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Mol chega a Curitiba

Página 36

# 52 AGO/2O12 Ano 4 www.documentoreservado.com.br

R$ 1O,OO

Dinheiro por água abaixo A Sanepar aplica multas de 2% da tarifa por dia de atraso. Levando em consideração que a empresa atende 9,5 milhões de paranaenses e, supondo, que pelo menos a metade desses atrase a conta e gaste 20 m³ por mês de água, a companhia já arrecadará perto de R$ 13 milhões num único dia só de multas. Para quem prefere a conversão dos valores em imóveis, o dinheiro seria suficiente para construir mais de 400 casas populares da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).

Pedágio volta a ser fiscalizado Dilma coloca o PR na geladeira

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editorial EXPEDIENTE Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Redação Norma Corrêa, Pedro Ribeiro e Lucian Haro Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Fotos de Capa: Saymun Susuky Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Idealiza Gráfica e Editora Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo) Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

Roubo a luz do dia

C

aro leitor. Você sabia que companhias como a Sanepar, Copel, cobram multas de 2% pelo atraso de um dia no pagamento da tarifa de água, esgoto ou energia elétrica? Pois bem, faça as contas. Quem atrasar a fatura de água e esgoto da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), tem que pagar 2% do valor total da conta pelo atraso - independente dos dias atrasados -, mais a taxa de 2% da tarifa por dia de atraso. E aí, nós fazemos as contas: levando em consideração que a empresa atende 9,5 milhões de paranaenses e, supondo, que pelo menos a metade desses atrase a conta e gaste 20 m³ por mês de água (quantia média para uma família de quatro pessoas), a companhia já arrecadará perto de R$ 13 milhões num único dia só de multas. Em relação a Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pela distribuição da rede elétrica no estado, a história se repete. A multa para quem não pagar a conta em dia é de 2% do valor bruto da fatura, sem contar a correção monetária de 1% ao mês. No mesmo cálculo que fizemos acima com a tarifa de água e esgoto, e tendo por base que a empresa contempla 3,9 milhões de pessoas, é possível dizer que o faturamento da Copel ultrapassa os R$ 4 milhões/mês com o atraso de metade de seus clientes. E a lógica é esta mesma: uma matemática financeira inversa, onde com o atraso nas contas, quem sempre sai perdendo é o consumidor. No caso da Sanepar (simulação acima), para quem prefere a conversão dos valores em imóveis, o dinheiro seria suficiente para construir mais de 400 casas populares da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Acompanhe também nesta edição, a volta da fiscalização do programa de concessão de rodovias no Paraná, paralisada no governo Roberto Requião. Ainda: as justificativas, tanto do governo federal como do estadual sobre os investimentos em infraestrutura liberados pela presidenta Dilma Rousseff e dos quais o Paraná ficou de fora. Boa leitura!

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 52 - AGOSTO/2012

Pedro Ribeiro

Circulação Setembro/2012

6 Documento Reservado / Agosto 2012


08 SINTONIA FINA 31 RENAULT INVESTE

44 AGENDA CULTURAL Nome do perfil

A parceria entre o Governo do Estado do Paraná e a Renault do Brasil ganha mais um importante componente com a assinatura de termo aditivo com previsăo de investimento de R$ 40 milhőes da montadora na ampliaçăo da produçăo de motores na fábrica de Săo José dos Pinhais.

20

DE OLHO NO PEDÁGIO Paralisada há seis anos, o governador Beto Richa determinou a reativaçăo da comissăo tripartite de fiscalizaçăo dos serviços realizados pelas empresas que administram 2.300 quilômetros de rodovias e cobram pedágio.

índice 10

MULTAS DO DIA Que as multas e juros estăo por todos os lados, ninguém duvida, mas que há uma forma eficaz de evitar o pagamento de taxas abusivas, nem todo mundo sabe. Saiba como diminuir a bola de neve e ver sobrar “grana” no final do męs.

22

A VOLTA DAS GREVES A greve dos servidores federais ameaça se tornar a paralisaçăo mais ampla do funcionalismo desde o começo do Governo Lula (2003-2010). Foram diretamente afetados, 27 órgăos federais, entre greves, suspensăo temporária de trabalho ou operaçőes-padrăo.

A propaganda eleitoral já custou aos cofres públicos, desde 2002, R$ 4 bilhőes e este ano, a Receita Federal deixará de arrecadar R$ 606,1 milhőes. Isso sem contar com os recursos que entram nos cofres dos partidos políticos que, neste ano, poderá ser superior a R$ 300 milhőes.

Para evitar novas enxurradas de açőes trabalhistas, o Órgăo gestor de Măo de Obra no Porto de Paranaguá colocou a chamada trava na dobra da escola eletrônica, para que os trabalhadores sejam impedidos de dobrar o turno de trabalho. O resultado: falta funcionário para atender a demanda do Porto.

PARA QUEM GOSTA DE NOVIDADES Na Praça da Espanha, um dos endereços mais sofisticados da capital paranaense, um lugar especial tem atraído curitibanos e conquistado adeptos da boa culinária argentina. Estamos falando do Mol Gastronomia, um novo conceito de bar e restaurante, que une o melhor da gastronomia portenha com uma pitadinha de Brasil.

35

ONDE MORA O PERIGO Um dos pontos turísticos de Curitiba, a Praça Eufrásio Correia, em frente ao Shopping Estaçăo, passou por recente revitalizaçăo e ganhou novo calçamento, iluminaçăo e paisagismo. Quando o assunto é segurança, entretanto, pouca coisa mudou.

19 BETO RICHA O Paraná merece respeito

37 JOĂO ELÍSIO

FERRAZ DE CAMPOS Segurobras: Para que? Para quem?

A CIDADE RESISTE A brava Antonina resiste. Quando um navio atraca, a cidade renasce. Assim vem sendo nos últimos 40 anos. Tudo leva a crer que o município ganhará um centro náutico de apoio a Paranaguá.

12 DE GRAÇA, UMA OVA

28 FALTA MĂO DE OBRA

36

24

18 PARANÁ NO FREEZER

Ao anunciar investimentos em infraestrutura a estados brasileiros, ignorando o quinto PIB nacional, a presidenta Dilma Rousseff e seus ministros viraram as costas para o Paraná, deixando o governador Beto Richa com uma grande dúvida: retaliaçăo eleitoral?

32 PEQUENO PAPAGAIO

42

A repetiçăo estimula o cérebro. A criança vai repetir aquilo que ouve com frequęncia. Quanto mais cedo o estímulo bilíngue for levado ao pequeno, antes ele falará outro idioma.

38 JOEL

MALUCELLI Passando a bola

39 LUIZ CARLOS

HAULY Mar territorial, uma luta paranista

OLIMPÍADA APÁTICA Para o Brasil, a Olimpíada de Londres teve presença apagada dos brasileiros e poucas medalhas na bagagem de volta dos atletas.

40 ANSELMO

TROMBINI Parar para quę?

ARTIGOS

41 MARCUS VINÍCIUS MICHELOTTO Na mira da marginália

7

Documento Reservado / Agosto 2012


sintonia fina

Muito estranho Alguém pode explicar, a esta altura do campeonato, porque o exgovernador Roberto Requiăo (PMDB) determinou, em seu governo, o fim da fiscalizaçăo do programa de concessőes rodoviárias no Paraná. O mais estranho ainda é que durante esse período, uma obra que era para ser feita e concluída em 2010 acabou sendo prorrogada para 2014. Săo coisas que a sociedade vai saber a partir de agora, com a reativaçăo da comissăo de fiscalizaçăo do pedágio.

Falsos patriotas

O deputado Elton Welter (PT) foi, no mínimo, hilário, ao tentar defender o governo petista da presidenta Dilma Rousseff, sugerindo que os investimentos federais que deixaram o Estado do Paraná de fora foram por questőes de prioridade nacional. Como se o deputado năo fosse paranaense e năo defendesse obras de infraestrutura para o Estado. Ao seu lado estăo, na mesma linha de pensamento, os tręs ministros - Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann e Gilberto Carvalho. Podem apostar que esses recursos virăo quando houver petista candidato ao governo do Estado.

Salve Antonina

Depois de um ano de muita discussăo, o Porto de Antonina, finalmente, terá investimentos e na primeira fase, serăo contratados perto de 800 funcionários. Na atual estrutura, será montado um complexo para dar suporte ŕs navegaçőes em geral, como construçőes de plataformas, chatas e outros serviços navais. Uma boa notícia aos moradores de Antonina, que há muitos anos esperam a reabertura do seu porto.

Barulho na Boca Bandas de música de Curitiba - profissionais ou năo - resolveram fazer um grande barulho em forma de protesto e tributo ao músico Emerson Antoniacomi, de 40 anos, que morreu no męs passado após aguardar por 38 horas em um posto de saúde por uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Antoniacomi passou mal por volta das 20h da terçafeira (15) num estúdio de gravaçăo e foi levado pelo Samu ŕ Unidade de Saúde do Boa Vista, na zona norte da cidade. Na ambulância, foi diagnosticado um Acidente Vascular Cerebral (AVC). 8 Documento Reservado / Agosto 2012


PEDRO RIBEIRO

Puxão de orelhas O jornalista e professor Gilberto Di Franco nos chama a atençăo (aos jornalistas, é claro). Observando o período eleitoral, percebe-se que, Prefeitos e vereadores estăo, teoricamente, próximos da vida dos cidadăos. Seus acertos e erros repercutem intensamente no cotidiano da cidadania. O eleitor, portanto, deve ficar esperto. Campanhas milionárias, promessas irrealizáveis e imagens produzidas farăo parte, mais uma vez, do marketing dos candidatos. Assistiremos, diariamente, a um show de efeitos especiais produzido para seduzir o grande público, mas, no fundo, vazio de conteúdo e carente de seriedade.

Mea culpa

De acordo com Di Franco, os programas eleitorais gratuitos vendem uma bela embalagem, mas, de fato, săo paupérrimos na discussăo das ideias. Nós, jornalistas, somos (ou deveríamos ser) o contraponto a essa tendęncia. Cabe-nos a missăo de rasgar a embalagem e desnudar os candidatos. Só nós, acredito, podemos minorar os efeitos perniciosos de um espetáculo audiovisual que, certamente, năo contribui para o fortalecimento de uma democracia verdadeira e amadurecida.

Um nome

O mestre do jornalismo político Sylvio Sebastiani, lança seu livro, Um Nome, Muitas Histórias. A obra conta, com detalhes, a biografia do jornalista que é considerado um dos principais comunicadores paranaenses que, até hoje, preza pela ética na política. Aos 83 anos, meu amigo e professor Sylvio Sebastiani teve fôlego para escrever mais de 150 dedicatórias durante o lançamento.

Histórias de bar

Meu amigo, o jornalista Nego Pessoa, também acaba de lançar mais um livro. Fala sobre um dos mais badalados bares de Curitiba, o Ciccarino Bar, localizado na rua Coronel Dulcídio 333. Nego Pessoa era habitual do “estabelecimento comercial” e passou a colecionar histórias sobre os frequentadores do local. Com maestria transcreveu para o papel tudo o que viu e ouviu nas frias madrugadas e no aconchego do bar. Vale a pena rememorar.

Ao Deus dará... Há quem afirme que deputados năo precisam dar plantőes na Assembléia Legislativa, a năo ser em dias de votaçăo de algum projeto de lei. Percorrendo suas bases, deixam de inventar coisas ou falar babozeiras ao usarem a tribuna. E parece que caminha para isso. Agora, o presidente da casa resolveu dar mais uma semana de folga aos parlamentares. Na semana de Sete de Setembro ninguém precisa comparecer.

9 Documento Reservado / Agosto 2012


economia

Multas nossas Q Na matemática financeira do atraso nas contas quem sempre sai perdendo é o consumidor

10 Documento Documento Reservado Reservado // Agosto Agosto 2012 2012

uem está acostumado a pagar em dia as contas básicas de água, luz e telefone talvez não saiba, mas um único dia de atraso no pagamento do talão pode interferir, e muito, no valor final da tarifa e acabar pesando, claro, no bolso. A multa pela não quitação do débito no dia estipulado gera um custo adicional fixo ao consumidor (estipulado pelas próprias companhias). Por exemplo, quem atrasar a fatura de água e esgoto da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) tem que pagar 2% do valor total da conta - independente da demora no pagamento -, mais a taxa de 2% da tarifa por dia de atraso. E aí, nós fazemos as contas: levando em consideração que a empresa atende 9,5 milhões de paranaenses e, supondo, que pelo menos a metade desses atrase a conta e gaste 20 m³ por mês de água (quantia média para uma família de quatro pessoas),

a companhia já arrecadará perto de R$ 13 milhões num único dia só de multas. Para quem prefere a conversão dos valores em imóveis, o dinheiro seria suficiente para construir mais de 400 casas populares da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Mas isso não é exclusividade da Sanepar, não. No caso da Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pela distribuição da energia elétrica no estado, a história se repete. A multa para quem não pagar a conta em dia é de 2% do valor bruto da fatura, sem contar a correção monetária de 1% ao mês. No mesmo cálculo que fizemos acima com a tarifa de água e esgoto, e tendo por base que a empresa contempla 3,9 milhões de pessoas, é possível dizer que o faturamento da Copel ultrapassa os R$ 4 milhões/mês com o atraso da metade de seus clientes. E a lógica é esta mesma: uma matemática financeira inversa, onde com o atraso nas contas, quem sempre sai perdendo é o consumidor. E engana-se quem pensa que a equação pára por aí. O economista Cláudio Shimoyama, do Instituto Datacenso, ajuda a pôr tudo na balança. “Pode parecer pouco pagar multa


LUCIAN HARO

de cada dia Caminho das pedras Estas dicas básicas săo para vocę que quer se livrar da dívida do cartăo de crédito:

1ș Passo – Pare de comprar com o cartăo É importante impedir que a bola de neve role ladeira abaixo e atropele seu orçamento doméstico. Se o seu cartăo năo é utilizado para as despesas essenciais, vocę deve controlar seus impulsos e deixá-lo de lado até regularizar a situaçăo.

de R$ 1,50, R$ 2,00 em uma conta, mas no final de um ano, quanto não gastamos? Pelo menos o equivalente a uma cesta básica por mês”, elucidou. Ainda segundo ele, a melhor maneira de controlar as contas é fazer um planejamento financeiro. “Assim é possível viver a filosofia do ‘ganha-ganha’. O consumidor con-

segue pagar as contas em dia e ainda sobra um dinheirinho no final do mês para aquelas despesas extras”. E, atenção, o especialista lembra que em outras situações a cobrança de juros pode ser ainda mais abusiva. “No cartão de crédito, por exemplo, chega a 15% ao mês e mais de 200% ao ano”, alertou.

Tarifa revisada No caso específico dos talões da Copel, em função da homologação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) das novas contas de energia, resultado da revisão tarifária de 2012, conforme resolução nº 1.296, de 19 de junho de 2012, com validade até 23 de junho de 2013,, as tarifas ficam, em média, reajustadas em -0,65%, decorrentes do Reposicionamento Tarifário econômico de -0,11%, da inclusão dos componentes financeiros relativos ao atual ciclo tarifário, de -0,81%, e da retirada dos componentes financeiros considerados no processo tarifário anterior. Importante ressaltar, ainda, que nas contas já estão disponibilizados impostos como ICMS, PIS e COFINS para facilitar o entendimento do consumidor.

2ș Passo – Avalie quando vocę poderá pagar a fatura integralmente Se o seu problema é passageiro e deve ser resolvido no próximo męs, basta vocę deixar de gastar no cartăo por algum tempo, pedir o parcelamento da dívida para a administradora e seguir com sua rotina reformulada, sem contar tanto com a presença do cartăo nas horas de passeio pelo shopping (é sempre bom evitar que o problema aconteça novamente). 3ș Passo – Com o cartăo cancelado é hora de negociar a dívida Agora que a dívida foi estancada, é hora de eliminar o problema de vez de sua vida. Para isso, existem várias maneiras: Pagamento integral? Se vocę possui algum bem que possa se desfazer ou tem algum dinheiro para receber (como restituiçăo do IR, adiantamento das férias, PIS, ou qualquer outra renda) esta é uma opçăo neste momento. Com dinheiro na măo, vocę poderá negociar com a administradora do cartăo de crédito um desconto. Cuidado apenas na hora de adquirir o dinheiro vivo para pagar o seu débito: nunca peça dinheiro emprestado a agiotas, pois seu problema apenas mudará de măo e poderá adquirir proporçőes maiores ainda.

