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DADO VILLA-LOBOS

#11


www.violetaskaterock.nuvemshop.com.br


RODA#11

É difícil não associar a nova edição da Roda ao Rio de Janeiro. A cidade atravessa um período em que o orgulho de ser carioca está sendo colocado a prova. E se é cada vez maior o número de pessoas deixando a cidade, também começa a brotar em muita gente que vive por aqui um sentimento de que não se pode deixar essa insegurança combalir aquele que já foi o grande motor criativo do País. Com essa ideia na cabeça, resolvemos trazer como destaque três personagens que são a cara do Rio: o fotógrafo, radialista, produtor musical e Dj Mauricio Valladares, a cantora, compositora e escritora Letícia Novaes e o guitarrista, compositor e cantor Dado Villa-Lobos, que se diz carioca por adoção e convicção.

Seja na entrevista com Dado, nas fotografias do Mauval ou nas ideias da Letícia, fica fácil identificar a importância da cidade no dia a dia do trio e como isso se reflete em seus trabalhos. As próximas páginas são dedicadas a eles e a todos aqueles que de alguma forma ainda contribuem para fazer do Rio um polo inesgotável de cultura. Por que, apesar de tudo, ele continua lindo. Aquele abraço.

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EDITORIAL

BOB COTRIM . PUBLISHER


COLABORADORES FLÁVIO ALBINO

Além de produzir a coluna Frente Verso, que nesta edição conta com a participação de Adriana Cardozo, Albino é admirador do trabalho do mineiro Alexandre Raad, destaque do 3x4 com suas criações fantásticas. A quantidade de gente produzindo intensamente no campo do design exige da curadoria uma enorme capacidade de observação do mercado. Flávio é o cara escalado para este desafio.

MILTON MONTENEGRO

Muito antes de desfilar seu talento fotográfico pelas páginas da Roda, Milton já era um entusiasta da revista. Na hora de pensar em alguém para apresentar o ensaio de Mauricio Valladares, a escolha acabou sendo natural. Afinal, ninguém estaria mais bem preparado para essa tarefa: além do vasto conhecimento na área, Montenegro é amigo de longa data de Mauval. Melhor, impossível.

IVAN COSTA

Para Ivan, falar sobre a estreia fonográfica de algum artista é sempre muito prazeroso, pois a lembrança do sentimento que a primeira audição do disco de um talento hoje consagrado fez brotar nas pessoas serve de estopim para muitas outras memórias da época em que ele foi lançado. E, ainda segundo o próprio, esse trabalho não é apenas uma viagem no tempo: trata-se da constatação cada vez mais nítida de que essas obras, contrariando todos as características que tinham tudo para classificá-las como datadas, acabaram se tornando clássicos da MPB e, por isso mesmo, atemporais.


EXPEDIENTE Revista Roda #11 Agosto 2017

Publishers Bob Cotrim bobcotrim@revistaroda.com.br Daryan Dornelles daryandornelles@revistaroda.com.br RODA#11

Editora de Conteúdo Luciana Werner lucianawerner@revistaroda.com.br Colaboraram também nessa edição Flávio Albino . Luiz Lopez . Milton Montenegro RODA . CONTATO Para enviar comentários, sugestões e críticas contato@revistaroda.com.br RODA . PUBLICIDADE comercial@revistaroda.com.br RODA . REDAÇÃO Para enviar sugestões e material para review redacao@revistaroda.com.br RODA . WEB www.rodadigital.com RODA . SOCIAL FACEBOOK.com/revistaroda INSTAGRAM.com/revistaroda TWITTER.com/rodadigital3 PINTEREST.com/revistaroda Projeto Gráfico Ofício21 Todos os artigos assinados e fotografias são de responsabilidade única de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da revista.


...é arte


arte . Alexandre Raad

#11 EDITORIAL ENTREVISTA . DADO VILLA-LOBOS 3x4 . ALEXANDRE RAAD FOTOGRAFIA . MAURICIO VALLADARES PERFIL . LETICIA NOVAES MUITO PRAZER! . BEBEL GILBERTO FRENTE VERSO . FLÁVIO ALBINO PLAY

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VIL


De toda a geração de músicos surgida nos anos 80, Dado Villa-Lobos talvez seja o mais cool. Atitude muitas vezes confundida pelo público com timidez e até mesmo com uma certa arrogância, atribuída ao sucesso - até hoje incomparável - da Legião Urbana no cenário musical. Apesar dessa aura, ele costuma ter posições contundentes sobre os mais variados assuntos. Só não vê, diferentemente do que acontece hoje, necessidade de dar opinião sobre tudo, o tempo todo. Tanto que acabou de se autodeletar do Facebook, para, como ele mesmo diz, “ter mais tempo de se dedicar às coisas que realmente valem a pena”.

