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FORNECEDORES

H O S P I TA L A R E S

A REVISTA DE GESTÃO, SERVIÇOS E TECNOLOGIAS PARA O SETOR HOSPITALAR Ano 16 • Edição • 157 • Novembro de 2008 • R$15,90

Marlene Schmidt Claudia Goulart

Os reflexos da CRISE lay_capa 1

Empresas como GE Healthcare, presidida por Claudia Goulart, e Fanem, dirigida por Marlene Schmidt, ilustram os diferentes impactos da crise financeira na Saúde.

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ÍNDICE Novembro 2008 - Número 157

Reflexos de uma CRISE

8 8 I Entrevista I

24 I Reportagem de Capa I Reflexos da Crise

Cuidado Integrado: Molly Porter e Paul Wallace, diretores da Kaiser Permanente, uma das maiores operadoras de saúde dos EUA, falam sobre o modelo integrado de gestão.

12 I Raio X I

Um hospital no alvo da moda

16 I .com I

Confira o que foi destaque no portal Saúde Business Web

32 I 5 Perguntas I

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Aproveitando o que a Web 2.0 pode dar para a saúde

34 I Melhores Práticas I

Evolução na tecnologia de sistemas de imagem permite cirurgias de coluna menos invasivas

I Tecnologia I Saúde 2.0

36 I Espaço Jurídico I

Capitais Estrangeiros na Assistência à Saúde

38I Artigos I

38 Gerações Corporativas 40 Liderança e gestão de pessoas: que tipo de líder você quer ser?

42 I Gestão I

Realidades opostas

50 I De Olho na Indústria I

Guerbet vai ampliar linha de produção no País Benner investe R$ 1,3 milhão em aquisição

54 I Carreiras I 56 I Livros I 60 I Vitrine I 74 I Hotspot I

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I After Hours I Eterna paixão nacional

ERRATA Na seção vitrine da Fornecedores Hospitalares de novembro, faltou citar o nome do fabricante AXIOM Luminos dRF, que é a Siemens. Na última edição, na matéria “Mega Surgical quer alcançar dez capitais em cinco anos”, foi publicado que a empresa quer terminar o ano de 2008 como a maior do ramo de próteses médicas. A informação correta é que ela quer ser a maior no ramo de próteses médicas em cinco anos.

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Canal aberto

Eu leio a Fornecedores hospitalares Foto: Divulgação

A equi­pe da revis­ta For­ne­ce­do­res Hos­pi­ta­la­res ­está à ­sua dis­po­si­ção ­ ara ­t irar dúvi­das, rece­ber crí­ti­cas, opi­niões e con­tri­buir ­c om o desen­ p vol­vi­men­to do ­seu negó­cio. ­Para anun­ciar ou ­f alar ­sobre pro­je­tos e ­a ções per­so­na­li­za­das ­entre em con­ta­to ­c om nos­sa equi­pe comer­cial:

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Apresentar soluções inovadoras faz parte da essência dos negócios daqueles que trabalham com instituições de atendimento à saúde. Para isso, é necessário estar muito bem informado. A FH é um veículo fundamental nesse processo, já que subsidia seus leitores com o que de mais atual acontece no mercado.

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Pró­xi­ma Edi­ção Balanço 2008 Para encerrar o ano, traremos uma edição especial com o balanço dos fornecedores hospitalares. Não perca!

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CARTA DO EDITOR Presidente – executivo: Adelson de Sousa – adelson@itmidia.com.br

Foto: Kelsen Fernandes

Futuro incerto

Vice-Presidente – executivo: Miguel Petrilli – mpetrilli@itmidia.com.br

Há dois meses, o mundo vive os altos e baixos da montanha-russa do mercado financeiro. Se um dia as bolsas disparam acima de 8%, em outro, a Bovespa aciona o circuit breaker (mecanismo utilizado para interromper as operações, quando a queda é maior que 10%) meia hora depois de abrir. Neste período, o dólar já chegou a oscilar 30% em um único dia! Tudo começou nos Estados Unidos, com a crise do subprime, que atingiu as duas maiores instituições hipotecárias do país, a Fanny Mae e a Freddie Mac. E a crise prosseguiu, com estragos ainda maiores, com a quebra do centenário banco Lehman Brothers, a ameaça de concordata da AIG e as declarações de pânico de muitos outros grandes ícones do mundo dos negócios. Agora, um país inteiro, a Islândia, declara estar à beira da falência. O que começou com aparência de crise no mercado de capitais, agora ganha ares de recessão mundial e preocupa também os gestores do mercado produtivo. É por isso que nós, da Fornecedores Hospitalares, decidimos trazer o assunto a você, leitor. Em nossa matéria de capa, a repórter Ana Paula Martins conversou com dois ex-ministros da Fazenda, Maílson da Nóbrega e Antônio Palocci, com o economista Luiz Gonzaga Belluzo e com algumas das principais fontes do mercado médico-hospitalar para trazer um panorama da crise e apontar os impactos que o setor ainda deve sofrer após esta tempestade. De acordo com os especialistas entrevistados, o momento é de cautela, mas uma avaliação do cenário atual do País traz alento: o Brasil conta com uma economia estabilizada e ainda tem muito potencial para investimentos, o que deve reduzir, em parte, os impactos da crise. Aqui da Redação, desejo que vocês mantenham seus investimentos e trabalhem muito por este setor, que só tem a crescer. Boa Leitura! Cylene Souza Editora da Unidade Setores e Negócios / Saúde csouza@itmidia.com.br

Presidente do Conselho Editorial: Stela Lachtermacher – stela@itmidia.com.br Diretor Executivo: Alberto Leite – aleite@itmidia.com.br

UNIDADE SETORES E NEGÓCIOS - SAÚDE EDI TORIAL EDITORA: Cylene Souza - csouza@itmidia.com.br REPÓR TERES: Ana Paula Martins - amartins@itmidia.com.br Katia Ceco tos ti - kcecotosti@itmidia.com.br ESTAGIÁRIA: Patricia Santana - psantana@itmidia.com.br

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O time que apóia a redação Alfredo Cardoso Diretor de Normas e Habilitações da Agência Nacional de Saúde Suplementar

Conselho editorial

Diretor de Recursos e Finanças: João Paulo Colombo – jpaulo@itmidia.com.br

Edson Santos Presidente do Grupo VITA e VPE do IHG

REPRESENTANTES COMERCIAIS RIO GRANDE DO SUL: Alexandre Stodolni - stodolnimark@pop.com.br (51) 8404-9777 • (51) 3019-7183 RIO DE JANEIRO Loba to Propaganda e Marke ting Ltda. sidney.loba to@itmidia.com.br • Cel: (21) 8838-2648 • Tel.: (21) 2565-6111 EUA E CANADÁ Global Ad Net - Tel.: 603-924-1040 • ed@globalad-net.com Fax: 603-924-1041 • Tel.: 603-924-1040 ATENDIMENTO AO LEITOR atendimento @itmidia.com.br ASSINATURAS www.revistafh.com.br

Luiz de Luca Diretor - superintendente do Hospital 9 de Julho Marília Ehl Barbosa Presidente da Unidas e diretora-presidente da Capesesp Marcos Hume Gerente Sênior da Área de Negócios Corporativos da Johnson & Johnson e coordenador do Grupo Técnico de Trabalho de Avaliação de Novas Tecnologias da Abimed Pedro Fazio Diretor da Fazio e Superintendente da Avimed Foto:s Divulgação

Impressão: Log Print FOR NECEDORES HOSPI TA LA RES A mais impor tan te revis ta voltada para a gestão estratégica de hospitais e outros estabelecimentos de saúde, dis tribuída nos 26 Estados Brasileiros, mais Dis trito Federal, em estabelecimen tos de saúde públicos e par ticulares (hospi tais, clínicas, unidades mis ta de saúde, ambula tórios, pron to-socor ros, pos tos de saúde etc.) além de órgãos do gover no ligados ao setor da saúde nas esferas municipal, estadual e federal. For necedores Hospi talares é uma publicação mensal da IT Mídia S.A. Car tas para a redação devem ser enviadas para Praça José Lannes, 40 - Edifício Berrini 500 – 17º andar - CEP: 04571-100 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3823-6600.

“As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.” INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO

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entrevista

Cuidado integrado Com um modelo de cuidado que integra plano de saúde, prestador de serviço, médico e até mesmo o próprio paciente na gestão de sua saúde, a Kaiser Permanente, operadora sem fins lucrativos que detém 4% do mercado de planos de saúde dos Estados Unidos, começa a despontar como exemplo de gestão. Em visita ao Brasil a convite da Federação das Unimeds de Minas Gerais, a diretora de treinamento, Molly Porter, e o senior advisor do Care Management Institute (CMI), Paul Wallace, contam como é o dia-a-dia da organização e falam sobre tendências para o futuro da saúde. Cylene Souza, de Araxá (MG)* - csouza@itmidia.com.br

Fornecedores Hospitalares: Como a Kaiser Permanente faz para que os prestadores de serviços que formam a rede credenciada tenham as mesmas metas e padrões de seus serviços próprios? Paul Wallace: Nós buscamos para parceiros na rede credenciada instituições que se identifiquem com o nosso trabalho, que tenham as mesmas prioridades e vejam razões para trabalharmos juntos. Aí buscamos algumas ações para trabalhar com esta instituição. Pode ser tecnologia por exemplo, para a adoção do prontuário eletrônico. Entre vários hospitais, buscamos identificar um com o qual possamos trabalhar juntos. Fornecedores Hospitalares: E com os médicos? Como é a relação para que todos trabalhem alinhados com o mesmo objetivo? Wallace: Geralmente, há duas formas de trabalhar com o mesmo objetivo. Uma é com o uso da relação do mais forte contra o mais fraco. Outra é como fazemos, em que os dois lados trabalham com foco no que é melhor para o paciente. A visão dos fundadores da Kaiser Permanente é recrutar profissionais que pensem que o mais importante é o cuidado com o paciente. Isso é o que faz os médicos, representados por um grupo ou como indivíduos, quererem



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trabalhar juntos e não contra o plano de saúde. O paciente é a terceira parte desta relação e, quando há uma divergência, buscamos o equilíbrio pensando no que seria melhor para esta terceira parte. É como a metáfora do casamento: quando um casal está em desacordo, eles acabam decidindo juntos pelo que é melhor para a criança. Parece ingênuo, mas é isso mesmo: o que nos conecta é o paciente FH: Mas há algum tipo de incentivo material para conquistar o engajamento e a lealdade dos médicos? Molly Porter: Acredito que é possível conquistar a lealdade do médico facilitando sua vida profissional, oferecendo o suporte administrativo, por exemplo. É uma proposição de valor. Eles vão preferir estar ligados a uma instituição que os apóie e isso leva à lealdade. Wallace: Eu acrescentaria a liderança como um outro fator para manter os médicos leais. Eles vão querer trabalhar com uma instituição que está sempre pensando na frente, se antecipando aos problemas, cuidando do que acontece fora do hospital. FH: E o que mudou na liderança médica? Quais

são os novos desafios e paradigmas enfrentados por este profissional? Wallace: No passado nós já tínhamos lideranças médicas, mas o foco era da porta para dentro, para tratar as pessoas muito doentes. Hoje é preciso trabalhar com a visão de comunidade saudável e manter o paciente bem e fora do hospital. Saímos do foco no hospital para o foco no cuidado integrado. É claro que não dá para praticar medicina sem o hospital, mas é preciso usá-lo para outras coisas. Há 20 anos, o papel do médico e do hospital era consertar o que estava quebrado. Agora, quando falamos de controle de peso ou de diabetes, sabemos que o papel do paciente é crítico. A ciência já sabe que qualquer tratamento para estas condições é ineficiente se o paciente não exercer seu papel. FH: Manter o paciente saudável e fora do hospital implica em conscientizá-lo e esperar que ele administre bem sua condição de saúde. Como a Kaiser Permanente atua para tornar as pessoas mais autônomas em relação à gestão de sua saúde? Molly: Temos um uma publicação chamada Healthwise Handbook, disponível em inglês e espanhol, que mandamos para o correio para todos que se

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Foto: Divulgação

tornam membros da Kaiser Permanente. O livro é um guia de auto-cuidado, que ensina as pessoas a identificarem sintomas e tomar algumas providências sozinhas. É um trabalho de empowerment com nossos novos associados, que traz resultados como a redução do número de consultas e até mesmo de ligações para tirar dúvidas. Fizemos pesquisas para medir os resultados e descobrimos que, depois de seis meses, 70% das pessoas já tinham usado o livro pelo menos uma vez e estavam mais satisfeitos com o plano por causa deste tipo de ação. Uma outra iniciativa está em nosso website, em que oferecemos orientações e programas para pessoas que decidem parar de fumar, por exemplo. FH: A Kaiser estimula o contato de médicos e pacientes por e-mail e é possível até mesmo prescrever pela internet. Quais são as normas de segurança e como funciona este procedimento? Molly: É importante dizer que o paciente só pode usar esta ferramenta após, de fato, passar em consulta com o médico. Na Califórnia, nós temos farmácias em nossas unidades. Então, se vou viajar e preciso de pílulas para dormir, por exemplo, eu envio um e-mail para o meu médico e ele já prescreve diretamente para a farmácia. Depois eu

só preciso passar para pegar. Se precisar de um medicamento numa viagem, posso fazer a mesma coisa e pedir para o produto ser despachado para o local em que estou. Em outros casos, respondo a um questionário online e quando uma certa condição é identificada, eu recebo um programa de tratamento ou prevenção da doença. Do outro lado, meu médico, quando sai de férias, pode indicar um profissional de sua confiança para que eu continue meu tratamento. FH: É possível perceber que a TI exerce um papel fundamental na gestão dos negócios da Kaiser Permanente. Como foi a escolha e a adoção de ferramentas de TI? Quais foram utilizadas? Wallace: Levamos muitos anos para entender nossas próprias necessidades e capacidades e consideramos que fazia mais sentido comprar um software do que desenvolver um próprio. Buscamos um fornecedor que tivesse prontuário eletrônico, um software para gerir funções críticas, como agenda de consultas e prescrições na farmácia, capacidades técnicas e que pudesse se adaptar e entender o fluxo de trabalho de diversas áreas dentro da nossa instituição. Se a tecnologia é disruptiva, se exige que os profis-

“O paciente é o futuro. Terá sucesso a instituição que conseguir engajá-lo, mudar o seu comportamento e envolvê-lo na tomada de decisões. O médico mostrará as evidências, aconselhará, mas também deverá considerar as preferências de seu paciente” Paul Wallace, da Kaiser Permanente



