

arquitetura | arte | design





Unfinished Monument / Memory 1969, Antonio Dias | Foto: Edouard Fraipont
RETROSPECTO CRÍTICO
Ao longo dos últimos anos, nossa linha editorial se debruça em instigar camadas críticas, construídas no nexo cultural. Suscitar questões e abrir espaço para outros modos de pensar tornou-se uma busca constante. Esta edição floresce na maturidade projetual de Felipe Hess: do desenho à mão, ao cuidado com o pormenor e à dimensão humana do ateliê. Sua prática recusa a repetição e, sustentada em visão precoce, foi moldada pelo virtuoso repertório e experiência acumulada. Obras monumentais da virada conceitual de Antonio Dias transformam a individual inédita na Gomide&Co em marco antológico. A envergadura reflexiva de um dos mais importantes artistas brasileiros convida o
Expediente
Publisher: Cíntia Peixoto|cintia@revistahabitat.com.br (41) 99225-7610|Comercial: Regina Rocha|(41) 98848-1950
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CNPJ 05.552.266/0001-60
Edição e direção de conteúdo: Débora Mateus debora@dmcomunicacao.com
Revisão: Paula Batista – Lide Multimídia
Direção de arte: Igor Dranka|igor@revistahabitat.com.br
observador a completar sentidos e aguçar o pensamento. No cenário global, debates sobre a expansão da mancha urbana analisam empreendimentos de uso misto como parte das soluções. Os sócios do escritório Aflalo/Gasperini, fundado há seis décadas e conduzido por três gerações, aprofundam suas reflexões sobre o tema. Umberto Eco defendia que a leitura deve ser submetida à investigação. Os significados que emergem são parte desse processo. Boa Leitura!
Débora Mateus, Editora e diretora de conteúdo
Colunistas: Paula Campos (Coluna Sobre Morar), Rodolfo Guttierrez (Coluna É Design), Cesar Franco (Coluna Conexão), Scheila Schuchovski Sperandio (Coluna Ponto de Vista)
Créditos: Fran Parente
Redes sociais: Trentini Comunicação
Impressão: Maxi Gráfica e Editora LTDA. maxigrafica@maxigrafica.com.br
Marca registrada: Capelatto Marcas e Patentes
habitat RM









Revista
habitat
Ano 5 - Número 30 | Janeiro e Fevereiro de 2026
10 CAPA.
Em entrevista exclusiva, Felipe Hess discorre sobre a evolução de sua prática ao longo de 13 anos à frente do escritório que leva seu nome
30 EXPOSIÇÃO.
Obras monumentais da virada conceitual de Antonio Dias, produzidas em Milão, são exibidas em individual inédita na Gomide&Co
36 USO MISTO.
Sócios de três gerações do Aflalo/Gasperini refletem sobre o uso misto como estratégia para os desafios da mancha urbana
42 ARTE & DESIGN.
A densidade crítica do corpo de trabalho da artista e designer Maria Thereza Alves preconiza direitos indígenas e engajamento coletivo
48 DESTAQUE PARANAENSE.
Rômulo Lass, arquiteto de formação, expande seus murais artísticos ao segmento imobiliário
56 NOTAS DE MERCADO.
Um giro pelas principais notícias nacionais e globais

60 COLUNA SOBRE MORAR.
Conheça a Casa Polaca de Rafael Greca
68 COLUNA É DESIGN.
As criações de Cainã Gartner, brasileiro que chegou ao cenário internacional
72 COLUNA CONEXÃO.
Cobertura social dos eventos de Curitiba


Idealizada para um casal que gosta de receber, a Casa Jacarezinho é a maior residência já projetada pelo escritório. Com 1,4 mil m², expressa o rigor entre arquitetura e interiores
Foto: Fran Parente
VERVE PRODIGIOSA
Nome de peso da arquitetura paulistana, Felipe Hess consagra sua trajetória com maestria projetual e mira o setor imobiliário
Por Débora Mateus
“Nunca acreditei em arquitetura como marca ou repetição”
Àmão, uma lapiseira. Em meio à entrevista, mesmo com os projetos na tela, Felipe Hess mantinha o instrumento entre os dedos. Desenhava no detalhe. O escritório homônimo figura entre os mais respeitados da capital paulista, e seus traços continuam a nascer no papel manteiga. Hess conduz um time de 20 arquitetos, muitos ao seu lado desde a fundação, marco que ele próprio considera como essencial. Ao rigor detalhista em cada decisão projetual, soma-se a generosidade, inspirada em seu mentor Isay Weinfeld. Não à toa, em 13 anos de atuação, a rotatividade é quase inexistente, feito raríssimo no meio.
“A essência do escritório é sentar, desenhar à mão, pensar e abrir um livro. Eu ainda gosto dessa dinâmica de ateliê. Talvez um dos maiores aprendizados que trouxe dos cinco anos em que trabalhei com Isay seja que o projeto
deve ser para o cliente, ser o reflexo dele. Acho que isso se perdeu; são poucos, no meio, os que conseguem exercer essa escuta. Adoro o que faço aqui, essa diversidade de escalas que temos. O mais importante que construí é essa equipe; não faço nada sozinho”, diz à Habitat.
No portfólio múltiplo, obras arquitetônicas e de interiores dividem-se entre residenciais, corporativas e comerciais. Com forte presença no eixo Rio–SP, a atuação se estende ao Sul e ao Centro-Oeste, além de Nova Iorque e Sicília. Hoje, a equipe desenvolve 40 projetos em simultâneo e se organiza em uma nova estrutura. O líder conta com o apoio de quatro coordenadores - Pia Quagliato e Lucas Miilher, que estão desde o início e são sócios, João Paulo Carrascoza e Ana Falcão. A ausência de equipes fixas é a força motriz do dinamismo criativo.

Banhado pela luz natural, o living se eleva no enlace entre design e arte. Destaque para diálogo entre a luminária de Isamu Noguchi e a obra de Adriana Varejão | Foto: Fran Parente

A atmosfera poética é evidenciada pela preciosidade de detalhes como a maçaneta da porta espelhada e o círculo na parede | Foto: Fran Parente

No espaço concebido para a loja Monofloor, os materiais são evidenciados pelo conceito sofisticado e preciso
Foto: Fran Parente

Implantada em um terreno estreito em São Paulo, esta casa se organiza em quatro pavimentos, equilibrando circulação e luz |
Foto: Fran Parente

A sala de pé-direito duplo marca a inflexão do apartamento, com interiores emoldurados pela escada helicoidal no eixo de circulação | Fotos: Fran Parente
AUDÁCIA PRECOCE
Em Higienópolis, onde viveu e estudou na adolescência, forjou a percepção crítica. Costumava observar as edificações que se diferenciavam nas caminhadas até o colégio Dante Alighieri. Prédios como Antares e Paola, de Isay Weinfeld e Márcio Kogan, tornaram-se referências iniciais. Na Escola da Cidade, enquanto colegas e professores focavam nos mestres modernistas, Hess queria ir além. Passava horas na biblioteca, lapidando o repertório contemporâneo. Foi então que entendeu que muito do que admirava vinha da mesma pessoa.
Depois de insistir, sem sucesso inicial, para estagiar
com Weinfeld, passou pela Triptyque, então recém-instalada nos fundos de um estúdio de fotografia, onde aprendeu com o frescor projetual dos sócios. Porém, a realização do sonho viria mais tarde. “Tinha aberto uma vaga de estágio e o Isay me chamou. Eu questionei por que não consegui antes e ele disse: ‘Olha, Felipe, desde a primeira vez que você veio conversar comigo, eu sabia que viria para cá, mas queria que estivesse pronto para aproveitar da melhor maneira possível’. Ele foi incrível; eu era o mais novo e não sabia nada. As duas primeiras semanas foram desesperadoras, mas foi ali que aprendi de fato”.

