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REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 41 - SETEMBRO/2011 - R$ 10,00 www.documentoreservado.com.br

FORA DEROSSO Ato público reúne centenas de jovens que pedem a saída de Derosso DEUS NOS ACUDA Epidemia ou pandemia do crack: um problema exclusivo do Brasil

Fruet x Ducci por Curitiba

Com a entrada de Gustavo Fruet no PDT, começa a briga pela Prefeitura de Curitiba

o govern o d e t for os homem las suas mã o , l a sa pe l Amar Durva a. Tudo pas Rich


editorial

expediente Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Redação Norma Corrêa, Pedro Ribeiro, e Lucian Haro

Fim da novela. Fruet no PDT

Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Ajir Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo) Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 41 - SETEMBRO/2011

E

nfim desencarnou. O ex-deputado federal, Gustavo Fruet, assina ficha no PDT de Osmar Dias e concorre à Prefeitura de Curitiba na esperança de poder contar com o apoio do PT que esteve ao lado do ex-senador na eleição para o Governo do Estado. No início do mês de julho, Gustavo Fruet comunicou seu desligamento do PSDB, sigla que integrava desde 2004. A partir da desfiliação, Gustavo iniciou o diálogo com siglas que publicamente manifestaram intenção de tê-lo em seus quadros. Após esses dois meses de avaliações e diálogos, Gustavo comunicou sua filiação ao PDT. Centenas de estudantes participaram do ato “Fora Derosso”, realizado dia 28 de setembro nas ruas centrais de Curitiba. Na porta da Câmara de Vereadores, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Derosso, largue o osso e Fora Derosso”, e avisaram que este tipo de protesto teria continuidade durante as reuniões da CPI do Derosso. Médicos e estudantes de medicina de todo o Estado estiveram reunidos no final de setembro em Curitiba para um amplo debate sobre a questão do crack e o internamento de usuários da droga. O Conselho Regional de Medicina promoveu um Seminário sobre Epidemia de Crack no Brasil, em Curitiba/PR, na sede do Conselho. A intenção foi oferecer aos médicos melhor orientação no atendimento e nos tratamentos a dependentes químicos do crack, incluindo crianças e adolescentes, já que a droga alcança características de epidemia e tem grande impacto nos indicadores de saúde, sociais e de segurança. Na área do comércio, a revista Documento Reservado mostra reportagem especial sobre o impostômetro que vem tirando o sono dos brasileiros. Acompanhe também a questão da corrupção no País e a violência em Curitiba. Um dos veículos de comunicação mais antigo, o rádio, continua vivo como nunca. A repórter Lorena Malucelli Pelanda brinda os leitores com uma reportagem sobre o rádio e quem está por trás dele. Gabriela Gatti mostra, em sua coluna, as novidades que move o mundo da sociedade, enquanto o leitor pode acompanhar também uma agenda cultural recheada de eventos, shows, exposições e teatro. Boa leitura!

Pedro Ribeiro

4 Documento Reservado / Setembro 2011


06 SINTONIA FINA 50 COLUNA DA GABI 52 AGENDA CULTURAL 54 PERFIL

Luiz Alfredo Malucelli

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CARAS PINTADAS Sob o comando da CUT Curitiba, centenas de estudantes foram ŕs ruas para protestar contra o presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba. Querem a saída de Derosso.

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OS PODERES Em Londrina, alunos de 12 a 14 anos, da rede pública, estăo tendo aulas sobre cidadania, democracia e política. O objetivo é mostrar aos jovens como funciona os poderes.

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TÔ FORA! Em Curitiba, a reportagem da revista Documento Reservado foi ŕs ruas ver o que os jovens pensam da política. Poucos se interessam pelo assunto. Desconhecimento total.

NINGUÉM AGUENTA A carga tributária no Brasil năo para de crescer. Em 2010, cada brasileiro pagou, em média, R$ 6.722 de impostos. Em 10 anos, subtraiu R$ 1 trilhăo da sociedade.

índice 08 DESENCARNOU Enfim saiu da moita. O ex-deputado federal, Gustavo Fruet, que deixou o PSDB por falta de espaço, assinou ficha no PDT de Osmar Dias e vai disputar a Prefeitura de Curitiba

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PANDEMIA Os médicos de todo o País entram na guerra contra o crack. Em Curitiba, o Conselho Regional de Medicina debate o assunto da droga e seu tratamento que virou uma epidemia.

AO DEUS DARÁ A violęncia năo dá trégua. Em Curitiba, o número de assassinatos cresce e a populaçăo está preocupada. Enquete revela que 935 das pessoas ouvidas se sentem inseguras em Curitiba

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O RÁDIO Um dos veículos de comunicaçăo mais antigo, o rádio, continua soberano e encantador. Basta lembrar que quando veio a TV, todos achavam que ele ia morrer. Que nada!

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ROUBALHEIRA Passam de R$ 54 bilhőes os desvios de dinheiro no Brasil. Isto significa 2,3% do PIB brasileiro em 2010. A corrupçăo continua a todo vapor e será mais voraz com a Copa do Mundo.

16 FILTRO DO GOVERNO Cabeça branca, como é conhecido no Palácio das Araucárias, Durval Amaral, chefe da Casa Civil, vem se transformando no “homem forte do governo”. Tudo passa primeiro pelas suas măos.

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MĂE CURITIBANA O Programa Măe Curitibana, da Prefeitura de Curitiba, foi premiado pela Organizaçăo Pan Americana de Saúde e Ministério da Saúde e vai concorrer em concurso internacional nos EUA

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COPA SEM GOSTO Vem caindo assustadoramente o interesse pela populaçăo paranaense em relaçăo ŕ realizaçăo da Copa do Mundo em Curitiba. Está mais para um evento turístico do que esportivo.

44 REGINA VOGUE Regina Vogue, um exemplo de mulher. Saiu de casa aos 16 anos para se transformar em uma das mais aplaudidas atrizes do País. Hoje comemora 51 anos de carreira

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sintonia fina

Punhado de dólares Um delegado da Polícia Civil paranaense recebe, em seu gabinete, dois cidadăos do alto comando do governo de Roberto Requiăo e se inicia um diálogo: Como faço para ter de volta os meus dólares, roubados pela empregada? questiona o queixoso. Essa soma é declarada, tem procedęncia? pergunta o delegado. É claro que năo! Responde. Entăo, nada posso fazer! Resultado: pegaram a mulher, deram uma surra nela e recuperaram um pouco de dólares. Existe BO.

Falha conjunta Em uma de suas viagens para o Mato Grosso, em visita aos boizinhos, o deputado estadual licenciado e chefe da Casa Civil do governo Beto Richa, Durval Amaral (DEM), passou a observar um conjunto de móveis rústicos ŕ beira da rodovia. Um dia parou e foi conversar com o dono na tentativa de realizar negócio. Conversa vai, conversa vem com a proprietária, Amaral pediu o número do telefone celular para fazer uma oferta aos móveis. De bate pronto ouviu: “năo tenho celular, porque é igual a político. Sempre que a gente precisa, ele falha”. Para um sorriso amarelo do parlamentar paranaense.

Mau cheiro

al de Vigilância Sanitária (Anvisa), De olho nas embarcaçőes que chegam ao Brasil, a Agęncia Nacion de cruzeiros que chegaram no país na divulgou um relatório indicando que cerca de 30% dos navios principais irregularidades encontradas nas temporada 2010/2011 apresentaram problemas sanitários. As água e ao armazenamento, ao preparo e ŕ embarcaçőes estăo relacionadas ao controle da qualidade da pelo norovírus, distribuiçăo de alimentos, o que pode aumentar a contaminaçăo visitaram a costa principal causador de diarreia. Já 70% das embarcaçőes que satisfatórias para a brasileira nessa temporada apresentaram condiçőes sanitárias maioria dos itens inspecionados.

Nada a declarar Nesta ediçăo da revista Documento Reservado, revelamos dados estatísticos sobre a onda de violęncia e criminalidade no Paraná, em especial Curitiba e regiăo metropolitana. Na ediçăo anterior, fizemos uma reportagem falando sobre o programa Paraná Seguro, lançado pelo governador Beto Richa. Tentamos, por várias vezes, ouvir o secretário de segurança pública, Reinaldo de Almeida Cesar e năo fomos atendidos. Nesta ediçăo, resolvemos deixá-lo na sua comodidade e conforto, relatando apenas o que pesquisamos. 6 Documento Reservado / Setembro 2011

A milícia vem aí De repente, assaltar bares e restaurantes em Curitiba virou rotina dos malacos. Em 10 dias, foram cinco assaltos. Preocupada com a onda, a Abrabar, entidade representativa da categoria (dos empresários, é claro), procurou os deputados estaduais para relatar os últimos fatos lamentáveis e solicitar providęncias das autoridades responsáveis. Como sempre acontece no legislativo, marcaram uma reuniăo para discutir o assunto e acho que até hoje estăo se reunindo. E nada mais. Se năo houver um basta, logo teremos milícia em Curitiba.

Reprovados

Continua o debate, seguido de polęmica, a questăo sobre a legalidade da prova da OAB que qualifica o bacharel em direito a exercer a profissăo. O exame da OAB foi criado em 1963 e em 1972, o ministro da Educaçăo, Jarbas Passarinho, extinguiu o exame, o que permitia que o estágio fosse feito nas próprias faculdades, que atestariam o aproveitamento do aluno para inscriçăo na OAB. Em 1994, um novo estatuto instituiu a exigęncia do exame para admissăo nos quadros da advocacia.O último exame da Ordem, realizado no início deste ano, reprovou 88, ou, 275% dos 106.891 bacharéis em direito inscritos. Do total, 12.534 candidatos foram aprovados, de acordo com a OAB. O índice de reprovaçăo da ediçăo anterior quase chegou a 90%.


PEDRO RIBEIRO

Na área, sem goleiro A estrela do governador Beto Richa (PSDB), continua em alta. Sempre, com bola na pequena área e, de preferęncia, sem goleiro. É só empurrar para as redes. Recente pesquisa de opiniăo pública revelou que a popularidade e a aprovaçăo de Richa estăo nas alturas.Dos paranaenses, 72,4% aprovam a forma como o governador conduz seu governo. O instituto ouviu 2.652 pessoas em 80 municípios do Estado entre os dias 1.ș e 7 de setembro. A pesquisa mostra que a avaliaçăo de Beto é superior a da presidente Dilma Rousseff. Enquanto o governador obteve 72,4% de aprovaçăo, a presidente ficou com 61,4%.

Os pobres de lá Enfim, os americanos manifestaram preocupaçăo com os pobres do País. Comparado a nós, a porcentagem de pobres no Brasil é imensamente maior: 15% da populaçăo nos Estados Unidos é praticamente tręs vezes mais no Brasil (43% para ser preciso). É claro que os pobres brasileiros săo muito mais pobres que os pobres norte-americanos. Lá, é pobre quem ganha no máximo o equivalente a R$ 700. Aqui, R$ 140. A notícia boa é que a pobreza no Brasil vem sendo combatida com mais responsabilidade.

Engrossando o caldo Se a CPI que investigará as denúncias de corrupçăo na Câmara dos Vereadores de Curitiba CPI do Derosso – terminar em pizza, pelo menos mais dois convidados de peso participarăo da confraria: o presidente da OAB – Paraná, José Lúcio Glomb e o arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom Moacyr José Vitti, que estăo mobilizados no movimento liderado pela oposiçăo. Engrossarăo a mesa, lideranças do movimento estudantil e os vereadores que estăo dando uma de “Joăo sem braço”.

No mínimo, estranho Sapatadas no Ney Por essa o deputado Ney Leprevost (PSD), năo esperava. Ao participar de entrevista na rádio Band News, acabou recebendo uma saraivada de perguntas sobre sua relaçăo com o funcionário da Assembléia Legislativa, Eduardo Carmona, que está sendo investigado pela Polícia Federal devido a sua participaçăo na Oscip Iabras, que recebeu dinheiro público para gastar com festeręs. “Năo tenho nada com isso, se esquivou o jovem parlamentar depois de várias “sapatadas”.

Alceo Maron, diretor-superintendente do Porto de Paranaguá, poderá vir a ser feliz proprietário de uma indenizaçăo milionária da instituiçăo que dirige. Corre na Justiça, pedido de indenizaçăo no valor de R$ 600 mil, em funçăo da publicaçăo, por parte do ex-superintendente, Eduardo Requiăo, do valor dos salários dos funcionários. Coincidęncia ou năo o advogado da causa é, também, pai de um funcionário do Porto. 7 Documento Reservado / Setembro 2011


política

Um Fruet mais agressivo A

Aos poucos, o quadro político começa a ser delineado para as eleições do ano que vem em Curitiba. As peças desse intrincado tabuleiro de xadrez que se transformou a política na Capital paranaense mostram movimentos lentos, mas seguros na direção de dar um xeque-mate no ex-deputado Gustavo Fruet, que deixou o PSDB há quase três meses por encontrar dificuldades para “desenrolar” a sua candidatura à Prefeitura de Curitiba no ninho tucano. A decisão de Gustavo de mudar de partido e seguir com a intenção de disputar o Executivo, nas eleições do ano que vem, mexeu com o cenário político da cidade. Movimentando-se com “excesso” de cautela, há meses Fruet dribla a curiosidade do público e adia para os últimos dias do calendário eleitoral a sua decisão de se filiar ao PDT, do ex-senador Osmar Dias, a quem o

ex-deputado parece ter se espelhado para tornar pública a sua decisão, acirrando a curiosidade e irritando muita gente pela demora do anúncio que, finalmente aconteceu no dia 28 de setembro, nas escadarias da Universidade Federal do Paraná. Ali, falando para um público não muito grande, mas não menos animado – a sua grande maioria composta por militantes do PDT – Fruet disse que “iniciava” a sua carreira política, agora, no PDT, o que todo mundo já esperava. Não por causa do perfil de Gustavo que poderia ser comparado a pedetistas, mas porque o ex-vereador Jorge Bernardi “furou” o companheiro e anunciou, um dia antes, qual o partido que o ex-tucano havia escolhido, o PDT. Diz ele que foi “sem querer”. Acontece que Bernardi estava animado e acabou convidando alguns jornalistas para participar “da

Em seu discurso, Gustavo fez questão de lembrar a “excelente” votação que fez, em 2010, como candidato ao Senado e assegura que está recomeçando sua vida política disposto a enfrentar o desafio de discutir e trabalhar pelo futuro de Curitiba. 8 Documento Reservado / Setembro 2011

festa com o anúncio de Fruet, na Santos Andrade”. Pouco tempo depois, foi a vez do exsenador Osmar Dias, que enviou para a sede do partido uma nota oficial de boas vindas a Fruet. E, para fechar com chave de ouro, na Praça Santos Andrade, minutos antes de o exdeputado chegar para falar, um pedetista anunciava ao microfone que “em breve Gustavo Fruet acabaria com o mistério e contaria qual o partido que ele escolheu. Estamos aqui para prestigiar o momento da fala do ex-deputado Gustavo Fruet. Sabemos que este 28 de setembro se tornará um marco de transformações importantes para Curitiba e o Paraná”. A ansiedade provocou a trapalhada e “estragou” o anúncio do neopedetista. Aliás, Gustavo está levando a sério a sua decisão de mudar, ao assumir também o perfil crítico ácido e agressivo de pedetistas e dos partidos que gravitam em torno da agremiação, dando o tom do que será a campanha eleitoral do ano que vem. E foi nas escadarias da UFPr que Gustavo buscou imprimir um estilo sentimentalista à sua fala, embora com pitadas de agressividade, apesar de garantir que deixou o PSDB, mas que não guarda mágoas nem rancor. Acontece


