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Sumário Ano. 26 - Janeiro / 2019 - Nº 290

Foto: Divulgação

Das igrejas do Rio de Janeiro até Los Angeles

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Na ca p (Sup a: Dra. G e ló Foto rintenden ria Braga : divu te lgaçã do ECA D) o / EC AD

O caminho entre as consultorias em igrejas no Rio de Janeiro, os estúdios da Globo e as gravações em Los Angeles é muito mais que um vôo de avião, como nos conta Jonathan Maia.

NESTA EDIÇÃO 08 Rápidas e Rasteiras

Os últimos 15 anos foram difíceis para o negócio da música, mas nos últimos três o streaming começa a se consolidar como o caminho a ser trilhado. Por conta disso, da produção à arrecadação, passando pelo áudio, os profissionais do mercado começam a ajustar direções.

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Entre os destaques da RR, o novo relatório sobre o streaming no mercado de música independente, o novo single de Adriana Calcanhoto e o festival Solid Rock.

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Vitrine O Moog Sub Phatty é uma versão do tradicional sintetizador analógico. Veja também line array Mugello - KH4, a Player Series, da Fender e os pratos Zildjan Low Volume.

16 Gustavo Victorino Saiba as notícias mais quentes do mercado.

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Review Pure2 O Pure2 da Antelope Audio é um equipamento que pode ser indicado para um estúdio pequeno de masterização. Há muitas conexões na parte traseira e ele pode ser integrado como um conversor digital e controlador de monitor em um estúdio comercial.

34 Pro Tools Cristiano Moura ensina como ser o seu próprio suporte técnico resolvendo pequenos problemas do dia a dia.

38 Áudio Fundamental Pedro Duboc inicia uma série sobre áudio para TV apresentando o sonoplasta Alexandre Cipriano, que trabalha na Tv Globo há 15 anos na linha de show.


Edição 290 - Janeiro 2019 Foto: George’s Estúdio

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Vida de Artista

Nas estradas da vida, música, futebol e cerveja andam sempre juntos. Zico, Piazza, Nelinho e Natal foram alguns dos craques com os quais Luiz Carlos Sá se encontrou nos campos de pelada.

CADERNO ILUMINAÇÃO 40 Vitrine iluminação COB Ribalta é um equipamento com bastante potência. Ele possui 8 COB LEDs de 30W com a tecnologia Chip on Board. Os 60 graus de abertura dos LEDs fazem a ribalta preencher uma área que vai além de suas medidas. Veja também LED 180W RGBW 19o DMX, FT-20– máquina de fumaça e Proteus Beam WMG.

Expediente Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenador de conteúdo Miguel Sá redacao@backstage.com.br Revisão Miguel Sá Colunistas: Cezar Galhart, Gustavo Victorino, Luiz Carlos Sá, e Pedro Duboc Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Capa Arte: Leonardo C. Costa Foto: Divulgação Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 Taquara - Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax:(21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.

42 Iluminação cênica O Solid Rock se consolida no cenário de festivais internacionais estabelecendo uma conexão entre expectativas e ineditismo, com a apresentação de bandas de Hard Rock e Heavy Metal representativas, com repertórios consolidados em canções clássicas, e também inéditas – A iluminação é o destaque nessa coluna.


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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

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O nome

do baixista

N

o Facebook, Instagram, nas rodas de conversa de todos que gostam de música o assunto não poderia ser outro: o falecimento precoce de Arthur Maia. Claro que é necessário colocar aqui as informações jornalísticas. Como a de que ele nasceu em 9 de abril de 1962 e morreu em 15 de dezembro de 2018. Também é preciso dizer que era sobrinho de outro mito do contrabaixo no Brasil, Luisão Maia, e que os dois morreram com a mesma idade: 56 anos. Podemos ainda contar que Arthur Maia começou tocando bateria, mas se firmou mesmo foi no contrabaixo. E que era um daqueles músicos que sabia unir a musicalidade exuberante com a técnica que permitia a perfeita expressão artística. Na carreira de início precoce, Arthur acompanhou artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ivan Lins e Djavan. Também participou e ajudou a construir bandas importantes no cenário do fusion brasileiro, como a Black Rio e Cama de Gato. Ainda houve os trabalhos solo, que foram cinco, mais um inédito a ser lançado, gravado em 2015, que teve matéria na edição 267 da Backstage. Entre os comentários que foram lidos nas redes sociais e ouvidos nas conversas a respeito de Arthur Maia não faltaram histórias engraçadas, reais ou nem tanto, mas sempre carinhosas. Isto porque ele era generoso. Dava aulas, workshops e espalhava a música por onde passava. Exerceu ainda o cargo de secretário de cultura em Niterói entre 2013 e 2016, onde iniciou vários projetos ligados não só à música, mas a várias outras manifestações artísticas. Mas, como bem observa Gustavo Victorino nesta edição, dizer que Arthur Maia é um dos maiores baixistas do Brasil, ou mesmo do mundo, não faz justiça a ele. E, ainda que não esteja mais circulando nos palcos, ruas, auditórios e shows, não é possível dizer que está ausente. A presença agora está em cada nota de cada contrabaixo que toca na música brasileira. E mesmo no silêncio ele toca. O baixista agora é - e sempre foi - Arthur Maia.

facebook.com/backstage.revista


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Foto: Divulgação

Três bandas com três Foto: Divulgação

discos novos e sensacionais

O canal Music Box Brazil transmitiu, em tempo real, a cerimônia da segunda edição da premiação Women’s Music Event Awards By Music2!. O evento foi realizado no dia 4 de dezembro, às 21h, no Cine Joia, em São Paulo, com apresentação da cantora Preta Gil. O WME Awards By Music2! Teve a presença de convidadas especiais para entrega dos prêmios e apresentações musicais de Ludmilla, Daniela Mercury, Luísa Sonza, Karol Conka, Fernanda Abreu e Alice Caymmi. Completam o line up Tulipa Ruiz, Duda Beat, Drik Barbora, Lan Lanh, Letrux, Luedji Luna, Anelis Assumpção e XeniaFrança, além da apresentadora.

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Festival Solid Rock

PRETA GIL APRESENTA PRÊMIO DE MUSICA DEDICADO ÀS MULHERES

Foto:Lara Velho / Divulgação

A MÚSICA BRASILEIRA PERDE ARTHUR MAIA Faleceu no dia 15 de dezembro, o baixista Arthur Maia. O músico sofreu uma parada cardíaca e foi levado para UPA Mário Monteiro, em Niterói, mas não foi possível salvá-lo. Ele atuava como músico acompanhando artistas entre os quais Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Djavan, Gal Costa, Ney Matogrosso e Ivan Lins - e em grupos como a Banda Black Rio e o quarteto instrumental Cama de Gato. O músico também tinha carreira solo e estava prestes a lançar um novo DVD.

O Festival Solid Rock rolou no Allianz Park, em São Paulo, no último dia 10 de Novembro com as bandas Black Star Riders, Alice in Chains e Judas Priest. O Black Star Riders é liderado por Scott Goreham, guitarrista da atual formação da banda irlandesa Thin Lizzy, ícone do hard rock dos anos de 1970 e 1980, que tinha ainda o saudoso baixista Phil Lynott na linha de frente da banda. O som característico do Thin Lizzy, com duas lead guitars, se mantém presente na banda e o seu último disco Heavy Fire, lançado em 2017, é um sopro de frescor em um mar de lançamentos anódinos e pastiches do hard rock. Além dos hits que marcaram o movimento grunge na década de 1990, os veteranos de Seattle do Alice in Chains tocaram músicas do recém lançado disco Rainier

Fog, terceiro de estúdio com o vocalista William DuVall, que substituiu Layne Stayley após a morte deste. Com uma pegada pesada e arrastada, harmonias vocais de Duvall com o guitarrista Jerry Cantrell e sons acústicos entrelaçados a sons elétricos, o Alice in Chains ainda se mantém relevante no cenário de heavy metal. E por falar em heavy metal, a noite foi encerrada pelos Metal Gods do Judas Priest que lançou o sensacional Fire Power também em 2017. Já beirando a casa dos 70 anos de idade, Rob Halford mostrou porque segue como o principal vocalista do gênero, desbancando ícones como Bruce Dickinson e Ozzy Osbourne. Infelizmente ausente do show estava o guitarrista Glen Tipton, devido as complicações com o Mal de Parkinson, que foi substituído pelo não menos talentoso Richie Faulkner. No quesito SPL, o Judas Priest continua na frente de grupos fabricantes de turbinas de avião como Rolls Royce e Pratt & Whitney... O Festival Solid Rock trouxe uma mescla do novo com o tradicional, do hard ao heavy, e condensou 40 anos de história musical em seis horas. E dá-lhe espuma protetora nos ouvidos! (Por Alexandre Algranti).


O FASCÍNIO DA MÚSICA BRASLEIRA

Os anos passam e a música brasileira continua ganhando adeptos. Floor Polder começou a prestar atenção na música daqui em 2009, ao ouvir, aos 19 anos, Águas de Março cantada por Tom Jobim e Elis Regina. A alegria e espontaneidade da gravação chamaram a atenção da flautista, mas o que a

cativou mesmo foram as escolhas melódicas e rítmicas que sustentavam essa leveza. Dois anos depois ela estava no Brasil, onde descobriu que havia muito mais a saber. A musicista, que fala português fluentemente, chegou ao choro, ao forró e até ao samba mais tradicional, “No Brasil tem músicas difíceis de gravar. Músicas que, na minha opinião, são mais para curtir ao vivo. Por exemplo, a Banda de Pífano na Feira de Caruaru”, explica. Mesmo descobrindo a música de raiz, ela não deixa de prestar atenção ao que a trouxe para este universo: os elementos de improviso, jazz e até de música erudita presentes na música brasileira. Foi a partir daí que chegou, por exemplo, ao som de Egberto Gismonti e também à música mais recente, como a tocada por Hamilton de Holanda. O fato é que Floor Polder incorporou a música brasileira definitivamente ao seu trabalho, fazendo diversas viagens tanto por conta própria como para os estudos de jazz e música latina na faculdade na Holanda. Por períodos maiores ou menores, já foi ao Rio,

São Paulo, Curitiba, Recife e Olinda, onde participou de oficinas, teve aula com Rodrigo de Castro, Antônio Rocha e conheceu João do Pife. O resultado disso tudo é a Banda Fulô, com a qual toca na Europa, e um mestrado profissional na UFRJ sobre a improvisação na flauta com elementos do jazz na música brasileira que começa neste ano de 2019. Além disso, tem aquelas recompensas que acontecem pelo caminho. “Durante minha viagem ao Brasil em março de 2018, tive a honra de tocar com o Baile do Almeidinha, de Hamilton de Holanda. Mais tarde no ano ele nos visitou na Casa das Flores (na Holanda) para uma jam session”, comemora a musicista. Para conhecer o trabalho de Floor Polder acesse: www.bandafulo.com www.facebook.com/floorpolder www.instagram.com/floorpolder/ A flautista também tem um canal no Youtube com suas experiências no país: o “Flor in Brasil”.

