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POLÍTICA

ECONOMIA

EDUCAÇÃO

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 32 - DEZEMBRO/2010 - R$ 5,00 www.documentoreservado.com.br

AGRONEGÓCIO

TURISMO

SAÚDE

SEGURANÇA

TECNOLOGIA

Governabilidade Resultado de esmerada articulação política, Valdir Rossoni presidirá a AL do Paraná em sintonia com o novo Governo Mercado aquecido A indústria da construção civil comemora aumento de 12% em 2O1O, acima do previsto e projeta expansão até 2O15

Governador Beto Richa prega administração dinâmica para tirar o Estado da “situação precária” e retomar o ritmo de desenvolvimento

O Paraná precisa acelerar o passo o” estaçã le a d r e o da “c r de p Atrás vir o cânce pode


editorial expediente Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Coordenação Geral e Edição Silvio Oricolli Redação Norma Corrêa, Pedro Ribeiro, Silvio Oricolli e Lucian Haro Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Ajir Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo) Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 32 - DEZEMBRO/2010

O talvez e o quase É

tica, democracia, verdade e legalidade. Essas são promessas que nortearão os caminhos da longa jornada administrativa do governador Carlos Alberto Richa. Ele pautou-se no legado de seu pai, o ex-governador José Richa, sua grande influência política, lembrando, com propriedade, que foi o primeiro governador eleito pós-ditadura e a ele coube fazer a transição da volta ao regime democrático. “Eu queria muito que ele estivesse aqui hoje para partilhar comigo este momento tão importante da minha vida. É uma honra e um orgulho ocupar o mesmo cargo que um dia foi ocupado pelo meu pai”, disse. Beto Richa afirmou que não tem compromisso com o erro e que não vai tolerar desvios de conduta de qualquer servidor público – do mais simples e humilde ao mais graduado. Sustentou que não aceitará resultados abaixo do mínimo estabelecido para cada uma das áreas da administração pública. “Porque, pior do que a convicção do não, pior do que a incerteza do talvez, é a desilusão do quase. O quase me incomoda. Um governo que quase cumpriu as suas metas, por exemplo, não cumpriu meta alguma. Um governo que quase resolveu os problemas, não resolveu problema algum”, enfatizou. Entre seus primeiros desafios, está o de devolver a confiança em dias melhores aos paranaenses de todas as regiões. Garantiu que será o governador de todos e prometeu não decepcionar a população. Disse que será exigente na cobrança dos resultados e que as metas estabelecidas em contratos de gestão, serão perseguidas com extrema obstinação. Por fim, disse: “Não abrimos mão do nosso compromisso com as mudanças.” A posse de Beto Richa como governador e Flávio Arns como vice, assim como a de Dilma Roussef e Michel Temer, na Presidência e vice-Presidência da República, estão nesta edição da revista Documento Reservado. E, entre outros assuntos, ainda traz a saída de Orlando Pessuti e seus desabafos contra Roberto Requião e as manobras na Assembléia Legislativa para a composição da nova mesa diretora da Casa. Pedro Ribeiro

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índice 08

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CONTRA O TEMPO O governador Beto Richa (PSDB) deixou claro que a situaçăo do Paraná năo é nada animadora, desde questőes sociais como de infraestrutura. E avisou que seu governo terá um ritmo que visa tornar o Estado em terra de oportunidades a todos, o quanto antes

ATÉ 2014 Orlando Pessuti, que governou o Paraná durante nove meses, fez uma avaliaçăo positiva de sua administraçăo e criticou o antecessor e agora desafeto Roberto Requiăo. Sem rodeios, anunciou que retorna ŕ cena daqui a quatro anos para o Governo ou ao Senado

PERIGOS DO SOL O tăo desejado bronzeado de verăo, tanto por métodos naturais como artificiais, ao contrário do que muitos imaginam, oferece sérios riscos ŕ saúde, a ponto de ser contraindicado por dermatologistas, mesmo com uso do protetor solar

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BONS NÚMEROS O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa o Governo do Brasil exibindo um balanço extremamente positivo. E o Paraná também ganhou muito nesses oito anos, devido aos aportes históricos de investimentos federais que recebeu em quase todas as áreas

QUESTĂO RELATIVA Tabu em várias culturas, a relaçăo entre o tamanho do pęnis e o prazer da companheira vem sendo sistematicamente desmontada. Para o urologista Sérgio Bassi, ”pęnis mole, curto, năo significa menor masculinidade, nem capacidade de satisfazer uma mulher”

30 13 PELA DIGNIDADE A presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou as prioridades de governo nas áreas econômicas, políticas e sociais, além de “honrar as mulheres”. Prometeu ęnfase nas açőes de combate ŕ pobreza, por năo aceitar que ainda existam brasileiros que passam fome

NO TOPO Clima favorável e uso adequado de tecnologia impulsionam safra agrícola do Paraná, que recupera o status de primeiro produtor nacional de grăos no período encerrado há pouco. Qualidade da soja e milho assegura mercado e garante a recuperaçăo de preço

BIENAL DE ARTE Mais de 50 artistas nacionais e internacionais văo ocupar, de março a dezembro, diversos espaços culturais da capital paranaense, incluindo os alternativos, para mostrar suas produçőes durante a 6Ş Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba

14 RUMO CERTO Na Assembleia Legislativa, resultado de articulaçőes do tucano Valdir Rossoni, virtual presidente da Casa, houve acomodaçőes dos aliados políticos e composiçăo com adversários, o que deve assegurar, ao menos, um início de 2011 politicamente tranquilo

18 NOVO PALÁCIO O Governo do Paraná investiu R$ 23 milhőes na recuperaçăo e reforma do Palácio Iguaçu. As obras foram entregues com festa e pompa no dia 18 de dezembro. Mas, ao que se sabe, o edifício só será ocupado pelo novo Governo a partir de março

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37 VENTOS FAVORÁVEIS Insuflado pelos ventos da expansăo econômica pós-crise financeira internacional, o mercado imobiliário mantém acelerado ritmo de crescimento no País, acima das previsőes. No Paraná, a construçăo civil gerou 147,5 mil empregos, 19% a mais do que em 2009

55 TEMPOS MODERNOS Além dos bônus, a modernidade tem lá seus ônus. Por exemplo, a ceia de Natal está ŕ venda nas gôndolas dos mercados. E năo há mais lugar para promover – e degustar – reencontro familiar com uma saborosa galinha caipira. É o que destaca Nilson Monteiro

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CHOQUE CULTURAL Primeira a se formar em medicina pela Universidade Estadual de Londrina, Adriana de Cássia Guergolet, filha de branco e índia guarani, năo pode realizar o sonho de exercer a profissăo junto aos parentes índios, por ter sido rejeitada pela comunidade

PARCERIA FRUTÍFERA Há oito anos no mercado, resultado de parceria entre jornalistas e leitores, o jornal eletrônico Documento Reservado fecha 2010 com média diária de 22 mil acessos. Nos últimos tręs meses, as visitas tiveram aumento de 36%, com leitores até mesmo no exterior

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sintonia fina

Além do limite Deputado em fim de mandato, Jocelito Canto pegou pesado com a imprensa durante sessăo na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. Denunciou, em voz alta, gastos de R$ 500 milhőes em publicidade no Governo Orlando Pessuti. A princípio, a imprensa se deliciou com a informaçăo, até checar e ver que essa absurda quantia năo passava de R$ 9 milhőes, sendo que 90% da verba foram gastos em publicidade legal. O que leva um parlamentar a ser leviano a ponto de colocar a imprensa numa baita saia justa? Com a palavra, psicólogos e psiquiatras de plantăo na sala de imprensa da casa.

Pratas da casa Maldosos e fuxiqueiros da política paranaense estăo contribuindo, com nomes, para que o ex-governador e senador eleito Roberto Requiăo monte seu gabinete em Brasília. Entre os nomes estăo os de Doático Santos, para chefia de gabinete, Rafael Greca, para área de lazer e esportes, Eduardo Requiăo, para assuntos de navegaçăo, Maurício Requiăo, para educaçăo, Lucia Requiăo, para assistęncia social, Maristela Requiăo, cultura, Benedito Pires, imprensa, Wallace Requiăo, saneamento básico, e Stęnio Jacob para assuntos gerais e principalmente relaçőes com empreiteiros.

De bem com a vida Quem continua sorrindo ŕ toa, aliás, dando gargalhadas, com o fim da era Requiăo no Paraná é o ex-governador e arquiteto, Jaime Lerner. Com sua palestra “O Canto de Curitiba”, em várias cidades do exterior, o urbanista paranaense dá uma liçăo de planejamento urbano ao mundo e ironiza aqueles que o hostilizaram durante o período que ocupou o Palácio Iguaçu. Năo será surpresa se Lerner voltar a ser candidato a prefeito da capital. Com certeza, será um candidato de nome e peso.

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Risco para a sociedade Um horror. O Conselho Regional de Medicina do Paraná sempre brigou pela ética e boa formaçăo médica. Denuncia falsos profissionais que exercem a profissăo de medicina e agora vem manifestando preocupaçăo com os médicos que se formam no exterior, principalmente em Cuba e Chile e que trabalham no Brasil. Dos 600 profissionais diplomados lá fora que participaram de testes para revalidaçăo do diploma no País, apenas um ficou para a parte final dos testes. Quer dizer que é muito fácil se formar médico em países da América Latina.


Pedro Ribeiro

Endereço certo

Negociando a alma Deputado federal eleito, Joăo Arruda (PMDB) desancou a madeira nos parlamentares paranaenses do partido que “tucanaram” em favor de cargos e benesses na Assembléia Legislativa do Estado. Irado, o jovem deputado critica principalmente o ex-presidente do PMDB, deputado Luiz Cláudio Romanelli, ex-lider do Governo Requiăo e agora futuro secretário de Estado do Trabalho no governo Beto Richa. “Sinto vergonha pelo eleitor”, fulmina Arruda.

Próximo do fim Quem deu com os burros n’água foi o presidente da Federaçăo das Indústrias do Estado do Paraná, o industrial Rodrigo da Rocha Loures, ao tentar uma queda de braço para presidir, também, o Sebrae paranaense. Perdeu – e feio – para o empresário de Maringá, Jefferson Nogarolli. Rodrigăo que coloque as barbas de molho, porque a eleiçăo para a presidęncia da Fiep năo será mamăo com açúcar. Tem muita gente de olho no cargo. Um dos que cobiçam é Ricardo Barros.

Podem apostar. Em nome da “transparęncia”, o futuro presidente da Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), cutucará o vespeiro dos desvios de dinheiro público. Há quem sustente que o tucano abrirá as portas, janelas e cofres da casa para varredura por parte do Ministério Público para restabelecer a credibilidade do Legislativo. Há também quem afirme, que estará cutucando onças com vara curta e sobrarăo arranhőes até pelas bandas de Bituruna.

Festerę do capeta Amigo na trincheira. Tem gente da terra distribuindo farta documentaçăo do Tribunal de Contas da Uniăo mostrando falcatruas da ONG paranaense IABRAS que deitou e rolou com verbas públicas, fazendo festas e eventos turísticos. No Ministério do Turismo, o rombo foi de mais de R$ 2,2 milhőes, entre 2008 e 2010. O TCU quer o dinheiro de volta e tem empresário da área de eventos de Curitiba pulando miudinho, pois a denúncia já está no Ministério Público Federal. Esta revista alertou sobre isso em reportagem publicada em maio.

Oposiçăo, mas nem tanto O governador Beto Richa nadará de braçadas na Assembléia Legislativa. Dos 54 deputados eleitos e reeleitos, apenas um pequeno exército de brancaleones fará oposiçăo. Săo sete parlamentares petistas que farăo oposiçăo. Mas, entre eles, alguns dizem que a “oposiçăo será qualificada”, ou estarăo com o Governo nos projetos e açőes que dizem respeito ao Estado. Portanto, oposiçăo pífia. Com a palavra final, o deputado Ęnio Verri, presidente do PT estadual.

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política

O governador Beto Richa, o seu vice, Flávio Arns, tomaram posse no dia 1º. Em discursos para mais de 1.5OO pessoas, o tucano fez um diagnóstico inquietante sobre a realidade financeira e econômica do Paraná e traçou estratégia de ação com medidas enérgicas para reverter o quadro, que classificou de preocupante

Fotos: Orlando Kissner

Paraná doente, precisa de

Vice-governador e governador Beto Richa tomaram posse em cerimônias concorridas na Assembleia Legislativa e no Palácio Iguaçu

A

o assumir o Governo do Estado do Paraná, neste 1º de janeiro, o governador Beto Richa (PSDB), não economizou palavras para fazer referências inquietantes sobre as precárias condições na administração pública deixada pelos recentes antecessores. Na Assembléia Legislativa do Estado, condenou a falta de apoio dos governos que resultou em carências revoltantes, a começar pela vergonha de existir ainda 296 municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média brasileira. “Isso corresponde a um terço da nossa população vivendo praticamente em condição de pobreza extrema, e sem acesso a direitos básicos, como: saúde, educação e trabalho”, exemplificou.

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Nos dois momentos dos discursos – No Legislativo e no Palácio Iguaçu - Richa pregou que o Paraná tem pressa em retomar o seu desenvolvimento num ritmo compatível com a sua força econômica, com respeito ao meio ambiente e com responsabilidade social. “Pressa em colocar o homem como fator central de sua vocação: ser uma terra de oportunidades para todos. Pressa em substituir a política do ‘falar muito’ pelo trabalho, feito com amor, diálogo, harmonia e equilíbrio”, disse. “A máquina pública não pode continuar sendo um teste de paciência para o cidadão que mais precisa do apoio do Estado. O Paraná não pode esperar. O Paraná tem pressa”, acrescentou.

Sem truculência Richa prometeu respeitar cada paranaense, assumindo o compromisso de governar de forma transparente e democrática e, principalmente, “sem truculência”. Também anunciou um Plano de Ação para os primeiros 180 dias de Governo, quando irá priorizar medidas emergenciais, além de determinar um corte de 15% nos gastos de custeio da máquina pública. “Começamos agora a executar o plano de governo em todas as suas frentes, priorizando as ações emergenciais”, disse. “O Plano de Ação é um compromisso com a responsabilidade, o aperfeiçoamento e as mudanças no atendimento às demandas sociais”, afirmou, para em seguida, sustentar em


Norma Corrêa e Pedro Ribeiro

cuidados urgentes tom forte, que não vai aceitar resultados abaixo do mínimo exigido. E se referiu à campanha eleitoral como oportunidade para conhecer de perto as dificuldades que assolam os paranaenses, especialmente os carentes. De acordo com o governador, em todas as regiões do Estado encontrou famílias desesperadas com a falta de cuidados básicos e atendimento mais ágil na saúde; paranaenses assustados com os níveis de violência, pedindo segurança mais eficaz para proteger a sociedade contra o tráfico de drogas e a criminalidade. “Pude conferir de perto os mais variados diagnósticos sobre os problemas que ainda temos na infraestrutura, no saneamento básico, no desequilíbrio regional, na falta de oportunidades para os jovens. Pude registrar na retina as mais impressionantes cenas de superação que paranaenses de todos os cantos são capazes na luta diária pela sobrevivência”, disse, ao lembrar que, porém, felizmente o Paraná não tem escassez de água ou de alimentos, como em outras partes do mundo.

Poderes constituídos. “Rejeito o comportamento fundamentalista que inibe os investimentos, afugenta as empresas e amedronta a todos”, afirmou. “É reprovável o legado que coloca o Estado na obrigação de promover um duro ajuste emergencial, que certamente vai exigir sacrifícios ainda não totalmente dimensionados pela nossa equipe de transição. Enfim, os quase 30 anos de prática democrática já deveriam ter servido para desestimular completamente as aventuras daqueles que se acham donos da coisa pública e usuários dos recursos de todos. Queremos virar essa página da história”, analisou. O governador disse que pretende governar em cooperação com a Assembléia Legislativa, e aposta no apoio, na crítica e na opinião de todos os deputados. Richa garantiu que sua gestão não vai prescindir da “dedicação e da competência dos

servidores públicos estaduais, que ao longo dos anos demonstraram ter um amor maior pelo nosso Estado”. Assegurou também que está pronto para enfrentar os gargalos da infraestrutura que, segundo ele, impõem dificuldades adicionais aos produtores rurais e empresários da indústria. “Como eu disse na campanha eleitoral, estamos prontos para tratar de forma responsável questões inadiáveis, como o pedágio e suas tarifas incompatíveis com a economia paranaense. Ao mesmo tempo, vamos buscar o cumprimento dos contratos, especialmente no que diz respeito aos compromissos de novas obras e a duplicação de rodovias, para melhorar a segurança dos usuários e dar maior agilidade ao transporte de mercadorias. Vamos melhorar as políticas sociais já existentes, ampliando o atendimento onde isso for necessário”, ponderou.

