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Luxúria da Lua - 04

Fogo Selvagem

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Feral Heat

Sherri L. King

4º livro da série Luxúria da Lua

Tradução: Gisa Revisão/Formatação: Joelma Revisão Final: Jojô PROJETO REVISORAS TRADUÇÕES Adrian Darkwood é um homem lobo alfa, exótico e de grande porte, finalmente chegou ao final do que procurou por toda sua vida. Encontrou a linhagem da que todos os homens lobos descendiam. Porém nem tudo está bem na pequena cidade de Applecress, Escócia. Um pacto ancestral entre os humanos e os homens lobos foi quebrado, e as conseqüências seriam pagas com sangue. Mona Kincaid, durante toda sua vida, não conheceu o legado de sua família. Agora, os trágicos acontecimentos a obrigam a proteger a cidade dos estrangeiros, vindos de longe. Ela não tem tempo a perde com o homem misterioso e sensual que segue cada um de seus movimentos. Não tem tempo para seus peraltas e quentes beijos e abraços, nem tampouco para pergunta-se sobre suas afiadas presas e o grunhido de sua voz. Adrian e Mona têm que encontra rapidamente uma solução. Mona deve cumprir os termos do contrato que sua família custodiou por gerações, já que salvar a cidade depende unicamente de conseguir com Adrian, seu companheiro, vencer ao antigo e selvagem homem lobo ante que seja muito tarde. .

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Prólogo — Olá? — Senhorita Mona Kincaid? Mona franziu o cenho para o telefone, temendo ligeiramente que, provavelmente, o estranho do outro extremo da linha fosse outro vendedor por telefone. Aqueles caras nunca desistiam de seus esforços até conseguir que comprasse alguma outra assinatura de revista. Lamentava ter aceitado a primeira, mas era uma treinadora de cães e a Revista K9”s era um recurso muito importante no momento em que apenas se familiarizava com os pormenores do negócio”. Mona se perguntou se pagaria por esse lapso o resto de sua vida… ou o tempo que levasse para a adicionarem à lista dos “sem chamadas” do governo. — É ela quem fala. — foi sua prudente e vacilante resposta. — Mona Kincaid de Applecress Kincaids? Então não era um vendedor por telefone. E o forte acento escocês foi uma surpresa. Suas orelhas arderam, os finos pêlos de sua nuca se eriçaram, e um tremor arrepiante subiu por sua coluna. Aconteceu no momento em que escutou Applecress, o nome do pequeno povoado em Escócia onde seu pai nasceu, que foi mencionado abertamente na conversação. — Do que se trata? —Ela se virou e se apoiou contra a parede da cozinha, esperando. — Você não me conhece, embora eu fosse um amigo íntimo de sua Avó. Meu nome é August Finn. E lamento lhe dizer isto, mas sou o encarregado dos últimos desejos de sua Avó e devem ser realizados. Mona engoliu. Com força. — Seus últimos desejos? —Sua voz soou rouca, débil, inclusive para seus próprios ouvidos. — Ela está… — engoliu outra vez. — Então ela está morta? — Sim. Morreu enquanto dormia, faz dois meses — Ele se manteve em silêncio por um longo tempo, como se decidisse cuidadosamente como prosseguir a conversa em vista do silencioso e pasmo estado de Mona. — Sinto muito. Sei que sua família não era muito próxima, mas sua Avó sempre falava muito de vocês, senhora. Lamento que não a avisassem antes de seu falecimento. Lamento ainda mais ter que ligar para você nestas circunstâncias, veja, nunca pensei que chegaria o dia que eu realmente tivesse que fazer esta ligação. — Ele riu nervosamente, um som carente de humor. — Morta —sussurrou ela, passando por cima de seu prolongado rodeio 3


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— por que não me disseram isso antes? Se você sabia como entrar em contato comigo, então por que não ligou para me contar. —Ela soltou as palavras através de um suspeito pigarreio doloroso de sua garganta. Isso eram lágrimas? Não, não podia ser. Não tinha chorado desde que tinha dez anos e compreendeu que era muito velha… em anos e experiência… para render-se a semelhantes atitudes frívolas. Talvez tivesse pegado um resfriado. Limpando sua garganta do pigarro vergonhoso e inaceitável, terminou com maior firmeza — Quero dizer eu voaria para o enterro se alguém tivesse me ligado. — Certamente, e todos nós pensamos que foi imperdoável que não a avisassem mais cedo, mas sua Avó estipulou em seu testamento que você não devia ser incomodada no momento de sua morte — Ali estava outra vez esse incômodo silêncio. — Ela não queria que você usasse luto desnecessariamente. — Desnecessariamente? —Quão horrivelmente insensível devia parecer tudo isto para um estranho. A tácita realidade… e Mona sabia que August Finn devia saber de todos os sórdidos detalhes se era realmente íntimo da família tal como insinuava… era que sua Avó provavelmente não estava segura de que Mona se importasse de saber ou se seu falecimento a afligiria. Mona não era tão fria e impassível para isso, apesar de toda sua grande habilidade para manter seus sentimentos enterrados, e definitivamente teria querido chorar a sua Avó no momento de sua morte. Teria assistido ao enterro como era o apropriado. Inclusive se sua Avó estivesse um pouco louca, falando sem parar sobre clãs antigos, homens lobos e a herança da família as conectando a ambos. August Finn soava completamente incômodo agora. — depois de seu último encontro, sua Avó tinha medo de que você se sentisse culpada porque as últimas palavras trocadas entre ambas foram negativas. Negativas? Agora isso era uma descrição um pouquinho cruel demais… ou tinha sido assim? Mona recordou da última vez que viu sua Avó. Tinha 19 anos, e embora tivesse passado um ano desde que seu Avô tinha morrido, essa era a primeira vez que Mona tinha convidado sua Avó para sua casa em Boston realmente. A primeira e última vez. Tudo porque seu pai chegou de visita, sem avisar, como se soubesse que sua estranha mãe estaria ali. O pai de Mona nunca a visitava. Não o tinha feito até antes daquele fatídico dia ou depois dele. Foi tudo tão insólito. E certamente, tudo terminou de uma maneira muito ruim. Como a maior parte das coisas que envolviam a algum de seus pais. De acordo, isso foi bastante negativo. Muito negativo. — E por que ligar agora? — Tentou não parecer muito seca. O que este 4


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homem devia pensar dela? Não que se importasse… bom, não de tudo ao menos. — Como disse, nunca acreditei que chegaria o momento de chamá-la. E, como esta era a única razão pela qual sua Avó queria que entrasse em contato, nunca pensei que me comunicaria com você. Mas o momento chegou, e embora muitos de nós só acreditássemos nos contos pela metade, esta nova prova nos traz uma grande vergonha por termos esquecido dos costumes do passado. — Do que fala? —Mona cuspiu a pergunta. Era a conversa telefônica mais longa que podia recordar ter tido nos vários meses que levava sendo uma quase reclusa, já que não tinha as habilidades sociais necessárias para manter uma discussão cômoda e prolongada via telefone. E o assunto em discussão… horrível como soava… não fazia nada para ajudá-la a refrear sua descortês impaciência. Passava seus dias em sua maior parte na companhia de caninos, não humanos, e este fato se via fortemente refletido em seu caráter. Preferia um cão como amigo e companheiro que a um humano, em qualquer momento. Os cães não eram preconceituosos ou depreciativos, tampouco eram desleais. Nunca faziam perguntas, nunca discutiam, e isso era o que amava tanto neles. Para ela as pessoas eram mais difíceis de lidar. Muito mais difícil. Finn tomou um profundo fôlego, audível, logo o soltou rapidamente. O homem estava definitivamente incômodo. — Falo de sua herança, moça. — Seu sotaque se acentuou ainda mais enquanto suas emoções… temor ou nervosismo não estava segura do tudo… o embargavam. — A herança de sua família, do Clã Kincaid. Mona rangeu os dentes. Seus dedos apertados com força ao redor do telefone até que esteve segura de que os nódulos rasgariam a pele. Todos em Applecress estavam desequilibrados? A famosa herança… seus Avós estiveram obcecados com isso. Seu pai se enchia de raiva só por sua menção, não porque acreditasse nisso, mas sim porque sabia que esta crença tinha conduzido a todos seus dementes antepassados a terem ilusões de esplendor. Incluindo a seus próprios pais. — Se for uma espécie de brincadeira — disse entre dentes. — posso lhe assegurar, Sr. Finn, que não a aprecio de forma alguma. — Sei que não acredita na herança. Sei que seu pai não acreditava nela e é por isso que partiu. Sei que você foi criada como uma ianque e que não acredita muito nos contos de sua pátria. Mas acreditará em mim quando contar a você… acreditará em mim quando… — Ele tomou outra profunda e perturbadora inspiração. 5


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— Quando o quê? — Exigiu ela com irritação, zangada… nervosa. Esse era o som de August Finn engolindo? Era possível ouvir a tanta distância e com tal claridade, através de uma simples linha telefônica? — Moça. Sinto muito. — Suas palavras seguintes penetraram com fogo em seu cérebro. Ele falou e não pôde fazer nada mais que escutar, rapidamente o sangue gelou em suas veias. Nenhuma força sobre a terra poderia ter feito que ela desligasse o telefone… embora tivesse dado qualquer coisa por isso. Finn continuou, dizendo as palavras que tinham certa característica ritual, inclusive quando eram pronunciadas através de uma linha telefônica. Falou em uma língua que ela nunca tinha escutado, mas que, entretanto conseguiu dar-se conta de que era gaélica, a língua de seus antepassados, suas palavras abriram alguma entrada oculta e secreta em sua mente. Um lugar que nunca, até agora, supôs que pudesse existir em seu interior. — Os lobos estão consumindo carmesim, moça. A lua está manchada de sangue. Volte e detenha a destruição do Gruenwalt. As palavras eram mágicas, místicas, e pesadas em seu significado. Ela as entendeu, inclusive enquanto negava tal possibilidade. Eram só palavras. Não. Eram muito mais. — Sinto muito. — Ouviu-o dizer outra vez, enquanto ela se sentia enjoada e fraca. — Venha para casa agora. Necessitamos de você, moça. O clã inteiro precisa de você. — terminou em um sussurro rouco antes de desligar brandamente em seu ouvido. A mão que embalava o telefone contra sua orelha estava flácida, igual as suas pernas. Caiu no chão, tremendo, suando e lutando com toda sua vontade contra o esmagante impulso de esvaziar o conteúdo de seu estômago. Um profundo e escuro poço se abria dentro dela. As palavras de August Finn ecoavam em seus ouvidos, uma e outra vez, como um cântico, enchendo e alimentando até transbordou. Algo estranho, perigoso, e muito espantoso crescia e ameaçava consumi-la. Suas mãos se fecharam e voaram para sua boca para sufocar um grito, para que só um pequeno gemido escapasse. Girando para um lado, atirou-se violentamente no chão, como uma vítima de um ataque convulsivo. E ainda essas palavras continuavam crescendo, repercutindo sem parar, sem cessar em sua mente. Os minutos passaram. Pareceram horas. Tomando fôlegos profundos, desiguais, reuniu sua vontade e lutou contra uma loucura que não podia nomear nem entender. Incapaz de resistir à compulsão que a conduzia, avançou lentamente engatinhado para perto do lugar para onde o telefone tinha rolado… jogado para um lugar distante no piso da cozinha durante suas 6


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convulsões… e o agarrou com um apertão desesperado. O número de seu agente de viagens era um dos que sabia de cor. Uma líder em seu campo, treinadora de cães para equipes de operações especiais; sejam estes policiais ou outras agências do governo; frequentemente solicitavam que ela viajasse. Mas até que o agente atendeu na outra linha, não tinha se dado conta conscientemente que tinha discado o número. As palavras que disse depois certamente não eram algo que tivesse planejado dizer por seu próprio e livre-arbítrio. Parecia uma força desconhecida; algo horrível, espantoso e completamente alheio a havia possuído, e assumia todo o controle de suas faculdades. — Sr. Osmond? Sou Mona Kincaid. Necessito de uma passagem para Applecress, Escócia. — Certamente Srta. Kincaid. Quando necessitará da passagem? Ela podia ouvir os dedos ágeis de Bernie Osmond escrevendo na máquina ao fundo enquanto procurava seu arquivo. Era uma boa coisa que ele estivesse familiarizado com suas maneiras abruptas ao telefone, de outro modo poderia ter escutado o desespero que se filtrava em sua tensa voz. — Esta noite. Agora. Necessito do próximo voo disponível. — Bem não posso conseguir um voo para Applecress, é muito isolado de um aeroporto comercial. Posso conseguir para você um para Inverness. Está a aproximadamente 128 quilômetros de distância, mas é o mais próximo que tenho. Posso conseguir um carro de aluguel para você se necessitar de um. A tormenta de exasperação dentro dela a tornava impaciente e frenética. — Está bem, um de aluguel. — Tinha esperança de que a força alheia dentro dela fosse capaz de dirigir pelos caminhos escoceses, porque ela certamente nunca tinha conduzido em um país estrangeiro desconhecido sob sua própria compulsão. — Inverness está bem. Só me consiga isso em seguida. — Tudo preparado então. O mais próximo que posso dispor é um voo para as sete da noite. Isto dará a você uma hora e meia para ir ao aeroporto e passar pela segurança. Pagará o preço da passagem de ida e volta como sempre? O medo a atacou, instintiva e profundamente, quando se ouviu dizendo. — Uma passagem de ida, Sr. Osmond. Uma passagem por agora. — Uma passagem. No seu cartão de crédito habitual? — Mona deu uma resposta concisa e afirmativa. — Espero que desfrute de seu voo, Srta. Kincaid. Mona desligou sem responder e caiu no chão, ainda lutando contra o louco impulso de gritar. Uma hora e quarenta e cinco minutos mais tarde estava no ar, obrigada por um destino no qual ainda não estava segura de poder acreditar. 7


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Capítulo 1 Adrian Darkwood levantou seu nariz ao ar, cheirando o perfume selvagem do bosque que flutuava na fria e fresca brisa. Não havia dúvida que algo andava de verdade muito mal aqui, neste país estranho e selvagem. Podia cheirá-lo. Podia senti-lo, profundamente, em seu sangue. E ele não era a única criatura no bosque cujos sentidos foram alertado do perigo que espreitava. O bosque estava tranquilo, misterioso, calmo, o que era absolutamente antinatural em uma terra tão ilimitada e apaixonada. Nenhum pássaro cantava. Nenhum animal se apressava para esconder-se na terra. Não havia aroma de almíscar. Não havia restos de nenhum animal ou marcas que ele pudesse ver com seus olhos de homem ou de lobo. Tudo estava silencioso e tranquilo como a morte. Era um lugar atormentado. Era dali que os tristes gritos dos skinwalkers 1 tinham emanado. Ali era onde uma antiga e terrível cólera foi despertada, ressoando como um perigoso eco no interior de todos e de cada um dos homens lobos no mundo. Adrian estava seguro de que tinha encontrado o lugar… maravilhoso e terrível que esteve procurando toda sua vida. A Fonte. A fonte de todas as raças de lobos. Este era o segredo que havia perseguido durante toda sua vida. Cada expedição, cada tribo de lobos que descobriu, cada pedaço de informação que conseguiu investigar o conduziu até ali, a este lugar. Mas agora que estava ali, não tinha nenhuma ideia do que fazer depois. Estas não eram as circunstâncias nas quais previu tal descobrimento. Mas podia sentir sem dúvida um laço elementar com este lugar. A inquietação que sentiu nos meses passados emanava inequivocamente destas terras. Da calma destes bosques misteriosos, secretos, nos elevados planaltos escoceses. E cada skinwalker que encontrou, de Paris a Rússia, até Washington e de volta, havia sentido esta mesma misteriosa agitação. Skinwalkers são crenças possíveis de encontrar em numerosas culturas ao redor do mundo. Relacionam-se proximamente com homens lobo e bruxas. A cultura navajo é a que melhor documentou suas crenças de skinwalkers, assemelhando-os com demônios humanos capazes de trocar de forma para qualquer animal de sua escolha. Neste livro, skinwalker é utilizado como sinônimo de homem lobo ou lobisomem. 1

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A Matilha Antiga, a fonte de toda a linhagem dos homens lobos, estava em caos. Algo tinha ido muito mal, horrivelmente mal. Em todo o mundo, os descendentes desta grande tribo; seu próprio clã de lobos; sentiam os efeitos deste terrível assunto. Adrian sabia que devia averiguar por que, depois de tantos e tão longos anos de busca infrutífera, foi conduzido a este lugar. Por que permitiram que ele se aproximasse e descobrisse o paradeiro desta magnífica e perdida raça de antigos skinwalkers. Sabia que em circunstâncias normais nunca seria capaz de fazer o caminho sozinho. Inclusive depois de muitos anos de rastrear diferentes raças de lobos, nunca antes encontrou uma indicação de que a fonte de todos eles se encontrava na Escócia. A verdade sempre esteve oculta para ele até agora. Mas por que agora? Por que ele? Por que, de todos os skinwalkers como ele que procuraram este clã por gerações, só a ele permitiram chegar até este lugar sagrado? Certamente os membros desta matilha sabiam que ele tinha chegado. Eram criaturas poderosas e sábias e ele não tinha feito nada para mascarar sua presença. Havia um grande mistério diante dele. E um grande perigo. Grunhindo, saiu do bosque e se dirigiu ao povoado. Voltaria logo. E encontraria as respostas que procurava. Ou morreria tentando. Era quase doloroso manter-se sobre os pés. Queria deixar cair, deixar sua forma humana, e correr como um lobo através da terra fria e dura. Sabia que uma vez que a lua se elevasse no céu, cheia ou não, teria que aceitar sua transformação. Lutar contra isso não o levaria a nenhum lugar, só o debilitaria. E embora sempre estivesse dotado da capacidade de ignorar sua natureza selvagem, não havia nenhum modo de que o pudesse fazer enquanto estivesse neste lugar, tão perto do lugar de nascimento de seus antepassados. Algo estava terrivelmente errado ali. Sabia. A casinha de campo que alugou se recortava ao pé do bosque e fez o caminho até chegar ali facilmente. Era uma morada acolhedora, simples, reservada aos turistas que poucas vezes visitavam o lugar. O aluguel foi barato, os proprietários necessitavam dessa renda e não podiam permitir-se exigir mais dinheiro por medo de que ele pudesse encontrar outra casinha de campo para alugar em vez da sua. Adrian propôs dobrar o aluguel se prometessem deixá-lo tranquilo durante sua permanência ali, não porque temesse que eles pudessem invadir seu isolamento, mas sim porque necessitava de uma desculpa lógica para lhes dar mais dinheiro, já que sabia que eles não tinham muito. 9


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As pessoas dali eram muito orgulhosas para aceitarem o que na realidade podiam ver como caridade. O povoado de Applecress estava em um estado lamentável, quase na bancarrota. Eram solitários e reservados. Protegiam uns aos outros. Os habitantes de todo o povoado estavam relacionados em uma forma ou de outra, as famílias tinham vivido e trabalhado ali durante séculos sem ter nenhuma razão para tomar novos rumos e explorar o vasto mundo. Era um lugar à parte. As regras do mundo moderno não se aplicavam ali. E com respeito a todos os serviços e comodidades tecnológicas; eletricidade, telefones, automóveis; o povoado vivia em um estado quase feudal. Leais apenas ao chefe do Clã Kincaid, até então a matriarca, que tinha morrido pouco tempo atrás, as pessoas de Applecress vivia sob seu próprio código, mantendo-se separados do mundo que os rodeava e suas preocupações. Adrian tinha certeza que seu destino estava entrelaçado com a matilha originária. Acontecia simplesmente que não sabia de que maneira. Deixou a porta de sua casinha de campo aberta para que entrasse o ar limpo. Precisando ouvir a voz de alguém familiar, encontrou seu celular; agradecendo que funcionasse, inclusive ali, nesta encantada e misteriosa terra; e digitou o número de sua mãe. Ela atendeu no primeiro toque. — Adrian, sabe que não deve me ligar tão tarde. Se seu pai souber que eu tenho este celular o quebrará no ato. — Olá para você também, Mamãe — Respondeu, imediatamente tranquilizado ao ouvir sua querida voz. O animal dentro dele, logo depois de horas de rondar e grunhir, pôde acalmar-se finalmente. — O que está errado? — Ela o conhecia muito bem. Seu vínculo era tão forte que inclusive a tantos quilômetros de distância, ela podia sentir sua inquietação sem esforço. — Encontrei-os. Ela conteve sua respiração. — Por que não pode se sentir bem estando sozinho, moço? —Havia um grunhido suave em seu tom agora. Ele franziu o cenho. Era um velho argumento. — Já sabe o porquê. Necessito de respostas, respostas que só o Clã Primitivo pode me dar. — Clã? — Estou na Escócia. Adrian quase podia ver sua querida mãe ranger os dentes. — Seu pai vai estrangular você. Acreditei que ainda estava na Rússia com Ash. — Sabia que Ash estava na Rússia? — Perguntou, surpreso. 10


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— Certamente. Ele ligou com notícias sobre sua companheira. Embora não dissesse nada sobre, certamente eu pude adivinhar que foi você quem o levou para lá — ela suspirou pesadamente e o coração dele se retorceu ao ouvir seu som cansado, mesmo que soubesse que ela o fazia mais para benefício dele que por uma genuína fragilidade. Era uma mestra da manipulação com anos de prática; e teve que fazê-lo, com dois teimosos machos Alfas em sua família. — Quando deixará esse esforço inútil e virá para casa? — Acreditei que estava de meu lado, Mamãe. Acreditei que compreendia; inclusive acreditei que concordava; com meus motivos para procurar respostas aos mistérios de nossa raça em minhas viagens. — Realmente o entendo. E o aprovo, não seus motivos, e sim o fato de que se sentirá feliz enquanto continue com esta busca. Mas está longe da matilha há muito tempo. Seu dever está aqui, com sua própria matilha. Não na Escócia. — Soas cada vez mais como Papai. — Não zombe de mim desse modo, moço. Não estou tão distante que não possa ir eu mesma arrastar seu traseiro de volta até aqui. — Isso esta melhor. Agora fala verdadeiramente como alguém de Los Angeles. — Não estive em Los Angeles há mais de trinta anos e sabe — disse, mas havia riso em sua voz agora. Se havia uma coisa com a qual gostasse de incomodar seu marido homem lobo, era que ela sempre pensaria e falaria como uma humana. Isso enlouquecia o poderoso Alfa, sempre e quando não estivesse dominado pela apaixonada luxúria por sua companheira. — Não posso voltar ainda, Mamãe. Estou tão perto agora que posso senti-lo. — Por que pensa que este clã terá as respostas que busca? Elas não existem, filho, disse isso a você muitas vezes. Somos homens lobos por direito próprio e sempre o seremos. A evolução nos separou, de forma que não podemos entender, uns dos outros, umas matilhas das outras, do mesmo modo que com os humanos. Não há nenhuma forma de podermos nos misturar com os humanos em grande escala como você supõe, e tampouco há necessidade disso. Deixa que a Natureza siga seu curso. — Tantos de nossa gente, de cada matilha no mundo, misturam-se com humanos. É inevitável que aceitemos algumas de suas formas de vida para salvar nossas terras e tradições. Temos que fazê-lo, para sobreviver. —Desejou não haver ligado para ela. Este argumento era muito velho, muito familiar, 11


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muito emotivo. — E o faremos. Já o fazemos. Não pode apressar o curso de nossa evolução. Ou entendê-lo. Esteve fugindo de suas responsabilidades muito tempo. Seu pai deseja se afastar, entregar a você o manto da responsabilidade como Chefe da matilha. E embora odeie a ideia, é apesar de tudo, seu destino aceitá-lo. Vem para casa. Deixe de fugir. Adrian murmurou entre dentes, sentindo-se paralisado. — Não fujo. Faço algo importante para todos nós. Este Clã Primitivo sabe de onde procedemos, por que somos como somos. Eles têm que saber se estamos separados dos humanos ou se, indevidamente, estamos ligados a eles. Têm que saber que coisa deve ser feita para assegurar a sobrevivência de nossa raça, neste mudo revolto de heranças de poder e caminhos tortuosos. Devo continuar minha busca. — O que fará com essas respostas, Adrian, uma vez que as tenha? Se as respostas não forem de seu agrado, o que fará então? Não há nada ai que possa aprender que não possa aprender aqui, com sua própria matilha, com sua própria gente. — Tenho que ir Mamãe. Diga a Papai que o amo. Ophelia Darkwood suspirou pesadamente, e esta vez seu cansaço era genuíno. — Caminha com o vento, filho. — Voa com as Águias, Mamãe. Fora da porta aberta de Adrian o vento assobiou através dos planaltos, uivando como um lobo solitário na noite.

Capítulo 2 Mona olhou ao redor dos quartos bem ordenados da casa de seus avós. Nunca esteve ali antes. Nunca tinha esperado vir. Não em circunstâncias normais. E certamente não nas circunstâncias nas quais se encontrava. Conduzir seu carro de aluguel até ali foi fácil, como se sempre tivesse sabido do caminho de cor. Aterrorizada e, entretanto curiosa, seguiu seu instinto até fazer uma curva em um caminho que a conduziu ao povoado de Applecress. Fora de toda lógica, não sentiu necessidade de consultar um mapa. Nem sequer uma vez. Avançou diretamente através do povoado, para os limites do bosque, 12


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onde a casa de sua família a esperava expectante. Não tendo um número onde pudesse localizar August Finn ou a alguém do povoado que pudesse dizer a ela como diabos continuar, simplesmente usou a chave que sua Avó lhe enviou quando completou vinte e um anos para abrir a porta de madeira simples. Avançando trabalhosamente com sua mala e sua bolsa de noite, entrou na sala acolhedora, sentindo-se quase bem-vinda. Aquele sentimento teria durado muito mais se não tivesse visto a biblioteca, que continha poucos livros, mas muitas armas afiadas, pistolas e armadilhas de urso. Depois desse espantoso lembrete da loucura na qual se viu enredada, fechou com resolução a porta e evitou aquela parte da casa. Uma fotografia desbotada de seus avós descansava em uma pequena moldura de madeira sobre a lareira de pedra na sala de janta. Sentindo uma dor dilaceradora nos arredores de seu coração se aproximou dela e a levantou com mãos trêmulas. Com surpresa, notou que seu pai, então um rapaz jovem, também aparecia na foto. Parecia feliz, rindo como qualquer outro rapaz normal com seus pais, mas Mona se perguntou pela sinceridade de tal aparência. Ela poucas vezes viu o sorriso de seu pai, assim não podia ter certeza. Seus avós foram tão diferentes de seus próprios pais. Pouco depois de completar os dezesseis anos, decidiu, sozinha, convidá-los para uma visita. Não à casa de seus pais, sua mãe e seu pai teriam se horrorizado se soubessem que ela entrou em contato com eles, e sim em um hotel próximo. Usou suas economias e o dinheiro de seu aniversário para comprar as passagens. Os pais de Mona podiam não ter sido muito carinhosos com ela, mas eram muito generosos com seu dinheiro. Mona já tinha entendido isso com uma idade precoce. Era semelhante ao que ocorria a muitas crianças que conhecia e com as quais tinha crescido. Quando os pais de alguém se enfocavam no êxito em suas carreiras não havia muito tempo para as relações familiares. Em troca, havia um fornecimento aparentemente infinito e abundante de bens materiais. Como se o dinheiro pudesse compensar tudo. Seus avós ficaram felizes com a visita. Parecia não se importarem, ou seja, simplesmente não mencionaram, que os pais de Mona estiveram completamente ausentes durante sua permanência toda a semana. Essa foi a primeira vez que Mona os viu, os estranhos pais de seu pai, mas não teria que ser a última. Durante aqueles primeiros anos, matizado com visitas de seus avós a cada poucos meses, Mona se perguntou por que seu pai tinha abandonado seus carinhosos pais. Foi só mais tarde que entendeu exatamente o porquê. Seu 13


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pai nunca falava deles. Certamente, durante seus anos mais jovens e mais curiosos, ele, inclusive, proibiu Mona de fazer perguntas a respeito deles. Ele nunca mentiu dizendo que estavam mortos como outros em sua posição teriam feito. Mona estava agradecida por isso, por outro lado nunca se decidiu a procurá-los. Mas discutir sobre a linha sanguínea, sobre a herança de seu pai era estritamente tabu, e Mona tinha respeitado isto. Até que completou os dezesseis anos. Teve uma briga terrível com sua mãe, recordava-a muito bem. O tema da discussão não deveria ter sido nada especial, Mona e sua mãe tinham brigado quase sem parar desde o dia em que Mona tinha alcançado a puberdade. Mas esse dia houve algo especial. Algo diferente. — A única coisa com a qual se preocupa são esses estúpidos cães com os quais sempre brinca na loja de animais, ou no abrigo de animais. Não se preocupa com a gente. Está se convertendo em uma espécie de reclusa e não posso suportar mais isso. Irá a esta festa, e se divertirá, ou a castigarei, assim me ajude. Mona tinha soprado, fazendo voar a franja de seu cabelo vermelho escuro elegantemente cortado; e o tinha cortado assim unicamente porque sua mãe odiava o cabelo curto sobre seu rosto. — E tudo o que a preocupa é que este investidor poderia pensar que é uma mãe muito ruim, se não me mostrar tal como você disse que eu era — então zombou sarcasticamente. — Não sou uma debutante como você foi aos dezesseis, mamãe. Não me interesso por festas ou soirees2, e não me preocupo nem um pouco com a alta sociedade. Vou ao espetáculo de cães. Pode dar minhas desculpas ao Prefeito, ou a quem tenta impressionar. Trabalhei muito duro ajudando a treinar alguns destes cães para passar a noite da competição dos focinhos-marrons com meus pais. A mão de sua mãe bateu com força em sua bochecha. Mona cambaleou e se perguntou o porquê dessa transcendental demonstração de paixão de uma mulher que até então nunca tinha usado tal força contra ela antes. — Está tão louca quanto seu pai acredita! Tão desequilibrada quanto ele diz que seus pais estão! Agora me escute, jovenzinha. Você estar proibida de seguir com esse ridículo treinamento de cães. Proíbo você de se relacionar com cães e acabou. Irá à festa esta noite ou se encontrará matriculada no internato mais estrito que possa encontrar. Está claro? Mona quis se rebelar ainda mais, mas sabia quando sua mãe estava falando sério. Não tinha nenhum desejo de ser enviada ao internato, não quando tinha tal liberdade com seus tutores pessoais. Assim, contra seus 2

Soirees = festas da alta sociedade.

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melhores desejos, foi à festa. E a tinha passado horrivelmente mal. E se assegurou de que cada pessoa que estava ali soubesse o quanto se sentia infeliz pelas circunstâncias. E sua mãe nunca a mais a obrigou a ir à outra festa depois dessa. Aquela escaramuça particular, por um lado, terminou aquela batalha de vontades, deixando-a vitoriosa. Mas Mona aprendeu algo nesse dia. Por alguma razão, seus pais compararam sua aversão às situações sociais, e sua afinidade com os cães, com uma espécie de loucura. Uma loucura que seus avós supostamente também padeciam. Então Mona jurou encontrá-los e ver por si mesma quão loucos estavam… ou não estavam. Sabia que era anti-social, gostava mais da companhia dos cães que das pessoas, mas não estava louca, apesar do que seus pais, muito dramáticos, acreditassem. Mona entendia os cães muito melhor que às pessoas, era capaz de treiná-los como por arte da magia, e eles nunca discutiam com ela ou a desprezavam. Não era louca para eles. E se seus avós eram iguais, então não podiam ser tão ruins como a haviam feito acreditar. Os anos que ela tinha perdido respeitando os desejos de seu pai no que dizia respeito aos seus avós tinham terminado. E então, tinha procurado aos seus avós paternos. Tinha os encontrado. Passado tempo com eles. Tinha os amado. E não foi até o dia profético de seu décimo oitavo aniversário que finalmente compreendeu… que a loucura realmente corria pelas veias de sua família. E agora, aqui em frente tinha uma prova adicional. Sentia a loucura como uma tormenta correndo por suas veias. Assumiu-a, e não estava segura de haver algo que pudesse fazer para conseguir que a maré voltasse atrás novamente. Parecia como se já fosse muito tarde para fazer algo, e só pudesse sentar-se e ver como tudo chegaria ao seu fim. — Srta. Kincaid? Uma figura surgiu na entrada da casinha de campo, um homem grande de aproximadamente cinquenta e tantos anos, de cabelos longos e grisalhos, e uma curta barba cinza sobre seu rosto. Não tinha o ouviu chamar. Não o ouviu abrir a porta. Era uma prova do quanto estava desorientada; seus sentidos geralmente eram muito mais aguçados. — Sr. Finn, suponho — respondeu cortesmente, determinada a ocultar suas emoções turvas sob uma estoica capa de autocontrole. — Aye3. Fui eu que ligue para você para que viesse para cá. — Limpou a garganta com inquietação. — Limpamos muito bem a casinha de campo para 3

Aye = sim

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você. —Sua pronúncia parecia ainda mais forte em pessoa que por telefone. — A despensa está abastecida, embora não estivesse seguro de que produtos de alimentação gostaria. Há somente mantimentos básicos por agora. Se necessitar de algo, só tem que solicitar a qualquer pessoa do povoado e o conseguiremos. Espero que o lugar seja cômodo o bastante para você. — Estou segura de que será, Sr. Finn. — Por favor, moça, faz-me sentir velho. Chame-me de August — sorriu abertamente, revelando uma fila de dentes fortes. — Certamente, August. E você me chamará Mona — insistiu ela. — OH não — sua aversão a isto era evidente, embora mantivesse seu sorriso. — Você agora é a chefe do clã. Será a Sra. Kincaid ou Senhora, para todos nós — Seu sorriso zombador tremeu por fim, seus olhos se obscureceram por algo que o preocupava ou temia. — Estamos contentes de que tenha vindo. — E por que vim? —Tinha que saber de algo, ou enlouqueceria se perguntando. — Por que me trouxe aqui? O suor brilhou sobre sua testa e ele o tirou nervosamente com um lenço branco que enfiou no bolso de sua calça de trabalho. — Faz calor para ser esta estação do ano — disse, embora Mona pensasse que fazia bastante frio. — Posso me sentar? —Ele fez gestos para uma cadeira reclinável próxima. Mona assentiu, pegando outra cadeira com cautela, contente de ter vivido confortavelmente quando decidiu meter-se nisto. — Eu conhecia seu pai — disse ele surpreendendo-a. — Era um rapaz alegre, pensava que boa parte de nós estava louco. — Ele a olhou com seus olhos verdes, claros e frios. — Não estamos loucos, sabe. Tampouco seus avós. Mona se endireitou defensivamente e respondeu ao seu olhar sereno com um próprio. — Quando as pessoas conversam sobre homens lobos, heranças e pactos sagrados, as pessoas tendem a pensar que estão loucos ou que são muito supersticiosos. — Seus avós não eram, nem loucos nem supersticiosos. — Eles pensavam que nossa família estava destinada a vigiar à matilha de homens lobos que vaga por este bosque — Ela agitou a mão mostrando a terra cheia de bosques, facilmente visível de uma das janelas da casinha de campo. — Acredito que isso soa mais que um pouco estranho, ou não? — Nem um pouco. Não se for verdade. E neste caso é verdade. — Não é. — Disse ela energicamente, perguntando-se se alguma vez acreditaria totalmente. — Mudará de opinião uma vez que me escutei até o final. Faz duas semanas, um rebanho inteiro de ovelhas foi assassinado. Tudo em uma noite. 16


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Alguns dias depois disso, um galinheiro foi derrubado como se fosse uma caixa de palha, e comeram todas as galinhas. E faz três noites — engoliu de forma audível e limpou o suor de sua testa outra vez — Emmett Ou’Criene, o dono do rebanho de ovelhas e das galinhas, foi encontrado morto em suas pastagens. Sua garganta foi rasgada com destreza, até o fundo. — O que isso tem que ver comigo? — Tudo. Soubemos em seguida. A lua esteve baixa no céu, tingida de vermelho durante quase todo o mês passado. —Ele se inclinou para ela de maneira conspiratória — E estivemos os escutando. Chamando à lua, uivando como se seus corações estivessem quebrados. Brenda Smithey viu algo a espreitando do limite do bosque perto de sua casa, enquanto pendurava suas roupas para secar. E o filho mais velho de Thomas Greene viu um grupo deles inspecionando sua casa e a de sua irmã. — Ainda não vejo o que é que tudo isto tem que ver comigo. Não acredito em superstições, Sr. Finn. E acredito que faria melhor chamando o guarda-florestal em vez da mim no que diz respeito à morte do Sr. Ou’Criene. — Acredite ou não, são os homens lobos que fazem isto. Algo ocorreu e estragou tudo, algo que fizemos. O Gruenwalt… o antigo pacto entre nós, os humanos e essas bestas… está perto de se romper. E se isto ocorrer, todos nós vamos morrer. Haverá um banho de sangue e os lobos ganharão, sem dúvida nenhuma. Mona se levantou, apertando seus lábios com ira. — Tive bastante disto. Não posso acreditar que vim aqui para escutar esta merda… — Isto não é uma merda e você sabe. — Rugiu ele, claramente perdendo sua paciência. — Só você pode dirigir-se a eles. Racionalizar com eles. O sangue em suas veias, o sangue do Clã Kincaid, terá efeito sobre eles. Faça-os ver. Faça-os nos perdoar independentemente da infração que tenhamos cometido. É por isso que a chamei e lhe disse as palavras sagradas. É por isso que veio. Deve cumprir com seu dever como líder do clã. — Não posso acreditar… — Foi interrompida bruscamente por um selvagem uivo emitido das árvores além da casinha de campo. O som chegou diretamente ao seu coração, fazendo que ofegasse e se aborrecesse. — Vê-o agora? Pode senti-lo em seu sangue, sentir a eles. Há cólera neles agora. Por alguma razão nos estão marcando, nos espreitando. Só é questão de tempo para que ataquem. Não nos ajudará? — O que posso fazer? Nem sequer posso acreditar nisso. —Rangeu os dentes. — Não acredito em nada disto. — Acreditará. Tudo o que tem que fazer é cruzar essa porta e sair para o 17


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bosque para entender aquilo que precisa fazer. Sua família sempre teve o dom de saber que pensam essas bestas, de saber o que desejavam. A paz entre nosso povo e sua matilha está pendurada por um fio, mas você saberá o que fazer para pô-la em ordem. Inclusive se não acreditar nisto no momento. Sem dizer outra palavra, ele se dirigiu para a porta, encaminhando-se para o sol poente e a deixou olhando ele se retirar com evidente incredulidade. — Todo mundo aqui, menos eu, está louco? —cuspiu, fechando de repente a porta atrás dele.

