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abril 2010

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 101

6,00 3

AÇOS LAMINADOS DO PARÁ

>>> CEAMAZON: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA >>> A POSSE DE DOM ALBERTO TAVEIRA


EDIÇÃO 101, ABRIL 2010

prévia da ALPA, a 06 Licença siderúrgica aços laminados

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Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia - CEAMAZON

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Dom Alberto Taveira, o 10º arcebispo metropolitano de Belém

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Primeira casa da época de Jesus é encontrada em Nazaré

de Aceleração 28 OdoPrograma Crescimento 2

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Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial

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O mundo é linguagem

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES: Anderson CavalcanteAnete Ferreira, Camillo M. Vianna, Edson Coelho, Dunga, Noélio Sobrinho, Sergio Pandolfo, Valmor Bolan, Yardane Alexandre; FOTOGRAFIAS: Arquivo Centro Interpretativo - Museu dos Descobrimentos; David Alves,Eliseu Dias, Eunice Pinto/Ag.Pá ; Marcelo Martins; Nádia Souza; Ricardo Stuckert/PR e Valter Campanato/Abr; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios

OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

PA-538

40 ProJovem Urbano no Pará Surf na Pororoca agitou o 42 município de São Domingos do Capim

45

Outros dias da mentira

Capa: Fase de

fabricação de

gica

aço em siderúr


A ALPA será instalada nestes 1.035 hectares

LICENÇA PRÉVIA DA ALPA,

A SIDERÚRGICA AÇOS LAMINADOS DO PARÁ O início da verticalização é um marco na história do desenvolvimento no Pará. Seremos uma das regiões mais ricas e desenvolvidas do Brasil

A

governadora Ana Júlia Carepa entregou semana passada em Marabá, sudeste do Estado, a licença prévia da Siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), com investimento de 3,7 bilhões de dólares. Centenas de pessoas chegaram ao local em caravanas para presenciar o momento histórico. Políticos, empresários, prefeitos e lideranças comunitárias se concentraram em torno da

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Fotos: David Alves/Ag Pa

tenda armada na área do futuro pátio de minérios da siderúrgica. Ana Júlia chegou acompanhada pelo presidente da Vale S.A. Roger Agnelli e foi muito aplaudida. A licença prévia garante o início das obras de terraplanagem na futura área da Alpa em dois meses. Em seu discurso, a governadora fez um breve balanço das obras que o Governo Popular realiza em Marabá, com destaque para a ampliação e revitalização do Distrito Industrial, no qual será erguido o

novo polo metal-mecânico da região. "No Distrito Industrial nós teremos a verdadeira verticalização mineral do Estado, abrindo um novo ciclo da economia paraense", disse. A governadora também adiantou que esteve em Brasília durante o lançamento do PAC-2, onde estão previstos mais investimentos para a região de Carajás. "Nunca o Pará recebeu tanto recurso e a cidade de Marabá está incluída com mais projetos estruturais e de benefício para paramais.com.br


Momento de gratidão e cumprimentos à governadora pela obra da Alpa

povo", destacou, acrescentando ainda que, o governo está realizando obras de ampliação do sistema de abastecimento de água, duplicação da ponte sobre o rio Itacaiúnas, revitalização do bairro do Cabelo Seco, instalação de infocentros, entre outras ações que estão ajudando a melhorar o quadro sócio-econômico do município.

História O secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, disse que o Governo Popular faz história ao viabilizar empreendimentos do porte da Alpa, com repercussões na economia das regiões Norte e Centro-Oeste do País. Não temos dúvida de que esta solenidade é um divisor de água na história da indústria do Pará

O nosso papel é fomentar o crescimento da produção siderúrgica no Brasil e, para isso, estamos buscando as melhores tecnologias, os melhores processos

O secretário fez uma analogia com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, por Getúlio Vargas, iniciativa que resultou na indústria automobilística e naval no Brasil, com o diferencial de que os recursos eram do tesouro nacional. No caso da Alpa, o secretário frisou que os investimentos são da área privada, o que não compromete recursos do governo, que continuará investindo em educação, segurança, transporte, entre outros segmentos básicos para o desenvolvimento sócioeconômico do Estado. O empreendimento também terá vai gerar empregos graças à transformação do minério em aço. O secretário lembrou ainda que a obra da Alpa está associada ao término das obras das eclusas de Tucuruí e da hidrovia Araguaia-Tocantins. "Estamos num Estado democrático que atrai o investimento e a confiança do empresariado. A instalação da Alpa é resultado de uma articulação de interesse do Governo, que resultou num investimento de seis bilhões de reais. Por isso, não temos dúvida de que esta solenidade é um divisor de água na história da indústria do Pará", disse.

Foco na formação de profissionais da região Para a capacitação de profissionais especializados para o empreendimento, a Vale e os Governos Federal, do Estado do Pará e do município de Marabá desenvolverão programas de formação, capacitação e qualificação voltados para a paramais.com.br

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A licença prévia garante o início das obras de terraplanagem na futura área da Alpa em dois meses, afirmam os novos dirigentes da nova siderúrgica

comunidade regional. Nesse sentindo, o primeiro passo foi dado com o lançamento do Programa de Preparação para o Mercado de Trabalho, em novembro do ano passado, com o objetivo de qualificar moradores residentes na área de influência do projeto para que possam concorrer aos postos de trabalho que serão gerados na região em função da No Distrito Industrial nós teremos a verdadeira verticalização mineral do Estado, abrindo um novo ciclo da economia paraense

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implantação da nova siderúrgica e de outros empreendimentos. Em janeiro deste ano foram iniciadas as aulas do Programa direcionado, prioritariamente, a Aços Laminados do Pará. O programa conta com parceiros, como o Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (S Em janeiro deste ano foram iniciadas as aulas do Programa


O prefeito de Marabá Maurino Magalhães, prefeitos da região e outras personalidades também acompanharam a governadora na solenidade

direcionado, prioritariamente, à Aços Laminados do Pará. O programa conta com parceiros, como o Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai), Sistema Nacional de Emprego (Sine), Obra Kolping do Brasil, Inove, além dos governos federal, estadual e municipal. Dezessete cursos de formação fazem parte do Programa de Preparação para o Mercado de Trabalho, que abrange, também, as áreas de ajudante de obra civil, mecânico montador, mecânico ajustador, carpinteiro, montador de andaimes,

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Nunca o Pará recebeu tanto recurso e a cidade de Marabá está incluída com mais projetos estruturais e de benefício para povo

auxiliar de topografia, soldador e eletricista. Os treinamentos acontecerão ao longo de 2010 e 2011. Além disso, com o apoio do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), do Governo do Pará, e do Programa Inove, coordenado pela Vale, a empresa continuará estimulando os fornecedores locais a buscarem alternativas competitivas para atender às futuras demandas da Vale por produtos e serviços.

Diplomas Na solenidade, os primeiros alunos dos cursos de preparação de mão-de-obra da Alpa foram diplomados. Seis futuros colaboradores da Alpa subiram ao palco para receber o carinho da governadora Ana Júlia Carepa. O jovem André Lima Alves, 26 anos, que concluiu o curso de ferreiroarmador foi o primeiro a receber o seu diploma. Ainda emocionado, ele disse que agora tem uma profissão e que está pronto para exercê-la daqui em diante.

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Primeiros alunos dos cursos de preparação de mão-de-obra da Alpa foram diplomados

A dona-de-casa Carla Andressa Silva, 34 anos, recebeu o diploma do curso de cozinha industrial e disse que já prepara almoços e jantares para ocasiões festivas. "Estou muito feliz. Isso é a realização de um sonho", disse. Única mulher da turma de almoxarifado, Andiskley Gomes Santos, 31 anos, disse que o curso foi maravilhoso e que agora ela está mais preparada para enfrentar o mercado de trabalho. Doracilda da Silva fez o curso de assistente administrativo e já está trabalhando, após conseguir uma vaga no Sine de Marabá. "Só tenho que agradecer à governadora por tudo que ela tem feito por nós", disse.

Caravanas O espaço para oitocentos lugares ficou

pequeno para tanta gente. Mais de vinte ônibus com caravanas de dez municípios lotaram as dependências do local erguido no Km 14 da BR 230 (Transamazônica), futura endereço da Alpa. Ninguém escondia a emoção por estar vivendo um dia histórico. O presidente da Associação dos Produtores Rurais da Vila Monte Sinai, área rural de Marabá, estava com 54 agricultores na festa. Ele disse que estava ali para agradecer à governadora e pedir mais apoio para aumentar a produção da vila. Segundo ele, a produção de feijão, arroz, verduras e legumes não atende a demanda. "Queremos apoio para legalizar nossa associação e vender mais", disse. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itupiranga, Raimundo Costa Oliveira também fez questão de parabenizar a governadora.

EXPRESSO VAMOS + LONGE POR VOCÊ ! 10

"Fretamos dois ônibus para ver nossa governadora, pois este empreendimento vai trazer muita melhoria para o nosso povo. Governadora, a senhora está de parabéns", disse, ao informar que, nesta quarta-feira, o município de Itupiranga realizou a audiência pública sobre a hidroviaAraguaia-Tocantins. Outras caravanas de políticos e empresários também estavam presentes. Os secretários de Estado André Farias (Integração Regional), Aníbal Picanço(Meio Ambiente) e Maurílio Monteiro (Desenvolvimento, Ciência e Te c n o l o g i a ) a c o m p a n h a r a m a governadora Ana Júlia Carepa. A deputada Bernadete Tem Caten, os deputados federais Paulo Rocha, José Geraldo, Asdrúbal Bentes, Gerson Peres e o deputado estadual Gabriel Guerreiro

MATRIZ: ANANINDEUA-PA BR 316 - KM 5, S/N - ANEXO AO POSTO UBN EXPRESS ÁGUAS LINDAS - CEP: 67020-000 FONE: (91) 3321-5200

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Agora tenho uma profissão e estou pronto para exercê-la daqui em diante

Para a posteridade...

também prestigiaram o evento, sendo lembrados pela governadora como partes importantes no processo de desenvolvimento do Estado. Liderados pelo prefeito de Marabá Maurino Magalhães, prefeitos da região também acompanharam a solenidade. Para a maioria deles o momento foi de gratidão e cumprimentos à governadora pela obra daAlpa.

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Só tenho que agradecer à governadora por tudo que ela tem feito por nós

A instalação da Alpa é resultado de uma articulação de interesse do Governo, que resultou num investimento de seis bilhões de reais

Alpa A partir da licença prévia, a expectativa da Vale S.A. é iniciar os serviços de terraplanagem no mês de junho e as demais etapas da obras, em outubro. O empreendimento compreende a instalação de um sistema totalmente integrado a partir da construção de uma siderúrgica para produzir aços laminados e placas, a construção de um acesso ferroviário para receber o minério de ferro de Carajás, a construção de um terminal fluvial para receber o carvão mineral e fazer o escoamento da produção siderúrgica até o terminal de Vila do

Conde, em Barcarena. "O nosso papel é fomentar o crescimento da produção siderúrgica no Brasil e, para isso, estamos buscando as melhores tecnologias, os melhores processos", disse P o presidente da Vale, RogerAgnelli.

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Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia - CEAMAZON O primeiro conjunto de laboratórios do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá

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m três anos, investimos mais de R$ 103 milhões em ciência e tecnologia. A inauguração deste parque de ciência e do Ceamazon é resultado desses investimentos recordes, mais que outros governos investiram em 20 anos". Assim a governadora Ana Júlia Carepa definiu a inauguração do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), o primeiro conjunto de laboratórios do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em área

Reunindo oito laboratórios, o Ceamazon contribuirá para a eficiência energética de grandes e pequenos empreendimentos

por Edson Coelho fotos: David Alves/Ag Pa

contígua à Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. A cerimônia teve a presença de autoridades governamentais e de instituições de ensino e pesquisa, além do presidente da Eletrobras, José Muniz Lopes. Na cerimônia, a professora Maria Emília Tostes, diretora do Instituto de Tecnologia da UFPA, explicou que o Ceamazon, constituído por oito laboratórios, contribuirá para a eficiência energética, economia de energia e redução de custos

no Pará, para grandes e pequenos empreendimentos. "Também vamos contribuir na adequação e implantação de normas e padrões, além de contribuir com a formação de recursos humanos de maior qualificação", frisou ela. Maria Emília disse ainda que a eficiência energética será conquistada, no Ceamazon, por pesquisas que consideram, entre outros fatores, as características ambientais e climáticas da Amazônia. "Nosso plano de negócios inclui novos produtos, consultorias,


A inauguração do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia CEAMAZON, no campus da UFPA

projetos, ensaios, ensino e pesquisa na área da energia. Tudo isso em cooperação com outros laboratórios estratégicos, como o de Óleos Vegetais e o de Biotecnologia, que serão abrigados neste mesmo parque de ciência", acrescentou.

