DISAthirson Pascoal Aquino Nascimento; Emyle Guerra Reis de Freitas; Isa Rita de Aguiar Peixoto; Júlia Rachel Lima Baia; Laura Beatriz Arruda da Silva; Lucas Eduardo da Silva Trajano; Maria Rute Santana; Natan Patrick Lima dos Santos; Tony Anderson Silva Ferreira.
História PAUFERRENSE
Durante muito tempo, a região do atual município de Pau dos Ferros foi habitada pelos índios panatis até que, entre finais do século XVII e início do século XVIII, vaqueiros e viajantes que cruzavam o sertão descobriram um curso de água, mais de Rio Apodi, cercado por grandes árvores que logo passaram a servir de descanso longas e cansativas. Ao longo deste foram organizados pontos de comércio, e marcação de gados nos troncos dessas árvores.
Em 1717, na época do Brasil Colônia, Negrão se tornou o primeiro donatário sesmaria, que foi posteriormente doada baiano Antônio da Rocha Pita, grandes terras localizadas nas províncias RioGrandedoNorte.
Com sua morte, em 1733, essa sesmaria, "Pau dos Ferros", foi herdada por seus da Rocha Pita, Luiz da Rocha Pita Deusdará, Fonseca e Maria Joana, sendo todos que contribuíram para o estabelecimento de um pequeno povoado, com muitas aoredordestasesmaria.
Mas o grande pioneiro da história do fazendeiro Francisco Marçal, que fundou destinada à criação de gado mobilização, também foi o responsável construção de uma capela, em 1738, matriz de uma grande freguesia em de 1756, com a criação de uma paróquia, comopadroeiraNossaSenhoradaConceição.
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Em 1761, o povoado foi integrado à vila de Portalegre que, por se localizar em serra, distante 33 quilômetros do povoado de Pau dos Ferros, trazia prejuízos ao comércio local e dificultava o acesso das pessoas. Em toda a zona oeste do Rio Grande do Norte só existiam três povoados: Apodi, Portalegre e Pau dos Ferros, sendo que apenas o último, devido à sua localização estratégica e privilegiada entre duas grandes serras, tinha um crescimento regular.
Finalmente, em 23 de agosto de 1856, um novo projeto foi apresentado pelo deputado provincial Bevenuto Vicente Fialho na assembleia provincial em Natal. Este projeto foi aprovado e se transformou na lei provincial n° 344, sancionada em 4 de setembro daquele ano pelo governador Antônio Bernardo Passos, elevando o povoado à categoria de vila, desmembrando-a de Portalegre, quase cem anos após a criação da freguesia de Nossa Senhora da Conceição.
No século XIX, a partir de 1841, moradores do povoado realizaram um abaixo-assinado, que totalizou 492 assinaturas, reivindicando a elevação do povoado de Pau dos Ferros à categoria de vila. O projeto foi encaminhado à assembleia provincial e aprovado na Comissão de Estatística e Justiça, mas não foiaprovadoemplenário.
A segunda tentativa, novamente rejeitada, ocorreu em 1847 quando, em 21 de outubro, o deputado provincial João Inácio de Loiola Barros apresentou um segundo projeto, desta vez pretendendo transferir a sede da vila de Portalegre paraPaudosFerros.
Em 12 de abril de 1853, os deputados provinciais Luiz Antônio de Brito Guerra (Barão do Assu) e Elias Antônio Cavalcanti de Albuquerque apresentaram um novo projeto de criação da vila, desta vez com a denominação Vila Cristina, mas a tentativa não obteve sucesso e o projetofoireprovado.
O nome "Pau dos Ferros" vem de uma árvore, mais precisamente de marcas fixadas com ferro em brasa numa oiticica muito frondosa que, pela sua grande dimensão, oferecia uma farta sombra e servia de local para o repouso dos vaqueiros, que chegavam cansados de longas caminhadas
Atualmente, devido a formação da cidade, Pau dos Ferros concentra a maior parte dos edifícios históricos na área central da cidade, especificamente, nos bairros Centro, São Judas Tadeu, Alto do Açude e São Benedito.
