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ação esporte viagem arte música

Uma revista além do comum

março de 2014

D E N T R O DA A M A ZÔ N I A Entramos na competição de 204 km no meio da floresta M U H A M M A D A LI A luta que mudou o mundo ESPECIAL OSCAR

16 páginas com palpites, histórias e CURIOSIDADES

MESTRES

DO CÉU O RETORNO DO Red Bull Air Race


apresenta

A HistรณriA Por trรกs

Do reD Bull strAtos

A s s i tA c o m e x c l u s i v i d A d e o d o c u m e n tรก r i o e m :

rdio.com/redbullstratos

1 YEAR

ANNIVERSARY


o Mundo de red bull

24

o retorno dos mestres do céu

Mike Hewitt/Red Bull Content Pool (cover), Daniel Grund/Red Bull Photofiles

peter strain

Tudo sobre a temporada de 2014 do Red Bull Air Race

bem-vindo

Motores ligados, pista liberada e aceleração máxima! É assim o início da corrida mais alucinante da Terra, o Red Bull Air Race, que está de volta em 2014. Também nas alturas, porém sem motor, acompanhamos o highline, que é uma modalidade do slackline praticado em grandes alturas. Entrevistamos os atletas mais importantes da modalidade e nos aprofundamos no que eles chamam de “religião”. Em nossa viagem ainda passamos por dentro da cabeça excêntrica de Nicolas Cage, pelo coração da Selva Amazônica e pelas luvas do fenomenal Muhammad Ali, num texto inspirador de Thomas Hauser, o biógrafo do boxeador. Respire fundo antes de mudar de tela, muita energia está por vir. “Me redescobri como ator. Voltei

às minhas raízes”  Nicolas CagE, pág. 36


março de 2014

42

Nesta edição

correria na selva

Bullevard

O Red Bull Kirimbawa reuniu 90 atletas em plena Floresta Amazônica para um desafio inédito

Destaques

68

24 Red Bull Air Race Eles voltaram

36 Nicolas Cage

Gosta de jacarés e asas-delta!

42 Kirimbawa

rei da moto

O francês Tom Pagès é simplesmente “O Cara” do motocross freestyle (FMX). O mundial será no México, em março

Quem é o grande guerreiro?

79

50 Simonne Jones

ela vai longe

56 Highline

Ela é virtuose. Ela é gata.

A musa do atletismo, Ivana Spanovic, conta como mantém as pernas em forma para as competições

50

Simonne Jones

4



62 Muhammad Ali

Há 50 anos, ele fez história

68 Tom Pagès

Os segredos dos truques de moto

ação!

62 Ela faz os instrumentos, toca vários ­deles, é meio geninha e agora será ­também personagem de HQ

O slackline das alturas

o cara que mudou tudo

Há 50 anos, Cassius Clay virou o centro do mundo esportivo – e político. Thomas Hauser, seu biógrafo, nos explica

78 79 80 81 82 84 85 86 88

Malas prontas  Sibéria para loucos EM FORMA  Ivana Spanovic Meu equipo  Dorian Concept BALADA  Los Angeles WFL world run  A Maratona Mundial MINHA CIDADE  Copenhague MÚSICA  Katy B NA AGENDA  É Carnaval momento mágico Escalador de Gelo

the red bulletin

Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool, Predrag Vuckovic/Red Bull Content Pool(2), Andrew Woffinden, ddp images

0 8  o oscar vai para... Fizemos todos os levantamentos e considerações possíveis para celebrar o mês da festa de Hollywood


updateordie.com

Update rDie!

A segunda melhor maneira de proteger a sua cabeça.

ÂŽ


nosso time quem fez esta edição THE RED BULLETIN Brasil, ISSN2308-5940 Editora e Sede Editorial Red Bull Media House GmbH Gerente Geral Wolfgang Winter Diretor Editorial Franz Renkin Editores-Chefes Alexander Macheck, Robert Sperl Editor Brasil Fernando Gueiros

fernando gueiros

thomas hauser O nome do escritor americano foi o primeiro a aparecer quando ­tivemos a ideia de falar sobre o 50º aniversário da vitória épica de Muhammad Ali sobre Sonny Liston. O livro de Hauser, Muhammad Ali: His Life and Times, é considerado a biografia definitiva de Ali. “É difícil imaginar como foi importante para a época”, diz Hauser. “Cinquenta anos depois, poucos ainda lembram do furor que ele criou, mas a imagem de um jovem forte e vibrante será eterna.”

Mosquitos e um calor infernal foram problemas relativamente pequenos para o nosso editor em sua viagem ao Red Bull Kirimbawa, uma corrida de aventura em pleno coração da Floresta Amazônica. “Chegamos em voadeiras no meio da madrugada”, diz Gueiros, que mora em São Paulo. “Tive que seguir os competidores no meio do mato carregando a minha mochila e uma lanterna na testa.” A recompensa depois de 24 horas sem dormir foi um incrível pôr do sol no Rio Amazonas.

O fotógrafo de Londres está acostumado a trabalhar com gente talentosa. Seus créditos recentes incluem atores da Inglaterra como Naomie Harris para a revista Esquire e Damian Lewis para o jornal The Guardian. Mas, quando a musicista americana Simonne Jones plantou bananeira de salto alto para uma foto na edição deste mês do Red Bulletin, Woffinden ficou estupefato. “Simonne foi incrível”, ele diz. “Ela foi como uma supermulher. Parece que ela pode conseguir tudo.”

6



Editora Assistente Marion Wildmann Redator-Chefe Daniel Kudernatsch Gerentes de Projeto Cassio Cortes, Paula Svetlic Apoio Editorial Ulrich Corazza, Werner Jessner, Ruth Morgan, Florian Obkircher, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager, ­Stefan Wagner, Paul Wilson Colaboraram nesta edição Lisa Blazek, Georg Eckelsberger, Raffael Fritz, Sophie Haslinger, Marianne Minar, Boro Petric, Holger Potye, Martina Powell, Mara Simperler, Clemens Stachel, Manon Steiner, Lukas Wagner Editores de Arte Miles English (Diretor) Martina de Carvalho-Hutter, Silvia Druml, Kevin Goll, Carita Najewitz, Kasimir Reimann, Esther Straganz Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora Artística de Fotografia) Eva Kerschbaum, Rudi Übelhör Revisão Judith Mutici, Manrico Patta Neto Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Karsten Lehmann, Josef Mühlbacher Gerente de Produção Michael Bergmeister Produção Wolfgang Stecher (Diretor) Walter O. Sádaba, Christian Graf-Simpson (tablet) Financeiro Siegmar Hofstetter, Simone Mihalits Marketing & Gerência de países Stefan Ebner (Diretor), Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varming

dan krauss andrew woffinden

Diretor de Arte Erik Turek Diretor de Fotografia Fritz Schuster

O fotógrafo de Los Angeles já fez fotos para uma capa do Red Bulletin com o DJ A-Trak, mas dessa vez pedimos para ele ir um pouco além: colocamos Dan para registrar a fantástica aventura que é a prática do highline. Pense em se equilibrar em um cabo a quilômetros de altura. “Fiz slackline por cinco anos e pratico o highline há dois”, ele diz. “A sensação é impressionante, você se sente um gigante.” Encontre seu equilíbrio na página 56.

“Cinquenta anos depois, poucos ainda lembram do furor que Ali criou” Thomas Hauser

Assinaturas e Distribuição Klaus Pleninger, Peter Schiffer Marketing de Criação Peter Knethl, Julia Schweikhardt Anúncios Marcio Sales, (11) 3894-0207, contato@hands.com.br Gestão de anúncios Sabrina Schneider Coordenadoria Manuela Geßlbauer, Kristina Krizmanic, Anna Schober IT Michael Thaler Escritório Central Red Bull Media House GmbH, Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg, FN 297115i, Landesgericht Salzburg, ATU63611700 Sede da Redação Heinrich-Collin-Straße 1, A-1140 Wien Fone +43 1 90221-28800 Fax +43 1 90221-28809 Contato redaktion@at.redbulletin.com Publicação O Red Bulletin é publicado simultaneamente na Áustria, Brasil, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Kuwait, México, Nova Zelândia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Visite nosso site www.redbulletin.com.br

the red bulletin


/redbulletin

A AL ÉM DO CO UM A RE VI ST

M UM

ADRENALINA

QUE TE FOTOGRAFIAS LEGO DEIXAM SEM FÔ

TALENTO

UE ESTÃO AS PESSOAS Q UNDO MUDANDO O M

E X T R E MO

UE AVENTURAS Q MITES ROMPEM OS LI

©Dom Daher

S EU . o t n E M Mo A L É M D O COM

UM

SEU MoMEnto. ALÉM DO COMUM

DOWNLOAD GRATUITO


oscar 2014

OBRI G ADO , OBRI G ADO , OBRI G ADO

bom perdedor

Michael DouGlas

Nem mesmo por seu papel de Gordon Gekko em Wall Street – Poder e Cobiça ele ganhou a estatueta. Na pele de ­Liberace, em Behind the Candelabra (título original), ele não teve nem a chance. O filme estreou nos Estados Unidos direto na TV, longe das telonas. Michael Douglas parece não se importar: um verdadeiro macho que interpreta muito bem um pianista gay, com direito a beijos de Matt Damon toda vez que desperta seu ciúme. ­Michael definitivamente não mede seu sucesso por pequenas estatuetas.

Martin Schoeller/August

Ele merece dois Oscars: um de Melhor Ator e outro de Melhor Atriz


3

HERÓIS D I G ITA I S ...que mereciam um Oscar de Ator Coadjuvante:

M EU M A LVA D O FAVO RIT O Tipo único. Talento para o caos: infinito. Capacidade de concentração: “mínima”.

O BURRO FALANTE Shrek sem ele seria como o mundo sem Eddie Murphy. Bordão: “Já chegamos?”

COMPUTADOR NO CINEMA

o s ca r 2 0 1 4

NÃO CONFIE NOS SEUS OLHOS Estes três filmes revolucionaram o que

antes entendíamos por “efeitos especiais”

Avata r James Cameron levou para o cinema, em 2009, o primeiro blockbuster da nova geração 3D. Nunca antes se viram cenas reais tão bem combinadas com as computadorizadas.

M at r i x Em 1999, o tempo congelou – e isso foi chamado de bullet time. Foi filmado com 24 câmaras, gerando ações de 360º em câmera lenta. Um efeito que influenciou o cinema.

AAPimages/Allaccess/Maria Laura Antonelli, The Kobal Collection, imago(2), picturedesk.com(4), getty images(2), Corbis(3)

E O OSCAR DE OLHAR CANSADO MAIS ­BONITO VAI PARA... Scarlett johansson. Em três filmes, ela foi a musa de Woody Allen, duas vezes eleita “a mulher mais sexy do mundo”, e agora, no filme Ela, a moça seduz Joaquin Phoenix apenas com a voz, quando ele se apaixona pelo software falante de seu Smartphone. Ela deveria ganhar um Oscar todo ano, não acha?

Eu, por f avo r! Muitos chegam perto, outros ganham vários e tem os que esperam a vida inteira. Como diria Jack: “Alguns matariam por uma estatueta”.

the red bulletin

Buzz Lightyear Este sim parece um super-herói. O herói de Toy Story nós seguiremos “até o infinito e muito além”.

C Í R C U L O D E F O G O Com o épico alienígena de Guillermo del Toro, a técnica digital ganhou uma força inesperada e surpreendente: monstros versus robôs.

Sempre eles

ep  l Stre  Mery Oscars    3

en  lson   an Co Nicho & Ethscars  l  JackOscars   e o  J  3 O  3

Quase lá

pp  ny De  John ado 3x  e  nom

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9


o s car 2 0 1 4

HITS DO OSCAR QUE QUASE NINGUÉM VIU

GRANDE ARTE, BILHETERIA FRACA

Hollywood ama os grandes sucessos de bilheteria – e os filmes que a princípio não atraem o público chamam atenção depois, quando levam para casa a estatueta do Oscar... Porém, nem sempre! Estas quatro obras-primas atraíram apenas os mais apaixonados por cinema

O fascinante filme de guerra de Kathryn Bigelow sobre especialistas em bombas foi o ganhador do Oscar menos procurado na internet de todos os tempos.

AMOR

Amor x Morte.

Investindo nessa parceria, Michael Haneke ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro ano passado.

POR QUE NÃO TEM FINAL FELIZ?

P O R Q U E V O C Ê VA I B O C E J A R ?

Jeremy Renner deveria simplesmente ter ficado com a família.

A batalha do amor contra a dureza da morte dura duas... horas... e... sete... minutos.

Assim o filme teria bombado. Q U E M FA LTA?

george clooney.

NÃO CONFUNDA COM...

A Morte Lhe Cai bem, com Meryl Streep e Goldie Hawn.

E SEAN PENN. E DENZEL WASHINGTON. E DANIEL DAY-LEWIS.

p erfeito PA R A . . .

Piromaníacos e terroristas

Q U E M FA LTA?

brad pitt

em seu papel de Joe Black.

QUEM É O VERDADEIRO HERÓI? Os que foram ver o filme no primeiro encontro... e continuam juntos.

O AMOR DEVE SER DE VERDADE! 10



A PA R T I DA

O A R T I S TA

Daigo é tocador de violoncelo e está desem­pregado. Então ele vai trabalhar como preparador de cadáveres numa agência funerária. Ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro em 2008.

Oscar de Melhor Filme de 2012: ator de filmes mudos se apaixona por dançarina. Daí surge o filme sonoro. A dançarina vai trabalhar no cinema, e ele faz carreira no alcoolismo.

O Q U E FA LTA?

QUEM É O VERDADEIRO HERÓI?

UMA AGÊNCIA DE EMPREGOS EFICAZ. p erfeito PA R A . . . Aficionados pela série A Sete Palmos com

síndrome de abstinência.

FICA NA MEMÓRIA PORQUE... ...você talvez um dia também precise de um preparador de cadáveres.

F I N A L A LT E R N AT I V O

bruce lee

se levanta da maca de cadáveres para preparação, ressuscitado, e parte para o combate.

Uggie, o cachorro P O R Q U E V O C Ê VA I B O C E J A R ?

Porque é um filme mudo, oras.

Q U E M FA LTA?

Sr. Som & Sra. Cor

the red bulletin

picturedesk.com(3), The Kobal Collection, Filmladen Filmverleih(2)

G U E R R A AO T E R R O R


LOUCAMENTE SEXY

QUE ROUPA É ESTA?

Couro, tanguinha e muita pele de fora: no conteúdo as musas fantásticas do cinema podem até deixar a desejar, mas elas têm uma missão extra, de tirar o fôlego, que cumprem muito bem – nos seduzir. E se fosse criado um Oscar para isso?

neytiri

Ela é totalmente azul, o tempo todo. Mas com a Neytiri do Avatar a gente não recusaria o convite de ir a um acampamento selvagem passar um tempo.

jessica rabbit

THE KOBAL COLLECTION(2), picturedesk.com

Bem, o tamanho dos peitos dela em Uma Cilada Para ­Roger Rabbit nós devemos agradecer a um ótimo desenhista. Ainda assim, nosso amor por ela é sincero.

M U L H ER - G AT O O filme Mulher-Gato pode ter sido um fiasco. Mas a Halle Berry usando ­máscara de gato e chicote é defini­tivamente mais sexy do que o Indiana Jones e seu velho chapeuzinho.


Etalon Film/The Kobal Collection

O S CA R 2 0 1 4

GOSTARÍAMOS DE VER OSCARS PARA DUBLÊS

OS VERDADEIROS HERÓIS DE HOLLYWOOD

Dublês de ambos os sexos arriscam seus ossos pelos filmes de ação – como em Velozes e Furiosos 6. Não existe Oscar para esse ofício, mas a categoria é premiada anualmente no Taurus World Stunt Awards 12


A estrela de Velozes e Furiosos Tyrese Gibson, saltando de um carro para outro... Mentira! Quem pula ĂŠ Mens-Sana Tamakloe, seu dublĂŞ


O S CA R 2 0 1 4

HISTÓRIA DO CINEMA

CULTS sem prêmios Eles nos presentearam com momentos para

a eternidade. E continuam sem nenhum Oscar

ALFRED HITCHCOCK, 1968: “Muito obrigado”.

“ i ’ l l b e b ac k ! ”

Três palavras e meia foram o bastante para que Arnie, com o EXTERMINADOR DO FUTURO, entrasse para a história do cinema.

Gwyneth paltrow, 1999: “Obrigada. Obrigada. Obrigada! Obrigada! Obrigada, obrigada. Obrigada, blá, obrigada, obrigada, obrigada. Obrigada! Obrigada, obrigada! Obrigada, obrigada. Obrigada, blá, obrigada. Obrigada e obrigada, obrigada. Obrigada!”.

As estrelas agradecem

A gente desculpa três coisas no discurso de agradecimento: brinca­ deirinhas, espontaneida­ de e emoções puras. Mas, por favor, nada de lamen­ tações! Gwyneth Paltrow nunca mais foi indicada de­ pois de seu choroso agrade­ cimento de 1999 (23 vezes “obrigada”). Já Adrien ­Brody, que tascou um beijo de língua selvagem em Halle Berry, em 2003, também nunca mais entrou na lista de nomeados. O discurso de agradecimento mais longo aconteceu em 1943: Greer Garson falou durante 7 minutos. Foi seu único Oscar. 14



C O N D I Ç Ã O B R U TA L

“Primeira regra: você não pode falar sobre o CLUBE DA LUTA.” Os jurados do Oscar obedeceram à regra e ignoraram o filme.