DADO LLA-LOBOS POR . BOB COTRIM FOTOS . DARYAN DORNELLES

O namoro entre a Roda e o legionário vem de longa data e essa oportunidade chegou num momento especial da carreira do músico. Recém-saído de uma celebrada turnê comemorativa de 30 anos do primeiro disco da Legião Urbana, que durante um ano contabilizou mais de cem shows no Brasil e no exterior, ele tinha todos os motivos para dar um tempo e descansar. Só que, ao contrário, resolveu dar continuidade ao seu looping produtivo lançando mais um disco autoral e preparando um programa de TV dedicado a uma de suas maiores paixões: o ciclismo. Curiosamente chamado de “Exit”, título que pode significar uma saída de cena, uma saída para o buraco em que o Brasil se encontra ou simplesmente um êxito, esse novo trabalho é, antes de tudo, uma reafirmação artística de que sempre existiu vida para ele fora da banda. Com vários prêmios na bagagem por suas elogiadas trilhas sonoras para o cinema e a TV, sua produção sempre esteve atrelada e fiel aos seus parceiros de carreira e de vida. Agora mesmo ele acaba de se juntar ao amigo Fausto Fawcett para produzir um áudio book do espetáculo “Santa Clara Poltergeist”, que está completando um quarto se século. Do alto de seus 52 anos, Dado nos conta um pouco dessa trajetória e dos quilômetros que ainda pretende percorrer empunhando ora sua guitarra, ora sua bike.


Você imaginava chegar aonde você chegou fazendo música? Eu nunca imaginei isso, jamais pensei em ganhar a vida como músico e muito menos fazendo punk rock, que foi como começamos. O bacana nessa trajetória é que eu não fui projetado para isso na minha infância, meu pai era diplomata e tocava piano clássico. A gente lá em casa era educado para seguir na carreira diplomática ou ter algum cargo no Banco do Brasil. E como teria sido a sua vida fora da música? Você pensa nisso? Eu quase fui pelo caminho acadêmico, cheguei a entrar para faculdade de Sociologia, mas logo larguei por causa Legião. Assim que a gente chegou no Rio, em 86, eu queria fazer vestibular para Letras, mas como estávamos no meio do ano eu só tinha duas opções: Desenho Industrial e Turismo. Sou um péssimo desenhista, fui fazer Turismo. Só que não durou 5 meses, o curso era muito ruim, o nível era baixíssimo e, para completar, a Legião estava no olho do furacão, lançando o disco 2. Mas eu prezo muito essa coisa de estudar e acredito plenamente que é o saber que vai mudar a vida das pessoas.

Qual a diferença que você vê nos adolescentes de agora em comparação com a sua adolescência? Eu acho que a gente tomava drogas mais naturais, fumava maconha, usava chá de cogumelo e cocaína que também vem de uma planta, e álcool, é claro, nesse período é comum essas experiências. Ainda bem que os meus filhos não se viciaram, mas eu vi muitos amigos deles partirem ou serem internados por conta do crack. Essa é uma das diferenças que eu vejo. Acho, também, que as relações humanas eram diferentes e, hoje, a impressão que eu tenho é que eles estão muito fechados nos devices e eu não sei dizer qual vai ser o efeito disso a longo prazo, mas as relações mudaram, não sei se para melhor ou para pior, mas mudaram. Independentemente disso tudo, o curso da humanidade segue e segue rápido, uma humanidade que é capaz de destruir o planeta e construir coisas interessantes ao mesmo tempo. Seguindo esse raciocínio, você diria que hoje em dia um post numa rede social tem o mesmo impacto de uma canção? Eu saí do facebook para não ter que me envolver com certos posts. Eu acho a música muito mais universal, quando ela chega aonde ela tinha que chegar,

seja ela uma canção de protesto ou de amor, a força disso é muito maior que qualquer post. Se Goethe estivesse vivo e mandasse um post, a música de Bach engoliria o post dele. Eu sigo acreditando na força de uma canção. Você falou em canção de protesto, o rock foi contestador durante muito tempo, hoje em dia é o rap que exerce esse papel na música? Eu acho que o rap fica cerceado ali no gueto, por conta da questão social, da repressão, do preto, do pobre e isso gera uma contestação natural, eles são achacados e baleados pela polícia. Essa temática aqui no Brasil, nas grandes capitais como Rio, São Paulo, BH e Recife produz caras que são engajados nesse sentido, mas eu acho que eles não fazem o crossover com outras classes sociais. O rap chamado de ‘ostentação’ é feito em todo o mundo hoje em dia, tem um poder maior de penetração por conta das roupas, dos carrões e do texto mais leve, mas não faz o trabalho sujo, digamos assim. Com mais de 30 anos de carreira, você deve ter visto muita coisa escrota nesse meio, certo? Teve gente escrota em todos os escalões

“ S e G o et h e estiv esse vivo e man d a sse u m post, a mús ica d e B a c h en goliria o post de le ”


