TCC arqurbuvv+Luz e Sombra na Arquitetura - Galeria de Arte

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Luz e sombra na Arquitetura

RAFAELA GABRICH TAVARES

LUZ E SOMBRA NA ARQUITETURA GALERIA DE ARTE Trabalho de conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Vila Velha como requisito parcial para obtenção do Grau em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Profa. Dra. Cynthia Marconsini Loureiro Santos, Universidade Vila Velha 2° membro interno: Profa. Me. Laila Souza Santos, Universidade Vila Velha Convidado: Prof. Me. Leandro Correa Queiroz, Universidade Vila Velha

VILA VELHA 2019

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RAFAELA GABRICH TAVARES

Luz e sombra na Arquitetura

LUZ E SOMBRA NA ARQUITETURA GALERIA DE ARTE Trabalho de conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Vila Velha como requisito parcial para obtenção do Grau em Arquitetura e Urbanismo. Aprovado em 29 de novembro de 2019 COMISSÃO EXAMINADORA:

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AGRADECIMENTO

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Dedico ao meu pai, Marco Antônio, que mesmo não estando mais presente fisicamente, está sempre comigo e é meu motivo para seguir em frente e nunca desistir. Agradeço a minha avó Landa e meu avô Adão que me apoiaram nesta graduação e sempre que precisei estiveram ao meu lado. Agradeço a minha mãe Luciana e meu irmão Rodrigo, por todo carinho e amor que me acolhem sempre que preciso. Ao meu noivo, Alexandre, pela paciência ao longo dos dias, palavras de motivação e amor. Um grande agradecimento a minha orientadora, Cynthia, por compartilhar todo seu conhecimento comigo e me auxiliar da melhor forma possível. E a banca examinadora pela disposição e dedicação. Agradeço ainda a todos meus amigos e professores que me apoiaram ao longo do curso e que me deram suporte em momentos difíceis. Agradeço a Alessandra, Arielle, Carolini, Juliane e Mariana que são minhas amigas fora da Universidade e mesmo assim me ajudaram. Agradeço aos meus amigos de sala, em especial, Brunna P., Bruna B., Caroline, minha “dupla” Mariana Souza, Gabriel, Bianca e Iolanda por toda a compressão, ajuda e carinho que tem comigo.

Se você pode sonhar, você pode fazer Walt Disney


RESUMO

Luz e sombra na Arquitetura

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A luz e a sombra sempre foram responsáveis por realçar elementos, formas, caracterizar espaços e criar atmosferas. O presente trabalho tem como objetivo estudar os efeitos da luz natural e das sombras no projeto arquitetônico bem como estratégias de iluminação, de sombreamento e redirecionamento da luz aplicadas em um projeto de Galeria de Arte. Serão realizados estudos de caso de projetos que abordam o tema em questão. Será realizado um ensaio projetual, cuja análise da iluminação será realizada através da maquete digital onde será possível analisar o comportamento da luz e também os efeitos poéticos, percursos e ambiências.

Palavras-chave: Luz e sombra; Natural; Galeria de Arte.

Iluminação


ABSTRACT Light and shadow have always been responsible for highlighting elements, shapes, characterizing spaces and creating atmospheres. The present work aims to study the effects of natural light and shadows on architectural design as well as lighting, shading and redirection strategies of light applied in an Art Gallery project. Case studies will be carried out of projects that address the issue in question. A design essay will be carried out, whose analysis of the illumination will be performed through the physical and digital mockups where it will be possible to analyze the behavior of light as well as the poetic effects, paths and ambiences

Keywords: Light and shadow; Natural lighting; Art Gallery.

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LISTA DE FIGURAS FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA

1-A. PAREDE TEXTURIZADA B. ABERTURA NO TETO DA CAPELA DE CAMPO BRUDER ................................................................................................................................... 21 2- CONVENTO DE LA TOURETTE ............................................................................................................................................................................................................. 23 3- MUSEU GUGENHEIM ........................................................................................................................................................................................................................... 23 4- A. ENTRADA DO HOSPITAL B. TERCEIRO PÁTIO INTERNO DO HOSPITAL DE MEDICIA CHINESA ................................................................................................................ 25 5- COMPONENTES DA LUZ NATURAL ......................................................................................................................................................................................................... 27 6- A.CONSTRASTES DA LUZ B.ACESSO A CASA DE CANOAS ..................................................................................................................................................................... 29 7- A. EFEITOS DE LUZ E SOMBRA B.TERMAS DE VALS E SEU ENTORNO ..................................................................................................................................................... 30 8 – EFEITOS DA LUZ NAS CAVIDADES NO MUSEU DE ARTE TEL AVIV ........................................................................................................................................................ 31 9 – MUSE – FORMAS DIFERENCIADAS .................................................................................................................................................................................................... 31 10-A – PONTE DA ASPIRAÇÃO (WILKINSON EYRE ARCHITECTS) B- ESTAÇÃO DE TREM GUILLEMINS (SANTIAGO CALATRAVA) ..................................................................... 32 11 – TERMINAL DE TRANSPORTE WTC (SANTIAGO CALATRAVA) ................................................................................................................................................................ 32 12-A- FUNDAÇÃO BARRAGAN, SUÍÇA (LUIS BARRAGAM) B- CASA KOSHINO (TADAO ANDO) ...................................................................................................................... 33 13 – EXEMPLO DE ILUMINAÇÃO LATERAL................................................................................................................................................................................................. 36 14-A. APROVEITAMENTO DAS ABERTURAS LATERAIS NA CAPELA DE RONCHAMP B. LUZ NATURAL ENTRANDO PELAS ABERTURAS .......................................................................... 37 15 – ESQUEMA REPRESENTANDO CLARABOIA. ........................................................................................................................................................................................... 38 16. ILUMINAÇÃO POR MEIO DE CLARABOIA. ........................................................................................................................................................................................... 39 17 – ESQUEMA REPRESENTANDO LANTERNINS. ......................................................................................................................................................................................... 39 18. ILUMINAÇÃO POR MEIO DE LANTERNIN. ........................................................................................................................................................................................... 40 19 – ESQUEMA REPRESENTANDO ÁTRIOS. ................................................................................................................................................................................................ 40 20. ILUMINAÇÃO POR MEIO DO ATRIO................................................................................................................................................................................................... 41 21 – ESQUEMA REPRESENTANDO SHEDS. ................................................................................................................................................................................................. 41 22– CORTE ESQUEMÁTICO DE TIPOLOGIA DE SHEDS. ............................................................................................................................................................................... 42 23. ILUMINAÇÃO POR MEIO DE SHEDS................................................................................................................................................................................................... 42 24 – ESQUEMA REPRESENTANDO CÚPULA. ................................................................................................................................................................................................ 43 25. CÚPULA DO PANTEON DE ROMA ........................................................................................................................................................................................................ 43 26 – SISTEMA DE SOMBREAMENTO QUE NÃO UTILIZAM A LUZ DIFUSA DO CÉU. FONTE: MARCONSINI APUD RUCK ET AL, 2000. LEGENDA DA MATRIZ: S= SIM N= NÃO D= DEPENDE DI= DISPONÍVEL T= EM FASE DE TESTE ..................................................................................................................................................................................... 45 FIGURA 27 – SISTEMA DE SOMBREAMENTO QUE UTILIZA LUZ DIFUSA DO CÉU. FONTE: MARCONSINI APUD RUCK ET AL, 2000. LEGENDA DA MATRIZ: S= SIM N= NÃO D= DEPENDE DI= DISPONÍVEL T= EM FASE DE TESTE .................................................................................................................................................................................................. 46

