Page 1

RL MAGAZINE | PAG 09

CASA DOS LIVROS

um hotel em Vermil JOANE | p. 16 AMITORRE sonha com um ringue desportivo

Nº 179 • ANO XVI • MARÇO 2014 DIRECTOR: JOAQUIM FORTE

EM FOCO | PAG 03 e 04

Mulheres ‘vestem’ Joane de croché

PUBLICIDADE

Projecto “Tradições da Nossa Terra” envolve 60 mulheres dos 11 aos 80 anos que trabalham para “vestir” o Largo 3 de Julho.

Burocracia atrasa abertura de lares na região

RONFE | p. 06 Troca de recados nos 80 anos da Casa do Povo

As paróquias de Pousada de Saramagos, Ronfe e Junta vai gerir Vermoim têm um quebra-cabeças para solucionar. refeitório de Em Ronfe o Lar está pronto há um ano mas não Gemunde há data de abertura. Tal como em Vermoim.

ENTREVISTA | p. 15

De mercearia a PME Líder

Manuel Carvalho, presidente da Junta de Vermoim

A empresa Xavier´s assinala 40 anos de actividade. Começou por ser uma mercearia com uma pessoa e hoje factura seis milhões de euros e conta com 14 colaboradores.

OPINIÃO | p. 18

INICIADOS DO RONFE

Temos campeões!

SÉRGIO CORTINHAS

“O GD de Joane e as instituições da Democracia”


PUBLICIDADE


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 3

RONFE | “CHEGA DE BOIS” ESTE DOMINGO A Associação de Agricultores de Ronfe promove este domingo, dia 12, mais uma “Chegas de Bois”, a p a r t i r d a s 1 5 : 0 0 h o ra s n o c a m p o d a C a s a d o Povo . A iniciativa inclui uma Garraiada . No dia anterior realizam-se torneios de sueca e de malha.

EM FOCO

Burocracia e falta de dinheiro atrasam Lares da região

A

s paróquias de Po u s a d a d e S a ramagos, Ronfe e Ve r m o i m a v a n çaram com equipamentos sociais (terceira idade e infância) agarradas às garantias de financiamento e de acordos com a Segurança Social - e agora têm um quebra-cabeças para s o l u c i o n a r. As dificuldades em obter o total do financiamento para os investimentos realizados são dores de cabeça comuns aos responsáveis pelos três novos projectos sociais da região. “Este tipo de obras é um pouco perverso. Começámos com a lei a obrigar determinados requisitos que, entretanto, deixaram de ser obrigatórios”, salienta o p á r o c o d e Po u s a d a , J o s é Barbosa, que diz ter passado “as passas do Algarve” desde que, em finais de 2007, se aventurou no lar de idosos no terreno da antiga residência paroquial. Em Dezembro último, o “Lar Santa Apolónia” en-

trou em funcionamento, deixando para trás um emaranhado caminho de problemas. Concluído em Julho de 2011, o Lar foi chumbado pela Segurança Social (SS) o que fez iniciar um longo processo interno de apuramento de responsabilidades entre projectistas, empreiteiro e Paróquia que, nos entretantos, teve de adquirir mais terreno para ampliar o l a r, f a z e n d o d i s p a r a r o investimento, e de corrigir erros. “A b u r o c r a c i a d e l i c e n c i a mento é muito penosa e prejudica as expectativas e a própria bondade do projecto”, aponta o sacerd o t e d e Po u s a d a . Em Ronfe, as licenças são o menor dos problemas. João Silva , pároco local, espera ultrapassar os entraves “a tempo e horas”, aproveitando o apoio da Câmara vimaranense que, recentemente, devolveu alguns milhares de euros à Paróquia depois de ter decidido isentar totalmente o equipamento de

taxas. As licenças, diz o pároco, são importantes para viabilizarem os acordos com a SS. A o co n t rá r i o d e Po u s a d a e Ve r m o i m , c u j o s p r o jectos foram comparticipados pelo Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais ( PA R E S ) , o e q u i p a m e n t o d e Ronfe foi comparticipado por fundos europeus do Programa Operacional Po t e n c i a l H u m a n o . A d i ferença é que este último não assegura acordos de cooperação com a SS para funcionamento mediante o número de utentes.

É por isso que o Lar de Ronfe, apesar de pronto há mais de um ano, ainda não abriu. “Está tudo igual. A i n d a n ã o h á , s e q u e r, p r e visão de quando vamos conseguir os acordos”, diz o pároco. E m Ve r m o i m , o s a c o r d o s existem mas falta acabar os acessos e equipar o Lar Nossa Senhora do Rosário. A construção arrancou em meados de 2009 mas a falência do primeiro empreiteiro e os atrasos nos apoios da SS atrasaram os trabalhos. L u í s Pe r e i r a

O burocrático processo de licenciamento para a construção de equipamentos sociais é um dos motivos que impedem a abertura dos lares da região. As paróquias de Pousada de Saramagos, Ronfe e Vermoim avançaram com os equipamentos sociais, face às garantias de financiamento e aos acordos de cooperação com a Segurança Social, e agora têm um quebra-cabeças para solucionar. Em Ronfe o Lar está pronto há um ano mas ainda não há data de abertura. Tal como em Vermoim.

FRASES “A i n d a h á m u i t o dinheiro para pagar ” J OÃ O S I LVA , PÁ R O C O D E R O N F E

“A S e g u r a n ç a S o c i a l c o n tinua sem estabelecer os acordos de cooperação, indispensáveis para abrir o l a r e n ã o h á p re v i s ã o d e d a t a s p a ra q u e i s s o v e n h a a a c o n t e c e r. A i n d a f a l t a m u i t o d i n h e i ro p a ra p a g a r o e q u i p a m e n t o . Te r o l a r p o r a b r i r h á u m a n o a c a rreta custos avultados de manutenção. E sem receita , a entrega a privados não está excluída . Temos batido a todas as portas a pedir a j u d a” .

“ Fa l t a m o s a ce s s o s e o equipamento” M A R C O M A RG A L H Ã E S C E N T R O S O C I A L E PA R O Q U I A L DE VERMOIM

“Não nos quisemos endividar muito na banca e fomos f a z e n d o a o b ra co n s o a n t e as disponibilidades financeiras. O azar da falência d o e m p re i t e i ro co m p l i co u e atrasou todo o process o . Fa l t a m o s a c e s s o s e o e q u i p a m e n t o”

“Há muita burocracia p a ra e s t a s o b ra s ” J O S É C A R LO S B A R B O S A PÁ R O C O D E P O U S A DA

“ O s l a re s p e q u e n o s , co m o este, normalmente não conseguem ter sustentabilidade financeira . São o b ra s u m p o u co p e r v e r s a s . A burocracia é enorme. Para projectos com esta dimensão social, não seria descabido juntar todas as licenças numa só. Descom p l i c a va - s e e m m u i t o t o d o o p ro c e s s o” .

PROTAGONISTAS

FERNANDA RIBEIRO

ANTÓNIO OLIVEIRA

DIOGO ABREU

DANIEL RODRIGUES

MANUEL CARVALHO

OUSADIA

INICIATIVA

CAMPEÃO

ANDA POR AÍ

PRUDENTE

Um hotel não surge todos os dias e muito menos numa terra pequena como Vermil. O projecto familiar “Casa dos Livros” é uma ousadia de Fernanda Ribeiro que só o tempo vai mostrar se é ou não bem sucedida.

O papel de uma Junta também é saber acolher e apoiar projectos inovadores. É o caso de “Tradições da Nossa Terra”, em que 60 mulheres de Joane, dos 11 aos 80 anos, trabalham para vestir” e colorir o centro da vila.

Os Iniciados do Desportivo de Ronfe sagraram-se campeões da Associação de Futebol de Braga (I divisão, série B). Um triunfo da aposta na formação feita pela direcção e equipa técnica liderada por Diogo Abreu.

A Casa do Povo de Ronfe, cuja Direcção é liderada por Daniel Rodrigues, ex-presidente da Junta local, assinalou 80 anos. Na cerimónia solene estiveram o presidente da Câmara e a actual autarca de Ronfe.

O p r e s i d e n t e d a Ju n t a d e Vermoim não embarca em grandes aventuras no que toca a investimentos. Prefere, diz, apostar nas pessoas numa altura em que são cada vez mais evidentes as dificuldades.


4 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

VERMOIM | MÚSICA E MODA A i n i c i a t i va “ M u s i c & Fa s h i o n ” , o r g a n i z a d a p e l a A s s o c i a ç ã o C u l t u r a l d e Ve r m o i m , l o t o u , n o d i a 2 2 de Março, o Salão Paroquial da freguesia . Em palco d e s f i l a r a m o s a t l e t a s d a A C V, m o d e l o s , a r t i s t a s e estilistas da região.

EM FOCO • RESPOSTAS SOCIAIS

Datas e números

O RL traça o retrato de cada um dos projectos sociais das paróquias de Ronfe, Pousada e Vermoim. As dificuldades, os valores de investimento, as valências, mas também o longo caminho percorrido entre a decisão de avançar com os projectos e o momento actual.