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e níveis nesse caminho, desde gente dentro da gravadora que não entendia o nosso trabalho até o porteiro do clube Monte Líbano que barrou o Negrete num show da Rádio Fluminense que a gente ia fazer porque ele era negão. No meio artístico, rola uma competição muito nefasta, só há pouco tempo as pessoas começaram a se reunir, como o grupo Procure Saber, o GAP, e estão tentando ter força política no congresso e perante a sociedade para fazer as pessoas entenderem que o que a gente produz é muito valioso, gera muitas divisas e empregos. A geração de Brasília é um exemplo claro disso, o Capital Inicial foi para São Paulo, a Plebe Rude veio para o Rio conosco e nós não tocávamos juntos, era cada um por si. Era um bando de moleques querendo um engolir o outro. Basicamente era isso que acontecia. Mas a competição também não era uma espécie de combustível, não elevou o nível do trabalho dessa geração? Sim, quando os Paralamas, por exemplo, lançaram Selvagem, nós pensamos: porra, fudeu! e agora? Os caras vieram com uma parada fortíssima. Nesse sentido, você era instigado a produzir algo que alcançasse aquilo, mas isso terminava ali no conceitual, na prática era um querendo bater o recorde do outro. O fato é que a Legião varreu todo mundo, nós tocávamos em estádio de futebol sozinhos e os outros começaram a achar que a gente era hour concours. A gente foi lidando com a vida assim, num determinado estágio eu senti que as pessoas se afastaram ou nós não chegamos juntos dessas pessoas.

Engraçado ouvir você falar dessa forma, porque, ao mesmo tempo em que aconteceu isso, muitos da sua geração são amigos até hoje, não? Sim, nós somos companheiros e eu admiro todos eles, com o tempo tudo se resolveu. O Renato partiu em 96 e, já em 97, os Paralamas me levaram de volta para o palco, um ano antes do acústico deles que eu participei. Eles estavam no auge e eu sou eternamente grato por isso, foi um gesto de carinho comigo. A sua timidez muitas vezes foi associada a insegurança, você é um cara inseguro? Nem tanto. Minha carreira solo começou com um disco ao vivo, eu tinha gravado o meu primeiro disco, chamado “Jardim de Cactus”, e aí a MTV me convidou para gravar esse disco ao vivo e ele acabou sendo lançado antes do de estúdio. Foi tudo ali, do jeito que era, não teve regravação. Se eu realmente fosse um cara inseguro não teria feito aquela porra. A imagem pública é uma outra coisa. Eu posso ser uma cara irascível, insuportável e até mesmo grosso. Depois desses anos todos, insegurança não tem não, tem aquele frio na barriga antes de entrar no palco. Aproveitando que entramos na sua carreira solo, você já tem uma trajetória bem sucedida na composição de trilhas sonoras. Como isso surgiu no seu caminho? Eu sempre gostei muito de cinema, me marcaram muito as trilhas do Ennio Morricone para os filmes do Sérgio Leone,

dos Bee Gees para o “Saturday Night Fever”, mas trabalhar com isso foi totalmente por acaso. Um amigo meu, o Sérgio Espirito Santo, me indicou para fazer a trilha do primeiro longa do Flavio Tambellini, “Buffo & Spalanzani”, e a partir daí eu entrei nesse universo, que me abriu portas e outras possibilidades artísticas. Em seguida, fiz a trilha do “Homem do Ano”, do Zé Henrique Fonseca, e desde então eu ganhei prêmios e não parei mais. No momento, tem muita demanda para os seriados de TV, como “Lúcia McCartney” e “Romance Policial Espinosa”, que eu também fiz. Como foi a produção do novo disco? Este ano eu não me produzi, essa tarefa ficou para o Estevão Case e o Lucas Vasconcellos. Eu simplesmente fiz a maioria das músicas com meu parceiro de longa data Nenung. O álbum tem também uma versão de uma canção dos Beastie Boys chamada “I dont know”, que parece uma bossa nova. Eu tinha acabado de ler uns textos de um filósofo iraniano do século 12 que me inspiraram a fazer essa versão. Acompanhar o que está acontecendo atualmente no Brasil é por vezes uma experiência dolorosa. Qual o seu estado de espírito com tudo isso? É o pior possível, um estado de depressão quase crônica, eu tenho que beber mais, pedalar mais. O Brasil é esse abismo que nunca chega, como já disse Fausto Fawcett há muitos anos. O nome do meu novo disco é “Exit”, que vem da palavra em latim exitus, que pode


“O fato é que a Legião varreu todo mundo, nós tocávamos em estádio de futebol sozinhos e os outros começaram a achar que a gente era hour concours”


“Se eu realmente fosse inseguro não teria

feito aquela porra. A imagem pública é uma outra coisa. Posso ser uma cara irascível, insuportável e até mesmo grosso.”

