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Sumário Ano. 24 - agosto / 2017 - Nº 273

Tecnologia aliada à praticidade

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O novo sistema EVO 55, da Idea Pro Audio, que passou a ser disponibilizado no Brasil, é um cluster de line-arrays ativos de quatro elementos para reforço sonoro de instalação profissional. Com duas vias duplas de 5”, o equipamento é composto por um EVO55-M ativo que amplifica três elementos passivos EVO55-P. .

NESTA EDIÇÃO

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A Imagine um encontro de dois violoncelos, uma harpa, percussão, pandeiro… O trabalho de microfonação, gravação, mixagem e masterização do mais recente CD do Duo Santoro consolida o estúdio A Casa, no Rio de Janeiro, com um dos locais especializados em produção no estilo erudito. A produção musical foi dirigida por Sergio Roberto de Oliveira, falecido em julho de 2017.

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Vitrine

44 Música para os ouvidos

A Harman do Brasil acaba de lançar a JBL Control X, uma caixa de som moderna, resistente e preparada para uso em ambientes internos e externos.

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O ponto central da discussão é: não adianta ter o melhor computador do mundo para gravar um projeto ruim. Não adianta ter o melhor microfone do mundo para gravar uma voz feia. São itens que, infelizmente (ou felizmente) não podem ser comprados em uma loja.

Rápidas e Rasteiras A Sony Music Entertainment Brasil oficializou uma parceria com o selo de música eletrônica HUB Records. A parceria terá seu primeiro lançamento já em agosto.

64 Vida de Artista “Oi, Sá! Então você não se lembra de ter-nos apresentado? Eu, mudo estava, mudo fiquei, diante de tamanho susto. Sim, eu a conhecera havia uns vinte anos atrás. Gabi, Gabriela...”

22 Gustavo Victorino Confira as notícias mais quentes dos bastidores do mercado.

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Expediente

Compacto com funções de grande porte

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Espaço para dois master faders – somente visto antes em grandes modelos de consoles DiGiCo – duplo DMI Slots, em uma console compacta e fácil de operar. O novo modelo SD12 é muito mais o que os usuários esperavam de uma console de porte compacto. É a primeira na linha SD com interfaces de gravação interna, o que torna o Virtual Soundchecking bastante direto. .

TECNOLOGIA

Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br

40 Produção Musical

36 Ableton A tecnologia “Warp” é a habilidade do Ableton Live de esticar ou encolher um arquivo de áudio de forma que você possa usar várias fontes sonoras e tocar isso sincronizadamente em tempo real. Vejamos como executar “Warp” em vários arquivos ao mesmo tempo.

Se por um lado, produzir sua própria música em casa é muito confortável e um sonho para muita gente, o acúmulo de função pode atrapalhar bastante o seu fluxo criativo. Uma bela maneira de fazer a sua produção fluir é tentar se organizar. Veja quais recursos podem ajudar a organizar uma próprodução sem que isso cause muito estresse.

CADERNO ILUMINAÇÃO 56 Vitrine iluminação A PR Lighting acaba de lançar no mercado o novo Blinder 360, um excepcional e poderoso LED estrobo, blinder e flood. Disponível nas versões branco frio (6500K – 8330D) ou branco quente (3000K – 8330T).

Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenadora de conteúdo Danielli Marinho redacao@backstage.com.br Revisão Danielli Marinho Colunistas: Cezar Galhart, Cristiano Moura, Gustavo Victorino, Jorge Pescara, Lika Meinberg, Luiz Carlos Sá, Ricardo Mendes e Vera Medina Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Projeto Gráfico / Capa Leandro J. Nazário / Leonardo C. Costa Foto: Divulgação

58 Iluminação cênica Nesta conversa, centrada na apresentação do guitarrista americano Steve Vai, na turnê realizada em celebração aos vinte e cinco anos do álbum Passion and Warfare, técnica e emoção se integram e misturam-se, sem conflitos. Os momentos que antecederam o show abordado nesta conversa foram de ansiedade e apreensão.

Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 - Taquara - Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax:(21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.


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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

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O tamanho do mercado

se mede pela

quantidade de concorrentes

A

ciência diz que o tamanho da onda depende da força do vento e o ditado popular fala que, quanto maior a onda, maior é o “caldo”, aquele repuxe, ou retração, que a água do mar faz depois da quebra na arrebentação, que pode te derrubar e ainda arrastar para dentro do mar. O que é preciso para sair do “caldo”? Se movimentar, nadar no sentido favorável e paralelo à correnteza para não ser arrastado para dentro do mar. Agora vamos imaginar que o tamanho da onda seja seu mercado, o “caldo” seja o tamanho da sua concorrência e o vento o humor da economia e da política de um país. Cada vez que o mar fica grande (mercado), mais você terá que se movimentar para se manter de pé, e junto dos seus concorrentes. Olhando por esse ângulo, o melhor seria então ter um mar sem ondas, tranquilo e sem risco de caldo? Lembremos que, um mercado sem ondas (concorrentes), não favorece à inovação, nem à evolução, se tornando um mercado cada vez menor até desaparecer (como desaparecem as ondas). Fazendo aqui um paralelo, podemos concluir que o fim da concorrência não melhora o mercado, necessariamente. Muito pelo contrário, isso só significa que ele também diminuiu e se tornou mais vulnerável. O dinamismo do mercado, que atua e anda conforme a evolução da tecnologia, jamais será favorável à estagnação. Portanto, é um erro pensar que o fim da concorrência tornará sua empresa mais bem posicionada, ou mais próspera. Já foi amplamente discutido que a política da concorrência incentiva uma busca constante pela profissionalização de cada agente da cadeia produtiva com uma maior qualidade dos produtos, maior leque de escolha para os consumidores e torna as empresas melhores competidores no mercado internacional. Ter concorrentes também significa que seu mercado está fortificado e em expansão e que oferece, em troca, os mesmos benefícios e uma política de consumo mais transparente a todos os consumidores. Quem tem mais de 40 anos, sabe "da qualidade e custos dos produtos" com reserva ou monopólio de mercado. Ou seja, empresas sem concorrência. Um bom concorrente pode te ajudar muito mais do que qualquer outra coisa e geralmente o grande adversário está em outro lugar, unindo-se aos seus concorrentes para expandir o mercado em cima do nosso. Um videogame comprado é uma guitarra não vendida; de qualquer marca. Pense e boa leitura. Nelson Cardoso

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JBL CONTROL X www.harman.com.br A Harman do Brasil acaba de lançar mais um produto que incorpora o que há de melhor em conceito de tecnologia sonora. A JBL Control X é uma caixa de som moderna, resistente e preparada para uso em ambientes internos e externos. O lançamento foi projetado para gerar som de maneira precisa e com alto desempenho. O modelo sucessor da série Control mantém o foco no design do produto e na qualidade do som em um aparelho resistente ao tempo. A tecnologia do guia de onda High Definition Imaging (HDI) proporciona melhor qualidade de som e equilíbrio natural. Ideal para residências ou empresas, a caixa de som Control X inclui suportes para ser fixado na parede, oferecendo a possibilidade de ser inclinado e girado de acordo com o posicionamento do ouvinte, o que proporciona praticidade e qualidade. A JBL Control X está disponível em acabamento branco ou preto.

GO:MIXER www.roland.com.br O lançamento da Roland é um mixer de áudio compacto para smartphones pensado para a nova geração de produtores de conteúdo online (Youtubers), incluindo músicos que filmam performances para seus canais nas redes sociais. Como, em muitos casos, a qualidade de vídeo dos smartphones atuais garante excelentes imagens em HD, e o áudio deixa a desejar, com o GO:MIXER é possível conectar microfones ou instrumentos (além de players de mídia) para garantir uma qualidade sonora profissional. Compatível com os sistemas iOS e Android, o GO:MIXER conecta digitalmente via cabo incluso, gerando áudio em estéreo com qualidade superior ao encontrado pelos microfones integrados de smartphone ou sinal analógico em linha. Com diversas entradas disponíveis, os usuários podem conectar um microfone, instrumentos musicais e players de mídia, combinando todos eles juntos enquanto grava.

AMPHE-DANTE www.amphenolaudio.com/products/dante/adapter/ amphe-dante/ O produto permite a ligação simples de equipamento analógico a uma rede Dante. Pode receber canais de áudio a partir de uma rede Dante e fornecer com qualidade de estúdio. Pode conectar o áudio das caixas através de cabo de rede a um switch PoE ou injetor PoE compatível com IEEE 802.3af. Esse dispositivo requer uma fonte de energia de 48V, fornecida por um PoE. O software está disponível a partir da Audinate e pode ser acessado através do link: www.amphenolaudio.com/ products/dante/adapter/amphe-dante/ . A distribuição no Brasil é através da Penn Elcom (11) 5678-2000 / vendas@penn-elcom.com.br .


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Foto: Ricardo Boni / Divulgação

chega à 6a edição

A Home Studio, escola de produção musical, está com novas turmas para início em agosto. No curso sobre Produção Musical, os alunos poderão aprender como produzir com o PC ou Mac e a montar um estúdio pessoal ou comercial, além de aprender a produzir durante aulas práticas de gravação, mixagem, masterização, MIDI e instrumentos virtuais. As aulas estão previstas para iniciar em 21/08 e o curso terá duração de três meses.

NOVIDADE DA STUDIOLIVE

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Planeta Rock

PRODUÇÃO MUSICAL

Nos dias 11 e 12 de agosto, a cidade de São José do Rio Preto (SP) se transforma na capital do rock. A sexta edição do Planeta Rock, o maior festival de rock da região, contará com a presença das principais bandas do rock e pop-rock da atualidade. Este ano, o line-up tem presença confirmada das bandas: Os Paralamas do Sucesso, Urbana Legion, O Rappa, Humberto Gessinger, Dado VillaLobos, CPM22 e Skank. A sexta edição do Planeta Rock tem um novo mascote oficial, o Astro Rock, e conta com uma mega estrutura com dois palcos (o palco Planeta Rock e o palco Astro Rock), som, luz e LED, além de uma estrutura completa de seguranças, bombeiros civis e moni-

toramento eletrônico. Com uma estrutura de camarote, pista prime (frontal ao palco) e pista comum, o festival tem tudo para que os shows aconteçam com muita versatilidade, devido aos dois palcos com shows simultâneos. O festival também realiza o seu já tradicional concurso de bandas que, nos últimos seis anos, conquistou o universo do rock and roll com bandas de diversos estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Brasília, Ceará. O Planeta Rock – 6ª edição é realizado pela Fama Produções e Consultoria e acontecerá no Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto.

SHURE FAZ MUDANÇAS NA SUA DISTRIBUIÇÃO A Shure faz mudanças na sua distribuição e, a partir de agora, a Musical Express, que já atuava no varejo, passa a atender também os setores de Pro Áudio e Som Instalado. Com a alteração, a Teleponto passa a dar foco na distribuição dos produtos direcionados ao mercado de Broadcasting em território nacional. A estratégia tem o objetivo de facilitar o contato com revendedores e consumidores finais. Mais informações em www.shurebrasil.com

A PreSonus® anunciou a versão 16.0.2 USB do StudioLive. Portátil e compacto, o novo modelo de 16 canais foi desenhado para atuar tanto em estúdio de gravação quanto em som ao vivo. É ideal para bandas pequenas, estúdios pessoais, clubes mais intimistas, igrejas pequenas, locais de ensaio e outras aplicações onde é preciso um sistema de gravação ou de mixagem compacto e de qualidade sem ter que desembolsar tanto dinheiro.

MILTON NASCIMENTO EM CARTOON

Milton Nascimento Ícone da MPB fará pa rte da animação Trem das Estações do Mundo Bita, que será lançado em setembro. O desenho animado é a mais nova febre do público infantil. Na animação, Milton será retratado como Bituca – seu apelido para os amigos mais íntimos – onde, ao lado de Bita, comanda uma locomotiva e faz uma viagem pelas quatro estações do ano. Além do personagem em sua homenagem, como não poderia deixar de acontecer, o lendário cantor coloca sua voz na canção ao lado de Chaps Melo, cantor, compositor e um dos criadores do Mundo Bita.


DGTL:

público será transformado em sinal de áudio

BIAMP SYSTEM TEM DOIS NOVOS COLABORADORES A Biamp System anunciou a contratação de Sam MG na posição de gerente de área para a China e Mike Cast na área de engenheiro de vendas para sistemas de comunicação de emergência, América do Norte.

