair muito (a atenção de quem ouve)”, disse Henshall. “Um bom exemplo é o violoncelo, além de saxofones, fagotes, sons sintetizados e guitarras elétricas.” Henshall disse ter identificado cerca de 40 outros elementos que, segundo ele, afetam a mente de forma não consciente. E é por isso que ouvir suas canções favoritas não ajuda sua concentração. Você vai reconhecê-las e, mesmo que momentaneamente, perder sua concentração, explicou. Segundo os responsáveis pelo Focus@ will, dois terços das pessoas podem se beneficiar do serviço - o restante não sente qualquer efeito. Há várias opções de canais. O Uptempo, por exemplo, para quem gosta de batidas rápidas. O Alpha Chill, mais relaxante. Também há opções para quem busca, por exemplo, o clima de um café bar ou sons de bateria. Para pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o serviço oferece o canal ADHD (sigla inglesa para Attention Deficit Hyperactivity Disorder) Type 1. Cerca de 4% dos membros ouvem apenas esse canal. Mas para quem não têm o transtorno, esse canal é quase insuportável. Pesquisas feitas pelo próprio serviço indicam que a metade dos usuários consegue se concentrar por cerca de uma hora sem interrupção. Cerca de 20% conseguem ficar concentrados durante até duas horas. Os algoritmos do site oferecem uma seleção pessoal de música, baseada em respostas a algumas questões iniciais e também de acordo com a quantidade de tempo que o usuário passa ouvindo as transmissões. Ele também se adapta, ao longo do tempo, sewww.paramais.com.br

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gundo o padrão de uso do usuário. Henshall sugere que o uso de mesas de trabalho acopladas a esteiras para caminhar em combinação com o áudio streaming talvez melhore a concentração de algumas pessoas.

Caminhadas no Escritório

O presidente de uma fábrica de esteiras para caminhar, a Lifespan Fitness, disse que há cada vez mais estudos demonstrando que caminhar no mesmo lugar pode trazer benefícios para a mente. “Um estudo canadense recente revelou uma conexão entre mesas acopladas a esteiras para caminhar e melhorias na memória e na concentração”, disse Peter Schenk. “Outro estudo investigou a relação entre mesas com esteira e detalhismo. E um estudo da University of Minnesota que acabou se tornando um importante ponto de referência demonstrou a conexão entre a mesa com esteira e aumentos na produtividade”, ele acrescentou. Algumas técnicas para melhorar a concentração chegaram ao mercado há alguns anos. Entre elas, a chamada Técnica Pomodoro, criada pelo italiano Francesco Cirillo na década de 80. Seu objetivo permitir um uso eficiente do tempo aliado a concentração

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Estar rodeado por colegas barulhentos e muito equipamentos tira a concentração

máxima. A pessoa programa um relógio com alarme para tocar dentro de 25 minutos. Cada período de 25 minutos equivale a um pomodoro (em italiano, tomate). É possível que sejam necessários vários pomodoros para que um projeto seja terminado, mas cada pomodoro deve ser completado sem interrupções ou distrações. Entre um pomodoro e outro, a pessoa pode fazer uma pausa de 5 minutos. A ideia é aumentar a concentração, alcançar um objetivo em estágios e completar o

trabalho, evitando que a tarefa se torne pesada demais. Outro recurso disponível hoje são uma série de Apps que evitam distrações, como FocusMask, OneFocus, Concentrate, B-social e SelfControl. Elas funcionam ao bloquear, temporariamente, websites e outras Apps. Pesquisadores estão esperançosos de que, apesar do impacto negativo da tecnologia sobre nossa capacidade de concentração, experimentos com serviços, softwares e outros aparelhos criados para melhorar nossa atenção tragam resultados positivos.

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Queimadas preocupam o Estado do Pará

O sistema verifica diariamente os focos de incêndio a partir de vários sistemas on-line

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s queimadas no Brasil, em especial no Estado do Pará, preocupam os especialistas. A causa tem nome: El Niño. Com a intensificação desse fenômeno, as águas estão mais quentes na superfície do oceano Pacífico, levando à supressão de chuvas no leste da Amazônia e ao aumento do risco de queimadas. Essa previsão para a floresta amazônica neste ano foi baseada em dados de satélites, divulgada pela Nasa. Ela aponta que a intensidade de incêndios na região vai variar muito entre as porções leste e oeste da floresta. O oeste sofre risco mais baixo de queimadas que nos anos anteriores, enquanto o leste tem risco maior este ano. A previsão foi feita a partir de uma metodologia criada por cientistas da Nasa e da Universidade da Califórnia. De acordo com a previsão, o clima da porção oeste da Amazônia é influenciado pela temperatura das águas do oceano Atlântico tropical, enquanto a parte leste sofre influência do oceano Pacífico. Segundo ainda os pesquisadores, se o El Nino continuar a se intensificar, o risco de queimadas também vai aumentar na parte central da Amazônia. Caso isso ocorra, eles anunciaram que vão desenvolver uma previsão especificamente para a região norte da Amazônia. A temporada de incêndios da floresta começou em maio e tem o pico em setem-