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significar uma saída ou um êxito, uma conquista propriamente dita. No caso do Brasil ele funcionaria nos dois sentidos. O país precisa sair desse turbilhão, desse círculo vicioso em que a gente se meteu social e politicamente falando. Você escolheu morar no Rio de janeiro, apesar de já ter morado em várias outras partes do mundo. Faria essa escolha hoje? Se eu tivesse 20 anos agora, começando a vida, talvez não, até porque o Rio de Janeiro está muito precário de perspectivas para um jovem. Eu passo ali pela UFRJ e pela UERJ e dá pena de ver o estado de precariedade em que se encontram. Mas eu não sairia daqui por nada, minha mulher é paulista e estamos há 32 anos anos aqui. Eu vou para São Paulo e fico maravilhado de ver como tudo funciona melhor, mas não dá para mim. Eu pedalo, vivo essa cidade intensamente o tempo todo, a ponto de conhecer cada centímetro de asfalto daqui onde estamos (Jardim Botânico) até Grumari. O DNA da gravadora Rockit, que você montou junto com o André Mueller da Plebe Rude, em 1993, era de garimpar novos artistas. Com a internet e suas ferramentas disponíveis e ao alcance de todos, isso deixou de ser relevante? A gente retomou esse trabalho há três anos, a pior coisa que pode acontecer com um lugar como esse aqui (o estúdio de Dado, onde fizemos a matéria) é ele ficar ocioso, os instrumentos ficarem na prateleira e você não gerar conteúdo, não movimentar artisticamente o espaço, não trazer os artistas para produzir novas canções. Nós lançamos os discos do Marcelinho Calado, do Negro Léo, do Opala (duo da Maria Luiza Jobim),

enfim, continuamos com essa ideia de sermos um polo centralizador e de expansão nesse mercado digital de música. O meu papel como diretor executivo é explicar para eles que ninguém vai ganhar dinheiro com isso e que a melhor maneira é fazer o que é possível, sem torrar dinheiro em vão. Nesse aspecto, é importante encontrar artistas que estejam dispostos a trabalhar mesmo, porque é uma guerrilha, nós não vamos conseguir colocar um artista no programa da Fátima Bernardes porque não fazemos parte dessa cadeia alimentar. Nosso trabalho é ajudá-los a encontrar um meio termo nesse caminho. O jeito de consumir música mudou em relação a quando você começou, A produção também foi afetada? Misturou tudo, a linguagem do vídeo hoje é essencial e visceral, a música é quase um adendo, a gente tem que trabalhar essa nova linguagem. Estamos pensando em ter um canal no Youtube e fazer aqui um “Estúdio do Dado” produzido por nós, colocando esses novos artistas para tocar ao vivo. Uma outra idéia é eu produzir um programa de pedal, música já deu, né? Como assim? Um dia desses, nessas idas e vindas pelo país, em Pernambuco, com a minha banda, resolvemos alugar umas bikes e ir até Olinda pedalando. Depois de 30 anos indo para lá, foi aí que eu entendi Recife. Eu não sacava aquela cidade, finalmente eu entendi o “ponte, rios e overdrives” da Nação Zumbi. Primeiro, em cima da bicicleta você vai muito mais longe, percebe tudo, as pessoas, o comércio a vibração do lugar. Fomos até Olinda, voltamos e cruzamos todas

aquelas pontes novamente e paramos no Mercado São José. Descemos da bike e percorremos tudo aquilo. Seria impossível fazer isso de carro. Então o programa vai ser exatamente isso, falar da arquitetura e da cultura dos lugares. O nome vai ser “Pedaleira”, que no meu caso tem tudo a ver. Falando em pedaleira, você me parece ser diferente da maioria dos guitarristas, que são aficcionados e colecionadores. Como é a sua relação com esse instrumento? É uma relação intrínseca. Apesar de não colecionar guitarras, eu coleciono pedais, adoro ir mudando os timbres, as nuances ao longo do tempo. Para esse disco novo eu mudei bastante a minha pedaleira. A minha guitarra oficial continua sendo a minha Tele, que eu com prei em 1988, porque guitarra elétrica não foge muito de ser Fender ou Gibson. Fora isso, você vai ter as italianas ou suecas na linha vintage, mas isso é para quem vai ficar ali tocando direto, que não é o meu caso. O que eu gosto de fazer é comprar instrumentos étnicos, como um bouzouki oriental com quartos de tom ou uma harpa chinesa. O mais legal foi que eu descobri na Turquia esse mesmo bouzouki , só que elétrico


“o fat or morte no sentido figurado está em que você já tem mais de 30 anos de profissão e o seu apogeu já passou...” e com dois captadores incríveis. Isso são coisas que me estimulam a pensar música de um outro jeito, acho que é assim que você tira a sua música da zona de conforto e busca novas sonoridades. Você é um cara que sempre fez questão de trabalhar com amigos. Isso é fundamental? É fundamental, sempre foi, estar cercado de pessoas que você confia musicalmente e espiritualmente, que estão contigo sempre, como Laufer e Lorenzo, e mais recentemente o Lucas e o Estevão. O Roberto Polo, um grande parceiro e tecladista, está comigo há muito tem-

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Dado Villa-Lobos durante a turné comemorativa de 30 anos do primeiro albúm da Legião Urbana.

po e é meu parceiro de trilhas sonoras, é outro exemplo, temos uma química bem legal. Um conjunto é isso, trocar experiências musicais uns com os outros.

momento, desde o mercado fonográfico até a vida das pessoas envolvidas, não houve amálgama. A grande verdade é que faltou algo.