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Presença de selos independentes no no mercado fonográfico mundial aumenta Em 4 de dezembro foi divulgado o terceiro relatório da Wintel 2018 produzido pela Worldwide Independent Network (WIN). O relatório mapeia o mercado global independente em relação à propriedade dos fonogramas, e não em relação aos canais de distribuição. Este novo relatório, projetado para analisar o impacto econômico e cultural do setor de música independente, foi criado a pedido da WIN por Mark Mulligan Media Research e publicado pela Music Ally (Reino Unido). Os resultados, coletados em 33 países, representam a pesquisa global mais abrangente da indústria de discos independentes feita hoje. Esse relatório usa critérios com base no copyright, e não em vendas feitas por canais de distribuição. Essa é uma distinção importante porqueas empresas independentes usam as principais gravadoras para distribuir sua música. Esses selos majors incluem o valor da receita derivada da distribuição de direitos independentes na mensuração de seu próprio mercado. Por isto a metodologia que usa

a propriedade do copyright das músicas permite uma visão mais precisa do mercado. O estudo mostra que o mercado independente cresceu 39,9% em 2017. As receitas globais também cresceram de US $ 6,2 bilhões em 2016 para US $ 6,9 bilhões em 2017, mostrando um forte crescimento ano a ano de 10,9%. O setor independente teve um desempenho superior ao mercado de música como um todo, que cresceu 10,2% no ano passado. Nos chamados mercados emergentes, como a China, houve um crescimento de 36% nas receitas. Na Ásia em geral e na Austrália houve um pico de 5,4% em receita e a América Latina teve um aumento de quase 50% no fluxo de receita. No final de 2017, os serviços de assinatura de streaming de música atingiram 176 milhões de assinantes em todo o mundo em comparação com 64 milhões em 2016. Esse crescimento aumentou a receita de empresas independentes em 46% em 2017, atingindo US $ 3,1 bilhões. É prová-

vel que o streaming constitua mais de 50% da receita de empresas de música independentes no futuro próximo. Uma razão provável para este crescimento contínuo é o fato de que os selos independentes se ajustaram para acomodar e aproveitar o ambiente de streaming,, com 47% dos respondentes respondendo que melhorou significativamente seu fluxo de caixa, um número que sobe para 73% para selos nos quais streaming já representa mais de 30% de sua receita. Enquanto isso, continuam caindo as vendas físicas. Também vale a pena refletir sobre o que define "independente" em 2018 - o termo está evoluindo na indústria da música e, além dos selos, agora inclui os chamados "autoprodutores" , que são artistas que estão lançando sozinhos música através de distribuidores de mercado. O Wintel 2018 revela que a renda dos artistas que têm "auto lançamento" cresceu de US $ 94 milhões em 2016 para US $ 101 milhões em 2017. Esses artistas constroem equipes para realizar funções típicas de selos.

BARCA DO SOL LANÇA GRAVAÇÃO INÉDITA NO MAM , DOS ANOS 1970 A Barca Do Sol é uma banda que atuou desde a década de 70 até o inicio dos anos 80. Eles lançaram três discos: A Barca do Sol, de 1974, Durante o Verão em 1976 e Pirata, em 1979. Além dos trabalhos próprios, a Barca do Sol também participou como banda de apoio e fazendo os arranjos no primeiro disco de Olivia Byington em 1977. O single Lady Jane ao vivo é um registro dos Shows que aconteciam na Sala Corpo Som, no MAM do Rio de Janeiro, em 1977. Com lançamento em dezembro de 2018, pelo Selo

Circus, o single marca não só uma data de aniversário da banda (44 anos) como também a entrada da Barca do Sol nas plataforma digitais. Lady Jane ao vivo (Nando Carneiro e Geraldo Carneiro) foi tocada com a formação de A Barca do Sol que tinha Muri Costa e Nando Carneiro no Violão e Voz, Jaques Morelenbaum no violoncelo; David Gang na flauta; Alain Pierre no baixo acústico e Beto Rezende com Marcelo Costa na percussão. A masterização foi feita por Daniel Carvalho.


Foto: Divulgação

BIQUINI CAVADÃO FAZ HOMENAGEM A HERBERT VIANNA Desde 2007 o Biquini Cavadão já planejava fazer um disco em homenagem ao compositor, mas só agora selecionaram as oito músicas que poderiam ser interpretadas pela banda com uma marca própria . Com a produção de Liminha, o Biquini Cavadão quis encontrar um caminho próprio para interpretar as canções do incentivador e amigo de longa data. Se Eu Não Te

Com 18 anos de carreira, mais de 2 milhões de CDS e DVDS vendidos, e turnês com shows lotados em toda a América Latina, Emmerson Nogueira, violonista, compositor e produtor musical, se apresenta no Credicard Hall, em São Paulo, no dia 22 de março. No show 18 Anos de Estrada, Mais Amigos e Mais Canções, Emmerson percorre a carreira por meio de medleys, passagens e citações em canções como Wish You Were Here e Hotel California.

LUTO Foto: Divulgação

EMMERSON NOGUEIRA SE APRESENTA EM SÃO PAULO NO MÊS DE MARÇO

Amasse Tanto Assim ganhou, então, uma pegada bem rock. Já Só Pra Te Mostrar foi trazida para um arranjo introspectivo. Ska chegou ao surf music e Vital e Sua Moto ganhou uma roupagem reggae roots. Entraram no disco ainda Mensagem de Amor, O Amor Não Sabe Esperar, do disco Hey Na Na, Cuide Bem de Seu Amor e Aonde Quer Que eu Vá.

Faleceu, no início de dezembro, o guitarrista Sérgio Knust. De acordo com informações da família, o músico sofreu um acidente automobilístico. Ele estava desaparecido desde sábado, dia 8 de dezembro a noite, após se apresentar na Queijaria Escola em Nova Friburgo(RJ). O corpo foi localizado no dia 10 pela manhã. Ele tinha 52 anos e havia gravado e compostos com artistas gospel e seculares como Vanessa Camargo, Fernanda Brum, Cristina Mel, Aline Barros e o pastor Kleber Lucas, entre outros.

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Foto: Divulgação

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volta ao Rio no mês de janeiro

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Frenetic dancing days

PEDRO LUIS CANTA LUIZ MELODIA

Após funcionar na noite carioca durante quatro meses durante os anos 1970, no Rio de Janeiro, a boate renasceu em forma de musical. Sucesso da temporada teatral carioca 2018, O Frenético Dancin’ Days já foi visto por mais de 40 mil pessoas e retorna para celebrar o verão na cidade maravilhosa a partir de 5 de janeiro, no Teatro Bradesco Rio. O texto foi escrito por Nelson Motta (ao lado de Patrícia Andrade), um dos fundadores da boate. O musical resgata esse clima de celebração da vida, de sentir a felicidade bater na porta e conta a história da Frenetic Dancing’ Days Discotheque, boate idealizada, em 1976, pelos amigos Nelson Motta, Scarlet Moon, Leonardo Netto, Dom Pepe e Djalma. Deborah Colker fez, neste espetáculo, sua estreia na direção teatral, além de assinar as coreografias, ao lado de Jacqueline Motta. A realização é das Irmãs Motta e Opus e produção geral de Joana Motta.

O musical é uma superprodução, com 17 atores e sete bailarinos escolhidos através de audições, à exceção de Érico Brás (Dom Pepe) e Stella Miranda (Dona Dayse), uma das mais importantes atrizes de musicais do país, convidados especialmente para o projeto. Deborah Colker (premiada na Rússia com o Prix Benois de la Danse, considerado o Oscar da Dança) assina também as coreografias (ao lado de Jacqueline Motta) e tem ao seu lado Gringo Cardia na cenografia e direção de arte, Maneco Quinderé no projeto de iluminação, Alexandre Elias na direção musical, Fernando Cozendey nos figurinos e Max Weber no visagismo. Passarão pelo palco os principais personagens que marcaram não apenas a história da boate, mas da cultura nacional.. Para mais informações acesse https:/ /www.teatrobradescorio.com.br/ imprensaProgramacao.php

Foi liberado Juventude Transviada, o primeiro single do álbum em que o cantor e compositor Pedro Luís homenageia Luiz Melodia. Nessa faixa, um clássico de Melodia, Pedro canta acompanhado apenas por seu violão e pelo violino de Felipe Ventura, numa versão lenta que destaca sua belíssima interpretação. A ideia desse projeto começou com um show criado por Pedro Luís revisitando a obra-prima “Pérola Negra”. A estreia foi no Rio, seguindo, depois, para algumas cidades do Brasil. Ele ficou tão feliz com o resultado que, em novembro, assinou com a gravadora Deck, entrou no Estúdio Tambor e registrou as canções com produção de Rafael Ramos. Os músicos foram os mesmos que o acompanharam na turnê: Élcio Cáfaro (bateria), Miguel Dias (baixo) e Pedro Fonseca (teclados). Batizado de Vale Quanto Pesa - Pérolas de Luiz Melodia, o disco traz oito faixas de Pérola Negra, além de sucessos como Fadas, Congênito e Magrelinha, entre outros. O lançamento foi dia 14 de dezembro para as plataformas digitais. O CD chega às lojas agora em janeiro, mesmo mês de lançamento do compacto duplo contendo músicas do projeto. Escute em https://PedroLuis.lnk.to/ JuventudeTransviadaSinglePR


Adriana Calcanhoto Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

lança single

FAVELA SOUNDS NA PRAÇA XV, NO RIO DE JANEIRO

Depois de reunir mais de 30 mil pessoas em Brasília, o Favela Sounds promoveu uma versão pocket no Rio de Janeiro, na Praça XV, dia 16 de dezembro. Entre as atrações estiveram o trio de rap feminino ABRONCA (RJ), que foi a atração principal em show que teve as participações especiais da funkeira carioca Deize Tigrona e da rapper brasiliense Thabata Lorena. O evento fez parte da programação que encerra o festival Conexidade, entre os dias 15 e 16 de dezembro, a convite e com apresentação da Oi e apoio da Oi Futuro.

ARTIC MONKEYS NO BRASIL A canção de Caetano Veloso de 1991, O Cú do Mundo, ganhou uma nova versão eletrônica de Adriana Calcanhoto. A faixa, com produção musical do DJ Ubunto e DJ Zé Pedro, já está disponível nas plataformas digitais de áudio acompanhada de um videoclipe.A relação com a obra de Caetano Veloso, referenciado na faixa Vamos Comer Caetano, lançada em 1998, retorna com força nesta nova incursão, que Adriana torna atual. Os produtores Ubunto e Zé Pedro deram um toque eletrônico à faixa. Com produção da Assum Filmes, direção e montagem de Mu-

rilo Alvesso, o vídeo da faixa é estrelado pelo grupo do Teatro da PombaGira, em uma performance que faz referência à letra da canção. Inspirado no espetáculo atual do coletivo, Demônios, o clipe mergulha nas convenções sociais, políticas e religiosas.O Cu do Mundo vem na sequência da inédita e autoral A Mulher do Pau Brasil, canção que retoma a própria história de Adriana, que recebeu o “título” de representante da árvore mais famosa do Brasil quando estava além-mar, em Portugal, durante a residência artística na Universidade de Coimbra. Confira em www.youtube.com/ watch?v=18p_YaK3apo

A banda retorna em 2019 ao Brasil com a turnê de seu último álbum, Tranquility Base Hotel & Casino, para duas apresentações. Além do show como headliner na oitava edição do Lollapalooza Brasil 2019, em São Paulo, a banda vai se apresentar no Rio de Janeiro, no d i a 3 de abril, na Jeunesse Arena. Os ingressos podem ser adquiridos no site (ticketsforfun.com.br), na bilheteria oficial (Km de Vantagens Hall RJ – sem taxa de conveniência) e nos pontos de venda espalhados pelo país. A banda britânica de indie rock é formada por Alex Turner (vocalista e guitarra), Jamie Cook (guitarra e teclado), Nick O’Malley (baixo e backing vocal) e Matt Helders (bateria e backing vocal). O primeiro lançamento desde o disco AM, de 2013, mostra a intenção da banda em continuar a explorar novos terrenos musicais em cada álbum. Produzido pelo vocalista e por James Ford, o álbum foi gravado em Los Angeles, Paris e Londres.

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MOOG SUB PHATTY https://www.gsbproaudio.com.br/moog-sub-phatty-504/p?fc=26 Este é uma versão do tradicional sintetizador analógico, disponível por encomenda. Tem 25 teclas de ação semipesada, além de controladores de pitch, bend, mod e wheel. O teclado é monofônico e tem como fontes sonoras dois osciladores Waveshape variáveis, um oscilador secundário de onda quadrada e um gerador de ruído. O Sub Phatty é o primeiro sintetizador analógico a apresentar a nova seção Multidrive. A seção do mixer oferece inovações próprias, incluindo um sub oscilador que produz uma onda quadrada uma oitava abaixo do Oscillator 1. Essa ferramenta pode ser usada como um terceiro oscilador para maior profundidade ou para criar um timbre próprio do baixo Moog. Também na seção do mixer há um gerador de ruído com voz para fornecer baixa freqüência, rica em corpo e ataque para esculpir percussão analógica e efeitos sonoros. O Sub Phatty apresenta uma ampla gama de parâmetros e todos os recursos são facilmente acessíveis a partir do painel frontal do instrumento ou através do editor autônomo com plugin gratuito. Filtros, modulações de onda ou valores de pitchbend estão disponíveis no equipamento.