Conhecimento O secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, destacou que o governo do Estado investe R$ 78 milhões no Parque de Ciência e Tecnologia, como forma de agregar mais intensidade a produtos e processos produtivos, induzindo um novo modelo de desenvolvimento no Pará, em que o conhecimento é agente fundamental de competitividade. "Em última instância, nossa intenção é melhorar a vida das pessoas por meio da ciência, como no caso do Ceamazon: o centro vai otimizar o consumo de energia, tanto de paramais.com.br

Para José Muniz Lopes, presidente da Eletrobrás, com os investimentos em tecnologia o Pará dá exemplo de futuro para o mundo

siderúrgicas quanto de panificadoras e das fábricas de cerâmica vermelha", destacou. Maurílio Monteiro ressaltou que o governo constrói um Sistema Paraense de Inovação (Sipi), que articula o conhecimento mundial em ciência e tecnologia com as dinâmicas regionais, aproximando empresas e instituições de pesquisa, produzindo inovação e gerando empregos. "Por isso construímos três parques de ciência (em Belém, Marabá e Santarém), como forma de dar ao Pará condições reais de melhorar as condições de vida da população", disse o secretário. O presidente da Eletrobras, José Muniz Lopes, afirmou que, com os investimentos em ciência e tecnologia e a Maurílio Monteiro, secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, assina o protocolo de intenções entre o governo do Estado , por meio da FAPESPA com o SEBRAE e a Fundação Guamá, tendo como interveniente a SEDECT, e a assinatura do acordo de Cooperação entre o Governo do Estado, por meio da SEDECT com a ELETROBRAS

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inauguração do PCT Guamá, "o Pará dá exemplo de futuro, para a Amazônia, para o Brasil e para o mundo. É uma grande alegria estar aqui, como foi uma grande alegria estar no Piauí, onde realizamos obras de R$ 1 um bilhão. O Brasil está mudando, promovendo a redução de desigualdades regionais". O reitor da UFPA, Carlos Maneschy, elogiou a política de ciência e tecnologia do governo do Estado, que segundo ele "tem no conhecimento um importante insumo econômico, inaugurando uma nova história no Pará e na Amazônia". Carlos Maneschy destacou que "este parque de ciência, e a inauguração deste

laboratório, marcam a realização de grandes sonhos, ao mesmo tempo que anunciam uma nova era e novos desafios."

Inovação A governadora Ana Júlia Carepa lembrou que, em seu primeiro discurso como senadora, defendeu um novo modelo de desenvolvimento para o Pará, com ênfase em ciência, tecnologia e inovação. Maria Emília Tostes, diretora do Instituto de Tecnologia da UFPA, explicou que o Ceamazon, constituído por oito laboratórios, contribuirá para a eficiência energética, economia de energia e redução de custos no Pará, para grandes e pequenos empreendimentos

Ao lado de autoridades governamentais e representantes de instituições de ensino, Ana Júlia Carepa conheceu as instalações do Ceamazon

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Operários que trabalham no PCT Guamá entregaram à governadora Ana Júlia Carepa uma foto de toda a equipe

Ana Júlia e o reitor da UFPA, Carlos Maneschy, assinam o convênio entre o PCT e as indústrias da panificação e de cerâmica vermelha

Durante a inauguração do CEAMAZON

"Depois, ainda senadora, fui à Espanha e o que mais me impactou foi a visita a um parque de ciência e tecnologia, que lá era usado para reduzir as desigualdades econômicas e sociais. Pensei: precisamos fazer isso no Pará. Por isso, a inauguração do parque e do Ceamazon é um dia tão especial", declarou. A governadora destacou as medidas que culminaram na verticalização de várias cadeias produtivas no Pará, como a da indústria florestal (com a Floraplac, no município de Paragominas, que produzirá MDF), do cacau (uma fábrica de chocolate é construída em Medicilândia, paramais.com.br

no oeste do Estado) e do setor mineral (construção da siderúrgica Alpa, em Marabá, e da Sinobras, que já produz aço desde 2008). "Atuamos como Estado indutor, que garante infraestrutura e opera concertações entre os entes econômicos, com o fim de melhorar a competitividade em todo o Estado", ressaltou. Ana Júlia Carepa disse ainda que, nos governos anteriores, dirigidos pelo PSDB, tanto no Brasil quanto no Pará "se praticou a lógica do Estado mínimo, com privatizações desenfreadas, e sem investimentos em infraestrutura, por exemplo. O neoliberalismo deixou às

dinâmicas de mercado as principais questões econômicas, pagando um preço caro: a pior crise econômica já enfrentada pelo mundo." Ao final do ato de inauguração, foi assinado um convênio de cooperação entre o PCT Guamá e as indústrias da panificação e de cerâmica vermelha, as primeiras a usar o Ceamazon para melhorar sua eficiência energética. E um grupo de operários (representando os 80 trabalhadores do PCT Guamá) entregou à governadora uma foto de todos eles reunidos na obra. P 15


Dom Alberto Taveira Corrêa, o 10º arcebispo metropolitano de Belém A posse de um novo pastor é uma das maiores festas da Igreja fotos David Alves, Eliseu Dias/Ag Pa

salva de palmas e curtos coros com músicas religiosas, prosseguiu: "Só tenho a oferecer minha vida para trabalhar na construção da vida de Igreja". Durante a carreata, que passou pelas avenidas Júlio César, Almirante Barroso, Governador José Malcher até chegar à travessa Dr. Moraes. Várias paradas foram feitas para o novo arcebispo receber boas-vindas e homenagens. Monsenhor Raimundo Possidônio, que acompanhou o arcebispo do aeroporto até a residência, afirmou: “Sinto que a missão está cumprida”. Ao chegar à residência episcopal, Dom Alberto , mesmo aparentemente cansado, mostrou que veio cheio de fé, vigor e idéias para a Arquidiocese de Belém, além d a v o n t a d e d e t r a b a l h a r. " F i c o emocionado com as boas-vindas. É uma grande emoção ver essa alegria para o trabalho em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na igreja de Santo Alexandre

D

om Taveira, chegou à capital paraense no Aeroporto Internacional de Belém, e foi recebido com muita festa. O novo arcebispo metropolitano de Belém, ganhou homenagens de fiéis, pastorais, membros da Igreja e até da banda da Guarda Municipal. Na recepção de acolhida, também estiveram o monse nhor Raimundo Possidônio, ainda administrador diocesano de Belém desde a saída de Dom Orani João Tempesta em abril do ano passado, e a governadora do Estado, Ana Júlia Carepa. Após a recepção, Dom Alberto seguiu em carro aberto até a residência episcopal, na travessa Doutor Moraes. As primeiras palavras de Dom Alberto Taveira foram “Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo". Após uma longa 16

Autoridades recepcionaram Dom Alberto Taveira Corrêa, o novo arcebispo de Belém, com uma cerimônia em sessão solene, na igreja de Santo Alexandre, no bairro da Cidade Velha. Participaram do evento, além da governadora Ana Júlia Carepa, o presidente do Tribunal de Justiçado Estado (TJE), desembargador Rômulo Nunes, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-Pa), desembargador João Maroja, e o presidente da Câmara Municipal de Belém e prefeito em exercício, WalterArbage.

Entre os representantes da Igreja, estavam Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico do Brasil, Dom Geraldo Lírio Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, monsenhor Raimundo Possidônio, administrador arquidiocesano de Belém, e Dom Vicente Zico, arcebispo emérito da capital e vários sacerdotes. Dom Alberto Taveira Corrêa foi saudado em nome do clero, pelo padre Cláudio Barradas. Em seu discurso, ele destacou todas as dificuldades econômicas e que apesar de um número reduzido de sacerdotes, a arquidiocese de Belém consegue superar-se por sua grandeza e pela riqueza cultural, histórica, religiosa e pela fé do povo paraense. Ele fez questão de lembrar que todos estarão sempre ao lado do novo arcebispo. Em seu discurso DomAlberto Taveira Corrêa agradeceu a hospitalidade que tem recebido desde que chegou a Belém e elogiou a fé, a devoção e a cultura do povo paraense, falou sobre a hospitalidade dos paraenses, dizendo se sentir em casa. "Comecei a conhecer Belém pelo que a cidade possui de melhor: a sua gente. Esta festa de acolhida é muito significativa", declarou DomAlberto Taveira. O líder religioso manifestou sua vontade de contribuir e dar continuidade aos trabalhos de seus antecessores, Dom Orani e Dom Zico. "Tenho toda a disposição de fazer o bem, existe no meu coração essa disposição de servir". "A estrada da Igreja passa pelo coração humano, ajudem-me a ser o que vocês

Ainda no aeroporto Dom Alberto Taveira agradece a recepção

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A Governadora Ana Júlia Carepa recebeu o novo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira

esperam", disse ele. Dom Orani disse estar seguro de que Belém ganhará muito com a vinda de Dom Alberto Taveira, que possui um vasto currículo como líder católico em cidades como Belo Horizonte, Brasília e Palmas. Dom Taveira, chegou à capital paraense no Aeroporto Internacional de Belém, e foi recebido com muita festa

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Em suas primeiras palavras como arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira falou sobre Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora das Graças e destacou sua opção mariana na forma de conduzir o rebanho. "Nossa missão é evangelizar a partir do exemplo de Maria"

"Neste momento começa uma nova e bela história para o povo de Belém", disse Dom Orani, que completou: "Eu desejo que ele (Dom Alberto) possa ser tão ou até mais feliz do que eu fui nesta bela arquidiocese". A governadora saudou dom Alberto como mais um membro da família paraense. Ela disse que assim como foi com Dom Orani o governo estadual vai estar sempre ao lado da igreja na promoção da fé e em projetos sociais para desenvolver o Estado e melhorar a vida dos que mais precisam e estacou a importância da parceria entre Governo e Igreja na luta pelas causas sociais, dando como exemplo a implantação do sistema de captação de água da chuva em comunidades das ilhas de Urubuoca e Jutuba, cuja população sofria com doenças ocasionadas pela falta

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de água potável. A ação foi realizada em 2009 pelo governo do Estado e pela Cáritas de Belém. "É uma parceria salutar e necessária para o desenvolvimento social. Nós temos que ter um trabalho de inclusão, de oportunidades, e a Igreja, com certeza, é parceira", afirmou a governadora. A governadora pediu que Dom Alberto seja o grande articulador do diálogo ecumênico entre as religiões, para que a diversidade possa se unir em tomo de um grande projeto de desenvolvimento social e de paz. Representante do Vaticano no Brasil,

Dom Lorenzo Baldisseri também ressaltou a importância de "estreitar os laços de fraternidade" entre a Igreja e os governos estadual e municipal a fim de alcançar o progresso. "Minha presença aqui significa a proximidade de toda a comunidade católica junto às autoridades civis de uma região, no momento em que ela recebe o novo arcebispo". Para ele, a união de forças favorece o social e o espiritual ao mesmo tempo. E Dom Lorenzo deixou uma mensagem aos fiéis: "Que Deus proteja o povo dessa terra, a quem desejo uma abundante colheita de paz e prosperidade". A cerimônia foi encerrada com uma apresentação do Coral Carlos Gomes e um sensacional recital de piano de Dom Lorenzo Baldisseri, em homenagem ao arcebispo Dom Alberto Taveira. O recital de piano teve belo repertório de Michael Kleofás Oginski, Éric Satie, Vilas-Lobo, Schumann e Chopin. Aplaudidíssimo, foi elogiado por todos os presentes.

A cerimônia se desenvolveu em duas partes: A primeira, chamada posse canônica, quando Dom Lorenzo Baldisseri, leu a "Bula de Nomeação Episcopal", do papa Bento XVI. A segunda, uma celebração eucarística – a missa de posse.

Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo metropolitano de Belém

A posse canônica Em frente à igreja, muitos fiéis, assistiam a tudo, mesmo sob fina chuva, ao lado do cordão de isolamento formado pela Guarda de Nossa Senhora. No interior da Sé, participaram da celebração a governadora Ana Júlia Carepa, o presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), deputado Domingos Juvenil, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJE-Pa), desembargador Rômulo Nunes, o presidente da Câmara de Vereadores, Walter Arbage, secretários de governo, outras lideranças, convidados, Dom Alberto seguiu em carro aberto até a residência episcopal

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paroquianos de Belém, de outras cidades do País, como Palmas (TO) e Nova Lima (MG), 39 Arcebispos e Bispos de várias regiões do Brasil, e representantes das 59 paróquias que integram a arquidiocese estavam presentes, lotando a Catedral, no bairro da Cidade Velha, para dar as boasvindas ao arcebispo. Dom Orani Tempesta ao chegar, foi recebido por forte salva de palmas de fiéis. A cerimônia começou com a procissão de entrada dos diáconos, seminaristas, sacerdotes, e bispos presentes. Logo em seguida aconteceu a Entrada Pontifical de Dom Alberto, do administrador apostólico, Monsenhor Raimundo Posidônio e do Núncio Apostólico, Dom Lorenzo, representante do papa Bento XVI. Monsenhor Raimundo Possidônio, ainda administrador arquidiocesano de Belém, fez seu pronunciamento, falou da importância da cerimônia para a comunidade católica apostólica romana da cidade, destacou o crescimento da Igreja Católica em Belém a partir de 1980. "A nossa missão é a do diálogo ecumênico, a vivência na sociedade, a ação social. É nas pequenas comunidades que precisamos enfatizar a evangelização", e concluiu: “Hoje, estamos felizes porque temos um pai, um pastor. Não estamos mais

sozinhos. Seja bem- vindo, Dom Alberto. Aqui está o seu povo", disse, muito emocionado. Em seguida, Dom Lorenzo, o núncio apostólico após congratular-se com Dom Alberto, fez breve pronunciamento: Disse que dom Alberto chega a Belém munido de uma rica experiência, lembrando do trabalho pioneiro realizado por ele na arquidiocese de Palmas (TO) durante os

