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N E STA E D I Ç ĂƒO EDIĂ‡ĂƒO 145 - MARCO/2014

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A mulher Ê a nova força que move o Brasil

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Dilma lança Edital para derrocamento do Pedral do Lourenço

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Dilma anuncia R$ 315 milhĂľes para mobilidade

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MarajĂł recebe projeto de extensĂŁo UniversitĂĄria...

PUBLICAĂ‡ĂƒO

10 Aprenda a beber ågua. É essencial. É vida!

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De olho na preservação de florestas e ågua

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Barcarena dĂĄ o exemplo de diĂĄlogo e compromisso com o desenvolvimento sustentĂĄvel

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Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 EDITORA C�RIOS ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 BelÊm-Parå-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Ă?NDICE DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo HĂźhn; EDITOR: Ronaldo Gilberto HĂźhn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo HĂźhn; DISTRIBUIĂ‡ĂƒO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAĂ‡ĂƒO: Ronaldo G. HĂźhn; COLABORADORES*: Aluisio Lins Leal, Ana Claudina Santos DRT 1310, Anete Costa Ferreira, Augusto Vongrapp, Camillo Martins Vianna, Daniel Nardin, Marga SimĂľes, Mariana Jungmann, Pedro Cardoso da Costa, Warter Grillo; FOTOGRAFIAS: Acervo pessoal dos ex combatentes, Adriano MagalhĂŁes, AntĂ´nio Silva, Sidney Oliveira / Ag. ParĂĄ Arquivo Comus/PMB, Arquivo ParĂĄ+, Ascom Emater, Eduardo Lima, Laercio Esteves, GQ EstĂşdio, Portal FEB, Reprodução / Google, Rafael Araujo, Roberto Stuckert Filho/PR, Thiago Araujo e Willian Favacho Esteves; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAĂ‡ĂƒO GRĂ FICA: Editora CĂ­rios * Os artigos assinados sĂŁo de inteira responsabilidade de seus autores.

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Este é, sem dúvida, o século das mulheres

A mulher é a nova

força que move o Brasil Dilma destaca que mulheres são maiores beneficiárias de programas sociais Dilma destaca que mulheres são maiores beneficiárias de programas sociais Texto Mariana Jungmann

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presidenta Dilma Rousseff fez recentemente pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para lembrar o Dia Internacional da Mulher. Ela apresentou números relacionados à participação do público feminino nos principais programas do governo federal e saudou as mulheres como a “maior força emergente no mundo”. A presidenta ressaltou que, entre as 20 maiores economias do mundo, o Brasil é a que tem mais mulheres empreendedoras. E esse quadro, segundo ela, foi proporcionado pela abertura de linhas de crédito, como a do Programa Crescer, que tem 60% das operações feitas por mulheres. “Somos um país líder no empreendedorismo feminino porque a mulher brasileira tem a sensibilidade de perceber que, abrindo um negócio próprio, ela pode administrar melhor sua vida e a de sua família.” No pronunciamento, Dilma também garantiu que o público feminino tem sido o

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A mulher é a nova força que move o Brasil.indd 5

Entre as 20 maiores economias do mundo, o Brasil é a que tem mais mulheres empreendedoras

mais beneficiado pelas ações governamentais como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Segundo ela, dos quase 1 milhão de matrículas do programa, depois que foi integrado ao Brasil sem Miséria, 650 mil são de mulheres. “São mulheres que saem definitivamente da pobreza, aprendendo uma profissão”, lembrou. Outros programas sociais também foram elencados pela presidenta como “fortalecedores” do papel social da mulher. Segundo ela, 72% das propriedades da reforma agrária e 93% dos cartões do Bolsa Família estão

em nome de mulheres. “Essas novas oportunidades garantem maior autonomia e independência às mulheres e são decisivas para romper o ciclo de violência em que muitas delas ainda vivem. No entanto, precisamos avançar e criar novos instrumentos”, disse Dilma. A presidenta apontou como principais preocupações o combate à violência doméstica e às desigualdades no ambiente de trabalho. Além de garantir o acesso de mulheres a postos de comando, Dilma lembrou que elas ainda precisam trabalhar. “Vejo que é preciso garantir mais creches para cortar a desigualdade pela raiz, dando às crianças pobres as mesmas oportunidades de crianças de classe média, mas também para facilitar o acesso de suas mães ao trabalho”, disse. A presidenta concluiu o pronunciamento reconhecendo que ainda é preciso fazer muito mais pelas mulheres, e ressaltou que este é o século das oportunidades. “Este é o século do Brasil. E este é, sem dúvida, o século das mulheres. A mulher é a nova força que move o Brasil. Pará+

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Dilma lança Edital para derrocamento do Pedral do Lourenço Texto Daniel Nardin Fotos Antônio Silva/Ag. Pará, Roberto Stuckert Filho/PR

Vista Geral do Pedral do Lorenço

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anúncio oficial da abertura da licitação para as obras de derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins, para viabilizar a Hidrovia AraguaiaTocantins, foi feito na no município de Marabá (sudeste paraense), pela presidente Dilma Rousseff, na presença do governador do Pará, Simão Jatene, de ministros e outras autoridades federais, estaduais e municipais, além de parlamentares. Na solenidade, a presidente entregou ainda 110 máquinas, entre caminhões e motoniveladoras, para 89 municípios paraenses, destinados à manutenção de estradas vicinais. Em seu pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff destacou o respeito e o diálogo que vêm marcando as relações insti-

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Dilma lança Edital para derrocamento do Pedral do Lourenço.indd 6

A presidente Dilma Rousseff destacou que as diferenças de visões políticas não podem impedir a convivência harmônica entre os governos

tucionais. “Na democracia, temos diferenças de visões políticas, mas todos nós devemos conviver de forma harmônica”, disse a presidente, ao afirmar que a determinação em trabalhar em favor do Pará, e do Brasil, é conjunta. “Esta licitação que hoje estamos lançando é fruto disso. Foram todas as lideranças que lutaram, que foram lutadores por essa questão do Pedral do Lourenço”, reiterou Dilma Rousseff. Em 2011, as obras de derrocamento do Pedral do Lourenço foram suspensas e, desde então, o Governo do Pará, as bancadas federal e estadual, e lideranças dos trabalhadores e do setor produtivo vêm realizando reuniões e solicitando maior agilidade na retomada da obra. O derrocamento é um procedimento para retirada de um conjunto www.paramais.com.br

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O ministro Miguel Rossetto , o governador Simão Jatene, a presidenta Dilma Roussef, o ministro César Borges e Helenilson Pontes, vice governador, na solenidade de lançamento do edital para as obras no Rio Tocantins

de pedras, que se estende por quase 43 quilômetros, ao longo do Rio Tocantins. Por conta desse obstáculo natural, a navegação é impedida de ser realizada durante todo o ano, inviabilizando a hidrovia como modal de transporte para escoar a produção, principalmente de grãos, do Norte e do Centro-Oeste brasileiro. Para a Hidrovia Araguaia-Tocantins ser utilizada plenamente, portanto, é preciso não apenas as Eclusas de Tucuruí, já inauguradas, mas também o derrocamento do Pedral do Lourenço.

Compromisso mútuo

Investimentos

Segundo Dilma Rousseff, com a hidrovia poderão, finalmente, ser viabilizados os investimentos privados previstos para a região. “A Vale (empresa responsável pela implantação de uma siderúrgica em Marabá)

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sempre disse assim: precisamos de logística. Pois bem, a logística que agora vamos ter com a hidrovia é a melhor possível”, ressaltou a presidente. Dilma Rousseff disse, ainda, que a Hidrovia Araguaia-Tocantins é um símbolo, e deve iniciar uma série de medidas do governo brasileiro para estimular a logística em modais alternativos, desafogando as rodovias. Segundo ela, a intenção é justamente inverter o eixo e o fluxo de produtos para exportação. “A hidrovia tem um custo 50% menor que as rodovias. Apenas um comboio com quatro balsas e um rebocador pode transportar seis mil toneladas. Se esse volume de produto que vai ser exportado fosse embarcado em carretas, seriam 172, ou 26 quilômetros de caminhões. Está claro que a hidrovia é um excelente modal e vamos ter uma mudança do eixo, desafogando os portos de Santos, em São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná. Este é o século do Norte”, afirmou a presidente.

O governador Simão Jatene frisou que a retirada do pedral, abrindo a hidrovia Araguaia-Tocantins, vai beneficiar o Pará e outras regiões do Brasil

O governador Simão Jatene ressaltou a importância do momento, e enfatizou que as diferenças não poderiam, jamais, ser maiores que o compromisso mútuo de desenvolver o Estado e combater a pobreza e a desigualdade. “Defendemos causas, e não coisas. E vejo que neste momento estamos justamente trabalhando assim, por uma questão maior, e que é muito cara para o desenvolvimento da região, do Estado e também do País, uma vez que nossa logística vai beneficiar outras regiões também, além do nosso próprio Estado”, destacou o governador do Pará. Ao defender o desenvolvimento do sudeste paraense, o governador lembrou que muitos dos que vieram para o Estado Outra vista da Pedra do Lourenço

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A presidente Dilma Rousseff, entregou simbólicamente ao prefeito de Santa Maria das Barreiras, José Barbosa de uma das chaves de 110 máquinas a prefeitos de 89 municípios paraenses

Durante o lançamento do edital do Pedral do Lourenço

o fizeram incentivados por um sonho, que ainda precisa ser realizado. “Muitos dos que aqui estão sabem das dificuldades enfrentadas todos os dias, e sabem que o trabalho coletivo é que pode resolver os nossos desafios. A hidrovia certamente vai ajudar nesse sentido, mas também ressalto a entrega das máquinas que, com certeza, vão ajudar os trabalhadores rurais, aqueles que tanto se dedicam para que sua produção chegue à mesa das pessoas”, destacou Simão Jatene. O ministro dos Transportes, César Borges, disse que o Brasil está crescendo e proEm Marabá, durante a cerimônia de lançamento do edital do Pedral do Lourenço e da entrega de máquinas a municípios do Estado

As máquinas entregues pela presidente a 89 municípios paraenses vão ajudar a manter a trafegabilidade nas estradas vicinais

Senador Flexa Ribeiro, um dos grandes batalhadores pelo derrocamento do Pedral do Lourenço

duzindo, mas ressaltou que “não adianta nós crescermos e produzirmos mais se não tivermos logística para escoar nossa produção. Mais que isso: a logística incentiva os novos investimentos, e mais produção e emprego”. O ministro também detalhou como serão as obras de retirada do pedral. “São 43 km de derrocamento, com um canal de 145 a 160 metros de largura, onde será assegurado um calado mínimo de 3 metros em qualquer dia do ano, para que flua a navegação por ali”, informou. Com o derrocamento, a rota na hidrovia

passará a ter capacidade nominal de transportes de até 20 milhões de toneladas/ano para 2025, em grãos, minérios e outros produtos. A obra será licitada por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que permite a contratação integrada. Pelo cronograma do Ministério dos Transportes, a conclusão das obras está prevista para 2018.

Equipamentos

A entrega das 110 máquinas integra a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) Equipamentos. Foram entregues as chaves de 80 caminhõescaçamba e 30 motoniveladoras, adquiridas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e repassadas a 89 municípios, com menos de 50 mil habitantes. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, esse maquinário auxiliará a manutenção contínua das estradas vicinais, favorecendo o escoamento da produção e o melhoramento da mobilidade no meio rural. “Com estas máquinas, os prefeitos vão poder construir estradas por onde circulam os ônibus escolares, as ambulâncias, as mercadorias e as pessoas, gerando mais desenvolvimento e qualidade de vida no campo”, destacou a presidente Dilma Rousseff. (*) Secretaria de Estado de Comunicação

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Dilma anuncia R$ 315

milhões para mobilidade Pará receberá recursos de R$ 315,5 milhões para investimentos em mobilidade urbana Fotos Sidney Oliveira/Ag. Pará

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presidenta Dilma Rousseff anunciou em Belém, a liberação de R$ 315 milhões para obras de mobilidade urbana. O dinheiro irá financiar obras de sistemas de BRT (bus rapid transit) e de transporte fluvial na capital paraense. Uma das estações do BRT ficará próxima ao Mercado Ver-o-Peso, cartão postal da cidade. Parte dos recursos virá do Orçamento Geral da União e outra será liberada por meio de financiamento de 30 anos, com cinco anos de carência e juros de 5% ao ano. As condições, segundo Dilma, são “de mãe para filho”. “É investimento de mãe para filho. Porque é muito caro fazer transporte coletivo. Se não for parceria, ou se a União não botar dinheiro, não sai”, avaliou. Dilma disse que nunca foram investidos tantos recursos em obras de mobilidade urbana e que os repasses não levam em conta o partido ou posição política dos governadores e prefeitos de estados e municípios beneficiados. “Jamais, em tempo algum, olhamos para que partido político e que agremiação religiosa ou em que clube esportivo estava o governador e o prefeito, porque sabemos que, para além de qualquer coisa, eu fui eleita para ser presidenta de todos os brasileiros e brasileiras. Não podemos repetir a prática antiga e superada de usar do dinheiro público, que é do povo, para fazer política com ele. A política que tenho que fazer é outra, é a dos interesses da população”, disse, em discurso ao lado do governador do Pará, Simão Jatene, e do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, ambos do PSDB. O governador também parabenizou o governo federal pela decisão de investir em uma área que tem se tornado cada vez mais crítica em todos os centros urbanos do País, que é a mobilidade urbana

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Dilma anuncia R$ 315 milhões para mobilidade.indd 9

A presidente veio ao Pará anunciar uma série de investimentos em mobilidade urbana, por meio do Programa Pacto da Mobilidade Urbana

O governador Simão Jatene lembrou que, independentemente de qualquer diferença, o desejo de construção de uma sociedade mais justa une a todos os brasileiros

“Temos parceria com todos os governos da Federação, todas as prefeituras. Olhamos para todos olhando as carências da população, as características da população. Isso é muito importante e faz parte da democra-

O ministro das Cidades, Gilberto Occhi

cia. A democracia é o direito de as pessoas falarem, o direito e liberdade de imprensa, o fato de respeitar as opiniões dos outros, mas é também o uso republicano do dinheiro público, democracia é isso”, acrescentou. Além das obras, os recursos anunciados hoje deverão financiar a elaboração de projetos de outros empreendimentos de mobilidade e transporte público na capital paraense, entre eles dois corredores de transporte de passageiros na região de expansão da cidade. Com o anúncio, o total de investimentos em mobilidade urbana no Pará ultrapassa R$1 bilhão, segundo Dilma. Os novos recursos são do Pacto da Mobilidade Urbana, anunciado pelo governo após as manifestações de junho do ano passado. Serão investidos R$ 50 bilhões em novos empreendimentos para o setor, em todo o país. O Pará receberá recursos de R$ 315,5 milhões, sendo boa parte para a capital paraense. A notícia foi comemorada pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho

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Aprenda a beber água.