MUGELLO - KH4 http://www.gobos.com.br/audio/k-array/concerto/130-mugello---kh4 O K-array Mugello KH4 é um produto de alta performance, amplificado, de duas vias. Ele tem 47 kg e 16 cm de profundidade. A estrutura em alumínio ultra-compacta garante elevado nível de pressão, com ampla cobertura horizontal (120°). Tem a capacidade de variar a cobertura vertical de 7° (aplicações line array) a 37° (modo autônomo). Os médios e graves são compostos por 12 falantes de 8’’ com bobinas de 2.5’’, alimentados por seis canais de amplificação de potência. Já as frequências média-altas utilizam cinco drivers de 1.75’’ montados em um guia de ondas constante. Um módulo DSP interno fornece predefinições de configuração e um software de controle remoto dedicado permite o controle através de um computador. Ideal para grandes eventos, turnês, estádios, arenas, salas de concertos, teatros e espetáculos ao ar livre.


PLAYER SERIES, DA FENDER http://www.fender.com.br/ Em 2018, a Fender Player Series substitui a Fender Standard e se torna o elemento-chave na linha de guitarras e baixos. Esta nova série contempla modelos como as tradicionais Stratocaster e Telecaster, além de baixos como o Precision e o Jazz Bass. Elas procuram atender a um público que achava as Fender tradicionais guitarras um pouco duras de serem tocadas. Para isto, tiveram algumas mudanças na estrutura de componentes para que pudessem ter uma pegada mais macia, mas com todo o som tradicional que se está acostumado a ouvir das Fender. Outra mudança é nas cores, que são mais vibrantes e atraentes para um público mais amplo.

ZILDJAN LOW VOLUME http://www.zildjian.com.br/ Os novos pratos L80 Low Volume são mais silenciosos que os pratos Zildjian tradicionais, mas sem perder a pegada. Isto foi desenvolvido por meio de pesquisas na Zildjian Sound Lab. O objetivo a ser alcançado era musicalidade e volume baixo. Este padrão foi obtido ao combinar uma nova liga revestida com um acabamento fosco único e exclusivo, que permite que eles sejam seja 80% mais silenciosos do que um prato tradicional. Eles são ideais para salas de ensaio, estudos, salas de aula de bateria, gigs em baixo volume ou em qualquer lugar que não seja possível tocar alto. Vale também ressaltar a robustez dos pratos, que são bastante resistentes a rachaduras.

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um verdadeiro lixo musical no cotidiano dos seus telespectadores e por conta disso a conta chegou. Na tentativa de mudar essa tendência, a emissora foi buscar no genial grupo Fleetwood Mac, um dos mais influentes na história da música pop, a nova trilha de abertura da novela O Sétimo Guardião, atração das 21h da Globo. A música é “The Chain”, sucesso do grupo lançada em 1977, ainda com a sua formação original.

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LEGIÃO URBANA

E o mundo não se acabou. Vendas razoáveis e em alguns casos até positivamente surpreendentes trouxeram o alento que o mercado precisava. Enquanto o segmento de áudio registrou uma procura um pouco acima da média, os instrumentos musicais voltaram a aquecer as vendas com destaque para os violões que mantém a hegemonia como presente preferido de jovens (ou nem tanto...) amantes da música.

DOR NA MPB Algumas pessoas deveriam ser proibidas por lei divina de nos deixar. Arthur Maia era um deles... Parceiro, amigo, divertido, bem-humorado, generoso, intenso e musical no limite da genialidade. Reduzir o tamanho do Arthur ao de um baixista talentoso é ignorar a face mais visível do cara que nos deixou prematuramente e trouxe uma imensa amargura à música brasileira. Descansa em paz, brother, e avisa ao papai do céu que com os dois maiores baixistas brasileiros de todos os tempos ele agora ele tem uma encrenca para escalar a banda celestial, afinal seu tio, o genial Luizão Maia já está por aí. Fico imaginando esse dueto...

CLÁSSICO A Globo vem sentindo a perda de audiência e a desandada na qualidade musical da sua programação. A pretexto de apresentar músicas populares que na verdade ela mesma populariza, coloca

A briga pelo uso do nome da banda liderada por Renato Russo continua e parece que não vai terminar tão cedo. O Tribunal de Justiça do RJ determinou que o uso da marca Legião Urbana precisa de autorização da produtora herdada pelo filho de Renato que por sua vez exige um terço de toda a renda auferida com qualquer show realizado por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá que venha a utilizar o nome e as músicas da icônica banda de Brasília. A coisa é complexa porque envolve direitos autorais e sucessórios.

VOCÊ SABIA? – 1 Que “Bohemian Rhapsody”, do Queen, é a música do século XX mais reproduzida na história dos serviços de streaming com mais de um bilhão e seiscentos milhões de audições. Os dados foram apurados em conjunto pelo Spotify, Deezer e Apple Music.

VOCÊ SABIA? – 2 Que a música “Hotel Califórnia”, do Eagles, foi escolhida por uma enquete da maior rede de rádios musicais dos EUA como a música pop americana do século XX, vencendo ícones como Michael Jackson, Beatles e outros monstros do pop rock.

VOCÊ SABIA? – 3 Que por sua construção harmônica e


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melódica, o solo da música “Hotel Califórnia”, do Eagles, foi escolhido o mais perfeito solo de guitarra criado e executado no século XX. Atrás dele ficou o solo de “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd. A escolha foi feita pela revista Billboard em 2002 que ouviu mais de mil guitarristas ao redor do planeta.

VOCÊ SABIA? – 4 Que a chatérrima “Shape of You”, do inglês que parece avesso a banho, Ed Sheeran, bateu todos os recordes e já foi tocada mais de 2 bilhões de vezes no Spotify se tornando assim a campeã naquele serviço de streaming.

QUALIDADE Músicos mais experientes andam comentando nas redes sociais sobre a durabilidade das cordas fabricadas atualmente. Reclamam que o produto esteticamente se deteriora mais rápido, mas por outro lado não perde com a mesma rapidez a sua tensão dinâmica, ou seja, a capacidade de manter a afinação da oitava. Confesso que ainda não consigo distinguir a lenda da realidade nesse tema e prometo em breve uma avaliação criteriosa aqui nesse espaço. Conclusão séria só testando, o resto é marketing.

FALSIFICAÇÃO Guitarras falsificadas estão sendo vendidas abertamente no site Mercado Livre (que nada tem a ver com isso...) e o incauto comprador só descobre que foi enganado quando recebe o produto ou pede uma avalição técnica já com o instrumento na mão e a grana na conta do vendedor. Vendidas um pouco abaixo do valor de mercado para não des-

pertar suspeitas, os instrumentos invariavelmente são cópias chinesas ou adulterações grosseiras de instrumentos mais baratos. Ferragens logotipadas e facilmente encontradas como peças de reposição nas lojas, e gráficos silkados reproduzindo fielmente as marcas originais e aplicadas no braço do instrumento (até números aleatórios os falsários colocam...) fazem o caldo da enganação que cresce de forma surpreendente.

Cultura, duas das maiores livrarias do país também estão vivendo momentos dramáticos nesse processo de adequação ao novo perfil de consumidor. É a hora e a vez da criatividade. A exemplo do que vem acontecendo no segmento de áudio e instrumentos, os clientes olham, identificam ou testam o produto na loja e correm para casa para comprar pela internet com preços até 30% mais baratos.

MADEIRA

CURIOSIDADE

O novo governo vai precisar usar mão de ferro contra a extração ilegal de madeiras na Amazônia. Reconhecidas como as mais nobres do mundo, as madeiras brasileiras são sonho de consumo da indústria moveleira e de instrumentos musicais. Por ser uma região onde a lei não chega, não seria nada mal a participação do exército na luta contra a roubalheira que a décadas campeia na região amazônica. Faltam fiscais e recursos ao Ibama para fiscalizar uma área de dimensões gigantescas e de difícil acesso. O olho gordo dos países desenvolvidos na Amazônia não é novidade, mas a ironia está no fato de que são eles os maiores compradores da extração ilegal na região. O discurso dessas nações é de preservar, mas o que querem mesmo é acesso à região e lucro. O resto é balela.

Com tanta oferta e tecnologia disponível, porque os guitarristas estão soando cada vez mais lineares e com timbres iguais? Foi- se o tempo em que Carlos Santana, Eric Clapton, Mark Knopler, Jimi Hendrix, Herbert Viana, Pepeu Gomes e outros guitarristas eram identificados no primeiro acorde. Hoje você só identifica, a guitarra, o amplificador e o pedal que estão usando. Parece que acabou a personalidade na timbragem e ninguém mais quer criar o seu próprio som. Viraram cover do cover...

NOVOS TEMPOS As livrarias e as redes de lojas de CDs e DVDs estão minguando aos poucos. E quem não mudar o segmento vai fechar cedo ou tarde. No sul, a Multisom que tinha mais de uma centena de lojas, fechou duas dezenas delas para se adaptar aos novos tempos. A Saraiva e a

AOS POUCOS Sutilmente a Áudio Technica começa a cair no gosto e no bolso dos brasileiros. Qualidade a marca sempre teve e agora com presença mais consolidada nas lojas, o universo comercial da sua linha de produtos vem se ampliando. Quem compra elogia...

BABADO Ainda nesse primeiro semestre uma marca mundial vai mudar de mãos no Brasil. As negociações estão avançadas e o martelo pode ser batido a qualquer momento. E já aviso, vai dar falatório.

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REPORTAGEM | STREAMING | www.backstage.com.br 18

STREAMING: O FUTURO PRESENTE NO NEGÓCIO

E NA TECNOLOGIA DA MÚSICA Os últimos 15 anos foram difíceis para o negócio da música, mas nos últimos três o streaming começa a se consolidar como o caminho a ser trilhado. Por conta disso, da produção à arrecadação, passando pelo áudio, os profissionais do mercado começam a ajustar direções. redacao@backstage.com.br Repórter – Miguel Sá Fotos: Divulgação / ECAD / Freepik

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e acordo com relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (International Federation of the Phonographic Industry - IFPI), o mercado mundial de música gravada cresceu 8,1%. Já é o terceiro ano consecutivo de crescimento com uma das maiores taxas desde que isto começou a ser verificado, no ano de 1997. Em oito dos dez principais mercados de música foi constatado um aumento das receitas. Aumento este impulsionado pelo streaming, especificamente o de áudio por assinatura feito a partir de plataformas como Spotify ou Deezer. Destas receitas crescentes, 54% vem do comércio de arquivos digitais de música, o que representa, em valores, U$6,6 bi, sendo que 41,1% vem do streaming.

No relatório da IFPI estão incluídas vendas físicas, receitas do setor digital, direitos de execução pública de produtores, artistas e músicos e música gravada usada na sincronização em publicidade e audiovisual. Até o fim de 2017, havia 176 milhões de usuários que pagam assinaturas nas plataformas de streaming, sendo 64 milhões novos adeptos a partir daquele ano. Mas isso tudo ainda acontece em um mercado que, no período do relatório, representava 68,4% do que era em 1999. O declínio da venda por donwloads em 20,5% e das vendas físicas em -5,4% em contraposição ao aumento das vendas via streaming mostram que este último deve ser o caminho do mercado da música gravada após 15 anos de incertezas.