NORMA CORRÊA

Embora tenha sido “furado” por dois correligionários, o ex-deputado Gustavo Fruet anuncia, o que já não era segredo para mais ninguém: sua filiação ao PDT,e assume o perfil partidário, disparando críticas e destilando veneno para todos os lados

que foi na “Federal” que Fruet estudou Direito e onde deu os primeiros passos na política ao concorrer para a presidência do diretório Hugo Simas, de Direito. Foi ali também que estudaram seu pai, ex-prefeito de Curitiba, Maurício Fruet e seu avô. No entanto, o sentimentalismo parou por aí. O anúncio da filiação ao PDT acabou se transformando em ato público, quando o ex-deputado destilou veneno contra quem considera seus adversários. O primeiro alvo da sua relação foi o atual prefeito Luciano Ducci (PSB), que Gustavo culpa pelo escândalo que se abateu sobre a Câmara de Curitiba, cujas denúncias atingem o seu presidente, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), que é acusado de supostas irregularidades nos contratos de publicidade da Casa. Fruet afirma que a crise na Câmara é resultado da política fisiológica na Prefeitura, onde favores e cargos são usados em troca de apoio político. “Há uma relação ‘siamesa’ entre a Prefeitura e a Câmara. Ducci e Derosso são hoje faces da mesma moeda. A base que apoia o Derosso é a mesma que apoia a reeleição do prefeito”, disse o transfigurado Fruet. Segundo ele, Curitiba nunca teve uma agenda negativa nacional tão grande como agora, e a Prefeitura tem responsabilidade sobre isso. “O recurso é público, o dinheiro é do povo e é a Prefeitura quem repassa à Câmara. A crise no Legislativo da Capital é fruto de práticas políticas fisiológicas que o Executivo utiliza para garantir maioria no Legislativo, em troca de favores e cargos”, dispara. Em seu discurso, Gustavo fez questão de lembrar a “excelente” votação que fez, em 2010, >> 9 Documento Reservado / Setembro 2011


política

O ex-deputado Gustavo Fruet anunciou, sem muito segredo, a sua filiação ao PDT nas escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPr), na Praça Santos Andrade

como candidato ao Senado e assegura que está recomeçando sua vida política disposto a enfrentar o desafio de discutir e trabalhar pelo futuro de Curitiba. Ele disse ainda que há esgotamento do modelo de planejamento urbano de meio século e afirmou que as denúncias de manipulação de multas de trânsito e irregularidades nos contratos de operação de radares, a falta de solução para o problema da destinação do lixo, e a queda de qualidade no transporte público, como sintomas dessa incapacidade da Prefeitura em dar resposta aos problemas da cidade. “Curitiba hoje passa a ideia de ser uma cidade como qualquer outra, que perdeu a capacidade de inovar”, frisa, aproveitando a

oportunidade para dizer que quer que a “caixa-preta” dos radares seja aberta, principalmente o rompimento do contrato com a Consilux, que foi anunciado, “ninguém mais falou nisso. Até hoje não se sabe o que aconteceu, se houve ou não manipulação de multas, se há ou não corrupção. Não há clareza”, dispara. Embalado pelo tom alterado nas críticas, Fruet não perdoou sequer o governador Beto Richa (PSDB), a quem acusa de tomar “atitudes contra algumas expectativas”, depois de ter assumido o Poder. E falou sobre o acordo “rompido por Richa” que, na campanha do ano passado, lhe garantiu apoio para ser o candidato do PSDB à sucessão de Ducci. A atitude do governa-

dor, na opinião de Fruet, levou o PSDB a “viver o contraditório, abrindo mão da candidatura própria, de espaço para o surgimento de novas lideranças, para apoiar um candidato cujo partido, no plano nacional, é adversário, já que faz parte da base de apoio do governo de Dilma Rousseff ”. Sobre as eleições de 2012, falando como candidato, Gustavo disse que ainda é cedo para discutir alianças, mas confirmou que já adiantou as conversas com dirigentes do PV, PCdoB, PT e outros partidos da base do Governo Federal, e que devem segui-lo, assim como foi com o ex-senador Osmar Dias, quando ele concorreu ao cargo no Palácio das Araucárias e perdeu para o tucano Beto Richa. No

Sobre as eleições de 2012, falando como candidato, Gustavo disse que ainda é cedo para discutir alianças, mas confirmou que já adiantou as conversas com dirigentes do PV, PCdoB, PT e outro partidos da base do Governo Federal. 10 Documento Reservado / Setembro 2011


PDT, além da garantia de ser candidato à Prefeitura, Fruet terá o comando do diretório da Capital. Mas, ao lado de Fruet, corre acelerado, pela reeleição, o atual prefeito Luciano Ducci (PSB), que conta com apoio do governador Beto Richa (PSDB), além das candidaturas, ainda especulativas, de Ratinho Júnior (PSC), Rafael Greca (PMDB) e, mais recentemente, o deputado estadual Rasca Rodrigues aponta com a sua candidatura à Prefeitura de Curitiba pelo PV. Nota oficial de Osmar Dias “Para nós, é um privilégio contar com um companheiro que, ao longo de 12 anos como deputado federal, conquistou o reconhecimento dos eleitores, dos parlamentares, da imprensa e de toda a sociedade por seu trabalho competente e sério. Por suas inúmeras qualidades como homem público, Gustavo Fruet filia-se ao PDT para ser o nosso candidato a prefeito de Curitiba”. Estas são as palavras de boas vindas do exsenador e presidente estadual do PDT, Osmar Dias, que foi lida por Fruet no final da coletiva à imprensa, no dia 28. No documento, além de justificar a sua ausência em razão de compromissos profissionais no Banco do Brasil, Osmar afirma que o partido está “honrado” com a filiação do ex-deputado federal Gustavo Fruet, que garante não se tratar de um projeto eleitoral, mas sim de um grupo que “se une para apresen-

Para nós, é um privilégio contar com um companheiro que, ao longo de 12 anos como deputado federal, conquistou o reconhecimento dos eleitores, dos parlamentares, da imprensa e de toda a sociedade por seu trabalho competente e serio. Osmar Dias

tar um projeto de governo que seja do interesse de todos os curitibanos. E diz ainda que a trajetória de Fruet “é uma prova de que é possível fazer política com ética, com decência, com respeito”. Postura incoerente Também por meio de nota publicada no jornal Gazeta do Povo, o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), pouco depois de ser citado por Gustavo Fruet em praça pública, respondeu às críticas, lembrando que Fruet fazia parte do mesmo grupo político que ele até há pouco tempo. “Havia um ano, o Gustavo frequentava meu gabinete e me pedia que o acompanhasse aos bairros na sua campanha ao Se-

nado, que eu apoiei e pela qual trabalhei de mangas arregaçadas. Até o final do ano passado, a Eleonora, irmã do Gustavo, era minha secretária da Educação. E uma boa secretária”, diz a nota, para, mais adiante afirmar que Fruet não estaria tendo um comportamento digno de sua imagem pública. “Eu não sei qual é o momento emocional que o Gustavo está vivendo, mas não reconheço nele e nas suas declarações a imagem pública que ele, durante tantos anos, alimentou”, disse.

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Fruet fez pesadas críticas ao prefeito Luciano Ducci, apesar de, um dia terem dividido a mesma trincheira 11 Documento Reservado / Setembro 2011


política

No PSDB No PSDB, os caciques apostavam que Fruet, de novo, se renderia às evidências, e que ele desistiria de seu projeto pessoal em favor da candidatura de Ducci, aliado do grupo de Richa de longa data. Até então, no ninho tucano o silêncio reinou absoluto. Ninguém dizia abertamente que o PSDB manteria o seu compromisso acordado anteriormente com Ducci e o PSB. Até que, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdir Rossoni, confirmou o pacto do PSDB com o prefeito. Rossoni disse que, no Paraná, haverá candidatura tucana na maioria das cidades, com exceção de Curitiba, onde o partido tem compromisso firmado com o prefeito Luciano Ducci. Até então, o deputado Mauro Moraes era ferrenho defensor da candidatura própria do partido à Prefeitura da Capital, mas teve que se render às evidências. “Se posicionar contra é ser voto vencido”, admite Moraes que, agora, defende que o candidato à vice-prefeito de Ducci seja indicado pelo PSDB, desde que o nome seja “bom de voto”. Moraes acredita que o desenho do quadro político para as eleições do ano que vem tem traços fortes e que a “eleição será um páreo duro”, e não descarta a possibilidade de um segundo turno, daí a necessidade de o candi-

Nem o governador Beto Richa foi poupado por Fruet das críticas ácidas dato do grupo “ser bom de voto” para poder enfrentar “e vencer” o que vem por aí. Segundo ele, o que se trabalha, agora, é na formação de um “chapão” para manter a reeleição da bancada do partido na Câmara de Curitiba, que hoje conta com 14 vereadores. Na opinião do deputado, essa decisão foi tomada porque, sozinho, o PSDB corre o risco de ter a bancada na Câmara diminuída, murcha. E as peças do xadrez começam a se mover. Há seis meses sem presidente, a primeira movimentação foi a escolha do presidente do diretório do PSDB de Curitiba e da nova cúpula do partido. Fernando Ghignone, presidente da Sanepar, foi escolhido para comandar o diretório municipal provisório do partido, e ainda não há definição de quando a cúpula diretiva do partido será escolhida definitivamente. Ghignone, porém, garante que isso vai acontecer antes das eleições do ano que vem. Essa confusão toda aconteceu em razão da intervenção, pelo comando estadual do partido, em março, quando o então presidente municipal do PSDB, vereador João Cláudio Derosso, presidente da Câmara, bateu de frente

Ex-vereador de Curitiba, Jorge Bernardi, “furou” Fruet, 24 horas antes do anúncio da escolha pelo PDT

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com Gustavo Fruet que pretendia colocar seu nome como candidato à Prefeitura e encontrou resistência em Derosso que defendia a reeleição de Luciano Ducci. A intervenção era o remédio que, para alguns tucanos, deveria acalmar os ânimos dos dois lados e encontrar um denominador comum e, assim, evitar um inevitável racha no partido. No entanto, o movimento da peça no tabuleiro de xadrez não deu os resultados esperados e, em julho, Fruet se desfiliou do PSDB. Somente agora, quase três meses depois, é que o PSDB da Capital começa a se reestruturar. Ao assumir o comando do partido provisoriamente, Ghignone disse que o primeiro passo é reorganizar as zonais, que estavam bem estruturadas antes da intervenção, cujo processo, segundo ele, deve ser rápido. Além de Ghignone, também compõem o diretório municipal do PSDB, o deputado federal Fernando Francischini (primeiro vice-presidente); o vereador João do Suco (segundo vice-presidente); o deputado estadual Mauro Moraes (secretário); o secretário estadual de Saúde Michele Caputo Neto (tesoureiro), e os dois vogais, vereador Emerson Prado e o chefe de gabinete da Casa Civil, José Carlos Campos Hidalgo.


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política

DA REDAÇÃO

Fora Derosso Centenas de jovens estudantes vão às ruas de Curitiba para pedir o afastamento do presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB).

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Jovens, com caras pintadas de verde e amarelo fazem ato contra Derosso na Câmara de Curitiba

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ovens, com idade de 12 a 20 anos, a maioria com caras pintadas de verde e amarelo, foram os protagonistas de manifestação realizada na manhã desta quarta-feira (28), em Curitiba, para pedir o afastamento do presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso, envolvido em denúncias de irregularidades na distribuição de recursos na área de publicidade do legislativo da capital. Perto de 500 pessoas participaram do ato promovido pela Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR). A partir das 9 horas, os jovens foram se aglomerando na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba e de lá seguiram pela rua João Negrão até a Avenida Visconde de Guarapuava, sede da Câmara de Vereadores. Foram gritando palavras de ordem e carregando faixas com os dizeres: “Derosso, largue o osso” e “Fora Derosso”. Ao chegarem na Câmara, aproveitaram o momento em que um caminhão saía do estacionamento da Casa e entraram. Os funcionários não impediram o acesso do grupo ao local. Apenas 30 estudantes puderam acompanhar a primeira reunião da CPI do Derosso, presidida pelo vereador Emerson Prado, do PSDB, mesmo partido que Derosso pertence. O ato contou com a participação de estudantes, sindicatos, Central Única dos Trabalhadores do Paraná, dos partidos políticos de oposição e da população em geral. João Cláudio Derosso foi denunciado no Conselho de Ética da Câmara de Vereadores por irregularidades na contratação da empresa Oficina de Notícias, de propriedade de sua esposa, a jornalista Cláudia Queiroz. A agência de publicidade e comunicação recebeu da Câmara R$ 5,1 milhões de 2006 até início deste ano, quando o contrato se encerrou. Derosso também está sendo acusado de contratar irregularmente funcionários da Assembleia Legislativa do estado, de nomear uma cunhada em seu gabinete e de ser responsável pelo jornal Câmara em Ação, que custou R$ 14 milhões, mas que aparentemente nunca foi impresso.


Em Toledo, prefeito Luizăo apresenta

Pinhais como modelo de gestăo Ŕ convite de lideranças políticas da regiăo sudoeste do Estado, o prefeito de Pinhais, Luizăo Goulart (PT) foi até a cidade de Toledo no último sábado (24) para participar do seminário “Açőes de um governo Democrático”. Na ocasiăo, Luizăo apresentou algumas das principais açőes que estăo projetando a atual administraçăo de Pinhais como referęncia em gestăo. Também participaram do encontro os deputados federais André Vargas (PT) e Moacir Micheleto (PMDB) e o deputado estadual Elton Welter (PT). Escola em Tempo Integral, investimentos em infraestrutura, reabertura do Hospital e Maternidade, Guarda Muni-

cipal, Centro do Idoso, melhorias no atendimento social e, principalmente, a implantaçăo do orçamento participativo. Durante a apresentaçăo, o prefeito de Pinhais destacou algumas açőes que estăo transformando a cidade.

Durante a apresentaçăo, o prefeito de Pinhais destacou algumas açőes que estăo transfo rmando a cidade

Para o prefeito, sua participaçăo no evento em Toledo demonstra o bom momento que o município de Pinhais está vivendo e também o respeito da comunidade toledana pelas políticas públicas aplicadas na Regiăo Metropolitana de Curitiba. “É um grande prazer poder passar um pouco da nossa experięncia. Toledo é uma bela cidade, que possui uma excelente arrecadaçăo, tem infraestrutura de qualidade e, vejo que este grupo político está muito bem interessa-

e do Prefei to Luizăo ao lado do deput ado Elton Welter i Lunatt empresário de Toledo, Beto

do em discutir novas alternativas de gestăo”, salientou. O empresário Beto Lunatti disse que apesar de Toledo ser uma cidade bem estruturada, ainda faltam investimentos em políticas públicas de atendimento ŕ populaçăo. “Precisamos ter um governo mais comprometido com as pessoas. Por isso acredito que esta explanaçăo do prefeito Luizăo nos ajudou a pensar um novo projeto para a cidade”, destacou. O Seminário “Açőes de um Governo Democrático” contou com a participaçăo das lideranças municipais do PT, PMDB, PSC, PSDC, PDT e PR.

