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Informe do Verão

Escola Umbuzeiro completa mais um ano. Pág. 04

Como operar a Hortas Domésticas transição do velho Pág. 07 para o Novo Paradigma. Pág. 06

Porque Bioconstrução? Pág. 08 e 09

Mutirões da Primavera movimentam a Casa Mãe da OPA. Pág. 10 e 11


Índice Informe da Privamera ano 5 | número 8

POESIA 03 DESTA QUE 04 Escola Umbuzeiro completa mais um ano FOGUETINHO PARA O CÉU 06 Como operar a transição do velho para o Novo Paradigma NOTÍCIA 07 Hortas Domésticas PERMACULTURANDO 08 e 09 Porque Bioconstrução? NOTÍCIA 10 e 11 Mutirões da Primavera movimentam a Casa Mãe da OPA RECEITA 12 Vinagre de Manga

| Parceiros

| Redes Sociais

| Expediente | Projeto Gráfico e Editoração: Ravi Santiago | Fotografia: Leila Aquino, Lúcia Moura, Marisa Vianna, Colaboradores e acervo IPB | Textos: Alan Guedes, Isabela Coelho, Leonardo Boff, Maura Pezzato e Nagoy Sol


Poesia

“Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo.” Manoel de Barros


Destaque

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Escola Umbuzeiro completa mais um ano por Alan Guedes Este foi o segundo ano de vida da Escola Umbuzeiro. Dos 27 educandos que terminaram a caminhada em 2010, 16 quiseram permanecer no processo de formação como educadores populares agroecológicos e juntaram-se aos 23 novos educandos selecionados participativamente por uma comissão formada pela equipe, parceiros e os próprios educandos. Foram realizados quatro encontros gerais reunindo todos os educandos, seis encontros regionais e diversas atividades comunitárias em organizações sociais e comunidades “adotadas” pelos subgrupos de educandos. Em março, aconteceu o I Encontro Geral com o tema Modelos de Desenvolvimento e facilitado por Derli Casali do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Durante o encontro, os educandos, membros da equipe e convidados refletiram sobre a (in)sustentabilidade do modelo capitalista, debateram sobre os impactos do sistema à agricultura nacional, regional e local, bem como o papel da agricultura familiar na sociedade globalizada. No encontro regional do mês seguinte, os educandos dos sete municípios que fazem parte do projeto foram divididos em equipes de três pessoas para escolherem, a partir de critérios construídos de maneira participativa, a comunidade ou organização social nas quais atuariam realizando as atividades comunitárias da Escola. Através destas atividades, que são realizadas em 5 dias por mês, os educandos têm a oportunidade de se formar como educadores na prática, construindo “mini-projetos” de desenvolvimento a partir de demandas locais. No total, foram 14 subgrupos dos quais 9 acompanham comunidade rurais e 5 organizações sociais, tais como Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e Associações que trabalham com agricultura familiar. A partir de maio, em todos os encontros regionais, que têm duração de um dia e acontecem em meses que não são realizados encontros gerais, os educandos socializaram as atividades realizadas em sua comunidade ou organização social. No total, foram 6 encontros no ano. O II Encontro Geral com o tema Saúde e Alimentação aconteceu em julho. A nutricionista e culinarista