Você diria que a banda Panamericana, um projeto seu com Toni Platão, Charles Gavin e Dé Palmeira, não teve essa química e por isso não vingou? Acho que faltou, sim, desandou, não rolou mesmo. No ano passado, em outubro, nós fizemos dois shows incríveis na Caixa Cultural aqui no Rio com a participação dos uruguaios Franny Glass e Juan Casanova. A gente ao vivo era muito bom, mas, pela conjuntura do

A escolha do André Frateshi para cantar nessa turnê comemorativa da Legião Urbana pegou muita gente de surpresa e alguns amigos não aceitaram muito essa escolha. O que você achou disso? Isso foi um problema e, nessa linha, colocar um cara neutro e um grande cantor era melhor. O André Frateshi era a pessoa ideal para isso, sem contar que ele tinha uma ligação muito forte com aquele primeiro disco. A Legião tocava


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depois do espetáculo teatral “Feliz Ano Velho”, do Marcelo Rubens Paiva, em que a mãe do André trabalhava como atriz. Ele ficava ali, aos 11 anos de idade, pequenino, junto da gente nos bastidores, vivendo aquele momento intensamente. Além dele, nós chamamos várias pessoas para participarem pontualmente dos shows e, infelizmente, teve um amigo (Toni Platão) que não entendeu o espírito da coisa e ficou muito sentido. Isso tudo foi muito triste e ruim para mim, foi surreal. É impossível alguém substituir o Renato, o Wagner Moura já tinha sido massacrado. Mas o importante para nós era subir no palco e fazer aquelas canções soarem de um jeito bacana e verdadeiro para o público. Isso a gente conseguiu. Poder voltar a usar o nome da banda, que durante um tempo foi proibido por conta da ação movida pelo filho de Renato Russo, era uma questão de honra para você e o Marcelo Bonfá. Isso está resolvido ou ainda tem alguma pendência jurídica? Infelizmente, ainda tem. Ele (Giuliano Manfredini, o filho de Renato Russo) sempre vai e recorre. A última dele é querer pedir 1/3 do incoming dessa excursão. Esse menino é muito mal orientado. Para vocês, foi uma espécie de exorcismo subir novamente no palco como Legião Urbana e tocar aquelas canções, certo? Sim, está exorcizado. Foi tipo mostrar para as pessoas que a Legião Urbana era aquilo ali, o som é esse aqui. Os takes verdadeiros estavam todos ali. Quais as suas maiores preocupações na vida? Acho que é conseguir um equilíbrio do

bem-estar espiritual, mental e físico. Acordar todo dia acreditando que vou conseguir fazer algo positivo e bom para mim e para os que estão perto. O bemestar é você que produz e isso envolve o trabalho e a relação com as pessoas em casa. Às vezes isso não é obvio. O que você acha que tem de mais e de menos no mundo atualmente? De mais são pessoas e, em função de mais pessoas, tem menos educação. A gente devia inverter isso, ter menos pessoas e mais educação, para poder formar uma sociedade mais equilibrada e mais produtiva. Você é um cara que gosta muito de futebol, qual é o seu gol de placa na vida? Eu não sei se eu tive um “gol de placa”, tiveram alguns gols bonitos, ainda estou atrás desse gol. Outro dia, aqui no estúdio, alguém precisou saber informações mais completas sobre o meu trabalho com trilhas sonoras, aí tivemos a ideia de olhar no site IMDB, que é uma grande referência nesse segmento. É nessas horas que você consegue enxergar realmente o tamanho da sua produção até aqui e o reconhecimento que isso teve através dos prêmios que você ganhou. Enfim, eu acho que toda a obra da Legião Urbana pode ser considerada uma conquista de campeonato com vários gols de placa. Outro dia, Gilberto Gil deu uma entrevista corajosa falando sobre a morte e a finitude. O Sting também vem abordando bastante esse assunto. Você pensa nisso? Todo dia, até pela minha condição (Dado é diabético desde pequeno). Eu sou um cara meio paranoico e supersticioso. Quando eu estou pedalando, acabo pensando numa coisa ruim e sempre bato

três vezes na borracha, que é isolante. Fazendo uma analogia com o futebol, já estou no começo do segundo tempo. E nessa cidade que a gente está vivendo você está exposto ao imponderável o tempo todo, seja um ônibus, uma bala perdida etc. Mas o fator morte no sentido figurado está em que você já tem mais de 30 anos de profissão e o seu apogeu já passou, de alguma forma você já pode estar morto e nem saber. Eu tenho consciência disso, se isso é bom ou ruim eu não sei. Quando você olha para trás você gosta do que vê? Gosto, eu vejo um acumulo de experiências que me trouxeram até aqui e na sua essência é muito positivo. Eu acho que é uma vida recheada de loucuras que surtiram um efeito incrível na vida de muita gente. Se você for pensar no que foi feito em termos de música, não tem nem como avaliar a repercussão nesse país. Fora isso, minha família, as crianças, os amigos e as experiências com outra pessoas de outros universos, por mais pessimista que eu seja, vejo algo muito positivo quando olho para trás. E quando você olha para frente o que você vê? Eu vejo subsistência, é preciso seguir em frente. Nesse estúdio aqui, tem muita gente trabalhando comigo e isso é bom para mim e para elas. Dividindo as forças, pensar num bem comum em relação à música, a arte e ao sistema, porque, mal ou bem, é dele que a gente sobrevive. Isso é algo bom para focar. Novas músicas, novos artistas e a gente se renovando junto com isso. Foi um dos motivos desse meu novo disco acontecer, é uma maneira de você tentar se reescrever através da música.