É essencial. É vida!

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água é a bebida mais consumida em todo o mundo. Barata e livre de calorias, ela é essencial para a manutenção da beleza e para o bom funcionamento do organismo. Muita gente, no entanto, não sabe qual deve ser a quantidade correta de água a ser ingerida diariamente. Afinal, este cálculo deve ser personalizado para que não aconteça um excesso, que poderia ser prejudicial à saúde. Isabel Jereissati, nutricionista funcional e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que os alimentos também são boas fontes de água e devem ser levadas em conta. “Quem come muitas

Aprenda a beber água na quantidade ideal. Não desperdice! 10

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Aprenda a beber água. É essencial. É vida!.indd 10

verduras e frutas, por exemplo, pode necessitar da ingestão de menos água, enquanto aqueles que ingerem muito sal vão precisar de uma maior quantidade do líquido”, declarou, lembrando que cerca de 65% do nosso organismo é constituído de água. A função deste líquido em nosso organismo é bem ampla. Segundo Luciana Carneiro,

nutróloga e membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Associação para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), da capital fluminense, a água ajuda na filtração renal, na eliminação das toxinas da alimentação, além de hidratar pele, cabelo e intestino, melhorando seu funcionamento. www.paramais.com.br

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Nada de exageros Beber água demais pode fazer mal à saúde. Isabel contou que o excesso de líquido pode levar a um quadro de confusão mental e hiponatremia, que é a baixa concentração de sódio no sangue. Para não errar a mão e saber quantos copos consumir, a nutricionista explicou que se deve levar em consideração a água presente nos alimentos e também dados pessoais, como idade, peso, nível de atividade física, clima, alimentação, função renal, grau de hidratação, “este é descoberto por meio de exame de bioimpedância, aparência da pele e cor da urina”, como explicou a nutricionista, entre outros

exames. Também é possível fazer um cálculo simples: “um adulto saudável pode tomar cerca de 35 ml de água por quilo de peso. Por exemplo, um indivíduo de 70 kg deveria ingerir 2450 ml de água pura por dia”, ensinou a nutróloga. Luciana também tranquiliza: “para acontecer uma sobrecarga renal ou um edema cerebral por excesso de água, no entanto, a pessoa precisa consumir cerca de sete litros por dia, algo muito além dos dois litros estipulados como padrão geral”. Há pessoas que devem restringir o consumo de água devido à problemas de saúde. “Aqueles que sofrem de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca congestiva, e doenças renais, como insuficiência renal aguda, podem ser indicados a reduzir o consumo de líquidos para não sobrecarregar o coração, que bombeia o sangue, e o rim, que filtra o sangue”, orientou Isabel.

A ÁGUA E O CORPO HUMANO Cérebro: 75% Coração: 75% Pulmões: 86%

Rins: 83% Sangue: 81% Músculos: 75%

Por outro lado, idosos e crianças são mais suscetíveis à desidratação. Os mais velhos, por sentirem menos sede, terem que tomar diuréticos, falta de mobilidade, entre outros. Os pequenos são mais ativos e não têm controle da sede, dependendo de outra pessoa para ter acesso ao líquido.

Qual água escolher

Isabel falou que, para o organismo, não há diferença entre a água mineral e a água filtrada, pois ambas possuem os mesmos

eletrólitos como sódio, cálcio e potássio, em concentrações diferentes. Luciana explicou que, apesar de a água mineral possuir pH alcalino e menos oligominerais, como o magnésio, a água filtrada, quando tratada, pode ser ingerida sem problemas, pois possui flúor e ajuda a prevenir as cáries. “É importante dar atenção aos alimentos e bebidas que nos fazem desidratar, como o café, o chá mate, refrigerantes de cola, embutidos, molho de soja e outros alimentos industrializados ricos em sódio”, concluiu Isabel.

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De olho na preservação das florestas e água M Fotos Arquivo Comus/PMB, GQ Estúdio

arço poderia ser declarado como um mês da natureza. O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. A cada ano, esse é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.O objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema. No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. Já a comemoração oficial do Dia da Árvore, depois transformado em Dia Mundial das Florestas, acontece no dia 22, e começou no estado norte-americano de Nebraska, em 1872. Em 1971 e na seqüência de uma proposta da Confederação Européia de Agricultores, que mereceu o melhor acolhimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi estabelecido o Dia Florestal Mundial com o objetivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra. Em 21 de Março de 1972 - início da Primavera no Hemisfério Norte foi comemorado o primeiro Dia Mundial da Floresta ( ou Dia Internacional da Floresta) em vários países da Europa e do mundo. No Pará, as duas datas são lembradas juntas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, com a realização do Seminário Estadual de Águas e Floresta, com o objetivo de apresentar estudos e realizar debates a respeito da temática, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), por meio das Diretorias de Recursos Hídricos (Direh) e de Áreas Protegidas (Diap). Este é o segundo 12

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ano que o seminário é promovido. Voltado para profissionais e estudantes que atuam na área de gestão ambiental e recursos hídricos, bem como população em geral, a programação também contou com minicursos que foram realizados nos dias anteriores ao Seminário, 18 e 19 de março, onde foram abordados temas como a gestão de áreas inundadas, Hidrologia Básica e Educação Ambiental e Recursos Hídricos. No Seminário, palestras e mesas redondas sobre a questão da Água e Sustentabilidade na Região Amazônica, recuperação de áreas degradadas, gestão dos Recursos Hídricos no estado do Pará e Educação Ambiental, foram realizadas para destacar a importância de se manter as florestas e rios conservados em seus estados naturais e buscar a conscientização da sociedade para a sustentabilidade.

população pela abundância. “É como se fosse um recurso que não vai acabar nunca, por isso a preocupação com a gestão das águas não é tão evidente como a preocupação com a preservação das florestas. Mas tudo está interligado”, afirma.”Nossa política para os recursos hídricos acaba não sendo tão conhecida quanto outras questões ambientais, mas o problema existe, a água é um bem natural muito frágil”, lembra. A legislação que criou a Política Estadual de Recursos Hídricos é de 2001, mas ganhou força a partir de 2007, com a Diretoria específica na Sema. “Coparando com outros estados amazônicos, estamos bem estruturados, não há grandes conflitos pelo uso da água e a demanda é relativamente pequena”, avalia Edson Pojo. “Por outro lado, o território do Pará é muito grande e dificulta um acompanhamento mais próximo”. Para ele, a realização do seminário é um instrumento importante até para divulgar

Recursos Hídricos

Para Edson Pojo, diretor de recursos hídricos da Sema, o potencial aquífero do Pará e da Amazônia faz parte do imaginário da

Elis Araújo, do Imazon, advogada e co-autora do estudo Desmatamento em Áreas Protegidas Reduzidas na Amazônia www.paramais.com.br

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a política estadual para as águas e, quem sabe, influenciar o comportamento da sociedade”, conclui Pojo.

Florestas ameaçadas

Um estudo feito pelo Imazon comprova que a redução de áreas protegidas favorece o desmatamento na Amazônia. A pesquisa abrange os anos entre 1995 e 2013, e constata que nesse período o governo federal e os governos estaduais de Rondônia, Mato Grosso e Pará retiraram a proteção de 2,5 milhões de hectares em 38 Áreas Protegidas (AP) – Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas (TI) – na Amazônia Legal. Entre ampliações, reduções e revogações, o balanço final foi a perda líquida de 2,5 milhões de hectares em 38 Áreas protegidas. As principais justificativas para isso foram ocupações, em 74% dos casos, e instalação de projetos hidrelétricos, em 42%. “esses números mostram uma tendência de especulação nas áreas protegidas e abre precedentes, mostra que é fácil ocupar essas áreas e depois conseguir a desafetação das reservas”, diz Elis Araújo, advogada e co-autora do estudo Desmatamento em Áreas Protegidas Reduzidas na Amazônia. Em dez áreas avaliadas, cinco anos após a redução da proteção legal o desmatamento aumentou em média 50% em comparação com os cinco anos anteriores à perda de proteção. A expansão de infraestrutura como a construção de hidrelétricas e estradas, e políticas públicas que facilitam a ocupação ilegal de terras públicas na região sugerem que novas alterações podem ocorrer, o que aumenta o risco de desmatamento em áreas protegidas. Elis Araújo explica um processo típico de redução de proteção. A demora em tirar ocupantes ilegais das áreas protegidas e a impunidade dos crimes ambientais como o desmatamento e exploração ilegal de madeira permitem a expansão e o adensamento das ocupações, chegando a formação de vilas de moradores. Daí, os ocupantes conseguem apoio político para as reduções das áreas protegidas. Esse foi o caso da Floresta Nacional de Bom Futuro, em Rondônia, que teve o nível de proteção reduzido em

Poda de árvores em Belém feita pela Semma

José Claudio Carneiro Alves, secretário de Meio Ambiente, de Belém

144 mil hectares do seu território no ano de 2010 por conta de invasões. “É preciso cuidado para não usar as questões sociais dessas comunidades como justificativa para as desafetações de áreas protegidas, porque isso atende a interesses econômicos maiores”, avalia Elis. Ela aponta que as unidades de preservação mais efetivas no combate ao desmatamento são as que não tem pendências fundiárias.

“Mostramos também que a construção de hidrelétricas na Amazônia tem levado a redução de áreas protegidas e pode afetar outras”, continua Elis. Os projetos hidrelétricos do rio Madeira e do Tapajós motivaram a desafetação de áreas nos Estados de Rondônia e Pará. Segundo o Ministério de Minas e Energia, 39% do potencial de geração de energia hídrica teria interferência direta em parques e florestas nacionais e em Terras Indígenas. “Hidrelétricas atraem grandes movimentos migratórios, então não somente a área onde o projeto será construído é desafetada e desmatada, mas deve-se considerar o desmatamento indireto causado”. Nesse caso, se for inevitável desafetar a área para construção de hidrelétricas, o estudo recomenda que haja compensação, ou seja, dar proteção a uma área de mesmo tamanho e relevância em biodiversidade da área que foi desafetada, por meio criação ou ampliação de Áreas Protegidas. “Não é possível ver com normalidade que o caos social se instale a cada novo projeto ou empreendimento que chegue ao nosso território”, alerta Elis Araújo. Para garantir o sucesso das áreas de Proteção contra o desmatamento e na proteção dos direitos das populações locais, os pesquisadores do Imazon recomendam combater o desmatamento especulativo; tornar a fiscalização de crimes ambientais mais efetiva; acelerar a integração econômica das Unidades de Conservação à economia local; regularizar a situação nas áreas já ocupadas; e evitar perdas quando a alteração for inevitável.

O Parque Estadual do Utinga, com água dos Lagos Bolonha (menor) e Água Preta (maior), utilizadas para abastecer Belém www.paramais.com.br

De olho na preservação de florestas e água.indd 13

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Lucas (ITA) e Eunice (MIT)

Marajó recebe projeto de

extensão Universitária internacional

I

Fotos Eduardo Lima, Laercio Esteves e Willian Favacho Esteves

magine uma comunidade do interior do Pará e estudantes de uma das melhores universidades do planeta juntos para desenvolver tecnologias inovadoras e melhorar a qualidade de vida no local. Parece improvável? Não. A experiência aconteceu de verdade em Curralinho, município paraense localizado no Marajó. No período de 17 a 25 de julho, cinco estudantes do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts estiveram na cidade e ilhas de Curralinho, no Marajó. Além deles, cinco estudantes da universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Tecnologia Aeroespacial (ITA) e nove alunos das universidades paraenses Estácio FAP, CESUPA, UEPA, UFPA participaram de três projetos em colônias de pescadores. Esta foi a primeira vez que o MIT trouxe projetos para o estado. “O MIT costuma desenvolver os projetos com seus estudantes em diversos locais do planeta, no Brasil, já 14

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vieram para São Paulo, e agora no Pará”, comemora Débora Leal. Ela é paraense e trabalha como voluntária na organização de eventos como esse no MIT, por meio do D-Lab (laboratório da instituição que desenvolve projetos nas áreas de design, desenvolvimento, diálogo e disseminação). Segundo ela, o interesse em trabalhar na região é natural. “Diferente de desenvolver projetos na África, onde há muita aridez, aqui há uma riqueza de recursos e apesar disso, falta o básico para essas comunidades”, avalia Débora Leal. “Por isso, eles procuram disseminar o conhecimento para regio~ies como a nossa, os projetos são importantes porque vão ajudar a desenvolver tecnologias e melhorar a qualidade de vida, e no futuro, vão formar líderes em suas respectivas áreas de atuação com muito mais sensibilidade social”, avalia ela. O envolvimento de estudantes paraenses é importante, “porque depois da ação do MIT na localidade, os nossos alunos continuam acompanhando o trabalho, ajudando na manutenção e avaliando os resultados”,

explica a professora Viviane Menna Barreto, que coordenou o trabalho pela FAP.