Glória Braga

BRASIL Ainda de acordo com a IFPI, a América Latina- na qual o Brasil é o maior mercado - é a região de maior crescimento em porcentagem, com um aumento de 17,7%. Especificamente no Brasil, de acordo com o relatório da Pro Musica Brasil, o aumento em 2017 foi de 17,9% com relação a 2016. Os critérios usados são os mesmos da IFPI, levando em conta as vendas digitais, físicas, a execução pública e sincronização. O mercado brasileiro teve um incremento acima da média mundial (8,1%), mesmo em um contexto político e econômico adverso. Depois de uma década, a taxa de crescimento de 17,9% do mercado brasileiro representa o maior salto em dez anos. Deste crescimento, 60,4% (US$ 178,6 milhões em valores) é da área digital, na qual o streaming interativo cresceu 64% em relação a 2016. O streaming já é, hoje, a maior fonte de receita para a música gravada no Brasil. Aos poucos, quem lida com este mercado começa a se adaptar ao

novo contexto e a se movimentar para assimilar as mudanças.

ARRECADAÇÃO Uma das questões principais no streaming é a remuneração dos criadores. Já transitou em julgado, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a decisão de que o streaming interativo é, efetivamente, execução pública. De acordo com o entendimento dos ministros do tribunal, a in-

cadação e Distribuição (ECAD) começou a procurar acordos com as plataformas que ainda não recolhiam esses valores, como explica a superintendente do órgão Glória Braga. “A questão está pacificada a partir do nosso entendimento e, graças a isso, estamos intensificando nossos contatos com plataformas digitais. Firmamos contrato com o Youtube, Facebook e estamos em vias de fechar com a Globoplay”, detalha. Nos contratos fechados atualmente, a cobrança, no caso do streaming, é feita a partir de um percentual da receita das plataformas que, por sua vez, informam ao ECAD as músicas e a quantidade de vezes em que foram executadas. “A quantidade de músicas é muito grande, porque as plataformas tem um acesso muito significativo, então o valor das músicas ao final dessa conta ainda é um valor pequeno. Mas o que entendemos é que esse é um momento de consolidação do mercado. Há muitos aspectos em observação e esses contratos que estão sendo assinados serão renovados no futuro. Essas questões de valores e informações sobre as músicas executadas serão todas revistas ao seu tempo. O ECAD é

A quantidade de músicas é muito grande, porque as plataformas tem um acesso muito significativo, então o valor das músicas ao final dessa conta ainda é um valor pequeno

ternet é um local de frequência coletiva onde há transmissão de dados e informações no streaming. Por conta do grande alcance da internet, a disponibilização decorrente da transmissão se caracteriza como execução pública. Desta forma, o Escritório Central de Arre-

que negocia e faz os contratos com essas plataformas e estamos sempre avaliando se os resultados estão agradando os detentores dos direitos. O licenciamento inicial foi feito, mas com a possibilidade de, na continuidade das renovações, outras questões serem aventadas,

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REPORTAGEM | STREAMING | www.backstage.com.br 20

corrigidas e melhoradas”, explica a superintendente do ECAD.

TECNOLOGIA Ainda que o segmento do streaming tenha o maior crescimento entre todos do mercado de música gravada, os valores ainda não chegam, de acordo com Glória Braga, aos arrecadados junto à TV aberta e por assinatura ou rádio. No entanto, os volumes de execução musical na transmissão por internet acontecem em uma escala muito grande. Por isto, para fazer a arrecadação, foi necessário tanto construir procedimentos novos como montar uma infraestrutura dedicada. É o que nos expõe o gerente executivo de tecnologia da informação e de planejamento estratégico do ECAD José Pires. “No contrato já fica estabelecido que as plataformas - assim como qualquer cliente que utilize músicas, como o rádio e a TV - tem obrigação de declarar o repertório utilizado. Mas no caso do streaming o volume é gigantesco”, ressalta. Ainda que haja a questão do volume de músicas executadas, as informações para a arrecadação no streaming são as mesmas necessárias para outros segmentos:

José Pires

dados eletrônicos para isso. Aí eles mandam essa declaração do repertorio através de uma transferência eletrônica. Isso é colocado em uma área nossa de transferência de arquivo que eu abro para cada player fazer esse depósito do

No contrato já fica estabelecido que as plataformas - assim como qualquer cliente que utilize músicas, como o rádio e a TV - tem obrigação de declarar o repertório utilizado. Mas no caso das plataformas o volume é gigantesco a música, o autor e percentual para fazer o pagamento. As plataformas digitais, assim como acontece em outras mídias, tem que declarar o repertório utilizado. “Nós temos um formato de

repertorio utilizado. Depois, pegamos essas informações deles, que são as necessárias para identificar a música, o autor e o percentual para fazer o pagamento, e cruzo com as nossas em

um processo tecnológico que chamamos de matching”, detalha Pires. Os acertos para essa troca de informações entre ECAD e as plataformas digitais são feitos em reuniões técnicas na ocasião em que os contratos são assinados. “Não é que o sistema deles está ligado no meu. São procedimentos. É uma área de transferência. Tudo eletrônico. Eles entram na minha área de arquivo, depositam o reatório, o meu sistema vai lá, pega e identifica. Isso é automático, As plataformas tem uma periodicidade para fazer isso por contrato. Então pegamos o relatório e processamos, por matching de dados, para fazer o pagamento. Porque tem que ser feito assim? Porque o volume de dados é gigantesco”, observa o gerente executivo de TI do ECAD.


Todo esse processo tecnológico garantiu ao Ecad o 1º lugar na categoria Serviços do prêmio As

100+ Inovadoras no Uso de TI, concedido pela empresa IT Mídia em 2016. “Tivemos um prêmio que foi

em relação ao rádio, depois TV, com captação e identificação eletrônica. O que acontece (de diferente no streaming) é esse matching, e ganhamos um premio para esse processo. São volumes surreais. O ECAD teve que investir em infra estrutura, servidor e linha de transmissão de dados para não ter gargalo de infra estrutura e poder receber esses dados. E isso é feito constantemente. Sempre estamos avaliando estrutura e quantidade de armazenamento”, ressalta José Pires. “A música não pode ficar fora da transformação digital. É uma mudança de mentalidade. Não é só tecnologia, é comportamento. Se uma pessoa não quer ter todas as musicas do Queen, ela baixa quatro. Hoje eu quero e me oferecem o que eu quero. E são essas plataformas que dão essa facilidade pra gente”, completa o gerente.

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Carlos Freitas

STREAMING E O SOM QUE ESCUTAMOS NO DIA A DIA A qualidade do som da música que baixamos no nosso dia a dia é uma questão para quem trabalha no áudio.

redacao@backstage.com.br Repórter – Miguel Sá Fotos: Divulgação /ECAD

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e nos últimos 15 anos aconteceu, para os profissionais da área musical, a travessia de um período tempestuoso, agora se começa a ver uma luz no fim do túnel, e ela está no streaming. Mas, para identificar as oportunidades, é preciso ter clareza sobre a configuração atual deste mercado. Desde o início dos anos 1990 Carlos Freitas trabalha na área da produção musical que faz a finalização da música para ela ser entregue ao grande público: a masterização. No decorrer desses quase trinta anos, o engenheiro de masterização presenciou o momento do início do CD, da remasterização dos fonogramas analógicos para digital, do DVD e, finalmente, o momento em que a mídia física fica em segundo plano. “O grande problema

para ter um áudio de melhor qualidade em termos de resolução é porque os celulares não conseguem ter um espaço de 40, 50 mega para cada música. Você está competindo com espaço de foto, aplicativo, e não vai botar um disco de 400 mega. Isso foi resolvido com o streaming. Ou seja, você não precisa ter as músicas no seu celular. Quando chegou o streaming, com o Spotify, se percebeu um modelo novo. Então a música começou a se organizar”, constata o engenheiro de masterização. Carlos Freitas descreve, então, o processo técnico de aperfeiçoamento que aconteceu no mercado de streaming interativo. “Começou a se perceber que a música, indo para a internet, precisaria fazer uma normalização de áudio, porque quando ela chega muito alta no processo de


encode e decode (a preparação do arquivo de áudio para ser colocado nas plataformas digitais) é criada uma distorção. Então eles pegaram uma carona no sistema de normalização de áudio na TV e implementaram ele no streaming”, expõe. A consequência disso para a masterização é que o processo técnico de adaptação do fonograma a cada meio pode acabar interferindo na intenção artística do som, situação à qual o engenheiro de master tem que se adaptar. Por isso, hoje,

rentes, já tem uma cara para o álbum. E também tenho aquele parâmetro da sala, que conheço e sei que a quantidade de graves vai soar bem. Acho que o álbum ainda vai permanecer, porque o single pode se perder nas plataformas. No álbum, se clica uma musica, aparecem outras. Então acho que o formato do álbum e do EP vai ficar bem presente”, afirma. Na segunda etapa,acontece um processo de adaptação do arquivo aos diversos formatos digitais,

Eu uso um limiter para fazer diferentes ajustes no volume adequados para cada plataforma de stream utilizando como parâmetro os medidores em LUFs (Loudness Units relative to Full Scale).

Carlos Freitas faz o trabalho em duas etapas: uma artística e outra mais técnica. Do ponto de vista artístico, Carlos Freitas defende ainda que as mudanças não são tantas no trabalho de masterização, mesmo com o formato do álbum colocado em segundo plano. ““Nessa parte, acho o timbre, o conceito estético da música e do próprio álbum utilizando principalmente equipamentos analógicos. Eu pergunto ao cliente se vai ser um single isolado. Se for um single de rock, por exemplo, temos as referências de rock sobre o que soa bem nas plataformas digitais. O Lenine eu sei que gosta muito de grave, então trabalhamos a estética sonora dele pensando nisso. Quando chegam outros singles (do mesmo trabalho) aí entro no ‘álbum mode’. Então comparo uma música com a outra e começo a criar uma coerência entre os singles. No disco novo do Zeca Baleiro estamos fazendo assim. Embora as músicas sejam dife-

com uso de limiter e obediência a parâmetros absolutamente técnicos, como explica Carlos Freitas. “Eu uso um limiter para fazer diferentes ajustes no volume adequados para cada plataforma de stream utilizando como parâmetro os medidores em LUFs (Loudness Units relative to Full Scale). Quando eu aplico o limiter, nessa segunda etapa, ainda tenho que fazer pequenos ajustes no processo artístico para que o áudio do streaming seja o mais fiel e próximo possível ao wave, 44kHz/24 bit e esteja corretamente ajustado aos parâmetros em LUFs de cada plataforma”. O engenheiro de master dá o exemplo do trabalho Em Transito, o mais recente álbum de Lenine, no qual fez uma master para o Canal Brasil, usando o padrão da Globosat de transmissão de áudio (-23LUFs/-2TP), uma master pro DVD (-12LUFs/-0.5TP), uma pro vinil (-15LUFs/-1TP) e uma para

o streaming (-13LUFs -1TP), cada uma delas respeitando os aspectos técnicos de cada meio. “Antes, eu fazia uma master pro CD e pronto. Agora não. Tenho que me preocupar com o resultado sonoro para o ouvinte durante a transmissão do youtube e Spotify, por exemplo. Então tive que reformatar minhas técnicas de masterização para me adaptar a isso”, detalha. Mesmo entre as diversas plataformas há diferenças nas metadatas que definem o volume médio percebido. No Youtube, por exemplo, é de -13LU com -1dB truepeak. Já o Spotify usa -14 LU com -1dB de truepeak só para ficar nesses 2. “Eu acredito que nos próximos dois anos, como está sólido esse mercado do streaming, seja adotada uma normalização igual para todas as plataformas em 13LUFs como o que aconteceu na TV - 23LUFs”, define. Carlos Freitas coloca que, hoje em dia, não se discute tanto o processo usando na masterização, e sim o resultado. “Tem que ser rápido e eficiente. Pouco importa o processo se o resultado no Spotify é ruim. De cinco anos pra cá comecei a investir nisso e me sinto alinhado com a indústria e preparado para o que vem por aí”, afirma, confiando nas tendências de crescimento do mercado. Carlos Freitas explica que, ao contrário do RMS, medida usada para definir o volume médio das tracks, o LUFS ignora as frequências baixas e valoriza as médias e altas acima de 2000 Hz – uma região mais sensível aos ouvidos humanos. “Um grito, por exemplo, te dá mais sensação de volume do que um contrabaixo, mesmo que o RMS seja maior no contrabaixo. Isso porque os graves pesam muito na medida RMS, e a voz humana fica mais na região média, tornando o LUFS como um valor RMS mais preciso.É a maneira mais precisa de medir a intensidade do áudio sob a percepção humana de volume”, determina.