Diálogo com o cidadão “Os baixos níveis de capacidade de investimento do Estado foram ainda mais deprimidos pelas dificuldades e pela realização de gastos que a prudência não recomendaria. Definitivamente, esse não é o tipo de herança que gostaríamos de ter recebido. De minha parte, não hesitarei em meu compromisso de recolocar o Estado no rumo correto do desenvolvimento”, lamentou. E garantiu que o seu governo será baseado no diálogo com cidadãos, entidades e empresas, em parceria com os municípios e em sintonia com os demais

Na solenidade de transmissão de cargo, Orlando Pessuti deseja sucesso e felicidade ao novo governador

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política

Depois da cerimônia de posse na Assembleia Legislativa, o governador Beto Richa, acompanhado da esposa, Fernanda, passa em revista as tropas da Polícia Militar

Um dia de glória Participaram da solenidade, autoridades estaduais, federais, diplomáticas e eclesiásticas, amigos e familiares de Beto Richa e do vice Flávio Arns, além de lideranças comunitárias e populares. Depois da posse, na Assembleia Legislativa, o governador Beto Richa passou em revista as tropas da Polícia Militar. Ao entregar o cargo, o ex-governador Pessuti desejou a Richa sucesso na nova empreitada como governador do Paraná. “Hoje é um dia de glória, não só para Beto Richa, mas também para Orlando Pessuti que foi governador deste Estado por apenas nove meses. Mas me orgulho de ter sido a maior autoridade do Paraná”, disse. O arcebispo metropolitano Dom Moacyr Vitti e o pastor da Igreja Assembleia de Deus, Ival Teodoro da Silva, concederam bênçãos desejando sucesso ao novo governador e sua equipe de secretários, que assinaram o termo de posse. Richa agradeceu a confiança dos paranaenses que aprovaram nas urnas seu programa de governo, dizendo que o Paraná tem pressa, e que a máquina pública não pode continuar sendo um teste de paciência para

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o cidadão que mais precisa do Estado. “O Paraná não pode esperar. A sua história exige de nós o máximo empenho, dedicação e responsabilidade”, disse, ao homenagear diversos ex-governadores e lideranças políticas do Estado, a partir de Zacarias de Góes e Vasconcelos, passando por Manoel Ribas, Bento Munhoz da Rocha, Ney Braga, que, de acordo com o tucano, contribuíram para a construção do Paraná, “até que o regime militar suprimisse o direito dos paranaenses de eleger seus próprios governantes. A roda da história premiou como primeiro governador eleito pós-ditadura o meu pai, José Richa, a quem coube fazer a transição de volta ao regime democrático”, recorda, referindo-se à eleição de José Richa, em 1982. “É uma honra e um orgulho ocupar o mesmo cargo que um dia foi ocupado pelo meu pai. O seu exemplo, a sua inspiração, os seus ensinamentos estão comigo, no meu coração, mais vivos do que qualquer palavra pode expressar”, disse o governador.

Prioridade para a educação Assegurando que não teme desafios, ao

contrário, diz estar preparado para enfrentálos, Richa disse que empunha a bandeira da esperança, da fé e da confiança. “Buscamos o conhecimento, a convergência de ideias e não vamos nos distanciar um milímetro sequer da verdade”, afirmou, ao afirmar que o momento é o início de um novo tempo “para as pessoas de bem, para todos aqueles que querem dar a sua contribuição para a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária. Hoje começamos a construir um novo Paraná. Um Paraná que todos nós queremos, com melhorias fundamentais na educação, na saúde, na infraestrutura, na segurança pública, na proteção ao meio ambiente e na qualidade de vida de todos os cidadãos”. A prioridade, segundo ele, será a educação. “E, isso, eu já pude demonstrar durante a campanha eleitoral, assumindo compromissos com os professores e indicando o nosso vice-governador e professor Flávio Arns para ocupar a Secretaria da Educação. Só a educação liberta as pessoas e faz com que elas possam romper com a pobreza e a falta de oportunidades. Se a educação vai bem, todas as outras áreas podem avançar na mesma proporção. É preciso investir na educação integral nas áreas mais carentes do nosso Estado. É preciso valorizar o professor e todos os profissionais da educação. É preciso melhorar a infraestrutura e as condições de trabalho. É preciso, enfim, encontrar soluções para questões que se arrastam ao longo do tempo, como a do financiamento do transporte escolar e a da falta de salas de aula para atender adequadamente a todos os estudantes”, afirmou. Ao lembrar dos vários compromissos com os paranaenses no seu plano de governo, e que foram registrados em cartório, o governador disse que agora, quer trabalhar com determinação para que cada um desses compromissos seja cumprido pela sua equipe. “O Paraná exige o corte de desper-


dícios para ter serviços públicos de melhor qualidade. Precisamos com urgência recuperar a credibilidade e o respeito que o nosso Estado já mereceu no Brasil e no exterior. As primeiras medidas nesse sentido já estão delineadas e serão implantadas antes mesmo dos contratos de gestão, outra ferramenta moderna de administração que lançamos mão para buscar a profissionalização da máquina pública, em benefício de todos os paranaenses”, avaliou, dizendo que o cumprimento de cada um dos objetivos será acompanhado permanentemente, para que todos também possam saber sobre o desempenho do governo.

Combate ao atraso “Vamos liderar um grande esforço para resgatar o Paraná do atraso e promover o desenvolvimento regional equilibrado, com educação integral nas regiões que mais precisam, com avanços notáveis nos serviços de saúde e de segurança pública. Nesse esforço para o qual esperamos contar com a solidariedade e a participação de todos os paranaenses, queremos fortalecer a nossa agricultura, base maior do desenvolvimento econômico do nosso Estado. O apoio à agricultura familiar, a melhoria contínua das condições de escoamento das safras, o respeito ao direito de propriedade e a recuperação do Porto de Paranaguá são linhas de ação que vão nortear permanentemente nosso governo”, destacou Richa, citando outras áreas que merecem atenção, como o fortalecimento da atuação da Copel e da Sanepar, “para que elas voltem a ser empresas públicas de destaque no cenário nacional”. Após fazer o diagnóstico sobre as condições financeiras e econômicas do Estado, com base nas suas andanças pelo Paraná, Richa disse que a decisão já está tomada, e que vai investir imediatamente na recuperação dos portos de Paranaguá e Antonina, “porque os

produtores paranaenses não podem mais pagar o preço do descaso administrativo que tantos males tem causado”. No médio e longo prazo, para ele, o planejamento estratégico é a melhor garantia de boa competitividade para a economia paranaense. “Não haverá avanços na infraestrutura se antes o governo não tiver tomado a decisão política de promover as obras necessárias”, ponderou.

Realidade preocupante O governador disse que pretende reverter a realidade “preocupante” que encontrou em todas as regiões do Estado. “Percorri todas as regiões do Paraná e vi uma realidade preocupante. Eu vi um Paraná potencialmente rico, e vi a nossa gente pobre de oportunidades. Eu vi os paranaenses querendo sempre mais, e vi um governo ousando muito pouco. Eu vi um Estado sonhando com um futuro melhor, e vi governantes insensíveis. Eu vi os professores ensinando em escolas precárias, e vi a esperança no olhar das nossas crianças e dos nossos jovens. Eu vi o desespero nas filas das unidades de saúde, e vi a oportunidade de salvar muitas vidas. Eu vi

o medo estampado no rosto de homens e mulheres de bem, e vi a polícia sem pessoal e equipamentos para enfrentar a violência. Eu vi a nossa agricultura forte e diversificada, e vi a falta de boas estradas e de um porto que funcione bem. Eu vi uma indústria moderna, e vi uma máquina pública ineficiente em muitos aspectos. Eu vi um Paraná desenvolvido, que eu admiro e respeito, e vi um Paraná que ainda precisa evoluir muito. Mas, acima de tudo, o que eu vi foi gente trabalhadora e honesta lutando por uma vida mais digna. Por isso, afirmo com ênfase e a segurança de quem conhece profundamente todas as regiões, que o nosso querido Paraná precisa de cuidados urgentes”, disse, ao observar que, como governador será guiado por princípios, como: ética, seriedade, transparência, respeito, amor, compromisso, orgulho, equilíbrio e visão de futuro, que passam a ser as diretrizes “inegociáveis” da administração do Estado daqui para a frente. “Começamos hoje a escrever mais um capítulo na história do Paraná. Para isso, precisamos acreditar que somos capazes de fazer as mudanças que todos esperam”, anunciou.

Em discurso, Beto Richa traça um perfil preocupante do Estado, mas se compromete em reverter a situação com apoio dos demais Poderes constituídos

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política

Secretários do novo Governo do Paraná Na primeira reuniăo oficial com o seu secretariado, no dia 3 de janeiro, o governador Beto Richa (PSDB) pediu contençăo de despesas e muito trabalho. “Vamos ao trabalho. O Paraná tem pressa”, enfatizou. A equipe de Governo ficou assim constituída:

Cassio Taniguchi — PLANEJAMENTO

Cezar Silvestri — SEDU

Cid Vasques — CORREGEDORIA E OUVIDORIA GERAL

Deonilson Roldo — CHEFIA DE GABINETE

Durval Amaral — CASA CIVIL

Edson Casagrande — ASSUNTOS ESTRATÉGICOS

Evandro Rogério Roman — SECRETARIA ESPECIAL DE ESPORTES

Luiz Carlos Hauly — FAZENDA

Luiz Eduardo Sebastiani — ADMINISTRAÇĂO

Luiz Claudio Romanelli — TRABALHO

Faisal Saleh — TURISMO

Fernanda Richa — FAMÍLIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Flávio Arns — EDUCAÇĂO

Ivan Bonilha — PGE

Marcelo Cattani — COMUNICAÇĂO SOCIAL

Paulino Viapiana — CULTURA

Reinaldo de Almeida Cesar — SEGURANÇA PÚBLICA

Ricardo Barros — INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Michele Caputo Neto — SAÚDE

Norberto Anacleto Ortigara — AGRICULTURA E ABASTECIMENTO

Jonel Nazareno Iurk — MEIO AMBIENTE

José Richa Filho — INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA

Maria Tereza Uille Gomes — JUSTIÇA

Mario Celso Cunha ASSUNTOS DA COPA DO MUNDO 2014

Mauro Munhoz CONTROLE INTERNO

Wilson Quinteiro — RELAÇŐES COM A COMUNIDADE

Fernando Ghignone — SANEPAR

Lindolfo Zimmer — COPEL

Mounir Chaowiche — COHAPAR

Marcos Traad — DETRAN

Marcus Vinicius da Costa Michelotto — POLÍCIA CIVIL

Jacson Carvalho Leite — CELEPAR

Maurício Querino Theodoro — FERROESTE

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Jayme de Azevedo Lima — PARANÁ PREVIDĘNCIA

Luciano Pizzatto — COMPAGÁS

Florindo Dalberto — IAPAR

Omar Sabbag — LACTEC

Rubens Ernesto Niederheitmann — EMATER

Juraci Barbosa Sobrinho - AGĘNCIA DE FOMENTO

Luiz Dâmaso Gusi — CEASA

Rui Hara — COMEC

Luiz Tarcisio Mossato Pinto — IAP

Márcio Nunes — INSTITUTO DAS ÁGUAS

Marcos Teodoro Scheremeta — POLÍCIA MILITAR

Silvestre Staniszewski — CODAPAR

Airton Maron — APPA

Adilson Castilho Casitas — CASA MILITAR


política

Da Redação

Combate sem trégua à miséria Dilma: “sempre é preciso buscar mais”

Primeira mulher a assumir a Presidência da República, Dilma Rousseff defende continuidade da política de erradicação da pobreza e modernização do sistema tributário

A

erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. Estas foram duas questões que pontuaram o discurso da presidente Dilma Rousseff (PT) durante a cerimônia de posse no Congresso Nacional. Garantiu que não descansará enquanto houver brasileiros sem alimentos à mesa. Afirmou também que terá como “compromisso supremo” durante o mandato “honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”. Ela destacou a condição feminina, dizendo que, pela primeira vez, a faixa presidencial cinge o ombro de uma mulher. Dilma fez um longo agradecimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem suce-

deu, e prestou uma homenagem ao vice-presidente, José Alencar, que, internado em um hospital de São Paulo, não compareceu à posse. Em referência a Lula, disse que foi o presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar no futuro. Sobre Alencar, afirmou que é um “exemplo de coragem e amor à vida”. Ao fazer uma referência sobre o momento econômico pelo qual passa o País, Dilma afirmou que “vivemos um dos melhores períodos da vida nacional”, destacando o fim de um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI). “Reduzimos a nossa dívida social, resgatando milhares de

brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros a alcançar a classe média, mas sempre é preciso buscar mais. Só assim poderemos provar aos que lutam para sair da miséria, que, com a ajuda do governo, eles podem deixar a miséria”, disse. Também destacou a necessidade de reformas “para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e fortalecer as instituições”. Segundo ela, “para dar longevidade” ao crescimento, será necessário manter a estabilidade de preços. E ainda para a presidente, é “inadiável” um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário.

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política

A era

tucana No Governo do Estado, Beto Richa assumiu a direção; na Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni deve tomar conta do leme. E em nome da governabilidade, os tucanos não terão muitas dificuldades em conquistar apoios

A

pesar de não ser animadora a situação econômico-financeira que será herdada pelo governador Beto Richa (PSDB), as expectativas em torno de seu Governo são muitas. Mas, para colocar em prática o seu Plano de Governo, o tucano precisa, primeiro, estruturar o conjunto de condições necessárias ao exercício do poder, como a forma de governar, as relações entre os poderes e o equilíbrio entre as forças políticas de oposição e situação. Assim, para transformar o ato governamental futuro em ação pública, tão logo terminou a eleição, tucanos de todas as plumagens saíram em busca de meios para conquistar a “governabilidade”, articulando e costurando apoios. Em consequência disso, na Assembleia Legislativa, um dos principais Poderes que auxiliam a governabilidade, por enquanto, Richa não terá dificuldades para aprovar matérias de interesse de sua administração e movimentar a sua estratégia administrativa. Lá, a bancada governista só não é unanimidade porque ainda

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Norma Corrêa

encontra resistência no PT que, historicamente, é oposição do PSDB. Mas, mesmo assim, os petistas não prometem fazer muito barulho, para não incomodar o novo Governo. Devem optar, como diz o presidente do PT paranaense, deputado Ênio Verri, por uma “oposição qualificada”, ao avaliar que urnas deram um recado que deve ser entendido como “vamos eleger o Beto Richa, mas vamos eleger também muitos deputados do PT, para fazer oposição qualificada. Nós queremos um Estado mínimo, voltado para as minorias. Vamos, portanto, nos manter fieis à nossa história”. Verri acredita que a bancada de oposição, que se formará a partir de fevereiro na Assembleia Legislativa, poderá ter entre 10 e 15 deputados entre os 54 que foram eleitos e reeleitos em outubro. Ele conta

Valdir Rossoni, candidato único à presidência da AL, diz que não foi fácil montar a chapa para as eleições de fevereiro

os sete deputados petistas, um do PSC, um do PV e 5 ou 6 do PMDB. Por sua vez, o deputado Ademar Traiano (PSDB), escolhido por Richa para ser o líder do Governo na AL, aposta num número menor de oposicionistas, ao conjeturar que a base de apoio do novo governador poderá ser formada por 42 deputados. No entanto, adianta que está preparado para enfrentar “uma boa oposição do PT”. De acordo com o deputado, os petistas sempre atuaram em conjunto e devem continuar assim, jogando fechados. “Sabemos que esse apoio maciço, já no começo de mandato, pode ser reduzido com o tempo. Mas não será nada que preocupe, porque, no começo, é tudo alegria. Depois, é natural os conflitos e desgastes entre os parlamentares, e eu estou aqui exatamente para administrar isso”, explica. De acordo com o líder governista, dos possíveis 42 apoiadores, 26 são parlamentares que já apoiaram Richa na campanha para o Governo do Estado neste ano, sendo oito do PMDB e os demais de outros partidos. “Espero fazer um mandato, como líder de Beto Richa, com muita tranqüilidade. Até porque o governador tem como uma das principais características a conciliação. Hoje, a maioria dos deputados quer se somar ao novo Governo. Porém, isso não significa que

teremos questões pontuais que pode não satisfazer. Mas, então, nós teremos que ter a grandeza de compreender que a função da oposição é ser contra e que isso não é ruim, porque nos mostra o caminho”, avalia Traiano, ao informar que pretende usar a força da bancada governista, que certamente será esmagadora, com inteligência, para fazer com que os interesses do Governo prevaleçam. Já o deputado Valdir Rossoni (PSDB) também é otimista quanto à base de apoio de Richa no Legislativo paranaense. Ele diz que sabe que nem todos vão aderir à bancada governista, mas assegura que a maioria será esmagadora. E para conquistar essa “maioria esmagadora”, Rossoni conta que a atração do PMDB, que tem a maior bancada na AL, com 13 deputados, é a chave para isso. E a disposição de Richa em chamar um deputado do PMDB para compor a sua equipe de governo, pôs por terra o esforço de uma minoria de peemedebistas que resistiram até onde puderam a essa composição. E a maioria venceu. Oito deputados, dos 13 da bancada do PMDB, estão com Richa. Um deles, Luiz Cláudio Romanelli, que já foi líder do Governo de Roberto Requião, assumiu a Secretaria de Trabalho. Aliás, esta mesma Secretaria foi ocupada pelo deputado Nelson Garcia (PSDB), numa estra-