Tecnologias e vivências

Eles trabalharam em oficinas de introdução à eletrônica e tecnologias solares; construção de defumador para peixes a partir de matérias primas disponíveis na região e uma pesquisa com trinta famílias ribeirinhas para saber hábitos de consumo de água e luz, utilizando tecnologias desenvolvidas pelo MIT. As atividades de extensão acadêmica incluíram vivência e aprendizados de saberes amazônicos. “Os estudantes acompanharam o cotidiano dos moradores que os acolheram em suas casas e durante o dia foram auxiliá-los em seus afazeres. Com isso, os projetos ganharam uma feição mais regional, o conhecimento dos ribeirinhos e os recursos disponíveis provocaram a adaptação do que foi pensado pelos estudantes nos laboratórios americanos, em busca de resultados www.paramais.com.br

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A experiência aconteceu em Curralinho, no Marajó

mais interessantes”, conta Viviane Menna Barreto. Após essa intensa experiência, os estudantes retornaram a suas universidades de origem levando, segundo o estudante e pesquisador de engenharia elétrica sul coreano Sung SikWoo, 28, o desejo de continuar na Amazônia projeto de energia solar. “Já tivemos esse contato e agora temos a possibilidade de ampliar esses projetos e até, quem sabe, de estudantes paraenses serem recebidos em novos projetos do MIT, em Massachussets”, avalia a professora Viviane.

Quase ribeirinhos Validação da pesquisa com a comunidade

Os estudantes puderam ter experiências em contato com a natureza, como andar de canoa, comer frutas diferentes interagir com moradores. Eles também aprenderam as atividades dos pescadores, como a confecção de cestarias, coleta de açaí, manutenção da roça de mandioca e manejo de tambaquis criados em cativeiro, prática possível de se encontrar em várias comunidades localizadas ao longo do rio Canaticu e afluentes. A aquicultura familiar, segundo Assunção do Socorro Correa Novaes,43, também conhecido como Cacau, presidente da colônia de pescadores Z 37 de Curralinho “é tradicional, pois é possível afirmar que os primeiro peixes criados em cativeiro surgiram no Marajóna região de campos onde os

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índios e moradores vaqueiros represavam o rio para assegurar o alimento e a aguadurante o período da seca.” Diante desta realidade sócio cultural foi desenvolvido pelos universitários projeto de defumador de peixes, uma alternativa mais saudável em relação a salga, um dos tradicionais métodos de preservação de alimentos. Os alunos do MIT pesquisaram dentro da disciplina desenvolvimento ministrada pelo D-Lab, protótipos de defumador e construíram em Massachussetts um defumador com camburão de ferro. Chegando em Belém, nos estudos desenvolvidos no CESUPA, redesenharam o projeto para adaptar ao material disponível na comunidade e utilizando madeira e barro criaram um defumador economicamente viável e capaz de preservar o peixe por até três semanas fora da geladeira.

Energia

As oficinas de introdução à eletrônica e de tecnologias solares reuniram no total mais de oitenta jovens interessados nessa opção energética, uma vez que nas ilhas os moradores dependemde geradorpara obter energia. Segundo Mark Cristhian,24, estudante de engenharia eletrônica do ITA, “o legal era

Debora e Vivi

que havia uma caixa com vários componentes eletrônicos e as pessoas escolhiam o que elas julgassem interessante e montavam circuitos básicos com motores, leds e campainhas” . Foram realizadas duas oficinas sendo uma em Curralinho e outra em uma comunidade situada as margens do rio Pagão, afluente do Canaticu. No rio Pagão além da oficina foram instaladas 13 lâmpadas solares e feita a capacitação de moradores para a instalação das restantes. As lâmpadas solares são lâmpadas de led que carregam durante o dia e

Os estudantes do MIT, da (USP), (ITA), Estácio FAP, CESUPA, UEPA, UFPA participaram de três projetos em colônias de pescadores

Eletronica basica, conhecimentos... 16

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podem ficar ate cinco horas ligadas durante a noite. Além destas lâmpadas, foi entregue também a comunidade lanternas que funcionam como lamparinas móveis e que, modificadas, podem servir também como carregador para celular.

Pesquisa

Estudantes da Agência Colaborativa Estácio coordenados pelos professores Viviane Menna Barreto e Laercio Esteves, em parceria com estudantes da UFPA, entrevistaram 30 famílias no rio Canaticu e constataram que, apesar da maioria das casas utilizar gerador a diesel à noite até as 22 horas, o gasto médio com energia por família chega a mais de 300 reais ao mês. A utilização de energia híbrida já é uma realidade na ilha das Araras onde funciona um sistema energético composto por energia eólica, solar e gerador a diesel. A Philips em breve pretende implantar postes de energia solar em um campo de futebol situado na região. Apesar dos elevados gastos com energia, a pesquisa indicou que há grande interesse dos moradores em soluções para melhorar

Na apresentação de projeto www.paramais.com.br

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Antonio (CESUPA) e Luan (ITA) mostrando o defumador

Cacau, presidente da colônia de pescadores Z 37 de Curralinho

a qualidade da água consumida, retirada do rio após tratamento caseiro com hipoclorito de sódio e sulfato de alumínio. Entre os entrevistados, a irregularidade na distribuição de hipoclorito acaba colaborando para que as normas e padrões de qualidade indicados pelos Agentes Comunitários de Saúde não sejam obedecidos durante os processos caseiros de tratamento das águas. Durante a estadia na Amazônia os estudantes foram muito bem recebidos pela comunidade de Curralinho e pretendem retornar para desenvolver novos projetos de pesquisa. Segundo Cacau, é importante receber visitantes na comunidade para que as pessoas percebam que “nos não somos um Cestarias

povo miserável, somos um povo rico, rico de verdade mesmo, rico de cultura, de bens naturais. Agora falta essa coisa de gestão, então que as pessoas que venham, venham para ajudar nesta gestão.” Sung instalando lampada solar

Equipe voltando das atividades no rio Pagão

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Barcarena dá o exemplo de diálogo e compromisso com o desenvolvimento sustentável Fotos Adriano Magalhães

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eunir em um mesmo espaço representantes de organizações da sociedade civil, do governo e das empresas que atuam em Barcarena, na região do Baixo Tocantins, para debaterem juntos os problemas existentes no município, apontar soluções e construir os meios para tornar isso possível. Esse é o objetivo do Fórum Intersetorial de Barcarena, lançado no dia 14 de março. A parceria, inédita na região, envolve a sociedade civil, empresas do grupo Hydro instaladas no município (Albras, Hydro Alunorte e projeto CAP), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Ministério Público (MP) e Prefeitura local. A ideia não surgiu por acaso. É fruto de um trabalho longo, iniciado em 2008, após o acidente ambiental causado pelo vazamento de caulim da empresa Imerys nos rios do município. Depois do acidente, o Termo de Ajuste de Conduta acordado entre a empresa e o Ministério Público foi o embrião de um movimento maior em defesa do desenvolvimento sustentável. Como diz o ditado, do limão foi feita a limonada. A coordenadora de projetos do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Maura Moraes, explica que a motivação do Fórum é a necessidade de mudanças estruturantes em Barcarena, que combatam as diferentes formas de desigualdades. “Queremos favorecer a participação da sociedade nas decisões que afetam sua vida e que promovam a relação mais equilibrada entre as pessoas e o meio ambiente”, destaca Moraes, integrante da ONG, que atua em Barcarena em projetos de fortalecimento da sociedade civil local. Segundo ela, foram necessários cinco anos de trabalho para chegar nesse ponto. “Foi um processo extremamente desafiador qualificar a sociedade local para chegar a essa participação, para discutir o modelo de desenvolvimento que a cidade precisa, além de criar o espaço de diálogo necessário“, avalia Maura.

Histórico

O IEB foi responsável pelas oficinas, seminários e outras atividades de fortalecimento da sociedade civil barcarenense que ao longo das capacitações foram motivadas a buscar a

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aspectos econômicos, sociais e ambientais. Deste modo, o Fórum será mais um espaço para esse debate e também para a construção de propostas de soluções coletivas.

Antônio Carlos Vilaça, Prefeito de Barcarena

construção deste Fórum de diálogo. A participação da ONG iniciou em 2008 com oficinas sobre espaço público, legislação, organização da sociedade civil, entre outros temas de formação para a sociedade local. Atualmente Barcarena tem um polo de produção do alumínio, desde o beneficiamento da bauxita, produção do alumínio primário até produtos acabados. O município representa um importante eixo para a conexão da produção do país com o mercado consumidor internacional. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, tem investido na ampliação do porto de Vila do Conde e no prolongamento da ferrovia norte-sul, prevista para se estender até a cidade paraense, com a construção de 480 km de malha ferroviária. O impacto destes investimentos, bem como a expansão da indústria e os desafios ligados a infraestrutura da cidade tais como, saneamento, saúde e educação e segurança despertam questões que devem ser debatidas sobre as diferentes perspectivas, considerando os

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Lançamento

O evento contou com a presença de cerca de 150 pessoas que assistiram os representantes de cada segmento assinar a cartacompromisso de adesão ao Fórum. “Iniciamos aqui a oportunidade de fazer diferente e construir juntos o futuro de Barcarena”, ressaltou Maura Moraes, coordenadora de projetos do IEB. “A adesão é totalmente voluntária, o que demonstra a vontade e disponibilidade para trabalharmos em prol de benefícios coletivos”, destacou. A iniciativa, que busca criar um espaço de diálogo sobre o desenvolvimento sustentável do município,e reuniu, na sede do Cabana Clube, cerca de 150 pessoas entre representantes da sociedade civil, das empresas Alumínio Brasileiro S.A (Albras), Hydro Alunorte e projeto CAP, empresas do grupo Hydro instaladas na região, do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), além de Ministério Público e da Prefeitura Municipal. O Fórum deverá trabalhar a partir do debate entre empresas, poder público e sociedade civil, criando uma instância democrática, sem vínculo político-partidário e/ ou religioso, baseada no debate plural de ideias e que leve em conta os anseios e newww.paramais.com.br

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cessidades locais. Durante o evento, diretores de empresas, membros do poder executivo, legislativo e da sociedade civil assinarão a carta de compromisso do Fórum. A expectativa é que mais de 50 representantes assinem o documento. Na prática, isso significa que eles desejam se engajar no movimento que pretende ser “referência positiva de relações entre diferentes atores sociais, que decidiram somar esforços na busca de alguns objetivos comuns”, como cita um dos trecho do documento.

Adesão

As empresas Albras, Hydro Alunorte e projeto CAP são primeiras na adesão à iniciativa. “O Fórum possibilita diferentes setores da sociedade trabalharem em conjunto para alcançar um objetivo comum. O diálogo que foi criado aqui é uma forma de parar de falar em transparência e ser transparente, debatendo abertamente as demandas de Barcarena”, observou Alberto Fabrini, vice -presidente sênior de operações da Hydro. Cerca de 50 representantes da sociedade civil marcaram presença e confirmaram a adesão de sindicatos, associações e cooperativas ao Fórum. “Ter uma ação coletiva como essa fez com que as associações saíssem daquela situação de só buscar benefícios para si próprias e nos levou a pensar

A mesa oficial do Fórum, formada por representantes da sociedade civil, empresas, prefeitura de Barcarena e IEB

juntos em prol de um projeto para o município. Acredito que esse é o nosso maior ganho, crescemos juntos,” falou Magali Campos, presidente da Associação de Trabalhadores Feirantes de Barcarena. Daniel Azevedo, promotor do Ministério Público de Barcarena, ressaltou a importância de unir forças para implantar melhorias no município. “Esta é a concretização de algo que foi planejado há muito tempo. O papel do MP será de organizar as estratégias a partir do recebimento de informações mais detalhadas”, disse ele. Alberto Góes, secretário de Planejamento da Prefeitura Municipal, se mostrou disponível para fortalecer a proposta. “Teremos oportunidades de observar as ações de governo, as necessidades da sociedade e trazer à tona assuntos Os signatários da carta de adesão ao Fórum de Diálogo de Barcarena posam para foto após o evento de lançamento. Ao todo, o documento foi assinado por XX pessoas

que poderiam passar despercebidos pelo poder público”, explicou.

Próximos passos

A assinatura da carta-compromisso foi o lançamento oficial do Fórum. Agora, as atividades seguem com a realização da primeira plenária dos associados para instituir uma comissão executiva, responsável pela coordenação de todas as ações do grupo. Após essa definição, o corpo diretivo fará reuniões constantes para definir temas e ações prioritários para o município. No final do ano, deve acontecer uma plenária anual de prestação de contas com a sociedade barcarenense, para apresentar os resultados iniciais do Fórum. Por ser uma instância totalmente voluntária, a expectativa é de que outros parceiros da região se juntem à causa, como empresas, instituições não governamentais, associações comunitárias e instituições públicas. “O diferencial de iniciativas como essa é que, se não houver a participação e o controle da sociedade, não é possível avançar para o desenvolvimento local”, conclui Maura Moraes, do IEB. Mas a criação do Fórum não vai substituir outras formas de representação e de gestão compartilhada. Ao contrário, é uma aposta no diálogo e no desenvolvimento de ações coletivas a fim de colocar em prática as decisões aprovadas, comprometidas com os interesses da população.