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política

Cabeça branca, o Homem

forte do governo

O chefe da Casa Civil do governo Beto Richa, Durval Amaral (DEM), vem se transformando em uma espécie de conciliador e o homem do “filtro” das ações do Palácio das Araucárias

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urval Amaral, 51 anos, o cabeça branca, como é chamado no Palácio das Araucárias e nas bases políticas do seu partido, o Democratas, tem se fortalecido no governo Beto Richa (PSDB), pelo seu estilo conciliador e equilibrado no desenvolvimento de sua função de chefe da Casa Civil, o centro nervoso da política paranaense. Esse dom ele adquiriu ao longo de 20 anos como deputado estadual e está colocando em prática agora, quando percebeu que seu gabinete acabou se transformando no pára-raios do Governo Estadual e do sistema político-partidário. Tudo passa pela Casa Civil. Desde a simples nomeação de uma copeira ou de um motorista, a de um secretário de Estado ou presidente de uma empresa estatal, até volumoso processo contendo documentos jurídicos sobre os contratos das concessionárias do sistema rodoviário estadual. “São dezenas de ofícios e pedidos diários que temos que filtrálos para não incorrermos em risco não apenas ao governador Beto Richa, mas à população paranaense”, diz o secretário. “Não estou na Casa Civil apenas para atender esse ou aquele pedido político e muito menos para enrolar, dar tapinhas nas costas e empurrar com a barriga. Não é meu estilo. Sou responsável pelo processo burocrático do governo e tenho que dar respos-

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tas rápidas ao governador, nem que, para isso, desagrade esse ou aquele cidadão. Tudo que passa pela Casa Civil tem que ser filtrado, com parecer jurídico, para que não haja erros”, afirma. Sua experiência como parlamentar o tem credenciado a agir conforme determina a lei. “Hoje, não podemos falhar, a imprensa e a sociedade estão vigilantes, o que é extremamente importante para o crescimento e desenvolvimento de uma nação”, diz. Segundo ele, após o fim do regime democrático e a rápida exigência de liberdade pela sociedade, acabou criando um divisor entre o cidadão e o político. Amaral lamenta que, hoje, o político é o principal responsável por todas as mazelas que acontecem no País, desde as denúncias de corrupção até a queda de uma barreira. “Antes, se o político era um mal necessário, hoje ele passou a ser só um mal perante a sociedade. Por isso é que devemos agir com clareza, transparência e honestidade nas nossas funções dentro do governo para resgatar a credibilidade perdida há anos”. Prova de seu lado conciliador foi dada recentemente, quando todo o levantamento realizado por técnicos do governo, mostrando a herança maldita, com rombo de R$ 4,5 bilhões, deixada pelo governo Ro-

berto Requião, foi, de uma forma ou de outra, derrubado pelo Tribunal de Contas ao aprovar, com ressalvas, as contas do governo anterior. No Palácio das Araucárias, a decisão do Tribunal de Contas caiu como uma bomba e a reação foi imediata e só não foi para as ruas, porque o chefe da Casa Civil agiu com rapidez e convenceu o governo a não reagir. Para Durval Amaral, é preciso avaliar a decisão do Tribunal de Contas, principalmente nos quesitos de “ressalva”. “Não podemos e não devemos sair criticando uma decisão, mesmo porque amanhã poderá ser a nossa vez e aí, sim, queremos saber os motivos”, pondera. O secretário aposta numa administração sem ranço, com propostas para a sociedade, pois é isso que deseja o governador, observou. Natural de Londrina, o advogado e pecuarista Durval Amaral tem planos para o futuro. E seu futuro está bem à sua frente. É só atravessar a rua e se instalar em um dos gabinetes de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Acredita que após cumprir sua missão como um dos principais colaboradores do governador Beto Richa, será sua vez de colocar seu nome para disputar uma vaga no Conselho do Tribunal de Contas. Como deputado estadual, eleito pela pri-


PEDRO RIBEIRO

meira vez em 1990, Durval Amaral passou por quase todas as estâncias do legislativo paranaense. Um de seus pronunciamentos na Assembléia Legislativa que chamou a atenção da sociedade paranaense foi quando usou da Tribuna da Casa para dizer que “Curitiba está perplexa. O Paraná está perplexo. A sociedade paranaense se pergunta, a todo momento: como pode o cidadão que paga seus impostos, paga seus tributos, que confia na sociedade, confia nos governos e nos governantes, não pode ter a tranqüilidade de ir a um banco retirar dinheiro e ir tranqüilamente para sua casa? nós os, os cidadãos estamos muito perturbados, muito preocupados com a situação da criminalidade no Estado do Paraná”. Hoje, no Governo do Estado, Durval Amaral voltou a manifestar essa mesma preocupação, fazendo a mesma pergunta: Por que a criminalidade está aumentando? A resposta, o próprio secretário deu ao explicar que o novo programa de segurança pública do Estado, o Paraná Seguro, vai modernizar as policias Civil e Militar e aumentar o efetivo, o que foi feito pelo governador Beto Richa que colocou mais dois mil homens nas ruas. Em resumo, falta policiais nas ruas das cidades paranaenses.

Não estou na Casa Civil para enrolar ou empurrar com a barriga. Estou para dar respostas ao governador Beto Richa e à sociedade. Durval Amaral

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cidadania

Cidadania e política nas escolas públicas F

ormar jovens críticos, conscientes e autônomos, são os objetivos do Projeto Piloto Cidadania e Política, que está sendo desenvolvido na cidade de Londrina. O trabalho, que nesta fase de implantação deve durar dois meses, está sendo realizado com alunos da 6ª e 7ª séries do Centro Educativo da Criança e Adolescente (Ceca). Entretanto, a intenção é ampliar a ideia e levar às escolas da rede de ensino público no início do próximo ano letivo. O projeto tem enfoque educomunicativo e será desenvolvido em duas etapas: teórica e prática. Na primeira fase, que será realizada no mês de setembro, as oficinas contarão com palestras, debates e seminá-

rios. Na segunda etapa, programada para o mês de outubro, os alunos vão aprender sobre a história do rádio, estilos de programas e as técnicas para a produção radiofônica. “A idéia é colaborar para que alunos reflitam sobre o papel da política em suas vidas. Mostraremos a função dos três poderes e incentivando o debate sobre estes temas para que eles se sintam sujeitos deste processo”, declarou o presidente da Câmara Municipal de Londrina e idealizador do projeto, vereador Gerson Araújo (PSDB). A coordenadora do projeto, Elsa Caldeira, jornalista e especialista em Comunicação Popular e Comunitária pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que levar

política às escolas será relevante para formar cidadãos e mostrar a importância da política. Ela conta ainda que numa recente pesquisa, feita nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, foi identificado que 70% dos entrevistados desconheciam a função dos três poderes e qual o papel de um deputado estadual. “Este projeto é importante porque vai oportunizar aos jovens a reflexão sobre temas que fazem parte do seu dia a dia. Estaremos mostrando que a política está em toda parte: em casa, na escola e na comunidade e por isso é importante desenvolver ações políticas com ética e seriedade”, destaca. A diretora do Centro Educacional da Criança e Adolescente, Cristina Pietrobom, é uma das principais incentivadoras do projeto. Segundo ela, a proposta vem ao encontro da filosofia da escola. “Este projeto reforça nossos conteúdos pedagógicos voltados à formação da cidadania dos alunos. Será uma ação interdisciplinar com a participação dos professores de filosofia, história e língua portuguesa. É um orgulho participar deste projeto em parceria com a Câmara de Londrina”, ressaltou a diretora.

Jornalista Elsa Caldeira realiza oficina sobre Democracia com os alunos

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FLÁVIA PRAZERES

Foco é mostrar aos jovens a função dos Três Poderes e incentivá-los ao debate Oficinas O trabalho teve início no dia 8 de setembro. Os primeiros debates foram sobre as funções de cada um dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Além disso, foi feita uma abordagem sobre a história da Câmara Municipal de Londrina.” É importante conversar com os estudantes sobre estes temas. Mostrar que a construção de escolas, postos de saúde, asfalto e limpeza, são funções da prefeitura. Cabe aos vereadores a criação e aprovação de leis e a fiscalização para que isso ocorra. Os estudantes precisam saber destas questões, pois eles representam o futuro”, avalia Araújo. Após a palestra, os alunos participaram de um debate com o vereador, onde puderam tirar suas dúvidas sobre o tema. “ Achei muito bom porque a política influencia a vida da gente. Temos de saber como funciona para cobrar o

dinheiro dos nossos impostos”, disse o aluno Gustavo Bortolanza de Andrade, da 6ª série. O trabalho também utiliza recursos multimídia para explicar política, inclusive a partir desta ferramenta os alunos puderam conhecer todo o processo de redemocratização do país, desde o governo militar de João Figueiredo, passando pelas Diretas Já, eleição e morte de Tancredo Neves, movimento “Caras Pintadas”, Gerson Araujo faz palestra sobre o Papel dos três poderes Plano Real até os dias atuais.O jornalista e colunista da área política, Fábio alunos participarão de uma sessão da CâSilveira, também participou do projeto, mi- mara de Vereadores. Na oportunidade será nistrando aos alunos uma palestra sobre “Polí- apresentado o programa de rádio produzitica e Sociedade”. do durante as oficinas. Em seguida, o mateO projeto piloto na Escola Ceca será en- rial será postado no site oficial do Legislaticerrado no início de novembro, quando os vo para acesso de toda a comunidade.

Oficinas educomunicativas sobre cidadania, democracia e política vem sendo realizadas em Londrina com alunos de 12 a 14 anos que, ao final, deverão produzir programa de rádio sobre os temas abordados 19 Documento Reservado / Setembro 2011


política

Asco pela

política

Jovens, entre 14 e 20 anos, além de despreparados estão cada vez mais descrentes com o processo político partidário no Brasil e apenas repudiam os cenários de corrupção sem, contudo, entrar no debate e questionar

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LUANA MEDEIROS

“N

ão sei de nada e tenho raiva de quem sabe. O que sei é que os políticos são todos uns ladrões e fico sabendo disso pela televisão”. O depoimento, de certa forma pesado, é do jovem Cleberson Pereira, de 17 anos, estudante do ensino médio, residente na periferia de Curitiba. Mais algumas perguntas à este jovem, que responde de bate pronto, nos deixa indignados com a falta de conhecimento político e noção de cidadania. Carolina Vieira, 14 anos, também estudante do ensino médio, confessa que não sabe para que serve um político. Pior: não sabe quais são os Três Poderes do Brasil. Sobre o papel do político, disse que não tem opinião, porque desconhece sua atuação. Esse é um quadro triste que revela o desconhecimento de grande parte dos jovens que amanhã estarão dirigindo a Nação, ou em posto de destaque dentro do poder público. Mariana Giobbo, de 16 anos, revela que se interessou pela mobilização que ficou conhecida como “Caras Pintadas”, que derrubou o presidente Fernando Collor de Mello. “Fui pesquisar na biblioteca da minha escola e conversei com meu pai sobre. Talvez, por isso, acompanho um pouco a política. Agora estou interessada no assunto da Câmara dos Vereadores de Curitiba, embora não tenha conhecimento apurado sobre o que está rolando lá. Só sei que é corrupção”, comentou. Sobre o movimento “Caras Pintadas”, a colega de Mariana, Letícia Mendes, também de 16 anos, disse que também teve oportunidade de ver em jornais de televisão reprisando “aqueles gatos” todos pintados carregando bandeiras e placas nas ruas. Hoje não vejo ninguém fazendo protesto, a não ser estudantes em greve.

Desinteresse O que a reportagem da revista Documen-

to Reservado encontrou foi uma grande parcela de jovens desiludidos com partidos e candidatos. No Brasil, a cada dois anos temos eleições e quase 18 milhões dos eleitores têm entre 16 e 20 anos de idade. De acordo com dados da Unicef, a juventude brasileira considera os partidos políticos importantes, mas prefere não participar de uma legenda por não gostar de política. Se compararmos a juventude de hoje com a de décadas passadas, podemos observar que há, efetivamente, desinteresse dos jovens pela política. Com a ve-

engajados como antigamente, quando o tema era política e que só se interessam por outros assuntos, principalmente aqueles na frente do computador. Para Cony, há um afastamento dos jovens devido à corrupção e a desinformação. “Antigamente havia interesse. Os partidos políticos e as igrejas tinham sua ala para jovens, então havia uma politização maior. Outro dia um jovem não sabia nem que foi o Collor ou o que significava impeachment. A política de Brasília, do Congresso Nacional, reflete o eleitor”. Viviane Mosé disse que há um desgaste na política partidária. “Houve um período de oposição por parte dos jovens, onde eles Acho tudo isso muito eram a favor de se opor contra o chato e não tenho paciência. governo em uma determinada siAcredito que os políticos não tuação que estava acontecendo. A estão nem ai para a verdadeira corrupção permanece e há um despolítica propriamente dita. crédito por parte desses jovens na Só pensam em dinheiro, o dinheiro política partidária centralizada”. que entra no bolso deles. Renata Ganem Para ela existe o descrédito, mas não há ausência de participação. locidade da comunicação, esses jovens, de “Há o que autores no século XX chamavam de alguma forma, acompanham o que acontece micropolítica, que é a atuação separadamenem Brasília, só que o que fica gravado são os te, em pequenos nichos”. escândalos de corrupção, cassação de mandaA socióloga e professora universitária, Elitos . Miguel Soratto, de 20 anos, confessa que ane Basílio de Oliveira, observa que o que não gosta de política e até já pensou em se candi- pode acontecer é continuarmos vivendo um datar a vereador pelo município de Pinhais, glamour em relação aos movimentos estudanmas desistiu da idéia. tis da década de 1960, que foi marcada pelo Recente debate, na rádio CBN, entre os movimento histórico da ditadura militar). Esta jornalistas e comentaristas, Cony, Xexeo e década marcou como um movimento históriViviane Mosé, chamou a atenção o bloco em co, onde tivemos a ditadura militar. Jovens que divulgaram uma pesquisa de trabalho fei- engajados existiam, mas devemos lembrar que ta com jovens, em que apontava que 59% de- não eram todos e sim, alguns grupos restriles não possuem m partido político de prefe- tos.. “Atualmente os movimentos não tem a rência e que 83% desses jovens acreditam que mesma força, mas devemos lembrar que eles o poder político concentrado na mão de pou- existem. Se pararmos para analisar corretacas pessoas é o grande problema. Na discus- mente vamos encontrar muitos jovens particisão, destaque também para a cobrança dos pando ativamente da política, fazendo parte adultos de que os jovens atualmente não são de partidos políticos, de movimentos sociais

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política

organizados, entre outros”. O que falta é uma visibilidade maior da sociedade quando os assuntos são os jovens na política. Para a socióloga,o assunto sobre política entre os jovens exige reflexões, pois são várias as mudanças, principalmente a partir dos anos 90. A mudança política é um marco, principalmente após o surgimento das políticas neoliberais, estrategistas internacionais. Em sua opinião, são três os principais motivos desta grande virada: a individualidade, o consumismo e a descrença. Eliane disse que a sociedade atual incita a individualidade. “Podemos nos deparar, inclusive, com muitas propagandas políticas dizendo: “faça você mesmo, você é o responsável pelo seu sucesso, você determina o seu fracasso, você pode mudar o mundo, tudo depende só de você... Esse apelo é muito forte, em especial na política”. Porém, a educação também contribui para isso. “Quando dei aula na rede pública, pude participar de congresso financiado pelo Banco Mundial em que diziam que se o governo não fazia nada para melhorar a educação, o importante era você estar cumprindo o seu papel, você estar fazendo a sua parte”. Novamente surge o discurso com a desmoralização da ação coletiva. Falha na comunicação Grande parte das reclamações, em relação à divulgação de temas políticos, está no fato de que a maioria das veiculações políticas

na mídia tem uma linguagem truncada, com jargões que pouco atraem e informam os jovens. “Eu acho que o Brasil sofre de uma carência por programas informativos de política. Se isso já acontece nos programas voltados ao público adulto, se formos parar para pensar nos programas para os jovens então, a situação só piora. São muito ruins ou não existem programas informativos de política com uma linguagem atual, diferenciada, que possa atrair os jovens ao tema”, concluiu Henrique Bonacin, (22 anos), estudante universitário. Diego Henrique da Silva, 21 anos, estudante de jornalismo, é engajado no assunto. Ele possui um trabalho de conclusão de curso (www.ndanaweb.blogspot.com/2011/09/vamos-falar-de-politica-sem-te-encher-o.html) voltado para esse tema, juntamente com sua colega Carla Rocha. “Em relação à abordagem da política na TV, acredito que é preciso uma linguagem específica para a juventude. Para os jovens, uma entrevistinha meia-boca feita às pressas na bancada de um telejornal pode parecer menos atraente do que assistir ao pessoal do CQC fazendo perguntas mais irreverentes e diretas para os políticos”, enfatiza Diego.