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política

Escolhido para ser líder do Governo Richa na Casa, Ademar Traiano calcula uma base de apoio composta por 42 parlamentares

tégia de Requião para neutralizar o PSDB, que se colocava como oposição ferrenha ao peemedebista. A tática do então governador deu certo. A nomeação de Garcia para a Secretaria de Trabalho atraiu outros tucanos para a bancada governista: dos 7 deputados do PSDB na AL, só dois – Valdir Rossoni e Ademar Traiano – ficaram na oposição. Os outros cinco continuaram votando com o Governo. Rossoni, que também preside o PSDB do Paraná, acredita que a maioria peemedebista caminhe ao lado de Richa, porque, boa parte dos deputados do PMDB já apoiou a eleição do governador tucano, embora o partido tenha integrado a coligação que sustentou a candidatura do senador e candidato derrotado ao Governo, Osmar Dias (PDT). Segundo o dirigente tucano, foi o caso dos peemedebistas Alexandre Curi, Luiz Cláudio Romanelli e Reinhold Stephanes Júnior. “O convite está sendo feito. Quem serão os deputados que virão para a base do governo depende deles”, diz. Mas as manifestações de adesão ao novo Governo esbarram na resistência de alguns setores do PMDB, que tentam se impor alegando independência. O deputado Waldyr Puglie-

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si, líder e presidente estadual da sigla, assegura que o partido não tomou nenhuma posição de integrar o Governo Beto Richa. E avisa que o que aconteceu até agora, foi uma decisão da bancada dos deputados estaduais para compor a Mesa Diretora da Assembleia, no sentido de liberar deputados que sejam convidados para integrar o novo Governo. “A nossa posição é republicana. O PMDB não vai se entregar. Não se entregou nunca, em meu entendimento, e não vai ser agora”, afirma Pugliesi, em entrevista à Rádio CBN de Curitiba. Em relação ao Governo tucano, Pugliesi informa que uma decisão mais contundente só poderá acontecer depois dos primeiros meses da gestão de Richa. “Aí, sim, você tem condições de falar ‘nós temos que ser oposição por causa disto, disto e disto’”, pondera. Além de Romanelli, que está na equipe de Governo de Richa, os peemedebistas Artagão Júnior e Stephanes Júnior compõem a mesa executiva da Assembleia Legislativa, que tem à frente do deputado Valdir Rossoni, como candidato à presidência, nas eleições que serão realizadas no dia 1º de fevereiro. Pugliesi ressalta que a decisão de indicar os deputados Artagão Júnior (PMDB) e Stephanes Júnior (PMDB) para a mesa diretora ocorreu por votação, assim como a indicação de Romanelli para o secretariado. No entanto, parece que

mesmo assim, o dirigente peemedebista não ficou satisfeito. “Acabamos de perder uma eleição e agora já vamos fazer parte do Governo? Temos que rever o andar dessa carruagem. Eu tenho o DNA de oposição”, diz, prometendo uma reunião da bancada ainda para janeiro, para discutir o assunto.

Waldyr Pugliesi do PMDB diz que houve decisão da bancada para compor a mesa diretora da AL e liberação de deputados para integrar o Governo

Tucanos nos poderes

Enquanto a administração do Governo do Estado foi conquistada pelo PSDB, com Beto Richa, do outro lado da rua, a Assembleia Legislativa está prestes a ser dirigida também por um tucano. E a eleição para a direção do Legislativo paranaense pode repetir o que vem ocorrendo há anos. Embora resista a admitir que não terá concorrentes, o deputado Rossoni está eleito, tanto que é o candidato único à Presidência da Casa. O deputado Plauto Miró “A composição está feita e não tira venceu a a liberdade de lançarem uma chadisputa pela primeirapa de oposição. O PT não compôs secretaria da mesa executiva a mesa por questões partidárias”, da AL, que analisa o tucano, durante a divulera disputada por três gação dos nomes dos deputados parlamentares que compõem a sua chapa: Valdir Rossoni (PSDB), presidente; Artagão Júnior (PMDB),1º vice-presidente; Augustinho Zucchi (PDT),


2º vice-presidente; Douglas Fabrício (PPS), 3º vice-presidente, Plauto Miró (DEM), 1º secretaria, Reni Pereira (PSB), 2º secretaria; Reinhold Stephanes Júnior (PMDB), 3ª secretaria; Ney Leprevost (PP), 4ª secretaria e Fábio Camargo (PTB), 5ª secretaria. É claro que as coisas não foram tão fáceis assim. Não foi apenas escolher um nome e colocá-lo em um cargo da mesa. “Para chegar até aqui foi preciso muita conversa, porque estava difícil fazer uma composição para a chapa, em razão do grande número de partidos e de disputas isoladas por cargos”, desabafa Rossoni. A disputa pela cadeira, ocupada hoje pelo deputado Nelson Justus (DEM), começou dentro da aliança formada por partidos que deram sustentação à eleição de Beto Richa ao Governo do Estado: PSDB, com Valdir Rossoni e o DEM, com o deputado Durval Amaral. Depois, surgiu o comentário de que um suposto acordo poderia coroar o deputado Luiz Cláudio Romanelli, presidente da AL. O acordo seria o seguinte: O deputado Durval Amaral realizaria um antigo sonho de ir para o Tribunal de Contas do Estado; o deputado Alexandre Curi iria para uma Secretaria de Estado; e o deputado Valdir Rossoni diria não ter qualquer intenção de assumir a presidência da Casa, porque teria “muita coisa a fazer sem estar amarrado a cargos”. Mas as coisas foram se ajeitando. Amaral foi chamado para assumir a chefia da Casa

Luiz Cláudio Romanelli, que chegou a pensar na primeira-secretaria da AL, foi para a Secretaria Estadual do Trabalho

Civil; o deputado Luiz Cláudio Romanelli, para a Secretaria de Estado do Trabalho; Stephanes Júnior e Artagão Júnior foram indicados para ocupar cargos na mesa executiva. Com esse arranjo político, a presidência da AL ficou garantida ao tucano Valdir Rossoni. E nesta dança das cadeiras deverão assumir como deputados estaduais Elton Welter (PT), que não conseguiu a reeleição e ficou na primeira suplência da coligação; e Duílio Genari (PP), que também não se reelegeu, mas deve continuar na Casa, porque também é o primeiro suplente da coligação que elegeu Richa ao Governo. No âmbito federal, devem assumir a Câmara Federal, os primeiros suplentes de Luiz Carlos Hauly (PSDB), que assumiu a Secretaria da Fazenda, Luiz Nishimori (PSD), e no lugar de Cezar Silvestri (PPS), que ocupa a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDU), irá Luiz Carlos Setim (DEM). Assim, o PMDB decidiu que ia mesmo ocupar um cargo na nova mesa Artagão Júnior executiva da Assembleia Levenceu, nos gislativa. A decisão foi tomavotos, a indicação do da em reunião da bancada PMDB para a primeira peemedebista na Assembleia vice-presidência Legislativa, que durou mais de duas horas. Na saída, alguns deputados não esconderam o descontentamento com a decisão, enquanto

outros faziam questão de mostrar que estavam satisfeitos com o resultado. Apenas Stephanes Júnior aceitou falar sobre a reunião e a decisão que foi tomada. Segundo ele, o PMDB desistiu da primeira-secretaria, que será ocupada pelo deputado Plauto Miró Guimarães (DEM), mas deve assumir a primeira vice-presidência, com Artagão Júnior. Essa decisão poderia ter sido um ponto de atrito com Augustinho Zucchi (PDT) que, até então, era o único nome certo na mesa executiva, e o cargo destinado a ele era exatamente a primeira vice-presidência. O pedetista, que será o único representante do partido nesta composição da Assembleia Legislativa, mesmo evitando comentar o episódio, parece Stephanes Júnior também sonhou com a primeira secretaria, mas foi indicado e aceitou a terceira secretaria da mesa executiva

não ter se importado muito com a alteração de função – ele vai ocupar a segunda vicepresidência. Dessa forma, embora insista em dizer que até 1º de fevereiro, pode aparecer outra chapa concorrente, o certo é que o tucano Rossoni, como candidato à presidência da AL, conta com apoio, inclusive com documento assinado, de 11 partidos, incluindo o PSDB: DEM, PDT, PTB, PP, PSL, PPS, PMN, do bloco PSB/PSC/PRB.

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política

Palácio

A reinauguração do Palácio Iguaçu aconteceu no dia 18 de dezembro, mas as informações dão conta de que o governador Beto Richa não pretende ocupar imediatamente o prédio. A mudança deve acontecer somente em março

C

onstruído em 1953, durante o Governo de Bento Munhoz da Rocha Neto, para ser o centro nervoso da política paranaense, o Palácio Iguaçu abrigou as mais variadas formas e visões partidárias e administrativas. Em 57 anos de existência, o prédio de 15 mil metros quadrados sofreu com o desgaste natural do tempo. Goteiras, infiltrações, rachaduras em algumas paredes foram os “fortes argumentos” usados pelo então governador Roberto Requião (PMDB) para decretar, em 12 de janeiro deste ano, quando assinou a ordem de serviço para a reforma do imóvel, a recuperação deste que é um marco da arquitetura modernista paranaense. Em quase 60 anos, o Palácio Iguaçu jamais passou por necessária reforma. Pelo menos, não da forma como essa foi projetada, e para a qual foram gastos cerca de R$ 23 milhões. A ideia de Requião era resgatar o projeto original do prédio que, segundo ele, nunca foi acabado na sua totalidade, por falta de verba na época da construção. “Teremos um palácio inteiramente novo”, garantiu, ao acrescentar que as obras poriam um fim ao labirinto de salinhas, com divisórias de madeiras. No prédio histórico, os “puxadinhos” se multiplicaram para adequar o trabalho administrativo do governador da vez e levaram o prédio à humilhante condição de condenado pela ação do tempo e pelo desgaste devido ao mau uso.

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Norma CorrĂŞa

repaginado

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política

Palácio das Araucárias

Os primeiros movimentos nesse sentido foram dados em 2007, quando a sede do Governo do Estado foi transferida para o Palácio das Araucárias, que havia sido inaugurado recentemente especificamente para abrigar a administração paranaense. Enquanto funcionários e o próprio governador ainda tentavam se ajustar à nova casa, técnicos da Secretaria de Obras Públicas, responsável pela execução da reforma, faziam o levantamento das reais condições do edifício e das necessidades de melhorias. O diagnóstico não era muito bom sobre a situação, mas, intervenções precisas nos lugares certos trariam à vida o prédio, que já foi alvo de projetos para tombamento pelo

História cívica Conta a história que o embriăo da ideia de construir o primeiro Centro Cívico do País, ou seja, um bairro que concentrasse os principais prédios administrativos do Estado, surgiu na década de 40, com o urbanista francęs, Alfred Agache. Num sentido literal estrito, significa Centro do Cidadăo, ou um lugar onde se resolvem os assuntos relacionados ao cidadăo. Pelo menos era essa a intençăo do urbanista, quando incluiu essa proposta dentro do novo Plano Urbano para Curitiba. O Plano Agache idealizou o Centro Cívico, como uma praça de características especiais, dos edifícios destinados aos altos órgăos da administraçăo Estadual que, além da funçăo de centro de comando, pudesse denominar-se como a “sala de visita da cidade”, apresentando um “conjunto de arquitetura especial em harmonia com o tratamento paisagístico da ampla praça central”. Em 1951, o engenheiro civil Bento Munhoz da Rocha Neto assumiu o Governo do Estado e resolveu concretizar a idéia do Plano Agache, de destinar um local especial aos altos

órgăos da administraçăo estadual. O historiador Jair Elias dos Santos Júnior, de Campo Mourăo, conta em detalhes a saga da construçăo do Palácio Iguaçu, no seu livro “Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto”. De acordo com o escritor, o governador prosseguiu com o seu sonho e concentrou sua energia na construçăo do Centro Cívico, mas năo sem antes enfrentar pesadas críticas dos cafeicultores, que pregavam que o dinheiro gasto na edificaçăo do Centro Cívico deveria ser investido nas necessidades do Norte do Estado. Mas Jair Júnior conta que, mesmo assim, pensando na unificaçăo do Paraná e na consolidaçăo de Curitiba como Capital, Bento Munhoz da Rocha Neto criou, nos primeiros meses do seu mandato (1951-1955), o Centro Cívico, o primeiro do Brasil. O empreendimento, segundo mensagem encaminhada a Assembléia Legislativa, em 1952, dizia “que só encontra paralelo no (Centro Cívico) de Washington, nos Estados Unidos da América – é composto por uma série de obras capazes de dizer por si só da existęncia de um governo, de um centro que adminis-

tra as demais regiőes: Palácio do Governo, Residęncia do Governador, Palácio da Justiça, Tribunal de Júri, Tribunal Eleitoral, Edifício das Secretarias, Secretaria, Plenário e Comissőes da Assembléia”. Ainda no primeiro semestre de 1951, o governador enviou mensagem ŕ Assembléia Legislativa, estabelecendo uma dotaçăo de 100 milhőes de cruzeiros para as obras do Centro Cívico, quantia seria reajustada meses depois. O Campo do Paraná, também conhecido como Vila Lustosa, foi o local escolhido para a construçăo do Centro Cívico e, a partir daí, o governador reuniu familiares e amigos para comunicar que, a partir daquele encontro seus familiares, amigos e pessoas que conheciam o projeto do Centro Cívico estavam proibidos de adquirir ou se envolverem em transaçőes “envolvendo terras nas áreas escolhidas”. Anteriormente a esta reuniăo, ele deu a mesma ordem aos seus assessores que conheciam o projeto. O assunto foi mantido, por ordem de Bento, como “segredo de Estado”.

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A inauguracao do Palácio Iguaçu

Palácio Iguaçu em construção


Patrimônio Histórico do Paraná. Daí a intenção de resgatar o projeto original da construção, que levou a assinatura do arquiteto David Xavier de Azambuja. Porém, somente três anos depois é que as obras começaram, com expectativa de conclusão em 90 dias. A intenção era que a entrega fosse feita até o dia 30 de outubro. Mas, as obras só ficaram prontas no início de dezembro, dois meses, portanto, depois do prazo previsto. As obras, no entanto, não ficaram restritas apenas às correções dos problemas encontrados, mas também procuraram transformar o Palácio Iguaçu em um edifício inteligente, com as novas normas construtivas e as tecnologias

disponíveis de controle e automação, lógica, internet sem fio, segurança, proteção contra incêndios, ar condicionado e elevadores, entre outras intervenções indispensáveis nos dias de hoje. O terceiro e quarto pavimentos foram os mais afetados pela reforma. A maior intervenção, conforme os técnicos da Secretaria de Obras, foi o deslocamento dos sanitários coletivos para a extremidade do edifício, criando uma circulação mais adequada na face norte protegida por brises e liberando a área da face sul para as estações de trabalho, panorâmicas, aproveitando a iluminação natural. A inauguração aconteceu no dia 18 de dezembro, abrindo as comemorações dos 157 anos

da Emancipação Política do Paraná, celebrado no dia 19. O governador Orlando Pessuti (PMDB) preparou uma grande festa para a reinauguração de um dos prédios mais importantes do Centro Cívico. Mas a ocupação do novo espaço administrativo só deverá acontecer em março, conforme informam assessores do governador Beto Richa (PSDB), que deverá decidir também, quais serão as secretarias ou órgãos do Governo que deverão ser transferidos para o Palácio das Araucárias.

