RESSANO GARCIA OBRAS SELECCIONADAS SELECTED WORKS

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Ressano Garcia

Obras selecciOnadas Selected work workS

D O CU M E NTA


Obras seleccionadas Selected works

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Susan Ubbelohde

Uma arquitectura de beautiful acts 17

an architecture of beautiful acts 21

José tolentino Mendonça

Ver melhor, escutar melhor notas sobre a poética da arquitectura em Pedro Ressano Garcia 65

seeing better, listening better notes on the poetics of Pedro Ressano Garcia’s architecture 69

raúl Hestnes Ferreira

companhia das culturas obra de Pedro Ressano Garcia em São Bartolomeu do Sul, Castro Marim 97

companhia das culturas Pedro Ressano Garcia’s architectural work in São Bartolomeu do Sul, Castro Marim 101

Pedro ressano Garcia

Projectar para a celebração da vida 137

design to celebrate life 139

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Pedro Ressano Garcia (1967) viveu e trabalhou em várias cidades: Rio de Janeiro, Porto, Barcelona, e São Francisco. Actualmente em Lisboa, desempenha a sua actividade profissional partilhada entre a prática do projecto, a docência e a investigação. Iniciou o seu percurso acadé­ mico como docente na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1996. Actualmente é director do Departamento de Arquitectura e Urbanismo da Universidade Lusófona de Lisboa, e convidado para diversos Seminários e Conferências Internacionais. Desde 2010 é coordenador do European Workshop on Waterfront Urban Design no âmbito da sua inves­ tigação centrada na reconversão de frentes ribeirinhas em contexto urbano.

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No seu atelier, em Lisboa, procura combinar teoria e prática em projectos de arquitectura, desenho urbano e no desenvolvimento de estudos e ideias para valorizar cada realidade cultural. O seu trabalho tem sido amplamente publicado em livros, revistas e encontros internacionais. É autor do livro Plataforma tejo – o regresso ao rio, a frente ribeirinha de lisboa e o século XXI. Recebeu vários prémios e bolsas de instituições de prestígio, como a Fundação Calouste Gulbenkian, e em 2010 recebeu o Prémio de Arquitectura Pancho Guedes.

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Pedro Ressano Garcia (1967) has lived and worked in various cities: Rio de Janeiro, Porto, Barcelona, San Francisco, and is currently based in Lisbon where he shares his time between architectural practice, teaching and research. He began teaching at U.C. Berkeley, California, in 1996. At present, he is Head of Departament of Architecture and Urban Planning at Universidade Lusófona, Lisbon, and a visiting teacher and keynote speaker at several International Seminars and Conferences. Since 2010 he coordinates the European Workshop on Waterfront Urban Design in the context of his research on the transformation of port cities and waterfront regeneration.

In his office in Lisbon, theory and practice are combined in projects of architecture, urban design and the deve­ lopment of studies and ideas that give value to each cultural reality. His work has been published widely in books, magazines, as well as in international conferences. Pedro is the author of the book tagus Platform – Back to the river, lisbon’s waterfront and the 21st century. He has been awarded several grants from prestigious institutions, such as the Calouste Gulbenkian Foundation, and in 2010 he received the Pancho Guedes Architecture Award.

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Maquete de cinco tipologias de casas pátio Model of five typologies of courtyard houses 1/50; 172×130×20 cm Gesso, esferovite, arame, PVC e cartão Plaster, polystyrene, wire, PVC and cardboard

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H a b i Ta ç ã o HousiNg

Casa a Ver a Barra Cruz Quebrada, Oeiras, 2003

Móvel fixo em madeira de mutene e pedra mármore Furniture in mutene wood and marble stone

Maquete do sistema de intervenção Model of the intervention system sem escala No scale 14×50×3 cm madeira e acrílico Wood and acrylic

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C u lT u r a C u lT u r e

Eremitério Vila do Conde, 2014

Acolher uma obra de arte no micro-museu Hosting an art work in the micro-museum

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Maquete em corte Section model 1/20; 15×24×55 cm Cimento branco e estrutura em rede metálica White cement and metal grid structure

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C u lT u r a C u lT u r e

A Voz do Mar Fortaleza de Sagres, 2010-2015

Câmara sonora sobre a falha geológica, activada pela maré Chamber of sound on top of the geological fault, turned on by the tide