P O U S A D A | L A R S A N TA A P O L Ó N I A

R O N F E | C E N T R O S O C I A L PA R O Q U I A L

VERMOIM | LAR Nª SRª DO ROSÁRIO

Principais dificuldades Financiamento; chumbo na auditoria pela Segurança Social e a demora nas correcções. Va l ê n c i a s L a r ( 1 9 u t e n t e s ) ; C e n t r o d e d i a (30) e Apoio Domiciliário (50). Estado actual Aberto desde Dezembro. Capacidade esgotada , havendo lista de espera . Po s t o s d e t r a b a l h o c r i a d o s 1 1 Custo inicial 740 mil euros Custo final 1,1 milhões de euros. F i n a n c i a m e n t o P r o g r a m a PA R E S : 4 0 0 m i l euros; Empréstimo bancário: 200 mil euros; C â m a r a M u n i c i p a l d e Fa m a l i c ã o : 5 0 m i l e u r o s . Restante: Centro Social e particulares.

Principais dificuldades Financiamento; falta de acordos com a Segurança Social. Va l ê n c i a s L a r ( 5 2 u t e n t e s , 2 6 q u a r t o s ) ; C r e c h e ( 6 6 c r i a n ç a s ) ; J a r d i m d e I n f â n c i a ( 7 5 ) ; AT L até aos 12 anos. Estado actual: Funcionam as valências infantis. A abertura do lar mantém-se uma incógnita. Custo final 2,380 milhões de euros. Financiamento Programa POPH: 900 mil euros; Empréstimo bancário: 600 mil euros; Iniciativas da população: 300 mil euros. A Pa r ó q u i a p o n d e r a a a l i e n a ç ã o d e p a t r i m ó n i o e a entrega da gestão do lar a privados.

P r i n c i p a i s d i f i c u l d a d e s F i n a n c i a m e n t o ; Fa lência do primeiro empreiteiro; Atrasos nos apoios acordados com a Segurança Social. Va l ê n c i a s L a r ( 2 0 u t e n t e s ) ; A p o i o D o m i c i l i á r i o (15); Centro de dia (25). E s t a d o a c t u a l Fa l t a co n s t r u i r o s a c e s s o s e equipar o edifício. Não há data prevista para abertura . Custo final 1,4 milhões de euros. F i n a n c i a m e n t o P r o g r a m a PA R E S : 4 5 0 m i l euros; Empréstimo bancário: 250 mil euros; C â m a r a M u n i c i p a l d e Fa m a l i c ã o : 1 5 0 m i l e u r o s . R e s t a n t e : Pa r ó q u i a , p a r o q u i a n o s e o f e r t a s d e particulares.

CRONOLOGIA 2 0 0 8 A s s i n a t u ra d o co n t ra t o d e f i n a n c i a m e n t o d o PA R E S ( a c a r g o d o M i n i s t é r i o d o Tr a b a l h o e da Segurança Social). 2010 Início da construção. Jul de 2011 Conclusãodos trabalhos. S e t d e 2 0 1 1 S e g u r a n ç a S o c i a l c h u m b a o L a r. Maio de 2012 Conclusão da revisão dos erros apontados pela Segurança Social. Set 2012 e ano de 2013 Processo de auditorias finais da Segurança Social e Câmara M u n i c i p a l d e Fa m a l i c ã o . O b t e n ç ã o d a s licenças de funcionamento. D e z d e 2 0 1 3 A b e r t u r a p l e n a d o L a r.

CRONOLOGIA Maio de 2010 Contrato de financiamento através do POPH. Abril 2011 Segundo concurso público de construção (o primeiro foi contestado). Nov 2011: Desportivo de Ronfe inaugura estádio, libertando o terreno da Paróquia para construir o Centro. Paróquia adjudica a obra . Dez de 2011 Início da construção. Jan 2013 Conclusão da obra . S e t 2 0 1 3 Va l ê n c i a s d a i n f â n c i a n o n o v o e q u i pamento. O Lar continua a aguardar acordos com a Segurança Social.

CRONOLOGIA A b r i l d e 2 0 0 8 C o n t r a t o d o PA R E S . Abril de 2009 Obra adjudicada à empresa FA M I C A S A . Junho de 2009 Início da construção. 2010-2011: Obra suspensa por insolvência do empreiteiro. Nova adjudicação e reinício da construção. Maio de 2012 Obra suspensa por alegados atrasos nos apoios da Segurança Social. 2 0 1 3 - 2 0 1 4 N ã o s e c u m p r e m d a t a s d e co n c l u s ã o ( Junho) e de inauguração (1 de Setembro). Fa l t a a c a b a r a c e s s o s e e q u i p a r. N ã o h á d a t a de abertura .

Segurança Social imputa responsabilidades às IPSS O RL procurou obter informações sobre os processos dos equipamentos de Ronfe, Pous a d a e Ve r m o i m j u n t o da Segurança Social. A resposta veio do Gabinete de Imprensa do Instituto da Segurança Social. Aquele gabinete começa por referir que o Lar de Ronfe resulta de uma candidatura ao Programa O p e ra c i o n a l Po t e n c i a l H u mano, que não pressupõe

a c e l e b ra ç ã o d e a co r d o s d e cooperação com a Segur a n ç a S o c i a l . A Pa r ó q u i a , d i z a fo n t e , “co n h e c i a esta situação aquando da sua candidatura” e a Segurança Social, através do Centro Distrital de Braga , “nunca assumiu qualquer compromisso quanto a cooperação”. Ta i s a c o r d o s , a l e g a a S S , para além de outros requisitos, obrigam a que os equipamentos sejam concluídos e possuam licença de utilização. “Só

SEGURANÇA SOCIAL |

até Final de 2013 estavam em vigor 12.746 acordos de cooperação, correspondentes a 452.000 utentes e a uma despesa De 1,2 milhões de euros.

depois da licença é que as instituições estão em condições de requerer um acordo de cooperação. Os requerimentos são analisados pelos serviços, tendo em conta as respostas sociais definidas como prioritárias, e só após o seu deferimento poderá haver inclusão no Orçamento”. O ISS af irma que está “aten to a todas essas situações” e que tem procurado, em articulação com as direcções das Instituições em causa, a melhor solução

para o funcionamento dos equipamentos em causa. Relativamente ao Lar de Pousada de Saramagos, a l e g a q u e f o i c e l e b ra d o u m acordo de cooperação em Dezembro de 2013, data em que entrou em funcion a m e n t o . “ Po r s e t r a t a r d e uma obra construída ao a b r i g o d o PA R E S , n u n c a foi colocada a questão de falta de verba por parte do Centro Distrital de Braga . O s a t ra s o s o co r r i d o s f o ra m apenas da responsabilidade da instituição”.


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 5

OPINIÃO | Pag. 18 SÉRGIO CORTINHAS: “O GD Joane e as instituições da Democraia”

16 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER

LOCAL

da Associação Fernando Dias, presidente de Joane. de Moradores da Habitorre, é uma Construir um ringue desportivo das suas ambições.

ASSOCIAÇÕES

editorial

A missão da AMITORR

JOANE • ASSOCIAÇÕES

s da Habitorre, de Joane,

A Associação de Moradore anual de cinco mil euros.

JOAQUIM FORTE

conta com 200 sócios e um

GP 25 ABRIL SUSPENS

Projectos de Abril 1. Assinalam-se este ano 40 anos sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974 que pôs fim a uma Ditadura de quase meio século e que deixou marcas nos Portugueses - nos que se lhe opuseram de várias maneiras, nos que a apoiaram e nos que a toleraram. Esperava-se que, sendo uma “data redonda”, as comemorações surgissem com maior intensidade nas freguesias da nossa área de influência, mesmo naquelas que habitualmente se mostram tímidas ou pouco propensas a exaltações da Liberdade. Mas não. Joane continua a primar por um certo silêncio em matéria de evocações do Dia da Liberdade, apesar do seu dinamismo associativo e das suas apetências culturais. Valha-nos Airão Santa Maria, que cumpre a tradição, e o facto de o programa evocativo da Câmara Municipal de Famalicão contemplar duas iniciativas na freguesia de Mogege - um espectáculo de tributo a Ary