A inauguraçăo do Palácio Iguaçu coincidiu com as comemoraçőes do 101ş aniversário de emancipaçăo política do Paraná. A solenidade de inauguraçăo começou na noite do dia 18 de dezembro de 1954, com banquete e baile de gala, com início ŕs 23 horas. Ŕ zero hora do dia 19, aconteceu a inauguraçăo solene da edificaçăo. O presidente Joăo Café Filho, trajado com a faixa presidencial, juntamente com o governador Bento Munhoz da Rocha Netto, com a faixa de governador, posaram ao lado da placa inaugural, marcando assim a inauguraçăo do prédio. No dia seguinte, uma multidăo, calculada em cerca de cinco mil pessoas, visitou o novo palácio para conhecer “uma das mais belas sedes governamentais do País”. O escritor Jair Júnior descreve, no seu livro, os detalhes da festa de inauguraçăo: “Durante o jantar, os convidados tiveram como entrada um coquetel, com salgadinhos fixados em abóboras envoltas em papel alumínio. No jantar foi servido

“camarăo ao catupiri”, uma receita vinda de Săo Paulo. Um dia antes, a primeira-dama, Flora Camargo Munhoz da Rocha, pediu a Paulo Mischur (o grande gourmet de Curitiba) que experimentasse o prato, batizado entăo de “Marta Rocha”. De sobremesa, doces típicos servidos por belas mocinhas da cidade vestidas com trajes das etnias paranaenses”. Algumas gafes também marcaram os festejos: com tręs mil convites, os impressos recebiam subscritos os tradicionais “Sr. Fulano e Exma. Senhora”. Na pressa, o próprio arcebispo metropolitano mostrou ŕ primeira-dama, o convite que arrancou risos daqueles que o viram: “Sr. Arcebispo Metropolitano e Senhora”. No livro, dona Flora conta ao escritor, o trabalho que teve para mobiliar o imóvel, desde o dia em que seu marido, Bento Munhoz da Rocha mostrou a planta do Palácio Iguaçu. “Năo foi brincadeira o que batalhei. Corri junto com o decorador Julio Senna atrás de móveis, lustres, tapetes, tecidos

para estofamento e cortinas”, recordou, citando como exemplo, uma cadeira comprada no Rio de Janeiro e que serviu de modelo para as usadas no salăo de banquetes. “Pelo preço da aquisiçăo da cadeira-modelo, em Curitiba fabricavam seis iguais. Escolhi louças, talheres, cristais, toalhas. As fotos dos governadores, desde Zacarias, foram reproduzidas em telas a óleo, pelo retratista húngaro Antônio Medgassy”, contou. Apenas o Palácio Iguaçu e o Tribunal do Júri foram terminados a tempo das comemoraçőes do centenário da emancipaçăo do Paraná, em dezembro de 1953. Ao longo dos anos, o Centro Cívico foi ampliado com a construçăo da Assembléia Legislativa, o Palácio da Justiça, do Tribunal de Contas do Estado, do Fórum e da Prefeitura de Curitiba. O Centro Cívico inclui ainda o Edifício Humberto de Alencar Castelo Branco (hoje abriga o Museu Oscar Niemeyer) e os edifícios Caetano Munhoz e Affonso Alves. A esplanada prevista no projeto de David Xavier Azambuja é atualmente a Praça Nossa Senhora da Salete, com área de 52 mil metros quadrados. Na década de 1970, a praça teve seu projeto refeito a partir da concepçăo original pelo paisagista Roberto Burle Marx, que trabalhou com o arquiteto Oscar Niemeyer no projeto de Brasília.

Palácio das Araucárias O moderno e funcional Palácio das Arau-

21 Início da construção do Palácio Iguaçu

Inauguração do Palácio Iguaçu em 1954

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política

cárias, quem diria, já foi uma estrutura abandonada por mais de 20 anos e o seu esqueleto emprestou a imagem de desleixo e desperdício do dinheiro público ao Centro Cívico. O projeto original foi elaborado para abrigar o Fórum de Curitiba. Porém, depois de a parte estrutural ter sido concluída, a obra foi abandonada e assim ficou por mais de duas décadas. Em 2003, Requião determinou a realização de estudos para aproveitamento daquela estrutura abandonada. Em 2004, as obras de reforma começaram, com os quatro pavimentos superiores sendo desmontados porque estavam comprometidos. Em 2005, começou uma nova etapa da reforma do prédio, com reforço da estrutura, com a colocação de pilares e vigas. O projeto arquitetônico do prédio redefiniu o aproveitamento dos espaços e incluiu o uso de materiais modernos como placas de alumínio, vidro e granito. Para a transformação do elefante branco na estrutura de hoje, o Estado investiu R$ 29,5 milhões na reforma do edifício, que abriga o comando do Poder Executivo durante a reforma do Palácio Iguaçu.

Os números da obra Metragem Total: 16 mil m2 54 banheiros Mármore recuperado: 4.000 m2 Piso elevado: 4.000 m2 de mármore branco Paraná / 3.000 m2 de revestimento melamínico Revestimento das paredes em mármore: 3.500 m2 Forro de Gesso: 13.500 m2 Tinta: 10 mil litros Cabos de energia: 60 mil metros Cabos de lógica: 3.000 metros Luminárias: 2000 Área de Vidro: 8.000 m2 Capacidade de entrada de energia: 1.000 KVA Gerador: 500 KVA Fonte: Governo do Estado

Palácio das Araucárias

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política

De olho em Pessuti disse que voltará a disputar o Governo do Estado em 2014 e ainda aguarda ser chamado para integrar o Governo Dilma Rousseff

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omo prometeu, o então governador Orlando Pessuti (PMDB) “governou” até os últimos segundos do mandato, que se iniciou no dia 1º de abril, em substituição a Roberto Requião (PMDB), que deixou o cargo para concorrer ao Senado. Em uma longa entrevista à imprensa no dia 30 de dezembro, entre as citações de obras, Pessuti fez questão de tornar publico o desapontamento com o ex-companheiro político que decidiu trilhar o mesmo caminho político há 27 anos, mas que deixou de ser “amigo” para ser “inimigo” em poucos meses. Ocorre que até renunciou ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o sonho de muitos políticos, e para o qual ele já havia sido aprovado na Assembleia Legislativa, optando por continuar como vice-governador. No entanto, ao assumir o comando do Estado, promoveu mudanças no secretariado, o que provocou a ira de Requião, que partiu para as agressões. Talvez Requião temesse que Pessuti fizesse um governo melhor. “Não me fez falta o apoio do ex-governador”, assegurou, ao acrescentar que “se ele tivesse feito o que fizemos em ape-

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2O14

nas nove meses, certamente o Paraná estaria ainda melhor do que está hoje”. Segundo ele, Requião fez muitas promessas que não poderiam ser cumpridas, porque não havia dinheiro para cumpri-las. “O ex-governador autorizou a construção de 64 escolas e anunciou, inclusive em outdoor, as 300 Clínicas da Mulher e da Criança, mas não havia dinheiro para essas obras”, recordou. E garantiu que em sua gestão o problema financeiro foi equacionado, permitindo a construção de 30 escolas e 136 clínicas, cumprindo as promessas feitas por Requião. “Estamos deixando o Paraná em melhor situação do que quando o recebemos em abril deste ano, apesar dos problemas que encontramos pela frente, como o período eleitoral que restringe a ação dos governantes e a falta de apoio do ex-governador. Mesmo assim, conseguimos honrar os compromissos, que não foram assumidos por mim”, afirmou.

Futuro político Pessuti disse que, embora tenha sido convencido a desistir de disputar o Governo do Paraná neste ano, não desistiu de concorrer

ao cargo. Por isso, anunciou que retorna em 2014 como candidato ao Palácio Iguaçu ou ao Senado. No momento, aguarda a indicação para ocupar um cargo na equipe da presidente Dilma Rousseff (PT). Essa teria sido uma das condições para que ele abrisse mão de ser candidato ao Governo e desse apoio à candidatura de Osmar Dias (PDT). Além do mais, ele acha que o Paraná perdeu espaço na atual composição do Governo Federal. Pessuti disse que sua estratégia previa que o PMDB, o PDT e o PT lançassem candidatos ao Governo do Paraná, para que houvesse a possibilidade de segundo turno e a campanha fosse mais competitiva. “Se cada partido tivesse lançado um candidato, certamente, a eleição não teria sido resolvida no primeiro turno, como foi. E nós teríamos chance de ganhar se houvesse um segundo turno”, disse, ao lembrar que teria alertado para a “força” de Beto Richa (PSDB). “Porém, os partidos, os diretórios, as bancadas de deputados estaduais e federais, prefeitos e vereadores, entenderam que deveríamos seguir esse caminho, o da candidatura única para o Governo do Para-


Norma Corrêa Requião e Pessuti, peemedebistas históricos, mantiveram amizade e companheirismo por quase 30 anos

PMDB, principalmente nas cidades de grande e médio porte, como Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Londrina”, disse.

Situação financeira Sobre o período em que administrou o Estado, Pessuti garantiu que deixou saldo em caixa de cerca de R$ 430 milhões. Avisou, no entanto, que esse valor não deve ser avaliado como superávit financeiro, pois há taxas e outras obrigações que certamente reduzirão o montante para próximo de R$ 100 milhões. Mas assegurou que o Paraná não tem déficit em suas contas. “O Paraná é campeão na geração de empregos, tem o maior piso regional de salários. Enfim, é um Estado muito bem equilibrado do ponto de vista financeiro, de gestão administrativa. Fizemos muitas obras e ficarão outras tantas para Carlos Alberto Richa inaugurar”, afirmou. E ainda garantiu que o Paraná está muito melhor do que quando assumiu o comando da administração paranaense. Falou sobre a recuperação de rodovias, assegurando que atualmente 80% das estradas no Estado estão em boas ou ótimas condições de tráfego. Disse

também que, no dia 29 de dezembro, dois dias antes de entregar o cargo, assinou ordens de serviço para diversas obras, como a construção do segundo trecho da Rodovia da Uva, entre Curitiba e Colombo; o trecho da Rodovia Pioneiros, ligação de Londrina a Ibiporã; trincheira Jamile Dequech, onde serão investidos R$ 20 milhões. E citou, entre suas realizações, a construção de mais sete escolas, com investimentos de R$ 24 milhões; cinco Clínicas da Mulher e da Criança (R$ 2,5 milhões); a contratação, em caráter de emergência, de uma empresa para fazer a dragagem na região dos berços no Porto de Paranaguá. Também, foram assinadas ordens de serviço para a construção das cadeias públicas de Paranaguá e de Ivaiporã. E por fim, lembrou que “até abril, quando assumimos, o Paraná tinha ficha suja no Governo Federal. Conseguimos resolver o problema da multa imposta ao Estado, por conta do saneamento para a privatização do Banestado, junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Agora, o Paraná não tem déficit em suas contas e está melhor do que quando o recebemos, em abril”.

Fotos: José Gomercindo/AENotícias

ná, com Osmar Dias à frente. Então, atendemos os anseios dos atores dessa estratégia, que nos pediram para não disputar a eleição e assim foi feito e deu no que deu”, disparou. Ele contou ainda que, durante a campanha, o então presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e atual vice-presidente, não se cansou de afirmar que ele e Dilma Rousseff teriam decidido lhe dar um cargo de primeira linha (ministério) em troca da sua renúncia. O que não se confirmou. “Não deu. Mas, eu entendo como um fato normal não ter sido chamado para ocupar um ministério. Contudo, ainda estamos conversando com o Governo Federal e nos foram sugeridas algumas estatais, cujas sugestões estamos avaliando”, disse. “Estou em busca de reconhecimento. E ainda espero que tanto Osmar Dias quanto Rodrigo da Rocha Loures (vice na chapa do pedetista) sejam convidados para assumir funções no Governo Central, para cargos de segundo ou terceiro escalões. Vamos aguardar para ver o que Temer e Dilma estão pensando para nós, uma vez que o Paraná deu a sua contribuição para que Dilma fosse eleita. Se não venceu entre os paranaenses, pelo menos facilitou o entendimento. De nossa parte, entendemos que fizemos parte de um acordo nacional e estamos à altura de um ministério, diretoria ou presidência de uma empresa estatal, que são muitas”, afirmou Pessuti, que é funcionário concursado da Emater. Ele disse ainda que, depois de 45 anos militando no PMDB, gostaria de presidir o partido, embora assegure que o deputado Waldyr Pugliesi esteja fazendo uma boa administração na presidência da agremiação. “O partido está sendo bem conduzido pelo Pugliesi e esse, também, não é o meu projeto prioritário. Mas, de outro lado, o partido precisa se reestruturar para ser mais competitivo para vencer. Temos que reescrever o

Pessuti: “estamos à altura de um ministério, diretoria ou presidência de uma empresa estatal, que são muitas”

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política

Foi bom para o Paraná Números expõem recordes de aporte de investimentos federais no Estado. A expectativa é de continuidade da política no novo governo

À

queles que temiam que a ascensão de um partido perfilado mais à esquerda, focado mais em programas sociais e de valorização do trabalhador à Presidência da República, pudesse encaminhar o País para o retrocesso, a administração do petista Luiz Inácio Lula da Silva provou o contrário; aos que acreditaram na possibilidade de avanços, os números foram tão bons que decidiram repetir a dose e elegeram Dilma Rousseff para dar continuidade ao governo petista, visando consolidar avanços e pontuar novas conquistas. Mas também de olho em dois pontos que preocupam no momento: a inflação - que teima em fugir do centro da meta do Governo, de 4,5%, pois deve fechar o ano em 5,9%, pelas estimativas de analistas, que projetam aumento do custo de vida de 5,3% em 2011 – e o descompasso cambial provocado pela valorização do real frente ao dólar. Se no campo da inclusão social, os indicadores mostram o acerto de políticas voltadas às camadas mais pobres de brasileiros, não só do ponto de vista assistencial, mas principalmente de lhes possibilitar acesso ao mercado consumidor, há ainda a melhoria da educação, com ações que permitem que mais estudantes possam freqüentar cursos superiores, entre outros. E do ponto de

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vista econômico, o Brasil vai muito bem, apesar dos arranhões causados pela crise financeira internacional. É o que mostram os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): a menor taxa de desemprego desde 2002, em 5,7%, apurada em novembro; crescimento médio real da renda do trabalhador de 5% ao ano; queda no nível de desemprego da ordem de 45% nos últimos oito anos; o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma média anual de 4% e deve fechar 2010 em 7,5%, apesar da queda acentuada no ano passado. Nos oito anos anteriores, a expansão média anual da economia foi de 2,3%, ainda de acordo com o IBGE. Também a política de transferência de rendas, seja por meio do programa Bolsa Família ou pelo aumento do ganho real do salário mínimo, proporcionou enormes benefícios socioeconômicos. O resultado disso é que a classe média – integrada por famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.591 –, que representa mais de 50% da população, registrou crescimento de 44% em oito anos. Outro dado expressivo: na era Lula o poder de compra entre os integrantes da classe C cresceu 6,8 vezes, quase empatando com a soma das despesas das classes A e B.