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3x4 ALEXANDRE RAAD

Data de nascimento: 10/06/1973 Cidade onde nasceu: Goiânia(GO) Cidade onde cresceu: Belo Horizonte(MG) Cidade onde vive: Belo Horizonte Uma cor: Preto Um trabalho de alguém da sua área que te marcou:“Exotic Experience”, trabalho de um artista chinês Cici Tang Principais ferramentas de trabalho: Caneta, papel, softwares de CG como Zbrush, Photoshop e Modo Qual o lugar em que gostaria de ver o seu trabalho exposto: Nova York Quem você convidaria para ser seu modelo vivo: Jessica Alba Quem você gostaria que fizesse um retrato seu: Norman Rockwell Se você pudesse levar somente uma imagem para Marte: Eu levaria uma das “Sexy Robots” ilustradas pelo Hajime Sorayama


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Qual o momento em que a arte virou um caminho profissional na sua vida? Sempre gostei de desenhar desde criança e nunca parei. Aos 16 anos, fiz um curso de desenho artístico e, no fim, consegui um estágio em uma agência de publicidade. Nessa época, meus ídolos eram o José Luiz Benício e o Carlos Chagas, da revista MAD. Foi quando eu percebi que já era algo mais sério em minha vida e que meu caminho profissional já estava traçado. Dos primeiros trabalhos até agora quais as maiores diferenças? A principal diferença é que a tecnologia vai permitindo experimentar novos recursos, o que torna os projetos mais novos um pouco mais elaborados. Isso é muito bom, porque sempre dá para explorar novas possibilidades nos trabalhos futuros. Quais são as suas maiores influências? Vários artistas me influenciaram em épocas diferentes da minha vida e sempre estou revisitando suas obras: Philip Castle, Frank Frazetta, Boris Vallejo, Ralph Macquarrie, Alan Lee, Greg Capullo, John Byrne e Mort Drucke. Também sou apaixonado pelo traço do Ziraldo. Seus trabalhos são desenvolvidos dentro de uma técnica especifica ou você se utiliza de todos os recursos disponíveis em prol da sua arte? Tudo que é ligado à arte sempre me interessou. Hoje, meu trabalho está focado em técnicas de geração de imagem com softwares específicos com recursos 3D. O Grande barato é que isso te permite trabalhar virtualmente com


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escultura, pintura e fotografia numa mesma plataforma. As possibilidades são infinitas. Mas não abro mão de estar sempre desenhando, usando tinta e papel. Estou sempre com um Sketchbook debaixo do braço. Para mim, desenhar ainda é a base de tudo. A “fidelidade a uma técnica”, caso ela exista, pode engessá-lo, artisticamente falando? Acredito que não. Dedicação a uma técnica leva ao aperfeiçoamento. Isso com o tempo conta uma história sobre o artista e sua obra. Qual o papel da tecnologia na concepção e no resultado da sua arte? Eu adoro tecnologia, hoje está tudo tão avançado que ficou mais fácil de se produzir arte digital do que alguns anos atrás, quando era mais fria a relação entre o “Computador” e o “Artista”. Hoje ficou mais fácil e, para mim, faz toda a diferença. A tecnologia me permite

pensar arte e, o principal, realizar os projetos mais improváveis. Quais são seus temas preferidos, aqueles que você mais gosta de trabalhar? Como artista e nerd louco por cinema, adoro criar personagens dos mais variados tipos e temas ligados a tecnologia. Isso me fascina e sempre fez parte da minha pauta. Costuma trabalhar várias peças ao mesmo tempo ou prefere começar e terminar um projeto isoladamente? Hoje, prefiro começar e terminar um projeto por vez. Nem sempre é possível, mas o ideal é manter o foco e aproveitar melhor o tempo. Isso reflete na qualidade do trabalho. Quais são os artistas contemporâneos que você acompanha com interesse? Acompanho muito o trabalho de artistas ligados a cinema e produção de concept

art. Gosto muito do Michael Kutsche, do Bob Chiew e do trabalho incrível do Crash McCreery. Acho sensacional. Dá para quantificar no seu trabalho o quanto é inspiração e o quanto é transpiração? Posso te falar com certeza absoluta que 90% é transpiração e o restante é inspiração. Trabalhar com arte exige muito estudo e vontade de estar sempre aprendendo coisas novas, sem isso não tem sentido para mim. A inspiração vem da observação do mundo, principalmente das coisas que me fazem bem e me transportam para outros mundos, como o cinema e quadrinhos. Qual o preço da sua inspiração? Tempo. É preciso conquistar o tempo para rir, ver e ler coisas legais. Isso me inspira.