últimos 14 anos. "Estou certo de que seu pastoreio aqui ficará marcado pelo espírito de serviço. Mais importante do que presidir é servir", afirmou. Ele também agradeceu e parabenizou aos dois últimos arcebispos de Belém, dom Orani e dom Vicente Zico. Em seguida entregou a Dom Alberto , o báculo, uma espécie de cajado que representa simbolicamente, a condução

A governadora, o núncio e o novo arcebispo de Belém: diplomacia na cerimônia de acolhimento, ocorrida na igreja de Santo Alexandre

A mesa oficial da sessão solene de acolhimento ao novo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa,pelas autoridades locais, na Igreja de Santo Alexandre

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Após dar as boas vindas ao arcebispo, a governadora presenteou Dom Alberto com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo da devoção paraense

de um rebanho. Após receber o báculo das mãos do Núncio Apostólico, Belém, oficialmente tinha Novo Pastor, estava empossado o novo arcebispo metropolitano – Dom Alberto Taveira Corrêa. Em seguida, c sentou-se pela primeira vez na cadeira Episcopal, e foi

cumprimentado por bispos, diáconos e outros religiosos, e algumas personalidades. Depois, saiu do interior da Catedral, foi até à sacristia e se paramentou para a missa. Do lado de fora a chuva não afastava os fiéis que esperavam para velo. Dom

Alberto foi aplaudido pela multidão que acompanhava a cerimônia externamente. Ao reentrar, celebrou sua primeira missa, já como arcebispo metropolitano, concelebrada pelos outros bispos presentes e teve a assistência pontifícia do Núncio Apostólico. Durante a homilia, Dom Alberto falou sobre a emoção e a

A governadora do Pará, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré e o novo arcebispo de Belém

A governadora do Pará, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré e o novo arcebispo de Belém

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A governadora Ana Júlia Carepa e Dom Orani João Tempesta,arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro paramais.com.br


Dom Alberto Taveira, empossado durante cerimônia na Sé, declarou que está disposto a dar a vida pela arquidiocese de Belém

Minha luta será "em favor de todos: pobres, crianças, idosos, doentes e marginalizados"

Dom Alberto Taveira Corrêa entre Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico do Brasil e o monsenhor Raimundo Possidônio, então administrador arquidiocesano de Belém na Igreja de Santo Alexandre

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Apresentação do Coro Carlos Gomes, durante a Sessão Solene

Muitas autoridades, entre elas a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, prestigiaram a posse do novo chefe da Igreja Católica de Belém

Durante a posse canônica do novo Arcebispo Dom Alberto Taveira Corrêa

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Tenho toda a disposição de fazer o bem, existe no meu coração essa disposição de servir

Dom Lorenzo Baldisseri, fez um recital de piano sensacional, com belo repertório de Michael Kleofás Oginski, Éric Satie, Vilas-Lobo, Schumann e Chopin, ao final foi aplaudidíssimo. Bravo!

Cerca de duas mil pessoas participaram da cerimônia de posse de dom Taveira dentro da catedral. Quem não teve acesso ao templo, viu por meio de telões

entrega à sua nova missão. "Vim para dar a minha vida, para cuidar de cada um de vocês", disse. O arcebispo metropolitano afirmou que a contribuição da arquidiocese se dará através do diálogo, não só com os cristãos, mas com as pessoas de diferentes convicções. Ele afirmou que sua luta será "em favor de todos: pobres, crianças, idosos, doentes e marginalizados". Durante o evento, o clero acolheu e prometeu obediência ao Novo Pastor, um gesto que indica plena comunhão com DomAlberto. A governadora, que acompanhou tanto a 22

cerimônia quanto a missa, falou sobre a forte participação popular. "A demonstração de fé do nosso povo é algo que sempre nos toca, nos emociona", afirmou. E falou sobre as expectativas do governo quanto ao novo arcebispo: "Que nós continuemos fazendo parceria com a Igreja porque o princípio da Igreja, que também é nosso, é: trabalhar para todos, mas trabalhar, principalmente, para os mais necessitados". P

“Vim para dar a minha vida, para cuidar de cada um de vocês" paramais.com.br


“O COLÉGIO MODERNO NÃO OBJETIVA APENAS PASSAR CONTEÚDOS, MAS PREPARAR TODOS PARA A VIDA NA SOCIEDADE MODERNA”. Profª Vitória Silva Coordenadora Pedagógica do Ensino fundamental II

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Profª Vitória Silva

Fone: 3204-3578 Trav. Quintino Bocaiúva, 1808


85 m² foram descoberto, mas a casa poderia ser maior

Primeira casa da época de Jesus é encontrada em Nazaré

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oram encontrados em Nazaré, a algumas dezenas de metros da Basílica da Anunciação, resquícios de uma casa construída na época de Jesus, a primeira descoberta do tipo feita no lugar onde Cristo passou sua infância, anunciou nesta segunda-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel. Arqueólogos não traçaram uma ligação

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direta entre a casa em Nazaré e Jesus. A construção tinha dois quartos e um pátio com uma cisterna de pedra que armazenava a água da chuva. No local, também foram achados fragmentos de vasilhas de gesso, que só eram usadas pelas famílias judaicas em datas religiosas. "É uma típica casa na qual viviam judeus. Portanto, Jesus também pode ter morado

nela. Nazaré era uma pequena aldeia e, na época da guerra contra Roma, no século I, este recinto pode ter sido usado como refúgio", pois não houve batalhas no povoado, disse Yardenna Alexandre, que comandou a escavação perto da igreja. "No século II, parece que (a propriedade) deixou de ser utilizada, porque não encontramos nada acima do estrato do primeiro século", acrescentouAlexandre. paramais.com.br


Arqueólogos trabalham no local onde foram encontrados resquícios de uma casa construída na época de Jesus

Yardenna Alexandre inspeciona cerâmica romana do século 1 dC encontrada em uma escavação que revela pela primeira vez uma casa, Jesus era judeu da vila de Nazaré, na cidade bíblica de Israel do norte. A casa foi descoberta em uma escavação realizada antes da construção do Centro Internacional Mariano de Nazaré pela comunidade da cidade da Galiléia Chemin Neuf junto à Igreja da Anunciação

Yardenna descreveu Nazaré, hoje a maior cidade árabe de Israel, com cerca de 65 mil habitantes, como um "pequeno vilarejo" no tempo de Jesus.

Escavações na residência antiga de Nazaré

Muitos fiéis cristãos acreditam que quando a mãe de Jesus, Maria, era criança, D e a c o r d o c o m A l e x a n d r e , o s viveu numa caverna sobre a qual hoje fica arqueólogos também encontraram potes a imponente Igreja da Anunciação, em de argila, do tipo que era usado pelos moradores da Galileia Nazaré. (região onde hoje fica o "A descoberta tem enorme Arqueólogos israelenses importância porque revela revelaram que encontraram norte de Israel) na época, uma indicação de que a pela primeira vez uma os restos da primeira casa pertencia a uma casa do vilarejo judaico de família judia simples. Nazaré", disse Alexandre residência encontrada na "É provável que Jesus e em comunicado divulgado cidade de Nazaré, no norte seus amigos de infância p e l a A u t o r i d a d e d e de Israel, que pode ser da tenham conhecido a Antiguidades. "A época de Jesus Cristo. Um casa", afirmou a portaconstrução que voz em entrevista. encontramos é pequena e porta-voz da Autoridade "A partir das poucas modesta. É provável que Israelense para provas escritas seja típica das moradias de Antiguidades, Yardenna disponíveis, sabemos que Nazaré daquela época", Alexandre, informou que os a Nazaré do primeiro disse o arqueólogo. século da era cristã era um "Até agora já tinham sido restos de uma parede, uma e n c o n t r a d o s v á r i o s cisterna para coleta de água pequeno vilarejo judeu localizado em um vale", túmulos em Nazaré do tempo de Jesus, mas não da chuva e um refúgio foram d i s s e A l e x a n d r e , acrescentando que até tinham sido descobertos encontrados depois da agora "poucas sepulturas r e s q u í c i o s d e u m descoberta do pátio de um da época de Jesus foram assentamento na região encontradas, mas nunca atribuídos a essa época". antigo convento.

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Um poço também foi encontrado A antiga casa junto à Igreja da Anunciação

encontramos os restos de residências daquela época". Um poço também foi encontrado, e os arqueólogos calculam que ele foi construído como parte dos preparativos dos judeus para a Grande Revolta contra os romanos, entre os anos de 66 e 73 d.C. P

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Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

SEBRAE E ITÁLIA JUNTOS PELAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

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Estado do Pará – FAPESPA e tem a parceria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que está financiando 50% do projeto, e o Centro de Tecnologia para a qualidade da Madeira e do Mobiliário (COSMOB). Os parceiros locais no Pará são: UEPA, IF-PA, UFRA, U F PA , E M B R A PA , I D E F L O R , SINDIMÓVEIS, SEDECT, FAPESPA e IDESP.

riado em 2002, o Projeto Rede de Serviços Te c n o l ó g i c o s ( R S T ) nasceu como uma forma de cooperação entre Brasil e Itália, para a troca de conhecimentos e experiências na área das micro e pequenas empresas. A Itália oferece às micro e pequenas empresas a estrutura mais desenvolvida do mundo e possui 50 anos

Região de Marche na Itália

de experiência, especialmente na Região de Marche para o setor moveleiro. O objetivo do projeto é oferecer excelência em serviços tecnológicos no atendimento das demandas tecnológicas, tendo comprometimento, rapidez e confiabilidade, contemplando tecnologia e inovação, agregando valores, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e aumentando competência do setor moveleiro. Por conta da dificuldade de se estruturar às micro e pequenas empresas com inovação e tecnologia, a região norte do Brasil foi o ponto de partida da RST. O Pará e Amazonas iniciaram e Coordenam o Projeto e recebem investimentos da ordem de 5,1 milhões de dólares para a estruturação da Rede, Treinamentos, Consultorias e Laboratórios. Serão atendidas 300 empresas na totalização dos dois Estados. Depois, a RST será expandida para os outros estados da Amazônia, além de outros países vizinhos como Suriname, Guiana Francesa e Peru, dando condições para que as empresas sejam mais competitivas, fazendo uma interligação entre universidades, centros de pesquisa, empresas e pontos de atendimento. O Projeto RST está vinculado ao Sistema Paraense de Inovação (SIPI), criado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia - SEDECT junto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do A RST é um projeto que nasceu em 2002 como uma forma de cooperação entre Brasil e Itália para troca de conhecimentos na área das micro e pequenas empresas (MPE) 26

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www.pa.sebrae.com.br Projeto desenvolvido pelo SEBRAE, Governo do Estado, BID, Região de Marque oferece inovação para o Segmento de Madeira e Móveis e cooperação entre países

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ferecer excelência em serviços tecnológicos no atendimento das demandas, tendo comprometimento, rapidez, confiabilidade, contemplando tecnologia e inovação, agregando valores, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e aumentando competência do setor moveleiro. Este é o objetivo da Rede de Serviços Tecnológicos (RST). A RST é um projeto que nasceu em 2002 como uma forma de cooperação entre Brasil e Itália para troca de conhecimentos na área das micro e pequenas empresas (MPE), já que a estrutura oferecida às MPEs da Itália é a mais desenvolvida do mundo, com mais de 50 anos de experiência, especialmente na região de Marche. Além do SEBRAE/PA e Região de Marche na Itália, o projeto tem como parceiros o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que está financiando 50% do projeto, e o Centro de Tecnologia para a qualidade da Madeira e do Mobiliário (COSMOB). O projeto tem como ponto de partida a região norte do Brasil devido à dificuldade de estruturar, com inovação e tecnologias, o atendimento às MPEs na região, e sendo o Pará e o Amazonas os estados mais desenvolvidos, o projeto inicia neles, com possibilidade de expansão dos benefícios para outros estados e países da região Amazônica, como Suriname, Guiana Francesa e Peru, dando condições para que as empresas sejam mais competitivas e fazendo uma interligação entre universidades, centros de pesquisa e pontos de atendimento. O investimento inicial para os dois estados é de 5,1 milhões de dólares, pretendendo atingir cerca de 150 empresas. O RST está vinculado ao Sistema Paraense de Inovação (SIPI), criado pelo Governo do Estado, através da Secretaria

Mario Fabri, presidente do COSMOB, esteve em Belém para encontros com a governadora Ana Júlia Carepa e SEBRAE/PA

de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia - SEDECT junto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará – FAPESPA. Este modelo de desenvolvimento proposto é composta por três macro-objetivos: Melhoria da Qualidade de Vida para Todos; Gestão Participativa e Democrática; e Inovação para o Desenvolvimento. Desta forma, a RST pretende ser indutor do desenvolvimento econômico atrelado ao uso mais intensivo de ciência e tecnologia, na produção dos bens e serviços das micro e pequenas empresas regionais. Tal iniciativa busca integrar e ampliar as iniciativas de ensino, pesquisa e desenvolvimento, para um sistema regional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), com a ampla participação dos agentes públicos e privados, e a presença forte em todos os setores. Essa é uma tarefa de grande porte que exige não somente a participação das universidades, centros de pesquisa e do governo, mas também das empresas e de instituições da sociedade civil atuantes na região, como o SEBRAE/PA. Várias metas foram definidas até 2011. Essas metas têm por objetivo tornar