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entrevista sionais saiam de seu cotidiano para usá-la, apresentará falhas. É preciso trabalhar com empresas que tenham capacidade técnica, proficiência e interoperabilidade, para que suas ferramentas conversem com outras da instituição. FH: A Kaiser Permanente deixou de ter a visão de ser a operadora de planos de saúde com o menor custo do mercado para buscar ser a de maior qualidade. O que mudou com isso? Molly: Ainda queremos ser os melhores e mais baratos (risos)! O que muda é que, antes, éramos a empresa de planos de saúde com o menor custo, mas tomamos a decisão estratégica de ser a com melhor qualidade. Então, passamos a investir na implantação do prontuário eletrônico e num sistema de e-mails para médicos e pacientes, por exemplo. Com isso, nosso custo subiu um pouco, mas ainda queremos ter preços baixos, além de um alto padrão de qualidade, e continuamos oferecendo produtos até 10% mais baratos que os dos nossos concorrentes. Acreditamos que, em 10 anos, voltaremos a ser os mais competitivos, porque em algum momento nossos concorrentes também precisarão fazer este investimento. O equilíbrio se dará no longo prazo, já que as ferramentas devem resultar em redução das internações e das consultas presenciais. FH: E no que diz respeito à adoção de tecnologias médicas? Como a instituição define seus investimentos? Molly: Buscamos a satisfação do usuário e pensamos em como chegar à qualidade com o nosso portfólio e os nossos recursos. Os sistemas de saúde precisarão ser centrados no consumidor. Não há opção, só é possível definir quando e como fazer isso. As pessoas vão exigir isso, porque querem viver mais e com mais qualidade. Wallace: Do ponto de vista técnico, trabalhamos com pesquisas, consultamos a literatura e buscamos a opinião dos nossos médicos. Aí buscamos um ponto de equilíbrio para decidir e também consideramos nossas limitações de orçamento. Geralmente somos bem conservadores na adoção de novas tecnologias médicas, mas queremos fazer o investimento se considerarmos que isso é o melhor para o paciente. Uma outra questão que

ajuda é que estamos divididos por centros de custo, então, precisamos saber o quanto vamos gastar, porque uma área não vai cobrir os gastos da outra. O objetivo não é fazer dinheiro oferecendo uma nova tecnologia, mas agregar valor ao cuidado com o paciente. FH: A Kaiser Permanente é acreditada pela Joint Commission e pelo National Committee for Quality Assurance (NCQA). O que a certificação trouxe de benefícios efetivos para a instituição? Wallace: A acreditação cria confiança dos dois lados: o dos pacientes e o dos funcionários. Além disso, todos querem ser melhores uns do que os outros e estas certificações aquecem a competitividade. Todos buscam ser o farol, a referência do setor. Na minha avaliação, estas duas acreditações estão entre as melhores, porque focam no que é realmente importante e comprovado por evidência e não há nada frívolo. FH: A instituição também adotou a Governança Corporativa. Como isso trouxe benefícios para as áreas administrativas? Wallace: Eu definiria em três pontos: liderança, visão e estratégia. Com a Governança, todos entendem onde a empresa quer chegar, há mais qualidade de trabalho e melhor aplicação dos recursos, além do foco mais definido no que é realmente prioridade. A Governança traz transparência à instituição e permite um entendimento apropriado do negócio por todos os funcionários. FH: Wallace, como médico, o que você acredita que o futuro reserva para a prática da medicina? Wallace: O paciente é o futuro. Terá sucesso a instituição que conseguir engajá-lo, mudar o seu comportamento e envolvê-lo na tomada de de-

cisões. O médico mostrará as evidências, aconselhará, mas também deverá considerar as preferências de seu paciente. Também acredito que, em 30 anos, as atuais doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, não serão as mais custosas para o sistema de saúde, porque poderemos eliminar os problemas associados a elas. Mas ainda não há cura para a imortalidade! Então, precisamos tomar quais novas doenças tomariam o lugar destas crônicas. Agora, caminhamos para uma nova definição de doença crônica. A Aids, por exemplo, passou de doença que levava à morte para crônica. É possível que isso também aconteça com o câncer. Uma outra tendência será a reposição de partes do corpo, como a colocação de próteses de quadril e de joelhos, por exemplo, porque as pessoas vão viver muito. Uma parte que ainda não conseguimos repor quando envelhecemos é o cérebro, então, deverá haver um aumento de doenças como demência e Alzheimer, mas acredito que os próximos 30 anos poderão trazer avanços nestas áreas. Neste cenário, os hospitais e médicos vão tratar, basicamente, de três condições: doenças moleculares, como o câncer, acidentes – porque as pessoas ainda vão bater o carro em postes enquanto falam ao celular – e doenças relacionadas ao cérebro, como demência. FH: Os sistemas de saúde em todo o mundo já priorizam estas três áreas, como forma de se preparar para o futuro? Wallace: Não, mas estas mudanças também não vão acontecer da noite para o dia. Os serviços e estudos sobre estas condições vão melhorar. Por exemplo, há 20 anos, mal sabíamos o que era a Aids. Hoje, os tratamentos estão tão evoluídos que a doença pode ser controlada e passa até mesmo a ser considerada crônica e não mais fatal.

“Trabalhamos o empowerment com nossos associados, provendo informações para que eles mesmos possam identificar situações ou tomar algumas providências sozinhos para melhorar sua condição de saúde” Molly Porter, da Kaiser Permanente

* Cylene Souza viajou a convite da Federação das Unimeds de Minas Gerais

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Um HoSPital no alvo

da

MODA

Há 13 anos capitaneando a campanha mundial “o câncer de mama no alvo da moda”, o iBcc, com operações no azul, se prepara para uma reforma que vai ampliar sua capacidade de internação em quase seis vezes e investe também em novos serviços.

Fotos: Julio Vilela / Divulgação

Cylene Souza - csouza@itmidia.com.br

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Seis vezes maior E o projeto é grande. Nas comemorações de seus 40 anos, a entidade Camiliana, que tem como superintendente o padre Niversindo Cherubin, dá início a uma reforma que vai ampliar em quase seis vezes sua capacidade de internação, de 42 para 245 leitos. O primeiro passo foi dado em março e consumiu R$ 1 milhão. Foi inaugurado um novo ambulatório, com 800 metros quadrados, 14 consultórios, posto de enfermagem, sala de curativos, arquivos de exames e uma recepção ampliada. Para melhorar os atendimentos, o sistema de chamada de pacientes e os consultórios foram informatizados e agora o ambulatório conta também com prontuário eletrônico. Em outubro, a Unidade de Transplante de CélulasTronco Hematopoéticas (TCTH) abriu as portas. Com investimento de R$ 500 mil, o novo serviço de transplante de medula óssea será o único da capital paulista a oferecer um quarto reversível para UTI. “É uma unidade de isolamento, para preservar o paciente que está com baixa imunidade. Com isso, queremos reduzir o risco de agravamento. São quatro leitos: um de pré-transplante e três de transplante. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já inclui o procedimento autólogo no rol. Agora, negociamos com o Estado para realizá-lo também pelo SUS”, explica.   Quando finalizada, em 2010, a obra resultará em cinco andares, com 202 novos leitos, sendo dez de

Foto: Divulgação

U

m hospital filantrópico, com 85% de atendimentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que vive um eterno esforço para equilibrar as contas. Até aí, o IBCC não difere em nada das demais instituições com o seu perfil. O que trouxe o hospital oncológico à mídia foi a moda: há 13 anos, o IBCC realiza a versão brasileira da campanha mundial “Fashion Targets Breast Cancer”, que alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, a doença que mais mata mulheres no Brasil: este ano, serão 49 mil novos casos. O envolvimento de artistas e estilistas que abraçaram a campanha do alvo azul e ajudaram a vender as camisetas “O Câncer de Mama no Alvo da Moda” e outras ações que ocorreram no período, como as corridas e caminhadas contra o câncer, ajudaram a arrecadar R$ 40 milhões nestes 13 anos, o que permitiu a construção de mais de 5 mil metros quadrados de área no hospital, entre consultórios, ambulatório, prédio administrativo, anfiteatro, recepção, quimioterapia, radioterapia com dois aceleradores lineares e centro de estudos. Os espaços de radiologia, pesquisas e restaurante também foram ampliados. Entre os produtos que levam o selo da campanha e ajudam a trazer mais recursos para os tratamentos estão as camisetas da Hering, o Seguro Mulher, do Unibanco, o título de capitalização Pé Quente, do Bradesco, o absorvente Intimus, da Kimberly Clark, a Ponjita, da 3M e a boneca Suzi, da Estrela. Também são parceiras empresas como Suzano, Helpmed, Ogilvy, Rede Globo e Ernst Young. “Todos os parceiros são necessários. O importante é a soma daquilo com que cada um contribui”, afirma o diretor administrativo do IBCC, Valentim Biazzoti. O valor arrecadado anualmente é responsável por 6,47% da receita do hospital e as doações de pessoas físicas e jurídicas respondem por 7,84% do total. O IBCC realiza freqüentemente eventos de conscientização e mantém as arrecadações com um serviço de telemarketing, que ajuda a arrecadar cerca de R$ 400 mil por mês. Este ano, o diretor administrativo garante que os recursos serão totalmente destinados a melhorias na instituição, já que a receita operacional está equilibrada. “Por sempre termos trabalhado com o SUS, aprendemos a viver com custo baixo. Hoje, nossas operações estão no azul e podemos investir os recursos da campanha integralmente na ampliação do IBCC”, afirma.  

Valentim Biazzoti, do ibcc: Operações no azul garantem destinação dos recursos de doações para melhorias na estrutura.

O câncer de mama no alvo da moda: Campanha ajudou a financiar obras nos setores de internação e administrativo

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UTI, mais os quatro da estrutura atual, e dez novas salas cirúrgicas, que se somarão às sete já existentes. Os recursos necessários estão estimados em R$ 14 milhões, além de R$ 6 milhões para aquisição de equipamentos e mobiliário. “Planejamos também adquirir um acelerador linear, uma ressonância magnética e uma mamografia digital”, conta Biazzoti. A nova estrutura tem o objetivo de atender à demanda reprimida e vai melhorar o caixa do hospital, já que os novos leitos devem ser destinados ao atendimento particular. “A Secretaria Estadual de Saúde já disse que não vai contratar novos leitos, então, teoricamente, eles serão destinados aos pacientes dos convênios. Hoje, 85% do atendimento é destinado ao SUS e podemos chegar à limitação legal, de 60%”, avalia. No atendimento ambulatorial, o IBCC já é referência para as operadoras de planos de saúde. “Temos um convênio com a Medial Saúde em que nós fazemos o atendimento ambulatorial e a rede Alvorada é responsável pela internação. Este entendimento tem que existir, já que os planos de saúde hoje são parceiros.” Outro convênio considerado importante pelo diretor foi realizado com a Unimed Paulistana e pode ser ampliado para outras Unimeds. “Queremos ampliar este tipo de atendimento, mas no nosso modelo de trabalhar com qualidade aliada a uma operação de custos menores, porque só continu-

aremos sendo competitivos assim. A meta é não agregar novos custos à operação”, sentencia.   Parcerias com o governo Embora já tenha avisado que não vai contratar novos leitos, o governo paulista é um dos parceiros do projeto de ampliação, já que vai arcar com os juros dos R$ 5 milhões da captação junto ao mercado financeiro, por meio do programa PróSantas Casas. O dinheiro deverá ser devolvido em 30 meses, com mais seis meses de carência. “Há um esforço grande no relacionamento com o governo, uma aproximação intensa”, conta Biazzoti. Com a Secretaria Municipal de Saúde começa a ser estruturada uma agenda de atendimentos. “Hoje 50% dos pacientes referenciados pelas unidades de saúde não têm câncer e só recebem o diagnóstico aqui, embora o IBCC não devesse fazer esta parte do atendimento”, revela. A partir de dezembro, a logística será aprimorada. Todas as consultas e exames serão realizados às segundas, as confirmações dos exames acontecerão às quartas e as quintas e sextas serão destinadas às consultas de retorno de pacientes em tratamento. “No modelo atual, uma consulta pode levar até seis meses. O Pérola Byington já adotou este sistema e conseguiu se programar para atender melhor.” Um outro plano para garantir as melhorias na logística é assumir a gestão de um ambulatório

de especialidades que será referência em mama. “Nos qualificamos como Organização Social de Saúde e queremos ter esta estrutura, com um mastologista e um radiologista e dois equipamentos: um mamógrafo e um ultra-som.” Hoje, 70% do atendimento do IBCC é de casos de câncer de mama, mas o hospital também trata quase todos os outros tipos de tumores.   Desenvolvimento pessoal O IBCC também é conhecido pela residência em mastologia e pelo centro de pesquisas, que hoje conta com 50 projetos em desenvolvimento. “Temos seis vagas para residência, mas pleiteamos mais duas, com o hospital Albert Einstein, em sistema de intercâmbio de profissionais. Também temos estagiários nas áreas de colposcopia, radiologia e ginecologia.” No time de colaboradores, a estratégia é cultivar os talentos internos. “Talvez pela característica do serviço, num primeiro momento, trabalhar no IBCC pode parecer difícil. Mas as pessoas se identificam com a causa e ficam altamente motivadas, envolvidas. Quem não tem vontade de prestar este serviço não vem procurar emprego aqui.” Por isso, o hospital busca retribuir cultivando os talentos internos. “Há um trabalho de crescimento. Se uma vaga se abre, sempre procuramos cobrir com as pessoas de dentro. Com isso, eles estão sempre se aprimorando e se motivam”, conclui.

ibcc em números IBCC

INDICADORES - SERVIÇOS AMBULATORIAIS

40 46 4 7 310 150 1,000 400 100 350 4,500 1,600 R$200 mil 19 40 mil 4,450 13 mil R$ 28 milhões

anos Leitos Leitos UTI Geral Salas cirúrgicas Funcionários contratados (CLT) Médicos Credenciados Atendimentos por mês no Pronto-Socorro Internações/mês Cirurgias no Hospital - Dia Cirurgias por mês Procedimentos/mês radioterapia Procedimentos/mês em quimioterapia Investimento em TI Especialidades médicas atendidas É o número de atendimentos totais Exames de imagem são realizados por mês Exames Laboratoriais por mês Faturamento em 2007

Centro de pequisa conta com 50 projetos em desenvolvimento

Fonte: IBCC

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Os parasitas da Saúde

Leia e discuta com nossos colunistas foto: caroline Bitencourt

É incrível como o setor de saúde esta repleto de parasitas. Estes “bichinhos” – que em associação com outros retiram os meios para sua sobrevivência, deixando o organismo hospedeiro prejudicado – estão impregnados na cadeia de saúde. No último mês, os escândalos do setor, que rechearam o portal Saúde Business Web, foram as operações das Polícias Militar e Federal. O primeiro caso foi o das empresas acusadas de fraudar licitações de materiais e medicamentos em São Paulo; o segundo foi o dos médicos cardiologistas do Sistema Único de Saúde, que utilizavam materiais de alto custo em cirurgias por meio de propina negociada com empresas fornecedoras. Em ambos os casos, o poder de compra do Estado está sendo subutilizado por “bichinhos”, que querem tirar proveito da situação. A lição que se tira é que ou o governo não sabe investir os recursos de saúde e por isso pessoas querem boicotá-lo, ou os profissionais são cada vez mais anti-éticos e não sabem que o único poder que têm na mão é o de salvar vidas.

Opiniões

patricia santana: estagiária da unidade setores e negócios/ saúde psantana@itmidia.com.br

Confira as notícias que aqueceram o portal. Boa leitura! participe você também e comente estes e outros temas em: www.saudebusinessweb.com.br * a repórter Katia cecotosti está em licença maternidade e volta na edição de dezembro.

Webcast Entrevista acreditação garante aos hospitais melhor remuneração por parte das operadoras? Confira a reportagem realizada no III Fórum Internacional de Qualidade, promovido pelo Instituto Qualisa de Gestão (IQG) sobre a percepção da qualidade na negociação junto às operadoras de saúde. ASSISTA outras entrevistas no

www.saudebusinessweb.com.br

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As 10 mais clicadas 6 7 8 9 10

andré staffa deixa presidência do são luiz

fundação aBc assumirá o Hospital da mulher de santo andré

acreditação garante melhor remuneração das operadoras?

nossa senhora de fátima inaugura unidade em osasco

esquema envolve 11 empresas de materiais e medicamentos hospitalares

intermédica anuncia aquisição

cardiologistas do Hc são presos em uberlândia

com crise, amil recompra ações

polícia prende acusados de fraudar licitações em sp

prêmio nobel de medicina 2008 descobre vírus causador da aids

um balanço complicado Confira o artigo do advogado e consultor Antonio Penteado Mendonça, que é professor do Curso de Especialização em Seguros da FIA/FEA-USP, sobre a Lei 9656, conhecida como Lei dos Planos de Saúde, que foi votada em 1998. o prontuário eletrônico e a transformação da assistência em saúde Confira o artigo do assessor clínico de TI do Hospital Santa Catarina de Blumenau, Luiz Arnoldo Haertel, sobre a implantação do Prontuário eletrônico do paciente. sim, eu sou médico! Confira o artigo especial para o Dia do Médico, 18 de outubro, do médico urologista, Rodrigo de Oliveira Rodrigues sobre a profissão. eu gosto de ser médico Confira o artigo especial para o Dia do Médico, 18, do pediatra e homeopata, Moises Chencinski, sobre o fardo que o profissional de saúde carrega consigo.

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além da cura Em artigo, Auro Del Giglio, do Hospital Albert Einstein, fala das oportunidades trazidas com a criação dos serviços de medicina complementar. operadoras de saúde ou de rede? Confira o artigo do responsável pela divisão de Saúde Autogestão do Grupo Benner, Marcelo Murilo, sobre o modelo de gestão das operadoras.

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o acolhimento com classificação de risco Confi ra o artigo do presidente do Grupo Brasileiro de Classificação de Risco, Welfane Cordeiro Junior, sobre a gestão assistencial

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Crise econômica

posterga aquisições hospitalares Da redação / Colaborou Patricia Santana – psantana@itmidia.com.br A crise econômica iniciada nos Estados Unidos, por conta da inadimplência de hipotecas, que passou a atingir o faturamento dos bancos, está trazendo seus impactos ao setor de Saúde brasileiro. Companhias de capital aberto, como Amil, Medial e Diagnósticos da América (Dasa), estão cautelosas, enquanto suas ações registram quedas cada vez maiores, o que pode comprometer a captação de recursos. Mais do que isso, o setor passa por um período de recessão quando o assunto é aquisição. O segundo semestre do ano tinha em sua agenda algumas promessas de grandes aquisições, que por conta da insegurança causada pela crise foram adiadas. A Dasa anunciou que tinha 20 laboratórios no pipeline de aquisições, que ainda não foram concretizadas. Já a Rede Labs D´Or, do Rio de Janeiro, composta por 40 unidades de diagnóstico e três hospitais, previa a ampliação da atuação, que hoje está

focada na cidade carioca, para outras praças, como São Paulo, Salvador e Brasília. “Nosso planejamento é realizar aquisições, mas diante do atual cenário econômico, precisamos analisar bem as oportunidades e atuar com mais cautela. Os investimentos não serão congelados, mas devemos analisar melhor o endividamento e os próprios investimentos, porque os créditos neste momento não são a melhor opção financeira”, conta o diretor de serviços corporativos da rede, Marcelo Pina. Mesmo assim, o executivo garante que o grupo, que tem R$ 200 milhões de faturamento, deve partir dos seus 1,3 mil leitos para 2,5 mil leitos em 2009. para atingir estes resultados, Pina acredita que o principal motivo é o modelo de gestão da rede. “Temos um controlador que exerce não somente o papel de investidor, como também de gestor. Por isso, o modelo de gestão integrada e padronizada funciona bem e gera resultados”, conclui.