PRETO E BRANCO RODA#11 RODA#11

O talento de Mauricio Valladares como DJ e radialista é amplamente reconhecido: seu programa “Ronca Ronca” congrega, há décadas, uma legião de ouvintes e fãs. Com a publicação do livro ‘Preto e Branco’ (Editora Automática, 2017), sua produção como fotógrafo ganha, pela primeira vez, um registro impresso abrangente e definitivo. Pertencente à estirpe dos grandes street photographers, Valladares capturou, ao longo de sua carreira, cenas espetaculares de um Rio de Janeiro que não existe mais, além de retratos antológicos de personagens emblemáticos da música de todo o planeta. As páginas a seguir são uma amostra da riqueza de ‘Preto e Branco’, edição que certamente se inscreve na lista dos grandes livros da fotografia brasileira. Milton Montenegro


FOTOS . MAURICIO VALLADARES


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NO MAIOR CLÍMAX S

abe a Fênix, aquele pássaro da mitologia grega que morre em combustão e renasce das próprias cinzas? Pois essa imagem se aplica perfeitamente ao momento da carioca Letícia Novaes. Depois de anos produtivos na banda Letuce, ao lado de Lucas Vasconcelos - ex-cara metade de vida e de trabalho - ela se jogou novamente na música, dessa vez solo (definição que não gosta), lançando o álbum “Letrux em noite de climão”. Também resolveu assumir artisticamente o nome Letrux - com x, para remeter à tal Fênix da mitologia -, que já usava nas redes sociais, e trazer um pouco desse simbolismo para a nova etapa. Autêntica filha da classe média carioca, foi criada na Tijuca, é filha caçula e tem outros dois irmãos. Fala com orgulho que nunca foi tratada como princezinha

(“Preferia brincar com Playmobil do que com Barbies”). Cresceu ouvindo Gal e Bethânia. Com 13 anos, descobriu Janis Joplin que, para desespero da mãe, era ouvida em alto volume, repetidas vezes. Se importa com o papel da mulher na sociedade, mas não tem vontade de fazer música panfletária. “Nunca precisei legendar política ou socialmente meu trabalho. Minhas músicas já abordam a mulher de forma bem contemporânea, seja retratando um amor lésbico, o amor por um cara ou por qualquer gênero” diz ela. A porção escritora da agora Letrux (ou seria Leticia?) se manifestou em 2015, quando lançou seu primeiro livro, “Zaralha”, e se ampliou quando ela começou a escrever uma coluna semanal no segundo caderno do jornal O Globo (2015). “Fazer a coluna foi uma oportunidade de levar minha palavra

Letícia Novaes

POR IVAN COSTA FOTOS . DARYAN DORNELLES


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para um público mais heterogêneo e popular, coisa que a música que eu faço não consegue. Ano que vem, pretendo lançar um novo livro, chamado ‘Tudo que eu já nadei’, que vai ser mais de poesia”, avisa ela. Apesar de formada em Teatro e bastante elogiada por algumas performances, prefere deixar essa faceta de atriz adormecida para poder se dedicar mais à música e à escrita: além dos livros, pensa em se aventurar como roteirista num futuro próximo. Lançado com a ajuda providencial de um crowdfounding, em plena crise do cenário cultural (no Brasil e no mundo), “Letrux em noite de climão” (Jóia Moderna/Tratore) tem canções compostas em parcerias com Bruna Beber e Bernardo Ramalho, além de vários títulos feitos com Artur Bragante, seu melhor amigo, que também produziu o disco ao lado de Natália Carrer e da própria Letícia. A participação da cantora Marina Lima na canção “Puro disfarce” é motivo de orgulho. “Marina sempre foi uma grande referência para mim. Estou muito focada em espalhar esse disco pelo Brasil. O Letuce nunca conseguiu viajar pelo Nordeste e agora eu pretendo fazer isso”, deseja. Nos últimos anos, ela se separou, mudou sete vezes de endereço, lançou livro e disco, e, no meio de toda essa combustão, se apaixonou novamente, confirmando a máxima de uma de suas novas canções, que diz existir amor depois do amor. Garante alimentar o gosto por um certo mistério em sua vida e, por isso, prefere que suas letras nunca entreguem tudo de bandeja. Mística, diz, com um meio sorriso, que adoraria acordar amanhã e ler em seu horóscopo (é do signo de capricórnio): “Um belo dia para renascer”. Se não tivesse escolhido Letrux como codinome, poderia se rebatizar de Sonho. Pode imaginar?


Estilo . Elson Bemfeito Beleza . Amanda Schon Assistente de fotografia . RogĂŠrio Belorio Agradecimentos . Estudio HĂ­brido, Joana Passarelli, Folic, Escudero, Checklist, Aramis, Jorge Bischoff, Fill Sete