PERCUSSÃO VODU O Rei dos Zumbis (1941): a comédia de horror foi um total fracasso, mas a trilha sonora caribenha de “cantos tribais” que ­ganhou o Oscar é até hoje um modelo para músicas de filmes de terror.

ELETRÔNICO A Rede Social (2010): com Trent Reznor do Nine Inch Nails na trilha sonora não se esperaria um dra­ malhão. Mas o diretor David Fincher surpreen­ deu com o lado cool, melancólico e obscuro do som eletrônico. ryan inzana

sem chororô

FILMES COM SONS INSÓLITOS

S E O S Q UA D R I S M ATA S S E M

Uma Thurman e John Travolta formam em PULP FICTION a melhor dupla de todos os filmes de Tarantino. Mais que Oscar: ganharam fama eterna.

CORAL GREGORIANO A Profecia (1976): para quem tem unhas para roer e orelhas para congelar. Com “Ave, ­Satani!”, de Jerry ­Goldsmith, m ­ ilhões de espectadores ficaram em dúvida se deviam ­tapar olhos ou ouvidos.

the red bulletin

picturedesk.com(2), getty images, THE KOBAL COLLECTION(2)

DOI S AGRADEC I M E NTOS NA Í NTEGRA


StudioCanal/Cinetext/Allstar

Geoff Berkshire

Daniel Brühl

tempos difíceis

“Quando você tem a chance de f­ azer um filme com um gênio como o ­diretor Ron Howard, não dá para ­reclamar. Nem mesmo quando você tem de passar sete horas filmando sem ­tirar uma maldita máscara. Mas, ao olhar diariamente as orientações para as cenas, muitas vezes ficava meio indignado: ‘Chris Hemsworth, primeira cena: beija uma enfermeira’, ‘Chris Hemsworth, segunda cena: faz sexo com a enfermeira’; ‘Daniel Brühl, primeira cena: confere os pneus’. ­Foram tempos difíceis para meu ego.”


O S CA R 2 0 1 4

GUIA DO BLOCKBUSTER

SIGA O LABIRINTO

Como se escreve um sucesso de Hollywood? Aristóteles já sabia há 2 400 anos. Aí vai a fórmula* para um roteiro de sucesso

1 Herói no dia a dia

2

3

A aventura chama

O herói recusa

4 O herói encontra seu mentor

5 O herói aceita a tarefa

6 Tempo para a ação

7 9

8

Encontra o tesouro

Chega na casa do vilão

Luta contra o mal

12 Volta para casa e comemora com o tesouro

11 tom mackinger

10 Tempo para voltar

Luta acirrada contra a morte, que parece óbvia, porém o herói se recupera

*Fonte: A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler

16



the red bulletin


Marilyn Monroe

United Archives/picturedesk.com

GÊNIA PERDIDA em HOLLYWOOD Que ela era linda, todo mundo sabe (e já viu). Que ela era inteligente, ­poucos sabem. Que ela era uma atriz de primeira, a gente sabe, hoje. Quando começou a fazer carreira e sucesso no papel de loira burra, ninguém ­ima­ginava com quanta paciência ela preparava sua esplêndida atuação. ­Oferecemos para a grande dama do ­ofício de atriz um Oscar póstumo.


OS CA R 2 0 1 4

OS MELHORES FILMES DE MÚSICA

do pop às telas

AINDA NO PEDAÇO

A transição de Will Smith da música para as telas foi uma boa ideia

Fic ç ão que vi rou ve rd a de Na maioria das vezes, a vida inspira a arte. Mas, em certos casos, acontece o contrário. Estes filmes apresentaram modelos ficcionais para tecnologias modernas, que se tornaram realidade. Quem sabe um dia a gente pode viajar na velocidade da luz...

18



J O H N N Y & J U N E Busca por ­ rogas, shows na prisão, um grande amor, d a vida de Johnny Cash. Perfeito para o Oscar.

s e arc h in g f or su g ar man A busca de dois músicos por seu ídolo

Sixto Rodriguez ganhou o Oscar de Melhor ­ ocumentário em 2013. D

PISTOLA BIOM ÉT R I C A Na aventura 007: Opera-

hove rboar d

ção Skyfall, “Q” presenteia 007 com uma smart gun, que só funciona com a impressão digital de seu dono. Os EUA já estão trabalhando nisso.

A tecnologia para o ­skate voador de De Volta para o Futuro já existe. A versão da vida real deve estar disponível nas lojas até 2015. Mais informações em: haltekindustries.com

tabl e t Numa das grandes obras de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço, de 1968, os astronautas já tinham iPad. Hoje não dá mais para pensar no dia a dia sem ele.

the red bulletin

sascha bierl

“Dinheiro e sucesso não mudam homem nenhum. Eles só fortalecem o que já está dentro do homem” Will Smith

ray Jamie Foxx fez o papel da lenda Ray Charles e mostrou incrível talento como cantor. Para isso existe um Oscar, e ele ganhou.

Corbis, THE KOBAL COLLECTION(6)

Em 1990, Will Smith tinha 22 anos – e estava quebrado. Mesmo com dois álbuns de rap/pop lançados e com o single “Parents Just Don’t Under­ stand” ser considerado o primeiro hip hop a ganhar um Grammy. Ainda assim, o jovem talento estava mal das pernas e não conseguia se sustentar sozinho: a Receita andava atrás dele, cobrando um imposto de US$ 2,8 mi­ lhões. Como Smith se salvou? Com seu primeiro papel como ator na TV, na sitcom Um Maluco no Pedaço – uma das séries de TV de maior sucesso nos anos 1990. Mas Smith ainda faz música. Principalmente por prazer. ­Financeiramente ele também resolveu seus problemas: no ano passado foi considerado o sexto ator mais bem pago do mundo, com uma renda de US$ 30 milhões. Até que as coisas ­estão caminhando bem, não é?


OS possantes MAIS LEGAIS DO CINEMA

OSCAR DOS CARROS

Eles falam, voam, mergulham, atiram... Por que não merecem um Oscar?

lotus

DelorEan

“Wet Nellie”, do filme clássico de James Bond, 007: Um Espião que me Amava, andava tanto na água quanto na terra. Em 2013, o Lotus Esprit anfíbio foi avaliado em € 651 mil.

Ah, o sonho da minha infância: simplesmente pegar um carro, abastecer e viajar pelo tempo. O DeLorean de De Volta para o Futuro é com certeza o carro mais legal do mundo.

THE KOBAL COLLECTION(3)

B AT M Ó V E L

Dez metros de comprimento e um jet-turbo capaz de atingir uma velocidade de 530 km/h – no filme Batman & Robin. Na realidade, porém, ele só funciona por causa dos ­estúdios. Mas... só um pou­ quinho... estamos falando do cinemão. Pura ficção.


OS 3 MELHORES filmes

de eSPORte

F u l ly F l a r e d ( 2 0 0 7 )

Skate street do mais alto nível: Guy Mariano, Eric Koston e outras lendas. Por trás das lentes, Spike Jonze e Ty Evans. Sequências em câmera lenta para assistir de joelhos.

be n di ng colour s (2012)

A vida e a trajetória nas ondas do incrível talento sul-africano Jordy Smith – com filmagens épicas dos picos de surf mais alucinantes do mundo. De tirar o fôlego.

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Blake Jorgenson/Red Bull Content Pool, AccuSoft Inc, Ryan Miller/Red Bull Content Pool

Eletrizantes ao extremo, perigosos ao extremo, extremamente bem filmados – e no que diz respeito ao Oscar, extremamente mal recompensados


O s ca r 2 0 1 4

Where the Trail e n d s ( 2 0 1 3)

Um grupo de mountainbikers ­absurdamente talentosos arrisca tudo para andar de moto onde ­ninguém nunca colocou o pé.


OS CAR 2 0 1 4

Quase lá

FILMES RUINS, ATORES MIMADOS Ser estrela não significa acertar na mosca

“Ac ho q u e o Oscar podia ve s t i r c u e c a . O que é aquela coisa pelada com uma g ra n d e e s p a d a n a f re n t e? ” Jared Leto

koma*

PRÊMIO DO KAINRATH

Ti lda Swinton

“Desejos Femininos soa bem.” Era o que pensava em 1996 a musa dos cults.

Sharon stone

Existe uma continuação de Instinto Selvagem? Oi? Ninguém viu...

George Clooney

O Retorno dos Tomates Assassinos (1997) realmente existe... Não adianta negar.

CAÇADORES DE OBRAS-PRIMAS

Heróis de amanhã

Fique de olho neles

Três talentos que entrarão no seleto rol de superestrelas GRAVIDADE rg 

ielbe

en Sp  Stev

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Com Lunar e Contra o Tempo, ele foi o responsável por ­levar aos cinemas os filmes de f­ icção mais inteligentes de nossa época. Imagina com um orçamento gordo.

22



iro   De N

jiofor

etel E Chiw

A revelação de Chiwetel ­Ejiofor foi em Amistad (1997). Com sua atuação em 12 Anos de Escravidão, ele entrou para a turma do De Niro. Favorito ao Oscar.

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A notável estrela britânica Carey Mulligan brilhou pela última vez em O Grande Gatsby e em Inside Llewyn Davis – Balada de um ­Homem Comum.

...E O VENTO LEVOU *KOMA: KAINRATH'S OEUVRES OF MODERN ART

the red bulletin

picturedesk.com(3), Corbis(5), The Kobal Collection(3), getty images(2)

dietmar kainrath

O talento dos atores não salva um roteiro ruim. Isso quem disse foi Billy Wilder, ganhador de um total de 6 Oscars. Desde então essa se tornou a principal desculpa de atores milionários...


Heróis e monstros

roarrr!

Corbis, The Kobal Collection, getty images

O monstrengo japonês destruirá ainda mais arranha-céus em maio. Enquanto isso, continuamos aguardando o surgimento do primeiro ganhador não-humano do Oscar. Nossos indicados são:

godzilla

O Jack Nicholson dos ­dinossauros: olhar penetrante, sorriso frio, temperamento quente. Chega em maio nos cinemas, em mais um remake. Lá pelo dia 29.

lassie

O TU BARÃO BRANCO

Da-dam! Da-dam! É o Christian Bale dos tubarões: gosta de explodir os inimigos.

Au, au! O Brad Bitt dos cães: lindo cabelo, porém nenhum Oscar.


De

volta ao ar Balazs Gardi/Red bull content pool

Depois de uma pausa de quase quatro anos, o Red Bull Air Race, a mais rรกpida prova de velocidade do mundo, decola de novo

24


Velocidade nos céus

O Red Bull Air Race está de volta – com a orla de Abu Dhabi Corniche ­servindo como um impressionante cenário para a competição. A próxima corrida acontece na Croácia, em abril


“adoro isso. Sou viciado em adrenalina… precisava voltar a voar” Kirby chambliss


O calendário foi ampliado na t­ emporada de 2007 para incluir o Rio de Janeiro, primeira cidade sul-americana a receber um evento do Red Bull Air Race

Getty Images/Red Bull Content Pool

Estreia sul-americana

otado de uma habilidade natural bem texana de dizer exatamente o que pensa, o piloto do Red Bull Air Race Kirby Chambliss não é um homem que mede as palavras. E fica difícil entendê-las quando se está numa ligação internacional. Como cada terceira frase some entre ruídos eletrônicos, é difícil compreender o que o bicampeão está dizendo. Mas, quando o veterano aviador fala sobre sua motivação de retornar à competição depois de um hiato de quase quatro anos, ele é claro como água. “Faz parte de mim, é o que eu faço”, diz. “Vou ser sincero, não gosto das viagens, de toda a logística, acho péssimo. E, em relação à segurança, bem, tenho um filho de 9 anos agora, então não foi uma decisão fácil. Mas definitivamente quero participar disso. Amo esse esporte. Sou viciado em adrenalina… Eu precisava voltar a voar.” Passaram-se alguns dias, e o companheiro de campeonato, o piloto Nigel Lamb, reverbera o mesmo entusiasmo de Chambliss. “Minha vida foi por 30 anos ser piloto de apresentações, mas para mim o Red Bull Air Race vai além do que eu fazia antes”, ele diz. “Voltar para as corridas aéreas é o que quero fazer de verdade. Não preciso nem pensar.” Mas enquanto a decisão de correr novamente tem sido fácil para quem está na cabine, para aqueles que estão nos bastidores o processo de reconduzir a gigantesca competição de volta aos ares é um procedimento bem mais complexo. Após sete anos, a competição tinha, às vésperas do campeonato de 2010, se tornado um gigante incontrolável. Com uma média de público superando meio milhão no local das provas em 2009, a logística e as finanças necessárias para realizar o show em todo o mundo se tornaram enormes. 27


Mas não era só no chão que os problemas apare­ ciam. Eles se manifestavam no ar também, como ex­ plica Erich Wolf, CEO do novo campeonato: “Sempre houve regras e regulamentos em vigor, mas os pilotos iam até o limite ou iam além. Em alguns momentos, a segurança não era total”. Com as possibilidades ampliadas e a competição ficando cada vez mais intensa, não demorou para que as coisas chegassem ao extremo. Dois acidentes (sem feridos) nas primeiras quatro etapas provocaram preocupação quando questões logísticas forçaram o cancelamento das duas paradas finais do campeo­ nato. Era o limite. A competição foi imediatamente congelada.

jörg mitter/red bull content pool(2), Daniel Grund/Red Bull content pool, Hamish Blair/Red Bull content pool

E

então tudo virou silêncio. O que ­inicialmente estava previsto como um ano sabático, acabou sendo dois e então três. Parecia que o esporte ia embora. Mas as engrenagens ­giravam nos bastidores. Wolf, que ­tivera que sair do campeonato em 2009 ­devido ao que chamou “alguns ­acontecimentos”, foi recontratado, e ­foram definidos novos objetivos. “As novas metas são, primeira­ mente, garantir a segurança dos ­pilotos, e então desenvolver ainda mais características de segurança. Um exemplo? Fuselagem reforçada para o avião de corrida”, diz Wolf. “Por último, consolidar o esporte com credibilidade, já que no passado algumas pes­ soas o consideraram como uma missão de marketing da Red Bull e não como um esporte original”, acres­ centou. “Nos próximos três a cinco anos, ele tem que se tornar um esporte comercialmente viável.” Do futuro ainda não se sabe, mas, no lado espor­ tivo, as questões foram assumidas com a introdução de uma série de padrões, mudanças para diminuir os excessos das equipes. Além disso, em um lance para melhorar a segurança, os pylons (pilares in­ fláveis) usados para delinear o percurso foram de 20 para 25 metros de altura, um pequeno aumento que, para o chefe de aviação, Sergio Pla, fará grande diferença. “Para quem vê de fora pode não parecer muito, mas o tempo de reação em voo será bem mais imediato que antes. Não tivemos nenhuma surpresa em um treinamento de campo que realizamos. Os ­pilotos têm uma grande margem de tempo e altitude para resolver. Faz muita diferença.” Novas locações também foram escolhidas, com os circuitos de cidade, antes priorizados, dando ­espaço para uma mistura de ambientes com terra, água e, em uma inovação, mais corridas em ambien­ tes controlados – como estradas nos EUA e arenas, que Wolf diz que são perfeitas para a competição. “O Red Bull Air Race é um esporte de velocidade e nós devemos ir até onde os esportes de velocidade acontecem. Nós temos que garantir aos espectadores os melhores lugares de forma que eles possam ver todo o circuito da corrida. Eles também precisam ter os serviços de alimentação e bebidas, além de

“Os pilotos foram até seus limites e até superaram as barreiras” Erich wolf

Abu Dhabi, EAU 28

O aviador americano Michael Goulian se prepara para decolar no Red Bull Air Race World Series


Monument Valley, Utah/Arizona, EUA O piloto britânico Paul Bonhomme faz o traçado entre os pilares na terceira corrida da temporada de 2007

Rio de Janeiro, Brasil

Matthias Dolderer, da Alemanha, impressiona multidĂľes durante o qualifying day no Red Bull Air Race 2010


­estacionamento. Essas locações são enormes e, além disso, já estão preparadas para os eventos. Você tem arquibancadas com capacidade para 200 mil espec­ tadores que proporcionam a todos uma boa vista do circuito. As estradas dos EUA são ­lugares perfeitos para nós, mas também continuaremos nos centros de cidade.”

A

única questão que resta é se a nova competição pode alcan­ çar a velocidade que precisa para a decolagem em um curto prazo. Com o anúncio oficial de que o campeonato retorna­ ria apenas em outubro de 2013, as 12 equipes envolvidas têm um prazo apertado para se ­preparar para a abertura da temporada em Abu Dhabi, no dia 28 de fevereiro. “Como todas as outras ­­equipes, estamos longe de ­estarmos prontos, é até engraçado”, diz Chambliss. “Vai ser difícil e acredito que a primeira corrida vá ser muito difícil também.” O piloto texano é formidavelmente otimista e, ­enquanto reconhece que a especulação do Red Bull Air Race 2014 é provavelmente um voo para o des­ conhecido, ele está mais que satisfeito em se jogar na empreitada. “Meu objetivo é sempre vencer. Não vou apenas brincar”, ele diz. “Alguns amigos disseram que seria muito legal se eu pudesse participar, apenas passear e levar numa boa, mas o que eu respondo é, claro, vou curtir, mas lembrar sempre o motivo de estar ali, lembrar que você é um entre 15 no mundo. Por isso, se rolar, vou andar no limite. Vou pensar na maneira mais rápida de sair de um gate para o próximo. Farei a mesma coisa que sempre fiz, que é tentar ­vencer. É isso o que faço.” Fazer com que os aviões cheguem ao limite é também o motivo do remode­lamento do Red Bull Air Race, só que dessa vez nas condições corretas e nas arenas adequadas, como ­insiste Sergio Pla. “Essa é a corrida mais emocionante que existe”, ele diz. “O Red Bull Air Race é a competição mais ­veloz do mundo.”