E

orçamento

O

se e o pouco Há três anos a cri as empresas, apoio da Câmara e d o GP de Atleditou a suspensão d

que chegou tismo AMITORRE, cial da Comissão o - como a Loja So ão nacional. Associação de M a alcançar dimens reguesias funciosa mas perrre Social Inter-F A prova foi suspen radores da Habito ritório, somos a os no plano e u na no nosso ter manece todos os an (AMITORRE) nasc is próxima para associação à ti- a s s o c i a ç ã o m a de actividades da u funem 1999 para dar con r no dia-a-dia do se dias. sempenhado ajuda espera de melhores nuidade ao papel de mento”, realça. q u e e s t e v e ciona er u q E R R O T I M A a pela cooperativa , turo l da década No fu activa desde o fina o desporto, aumen o ficou apostar n d n a u e q s , a 2 p 9 i 9 u 1 q e é t e a d de 80 tando o número zação. se possível, concluída a urbani de modalidades. E, e d o ã ç n u f a a o h v i n i t t r “A cooperativa uir um ringue despo s dinheiros constr equipa gerir o processo e o acilite a vida à única do momento que f actie terminou a partir em actualmente em com os mo- que t dente em que as contas e e que está depen ertadas e a vidad ão do radores ficaram ac endário de utilizaç concluída. do cal ara os urbanização ficou hão das Piscinas. P u-se que era pavil ando Mais tarde, percebe ores, adianta Fern dade a um morad i u n i t n o olução c s r a a m d u o s m i é c b e pr eria tam que zelasse Dias, s um terreno que projecto associativo res positiva. “Há o d a r o m s o d onde m u o d m a o pelo bem c e para ser urbaniz m a s c o i s a s estev ssível e terminasse algu amos que seria po por fazer”, penáv messas que haviam ficado er o ringue. As pro Dias, actual ergu itas mas sem conserecorda Fernando u m o d i s m ê t TORRE. ente. presidente da AMI ia”, lamenta o dirig i r a m n o v a s quênc anual na o t n e m a ç Com o tempo surg r o m u m ão cerca de Co s, a habitações. Hoje s dos cinco mil euro não admira o r d e m ugnar 500 os moradores. E ORRE continua a p merado po- AMIT is por que face a este aglo das autarquias loca ORRE tenha junto na Urpulacional a AMIT ntervenção de fundo to, passando uma i âmara alterado o seu objec ação. “Há 20 anos a C cial, despor- baniz turas, a actuar nas áreas so ruiu as infra-estru muita gente const cêntiva e cultural. “Há nca mais gastou um u n s a m e e n a o J de ovação a viver nesta zona . É urgente a ren io alimentar t i m o s e das tornou-se necessár trada, dos passeio munidade”, da es ento”, reinesse espírito de co tampas de saneam nta-se, refere o dirigente. ca o dirigente. Leva r actividade, vindi po de Nos tempos de maio o, a questão: esse ti a dedicar- contud u o s s oma c p r e E s R e R v O e T d I o M ã a A enções n sporto, sem interv “Essa é se, sobretudo, ao de cia da AMITORRE? o entre mo- petên reciso esquecer o convívi deia errada que é p is, festas de uma i Dias. radores, com arraia istificar”, responde m objectivo desm nas 10% Natal. Tudo com u 200 associados (ape n t e r o e s p i - Com dia) a AMITORRE fundamental: “ma m e s a t o c m o c o ã ç e integra tividarito de vizinhança rês espaços para ac utar contra tem t ição, a dos habitantes e l secretaria da institu a , s i n t e t i z a des. A espaço exclusão”. Ou sej (que tem servido de iver em co- sede cedida Fernando Dias, “v nvívio) e uma sala t a r e f a c a d a de co é usada munidade”, uma m empresário e que e em tempos por u para vez mais important udo por mulheres atentos às sobret Luís Pereira de crise. “Estamos aulas de ginástica. , e s a o s s e p s a d necessidades

A

PARALELOS POLÉMICOSd e

Freguesia Na Assembleia de liveira (PSD/ Dezembro, Xavier O gitimidade da PP) questionou a le ralelos para Junta para doar pa s garagens de calcetar o acesso à itorre. “É um moradores da Hab a escritura caminho público e os moradores comprova-o e foram o-de-obra”, que pagaram a mã ias reage Fernasndo D

dos Santos, com Ivo Machado e António Sousa (uma dupla que passou por Joane, há dois anos, no programa de dinamização cultural do Auditório da antiga autarquia em cuja dinamização participou o RL) e uma “Noite de Conto e Poesia”. 2. A Junta de Freguesia de Joane é uma das entidades promotoras do projecto “Tradições da Nossa Terra”, uma interessante experiência idealizada pela artista Quitéria Campos que envolve nada mais nada menos do que 60 mulheres, com idades entre os 11 e os 80 anos, oriundas de vários locais de Joane. O objectivo a que se propõe este “colectivo” não é tarefa simples: confeccionar peças em croché que vão “vestir” as árvores do Largo 3 de Julho por alturas do aniversário da elevação a Vila. O projecto, além das suas características inovadoras que o tornam apetecível do ponto de vista informativo, assume

PAG. 16 | ASSOCIAÇÕES O RL continua a promover as associações da nossa terra . Nesta edição a Associação de Moradores da Habitorre, de Joane: 200 sócios e um orçamento anual de cinco mil euros.

particular importância pela diversidade etária (que tem permitido um intercâmbio de conhecimentos). Ou seja, como refere o presidente da Junta de Freguesia, António Oliveira, permite uma “permuta de sabres”. Verificar o envolvimento da autarquia num projecto que tem, para lá das suas evidentes motivações sociais, um cariz cultural - estamos a falar de um acto criativo e de peças que podem ser expostas - é digno de realce. 3. Outra aposta interessante, pelo seu carácter inventivo: o concerto na Casa das Artes de Famalicão, no dia cinco de Abril: um “casamento” entre a “pop” da banda “We Trust” e a classe da Orquestra Artave. Esta última acabou por dar um toque distintivo às melodias escorreitas e limpas do grupo português, conhecidas de algumas campanhas publicitárias televisivas. NOTA FINAL: Aos leitores do RL endereçamos votos de uma boa Páscoa.

o que se diz “Nós, os Famalicenses e os Portugueses, estamos cada vez mais pobres!” Mário Martins, O Povo Famalicense

“PS acusa Paulo Cunha de “silêncio cúmplice” com o Governo”

“Manifesto dos 70? Eu assino!” Joaquim Lima, Cidade Hoje.

O Povo Famalicense

“Coligação PSD-PP censura “politiquice” do PS Famalicense”

“Criminalidade violenta aumentou 50 por cento em Guimarães” Público

Idem

“Câmara de Famalicão não aceita encerramento de extensões de saúde” Opinião Pública

“Câmara de Guimarães vai realizar obras na Via InterMunicipal Joane – Vizela” Guimarães Digital

Propriedade e Editor - Tamanho das Palavras, Lda - Rua das Balias, 65, 4805-476 Stª Mª de Airão Telefone 252 099 279 E-mail geral@reporterlocal.com Membros detentores de mais de 10 % capital Joaquim Forte e Luís Pereira Director Joaquim Forte ( joaquim.forte@gmail.com) Redacção Luís Pereira (luispereira@reporterlocal.com) Paginação Filipa Maia Colaboradores Fernanda Faria; João Moura; Luís Santos; Sérgio Cortinhas; Quintino Pinto Impressão Gráfica Diário do Minho | Tiragem 4000 ex. Jornal de distribuição gratuita Distribuição: Alberto Fernandes | Registo ICS 122048 | NIPC 508 419 514

“Guimarães: O refúgio minhoto de Cadilhe, AguiarBranco e Marques Mendes”

“O Nuno Melo é um conservador típico, um homem aberto mas conservador. No aborto sou contra, mas sou muito aberto no casamento gay e na paridade das mulheres. Ele não” Paulo Rangel. Revista Sábado.

“Medicamento associado ao risco de cancro utilizado no tratamento da diabetes em Portugal” Público

Título do JN

“Direcção do Vitória de Guimarães expulsa Emílio Macedo (anterior presidente) de sócio” Desportivo de Guimarães

“Aumento do salário mínimo beneficiaria mais de meio milhão de trabalhadores do privado e do Estado” Público


6 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

LOCALIDADES

JOANE | EARO NO PÓDIO EM GUIMARÃES A E s co l a At l e t i s m o Ro s a O l i v e i ra , d e Jo a n e , co n q u i s t o u s e t e p ódios no GP Juni, em Guimarães. Ana Marinho (benjamim), Sara Oliveira ( juvenil) e Hermínia Pereira (veterana) subiram ao pódio. E n t r e t a n t o , n a p r i m e i ra m e i a m a ra t o n a d e B a r c e l o s , A n d r é S i l va (sub-23) estabeleceu novo recorde pessoal em 1.12:50.

RONFE • EFEMÉRIDE

Recados e sorrisos na cerimónia dos 80 anos da Casa do Povo Política esteve presente nos discursos da cerimónia que contou com o presidente da Câmara Luís Pereira

TROCA DE RECADOS COM POLÍTICA DE FUNDO

N

inguém quis politizar a sessão solene das comemorações dos 80 anos da Casa do Povo (no dia 29 de Março), mas a política esteve sempre presente nos discursos (ver caixa). Daniel Rodrigues, que preside à instituição depois de se ter demitido da Junta PSD, assumiu a posição de anfitrião, deu recados e conselhos à nova autarca do PS e pediu apoios ao presidente da Câmara Municipal de Guimarães. “Quando a história desta casa se misturou com a política, o povo ficou a perder”, disse Rodrigues, recordando os tempos conturbados das direcções anteriores que levaram à estagnação da actividade e à degradação do edifício. O cenário, afirmou, só mudou em 2010. A cerimónia dos 80 anos homenageou o fundador da instituição, Teixeira de Melo, mas centrouse no “renascimento” dos dois últimos anos. Daniel Rodrigues quis saber de Domingos Bragança se o protocolo da

transferência da sede de Junta para a Casa do Povo, de 2008, é para manter, manifestando-se disponível para tal, apesar das mudanças na Junta. O presidente da Câmara mostrou-se “disponível para reavaliar o protocolo”. O clima de incómodo inicial foi-se quebrando ao longo da cerimónia, sobretudo quando Bragança garantiu apoio financeir0. O edil mostrou-se “imensamente satisfeito” com o