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REPORTAGEM | STREAMING | www.backstage.com.br 24 Carlos Mills

O streaming começa a se mostrar vantajoso para o chamado mercado independente, com os selos que não pertencem às grandes gravadoras. Em dezembro, aconteceu a divulgação do relatório da Wintel de 2018 produzido pela World wide Independent Network (WIN). redacao@backstage.com.br Repórter – Miguel Sá Fotos: Divulgação /ECAD

MERCADO INDEPENDENTE SE BENEFICIA COM O STREAMING relatório mapeia o mercado global independente usando critérios com base copyright, não em vendas feitas por canais de distribuição. Desta forma fica mais claro o tamanho deste mercado, já que as majors incluem a distribuição dos independentes que elas fazem em seus dados. Com esta metodologia, o estudo mostra que o mercado independente cresceu 39,9% em 2017, com um desempenho superior ao mercado de música como um todo, que cresceu 10,2% no ano passado. Nesse contexto, as em-

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presas independentes tiveram um crescimento de 46% em 2017. Carlos Mills, presidente da Associação Brasileira de Música Independente(ABMI), conversou com a Revista Backstage sobre o impacto do streaming para o segmento no Brasil. Revista Backstage – O que significa o streaming para o mercado independente brasileiro? Carlos Mills - O Streaming tem crescido com consistência no mundo todo, e em especial na América Lati-


na. Para os independentes este crescimento é muito importante, entre outros motivos por que os gargalos para a exportação de música são superados com mais facilidade neste modelo de negócios. Números do relatório Wintel mostram que na média, mais de 30% do faturamento dos produtores independentes estão vindo de fora de seu país de origem. No Brasil no ano passado o faturamento com Streaming foi de 635 milhões e as estimativas são de que cerca de 38% são de produtores independentes, incluindo gravadoras independentes e artistas auto-produtores. As expectativas para este ano são de um faturamento ainda maior. RB - há ainda alguma demanda de remuneração que precise ser atendida de forma mais adequada? O que ainda precisa melhorar do ponto de vista do produtor independente? CM - Existia inicialmente uma lacuna em relação aos autores nas plataformas de streaming, por conta das poucas informações disponíveis e/ou informações equivocadas. Mas este problema vem sendo enfrentado e acredito que em pouco tempo o mercado digital já estará completamente organizado quanto a isso. RB - Antes do streaming, um dos principais problemas para o produtor independente era a distribuição. Este problema fica inteiramente resolvido com o streaming? CM - Não, o problema não fica inteiramente resolvido. Embora exista mais concorrência nos canais de distribuição digitais, também conhecidos como agregadores, tem havido um movimento de concentração destes

canais na mão de poucas empresas ultimamente. É preciso ficar atento para que essa consolidação não seja exagerada, pois esta concentração pode prejudicar os produtores independentes. RB - Como é a divulgação do produto no streaming? Quais são as diferenças deste aspecto em relação ao modelo de suportes físicos? Como destacar o produto? CM - O Marketing passa a focar nas plataforma de redes sociais, onde

pleto. O selos precisam se adaptar rapidamente às constantes mudanças, e neste sentido o selo independente tem uma vantagem competitiva por ser mais ágil em responder aos novos desafios. Nos dias de hoje, a única certeza que temos é a mudança. RB - De que forma a ABMI pode facilitar a relação do selo ou artista independente com as empresas de streaming? CM - A ABMI facilita a relação

No Brasil no ano passado o faturamento com Streaming foi de 635 milhões e as estimativas são de que cerca de 38% são de produtores independentes, incluindo gravadoras independentes e artistas auto-produtores. As expectativas para este ano são de um faturamento ainda maior. o consumo é imediato. Facebook, Instagram e Tweeter são as principais plataformas usadas para este fim. As estratégias para destacar o produto variam muito e não existem fórmulas prontas. É preciso ser criativo, ajustar a comunicação ao perfil de cada artista, e também ao produto e descobrir o perfil do público consumidor. Para além dos block busters, existem muitas oportunidades nos mercados de nicho e as plataformas digitais facilitam esta descoberta.

com as empresas de streaming promovendo acesso aos editores das plataformas em conferências como o Rio Music Market, em ações de capacitação em diversas cidades viabilizando e licenciamentos diretos para empresas maiores através dos acordos celebrados pela Merlin, celebrando convênios com as editoras de música e também compartilhando informações em primeira mão através de nossos canais de comunicação: Newsletter, Redes Sociais, Site, Grupos de Discussão.

RB - O álbum ainda tem lugar no streaming? Como o selo configura, hoje, o produto musical do ponto de vista do produtor independente? CM - Sim, costumo dizer que o álbum completo está para a música assim como o longa metragem está para o cinema. É claro que os singles ganham uma nova força com as novas formas de consumo digital, mas creio que sempre haverá espaço para o álbum com-

RB -Havia uma grande indefinição com relação ao negócio da música gravada até há pouco tempo. Dá pra dizer, hoje, que já dá pra encostar o pé no fundo da água e vislumbrar um caminho? CM -Certamente. O mercado de música apresentou crescimento nos últimos três anos e todas as projeções apontam para uma retomada consistente ao longo dos próximos dez anos.

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REPORTAGEM | STREAMING | www.backstage.com.br


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REVIEW| www.backstage.com.br 28

PURE 2,

da Antelope Audio O Pure2 da Antelope Audio é um equipamento que pode ser indicado para um estúdio pequeno de masterização. Há muitas conexões na parte traseira e ele pode ser integrado como um conversor digital e controlador de monitor em um estúdio comercial. Além disso, pode atuar como um controlador de monitor e interface de áudio redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

O

Pure2 é um conversor estéreo AD/ DA com controlador de monitor integrado e recursos de interface de áudio USB.O layout do painel frontal tem LEDs indicando a fonte de sincronização digital, botões para alterar a taxa de a amostragem, um botão de volume, um botão para alternar entre monitor ou controle de volume de fone de ouvido, três botões para chamar os presets e saída de fone de ouvido. O

que se consiste em colocar o circuito de clock em uma temperatura constante. O painel traseiro tem várias conexões, que são as seguintes: entrada AC, entrada word-clock, entrada 10M, entradas e saídas S/PDIF e AES3, porta USB, oito saídas word-clock, que permitem que o Pure2 sirva como clock master, duas entradas combinadas analógicas XLR/TRS, duas saídas principais analógicas XLR e duas

Pure2 é um conversor estéreo AD/DA com controlador de monitor integrado e recursos de interface de áudio USB. monitor possui três medidores que mostram os níveis da entrada analógica, USB e digital, além de indicar a fonte do clock e a taxa de amostragem selecionada. Ele possui a tecnologia AFC (Acoustically Focused Clocking), do Antelope Audio, o

saídas de monitor TRS. As conexões analógicas tem potenciômetros para ajustar os níveis manualmente.

PAINEL DE CONTROLE O painel de controle já com software


incluído garante atualizações para a versão mais recente, desde que o computador do estúdio esteja conectado à Internet. O painel de controle é dividido em guias, mostrando as configurações de volume para as saídas principal, de monitor e de fone de ouvido, das quais as duas últimas têm botões mono, “dim” e “mute”. A fonte de cada saída pode ser selecionada individualmente, de forma que é possível optar por ouvir as

nalidade de controle do monitor não permite monitorar as entradas analógicas antes que o sinal passe pelo conversor AD.

SINCRONIZAÇÃO E TAXAS DE AMOSTRAGEM O Pure2 oferece conversão de taxa de amostragem nas entradas digitais, possibilitando conectar um CD player ou dispositivos digitais mais antigos que não podem ser sincronizados digitalmente como

O Pure2 oferece conversão de taxa de amostragem nas entradas digitais, possibilitando conectar um CD player ou dispositivos digitais mais antigos que não podem ser sincronizados digitalmente como slave. saídas USB 1-2 enquanto a saída de fone de ouvido é definida para as saídas USB 3-4. Também é possível monitorar as entradas analógicas enquanto uma mixagem estéreo é enviada da DAW para as saídas analógicas. Ao atribuir as saídas do monitor do software DAW às saídas do monitor Pure2, é possível ouvir o processamento digital aplicado após o processamento analógico, o que pode ser importate em um trabalho de masterização. A funcio-

slave. Os conversores AD/DA compartilham a mesma fonte de clock, então não é possível gravar em 96kHz e monitorar em 44,1kHz. Quando o Pure2 é usado como interface de áudio, os drivers disponibilizam quatro saídas e duas entradas para o software DAW. Sem a conexão USB, é basicamente um dispositivo estéreo, e apenas uma conexão digital pode ser escolhida por vez. Não é possível alimentar as saídas principais via AES3 e as saídas do monitor via S/PDIF.

O equipamento possibilita trabalhar com taxas de amostragem de até 192kHz. O conversor AD utiliza um chip. As saídas principais também são equipadas com um chip conversor DA estéreo para cada saída. As saídas do monitor são equipadas com um único chip conversor DA. As entradas e saídas analógicas tem nível máximo de saída de + 20dBu mas, ao ativar o modo manual no painel de controle, o nível máximo de cada conexão analógica pode ser ajustado entre + 8dBu e + 26dBu, usando o potenciômetro na traseira .A saída de fone de ouvido do Pure2 é equipada com seu próprio conversor DA. Os controles do monitor são simples, mas poucos outros conversores ou interfaces têm controles analógicos para atenuar o volume do alto-falante.

Mais informação:

www.gsbproaudio.com.br/ antelope-pure-2-384/p?cc=32

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DAS IGREJAS DO RIO DE JANEIRO AOS ESTÚDIOS DE LOS ANGELES, CONHEÇA OS CAMINHOS DE JONATHAN MAIA O caminho entre as consultorias em igrejas no Rio de Janeiro e as gravações em estúdios de Los Angeles é muito mais que um vôo de avião, como nos conta Jonathan Maia redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

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uando criança, o hoje engenheiro de som, baixista e produtor musical Jonathan Maia acompanhava o pai, Osmar de Oliveira, o pastor Mazinho, líder de louvor da Igreja Reviver em Cristo da Freguesia, no Rio de Janeiro, nos ensaios e seminários. Ainda menino, ficava fascinado de estar no meio daqueles sons e, aos cinco anos, já estudava bateria. No entanto, sempre quis ter uma visão geral da música e passeou um pouco por todos os instrumentos até parar um pouco no contrabaixo, que estudou no curso da escola Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Na adolescência, gra-

vava amigos, fazia jingles e locuções para supermercados no pequeno home studio que tinha em casa. Mais tarde, se profissionalizou e fez cursos de áudio no Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação(IATEC), se formando também em produção fonográfica no curso da Estácio de Sá. Aos 19 anos, Jonathan começava o trabalho na Rede Globo fazendo captação. Lá, começou a tomar contato com equipamentos de primeira linha e a forma de trabalho dos grandes profissionais do áudio. Isso o despertou para as limitações no áudio das igrejas onde


Sou ambicioso para crescer profissionalmente, gosto de estudar e me atualizar. Queria estar mais próximo da tecnologia. Assim como tenho referencias, procuro ser uma para a galera com quem eu trabalho. Aqui estou buscando algumas conquistas pessoais, trabalhar com artistas internacionais e viver de música. Já vivo de música, produção e engenharia de som. Aqui tem os melhores e quero andar com eles. RB - Você foi na cara e na coragem? JM - Não. Vim preparado e estruturado com a minha esposa. Trabalhei durante dez anos na Rede Globo, fui engenheiro de gravação no The Voice Brasil, no The Voice Kids, enfim, os programas musicais. Quando a gente tomou a decisão de vir pra cá comecei a pesquisar onde morar, com quem trabalhar... Aí veio um convite para ser o engenheiro de som de uma igreja. Viemos estruturados e está tudo caminhando super bem.