“Eu não entendo absolutamente nada, nada mesmo de política, me sinto muito ignorante quando esse é o tema”, diz Silvana Lima, 24 anos, estudante de marketing. “Acho tudo isso muito chato e não tenho paciência. Acredito que os políticos não estão nem aí para a verdadeira política propriamente dita, só para dinheiro, o dinheiro que entra no bolso deles”, fulmina Renata Ganem, estudante de letras, 24 anos. A socióloga Eliane afirma que essa é outra questão, onde a descrença por parte da população gera uma situação de apatia e não incentiva o jovem a se envolver, o que nos leva a ouvir sempre que “política é chato, é só corrupção”. Dentro do universo da comunicação, as redes sociais tem contribuído para a informação dos jovens também sobre política e, principalmente, sobre o que acontece no País, em especial no plano do Governo Federal. O estudante Diego lembra que a Internet não é só para bater papo ou para saber mais a respeito da vida dos amigos. Trata-se de uma ferramenta muito utilizada pelos jovens para opinar sobre os mais diversos assuntos. “A juventude também fica indignada quando vê o país carregado de tanta corrupção na política. Não estamos desligados dos grandes debates sociais, o que acontece é que esses debates acontecem em novos espaAntigamente havia interesse. ços, não apenas nas ruas. Nas Os partidos políticos e as igrejas salas de aula, nos coletivos de tinham sua ala para jovens comunicação, na mesa do bar, e havia uma politização maior. no banco da praça, no twitter, Outro dia um jovem não sabia em fóruns de discussão de sites nem quem foi o Collor ou e até no Facebook! Tem gente o que significava impeachment. Carlos Heitor Cony que torce o nariz para a internet; dizem que ela faz o jovem ficar acomodado... Mas isso é pura generalização; não é todo jovem que usa a internet desse jeito. Ela também é uma ferramenta e ajuda a galera a se interessar por política”.

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comportamento

Estudo da Fiesp mostra que a roubalheira em nosso país, concluindo que os desvios giram entre R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões por ano, algo em torno de 1,4% a 2,3% do PIB brasileiro em 2010

CORRUPÇÃO Oportunidade faz o ladrão

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DA REDAÇÃO

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oi um fiasco a marcha contra a corrupção realizada dia 20 de setembro no Rio de Janeiro. Nem mesmo com a praia de Copacabana amanhecer com 594 vassouras fincadas na areia em sinal de protesto contra o desvio de verbas públicas, o público compareceu para o movimento de protesto. Organizada pelo movimento “Todos juntos contra a Corrupção”, a manifestação frustrou a expectativa de público que reuniu pouco mais de 2.500 pessoas. Eram esperadas mais de 30 mil. De qualquer forma, o Teatro Municipal e a escadaria da Câmara Municipal foram tomados por manifestantes que levaram faixas, cartazes e até se fantasiaram para reforçar o protesto. As principais bandeiras do movimento atacavam o voto secreto no Congresso, cobravam maior transparência da União e, principalmente, exigiam a aceleração da tramitação do projeto que transforma em crimes hediondos os delitos de concussão, corrupção ativa e passiva. Durante as três horas de manifesto, quatro livros foram disponibilizados para colher assinaturas favoráveis à proposta. Desonestidade no Custo Brasil A corrupção, na análise do jornalista Gil Castello Branco, impressiona pelos números e vale ser publicada neste espaço. O Banco Mundial estima que US$ 1 trilhão por ano sejam tragados pelos corruptos. O valor corresponde a 1,6% do PIB mundial em 2010 (US$ 63 trilhões), superando em 43% o gasto

dos Estados Unidos com armamentos (US$ 698 bilhões). Paradoxalmente, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) considera que US$ 30 bilhões por ano são suficientes para acabar com a fome de quase um bilhão de pessoas no planeta. Assim, tal como no Brasil, “faxina mundial” em favor da moralidade poderia eliminar a miséria. Pura utopia. Na realidade, a quantificação dos malfeitos é difícil, pela óbvia ausência de recibos e notas fiscais. No entanto, recentemente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou estudo sobre o impacto da roubalheira em nosso país, concluindo que os desvios giram entre R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões por ano, algo em torno de 1,4% a 2,3% do PIB brasileiro em 2010. Na hipótese otimista, tomando-se o extremo inferior do intervalo, o montante de R$ 50,8 bilhões é equivalente às ações concluídas entre 2007 e 2010 no setor de logística do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em outras palavras, em cenário fictício de um ano sem corrupção, o país teria recursos para duplicar as obras realizadas nos últimos quatro anos em rodovias, ferrovias, marinha mercante, aeroportos, portos e hidrovias. Na área social, com R$ 50,8 bilhões poderiam ser construídas 918 mil casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida ou 57.600 escolas para as séries iniciais do ensino fundamental. É evidente, portanto, a imen-

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comportamento

sa participação da desonestidade no chamado Custo Brasil. Os cálculos realizados pela Fiesp derivam da pesquisa sobre o Índice de Percepção da Corrupção, realizada pela ONG Transparência Internacional. Desde 1995, a entidade atribui notas de 0 a 10 aos países mais ou menos corruptos, respectivamente. Ao longo desses 16 anos, a nota média do Brasil foi 3,65. Em 2009 e 2010, a nota 3,70 aproximou-se do valor médio, demonstrando que nas últimas décadas a situação é estável. Em resumo, há anos estamos sendo reprovados nessa matéria. Recentemente, o jornal “Folha de S.Paulo” divulgou interessante estudo do economista da Fundação Getúlio Vargas Marcos Fernandes da Silva, contabilizando os desvios de recursos federais descobertos no período de 2002 a 2008. A soma de R$ 40 bilhões, apurada pelos órgãos de controle, obviamente não inclui o que permaneceu desconhecido, além das falcatruas nos estados e municípios. Assim, é apenas a ponta do iceberg. O diagnóstico sobre as causas da corrupção brasileira é quase unânime. A colonização de 300 anos é o componente histórico. Outros pontos fundamentais são a imunidade parlamentar, o sigilo bancário excessivo, a falta de transparência das contas públicas,

Marcha contra a corrupção realizada dia 20 de setembro no Rio de Janeiro

a elevada quantidade de funções comissionadas, os critérios para nomeação de juízes e ministros de tribunais superiores, o foro privilegiado para autoridades, os financiamentos de campanhas eleitorais, as emendas parlamentares e a morosidade da Justiça. Esses aspectos, em conjunto ou individualmente, levam à impunidade. Esfregando as mãos Apesar do consenso quanto aos focos que realimentam as fraudes, cerca de 70 projetos de lei estão engavetados no Congresso Nacional. Versam sobre a responsabilização criminal das empresas corruptoras, criação de obrigações para as instituições financeiras, san-

A corrupção, impressiona pelos números. O Banco Mundial estima que US$ 1 trilhão por ano sejam tragados pelos corruptos. Gil Castello Branco

26 26 Documento Reservado Reservado // Setembro Setembro 2011 2011 Documento

ções aplicáveis aos servidores no caso de enriquecimento ilícito, dentre outros temas relevantes. Enquanto isso, foi votada a absolvição da deputada Jaqueline Roriz. No Brasil, a oportunidade faz o ladrão. Com a proximidade da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, a bola da vez são as obras nos estádios e de mobilidade urbana, além dos cursos de capacitação. Somente para a Copa já estão previstos investimentos de R$23,9 bilhões, valor que vai crescer. A possibilidade de a corrupção aumentar nos próximos anos é enorme. Afinal, em nosso país, realizar obra de grande porte sem risco de desvio de recursos é missão quase impossível. É tarefa para o Criador.


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economia

IMP STOS que não O

que você faria hoje com R$ 6.722? Pois essa foi a média que cada brasileiro pagou de impostos só em 2010, cerca de mil reais a mais do que foi pago em 2009. A conta é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que soma ano a ano a arrecadação das três esferas dos governos federal, estadual e municipal. Neste cálculo estão inclusos todos os valores recolhidos a título de tributos (impostos, taxas e contribuições), incluindo multas, juros e correções monetárias. Em 2011, o montante arrecadado pela máquina pública bateu novo recorde e chegou à cifra de R$ 1 trilhão, 35 dias mais cedo do que no ano passado. No acumulado da última década, o aumento da carga tributária brasileira subtraiu R$ 1,85 trilhão da sociedade.

delas a Constituição Nacional), normas e regulamentos que disciplinam as espécies tributárias, sua forma de incidência, bem como todas as obrigações formais ou deveres legais a serem cumpridos pelos contribuintes ou responsáveis pelo seu pagamento. “Em tese, os impostos têm como objetivo captar recursos para que a União possa custear suas atividades, assim como seus gastos com educação, saúde, segurança, saneamento, moradia e outros serviços prestados à população, o que revela que o sistema nacional está muito longe de ser o ideal “ afirmou a advogada. O brasileiro é o cidadão que mais paga impostos e o que recebe os piores serviços públicos em troca. A conclusão é do “Estudo sobre Carga Tributária / PIB x IDH”, realizaComo funciona Segundo ela, o sistema tributário é basi- do pelo IBPT, que compara informações de camente um conjunto de leis (sendo a maior 30 países com a maior arrecadação tributária do mundo em relação ao retorno de benefícios à população. Atualmente, o contribuinte paga 63 tiO agravante é que esses pos diferentes de taxas. recursos não foram A babá Raquel Rodrigues ficou aplicados adequadamente, surpresa ao saber da quantidade de no sentido de proporcionar impostos que paga sobre os serviserviços públicos de ços de primeira necessidade. “Não qualidade à população. sabia que era tanto imposto. Na verJoão Eloi Olenike dade é só na conta de luz, que apa-

Para quem ainda não se deu conta do impacto que os impostos têm no bolso do consumidor, eles representam, por exemplo, 48% da conta de energia elétrica, 21% do que é pago na banana e 33% do preço do saco de feijão. O índice pode ser ainda maior em bebidas alcoólicas e artigos importados como perfumes e vídeo games. A tradicional cachaça de cana-de-açúcar tem uma das taxas mais altas e carrega 81% de tributos, enquanto que nos consoles de jogos eletrônicos a carga pode chegar a 72%. “É o mesmo que dizer que um vídeo game que custa, hoje, R$ 1.600,00 poderia ser vendido por R$ 446,00”, explica a advogada tributarista do IBPT, Letícia Mary Fernandes do Amaral.

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LUCIAN HARO

acabam mais Em 10 anos, aumento da carga tributária brasileira subtraiu R$ 1,85 trilhão da sociedade. País é o último na lista de índice de retorno dos impostos à população entre os 30 que mais arrecadam

rece o valor escrito, que a gente vê que paga muito mais do que consome”, disse ela. As taxas cobradas sobre os itens de alimentação, como frutas, verduras e grãos, também desagradaram a consumidora. “O arroz e o feijão não poderiam ter tantos impostos, não é certo”, afirmou. E a mordida no bolso do consumidor só aumenta com o passar do tempo. Outra pesquisa do IBPT mostra que a carga tributária brasileira cresceu significativamente em 2010, atingindo 35,04% do PIB do país. O estudo revela, também, que em relação ao PIB, o fisco subiu cinco pontos percentuais nos últimos dez anos, passando de 30,03% no ano 2000 para 35,13% em 2011. Isso explicaria também, o fato do trilhão ter chegado mais cedo neste ano. Gargalo da arrecadação Conforme o levantamento, a arrecadação federal apresentou crescimento nominal de

R$ 137,13 bilhões (18,05%), no período, enquanto que a dos estados passou a R$ 50,77 bilhões (+ 17,51%) e os tributos municipais aumentaram 14,27% em termos nominais (7,14 bilhões). Para o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, nos últimos dez anos os governos retiraram da sociedade brasileira R$ 1,85 trilhão a mais do que a riqueza gerada no País. “O agravante é que esses recursos não foram aplicados adequadamente, no sentido de proporcionar serviços públicos de qualidade à

população. Todos nós precisamos cobrar da administração pública uma redução imediata da carga tributária, com a diminuição das alíquotas dos principais tributos, medidas que venham a ‘desafogar’ os cidadãos brasileiros, que estão no seu limite de capacidade de pagamento de tributos”, disse ele. Há quem defenda, inclusive, a instituição de um regime de Federalismo Pleno no país, onde haja autonomia integral dos estados e

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Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão

O impostômetro da Associaçăo Comercial de Săo Paulo (ACSP) atingiu recentemente a marca de R$ 1 trilhăo, arrecadados desde o começo do ano, no país. O painel eletrônico calcula o valor arrecadado pela Uniăo, estados e municípios e desta vez, a cifra foi alcançada 35 dias mais cedo do que no ano passado. De acordo com a entidade, o montante seria suficiente para pagar mais de 1,8 bilhăo de salários mínimos, comprar 4,8 bilhő es de cestas básicas, construir 45 milhőes de casas populares, 10 milhőes de quilômetros de redes de esgoto ou fornecer medicamentos para toda a populaçăo brasileira por 445 meses.

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economia

municípios. O Instituto Federalista (IF) acredita que é grande o gargalo da arrecadação de impostos brasileiros referente às etapas para produção de qualquer artigo por aqui, que tornam o processo muito mais caro. O movimento apresenta, ainda, uma possível solução para o problema e sustenta que se fossem tributados apenas o valor final de cada produto,

Veja o impacto dos impostos no bolso do consumidor: 48% da conta de energia elétrica, 21% do que é pago na banana e 33% do preço do saco de feijão

os preços cairiam pela metade. Aumentaria, também, o po-der de compra do país e de todos os brasileiros. Uma distribuição mais justa dos valores arrecadados, na qual a maior parte ficasse nos municípios, outra parte para os estados e somente a menor parcela fosse enviada ao governo central, também é defendida pelo instituto.

Como reverter a situação? Ainda de acordo com Letícia do Amaral, uma primeira forma de reduzir a pesada carga de impostos no Brasil é por meio da alteraçăo da legislaçăo, o que exige uma grande mobilizaçăo nacional. “A populaçăo precisa exigir dos governantes que promovam alteraçăo de leis que permitam a reduçăo da altíssima carga tributária (ex.: reduçăo da alíquota de tributos como PIS, COFINS, IPI e ICMS em produtos e serviços de maior necessidade da populaçăo; alteraçăo da incidęncia do tributo sobre ele mesmo; reduçăo da burocracia relativa ŕs obrigaçőes formais”, disse ela. Já para os empresários de todos os portes e ramos de atuaçăo, atualmente está se falando e recomendando a chamada Governança Tributária, que permite uma ampla análise, coordenaçăo e revisăo de todos os procedimentos tributários adotados pela empresa. Dessa forma, é possível fazer com que o negócio se torne mais eficiente, organizado e

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lucrativo, por meio de alteraçőes procedimentais legais, morais e éticas que permitam reduzir o custo tributário da empresa. “Dentro da Governança Tributária está inserido o conhecido planejamento tributário, que sempre deve ser realizado obedecendo-se os estritos padrőes da legalidade, moral e ética igualmente”, completa a advogada.