1

10 13 7

12

8

Mais informações em: www.redbullairrace.com

Martin Sonka, piloto da Rep. Checa, se prepara para a decolagem na Austrália em 2010

Comando total Quando você está ocupado pilotando um animal de 300 hp ou mais em curvas de força G variada, é melhor uma ­abor­dagem mais objetiva para o painel de ­comando… Aqui vai o básico


4 2 3

6 7 15

Aviões queimam 2 litros de combustível por minuto

9 11 14

5

markus kucera/red bull content pool, Cameron Spencer/red bull content pool

1 velocidade do ar  Mostra a velocidade relativa do ar (em nós).

Altímetro Indica a altitude da aeronave (em pés) acima de um nível de referência através da medida da pressão do ar estática. 2

3 EFIS (Sistema de Instrumentos de Voo Eletrônico)  Proporciona ao piloto informações sobre sua volta. Também manda informações de velocidade e força g para a torre.

4 Analisador de motor  Um

dispositivo que grava dados sobre o motor. Depois de um voo, os dados



são baixados para análise. O inter­ ruptor em cima é um alarme de voz que alerta o piloto em caso de qualquer falha no sistema. 5 Interruptor da Bomba de Combustível  Usado para alter­ nar os três tanques de combus­ tível: asa direita, asa esquerda e ­tanque principal. Aviões queimam cerca de dois litros de combustível por minuto no ar. 6 G-Meter  Mostra ao piloto a força da gravi­ dade no momento. Para 2014 os ­pilotos não podem ir além de 10 g.

7 Pedais Os pedais direcionais movimentam o avião em solo. No ar, usar os pedais faz que o avião dê um giro em seu eixo ­vertical (guinada). 8 Controlador de Propul­ são Ajusta o posicionamento das hélices de propulsão. 9 Rádio  Liga o piloto com a Torre de Controle. 10 Smoke On/Off  Quando o p ­ iloto inicia a corrida ele liga a ­fumaça para tornar sua volta mais visível.

11 botão “Start”  Dá a partida! 12 Manche  Direita ou esquerda faz com que o avião gire, para f­ rente ou para trás posiciona o bico para baixo ou para cima. 13 Controle de Aceleração  Controla a potência. 14 Transponder  Dá informações à torre sobre a posição e ­altitude do avião. 15 Bússola  Indica o rumo do avião.

31


O Rei Voltou O ATUAL CAMPEÃO, PAUL BONHOMME, ADMITE QUE FOI CONSUMIDO PELA VELOCIDADE NO PASSADO, MAS EM 2014 ele VAI SE DIVERTIR

O Aldrin disse: “Ei, Neil, eu acho que nós perdemos o melhor da festa”. É assim que eu vejo o campeonato agora. Antes, eu estava tão obcecado por ele que acredito ter perdido o melhor da festa. Então, estou ansioso para voltar neste ano e aproveitar. Uma das coisas nas quais quero melhorar é na habilidade de ficar sorrindo durante toda a corrida. Neste começo de temporada, você acha que já dá para sorrir? Não muito. Na verdade, eu diria que os níveis de estresse estão razoavelmente altos. Já passamos por Abu Dhabi [para a abertura da temporada], então no fundo acho que tudo vai dar certo, mas agora está um pouco tenso porque a gente ainda

“meu objetivo é não me apavorar. se conseguir isso, já é meio caminho andado” 32



não tem um motor ou um exaustor, e ­diversos outros componentes ainda estão para chegar. Vai ser uma corrida para ­deixar tudo pronto. Se eu soubesse como encontrar uma vantagem nas novas regras, seria ótimo, mas não tenho ideia de como as coisas vão andar. Agora que todo mundo tem a mesma potência e peso, vai ser um jogo diferente, o que para mim não é fácil. Sou um dos pilotos mais pesados e vou ter que chegar a 82 quilos, é um pouco demais. Tenho 1,84 metro e… ­ossos pesados! Vai ser uma combinação entre a perícia do piloto e aerodinâmica. Acredito que em termos aerodinâmicos estejamos OK, temos um avião bem pouco aderente, mas nunca se sabe. Qual é o seu principal objetivo para a temporada de 2014? Não me apavorar. Se eu não me apavorar, o ano será mais seguro e isso é o mais ­importante. A segunda coisa fundamental é ganhar. Então, para ser seguro e não se apavorar para vencer, como eu digo, tem que gostar do que faz. Eu acho que, em qualquer ordem que você colocar isso, funciona… Eu acho! the red bulletin

sascha bierl

Paul Bonhomme, bicampeão do Red Bull Air Race: “Vai ser uma combinação entre a perícia do piloto e a aerodinâmica”

jörg mitter/red bull content pool(2), Ezra Shaw/red bull content pool

the red bulletin: Você está feliz de voltar ao Red Bull Air Race? paul bonhomme: Vou ficar se for campeão. Falo para os meus filhos: “Olha, o importante não é competir, o importante é vencer”. Isso parece meio petulante, mas para mim só se entra em uma competição porque se quer vencer. Eu mal posso esperar pelo dia que vou preferir ser o último e fazer só pela galhofa. Como você está encarando o campeonato desta vez? Tenho que admitir que já me consumi um pouco na tentativa de ir bem. É tentador dizer que não me incomoda, eu estava lá só para me divertir, mas não se chega a lugar nenhum desse jeito, você precisa se consumir pela coisa para ir bem. Eu tive uma disputa bem intensa com Hannes [Arch] e acho que, se você perguntar a ele e se ele for honesto, ele diria também que foi um pouco consumido por isso. A decisão de voltar foi fácil? Tive que pensar muito e por muito tempo sobre o assunto. Demorei para tomar a decisão porque minha vida mudou nos anos em que a competição ficou parada. Tenho três filhos pequenos e um enteado mais velho, então a família está bastante diferente se comparada com a de quando comecei no Red Bull Air Race. Minha ­mulher é muito compreensiva e teve o mesmo entendimento que eu na linha de raciocínio, que foi: “Participe e vá bem, mas aproveite. Divirta-se em vez de se esgotar”. O que vem à cabeça é a observação que Buzz Aldrin fez para o Neil Armstrong quando eles estavam assistindo às comemorações da aterrissagem na Lua.


A NOVA FORÇA AÉREA COMO UM ESPORTE QUE precisa de DÉCADAS DE EXPERIÊNCIA PODE TRAZER NOVOS TALENTOS? SIMPLES, DÊ A ELES UM PEDACINHO DO CÉU para CORRER

N

ão existem muitos esportes que não cultuam a juventude, mas o Red Bull Air Race é um deles. Com os pilotos de 2014 com uma média de idade de 45 anos, esse é um esporte em que a voz da experiência fala mais alto. O dilema, então, é como fazer com que ­pilotos mais novos melhorem suas posições. A resposta é a Challenger Cup. O evento vai trazer um seleto rol de novos pilotos e aviões equipados em um circuito simplificado feito especialmente para dar ­experiência à próxima geração. O objetivo é que os pilotos obtenham uma superlicença e se graduem para a série principal. “Eles vão voar com muito menos pressão que as equipes de corrida”, diz o chefe de aviação Sergio Pla. “Todos eles vão comparecer a pelo menos dois campos de treinamento antes de sua primeira corrida, o que significa que eles vão ter pelo menos duas ou três vezes o tempo de treinamento que os pilotos tiveram no passado [quando chegaram à competição]. A margem de segurança nas corridas aéreas não é grande, então nós temos que amadurecer as pessoas que sabem o que ­estão fazendo.” Para assegurar que os pilotos mais jovens tenham a maturidade necessária, o psicólogo e gerente de equipe e segurança do Red Bull Air Race, Christian Czihak, explica: “Você pode ser um piloto de jato ou um piloto de acrobacias experiente, mas é ­diferente de voar ao redor de um circuito de corrida a menos de 50 m do solo – totalmente diferente”, ele diz. “Você pode ter todos os atributos, mas não quer dizer que você possa fazer isso automaticamente. Estamos buscando pessoas que podem cumprir com o objetivo debaixo de pressão ou trauma. É geralmente uma questão de quanto risco eles estão dispostos a assumir.” O CEO do Red Bull Air Race, Erich Wolf, acredita que a competição agitará os pilotos. “Tenho certeza de que eles desafiarão os ­atuais pilotos muito em breve. Em 2015, nós vamos ver novos talentos.” O Red Bull Air Race 2014 começa em Abu Dhabi e termina na China

Mudanças bruscas no eixo de gravidade podem fazer o piloto desmaiar

força e pressão Tente levantar o peso de um carro pequeno 12 vezes em um minuto. É assim que você vai ter um aperitivo do castigo físico que os pilotos do Red Bull Air Race passam durante uma volta gravidade multiplicada Os pilotos do Red Bull Air Race estão sujeitos a forças extremas durante o voo. Em 2014, eles estarão limi­ tados a 10 g, o que significa que, durante as curvas mais ­fechadas, o peso do corpo chega a dez vezes a força normal. Para um ­piloto de 80 kg, é como ter um carro pequeno jogado dentro do peito. “É como ser agredido com uma mar­ reta”, diz Paul Bonhomme, atual campeão. “O momento em que a g­ ra­vidade se ma­ nifesta é o pior. Em menos de meio segundo, você vai a dez ou doze vezes o peso do seu corpo. É pre­ciso se concentrar para não perder a consciência. Se a força continuar aumentando, você apaga.”

“teto-preto” O “teto-preto” ocorre pelo sangue forçado para as ­extremidades mais baixas do corpo diante da alta força da gravidade. A pressão cai e a visão começa a embaçar: é um princípio de desmaio. “Dá para combater o efeito contraindo os músculos do estômago”, diz o piloto Nigel Lamb. “E, se você ­encolhe o estômago e seus músculos da coxa por ape­ nas um segundo, impede que o sangue desça e sua ­visão fica nítida.” roupa especial Os pilotos já estão acostu­ mados a usar contrações musculares para combater os efeitos de curvas de alta gravidade, e o novo e obriga­ tório traje à prova de gravi­ dade faz a função com mais

como funciona

G-Baixo

A roupa à prova de gravidade obriga­ tória é ativada pela própria força g, ­fazendo com que tubos cheios d’água corram pela extensão do traje para ­espremer o piloto, prevenindo a queda no fluxo do sangue. Fluxo de sangue normal

eficiência. Feito pela alemã Autoflug, o traje é de tecido não elástico e com água. A roupa provoca pressão contrária que combate os efeitos de grandes cargas de gravidade no piloto, ­re­duzindo o movimento do sangue nas extremidades ­inferiores. “A roupa comprime as pernas e o abdome”, diz Paul Bonhomme. “Em vez de ser obrigado a se tencionar, a roupa faz isso e dá cerca de 1,5 g de vantagem. Pode não ­parecer, mas diminui muito o cansaço.”

G-Alto

Visão de corte da roupa com os tubos ampliados

Fluxo de sangue sob pressão FORÇA G

VOe PELO MUNDO Desde circuitos sobre o Golfo Pérsico e em torno dos ­paddocks de Ascot até voltas em algumas das mais famosas estradas dos EUA, o Red Bull Air Race será um teste de fogo neste ano

FORÇA G

1. Abu Dhabi, EAU 2. Rovinj, croácia 3. Putrajaya, MALÁSIA 4. Gdynia, POLÔNIA 5. Ascot, INGLATERRA 6. Dallas/Fort Worth, EUA 7. Las Vegas, EUA 8. LOCAL A SER CONF., China

28 de fev e 1º de mar 12 e 13 de abr 17 e 18 de maio 26 e 27 de jul 16 e 17 de ago 6 e 7 de set 11 e 12 de out 1º e 2 de nov

33


COMO É O AVIÃO AERODINÂMICA

Com o gerador de potência e seus auxiliares padronizados, é bem provável que pilotos comecem a procurar alguma outra coisa para conseguir uma vantagem sobre seus rivais. Melhorar a aerodinâmica do avião é o primeiro passo.

A HÉLICE

A hélice foi padronizada para 2014 e já ganhou ­apelido: “Claw” (garra), do fabricante americano Hartzell. Outros itens obrigatórios para as equipes são a cobertura de bico de hélice e regulador de fibra de carbono composta.

O MOTOR

MXS-R

Diferente dos rivais com fuselagem metálica, o MXS-R, desenvolvido especificamente para corridas pela MX Aircraft a partir do seu avião MXS, é feito com uma fuselagem de fibra de carbono em camadas, o que significa uma ­estrutura muito leve e forte, mas que não pode ser substancialmente modificada. A leveza contribui para a velocidade, que, numa competição como essa, vale muito.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS FABRICANTE: MX Aircraft, EUA

VELOCIDADE DE GUINADA: 420°/seg

COMPRIMENTO: 6,51 m

G MÁXIMO: +/- 12 g

EXT. DE ASA: 7,32 m

MOTOR: Lycoming AEIO-540-EXP (reguladores: Thunderbolt)

PESO básico: 571 kg POTÊNCIA: 300 cavalos VELOCIDADE MÁXIMA: 426 km/h

34

DESIGN DE ASA: simétrico, em fibra de carbono HÉLICE: Hartzell

Em anos anteriores, as equipes eram obrigadas a usar motores construídos pelo fabricante americano Lycoming, mas elas eram então autorizadas a mandar os geradores de potência para fora das oficinas. Na temporada de 2014, as equipes terão de usar só o motor Thunderbolt AEIO-540-EXP da Lycoming.

ANÁLISE DE DADOS

Uma linha de pensamento diz que sem uma vantagem de motor os pilotos vão ­começar a dar o seu próprio jeito para melhorar o tempo das voltas. E isso vai acontecer com sistemas de telemetria estilo F1. A informação vai permitir que os pilotos aperfeiçoem o voo para conseguir o ­melhor tempo possível a cada volta.


algumas REGRAS mudaram PARA MELHORAR A SEGURANÇA E também fazer com que a corrida fique mais disputada

EXAUSTOR

Peter Clausen Film & TV

A última parte do conjunto de padronização é o sistema de exaustão. Construído com materiais de pouco peso, será fabricado pela companhia americana Sky Dynamics e adaptado ao uso de qualquer modelo de avião escolhido.

Em qualquer forma de esporte de veloci­ dade, a busca de uma vantagem de perfor­ mance é sempre encoberta de mistério. O Red Bull Air Race do passado não foi menos complexo na sua busca por uma vantagem, mas, quando todas as modificações sutis se esgotaram, o objetivo essencial para os pilotos foi simples: maximizar a potência em relação ao peso. O desejo de extrair potência máxima do motor e s­ imultaneamente abaixar o seu peso ao ­tirar o peso do avião levou a com­ petição a um ponto de perigo em potencial, com as equipes em risco de comprometer a ­integridade do gerador de potência na busca de leveza, com mais elementos ­potentes na fórmula. Então, para 2014, o campo de prova foi nivelado com a intro­ dução de motores, hélices e exaustores ­padronizados. Foi uma mudança elogiada pelo piloto Nigel Lamb. “É uma coisa certa em muitos aspectos”, ele diz. “Não poder mexer nos motores é relevante em termos de seguran­ ça e também muito relevante com respeito ao custo. O mais importante: cria um campo de jogo de muito melhor nível.” O ponto principal é que em 2014 o Red Bull Air Race não será mais um jogo de po­ der e os pilotos t­ erão que dar outro jeito para alcançarem o primeiro lugar do pódio.

Zivko Edge 540 V2

Corvus CA-41 Racer

O avião escolhido pela maioria dos pilotos, o Edge, venceu o título em todas as temporadas. Ele usa uma estrutura tubular de aço que, embora não seja leve como outras, é, segundo o chefe da empresa, Eric ­Zivko, mais prática. Em 2014, dois modelos serão usados: o antigo V2 e o novo V3.

O Corvus Racer foi desenvolvido pela Corvus Aircraft e o Instituto de Aviação da Universidade Técnica de Budapeste, com o input do piloto Peter Besenyei, que realizou sua primeira aparição no Red Bull Air Race de Windsor, em 2010, e voa com ele desde então.