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Turismo Tourism

Apartamentos Duplex São Bartolomeu, Castro Marim, 2014

Dezanove portas e nove janelas reutilizadas Nineteen doors and nine windows reused

Maquete Model 1/20; 45×140×33 cm K-line, cartão e acetato Foam, cardboard and acetate

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Protecção solar com molduras em sucupira recicladas Solar protection made of recycled wooden frames

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Turismo Tourism

Hammam São Bartolomeu, Castro Marim, 2014

Sala oval Oval room

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Secção de maqueta Model Section 1/20; 50×150×35 cm K-line e pasta de papel Foam and paper mache

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Pedra aquecida warmed stone

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Pedro ressano Garcia

PrOjectar Para a celebraçãO da Vida

Foi na Escola de Arquitectura do Porto que me tornei aprendiz de arquitecto. Depois de viver na Bélgica e crescer no Brasil, foi desafiante poder fazer parte do que se tornou um ambiente verda­ deiramente estimulante. A geração de arquitectos, que trabalhava e ensinava no Porto, funcionava em grupos e estava intimamente relacionada: juntos resistiram à ditadura. Entre eles havia uma tendência para valorizar uma arquitectura anónima, em que o grupo era mais importante do que a expressão individual. Apesar de ter sido fascinante conhecer o grupo mais velho, entre a geração mais jovem interessava­nos o diferente e excepcional. Enquanto nós, jovens, éramos divertidos e sociais, os mais velhos tinham uma postura séria. Nós éramos sonhadores e alegres num contexto que promovia uma atitude consensual em valorizar a arquitectura moderna. Resistíamos lendo a poesia de Sophia de

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Mello Breyner, que afirmava existirem três categorias de edifí­ cios: os mudos, alguns que sussurram e outros capazes de cantar. Depois do Porto, as faculdades da Catalunha e da Califórnia ofereceram a oportunidade de conhecer um tipo diferente de arqui­ tectos. Estes anos abriram uma janela para a transgressão. A brisa trouxe diversão e a possibilidade de mergulhar noutras diversidades culturais. Foi um privilégio ter tempo para observar o mundo de uma perspectiva diferente, isolado, em novos ambientes culturais. A percepção da forte influência da cultura local em cada arqui­ tectura foi crescendo com as viagens por diferentes continentes. Alguns edifícios resultaram da mistura de diversos campos de conhecimento, quer tecnológicos, sustentáveis, com diversos materiais de construção, quer através de novos programas. Outros edifícios revelaram­se intrigantes quando comparados com a arquitectura local, mas não necessariamente quando enquadrados na produção da arquitectura a nível global. O para­ doxo entre local e global passou a ser um tema central. Tornou­se claro que a maioria da arquitectura pertence a um contexto geográfico e histórico particular e que muitos arquitectos incorporam parâmetros específicos na sua concepção. O facto de alguns arquitectos serem capazes de utilizar mais parâmetros para projectar edifícios melhores revelou­se bastante atraente. Os projectos presentes neste livro visam incluir novos parâ­ metros para alargar as possibilidades em arquitectura. No atelier procuramos aquilo que ainda não sabemos. O interesse de traba­ lhar dentro de uma equipa multidisciplinar demonstra­se como um padrão cultural que tem como objectivo contribuir para o conhecimento contemporâneo global. Enquanto na universidade os estudantes de arquitectura estão expostos a uma variedade de tópicos que desenvolvem ao longo das suas vidas profissionais, no atelier incluimos mais parâmetros para explorar novas soluções arquitectónicas e desafiar conven­ ções. A contemporaneidade de cada geração revela­se sobre exemplos subtis que valorizam a dimensão humana e espiritual. Os projectos de Emissão de Carbono Zero não são futuristas. São, principalmente, conservadores, uma vez que interpretam as condições locais em conjunto com soluções que fazem uso da tecnologia actual. O passado e o presente misturam­se para oferecer o melhor de cada um. O equilíbrio entre o ambiente construído e a natureza está no coração da concepção arquitec­ tónica. A compreensão da presença humana, nas sucessivas gerações, é a chave para imaginar um mundo melhor: materiais de construção amigos do ambiente, baixo consumo de energia e vida inspirada no movimento slow.