A população precisa exigir dos governantes que promovam alteração de leis que permitam a redução da altíssima carga tributária. Letícia do Amaral


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saúde

CRACK

Epidemia ou pandemia, um problema brasileiro

Ao acender luz vermelha dentro da área médica, o Conselho Regional de Medicina do Paraná abre discussão sobre a epidemia do crack no Brasil e a questão do tratamento

P

ara discutir e colocar na mesa um dos problemas que mais vem crescendo no Brasil, o consumo de drogas e o crack como carro-chefe, o Conselho Regional de Medicina do Paraná realizou, dias 23 e 24 de setembro, em Curitiba, o seminário “Epidemia de Crack no Brasil”. Três especialistas nacionais, os psiquiatras Ronaldo Laranjeiras, Marcelo Ribeiro de Araújo e Marco Antonio Bessa, alertaram a sociedade sobre a dependência química em crianças e adolescentes e criticaram a falta de uma política do Governo Federal na questão do tratamento dos usuários. No encontro foram apresentadas as “Diretrizes Gerais Médicas para Assistência Integral ao Usuário do Crack”, elaboradas pelo Conselho Federal de Medicina com objetivo de disseminar entre os médicos informações úteis para tratamento da dependência. O Seminário sobre epidemia de crack no Brasil faz parte do Projeto de Educação Médica Continuada do CRM-PR, é gratuito e dirigido exclusivamente para médicos. 32 Documento Reservado / Setembro 2011


PEDRO RIBEIRO

Embora o Governo Federal tenha lançado, em 2010, o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, com o anúncio de investimentos da ordem de R$ 410 milhões em ações de saúde, prevenção ao uso de drogas, assistência e repressão ao tráfico em todo o País, os médicos insistem na polêmica do tratamento. Em xeque, o tratamento Com o avanço da droga mais devastadora de que se tem conhecimento, o crack, colocou em xeque a eficácia dos modelos de atendimento assistenciais e de saúde e vem provocando uma nova discussão entre as entidades e organismos envolvidos direta e indiretamente na recuperação dos dependentes químicos. Até quando esperar que os usuários decidam receber tratamento? Esta foi uma das principais perguntas do encontro. A denominada internação compulsória quando os drogados são levados a tratamento contra a sua vontade - já vem sendo concedida pelo Judiciário em algumas cidades. Hoje, a cada dia, em qualquer cidade do país, chega ao menos um pedido de internação forçada na verdade, um grito de socorro de pais impotentes diante do vício que a droga provoca. Maria Aparecida, empregada doméstica em uma residência no bairro do Batel, em Curitiba, chora ao relatar que a filha, de 13 anos de idade, é dependente do crack. “Não consigo trabalhar direito, já internei a menina várias vezes e não vejo uma solução. Não sei o que faço”, relata. Maury (Maninho), residente no bairro do Cajuru, começou com crack aos 16 anos e hoje, aos 23, está à beira da morte. Os pais, de baixa renda, não conseguem administrar a situação. Em qualquer cidade do Estado, tanto nas periferias como nos centros, o problema é o mesmo. Consumo de crack e famílias e mais famílias impotentes sem luz para resolver o problema de seus filhos. Diagnóstico de vida e morte O presidente do Conselho Federal de Me-

1/3 dos usuários morrem, outros 1/3 permanecem com deficiências crônicas e perdas cognitivas, e somente 1/3 dos usuários se curam. Roberto Dávila

dicina, médico Roberto Dávila relata que quando se trata do crack, 1/3 dos usuários morrem (85% destes por causas violentas), outros 1/3 permanecem com deficiências crônicas e perdas cognitivas, e somente 1/3 dos usuários se curam. Diante deste desastroso quadro, alerta no sentido de que todos, governo e sociedade civil, precisam estar envolvidos nesta luta. Crítico voraz da política antidrogas no País,o coordenador do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas do CNPq e membro do Conselho Gestor da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Ronaldo Ramos Laranjeira, disse que não acredita no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, do Governo Federal. Segundo ele, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) não estão preparados para atender os viciados em crack. “A recaída é o grande desafio. Não é um tratamento simples ou para amadores”, afirma. Fenômeno bem brasileiro Laranjeiras revela que o crack surgiu no Brasil no início dos anos 1990 e que, de lá para cá, não houve nenhuma política pública capaz de combater a disseminação da droga. O crack virou uma pandemia e não é um fenômeno mundial. É um fenômeno bem brasileiro, porque os governos – especialmente o fi-

nal do governo Fernando Henrique Cardoso e todo o governo Lula – ficaram só observando a evolução do crack, quer seja no Ministério da Saúde ou na Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Ao discordar das propostas do Plano Integrado, Laranjeiras sustenta que algumas das propostas são incongruentes e inconsistentes. “Eu absolutamente não acredito em consultórios de rua, um dos pilares desse programa. Se eu não tivesse dinheiro e meu filho estivesse na rua usando crack, gostaria que o Estado me protegesse e, primeiro, oferecesse internação, tirando o garoto da rua mesmo contra a sua vontade. Não se pode esquecer que um terço dos usuários de crack morre nos primeiros quatro ou cinco anos, e o consultório de rua fica oferecendo Band-aid, novalgina e pomadinha para os lábios queimados pelo crack. O cara está precisando de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Internação e pós-internação Para o psiquiatra, a internação dá um período de estabilidade mental e psiquiátrica à pessoa. É o começo do tratamento. Também é importante haver um sistema de pós-internação, como as moradias assistidas, onde a pessoa possa ficar um período maior e reconstruir a vida, voltar a estudar e a trabalhar, não estando necessariamente internada, mas em um ambiente protegido. Isso porque, na

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saúde

maior parte das vezes, a família do usuário de crack está muito desgastada e não tem condições de recebê-lo de volta. Além disso, seria preciso criar uma parceria com os grupos de autoajuda, como os Narcóticos Anônimos. Hoje, quem mais atende os usuários de crack, em números, são os Narcóticos Anônimos e grupos como o Amor-Exigente. Eles atendem cem vezes mais que os Caps, sem nenhum custo, pois é um trabalho voluntário. O psiquiatra Marcelo Ribeiro de Araújo, pesquisador da UNIAD/UNIFESP, mostrou, no encontro, a evolução e histórico do consumo de crack e das políticas públicas para substâncias psicoativas. A intenção do médico, que é um dos organizadores do livro “Tratamento do Usuário de Crack”, foi apresentar um plano de enfrentamento para a dependência da droga, pois acredita que o usuário de crack precisa de um serviço de tratamento especializado e devidamente equipado. Avanço nos grandes centros Segundo Araújo, o crack apareceu na periferia leste de São Paulo por volta de 1989, se espalhando para outras regiões da cidade ao longo dos anos noventa. Logo chegou a Porto Alegre e demais cidades sulinas. Para se ter uma idéia, não se ouvia falar da substância em estudos epidemiológicos com meninos de rua em SP, RJ, BH e Porto Alegre antes dessa data. Hoje, a maior parte dos meninos teve ao menos uma experiência com a droga. Além disso, nos últimos anos, estudos com meninos de rua, estudantes e domiciliares realizados pelo Centro de Estudos Brasileiros sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid - Unifesp) tem demonstrado que a substância avançou nos grandes centros do Nordeste, mantendo-se estável nos grandes centros do Sul e Sudeste. A mídia leiga, por seu turno, tem apontado para um aumento do consumo nas médias e pequenas cidades, bem como para a chegada do crack no Rio de Janeiro, a partir de acordos entre o PCC e Comando Vermelho. A capital fluminense era tradicionalmente consi34 34 Documento Documento Reservado Reservado // Setembro Setembro 2011 2011

derada livre da droga, por oposição do tráfico local. Esse parece ser o panorama atual. Sobre uma efetiva epidemia do crack, Araújo diz que é difícil falar em epidemia, considerando o que esse termo quer dizer tecnicamente. Genericamente, fala-se em “epidemia” de uma droga quando o surgimento da mesma ou de um modo específico de consumí-la atinge proporções que acabam chamando a atenção da população, da mídia e dos sistemas de vigilância em saúde. Deve-se considerar também a tolerância cultural à substância em questão por exemplo, um aumento de consumo de maconha em um balneário durante as férias de verão chama menos a atenção da mídia e das autoridades, do que um aumento de consumo de crack em uma cidade média. No caso específico do crack, temos notado aumentos em algumas regiões (padrão epidêmico) e estabilidade em outras (padrão endêmico). Fama de forte e barata Como o crack, de fato, possui essa fama de droga forte e barata, ele chama mais atenção das pessoas com menos poder aquisitivo. Para Araújo, na realidade, se considerássemos apenas a concentração de cocaína no crack e na apresentação refinada (“pó”) não existe diferença de preço. No entanto, o crack possui apresentações para o varejo mais baratas (pedras pequenas, lascas etc.), o que a princípio torna a droga mais acessível. No entanto, o usuário de crack tende a consumir mais do que o de cocaína refinada, gastando mais no final. Dentro da evolução do consumo, há um grupo de usuários que acaba migrando para o crack por estar tolerante aos efeitos da cocaína cheirada. Também há aqueles que buscam o crack como alternativa financeira à cocaína refinada. Ambas as situações, porém, não são regras. A maioria

dos usuários se interessa também pela cultura associada ao consumo dessa droga. Desse modo, o fato de ser mais barata (em tese) e mais forte, não a torna mais ou menos atraente. Na opinião de Araújo, o usuário de crack precisa de um serviço de tratamento especializado e devidamente equipado. A incidência de um segundo transtorno psiquiátrico entre os usuários que buscam ajuda é alta; quase sempre possuem problemas psicossociais. Além disso, a adesão desses pacientes ao tratamento é incrivelmente baixa. Desse modo, fazse necessário a constituição de equipe interdisciplinar experiente e capacitada, capaz de lhes oferecer um atendimento intensivo e adequado às particularidades de cada um deles, contemplando suas reais necessidades de cuidados médicos gerais, de apoio psicológico e familiar, bem como de reinserção social. Infância e adolescência O segundo secretário da Diretoria do CRMPR, Marco Antonio Bessa, que também é doutor pelo Programa de Pós-Graduação em psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), finalizou o seminário ministrando palestra sobre “Dependência de Crack na infância e na adolescência”. Com trabalhos na área, Bessa destacou dados de sua tese a respeito do subrelato e fatores correlacionados ao uso de drogas em adolescentes grávidas.

O crack virou uma pandemia e não é um fenômeno mundial. É um fenômeno bem brasileiro, porque os governos ficaram só observando a evolução do crack. Ronaldo Laranjeiras


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segurança

Curitiba violenta A

onda de violência e criminalidade vem aumentando a níveis assustadores no Paraná, em especial na capital, Curitiba e região metropolitana. Este ano 1.250 pessoas

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foram assassinadas no Estado e somente no mês de agosto houve 140 homicídios, 10 confrontos com a polícia e três latrocínios, totalizando 153 mortes, sendo 143 homens e 10

mulheres, na grande Curitiba. Os números são de pesquisa realizada pelo jornalista Marcelo Vellinho, dos jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná, com levantamentos feitos


PEDRO RIBEIRO

Violência em Curitiba e região metropolitana extrapola todas as estatísticas de segurança e não combina com o perfil da cidade de primeiro mundo

no Programa 190 e de relatórios do Instituto oito coletivos e 44 táxis; 25 suspeitos foram é uma das ações de reforço no policiamento determinadas pelo plano de segurança ParaMédico Legal, além de informações nas pró- encaminhados à delegacias. prias delegacias. O comandante-geral da PM, coronel Mar- ná Seguro do Governo do Estado”, afirmou o Diante deste quadro, os veículos de co- cos Scheremeta comemorou a operação, afir- coronel Júlio Ozga Nóbrega, subcomandante-geral da PM. municação realizaram uma Apesar dessa mobilizaenquete sobre as ações do ção, a Secretaria de SeguGoverno do Estado em rerança Pública do Estado lação à segurança pública não consegue deter a onda Enquete mostra que no Paraná. 50% das pessode assaltos a bares e resas ouvidas disseram que a taurantes de Curitiba. Em segurança pública no go15 dias, foram roubados ouvidas não se sentem verno Beto Richa piorou, sete estabelecimentos, inseguras em Curitiba 40% relataram que contiforma Fábio Aguayo, prenua igual ao governo antesidente da Abrabar. Preorior e apenas 19% observacupado com os roubos, a ram melhoria. O municíentidade foi buscar ajuda na Assembléia pio da região metropolitana mais violento mando que os objetivos foram atingidos, pois ficou por conta de Colombo, com 39%, se- “queríamos uma mobilização grande, com Legislativa, cujos parlamentares manifestaguido de São José dos Pinhais, 24% e Almi- toda a Curitiba sendo observada, sabendo ram total apoio na cobrança de ações do rante Tamandaré, 19%. Em relação à confia- que haveria policiais militares nas ruas”. “Esta governo. bilidade na polícia paranaense, 76% disseram que não confiam e 23% confiam. O que mais chama a atenção é que 93% das pessoas não se sentem seguras. Queríamos uma Preocupado com o crescente número da mobilização grande, com violência no estado, o governador Beto Richa toda a Curitiba sendo lançou o programa Paraná Seguro e somente observada, sabendo numa ação de fim de semana, a Operação Vida que haveria policiais reuniu 600 policiais militares em ações ostenmilitares nas ruas. sivas, blitze e cumprimentos de mandados de Coronel Marcos Scheremeta busca e apreensão. Entre a sexta-feira, do dia 16 e domingo,dia 18 de setembro, a Polícia Militar abordou 4.690 pessoas, 2.492 veículos,

93% das pessoas

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saúde

O Mãe Curitibana é pioneiro no Brasil na organização da atenção materno-infantil. Começou a funcionar em 8 de março de 1999 e inspirou ações semelhantes

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prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, recebeu no último dia 23, em Brasília, o prêmio de melhor experiência municipal com o programa Mãe Curitibana. A premiação é da Organização Pan Americana de Saúde e do Ministério da Saúde e certificou Curitiba como laboratório mundial de programas na área de maternidade segura. A capital do Paraná vai agora representar o Brasil na fase continental do concurso em Washington/EUA. O certificado foi entregue ao prefeito pelo diretor do Ministério da Saúde, Dario Pasche. “Esse prêmio me deixa muito feliz porque o programa, implantado há 12 anos, é reconhecido pelos curitibanos e é modelo nacional para outras cidades e estados. E o mais importante, fez com que Curitiba tenha a menor taxa de mortalidade infantil entre as capitais brasileiras”, disse Ducci. O concurso da Opas faz parte de uma estratégia da Organização Mundial de Saúde para mobilizar os países para cumprir os 10 objetivos do desenvolvimento do milênio na área

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Mães Curitibanas

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DA REDAÇÃO

da saúde. “Temos que desenvolver um movimento de intercâmbio e informações para incorporar o tema saúde da mulher e da criança na agenda política e pública”, afirmou Matilde Madaleno, da OMS. Na premiação, Ducci destacou que o programa reduziu para um dígito a mortalidade infantil e já atendeu 200 mil mães e crianças. “O Mãe Curitibana garante o melhor pré-natal que uma gestante pode ter e com a participação do seu companheiro, além de atenção ao parto e pós-parto e programa de planejamento familiar. O reconhecimento é resultado da eficiente rede de unidades de saúde e hospitais integrantes do programa e suas equipes multiprofissionais”, disse. A melhor experiência estadual na área foi da comissão perinatal do governo de Belo Horizonte. “O programa Mãe Curitibana serviu de inspiração para nós, fizemos um trabalho mais modesto, não nas proporções de Curitiba, mas felizmente estamos tendo resultados positivos”, disse Sonia Lanski, coordenadora do programa na secretaria de saúde da capital mineira. O Mãe Curitibana é pioneiro no Brasil na organização da atenção materno-infantil. Começou a funcionar em 8 de março de 1999 e inspirou ações semelhantes. O Mãe Coruja (Pernambuco), Mãe Paulistana (município de São Paulo) e, mais recentemente, o Rede Cegonha, lançado em março pela presidente Dilma Rousseff.