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política

Poço sem fundo O Por causa da eleição deste ano, a Receita Federal deixará de arrecadar R$ 606,1 milhões e a propaganda eleitoral já custou aos cofres públicos, desde 2002, R$ 4 bilhões. Isso sem contar com os recursos que entram nos cofres dos partidos políticos que, neste ano, poderá ser superior a R$ 300 milhões. E ainda falam em financiamento público de campanha!

s recursos que desembocam nos caixas dos partidos políticos – e agora eles somam 30 legendas – parece que entram num poço sem fundo, e não se trata de ninharia, não. Pelo contrário, somente neste ano, de eleição municipal, os cofres públicos ficarão mais magros em R$ 606,1 milhões, por causa das propagandas partidárias no rádio e na televisão. Isso, sem contar com os quase R$ 300 milhões referentes ao ‘Fundo Partidário’ previsto no orçamento da União para este ano. E ainda se discute o financiamento público de campanha. Pelo que se tem notícia, esse tipo de sistema para bancar uma campanha política já existe, só que ainda é pouco divulgado, porque não há interesse partidário nisso. O assunto está em discussão no Congresso

Nacional como parte essencial de uma efetiva reforma política, mas o debate pode não resistir a uma análise sobre as prestações de contas feitas até agora, em algumas das principais cidades brasileiras. E o PT é o maior defensor deste sistema, ignorando que os recursos destinados aos partidos políticos (Fundo partidário) e o horário eleitoral no rádio e na televisão são regiamente bancados com dinheiro público. “A proposta de reforma política que eu apresentei à Câmara prevê a distribuição mais igualitária dos recursos, porque garante que 25% do total de recursos disponíveis no financiamento público exclusivo sejam distribuídos igualitariamente, e os outros 75% de acordo com a votação para deputado federal ou deputado estadual, conforme a eleição que

Deputado federal Henrique Fontana (PT/RS) defende o financiamento público de campanha em projeto de reforma política que tramita na Câmara dos Deputados

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NORMA CORRÊA

está em disputa”, defende o relator do projeto de reforma política na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (PT-RS). No dia 21 de agosto iniciou a propaganda eleitoral “gratuita” para que os candidatos apresentem as suas propostas para que os eleitores possam escolher aqueles que mais atendam às suas expectativas. Para o cientista político, professor Ricardo Oliveira, o horário no rádio e na televisão, para apresentação das propostas dos candidatos, é um direito concedido pela Justiça Eleitoral, que tem um custo comercial. “O entendimento é que, em razão de os rádios e as televisões serem concessões federais, o uso dessa uma hora (dividido em 30 minutos pela manhã e outros 30 à noite) é benéfica para a educação política e é positivo para a democracia”, disse, embora admita que o Governo deixou de arrecadar muito dinheiro. E o volume de recursos por causa dessa propaganda, que não é nada gratuita, só fazem crescer ano a ano. De acordo com o levantamento feito pelo Contas Abertas, com o “horário eleitoral gratuito” – somente para os partidos – a Receita Federal deixou de arrecadar, desde 2002, R$ 4 bilhões. “Esse (rádio e televisão) é o único caminho para que a mensagem dos candidatos chegue ao maior número de pessoas, principalmente, aqueles de menor poder aquisitivo e aquelas que não têm o hábito da leitura. E é por meio do rádio e da televisão que estas pessoas têm contato com as eleições. Apesar do alto custo, essa também é uma forma, necessária, para a politização das pessoas, porque amplia o debate”, diz o professor. Segundo ele, o direito ao horário eleitoral é garantido pela lei 9.504/2007, que determina que, as emisso-

Começou no dia 21 de agosto a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que não é nada gratuita, vai custar, pelo menos R$ 606,1 milhões, aos cofres públicos ras de rádio e televisão recebam para transmitirem a propaganda partidária. Na verdade, as empresas deixam de faturar nos 60 minutos de veiculação de propaganda eleitoral, mas é o Governo Federal quem banca este espaço, por meio da renúncia fiscal. É como se cada um dos 190,7 milhões de brasileiros pagasse cerca de R$ 3,18 para ouvir e ver a propaganda dos candidatos e dos partidos. Conforme o Contas Abertas, o cálculo é baseado no princípio de que a Receita Federal “compra” o horário das emissoras, permitindo que deduzam do imposto de renda 80% do

que receberiam caso vendessem o período para a publicidade comercial. Nas negociações publicitárias, é hábito a comissão de 20% para as agências de publicidade. Na propaganda partidária, porém, não há nenhuma agência intermediando. Os “benefícios” ainda são estendidos mesmo quando não há eleições, como é o caso de 2003, 2005, 2007, 2009 e 2011, porque são veiculadas as propagandas institucionais dos partidos políticos, e a isenção tributária para o horário eleitoral continua em vigor. Para se ter uma ideia do buraco sem fundo, em 2009,

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13 Documento Reservado / Agosto 2012


política

ano em que não houve eleições, a perda de arrecadação foi de R$ 669 milhões, a segunda maior desde 2002. E não é para menos, a isenção concedida às empresas de rádio e televisão é uma das mais altas da Receita Federal neste ano, e supera os benefícios tributários com o Programa Minha Casa, Minha Vida, estimado em R$ 350,4 milhões, e o incentivo a projetos desportivos e paradesportivos, em R$ 138,3 milhões. As empresas que patrocinam o esporte têm dedução de 1% a 6% do imposto de renda. Mesmo assim, o professor Ricardo Oliveira considera a medida positiva, e lembra das eleições nos anos de chumbo. “Na época do regime militar, a Lei Falcão, no final dos anos 70, limitava a apresentação dos candidatos apenas com fotos 3X4. Aquilo, sim, era ruim. Agora, pelo menos, temos o debate. Agora o eleitor tem elementos para formar uma ideia do seu candidato ideal”, avalia, ao considerar que o horário eleitoral, neste ano, está congestionado, principalmente para o vereador, que mal tem tempo para dizer o seu nome.

DEMONSTRATIVO DE BENEFÍCIOS TRIBUTÁRIOS DO GOVERNO HORÁRIO ELEITORAL ANO 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2003 2002 TOTAL

VALOR CORRENTE 606.123.827,00 210.523.501,00 851.119.427,00 669.304.806,00 242.256.418,00 470.806.695,00 191.603.574,00 283.548.965,00 238.584.714,00 174.109.907,00 121.539.800,00 4.059.521.634,00

*Fonte: Receita Federal

14 Documento Reservado / Agosto 2012

Cientista político, Ricardo Oliveira, vê como positiva a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, porque é uma forma de repassar informações dos candidatos

Para estimar o quanto vai perder em arrecadação, a Receita Federal toma como base a Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano anterior. E os cálculos são feitos o mais próximo que se pode chegar, já que se trata de um método de inferência, ou seja, impossível saber o número exato. A Receita informa que os dados definitivos são aqueles de arrecadação, quando os impostos realmente foram recolhidos. Porém, nem todas as empresas de comunicação recebem o benefício fiscal. O diretor de assuntos legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura, afirma que mais de 80% das emissoras de rádio estão enquadradas no Simples e, por isso, não podem utilizar o ressarcimento, conforme a Receita. “As empresas ainda não podem usufruir do mecanismo por não darem lucro ou estarem submetidas ao regime tributário especial, como o Super Simples”, explicou à reportagem do Contas Abertas. Por essa razão, ele disse que a entidade está buscando a

ampliação da isenção para as empresas do Super Simples, que foi contemplado na minirreforma, mas ainda depende da regulamentação da Receita Federal. Moura disse ainda que a Abert entende que o horário é muito importante, mas as empresas de comunicação saem perdendo. “Economicamente, as redes de comunicação perdem tempo na grade e gastam muito com luz, principal quesito para que funcionem. Contudo, há uma perda de audiência que não é recuperada quando acaba o programa eleitoral”, explica. Fundo Partidário O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o conhecido Fundo Partidário, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é constituído por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei. Os valores repassados aos partidos políticos, referentes aos duodécimos e multas (discriminados por partido e relativos ao mês de distribuição),


NORMA CORRÊA

são publicados mensalmente no Diário da Justiça Eletrônico. O fundo é constituído por recursos públicos e particulares, que vêm de multas e penalidades aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas, recursos financeiros que lhe sejam destinados por lei, doações de pessoa física ou jurídica feitas por depósitos bancários na conta do Fundo Partidário ou por dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, a cada ano, ao número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por R$ 0,35. O valor pago aos partidos é dividido em 12 parcelas iguais, distribuídas mês a mês. O equivalente a 5% do fundo é entregue, em partes iguais, a todos os partidos que tenham estatutos registrados no TSE. Os outros 95% são distribuídos às mesmas legendas na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. A consulta pode ser realizada por meio do acesso ao sítio eletrônico do TSE na internet.

O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o conhecido Fundo Partidário, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é constituído por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei.

Confirme a distribuição do Fundo Partidário Atualizado em 25.7.2012

Duodécimos Dotaçăo orçamentária 2012 R$ 286.288.520,00 Partido

Multas Dotaçăo orçamentária 2012 R$ 38.450.988,00

Valor(R$)

%

Valor(R$)

%

PT

24.113.517,43

8,42

4.459.225,99

11,60

PMDB

22.198.772,18

7,75

4.029.552,46

10,48

PSDB

17.036.256,28

5,95

3.179.541,97

8,27

DEM

12.875.667,03

4,50

2.337.373,39

6,08

PP

12.717.466,49

4,44

2.308.857,63

6,00

PSB

12.150.674,18

4,24

2.205.784,44

5,74

PDT

8.818.462,39

3,08

1.600.975,31

4,16

PTB

7.432.591,39

2,60

1.349.434,44

3,51

PR

11.072.418,77

3,87

1.729.329,33

4,50

PPS

3.928.933,27

1,37

739.711,57

1,92

PV

6.688.287,95

2,34

1.214.340,54

3,16

PC do B

4.940.316,79

1,73

924.879,78

2,41

PSC

5.562.485,14

1,94

1.010.016,46

2,63

PSOL

2.268.630,83

0,79

412.155,95

1,07

PMN

2.214.151,55

0,77

402.267,76

1,05

PTC

1.142.840,05

0,40

203.596,71

0,53

PHS

1.626.256,41

0,57

295.680,63

0,77

627.894,48

0,22

114.356,05

0,30

PT do B

1.197.441,58

0,42

187.236,10

0,49

PRB

3.330.169,12

1,16

604.829,20

1,57

PRP

824.471,49

0,29

150.035,54

0,39

PSL

988.119,74

0,35

185.835,29

0,48

PRTB

845.375,63

0,30

153.829,72

0,40

PTN

615.409,52

0,21

112.089,99

0,29

PSTU

402.377,49

0,14

74.684,49

0,19

PCB

396.574,27

0,14

72.370,56

0,19

PCO

308.879,96

0,11

56.453,75

0,15

PSD

297.406,33

0,10

54.371,24

0,14

PPL

297.406,34

0,10

54.371,24

0,14

PEN

82.382,59

0,03

6.978,56

0,02

Total

167.001.636,67

58,33

30.230.166,09

78,62

Saldo dotaçăo

119.286.883,33

41,67

8.220.821,91

21,38

PSDC

15 Documento Reservado / Agosto 2012


política

Campanha política mergulha em E

m São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, a disputa política pela prefeitura municipal - uma das que mais

Luiz Carlos Setim

16 Documento Reservado / Agosto 2012

arrecada impostos no Estado do Paraná - acabou tomando rumos nada convencionais. O candidato do DEM, Luiz Carlos Setim, ex-pre-

feito e deputado federal, foi denunciado pela revista Veja em sua edição número 2285, com data de 5 de setembro de 2012, por suposta


DA REDAÇÃO

em São José terreno pantanoso compra de um terreno em local pantanoso, por R$ 144 mil, transformando-o em lucrativo patrimônio de R$ 12 milhões, com benfeitorias apoiadas pela própria prefeitura e governo do Estado. Segundo informa a revista Veja, entre 1997 e 2004, quando ele foi prefeito da cidade e, usando informação privilegiada, sua filha, Luciana Setim, comprou 76 lotes de terra, que somam juntos 75 mil metros quadrados, no bairro Cidade Jardim, por R$ 144 mil. “Na época, ninguém entendeu o negócio, já que a área era pantanosa e alagava com as cheias do Rio Iguaçu, que separa Curitiba de São José dos Pinhais”, diz a reportagem, ao acrescentar que, meses depois, porém, o Governo do Estado iniciou as obras de um canal que desviou o curso do rio e acabou com as cheias. Como prefeito, Setim tinha pleno conhecimento dos planos do governador, afirma Veja. A obra do Governo mudou a realidade local em 2008. O sucessor de Setim, naquele ano, foi Leopoldo Meyer, que já havia sido seu secretário de Obras, deu o empurrãozinho que faltava, conforme a revista. Ele mudou a lei de zoneamento da cidade, o que permitiu a construção de prédios no local,

que já havia sido um banhado. O deputado, então, passou os terrenos para o nome de sua empresa, a Carioca Participações. O próximo passo de Setim, de acordo com a Veja, foi conseguir um financiamento do Programa do Governo Federal, Minha Casa Minha Vida, para construir o Residencial Primavera, com 128 apartamentos de dois quartos, num lugar onde, há quinze anos atrás, foi um pântano. Em 2011, diz a revista, o deputado teria lucrado R$ 12 milhões com a venda dos apartamentos, numa valorização de 8.858%, desde a compra do terreno. “Setim está em

para que a filha do ex-prefeito e candidato explique a milionária transação, onde adquiriu a área por R$ 144 mil e transferiu para a empresa Carioca Participações por apenas R$ 45 mil. A oposição quer saber, também, se houve pagamento de Imposto de Renda, na medida em que vendeu por menos do que comprou uma área cujo valor hoje está estimado em R$ 12 milhões. Investimento lícito Em entrevista à Rádio Mais, de São José dos Pinhais, o candidato Luiz Carlos Setim rebateu as informações da revista Veja, sustentando se tratar de perseguição política. Disse que o Canal Extravasor foi feito pelo Prosan - Programa de Saneamento do Governo do Estado - dois anos antes dele assumir a Prefeitura de São José dos Pinhais, mas admitiu ser o proprietário da área no Cidade Jardim com escritura pública e registro de imóveis - bem como a família tem outras áreas no município, mas negou que tenha superfaturado e sonegado Imposto de Renda. “É um investimento lícito, com financiamento da Caixa Econômica Federal, dentro do programa Minha casa Minha Vida, que beneficiou mais 128 famílias na cidade”.

Candidato Luiz Carlos Setim vê seu nome jogado na lama com compra e venda de terreno superfaturado e critica reportagem da Veja campanha para voltar à Prefeitura e ter acesso a novas e lucrativas informações privilegiadas”, completa a matéria publicada na página 89 da Veja, de setembro de 2012. Não bastasse a denúncia em si, a oposição, em São José dos Pinhais, entrou com representação no Ministério Público do Estado

17 Documento Reservado / Agosto 2012


infraestrutura

PEDRO RIBEIRO

Esqueceram do Paraná T

Três ministros não conseguem priorizar projetos e obras ao Paraná

rês ministros paranaenses no poder Paulo Bernardo, Gilberto Carvalho e Gleisi Hoffmann - e o Estado é relegado a planos inferiores. Ao anunciar investimentos em infraestrutura a estados brasileiros, ignorando o quinto PIB nacional, a presidenta Dilma Rousseff e seus ministros viraram as costas para o Paraná, deixando o governador Beto Richa com uma grande dúvida: retaliação eleitoral? Silenciosos ficaram, também, os parlamentares que passaram batido. Ao ficar a ver navios de duas medidas para a economia do Estado, o pacote de concessões de rodovias e ferrovias que vai injetar R$ 133 bilhões na infraestrutura do País e o aumento da capacidade de endividamento de 17 estados no valor de R$ 42 bilhões, coube ao governo paranaense apenas espernear. O que mais afetará a economia paranaense com o pacotaço da presidenta Dilma Rousseff é o privilégio à ferrovias para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, afogando, literalmente, o Porto de Paranaguá. Dizer que o Governo do Paraná não tinha projetos para participar do bolo é leviano.