Veranubia Mascarenhas e o médico naturista e artista Áureo Augusto Caribé de Azevedo foram os responsáveis pela discussão sobre a relação entre o que comemos e a saúde que temos. Os cerca de 50 participantes compreenderam a importância de combinações corretas e equilíbrio nas refeições. A parte prática com a elaboração de cerca de 10 receitas por Veranubia contribuiu para despertar nos educandos a vontade de realizar novas atividades sobre o tema com as comunidades onde atuam bem como dar ideias para mudança de hábitos alimentares em suas próprias casas. Áureo Augusto explorou bastante a função de diversos alimentos do dia a dia das pessoas do semiárido no corpo humano, esclarecendo diversas perguntas dos educandos ao longo do bate-papo que durou um dia inteiro. A Permacultura foi o tema do III Encontro Geral que aconteceu na Fazenda Caldeirão Cercado em Várzea da Roça em outubro. Os preparativos para o encontro foram muito intensos envolvendo equipe e educandos desde cerca de um mês antes com mutirões e vivências de bioconstrução. O encontro em si reuniu mais de 50 pessoas e foi facilitado por três permacultores: Felipe Pinheiro, Terena Coradi e Juliana Faber. Os princípios e a ética foram trabalhados ao longo de todo o encontro de forma dinâmica incluindo dramatizações apresentadas por grupos de educandos. Caminhadas por propriedades e discussões sobre técnicas de planejamento também tiveram seu lugar. Assim, os educandos se familiarizaram com algumas novas ideias da Permacultura e também colocaram sua realidade e conhecimento no debate para concluírem que a Permacultura já está em seu dia a dia, de várias formas. O ano da Umbuzeiro terminou com o IV Encontro Geral realizado no estado do Ceará. O encontro teve duração de 9 dias e a participação de mais de 50 pessoas entre educandos, equipe e convidados. Todos aproveitaram muito bem a oportunidade de conhecer mais sobre a Agroecologia, principalmente o lado mais “acadêmico” e da articulação, já que participaram intensamente do VII Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA). Assistiram aos paineis e conferências, participaram de oficinas e mini-cursos, e o melhor de tudo é que os educandos não deixaram nada a desejar nos debates com estudantes e professores universitários. Ainda neste encontro, o grupo foi introduzido ao tema da Economia Solidária, com direito a visitas interessantes a grupos que realizam turismo comunitário (integrantes de Rede Tucum) e outras diversas atividades, incluindo moeda social: Banco Palmas e Associação de Mulheres Dendê Sol. Em 2012, espera-se o mesmo empenho dos educandos, equipe e parceiros para seguir contribuindo para o semiárido baiano. Voluntários Com o amadurecimento da Escola Umbuzeiro e os resultados que aparecem cada vez mais, também surgem muitas pessoas interessadas em conhecer o projeto de perto como voluntários. Este ano, quatro voluntários passaram pela Escola Umbuzeiro. Mathilde ficou seis meses contribuindo com o processo de avaliação da Umbuzeiro que também serviu para seu trabalho final do mestrado na França e ainda ministrou aulas de inglês. Maria, inglesa, contribuiu com atividades diversas no escritório e tradução de textos. Mais no final do ano, Gustavo e Mirella, paulistas, tiveram passagens pelo sertão baiano. Ela participou do encontro de Permacultura contribuindo com a inserção de dados dos cadastros em um sistema e Gustavo com atividades de comunicação e curso de sistematização para alguns educandos. O trabalho de todos foi importante para o projeto. A equipe avalia que os voluntários podem ser ainda melhor aproveitados dentro da Escola Umbuzeiro e para isto alguns processos e critérios internos precisam ser definidos antes que novas pessoas visitem o projeto. Portanto, pede-se paciência para amigos e amigas que queiram ser voluntários em 2012, pois alguns meses do início do ano serão necessários para a equipe se organizar.

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Foguetinho para o céu

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Foto: Leila Aquino

Como operar a transição do velho para o

Damos por já realizada a demolição crítica do sistema de consumo e de produção capitalista com a cultura materialista que o acompanha. Ou o superamos historicamente ou porá em grande risco a espécie humana. A solução para a crise não pode vir do próprio sistema que a provocou. Como dizia Einstein:”o pensamento que criou o problema não pode ser o mesmo que o solucionará”. Somos obrigados a pensar diferente se quisermos ter futuro para nós e para a biosfera.


Tecnologias Limpas Hortas Domésticas por Noeme de Carvalho Uma horta em casa dá uma brande satisfação, primeiro porque você se conecta um pouco com a natureza, e em segundo lugar tem-se a oportunidade de produzir alguns ítens que irão integrar a sua alimentação diariamente, isenta de agrotóxicos. Não precisa de grandes investimentos, basta você utilizar alguns recipientes disponíveis na sua residência, tais como: garrafas pets, bacias velhas, baldes, caixas de madeira e mais o que sua imaginação criar. Se quiser fazer algo mais elegante, as lojas de produtos artesanais dispõem de vasos terracota, outras cores e materiais que darão um ar colorido na base, harmonizando com as ervas e flores que você vai produzir. Vou passar algumas dicas juntamente com as fotos da horta da nossa casa, onde você terá oportunidade de se deliciar antes plantar. Vejamos: 1- Pazinha, vaso, terra vegetal, humus de minhoca, areia e as espécies que deseja plantar; 2- Forrar o fundo do vaso com pedras pequenas, ou cacos de telhas ou ainda, argila expandida; 3-Colocar 2 centímetros de areia em cima do material do vaso, a fim de facilitar a drenagem; 4- Completar com terra vegetal, humus de minhoca, areia, na proporção de 1/3 (um terço e cobrir com massa orgânica se tiver (folhas sêcas picadas); 5 - Transplantar as mudas na ordem da menor para a maior, fixando-as bem na terra, com espaçamento de 5 (cinco) centimetros entre as plantas e afastamento de 2 (dois) centimetros da borda; 6 - Regar as plantinhas de forma que deixe a terra úmida, sem encharcar; 7 - Manter a umidade do vaso, molhando-as na medida que sentir com as pontas dos dedos que a terra esta perdendo a umidade; 8- Escolher um local para dispor os vasos, contanto que tenha claridade e sol, mesmo que seja poucas horas do dia. 9- Aguardar o ciclo de cada espécie e fazer a colheita. Aproveitem e bom apetite!