A iniciativa se baseia no vínculo que se estabelece com a mulher, assim que ela recebe o resultado positivo para gravidez. A partir daí, ela e o bebê são acompanhados pelo sistema público de saúde de Curitiba durante toda a gravidez até 40 dias após o nascimento. Passado esse tempo, a mulher recebe alta do Mãe Curitibana e a criança é automaticamente vinculada ao Programa do Lactente. Atenção integral Desde a criação, 200 mil mulheres e seus bebês foram acompanhados pelo programa. Cerca de 85% das gestantes vinculam-se até o 4º mês de gestação e apenas 13% são diagnosticadas como de médio ou alto risco. Quase 70% dos partos – que representam cerca de 60% das gestantes da cidade - são normais. No ano passado, 89,6% das pacientes vincularam-se no início da gravidez e puderam fazer sete ou mais consultas de pré-natal. No

período, foram ofertadas 22.657 consultas contra 17.100 em 1998 – ano anterior à implantação do programa. Na época, 66,4% fizeram sete consultas ou mais. Nesse período também caiu o número de gestantes com menos de 20 anos de idade. Enquanto em 1998 19,8% das mães tinham menos de 20 anos, essa taxa caiu para 14,2% em 2010. O programa contribui, de forma significativa, na redução da mortalidade infantil e materna. De 1998 para 2009 a mortalidade infantil caiu de 16,64 por 1000 nascidos vivos para 8,97 / 1000. O dado de 2010, preliminar, é idêntico ao do ano anterior e coloca Curitiba na posição de cidade com o menor indicador entre as capitais. A redução da mortalidade materna também merece destaque. De 60,5 por 100 mil nascidos vivos entre 1994 a 1999 e de 43,9 por 100 mil entre 2000 e 2005, o indicador desceu para 38,6 por 100 mil nos últimos 5 anos.

O prefeito Luciano Ducci e o representante do Ministério da Saúde, Dario Pasche, na premiação de Curitiba em Brasília

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tecnologia

Nas ondas do

rádio B

Mesmo com tantas tecnologias, o rádio, um dos veículos de comunicação mais antigo, continua eficiente e encantador

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om dia, olá ouvintes... Oi, oi gente querida. Seja na frequência AM ou FM é assim que começa o dia de muitas pessoas que gostam de ouvir rádio. São emissoras para todos os estilos, vão de musicais, religiosas, até mesmo as de notícias, que caíram no gosto de muitos curitibanos. O objetivo também é bem variado, tem ouvinte que quer se distrair com uma boa música, outros que querem se manter informados e até aqueles que têm o rádio como uma companhia. Um dos veículos de comunicação mais antigo, ainda é eficiente e rápido, principalmente em relação à propagação da informação e alcance maior no número de pessoas. A história do rádio no Brasil começou a partir de 1922 e depois de tanto tempo, ele ainda continua ativo e faz parte da vida de muitos brasileiros. Mesmo com a criação de novas tecnologias que divulgam a informação, o rádio não perdeu o seu espaço e em alguns casos, com a popularização da internet, principalmente das redes sociais, vem ajudar a interação com o público. O jornalista Luiz Ribeiro divide o trabalho entre a televisão Bandeirantes e a rádio BandNews FM. Há 25 anos trabalha em rádio e há pouco menos de dois anos utiliza as redes sociais como mais uma ferramenta profissional. “As redes, se bem utilizadas, podem ser grandes aliadas no traba-


LORENA MALUCELLI PELANDA

Comecei a trabalhar em rádio como uma brincadeira. Fui operador de som de um programa paroquial, e quando o padre não ia apresentar, aproveitava para falar ao microfone. Edmar Colpani

lho de comunicação em qualquer veículo. No rádio, entendo que é mais importante ainda. Geralmente coloco um post em que sugiro uma discussão, para saber a opinião do ouvinte e levar ao ar. Assim consigo trazer o membro dessa rede social para engrossar a audiência da rádio”, explica Ribeiro. Interatividade Mas a boa e velha interação pessoal ainda existe, principalmente quando se trata de uma rádio AM. Isso porque a

programação exige muito mais contato pessoal. É o ouvinte que procura emprego, relacionamentos amorosos, ajuda, e por aí vai. Com mais de 35 anos de carreira, Edmar Colpani, divide a apresentação do programa de entretenimento “Tarde total”, na Rádio Banda B. “Comecei a trabalhar em rádio como uma brincadeira. Fui operador de som de um programa paroquial, e quando o padre não ia apresentar, aproveitava para falar ao microfone”, relembra Colpani. A partir daí, ele seguiu carreira como radialista e tem feito muito sucesso com os ouvintes. “Tenho um contato muito direto com eles. Muitos vão até a emissora e pedem autógrafo, me sinto um artista. O rádio é mágico e o ouvinte fica interessado

Luiz Ribeiro, da BandNews, trabalha há mais de 25 anos em rádio

em saber como é a pessoa que está falando do outro lado do equipamento. Tem muita gente que me reconhece de longe, só pela voz”, comenta Colpani. Rádio e suas paixões Renato Gaúcho é considerado pelos ouvintes como o Rei do Rádio em Curitiba. Há 25 anos comanda um programa na Rádio Caiobá e é um dos donos da maior audiência do estado. Ele é criador de programas, dentre os quais se destacam previsão astrológica, as crônicas e mensagens que lê diariamente, e as histórias de amor narradas na seção “A Música da Minha Vida”. Repercussão que Renato não imaginava ter. “Quando começa alguma coisa, a gente tem sonhos e quase nenhuma certeza. Eu sonhava fazer sucesso, ter muitos ouvintes, mas certeza que isso ia acontecer, não”, diz Renato. Para manter a fama não é só necessário ter talento, e sim muita dedicação. “Trabalho o dia todo – cinco horas no ar, mais cinco ou seis na frente do computador, preparando o programa do dia seguinte. Pela dimensão que ganhou o meu trabalho, acho até que recebo poucas cobranças. Claro que sempre tem al-

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cultura

Curitiba no ar Curitiba tem em média 50 emissoras de rádios, tanto nas ondas AM ou FM. A rádio Clube Paranaense, fundada em 1924, foi a terceira emissora a ser criada no Brasil. A primeira a transmitir futebol no país. Em 1976, entra no ar a Transamérica, primeira rádio FM estéreo de Curitiba. A programaçăo era gravada, com músicas internacionais.

dar uma notícia, já a BandNews busca mais interação com o público, e consequentemente mais dinamismo na hora de repassar a informação. São duas boas opções que o ouvinte tem a total liberdade de escolher.

Quando chegou a televisão, o rádio foi diagnosticado comodoente terminal. E está aí, hoje, vivo como nunca

guém dizendo que você não devia falar tal coisa, ou que devia fazer aquilo de uma outra forma, mas, no meu caso, não é muito frequente. Quando acontece, levo em consideração e não hesito em mudar, se for o caso”, explica Renato Gaúcho, ao ser questionado sobre a cobrança dos ouvintes. Quanto ao futuro do rádio, Renato Gaúcho acredita que ele sempre vai existir e dificilmente perderá espaço. “O rádio já foi diagnosticado como doente terminal, especialmente quando surgiu a televisão. No entanto, lá se vai mais de meio século, e o rádio continua vivo. Acho que o rádio vai durar para sempre,

Palanque eleitoral A popularidade que o rádio proporciona é uma excelente oportunidade para os profissionais que trabalham no veículo e querem entrar na vida política. Um bom exemplo dessa força é o radialista Luiz Carlos Martins. ProInventando para inovar prietário da Banda B, Luiz Carlos já foi vereaMesmo antigo, o rádio cresce ainda mais e dor, deputado, e deve se manter na vida públiinova para se manter interessante para o pú- ca por muito mais tempo. Em seu programa blico. A grande responsável é a criatividade diário nas manhãs curitibanas, a voz do radiados profissionais que trabalham no meio. lista é a de um conselheiro, amigo e em alguns Exemplos não faltam. O mais recente é o cres- casos ponto de referência para o ouvinte. Cacimento de rádios de notícias, que já caíram racterísticas de um profissional de rádio de no gosto do curitibano. CBN e BandNews FM sucesso, que contribuem para o desenvolvisão as principais emissoras quando se fala em mento na política. Mas o radialista Edmar radiojornalismo em Curitiba, mas mesmo as- Colpani, que também trabalha na mesma sim, o perfil de cada uma tem diferenças. A emissora, acredita que para ser político é neCBN mantém um padrão mais tradicional em cessário muito mais do que falar em rádio. “A prova disso é que na última eleição poucos radialistas se deram bem. O ouvinte pode gostar da pessoa como locutora, mas quando se candidata preciQuando começa alguma coisa, sa ter boas propostas. Tenho muitos a gente tem sonhos e quase amigos com muita audiência, que nenhuma certeza. Eu sonhava se candidataram, mas quando abrifazer sucesso, ter muitos ram as urnas, se decepcionaram e ouvintes, mas certeza viram que o povo não se interesde isso ia acontecer, não. sou”, afirma. Renato Gaúcho pois é um veículo extraordinário, capaz de mexer com a imaginação das pessoas e fazêlas sonhar como nenhum outro veículo é capaz”, finaliza.

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cultura

A dona do

TEATRO Q

Regina Vogue comemora 51 anos de carreira com biografia e novo espetáculo teatral que conta boa parte da sua história Cena do espetáculo “Regina, no centro da liça”

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uerer um passado. Esse era o principal objetivo da atriz Regina Vogue, quando era mais jovem e nem pensava no reconhecimento artístico que tem hoje. A história da catarinense começou com muitas dificuldades, uma delas foi a saída de casa, aos 16 anos, contra a vontade dos pais, para realizar o principal sonho: o de ser atriz. Passou pelo circo, teatro de pavilhão e até mesmo atuou por algum tempo como toureira. “Meus pais não aceitaram a minha saída de casa, já que naquela época as mulheres não tinham tanta independência. Nada é impossível e tem que ter vontade de buscar o que deseja. Minha teoria é: não sei, me ensina, que aprendo”, conta a atriz. Mas foi em Curitiba que a artista construiu boa parte da sua carreira. Já são 51 anos de muitas histórias, dificuldades, alegrias e aprendizados. As bodas de ouro de profissão também são marcadas com muitas conquistas. “Não sou de me apegar ao passado, mas quando era pequena foi diferente. Quando ouvia falar sobre o passado, sempre repetia e dizia que queria ter um”, relembra. Regina tem um teatro que leva o seu nome, e fica dentro do shopping Estação, um dos principais de Curitiba. O espaço inaugurado em 2004 é mantido com a ajuda dos dois filhos: Adriano, que é produtor e o apoio efeti-


LORENA MALUCELLI PELANDA

vo no processo burocrático do teatro e Maurício, que é diretor, ator e bailarino. Cada ano de carreira a atriz comemora de alguma forma e neste ano é bem diferente. “Este ano está sendo bem badalado. Vou lançar minha biografia, mas já estou em cartaz com uma peça adaptada, que se chama ‘Regina, no Centro da Liça’. É uma forma do público me conhecer melhor e também aprender com meus problemas”, comenta Regina. O espetáculo e também o livro contam a trajetória da atriz, que nasceu em Santa Catarina, morou em Porto Alegre e veio viver em Curitiba. A atriz Maureen Miranda, que interpreta Regina Vogue no palco, passa ainda mais veracidade na história, já que as características físicas das duas são bem semelhantes. “Não faço da minha vida uma tragédia, apesar de ter passado por muitas dificuldades para chegar onde cheguei. Ser reconhecida não é fácil, principalmente na capital paranaense. Parecia uma estrangeira. Hoje me sinto privilegiada”, afirma a catarinense. A montagem teatral não tem tantos detalhes, diferente do livro que aborda mais fases da vida da artista. O nome da biografia foi escolhido com

muita atenção. “Liça significa discutir, resolver as coisas. Minha vida é assim. Temos que enfrentar os perigos e seguir em frente. A vida é uma metáfora, o mundo também”, explica a atriz. Na história de vida de Regina Vogue já são tantos momentos e papéis interpretados, que ela destaca apenas um que tem gostado mais. “Este momento está sendo o melhor. Estou muito feliz e sinto muito gratificada por estar indo tão longe, principalmente depois de tantos problemas. Hoje, quando olho para trás e vejo as vitórias, conquistadas com tanto esforço, só tenho a agradecer”, finaliza a atriz que é considerada uma das mais importantes do Paraná. A peça é uma adaptação da biografia da atriz, que deve ser lançada neste ano

Para Claudio Castro, Regina Vogue é um marco no teatro paranaense

Exemplo de talento Com tantas histórias, Regina Vogue é exemplo de profissionalismo para muitos atores que já seguem a carreira ou até mesmo pensam em atuar nos palcos. “Regina Vogue é uma das nossas Divas, uma das rainhas do nosso teatro e temos muito, sem-

pre, o que aplaudir e agradecer. Uma história mágica, cheia de coloridos, cuidados, no entanto, construído com muito suor, dignidade, muito trabalho e muita emoção, que serve como modelo”, explica o ator e produtor Dimas Bueno. Essa é a mesma opinião de muitas pessoas que compõem o cenário artístico paranaense. O ator Claudio Castro diz que a Regina Vogue representa um marco, principalmente por ainda atuar na cidade. “As primeiras peças que assisti foram dela. Ela sempre faz o comentário no final da montagem para falar da sua paixão por teatro infantil. Regina é uma referência paranaense”, elogia Castro, que atua desde 1993 nos palcos da cidade.

A Cia Regina Vogue já produziu mais de 35 espetáculos infantis e é referência neste segmento. O Teatro Regina Vogue já recebeu mais de 164 espetáculos e 134 mil pessoas. Dimas Bueno é ator e produtor teatral

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esporte

ATRÁS DA COPA U

m Levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas de junho deste ano, mostrou um cenário de rejeição que a Copa do Mundo Fifa de 2014 sofre em Curitiba. Um ano antes, a amostragem apontava que mais de 84% dos curitibanos eram a favor do Mundial no quintal de casa. Em 2011, a realidade demonstra que 66,5% apoiam a competição mais importante do futebol mundial. O que disparou foi o desinteresse, a aversão. No primeiro semestre de 2010, menos de 10% dos curitibanos eram contrários à Copa do Mundo. 12 meses depois, esse número bateu na casa dos 30%. Em 1950, Curitiba também foi sede de jogos da Copa do Mundo. E um dos moradores da cidade fez questão de correr atrás do Mundial. O diálogo remete à distante Palmas. Eram seis horas da manhã, o sol ainda não havia nascido na cidade mais fria do Brasil. Seis também era a marca abaixo de zero da dilatação do mercúrio em um velho termômetro pendurado na parede do alpendre. Estamos a 378 km da capital paranaense, onde a temperatura não está muito mais quente neste 15 de julho de 1950. A 1.219 km, rumo ao Norte, mais 46 Documento Reservado / Setembro 2011

precisamente no Rio de Janeiro, destino da eminente viagem, as coisas não deveriam estar tão geladas. Embora, apenas o ambiente que envolvia o dia seguinte e aquele lugar, deixassem as coisas para lá de quentes, e a temperatura no sudeste do país, muito além do zero. Altino Gubert coloca uma de suas melhores roupas para ir ao aeroporto. A roupa pesada é característica da época. Para minimizar o rigor do frio da pacata cidade paranaense, o vestuário elegante começa numa engomada ceroula, até culminar num belo chapéu arrumado de véspera. Aquela certamente não era a vestimenta de todos os dias. Afinal, aquele não era um dia como qualquer outro.