Gleisi Hoffmann

Gulberto Carvalho

Paulo Bernardo

Aliás, é o Governo Federal que tem projetos para o Paraná, como por exemplo, a BR-163 que liga Guaíra ao Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A malha, simples, desta rodovia é antiga e precisa ser duplicada. Somente no trajeto de Realeza a Santa Tereza, passam, diariamente, perto de oito mil veículos. O Paraná ficou de fora de ser contemplado com recursos para a ferrovia que ligaria Maracaju (MS) a Paranaguá, passando por Guarapuava, Lapa, Curitiba e o Porto. Esta é uma das obras públicas que há mais tempo está paralisada no País, ou seja, desde a década de 70. Pelos planos do Governo Federal, a ferrovia de Maracaju vai para Mafra (SC) e Rio Grande do Sul, deixando o Porto de Paranaguá à mingua. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) existem ainda a BR -158 que liga Vitorino a Pato Branco; a Transbrasiliana, e a mais famosa de todas, a BR-101 que não existe no Paraná. É lamentável, diz o secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, José Richa Filho, que o Governo Federal não consiga definir projetos prioritários ao Paraná. Isto dá a entender que não há preocupação com o futuro do nosso Estado, reclama Richa Filho.

“Isto dá a entender que não há uma preocupação com o futuro do nosso Estado.” José Richa Filho

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artigo

Beto Richa*

O Paraná merece respeito O Paraná se sente preterido pelo novo pacote de programas logísticos do go verno federal, anunciado pela presidente Dilma Rousseff – o chamado “PAC das Concessões”. Esse novo PAC, que pretende a duplicação de 7,5 mil quilômetros de rodovias e a construção de 10 mil quilômetros de ferrovias pelo país e projeta investimentos de R$ 133 bilhões, não destina um único real para atender aos pleitos do nosso Estado. Ao contrário. As ações que afetam o Estado parecem ter sido concebidas de forma a gerar prejuízos econômicos aos paranaenses. Tanto o traçado das ferrovias quanto a bitola escolhida (nossa malha ferroviária é métrica e a do PAC é larga, de 1,60 metro) induz o escoamento da produção do Centro-Oeste e do próprio Paraná para portos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Que não se acuse precipitadamente o Paraná de “não ter projetos consistentes”, porque projetos temos, e eles já foram apresentados diretamente aos ministérios do governo federal. Exemplo é o traçado da Ferroeste de Cascavel a Maracaju (MS), cujo Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental está sendo conduzido, há mais de um ano, pela Valec, estatal federal. Queremos muito a modernização ferroviária, inclusive com nova ligação até o Porto de Paranaguá. Mas este trecho ainda não foi acolhido pela Valec, embora o Paraná o tenha reivindicado para o estudo de viabilidade. Sobre “projetos consistentes”, cabe ainda um esclarecimento adicional: o Paraná não pode, por força legal, sair por aí fazendo projetos executivos sobre obras que, por ju-

risdição, estão afetas ao governo federal. A lei de improbidade administrativa vale para todos os entes federativos. Apresentamos, sim, demandas sólidas, justas, mas os projetos cabem a quem detém o poder legal – e a obrigação – para isso. Nenhuma das prioridades rodoviárias do Paraná – algumas delas históricas – levadas ao governo federal foi atendida até agora. Entre elas cito a BR-163, duplicação entre Cascavel e Capitão Leônidas Marques, o trecho entre Alto do Amparo e Imbituva da BR-153, a Transbrasiliana, a pavimentação da BR-487, a Estrada Boiadeira, entre Porto Camargo e Cruzeiro do Oeste, o trecho Campo Mourão-Roncador-Palmital da BR-158 e a BR-101, a Translitorânea. É certo que alguns desses trechos não devem fazer parte das concessões, mas mereceriam a consideração do governo federal no que se refere à conclusão de investimentos que há anos enfrentam solavancos. No terreno das concessões, nos interessam mais os trechos ferroviários. Dos 12 investimentos previstos no plano federal, somente dois cortam o Paraná, mas de forma marginal e com resultados desastrosos para a economia do Estado. Ficaram fora do pacote as demandas ferroviárias cruciais do Estado, como o trecho entre Guarapuava e Paranaguá e o ramal Cascavel-Guaíra-Maracaju. Enfim, não existe até agora, em todo o PAC, uma única ação capaz de eliminar nossos gargalos logísticos. Lembro que o Paraná ocupa apenas 2,34% do território brasileiro e abriga 5,5% da população do país. Mas somos responsáveis por

15,4% da produção agrícola. Por 19% do abate de suínos e 25% de aves. Nosso Estado gera 6,7% do valor agregado da indústria do país, 8,1% do emprego industrial e lidera a atração de investimentos privados. Com essa contribuição ao país não podemos compreender, nem aceitar, um projeto que parece idealizado para varrer o Paraná do mapa brasileiro. Quero acreditar que não exista aí nenhuma relação política de causa e efeito. Se houver, a tradicional acidez da política paranaense terá sido levada para um nível de selvageria nunca visto. Torço para que se trate apenas de uma coincidência muito infeliz. Uma situação que possa ser revertida no momento em que a presidente – com quem mantenho excelente relação pessoal e administrativa – se der conta dos prejuízos que o Paraná pode vir a sofrer. Acredito que haverá correções nesse pacote. Inclusive nos capítulos de portos e aeroportos, ainda inéditos. Porque o Paraná merece respeito.

* Beto Richa é governador do Paraná

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infraestrutura

PEDRO RIBEIRO

Pente fino no pedágio A

10 anos do término do contrato da concessão de rodovias no Paraná, o governador Beto Richa determinou a reativação da comissão tripartite de fiscalização dos serviços realizados pelas empresas que administram 2.300 quilômetros de rodovias e cobram pedágio, paralisada por ordem do exgovernador Roberto Requião. “Queremos transparência e que os usuários saibam o que está sendo feito nas rodovias”, disse Richa. “Não se pode admitir que o programa de concessão tenha ficado seis anos sem fiscalização”, reage o presidente da Comissão Tripartite, Maurício Ferrante. O primeiro trecho que passou pelo crivo da comissão foi o administrado pela Ecovia. Os membros da comissão, formada pelo poder concedente, usuários e concessionárias, visitaram os 175 quilômetros sob a responsabilidade da empresa, desde Curitiba a Paranaguá, Alexandra a Matinhos e Morretes a Antonina. Na agenda de fiscalização, uma pauta com 32 itens, que vão desde área de lazer, edificação do sistema de apoio ao usuário, passarelas para pedestres, ambulância para resgate, guincho, equipamentos da Polícia Rodoviária, pista de rolamento, acostamento, sinalização, pontes e viadutos, praças de pedágio, duplicações e outros. Maurício Ferrante garante que até dezembro deste ano todos os 2.300 quilômetros passarão por um “pente fino” para que, a partir disso, a comissão possa dar notas sobre as concessionárias e seus respectivos lotes. Segundo ele, a pontuação terá peso considerável em caso de renovação de contrato que é

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O primeiro trecho que passou pelo crivo da comissão foi o administrado pela Ecovia. Os membros da comissão, formada pelo poder concedente, usuários e concessionárias, visitaram os 175 quilômetros sob a responsabilidade da empresa, desde Curitiba a Paranaguá, Alexandra a Matinhos e Morretes a Antonina.

permitido por lei. Caso contrário, a punição impedirá que a empresa participe de novos processos licitatórios em relação a estradas pedagiadas dentro do Estado. Ferrante achou estranho, por exemplo, que estava previsto no contrato a duplicação do trecho da Praia de Leste e Pontal do Sul para conclusão em 2010 e foi prorrogado para 2014. Por que? questiona. Fazem parte da comissão tripartite, representantes do poder concedente através das secretarias de Estado da Indústria e Comércio, Infraestrutura e Logística, Casa Civil e Agricultura. Pelos usuários, estão representantes da Federação das Indústrias, das Empresas de Transportes de Cargas, Sindicato dos Motoristas, Sindicato dos Engenheiros e o Crea. Pelas concessionárias, estão representantes de cinco das seis empresas que administram as rodovias.


Levantamento aponta para aumento na área cultivada com soja no Paraná Área plantada com o grăo deve ser a maior já destinada ŕ cultura no PR. Produçăo do grăo deve chegar a 15 milhőes de toneladas. Os agricultores do Paraná se preparam para o início do plantio da safra. Um levantamento da Secretaria de Agricultura do estado aponta para aumento da área destinada ao cultivo da soja. A cobertura de aveia bem adubada deixou o solo pronto para receber as sementes da safra de verăo. Daqui a um męs, o agricultor Zeca Zardo, de Cascavel, irá plantar soja em 750 hectares, com aumento de 50% em relaçăo ao ano passado. O investimento pesado nas lavouras de soja é uma tendęncia em todo o Paraná. De acordo com a primeira estimativa da Secretaria de Agricultura, a área plantada com o grăo na safra de verăo 2012/2013 de 4,5 milhőes de hectare deve ser a maior já destinada ŕ cultura no estado. Houve aumento de 4% em relaçăo a última safra. A produçăo deve chegar a 15 milhőes de toneladas, com crescimento de 38%. O milho e o feijăo terăo reduçăo de área. Mas a expectativa é que mantenham uma boa produçăo, maior que a safra passada. No total, a safra de grăos do Paraná deve chegar a 22,3 milhőes de toneladas, com aumento de 25% em um ano. Os números refletem a boa fase na agricultura, com preços em alta e estoques mundiais baixos. O produtor enxerga a combinaçăo como oportunidade. O agricultor Eduardo Martini começa o plantio daqui a duas semanas. Em princípio, serăo cultivados 250 hectares de soja e 80 de milho. Mas a intençăo é ampliar a área, arrendando terras pela vizinhança.

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comportamento

Greve Federal

C

om a adesão dos policiais rodoviários federais e de policiais federais, a greve dos servidores federais ameaça se tornar a paralisação mais ampla do funcionalismo desde o começo do Governo Lula (2003-2010). Conforme informações de sindicalistas, 27 órgãos federais foram diretamente afetados, entre greves, suspensão temporária de trabalho ou operações-padrão. As paralisações prejudicam o cotidiano da população: estradas ficaram congestionadas por força de uma operação padrão, com a fiscalização mais rigorosa de veículos. Nos aeroportos a operação-padrão dos policiais federais foi a responsável pelas longas filas na imigração, pelas dezenas de voos 22 Documento Reservado / Agosto 2012

atrasados e passageiros deixados para trás, além das enormes filas em aeroportos de Brasília, Rio (Galeão), Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus. Também afetou a emissão de passaportes, que foi reduzida a quase zero no Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. Até a área da saúde foi afetada, com a retenção de remédios importados. Universidades federais estão paradas há quase três meses. Em Foz do Iguaçu, a operação padrão da Polícia Federal e da Receita Federal, na Ponte da Amizade, e a estação aduaneira estão a beira de colapso pela greve dos fiscais do Ministério da Agricultura.

Nos moldes de uma greve geral, inédita no País, a paralisação simultânea obrigou os principais organismos públicos responsáveis pelos controles alfandegários e de entrada de mercadorias no País, a adotar algumas medidas via Judiciário, para agilizar o desembaraço de cargas que chegam ao Brasil. O assunto tem dado muito trabalho a equipes de direito internacional, tributário e de regulação, cujos profissionais têm se dedicado, quase em tempo integral, em atender os pedidos dos clientes com operações da exportação e importação nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Até agora, são mais de dez os


DA REDAÇÃO

mandados deferidos liminarmente para que o movimento grevista não prejudique ainda mais a atividade econômica das empresas que atuam no comércio e na indústria. Exemplo disso é a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), que obteve liminar favorável ao mandado de segurança coletivo impetrado contra a paralisação do serviço de vigilância sanitária no Porto de Paranaguá. A liminar foi assinada pelo juiz federal Vicente de Paula Ataíde Junior, e determina a continuidade do serviço dentro do que estabelece a legislação, com a fiscalização tanto dos produtos importados quanto dos produtos destinados à exportação. A liminar beneficia todas as indústrias associadas aos sindicatos filiados à Federação. No mandado de segurança, a procuradoria jurídica da Fiep alegou que a inspeção pela vigilância sanitária não pode ser interrompida uma vez que se trata de serviço público de caráter essencial. A procuradoria jurídica da Fiep ingressou também com outro mandado de segurança coletivo semelhante para garantir a continuidade do serviço de fiscalização pela vigilância sanitária em Foz do Iguaçu, onde já é grande a fila de caminhões à espera de liberação. No mês passado, a Fiep obteve liminar favorável também em dois mandados de segurança coletivos que garantiram a conti-

Se o País vai bem, como diz a presidenta, então, por que as greves?

nuidade da fiscalização da Receita Federal no porto de Paranaguá e em Foz do Iguaçu. Os serviços estavam prejudicados pela operação padrão dos auditores da Receita. Segundo a Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, que representa 80% do funcionalismo, cerca de 350 mil servidores de 27 categorias estão paralisados. A explicação oficial para o crescimento da despesa com pessoal abaixo da média é a preocupação com os reflexos da crise internacional. Com a necessidade de conter os gastos, o Governo não incluiu na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2012 previsão de aumentos salariais. O Ministério do Planejamento explica que o agravamento da situação da economia mundial em 2012 obrigou o Governo a revisar as despesas previstas, reduzindo a margem de manobra na negociação com os grevistas. Mas, as explicações dadas pelo Governo não sensibilizam os dirigentes do funcionalismo. Para o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal e da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, Carlos Henrique, o Governo tem outras formas de economizar que poderiam pagar as demandas da classe. Apesar de não ser a única razão, segundo o diretor, os sindicatos sentem maior dificuldade de negociação com a presidente Dilma Rousseff.

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cidades

Q

Navegar é

uando um navio atraca, a cidade de Antonina renasce. Assim vem sendo nos últimos 40 anos. Considerado o quarto porto em importância no País no início do século passado, hoje, a atividade portuária da histórica cidade paranaense resiste graças à importação de fertilizantes e exportação de açúcar no terminal privado da Ponta do Félix – que opera com características de Porto Organizado. A região é uma área pública arrendada por 20 anos desde 1996. No ano passado, o porto

registrou uma média de dez navios por mês, movimentação recorde desde 2007. Contudo, poderia ser ainda melhor. “O que precisamos aqui é de uma estrada que ligue a região portuária à BR-277. Isso reduziria o trajeto dos caminhões em cerca de 30 km”, diz Marcel Fernandes, secretário executivo da Autoridade Portuária. Além da distância, a atual estrada (PR-410), obriga os caminhoneiros a passarem por dentro de trechos urbanos de Morretes e de Antonina, o que atrapalha o trabalho de quem vive do transporte de cargas, assim como incomoda os moradores da região.