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Permaculturando

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Foto: Marisa Vianna

Porque Bioconstrução? por Nagoy Sol

“Durante um ano de obra pudemos acompanhar nossa filha crescer junto com sua casa. Selva, de 3 anos, esteve durante todo o processo de obra correndo e brincando no barro, fazendo casinha e criando uma nova cultura local”.


Por que bioconstrução por Nagoy Sol Como Permacultor, ao planejar nossa casa optamos por pesquisar,praticar,difundir e capacitar a mão de obra local em bioconstrução e testar matérias primas naturais do local. Durante nossa observação descobrimos na cidade de Rio de Contas uma arquitetura vernacular de quase 300 anos na qual sua construção baseia-se em paredes estruturais de adobão, alicerce de Pedras, pinturas de tabatinga (arglila local) e etc. O primeiro passo foi conseguir colocar no papel a nossa casa, com todos os nossos sonhos e desejos. Foi um ano desda primeira conversa com nossa amiga arquiteta até o recebimento do projeto final : estruturas de concreto,alicerce de pedra,parede de adobão, captação de luz solar através de garrafas e parabrisas de carro,adobinho , palha enrolada, cordwood, taipa-pilada, reboco natural sem cimento,teto e piso de cascaje, teto verde, cimento queimado, fogão a lenha, tratamentos de recursos hídricos, banheiro seco e pintura natural. E começou a construção e como toda boa jornada foi bem desafiante.

Foto: Marisa Vianna

As receitas tem que ser testadas a cada passo, os pedreiros tem que ser capacitados a cada estagio e mesmo se entregando para o processo ,só fecham uma empreita quando vêem pelo menos uma parte pronta , Os cantos redondos ``UFA``, fazer os pedreiros pensar redondo, dando movimento a casa em vez de quadrado, foi o mais difícil. Os vizinhos é que dizem: “estes meninos são loucos estão rebocando com merda de cavalo e palma”. Durante um ano de obra pudemos acompanhar nossa filha crescer junto com sua casa. Selva, de 3 anos, esteve durante todo o processo de obra correndo e brincando no barro, fazendo casinha e criando uma nova cultura local, ela estava sempre por ali com os filhos dos pedreiros que até então nunca tinham ido a um canteiro de obras. O envolvimento da família na construção é indispensável se não for a parte mais importante. A recompensa dessa experiência é o acabamento, o conforto térmico e o brilho nos olhos das senhoras do bairro e dos vizinhos que nos achavam loucos e hoje nos chamam de cientista do mato e sempre trazendo um cafezinho, um suco de maracujá e aproveitando para ver a casa de terra. Temos a segurança de estar colocando em prática as técnicas que nossos avós praticavam. Ao chegar ao fim desta Bioconstrução pudemos garantir que não só construímos uma casa confortável e requintada, mas geramos renda para a cidade, com a coleta transporte estrume de cavalo ,palma, cinza, terra, pedras, como também capacitamos mão de obra-local, demos usos nobres para lixos de varias formas como portas e janelas que restauramos,os pneus das escadas e do sistema de tratamento de esgoto. Chego então a conclusão que moramos em um bairro mais feliz e que o Importante é SER FELIZ. Residência da Luz: Rio de Contas, Chapada Diamantina – Bahia.

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Notícia 10

Mutirões da primavera movimentam a Casa mãe da opa

por Isabela coelho

Com que palavras descrever o ano de 2011… gratidão e aprendizado, talvez essas duas sejam as mais adequadas. Em nome da equipe OPA – Organização de Permacultura e Arte, agradeço a todas as ações de troca de conhecimentos que envolveram todos dessa linda rede permacultural. OPA e IPB, juntos em uma valorosa parceria, iniciaram o ano com chave de ouro ministrando o primeiro curso PDC – Permacultura Design e Consultoria em Rio de Contas, Chapada Diamantina. Foi um evento muito gratificante que contribuiu com a formação de muitos permacultures do estado da Bahia, além de somar nas iniciativas dos nossos amigos Albertinho Carvalho, David Borja e Nagoy Sol que estão fazendo um lindo trabalho por lá.