Unimed investe em novo hospital para 2011 A Unimed Piracicaba investe em um novo hospital, em Piracicamirim, na região de sua sede, para atender a 10 cidades. Construído em uma área de 22 mil metros quadrados, a nova unidade disponibilizará 220 leitos. Com 12 leitos de UTI, 13 salas cirúrgicas e sete pavimentos, o objetivo é concluir a construção até 2011.

A nova unidade hospitalar deverá atender a clientes Unimed de Piracicaba e toda a região, formada por 10 municípios: São Pedro, Águas de São Pedro, Charqueada, Santa Maria da Serra, Saltinho, Rio das Pedras, Tietê, Laranjal Paulista, Cerquilho e Jumirim. Os dados de investimento não foram divulgados.

Blogs Leia e discuta com nossos blogueiros os assuntos mais quentes do mês Adrianos Loverdos ÚLTIMO POST: Como melhorar a auditoria técnica das operadoras? Adrianos Loverdos é diretor técnico do Hospital Madrecor de Uberlândia. Também é autor do livro “Auditoria e Análise de Contas Médico Hospitalares”. Atua como coordenador científico do Conbrass - Congresso Brasileiro de Auditoria em Sistemas de Saúde. Pedro Fazio ÚLTIMO POST: Verticalização na Saúde Pedro Fazio é economista e diretor da Fazio Consultoria. Ildo Meyer ÚLTIMO POST: Família hospitalar Ildo Meyer é palestrante motivacional e médico com especialização em anestesiologia e pós-graduação em Filosofia Clínica pelo Instituto Packter. Marilia Ehl Barbosa ÚLTIMO POST: De domingo a domingo Marilia Ehl Barbosa é presidente da UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde Roberto Latini ÚLTIMO POST: Ignorar os riscos significa ampliá-los Roberto Latini é diretor da Latini & Associados e aborda as regulações do setor de Vigilância Sanitária.

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Cardiologistas do HC são presos em Uberlândia

Prêmio Nobel de Medicina 2008

Uma ação da Polícia Federal resultou na prisão de três cardiologistas em Uberlândia (MG). Os médicos trabalhavam no Hospital das Clínicas, ligado à Universidade Federal de Uberlândia (UFU). De acordo com o inquérito da Polícia Federal, os cardiologistas foram beneficiados ao receber propina de empresas fornecedoras de materiais utilizados em cirurgias cardíacas realizadas pelo Sistema Único de Saúde. Os médicos foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, concussão e corrupção passiva. Outras cinco pessoas, sócias das empresas, também foram indiciadas por formação de quadrilha e falsidade ideológica no mesmo inquérito. Em nota, a Administração Superior da UFU disse que foi obrigada a suspender os procedimentos cirúrgicos no setor de Cardiologia do Hospital das Clínicas, em razão do afastamento da equipe de cirurgiões cardiologistas do hospital. A administração informou ainda que os oito pacientes que estão internados para serem operados serão transferidos.

O Prêmio Nobel de Medicina de 2008 acaba de ser eleito e os vencedores são da Europa. Os franceses Françoise Barre-Sinoussi e Luc Montagnier foram premiados pela descoberta do vírus causador da Aids, o HIV, e o alemão Harald zur Hausen, pela descoberta de que o papilomavírus humano (HPV) causa câncer de colo do útero. O pesquisador alemão receberá metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão, ou cerca de R$ 3 milhões), e os dois franceses, a outra metade. O cientista alemão, que iniciou esse trabalho na década de 1970, imaginou que, se esse câncer fosse de fato de origem viral, seria possível detectá-lo pela

vai para cientista que descobriu o HIV busca de um DNA viral específico. Durante dez anos, Zur Hausen buscou tratamentos para diferentes tipos de HPV, detectando-os em biópsias de pacientes do câncer do colo do útero. Os tipos que ele localizou (e posteriormente clonou) estão presentes em 70 % das biópsias da doença no mundo. Os dois cientistas franceses descobriram o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da aids. Em 2007, o prêmio foi para os geneticistas Mario Capecchi, Oliver Smithies e Martin J. Evans, por suas descobertas relacionadas às células-tronco embrionárias e à recombinação do DNA em mamíferos.

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CBDL expulsará empresa se houver envolvimento em fraude Da redação / Colaborou Patricia Santana – psantana@itmidia.com.br Depois da Operação Parasita, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) informou que se houver empresas associadas envolvidas nas fraudes, elas serão punidas e excluídas da entidade. “Temos a premissa de garantir a ordem jurídica e incentivar as boas práticas, por isso, se alguma empresa envolvida fi zer parte da CBDL, o caso será levado ao conselho de ética e a companhia será expulsa”, relata o secretário executivo da entidade, Carlos Gouvêa. Até o momento, a polícia não informou todos os nomes das empresas envolvidas na quadrilha acusada de fraudar licitações de hospitais públi-

cos do Estado e da Prefeitura de São Paulo e de outros 29 municípios do interior, além de instituições no Rio de Janeiro e de Minas Gerais. De qualquer forma, Gouvêa aponta que nos bastidores do setor de saúde as fraudes em licitações já fazem parte da realidade. “Sempre existem casos emblemáticos, mas está ficando cada vez mais comum o beneficiamento de companhia sque não oferecem produtos de qualidade ecobram mais caro, o que gera um ônus para toda a cadeia”, acredita. Para o secretário, “chegou a hora do setor ter uma postura mais correta, de transparência, com uma competitividade adequada e com o

custo justo.” Agora, a CBDL está em fase de reavaliação do código de ética. “A idéia é justamente coibir e garantir que o ambiente de negócio seja justo e harmônico”, complementa Gouvêa. A Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico Hospitalares (Abimed) e a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) foram procuradas pela redação do Saúde Business Web, mas prefiriram não se pronunciar sobre o assunto, uma vez que os nomes das empresas envolvidas ainda não foram divulgados.

Polícia prende acusados

de fraudar licitações em SP A Operação Parasita, deflagrada no final do mês de outubro pela Polícia Civil de São Paulo, resultou na prisão de cinco pessoas e na expedição de 23 mandados de busca e apreensão. A operação investiga uma quadrilha acusada de fraudar licitações de hospitais públicos do Estado e da Prefeitura de São Paulo e de outros 29 municípios do interior, além de instituições do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A Polícia estima que a quadrilha tenha arrecadado cerca de R$ 100 milhões nos últimos anos. Entre as práticas ilegais estão o suborno de agentes públicos, o superfaturameto de preços, que chegavam a 400% do valor real dos materiais, e a entrega de produtos de má qualidade, que colocavam em risco a saúde dos pacientes. O bando também é

suspeito de sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas para paraísos fiscais. Pelo menos 11 empresas fornecedoras de materiais cirúrgicos, remédios e insumos hospitalares são investigadas no caso. Foram presos o empresário Dirceu Gonçalves Ferreira Junior, um dos donos das empresas VidasMed e Biodinâmica, Renato Pereira Junior e seu sócio Marcos Agostinho Paioli Cardoso, proprietários da Home Care Medical, apontados como os chefes da área empresarial da organização criminosa; além de Vanessa Fávaro, representante de uma das empresas, e Carlos Alberto do Amaral. Na operação, foram apreedindos 14 carros (entre eles um Porsche), cinco motocicletas (entre elas, uma Harley-Davidson), três lanchas e uma helicóp-

tero - modelo Robson 40. Os suspeitos também tiveram as suas contas bancárias, as aplicações e os bens bloqueados. O trabalho investigativo da operação começou há 12 meses e teve a participação do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap - da Secretaria de Segurança Pública), da Corregedoria de Administração do Estado (Casa Civil), da Diretoria Executiva de Administração Tributária (Secretaria da Fazenda), e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco - do Ministério Público Estadual). A participação dos funcionários públicos está sendo investigada e, após a averiguação dos processos licitatórios, será definida a responsabilidade de todas as pessoas envolvidas no esquema.

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Nossa Senhora de Fátima

inaugura unidade em Osasco

Imagem: Indexopen

O Hospital Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo, acaba de ampliar a atuação para a região de Osasco. Depois de comprar o prédio do antigo Hospital das Damas a entidade investiu em reformas e de início ao funcionamento de algumas alas. As obras foram divididas em duas etapas. Já começaram a funcionar as alas de Oncologia, Pronto-Atendimento Adulto, Infantil e Ortopédico, com estimativa de 30 mil atendimentos mensais, entre particulares e de convênios. São 40 consultórios, salas de medicação, observação, atendimento emergencial e pequenas cirurgias. De acordo com informações do hospital, uma das alas será totalmente dedicada à Pediatria, tornando-se o maior e mais equipado Pronto Atendimento Pediátrico da região. As obras da segunda fase estão em andamento e devem ser concluídas em 2009, ampliando o atendimento. O Hospital das Damas foi fechado depois que a entidade que o mantinha faliu. A entidade já foi cotada para ser comprada pela Interclínicas e pela Samcil, no ano passado. Contudo, o negócio só foi fechado agora.

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reportagem de capa

Reflexos de Nos últimos meses, o assunto que tem atormentado dirigentes de organizações, governos e a população como um todo é a crise financeira. Sendo considerada a primeira crise do sistema financeiro globalizado e a mais séria desde a grande Depressão de 1929, o mundo tenta entender a extensão e profundidade dos impactos que ela trará. A Fornecedores Hospitalares também se aventurou nesses meandros e tenta explicar aqui quais serão os impactos no setor de saúde brasileiro. Saiba como a oscilação cambial, a retração do crédito e o recuo da economia podem impactar seus negócios. Ana Paula Martins – amartins@itmidia.com.br Com reportagem de Cylene Souza e Patricia Santana

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e uma CRISE D

ólar chega à R$2,40. Bovespa tem queda de 11,39%. Bancos americanos declaram falência. O mundo sente os efeitos da crise. Esse foi o tom das manchetes dos últimos dois meses, quando a chamada “pior crise desde a quebra da Bolsa de 1929” chegou ao seu ápice. Um pânico se alastrou no cenário financeiro, trilhões de dólares sumiram dos mercados e os governos correram quanto puderam para estancar o escoamento dos recursos e tornar o impacto nas economias o menos drástico possível. Passada a tempestade, o mundo agora tenta calcular os reais efeitos da crise nos diversos setores da economia e traçar caminhos para uma retomada do crescimento, mesmo que a estrada seja longa. A crise provocada pela securitização de títulos podres, os chamados subprimes, e pela alta alavancagem dos bancos americanos trouxe danos ao coração do sistema financeiro e levou a maior economia do planeta ao colapso, arrastando todo o mundo para o mesmo buraco. “Essa é a primeira crise vivenciada pelo sistema globalizado de finanças. E por isso traz tanto alarde”, salienta o economista-chefe do HSBC, André Loes. Os efeitos têm sido sentidos em dois aspectos distintos e trarão reflexos em diferentes níveis. “Acredito que o pior momento da crise, sob o ponto de vista financeiro, já passou. As medidas tomadas pelo Banco Central, com

a venda de dólares ao mercado, a liberação do compulsório e com o swap conseguiram suprir a falta de liquidez. O que há ainda é uma crise de confiança entre as instituições bancárias, mas que logo serão sanadas”, analisa o economista da consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Agora, sob o aspecto econômico, o efeito vai demorar um pouco mais a passar. “O Brasil vai ter sua taxa de crescimento reduzida, saindo da casa dos 5,5% para os 3%. A contração do crédito também pode trazer danos graves às empresas, no entanto, o País está mais resistente e, por volta de 2009, 2010, quando a crise tiver passado, o Brasil sairá em melhores condições do que entrou nessa crise”, projeta Nóbrega. Na opinião do também ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, as conseqüências serão mais sérias do que as imaginadas. “Quando analisamos a economia americana, que tem no consumo 70% do seu PIB, e que consome 30% de tudo o que é produzido no mundo, o efeito do colapso é preocupante. Nos EUA, por exemplo, a indústria automobilística, que vende cerca de 16 milhões de carros por ano, já apresentou uma redução nas vendas da ordem de 50%. Sem dúvida nenhuma ainda haverá um aumento no desemprego e maiores conseqüências na economia real”, analisa. Com os exemplos do setor financeiro, que foi o primeiro a degringolar, e do automobilístico, que já

demonstra sinais de fraqueza, a pergunta que fica é quando e o quanto a saúde será afetada? O que se vê no mercado é certa cautela e apreensão em relação aos efeitos da crise. Ainda não se fala em perdas, nem se calcula prejuízos, mas já é sabido que não será possível sair incólume desse cenário. “Aconteceu o que os economistas mais temiam: uma crise sistêmica. E ela vai afetar o mundo todo e todos os setores, não há como escapar”, opina a presidente da GE Healthcare para América Latina, e também economista, Cláudia Goulart. Para pensar os efeitos da crise no setor de saúde é necessário analisar o segmento em toda a sua complexidade e perceber como cada participante da cadeia será afetado por ela. Dos usuários aos fornecedores, passando por bancos, investidores, hospitais e governo os reflexos virão em diferentes níveis e de diferentes formas. Fatores como encarecimento do crédito, possibilidade de desemprego, queda no PIB e oscilação cambial provocam uma reação em cadeia. Por outro lado, a demanda por serviços de saúde mostra-se como o salva-vidas nesse mar de incertezas. “Mesmo com uma diminuição dos investimentos, sabemos que há sim uma demanda muito grande por serviços de saúde e por exames médicos, o que torna o impacto da crise menos drástico”, aponta o gerente de Estratégia para Siemens Healthcare Brasil, Reynaldo Goto.

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reportagem de capa

Impacto no custo A primeira grande preocupação na área de saúde advinda da crise financeira é a oscilação cambial. Num setor que apresenta um déficit comercial de US$ 5,5 bilhões e em que 40% dos insumos e medicamentos hospitalares são provenientes do mercado externo, a desvalorização do real frente ao dólar faz soar o alarme do encarecimento da assistência médica. “As organizações de saúde vão sentir a pressão nos custos com o aumento de preços dos materiais e medicamentos, e com a economia num ritmo mais lento, será difícil repassar esse aumento, talvez aí esteja a principal dificuldade”, analisa o professor do departamento de Economia da PUC-Rio e diretor da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo. Ninguém consegue ainda ter uma estimativa do preço médio da moeda americana. O dólar teve uma alta na cotação de 39% entre agosto e outubro e acumulou ganhos de 28,13% no ano. Mesmo com a intervenção do Banco Central para evitar a fuga de recursos e conseqüente alta dos preços, com a realização de leilões de swap e venda no mercado à vista, as oscilações continuam. Para as indústrias importadoras de insumos e

equipamentos médicos, a alta do câmbio significa uma revisão de estratégia. “Se a desvalorização do câmbio se mantiver, o abastecimento local sofrerá conseqüências. Inevitavelmente, teremos que rever os contratos de médio e longo prazo”, destaca o presidente da Associação de Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed), Aurimar Pinto. Diante da incerteza também é difícil dizer quais os rumos que os negócios dos grandes players do setor irão tomar. Ainda não se fala em redução no número de vendas, tampouco em revisão de meta de crescimento, mas há, sim, cautela nas ações. “O difícil é se posicionar em momentos de forte oscilação cambial, antes da estabilização não há como definir novas estratégias, nem saber o quanto iremos desacelerar. Ainda não sentimos os efeitos da crise. Percebemos, sim, certa cautela dos hospitais na hora de investir”, afirma o gerente de Estratégia da Siemens Healthcare, Reynaldo Goto. Na visão da presidente da GE Healthcare para a América Latina, Claudia Goulart, o momento é de desaceleração do crescimento. “Acredito que o primeiro trimestre de 2009 será bastante impactado pela escassez e pelo

alto custo dos financiamentos, e também pela insegurança do câmbio, mas não vejo esse quadro se mantendo. Certamente teremos um crescimento menor em 2009, mas em 2010 já voltaremos para patamares mais condizentes”, analisa a executiva. A confiança na retomada do crescimento no mercado nacional vem do histórico da economia brasileira de se reinventar depois de cada crise pela qual passou. “O mundo hoje vive um pânico maior que o Brasil, que já passou por tantas outras crises. Em comparação com os mercados maduros, os países emergentes, por já estarem num processo de crescimento, retomarão o ritmo mais rápido que os demais, então não há motivo para alarde”, complementa Claudia. Na Siemens Healthcare, a projeção também é de retomada do crescimento. “Em 2002, quando houve uma forte oscilação cambial, com o dólar chegando à casa dos R$ 4, tivemos uma redução de vendas de 20% no período, mas que foi rapidamente reposta com a normalização da moeda. Agora, mesmo com uma estratégia mais cautelosa para um cenário mais nebuloso, teremos um crescimento, ainda que tímido”, aponta Goto.