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CAMILLO MARTINS VIANNA*

(*) SOPREN/ SOBRAMES

Amazônia: Água para bamburrar Rios trigêmeos no Pará Tapajós, Xingu e Purus Com mesmo potencial energético Todos prontos para gerar

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Portentoso curso d’água

A usina de Belo Monte Deu muito o que falar Tudo meio atrapalhado Parecia trambique para engodar Glória do planeta Elisée Recrus batizou Também rio Pai d’égua O arigó nordestino chamou Paraguassu também pode epitetar Rio das águas grandes E mastodonte aquático É outro nome que pode levar Maior obra de Deus Portentoso curso d’água Também Igarapé Grande De água doce não há

Brasileiro da gema Rio misterioso Como outro não há E água prá nunca acabar

Pescar no forão da costa Da Amazônia Azul no Pará Era o nome da região do Salgado Que se trocou para ficar

Reino da cobra grande Do feioso jaboti mata-matá Da tartaruga, do pitiú e do tracajá Da caiçara do jutuba para boi embarcar

Embarcações do rei Salomão Vieram aqui navegar Levando cedro-vermelho Para os templos de Jeová

Os astutos ratos d’água Agora de piratas se chamar Verdadeiro estrupício Que vive a saquear e matar

Água prá nunca acabar

No encruzo das águas De rios a forcejar Dia e noite sem parar E assim nunca terminar O navio dos cabeludos Eram os trabalhadores escravos Nas águas do rio Jari No interior do Pará A procissão fluvial Nada tem igual São mais de seiscentos barcos Na baía de Guajará O navio da Marinha Leva a padroeira e o arcebispo Enquanto que o carimbó zoa Para todos animar

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Correr o caneco Era talagada de cachaça tomar Que o feitor dos galés Distribuía para o remador remar Fascíola hepática Nome encaracolado De enorme ilha de areia No rio Amazonas está O Nautilus de Julio Verne Teria vindo aqui navegar Muito embora não haja referência Ou documento para citar Na ilha da Pacoca Em Abaetetuba no Pará Mora uma cobra grande Que sai à noite para passear

Água para bamburrar

Batelão de madeira nobre Serve para carga e gente transportar A remo e à vara Com muito esforço empurrar

O navio Mosqueiro e Soure Também vai entrar E sem liamba e cachaça Não dá para despescar

Tromba d’água até Padre Vieira Quando esteve no Pará Testemunhou uma delas E fez questão de citar

O jacumaúba vai na popa manobrar O casco é feito de madeira nobre Como o cedro-vermelho e itúba De andiroba e piquiá

Pedra pequena jogar Na superfície da água Para ver se tem sorte Até mesmo pra casar

A maior base militar Para a defesa da Amazônia Estão pensando em situar Na embocadura do gigantesco rio mar

Embarcação reboque Serve de emergência E como manda a lei É obrigatório usar

A corveta Mário Alves Era o primeiro navio de guerra Que do Arsenal de Marinha zarpava E entre nós navegava

Território federal Querem agora criar Na boca do rio da Iara Na grande ilha marajoara Ilha sumida ou acrescida Uma vem atrás da outra Por causa da correnteza ou da erosão Era a força da água em ação A evapotranspiração da floresta Dá origem aos rios voadores O precioso líquido levar Para outras regiões do país sem parar

Rio Pai d’égua

EXPRESSO VAMOS + LONGE POR VOCÊ ! www.paramais.com.br

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Êmulo do rio Nilo no Egito E o do Yang-Tsé na China milenar Adão e Eva no Paraíso Amazônico Acabaram por se arranchar

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O guerrilheiro

cultural Texto Aluísio Lins Leal*

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oi ainda como “ginasiano” que tomei contacto, pela primeira vez, com Camillo Vianna. Naquele tempo, em que eu era um dos meninos da Federação Educacional Infanto-Juvenil, a FEIJ, ele era o Chefe Camillo, figura afável e de fácil trato, apesar da sua posição na hierarquia da Federação. Ao contrário do respeito temeroso que muitos outros provocavam nos jovens de pouca idade, como eu, a sua pessoa atraía a simpatia natural da garotada. Era um Chefe às avessas, reconhecido e estimado pela sua liderança natural, não pelo apego ao mando. Pois a natureza real dessa pessoa pela qual eu, como garoto, nutria uma simpatia toda natural, só pude vir a perceber com a devida suficiência, anos mais tarde já na condição de estudante universitário e opositor declarado aos desmandos da Ditadura Militar. Só então eu pude entender a inteira dimensão da figura humana que nos fazia admirá-la sem saber bem explicar o porquê disso, nas nossas cabeças já adolescentes. Explico: foi a Ditadura Militar que instilou, nos amazônidas conscientes, o germe de um sentimento nativista que nos prepara em surdina para o que vem por aí, e que nascia da nossa revolta contra o regime, duro e intratável, que violentava a nossa terra com a arrogância do poder que não discute; manda. Era a antevisão da colonização caótica, marcada pela ocupação devastadora, e que

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começava com o aparecimento dos “amazônidas de coração”, gente que até a véspera da chegada ignorava onde ficava a nossa terra – mas que já pisava aqui na condição de dono dela sob a bandeira da “integração nacional”. E o primeiro grito que se levantou contra esse caos organizado sob o tacão dos coturnos foi a proposta de defesa da Natureza contra a destruição programada em nome do Desenvolvimento. Era uma bandeira lírica, que ao invés de gritar o “abaixo a Ditadura”, que nós jovens, empunhávamos fazendo passeatas, ocupando faculdades, Camillo Martins Vianna, um daquêles poucos que permanecem íntegros após terem podido fazer uso de todas as vantagens – as fúteis e as úteis – que a notoriedade traz, e desdenhou-as

No Natal passado, recebendo homenagem em sua querida FEIJ

desafiando a truculência dos poderosos fardados nos palanques das paradas cívicas, dizia: “Salvemos a Natureza!”. Essa bandeira inteligente, politicamente hábil, que parecia destoar do ânimo geral que teimava em arrostar no peito a ferocidade do regime fardado, na verdade era o grito mais fundo, o que antevia o futuro, o que apelava à coerência de todos. Como reprimir um apelo à coerência? A Ditadura, sedenta de ação repressora, por pior que fosse não poderia chegar ao extremo de reprimir um grito que, embora fosse um inegável brado de alerta,

Camillo Vianna mostrando aos congressistas suas realizações

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era um grito pacífico. E assim sedimentouse, em pleno regime das trevas, a raiz da defesa da Amazônia através da defesa da sua Natureza ameaçada. E a Ditadura, omnipotente na sua faina de amedrontar e calar, teve que resignar-se a assistir um amazônida, frágil na aparência física, escandir uma força muito superior ao temor da repressão, que subíevava o ânimo político geral numa chamada à defesa da terra. Quando se deu conta, o regime fardado estava a braços com a figura dinâmica de um Camillo Vianna investido naquela que tinha se tomado sua tarefa de facto – a defesa da Amazônia pela defesa da sua integridade natural. Em pouco tempo a sua figura transformou-se no símbolo da resistência contra a destruição da Região em todas as suas formas. E se o regime fardado não havia tido como reprimi-lo no inicio pela própria natureza pacífica da sua proposta, agora muito menos podia fazê -lo, pelo respeito que imprimia a sua figura. A contrariedade do Regime ainda resultou na tentativa de deformar a dimensão lírica da sua proposta, apresentando-a como coisa quixotesca; mas a força dela se sobrepunha a isso. Foi particularmente memorável o seu discurso a uma turma de formandos de Medicina que o escolheu, por unanimidade, como paraninfo, quando ele traçou, como médico, o diagnóstico do Regime como um paciente político, levando a assistência ao delírio, pelo que foi aplaudido de pé, e demoradamente. Eu não gosto de chama-lo de ambientalista – termo, aliás, degradado pelo dejà vu dos clichês fáceis, que transformam as coisas e pessoas em meros objetos de consumo. Tratá-lo assim, no meu entender, é como que insultá-lo. Ele está muito à frente dos ambientalistas, sejam eles bichos-grilos, nefelibatas, ou sevandijas empertigados que só sabem falar manejando a cada passo aquelas terminologias ininteligíveis, cuja função é sobretudo prestar-se aos objetivos da intervenção externa. O Camillo se distingue desse pessoal por uma coisa simples, mas fundamental: a sua condição de humanista, que ele conquistou na sua condição de mé-

Camillo Martins Vianna, querido Amigo e colaborador assíduo, com nossos diretores Ronaldo Hühn e Rodrigo Hühn

Camillo Vianna, Walter Chile e Jusineida Reinaldo plantando uma muda Camillo com o Diploma Dorothy Stang

dico. Foi como um médico de rara sensibilidade social que formou, no quotidiano do seu trabalho no interior da Região, a percepção da raiz social dos males da saúde. Como médico do então Departamento de Estradas de Rodagem varou a Amazônia paraense de ponta a ponta – e, ao lado dessa percepção, também desenvolveu uma densa consciência nativa a respeito da nossa cultura e da nossa identidade como povo, sobretudo através e por causa das nossas diferenças culturais internas, coisa imperceptível aos embotados que nos olham com os olhos de quem vem de forma incapaz de viver da profissão como médico profissional, pela sua profunda convicção moral do papel social da Medicina, fez toda a sua carreira, ao lado da sua condição de médico do serviço público, como professor do Curso de Medicina da UFPa, onde pôde pôr em prática um projeto que encampava essa sua razão de ver as coisas, numa terra em que o Homem e a Natureza estão à mercê da sanha do Progreso. Foi em pleno ano do AI-5 - 1968 - que ele organizou a SOPREN - Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Sociais da Amazônia, na contramaré do “Desenvolvimento”. Só isso, por si já seria uma atitude temerária frente à brutalidade do regime fardado .E a SOPREN erguia a bandeira da ecologia social, ênfase de luta com a qual os amazônidas conscientes fincaram a sua disposição em resistir à colonização da Amazônia pelo aventureirismo empresarial do estrangeiro, viesse ele do Norte, ou do Sul. A SOPREN se definia como uma organização contraposta ao modelo cartesiano perverso, mercantil, de saque e de domínio, expresso na forma de um colonialismo que vinha de fora, ou de dentro da própria sociedade brasileira. Mais explícito, impossível. O resultado disso foi a adesão de uma significativa massa de militantes que, sem espaço para resistir à veia repressora da Ditadura, viam na resistência contra a destruição da Natureza a forma mais objetiva de dizer NÃO ao sistema. A SOPREN estendeu-se por toda a Região, até a sua parte mais ocidental, o Acre. Cartilhas explicativas, campanhas de

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Rodrigo e Ronaldo Hühn, com seus amigos Camillo e sua esposa Norma, no stand da Editora Círios

saúde, de educação, de valorização da cultura regional e de respeito à Natureza marcaram a sua atuação, com a decisiva contribuição de populações e lideranças locais. Foi nessa condição que ele organizou o CRUTAC – Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária – que desenvolveu junto com o pessoal da área de Ciências Humanas, e, particularmente, do Curso de Serviço Social da UFPa, bem como junto às organizações comunitárias do interior, uma campanha permanente de preservação cultural, entendendo que a preservação da cultura é a mais fundamental das ações para a preservação das relações entre o Homem e a Natureza - e, consequen-

temente, da própria Natureza em si. O CRUTAC foi, sem dúvida nenhuma, o primeiro movimento concreto integrando de modo permanente o pessoal docente da Universidade e os núcleos comunitários do interior em uma simbiose prolífica, na qual as populações do interior não se reduziam a meras espectadoras do empolado discurso acadêmico - ao invés disso, partícipes ativas de um processo comum, em que o saber acadêmico se unia à cultura nativa despido da sua arrogância senhonal. O CRUTAC é um marco nas histórias das boas coisas que a Universidade Federal do Pará já fêz, mostrando o quanto é possível fazer quando se coloca a Escola verdadeiramente a serviço do povo. Foi uma experiência que, concretamente, deu sentido, na Universidade Federal do Pará, a uma das pilastras pelas quais havia sido proposto um novo modêlo de, Universidade brasileira, voltada às nossas necessidades sociais, na carta do Primeiro Seminário Nacional Sobre Re forma Universitária, da UNE, em 1960: a atividade de extensão. Duas coisas, ainda, eu gostaria de ajuntar: uma das coisas que sempre o acompanharam pela vida é a sua simplicidade. De-

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pois de se ter transformado num ícone, ele jamais se deixou levar pela miragem fugaz do elogio, nem pela pompa ôca da homenagem fácil. Ao contrário: desde quando, como acadêmico ou médico residente, tornou-se querido dos pacientes que passavam a gostar dele como o médico que os fazia sentirem-se gente por se verem chamados pelo próprio nome, assim, também, como um reconhecido símbolo da luta pela integridade da terra continuou, humilde, a tratar e a ser tratado com a simplicidade que sempre marcou a sua figura. Poucos – pouquíssimos – são os que têm a grandeza de permanecer como sempre foram, após a fama. A outra coisa é a raiz disso – a sua retidão. Êle é, também, um daquêles poucos que permanecem íntegros após terem podido fazer uso de todas as vantagens – as fúteís e as úteis – que a notoriedade traz, e desdenhou-as .A mesma razão que fez dêle um médico simples, voltado aos desvalidos, e um humanista por consciência, é a que produziu uma pessoa que não se desgarrou da sua dignidade original. E eu me sinto reconfortado em conhecer e admirar uma pessoa que ainda hoje se vê respeitada e admirada pelos que a respeitavam e admiravam na juventude, e pelas mesmas razões. Ser reconhecido por um tal motivo por si só já vale uma vida. A ele, o meu muito obrigado por tê-lo conhecido. Aluísio Lins Leal

(*) Graduado em Economia, Professor Doutor aposentado da UFPA

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Você vezes um milhão Texto Pedro Cardoso da Costa*

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niciativas individuais trazem resultados sociais excepcionais, mas não são reproduzidas em massa. É da natureza humana levar qualquer ação positiva ao maior número de pessoas possíveis, mas restrita àqueles que, de algum modo, tem ligação conosco, mas não à coletividade em geral. Quando um hospital faz um bom trabalho numa especialidade qualquer, de imediato a comunidade vizinha e cidades próximas ficam sabendo e cresce a procura. Alguns dias depois, esse trabalho já tem reconhecimento nacional e, em muitos casos, até internacional. Ocorre o mesmo com um pedreiro, um carpinteiro ou com uma costureira que façam um serviço de boa qualidade e dentro dos prazos estabelecidos. Daí, o resultado é uma clientela crescente a disputar seus serviços e os preços lá nas alturas. Mesmo que não fosse um dever, cada cidadão poderia contribuir para repassar ao outro aquilo que ele domina bem, ensinar a executar uma tarefa de forma mais simplificada, com menos esforço físico e com maior precisão técnica. Em todas as esferas de atividade, deverse-ia estabelecer padrões mínimos de qualidade, independentemente de quem viesse a executar. Assim, nenhum médico seria (in) capaz de deixar pedaços de tesouras nos seus pacientes, não faria uma vasectomia em quem iria retirar apenas uma verruga, nem uma enfermeira aplicaria vaselina em vez de soro. Por exemplo, se cada pessoa transmitisVocê é uma unidade desse milhão hipotético

É da natureza humana levar qualquer ação positiva ao maior número de pessoas possíveis

se de forma voluntária o conhecimento que tem sobre alguma arte ou ofício, seja escultura, pintura, escrita, música, dança, o Brasil teria uma população muito mais culta e mais feliz. Quem toca violão ou outro instrumento poderia ensinar a uma pessoa por ano. O mesmo deveria ser feito por quem fala inglês ou outra língua, por quem dirige, por quem anda de bicicleta, por quem domina uma dança de salão, por quem sabe nadar ou pratica qualquer outro esporte. Se doasse um livro por ano, as bibliotecas brasileiras ganhariam um milhão de novos livros anuais. Ou se lessem mais um talvez poderiam surgir mais um milhão de ideias interessantes.