JUNTA DE RONFE PASSA A GERIR REFEITÓRIO DA ESCOLA DE GEMUNDE A passagem da gestão do refeitório da escola de Gemunde para a Junta de Ronfe foi o único assunto da sessão da Assembleia de Freguesia extraordinária realizada no passado dia 24 de Março, depois de ter sido cancelada por ameaça de impugnação dos eleitos do PSD/PP por alegada falta de documentação. L.PEREIRA

daniel rodrigues |

“Quando a história desta casa se misturou com a política , o povo ficou a perder. Esta casa não serve de abrigo a refugiados políticos” A proposta do Executivo liderado por Adelaide Ribeiro, e aprovada por unanimidade, prevê que o serviço de refeições dos alunos de Ronfe, actualmente sob gestão da Junta da União de Freguesias de Airão S. João, Airão Santa Maria e Vermil, passe para a alçada de Ronfe. A mudança não implica encargos financeiros acrescidos para a autarquia já que os 550 euros mensais referentes à remuneração de duas funcionárias, continuam a ser transferidos pela Câmara Municipal de Guimarães. Apenas muda

trabalho na Casa do Povo, elogiou o ressurgir da sua actividade e registou “com agrado” a garantia de Rodrigues de que a instituição que dirige “trabalha exclusivamente para o bem comum”. As contas da Casa do Povo, anunciou Daniel Rodrigues, estão saneadas, tal como a dívida às finanças. No futuro, a aposta continuará a ser na cultura, tempos livres e na recuperação do património. a autarquia destinatária. Face às dúvidas colocadaspela oposição, Adelaide Silva revelou que o contrato tem a duração de um ano a contar desde Janeiro último. Um dado que levantou dúvidas à oposição quanto à legitimidade da medida, já que o contrato deveria entrar em vigor só após autorização da Assembleia. “O contrato está em vigor há três meses sem a autorização, obrigatória, da AF. A Junta não cumpriu a lei, uma vez mais”, acusou Henrique Barros, do PSD/PP. A Junta assegura que até

Em matéria de “recados”, Daniel Rodrigues não esqueceu Adelaide Silva, a mulher que acabou com o domínio PSD na vila. Começou por responderlhe à acusação sobre os seus alegados objectivos políticos e da Casa do Povo. “Estou fora da actividade política em Ronfe”, afirmou o exautarca e membro da Comissão Política do PSD de Guimarães. “Não somos refugiados políticos e esta casa não serve de abrigo a refugiados políticos. Não ligue ao que dizem nos cafés os que ainda andam na poeira das eleições”, adiantou, manifestando, porém, abertura para trabalhar com a Junta. Adelaide Silva elogiou o trabalho da Casa do Povo e recusou atribuir valor às “conversas de café”. “A Casa do Povo pode contar com a Junta porque tem feito um bom trabalho. É importante que ela seja cada vez menos politizada”, sustentou.

à aprovação em Assembleia não assumiu competências para as quais agora está autorizada. O facto de o nopvo serviço não acarretar uma despesa acrescida para a Junta, convenceu a oposição a votar a favor da proposta. Contudo, a legalidade da convocação da Assembleia para discutir o assunto continua a merecer a desconfiança da oposição que, via requerimento, solicitou a acta da reunião de Junta, sendo informada que a mesma estará disponível para consulta no sítio da Junta de Freguesia na Internet.


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 7

JOANE | UNIVERSIDADE SÉNIOR ABRE DIA 14 A U n i v e r s i d a d e S é n i o r D. D i n i s , d a ATC , a b r e n o d i a 1 4 de Abril. Até ao momento inscreveram-se 25 pessoas, a maioria em informática . O arranque inclui uma cerimónia agendada para as 11:00horas.

EXPOSIÇÃO DE OBJECTOS ESCUTISTAS O Salão Paroquial de Vermil recebeu, no passado dia 22 de Março, uma exposição de objectos escutistas. A iniciativa decorreu no âmbito do 77.º aniversário dos escutas locais e juntou seis colecionadores oriundos de Guimarães, Famalicão, Vila Verde e Coimbra. Exposta esteve, por exem-

CENTRO ESCOLAR DE RONFE

JOANE

OBRAS JÁ COMEÇARAM

PSD elege nova Comissão Política a 10 de Maio

As eleições da Comissão Po l í t i c a d o N ú c l e o d e J o ane do PSD realizam-se no dia 10 de Maio, entre as 16 e as 18:00 horas. O p ra z o p a ra e n t r e g a d e l i s t a s decorre até às 00:00 horas do terceiro dia anterior ao acto eleitoral.

plo, a primeira edição do escutismo para rapazes (“Manual do Aduaneiro”) e vários artigos relacionados com acampamentos internacionais, anilhas para lenços, porta-chaves, vários Livros, insígnias de variados tipos. Cerca de 150 pessoas passaram pela exposição que será repetida no próximo ano.

A construção do Centro Escolar de Ronfe começou no passado dia sete de Abril. O investimento superior a dois milhões de euros tem um prazo de execução de 240 dias devendo abrir em Janeiro de 2015. O Centro tem uma área de construção de 3000 metros quadrados num terreno perto da Escola EB 2,3 Abel Salazar. Inclui uma área de arranjos exteriores de aproximadamente 8000

metros quadrados e está projectado para acolher 285 alunos, 25 do préescolar e 260 do primeiro ciclo. O edifício em forma de “U” terá um único piso, tendo como espaço central uma sala polivalente para educação física, expressão plástica e serviços de refeições. Biblioteca, cozinha, posto médico, gabinetes administrativos, salas de professores são outras valências do projecto.

Custódio reeleito sem surpresas na ATC

Custódio Oliveira foi ree l e i t o p r e s i d e n t e d a ATC de Joane para os próximos três anos. Sem surpresas, o dirigente foi o único candidato nas eleições de 29 de Março. A novidade do novo elenco é o reforço do número de membros do C o n s e l h o S u p e r i o r. A U n i v e r s i d a d e S é n i o r, a quinta pedagógica nos terr e n o s d a s Fo n t e s ; a c r i a ç ã o d a E m p r e s a S o c i a l ATC e o Hospital de Rectaguarda s ã o o s p r i n c i p a i s p ro j e c t o s .

PUBLICIDADE

VERMIL

JOANE | ENCONTRO COM ESCRITORA A escola Bernardino Machado recebeu a escritora Maria João Lopo de Carvalho. A autora assistiu à leitura do livro “Margarida Muda de Escola”, a uma peça de teatro e a entrega de prémios.


PUBLICIDADE


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 9

UM HOTEL APOSTADO NA TRANQUILIDADE Com seis quartos, a “Casa dos Livros” quer cativar turistas estrangeiros que visitam Guimarães, Braga, Porto e Viana e empresas da região que procuram locais equipados para reuniões e eventos.

O

edifício que pela sua imponência salta à vista a quem circula na Rua de Casais, em Ve r m i l , é a g o r a u m h o t e l q u e quer tirar partido do sossego e da localização e captar turistas estrangeiros e empresas da região. O mote do projecto são o s l i v r o s . F e r n a n d o Pe s s o a , E ç a de Queirós, Sophia de Mello B r e y n e r, J o s é S a r a m a g o , E r n e s t Hemingway e Gabriel Garcia Marquez, emprestam o nome aos seis quartos. A casa pertence ao empresário António Ribeiro. Sem ligações a Ve r m i l , c o m r a í z e s e r e s i d ê n c i a e m G u i m a rã e s , co m p ro u o t e r r e n o e m 1 9 9 9 e co n s t u i u , t r ê s a n o s depois, uma vistosa casa com 950 metros quadrados. Servia para reunir a família longe da agitação da cidade mas teve pouco uso. Há um ano, a filha , Fá t i m a , c o m e ç o u a d e s e n v o l v e r a ideia que culminou no hotel. O público-alvo é o turista estrangeiro que visita Guimarães, B r a g a , Po r t o e V i a n a , “ q u e g o s t a de cultura e de tranquilidade”, mas também as empresas da região que ali podem realizar reuniões ou eventos de negócios. Para já é um projecto familiar que dá os primeiros passos. Até atingir o sucesso desejável, não está prevista a criação de postos de trabalho.

CASA DOS LIVROS

Um hotel em Vermil

Fá t i m a R i b e i r o d i z q u e e s t e é o p e r í odo favorável para divulgar o nome da unidade hoteleira , apostando em mercados como o Brasil e a Alemanha . “Com coisas simples nasceram ideias originais como a decoração dos quartos e os bordados”, conta esta apaix o n a d a p e l a l i t e r a t u r a . “A “ C a s a d o s Livros” é um espaço criado para as pessoas poderem usufruir do tempo e , c o m c a l m a , p o d e r e m l e r, q u e é outra coisa que se está a fazer cada vez menos”, afirma .

A ideia , adianta a promotora , é servir o pequeno-almoço e o serviço no quarto. “Não fazemos o resto das refeições, mas temos quem as traga cá, se necessário, e há cozinha para os h ó s p e d e s q u e p r e t e n d a m co n fe cc i o n a r as refeições”. Além disso, esclarece, a casa pode ser toda alugada ou por q u a r t o s . Po r f i m , s a l i e n t a a i n d a q u e o p ro j e c t o p o d e r e p r e s e n t a r m a i s - va l i a s p a r a Ve r m i l , s o b r e t u d o n a d i n a m i z a ção do pequeno negócio local.