ORION STUDIO HD HDX & USB 3.0 INTERFACE

A terceira edição do festival de música eletrônica que acontece no verão europeu deste ano, o DGTL Barcelona, fiel à sua estética industrial, terá como tema de inspiração o desenho de um sintetizador modular, e vai dar ao público uma experiência única: a de viajar pelas “entranhas” do equipamento como se fosse um sinal de áudio. A viagem começa já na entrada do DGTL, chamada de Input. Uma vez cruzada a linha de entrada, o visitante se torna um sinal, que se moverá pelas diversas áreas de carga ou frequência, cujo

destino final no mapa é o amplificador, onde o público é convertido em um sinal sonoro, ilusão que será possível “escapar” na área muda. O DGTL Barcelona ocupará novos espaços no Parc Del Fórum nos dias 11 e 12 de agosto e os quatro palcos também recebem nomes inspirados na temática do evento: Modular, Generator, Frequency e AMP. No lineup, o público contará com as apresentações de Jeff Mills, Solomun, Recondite [live], Tale Of Us, Adriatique, Jackmaster, DVS1, Paco Osunay, entre outros.

A Orion lançou recentemente na 142 International Convention, em Berlim, o modelo Orion Studio HD, que oferece full Pro Tools /HD e Native DAW (Digital Audio Workstation) compatível via HDX e conexão USB 3.0, oferecendo zero de latência de streaming e processamento de 24bit/192kHz áudio.

JUSTIN CHANCELLOR E SUA NOVA WARWICK CUSTOM SHOP O baixista da lendária banda TOOL, Justin Chancellor já exibe sua nova Warwick Custom Shop Masterbuilt Streamer Stage II Bass com corpo Bubing Pommelé, acabamento em Natural Oil e customizada em Nordstrand MM Style pickups. Para a construção do Hidden Neck, foram combinadas tiras de Wnge e Afzelia, e a ponte dos dedos feitas em Tigerstripe Ebony.

Encontro de distribuidores da AL A Powersoft realizou um encontro regional de distribuidores Latino-americanos nos dias 12 e 13 de junho. O evento reuniu distribuidores do Brasil, Caribe, Venezuela e Colombia nas instalações da Universal Music, em Miami, na Florida. A reunião permitiu que os presentes, além de compartilhar experiências, pudessem adquirir informação sobre técnicas de negócios, vendas, educação, marketing, novos produtos e dados internos sobre a estrutura da empresa na Itália, como, por exemplo, a inauguração de uma nova linha de montagem para os modelos das Serie X e Quatrrocanali.

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Aruba Jazz

Entre os dias 15 e 16 de setembro, acontece mais uma edição do Caribbean Sea Jazz Festival. A ilha receba a mistura de ritmos da Black music, blues, soul music, funk e R&B com os ritmos tradicionais caribenhos, como salsa e merengue. Esta será a 11ª edição do evento, colocando Aruba na rota dos principais eventos internacionais de jazz. Entre os artistas da programação, destaque para a banda Zuco 103, formada pela brasileira Lilian Vieira, o holandês Stefan Kruger e o alemão Stefan Schmid (o grupo tem influência de Electro-pop, samba e bossa nova), além do grupo norte-americano Cory Henry and the Funk Apostles, o cantor panamenho de salsa Ruben Blades, o cantor e saxofonista norte-americano de soul Maceo Parker, a banda de música popular cubana NG La Banda e a cantora caribenha Shirma Rouse. O festival é uma experiência imersiva que ainda oferece uma variedade de comidas, bebidas e arte características do Caribe.

Sony faz parceria com selo de música eletrônica A Sony Music Entertainment Brasil oficializou uma parceria com o selo de música eletrônica HUB Records. Inicialmente criado pelo DJ e produtor Felippe Senne para novos nomes que se formavam no curso online Make Music Now, a HUB cresceu e leva para o cast da multinacional nomes como Cat Dealers, Evokings, Felguk e JØRD. Com o novo acordo, os DJs se tornam parte do cast principal da gravadora, que já foi responsável por lançamentos de grandes nomes da música eletrônica brasileira, como Felguk, Vintage Culture e FTampa. A parceria com a HUB Records terá seu primeiro lançamento já em agosto, com um novo single do duo carioca Cat Dealers, um dos nomes mais promissores do cenário atual.

AES MARCA PRESENÇA NA NAB E NA NAMM Com o objetivo de levar conhecimento na área do áudio a um maior número possível de pessoas, por meio de novas iniciativas e alianças estratégicas, a Audio Engineering Society (AES) firmou parceria com a National Association of Broadcasters’ NAB New York Show e com a NAMM, ambas nos EUA. Em outubro, a Associação terá um espaço adjacente na AES NY 2017, que acontece entre os dias 18 e 20 de outubro no Jacob Javits Convention Center em Manhattan. Já em janeiro de 2018 será inaugurado o AES@NAMM Pro Sound Symposium: Live and Studio, na winter NAMM. A AES@NAMM será voltado para profisisonais do audio bem como para entusiastas e aspirantes com um leque variado de disciplinas. A ênfase da AES@NAMM será em cima da tecnologia e suas aplicações no estúdio e som ao vivo. Eventos educativos e treinamentos serão abordados durante workshops, tutoriais e sessões de demonstrações, muitos incluindo certificação de participação.

PENN ELCOM EXPANDE INSTALAÇÕES A empresa multinacional de cases rígidos de viagem continua investindo em suas instalações para assegurar que o processo de produção continue eficiente, state of art e indo ao encontro da crescente demanda seguida do lançamento do portal de vendas há um ano e meio. Uma gama de novos equipamentos de engenharia foram instalados no QG Tyne & Wear, em Washington, nos últimos 18 meses, incluindo prensas de metal, máquinas de mondagem em plástico injetável, e maquinário para aumentar processos como o de laminação, PVC/HPL.


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NA TRILHA

O rapper Projota lança nesta quinta-feira, dia 13, o clipe de “Linda”, em parceria com o du Anavitória. O vídeo dirigido por Maurício Eça estará disponível no canal oficial do artista na VEVO/ YouTube (https://www.youtube.com/ ProjVEVO), a partir das 11h. “Linda” é o quarto single do álbum “A Milenar Arte de Meter o Louco”.

Robe na turnê de Phil Collins

BANDA THE SCRIPT RETORNA COM NOVO SINGLE Depois de muita expectativa nos últimos dias, chegou nessa sexta-feira, 14, o anúncio do retorno da banda The Script, com o lançamento do novo single “Rain”. Primeiro material inédito do grupo em três anos, a música é a primeira amostra do quinto álbum dos músicos. The Script é uma das bandas de maior sucesso do mundo e já vendeu mais de 29 milhões de discos. O trio irlandês já lançou três álbuns multi-platina que alcançaram o primeiro lugar de vendas no Reino Unido. Nos Estados Unidos, o grupo também fez sucesso com singles com certificado de platina quádrupla.

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PROJOTA LANÇA NOVO CLIPE

BACKSTAGE

CATÁLOGO DO ORIGINAIS DO SAMBA É RELANÇADO NO DIGITAL Depois da sanfona de Luiz Gonzaga, a malandragem de Bezerra da Silva, o rap-rock do Planet Hemp, a Sony Music traz para as plataformas digitais 12 álbuns do Originais do Samba. Formado no Rio de Janeiro na década de 60 por alguns dos melhores ritmistas de escolas de samba da cidade, o grupo tem toda a sua discografia lançada originalmente pela RCA entre 1969 e 1983 disponibilizada pela primeira vez nos serviços de streaming e download – que se junta aos já relançados Os Originais do Samba, de 1969, e O Samba E A Corda, Os Originais A Caçamba, de 1972. Na seleção que chega ao digital estão sucessos do grupo como Tá Chegando Fevereiro, O Lado Direito da Rua Direita e E Lá Se Vão Meus Anéis, incluindo interpretações de obras de nomes como Jorge Ben, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Ataulfo Alves e Paulo César Pinheiro.

Cantor, compositor, instrumentista, hit-maker e um dos artistas que mais vendeu discos, Phil Collins esteve na miniturnê em junho intitulada Not Dead Yet, em alusão a sua autobiográfica lançada em outubro de 2016. O LD Patrick Woodroffe foi o responsável pelo animado e estiloso lightshow, que foi dirigido e operado na estrada por Roland Greil. No rig foram usados 48 moving lights Robe BMFL Spot, um sistema de controle remoto RoboSpot e dois PATT2013s, tudo fornecido pela locadora Neg Earth.

Robe tem novo distribuidor na Austrália

A ROBE lighting s.r.o. tem a honra de apresentar que a Jands passa a ser o novo distribuidor para as marcas ROBE e Anolis lightings na Austrália e Nova Zelândia. A companhia australiana foi fundada em 1970 e produz e distribui alguns dos mais reconhecidos produtos de iluminação, audio e para palco para a indústria de entretenimento e exposições.


Shure tem escritório no Brasil

A MÚSICA DE ‘OS 10 MANDAMENTOS’ Foto: Reprodução Facebook Daniel Figueiredo

A Shure inaugurou seu mais recente escritório na cidade de São Paulo. O novo local da empresa reforça seu compromisso de longo prazo com a região. O escritório de São Paulo foi planejado pensando no cliente, num espaço de 822 m², onde os convidados encontram o Centro de Experiências, que incorpora quatro áreas distintas. A sala de Varejo destaca um amplo portfólio de produtos como microfones, fones de ouvido e microfones sem fio, além do suporte promocional para a loja, disponível a todos os revendedores autorizados. Equipadas com tecnologia de última geração, as salas de Reunião e de Conferência possuem os sistemas audiovisuais Microflex® Advance™ e Microflex® Wireless. Já o Centro de Treinamento, construído com tratamento acústico de última geração, é um espaço intimista e versátil que se converte facilmente em palco, estúdio ou sala de capacitação.

No dia 18 de julho aconteceu o lançamento da trilha sonora do documentário Os Dez Mandamentos, no Rio de Janeiro, poduzido por Daniel Figueiredo, um dos maiores produtores musicais do país, o documentário foi criado a partir do grande sucesso da novela e do filme. O evento foi realizado no hotel Sheraton Barra e contou com a participação de artistas, jornalistas, produtores e de Figueiredo, que após exibição do documentário, falou para o público um pouco mais sobre o processo de produção da trilha sonora.

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do como profissional sério e competente. Com formação acadêmica acima da média, Edgard é um golaço da Izzo no seu projeto de ampliação e conquista de mercado. Ponto para a família Storino.

CRISE? Os ingressos nada baratos para o Rock In Rio estão praticamente esgotados. Embora desconfiado com esse discurso, fico me perguntando se a crise atinge realmente todo o tecido social.

JAZZ FUSION

A mudança de perfil do mercado ainda não foi bem assimilada pelo segmento e isso se reflete na forma como algumas marcas desconhecidas ganham força no ponto de venda, e, na contramão, produtos de marcas famosas perdem visibilidade no mercado brasileiro e viram objeto de consumo apenas de aficionados. Nunca o lojista precisou de tanto suporte e o consumidor foi tão assediado. Esperar sentado o telefone tocar para vender marcas famosas virou sentença de morte comercial. Nem todos entenderam isso.

ESTRELAS A moda de música sertaneja e a sofrência em vozes femininas pegou mesmo. Os shows são vendidos a peso de ouro em tempos de mercado restrito e falta de grana pública para financiar espetáculos, e isso é uma raridade. Pois as meninas conseguiram essa proeza. Músicas gritadas e de apelo fácil com refrãos pseudofeministas compõe o caldeirão do empoderamento delas no mercado musical popular brasileiro. Agora só falta aprenderem a cantar...

DANÇA As cadeiras continuam se movimentando no mercado executivo de áudio e instrumentos. Até o final do ano, pelo menos duas grandes empresas devem ter mudanças significativas no seu comando.

CRAQUE A Izzo caba de incorporar mais um craque ao seu time de marketing. Edgard Ribeiro, ex-Equipo é um dos nomes mais queridos do mercado e reconheci-

O baterista Alfredo Dias Gomes acaba de lançar mais um belo trabalho. Depois do maravilhoso Pulse, o novo disco traz a consagração de Gomes como um dos mais importantes nomes do jazz fusion brasileiro de todos os tempos. Tribute to Don Alias é instigante e desafiador, e traz o músico na plenitude da sua refinada técnica. A busca pelo algo mais na interpretação parece ser a mola propulsora desse artista que a cada novo trabalho se renova sem perder a sua essência. A bateria brasileira agradece... E nossos ouvidos também.