E a política global do Governo Lula trouxe benefícios para todos os estados brasileiros, uma vez que sua intenção foi a de promover o desenvolvimento do País como um todo, não apenas em determinadas regiões, sem conotação política ou partidária. E o Paraná, onde os candidatos do PT à Presidência da República, não obtiveram sucesso nas urnas, foi bem atendido no cômputo geral de investimentos dos oito anos em que o País esteve sob o comando petista. Por exemplo, pela dotação de 2010, o Governo Federal está repassando R$ 4,649 bilhões em custeio e investimentos ao Estado, o que representa um acréscimo de 213,7% sobre o R$ 1,482 bilhão que o Governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) destinou ao Paraná em 2002, de acordo com dados da União. Os atuais investimentos das estatais totalizam R$ 2,368 bilhões, frente aos R$ 145 milhões de oito anos atrás, o que representa aumento de 1.633%. Outro número expressivo pode ser conferido no valor de distribuição de renda entre um governo e o outro: em 2002, pelo Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, o Governo FHC destinou R$ 80,6 milhões a 298.292 famílias paranaenses, enquanto o Governo Lula fechou 2010 com repasse de R$ 483,6 milhões referentes a 479.290 benefícios,


Sílvio Oricolli

o que representa avanço de 500% e 60.67%, respectivamente. Também é preciso destacar que no atual Governo, os investimentos em habitação no Estado foram de R$ 3,54 bilhões, atendendo 54.768 famílias, frente aos R$ 311 milhões, que proporcionaram o acesso à moradia para 22.624 famílias na administração federal anterior, com crescimento respectivo de 1.038% e 142%. Para a senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT), o aumento expressivo de investimentos de recursos federais no Paraná explica pelo fato de o Governo ter adotado uma política de retomada de investimentos visando à expansão do Brasil em todas as áreas. Para ela, a adoção de uma política acertada na macroeconomia tornou visível o desenvolvimento no País. “E o Paraná, como outros estados, faz parte disso. Além disso, há os programas sociais focados nas áreas de educação e inclusão social disseminados em todo o Estado. É preciso considerar que a destinação de maior volume de recursos e a ampliação do atendimento de programas também ocorreram por causa do alinhamento do Governo do Estado com o Federal e ainda ao fato de nossa participação na administração estadual. Isso ajudou bastante na elaboração e apresentação de projetos”, avalia. Mas, se de um lado os dados mostram avanços na parceria entre a União e o Estado, comprovados pelos números, sobretudo nas áreas sociais e de educação, por outro lado, Gleisi avalia que, se houvesse maior empenho de políticos paranaenses, os benefícios poderiam ser maiores e ampliados para outros setores. “Faltou maior articulação por parte do Governo e da bancada estadual no Congresso Nacional para conseguirmos mais para o Paraná. Por exemplo, no setor de infraestrutura perdemos a oportunidade de conseguir investimentos para a melhoria da

malha ferroviária, que é fundamental para o nosso desenvolvimento. Mas no Governo Dilma dará para retomar essa questão, tanto que as coisas estão encaminhadas para isso”, adianta a senadora petista, que acredita que os investimentos ao Estado serão, no mínimo, mantidos nos patamares atuais. “A disposição, no entanto, é conseguir mais, inclusive para agricultura para remunerar melhor o produtor, com a redução de custos de produção. Aliás, nesse sentido, a presidente Dilma já disse que vai mexer na questão dos fertilizantes, que têm um peso muito alto no custo dos produtos agrícolas”, adianta.

Perdemos a oportunidade de conseguir investimentos para a melhoria da malha ferroviária. Gleisi Hoffmann

27 27 Documento Reservado Reservado // Dezembro Dezembro 2010 2010 Documento


Programa Proerd Por meio da Secretaria de Educaçăo, Prefeitura de Campo Magro se preocupa com o destino das próximas geraçőes A secretária de Educaçăo Patricia Biernaski Faria tem desenvolvido um excelente trabalho no município de Campo Magro. Neste męs, por exemplo, ela realizou dois eventos importantíssimos para o município. Um deles foi a realizaçăo do Programa Educacional de Resistęncia ŕs Drogas (Poerd), que é programa de caráter social e preventivo posto em prática em todos os estados do Brasil por policiais militares devidamente selecionados e capacitados. É desenvolvido uma vez por

semana em sala de aula, durante quatro meses em média, nas escolas de ensino público e privado para os alunos que estejam cursando quinto ou sétimo ano do ensino fundamental. Através do livro do estudante Proerd, os conteúdos săo desenvolvidos de forma dinâmica em grupos cooperativos, tanto que, nas aulas, săo realizadas atividades voltadas ao desenvolvimento das habilidades individuais para que as crianças e os jovens possam tomar suas decisőes

de forma consciente, segura e responsável. O programa também é desenvolvido junto ŕ família, em um curso específico para os pais ou responsáveis, durante um męs. Săo encontros semanais com duas horas de duraçăo cada um. Em 2010 o Proerd deu início ao Programa para Educaçăo Infantil, cujo objetivo é possibilitar o reconhecimento de situaçőes que possam comprometer sua segurança e saúde. É composto por liçőes com atividades orientadas para a pré-escola e anos iniciais do ensino fundamental, com o objetivo de levar os alunos ŕ participaçăo e interatividade nas discussőes e no desenvolvimento de habilidades que os conduzam ŕ soluçăo de problemas e dificuldades, ensinando procedimentos que devem adotar em situaçőes de emergęncia ou quando ocorrerem eventos inesperados, como também as primeiras noçőes de habilidades vitais essenciais, como dizer năo e pedir ajuda. Aproximadamente 600 crianças da rede municipal de ensino participaram do programa.

O prefeito José Pase e secretária Patricia Biernaski Faria realizam eventos importantes para a Educaçăo Municipal

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agronegócio

Tulha cheia

Clima favorece e o Paraná colhe bons resultados no campo, com ganhos de produtividade. O trigo, no entanto, contabiliza preços ruins e baixa liquidez

D

e modo geral, 2010 se encerra como um bom ano para a produção agrícola do Paraná, segundo os números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A safra 2009/10 rendeu 32,56 milhões de toneladas, o que representou participação de 21,9% da produção nacional, que foi de 148,75 milhões de toneladas, destacando o Estado como o principal produtor nacional do setor. Ficou em primeiro no milho, trigo, feijão, casulo de seda, carne de frango e erva-mate; em segundo, na soja, cana-de-açúcar, produtos orgânicos (com participação de 25% nesse nicho de mercado) e mel; ficou em terceiro na produção de mandioca, carne suína, leite e ovos; em quinto, com o volume de café, e em oitavo, no setor de carne bovina. E, ao contrário da comercialização dos produtos do período agrícola anterior, os preços também foram compensadores, sobretudo da soja e milho, puxados pela quebra do trigo nos principais mercados produtores e consumidores, como a Rússia, conforme explica a agrônoma do Deral, Margorete Demarchi. Como boa parte do grão é destinado à alimentação animal, houve aumento da demanda do milho e da soja, o que impulsionou a recuperação do valor dessas commodities no mercado internacional, influindo positivamente no resultado embolsado pelos agricultores no Brasil.

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Sílvio Oricolli

A agricultura é o fator de maior risco no VBP, gerando as maiores oscilações.

Carlos Hugo Winckler Godinho

No entanto, segundo Carlos Hugo Winckler Godinho, coordenador da Divisão de Estatística do Deral, o faturamento proporcionado pelas principais culturas no Paraná caiu 10,2% em 2009, quando foram contabilizados R$ 37,42 bilhões, frente aos R$ 41,68 bilhões do Valor Bruto da Produção ( VBP) do ano anterior, resultado de aumento de 28,2% sobre os R$ 32,510 bilhões movimentados pela agricultura estadual em 2007. “E isso se deveu principalmente à quebra da safra paranaense, devido à estiagem que impôs perdas às principais culturas”, sintetiza, sustentado pelos números expostos por Margorete, que demonstram que dos 32,5 milhões de toneladas previstos para a safra 2008/09 foram colhidos 24,7 milhões de toneladas, o que representou quebra de 24% no volume. Do potencial de 21,7 milhões de toneladas da safra de verão daquele período, houve redução de 23,5% limitando a colheita a 16,6 milhões de toneladas, ou seja, 5,1 milhões de toneladas de grãos a menos, enquanto a safra de inverno dos previstos 3,7 milhões de toneladas rendeu 3,2 milhões de toneladas, com quebra de 13,5%. Igualmente as culturas do período intermediário, como o milho e o

feijão segunda safra, cultivados no outono, produziram 4,9 milhões de toneladas, o que representou quebra de 31% sobre os 7,1 milhões de toneladas previstos. Como causa da redução no volume, a agrônoma do Deral acrescentou que, além do excesso da seca no verão, “houve excesso de chuva no inverno”. Mesmo diante da redução dos valores, Godinho contemporiza ao lembrar que a receita proporcionada pela atividade rural do Estado manteve-se acima da média da série histórica do VBP, iniciada em 1997. Nesse sentido, ele destaca que ao se comparar valores entre os períodos, é preciso levar em conta que o faturamento de 2009 “foi precedido por dois anos de grande incremento no VBP, tornando mais difícil a repetição de um desempenho tão positivo”. Em sua análise, o agrônomo diz que, como praticamente não houve variação nos segmentos da pecuária (+0,5%) e dos florestais (+0,7%), “a agricultura, em termos gerais, foi quem ocasionou a maior parte da queda do VBP 2009. Este fato reforça a tendência de que a agricultura é o fator de maior risco no VBP, gerando as maiores oscilações”, ao destacar que o peso da agricultura na composição do faturamento do setor caiu

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agronegócio

Em Ponta Grossa e Guarapuava já se colhem seis toneladas por hectare.

Otmar Hubner

de 55% para 49%, ao passo que os produtos florestais atingiram 8% e a pecuária, 43%. Para Godinho, a queda do VBP em 2009 foi puxada pelos grãos que, no ano anterior, contribuíram para elevar a receita do setor. A soja, por exemplo, mesmo com preço estável, teve quebra de 30% na produção, enquanto o milho, além da falta de chuva, teve a situação agravada pela redução da área cultivada e queda no preço, que contribuíram para que a atividade movimentasse R$ 2,02 bilhões a menos que a receita do período anterior.

Ganho de produtividade A melhoria dos preços da soja e do milho, segundo Margorete, teve causas externas: a seca na Rússia e na Ucrânia quebrou a

safra de trigo, que é destinado basicamente para a produção de ração animal na Europa. E o milho surgiu, então, como a alternativa para suprir a demanda. No entanto, esse fator ocorreu tarde para os agricultores paranaenses, que cultivaram 731 mil hectares, área 18% menor que a da safra 2008/09. Nos dez anos anteriores, o Paraná cultivava o cereal em 1,3 milhão de hectares, em média. Por outro lado, o desempenho do milho por área deu um salto significativo, a ponto de ter atingido produtividade média de 7,6 toneladas por hectare na última safra de verão, superando em mais de 38% o rendimento médio de 5,5 toneladas por igual área. “No caso do milho, além do clima ter sido favorável à cultura, há que se considerar o uso de tecno-

Valor Bruto da Produção (1) - Paraná - Culturas Selecionadas 2OO5 A 2OO9 (Bilhões em R$) Culturas Milho Soja Trigo (3) Outros (2) Total

2005 2.077 4.382 0.894 17.690 26.016

2006 2.496 3.917 0.542 18.046 25.779

2007 4.090 5.936 1.098 18.025 32.510

2008 4.920 8.293 1.520 20.879 41.376

2009 2.893 6.832 1.082 25.060 37.421

Fonte: SEAB/DERAL (1) Valores Nominais (2) Demais produtos: produçăo animal, outros grăos, outras culturas, produtos florestais, frutas, hortaliças, etc (3) Inclui triticale

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logia em busca de produtividade de doze a treze toneladas por hectare”, destaca. Margorete lembra que, como havia muito milho no mercado, o preço obtido pelo produtor esteve muito baixo no início deste ano, em torno de R$ 13 a saca de 60 quilos, que melhorou a partir de julho. Segundo dados do Deral, o desembolso (custo variável) para a produção de uma saca do cereal na safra de verão é de R$ 10,93 e o custo total chega a R$ 17,63. Se atualmente, o preço pago ao agricultor está em R$ 20,38, entre fevereiro e agosto a situação era outra, pois em média recebeu R$ 13,78 pela saca do produto. “Se o preço tivesse reagido um pouco antes, não haveria queda acentuada da área de plantio para a atual safra de verão”, avalia, ao adiantar que o milho está sendo cultivado em 735 mil hectares no Estado, com produção esperada de 5,32 milhões de toneladas, volume 21,7% menor que obtido com a cultura do ano passado. A atividade perdeu área para a soja, que tem maior liquidez de mercado, custo de produção mais baixo, menor risco climático e tratos culturais de mais fácil condução. O preço mínimo de garantia do milho, estipulado para a comercialização da safra 2009/10, é de R$ 17,46. O maior valor que o produtor paranaense recebeu foi em dezembro de 2007, quando vendeu a saca a R$ 24,94, devido ao aumento da demanda pelo cereal no mercado internacional, o que acabou impulsionando as exportações, a ponto de o Brasil ter embarcado o volume recorde de 10,9 milhões de toneladas do produto. O milho responde pela geração de 226 mil empregos rurais.

Mercado aquecido Segundo Otmar Hubner, agrônomo do Deral, com aumento de cerca de 3,20% na área, a soja foi plantada em cerca de 4,51 milhões de hectares nesta safra, diante dos 4,37


milhões de hectares do período anterior, com produção estimada em 13,81 milhões de toneladas, enquanto na safra anterior foram colhidos 13,92 milhões de toneladas. A produtividade esperada é de 3,06 toneladas por hectare, ligeiramente menor que o rendimento recorde de 3,18 toneladas do período 2009/10. E, de acordo com ele, todo o plantio da oleaginosa já foi completado. “O agricultor antecipou bastante a semeadura, concentrando mais em outubro, aproveitando o clima favorável”, esclarece, ao acrescentar que a expectativa é de uma safra normal. “Mas para isso são necessários mais dois meses sem estiagem para que a cultura passe a fase que mais precisa de umidade”, explana. Hubner diz ainda que se espera que o mercado de soja mantenha-se firme e avance o próximo ano, aproveitando o momento de aquecimento do mercado global, pois, mesmo com a produção recorde de 91,8 milhões de toneladas dos Estados Unidos, houve quebra na safra mundial, o que tem contribuído para manter firme os preços internacionais do produto. No Paraná, o preço médio da saca de 60 quilos para o produtor estava em R$ 44,78 no dia 15 de dezembro. O custo total de uma saca é de R$ 34,77. A atividade gera 180 mil empregos diretos no campo no Estado. O Bra-

Tabela de valor e participação dos segmentos rurais em 2OO8 e 2OO9 VBP (R$ bilhőes) 2008 2009 22,92 18,56 15,93 15,98 2,84 2,85

Segmento Agricultura Pecuária Florestais

Var. (%) 08/09 -19,0% 0,5% 0,7%

2008 55% 38% 7%

Part. (%) 2009 49% 43% 8%

Fonte: SEAB/DERAL

Tabela de valor e participação dos segmentos rurais em 2OO8 e 2OO9 VBP (R$ bilhőes)

Var.

2008

2009

(%)

Soja

8,36

6,83

-18,2%

Aves

6,49

6,63

2,3%

Bovinos

3,29

3,12

-5,1%

Milho

4,96

2,89

-41,6%

Leite Bovino

2,08

2,26

8,7%

Hortaliças

1,86

2,08

11,9%

Serraria e Laminadora

1,81

1,83

1,4%

Suínos

2,15

1,75

-18,3%

Cana-de-Açúcar

1,33

1,55

16,6%

Trigo e Triticale

1,53

1,08

-29,3%

Outros

7,77

7,38

-5,9%

Fonte: SEAB/DERAL

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agronegócio

sil prevê colher 68,65 milhões de toneladas, ao passo que na safra 2009/10 colheu 68,69 milhões de toneladas, quando, ajudada pelo tempo, a produtividade média nacional foi de 2,92 toneladas por hectare.

Cultura viável Tradicionalmente enfrentando problema de liquidez e preço baixo, o trigo é uma atividade que se mantém por falta de opção para o inverno e também porque os seus tratos culturais – sobretudo a adubação – acabam beneficiando as culturas de verão, notadamente a soja, como parte do sistema de rotação de culturas. Mas, pela avaliação de Hubner, o cultivo do cereal vai se viabilizar. Há até a alternativa da exportação, desde que sejam superados alguns entraves como o rendimento por área e o alto custo da produção. “Há 15 anos, falar em exportar milho era considerado um absurdo. No entanto, hoje exportamos esse produto em condições de competitividade devido ao aumento da produtividade e a conseqüente redução do custo de produção”, destaca o agrônomo. E se hoje a produtivida-

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Uso de tecnologia em busca de produtividade de doze a treze toneladas por hectare.

Margorete Demarchi

de no Paraná é de 2,88 toneladas por hectare, há exemplos de que ela poderá ser elevada, com uso adequado de tecnologia. “Em Ponta Grossa e Guarapuava já se colhem seis toneladas por hectare, o que sinaliza que podemos aumentar a produção”, pontua, ao lembrar ainda que, devido ao custo, atualmente é praticamente impossível embarcar o produto paranaense para o Nordeste. “Por isso, a produção do Sul é consumida aqui mesmo na região, sem liquidez, porque os moinhos ope-

ram da “mão para a boca”, destaca. Mas o aumento da população mundial e o consequente incremento da demanda, especialmente por causa da China, da Índia e também da África, “terá reflexo também no Brasil. Não será de um dia para o outro. E talvez para atender a esse aumento de consumo o trigo migre para a região Central do País, evitando os problemas que enfrenta com o clima daqui, especialmente da ocorrência de chuva no momento da colheita”. Para isso terá de lançar mão da biotecnologia. “São fatores que irão tornar viável economicamente o cultivo do trigo no País”, acrescenta. Ele informa ainda que na safra que os triticultores paranaenses acabam de colher houve recorde de produtividade média, com 2,9 toneladas por hectare. No ano passado, o rendimento médio por igual área foi de 2,5 toneladas devido ao clima desfavorável. No entanto, o preço está ruim – em média R$ 24,67 a saca de 60 quilos, em valores do dia 15 – e cobre apenas o custo variável (R$ 22,90), quando o razoável seria empatar com o custo operacional (R$ 32,25). “Foi um ano de clima bom para a lavoura, incluindo a qualidade do grão, mas o mercado continua fraco. E isso pode refletir na redução da área no próximo plantio”, avalia Hubner. A atividade dá emprego a cerca de 80 mil pessoas no campo.