PUBLICIDADE

Luís Pereira


10 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

“ VESTIR” JOANE! O projecto que pretende “ vestir” Joane de croché envolve mulheres dos 11 aos 80 anos uma diversidade etária que tem permitido um intercâmbio de conhecimentos - que reúnem às quintas-feiras, na sede da Junta .

Mulheres “vestem” Joane de croché LUÍS PEREIRA

A

s árvores do Largo 3 de Julho, no centro de Joane, vão ser revestidas com mantas feitas em croché. O projecto envolve 60 mulheres, divididas por seis grupos, de vários pontos da vila, que têm dado à agulha desde o final do ano passado, a todo o gás para que tudo esteja pronto a tempo das comemorações d o a n i v e r s á r i o d a e l e va ç ã o d e J o a n e a vila , em Julho. Não se espante, pois, o leitor q u a n d o , n o Ve r ã o , v i r a f i g u r a d e uma mulher portuguesa numa das á r vo r e s d o L a r g o . A s l u va s , o co r p e t e e a saia tradicional que a vestirão e s t ã o a s e r co n fe cc i o n a d a s , a c ro c h é , p o r u m d o s g r u p o s . O “J a r d i m d a s b o r b o l e t a s ” , a s “A r a n h i c e s ” e a s “Quatro Estações” são temas que

dão mote à criatividade feminina. O p r o j e c t o “ Tr a d i ç õ e s d a n o s s a terra” é da autoria de Quitéria Campos e conta com o apoio da Junta de Freguesia de Joane. Integra voluntárias e orientadoras, “mulheres de Joane com formação específica em trabalhos manuais e no croché”, informa a mentora . A iniciativa envolve mulheres dos 11 aos 80 anos - uma diversidade etária que tem permitido um intercâmbio de conhecimentos que reúnem às quintas-feiras, na sede da Junta . Nos casos em que as participantes não podem deslocarse, são as orientadoras que vão ao seu encontro. “Há muita vontade de partilhar conhecimentos. As mais velhas ensinam, por exemplo, pormenores

de fazer um enxoval com saquinhos bordados para as peças ficarem cheirosas e para afastar a traça . Explicam às mais novas os segredos da arte de bem-fazer croché. Há muita gente, entre os 40 e 50 anos, que fez o enxoval e que agora transmite o conhecimento a outras gerações”, conta Quitéria Campos. Alguns dos grupos já costuraram mais de cem peças que vão, depois, encaixar num molde, ganhando forma . A condição obrigatória é que sejam todas feitas em croché e rendas com fio de algodão, lã e tirela . “Queremos revestir o centro de Joane com cores e motivos do passado, mas com olhos no futuro da terra”, explica Quitéria Campos. O material usado é todo reaproveitado para que, através


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 11

MULHERES MÃOS À OBRA! O p r o j e c t o “ Tr a d i ç õ e s d a N o s s a Te r r a ” e n v o l v e 6 0 mulheres de vários pontos de Joane. Há meio ano q u e “d ã o à a g u l h a ” p a r a q u e t u d o e s t e j a p r o n t o a tempo das comemorações do aniversário da elevação de Joane a vila , em Julho.

AVÓ E NETA

Paixão pelo croché

da reciclagem, se origine um produto artesanal artístico e com utilidade. As matérias vêm de vários pontos: escolas, particulares e comércio local. A Junta de Freguesia partilha a responsabilidade de assegurar que nada falte e q u e a s m u l h e r e s n ã o d e i xe m d e “d a r à a g u l h a ” . É q u e o t e m p o escasseia: tudo tem de estar pronto no aniversário da vila . O resultado ficará exposto no largo da antiga feira durante o mês de Julho. Depois, o projecto ro d a rá p o r o u t ro s l o c a i s , c o m o a praceta da antiga sede de Junta e a rotunda de Joane

( Via Inter-Municipal), e, quem s a b e , p e l o Pa r q u e d a D e v e s a , e m Fa m a l i c ã o . A s s i m a C â m a r a Municipal entenda fazer o convite às mulheres de Joane!

PA R T I L H A R S A B E R E S O p r e s i d e n t e d a Ju n t a d e Jo a n e , António Oliveira, vê com satisfação o desenrolar deste projecto que desde logo decidiu a p o i a r. E j á p o n d e r a p r o l o n g a r a iniciativa , que encara como uma “oportunidade de colocar os mais velhos a partilhar saberes com os mais jovens”.

O projecto, relata o autarca , “tem ainda mais valor por ocupar de forma activa os tempos livres de muitas joanenses empenhadas num objectivo comum”. S e m r e ve l a r va l o r e s e nvo l v i d o s no projecto - no que toca ao investimento envolvido por parte da autarquia -, António Oliveira assegura que o apoio f i n a n ce i ro d a Ju n t a é “ r e s i d u a l ” uma vez que a maioria dos materiais provém de uma rede alargada de doações.

Beatriz Batista, 56 anos, não hesitou quando foi desafiada para trabalhar no projecto. O entusiasmo desta reformada foi tal que acabou por contagiar a neta de 11 anos. “Gosto destas coisas e interessome pelo que a minha avó f a z . E s t o u a a p r e n d e r, é u m bocado complicado, exige observar muito”, relata Cristina Sousa. Ao invés, a avó é mestre na arte de fazer renda desde os cinco anos. “No meu tempo não havia parques infantis. As nossas ocupações eram jogar à pedrinha, ao “mata” e f a z e r r e n d a . F i z o p r i m e i ro enxoval do meu filho e nunca mais parei”, recorda Beatriz . A neta veio “por curiosidade” e p o r t r a d i ç ã o f a m i l i a r. “Quase todas as mulheres da minha família sabem f a z e r c ro c h é e e u g o s t ava d e manter a tradição”, afirma Cristina Sousa. Ta l c o m o a s 6 0 m u l h e r e s envolvidas no projecto, Beatriz Batista está segura do êxito e lamenta que esta arte se perca entre a “ j u v e n t u d e d e a g o r a ” . Po d e s e r, a v e n t a a r e f o r m a d a , “que com isto lhe ganhem o gosto”.


PUBLICIDADE


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 13

J O A N E | C ientistas visitaram C entro E scolar A equipa de cientistas do Centro de Ciência do Europarque, de Santa Maria da Feira , esteve no Centro E s c o l a r d e J o a n e n o â m b i t o d o p r o g r a m a “ Pa i s c o m a C i ê n c i a d a C i ê n c i a V i v a ” , d i n a m i z a d o p e l a A s s o c i a ç ã o d e Pa i s . O s a l u n o s c o n s t r u í r a m q u a t r o b r i n q u e d o s ó p t i c o s q u e p e r m i t e m v i s u a l i z a r a n i m a ç ã o , d e s v e n d a r a m os mistérios da ilusão óptica e do cinema . A Oficina “Imagem Animada” foi a última de quatro actividades c i e n t í f i c a s d o p r o j e c t o “ C i e n t i s t a s d e Pa l m o e M e i o ” , n o â m b i t o d o P r o g r a m a “ Pa i s c o m a C i ê n c i a ” .

RONFE • DESPORTO

Desportivo: uma escola de campeões! Equipa de Iniciados sagrou-se campeã distrital. Direcção do clube mantém aposta na formação Luís Pereira

H

ouve festa rija, no passado dia 30, em Celorico de Basto. Não era caso para menos! À 22.ª jornada do campeonato de Iniciados da Associação de Futebol de Braga (I divisão, série B), a equipa do Desportivo de Ronfe sagrou-se campeã a quatro jornadas do fim. Um percurso sem derrotas, só interrompido no passado fim-desemana, e mesmo assim já com o título assegurado. Esta é a primeira grande conquista da direcção de Rui Barros e dos 28 atletas que compõem o plantel orientado por Diogo Abreu. Autor de 21 golos, Vítor Gomes, extremo da equipa, não se contenta com a conquista do título. “Queremos bater recordes”, diz ao RL. O espírito de equipa é, para o goleador, a chave do sucesso. “Os problemas são resolvidos sempre da melhor maneira. Ser campeão é o sonho de qualquer miúdo que joga à bola”, afirma. Discurso idêntico tem o capitão de equipa, Ricardo Costa, há seis anos a representar o clube, que vê o título como coro-

lário do muito trabalho. Para estes miúdos apaixonados pela bola, conciliar os estudos nem sempre é fácil. A política do clube e a exigência do treinador conseguiram, contudo, assegurar o equilíbrio. “Quando se gosta de futebol, fazem-se sacrifícios e conciliam-se as duas coisas. Sei da importância da escola mas também sei que não me importava de fazer do futebol a minha vida”, comenta Vítor Gomes. Diogo Abreu chegou a Ronfe vindo do Morei-

61 golos marcados 28 atletas campeões

distritais de iniciados

22 jornadas sem derrotas

14 equipas em competição

13/15 Idades dos jovens da equipa

13 golos sofridos 2 empates

rense e, após três épocas a treinar jovens, foi no Desportivo que alcançou o seu primeiro título. Um feito que se explica pelo trabalho e pela coesão do grupo. “Mais do que ensinar a táctica e a técnica do futebol, quis ser pedagogo”, refere o treinador que na próxima época vai orientar a equipa juvenil. “Há aqui miúdos que, se se aplicarem, vão vingar no futebol pela qualidade que demonstram”, vaticina Diogo Abreu.