A reportagem teve acesso à estrada citada por Fernandes. Situada no km 18 da BR-277, sentido Paranaguá-Curitiba, o traçado ainda não dá condições para caminhões trafegarem, contudo, parte do caminho já está lá. Segundo a Appa, soluções de preservação do meio ambiente precisam ser estudadas com cautela antes da construção de uma rodovia de 14 km de extensão. Uma das alternativas seria a adaptação da estrada em elevados para não comprometer áreas de preservação ambiental. “Poderíamos desafogar e diminuir as filas no Porto de Paranaguá com essa estrada de acesso”, confia Fernandes. Apenas a movimentação da Ponta do Félix já garante dois benefícios diretos para a agri-

A esperança da cidade no seu porto e no turismo Porto Ponta do Félix

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ANGELO BINDER

preciso cultura. Tanto para exportação como para a importação, o tempo médio para a carga e descarga em Paranaguá, que era de 20 dias, caiu para 12 com a maior atividade do terminal antoninense. Fora isso, a multa por atraso no embarque ou desembarque foi reduzida. Uma economia de cerca de US$ 10 milhões em um ano, segundo levantamento da Appa. Segundo a Appa, o Porto de Antonina movimentou 1,15 milhão de toneladas de mercadorias desde a retomada das operações. Bons tempos Moradores mais antigos da região garantem que Antonina já respirou cultura nas décadas de 20, 30 e 40. “Estrelas da época de

ouro do rádio e do teatro, como Carmen Miranda e Procópio Ferreira, visitavam a cidade na parada durante a viagem do Rio de Janeiro a Buenos Aires”, afirma Adléa Padilha Netto Sena Maia, coordenadora do Theatro Municipal, hoje principal palco do Festival de Antonina, evento cultural organizado anualmente pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Criado na simbiose de porto com cultura, aos 25 anos de idade, o secretário executivo da Autoridade Portuária realiza exposições de quadros e pinturas. Marcel Fernandes é um dos mobilizadores locais do festival da UFPR. “Eu vivo isso há 10 anos. Aqui em Antonina sempre estou envolvido com

A região é uma área pública arrendada por 20 anos desde 1996. No ano passado, o portoregistrou uma média de dez navios por mês, movimentação recorde desde 2007.

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cidades

Por enquanto, todos esses planos de reativação do complexo fundado por Emílio Matarazzo estão travados. O motivo é uma briga judicial com a mãe, Eneida Matarazzo, que impede Fernando de acessar às instalações do complexo desde 2005. Na casa vizinha de muro ao antigo armazém abandonado, ele vive sozinho próximo ao local que serviu nos últimos anos de depósito de carros antigos, outro investimento da família. Horizonte “A possibilidade de que fornecedores da indústria petrolífera se instalem em Antonina é outra razão do clima de expectativa para a cidade de 19 mil habitantes”, diz Paulo Scalco, diretor do Porto de Antonina. De fato, a italiana Techint ganhou a cessão artes. Acho que para muita gente daqui é a var o porto da família, dona de indústrias de para usar o terminal público Barão de Teffé, mesma coisa”, afirma. norte a sul do Brasil no Século XX. A começar em uma área de 100 mil metros quadrados. De acordo com a Appa, além da Techint, Produção cultural que teve o seu apogeu pela única estrada de ferro particular brasileimuito antes do nascimento de Fernandes, nos ra, desativada nos anos 70. A América Latina empresas como a Brafer, especializada em constempos áureos dos ciclos da erva mate e do Logística (ALL) já tem a liberação dos herdei- truções metálicas, com sede em Araucária e a Vetor Tecnologia, trigo.Tudo comeempresa de Curitiçou mais precisaba especializada mente em uma Oestilo barroco das construções, ruas estreitas de em equipamentos propriedade parparalelepípedose aspectos culturais fazem de ticular. O Porto para armazenagem Matarazzo funciode combustíveis, Antonina a Paraty paranaense. nava a todo vapor. também revelaram Um complexo ina intenção de se dustrial considerado o mais moderno do País ros para utilizar a concessão ferroviária. Pelo instalar em Antonina para construir equipana época. Além do escoamento da produção, projeto, uma ciclovia correria ao lado da li- mentos para a exploração do pré-sal. a farinha de trigo era produzida ali mesmo nha férrea. No entanto, para entrar em funcionamenpor mais de três mil funcionários. Colégio para Para ampliar a dragagem da área portuá- to ainda faltam outras liberações, como o aval as crianças, escola de samba para os foliões de ria, por licitação, a Administração dos Por tos da Agência Nacional de Transportes Aquaviácarnaval, time de futebol, geração de energia de Paranaguá e Antonina (Appa) contratou em rios (Antaq). elétrica, fornecimento de água e estrada de abril a empresa DTA Engenharia para o serviIsso alteraria o panorama do mercado de ferro, tudo isso estava ao alcance dos morado- ço que vai custar cerca de R$ 37 milhões e tem trabalho. Atualmente o funcionalismo público gera o maior número de empregos de Anres. “Era uma cidade dentro da cidade de An- duração prevista de seis meses. tonina”, afirma Fernando Matarazzo, um dos “Podemos escoar as safras de milho, soja e tonina - são cerca de 800 funcionários. A Appa, herdeiros do complexo. principalmente melhorias na dragagem. Que- que antes tinha 120 colaboradores, hoje tem Ele revela projetos audaciosos para reati- ro resgatar tudo isso”, planeja Matarazzo. apenas 12. Um deles é Herbert Miguel Tavares 26 Documento Reservado / Agosto 2012


que acompanhou de perto todo o processo de evolução e crise do porto. Ele confia na recuperação do status daquele que um dia foi o quarto do país – atrás apenas dos portos do Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande. “Antonina está na rota de Paranaguá”. Diz com conhecimento de causa, de quem trabalha há mais de 30 anos na Appa. Farmácia, banana e carnaval Se um turista se dispuser hoje a fazer o mesmo percurso que os caminhões se obrigam a fazer para chegar ao terminal Ponta do Félix, certamente observará a praça central de Antonina, hotéis e a Rua XV de Novembro. Lá está a Pharmácia Internacional. Inaugurada em 1911 era “um completo sortimento de drogas, productos chimicos e pharmaceuticos ou preparados nacionaes e estrangeiros”. O anúncio publicado há 101 anos comprova que ela é uma das mais antigas em funcionamento no Estado. O local, que ainda mantém as características das antigas drogarias do início do Século XX, guarda cerca de três mil objetos, como frascos, equipamentos e medicamentos antigos, além de mobiliário original. Tudo isso aos olhos dos clientes e mantido pelo farmacêutico André Luiz Picanço Carraro, que herdou a farmácia do pai, que a adquiriu na década de 40. “É um patri-

mônio histórico da cidade. Vem gente de todas as partes do País para conhecê-la”, garante Carraro, lembrando que o espaço une o passado ao presente. Outro atrativo da cidade é o culinário. Próximo ao portal de entrada da cidade localiza-se a fábrica de Balas de Banana Antonina. São mais de 10 mil quilos de balas produzidas por mês.. Toda banana adquirida provem de pequenos produtores de Guaraqueçaba e também de Antonina. Não dá para esquecer do carnaval de rua da cidade, considerado um dos melhores do estado. As escolas de samba preparam as alegorias e adereços oito meses antes da grande festa popular que acontece em fevereiro. Nada mal para uma cidade que ostenta quatro hinos. Fato que já virou tema de filme produzido por lá. A Paraty paranaense? O estilo barroco das construções, ruas estreitas de paralelepípedos e aspectos culturais fazem de Antonina a Paraty paranaense. Mas as semelhanças, que poderiam ser ainda maiores, param por aí. A cidade, localizada no litoral fluminense, é visitada por turistas do mundo inteiro, atraídos pela beleza da arquitetura típica do Brasil Colônia. Casas históricas foram requalificadas, como pousadas, restaurantes, lojas de artesanato e museus, em meio

Theatro Municipal, hoje principal palco do Festival de Antonina, evento cultural organizado anualmente pela Universidade Federal do Paraná(UFPR)

a apresentações de músicos populares e de estátuas vivas. “Antonina é uma cidade lúdica, que tem vocação para o turismo. Só que faltam investimentos para isso aflorar”, acredita Adléa Padilha Neto Sena Maia, coordenadora do Theatro Municipal. Segundo Adléa, essas similaridades entre as cidades litorâneas não são por acaso. “As pessoas vinham do Rio de Janeiro para o Paraná e traziam as novidades da capital federal da época”. Proprietário de uma livraria na região central da cidade, o presidente da Associação Comercial de Antonina, Paulo Pacholek, aponta que o turismo na cidade é pouco explorado, especialmente pela falta de estrutura para manter visitantes na cidade por mais tempo. “O turista só passa pela cidade, mas não fica. São poucas opções de hotéis, comércio e restaurante”, explica. Pacholek reconhece as semelhanças entre as cidades. O comerciante acredita que Antonina só terá o turismo aquecido, como a movimentação de mais de 20 mil pessoas na famosa Feira Literária de Paraty, com apoio governamental. “Não adianta tombar o centro histórico se não houver apoio”, argumenta, lembrando que além da proximidade com o Rio de Janeiro, Paraty conta com boa estrutura e opções para receber turistas. 27 Documento Reservado / Agosto 2012


porto

Falta trabalhadores

no Porto

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DA REDAÇÃO

Para evitar novas enxurradas de ações trabalhistas, o Órgão gestor de Mão de obra no Porto de Paranaguá colocou a chamada trava na dobra da escola eletrônica, para que os trabalhadores sejam impedidos de dobrar o turno de trabalho. O resultado: falta funcionário para atender a demanda do Porto

de Paranaguá E m razão da grande quantidade de ações judiciais, no início de agosto, o Órgão Gestor de Mão de Obra Portuária (OGMO), do Porto de Paranaguá, instalou a chamada trava na dobra da escala eletrônica, mecanismo que impede que Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs) dobrem a jornada de trabalho e descumpram a lei, que determina intervalos de descanso de 11 horas entre um turno e outro de trabalho. Apesar de existirem trabalhadores portuários avulsos suficientes para atender a demanda do Porto – cerca de 2.600 divididos em seis categorias sindicais – está faltando gente para trabalhar. O resultado é o atraso nas operações. Os navios mais prejudicados são os de açúcar e fertilizantes. De acordo com o departamento de operações da Appa, há navios que estão levando o dobro do tempo para operar, contribuindo para aumentar ainda

mais a quantidade de navios ao largo. De acordo com o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop), Edson Cezar Aguiar, a medida foi tomada em função de uma avalanche de ações trabalhistas. “Já temos um passivo de R$ 200 milhões em ações de TPAs que estão requerendo na justiça o pagamento de horas extras toda vez que extrapolam o turno de seis horas de trabalho”, explica Aguiar. Ações Para o diretor executivo do Ogmo, Hemerson Costa, a situação é delicada. “Com a implantação da escala eletrônica em 2006, quando o intervalo de 11 horas passou a ser rigorosamente observado, salvo quando ocorresse a excepcionalidade da falta de mão de obra, houve uma quantidade enorme de ações movidas contra o Ogmo buscando o pagamento de horas extras a partir da 6ª diária e quan-

do houvesse violação do intervalo de 11 horas, ações estas acolhidas pelo Judiciário. Com isso, o sistema não agüenta mais esta avalanche de ações e a trava teve que ser implementada”, explica. De acordo com Costa, o Ogmo recebe diariamente 150 novas ações trabalhistas requerendo o pagamento de horas extras. Em 2009, Ogmo e Sindop fizeram um acordo no valor de R$ 15 milhões, e este ano já foi assinado outro, no valor de R$ 30 milhões. No entanto, as ações não param de se acumular. Para o Ogmo, um dos principais agravantes da situação é que uma parte dos TPAs que trabalham em Paranaguá exerce outras atividades, tem outros empregos. Com isso, escolhe quando e como quer trabalhar. “A prova disso é que nos períodos noturnos e nos finais de semana, o registro de ausências é bem menor. O problema fica intensificado durante a semana”, afirma. Enquanto o impasse não se resolve, a produtividade de alguns navios em Paranaguá se vê prejudicada. Com falta de trabalhadores, a autoridade portuária não pode cobrar dos operadores as taxas de produtividade. Ao mesmo tempo, navios não param de chegar à baía de Paranaguá. Nesta segundafeira (20), 109 navios aguardavam para atracar nos portos paranaenses. 29 Documento Reservado / Agosto 2012


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economia

DA REDAÇÃO

RENAULT AMPLIA produção de Motores

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parceria entre o Governo do Estado do Paraná e a Renault do Brasil ganha mais um importante componente com a assinatura de termo aditivo com previsão de investimento de R$ 40 milhões da montadora para ampliação da produção de motores na fábrica de São José dos Pinhais. A assinatura do acordo foi feita pelo governador Beto Richa e o presidente da Renault do Brasil, Oliver Murguet. Com o aditivo, a Renault passará a produzir 500 mil motores por ano a partir de 2013, o que significa um aumento de 25% na atual capacidade de produção. Serão criados 100 novos empregos, que se somam aos 6,2 mil postos que a montadora já possui. O novo investimento demonstra a boa relação que foi construída entre a empresa e o Estado, assinalou o governador Beto Richa. “Esse investimento demonstra a agilidade e a competência do governo e é reflexo do resgate da confiança do setor produtivo nacional e internacional no nosso Estado”, afirmou. O governo reconhece a importância do setor produtivo e vai apoiar todos os bons projetos que forem apresentados. Ele ressaltou que, com os mecanismos inovadores do programa Paraná Competitivo foi possível atrair R$ 18 bilhões em novos investimentos, com a geração de 80 mil novos empregos, observou o governador. Na montadora, em São José dos Pinhais, Richa ainda participou da cerimônia de inauguração do novo prédio da estamparia, com nova linha de corte de aço, visitou as instalações da linha de produção e almoçou no refeitório da fábrica. “A Renault tem investido sistematicamente nesta unidade, que orgulha todo o Paraná, gerando mais oportunidades, empregos e renda para os paranaenses”, disse Richa.

Governador Beto Richa e Oliver Murguet assinam acordo para produção de motores e geração de empregos

Crescimento econômico O investimento anunciado é resultado da relação profissional entre a empresa e o Governo do Estado. “Esta gestão acredita nos projetos pautados no crescimento econômico do Paraná”, disse o presidente da Renault Oliver Murguet. Em outubro de 2011 a Renault assinou com o governo protocolo de intenções para a ampliação da linha de montagem da fábrica em São José dos Pinhais, com investimento de R$ 1,5 bilhão. O investimento vai gerar 2.000 empregos diretos, sendo que metade destes trabalhadores já está sendo contratada. Do total a ser aplicado na unidade, R$ 500 milhões serão utilizados para a implantação de um centro de engenharia e desenvolvimento de produtos. O restante será aplicado na ampliação dos processos de produção. A companhia pretende elevar a produção para 380 mil veículos por ano. De acordo com Richa, a concretização do acordo é

do interesse de todos os paranaenses e o projeto da montadora francesa trará benefícios para o conjunto do Estado. “É o maior investimento realizado no Estado nos últimos tempos e mais uma demonstração do esforço que estamos fazendo para que o Paraná volte a ser respeitado, como exemplo de boas ações e práticas pioneiras”, afirmou. O projeto da Renault está dentro da política de expansão da empresa, que espera alcançar 8% do mercado nacional de veículos até 2016 e aumentar a cobertura de mercado de 76% para 90%. Para isso a empresa vai lançar 13 novos modelos e aumentar a produção de 280 mil unidades por ano para 380 mil unidades de veículos de passeio e utilitários no Paraná. Será instalada uma nova linha de montagem, que eleva a produção de 40 para 60 veículos por hora. Também será criado um centro tecnológico de desenvolvimento de novos produtos, um centro de engenharia e treinamento e novas instalações logísticas. 31 Documento Reservado / Agosto 2012


educação

O quanto antes,

A

pequena Camila (nome fictício), aos dois anos de idade, falava italiano e francês, quando chegou a Curitiba. O pai, executivo de uma grande empresa, foi transferido para a Capital paranaense. Aos cinco anos, quando a família foi morar nos Estados Unidos, também por força de uma transferência, Camila deixou a cidade falando, além do italiano e o francês, o inglês e o português, adquirido por aqui, tornando-se poliglota com apenas cinco anos de idade. Habilidade, aliás, invejada por muitos adultos que sentem dificuldade para falar mais de uma língua, que não o português. A linguista, especialista em linguística, história e neurolinguística, Cristina Belmonte, explica o que muitos consideram um fenômeno, mas que, segundo ela, não é. “Tudo na vida é uma questão de estímulo. Para falar, as crianças recebem estímulo dos pais, dos mais velhos. O mesmo acontece com aprendizado de uma segunda, terceira, ou quarta língua. Estímulo”, explica. Cristina conta que, Camila, que foi aluna da escola fundada por ela, a Play School Internacional, foi ‘estimulada’ pela mãe, italiana, que só falava em italiano com a filha; pelo pai, francês, que só conversava com a filha usando a língua-pátria. O inglês, Camila aprendeu na escolinha e o português, a menina aprendeu com a empregada da casa, que só se co-