Durante a visita do Presidente do Centro Tecnológico do Setor de Madeira e Móveis (COSMOB) da Itália, Mário Fabbri, para debater questões referentes ao Projeto Rede de Serviços Tecnológicos (RST) paramais.com.br

realidade a visão estratégica da empresa. Até o momento o projeto já tem mão-deobra disponível, pontos de atendimento, laboratórios das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) avaliados e o desafio agora é capacitá-los com Certificação ISO/IEC 17025. Outro desafio é a implantação do espaço disponibilizado no Condomínio Empresarial do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT Guamá), em uma área de 400m². Até o momento vários avanços foram conseguidos, como a consolidação do regulamento, os conceitos de pontos de atendimento no Pará e Amazonas, a lista de prioridades de atendimento as 90 empresas inicialmente integrantes do projeto, lista de oferta de serviços e mecanismo de consultoria tecnológica, com o SEBRAEtec, criado para aproximar a tecnologia do dia-a-dia das micro e pequenas empresas. Os comitês estratégico e executivo do projeto estiveram recentemente na Itália, na cidade de Pesaro, na região de Marche, para conhecer e aprender com a experiência italiana sobre o trabalho em rede e de atendimento em serviços e tecnologia. Ocorreram visitas ao governo local, importante para a reafirmação do compromisso bilateral de desenvolvimento e transferência de tecnologia e experiências entre Brasil e Itália. Além disso, a comitiva brasileira realizou visitas a empresas do distrito industrial de Pesaro, onde ocorreu o encontro com os quatro designers paraenses contemplados com bolsas de estudo oferecidas pelo SEBRAE/PA, SEDECT e FAPESPA para cursarem a pós-graduação em Master em Design no COSMOB. Esta ação tem o objetivo de capacitar pessoal para consultoria às empresas. Para consolidação do projeto junto ao governo do Estado e demonstração da sua relevância internacional, nos dias 22 e 23 de março, o presidente do COSMOB, Mario Fabri, esteve em Belém para encontros com a governadora Ana Júlia Carepa e SEBRAE/PA. P Centro de Tecnologia para a qualidade da Madeira e do Mobiliário 27


O Programa de Aceleração do Crescimento 2

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Presidente Luís Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, lançaram oficialmente a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, participou cerimônia. A nova fase do programa prevê investimentos de R$ 1,59 trilhão, dos quais R$ 958,9 bilhões devem ser gastos de 2011 a 2014. Os R$ 631,6 restantes estão previsto para depois de 2014. A maior parte dos investimentos vai para a

Durante o lançamento da segunda fase do PAC

Fotos: David Alves/Ag Pa e Ricardo Stuckert/PR

energia (R$ 1,092 trilhão). Apenas com petróleo e gás estão previstos gastos de R$ 879 bilhões, e para geração de energia elétrica, R$ 136,6 bilhões. A exploração e produção do pré-sal terá R$125,7 bilhões, dos quais R$ 64,5 bilhões de 2011 a 2014 e R$ 61,2 bilhões a partir de 2014. Esses valores vão financiar avaliações nas seguintes áreas: Tupi, Nordeste, Carioca e Iracema. O início de produção está previsto para Guará, Iara, piloto de Tupi e BaleiaAzul Serão compradas 28 sondas para exploração e perfuração em águas profundas FPSO.

A previsão do PAC 2 para saneamento é de R$ 22,1 bilhões. Para prevenção em áreas de risco a previsão é de R$ 11 bilhões e para mobilidade urbana, R$ 18 bilhões. Para pavimentação, estão previstos R$ 6 bilhões. O total desses investimentos é de R$ 57,1 bilhões. Entre as diretrizes previstas no programa, estão a situação da coleta e tratamento de esgotos, com redes coletoras, estações elevatórias, interceptores e estações de tratamento, além da ampliação do tratamento de resíduos sólidos, como aterros sanitários e modernização tecnológica.


De acordo com Guido Mantega, ministro da Fazenda, Guido Mantega, os recursos previstos para a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) não se confundem com os valores do PAC 1. O PAC 2 vai incluir novos projetos com investimentos para o período 2011-2014. “E dinheiro novo. São projetos novos ou a parte nova de velhos projetos. Fase 2, fase 3 de projetos que já estão em andamento. É claro que, quando você terminar o PAC 1 , terminar o ano de 2010, você sempre terá restos a pagar”, disse Mantega. Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, que é também pré-candidata do PT à Presidência, afirmou que o programa tem a vantagem de deixar projetos prioritários definidos para o próximo governo. “Acredito que vamos deixar para quem venha suceder o nosso governo um planejamento, projetos prioritários”. “O PAC 2 reforça o caráter não apenas de infraestutura física, mas de infraestrutura social”. Em outro momento, Dilma afirmou que o programa não é apenas de uma sigla, uma lista ou um canteiro de

O presidente Lula anuncia o PAC 2, que prevê investimentos de R$ 1,59 trilhão, dos quais R$ 958,9 bilhões devem ser gastos de 2011 a 2014

obras, mas uma “realização humana”. Dilma falou sobre o Minha Casa, Minha Vida, que em março completa um ano, e afirmou que junto com o PAC, o programa irá reduzir pela metade o déficit habitacional no país. “Serão construídas 3 milhões de moradias. O déficit habitacional estava em 6 milhões, estaremos então reduzindo o deficit pela metade se cumprirmos esses dois programas”. Em um discurso menos técnico do que o de costume e encerrado com lágrimas, a ministra destacou ações do programa na área social.

Hidrelétricas e o Pará O governo pretende construir dez usinas hidrelétricas, de modelo plataforma, e mais 44 hidrelétricas convencionais com recursos do Programa de Aceleração Crescimento (PAC) 2 – um investimento que totalizará R$ 116 bilhões. As usinas plataforma se parecem com as estruturas para exploração de petróleo em alto-mar. Elas ficarão na Amazônia, em áreas isoladas. Assim, o Ministério de Meio Ambiente pretende aproveitar o potencial hídrico-energético da região,

Hidrelétrica de Tucuruí

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reduzindo os impactos ambientais. O estado do Pará será o que mais terá esse tipo de usina hidrelétrica – sete no total. Além delas, o estado também receberá as usinas convencionais de Belo Monte, Marabá e Santa Izabel. As duas primeiras são remanescentes do PAC 1. O Amazonas também terá uma usina plataforma e Mato Grosso, duas.

Luz para Todos

O ministro Guido Mantega explicando detalhes do PAC 2

Governadores Ana Júlia (PA), Sérgio Cabral (RJ) e Jaques Wagner (BA), durante cerimônia de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento 2

Os investimentos previstos para o Programa Luz para Todos totalizam R$ 30,6 bilhões. A área de água inclui o abastecimento nas áreas urbanas, com a construção e ampliação de adutoras e estações de tratamento, e também a irrigação para a agricultura e revitalização de bacias. Do total de R$ 30,6 bilhões que devem ser investidos entre 2011 e 2014, o programa Luz para Todos irá contar com R$ 5,5 bilhões com a meta de fazer 495 mil ligações de energia elétrica. Mais R$ 13 bilhões vão para o abastecimento em áreas urbanas e R$ 12,1 bilhões estão previstos para recursos P hídricos (agricultura e rios). Ministra Dilma Rousseff discursa durante cerimônia de lançamento do PAC 2

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Pará é um dos mais bem contemplados no PAC II

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hegou a vez do Pará se desenvolver de forma planejada e sustentável. A conclusão é da governadora Ana Júlia Carepa, em coletiva à imprensa sobre o Programa de Aceleração do Crescimento II (PAC II), que contemplará no Pará, inicialmente, cinco aproveitamentos hidrelétricos do Complexo Tapajós, na região de Itaituba; a adequação da PA-150 no trecho Marabá-Redenção que se transformará na BR-155; o projeto do novo aeroporto de Santarém; a hidrovia Marabá/Imperatriz; e ainda 18 terminais hidroviários. Segundo a governadora, esses projetos dialogam com investimentos feitos pelo governo do Estado para atrair empreendimentos que "mudarão o discurso sobre a verticalização dos produtos naturais paraenses". Um exemplo, ressaltou Ana Júlia Carepa, é a siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa) da Vale S.A., em Marabá, no valor de 3.7 bilhões de dólares. A empresa já obteve licença prévia para instalação e funcionará a partir de 2013. "Integrada à Alpa, teremos o projeto Aline da Aço Cearense, no valor de 1.5 bilhão de reais, que produzirá aços laminados e revestidos. Somados os dois empreendimentos, são quase 8 bilhões de reais de investimentos no Pará", calculou a governadora. Ela ressaltou que, para atrair os

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A governadora Ana Júlia Carepa durante coletiva à imprensa sobre o PAC II e ALPA, no Palácio dos Despachos: “Chegou a vez do Pará!"

empreendimentos, o governo do Estado investiu R$ 40 milhões na revitalização do Distrito Industrial de Marabá, construção das etapas 2 e 3 do mesmo distrito e desapropriações.

Mais empregos Com a entrega da licença prévia da Alpa, em Marabá ocorrerá uma mudança histórica no nosso Estado. Estamos criando um pólo metal-mecânico de indústrias no sul/sudeste do Estado, como fez Getúlio Vargas quando criou a Siderúrgica Nacional. Chegou a vez do

Pará!", reafirmou, destacando que a siderúrgica gerará 12 mil empregos na fase de construção. "Serão 12 mil pessoas do Pará empregadas com carteira assinada. A Vale acatou a nossa sugestão de que esses trabalhadores morem no Pará há pelo menos dois anos", disse. Além da área mineral, a governadora citou a empresa Floraplac, a primeira fábrica da região Norte a produzir madeira densificada (MDF) a partir de madeira reflorestada, localizada em Paragominas, isentada pelo governo do Estado de imposto nas operações de importação de maquinários e equipamentos. E ainda a primeira fábrica de chocolate da Amazônia, já construída em Medicilândia, que terá investimentos da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) na aquisição de equipamentos. O Pará é o segundo maior produtor de cacau do país. "Vamos mostrar que essas indústrias são possíveis aqui. E estimular que outras venham a se instalar", salientou.

Projetos O PAC II significa investimentos de R$ 960 bilhões, a serem aplicados entre 2011 e 2014 em grandes projetos de infraestrutura em habitação, água, luz, transportes e energia. "O Pará é um dos estados mais bem contemplados no PAC II. Estamos fazendo obras para o agora e para as gerações futuras", destacou a governadora. Os estados e municípios terão até o mês de junho para enviar seus projetos. No Pará, as prefeituras contarão com o apoio da Secretaria de Estado de Integração Regional (Seir), que mantém a Sala das Prefeituras. "A nossa meta é fazer um esforço em mutirão para elaboração desses projetos dos municípios", frisou a governadora. P

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Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial

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abertura desta conferência marca mais uma oportunidade que temos de refletir sobre as ações e analisar as propostas que contribuirão para valorizar cada vez mais a língua portuguesa”. Foi assim que o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, se expressou, ao inaugurar a exposição Linguagem Viagem - Em português todos se encontram, que faz parte da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial. O ministro citou o poema de Fernando Pessoa, Minha Pátria é a Língua Portuguesa, para expressar o apreço que tem pelo idioma. "Ao celebrar hoje a língua portuguesa, celebramos a vida", disse Amorim fazendo alusão ao poema do poeta português. Na presença de mais de 500 pessoas, o ministro destacou que a língua portuguesa é um idioma mestiço, falado por mais de 245 milhões de pessoas, de oito países, de quatro continentes. “Esse encontro vai contribuir para o fortalecimento do ensino da língua portuguesa nos meios internacionais, assim como será abordado o acordo ortográfico. A exposição também vai valorizar as influências vocais”, disseAmorim.

Fotos: Valter Campanato/Abr

Após o discurso do ministro e a abertura oficial da exposição, o público teve acesso a um espaço em que foram colocados versos de diversos autores lusófonos que a cada momento ficavam sob a luz, proporcionando um efeito visual fantástico, e aguçando a curiosidade das pessoas que queriam ler todos os versos expostos. A exposição foi montada de forma que o público faça um trajeto passando por

diversas etapas que determinam a evolução da língua portuguesa no mundo. Há explicações e citações de autores, alguns anônimos, que proporcionam aos espectadores momentos de reflexão sobre nosso idioma. “As naus de Portugal fizeram a língua portuguesa atravessar mares e aportar em diversos lugares”. Em outros pontos da mostra há ilustrações que nos remetem a diversas fases atravessadas pelo português, assim como a influência Durante a abertura da Conferência


O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, fala na abertura da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial

No percurso da exposição, o público passa por um túnel onde são exibidos vídeos mostrando a diversidade dos ritmos, como a influência do negro africano no samba brasileiro. Uma bancada exibe livros de diversos autores dos oito países membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e TimorLeste. Entre eles Cora Coralina, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Eça de Queirós. Depois dessa viagem por uma exposição que envolve todos esses países, o público assistiu a um espetáculo da cantora baiana.