No campo do comportamento diário, se cada cidadão que formasse esse milhão varresse a frente do seu imóvel de 5 metros, seriam 5 milhões varridos diariamente. Se cada cidadão fizesse uma ligação para uma ouvidoria, seriam 5 milhões de ligações. Se cada um reclamasse da lâmpada acesa durante o dia, do vazamento de água, mais de 100 milhões de litros não seriam desperdiçados. Se você evitasse um acidente, talvez um milhão de vidas seriam poupadas. Se não desse propina seriam 2 milhões a menos de corruptos, um milhão de corruptores e outro de corrompidos. Se não ultrapassasse o sinal vermelho, desse preferência ao pedestre, andasse no limite de velocidade, outros milhões de vidas seriam preservadas. Se denunciasse um agressor doméstico, milhares de mulheres teriam a vida salva. Muita gente evita tomar essas atitudes por se achar insignificante ou sem conhecimento suficiente para transmitir. O saber é ilimitado, portanto, se deve repassar o que se sabe, sem importar o quanto. Você é uma unidade desse milhão hipotético que deveria se multiplicar para verificar em quantos itens você se enquadre, o resultado poderá ser zero ou um milhão. Talvez a solução dependa de bilhões de ações. Mas é de milhão em milhão... (*) Bacharel em direito. Interlagos/SP

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Criação de ostras

ganha incentivo no Pará

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Fotos Ascom Emater, Thiago Araujo

riqueza das ostras não vem só das pérolas. A criação do molusco em cativeiro vem crescendo nos municípios do nordeste do Pará, como uma oportunidade de negócios e melhoria de vida para os pescadores. O trabalho é desenvolvido com o apoio do Sebrae. Há dois anos, os técnicos e biólogos do Sebrae avaliaram as condições da região para o cultivo de ostras em cativeiro. Foram medidas características como níveis de oxigênio, salinidade e temperatura. Tudo perfeito para a implantação de ostreicultura, ou cultivo de ostras, um ramo da aquicultura que vem se destacando como um negócio viável para o desenvolvimento das comunidades de pescadores artesanais. A espécie encontrada no Pará é a Crassostrea rhizophorae, com ocorrência nos municípios do nordeste do estado. A partir daí, as comunidades se uniram e criaram a rede Nossa Pérola, que reúne 71 famílias nos municípios de Augusto Corrêa (na comunidade Nova Olinda), Salinópolis (na comunidade de Santo Antônio do Urindeua), Maracanã (na comunidade de Nazaré do Seco), Curuçá (na comunidade de Lauro Sodré e Nazaré do Mocajuba) e São Caetano (na comunidade de Pererú e Pererú de Fátima), totalizando 07 comunidades. Mesmo trabalhando em cidades diferentes, os produtores se encontram a cada dois meses para fazer um intercâmbio e trocar experiências. “Isto ajuda nos negócios. Por meio da rede, eles comercializam a produção em conjunto, participam de convênios e promovem festivais de ostras”, relata Priscila Hoshino, coordenadora do projeto ostreicultura, do Sebrae. A instituição mantém o trabalho de orientação organizacional para as comunidades, com treinamentos que ajudam a manter o padrão industrial e tornar o negócio sustentável. Os resultados são compensadores, garante Priscila Hoshino. Em 2011 a produção foi de 30 mil dúzias. e em 2013 foi de 87 mil dúzias. Aumento de 57 mil em dois anos. A previsão para 2014 é de no mínimo triplicar a produção, com a utilização da primeira parte dos equipamentos recebidos a partir do convênio MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), SEPAQ (Secretaria de Estado de Pes26

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Ostras cultivadas em cativeiro prontas para comercialização

ca e Aquicultura) e Sebrae. Até junho, mais equipamentos devem ser adquiridos e com a utilização desses equipamentos, a previsão é que, em 2014, a produção aumente em 1.292%; em 2015, 1.618%; e que, em 2016, alcance a marca de 1.938% de crescimento em relação ao início do trabalho. Hoje, os ostreicultores estão em um estágio avançado de amadurecimento empresarial, organizados em uma rede e prontos para iniciar uma produção em escala comercial. “Eles ainda vendem no litoral mesmo, em praias, bares e restaurantes. Agora, já podem se lançar no mercado formal, quebrando a sazonalidade natural da produção, e contribuindo diretamente para a redução da depredação ambiental, causada pela extração indiscriminada de ostras nativas”, observou gestora do projeto que atende aos ostreicultores pelo SEBRAE, Priscila Hoshino. “O objetivo é abrir caminho para que os produtores se tornem fornecedores de restaurantes em Belém e fortalecer a comercialização”, avalia Priscila Hoshino. Um exemplo é a produção de ostras, no nordeste paraense. Em Salinópolis, o projeto existe há quatro anos, e desde 2013 conta com o apoio da Secretaria Estadual de Pesca e Aquicultura. A Associação da Comunidade de Santo Antônio de Urindeua reúne cerca de dez famílias que trabalham na produção de ostras.

As larvas, ou sementes de ostras, como são chamadas, são colocadas em telas no mar. A comercialização é feita quando atingem 60 milímetros. Dois grupos de cinco famílias cuidam da produção. Cada um com capacidade para produzir até sete mil ostras. “A produção vai para restaurantes de Salinópolis, Mas vendemos também sopa e moqueca de ostra para os turistas”, diz a secretária da associação, Maria José dos Santos. E nada se perde. As conchas são transformadas em pó, vendido como suplemento alimentar (cálcio) e ração para passarinhos.

No cardápio

A conquista de mercado já deu os primeiros passos. Três restaurantes de Belém já se interessaram pelas ostras produzidas no Pará, e colocaram o produto nos cardápios e pratos dos clientes. Paulo Vítor Braga, do sushi Ruy Barbosa, conta que conheceu o trabalho da rede Nossa Pérola por meio de um amigo que indicou os produtores em São Caetano de Odivelas, na comunidade de Pereru de Fátima. “Assim que obtive o contato fui visitar a comunidade e conhecer todo o processo. Fui até o cultivo, e conheci o processo desde o www.paramais.com.br

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“nascimento” da semente até o crescimento e diversos tamanhos que ela possui”, lembra Paulo Vítor. “No dia em que estive lá, estava a equipe do Sebrae fazendo todo o acompanhamento, e adequações necessárias para o bom cultivo da ostra, desde processos, medição de salinidade e impurezas da água, treinamento ao cultivo, entre outros, o que me deu mais segurança em investir”. O empresário virou padrinho do projeto. “Fico muito feliz de ser o padrinho deste movimento e de ver o quanto ele tem se expandido. Já comercializo a ostra há mais de 1 ano em meus restaurantes e apoiei o projeto desde o começo. Projeto este que já foi até certificado e catalogado recentemente pelo ministério da agricultura”. Paulo Vítor garante que o produto é de extrema qualidade, não deixando a desejar a nem um produtor do Brasil. “As ostras não deixam nada a desejar às ostras de Santa Catarina, por exemplo, do projeto Ostra Viva. A produção do Pará possui qualidade igual ou superior”, avalia. Conseguir o fornecimento de ostras aqui mesmo no Pará e tão perto de Belém trouxe muitas vantagens, garante o empresário. “O frescor de comer uma ostra tirada no mesmo dia da água, a qualidade do produto, o apoio e incentivo a comunidade do nosso estado a produzirem mais produtos de qualidade entre outros”, enumera ele. “Para o nosso público do sushi Ruy Barbosa, que

Miguel Reis, presidente da Associação Nova Olinda, e o engenheiro de pesca e técnico da Emater, Robson Nascimento (d)

Ostra cultivada

tem conhecimento gastronômico aguçado, o produto foi muito bem recebido. Já queríamos pôr as ostras no cardápio do restaurante a cerca de 2 anos atrás, mas pedir de fora do estado inviabilizava a comercialização. Com a parceria com a comunidade, isso foi possível e o publico adorou”, afirma. Para quem quer comprovar e provar a qualidade das ostras paraenses, Paulo Vítor recomenda o Duo de Ostras servidos em dois tempos do Sushi Ruy Barbosa. Duas geladas ao molho de ponzu e duas gratinadas com queijo do Marajó. “A tendência é só aumentar a variedade de pratos. Para mim,

SAN PAOLO b r a s s e r i a

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a ostra é o futuro ingrediente paraense a explodir no Brasil”, conclui.

Incentivo oficial

O secretário estadual de pesca e aquicultura, André Pontes, acredita que, apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria pesqueira, é possível aumentar a produção investindo em outras frentes, como a criação em cativeiro. A SEPAQ quer fortalecer a cadeia produtiva da aquicultura (criação de peixes, moluscos, crustáceos e anfíbios em cativeiro).

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“A curto prazo, nos próximos dois anos, teremos o aumento da produção de pescado em cativeiro. Somado a outros incentivos, conseguiremos voltar à liderança nacional”, antecipa André Pontes. Os produtores de ostras do nordeste paraense ganharam mais um incentivo para ampliar a produção. No final de 2013 foi entregue no município de Terra Alta o primeiro lote de equipamentos para o grupo de trabalhadores, com a presença do diretorsuperintendente do Sebrae no Pará, Vilson Schuber, o secretário de Estado de Pesca e Aquicultura, André Pontes, e da superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Nádia Almeida. A entrega dos equipamentos serviu para e impulsionar, cada vez mais, a presença do produto no mercado, a partir da produção escalonada e garantida em volume e qualidade. Ainda neste semestre serão entregues mais 8.095 travesseiros, 500m de cabo e 335 centos de lacres, que irão beneficiar diretamente as famílias de ostreicultores, que fazem parte da Rede Nossa Pérola. “A falta de travesseiros é um dos principais problemas que enfrentamos hoje, pois a quantidade de ostras em cultivo é bem maior do que a capacidade dos travesseiros que temos atualmente”, explica o diretor -presidente da Associação Agropesqueira da Comunidade de Nova Olinda (Agronol), Miguel Reis. Para ele, a partir de agora haverá aumento da capacidade produtiva, o que vai beneficiar as 14 famílias que fazem parte da entidade. Segundo a presidente da Associação Mulheres na Pesca, Luciana Barros, atualmente, todos os travesseiros da comunidade do Pereru estão lotados. “As ostras crescem melhor quando há no máximo 150 unidades por travesseiro”, disse, ao lembrar da importância dos novos equipamentos para a qualidade da produção.

Ostras produzidas no Nordeste do Pará já estão nos cardápios de restaurantes em Belém

em processo de implementação no estado. Eles estão localizados em quatro municípios – Salinópolis, Curuçá, São João da Ponta Ostras cultivadas em crescimento

e São João de Pirabas – e terão capacidade para aumentar em mais de 25 vezes a produção de ostra nativa no Pará, passando das

Parques aquáticos

A aquicultura no Pará dará um salto a partir dos 16 parques aquícolas marinhos

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atuais 280 toneladas para mais de sete mil toneladas por ano do pescado. Os 16 parques ocupam um total de 166 hectares de áreas da União destinadas à aquicultura. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, juntos, esses parques serão responsáveis pela criação de aproximadamente 700 empregos imediatos (diretos e indiretos), movimentando significativamente a economia do estado, melhorando a qualidade de vida dos aquicultores paraenses e, consequentemente, aumentando a oferta de pescado à população. Dos 16 parques aquícolas marinhos, quatro já têm licença para serem implementa-

CURIOSIDADES

dos, de acordo com as normas ambientais do estado do Pará. Estes quatro parques ficam nos municípios de Salinóplis e São João da Ponta e contam com menos de quatro hectares cada um deles. No total, ocupam uma área de 10,8 hectares, onde serão produzidas cerca de 450 toneladas/ano de ostras nativas. Os outros 12 parques serão submetidos a licenciamento ambiental simplificado, também de acordo com normas estabelecidas pelo governo estadual. Os 12 parques aquícolas marinhos terão capacidade para produzir 6.585 toneladas/ano de ostras. A expectativa é que os processos licitatórios para cessão de uso das águas dos parques sejam abertos até o final do ano.