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bro e termina em janeiro. Pelo modelo, as condições da Amazônia no fim do período chuvoso impactam nas queimadas durante o período seco. Em geral, o aumento das temperaturas das águas dos oceanos no período úmido leva à redução das chuvas e da umidade dos solos no início da estação seca. E condições mais secas na Amazônia levam à queimadas mais severas ao final da estação de estiagem. O modelo de previsão de gravidade de queimadas na região amazônica foi desenvolvido por um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia com a NASA em 2011. As previsões passaram a ser divulga-

das em 2012, e com exceção da previsão de 2013, foram bem precisas. Para desenvolver o modelo, os cientistas compararam informações históricas de queimadas coletadas por satélites com dados da temperatura do Pacífico tropical e do Atlântico Norte, obtidas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Prevenção contra as queimadas ganha reforço no Pará

Monitorar as queimadas na Amazônia é um desafio, assim como em todo o Estado do Pará. São mais de 1,2 milhão de quilôme-

Além do SMI-Floresta, o Inpe e o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia) disponibilizam informações para a gente. A maioria das regiões mais seca nessa época estão no sul e sudeste do Pará, afirma o Chefe da Sessão, Capitão Bruno Freitas www.paramais.com.br

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tros quadrados de área para fiscalizar. As ações voltadas à prevenção de queimadas são intensificadas neste segundo semestre, quando o número de casos aumenta. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no ano passado foram registrados mais de 35 mil focos ativos detectados; já em 2015, até agosto, foram contabilizados 312 focos. Desde julho deste ano, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) desenvolveu o Sistema de Monitoramento de Incêndio Florestal (SMI-Floresta), com o apoio da Vale, para acompanhar com mais eficiência cada um desses casos. O diretor de Geotecnologias da Semas, Vicente de Paula Sousa, explica que em 2006 “já atuávamos com esse sistema, mas agora ele é mais robusto, mais moderno”. Existem 19 satélites monitorando toda a extensão do Estado, com atualização a cada quatro horas. “Agora conseguimos cruzar as informações com os dados climatológicos, para que a gente tenha as áreas de maior suscetibilidade a queimadas, com escassez de chuva, por exemplo”, explica Vicente. O diretor disse ainda que agora é possível cruzar as informações do sistema também com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), e a partir da localização saber em que área e quem é o provável responsável pela queimada, descobrir se é reserva legal, se é área de proteção permanente ou se área de uso alternativo do solo.

Ajuda da tecnologia

A Semas também vai utilizar os dados de climatologia, produzidos pela Diretoria de Hidrologia e Meteorologia, para identificar os municípios inseridos nas faixas geradas pelo mapeamento de clima. Isso vai nos permitir identificar onde há maior escassez de chuva e, com isso, maiores riscos incêndios. Com isso, será possível prever, quase em tempo real, a ocorrência desses sinistros. O objetivo do SMI é permitir o acesso a essas informações tanto aos órgãos que

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O SMI-Florestal fornecerá registros baseados na captura de focos de calor que serão monitorados permanentemente pela Semas

atuam na prevenção e combate a incêndios (Corpo de Bombeiros, Brigadistas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, prefeituras municipais) quanto ao público em geral interessado em acompanhar esses dados. O programa foi implantado este mês e já está disponível no site da Semas, pelo link http://177.74.62.129/website/smipa/ viewer.htm O SMI-Floresta identifica os níveis de calor em vários pontos do território, basta acessar o sistema pelo site da secretaria (http://www.sema.pa.gov.br/). “Para garantir esse acesso, ainda vamos promover, começando agora em agosto, capacitações nos municípios do interior para que, além do uso do sistema por todos, tenhamos diálogo e consigamos evitar as queimadas, e sempre a partir de um foco entrar em contato passar as coordenadas, checar se há incêndio ou não. Nessa capacitação ainda vamos orientar como proceder com a agricultura sem queimada, muito mais benéfica porque não desgasta o solo”, esclarece o diretor Vicente de Paula Sousa. Agora conseguimos cruzar as informações com os dados climatológicos, para que a gente tenha as áreas de maior suscetibilidade a queimadas

O diretor de Geotecnologias da Semas, Vicente Sousa, diz que o SMI-Florestal possibilitará o monitoramento de incêndios durante o Verão Amazônico