“Acho que você nasce arquiteto, não vira arquiteto”
Mesa e cadeiras de Jorge Zalszupin sob o pendente Fog & Mørup , compõem a sala de jantar Foto: Fran Parente

A construção de 800 m² contrapõe o tijolo escuro da fachada à vegetação, conectando pátios e varandas | Foto: Fran Parente

A Loja da Botteh, na Alameda Gabriel Monteiro, destaca-se pela fachada em tijolos, que reinterpreta elementos tradicionais persas com vigor contemporâneo | Foto: Ruy Teixeira
ARCABOUÇO LAPIDADO
Amante do design escandinavo, do jazz e rock dos anos 1960 e 1980, que escuta em CDs, o arquiteto também coleciona carros antigos. Cultiva o elo com o passado, sem deixar de acompanhar, diariamente, o que acontece no mundo por meio de sites especializados. O primor com as reformas nasce desse olhar. Na intervenção de sua casa, projeto de Rodolpho Ortenblad Filho (1958), recuperou elementos originais e incorporou ajustes afinados ao presente. A habilidade de intervir sem descaracterizar o espaço, traço que distingue suas intervenções, agora se aplica ao mais recente desafio, para o São Paulo Golf Club. Nas bibliotecas do escritório e residência, livros duplicados espelham o valor da leitura em seu
referencial. Os garimpos, iniciados ainda na formação, com idas à galeria de Teo Vilela e ao antiquário Herrero, foram aprimorados por achados em viagens. “Não dá para dissociar arquitetura do design de interiores, uma coisa leva à outra. Quando consigo executar ambos, tenho o melhor dos mundos”. Entre as referências de design nórdico, a predileção é por Hans Wegner, Børge Mogensen, Alvar Aalto, Finn Juhl e Poul Henningsen, além do austríaco Carl Auböck. Na arquitetura, figuram os mexicanos Luis Barragán e Manuel Cervantes, os britânicos David Chipperfield e John Pawson, o belga Vincent Van Duyse, e os portugueses Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura.

Em Paraty, esta residência ganha ares mediterrâneos, com alvenaria em pedra com pintura branca, telhado de duas águas e pátio central voltado para o canal | Fotos: Fran Parente



No Jardim Paulistano, materialidade e amplitude se destacam na casa que se debruça em torno de uma praça interna | Fotos: Fran Parente

Luminária de piso Aurora, parte da série criada por Felipe Hess para a Lumini | Foto: Reinaldo Coser
DESTREZA CONTÍNUA

A leveza contemporânea perpassa cada um dos ambientes que constituem os 400 m² deste apartamento paulista | Foto: Fran Parente
Ao levar as concepções ao máximo do pormenor, Felipe Hess edifica uma trajetória virtuosa. Os primeiros fundamentos vieram cedo, com a reforma do icônico apartamento no Edifício Copan e a primeira residência projetada. Mas são obras como Casa Jacarezinho, Casa Praça e Casa Atlântica, residência de colecionadores que se tornaram amigos, que revelam a maestria de sua prática. Em toda a produção, a marcenaria recebe seus desenhos, e cada detalhe, na arquitetura e interiores, ganha atenção até o limite do orçamento. Assim, garante que nada se repita. A sede do escritório reflete o rico repertório, peças de design escandinavo dialogam com criações de Noguchi, Mira Schendel e Joaquim Tenreiro.

Entre as primeiras obras do escritório para o setor imobiliário, o edifício de uso misto Virgílio para Idea!Zarvos, que não pode ser construído devido à venda do terreno | Foto: Perspectiva Ilustrativa
Além de lojas, restaurantes e espaços corporativos, Hess expande a atuação ao mercado imobiliário. Após desenhar para Idea!Zarvos, está em vias de criar um empreendimento com a Kopstein, em São Paulo, e atraiu o interesse de uma incorporadora de Balneário Camboriú. Paralelamente, mantém o desejo de conceber objetos de design, como as luminárias que fez para a Lumini, e ainda quer lecionar. Ao completar uma década de escritório, levou a equipe a Milão, ato generoso que ficou conhecido entre os maiores.

Em Santa Branca, interior paulista, o arquiteto constrói sua própria casa de campo. Suspensa em declive, com quatro suítes angulares e materiais vernaculares | Foto: Perspectiva ilustrativa
“Estamos sendo bombardeados o tempo todo por muita informação, não há mais tempo de amadurecer, descobrir. Fico imaginando como Marcel Breuer (húngaro-americano), conseguiu fazer aquela casa na Suíça nos anos 1960, o processo numa época em que não havia esses milhões de testes. Devia ser delicioso”.



OBRA ABERTA
Mostra antológica de Antonio Dias na galeria Gomide&Co reúne trabalhos de sua virada conceitual em Milão
Por Débora Mateus
Apintura que nomeia a exposição Antonio Dias / Image + Mirage tem dimensões de 2 × 3 metros. No campo monocromático, duas palavras e uma marcação gráfica central compõem a superfície austera e enigmática, cuja relação se constrói no encontro com quem observa. Parte da individual inédita recéminaugurada na Galeria Gomide&Co, em parceria com a inglesa Sprovieri, a pintura foi criada numa fase de inflexão
de Antonio Dias (1944–2018), quando se mudou para Milão para escapar da ditadura militar. Campos monocromáticos, palavras isoladas, linhas gráficas e diagramas impregnados de pensamento crítico tornam-se espaços abertos à interpretação. Cabe ao observador completar os sentidos, algo que pode ser lido à luz dos ensaios de Umberto Eco em Obra Aberta (1962).


“É a mais importante exposição do Antonio Dias já realizada por uma galeria no Brasil. São obras em uma escala monumental, nunca vistas por aqui, as maiores que ele produziu em vida”, reforça Thiago Gomide. A mostra reúne sete trabalhos produzidos entre 1968 e 1971, pertencentes à coleção Marconi, hoje sob a tutela de Gió Marconi, estão
à venda na galeria paulista. Organizada por Gustavo Motta, que assina o texto crítico, e com expografia de Deyson Gilbert, a exposição evidencia a produção de Dias na época em que reduziu o esquema visual associado à Nova Figuração, transitando da representação explícita para uma linguagem conceitual.
Image/Mirage 1970, Antonio Dias | Fotos: Edouard Fraipont

PROJEÇÃO GLOBAL
Com outros trabalhos importantes do mesmo período, uma exibição realizada no ano passado na sede da Sprovieri, em Londres, marcou o início do projeto com a Gomide&Co. O sucesso foi imediato. A nova exposição em solo brasileiro promete ser antológica. Segundo Gomide, a coleção de Gió Marconi, formada pelo pai Giovanni Marconi enquanto representante de Antonio Dias, é maior que o conjunto que integra o acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba), resultado da aquisição do acervo da Daros.
Para o organizador Gustavo Motta, exímio conhecedor da produção do artista, que também foi curador de Antonio Dias / Arquivo / O Lugar do Trabalho no IAC (2021), trata-se de um marco histórico. “A exposição apresenta a força que emerge do embate de um artista periférico que confronta o centro do capitalismo e gera um corte crítico sobre o que encontra na Europa. O corpo de trabalho propõe refletir sobre o fazer artístico, a circulação das imagens e a função da arte em contextos políticos e econômicos complexos”.
Free Continent: Population 1968-1969, Antonio Dias | Foto: Edouard Fraipont
CAMADA CRÍTICA
Responsável pela expografia, Deyson Gilbert adiciona ao projeto, que entende como campo ativo de pensamento, uma camada crítica adicional. “Como artista, eu prefiro compreender a expografia como uma atividade não neutra. Busco articular espaço e tempo, pensar no ritmo da exposição e compreender essa linguagem a partir da relação do corpo com os objetos. Tento entender esse trabalho artístico, curatorial e arquitetônico como um atravessamento diagonal de toda a experiência”, afirma.

Sem título [Untitled] 1971, Antonio Dias Foto: Edouard Fraipont

Ao distanciar algumas obras das paredes, dispostas em estruturas metálicas, o projeto expográfico revela o verso das telas, oferecendo uma leitura colateral que adensa a compreensão do trabalho, do lugar da imagem e não-imagem, em diálogo com os documentos do acervo do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), que enriquecem a contextualização. Uma mesa redonda mediada por Gilbert, no lançamento da publicação produzida por Gustavo Motta, com sua participação junto a Sergio Martins e Lara Cristina Casares Rivetti, aprofunda o debate analítico sobre o legado que permanece crucial na cena artística e intelectual contemporânea global.
Antonio Dias no Studio Marconi em 1969
Foto: Enrico Cattaneo/Cortesia Fondazioni Marconi


REPENSAR A MANCHA URBANA
À frente do Aflalo/Gasperini Arquitetos, sócios de três gerações refletem sobre empreendimentos de uso misto como parte da solução para a cena urbana
Por Débora Mateus | Fotos: Daniel Ducci
Resultado de decisões de planejamento, uso do solo e modelos de desenvolvimento, a mancha urbana está entre os desafios mais críticos das grandes cidades. Hoje, 55% da população global vive em áreas urbanas. Em Londres, Paris e Nova York, empreendimentos de uso misto têm contribuído para reduzir a dependência do automóvel, aproximar funções e reativar áreas centrais.
São Paulo não é diferente. Entre os maiores centros metropolitanos do mundo em número de habitantes, her-
dou um modelo modernista rígido, baseado na setorização de usos e no predomínio do sistema viário. Ao longo de décadas, os deslocamentos tornaram-se extensos, decorrentes dos quase 10 milhões de automóveis e de uma lógica que separa funções e alonga distâncias. A vida urbana foi, assim, empurrada para regiões periféricas. Diante de sua escala e complexidade, a capital paulista funciona como um laboratório cujas soluções reverberam em diversos municípios brasileiros.