Paulo Vítor Braga, do restaurante Sushi Ruy Barbosa

>> Da aquicultura, em particular merece destaque a maricultura, que engloba a produção de moluscos, algas marinhas, crustáceos e peixes. Dentre os moluscos, o cultivo de ostras e mexilhões é chamado de malacocultura e mais especificamente em relação às ostras, existe a ostreicultura. Ostras são moluscos bivalves, marinho, que vivem na zona costeira, com salinidade entre 25 - 30%. No início, estes moluscos vivem soltos nas águas e na areia e com o passar do tempo fixam-se nas rochas. Seus principais predadores são, além do homem, diversas espécies de peixes, a estrela do mar, caranguejos e outros tipos de moluscos. Hoje, os maiores produtores de ostras são: Portugal, Itália, França, Inglaterra, Holanda e Bélgica. O ciclo da Ostra gira em torno de 06 a 08 meses, e se bem manejado, cada travesseiro finaliza com 400 ostras adultas, resultando em um total de 456.000 ostras, que comercializada em média por R$4,00 (quatro reais) a dúzia, pode gerar uma renda de aproximadamente R$152.000,00 (cento e cinqüenta e dois mil reais) em cada ciclo.

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Tradição Pascal em Seia

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Texto Anete Costa Ferreira*

eia foi batizada com o nome de Oppidum Sena em época remota, tendo sido os Túrdulos por volta do século IV a.C. seus fundadores. O rei godo Wlamla que iniciou o seu reinado em 672, fixou os limites da Diocese de Egitânia até aos domínios da então cidade de Sena. Ficou por muito tempo sob o domínio dos Árabes e só a partir de 1055 foi reconquistada por D. Fernando Magno que mandou edificar o Castelo. Posteriormente foi ocupada pelos Visigodos e por Muçulmanos já no século VIII. A festa da Páscoa Cristã celebra o triunfo de Cristo sobre o mal. Não se pode compreender nem explicar a grandeza da Páscoa Judaica, que Israel celebrava e que os judeus ainda festejam. Dentro desse espírito localizamos Seia situada a 298 quilômetros de Lisboa. É a maior cidade do Distrito da Guarda na Serra da Estrela, um dos pontos mais altos de Portugal onde anualmente a tradição pascal se repete com os fiéis a revirerem as solenidades da Quaresma nos atos piedosos da Igreja Católica. A tradição antiga conhecida por “Amenta das Almas” se realiza na noite do Sábado da Aleluia para o Domingo de Páscoa. Às 3 horas da madrugada os penitentes reúnemse no Adro da Igreja. Uns sobem até a torre, enquanto outros espalham-se pelas ruas da vila postando-se nos lugares mais altos de onde possam visualizar a torre a fim de executarem um dueto de cantos, quando evocam e louvam a paixão e morte de Jesus na salvação das almas. O ritual de “Amentar ou Ementar as Almas” provavelmente tem a sua origem no século IX quando os devotos oravam durante a Quaresma junto aos Cruzeiros, antes da meia-noite. Atualmente fazem as orações somente na Sexta- Feira Santa. O eco dos cânticos tem a finalidade de despertar os fiéis para rezarem durante uma hora. Encerrada a missão os religiosos juntos desfilam pelas ruas, orando pelas almas dos seus entes falecidos. Findo esse ato piedoso regressam às suas casas, felizes por haver cumprido esse dever sagrado. A palavra “Amentar” significa espírito e “Ementar” recordar, segundo o Professor Souza Viterbo que enfatiza: “Ementas” quer dizer: “quando os pastores da Igreja rezam 30

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pelos defuntos”. Com o decorrer dos tempos surgiram corruptelas dando ao antigo ritual os nomes de “Aumentar as Almas”, “Encomenda das Almas”, “Pregão das Almas” e “Alimentar as Almas”, mantendo-se porém o sentido do conjunto de rezas pelos mortos feito pela população muitas vezes com ausência de sacerdote, originando-se a “Procissão sem Padre”, na noite da Sexta - Feira Santa.

Gargantas de Freira. Doce conventual que caracteriza-se por ter fios de ovos enrolados, sob a forma de charuto, em capa de hóstia

Tradições quaresmais na região da Guarda

Para o Professor Pinto Gonçalves o ritual tem origem nos eruditos do início do Cristianismo na Península Ibérica no cerimonial do canto Modal a que os etnomusicólogos chamam “Modo Autêntico de Ré”, ou “Dorico”, o qual tem semelhança com o “Cantochão Alentejano” ou Gregoriano Plebeu. Ressalta, ainda que o “Canto Tonal” ao qual estamos habituados só surge nos séculos XVII e XVIII, justificando que a cerimônia consiste em Sete Cânticos; Sete Apelos; Sete Orações e Sete Ais. A Procissão do Enterro do Senhor que se realiza na Sexta Feira Santa sob a responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Seia tem a finalidade de lembrar aos peregrinos, o caminho da terra prometida, como o Povo Hebreu caminhou através do deserto e da escravidão, na tentativa de conquistar a liberdade para os filhos de Israel. A Sexta- Feira Santa mesmo sendo um dia de crucificação e morte de Jesus Cristo não deve ser um dia de amargura ou de choro, e sim de contemplação do sacrífico onde brota a salvação. As solenidades têm a participação maciça do povo de Seia. Os homens da matraca com seus paramentos, percorrem as ruas em todo o trajeto da procissão. Os mascarados conhecidos por “Farricocos” www.paramais.com.br

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A tradição antiga conhecida por “Amenta das Almas” se realiza na noite do Sábado da Aleluia para o Domingo de Páscoa

Caros leitores, Páscoa é Vitória, é o Homem chamado à sua dignidade de Homem livre. Cristo ressuscitou e nós comungamos da esperança da Vitória do Bem sobre o Mal. Feliz Páscoa a todos! Cabrito assado no forno

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com seus hábitos de penitentes e pés descalços arregimentam os devotos para o cortejo noturno do Senhor Morto. O percurso é acompanhado pelo Orfeão da Seia, Banda de Música de Gouveia e Rancho Folclórico de Seia. No Domingo de Páscoa para celebrar a Ressurreição há comemorações em todos os lares quando as famílias se reúnem para o almoço festivo onde há uma variedade de iguarias tradicionais cujo destaque é o Cabrito servido sob várias formas: Cabrito assado no forno; Cabrito na telha; Feijoada de Cabrito com brotos de couves; Cabrito à Serrana: Caldeirada de Cabrito; Caldo de grão- de- bico à moda da Guarda, etc.,etc. tudo acompanhado dos saborosos vinhos da Região. Para arrematar é servida a deliciosa sobremesa onde a Garganta de Freira; a Tijelada; a Rapsódia; o Bolo de Azeite; a Talassa e as Queijadinhas Serranas, satisfazem os paladares dos comensais na festa da tradição pascal de Seia.

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(*) Correspondente da Editora Círios, em Portugal

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Os farricocos, com os seus hábitos negros de capuz a cobrir a cara, os fogaréus com a sua mancha incandescente a destacar-se na escuridão da noite

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Belém vai sediar Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas

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elém cada vez mais se consolida na rota do desenvolvimento em tecnologia e inovação. A capital paraense se prepara para sediar a 24ª edição do maior evento de empreendedorismo inovador da América Latina em 2014: o Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, que será realizado no período de 22 a 26 de setembro no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia. O encontro é promovido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimento Inovadores (Anprotec), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o PCT Guamá. O diretor do PCT Guamá, Antônio Abelém, comemora a realização do evento na capital paraense. “Conseguimos a confirmação com dois anos de antecedência e a expectativa é receber de 1500 a 2000 participantes, em atividades de capacitação e networking”, destaca ele. O evento traz um tema desafiador para a próxima edição: “Fronteiras do empreendedorismo inovador: novas conexões para resultados”. O desafio proposto é buscar caminhos para que os ambientes de inovação ampliem suas conexões com os setores público e privado, a fim de se tornarem mais autônomos e, assim, contribuírem ainda mais para o desenvolvimento sustentável das regiões em que atuam. Por meio da articulação com diferentes atores, estendem-se as fronteiras do empreendedorismo inovador e alastram-se os impactos econômicos e sociais decorrentes das atividades de incubadoras de empresas e parques tecnológicos. A proposta será compartilhar para integrar as iniciativas na área de empreendedorismo inovador que agregam valor à biodiversidade nas cidades brasileiras e em outros países. O evento vai oferecer minicursos, workshops, sessões plenárias e técnicas paralelas, entre outras atividades ministradas por palestrantes brasileiros e estrangeiros. “O Parque de Ciência e Tecnologia é jo32

debate temas fundamentais ao desenvolvimento econômico e social.

Sobre o Seminário Nacional

vem, mas demonstra muita força para conquistar seu lugar e ser referência. A escolha do PCT Guamá para sediar os eventos é o reconhecimento do nosso trabalho”, mencionou Antônio Abelém, que dirige o PCT Guamá. O evento quer estimular a reflexão sobre o que pode ser feito pelos ambientes de inovação para promover empresas e soluções que melhorem a vida nos centros urbanos – onde vive hoje mais da metade da população mundial. Ao longo dos quatro dias de evento, os participantes poderão aprofundar conhecimentos, analisar propostas e trocar experiências. “Este momento vai ser muito importante porque vai dar projeção nacional e internacional ao trabalho feito no parque tecnológico. Isso é bom para atrair mais investidores”, avalia Abelém. Desde sua primeira edição, realizada em 1987, o Seminário Nacional tem servido como propulsor do movimento de empreendedorismo inovador, trazendo para o Artigos e relatos de experiências, que vão passar pela submissão dos textos

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Belém vai sediar Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas.indd 32

Maior evento de empreendedorismo inovador da América Latina, é realizado anualmente pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Na programação, constam palestras, conferências, minicursos e workshops que visam ao fomento do empreendedorismo inovador. O Seminário reúne gestores de ambientes de inovação nacionais e internacionais, como parques tecnológicos e incubadoras de empresas, além de representantes de órgãos públicos e organizações não-governamentais de apoio ao setor, empresários, professores de universidades e centros de pesquisa, entre outros.

Apresentação de trabalhos

Neste mês de março, os interessados em participar puderam inscrever trabalhos como artigos e relatos de experiências, que vão passar pela submissão dos textos Nesta edição, a Chamada de Trabalhos do Semi-

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nário Nacional traz algumas inovações. As categorias para a submissão de trabalho mudaram para Artigo Completo, Artigo Curto, Artigo Convidado e Boas Práticas de Empresas. A apresentação do Artigo Curto será oral, segundo o formato de Picth Session. Já a participação no Artigo Convidado não é aberta ao público. Os autores serão convidados pela organização do evento e farão a apresentação de seus artigos em sessões plenárias especiais.

Antônio Abelém, diretor do PCT Guamá, comemora a realização do evento na capital paraense

Submissão

O objetivo da Chamada foi reunir relatos de iniciativas que apresentem a ampliação das conexões entre os ambientes de inovação e os setores público e privado, com base na convicção de que é preciso tornar esses locais mais autônomos para que possam ampliar suas reconhecidas contribuições ao desenvolvimento sustentável das regiões em que atuam. Nesse contexto, a intensificação das articulações com diferentes atores não apenas pode repercutir em aumento significativo dos impactos econômicos e sociais decorrentes das atividades de incubadoras de empresas e parques tecnológicos, como fortalecer o movimento do empreendedorismo inovador e a economia do conhecimento. Assim, os proponentes podem abordar experiências que estejam alinhadas às discussões promovidas pelo Seminário, nas categorias previstas na chamada. Nas categorias Artigo Completo e Artigo Convidado foram aceitos textos inéditos, em português, com resumos em português inglês e tamanho entre 5 mil e 6,5 mil palavras. Na categoria Artigo Curto os textos podem ter até 1,5 mil palavras, com resumo em português e inglês, focados em retratar

práticas e experiências inovadoras. A apresentação deve ser feita de forma oral. As Boas Práticas de Empresas tem como objetivo identificar empreendimentos ligados ao movimento que apresentem bons resultados. A apresentação será na forma de artigo curto durante o Fórum Interativo. A submissão dos trabalhos será realizada em três fases. Na primeira, que encerrou em 31 de março de 2014, foram recebidos os resumos em português, com até 500 palavras. Os selecionados nesta fase devem enviar, até 16 de junho de 2014, o texto completo em português e o Resumo Estruturado em inglês e português. Para os proponentes que passarem nessa segunda etapa, o prazo para envio dos textos finais em português, acompanhados do Resumo Estruturado, encerra no dia 11 de agosto de 2014. O melhor Artigo Completo receberá crédito de R$ 2.000,00 em cursos e eventos promovidos pela Anprotec; os vencedores das categoria Artigo Curto e Boa prática de Empresa ganharão R$ 1.500,00 cada, tam-

bém em crédito para participar de cursos e eventos promovidos pela Associação.

Parceiros

O PCT Guamá tem gestão da Fundação Guamá, por meio de um convênio entre Secretaria de Estado, Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a UFPA e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e conta com aporte financeiro da Secti, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Também tem o apoio da Embrapa Amazônia Oriental, da Eletrobrás/ Eletronorte, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Pará (SEBRAE-PA), da Agência de Inovação da Universidade Federal do Pará (Universitec/UFPA), da Universidade do Estado do Pará (UEPA), do Museu Paraense Emílio Goeldi, Rede Namor, Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), do Programa Redes, do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). INFORMAÇÕES

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Pesquisas de mercado ajudam a crescer Fundamental no começo do negócio, a pesquisa de mercado pode ser feita com ferramentas grátis na internet

A

nalisar o mercado é visualizar a maneira de um negócio se concretizar no mercado, considerando os consumidores, a concorrência e os fornecedores. E a forma mais comum de se fazer esta análise é por meio da pesquisa de mercado. Esta pesquisa consiste na coleta de informações junto ao consumidor, concorrente ou fornecedor. Quando realizada corretamente, oferece informações consistentes que, somadas à experiência e ao sentimento do empreendedor, tornam o processo decisório mais rico e preciso. Além da pesquisa formal, ações como visitar a concorrência para verificar os pontos fortes e fracos, ouvir reclamações de clientes ou mesmo observar como as pessoas caminham dentro de uma loja são importantes fontes de informações que não devem ser desprezadas por novos e antigos empresários. Mais da metade dos empreendedores fecham seus negócios por falta de clientes e dificuldade financeira, segundo dados do Sebrae. Para garantir resultados satisfatórios com essas ferramentas, procure pessoas que tenham a ver com o perfil do seu negócio para responder as perguntas. Uma pesquisa com um público-alvo diferente do pretendido pode trazer resultados confusos e levar a erros. Pesquisa de mercado é sempre um investimento, mesmo que o seu retorno seja a longo prazo. Veja a seleção de ferramentas para começar suas pesquisas. 34

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Survey Monkey O site permite que os empreendedores criem questionários e enviem por e-mail durante a pesquisa. A versão gratuita inclui 10 perguntas por questionário e até 100

respostas. Ele gera gráficos e tabulação automaticamente. A versão paga, a partir de 299 reais ao ano, dá acesso a formulários e respostas ilimitados e permite cruzar dados.