B I L Í N G U E

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Cristina Belmonte, nas horas de folga, se diverte entre os alunos da sua escola

municava com ela nessa língua. “A menina recebeu muitos estímulos desses quatro idiomas e, mais tarde, quando deixou o Brasil, a pequena falava e escrevia quatro línguas, com fluência”, avalia. Segundo Cristina, o princípio do processo de conhecer, que envolve atenção, por meio do estímulo é comum em países como Hungria, Japão e Estados Unidos. “Esse processo de conhecimento, felizmente, está ganhando corpo também no Brasil, onde, em alguns casos ainda perdura a ideia de que se deve esperar para ensinar outro idioma às crianças. Há quem afirme que a cognição só é possível depois dos seis anos. O que é um grande engano. Quanto mais cedo esse estímulo for intensificado, melhor”, afirma. Exatamente por ques-

tões como estas, e por acreditar que a ciência comprova que quanto antes as crianças tomarem conhecimento de outras línguas e outras realidades, mais bagagem informativa os pequenos vão acumular, que Cristina fundou a Play School que, segundo ela, não é uma escola bilíngue, mas sim, uma escola com currículo internacional. “Eu não queria uma escola com cara de caixote, mas uma instituição com cara de avó, com uma proposta diferente, porque o aluno, a criança é do mundo. Acredito que até os três anos, qualquer criança, que não tenha problema neurológico, problema de fonoaudiologia, tem condições de aprender outro idioma, porque esse é um processo neurolinguistico”, acrescenta, e cita exemplo da literatura mundial, como o Tarzan e Mogli. O primeiro recebeu estímulos com macacos e, por isso, fala o “macaquês”. O segundo ensina a linguista, foi criado por lobos e, por isso, fala o “lobes”. “É a repetição que estimula o cérebro. A criança vai repetir aquilo que ouve com frequência”, diz. De acordo com Cristina, a ciência da neurolinguistica mostra que o desempenho cognitivo é diferente entre crianças e adultos. “Acredito que exista uma idade crítica a partir da qual o aprendizado começa a ser mais difícil. A idade ideal varia de pessoa para pessoa, mas acredita-se que a partir dos 12 e 14 anos o aprendizado complica. Contudo, tenho certeza que desde que nasce, a criança pode ser estimulada a aprender coisas diferentes, inclusive outro idioma. Já que aos pequenos são ensinados (estímulo) a falar, fazer xixi e cocô no peniquinho, a pedir comida, enfim, a dar os primeiros passos para a vida”, disse, ao


NORMA CORRÊA

melhor! afirmar que até os três ou quatro anos de idade é mais fácil para aprender e para ensinar. Segundo ela, a habilidade linguística do ser humano vem de órgãos diretamente envolvidos no processo, como o cérebro, o aparelho auditivo e o aparelho circulatório, onde as cordas vocais, as cavidades bucal e nasal, língua, lábios dentes, desempenham função importante na cognição (ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem). A linguista conta que pesquisas mostram que os dois hemisférios cerebrais têm diferentes funções. “No lado esquerdo, fica a A repetição estimula o cérebro. lógica, analítiA criança vai repetir aquilo que ouve ca. Enquanto com frequência. Quanto mais cedo o que o direito é o estímulo bilíngue for levado ao lado criativo, arpequeno, antes ele falará outro tístico, sensível à idioma e, além de desenvolver música, responsável pelas emoções habilidades da memória e raciocínio e especializado em lógico, a prática pode atuar como percepção e consmétodo preventivo de doenças trução de modelos na terceira idade, como o e estruturas de coMal de Parkinson ou Alzheimer nhecimento. Ou seja, o hemisfério direito seria a porta de entrada das experiências e a área de processamento dessas experiências para transformá-las em conhecimento”, explica, ao acrescentar que essa “lateralização” do cérebro só acontece a partir da puberdade, o que significa que o cérebro de uma criança >> 33 Documento Reservado / Agosto 2012


educação

Também nas horas de Educação Física, as crianças mais velhas têm contato com o bom e velho, igualmente idolatrado entre os brasileiros: o futebol

está interligado, daí a explicação para o período de aprendizado máximo. “E, essa situação pode ser compreendida, quando a ciência informa que, no adulto monolíngue, já tem uma matriz fonológica sedimentada, e tem que treinar e repetir um determinado assunto para perceber e produzir os fonemas do sistema de sua língua materna. Situação esta que não ocorre com a criança, que ainda no início de seu desenvolvimento cognitivo, com filtros me-

34 34 Documento Documento Reservado Reservado // Agosto Agosto 2012 2012

Nas salas de aula, o estímulo bilíngue está presente nas paredes e não só no tratamento dos professores

nos desenvolvidos e hábitos menos enraizados, mantém a habilidade de expandir sua matriz fonológica, podendo adquirir um sistema enriquecido por fonemas de línguas estrangeiras com as quais venha a ter contato, bastando apenas o estímulo”, disse. Cérebro se regenera Segundo Cristina, um hospital da Filadélfia, que trabalha com as funções cerebrais, fez uma descoberta que vai revolucionar a ciência. O cérebro que sofrer algum trauma, que não seja do lado da fala, tem a capacidade de se regenerar. “Se uma pessoa com lesões cerebrais consegue repetir situações para sobreviver, por que uma criança de quatro anos não pode aprender a falar quatro idiomas? E tudo depende do ambiente interno, da casa ou da escola, onde a criança passa a maior parte do tempo. O estímulo é a palavra chave para o aprendizado. Se a família ignora que isso possa acontecer, certamente estará jogando numa “caixinha” todo o potencial do filho, adianta, ao afirmar que tudo é uma questão cultural, o fato de muitas fa-

mílias ignorarem o potencial dos filhos em aprender uma segunda ou terceira língua. “Por isso, aqui na escola, as crianças devem chegar todas juntas. O que faço de diferente de outras escolas? Descobri, com o aluno, e aprendi que posso abordar o mesmo assunto de outra forma, porque nem todos têm paciência de ouvir a mesma coisa várias vezes. É possível repetir o assunto sem ser cansativo. Isso é ensinar fora da caixinha”, afirma, ao explicar que, é por isso, que as salas da Play School, são “decoradas” com temas para contar histórias em inglês, como forma de estimular as crianças a assimilar a língua. “Hoje, estamos com 50 alunos, mas a nossa capacidade é para 150. Esses jovens, de zero a 13 anos, são tratados como na casa da vovó, estimulando o aprendizado, com bons exemplos. É importante destacar que o benefício do aprendizado bilíngue na infância vai muito além de aprender outro idioma. As crianças desenvolvem habilidades da memória e raciocínio lógico, até uma possível prevenção de doenças na terceira idade, como o Mal de Parkinson ou Alzheimer”, completa.


comportamento

LUCIAN HARO

Praça do medo

Basta a Polícia virar as costas para os marginais voltarem

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ecém completado o primeiro ano de sua revitalização, a Praça Eufrásio Correia, no Centro de Curitiba, ganhou calçamento, iluminação e paisagismo novos, mas continua sendo um dos lugares preferidos de marginais e usuários de droga da cidade. O local muito bem arborizado, escuro e de pouco trânsito de pedestres, conhecido também pela presença constante de hippies e vendedores ambulantes, parece ter se tornado um “prato cheio” para quem quer praticar alguma atividade ilícita. Pior para os curitibanos, claro, que mais uma vez precisam conviver com a insegurança num lugar que, quando arrumado, tinha o intuito de voltar a ser “das famílias”. A estudante de Administração de Empresas Camila Diniz, por exemplo - que inevitavelmente precisa passar pela praça para chegar ao trabalho - diz que não percebeu nenhuma mudança desde que as obras foram feitas. “Eu tenho

muito medo de passar por ali, o cheiro de maconha é muito forte e não vi diferença nenhuma”, afirma, alegando que quando a Polícia aparece, despista os marginais, que poucos minutos depois estão de volta. Funcionário de um prédio bem próximo à praça, o assessor de imprensa Hélio Silveira conta que atravessar a Eufrásio Correia, mesmo que acompanhado, é uma tarefa arriscada. “Já fui abordado várias vezes pelos usuários de droga, que até oferecem cigarros pra gente”, revela. Ele também aponta que a situação piora muito à noite. “Se de dia já é perigoso, imagine à noite, sem policiamento”. Já pelo que disse à nossa reportagem o administrador da Regional da Prefeitura, Luiz Hayawaka, responsável pelas interferências públicas nessa região da cidade, os índices de violência na praça diminuíram muito depois da revitalização. “Na parte Central da cidade, como um todo, reduziu bastante o número de

assaltos e os índices de violência”, justifica. Ele revela, no entanto, que a tendência é de que os marginais migrem para os bairros, ou seja, se são tirados de um lugar, procuram outro para ficar. Ainda segundo Hayamaka, no caso específico da Eufrásio Correia, a Guarda Municipal recebeu um reforço de 14 motocicletas para fazer o patrulhamento no entorno do Shopping Estação. O administrador confessa, no entanto, que à noite realmente não há policiamento no local. “Realmente as patrulhas ocorrem mais durante o dia. Até mesmo porque diminui bastante o movimento de pedestres por ali e os guardas precisam atender outras ocorrências”, disse. Nossa equipe também tentou contato com o Conselho de Segurança Central de Curitiba (Conseg), para saber como estão as ações na praça, mas até o fechamento desta edição ninguém havia retornado as nossas ligações. 35 Documento Reservado / Agosto 2012


gastronomia

PEDRO RIBEIRO

Cheio de charme Recém-chegado à Praça da Espanha, o bar e restaurante Mol une o melhor da gastronomia portenha com uma pitada de Brasil

N

ove meses depois de desenhar, com cores fortes, um sonho que perseguia há anos, o empresário argentino Diego Giuassani inaugurou, num dos endereços mais sofisticados de Curitiba, a Praça da Espanha, um centro gastronômico diferente de tudo que a capital paranaense já viu. Com um novo conceito de produtos de qualidade, tecnologia e atendimento personalizado, o bar e restaurante Mol apresenta o melhor da cozinha portenha com combinações de vinhos especialmente sugeridas pelo sommelier Sergio Discenza. “O Mol chega a Curitiba para atender a um público exigente. Além da cozinha típica argentina, com destaque para o famoso e suculento bife de chorizzo, o cardápio traz,

também, um pouco da gastronomia à base de frutos do mar da Espanha, a pasta, da Itália e o charme do Brasil”, diz o empresário. A ideia, claro, foi amadurecida com o tempo, e, diga-se de passagem, tem dado muito certo. Diego deixou Buenos Aires há menos de um ano para arriscar-se desbravando terras brasileiras e misturar seu tempero argentino à nossa gastronomia. Em quase dez meses de trabalho duro, entre obras e pesquisas sobre combinações de pratos, sabores e tendências, selecionou um time de 24 colaboradores – a maioria com formação em escolas renomadas – para construir o que chama de “um pedaço da Argentina em Curitiba”. O lugar é de tirar o fôlego, especialmente para quem já foi a capital do tango e se encantou com as belezas de lá. Mas o sucesso tem uma explicação, o argentino checa “tim tim por tim tim” os servi-

ços e garante que tudo fique impecável. Mesas, pratos, banheiros, talheres, nada no Mol escapa aos olhos atentos de seu criador. No restaurante, tudo é planejado para dar o maior conforto e agradar aos clientes. Há espaços exclusivos para quem curte aquelas levadas pesadas do rock e, por que não, um bom tango de Carlos Gardel. Na decoração, painéis barrocos nas paredes e lustres de dar inveja a qualquer colecionador da Praça de San Telmo. Outro diferencial é o cardápio, que no Mol são Ipads. Entregues pelos maîtres, os aparelhos apresentam virtualmente uma prévia dos pratos, além de uma sugestão de vinho que mais combine com a escolha – uma ótima pedida para os indecisos. SERVIÇO

O Mol Gastronomia fica na Rua Fernando Simas, 208, Bigorrilho, Curitiba. Funciona de segunda a quinta do meio-dia ŕ meia noite e nas sextas, sábados e domingos do meio dia ŕs 1h30. O Lounge Bar fica aberto 24 horas. Saiba mais procurando o Mol Gastronomia no Facebook.

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artigo

João Elísio Ferraz de Campos*

SEGUROBRAS: Para que? Para quem?

O

Governo da Presidente Dilma Roussef está cometendo um equívoco que o Governo Lula tentou em 2010 e não conseguiu: criar, sob o eufemismo de Agência Brasileira de Garantia de Riscos, uma seguradora estatal para garantir a execução das grandes obras de infraestrutura do País. A proposta está embutida numa medida provisória que trata de vários temas e já tramitou no Congresso sem qualquer questionamento sobre a sua necessidade ou sobre a oportunidade de se gastar dinheiro público dessa maneira num País onde faltam recursos para tantas carências mais prementes da população. Na época do Governo Lula, como agora, as justificativas são mais ou menos as mesmas. Levanta-se a dúvida, logicamente sem fundamento, se o mercado segurador brasileiro suportará a demanda gerada pelos altos investimentos em projetos como o Pré Sal ou nos grandes eventos esportivos que vão ocorrer no Brasil, como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Já se passaram dois anos da primeira tentativa, a seguradora estatal não saiu do papel e se o PAC anda devagar ou se as obras das arenas, dos aeroportos e de mobilidade urbana não cumprem o cronograma da Fifa ou do COI, não é por falta de seguro. Como não falta seguro para as grandes hidrelétricas como Belo Monte e Girau. O setor privado vem respondendo com muita competência a toda a demanda existente e chama a atenção que a ideia surja justamente depois de uma lenta e gradual desregulamentação do mercado, que começou no início dos anos noventa e se consolidou no Governo Lula com a quebra do monopólio estatal do resseguro. E no momento em que grandes resseguradoras internacionais, percebendo a possibilidade de expandir seus negócios, decidem se instalar aqui, aumentando a oferta e a concorrência o que, com certeza, vai se refletir nas taxas dos seguros. Se, de lá para cá, não mudou a ideologia de

quem nos governa, o que mudou, então? A medida atual significa um retrocesso no processo de modernização da economia brasileira que nos colocou no patamar dos países desenvolvidos. Uma das características mais extraordinárias do mercado de seguros é a sua capacidade de diluir riscos entre os agentes do sistema tanto dentro do próprio País como no exterior, através do resseguro. E em seus artigos, parágrafos e incisos que trata da “Agência Brasileira de Garantia de Riscos” (uma espécie de “Segurobras”), a Medida Provisória vai muito além da proposta de atuar quando o mercado não suportar a demanda. Estabelece que o Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – órgão regulador do mercado, pode liberar a seguradora estatal de algumas exigências comuns a todas as empresas privadas, como margem de solvência, por exemplo, e que ela pode oferecer o seguro aos interessados sempre que as condições ou as taxas do mercado forem superiores às suas. É um dispositivo estranho porque isso só vai acontecer se a avaliação do risco pela seguradora estatal seguir outros parâmetros que não os critérios técnicos praticados em todo o mundo. Não há razões técnicas, não há falta de capacidade nem de competência para que se duvide que o setor privado possa suportar os desafios de um crescimento mais acelerado. Nem a crise financeira atual, como nem a passada, justificam a criação de mecanismos dessa natureza para nos proteger. Os fundamentos da economia brasileira têm-se comportado muito bem e a solidez de seus bancos e seguradoras não sofreram qualquer abalo diante das recentes crises internacionais. O que cabe ao Poder público em relação ao mercado de seguros - e o Brasil tem feito com muita eficácia através da Superintendência de Seguros Privados (Susep) - é manter um forte esquema de normatização e fiscalização. As seguradoras que operam no Brasil sempre con-

seguiram atender a demanda como provam os números de seu desempenho. E nos últimos anos aumentou exponencialmente a sua participação no PIB, ou seja, cresceu bem mais que o conjunto de todos os segmentos. A quem interessa a criação de uma seguradora estatal? Se não fez falta há dois anos, faz falta agora? De quem será essa obsessão que faz ressurgir duas vezes e em dois governos diferentes se bem que do mesmo partido a mesma proposta? Ao País e à sociedade brasileira certamente não. Aos burocratas e afins que, por mérito ou influência política, vivem à sombra das benesses dos impostos que os cidadãos pagam? Talvez. É muito provável, porém, que interessem – e muito – a grandes corporações que, com sua capacidade de garantir contratos esgotada ou no limite, esperam que uma seguradora estatal não precise ser tão rigorosa na análise de riscos e aprovem propostas que o setor privado, por razões técnicas, não recomenda aceitar. É bom lembrar que se acontecer algum problema, que os profissionais de seguro chamam de sinistro, quem vai pagar a conta, como já aconteceu no passado com uma operação de um bilhão de dólares feita pelo ressegurador estatal brasileiro, será, mais uma vez, a sociedade brasileira.