Capítulo 3 Mona entrou mais no interior do bosque, com a lanterna afirmada com resolução diante dela para iluminar o caminho. — Estúpidos, supersticiosos, rebanho de parvos — resmungou em voz baixa, e não era a primeira vez que o fazia. Não querendo permanecer nesse povoado de loucos nem mais um segundo, decidiu terminar com aquilo. Entraria no maldito bosque, apesar do crepúsculo no céu estar escurecendo, e acabaria com o medo daquela gente. Quanto antes o fizesse, mais cedo poderia voltar para sua vida normal, abandonando todas aquelas tolices a respeito de homens lobos e Gruenwalt de uma vez por todas. Não era fácil. Embora não tivesse exatamente medo da noite, entretanto havia algo misterioso e tinha um estranho pressentimento que a fez diminuir a marcha enquanto olhava ao seu redor em busca do que quer que fosse que procurava. As altas árvores a rodeavam, projetando sombras escuras, e uma impenetrável névoa começou a brincar devagar ao redor de seus pés e panturrilhas. — Isto é tão estúpido. — Repreendeu-se. — Deveria voltar agora, pegar meu carro e dirigir de volta ao aeroporto. Não há nada aqui fora exceto árvores e sujeira e… Um longo e único uivo chegou até ela, detendo-a em seco. Jogou-se em cima e ao redor dela, cantando em seu sangue, ecoando dentro do misterioso poço que se abriu profundamente dentro de sua alma. — Merda! O que foi isso? Ora, não seja idiota, pensou, isso é um lobo. São comuns nestes lugares, já 18


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sabe. Santo deus. Controle-se. Caminhou com resolução para frente entrando na névoa crescente, seus passos quase não faziam nenhum ruído naquela quietude. A pesar do ar frio, sentia-se agasalhada com sua jaqueta de lã e estava contente de ter pensado em empacotá-la com a urgência de subir ao avião. Uma raminha se quebrou audivelmente a sua esquerda e virou a lanterna para ver o que tinha feito o ruído. A névoa trabalhava contra ela. Densa e espessa, dificultava sua capacidade de ver além de alguns poucos metros do feixe de luz. Havia algo ameaçador e horripilante na névoa, movia-se como se fosse dirigida, para proporcionar cobertura ao que quer que fosse que podia estar à espreita na profunda escuridão da noite. Alguns arbustos rangeram detrás dela, um gemido e um sussurro que a gelou até a coluna. Virou-se outra vez, mas não podia ver nada ali. Não podia ver nada… mas podia sentir muitas coisas, e Mona não gostava de forma alguma do que sentia. — Basta de dar malditas voltas. Sai para onde possa vê você, maldito seja! —gritou corajosamente. Embora a coragem fosse muito diferente da emoção que a invadia agora, só na escuridão. Ou não tão só. Mona não estava completamente segura de qual dos dois argumentos era pior. Um grunhido baixo rompeu o silêncio, outro arbusto suspirou inquietantemente, e logo ela o viu. Ou melhor, ele se deixou ver. A forma quadrúpede de um lobo, desvanecida pela escuridão e a névoa, apareceu diante ela. Tudo o que podia distinguir claramente eram seus olhos, alarmantemente azuis enquanto permanecia quieto como uma pedra, olhandoa da névoa que formava redemoinhos ao seu redor. Estava exatamente diante dela, bloqueando seu caminho. Mona não compreendeu como soube que era um macho, mais nunca havia compreendido como era que sempre sabia o sexo de um cão simplesmente lhe dando uma olhada ou ficando perto de um deles. Mas o fazia. Sabia inquestionavelmente e o aceitava. Aceitava também, que este lobo a conhecia. Ou sabia a respeito dela. De algum jeito. — Maldito seja. — Jurou, paralisada no lugar, incapaz de fazer outra coisa exceto olhar fixamente ao animal com medo e maravilha. O lobo grunhiu, baixou a cabeça, e através do véu de névoa ela pôde ver por um momento como despia seus dentes para ela. Advertindo-a. Ameaçando-a. Desafiando-a. 19


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— Não estou aqui para machucar você. — Disse, sem sequer saber que pretendia formar as palavras que passaram através de seus lábios intumescidos. As palavras pareciam adequadas, corretas. — vim para completar o Gruenwalt. — De onde tinha saído isso? Era estúpida ou simplesmente estava louca? Ela não acreditava em tal coisa. Ou ao menos tinha parecido que não. A cabeça do lobo se elevou, mas seus dentes ainda estavam nus em um grunhido. A luz azul que ardia em seu olhar falava de uma imensa inteligência. E uma cólera também imensa. — Se o ofendi, sinto muito. As pessoas do povoado também sentem. Diga o que devemos fazer para aliviar seu descontentamento conosco. O lobo saltou para detrás, sem se incomodar de ocultar o som de sua retirada. Mona se precipitou para segui-lo, o raio de sua lanterna movendo-se vertiginosamente enquanto perseguia o lobo pelo bosque. — Maldito seja! —Deu um pontapé no chão, varrendo a área com sua luz, procurando. Foi em vão. Não haveria respostas essa noite, estava quase segura disso. Com um pesado suspiro se virou na direção que tinha vindo e se encaminhou para casa. — Lobo estúpido — resmungou, sabendo que estava mais zangada consigo mesma por acreditar; inclusive durante um único segundo, na loucura de sua família, mais que com o lobo. Um peso esmagante e doloroso se chocou contra ela vindo de atrás, atirando-a na terra. Sua lanterna voou para o chão. A luz piscou e se apagou. A escuridão engoliu Mona, a escuridão do bosque à noite, a escuridão do medo, enquanto ela girava desesperadamente sob o peso que caiu em cima dela, tirando-o sem muita destreza. O feroz e baixo grunhido do lobo enviou um raio de medo frio ao seu coração. Começou a dar golpes desordenadamente, tentando desesperadamente ficar em pé. Tropeçou quando o lobo se lançou de cabeça contra suas pernas, mantendo-a com eficácia sobre a terra. Mona caiu com força, sua cabeça bateu em uma rocha ou uma raiz, não poderia dizer com exatidão. As estrelas dançaram ante seus olhos, seu estômago se sacudiu de asco. Inclusive na escuridão, Mona podia ver aqueles brilhantes e frios olhos azuis. O lobo se debruçava sobre ela agora, inclusive enquanto tentava avançar lentamente engatinhado para se afastar de sua forma ameaçadora. As mandíbulas da besta tentaram morder suas pernas e ela deu um chute, fazendo contato com seu focinho. 20


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O lobo uivou, depois grunhiu mais forte. Agora estava realmente furioso. Mona se levantou. O lobo a derrubou outra vez, sacudindo-a até seus ossos com sua força mortal. Seu rosto bateu na terra. Sua boca se encheu de sujeira. Seus lábios se partiram e sangrou, alagando sua boca com um gosto arenoso e agridoce. Seu coração trovejou de medo e lutou por controlá-lo, recuperar algum rastro de pensamento, encontrar uma saída, longe das mandíbulas e grunhidos do animal enfurecido. Dentes afiados como facas morderam sua perna, ferindo-a, machucandoa, mas sem rasgar a pele sob a grossa cobertura de seu jeans. O lobo avançou lentamente sobre ela, e Mona girou sobre o chão em pânico, tentando tira-lo de cima dela. O estalo de suas mandíbulas evitou seu rosto somente por um fio. Uma cólera abrasadora a encheu, dominando por fim o medo. Sua obstinação se elevou e com ela um pouco de seu perdido controle. Não podia deixar que aquele animal a subjugasse. Quando o lobo tentou mordê-la outra vez, o atacou, prendendo fortemente seus próprios dentes sobre o lado de seu rosto. Arranhando através da pelagem a pele. Derramando seu sangue. O lobo grunhiu e se afastou bruscamente, provavelmente mais pela surpresa que pela ferida. Mona cuspiu seu sabor de sua boca e por fim ficou de pé. — Não se meta com uma Kincaid, filho de uma cadela! — Virou-se para correr, sem sequer fazer uma pausa para se perguntar pela inutilidade do gesto. O lobo a derrubou outra vez. Os dois grunhiram, ambos agora cheios tanto de cólera, como de raiva e dor. Mona atacou com seus punhos. O lobo a agarrou com suas patas gigantescas, rasgando suas roupa. Ela gritou, sua cólera flamejou mais brilhante, e redobrou seus esforços para escapar. Uma forma escura saltou das sombras, golpeando e afastando seu atacante tão rápido e tão forte que nem Mona nem seu opositor estavam preparados para isso. Os sons de uma nova batalha encheram a noite. Outro lobo se uniu à luta. Grunhidos e uivos ecoaram no bosque. O aroma da terra que se elevava, de pele e pó encheu a noite como um espesso perfume. Um uivo e um grito de um dos combatentes… e então, bruscamente, tudo ficou em silêncio. Sem esperar para averiguar o que ocorreria depois; quem ganhou a batalha ou o que queriam dela agora que a tinha, Mona pôs-se a correr. As luzes acolhedoras que brilhavam das janelas da casinha de campo a conduziram ao longo dos últimos metros do bosque como um farol que dirige um navio perdido no mar. 21


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Nunca esteve tão feliz de ver sua casa em toda sua vida. Adrian a observou ir, correndo ligeiro, rápida e livre como um fogoso gamo em seu hábitat natural. Custou-lhe cada onça 4 de autocontrole que possuía não correr atrás dela, atirá-la ao chão e possuí-la. Sua boca estava cheia do ferro acobreado do sangue do outro lobo. O que ela estava fazendo ali, de noite e na névoa? E por que o loupgarou5 tentou machucá-la? Era outro homem lobo, tinha certeza disso, que estava com ela na escuridão. E embora sua raça fosse tão selvagem e agressiva quanto qualquer lobo, poucas vezes se viam impulsionados à violência contra os humanos tal como este tinha feito. Adrian queria encontrar o animal que escapou com um uivo covarde logo depois de sua derrota. Queria encontrar e matar a quem se atreveu a ameaçar sua companheira. Mas não o fez. Era um forasteiro ali, naquelas terras e ainda não conhecia os costumes daquela antiga e selvagem matilha de skinwalkers. Devia esperar e procurar justiça mais tarde, quando o momento fosse adequado. Devia deixar sua cólera de lado, ao menos por um tempo. Por agora, se concentraria na mulher. Todo o resto empalidecia em comparação. Sua busca pela origem, sua necessidade desesperada por respostas, nada disso importava agora que tinha visto ela. Agora que sabia o que ela era para ele, quão importante era para ele. Encontrá-la-ia outra vez. Cortejá-la-ia. E logo poderia voltar para seu objetivo, sua raison d’être 6 ali. Mas não agora. Não ainda. Primeiro, tinha uma companheira a reclamar.

Capítulo 4 Mona sustentou sua xícara de café pensativamente. Estava muito açucarado, tal como gostava, uma bebida “caramelo”, tal como seu pai 4

Onça = medida de peso inglesa que equivalente a 28,349 g.

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Werewolf (Inglaterra), junto com lycanthropos, (Grécia), loup-garou (França), varkolak (Bulgária), Lupo mannaro (Itália), etc., são deferentes denominações para o que conhecemos como homem lobo. 6

Raison d’être, razão de ser ou estar. Em francês no original.

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depreciativamente o teria chamado. Adicionou outra transbordante colherada de açúcar à cremosa mistura, pelo simples prazer de fazê-lo, Sorrindo pela falta de sentido de seu humor. O falatório do Pub se filtrou em sua mente, afogando os negros pensamentos que a assaltavam. Olhou ao seu redor, aos olhares abertamente inquisitivos, de todos os intrometidos e curiosos desconhecidos que enchiam o salão quente, competindo por uma oportunidade de captar um olhar da recém chegada. Nunca havia se sentido tão sozinha. Ou tão importunada pelas pessoas que se amontoavam ao seu redor. Era cedo pela manhã e o sol com alegre determinação estava decidido a fazer desaparecer o gelo que recobria o solo montanhoso. Mona não sabia de nenhum Pub que abrisse tão cedo como este, mas quando um pequeno povoado tinha somente um, e servia como cafeteria, salão de reuniões, além de Pub, como nesse momento. A comida era substanciosa, a atmosfera era espessa e os proprietários amigáveis. Excessivamente amigáveis, possivelmente. A senhora madura que serviu o café da manhã com ovos, torradas e aveia a Mona, pareceu quase ofendida quando pediu a conta pela comida. — Uma maldição cairá sobre mim e aos meus se cobrarmos à Senhora do Clã Kincaid por uma refeição. Escandaliza-nos que nos peça a conta, agora ou em qualquer outro momento. Nossas portas estarão sempre abertas para você, Senhora, nossos alimentos e bebidas sempre serão servidos livremente e será bem-vinda. O espetáculo indignado da mulher não fez nada para mascarar seu óbvio temor e respeito. Também estava claro que as pessoas deste lugar já sabiam do por que estava ali, e estavam determinadas a mimá-la. Não estava acostumada a que as pessoas a tratassem da mesma maneira que a um amigo perdido há muito tempo ou como a um membro da família, nem sequer por parte de seus próprios amigos ou familiares. Na verdade, não estava muito acostumada às pessoas absolutamente. Mona olhou ao redor do salão, sustentando cada olhar fixo que se posava sobre ela desafiantemente, desafiando-os a que os mantivessem. Por isso foi quase um alívio quando a porta da cantina se abriu, deixando entrar uma rajada de ar frio, e todos os olhos se desviaram para ver o recém-chegado enquanto caminhava através do lugar. Caminhar? OH não, ele tinha muita elegância para fazer isso. Era melhor observá-lo cautelosamente, suas pernas incrivelmente longas pareciam deslizar pelo chão do Pub com a mesma graça inata e a segurança de um bailarino. 23


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O silêncio desceu sobre o salão. As conversas cessaram, as frases se detiveram inacabadas, enquanto cada olhar seguia o progresso do forasteiro nos limites do esfumado Pub. A multidão se abriu, cada homem e mulher se moviam para deixar espaço para que ele passasse. Nem sequer uma tosse ou uma respiração rompia o quieto silêncio. Ele era alto, magro e escuro como o pecado. Mona não pôde menos que admirar o ébano de seus cabelos negros, que caiam brilhantes como a seda negra sobre seus cotovelos e suas costas. Sempre ficava boquiaberta e gostava muito quando via um homem com os cabelos longos, e este os tinha muito longos, os cabelos mais brilhantes que já vira. A cor de sua pele era uma mistura entre o cobre e o bronze, uma aberta declaração de seu onipresente sangue de nativo americano. Seu rosto era um eco daquela declaração; o nariz parecido com o de um falcão, maçãs do rosto incrivelmente altas, e os olhos amendoados e exóticos outorgavam a ele uma beleza e uma nobreza que virtualmente nenhuma outra raça poderia possuir. Que estranho, refletiu ela, ver alguém como ele aqui na Escócia, um guerreiro de pele morena entre tantos granjeiros branquelos. Seus olhos eram a característica mais atraente de seus traços, quase negros, profundamente marrons. Com a intensa textura do chocolate quente, agridoce. E estes a olhavam fixa e diretamente. Ele parou ao lado de sua mesa. — Posso me sentar com você? —Sua voz tinha um timbre rouco, o som de um homem acostumado a respirar a fumaça de uma lareira ou o de um cigarro. O som se deslizou sobre ela como lava, queimando-a, ateando fogo em sua mente com imagens chamejantes de membros suados e entrelaçados, ofegos e gemidos, e lençóis enredados na escuridão. — Há muitos assentos vazios aqui dentro. Não tem por que se sentar comigo. A surpresa dilatou seus diabólicos olhos antes que o sarcasmo encobrisse sua reação. — Mas quero me sentar com você. — Não seja importuno. Procure outro assento — Ela sentiu como suas costas ficavam rígidas quando não lhe fez caso e se sentou na cadeira frente a ela, antes que sequer tivesse terminado a cortante frase. — Sempre é tão grosseira? — Só com homens impertinentes como você, que não parece compreender o significado da palavra “não.” — Ela não tinha a força ou a paciência para isto. Por isso ficou de pé para sair. A mão dele agarrou seu pulso, sustentando-a, acreditando que a 24


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apanhava. — Não é daqui. — Nem você — Não havia nenhum forte sotaque irlandês em suas palavras. Só aquele deixe rouco e o leve arrasto em sua voz de nativo americano. — Não, Não sou. Por isso seria lógico ter uma conversa amistosa entre nós; dois vizinhos em uma terra estranha; que deveriam sentar-se juntos. Não se sentará e tomará outro café? Estava com saudades do som de uma voz americana, mesmo sendo de alguém tão grosseiro — Ele arqueou uma sobrancelha, esperando sua resposta. — Sinto muito. Tenho coisas a fazer. Não tenho tempo para ser sociável — Tentou levantar-se outra vez, e desta vez ele deixou, embora parecesse como se ele não conseguisse respirar durante esse momento. Todos os olhos do local estavam dirigidos a eles, presos em cada movimento. Quando o forasteiro a tocou, atreveu-se a agarrar seu pulso, parecia que havia causado uma irritação geral devido a sua ação. Uma forte emoção que se podia apalpar no ar. Mona se perguntou o que poderiam ter feito os cidadãos em caso de necessidade; Talvez o advertir que se mantivesse distante dela? Era ridículo. Este homem não parecia do tipo que reage bem frente às proibições, ou à coação, inclusive se existissem boas intenções atrás disso. E estava segura como o inferno que não queria ter nenhum peso na consciência. Não era sua culpa se estas pessoas a viam como alguém da realeza, embora ainda tivesse que arrumar esse assunto, porque parecia que todo o povoado estava determinado a cuidar dela enquanto estivesse ali. E não saberia dizer se gostava disso ou não. — Como você conseguiu esse corte no lábio? E os arranhões sobre seu rosto. —Ele conseguiu surpreendê-la ao perguntar isso. Ninguém mais tinha comentado seu estado esta manhã e já tinha se esquecido. — Tive uma briga com uma porta — mentiu ligeiramente. — Deveria ser mais cuidadosa quando decidir brigar — advertiu. — Parece que a porta ganhou. Ela bufou7, agarrando sua bolsa do respaldo da cadeira. Ele a surpreendeu outra vez ao levantar-se com ela e caminhar para a saída. Ele pareceu esquecer dos descarados e fixos olhares enquanto partiam, e os olhares curiosos se acabaram unicamente quando, por fim, a porta do Pub se fechou atrás deles. — Deixe-me sozinha. — Disse ela, enquanto se perguntava se o homem 7

Bufar = expelir com força o ar pela boca e/ou pelo nariz.

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pensava em segui-la até sua casa como um cachorrinho abandonado. Na realidade ele parecia mais com um lobo que com um cachorrinho. E um faminto se ficava nisso. E os lobos famintos eram perigosos. Podiam ser absolutamente mortais. Ele deixou que avançasse vários passos de distância, observando-a. — Vi você nos bosques ontem à noite. Mona ofegou, virando-se para encará-lo. — O quê? — Vi você. Seu cabelo vermelho é inconfundível, inclusive no crepúsculo. Mona avançou até ele, não se importando se isto era o mais imprudente dado às circunstâncias, detendo-se a menos de trinta centímetros de distância dele. Com o nariz quase grudado aos ombros dele. — E por que exatamente é tão importante me dizer isso agora? Hum? É mais, o que é que viu exatamente? — Repreendeu-o. Ele sorriu, uma torção enigmática em seus lábios que fez que seu coração e sua respiração se acelerassem. No que ela tinha se equivocado? Seus olhos escuros arderam no momento, logo um pouco mais calmo disse. — Nada. Só uma mulher passeando pelos bosques com uma lanterna, concentrada em uma missão. Que mais deveria ter visto? — O que fazia por ali? Essa área é uma propriedade privada. Entrou sem autorização. —Ela apertou os dentes, tremendo com uma raiva nervosa que não tinha nada que ver com a cólera e muito com a nascente luxúria que começava a excitá-la e que não tinha razão de sentir. — Sinto muito, não sabia. Estava mentindo. — Está mentindo — Não queria dizer tão francamente como disse, mas nunca foi famosa por seu tato. — Como pode saber isso? Não me conhece suficientemente bem para prever quando estou mentindo ou quando não. — Mantenha-se fora de meus bosques. — Advertiu, sentindo de repente um sentimento territorial por sua terra. — É uma mal educada, sabe, não é verdade? Não se incomoda em esbanjar um pouco de tempo para tomar uma xícara de café com um compatriota ianque. Diz-me que parta e me chama de mentiroso. Depois me proíbe de ir para perto de sua propriedade, quando sei de fato que na realidade pertence ao povoado agora que a velha mulher Kincaid morreu. Mona revirou os olhos, afastando-se e pondo distância entre eles, lançando bufos de exasperação. — E sabe o que acredito? —ele a chamou. Ela seguiu caminhando para frente. 26


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— Acredito que vamos nos sentar e ter uma conversação sobre esses seus bosques. E logo. Mona se virou, elevando e movendo grotescamente seu dedo do meio para ele, depois lhe deu as costas, mas não sem antes ver o olhar incrédulo que surgiu em seu exótico e super atraente rosto. Ela não tinha tempo para tudo isto, recordou-se. Tinha que pegar um avião.

Capítulo 5 Deus, estava totalmente duro, ao ver como balançava seus adoráveis quadris de um lado para o outro enquanto descia caminhado pelo caminho de terra que a conduzia do botequim diretamente a sua casa. Era uma mulher irritante, malditamente honesta. Mas ele sabia que se devia à agitação e talvez inclusive ao temor que lhe causou sua presença. Sua aura. Era instintivo de sua parte ficar assim na defensiva. Ela não sabia, mas só fazia que ele a desejasse mais com seus resmungos mostrava de espírito combativo. Moveu-se silenciosamente, muito rápido para que alguma testemunha pudesse rastreá-lo; e havia muitos deles, tentando observá-lo atentamente das sombras das janelas. Seguiu sua companheira até que chegou bem a sua casa, de uma distância em que estava seguro de que poderia mascarar sua presença, de seus sentidos aguçados. Seu cabelo o enlouquecia de luxúria. Era tão escuro, tão vermelho; como uma cascata de sangue; caindo abaixo de seus ombros em camadas que se frisavam levemente. Era natural ou tingido? Suas sobrancelhas eram mais escuras, quase negras, tal como seus cílios. Sua cútis era cremosa, mas não tão translúcida como da maior parte dos ruivos. Entretanto suspeitava que essa era sua cor natural. Queria acariciá-la com seus dedos, beijá-la, lambê-la. Queria saber se os pelos entre suas pernas era da mesma cor. Queria beijá-la e lambê-la ali também. Com um grunhido, Adrian acariciou a si mesmo com a mão, apertando seu marmóreo e duro pênis com um estremecimento de prazer perverso. Sabia que se ela houvesse voltado a olhá-lo com aqueles seus deliciosos olhos azuis só mais uma vez antes de se afastar, ele teria gozado nos jeans. Foi unicamente com um feroz autocontrole que conseguiu não possuí-la 27


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nesse mesmo instante e diante da multidão curiosa que se reuniu para olhálos. Sim, desejava-a. E a teria. Mas seria complicado cortejá-la. Ela não ia sucumbir e deixar que a tivesse sem lutar. Isso era ainda mais atraente, o desafio que ela pôs em seu caminho, mais que qualquer tipo de rendição fácil. Nunca saberia que ele a seguia. Nunca saberia com que facilidade se converteu em seu objetivo. Nunca suspeitaria. Ela simplesmente balançava aqueles quadris dela, descendo pelo caminho, perdida em seus próprios pensamentos. E uma vez que sua companheira alcançou sua casa e fechou firmemente a porta detrás dela, ignorando de que a seguiu em cada passo, deteve-se. Mudou de direção. E se moveu andando com passos majestosos silenciosamente para a borda do bosque, escondendo-se nas sombras, vigiando sua casa. Esperando para ver o que viria depois. — Mas não pode partir, moça. Necessitamos de você aqui. Necessitamos de sua ajuda! Mona fechou suas malas de repente; em qualquer caso, nunca foram desfeitas totalmente; e virando-se disse. — August, simplesmente me diga por que diabos acredita que me necessita aqui? Não me necessita. Necessita de um maldito guarda-florestal. Um caçador. Algumas armadilhas de urso. Algo. Qualquer coisa. Mas não me necessita. — É uma caçadora. Descende dos antigos caçadores de homens lobos. Moça, está em seu sangue. E embora nós não queiramos o sangue dos lobos em nossas mãos, não desta vez, ainda assim, ainda necessitamos de você como intermediária. — Olhe, August, isto não é para mim. Ontem à noite fui aos bosques; — Não deve fazer isso! O que, é uma moça desequilibrada? Eles não raciocinam quando a lua está no alto, cheia ou não, e sua alma condenada se aproxima para se saciar. — Seu sotaque escocês era tão forte que Mona mal podia entender. — É que quer encontrar sua morte? Mona revirou os olhos e murmurou entre dentes. Era inútil discutir com este homem. Obviamente era muito obstinado ou muito louco para abrir os olhos para a razão. — Vou partir. — Não permitirei. — Disse isso com determinação, levantando seu queixo e separando as pernas para se apoiar firmemente como se esperasse que ela se lançasse em cima dele. — Perdão? —Seu tom foi imperioso e tão obstinado quanto o dele. — E se pode saber o que planeja para me deter? — Não, não tenho que fazer nada. O único caminho possível esta 28


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fechado. — E como é isso? —Ela o desafiou a encontrar uma desculpa bastante boa para sustentar uma mentira tão óbvia. — Por favor, me esclareça a esse respeito. Ele parecia desesperado procurando uma desculpa e quando a encontrou, seu rosto se iluminou com o triunfo. Era quase cômico, mas Mona estava muito zangada para ceder à risada. Apoiou-se em uma esquina e esperou. Nem sequer por um pequeno ancião tão agradável como August Finn. — Devido ao estado pavoroso das estradas, por isso. — O estado pavoroso das estradas. — Perguntou incrédula. — Onde? — A alguns quilômetros daqui. — Mas os caminhos estavam bons quando cheguei ontem. — Bem, agora não estão bons. E é bom dizer isto aqui para você, porque teria conduzido esse carro de aluguel tão fino que tem contra algum montão de esterco fedido e o arruinaria — Seu sotaque se acentuou muito, um sinal seguro de sua agitação nervosa. — Acredito que está mentindo. — Era a segunda vez hoje que acusava alguém de tal coisa. Ameaçava se tornar um hábito. — Bem pode ser, mas não pode sair e se arriscar a ficar presa para averiguar isso ou sim? —Seu sotaque se suavizou agora que estava seguro de que ela não se arriscaria a sair. — Não vai querer se arriscar a encontrar as estradas intransitáveis ou entrar totalmente em um caminho interrompido. Não, ficará aqui mais alguns dias. E enquanto estiver aqui também poderia examinar nosso pequeno problema e pensar na ajuda que necessitamos. Mas não, — ele a desafiou sacudindo o dedo diante dela e se fosse uma década mais jovem, teria ganho um tapa na boca por isso — quando for de noite. — Enfim. — Ela mudou bruscamente de ideia sobre sair e silenciosamente se amaldiçoou por isso. — Ficarei, embora saiba, igual a você, que as estradas não estão interrompidas. É óbvio que vovó me queria aqui. Ficarei um pouco mais de tempo. — Disse ela, pensando que era bobagem querer partir quando ainda havia tantas perguntas sem respostas em sua mente. Sabia que August tinha que estar mentindo. Também sabia que se o desafiasse poderia obrigá-lo a tomar medidas mais drásticas para retê-la. Não era um homem que se pudesse subestimar em sua determinação, este August Finn, nem o era as pessoas de Applecress e todos estavam resolvidos a mantêla ali, maldição. Cooperaria. No momento. Mas quando estivesse preparada, 29


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quando sua curiosidade estivesse satisfeita, aproveitaria a primeira oportunidade que tivesse para ir embora. — Excelente. — O corpulento escocês deu meia volta para partir, convencido de que ela estava disposta a ficar. — August. Olhou-a por cima do ombro, com uma mão na maçaneta da porta diante dele. — Não minta para mim outra vez. Seus olhos se arregalaram e suas bochechas queimaram ao ruborizar-se. Ele assentiu, sem incomodar-se de negar sua culpa. A porta se fechou detrás dele brandamente quando partiu. Foi ali para isso, inclusive teve que mentir para consegui-lo e não era um homem que perdia tempo desfrutando de seu êxito. Não tinham passado nem cinco minutos quando se ouviu outra batida na porta. Mona abriu a porta com um resmungo impaciente. E ofegou ao se encontrar olhando fixamente os ombros vestidos com flanela vermelha e preta do homem com quem se encontrou essa manhã mais cedo. Seus ombros pareciam maiores agora do que há uma ou duas horas. Era desconcertante. — O que foi isso? —Exigiu como se tivesse algum direito de saber. — O quê? —Ela ficou muda de surpresa ao vê-lo tão nervoso. — O homem que acaba de sair daqui, quem era? O que queria de você? Mona cambaleou. — Maldição, sai de minha propriedade, agora mesmo, psicopata. — Tentou fechar a porta de repente. Ele pôs seu pé enorme e calçado na entrada, impedindo com eficácia que a porta se fechasse. Os dedos incrivelmente longos de uma de suas mãos empurraram a madeira grossa outra vez, apesar de sua resistência. — Só responda à pergunta. Mona girou ao seu redor, pisando forte em sua frustração, sustentando os cabelos entre suas mãos trêmulas. — Arrgh! Maldição! É que todo mundo neste lugar está fora de si, juro por Cristo. Ele a seguiu pela sala, e ela estava muito zangada, muito ofendida para reparar ou preocupar-se com ele. Quando finalmente o fez, já era tarde para dizer algo que mudasse a situação e ele já tinha fechado a porta detrás dele. Encerrando-os juntos. A curva orgulhosa de suas fossas nasais tremeu, como se ele cheirasse algo no ar de sua casa. — Ele não a tocou. — Ele não é um estuprador ou nada parecido. — Bufou. — Ele é um 30


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amigo da família. Não, — Apressou-se a corrigir— isto não é de sua incumbência. — O que era que queria com você? — Infernos, quem você pensa que é? Sai de minha casa antes que chame à polícia. — Não há nenhum policial aqui. — Ele disse de uma maneira descuidada, indiferente, enquanto seus olhos inspecionavam seu entorno. — Só a polícia local e eles só patrulham assuntos de agricultura e outros temas do estilo. Ninguém necessita da polícia ou de um sistema de segurança aqui. — Vá embora. — Por que está zangada todo o tempo? — Não estou zangada — gritou ela, severamente, cansada da discussão. — Olhe, independentemente de qual seja seu nome, não tenho tempo para relações sociais e de todos os modos nunca tirei nada bom disso. Se procura um pouco de diversão enquanto suas férias durarem, sugiro que procure alguém mais complacente. Eu estou ocupada. — Adrian — O quê? —Ela franziu o cenho, enquanto o olhava. Parecia tão alto ali no meio da casa de seus avós, muito mais alto do que lhe tinha parecido quando o viu pela primeira vez. — Meu nome é Adrian, Adrian Darkwood. Você é Mona Kincaid; todos aqui falam de você, de modo que como poderia não saber quem é? E se procurasse um pouco de diversão, já a teria abandonado para procurar alguém mais. Você não é nenhuma diversão, absolutamente. Durante um tempo ela poderia ter jurado que seus olhos escuros, cheios de mistério, cintilavam quando a olhavam. Brincava. Maldição. Atraente ou não, ela não queria fazer nada com ele. Ele era muito… alguma coisa. Muito tudo. Muito volátil, muito misterioso, muito magnífico. Ele não era seu tipo de forma alguma. — Vá embora. —Repetiu outra vez, com a voz partida. — Vem dar um passeio comigo. — O quê? — Ela franziu o cenho, surpreendida por sua insistente pressão e por não conseguir que obedecesse a seus desejos de que a deixasse em paz. — Parecia bastante interessada no bosque ontem à noite. Passeia comigo hoje, enquanto o sol ilumina nosso caminho e faz o andar mais fácil. Algo dele a tentou. Enrolou-a. Realmente tinha que explorar os bosques depois de tudo, se queria ter alguma esperança de encontrar respostas às perguntas que a incomodavam. Por que não com este homem? Parecia de 31


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bastante confiança. Seu olhar fixo a queimava, hipnotizando-a. Não! Sua cabeça quase caiu para trás com a força de seu protesto interior e separou os olhos do olhar hipnótico. Não era um bom assunto sair em excursão com este forasteiro. E se fosse um assassino, um ladrão ou um estuprador? Certamente parecia bastante perigoso para ser qualquer dessas coisas, agora que não olhava diretamente nos seus olhos. Mas então, embora fosse, não parecia fazer nenhum movimento ameaçador para ela por agora. E estavam sozinhos, não havia ninguém por perto que pudesse ouvi-la se gritasse. Ele a intimidava; claro, por certo que o fazia; mas começava a suspeitar que ele fosse sempre intimidante, tanto se quisesse como se não. Poderia ir ao bosque sozinha com ele? Ousaria fazê-lo? Não sou uma covarde, pensou corajosamente enquanto seu coração estremecia. E se ele realmente demonstrar ser uma espécie de sádico, sempre posso superá-lo. Sempre serei uma corredora mais rápida. Se fizer um movimento em falso, o perderei entre as árvores. Se for com ele, não estarei sozinha ali. Certamente nenhum lobo tentará atacar duas pessoas à luz do dia. Mas Mona tinha certeza de que ele não tentaria machucá-la. Não sabia por que, mas sabia. — De acordo. — Disse de repente surpreendendo tanto a ela como ao Adrian com sua abrupta mudança de humor. — Vamos então. Necessito de ar fresco. Mona se virou para pegar sua jaqueta, enquanto Adrian Darkwood sorria detrás dela. Aquele sorriso a teria feito perguntar-se por sua prudência ao vislumbrá-lo. O sol cintilou pelas janelas e as presas de Adrian brilharam perigosamente na luz.