Com duas torres residenciais voltadas para ruas distintas, o Helbor Jardins integra o restaurante Rodeio no térreo, contribuindo para a vitalidade urbana
Com seis décadas de atuação e um portfólio de 1,4 mil projetos, dos quais 40% têm programa misto, o escritório Aflalo/Gasperini Arquitetos possui ampla experiência no tema. À Habitat, os sócios-diretores Roberto Aflalo Filho, Luiz Felipe Aflalo Herman, Grazzieli Gomes Rocha e José Luiz Lemos da Silva Neto compartilham sua visão sobre como reativar a vitalidade urbana. “O que as pessoas buscam é viver a cidade. Cabe aos arquitetos entender como transformar o tecido urbano de forma integrada, criando espaços que aproximem funções, respeitem escala e diversidade, permitam fruição e considerem a sobreposição de camadas como legislação, uso, qualidade construtiva, tempo de maturação e dinâmica social”.

PONTO DE EQUILÍBRIO
Projetos de diferentes usos desenvolvidos atualmente em cidades como Vila Velha, Cuiabá, Manaus, Londrina e, no interior paulista, em Campinas e Jundiaí, refletem a experiência acumulada do escritório. “Soluções para questões complexas que surgem em projetos dessa tipologia estão sendo implementadas em outras cidades, além da capital paulista”. O Plano Diretor de 2014 deu os primeiros passos para corrigir distorções históricas, estimulando o adensamento, maior flexibilidade de usos e dispositivos como a fachada ativa. Revisões mais recentes, no entanto, tendem a refletir interesses do setor imobiliário. Para os
sócios, legislação e tempo de maturação são necessários, mas devem se somar a outras iniciativas. A qualidade do desenho urbano, atenção ao pedestre e integração de funções são determinantes para o impacto das construções. “Os projetos concebidos após o Plano Diretor começaram a se materializar recentemente. Ainda não há massa crítica suficiente para avaliar seus efeitos. A cidade não se transforma de imediato”. Apesar de sua relevância, a tipologia mista não basta para enfrentar questões sistêmicas como mobilidade, infraestrutura e identidade urbana, dependentes de planejamento público e assimilação gradual.


A poucos metros do Parque Ibirapuera, na Vila Nova Conceição, o ParkView articula usos residenciais e corporativos em diálogo com o tecido urbano
CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO
Mudanças comportamentais, novas formas de mobilidade e iniciativas do mercado privado moldam a transformação contínua dos municípios. Parte dessa mudança depende de um novo mindset da população, voltado a adotar meios de transporte além do automóvel, fundamental para que ruas, tipologias mistas e projetos urbanos funcionem de fato. Para o Aflalo/Gasperini, inovar depende da atuação desses agentes, que efetivamente fazem a cidade acontecer, enquanto o poder público estabelece limites, incentivos e infraestrutura - por vezes, longe do necessário.
A tipologia mista, nesse contexto, deve ser pensada como um exercício permanente de experimentação urbana e aprendizado. “Os problemas mudam conforme décadas e gerações e as soluções não podem ser as mesmas, é preciso pensar diferente”. Graças à experiência e inquietação da equipe, eles testam soluções, adaptam tipologias e transferem lições entre projetos, cujos efeitos se manifestam ao longo do tempo. Densidade, diversidade e escala contribuem para que ruas e quarteirões funcionem de forma coerente, promovendo fruição e convivência real.



CARTOGRAFIAS DO PENSAR
Radicada em Berlim, Maria Thereza Alves reverbera pensamento crítico e ética artística no Labinac, coletivo fundado com Jimmie Durham
Por Débora Mateus

O que sempre fizemos, mostra do Labinac realizada no espaço da galeria Martins&Monteiro, em Bruxelas. Curada por Jacopo Crivelli Visconti | Foto: Cortesia Labinac
Desde os anos 1980, a ética de trabalho da artista e designer Maria Thereza Alves conecta política, cultura e engajamento social. Dedica-se à defesa dos direitos dos povos originários, lutas territoriais e preservação de saberes historicamente ameaçados. O trabalho entre Nápoles e Berlim, cidade onde vive atualmente, reflete um percurso que investiga e tensiona contextos interculturais, tanto em exposições individuais internacionais quanto em participações em
mostras como a Documenta, o Museu Universitário de Arte Contemporânea, na Cidade do México, a Manifesta e a Bienal de São Paulo, além da conquista do Vera List Prize, em Nova Iorque.
Com Jimmie Durham (1940–2021), artista, designer, poeta e companheiro de vida, ela fundou o coletivo de design Labinac, hoje representado pela galeria Martins&Montero. A mostra O que sempre fizemos, exibida em 2024 em Bruxelas, após temporada em São Paulo, ampliou o
impacto do projeto ao convidar à reflexão sobre o cotidiano como território de pensamento estético e ético. Criado sob o vigor crítico de seus fundadores, o coletivo se arranja em uma dupla dimensão: produzir objetos e valorizar o trabalho artesanal de povos indígenas da América Latina, desafiando o limiar entre objeto utilitário e obra de arte.
“Raramente, em nossas práticas de arte/design, Jimmie e eu realizávamos trabalhos conjuntos, pois as instituições priorizavam o nome do artista ou designer mais reconhecido. Jimmie escrevia cartas criticando essa lógica
paternalista. Trabalhamos juntos quando ambos estávamos envolvidos na mesma pesquisa ou objeto, como ao recuperar cadeiras de madeira indesejadas na série Labinac Second Life. Jimmie costumava dizer: ‘todo mundo quer um trabalho; fazer parte do mundo’. O importante eram as longas discussões em torno dos pratos preparados por ele. Como coletivo, gostávamos de nos reunir à mesa, conversar, discutir no que poderíamos trabalhar e sugerir um novo material”, revela à Habitat.

Embraced Chair (Thonet, 2022), Maria Thereza Alves, Labinac | Foto: Francesco Squeglia
EXTENSÃO CRÍTICA

Mesa Social-Seismography (2018), Maria Thereza Alves, Labinac | Foto: Francesco Squeglia
A experiência compartilhada do casal desdobrou-se em pesquisas sobre espaço, cotidiano e experimentação. A prática recorrente de produzir sofás, mesas, criados-mudos e luminárias a partir de materiais reaproveitados e objetos encontrados, incorporando histórias próprias em suas residências, foi, aos poucos, ampliada para um núcleo coletivo. Assim, com a inclusão de Elisa Strinna, Jone Kvie, Philipp Modersohn, Bev Koski, Alessandro Piromallo, Rosaria Iazzetta, Noara Quintana, Victor Santamarina e Anna Maria Luczak, o Labinac tomou forma em 2018. “Ao longo de nossas vidas, sempre que eu e Jimmie nos mudávamos para um novo lugar, nós ‘fazíamos’ casa. Passávamos muito tempo dentro de casa, vivendo e traba-
lhando no mesmo espaço. Tudo o que nos cercava durante essas horas influenciava sutilmente nosso pensamento, ser e olhar. Aprendemos a colocar cuidado aos elementos que introduzíamos em nossos ambientes”.
A gênese do pensamento, construído ao longo dos anos, remonta a 1978, quando Maria Thereza Alves passou a atuar no International Indian Treaty Council, então dirigido por Durham, também representante do American Indian Movement (AIM) junto às Nações Unidas. Foi nesse contexto que se iniciaram diálogos e debates críticos que atravessariam décadas, até se converterem na criação do coletivo de design.