Além de concentrar grande parte dos edifícios de interesse para preservação, a área central da cidade abrange grande parte do comércio local, que historicamente, desenvolveu-se nesta região. Isso é um fator negativo, pois, o comércio tem desrespeitado a cultura e história da cidade com a descaracterização de alguns edifícios.
MAPA E ANÁLISE USOS 02
É perceptível a delimitação das áreas com predominância residencial e comercial dentro da poligonal analisada Algumas dessas áreas acabam se homologando e são nesses lotes que se encaixa os espaços de uso misto, a vegetação se concentra nos espaços públicos, aglomerados nas proximidades do centro e em algumas áreas de menor movimentação das vias da cidade. As áreas de uso comercial são variados, podendo afirmar que eles conseguem ofertar a grande parte da demanda da área em questão
A vegetação se concentra nos espaços públicos, aglomerados nas proximidades do centro e em algumas áreas de menor movimentação das vias da cidade. É possível identificar algumas instituições como escolas, postos de saúde, delegacia entre outros, existe tanto a prestaçãodecoletadelixocomosaneamentobásico.
LEGENDA MAPA
Residencial Comércio e Serviço Misto Religioso Institucional Equipamento Públicos
MAPA E ANÁLISE GABARITO
A partir da análise do mapa, é visto que o gabarito se configura predominatimente em construções térreas, além da presença frequente de edificações de primeiro pavimento em toda a área. Todavia, tal configuração se torna mais diversificada na região central da cidade, onde é possivél identificaredificaçõesdeaté4pavimentos.
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LEGENDA MAPA Térreo 1° pavimento 2° pavimento 3° pavimento 4° pavimento
MAPA E ANÁLISE VIAS 04
Como supracitado, o caráter histórico da cidade de Pau dos Ferros deve ser preservado a partir do conjunto de elementos que formam a imagem da cidade. Então, para a cidade analisada, especificamente, deve-se propor algumasalgumasmedidasimportantes.
Primeiramente, deve-se tornar o deslocamento nas vias da Praça da Matriz apenas para pedestres, bem como, retirar estacionamentos dessaárea,paraisso,propõe-searealocação.
LEGENDA MAPA
Vias Arteriais
Vias coletoras Vias locais
Plano de Gestão DIRETRIZES 05
Diante do exposto, constata-se a relevância em preservar o caráter histórico da cidade de Pau dos Ferros, a partir do conjunto de elementos que formam a imagem da cidade. Portante, deve-se salvaguardar:
a forma urbana definida pela malha fundiária e pela rede viária; as relações entre edifícios, espaços verdes e espaços livres; a forma e o aspecto dos edifícios (interior e exterior) definidos pela sua estrutura, volume, materiais, cor e decoração; as relações da cidade com o seu ou criado pelo homem; as diversas vocações da cidade longo da sua história; qualquer ataque a estes valores comprometeria autenticidade da cidade histórica.
A Seção III do Plano Diretor de Pau dos Ferros refere-se às Zonas Especiais de Interesse do Patrimônio Histórico e Cultural (ZEIP), que são orientadas pelas seguintes leis: n° 1508/2015 que reconhece a Feira Intermunicipal de Educação, Cultura" Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar - FINECAP - como Patrimônio Cultural e Imaterial do Município; n° I 509/15, que estabelece normas para preservação e conservação das estruturas e semblantes culturais, históricos e arquitetônicos de prédios e monumentos de Pau dos Ferros.
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O N S E R V A Ç Ã O
Com intenção de complementar o Plano Diretor da cidade e as leis supracitadas, o presente Plano de Gestão abrange diretrizes sobre conservação, restauração e tombamento.