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ADRENALINA é meu remédio N i c o la s Ca g e e m u m a c o n v er sa s o b re s o fri m ento , c a stelo s e tu d o o q u e m ai s i m p o rta (de v erdade) na v ida p o r : R ü di g er Stu r m   I LUSTR A Ç Õ ES : Pe ter Strain 36




Ele gosta de enfrentar seus medos, mesmo que isso signifique dar marshmallows aos jacarĂŠs


Depois de ter feito de tudo, Nicolas Cage ainda tem um sonho: “Quero voar de asadelta. Existe maior liberdade que isso?�


le já foi de super-herói a soldado, de ­alcoólatra a ladrão de carros – e sempre com uma energia maníaca, que lhe ­rendeu tanto um Oscar quanto muitos comentários negativos. É difícil encontrar uma estrela de Hollywood tão reverenciada e, ao mesmo tempo, tão desprezada como Nicolas Cage: o cara que se casou com a filha de Elvis e deu o nome de um personagem de história em quadrinhos ao segundo filho. O cara que ­tinha tanto dinheiro que gastou ainda mais. Nicolas Cage é agora um cinquentão e está se reinventando como ator mais uma vez. Ou seja, um bom momento para um bate-papo. Conheça um pouco mais dessa mente louca nas próximas linhas.

the red bulletin: Sr. Cage, a morte é uma ­preocupação? nicolas cage: Não tenho pressa em encontrá-la, mas a morte é um tema importante. E é inteligente pensar sobre ela algumas vezes. Só assim o homem tem chance de tomar as rédeas do medo da morte com as próprias mãos. E? E o quê? Você tem esse medo nas mãos? Digamos que ainda é um trabalho em progresso. Mas o que tem a ver essa pergunta com a angústia em relação à morte, exatamente? Nas filmagens do seu mais novo filme, Joe, você de fato pegou com as mãos uma serpente venenosa. O veneno da cobra em questão pode ser mortífero. Isso não tem nada a ver com medo da morte ou algo do tipo. É uma maneira de relaxar. Não quero te ensinar nada, mas existem outros métodos para relaxar... Fazendo filmes de ação, eu descobri que relaxo com esse tipo de coisa. Uma corrida de carro a 160 km/h, tentando evitar bater contra os muros de proteção, para mim, funciona melhor que qualquer meditação. Talvez essas coisas funcionem de um jeito diferente comigo, de uma forma menos convencional. Por exemplo: quanto mais café eu bebo, mais eu relaxo. the red bulletin

E quando o café não funciona mais você saboreia um pouco de veneno de cobra? Hahaha, não. Nessa filmagem de Joe estava programada a gravação de uma cena complicada, e, por ­algum motivo, meu nível de adrenalina não estava alto o bastante. Sem a concentração necessária. Então tive essa ideia da cobra e perguntei para o diretor, David Gordon Green, se ele tinha algo contra. Ele disse: “Só me prometa que você não vai morrer. Senão, vou me sentir um completo idiota”. Eu prometi a ele, peguei a cobra e... – bang! – funcionou. Minha adrenalina disparou. E, dependendo da adrenalina, eu consigo até surfar, sabia? Esse é meu jeito de manter o nervosismo sob controle. Mas não tem medo envolvido aí? Ah, claro, o medo sempre deve estar envolvido. Sem medo, nada disso faria sentido. É uma questão de ficar de olho no próprio medo, de conhecê-lo. ­Assim, é possível derrotá-lo. É um princípio muito simples: fique exposto exatamente às coisas que mais trazem medo, e elas perdem isso. Agora fiquei com vontade de ouvir algumas his­ tórias suas, sobre os medos que você já derrotou. Alguns anos atrás, mergulhei na costa sul-africana numa gaiola. Eu queria conhecer um grande tubarãobranco, que era um dos meus maiores medos. E foi uma experiência incrível. Ficar frente a frente com esse bicho, a 1 ou 2 metros de distância, e ele me olhando com aqueles olhos vazios... E então, de repente, senti, de uma forma muito bonita, calma e estranha, uma conexão linda entre nós. Foi um momento de profunda harmonia. Parece loucura, né? Contanto que sua próxima história sobre terapia do medo não envolva ter beijado uns tubarõesbrancos... Hahaha... Não, mas ainda tenho outra história sobre isso: uma vez estava navegando pelos pântanos de Nova Orleans, onde vivi por algum tempo. E lá tinha um jacaré de 400 quilos. Quando nos encontramos, ele me olhou por debaixo da superfície d’água, ­parecia um dinossauro... E aí, aposto que você pulou do barco e foi nadar com o jacaré... Não... Eu dei uns marshmallows pra ele. Joguei do barco mesmo. Jacarés adoram marshmallows. Quem ouve você falando assim pode pensar que, talvez, você tenha desperdiçado sua verdadeira vocação... Cientista, especialista em ciências ­naturais, aventureiro, velejador... Isso nunca ­passou pela sua cabeça? Você não está totalmente errado. Aos 16 anos, decidi duas coisas. Primeiro: tentaria seriamente ser ator; segundo: se isso não desse certo, eu seria pescador ou trabalharia na Marinha. O mar é meu primeiro amor. Quando estou perto d’água, sinto uma calma indescritível, que não tem comparação com nenhum outro sentimento. E o que te atraiu tanto na carreira de ator, a ponto de fazer com que você optasse pelo plano A? É uma válvula de escape perfeita. E eu preciso disso para toda a energia que tenho acumulada, especialmente a que vem da raiva. Quando era criança, eu sentia muita raiva. Tenho certeza que, se não tivesse me tornado ator, teria cometido erros piores na vida. 39


De onde vinha essa raiva? ­fazer essa associação... Ok... Tem muito a ver Eu não tentava fazer contato com com a sensação que eu tinha no castelinho ­outras pessoas. Eu era excluído, não de madeira da minha infância. tinha amigos, ninguém gostava de E o quanto doeu em você ter de vender mim na escola. Isso me machucava. o castelo? Você passou por maus bocados, Oscar INDICACASAFILHOS ÇÕES AO MENTOS Até meu pai me disse uma vez que eu financeiramente, por um bom tempo... OSCAR era um E.T. Essa ideia se instalou em Ah, foi bem difícil. Na minha cabeça, o castelo mim tão profundamente, que fiquei continua lá. Assim como o castelinho de masurpreso quando um médico me disse deira. Mas vamos combinar... Estamos aqui que eu tinha órgãos e um esqueleto falando do quanto é difícil para um homem humano normais. Isso pode soar estrater de “vender um castelo”. E o que dirão os nho hoje em dia, mas minha vida não que têm problemas de verdade? Quão cínico foi nada agradável. Só que, de alguma isso vai soar? Simplesmente não conseguia forma, eu sabia que tinha alguma coisa mais manter o castelo. Uma época eu tinha Comentários positivos sobre Morte por me esperando, algo que daria sentido muita grana, mas pouco crédito no banco. Encomenda (1993) à minha existência. Então, resolvi investir em imóveis. Aí o merE é a profissão de ator que te dá cado virou... para a direção errada. Acontece. Comentários positivos esse sentido? No fim, tudo tem alguma razão. sobre sua atuação em Na situação atual, eu diria que sim. E aí? Engano Mortal (1993) Quando está atuando, você esquece E aí que hoje vivo de um jeito diferente de de toda a raiva, sofrimento e dor? como era antes. Digamos que vivo de maneira DIFERENÇA DE Eu não sou do tipo raivoso. Só cultivei mais aberta. Não me escondo mais num iate, IDADE (em anos) a raiva durante uma fase da vida. num jatinho particular ou atrás de muros E N T R E ELE E Eu sei que sem agressividade a vida de castelo. Comecei a fazer coisas normais, ALICE kim, SUA ES P O S A AT U A L fica mais leve. Gosto deste planeta, com pessoas bem normais. Tem me feito bem. gosto de viver aqui, sou louco pela Pela escolha dos filmes que vem fazendo, Valor estimado de um crânio de ­minha família. Por mim, eu passaria você parece ter amolecido um pouco tamdinossauro da coleção de Cage: os dias inteiros em casa brincando bém. Joe tem uma pegada diferente dos com meu filho de 8 anos. ­espetáculos de ação bizarros dos quais Como você descobriu que a profisvocê participou nos últimos anos... são de ator e o show business podeVocê tem razão. Pode-se dizer que me redesriam ser essa válvula de escape? cobri como ator. Voltei às minhas raízes. Isto Desconfio que isso tenha a ver com é, voltei a interpretar personagens dramáticos DÍVIDAS DE IMPOSTO EM 2010: meu pai. Ele era bom em estimular em produções independentes. minha imaginação. Por exemplo, ele O que você responderia se eu dissesse que me fazia ler romances clássicos e escreum tempo atrás você era o rei dos filmes B? ver um capítulo sobre cada livro – foi Eu diria que não vejo dessa maneira. Só fiz assim com Sidarta, de Hermann Hesse; esses filmes de ação porque as pessoas diziam: RENDA MÉDIA ENTRE 1996 E 2011: Admirável Mundo Novo, de Aldous “Você não é um ator de filmes de ação. EsqueHuxley; e Moby Dick, de Herman ça”. Sempre acho que posso provar o contrário. ­Melville. Ele construiu uma casinha Aí, de ator de melodrama, virei um herói dos de madeira para mim, no jardim. Era filmes de ação. E agora chegou o momento de meu castelinho particular, minha bomudar de novo. É assim que funciona. REGISTROS C O M P R A S F EI TA S lha, meu reino. Ali eu passava a maior Mas você vai sentir falta da adrenalina, NO GOOGLE: E N T R E 2 0 0 0 E 2 0 0 7: parte do tempo. Era onde eu podia não vai? • 15 imóveis • 1 jatinho particular de dar vazão a todos os meus personaEm geral, só preciso da adrenalina quando US$ 30 milhões gens, foi onde comecei a atuar. ­filmo. Mas gosto de andar de moto e ainda • 1 coleção de 400 gibis Quem conhece um pouco da sua ­tenho um sonho na vida: voar de asa-delta. antigos de histórias em quadrinhos no valor de biografia sabe da relação difícil Perdoe a minha indiscrição, mas isso não US$ 1,6 milhão com seu pai. soa exatamente como um sonho irrealizável • 4 iates de luxo (um no valor de US$ 20 milhões) milhões Nos últimos anos de vida dele ficamos para uma estrela de Hollywood... bem próximos. O infarto que ele sofreu Bom, os contratos fazem parte do meu trabaem 2008 me pegou de jeito. Sou grato lho. E nesses contratos são estipuladas coisas pelo tempo que passamos juntos. como essa, que eu não posso praticar atividades do tipo saltar de asa-delta. Quanto esse castelinho de madeira da infância Mas deixa eu te contar do meu sonho. Tenho certeza que voar de asa-delta tem a ver com o castelo que você comprou é a melhor forma de o ser humano se tornar um só em conjunto com a natureza. Você não polui o meio ambiente. Você fica livre como uma águia. Você na Alemanha? aprende a entender o ar. Um dia, pode acreditar, eu vou para os Alpes e vou Quando eu penso no castelo, a primeira coisa que me inscrever em uma dessas escolas que garantem que você pode voar em me vem à cabeça é o momento que o vi pela primeira duas semanas. Aí vou fazer amizade com as pessoas mais extraordinárias. vez. Era uma tarde de inverno, eu estava dirigindo na Com pessoas para as quais você pode simplesmente ligar e dizer: “Ei, vamos floresta, na neve, e no rádio estava tocando Parsifal, voar hoje?” – “Claro. Vamos nessa.” Aí eu vou levantar voo já pela manhã, de Wagner. E, quando finalmente saí da floresta, me retirar do mundo, ficar sozinho... Só eu e as minhas próprias asas. a neve parou de cair, o sol apareceu, e eu vi esse casO novo filme de Nicolas Cage, Joe, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil telo... Nessa hora me senti em casa. Se você quiser

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CORRIDA MUNDIAL PELA CURA DE LESÕES NA MEDULA.

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4 DE MAIO DE 2014

FLORIANÓPOLIS/SC - 6:00 (HORÁRIO DE BRASÍLIA)

WINGSFORLIFEWORLDRUN.COM


Guerreiros da

Am a z ô n Noventa atletas desafiam o ambiente sufocante e hostil da Floresta Amazônica em busca da consagração kirimbawa, que é dada aos grandes guerreiros indígenas por: Fernando Gueiros   Fotos: Marcelo Maragni e Fabio Piva 42


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“E ssa floresta é diferente de tudo. É como correr em uma esteira dentro da sauna”


Manaus Brasil

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A tribo Inhaã-Bé e seu ritual para abençoar os guerreiros

O corredor Renato Campos arrumou seu jeito de lidar com o calor e a umidade da selva. Ele com­ pletou a corrida em 4h04m



s 3 horas da manhã, no meio da selva amazônica, a tribo Inhaã-Bé está tomada por atletas com lanternas presas na testa. Eles estão prestes a largar para um grande desafio na selva, o Red Bull Amazônia Kirimbawa, que é dividido em três modalidades: corrida, mountain bike e caiaque. A competição conta com 90 atletas de ponta separados aleatoriamente em 30 equipes de três atletas cada. Quatro índias fazem a dança que evoca a coragem e o apoio dos deuses aos kirimbawas – nome dado aos grandes guerreiros –, enquanto a escuridão da tribo é quebrada pela luz de tochas acesas ao redor. Uma quinta índia, a mais velha, caminha em círculos segurando uma cesta com ervas queimadas exalando um cheiro forte. “É para purificar os espíritos”, ela diz, compenetrada em sua função de fazer a fumaça se espalhar. “Correr aqui é como correr em uma esteira dentro da sauna”, diz o atleta Pericles Villaça, 39 anos, pouco antes de largar. “O ambiente da selva é diferente de tudo, tanto pela umidade e calor quanto pelas adversidades.” Ele e todos os 30 corredores da primeira etapa do desafio pernoitaram na tribo, em ­redes, e por isso tiveram dificuldade para ­descansar. Foi o caso de Fernanda Maciel, 33 anos, que foi picada por um inseto durante a noite e acordou às 2 da manhã com o olho inchado. “Não dormi nada e, quando consegui relaxar, um bicho me picou. Abri o olho procurando um médico, melhorei e agora vou para a largada.” 45


Alexandre Moura no trecho final da corrida, cruzando um rio. A equipe dele, Ariranha, terminou a competição em terceiro

“eu não sabia o que era pior: pedalar no mormaço da sombra ou no calor direto do sol”


Os 86 km de mountain bike foram realizados em ­trechos de muita lama, ­subidas e descidas. Valmor Hausman ficou em 12º, com o tempo de 3h05m



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“d epois de conseguir completar, realmente me considero um guerreiro�


Os 50 km de caiaque foram muito difíceis, tanto pelo sol do meio-dia quanto pela força da corrente dos rios Amazonas, Negro e Solimões. ­Lucas M ­ aravalhas (foto ao lado) ­com­pletou o trecho em 6h45m e foi o 16º colocado

Depois da noite maldormida, os corredores partiram no escuro para os 50 km por trilhas sinuosas na mata fechada, estradas esburacadas e trechos por dentro de rios com água na cintura. Após 3h15m, o primeiro corredor chegou. Fernando Bezerra relatou: “Tem alguns bichos bem grandes nesse mato. Vi um que era maior que uma raposa, inteiro preto, cruzando o meu caminho. Foi assustador”. O sol começa a despontar atrás das ­árvores quando os primeiros ciclistas partem para os 86 km de muita lama, subidas e descidas. Esse trecho foi o mais rápido do desafio, com os primeiros ciclistas ­chegando na base do Comando Militar da Amazônia após 2h55m, numa velocidade média de 30 km/h. Ofegante, o ciclista Rubens Donizete, 31 anos, foi o quarto a chegar. “Desde os primeiros quilômetros de pedalada, comecei a suar e não parei mais. É incrível, não seca em nenhum ­momento”, ele disse, ainda tremendo de tanta adrenalina. “No final, tinha um trecho muito aberto e muito quente. Não sabia o que era pior: pedalar no mormaço da sombra ou no calor direto do sol.” A competição ganhou um tom dramático no trecho final, dos caiaques, tanto pelo sol quente do meio-dia quanto pela força da corrente contrária nos rios Amazonas, Negro e Solimões. Ao longo do trajeto houve oito desistências e os primeiros the red bulletin

“e stou com as mãos supermachucadas, sofri demais com o calor e a sede”

c­ olocados fizeram os 50 km em mais de 5h30m. Os últimos, em mais de sete horas. Na linha de chegada, com a noite ­caindo na capital amazonense, o segundo a pisar em terra firme foi o ­canoísta ­Marcelo Lins. “Eu nunca tinha feito uma prova tão longa na minha vida”, ­afirmou, visivelmente fraco. “Estou com as mãos supermachucadas, sofri demais com o ­calor e a sede, mas, depois de con­seguir completar tudo isso, realmente me considero um guerreiro.” www.redbull.com.br

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a rio em cim Laborató sta foto, ne do palco: átil sa e vers a talento nne o im S a n america m balhava e Jones tra e estreia d seu álbum

I S TA T R A , A R O NVENT I , A E HQ. T D S I A T N N Í E O I R C E BÉM H ONES É ELA M J A E T M N A N O R O O C M I G S NTE CA E A I E S Ú R M F , A A C PLÁSTI NTE E R F S O offinden ndrew W A : F I C AOM s to o F   bkircher n

Credit:

ia Por: Flor

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Credit:

  R E H L U  M

A H L I V A R  M A


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uando Simonne Jones entrou pela porta, houve um momento de silêncio. É normal que as pessoas se deparem com seu 1,90 m e pensem que ela é uma modelo. O cabelo é muito comprido, preto e encaracolado; e os olhos, grandes e castanhos. E as pernas são longas, muito longas. Tanta beleza combina com o talento inacreditável da californiana de 26 anos, que reside em outras (e muitas) áreas que não a das passarelas. Apenas parada em cima de seus altíssimos saltos ou ­espancando uma guitarra – não importa: fazendo qualquer coisa, ela sempre parece elegante. Quando explica que o rabisco nas costas da mão é a fórmula estrutural da serotonina – “Meu neurotransmissor preferido, fiz hoje de manhã” –, você fica realmente com vontade de ouvi-la. Se ela topasse discursar sobre a primeira lei da termo­dinâmica, acredite: você ­viraria um nerd na hora. Simonne Jones se divertiu na entre­ vista com o Red Bulletin, em Londres. Ela trouxe de casa uma guitarra que ela ­mesma montou e explicou, nos intervalos ­entre as fotos, como se mexe com fios ­sintetizadores analógicos, como se medita durante 15 horas e como as bactérias são clonadas. Atualmente, recém-premiada no Red Bull Music Awards com seu disco de estreia (“ele é como um filho bastardo do Depeche Mode com a PJ Harvey criado pelo Einstürzende Neubauten”), Jones se ­divide entre Londres, Toronto, L.A. e a ­cidade que escolheu para viver: Berlim – onde foi presenteada com uma grande ­exposição em 2013, ano em que também dividiu o palco com Björk e Peaches, ­artistas que ela considera, sem nenhuma cerimônia, suas heroínas.