TERRITÓRIOS POTENTES
Entre o vasto corpo de trabalho da artista, está Barra/ Barre, realizada no Pantanal em 1992, a partir do encontro com Tupa-Y, seu mentor Guarani. A instalação investigou a terra tal como vista, dividida e apropriada pelos colonos no Brasil, revelando também como a água invade o solo e desfaz, ainda que temporariamente, a lógica possessiva de “meu” e do “seu”. O trabalho explora modos de coabitação e “co-vivência”, nos quais ética, memória e saberes tradicionais se entrelaçam. Em Seeds of Change, a artista investiga a circulação colonial a partir de sementes trazidas no lastro dos navios mercantes. Coletadas em antigos portos europeus e germinadas, tornam visíveis deslocamentos históricos de solo e espécies.
Ao ministrar, no ano passado, um curso sobre colonização na Accademia di Belle Arti de Nápoles, Maria Thereza Alves relata ter confrontado alunas com a constatação de que, antes de Terra nullius (termo que sustentou a expropriação de povos originários) ser aplicada às Américas, essa lógica já operava na Europa, ao desestabilizar culturas locais e controlar as narrativas do passado e presente. Isso reforça, segundo ela, “a urgência de reencantar e criar mundos possíveis, mantendo diálogo entre história, ética e prática artística”. Frente aos desafios do Sul Global, Alves questiona como criar práticas que afirmem epistemologias próprias, preservem memória, cultura e coabitação, e resistam a pressões institucionais, mesmo na ausência de interesse do mercado ou validação institucional.
Seeds of Change: A Floating Ballast Seed Garden, Maria Thereza Alves, Bristol (2012–2016) | Foto: Max McClure/Cortesia Bristol City Council, Arnolfini e University of Bristol Botanic Garden


FUSÃO EM RELEVO
Arquiteto de formação, Rômulo Lass estende seus murais de azulejo de Curitiba para empreendimentos pelo país
Por Débora Mateus
Foi a busca por uma atuação pautada na fusão entre arquitetura e arte que levou Rômulo Lass a transicionar, em 2017, de experiências no campo arquitetônico, comunicação visual e estudos em estamparia têxtil para a produção de murais em azulejo pintados à mão. Motivado pelo intuito de concretizar uma expressão artística que dialogasse diretamente com ofício, superou inseguranças iniciais e conquistou o mercado da cidade natal, Curitiba. Os painéis do arquiteto de formação foram gradualmente incorporados ao tecido urbano, passando a contemplar projetos residenciais, empreendimentos imobiliários e obras públicas.
Trabalhos que hoje se estendem por Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Tocantins. Somente no primeiro semestre deste ano, Lass deve entregar 15 murais, muitos deles desenvolvidos para o segmento imobiliário. “Tenho certeza de que não faria nada do que
fiz se não fosse arquiteto. Além do conhecimento que considero essencial para trabalhar numa obra que se integra à arquitetura, contei com toda a minha rede de relacionamentos no meio. Entender o projeto, saber onde posso interferir e como interferir com responsabilidade foi crucial para minha consolidação. Sou privilegiado também por conviver e ter trabalhado com artistas que são grandes referências para mim, como André Mendes e Maya Weishof”, conta à Habitat.
Se a azulejaria sustenta sua trajetória, a cerâmica passou a abrir um novo campo de experimentação. Nos estudos no Museu Alfredo Andersen, Lass investiga agora a modelagem da cerâmica antes da queima - explora tridimensionalidade e escultura. Para isso, adquiriu um forno maior, com o objetivo de criar, futuramente, peças em escala de galeria, e vislumbra um dia aprofundar estudos em Portugal ao lado da família.

Mural da piscina do prédio Dalí, em construção na capital paranaense. A obra remete a paisagens e cores do universo do mestre surrealista | Foto: Guilherme Rocha
DENSIDADE HISTÓRICA
Seu percurso individual encontra ressonância na própria história da azulejaria brasileira, especialmente no modernismo, que considera fonte de inspiração. Herdado do período colonial português, o azulejo esteve inicialmente associado ao revestimento de fachadas, à proteção das edificações e ao conforto térmico, como adaptação ao clima tropical. Na arquitetura moderna, passou a articular de forma mais evidente a relação entre arte e cidade.
Marco desse movimento, o Ministério da Educação e Saúde, conhecido como Palácio Capanema, no Rio de Ja-
neiro, idealizado por Lúcio Costa em parceria com Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira e Ernani Vasconcelos, contou com a consultoria de Le Corbusier. Estimulados pelo mestre franco-suíço a incorporar elementos regionais ao vocabulário moderno da época, os brasileiros aproximaram identidade cultural e projeto arquitetônico. Seis murais pintados por Candido Portinari e um de Paulo Rossi Osir enriquecem o edifício, marco desta fase germinal no país.

Com 266 m², este mural, criado para o edifício Riva, projetado pelo arquiteto Marcos Bertoldi na Praia Brava (SC), é o maior do artista | Foto: Eduardo Macarios

Trabalho inédito em concreto comissionado para a empena de um novo edifício em Curitiba Foto: Perspectiva ilustrativa
Como desdobramento, o campo da azulejaria ganhou amplitude. Trabalhos de outros nomes do modernismo brasileiro, como o paisagista Roberto Burle Marx, que criou diversos paineis, e Hector Carybé, ajudaram a consolidar o mural como elemento expressivo da prática arquitetônica. Marcando outro ponto de virada, a obra de Athos Bulcão passou a operar com padrões geométricos, módulos e sistemas de repetição aberta. O artista carioca preservou a autoria ao mesmo tempo que inseriu a participação do
azulejista no processo de montagem, inaugurando uma lógica seriada que se tornaria referência e ecoa na prática de Rômulo Lass. “Essa modulação com a qual eu trabalho tem como ponto de partida o trabalho de Athos Bulcão. Ele criou uma forma de pensar o azulejo que não é fechada, que aceita o acaso, a repetição imperfeita e a participação de quem executa. O azulejista vira coautor da obra, o que me influenciou fortemente”.


Na Rua da Música, em Curitiba, a obra combina grafismos indígenas e referências à natureza, Ópera de Arame, tributo a Jaime Lerner | Foto Eduardo Macarios
Azulejos da coleção Carbono emolduram o plantão de vendas para a construtora Max Realiza, em Itajaí (SC) Foto: Eduardo Macarios
TESSITURA URBANA
Ao longo de quase uma década, ele construiu marcos importantes na capital paranaense. Das primeiras criações, projetos residenciais, aos concebidos para espaços públicos, como o Largo da Saúde - que combina pinturas de Antônio Maia com trechos de poemas de Eduardo Galeano - e a recente Rua da Música, cuja modulação se articula com grafismos indígenas, elementos da natureza e a estrutura da Ópera de Arame, homenageando Jaime Lerner. Cada trabalho nasce de um processo investigativo cultural que embasa referências históricas, artísticas e urbanísticas.
No painel recém-criado para o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o artista traduziu atributos humanos - coragem, resiliência, proteção e conexão - em formas geométricas, conectando equipe, comunidade e espaço urbano. Em primeira mão, ele revela que está expandindo seu repertório para novas linguagens.
Um exemplo é a obra comissionada, inédita em concreto, em desenvolvimento para um edifício da Z15 Incorporadora. Com detalhes em relevo e materiais que exploram textura e luz, a intervenção conectará a atmosfera boêmia e histórica do bairro São Francisco.
O processo criativo parte sempre do briefing e se aprofunda em uma pesquisa robusta, incorporando referências de literatura, música, fotografia e outras expressões artísticas. Quanto ao mercado imobiliário, área crescente em seu portfólio, Rômulo Lass é enfático: “Meu trabalho tem como foco fazer da arte não um diferencial, mas uma parte obrigatória dos empreendimentos. No contexto de mercado, os incorporadores mais atentos entendem que é preciso ter um conceito verdadeiro; retorno financeiro chega como consequência. Isso torna a arte parte essencial do projeto, transformando o ambiente para quem vai viver ali”.

Painel comissionado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) | Foto: Eduardo Macari



DAVID CHIPPERFIELD X ARUP
No distrito de Santa Giulia, novo bairro de Milão, a Milano Santagiulia Ice Hockey Arena, projeto do David Chipperfield Architects, em colaboração com a Arup, sediará as competições de hóquei dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. Concebida para receber até 16 mil espectadores, a arena adota forma elíptica inspirada no arquétipo do anfiteatro romano, reinterpretado com tectônica e materiais contemporâneos. O edifício se organiza sobre um pódio elevado, que abriga uma praça pública de mais de 10 mil m². A arquitetura é marcada por três anéis metálicos em alumínio, intercalados por faixas envidraçadas.
Sob a temática Mente e Coração a nova edição da CASACOR propõe refletir sobre a casa como espaço de cura e acolhimento em tempos de hiperconectividade. Fruto de pesquisa de macrotendências, o conceito foi apresentado no Sesc Pompeia durante evento anual que destaca o futuro da arquitetura e do design, ressaltando novas perspectivas de mercado para o segmento. Segundo Livia Pedreira, presidente do conselho curador, a ideia da casa como porto seguro, e, agora, simboliza uma era ambígua, que nos direciona à exposição, mas demanda recolhimento. O Manifesto da edição reforça o casulo doméstico como lugar de transformação, resgatando inteligências humanas.