V Í TO R G O M E S Autor de 21 dos 61 golos

R I C A R D O C O S TA Capitão da equipa de Iniciados

DIOGO ABREU Tr e i n a d o r I n i c i a d o s

“Mais que ser campeões, querem o s b a t e r r e co r d e s n o c l u b e . É a mentalidade de nos tentarmos superar sempre. Damos o máximo nos treinos. Ser campeão é o sonho de qualquer miúdo que joga à bola”.

“Estou no Desportivo há seis anos. A dedicação nos treinos acabou por dar frutos. Sermos c a m p e õ e s fo i u m a a l e g r i a m u i t o grande. Fomos campeões pelo trabalho de toda a equipa e não pelo acaso”.

“A p a l a v r a m á g i c a é t r a b a l h o ! Tr a b a l h o á r d u o e n ã o p e n s a r que as coisas caem do céu. C r i a m o s u m g r u p o co e s o . Te n t e i incentivá-los a lutarem todos pelo mesmo e a mensagem foi bem interpretada”.

ABÍLIO PEREIRA Coordenador das Camadas Jovens do DR

O futuro do clube passa pela formação” Quantas equipas tem o clube nas camadas jovens em competição? Oito federadas (benjamins, infantis, iniciados, juvenis e juniores) e os “ Tiaguinhos” (50 miúdos). Ao todo são 180 atletas. Sendo a formação uma aposta da direcção, como receberam este primeiro título de campeões? O Diogo Abreu foi uma a p o s t a p e s s o a l e p ro v o u s e r um homem de convicções f i r m e s . Po r i s s o , n a p róxima época será o treinador dos Juvenis. Setenta e cinco por cento da equipa campeã de iniciados são oriundos dos “ Tiaguinhos” e quase todos de Ronfe. O projecto dos “ Tiaguinhos” é importante para o Desportivo? O futuro do clube passa pela formação. Na próxima época, da equipa de juniores subirão seis a sete atletas à equipa principal. Em quatro anos de mandato queremos que a equipa sénior seja quase toda feita com atletas da formação do Ronfe. Qual é o papel dos pais neste processo? Mantemos reuniões e são envolvidos no percurso. Queremos restruturar algumas coisas, uma delas passa por termos acesso às notas escolares dos miúdos para evitar que caiam na tentação de se desligarem dos estudos. O Ronfe mantém-se um clube pequeno comparado com o s d i t o s t u b a r õ e s . Te m o s dificuldade em segurar atletas benjamins e infantis quando o Braga , o Guimar ã e s o u o Po r t o o s a l i c i a m . Ficamos sempre com o coração apertado porque queremos que eles fiquem mas também não querem o s “c o r t a r - l h e s a s a s a s ” . Ficamos contentes quando são os próprios atletas e os pais que nos vêm inform a r q u e q u e r e m f i c a r. A esmagadora maioria quer c h e g a r à e q u i p a s é n i o r.


14 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

FAMALICÃO

MOGEGE | 40 anos do 25 de ABRIL A Junta de Freguesia de Mogege recebe duas das iniciativas que integram o programa dos 40 anos do 25 de Abril organ i z a d o p e l a C â m a r a M u n i c i p a l . O e s p e t á c u l o “A s P o r t a s q u e Abril abriu”, tributo a Ary dos Santos com Ivo Machado e A n t ó n i o S o u s a , n o d i a 2 5 , e a “ N o i t e d o C o n t o e Po e s i a ” , a 2 4 .

FAMALICÃO • ACÇÃO SOCIAL

Câmara e ARS unidas em defesa da Saúde no concelho Protocolo visa definir localização dos equipamentos de Saúde primários no concelho

POUSADA

Paulo Cunha reuniu com movimento associativo

A

Câmara Municipal de Famalicão vai assinar um protocolo de colaboração com a Administração Regional de Saúde do Norte para a definição conjunta da localização futura dos equipamentos de Cuidados de Saúde Primários no concelho. O protocolo surge na sequência do trabalho que a autarquia tem vindo a desenvolver junto dos responsáveis de saúde. O protocolo tem em vista a elaboração de uma Carta dos Equipamentos de Cuidados de Saúde Primários do Concelho. O presidente da autarquia espera que o protocolo permita agilizar a solução para os problemas existentes no concelho em matéria de saúde que acabam por afectar

O presidente da Câmara de Fa m a l i c ã o , Pa u l o C u n h a , r e u n i u e m Po u s a d a d e S a r a m a g o s com o movimento associativo local. No encontro, o autarca ouviu queixas sobre a necessidade de espaços para as associações desenvolverem as suas iniciativas. A Pa ró q u i a d e Po u s a d a f o i a q u e m a i s d e m o n s t ro u e s s a d i f i culdade. O chefe do Executivo municipal garantiu a cedência da escola da freguesia para as actividades da catequese.

PAULO CUNHA

“É fundamental que toda a população DE FAMALICÃO tenha acesso à saúde , muito concretamente as pessoas mais desfavorecidas e os seniores”.

particularmente os idosos e os mais necssitados. De acordo com o protocolo a ARS irá disponibilizar o levantamento das infraestruturas existentes, do seu estado de conservação e da sua utilização pelos utentes. Por sua vez, a autarquia irá disponibilizar a colaboração dos serviços municipais, designadamente na identificação de edifícios que possam ser utilizados para concretizar a Carta. O acordo surge depois de a Câmara e diversos presidentes de Junta terem reagido critica e publicamnte contra o esvaziamento de serviços médicos que tem vindo a verificar-se nas extensões de saúde do concelho, sinal de um eventual encerramento futuro decidido pela tutela.

25 DE ABRIL | 40 ANOS RELATÓRIO DE GESTÃO 2013 CÂMARA LANÇA LENÇOS DAS CÂMARA MUNICIPAL “MADRINHAS DE GUERRA” FAZ BALANÇO POSITIVO A Revolução do 25 de Abril de 1974 pôs fim ao regime ditatorial de Salazar e representou também o fim da Guerra Colonial. É este episódio da história nacional que serve de inspiração a um dos pontos centrais das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril em Famalicão. Trata-se da apresentação dos “Lenços das Madrinhas de Guerra”, apresentados como “um hino à tradição das bordadeiras”. Bordados em tons de verde, sobre o linho, os lenços eternizam poemas e declarações de amor, que serviram de alento e deram esperança a muitos soldados enquanto combatiam na Guerra Colonial. A apresentação dos lenços está marcada para o dia 25 de Abril, pelas 11:30 horas, nos Paços do Concelho, animada pela atuação das Contratadeiras, que irão entoar músicas de Abril.

O Relatório de Gestão 2013 da Câmara Municipal de Famalicão foi aprovado por maioria na última reunião camarária. Para Paulo Cunha, presidente da autarquia, o balanço é positivo, tendo em conta a crise que o País atravessa. O autarca apontou a sobriedade, a preocupação social e o apoio à educação e à formação como elementos centrais da acção do Executivo. Em matéria financeira, realçou a diminuição da dívida a terceiros em 3,8 por cento, passando de 38.150 mil euros para 36.696 mil euros. “A Câmara continua a desenvolver as suas atividades mas não o faz à custa das gerações vindouras”, afirmou, sublinhando que a conjuntura fez com que, em 2013, o Município não pudesse contar com as condições financeiras ideais para realizar outras iniciativas pretendidas, como a a infra-estruturação do concelho.

FAMALICÃO

Foto de Família A C â m a ra d e Fa m a l i c ã o va i l a n ç a r o co n c u r s o d e f o t o g ra f i a “ F o t o d e Fa m í l i a ” . O o b j e c t i vo é captar um momento de descontracção e harmonia f a m i l i a r. To d a s a s f o t o g r a f i a s serão apresentadas ao público numa projecção multimédia , na Fundação Cupertino de Miranda, havendo prémios para as melhores. As inscrições decorrem de 15 a 30 de Abril e a entrega das fotografias até 15 de Maio. O primeiro prémio é uma refeição em família , para quatro pessoas. Regulamento d i s p o n í v e l e m w w w. v i l a n o v a defamalicao.org.

FAMALICÃO

Acção sobre Eleições Europeias 2014 A Antena de Informação Eur o p e i a d e Fa m a l i c ã o p r o m o v e nesta sexta-feira , 11 de Abril, p e l a s 2 1 : 1 5 h o ra s , n o a u d i t ó r i o da Biblioteca Municipal, a ação informativa sobre as Eleições Europeias 2014. A ação, aberta à comunidade em geral, destina-se especialmente aos jovens que votarão pela primeira vez em Maio. A iniciativa pretende sensibilizar os cidadãos para as temáticas relacionadas com q u e s t õ e s e u ro p e i a s e i n f o r m a r e consciencializar os jovens à participação.


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 15

ENTREVISTA

JOANE | JUVENIS DA ATC CAMPEÕES DISTRITAIS A e q u i p a d e b a s q u e t e b o l m a s c u l i n o d e s u b - 1 8 d a ATC é c a m p e ã D i s t r i t a l 2013-2014, depois de vencer o SC Braga . A equipa joanense garantiu a pres e n ç a n a Ta ç a N a c i o n a l e n a f a s e d e a c e s s o a o C a m p e o n a t o N a c i o n a l . D e p o i s d o s s u b - 1 6 m a s c u l i n o s , e s t e f o i o s e g u n d o t í t u l o d a m o d a l i d a d e p a r a a AT C .