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the red bulletin: O que fez a pequena cantora ícone do eletropunk Peaches se tornar sua heroína? simonne jones: Eu fui a um show dela quando tinha 15 anos. Foi um espetáculo de circo, uma coisa muito louca, com consolos gigantes e travestis no palco. Depois dessa tarde, minha vida nunca mais foi a mesma. Depois do show, eu a conheci pessoalmente, e alguns anos depois fui sua roadie numa turnê. Hoje ela é minha mentora. O que dá para aprender com ela? A virar um animal no palco, mesmo ­quando se é tímida na vida privada. ­Graças a Peaches hoje eu consigo subir em colunas altíssimas e me jogar na ­multidão sem medo. Dicas para superar o medo do palco? Só uma, mas é boa: assistir a gravações de seus próprios shows e se analisar. Isso ajuda muito. Nada é pior do que ­parecer tímida em cima do palco. Mas o medo do palco não vai ser menor porque você sente vergonha de si mesma. Para mim funciona o seguinte truque: eu tento me colocar em cima do palco no mesmo espírito de quando estava ­compondo a canção. Livre e sem ninguém me vendo. Do mesmo jeito que a gente canta embaixo do chuveiro ou dança ­sozinho em casa. Esse é o melhor espírito que se pode levar para o palco. Te chamam de menina prodígio porque você já tocava piano com 4 anos... É isso mesmo? Eu comecei com 3. E com 10 anos escrevi minha primeira composição para ser tocada no piano. Aos 14, na minha fase todomundo-me-odeia, peguei pela primeira vez na guitarra. Depois aprendi baixo. ­Depois bateria. E depois cítara. Aprendo a tocar qualquer instrumento que caia em minhas mãos. Com 3 anos, a maioria das crianças aprende a contar, e você já sabia tocar piano. Como foi isso? Eu me senti desafiada. Minha mãe dava aulas de piano para a minha irmã, mas ­dizia que eu era muito jovem. Totalmente injusto. Eu então ficava ouvindo minha mãe ensinando piano para a minha irmã e depois sentava sozinha no piano e ­tentava tocar as canções que lembrava. Peças para piano, como “Für Elise”, de ­Beethoven. Com 5 anos eu já estava pegando o jeito (risos). Você precisava ver a cara da minha mãe! Vamos focar só na música. Me diga: de onde veio a ideia de criar os próprios instrumentos? Você quer dizer a minha guitarra? Seu corpo é feito de uma caixa de madeira


“Ao s 1 0 a n o s, e s c r e v i minha primeira c o m p o s i ção pa r a s e r to ca da n o p i a n o. Ao s 1 4, n a m i n h a fa s e to d o - m u n do-me-odeia, peguei pela primeira vez n a gu i ta r r a”

A música encontra a ciência: Simonne Jones ­estuda a ­frequência das ­estrelas e ­depois transforma isso em ondas ­sonoras – e usa tudo na com­po­sição de suas músicas


O “ e n t e n d i m e n to m ata a c u r i o s i ­ da d e . M i n h a a rt e d e v e d e s p e rta r a   c u r i o s i da d e das o u t r as ­p e s s oa s . D e v e fa z e r c o m q u e e l as s e q u e s­ tionem sobre onde vivem, sobre o universo i n t e i ro ”


STYLIST: Julia Brenard, STYLIST ASSISTANT: Felix Bischof, Cabelo: Claire Rothstein, Outfit: Model‘s own

Jones constrói os seus ­próprios instrumentos. Com o HD do computador, ela fez um sinteti­zador de baixo e trans­formou uma c­ aixa de madeira em guitarra

e um cabo de vassoura. Duas cordas de guitarra e uma de baixo. É parecida com as guitarras dos escravos dos EUA, que eles construíam nas plantações de algo­ dão. Como sou apaixonada por aparelhos eletrônicos, depois eu mesma instalei dois captadores e as peças necessárias para tocar a Diddley Boo com dois ampli­ ficadores ao mesmo tempo – e assim ­consigo um som de baixo, que parece com resmungos estomacais. “Diddley Boo”? Sim, esse é o nome da minha guitarra! O que te move? A curiosidade. Quando me deparo com algo que não pode ser explicado, eu quero pesquisar. Por isso estudei biomedicina e trabalhei em laboratórios de genética, onde clonei bactérias e pesquisei o geno­ ma do HIV. A arte e a ciência não são duas coisas muito opostas? Nem um pouco. O aprendizado da har­ monia é no fundo bastante matemático. A harmonia acontece quando você divide proporcionalmente as ondulações. Espera aí. Eu te mostro. (Jones retira um caderno preto de sua bolsa e abre. As páginas são rabiscadas até a borda com letras de ­música, desenhos e fórmulas, incluindo uma que decodifica a estrutura dos acordes. the red bulletin

No canto da mesma página: o desenho de um disco rígido de computador desmontado.) Aliás, eu descobri como construir um instrumento de baixo com a bobina de um disco rígido. O que você mais gosta de fazer é ­des­cobrir e entender coisas? Entender não, pesquisar. O entendimento mata a curiosidade. Minha arte deve des­ pertar a curiosidade das outras pessoas, deve fazer com que elas se questionem so­ bre onde vivem, sobre o universo inteiro. O que você quer dizer com isso? Meu cientista preferido, Nikola Tesla, ­disse uma vez: “O melhor sentimento é a emoção que o inventor sente quando tem uma grande ideia. Esse sentimento faz você esquecer todo o resto. Sono, ­amigos, comida, até mesmo o amor”. Mas a ciência e a arte são opostas então? Não. Na minha exposição de Berlim proje­ tei seis pinturas digitais, controladas por computador com luzes LED. As imagens reagiam aos movimentos dos visitantes. Quando você chega mais perto delas, as luzes são mais brilhantes. Se você ­mover os braços, as cores mudam. Qual foi o tema da exposição? Os Segredos do Universo. Para montá-la, pesquisei fenômenos físicos com base em padrões semelhantes. E escolhi seis subtemas, que vão do Big Bang à morte do Universo. Uau! Então é por essas e outras que tem gente que te chama de Mulher ­Maravilha por aí, não é? (Risos) Ah, eu sou apenas interessada. O que eu faço teoricamente qualquer um pode fazer. Mas é engraçado você dizer isso, porque acabaram de publicar uma história em quadrinhos cuja heroína é ­inspirada em mim. Alguns anos atrás, eu conheci Peter Steigerwald, da Aspen Comics. Nós conversamos um pouco, foi bem divertido. E alguns meses depois ele me disse que iria dedicar o próximo ­livro a mim. Quem é essa heroína? Ela viaja pelas galáxias para proteger alie­ nígenas exóticos ameaçados de extinção.

Ela tem um cachorro alienígena, é música, modelo e cientista. Eu não vi os quadri­ nhos, mas supostamente ela ainda se ­parece comigo. Você de fato fez carreira solo na música, mas no verão passado tinha uma orquestra com você. Como foi? Outro mundo? Eu fiz quatro shows com os alemães da Rock Symphony Orchestra. O regente me achou na internet. Ele gostou da mi­ nha música. E então me perguntou se eu não gostaria de tocar com sua orquestra. Adaptamos minhas canções para uma ­orquestra de 350 pessoas. Foram 150 can­ tores e 200 músicos. Foi uma experiência maravilhosa. Eu não tinha ideia de quão alto soa uma orquestra. Quando os per­ cussionistas começam a tocar, o palco ­inteiro treme. Um show de rock é uma piada perto disso. Como é isso? Dirigir uma orquestra? Um sonho de infância realizado! Quando eu era criança e me perguntavam o que eu queria ser, eu respondia: cientista, ­inventora, pianista, artista, dançarina e médica. E, de preferência, tudo ao mesmo tempo. Você tem 26 anos e já conseguiu fazer quase tudo isso. Exceto ser médica. Há alguns anos, eu me inscrevi em uma faculdade de medi­ cina e até fui aceita. Mas decidi deixar a profissão de lado e optei pela música. Mas, vamos ver... sempre tem tempo para mudar. O álbum de estreia de Simonne Jones será lançado em breve pela Universal. Dá para ter um gostinho do que vem por aí acessando: www.simonnejones.org

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Hayden Nickell tirando onda em uma highline no alto da Las Vegas Strip


O slackline 足praticado a c足 entenas de metros do ch達o, conhecido como highline, faz do equilibrismo um esporte que exige muito sangue-frio Por: Ann Donahue Fotos: Dan Krauss



na corda bamba 57


Em outubro, diversos highliners caminharam por um precipício entre edifícios em Mandalay Bay, Las Vegas

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ma polegada é o comprimento da ponta de uma grama, uma cenoura baby, um palito de dentes. É o que chamamos de “quase nada”. Mas, para os slackliners, essa medida mínima é a base do seu esporte. Primeiro, uma definição: slackline não é o mesmo que se equilibrar na corda. Sem ofender Nik Wallenda e suas recentes façanhas cruzando as Cataratas do Niágara e o Grand Canyon – mas o slackline é uma modalidade diferente. Uma corda fina, como aquelas usadas pelos equilibristas, é um cabo estendido de meia polegada de grossura. A linha não tem flexibilidade, e o equilíbrio e o centro de gravidade do equilibrista são melhorados carregando uma trave de dezenas de metros. O slackline é feito em um tecido ­entrançado de 1 polegada que é posicionado nas extremidades de um abismo. E, por ser maleável, a slackline reage aos elementos – em particular ao vento e ao movimento do atleta que caminha sobre o cabo. Enquanto a corda fica lá parada, uma slackline oscila, os equilibristas

Andy Lewis monta sua highline antes de quebrar o recorde mundial em uma travessia em Mandalay Bay


A slackline ĂŠ bem diferente de uma corda comum, ela oscila e oferece mais equilĂ­brio


A corda de segurança usada pelos highliners é ligada a um ponto do corpo, normalmente o tornozelo ou a cintura

podem terminar tendo que lidar com uma corda que parece ser usada por um garoto da escola enquanto se diverte pulando. “Em vez de controlar a corda e andar sobre ela, você sacode junto com ela”, diz Hayden Nickell, 22 anos, slackliner pro­ fissional de Nederland, Colorado. “Você precisa dar passos em intervalos estranhos. Quando a linha está no alto, há momen­ tos em que você pode dar até oito passos. Por outro lado, você está fora do controle e dominado pela linha e o vento.” Já segregado aos parques e praias como um hobby de veranistas, o slackline agora se divide em modalidades profis­ sionais: trickline, na qual os equilibristas combinam ginástica e coreografia nas 60



competições; urbanline, que deixa de lado os precipícios naturais para encarar bura­ cos entre prédios; e yogaline, que inclui movimentos de ioga. A forma mais espetacular, no entanto, é o highline, no qual o slackline é prati­ cado a centenas de metros de altura, em locais de grande beleza, tanto natural como produzida pelo homem: o Parque de Yosemite, o cânion Hell Roaring em Utah, a Las Vegas Strip – onde, em ou­ tubro de 2013, o recorde mundial do ­­ highline urbano foi quebrado. Protegidos da queda apenas por uma corda elástica amarrada na cintura ou no tornozelo, os slackliners reagem constantemente ao balanço dinâmico do cabo debaixo dos pés.

“É como surfar”, diz Nickell. “Você aguarda pela melhor chance de progredir. Espera o vento diminuir e então você tem uma janela de 15 a 20 minutos para ir lá e fazer o seu. Depois bate o vento de novo e você precisa recuar.” O vento dá à highline o seu som sinis­ tro, uma nota grave misteriosa produzida pela corda reverberando entre seus gan­ chos. Quando um equilibrista olha para a frente na slackline, o cérebro consegue registrar apenas uma certa quantidade de peso através dos seus 45 graus de visão periférica – a mais de 30 metros no ar, é basicamente um jato d’água fria, diz ­Nickell. Subir mais alto – 90, 120, 150 metros – não parece mudar muito. Mas the red bulletin


“cadê o RESPEITO PELA HABILIDADE? AS PESSOAS TÊM MEDO DE ASSUMIR RISCO HOJE EM DIA”

Cair é aterrorizante e voltar à posição é um desafio a mais. Depois de ficar pendurado por uma corda, um highliner precisa de força para voltar ao cabo

é aí que os macaquinhos brincalhões no seu cérebro começam a atrapalhar. “No fundo, você pensa: ‘Morte instantânea ou cair estatelado no chão’ ’’, diz ­Nickell. “A highline é um reflexo direto de como você está se sentindo por dentro. Se estiver nervoso, você não está pensando em nada e de repente a linha está toda ­fodida e você fica meio ‘Ahhhh não’.’’ Para os praticantes desse esporte, é a mistura de concentração extrema e risco de vida que faz da busca pelo slackline algo quase espiritual. Andy Lewis, 26, tem um currículo que deveria invejar qualquer atleta de esporte de nicho: ele já quebrou vários recordes – no final de 2013, estabeleceu a nova marca mundial de highline ao andar numa linha de 110 metros a uma altura de 146 metros em Mandalay Bay, Las Vegas; estrelou ­diversos vídeos em cenários deslumbrantes; e esteve ao lado de Madonna durante o show no Super Bowl em 2012. Mas, acredite, ele não dá a mínima para isso. “Por que não posso chamar o slackline de minha religião?”, ele questiona. “O estilo de vida por trás disso tem todas as ­metáforas: um passo de cada vez. Manter o equilíbrio. Controlar seu destino. Isso se aplica diretamente à vida.” Lewis tem a palavra “slacklife” tatuada no braço e ganhou o apelido “Sketchy Andy” por suas façanhas movidas a adrenalina, incluindo um BASE-jump de slacklines e fazer um highline solo livre, no qual ele não usa a corda de proteção enquanto se equilibra a centenas de metros de altura. Lewis acredita que superar os limites é a essência do esporte, e na medida em que a modalidade evolui, ele vai conquistando cordas mais longas e mais altas para alimentar sua alma – mesmo que isso deixe o público apavorado. “As pessoas não gostam de ver você ­fazer coisas assim”, diz. “Mas é horrível que hoje em dia não exista mais respeito pela habilidade. As pessoas atualmente têm muito medo de assumir riscos. Tem coxinha covarde por todos os lados, eles não deixam nem suas crianças arranharem a porra do joelho. Risco não é ruim – você pode ser o idiota mais cuidadoso do mundo e morrer só de bater o carro.” www.slacklink.org



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Por: Thomas Hauser

Sueddeutsche Zeitung Photo

Quando Cassius Clay enfrentou Sonny Liston em fevereiro de 1964, o esporte mudou, a política mudou, o significado de ser ­negro nos EUA mudou... O mundo mudou. Cinquenta anos depois, aquele gongo ainda faz barulho


o e d n a r g

o t n e m mo 

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EM 25 DE FEVEREIRO DE 1964, UM JOVEM CHAMADO CASSIUS MARCELLUS CLAY JR. ENTROU I Num RINGUE DE BOXE EM MIAM E FICOU FRENTE A FRENTE COM SONNY LISTON

N

o começo dos anos 1960, o esporte era uma das poucas áreas da vida americana em que os negros estavam em pé de igualdade com os brancos. Mas, em muitos aspectos, o esporte r­ efletia a ordem segregada. Atletas negros poderiam se tornar estrelas, mas apenas dentro dos parâmetros ditados pelo establishment. O campeão dos pesos-pesados era o mais cobiçado título do esporte. O homem que fosse dono daquele cinturão deveria ser um modelo de comportamento. Isso significava 64



Cassius Clay, conhecido como “Louisville Lip” [o Ousado de Louisville], aplica uma esquerda em Sonny Liston, o “Big Bear” [Ursão], no Miami Beach Convention Center, em 25 de fevereiro de 1964

ser modesto, respeitoso com as autoridades e aceitar uma estrutura de classe que colocava os afro-americanos como cidadãos de segunda classe. O próprio Clay mais tarde disse: “Muitos negros achavam que ser branco era melhor”. Ele mesmo enfrentou esse estereótipo. Em 1961, conheceu um homem chamado Sam Saxon, que pertencia a um pequeno grupo de fiéis conhecidos na mídia como Black Muslims, que seguiam os ensinamentos de separatismo negro do autoproclamado mensageiro da Nação do Islã chamado Elijah Muhammad. Clay aceitou o convite de Saxon para comparecer a um culto da Nação do Islã no templo de Miami e desde então foi doutrinado com os princípios da religião. A Nação do Islã pregava que os brancos eram demônios que foram criados geneticamente por um cientista malévolo com uma cabeça enorme chamado “Senhor Yacub”. Ensinava que havia uma Mãe dos Aviões em formato circular com largura de meio quilômetro cheia de negros no céu e que, no dia escolhido por Alá para o juízo final, 1 500 aviões da Mãe

dos Aviões despejariam explo­sivos mortais destruindo tudo na Terra, ­menos os justos. Nenhuma dessas visões é parte do pensamento islâmico tradicional ou tem qualquer respaldo no Alcorão. Além disso, enquanto os conceitos de Céu e Inferno são centrais na doutrina islâmica tradicional, a Nação do Islã ­rejeitava ambos. Mais importante, no que toca a maioria dos americanos, o Islã adota a premissa de que corações e almas não têm cor. Os sacerdotes da Nação do Islã pregavam que, para ­negros americanos, a inte­gração seria a destruição. Não era de domínio público que Cassius Clay já tinha se conver­tido à Nação do Islã na época em que ele ­enfrentou Sonny Liston, mas o jovem ­lutador sentiu que uma força poderosa estava ao seu lado. Betty Shabazz, esposa de Malcolm X, um seguidor de Elijah Muhammad, mais tarde recordaria: “Meu marido encucou com o fato de que ele [Clay] não era apenas jovem, forte e habilidoso; ele era um homem com fé em Deus. Ele falava sem parar sobre como Davi venceu the red bulletin

Sueddeutsche Zeitung Photo, corbis

Liston era o campeão mundial dos pesospesados e uma presença fria e ameaçadora. Depois de um período na prisão por assalto à mão armada, ele conseguiu se empregar como braço forte do crime organizado. E então a máfia decidiu promovê-lo como lutador. Ele venceu e manteve o título dos pesos-pesados nocauteando Floyd Patterson duas vezes. Nas duas, precisou de pouco mais de dois minutos para ­cumprir a tarefa. Muitos consideravam Liston imbatível no mundo do boxe. “Lembro de estar muito nervoso naquela noite”, reconheceu o jornalista e vencedor do Prêmio ­Pulitzer David Halberstam. “Clay parecia jovem e vulnerável. Lembro até de ficar preocupado com o que poderia acontecer porque Liston parecia ser exatamente aquilo que se pensava dele.” Clay mais tarde admitiu: “Pouco antes da luta, quando o árbitro nos passava as instruções, Liston me dava aquela enca­ rada. Não vou mentir; fiquei com medo. Sonny batia forte e estava querendo me matar. Mas eu estava lá. Não tinha outra escolha além de ir e lutar. No primeiro round, estava dançando, recuando e me movimentando para os lados. Acertei algumas combinações, e ele me encaixou uma direita no estômago. No final do round, voltei para o meu canto e me senti bem. Sabia que poderia sobreviver”.