Capítulo 6 — O que é que procura? Era a primeira vez que falava com ela. Quase poderia ter esquecido que estava ali. Mas cada vez que se moviam, faziam-no juntos, e seu braço continuava roçando contra o seu, consciente de sua presença. 32


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— Não sei. Talvez nada. — Isto não parece que seja nada. Parece muito determinada. Posso ajudar você? A risada de Mona foi amarga. — Ninguém pode me ajudar. Nem sequer posso ajudar a mim mesma. Isto é estúpido. — Espetou, detendo-se de repente. — O que está acontecendo, Mona? —Seus olhos estavam cálidos, animando-a a responder. — Nada. Tudo. OH, não sei — gemeu. — Não entenderia. Não acreditaria. — Tente. Ela se sentou de repente sobre um tronco caído. Estava cansada. Não dormiu em toda a noite logo depois de sua louca fuga por este mesmo bosque, e aqui estava outra vez, procurando respostas para perguntas que nem sequer podia formular. — Parecerá um disparate. —Você se surpreenderia do quanto posso ser de mente aberta. — Sorriu, seus dentes fortes, brancos e perfeitos embaixo daqueles sensuais lábios esculpidos. — Estou procurando; Deus nem sequer posso dizer; homens lobos. Para seu favor, Adrian nem sequer pestanejou ao ouvir isso. — Interessante. E acredita que os encontrará aqui? —Sua voz era leve e indiferente. Mona olhou ao redor, como se a resposta para aquela pergunta pudesse estar escrita nas árvores ao seu redor. — Não acredito neles. — Então por que os procura? — As pessoas daqui, da aldeia, acreditam que tenho algum tipo de pacto para cumprir, só que se equivocam. Suas superstições os conduziram a acreditar que; devido a minha linhagem; poderia ter alguma chave para vigiar os homens lobos que estão completamente seguros, moram dentro do interior deste bosque. Contam que os lobos estão inquietos. Houve algumas vítimas; animais e humanos; desde o mês passado ou algo assim. Querem que eu encontre os homens lobos e os faça parar o quer que seja que estejam fazendo. — E não tem nem ideia de como fazê-lo? Mona deu de ombros. — Parece complicado. —É. — Suspirou. — Não sei por que contei isso a você. É tão estranho quanto eles. Espreita-me ou algo assim. Deveria ir. — Por que está tão assustada? Não fiz nada para deixá-la nervosa. De 33


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fato, nem sequer a beijei. Ainda. Mona sufocou uma risada — Se for assustadiça, então é tão arrogante quanto eles. — Sou. — Modesto também. — Zombou. — Você já disse. — Deixa de zombar de mim! Ele riu. O som de sua risada ecoou nas árvores e provocou calafrios nela. Se ele tivesse estendido a mão e a houvesse tocado não poderia tê-la afetado mais. Um triste uivo chamou, na distância. Adrian pareceu despertar. Encolhendo-se, repentinamente alerta e cauteloso. Foi uma transformação surpreendente, de companheiro brincalhão e divertido a um estranho misterioso, e fez que Mona se sentisse incomodada. Pareceu tornar-se maior, mais misterioso. Seus cabelos se moveram, como se uma brisa repentina, glacial, açoitasse seu rosto até que seus traços ficaram ocultos quase por completo por eles. O uivo veio outra vez e desta vez pareceu mais próximo. De repente Adrian, deixou-se cair engatinhando sobre o musgo, com os olhos quase fechados, sua cabeça inclinando-se para o atalho, como se procurasse algum aroma ou ruído. Mona; sobressaltada e perplexa por seu comportamento peculiar; olhou seus próprios pés nervosamente enquanto ele se dirigia majestosamente para ela. Ele não olhou ao seu redor. Ela retrocedeu, querendo ver o que ele estava fazendo, querendo ao mesmo tempo virar-se e gritar. Sobre suas mãos e joelhos ele se encaminhou para ela, sua pele estremecendo sob a camisa escura de flanela e os jeans, como se estes tivessem ficado apertados, preparados para se rasgarem e mostrar seus músculos e ossos. — Retroceda Adrian, está me assustando! O grunhido que saiu de sua boca fez o sangue dela congelar em suas veias. — Merda. — Disse, virando-se para correr. O grunhido de Adrian se intensificou, detendo-a. Ela não soube como, nem se perguntou por que, mas sabia que se corresse com certeza, ele iria atrás dela e… faria algo. O quê? Não sabia. Não se importava. Isso não tinha importância. O que quer que fosse que estivesse acontecendo com ele, era algo com o que ela devia ser cautelosa. Algo que devia temer. Isso sabia, sem dúvida nenhuma em sua mente, e era suficiente. 34


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— Quieto, Adrian. Detenha-se, agora mesmo. Ele saltou. Mona gritou, e caiu sobre um tronco, cambaleando. O corpo de Adrian voou sobre o seu, o salto muito potente para deter-se uma vez dado, desviando-se dela por vários centímetros. Não era muito, mas foi suficiente para ela. Sobretudo quando outro uivo foi ouvido no bosque, Mona se levantou e foi correndo até a árvore mais próxima, saltando com todas suas forças para o galho mais baixo ao alcance de suas mãos. Ele saltou outra vez em uma mancha rápida de movimento que passou exatamente sob seus pés, enquanto ela subia nos galhos. Era lenta e sem agilidade, mas conseguiu subir mais alto na árvore, ganhando 3 metros antes de se atrever a olhar para debaixo dela. Adrian estava ali, rondando, engatinhado, exatamente sob seu galho na árvore. Grunhiu outra vez, mas não parecia ter a intenção de procurá-la lá em cima. Estava perdido em qualquer tipo de loucura que o possuía. Parecia mais um animal que um homem, ali sobre o musgo do bosque. Farejou o chão, obviamente procurando-a, grunhindo e indo de um lado a outro. Estava ainda nessa estranha posição, cheio de graça inclusive naquela postura tão estranha. Isso a assustou sobremaneira. O uivo chegou outra vez, ainda mais perto esta vez. E a cabeça de Adrian se enrugou quando respondeu aquela chamada aterradora com uma própria. Adrian conservava seus sentidos em sua mente o suficiente para saber que devia estar assustando a Mona. Mas o animal nele estava enfurecido por aquele uivo solitário estendendo-se entre o bosque que os rodeavam e não podia fazer nada para controlar seu estranho comportamento. Sua luxúria fermentando-se, sua necessidade de uma companheira o debilitou. Fazia dele um escravo de seus instintos mais básicos. Ele precisava reclamá-la. E logo. Para manter a ambos vivos. Esse uivo estava outra vez, ressoando em seus ouvidos. Provinha da garganta de um skinwalker diferente daquele que atacou Mona na noite anterior. Adrian estava seguro disso. Chamava-o. Advertia-o. Ordenava a ele que se afastasse com arrogância. Mas Adrian era o Alfa em linha de sua tribo, filho e herdeiro do Chefe em atividade. Não se debilitaria. Não devia se debilitar. Jogou a cabeça para trás e uivou sua própria advertência ao desconhecido skinwalker, não me zangue, não se aproxime de mim; advertiu. Só luta e morte o espera aqui. 35


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O outro loup-garou se retirou repentinamente, deixando Adrian saber que o tinha feito. A ameaça, parecia ter terminado por agora. Ou ao menos diminuído. Isso era bom. Adrian não permitiria nenhum outro lobo perto de sua companheira. Não agora, enquanto uma ameaça tão perigosa vibrava no ar ao redor deles, como algum estranho tipo de loucura que levava os skinwalkers a atacar às pessoas sem a menor provocação. Advertiria a todos os outros que se afastassem de Mona, se chegasse o caso, inclusive a protegeria dele mesmo. Com firme resolução, limpou sua mente completamente da persistente influencia do outro. Respirando fundo e ritmicamente; o tipo de respiração que realizava quando meditava; levantou-se, aceitando seus sentidos humanos outra vez. Levantou os olhos, e se surpreendeu ao ver, nem tanto medo quanto curiosidade refletida no fixo olhar azul escuro de Mona. — Pode descer agora. Não farei mal a você. —Sua voz parecia gutural, selvagem, inclusive aos seus próprios ouvidos. — Não. Não acredito que seja uma boa ideia. Seus lábios se torceram. Era muito adorável para descrevê-la em palavras, inclusive agora em seu inútil espetáculo de coragem. Podia cheirar seu medo, mesmo se fosse especialmente talentosa em ocultar essa emoção sobre seu rosto. É obvio, ela esteve muito assustada pelo seu comportamento. — Eu poderia subir e descer você, sabe. — Não o faça. — Não há razão para temer, — ele alterou suas palavras, já que não eram exatamente verdadeiras, logo adicionou — não agora pelo menos. — Que infernos foi tudo isso? Assustou-me terrivelmente. — Aquele outro skinwalker tentava me obrigar a me transformar. Agradeça que seja suficientemente forte para impedir a transformação. Seus olhos voaram para ele, procurando a verdade de sua afirmação. Sabia. É obvio, ela sabia, inclusive se quisesse negar. Não havia nenhuma necessidade de se ocultar, não necessitava desculpas. Ela estava envolvida na magia dos troca formas como ele, talvez mais. Ele teve que se perguntar se as lendas sobre ela, sobre sua família, eram verdadeiras. Um clã de caçadores de homem lobos convertidos em pacificadores era incrível. Certamente, ele ouviu as histórias e rumores muito antes que Mona chegasse, também se informou sobre os estranhos acontecimentos que conduziram a sua convocação e chegada, mas escutar dos seus próprios lábios, de algum modo o fez mais verdadeiro para ele. Mas concreto. Algo estranho, algo perigoso estava acontecendo, e ambos tinham 36


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que averiguar o que era, antes que outro humano fosse ferido ou morto. — É um homem lobo. —Disse isso como uma declaração, não como uma pergunta. — Sim. — Ele não se incomodou em negar o que já era tão obviamente a verdade. — Os homens lobos existem. —O som de sua risada foi áspero e sem humor, saltando dos galhos da ponta da estrutura da árvore. — Brilhante. Maldito seja, droga, brilhante. — Esta não é a maneira que queria dizer isso a você. — Parecia um bobo, falando com uma árvore, quando na realidade o que queria era abraçá-la. Acalmar os medos que ela devia estar sentindo. — E por que me diria isso em primeiro lugar? Por que me procurou hoje, Adrian Darkwood? Ele a olhou exasperado, apertando a mandíbula contra o impulso diabólico de dizer a ela exatamente por que a procurou. Por sorte, ainda tinha sangue-frio para manter sua boca fechada acerca disto. — Realmente não deve me temer, Mona, poderia contar isso a você se quisesse. Desça para onde possa vê-la. — Em um minuto. Pode continuar me vendo assim por agora. — Murmurou com a respiração alterada. Com seu sentido de audição aguçado, não foi nenhum problema distinguir as palavras idiota e autoritário entre suas maldições. Ao menos sua cólera ajudava a diminuir seu medo. — Diga-me uma coisa, por favor — disse ela finalmente. —Tentarei. — Prometeu. — Atacou-me ontem à noite? Foi você? Ele agradeceu ao menos poder responder isso. — Não. — Promete? — Sobre meu coração. — Salvou-me então? O outro era você. — Sim. Mas acredito que você estava bem encaminhada para salvar a si mesma. —A verdade daquela declaração o surpreendeu agora, tanto quanto na noite anterior. — É seguro descer agora? Sinceramente? Não me morderá? Nem me atacará? As comissuras de sua boca se elevaram. — Não neste momento. — Idiota arrogante. Vou descer, então. Afaste-se. Mas não o fez. Viu o que ia acontecer muito antes que ela o fizesse. Era uma razão poderosa pela qual ele tinha insistido que descesse em primeiro 37


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lugar. Quando ela se moveu para descer, o galho em que estava, finalmente quebrou-se sob seu peso, deixando-a cair com força entre as folhas. Por sorte não teve que cair no chão. Ele a segurou com facilidade, ligeiramente, sustentando-a perto dele por um proibido momento antes de soltá-la. Quando seu corpo deslizou contra o dele, o desejo flamejou entre ambos, e ela foi tão consciente disso quanto ele. Seu aroma doce e selvagem, encheu sua cabeça, alagando-o. Fez tudo o que pôde para não arrastá-la para baixo dele sobre o chão do bosque e tomar o que sabia que era seu por direito. Estava perto de enlouquecer e deixar-se ir realizando a transformação. Deleitar-se em sua natureza selvagem. Não ajudava que ele quisesse dominá-la e que ela estivesse tão perto. Virtualmente em suas mãos. — Vê. — Disse com força. — Sou totalmente inofensivo.

Capítulo 7 Mona não estava segura a respeito disso. Viu o fogo em seus olhos. Sentiu a dura turgidez de seu pênis, mesmo que todo aquele volume certamente não fosse seu pênis, era enorme. Ouviu sua rápida inalação enquanto seus corpos se roçavam. Ele a desejava. Era uma completa loucura, mas ela também o desejava. — Por que está aqui? — Ela tinha que saber. — Vamos caminhar de volta enquanto digo isso a você. Os loup-garous deste bosque ainda não estão preparados para dirigirem-se a você. Não acredito que seja sábio pressioná-los hoje. Ela concordou com ele sem reservas. — Você está bem? Não o machuquei, não é verdade? —Perguntou brandamente. — Não. De qualquer forma por que demônios essa coisa estava de volta? Todos os homens lobos são… já sabe… estranhos como esse? — Ela tentou não ofendê-lo, mesmo que ele merecesse todo seu mau humor. De fato, ele realmente esteve estranho, mais animal que homem naqueles espantosos e aterradores momentos, quando o lobo no bosque o chamou. — Estes lobos daqui não se parecem com nenhum que encontrei antes. Trouxeram meu animal à superfície, sem meu consentimento. Isso deveria ser impossível; eu sou forte por direito próprio, com um poder que lutará contra 38


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suas coações; mas são muito poderosos, muito mais do que alguma vez poderia ter previsto. Queriam me assustar, queriam me advertir para que me afastasse, e desse modo tentaram controlar minha vontade. — De modo que encontrou muitos homens lobos? Sabe muito sobre eles. Merda. Não posso acreditar que estou tendo esta conversa. Sou uma pessoa racional. Tem que haver algo na água daqui, estou ficando louca como todos os outros. Ele ignorou seus pensamentos confusos. — Encontrei muitos, muitos legados. Embora nenhum como este. — O que os faz tão especiais? —Ela zombou. — São os mais antigos e os mais fortes de todas as matilhas que existem no mundo. Estive procurando por eles toda minha vida adulta. Acredito que eles são os descendentes diretos dos primeiros homens lobos. A origem de toda nossa espécie. — E o que é que tem isso? — É uma coisa extraordinária. Algo sagrado — Ele soou na defensiva, como se o tema fosse um tabu. Como se suas perguntas não fossem de forma alguma do tipo que ele queria responder. Por sorte, Mona nunca esteve preocupada com intrometer-se em temas proibidos. — Soam como um bando de idiotas. Existem homens lobos idiotas? Sacrificam animais e matam pessoas inocentes? Adrian se deteve e se moveu até ficar em frente dela, os olhos ardendo. Seus olhos castanhos escuro pareciam brilhar com uma luz interior, como ouro líquido. — Idiotas podem ser, não estou seguro de concordar com você totalmente. Mas tenho que me perguntar o quanto o granjeiro que foi assassinado era inocente. Parece-me que estes lobos escolheram seu rebanho por alguma razão, matando-os como uma advertência antes que continuassem espreitando-os. Ela deu de ombros, fazendo seu melhor esforço para fingir um ar de despreocupação, mesmo com seu coração batendo acelerado. Maldição, ele era magnífico. E o que tinha isso que ver com qualquer coisa? Ele a espreitou, invadiu sua casa, assustou-a com seu pequeno uivo à lua e mais, ainda por cima era um homem lobo. Vamos, Quantos sinais a mais de advertência necessitava para saber que devia ficar distante deste cara e afastarse como alma que leva o diabo? Mais alguns, pelo visto. Sua libido estava fora de controle somente por olhá-lo, com todos esses pêlos negros ao redor de seus braços. 39


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Roçou nele ao passar, determinada a ignorar qualquer coisa que o diabo revolvesse dentro dela, caminhando com resolução para frente. — Bom, você deveria saber, não é mesmo? Você é o mesmo que eles. — Não sou o mesmo. — Ele quase grunhiu as palavras. — Então por que se preocupou tanto de vir a este lugar e encontrar a estes caras? —Ela o pressionou, sem se importar que ele evidentemente não quisesse mais falar sobre isso. — Por que se preocupa com eles? Obviamente, eles não se preocupam com você, não se tentam complicar você da forma que já fizeram. — Tenho perguntas que necessitam de respostas. Se alguém sabe dessas respostas, é essa matilha. — OH, quer dizer algo assim como perguntas do tipo, ”de onde viemos, por que estamos aqui?”, esse tipo de perguntas? Ou melhor, perguntas como: “qual é sua cor favorita, como é sua pelagem?” — Ela sacudiu a cabeça incrédula. Ele não parecia com o tipo de homem que se preocupasse com alguma dessas coisas. Mas claro, ela nunca foi uma boa juíza do caráter humano. Teve que recordar-se que Adrian Darkwood não era humano. — Minha gente está se debilitando. Todas as matilhas estão se debilitando. — Por quê? —Perguntou ela, franzindo o cenho. —Por necessidade, ocultamos nossa própria espécie tanto quanto é possível. Não queremos que as pessoas saibam sobre nós, de modo que nos mantemos afastados. Mas o mundo está se tornando pequeno, cada vez mais há pessoas, movendo-se por nossas terras e nossos territórios de caça. — E o que é que tem isso? Aprenda a viver com isso. Eu não gosto de muitas pessoas, mas ainda vivo perto delas. Pode ser um pouco diferente para você, mas você ainda pode manter a verdade sobre vocês em segredo, não é mesmo? Só é praticar um pouco o autocontrole. Surpreender-se-ia do quanto às pessoas podem ser desmemoriadas. Desde que não caminhe sobre quatro patas e uive para lua no centro comercial, provavelmente poderia passar despercebido, não importando o quanto seus hábitos sejam estranhos. Viva em uma área rural, compre uma granja, ficará bem. — Suas brincadeiras são injustificadas. Já pedi perdão por assustá-la. Não tem por que mostrar tal animosidade. Mona bufou. — Não pediu perdão. Duvido que alguma vez tenha pedido perdão a alguém em toda sua vida. — Deveria abandonar você aqui para que se defenda sozinha. —Disse ele 40


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com irritação. — Segue adiante. De todos os modos, não falta muito para chegar a minha casa. Ele parecia querer estrangulá-la. Ela o empurrou muito longe em seu propósito de vê-lo irritado. Mona não tinha se divertido tanto em semanas. — O que faz aqui? —Perguntou ele, trocando bruscamente de assunto. — Já disse isso a você. August Finn e os caipiras locais acreditam que precisam de mim aqui, para controlar a pestilenta população de homens lobos. — Mas poderia ter rechaçado a eles. Poderia ter se negado a vir. Não me parece o tipo de pessoa que concorda em fazer algo quando não deseja. Isto voltou a ofendê-la. — Se está me chamando de egoísta então pode simplesmente partir e foda-se. Farei o que precisa ser feito, deseje você ou não, já que ao parecer ninguém mais pode fazê-lo. — Mas você não acreditava em homens lobos. — Até que o encontrei, não. — Ela o olhou irritada, olhando-o com as sobrancelhas arqueadas. Ele se fez de bobo. Voltando ao jogo limpo, ela supôs. — Então por que veio? —Insistiu ele. Mona suspirou. — Não sei. Não realmente. Mas vou averiguar. — Parece decidida. — Não tem nem ideia, amigo. Chegaram à porta da casinha de campo em silêncio. — Bem, —Disse ela com ligeireza — agradeço o passeio. Foi esclarecedor, para dizer o mínimo. O olhar ardente dele se fixou em sua boca. — Não me convidará para tomar um drinque? — Não. Temo que tudo o que posso oferecer a você seja água engarrafada. August só me abasteceu de água e leite, e ainda não tive oportunidade de ir ao mercado local. — Ela abriu a porta e deu um passo para dentro, desejando fechar a porta no rosto dele. Ele a deteve, pondo a palma de sua mão sobre a porta. Era muito forte. Mona supôs que todos os mitos sobre a força sobre-humana dos homens lobos tinham que ser verdadeiros. — Convide-me a entrar. — Coagiu-a. Mona riu em silêncio. — Não é um vampiro também, não é mesmo? Ele a olhou perplexo. — Não importa. Não, não vou convidar você. Vá para casa. Onde quer que esteja. Presumo que está em uma casa alugada por aqui não é verdade? — Não durmo nos bosques se é isso que está perguntado. Meu bangalô 41


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fica a aproximadamente quatrocentos metros daqui. Sua mão não se moveu da porta, ainda. — Não vou deixar você entrar, Adrian. Não sei o que quer de mim, mas não o vai conseguir. Uma de suas esculpidas sobrancelhas negras se arqueou com receio. — Não tem nem ideia do que quero. E asseguro a você que o conseguirei, no final. — Vá embora. —Já estava farta disto, impaciente e totalmente afetada por sua sensualidade casual. Ele parecia em dúvida sobre se realmente deveria forçar a questão um pouco mais. Sua mandíbula se retesou e ela ouviu o ranger de seus dentes. — Bem. Partirei por agora. Mas temos negócios pendentes, você e eu. E penso terminá-los. — Bem, faça isso, —Deu razão a ele, sabendo ele detestaria— desde que você vá embora agora. Ele grunhiu, permitindo que vislumbrasse uma presa, e tirou sua mão da porta. Mona fechou a porta com uma forte batida em sua cara. Baldrick os observava, a humana e ao homem lobo, da camuflagem que as árvores que delimitavam a casa lhe proporcionavam Kincaid. O homem de cabelos escuros o fascinava como nenhuma outra coisa o fez desde que se obcecou com sua sede de vingança. Ele era um dos fortes, um Alfa estrangeiro. Era poderoso, forte e cheio de objetivos. Era uma ameaça. Baldrick não podia permitir isso. Baldrick sabia que logo teria que matar ao dos cabelos escuros. Muito provavelmente, a mulher Kincaid teria que morrer, assim como seu companheiro. Ela queria negociar com os lobos, mas o momento para essas coisas tinha passado. As transgressões do clã humano foram muito longe, além dos limites estabelecidos pelo Gruenwalt. Ainda que Baldrick mesmo tivesse rasgado a garganta de um dos culpados, ainda estava longe de se sentir satisfeito. Devia fazer justiça. O preço do sangue devia ser pago por completo. Baldrick grunhiu, esfregando sua mão com força sobre seu olho ferido. Doía mais agora, e a dor piorava a cada dia. Estava infectado. Um de seus próprios companheiros de matilha se atreveu a desafiá-lo, atreveu-se a feri-lo. Mas Baldrick prevaleceu. Baldrick sempre prevaleceria. Baniu ao usurpador, que era um velho amigo, mas isso não diminuía a dor do ferimento. Era culpa dos humanos que as coisas tivessem chegado tão longe. Podiam gritar e suplicar, mas deveriam ter visto o que ia acontecer. Deveriam 42


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ter feito algo antes para apaziguar a matilha. O Alfa de cabelos escuros virou-se e abandonou a casa Kincaid e Baldrick ficou divido entre seguir a ele; que era a verdadeira ameaça a sua supremacia dentro da matilha; ou ficar vigiando à mulher. Afinal, um olho era tudo o que tinha para usar no momento. Tomando uma decisão brusca, caiu sobre suas patas; grandes e peludas, pareciam patas de um canídeo 8 com dedos monstruosamente alongados e torcidos; e seus joelhos, avançando atrás do macho em quatro patas. Procurou não ser visto. E embora Baldrick estivesse seguro de que este Alfa estrangeiro com certeza não era um lobo a quem fuder, tinha que se arriscar, tinha que saber para onde ia o macho de cabelos escuros. A raiva que chegou a ser uma parte dele nas longas semanas recentemente passadas, intensificou-se, flamejando de repente, com veemência, em seu interior. Era tudo o que podia fazer para conter o uivo que tremia atrás de seus lábios. Mas sabia, que se cedesse ante essa debilidade, e mostrasse suas exigentes emoções, o macho de cabelos escuros se moveria para procurá-lo. Baldrick não queria isso. Não estava preparado o bastante para uma luta entre eles. Não ainda. Mas chegaria o momento em que estaria preparado. E esse momento seria muito, muito em breve.

Capítulo 8 Mona se balançou em um ritmo constante para frente e para trás na cadeira de balanço. O piso de madeira rangeu sob seus pés, mas era um som relaxante. Este era um dos prazeres simples que nunca pensou poder desfrutar, sentar-se e relaxar assim, fora da casa sob o brilho do sol poente. O ar era frio, mas mal o notava. Os raios do sol a esquentavam um pouco, e seus pensamentos estavam a quilômetros de distância de qualquer desconforto que as cortantes rajadas de vento pudessem causar. Estava tudo tão tranquilo ali fora, a beira do bosque. Mona viveu sua vida inteira na cidade e estava acostumada as buzinadas, ao ressoar da música e ao ruído em geral de milhões de outras misturas de sons que formavam um 8

Canídeo = família de mamíferos carnívoros cujos pés anteriores têm cinco dedos e os posteriores quatro, todos providos de garras. São os cães, lobos, raposas e chacais.

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zumbido constante. Aquela tranquilidade, aquele silêncio, era algo que acreditou poder chegar a se acostumar. Exceto por uma coisa inoportuna. Algo que não poderia, não, nunca chegaria a se acostumar. Porque apesar de todo o silêncio que abundava ali, não era de forma alguma um lugar pacífico. Algo se movia no bosque. Silencioso ou não, estava ali. E estava olhando para ela. Mona começou a se levantar da cadeira de balanço, quase esperando sair e encontrar com o Peeping Tom9, o degolador. — Não se assuste. Por favor. —Implorou uma voz suave e masculina, e da linha perto das árvores saiu um homem enorme e robusto. A inclemente luz do dia não fazia nada para favorecê-lo. Parecia um horrível experimento genético que deu errado. Mona experimentou uma sensação de pânico, de medo elementar, mas a luz suave e suplicante nos olhos cinza do homem a tranquilizou de forma que nenhuma palavra poderia ter obtido. — Está ferido. — Disse ela, e ignorando toda precaução avançou para ele. De perto ele era ainda mais inquietante. Era enorme, ao menos dois metros de altura, mas suas costas estava curvada, como se tivesse escoliose. Os cabelos castanhos o cobriam em mechas desiguais da cabeça aos pés, que estavam descalços. Seu rosto era um desastre, uma mandíbula muito longa que dava a ele a aparência de um lobo, enquanto sua testa era lisa e muito humana. Tinha presas, malvadamente pontiagudas e longas, mas não estavam à vista ou ameaçando. Ele estremeceu de dor e Mona pôs seu braço ao redor de sua cintura, inclusive quando seu coração reagiu com medo ante sua presença, enquanto o ajudava sustentando-o enquanto o guiava para o alpendre. — O que aconteceu com você? — Perguntou, incapaz de evitar olhá-lo fixamente. Suas mãos era a parte mais estranha dele. Eram nodosas, torcidas; as almofadinhas de suas palmas se assemelhavam às patas de um cão. Mas tinha dedos humanos, longos e terminados em perigosas e curvadas garras. Ele se sentou pesadamente em sua cadeira de balanço e elevou a vista para ela com olhos bondosos e atormentados. — Vim para iniciar o Gruenwalt. Algo nessa declaração a incomodou, além do óbvio; ali havia um homem lobo em todo o sentido da palavra, sentado de noite em seu alpendre, Faz referência ao filme de terror inglês de 1942, “Peeping Tom”, que fala a respeito de um jovem fotógrafo com problemas de conduta, obcecado em retratar o medo no rosto das mulheres que depois assassinará. Foi dirigida por Michael Power. 9

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mencionando um pacto no qual ela realmente não tinha acreditado até há umas poucas horas. Ela o estudou de perto. — Você não é o Alfa. — Disse, sem entender como podia saber de algo assim. — Não. Não o sou. — O homem pareceu resignado e cansado, mas, entretanto decidido. — Sou um traidor de meu líder. —A última palavra pareceu um uivo suave e triste. Estava evidentemente alterado. — Ele nos proibiu de procurá-la. Lutamos. Perdi. Entretanto devo vir aqui em seu lugar. Temos que estabelecer relações antes que haja mais derramamento de sangue entre nós. — Tenho que falar com o Alfa. Ele é o único que pode guiar e refrear a sua matilha. O homem riu, um som horrível, torturado. — É nosso Alfa que necessita de um guia, não o restante de nós. E não considerará as razões. Enlouqueceu. —Tossiu, um úmido som que veio de dentro de seu peito e Mona soube que estava ferido seriamente. — Então foi seu Alfa que fez isto com você? —Ela fez gestos com as mãos, nem tanto para seus ferimentos que eram bastante abundantes, e sim para seus traços monstruosos. — Ou sempre foi assim? —Nem sequer tentou tocá-lo. Ele estremeceu. — Envergonho-me de vir ante você neste estado. Mas Baldrick não nos deixa voltar nos transformar, não de tudo, e isto é o mais humano que posso conseguir ser enquanto ele mande sobre nós com sua raiva. A maior parte de nós está preso na forma de um lobo. Sou um dos afortunados, — riu em silêncio — ou dos desafortunados. Depende de como o olha, suponho. — Baldrick é seu Alfa? — Sim. — Ele suspirou com força. — Desafiei-o. Pensei em arrebatar o controle dele antes que fosse muito tarde, mas não sou rival para ele. Nunca fui. Mona conhecia bastante sobre os cães para conjeturar a respeito do que acontecia quando dois homens lobos lutavam pela supremacia. — Por que está aqui? O que espera obter? Se não é o Alfa, ninguém em sua matilha honrará nenhum juramento ou promessa compartilhada entre nós. Só o macho responsável pode comandá-los. Tenho razão? — O homem que está com você, o estrangeiro moreno, ele pode nos comandar. É um Alfa, nascido e criado para isso. Se desafiasse Baldrick, ganharia. E todo este repugnante assunto de castigo e vingança poderia terminar. Minha matilha está preparada para isso. Eles sabem que estou aqui e me apoiam, embora não seja seu líder. O Gruenwalt deve se mantido, ou este 45


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povoado inteiro será assassinado sem piedade. — O que sabem a respeito de meu amigo? Ele não está aqui há muito mais tempo que eu. — Sabemos o suficiente. Nossa espécie sempre sabe o suficiente, sobre tudo e sobre outros como nós. Sabemos que ele poderia nos ajudar. Poderia lutar contra Baldrick e triunfar. Então você poderia realizar seu dever, negociar a paz conosco, e tudo poderia voltar a ser da forma em que era. Mona franziu os lábios, pensando. — Diga-me o que está acontecendo. Ajude-me a entender tudo isto. — Fazem duas luas, um grupo de três homens começou a causar problemas em nosso território, bebendo, caçando e jogando lixo sobre nossa terra. Passamos por cima disto, até permitimos no princípio. Os humanos frequentemente podem ser muito insultantes sem querer, assim fomos indulgentes, pensando que simplesmente tinham esquecido de seus juramentos de manterem-se afastados dessas terras de caça. Mas quando continuaram voltando, explorando profundamente nosso bosque, tentamos acabar com isso. — Baldrick enviou seu filho, o segundo na hierarquia da matilha para advertir aos homens que se afastassem. Era uma honra que ele falasse através de seu filho, mas os homens estavam furiosos. Pensaram que não tínhamos o direito de proibir a entrada deles. Recusaram-se a manter-se longe de nós. O homem tossiu outra vez, e Mona entrou na casa para trazer para ele um pouco de chá quente; tinha algumas bolsinhas de chá de emergência em sua bolsa todo o tempo. Alguns minutos mais tarde, saiu com uma xícara fumegante para ele. As mãos dele fizeram que a xícara parecesse pequena, fazendo-a parecer quase frágil em suas garras. Bebeu-o a sorvos, cautelosamente, Sorrindo quando provou sua doçura, e bebeu profundamente. — Obrigado, Senhora. — Pode me chamar de Mona. — Chamam-me de Luke. Mona fez um gesto para a xícara que ele sustentava. — Não estava segura de que tomaria com creme e açúcar. Muitas pessoas aqui o fazem, mas eu não. Se quiser um pouco farei outra xícara para você. — Não. Isto está muito bom. Não tenho a oportunidade de beber algo doce frequentemente. Eu gosto disto, mas não é fácil conseguir o açúcar sem ir à cidade para obtê-lo. — Por que não o faz? Todos aqui conhecem sua matilha, não é como se fosse surpreendê-los na realidade. 46


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— No passado vínhamos aqui, antes que eu nascesse. Mas nossos dois últimos líderes pensaram que estávamos nos tornado muito mansos, vivendo muito comodamente à sombra do mundo dos humanos. — Parece uma vida realmente dura. — murmurou ela, sentando-se com as pernas cruzadas sob o alpendre aos pés dele. Era enorme e peludo. Mas não parecia horripilante de forma alguma, apesar de possuir garras no lugar das mãos. De fato parecia doente. Ele vivia com dificuldades ultimamente, o que era bastante evidente. — É natural. — Se sua garganta estiver melhor, eu gostaria de ouvir mais de sua história. Ele assentiu, segurando o calor da xícara mais perto, para consolar-se. Que uma criatura tão pacífica quanto ele pudesse desafiar a um líder agressivo pela supremacia falava claramente do desespero da situação. Ou talvez ocultasse a ferocidade profundamente dentro dele, e esta sua suavidade fosse simplesmente uma fachada para mostrar a ela. — Os homens que simplesmente nos incomodaram e nos insultaram antes, tornaram-se muito mais difíceis de ignorar. Deliberadamente zombaram de nós, derramando sacos de lixo em nosso bosque, ensebando 10 e pondo armadilhas de urso, as quais presumo, pretendiam que fossem para nós. Não pensamos como os humanos, especialmente quando estamos em nossa forma de lobo. — Explicou ele. — Mas não somos tão estúpidos para cair em armadilhas humanas. Só os filhotes são tão descuidados. Mas esses homens queriam nos enganar, nos machucar, e foi essa intenção o que nos zangou tanto. — Conduziram veículos dentro de nosso lar, quebrando as samambaias e incomodando todos os animais que moravam ali. Atiraram nos animais desnecessariamente, abandonando seus cadáveres para que apodrecessem onde caíam. Isto durou dias e noites. — Esses idiotas não tinham nada melhor para fazer? Como ir trabalhar ou vê TV ou algo assim. — Bufou ela, ligeiramente envergonhada por não ter estado ali para pôr fim a tais travessuras. Mas claro, ela quase foi embora esta manhã. Tinha se negado a acreditar que poderia haver um problema ali. Alegrava-se agora de não ter partido. — Não sei. Todos os homens são granjeiros, assim suponho que não tinham muito que fazer que os mantivesse ocupados. O rebanho se cuida sozinho e as mulheres cuidam das colheitas nas hortas do povoado, assim 10

Ensebando neste caso seria por sebo (gordura animal) em uma armadilha para atrair a caça.