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economia

Lucian Haro

Mercado em expansão Mercado prevê que a oferta e a demanda vão se manter aquecidas pelos próximos quatro anos

A

venda de imóveis no Brasil deve manter ritmo acelerado até 2015. É o que aponta o balanço de 2010 realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná (Sinduscon-PR). Os dados mostram que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no País fechou o ano em 12%, 2% a mais do que a previsão da Fundação Getúlio Vargas

(FGV ). Para efeitos comparativos, a mesma taxa foi de 6,3% em 2009, quando ainda havia reflexos da crise financeira internacional. No campo dos empregos, no Brasil, as oportunidades no setor cresceram 17%, em relação a 2009. No Paraná, o aumento foi ainda maior e ficou acima da média nacional, com 19%, com a criação de 147,5 mil empregos formais e informais. Somente em Curiti-

ba, o número de vagas registrou alta de 22% e fechou 2010 com mais 79,5 mil admissões. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), a procura pelo financiamento dos bancos para a compra da casa própria, também aumentou e encerrou este ano com incremento de 52% nos negócios em relação ao igual período anterior. Dos R$ 76 bilhões

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economia

injetados, 19% foram provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 57% dos investimentos na caderneta de poupança. O presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Franck, acrescenta que o crédito habitacional deverá atingir 11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional até 2015. “Depois disso, o mercado vai continuar crescendo, mas em ritmo menor, conforme ocorre em outros países como o Chile e a Espanha”, compara. Segundo ele, mesmo com a falta de mão de obra especializada (pedreiros, carpinteiros, eletricistas), que tem sido substituída por máquinas nos canteiros de obras, a expectativa é de que o setor cresça 8% em 2011. Franck revela que o que tem impulsionado a demanda do setor é a boa fase vivida pelo mercado e as facilidades oferecidas atualmente aos compradores. “Hoje temos uma situação favorável aos consumidores, com estabilidade econômica no País, taxas de juros e inflação baixas e aumento na renda de algumas fatias da popu-

Intenção de compra O Sinduscon-PR realizou um estudo com 302 famílias da capital, com renda superior a R$ 2,5 mil, para analisar a intenção de compra de imóveis de Curitiba pelos próximos três anos. Dos entrevistados 15,23% disseram que pretendem adquirir um imóvel até 2013. Destes 28,26% vão optar por um apartamento, 56,52% por uma casa e 15,22% preferem um sobrado. A maior parte dos compradores (86,96%) fará a aquisição do bem para uso próprio, 8,7% para locação e 4,35% pretendem revender o imóvel. O estudo abordou, ainda, a faixa média de preço dos imóveis que essas famílias querem comprar. Mais de 55% deles disseram que vão escolher uma residência de R$150 mil. A abordagem levantou também, que pelos próximos três anos Curitiba terá potencial para vender aproximadamente 45 mil imóveis.

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lação”, ilustra. E diz ainda que a preferência tem sido por casas menores porque há um novo perfil de compradores “atuando” forte no mercado. “Se em 2004 as casas possuíam, em média, 187 metros quadrados, hoje elas são de aproximadamente 114 metros quadrados. Isso por conta dos novos compradores que tem menos de 30 anos e estão saindo mais cedo da casa dos pais. São pessoas solteiras ou recém-casadas que estão buscando o primeiro imóvel”, pontua. Há aproximadamente cinco anos não existiam muitas opções de apartamentos com dois quartos e, hoje, eles são os mais construídos. Além disso, a diminui-

ção do tamanho médio das construções é reflexo do programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal, de moradias financiadas para famílias de baixa renda.

Opção pelos consórcios O que tem atraído cada vez mais adeptos na hora de planejar a compra da casa própria é o consórcio de imóveis. A modalidade tem sido procurada, porque oferece o parcelamento integral do bem sem adição de juros, como afirma a superintendente da Ademilar Consórcios de Imóveis, Tatiana Schuchovsky Reichmann. “Hoje em dia há muita oferta de imóveis, porém, os preços ainda são altos para quem quer comprar um bem. O consórcio possibilita ao comprador pagar apenas a taxa administrativa do imóvel todo mês e resulta em até três vezes menos alíquotas do que outros tipos de financiamentos”, explica. Segundo Tatiana, o consórcio de imóveis reúne pessoas com o mesmo objetivo: formar uma poupança para aquisição de um bem, mas é preciso haver planejamento. “Ao

Pessoas solteiras ou recém-casadas que estão buscando o primeiro imóvel. Hamilton Franck

Aluguéis Pode parecer paradoxal, pois, embora os últimos anos tenham sido marcados pelo aumento da compra da casa própria, ainda tem sobrado espaço no mercado imobiliário para a procura pelas moradias alugadas. Mesmo sem precisar percentuais, a diretora-geral da Imobiliária Galvão, Fátima Galvão, afirma que 2010 foi produtivo para as locações e segue uma realidade vivida desde 2005 pelo segmento. “Percebemos nestes cinco anos uma mudança no padrão das locações. Se até 2005, os imóveis que mais saiam eram para fins comerciais, hoje os mais procurados são as casas e apartamentos para moradia”, diz. De acordo com Fátima, o que mudou também, foi o perfil dos inquilinos que, em geral são jovens, com idade variando de 20 a 30 anos, em busca da primeira residência. “Este novo perfil de moradores tem certas exigências quanto ao formato e estrutura dos imóveis. Eles querem locais modernos e com áreas de lazer”, acentua.

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economia

adquirir uma cota, o consorciado paga parcelas que vão formando a poupança do grupo. Esse dinheiro é utilizado mensalmente para contemplar um ou mais consorciados por meio de sorteio, que é feito mensalmente pela Loteria Federal. Cabe ao investidor, porém, esperar ser contemplado para poder retirar o bem”, diz, ao acrescentar que o consórcio é muito utilizado por investidores, que depois de serem contemplados, alugam os imóveis e com o dinheiro do aluguel, pagam as prestações. Tatiana afirma que em 2010 a Ademilar registrou um crescimento de 37% nas vendas em comparação com igual período de 2009. Isto representa a comercialização de mais de R$ 420 milhões em créditos, a serem retirados conforme as contemplações. Para 2011, a expectativa é de que o aumento seja de 25% na venda dos consórcios.

Hoje os mais procurados são as casas e apartamentos para moradia. Tatiana Schuchovsky Reichmann

Melhor ano em duas décadas Relatório divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), no dia 16 de dezembro, aponta que o setor registrou o melhor momento da história em 2010. Os dados revelam que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresceu 11% no período, acima da previsão feita pela entidade no começo do ano, de crescimento de 9%. O resultado é considerado o melhor dos últimos 24 anos. Segundo o balanço da Cbic, a opção de utilizar a construção civil para “alavancar o desenvolvimento tem importante destaque do ponto de vista socioeconômico, no enfrentamento do déficit habitacional e na superação dos gargalos na infraestrutura”. O setor gerou 340 mil empregos formais em todo o País só nos primeiros dez meses do ano. O número de trabalhadores com carteira assinada atingiu nível recorde. “Mais de 2,6 milhões, de acordo com a série histórica dos dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego [Caged], iniciada em 1992”, conforme o relatório. Outro destaque foi o crédito imobiliário em expansão que, só com recursos da caderneta de poupança, pode ultrapassar R$ 50 bilhões.

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Avenida Ver. Wadislau Bugalski

– obra em execuçăo

A Avenida Vereador Wadislau Bugalski, no Município de

imediato e o prazo para execuçăo total é de 180 dias.

Almirante Tamandaré está com sua obra de revitalizaçăo em

Este Lote liga a sede do Município até o Jardim Buenos

plena execuçăo. Após vários transtornos ocasionados pelas

Aires (cerca de 3,5 Km).

primeiras empresas vencedoras da licitaçăo para a execuçăo

A Prefeitura Municipal, através da Diretoria de Pavi-

da obra de pavimentaçăo da via de 7,5 Km que ocasionou a

mentaçăo da Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo

paralisaçăo da obra e muitos problemas para a populaçăo e

e Habitaçăo, como nas demais obras da cidade, está fa-

para a administraçăo, novas empresas contratadas através

zendo uma rigorosa fiscalizaçăo diária nos locais de tra-

de nova licitaçăo estăo executando a obra.

balho, visando o controle de qualidade, a aplicaçăo corre-

A via de 7,5 Km, está dividida em dois Lotes (1 e 2). O primeiro Lote, vai da Regiăo do Jardim Buenos Aires até a Ponte do Taboăo (divisa com Curitiba). O outro trecho (Lote 42

2) cujo contrato foi assinado em 26 de outubro, teve início

Documento Reservado / Dezembro 2010

ta das espessuras de pavimento e o cumprimento do cronograma de obras. A administraçăo do Prefeito Vilson Goinski prevę a entrega da obra ŕ populaçăo para o męs de abril de 2011.


43 Documento Reservado / Dezembro 2010


educação

Primeira médica índia formada

no Paraná é

A

driane de Cássia Guergolet, filha de branco e índia guarani, é a primeira descendente indígena a se graduar em Medicina no Paraná, desde que foi instituído, em 2002, o Vestibular dos Povos Indígenas. Neste sistema de cotas, Adriane formou-se em dezembro de 2008 pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atualmente está no segundo ano de residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital Universitário de Londrina. Um dos

irmãos segue seus passos e está no primeiro ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – o outro se formou em Odontologia também pela UEL. Embora a família da médica possa ser vista como exemplo de perseverança na socialização e desenvolvimento cultural e profissional, convive também, com a frustração de não poder resgatar os laços com a comunidade de ancestrais. A médica e o irmão

dentista dispuseram-se a trabalhar na aldeia natal da mãe (na terra indígena do Laranjinha, que fica no município de Santa Amélia, no Norte Pioneiro do Paraná ), onde estão seus parentes. Mas não foram aceitos pela liderança da comunidade, pela pressuposta falta de identificação. Já a estudante de medicina Eva Simone da Silva vive uma situação diferente de Adriane. Nascida e criada numa aldeia caingangue do

Cotas no Paraná O primeiro vestibular dos Povos Indígenas foi realizado em 2002, na Unicentro, em Guarapuava. O do ano seguinte ocorreu na Universidade Estadual de Londrina, enquanto o de 2004 na Unioeste, em Cascavel. Em 2005, foi realizado na Universidade Estadual de Maringá, contando pela primeira vez com seleção de indígenas para a UFPR. Em fevereiro de 2006 foi realizado na Universidade Estadual de Ponta Grossa e, em dezembro do mesmo ano, novamente na UEL. Em dezembro de 2009, mais uma vez foi na Unioeste.

Acadêmicos Atualmente, a UFPR tem vários alunos indígenas, distribuídos em 15 cursos de graduação. A maioria é de origem caingangue e guarani e são oriundos de várias regiões do País, como Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Cinco são acadêmicos de Medicina; quatro de Gestão Ambiental; quatro de Direito; três de Odontologia; três de Pedagogia; dois de Enfermagem; dois de Nutrição; dois de Ciências Sociais; e ainda um nos cursos de Tecnologia em Agroecologia, Ciências Contábeis, Medicina Veterinária, Administração, Música – Educação Musical -, Música – Produção Sonora - e Educação Física. A previsão é que no próximo ano sete acadêmicos colem grau.

44 Documento Reservado / Dezembro 2010


Da Redação

Pouco mais de 9.O15 Indígenas habitam 85.264,3O hectares no Paraná. Esta área está distribuída em 17 terras indígenas, abrigando as etnias caingangue, guarani e seis remanescentes do povo xetá

rejeitada pela tribo Rio Grande do Sul, ela faz parte do primeiro grupo (de cinco) que ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná e teve grandes dificuldades de adaptação e de acompanhar o processo formador, tanto que dois optaram por migrar de área e outras duas estudantes devem concluir o curso em 2012. Eva vai se formar em meados de 2011 e tem projeto definido para exercer a profissão na aldeia de origem.

Pequeno distanciamento No caso específico de Adriane, ela própria relata que a mãe, Irene, tinha 14 anos de idade quando deixou a aldeia em busca do crescimento pessoal e profissional, migrando para Santa Amélia, distante apenas 3 quilômetros de Laranjinha. Casou com o agricultor

Antonio e a família radicou-se na região. Adriane nasceu em 1978 no município vizinho, Bandeirantes, tendo concluído o ensino fundamental em Santa Amélia. Ela cursou inicialmente enfermagem na UEL e, já formada, inscreveu-se para o curso de medicina com a inauguração do sistema de cotas para índios-descendentes. Precisou recorrer à Justiça para assegurar a participação no vestibular, já que as normas do sistema faziam restrições a quem já tivesse

Eva já decidiu que vai exercer a profissão na aldeia de origem. 45 Documento Reservado Reservado // Dezembro Dezembro 2010 2010 Documento


educação

População Indígena no Brasil 600.518 é a população cadastrada pela Funasa São 225 povos, que falam 170 línguas diferentes Vivem em 4.774 aldeias, espalhadas em 615 terras indígenas As terras indígenas correspondem a 12% do território nacional 99% das terras e 65% da população concentram-se nas regiões Norte e Centro-Oeste 63 é o número de grupos indígenas não contatados 46 Documento Reservado / Dezembro 2010

formação superior, embora preenchesse os demais requisitos. Foi a primeira a conquistar a vaga em Medicina e concluiu o curso com todos os méritos. Sobre a questão das cotas, como dos indígenas, Adriane disse, em entrevista à revista do Conselho Regional de Medicina do Paraná, que tem muita coisa que deveria ser repensada sobre o modelo. “Desde a avaliação no vestibular, o apoio ao desenvolvimento dentro do curso escolhido e o seguimento pósgraduação. O distanciamento, no meu caso, não foi por escolha minha ou do meu irmão. Quando me formei em enfermagem, trabalhei na aldeia até voltar para a faculdade. Meu ir-


mão mandou o currículo dele para a Funasa, com pedido direto para o cacique, que não nos aceitou e até foi hostil com ambos”, assinalou, sem deixar de ressaltar que não se sente frustrada com a situação porque a decisão não foi sua. “Segui meu caminho”, resumiu. Em relação à propostas de serviço civil obrigatório ou de reciprocidade de trabalho para formandos “custeados” pelo Poder Público, a médica exibe sua posição: “Custeados? Eu e minha família também pagamos impostos e muitos impostos. Não acho que deveria ser obrigatório, mas consciente em alguns casos. Minha residência exige muito; trabalhamos muito atendendo muita gente e não reclamamos da bolsa ridícula que recebemos. Se for colocar no papel quanto tempo passamos dentro do hospital, daria três vezes mais o estabelecido pelo programa. Então, se esse tempo não está remunerado, acho que já estamos prestando um serviço civil.” Ao falar sobre a trajetória que a levou à medicina, Adriana assinala que “toda a pessoa que tem perfil e força de vontade deveria ser incentivada de alguma forma. Todo brasileiro deveria ser capaz de agarrar as oportunidades que são oferecidas. Eu tinha um sonho, corri atrás e ainda estou correndo. Não só os indígenas deveriam ter privilégios. Tem muita gente boa (profissionalmente) dentro da aldeia; conheci vários em várias comunidades. Acho que não precisam de exemplo, só de estímulo”.

Secretaria Especial de Saúde Indígena Em outubro deste ano foram aprovados dois decretos que promovem mudanças importantes na atenção à saúde dos povos indígenas. O primeiro oficializa a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), dentro da estrutura do Ministério da Saúde – uma reivindicação antiga dos povos. O segundo decreto redefine as atribuições e a organização da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), até então responsável pelas ações de atenção à saúde dessa população. A Sesai foi aprovada, por unanimidade, no plenário do Senado Federal, no dia 3 de agosto, após oito meses de discussão por um grupo de trabalho que envolveu 26 membros, entre representantes do Ministério da Saúde e da Funasa, além de 17 lideranças indígenas. Com a criação da secretaria, o Ministério da Saúde passa a gerenciar diretamente a atenção à saúde dos indígenas, levando em conta aspectos culturais, étnicos e epidemiológicos dos 225 povos que vivem no Brasil. A secretaria, que foi constituída pelo Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Departamento de Atenção à Saúde Indígena e Distritos Sanitários Especiais Indígenas, também passa a responder por ações de saneamento básico e ambiental das áreas indígenas, como preservação das fontes de água limpa, construção de poços ou captação à distância nas comunidades sem água potável, construção de sistema de saneamento, destinação final ao lixo e controle de poluição de nascentes. Com as mudanças, a Funasa assume a responsabilidade de formular e implementar ações de promoção e proteção à saúde, estabelecidas pelo Subsistema Nacional de

Vigilância em Saúde Ambiental, além de continuar com a atribuição de executar ações de saneamento em municípios de até 50 mil habitantes, além de ações de saneamento em áreas rurais e comunidades remanescentes de quilombos.