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Com estes objectivos, os projectos activam os sentidos do corpo através da luz íntima e da temperatura exacta dos materiais, e os espaços tornam­se experiências intensas: aromas sensuais, texturas sensíveis e habitats que detêm o tesouro da vida humana. Projectar para a celebração da vida. É necessário tempo para encontrar a escala adequada e a medida certa. Tempo para ouvir as paredes e persistência para observar a luz ao longo do dia, conhecer as pessoas que vão utilizar os espaços edificados, perceber os seus hábitos e os seus sonhos. Em cada projecto procuramos a excelência, que na maioria das vezes surge do trabalho apaixonado e da curiosidade. Pode ser impulsionada por metodologias de construção, estratégias susten­ táveis, eficiência de baixo custo, materiais inteligentes ou por um magnífico desenho. Para além da excelência existe um ideal: valorizar a dimensão humanista. O critério principal baseia­se em desenhar melhor edifícios para as pessoas, onde o ser humano pode viver uma vida melhor em relação à economia de recursos, ao ambiente construído, à comunidade e às suas aspirações culturais.

Pedro ressano Garcia

desiGn tO celebrate life The School of Architecture in Oporto is where my education as an architect started. After living in Belgium and growing up in Brazil it was challenging to attend what became a truly stimulating environment. The generation of architects, teaching and practicing in Oporto school, worked in groups and was closely related: together they resisted the dictatorship. There was a tendency among them to value anonymous architecture in which the group was more important than the expression of the individual. Although it was fascinating to meet the older group, the younger generation had an eye for the different and the exceptional. Among the young, we were fun and social while the older were serious. We were dreamers and joyful in a context that promoted a consensual attitude and valued modern architecture. We resisted

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and read the poetry of Sophia de Mello Breyner who claimed that there were three categories of buildings: the mute, some that whisper and others that were able to sing. After Oporto, the schools in Catalonia and California offered the opportunity to meet a different sort of architects. Those years opened a window of transgression. The breeze brought amusement and the possibility to dive into cultural diversity. Isolated in new cultural environments, it was a privilege to have time to observe the world from a different perspective. The influence of local culture in each architecture expanded along the travels across different continents. Some buildings resulted from mixing diverse fields of knowledge, either techno­ logical, sustainable, building materials or new programs. Other buildings where intriguing when compared to local architecture but not necessarily among the global production. The paradox between local and global filled a central topic. It become clear that most architecture belongs to a particular geographic and historical context and that most architects incorporate specific parameters in their design. It was appealing how some architects were able to use more parameters to design better buildings. The projects presented in this book aim to include new parameters to expand the possibilities of architecture. At the office we search for what we do not know yet. The interest to work within a multicultural and multidisciplinary team emerges as a cultural pattern that aims to contribute for contemporary global knowledge. While at school, students of architecture are exposed to a variety of topics and develop them throughout their professional lives, in the office we include more parameters to explore new design solutions and challenge conventions. The contempora­ neity of each generation is revealed over subtle examples that values human and spiritual dimension. The Zero Carbon Emission projects are not futuristic. They are mainly conservative, while interpreting the local conditions with solutions that make use of updated technology. Past and present are mixed to offer the best of both. The balance between built environment and nature is at the heart of the design. The perception of human presence, within the chain of generations, holds the key to imagine a better world: clean building materials, low energy consumption and slow life. Holding these aims, architectural design activates the senses of the body through intimate light and accurate temperature of materials, and spaces become powerful experiences: sensual

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smells and sensitive textures build the habitat that holds the treasure of human life. Design for the celebration of life. To find the appropriate scale and the right measure requires time. Time to listen to the walls and patience to observe the light through the day, get to know the people that will use the built environment, understand their routines and their ambitions. In each project we search for excellence. It often emerges from passionate work and curiosity. May be driven by building method­ ologies, sustainable strategies, low income efficiency, smart mate­ rials and great design. Beyond excellence there is an ideal towards humanity. The ultimate criteria becomes to achieve better build­ ings designed for people where human beings can live better lives in relation to the economy of resources, the built environment, to the community and their cultural aspirations.

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