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como de suas casas. — Então os homens se aborrecem e passam seus dias incomodando-os. — Apenas esses três homens. Essencialmente o acordo de paz entre nossas raças ainda é mantido pelas pessoas do povoado. Às vezes há problemas, mas nenhum tão imperdoável como este. É por isso que nossa matilha estaria disposta a negociar com você. Sua família manteve o Gruenwalt durante séculos e seus aldeãos mantêm uma distância respeitosa. Não queremos nenhum derramamento de sangue. Nunca o quisemos. Só queremos viver nossas vidas em paz. — Ajudarei você e a sua matilha de qualquer modo que possa. Mas não sei como poderei acalmar a todos, não depois da morte de Emmett Ou’Criene. — Ele merecia — murmurou entre dentes Luke profundamente. Durante uma fração de segundo, Mona teve um vislumbre de quão perigoso aquele homem poderia ser quando se via empurrado a isso. Foi uma visão espantosa, ameaçadora, e embora se acalmasse muito facilmente, seu ar pacífico voltou como se nunca tivesse se desvanecido, ela não se permitiria esquecer tão cedo esse vislumbre de ameaça mortal que esteve à espreita justamente sob a superfície. Não podia. Seria uma loucura de sua parte subestimar a este homem. Ela tremeu nervosamente. — Pensei que não queria nenhum derramamento de sangue. Seus olhos eram de uma suave, e concentrada cor de cinza, como a névoa. — Aquela morte era inevitável. Ele matou a companheira de Baldrick e a seu filho. Mona sentiu que seus olhos se arregalavam. — Como? Conte-me. — Baldrick enviou outro mensageiro às casas dos homens, não seu filho desta vez; embora sua precaução tenha sido inútil no final; e sim outro dos machos de menor importância. Foram advertidos para que se afastassem pela última vez e os recordaram do Gruenwalt entre nós. Enxotaram o macho disparando armas para assustá-lo, para obrigá-lo a ir embora. — Procuramos o chefe do Clã Kincaid, mas soubemos que o ancião e a mulher tinham morrido e que seu único herdeiro, seu filho, fugiu para outro país. Não encontraríamos nenhuma ajuda ali e nos perguntamos o que fazer depois. Não tínhamos que nos haver incomodado. Os bagunceiros deram o passo seguinte por nós. Mona tinha uma ideia para aonde se dirigia tudo aquilo, mas o deixou falar de todos os modos. Parecia lhe fazer bem. Parecia melhor agora que meia hora antes. 48


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O sol descido no horizonte. O crepúsculo fazia que sua pele parecesse prateada e pálida. Mona se surpreendeu ao compreender que estava nu, que esteve nu todo aquele tempo, e que nunca o notou. Suas pernas eram tão peludas que parecia que vestia uma calça de todos os modos. E, como o restante dele, eram muito lupinas na aparência. Sua forma era muito parecida com as pernas traseiras de um cão só que muito maiores. Suas coxas eram grandes e curvadas para frente, suas panturrilhas eram muito mais finas e retas. Ela teve que perguntar-se por sua própria prudência, sentada ali aos pés de um homem que era mais animal que humano. Ele parecia um monstro saído diretamente de algum conto de fadas ou de um filme de terror. Deveria havê-la assustado de morte, havê-la feito gritar e correr tão longe dele quanto fosse possível. Mas ele não parecia ameaçador em absoluto. Nada parecido com Adrian Darkwood, quem podia aterrorizá-la e seduzi-la tudo ao mesmo tempo e sem sequer se esforçar muito para isso. Talvez essa fosse à diferença que separava um Alfa do restante da matilha. Aquela ameaça onipresente, aquele ar de confiança completa e autoridade, qualidades que aquele homem claramente carecia apesar de todos seus exóticos, e antinaturais atributos. Ele continuou com sua história, inconsciente ou despreocupado por seu curioso estudo dele, e sua voz estava cheia de dor. — A noite de lua cheia chegou, e embora possamos nos transformar em qualquer momento do mês que escolhamos, temos que nos transformar durante a fase da lua cheia. — Explicou. — Só o Alfa pode se negar a se transformar nesse momento crucial. Assim nossa matilha estava alegre, celebrando a transformação que nos trouxe aquela noite. Caçamos, juntando a carne que precisaríamos ter conosco até a próxima lua. Nossas sentinelas estavam de guarda, o filho de Baldrick, Dougal, e um dos amigos de Dougal, Ennis. — E os homens chegaram. Trouxeram com eles suas luzes, e suas caminhonetes 4x4. — Ele disse a palavra como se acabasse de aprendê-la, e Mona imaginou que provavelmente o fez recentemente. — E trouxeram suas armas. — Atiraram primeiro em Dougal. Depois em Ennis. Ennis ficou aleijado, por um tiro no flanco, mas tropeçou e se bateu a cabeça no lado de uma das caminhonetes 4x4. Ficou aturdido e embora tentasse, não pôde proteger Dougal. Um dos homens deu outro tiro em Dougal e o matou. Mona amaldiçoou em voz baixa. Prometeu que se asseguraria de que esses homens pagassem por seus crimes antes de partir dali. Os dois homens 49


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que restavam, em todo caso. — O bosque foi um caos naquela noite. Baldrick nos reuniu, pedindo a qualquer retardatário que voltasse imediatamente. Ele queria que fugíssemos para o centro do bosque, onde poderíamos nos defender melhor. Mas era muito tarde para retroceder. Os homens se aproximavam de nós. Emmett Ou’Criene, John Smithey, e Thomas Greene. — Emmett Ou’Criene apontou sua arma à forma de Baldrick e disparou. Mas Fiona estava lá. Ela era a companheira de Baldrick. Saltou diante de Baldrick e recebeu a bala que era para ele. Morreu imediatamente. — Que horrível — murmurou Mona tristemente. — Baldrick se enfureceu. Foi para Emmett, tentado matá-lo imediatamente, mas os homens foram inteligentes o bastante para partir rapidamente. Smithey virou-se e atirou em nós enquanto fugiam, mas felizmente ninguém mais foi ferido. Mas a companheira de Baldrick e seu filho se foram para sempre. É por isso que Baldrick está tão zangado agora, por que está absorvido em sua vingança. — No início concordamos com ele, a justiça devia se aplicada. Mas Baldrick esteve seguindo a esposa de Smithey, assustando-a. Ela é inocente de tudo. Baldrick não o vê assim. Ele quer que todos os laços de sangue destes homens sejam erradicados, inocentes ou não. Emmett Ou’Criene não tinha família, só seu rebanho, e Baldrick nos fez matar a todo rebanho primeiro, para assustá-lo. Não temos escrúpulos nesse tipo de matança. Mas não queremos matar pessoas inocentes. Não queremos matar a esposa de Smithey, ou os dois filhos de Greene e a filha. Não somos assassinos. — Por que seus companheiros de matilha simplesmente não dizem não a Baldrick? Negam-se a fazer o que diz, negam-se a matar a todas essas pessoas. Luke riu asperamente. — Não o entende absolutamente. Não temos escolha. Baldrick tem um poder sobre nós que você talvez não possa compreender. Ele pode nos controlar se quiser, nos obrigar a fazer coisas que normalmente não faríamos. É muito fácil para ele, — riu e soou como um soluço — olhe para mim. Olhe como controla minha forma física mesmo que eu lute com toda a força que posso. Realmente nem sequer tem que tentar nos fazer obedecer. Enquanto ele tiver o poder, nós não temos nenhum controle. — Terá que matá-lo para quebrar seu controle sobre sua matilha, não é verdade? —Perguntou ela brandamente. — Acredito que sim. Mas talvez esteja equivocado. Sou o mais forte depois dele e não consegui detê-lo. Necessitamos de sua ajuda. Necessitamos que seu amigo nos ajude. 50


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— E o que acontece se ele não quiser ajudar vocês, cachorrinho? Adrian saiu da escuridão crescente, o rosto duro e implacável. — O que acontece se ele disser a você que vá embora e que nunca mais volte aqui outra vez? — Então Mona morrerá. Baldrick acredita que ela também é responsável, por não estar aqui quando o Gruenwalt tinha que ser respeitado — Com uma inclinação de cabeça em direção a Mona, Luke deixou a xícara de lado, levantou-se, e se retirou silenciosamente para noite.

Capítulo 9 — Não tinha por que expulsá-lo assim. Foi muito grosseiro. — Olhe quem fala. Como se você não fosse grosseira o tempo todo. — Adrian ficou a dar voltas por seu alpendre, percorrendo todos os lugares. Mona teve a clara impressão de que estava pulverizando seu aroma para dissipar qualquer rastro que Luke pudesse ter deixado atrás de si. — Quanto de nossa conversa ouviu? — O bastante para saber que esteve muito amistosa com ele. Ela riu, incrédula. — Não acredito que seja de sua incumbência a forma que trato meus convidados. — Não deveria subestimar alguém como ele. É perigoso. — Você também é e não estou subestimando você de maneira nenhuma. Por certo, por que você está aqui, de novo? — Para ver você. — Pois já me viu. Agora, vá embora. — sorriu para ele ironicamente, ficando nas pontas dos pés para que ele não pudesse continuar olhando-a do alto. Não adiantou muito; agora lhe parecia muito maior que antes. Fazia só um dia que o conhecia, e já havia o viu em várias etapas da transformação. Era o lobo que havia nele, sabia, clamando para sair à luz. Mona franziu o cenho. — Transforma-se em lobo todas as noites? Ou com você acontece o mesmo que a esses lobos e só o afeta as fases da lua? Adrian riu afogadamente. Aquele som tenebroso a fez sentir calafrios, como se estivesse sendo acossada, espreitada ali, do extremo do terraço. — Sou um macho Alfa, posso me transformar praticamente quando me agrada. Ou não. Esta noite não há lua cheia, que é quando me sentiria mais 51


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inclinado a me transformar. De fato, há lua minguante. Minha capacidade de me transformar diminui nesta fase, embora não seja impossível. Por que sente tanta curiosidade? Tem medo que perca o controle sobre meus instintos mais baixos e salte sobre você? — É tão presunçoso — bufou ela. — Não tenho medo de você. Tenho medo por você. Esse tal Baldrick parece perigoso e não acredito que seja muito sensato de sua parte ir correr no bosque nestes momentos. — Que comovedor, que tema por mim. Desnecessário, mas comovedor. Sorriu abertamente quando lhe respondeu com um palavrão. — E o que acontece com Baldrick, então? Tentará encontrá-lo para falar com ele? — O que, está louco? Não ouviu o que Luke disse dele? Não penso em voltar a me aproximar desse bosque até que tenha esclarecido algumas coisas em nossa área primeiro. — Poderia estar mentindo, sabe? Mona franziu o cenho. — Não estava mentindo. — E como sabe? — Porque sei, de acordo? Não parece do tipo que mentiria. — É realmente ingênua, doçura. — Não sou sua “doçura” — cuspiu ela. — Mas é ingênua sim. Podia estar mentindo para você, para afastá-la da verdade. — Adrian, é um idiota. Luke me disse a verdade. O que o fez pensar que não era sincero? — Não é que acredite que não foi sincero, é só que me perguntava por que o defende com tanto empenho. — É realmente insuportável. O que faço então, acredito nele ou não? Vou procurar esse Baldrick ou não? Tampouco é que me importe com sua opinião. —Resmungou ao final de sua última frase. — Opino que seria muito imprudente de sua parte se implicar ainda mais em tudo isto. Herança ou não, no que depender de mim, você não tomará mais parte nisto. — Bom, pois não depende de você. Tenho uma responsabilidade para com esta gente e pretendo levá-la a cabo para poder terminar com isto e voltar para minha maldita vida. — Nem sequer os conhecia antes, por que deveria se sentir responsável por eles? — Porque sim! Porque dá no mesmo se o entender ou não, ou se acreditava ou não em homens lobos antes de agora, devo tentar evitar que haja 52


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mais violência. Se esta gente e estes lobos acreditam que eu posso ajudar em algo, então ao menos tenho que tentar. Luke tem razão, se a situação escapar de nossas mãos, haverá derramamento de sangue. Muitas pessoas inocentes morrerão, e provavelmente alguns homens lobos também. Não sente a menor lealdade para com eles? Os olhos de Adrian escrutinaram à noite. — Acreditava nisso. Agora não estou tão seguro. Minha lealdade mudou. — Por quê? — Porque você está aqui. Mona piscou. — O que isso tem a ver? — Tudo. Vim aqui em busca de respostas e agora não estou tão seguro de poder encontrá-las, ou de sequer me importar. Está em perigo. Essa matilha daí fora a ameaçou. Ninguém ameaça nem a mim nem aos meus. Jamais. Logo descobrirão. — Certamente, é o homem mais estranho que já conheci, homem lobo ou não. Não sou sua. Não sou ninguém para você. E não tenho a menor ideia do por que continua vindo me ver. —Sua voz se elevou com a agitação. — Já sabe por que estou aqui. Soube desde o primeiro momento que me viu. Deixe de fingir que não. — Arrgh! —Mona abriu a porta com um puxão, com a intenção de deixálo apodrecer no alpendre. Ele estendeu a mão, segurando seu braço em um agarre de ferro, apesar da aparente suavidade com que a sujeitava. — olhe-me nos olhos e me diga que não sabe por que estou aqui com você. — Nego-me a manter esta conversa com você, Adrian. Como sei que tudo isto não é mais que um passatempo para você, de férias fora de casa, afirmando ser um homem lobo só para conseguir que as damas desmaiem, e tudo isso? Adrian a respondeu com um grunhido, deixando descoberto presas descomunais, desafiando-a a que afastasse os olhos, a que negasse a prova do que era. — Não preciso afirmar nada. Pode ver a verdade com seus próprios olhos. — Solte-me. — Mona quadrou os ombros, deixando que sua voz surgisse fria e imperiosa para ocultar as outras emoções que se amontoavam em seu interior. — Agora mesmo. — Olhe-me nos olhos e me diga isso Mona. — Não. — Faça-o — Suas mãos a apertaram de modo ameaçador. 53


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Mona obedeceu. Santo Deus, era muito bonito, embora estivesse totalmente louco. Tão alto e tão moreno que sua boca enchia de água. — Solteme. Ele inalou ar bruscamente. — Descarada. Não posso. — Não parecia muito satisfeito com isso, mas Mona não teve tempo de desfrutar por ter conseguido enfurecê-lo antes que ele a atraísse para si e a beijasse. Maldito fosse! Mas sabia muito bem como beijar a uma garota. Seus lábios eram incríveis. Suaves e duros ao mesmo tempo, quentes, exigentes e incrivelmente pecaminosos quando se moviam sobre os dela. Sua língua roçando a comissura de seus lábios, algumas vezes adulando e outras demandando para que ela os separasse. O calor úmido de sua boca e sua língua ficaram mais potentes e ela se abriu para ele, permitindo rapidamente que ele a saboreasse mais profundamente. Os dedos longos, ágeis se elevaram, emoldurando seu rosto. Seus polegares se aproximaram da comissura de sua boca, forçando-a a abri-la mais. Sua língua se deslizou através da dela, contra o palatino de sua boca, através de seus lábios, não deixando nenhuma fresta inexplorada. A respiração dele fluiu em seus pulmões, esquentando-a, queimando-a. Ele engoliu sua respiração em troca, sorvendo a dela assim como sorvia de seus lábios. De repente Mona o empurrou abruptamente, sentindo-o em cada fibra de seu ser. Ela era uma mulher que apreciava o autocontrole, agarrando-se a esse convencimento, alimentando-o até que esteve segura de que tinha vencido essa debilidade. Adrian a fazia sentir-se débil, necessitada. Mas Adrian não tinha nenhuma intenção de deixá-la ir. Quanto mais ela lutava e mais se recusava, mais vantagem ele tirava de sua debilidade. Ela empurrou suas mãos contra o peito dele. Tentando afastar-se, mas em lugar de deixá-la retirar-se, ele a sustentou mais perto. Seu beijo se endureceu, castigando-a. Devastando-a. Seus braços eram agora uma muralha de ferro ao redor dela, as mãos dele se converteram em punhos em suas costas para atrai-la para mais perto. Seu corpo estava fundido com o dele, sua ereção pressionada contra seu ventre, suas pernas eram duras e firmes como troncos de árvore, fazendo-a sentir-se frágil e aprisionada. O calor úmido de sua boca transpassou para a dela, mantendo sua boca muito aberta com sua língua e seus dentes. Ela podia sentir o leve beliscão de suas presas e sentiu um forte batimento de coração, profundamente, em seu útero. Seu coração batia a toda velocidade. E tudo o que ela necessitava para fugir, para afastar-se dessa intimidade, todo isso a escravizava a isto. Desejava54


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o, mais do que alguma vez desejou qualquer outro homem. Era um sentimento muito estranho. Fora de controle. Irracional. Completamente alheio a ela. As últimas frestas de vontade para opor-se a ele brotaram e morreram. Ele era muito tentador. Deu-se por vencida. Suas mãos se moveram para abraçá-lo firmemente e aproximá-lo dela. Sua língua encontrou a dele, deslizando-se em sua boca. O impulso de suas línguas adquiriu um ritmo imediato, primitivo. Uma das mãos de Adrian se moveu para seu traseiro, agarrando-o para atraí-la contra seu pênis, balançando-a contra ele. Moveu-se contra ela sinuosamente, esfregando seu corpo contra o dela para que pudesse sentir-lo todo. O quanto estava duro e excitado do pescoço até as coxas. Seus músculos eram de aço, sua pele tão quente quanto uma forja inclusive através da roupa. Mona gemeu, sentindo-se ardente e molhada entre as pernas. Adrian pareceu sentir essa necessidade nela e escorregando uma perna entre as suas começou a bater contra seu sexo com uma aspereza deliciosa. — Monte-me. — Murmurou entre dentes. Ele não esperou que ela obedecesse. Suas mãos agarraram os quadris dela, seus dedos agarraram suas nádegas e a moveu para ele. Mona ficou sem fôlego e gemeu novamente. Sua língua continuava em sua boca, seus dentes a roçaram e ela os explorou. Suas presas eram longas e afiadas, mas seus outros dentes eram igualmente afiados, o que a surpreendeu. Ela lambeu uma presa e foi malvadamente prazeroso para ela ouvi-lo gemer em resposta. Ela lançou sua pélvis contra ele, ansiosa pelo prazer delicioso que lhe proporcionava. Seu corpo se movia e pressionava contra o dela. O batimento de seu coração devia ser forte o bastante para que ele o ouvisse, tinha certeza. Ofegavam suas respirações um na boca do outro, ambos cheios com o sabor e o perfume dos dois. O uivo baixo e prolongado de um lobo rompeu a quietude da noite Adrian congelou contra ela. Mona ficou sem fôlego e retirou seus braços — Acredito que seria melhor que se fosse. — Ofegou ela. Mas ele o faria? Ou saltaria sobre ela como quase tinha feito essa manhã? Ainda na escuridão, Mona podia vê-lo estremecer violentamente. Podia ver sua pele ondear de maneira alarmante, quase podia vê-lo transformando-se em uma fera. — Acredito que está certa. — Disse ele bruscamente com voz insegura. — Isto não pode ocorrer de novo. — Ela soube que tentava sua sorte, ele 55


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estava próximo de perder o controle. Seus olhos da cor do ouro fundido pareciam acesos na escuridão. — Pode. E ocorrerá. Chegando muito, muito mais longe. Mona fez um gesto de protestar. — Entre. Agora. — Murmurou entre dentes ele. Mona mudou de direção e fugiu para a casa, colocando o cadeado atrás dela. — Olá, mamãe. — O que é isto? Duas ligações suas em só uma semana. Terei que assinalar no calendário como uma ocasião especial. — Pare já. — Adrian não pôde reprimir um sorriso. — Ouça, brinco porque me importa. Agora a sério, o que deu em você para que volte a me ligar? Não é que não me alegre de falar contigo, mas seu pai ainda não sabe que me deu de presente este celular, e se o ouvir soar faria trazer os seus, já sabe o que, em uma bandeja. — Minhas bolas, mamãe? — Não fale assim diante de mim, mas sim. Essas mesmas. — É uma pequena hipócrita. Se você pode dizer merda, foda e traseiro todo o tempo, eu também deveria poder dizer o que quiser diante de você. — Cale-se Adrian riu, e logo ficou sério. — Como foi quando era humana? Quase podia ver sua mãe franzindo o cenho, inquisitiva. — Suponho que mais ou menos como sou agora. Um pouco mais jovem, um pouco mais estúpida, já sabe. Como todo mundo. Por que tanta curiosidade? — Não sei. É só que nunca perguntei isso a você e queria saber se sua transformação a mudou de alguma maneira, além do óbvio. —Converter-me em uma mulher lobo não me fez uma pessoa diferente. Só uma pessoa melhor. — soltou uma risadinha. — E quando conheceu papai? Como se sentiu ao descobrir o que era? — Não sei. Zangada, suponho. Morta de medo. Tampouco ajudou muito descobrir que eu também estava me convertendo em algo parecido com ele. Isto… tenho que contar tudo isto a você de verdade? — Eu gostaria de saber. Sua mãe suspirou, fazendo cócegas em sua orelha através do telefone. — Bom, já contei a você como nos conhecemos. Quando ele foi a Los Angeles para comprar um imóvel, um grande. O quanto me surpreendi ao descobrir que ele era um nativo. E como foi que ele mentiu para mim no princípio e me 56


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disse que seu sangue era uma mistura de várias raças diferentes. Já tinha ouvido tudo isso. — Ele mentiu para você porque não queria que o governo chegasse a saber de sua tribo. — Isso. Era muito rico, inclusive então, antes que você começasse a investir seu dinheiro na bolsa. E conhecia bastante o mundo humano para saber que poderia fazer acreditar o que quisesse a quem quisesse, só mostrando um pouco de seu dinheiro. Assim quando os bosques que rodeavam sua propriedade saíram à venda, fez um movimento de compra imediatamente. E embora os terrenos estivessem em Washington, os donos viviam em Los Angeles. Queriam conhecer o comprador antes de finalizar a venda, uma mera formalidade. De fato, estranho o fato de seu pai consentir em aceitá-la. E minha companhia me designou como agente para organizar a venda. — Se papai falou com você por telefone antes de conhecê-la, não estranho que fosse vê-la. Deve ter sabido em seguida que você seria sua companheira. — Cale-se e me deixe lhe contar isso. —Sua mãe zombou dele. — Quando por fim nos conhecemos, o achei muito bonito, mas rígido e reservado. Arrogante. Mas enfim, assim são todos os homens, e o fato de ser um homem lobo, especialmente um macho alfa, não o fazia precisamente mais modesto. Desejei-o desde o primeiro momento, embora não soubesse imediatamente. Deitei-me com ele só três dias depois de conhecê-lo… eu parecia uma pequena desavergonhada. — Riu. — Mordeu-me, me envenenando, mas não se incomodou de me dizer isso em seguida. Estávamos com várias semanas de relação e todo o tempo eu pensava que havia algo… bom… algo estranho nele. — Pediu a você que vivesse com ele diretamente, ou disse a você que a escolheu, sem se importar com sua opinião, e que pensava em levá-la para casa com ele? — Ele jamais pede nada, já sabe. De certo modo fez que eu sentisse como se eu tivesse tomado a decisão, embora não houvesse escolha. E justo antes de partir, descobri que estava grávida, assim viver com ele me pareceu mais aceitável, inclusive necessário. — Ainda não sabia o que era, embora tivesse aceitado ir morar com ele. — Sabia que era um índio nativo americano vivendo fora das reservas federais, que seu povo não era reconhecido oficialmente pelo governo americano. Pensava que era um pouco estranho. Mas até que o vi transformarse, quando já tínhamos nos mudado para o povoado, não compreendi totalmente o quanto que era estranho. 57


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— Como se sentiu? — Insistiu. — Morta de medo, e furiosa. Jamais estive tão furiosa. Estava irritadíssima porque não tinha me contado isso, por pensar que poderia mantê-lo em segredo. — Riu e depois baixou a voz para um sussurro. — Atirei pedras nele quando voltou na manhã seguinte. Quase o deixo inconsciente com uma, passou uma semana com um galo na cabeça, apesar de sua habilidade de curar-se rápido. Adrian se engasgou. — Não diga. — Juro-lhe isso. E que sirva de lição para você. Jamais aborreça sua mãe, moço. — E quando contou a você que a tinha transformado? — Em pouco tempo. Fez sem pensar, estava zangado nesse momento e já sabe como fica. Escapou. — E você não voltou a falar com ele até que eu nasci? — Não, não muito. Embora o silêncio tenha acabado quando entrei em trabalho de parto, e comecei a gritar com ele por me fazer passar por tudo aquilo. Não havia anestesia nem medicamentos, só tinha Padma se fazendo de parteira até que chegou o momento e seu pai o ajudou a nascer. Ficou ali sentado comigo, e em nenhum momento elevou a voz, nem sequer quando comecei a gritar com ele e a lhe bater. Limitou-se a segurar minha mão, a fazer seus cânticos e a me dizer quando respirar e quando empurrar. — Amava você. — E como ia poder resistir? —Brincou ela. — É tão arrogante quanto ele. — Aprendi com os dois melhores. Ou os dois piores, conforme se olhe. Bom. E agora me diga por que tanta curiosidade de repente. Adrian deixou escapar um longo suspiro, sabendo que deveria calar boca, mas também sabia que cedo ou tarde sua mãe descobriria. — É só que queria ter uma ideia do que me espera com minha companheira. Sua mãe soltou um grito pela alegre surpresa, fazendo que o fone do telefone estremecesse de modo alarmante. — Venha já! —Jamais soou tão humana, embora em todos aqueles anos nunca tivesse soado outra coisa que não humana — Quem é? — Não a conhece, mamãe. — Riu ele. — Dá no mesmo, me diga seu nome. — Mona Kincaid. — E é humana, daí tantas perguntas. — Sim. E americana. 58


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Sua mãe gritou outra vez e Adrian ouviu ao fundo a profunda voz de barítono de seu pai, perguntando algo. — OH, não. —Sua mãe soltou um resmungo. — Tenho que desligar, seu pai está lá fora, no alpendre. É muito engraçado, tinha que escolher um momento assim para me contar isso me ligue depois e me conte mais. Tenho que saber mais sobre ela ou enlouquecerei de curiosidade. Deus do céu, como vou esconder uma coisa dessas de seu pai? — Divagou. — Deixe de falar com ele. —Zombou ele. — É desagradável. — Você me educou assim. — Amo você, moço. — Eu também a amo. Sinto sua falta. — Então volte para casa e traga sua mulher com você. — Desligou o telefone em seu ouvido. — Pois bem, comprometi-me. — Filosofou ele. — Como se pudesse ser de qualquer outra forma para mim. —Falou para o quarto vazio. Riu de si mesmo, depois se deitou de costas no chão, ficando com o olhar fixo na lua além das janelas. Ainda podia sentir o gosto de Mona em seus lábios. Ainda sentia o cheiro dela em sua pele. Tinha tirado suas roupas um momento antes; preferia vagar pela diminuta cabana nu; e seu perfume permaneceu muito tempo nelas também. Adrian sabia que agora nunca mais seria livre de seu sabor, de seu perfume e de sua textura. E essa era uma pequena prova de que não foi suficiente para satisfazê-lo. Teria mais. Devia ter mais dela e logo. Seu sexo estava pesado e duro. Acariciou a si mesmo distraidamente, pensando nos diminutos ruídos de prazer que Mona fazia antes com sua garganta. Permitiu que as lembranças o abraçassem. Não foram nem cinco minutos mais tarde quando estremeceu de prazer, acariciando a si mesmo mais rápido, procurando o clímax. Adrian apertou seu eixo com força, bombeando. Ardeu. Transpirou. A lembrança da pele acetinada dela o fez ficar sem fôlego. Seu sabor era tão doce quanto o caramelo. O aroma de seu sabonete, seu xampu, e a umidade de sua vagina se misturaram em um perfume exótico e viciante. Teria se afogado feliz nesse perfume maravilhoso. Quis lambê-la ali, entre as pernas. Quis transar com ela como um animal, o animal que vivia nele, profundamente em seu interior. E mais que nada, quis mordê-la. Afundar seus dentes nela, para extrair seu sangue e enchê-la com a 59


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essência que a ataria mais completamente e irrevogavelmente que nada que ela tivesse conhecido. Ele lambeu seus lábios e a saboreou. Acariciou seu pênis e a sentiu. Sentiu-a cavalgando sobre sua perna, sua pequena e deliciosa vulva batendo contra sua ereção em cada movimento. Gemeu, jogando a cabeça para trás, levantando seus quadris com sua mão. Gozou com um estremecimento e um uivo, alagando a palma de sua mão e seu ventre. Sua semente branca e cremosa estava quente e pegajosa, queimando-o. Seu clímax foi intenso, roubando seu fôlego, e durou um longo, longo tempo. Adrian jurou que da próxima vez que gozasse, seria com suas bolas enterradas profundamente dentro do corpo de Mona Kincaid. Em sua cama, sozinha, sob a segurança das colchas, Mona ainda sentia a intensidade sexual do abraço frustrado que Adrian lhe deu. Sentia-se selvagem, com seu útero tenso e pronta para saltar sobre ele ao menor aviso. Sentia seus seios pesados, seus mamilos duros e sentia o formigamento da excitação. Sua vulva estava inchada e úmida pulsando com o fluxo de seu sangue, todos e cada um dos batimentos do coração gerando um bombardeio delicioso de pressão em suas virilhas. Ainda podia sentir o gosto do beijo dele em sua boca. Ainda sentia a textura de seus lábios e sua língua nela. Seu perfume ainda a envolvia, mais pesado, e de certa forma muito mais real que o algodão que a cobria agora. Apertando suas pernas, sentiu uma série de explosões em todo o comprimento de seu corpo. Deveria ter deixado que ele acabasse o que começou e depois tê-lo deixado sair? Sim. Um sonoro sim. Mona deixou que sua mão vagasse para baixo ao seu sexo, sob o cós sedoso de sua calcinha. Estava tão molhada. Tão entorpecida pelo desejo. Sua outra mão se moveu sob sua camisola e acariciou seus endurecidos mamilos, que parecia feitos de duro diamante, com longas carícias de seus dedos. Queria que ele a tocasse ali. Que a beijasse ali. Sua vagina tremeu. Seu clitóris se excitou como um frágil broto que choramingava de necessidade. Esfregou círculos diminutos com dois de seus dedos, pressionando com força e depois levemente, sua respiração entrando em rápidos ofegos. Mona queria que ele a lambesse entre as pernas. Queria que ele mordiscasse e chupasse seu clitóris como uma fruta. Queria que ele a 60


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inclinasse e a penetrasse com um longo golpe, com força na vagina. No traseiro. Queria que ele a rasgasse com seus impulsos. Queria que ele a mordesse uma e outra vez, enquanto suas bolas se chocavam contra seu traseiro com cada impulso. Seus mamilos incharam até mais. Sentia seu clitóris perto de explodir, tão apertado, pesado e exigente sob seus dedos, os quais se moviam cada vez mais rápido. Sentia sua vagina tão vazia. Teria dado o que fosse para tê-lo ali agora, em cima dela enchendo-a, com seus dedos ou sua mão ou sua língua ou, sobre tudo, seu pênis. Lambeu seus lábios ressecados e sentiu o gosto dele outra vez, e era como se ele realmente estivesse ali com ela. Sentia-o, grosso, duro e quente na abertura de sua vagina. Sentia a autêntica realidade de seu peso afligindo-a, inclinando seus quadris sobre ela Sentia o canal molhado, alagado em toda sua extensão, preparado para acomodar seu pênis grosso quando entrasse nela. Com um estremecimento que sacudiu a cama, fragmentou-se em mil pedaços. Sua vagina apertada ao redor da fantasia de seu pênis enchendo-a, estirando-a, esmurrando-a até que viu estrelas. Sua própria e doce umidade alagou sua mão e seu gemido ecoou ao longo dos solitários cômodos. Mona prometeu que da próxima vez sentiria a liberação, enquanto o pênis grosso e duro de Adrian Darkwood a enchia de verdade. Não mais fantasias para ela, só algo verdadeiro a satisfaria agora.