Unidades gestoras À medida que forem reestruturados, de forma gradativa, os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) passarão a ser autônomos, funcionando como unidades gestoras descentralizadas, responsáveis pelo atendimento de saúde e pelo saneamento básico em cada território indígena. A autonomia dos distritos também era uma reivindicação histórica dos indígenas. Ela desburocratiza a atenção à saúde dessa população, que passa a estar integrada e articulada com todo o Sistema Único de Saúde (SUS). Os 751 postos de saúde das comunidades indígenas de todo o País são as bases da atuação das equipes multidisciplinares de saúde indígena, composta por médico, enfermeiro, odontólogo e auxiliares, além dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e dos Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN). Os agentes moram nas aldeias e são indicados pelos Conselhos Locais de Saúde Indígena. A eles competem ações de atenção primária, saneamento e educação ambiental. Os casos que não podem ser resolvidos nos 358 polos-base são encaminhados pelas equipes multidisciplinares aos 62 municípios de referência, que contam com as Casas de Saúde do Índio (Casai), responsáveis pelo atendimento de média e alta complexidade (realização de exames, consultas, internações).

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saúde

Contraindicações do sol Por trás da tão desejada “cor da estação” há risco de sérios danos à saúde, incluindo o câncer de pele

A

o contrário do que muitos pensam, bronzear-se para ficar com “a cor do verão”, mesmo usando protetor solar, é ato contraindicado pela classe médica e pode trazer grandes complicações à saúde. O alerta é dos dermatologistas que percebem, principalmente nesta época do ano, um aumento no número de casos de queimaduras, aparição

48 Documento Reservado / Dezembro 2010

de manchas pelo corpo e até câncer de pele, por causa da exposição indevida ao sol. A dermatologista Annia Cordeiro Lourenço afirma que pele bronzeada é sinônimo de pele queimada pelo sol, danificada pela exposição aos raios ultravioleta e suscetível ao envelhecimento precoce. “O sol estimula a produção de enzimas destruidoras do colá-

geno, o que acelera o processo de envelhecimento. Além disso, os raios levam também à mutação do DNA, o que pode causar desde manchas pequenas até o câncer de pele”, explica. Annia adverte, por isso, que o bronzeamento é totalmente contraindicado, mesmo que a pessoa tenha feito uso de bloqueador solar. “Não é possível ficar bronzeado


Lucian Haro

usando filtro solar adequadamente. Se a pele ficar morena significa que houve queimadura, ou seja, a proteção não foi efetiva”, afirma a especialista, ao acrescentar que “é impossível proteger a pele dos danos causados pelos raios solares e, ao mesmo tempo, ficar com a pele morena. Ainda mais levando-se em consideração os riscos que o sol representa”. A dermatologista diz que o mais indicado é cada um manter o seu tom de pele.

Bronzeamento artificial Outra prática comum no verão, segundo

Annia, é o bronzeamento artificial por meio de camas de luz ultravioleta, cremes ou máquinas de bronzeamento a jato - procedimentos que também são condenados pela medicina. “Há mais de um ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso de camas de bronzeamento artificial devido aos riscos de câncer de pele. Esse tipo de procedimento pode ser ainda mais prejudicial à pele do que a própria exposição ao sol sem proteção, porque ele aumenta – e muito – os riscos do desenvolvimento de câncer de pele”, alerta.

Sobre os autobronzeadores e cosméticos que, quando usados, resultam em uma cor semelhante à do bronzeado, a especialista explica que apesar de não penetrar nas camadas mais profundas da pele e não estimular a produção de melanina, estudos recentes mostram efeitos colaterais do uso desses produtos. “Descobriu-se que os autobronzeadores também envelhecem a pele, assim como a exposição solar, pois estimulam uma reação química chamada de glicação, que está relacionada ao processo de envelhecimento”, diz.

Procedimento seguro Mas para quem insiste em sair do verão com uma cor diferente da que entrou na estação, Annia Cordeiro Lourenço recomenda alternativas saudáveis para isso, como, por exemplo, o uso de pílulas de bronzeamento, que são uma forma mais segura de escurecer a pele sem causar danos maiores ao corpo. “Essas pílulas uniformizam o tom da pele e dão um aspecto de bronzeado. Com esses produtos, a pele recebe um pigmento chamado caroteno, que é semelhante à melanina e protege contra a penetração dos raios solares, impedindo parte da ação deles”, diz, ao mesmo tempo em que alerta que “esses produtos não substituem o protetor solar”. A dermatologista lembra, ainda, que existe uma cápsula disponível no mercado que tem efeito antioxidante e que age como um filtro solar “de tomar”. Segundo ela, o produto protege a pele e elimina a necessidade do uso tópico do protetor. Mas, só deve ser usado com a orientação de um especialista.

Annia: “desde manchas pequenas até o câncer de pele”

49 Documento Reservado / Dezembro 2010


saúde

Tamanho não

O

tamanho do pênis sempre foi motivo de discussão, desde a infância, adolescência e até mesmo na fase adulta. No banheiro, no vestiário do futebol e nas rodas de bares, ainda há quem questione seu volume e seu potencial de prazer. Atualmente, porém, este tabu vem sendo desmistificado

pelo grande volume de informações disponíveis nos consultórios médicos e até mesmo nas bibliotecas. Mas, afinal, qual é o tamanho normal de um pênis? Quem responde a esta delicada questão é o médico urologista Sergio Bassi, ao nos revelar que, hoje, não são raras as pessoas que o

Tamanho do pênis pelo mundo PAÍS

EM EREÇĂO

EM FLACIDEZ

FONTE

BRASIL

12,4 cm

-

Palma P., da Ross C., Teloken C.

EUA

12,9 cm

8,8 cm

Wesseells, Lue T., McAicnich J.

ALEMANHA

14,5 cm

-

Hagler G.

ESPANHA

13,6 cm

-

Romero J. R.

FRANÇA

16 cm

12 cm

Bouchet A., Cuilleret J.

JAPĂO

13 cm

8 cm

Japanese Journal of Sexology

ITÁLIA

15 cm

10 cm

Salhi J., Ambulatori C.

VENEZUELA

12,7 cm

9,5 cm

Domingo Luciani Hospital

MÉXICO

14,9 cm

-

Ordóńez F.

GRÉCIA

12,2 cm

-

Spyropoulos E.

ÍNDIA

10,2 cm

-

“The Jacobus Survey”

ARÁBIA SAUDITA

12,4 cm

-

Habos M.

CHILE

14 cm

-

Pinoi E.

COLÔMBIA CORÉIA DO SUL

13,9 cm 9,6 cm

8,9 cm 6,9 cm

Acuńa A., Villalba J., Villalba J.C. Son H., Hu H.L.J.S., Kim S., Paick J.S.

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procuram em seu consultório para se informarem sobre seus pênis. Em relação ao tamanho, explica que a média do brasileiro, é de 14cm em estado de ereção, embora estudos indiquem tamanho de 12,4cm. Ele chama a atenção, no entanto, para o “coeficiente de dilatação” que é a capacidade do pênis crescer quando em excitação. De acordo com o urologista, existem homens em que o pênis rígido aumenta não mais de 50% em relação ao tamanho em estado flácido, mas há homens em que o órgão rígido cresce até 5 vezes em relação ao flácido. Em geral, homens de pênis flácido curto, são os que têm o maior coeficiente de dilatação. Estes homens também são geralmente de raça branca e mais suscetíveis a variações de temperatura e estados de humor (stress, inibição, etc.) com relação ao tamanho do órgão flácido. Tamanho não é documento, lembra a célebre frase. Para a maioria dos homens o tamanho é bastante importante pois é considerado “sinal de masculinidade”. Além disso, muitos acreditam que quanto maior o tamanho do pênis ereto, mais satisfação poderão dar a sua parceira. ‘Pênis mole, curto, não significa menor masculinidade, nem capacidade de satisfazer uma mulher. Talvez você, com este perfil, não ficará impotente com a idade”, alivia Bassi, ao dizer


Pedro Ribeiro

é documento que é consenso entre várias sociedades médicas norte-americanas definir como tamanho médio de um pênis ereto o comprimento de 13,97cm. Em 1980, o fabricante de preservativos Durex realizou pesquisa com três mil homens brancos norte-americanos que mediram, eles mesmos, o próprio pênis. O resultado foi um comprimento médio de 16,25cm em ereção. Em outro estudo realizado em 2001 com 300 homens brancos norte-americanos para a empresa de preservativos Lifestyles, em que o pesquisador fazia a medição, o tamanho médio foi de 14,98cm. Para o urologista paranaense, existe uma discrepância quanto ao tamanho do pênis ereto em diferentes estudos, dependendo se quem mediu foi o pesquisador ou o próprio voluntário. Claro que quem mede o próprio pênis mede maior do que se medido por outro. Observações clínicas sugerem que homens de coeficiente de dilatação maior, apresentam maior elasticidade peniana e são menos suscetíveis a problemas de ereção com a idade. Além disso, Bassi afirma que o tamanho do pênis não é fator mais importante de prazer para a mulher.

2. A vagina é uma cavidade virtual e não real. Sem nada em seu interior, as suas paredes estão colabadas 3. Considerando os fatos acima, qualquer pênis acima de 7cm de comprimento e com qualquer espessura preenche totalmente uma vagina. 4. O colo uterino, no fundo da vagina, quando tocado pelo pênis não dá mais prazer à mulher, pelo contrário, o colo uterino se tocado com muita força, provoca des-

conforto para a mulher. 5. O clitóris, lábios vaginais e períneo são regiões erógenas de alta excitação na mulher e por serem externas não dependem do comprimento do pênis para serem excitadas. 6. Dentro da vagina, são as paredes vaginais, sobretudo a parede anterior em sua porção mais próxima da vulva externa (Ponto G), que fazem a mulher ter prazer. Não o colo do útero.

Pênis mole, curto, não significa menor masculinidade, nem capacidade de satisfazer uma mulher. Talvez você, com este perfil, não ficará impotente com a idade.

Mérdico urologista Sergio Bassi

Algumas reflexões: 1. A profundidade média da vagina é entre 8 e 10cm.

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cultura

Bienal “Além da A

6ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, que será realizada, entre março a dezembro de 2011, em vários espaços culturais da cidade, reunirá cerca de 50 renomados artistas da Europa, Ásia e África e brasileiros, como o cineasta Neville D’Almeida. Conhecido por dirigir os filmes “Matou a Família e Foi ao Cinema” e “A Dama da Lotação”, desta vez ele vai mostrar os dotes de artista plástico. Segundo Alfons Hug, um dos curadores gerais do evento, referindo-se ao tema desta Bienal – “Além da Crise” -, por mais que o título do evento, no âmbito da arte, seja nada mais que a sugestão de um tema a ser encarado livremente pelos artistas, a intenção é que ele desperte nos visitantes uma reflexão sobre certas “questões-chave” da arte contemporânea. “A palavra crise é tomada em seu sentido mais instigador e sugestivo, como momento crucial que, frente a uma mudança brusca de paradigma, exige decisões, posições e imagens novas”, disse, ao completar que “não se espera que os artistas convidados ofereçam receitas frente à crise, nem tratem de expressar seus dramas, senão que propaguem opções de visão: as posições que se assumem frente à crise supõem esforços imaginativos capazes de abrir perspectivas e horizontes diferentes”. No evento, o brasileiro Neville D’Almeida apresentará na exposição a obra “TabAmazônica, que reúne imagens inéditas do cotidiano do artista numa aldeia de

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índios caiapós.. A instalação imita uma das tabas da aldeia, como uma oca de 50 metros quadrados por 5 metros de altura, sendo construída com sapê, cipó, bambu, varas e troncos e totalmente coberta com palha. Nas paredes e no teto são projetados sete filmes (de 15 minuto de duração) que mostram o cotidiano de uma aldeia. A trilha sonora é composta por cantos tribais, captados no local, junto à gravação das imagens. Além de Hug, a Bienal tem Ticio Escobar na curadoria geral e, na co-curadoria, Adriana Almada e Paz Guevara. Ainda conta com os curadores convidados, Alberto Saraiva, Artur Freitas, Eliane Prolik e Simone Landal.

Programação A 6a Bienal de Curitiba, além das exposições, palestras, mesas-redondas, cursos, oficinas, mostra de filmes, performances, intervenções urbanas, residências artísticas, inclui um projeto educativo que envolverá as escolas da rede municipal, estadual e de ensino especial. O evento ocupará os principais espaços culturais da capital paranaense e outros espaços alternativos como parques, terminais de ônibus, praças e ruas. A mostra passará pelo Museu Oscar Niemeyer, Casa Andrade Muricy, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, Museu da Gravura Cidade de Curitiba e Museu de Arte da UFPR, além de parques e praças em Curitiba. Informações: www.bienaldecuritiba.com.br


Da Redação

Crise”

Evento de arte contemporânea reúne obras de mais de 5O artistas de várias nacionalidades em espaços culturais e alternativos

Um time de primeira Entre os mais de 50 artistas convidados a participar do evento, estão: Neville D’Almeida (Brasil), John Bock (Alemanha), Darren Almond (Inglaterra), Sebastián Preece (Chile), Boris Michailow (Ucrânia), Danica Dakic (Bósnia), Fikret Atay (Turquia), Antti Laitinen (Finlândia), George Osodi (Nigéria), Zhou Tao (China), Olaf Nicolai (Alemanha), Gutiérrez + Portefaix (Hong Kong/China), Adonis Flores (Cuba), Patrick Hamilton (Chile), Ricardo Lanzarini (Uruguai), Liliana Porter (Argentina), Camilo Restrepo Zapata (Colômbia), Joaquín Sánchez (Bolívia) e Luis Molina-Pantin ( Venezuela).