Maria Bethânia recebida pelo idioma, como a língua da expansão: o latim vulgar; a península ibérica; o surgimento do galegoportuguês; o português medieval; expansão marítima portuguesa; as grandes navegações e novo mundo, outras línguas. A exposição reúne vídeos, painéis, livros e depoimentos de quem fez a história da língua portuguesa e se faz presente em

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versos, prosas, música. Os nomes são muitos, mas ali misturam-se gerações com alusão aos trechos de músicas de Caetano Veloso, com 'Sampa', Dolores Duran, com “Noite do Meu Bem”, Adoniran Barbosa, com “Saudosa Maloca”, Chico Buarque e Ruy Guerra, com “Fado Tropical” e Tom Jobim e Vinícius de Moraes, com "Garota de Ipanema".

Maria Bethânia interpretou poemas e textos de autores lusitanos e originários de países que têm em comum a língua portuguesa. A leitura dramática foi entremeada p o r t r e c h o s d e Maria Bethânia e c o n h e c i d a s c a n ç õ e s a Nossa Língua

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Participantes da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, na abertura da exposição "Linguaviagem"

brasileiras, como ABC do sertão, Romaria, Último pau de arara, Marinheiro só, Dança da solidão e Menino de Jaçanã. A intérprete estava acompanhada do violonista Luiz Brasil e do percussionista Carlos Cesar. Bethânia abriu a récita lendo texto escrito por ela, no qual falava desta experiência que não era inédita em sua trajetória artística. “A primeira vez que fiz uma leitura assim foi num câmpus Conselho de Ministros da CPLP

universitário. Depois, em outras casas de ensino. Sei que sou uma cantora popular, mas gosto de me expressar por meio da palavra falada. Gosto de emprestar minha vida, minha voz aos personagens e aos sentimentos dos autores”. Assim o fez em Quero ser tambor, do moçambicano José Craveirinha. Em seguida, Bethânia acrescentou: “Faço essa leitura aqui com honra e alegria. É uma novidade, numa casa onde prevalecem o bom senso, o diálogo, o entendimento, os ensinamentos tão úteis a todos nós. Me comove estar diante de tantos mestres que participam deste encontro de países de língua portuguesa”. Mais adiante, com emoção e carinho, lembrou o professor de português Nestor, lá de Santo Amaro da Purificação, 34

no Recôncavo Baiano, e a importância dele em sua formação. A cantora procurou deixar claro, em sua leitura, que os ensinamentos recebidos do professor a levou a aproximar-se da obra de Fernando Pessoa e de seus heterônimos, a ponto de se tornar uma especialista. O poeta foi lembrado com os pungentes poemas, como Num meio-dia de fim de primavera, de Alberto Caieiro, popularizado pela intérprete a partir do show e disco clássicos Rosa dos ventos; e Ultimatum, de Álvaro de Campos, que num dos versos diz: “...E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir/ Ultimatum a voz que confudis o humano com o popular”. Com entusiasmo, Bethânia exaltou o Brasil ao citar personalidades da literatura, música, cinema e teatro, que têm sua admiração, citando explicitamente Castro Alves, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Clarisse Lispector, Cecília Meirelles, Ferreira Gullar, Vinicius de Moraes, Luiz Gonzaga, Glauber Rocha e Fernanda Montenegro. E emendou declamando trecho de Língua, de Caetano Veloso, dando ênfase ao verso “…Gosto do Pessoa na pessoa/ Da rosa no Rosa/ Eu sei que a poesia está para a prosa/ Assim como o amor está para a amizade..” Ao final, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entregou um buquê de rosas à cantora e rendeu-se em elogios... encantando o público.

Faltam projetos de ensino A chefe do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da

Universidade de Brasília (UNB), Enilde Faulstich, sublinhou que é preciso colocar de lado a retórica e fazer da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa uma plataforma de lançamento de propostas concretas. A doutora em linguística é crítica em relação à falta de projetos de ensino e de aprendizagem dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que levem os cidadãos a exercitarem a utilização do português. Segundo Enilde Faulstich, o português deve ser ensinado ao lado das línguas locais e sem qualquer preconceito de que uma variedade é melhor do que a outra. “É necessária uma articulação efetiva, verdadeira, que possibilite o ensino da variedade do português sem que uma seja considerada melhor do que a outra. O mundo hoje é o da diversidade”, sublinhou. A professora da UNB afirma que é importante a implementação imediata do Acordo Ortográfico em todos os países da CPLP, assim como a dissipação das dúvidas por ele geradas, principalmente em relação ao hífen, questão que, na sua avaliação, deveria ser revista à luz dos conhecimentos lexicológicos. “Diminuir as inconsistências beneficiará o ensino à Domingos Simões Pereira, secretário geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

distância do português. Para isto é preciso que trabalhemos em conjunto. Não concordo que um único país dite as regras”, afirmou. Já a presidente do Instituto Camões, espera que a Conferência possa resultar “naquilo que é o desejo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um reforço da língua portuguesa como língua internacional e, sobretudo, numa estratégia conjunta para essa internacionalização”. “Pensamos que, quer o reforço do português nos organismos internacionais, quer uma estratégia que passe também por medidas que possam consolidar a entrada em vigor do Acordo Ortográfico” são paramais.com.br


fundamentais para essa internacionalização, disse Ana Paula Laborinho. “Outro aspecto que é essencial prende-se com ensino, quer do português nos países de língua portuguesa quer como língua estrangeira. Este é um aspecto que estará em destaque juntamente com o problema das diásporas. Portugal não é o único país que tem diásporas. Os outros também a têm e também querem encontrar meios para o ensino do português às suas diásporas”, afirmou.

"Estado de desenvolvimento do acordo ortográfico." A Conferência teve momentos importantes, como a discussão da padronização da grafia do português, mantendo na pronúncia as diferenças regionais e a cultura de cada localidade. O ponto alto das discussões – abertas à comunidade – foi a palestra "Estado de desenvolvimento do acordo ortográfico." De acordo com o representante do movimento Acordar Melhor, Ernani Pimentel, a iniciativa é de extrema importância e aprovada por diversos linguistas e profissionais da área. Porém, para chegar ao nível que o espanhol e o

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inglês chegaram no mundo, ainda é preciso percorrer um caminho paralelo ao traçado. "Nós que lidamos diretamente com o português ainda encontramos dificuldades com a escrita do 'j', do 'g', 's', 'c'. É preciso que haja mais simplicidade na língua e o aprendizado seja facilitado", ressalta o também professor de língua portuguesa. Segundo Ernani, é necessária uma integração de toda a população. Um grande avanço já foi conquistado pelo movimento: foi realizada uma audiência pública no Senado Federal para discutir o assunto. A partir do debate, os senadores decidiram criar uma comissão para repensar o acordo ortográfico e eliminar as dificuldades provocadas pela complexidade do português. Além disso, um abaixo assinado virtual está sendo feito no site www.acordarmelhor.com.br com o intuito de reunir o maior número de pessoas para a criação de fóruns de debates sobre o assunto. "Já temos 12 mil assinaturas oriundas de todo o país. Se tivéssemos um sistema ortográfico racional e lógico, sem exceções, sem duplas grafias, os alunos aprenderiam e não precisariam decorar nada", explica Pimentel.

Mário Lúcio Sousa, poeta, compositor e músico de Cabo Verde, foi ovacionado com três propostas: A Criação da Fundação para a Lusofonia, a Criação da Academia de Letras da Lusofonia; A Criação de uma Agência para a difusão das Artes

Falar português é uma "vantagem comparativa" O domínio da língua portuguesa deve ser visto como uma “vantagem comparativa” num mundo onde o inglês se tornou uma espécie de exigência básica, disse Domingos Simões Pereira, secretário geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Ele defendeu, na abertura da Conferência, a importância de uma estratégia de

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promoção internacional do idioma português. “O inglês passou a ser uma espécie de 'basic skill', que é quase exigido a todos, e que abre um leque de oportunidades a um conjunto de línguas, dentre as quais o português”, afirmou Domingos. “O fundamental é a estratégia que nós levamos para a promoção da língua (portuguesa) e, muitas vezes, nos concentramos demais numa espécie de concorrência com o inglês, quando o inglês deixou de ser uma vantagem comparativa para ser uma exigência básica”, disse. João Salgueiro, embaixador de Portugal em Brasília, disse que a estratégia de difusão internacional do português incluiu a transformação da língua portuguesa no sétimo idioma oficial das Nações Unidas. O diplomata salientou que é preciso conquistar o apoio dos 184 países membros da ONU, num trabalho de convencimento por meio de “lobby político e diplomático” da CPLP, para que o português passe a ser um idioma oficial da organização. A transformação do português num dos sete idiomas oficiais da ONU custaria inicialmente cerca de 97 milhões de euros, com a compra de equipamentos e com o treino de pessoal. Outro custo será o de manutenção, cerca de 22,5 milhões de euros anuais, que passará a ser repartido no orçamento anual de todos os estados membros, como decorreu recentemente com a inclusão do árabe e do espanhol. “É necessário recolher, treinar e preparar o pessoal, intérpretes e tradutores, máquinas e equipamentos, como computadores, que tenham suas especificidades para poderem fazer as traduções simultâneas”, salientou o diplomata.

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"A internet pode favorecer a língua" Ao abrir, a convite do Itamarati, a discussão do tema “Ampliação da língua portuguesa nos meios de comunicação de massa” pelos participantes da Conferência sobre o Futuro da Lingua Portuguesa, o jornalista Tarcísio Holanda, Vice-Presidente da ABI, destacou a importância da internet em qualquer esforço que se faça para a difusão do idioma no Brasil e no mundo. Ele defendeu a difusão da língua portuguesa na Europa, na Ásia e por toda a América, bem como no interior dos próprios países que têm o português como idioma. Após sua intervenção, seguiram-se os debates, tendo como elemento condutor as observações que ele fez, como ao salientar a contribuição que a televisão, através, por exemplo, de minisséries, tem oferecido para o conhecimento da obra de importantes autores, como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Rubem Fonseca e João Cabral de Melo Neto.

Na internet, 66 milhões O Brasil é o quinto país do mundo na internet. São 66 milhões de internautas. Segundo o Ibope, os brasileiros são os que ficam mais tempo diante da internet. Este

é o novo e revolucionário veículo, que terá papel importante em qualquer esforço que se faça para a difusão da língua portuguesa. O livro eletrônico já está sendo lançado e é o mercado mais promissor. Em um só Kindle – nome de fantasia da Amazon – podem estar centenas de clássicos, desde A Divina Comédia, de Dante, a tragédias de Shakespeare, obras de Maquiavel e de Aristóteles, entre outros. Alguns jornais do mundo já estão nesses livros eletrônicos. Do Brasil, até agora, só O Globo. Qualquer programa de difusão da língua portuguesa terá que atribuir grande importância ao papel que a internet poderá desempenhar nesse esforço, junto com os jornais e as emissoras de rádio e televisão. Finalmente, espero que com este e outros encontros possamos lançar pontes ainda mais firmes e consistentes para consolidar as relações entre os países de expressão portuguesa. Devemos compartilhar nossas experiências para que a nossa língua seja a nossa Pátria comum, como canta o brasileiro Caetano Veloso. Se a Pátria é a nossa língua, nosso espaço no mundo cada vez mais globalizado é a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa-CPLP. P

Língua Viagem em português todos se encontram

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Belmonte e o Museu Cabralino

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Vila de Belmonte situada na Região da Beira Interior, em Portugal foi palco no dia 26 de Abril de 2009 de uma bonita festa para no Centro Interpretativo – Museu dos Descobrimentos – “ Descoberta do Novo Mundo” inaugurar o primeiro espaço que retrata a saga dos portugueses no planeta Terra. A data escolhida foi também uma justa homenagem à celebração da Primeira Missa no Brasil, ato que comemorou o êxito da viagem entre Lisboa e Porto Seguro, na Bahia.O foco principal foi e continua sendo o Brasil numa No Centro Interpretativo Museu dos Descobrimentos

por Anete Costa Ferreira

que lhe serviu de berço. Belmonte está classificada como 12ª Aldeia Histórica de Portugal, por ser dotada de rico patrimônio histórico, destacando-se como ponto de referência a fixação de grande número de famílias judaicas na localidade onde se estabeleceram, desenvolveram seus conhecimentos, implantaram suas culturas, intercambiando com os habitantes portugueses. O Museu está instalado em dois andares distribuído em dezesseis salas onde o visitante passeia e se interage do que há de autêntico na história luso brasileira. O espaço abriga painéis de pinturas, numismáticas, fotografias, desenhos, manuscritos, mostrando também em vários aspectos hábitos e costumes da atualidade. As imagens são projetadas através da tecnologia moderna, possibilitando ao assistente um vasto conhecimento da história nestes 510 Anos de integração entre Portugal e Brasil. Ressalte-se que

três dos grandes painés com moedas cunhadas em diversos pontos do universo integram o Guinness Book, causando orgulho ao povo português. O Museu de Pedro Álvares Cabral está condignamente instalado na sua casa como precioso legado à humanidade num espaço rico de emoções e conhecimentos, perpetuando a memória nas imagens e nos laços que unem as duas nações irmãs. P (*) Correspondente em Portugal

Primeira Missa no Brasil, ato que comemorou o êxito da viagem entre Lisboa e Porto Seguro, na Bahia

Centro Interpretativo em Belmonte

homenagem de Portugal ao país que a partir do século XV une os dois povos desde o primeiro encontro até aos dias atuais. À disposição dos visitantes estão pontos fundamentais como a chegada de Pedro Álvares Cabral em terras brasílicas, o desenvolvimento da economia extrativista, a construção de obras monumentais, o arruamento, as habitações, a construção social e a implantação da língua portuguesa no trato com os primitivos habitantes do novo mundo. O local escolhido para a implantação da importante área cultural, deveu-se ao fato de ter sido o velho solar onde morou Cabral, após a destruição da sua primeira residência por um incêndio naquela Vila,

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O Centro Interpretativo O Centro Interpretativo “ À Descoberta do Novo Mundo ”, trata-se de um projecto único em Portugal no qual estão usadas as mais recentes tecnologias interactivas ao serviço da museografia, de forma a envolverem os visitantes num reencontro com alguns momentos marcantes da nossa História, como a Época dos Descobrimentos, a Descoberta do Brasil e sua construção como país. Localizado no antigo Solar dos Cabrais e zona envolvente, o espaço museológico é um novo pólo de centralidade cultural e social oferecendo diversos serviços de apoio. Dividido em dois pisos, o futuro museu de Belmonte contem 16 salas que retratam, entre outros aspectos, a história dos Descobrimentos Portugueses e do Brasil. Tudo começa com a evolução de Belmonte e com a caracterização de Lisboa no século XV.