­ olias e como Deus não permitiria G que ­alguém que cresse Nele falhasse, não importando quão grande era seu adversário”.

N

Algo nas luvas de Liston provocou distúrbio na visão de Clay. Ele voltou para o canto após o quarto round gritando: “Estou cego!” No meio do quinto round, sua vista clareou. Liston desistiu antes do sétimo round 

o terceiro round da luta com ­Liston, Clay partiu para a ofensiva. Mort Sharnik, então um jovem jornalista esportivo, relembraria o momento em que a tendência virou. “Liston parecia indestrutível”, Sharnik recorda. “Mas Cassius tinha mãos incrivelmente ágeis e uma técnica de esmurrar na qual ele girava o punho no momento do impacto, o que tinha o efeito de um golpe de faca. Ele acertou Liston com uma combinação de dois ­socos; um jab e um direto de direita. Era como uma armadura sendo furada na ­batalha. Cassius recolheu seu jab e havia um ‘mouse’ [um corte feio] debaixo do olho direito de Liston. Então ele puxou sua mão direita de volta e havia um corte debaixo do outro olho. A pele de Liston parecia dura, não achava que poderia rasgar daquele jeito. Falei comigo mesmo: ‘Meu Deus, Cassius Clay está ganhando’.” No quarto round as coisas ficaram complicadas. Clay começou a ter dificuldades para ver. Uma substância cáustica – muito provavelmente um adstringente ilegalmente colocado nas luvas de Liston por algum dos seus assistentes – temporariamente cegou o desafiante. O treinador de Clay, Angelo Dundee, recordou: “Cassius retornou para o canto após o quarto round e começou a gritar: ‘Estou cego!’ Tinha coisa errada. Seus olhos estavam lacrimejantes. Ele falava: ‘Corte as luvas fora! Vamos embora!’. É possível imaginar o que estava passando pela cabeça dele. Estava vencendo a luta e de repente não conseguia enxergar. Eu falei: ‘Para com isso. Este é o campeonato. Senta aí’. Eu o fiz se sentar, peguei uma toalha e comecei a limpar seus olhos. ­Então, eu joguei a toalha fora, peguei uma esponja, higienizei os olhos e joguei a esponja fora. Peguei o bocal de volta, ­levantei ele de novo e disse: ‘É agora a hora, papai. Fique longe dele. Corre!’”.

O simples fato de partir para o quinto round já era uma coisa incrivelmente ­corajosa de se fazer, disse o Dr. Ferdie ­Pacheco, médico de Clay. “Era como ­cegar alguém e depois mandar a pessoa para uma luta com Mike Tyson”, ele disse. “Cassius foi absolutamente brilhante. O que ele fez, mantendo-se fora de alcance e acertando com a mão esquerda, tocando Liston quando ele se aproximava, foi incrível, fora de série. Ali estava um lutador que deveria ser um Godzilla, reinando. Ninguém podia se comparar a ele. Cassius não podia ver e, ainda assim, Liston não conseguia fazer nada.” No meio do quinto round, a vista de Clay voltou. Pelo resto da luta, os dois ­homens lutaram de igual para igual. O sexto round foi do desafiante. Ele acertou Liston à vontade e Sonny não conseguiu bater de volta. Pouco antes do sétimo round, Liston desistiu e ficou no banco.

A

vitória de Clay sobre Liston foi uma mostra dos atributos que o tornariam um boxeador lendário: velocidade, golpes precisos, o perfeito trabalho com os pés, criatividade, coragem e genia­ lidade defensiva. De sua forma única, ele era um artista do ringue. Mas muito daquele brilhantismo foi ignorado no caos que se seguiu. Um dia depois da luta, Clay chamou uma coletiva de imprensa e declarou que não era mais cristão. No dia seguinte, em uma nova coletiva de imprensa, ele anunciou que era um ­seguidor de Elijah Muhammad. Dez dias depois, o líder da Nação do Islã proclamou: “Esse nome, Clay, não tem significado ­divino. Espero que ele aceite ser chamado por um nome melhor. ‘Muhammad Ali’ é como vou batizá-lo pelo tempo em que ele crer em Alá e seguir a mim”. Robert Lipsyte, que cobriu a luta ClayListon para o New York Times, mais tarde diria: “Naquela altura, a imprensa não ­tinha escolha. Estávamos envolvidos com a história e tínhamos que segui-la. Não ­podíamos ignorar Clay. As pessoas estavam vidradas naquele campeão dos pesospesados que dizia: ‘Eu não tenho que ser o que vocês querem que eu seja. Sou livre para ser eu mesmo’. E entre as coisas que ele não queria ser era um cristão, um bom soldado da democracia americana nos moldes de Joe Louis, ou o tipo de atletapríncipe que a América branca queria”. Muitos americanos, negros e brancos, ­foram contra. “Eu nunca simpatizei com esses ­pronunciamentos de Elijah Muhammad sobre o homem branco ser o demônio e que os negros deveriam pleitear um 65


­ esenvolvimento independente, uma d ­espécie de apartheid americano”, disse Arthur Ashe, três vezes campeão do Grand Slam de tênis. “Era uma ideologia racista, eu não gostava dela.” Mas, para muitos, Ali era um símbolo definitivo do orgulho negro e da resistência a uma ordem social injusta. E, de 1964 até sua conversão ao islamismo ortodoxo em 1975, ele foi o mais visto e ouvido porta-voz da Nação do Islã. Entre as posições que ele pregou, estavam a oposição à integração, ao casamento inter-racial e a necessidade de separar a terra natal negra. “Nós não somos irmãos”, disse Ali. “Você pode dizer que somos irmãos, mas não somos.” Enquanto isso, a Guerra do Vietnã ­estava pegando fogo e os garotos americanos entre 18 e 26 anos estavam sujeitos ao recrutamento. Em 1964, Muhammad Ali foi classi­ficado 1-Y – inadequado para o serviço militar – como resultado de um mau ­desempenho em um teste seletivo de ­aptidão mental. Mas no começo de 1966, com o aumento da abrangência da guerra e crescente necessidade de pessoal, o teste requerido para incorporação nas Forças Armadas foi rebaixado, deixando Ali sujeito ao alistamento. Ele pediu um adiamento. Mas, em 17 de fevereiro de 1966, ele foi reclassificado 1-A: disponível para alistamento. Algumas horas depois, um frustrado Ali disparava à imprensa: “Não tenho nada contra vietcongues”. No dia seguinte, foi primeira página de todas as publicações do país. Então, em 28 de abril de 1967, alegando suas crenças religiosas, ele se recusou a entrar no exército dos Estados Unidos. Quase imediatamente, foi retirado dele o título e foi impedido de praticar boxe por comissões esportivas de todo o país. Menos de dois meses depois, ele foi julgado por recusar o alistamento e condenado a cinco anos de prisão, ainda que não tenha cumprido nem uma parte da pena. Seu exílio do boxe duraria mais de três anos. Ajudado por uma série de decisões judiciais, Ali retornou aos ringues, e sua condenação criminal foi anulada pela Suprema Corte americana. Em 1974, ele realizou uma jornada ao coração da África e 66



­derrotou George Foreman para reconquistar o título que tinha sido injustamente arrancado dele. Então, em 25 de fevereiro de 1975, Elijah Muhammad morreu. “Após a morte de Elijah”, Ali mais tarde recordaria, “seu filho Wallace assumiria como líder. Isso não nos surpreendeu, ­sabíamos que Wallace viria depois do pai. Mas o que surpreendeu algumas pessoas foi que Wallace mudou a orientação da Nação. Ele aprendeu através dos estudos que seu pai não estava ensinando o verdadeiro Islã e Wallace nos ensinou o significado do Alcorão.” A morte de Elijah Muhammad marcou uma mudança sísmica para a Nação do Islã e foi o prenúncio de uma mudança significativa nos pronunciamentos públicos de Ali sobre raça. No passado, o Ali público e privado parecia quase em guerra na defesa de que os brancos eram o mal. Agora ele conseguia dizer abertamente: “Não odeio brancos. Isto foi um dia fato, mas está se encaminhando para um final”.

A

li lutou pela última vez mais de três décadas atrás. Sua saúde se deteriorou de forma notável desde então, mas ele permanece como um dos atletas de maior destaque em nossos tempos. Seu caso de amor com a América e o mundo alcançou o ápice em 1996, quando ele foi escolhido para acender a tocha nas cerimônias de abertura da Olimpíada de Atlanta. Três bilhões de pessoas em todo o mundo assistiram e foram unidas pelo amor e consideração por aquele homem. É de reconhecimento geral que as contribuições mais significantes de Ali vieram

nos anos 1960, quando ele foi escrutado mais cuidadosamente, seu comportamento classificado como revolucionário e ele vivia seus mais controversos dias. Naqueles tempos, defendeu a proposta de que os princípios são importantes; que a igual­ dade entre os povos é justa e pertinente; que a guerra no Vietnã era um erro. A cada vez em que ele se olhava no espelho e se admirava, dizendo “sou tão bonito”, ele estava dizendo que “negro é lindo” ­antes que isso se tornasse moda. O famoso jogador de beisebol Reggie Jackson defendeu essa visão: “Você tem uma ideia do que Ali significou para os negros? Como jovem negro, às vezes eu tinha vergonha da minha cor; eu tinha vergonha do meu cabelo. E Ali me deixou orgulhoso. Sou tão feliz sendo negro agora quanto outra pessoa é em ser branca, e Ali foi parte desse processo de amadure­ cimento. Pense nisso! Você entende o que foi para os negros americanos saber que o homem mais bem-dotado fisicamente, possivelmente o mais bonito, e um dos mais carismáticos atletas do mundo, era negro. Ali ajudou a fazer com que os negros deste país se libertassem da escravidão mental. Toda a experiência de ser negro mudou por causa dele”. Ali hoje é um símbolo de tolerância e entendimento. “Quando era jovem”, ele disse, “segui um ensinamento que desrespeitava outras pessoas e pregava que brancos eram demônios. Eu estava errado. Cor não faz de um homem demônio. É o coração, a alma e a mente que importam. Odiar alguém por causa de sua cor é errado. Não importa qual cor promove o ódio. É errado e ponto final.” Mas Ali não se arrependia de suas crenças passadas. “Elijah Muhammad foi um homem bom”, disse Ali. “Mesmo que não tenha sido o Mensageiro de Deus que pensávamos que era. Ele nos ensinou a ser independentes, a nos limpar e a ser orgulhosos e saudáveis. Se você observar como era o nosso povo naquela época, muitos de nós não tínhamos respeito por nós mesmos. Não tínhamos nada de nosso após passar centenas de anos na América. ­Elijah estava tentando nos erguer e tirar nosso povo da sarjeta. Acho que ele errou ao falar dos demônios brancos, mas parte do que ele realizou foi nos fazer sentir que era bom ser negro. Então eu não peço desculpas pelo que acreditei.” Thomas Hauser é autor de Muhammad Ali: His Life and Times (ainda não lançado no Brasil), reconhecida amplamente como a biografia definitiva do boxeador. Seu livro mais recente é Straight Writes and Jabs: An Inside Look at Another Year in Boxing. O e-mail dele é: thauser@rcn.com  the red bulletin

ddp images, Keystone

“Segui um ensinamento que desrespeitava outras pessoas, que dizia que os brancos eram demônios. Estava errado. Mas parte do que aconteceu fez as pessoas acreditarem que era bom ser negro. Então não peço desculpas pelo que acreditei”


Clay estava em ĂŞxtase apĂłs derrotar Liston, tornando-se campeĂŁo mundial dos pesos-pesados pela primeira vez. Dez anos depois, ele se tornou Muhammad Ali the red bulletin

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Grande angular São 10 da manhã. Em Saint-Vincent-de-­ Tyrosse, no sudoeste da França, o sol brilha sobre o centro de treinamento de Tom Pagès. O vencedor do Red Bull X-Fighters World Tour 2013 realiza um flair durante o aquecimento.


Fomos fotografar Tom Pagès, campeão do Red Bull X-Fighters World Tour, antes da competição que acontecerá na Cidade do México, no dia 14 de março

SuA PAGÈSTADE Tom Por: Christophe Couvrat e Tom Pagès Fotos: Dan Vojtech



69


E

ntre seus colegas, ele é o extraterrestre, o estraga-prazer. Depois de sua aparição no circuito, em 2006, Tom Pagès regularmente é quem dá a estocada, quem faz a modalidade crescer e leva o motocross freestyle (ou FMX) a um nível orbital. O francês de 28 anos é uma espécie de dervixe montado sobre duas rodas, amante de sua cavalaria motorizada, capaz de ­realizar as manobras mais ousadas de ­todas. No ano passado, sua personalidade foi reafirmada à beira do ridículo. No ­final das contas, Pagès é como uma boa garrafa de vinho... Não é que sua loucura e sua habilidade quase artística tenham repentinamente desaparecido, mas a metamorfose é visível tanto em sua atitude ao treinar como em seu rosto, incrivelmente expressivo, com a malícia em seu olhar como testemunha. O menino nascido em Nantes se converteu num verdadeiro homem, capaz de refletir, e que se sente seguro de sua capacidade. Sua visão da vida mudou. Daqui em diante não existe só o FMX, também está o motociclismo em circuito. Imediatamente depois de sua coroação, ao vencer a temporada 2013 do Red Bull X-Fighters World Tour, Tom Pagès se dispôs a provar essa modalidade. Ele é um cara fácil, embora possua a força impalpável que é característica apenas dos campeões de cada modalidade. Por exemplo, tem algo de Renaud Lavillenie em Pagès. Seu ponto em comum, além de ambos serem franceses? Essa necessidade 70



Holly grab “É uma acrobacia que existe há anos. Não é preciso ter o queixo grudado no assento. Para os juízes, é algo básico. Todos podem fazer.”


extraordinária de se sobressair, nascida após longas horas de BMX, de treinar em cama elástica e de saltos e mais saltos no fosso de espuma. Essa é, sem dúvida, sua marca registrada: “Atualmente, para mim, subir na moto é como escovar os dentes”, declara, com um enorme sorriso. “Eu já nem me dou conta. De manhã, posso saltar ainda sonado. Faço isso há muito tempo! Passo horas e horas montado na moto diariamente já faz oito anos. Este ano ­instalei um contador nela. Minha dose de treinamento é de 15 a 20 horas por semana.” E, se somarmos todas essas horas durante toda sua vida, ele investiu mais de 30 dias inteiros para conseguir dar piruetas no ar. Foi assim que o pequeno Tom ficou grande, começando na Praça de Touros do México, a maior do mundo, há um ano, e culminando numa tarde de sol do dia 19 de julho de 2013, no cenário mágico da Praça de Touros de Las Ventas, em Madri. Pagès se converteu na maior fera do lugar, capaz de “matar” seus ­adversários ao realizar as acrobacias ­certas no momento exato. Ainda que confesse “ter medo da queda” e, às vezes, “sentir-se desiludido consigo mesmo”, Pagès também sabe que seus amigos do circuito não são fáceis. De fato, desejaria ter algumas de suas habilidades: “Por exemplo, do Taka (Higashino) eu gostaria de ter a educação e a loucura. Os japoneses não veem a vida da mesma forma que a gente. É uma coisa muito única e especial!”, exclama. E quanto aos outros? “O Josh (Sheehan) é uma bola de músculos e um atleta incrível. E o australiano não tem cérebro (risos). Ele se esforça demais. E no que diz respeito ao Dany (Torres), é o mais talentoso e experiente. Ele aparece no Red Bull X-Fighters World Tour desde 2004 (somando 36 provas). Possui o maior número de vitórias no Tour (sete). Com esta trinca de ases, você pode criar um verdadeiro super-­ herói.” Começando por Tom... Mais sobre FMX em: www.redbull.com.br

Ele tem essa força impalpável dos campeões de cada modalidade. Tem um pouco de Renaud Lavillenie em Pagès 

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3

Aqui o mais difícil já passou. Não tenho que fazer nada além de me manter com firmeza e apertar as botas contra a moto para absorver a inércia (esta imagem é da foto da abertura tomada de outro ângulo).