Aconservaçãoexigemanutençãopermanente;
A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade, porém, tal destinação não pode alterar à disposição ou a decoração dosedifícios;
A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. O esquema tradicional deve ser conservado, e toda construção nova, destruição ou modificação que poderiam alterar as relações devolumesedecoresserãoproibidas;
O deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado, exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interessenacionalouinternacional.
Os elementos de escultura, pintura ou decoração que são parte integrante do monumentonãolhespodemserretirados;
C
R E S T A U R A Ç Ã O
A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. Termina onde começa a hipótese; no plano das reconstituições conjeturais, todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacarse-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento.
Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas, a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência.
As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas, visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de uma restauração, a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico, arqueológico, ou estético, e seu estado de conservação é considerado satisfatório.
Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto, distinguindo-se, todavia, das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história.
Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício, seu esquema tradicional, o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente.
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T O M B A M E N T O
A identificação das edificações, obras e dos monumentos naturais de interesse de tombamento deve-se enquadrar-se nos seguintescritérios:
I - historicidade: relação da edificação com a história social local;
II - caracterização arquitetônica: estilo arqütetônico de determinado períodohistórico;
III - situação em que se encontra a edificação: necessidade ou não de reparos;
IV - representatividade: exemplares significativos dos diversos períodos deurbanização;
V - raridade arquitetônica: apresentação de formas valorizadas, porém,comocorrênciarara;
VI - valor cultural: qualidade que confere à edificação permanência namemóriacoletiva;
Os bens tombados devem obedecer todas as regras referentes à conservação. No entanto, as obras de restauração de bens tombados só poderão ser iniciadas mediante prévia comunicação e aprovação do Conselho Municipal de Política Cultural, bem como das Instituições FederaiseEstaduaispertinentes.
Ademais, não poderá ser executada qualquer obra no imóvel tombado que lhe possa impedir ou reduzir a visibilidade ou que não se harmonize com o aspecto estético,arquitetônicooupaisagístico. Diante das diretrizes apresentadas para a cidade de Pau dos Ferros, foi possível determinar os mapas de Zona de Preservação e o de Zona de Controle do Gabarito.
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POLIGONAL DO ENTORNO 09
A poligonal que circunda as áreas de maior interesse patrimonial desempenha vários papeis importantes, dentre eles: garantir a padronização das edificações queserãoconstruídasnesseraio.
Com isso, a equipe espera aumentar as chances de preservação da área e principal do patrimônio natural pauferrense:opôr-do-solentreasserras.
LEGENDA MAPA
Poligonal do entorno
POLIGONAL DO TOMBAMENTO10
Dentro da poligonal do entorno foram selecionadas diversas áreas que cumulam edificações com grande valor arquitetônico e histórico para Pau dos Ferros.
Esses setores foram organizados levando em conta a proximidade física e cultural/históricadasedificações.
LEGENDA MAPA
Setor 25 de Março
Batalhão e Cemitério Setor 13 de Maio Setor Matriz Setor Benê
POLIGONAL BENS MATERIAIS11
Em um breve passeio pelas ruas de Pau dos Ferros é corriqueiro deparar-se com edificações que, à primeira vista, transmitem uma informação histórica e de identificação mais profunda. Estas edificações, atualmente, estão dispersas em meio ao processo de “recaracterização” da cidade e, por não estarem assistidas de recursos legais, tornam-se vulneráveis às investidas da especulação imobiliária. Nesse sentido, não é raro identificar placas de “à venda”, muitas vezes já acompanhada pela sugestão de demolição do imóvel, em um grau de descaracterização inicial, em andamento ou de deterioração.
Norma Lacerda, 2012, aponta que há tipos de valores identificáveis nos bens materiais, com certo grau de subjetividade. Logo, uma edificação pode apresentar mais de um valor que justifique a propensão do status de tombamento. Deste modo, a identificação utilizada neste estudo parte da ideia de áreas coexistentes para o tombamento a partir da identificação de exemplares que compõem, juntos, valores de antiguidade, de história e simbologia em relação à construção da memória de Pau dos Ferros em relação ao seu passado.