O mundo é linguagem! por Nelson Valente

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á faz anos que exploro o mundo dos códigos e dos signos pelo estudo da linguagem, da comunicação, da psicanálise, do saber e de muitas outras formas. No entanto, nunca defini meu objeto! Porque cada linguagem propõe um paradigma de mundo diferente. Quando jovem, meu professor de Semiótica, Naief Sàfady, afirmou: "Nascemos apenas com uma ideia na cabeça e não fazemos outra coisa senão desenvolvê-la ao longo de toda a nossa existência". Então, eu disse para mim mesmo: "Será que não é possível que haja uma mudança de vida? Que reacionário!" Perto dos 61 anos de idade, entendi que meu professor tinha razão: de fato, durante toda a minha vida persegui tão-somente uma única ideia. O único problema é que não sei que ideia é essa! Creio que estou chegando lá. De tanto me dedicar à Semiologia, estou cada vez mais convencido da possibilidade de que o mundo não existe, de que ele nada mais é do que um produto da linguagem. Houve momentos, no decorrer do século passado, que a filosofia se recusou a falar do mental sob o pretexto de que não podia vê-lo. Hoje em dia, com as ciências cognitivas, as questões do conhecimento – o que quer dizer conhecer, perceber, aprender? – tornaram-se centrais. Os

progressos da ciência permitem tocar naquilo que antigamente era invisível, o que obriga a Semiótica questionar: como é que a linguagem estrutura a percepção que temos das coisas? Nem sempre foi esse o caso. A linguagem de Pascal ou de Descartes é simples e corriqueira. O próprio Bergson, que trabalha com conceitos difíceis, fala sem tecnicismos. Na segunda metade do século passado, as coisas mudaram. Por que o francês de Lacan parece difícil? Porque sua sintaxe não é francesa, é

diante dos franceses germanizados, que influenciaram sua literatura e, depois, sua filosofia. Já é difícil traduzir Lacan em “francês”, imagine em inglês! No Brasil também aconteceu a mesma coisa: basta que um termo seja alemão para que seja considerado com seriedade. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que

Estou cada vez mais convencido da possibilidade de que o mundo não existe, de que ele nada mais é do que um produto da linguagem

alemã! De fato, nos anos 60 houve uma verdadeira invasão alemã na filosofia francesa. Daí a ruptura entres os dois continentes. Isso criou uma barreira enorme entre a filosofia insular e a continental. Os anglo-saxões Locke e Berkeley falam como todo mundo. Wittgenstein, quando começou a pensar em inglês, utilizava uma linguagem simples. Eis a razão por que os americanos gostam tanto de Gramsci – porque ele não se valia do jargão alemão – e por isso eles não se deixaram contaminar pela fenomenologia, por Heidegger, que lhes é incompreensível. Todavia, cederam

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as palavras são aceitas. Todas as línguas estão repletas de palavras estrangeiras que foram naturalizadas. Os jornais brasileiros (alguns) nos dizem com frequência que Michael Schumacher, da Fórmula I, pegou a “pole position”, um termo inglês inútil, pois pode dizer perfeitamente que chegou em primeiro lugar ou qualquer coisa parecida. Certa vez, li num jornal que Schumacher tinha conseguido a “pool position”. Ele devia estar, então, na piscina! Hoje em dia, as pessoas falam sua língua nativa mais corretamente, lêem mais jornais, mais livros. Isso não significa que a humanidade esteja melhorando e paramais.com.br


Mundo dos códigos e dos signos

tampouco quer dizer que há menos banalidades, esterótipos e bobagens. Os editores, os donos de televisão, jornais e os críticos literários não entenderam que houve uma revolução espiritual, que o nível geral subiu. Os franceses fazem de conta que brigam com o inglês, mas têm medo mesmo é do alemão. Desde a queda de Berlim, a Europa do Leste transformou-se num bolsão de poliglotismo alemão e há muita probabilidade de que o alemão se imponha na Europa! Nunca, no mundo, alguém conseguiu impor a língua estrangeira dominante. Os romanos foram mestres do mundo, mas seus eruditos conversavam em grego entre si. O latim se tornou a língua europeia quando o império romano desmoronou. No tempo de Montaigne, o italiano era o vetor da cultura. Depois, durante três séculos, o francês foi a língua da diplomacia. Por que o inglês hoje? Porque os Estados Unidos ganharam a guerra e porque é mais fácil falar mal o inglês do que falar mal o francês ou o alemão. O que não impede que os franceses falem de uma “colonização” de sua língua pelo inglês. P (*) Professor universitário, jornalista e escritor

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ProJovem Urbano no Pará Ana Júlia Carepa e autoridades que participaram da solenidade, realizada no Palácio dos Despachos

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Ao assinar o Termo de Cooperação Técnico-Operacional com 22 prefeituras, Ana Júlia Carepa amplia as oportunidades de inclusão social para os jovens

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Fotos Eunice Pinto/Ag Pa

Pará apresenta um dos melhores índices de desempenho do ProJovem na avaliação do governo federal, destacou a governadora Ana Júlia Carepa, recentemente no Palácio dos Despachos, onde aconteceu a solenidade de assinatura do Termo de Cooperação TécnicoOperacional com as prefeituras dos 22 municípios que estão aderindo à etapa 2010 do programa. "Graças ao sucesso que foi o programa em nosso Estado, que teve uma das menores taxas de evasão, conversei com o presidente Lula e com o ministro Luiz Dulci, e disse: o Pará merece uma quantidade maior de bolsas. E nós conseguimos. Mais 12.800 jovens vão integrar o ProJovem Urbano em mais 22 municípios", informou a governadora. Ela destacou ainda que, por mais que se façam investimentos em segurança pública e infraestrutura, é importante dar oportunidade aos jovens para que possam assumir os postos de trabalho e escapar da criminalidade. "Não adianta reconstruir esse Estado na área da infraestrutura, se

não prepararmos nossos recursos humanos, se não dermos oportunidades à nossa juventude", enfatizou. "Eu só tenho a agradecer ao governo do Estado pelo ProJovem. Eu estava há nove anos sem estudar, e não sabia por onde começar. Agora, estou preocupado em saber onde vou cursar o ensino médio", declarou o jovem Cleiton de Jesus, conhecido por "Maka Rap", aluno do ProJovem do município de Bragança, no nordeste paraense. Cleiton é um dos 8.500 jovens que ingressaram na etapa 2008 do programa, que no Pará é administrado pelo governo estadual nos municípios com menos de 200 mil habitantes.

Oportunidade O ProJovem é destinado a pessoas com idade entre 18 e 29 anos, que não concluíram o ensino fundamental. Os beneficiários recebem uma bolsa de R$ 100,00 durante um ano e meio. A meta do programa é oferecer aos jovens a conclusão do ensino fundamental e cursos profissionalizantes, para que possam ingressar no mercado de trabalho. "O ProJovem é um programa que tem uma paramais.com.br


Como participar:

Ari Loureiro, coordenador do Projovem

taxa de evasão altíssima, mas este não é um problema do programa no Pará, pois temos o compromisso com esta política, por acreditarmos que este tipo de política dá certo", disse o secretário Claúdio Puty, chefe da Casa Civil. "O ProJovem, o Bolsa Trabalho e as demais políticas sociais do nosso governo estão mudando o presente das pessoas", completou.

A governadora Ana Júlia Carepa, o chefe da Casa Civil Cláudio Puty e o prefeito de São José Pirabas Cláudio Barroso

Participaram da solenidade os prefeitos de Aurora do Pará, Bujaru, Concórdia do Pará, Eldorado do Carajás, Goianésia do Pará, Igarapé-Açu, Ipixuna, Itupiranga, Jacundá, Mãe do Rio, Nova Esperança do Piriá, Parauapebas, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim, São Geraldo do Araguaia, Ulianópolis e São João de Pirabas, além do prefeito de Salinópolis, Vagner Santos Cury, dos deputados estaduais Bernadete ten Caten e Alessandro Novelino, e dos secretários de Estado de Cultura, Edílson Moura, de Integração Regional, André Farias, e de Assistência e Desenvolvimento Social, P Eutália Rodrigues.

Quem pode se matricular no ProJovem Urbano? Jovens entre 18 e 29 anos no ano da matrícula, que sabem ler e escrever e que não concluíram o ensino fundamental (8ª série). O que o ProJovem Urbano oferece? Formação no ensino fundamental, cursos profissionais, aulas de informática e auxílio de R$ 100,00 por mês. O Programa tem duração de 18 meses. Qual a documentação exigida para a matrícula? O documento de identidade (R.G.) e comprovante de residência. Central de relacionamento do ProJovem Urbano: 0800 722 7777

A governadora Ana Júlia Carepa ao lado de Cleiton de Jesus, que retornou aos estudos em 2008 graças à implantação do ProJovem em Bragança

Ana Júlia Carepa e um grupo de estudantes que participou da solenidade de assinatura da ampliação do ProJovem no Pará

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Durante a solenidade de assinatura da ampliação do ProJovem no Pará

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"Surf na Pororoca" agitou o município de São Domingos do Capim

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m São Domingos do Capim, a 136 km de Belém, no nordeste paraense, como já tradicional, há 12 anos – o campeonato de Surf na Pororoca. Realização do governo do Pará, via Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), prefeitura municipal e a Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo), além do apoio da iniciativa privada. Cerca de dez mil pessoas, entre surfistas e turistas de todos os estados do Brasil, e até de fora do país, estavam em São Domingos do Capim, cuja população é de cerca de 30 mil habitantes. O artista plástico Alex Fernandes Gomes veio de Brasília só para conferir a pororoca, que já ouve falar a muito tempo. O incansável Noélio Sobrinho, presidente da Abraspo

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"Eu vim aqui ver de pertinho esse fenômeno que é raro”. Gostei muito. Vou voltar com mais calma. Com uma bela orla que favorece a prática da canoagem, a pesca e a diversão, as belezas naturais são o atrativo maior do local, que possui áreas de preservação ambiental, corredeiras, igarapés, furos e praias formadas por bancos de areia. Trilhas ecológicas e visitas a prédios históricos, como a capela de Nossa Senhora de Nazaré do Capim, estão na rota dos turistas, atraídos também pelos elementos singulares da cultura capimarense, como os contos orais e as lendas amazônicas, com destaque para as do boto, da cobra grande e dos três pretinhos. A festividade em torno da pororoca

incrementa a economia de São Domingos colocando o turismo e o comércio em alta, potencializando a vocação natural do município, voltada para o ecoturismo.

Fenômeno A Pororoca atrai olhares do mundo inteiro para esta modalidade radical de esporte, na qual os surfistas aventuram-se nas ondas violentas que se formam entre a localidade de Monte de Ouro e a Ilha do Toyo. O festival dependem da força das marés, formando-se somente nas fases da lua cheia e nova. O fenômeno ocorre desde setembro, mas atinge força máxima em março e abril, período conhecido como o final do inverno amazônico, porém as

Neymara Carvalho, surfista pentacampeã brasileira no festival de Surf da Pororoca

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No municipio de São Domingos do Capim, surfistas durante o festival de Surf da Pororoca

As mulheres também surfaram, ou tentaram...

vezes, as ondas surpreendem, e são pequenas. "Normalmente ela (a pororoca) bate na lua cheia e só 'dá' em mês com 'erre', como setembro, março, abril... Em ano bissexto é ainda mais forte. O pessoal fala e a gente constata. Acho que em 2002 vi a onda chegar a seis metros", comentou Manoel Pedro Palheta, de 46 anos, morador em São Domingos.

Em São Domingos do Capim, muita movimentação

Estrondo Conhecido entre os indígenas como pororoca, o fenômeno advindo da força do encontro das águas significa estrondo em tupi guarani. A pororoca é conhecida pela elevação das águas do Rio Amazonas junto à foz (onde deságua), provocada pelo encontro das marés ou de correntes contrárias. É como se estas forças encontrassem um obstáculo que impedisse seu percursso natural. Quando ultrapassa esse obstáculo, as águas correm rio adentro com uma velocidade de 10 a 15 milhas por hora, subindo a uma P altura média de 3 a 6 metros.