Seleção do Brasil, Copa 1950

Jogos pela TV Essa disposição não é mais tão recorrente. O Paraná Pesquisa mostrou, no ano passado, que quase 75% dos curitibanos não acreditavam que os ingressos teriam preços acessíveis à população. O que leva a uma imediata analogia de que grande parte dos curitibanos vai apostar na televisão para acompanhar a Copa do Mundo. Seja como for,há um ano atrás ninguém era ingênuo de acreditar que algum jogo mais importante aconteceria na Arena da Baixada, o estádio Joaquim Américo. Mais de 30% pensava que Curitiba devia receber, no máxi-


CLEVERSON DIAS BRAVO E FÁBIO MANDRYK FERREIRA

Um curitibano, Seu Altino Gubert, colocou sua melhor roupa, traje de inverno, típico dos moradores do Sul do País, e foi atrás da Copa do Mundo no Rio de Janeiro há mais de 50 anos. Hoje, o interesse pelo maior campeonato de futebol do Planeta é bem diferente mo, disputas da fase de grupos do Mundial. Desse ponto de vista, a saída é mesmo ir atrás da Copa do Mundo, sobretudo, se for atrás da decisão do título mundial. O título que não era só importante porque Seu Altino estava indo ver a final in loco. A Copa do Mundo de 1950 era a primeira depois da interrupção de 12 anos dos Mundiais, necessária para manter a integridade, física e principalmente psicológica, dos atletas durante o período da Segunda Guerra Mundial. Esse conflito originou-se devido às incursões de Adolf Hitler, iniciado na Alemanha nazista até sua derrocada final para o “General Inverno”, nas cadeias montanhosas da Rússia. Aquela, afinal, era até então a única Copa do Mundo realizada em solo tupiniquim. Jamais uma seleção nacional havia chegado tão longe. Era inimaginável que o troféu Jules Rimet não trocasse a segurança da sede da Federazione Italiana Giuoco Cálcio – FIGC campeã, sob a batuta do fascismo de Benito Mussolini, no já distante 1938 –, e tivesse como novo destino A CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF – Confederação Brasileira de Futebol. Aquele era o enredo dos sonhos de mais de 50 milhões de brasileiros, entre os quais Seu Altino, além de João Havelange; para quem não liga o nome à pessoa, personalidade que empresta sua graça para o estádio Engenhão, em Engenho de Dentro, no

Rio de Janeiro, e aquela altura homem forte da CBD. A Copa de 1950 estava sendo realizada no país das Garotas de Ipanema devido à falta de condições dos países europeus, afetados pela longa guerra. A bem sucedida candidatura única trouxe a esperança de vencer aquela competição. Como se já não houvesse de sobra. Movimentação turística Hoje em dia, o que uma Copa do Mundo traz mesmo, são turistas. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas, divulgado pelo Ministério do Turismo em julho, estima que pelo menos 500 mil pessoas virão para Curitiba, por ocasião do Mundial de 2014. Este dado representa uma verdadeira “inflação” de visitantes. A média mensal (o torneio de seleções é disputado no intervalo de 30 dias) de turistas em Curitiba será de cerca de 280 mil pessoas. Para a presidente do Instituto Municipal de Turismo, Juliana Vosnika “a Copa é uma grande oportunidade para mostrar aos visitantes que Curitiba está preparada para receber a todos”. A cada momento em que seu Altino se

Seleção do Uruguai, Copa 1950

aproximava do local da grande final, seu coração se aquecia. Não por menos, afinal, já na escala do vôo para o Rio de Janeiro, feita em São Paulo, foi abordado pela aeromoça, que ao olhar um requintado senhor de “pulôver, camiseta, sobretudo e capote”, questionou: “De onde é que o senhor vem?” Talvez Palmas não fosse tão fria como o Rio de Janeiro é quente. Naquele tempo, o avião no Rio de Janeiro só descia no Santos-Dumont, no centro da cidade. A vista proporcionada daquela janela era algo digno de ser inesquecível: “Foi a primeira vez no Rio. Para mim, foi um espetáculo. Eu cheguei à noite. Naquele tempo os aviões eram os tais... talvez nunca mais veja”. Em tempos de Copa do Mundo, os aeroportos são um dos temas mais representativos. E o país que vai receber o torneio em 2014 ficou boquiaberto quando o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em abril

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esporte

deste ano, cravou que nove dos 13 aeroporIngresso para a final ele ganhou um grande presente por ter sido tos brasileiros que vão receber investimenSeu Altino conta que “na guerra, tinha um cortês com o visitante, anos antes: o ingresso tos para modernização e aumento de capa- primo, que até tem o nome de uma rua”. A para o setor especial da grande final da Copa cidade, não ficariam prontos a tempo. Para Rua Dorival Almir Zagonel, que fica no bairro do Mundo, no grandioso Maracanã. “Eu não Curitiba, o Instituto, baseado no tempo mé- Prado Velho, em Curitiba, a quatro minutos paguei nada, fui à parte social, na cadeira, dio de uma obra de infraestrutura de trans- do Centro, faz menção a um dos expedicioná- aquelas coisas”. porte de grande porte no Brasil, acenou que rios brasileiros. “E lá fez amizade com um raPor falar em segurança, este é um dos le“se tudo der certo”, a reforma gados que o poder público propode ficar pronta em junho de mete deixar à população de CuA Copa de 1950 estava sendo 2014, mês de inicio do Mundiritiba. A prefeitura do municíal. O cenário atual das obras pio prevê instalar 450 câmeras realizada no país das Garotas de Ipanema no Afonso Pena, localizado na no sistema de segurança até a devido à falta de condições Região Metropolitana da CapiCopa do Mundo, em 2014. Aindos países europeus, afetados tal, aponta para outro caminho. da este ano, serão pelo menos pela longa guerra. A ampliação do sistema de pá115 câmeras para monitorar a tios e restauração da pista de grande Curitiba. Atualmente, o pouso deve ficar pronta até abril de 2012. paz do Rio de Janeiro, Gutenberg Maiorano; monitoramento é feito por meio de 89 câmeE a ampliação do terminal de passagei- ele era do escalão médio da prefeitura”. Aca- ras. O secretário para Assuntos da Copa, Máros, e do sistema viário, deve ser entregue bada a guerra, o primo de Seu Altino, Zago- rio Celso Cunha, também acena para a ação em outubro de 2013. O investimento total nel, trouxe Maiorano para conhecer Curitiba, integrada das Polícias Militar, Civil, Federal, supera os 84 milhões de reais. De acordo e também a família dele. “E ele esteve aqui e Corpo de Bombeiros e Guardas Municipal e com a Infraero, em 2014 a demanda vai ser nós o pajeamos por aí, todo mundo foi muito Polícia Científica. Em audiência na Câmara de de mais de 7,5 milhões de passageiros por atencioso com ele”. Já naquele mês de julho Vereadores, na segunda quinzena de setemano. Com as reformas, a capacidade do ter- de 1950, o primo de Zagonel esteve no Rio de bro, o secretário especial tratou destes e de minal vai passar dos atuais 8 milhões, para Janeiro, e por sorte guardava consigo o ende- outros temas, por solicitação da Comissão da 14,5 milhões de passageiros. reço do ex-pracinha brasileiro, e de um cole- Copa, na Casa. Falou, por exemplo, dos 700 ga que estudou com ele no ginásio [equiva- mil empregos que o Mundial vai gerar, até 2014, lente ao atual ensino fundamental]. “O Osval- em todo o país. E citou, ainda, a preparação do Andrade era moreno, alto, um grande jo- dos voluntários, destacados para trabalhar na gador de basquete, depois jogou no Flamen- Copa. O grupo começa a ser preparado no ano go, e era da polícia, que hoje é a Polícia Fede- que vem. O ponto nevrálgico, por outro lado, é ral, aquela tal polícia do Getúlio Vargas”. Na o que apontou o levantamento da Paraná PesCidade Maravilhosa, Seu Altino foi à sede da quisa, no ano passado. Quase 61% dos curitibapolícia, e encontrou Maiorano. Naquele dia nos demonstraram, na oportunidade, que não gostariam de se voluntariar. Curiosamente, mais de 4% respondeu que ‘depende’. Quem sabe preocupado com o incentivo...

Altino Remy Gubert, era dentista, e morreu aos 92 anos, no dia 5 de janeiro de 2011 48 Documento Reservado / Setembro 2011

Nação eufórica Incentivo que era mais que suficiente em 1950. A euforia da final contra o Uruguai, no Maracanã, tomou conta da nação, em especial na então capital do país, o Rio de Janeiro, que


sediaria a mais importante partida que a sele- tam que a população desção de futebol já havia disputado. “Foi o mai- ses países ficou mais feliz or evento esportivo da época”, afirma Seu Al- durante os 30 dias da distino; devidamente trajado com terno e grava- puta do Mundial. E em ta, em direção ao estádio. O que não era um certa medida, isso é funprivilégio seu, mas praticamente um unifor- damental para a auto-esme, como o branco que envolvia o símbolo tima da população. No da extinta CBD, na camisa dos jogadores bra- livro, eles indicam que é sileiros, e que carregava a esperança e o moti- nesse particular que os govo de tanta ansiedade. Ao lado, em frente, e vernos devem apostar todas atrás de Seu Altino, contavam-se “207 mil pes- as suas fichas. soas mais ou menos”. O chamado “tento do silêncio”, A Fifa registra o maior público da sua his- e que deu o título para os uruguaios, tória com 173.850 presentes, entre os torcedo- saiu dos pés ligeiros do ponta Ghiggia. Um res pagantes, no Maracanã. Ainda que a expec- coadjuvante de respeito, e nem uma linha a fez ouvir. A multativa de pelo menos 30 mil “inadimplentes” mais. Fato é que aos 34 minutos do segundo tidão, incrédula, descia as escadarias do nas arquibancadas, seja um número jamais tempo, a inominável figura foi à linha de fun- Maracanã derrotada. Olhos ao chão, numa desmentido oficialmente. Os portões se abri- do, em tabela com Júlio Perez, pela direita, e marcha fúnebre. O título foi um ente querido ram às oito horas daquela manhã nublada e refugou ao cruzamento. Esse lance, ele já ha- que acaba de nascer, mas falece antes de ter sem cor como uma foto de época, exatas sete via feito na bola passada com açúcar e com alta. A lenda registra que se ouvia o andar horas antes do primeiro apito do árbitro in- afeto ao elegante Schiaffino, que empatou o arrastado dos homens que saíam do estádio e que acreditaram estar presglês George Reader; ao meiotes a acordar à uma nova nadia já não havia espaço no esO chamado “tento do silêncio”, e que deu o título ção, a história sendo feita, tádio. O clima de “já ganhou” para os uruguaios, saiu dos pés ligeiros do ponta tomou de assalto a tudo e a Ghiggia. Um coadjuvante de respeito, e nem uma linha a mas não se deram conta de que a história só se escreve todos, uma lição engolida às mais. Fato é que aos 34 minutos do com o crivo do tempo. duras penas. O jornal carioca segundo tempo, a inominável figura foi à Como ensina o escritor in“A Noite” estampou na véspelinha de fundo, em tabela com Júlio Perez, glês Charles Dickens “cada ra :”Estes são os campeões do pela direita, e refugou ao cruzamento. fracasso ensina ao homem mundo”. Lamentavelmente, algo que aprender”. não se pode dizer que erram Se o título se dissipou com o Brasil, um por inteiro. Um trauma dolorido, o silêncio jogo. Agora Ghiggia preferiu assumir a respós-jogo fez feridas nos ouvidos alheios. ponsabilidade e bater em gol. A bola capri- prêmio de consolo esperava Seu Altino, nalTristeza a parte, ganhar ou perder é um chosamente passou num espaço genital entre gum lugar daquela cidade. “Nós fomos para detalhe no futebol. E uma Copa merece uma o goleiro brasileiro Barbosa e a trave esquer- uma boate, em Copacabana. Fomos lá para visão mais ampla. Perspectiva que foi trazida da. Um lance desenhado na cabeça mesmo de dançar,entre outras coisas”. Uma noite que prometia ser longa. “Aí teve um sorteio de um pelo jornalista Simon Kuper e o economista quem não viu. jantar, e nós estávamos numa mesa x, número Stefan Szymanski. No livro Soccernomics, putal” e seu Altino, acompanhado de um amigo blicado no ano passado em português, eles Silêncio absoluto relatam que nenhum país que organizou uma “Aí depois do segundo gol você escutava curitibano, “ganhou o jantar”. No fim, a viaCopa do Mundo, em todos os tempos, ficou um mosquito voar lá. Foi desespero, uma coi- gem de volta foi com as mãos abanando, sem mais rico, ou obteve algum lucro, financeira- sa medonha para os brasileiros”. Conta-se hoje, a taça. Mas não haveria de ser com a barriga e mente falando. Por outro lado, os dois apon- quase seis décadas depois, que o silêncio se bolsos vazios... 49 Documento Reservado / Setembro 2011


social

Foto: Orlando Kissner

BATAVO INAUGURA A FRÍSIA O governador Beto Richa participou no último dia 15 ao lado do presidente da Batavo Cooperativa Agroindustrial, Renato Joăo de Castro Greidanus, da inauguraçăo da Frísia, nova fábrica para processamento de leite da cooperativa. A unidade vai gerar 85 empregos diretos e 500 indiretos, com investimentos de R$ 60 milhőes. A nova unidade vai produzir 400 mil litros de leite por dia e está localizada ŕs margens da PR 151, entre os municípios de Ponta Grossa e Carambeí, nos Campos Gerais.

Foto: Kraw Penas

JOIAS NA PASSARELA A Joalheria Aristides Class, da empresária Hilda Dias Machado, realizou na quarta-feira (28), no Taboo Lounge & Bar, um luxuoso desfile para mostrar aos convidados vips a coleçăo primavera / verăo: “Joias e Rendas do Brasil” - composta por 40 peças entre anéis, brincos e colares em ouro e pedras brasileiras. O evento produzido por Elaine Caús, contou com a brilhante presença da atriz Isadora Ribeiro.

Foto:Felipe Cruz

O DJ curitibano Paulo Antonio abriu a pista da festa preview da Creamfields, no último dia 17, em Curitiba. Entre as diversas vitórias ao longo dos 12 anos de carreira, o músico conquistou o pręmio Cool Awards, na categoria “DJ Revelaçăo’’, em 2007.

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O atelię Famoso Brigadeiro dos empresários Leandro Blazkowski e Caroline Costa, e a marca Godę Design de Dayane Kalinowski e Jean Gouvęa foram inauguradas no dia 27, em coquetel no Salăo All Seasons do Hotel Bourbon, em Curitiba.