Notícia

11 Entre muitas ações positivas, as que marcaram o ano para a OPA foram os Mutirões de Primavera que aconteceram no mês de setembro com a construção da nossa Casa Mãe no Centro de Vivências do Diogo, município de Mata de São João. Passaram cerca de 200 pessoas para contribuir com a obra através de atividades de bioconstrução, que utiliza técnicas como super adobe ou adobe ensacado, parede de garrafa pet, taipa com bambu, cob, tijolinho de adobe, além de mosaico e tinta natural. O Centro de Vivências da OPA funciona como um laboratório natural, assim pudemos experimentar técnicas diversas e incorporar detalhes que as pessoas traziam para aprimorar as técnicas, contribuindo com o processo de formação tanto da casa como das pessoas. Em nome da equipe OPA agradeço a todas as mãozinhas e pezinhos lambuzados de terra que por ali passaram, pessoas da comunidade do Diogo e arredores, Salvador, Cachoeira, Feira de Santana, Porto Seguro, Minas Gerais, Estados Unidos, Canadá e até do País Basco. No último mutirão o mais novo participante tinha 3 anos e o mais velho 70. Viva essa linda diversidade! De acordo com as lindas palavras de Marthin Luther King, “Estamos todos interconectados… o que afeta um diretamente, afeta a todos indiretamente. Eu nunca posso ser o que eu deveria ser até que você é o que deveria ser. Esta é a estrutura inter-relacionados da realidade.” Para finalizar o ano também com chave de ouro, o Centro de Vivências foi contemplado como Ponto de Leitura, que vai contribuir e fomentar a prática da leitura para jovens e adultos da comunidade do Diogo. Já inauguramos o Ponto com uma bela oficina de confecção de livros artesanais com as crianças da escola pública local São Vicente e em janeiro teremos uma oficina-apresentação com Jorge da Conceição e seu “Boi Multicor” dia 15/01, seguido por uma sessão de contação de histórias com Angela Moreira, domingo, dia 16. E vamos que vamos… 2012 seja bem vindo! Nem acredito que chegamos neste momento tão auspicioso! Em diversas culturas ancestrais o ano de 2012 é marcado nos calendários como o 'Armagedom', o 'apocalipse', juízo final', 'final de um ciclo' e, nos mais otimistas, 'o ano em que esta era terminará e outra, melhor, será iniciada'. Seja o que for, não da para negar que estamos vivendo um momento bem especial, talvez no auge de uma mudança global incrível. Mama mia! Com isso em mente fizemos o planejamento das atividades do Centro de Vivências OPA 2012 com bastante carinho e aproveito para convidar a todos para participar. Claro que vamos iniciar o ano com a mão na terra com uma Oficina de Bioconstrução nos dias 21 e 22/01, seguido por nada mais que um curso de Visualização Criativa com Marsha Hanzi nos dias 10 e 11 de fevereiro, imperdível! Em março teremos Oficina de Mosaico dias 17 e 18 e mais mutirões. Abril nos traz uma oficina de Teto Verde dias 14 e 15 para quem quiser aumentar a área verde de suas construções. Venham, participem, se envolvam nesse movimento! E sem mais prolongas, Feliz Ano Novo! Muita harmonia e paz nessa virada. Vou deixar vocês com as sábias palavra de Sua Santidade Dalai Lama: “Eu acredito que para alcançar o desafio do próximo século, seres humanos terão que desenvolver um senso maior de responsabilidade universal. Cada um de nós deve aprender a trabalhar não apenas para nós mesmos, família ou nação, mas para benefício de toda humanidade.” Grande abraço a todos, Isabela Coelho Isabela é Co-Fundadora e Presidente da OPA.


Receita

Vinagre de Manga

por Maura Pezatto 12

2 baldes de 20 litros, um deles com furos. Coloque o balde

Cortar em 3 fatias, com a parte cortada para baixo (casca e semente, tudo).

com furos dentro do balde sem furos. Corte as mangas em 3 pedaços e colque camadas delas no balde com furos.

Encha o balde com as mangas e cubra com um pano (voal, pano de algodão, etc), amarre uma borracha em volta. Deixe descansar por 4 - 6 dias.

Deixe descansar por mais pelo menos um mês - depois de um ano se estabiliza (não fermenta mais). Após esse tempo, transfira o líquido para um pote de vidro, cubra com um pano e amarre uma borracha em volta.

Está pronto quando a borra assenta e o líquido fica claro. Isto varia...


Informe do Verão