MANUEL CARVALHO

“SEI QUE PAULO CUNHA HONRARÁ OS SEUS COMPROMISSOS COM VERMOIM”

“Xavier Forte foi o melhor presidente de Vermoim” MANUEL CARVALHO Presidente da Junta de Freguesia de Vermoim (PSD-PP) Como têm sido estes primeiros tempos como presidente de Junta? Os tempos exigem uma disponibilidade total para os cidadãos e muitas vezes sentimo-nos impotentes para dar a resposta que gostaríamos a todos. Sendo um homem que há anos desenvolve trabalho autárquico na freguesia, o que mudou no seu trabalho? Rigorosamente nada. Continuo com a mesma dedicação de um vermoinense que bebeu água da Lameira, que ama a sua terra e quer continuar a trabalhar pelo bem comum. A coligação perdeu 7,5% do eleitorado de 2009. Esperava outro resultado? Todos nós temos a esperança de ter melhores resultados, mas, como democratas, aceitámos com naturalidade o resultado que o povo sabiamente nos confere. O PS subiu quase 6% e ficou a 4,5% da vitória. Pode ser visto como um “cartão vermelho” a Xavier Forte ou é o premiar do trabalho da oposição? Podemos especular com vários cenários: descontentamento pelas políticas do Governo; nas campanhas eleitorais, em Vermoim, o PS foi claramente vencedor, em acções e investimento; a apresentação por parte do PS do mesmo candidato; desgaste de 12 anos de governação... De forma alguma houve “cartão vermelho” a Xavier

Forte que foi, provavelmente, o melhor presidente de Junta de Vermoim. Basta recordar o que era a freguesia em 2001 e o que é actualmente. Não existia planeamento, saneamento básico, a rede pública de água era escassa, a rede de águas pluviais praticamente inexistente; o movimento associativo estava de costas voltadas para a Junta. Tudo isso terminou. Em 12 anos Vermoim desenvolveu-se pela acção do antigo presidente da Junta e pela percepção que a Câmara Municipal teve em perceber o atraso estrutural, promovendo um forte investimento. Não prometeu grandes obras em campanha. Quais são as prioridades? Não fiz nenhuma promessa para obras que não tinha a certeza e convicção de, com o orçamento disponível e a situação económica, poder realizar. As prioridades são a educação e a acção social. A minha primeira medida foi dar lanches saudáveis a todos os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo. Os encarregados de educação não têm de se preocupar com o lanche para os seus educandos. Somos das poucas autarquias do país a proporcionar lanches gratuitos. É uma medida de educação alimentar e saúde pública, mas também de equidade social, terminando com a diferenciação dos lanches, e de apoio às famílias. O apoio a famílias e a idosos, em consultas médicas, medicamentos, pagamento de bens básicos e

essenciais, já estão no terreno e serão reforçados. Nas infraestruturas, tenho como compromissos o alargamento das redes públicas de águas residuais e pluviais e o melhoramento da rede viária. A campanha ficou marcada pela discussão em torno do que fazer com a ex-fiacção. Continua a não ser prioridade para si a resolução desse “mamarracho” de Vermoim, como o classificou? Continua em agenda e a merecer atenção. Sendo sério, considerando o estado social e económico que se vive, os nossos esforços em termos de investimento irão, em primeiro lugar, para apoio aos mais necessitados. Pode parecer uma orientação politicamente incorrecta e fazer perder votos, mas a prioridade serão sempre as pessoas e as suas necessidades. Mas não pugnará pelo apoio da Câmara para aquisição daquele espaço? A aquisição, a permuta, urbanização e cedências terão sempre que passar pela Câmara. Aguardemos por tempos mais favoráveis. Em que pé está a construção da zona industrial? O Plano Director Municipal será em breve alvo de debate público. Estamos a fazer levantamentos, a recolher informações e queremos uma grande reflexão sobre isso com associações, moradores, grupos informais e cidadãos. Luis Pereira

António Sousa, presidente da Junta de Pousada, considerou, ao RL, que o primeiro orçamento camarário da era Paulo Cunha foi uma desilusão para aquela freguesia. Vermoim pode queixar-se do mesmo? Qualquer autarca quer mais e melhor. O presidente Paulo Cunha tem mantido com todos os presidentes de Junta um trabalho colaborativo. Quanto a Vermoim, ele sabe das necessidades, conhece o nosso Plano Plurianual de Investimentos e sabemos que tudo fará para que ele se concretize. Todo e qualquer compromisso, satisfação, insatisfação, são para ser conversados, em primeiro lugar, com o presidente da Câmara e nos locais certos. O que espera da governação de Paulo Cunha? É o presidente de Câmara de Famalicão mais votado de sempre, o que lhe confere uma grande responsabilidade, mas sei que honrará os seus compromissos. Tem sido um presidente sempre presente, conhecedor profundo das várias áreas de intervenção municipal, dialogante. Este é um novo perfil de autarca que trará um futuro mais risonho para as actuais e futuras gerações. O que está previsto concretizar este ano? A continuação da rede de saneamento e de águas pluviais e acções de melhoria na rede viária, de acordo com o plano de actividades da Junta. Que espera da oposição? Responsabilidade, sentido crítico e construtivo, propostas e soluções para a construção de uma freguesia melhor. Como diz o ditado: “onde todos ajudam nada custa”. O partido de todos deveria ser Vermoim. Está disponível para envolver o PS em projectos e decisões importantes para Vermoim? É minha obrigação envolver o PS, a CDU, o movimento associativo, os cidadãos nas tomadas de decisão de assuntos relevantes para o futuro colectivo. A passagem pelo Executivo não confere a ninguém a sobranceria de dispensar contributos. Os mandatos são efémeros, e é importante a envolvência cívica de um grande número de pessoas, para ouvir visões diferentes, válidas.


16 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

ASSOCIAÇÕES

Fernando Dias, presidente da Associação de Moradores da Habitorre, de Joane. Construir um ringue desportivo é uma das suas ambições.

JOANE • ASSOCIAÇÕES

A missão da AMITORRE A Associação de Moradores da Habitorre, de Joane, conta com 200 sócios e um orçamento anual de cinco mil euros.

GP 25 ABRIL SUSPENSO

A

Associação de Moradores da Habitorre (AMITORRE) nasceu em 1999 para dar continuidade ao papel desempenhado pela cooperativa que esteve activa desde o final da década de 80 até 1992, quando ficou concluída a urbanização. “A cooperativa tinha a função de gerir o processo e os dinheiros e terminou a partir do momento em que as contas com os moradores ficaram acertadas e a urbanização ficou concluída. Mais tarde, percebeu-se que era preciso dar continuidade a um projecto associativo que zelasse pelo bem comum dos moradores e terminasse algumas coisas que haviam ficado por fazer”, recorda Fernando Dias, actual presidente da AMITORRE. Com o tempo surgiram novas habitações. Hoje são cerca de 500 os moradores. E não admira que face a este aglomerado populacional a AMITORRE tenha alterado o seu objecto, passando a actuar nas áreas social, desportiva e cultural. “Há muita gente a viver nesta zona de Joane e tornou-se necessário alimentar esse espírito de comunidade”, refere o dirigente. Nos tempos de maior actividade, a AMITORRE passou a dedicarse, sobretudo, ao desporto, sem esquecer o convívio entre moradores, com arraiais, festas de Natal. Tudo com um objectivo fundamental: “manter o espirito de vizinhança e integração dos habitantes e lutar contra exclusão”. Ou seja, sintetiza Fernando Dias, “viver em comunidade”, uma tarefa cada vez mais importante em tempos de crise. “Estamos atentos às necessidades das pessoas e,

como a Loja Social da Comissão Social Inter-Freguesias funciona no nosso território, somos a associação mais próxima para ajudar no dia-a-dia do seu funcionamento”, realça. No futuro, a AMITORRE quer apostar no desporto, aumentando o número de equipas e de modalidades. E, se possível, construir um ringue desportivo que facilite a vida à única equipa que tem actualmente em actividade e que está dependente do calendário de utilização do pavilhão das Piscinas. Para os moradores, adianta Fernando Dias, seria também uma solução positiva. “Há um terreno que esteve para ser urbanizado onde penávamos que seria possível erguer o ringue. As promessas têm sido muitas mas sem consequência”, lamenta o dirigente. Com um orçamento anual na ordem dos cinco mil euros, a AMITORRE continua a pugnar junto das autarquias locais por uma intervenção de fundo na Urbanização. “Há 20 anos a Câmara construiu as infra-estruturas, mas nunca mais gastou um cêntimo. É urgente a renovação da estrada, dos passeios e das tampas de saneamento”, reinvindica o dirigente. Levanta-se, contudo, a questão: esse tipo de intervenções não deve ser competência da AMITORRE? “Essa é uma ideia errada que é preciso desmistificar”, responde Dias. Com 200 associados (apenas 10% com cotas em dia) a AMITORRE tem três espaços para actividades. A secretaria da instituição, a sede (que tem servido de espaço de convívio) e uma sala cedida por um empresário e que é usada sobretudo por mulheres para aulas de ginástica. Luís Pereira

Há três anos a crise e o pouco apoio da Câmara e das empresas, ditou a suspensão do GP de Atletismo AMITORRE, que chegou a alcançar dimensão nacional. A prova foi suspensa mas permanece todos os anos no plano de actividades da associação à espera de melhores dias.