4

O flair de Pagès Esta manobra é um pouco de todas as “contribuições” que o francês já deu ao circuito. No ano passado, ele realizou inclusive variantes com pernas cruzadas, como o tsunami ou o indy.

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Se eu faço tudo corretamente, meu corpo se acomoda como deve. Todos tinham se esquecido desta manobra. Existem algumas variantes só para complicá-la um pouco. A galera vê que o flair é acessível, e é por isso que o veremos muito. E bem poucos fazem volts e special flips.


2

É aqui que tudo se complica. Tenho que evitar virar para dentro e tentar ir um pouco para o lado direito. Se eu me mexo muito para dentro, aterrisso antes do planejado. Se eu faço tudo certo, meu corpo vira para o exterior.

1

Subo a rampa pelo lado direito, e então tento sair pelo lado esquerdo para marcar uma curva sobre a rampa e ter a distância ideal. Isto é muito importante quando você tenta fazer bem um flair.


Cliffhanger Na memória coletiva, Cliffhanger é um filme que apareceu em 1993 e que tinha Sylvester Stallone como protagonista. No jargão do FMX, é uma manobra muito impressionante, que frequentemente permite que seu autor ganhe tudo.

2

Este é o momento em que levo os pés à parte de cima e puxo o guidão. Isso levanta a moto de novo e me permite voltar com o corpo sobre ela. É muito importante segurá-la com os dois pés ao mesmo tempo.

1

Ao chegar à rampa, imediatamente me posiciono bem para a frente da moto. É preciso fazê-la picar um pouco e ficar com o corpo à frente. Se tudo vai bem desde o início, sei que poderei realizar a acrobacia corretamente.

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3

Justamente antes deste passo, me posiciono e deixo meu corpo cair até pôr os pés sobre os tubos do garfo, nas laterais. É necessário manter o guidão bem reto. Então eu me impulsiono para baixo para voltar a uma posição normal.

4

Aqui uma aterrissagem cliff sem as mãos. Isso significa que eu não ponho mais as mãos no guidão. O público e os juízes do Red Bull X-Fighters World Tour adoram essa. A amplitude de pontuação que ela proporciona permite dominar seus adversários.

“Atualmente, para mim, subir na moto é como escovar os dentes. Eu já nem me dou conta”


A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.

crAnBerry

lime

BlueBerry

www.redBull.com.Br


Aonde ir e o que fazer

Coloque seu iPhone como se fosse um K7. Descubra como, na pág. 85

aç ão !

V I AG EM / EQ U I PA M ENTO / TR EI N O / M Ú S I CA / FESTAS / C I DA D ES / BA L A DAS O duo australiano NERVO botando pra ferver no Club Sound

Troy Acevedo/We Are Night Owls

Bota pra ferver!

ver djs como Afrojack e Tiesto subirem ao palco e fazerem um set underground e inusitado: essa é uma exceção aberta por eles a um clube em hollywood, o club sound balada, pág. 81

the red bulletin

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Ação!

MALAS PRONTAS

Não Fique de Bobeira Na rússia como os RUSSos

PENSE ALTO Escale paredes de rocha de ­tirar o fôlego na ­Reserva Natural Stolby, a meca da escalada livre solo da Sibéria.

Além do bungee Sair para a imensidão da Sibéria é, por si só, uma aventura. Como uma das últimas localidades realmente fora do comum em todo o mundo, apenas decidir ir até os vastos descampados russos é um lance de coragem. Para alguns isso não basta. Amarrar-se a uma corda de alpinismo e pular de uma ponte ou de um prédio abandonado é uma forma de acrescentar esporte radical à sua estadia russa. A Sibéria é o lar não-oficial do esporte proibido chamado rope jump, uma atividade não muito diferente do bungee jump, exceto por dois detalhes importantes: os locais de ­salto são normalmente em áreas com estrutura urbana e não são usadas cordas elásticas. “Nós encontramos uma ponte ou um prédio abandonado na cidade, amarramos cordas de escalada aos ganchos, com a outra extremidade fixada à estrutura, e então pulamos”, diz Dmitri Glebov, um participante da Copa da Sibéria, uma competição anual de rope jump. “A falta de peso do pulo faz o coração saltar pela boca antes que o impulso te balance com uma força igual a uma espiral de montanha-russa.” A emoção é aprimorada pela escalada ao local do salto, que pode ser de até 500 metros de altura e perigoso o bastante para ainda precisar da adrenalina adicional de uma perseguição. “Não é tecnicamente ilegal”, diz Glebov, “mas a polícia não fica contente de nos ver As excursões de espor- fazendo.” Entretanto, se você tes radicais na Sibéria já está disposto a pular de um são organizadas pela prédio abandonado no meio 56th Parallel, saindo a partir de US$ 2 500 da Sibéria, não é uma perseguiçãozinha com policiais russos (R$ 5 875). 56thparallel.com bravos que vai te desmotivar. 78



Amarre a corda e pule: lembra quando você ­pulava corda na escola? Então, não tem nada a ver

UM BARQUINHO frio Embarque em uma jangada feita de puro gelo e faça uma viagem pelas águas árticas do Rio Angara ao sair do Lago Baikal. 56thparallel.com

DICA DO PRÓ PARA UMA ESTIRADA SUAVE “O truque é pular longe o bastante para conseguir um bom espaço na direção do vão do prédio ou debaixo da ponte”, diz Dmitri Glebov. “Também ajuda a amenizar o puxão. Lembre-se, é uma corda, não um elástico, então vai doer se você simplesmente se jogar.”

Fique calmo

Se você estiver precisando de coragem siberiana antes de pular ou de um lugar para se refrescar após, vá até o bar Bulgakov, em Krasnoyarsk. “É um point legal, como um bar de São Petersburgo no coração da ­Sibéria, com ótima comida e drinques de primeira”, diz a guia turística local, Elin Kekovska.

METE O PÉ Junte-se a corredores de mais de 20 países todo mês de março para a maratona no gelo anual de Baikal, a corrida mais rápida do mundo no gelo. absolute-siberia.com

barbulgakov.ru/o-bare

the red bulletin

sellyourphoto.net(2), shutterstock(2), picturedesk.com

  r ope jump  SE VOCÊ ENJOOU DO BUNGEE JUMP, ESTA LOUCURA NA RÚSSIA É UMA INJEÇÃO DE ADRENALINA NA VEIA

sibtourgide.com


Ação!

Em Forma

Ivana Spanovic, três vezes campeã do mundo de salto a distância: “Minhas pernas são meu poder”

Ela vai longe ATLETISMO IVANA SPANOVIC, a bela DO SALTO A DISTÂNCIA, TEM FORÇA NAS PERNAS, UM OLHAR AGUÇADO PARA BALANÇA E NAS ORELHAS SEMPRE ALGUMA COISA PARA OUVIR

Predrag Vuckovic/Red Bull Content Pool(2), shutterstock

Heri Irawan

“O segredo no salto a distância não é só a força do salto”, diz Ivana Spanovic, ­vencedora da medalha de bronze mundial em salto a distância. “A velocidade na hora de saltar também é importante. Minhas pernas são meu capital. Eu as fortaleço treinando todos os dias, por duas horas no mínimo. A academia é minha segunda casa.” O que mais é importante, Srta. ­Spanovic? “Exercícios para retirar a tensão da musculatura do corpo, treino de equilíbrio e muuuuito treino muscular abdominal – no ar, o corpo precisa se dobrar com força. Também controlo minha alimentação e sempre dou uma conferida na balança. Um quilo a mais e você fica em desvantagem. Quanto mais leve você for, mais longe você pula. É simples assim.”

No leg press: Ivana Spanovic treinando para fortalecer os músculos

BATIDAS QUENTES e ÁGUA GELADA

“O iPod é meu parceiro de treino preferido. Nas partes pesadas, eu me inspiro com muito hip hop do Jay Z; nas partes mais tranquilas, r­ elaxo com um Thomas Newman. E, falando em relaxar, depois de exercícios pesados um banho frio ­funciona como uma ótima profilaxia muscular.”

C O M O S E E X E R C I TA R C O R R E TA M E N T E EXERCÍCIO 1

Para treinar a musculatura ­abdominal de uma forma dife­ rente: ao inverter a gravidade, você exercita intensa­ mente os múscu­ los abdominais, mas sem preju­ dicar a coluna vertebral.

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EXERCÍCIO 2

Para treinar ­melhor o salto.

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De cabeça para baixo – com uma bola de basquete nas mãos –, leve a cabeça aos joelhos.

Toque a ponta dos pés com a bola de basquete e retorne ­lentamente (muito importante).

Apoie a perna num banquinho, com uma barra de 15 kg nas ­costas. A outra fica bem esticada.

Depois do alongamento, suba e dobre a outra perna rapidamente Faça 10 a 15 vezes por perna.

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ação!

meu equipo 4

1

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DICAS DE UM PROFISSIONAL

MicroKORG: mais barato que um iPad e pequeno o bastante para caber em qualquer mochila www.korg.com

É ASSIM QUE EU USO O MEU KORG

Pequeno e barulhento SINTETIZADOR  É COM ESTA CAIXA DE SURPRESAS QUE DORIAN CONCEPT CRIA SEU EXCLUSIVO JAZZ DE FICÇÃO CIENTÍFICA

www.ninjatune.net/artist/dorian-concept

E Q U I PA M E N T O ELETRÔNICO O aparelho obrigatório para UM DJ DE ELETRÔNICO COLOCAR TODO MUNDO PARA DANÇAR

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1 SELEÇÃO DE

PROGRAMAS “A seleção de ­programas divide os 128 sons em oito categorias que vão desde o trance até o drum’n’bass. É um clichê, eu sei, mas você não pode se perder nisso tudo.” 2 O BOTÃO

“RELEASE” “Pegue um som­padrão do tipo clavicórdio. Gire o botão ‘Release’ para a ­di­reita e ajuste o ­oscilador para Di9. De repente, o som fica bem louco.” 3 O BOTÃO

“ATTACK” “Você quer saber o segredo dos meus sons distorcidos? Eu toco com o botão ‘Attack’ em ‘Rhythm’. O ‘Attack’ do micro­ KORG é ­direto e bem fluido.”

4 OS AJUSTES

“OCTAVE” “Como tecladista, eu estou acostumado com teclados maiores. Mas compenso com os ajustes ‘­ Octave’ e o disco ­‘Pitch’, que regulo com a ­minha mão ­esquerda. É por isso que minhas faixas soam tão estridentes.” “Eu também uso l­ aptop para apre­ sentações ao vivo e o software Ableton Live para tocar as faixas de fundo e improviso minhas linhas de teclado sobre elas com o microKORG.”

CNTRL:R

CDJ 2000 Nexus

Ableton Live 9

Para artistas de laptop que gostam de tocar em botões de verdade. Com este MIDI Controller (desenvolvido pelo DJ Richie Hawtin) dá para ­regular os efeitos com as mãos.

O DJ moderno vai para a boate com o pen drive cheio de músicas. Essa interface redonda permite que você toque as faixas ao contrário, ­como se fosse um vinil.

Funciona intuitivamente e é estável. Este software de música é o padrão usado em apresentações ao vivo por DJs tais como Dorian Concept graças à sua função “Session”.

www.lividinstruments.com

www.pioneerdj.com

www.ableton.com

the red bulletin

Lander Larrañaga/Red Bull Music Academy

Dorian Concept, 29 anos, mestre do som eletrônico, desliza as mãos no tecladinho

“O microKORG é um sintetizador simples”, nos conta Dorian Concept. “Ele tem muito menos botões que seu irmão maior, o ­MS-10. E é muito mais divertido de usálo.” O músico radicado em Viena diz que ele é o responsável pelo começo do sucesso. Em 2006, publicou um vídeo – Fooling Around on Micro Korg (“Brincando Com o Micro Korg”) – no YouTube, no qual ele desliza as mãos sobre o miniteclado e fica mexendo nas regulagens. Músicos como o Flying Lotus não podiam acreditar nos sons alienígenas que ele estava extraindo do sintetizador. O apresentador de rádio britânico Gilles Peterson chegou a comparar Concept com o lendário ­tecladista de jazz Joe Zawinul. Mesmo com condições de comprar coisas mais ­sofisticadas, este formado da Red Bull Music Academy permaneceu fiel ao ­microKORG. Saiba como ele faz esses sons de ficção científica em:


AçÃo!

balada

A pista de dança da Sound acomoda mais de 650 baladeiros

VIBE V I NTA G E AS BALADAS DE HOLLYWOOD COM O ESTILO DE TINSELTOWN

Musso & Frank’s Restaurant and Bar Foi lá que Charlie Chaplin desafiou Douglas Fairbanks para uma corrida de cavalos pelo Hollywood Boulevard. Isso pode ser porque o lugar ­serve os melhores martínis da cidade. mussoandfrank. com

Efeitos sonoros

Troy Acevedo/We Are Night Owls (4), picturedesk.com, corbis (2)

los angeles REÚNE OS MELHORES DJs PARA INOVAREM NAS PISTAS DE UM LUGAR QUE DÁ ESPAÇO A BATIDAS SOMBRIAS A música eletrônica que enche as pistas de dança tem aquelas melodias pegajosas, mas o que acontece quando DJs estrelados querem mudar isso? Na Sound, em Los Angeles, eles preferem ­tocar suas faixas underground. “Afrojack normalmente toca seu som para festivais, mas ele entra na nossa boate e toca um lance mais sombrio, underground”, diz Kobi Danan, sócio da Sound. A vibe é diferente daquela atitude chique e discriminatória da maioria das baladas de Hollywood. “Antes o negócio era ficar olhando para as celebridades que passavam, mas dance music agora é moda”, diz o CEO da Sound, Rob Vinokur. A decoração, que combina panos inspirados em Caravaggio com ­painéis de madeira na mansão de Frank Sinatra, atrai as celebridades. sound nightclub 1642 North Las Palmas Ave Los Angeles, CA 90028, Califórnia www.soundnightclub.com

the red bulletin

DJs famosos na Sound: R3hab (direita) e Tiësto (abaixo)

DO I S EM PR EGOS MÚSICOS QUE MUDARAM DE ares

Iggy Pop Era baterista de blues em Chicago antes de virar um deus do punk, provando que a heroína pode mesmo mudar alguém. Katy Perry Alguma vez pensou a respeito da tatuagem “Jesus” que ela tem no pulso? Ela era cantora gospel antes da fama. Michael Bolton Abriu uma vez para Ozzy Osbourne antes de ­receber o manto de rei do easy listening com ­mullets. Não é brincadeira. DARIUS RUCKER Foi de frontman do soft rock meloso do Hootie & the Blowfish a genuíno talento como cantor da música country.

Avalon Hollywood Na década de 1920, foi um teatro; nos anos 1940, uma rádio; depois a Avalon virou casa de shows. Por aqui os Beatles fizeram seu primeiro ­concerto na West Coast americana.

ROOSEVELT HOTEL Pegue um coquetel e olhe para o fantasma de Marilyn, que dizem assombrar o local onde um dia viveu. facebook.com/ hollywood roosevelt

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Ação!

world run

Quanto mais longe, melhor A WINGS FOR LIFE WORLD RUN COMEÇA DIA 4 DE MAIO! A GRANDE PROVA DE CORRIDA MUNDIAL ESTÁ COM NOVO FORMATO: O DECISIVO NÃO É O TEMPO, E SIM A DISTÂNCIA PERCORRIDA. um carro “CAÇA” O CORREDOR – QUANTO VOCÊ CONSEGUE CORRER SEM SER ALCANÇADO?

SEJA VOCÊ AMADOR OU PROFISSIONAL, faça o teste E VEJA QUE DISTÂNCIA VOCÊ CONSEGUIRIA FAZER ATUALMENTE – E QUANTOS QUILÔMETROS A MAIS VOCÊ PODE ALCANÇAR COM UM TREINO OBJE­ TIVO. FAÇa o COOPER-TEST ¹, OBSERVE SEU RITMO CARDÍACO EM REPOUSO ², ­C ALCULE SEU imc ³ E DETERMINE SEU ­P RÓPRIO PROGNÓSTICO DE DISTÂNCIA

Tá começando Como se comporta

Como se comporta

Corre uma ou duas vezes por semana, por motivos de saúde.

Os números

Os números

IMC: 30 – 35 Ritmo cardíaco em repouso: >65 Cooper-Test: não recomendado nesta fase. Quilômetros por semana: <1

IMC: 20–30 Ritmo cardíaco em repouso: 50 – 60 Cooper-Test: 1 800 – 2 200 m Quilômetros por semana: 5–10

Prognóstico de distância atual: 1 km

Prognóstico de distância atual: 10 km

Comece a treinar amanhã e você pode conseguir alcançar na World Run até:

Comece a treinar amanhã e você pode conseguir alcançar na World Run até:

15 km

Maratonista

Ultracorredor

Como se comporta

Os comportamentos

Corre até três vezes por semana para manter a boa forma.