* João Elisio Ferraz de Campos, e Empresário, Presidente do Conselho de Administração da Centauro Seguros, ex governador do Paraná

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artigo

Joel Malucelli*

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Passando a bola

altam 120 dias (quatro meses) para eu limpar as gavetas e deixar o comando do grupo. Não que esteja contando os dias para uma suposta aposentadoria, que acredito que não acontecerá, pois tenho negócios particulares para administrar, mas porque estou ansioso para ver meus filhos administrarem de direito e de fato os nossos negócios. Fico, portanto, confortável e muito tranquilo em relação não apenas à competência deles para tocar o barco, mas também pela dedicação que mostram, hoje, em suas áreas de atuação. A pedra fundamental do grupo foi erguida em 1966, portanto, há 46 anos. Estava, então, com 19 anos e já emancipado. Tempos difíceis, onde eu mesmo fui a campo operar o meu primeiro trator. Sempre estive à frente de

todos os nossos negócios, desde o início, quando comecei na área da construção pesada, passando pelo setor financeiro, seguradora, de comunicações, agronegócios, hotelaria, energia e futebol, entre outros. Nesta trajetória sempre contei com o apoio familiar: irmãos, tios, primos e mais recentemente meus filhos. Ninguém consegue nada na vida sozinho. Acompanho, por noticiários de jornais e revistas, que muitos empresários que construíram impérios durante a jornada de trabalho, resistem ou questionam a ideia de o filho, um dia, assumir ou não a direção do grupo. Isso nunca ocorreu comigo, que sempre procurei preparar meus filhos para a sucessão. Todos os meus quatro filhos que estão nas empresas

do grupo são aptos a dirigirem a corporação. Optei pelo primogênito, Alexandre Malucelli, hoje com 43 anos, porque ele já passou por todos os estágios e em praticamente todas as 70 empresas que formam o grupo J Malucelli, do qual ele já é o vice-presidente. Não tenho a menor dúvida de seu preparo, como também não tenho dúvidas da competência do Cristiano, hoje vice-presidente do Paraná Banco e da Paola, diretora da “holding”. Todos tem perfil e formação profissional para comandar as empresas. A Mônica já administra o Cartório, enquanto temos, ainda, como reserva técnica, a Júlia, estudante de engenharia e já fazendo estágio na Construtora e o Gabriel, com apenas 12 anos de idade. Vejo, nesses jovens, o desejo de assumir padrões muito próximos do meu, em relação ao trabalho. Em nenhum momento pensei ou desejei que fossem iguais a mim. Cada um tem sua personalidade própria, e também não quero que toda a responsabilidade pelo sucesso ou possível fracasso seja recaído sobre um ou outro. Nós somos uma família, que sempre discutimos, juntos, a realização dos negócios. Temos um conselho que nos auxilia nas horas de tomarmos decisões complicadas ou mesmo quando enfrentamos momentos difíceis. Vou continuar fazendo o que sempre fiz e gosto de fazer: trabalhar, jogar futebol, tênis, pescar e viajar. Quem sabe agora terei ainda mais tempo para curtir os meus filhos e meus amigos. Fui... * Joel Malucelli, Presidente do Grupo J Malucelli

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Luiz Carlos Hauly*

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Mar territorial, uma luta paranista

á décadas o Paraná tem sido prejudicado pelo federalismo fiscal tributário na partilha de recursos da União. As perdas ocorrem porque o Governo Federal não faz o repasse integral das desonerações de ICMS previstas pela Lei Kandir e da Emenda Constitucional 42, quando da exportação de produtos primários e semielaborados; porque o ICMS da energia não é cobrado na origem, e o Paraná produz quase 25% deste insumo no País; porque há imunidade Constitucional de ICMS no papel de imprensa, do qual o nosso estado é o maior produtor, e o Fundo de Compensação de Produtos Industrializados (FPEX), cobre apenas 17% das perdas. Em valores de 2011, a soma dos prejuízos é de R$ 4,6 bilhões. Sem falar na injusta divisão declarada inconstitucional pelo Superior Tribunal Federal (STF) - do Fundo de Participação dos Estados e os prejuízos com a guerra fiscal. Por isso, mesmo sendo a 5ª economia do País, tendo o 8º Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o Paraná é apenas o 20º na receita per capita disponível, com R$ 1.693 ao ano, bem abaixo da média nacional, de R$ 2.101. E caso conseguisse implementar esses R$ 4,6 bilhões, alcançaria apenas a 15ª receita per capita do País. Conhecedor dessa realidade, o governador Beto Richa tem liderado campanha para que o estado não continue a ter prejuízos com a partilha atual dos royalties do petróleo e, no futuro, com a divisão dos royalties do pré-sal. “O governador me convocou para coordenar esse trabalho que envolve estudo

técnico, ações no campo político e jurídico e também uma grande mobilização para corrigir as distorções da injusta divisa do nosso mar territorial, cujo traçado prejudica seriamente a costa paranaense”. Disse Luiz Carlos Hauly, secretário da Fazenda. Contrariando tratados internacionais e interpretando de forma equivocada a legislação brasileira - que usam linhas paralelas e meridianos para definir os limites do mar territorial -, o IBGE usou linhas ortogonais para traçar as divisas estaduais no nosso oceano. Esse deve ser o único caso no mundo onde as linhas paralelas se encontram. O que é pior, justo no prolongamento do nosso mar territorial, reduzindo a participação do estado da divisão do bolo do petróleo marítimo. Com isso, o quinhão que nos foi reservado é diminuto. No pequeno triângulo (das Bermudas, criado pelo IBGE), que hoje configura o mar territorial paranaense, existe apenas um poço de petróleo, o Campo de Caravelas, que é reivindicado por Santa Catarina, desde 1991. A questão ganhou ainda mais importância neste momento porque o tamanho do mar territorial de cada Estado significa mais royalties do pré-sal. Rio de Janeiro e Espírito Santo, que até agora recebem a maior parte desses benefícios,, já se movimentam para garantir a manutenção do injusto status quo. O Movimento Pró-Paraná, fundamentado nos magníficos estudos e pareceres técnico e jurídico elaborados pela Universidade Federal do Paraná, Mineropar e OAB-Paraná, nos forneceu documento que propiciará lutar em

três frentes: no IBGE, de onde saiu a inaceitável divisão atual; no Congresso Nacional, onde já tramitam projetos de lei que tanto podem favorecer como prejudicar o pleito paranaense, e no STF. Para obter sucesso nessa árdua luta, precisamos unir o Governo, deputados federais e senadores, municípios, entidades e instituições, enfim, todos os paranaenses, para que o nosso estado receba o que é justo e de direito na divisão dos royalties do petróleo. O êxito da campanha será decisivo para que o Paraná possa – hoje e no futuro - recuperar a capacidade de investimento e garantir avanços em todos os setores.

Luiz Carlos Hauly, economista e deputado federal licenciado, é secretário da Fazenda

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artigo

Anselmo Trombini*

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Parar para quê?

onda de greve que toma conta do País há alguns meses, afinal, são 27 órgãos federais trabalhando no limite, porque 350 servidores resolveram cruzar os braços, trouxe outro desconforto para nós, empresários do transporte de cargas. Exatamente no momento em que estávamos entrando em acordo com embarcadores, os motoristas autônomos, sem uma liderança específica, resolveram parar, forçando, inclusive, os caminhoneiros de empresas a pararem, sob ameaça. Para quê? Porque o Governo Federal sancionou a lei – e diga-se de passagem, há muito tempo esperada pela categoria – com algumas inconsistências, que poderiam ser resolvidas com diálogo? Sim, mas preferiram parar, estagnando a economia por alguns dias. E, pior, a negociação com os embarcadores voltou à estaca zero, por conta dessa irresponsabili-

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As novas regras trouxeram mudanças na relação de trabalho entre motoristas e empregadores. E isso é bom, porque agora, o profissional tem direito a um intervalo de repouso diário de 11 horas entre duas jornadas, além de uma hora para refeição. dade. Lamentavelmente, para atingir o propósito, de parar o maior número de caminhões possíveis, esses motoristas autônomos chegaram ao extremo de coagir e ameaçar destruir os veículos dos caminhoneiros de empresas, provocando medo e insegurança, além do prejuízo com atraso nas entregas, emperrando o livre curso da economia. A Lei 12.619/2012, que entrou em vigor no dia 15 de junho, é resultado de quatro anos de discussão, entre empresas e autônomos, que buscavam a regulamentação da jornada de trabalho do motorista profissional e o tempo de condução de veículos. As regras são específicas para trabalhadores do setor de transporte rodoviário de cargas e de passageiros. Existem problemas? Existem, especialmente quanto a locais convenientes para as paradas obrigatórias. Mas, as conversações estavam em andamento. Os encontros para tratar sobre o assunto estavam acontecendo com o doutor Luiz Carlos Provin, que foi a Cascavel, Foz do Iguaçu, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Ponta Grossa e Guarapuava, explicar, artigo por artigo, da nova lei, para

empresários e profissionais do volante. A adequação desta lei muito esperada virá, com certeza. É tudo uma questão de tempo, para ajeitar as situações, de modo que o resultado atenda todas as expectativas. Além do mais, a lei também veio para gerar um efeito para a sociedade, que é a segurança rodoviária. As novas regras trouxeram mudanças na relação de trabalho entre motoristas e empregadores. E isso é bom, porque agora, o profissional tem direito a um intervalo de repouso diário de 11 horas entre duas jornadas, além de uma hora para refeição. Há, portanto, que se ter paciência para que os assuntos sejam resolvidos à medida que aparecerem. Não há motivos para atropelos e medidas intempestivas com a paralisação que não leva a nada, a não ser ao desgaste e ao descrédito. O advogado Luis César Esmanhotto, também representando a FETRANSPAR, expôs para a diretoria da Ocepar os aspectos da lei nº 12.619/2012 e suas conseqüências para o cooperativismo. *Anselmo Trombini é presidente da Fetranspar


Marcus Vinícius Michelotto*

Na mira da marginália V

ive-se uma dimensão, isso no âmbito social, em que o crime começa a fazer o cidadão refém da ala que não considera a lei, a quem denominamos de marginália. A criminalidade, isso no Brasil considerado de ponta a ponta, cresce numa proporção que já se atingiu o plano do alarmante. De nada valeria dizer que, quanto aos que estão “fora da lei”, de que existe um poder absolutamente seguro para detê-los de seus projetos criminosos. A presente introdução é de caráter ilustrativo porque o Estado está se mobilizando no contexto de uma energia de segurança que, aos poucos vai se consolidando, podendo-se afirmar que o controle dos que transitam à margem da lei, é o cárcere. Essas considerações tem a finalidade de destacar a Polícia Civil do Paraná, que nesta data está completando 159 anos de contínua progressão na rota de tornar a sociedade menos temerosa e assim anular a “força que contém” os delinquentes. Esta promessa da Polícia Civil envolve a própria dívida a ser cobrada pela população, caso não venha a obter o sucesso que todos os seus membros almejam no dia a dia. Sabe-se que os constantes atos praticados pelos criminosos vem se intensificando, mas isso não é motivado pela eventual inércia da Polícia Civil. É o próprio formato social que vem admitindo até o excesso agressivo, que as pessoas sofrem no próprio cotidiano. Porém, neste momento dos 159 anos históricos da Polícia Civil/PR, o que mais se pre-

Sabe-se que os constantes atos praticados pelos criminosos vem se intensificando, mas isso não é motivado pela eventual inércia da Polícia Civil. É o próprio formato social que vem admitindo até o excesso agressivo, que as pessoas sofrem no próprio cotidiano. tende é encontrar o parâmetro vetor da atividade criminosa. Neste ensejo em que se comemora mais um ano de exercício seguro no sentido de propor para a sociedade paranaense a verdadeira reação contra a delinquência, estamos pedindo ao cidadão do Paraná um voto de confiança. Porque nós, policiais civis, vivemos um tempo que se poderia dizer universitário para fulminar a ação dos criminosos, embora seja fácil reconhecer que a tarefa é árdua, pois o transgressor da lei tem uma vantagem para praticar os delitos, isto em relação a PC que não pode estar ao mesmo tempo em todos os locais dos crimes. Tratase de um fenômeno social em que os praticantes dos diferentes tipos de crimes, tem um campo maior de ação. Mas, “a máquina da segurança”, está se engrenando rapidamente e o tempo não terá uma dimensão muito grande para que haja no campo da convivência coletiva, o destemor que hoje é tão preocupante, pois nossos propósitos vão além daquilo que normalmente a Segurança Pública pode fazer.

O vaticínio presente, de um lado é para a saudação dos 159 anos da PC e, de outro lado, para tranquilizar não só a própria polícia, como aqueles que da mesma dependem. *Marcus Vinícius Michelotto, Delegado-geral da Polícia Civil do Paraná

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esporte

Uma olimpíada A

Olimpíada de Londres terminou no dia 12 de agosto, com a presença apagada dos brasileiros e poucas medalhas na bagagem de volta dos atletas. De 230 atletas brasileiros que embarcaram para a terra da Rainha, 19 são do estado do Paraná, 4 a menos do que nos jogos de Pequim-2008. Porém, a única que conquistou o tão cobiçado ouro foi a ponteira Natália, nascida em Ponta Grossa, campeã com a equipe de vôlei feminino. Outros atletas como Giba, Serginho e Emanuel (de praia), mais os jogadores de futebol Alexandre Pato e Leandro Damião subiram ao pódio para colocar a medalha de prata no peito. No caso dos dois últimos, um amargo segundo lugar, já que o posto de “ouro” parecia tão perto. Na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, nenhum dos cinco atletas citados deverá ter nova chance. Giba e Serginho anunciaram a aposentadoria da seleção de vôlei e Emanuel, aos 39 anos, também não deve seguir com novo projeto olímpico. Por outro lado, tanto Leandro Damião e Alexandre Pato poderão participar somente na cota dos três convocados acima do limite de idade de 23 anos. Mas, no futebol, acredita-se que novos talentos possam despontar até 2016, levando outros nomes de paranaenses para a olimpíada carioca. No caso das atletas Andreia Suntaque e Renata Costa, do futebol feminino, 2012 não trará grandes lembranças. A goleira Andreia fez sua quarta participação em olimpíadas e já 42 Documento Reservado / Agosto 2012

tinha conquistado duas pratas: em Atenas 2004 e Pequim 2008, mas acreditava em um ouro em Londres. Infelizmente amargou uma desclassificação nas quartas de finais e consequentemente a pior campanha em Jogos Olímpicos da história. Já as atletas Fran e Nádia, do basquete, viram a mesma história Pequim-2008 acontecer: a seleção não passou sequer da primeira fase. Mesmo com pouco incentivo de patrocinadores, outros competidores devem se orgulhar de pelo menos ter participado do sonho olímpico, como é o caso de Athos Schwantes, o primeiro paranaense a competir na esgrima. Dos 320 atletas brasileiros que compuseram a delegação brasileira, os paulistas lideram com 35,5%, ou seja, 92 atletas, seguido pelos cariocas com 36 representantes e em terceiro os paranaenses empatados com os mineiros. Mesmo com resultados tão distantes do esperado, 2016 será uma nova oportunidade para novos e antigos talentos demonstrarem que o Brasil pode ser uma potência quando o assunto é esporte. Muito se tem que fazer para obter resultados positivos, e consequentemente ouvir o hino nacional no alto do pódio. Apoio do governo, patrocinadores, junto com seriedade e conhecimento serão necessários para que não só o paranaense se orgulhe, mas que o povo brasileiro sinta que conquistou o que mereceu: o ouro!