A pesquisa consiste na coleta de informações junto ao consumidor, concorrente ou fornecedor

cisa saber interpretar e cruzar os dados. O serviço só reúne as respostas.

Mercado de ações Uma maneira barata de conhecer outros mercados é analisando os dados de empresas do mesmo segmento que têm capital

Pa Nós

Google Drive Alternativa ao Survey Monkey, o Google também tem uma opção de formulário que pode ser customizado e enviado aos entrevistados. Neste caso, o empreendedor pre-

aberto. Sites sobre o mercado financeiro e até a CVM reúnem informações sobre faturamento e lucro dessas empresas que podem ser úteis na hora de elaborar um planewww.quickhelp.com.br jamento financeiro, por exemplo. www.paramais.com.br

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Sua Pesquisa O site “Sua Pesquisa” é uma versão brasileira do Survey Monkey. É possível fazer questionários, espalhar a pesquisa e coletar os dados para decisões. Há uma versão gratuita que permite enviar um formulário e ter até 30 respostas e é possível cruzar os dados. Redes sociais Usar as suas redes sociais para coletar dados pode ser uma boa opção. O principal cuidado é ao escolher quem será o público. Para um negócio de cosméticos, por exemplo, um caminho seria participar de grupos sobre o tema e interagir, com autorização, fazendo perguntas pontuais.

BizStats Este site reúne informações e estatísticas financeiras de vários setores, tudo de graça. É possível encontrar relatórios financeiros, análises de risco e lucratividade, e ferramentas úteis de finanças. A dica é buscar empresas que são referências na área do seu negócio e encontrar valores de faturamento e investimento.

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CrunchBase Para startups, o site TechCrunch e sua base de dados de empresas é o ponto de partida. Ali, é possível encontrar quais negócios já receberam investimento, quais fundos de interessam pelo seu setor e outras informações sobre startups de todo o mundo.

Google Trends Para quem ainda só tem uma ideia ou precisa definir um setor de atuação, a ferramenta Google Trends pode ajudar. É possível saber o que as pessoas mais estão pesquisando na internet, inclusive definindo um território para a busca e comparando dois ou mais termos.

IpeaData Conhecer melhor os índices sociais e econômicos da região em que se pretende atuar é uma das premissas do plano de negócios. Hoje, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) reúne diversos dados do país em seu site, como indicadores macroeconômicos, regionais e sociais.

PiniOn Este aplicativo funciona como uma ferramenta de coleta de dados para empresas. É útil para negócios que já estão em operação e tem algum capital para investir. O empresário cria uma missão e os usuários recebem recompensas em dinheiro para dar opiniões e ideias sobre os produtos. O serviço custa a partir de 2 mil reais.

Pesquisa de mercado é sempre um investimento, mesmo que o seu retorno seja a longo prazo. (*) Com informações do SEBRAE

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Pendurando a vida, nas

nuvens! Arquivos automaticamente salvos em nuvem, podendo ser acessados e editados de qualquer dispositivo (computador, celular ou tablet), por você e pelas pessoas com quem você compartilhou

P

Texto Augusto Vongrapp*

or esses tempos, você já se deparou com a seguinte frase: “coloca na nuvem”. Se fosse há 2 anos atrás, imediatamente chamaríamos a pessoa de maluca, pois apesar de o conceito de arquivos na nuvem ser um pouco mais antigo do que isso, só de 2 anos pra cá, através da massificação do protocolo IPV6, do conceito de Streaming e da grande melhora na velocidade de nossa Internet, foi possível você deixar suas bibliotecas de músicas, seus filmes, seus arquivos de trabalho e/ou pessoal na “famosa” nuvem. Nuvem, ou o seu equivalente em inglês, cloud, é uma terminologia usada para definir serviços que utilizam dados armazenados em megasservidores espalhados pelo mundo. Isso permite que as pessoas usufruam e salvem dados sem eles estarem gravados em seus computadores. Existem serviços em cloud para fins profissionais, como o Google Drive e o Basecamp, e para fins recreativos, como Netflix, NetMovies, Deezer, Rdio, entre tantos outros. 36

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Acesso em tempo real em nuvens de computação privadas

Com o Google Drive, é possível fazer um documento de texto, planilha eletrônica, apresentação em slides. Eles ficaram automaticamente salvos em nuvem, podendo ser acessados e editados de qualquer dispositivo (computador, celular ou tablet), por você e pelas pessoas com quem você compartilhou. Assim também é o Dropbox, um software que manda os documentos para

quem o usuário escolher, sem a necessidade de baixar os arquivos. Basta acessar a pasta compartilhada, que ficará disponível como qualquer item de Meus Documentos, mas sem ocupar espaço no computador. A ferramenta também tem um aplicativo que permite armazenar automaticamente e compartilhar vídeos e fotos feitos pelos smartphones. “A internet mudou a forma como as pessoas assistem à televisão. Por isso surgiu o conceito de televisão on demand [ou sob demanda]”, aponta Marcio Carvalho, diretor de marketing da operadora NET. Para se adaptar a este momento de transição, a empresa lançou em abril de 2011 o Now, serviço em que o assinante escolhe on-line, pela TV, o que quer assistir. Mais de 250 milhões de programas já foram exibidos. “Agora estamos estudando formas de oferecer conteúdo para computador, sem a necessidade do decodificador ligado à TV”, ele revela. Seria precipitado dizer que a televisão, enquanto eletrodoméstico, está caindo em desuso. Mas certamente está se tornando cada vez menos necessária. Mas a pergunta que não quer calar é: “e a minha privacidade, minha segurança”, será que este modelo de computação, de armazenamento é confiável? Segundo a CIO.com, empresa especializada em alta tecnologia, com as revelações em 2013 da “bisbilhotagem” dos Estados Unidos na Internet, muitas empresas que estavam com seus projetos bastante adiantados para basear em nuvem, recuaram e voltaram para redesenhar alguns conceitos de segurança, visando garantir seus dados contra olhos alheios. Para nós, mortais usuários da Internet, as grandes empresas, que fornecem este tipo de serviço, também estão aperfeiçoando cada vez mais os níveis de segurança, dando garantias que tudo que for colocado em nuvem estará longe de pessoas não autorizadas. Assim, cada vez mais devemos apostar neste conceito, pois estamos num ciclo de informações rápidas, dinâmicas e não temos tempo para trafegar dados grandes por e-mails, carregar todas as músicas para os nossos dispositivos ou esperar aquele filme www.paramais.com.br

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Documentos Basecamp

Dropbox

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Serviço oferecido pelo Google que propicia armazenamento e compartilhamento na nuvem, permite a edição de documentos on-line em conjunto. Grátis até 15GB. E recém lançado pacote de 1TB por R$ 9,90/mês.

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Maior serviço do mundo para assistir a filmes, séries e shows por streaming, mediante o pagamento de mensalidade de R$ 16,90.

A locadora delivery também aluga filmes por streaming e hoje conta com cerca de 5 mil títulos on-line. A partir de R$ 18,90.

Por meio do codificador, que é ligado à TV e à internet, o espectador pode selecionar entre 12 mil atrações, desde gratuitas ou pagas individualmente a todas inclusas no pacote Netmix (R$ 14,90).

Deezer

Napster

Rdio

Serviço francês com 12 milhões de usuários no mundo e 30 milhões de músicas on-line, disponíveis em pacotes grátis ou de até R$ 14,90, o que inclui web, celular e tablet.

Disponível no Brasil desde outubro de 2013, oferece 10 milhões de músicas por US$ 6,85 por mês, em todas as plataformas.

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Músicas

Pesquisa realizada na Internet, nos sites das respectivas empresas.

entrar na grade de programação. Acredito que é um caminho sem volta, que cada vez mais nossos eletrônicos estarão voltados para isso, vemos por exemplo o conceito das SmartTV’s”, dos Home Teather que acessam

estes serviços em nuvem e você pode dar aquela festa sem se preocupar com os “CD’s e DVD’s” de antigamente. O que percebo que está faltando, principalmente em nossa região, é melhorar a qualidade de nossa

Internet e disponibilizar a preços acessíveis maiores velocidades de acesso. (*) Ciência da Computação. augusto.vongrapp@gmail.com

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O Brasil na 2ª Guerra Mundial

Bravos heróis de guerra Fotos Acervo pessoal dos ex combatentes, Portal FEB, Reprodução / Google Afundamento no Atlantico

A

s aulas de história no colégio ensinam os fatos que aconteceram no mundo, mas os professores não tem como passar a experiência vivida nos eventos. A segunda guerra mundial é um exemplo. Apesar de ter mobilizado tantos países, são poucas as pessoas que testemunharam o conflito. No Pará, cerca de 25 homens podem contar o que viram e o que sentiram nos fronts de guerra. São os ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira que sobreviveram à guerra e ao tempo. Os ex-pracinhas despertaram o interesse de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará. Os relatos de suas experi-

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ências viraram um livro e um vídeo documentário lançados neste mês de janeiro. Entre 2010 e 2012 os pesquisadores e alunos do Laboratório de Estudos Bioantropologicos em Saúde e Meio Ambiente (LEBIOS) da UFPA realizaram um intenso trabalho de busca e entrevistas com os últimos remanescentes dos pracinhas paraenses – eles somam apenas cerca de duas dezenas atualmente, com média de idade de 90 anos – e outras pessoas que tiveram participação ativa na Guerra, para traçar um perfil da realidade vivida na região entre 1939 e 1945. O resultado é um rico mosaico de experiências inéditas, que deu origem ao livro Por Terra, Céu e Mar: História e Memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia. O

volume tem 81 páginas e traz quase 100 fotografias inéditas cedidas pelos entrevistados, além de imagens históricas de arquivos públicos e privados. O vídeo documentário produzido a partir do livro é um média metragem com 28 minutos de duração. Os autores são os professores Hilton Silva e Elton Sousa, com a colaboração dos estudantes de ensino médio Murilo Teixeira e Samuel Mendonça, que fizeram uma abordagem antropológica e histórica das experiências de vida dos amazônidas que foram para a guerra. A maioria deles nunca havia saído do seu município antes e, de repente, se viram no Velho Continente, no meio de milhares de outros jovens, de todo o Brasil e de dezenas de nacionalidades, e precisaram mostrar que um brasileiro não foge a luta. “O resgate dessa história é importante porque, quando se fala do esforço de guerra na Amazônia, só são lembrados os soldados da borracha. www.paramais.com.br

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Ninguém fala que o Pará enviou tropas para o front europeu”, destaca o professor Hilton Silva. O livro e o documentário apresentam o quase esquecido Contingente da Amazônia, que embarcou para a Itália com o 5º Escalão da FEB, e também as aventuras e desventuras de outros soldados e oficiais da Marinha de Guerra, Mercante e da então nascente Aeronáutica do Brasil, que participaram de diversas frentes e nos escalões anteriores, muitos indo para o combate em Monte Castelo, Montese e outras importantes batalhas no front dos Apeninos. O livro presta uma justa homenagem aos últimos, nonagenários, ex-combatentes e é o único que apresenta o Contingente da Amazônia e os diversos aspectos da Guerra na região à partir do olhar daqueles diretamente envolvidos no conflito. “A ideia inicial era mostrar com a pesquisa como vivem os ex-combatentes, avaliar as condições de saúde, e tentar entender a longevidade desses homens”, diz o professor Elton Souza. “Mas percebemos um sentimento de patriotismo tão intenso entre eles, ao mesmo tempo em que os ex-pracinhas se sentiam esquecidos e abandonados. Eles foram para a guerra, alguns foram feridos, quatro morreram em combate, receberam medalhas, mas não tem hoje o reconhecimento pelo que fizeram”, conclui Elton.

Ex-combatentes em desfile no Dia da Pátria

Em consequência desse ato, o Brasil entrou em grande atividade militar para a segurança e a defesa de suas costas, quando, ao mesmo tempo, cedia aos Estados Unidos o uso, durante a conflagração, de suas bases militares – Belém foi uma das cidades estratégicas onde as tropas americanas montaram base.

Como o Brasil foi à guerra

A data foi 22 de agosto de 1942, o Governo Brasileiro declarou guerra contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Com isso, o Brasil se tornou o único país da América Latina a participar diretamente da Segunda Guerra Mundial. Nas Forças Armadas Brasileiras, o Exército defendeu o território brasileiro e as instalações militares nele existentes com ênfase na Zona de Guerra então criada, além do envio da Força Expedicionária Brasileira- FEB, integrando o V Exército dos EUA. A Marinha encarregou-se da defesa dos

Raimundo Nonato Castro, presidente da Associação de ex-combatentes da FEB

portos, patrulhamento oceânico e escolta de comboios marítimos, isoladamente, ou integrando a 4ª Esquadra Americana, com Quartel General no Recife. A Aeronáutica executou ações de patrulhamento oceânico e proteção de comboios, isoladamente, ou integrando a 4ª Esquadra Americana, além do envio de um grupo de caça (1º Grupo de Caça) que integrou a Força Aérea Aliada do Mediterrâneo e uma Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO) que combateu sobre o controle operacional da FEB, também na Itália.