A 22ª edição da SP-Arte, que acontece de 8 a 12 de abril, abre o calendário nacional ainda mais abrangente. Com 180 galerias de arte, design, instituições culturais e editoras, retoma o setor Showcase, dedicado a galerias internacionais estreantes, e já conta com representantes confirmados da Argentina, Portugal, Peru e México. No terceiro andar, além do Palco SP-Arte, que trará debates sobre mercado e colecionismo, e do Premium Lounge, destinado a negociações, o público encontrará instalações artísticas e espaços de marcas parceiras, estandes de instituições culturais, livraria, o restaurante Boleta, bar de vinhos de coleção e o Design NOW.
Foto: David Chipperfield Architects x Arup
Fachada da CASACOR Minas 2025 | Foto: Divulgação
Foto: Divulgação/SP-Arte

Nova campanha de comunicação, Salone del Mobile 2026
Foto: Divulgação
TRAMA
Trabalhos da série Tecelares (1953–1960), de Lygia Pape, dialogam com bancos indígenas da coleção Porangatu, de Maria Feitosa Martins, na exposição Trama, em cartaz na Gomide&Co. A mostra inaugura simultaneamente à individual de Antonio Dias na galeria e segue até 13 de março. Com texto crítico de Camila Bechelany e expografia do AR Arquitetos, estabelece conexões entre a investigação de objetos de mobiliário sob uma perspectiva conceitual e estética; a valorização de repertórios culturais e visuais de povos originários; e novas leituras sobre a obra de nomes centrais da arte moderna e contemporânea brasileira.
SEMANA DE DESIGN DE MILÃO
Um dos mais relevantes eventos de design do circuito global, a Milano Design Week inaugura sua edição de 20 a 26 de abril, com novidades do Salone del Mobile e a potência cultural do Fuorisalone. Na feira, o foco recai sobre materialidade, processo e inovação, com destaque para o Salone Raritas, dedicado ao design colecionável e edições limitadas. O Fuorisalone, sob o tema Be the Project, enfatiza o caráter mais reflexivo do design. Distritos como Brera, Tortona, Isola e 5Vie concentram grandes instalações imersivas. Alcova, por sua vez, ocupa novos espaços do Ospedale Militare di Baggio e abre ao público, pela primeira vez, a Villa Pestarini, projeto de Franco Albini.

Obra da série Tecelares, Lygia Pape
Foto: Divulgação/ Gomide&Co

Tegumento Decai II 2025, Daniel Melim
Foto: João Liberato
REFLEXOS INDIVIDUAIS
A exposição Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim, em cartaz na Pinacoteca de São Bernardo do Campo até 28 de março, apresenta 12 trabalhos, dos quais oito inéditos e outros que marcaram a trajetória do artista visual e educador. Curada por Baixo Ribeiro e com produção da Paradoxa Cultural, a individual recria parte do ateliê do artista no espaço expositivo, convidando o público a mergulhar em seu processo criativo.

ABERTO
Em sua quinta edição, a Aberto, plataforma expositiva criada por Filipe Assis, retorna a São Paulo mais ambiciosa. Reconhecida por articular arte e design brasileiros em diálogo com construções arquitetônicas emblemáticas, a mostra abre ao público, pela primeira vez, a Casa Bola, de Eduardo Longo, residência esférica construída manualmente na década de 1970. O percurso reúne 60 obras de

gourmet traz destaques como as banquetas do Studio de La
arte e design pelos três pavimentos da casa, que somam 1 mil m². Outro marco é a inauguração da Aberto Rua, com intervenções artísticas ao longo da avenida Faria Lima. Curada por Filipe Assis, Claudia Moreira Salles e Kiki Mazzucchelli, a edição conta ainda com Fernando Serapião como curador convidado do núcleo de arquitetura. De 7 de março a 31 de maio.
PLAENGE ARTIS
Tons neutros, linhas curvas e uma relação direta com a arte e design orientam o projeto do apartamento decorado do Plaenge Artis, assinado pelo Bohrer Arquitetos e aberto à visitação na nova Central de Vendas da construtora, no Ecoville em Curitiba. Traduz a proposta do empreendimento, que marca a chegada da Plaenge ao bairro Mercês, ao criar ambientes amplos e integrados. O edifício, com entrega prevista para 2029, contará com curadoria da Ôda Design.
Filipe Assis, Claudia Moreira Salles, Eduardo Longo e Kiki Mazzucchelli na Casa Bola, de Eduardo Longo | Foto: Ruy Teixeira
Área
Cruz | Foto: Guilherme Oliveira
GENTILEZA URBANA COMO LEGADO
Como
o Piemonte GentiU transforma espaços da cidade

Antes de erguer edifícios, a Piemonte Incorporadora aposta na construção de vínculos com a cidade. Dessa premissa nasceu o Piemonte GentiU, programa de gentileza urbana que transforma terrenos em transição em espaços de convivência, bem-estar e conexão urbana, reforçando o compromisso da empresa em gerar impacto positivo antes mesmo da entrega de seus empreendimentos.
O exemplo mais recente é o Parque Ar, no bairro Cabral, que encerrou seu ciclo em janeiro após oito meses de funcionamento e intensa apropriação da comunidade. Implantado em um terreno com mais de 6 mil m², o espaço se consolidou como um respiro urbano, reunindo moradores e visitantes em atividades gratuitas de lazer, arte e bem-estar.
Com playground, quadra de areia, espaço pet, redário, áreas contemplativas e ambientes para oficinas, o Parque Ar demonstrou o potencial das ocupações temporárias na qualificação da cidade. “O Parque Ar nasceu com o propósito de oferecer à cidade um espaço de pausa e convivência. A forma como as pessoas se apropriaram do espaço reforça a importância de iniciativas que vão além do empreendimento imobiliário”, afirma o diretor-presidente da Piemonte Incorporadora, Filipe Biscaia Demeterco.
Com o encerramento do Parque Ar, têm início as obras do Piemonte Alberi, empreendimento residencial que ocupará o terreno. Em paralelo, o programa GentiU ganha um novo capítulo ainda no primeiro semestre, com a inauguração da Praça Legado, a terceira gentileza urbana da incorporadora.
Localizada na esquina das ruas Euclides da Cunha e Saldanha Marinho, no encontro dos bairros Batel e Bigorrilho, a Praça Legado ocupará uma área de aproximadamente 4.975m² e foi projetada para estimular encontros, permanência e memória urbana. O espaço contará com parquinho, área pet, amplo jardim e uma exposição a céu aberto que resgata a história da região.
A iniciativa ocorre em um momento de forte desempenho da incorporadora, que encerrou 2025 com mais de R$ 400 milhões em VGV. “O Piemonte GentiU traduz nossa crença de que empreendimentos precisam dialogar com a cidade e com as pessoas, assumindo uma responsabilidade urbana que vai além da construção”, conclui Demeterco.

Acesse e confira

piemonte.inc www.piemonte.com.br

“MINHA CASA POLACA”
Rafael Greca apresenta residência histórica instalada em seu refúgio particular, onde repousam as memórias construídas ao lado de sua amada Margarita
por Paula Campos | Fotos: Gabriel Fiori
Há pessoas que não apenas vivem a cidade, mas guardam-na no coração. Rafael Valdomiro Greca de Macedo e Margarita Pericás Sansone formaram um desses encontros, em que a vida pessoal, intelectual e afetiva se mesclou à história de Curitiba e do Paraná. Rafael costuma lembrar do momento em que conheceu Margarita, que chamou sua atenção não apenas pela beleza e inteligência, mas pelo amor profundo que carregava por Roma, a mesma afeição que ele trazia consigo. Foi entre referências clássicas e encantamento que teve início sua união, que perdurou até a partida de sua esposa, em 2024.
Ela, uma mulher única, conhecida pelo bom gosto e sensibilidade, era jornalista e escritora, com formação em história da arte e arqueologia na Itália, unindo erudição
ao compromisso social. O marido a chamava, com devoção, de “minha amada Margarita”. Juntos, cultivaram uma vida marcada pelo prazer de ler, escrever, conversar, comer bem e observar o mundo com intensidade e paixão. Rafael, engenheiro de formação, urbanista e poeta por vocação, cresceu cercado de livros em um ambiente intelectual refinado, desenvolvendo desde a infância sua habilidade natural de oratória, tornando-se um profundo conhecedor da história e identidade paranaense.
É nesse encontro de almas e paixões que se inicia a história do casal com a Casa Polaca, instalada no jardim da chácara São Rafael das Laranjeiras, uma reserva natural de araucárias na Região Metropolitana de Curitiba, local que já pertenceu aos antepassados de Rafael.