A mudança de Jonathan para Los Angeles foi planejada

ia tocar e operar o som, o que o fez escrever uma apostila de áudio básico para igrejas. Essa vontade de melhorar e de ser uma referência na profissão é o que o levou, há quatro meses, após longo planejamento, a se mudar para Los Angeles, onde espera chegar ao que há de melhor no áudio. De lá ele fala sobre a forma como construiu esse caminho e sobre as semelhanças e diferenças entre trabalhar aqui e nos EUA.

Revista Backstage - Como se envolveu com o áudio? Jonathan Maia - Começei a produzir jingles e trabalhos publicitários de forma amadora. Essa experiência me despertou. Enxerguei um mercado que, até então, não tinha percebido ainda. RB - Porque foi a Los Angeles? JM - Estou aqui há quatro meses e entre os fatores que me influenciaram está a busca de conhecimento.

RB - Como conseguiu o trabalho? JM - Esse processo começou no Brasil. Já tinha vindo outras vezes de férias a L.A. e acabei conhecendo uma galera. No Brasil, já tenho essa vida religiosa. Sou nascido e criado na igreja e trabalhando com música. Eu já tinha várias consultorias em várias igrejas no Rio de Janeiro. Pelos contatos das igrejas e amigos em Los Angeles recebi o convite de uma igreja americana pra poder trabalhar e somar com eles. Acabou que cheguei e recebi também um convite para trabalhar com um produtor musical chamado Mario Caldato Jr., uma referência pra mim, que tem três Grammy latinos, produziu Jack Johnson, Seu Jorge, Beastsy Boys, etc. RB - Pretende trabalhar no mercado fonográfico?

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 32

JM - No Brasil trabalhava na TV, mas com música. Entrei na Globo como técnico de captação de som e depois recebi o convite para trabalhar no The Voice Brasil. Então eu trabalhava em um estúdio de música na Rede Globo. Apesar de trabalhar na TV eu trabalhava com música e aqui quero sim alcançar o mercado fonográfico. Já trabalho em um grande estúdio com o Mario Caldato, que eu conhecia por nome e pelos trabalhos, mas não pessoalmente.E o legal foi que cheguei em Los Angeles e, por incrível que pareça, trabalhei com artistas brasileiros que não tive oportunidade de trabalhar no Brasil.Trabalhei com o Rogê, um cantor brasileiro. Através dele conheci o Mario, que é o produtor musical dele. Daí veio o convite pra trabalhar com ele e no estúdio conheci o Seu Jorge. RB –No Brasil, em geral, o profissional de som faz um pouco de tudo: ao vivo, estúdio... Como é por aí? JM -No Brasil, normalmente quem faz show ao vivo faz o estúdio também, mas às vezes não é o mesmo cara que faz a televisão. Acho que no Brasil é mais separado do que aqui. Tem a galera do cinema, a da TV e a dos estúdios que anda mais

Mario Caldato é uma referência para Jonathan Maia

e aparece show, e do show volta pro estúdio... Enfim. As coisas estão mais linkadas. No Brasil tem mais grupos fechados. RB – Como eram seus trabalhos de consultoria para som de igreja no Brasil? JM -Fui a muitas igrejas tocando ou como engenheiro de som, PA, monitor, enfim. Via muita deficiência nas

O legal foi que cheguei em Los Angeles e, por incrível que pareça, trabalhei com artistas brasileiros que não tive oportunidade de trabalhar no Brasil. junto com a galera do ao vivo, que faz os shows. Aqui nos EUA, por incrível que pareça, uma das coisas que me deixou mais empolgado é que não tem essa diferença. Estou trabalhando no estúdio, e aí aparece coisa de cinema pra fazer,

igrejas. Às vezes chegava, pedia um cabo XLR para instrumento, uma direct box, e percebia que a pessoa não sabia, e não era culpa dela, era a falta de informação. Quando entrei para a Globo, com 19 anos, aprendi o que era um trabalho de excelência. Lá a gente

não pode errar. Temos que fazer de tudo para que dê certo. Poxa, como pode uma empresa como a Globo, que não tem nada a ver com religião, e os caras dão o melhor, não erram e o equipamento é bom? Porque na igreja, uma coisa que é pra Deus, pra vida, pras pessoas, as coisas são tão prejudicadas? Comecei a pensar nisso e daí montei uma apostila de áudio básico para igreja que fala dos tipos de cabos e conectores. A partir dessa apostila comecei a aplicar isso em muitas igrejas. E aí foi legal que recebi muito carinho da galera. Eu ia nas igrejas para fazer essa consultoria, alinhar um PA ou ensinar as pessoas a usarem a mesa de som. Fiz alguns projetos de sistema de palco e de PA, esse básico que pra gente que está no meio é tão simples e a galera da igreja não tinha essa informação. Eu queria levar isso pra eles, levar essa minha experiencia da Globo para as igrejas. Hoje não dá, mas eu ensinava as pessoas a usar o equipamento, deixava o som regulado, fazia projeto, enfim. Era isso.


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TECNOLOGIA|PRO TOOLS| www.backstage.com.br 34

SEJA SEU PRÓPRIO SUPORTE TÉCNICO

de Pro Tools

Cristiano Moura é produtor, en-

Em um mundo ideal, todo usuário de Pro Tools teria acesso a um especialista de suporte técnico, ou até mais de um, com diferentes níveis de conhecimento. Como não é a realidade na maioria dos lugares, todo profissional deve ser capaz de, ao menos, reconhecer e diagnosticar problemas, ainda que não seja capaz de solucioná-los.

genheiro de som e ministra cursos na ProClass-RJ

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RINCIPAIS PROBLEMAS E ONDE ENCONTRAR SOLUÇÕES

Não há como negar que um profissional que também tenha condições de solucionar, ou ao menos saber onde pesquisar soluções, vai sair na frente neste disputado mercado. Então, neste artigo, vamos partir para o lado mais técnico e ajudá-los a entender melhor o sistema, bem como criar uma lista de tarefas a fazer antes de buscar auxílio profissional de suporte técnico.

VERIFICANDO COMPATIBILIDADE Ter uma versão de Pro Tools coerente com o sistema operacional é essencial para tentar decifrar problemas, e é im-

portante entender que existe uma grande diferença entre “funcionar” e “ser suportado”. Exemplo: o Pro Tools 12 pode até funcionar com o Windows XP, mas não quer dizer que a Avid suporte essa configuração oficialmente. Quando a Avid diz que “não é suportado”, significa que ela não fez nenhum teste neste sistema, e não garante que vá funcionar bem. Você pode até tentar por conta própria, e pode até trabalhar anos em uma configuração não-suportada pela Avid. Mas em caso de problemas, se você procurar a Avid, eles vão dizer “lamento, nunca testamos esta configuração. Não tenho como ajuda-lo.” Então a primeira dica é seguir o link http://avid.com/compato e confirmar


Figura 1 - Sistemas Compatíeis

se a versão do Pro Tools que você usa é oficialmente suportada pelo fabricante (fig. 1). São três itens que precisam ser verificados: primeiramente, seu sistema operacional, que deve ser compatível com sua versão de Pro Tools. Se estiver tudo certo, o segundo item a ser conferido é a interface de som. Acesse o site do fabricante, e confirme se o driver está atualizado, e que seja compatível tanto com o Pro Tools quanto com o sistema operacional.

seja 100% compatível com o Pro Tools, vamos começar a tentar reduzir elementos que podem comprometer o desempenho. Precisamos então testar o sistema sem nenhum plug-in instalado e ver se o problema continua ou desaparece. Para fazer isso é simples: vamos acessar a pasta de plug-ins AAX, retirar todos os plug-ins (armazene nas pasta “Plug-Ins (Unused)” temporariamente por exemplo), e testar o sistema (fig. 3).

Abaixo, segue o endereço destas pastas, tanto no windows quanto no mac: Mac Macintosh HD/Library/Application Support/ Avid/Audio/Plug-Ins Windows C:\Program Files\Common Files\Avid\Audio\Plug-Ins Se o problema for sanado, já sabemos que é algum plug-in que está provocando instabilidade. Então agora é uma questão de ir recolocando os plug-ins nas pastas, um a um, e testar. Até encontrar o causador do problema. A dica é começar pelos que você tem mais suspeita. Provavelmente foi um dos últimos que você instalou ou atualizou. Por outro lado, os originais da Avid que vem com Pro Tools, certamente podem ser deixados por último.

PRO TOOLS PREFERENCES: OS ARQUIVOS MAIS INSTÁVEIS DO PRO TOOLS Dentro da instalação do Pro Tools, há os arquivos que armazenam as preferências do sistema, que muitas vezes acabam corrompendo e trazendo todo tipo de instabilidade.

MANTENHA-SE EM SINCRONIA COM O FABRICANTE Em todas as páginas de suporte da Avid, é possível se tornar uma “assinante” e receber notificações de atualização. Por exemplo, se, lá em 2050, o Pro Tools 30 for lançado, você poderá ser notificado assim que ele for oficialmente compatível com o Windows 45 (fig. 2).

PLUG-INS - PRIMEIRO ITEM NA LISTA DE TESTES Agora, supondo que seu sistema

Figura 2 - Inscreva-se para se manter atualizado

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TECNOLOGIA|PRO TOOLS| www.backstage.com.br 36

Por desconhecimento, ao se deparar com arquivos de preferências corrompidos, o usuário acaba tentando resolver de forma muito mais radical do que o necessário, formatando o computador e zerando tudo. Ao invés disso, é possível simplesmente deletar os arquivos de preferências, pois ao reiniciar o Pro Tools, os arquivos serão recriados. Faz o mesmo efeito, mas é muito absurdamente mais prático. Abaixo, estão as pastas onde estão localizadas as preferencias do Pro Tools. Basta deletar todos os arquivos dentro da pasta, reiniciar o computador e por último, reiniciar o Pro Tools: Mac ~/Library/Preferences/Avid/Pro Tools Windows C:/Users/Nome do Usuario/ AppData/Roaming/Avid/Pro Tools

WORKSPACE DATABASES Similar às preferencias, estes são arquivos de banco de dados que estão sempre sendo alterados. De tempos em tempos, eles perdem alguma informação ou se corrompem, trazendo proble mas na busca de arquivos com o Workspace, formas de onda in-

Figura 3 - Pasta de Plug-ins do Pro Tools

corretas e muito mais. A abordagem é a mesma. Encontrar os arquivos no sistema operacional, deletar, reiniciar o computador e reiniciar o Pro Tools para que os arquivos sejam recriados novamente de forma saudável. Mac /Users/Shared/Pro Tools Windows C:/Users/Public/Pro Tools Os arquivos são o Workspace.wksp e WaveCache.wfm

CRIANDO UM USUÁRIO NOVO Seja Windows ou Mac, cada usuário armazena preferencias de sistema individualizadas para cada aplicativo. Em um sistema com múltiplos softwares instalados,

Figura 4 - Pro Tools travado por nao carregar um plug-in

fica muito difícil de decifrar o que pode estar causando instabilidade. Então antes de partir para a “Saga da formatação do sistema”, você pode simplesmente criar um novo usuário no windows ou Mac para fazer seus testes. Ao criar um usuário novo, todas as preferências de todos os aplicativos instalados no seu computador estarão zeradas, e você pode manter tudo zerado se simplesmente não abrir nenhum aplicativo fora o Pro Tools.