Capítulo 10 A maior parte das casas e pontos comerciais de Applecress se amontoavam no alto de uma colina que dominava o vale onde a casa de campo da Mona estava erguida e começava o bosque. Mona ia subindo pelo caminho principal; que na realidade era o único caminho de verdade nesse lugar e depois de tudo, não merecia muito esse título; ignorando os buracos e o cascalho solto que ameaçavam fazê-la tropeçar. Era cedo, o sol mal tinha saído, mas o povoado já se alvoroçava, enquanto homens e mulheres se dirigiam a suas tarefas diárias. Não havia muitas crianças à vista, mas não era um dia de escola. E Mona já tinha aprendido que todas as crianças em idade de aprender a ler 61


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frequentavam uma escola que atendia a vários povoados dos arredores. A escola estava a mais de trinta quilômetros de distância, mas em uma área tão remota como aquela, trinta quilômetros ou mais não eram tanta distância para que uma caminhonete carregada de crianças viajasse duas ou três vezes por dia. Era impossível para Mona ignorar os incontáveis olhares que seguiam seu progresso através do povoado. Obrigou-se a saudar educadamente a cada uma das pessoas com quem encontrava. E lentamente foi acostumando-se aos sorrisos e assentimentos em resposta que as pessoas devolviam a ela. As pessoas eram amistosas, mas também estavam inquietantemente curiosas a respeito dela. O pub já estava aberto, claro que Mona se perguntava se alguma vez fechava, e estava cheio de gente. Pediu um café e uma torrada e a mesma mulher que a serviu no dia anterior trouxe imediatamente um vaporoso bule de uma forte e negra beberagem para ela, Sorrindo em bem-vinda. — Como você está nesta fresca amanhã de primavera, Senhora? Mona sorriu, vertendo uma saudável dose de açúcar e creme em seu café. — É primavera? Quem teria imaginado com todos esses cristais de gelo sobre a terra? A mulher riu sem reservas. — Och, na realidade é um clima quente para a estação neste lugar, juro, é. — Seus olhos cintilaram alegremente. — Detestaria ver como é o inverno então. — Não têm um clima frio lá em Boston, então? — Sim — Mona sorriu, de forma alguma surpresa por a mulher saber de onde era. Não havia segredos nesta comunidade. Bebeu a sorvos sua bebida, estremeceu, e rapidamente adicionou mais açúcar. — Deixe de adicionar tanto açúcar a isso. — A mulher a repreendeu com uma gargalhada. — Seus dentes apodrecerão, sabe. — Acredito que meus dentes já haveriam apodrecido a estas alturas. Bebi café desta forma a cada manhã desde que tinha quinze anos. Senhora…? — Chame-me de Meggie, querida. — Meggie, então. Você poderia dizer-me onde vive August Finn? Tenho que vê-lo o quanto antes. — Posso fazer algo melhor que isso. Ele estará aqui dentro de pouco tempo. Nunca deixa de vir aqui pela manhã. Só tome seu café da manhã e espere; não será muito tempo. E ligue-se no que lhe digo agora, ele comerá mais que uma torrada esta manhã. Trarei um prato para vocês. Mona agora sabia que era melhor não discutir com uma escocesa. Olhou 62


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Meggie ir para a cozinha, Sorrindo. — Não sorri o suficiente. Deveria. É bom para você. Mona franziu o cenho; mesmo quando os batimentos de seu coração se duplicaram excitados; enquanto Adrian se sentava despreocupadamente em frente a ela. — Quando chegou aqui? — Justamente antes de você. Vi você entrar. Não é muito observadora, sabe? Mona revirou os olhos com exasperação, e tentou não lembrar-se da última vez que o viu. Foi apenas na noite anterior? Pareciam ter passado dias. Sofreu uma longa noite, sacudindo-se e dando voltas em sua cama solitária, recordando cada momento vivido em seus braços. Recordando o sabor de seus lábios. Como suas mãos a apertaram tão estreitamente no meio de suas costas, quase machucando sua pele. E o recordava agora, tão claramente como se estivesse acontecendo uma vez mais. Suas faces ardiam com a lembrança. Suas coxas doíam enquanto recordava como ele se moveu para separá-las empurrando contra seu sexo enquanto ela se balançava contra ele. — Isto está lotado, devo haver passado por cima de você. Além disso, tenho coisas melhores para fazer que procurar por você. Uma sedosa sobrancelha negra se elevou com receio. — Como o quê? — Esqueça. — Tento com força, mas é simplesmente impossível ignorar semelhante perfeição. Mona não pôde evitar. Explodiu em gargalhadas ante sua excelente, e tão inocente atuação. As cabeças giraram ante o som, as conversações cessaram, mas em vez de se sentir envergonhada, Mona riu ainda mais alto. Não podia refrear sua alegria e nem sequer tentou. Além disso, era bom rir. Meggie trouxe um prato quente com ovos, toucinho, pedaços de salsicha e presunto à mesa. Assim como papa de aveia preparada com manteiga, torradas, e outra xícara transbordante de café. Com o ânimo muito mais elevado, Mona agradeceu à mulher, que olhou Adrian com desconfiança antes de sorrir e dirigir-se a outra mesa. — Coma um pouco disto assim não parecerei ingrata. Não sou uma pessoa que come muito no café da manhã. — Ela ofereceu, pondo o prato entre eles. Adrian rapidamente capturou um pedaço de salsicha e o introduziu inteiro em sua boca. Sua mandíbula era forte, trabalhando enquanto ele mastigava. Mona nunca teria acreditado que poderia achar a mandíbula e a 63


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garganta de um homem tão incrivelmente sexy, mas o fazia. Ou ao menos achava que a deste homem era. Ele engoliu com apetite e alcançou outro pedaço. — Então. O que tem planejado para hoje? Mona sabia que era inútil pensar que ele tinha alguma intenção de deixála em paz, sabia também que seria agradável ter sua companhia, inclusive se fosse um diabo. — Vou falar com August sobre John Smithey e Thomas Greene. Ver se há algo que se possa fazer para provar o que fizeram, ver se a justiça pode ser concedida finalmente. — Duvido que admitam ter agido mal. — Eu também. Mas têm que ser confrontados. Algo tem que ser feito a respeito disto, e logo. Adrian mordeu um pedaço de bacon, partindo-o exatamente na metade com seus dentes fortes e brancos. — Não tem presas esta manhã. — Disse ela, tendo cuidado de manter sua voz baixa caso alguém escutasse. — Não as tenho todo o tempo. — Ele franziu o cenho como se tivesse se sentindo ofendido de que ela pudesse pensar assim. — Suas presas sempre pareceram afiadas, mas enquanto estão curtas não parecem muito diferentes de qualquer outra pessoa. — O estudou minuciosamente. — Geralmente são mais curtas nesta época do mês, tornando-se maiores ao passo que a lua vai crescendo. Outras partes de meu corpo ficam maiores também, sabe? Terei que mostrar isso a você incomodou-a perversamente. Mona bufou. — Você bem que gostaria de fazê-lo. — É obvio. Ela também. Arrgh, sacudiu a cabeça para esclarecê-la, negando-se a seguir essa perigosa linha de conversa com ele. — Se não há tanto a respeito de você que possa afastá-lo das pessoas fisicamente, por que está tão resolvido a não viver com os humanos? — Nunca disse que não queria viver com os humanos. — Acreditei que era por isso que tinha vindo para cá. Para encontrar um modo de salvar sua raça de “um mundo em retrocesso” tal como o chama. — Sim, mas não tenho problemas em viver com os humanos. Vivo em Nova Iorque, uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. É com minha tribo que estou preocupado. — Sua tribo? — Sim. Vivem ocultos, em Washington. 64


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— Não perto dos humanos, suponho? — Vivem em uma extensão de bosque muito antiga e muito isolada da qual meu pai tem a propriedade e o título. Linda com algumas granjas pequenas, mas não com áreas mais povoadas que isso. Poucas vezes, se é que o fazem alguma vez, veem humanos. Em sua maioria, veem rebanhos; cavalos e búfalos, coisas assim. — Por que não vive com eles? —Disse ela perplexa. — Estou procurando encontrar como preservar nosso modo de vida, nosso modo de vida de homem lobo do mesmo modo que nossos costumes Nativos, entretanto ao mesmo tempo consegui abraçar mais do mundo moderno. Escolhi Nova Iorque para poder trabalhar para uma empresa lá que me interessou. Trabalhamos com preservação das florestas e da vida selvagem, concedendo a pessoas como eu amplos recursos e tempo para investigar as muitas matilhas não descobertas de skinwalkers através do mundo. — Então eles sabem sobre os homens lobos? Essa empresa? — Não realmente, não. Meu mentor, o homem que me contratou, possuía a empresa e estava informado sobre minha investigação. Ele a fomentou o melhor que pôde. Morreu alguns anos atrás, deixando sua sobrinha para continuar financiando meu trabalho, e a boa sorte quis que ela fosse à companheira de um homem lobo ou eu poderia não ter tido a possibilidade de chegar tão longe em minha busca logo depois da morte de Alexi. — Entretanto ainda não entendo. Por que pensa que esta matilha pode ajudar você a encontrar a solução de seus problemas? Parece-me que eles não conhecem nada sobre o mundo em geral, tão separados dele como estão. — Eu não sabia que as coisas seriam deste modo para eles. Não sei o que esperava. Nem sequer sei por que me preocupei tanto com isso. O que realmente sei é isto; estamos todos conectados, todos os troca formas, a esta matilha. Do momento que seus problemas começaram aqui, senti sua inquietação ressoar dentro de mim. E cada skinwalker que me pus em contato nos dias seguintes, disseram-me que sentiram a mesma coisa. Foi o que em última instância me conduziu até aqui para encontrar esta matilha, depois de anos de procura sem êxito. — Então se eles tiverem as respostas que quer, tem que ver o que acontece. —Sim. Você viu o que estar acontecendo ao Luke. Ele contou a você o que ocorre com o restante da matilha, como Baldrick os tem sob estrito controle. Mona estremeceu, recordando o estado em que se encontrava o meio 65


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homem meio lobo. Recordando sua óbvia tortura. — Então deve saber que até que esta questão seja resolvida, até que a matilha seja capaz de encontrar a paz outra vez, o mundo inteiro dos troca formas estará pisando em terreno instável. É uma situação volátil e potencialmente mortal. Se não formos cuidadosos aqui, não me surpreenderia se um pouco da loucura de Baldrick gotejasse no mundo, fazendo que todos os skinwalkers perdessem o controle, empurrando-os à violência. Mona suspirou pesadamente. — Sinto-me horrível. Eu deveria ter escutado meus avós. Deveria ter acreditado quando me disseram sobre tudo isto. — Não tinha como saber se o que eles diziam era verdade. Sua incredulidade era natural. Afinal foi criada muito afastada desta vida. Seus lábios se torceram. — Meu pai não. Ele cresceu aqui. E ele não acreditou tampouco. — Então seu pai é um homem tolo. Ou talvez seja simplesmente muito humano para acreditar. Os humanos quase nunca acreditam naquilo que não podem ver ou explicar racionalmente. — Não, tinha razão na primeira vez. Meu papai pode ser tão idiota às vezes. Toda minha vida cresci pensando que os pais de meu pai estavam desequilibrados, devido ao modo que os descrevia. Ele falava poucas vezes deles, mas quando o fazia só era para contar que não podia suportá-los. E nunca falou deste lugar. Para ele era um tema maldito. Eu só soube sobre isto porque minha mãe me falava sobre ele e isso era quando me gritava por ser tão louca como acreditava que eram meus avós. Adrian franziu o cenho ameaçadoramente. — Por que ela pensaria isso, ou seria tão cruel para envenenar você com essa ideia? — Mamãe e Papai são bons, não importa o quanto eu os faço soar ruins. Simplesmente não são grandes exemplos de interesse paternal, se entende o que quero dizer. Mamãe e eu sempre discutíamos assim. Posso entendê-los um pouco, inclusive não estando de acordo com eles. — Parece-me horrível. — E era. Ele cresceu nos braços de uma família carinhosa e muito unida à comunidade de parentes e seres queridos. A pesar do fato de seu pai poder ser severo e autoritário às vezes; Adrian era igual a ele, e por isso sua mãe o repreendeu incontáveis vezes ao longo dos anos; mas nunca teve frio ou sentiu falta de carinho. Adrian sabia que seu pai o amava. Sabia que sua mãe o amava. E estava triste de ver que sua companheira cresceu sem um carinhoso sistema de apoio similar. — Realmente não foi. Mimaram-me, dando-me tudo o que queria. Só que 66


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eu era tão diferente de meus pais que não podíamos nos relacionar em um nível pessoal. Estava absorta em meu treinamento de animais, eu não gostava muito das pessoas nem tinha muito que fazer com eles, e isto preocupava meus pais. — Treina animais? —Perguntou ele com curiosidade. — Cães. Para a polícia e as unidades do SWAT sobre tudo. Às vezes realizo projetos para o FBI e treino cães rastreadores de droga para a ATF, esse tipo de coisas. — Relaciona-se melhor com os cães que com os humanos. Entende-os melhor. — Não pôde menos que rir em silêncio. Tal propensão só poderia aliviar para ambos os problemas nos dias seguintes. Também era um bom augúrio para seu êxito como casal emparelhado. Ela teria menos problemas que muitas em sua adaptação aos costumes de sua gente. Ele nunca acreditou verdadeiramente no Destino ou na Fatalidade nem sequer no Grande Espírito, como tantos de sua gente faziam, mas agradecia a todos agora por provê-lo com uma companheira tão perfeita como Mona. — Não zombe de mim. — Queixou-se ela. Levantando suas mãos em um gesto de inocência, ele riu em silêncio. — Não estava zombando, juro. Mona bufou, bebendo de sua xícara. Adrian olhou detrás dele e depois voltou a enfrentá-la. — August está aqui. Ele devia ter sentido o escocês. Mona nem sequer tinha notado que a porta do pub se abria para permitir o acesso a ele. Inclinou-se para olhar além de Adrian, e viu August caminhar para eles, Sorrindo. — Meggie disse que vocês estavam esperando para ver-me. — Sente-se, August. Este é Adrian Darkwood, um amigo meu — Ela os apresentou. August puxou uma cadeira e se sentou com um assentimento em direção a Adrian. — Vi-o por aí. Você está ficando em uma das cabanas de aluguel. Na borda do bosque. — Assim. — Talvez preferisse não entrar no bosque enquanto esteja aqui. — Ele sabe, August. Está me ajudando a averiguar o que está acontecendo por aqui. August pareceu desconfiado. — Parece que fez amigos rapidamente, moça. Cuide de fazer os amigos corretos. Mona se endireitou, olhando para o velho Escocês friamente. — Não 67


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acredito que você esteja em posição para julgar a mim ou aos meus amigos, August Finn. Mal me conhece, e está perguntando muito mais sobre mim que algum amigo que conheci alguma vez antes. Ele ruborizou com ar de culpabilidade. — Perdão. — Não se preocupe, Sr. Finn. Mona e eu fossos amigos há muito tempo. — Mentiu Adrian brandamente. — Surpreendemo-nos de nos encontrar aqui, mas nos alegramos. É bom ver uma cara familiar em momentos como estes. — Parece estranho, que você estivesse aqui quando todos os problemas começaram. — Particularizou August com desconfiança. — Ele não tem nada que ver com isto, August. De fato, acredito que sei exatamente por que tudo foi ao demônio nas últimas semanas. Os olhos de August se arregalaram ao ouvir isto e sorriu. — Falou com os lobos então? O Gruenwalt ainda se mantém. — Não exatamente. — Ela admitiu, vacilante. — Não estou tão segura que o Gruenwalt valha grande coisa a estas alturas. Não com o atual líder da matilha, de todos os modos. — Mas por quê? O que fizemos para zangá-los assim? —Lamentou-se. As cabeças giravam para olhá-los. Os ouvidos se esforçavam para escutar sua conversa. E Mona de repente ficou nervosa de que a pessoa incorreta pudesse ouvir algo e fizesse um movimento que zangasse a matilha. Adrian compartilhou seus pensamentos. — Vamos dar um passeio, August, longe de toda esta fumaça. Os olhos azuis de August olharam ao seu redor cautelosamente. — Aye. Vamos dar um passeio. Levantaram-se e se afastaram, deixando à curiosa multidão perguntandose sobre o que fariam. Não tomou muito tempo informar ao August sobre a situação e se dirigiram à pequena granja de Thomas Greene, quase nos subúrbios do povoado, para interrogá-lo. — Deveria ter adivinhado que Thomas tinha algo que ver com isto. Depois que sua esposa morreu no verão passado se colocou em todo tipo de problemas. Seus rapazes mal podem suportá-lo e sua filha não quer saber nada dele. Och, este é um assunto lamentável. — O sotaque irlandês de August era espesso, sua voz se ouvia cansada. — Então não é impossível que ele e os outros estejam detrás disto. — Não. E eu acreditaria na palavra dos lobos antes que na de qualquer homem. Nunca mentem. Isso não era exatamente verdade, enquanto Mona recordava a declaração 68


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de Adrian sobre eles serem amigos durante muito tempo. Sabia que ele mentiu para proteger sua virtude ante os olhos de August; e ante os olhos dos aldeãos; mas ainda se perguntava por que se incomodou. Se ele pensava que ficaria agradecida, melhor que pensasse outra coisa. O homem era muito arrogante. Mentindo para protegê-la, a ela ou a sua reputação, não ganharia um lugar em seus afetos. Seus olhares fixos se encontraram. O braço de Adrian roçava contra o seu enquanto caminhavam. Ele facilmente manobrou para conseguir colocar-se entre Mona e August, quase distraidamente, enquanto os três conversavam. Mas Mona sabia que o fez com intenção, provavelmente porque se sentia muito possessivo em relação a ela. Havia momentos em que podia lê-lo como um livro aberto. O resto do tempo, a maior parte do tempo, era um completo enigma para ela. — Deveríamos falar com as autoridades locais antes de ir visitá-lo? Não quero me arriscar a desgostar este homem sem alguma proteção, parece perigoso. August a olhou de uma maneira estranha. — Você e eu somos as autoridades por aqui. Mona ficou boquiaberta. — Perdão? — Não necessitamos de polícia por aqui, nunca necessitamos. Você é o chefe do clã agora. Seu Avô me fez seu administrador faz vinte anos e eu e meus filhos mantivemos a paz nestes poucos anos passados. — Sinto muito, mas não estou tão segura agora de que isto seja uma boa ideia — vacilou ela. — Não estou qualificada para manter nenhum tipo de posição de autoridade aqui. — Seu sangue dá a você toda a autoridade que necessitará. Você é a Kincaid e é tudo. — Você acredita nisso? Não fui criada para ser “a Kincaid”, não tenho nem ideia de como dirigir esta situação. — Só deixe o trabalho rude para mim e para este seu bravo homem aqui — disse August, inchando o peito obstinadamente. — Thomas pode ser um bastardo, mas é um covarde. Não tentará nada com nós três juntos. — Isso é tão estúpido. — Resmungou Mona. A mão de Adrian se moveu para pegar a sua, apertando-a alentadoramente. O gesto singular a ajudou a aliviar um pouco sua tensão. Uniu seus dedos com os dele, e no mesmo instante sentiu que o contato entre eles era correto. 69


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— Não tenho certeza de que os lobos aceitarão qualquer justiça que vocês puderem conseguir outorgar a estes homens. —Disse Adrian por fim, sua voz aveludada pensativa. — Não temos muita opção, moço. Temos que tentar apaziguar aos lobos de algum modo. — Tem alguma outra sugestão? —Perguntou-lhe Mona. — Não, nenhuma que esteja disposto a levar a cabo. — Adrian piscou um dos olhos para ela, mas seu rosto permaneceu severo e Mona soube que estava pensando no evasivo Baldrick. Ela esperava não ter que chegar a isso. Por alguma razão que era um mistério para ela, queria Adrian tão longe de qualquer perigo quanto fosse possível. Gostava dele assim como era e com seu couro intacto. Adrian podia ser um selvagem e feroz homem lobo, mas Mona estava segura de que não havia modo em que ele pudesse enfrentar Baldrick em uma briga limpa e triunfar. Não depois de ter visto de primeira mão o dano que ele infligiu ao pobre Luke. E Luke era quase duas vezes o tamanho de Adrian. E se Adrian estivesse pensando em fazer um movimento para tomar a posição de Baldrick na matilha, Mona não tinha a menor ideia do que poderia acontecer a ele. Por favor, rezou fervorosamente, não deixe que isso aconteça.

Capítulo 11 Thomas Greene não se encontrava em nenhuma parte. Sua deteriorada cabana próxima à beira de uma extensa pradaria frondosa havia visto dias melhores, tinha uma porta traseira e uma na frente, mas não houve resposta quando Mona bateu ruidosamente nas duas. Os frangos vagavam pelo pátio, assim como também uma cabra, e essas duas eram as únicas coisas que se moviam. Depois de procurar pelos arredores, Adrian descobriu uma caminhonete 4x4 que se encontrava sob uma lona verde. Provavelmente este era um dos veículos que usavam para perseguir os lobos pelo bosque, e Mona apostaria seu fundo fiduciário de que encontraria mais dois em algum lugar das propriedades de John Smithey e de Emmett Ou’Criene quando as revistasse mais tarde. A evidência não era suficiente, mas sem dúvidas o fazia suspeito. 70


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Mona queria ouvir o que Thomas tinha a dizer a respeito das acusações acumuladas contra ele e seus amigos Perguntou-se onde estaria seu rifle de caça. — E agora o quê? —Perguntou a ninguém em particular. — Agora vamos à casa de John Smithey e vemos se podemos falar com ele — Disse Adrian, enquanto farejava o ar ligeiramente, como se algo estivesse fazendo cócegas em seu nariz. — Ele quase sempre trabalha em sua granja de ovelhas. Não chegará a sua casa até muito tarde. — Então falaremos com sua esposa. — Sugeriu Mona. — Ela poderia saber de algo que pudesse nos ser útil. Deram uma volta na casa pela última vez. Mona tentou abrir as portas, testando as fechaduras, mas estavam fechadas firmemente, tal como suspeitava. Inclusive em uma comunidade como aquela, as pessoas fechavam suas portas com chave. Sobretudo se tivesse algo a esconder. Ou segredos a guardar. Adrian examinou os arredores como se procurasse algo. — O que está errado? —Sussurrou para que August não ouvisse por acaso. — Não sei. Algo. Fique perto de mim. Mona bufou pela sua ordem. — Não faça isso do “lobinho”. Não saberia como explicar ao August. — Não farei. — Disse, mas seus pensamentos não estavam com ela nesse momento. Seu nariz se retorceu bruscamente de novo. Seu corpo estava empertigado e tenso, em estado de alerta. Mona agitou sua cabeça e chamou August que estava olhando pelas janelas da cabana. — Não acredito que vamos encontrar algo aqui, ao menos não hoje. — Acredito que está certa, moça. Visitaremos Brenda para falar com ela. Talvez John se presente para o almoço. — Pergunto-me onde está Thomas. — Meditou ela. — Talvez Baldrick já tenha estado aqui. — Sugeriu Adrian brandamente. — Demônios, espero que não. E se tivesse estado, não deveríamos ter encontrado seu corpo ou algo assim? — Não sei. Mas posso cheirá-lo no ar. — A quem? Ao Thomas? —Seus olhos se arregalaram. — Não. — Soltou uma risada tensa. — Ao Baldrick. — Estupendo. Não estou segura de que me agrade saber que tem um 71


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sentido do olfato tão aguçado. — Não se preocupe. Você sempre cheira bem. Esta manhã usou seu xampu de maçãs. O coração de Mona cambaleou, e engoliu uma borbulhinha traidora que ameaçava produzindo uma risadinha em sua garganta. — Não faça isso. — Repreendeu ela, enquanto tentava recuperar a calma. Seu olhar misterioso penetrou ardentemente no dela. — Não faça o quê? — Sabe o quê. Deixe de tentar se fazer de sabichão. Estamos metidos em uma situação muito séria. Não tenho tempo para paquerar com você. Adrian riu com força disso, aliviando um pouco a tensão. — Não acredito que nem sequer saiba o que significa paquerar, doçura. E é bom saber que pensa que sou inteligente. — Nunca disse que era inteligente, disse que estava tentando se fazer de sabichão. — E estou tendo êxito? —Perguntou a ela. — Não. — Mentiu ela. — Então terei que fazer uma tentativa melhor. August deu um grito. Era o som alarmado de um homem grande, cheio de dor e terror. A cabeça de Adrian se moveu, suas mãos apertaram as partes superiores dos braços dela. — Fique aqui. — Adrian a empurrou para trás, contra a parede da cabana antes de correr ao redor da casa para onde August gritava de novo. — Ficar aqui uma merda. —Gritou ela. — Vou com você. —Mona correu desesperadamente para segui-lo e ficar atrás de seus calcanhares. A cena era um caos quando chegaram. Dois lobos gigantescos convergiram ante eles, enquanto um se ocupava de morder August, que dava pontapés nele desesperadamente. Adrian se moveu para interceptar a um dos animais que atacava, de suas mãos, como magia, cresceram três polegadas de garras prontas para entrar na luta. Mona se virou e correu a toda velocidade em direção oposta quando um terceiro lobo correu para lhe alcançar. Saltou sobre a pequena cerca de arame que protegia o pasto verde, e disparou na corrida pela colina detrás da cabana tão rápido quanto suas pernas podiam levá-la. Enquanto corria tirou a jaqueta, com a ideia de usá-la como “alimento” para o lobo que a perseguia quando finalmente a alcançasse. Caiu de repente sobre a terra quando o lobo usou sua força e o peso de seu corpo para derrubá-la. Mona se virou e levantou o volume que fez com sua jaqueta enquanto suas mandíbulas estalavam para baixo. 72


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O golpe a deixou sem ar, e gastou segundos preciosos tentando recuperálo. As patas do lobo se incrustaram brutalmente em seu corpo, rasgando sua camisa e machucando sua pele. Custou cada onça de coragem que possuía não gritar de terror e dor. — Desça. —Ordenou a ele tão serena e firmemente quanto pôde, esperando distraí-lo tudo o que pudesse distrair a um cão agressivo. Não teve efeito. Nem Mona esperava que tivesse. Sentiu como o animal rasgava a jaqueta, abrindo uma brecha com sua boca, esperando que se sufocasse. Seus grandes olhos cinza continham uma chama de loucura quando a olharam fixamente. — Desça de cima de mim. — gritou ela, enquanto posicionava seus pés para dar chutes sobre o estômago dele. Mona enviou seu atacante voando e perdeu sua jaqueta com o esforço, pois ficou firme na boca do lobo. Girou e ficou mais uma vez de pé, afastando-se dele correndo, sem saber aonde ir, só sabendo que tinha que fugir. Atreveu-se a olhar para trás por sobre o ombro. O lobo agitou sua cabeça e sua jaqueta saiu voando. Mona não esperou para ver o que faria depois. A voz de Adrian rugiu de algum lugar detrás dela. Mona vacilou, sem saber se ele estava ferido ou simplesmente enfurecido. Foi um engano, porque nesses poucos segundos permitiu que seu atacante a alcançasse de novo. Lançou-se em suas pernas, fazendo-a tropeçar, Mona só foi capaz de permanecer em pé a duras penas. Estava perdida, e sabia. Por alguma razão, esta certeza não a atemorizou. Mais que nada a aborreceu. Virando-se, enfrentou o lobo, assentando bem seus pés, para impedir a queda, e o pegou em ângulo reto na orelha com seu punho. — Quando digo desça — Rugiu ela. — quero dizer jogue-se para baixo, maldito filho de uma grande cadela. — Golpeou-o outra vez, na outra orelha, com o outro punho. Tão duro quanto pôde. Fazendo-o virar-se para um lado. O lobo grunhiu de dor, choramingando. Mona se sentiu envergonhada, nunca tinha ferido um animal de propósito; mas só sofreria no momento. Afinal o bastardo estava tentando matá-la. Agora não era o momento para um ataque de consciência. Adrian estava correndo pela ladeira da colina para eles, seu cabelo negro voava detrás dele. Parecia um guerreiro valente e selvagem correndo para a batalha, tão bonito e feroz, que os olhos de Mona se encheram de lágrimas. O lobo olhou para Adrian que vinha atrás de Mona. A óbvia inteligência do animal a aterrou. Este não era nenhum cão doméstico a quem ela poderia ordenar ou treinar que para que lhe obedecesse. Nem tampouco era um 73


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humano com a capacidade de sentir empatia ou mostrar compaixão. Era algo mais. Algo muito mais perigoso do que qualquer dessas coisas poderia sê-lo na vida. Este era um homem lobo. Com todos os aspectos perigosos de um humano e de um lobo unidos em um. E queria seu sangue. Grunhiu-lhe, um protesto que subia de tom, mostrando para ela suas presas afiadas. — Vá embora daqui. — Disse Mona entre dentes. — Vá antes que ele chegue e o corte em tirinhas. O grunhido se deteve abruptamente. — Diga ao bastardo de seu Alfa que vamos atrás dele. Diga a Baldrick que isto se resolverá entre nós de um modo… ou de outro. O lobo grunhiu uma última vez e se afastou rapidamente para as fileiras de árvores. Adrian correu para seu lado. — Está bem? Diga-me que não a feriram. — Ele a agitou, como se fazendo isso pudesse obrigá-la a responder mais rápido. — Estou bem. — Ela empurrou as mãos dele para um lado. — E você? OH, meu deus, o que aconteceu com August? — Ele está bem, mas sua perna necessitará de alguns pontos. — Onde estão os outros dois? —Ela agarrou sua mão e o obrigou a seguila para a colina para poder verificar por si mesma quão mal estava as mordidas de August. — Ocupei-me deles. — Ele a seguiu, caminhando levemente como se não tivesse estado em uma feroz batalha com dois animais enlouquecidos. August estava apoiando-se contra a cabana, ofegando. Sua perna sangrava livremente através de sua calça de trabalho de brim, manchando-a de vermelho. — Precisamos levá-lo a um hospital — Mona se moveu para ele, mas Adrian a sustentou detrás energicamente. Um grunhido baixo a advertiu que não tentasse soltar-se. Seus instintos territoriais tinham despertado. Mona não se sentia com vontade de comprová-lo neste momento. — Pode caminhar? O rizinho de August foi débil. — Aye, posso caminhar. E não preciso fazer uma viagem ao hospital. Meggie é boa com uma agulha. Conseguirei que ela me remende. Em pouco tempo sararão. Mona fez um intento de protestar, mas já sabia o quanto o homem podia ser teimoso. — Está bem. Ajudaremos você a chegar ao botequim. O homem engoliu, limpando seu rosto suado com um lenço. Suas mãos estavam tremendo. 74


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— Por que eles fizeram isto, Senhora? Acaso não podem ver que nós queremos corrigir as coisas? — Agora nada os aplacará, August — Adrian disse terminantemente. — Precisará tirar as famílias de Smithey e de Greene do povoado durante alguns dias. Os lobos irão atrás deles depois. — E o que faremos a respeito de Thomas e John? —Perguntou Mona. — Não podem escapar disto. — Não o farão. Pediremos aos aldeãos que os vigiem. Quando retornarem ao povoado teremos os filhos de August para detê-los olhou para August para ver se ele concordava. O velho assentiu fatigado. — Deixaremos que sejam os aldeãos que decidam o que fazer com eles. — E quanto a nós? —Mona não deveria ter perguntado, sabia o que ele queria fazer. Adrian não era homem de aceitar um ataque assim sem procurar cobrá-lo de quem o instigou. Ela tampouco. — Acabaremos com isto. — Seus olhos eram piscinas negras onde brilhava uma luz débil. Adrian pôs o braço de August sobre seu pescoço e rodeou suas costas, apoiando o peso do homem ferido facilmente. Mona suspeitava que Adrian pudesse levá-lo andando facilmente. Dirigiram-se com cautela em direção ao botequim enquanto o sol se localizava em sua posição de meio-dia no céu. — Acredita que ficará bem? —Mona se preocupava enquanto mordia uma unha quebrada, um hábito que acreditou ter perdido há anos. Mas sob as atuais circunstâncias, supôs que ter uma reação nervosa não era algo tão terrível. — August ficará bem. Preocupam-me mais o restante das pessoas daqui. Meggie se assustou mais que qualquer um que tenha visto alguma vez quando ouviu que foram os lobos que o feriram. — Ela não me pareceu assustada absolutamente. Melhor, parecia controlar completamente a situação. — Ela cheirava a assustada — Adrian sorriu divertido. — OH. Chegaram à cabana de Mona, e pela primeira vez, de boa vontade manteve a porta aberta para que ele entrasse. Ele a precedeu no pequeno espaço da sala. — Você está bem? Os arranhões em seus braços e ventre deixaram de sangrar, mas ainda precisa limpá-los com desinfetante. Mona assentiu. — Estou bem. E o que realmente preciso é de uma ducha. 75


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Tenho hematomas em cima de hematomas e perdi a conta no transcurso dos últimos dias. — Irei tomar banho com você — Ele sorriu abertamente. — Não, não o fará. Ficará aqui — Zombou ela. — Há comida e bebida na geladeira. Sinta-se em sua casa. Poderei demorar um tempo — Estremeceu e saiu para procurar algumas toalhas. — Falaremos depois — Disse. Mona não tinha ideia de quanto tempo passou na ducha. Tempo suficiente para usar cada gota de água quente. Não tinha exagerado sobre sua condição diante de Adrian, não tinha necessitado. Seu corpo estava preto e azulado em vários lugares, estava machucada quase da cabeça até os dedos dos pés. Tinha sangrentos e antigos arranhões em seus braços e no ventre, tal como Adrian disse a ela. Um de seus joelhos estava esfolado. Sem dúvida gastaria meia garrafa de iodo para cobri-la. Parecia um desastre. Obtendo um vislumbre de se mesma no espelho do estojo de primeiro socorros, viu que seus cabelos deixaram manchas de sangue vermelho escuro na branca toalha de banho. Franziu o cenho e fez um turbante com a toalha, os escondendo. Não necessitava que nada a recordasse de sangue. Com um gemido compreendeu que se esqueceu de trazer roupa para o banheiro. Não queria voltar a vestir sua camisa arruinada e a calça jeans, assim envolveu uma segunda toalha ao redor do corpo e esperou que Adrian tampouco se preocupasse ao vê-la enquanto se dirigia ao vestíbulo perto do quarto onde suas roupas ainda estavam embaladas. Quando abriu a porta, quase tropeçou com ele. Estava sentado no vestíbulo, esperando vê-la aparecer. — Que demônios faz aqui? — Assegurando-me de que não escorregasse e desabasse na tina — Mentiu para ela descaradamente, olhando-a com lascívia de cima abaixo. — Sai daqui — Deu chutes na coxa dele com seu pé nu. Ele o pegou antes que pudesse afastar-se, lhe fazendo cócegas com seus dedos no arco da planta do pé. Ela tentou dar um pontapé nele, mas perdeu o equilíbrio e caiu em cima dele. Ele riu, apoiando-se para trás para que eles ficassem apoiados juntos sobre o chão. — Sai de cima… pervertido. Ele acariciou com o nariz a curva de seu pescoço e ombro, sustentando seus quadris contra ele e retorcendo-se sugestivamente, alegremente. — Não — Murmurou, roçando sua pele. Mona riu apesar dele. Ele estava lhe fazendo cócegas, respirando em sua 76


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orelha, lambendo sua garganta. — Sim. — Não — repetiu para ela e rapidamente tirou a toalha de seu corpo, jogando-a além de seu alcance. Ele murmurou entre dentes, enquanto passava suas mãos de cima abaixo por seu traseiro, gozando da percepção de sua pele. Sua pele ficou arrepiada, e não era porque tivesse frio. — Sim — Ela respirou, esquecendo-se do que realmente estavam dizendo. Suspirou. — Não — Adrian deu um beijo em sua mandíbula, baixou suas mãos a suas coxas, e estendeu as pernas para que ela pudesse montar sobre seus quadris. Seus dedos provaram a almofada de seu traseiro, enquanto apertava suas nádegas. Separando-as para que o ar fizesse cócegas nela deliciosamente. Mona procurou seus lábios por vontade própria, lambendo as comissuras de sua boca até que ele a abriu e encontrou sua língua com a dele. Adrian fustigou a fenda de seu ânus com os dedos, afundando, e acariciando-o cada vez mais profundamente. Ela se revolveu, golpeou-o com força com sua mão em uma tentativa de afastá-lo e levantar-se. — Detenha-se. — Ofegou. — É uma ameaça. Ele ficou de pé com ela nos braços, levantando-a. Mona gritou e correu para longe dele, para o vestíbulo. Sua risada sombria a seguiu ao quarto um segundo antes que ele o fizesse. Ela tentou fechar a porta. Ele nem sequer notou, entrando como se fosse o dono do lugar. Como se a possuísse. — Desejo você — Disse desnecessariamente. — Vá embora — Não queria dizer isso. Nunca havia se sentido assim, tão excitada e molhada, em toda sua vida. Ela também o desejava. Ele a levantou, jogando-a para trás, colocando-a sobre a cama. Sentou-a escarranchada em cima dele, sustentando seus pulsos facilmente em cima de sua cabeça com uma mão. Sua outra mão se moveu para baixo, sobre seus seios e ventre. Embalando sua vagina. — Assim é uma ruiva natural. Mona cuspiu saliva indignada e tentou afastá-lo dela. Ele a conteve facilmente. — Pergunto-me que cor de lobo será — Parecia dizer mais a si mesmo que a ela. Sua voz era tão suave, tão sexy, dançava por sobre ela como faziam seus dedos. Excitava-a, como todo o resto que fazia. Ele atraiu suas mãos para sua boca chupando eroticamente cada um de seus dedos. Lambendo e mordiscando as pontas dos dedos até que ela quase gritava de desejo, era tão mágico. Ele grunhiu, pôs suas mãos ao redor de seu pescoço, e se moveu para frente para roubar um profundo beijo dela, 77


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chupando sua língua, usando suas longas presas para arranhar eroticamente seus lábios. Mona ofegou em sua boca, beijando-o com toda a paixão que ele despertava nela. Puxo-o pelos longos e sedosos cabelos, atraindo-o mais perto. Ela cheirava seu selvagem aroma de bosques. Estava em seus cabelos, em sua pele, pressionando-se contra sua boca. Gemeu e se moveu embaixo dele, procurando sua dureza e encontrando-a apertando-se firmemente contra seu sexo. O calor ardente e úmido de sua boca desceu por sua garganta para seu seio. Suas mãos soltaram seus seios, para que seus dedos polegares e índices pudessem pegar e torcer seus mamilos brandamente. Sua cabeça negra baixou mais e sua boca se fechou sobre seu seio, chupando o duro mamilo entre seus lábios. Utilizou sua língua com força. Movendo-se de um seio ao outro. Suas mãos a acariciaram do pescoço até a coxa. Ela gemia, os sons saíam de sua boca aberta, profundos, do seio que ele puxava com cada carícia. Mona o olhou, viu o tamanho chocante de sua língua que ia da parte inferior de seus seios até poder mordiscar ali com seus dentes e lábios. Ele estava completamente obcecado com o oral. Adrian elevou seu mamilo, como se não pudesse conter-se. O grunhido que vibrava em seus lábios era baixo e quase ameaçador. Mas Mona não tinha medo. Sabia que não a feriria. Podia ser um homem lobo, mas com ela era um cachorrinho manso. Mona gritou quando ele mordeu seu seio. — Isso dói — Golpeou-o com as palmas das mãos sobre seus ombros, empurrando-o. Seus dentes a agarraram, e esse grunhido em seu seio se fez mais ruidoso. Por um segundo Mona temeu que ele não pudesse se controlar, mas finalmente o fez, libertando seu mamilo com um golpe ruidoso e molhado. Ela olhou para baixo. Seus olhos estavam pesados, quase fechados, e ele estava lambendo os pequenos pontos vermelhos de sangue em cima de sua pele com a língua. — Tirou-me sangue, sabujo11 — Deu um golpe na cabeça dele. A cor de seus olhos era algo similar ao café preto, mas brilhavam de um modo, estavam tão escuros que sua cor era indefinível. Seu olhar encontrou o dela, vítreo e desorientado, quase perigoso e ameaçador ao mesmo tempo. — Você está bem Adrian? —Iria se transformar em lobo? Demônios, não agora. Não se detenha agora, lamentou-se ela 11

Sabujo = cão de caça grossa (Aurélio).