Foto: Divulgação

“O difícil é fazer projeções em momentos de forte oscilação cambial. Antes da estabilização do dólar, não há como definir estratégias“ Reynaldo Goto, da Siemens Healthcare

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Made Brazil made in brazil Ao falar dos efeitos da crise, logo se pensa em impactos negativos, em recessão e em perdas. Numa crise sistêmica como a atual, encontrar alguém que saia ganhando é ainda mais difícil, mas pode se dizer que o impacto tem sido menos dolorido para as empresas exportadoras de soluções médicas. “Num primeiro momento, com a desvalorização do real, algumas empresas conseguiram retomar as perdas que vinham tendo com a queda do dólar. Há uma recuperação de margens importante”, sinaliza o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos Médicos, Odontológicos e Hospitalares (Abimo), Franco Pallamolla. Mas os ganhos só vieram mesmo nesse primeiro momento. Inserida numa cadeia contaminada com o vírus da crise, os efeitos sem dúvida respingarão nessas companhias. Isso porque o crédito está escasso no mundo inteiro, e com um encarecimento dos produtos, os mercados consumidores também estão contendo os investimentos e aguardando a normalização do câmbio. “Até o presente momento, não tivemos ainda nenhuma dificuldade para conseguir financiamento para a exportação. Acredito que o governo irá manter os investimentos previstos no Complexo Industrial de Saúde, e não sairemos tão prejudicados com isso”, analisa Pallamolla. Como medida para evitar maiores reflexos da crise financeira internacional na economia brasileira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ampliou, no início de outubro, suas linhas de financiamento à exportação, com o objetivo de fazer frente à escassez de crédito no mercado. A instituição destinou R$ 5 bilhões adicionais para o financiamento de operações pré-embarque, que podem ser usados para bens de capital e bens de consumo. Na opinião do pre-

sidente do BNDES, Luciano Coutinho, a economia brasileira tem total condição de manter uma trajetória satisfatória de crescimento, mesmo num cenário conturbado nos países desenvolvidos. Um exemplo do que vem ocorrendo com as indústrias exportadoras é o caso da Fanem, empresa especializada em incubadoras e berços, que exporta para mais de 90 países em todo o mundo. A companhia conseguiu uma maior lucratividade com o aumento da taxa de câmbio. “O número de equipamentos vendidos com o dólar atual tem sido esplêndido para o contexto. A diferença cambial de 22% no último ano trouxe impacto na lucratividade, mas precisamos esperar a estabilização da taxa para podermos definir as estratégias”, afirma a presidente da empresa, Marlene Schmidt. O otimismo da executiva é mantido, sobretudo, por, mesmo num cenário de crise, a empresa conseguir ampliar sua atuação no mercado internacional e fechar novos contratos. “Acabamos de vencer uma concorrência para fornecer equipamentos para o governo do Peru, no valor de US$ 3 milhões”, destaca Marlene. E como para sobreviver em tempos de crise é preciso inovar, a empresa já estuda a atuação em novos mercados, como Argélia, Austrália, Nova Zelândia, Sri Lanka e Tunísia. “Ainda não tive-

mos redução de vendas em nenhum lugar para o qual o exportamos, mas já é possível perceber certa contenção em países do Leste Europeu, por exemplo. Por isso, nossa estratégia é diversificar a atuação”, destaca. Para 2009, a empresa pretende focar em ampliação de portfólio e desenvolvimento de novas tecnologias para baratear os custos dos equipamentos. “Em momentos de crise é que precisamos investir. Queremos avançar em tecnologias que possam reduzir os custos de nossos equipamentos sem perder a qualidade. Em linhas gerais, acho que o setor de saúde vai manter os investimentos em razão da demanda existente, e às empresas cabe realizar um bom planejamento para não serem prejudicadas com a crise”, conclui.

Foto: Ricardo Benichio

“Em momentos de crise é que precisamos investir. Às empresas cabe realizar um bom planejamento para não serem prejudicadas com a crise“ Marlene Schmidt, da Fanem

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reportagem de capa

Oportunidades oportunidades para os emergentes A crise causou sérios estragos em economias maduras como a norte-americana, que foi seu epicentro, e o mercado europeu. Os efeitos imediatos foram sentidos com a quebra de bancos, como o Lehman Brothers, com a redução de investimentos e socorro dos Bancos Centrais e a retração do mercado consumidor. Nesse cenário, mesmo afetadas, economias emergentes, como a brasileira e a chinesa, que vêm apresentando crescimento nos últimos anos, conseguem ser uma alternativa para as empresas globais, sobretudo as que atuam no setor de saúde. “Com o crescimento de suas economias, países como China e Índia aumentaram expressivamente seus investimentos em saúde. Na China, o investimento dobrou nos dois últimos anos. Na Índia, o investimento vem crescendo na ordem de 10% ao ano. Esses países investem para melhorar a entrega na saúde e há uma demanda muito grande por serviços. Pode haver uma desaceleração no aumento do investimento, mas não um estancamento”, opina o presidente mundial da Intersystems, Kerry Stratton. Prova disso é a manutenção dos investimentos das grandes companhias nesses mercados. A

Philips investiu R$ 300 milhões em aquisição e no início de produção de equipamentos de ressonância magnética e tomografia computadorizada no Brasil. A GE Healthcare também investe na construção de uma fábrica de equipamentos médicos no País e ainda tem na América Latina um dos principais mercados de atuação do grupo. “O crescimento nos mercados emergentes vai ser mais expressivo que nos mercados maduros. A China deve manter o patamar na casa de 6% a 7%. Na América Latina, os países devem sofrer mais no primeiro trimestre de 2009, mas se recuperarão logo. Os investimentos têm se mantido”, avalia Claudia Goulart. A executiva diz ainda que a região é um dos principais focos do grupo GE como um todo. “Já estava planejado o investimento cada vez maior na região, e o comportamento da economia no continente só vem comprovar que estamos no rumo certo.” Outra prova de que os mercados emergentes são a alternativa de crescimento para as empresas globais são os balanços publicados no último trimestre pelas companhias. A Johnson & Johnson teve um crescimento de 13,1% nos merca-

dos internacionais, contra o aumento de 4% no mercado norte-americano. O mesmo aconteceu com a GE, que teve uma queda de 12% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado, tendo a vertical de saúde um retrocesso de 8% , mas com um crescimento maior nos mercados emergentes. “O crescimento nos mercados emergentes será mais expressivo que nas demais economias. E o Brasil e a China são as moças bonitas desse nicho, com economias mais estruturadas, e vão conseguir se sair bem dessa crise”, salienta Claudia. A empresa americana Edwards LifeSciences, especializada em válvulas cardíacas, também teve um crescimento maior no mercado internacional do que no interno, tendo acumulado, de junho a setembro, vendas de US$ 135,6 milhões no mercado interno ante US$ 168 milhões no mercado externo. A companhia também aposta no potencial de mercado da América Latina. "A determinação na América Latina é não repassar o custo para os clientes, mesmo com o impacto na margem de lucro. Acreditamos que esta oscilação é irreal, assim como a cotação anterior, que chegava a R$ 1,65, também não refletia a reali-

Claudia Goulart, da GE Healthcare

Foto: Divulgação

“Na América Latina, os países devem sofrer mais no primeiro trimestre de 2009. De qualquer forma, continuaremos a investir na região“

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a retração do crédito

Foto: Divulgação

KERRY STRATTON, DA INTERSYSTEMS: Países emergentes têm investido pesado em saúde mesmo com crise

mais US$ 6,9 bilhões em créditos para a indústria automotiva, para assegurar o financiamento aos clientes, e para as pequenas e médias empresas, com o objetivo de fortalecer o capital de giro. Com essas medidas, o governo acredita que é possível evitar um crescimento no desemprego e garantir o movimento do mercado. Somando todas as ações, o governo teve um gasto de R$ 40 bilhões para auxiliar o setor produtivo durante a crise. “Essa crise internacional se reflete no Brasil como uma crise de confiança. Os grandes bancos estão restringindo a oferta de crédito e com isso prejudicam a economia. As empresas que dependem de capital de giro poderão ser seriamente comprometidas, chegando à insolvência”, avalia o economista e professor da Unicamp e da Facamp, Luiz Gonzaga Belluzzo. A recuperação da liquidez na economia tem sido a bandeira defendida para se evitar maiores impactos da crise no mercado brasileiro. “No aspecto econômico, a crise ainda trará fortes conseqüências. Haverá queda de produção, queda de emprego, e isso levará tempo para ser normalizado”, afirma Antônio Palocci. A queda na taxa de emprego também é outro as-

Foto: José Cruz/ABr

Desde que a crise financeira internacional teve início, a maior preocupação do sistema financeiro nacional tem sido garantir a liquidez no mercado e impedir a contração de crédito. Segundo o Banco Central, até o dia 10 de outubro, o crédito havia recuado 13%. No intuito de retomar o fluxo financeiro no País e assim manter o motor da economia em funcionamento, até o dia 7 de novembro o Banco Central utilizou US$ 40 bilhões dos US$ 200 bilhões da reserva nacional para injetar liquidez no mercado. Até o dia 5 de novembro foram usados US$ 26 bilhões na venda de swaps cambiais; US$ 3,1 bilhões em linhas de dólares para operações de comércio exterior; US$ 5,8 bilhões em leilões da moeda americana com compromisso de recompra, e US$ 5,1 bilhões na venda de dólares no mercado à vista. Além disso, o presidente do Banco Central afirmou que a instituição utilizou mais US$ 35 bilhões que não afetam as reservas. A tentativa de suprir a escassez do crédito vem via BNDES e dos bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, que têm ampliado suas linhas de financiamento. O governo anunciou na quarta-feira, 6, que iria liberar

Foto: Luis Machado

dade. Nossa expectativa é que o dólar volte a se estabilizar e atinja um patamar entre R$ 1,90 e R$ 2", estima o vice-presidente para Amércia Latina, Fernando Jorio. Mesmo com a crise nos mercados financeiros, a expectativa da companhia é de crescimento de 20% em 2008, se comparado ao ano anterior. No terceiro trimestre, o percentual foi de 16,1%. Com capital aberto na New York Stock Exchange (NYSE - Bolsa de Valores de Nova York), a empresa também vem recomprando suas ações: neste terceiro trimestre, foram compradas 1,2 milhão de ações, ao valor de US$ 71 milhões de dólares. O reinvestimento também passa por Pesquisa e Desenvolvimento: 11,6% do faturamento do terceiro trimestre foi destinado à área, totalizando US$ 35,1 milhões, ante US$ 30,9 milhões do mesmo período no ano anterior. "Isso também é parte da nossa estratégia. Na América Latina, o lançamento de novos produtos ajudará a recuperar as perdas cambiais e a aumentar o market share ", avalia Jorio.

MAÍLSON DA NÓBREGA, DA TENDÊNCIAS: O Brasil sairá dessa crise em melhores condições do que entrou.

ANTÔNIO PALOCCI: Crise ainda vai trazer fortes consequências para a economia real.

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BIOCOR INSTITUTO, EM MINAS GERAIS: Tecnologia passa a ser preprante no planejamento do hospital

Foto: Divulgação

reportagem de capa

“Acreditamos que o governo vai manter o investimento no Complexo Industrial de Saúde e no setor como um todo, mesmo com a crise“ Franco Pallamolla, da Abimo.

pecto que pode afetar o setor de saúde. Tendo os clientes corporativos representando cerca de 47% da carteira das operadoras de planos de saúde, o desemprego pode trazer perdas para o mercado. “Isso pode trazer um impacto forte sim na saúde, mas é cedo para precisar o real impacto no setor”, explica o professor de economia da PUC-Rio, José Márcio Camargo. Por enquanto a retração de crédito é o aspecto que mais traz preocupação para o setor. Os hospitais começam a ter dificuldade para acessar os financiamentos e com isso retardam as ações de ampliação e aquisição de equipamentos. “Tivemos muitos clientes adiando a compra de equipamentos, mas não cancelando definitivamente. O que blinda a saúde é ainda a alta demanda existente por serviços”, aponta Claudia Goulart. Para o consultor da Planisa, Luís Fernando Forni, esse é o aspecto que já começa a ter reflexo no setor de saúde. “Muitos hospitais estão revendo o seu planejamento de investimento pela dificuldade em acessar os financiamentos. O momento é de adiamento de planos”, afirma. Para os economistas, a saída é o governo manter os investimentos, sobretudo no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). “Não há como parar. São os investimentos públicos que vão dar suporte para a retomada da economia. O governo tem que dar o exemplo”, destaca Belluzzo.

Foto: Marcello/ABr

Piores momentos da crise piores

16 de setembro – A seguradora AIG obtém um empréstimo de US$ 85 bilhões do Federal Reserve para evitar a quebra.

15 de setembro – O banco de investimentos americano Lehman Brothers, com 158 anos de atuação, pede concordata. De março a agosto deste ano o banco acumulou perdas de US$ 6,7 bilhões. Bovespa fecha em queda de 7,59%

19 de setembro – Banco Central do Brasil anuncia um leilão de US$ 500 milhões com compromisso de recompra da moeda em 30 dias.

18 de setembro – Os Bancos Centrais do Japão (BoJ), Europeu (BCE), do Reino Unido (BoE), da Suíça (SNB), do Canadá e o Federal Reserve anunciam medidas coordenadas contra a crise financeira. Juntos os bancos injetaram mais de US$ 200 bilhões em suas economias.

24 de setembro – BC anuncia mudanças no recolhimento de depósitos compulsórios, que beneficia bancos pequenos e empresas de leasing. Medida injeta R$ 13 bilhões no mercado.

20 de setembro – O presidente George Bush propõe um resgate de US$ 700 bilhões para o setor financeiro.

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O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, acredita que o momento não é desesperador, mas afirma que os recursos para investimentos ainda não foram definidos. "Por enquanto, a saúde tem um piso constitucional, ou seja, o orçamento executado em 2008 será corrigido pela variação nominal do PIB para gerar o orçamento de 2009. Do ponto de vista da base, nada muda. Teremos que ver se haverá recursos disponíveis ou não, e isto vai depender da macroeconomia", assinala. O governo já reviu as taxas de crescimento para o próximo ano. De acordo com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é estimada uma queda de 4,5% para 3,5% em 2009.

“O orçamento da Saúde está atrelado ao PIB. Agora vamos ver se haverá recursos disponíveis para os investimentos“ José Gomes Temporão, ministro da Saúde

01 de outubro – Senado americano aprova o resgate de US$ 700 bilhões ao sistema financeiro americano.

29 de setembro – A Casa dos Representantes dos EUA rejeita o primeiro pacote contra a crise, por 228 votos a 205. Bovespa aciona pela primeira vez no ano o circuit breaker, sistema que paralisa as negociações por 30 minutos quando a queda do Ibovespa supera os 10%.

efeitos colaterais Um argumento que toda cadeia usa para mostrar que o setor de saúde brasileiro será o menos atingido pela crise financeira internacional é o de que a demanda por tratamentos e serviços de saúde não diminui com a crise. Dados mostram, que, na verdade, a demanda aumenta. “É um aspecto negativo, mas é comprovado de que em época de crises as pessoas precisam mais de serviços médicos. Isso por causa do estresse, do desespero e nervosismo gerados pelo cenário de incerteza e de falta de recursos”, aponta José Márcio Camargo. Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde demonstra que a saúde mental pode ser fortemente afetada em decorrência da crise. Transtornos como depressão, ansiedade e estresse têm forte relação com desemprego, insegurança constante e exclusão social. Nos Estados Unidos, aumentou o número de suicídios após o desencadeamento da crise, além de algumas clínicas psiquiátricas terem registrado um aumento de 50% no número de consultas. Uma outra pesquisa realizada pela entidade britânica Blood Pressure Association apontou que

08 de outubro – Taxa do dólar chega a R$ 2,48 e fecha em R$ 2,39. BC realiza novo leilão de dólares e governo anuncia criação de linha internacional de crédito para ajudar os exportadores.

02 de outubro – BC anuncia redução de compulsório para os bancos grandes comprarem carteira de crédito de bancos pequenos. Com a medida, R$ 23,5 bilhões são injetados no mercado.

a população da Grã-Bretanha está cortando custos com frutas e legumes caros e com academia de ginástica. No estudo, 16% dos entrevistados disseram que vão ter de diminuir os gastos com esses produtos nos próximos seis meses - e 15% disseram que já fizeram isso. Já 20% das pessoas disseram que estão diminuindo as idas à academia neste ano por causa de pressões financeiras. De acordo com os pesquisadores, os gastos com um estilo de vida saudável são os primeiros a ser cortados em períodos de dificuldade financeira. Também nos Estados Unidos, um levantamento feito pela IMS Health mostrou que os americanos estão diminuindo os gastos com medicamentos, optando por fórmulas genéricas, ou até mesmo, em caso de doentes crônicos, estão diminuindo as doses diárias de medicamentos. No Brasil, ainda não foram divulgados dados dessa natureza. De qualquer forma, ao se analisar impactos como esses, nota-se que os efeitos colaterais da crise virão no longo prazo, aumentando, certamente, a demanda por serviços de saúde.