O QUE FAZER SE O PRO TOOLS NEM ABRE Existem dois problemas conhecidos neste caso. Primeiro e mais comum, o sistema não abre porque não consegue registrar algum plugin. Isso se resolve fácil, pois na tela de inicialização você pode ler na tela o plug-in conflitante (fig. 4). Neste caso, basta acessar a pasta de plug-ins como informado acima, e retirar o plug-in. O segundo caso é referente a interface de áudio. Alguma configuração pode estar coibindo o sistema de iniciar. Para resolver isso, inicie o Pro Tools com a letra “n” pressionada. Este recurso vai apresentar ao usuário a caixa de diálogo do Playback Engine logo de primeira (fig. 5), antes mesmo de iniciar o Pro Tools. Por este mecanismo, é possível alterar a interface de som e ajustar o H/


Figura 5 - Playback Engine logo na abertura do Pro Tools

W Buffer Size para um valor maior por exemplo, que pode ser a causa da dificuldade do sistema em iniciar.

a capacidade e formação de um especialista em suporte técnico, porém, vão ajuda-los na comunicação e interação com estes profissionais. Quando você está sem internet, tenho certeza que antes de ligar para sua operadora, você sempre desliga e liga o modem para ver se uma simples inicialização resolve. Com o Pro Tools não deveria ser diferente. Testar bem o sistema e tentar fazer o melhor diagnóstico possível antes de pegar o telefone e procurar suporte especializado é fundamental, pois facilita não só seu atendimento, como também a velocidade em que a solução poderá ser executada. Abraços e até a próxima!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para saber online

Como dito no início, estas dicas certamente não substituem toda

cmoura@proclass.com.br

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ÁUDIO FUNDAMENTAL| www.backstage.com.br 38

TV MIXAGEM E Olá amigos do áudio, este mês estaremos iniciando uma série de duas edições sobre “Audio e mixagem para TV”. Um assunto muito pouco explorado ainda. E ninguém melhor do que Alexandre Cipriano, com vasta experiência em TV, para nos mostrar um pouco deste universo.

redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

ROTINA Pedro Duboc é Técnico de Áudio e membro da Sobrac (Sociedade Brasileira de Acústica), ABPAudio (Associação Brasileira de Profissionais de Áudio), ASA (Acoustical Society of America) e AES (American Engineering Society).

A

lexandre Cipriano é Sonoplasta da Tv Globo com 15 anos de experiência em linha de show. Formado em Produção Audiovisual, atualmente opera o PA do Caldeirão, o PA do Popstar, Banda do The Voice, opera o PGM do programa Melhores Anos, o PGM do Tamanho Família e trabalha em outros eventos como Criança Esperança, Show da Virada, Especial do Roberto Carlos e Carnaval. Com formação técnica pelo Senac em 2003 no curso profissionalizante de Operador de Áudio, possui alguns Cursos no IATEC, assim como treinamento de alinhamento de sistemas pela Meyer Sound. Abaixo, o depoimento dele sobre como é trabalhar com mixagem na TV: “Mixar para TV PA ou PGM tem suas peculiaridades. Somos cobrados por mais qualidade em menos tempo. Na TV, quem já trabalhou sabe o quanto é corrido. Mas temos exceções. São elas: os Reality

shows Musicais. Vamos falar um pouco das rotinas e mixagem. “Os programas dedicados à música, como por exemplo, The Voice, Popstar e Som Brasil, são programas onde temos mais tempo para caprichar nas mixagens. Geralmente o Estúdio fica locado para a produção do evento por três dias: um de montagem, um para ensaio, o que deixa tudo mais ajustado, e o dia do ao vivo ou gravação. “A Globo sempre investe nos melhores equipamentos. Este é um fator muito importante. Uma estrutura de show mesmo, com P.A. e diversos microfones tops do mercado. Não vou entrar no mérito das marcas. Trabalhamos com consoles de última geração, onde podemos gravar Snaps e pequenas cenas de ajustes. Em cada snap fica salvo um ajuste feito para cada musical. “Protools gravando 120 canais durante o ensaio parece muito!!! Mas é isso mesmo, a banda base do The Voice tem 46


canais, soma-se aos canais 24 microfones sem fios. Entre eles, titulares e Bys, instrumentos sem fios, canais para ambientes de plateia, canais de mídias e Vts. Uma estrutura de show dentro de um estúdio de TV. “Ensaiamos todo o show com a Direção do Programa, parando e voltando. Depois do ensaio, quando a banda sai do palco, fazemos o chamado virtual soundcheck: damos play no ensaio gravado e fazemos os ajustes finais na mix. Falando parece fácil, mas depende de conhecimentos técnicos em cosoles digitais avançados, Protools e, lógico, saber muito de música para uma boa mix. Nos programas da Globo temos sempre a presença de um produtor musical para dar um veredicto sobre a mix, mas temos total liberdade na mixagem e os acertos são feitos pelo Sonoplasta.

“Em Programas de Conteúdo Variável, a exemplo do Caldeirão do Huck ou Fatima Bernardes, a rotina é diferente, geralmente corrida. As bandas convidadas tem um tempo para a montagem e passagem de som que não pode extrapolar o tempo imposto pela produção do programa, pois existe todo um cronograma a seguir com outros ensaios. Se tratando de uma banda convidada que leve algum técnico, geralmente de PA ou gravação, que já conheça aquele som, ele faz as considerações finais, desde que não seja nada absurdo. “As bandas costumam vir com suas estruturas: backline, mics, consoles... Então o produtor de Áudio da TV avalia quais são as necessidades para a gravação com os equipamentos da banda mesclado aos da TV. Geralmente a Banda usa mesa de monitor própria, quando tem. Para

o P.A. e PGM usamos nossas estrutura dos estúdios. “Na TV o Sonoplasta tem algumas funções. Dentre elas: mixar PA, mixar Monitor, mixar PGM (Finaliza o Programa se for ao vivo), mixar Banda, gravar em Pro tools e mixar em pós produção (Limpar os áudios, minimizar vazamentos, nivelar sons, adicionar sons, ruídos e músicas). Partindo desse princípio para Tv, vemos que para um bom resultado precisamos que todos nas suas funções estejam bem entrosados. A comunicação entre os envolvidos é muito importante para um áudio de qualidade para o consumidor final, seja ele telespectador na tv aberta, tv a cabo ou internet”. É isso aí galera, na próxima edição falaremos especificamente sobre Mixagem em para TV, até lá! Abraços.

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COB RIBALTA 8X30W TRI RGB www.gobos.com.br COB Ribalta é um equipamento com bastante potência. Ele possui 8 COB LEDs de 30W com a tecnologia Chip on Board. Os 60 graus de abertura dos LEDs fazem a ribalta preencher uma área que vai além de suas medidas. O equipamento oferece controle tanto por grupos como por cada pixel individualmente, com bastante capacidade de controle da temperatura de cor. O DMX é configurável em 3 - 5 - 24 ou 27 canais. Os modos de operação usam protocolo DMX, Master/ Slave, Stand Alone. O strobo tem 1-25 flashs por segundo e efeito pulsar. O dimmer linear é em 16 Bits mais blackout. Os programas são residentes em memória. O Input / Output do sinal DMX pode ser em 3 e 5 pinos, já o Input / Output de AC usa conectores Powercom. O consumo é de 290W com tensão de alimentação no AC em 110V - 240V - 50Hz / 60Hz. O display LCD azul tem formato 880x145x180mm e o equipamento pesa 6,2 Kg

LED 180W RGBW 19º DMX www.gobos.com.br O equipamento tem sete canais DMX para criar todas as cores do espectro. Consome pouca energia, não gera calor e por utilizar protocolo DMX não precisa de rack dimmer. Tem a luminosidade de um Elipso tradicional de 750W, trazendo um bom custo/benefício ao usuário. O ângulo de abertura é de 19º. O peso é 6.5 kg e as medidas são 28cm (44cm com alça) x 28cm x 53cm (59cm com alça).


FT-20– MÁQUINA DE FUMAÇA www.antari.com A FT-20 é uma máquina de fumaça portátil que funciona por bateria capaz de manter, por longo tempo, operação com grandes quantidades de fumaça. Ela é disponível com duas formas de alimentação: bateria de 12V ou com adaptador de chave de energia que permite ligar a máquina com AC entre 100 e 240V. Alimentada com bateria, a máquina pode produzir fumaça durante, aproximadamente, 11 minutos. Com alimentação por AC, a fumaça pode continuar a ser expelida enquanto houver líquido no tanque. É possível controlar a máquina via DMX e knobs permitem ao usuário controlar a saída de fumaça. Um controle remoto é disponível para o equipamento opcionalmente.

PROTEUS BEAM WMG www.elationlighting.com Este equipamento todo branco usa a lâmpada Philips MSD Platinum 14R 80CRI 7, 800K produzindo mais de 12000 lumens. Entre os recursos do aparelho está um sistema ótico preciso que produz um foco de 2,5º e um sistema de resfriamento interno, sistema de cores CMY, 13 cores dicroicas incluindo CTB, CTO e UV, oito gobos rotativos e intercambiáveis e treze gobos fixos estampados, todos de metal. Ele também tem prismas com face rotativa de 5 e 32, frost filter, foco motorizado e automático, obturador mecânico, estroboscópio de alta velocidade, suporte a DMX, RDM, Art-NET e suporte a protocolo sACN, além de transceptor DMX sem fio interno E-FLY ™ da Elation. O Beam WMG também tem conexões de entrada / saída Ethernet XLR de 5 pinos IP, conexão POWERCON TRUE1, menu de display totalmente colorido com seus botões no painel de controle cor total 180 °, display de menu reversível com painel de controle sensível ao toque de seis botões, bateria reserva para alimentação de tela e uma fonte de alimentação de comutação automática universal de multivoltagem (100-240v).

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Como já dito nesta coluna, festivais são celebrações musicais produzidas para atrair públicos reunidos a partir de uma determinada proposta direcionada a um estilo específico ou que preza pela variedade. Realizado pela segunda vez em três países da América do Sul – no Brasil foram quatro cidades - o Solid Rock se consolida no cenário de festivais internacionais estabelecendo uma conexão entre expectativas e ineditismo, com a apresentação de bandas de Hard Rock e Heavy Metal representativas, com repertórios consolidados em canções clássicas, e também inéditas – A iluminação, impressionante, é particularmente destacada nesta conversa.

Figura 1: Apresentação da banda americana Black Star Ridersem Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski–festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

IMPRESSÕES CONSOLIDADAS ILUMINAÇÃO CÊNICA NO FESTIVAL SOLID ROCK 2018 Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

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ealizado pelo segundo ano consecutivo, o festival Solid Rock se consolida como uma oportunidade única para a apresentação de três bandas (no mesmo formato na primeira edição) mantendo um caráter de reunir

nomes significativos do Hard Rock e Heavy Metal tais como Judas Priest, Alice in Chains e Black Star Riders, que fizeram parte do lineup desse evento. Em 2018, foi também realizado em três países: Argentina, Chile e Brasil, sendo, neste


Figura 2: Apresentação da banda americana Black Star Ridersem Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski– festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

último, em quatro cidades: Rio de Janeiro (11 de novembro no KM de Vantagens Hall), Belo Horizonte (14 de novembro no KM de Vantagem Hall), São Paulo (10 de novembro no Allianz Parque) e em Curitiba. Nesta conversa, o evento será analisado a partir das apresentações que ocorreram na capital paranaense, na Pedreira Paulo Leminski, no dia 08 de novembro de 2018. Já passava de 18h00min quando a banda de Hard Rock americana Black Star Riders subiu ao palco, com o ineditismo de estrear no Brasil nesse evento e na cidade de Curitiba. Formada por Scott Gorham, guitarrista da icônica banda irlandesa Thin Lizzy. Além de Gorham, que também divide os backing vocals, a Black Star Riders é formada por Ricky Warwick, nos vocais principais, guitarra e violão; Luke Morley na guitarra e backing vocals; Robbie Crane no baixo e backing vocals; e Chad Szeliga na bateria. Nas onze canções que fizeram parte do repertório do show, cinco integram o primeiro álbum, All Hell Breaks Loose, lançado em 2013