Rafael, no interior de sua Casa Polaca, com o livro Paranismo, escrito por José Roberto Teixeira Leite, com prefácio de Rafael e posfácio por Samuel Lago e Margarita Sansone

PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA
No final da década de 1970, enquanto Curitiba se transformava, a construção da Represa do Passaúna ameaçava inundar capítulos inteiros da história da imigração polonesa no estado. Espalhadas por antigas colônias da região, casas centenárias de troncos, erguidas com o miolo das araucárias, estavam destinadas a desaparecer. Foi diante desse cenário que, em 1980, surgiu um gesto de sensibilidade. À época, Rafael, já membro do IPPUC, havia sido designado como coordenador municipal, sendo responsável pela preparação da visita do Papa João Paulo II ao Paraná. A proposta de receber o pontífice dentro de uma casa típica polonesa deu novo significado àquelas construções ameaçadas pelo esquecimento.
A ideia foi acolhida pelo então prefeito Jaime Lerner e originou o Bosque do Papa João Paulo II, espaço onde a memória da imigração polonesa passou a ser preservada por meio da inserção de casas originais e do acervo histórico ali reunido. A partir da criação do bosque, as casas que não foram incorporadas ao memorial encontraram novos guardiões. Foi nesse contexto que Rafael e Margarita adquiriram da família Filipak sua casa polaca de 1884, remontada no jardim de sua chácara. A construção tornou-se um espaço de memória viva, permitindo que sua arquitetura continue contando aquilo que a cidade quase esqueceu.
Casa Polaca no Jardim da Chácara São Rafael das Laranjeiras

POR DENTRO DA CASA

Além dos móveis originais, ganham evidência a gravura da casa dos Braceletes de ouro de Pompeia (esq.) e a tela do arquiteto e pintor londrinense José Gonçalves (dir.)
Respeitando sua estrutura original em troncos falquejados, encaixes precisos e vigas aparentes sem o uso de pregos, a Casa Polaca ganhou nova vida. O ambiente foi novamente habitado, desta vez pelo casal, servindo não apenas como memorial de sua história, mas também para celebrações e momentos entre amigos. No interior, dispostas com primazia, podem-se ver obras, imagens religiosas, e lembranças reunidas ao longo de décadas de vida intelectual e afetiva. Entre os elementos mais presentes estão as referências à tradição cristã, uma das paixões do casal, assim como peças importantes, como relíquias adquiridas em suas imersões culturais mundiais.
Na biblioteca criada com madeiras do antigo assoalho
do ático, que foi retirado, trazendo amplitude ao pé direito, ficam livros e peças importantes refletindo uma rotina marcada pela leitura e pela escrita. Há máscaras de civilizações antigas, como as de Veneza e da Catalunha, peças da Índia, da Tailândia, Espanha, Peru e Oriente Médio, objetos rudimentares, arte popular e símbolos religiosos, lâmpadas de Jerusalém e bancos feitos de celas japonesas além de móveis de família, itens carregados de significado e sobre os quais Rafael domina cada detalhe. O destaque fica para a imagem de Nossa Senhora de Częstochowa, padroeira da Polônia, que repousa cuidadosamente sobre a janela iluminando e guiando Rafael em sua caminhada.
Sobre Morar por Paula Campos

Imagem de Nossa Senhora de Częstochowa, padroeira da Polônia. Presente de importantes líderes da Igreja polonesa, em reconhecimento à sua relação com a cultura e a comunidade
‘‘NESTA CASA DE CAMPO EU GUARDEI O MEU CORAÇÃO’’
Nas paredes, poemas de Mário Quintana, Thiago de Melo e Carlos Drummond de Andrade, alguns dos quais foram escritos diretamente na chácara e hoje adornam as paredes da Casa Polaca. Poty Lazzarotto, que se tornou grande amigo de Rafael, também contribuiu com peças que enobrecem o espaço, como o manifesto dos tropeiros, lembrando que ali também se celebra a história do Paraná. Este espaço foi ponto de encontro entre intelectuais, músicos, poetas e personalidades como Paulo Leminski, Fernanda Montenegro, Helena Kolody, Carmen Carneiro, Dalton Trevisan, Darcy Ribeiro, Flora Munhoz da Rocha, Ana Botafogo, assim como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Mautner. Também recebeu o fotógrafo da Casa Vogue David Zingg, e figuras religiosas como Frei Cássio Vieira de Lima, Dom Pedro Fedalto e o Padre Aleixo de Souza. Neste memorial intelectual e afetivo, onde a madeira dos troncos, o silêncio do entorno e a luz natural desenham uma paisagem idílica, Rafael Greca encontra a própria definição de morar. Inspirado na canção Casa no Campo, eternizada na voz de Elis Regina, ele diz: “Morar é guardar as lembranças e o coração”.

O quadro de R.S Tomczak retrata a paisagem paranaense acima de Manifesto dos Tropeiros, obra de Poty Lazzarotto
A FORÇA DO DESTINO
“Esculpir é dialogar com a resistência”, Aristóteles.
Por Guido Viaro
Oartista está condenado a seu destino. Se conseguir optar por outra vida, jamais terá sido um verdadeiro artista. Há também aqueles que não abandonam a arte, e que por razões não viscerais, prosseguem produzindo arte pálida e sem raízes, muitas vezes com grande sucesso de público
e crítica. Leopoldino de Abreu é veia aberta espalhando sangue pelo mármore branco. Um artista por inteiro, cuja alma precede o corpo. Alguém que escuta os chamados da rocha, contempla o céu, e congrega tudo o que há de humano ao seu redor, para então decidir as formas que permitirá que o bloco de mármore assuma.

Quasar, Mármore Calacatta Michelângelo, coleção particular, Ctba. Foto: Bia Nauiack

Concebida na beleza branca e eterna do Mármore
contemporânea e a exuberância do jardim residencial |
Por vezes são formas geométricas, em outras, humanas, em muitas, o que parece haver são fusões entre a geometria e a humanidade. Mas o resultado sempre nos fala ao coração, a pedra se transforma em sentimentos, em percepções difíceis de serem descritas em palavras, mas que são a tentativa de transmitir aos outros a sensação de se estar vivo. E é dessas riquezas que o artista se alimenta. Um trabalho físico que traz dores e lesões ao corpo do escultor, um reconhecimento da obra que nem sempre é evidente, e que por vezes, se surgir, leva décadas para acontecer. Mas o artista verdadeiro, que passa por momentos de desânimo, sempre recomeça, pois já é pago com valores muito mais perenes que o dinheiro e a fama. Ele sabe que está pintando nas paredes da caverna da eternidade, aquilo que viu e sentiu do mundo. Sabe que sua arte possui sutis e estranhas maneiras de viajar e contaminar as pessoas, uma energia transmitida através de sensações, que após serem recolhidas pelo artista e embaladas em forma de esculturas, transformam-se como as grossas raízes de uma árvore que um dia estiveram contidas dentro de uma semente.

O Abraço, Mármore Carrara sobre Mogno, coleção particular, EUA.
Michelangelo Calacatta, Quasar compõe com a arquitetura
Foto: Bia Nauiack
A arte é uma máquina de fabricar consequências, e o artista é quem a opera. No fundo, o que há é um grande oceano, onde somos todos náufragos, um oceano de águas ácidas que, aos poucos, vai nos derretendo. A arte nos ajuda a flutuar e alivia as dores das feridas, mas não as cura nem acaba com o inevitável afogamento. E é nesse caráter provisório e parcialmente ineficiente, que reside sua grande beleza. Saber-se terminar com grandeza, pois o que veio antes do fim foi poesia.
No caso de Leopoldino Abreu, poesia feita com o material menos


Fly, Basalto, edifício
sujeito à ação do tempo. Que pode atravessar gerações contaminando com ideias e sentimentos quem as contempla. As estátuas gregas, romanas, medievais, renascentistas, barrocas, as experiências modernistas são mensagens de otimismo às futuras gerações. Não de um otimismo ingênuo que não reconhece a profundidade e complexidade da vida e nos apresenta apenas ramalhetes de flores sem raiz, mas aquele do outro tipo, um grito ensurdecedor que nos afirma que apesar das agruras, do tédio e dores, ainda vale a pena existir.
Leopoldino possui alguns trabalhos esculpidos em granito negro, e
eles me parecem os negativos fílmicos do mármore branco, como se o artista estivesse dizendo que o mundo e a vida são ainda mais complexos do que aparentam, pois há o céu sem fim e suas consequências, mas ele é também um reflexo das águas em que flutuamos, portanto nem pedra nem céu são absolutos, e mesmo o mar, pode ele sim, ser um reflexo projetado nas nuvens.
Eis um grande artista, Leo-pol-di-noA-breu, verso talhado em cinco sílabas tônicas, ou encaixado entre claves de sol e ré menores, cortando suas pedras, embelezando o mundo.

Quasar, sendo talhada pelo Artista no estúdio | Foto: Bia Nauiack Intersecção Mármore Calacatta Michelângelo sobre granito.
@leopoldinodeabreu | @artestilgaleriadearte (Ctba) | @sergiogoncalvesgaleria (SP) @michelangelomarmoresdobrasil
AIR Cabral.


CAINÃ GARTNER
Da tradição da marcenaria, suas criações percorrem artesanato, design e arte
por Rodolpho Guttierrez | Fotos Divulgação
Otrabalho de Cainã Gartner não se explica apenas pela forma ou material. Suas obras carregam tempo, história e intenção, elementos que atravessam gerações e se revelam tanto no processo quanto no resultado final. Quarta geração de carpinteiros, Cainã cresceu cercado por madeira, ferramentas e saberes transmitidos ao longo de décadas. A tradição familiar se manifesta como essência, enquanto o caminho autoral se constrói a partir da liberdade de transformar o legado em algo próprio.