04 de novembro – Aracruz admite prejuízo de US$ 2,13 bilhões devido suas operações com câmbio no mercado financeiro.

15 de outubro – Bovespa fecha em queda de 11,39% , a maior em 10 anos. A perda em volume financeiro somou R$ 9,73 bilhões.

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perguntas

Aproveitando o que a Web 2.0 pode dar para a saúde Pacientes cada vez mais atualizados e que exigem profissionais mais conectados ao mundo virtual e os sistemas de informação cada vez mais complexos aumentam o impacto do uso da internet no setor. Criador de ferramentas virtuais voltadas para médicos, Bertalan Meskó conta à Fornecedores Hospitalares como esta nova era vai funcionar para a cadeia de saúde. Da redação / Colaborou Patricia Santana – psantana@itmidia.com.br

1. Hoje, o ambiente virtual está cada vez mais criativo e colaborativo, com a chamada Web 2.0. Você acredita que o setor de saúde está acompanhando a evolução da internet e está mudando junto com ela?   A Web 2.0 proporciona ferramentas e serviços maravilhosos à medicina e ao setor. Mas a razão pela qual penso que a forma como se pratica medicina e a entrega da saúde vai mudar não está atrelada somente ao desenvolvimento tecnológico, mas ao crescente número de pacientes conectados. Os “epatients” são pacientes que tentam encontrar informações médicas confiáveis na web; desejam se comunicar com seus médicos por e-mail ou Skype e armazenam arquivos médicos on-line. Eles querem que seus médicos estejam preparados para responder perguntas relacionadas à web e recomendar-lhes sites confiáveis com informações médicas. Um paciente informado é um paciente muito melhor, pois pode ser muito mais ativo em todo o processo do tratamento. Por isso, é um dever que o setor de saúde acompanhe esta evolução da internet, adaptando-a para a realidade da saúde.

Foto: Divulgação

2. Quais os principais benefícios trazidos pela internet aos médicos ou gestores de saúde? Os médicos devem estar atualizados em seus campos de interesse. Ao usar o RSS, por exemplo, é mais fácil acompanhar as mudanças nas me-

Bertalan Meskó, CEO do Webcina e criador do Scienciroll.com, acredita que a internet é uma ponte entre o médico isolado e os pacientes

lhores revistas médicas. Esse é um dos benefícios. Outro é o fato de conseguir ter um contato mais fácil entre colegas da mesma comunidade por meio de ambientes virtuais. O Second Life gera cada vez mais oportunidades educacionais, bem como sites como o Ann Myers Medical Center. Com blogs como o Twitter.com, por exemplo, podemos interagir uns com os outros de forma muito rápida e clinicamente relevante para obter respostas de médicos de todo o mundo.    3. Ao passo que a internet proporciona troca de experiência, educação continuada e informações, ela também traz consigo riscos de desinformação, principalmente no setor de saúde. Quais os principais riscos e desafios da Web 2.0 na saúde? A Web 2.0 muda quase todos os segmentos do mundo, desde o esporte até a política, mas o setor de saúde é o que enfrenta os maiores riscos. Na blogosfera médica, temos alguns instrumentos para lutar contra esses perigos de desinformação. Quando um médico escreve sobre estudos de caso ou apresentações, eles devem respeitar as normas do HIPAA (sigla em inglês para Health Insurance Portability and Accountability Act, norma que, entre outros assuntos, trata da padronização para transações eletrônicas em saúde). O Healthcare Blogger Code of Ethics (Código de ética dos blogueiros da Saúde) é um grupo de blogueiros respeitados, composto por médicos qualificados que revisam todos os conteúdos de novos médicos blogueiros e os ajudam a fornecer conteúdos de qualidade e confiáveis. Médicos podem integrar este grupo, desde que tenham postado conteúdos confiáveis na internet de forma que possam ser identificados. Em wikis (canais colaborativos) médicos, profissionais da medicina só podem postar e editar um conteúdo depois de um cadastro e identificação. Mais do que participar, os médicos precisam ajudar os pacientes na busca por conteúdo on-line confiável.

4. O projeto de Webicina ajuda os médicos nesta evolução? Fui blogueiro médico por dois anos e pensei que deveria construir uma ponte entre os “e-patients” e os médicos. Algumas ferramentas da Web 2.0 foram desenhadas para nos ajudar no trabalho e fazê-lo mais produtivo, mas a grande maioria dos médicos não sabe destas oportunidades. O Webicina visa ajudar os pacientes e médicos a entrar nesta nova era da comunicação. Fornecemos ferramentas de aprendizagem eletrônica (cursos on-line sobre como escrever um bom conteúdo de blog médico, como seguir a literatura médica mais facilmente e como organizar consultas no Second Life); ensinamos como fazer a construção de uma boa imagem no ambiente virtual (médicos devem ter uma boa reputação on-line); melhores práticas de consultas (pessoais e on-line), entre várias outras funcionalidades. Fizemos algumas lições on-line gratuitas para quem quer aprender nos cursos virtuais fornecidos. Num futuro próximo, também planejo lançar uma comunidade para os usuários do Webicina, para que possam compartilhar informações.   5. Você acredita que os médicos estão preparados para lidar com as necessidades dos pacientes on-line? Apenas alguns deles. Não me preocupo se a web 2.0 pode desempenhar um papel importante no futuro da medicina, porque tenho certeza que o número de “e-patients” vai crescer por um bom tempo. Assim, profissionais médicos devem tentar conhecer as expectativas deste tipo de paciente. Quando um paciente me pergunta sobre um portal com boas fontes sobre diabetes, ele não quer que eu faça uma busca no Google (pois eles sabem fazer isso). Eles querem que eu conheça um bom portal, com qualidade técnica. Para fazer isso, é preciso passar por um processo. E é neste processo em que nos encontramos agora.

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melhores práticas

Evolução na tecnologia de sistemas de imagem permite

Jorge Pagura

Foto: Divulgação

cirurgias de coluna menos invasivas 

A

vanços tecnológicos têm contribuído cada vez mais com a medicina, trazendo benefícios no tratamento das doenças, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos. Nos últimos anos, um dos maiores impactos pode ser sentido, especialmente, por meio dos novos métodos de diagnósticos por imagens. A cada avanço, áreas da medicina com grande demanda por imagens são beneficiadas, tais como neurologia, neurocirurgia, oncologia, clínica médica, ginecologia, ortopedia, entre outras. Desde a descoberta dos raios X em 1895, passando pelas primeiras experiências com ressonância magnética nos anos 50 e pela disponibilização da tomografia computadorizada no início da década de 70, até os dias de hoje, a área de sistemas de imagem está em contínuo desenvolvimento. O primeiro equipamento de imagem 3D intraoperatório, utilizado em cirurgias de coluna e ortopédicas, é uma amostra dessa evolução. O equipamento possibilita completa visualização 3D durante cirurgias, oferecendo em tempo real aos neurocirurgiões e ortopedistas a visualização dos dados anatômicos da região a ser abordada, avaliação da evolução do procedimento e, finalmente, confirmação do resultado antes mesmo de deixar a sala cirúrgica. As principais vantagens consistem no controle em tempo real ao longo do procedimento e na segurança de que a execução da cirurgia ocorrerá dentro do que foi planejado para o paciente. O equipamento promove mais segurança ao procedimento, principalmente na área de coluna vertebral, nos casos de implantes de prótese de discos ou correções de instabilidade, pois possibilita

a checagem e a eventual correção, quando necessária, antes mesmo da equipe deixar a sala de cirurgia. Ou seja, o uso desta tecnologia permite que sejam verificados o posicionamento correto da fixação de placas e parafusos implantados durante o procedimento cirúrgico. Para o paciente os benefícios são muitos, mas principalmente a diminuição do tempo de cirurgia e o risco de uma segunda operação é praticamente zero. Outro ponto é a diminuição da estada hospitalar pelo fato de não ser necessária a realização de uma tomografia de controle no pós-operatório imediato. Com o uso da tecnologia, as cirurgias de coluna e ortopédicas tornam-se menos invasivas e, conseqüentemente, com recuperação mais rápida. O aparelho analisado, o O-Arm, da Medtronic, possui design compacto e comandos robotizados, que permitem seu uso em centros cirúrgicos comuns, diferentemente dos equipamentos de imagem tradicionais atualmente disponíveis. O equipamento também pode ser adaptado ao sistema portátil de navegação, aumentando ainda mais a segurança do ato operatório.

Jorge Pagura é professor-doutor, especialista em neurologia e neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. É Professor Titular de Neurologia e Neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC e Diretor da Clínica Neurológica e Neurocirúrgica Prof. Dr. Jorge Roberto Pagura. É Diretor do Grupo Maximagem, conglomerado de empresas na área de diagnósticos médicos por imagem.

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espaço juridico

Foto: Divulgação

Capitais estrangeiros

na assistência à saúde

Rodrigo Alberto Correia da Silva

O

desenvolvimento das atividades de assistência a saúde cada dia mais depende de financiamento para sustentar a incorporação de novas e importantes tecnologias que nos mantêm vivos e saudáveis por mais tempo. No Brasil, precisamos rapidamente de financiamento volumoso para ampliar a disponibilidade de serviços de saúde pela iniciativa privada, pois o sistema público (SUS) não consegue atender a população nacional, tanto qualitativa quanto quantitativamente, não há recursos públicos suficientes para alterar esta realidade e não queremos perder o bonde do Turismo Médico Internacional que já abordamos em artigo anterior. Aprendemos com Thomas Friedman, em “O Mundo é Plano”, que os capitais viajam livremente entre os países em busca de oportunidades em que a equação risco/retorno seja mais favorável. Estes capitais são abundantes e, quando aportados na forma de investimentos diretos, trazem grandes benefícios para as populações locais, gerando empregos, desenvolvimento tecnológico, impostos, etc. O Brasil é atrativo pela demanda reprimida e pelas oportunidades no turismo médico. Os riscos existem, mas não são intransponíveis, pois ao final somos uma democracia estável e uma economia emergente com iniciativa privada estruturada. Porém, no Brasil, não são permitidos investimentos estrangeiros em assistência à saúde, por força do artigo 199, parágrafo 3º, da Constituição Federal: “É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei”. O veto foi reiterado e regulamentado pela Lei 8080/90, que só permitiu a participação estrangeira para serviços de saúde mantidos por empresas para o atendimento de seus funcionários ou dependentes.

Estes dispositivos foram promulgados por preocupações com a segurança nacional, dada a importância da atenção à saúde. Porém, esta lógica não faz o menor sentido, pois os serviços de saúde seriam obrigatoriamente instalados no Brasil, com ativos no Brasil e operados por profissionais habilitados e residentes no Brasil, ou seja, estariam a todo tempo subordinados à soberania brasileira. Esta proibição é controvertida dos pontos de vista social, econômico e da segurança nacional. Temos que avaliar a sua validade no nosso sistema constitucional. O artigo 5º caput da Constituição Federal define a igualdade de todos perante a lei. Não seria, portanto, tolerável a desigualdade entre empresas de capital nacional e empresas de capital estrangeiro. Entretanto, o artigo 199 da nossa Constituição possui a mesma hierarquia e a mesma “força” que o artigo 5º, e estabelece que não se pode restringir sua eficácia, conforme o entendimento pacificado de que não há artigos inconstitucionais na própria constituição, devendo todos serem aplicados em equilíbrio. Portanto, é válido um movimento do Congresso Nacional para realizar esta importante emenda na Constituição e destravar investimentos em uma atividade de que o Brasil tanto necessita.   Rodrigo Alberto Correia da Silva é sócio do escritório Correia da Silva Advogados, presidente dos Comitês de Saúde da Câmara Britânica de Comércio (BRITCHAM) e da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM), advogado de diversas associações de classe e empresas de produtos e serviços de saúde e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e autor do livro “Regulamentação Econômica da Saúde” – rodrigo@correiadasilva.com.br

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11/12/08 11:38:08 AM


Programa de Certificação em

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Fixação Segura

Hospital Pró-Cardíaco

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artigo

Foto: Caroline Bitencourt

Gerações Corporativas

Estefânia Chicalé Galvan

S

erá que os profissionais mais “maduros e experientes” estão preparados para lidar com os “novatos e inexperientes”?  Ou ficam arrepiados só de pensar em se aposentar e deixar a empresa nas mãos dos mais jovens? É inegável que há um duelo latente entre as diferentes gerações de profissionais que atuam nas empresas. Mas nem todos estão preparados para lidar com isso e, por conta disso, as empresas perdem. Mas poderiam lucrar se os profissionais estivessem preparados para captar os pontos de vista e as experiências dos profissionais de diferentes gerações. O comportamento que os profissionais adotam nas empresas também está vinculado às diferentes experiências que já tiveram em suas gerações. É muito comum a visão negativa que uma geração jovem tem sobre a forma de pensar e agir de uma geração mais experiente e vice-versa. Atualmente, há um número maior de gerações diferentes se relacionando no trabalho. Segundo Bruce Tulgan: “Os mais velhos estavam no comando e os mais jovens faziam o que lhes era dito. Isso acabou. Hoje o ambiente de trabalho é mais complexo e, para dirigi-lo, os profissionais precisam estar atentos às questões relativas às diferenças etárias.” Quanto mais o líder entender o que motiva cada geração, melhor poderá captar esses agentes motivadores para obter o melhor resultado da equipe. A experiência de um líder é importante, mas não se pode esquecer que ela foi formada por acontecimentos e atitudes próprias de sua geração. Saber aceitar os diferentes valores é um bom começo para lidar com essa situação. Não se trata de uma geração ter de adotar os valores de outra, mas saber aceitar a existência de outros valores. E aí está um ponto nevrálgico. Há uma pesquisa bem interessante, publicada pela Harvard Business School, que apresenta as diversas reações dos profissionais nas mais diferentes faixas etárias. É um bom sinalizador para desenvolver uma maior percepção dessas diferenças e compreender o efeito disso no trabalho: Profissionais acima de 59 anos: Com eles, prefira a formalidade à informalidade. Por exemplo,

comunique-se preferencialmente face a face. Se for por telefone, que seja ao vivo (não em mensagens gravadas). Use formas tradicionais de reconhecimento: placas ou certificados. Profissionais dos 41 a 58 anos: Estabeleça com clareza uma série de passos em direção a uma meta definida. Explique os objetivos e os resultados desejados de um ponto de vista centrado nas pessoas. Palavras de estímulo são bem vindas. Escolha formas de mostrar o reconhecimento que tenham grande visibilidade, um artigo em um órgão de divulgação da empresa, por exemplo. Profissionais dos 24 a 40 anos: Diga-lhes o que precisa ser feito, mas não como fazê-lo. Dê a eles muitas tarefas, porém deixe que eles estabeleçam as prioridades. Perceba suas reações e solicite sua opinião. Forneça feedback sincero e com freqüência. Permita que se divirtam. Mostre reconhecimento oferecendo dias de folga. Profissionais dos 23 anos ou menos: Dê-lhes oportunidade de aprendizado constante e aperfeiçoamento de suas habilidades. Conheça os objetivos de cada integrante da equipe e mostre como as tarefas que lhes foram designadas são adequadas para atingir esses objetivos. Enfatize o positivo: veja o lado bom das coisas. Aja mais como coach do que como “chefe”.  A comunicação deve ser informal, por meio de e-mail e encontros rápidos. Segundo Connie Fuller, “o líder que se empolgar com o desafio de encontrar maneiras de motivar essas pessoas estará entre os melhores da empresa, não só para gerenciar a diversidade entre gerações, mas para gerenciar todo tipo de diversidade.” E já que estamos pensando numa nova maneira de relacionamento com as diferentes gerações na empresa, vamos repensar a maneira de relacionamento também com as diferentes gerações na nossa família (pais, filhos, irmãos, etc.). Acredito que os bastidores da vida pessoal refletem muito no palco da empresa, e o inverso também é verdadeiro! Estefânia Chicalé Galvan Sócia Diretora da Fator RH estefania@fatorrh.com.br

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artigo

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Liderança e gestão de pessoas: que tipo de líder você quer ser?