Serginho e Emanuel e Serginho(vôlei de de praia), subiram ao pódio para colocar a medalha de prata no peito


CAROLINE SAGAZ MADEIRO

apagada

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agenda

Cinema

O Legado Bourne Expande o universo Bourne criado por Robert Ludlum com uma história original que apresenta um novo herói (Jeremy Renner) envolvido em situaçőes de vida ou morte, desencadeadas pelos eventos dos tręs primeiros filmes. Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Stacy Keach, Oscar Isaac, Albert Finney, Joan Allen, David Strathairn, Scott Glenn. Estreia: 07 de setembro.

Cosmópolis Conta a história de um jovem gęnio multimilionário Eric Packer (Pattinson), atravessando a cidade de Nova York numa limusine para encontrar um corte de cabelo perfeito. Elenco: Robert Pattinson, Paul Giamatti, Juiliette Binoche, Jay Baruchel, Kevin Durand, Samantha Morton, Sarah Gadon, Mathieu Amalric, Emily Hampshire, Anna Hardwick. Estreia: 7 de Setembro.

País do Desejo Uma pianista clássica de renome que luta contra uma doença crônica nos rins. Roberta (Maria Padilha) vive na cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, onde luta a sua batalha com as forças que ainda lhe restam. Dedica-se com disciplina e paixăo ŕ música. Durante uma viagem ao Recife, naquela que pode ser a sua última turnę, Roberta passa mal e desmaia durante um concerto no Teatro de Santa Isabel, justo quando parece tocar da forma mais bela. Internada numa clínica, Roberta conhece Padre José (Fábio Assunçăo), pároco da Igreja de Santo Agostinho, extremamente envolvido com a comunidade, localizada em área rural canavieira próxima ŕ capital pernambucana. Elenco: Fábio Assunçăo, Maria Padilha, Gabriel Braga Nunes, Fernanda Vianna, Germano Haiut, Nicolau Breyner. Estreia: 14 de Setembro.

Os Infratores Tręs jovens irmăos văo escrever as primeiras páginas da máfia com a sua rebeldia e força. Jack (Shia LaBeouf) é o caçula e o mais ambicioso, ele sonha com mulheres, carros e muito poder. Howard (Jason Clarke) é o irmăo do meio, ele usa os seus músculos para falar o que pensa, leal, mas imprudente. O irmăo mais velho, e líder, é Forrest (Tom Hardy) ele conduz os negócios da família com força e determinaçăo, nesta primorosa produçăo baseada em fatos reais. Elenco: Shia LaBeouf, Tom Hardy, Guy Pearce, Gary Oldman, Mia Wasikowska, Jason Clarke, Jessica Chastain e Dane DeHaan. Estreia: 21 de Setembro.

Looper – Assassinos do Futuro Um grupo de assassinos, conhecidos como Loopers, trabalham para um sindicato do crime. Eles săo enviados do futuro para o presente, para matarem criminosos antes que os crimes sejam cometidos. Mas quando um deles descobre que foi enviado para o passado para matar a si mesmo, o sistema começa a ser questionado. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt, Piper Perabo, Paul Dano, Garret Dillahunt, Jeff Daniels, Tracie Thoms, Noah Segan, David Jensen. Estreia: 28 de Setembro.

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Os candidatos Quando o experiente congressista Cam Brady (Ferrell) comete uma grande gafe pública antes do início de um período eleitoral, um grupo de CEOs ultrarricos projeta um candidato rival para ganhar influęncia em seu distrito, a Carolina do Norte. O escolhido é o ingęnuo Marty Huggins (Galifianakis), diretor do Centro de Turismo local. Ŕ primeira vista, Marty parece ser a escolha mais improvável, mas com a ajuda de seus novos benfeitores, um competitivo gerente de campanha e as ligaçőes políticas de sua família, ele logo se torna um candidato com quem o carismático Cam precisa se preocupar. Com o dia da eleiçăo se aproximando, os dois se veem em um beco sem saída, com insultos crescendo rapidamente para ofensas, até que tudo com que eles se importam é acabar com o outro, nesta suja, traiçoeira e destruidora batalha que conduz o circo político atual. Elenco: Will Ferrell, Zach Galifianakis, Jason Sudeikis, Dylan McDermott, Katherine LaNasa, John Lithgow, Dan Aykroyd, Brian Cox. Estreia: 28 de Setembro.

Ruby Sparks - A Namorada Perfeita Um jovem escritor com bloqueio criativo que encontra o amor na forma menos usual possível: criando Ruby, uma personagem que ele acredita que irá amá-lo. A garota ganhando vida sem nenhuma explicaçăo. Elenco: Antonio Banderas, Paul Dano, Alia Shawkat, Zoe Kazan, Deborah Ann Woll, Annette Bening, Steve Coogan, Chris Messina, Elliott Gould, Aasif Mandvi. Estreia: 28 de Setembro.

Espetáculos Malefício da Mariposa A peça “O Malefício da Mariposa” tem apresentaçőes no Ave Lola Espaço de Criaçăo até o dia 14 de outubro de 2012, em Curitiba. Na montagem, inspirada na obra de Federico Garcia Lorca, o tema das relaçőes afetivas é tratado tendo como universo o mundo dos insetos. Entrada: serăo distribuídos envelopes para a plateia ao final do espetáculo, e cada pessoa do público faz uma avaliaçăo do que assistiu e deposita um valor que achar justo no envelope. Informaçőes: (41) 2112-9924.

Será que ele é? Nos dias 14, 21 e 28 de setembro, sempre ŕs 21h, a comédia “Será que Ele é? - Cuidado! Seu Príncipe Pode Ser Uma Cinderela” está em cartaz no Teatro Joăo Luiz Fiani, em Curitiba. A peça fala sobre as diversas possibilidades de relacionamentos. Ingressos: R$40.

Orgulho Hetero da adolescęncia ao adultério Inspirado nos filmes “Os brutos também amam”, “Como meninos e lobos”, “Se beber năo case” que relatam o bom e o ruim de ser um homem heterossexual. A peça terá apresentaçőes nos dias 07, 14, 21 e 28 de setembro ŕs 21h, no Teatro Barracăo Encena, em Curitiba. Ingressos: R$30. Informaçőes: (41) 3223-5517.

Missionários da Luz Baseado nos escritos de Chico Xavier, a peça conta a viagem do espírito André Luiz, ao planeta Terra junto de seu instrutor, participando de alguns casos de reencarnaçőes, comunicaçőes entre encarnados e desencarnados, obsessăo, suicídio e aborto. A peça estará em cartaz no Teatro Rodrigo D’Oliveira nos dias 30 de setembro, 28 de outubro e 25 de novembro, ŕs 19h. Ingressos: R$30. Informaçőes: (41) 3223-2205.

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agenda

Eventos Circuito das estaçőes Adidas- Primavera Data: 02 de setembro Local: Jockey Club do Paraná Informaçőes: Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude Endereço: R. Desembargador Westphalen, 1566 - Rebouças Fone: (41) 3350-3715 Fax: 3333-9494 Site: www.curitiba.pr.gov.br

IV Festa da Luz Data: 08 e 09 de setembro Comemoraçăo em devoçăo ŕ padroeira Nossa Senhora da Luz. A festa que ocorre no Setor Histórico, com missa e procissăo, shows pirotécnicos e musicais, além da feira gastronômica e comercializaçăo de artesanato. Local: Largo da Ordem

XIII Seminário Nacional de Telecomunicaçőes

Data: 11 a 13 de setembro Local: Expo Unimed Curitiba Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5700 Fone: (41) 3317-3107 Informaçőes: Associaçăo de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicaçőes Endereço: Avenida Rio Branco, 26 sala 802 - RJ Fone: (21) 2223-3253 Site: www.aptel.com.br

Expo Bebę & gestante Data: de 13 a 18 de setembro Local: Marumby Expo Center Endereço: Av. Presidente Wenceslau Braz, 1046 Informaçőes: MWM Feiras e Eventos Fone: (41) 3233-0172

46 46 Documento Reservado Reservado // Agosto Agosto 2012 2012 Documento

Site: http://www.mwmfeiras.com.br/ XXIV CBE – Congresso Brasileiro de Entomologia Data: de 16 a 20 de setembro Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5700 Fone: (41) 3317-3107 Informaçőes: Sociedade Entomológica do Brasil Endereço: Rua Raja Gabaglia, 1.110, Jardim Quebec Fone: (43) 3025 5223 Site: http://www.cbe2012.com.br / www.seb.org.br

Pork expo 2012 e Fórum Internacional de suinocultura Data: de 26 a 28 de setembro Local: Expo Unimed Curitiba Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5700 Fone: (41) 3317-3107 Informaçőes: Animal World Fone: (19) 3709-1100 Site: www.porkword.com.br www.porkexpo.com.br

19Ș EXPOMAC 19Ș FEIRA Sul Brasileira da Indústria de metal Data: de 26 a 29 de setembro Local: Expotrade Convention e Exibition Center Endereço: Rod. Dep. Joăo Leopoldo Jacomel, 10.454 Fone: (41) 3661-4000 Informaçőes: Diretriz Empreendimentos SA. Endereço: R. Gră Nicco, 113 bloco 4 - Ecoville Fone: (41) 3075-1100 Site: www.expomac.com.br

Circuito de Corrida Caixa 2012 Data: 30 de setembro Local: ruas da cidade Informaçőes: Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude Endereço: R. Desembargador Westphalen nș 1566 - Rebouças Fone: (41) 3350-3715 Fax: 3333-9494 Site: www.curitiba.pr.gov.br E-mail: smelj@smelj.curitiba.pr.gov.br

Sălăo do Estudante 2012 Data: 18 de setembro Local: Park Shopping Barigui - Park Cultural Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 Fone: (41) 3317-6150 e (41) 3028-8545 Site: http://www.salaodoestudante.com.br/


Exposições

Bares

Modigliani

Mol Gastronimia O restaurante abrange a gastronomia europeia com o toque argentino. Entre os destaques da casa está o “Langostino Plancha y Guacamole”, entrada preparada com camarőes grelhados com creme de abacate, servidos com fatias de păo italiano; a “Paella Marinera”, típica paella Valenciana; “Bacalao Al Graten”, bacalhau gratinado com molho alho e óleo; e “Creme Catalana”, sobremesa típica espanhola preparada com creme de ovos e baunilha, ao perfume de limăo e crocante de caramelo. Especialidades: Argentina, Espanhola, Francesa, Italiana Endereço: Rua Fernando Simas, 208, Bigorrilho, Curitiba. Telefone: (41) 3501-5105.

A exposiçăo do artista italiano Amadeo Modigliani intitulada “Modigliani: Imagens de uma vida” fica em cartaz no Museu Oscar Niemeyer até o dia 27 de outubro. A mostra conta com 12 pinturas e cinco esculturas, além de desenhos, diários, fotos, cartas, manuscritos e obras de amigos, como de Pablo Picasso. Entrada: R$4. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Senna Até o dia 9 de setembro, os făs do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, podem relembrar fatos da carreira de um dos maiores ídolos do país em exposiçăo no Centro Cultural Sistema Fiep. Em um circuito de corridas montado no espaço, os visitantes tęm experięncias multissensoriais e lúdicas. Entrada franca.

Shows Filipe Catto

Alanis Morissette

Jorge Aragăo

Nos dias 14,15 e 16 de setembro, o gaúcho Filipe Catto se apresenta no Espaço Caixa Cultural no męs de setembro. No repertório, composiçőes dos conterrâneos Nei Lisboa, Cachorro Grande e Apanhador Só. Ingressos: R$ 20. Informaçőes: (41) 2118-5111.

A canadense Alanis Morissette se apresenta no Curitiba Master Hall, no dia 5 de setembro, na capital paranaense. A turnę no Brasil lança seu novo disco “Havoc And Bright Lights”, que conta com 12 músicas inéditas. Ingressos entre R$280 e R$500. Informaçőes: (41) 3315-0808.

O sambista Jorge Aragăo se apresenta no Aos Democratas, no dia 4 de setembro. O cantor e compositor toca sucessos de sua carreira, como as músicas “Malandro”, “Coisinha do pai” e “Vou festejar”. Preço: a confirmar. (41) 3024-4496.

Sorriso Maroto O grupo de pagode Sorriso Maroto se apresenta no Curitiba Master Hall em Curitiba, no dia 21 de setembro. Com a música tema do casal Tessália e Leleco da novela Avenida Brasil, o grupo promete agitar os făs. A apresentaçăo é em comemoraçăo aos 15 anos da banda, e eles tocarăo sucessos como “A Festa vai Começar”, “Sinais”, “Loucuras do Seu Amor” e “Assim Vocę Mata o Papai”, entre outras. Ingressos entre R$ 50 e R$ 264. Informaçőes: (41) 3248-1001.

Marron 5 A banda norte-americana Maroon 5 realiza show inédito no Paraná, na Arena Expotrade, em Pinhais, no dia 24 de agosto. Mais conhecido pelo sucesso da música “Moves Like Jagger”, o grupo liderado pelo vocalista Adam Levine vem ao Brasil pela quarta vez. Ingressos entre R$240 e R$500. Informaçőes: (41) 3661-4000.

Vitor e Léo A dupla “Vitor e Léo” se apresenta no dia 7 de setembro, no Parque Municipal da Uva, em Colombo. Os cantores sertanejos trazem o show “Ao Vivo Em Floripa” em comemoraçăo aos 20 anos de carreira. Ingressos entre R$60 e R$120. Informaçőes: (41) 3656-8038.