Por mar

A Marinha Brasileira fez a cobertura das rotas mercantes do Atlântico Sul, protegendo os navios que levavam materiais estratégicos. Durante o conflito a Marinha Brasileira acompanhou, prestando cobertura, mais de 3 mil navios mercantes dos países aliados, principalmente os Estados Unidos, que faziam rota no oceano Atlantico. Mesmo assim, os ataques de submarinos alemães aconteceram na costa brasileira. Na Segunda Guerra Mundial, os ataques aos navios da Marinha mercante brasileira, pelos submarinos do Eixo, entre os anos de 1941 e 1944, causaram a morte de mais de mil pessoas e precipitaram a entrada do Brasil

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Carvalho. Uma hora depois também seria afundado o cargueiro Lajes, que também navegava no mesmo comboio, mas tinha sido separado por lançar fumaça demais pela chaminé. As duas embarcações foram resgatadas, tendo em vista que os afundamentos ocorreram em águas relativamente rasas, mas nunca foram recuperadas.

No dia 21 de fevereiro, o Exército Brasileiro comemora um de seus maiores feitos em campo de batalha – a Tomada de Monte Castelo –, realizada durante a II Guerra Mundial e protagonizada pelos integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB)

Por ar

Os preparos para Montese

no conflito, do qual, até então, se mantinha neutro, ao lado das forças aliadas. Foram 35 navios atacados (33 afundados), nas águas dos Oceanos Atlântico (incluindo o Mar Mediterrâneo), e Índico Em agosto de 1942, submarinos alemães torpedearam os navios mercantes brasileiros. Em apenas dois dias, seis navios foram afundados, causando a morte de mais de 600 pessoas. Em setembro, mais três navios seriam alvo dos submarinos alemães U-Boot, sendo dois torpedeados na costa paraense, ao lar-

Em 10 de abril de 1938 foi inaugurada, em Belém, a primeira estação de comunicações voltada à proteção ao vôo na Amazônia (Estação Radio-goniométrica), com missão de prover a segurança dos vôos na região amazônica. A estação foi construída pela Pan American World Airways, empresa norte-americana de transporte aéreo, através da sua subsidiária Panair do Brasil numa área localizada na Fazenda Val-de-Cans, então pertencente à Companhia Port of Pará (atual Base Aérea de Belém), para atender suas necessidades operacionais na Amazônia. Em seguida, os EUA entrariam na Segunda Guerra Mundial, o que determinou a construção da Base Aérea de Belém, concluída em Em 18 de agosto de 1942, com a pri-

Prédio da hospedaria onde funcionou campo de concentração de Tomé Açu

go da Ilha de Marajó. O cargueiro Osório foi um navio brasileiro afundado na noite de 27 de setembro de 1942, pelo submarino alemão U-514, no litoral do estado do Pará. Era de propriedade do Lloyd Brasileiro e foi a vigésima-segunda embarcação brasileira atacada na Segunda Guerra e a primeira a ser afundada após a declaração de guerra do Brasil contra o Eixo, a 31 de agosto daquele ano, apesar de estar escoltada pelo navio norte-americano USS Roe. Morreram no ataque, cinco tripulantes, entre eles o comandante Almiro Galdino de 40

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meira Torre de Controle, feita com madeira da região. Nessa época não havia pessoal especializado na parte de apoio à navegação aérea e a operação da Torre era realizada por militares norte-americanos que haviam construído e instalado aquela estrutura na cidade, dando as primeiras orientações para os militares brasileiros.

Por terra

Na segunda guerra mundial, os países do Eixo duvidavam que o Brasil realmente

tivesse uma participação direta no conflito. Diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que o país enviar tropas para o front. Mas “a cobra fumou e a Força Expedicionária Brasileira (FEB) embarcou para a guerra”. Em 1944, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, partiu para a Itália a FEB. O primeiro escalão da FEB, sob o comando do general Zenóbio da Costa, desembarcou em Nápoles, em 16 de julho de 1944, onde foi incorporado ao 5º Exército Americano. Os combatentes brasileiros foram para o norte, e lutaram ao lado das forças aliadas nas batalhas de Camaiore, Monte Castelo, Castelnuovo, Montese e Fornovo. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) permaneceu na Itália cerca de 11 meses, dos quais quase oito na frente de luta, em contato permanente com o inimigo. Todos os Estados brasileiros estavam representados na FEB. O contingente da Amazônia tinha 786 soldados, que saíram de Belém para o Rio de Janeiro. Cerca de 250 eram paraenses. “Ficamos poucos dias no Rio de Janeiro, recebendo treinamento, uniformes e armas, e logo embarcamos para a Itália”, lembra o expedicionário Raimundo Nonato Castro, presidente da Associação de ex- combatentes da FEB no Pará. Dos 250 paraenses, 187 embarcaram para lutar nos fronts europeus. “A experiência da guerra foi muito importante para nós sob vários aspectos. Éramos jovens, deixamos nossas famílias para seguir um destino incerto, porque não há como compreender o que é a guerra, sem viver isso na prática”,

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vemos essa experiência temos orgulho da nossa atuação”, afirma. “Não nos consideramos heróis, mas cumpridores do nosso dever”, conclui com humildade. Em 18 de julho de 1946, o 1º Escalão da FEB desembarca de volta no Rio de Janeiro. Em 1 de janeiro, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi extinta. CURIOSIDADES

Perdas de guerra

avalia Raimundo Nonato. Com 90 anos e uma lucidez impressionante, Raimundo Nonato destaca o diferencial do contingente paraense. “O medo faz parte da nossa vida, mas lá na guerra, ele era esquecido. O importante era a amizade e a solidariedade que havia entre nós, essa era a nossa força, porque não fomos preparados para enfrentar o que nos esperava nos campos de batalha”, afirma. Alguns historiadores defendem que a participação do Brasil na guerra não foi necessária, porque os inimigos já estavam isolados e a rendição era uma questão de tempo. Sobre isso, Raimundo Nonato argumenta: “O que importa é conhecer e guardar essa história. Dizem que nossa participação não significou muito e que nada indica que contribuímos para a vitória. Mas nós que vi-

casa

círio

F a b r i c a

O Brasil perdeu na guerra 1.889 brasileiros por morte, foram afundados 34 de seus navios, dos quais 31 mercantes e abatidos 22 de seus aviões, além de haver gasto com a guerra 21 milhões de cruzeiros em cálculo da época. Todos os Estados brasileiros se achavam representados na FEB e, entre todos, São Paulo foi o que teve maior número de mortos: 92. Minas Gerais perdeu 80 homens; o Estado do Rio, 63. O então Distrito Federal chorou a morte de 50 cariocas; 29 paranaenses e 28 catarinenses ficaram no cemitério de Pistóia, ao lado de 21 gaúchos, 17 goianos, 13 pernambucanos, 12 capixabas. 11 baianos, 6 cearenses, 6 paraibanos, 6 riograndenses do norte, 6 sergipanos, 5 alagoanos, 4 paraenses, 2 piauienses, 1 acreano e 1 amazonense. Apenas um Estado, o Maranhão, foi mais feliz: não teve um só morto na campanha da Força Expedicionária Brasileira.

Hotel Farol Na década de 40, o hotel Farol - chamado então Balneário Farol - passou a ser frequentado por oficiais militares americanos sediados na base aérea de Val-de-Cans na época da Segunda Guerra. Durante esse período, era comum ver a passagem de um dirigível sobre a baía, em frente ao hotel. Na construção de Val-de-Cans, no final da década de 50, os hóspedes do hotel acompanhavam a chegada dos hidroaviões, que traziam os ingleses. “Eles aportavam na praia do Farol e eram recebidos no hotel, em Mosqueiro. Repousavam, tomavam café e partiam.

Praia para gringos

A Praia do Cruzeiro, em Icoaraci, não é natural e só surgiu por ali nos anos 40. Os americanos usavam a base de Val-de-Cães para levar os aviões construídos na América do Norte para a Guerra na Europa e na África e os soldados que aqui ficavam baseados tinham poucas opções de lazer. Por isso a margem do rio Maguary foi aterrada e criado esse areal, que virou praia. Nos anos 40 do século XX, a base aérea construída pelos americanos em Val de Cães foi fundamental para a frente de guerra na África. Os aviões que vinham das fábricas no Canadá e nos Estados Unidos, faziam escala aqui e eram preparados para as missões.

De fazenda a aeroporto

A fazenda Val-de-Cães pertencia aos padres Mercedários desde 1675. Em 1934 o General Eurico Dutra mandou escolher o terreno para a construção do aeroporto. No início, uma pista de 1200 x 150 m, o pátio e um hangar amarelo para aviação militar. Na Segunda Guerra, Belém passa a ser a rota vital e estratégica para milhares de aviões que saindo das fábricas do Canadá e Estados Unidos seriam transladados para os

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O professor Hilton Silva examina excombatente

de concentração para os imigrantes japoneses que lá residiam, acomodando também dezenas de japoneses de outras regiões do Estado e mesmo alemães e italianos vindos do sul. Até 1945, os internos viveram sob a vigilância das autoridades brasileiras que impunham sérias restrições ao seu cotidiano.

Serviço

O livro “Por Terra, Céu e Mar: História e Memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia” está à venda na livraria da editora Paka-Tatu, na Trav. 14 de Março, 696, entre Diogo Moia e Oliveira Belo Umarizal. Telefone: (91) 3242 5403 www.editorapakatatu.com.br

teatros de operações no norte da África e na Europa. O aeroporto foi ampliado e cedido aos americanos. Passada a guerra em 45, volta para o ministério da Aeronáutica, que permite companhias como Panair, Pan American, Cruzeiro do Sul e NAB (Navegação Aérea Brasileira), iniciem seus vôos de lá, mas cada uma com seu terminal próprio de passageiros. A primeira estação geral data de 1958 e em 24.01.1959 era inaugurado o Aeroporto Internacional de Belém. Val-de-Cães e as outras bases aéreas utilizadas pelos americanos durante a II Guerra Mundial, foram entregues ao Ministério da Aeronáutica em 1945. Panair, Pan American, Cruzeiro do Sul e NAB (Navegação Aérea Brasileira), ao iniciarem suas atividades em Val-de-Cães, cada uma construiu isoladamente sua própria estação de passageiros. A primeira estação de passageiros para uso geral das companhias de aviação construída pelo Ministério da Aeronáutica em Belém foi em 1958. Em 24.01.1959 foi inaugurado o Aeroporto Internacional de Belém, quando os aeroportos ainda eram administrados pelo DAC.

conflitos com os moradores da região, que passaram a hostilizar os emigrantes vindos dos países inimigos que integravam o Eixo. O Campo ficava na bacia do rio Acará. Antigo núcleo de imigração japonesa de 1929, viu a realidade mudar após o rompimento das relações diplomáticas entre o Brasil e os países do Eixo. Em 29 de janeiro de 1942, a colônia passou a receber especial atenção dos serviços policiais, pois, segundo a Polícia do Pará, ali estava um dos maiores centros de “súditos do Japão”. Um destacamento de cinco praças, sob o comando de um Cabo, devidamente armado e municiado cuidava dos prisioneiros. Os japoneses tiveram armas recolhidas pela Delegacia Especial de Segurança Pública e Social e alguns meses mais tarde, a região foi transformada pelo governo em campo Os professores Hilton Silva e Elton Souza gravam depoimentos de ex-combatentes para o documentário

Prisioneiros de guerra

A 200 km de Belém, havia um local de confinamento forçado no município de Tomé-Açu, onde só se chegava pelo Rio e sob forte vigilância da Delegacia especial de Segurança Pública e Social. Para lá eram levados presos escolhidos por sua nacionalidade. Japoneses, alemães e Italianos, inimigos aliados na Segunda Guerra. Eles foram presos em nome da segurança e dos interesses nacionais – eufemismo para nazista ou espião. Havia também a preocupação de evitar

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São os votos da Comunidade Religiosa do Colégio Gentil Bittencourt

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ESCOLA MELHORA A VIDA, MELHORA O MUNDO. O GOVERNO DO ESTADO QUER MELHORAR A ESCOLA.

Escola Barão do Rio Branco, em Belém, está sendo restaurada

Escola Estadual Rio Tapajós, Santarém

Quadra de esportes na Escola Mário Brasil, Garrafão do Norte

Obras da Escola Anísio Teixeira, Marabá

Escola Liberdade, Marabá

Escola Deuzuita Pereira de Queiroz, Redenção

Escola N. Senhora de Fátima, Abaetetuba

Restauração da escola centenária Antônio Lemos, em Santa Izabel

Escola Tecnológica de Vigia

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Pará+

GUIAS PARA+.indd 4

Escola Marivalda Pantoja, Ananindeua

260 escolas sendo reformadas em todo o estado. Escolas prontas e ampliadas. Novas escolas sendo construídas. Seis escolas indígenas entregues e mais sete em construção. Onze escolas tecnológicas com obras avançando. Professores com Plano de Cargos e Carreira, recebendo um dos cinco maiores pisos salariais do Brasil. Prédios históricos sendo restaurados e ganhando acessibilidade, como o Barão do Rio Branco e o Instituto de Educação do Pará - IEP, em Belém, e o Antônio Lemos, em Santa Izabel. Para fazer o maior investimento já realizado na nossa Educação, o Pará fez o que nenhum outro estado brasileiro havia feito: foi ao Banco Interamericano de Desenvolvimento buscar recursos para melhorar a qualidade do ensino. O desafio é ter uma escola boa, professores capacitados e uma gestão escolar eficiente. É ter cada vez mais empresas, professores, pais e alunos, unidos num grande Pacto pela Educação do Pará. Todos juntos para elevar os resultados do IDEB em 30%, num prazo de cinco anos. Também na Educação, o Pará está em obras. E a maior delas, com certeza, é construir um futuro de muitas oportunidades para nossas crianças e jovens.

TRABALHO EM TODO CANTO PRA TODA NOSSA GENTE. www.pa.gov.br

www.paramais.com.br

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Pará+ 145  

Criação de ostras no Pará Preservação das florestas e água Paraenses na 2ª guerra mundial O guerrilheiro cultural

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