Genésio Körbes

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iderança ética, liderança compartilhada, liderança inovadora, liderança democrática. Ao pesquisar o assunto em duas grandes livrarias virtuais, deparei-me com cerca de 200 títulos sobre o assunto, dissecando os princípios, as leis, as “regras de ouro” e tudo o mais a respeito da liderança. Das muitas obras que já li sobre liderança, destaco o best seller O Monge e o Executivo, de James C. Hunter. Acredito, a exemplo do autor, que para liderar é preciso servir e que a liderança legítima é a que deriva da autoridade, e não do poder. Mais do que gestor de pessoas, o líder é um condutor de pessoas. Para ilustrar essa afirmação, reproduzo um trecho da obra citada: “Liderança: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.” O exercício dessa liderança se dá, principalmente, através do exemplo, da ação e das atitudes do líder perante seus liderados. É preciso ser coerente e transmitir credibilidade, para que suas boas práticas sejam incorporadas à conduta das pessoas que fazem parte de seu time. Há alguns exemplos de executivos que conseguiram, por meio de seu estilo de liderança, conduzir transformações profundas, que fizeram história no mundo corporativo. É o caso de Jack Welch, que por duas décadas comandou a gigante General Eletric; de Bill Gates, o “mago” da informática e um dos homens mais ricos do mundo, fundador da Microsoft; e do executivo do setor automobilístico Lee Iacocca, ex-presidente da Ford e da Chrysler. Não há, no segmento hospitalar brasileiro, histórias como as desses três homens. Mas é perfeitamente viável – e altamente recomendável – que os dirigentes de nossas empresas liderem sempre buscando levar as pessoas a atuar como agentes de mudança. O verdadeiro líder envolve equipes e pessoas; com o envolvimento, ele as compromete; e, com o compromisso, faz com que façam aquilo que é preciso. E esse círculo virtuoso tem o poder de transformar organizações. Como diz Hunter: “um líder autêntico tem a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade

o que ele quer por causa de sua influência pessoal.” Acima de tudo, o líder tem de gostar de pessoas e respeitá-las. Mais do que isso, entretanto, para ser líder é preciso ter magnetismo e carisma, sem ser piegas. O líder também deve ser um educador nato, que ensine não somente pela didática, mas também pelos inúmeros exemplos que fornece no dia-a-dia. Afinal, conforme Hunter, “tudo o que o líder faz envia uma mensagem”. Nada mais verdadeiro. Humildade também é palavra-chave para o líder verdadeiramente influente. E humilde é o líder que não espera ter todas as respostas, mas que envolve e incentiva as pessoas para que essas respostas possam surgir a partir do próprio grupo, e que não se constrange ao transferir os méritos a um membro de seu time. Vale lembrar que nesse modelo de liderança não há espaço para o imediatismo. Investir tempo e recursos é condição imprescindível para criar o ambiente propício ao desenvolvimento de profissionais capacitados a responder com ações e desempenho. Por fim, é vital para a gestão de pessoas trabalhar com objetivos claros e metas definidas. E, na medida do possível, distribuir os frutos dos resultados alcançados. É muito importante que o liderado possa participar dos resultados materiais de seu empenho, o que é possível por meio de programas de bônus ou recompensas, ou, como se diz nas empresas lucrativas, da participação nos lucros e resultados. No Brasil esta cultura do compartilhar resultados está chegando lentamente. É uma pena que a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas atrapalhe em demasia esta prática. Quem sabe algum político acorde, resolva abraçar a causa e transforme esta legislação, conseguindo que os atores do segmento produtivo envolvidos possam usufruir dos resultados advindos de seu trabalho e desempenho.

Genésio Körbes é administrador hospitalar, com MBA em Gestão Empresarial pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), e é Diretor do Hospital Bandeirantes

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Realidades

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s opostas Com longos plantões, emergências e casos críticos, o estresse é comum nas equipes médicas, mas será que os hospitais estão atentos para o bem-estar e a qualidade de vida dos que prezam por milhares de vidas? E as demais áreas, como são “tratadas”? Afinal, a rotina de atendentes, que lidam diretamente com os clientes, também é afetada pelas urgências e demais preocupações que envolvem a saúde e o risco de vida de pacientes. Enquanto algumas instituições trabalham com benefícios e programas de qualidade de vida, as pesquisas de associações de classe ainda apontam a necessidade de práticas mais eficazes para melhorar o ambiente de trabalho e manter os profissionais que lidam com a saúde, também saudáveis.  Janaina Silva – editorialsaude@itmidia.com.br

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gestão

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xcesso de trabalho, poucas horas de sono, plantões, cirurgias, falta de lazer e má alimentação são parte do dia-a-dia de milhares de profissionais que atuam na área da saúde. Mas, nessa rotina, podemos perceber um novo movimento, que inclui palestras de orientação, relaxamento e shiatsu, ginástica laboral, campanhas antitabagismo, orientação nutricional, atividades culturais como teatro, corais, dança e eventos comemorativos diversos, além de estímulo à prática esportiva.  Cuidar da saúde de seus colaboradores é uma preocupação atual para todas as corporações, inclusive para os hospitais, que já despontam, por suas práticas de gestão, em pesquisas que indicam as melhores empresas para se trabalhar, como é caso dos hospitais São Leopoldo, da Samcil, em São Paulo, e Brasília, na capital federal. Esta mudança apresenta uma nova perspectiva para os que se dedicam em prol de outras vidas. “Independente das cíclicas crises setoriais e globais que permeiam a história da evolução das sociedades, o que se percebe desde o início desse século é a valorização cada vez maior do capital humano. As empresas, com a tecnologia incorporada às estratégias de desenvolvimento, agregam para a sustentabilidade de seu crescimento a percepção que preservar o meio-ambiente e a saúde e qualidade de vida dos colaboradores é garantia de sucesso, fortalecimento da marca e maior comprometimento com os objetivos da empresa.

CARINDA DI GIOVANNI, DA SAMCIL: É preciso estimular o profissional a tomar conta de si e de sua saúde, para que possa conquistar seus objetivos

Conseqüentemente, as companhias com clara visão de futuro tendem a direcionar mais investimentos para ações que visem qualidade de vida de seus colaboradores e nisso, obrigatoriamente, são incluídas ações de promoção de saúde e qualidade de vida. O que podemos crer é que áreas voltadas à saúde e qualidade de vida de quem trabalha serão não só necessárias, mas indispensáveis até como diferencial de captação de talentos”, afirma o Gerente de Qualidade de Vida do Hospital Sírio Libanês, Paulo Leal.   PROGRAMAS E Benefícios É prática nos hospitais disponibilizar planos de saúde aos colaboradores. No Sírio Libanês, o benefício abrange também dependentes, “o que assegura a tranquilidade em caso de necessidade”, afirma Leal. Na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, está em vigor o Programa Viva Mais Saúde, voltado para os colaboradores e seus familiares, para acompanhamento da qualidade de vida e saúde dos funcionários e suas famílias. “Por meio de uma equipe multiprofissional (médico, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos, entre outros) treinada e capacitada, as famílias são atendidas no aconchego de sua casa, permitindo que todos participem do cuidado holístico, ou pelo serviço telefônico 24h, com atendimento médico para orientação, educação em saúde e retirada de dúvidas”, explica Viviane Maffia, gerente de RH da Casa de Saúde São José. “A pesquisa de Clima Organizacional e nossos indicadores já demonstram a melhoria nas condições de saúde dos colaboradores, com os programas desenvolvidos, como Escola da Coluna, Escola da Nutrição, Acompanhamento Pré-Natal e os Periódicos Especiais”, avalia a superintendente de Recursos Humanos do Hospital 9 de Julho, Dete Furlan, que, em 2009, prevê investimentos de R$ 210 mil em programas para a melhoria do bem-estar de seus colaboradores.   Combate ao tabaco Entre os hospitais consultados, são freqüentes os programas de combate ao tabaco, como destaca o gerente de Pessoas e Processos do Hospital Santa Cruz, de Curitiba, Chrystian Barcelos.  “Temos casos de colaboradores que fumaram durante 20 anos ou mais e que trocaram o vício por uma alimentação equilibrada e pela prática de exercícios físicos.” Outro caso é o do Hospital das Clínicas, em São Paulo, em que está em prática, desde novembro, a suspensão de profissionais flagrados fumando dentro do ICHC (Instituto Central do Hospital

das Clínicas), inclusive nas varandas e jardins, por conta do projeto "ICHC livre do tabaco", que prevê a extinção dos fumódromos no local. A campanha será realizada entre os meses de novembro e dezembro. Neste período, os funcionários pegos fumando serão advertidos verbalmente e, se "reincidirem", receberão uma advertência por escrito. Em 2009, no entanto, as advertências deixam de existir e o profissional que for flagrado fumando será suspenso. Para dar início à campanha, o hospital realizou atividades preventivas com os funcionários, que incluem desde palestras sobre o tema à realização de testes de monoximetria, que mede a concentração de monóxido de carbono no corpo. O hospital orienta ainda os funcionários fumantes a procurarem tratamento.   Estresse Os transtornos do comportamento afetam uma grande parte da população trabalhadora em todo o mundo e na previdência social já alcançam o terceiro lugar nas solicitações de benefícios do tipo auxílio-doença, segundo dados do INSS de março de 2008. De acordo com Carinda Di Giovanni, gerente de Patrimônio Humano da Samcil, no geral, estimular o profissional, por meio de grupos de apoio, a verbalizar sobre as suas dificuldades no trabalho parece amenizar a pressão e, ao mesmo tempo, oferecer a oportunidade da pessoa perceber de que maneira tem desenvolvido seu trabalho e onde precisa melhorar. Ela cita ainda trabalhos de descompressão, palestras sobre qualidade de vida, implantação de um processo de atendimento humanizado, assim como treinamentos que ensinem o profissional a relaxar e a aumentar sua capacidade de atenção, melhorar a competência do profissional e auxiliar na manutenção do equilíbrio. Nesse sentido, para combater o estresse e oferecer atendimento e assistência psicológica, o Santa Cruz mantém parceria com o curso de Psicologia da PUC-PR, para o desenvolvimento de ações motivadoras e de combate ao estresse. “Com os colaboradores que lidam diretamente com o cliente, por exemplo, os programas trabalham habilidades para lidar no atendimento a clientes com nível de estresse elevado”, explica Barcelos. No Sírio Libanês há o Núcleo de Psicologia, para atendimento individualizado, quando o colaborador procura o serviço voluntariamente e, segundo Leal, existe a interação com o plano de saúde, para constituir uma rede de atendimento voltada para o reconhecimento e controle desses transtornos.

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“As pessoas vivem preocupadas com o que vão fazer, com o que deixaram de fazer, com sua condição econômica, com a saúde de seus familiares, com os bens que precisam adquirir. Sobra pouco tempo para se perceberem e para perceberem as necessidades do outro. Sobra pouco tempo para trabalharem sobre si e para melhorarem como profissionais e seres humanos. É preciso estimular o profissional a tomar conta de si, de sua saúde. Isto é básico para que ele possa cuidar e é fundamental para que ele possa auxiliar a organização a conquistar os seus objetivos”, explica Carinda.   Burnout “Aqueles que trabalham em hospitais estão sujeitos a apresentar altos níveis de estresse, chegando por vezes, dependendo do hospital e das condições de trabalho, a apresentar estresse crônico e até mesmo a Síndrome do Burnout, considerado um estágio além do estresse ocupacional crônico. É um desgaste emocional muito forte”, opina a psicóloga organizacional Janete Dias, que também é consultora nas áreas de Gestão de Pessoas e de Carreiras. Foi o que apontou a pesquisa “Qualidade de Vida dos Médicos Plantonistas de UTI”, realizada em Salvador, que avaliou as condições de trabalho, saúde e qualidade de vida dos médicos plantonistas em UTIs para adultos da capital baiana. A partir de mais de 300 questionários aplicados de outubro a dezembro de 2006, em todos os hospitais de Salvador, foram levados em consideração perfil, formação e remuneração, e cruzados os dados com as questões referentes à Síndrome de Burnout. O resultado foi surpreendente, de acordo com o médico intensivista Dalton Barros, coordenador do estudo Perfil Sócio-Demográfico, condições de Trabalho e Fatores Associados à síndrome de Burnout em médicos plantonistas de unidade de terapia intensiva, realizado pela Associação de Medicina Intensivista do Brasil (AMIB). “Dos médicos entrevistados, 80% possuem menos de 40 anos e trabalham em UTI há menos de 10 anos, com prevalência de Burnout de 63%. Quando cruzamos o questionário de qualidade de vida com o questionário de Burnout, vimos que, de um modo geral, quanto maior o índice de Burnout, pior a qualidade de vida”, explica Barros. “A presença da síndrome do Burnout em determinados grupos está mais relacionada às questões organizacionais, do que efetivamente características pessoais. É o ambiente que adoece e leva as pessoas a desenvolverem atitudes em relação a este clima organizacional. A falta de boas condições para o desempenho das funções profissionais é um grande

desencadeador do problema. Em relação às profissões, os médicos, enfermeiros e psicólogos são os que mais estariam sujeitos a apresentar este tipo de diagnóstico”, explica Dias. Além disso, avalia Janete, o diagnóstico não é fácil. “Muitas vezes, os médicos atribuem os sintomas a outras possibilidades. Parece que há uma certa dificuldade em diagnosticar o Burnout como uma enfermidade oriunda do exercício laboral.” Para a psicóloga, na maioria dos casos, os "cuidadores" são mal cuidados. “Aqueles que cuidam da saúde de outros, nem sempre têm sua saúde cuidada, respeitada. Por vezes, as condições do ambiente de trabalho que não são adequadas, as jornadas de trabalho, muito longas, enfim, uma série de questões muito sérias que permeiam o ambiente dos hospitais, em especial os públicos.” Segundo Barros, a abordagem do tema é recente no país. “É o primeiro estudo que aponta índices da doença entre os médicos brasileiros. Pretendemos, realizar o estudo, por amostragem, em todo o Brasil, expandindo também para outros profissionais que trabalham em UTI, como enfermeiros e fisioterapeutas.” Ainda sobre intensivistas, de acordo com o presidente da comissão de defesa do exercício profissional da AMIB, José Mário Meira Teles, não existe o reconhecimento desta especialidade. “Quanto menor a especialização e quanto mais jovem é o profissional, mais elevados são os níveis de estresse. Por meio do estudo nacional de Burnout, pretende-se ter o panorama e fazer recomendações para se evitar a incidência de casos nos hospitais, para que todos possam ter boa saúde, sem estresse, pois ainda se discute o que é ideal como condição de trabalho, número de leitos por profissional e carga de trabalho na UTI." “A carga horária elevada, a falta de controle das situações no trabalho, baixo reconhecimento social, ambiente, noções éticas, morais e de justiça divergentes são itens que afetam a saúde e o dia-a-dia de qualquer profissional. Atitudes simples podem fazer, sim, muita diferença. Um colega foi convocado pela direção do hospital e tinha a certeza que seria demitido. Foi surpreendido ao receber uma carta reconhecendo a sua excelência no trabalho. Sem grandes recursos, é possível melhorar o ambiente e reconhecer o valor de sua dedicação. Isto também é qualidade de vida”, relata Barros. “Os gestores e o corpo clínico nos hospitais devem abordar o tema com muita seriedade, procurando discutir esta questão junto com seus colaboradores, a fim de encontrarem soluções criativas para a situação”, finaliza Dias.

CASA DE SAÚDE SÃO JOSÉ, NO RIO: Programa Viva Mais Saúde acompanha qualidade de vida dos funcionários

HOSPITAL SANTA CRUZ, EM CURITIBA: Cuidado com as gestantes entre os benefícios...

...E ginástica laboral para combater o stress

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TECNOLOGIA

A internet põe o setor de saúde em um novo momento, em que é possível aliar a habilidade de conectar pessoas à promoção da colaboração entre os mais diversos públicos, entre eles médicos, especialistas, estudiosos, pacientes, indústria médico-hospitalar e farmacêutica, entre outros que navegam na plataforma da web. Um movimento mundial já demonstra que o segmento de Saúde pretende se adequar a esta nova era, na qual os pacientes buscam informações médicas na internet, querem se comunicar com os médicos por e-mail ou Skype e exigem um prontuário médico on-line. Cada vez mais estes pacientes modernos querem médicos participantes das comunidades médicas e antenados com assuntos dispostos na internet. Mas como o setor de saúde brasileiro está reagindo a esta tendência? Da redação / Colaborou Patricia Santana – psantana@itmidia.com.br

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paciente já dispõe”, acredita. Na pesquisa do Google, mais de 60% dos médicos apontam que pacientes que usam a internet tendem a ser mais informados sobre questões de saúde e médicas e também fazem demandas mais específicas, influenciados pelas informações que coletaram na rede mundial. Mais do que isso, 67% dos médicos dizem que pacientes que usam a internet para aprender sobre questões médicas podem ser mais facilmente tratados, já que entendem melhor o tratamento. "Porém, os doutores têm uma preocupação legítima de que os pacientes estejam vulneráveis a conteúdos errados na internet", alerta Gasparini. Pensando nisso, recentemente, o Google lançou uma plataforma chamada Knol, na qual são disponibilizados artigos clínicos e médicos, assinados por especialistas. "Esta plataforma ainda não está customizada para o Brasil, mas é uma forma de melhorar o conteúdo disponível na internet", aponta Adriana. Além desta plataforma, existe também o Google Health - prontuário pessoal médico digital e conteúdo acadêmico online. "O Google Health ainda está em fase de estudos nos Estados Unidos, mas é um plataforma que pode se adaptar ao mercado e à realidade brasileira. Como o Google trabalha com ferramentas que são massivas e gratuitas, existe a possibilidade de ser bem aceita. Mas não vejo o Google Health no Brasil pelos próximos seis meses", pontua a diretora. Aqui no Brasil, Teixeira, do Instituto do Cérebro de Brasília, mantém um blog chamado “Consciência no dia-a-dia”, no qual traz artigos técnicos, em uma linguagem acessível, sobre temas relacionados à saúde e prevenção. “A internet deve ser usada como um catalisador e facilitador da relação médico-paciente. Por isso, é importante que médicos divulguem textos clínicos e tentem informar a população. Com pessoas mais bem-informadas, é possível economizar tempo de consulta médica e ter tratamentos mais eficientes”, conta. UMA OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO NO HOSPITAL No Hospital Dr. Juscelino Kubistchek, de Brasília, a internet está sendo usada nos processos hospitalares. As visitas aos pacientes, que geralmente são feitas pessoalmente, em horário escalonado, agora podem ser realizadas pela internet.