PREPARO PSICOLÓGICO Nos últimos anos, pelo menos meia dúzia de músicos famosos morreu em circunstâncias estranhas e a maioria delas atribuídas a suicídio. Sem distinção de idade, mas invariavelmente ligados ao pop ou ao rock, esses artistas de vida nem sempre louca tiveram em comum o surpreendente desencanto com a fama e o dinheiro. Enquanto alguns definem isso de forma rasteira e simplista como um mero despreparo psicológico para o sucesso, a Universidade de Cambridge decidiu investigar esse anacronismo histórico e informalmente preparou uma cartilha para lidar com a fama e os seus devastadores reflexos no dia a dia. Em suma, a conclusão é que o talento e a habilidade midiática por si só não são suficientes para suportar a carga emocional e a pressão do sucesso. O trabalho é


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR interessante como tese acadêmica e deve virar livro em breve.

CENSURA Não me perguntem sobre o que acho do funk que nasceu nas favelas cariocas e se disseminou pelo país. O “gênero” é de uma ruindade constrangedora e precisa muito boa vontade para ser chamado de música. Nenhuma novidade, pois à exceção de aficionados, essa opinião é unânime. Mas daí a criminalizar quem o faz é outra conversa. Mesmo que não se aceite o funk como cultura popular, a liberdade artística se sobrepõe por princípios e dispositivos constitucionais. Letras exageradas com apologia a crimes devem ser punidas pelas leis existentes e seus responsáveis devidamente enquadrados. Mas daí a criminalizar ou proibir vai uma longa distância. Aqui vale a frase que mesmo atribuída a Voltaire, nunca foi dita por ele ... “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer”.

FUTURO A guitarra construída em madeira sólida vai acabar. Instrumento assim só será adquirido por preço exorbitante ou construído por luthiers artesanais. As novas ligas de poliéster condensadas com fibras de madeira se mostram como a matéria prima do futuro na construção de instrumentos de corda eletrificados. Os testes trazem uma surpreendente evolução na capacidade de ressonância e no peso específico do produto produzido com essa liga que não é nova, mas é aprimorada numa velocidade vertiginosa. A densidade da madeira natural já foi igualada e o custo final se mostra infinitamente mais barato. Em breve, quase todas as

guitarras comerciais serão com base nesse produto. E, visualmente, a perfeição é tanta que confunde até na hora da manutenção. Cobrem-me isso em 10 anos.

MUNDO NOVO A internet já atropelou as rádios na divulgação musical. Os velhos divulgadores que visitavam as emissoras pelo Brasil começam a ser substituídos por jovens atrás de uma tela de computador inserindo e divulgando o trabalho de artistas nas mídias sociais. Empresas especializadas nesse segmento e dirigidas por jovens ainda espinhentos proliferam mundo a fora. No Brasil, alguns grupos de internautas ganharam uma importância inimaginável há 10 anos. Artistas populares já descobriram isso e gastam fortunas pagando esse trabalho de divulgação que só tende a crescer.

DIGITECH TRIO Se você achou, assim como eu, que o pedal para guitarristas da Digitech batizado como TRIO era um achado, prepare-se para se surpreender. A Harman (leia-se Digitech) acaba de lançar o TRIO Plus, com os mesmos recursos do TRIO adicionando a capacidade de memorizar em um banco de dados as músicas individualmente. Com um micro SD acoplado você pode simplesmente levar o seu show no bolso, e o looper ainda adiciona sua própria guitarra pré-gravada. O brinquedinho é delirante.

SEPULTURA O notório desentendimento no passado dos irmãos Cavalera com os integrantes do Sepultura rachou a banda brasileira de maior sucesso mundial. E o Sepultura nunca mais foi o mesmo. Não por falta de talento, porque os substi-

tutos dos irmãos metaleiros são tão bons musicalmente quanto os membros fundadores. Mas algo se rompeu e mais de três décadas depois a magia dos criadores de Dead Metal ficou dissipada no tempo. Perderam todos, principalmente nós, os fãs...

TERROR Um rápido balanço dos festivais de música durante o verão europeu nos faz concluir que o terrorismo naquele continente atingiu em muito os eventos sazonais ligados à temporada de férias na Europa. Mesmo países do Leste que nunca tiveram grande envolvimento com ações de terror religioso acusaram uma significativa redução no número de festivais para grandes públicos. Por lá, o medo parece estar vencendo a arte.

LEI ROUANET Vêm mudanças por aí e elas serão bem significativas. A lei que hoje só beneficia grandes artistas e em nada ajuda as novidades vai passar por uma revisão rigorosa e pode sofrer mudanças significativas no seu perfil. Mas não se iludam, a inevitável ingerência política vai continuar lá.

MICHAEL JACKSON A briga pelos direitos de filmar a vida do superstar está ganhando proporções economicamente astronômicas. A família de Michael Jackson estuda pelos menos três propostas milionárias para um filme contando detalhes da vida do artista desde os tempos do Jackson Five. O roteiro seria uma compilação de algumas biografias de Michael com um elenco reunindo a nata dos atores negros americanos e a participação de alguns irmãos do artista. O custo de projeto milionário tem nove dígitos antes da vírgula.

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DANIELLI MARINHO | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

IS THIS THE LIFE WE REALLY WANT Roger Waters

CHORA, VIOLÃO! Nicolas de Souza Barros

Roger Waters, a força criativa por trás do Pink Floyd, lançou o novo álbum de inéditas Is This The Life We Really Want?, chegando ao segundo lugar do top geral do iTunes Brasil. Produzido e mixado por Nigel Godrich, que já trabalhou com nomes como Radiohead, Paul McCartney e U2, o trabalho inclui 12 novas composições e performances de estúdio de Waters. Último álbum de estúdio do artista, Amused To Death foi um estudo da cultura popular, explorando o poder da televisão. A aguardada continuação, Is This The life We Really Want?, mostra ser uma crítica sobre o mundo moderno e tempos de incerteza, sendo também um sucessor natural para clássicos do Pink Floyd como Animals e The Wall. Divulgando o novo trabalho, Waters deu início à turnê North American US + Them Tour que começou na cidade de Kansas, nos Estados Unidos, em 26 de maio e se estende até 29 de outubro em Vancouver, Canadá.

O ideia do CD surgiu a partir de um arranjo para violão da obra de Francisco Mignone, Valsa de Esquina No.1, escrita originalmente para piano. A adaptação desta obra pra violão instigou Nicolas a elaborar um disco seguindo o mesmo propósito, lançando luz a esse instrumento a partir de arranjos próprios para obras escritas para piano. Entre os repertórios pesquisados não poderiam faltar outras valsas. No CD foram escolhidas as valsas Eponina e Cardosina, os tangos brasileiros Guerreiro e Cruzeiro, o tango-habanera Plangente e o tango argentino Nove de Julho, a meditação Mágoas e o tango de salão O Alvorecer. O CD fecha com a Valsa-Choro No. 3, única obra do disco escrita originalmente para violão (de 6 cordas). O violonista também selecionou quatro obras polcascateretês (Quebra-Quebra minha gente, A surpresa, A baiana e Mayá), além de Batuque, considerada uma das obras emblemáticas do século XIX.

SGT. PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND Beatles

Há 50 anos, quatro rapazes de Liverpool viraram a Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, na obra que os transformou definitivamente em lendas da música. Lançado em 1º de junho de 1967 Sgt. Peppers fez história na música e ainda faz a cabeça do público até hoje, conquistando novas gerações de fãs. Caso uma única imagem fosse escolhida para representar a música no século 20, o quarteto em uniformes militares carnavales-

cos na companhia de Edgar Allan Poe, Marilyn Monroe, Bob Dylan, Marlon Brando, Oscar Wilde, Gustav Jung e Lewis Carroll, provavelmente seria a favorita. A edição comemorativa dos 50 anos de Sgt Peppers, lançada dia 26 de maio, tem quatro CDs e um vinil duplo, um disco com 34 gravações inéditas e faixas originais remasterizadas por Giles Martin, filho de George Martin, produtor da obra original. As gravações incluem canções famosas da carreira dos Beatles, como Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que não faziam parte do álbum originalmente. O kit inclui um livreto de 144 páginas. https://umusicbrazil.lnk.to/SgtPeppers.


DANIELLI MARINHO | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

PAISAGENS CARIOCAS Duo Santoro Nenhum dos doze compositores escolhidos para compor esse trabalho foi escolhido por ter nascido ou vivido no Rio e sim por refletir aspectos da cidade, de seus habitantes ou, até, da própria família Santoro. É assim a abertura do CD, com a primeira de duas homenagens ao luthier Sandrino Santoro, italiano de nascimento, carioca por adoção, pai dos gêmeos Ricardo e Paulo Santoro, membros da Orquestra Sinfônica Brasileira. O contrabaixista Adriano Giffoni, natural de Quixadá, no Ceará, escreveu Sandrino no Choro para o seu instrumento – o mesmo de Sandrino – e um piano. A peça foi gravada pela primeira vez em disco próprio. Outro caso de carioquice honorária é o de Oswaldo Carvalho, violinista e autor da suíte que dá título ao CD, Paisagens Cariocas. Ele é

natural de Goiânia e radicado no Rio. Ricardo e Paulo optaram por gravar três de seus quatro movimentos: Estação Candelária, Estação Arcos da Lapa e Estação Feira de São Cristóvão. O carioca Ronaldo Miranda contribui com outra peça dedicada ao Duo Santoro, Diálogos, de dois movimentos complementares, Preâmbulo e Desafio, um tenso, contrapontístico, o outro impetuoso, homofônico. O CD Paisagens Cariocas segue assim até o final: diluindo fronteiras entre o clássico e o popular, entre o universal e o local.

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LEITURA DINÂMICA| www.backstage.com.br 26

O novo sistema EVO 55, da Idea Pro Audio, que passou a ser disponibilizado no Brasil, é um cluster de line-arrays ativos de quatro elementos para reforço sonoro de instalação profissional. Com duas vias duplas de 5”, o equipamento é composto por um EVO55-M ativo que amplifica três elementos passivos EVO55-P. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

EVO 55 O

modelo line aray Evo 55-P tem a proposta de oferecer tecnologia aliada à praticidade. Este sistema de reforço sonoro incorporou na sua concepção elementos únicos que oferecem excelente modularidade e versatilidade. Os quatro elementos bastante compactos do array cluster (menor do que um típico falante de 15’’ de 2 vias) está

preparado para entregar um SPL e uma cobertura além do tamanho físico do sistema, enquanto pode ser içado e operado com recursos mínimos de logística. O sistema também pode ser montado em polo, empilhado e ainda ser movido facilmente pelo operador. Entre as características do EVO55-P está uma sessão de HF com driver de


compressão de 1,75’’ e um guia de ondas especialmente desenhado, além de um woofer duplo de 5’’ configurado para a secção LF. Essa qualidade premium, de alta performance de transdutores com um filtro de crossover passivo dedicado permite uma resposta natural e linear ao longo do alcance do espectro de frequência sem necessidade de qualquer tipo de processamento do sistema. Também estão inclusos os IDEA alto-falantes de alta eficiência, guia de onda High-Q de 4-slot, acessórios de transporte, armazenamento, equipamento e moldura voadora e um subwoofer correspondente para configurações empilhadas e line array com BASSO24t-F400, em versões ativas e passivas.

Essa qualidade premium, de alta performance de transdutores com um filtro de crossover passivo dedicado permite uma resposta natural e linear... Com alta modularidade, o sistema é projetado para locais de performance de pequeno e médio portes e clubes. Também serve como

No Brasil, o produto é distribuído pela Decomac Brasil. Confira mais detalhes sobre o produto na página oficial da Idea Pro Audio.

Características do produto • 2-Way Dual 5” Ported Compact Line-Array element • 1 element of active EVO55-M powers three EVO55-P passive elements • Premium European High Efficiency custom IDEA Transducers (by Beyma) • Proprietary IDEA High-Q 4-slot line-array diffraction waveguide • Dedicated transport /storage/rigging accessories and flying frame • Matching subwoofer for stacked and flown setups

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DUO SANTORO|REPORTAGEM| www.backstage.com.br 28

Imagine um encontro de dois violoncelos, uma harpa, percussão, pandeiro… O trabalho de microfonação, gravação, mixagem e masterização do mais recente CD do Duo Santoro consolida o estúdio A Casa, no Rio de Janeiro, com um dos locais especializados em produção no estilo erudito. A produção musical foi dirigida por Sergio Roberto de Oliveira, falecido em julho de 2017, e a produção técnica foi realizada pelo engenheiro de gravação, mixagem e masterização Matheus Dias.