Estas áreas estão situadas na zona central da cidade, nos bairros Centro, São Benedito, São Judas Tadeu, Alto do Açude, com tipologias de uso variadas e uma predominância do estilo Art Déco Sertanejo, conforme Medeiros (2020) e do ecletismo.
A cultura e economia local refletem e giram muito em torno dos pilares instituídos pelos bens imateriais do município. De caráter religioso e expositivo, muitas feiras e fetsas instauradas por meio de leis, decretos de datas comemorativas e símbolos da cultura da cidade, levam aos eventos considerados mais marcantes, sendo estes:
Cavalgada(PeríodosiniciaisdaFINECAP); CentrodeArtesanato(Abertodiariamente);
Feira Intermunicipal de Educação, Cultura, Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar (FINECAP),(Primeirosdiasdesetembro);
Festa de Nossa Senhora da Conceição (Do dia28/11a08/12);
Festa de Nossa Senhora de Fátima (De 1 a 13demaio);
FeiraLivre;(Todosossábados)
Festa de São Benedito (Por 5 dias, durante o mêsdeoutubro);
Vitrine Cultural “Xanana Diógenes”, (Períodos iniciaisdaFINECAP).
ANÁLISE EDIFICAÇÕES QUE PRECISAM SER
RESTAURADAS E SEUS USOS
Para que uma edificação possa ser restaurada, inicialmente o IPHAN requer que se façam exames e testes para analisar (através da coleta de amostras) de forma superficial, e posteriormente mais aprofundada, os elementos e processos que causaram os danos e alterações físicas no patrimônio, para assim decidir e definir o tipo de intervenção, levando ao caso de restauração. Tudo isso deve ser mapeado e identificado para que se tenha o máximo de precisão no resultado final.
Lote: Av. Getúlio Vargas, 1386
Em casos de prédios tombados, é preciso de uma solicitação formal, apenas para fins de obras em que a finalidade seja trazer unidade da edificação com a cultura original, mostrando anteprojeto, levantamento de dados históricos, diagnóstico de conservação, memorial descritivo e planta com novas especificações de materiais.
Lote: R. 13 de Maio, 354
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Na norma da ABNT NBR 5674 institui os itens que a inspeção tem a capacidade de avaliar o estado da edificação, e de suas partes constituintes, objetivando orientar as atividades da manutenção. Através dela, é possível criar um checklist para auxiliar na realização da inspeção predial de edificações e, recomenda esquematizar um roteiro lógico e enumerar os itens mais importantes da edificação emconformidadecomograuderisco.
Infelizmente, nos edifícios mais antigos, são mais emergenciais do que os novos. Ou seja, o principal objetivo da inspeção precisa ser a caracterização da estrutura do prédio, focando também em entender a história, o projeto e as intervenções na obra. Além de coletar pesquisa com pessoas do entorno, para levantar dados. Portanto, ao levantar dados importantes, para buscar detectar a ligação das autoridades no que se refere a restauração e a preservação, evitando perdas totais do patrimônio. De acordo com os lotes identificados pelo grupo, pode-se observar através das imagens as fachadascomnítidadegradação.
Lote: Rua da Independência, 1087
Lote: R. Antônio Gurjão, 178
Lote: R. Bevenuto Fialho, 928
MAPA EDIFICAÇÕES QUE PRECISAM SER RESTAURADAS E SEUS USOS
Ao restabelecer o uso das edificações restauradas devemos entender que elas podem ser diversas, até mesmo um uso que não se tinha antes em seu estado natural. Uma edificação que tem uma função dentro da malha urbana e na vida das pessoas que a usam consegue ser tão eficiente quanto o tombamento.
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Entre as opções possíveis além de restabelecer para seu uso primário como no caso das residências restauradas alguns usos que também podemos destacar: - Lojas - Restaurantes - Bares - Institucional público ou privada
LEGENDA MAPA
Em estado ruina Patrimônios que se encontram em estado preservado Necessitam de restauro Readequação das fachadas