Há pouco mais de um mês em funcionamento, o hospital criou um mecanismo que permite que os pacientes que estejam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acessem uma ferramenta de conversa on-line pela internet e, por meio de web câmeras, se comuniquem e visitem familiares a qualquer momento. De acordo com a coordenadora administrativa do hospital, Silvia Chaves, havia uma demanda grande de visita na UTI, especialmente quando o paciente saia de uma cirurgia muito longa, e a implementação do uso de MSN e Skype facilitou este processo no hospital. “Disponibilizamos dois laptops pequenos, que ficam na área de TI e são direcionados para a área de enfermagem conforme a demanda. Contudo, antes disso, existem procedimentos específicos para combater qualquer tipo de infecção hospitalar”, diz. A ferramenta é gratuita, mas a instituição precisou investir R$ 5 mil em equipamentos. O uso não é liberado sem prévia autorização do médico que acompanha o paciente. Agora, para o mês de dezembro, a instituição deve fazer com que o serviço de visita virtual seja expandido para os demais leitos do hospital. Em São Paulo, este tipo de serviço também vem

Fotos: Divulgação

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m um cenário em que o número de pessoas com acesso à internet no Brasil ultrapassou a barreira de 40 milhões, de acordo com pesquisa do IBOPE/ NetRatings, é inevitável imaginar que esta dimensão tenha reflexos setoriais. Recentemente, o Google Brasil realizou uma pesquisa sobre o uso da internet por médicos e pacientes, encomendada pela Media-Screen. Para a diretora de negócios da vertical de Saúde do Google, Adriana Grineberg, com a internet colaborativa, chamada de Web 2.0, a Saúde acaba mudando de perfil e o consumidor começa a ganhar novamente o poder e a participação. "Assim como na época dos gladiadores, em que o imperador perguntava para os espectadores se o gladiador merecia viver ou morrer, a internet proporciona a mesma percepção atualmente. Por meio da web, um paciente busca as melhores drogas, equipamentos, hospitais e especialistas e registra sua opinião sobre tudo para todos", diz. A pesquisa, que foi realizada com 200 médicos de todo o País, tinha como filtro a necessidade de o profissional ter pesquisado questões de saúde ou médicas na internet no último mês. Ao todo, 80% dos entrevistados usam a internet para manteremse atualizados com pesquisas e melhores práticas na área médica. Em geral, os doutores ficam 4,1 horas por dia on-line. "Além disso, foi possível identificar que na maioria dos casos, o período da manhã é o mais acessado, com um pico na parte da tarde e queda durante a noite. A internet gera um grande impacto no desenvolvimento profissional dos médicos", acredita o diretor de inteligência com o mercado, Gustavo Gasparini. De uma forma geral, é possível identificar que há uma quebra no monólogo do consultório médico e percebe-se que a distribuição da informação relacionada à saúde no ambiente virtual é cada vez mais intensa. Para o diretor do Instituto do Cérebro de Brasília, Ricardo Teixeira, o processo terapêutico passou a ser baseado num compartilhamento de decisões com a internet. “Se o paciente tem um perfil de buscar informações, o médico tem que acatar esta postura, mas não precisa necessariamente concordar com o conteúdo que o paciente traz. O médico é o filtro do conhecimento que está distribuído na internet como uma espécie de mosaico. Este profissional cada vez mais deixa de atuar em um monólogo e passa a ser modulador do conhecimento que o

GUSTAVO GASPERINI, DO GOOGLE: Knol e Google Health são as ferramentas da empresa para a saúde, mas ainda não há previsão de chegada ao Brasil

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tecnologia

JORGE CURI, DA APM: Associações precisam fazer com que os médicos sejam internautas ativos, diferentes do estereótipo de pessoas avessas à Internet

sendo utilizado no Hospital Paulistano. De acordo com a gerente administrativa financeira, Roneide Cursino, não foi necessário nenhum tipo de recurso no novo produto do hospital: a televisita. "A informática faz parte da vida das pessoas. Nossos pacientes já tinham acesso à internet por meio de notebooks. Agora, utilizamos as ferramentas da própria internet, como o Messenger e o Skype, entre outros, para conectar o paciente a qualquer lugar do mundo, oferecendo toda a infra-estrutura necessária, como microfone e web câmera, por exemplo", conta a gerente. O conceito do serviço é trazer mais conforto ao paciente. "A média de internação é de três a quatro dias, portanto, aliamos as necessidades e a hospitalidade, como uma forma de agregar valor ao serviço prestado e sair na frente com-

petitivamente", relata Roneide. Para fazer a visita virtual, o usuário realiza a solicitação de agendamento, por meio de uma ficha online sugerindo data e horário, com o mínimo de um dia de antecedência. Com a confirmação da data, é preciso fazer o download de um arquivo e a visita é iniciada pela tela do computador.   O tempo não pára Mas a internet não traz apenas mudanças na relação médico-paciente ou no ambiente hospitalar, ela traz um impacto direto para o profissional de saúde. Isto porque os doutores precisam investir de uma forma continuada em educação, a fim de serem pessoas atualizadas e preparadas para enfrentar os questionamentos e os pacientes virtuais (veja a seção 5 Perguntas na página 34). No ambiente virtual, os médicos também encontram formas de manterem-se atualizados. Para o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, a internet proporciona rapidez na troca de informações científicas no âmbito mundial. “As associações precisam fazer com que os médicos, que estão presos àquele estereótipo de uma pessoa velha e avessa à internet, sejam internautas ativos e busquem atualização virtual”, assinala. Por isso, existe uma resolução que envolve não somente a APM, como também a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), na qual é necessário que todos os especialistas somem pontos a cada cinco anos, por meio de cursos, atividades acadêmicas e trabalhos científicos. “Tanto a AMB quanto a APM fazem cursos on-line. Os médicos especialistas precisam validar o título e é preciso que eles apresentem no máximo 40% da atualização feita à distância. São formas de incentivar a atualização do profissional no ambiente virtual”, conta. hospital dr. juscelino kubistchek: Visita virtual, já disponível na UTI, será expandida para outras áreas

Sob medida para os doutores Cada vez mais, o ambiente on-line traz ferramentas virtuais voltadas para os médicos   ID Med (www.idmed.com.br): portal que faz o registro médico eletrônico virtual. Tanto o médico quanto o paciente podem inserir arquivos como exames ou laudos diagnósticos. Também oferece espaço para artigos acadêmicos e estudos sobre patologias e tratamentos de diferentes tipos de doenças. Consciência no dia-a-dia (consciencianodiaadia.com): blog de autoria do médico e diretor do Instituto do Cérebro de Brasília, Ricardo Teixeira, que fala sobre estudos médicos com uma linguagem mais decodificada, de forma a orientar os pacientes que pesquisam informações médicas na internet, facilitando a relação com o médico no momento da consulta. Medpedia (www.medpedia.com): site em inglês, no qual médicos, escolas médicas, hospitais, profissionais da saúde pública e organizações de profissionais da saúde são voluntários para a construção colaborativa de uma enciclopédia clara sobre saúde, medicina e o corpo. O site ainda está em fase de construção. Antes de entrar no ar, a enciclopédia médica está em fase de testes e vem sendo abastecida com algumas informações básicas sobre saúde. Para cadastrar um novo item, o usuário precisa criar um perfil comprovando sua experiência e propriedade para falar sobre o assunto. Conexão Médica (www.conexaomedica. com.br): como uma espécie de universidade virtual, o site Conexão Médica fornece cursos on-line por meio de vídeos em mais de trinta especialidades. Google Health (www.google.com/health) e HealthVault (www.healthvault.com): são domínios internacionais que geram prontuários médicos on-line tanto do ponto de vista do usuário quanto dos médicos. Rafe Informação e Saúde (www.rafe. com.br): site em português que fornece uma enciclopédia médica, traz serviço de busca de fornecedores de saúde, busca de profissionais e vagas de emprego e nomes de hospitais, entre outros. Trata-se de uma espécie de buscador da saúde, voltado especificamente ao médico e profissional do setor.

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De olho na Indústria

Guerbet vai ampliar linha de produção no País Ana Paula Martins – amartins@itmidia.com.br

O segmento de diagnóstico por imagem no Brasil está aquecido. Além dos investimentos recentes da Philips para começar a produzir aparelhos de ressonância magnética no país e do anúncio da GE Healthcare de criar uma nova fábrica de equipamentos em território nacional, a francesa Guerbet também vai ampliar sua linha de produção na planta local. A empresa, especializada em contrastes para exames de imagem, investiu cerca de R$ 500 mil para iniciar a produção do Dotarem, composto que auxilia na visualização nos exames de ressonância magnética, na fábrica localizada no Rio de Janeiro. A opção atende a uma estratégia da empresa. “A fábrica da França começou a ter problemas de capacidade para atender a demanda pelo produto,

por isso, decidiu iniciar a produção do composto no Brasil. A produção daqui também servirá de back up para o mercado europeu, ou seja, podemos suprir qualquer demanda da fábrica francesa em caso de necessidade”, destaca o diretor comercial da Guerbet, André Coutinho. Hoje, 30% do que a Guerbet produz nacionalmente é exportado para outros países da América Latina e para o mercado francês. O investimento na nova linha de produção integra o planejamento de melhorias para a fábrica local no médio prazo. Para os próximos cinco anos, a empresa prevê um aporte de R$ 6 milhões na modernização da fábrica brasileira. “Tivemos um crescimento expressivo nos últimos anos no mercado brasileiro, sobretudo com o Dotarem e nossa intenção

é manter esse ritmo”, aponta Coutinho. Hoje a empresa detém 41,5% de market share de contrastes para ressonância magnética no Brasil. O crescimento é atrelado a dois fatores: aumento de investimento público em diagnóstico por imagem e ao crescimento da taxa de emprego formal, o que leva mais pessoas a utilizarem os serviços privados de saúde. “Com a produção local, teremos condição de crescer ainda mais nesse segmento”. Para este ano, na projeção do executivo, a Guerbet deve apresentar um crescimento de 14%, mesmo diante da crise. “Não sentimos nenhuma alteração neste ano, mas para o ano que vem devemos crescer menos. É difícil precisar o quanto, mas deve girar em torno de 10%. A demanda por exames não diminui com a crise”, finaliza.

Benner investe R$ 1,3 milhão em aquisição A Benner acaba de adquirir uma participação na empresa TopMed por R$ 1,3 milhão. Depois de seis meses que a companhia comprou a DSS por R$ 1 milhão, a Benner pretende ampliar o faturamento em torno de R$ 18 milhões para o primeiro ano da nova operação. Para o segundo ano de funcionamento, a expectativa é de R$ 25 milhões. Com o investimento, a empresa pretende entrar no nicho de serviços de “médico de

família” apoiado em sistemas. Com a compra da participação, um processo de reestruturação será realizado na TopMed, com reforço da empresa para a oferta de serviços de monitoramento de programas de saúde, tanto para operadoras, autogestões, cooperativas médicas, bem como para companhias que desejam manter um serviço de saúde para colaboradores. Num primeiro momento, a TopMed conta-

rá com 80 colaboradores, entre médicos e enfermeiros, além de 10 equipes multidisciplinares nas principais cidades de Santa Catarina. Dentro de três meses, o plano é expandir os serviços para outras regiões brasileiras. As equipes serão formadas por um clinico geral, enfermeira e nutricionista, que contarão com notebooks e recursos tecnológicos de telemedicina para suportar o trabalho.

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Eterna paixão nacional after hours

Eterna paixã Sérgio Petrilli, do Graac, sai do trabalho e calça as chuteiras Fred Linardi – editorialsaude@itmidia.com.br

Imagem: Ablestock

E

ntre tantos esportes e hobbies diferentes que se vêem por aí, muitas vezes a simples e mais verdadeira tradição nacional acaba soando como uma inusitada escolha. Mesmo no momento em que a natação ganha espaço e novos ídolos nacionais, enquanto a seleção brasileira sua a camisa numa fraca campanha, é impossível negar: o futebol não perde seus amantes e sua força. Em focos espalhados pelas cidades e bairros, em cada campo improvisado, basta formarem-se dois times e a bola rola solta. Nos campos menores, onde se pratica o futebol society, estão aqueles que prezam pelo jogo rápido, como o diretor do Graac, Sérgio Petrilli. Como um bom brasileiro, ele não deixa a chuteira de lado nos momentos em que deixa o trabalho e sai de sua rotina. Aos 61 anos de idade, pode-se dizer que o médico não reservou apenas a infância e a adolescência para praticar o esporte. Mesmo após entrar na faculdade, continuou se dedicando aos chutes e dribles. Sempre fazia parte dos times, participava das competições e foi constatando que, além do prazer de jogar, entrava em contato com ferramentas que seriam importantes para outros momentos de sua vida e de sua profissão. “O futebol ajuda nas relações entre as pessoas”, afirma Petrilli, remetendo a momentos importantes de sua carreira. “O esporte nos traz uma visão para projetos, como aconteceu com o Graac: começamos com poucas pessoas e recursos e hoje há um hospital e mais de mil pessoas em torno dessa ONG”, compara.

Mas além do espírito esportivo inerente aos jogos, existe também a competição – impossível negar. E ela ocorre todo os sábados, em um clube da cidade de São Paulo. Os campeonatos são divididos por faixas etárias, motivo que Petrilli atribui como uma forma de manter todos empolgados para continuar a participar. A série em que ele participa é a Master, reservada para jogadores acima de 50 anos. As disputas são sérias na medida em que contam com juízes, uniformes, sorteios, nomes de times e pontuações. A descontração, no entanto, também está presente, já que, depois de cada partida, existe sempre a bem-vinda roda de bate-papo para falar dos lances do jogo ou conversar sobre qualquer assunto regado à cerveja gelada e aperitivos. Os times do campeonato atual foram batizados com nomes de países. Petrilli joga no Uruguai e, infelizmente, havia perdido um jogo para a Austrália dias antes da reportagem. Mas isso não importa muito para quem joga futebol há tanto tempo e tem um time cativo que independe de campeonatos. “Nosso time mesmo se chama Super Coroas e já joga há 15 anos. Durante o primeiro semestre, times como este são formados por líderes que convidam outros amigos para jogar também e esses novos jogadores passam a fazer parte dos jogos ao longo do ano.” Jogador de ala direita, Petrilli costuma praticar de duas a três vezes por semana para manter-se na linha e fazer bonito. Como parte de seu treino, assim como pela busca constante por saúde, ele freqüenta a

academia do mesmo clube, sob orientação de um profissional, onde faz exercícios aeróbicos e alongamentos. Depois disso, cai no jogo. É de quarta-feira que existe uma partida bem informal, com times feitos na hora, após cada um colocar seu nome na lista.  E, como sempre sobram disposição e vontade de ter mais momentos bons como esses, o médico costuma sair pelas manhãs de finais de semana e correr no Parque Villa Lobos, acompanhando seu neto de quatro anos na bicicleta e seu cão, da raça Golden Retriever. Petrilli é corintiano roxo, acompanha jogos, notícias de cadernos de esporte e, quando dá certo, vai aos estádios para torcer ao vivo. Segundo o médico, o bom de jogar com os amigos do clube é que lá cada um é torcedor de um time diferente. “Essa é a vantagem que temos ao jogar bola. Existe uma diversidade. Lá, temos muitos assuntos para conversar com os outros, de fazer uma piada e descontrair – falar de tudo, menos de coisa séria”, afirma o médico, sublinhando a diferença deste ambiente daqueles em que vivencia como profissional. Essa reunião, que começa no futebol society, acaba extrapolando os limites do campo. Em festas do clube e jantares, a turma do futebol fica junta e acaba levando as esposas e gerando mais amizades entre as famílias. O espírito que fica é sempre o da reunião e da descontração, elementos tão típicos do esporte e de pessoas que buscam maior qualidade para suas vidas.