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Surfista do Boby Board

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CPI da Pedofilia entrega relatório final

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om 283 páginas e 36 recomendações, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, que apurou, durante 12 meses, crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Pará, entregou no final de fevereiro, o relatório final contendo as conclusões dos trabalhos; um diagnóstico sobre a situação de violência contra menores no Estado e, ainda, medidas para combater esses crimes, que no Pará já são 100 mil em cinco anos. Coube ao relator da Comissão, deputado Arnaldo Jordy (PPS) à apresentação do documento, que trouxe como principais conclusões a confirmação da existência de uma rede de tráficos de adolescentes no Estado e, ainda, de disseminação de material pornográfico, tendo crianças e adolescentes como protagonistas. Foi constatado ainda que 81% dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes são praticados no seio familiar e que o Estado, através de suas instituições, ainda não despertou completamente para esse tipo de violência. Como recomendações, o relatório apresentou 36 propostas baseadas em três linhas: no combate à impunidade, na participação da sociedade no combate aos crimes e no aparelhamento do Estado a fim de assegurar apoio e proteção às vítimas. Jordy agradeceu o apoio dos órgãos, entidades e de todos que colaboraram com os trabalhos e disse que a CPI teve como principal mérito trazer à tona e ao debate da sociedade um tema que estava escondido nas profundezas do subterrâneo. Criticou as instituições que não cumprem o seu papel, pedindo desculpas à sociedade por estas terem deixado a situação chegar ao ponto que chegou, mas elogiou o trabalho dos órgãos e entidades que ajudaram nos trabalhos da CPI, classificado por ele, de complexo e difícil.

Jordy agradeceu o apoio dos órgãos, entidades, imprensa e todos que colaboraram com os trabalhos

Algumas recomendações apresentadas pelo relatório vCapacitação técnica dos profissionais

de educação, saúde, assistência social e turismo para que atuem no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Dom Luiz Azcona foi um dos primeiros a denunciar casos de violência sexual contra menores no Marajó

vImplantação dos Centros de Assistência

Social municipais.

Números da CPI

vAmpliação dos programas “Escola de

Em 12 meses de trabalho, a CPI visitou 47 municípios, realizou 64 audiências e 25 diligências. Recebeu 842 denúncias, ouviu 173 depoimentos e investigou 148 acusados. Desses, 52 foram indiciados e seis prisões preventivas foram decretadas.

Portas Abertas” e “Escola Saudável que Protege”, da Seduc. vFortalecimento da rede de proteção para o enfrentamento do problema. vCriação de um banco de dados que priorize o conhecimento da realidade da exploração sexual e comercial de menores

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nos municípios. vCriação de um órgão estadual voltado à

proteção de crianças e adolescentes. Criação de delegacias especializadas em crimes contra crianças e adolescentes em quatro pólos regionais, conforme a emenda parlamentar aprovada no orçamento 2010; vAmpliação e interiorização do programa PROPAZ, conforme emenda parlamentar aprovada no orçamento 2010; vAmpliação do número de delegacias de polícia nos municípios paraenses. Instalação de comarcas judiciais nos municípios descobertos pelo serviço; Realização de concurso público para o preenchimento de vagas à Defensoria Pública. vG a r a n t i a p e l o s m u n i c í p i o s d e infraestrutura básica aos conselhos tutelares vEfetivação do Plano Estadual de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças eAdolescentes. vImplementação, no interior do Estado de programas de acompanhamento das vítimas de violência sexual e seus familiares. vGarantia de investimentos para que a Seduc realize debates sobre crimes sexuais nas escolas; vRecomendação aos órgãos de turismo para que elaborem e implementem um Código de Posturas de enfrentamento ao turismo sexual; vAperfeiçoamento do sistema de eleição P dos conselheiros tutelares. paramais.com.br


Outros dias da mentira

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famoso Dia da Mentira, comemorado em 1 de abril, é uma data repleta de mitos entre o que é realidade e o que é invenção. Muitos brincam com a criação de notícias impossíveis e se divertem com o mundo do imaginário. Neste dia, mentir é saudável. Porém, o que devemos nos perguntar é como temos lidado com a mentira nos outros 364 dias do ano. Uma pesquisa realizada por um professor de estudos da comunicação, Jeffrey Hall, no Kansas (EUA), revela que homens tendem a mentir mais em redes de relacionamento. O estudo aponta que eles mentem em relação à idade, interesses pessoais ou status social. Mas a mulher também tem suas invenções. Ela cria uma nova imagem de si própria, muda o seu peso e algumas outras características físicas. Como na pesquisa, algumas pessoas se sentem confortáveis e mais seguras quando inventam um novo perfil para encarar as atividades existentes no dia a dia. Essa duplicidade, talvez, seja a resposta para saber por que de fato, mentimos, é como se existissem dois Eu dentro de cada um de nós. O “eu verdadeiro” é aquele que sentimos, é a nossa essência, é o que realmente significa algo, respeitando nossas reais vontades e Algumas pessoas se sentem confortáveis e mais seguras quando inventam para se darem bem

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por Anderson Cavalcante

desejos. Já o “eu relações públicas”, este quer ser acolhido, respeitado e deseja conquistar todos à sua volta. Ele existe para sermos aceitos em um determinado grupo, para conquistarmos espaço dentre os demais e, desta maneira, driblarmos o perigo de exclusão. Mentir para os outros pode ser a aplicação excessiva do “eu relações públicas”. Quando almejamos muito atingir algum objetivo, procuramos ser melhores para chegarmos lá antes que qualquer outro. Assim como o professor Hall revelou no estudo, a mentira está presente nas redes sociais tanto quanto em nossas relações afetivas diárias. Ninguém deseja ser visto pelo parceiro como uma pessoa desinteressante ou sem ideias. Por isso, é comum exagerarmos um pouco nas histórias contadas, tentando impressionar o parceiro. É humano queremos ser admirados e desejados pelos próximos. Mas, pior que mentir para os outros, é mentir para si mesmo. Nesse momento, nos afastamos do eu verdadeiro e passamos a acreditar que o eu relações públicas é real. Então, pergunte-se de vez em quando, você tem mentido para você mesmo? Talvez, esta deva ser uma data para se pensar como tem sido sua relação com a mentira e entendermos que o problema maior é quando começamos a acreditar tanto em nossas fantasias que elas passam a ter mais força para nós que os fatos verdadeiros. As ilusões criadas podem ser uma forma de não encararmos a realidade. Você está satisfeito com o seu trabalho atual, ou vive se enganando com a ideia que vai melhorar? O seu casamento é algo que te faz bem, ou você acredita que está passando por uma longa e interminável fase ruim? Você vive o que realmente importa, ou acredita que ainda não tem tempo para pensar em si? Não podemos nos deixar levar por esses dribles instituídos em nossas mentes. Mudar é complicado e exige muita coragem, mas continuar mentindo para o “eu verdadeiro” não fará com que seus problemas sumam ou mudem de figura. É preciso encará-los e tomar fôlego para enfrentar a existência real dos fatos. Desta forma, não diga que está tudo bem no seu trabalho se não é verdade. Analise o que lhe incomoda, converse com pessoas

Algumas pessoas para alcançarem seus objetivos, interesses pessoais ou status social, mentem sem pudor algum

envolvidas, colegas da mesma área, troque informações com o seu chefe e busque uma solução saudável. Seja real consigo mesmo e procure realizar as atividades que tragam significado pra você. Deixe de lado o receio de que as pessoas irão julgá-lo através de suas atitudes ou mesmo de seu status social. Segundo Aristóteles, “a igualdade é um delírio matemático”. À vista disso, não se engane, somos diferentes e essa é a grande maravilha do mundo. Comemore essa data, deixe a sua imaginação ir além e aproveite para liberar seus pensamentos. Mas, lembre-se de voltar à realidade para assim, ser sincero consigo mesmo na vida profissional e pessoal todos os dias do ano. O seu eu verdadeiro agradece. P (*) Administrador de empresas com ênfase em Marketing e MBC pela University of Florida. É empresário e ministra palestra para as maiores empresas do país, que buscam realizar ações lucrativas, porém humanizadas. Foi reconhecido, em 2004, como o palestrante mais jovem do Brasil por realizar palestras para empresários no exterior, no evento Expo Business Japan. É autor dos best-sellers “O que realmente importa?”; “As coisas boas da vida

A mentira está presente nas redes sociais tanto quanto em nossas relações afetivas diárias

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Sérgio PANDOLFO

NO CINQUENTENÁRIO DA BELÉM-BRASÍLIA JK PERMANECE ESQUECIDO DOS PARAENSES

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rasília é, sem ponta de dúvida, a pleno cerrado do Planalto Central, ungida como capital realização mais conhecida e da República, mudando a sede das decisões nacionais proclamada do grande presidente para ponto equidistante deste imenso pernil brasílico. Juscelino Kubitschek, que mereceu o A capital da esperança irá completar, em 2010, reconhecimento inclusive da UNESCO como cinquenta anos de fundação, inaugurada que foi a Patrimônio Cultural da Humanidade. Todavia, os 21/04/1960. Brasília está consolidada, pujante, nascentes e viventes na Amazônia brasileira, essa flamante e hoje deixa a todos extasiados ao constatar tão falada quanto desconhecida região, que por sua a grandiosidade, a beleza e as características únicas portentosidade e riquezas de suas entranhas de seu traçado e malha urbanísticos. Grandes desperta a cobiça e a cupidez das grandes solenidades estão previstas ao longo deste ano para potências mundiais, podem afirmar, sem nenhum comemorar a data e homenagear o seu fundador. receio de incidir em impropriedade, que a Paralela e contemporaneamente, a abertura construção da Belém-Brasília, hoje totalmente e viabilização viária da estrada de integração implantada e funcionante foi sua segunda obra de nacional, diria melhor: de interação nacional - a primeira grandeza, e que de fato integrou a Belém-Brasília, tida por inexequível, que ajuntou, na Amazônia ao Brasil, antes só precariamente plenitude, o Norte com o restante do País - não fora ele cumprida por água e ar (barcos e aviões), foi sim “o artista do impossível”. Foram ambos trabalhos obra da mesma enorme grandiosidade, que a JK, um gigante de energia, sobre o tronco hercúleos, só conseguidos em razão da determinação, denodo e força de vontade desse grande, quiçá o construção de Brasília, tendo em vista que a sua de gigantesco jatobá megaextensão de 2.200 km fora rasgada em mata virgem, densa, inóspita maior, estadista brasileiro. e caprichosa, atravessando áreas alagadas e volumosos cursos d'água, Os nortistas, e em particular os parauaras e belenenses de mais com todos os perigos (que incluía doenças novas, incertas ou nãode 50 anos sabem muito bem como eram as condições de abastecimento e sabidas) que isso representava, tirando-nos de um isolamento secular de reciprocidade com o restante do País naqueles já recuados tempos. Por isso que para nós JK se afigura do restante do País. A troca de riquezas. Transporte franco como o maior mandatário que de cargas e passageiros. As indústrias Antes de mais nada esta Nação já teve e como o do Sul buscam os mercados do Norte Juscelino foi médico de P r e s i d e n t e q u e excepcional zelo e proficiência, trabalhando como tal por cerca indubitavelmente uniu a de treze anos, até se deixar Amazônia ao restante do picar pela mosca azul da Brasil. E todos os que aqui política, em sua mais digna e nasceram ou pra cá vieram salutar expressão. Suas obras, desde então puderam constatar o feitos e realizações foram grande impulso que tomou nossa Foto histórica: JK e Bouhid inspecionam tantos e tamanhos que seu cidade, nosso Estado e a a primitiva estrada (1959) governo ficou carimbado como Amazônia na sua inteireza após “a Era JK” e teve a fortuna, até, de mudar o ânimo e o humor dos essa ligação franca com o restante do País e das obras grandiosas desse brasileiros. Seu dístico “50 anos em 5”, consubstanciado em um Plano de grande brasileiro. Metas ambicioso e arrojado, foi plenamente cumprido e até ultrapassado, Como memória e gratidão são artigos raros, é bom lembrar que eis que até hoje segue produzindo frutos e nossa terra deve muito a JK. A construção grandezas para o País. E mais: Nonô, terno Os primeiros ônibus regulares da Belém-Brasília nos torna, pela coragem de linha, três viagens por semana apelido da infância, foi um estrito do empreendimento, eternamente devedores de JK. Aliás, foi ele quem quis seguidor dos ideais democráticos e um que a estrada se chamasse Belém-Brasília conciliador por princípios e decisão. e não Brasília-Belém. A idéia era valorizar o Algo difícil de se ver então e mesmo nos Norte. Para nós, esta foi sua obra magna, a dias de hoje. mais arrojada e desafiadora, porque Mas foram duas obras, rasgou a floresta virgem e por ter anexado, principalmente, que marcaram na plenitude, a Amazônia ao Brasil, indelevelmente seu governo e frutificarão garantindo para o País sua ordenada para sempre. A construção de Brasília, em