Em um mundo que muda cada vez mais rápido, onde padrões, técnicas e ofícios são frequentemente substituídos ou esquecidos, torna-se raro acompanhar a continuidade de uma história construída com as mãos. Ver um trabalho artesanal que atravessa gerações, preservando conhecimento, sensibilidade e tempo, é também reconhecer a importância de algo que não se pode perder. Ao se afastar do modelo industrial seguido pela família, ele passou a buscar um fazer mais preciso e exclusivo. A produção em pequena escala permite atenção absoluta a cada detalhe e preserva o controle do processo, condição fundamental para que cada peça mantenha identidade e qualidade.
Cainã Gartner | Foto: Sara Bolomini
Smashed Racket, criada para Roger Federer

Cainã Gartner e Tom Brady
LEGADO COMO INSPIRAÇÃO
A madeira permanece como eixo central de sua obra, em conexão direta com sua origem, revelando o fazer manual, o tempo dedicado à construção de cada peça e o prazer de transformar uma ideia em objeto. Como ele define, “sempre que tiver madeira e eu estiver envolvido, a essência da minha família estará presente”. O reconhecimento artístico não foi um objetivo inicial. Cainã nunca buscou o título de artista, mas passou a aceitá-lo a partir da resposta do público. “Foi o próprio mercado que começou a nomear minhas peças como obras de arte”, afirma.
A introdução do ouro adiciona uma camada simbólica às obras. Presente na história de sua família por meio das joias, o metal surge agora de forma pontual, sempre aplicado em áreas estratégicas da peça. O processo criativo
varia conforme a origem da obra. Em encomendas exclusivas, a criação nasce do resgate de histórias pessoais. Já nas peças autorais, a intenção é provocar múltiplas leituras, permitindo que cada observador construa sua própria narrativa.
Cainã foi criado no fazer manual, tornou-se designer por demanda do mercado e passou a ser reconhecido como artista quando seu trabalho começou a gerar conexão emocional com o público. Ao pensar em legado, ele olha além do sobrenome. Suas obras atravessam gerações porque guardam tempo, escolhas e propósito. Cada criação carrega não apenas madeira e ouro, mas a continuidade de um saber artesanal que insiste em permanecer relevante, mesmo em um cenário de mudanças constantes.
PROJETAR HISTÓRIAS
Com atuação multidisciplinar centrada em design de interiores, Luize Andreazza Bussi concebe espaços que aprimoram a experiência cotidiana

Luize Andreazza Bussi | Foto: Bruno Santos
Ao longo de quase três décadas, a trajetória da mestra e doutoranda em Arquitetura Luize Andreazza Bussi é construída a partir de uma visão sensível, pautada na experiência e na escuta. Seus projetos residenciais, comerciais e corporativos tornam-se extensões de quem os ocupa. Lares com “cara de casa” ganham autenticidade ao narrar histórias. Escritórios corporativos e comerciais se transformam em ambientes mais saudáveis e conectados à natureza.
O design biofílico, tema no qual se especializou, per-
meia as concepções voltadas a melhorar a experiência cotidiana. Pensada para um casal que buscava espaços mais abertos à convivência, a reforma do apartamento em Curitiba amplifica a dimensão afetiva do lar. A escuta atenta às memórias e ao estilo de vida dos moradores levou a profissional a contar com sua participação na seleção de cores, materiais e revestimentos, permitindo que escolhas inicialmente neutras se transformassem em soluções personalizadas.
AUTENTICIDADE

Aberta ao convívio diário, a cozinha evidencia a atmosfera acolhedora pela combinação de materiais, texturas e escolhas alinhadas ao design biofílico Foto: Divulgação
Os ambientes renovados ganharam identidade. As áreas de jantar e cozinha foram integradas para promover fluidez e atender ao desejo de receber. Um canto junto à janela, luz natural, convida à leitura e contemplação, enquanto o antigo quarto de serviço ganha nova função como espaço de apoio para encontros informais.
Redesenhado para unir funcionalidade e atenção aos detalhes, o lavabo combina sofisticação e leveza. A atmosfera acolhedora é evidenciada pela marcenaria sob medida, materiais nobres e iluminação cuidadosamente planejada. Objetos pessoais e de família revelam as histórias do casal. A coleção de panelas usada diariamente, o piano adquirido em antiquário e a escrivaninha herdada da família dialogam com a escolha de mobiliários e demais itens do décor. Ao criar espaços com autenticidade, abre-se espaço para a construção de novas camadas de histórias.


Na chapelaria, a escrivaninha de família traduz a memória afetiva e a autenticidade do morar | Foto: Divulgação
Graças à bagagem multidisciplinar e especializada da arquiteta, o escritório desenvolve ainda projetos cenográficos, atuação social consolidada na diretoria da associação sem fins lucrativos Obra Nossa e experiências como palestrante, seu escritório reflete compromisso com inovação, responsabilidade e impacto positivo. Ao unir técnica e sensibilidade as composições narram histórias e ampliam a experiência de quem habita os espaços.

R. Padre Anchieta, 2454, sala 308 Bigorrilho, Curitiba - PR (41) 98416-8280 @luize.arqlb



LAGUNA X ICC BSA
Flavio Schiavon, sócio da Baggio Schiavon Arquitetura, destaca o papel da arquitetura na valorização do Centro de Curitiba. No AYA Carlos de Carvalho, o projeto propõe integração com o entorno, uso ativo do térreo e novas conexões urbanas, reforçando o Centro como território de convivência, negócios e permanência. Foto: Divulgação
O Grupo Tacla Shopping anuncia o lançamento da Optimall, nova empresa de tecnologia do grupo, sob a liderança de Aníbal Tacla. Voltada a shopping centers e ao varejo, a plataforma oferece soluções digitais para campanhas promocionais, relacionamento com o cliente e inteligência de dados, marcando a entrada do grupo no mercado de tecnologia promocional. Foto: Divulgação
Celso e Lia Frare com Gabriel e Juliana Raad na primeira caranguejada do Iate Clube Caiobá, um encontro marcado por boa gastronomia, convivência e solidariedade. O evento beneficente, realizado em prol do Lar Antônia, contou com apoio da Construtora Laguna e reuniu convidados em uma noite de celebração e propósito. Foto: André Rothenberger Neto


BAHIA
Izaura Muller e Jorge Fontes receberam amigos de várias partes do Brasil no condomínio Aldeia dos Coqueiros, na Praia do Forte, Bahia, para a abertura do Carnaval. Entre os convidados, um grupo de Curitiba esteve presente para vivenciar de perto o calor e a hospitalidade dos baianos. Foto: Divulgação
Coluna Conexão por Cesar Franco
TACLA

CELEBRAÇÃO
O party designer Marcos Soares assinou a festa de casamento de Rosangela Delara e Cesar Gollo, em Jurerê Internacional. A celebração marcou o início do ano com elegância, leveza e animação. Na imagem, Marcos Soares e a noiva em um registro de afeto.
Foto: Ryco
PIEMONTE
A Piemonte Incorporadora encerrou 2025 com mais de R$ 400 milhões em VGV, consolidando sua atuação no alto padrão imobiliário. O período foi marcado por entregas, expansão do portfólio e reconhecimento internacional. Na imagem, Lucas Demeterco, Fabiane Rubino, Filipe Demeterco e Silvia Soares. Foto: Divulgação


Celebrando 10 anos, o BST Arquitetura reafirma sua identidade, pautada pela ousadia, equilíbrio e simplicidade formal. Dirigido por Guilherme Belotto, Camille Scopel e Thiago Tanaka, o escritório desenvolve projetos autorais e cheios de personalidade. Com sua estreia na CASACOR Paraná em 2026, escreve um novo capítulo de sua história, reforçando seu olhar contemporâneo.
Foto: Divulgação


SWELL
A Swell Construções recebeu imobiliárias parceiras para o open house da cobertura decorada do CasaMia, primeiro empreendimento boutique do Bigorrilho, em Curitiba. Com interiores assinados por Lisiê Pissetti, o projeto aposta em integração, materiais naturais e design contemporâneo, com mobiliário Artefacto. Na imagem, Vanessa Pissetti e Lisiê Pissetti.
CARLA GRÜDTNER
Com 21 anos de atuação, o escritório da arquiteta Carla Grüdtner desenvolve uma arquitetura contemporânea e atemporal. Presença recorrente na CASACOR Paraná, com capas em duas edições, o escritório amplia sua atuação com novos projetos em Santa Catarina e Brasília.
Foto: Alice Sanzio