(Bloodshot, All Hell Breaks Loose, que abriram o show; Beforethe War; Kingdom of the Lost e Bound for Glory que encerraram), além de duas do álbum The Killer Instinct, lançado em 2015 (Finest Hour e The Killer Instinct), e duas do último álbum, Heavy Fire, lançado em 2017 (Heavy Fire e Whenthe Night Comes In). Entretanto, como não

poderia deixar de ser, foram as canções da banda Thin Lizzy que incendiaram o show: Jailbreak e The Boys Are Back in Town. No melhor estilo Old School, a predominância de cores dominantes, em fachos geométricos e bem definidos, fez da apresentação da Black Star Riders uma surpreendente combinação de excelência e nostalgia com elevados níveis de satisfação. No horário de 19h30min subia ao palco uma das mais cultuadas bandas de Seattle (cidade do estado de Washington, EUA) integrante daquele que já foi conhecido como ‘movimento Grunge’: Alice In Chains. Também pela primeira vez em Curitiba (e pela quinta vez no Brasil), esta banda americana é formada por William DuVal(vocal principal e guitarra base),Jerry Cantrell(guitarra solo, vocal e backing vocals),Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria). Para o Solid Rock 2018, em Curitiba, foram reservadas quinze canções de praticamente todos os álbuns da banda. Na abertura do show, Check My

Figura 3: Apresentação da banda americana Alice In Chains em Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski– festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

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Figura 4: Apresentação da banda americana Alice In Chainsem Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski–festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

Brain, única do álbum Black Gives Way to Blue (2009), e Again (única de Alice in Chains, lançado em 1995), já demonstravam o caráter mais sombrio e minimalista que seria proporcionado pela iluminação cênica. Never Fade, canção do último álbum Rainier Fog, lançado em 2018, abriu uma coletânea imbatível de hits executados nas rádios da década

Outras canções (Hollow e Stone, do álbum The Devil Put Dinosaurs Here, de 2013, além de The One You Know, do último lançamento) antecederam o bis, com as aclamadas Would e Rooster, ambas do premiado e multiplatinado Dirt, de 1992 No todo, uma produção relativamente simples, mas sofisticada –com destaque para dois módulos de refletores

No todo, uma produção relativamente simples, mas sofisticada –com destaque para dois módulos de refletores LEDs super brilhantes no backlighting, em um estilo retrô, mas que protagonizam intervenções vibrantes. de 1990: We Die Young e Man In The Box, do primeiro disco, Facelift, de 1990; Them Bones, Dam That River, Down in a Hole e Andry Chair – essas do álbum Dirt, de 1992 - além de No Excuses, canção do EP Jarof Flies, de 1994. Cores frias e densas se intercalavam a padrões quentes e volumétricos, criando cenários intrigantes em camadas lúgubres e rebuscadas.

LEDs super brilhantes no backlighting, em um estilo retrô, mas que protagonizam intervenções vibrantes. Eles eram complementados por um painel de vídeo na parte posterior e acima da bateria que apresentava projeções de imagens intercaladas da banda com vídeos contextualizados com as canções, mas com imagens exageradas e distorcidas.


Apresentação da banda inglesa Judas Priest em Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski–festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

Para encerrar a segunda edição do festival, a banda inglesa Judas Priest trouxe ao palco da Pedreira Paulo Leminski diversos elementos cênicos que exaltaram ainda mais a performance da banda, com recursos visuais e referências que remetem a história

tempos, o Judas Priest (formado por Ian Hill, membro fundador da banda, no baixo; Rob Halford nos vocais; Scott Travis na bateria; Richie Faulkner na guitarra solo e Andy Sneap, último a integrar a banda em substituição ao icônico Glenn Tipton, nas guitarras)

A banda inglesa Judas Priest trouxe ao palco da Pedreira Paulo Leminski diversos elementos cênicos que exaltaram ainda mais a performance da banda, com recursos visuais e referências que remetem a história de uma das mais cultuadas bandas de Heavy Metal da história. de uma das mais cultuadas bandas de Heavy Metal da história. Fachos luminosos em cores primárias se revezavam nas centenas de cenas que acompanhavam cada uma das dezenove canções executadas com precisão, energia e muita intensidade. Sendo uma das mais importantes bandas de Heavy Metal de todos os

transmite no palco toda a energia que integra o repertório – este, formado por canções daqueles que são considerados por muitos os mais clássicos álbuns do estilo. Na atual turnê mundial, responsável pela divulgação do último álbum (Firepower, lançada no corrente ano), cinco canções desse lançamento fo

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Apresentação da banda inglesa Judas Priest em Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski–festival Solid Rock 2018, 08/11/2018. Fonte: Cezar Galhart

ram apresentadas de maneira inédita,: Firepower, Lightning Strike, No Surrender, Guardians e Rising From Ruins. Mas, para os fãs, a banda reservou um repertório invejável, contemplando vinte e uma canções (no total) de nove álbuns diferentes: The Ripper do álbum Sad Wings of Destiny (1976); Sinner, faixa que abre Sin After Sin (1977); Running Wild, The Green Manalishi (With the Two Prong Crown), Hell Bent for Leather, essas de Killing Machine (1978); Grinder, quarta canção de British Steel (1980); Desert Plains, integrante de Point of Entry (1981); You’ve Got Another Thing Comin, de Screaming for Vengeance (1982); Night Comes Downe Freewheel Burning, ambas de Defenders of the Faith (1984); Turbo

Lover, abertura do álbum Turbo (1986); além da mais que imprescindível Painkiller do álbum homônimo (1990). Sucessões de cenas intensas e dinâmicas acompanhavam o ritmo das canções, frenéticas e estimulantes. Ao fundo, constantes trocas de imagens, representando as capas dos discos, em constantes progressões e dinamismo. Para o bis, a entrada triunfante de Rob Halford em sua Harley-Davidson, para mais quatro canções: The Hellion / Electric Eye (Screaming for Vengeance, 1982) e as veneradas Breakingthe Law e Living After Midnight do álbum British Steel (1980). Nesta segunda edição, o Solid Rock se consolida por um formato extremamente viável e atrativo, com a

união de bandas com sonoridades únicas– e visualmente enaltecidas com projetos de iluminação envolventes e consistentes. O resultado repetiu a mesma ‘fórmula’da edição anterior - com coesão e ineditismo - além da oferta de um evento qualificado (sonora e visualmente), e a consolidação de um festival promissor em longevidade e bandas relevantes e atrativas. Nesta primeira conversa de 2019, desejo a todos um ano repleto de muitas realizações e iluminadas oportunidades. Abraços e até a próxima!!!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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LUIZ CARLOS SÁ | www.backstage.com.br

MÚSICA, FUTEBOL E UNS GOLINHOS

Foto: George's Studio

N

ão me lembro de conhecer uma banda de estrada que não tenha tido vontade de fazer um time de futebol, em geral de salão, por exiguidade de membros. Os times, com provável exceção do Novos Baianos Futebol Clube, costumavam ser bem ruinzinhos. Mas nas décadas de 70 e 80 isso era comum. Nós do Sá, Rodrix & Guarabyra, por exemplo tínhamos um grande problema: tanto eu como Guarabyra não abríamos mão do gol. E para completar o time tínhamos Sérgio Magrão e o saudoso Luiz Moreno, que preferiam a zaga, o que duplicava a inconsistência do nosso esquadrão, já que Zé Rodrix se recusava a pisar na quadra e nosso operador de áudio, Ricardo “Franja” Carvalheira só jogava obrigado. Às vezes – quando ele viajava com a gente, o que não era raro –podíamos contar com o inestimável reforço de um grande amigo, o jornalista esportivo Toninho Neves, craque de bola com passagem pelo time de base do Santos. Mesmo com esse time mambembe nos divertíamos muito. Quando morávamos todos no mesmo Brooklyn, alugávamos uma quadra ali no bairro e chamávamos alguns amigos para jogar contra. Aí

Foto: Internet / Divulgação

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DE CERVEJA

Foto de capa do

LP Novos Baian os F.C.

já tínhamos no time um craque egresso dos juvenis do América Mineiro, Flávio Venturini, assim como o reforço não muito eficiente - mas bastante motivado - de Cezinha de Mercês e Sérgio Hinds: um time misto Terço + Sá & Guarabyra. Claro que depois do jogo nosso próximo destino era o bar mais próximo, onde algumas cervejas se encarregavam de repor as calorias perdidas. Poucos anos depois, mudamos para o Rio. Comecei


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM

a frequentar o Caxinguelê, campo de futebol, embora de terra. Era uma pelada de músicos, atores e gente do meio artístico em geral, frequentada por alguns bons jogadores, como Vinícius Cantuária, Ruban, o guitarrista Didito, Maurício Maestro (que me fez pular no ângulo e espalmar uma falta primorosamente batida por ele, a melhor defesa da minha... ahn... “carreira”...) e outros. Mas uma luxação recidivante do ombro – que saía dolorosamente do lugar obrigando meus companheiros a tentar colocá-lo de volta - me levou de volta à lateral direita. Mesmo sem ser um craque, eu ia melhorando com a prática. A temporada carioca foi curta e voltamos para São Paulo, levando uma nova banda de apoio, a Ponte Aérea: Constant Papineanu, Betto Martins, Pedro Jaguaribe e Nonato passaram a formar no novo time de Sá & Guarabyra, embora Guarabyra já houvesse prudentemente decretado sua “aposentadoria” das quadras. Mesmo sabendo o quão perigoso é

não me poupava de alguma pelada ocasional, principalmente às que tive ocasião de jogar em campos oficiais, como a tradicional Artistas x Veteranos no antigo campo do América, hoje Arena Independência, onde tive o duplo prazer de jogar ao lado dos meus amigos do Clube da Esquina e ser driblado por craques do calibre deWilson Piazza, Nelinho e Natal. Mas a pelada da minha vida foi um Artistas x Veteranos no campo do Zico, no Rio, onde tive a oportunidade de ter Jair Pereira no comando do meu time e jogar contra... o Zico! Zico, que tanta dor de cabeça deu ao meu Fluminense é um daqueles caras que você não pode deixar de admirar, torça por qual time torcer. Nos poucos minutos que pudemos conversar à beira do campo, ele falou de futebol, claro, mas mostrou-se conhecedor da carreira da dupla e se disse nosso fã, o que me deixou realmente de bola cheia... Mais recentemente fui ao lançamento do livro do

Mas a pelada da minha vida foi um Artistas x Veteranos no campo do Zico, no Rio, onde tive a oportunidade de ter Jair Pereira no comando do meu time e jogar contra... o Zico! Zico, que tanta dor de cabeça deu ao meu Fluminense é um daqueles caras que você não pode deixar de admirar, torça por qual time torcer.

para um músico expor as mãos a lesões, voltei ao gol. O Futsal exigia menos do meu ombro e mais das minhas mãos. E como bons peladeiros tínhamos um excelente bar alemão ali perto, com um chope irrepreensível. A Ponte Aérea seguiu seu caminho solo. Formamos uma nova banda e consequentemente um novo time: Sérgio Kaffa, Paulinho Calasans, Marco Bosco, Alaor Neves e – de volta à mesa de som - Ricardo “Franja” Carvalheira, entravam em campo com muita garra e boa vontade, mas continuamos sendo um time sujeito a derrotas Brasil afora. Fazer o quê? Consolar-se nos botecos do país experimentando novas marcas de cerveja. O tempo foi passando e o futebol foi ficando mais arriscado e menos necessário. Mesmo assim, eu

Tostão, convidado por sua namorada, minha amiga e endocrinologista. Tostão, que como sabem todos os que lêem sua coluna na Folha de SP é o cara que mais entende de futebol no Brasil, foi super receptivo. Tiramos fotos juntos e no autógrafo do livro ele escreveu “para meu ídolo” o que deixou minha bola artístico-futebolística cheia para todo o sempre. Quem é visto como ídolo por seus ídolos, principalmente aqueles que são gênios naquilo que você mal sabe fazer, tem direito a uma pequena dose de vaidade, né não? E para festejar isso, ergo minha calderetta em saudação a Zico, Tostão, Piazza, Nelinho, Natal... a todos aqueles, enfim, que fizeram do futebol uma arte própria de poucos e admirada por muitos.

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Edição 290 - Janeiro 2019 - Revista Backstage  

Streaming: o mercado da música evolui e se adapta. Glória Braga e José Pires contam como o ECAD desenvolveu um sistema para identificar o di...

Edição 290 - Janeiro 2019 - Revista Backstage  

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