CELLO,HARPA E PERCUSSÃO como você microfonaria esse encontro? redacao@backstage.com.br Fotos: Stefano Aguiar / Divulgação

N

a descrição da dupla Paulo e Ricardo, mais conhecida por Duo Santoro, o mais recente trabalho Paisagens Cariocas pode ser considerado um produto familiar. É ali que, na mistura do clássico com o popular, além de terem atuado com músicos convidados, encontram-se obras que remetem às suas próprias vidas. “Tivemos uma bela coincidência quando fechamos o CD, e

percebemos que ele se tornou um CD familiar pelo seguinte, a obra que abre o CD chama-se Sandrino no Choro, do Adriano Giffone, e a obra que fecha o CD é A Bênção Sandrino, do Leandro Braga, pianista. Sandrino é o nosso pai. E a música que fica no meio do CD, chama-se Pedro e Marcela, que são os nossos filhos. O Pedro é meu filho de quatro anos, e a Marcela é do Paulo, com 3 anos. O Dimitri Cervo foi quem escreveu essa belíssima cantiga de ninar. Então, além dessas músicas familiares, te-


sonorização Matheus Dias, da A Casa Estúdio, e ao produtor musical Sergio Roberto de Oliveira, que infelizmente faleceu no dia 19 de julho em virtude de um câncer. Matheus Dias, que recebeu

alizando, não necessariamente neste estilo musical, mas de certa forma, no Rio de Janeiro, viramos especialistas neste tipo de som (clássico). Então, a busca, a construção da sonoridade do disco, não

mos obras que foram escritas especialmente para o Duo Santoro, para o CD, como Diálogos, de Ronaldo Miranda, e Ricardo Tacuchian, que escreveu Mosaicos II, e o Osvaldo Carvalho escreveu Paisagens Cariocas, que é o título do CD”, afirma Paulo. O CD, que faz parte de uma trilogia - o primeiro intitulado Bem Brasileiro (2013), somente de músicas brasileiras clássicas – é uma mescla de clássico com erudito e antecede o terceiro da trilogia, que deverá se chamar Bem Italiano, um contraponto ao primeiro, com músicas populares italianas, e também uma homenagem à ascendência italiana da dupla. Outra característica desse trabalho foi o de reproduzir em digital o mais próximo possível do que se ouve durante a apresentação ao vivo da dupla. Para conseguir esse objetivo, a dupla confiou a gravação, mixagem e masterização ao engenheiro de

O CD, que faz parte de uma trilogia o primeiro intitulado Bem Brasileiro (2013), somente de músicas brasileiras clássicas – é uma mescla de clássico com erudito a Backstage para uma entrevista no A Casa, detalhou como foi o processo de captação e gravação do trabalho, em um dos locais que já se tornaram referência em gravação do estilo clássico. “Já vimos alguns anos nos especi-

vem só da gravação, vem de muito antes. Ouvimos muitos discos gravados em sala de concerto, temos o hábito de ir às salas de concerto e ouvir como é e como soam as coisas nesse mundo para tentar reproduzir no estúdio. Aqui não é

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Já tínhamos a ideia de um som cabeça, e o fato de o Sergio ter sido produtor e ter atuado por muito tempo na área de música clássica, permitia que ele soubessse o som que ele queria, quando íamos gravar um disco. (Matheus Dias)

um estúdio que tenha sido feito especificamente para isso, mas dispomos, por exemplo, de rebatedores com lados diferentes e é possível criar distintos ambientes. Colocando o lado que é de madeira, a sala fica mais viva. A grande reclamação deles é quando chegam ao estúdio e o som fica morto, às vezes, quando estudam na sala de casa fica melhor do que eles quando vão para alguns desse estúdios”, comenta Matheus. O engenheiro explica que, com os recursos usados na A Casa, os músicos já se sentem mais confortáveis na hora da gravação, um deles é a dispensa de fones de ouvido para a gravação. “Eles se ouvem ali acusticamente. Nossa comunicação é uma caixinha ali no chão para eles se ouvirem, mas eles ficam se ouvindo no acústico mesmo”, fala Matheus. Outro recurso usado é quanto à forma de microfonação dos instrumentos; depois de diversos testes. “Essa microfonação que foi feita ali na verdade são várias, pois não costuma-se gra-

var o microfone só com close próximo ao instrumento, porque justamente isso, quando você vai a uma sala de concerto ouvir, você acaba ouvindo um som um pouco mais distante, não é tão barulhento, então na hora de gravar, tentamos expor as microfonações e não temos esse som muito direto”, explica, observando que o objetivo é reproduzir o mais próximo possível do que se ouve em um sala de concerto. “Já tínhamos a ideia de um som cabeça, e o fato de o Sergio ter sido produtor e ter atuado por muito tempo na área de música clássica, permitia que ele soubessse o som que ele queria, quando íamos gravar um disco. Não é o microfone ali na frente e pronto acabou, e um pouco de reverb. Não é isso. Já tínhamos um som na cabeça. E para escolher essa microfonação, pesquisamos, já havíamos gravado orquestras aqui - dois discos a Orquestra Sinfônica Nacional -, então adaptamos uma microfonação clássica de orquestra para essa sala”, ressalta.


A essa altura, Matheus chama a atenção para a microfonação utilizada na sala. “Você pode olhar e ver

que essa é uma microfonação feita para uma sala grande. Fazemos da seguinte maneira, testamos e ouvi-

mos, se ficar ruim não usamos. Por não querer esse som direto dos instrumentos, trabalhamos bastante com ambiências, os microfones ambientes acabam nos dando o som do disco muito mais do que aquele microfone que está próximo do instrumento”, fala. Segundo ele, o que está próximo do instrumento acaba sendo para um reforço, na escrita. “Às vezes, os dois estão ali com frases bem movimentadas, bem ativas, mas o violoncelo 2 tem uma frasezinha que, por acaso, ficou mais baixa ou viceversa, ai você tem como chegar um pouquinho aquela frase, para dar sentido ao arranjo ou escrita. No entanto, de um modo geral, os microfones que ficam funcionando diretamente, o som do disco, são conseguidos com esses microfones da ambiência”, completa. Outro fator que ajudou no A Casa

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Tento distribuir ali bem para o meio da sala e mais um par de Royer R21l, então acaba vindo o som dessa microfonação de ambiência e reverb que a gente usa. Existe também o pluging Autiverb 7, então ficamos através do reverb tentando obter o som de algumas salas que sejam agradáveis ao nosso ouvido

foi o investimento em microfones. “Temos uns microfones especiais, os pré amplificadores do estúdio que a gente adquiriu nos últimos tempos têm dado esse resultado, melhorou bastante a qualidade do estúdio e as pessoas ouvem, tanto que estamos saindo daqui, as orquestras querem gravar com a gente, então vamos montar uma unidade móvel para poder gravar num local onde se cabe uma orquestra inteira e usando nosso knowhow.

SEGREDOS DO ESTÚDIO Mas, depois de tantos testes, erros e acertos, como se deu toda essa configuração? Matheus explica que o estúdio possui um Decca Tree, que consiste em um arranjo de 3 microfones em omni em determinada distância, além de um AKG C12 que também está em omni.

“Tento distribuir ali bem para o meio da sala e mais um par de Royer R21l, então acaba vindo o som dessa microfonação de ambiência e reverb que a gente usa. Existe também o pluging Autiverb 7, então ficamos através do reverb tentando obter o som de algumas salas que sejam agradáveis ao nosso ouvido”, comenta. “Utilizando esse reverb, ao longo dos anos, chegamos a um consenso de que ele não soa como um reverb, mas ele tem uma ambiência que gostamos muito e achamos que se aproxima bem desse som que a gente quer de sala de concerto”, completa. Ou seja, não é o som do estúdio, seco, a conjunção de microfones e reverbs à disposição na sala permite que a equipe produção e técnica chegue a um som que havia sido idealizado nas suas cabeças. “Na hora da gravação, sempre tentamos ne-


CRIANDO UM BRIEFING O fato de não se ter um preset, significa que todo trabalho é um desafio e uma inovação, começando do zero, tendo na cabeça apenas as referências clássicas de sonoridade e acústica de salas de concerto. Matheus explica então, que esse reconhecimento “de campo e de instrumentos” é como se fosse a elaboração de um briefing (coleta de dados para desenvolver um trabalho). “Primeiro vamos ouvir o som do instrumento. Tiveram faixas que foram os cellos e a harpista Cristina Braga. Então, tínhamos que ver como estava soando. Em todas as participações afastamos (os mics) um pouco mais. Nas participações, colocávamos um no meio e afastava os demais um pouquinho mais, mas sempre pedia para eles tocarem”, fala. “Não é porque que gravei harpa uma vez, que vou fazer sempre do mesmo jeito. Não tem uma fórmula. Vejo como vão funcionar os dois cellos e a harpa para ver a sonoridade. Aí, na técnica tentamos reproduzir. É um cuidado que o Sergio sempre tinha: sempre pedir para eles tocarem de forma que possamos passar, equalizar, e fazer o que tem que fazer tecnicamente, e achar um som que nos agrade. Gravamos um trecho, e temos o cuidado de pedir para os músicos ouvirem, já com reverb, da forma mais ou menos como vai ser gravado.

ESSE SOM ME REPRESENTA Matheus explica que o objetivo é

saber se o som captado na gravação “representa” os músicos. “Porque se isso os representa, vão ficar feli-

lho deve ser feito”, comenta. “Tive sorte de ter o Sergio, fizemos discos juntos e ele sabia dialogar comigo,

gociar o espaço e a disposição dos músicos na sala, de um jeito que favoreça nossa microfonação, e também os deixem à vontade, e se ouçam na sala. Aí o segundo passo é pedir para eles tocarem. Ficamos ali dentro, ouvindo, e outro detalhe: uma coisa que buscamos é não ter um preset”, avalia.

Apesar da larga experiência, a gravação de instrumentos tão distintos em uma sala de estúdio sempre acaba sendo um desafio

zes ouvindo, e de um modo geral a mixagem acaba sendo nesse momento. Na hora de fato do processo da mixagem, é só dar um ajuste no reverb, talvez uma frase para subir um pouquinho mais. Por isso que pedimos para ter um cuidado na hora da gravação, porque são muitos microfones, não é como em outros estilos, que você tem um recurso de gravar só aquele trechinho ali, depois separado, ou afinar, não tem isso, porque está tudo junto, com vários microfones, então é o take certo”, observa. Para encontrar esse take certo, a figura do produtor que está ali com o ouvido de fora, é indispensável. “Porque cada um fica preocupado com a sua execução, e a gente daqui. A mixagem é tipo: você soou um pouquinho mais alto e teoricamente dá pra fazer automação? Não, então vai fazer outro take agora, então toma cuidado ali naquela parte para segurar um pouquinho, e o processo é diferente”, fala Matheus. “Muita gente hoje não tem figura do produtor, e é até mais fácil gravar em casa. Antigamente, entrar em um estúdio era uma fortuna, e tinha que ter um produtor, hoje em dia não, o músico o dinheiro chega aqui e diz eu quero gravar. No entanto, não sabe dizer como o traba-

e sabia dialogar com os músicos, procurava sempre extrair o melhor deles. Isso conta muito, porque na hora da gravação eles precisam ‘jogar’ com a gente, com os microfones, e eles não estão na sala de concerto, o toque, a pegada tem que ser diferente”, avalia.

EQUILÍBRIO Apesar da larga experiência, a gravação de instrumentos tão distintos em uma sala de estúdio sempre acaba sendo um desafio. “Gravamos muito samba aqui, já gravei muito pandeiro, mas é diferente fazer ele funcionar naquele ambiente, então é claro que você já tenta usar tal técnica que já costuma usar, mas não funciona tanto, então você tem que se adaptar para fazer ele funcionar ali, não dá para ir muito no preset, então é complicado, às vezes o cello com os reverbs soam de um jeito, mas quando entra um pandeiro, o reverb acaba virando uma bola de neve. Então temos que pensar todo de um jeito para todo mundo funcionar bem e ficar equilibrado”, diz Matheus. Segundo ele, a harpa por exemplo, não foi tão simples, por conta de o espaço não ser tão grade e ainda ter preocupação com a questão de vazamento e de alcançar um equilí-

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 34

A disposição dos microfones favorece, porque abrange bastante a sala, mas fica mais no equilíbrio entre eles para poder já tirar o som do disco

brio entre eles. “Tivemos um certo trabalho com os três instrumentos para já na hora da gravação ter essa mixagem, então afasta um pouco aqui e ali, vai e ouve etc. A disposição dos microfones favorece, porque abrange bastante a sala, mas fica mais no equilíbrio entre eles para poder já tirar o som do disco nesse momento. A harpa, por exemplo, tinha também uma opção de ser amplificada. Testamos, mas para essa estética não funcionou, ficou melhor só a parte acústica”, completa o engenheiro.