Foto: Angélica Mujahed

Foto: Wando Rafael

NOVIDADES NO CRYSTAL Tradicional para a vizinhança do Batel e para consumidores exigentes e de bom gosto, o Shopping Crystal Plaza inaugurou neste męs, grandes marcas para seus clientes. A centenária botica Granado oferece produtos mais tradicionais e os lançamentos da marca com a originalidade da “pharmácia” do século XIX. As grandes marcar internacionais de óculos de sol podem ser encontrados na 1ș loja do Sul do país da Sunglass Hut. A marca norteamericana Calvin Klein Jeans amplia a loja para um espaço de quase 100 m˛, onde săo encontradas as novidades exclusivas da marca.


por GABI GATTI gabigatti@documentoreservado.com.br

Foto: Divulgaçăo

1 É BOM... 3 SÃO DEMAIS! Quando o trio sul brasileiro de música eletrônica Life is a Loop assume as pick ups de uma festa năo há quem fique parado. A mistura de música eletrônica e percussăo fizeram com que os DJs Leozinho e Fabrício Peçanha e o percussionista Rodrigo Paciornik fossem internacionalmente reconhecidos. Há nove anos na cena eletrônica mundial, com apresentaçőes pela Europa, os músicos foram os únicos representantes do Sul do país que tocaram no mega festival Rock in Rio. O trio também foi uma das principais atraçőes da festa de preview da Creamfields – considerado o mais importante festival de música eletrônica do mundo realizada no último dia 17, no Centro de Eventos FIEP, em Curitiba, pela casa noturna Liqüe. Mais de tręs mil pessoas passaram pela festa. O line up internacional ficou por conta dos DJs o alemăo Tom Novy e o Uruguaio Southmen.

LIBRES Y LOCOS 20 de novembro Está em exposiçăo até o dia a Libres y Locos na Galeria Endossa a mostr ade Fotográfica e - resultado do curso Liberd Escola Portfolio. Fotografia de Cidades da duzidas pelo fotóAs 60 imagens foram pro a Nilo Biazzetto grafo e curador da mostr Montevidéu, BueNeto e por 14 alunos em cramento. nos Aires e Colônia Del Sa

Foto: Andrea Paccini

CONSUMO CONSCIENTE Os arquitetos Francisca Cury e Léo Pletz licenciados em Curitiba da 5Ș Mostra Morar Mais por Menos “O chique que cabe no bolso”, confirmam que é possível criar ambientes elegantes e sofisticados utilizando materiais reaproveitados para contribuir com a preservaçăo ambiental. Os 55 ambientes săo assinados por mais de 70 profissionais e estăo abertos a visitaçăo entre os dias 6 de outubro e 15 de novembro, em um imóvel de 3.000 m˛, na Rua Kellers, no bairro Săo Francisco.

Em comemoraçăo aos 18 anos os diretores da loja Procorrer Alexandre, Rosinha e Roberto Grupenmacher realizaram no dia 22, o Procorrer Running Fashion - primeiro desfile dedicado ŕ moda das pistas de corrida. Além dos empresários, está na foto a esposa de Roberto, Marisol Grupenmacher.

Foto: Divulgaçăo

Foto: Amarildo Henning

Seme Raad Filho, diretor da Incorporadora Monarca; Vitor Wjuniski, sócio-diretor da Construtora Stuhlberger; e a atriz Maria Fernanda Cândido no evento de apresentaçăo do City Centro Cívico, na última quarta-feira, 14.

SPACE IBIZA EM BC Considerado por 10 pręmio s o melhor clube de música eletrônica do mu ndo, o espanhol Space Ibiza, vai instalar na vizinha praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, a terceira franquia do grupo. O lançamento do empreendimento é no dia 11 de outubro, no Parador Beach Club, e a ina uguraçăo da casa está prevista para o seg undo semestre de

S GUIA QUATRO RODA confirmou a exceO Vindouro Vinhos e Bistrô cozinha ao garantir lęncia no atendimento e na das, ediçăo de 2012. uma estrela no Guia 4 Ro ter e Eliseu FernanOs proprietários Silvana Fet na noite do dia 26, des receberam o pręmio da em Săo Paulo. durante a cerimônia realiza

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agenda

Exposições De Valentim a Valentim

Até 13 de novembro, o Museu Oscar Niemayer abriga a exposiçăo “De Valentim a Valentim”. A mostra reúne obras de célebres escultores brasileiros como Valentim da Fonseca e Silva, Rodolfo Bernardelli, Victor Brecheret e Rubem Valentim, entre outros. A exposiçăo apresenta um panorama da história da escultura nacional entre os séculos XVIII e XX. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Da Materialidade Ao Vazio

Até 18 de novembro, o jardim externo Museu Oscar Niemayer recebe a exposiçăo “Da Materialidade Ao Vazio”, do artista plástico Márcio Prado. A mostra faz parte do projeto Desinstalaçăo, e conta com um cubo formado por outros 4.096 cubos maciços de cerâmica refratária. Cada um dos cubos foi recoberto com um esmalte cerâmico que, após seis semanas, será fragmentado em outras 64 partes, gerando módulos de 64 unidades. Os módulos serăo deslocados gradualmente para alguns pontos de Curitiba. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Gaspar Gasparian – Um Fotógrafo

Até 20 de novembro, a exposiçăo “Gaspar Gasparian – Um Fotógrafo” pode ser vista no Museu Oscar Niemayer. A mostra é composta por 139 fotografias de Gaspar Gasparian (1899-1966). O fotógrafo paulistano se tornou um dos grandes nomes da fotografia brasileira e se notabilizou por clicar em preto e branco. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Curitiba(nós)

Até dia 4 de dezembro, a Casa Romário Martins abriga a exposiçăo “Curitiba(nós)”. A mostra, ao mesmo tempo em que traz dados atuais de Curitiba, revela a diversidade de sua gente, sua música, suas cores, sua culinária, sua arquitetura, entre outros aspectos da vida na capital paranaense. A exposiçăo está dividida em cinco seçőes: O Espaço Multicultural, destinado a mostrar a diversidade cultural; O espaço Dados Atuais procura definir quem é o curitibano, quem forma a populaçăo curitibana de hoje e quais os atrativos econômicos e turísticos que fazem a cidade atual; O espaço Traga sua cidade, onde o público tem a oportunidade de interagir; A Cabine do lambe-lambe é o espaço montado no centro da Casa Romário Martins dotado de um microcomputador e uma webcam. Nele, os visitantes poderăo acessar o blog Curitiba(nós), www.curitiba-nos.blogspot.com, deixar recados e gravar uma mensagem em vídeo, respondendo a uma questăo básica: o que é ser curitibano?; A seçăo Roteiros permite ver a cidade por outros ângulos e perceber a transformaçăo e os contrastes da paisagem. Informaçőes: (41) 3321-3255.

Mulheres do Acervo MON

O Museu Oscar Niemayer abriga por tempo indeterminado a exposiçăo “Mulheres do Acervo MON”. A mostra é composta por 59 trabalhos, que reflete sobre a eternidade da temática feminina. A representaçăo da mulher é explorada em diversos momentos da História da Arte, desde a Pré-história, com a Vęnus de Willendorf, passando pelas musas do Renascimento até as figuras inovadoras das “Demoiselles d’Avignon”, de Picasso. Entre os artistas que compőem a exposiçăo, destacam-se Iberę Camargo, Torres Garcia, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Letícia Marquez e a paranaense Helena Wong. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Espetáculos Seance – As Algemas de Houdini

Até 23 de outubro, o espetáculo “Seance – As Algemas de Houdini” fica em cartaz no Espaço Dois. A peça é ambientada em 1969. Uma psiquiatra, um padre, uma médium e um mágico estăo reunidos por causa de um homem misterioso. Durante a trama, eles văo descobrir que estăo no centro de tortura de um país de regime ditatorial năo identificado. Informaçőes: (41) 3362-6224.

Projeto Perfume – Balé Teatro Guaíra

No dia 25, o Guairinha recebe mais uma vez o “Projeto Perfume – Balé Teatro Guaíra”. O Projeto propőe aliar o processo de criaçăo de coreografias e debates com especialistas em dança. No programa será apresentada a obra “Treze Gestos de Um Corpo”, criada em 1986 pela coreógrafa portuguesa Olga Roriz, e o processo de criaçăo da obra “Coreografias para Ambientes Preparados – CPAP”, que mescla coreografia com captaçăo e projeçăo de imagens em tempo real. Informaçőes: (41) 3304-7900.

Labutaria com Marco Luque

Nos dias 28, 29 e 30 de outubro, o ator Marco Luque apresenta seu espetáculo “Labutaria”, no Grande Auditório do Teatro Positivo. Informaçőes: (41) 3315-0808.

TPM – Terapia Para Mulheres

Até 29 de outubro, o espetáculo “TPM – Terapia Para Mulheres” fica em cartaz no Teatro Joăo Luiz Fiani. A peça fala do universo feminino contemporâneo: as neuroses, as dúvidas, os hormônios, os relacionamentos em pleno século 21, onde tudo parece estar a um passo do próximo colapso. Informaçőes: (41) 3224-4986.

A História de Todas as Histórias 52

Até 30 de outubro, o espetáculo “A História de Todas as Histórias” fica em cartaz no Teatro Regina Vogue. Na peça, Arlequim, Pulcinella, Doutor e Colombina săo quatro amigos que estăo buscando o “homem que năo está”. Para completar essa missăo, o quarteto terá que passar por diversas provaçőes e por mundos desconhecidos. Informaçőes: (41) 2101-8292.

Documento Reservado / Setembro 2011


Chapeuzinho Vermelho em Técnica Phantom

Até 29 de outubro, o espetáculo “Chapeuzinho Vermelho em Técnica Phantom” fica em cartaz no Teatro Joăo Luiz Fiani. A clássica história infantil ganha nova versăo com a técnica Phantom, que mescla măos e rosto dos atores a corpo de bonecos. Informaçőes: (41) 3224-4986.

Se Essa Rua Fosse Minha

Até 30 de outubro, o Teatro Paulo Autran recebe o espetáculo “Se Essa Rua Fosse Minha”. Todos os domingos, “Teresinha de Jesus”, “Pai Francisco” e “Alecrim Dourado” se reúnem na rua onde moram para brincar. O público é convidado a interagir participando de jogos e brincadeiras do folclore brasileiro. Enquanto brincam, os personagens refletem sobre a vida e a experięncia de crescer. Informaçőes: (41) 3232-1571.

As Cabeleireiras

Até 30 de outubro, o espetáculo “As Cabeleireiras” fica em cartaz no Teatro Paulo Autran. A peça fala sobre mulheres que fazem do salăo de beleza um verdadeiro confessionário. Nany é a dona de um salăo localizado no bairro Tatuquara que está ŕ beira da falęncia. Seu marido fugiu com todo dinheiro que tinha e com sua ajudante, Dália, que é um travesti. Arrependida, Dália volta e, no meio de toda confusăo, surge Geovana, uma cliente solitária que encontra no salăo um refúgio. Informaçőes: (41) 3224-4986.

Ir e Rir

Até 2 de dezembro, o Curitiba Comedy Club recebe toda sexta-feira o stand-up “Ir e Rir”, com os humoristas Elder Kloster, Fagner Zadra, Fernando Kadlu e Marcio Ramos. Informaçőes: (41) 3018-0474.

Que Zona É Essa?

Até 29 de dezembro, o espetáculo “Que Zona É Essa?” fica em cartaz no Teatro Lala Schneider. Diversos humoristas se revezam no palco e apresentam um show que mescla stand-up, personagens, piadas encenadas e paródias musicais. O roteiro muda a cada semana e o show ganha novos convidados. Informaçőes: (41) 3232-4499.

Shows Reel Big Fish e Goldfinger

No dia 21, as bandas de ska punk Reel Big Fish e Goldfinger se apresentam no Moinho Eventos. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Saxon

No dia 23, a banda de heavy metal britânica Saxon realiza única apresentaçăo no Curitiba Master Hall. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Erasmo Carlos No dia 15, o cantor Erasmo Carlos apresenta no Grande Auditório do Teatro Positivo o show de sua nova turnę “Sexo & Rock’n Roll”. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Tităs

No dia 29, a banda Tităs se apresenta no Curitiba Master Hall. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Motorocker

Também no dia 15, a banda Motorocker se apresenta no Moinho Eventos. O evento também marca o lançamento da cerveja Motorocker. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Geminis Bee Gees

No dia 16, o grupo argentino Geminis Bee Gees realiza única apresentaçăo no Guairăo. Informaçőes: (41) 3304-7900.

Pearl Jam Daniel

No dia 22, o cantor Daniel apresenta no Clube Curitibano o show de sua nova turnę “Pra Ser Feliz”. Atualmente, o músico promove o CD “Raízes”, lançado em 2010. Informaçőes: (41) 3315-0808.

No dia 9 de novembro, a banda de rock norteamericana Pearl Jam realiza única apresentaçăo que comemora seus 20 anos de carreira, no Estádio Durival Britto e Silva. Informaçőes: (41) 40035588.

Zezé di Camargo e Luciano

Nos dias 27 e 28, a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano se apresenta no Guairăo. Informaçőes: (41) 3304-7900.

53 Documento Reservado / Setembro 2011


perfil

Malu, o pavão

Malu, o pavão N

osso personagem dessa edição da revista Documento Reservado chama-se Luiz Alfredo Malucelli. O Malu, como é conhecido e carinhosamente chamado pelos amigos, é uma dessas pessoas com quem você passa horas conversando e o assunto nunca se esgota. Ele é tudo, ou faz tudo. Foi radialista, é jornalista, foi fotógrafo e publicitário. Hoje, além de ser tudo isso, é um dos mais renomados chef de cozinha do Paraná e vem fazendo escola, dentro e fora de casa. Em casa, seu filho, o também jornalista e publicitário, Aldo Malucelli, é um cozinheiro de mão cheia. Só exagera no coentro.

Fora de casa, um pelotão de pessoas já passou em volta do fogão onde Malu está cozinhando, pedindo uma dica aqui e outra ali. Eu mesmo já fui um desses, embora não tenha tido sucesso nessa arte. São centenas de receitas, meia dúzia de livros, seminários, congressos, encontros e confrarias. Malu é, hoje, referência para nós paranaenses não apenas como chef, mas como o cidadão que promoveu nossa cidade

em nível nacional e mundial, com suas criativas campanhas na época em que dirigia a área comercial da RPC, ou RPCOM. Lembro de uma reportagem que fiz com o Malu sobre o Natal de Curitiba e confesso que nunca vi uma pessoa tão dedicada e empolgada com um projeto. Ouso escrever algumas linhas sobre o Malu, porque o conheço e tive várias oportunidades de privar de sua conversa, principalmente em Morretes. Sempre de bom humor, nunca ouvi nenhuma maldade de sua boca, pelo contrário, é um conciliador e amigo de todo mundo. Mostra ser dono de extraordinária memória quando fala de amigos da “antiga”, com nome, sobrenome, e seguido de uma história ou piada. São essas histórias que conta semanalmente nas páginas da Gazeta do Povo. Um exemplar pai de família e avô coruja. Volta e meia vemos aparecer em uma de suas crônicas uma pequena piada ou história de um de seus mais de 10 netos. Poucos sabem, mas vou contar aqui. O Malu é vaidoso, ao ponto do amigo, o também jornalista, Celso Nascimento, o chamar de Pavão. Ele gosta. Pedro Ribeiro

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56 Documento Reservado / Setembro 2011


Documento Reservado  

Politica, economia, cultura

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