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mentalmente com desilusão. A dor já se foi, tão pequena tinha sido. Sua excitação exasperava-se feroz e mais quente que nunca em sua vida. Seu seio queimava ali onde ele a mordeu, mas um prazer eufórico e estranho emanava das marcas que seus dentes deixaram nela, enquanto percorriam seu seio procurando alcançar e tocar cada parte de seu corpo. Ela queria que ele terminasse o que tinha começado. Ele pareceu voltar a si, seus olhos se esclareceram um pouco. — Estou bem — Sussurrou. Seus lábios se encontraram com os dela brandamente. — Nunca estive melhor — suspirou contra sua boca. O momento delicado passou enquanto suas mãos a acariciavam de novo. Ele abriu suas pernas facilmente, acomodando-se entre elas. As pontas dos dedos dele fizeram cócegas em sua abertura levemente, fustigando-a implacavelmente. Ele se deteve diabolicamente quando ela abriu suas pernas ainda mais e se ondulou contra sua mão, procurando um toque mais profundo. O suave calor da língua dele se jogou sobre a sua, escorregando profundamente em sua boca. Ela empurrou contra ele, degustando-o. Ele gemeu em sua boca, enquanto seus dentes vibravam. Seus dedos se afundaram em sua abertura, em seu calor, e ela respondeu cada um de seus gemidos com um próprio. Ele a retirou para trás. — Está bastante molhada? —sussurrou para ela. Bastante molhada? Estava louco? Nunca esteve tão molhada em sua vida! Os longos fios de seda de seus cabelos fizeram cócegas sobre ela, ocultando o rosto dele quando ele se deslizou por cima de seu corpo trêmulo. Ela sabia o que ele queria. Assustava-a como o inferno, mas ao mesmo tempo a aturdia de luxúria. A pele de suas mãos parecia tão escura contra suas coxas cremosas quando ele as estendeu de maneira incrível para acomodar-se. Sua cabeça escura se inclinou para baixo, sobre ela. Mona ouviu que ele aspirava seu aroma profundamente em seus pulmões, tremendo ante seu terroso apetite. Sua boca cobriu sua vulva, e sua língua a apunhalou profundamente até o coração. Mona gritou. Arqueou-se para trás até ficar quase fora da cama, as mãos de Adrian movendo-se para seus quadris, fixando-a sobre a cama apertando-a com força, enquanto sua boca se movia contra ela. A longa e pecadora extensão de sua língua se introduziu nela. Ele moveu uma mão até seus quadris para puxar seus lábios vaginais, e expor seu clitóris aos seus lábios. Ele a mordiscou ali, enquanto permitia que suas presas 79


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arranhassem suavemente contra a carne dela, contra sua pele inchada. Sons úmidos encheram o quarto enquanto ele a chupava meigamente. A umidade alagou seu sexo. Seu corpo tremeu e se agitou. Desamparadamente sua cabeça se açoitou contra o travesseiro, seus olhos se fecharam com força e involuntariamente quando o êxtase a sufocou. Adrian sentia sua loucura crescente, sua escalada para a liberação, e usou sua língua com fúria contra seu clitóris. Dois dedos longos se introduziram nela, cravando-a. Seu dedo polegar desceu para sondar seu ânus suavemente. Seus ombros mantinham suas pernas abertas, abrindo-as quando ela tentava fechar espasmodicamente sobre ele. Mona gemeu, seus quadris realizavam pequenos círculos sob sua boca exigente. Ele moveu sua mão dentro dela, toda a suavidade abandonada. Sua língua deu um golpezinho contra seu clitóris, pressionando-o com força, esfregando-o sem piedade. As paredes de seu sexo se apertaram ao redor da mão dele, sobressaltando a ambos, e ela gritou quando o clímax a percorreu com uma violência inimaginável. Seus lamentos se mesclaram, um depois do outro, ressoando em seus ouvidos. Estrelas bailavam ante seus olhos, sentia sua pele quente e inchada até quase estar perto de explodir, como se seus ossos pudessem saltar sem sua pele. E quando ela montou a onda deliciosa de prazer, a boca de Adrian e sua língua estavam ali, sorvendo até a última gota do tributo de seu corpo à faminta demanda. O último de seus tremores a deixou extenuada, enfraquecida sobre a cama. Adrian apertou um beijo duro em sua vulva e se ergueu. Enquanto ele tirava sua roupa desgrenhada, Mona sentiu a queimadura formigante da mordida, permanecia ali, como um beijo eterno em cima de seu seio.

Capítulo 12 Adrian a elevou, tão facilmente que a fez sentir-se leve como uma pluma, depois a cobriu pelas costas com seu corpo. Pegou um dos travesseiros da cama, levantou os quadris femininos, e o deslizou baixo deles, levantando-a 80


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para que descansasse sobre seus joelhos. Um dedo a testou, afundando-se em sua gotejante e úmida vagina, empurrando dentro e fora uma, duas, e até três vezes. Seu corpo inteiro tremia. Nunca esteve tão nua, tão exposta. Sua cabeça se encontrava pressionada contra o colchão, seus quadris arqueados e elevados, seus joelhos completamente abertos. Adrian pressionou um dedo em seu franzido ânus, a umidade de seu corpo facilitando um pouco o caminho para sua gentil invasão. Ele se inclinou para ela, lambendo o lugar onde seu dedo a pressionava e ela choramingou. Seu corpo despertou com uma renovada inundação de necessidade. Um gemido fez seus lábios tremerem quando ele pressionou seu dedo mais profundamente em seu interior, depois se retirou, abandonando-a. Mas não a privou de sua atenção por muito tempo. Adrian empurrou seus quadris mais para cima, movendo-se atrás dela. Mona conteve a respiração, sentindo o tamborilar de seu coração. Com uma longa e molhada investida ele empurrou dentro dela, enterrando seu pênis profundamente em sua dolorida vagina. Era tão grande, tão grosso. Ela não tinha nem ideia do quanto era grande até esse momento. Quase a rasgou, estirando-a completamente, enchendo-a e envolvendo-a enquanto que ela quase o sentia na parte de trás de sua garganta. A respiração soluçou em seus pulmões, salvando-a de perder o conhecimento nesse mesmo instante. Está tão apertada. Não tinha ideia de que poderia sentir-se assim — apertou os dentes ferozmente. Seu corpo se dobrou sobre o dela, sua boca apanhando o ombro dela. A posição de seus corpos proclamava a dominação dele sobre ela, de uma forma que gritava em alta voz a presença de seu lado animal. A grossa e quente extensão dele se moveu dentro dela, lentamente no princípio, como se estivesse tentando ser o mais gentil possível. Não teria que haver se incomodado. Qualquer desconforto que seu impressionante tamanho pudesse haver causado não era nada comparado com sua necessidade. Moveuse para trás, para ele, forçando-o a empurrar mais profundo, mais duro. Ele uivou contra sua pele, seus dentes mordendo-a com mais força. Uma de suas mãos se moveu para sustentar a cabeça dela, para enredar-se em seus cabelos. Seu outro braço se moveu ao redor dela, apertando-a contra ele enquanto aumentava seus embates; já não delicados; seus quadris golpeando os dela. Mona gemeu, pequenos sons entrecortados que tinha certeza que não se 81


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pareciam com nada que tivesse emitido antes, permitindo possuí-la. Seu membro tamborilava dentro dela, chegando mais e mais fundo. Sentia sua boca como uma chama em seu ombro, sua mão como uma tenaz em seus cabelos. A fúria elementar de seu emparelhamento a atravessou. Sua paixão a dominava e a submetia, uma vez que a afogava em um fio tempestuoso de delicioso prazer. As garras do êxtase rasgaram sua carne. Tremia sob a força de suas emoções, seu corpo era dele para o que ele ordenasse. O grosso falo dele a cravava uma e outra vez, seus quadris trabalhando ritmicamente contra ela enquanto ela correspondia cada movimento com um próprio. Mona nunca havia sentido isto. Não entendia como podia ter perdido tanto seu autocontrole. Como podia desse modo consumi-la. E não se importou. A cabeça de Adrian se elevou, ficando ao lado da sua. Sua língua a lambeu na face, sua respiração acariciou seu ouvido. A cabeça de seu pênis escorregou para fora e ela ofegou. Ele grunhiu e moveu sua mão para acomodar-se, afundando-se nela outra vez. A mão dele estava úmida com os sucos dela quando a elevou para acariciar seus cabelos retirando-os de seu rosto. — Tão bonita. Tão perfeita — A última palavra se elevou em um uivo suave e foi um som doce, nu em seu ouvido. Bombeou nela, aumentando o ritmo de seus embates, galopando para seu fim. — Goze para mim — Ordenou, elevando-se detrás dela para agarrar seus quadris e empurrá-la mais duro em seus embates. Mona gritou, mordendo o travesseiro junto a sua cabeça em desesperado abandono. Sua vagina se apertava. Seu coração revoava em algum lugar nos arredores de seu estômago. Cada respiração que conseguia aspirar para seus pulmões estava condimentada com o gosto e aroma de seu coito. Uma mescla de suor e lágrimas ardeu seus olhos e soluçou sua necessidade, rogando a ele com palavras que não estava segura de que tivesse algum sentido absolutamente, em qualquer idioma que existisse. — Vamos, neném — Ele a estimulou, grunhindo as palavras. A força de sua liberação quase a machucou. Encheu-a com luz e escuridão, com prazer e dor. Adrian uivou, lançando sua cabeça para trás, permitindo que o som entoasse para os céus. Seu pênis se deslizou nela, mais profundo que nunca, aturdindo a ambos. Um jorro quente e úmido a encheu, chegando até seu útero. Ele 82


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estremeceu sobre ela, seus músculos retesando-se. Ouviu como seus dentes rangiam. Um soluço áspero, um som adoravelmente cru, escapou dele. Pulsou nela outra vez, enchendo-a com sua cremosa ejaculação. Quase a queimou, estava tão quente, e sua carne estava igualmente ardente quando pressionou seu peito contra as costas dela. Seus dentes rangeram de forma audível outra vez e os últimos restos de sêmen borbulharam para alagar sua ainda espasmódica vagina. Caíram sobre a cama, ainda unidos. Adrian parecia haver se tornado ainda maior dentro dela, obstruindo-os juntos no momento. Uma borbulha de emoção fez que seus olhos se alagassem com lágrimas. Palavras espontâneas saíram de seus lábios. — Acredito que o amo — Sussurrou ela, horrorizando-se ao dar-se conta que era verdade. Nunca tinha amado ninguém antes. Não assim. Adrian gemeu em seu ouvido, pressionando-a pesadamente contra o colchão. Suas mãos com garras; quando isso tinha ocorrido? Voltaram a cobrir os seios dela — Descanse — Sussurrou, sua voz quase terna apesar de sua característica áspera, gutural. Mas ela não podia. A tarde se estirava enquanto ele a sustentava. E tudo no que podia pensar era em como demônios pôde permitir-se apaixonar por um homem lobo. A respiração dele era estável e profunda em seu ouvido e ela se perguntou se acaso dormia. Moveu-se debaixo dele, sentindo-se ainda presa a ele, ainda unidos. As mãos dele apertaram seus seios com cuidado e soube que só dormia a sesta levemente, se por acaso dormisse. Desejava poder ver seu rosto. Ele teria ficado tão afetado quanto ela ao fazer amor? Se fosse assim, ele deveria está inclinando-se aos seus pés nesse momento, seu escravo por toda vida. Ela certamente parecia sua escrava agora, e com muito prazer ficaria de joelhos ante ele. Mas dobrar-se? Mona nunca se dobraria, não ante nenhum homem. Mas encontraria outras coisas para fazer enquanto estivesse de joelhos. Coisas melhores. Coisas perversas e pecaminosas planejadas para deixá-lo selvagem e louco por ela. Seu membro era tão grande que não poderia envolver seus lábios ao redor dele? Sentia ele assim enorme, ainda enterrado tão profundamente dentro dela, realmente o fazia. Seu coração pulsava tranquilizadoramente contra as costas dela. O coração dela seguia o mesmo ritmo. Não havia como voltar atrás agora e ela 83


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sabia, malditos olhos. Estava apaixonada por ele. Não importava que mal o conhecesse, já sabia que queria ficar com ele para sempre. E estava determinada a fazê-lo sentir-se da mesma forma que ela. Assim teria que golpeá-lo, faria que ele a amasse também. Com um objetivo claro em sua mente e coração, de repente se sentiu muito melhor. De novo no controle de si mesma e suas emoções. Assim o amava, assim morreria por ele, isso não a fazia franca. A fazia forte. E quando ele finalmente chegasse a amá-la em troca estaria inteira finalmente. Sabia agora que nunca esteve inteira, nem sequer por um momento em toda sua vida. O amor de Adrian a completaria. Seu amor por ele já tinha um longo caminho percorrido para completá-la, quebrou a parede de gelo que ela construiu ao redor de seu coração quando era apenas uma menina pequena em uma família desgastada e sem amor. Seu coração inchou com a emoção. Aconchegou-se profundamente nos braços de Adrian, dando boas-vindas ao seu peso sobre ela, convencida de que poderia fazer que ele a amasse, eventualmente. Devia ter dormido durante algum tempo, porque a seguinte coisa que soube era que estava deitada sobre suas costas com a cabeça de Adrian entre suas pernas. Ele a lambia brandamente, brincando com seus dedos sobre sua fenda como se estivesse fascinado com essa parte dela. — É minha primeira. Minha única — acreditou o ouvi dizer, embora não pudesse ter sido. E se ele disse essas palavras, certamente não eram verdadeiras. Ele fazia amor com maior habilidade e perícia que nenhum amante que ela conheceu. Devia ter resmungado alguma outra coisa ali, contra ela, e ela estava tão ébria com o prazer que despertava que imaginou uma coisa que não tinha nada que ver. Ele era o primeiro homem que a fazia gozar. Teve incontáveis orgasmos na puberdade, sempre com seu vibrador ou seus dedos, mas nunca experimentou um com um cara antes. Nenhum homem nunca tinha provocado um nela, usando sua boca ou suas mãos ou seu pênis para fazê-la gozar, mas Adrian fez, como se simplesmente fosse natural que ela tivesse uma reação tão explosiva ao seu toque. — Necessito de você dentro de mim — Sussurrou ela e era verdade. Sentia-se vazia. Perdida sem ele enchendo todos os lugares vazios dentro dela. Ele se elevou em cima dela, beijando-a com seu próprio sabor nos lábios. Entrou nela meigamente, profundamente. Sua dureza era tão grossa quanto ela recordava e ofegou, apertada, todavia ao seu gentil cuidado. 84


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— Está tão molhada — disse ele sonhadoramente. — Tão apertada. Poderia ficar assim para sempre. A respiração de Mona saiu em um soluço. Suas mãos foram às nádegas dele, as sentindo retesar-se e relaxar-se enquanto ele balançava em cima dela, dentro dela. Ela envolveu suas pernas ao redor da cintura dele e ele deslizou mais fundo em seu interior com um grito rouco. Seus cabelos fizeram cócegas em seu rosto quando ele levantou a cabeça, sustentando seu peso sobre ela com seus braços estendidos, os punhos apoiados aos lados de sua cabeça. Seus dentes rangeram de forma audível, sua mandíbula movendo-se. — Sim. Assim. Tão fodidamente bom — murmurou entre dentes entre suas afiadas presas, seu fixo olhar castanho acendendo-se no dela. A cama chiou com seus lentos e lânguidos impulsos. Se seu acoplamento foi um torvelinho de paixão antes, isto era agora uma chuva doce e aprazível. Suas respirações ofegantes se mesclaram. Seus suores cobriram a um e outro em uma capa úmida até que deslizaram sensualmente um contra o outro nos enredados lençóis. Ele girou com ela, sem quebrar o ritmo, até que ela terminou sentada em cima dele. A nova posição lhe deu a oportunidade de acariciar e sustentar os seios dela enquanto se moviam. Seus polegares esfregaram para frente e para trás sobre seus mamilos enquanto suas amplas mãos levantavam e testavam o peso de seus tenros globos. Mona se apoiou com suas mãos sobre o peito dele. Ele era tão densamente musculoso ali que era impressionante. Não parecia tão desenvolvido sob as camadas de roupa. Seu tamanho, o de todo seu corpo a afligiu. Sentiu-se verdadeiramente delicada, frágil e perdida. Um gemido fez cócegas em sua garganta, borbulhou em sua boca. O som excitou Adrian. Suas presas cintilaram num grunhido, suas garras se estenderam das pontas de seus dedos para arranhar perigosamente sobre seus seios saltitantes, e seu pênis se intumesceu alarmantemente dentro dela. — Não gozarei sem você — murmurou entre dentes. O suor salpicou sua testa e seus quadris lançaram-se com mais força contra ela. O toque dele, de cada movimento dele, era tão incrível. Mas se sentia muito em carne viva, muito deliciosamente consumida, para sequer pensar em ter outro orgasmo. — Não posso — Gemeu. Adrian grunhiu e se sentou embaixo dela, acomodando-a em seu colo exigentemente. A força de suas mãos a moveu sobre ele, levantando-a e baixando-a com uma força aterradora. A fricção de seus esforços a fez gritar, 85


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fez que seu corpo enlouquecesse com a necessidade. Desesperada, lançada à deriva em muito prazer líquido, agarrou-se a ele. Seus braços o rodearam, baixando sua cabeça, enredando seus dedos nos cabelos dele. Ele beijou sua garganta, depois a mordeu, afundando seus dentes em sua pele, tirando sangue pela segunda vez. Desta vez não doeu, ou se o fez, Mona não notou ou não se importou. Estavam cobertos de suor, pegajosos, quentes. Sujos. E era bonito, maravilhoso. Absolutamente perfeito. Uma de suas mãos se moveu ao redor dela para fazer pressão na parte baixa de suas costas, trazendo-a impossivelmente mais perto com seu abraço. Ele empurrou dentro de sua vagina, baixando-a com força, estremeceu e gozou dentro dela. Sua semente a escaldou por dentro. Ela o seguiu para o céu, gritando outra vez; embora sua voz tivesse enrouquecido pelo uso excessivo. Suas unhas arranharam a pele dos ombros e costas dele, e ele empurrou com força nela em resposta aquela dor deliciosa, enchendo-a com seu creme. Mona voltou em si vários minutos mais tarde e estava chorando. Soluçando abraçada a forte coluna do pescoço dele. A mão dele percorreu de cima a baixo as costas dela, acalmando-a, deixando-a chorar. Foi o momento mais bonito. E foi destruído pelo som da porta principal quebrando-se.

Capítulo 13 Adrian e Mona mal tiveram a chance de saltar para fora da cama antes que o lobo corresse para eles em um borrão de pele marrom e dentes cintilantes. Pegou Adrian pelas costas, derrubando-o. Mona gritou e saltou sobre o lombo do lobo, golpeando suas costas com seus punhos. Sua cabeça se virou, as mandíbulas tentaram mordê-la com a clara intenção de matá-la. Adrian se recuperou instantaneamente, agarrando a cabeça do lobo com suas mãos para jogá-lo para trás, longe dela. O lobo se esquivou dele, recuperando-se no voo. Ela caiu junto da mesinha e o abajur em cima caiu com um ruído surdo no piso. Sua cabeça bateu com um audível “crack” e viu estrelas durante alguns aterradores segundos. Quando sua visão se limpou, viu Adrian e o lobo lutando ferozmente. 86


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Levantavam-se e caíam do chão devido à violência de seus esforços, movendose de um canto do quarto ao outro. Em um momento Adrian conseguiu jogar seu atacante através do quarto, e no seguinte o lobo se recuperou, lançando-se contra Adrian. Mona só podia gritar quando saíram voando por uma janela, a madeira se quebrou igual aos vidros da janela. Não se preocupando de que seus pés descalços pudessem pisar nos vidros pulverizados por toda parte no dormitório, correu para a janela e olhou. Os dois adversários lutavam uma batalha mortal a alguns metros de distância Não pareciam muito feridos, embora se notasse um velho ferimento que prejudicou um dos olhos do lobo. Ambos pareciam estar no inferno. Seus grunhidos armavam um horrível alvoroço. Mona olhou ao redor procurando uma arma, qualquer arma com a qual pudesse ajudar Adrian. Não havia nenhuma dúvida em sua mente, este lobo era aquele bastardo louco do Baldrick, e sabia que devia detê-lo antes que fizesse mal ao seu amado. Não pôde encontrar nada que pudesse utilizar. Então pegou um edredom da confusão armada em cima da cama, envolvendo-o ao redor de sua nudez, e avançou lentamente pela janela atrás deles. Determinada a observar Baldrick e a Adrian se por acaso necessitasse de ajuda. Não se preocupando com sua própria segurança. Seus pés sangravam na terra, e apesar disso se agachou para reunir um punhado de pedras. A primeira que lançou golpeou Adrian na coxa e se sentiu abatida, embora ele não parecesse ter feito caso da dor que ela sabia devia ter lhe infligido. Não foi alentador para ela, já que acreditou que poderia voltar a errar se tentasse pela segunda vez. Não ajudaria Adrian assim absolutamente. Seu segundo golpe foi correto, golpeando diretamente o nariz de Baldrick. Baldrick uivou, um grito profundo, e se aproximou dela. Esquecendo no momento a maior ameaça que significava Adrian. — Vem para mim covarde — Zombou, esperando que Adrian pudesse conseguir agarrá-lo antes que arrancasse sua garganta. Mas Baldrick pareceu voltar aos seus sentidos, justamente antes de saltar sobre ela e voltou para o Adrian. Mas não atacou. Em vez disso, grunhiu outra vez, e se lançou rudemente para o bosque, escapando quase tão rapidamente quanto tinha aparecido. Mona meio coxeou, meio correu para o lado de Adrian. Ele se inclinava para o chão, sua pele e músculos tremendo esporadicamente. — Você está bem? — Perguntou com lágrimas na garganta. 87


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— Para trás — Protestou, estendendo uma mão como se quisesse mantêla à distância. — OH meu Deus, Ele o machucou… — Disse para trás — Suas palavras se elevaram, terminando em um longo, e ruidoso uivo que ressoou em seus ouvidos. Imediatamente Mona compreendeu por que ele queria que ela se mantivesse distante. Estava se transformando. Justamente ali, no meio de um dia iluminado pelo sol da tarde. Seus ossos se retorceram, um som ruidoso que doeu em seus ouvidos. Mona gemeu, aterrorizada, encantada, ficando congelada no lugar pela visão maravilhosa da transformação de Adrian. Ele grunhiu profundamente, juntando seus dentes com a força de seu corpo se reorganizando. Caiu sobre suas mãos e joelhos, de seu corpo de repente brotou uma capa brilhante de pele grossa. Sua coluna pareceu diminuir, encolher-se dentro dele mesmo. Os músculos de suas coxas ondularam, e os ossos embaixo deles se elevaram, dobrando suas pernas em uma configuração estranha, a estrutura deles similar ao do ser humano. Sua cabeça se virou, observando-a. Seus longos cabelos se moviam, assemelhando-se mais a uma juba em vez de seu habitual comprimento sedoso e Liso. — Não se assuste — Escutava as palavras em sua cabeça, mas o som delas a assustou tanto ou mais que a visão de sua mudança em si mesmo. Sua voz era líquida, espessa, como se algo tivesse coagulado em seu peito. Não estava nem grunhindo, nem ronronando, a não ser algo no meio. Um grunhido de animal, saindo de uma garganta ainda humana. Mona gemeu outra vez, suas pernas fraquejaram e deslizou para a terra sobre seus joelhos ao lado dele, não mais de três metros de distância os separavam. — Não farei mal a você Mona — disse entre dentes novamente. Grunhiu, um som perigoso, como se o esforço para falar fosse muito para o animal que existia dentro dele. A extensão de seu corpo estremeceu outra vez. As mudanças que aconteciam por toda parte de seu corpo de repente pareceram ir mais rápido, rabiscando-o aos seus olhos por um momento. Quando pôde vê-lo claramente outra vez ele já tinha terminado. Maior que qualquer cão ou lobo que tivesse visto alguma vez, com a pele brilhante e negra, o focinho forte, as patas traseiras fortes, era absolutamente perfeito. Ele se aproximou dela, devagar. Mona gemeu e tentou avançar lentamente, parecia um caranguejo, se 88


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distanciando dele. Ele se deteve, olhando-a diretamente nos olhos. Mona quase não desejava olhar dentro de seus olhos, sabendo que qualquer gesto poderia fazê-lo mostrar suas presas e ficar em estado agressivo. Mas ele esperou pacientemente, e por fim ela sentiu que não podia evitar seu olhar fixo, nem sequer por sua própria segurança. Adrian a olhou por aqueles olhos. Ele era o mesmo homem com quem acabou de fazer amor, por quem se apaixonou. Mesmo que usasse a pele de um lobo ou de um homem, ainda era a mesma pessoa. Ele se aproximou novamente, como se soubesse que ela o aceitou. Desta vez ela não retrocedeu. Avançou para ela e pressionou seu nariz contra sua face, cheirando-a. Soltou um pequeno uivo e lambeu sua mandíbula. Mona gritou pela surpresa, suas mãos elevando-se para a cabeça dele, percorrendo com seus dedos a pele que era tão suave, ou talvez ainda mais suave que os cabelos humanos. Ele a lambeu uma vez mais, sua língua deslizou para sua boca. Por um momento Mona sentiu o estremecimento do calor da excitação, como se a tivesse beijado com sua boca humana. Mas seu cérebro humano não podia deixar escapar o fato de que não a beijou com uma boca humana, e sim com a de um lobo. Sentiu-se confusa. Adrian o lobo se levantou, pressionando suas patas contra seus ombros. Era tão pesado, mais pesado que qualquer lobo normal de grande tamanho deveria ser; e a derrubou na terra. Seu olhar posou no dela, comunicando-se com ela. E, com certo assombro, sentiu que podia entender exatamente o que tentava lhe dizer. Permaneça aqui. Voltarei logo. Mona se encontrou assentindo. Isto pareceu tranquilizá-lo. Ele continuou jogando suas patas para dar ênfase a sua ordem, uma última vez. Adrian o lobo uivou novamente, saltou por cima dela, e saiu direto para o bosque com uma velocidade alarmante. Seu corpo era uma mancha negra imprecisa com a luz do sol brilhando no lombo, e logo desapareceu completamente quando as sombras do bosque o envolveram. Mona não ia ficar simplesmente vadiando ali esperando outro ataque. E de forma alguma ia deixar que Adrian fosse confrontar Baldrick sozinho. Ela não era uma delicada violeta. Era uma Kincaid. As plantas de seus pés estavam cortadas e sangravam, mas não permitiu que isso a amedrontasse. Voltou para casa, ignorando os destroços que ficaram na parte dianteira da casa de campo enquanto passava por cima da madeira 89


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estilhaçada. Mona levou o tempo para vestir um jeans e uma camiseta, fazendo-o tão rapidamente quanto podia, com um par de meias três-quartos grossas; seus pés protestaram quando os pôs; e calçou as botas de combate. Observou seu entorno tentando pensar no que fazer, onde olhar. A biblioteca. A porta estava fechada, tal como a deixou depois de vê-la naquele primeiro dia. Entrou com determinação para encontrar uma arma, qualquer arma com a qual pudesse proteger a ela e ao Adrian. Havia muitas ali. De todos os tipos e tamanhos. Espadas, adagas e facas; mas não podia fazer muito com elas. Escolheu uma em particular, uma faca que tirou de cima da lareira. Sua bainha era bastante fácil de amarrar com uma correia ao seu tornozelo calçado, mas desejava não ter que usá-la. Realmente não tinha nenhuma ideia do que fazer com ela além de apunhalar a quem quer que se pusesse o bastante perto para fazê-lo, mas a pegou em todo caso. Poderia manejar um rifle calibre 22. Foi membro do NRA 12 durante anos, reunia-se e participava só para incomodar seus pais, que sofreriam se soubessem que sua filha manejava armas e munições. Pegando a arma e uma caixa convenientemente colocada que continha a quantidade apropriada de munições, carregou-o e encheu seus bolsos. Se o sangue dos antigos caçadores de homem lobo fluíra em suas veias, agora era o momento para que se sobressaísse, confiava nisso. Sentiu-se forte. Decidida. Não tinha medo algum dos lobos selvagens, não agora, não quando seu amado estava em perigo de ser ferido ou assassinado por um deles. Se qualquer um deles o machucasse, não mostraria nenhuma piedade. Faria o que devia fazer. Com a firmeza de sua resolução, pegou a arma firmemente entre suas mãos, e se virou para partir. — Posso levar você até ele — Disse Luke da entrada. Mona saltou, o coração martelando devido à surpresa. — Poderia ter atirado em você! —Resmungou entre dentes. — Deveria dar um tiro em você de qualquer forma — Afinal, acaso conhecia realmente este homem? Realmente sabia se ele estava ali para ajudá-la ou não? Era um deles, um membro da matilha, e isso não o fazia tão culpado e perigoso quanto o resto? Seu corpo meio lobo, meio humano estava apoiado negligentemente contra o portal da porta; sua cabeça roçava a parte superior do portal, como se NRA, National Rifle Association of America quer dizer Associação Nacional do Rifle Norte americana. 12

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realmente não se preocupasse com o que ela podia fazer com ele. — Se atirar em mim, nunca encontrará o caminho para o território de Baldrick. Faça um pacto comigo, um Gruenwalt entre nós, e levarei você ante ele. — Se sabia que estávamos sendo atacados, por que não nos ajudou? Como sei que não está ajudando Baldrick neste momento? Fez uma careta de repugnância e desdém. — Nunca ajudarei Baldrick. Minha lealdade já não está com ele. Por agora, está com a segurança e sobrevivência de minha matilha. — A merda com a sua gente. Se qualquer um deles chegar a se aproximar farei sua cabeça voar, juro que o farei. O tempo em que eu me preocupava, quando poderia ter mostrado alguma simpatia por eles e sua grave situação, acabou-se. — Mas sua gente nos atacou primeiro. Só defendemos nosso direito de viver. — Pode ser, mas Adrian não fez nada para ganhar violência de sua gente. Tampouco August Finn; infernos, ele passou sua vida inteira se preocupando com vocês, mantendo seu Gruenwalt sagrado — replicou. — Seus irmãos e irmãs esqueceram disto. O lobo mostrou suas presas de maneira ameaçadora, o fogo em seus olhos como prata fundida. — E daí? Não sabe nada, não nos conhecia, nunca acreditou em nós até agora. Como pode entender nossos motivos? Mona suspirou pesadamente. — Não posso. Mas tentei. E as pessoas daqui tentaram. Entendo que os dois homens devam ser castigados, realmente entendo. Mas caçar suas famílias, seus amigos? Isso é inconcebível. Ferir um ancião que não tinha nada que ver com esta tragédia, é imperdoável. O desafio de Baldrick a Adrian é estúpido, não tem nenhum sentido, ele é um forasteiro neste lugar. — E o que diz a respeito de sua parte nisso tudo? Esqueceu que Baldrick pensa em matá-la também? — Não esqueci. E entendo por que Baldrick e seus companheiros de matilha estão zangados comigo. Mas eu não pude controlar as circunstâncias de meu nascimento, ou a deserção de meu pai deste lugar. Fui criada para acreditar que tudo isto era um montão de loucas mentiras. Eu não devia estar aqui para vê-lo. Mas realmente entendo por que Baldrick poderia acreditar que sou responsável de todos os modos. Não posso mudá-lo. Não me importa. Tudo o que me importa é pôr fim a esta loucura de uma vez por todas — Ofegou Mona com ira crescente. Estava se zangando outra vez, odiando a demora que aumentava a distância entre ela e seu companheiro. 91


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Seu companheiro? De onde saiu esse pensamento? Não deveria ser possível. Entretanto a palavra produziu nela a sensação de que estava certa quando se referia a Adrian. Era verdadeira. Adrian era seu companheiro. — Baldrick atacou seu companheiro, —Era aquela palavra outra vez, um eco de seus pensamentos privados — porque Adrian é uma ameaça a sua posição como Alfa. Se alguém puder derrubar Baldrick, se alguém puder pôr fim a sua sede insana de vingança, é ele — Ele fez uma pausa, claramente reunindo seus pensamentos antes de continuar, como se fosse difícil pensar racionalmente, decidir, em seu atual estado. — Suas sentinelas atacaram August simplesmente porque estava com você quando o encontraram. É uma razão suficiente para estimular sua raiva. Já lhe disse isso, a prudência de Baldrick está por um fio. Eles não têm nenhuma opção agora. — Bem, então tampouco eu a tenho — Sussurro com os dentes apertados. — Mas tem uma opção, é humana. — E você é humano em parte. Não é responsável por suas próprias ações? A risada zombadora de Luke enviou um halo de frieza ao longo de sua coluna. — Está cega pelos ideais de seu companheiro, por sua busca. Não somos humanos. Nunca seremos. Somos o que somos; lobos. Não temos nenhum laço com os humanos, mas devemos compartilhar este mundo com eles e às vezes encontrar nossos companheiros entre eles; e nossos descendentes sempre são lobos por completo. Não há nenhum grande mistério, nenhum segredo mágico, não importando o que Adrian e seu mundo de troca formas possam pensar ou esperar. — Parecem-se muito com os humanos. Como podem não estar relacionados conosco? — Pensou talvez que só aparecemos ou nos transformamos de lobo a humano, do nada? Não o fazemos. Logo saberá, bastante logo. Ela não fez caso daquela última observação, enigmática. — Então por que está aqui? Se vocês se desenvolveram ao mesmo tempo em que os humanos, por que não o fizeram à vista de todos? Se nós soubéssemos de sua existência desde o começo, com certeza não nos encontraríamos nesta situação. — Nunca necessitamos dos humanos. E sempre estivemos em mais harmonia com a natureza que com os de sua espécie. Somos mais animais selvagens que qualquer outra coisa. Há centenas de espécies que estão em segredo, ainda não descobertas por sua sempre muito curiosa raça de cientistas e exploradores. Somos simplesmente uma destas. Como somos inteligentes, talvez até mais que alguns humanos, presume-se que nós deveríamos estar 92


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invadindo o planeta como vocês fazem. Mas deve agradecer a nossa inteligência de que não o façamos. Respeitamos nosso mundo. Vivemos em harmonia com ele, não competindo para dominá-lo. — Não tenho tempo para isto — Murmurou entre dentes. O som a surpreendeu, parecia-se tanto com um ruído de um animal que o julgou alheio a sua garganta. Sacudiu a cabeça para esclarecê-la e para empurrá-lo e passar ao seu lado. Ele agarrou seu braço, seus dedos fortes tão grandes que pareciam algemas frouxas ao redor dos não pouco impressionantes bíceps dela. — Posso ajudar você, ajudá-la a ir aonde quer ir, inclusive antes que Adrian encontre seu caminho. Conduzirei você. Mas devo primeiro fazer um trato. Realmente ele poderia fazê-lo? Poderia cortar o caminho entre Adrian e Baldrick, desejava poder ajudar a salvar seu amado?— Que tipo de trato tem em mente? —Perguntou com desconfiança, tentando não sentir-se inferior ou intimidada por sua altura impressionante e sua força. — É a Kincaid, a chefe de seu clã, e sua palavra é uma obrigação sagrada. Nosso antigo Gruenwalt esta quebrado, mas podemos realizar um novo entre nós, você e eu. Muitas vidas podem ser salvas. — Estou escutando. — Se entregar Baldrick em suas mãos, se você e Adrian conseguirem vencê-lo, deve prometer deixar minha gente depois de fazê-lo. Sua ira não é totalmente injustificada e tampouco a nossa. Mas podemos perdoar as transgressões que fizeram contra nós se você puder perdoar as nossas — Ele lambeu seus lábios, suas presas cintilando. — Se levar ante os tribunais os dois homens que continuam vivos, se assegurar que serão castigados de maneira apropriada, uma vez que Baldrick esteja fora e a matilha possa decidir outra vez, manteremos todos os juramentos realizados. O Gruenwalt, o acordo no qual nossa gente viverá em paz e tolerância uma com a outra, se manterá firme outra vez. Nossos caminhos continuarão separados. — Quero saber o que o faz pensar que a matilha manterá até o fim este trato — Replicou. — Eles me escutarão. Não sou o Alfa, mas fui o único com coragem para enfrentar Baldrick quando as coisas se tornaram difíceis. Eles respeitarão isso. Honrarão meu trato. Mona considerou, depois tomou uma rápida decisão. — Não quero que vocês machuquem mais às pessoas. Não quero que ninguém mais morra. Aceitarei este trato com você Luke e com sua matilha. Espero que eles vejam a razão quando isto terminar, mas —adicionou ao já dito por ele— Baldrick 93


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morre. Ele ousou atacar a mim e aos meus sem nenhuma justa causa, não vou perdoá-lo por isso. Luke assentiu. — Baldrick nunca deixará sua posição na matilha enquanto ainda respire. Embora eu uma vez o tenha chamado de amigo e líder, já não o faço mais. Ele não está são. Sua morte é necessária. — Então estamos esclarecidos. Levar-me-á aos seus territórios, então? Ao seu lar? — Há uma coisa mais. Ela o olhou com desconfiança. — E o que é? — Há um lobo de cor canela na matilha, uma fêmea com olhos suaves e cor de avelã. Não deve machucá-la, não importa que ela a ataque. Por favor, prometa que poupará sua vida, acima dos outros. — Quem é ela? — Minha companheira. Leva meu filho em seu ventre, e embora esteja presa na loucura de Baldrick, ainda a amo. Mais que minha própria vida. É feroz. Provavelmente tentará deter você de qualquer modo que possa. Deve encontrar um modo de detê-la sem machucá-la. Mona suspirou pesadamente. As coisas ficavam mais complicadas a cada minuto que passava e sentia a separação de Adrian como uma dor quente no peito. — Prometo — Disse entre dentes. — Farei o que puder. Mas o advirto que não deixar que me mate. — Farei minha parte para ver se ela não cruza seu caminho — Os olhos prateados de Luke se iluminaram de alívio. Parecia muito menos cansado agora, não tão atormentado e desesperado como estava antes. — Bom. Nosso Gruenwalt está selado. Ajudarei você, assim como você me ajudará — As palavras pareceram uma absolvição, saindo facilmente de seus lábios. — Vamos.