PRODUÇÃO E SETUP O trabalho mais minucioso antes e bem no início de cada gravação acaba evitando que a masterização seja feita em outro estúdio. “A gente acaba fazendo todo o trabalho aqui, gravação, mixagem e masterização, e não precisa mandar para outro estúdio pra fazer a masterização, mas para esse tipo de som, faço questão de fazer a master, porque não é o mesmo padrão que você faz de compressão para um disco pop. Tem que ter todo um cuidado, respeitando muito a dinâmica”, afirma. Para isso, Matheus explica que, antes de começar a gravar, sempre pede para os músicos tocarem a parte mais forte da sessão a fim de ajustar os pres. “Dali sei que não vai ter problema. Na hora de fazer nossa master, tem muita gente que fica preocupado com a dinâmica, como vai ser, só que hoje em dia se ouve no fone, na rua, no carro, em casa, então não pode fazer aquela master sem compressão. Acho que o segredo é fazer uma com-

pressão respeitando a dinâmica. Na hora de fazer a masterização, por exemplo, fazemos com a partitura do lado para ver se a música 1 está com o fortíssimo igual ao da música 8”, coloca. O objetivo é fazer uma compressão que funcione no mundo moderno, levandose em conta ruídos externos e as diversas formas de você ouvir música. “Então tem que ter esse cuidado também na masterização, de não só colocar o compressor e fazer um negócio meio automático que não funciona. Tem toda uma técnica diferente que a gente vem ao longo dos anos aprimorando sempre, evoluindo”. Para a gravação, Matheus explica que foi montado um setup bem interessante, com amplificadores NEVE originais, que eram do estúdio AR, e que foram adquiridos recentemente. “Usamos 4 canais de NEVE, não passei por compressor, passei só pré-amplificação e equalização, tudo sempre equalizado. Equalizo e nessa hora de passar o som, equalizo muito para chegar no som que eu quero, evitando ter uma gravação flat para só decidir o tipo e som que quero na mix. Já tenho mais ou menos na cabeça o que quero, então sempre equalizo muito, se necessário, é claro. Usamos os pres da SSL também, que eram os canais de mesa lá do AR, um equipamento que só de passar nele o som já vem lindo, e o Royal”, enumera. No computador mesmo não foi usado muita coisa, basicamente equalizador para fazer um corte, uma simulação de fita da Slate (Digital). “Na hora de gravar, usamos o par de Neumann 87 casa-


do de fábrica, o C12 e o AR 01, e o par de Royal, então essa busca toda do som vem desde aquele processo da gravação e na hora do digital não tem muito o que fazer, só ter o cuidado para não estragar”, completa.

INOVAÇÃO Dois violoncelos e uma harpa, e dois violoncelos e gaita. A formação com esses instrumentos também um toque de inovação ao Paisagens Cariocas. De acordo com Ricardo Santoro, esta formação é bastante rara. “Acho mui-

to difícil haver uma outra formação desta no mundo e ainda mais com irmão gêmeo (risos). Tivemos a honra e o prazer de convidar o José Staneck, um dos gaitistas mais renomados do Brasil para participar conosco deste CD. E convidamos a Cristina Braga, que seguramente é a harpista mais conhecida do Brasil, e por fim dois violoncelos e percussão”, explica, acrescentando que, paralelamente o Duo Santoro e José Staneck se apresentam regularmente em temporadas de concertos.

Uma nota que se cala (In Memorian)

Produtor musical do Paisagens Cariocas, Sergio Roberto de Oliveira saiu do cenário musical no dia 19 de julho de 2017. Um dos nomes mais atuantes da música contemporânea brasileira, tendo sido indicado ao Grammy Latino duas vezes e responsável pelos principais lançamentos eruditos da atualidade, Sergio lutava contra um câncer no pâncreas desde fevereiro de 2016. O compositor e produtor carioca era também diretor da A CASA Discos, gravadora especializada em música erudita contemporânea, fundada em 1998, ten-

do lançado mais de 30 CDs. Desde sua primeira indicação ao Grammy Latino, em 2011, Sergio Roberto de Oliveira se dedicou intensamente na difusão de sua obra e da música de concerto carioca. Produziu e lançou inúmeros títulos neste segmento, como os CDs do Quinteto Lorenzo Fernandez, Trio Capitu, os dois do Duo Santoro, Cristiano Alves, Ayran Nicodemo, Ricardo Tacuchian, The Biedermeiers, Duo Bretas-Kevorkian, GNU, Orquestra Sinfônica Nacional, escrevendo obras para a maioria destes. Publicada nos EUA, Inglaterra e Alemanha, sua música já foi executada em 8 países, e foi convidado com frequência para palestras sobre sua obra no Brasil e no exterior. No campo da música para cinema, lançou em 2014 o curta Ao Mar, e compôs a trilha para os filmes Alla Prima e A Dívida, sendo indicado com o último no Festival Internacional de Cinema de Madri na categoria “Melhor Música para filme” e no International Filmmaker Festival of World Cinema de Milão na categoria “Melhor Trilha Sonora”. Seu grupo de compositores, Prelúdio 21, é um dos mais ativos do mundo e tem tido destaque no cenário da música contemporânea brasileira, atuando há 17 temporadas ininterruptas. Oliveira era ainda membro do grupo de compositores Vox Novus, baseado em Nova York, e da Academia Latina de Artes e Ciência da Gravação.

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TECNOLOGIA|ABLETON LIVE| www.backstage.com.br 36

ABLETON LIVE “MULTI-WARPPING” Lika Meinberg é produtor, orquestrador, arranjador, compositor, sound designer, pianista/tecladista. Estudou

A tecnologia “Warp” é a habilidade do Ableton Live de esticar ou encolher um arquivo de áudio de forma que você possa usar várias fontes sonoras e tocar isso sincronizadamente em tempo real.

direção de Orquestra, música para cinema e sound design na Berklee College of Music, em Boston.

B

em, se você segue as minhas matérias isso pode soar como um dejà vu. De fato, eu já falei sobre essa habilidade do Ableton Live de poder ajustar (musicalmente) o andamento do arquivo de áudio (o que muitos programas hoje em dia já executam). Na verdade, o Live faz isso automaticamente ao importarmos qualquer arquivo de áudio ou Midi (dependendo da sua configuração nos “Preferencies”). Nosso foco hoje é a habilidade desse fabuloso programa executar “Warp” em vários arquivos ao mesmo tempo.

Configuração Warp

Imagine que você gravou uma Multi Session ao vivo (canais independentes) e alguém teve um deslize de andamento, algum prato ficou mal colocado ou em algum setor da música aconteceu “uma desandada na maionese” e você deseja fazer uns ajustes. Bacana, hein? Pois é, com essa técnica Multi-Warpping vamos mostrar como fazer. Abra o Ableton Live no Session View – Tecla Tab, caso precise alternar. Para esse projeto eu usarei nove arquivos de uma session gravada em estúdio e que já estavam no meu HD. Espero que tenha alguns arquivos para você poder acompanhar os processos, senão, produza algo, grave alguns tracks e use-os. Ok, ao trabalho! Para começar esse projeto, temos que fazer alguns ajustes na configuração do Live. Na sua configuração de fábrica, o Ableton Live aplica o Warp em todos os arquivos que você importa, analisando e ajustando previamente todos, assim que são importados. Não queremos isso! Nosso propósito é fazer os ajustes manualmente. Então, previamente, vamos fazer alguns ajustes: Aperte Ctrl + , (sim, vírgula) no PC, ou Comm + , no Mac use tecla Tab para sair. Siga na imagem a seguir. Com o Preferencies aberto, no sexto


Import Tracks

Clean up

campo, de cima para baixo, indicado pela marca vermelha, vamos fazer algumas alterações. Nesse retângulo verde, mude para Unwarped One Shot (estava em Auto). Nessa seta vermelha: Off (isso é para Auto Warp Samples Longos estamos desabilitando). Nessa segunda seta: Off (isso cria automaticamente um Fade in/out no seguimento do Sample. Não queremos também). No Browser agora (Ctrl + Alt + B no PC, ou Opt + Comm +B no Mac), vamos importar nossos arqui-

vos, arraste-os onde quer que estejam no seu computador. Selecione todos os arquivos que deseja importar com a tecla Shift apertada. Com todos os aquivos selecionados, aperte a tecla Ctrl (Comm no Mac) e arraste tudo para o Track Display, na janela Session View. Agora vamos dar uma organizada na casa! Limpeza! Nessa seta verde ondulada eu selecionei track por track e mudei o nome do track usando o atalho Ctrl + R no PC (Comm + R no Mac) e mudei de campo (track) com a seta Cima/Baixo do teclado do computador.

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ABLETON LIVE| www.backstage.com.br 38

Impossible to warpping

Usei a régua de Seleção/Loop, e selecionei todo os arquivos juntos(seta amarela). Então ouvi atentamente alguns tracks e decidi que o HH-Ximbau era o Take que estava mais bem gravado no “Beat” e seria usado como guia de tempo nos ajustes. Passei ele para o primeiro track da janela, essa marca

*9 Audio Clips With Different Lengths Are Selected in 9 Tracks (nove áudio clips selecionados com tamanhos diferentes em nove canais).

Consolidated

Bem, na verdade, existem algumas limitações nesse processo de Multi – warpping. Os arquivos devem ter todos o mesmo comprimento, se não o

Consolidate

vermelha (arrastando mesmo). Esse é um princípio muito importante nessa técnica. Sempre alguém ou algum track estará mais acurado com o tempo (BPM) do que outros. Aqui não temos nada quantizado, It´s Human feel, então, saber escutar é muito importante na escolha do arquivo que será nossa referência! Muito bem, ao selecionar todo mundo, o Ableton Live me mostrou uma mensagem no Sample View: (Ctrl + Alt + L no PC ou Opt + Comm + L no Mac, caso não visualize).

Régua de loop

Warp será aplicado somente no primeiro da lista. Então vamos proporcionar isso usando o Consolidate (Ctrl + J no PC ou Comm + J no Mac). Selecione todos os arquivos com Shift. Se precisar ajustar o tamanho da seleção use a Régua de Loop.


Não precisa exagerar. Se o tempo estiver razoavelmente offsetado, basta uma âncora em cada compasso (ou menos até, cada 4,8,16,..) e uma ou outra Ancora para ajustar aquele beat fujão!

10 - all way

Tudo se desloca

Isso criará novos aquivos no seu HD; então, certifique-se de que você tem espaço suficiente! Devidamente consolidado... Nossos arquivos já são reconhecidos pelo Ableton Live como passíveis de se aplicar a nossa técnica: Multi-Warpping (botão Warp habilitado). Essa seta vermelha realça com essa padronagem colorida no Clip View, indicando que todos os aquivos são um Grupo (Group Tracks). A seta verde mostra o Sample Editor pronto para receber as Warp Marks (âncoras de tempo). Agora vamos começar nossa ancoragem (marcas de tempo). Sempre

é bom se certificar que todo mundo está selecionado: clique na Régua de Loop (seta em rosa). Não vá se confudir com o Loop Switch (X vermelho) no Clip View, não usamos isso para essa técnica! Coloque o cursor do mouse na âncora (Warp Mark) e, com o botão esquerdo apertado, arraste. Repare que tudo (todo áudio) se movimenta; estão todos amarrados e cada âncora que você adiciona afeta um setor do Grupo. Use Ctrl + I para adicionar suas âncoras (Warp Marks) no Sample Editor e depois vá fazendo os ajustes necessários, deslocando as âncoras para acertar o tempo.

Passo a passo para os casos mais complicados, paciência é o segredo. Após esse trabalho, você terá sua Session realinhada, pronta para mixagem ou remix.

11 - peça realinhada

É isso amigos, espero que tenham tirado bom proveito. Boa sorte a todos!

Para saber online

Warp marks

Facebook - Lika Meinberg www.myspace.com/lmeinberg

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TECNOLOGIA|PRO TOOLS| www.backstage.com.br 40

PREPARANDO SUA SESSÃO

PARA PRÉ-PRODUÇÃO ÁUDIO NO PRO TOOLS Cristiano Moura é produtor, engenheiro de som e ministra cur-

A produção musical em homestudios mudou muito nossa maneira de pensar e produzir em estúdio. Um dos principais fatores é que a figura do produtor musical e do técnico de som se fundiram. Aliás, a fusão do músico + produtor + técnico também é bem comum. Ou seja, uma mesma pessoa pode estar fazendo a função de três.

sos na ProClass-RJ

SUGESTÕES PARA UM TEMPLATE EFICAZ

C

ertamente, se por um lado, produzir sua própria música em casa é muito confortável e um sonho para muita gente, o acúmulo de função pode atrapalhar bastante o seu fluxo criativo. Para tentar separar ao máximo cada um dos processos, uma bela maneira é tentar se organizar mentalmente para produzir e ser criativo ao mesmo tempo. Uma das principais é criar uma sessão pré-configurada para suas produções, para que, quando vier uma ideia ou inspiração, você possa abrir o Pro Tools e começar a gravar com menor número de clicks possíveis.