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#www.documentoreservado.com.br O7- AGO/2O12

Renault lança

Sandero e Logan 2013 Modelos passam a contar com novo motor 1.6 8V Hi-Power, que traz mais economia com melhor desempenho

JAC MOTORS

J3 e J3 Turin 2013 chegam às concessionárias

AUDI

Audi R8 GT Spyder: o carro de R$ 1,2 milhão

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editorial EXPEDIENTE Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Redação RT Press Comunicação Ed Carlos Rocha Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Divulgação Ford, Divulgação Chevrolet, Divulgação Peugeot, Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Idealiza Gráfica e Editora Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo)

A

Para todos e para poucos

indústria automobilística evoluiu tanto que as montadoras tentam, em alguns casos, fabricar carros que possam atender aos mais diversos públicos de uma só vez. É o que apresentamos neste mês, por exemplo, com o lançamento da Chevrolet Spin, cujo mote de campanha da fabricante é justamente fazer do modelo ideal para várias faixas de público. Mas os nichos específicos continuam em alta. A Audi, por exemplo, acaba de trazer para o Brasil o Audi GT Spyder, que custa a “bagatela” de R$ 1,2 milhão. É um carro para tão pouca gente, que só duas unidades estão disponíveis no Brasil. Em outro caso, a chinesa JAC Motors lança a linha 2013 do J3, modelo que nasceu no ano passado e fez barulho no mercado por agregar de série vários equipamentos disponíveis apenas como opcionais na maioria dos concorrentes do mesmo segmento. De um jeito ou de outro, as montadoras tentam “fisgar” o público focando na inovação, luxo, versatilidade e praticidade oferecidos nos seus veículos. No Brasil os carros ainda são muito caros, mas que há opções para todos os bolsos disso ninguém pode reclamar. Boa leitura! ™

Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

Pedro Ribeiro

índice 53

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO ENCARTE ESPECIAL AUTOMÓVEIS # 07 - AGOSTO/2012

JAC MOTORS J3 e J3 Turin 2013 chegam ŕs concessionárias

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RENAULT Renault lança Sandero e Logan 2013

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CHEVROLET Chevroleto Spin: um carro para todos

52 Documento Reservado / Agosto 2012 / ESPECIAL AUTOMÓVEIS

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AUDI Audi R8 GT Spyder: o carro de R$ 1,2 milhăo

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FIAT Teto solar


jac motors

J3 e J3 Turin 2013

chegam às concessionárias A

Modelos da JAC Motors ganharam atualizações internas e externas

JAC Motors lançou a linha 2013 do J3 e do J3 Turin, que receberam alterações que devem reposicioná-los de forma ainda mais competitiva no segmento de compactos do mercado nacional. Externamente, a principal mudança da família J3 surge na adoção de faróis dianteiros com máscara negra. Já a parte traseira recebe uma nova logotipia para identificar a tecnologia de variação de fase do comando de válvulas do motor 1.4 16V: o “VVT” terá a mesma grafia adotada no J5. Por dentro, novos bancos Black Fabric, que enaltecem o acabamento mais agradável ao toque e dão um ar mais esportivo aos modelos. Além disso, o quadro de instrumentos passa a contar com luz-espia de lanternas acesas e a manopla de câmbio, como no J5, é mais anatômica e moderna. Para completar o pacote, o quebra-sol do motorista dispõe agora de espelho de cortesia. Equipados com o motor 1.4 litro, confeccionado em bloco de alumínio e desenvolvido em parceria com a austríaca AVL, com 16 válvulas e duplo comando, que desenvolve 108 cv de potência a 6.000 rpm e torque de 138 Nm (14,1 kgfm) a 4.500 rpm, o J3 tem aceleração de 0 a 100 km/h em 11,7 segundos (11,9 segundos para o J3 Turin) e velocidade máxima de 186 km/h. Ambos são equipados com transmissão manual de 5 velocidades, com acionamen-

to por cabos. O sistema permite engates rápidos e precisos, acentuando a esportividade dos modelos, mas também garantindo o conforto ao rodar. O mesmo efeito é proporcionado pelas suspensões. Equipados com tradicional sistema McPherson nas rodas dianteiras, o destaque do J3 e do J3 Turin surge na construção traseira. São os únicos exemplares de sua categoria que dispõem de suspensão independente tipo dual link. Esse recurso aumenta a neutralidade direcional em condições extremas, uma vez que absorve melhor as irregularidades do piso quando atua em esforço. O J3 e o J3 Turin possuem a maior lista de equipamentos de série do segmento, com destaque para ar-condicionado, direção hi-

dráulica, freios com ABS e EBD, duplo airbag frontal, acionamento elétrico de vidros, trava e retrovisores, faróis com regulagem elétrica de altura do facho e sensor de estacionamento traseiro. Os modelos da JAC Motors ainda oferecem, também de série, volante com regulagem de altura, travamento automático das portas a 15 km/h, banco traseiro bipartido 60/40, CD player com 6 alto-falantes e entrada USB e rodas de liga de alumínio aro 15, entre outros itens. A versão sedan, J3 Turin, segue as mesmas linhas harmoniosas do J3, mas oferece mais espaço no compartimento de carga, graças ao generoso porta-malas, de 490 litros (350 l no J3). O tanque de combustível dos dois modelos possui 48 litros. ™

Entre as mudanças visuais, novos faróis com máscara negra equipam o J3

53 Documento Reservado / Agosto 2012 / ESPECIAL AUTOMÓVEIS


renault

Renault lança Sandero e J

á está nas concessionárias a linha 2013 dos modelos Logan, Sandero e Sandero Stepway, que traz, como principal novidade, o novo motor 1.6 8V Hi-Power, mais eficiente, com curva de torque mais linear e mais econômico. O propulsor 1.6 8V Hi-Power se beneficia da tecnologia e do know-how da marca Renault na Fórmula 1, onde, atualmente, fornece motores para quatro equipe (Red Bull Racing-Renault, Lotus-Renault, Williams-Renault e Caterham-Renault). O novo propulsor foi desenvolvido pela equipe de engenharia do Renault Tecnologia

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Américas (RTA), instalado no Brasil para satisfazer o gosto dos motoristas brasileiros. Os engenheiros também trabalharam no desenvolvimento de um novo motor de partida para o propulsor 1.6 8V Hi-Power. Esta nova peça possui uma maior velocidade de rotação, resultando numa partida mais rápida e mais robusta, sem falhas. Para Gustavo Volci, chefe de Projeto de Desenvolvimento de Motores do RTA, o propulsor Hi-Power é mais adequado ao gosto dos motoristas brasileiros. “Cerca de 85% do torque já estão disponíveis em 1.500 rotações,

Sandero ganhou a versão GT Line

Documento Reservado / Agosto 2012 / ESPECIAL AUTOMÓVEIS

o que significa para o consumidor em uma redução do consumo de combustível de 10% na cidade, além de arrancadas e retomadas mais ágeis, diferença que podem ser sentida no trânsito urbano e também em estrada, numa ultrapassagem, por exemplo”, explica. Comparando-se com o antigo Hi-Torque, o novo propulsor Hi-Power que passa a equipar Sandero e Logan anotou ganho de 10% na potência, usando etanol (E100), e 2,5% com gasolina (E22). São 106 cv e 98 cv, respectivamente. O torque também melhorou significativamente, principalmente com etanol no tan-


Logan 2013 que: 7% a mais, ou seja, 15,5 kgfm. O número com gasolina foi mantido em 14,5 kgfm. Sandero GT Line entra para o “time titular” A partir da gama 2013, a linha Sandero ganha uma nova versão, batizada de “GT Line”. Ele sai completo de fábrica, com ar-condicionado, direção hidráulica com regulagem de altura, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, farol de neblina, computador de bordo, rodas de liga leve de 15 polegadas na cor preta, rádio com CD e MP3 (do tipo double

Modelos passam a contar com novo motor 1.6 8V Hi-Power, que traz mais economia com melhor desempenho

DIN) e comando satélite na coluna de direção. Completam a lista os importantes itens de segurança: freios com sistema ABS e airbags para motorista e passageiro. Com as mudanças adotadas a partir da linha 2013, os modelos de entrada receberam itens novos. O Logan Authentique 1.0 16V Hi-Flex, por exemplo, ganha calotas integrais, desembaçador traseiro, manopla de câmbio com acabamento em alumínio, puxador ergonômico na porta e logotipo Renault cromado no centro do volante. Itens que até a versão 12/12 integravam o chamado Pack Plus.

Além disso, os componentes que integravam o Pack Conforto (ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, faróis de neblina e computador de bordo) agora são de série na versão Expression (1.0 e 1.6). Situação semelhante ocorreu com o Sandero. Os itens do Pack Plus passam a ser de série, mesmo na versão Authentique. Já o Sandero Expression (1.0 e 1.6) recebe ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, computador de bordo, faróis de neblina e alarme. A versão 1.6 passa a conta ainda com rodas de liga leve com novo desenho. ™

Tanto o Sandero como o Logan agora tem motor para atender ao gosto dos brasileiros

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chevrolet

Chevrolet Spin: um

Veテュculo foi desenvolvido para uso no dia a dia e para viagens

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Lançamento se destaca pela utilização versatilidade de

carro para todos A

Espaço interno é um dos principais atrativos

Chevrolet acaba de lançar a Spin, um carro, segundo a montadora, feito para agradar a todos os tipos de clientes, com ou sem família. O modelo foi totalmente desenhado, desenvolvido e produzido no Brasil. Ele chega com o motor 1.8 Econo.Flex, com opções de transmissão manual e automática – esta última de seis velocidades – e em duas versões de equipamentos e acabamento: LT e LTZ. A Chevrolet apostou em um visual imponente em proporções únicas. É um modelo familiar com ares aventureiros, ideal para quem quer viajar, passear com a família ou simplesmente fazer uso cotidiano do veículo. Construído sobre um entre-eixos de 2.620 metros, ele oferece espaço para até sete ocupantes na versão LTZ e para cinco na versão LT. No Spin LTZ, as três fileiras de banco estão dispostas em formato de teatro. Ou seja, a terceira fileira de bancos é mais alta que a central que, por sua vez é ligeiramente mais alta que a primeira, privilegiando o espaço e a visibilidade para qualquer um dos ocupantes. O porta-malas do Spin tem grande capacidade carga. Pode abrigar, por exemplo, uma bicicleta sem que ela seja desmontada no seu interior. Com sete ocupantes, sua capacidade de carga é de 162 litros. Com cinco, ela salta para 710 litros, podendo chegar até 1.668 litros, com os bancos da fileira central rebatidos. Econo.Flex A Spin conta com o motor 1.8 Econo.Flex. Ele desenvolve 108 cavalos com etanol e 106 cavalos com gasolina, ambos a 6.200 rpm. O

torque é de 17,1 kgf.m com etanol e 16,4 kgf.m com gasolina, sempre nas 3.200 rpm. Vale ressaltar que 90% do torque está disponível entre 2.500 e 4.700 rpm, garantindo força e elasticidade e conferindo excelente dirigibilidade. O Chevrolet Spin vem equipado com um item inédito no segmento. Além da transmissão manual de cinco velocidades, utiliza a caixa GF6, de seis marchas, já conhecida por equipar o Cruze e o Sonic. A GF6 conta com o sistema adaptativo de trocas de marcha, módulo de controle integrado, que elimina cabos entre o módulo e a transmissão e também o freio motor, que mesmo quando o motorista alivia o pé do acelerador, mantem a marcha, dando a sensação de maior controle do veículo. Todas as versões saem bastante equipadas de fábrica. A LT, de entrada, tem ar-condicionado, direção hidráulica, ABS, EBD, duplo airbags, vidros e travas elétricas, ajuste de altura do banco do motorista e do volante, luz de seta auxiliar e rodas aro 15. O Spin LT ainda pode ser opcionalmente equipado com rodas de alumínio, rádio com CD Player, MP3 e Bluetooth, transmissão automática de seis marchas e controle automático de velocidade - popularmente conhecido como piloto automático. A versão LTZ oferece todos os itens que a LT tem e ainda conta com a terceira fileira de bancos integrada, com rack de teto, computador de bordo, sensor de estacionamento e controles no volante. Opcionalmente ela pode ser equipada também com a transmissão automática de seis marchas e com o controle automático de velocidade. ™ 57

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audi

Audi R8 GT Spyder: o carro de R$ 1,2 milhão Superesportivo tem produção limitada de 333 unidades no mundo, e apenas duas delas serão vendidas no Brasil

M

odelo mais caro da marca Audi no País, o superesportivo Audi R8 GT Spy der chega ao mercado brasileiro custando R$ 1,2 milhão. Objeto de desejo dos amantes da velocidade, o conversível terá duas unidades comercializadas no Brasil. Para garantir a exclusividade, apenas 333 veículos foram produzidos e cada um traz o número individual de produção como um emblema na alavanca de câmbio. O veículo tem inspiração nas pistas de corrida, como o motor 5.2 FSI, 10 cilindros em V e 5.204 cm³, que desenvolve 560 cv a 8000 rpm. O Audi R8 GT Spyder acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos e a velocidade máxima é de 317 km/h. As rodas superesportivas de liga-leve de 19 polegadas, com pneus de alta performance (8,5 JX19 235/35 na dianteira e 11JX19 305/30 na traseira) têm design em Y e cinco raios

duplos. Os freios em carbono e cerâmica oferecem segurança e fazem o carro desacelerar rapidamente. O spoiler frontal na cor do veículo, com frisos laterais em carbono fosco, foi redesenhado. O desenho destaca ainda mais a grade do radiador em preto fosco e o logotipo da Audi em cinza titânio. Faróis de LEDs, com sistema de limpador, tornam a aparência do Audi R8 GT Spyder inconfundível, pois enfatizam a esportividade e exclusividade do modelo. Na traseira, lanternas com LED R8 GT garantem design exclusivo. O superesportivo sai de fábrica com o câmbio R tronic de 6 velocidades: um sistema de transmissão automatizado com troca automática ou mesmo manual, por meio de shift paddles no volante esportivo em camurça ou da alavanca de câmbio. A suspensão esportiva também foi desen-

Design arrojado e motor de 560 cavalos

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volvida visando o alto desempenho, com barras de alumínio em forma de triângulo, proporcionando uma direção muito mais sensível ao carro. O modelo vem equipado com sistema eletrônico de estabilização ESP, que trata de manter o R8 GT Spyder na rota, mas pode ser desligado de acordo com a preferência do condutor. Interior e equipamentos Os bancos são esportivos e opcionalmente podem ser do tipo concha de corrida. O acabamento tem costura contrastante e estofamento em couro, com duas opções de combinação de cores para os assentos – preto e vermelho e preto com cinza titânio. Os bancos dianteiros são aquecíveis e com regulagem elétrica, inclusive, para o apoio lombar. O esportivo vem ainda com computador de bordo com marcador de temperatura, tapetes com logotipo R8, ar-condicionado automático, teto moldado em Couro Alcântara (mesmo material utilizado nos porta-objetos traseiros e para-brisa com isolante térmico). O porta-malas dianteiro tem capacidade para levar até 100 litros. No quesito segurança, o Audi R8 GT Spyder é completo. Vem equipado com airbags frontais e laterais dianteiros, cintos de segurança com sensor de afivelamento no banco do motorista e assistente de partida em aclives. Outros equipamentos completam o pacote, como o sensor de estacionamento traseiro e dianteiro com gráfico, o controle de cruzeiro e o travamento central com controle remoto à distância. ™


fiat

Teto solar e na originalidade. O concurso é aberto a estudantes de desenho industrial, design gráfico ou de produto. As inscrições poderão ser feitas de 3 de setembro a 10 de outubro na página da Ford no Facebook (www.facebook.com/fordbrasil), onde também está disponível o regulamento.

Teto Solar Sky Wind para o Novo Palio

A

Fiat Automóveis passa a oferecer o Teto Solar Sky Wind para o Novo Palio e o Grand Siena, agregando aos modelos mais esportividade, e design ainda mais imponente. Tanto o Novo Palio como o Grand Siena são os únicos modelos em seus respectivos segmentos a oferecer teto-solar panorâmico de fábrica como opcional em todas as suas versões. Com ampla área envidraçada, que se estende desde o para-brisas, o Teto Solar Sky Wind oferece uma visão panorâmica aos ocupantes do carro, além de tornar o interior do veículo mais claro e arejado, e ainda com a sensação de maior espaço. Preço do Teto Solar Sky Wind:R$ 2.900 – para a gama do Grand

Siena e Novo Palio (exceção para o Palio Attractive 1.0, que o teto solar sai por R$ 2.700). Concurso de talentos A Ford anunciou a segunda edição do Concurso Talentos do Design, que vai dar um Ford Ka ao criador da melhor proposta para o EcoSport 2022, além de outros prêmios. Os dez projetos finalistas também serão expostos no espaço Ford Design 2012, durante o Salão do Automóvel, de 24 de outubro a 4 de novembro, concorrendo a mais um prêmio pela votação popular. O objetivo do concurso é incentivar estudantes de design a exercitar seu talento na área automotiva, com uma proposta focada na criatividade

Tá no código

March O Nissan March tem novidades em sua linha. A versão 1.6 SR passa a contar com o novo pacote opcional “Premium”, que traz itens de tecnologia e segurança que agregam mais modernidade e custo-benefício ao compacto. Com preço sugerido de R$ 38.690, o Nissan March com pacote “Premium” é equipado com os mesmos itens de série da versão SR. A nova opção de acabamento oferece equipamentos de tecnologia requisitados pelo consumidor, como o sistema Bluetooth e comandos de áudio e do telefone celular no volante, diferenciais no segmento de hatches compactos. Todos estão integrados ao sistema de áudio com rádio CDplayer com função mp3 e conexão para iPod®. O pacote “Premium” traz também itens estéticos, como faróis de neblina, bancos em dois tons (preto e cinza), maçanetas externas na cor do veículo, e de segurança, como o sistema de freios com ABS e assistência de frenagem (BA). ™

Art. 182 - Parar o veículo: VIII - nos viadutos, pontes e túneis: Infração - média; Penalidade – multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira. 59 Documento Reservado / Agosto 2012 / ESPECIAL AUTOMÓVEIS


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