ORNARE
Em celebração aos seus 40 anos, a Ornare reuniu imprensa e profissionais em um almoço exclusivo no restaurante Feér Trattoria. O encontro reforçou o relacionamento com o mercado regional e a presença da marca em diferentes regiões do país. Na imagem, Gilza Dias, Priscilla Müller e Esther Schattan.
Foto: Patrícia Amancio
Coluna Conexão por Cesar Franco

VANGUARD
A Vanguard encerrou 2025 com entregas estratégicas, novos lançamentos e fortalecimento da marca em Curitiba, reafirmando design, propósito e experiência como pilares do seu posicionamento. Entre os destaques do período estão o lançamento do Hytte e a entrega do New.In. Na imagem, Louise Lamb, superintendente regional da Vanguard Curitiba.
Foto: Leandro Provenci
PONTA GROSSA
A arquiteta Marina Zanetti, de Ponta Grossa, inicia o ano com uma agenda intensa de projetos. À frente de seu escritório, atua com interiores e exteriores, tendo como marca o acompanhamento atento das obras, do início ao fim, com foco na qualidade e na compreensão precisa do desejo de cada cliente. Foto: Divulgação


SÈVE ART
Mostra Coletiva Limiar da Cor, da Sève Art Galeria, com obras de Felipe Scandelari, Leila Versetti, Lys Áurea Buzzi, Maristela Oliveira, Sergio F. Rolim e Wilson Pinto, evidenciou a pluralidade de olhares, técnicas e poéticas que atravessam a cor, a matéria e o gesto. Foto: Divulgação


O Instituto de Neurologia de Curitiba (Hospital INC) celebrou a formatura dos médicos residentes e reuniu o corpo clínico em uma festa de gala, no Clube Concórdia. A celebração black-tie também incluiu a premiação dos colaboradores que se destacaram. Na imagem a diretoria do INC: Patrick Ramina, Dr. Ricardo Ramina, Regina Montibeller, Dr. Murilo Meneses e Vanderlei Gomes. Foto: Divulgação
ADEMI
Maria Eugênia Fornea, nova presidente da ADEMI-PR, e o ex-presidente Thomas Gomes na solenidade de posse da gestão 2026/2027 da entidade. A nova composição reforça uma agenda técnica, orientada por dados, voltada à qualificação do debate urbano e ao fortalecimento institucional do mercado imobiliário paranaense. Foto: Eneas Gomez


YBAKATU
Tuca Nissel e Mauricio Pinheiro Lima, durante a reinauguração do novo espaço da Galeria Ybakatu em comemoração aos 30 anos. O arquiteto assina o projeto da galeria na Av. Vicente Machado, 1056. Foto: Gilson Camargo
Coluna Conexão por Cesar Franco

ELISEU PORTUGAL
O médico Eliseu Portugal celebrou seu aniversário em um jantar intimista no Adele Gastronomia, reunindo amigos próximos para uma noite de conversas e celebração. No registro, Eliseu com Guta e Ângelo Volpi e Eleutherio Netto. Foto: Daniel Assal
FESTA
Cíntia Peixoto, Isabela Macedo Almeida, Neuza Madalosso e Mara Cordeiro durante a comemoração do aniversário de Eliseu Portugal, em uma noite de alegria e descontração. Foto: Daniel Assal


Everton Menengola tomou posse como desembargador titular do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em cerimônia conduzida pelo presidente da corte, desembargador Sigurd Roberto Bengtsson. Em seu discurso, reafirmou o compromisso de ser um defensor incansável da democracia e do sistema eleitoral. Foto: Divulgação


JORGE ELMOR
A Lopes Home promoveu um tour exclusivo no Alberi, empreendimento da Piemonte, conduzido pelo arquiteto Jorge Elmor, responsável pelo decorado. A experiência apresentou os conceitos do projeto, que alia identidade, funcionalidade e arquitetura voltada à qualidade de vida. Na imagem, Jorge Elmor, Vivian Silva e Jairo Sera Tkachechen, sócios da Lopes Home em Curitiba.
Foto: Divulgação
ARTD3
O escritório curitibano Artd3 Arquitetura e D3sign, liderado por Karina Kawano e Denise Maruishi, foi premiado no Americas Property Awards 2025 pelo projeto do Festval Alto da XV. Vencedor na categoria Retail Interior - Brazil, o trabalho transforma o supermercado em uma experiência sensorial e de convivência, destacando Curitiba no cenário internacional.
Foto: Divulgação


PUPPI
A Puppi Ceramiche, referência em acabamentos e revestimentos há mais de 70 anos no mercado, recebeu o prêmio Roca Select BLACK, concedido pela Roca Cerámica, e leva aos clientes os lançamentos inéditos da Roca Select. Na imagem Luciano Puppi Filho e Fernanda Vasconcellos
Foto: Divulgação
Coluna Conexão por Cesar Franco


AUSTRÁLIA
A diretora da Swell Construções, Vanessa Pissetti Muniz passou as férias de fim de ano na Austrália ao lado da família, com dias especiais em Sydney, Melbourne e Gold Coast. Entre os registros, a icônica Sydney Opera House e a Harbour Bridge. Uma viagem marcada por paisagens inspiradoras, momentos em família e olhar atento às tendências de arquitetura.
Foto: Divulgação
INVESCON
Equipe Invescon na entrega do Varanda Barigui, empreendimento que marca um novo capítulo no Bigorrilho. Na imagem, Luís Napoleão, Marcelo Vieira e Fábio Oliveira. Com arquitetura assinada pela Arquea e vista para o Parque Barigui, o residencial reforça o compromisso com qualidade construtiva e uma forma de viver conectada à cidade.
Foto: Divulgação
AURORA BOREAL
Há 15 anos, o brasileiro Marco Brotto se dedica à observação da Aurora Boreal, tratando o fenômeno como natureza, não como espetáculo. Em quase 200 expedições ao Círculo Polar, construiu uma trajetória baseada em preparo, conhecimento de campo e respeito às questões locais, culturais e históricas. Foto: Divulgação


ACP
Muito prestigiada a posse do novo presidente da Associação Comercial do Paraná, Paulo Mercer Mourão, à frente da entidade no período 2026–2028. A solenidade foi realizada no Salão Azul do Clube Curitibano. No registro, o empresário posa ao lado da esposa, Rita Raquel Matta Mourão, e das filhas Ana Paula, Maria Eduarda e Maria Julia. Foto: Gerson Lima



QUANDO MORAR DEIXOU DE SER VITRINE
Lembro de chegar à casa da minha avó e ser direcionada para a sala de TV. A sala de visitas, também chamada de sala de cristal, era reservada para ocasiões especiais. Cinzeiros faziam parte da decoração, assim como o bar montado no centro do ambiente. Receber era um ritual. E, de certa forma, exibir também.
Corta para hoje. Já não é incomum encontrar uma bicicleta ou uma esteira na sala, um tapete de yoga estendido no chão ou um espaço pensado para o cuidado do corpo e da mente. A casa mudou porque a vida mudou.
O que aprendi estudando comportamento de consumo é que nada acontece de forma isolada. Espaços, hábitos e escolhas são sempre reflexo do tempo em que vivemos. Se antes a rotina era noturna e a casa precisava acomodar o encontro, o excesso e a performance social, hoje os hábitos são majoritariamente matinais. O bar deu lugar à bancada funcional, às shakeiras, ao café bem-feito. O silêncio passou a dialogar com privacidade e resguardo.
Os brindes ficaram restritos ao salão de festas ou aos restaurantes. A casa assumiu outro papel. Tornou-se refúgio.
Essa mudança é visível também na cidade. As ruas cheias de sábado à noite no Batel, hoje são calmas, enquanto as manhãs em padarias e academias se tornaram disputadas. O consumo não desapareceu. Ele se reorganizou. Da ostentação à sustentação, muita coisa mudou.
E quando o consumo muda, a rotina muda.
E quando a rotina muda, a casa muda também.
A moradia deixou de ser vitrine e passou a ser base. Menos ostentação visual, mais conforto sensorial. Menos espetáculo, mais funcionalidade para a família. No mercado imobiliário, especialmente no alto padrão, o valor de um imóvel já não está apenas na metragem, no acabamento ou na localização.

Ele está em algo mais sensível. Em quem divide o espaço. No tipo de rotina que aquele prédio estimula. No nível de silêncio, previsibilidade e ordem que ele oferece no dia a dia. Trata-se de uma seleção natural de estilos de vida, mais do que de status exibido.
A pergunta que orienta as escolhas já não é “quanto custa o metro quadrado?”.
É “como eu vivo dentro dele?”. Porque viver bem passou a importar mais do que parecer bem.
Scheila Schuchovski, @scheila.schu, é estrategista de marcas e negócios
Scheila Schuchovski Sperandio | Foto: Caroline Castella
Coluna Ponto de vista por Scheila Schuchovski