IDEIAS VÊM ACOMPANHADAS DE INSTRUMENTOS Suas ideias musicais geralmente nascem de um instrumento. Ou você senta no piano, pega o violão ou algum outro instrumento para compor. E mesmo que você esteja apenas “cantarolando” uma ideia musical mentalmente no ônibus, provavelmente ela está sendo imaginada na “voz” de algum instrumento. Então é bom pensar um pouco nisso. 1) Quais são os instrumentos que você costuma usar para compor?

2) Quando você começa sua produção, quais outros instrumentos você costuma gravar em seguida, logo após a sua ideia inicial? Estes são os tracks e instrumentos que devem já estar preparados. Por exemplo, no meu caso (sou guitarrista), a minha ideia inicial vem na guitarra, mas gosto de produzir uma levada básica na bateria logo de cara, em vez de usar o click. Uma vez que a ideia está registrada com guitarra + bateria, normalmente já fico na ansiedade de pelo menos colocar um baixo + teclado temporário, só para poder sentir como a ideia flui com os outros instrumentos. Então minha sessão inicial (template) já abre com: 3 tracks de guitarra, bateria, baixo e teclado. E por que 3 canais de guitarra? Porque eu não sei se a ideia que virá será de guitarra clean, ou uma base, ou mesmo uma linha melódica para um solo de abertura. Como momentos de criatividade são raros e especiais, eu não quero nem perder tempo em inserir um efeito e pesquisar o som. Então tenho um track clean, um segundo já com distorção (crunch) e um terceiro com uma distorção mais forte já preparada.


LEVADAS PRÉ-PROGRAMADAS EM PLAYLISTS Se você tem uma banda com um estilo já meio definido de música, por exemplo, pop rock, talvez você possa ir um passo além e ter um track de bateria com algumas das principais levadas que o seu estilo costuma comportar. Para isso, não utilizamos múltiplos tracks como alguns podem pensar. Vamos usar playlists. É uma maneira de ter várias versões de uma execução no mesmo track. Para isso, crie sua primeira levada normalmente. Para

Figura 1 - Tracks Iniciais

No canal do baixo, já tenho um compressor aplicado e uma equalização básica. Além disso, tenho 4 auxiliares já configurados: Reverb, Delay, Chorus e Phaser. Por último, tenho um Master Fader também já preparado. Ou seja, uma vez criada a sessão, basta apertar REC no track que eu quero, começar a gravar e partir para a execução (Figura 1). Figura 3 - Playlist Selector

CLICK Apesar de ser rápido abrir um Click Track, eu acho o som padrão do click do Pro Tools extremamente ruim. Então

criar um novo playlist, basta clicar na seta ao lado do nome da track (Figura 3) e escolher a opção New. Com isso, a pista fica livre novamente e você pode registrar uma nova levada e depois é só continuar repetindo o processo. Para ver as playlists existentes, basta clicar novamente na mesma seta ao lado do nome do track para abrir a seleção playlists.

MANDADAS DE FONES Figura 2 - Click com Marimba

também já tenho meu click track aberto, com o timbre alterado para Marimba 2, que é mais neutro (Figura 2).

Se seu estúdio é de múltiplas mandadas de fones, sabe que este setup também toma um certo tempo para montar e configurar, então também é algo que você já pode ter preparado para economizar tempo.

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TECNOLOGIA|PRO TOOLS| www.backstage.com.br 42

Figura 5 - Create From Template

Figura 4 - Expanded Sends

O quarto e último passo é criar um Master Fader da saída de fone. Ele vai servir como um controle geral de tudo que está sendo enviado para os fones. Ele é importantíssimo, pois é comum o sinal chegar muito forte e distorcer o sinal no fone.

Primeiramente, vale a pena já ter um I/ O configurado com nomes para não se confundir. Em vez de ter que lembrar que a saída 3–4 vai para o Fone 1, por exemplo, é melhor renomear logo de uma vez a saída 3–4 para “FONE 1”. Fazemos isso pelo menu Setup > I/O. Na janela de diálogo que se abre, escolha a aba “output” e altere os nomes de acordo com o desejado. Já no mixer do Pro Tools, não fique esperando o músico te pedir para fazer a mandada de fone. Já tenha todos os tracks preparados. Vamos fazer quatro passos para preparar da melhor forma possível. Primeiramente, com o Alt pressionado, você pode criar um Send em todos os canais de uma única vez, e mantê-los zerados até o músico de fato pedir para abrir o sinal. O segundo passo, é alterar a visualização para Expanded Send (Figura 4). Esta visualização dá mais feedback visual de como está a configuração da mixagem, níveis em cada canal e VU. O terceiro passo é alterar a configuração de todos os Sends para Pre-fader. Em Expanded Send, isso é muito fácil. Basta pressionar o botão “p” com o Alt pressionado. (Figura 4).

O quarto e último passo é criar um Master Fader da saída de fone. Ele vai servir como um controle geral de tudo que está sendo enviado para os fones. Ele é importantíssimo, pois é comum o sinal chegar muito forte e distorcer o sinal no fone. Sem este Master Fader, você teria que atenuar o nível de cada canal e provavelmente mexerá na proporção das tracks.

SALVANDO SEU TEMPLATE Com tudo preparando, só falta salvar mesmo a sua configuração para que ela seja útil em outras oportunidades. Para isso, basta clicar no menu File > Save as Template. Com isso, sempre que quiser fazer uma sessão com essa configuração basta ir em File> Create New, e escolher a opção “Create From Template” (Figura 5). E é isso aí. Agora você está preparado para deixar de lado a parte técnica e manter sua concentração totalmente voltada ao seu lado criativo. Abraços e até a próxima!

Para saber online

cmoura@proclass.com.br http://cristianomoura.com


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O QUE FAZ UMA

MÚSICA Trabalhando em estúdio há mais de 20 anos, a cada ano que passa fica mais claro para mim o que faz uma música soar bem.

?

SOAR BEM Ricardo Mendes é produtor, professor e autor de ‘Guitarra:

harmonia, técnica e improvisação’

C

rianças adoram brinquedos. E jovens “engenheiros” de som também. A diferença é que brinquedo para as crianças antigas eram boneca, soldado de chumbo, peteca, bola de futebol, para as crianças de hoje é tablet, smart-

phone e para os jovens “engenheiros” de som são os equipamentos com que se grava música. Posso atestar isso por mim próprio, pois eu já fui um deles. Assim como naves espaciais de brinquedo ou máquinas de fliperama (do meu tempo)


sistir as aulas e ainda estudar para incorporar o conteúdo... Hum... Bem menos “sexy” do que entrar numa loja, sair com uma geringonça cheia de luzes e botões que vai fazer miraculosamente a sua produção soar como uma produção profissional de alto nível... Eu reparo que os fóruns de discussão sobre equipamentos são inúmeros, mas o mesmo não se observa

ou os atuais videogames PS4, equipamentos de estúdio também podem ter as suas adoráveis luzes coloridas. E se adiciona ainda o fator de grife! Às vezes topamos pagar 3 ou 4 vezes mais num determinado equipamento somente por ser de uma marca do “boutique”. Qual seria a similaridade entre os brinquedos infantis e os equipamentos de áudio? Na minha vã filosofia,

O grande “problema” do conhecimento é que ele não pode ser comprado em um único ato como uma peça de equipamento. Você pode comprar um livro, mas terá que lê-lo. cheguei à conclusão de que o elo em comum entre eles é a mística, a fantasia. Bem, perceber o lado de mística e fantasia de um brinquedo para uma criança não é tão difícil assim, afinal, todos nós já fomos criança e sabemos que um brinquedo nos leva a um mundo de fantasia. O equipamento funciona de maneira semelhante com a psicologia do jovem engenheiro de som. Ele o afasta da realidade cruel de que ainda é inexperiente e que não tem conhecimento e nem domina as técnicas necessárias para produzir um bom disco. Convenhamos, é muito mais palatável acreditarmos que o resultado insatisfatório do nosso trabalho se deve ao fato de não possuirmos aquele caríssimo pré-amplificador do que a nossa falta de conhecimento. Mais ou menos isso: “Eu sou um gênio! Só não tenho ainda um equipamento à minha altura”. O grande “problema” do conhecimento é que ele não pode ser comprado em um único ato como uma peça de equipamento. Você pode comprar um livro, mas terá que lê-lo. Você pode pagar um curso, mas terá que as-

sobre composição, arranjo, interpretação e performance... Esse é o ponto central da discussão: não adianta ter o melhor computador do mundo para gravar um projeto ruim. Não adianta ter o melhor microfone do mundo para gravar uma voz feia. Não adianta contratar o melhor arranjador do planeta para fazer um arranjo para uma composição sem pé nem cabeça. E esses itens, infelizmente (ou felizmente) não podem ser comprados em uma loja. Se você é um produtor musical e um cliente com músicas ruins, sem melodias marcantes ou com letras confusas e que canta mal te procura para um trabalho, você terá que enfrentar uma realidade: NADA do que você fizer dará um resultado satisfatório no final. Talvez dê um resultado satisfatório só para o cliente, mas para você ou para o público eu tenho certeza que não. Existe um outro lado da moeda: se um cliente que tenha boas músicas e que cante bem, mas você não estiver preparado, não tiver conhecimento, e confiar apenas no préamplificador de U$ 2.000,00 que você

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acabou de comprar, desta vez pode ser que o resultado seja satisfatório até para você, mas para o cliente e para o público não. Ou seja, a peça mais importante de equipamento no seu estúdio é o seu conhecimento. Ele é necessário até para determinar o equipamento que você comprará. Quando falamos em construir um estúdio, logo pensamos em uma lista de equipamentos, e, sim, vários deles terão que ser adquiridos. E é muito comum na nossa lista assinalarmos algumas prioridades. Bem, aqui fica o meu humilde conselho: coloque como item número 1 na sua lista de equipamentos o conhecimento! Invista tempo e dinheiro em aprimoramento do seu conhecimento. Certa vez assisti em algum filme de guerra onde durante o treinamento o sargento falava ao soldado: “a arma mais mortal que um soldado tem é a sua inteligência. É ela que te mantém vivo e é ela que mata o adversário. O fuzil é apenas a extensão da sua inteligência”. Como essa metáfora se aplica ao mundo do áudio?

Simples, um soldado com um fuzil, mas sem estratégia de combate ou mesmo um fraco conhecimento de como manejar o seu armamento, com certeza será rapidamente abatido. O mesmo se aplica ao caso de termos um estúdio com milhares de dólares aplicados em equipamento e nenhum centavo aplicado em conhecimento. O primeiro passo para uma música soar bem é que a música soe bem antes de ser gravada. Ainda no tradicional “voz e violão”. O segundo passo é ter conhecimento para elaborar uma estratégia de como aquela música será gravada, para extrair e obter o melhor tanto da canção quanto do seu intérprete. O que faz uma música soar bem? O talento do compositor e do intérprete e o conhecimento do produtor. Antes destes dois itens não estarem resolvidos, falar sobre equipamento é discutir o sexo dos anjos. No próximo mês, vamos detalhar as etapas deste processo. Até lá!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


Grupo Renaer leva clientes para o Rio de Janeiro e realiza, pelo quarto ano consecutivo, o Áudio & Música Brasil. redacao@backstage.com.br Fotos: Grupo Renaer e Ernani Matos

As empresas Staner, Eros, Sonotec e Musimax apresentaram lançamentos de novos produtos e marcas durante o evento que reuniu cerca de 750 pessoas. O Grupo Renaer, constituídos pelas empresas Staner, Eros Alto Falantes, Sonotec Music & Sound e Musimax Internacional, que atuam no setor de som automotivo, áudio profissional e instrumentos musicais, realizou durante os dias 12 a 18 de julho o evento Áudio & Música Brasil que reuniu duas turmas de clientes e lojistas do grupo. O objetivo era fazer com que os participantes conhecessem as novidades que estarão disponíveis para o mercado, além de participar de rodada de negociação com condições comerciais exclusivas e hora marcada, permitindo uma melhor organização dos participantes para negociação nos pedidos. Entre os pontos positivos, vale destacar a organização, disponibilidade dos catálogos de produtos e a localização do hotel em frente à praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Este foi o quarto ano consecutivo que o grupo desenvolveu essa ação e, pela primeira vez, no Hotel Royalty Barra. Nos anos anteriores, o evento havia sido realizado em Canela (Rio Grande do Sul) e Foz do Iguaçu (Paraná). O evento recebeu clientes de todas as regiões do país, que tiveram a oportunidade de expor suas necessidades e particularidades de

O Áudio & Música Brasil é um evento particular realizado pelas empresas que compõe o grupo RENAER – EROS Alto-Falantes, STANER Audioamerica, SONOTEC Music & Sound e MUSIMAX Internacional – com o objetivo de proporcionar uma nova experiência e uma forma particular de apresentar as novidades do grupo aos parceiros. É uma oportunidade para conhecer as novas tecnologias e os principais lançamentos do universo de instrumentos musicais, áudio e sistemas de som. Uma ocasião ideal, importante para aproveitar o momento favorável em um ambiente refinado e descontraído, onde tudo está alinhado em um só ritmo e preparado especialmente para estreitar laços comerciais e fortalecer negócios.

cada região, além de participarem de sessões de masterclass sobre lançamentos com os consultores técnicos das empresas. Em um ambiente sofisticado e totalmente propício para a realização do business to business, os clientes do A&MB e as equipes de trabalho aproveitaram, nas noites de encerramento, um jantar além de participarem de sorteios. Ao final da quarta edição doA&MB, o grupo Renaer declarou que, mais uma vez, os objetivos foram atendidos de realizar, com excelência, um evento que atraiu os olhos do mercado nacional e, principalmente, beneficiou em mais um ano de crise, todos os clientes que fizeram parte do encontro.