PARALELOS POLÉMICOS Na Assembleia de Freguesia de Dezembro, Xavier Oliveira (PSD/ PP) questionou a legitimidade da Junta para doar paralelos para calcetar o acesso às garagens de moradores da Habitorre. “É um caminho público e a escritura comprova-o e foram os moradores que pagaram a mão-de-obra”, reage Fernasndo Dias


REPÓRTER LOCAL • MARÇO DE 2014 • 17

EMPRESAS

ARTUR XAVIER FORTE H á 4 0 a n o s , n u m a n o m a r c a n t e p a r a Po r t u g a l , l a n çou um pequeno negócio de mercearia . em Joane. Agora emprega 14 pessoas, factura seis milhões de e u r o s e é P M E L í d e r.

JOANE • empresas

XAVIER´S De mercearia a PME Líder

E

A A P O S TA N O S Q U E I J O S A empresa afirmou-se no mercado na área da charcutaria e carne. Nos últimos anos “abraçou” os lacticínios, sobretudo a marca exclusiva de queijo importado que hoje têm um peso assinalável na performance da “Xavier´s”. “Há dez anos não havia tanta concorrência nos lacticínios e isso fez-nos ganhar uma considerável quota de mercado e o produto começou a ganhar uma importância maior na estrutura da empresa . O queijo entrou quase por acaso e tornou-se um produto chave”, explica Sérgio Forte.

S U C E S S Ã O N AT U R A L

a n o a t i n g i u o s s e i s m i l h õ e s d e e u ro s de facturação, após um período de crescimento sustentado, mas, apesar do êxito, a empresa não está imune às dificuldades da baixa de consumo e dos problemas típicos de um sector onde a concorrência é grande, desenfreada e desigual. “Por consciência e obrigação, trabalhamos totalmente dentro da legalidade”, refere Sérgio Forte, realçando que há concorrentes que

não seguem os mesmos princípios. A crise tem aumentado a concorrência desleal e tornado o mercado mais perverso, com uma descida do padrão de qualidade. “A s e m p r e s a s m e n o s e q u i l i b r a d a s financeiramente sentem-se tent a d a s a f a z e r t u d o p a r a v e n d e r. São mais agressivas no preço e fogem mais às responsabilidades, fazendo baixar as margens de lucro de todos”, denuncia o empresário.

Sérgio Forte conhece desde pequeno os meandros da empresa criada pelo pai, tendo acompanhado a sua evolução. Hoje divide funções administrativas com o fundador (“é assim que estamos bem”) mas não g o s t a d e f a l a r e m “ s u c e s s ã o ” . Te m consciência de que assumir a administração “trará muita responsabilid a d e ” , m a s n ã o s e a s s u s t a . “A p e s a r de não abdicarmos de trabalhar de forma completamente legal, com as dificuldades de concorrência que isso acarreta, os resultados são um pequeno milagre num ramo onde há milhares de empresas”, sublinha Sérgio Forte.

PUBLICIDADE

m Abril de 1974, Artur Xavier Forte estaria longe de imaginar que a pequena mercearia que acabara de montar viria a ser distinguida, 40 anos depois, como “PME Líder” pelo Instit u t o d e A p o i o à s Pe q u e n a s e Médias Empresas. A mercearia que arrancou no rés-do-chão da sua antiga habitação passou a a d o p t a r a m a r c a “ X a v i e r ’s ” , depois de se ter afirmado como “Carnes Xavier”. O filho, Sérgio(foto), partilha com o fundador a administração da empresa de produtos alimentares que, na última década, tem nos lacticínios a s u a g r a n d e r e f e r ê n c i a . “A p e s a r de continuarmos a distribuir charcutaria e carne num raio de 100 quilómetros, o queijo ganhou maior peso na estratégia da empresa. Somos importadores de grande capacidade e vendemos a grandes armazenistas. Na charcutaria e a carne somos um “player” no m e r c a d o , co m o m u i t o s o u t ro s ” , explica Sérgio Forte. Longe vão os tempos em que a empresa distribuía carne com uma pequena e única carrinha pelos cafés e mercearias da região. Agora , uma frota de 10 v i a t u ra s p e r co r r e , d i a r i a m e n t e , 400 quilómetros. “Compramos muito e vendemos a quem gasta p o u co , n o c a s o d a c h a r c u t a r i a e carne. Nos lacticínios, entre os 500 clientes temos do grossista ao pequeno café”. Há 40 anos, Xavier Forte era o único na empresa ; hoje são 14 os colaboradores. No último


18 MARÇO DE 2014 • REPÓRTER LOCAL

OPINIÃO

Sérgio Cortinhas Professor | Joane (Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

O GD Joane e as instituições da democracia compromissos ou contratos eleitorais com os eleitores, governando apenas ao sabor de estratégicos interesses macroeconómicos, contra os também legítimos interesses e necessidades das classes média ou baixa, as únicas que têm contribuído com os seus sacrifícios para melhorar as contas públicas. O único imposto que, desde 2011 baixou em Portugal foi o IRC. Entre 2010 e 2012, os benefícios fiscais às empresas aumentaram 157 milhões de euros e os benefícios aos particulares caíram 130 milhões de euros. Os custos da eletricidade encontram-se entre os mais elevados da Europa. A EDP teve mais de mil milhões de euros de lucro em 2013. No entanto, pasme-se, quase um terço dos seus resultados resultam de compensações do Estado vertidas nas faturas dos consumidores. Acrescente-se a promiscuidade escandalosa entre governantes ou exgovernantes, deputados e outros altos responsáveis e o poder económico. Um exemplo: a privatização dos CTT - uma das empresas públicas portuguesas mais lucrativas - foi supervisionada pelas PLMJ e Abreu & Associados, sociedades de advogados muito bem “relacionadas” com uma boa parte dos deputados e onde pontificam advogados tão insuspeitos como os comentadores “independentes” do PSD, Morais Sarmento e Marques Mendes. O maior acionista dos CTT, depois da privatização, é o Goldman Sachs (GS), banco americano que domina mafiosamente o poder político mundial. A “conquista” dos CTT pela GS em dezembro teve direito a prémio: Luís Arnaud, alto dirigente do PSD e ex-ministro de Durão Barroso e Santana Lopes, foi nomeado em janeiro para o conselho consultivo internacional do banco. A Educação também espera por melhores dias. Um governo neoliberal de direita tão conservadora como este pensa que a

desigualdade social é uma coisa natural e, por isso, o Estado não tem que intervir para compensar e retificar desigualdades. Temos um ministro da educação mais preocupado em limitar totalitariamente nas escolas o acesso livre à internet, em reduzir cada vez mais os apoios sociais às famílias e em desprestigiar os professores e o ensino público.

E se, ao menos, tivéssemos um Presidente da República que garantisse, como lhe compete e conforme reza a constituição, o “regular funcionamento das instituições democráticas”, nem tudo estaria perdido. Mas está (mesmo que contemos com a resistência do Tribunal Constitucional)! Lembrando-me da corrupção da arbitragem e do penalty contra o Joane,

dou comigo a pensar que é apenas um mal menor. Porque, apesar de tudo, o futebol e o GDJ são importantes mas não são instituições básicas, como os Tribunais, o Governo, o Parlamento, a Educação ou o Presidente da Rep] ublica. Estas são o alicerce da nossa democracia. E se os alicerces são frágeis, é t o d o u m p aí s , s e m e me nd a , que caminha para a ruína.

PUBLICIDADE

Há anos que não via um jogo do GD de Joane. Razões pessoais levaram-me este domingo à tarde ao Estádio do Barreiros para ver um derby concelhio com o G.D. Ribeirão. A vitória era importantíssima para as aspirações do Joane. Aos 90’ o Joane ganhava merecidamente por 4-3. No entanto, o árbitro, depois de ter carregado os jogadores do Joane com amarelos e de dar seis minutos de descontos, marcou um penalty, a 30 segundos do fim. O resultado fixou-se em 4-4, ficando a sensação de que o Joane tinha sido “roubado”, tão perto que estava o árbitro do lance para ver aquilo que todos viram de longe: um corte limpo e insuspeito de um jogador do Joane. No regresso a casa veio-me novamente à cabeça uma ideia que me tem ocupado nos últimos meses: somos um país à beira da ruína, sem emenda, porque as instituições básicas da nossa democracia não funcionam ou funcionam muito mal: os Tribunais, o Governo, o Parlamento, a Assembleia da República, a Constituição/Leis e a Educação, fundamentais para concretizar os mais importantes valores da democracia: liberdade, igualdade e justiça. Os Tribunais não funcionam ou funcionam apenas para punir os fracos e ilibar prescritivamente os fortes. Há dias o banqueiro Jardim Gonçalves, que continua a sugar o Estado com reformas pornográficas, viu prescrita uma coima de 1 milhão de euros aplicada pelo Banco de Portugal – é apenas um (representativo), entre muitos outros exemplos, da inércia dos nossos tribunais que ainda não conseguiram condenar nenhum dos implicados nos casos BPN, Submarinos ou Face Oculta, simplesmente porque envolvem pessoas muito poderosas. O Governo, orientado por um “neoliberalismo repressivo” (como bem lhe chamou o insuspeito Adriano Moreira), faz tábua rasa de quaisquer


PUBLICIDADE


PUBLICIDADE


Rl marco 2014  
Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you