O trabalho terá o apoio próximo da Sessão de Monitoramento da Defesa Civil do Pará, que inicia neste semestre um projeto piloto. “Vamos estar em contato com os quartéis do Corpo de Bombeiros de cada polo e da Secretaria de Meio Ambiente. Queremos fazer prevenção, vamos identificar os focos, passar a localização para a equipe dos bombeiros no local, para checar se há de fato um incêndio florestal ou se é apenas uma queimada de lixo, por exemplo. A Semas tem as informações sobre autorizações, ela sabe quais áreas tem autorização e quando podem ser feitas e aí então ela notifica as situações irregulares. Esse ano vamos começar a trabalhar dessa forma, no próximo ano estaremos com o sistema mais consolidado”, afirma o chefe da sessão da Defesa Civil, capitão Bruno Freitas. O sistema verifica diariamente os focos de incêndio a partir de vários sistemas on-line. “Além do SMI-Floresta, o Inpe e o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) fornecem informações para a gente. Conseguimos ter previsões para as próximas semanas e atualização diária dos focos de calor no Estado, onde o risco de queimada é grande. Nas últimas duas horas, registramos 575 pontos, a maioria no sul e sudeste do Pará, região mais seca nessa época”, afirma o capitão. Pará+

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Barômetro da Sustentabilidade de Municípios com Atividades Minerárias no Pará Fapespa lança estudo sobre municípios que desenvolvem atividade minerária

A Fapespa lançou o Barômetro da Sustentabilidade de Municípios com Atividades Minerárias no Pará, no auditório do campus de pesquisa do Museu Emílio Goeldi

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Texto Helen Barata* Fotos ASCOM FAPESPA

Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa) lançou recentemente um estudo sobre os municípios que desenvolvem atividade minerária – o Barômetro da Sustentabilidade de Municípios com Atividades Minerárias no Pará. O estudo foi apresentado pela diretora de Estudos e Pesquisas Ambientais da Fapespa, Andrea Coelho, durante a programação do evento comemorativo aos dez anos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Pará (UFPA), no auditório do campus de pesquisa do Museu Emílio Goeldi, onde estiveram reunidos representantes do secretariado estadual e das demais instituições ensino e pesquisa. O estudo apresenta uma metodologia que

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já foi aplicada em mais de 135 países para avaliar e monitorar as condições humanas e ecológicas, relacionadas ao desenvolvimento sustentável. O objetivo da análise é subsidiar a gestão de políticas públicas no Estado, com base na oferta de dados sobre o nível de sustentabilidade dos municípios de Barcarena, Canaã dos Carajás, Capanema, Floresta do Araguaia, Ipixuna do Pará, Itaituba, Juruti, Marabá, Oriximiná, Ourilândia do Norte, Paragominas, Parauapebas e São Félix do Xingu. Para o presidente da Fapespa, Eduardo Costa, o planejamento do desenvolvimento regional precisa tornar estes projetos efetivas alavancas do desenvolvimento do entorno, por meio de positivos impactos na dinâmica socioeconômica, melhorando principalmente os indicadores socioambientais. “O Pará destaca-se por ter na economia mineral parte significativa do Produ-

to Interno Bruto (PIB). Não resta dúvida de que grande parte do dinamismo econômico do Estado no período recente, e nos próximos anos, deriva dos projetos de extração de minérios, como cobre, bauxita, ferro, manganês, dentre outros em menor escala. No entanto, é fundamental monitorar e avaliar os impactos gerados para fins de elaboração de políticas públicas proativas e mitigatórias”, disse. O estudo apresenta uma metodologia que já foi aplicada em mais de 135 países para avaliar e monitorar as condições humanas e ecológicas, relacionadas ao desenvolvimento sustentável, trazendo uma classificação por escala que compreende os seguintes níveis: sustentável, potencialmente sustentável, intermediário, insustentável e potencialmente insustentável. Segundo a coordenadora de pesquisa e pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ana Vilacy Galúcio, o estudo é fundamental para ajudar nos direcionamentos que os gestores públicos e a comunidade acadêmica podem seguir. “É uma ferramenta estratégica, porque coloca em evidência a parceria entre a academia e a Fapespa no entendimento das questões ambientais, as quais possam gerar respostas para a formação de políticas públicas”, destacou. A publicação faz parte do projeto “Barômetro da Sustentabilidade dos Municípios do Pará”, em que estão inclusos os barômetros dos municípios produtores de energia e com potencial hidrelétrico no Pará e dos municípios da Região de Integração do Tapajós, a próxima publicação a ser lançada pela instituição. (*) Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará

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