Capítulo 14 Mona sabia com certeza que os lobos da matilha de Baldrick nunca a teriam deixado entrar a menos de 45 metros de seu território se não fosse pela presença de Luke a suas costas. Ele a conduziu até ali, como disse que faria, uma excursão de pouco mais de 3 Quilômetros para o centro do bosque. Como prometeu, levou-a até ali antes que Adrian chegasse. 94


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Mas não antes que Baldrick o fizesse. — Vamos, vamos, e bem-vinda. A Kincaid sempre é uma convidada de honra aqui em nossas terras — Disse Baldrick, a voz imperiosa e jorrando sarcasmo. Já não estava em sua forma de lobo, ou não totalmente, de todos os modos. Sua pele marrom ainda o cobria da cabeça aos pés, deixando apenas seu rosto, seus olhos cheios de cicatrizes, e seu pescoço e peito expostos. Caminhava sobre duas pernas agora em vez de quatro. — Bastardo — Murmurou entre dentes ela enviando sua audácia ao Luke. — Disse que me traria aqui antes dele. — Na realidade disse que eu poderia trazê-la aqui antes que Adrian — sussurrou Luke, sua voz tão baixa que ela não deveria ter sido capaz de ouvila, mas ouviu, entretanto. Seus ouvidos recolhiam todos os tipos de ruídos. Sua audição parecia particularmente aguçada hoje. — Suspeitava que Baldrick o conteria, enviando outros lobos para atrasar sua vinda até aqui. Baldrick não é nada se não previsível. Eu esperava que pudéssemos evitá-lo em qualquer caso, inclusive sendo uma esperança tola e eu sabia. Sinto muito. Mona acreditou nele. Não era sua culpa que o Alfa fosse um bastardo ardiloso. Ela se aproximou dele, enquanto se sentava sobre uma enorme árvore caída que lhe servia de trono. Era impossível para ela ignorar os grunhidos e os rugidos das dúzias de lobos que se apertavam contra ela, apinhando-se ao seu redor de maneira ameaçadora. Mas cuidadosamente se congraçou consigo mesma caminhando para o meio, aproximando-se da líder louco. — Vim para cumprir a parte de meu povo no Gruenwalt — Declarou com força. Uma luz selvagem de incredulidade brilhou em seus acalorados olhos azuis. — Duvido que isso seja a única razão pela qual está aqui ele fez uma inclinação de cabeça para seu rifle. — É assim que negocias a paz em sua sociedade? — Seus lobos são ferozes. Simplesmente respondo sua ferocidade com um pouco da minha — Disse ela, agradecendo que seu tom fosse frio apesar de seus joelhos trêmulos. Ele saltou descendo de seu trono, aterrissando levemente sobre as almofadinhas de seus pés nus. — O tempo para discutir passou. O acordo entre nós está quebrado. Não pode ser reparado. Não pode ser refeito. Deve pagar o preço pelos hábitos sanguinários de sua gente — Ele grunhiu de repente mostrando os dentes. Mona apertou suas mãos ao redor do rifle. Antes que pudesse pensar 95


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duas vezes se encontrou devolvendo o gesto, mostrando seus próprios dentes a ele em uma postura inequivocamente agressiva. Baldrick começou um grunhido que se debilitou pela sua surpresa. Então ele riu, o som deslizou por seu espinhaço fazendo-a estremecer de apreensão e aumentou seu medo. — Eu quis deter a reclamação de cabelos escuros sobre você. Falhei. Mas isso não fará abrandar minha cólera por você, mesmo que agora esteja fortemente unida a mim e a minha raça. — Não estou unida a você — ela não estava segura a respeito do que estavam discutindo, não realmente, mas era imperativo que o fizesse. Ele sorriu. — Como disse, isso não importa — Se aproximou dela, quase se deslizando, seus movimentos eram fluídos, tão cheios de graça.— Deixe a arma para que possamos falar como iguais. Os olhos de Mona se abriram imensamente. — Não acredito — bufou. — É esta arma o que nivela o campo, por assim dizê-lo. Esta arma me faz igual a você. Ou perto disso — Disse. Ele deu um passo adiante outra vez. Mona apontou a ponta do rifle para ele, seu dedo baixando sobre o gatilho. Os lobos ao redor dela se moveram de maneira ameaçadora para mais perto, dizendo claramente que a rasgariam se ela duvidasse o tempo suficiente para lhes dar a oportunidade. Uma fêmea canela com olhos cor avelã se aproximou dela furtivamente, muito mais atrevida que os outros, e Mona se afastou cautelosamente. — Luke, tire isso de cima de mim — disse quando ele se baixou de maneira protetora a suas costas. — Angie, não o faça — Luke fez uma série de grunhidos, latidos, e gemidos e a fêmea recuou quase imediatamente. Mas só um pouco. Angie ainda estava perto o suficientemente para morder Mona nas coxas se decidisse fazê-lo. O olhar fixo de Baldrick foi além dela ao Luke, como se acabasse de notar ao seu companheiro. — Tratarei de você depois disto, Luke. Parece que o desterro não é um castigo bastante forte para você. Retificarei isso com muito prazer. — Não viverá o suficiente para fazer merda nenhuma, amigo — Mona gritou de maneira ameaçadora. Seus olhos eram tão azuis, tão humanos. E tão incrivelmente instáveis. — Foi você quem saltou sobre mim. Naquela primeira noite no bosque — disse ela, não de tudo surpreendida pela constatação. 96


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— Longe de mim passar por cima da obrigação de dar boas-vindas a um novo Kincaid em nossas terras — Baldrick a olhou com lascívia. Estava claramente louco como uma cabra, insano além da salvação. — No passado, minha família teria dado um banquete em sua honra. Agora, como eu sou o único que resta em minha família graças a seu maldito povo, foi um banquete de um tipo diferente o que quis dar a você naquela noite. Mona sentiu um batimento de coração de compaixão por este, que uma vez foi um grande líder, mesmo estando determinada a arrancar sua cabeça. Não tinha sido sua culpa que as coisas tivessem ido tão mal tão rápido. Ele perdeu sua mulher, perdeu seu filho, e agora não era mais que uma casca de um homem lobo. Não haveria nenhum ganhador nesta batalha entre espécies. Só perdedores. E Baldrick teria que sofrer a maior dor quando isto tivesse acabado. Mas isso não o fazia menos responsável por suas ações. Não só se alimentou de testemunhas inocentes, prejudicou sua própria matilha em sua sede de vingança. Perdeu sua honra assim como sua sanidade mental. — Deixe a arma — Advertiu Baldrick. — Foda-se — Ela mostrou seus dentes e apertou seu dedo, quase acariciando o gatilho, apertando-o levemente. — Retroceda — Advertiu de maneira cortante. — Baldrick, deixa-a em paz — A voz de Adrian caiu sobre Mona como uma chuva quente e consoladora. Ele conseguiu. Os lobos que Baldrick indubitavelmente enviou para detê-lo, danificá-lo ou inclusive para matá-lo, falharam em sua missão. O rosto de Baldrick se cobriu com um rubor de raiva. — Adrian Darkwood. Da honorável e antiga tribo Darkwood. Eu sabia que viria. Sua companheira simplesmente me provia de um leve entretenimento, asseguro a você que não pensava em lhe fazer nenhum dano. — Sua mentira é vil, inaceitável e indigna de um Alfa. Desafio você Baldrick, pelo direito da supremacia e do mando sobre esta matilha. Baldrick gritou, um grito sufocado, antes de recuperar aparentemente o controle de si mesmo uma vez mais. — Não tem que fazer isto, escuro. Pode só se afastar e nos deixar nos ocupar da justiça ao nosso modo. — Você mesmo me convidou a fazer isto, quando atacou a minha companheira — Respondeu Adrian. Ele se moveu mais para o meio, caminhando até entrar por fim na linha de visão de Mona, enquanto ela continuava olhando fixamente ao seu inimigo 97


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através da ponta de sua arma. Ele estava maravilhosamente nu, perfeitamente humano; parecendo humano, corrigiu-se; belamente formado. Seus longos cabelos negros roçando ao redor de seus quadris, balançando-se pelos planos de suas costas bronzeada. Seus músculos ondeavam perigosamente, poderosamente. Parecia totalmente no controle de si mesmo e da situação. — Sua companheira é em parte responsável por esta tragédia; portanto merece qualquer castigo que decidamos dar a ela. Adrian sacudiu a cabeça com serenidade. — Não, ela não é. Sua linha de família foi quebrada no momento em que seu pai abandonou estas terras. Seus avós eram os últimos membros verdadeiros de seu clã. O dever de manter o pacto recaiu sobre o administrador do Kincaid; August Finn ou, falhando este, nos seus filhos. Era seu dever estabelecer ele como o guardião do Gruenwalt. — Quando o Gruenwalt foi quebrado pela primeira vez entre o caçador e os lobos, compartilhamos sangue entre nós para selar o pacto. A magia dessa união ainda flui nas veias desta mulher. Isto faz a ela e a toda sua família responsável por manter os votos sagrados, não importando as circunstâncias. — Não discutirei esse ponto com você por mais tempo — Adrian jogou uma mecha rebelde de cabelo sobre seu ombro e naquele momento, como em tantos outros antes deste, Mona pensou que ele era a criatura mais bonita e exótica que alguma vez tinha visto. — Desafiei você e sustento a verdade disso. Encontrar-se-á comigo na batalha e morrerá ou me concederá a vitória e viverá? Baldrick deu um precipitado passo para trás. — Não quer obter primeiro uma resposta para todas essas perguntas que o afligem? Não é por isso que veio aqui? Para aprender sobre sua herança? Mona bufou. — Ele conseguirá todas as respostas que necessita de mim, graças ao Luke aqui presente. E se tiver algumas novas — Ela deu de ombros. — Está claro que você mantém um conhecimento coletivo, entre você e outras matilhas ao longo do mundo, então Luke será tão apropriado para saber as respostas quanto você. Lutará com ele ou não? —Ela esperava que não, mas tentou não demonstrar isso. Seu rosto se retorcia de raiva e ódio. Se aquelas emoções voláteis estavam dirigidas a ela, a Adrian, ou a si mesmo era um mistério. — Aceite o desafio ou jure lealdade a mim. Essa é sua opção — pressionou Adrian. A matilha de agitados lobos recuou, esperando agora, como se estivessem curiosos por ver como a cena ante eles se desenvolveria em última instância. — Aceito seu desafio, maldito — Murmurou entre dentes Baldrick. — 98


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Mas antes de arrancar sua garganta —zombou— matarei sua companheira... — A ultima palavra se elevou a um grito e saltou para ela. Inclusive de tão perto como estava, tão rapidamente como se movia, ele nunca conseguiu pôr um dedo sobre ela. Mona mal conseguiu impedir-se de puxar o gatilho e atirar em Adrian quando ele voou entre ela e seu atacante, atirando Baldrick a terra. Os dois brigaram, enviando sujeira e folhas a voar enquanto giravam para frente e para trás pela terra. Um dos homens gritou de dor e Mona, baixando sua arma, avançando imediatamente, pensando que tinha sido Adrian quem fez o som. A mão de Luke posou com força sobre seu ombro, contendo-a. — Não o faça. Eles têm que resolver isto entre eles. Apenas um deve vencer. — Não deixarei Baldrick matá-lo. — Não acredito que tudo isto chegue a isso — Ele a tranquilizou. — Observe. Ela o fez. Todos o fizeram. Além do rugido da batalha, o bosque estava silencioso, quieto e esperando. Parecia que todos os lobos continham a respiração para ver quem finalmente surgiria como seu líder por direito de combate. Angie, o lobo canela que era a companheira de Luke, veio e descansou contra suas pernas. Parecia cansada. De verdade, agora que Mona tinha a oportunidade de realmente estudar os lobos que se apinhavam ao seu redor, compreendeu que todos pareciam completamente desgastados. Cansados e indispostos. A luxúria insana de Baldrick pelo sangue quase destruiu esta matilha, de muitos modos diferentes. Estes lobos não eram simplesmente animais, e não deveriam ser tratados como tais. Não era correto que seu líder os controlasse sem esforço. Era horrível vê-los presos desta maneira em sua forma de lobo, incapazes de se transformarem de volta por sua própria vontade ou desejo. Era um engano brutal da justiça, um horror ao qual não deveriam levar uma espécie tão nobre como esta. Adrian e Baldrick lutavam como os dois animais selvagens e enfurecidos que eram. A agitação dos movimentos rápidos, suas transformações físicas de homem a animais e logo depois de volta outra vez, deixaram a visão de Mona cambaleando vertiginosamente. Não podia dizer quem ganhava. E cada golpe ressoante que fazia eco como um trovão no bosque era um golpe em seu coração enquanto temia o pior para o Adrian. O sangue, os cabelos e o suor voavam na fúria do combate. E cada pessoa 99


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que observava o desenvolvimento da luta continha a respiração em um desesperado suspense. Todos os olhos estavam presos à cena de batalha, cada um dos corações excitado pela preocupação, o temor e a esperança. A luta durou pouco mais de alguns minutos. Quando o pó se assentou, Adrian e Baldrick estavam ambos em forma de lobo outra vez e as mandíbulas de Adrian sujeitavam como braçadeiras ao redor da garganta de seu adversário. Mona ofegou, compreendendo que todas as suas preocupações foram infundadas. Adrian saiu vitorioso nesta batalha, com apenas algum esforço, segundo parecia. Ele era tudo o que um Alfa devia ser. Forte, feroz e honrado. Foi muito ruim que sua honra escolhesse aquele momento para intervir. Adrian o lobo se afastou de Baldrick, estremecendo. Sua transformação foi tão rápida, que deixou Mona sem fôlego com o assombro que lhe produziu o movimento. Finalmente, ele ficou de pé sobre suas duas pernas uma vez mais, ainda nu e brilhando. — Não quero matar você Baldrick — Disse, bastante claro para que todos os que olhavam compreendessem.— Ganhei o desafio e assumo o mando sobre esta manda. Meu primeiro ato como Alfa será arrumar alguns dos males que cometeu. — Virou-se para os lobos. — Libero vocês desta loucura. Todos os lobos ao redor dela, uivaram no que não podia ser nada mais que uma celebração e triunfo. — Não aceito isto. — Baldrick também assumiu de novo sua forma bípede. — Não perguntei a você. — Disse Adrian com condescendência, utilizando cada centímetro de líder agora. — Não é mais sua responsabilidade aceitar ou não. Adrian caminhou para ficar de pé em frente de Mona, dando as costas a um cansado Baldrick, Sorrindo apenas para sua arma como se o agradasse saber que ela veio até ali com a ideia de protegê-lo. Ele tirou a arma de suas mãos e a colocou com cuidado sobre a terra, depois a tomou em seus braços, descansando sua cabeça sobre a parte superior da dela, aspirando profundamente seu aroma. — Seus pés ainda sangram. — Murmurou ele, dando um beijo em seus cabelos. Tudo o que teve que fazer foi anunciar isto, para que seus pés começassem a doer imediatamente. — Muito obrigado — Murmurou entre dentes ela contra ele. — É agradável vê-lo também. Com sua cabeça enterrada em seu peito e envolta por seus braços, com as costas de Adrian voltada para seu inimigo, nenhum deles viu Baldrick 100


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levantar-se. Nenhum deles vislumbrou a raiva infinita que ardia em seus olhos brilhantes. Mas Luke sim o fez. — Cuidado, Darkwood. — Advertiu, alarmado. Aconteceu tão rápido que Mona mais tarde se perguntaria se podia confiar verdadeiramente em suas percepções. Ouvindo a advertência alarmada de Luke, quase como se o tivesse antecipado; Adrian levantou sua perna e recuperou a faca Bowie que estava embainhada ali. Seus movimentos eram tão fluidos, seguros, e tão rápidos que Mona estava segura que devia ter sido impossível para ela ver mais que um aspecto impreciso do movimento. Mas seus olhos viram tudo. Viu-o com uma claridade sobrenatural que deveria havê-la atordoado, e foi então que a primeira e débil suspeita tomou forma dentro dela. Adrian pegou a faca, lançando-a para Luke, quem imediatamente assumiu uma postura de luta e investiu com força contra Baldrick, e calmamente, Adrian se virou para ver o resultado enquanto a sustentava com força. Mona sufocou-se, impressionada e horrorizada, quando um enfurecido Baldrick alcançou Luke. Sem demorar, quase como se tivesse sido sua intenção o tempo todo, Baldrick se cravou sobre a lâmina que Luke sustentava em frente dele. O rosto do homem relaxou. Durante alguns segundos seu corpo permaneceu erguido, antes de inclinar-se lentamente no abraço de Luke. Luke embalou a seu antigo Alfa sobre ele com cuidado como um amante, depois o deixou facilmente sobre a terra. Uma paz profunda, tranquila encheu os profundos olhos azuis de Baldrick, apagando a loucura selvagem que o tinha consumido. Seu olhar fixo centrado em Luke e algo ocorreu ali, entre os dois, em fim um entendimento. Luke beijou a testa de Baldrick e os olhos do grande líder se fecharam como se dormisse. Com um suspiro se foi. Na morte Baldrick finalmente recuperou a paz que lhe foi roubada em vida. Luke, com lágrimas derramando-se por seu rosto, levantou seu rosto ao céu e soltou um gemido triste que teria feito que os anjos caídos chorassem de compaixão. A matilha, incluindo até o último lobo e filhotinho, participou do grito até que os céus ecoaram seu coro angustiado. — Está tudo bem, amor. Está tudo bem — Sussurrava Adrian através de seu pesar, acariciando seus cabelos. Mona compreendeu com surpresa que esteve gritando também. Vários minutos passaram, alongando-se muito mais que todo o resto da confrontação… desde o começo até o final. Nesse momento, a maior parte dos 101


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lobos conseguiu recuperar o controle de si mesmo, a matilha transformou-se de lobos a humanos quase como se fossem apenas um. Muitos deles compartilhando abraços, reencontrando-se com suas formas bípedes que por muito tempo lhes foram negadas, rindo e sorrindo entre lágrimas como se tivessem esperando por isto durante um longo tempo. E claro, esperaram. Adrian e Mona olhavam o corpo de Baldrick. — Velaremos ele durante três dias, depois queimaremos seu corpo. É o modo que consagramos nossos mortos — Murmurou Luke ao lado deles. Angie, sua companheira, descansava contra ele, gritando e rindo em sua alegria por reunir-se ao seu companheiro. Mona deu-se conta de duas coisas. Luke parecia completamente humano agora, não mais dividido entre homem e lobo. Estava nu; não podia ter ignorado isto; e era bastante bonito. Seus cabelos eram castanhos, seu rosto magro e forte. Era alto; isso não era nenhuma surpresa; quase 2 metros e 10. Envolveu-se sobre sua companheira, fazendo que sua forma encantadora, voluptuosa parecesse quase frágil ao lado dele. O que Mona realmente achou surpreendente foram as numerosas tatuagens e piercings que decoravam seu corpo. Nas duas vezes que se encontrou com ele antes de agora, não tinha captado um vislumbre deles. Embora parecesse estranho, todos esses adornos o complementavam. Adrian a colocou sob seu ombro, fixando-a ao seu lado, como se dissesse “ela é minha”. A Mona adorou isto. — O que faremos agora, Adrian? Ainda devemos castigar aqueles que se equivocaram conosco. Mas e depois disso? Voltaremos a ser como éramos? — Isso é assunto seu agora, Luke — Murmurou Adrian. — O quê? —Como se fossem apenas um, a matilha o olhou fixamente, tão surpresos e curiosos quanto Luke ante as palavras de Adrian. — Você derrotou Baldrick. Você é o novo Alfa, não eu. É sua responsabilidade decidir o destino de sua matilha. Luke mostrou os dentes. — Não. Você o desafiou e ele caiu antes que você. Não pode se esquivar de seu dever. Adrian suspirou. — Tenho um dever com minha própria matilha. Um que ignorei por muito tempo. Desafiei Baldrick e realmente o venci. Mas não tirei sua ameaça. Você fez isto. Você é o Alfa, não por sangue, isso é verdade, mas por direito de poder e não há menos honra nisso. — O direito de poder não poderá proteger esta matilha por muito tempo. Necessitamos de um líder verdadeiro, de uma pessoa nascida com a força para 102


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nos manter unidos. Assegurar nossa sobrevivência. A tensão de Adrian fez que apertasse seus braços ao redor dela e Mona sentiu uma inquietação em resposta. Suas emoções complementavam perfeitamente as suas, como se estivessem vinculados. Ela tentou acalmá-lo, passou suas mãos ao redor dele e por suas costas, aliviando-o. — Vocês não me necessitam. Sou de uma sociedade diferente da sua e de seus companheiros de matilha, meus caminhos não são seus caminhos. Você é a melhor opção na tarefa de guiar a todos. — Luke fez um gesto para interrompê-lo, mas Adrian o deteve levantando uma mão. — E você não terá que sustentá-los por muito tempo, se isso o preocupa. — Adrian fez um gesto com a cabeça para Angie a de cabelos canela. — Ela leva seu próximo macho Alfa. A natureza proporcionou a última solução para vocês. Deve manter a matilha unida, só o tempo suficiente para que seu filho possa crescer e assumir seu lugar, no seu tempo. Luke e Angie olharam para ele atordoados. — Como pode saber que… — Luke sussurrou, sua mão se moveu imediatamente para cobrir o ventre ligeiramente arredondado de sua companheira, entrelaçando seus dedos com os dela que já descansavam ali. — Minha gente sempre sabe de tais coisas. — É muito mais diferente de nós do que acreditei, já que nós não podemos sentir tais coisas. Os lábios de Adrian se torceram ironicamente. — Talvez seja pelo sangue humano que amplia e delimita as diferenças entre nossas tribos, as que nos dão nossas capacidades únicas. Meus antepassados incluem muitos humanos e skinwalkers, eu mesmo sou meio humano. — Você é lobo. O sangue humano não tem nada que ver com isto. Todo o sangue humano é apagado em uma criança nascida de um lobo e um humano — Disse Angie, e Mona pôde ver claramente que a mulher não era uma flor frágil, não importando como se visse estando à sombra de seu companheiro. — Acredito que está equivocada — disse Adrian. — De que outra forma explicaria minha tão óbvia herança nativa americana? Minha pele é um presente para mim da humanidade em meu sangue. — Não sei. — Admitiu Luke. — Nunca nos equivocamos. — Disse Angie com arrogância. — Estamos conectados a cada lobo sobre o planeta, todos eles descendem de nós de uma ou de outra maneira. Sabemos mais sobre eles do que às vezes eles sabem sobre si mesmos. Olhe-se; veio até aqui em busca de respostas porque sabia que nós as teríamos. Suas capacidades devem ser únicas em você, porque é um 103


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Alfa tão forte. Não porque tenha tantos antepassados humanos. — Talvez não tenha tantas respostas como acredita. — advertiu Mona. — Esteve afastada do mundo dos homens por muito tempo, e não me surpreenderia se estivesse na escuridão sobre muitas coisas. Angie grunhiu, mostrando os dentes. Mona se encontrou fazendo o mesmo. Adrian a atraiu para si, empurrando-a ligeiramente para detrás dele, distanciando-a da mulher. Luke pareceu fazer o mesmo com Angie. Mona teria rido se estivesse em qualquer outra parte, mas não aqui, nos bosques, rodeada por trocadores de forma. — Acredito que possivelmente as respostas às perguntas que abriguei por toda minha vida, estão dentro de mim e sempre estarão. Sou um idiota obstinado por não ter visto isto antes de agora — Suspirou Adrian pesadamente. — Meus pais tinham razão. Não tenho que saber de onde venho se não souber para onde vou. — Então ajudará a conduzir sua tribo ao mundo dos homens? Não é isso o que queria todo este tempo? — Perguntou Luke, curioso. — Acredito que era. Mas agora não sei se esse é o caminho correto tampouco. Talvez tenha que ver aonde o vento me dirige. — Adrian sacudiu a cabeça, seus cabelos se enredaram com os de Mona, distraindo-a da conversa. Eram tão sedosos. Tão brilhantes. Sua visão agora era aguçada e clara, poderia distinguir cada fio individualmente sem problemas. E via tão claramente agora que estes não eram apenas de cor negra, mas sim estava inundado por outros matizes também. Vermelho, marrom e azul, era um caleidoscópio de cor. Riu bobamente, sentindo-se um pouco bêbada. Luke a olhou, depois compartilhou um olhar com Adrian que falava por si só. — Sua companheira necessita de descanso. Sua transformação progride rapidamente. Já havia um rastro de nossa presença em seu sangue para apressá-la ainda mais. Adrian assentiu, mas não disse nada, simplesmente a olhou longamente, estudando-a. — O quê? —Perguntou ela, inconsciente da maior parte. Um vento revolveu as árvores, e as folhas no alto prenderam sua atenção, desviando-a outra vez. Por que não podia concentrar-se? Compreendeu que devia ser porque estava cansada. Afinal teve um dia muito ocupado, e dormiu muito pouco na noite anterior para lhe dar forças. — Partiremos daqui por agora. Temos muito por fazer, e voltaremos para 104


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avisar a vocês quando tudo isto tenha acabado. John Smithey e Thomas Greene serão castigados, não tenham dúvidas sobre isso, mas será um castigo humano. Os aldeãos decidirão entre eles o que deve ser feito. Depois disto, deixaremos estas terras. — O que acontecerá ao Gruenwalt? — Esse acordo será pactuado agora entre vocês e Applecress. O administrador da família Kincaid pode honrá-lo, não tenho dúvidas que ele concordara em realizar uma obrigação de sangue com você. Seus descendentes podem seguir a tradição, e se morrerem, outro administrador deve ser encontrado e vinculado. Luke assentiu. — Os tempos estão mudando. Devemos mudar com eles. — O mundo sempre segue adiante — Concordou Adrian. — Pode ser que seu filho nasça forte e possa os conduzir nos modos sagrados ancestrais, mas sempre olhando a promessa do futuro. — Caminhe com o vento, Adrian. — Sorriu Luke quando ofereceu as palavras. — Plane13 com as águias — Os dois colocaram suas mãos sobre os ombros do outro, inclinaram-se e lamberam as bocas como só os lobos podiam fazer, e se afastaram. Adrian girou e guiou Mona se distanciando do acampamento da antiga matilha com uma mão aprazível que descansava nas pequenas costas dela. Uma série de uivos triunfante se elevou em uma crescente a suas costas enquanto Luke tomava seu legítimo lugar como Alfa da matilha.

Capítulo 15 — Tudo aconteceu tão rápido — Murmurou ela, prestando mais atenção aos seus arredores que aos seus próprios pensamentos ou palavras. Adrian a guiou despreocupadamente rodeando um afloramento de raízes que a teria feito tropeçar se ele não fizesse isso, ela estava olhando para todos os lados; olhando tudo; muito preocupada para ver por onde caminhava. — Acredito que Baldrick permitiu que durasse mais que o necessário. A maioria das batalhas pela supremacia da matilha, se por acaso ocorrer, só duram alguns minutos. 13

Planar – voar (pássaros) com as asas imóveis.

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— Huh? —Ela já tinha esquecido do que estavam falando. Ele estalou a língua entre os dentes, puxou-a pelos ombros, e a pôs de costas contra uma árvore. O assombroso brilho âmbar em seus olhos cafés era fascinante enquanto a olhava da cabeça aos pés, estudando-a de perto. — Como se sente? —Perguntou. — Maravilhosa. — Sorriu para ele, sabendo em sua mente que devia parecer uma louca, mas sem se importar absolutamente. Sentia-se maravilhosa. Melhor do que nunca havia se sentido, de fato. — E você? Baldrick machucou você ou algum dos outros? — Os perseguidores que enviou para me interceptar estavam cansados e fracos. Ele os pressionou muito para que fizessem algo mais que atrasar meu progresso através dos bosques detrás dele. Baldrick mesmo foi forte na briga. Mas eu sou mais forte e não estou ferido. — Ele continuou estudando-a, seus olhos entretendo-se em cada matiz de seus traços. — Luke estava certo. — Murmurou. As palavras deveriam ter sido muito baixas para que ela as escutasse. De toda forma as ouviu. Seus ouvidos estavam virtualmente zumbindo com todos os sons que podia escutar agora. — A respeito do quê? — Logo teremos que ter uma conversa. — Por que não podemos falar agora? — Ela estava sem fôlego, como se tivessem corrido a milha que apenas havia caminhado. Sentia-se como se facilmente pudesse correr cem mais. Ele a beijou, silenciando suas palavras e seus suspiros excitados. As mãos dele seguraram sua cabeça, mantendo-a quieta e próxima enquanto sua boca brincava com a dela. Sua língua se lançou a prová-la e ela abriu a boca para ele, convidando-o a entrar. O corpo de Adrian se alçou sobre o dela, prendendo-a contra a árvore, dominando-a. O beijo se aprofundou, endureceu, e Mona se conscientizou de forma abrupta de outras coisas se endurecendo também. Ele ainda estava nu, completamente cômodo com ele mesmo por está, e assim rapidamente, cada um dos sentidos dela se enfocou em sua sexy pele toda exposta. Seus dedos massagearam os ombros e bíceps dele, gozando do quanto ele era grande. As pontas afiadas de suas garras se estenderam, e em segundos ele esmigalhou a blusa de seu torso, para deixá-la cair em farrapos no chão ao redor deles. — Faz-me querer transar com você todo o tempo — Murmurou entre dentes. — Nunca estive tão duro; dói. Está me matando. Ela estava no mesmo estado, seu corpo esteve úmido para ele desde o primeiro momento em que escutou sua voz. Essa sua voz podia fazer que 106


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qualquer mulher deitasse e se abrisse feliz para ele, fosse ele que se oferecesse primeiro ou não. — Agora — Ofegou ela. — Necessito de você agora. Por favor. A dura pressão de sua boca na garganta dela a fez ofegar. Suas mãos desceram pelos braços dela, esfregando-os até que sentiu a pele dela se inflamar e altamente estimulada. Seus cabelos fizeram cócegas no rosto dela, cheirando a bosque e a ele. Seu sentido do tato fez que as pontas de seus dedos doessem enquanto exploravam o peito e o ventre dele. Sentia as texturas como cores em sua pele. Até a dura e rugosa textura da árvore detrás dela lhe dava prazer. A mão dele se moveu para seu seio e ela soltou um gemido. Imediatamente se reajustou, convertendo-se em um uivo, e o som pareceu alheio enquanto borbulhava de sua garganta. Esse som não pertencia a sua boca, não era humano. A comoção a saturou, interrompendo sua excitação. Com uma inalação, ela o empurrou, e se surpreendeu quando ele tropeçou para trás com sua força. — O que está errado comigo? —Sussurrou, elevando as mãos ante seus olhos muito abertos, olhando-as como se não lhe pertencessem. E não lhes pertenciam, não podia, eram muito fortes. — Já tem uma ideia agora — Ofegou ele, aproximando-se dela de novo, prendendo suas mãos nas dele. Ele pressionou sua parte baixa contra ela, como se não pudesse evitar, e ela deixou. Ainda o desejava. Mesmo sentido medo dele, e dela, e da situação atual. Porque tinha uma ideia do que estava errado. Uma ideia muito boa, e a assustava terrivelmente. — O que vai acontecer comigo? —Ela tremeu. — O que fizemos? — Não me considera o único responsável? Eu fiz isto a você, deve compreender. Mona o olhou nos olhos. Eram completamente indecifráveis. — Não sei — Ela engoliu em seco, suas mãos apertando as dele com força. — Quando dormimos juntos, quando me mordeu… — Ela se calou. Ele assentiu, como se ela tivesse perguntado. — Eu a vinculei a mim quando rompi sua pele. Minha essência entrou em sua corrente sanguínea, misturou-se com seu sangue, quando a fiz minha. Fiz você como eu. — O que acontecerá comigo? —Ela se sacudiu de seu abraço, mas ele a sustentou com força. Os punhos dela subiram, ainda sustentados pelas mãos dele, para golpeá-lo ineficazmente no peito. — Como retomarei minha vida depois disto? —Gritou. 107


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Os traços do rosto dele eram duros e não respondiam. Pareciam quase insensíveis. E ainda assim ela o amava. Maldito, ambos eram malditos, compreendeu com algo parecido ao horror que ela o amava de qualquer forma. Apesar de tudo. Ou talvez devido a tudo. — Sua vida agora é comigo. — Murmurou entre dentes brandamente. — O que vou fazer? —Ela gemeu e tentou cobrir o rosto com as mãos. Ele não ia deixar. As ásperas e calosas cabecinhas de seus polegares esfregaram os dedos dela para acalmá-la. — Não tem que fazer nada. Eu cuidarei de você. Ensinarei a você tudo o que precisa saber. Será uma loba maravilhosa. Ouvi-lo dizer isso em voz alta o fazia mais concreto. — Não posso me converter no que você é. Simplesmente não posso. —Você pode. E o fará. Não tem opção no assunto agora. Na realidade, nunca teve, não desde o primeiro momento em que a vi. Ela o empurrou, usando com muito gosto sua nova força contra ele, mas desta vez ele estava preparado para resistir e ainda com todos seus esforços ele não se moveu nem um centímetro. — Não quero isto. — Suas preferências não mudam nada. Mona lhe lançou um olhar fulminante, esquecendo seu medo. — Sabe, não está me ajudando a aceitar isto mais rápido. Adrian riu. Realmente teve a ousadia de rir, e a fez ver vermelho. Grunhindo e resmungando ela tentou arranhá-lo. Ele a deteve facilmente, ainda rindo baixo. — É sua fúria o que quero, seu temperamento que a ajudará a esquecer o medo disto. Não precisa ter medo de qualquer forma. Tudo é como deveria ser. — Filho de uma cadela arrogante. — Resmungou ela. — É minha agora, Mona. Costume-se — Sorriu para ela de forma lupina. — Cale-se! — Gritou ela. Ele ficou sério imediatamente, inclinando-se para o corpo dela de novo, pressionando suas costas contra a árvore outra vez. — De qualquer forma não era feliz em sua antiga vida. Admita. — Era completamente feliz. — Resistiu. — Estava completamente resignada. Agora, comigo, pode aprender o que é a felicidade verdadeira — Deu um beijo na comissura da boca dela, ignorando seus dentes quando ela o atacou. — Farei você muito feliz. Prometo. Agora me beije — Ordenou. — Não. — Ela girou sua cabeça para um lado. Ele riu ante seus esforços e se abaixou para beijar seu seio. Ela não se 108