John Bock, "Fischgrätenmelkstand kippt ins Höhlengleichnis Refugium", 2008

53 Documento Reservado / Dezembro 2010


Prefeitura amplia incentivo para a agricultura familiar Com o objetivo de ampliar o incentivo ao segmento da agricultura familiar, a Prefeitura de Ponta Grossa vai desenvolver um programa para garantir a compra de alimentos direto do agricultor familiar. O Programa Municipal de Aquisiçăo de Alimentos Direto do Agricultor Familiar foi regulamentado no dia 16 de dezembro, por meio de um decreto do prefeito Pedro Wosgrau Filho publicado em Diário Oficial. Além do incentivo, o programa promoverá açőes vinculadas ŕ distribuiçăo de produtos agrícolas ŕs pessoas em situaçăo de insegurança alimentar ou que estejam enquadradas em programas ou projetos sociais aplicados pelo município. Assim, o novo programa irá abastecer com sua produçăo outro programa municipal, o Feira Verde. A iniciativa vai beneficiar diretamente o agricultor familiar, que terá acompanhamento

54 Documento Reservado / Dezembro 2010

no plantio e a compra de sua produçăo garantida. O Feira Verde receberá os alimentos para realizar as trocas, e com isso, possibilitará ŕ populaçăo, que é atendida pelo programa, consumir alimentos de qualidade e com procedęncia. O desenvolvimento desse programa será resultado da integraçăo entre as Secretarias Municipais de Abastecimento e de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, Emater/PR e dos Agricultores Familiares organizados em grupos. O programa será coordenado pela Secretaria de Abastecimento que vai receber os cadastros dos agricultores, que serăo elaborados pela Emater e pela Secretaria de Agricultura; definir os produtos a serem entregues pelos produtores e recebę-los em depósito de forma agendada; definir o preço a ser pago, controlar o pagamento e encaminhar

os relatórios de entrega e as notas fiscais para o setor financeiro da Prefeitura. A Secretaria de Agricultura vai fazer o cadastramento dos agricultores interessados em participar do programa, fazer o acompanhamento das propriedades cadastradas e das lavouras plantadas, organizar a demanda semanal, apoiar a organizaçăo do escoamento da produçăo até o depósito do Feira Verde, entre outras atividades. Ŕ Emater cabe fazer a assistęncia técnica e a extensăo rural para os agricultores, além de acompanhar e organizar a produçăo. “Estamos oferecendo mais uma alternativa para que o agricultor familiar se estabeleça e adquira autonomia. Dessa forma, vamos ampliar o incentivo e valorizar a produçăo familiar no município”, afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, Fernando de Paula.


artigo Nilson Monteiro *

C

Quem morreu primeiro: o ovo ou a galinha?

omo dizíamos nos campinhos e nos brejinhos da infância, é canja, é canja, é canja de galinha, arruma outro time pra jogar com a nossa linha. A resposta pode ser mole, mas a canja de galinha, caipira como os terrenos de nossa infância, aquela perfumada de temperos (salsinha e cebolinha, louro, manjericão, cebola, alho, algumas vezes com colorau) e deliciosa, suculenta, indicada para grávidas, para doentes em recuperação e para todo cidadão que preza as delícias, está cada vez mais impossível. Galinha? Só aquela que cacareja em urbano e é encontrada, a preços módicos, nos freezers de hipermercados, resfriada, vinda diretamente de granjas, com suas penas brancas, absolutamente brancas, sem qualquer racismo, claro. Nas milhares de granjas, pintadinhas, em espaços climatizados, com luz de dia artificial durante a noite, em galinheiros assépticos, elas comem, com a elegância da elite, soja, milho, vitaminas e sais minerais e tomam os hormônios próprios de artistas musculosos das academias. Elas mesmas, as galinhas que nascem e engordam e são abatidas em seis, sete semanas, só se forem elas as personagens para nadar no caldo das panelas dedicadas às caipiras. Aquelas outras, as da roça e do fundo dos quintais, que criavam seus pintinhos na liberdade do terreiro, foram abolidas pelas regras econômicas dos bolsos de valores ou sem valores. Em Minas, nos cafundós das montanhas, em Goiás, nos sertões desta terra, ainda há galinhas cacarejando em pir – corocócór??? Eu não as encontro por aqui. Desconfio até que, dissimuladas, escapam dos galinheiros

das granjas, sem sol e sem lua, imitando-se de sertanejas, desfilando de camisa xadrez, com propaganda do caldo Knorr sobre os seios de silicone. Ou, quem sabe, ciscam ao lado de seus galos garbosos, de esporas afiadas, vindos da Califórnia, com fivelas enormes, brilhantes, segurando calças apertadas de caubóis. Na minha cidade natal, Presidente Bernardes, deste tamanico, no cotovelo do Oeste de São Paulo com o Mato Grosso, tanto elas como eles, as galinhas e os frangos caipiras, com seu ciscar rancheiro, são procurados como os personagens dos cartazes dos faroestes norteamericanos. E não são encontrados. Mesmo com a oferta de vários reais, quem sabe até dólares. No final do ano passado, ávidos de uma galinhada dos tempos de minha vó, vasculhamos dezenas (isto mesmo!) de sítios e chácaras vizinhos e não encontramos exemplares caipiras para comprar. Uma só galinha ou um só frango. Não precisava ser muito gorda. Não achamos nenhuminha. Somam-se a urbanidade do rural, os freezers, facilidades e custos do supermercado, o abandono de cultura, a vigilância – imbecil – da tal vigilância sanitária perseguindo os raros cidadãos que teimavam em criar galinhas nas bordas da cidade e se tem o quadro, como dizem os economistas, os psicólogos, entre outros. E cadê o canto caipira e seu delicioso sabor nas coxas, no peito, no pescoço, até nos pés? Arrependidos até aos ossos por ter desistido das caipiras, sorvemos, enganando a nós mesmos, um caldo diet, sem aquela gordura a ser raspada do fundo do prato, engolimos uma canja urbana, branquela, que não pega

tempero, sem graça. É pirraça desses tempos? Só pode ser. Em Campina Grande do Sul, ilha urbana petitica, ao lado de Curitiba, rodeada por chácaras e sítios por todos os lados, não encontrei um só representante daquela raça que se alimentava com milho, sobra de comida, minhoca, sementes, plantas, insetos etc. Lembra? Aquela mesma, cujos varões acordavam madrugadas e, como no poema de João Cabral de Melo Neto, teciam manhãs. Rodei por vários sítios e chácaras e seus ocupantes, alguns com tiques e sotaques rurais, mesmo com chapéu de palha e mãos de calos usando a internet, mostraram-se incrédulos com o fato de alguém ainda querer comer galinha caipira, na galinhada, no caldo, na canja ou frita. Onde já se viu? Pra que resgatar esses costumes do passado de agora há pouco? Sei lá. Só sei que fiquei com gosto de nada na boca. Ouvi o galo cantar e não sei onde.

* Nilson Monteiro é jornalista em Curitiba

55 Documento Reservado / Dezembro 2010


agenda Eventos

Cursos gratuitos

O Centro de Integraçăo Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR) continua em 2011 com o Programa de Capacitaçăo Profissional, Pessoal e Cidadania, oferecendo, gratuitamente, vários cursos, treinamentos, oficinas e palestras, para estudantes. Podem participar alunos a partir de 14 anos completos, cadastrados no CIEE e matriculados no ensino médio. As vagas săo limitadas para os cursos presenciais e ŕ distância e o edital com a programaçăo está no site www.cieepr.org.br

Oficina de música

Com o patrocínio da Petrobras, será realizada de 9 a 29 de janeiro a 29Ş ediçăo da Oficina de Música de Curitiba. Săo 86 cursos e oficinas sobre música erudita, antiga, MPB e latino-americana. A estimativa é de que mais de 1500 estudantes de diversas áreas musicais e professores vindos de todos os continentes encontrem-se em Curitiba para aprender, ensinar e compartilhar suas experięncias. Programaçăo e informaçőes no site: www.oficinademusica.org.br ou pelo (41) 3321-2839.

Festival de Teatro

Em março será realizada a 20Ş ediçăo do Festival de Teatro de Curitiba. Dentro do evento, ocorre a mostra paralela “Fringe”, que já tem, para este ano, mais de 300 espetáculos de 22 Estados brasileiros cadastrados. Serăo 13 dias de programaçăo com o objetivo de levar o teatro para várias regiőes da cidade. Durante o evento, além de espaços tradicionais de apresentaçăo, a cultura marca presença em barracőes, ruas, praças, bares entre outros ambientes. A partir de fevereiro, a programaçăo poderá ser conferida no site www.festivaldecuritiba.com.br

Exposições

Vícios Proibidos

Até o dia 15 de janeiro, estarăo expostos, no Espaço Centro Europeu de Curitiba (Rua Brigadeiro Franco, 1.700), os trabalhos produzidos pelos formandos do curso de Fotografia da instituiçăo. A mostra é composta por 39 imagens baseadas nos temas Vícios e Proibido, definidos pelos próprios alunos. A entrada é gratuita e a exposiçăo fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8 ŕs 22 horas, e aos sábado, das 8 ŕs 17 horas. Informaçőes: (41) 3222 – 6669 ou www.centroeuropeu.com.br

Caminhos e Vultos

No Subsolo Galeria de Arte Contemporânea (Av. Iguaçu, 2.481- Água Verde), em Curitiba, estarăo expostas, até o dia 16 de janeiro, as obras de Ricardo Shreiner da Silva. A exposiçăo “Caminhos e Vultos: transpolares por RVEDITA” pode ser visitada gratuitamente de terça a sexta-feira, das 14 ŕs 21horas e aos sábados, das 11 ŕs 18horas. Informaçőes: (41) 3019-8701 ou www.subsologaleriadearte.com.br

Sete Vidas

O artista plástico André Franco expőe as obras “Sete Vidas”, no Espaço Cultural do Hospital VITA Batel, até o dia 20 de janeiro. A mostra fica aberta todos os dias das 8 ŕs 18horas. A entrada é gratuita.

Profusăo de Cores

Até o dia 20 de janeiro, a pintora Lídia Saczkovski apresenta uma exposiçăo dos mais recentes trabalhos, no SESC Água Verde (Av.República Argentina, 944). A entrada é gratuita e a visitaçăo pode ser realizada de segunda a sexta-feira das 8 ŕs 20horas e aos sábados, das 9 ŕs 13horas.

Índios no Brasil

Povos indígenas, especialmente os que habitavam o interior paranaense entre as décadas de 40 e 50, săo o tema da mostra “Índios do Brasil: A Poesia das Imagens de Vladimir Kozák”. Em cartaz no Museu Paranaense (Rua Kellers, 289, Centro) até 20 de janeiro, a exposiçăo reúne uma ampla coleçăo de pinturas, desenhos, aquarelas e documentos do artista.O evento fica aberto de terça a sexta das 9 ŕs 17 horas e aos sábados, domingos e feriados, das 11 ŕs 15horas.

Cores Vivas

A exposiçăo “Expressividade das Cores Vivas, dos Traços Fortes e do Distorcido”, da artista Elza Wimar Muller, fica aberta até o dia 23 de janeiro, no memorial de Curitiba. A entrada é gratuita e as visitas podem ser feitas de terça a sexta-feira das 9 ŕs 12 horas e aos sábados e domingos, das 9 ŕs 15 horas.

Relevos

Até o dia 23 de janeiro, o hotel Blue Tree Towers Curitiba abriga a exposiçăo “Relevos”, do artista plástico Malah. Com 17 obras, a mostra traz as indagaçőes do artista ao mesmo tempo em que desafia o observador, com telas bidimensionais que instigam percepçőes. Informaçőes: (41) 3017 1090.

XI Mostra de Gravura

Uma mostra do acervo do Museu da Gravura de Curitiba ficará exposta ao público até o dia 13 de fevereiro, na sede do museu (Rua Presidente Carlos Cavalacanti, 533, Centro). Săo gravuras de diferentes artistas locais e nacionais, que poderăo ser visitadas gratuitamente de terça a sexta-feira das 9 ŕs 18 horas e aos sábados, domingos e feriados, das 12 ŕs 18 horas. Contato: (41)3321-3367 ou www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br

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Pequenos formatos

Até o dia 13 de fevereiro ficarăo expostos coletivamente, no Museu da Gravura de Curitiba, desenhos, fotografias, pequenos objetos, publicaçőes e catálogos. A visitaçăo pode ser realizada gratuitamente de segunda a sexta-feira das 9 ŕs 18horas.

Jornada pelas Américas

A exposiçăo “Fronteiras: Uma Jornada pelas Américas”, do artista visual Cleverson de Oliveira permanece montada para visitaçăo no Museu da Gravura de Curitiba, até o dia 13 de fevereiro, de segunda a sexta-feira das 9 ŕs 18 horas e aos sábados, domingos e feriados, das 12 ŕs 18 horas. A entrada é gratuita.

Eussoutro Soumos

As obras dos artistas Alex Cabral, Clovis Cunha, Daniel Duda, Denise Roman, Jucimarley Totti, Luiz Rodolfo Hannes, Maikel da Maia, Pierre Lupalu, Ricardo Humberto e Rui Werneck estăo expostas, até o dia 13 de fevereiro, nos espaços 1,8,9 e 10, do Museu da Gravura de Curitiba (bloco A, 1ş andar) com entrada gratuita.

Grandes artistas

Uma seleçăo de 35 obras de artistas renomados como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Paul Klee, Marc Chagall, Antoni Tŕpies, Alexander Calder, Christian Boltanski, Bruce Nauman, Gary Hill, Arden Quin, Aldemir Martins, Antônio Bandeira e Letícia Parente, ficam expostas no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico) até o dia 27 de fevereiro. Os ingresos custam R$ 4 e R$ 2 (para crianças de até 12 anos, maiores de 60 e grupos de escolas públicas). Informaçőes: (41)3350-4400 ou www.mon.org.br

Autorretrato

Até o dia 27 de fevereiro ficam expostas na Casa Andrade Muricy (Al. Andrade Muricy, 915 - Centro) uma coletiva de 100 artistas, apresentando seus autorretratos em xilogravura. A mostra fica aberta de terça a sexta-feira das 10 ŕs 19 horas e aos sábados, domingos e feriados das 10 ŕs 16 horas. Năo será cobrada entrada.

Magda Frank

Até o dia 13 de março, o Museu Oscar Niemayer abriga a exposiçăo inédita de Magda Frank, uma homenagem ŕ artista que faleceu em 2010. Săo 70 desenhos e 50 esculturas da artista, reunidos minuciosamente pela Casa-Museo Magda Frank, com sede na Argentina. Húngara e judia, nascida em 1914, ela teve sua adolescęncia pautada pelos horrores da Segunda Guerra Mundial. Deixou seu país depois de ter sua família assassinada. Foi para a França e para a Argentina em busca de uma nova razăo para viver. Informaçőes: (41) 3350-4400.

John Graz

Até o dia 3 de abril, o Museu Oscar Niemayer abriga a exposiçăo “John Graz”, que reúne cerca de 180 peças inéditas do artista plástico John Graz (1891-1980). A mostra tem o objetivo de apresentar a visăo do artista sobre a terra que escolheu para viver. John Graz nasceu em Genebra na Suíça e chegou ao Brasil em 1920. Informaçőes: (41) 3350-4400 www.institutojohngraz.org.br.

Shows

GUARATUBA

Charlie Brown Jr No dia 14, a banda Charlie Brown Jr se apresenta no Café Curaçao. Jota Quest No dia 15, a banda Jota Quest se apresenta no Café Curaçao. Sorriso Maroto No dia 21, o grupo de pagode Sorriso Maroto se apresenta na Arena Curaçao. Marcos e Belutti No dia 22, a dupla sertaneja Marcos e Belutti se apresenta na Arena Curaçao.

Claudia Leitte No dia 29, a cantora Claudia Leitte se apresenta no Café Curaçao.

MATINHOS/CAIOBÁ

Hands Up e Vácuo Live No dia 14, o Hyddra Concept Lounge recebe os projetos Hands Up e Vácuo Live. As músicas văo de house a house progressivo. O projeto Hands Up é formado pelo DJ Ber Buschle e pelo percussionista Gutto Serta, enquanto o projeto Vácuo Live é composto pelo produtor e guitarrista Eduardo Pizzatto e pela vocalista Fernanda Mateus.

Armandinho e Chimarruts No dia 15, o cantor gaúcho e a banda Chimarruts se encontram e apresentam show no Hyydra Concept Lounge. Dexterz No dia 29, o Hyddra Concept Lounge recebe o projeto “Dexterz”, composto pelos músicos Junior Lima, Júlio Torres e Amon Lima, misturando instrumentos de percussăo com violino, música eletrônica e improvisaçăo

CURITIBA

All Time Low E Motion City Soundtrack No dia 28, as bandas norte-americanas All Time Low e Motion City fazem única apresentaçăo no Curitiba Master Hall. A abertura do show será realizada pela banda de Juiz de Fora (MG), Soma.

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perfil

O nosso perfil N

este final de ano publicamos, aqui neste espaço, normalmente reservado a perfis de personalidades da vida pública e privada do nosso Estado, um perfil diferente. O nosso perfil. O perfil do site Documento Reservado. Fazemos isso, porque entendemos que esta parceria, jornalistas e leitores, que já dura oito anos, vem se solidificando a cada dia. Começamos em 2003, com pouco mais de cinco mil acessos por dia e hoje, nossa média diária, é de 22 mil acessos. Durante esse período, em que levamos informações a milhares de pessoas que entenderam e gostaram do nosso projeto, podemos afirmar que amadurecemos e crescemos. Hoje

21.059 96.260 7,82 69,99% 00:01:51 35,49% % Tráfego direto Sites de referęncia Mecanismos de pesquisa

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Visitas Visualizaçőes de página Páginas/visita Taxa de aprovaçăo Tempo médio no site Novas visitas 16.489,00 (54,57%) 2.845,00 (28,28%) 1.725,00 (17,15%)

nosso jornal é lido em vários países e nos últimos três meses tivemos um crescimento de 36% em novas visitas, o que significa que nosso conteúdo satisfaz o nosso leitor. Sabemos que a caminhada ainda é longa, mas temos absoluta certeza que vamos continuar com a mesma linha de conduta e garra desses anos, sempre visando a um conteúdo cada vez melhor para atender às exigências também cada vez maior dos leitores de jornais on-line. A revista Documento Reservado igualmente teve um salto de qualidade e estamos em praticamente todos os municípios paranaenses. A média de leitura da revista, através do site, é de 40 mil. Vejam a seguir alguns números do site. Por Pedro Ribeiro

VISĂO GERAL DE CONTEÚDO Páginas

Visualizaçőes Porcentagem de de página visualizaçőes de página

Site 20.053 Site / Política 474 Site / Revista DR 367 Site / Economia 120 Site / Notas 108

55,05% 2,60% 2,01% 0,66% 0,59%


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Documento Reservado  

O Paraná precisa acelerar o passo.

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