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Hoje, Gonzalo Vecina compartilha seu conhecimento com as crianças lay_after hours 54 do projeto Abrace Seu Bairro, do

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x達o nacional

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carreiras

Fotos: Divulgação

André Staffa deixa presidência do São Luiz

ANDRÉ STAFFA será substituído por Ruy Bevilacqua

Hospital Dr. Christóvão da Gama

troca superintendente O Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama, de Santo André, tem um novo diretor superintendente. O executivo Fernando de Assis Lourenção assume o lugar de Helio Raia, que estava à frente da instituição desde outubro do ano passado. Com 27 anos de experiência na área administrativa financeira, Lourenção

está há três anos no HMCG. O executivo foi contratado como gerente financeiro; em 2007, assumiu o cargo de diretor financeiro da instituição e agora acumula a superintendência do hospital.  Com as duas funções, o executivo tem a missão de aliar o controle de finanças à estratégia de eficiência com redução de custos.

Depois de 15 anos atuando na rede de hospitais e maternidade São Luiz, de São Paulo, André Staffa Filho deixa a presidência da instituição. De acordo com Staffa, quando assumiu a presidência do São Luiz, tinha três grandes objetivos. "Precisava reverter a queda de rentabilidade que tínhamos nos últimos dois anos antes de eu assumir em 2006, partir para a profissionalização da companhia e construir o novo hospital, localizado no Anália Franco. Cumpri as minhas metas. Agora a empresa precisa de uma outra estrutura e liderança", acredita o executivo. Com a sensação de "missão cumprida", Staffa deixa o cargo sem perspectivas de presidir uma outra instituição. "Estou com 57 anos e enxergo esta fase como um ciclo cumprido. Já tive consultorias financeira, de informática e planejamento estratégico. Ainda não tenho a perspectiva de assumir uma outra empresa. Mas estarei no mercado para identificar oportunidades", conta. Agora, segundo o executivo, a diretoria deverá responder para o conselho diretor até que se defina um presidente interino ou alguém do mercado. "A empresa é bem capacitada para atuar, mesmo sem a minha presidência. O período de transição será seguro". Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Métodos Quantitavos e Informática pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Staffa já passou pela IBM Brasil, Editora Abril, Granol e Localfrio. Assume seu lugar interinamente o atual diretor Médico Corporativo do Hospital São Luiz, Ruy Bevilacqua. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1961, com pós-graduação em Matemática e Estatística pelo Departamento de Estatística da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Bevilacqua já passou pelo Sírio-Libanês e São Camilo.

Roche Professional Services modifica gerência A farmacêutica Roche acaba de anunciar mudanças nas unidades de Professional Services e Diabetes Care. Marcus Miranda deixa a Gerência da Roche Professional Services (RPS) e assume o cargo de gerente de Marketing da Unidade Diabetes Care, da Divisão Diagnostics da Roche.

Formado em Engenharia e com MBA Executivo pelo IBMEC, Miranda está na empresa há 5 anos e, antes, trabalhou no mercado de Telecomunicações, como gerente de Engenharia. Quem assume o lugar de Miranda na gerência da Roche Professional Services será Luiz Alberto Gonzaga.

Ainda em Diabetes Care, Fernanda Zamikhowsky Villalobos assume a gerência de Produtos (Linha Varejo). Fernanda, graduada pela Faculdade de Propaganda da Universidade de São Paulo (USP), trabalhou nos últimos 9 anos na Nestlé, onde atuou nas unidades de negócios de chocolates, biscoitos e sorvetes.

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Hospital São Cristóvão contrata gerente de Qualidade Hospitalar O Hospital e Maternidade São Cristóvão acaba de contratar uma nova gerente de Qualidade Hospitalar, Angelita Gonçalves Silva. Com experiência no mercado da saúde, Angelita atuou nos últimos sete anos como gerente de qualidade no Hospital Cruz Azul, de São Paulo, sendo responsável pelo delineamento e

organização dos processos, implantação e manutenção do Sistema de Gestão da Qualidade. No HMSC a gerente vem somar forças atuando na área da Qualidade e Serviço de Atendimento ao Cliente. Formada em Química pela Universidade Oswaldo Cruz e pós-graduada em Qualida-

de e Produtividade pela USP e Marketing na Saúde pela PUC, acumula os títulos de "Auditor Líder - BVQ", aprovado pelo Internacional Register Of Certificated Auditors; além de "Avaliadora de Acreditação Hospitalar", pela ONA - Organização Nacional de Acreditação.

Grupo Medial tem novo diretor Executivo de fidelização e filiais O grupo Medial acaba de contratar Luiz Roberto Fonseca de Camargo para o cargo de diretor-executivo de fidelização e filiais. O executivo, que já foi vice-presidente regional para América Latina da Cigna International e presidente da DixAmico Saúde, empresa do Grupo Amil, assume a posição com a estratégia de fortalecer o re-

lacionamento entre a operadora e os clientes corporativos, além de atuar na gestão das filiais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Salvador e Recife. De acordo com a empresa, depois que a Medial lançou planos individuais em Brasília e Recife, anteriormente restrita à Região Metropolitana de São Paulo, a expansão por praças exigiu o investi-

mento em capital humano, para ampliar projetos em 2009. Camargo é formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica, com especialização em administração de empresas financeiras. Já atuou como diretor geral da NotreDame Seguradora e  presidente da Cigna Saúde.

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livros

Eu recomendo Genésio Korbes, diretor administrativo do Hospital Bandeirantes

Foto: Divulgaçnao

De tantos títulos, dois livros que eu recomendo são “Safári de Estratégia”, do Henry Mintzberg e “O Monge e O Executivo”, de James C. Hunter. O primeiro é interessantíssimo para quem tem que lidar com as estratégias das organizações. O autor destroça as teorias de planejamento estratégico e valoriza a intuição no processo de decisão. Para ele, mais do que planejar o importante é fazer. Já “O Monge e o Executivo” é uma lição de liderança. Por meio de uma história de ficção, o autor dá uma aula de como envolver as pessoas, de compartilhar e de servir. A lição mais verdadeira dessa obra é quando ele diz que para liderar é preciso saber servir às pessoas.

Safári de Estratégia Editora: Bookman Autor: Henry Mintzberg Preço: R$ 78,00 Número de páginas: 304

O Monge e o Executivo Editora: Sextante Autor: James C. Hunter Preço: R$ 19,90 Número de páginas: 144

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Blackbook Cirurgia

  O livro de Cirurgia é o terceiro da série Blackbook. Os manuais são divididos em duas partes: a primeira é uma compilação terapêutica, em que as informações dos medicamentos são organizadas em grupos. Na segunda parte estão as rotinas médicas,que abordam os principais temas da Cirurgia. As doses são apresentadas com informações detalhadas e organizadas por tipo de indicação. Estão disponíveis as doses dos medicamentos para adultos e para crianças. Os preços unitários aproximados (por comprimido, ampola, dose etc.) de cada droga também são informados. Assim, é possível comparar o custo da prescrição entre as diversas alternativas de tratamento disponíveis no mercado. O Blackbook Cirurgia possui ainda um guia de material médico-hospitalar ,que visa auxiliar a prática cirúrgica diária. Editora: Black Book Autoras: Andy Petroianu, Reinaldo Gomes de Oliveira, Marcelo Eller Miranda Número de páginas: 736 Preço: R$ 135,00

Saúde Pública - Bases Conceituais

  O livro apresenta 18 capítulos de  54 autores e co-autores, na maioria docentes da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que discorrem sobre conceitos e princípios básicos da Saúde Pública, em linguagem decodificada, abrangendo fatores que dizem respeito aos ambientes biológico, físico e social e as maneiras pelas quais eles poderiam representar riscos à saúde e à qualidade de vida. Epidemiologia, ciências sociais e administração de serviços de saúde, considerando não só o indivíduo, mas a coletividade que o cerca, são temas abordados na obra. Editora: Atheneu Autoras: Aristides Almeida Rocha e Chester Luis Galvão Cesar Número de páginas: 368 Preço: R$ 137,00

Planos de Saúde

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, sendo de relevância pública as ações e os serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado”, conforme preconizam os arts. 196 e 197, ambos da Constituição Federal. Esta obra analisa toda a legislação que envolve os contratos realizados entre as operadoras e os hospitais, bem como com os beneficiários. Além disso, aborda itens como limitação de coberturas e procedimentos, reembolso, descredenciamento de hospitais, carências e urgências, doenças pré- existentes, próteses, a chamada “patologia de conseqüência” e o reajuste das prestações do Plano de Saúde.   Editora: Ícone Autores: Décio Luiz José Rodrigues Número de páginas: 136 Preço: R$ 21,00

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VITRINE

Neste mês, nossa Vitrine traz as novidades em mobiliário hospitalar, entre mesas cirúrgicas, leitos e linha maternidade e neonatal.

Amplitude de movimento

A mesa cirúrgica Magnus, da Maquet, abre possibilidades de trabalho de acordo com diversas demandas. O móvel é composto por carro de transporte, coluna e tampo de mesa, que pode ser retirado e colocado em um carro, possibilitando a busca do paciente no próprio leito ou na entrada do centro cirúrgico. A amplitude fica por conta de movimentos para todas as direções e uma grande flexibilidade, permitindo cirurgias artroscópicas ou rotinas endoscópicas em cercanias abdominais. A mesa suporta até 360 Kg.

Cirurgia multimídia

A Sala Cirúrgica Inteligente, da Sismatec, foi desenvolvida baseada na combinação de vários equipamentos que, interligados com softwares, promovem a comunicação, gravação e migração de arquivos e imagens de um equipamento para outro, trazendo a informática ao centro cirúrgico por meio de uma “central inteligente”. A união de CPU, gabinete para imagens analógicas e digitais, sistema de câmeras e áudio, monitor sensível ao toque, entre outros, garante a agilidade e produtividade. Além disso, é possível fazer vídeoconferências entre hospitais e cirurgiões e entre hospitais e universidades.

Assistência completa

A cama para parto HM 2006 é projetada para as pacientes que requerem cuidados de maternidade e ginecologia, em todos os estágios da gestação, desde o pré-natal até parto e pós-natal. A construção da cama da Hospimetal possibilita proceder com todos os estágios do parto sem a necessidade de mover a paciente para outra cama, evitando mudanças incômodas e trazendo mais segurança às pacientes. Há possibilidade de transformar a cama na posição de cadeira, para assegurar que a equipe médica tenha fácil acesso, para conforto e total assistência durante o parto.

Cuidadoso e sem inércia

O leito elétrico Totalcare Spo2rt destina-se especialmente para uso em CTI. Entre os diferenciais do produto da Hill Rom está a Terapia de Rotação Lateral Contínua, que é uma forma de manter em movimento os pacientes que necessitam permanecer em repouso, evitando problemas como pneumonia, atelectasias ou complicações pulmonares. A cama, que suporta um peso de até 227 Kg, ainda conta com a opção ‘Posição de Cadeira’, que reposiciona o paciente com apenas um botão e que pode ser revertido em 30 segundos, caso haja intercorrências.

Acessórios à mão

O Oval Baby 007, da Fanem, vem com porta-utensílios para os bebês, garantindo maior praticidade e otimização do atendimento, já que o suporte pode agregar em seus compartimentos a colocação de mamadeira, fraldas, algodão, etc. De estrutura tubular metálica, que pode ser pintada ou cromada, o berço é composto por quatro rodízios, sendo dois com freios. A cuba em acrílico transparente e de cantos arredondados segue as dimensões do padrão internacional. No puxador, há um porta-fichas em acrílico, onde são colocados os dados do recém-nascido.

Motorizada e resistente

Entre os destaques da cama MD-045, da D’Aquino, está a diversidade de movimentos como fawler, trendelemburg, reverso de trendelemburg, posição cardíaca e vascular, além de elevação horizontal (entre 55 e 80cm.). A cama é composta por quatro motores blindados e com bateria, que possibilitam todos estes movimentos, acionados pelo controle digital localizado na peseira. A resistência fica por conta do revestimento, feito com a chamada ‘alma metálica’, própria para situações que demandam maiores esforços. Para a locomoção, o produto ainda conta com freios e possibilidade de direcionamento por um único pedal.

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Film Station e Sony são marcas comerciais registradas da Sony Corporation. Fotos, gráficos e ilustrações podem não corresponder a uma representação fiel da realidade. As imagens visualizadas neste anuncio são simuladas. As características e especificações estão sujeitas à alteração sem aviso prévio. Todos os pesos e medidas não-métricas são aproximados.

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Sercon - 61 Tel.: (11) 2149-1733 www.sercon.ind.br

Carestream – 19 Tel.: 0800 891 7554 www.carestreamhealth.com.br

Fleximed - 71 Tel.: (11) 3864-6923 www.fleximed.com.br

Mercedes Benz – 33 Tel.: 0800 970 9090 WWW.mercedes-benz.com.br

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CBE Solar – 68 Tel.: (11) 3774-2667 www.cbesolar.com.br

General Care - 68 Tel.: (11) 3476-9860 www.gcare.com.br

MV Sistemas - 05 Tel.: (11) 3285-5665 www.mv.com.br

Centro Universitário São Camilo – 22 e 23 Tel.: 0800 17 8585 www.scamilo.edu.br

Gimed – 70 Tel.: (11) 6213-0010

Medicalway - 60 Tel.: (41) 3253-0500 www.medicalway.com.br

Cineral – Eizo – 67 Clean Mall – 57 Tel.: (11) 3723-4100 www.grupofb.com.br Cosimo Cataldo - 70 Tel.: (11) 5073-3838 www.cosimocataldo.com.br C/S Group - 64 Tel.: (11) 5073-9775 c-sgroup@uol.com.br

Health Móveis - 66 Tel.: (11)3645-2226 www.healthmoveis.com.br Hospclean - 70 Tel.: (11) 4408-5772 www.hospcleanlavanderia.com.br Hospimetal – 56 Tel.: (18) 2102-0625 www.hospimetal.com.br Instramed - 55 Tel.: (51) 3334-4199 www.instramed.com.br

NS - 68 Tel.: (11) 6336-8002 www.nsam.com.br Nucleo Tech – 68 Polyflor – 69 Tel.: (11) 3644-5804

VMI Sistemas Médicos – 51 Tel.: (31) 3681-9560 www.vmi.com.br WEM - 64 Tel.: (16) 3512-4600 www.wem.com.br White Martins – 35 0800- 709 9000 www.whitemartins.com.br XRay Medical - 67 Tel.: (11) 2341-5445 www.xraymedical.com.br

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Substituição Em todos os mercados a questão indicadores sempre é levada em consideração, principalmente para nortear as decisões de lideranças e promover comparativos saudáveis. No caso do futebol, por exemplo, é a substituição. Quando um técnico substitui um jogador, pode indicar inúmeras coisas. O jogador pode estar num “dia ruim”. O time pode estar num “dia ruim” para um jogador tão bom. O time oponente pode ter passado boa parte do tempo jogando por um lado enfraquecido e a troca privilegia uma defesa. Pode ser simplesmente para dar chance a outros jogarem, mas invariavelmente denomina mudança, reação, ação. Recentemente, tenho percebido uma mudança no ambiente da saúde. Parte da mudança aparece por conta da troca de capital, fator predominante da saúde privada; evolução dos indicadores; auto-regulamentação ou simplesmente por ação. Na última semana, pelo menos dez superintendentes entre grandes hospitais foram substituídos, saíram ou simplesmente cresceram dentro das suas organizações, o que mostra uma única coisa: melhoria. Melhoria em todos os sentidos, sem desmerecer o trabalho de todos os nossos colegas de profissão, mas a mudança traz novas energias, dá espaço para outros e permite que eles mesmos levem seus conhecimentos para outras empresas. Assim como no futebol, os executivos que saem levam uma série de idéias, algumas podem ser aproveitadas, outras são colocadas na “prateleira”. Os novos chegam cheios de idéias e fazem o mesmo. Que ciclo maravilhoso e criativo turbinando o setor.

Nesse cenário, lembro-me então de um grande amigo que falou um dia sobre a impressão digital, componente tradicional da mudança de executivos. Alguns, ao chegar, procuram deixar suas impressões digitais em projetos em andamento. Outros substituem os projetos, pelo simples fato de “trocar”, o que nunca é uma boa idéia. Um terceiro grupo tem suas próprias idéias tentando unir o “velho” ao “novo”. Nosso presidente da República é um exemplo vivo disso. Entrou no governo quando alguns projetos estavam em andamento, outros estavam parados e outros nem tinham sido criados. Foi brilhante na condução dos que haviam sido criados e naqueles que estavam parados. Sinto falta de novos projetos, daqueles que só darão resultados na gestão do próximo e que, infelizmente, todos temos que fazer. Ouvi também de outro colega de profissão que CEOs devem sair quando o time está ganhando. Pode ser. O importante é não deixar que o time perca, muito menos que seu passe desvalorize, o que seria um jogo perdido. E por falar em jogo, seria importante citar a questão profissional envolvida. Times teoricamente concorrem com todos os outros times. Quando um jogador sai de um time, seria traição ir para um concorrente? Seria traição jogar contra o time anterior? Como fica a questão do seu time de torcida? São pensamentos importantes que podemos levar para fora do campo. Ou dentro. Como bem quiserem. Alberto Leite é Diretor Executivo da IT Mídia S.A.

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