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Belém-Brasília hoje. Ponte do Estreito, sobre o Tocantins, de larga modernidade

utilização e exploração (no bom sentido, obviamente), sua posse real. Mas essa grande rodovia, por si só, quando foi construída, uma das mais arrojadas obras do tipo em todo o mundo, para além da expansão de Belém possibilitou o surgimento e posterior crescimento de inúmeras cidades ao longo de seu percurso de mais de 2.000 km, como é o caso, só para citar um exemplo, de Paragominas, que completou, recentemente, 45 anos e é hoje uma das mais prósperas de nosso Estado, contribuindo decisivamente para a economia paraense. Paragominas é também pólo de atração turística e exemplo de cidade planejada. Castanhal, igualmente, cujo crescimento e desenvolvimento vinha sendo embotado havia já algum tempo com a obsolescência da Estrada de Ferro de Bragança, tomou novo impulso com a abertura da estrada, que cortava a cidade em toda sua extensão, e atraiu migrantes de todo o País, renovando-lhe o quantitativo e qualificação populacional, a permitir o título de Cidade Modelo que ostenta agora, aos 78 anos. JK foi, sem ponta de dúvida, o presidente da República que mais fez pelo Pará, máxime por Belém, a quem dedicava especial atenção e desvelo, haja vista que já em 1957, primórdios de seu governo, criou a Universidade Federal do Pará, de que tanto nos ressentíamos e, no ano seguinte, dobrou o número de JK, Patrono da turma de Medicina vagas na Faculdade de Medicina 1968, cumprimenta os colandos a instâncias do alunado. Inaugurou e pôs a funcionar o Sanatório “João de Barros Barreto” (hoje HUJBB, ligado à UFPA), cuja construção se arrastava sem solução, tal “obra de Santa Engrácia”, havia décadas. Em 1968, ditadura plena militar, por unanimidade e reconhecimento foi escolhido Patrono da turma de Medicina. Através da SPVEA possibilitou a reabertura, em 1957, da Escola de Química Industrial do Pará, desativada havia cerca de trinta anos, reconhecendo-a por Decreto, em 1959, que mais tarde (1963) passou a integrar a UFPA. Malgrado todos os benefícios que essa colossal e redentora via de tráfego nos propiciou, mormente para Belém, ponto fulcral de seus préstimos e outras tantas obras que aqui deixou, o “presidente bossa nova”, como o cantou Juca Chaves, o médico que curou o Brasil do

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marasmo e da sonolência de que estavam possuídos seu solo e seu povo, é penoso, mas imperioso dizer, nada aqui se vê que homenageie o diamantino Nonô. Nenhum logradouro ou edifício público, uma escultura, nada! Até um modesto e diminuto busto que encimava tosco e acanhado pedestal, assentado no início da Av. Almirante Barroso de lá sumiu, ninguém sabe, ninguém viu, como diz a canção. Numa terra em que entes forâneos nacionais e até estrangeiros de duvidoso merecimento nomeiam praças, vias e viadutos, raia pelo absurdo o desamor, a indiferença, quase ingratidão de seus filhos por seu benfeitor maior. Uma nova artéria de tráfego de grande fluência, preferentemente ligando Belém à BR, que foi, anos passados, parte da Belém-Brasília; uma nova praça, um edifício público de expressão, um monumento estatuado, um obelisco à feição do de Brasília, um portal. Algo que nos faça relembrar nosso integrador, o estadista JK. Corrijamos esse desleixo intolerável que macula nossos brios de urbanidade e reconhecimento, unamo-nos aos festejos do cinquentenário de Brasília, que corresponde quase ao da implantação de nosso estradão; homenageemos seu fundador JK (que será cantado e louvado no Rio de Janeiro pela Beija Flor neste Carnaval) senhores legisladores e administradores, dando seu honrado nome, por exemplo, ao prolongamento da antiga Primeiro de Dezembro (atual João Paulo II), O pranto emocionado do gigante. Inauguração de Brasília e da Belém-Brasília. Era a preferentemente; ou ao Pórtico colimação de um sonho bom, ternamente Metrópole, em fase de acabamento; ao acalentado, que a muitos se afigurava como novo Portal da Amazônia, em excêntrico devaneio estapafúrdio e quimérico construção; ou ainda - e por que não? ao complexo do Entroncamento ou mesmo a um viaduto do Ação Metrópole. Mãos à obra, senhores! Faça-se justiça!! (*) Médico e escritor. SOBRAMES/ABRAMES www.sergiopandolfo.com serpan@amazon.com.br

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Camillo VIANNA e Walter CHILE 48

As 7 Pragas da Amazônia

A

pesar do distanciamento no tempo e no espaço, é possível, sem muito engenho e arte, mesmo que seja de raspão, relacionar uma coisa a outra, esclarecendo-se que coisa são as pragas do Egito, aquelas do tempo dos Faraós, coroados ou não, que mandavam e desmandavam, fazendo e acontecendo. Para esclarecer, a outra – corresponde às nossas pragas, ou seja, àquelas da Amazônia brasileira que o tal processo de Integração/desintegração, ou melhor, um haver de desacertos que superam de longe qualitativa e quantitativamente, deixando na rabadilha, descendentes diretos ou indiretos de Cleópatra e Tutancâmon. Daí a necessidade de se fazer uma intera com a apresentação das pragas nativas. Portanto vamos ao que se segue enumerando as da casa. I-Devastação Para princípio de conversa é tal a velocidade do desmatamento que vem sendo levado a toque de caixa, em diversos pontos da região que se torna impossível saber, sua extensão, pois a marcha acelerada do processo já deu sumiço a grande parte da floresta e é considerada a maior devastação dos trópicos. Cada informação é avaliada num jogo de par ou impar, ou pura adivinhação. Nem ao menos, é sabido o número de projetos alardeados como se fossem a salvação da lavoura. Será mais acertado jurar pela Luz divina que a agressão ambiental, social, cultural e humana, continua de marcha batida (acelerada), como jamais havia acontecido por estas paragens ou mesmo fora delas. II - Cremação No verão Amazônico, quando as chuvas suspendem, tem lugar verdadeira incineração, com extinção total de áreas da quase ex-Maior Floresta Tropical do Planeta. Nesse meio tempo, haja fumaça, praticamente cobrindo todo o reino das Amazonas. O aquinhoado Inferno Verde, pelo jeito que as coisas estão indo já vem mudando de cor. As chamas e a fumaceira incomodam a vida dos amazonauaras e a fauna e flora vêm sendo dizimadas, parecendo que nós estamos sendo transformados em incendiários profissionais deixando herança maldita que vem se consolidando em nosso componente genético. III-Desidratação É extremamente fácil encontrar cidadão que não seja ufanista até a alma e que afiance que a Amazônia é o maior repositário, de água doce do planeta. Parece, porém que a natureza está mandando sinais que não queremos ou não sabemos interpretar, esquecendo que em 2005, o Majestoso Rio apresentou vasta sequidão. A grande ilha fluvio oceânica de Marajó já apresenta evidências que a falta da água pode apresentar problemas muito sérios, o que também já vem acontecendo no Sul e Sudeste do país. O pessoal está transferindo a responsabilidade de tudo o que está ocorrendo – secas e inundações – para um tal de El Niño que vem do Pacífico.

IV-Hidropirataria Não resta nenhuma sombra de dúvida que o mineral mais importante para toda a humanidade, a água, está gerando conflitos mundiais em diferentes pontos da terra. Não há exagero quando se afiança que o precioso líquido será causa de maiores enfrentamentos e que a competição espacial será a procura de água na Lua e em outros planetas. Por outro lado, grandes navios que não usam mais a bandeira Joly Roger, aquela com fundo negro contendo uma caveira e ossos cruzados, foram substituídos por novo tipo de saque que está em pleno andamento. Navios, depois de descarregar a carga no Rio Trombetas para a mineradora Rio do Norte, tem seus porões rigorosamente lavados na Foz do Amazonas, Rio Pará e outros pontos selecionados, enchidos com água doce, pegando o rumo da Europa, América do Norte e Oriente, entre outros. V- Super empresas Os crescentes números da devastação impressionam qualquer um, menos os responsáveis por eles. Como é fato sabido e do conhecimento de meio mundo, os fazendeiros recémchegados do Sul e Sudeste usam todos os tipos de artifícios para acabar com a floresta. O que ocupa a cabeceira da imensa lista é o boi pirata. VI- Rapinagem ou Biopirataria Atividade de alto rendimento e pela sua diversidade e parceria com nativos de prestígio, está sendo praticamente impossível de ser controlada, sendo impressionante o material contrabandeado ou não. Desde sangue de índio, peças arqueológicas, ovos de répteis, aves e outros, muitos outros. VII- Corrupção Impossível de ser controlada, talvez, por isso, está sendo considerada doença incurável e de fácil contagiosidade. Pode ser identificada com muita facilidade em setores de alta responsabilidade administrativa e até em pobres diabos sem eira nem beira. VIII- Desplanejamento Parece incrível que na Amazônia em pleno processo de integração, alardeado com toda pompa e circunstância, faltem técnicos, especializados parecendo haver migração dos formados aqui. Os nacionais que vem de fora passam pouco tempo, apenas o suficiente para conseguir pé de meia ou algum tipo de transferência para o exterior.

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IX - Falação Às vezes a Amazônia dá a triste aparência de ser imenso palanque ou parlatório, principalmente na mídia, por parladores de tudo o que se possa imaginar, com especial referência aos que prometem mundos e fundos. Em relação à Amazônia, muitos deles fazem lembrar o Conde Afonso Celso no seu “Porque me ufano do meu País”. X - Isolamento E bota tempo nisso! Referimo-nos ao governo central, pois somente agora parece que a Amazônia está sendo conhecida e integrada, mesmo que seja a ferro e fogo. XI - Desconhecimento Não há a menor dúvida, por gitinha que seja, que a imensa maioria do povo brasileiro desde os lá de cima, até os lá de baixo da camada social, desconhecem completamente, não só a Amazônia como tudo que diz respeito a ela. XI I- Endocolonialismo Principalmente através dos meios de comunicação com a TV na linha de frente, são apresentados problemas amazônicos por pessoas de fora que interferem na cultura, local, influenciando hábitos, usos e costumes e incentivando novas necessidades de consumo. XIII - Vergonha Nacional História muito mal contada, entre outras, sobre a Amazônia, é aquela da transferência da seringueira para o Museu de Kiew em Londres, e daí, para as colônias inglesas no Oriente, enrabichada pelos holandeses e franceses que também possuíam colônias aqui. Os pretensos conhecedores de um tudo que vem ocorrendo na região, dizem que elas, as seringueiras ou seus frutos, saíram de contrabando, aliás, do tipo muito ratuíno, já que todo mundo sabia do mal feito, havendo até bandinha de música na saída do navio Amazonas do porto de

Santarém. Bem mais pra cá no tempo, o pessoal de Brasília que parece não entender coisíssima nenhuma sobre qualquer problema relacionado ao Império das Amazonas, inventou um tal de Probor, que deveria ser a criação de pequenos seringais de demonstração mas que tornou-se verdadeiro tiro n'água. No chamado Exército da Borracha que foi uma empreitada impulsionada pelos americanos com colaboração do Brasil durante a 2ª Guerra Mundial, o que nos forçou a entrar como aliados, ficou-se sabendo por meio dos americanos que na região amazônica existem 4 milhões de árvores nativas, o que não foi considerado pelo Brasil e nosso governo cruzou os braços,tanto é que os endinheirados de São Paulo, hoje são os maiores produtores da goma elástica no Brasil e nós ficamos no ora veja apesar de termos sido o único e maior produtor da borracha. XIV - Presepada Muito se fala e desfala, pelo mundo afora que nossos amigos estão de olho gordo sobre o nosso maior patrimônio. Por via das duvidas é melhor estarmos preparados para possíveis gestos de amizade. XV- Fora a Parte Será que a nossa Constituição a chamada Cidadã é pra valer ou será mero faz de conta? Então porque só o petróleo entre os minerais conhecidos e por conhecer, repito, porque só o ouro negro pertence ao povo brasileiro? Como então justificar Monteiro Lobato e o restante da galera que conseguiu acordar autoridades na zoadeira que fizeram de ponta a cabeça do Brasil velho de guerra com a maravilhosa campanha “O Petróleo é Nosso”? O restante que são o solo e o subsolo, nos pertencem também, de acordo com a Constituição, que é muito citada e pouquíssima aplicada pelo povo brasileiro. Por falar nisso, e o tal do Pré-Sal? Será bom lembrar que o que não falta por aqui e mesmo lá fora são os cientistas de meia pataca, capazes de jurar até pela alma da digna progenitora que o oceano não é solo. Essa assertiva já dá para fazer uma grande confusão na cabeça do Zé Povo e proporcionar alegria aos corruptos.

(*) *SOPREN/SOBRAMES e *SOPREN/UFPA

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Oralis Odontologia Clínica e Geriatria

Vivendo de sorriso aberto A Clínica Oralis alia conforto e qualidade no atendimento odontológico desde a infância até a 3ª idade. O conforto é resultado de suas instalações modernas e amplas possibilitando também acessibilidade a cadeirantes e que incluem ainda centro cirúrgico odontológico completo e laboratório protético. A qualidade está expressa em sua equipe de profissionais capacitados e que abrangem várias especialidades dando ao paciente a comodidade e segurança de realizar seu tratamento odontológico total num só lugar. Outro destaque da clínica é o inovador atendimento domiciliar, hospitalar e centro cirúrgico oferecidos aos pacientes com dificuldade ou impossibilidade de locomoção. Portanto, se você procura odontologia de alto nível aliada a um tratamento ético e confiável você encontra na Clínica Oralis.

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Tel: (91) 3224-2662 jkodontogeriatria@yahoo.com.br



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