MUITO PR

POR IVAN COSTA FOTO . DARYAN DORNELLES


RAZER! BEBEL GILBERTO

A primeira audição do álbum “Tanto Tempo” se enquadra naqueles raros casos de ouvir alguma coisa que nos soa familiar, mas que é, ao mesmo tempo, arrebatadoramente inovadora. Isabel Gilberto de Oliveira, mais conhecida como Bebel Gilberto, conseguiu essa proeza em pleno ano 2000, quando lançou seu primeiro disco, aos 34 anos, depois de um bom tempo de trabalho com vários colaboradores e em vários projetos. Concebido com respeito à tradição, “Tanto Tempo”, no entanto, se utilizou da pulsação eletrônica para bater no ritmo certo da época. O disco, que ganhou fama pelo mundo, foi como um sopro de refinamento na cara da nova música brasileira, que atravessava os anos 90 cultuando uma estética de som mais suja e com menos requinte. Bebel e Suba (produtor) conseguiram imprimir à obra uma identidade única e fazer com que a nova bossa nova chegasse ao topo, tornando-se referência no estilo. O repertório mistura composições de Bebel com alguns clássicos e versões, um acerto do início ao fim. A combinação de passado e presente nunca havia sido tão bem sucedida e ainda hoje soa extremamente contemporânea. O álbum tem a capacidade de atrair diferentes gerações, seja para simples deleite dos nossos ouvidos ou para encher a pista de dança. Pode ter demorado para chegar, mas veio para ficar.

Ano de lançamento . 2000 Produção . Suba Co-produção . Bebel Gilberto . Beco Dranoff . Antoine Midani Chris Frank . Nina Miranda . Thievery Corporation João Donato . Amon Tobin. Mario Caldato Jr Vocais e Arranjos Vocais . Bebel Gilberto Gravado e Mixado . Antooine Midani Estúdios . Wah Wah . Gorila Mix . Chico Neves . Dada Assistente de Gravação e Mixagem . Walter Costa Vicent De Bast . Suba . Vicent Kenis . Mario Caldato Jr Fotos . Dean Northcott Design . Subtle Rukus Faixas: Samba da Benção . Baden Powel . Vinicius de Moraes August Day Song . Bebel Gilberto . Nina Miranda . Chris Franck Tanto Tempo . Bebel Gilberto . Suba Sem Contenção . Bebel Gilberto . G.Arling . R.Cameron Mais Feliz . Bebel Gilberto . Dé Palmeira . Cazuza Alguém . Bebel Gilberto . Suba . Béco Dranoff So Nice . Marcos Valle . Paulo Sérgio Valle . Norman Gimbel Lonely . Bebel Gilberto . Roberto Garza Bananeira . João Donato . Gilberto Gil Samba e Amor . Chico Buarque de Hollanda Close Your Eyes . Suba . Patricia Hermel . Dinho Ouro Preto Bebel Gilberto . Béco Dranoff Músicos: Suba . Amon Tobin . Luis do Monte . João Parahyba . Chris Frank Celso Fonseca . Dé Palmeira . Marcos Suzano . Vicent Kenis Stuart Wylen . Mario Caldato Jr . Roberto Garza Carlinhos Brown . João Donato . Robertinho Silva . Jorge Helder Vittor Santos . Ricardo Pontes . Jessé Sadock . Henrique Band Kuaker . Bocato . Felipe Lamoglia . Jorge Ceruto


FRENTE

OSREV POR FLÁVIO ALBINO


“No fim da década de 1970, a Nasa anuncia que pretende colonizar Marte, estabelecendo colônias até 2030. Pensando nisso, produzi uma imagem baseada na obra de Arthur C. Clarke, “2001: Uma Odisseia no Espaço”, e no filme de mesmo nome do diretor Stanley Kubrick, em que um dos pesquisadores da primeira colônia se depara com um monolito”. Adriana Cardozo tem 25 anos e é manipuladora de imagens graduada em Fotografia. Trabalhou por três anos na Iluminata e atualmente integra a equipe na Platinum FMD.


Play

N.E.R.D Fly or Die . 2004 por Luiz Lopez

guitarrista . Filhos da Judith . Erasmo Carlos

RODA#11

68

Em uma manhã de 2004, estava eu zapeando os canais da TV aleatoriamente quando, de repente, decidi parar um pouco na saudosa MTV. Estava rolando um som que era novo para mim, mas, ao mesmo tempo, soava clássico para os meus ouvidos. Era um clipe da música “Maybe”, da banda N.E.R.D. O som fazia mais o estilo hip-hop e o meu tipo favorito de música é, sem dúvida, o rock’n’roll. Mas aquilo me pegou de um jeito que fui à procura e descobri que se tratava de “Fly or Die”, segundo álbum deles, lançado em 2004. Não tive dúvidas: estava de frente para o que viria a ser um dos meus discos prediletos. Pra quem não conhece, o N.E.R.D é um projeto paralelo do produtor musical, cantor e compositor Pharrell Williams, em parceria com Chad Hugo e Shay Haley. Pharrell, como todos devem saber, é um dos artistas de maior sucesso no universo musical, seja em seus trabalhos individuais ou em colaboração com outros artistas, como Madonna e o duo francês Daft Punk. “Fly or Die” é uma mistura perfeita de rock, funk e hip-hop que me marcou e, de certa forma, interferiu no meu modo de compor e absorver música. Um episódio acabou estreitando ainda mais essa relação. Logo depois de ter tido esse contato imediato, precisei fazer uma cirurgia e fiquei um mês internado num quarto de hospital, sentindo as dores e o desconforto do pós-operatório. Minha melhor e constante companhia eram as músicas incríveis desse álbum em meu fone de ouvido. Esse vale a pena ouvir!


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RODA #11  

#música #arte #fotografia Edição #11 © AGO 2017

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