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NOVO MODELO DA Espaço para dois master faders – somente visto antes em grandes modelos de consoles DiGiCo – duplo DMI Slots, em uma console compacta e fácil de operar. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

SÉRIE S O

novo modelo SD12 é muito mais o que os usuários esperavam de uma console de porte compacto, acessível e de múltiplas aplicações. A SD12 não é apenas uma console, é também beneficiada pela sua tela dupla de 15 polegadas touch screen, nunca visto antes em uma console com estas características, e é a primeira na linha SD com interfaces de gravação interna, o que torna o Virtual Soundchecking bastante direto. Além disso, a SD12 agora inclui uma saída DVI, que permite um panorama

da mesa. Novos medidores em LED permitem uma operação mais rápida e clara, e a SD12 Lightbar é idêntica à da SD5 e das mesas SD7. Quer mais? Há espaço para dois master faders – somente visto antes em grandes modelos de consoles DiGiCo – bem como duplo DMI Slots, perfeitos para expansão.

TECNOLOGIA HTL (HIDDEN TIL LIT) A DiGiCo trouxe sua interface digital multicanais DMI para o mundo do pró


•Compacto no tamanho •Tela dupla touch screen de 15” •24 canais em uma vista •Modo duplo de operação •Superfície avançada de conectividade com DMI cards opcional •Ultima geração do Super FPGA •Fluxo de trabalho e controle familiar em um frame compacto

CONECTIVIDADE •8 entradas mic/linha •8 saídas mic/linha •8 in/out AES/EBU mono •Dual MADI in/out •Dual DMI card slots •Loops Optocore dual opcional •UB MADI de 24 canais com interface USB •16 GPI/GPO, MIDI, Wordclock in/out •Panorama da saída do monitor, USB, Network DMI-MADI-B

audio via sua Orange Box, depois com a S-Series, e agora é a vez da série SD Range via a SD12. Nao é apenas um MADI dentro desta console, mas também como todo o I/O que pode ser esperado de uma DiGiCo, há também dois slots para DMIs.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

DMI-DANTE

São 64 entradas e 64 canais de saída a 48 kHz e 32 entradas e 32 canais de saída a 96kHz. A permissão é feita com as portas Ethernet Primária e secundarias (backup) para conexão para a rede Dante. DMI-HYDRA 2

Aqui o usuário tem 56 entradas e 56 canais de saída a 48 kHz com conexões óticas (backup) primária e secundária. DMI-WAVES

Esse cartão pode ser usado para conectar um stream Standard MADI (64 canais in e out) em 48kHz ou 96kHz ou um Rack DiGiCo SD Series com um conecto apropriado (D-Rack, D2-Rack, SD-Rack, SDMiNiRack)

São 64 entradas e 64 canais de saída a 48 Khz ou 96kHz para o

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DMI-AVIOM Este plug proporciona 16 canais de saída a 48kHz (com SRC) e suporta o protocolo A-Net Pro 16. Ele tem conexão CAT5E e faceplate DIP alternável para seleção de saída Stereo

network SoundGrid com 2 cone xões CAT5E. DMI-AVIOM

entradas (apenas digital trim). O nível máximo de saída é +22dBu. DMI-DAC

Este plug proporciona 16 canais de saída a 48kHz (com SRC) e suporta o protocolo A-Net Pro 16. Ele tem conexão CAT5E e faceplate DIP alternável para seleção de saída Stereo. DMI-MADI-C

Este cartão provê 16 saídas analógicas em 2 x 25 vias conectores D e é apenas um cartão de nível de linha. Nível máximo de saída é +22dBu (Digital Full Scale). DMI-AES

Este plug pode ser usado para conectar stream MADI Standard (64 canais de saída e entrada) a 48 kHz ou 96kHz ou ainda um DiGiCo SDSeries Rack com um conector apropriado (D-Rack, D2Rack, SD-Rack, SD-MiNiRack). DMI-ADC Este plug proporciona 16 entradas analógicas em 2 x 25 vias conectores D. O ADC é um cartão de linha apenas. Não há amplificador de microfone ou phantom power disponivel. Não há função de controle de ganho para essas

Este cartão proporciona 16 saídas (8pares) e 16 saídas (8 pares) em 2 x 25 vias conectores D. Todas as saídas AES são providas de sample rate conversion (SRC) por padrão. Todas as saídas AES são sincronizadas para o sistema de clock da mixer. Para saber mais: http://www.digico.biz/sd12/


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CADERNO ILUMINAÇÃO

BLINDER 360 LED STROB www.pr-lighting.com A PR Lighting acaba de lançar no mercado o novo Blinder 360, um excepcional e poderoso LED estrobo, blinder e flood. Disponível nas versões branco frio (6500K – 8330D) ou branco quente (3000K – 8330T) é potencializado por um LED banco de 360 x 1 watt. Essa característica proporciona uma saída intensa de efeitos de estrobos pulsados e aleatórios a uma taxa de 0-25 fps (plus seven macro effects). Isto alcança um nível de iluminação e um inacreditável punch sobre uma grande área. O efeito strobo é composto por um movimento impressionante da cabeça de 720°, 360° mais rotação contínua (no modo pan) e 270° (ou rotação final) em tilt para aumentar a dinâmica. O ângulo beam é de 120° e a função dimmer é de 0-100%, com ajuste linear, com oito áreas individuais controláveis para dimming em separado e uma grande seleção de efeitos (12 canais em modo standard e 20 canais em modo de extensão).

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F1615 (ROCK 1615) http://www.stagelightingchina.com/list/23/ Neste equipamento, cada LED é controlado individualmente para trazer mais opções de criação no design da iluminação. Com um movimento super rápido e ilimitado de pan/tilt permite a criação de mais efeitos dinâmicos. O baixo ruído do equipamento de 82 canais permite ao usuário uma experiência sem precedentes. O excelente efeito beam e de iluminação é perfeito para grandes eventos e clubes e bares de alto nível. A potência de 200W, fonte de LED de 16 peças a 15W RBGW 4 em 1 LEDs, ângulo beam de 3°, estrobo de 0-25Hz são outras características de destaque deste equipamento.

FUZE WASH 575™ www.elationlighting.com A Elation acaba de lançar o modelo de moving head Fuze Wash 575 LED PAR com controle de beam motorizado, desenvolvido para atender as necessidades de expositores em feiras, por exemplo, ou em qualquer outro lugar em que a estética seja crucial ou que seja imprescindível o uso de uma iluminação de alto nível e extremamente uniforme. O Fuze Wash 575 usa uma saída de 350W Cool White/Daylight COB LED com uma temperatura de cor de 6800K, ideal para acentuar detalhes de objetos. Com o alto CRI de 95, o aparelho tem a capacidade de refletir a real cor dos objetos. É ideal para ser usado em grande escala de exibição ou ainda em feiras e salões, e oferece uma gama de recursos pedidos pelos designers como um ângulo que vai de 11° a 40° bem suave e rápido e um controle de beam bastante preciso. Combinado com um posicionamento remoto oriundos do 16 bit pan e do movimento tilt, o equipamento é ideal para palco e ainda possui design flexível.


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CADERNO ILUMINAÇÃO

ILUMINAÇÃO Projetos de iluminação cênica requerem diversos aspectos e soluções técnicas, mas também elementos artísticos, vinculados à sensibilidade e emoção. Muitas vezes, busca-se o alinhamento para uma dessas vertentes; no entanto, há também determinados projetos e eventos nos quais os resultados demonstram resultados complexos, repletos de técnica e também de emoção.

CÊNICA PAIXÃO SEM CONFLITOS STEVE VAI EM CURITIBA

Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

N

esta conversa, centrada na apresentação do guitarrista americano Steve Vai, na turnê realizada em celebração aos vinte e cinco anos do álbum Passion and Warfare, técnica e emoção se integram e misturam-se, sem conflitos. Os momentos que antecederam o show abordado nesta conversa foram de ansiedade e apreensão. Mesmo com atraso de uma hora, naturalmente havia uma expectativa elevada para mais uma apresentação de um ícone do virtuosismo na guitarra elétrica, e que se mantém como referência e influência para muitos músicos: Steven Siro Vai, ou simplesmente, Steve Vai. Tendo iniciado sua trajetória musical aos onze anos de idade, foi a partir das aulas com o guitarrista Joe Satriani, dois

anos mais tarde, que Steve Vai começou a se desenvolver tecnicamente e musicalmente. Após entrar com dezoito anos na Berklee College of Music (em Boston, Massachusetts, EUA), principalmente pelos interesses nas áreas de composição e teoria musical - período esse marcado pela participação em diversas bandas - foi a partir do quarto período de estudos que a vida dele mudaria, significativamente. Após várias tentativas, conseguiu telefonar para Frank Zappa, apresentando-se como ‘único músico capaz de transcrever as canções e solos do próprio Zappa com precisão e acuracidade’. Além de provar e convencer – com a transcrição de The Black Page #1, conhecida como extraordinariamente difícil de ser executada -,


Apresentação do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary Tour”, 07/ 06/2017. Fonte: Cezar Galhart

cente da guitarra. Passion and Warfare (em tradução livre: Paixão e Conflito), título do álbum, foi lançado em setembro de 1990, sendo um dos primeiros a conseguir certificação ouro de vendas no Canadá e nos Estados Unidos. Vai lançou, como artista solo, oito álbuns após esse iconográfico disco: Sex & Religion (1993), Alien Love Secrets (1995), Fire Garden

Light (2012) e Modern Primitive (2016) – este último, associado ao lançamento de uma edição comemorativa de Passion and Warfare. Além desses registros em estúdio, Vai gravou outros sete álbuns ‘ao vivo’, com canções inéditas, orquestradas ou partes das turnês de 2001 a 2015. Complementar a tudo isso, diversos DVDs e canções na plataforma VaiTunes, para smartphones.

foi contratado para transcrever outras obras desse compositor. Após concluir o curso na Berklee, Vai mudou-se para Los Angeles (California, EUA) para uma audição, com o objetivo de integrar a banda de Zappa. Iniciava-se assim a visibilidade para o virtuosismo e precisão, que o conduziriam a participar de outras bandas, como Alcatraz (substituindo o guitarrista sueco Yngwie Malmsteen), David Lee Roth Band, Whitesnake, além de gravações com Alice Cooper, Ozzy Osbourne, Joe Jackson, PiL, entre dezenas de participações em canções, álbuns e trilhas sonoras. Como artista solo, Vai lançou seu primeiro álbum ainda em 1984, Flex-Able, notadamente influenciado por Zappa, mas repleto de referências e elementos que marcariam a personalidade e estilo de um músico arrojado e virtuoso. O segundo álbum somente seria lançado após seis anos, tornandose não somente o mais importante álbum desse artista, como um dos mais impactantes da história re-

O segundo álbum somente seria lançado após seis anos, tornando-se não somente o mais importante álbum desse artista, como um dos mais impactantes

(1997), Flex-Able Leftovers (relançamento de uma edição especial, lançada em 1984) (1998), The Ultra Zone (1999), Real Illusions: Reflections (2005), The Story of

Como parte da celebração dos vinte e cinco anos do lançamento desse álbum, uma turnê especial, intitulada Passion and Warfare 25th Anniversary Tour, iniciada no dia 1º de junho de

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Apresentação do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary Tour”, 07/06/2017. Fonte: Cezar Galhart