Corre quase todo dia e tem experiências nas corridas de 42 km.

Os números

Os números

IMC: 18 – 25 Ritmo cardíaco em repouso: 50 Cooper-Test: 2 500 – 2 800 m Quilômetros por semana: 30 – 40

IMC: 16 – 20 Ritmo cardíaco em repouso: 35 – 45 Cooper-Test: 3 400 – 3 800 m Quilômetros por semana: >70

Prognóstico de distância atual: 15 km

Prognóstico de distância atual: 30 km (em 2h26min)

Você pode conseguir alcançar na World Run, em 1h52min, até:

Você pode conseguir alcançar na World Run, em 3h8min, até:

21,0975 km

1 Cooper-Test: A determinação do caminho percorrido durante 12 minutos de corrida

Como se comporta

Corre muito de vez em quando, ou quase nunca.

5 km

Quem treina

Corre no final de semana

42,195 km

2 RITMO CARDÍACO EM repouso: Número de batidas cardíacas em descanso

É um dos favoritos ao título da Wings for Life World Run.

Os números

IMC: 16 – 20 Ritmo cardíaco em repouso: 30 – 40 Cooper-Test: >4 000 m Quilômetros por semana: >100

Prognóstico de distância atual: 70  – 100 km Você pode correr 99 km em 5h48m para ser o melhor do mundo.

70 – 100  km

3 imc (índice de massa corporal): Relação peso [em kg]/altura [em m]²

Defina seu objetivo pessoal com a Calculadora de Metas em: www.wingsforlifeworldrun.com/pt-br

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the red bulletin

Philip Platzer/Red Bull Content Pool, Harald Tauderer/extreme sport management

Até onde você consegue ir?


entre

ag o r a

e comece a treinar

DICAS Do PROFISSIONAL O ULTRACORREDOR CHRISTIAN SCHIESTER fala cOMO FAZER A CORRIDA FLUIR

1

A corrida mundial

por QUE A WINGS FOR LIFE RUN te atraiu?

Por ter a meta maleável. Você corre no meio da massa, mas sem competir com as pessoas, você compete com ­ o catcher car. São muitos vencedores.

2

CORRIDA TAMBÉM É ­SOFRIMENTO. tem algum ­segredo para ter motivação?

Wings For Life World Run Uma largada em seis continentes No dia 4 de maio de 2014. a maior corrida da história do esporte. quem pode ir? Todos que quiserem se avaliar em relação ao mundo

Incluir a corrida no cotidiano. Corra pela natureza, depois sente na grama e faça um piquenique. Depois, volte correndo. Então, deixa de ser dor, vira prazer.

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E COMO ALGUÉM QUE NUNCA PRATICOU ESPORTES VIRA UM VERDADEIRO CORREDOR? Aos poucos, em distâncias curtas, ­anotando as metas alcançadas. Depois, vá aumentando as metas. Colecione ­essas anotações! Faço isso até hoje.

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1. COMO É

4. A AVALIAÇÃO

No dia 4/5, às 6h do horário de ­Brasília, começam ao mesmo tempo 37 corridas em 35 países. Depois de 30 minutos, os catcher cars come­ çam a correr e a deixar os atletas para trás. O último a ser ultrapas­ sado, no mundo inteiro, ganha.

O último homem e a última mulher do mundo a serem alcançados pelo carro são os campeões mundiais e ganham uma viagem especial pelo mundo: eles serão recebidos por ­todos os países que participaram da corrida. Cada corredor pode ­conferir na internet as comparações de seu desempenho com os outros.

2. OS CAÇADORES Os catcher cars aumentam a veloci­ dade em intervalos fixos e sucessi­ vos, para melhorar o seu desempe­ nho de velocidade. Se um corredor for ultrapassado, ele é eliminado. Assim, a distância percorrida é ­automaticamente calculada.

QUANDO VOCÊ SENTE QUE A CORRIDA ESTÁ FLUINDO?

De repente, quando a dor some, você se sente onipotente, parece que poderia continuar correndo para sempre. Com novatos é rápido, comigo, hoje, só após uns 60 km que sinto essa fluidez.

“Anoto todos os dias a distância que corro”

3. OS TRECHOS Espalhados por mais de 35 países pelo mundo, os percursos se divi­ dem em cinco categorias de circuito: na costa, ao longo do rio, na cidade, na natureza e em lugares com pai­ sagens. Informações detalhadas ­sobre lugares, trechos, dicas de ­treino e tempos de corrida você ­encontra no site do evento.

Christian Schiester, embai­xador da Wings For Life World Run

5. os PARTICIPANTES De iniciantes a corredores profis­ sionais e celebridades (como David Coulthard): o objetivo é passar pelo máximo de trechos possível e ajudar pessoas paraplé­gicas com a renda. Cada corredor ajuda, cada km conta.

6. A MISSÃO A Wings for Life World Run começou com o slogan “Correr por aqueles que não podem”. Todo o dinheiro ­arrecadado pela corrida é investido em projetos científicos internacio­ nais da Fundação Wings for Life para melhorar a vida de pessoas paraplégicas: www.wingsforlife.com/en

Apoie a Wings for Life World Run! Inscreva-se online até 20 de abril em: www.wingsforlifeworldrun.com/pt-br



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MEUS LUGARES PREFERIDOS

“O que eu tanto amo em Copenhague? É uma cidade dinâmica, pulsante – e, ao mesmo, pequena e agra­ dável”, diz o artista plástico e performista Eske Kath, que não apenas é o responsável pelo design da capa do disco da cantora pop dinamarquesa Oh Land como também teve a honra de pintar um quarto no Palácio de Amalienborg, a residência real dinamarquesa. “Em Copenhague, você se sente em casa muito rápi­ do, especialmente por causa das pessoas que sempre ­andam na rua com um sorriso no rosto.” Mesmo ­tendo fixado residência em Nova York há muitos anos, ele sempre é atraído de volta à sua cidade natal: “Se Nova York é o coração do mundo, então Copenhague é o ­pequeno coração da Escandinávia”. Confira os ­cinco endereços preferidos de Eske na cidade. 84



PARQUE DE SKATE

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Eske Kath, pintor dinamarquês e artista performático

copenhagUe BOTECOS RETRÔ, BUTIQUES MODERNAS E UM PLANETÁRIO SURPREENDENTE: A CAPITAL DA DINAMARCA PELOS OLHOS DO ARTISTA ESKE KATH

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TOP CINCO

Arte? Muita. Comida? Deliciosa. Cerveja? Caríssima!

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Construído em 2003, é o melhor lugar para andar de skate protegido dado o tempo ruim da cidade. Tem a maior rampa vertical da Escandinávia. Para prós e amadores! copenhagenskate park.dk

c­ hique de Nova York. Aqui você encontra o que há de melhor em roupas e sapatos, de roupas simples a marcas como Kenzo ou Nike. Bom para turbinar o guarda-roupa.

HIGH ROPING URBANO

1 Galeria Mikael

Andersen Bredgade 63 Esta galeria de arte contempo­ rânea foi realmente a porta de entrada para muitos artistas ­jovens. Meus próprios quadros ­ficaram aqui por muito tempo.

4 Kødbyen

Vesterbro O famoso mercado público fica em um bairro emergente de ­Copenhague. Aqui eu visito ­exposições ou vou comer pizza no bar Mother. O lugar tem uma energia única na cidade.

3 Wood Wood

Grønnegade 1 Obrigatório para as compras. É do nível de qualquer loja

urbanrangercamp.dk

Indoor Skydiving

2 CAFÉ Dyrehaven

Sønder Boulevard 72 Copenhague é uma cidade ­caríssima. Mas, neste boteco hipster-­setentista, até se acham cervejas mais baratas... e o ­melhor ­smörrebröd da cidade!

Medo de ficar ­ alançando em b ­cima de uma corda a 50 m de altura? ­Isso não é problema no jardim das cordas mais altas do mundo! Além disso, também tem rapel e queda livre.

5 Planetário Tycho Brahe Gammel Kongevej 10 O Planetário é meu lugar favorito da cidade. Olhar as estrelas me inspira, me diverte e me ajuda a meditar. Não existe nada ­melhor para a criatividade. Aqui é o point.

A sensação de saltar de paraquedas sem um paraquedas? Isso só é possível no túnel de vento escandinavo. Os ventos verticais têm uma potência de até 120 km/h. airexperience.dk/uk

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Corbis, Urban Ranger Camp, Copenhagen Air Experience/Henrik Sorensen

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Ação!

CLÍNICA DO CD

Música

FORMAS DE FAZER COM QUE SEU CD ARRANHADO VOLTE A BRILHAR

Kathleen Anne Brien, conhecida como Katy B, 24 anos, a princesa das discotecas

Há três anos, Katy B pertence à elite da disco music: em seu álbum de estreia, On a Mission, a jovem britânica mistura dubstep e garage – resumindo: aquilo que toca nas discotecas underground de Londres, sua cidade natal. O disco ficou em segundo lugar nas paradas britânicas e seu estilo inovador rapidamente conquistou incontáveis seguidores. Seu novo álbum, Little Red, é cheio de novos hinos da night, presentes na playlist das festas mais agitadas e que falam dos encontros que acontecem na balada e da magia das discotecas. Falamos com Katy B para saber quais os sons que mais a inspiram e as músicas que gostaria de ter composto.

Gangsta Lady Espiritual Playlist O novo sucesso das paradas canta sobre a vida dentro das discotecas e revela qual música ela gostaria de ter composto

1 Arctic Monkeys

2 Indeep

3 Banks

Não sou exatamente fã de músicas com muita guitarra, ­talvez porque ­tenha crescido ouvindo hip hop e garage. Mas ano passado fui convidada para uma mesa-redonda do Mercury Prize e resolvi ouvir todos os discos indicados, incluindo o do Arctic Monkeys. Essa ­música ficou na minha cabeça – e quase me converteu às guitarras.

Não existe música de ­festa melhor. É simples e eletrizante. Meus pais ­colocavam esse clássico da disco em todas as festas de família, e todas as vezes ela levou todo mundo para a ­pistinha improvisada na sala, dos mais jovens aos mais velhos. Não existe nada mais valioso na música do que isso. Queria eu ter composto esse som.

Banks tem ­todos os pré­requisitos de uma estrela: melodias cativantes, boas letras, classe e estilo. Se eu fosse adolescente, teria um pôster dela pendurado na parede. Esta música é visionária: R’n’B eletrônico. Como se fosse um Timberland produzindo uma batida, só que mais obscura e graciosa. Minha previsão: Banks vai estourar este ano.

ft. Nicki Minaj  4 Ciara

5 Skream

Minha música preferida de 2013. A batida é tão poderosa quanto o surgimento de Ciara, que me lembra Janet Jackson na ­juventude. E depois tem a Nicki Minaj. Não me entenda mal, eu a amo, mas às vezes ela soa meio forçada. Mas nessa música ela incendeia total – e mostra para todo mundo que é a melhor rapper da atualidade. Ela é gangsta!

Esta música me deu uma abertura sonora. Obscuramente épica. Diferente de tudo o que eu conhecia. Os sets do Skream no Club FWD – onde inventaram o dubstep – foram para mim, aos 18 anos, uma experiência espiritual. Hoje trabalhamos juntos. Isso me deixa muito ­orgulhosa, já que foram eles que me ­indicaram o caminho da arte.

“Do I Wanna Know?”

florian obkircher

“I’m Out”

Getty Images, shutterstock

O novo álbum de Katy B, Little Red, já foi lançado. Confira em: katybofficial.com

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“Last Night a D.J. Saved my Life!”

“Rutten”

PASTA DE DENTES Você pode usar pasta de dentes para limpar os CDs, utilizando um pano macio para polir. Depois, é só enxaguar com água morna.

“This Is What it Feels Like”

Software

Programas de recuperação de dados grátis, como o Recuva, conseguem ler CDs danificados, fazendo um backup dos dados em outro arquivo.

M AN IA R ETR Ô O GADGET DO MÊS

freezer

iRecorder Em vez de K7, você coloca o iPhone na unidade do gravador e controla os MP3 com cinco botões grandes. ­Quase tão bom quanto costumava ser – e sem enrolar a fita!

Colocar o CD ensacado no freezer, e deixar por duas horas, reduz a densidade do material do disco. Os pequenos arranhões desaparecem.

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ação!

na agenda “Aaaaa maiooooor feeeesta da Teerra!!!”

Na avenida Celebridades nos camarotes, cerveja gelada a rodo, belas mulheres e muita batucada aceleram o coração de todos que passam pela Sapucaí nos dias 2 e 3 de março, quando acontece o desfile das ­Escolas de Samba do Grupo Especial com as escolas mais tradicionais do Brasil. 8/3, Rio de Janeiro

As campeãs

8/3, em Salvador

Daniela Mercury Ela faz o Circuito Barra-Ondina às 19h30 da sexta de Carnaval. É para deixar as baterias bem carregadas para o final de ­semana em Salvador. danielamercury.art.br

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O enredo campeão volta no fim de semana do dia 8 para acabar com a ressaca e trazer mais festa para a ­Sapucaí. Para resistir a ­semana inteira, você vai precisar de energia. Só os mais fortes chegam inteiros para o segundo fim de semana de folia. O Rio é assim nessa época do ano: festa sem fim na rua, no sambódromo e em plena areia. rio-carnival.net/carnaval

28/2 e 1º/3, em São Paulo

Folia paulistana No primeiríssimo final de semana de Carnaval, o Sambódromo do Anhembi recebe as principais escolas de samba da cidade e a festa vira a madrugada. Na sexta-feira, Rosas de Ouro e Vai-Vai são algumas das mais aguardadas. Já a Mocidade Alegre, atual bicampeã do Carnaval paulistano, será a terceira a entrar na avenida no sábado, dia 1°, logo após o desfile da Gaviões da Fiel. anhembi.com.br

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imago(5), celia santos, Press Office of G.R.C.E.S. Mocidade Alegre, divulgação, getty images

2 e 3/3, Rio de Janeiro


4/3, em São Paulo

2, 3 e 4/3, em Salvador

Segunda na rua

Ivete em Salvador

A Confraria do Pasmado é um dos blocos mais animados da capital paulista. Na Vila ­Madalena, o cordão sai da ­Mercearia São Pedro e cruza as principais ruas do distrito famoso pela boemia. facebook.com/ confrariadopasmado

É com Ivete Sangalo puxando a galera pra cima que o Bloco Coruja faz, na segunda-feira de ­Carnaval o Circuito Avenida e na terça o Barra­Ondina. A musa do Carnaval baiano é garantia de agito. É axé pra dar e vender.

Não g o s ta de s a m b a? Algumas opções para sobreviver no Carnaval

ivetesangalo.com.br

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domingo

carnaval eletrônico

2, 3 e 4/3, em Salvador

Fica, Bell

A D-Edge preparou uma programação especial com o DJ Renato Ratier. Se você embalou no bloquinho à tarde e quer esticar a festa, este é o lugar. facebook.com/ dedgeclub

A já anunciada despedida de Bell do Chiclete com ­Banana acontecerá no para lá de tradicional Bloco do Camaleão, em Salvador. Domingo e segunda, o trio faz o Circuito Avenida; e, na terça, o Barra-Ondina. Só quem for vai presenciar ­tamanha devoção por um dos grandes nomes do axé. chicletecombanana.com.br

1º/3 em São Paulo; 3/3 no Rio de Janeiro

Nossa rainha Poucas mulheres mandam tão bem na passarela quanto Sabrina Sato, que neste ano será Rainha de Bateria da Vila Isabel (RJ) e Gaviões da Fiel (SP). Para não perder o suingue da apresentadora, anote as datas e os horários em que ela desfilará: às 23h20 do sábado (1º/3) pela Gaviões, e às 23h10 da segunda (3/3) na Vila Isabel. redeglobo.com.br

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segunda

bailinho exclusivo A festa da Agência Haute chega para esquentar os ­motores de quem quer começar a semana de Car­ naval com o pé ­direito. Imperdível. facebook.com/ agenciahaute

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A partir de 26/2, no Rio de Janeiro

Vamo pra rua Folia, calor e diversão são as palavras de ordem em plena rua do Rio de Janeiro. Paralelamente às escolas de samba na Sapucaí, a alegria acontece em forma de bloco de rua, como a tradicional Banda de Ipanema, que invade a Vieira Souto com marchinhas clássicas nos dias 1º e 4 de março, e mais uma dezena de cordões, como o Sargento Pimenta, com sucessos dos Beatles em versão samba, e o Me Beija Que Sou Cineasta – que arrasta os artistas.

sexta-feira

soul e samba Vamos arrastar o pé ao som da soul music no Talco Bells especial de Carnaval. A festa acontece na sexta­feira, no Cine Joia, em São Paulo. cinejoia.tv

Veja a agenda dos bloquinhos em: rio-carnival.net/carnaval

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momento mágico

Alpes de Gail/Áustria, 7 de novembro de 2013 “Para ser um alpinista de paredes de gelo, você tem de ter conhecimento sobre a arquitetura delas”, diz o atleta Peter Ortner. “Nas partes mais arredondadas, você se ­movimenta com mais segurança.” E como foi ­nesta foto? “Neve ­gelada e deslizante – dá pra se machucar feio.”

“Um movimento em falso e você pode deslocar um bloco de gelo gigante da parede” Martin Lugger

Peter Ortner, alpinista e competidor de escalada

a próxima edição do red bulletin sai no dia 12 de março 88



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The Red Bulletin Março de 2014 - BR