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incomodou de vestir um sutiã, havia se vestido correndo, e seus seios estavam nus. Descobertos para seu prazer. Se seu grunhido fosse um indicativo, seu prazer em encontrá-la assim era na verdade grande. Ela se aborreceu debaixo dele, tentou sacudi-lo de cima dela, mas ele não ia permitir isso. As longas mechas sedosas dos cabelos dele caíram para frente para atormentá-la, e baixou sua cabeça para tomar um de seus seios com a boca. Ainda tinha as mãos dela cativas, ainda mantinha seu corpo preso entre ele e a árvore. Ela estava imobilizada efetivamente. — Não vou fazer sexo com você. Estou zangada contigo — Deu-se conta do quanto ineficazes seus protestos deviam soar para ele. Ela o desejava, em um momento em que devia estar mais que simplesmente zangada com ele; devia de fato estar horrorizada e em pânico; e ele devia saber disso. Até ela podia cheirar o perfume de sua própria excitação. Amaldiçoou em voz baixa. — Sexo comigo é justamente o que necessita agora. — Murmurou ele, sua língua a lambendo entre cada palavra para banhar seu mamilo rígido como o diamante. — E vou dar a você a cavalgada de nossas vidas. Contra sua vontade, ela estremeceu delicadamente com sua paixão crescendo rapidamente. Sentiu como se sua pele fosse se abrir com a força crescente de sua necessidade. Gemeu, um som dominado, derrotado. — Está úmida, ou não está? —Sussurrou eroticamente contra ela. — Preparada. — Você está duro — disse ela estraguladamente, como uma acusação. — E grosso, e pesado. E você estará muito feliz por isso em alguns minutos. Ela gemeu e deixou que sua cabeça caísse apoiando-a contra a árvore que estava detrás. As pontas agudas dos dentes dele morderam delicadamente seu mamilo. Suas mãos liberaram as dela e se moveram para o fechamento de seu jeans, soltando-o antes de empurrar suas calças para seus tornozelos com impaciente rudeza. Já não restavam forças para brigar nela. Segurou os cabelos entre suas mãos, levando o rosto dele para aspirar profundamente seu aroma. O rosto dele se moveu para baixo para dar beijos quentes, tensos na curva de seu ventre. Por um segundo, ele pareceu duvidar aí, concentrado nela de uma forma que nunca esteve antes. Então suspirou profundamente, pressionou um último beijo delicado em seu umbigo, e percorreu as mãos com 109


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amor sobre ela. —Minha — Suspirou possessivamente. — Adrian. — Suspirou ela, com os joelhos débeis e sem fôlego. O calor úmido da boca dele se fechou sobre o montículo de sua vagina. Lançou sua língua profundamente, separando as escorregadias pétalas para saboreá-la completamente. Mona gemeu suavemente e separou as pernas tão amplamente quanto pôde com as calças ainda enredadas em seus tornozelos. As mãos de Adrian sustentaram suas coxas, fazendo sua posição mais fácil de manter, entrando mais profundamente em sua umidade. Mona sentiu seus dentes roçarem a dura ponta de seu clitóris, sentindo como resposta a comoção de calor elétrico que se dispersou por todo seu corpo. Sua língua era tão longa como seu pênis e ele a transou com ela, usou-a contra ela como se fosse um pênis. Ela a cavalgou, balançando-se sobre ela enquanto a cravava, a penetrava, empurrando profundamente na entusiasta bainha14 de sua vagina. Toda a longitude de seu corpo se sentia tensa e quente. Estava tremendo e cheia de necessidade. — Sim. — Gemeu uma e outra vez, batendo sua vagina contra o rosto e a boca dele. — Mais. Por favor, mais. Não pare. Mas ele se deteve, e tão abruptamente que quase caiu. Mas suas mãos a detiveram, girando-a. Sua boca a cobriu por trás, sua língua capaz de apunhalá-la mais profundamente desta forma. Ela gemeu, quase gritando, sentindo-se tão aberta e exposta nesta posição. Mas sua vulnerabilidade só incrementou sua excitação sexual, sua intensa necessidade. Ela queria que ele a abrisse, que a partisse como uma fruta amadurecida, suculenta. Seus braços estavam abertos, tremendo, enquanto apoiava suas mãos contra a árvore. Sentia os cabelos de Adrian como cetim fresco em suas costas, traseiro e coxas. O vento soprava as longas mechas por sua pele toda, ambos atuando em equipe para levá-la a uma excitação febril. Cada carícia era uma deliciosa tortura, enlouquecendo-a de paixão e desejo. Adrian umedeceu seus dedos nos sucos dela, e então riscou um percurso em seu úmido canal, todo o caminho até o tenro franzido de seu ânus. Ela ofegou, resistindo a ele. Mas seu lobo estava faminto, seus apetites exigindo serem alimentados. Dois de seus dedos pressionaram firmemente contra seu ânus, procurando, umedecidos com seus sucos para ajudar sua entrada. Uma resistência dolorosa a sacudiu, então se foi enquanto o corpo permitia a entrada dele. Um prazer pleno, tenso a alagou. Estava aberta para ele, uma escrava de seus desejos. Seus dedos se dirigiram para dentro, 14

Bainha = anat. Qualquer formação que circunda órgão ou parte deste. (Aurélio)

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assustando-a, chegando profundamente dentro de seu estreito canal. Ela gemeu e se moveu sem poder evitá-lo apoiada nele. Sua língua a lambeu, acalmando sua carne enquanto lutava por acomodar-se a sua invasão. A perversa e sensual carícia dele a atordoou. A repentina fisgada de seus dentes sobre sua nádega a fez gemer de surpresa. Ele cobriu a pequena ferida, beijando e lambendo. Os dedos que apertavam seu ânus começaram lentos, mas implacáveis movimentos empurrando dentro e fora dela. Ele parecia fascinado com essa parte dela, resolvido a mostrar a ela o prazer que podia encontrar com seus cuidados aí. — É perfeita, sabia isso? Absolutamente perfeita — Murmurou, beijando seu traseiro com reverência. — Por favor, Adrian. — Suplicou com ardor, sabendo que não seria capaz de suportar muito mais de sua deliciosa tortura. — Sim. — Sussurrou ele. Um último impulso de seus dedos, como se não pudesse resistir, e saiu dela com um suave e úmido suspiro de pele sobre pele. Ficou de pé detrás dela, suas mãos sustentando seus quadris para sua posse. Tudo o que ela podia fazer era sustentar-se no tronco da árvore. Seu corpo estava tremendo incontrolavelmente. Desejava-o tanto que mataria para tê-lo nesse momento. O poço vazio de sua vagina a estava consumindo, e a plenitude de seu coração estava a ponto de explodir em seu peito com amor, paixão e necessidade. — Por favor. — Suplicou, uma e outra vez, ofegando as palavras tão rápido que soava como se estivesse zumbindo. — Tão perfeita. — Sussurrou ele de novo. E a encheu com um profundo, interminável impulso de seu pênis grosso deslizando-se até o centro dela. Mais à frente do pensamento, além da razão, além de tudo exceto de sentir o absoluto e abrasador prazer de sua posse, Mona levantou a cabeça e soltou um uivo animal. Algo despertou dentro de sua pele. Parecia familiar e alheio ao mesmo tempo. Sentia-se brutal e selvagem e completamente maravilhosa. Era sua loba, seu outro eu, e não havia dúvida em sua mente de que seria como Adrian. Que sua transformação viria rápido e viria duro e a mudaria para sempre. Assim como seu corpo gozava agora. Rápido e duro. E a mudou para sempre. Seu corpo sujeitou firmemente como uma tenaz 15 ao impetuoso pênis de Adrian, ordenhando-o com os tremores maciços que a sacudiam e ao mesmo tempo o sacudiam. Adrian uivou atrás dela, seu chamado um eco 15

Tenaz - instrumento de metal composto de dois braços móveis travados por um eixo, que se emprega para agarrar ou sujeitar uma coisa, cortar ou arrancar. (Dicionário Empasa – Espanhol)

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perfeitamente harmonizado com o dela. O quente e úmido fluxo de sua descarga a banhou por dentro. Ele continuou empurrando grosseiramente, poderosamente, dentro e fora dela. O sêmen transbordou entre seus corpos unidos enquanto jorro detrás de jorro de seu sêmen a enchia. O corpo de Mona se sacudiu, seu orgasmo quase a despedaçando com o êxtase. Incapaz de continuar de pé, desfaleceu. As mãos de Adrian estavam lá para salvá-la de cair de novo, fixando-a a ele enquanto ela perdia sua energia. Ele a moveu contra si mesmo, ainda empurrando, ainda enchendo-a. Pequenas sequelas de prazer orvalharam por todo seu corpo e cada uma era outro explosivo orgasmo de curta duração. Sua respiração chegou em soluços sufocados. Sua visão com pequenas manchas negras e reflexos de luz estrelar. Caíram como um vulto no chão. Adrian deu um último e poderoso empurre nas profundidades dela, jorrando seu creme uma última e deliciosa vez em seu útero. Por um longo tempo simplesmente descansaram ali, tentando desesperadamente recuperar o fôlego e acalmar seus corações acelerados. A loba dentro de Mona baixou a cabeça, satisfeita. Sentia uma estranha e inesperada paz animal que agora já era uma parte dela. Afinal em tantas formas diferentes ela sempre foi uma pessoa mais canina que de gente.

Capítulo 16 Os dias seguintes passaram em um torvelinho de sexo, sexo e mais sexo para Mona. Com algumas reuniões na cidade aqui e lá para dividir os dias. Encontraram Thomas Green e John Smithey escondidos em uma casinha alugada não muito longe do final do bosque que tinham profanado. Tinham suas malas feitas e passagens para Inglaterra. Suas famílias ficaram horrorizadas ante sua fuga frustrada assim como por seus crimes. Especialmente a pobre Brenda Smithey, que não tinha nem ideia de que seu marido pudesse ter algo a ver com semelhante horror. Greene e Smithey foram acusados pelo delito de assassinato e da ruptura do antiquíssimo Gruenwalt que se manteve durante séculos entre o povoado e seus vizinhos lobos. 112


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Foram despojados de seus lares e terras, dando a Brenda a escritura da propriedade e das posses de seu marido, de forma que não fosse indiretamente castigada por seus atos criminosos; forçados a pagar multas exorbitantes e desterrados do povoado. — Deixem que os ingleses lidem com eles. — Rugiu August acaloradamente enquanto eles eram transportados para longe da cidade em um caminhão cheio de palha. — E que tenham uma boa viagem. Brenda Smithey recuperou o sobrenome de Gamgee que usava quando solteira e solicitou sem demora o divórcio. O povo demonstrou seu apoio a ela ajudando-a a esvaziar os armários do que logo seria seu ex-marido e queimando suas roupas em uma grande fogueira no meio de seu pátio traseiro. Os dois filhos e a filha de Greene, que há um longo tempo tinham abandonado a esperança de que seu desastre de pai alguma vez se redimisse, recomeçaram silenciosamente suas vidas. Estava claro que nenhum dos que deixou para trás sentiria falta do bastardo. Na noite anterior, enquanto a lua nova se elevava sombria e invisível no negro mar do céu, Adrian e Mona foram para um banquete de celebração com os lobos. As semanas anteriores foram trágicas, perigosas e cheias de dor para cada um dos implicados. Mas agora tinha terminado e os lobos podiam respirar com alívio. E havia um novo guardião do sagrado pacto entre as raças. August Finn e o novo Alfa compartilharam sangue. Um pequeno corte na palma da mão, um apertão de mãos e já estava. Finn pareceu um pouco selvagem depois da cerimônia de sangue, inclusive agiu assim, para regozijo de todos os que assistiam, incluídos seus filhos. Mas estava claro que levaria a sério sua nova posição. Já estava em conversação com muitos dos lobos como estimular a economia da paralisada vila. Era possível que outros homens lobos de matilhas de todo o mundo logo fossem convidados a vir visitar as terras de seus ancestrais. E já foi aceito que esses lobos, a quem muitos no povoado temiam como a um pesadelo, disporiam livremente dos serviços que o povoado podia oferecer. Luke já tinha solicitado uma bolsa com quatro quilos e seiscentos gramas de açúcar.16 Depois da horrível sequência de eventos, e enquanto a cura começava e os lobos se aventuravam mais e mais fora de seus bosques, a consciência dos aldeãos referente aos lobos não se desvaneceria durante um longo tempo. 16

No original se referia a dez libras de açúcar.

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Manteriam o Gruenwalt sagrado durante muitos anos por vir e se permitissem os lobos viverem suas vidas em relativa paz, como tanto queriam. Depois da cerimônia, Adrian e Mona passaram o resto da noite e do dia seguinte fazendo amor. Da mesma forma que virtualmente passaram cada momento disponível desde o dia em que Baldrick foi vencido. Seu sexo rígido a encheu, pressionando em seu interior enquanto o cavalgava. — Iremos para casa logo. — Ele murmurou entre os dentes, ofegante. — De volta ao meu povoado, a minha família. Mona estremeceu, tanto pelas sensações que faziam cócegas deliciosamente em seu corpo como pelas dúvidas que a assaltavam ante a ideia de ir com ele para o remoto bosque de Washington onde sua tribo esperava sua volta. — E as minhas coisas? —Ofegou ela enquanto os dedos dele puxavam e retorciam seus mamilos. — Faça que seus pais empacotem seus pertences e os enviem para nós. — Tenho uma casa, sabe? E um carro. E uma vida. — Gemeu. Não tinha sentido discutir com ele, especialmente agora, com ele enterrado tão profundamente dentro de seu corpo. Ele poderia usar o sexo para persuadi-la de formas que roubavam seu fôlego e faziam que sua mente desse voltas durante horas. Era como se ele tivesse conseguido, desde o começo, que ela concordasse em viver com ele. Não nem sequer estava segura, de todos os modos, de querer rechaçá-lo. Ele era seu agora, tão energicamente quanto ele continuava dizendo que ela era dele. E descobriu em seu interior uma fonte infinita de possessividade, algo que nunca acreditou ser capaz de sentir por alguém. Ele era dela, o amava. E viveria com ele durante todo o tempo que durasse seu romance. Negava-se a vê-lo como algo mais que um romance. Um romance muito embriagador, muito sério, mas nada mais. Foi independente durante muito tempo para se abandonar tão completa e rapidamente. — Venda o carro e a casa. — Ele murmurou entre os dentes, corcoveando, enviando seu pênis profundamente e com força dentro de seu úmido calor. Muito bem. O que ele quisesse. Não se importava. Seu fundo fiduciário resolveria mais tarde qualquer problema se houvesse necessidade. — Por favor. — Gemeu ela. Adrian se elevou na cama, colocando-a em seu colo, empurrando seus quadris mais rápido. Suas bocas se encontraram em um beijo ardente e faminto. Sua boca era feroz, quase a comendo e ela saiu ao seu encontro com 114


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igual paixão. Uma de suas mãos descansava gentilmente sobre seu coração, como se sustentara e acariciasse essa parte dela, e ela gritou quando sua liberação a percorreu. — Adrian — Gemeu em sua boca. — Amo tanto você. —Era a primeira vez desde a luta com Baldrick que disse isso em voz alta, e por um momento lamentou seu descuido. Mas seu clímax varreu todo pensamento e o momento passou enquanto se agarrava a ele, sua âncora na tormenta que a partia ao meio. Ele grunhiu triunfantemente e introduziu seu pênis profundamente nela, sustentando-a incrivelmente apertada como se pretendesse fazê-la desaparecer nele. Mona afundou suas mãos com abandono em suas costas, deleitando-se com a sensação do corpo dele bombeando no seu. Gritou de novo, com seu corpo abraçando-se com força ao dele, e então ele gozou, lançando seu creme no poço de seu corpo com um uivo. — Minha. — Murmurou entre dentes em seu ouvido, e seu som a seguiu em um sonho profundo e esgotado. Dormir foi tudo o que Mona pôde fazer durante os dias seguintes. E quando não estava dormindo, estava fazendo amor com seu companheiro, o que se acrescentava a sua fadiga infinita. Parecia que estava dormindo quase todo tempo. Estava dormindo quando o avião aterrissou no aeroporto de Seattle, dormindo quando Adrian a conduziu ao limite do bosque onde sua gente morava e dormindo quando a levou de cavalo ao centro de seu povoado. Por alguma razão que não podia imaginar, estava muito exausta. — Acorde, amor. — Ele sussurrou e ela abriu devagar suas pálpebras pesadas como o chumbo. — É hora de nos reunir com as pessoas. Adrian desmontou da gigantesca égua baia. Este cavalo, como muitos outros, era guardado em um estábulo situado a poucos quilômetros da própria vila. Uma família de homens lobos guardava os estábulos e a entrada às terras ancestrais, e estavam contentes por verem que seu Alfa voltou para eles depois de muitos anos de apenas breves visitas. Os proprietários da quadra pareceram enlevados por vê-la. Inclusive tão sonolenta como estava nesse momento, Mona sentiu sua aprovação e seu coração se aqueceu de uma forma que não o fez nada mais em muito tempo. Agora eles os seguiam em suas próprias montarias, a uma distância respeitosa, com a necessidade de verem seu Alfa e sua companheira seguros em sua casa. — Não quero me reunir com eles desta forma — Ela murmurou com olhos remelentos. — Primeiro necessito uma ducha. — Está bonita. E nem sequer uma ducha vai despertar você agora, 115


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dorminhoca. É compreensível que seu corpo queira dormir. Vamos. — Ele a alcançou cuidadosamente, levantando-a do cavalo. — OH, Meu deus, olhe para você. — Uma mulher atraente, com longos cabelos da cor das martas zibelinas17 veio para Adrian com seus braços estendidos. Antes que pudesse deter-se, Mona grunhiu um aviso à mulher e pôs seus braços possessivamente ao redor da cintura de Adrian. A mulher se deteve imediatamente, sorriu amplamente e em troca se moveu para dar um abraço nela. Mona estava espantada, para não dizer algo mais forte, por tal atrevimento. — Deve ser Mona Kincaid. Meu filho me falou muito de você, mas sua descrição não lhe fez nem a metade de justiça que merece. Mona ficou emocionada de que esta fosse a mãe de Adrian e de que realmente tivesse grunhido para ela por ciúmes. Não parecia velha o suficiente para ser mãe de ninguém, menos ainda de um homem completamente crescido. — Sinto muito… — Começou e a mulher a envolveu em um abraço suave e com aroma de flores. — Não sinta, querida. Estou lisonjeada. E orgulhosa de que saiba o que tem com meu filho, de forma que está disposta a advertir a uma mulher estranha que se mantenha longe dele. Ophelia Darkwood era uma mulher adorável. Os olhos de Adrian, o queixo e as orelhas foram claramente herdados dela. Mas a semelhança terminava ali. Onde ele era moreno ela era clara. Onde ela era baixa ele era alto, erguendo-se agora como uma torre sobre sua pequena forma enquanto ela se movia para parar ao lado dele. — Levou bastante tempo para voltar aqui, menino. — Disse ela carinhosamente. — Você vai ficar ou está só de visita? — Vou ficar. — Retumbou sua voz. — Quer dizer, se papai deixar. — Nunca disse que não poderia ficar. — Interrompeu-o uma voz profunda. — Disse-me que não voltasse na última vez que estive aqui. — Estava louco, filho insolente. Pressionou-me muitas vezes com sua obsessão de grandes aventuras com esse humano, Alexi como o chama. O pai de Adrian permitia que Mona vislumbrasse o futuro. Quando Adrian alcançasse aquela idade, pareceria exatamente daquela forma. Eram quase idênticos apesar da diferença de idade. Uma imagem no espelho 17

Marta da Sibéria e do Japão, de pele belíssima.

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refletida através dos anos. Mas os cabelos do pai de Adrian estavam raiados com brilhantes fios de prata e estavam amarrados em uma longa trança que chegava abaixo de suas nádegas, quase até seus joelhos. — Alexi Balovski era algo mais que um humano. Era meu amigo e mentor — Adrian defendeu veementemente seu amigo morto. — Eu sou seu pai. Se alguém for seu mentor, esse sou eu. — Deixem disso já — Ophelia revirou os olhos e suspirou com exasperação. Olhou para Mona com uma careta sardônica nos lábios. — Ficarão assim toda a noite se não os fizermos parar agora — Se virou aproximando-se dos dois homens mais importantes de sua vida. — Que tipo de impressão está tentando dar a nossa nova filha, Dakota? — Perguntou ao seu marido. — OH, mas eu não… — Começou Mona, preocupada por a mulher presumir equivocadamente que Adrian e ela eram casados. — Vamos. Uma mulher em sua condição deve estar exausta depois da longa viajem até aqui. — Ophelia a confundiu ao aproxima-se dela e a levar na direção de um grupo de pequenas cabanas. Mona nunca esteve perto de sua própria mãe e tinha tido mais contato físico com esta mulher que estava a seu lado nos poucos minutos passados que o que recebeu de seus próprios pais em vários anos. — Tenho o jantar preparado, veado e ervilhas novas e purê de batatas com molho de veado. Haverá bastante para repetir inclusive com estes dos animais vorazes na mesa. — Fez um gesto para os dois homens que a seguiam docilmente. — Precisa comer mais, Mona. Já posso dizer a você que precisará comer mais durante os meses seguintes. Mona nem sequer sabia se estaria ali durante vários meses. Mas estava muito cansada para mencionar isso à mãe de Adrian. Pararam do lado de fora da porta que conduzia a uma pequena e acolhedora cabana quando a mãe de Adrian se virou e dirigiu um olhar severo a ele. — Não o disse ainda, não é verdade? O rosto moreno de Adrian se escureceu pelo rubor. — Agora não, Mãe. — Agora ou não haverá comida, e sei que está ansioso pelo meu purê. A mão de Mona foi instintivamente, protetoramente, ao seu ventre. E soube, sem que o dissessem, o que Adrian e sua mãe estavam discutindo. — Ela sabe. — A voz do pai de Adrian foi como um terremoto sob seus pés. — OH não — Sussurrou Mona para si mesma com uma voz trêmula. — 117


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OH não. Por favor… — Não está feliz? A mãe de Adrian esfregou o braço de Mona de uma forma tranquilizadora, mas Mona tinha chegado muito longe para sentir conforto com o gesto. Cambaleava sob a nova descoberta, assombrada de que tivesse levado tanto tempo para notar. Agora que reconhecia a verdade, podia sentir a revoada tranquila de seu bebê sob o batimento de seu coração. Mas isso era impossível tão cedo, não é mesmo? — Não estou preparada para isto. — Explodiu com voz trêmula. Separouse de Ophelia, sem se importar desta vez com o espetáculo que estava dando, enquanto enterrava o rosto nas mãos trêmulas. — Isto não está acontecendo! — Por que está triste por isso? Esperava que ficasse feliz — Adrian se aproximou, descansando sua cabeça sobre a dela e a moveu contra ele. Mona afastou-se de novo e baixou as mãos a seus flancos. — Está doente da cabeça? Isto é uma loucura. Mal o conheço. Amo você, com certeza, mas durará? Meus pais amavam um ao outro, mas não durou depois da lua de mel. Não estou segura de ser apta para ser mãe. E minha carreira, —Sufocou-se— infernos, já nem sequer me importa. Por que é assim? —Exclamou. — O que está errado em mim que posso me apaixonar, ficar grávida e deixar para trás toda minha vida no espaço de um mês! Adrian a deixou tagarelar. Seus braços eram pilares de força, mantendo-a inteira e intacta, mesmo enquanto ela se aterrorizava pela enormidade da situação e sua descoberta repentina de tudo o que acontecia. Depois de um longo tempo, Adrian a afastou um pouco dele. Seus olhos eram piscinas profundas e escuras nas quais poderia se afogar se estivesse menos inquieta. — Tem que saber que a amo, Mona — Disse brandamente. — Tem que saber que os lobos se emparelham por toda a vida em todas as formas. Eu me emparelhei com você, que agora é um lobo como eu. Tem que saber que nosso amor durará. Inclusive se nossa natureza não vinculasse nossos corações como apenas um, sei que um amor como o que compartilhamos não terminará nesta vida. O coração de Mona deu um profundo tombo. Poderia dar as costas de maneira tão fácil a tudo pelo que trabalhou durante anos? Pensou em sua vida, no que foi antes de Adrian, antes que ele lhe mostrasse que não era uma mulher fria e muito eficiente. Antes que ele a tivesse sustentado em seus braços e a reclamado como ela sempre desejou em segredo ser reclamada. Olhou ao seu redor, à morada do bosque que era o lar de Adrian, e notou 118


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que seus pais os deixaram para que tivessem intimidade. Estava agradecida por isso. E enquanto absorvia a beleza e a maravilha de seu entorno, usando seus sentidos esplendidamente aumentados para descobrir cada detalhe diminuto que seria invisível para ela antes de Adrian, sentiu derreterem-se todas suas dúvidas. É belo aqui. Mas não seria nem a metade de maravilhoso ou mágico se Adrian não estivesse com ela para compartilhá-lo. O mesmo acontecia com cada aspecto de sua vida. De algum modo, de algum jeito, tinha dado a ela um presente milagroso. Não importava que tivesse acontecido tão rápido ou que tivesse sido inesperado. O amor de Adrian era como uma chama na escuridão, que a aquecia e iluminava seu caminho. E agora compartilhavam uma vida. Recostado suavemente e protegido sob seu coração, seu filho era um laço entre eles que só reforçaria seu amor. Por fim teria sua própria família, um presente que havia sentido falta durante toda sua vida. Se tão só tivesse coragem de aceitá-lo. — Amo você. — Jurou Adrian de novo, apertando as mãos sobre ela como se temesse que pudesse afastar-se. Mona sabia que nunca poderia separar-se. Não de novo. — Eu o amo também — Ela ofegou, sentindo que o escuro poço dentro dela se enchia de luz. Ele riu estraguladamente, mais um grunhido que uma risada, e a elevou, jubiloso e exultante. — Vou alimentar você com a maravilhosa comida de minha mãe. E logo vou alimentar você com algo mais, algo melhor inclusive — Sorriu malevolamente, expondo suas presas. Mona tremeu e sentiu que começava a molhar-se. Seus mamilos se erguiam contra sua blusa e viu como os escuros olhos de Adrian se voltavam para eles avidamente. — Vamos, vocês dois, o jantar está esperando. Podem alimentar seus outros apetites depois. — Chamou-os Ophelia da porta iluminada de sua casa. Adrian e Mona riram com vergonha e entraram de mãos dadas no quente e acolhedor lar dos Darkwood. E se Adrian se moveu várias vezes durante a refeição para aliviar a necessidade de sua excitação, e Mona esfregou seus seios contra o braço dele cada vez que tinha oportunidade, a ninguém pareceu impróprio. Era uma tarde absolutamente perfeita. 119


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Epílogo — Ela o expulsou, não é verdade? —Nikolai riu estraguladamente, deslocando-se no banco de madeira para dar lugar a Adrian. — Voltarei quando o momento estiver mais perto. — Esfregou a face ausentemente e Nikolai pôde ver claramente a marca vermelha da mão de sua esposa perfilada na escura pele. — Dar a luz pode fazer que as companheiras fiquem bastante ferozes — disse jocosamente, com suas palavras carregadas de seu acentuado sotaque russo. — Julia quase quebrou meu nariz quando estava no meio do trabalho de parto. Adam murmurou entre dentes. — Quem o convidou a vir aqui, ao certo? — Você — Não sei que loucura me possuiu. — A mesma loucura que o fez convidar a nós também. — Disse Ivan, juntando-se a eles. — Bri ainda está no parto com Mona? — Sim. Ela e Julia estão cacarejando o quanto eu sou bastardo, assentindo a qualquer nome asqueroso que Mona possa pensar em me chamar. — As fêmeas têm uma forma de se manterem unidas contra seus homens — disse Nikolai com sabedoria. — Deixe esse cachimbo da paz e se compadeça de mim. — Adrian arrebatou o cachimbo do Alfa embriagado. Ele mesmo tomou uma longa baforada da fumaça de haxixe, necessitando do efeito relaxante mais do que queria admitir. Mona já estava em trabalho de parto há quase oito horas. Não tinha nem ideia de que dar a luz pudesse levar tanto tempo ou ser tão exaustivo. Poderia apostar que as horas passadas foram tão dolorosas para ele quanto para Mona. Seu rosto ainda ardia onde ela o esbofeteou. Ela tinha se desculpado imediatamente, mas isso não tinha tirado o ardor. Especialmente quando ela tinha seguido sua desculpa com um grunhido de dor e uma maldição sobre sua virilidade. — Tem uma casa bonita, Adrian. É realmente uma pena que não mereça isso. Nikolai e Adrian tinham o hábito de se meterem um com o outro. Sua amizade se fundou sobre essas moléstias e eles a desfrutavam melhor assim. 120


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— Só está com ciúmes. Tudo o que o espera quando voltar para suas terras é um punhado de neve fria e úmida. — Prefiro o frio e a neve. Minha Julia se aconchega com ferocidade quando tem frio. — Olhou maliciosamente com luxúria, sabendo que Adrian não conseguiria nenhum aconchego de Mona, ao menos durante umas poucas semanas. Como esperava, Adrian grunhiu ante o sagaz aviso. — Dê-me esse cachimbo. — Ordenou Ivan, sem se preocupar de que os dois homens fossem dominantes sobre ele por direito de sangue, que fossem Alfas e ele não. — Nego-me a ser o único lobo sóbrio aqui. Logo a enorme mesa de madeira estava ressoando com suas risadas bêbadas e obscenas. — Olhem este desastre. — Cuspiu uma voz feminina com repugnância. — Estão aqui fora tendo uma grande festa enquanto nós estamos ocupadas e temos nossos traseiros escravizados para tirar um de seus descendentes. A risada de Nikolai se deteve abruptamente. — Julia, meu amor. —Balbuciou ele — vem aqui e me aqueça. — OH, meu Deus. —Ela revirou os olhos com exasperação, mas uma pequena curva nos lábios a traía. Nikolai tentou lança-se em cima dela, mas os efeitos da fumaça que absorveu o enviaram longe. Caiu pesadamente no chão, rindo. — É um lunático — Repreendeu-o Julia, não podendo esconder mais seu sorriso. Inclinou-se e ajudou seu companheiro a ficar sobre seus pés com uma facilidade e força que sempre a surpreendia. Tinham passado anos desde que era uma simples humana, graças ao Alfa bêbado que estava ao seu lado, mas ainda respeitava seu lado lupino. Brianna se aproximou de seu companheiro. Deu boas-vindas a ela com um sorriso cheio de dentes, colocando-a em seu colo e acariciando-a com a boca no seu pescoço até que ela suspirou feliz. — Será logo, Adrian. Mona está perguntando por você. — De acordo — Adrian se balançou, levantando-se sobre seus pés. — Desejem-me sorte, homens — Saudou-os, como um soldado que partia para a batalha. Os dois homens estavam também muito ébrios para entender seu gesto, ou tinham crescido muito isolados em seu remoto bosque para reconhecê-lo. De qualquer forma, ambos devolveram o alegre sinal antes de voltar sua bêbada atenção para suas próprias companheiras. Foi difícil no princípio, mas Adrian de alguma forma conseguiu voltar 121


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para o antigo alojamento que estava reservado para o acontecimento sagrado do parto. Estava quase completamente sóbrio no momento em que chegou e não ficou muito surpreso de ver seu pai e a sua mãe o esperando do lado de fora. — Seu filho está impaciente para ver o mundo. — Disse seu pai a modo de saudação. Sua mãe pegou suas mãos com excitação. — Estou tão orgulhosa de vocês dois. Acabo de olhá-la. É tão bonita. — Está suarenta. — Murmurou entre dentes seu pai. — Seus cabelos estão um desastre. E tem uma atração alarmante pela fala local vulgar. Nunca ouvi alguma das palavras que derrubou sobre mim como juramentos. — É um homem, não se supõe que as tenha ouvido, carinho — Repreendeu sua mãe ao mais velho dos Alfas Darkwood. — E ela estava bonita. — Estava. — Concedeu seu pai com um sorriso zombador que o fez parecer dez anos mais jovem e muito menos atemorizante, abraçando sua esposa. — Muito bonita. — Agora vá até ela. E se der um golpe em você, se esquive empurrou sua mãe através das bordas de pele que serviam como porta do tipi 18 belamente elaborado. O calor acolhedor da habitação o envolveu. — Meu amor. — Ela o chamou, Sorrindo fracamente de sua plataforma de peles e couros. Sua companheira estava suarenta de verdade, e seus cabelos vermelhos como o sangue estavam desordenados e desarrumados de verdade. Vestia uma camisola simples sem adornos, feito de flexível pele de gamo, seu ventre inchado e cheio, sua pele com um rubor ardente por seus esforços. Mas nunca lhe pareceu mais maravilhosa que nesse momento. — Daria tudo por uma dose de morfina neste momento. — Sua voz era rouca e instável. Ele se colocou ao lado dela cautelosamente. Mona riu. — Não baterei em você de novo ela estremeceu com uma nova e violenta contração, que durou vários e longos minutos. — Dê-me um beijo antes da seguinte — Ofegou quando terminou. Ele o fez, humilhado e assombrado de que ela pudesse dirigir os dores 18

Tipi = tenda em forma cônica, formada por uma armação de postes de madeira recoberta de peles, utilizada pelos índios das pradarias norte-americanas.

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Luxúria da Lua - 04

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que sacudiam seu corpo e ainda conseguir oferecer a ternura de seus lábios a ele. Adrian sustentou sua mão durante longos minutos, aliviando-a em cada nova contração, persuadindo-a com rogos que respirasse cada vez que se tornavam rápidas e duras com a aproximação de seu filho. Cantarolou para ela os cânticos sagrados de seus antepassados humanos. — OH meu Deus, está vindo. — Gemeu, elevando os joelhos e os colocando sobre o peito. Adrian se moveu entre suas pernas, com suas mãos sentindo os movimentos de seu ventre, testando instintivamente sua preparação. — Empurre agora Mona. — Ele a estimulou, sabendo que o momento tinha chegado. Passou outra hora. Antes que tivesse terminado Adrian tinha tirado as roupas de ambos. Fazia muito calor no tipi para mantê-las postas. Mona estava gritando cada palavra chocante que tivesse ouvido alguma vez, inclusive inventando algumas novas. Cada insulto que lançava a ele era intercalado com seus votos de amor e devoção eterna. Adrian teria achado a cena toda bastante engraçada se não o golpeassem tanto a preocupação e a culpa cada vez que sua companheira gemia com esforço e esgotamento. Em um longo e ultimo empurre, seu filho deslizou para fora de seu corpo e Mona uivou seu triunfo. Caiu, suada e enfraquecida, contra as peles. Adrian limpou o diminuto volume que se retorcia em seus braços, enquanto as lágrimas caíam em rios ardentes por sua face. Nunca havia sentido tanta alegria, tanto temor. A única coisa que poderia estar perto era a noite que viu pela primeira vez sua companheira, em um bosque a milhares de quilômetros dali. — Amo você — Tinha que dizê-lo. Seu coração estava pleno. Sua vida estava completa. — Eu também o amo. — Ofegou ela alcançando-o. — Deixe-me vê-lo. Adrian colocou seu filho contra o seio dela. — É tão bonito — Disse Mona chorosa. E era. Pele morena como seu pai, com cabelos negros para acompanhar. Já era um pequeno guerreiro, bramando sua presença ao mundo. Mas embora ele todo fosse uma réplica de seu pai, seus olhos eram idênticos aos de sua mãe em cada pequeno detalhe, azuis escuros e profundos e já brilhando ferozmente. Adrian a beijou apaixonadamente, provando seu esgotamento e sua alegria. Suas lágrimas se misturaram quando choraram sobre seu filho. 123


Luxúria da Lua - 04

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Vinte minutos mais tarde, enquanto Mona dormia o sono esgotado de uma nova mãe, Adrian surgiu do tipi com seu bebê nos braços. A tribo inteira estava reunida para conseguir dá uma olhada no novo Alfa em seu centro. Nikolai e Julia, Ivan e Brianna estavam todos na concorrência, Sorrindo felizes por ele neste momento de celebração. Adrian sorriu para sua família e amigos, agradecendo a eles que o honrassem assim. Elevando seu filho ao alto para que todos o vissem, proclamou seu triunfo com um uivo poderoso. Centenas de uivos repetiram a chamada, até que o som se elevou em uma crescente até o céu. — Este é meu filho, Koda Darkwood, e um dia liderará esta tribo. — Disse gritando com orgulho. A matilha gritou o nome, regozijando-se. — Koda, Koda, Koda. — Gritaram. E uma mão diminuta se elevou do pacote, a mão de um novo e futuro Alfa, como em sinal de vitória.

Fim

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Sherri l king moon lust 04 fogo selvagem (rev prt)  
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