2016 em Glasgow, Escócia. Como diferencial, a execução na íntegra das quatorze canções do disco, na mesma sequência que aparecem no disco. No Brasil, foram seis apresentações em junho do ano corrente (Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e, finalmente, Curitiba). Na capital paranaense, em sua quarta passagem nessa cidade, Vai se apresentou no teatro Ópera de Arame, acompanhado por músicos extremamente competentes: Phil Bynoe (baixo), Dave Weiner (guitarra e teclados) e Jeremy Colson (bateria); banda esta que, segundo Vai, foi especialmente concebida para essa celebração. Com alternância visual entre vídeos e luzes, o show se iniciou com um trecho do filme Crossroads (1986) (no Brasil, traduzido como Encruzilhada), longa-metragem no qual Vai interpreta Jack Butler, personagem que protagoniza um duelo apoteótico na parte final do filme. Na primeira canção, Bad Horsie (do álbum Alien Love Secrets, de 1995), Vai surge com óculos Wayfarer (com LEDs), a inconfundível guitarra Ibanez JEM “Bo” (com LEDs na escala) e um traje com fita de

LEDs, contrapondo ideias e luzes, relacionadas ao tema do disco e à ambiência inicial. Em The Crying Machine (‘Fire Garden’, 1996) e Gravity Storm (‘The Story Of Light’, 2012), sem aqueles apetrechos luminosos, predominância de iluminação proveniente das imagens projetadas na tela, ao fundo do palco. Esse seria um dos principais recursos de projeção e iluminância geral para o espaço cênico. Ao executar Tender Surrender (também do álbum ‘Alien Love Secrets’, de 1995), seria esse o prenúncio do que viria a acontecer: técnica, acuracidade, velocidade, variações e alternâncias de humores, e também referências e interações passionais, entre sons, imagens e luzes. Carismático e divertido, Vai entreteve o público com uma breve apresentação da banda e do álbum Passion and Warfare, que seria executado na íntegra e na sequência das canções, lançadas no formato de LP (e também em CD), em 1990. Na abertura, Liberty, um trecho de vídeo ao fundo, com apresentação da canção em dueto com Brian May (guitarrista da banda inglesa Queen), e executada com maestria pela banda. Naturalmente,


sequência, Answers, protagonizada pela segunda parceria virtual, com o mestre e amigo Joe Satriani, para um divertido e notável duelo de guitarras, com solos sensacionais.

havia espaços para improvisos e dinâmicas, que tornam as apresentações dessa turnê ainda mais interessantes e impressionantes. Para a segunda canção (do álbum, sex-

Com evidente presença de elementos simétricos, em linhas e formas, moving lights projetavam fachos bem definidos e delgados, em cores quentes...

ta da apresentação), Erotic Nightmares, intensas e significativas intervenções da iluminação cênica. Com evidente presença de elementos simétricos, em linhas e formas, moving lights projetavam fachos bem definidos e delgados, em cores quentes (alaranjado e ama-

A preparação para The Riddle teria uma sequência frenética de luzes (com efeitos de ‘stage blinders’), para então culminarem na projeção de três conjuntos de cenas: pesadas, sutilmente estáticas e sincronizadas, marcadas pelas cores azuis, violetas e

Apresentação do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary Tour”, 07/06/2017. Fonte: Cezar Galhart

relo), alternadas pelas complementares opostas (violeta e azul), e em frenética intercalação de cenas e ritmos. Para a canção The Animal, cores primárias, em fachos mais abertos, projetando iluminação mais abrangente e compassada, permitindo mais improvisos e ambientação para um extenso e marcante solo de guitarra. Na

vermelhos (com variações de saturação, para cada matiz), em quase sete minutos de execução impecável e envolvente. Para a próxima canção, Ballerina 12/24, marcação no centro do palco e convergência de fachos luminosos, com gobos e texturas, em projeções suaves e delicadas, embora estáticas e brandas.

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Possivelmente, a canção que viria na sequência tenha sido a mais aguardada, por ser a mais conhecida e reconhecida. For The Love Of God é, sem dúvidas, uma das mais belas, impactantes e emocionantes canções instrumentais já gravadas, e a mais importante canção do mais significativo álbum da carreira de Steve Vai.

Possivelmente, a canção que viria na sequência tenha sido a mais aguardada, por ser a mais conhecida e reconhecida. For The Love Of God é, sem dúvidas, uma das mais belas, impactantes e emocionantes canções instrumentais já gravadas, e a mais importante canção do mais significativo álbum da carreira de Steve Vai. Pela sua magnitude, o viés artístico se inflamava, musicalmente e também nas escolhas da iluminação. Fachos (com gobos) com luzes brancas e azuis, transmitiam tranquilidade e pureza, enfatizando as características de serenidade e espiritualidade da canção. do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, Nesse contexto que a técnica e Apresentação no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary emoção se mesclam, em pro- Tour”, 07/06/2017. Fonte: Cezar Galhart porções e condições iguais, a sensibilidade. Se a música também perpreocupação para o preenchimento cênico mite dinâmicas e evoluções, a iluminae devida valorização dos elementos ção acompanha essas variáveis, sem principais também absorve as improviabandonar os recursos técnicos, calcusações e intervenções, com liberdade e

” Apresentação do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary Tour”, 07/06/2017. Fonte: Cezar Galhart


Apresentação do guitarrista americano Steve Vai, e banda, em Curitiba, no teatro Ópera de Arame - turnê “Passion and Warfare 25th Anniversary Tour”, 07/ 06/2017. Fonte: Cezar Galhart

Secrets, que encerram o emblemático álbum, e o setlist principal do show. Nesse conjunto, variações substanciais nas cenas, programadas para intercalarem in-

lados e dimensionados para os melhores resultados. Da mesma forma que ocorreu na canção anterior (e na próxima, I Would Love To), imagens do clipe de

Steve Vai demonstrou mais uma vez que um espetáculo musical instrumental se compõe de diversos elementos...

The Audience In Listening seriam projetadas ao fundo, com sincronismo e exatidão. Também, luzes em movimentos esparsos, mesmo que em sincronismo e homogeneidade. Para esta faixa, mais uma parceria, com o guitarrista John Petrucci (da banda americana Dream Theater). Para finalizar, Greasy Kid’s Stuff, Alien Water Kiss, Sisters e Love

tensidade, drama e mudanças nas paletas de cores – com nítido domínio do verde, com cores análogas – e elementos simétricos e organizados. No bis, uma comovente homenagem a Frank Zappa, com mais um dueto musical em Stevie’s Spanking. Como uma solicitação inusitada, Vai pediu para tocar mais uma can-

ção - Racing the World, também integrante do álbum ‘The Story Of Light’ (2012). Para encerrar definitivamente uma apresentação irrepreensível, uma última súplica: Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba, suíte integrante do álbum ‘Fire Garden’ (1996). Steve Vai demonstrou mais uma vez que um espetáculo musical instrumental se compõe de diversos elementos, nos quais a técnica – relacionada à música, à produção e à entrega do show ao público –, combina-se com outros, artísticos – relacionados também à interpretação, ao carisma, diversão e às emoções envolvidas. Afinal, as interações com os públicos proporcionam desdobramentos e repercussões, eternizadas nas memórias e nas sensações decorrentes dessa proximidade – sem frustrações, sem conflitos. Abraços e até a próxima conversa!

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PROCURANDO ALGUÉM E u na verdade não conhecia o cara, mas a intimidade demonstrada fez com que eu pensasse estar errado, traído pela memória... Devia ser um amigo quase íntimo, ter convivido comigo durante um bom tempo em épocas que se apagam de nossa memória, ou por terem passando muito rápido ou por simplesmente não conseguirem ter significado próprio no contexto

de nossas vidas. Abraçou-me com força, parabenizoume pela carreira, cantou trechinhos de minhas músicas, até que era afinado, devia ser músico também, pensei (embora nem todos os músicos cantem afinado, é verdade). Tentei perceber um traço conhecido em sua fisionomia, mas era um rosto comum, olhos meio derrubados nos cantos, contrastando com uma boca larga e sincera. Parecia sorrir feliz e olhar triste, há pessoas assim. De repente travou no meio de uma frase, afastou-se um pouco de mim e, do nada, riu com vontade: - Rapaz, me desculpa... -? - Jurei que você fosse o Sá... -??? - O Sá, da dupla Sá e Guarabyra! Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou falando, en-

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O SENHOR QUEM

Tentei perceber um traço conhecido em sua fisionomia, mas era um rosto comum, olhos meio derrubados nos cantos, contrastando com uma boca larga...


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ela é amiga da minha mulher! Resolvi parar com aquela comédia que estava indo longe demais: - Olha aqui, vou te falar: eu sou o Sá sim. Mas, desculpe, não lembro nem de você nem de tê-lo apresentado à sua mulher. Jamais fui casado com nenhuma Giovanna. Agradeço o uísque e aprecio sua admiração por nosso trabalho, mas de onde você tirou essa história? A sincera perplexidade dele diante do meu desabafo fez com que por um minuto eu duvidasse de mim mesmo. Ele afastou-se sem dizer palavra, mas antes que eu saísse dali, voltou com uma bonita morena dos seus quarenta bem conservados anos, alta, de traços finos e firmes, que foi logo falando com a quela mesma afirmação de intimidade que eu sentira no seu par: - Oi, Sá! Então você não se lembra de ter-nos apresentado? Eu, mudo estava, mudo fiquei, diante de tamanho susto. Sim, eu a conhecera havia uns vinte anos atrás. Gabi, Gabriela... - Claro, é muita gente passando pela sua vida. Este é o Arnaldo, seu fã até hoje, tem todos os discos de vocês! - Sim… - meio que gaguejei, lembrando de quem ela fora e sentindo-me chateado por tê-la esquecido assim tão completamente – agora eu lembro!

quanto se afastava de mim aos poucos: - Nossa, agora fiquei sem jeito mesmo... Mas faz tempo que só vejo o Sá pela TV ou em fotos de jornal, sabe como é. Achei aquilo tão inusitado que não me dei o direito de esclarecer a verdade. Ele recobrou coragem, acercouse de mim outra vez e foi me levando no rumo do restaurante do hotel: - Deixa eu te oferecer um café… Não pense que eu sou mais um daqueles chatos que saem por aí tietando artista atôa. E lá fui atrás dele, querendo descobrir como aquilo ia acabar. No balcão, ele desistiu do café: - Você toma uísque? Que tal deixarmos o café para depois do uísque? Claro que não esperou pela resposta e antes que eu pudesse opinar alguma coisa um caubói já estava à minha frente. - Gelo? Claro que não – sorriu – um black não leva gelo, não é mesmo? Tornou-se subitamente confidencial e sussurrante: - Não gosto de ficar falando da vida particular de ninguém. Você não é parente do Sá? - Ah… parente, não… - Bom. É que soube que ele se separou da mulher. Acredita que ele me apresentou à minha? Logo depois de um show em São Paulo. Eu estava ali, de disco na mão pra ser autografado. De repente, ele puxou uma garota linda pro meu lado e falou: “você precisa conhecer a Gabi”. Largou a gente lá conversando. Nós começamos a namorar naquela mesma noite, no show deles! Deus, eu não me lembrava disso. Mas o meu novo e já íntimo amigo – visto que estávamos indissoluvelmente unidos por aquele romântico e pelo menos até então duradouro evento – tinha um ânimo inesgotável: - Um cara que une as pessoas assim não devia se separar nunca! Não resisti: - Mas pelo que eu sei essa separação já faz muito tempo e ele casou de novo. Tem até um filho de cinco anos. Uma expressão de pena tomou conta daquele rosto desconhecido: - Pobre Giovanna! Deve estar sofrendo muito! - chegou-se mais, de novo sorrateiro, olhando para os lados, e sussurrou: - Ela até hoje é apaixonada por ele… sei disso porque

Achei aquilo tão inusitado que não me dei o direito de esclarecer a verdade. Ele recobrou coragem, acercou-se de mim outra vez e foi me levando no rumo do restaurante... Ela puxou Arnaldo para si num gesto de total carinho e sorriu para mim: - Você é o responsável por isso! O responsável por nós e por nossa família. Senti na hora um monte de coisas, umas legais, outras conflitantes, mas só consegui fechar os olhos e baixar a cabeça. Entretanto, aquela confusão de sentimentos deve ter transparecido em meus gestos, porque Arnaldo e Gabi me abraçaram e depois sumiram pelo restaurante, agora lotado, sem dizer palavra. Afinal, fiquei muito feliz por tê-los feito felizes. Se isso é um poder, é certamente o melhor poder do mundo. Mas quem teria sido a Giovanna?...

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