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FIGURA 28 – ESQUEMA DE BRISES HORIZONTAIS PROTEGENDO E PERMITINDO LUZ DIFUSA. ..................................................................................................................................... 47 FIGURA 29 – ESQUEMA DE SISTEMA DE LÂMINAS QUE DIRECIONAM A LUZ PARA O TETO.......................................................................................................................................... 48 FIGURA 30 – FACHADA COM BRISES VERTICAIS QUE TRAZEM DINAMISMO A ESCOLA HONORÉ. ................................................................................................................................... 48 FIGURA 31 – ESQUEMA DE PRATELEIRA DE LUZ QUE REBATE A LUZ PARA O TETO. ................................................................................................................................................. 49 FIGURA 32 A– PAINÉIS PRISMÁTICOS QUE REDIRECIONAM A LUZ B- PAINÉIS PRISMÁTICOS QUE BLOQUEIAM A LUZ .................................................................................................. 50 FIGURA 33 A– REPRESENTAÇÃO DOS DUTOS DE LUZ B- COMPONENTES DO TUBO SOLAR ............................................................................................................................................. 50 FIGURA 34 – LOCALIZAÇÃO DO MUSEU DE ARTE KIMBELL. .................................................................................................................................................................................. 54 FIGURA 35 – IMPLANTAÇÃO DO MUSEU DE ARTE KIMBELL. .................................................................................................................................................................................. 55 FIGURA 36.A- FACHADA MUSEU KIMBELL B-PÁTIO CENTRAL QUE POSSUI BIBLIOTECA ABERTA. .............................................................................................................................. 55 FIGURA 37 – GALERIA DE EXPOSIÇÕES ONDE A CLARABOIA TEM SUA LUZ DIRECIONADA POR DUAS ASAS DE ALUMÍNIO PERFURADO, EVITANDO UMA ILUMINAÇÃO DIRETA NAS OBRAS DE ARTE. ............................................................................................................................................................................................................................................................. 56 FIGURA 38 – PLANTA BAIXA SETORIZADA TÉRREO. ............................................................................................................................................................................................. 56 FIGURA 39– PLANTA BAIXA SETORIZADA - SUBSOLO. ......................................................................................................................................................................................... 57 FIGURA 40-A- ABERTURA NA COBERTURA B- CLARABOIA...................................................................................................................................................................................... 58 FIGURA 41- ESTRUTURA DE COBERTURA DE AÇO E VIDRO COM PROTEÇÃO SOLAR ...................................................................................................................................................... 59 FIGURA 42- FACHADAS DO PAVILHÃO DE RENZO PIANO....................................................................................................................................................................................... 59 FIGURA 43 – LOCALIZAÇÃO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS......................................................................................................................................................................... 60 FIGURA 44 – IMPLANTAÇÃO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS......................................................................................................................................................................... 60 FIGURA 45– CIRCULAÇÃO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS. ........................................................................................................................................................................... 61 FIGURA 46-A- RELAÇÃO DO MUSEU ORIGINAL COM A EXPANSÃO B- “LENTES” DO MUSEU NELSON ATKINS ................................................................................................................ 62 FIGURA 47 – PLANTA BAIXA TÉRREO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS............................................................................................................................................................ 62 FIGURA 48 – PLANTA BAIXA PRIMEIRO PAVIMENTO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS. ....................................................................................................................................... 63 FIGURA 49- RELAÇÃO DO PROJETO COM O TERRENO B- APROVEITAMENTO DA TOPOGRAFIA EXISTENTE ........................................................................................................................ 63 FIGURA 50 – INCIDÊNCIA DA LUZ NO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS (RESPIRAÇÃO EM T). ............................................................................................................................... 64 FIGURA 51-A- FORMAS ACENTUADAS DO MUSEU B- LUZ ADENTRANDO O MUSEU ....................................................................................................................................................... 65 FIGURA 52 – LOCALIZAÇÃO DO MUSEU JUDAICO DE BERLIM................................................................................................................................................................................ 65 FIGURA 53- EDIFÍCIO NOVO DO MUSEU JUDAICO DE BERLIM IDENTIFICADO COM O NÚMERO 1 E EDIFÍCIO ANTIGO COM O NÚMERO 2......................................................................... 66 FIGURA 54- CORTE ESQUEMÁTICO DO EDIFÍCIO NOVO DO MUSEU. ........................................................................................................................................................................ 67 FIGURA 55 – ESQUEMA DO MUSEU JUDAICO – EDIFÍCIO NOVO............................................................................................................................................................................. 67 FIGURA 56- AMBIENTE “VAZIO DA MEMÓRIA” .................................................................................................................................................................................................... 67 FIGURA 57-A- FACHADA DO EDIFÍCIO B- LUZ POÉTICA EM PONTO ESPECÍFICO .................................................................................................................................................... 68

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FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA

58-A- ESCADA QUE INTERLIGA AMBIENTES B- LUZ POÉTICA EM PONTO ESPECÍFICO C- LUZ POÉTICA EM PONTO ESPECÍFICO ......................................................................... 69 59 – ANÁLISE DOS ESTUDOS DE CASO ................................................................................................................................................................................................... 70 60– CONTEXTUALIZAÇÃO DA LOCALIZAÇÃO DO TERRENO ............................................................................................................................................................................. 73 61.A- VISUAIS DO TERRENO B-LOCALIZAÇÃO DO TERRENO ....................................................................................................................................................................... 74 62– MAPA DE CONTEXTUALIZAÇÃO DO ENTORNO DO TERRENO ...................................................................................................................................................................... 74 62– MAPA DE LOCALIZAÇÃO E SETORIZAÇÃO ............................................................................................................................................................................................ 75 63– MAPA DE FLUXOS ........................................................................................................................................................................................................................... 75 64- PONTO NODAL 1 FIGURA 65- PONTO NODAL 2 ................................................................................................................................................................................ 76 66- AV. JERÔNIMO MONTEIRO FIGURA 67- AV. PRINCESA ISABEL FIGURA 68- AV. MAL. MASCARENHAS DE MORAES ............................................................................. 76 69 – MAPA DE USO DO SOLO ................................................................................................................................................................................................................. 77 70 – MAPA DE FLUXOS E INFRAESTRUTURA ............................................................................................................................................................................................. 78 71- PRAÇA PRINCESA ISABEL FIGURA 72- IGREJA BATISTA LOCALIZADA NA RUA GOVERNADOR JOSÉ SETTE FIGURA 73- FUNDOS DA LOJA RENNER E ESTACIONAMENTO PRIVATIVO. ............................................................................................................................................................................................................................................ 79 FIGURA 65 – MAPA DE COMPORTAMENTO DAS PESSOAS NO LOCAL ........................................................................................................................................................................... 80 FIGURA 74– MAPA DO TRAJETO CULTURAL .......................................................................................................................................................................................................... 80 FIGURA 75- PRAÇA PRINCESA ISABEL FIGURA 76- PRAÇA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS ................................................................................................................................... 81 FIGURA 77– MAPA DE VARIÁVEIS AMBIENTAIS .................................................................................................................................................................................................... 82 FIGURA 78– ESTUDOS DE INSOLAÇÃO DO TERRENO ............................................................................................................................................................................................... 83 FIGURA 79– ÍNDICE DE CONTROLE URBANÍSTICO ................................................................................................................................................................................................ 84 FIGURA 80– TABELA DO PROGRAMA DE NECESSIDADES .......................................................................................................................................................................................... 89 FIGURA 81– DIAGRAMAS ESQUEMÁTICOS .............................................................................................................................................................................................................. 89 FIGURA 82– DIAGRAMA DE FLUXOS .................................................................................................................................................................................................................... 90 FIGURA 83– DIAGRAMA COM FLUXOS, SETORIZAÇÃO E ENTRADAS DA GALERIA DE ARTE. ......................................................................................................................................... 91 FIGURA 84- MAQUETE VOLUMÉTRICA DA GALERIA DE ARTE.................................................................................................................................................................................. 91 FIGURA 85– MAQUETE VOLUMÉTRICA COM USOS DISTRIBUÍDOS E SUA PORCENTAGEM DE ÁREA OCUPADA ....................................................................................................................... 92 FIGURA 86- FACHADA SUDOESTE, INTERLIGAÇÃO DO EDIFÍCIO COM A PRAÇA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS. ........................................................................................................ 92 FIGURA 87- A. VOLUMETRIA ORIENTAÇÃO AO SUL B. VISÃO DO PEDESTRE NO EDIFÍCIO. ................................................................................................................................... 93 FIGURA 89- LOGOS CRIADAS PARA A GALERIA DE ARTE. ................................................................................................................................................................................... 94 FIGURA 88- VOLUMETRIAS INDICANDO QUANTIDADE DE CALOR NAS FACHADAS....................................................................................................................................................... 94 FIGURA 90-A. TÉRREO DA GALERIA DE ARTE (IMAGEM N° 1). B. MAPA DE LOCALIZAÇÃO DE IMAGENS ............................................................................................................... 95 FIGURA 92– ESQUEMA DOS BRISES HORIZONTAIS MÓVEIS ..................................................................................................................................................................................... 97

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FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA

93-A. FACHADA SUDOESTE B. FACHADA SUDESTE. ................................................................................................................................................................................ 97 95- CAMINHO PRINCIPAL QUE INTERLIGA A PRAÇA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS COM A GALERIA. .......................................................................................................... 99 96– ESQUEMA DE BRISES QUE GIRAM AO REDOR DE SEU EIXO .................................................................................................................................................................100 97– FACHADA SUDESTE .......................................................................................................................................................................................................................100 98– FACHADA SUDOESTE .....................................................................................................................................................................................................................100 99– FACHADA NORDESTE .....................................................................................................................................................................................................................100 100– ESQUEMA DEMONSTRANDO O SHED UTILIZADO................................................................................................................................................................................101 101– MATERIAIS UTILIZADOS .............................................................................................................................................................................................................101 102– IMPLANTAÇÃO DO PROJETO E PAISAGISMO ....................................................................................................................................................................................102 103–PLANTA BAIXA DO 1° PAVIMENTO................................................................................................................................................................................................103 104-A. HALL DE ENTRADA DA GALERIA INSIGHT. B. VISÃO DO MEZANINO DO HALL. C. MAPA DE LOCALIZAÇÃO DAS IMAGENS................................................................104 106– PLANTA BAIXA DO 2° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................106 107– PLANTA BAIXA DE LOCALIZAÇÃO DE IMAGENS................................................................................................................................................................................107 108-A. AMBIENTAÇÃO DA BIBLIOTECA (IMAGEM N° 1) B. SIMULAÇÃO DA LUZ NATURAL NA BIBLIOTECA UTILIZANDO O SOFTWARE VELUX. ...............................................107 111-A. FEIXES DE LUZ INDICANDO CAMINHO NA GALERIA (IMAGEM N°1) B. AMBIENTAÇÃO DA GALERIA (IMAGEM N°2) C. SIMULAÇÃO DA LUZ NATURAL NA GALERIA UTILIZANDO OSOFTWARE VELUX ............................................................................................................................................................................................................... 109 FIGURA 113– PLANTA BAIXA DO 3° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................111 FIGURA 114– CORTE TRANSVERSAL DA EDIFICAÇÃO. .........................................................................................................................................................................................112 FIGURA 115- VISÃO DA GALERIA A PARTIR DO 2° PAVIMENTO DA GALERIA. ...................................................................................................................................................113 FIGURA 116– PLANTA BAIXA DO 4° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................114 FIGURA 118-A. AMBIENTAÇÃO SALAS MULTIUSO (IMAGEM N°2) B. SIMULAÇÃO DA LUZ NATURAL NA SALA MULTIUSO UTILIZANDO O SOFTWARE VELUX .............................................115 FIGURA 119- 3° ANDAR DA GALERIA (IMAGEM N°1). ...................................................................................................................................................................................116 FIGURA 120- VISÃO DA GALERIA A PARTIR DO 3° PAVIMENTO DA GALERIA (IMAGEM N°3).............................................................................................................................117 FIGURA 121– PLANTA BAIXA DO 5° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................118 FIGURA 122- VISÃO PARA O ÁTRIO E EFEITOS DE LUZ NA GALERIA (IMAGEM N°1). .......................................................................................................................................119 FIGURA 123– PLANTA BAIXA DE LOCALIZAÇÃO DE IMAGENS................................................................................................................................................................................119 FONTE: ELABORADA PELA AUTORA. ..................................................................................................................................................................................................................119 FIGURA 124 - FEIXES DE LUZ CRIANDO EFEITOS NA GALERIA (IMAGEM N°2). ...............................................................................................................................................120 FIGURA 125– PLANTA BAIXA DO 6° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................121 FIGURA 126– CORTE TRANSVERSAL. ................................................................................................................................................................................................................122 FIGURA 127– PLANTA BAIXA DO 7° PAVIMENTO. .............................................................................................................................................................................................123

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FIGURA 128-A. EFEITOS DA LUZ NA GALERIA B. SIMULAÇÃO DA LUZ NATURAL NO ÚLTIMO PAVIMENTO DA GALERIA UTILIZANDO O SOFTWARE VELUX .............................................124 FIGURA 130– PLANTA BAIXA DE LOCALIZAÇÃO DE IMAGENS ..............................................................................................................................................................................126

LISTA DE ABREVIATURAS SAD – Seasonal Affective Disorder ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR – Norma Brasileira FAMES – Faculdade de Música do Espirito Santo FAFI - Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música OAB - Ordem dos Advogados Brasileiros PDU – Plano Diretor Urbano de Vitória

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SUMÁRIO 1.0

Introdução ......................................................................................... 1.1 Objetivos 1.1.1- Geral................................................................................. 1.1.2- Específico ........................................................................... 1.2 Método........................................................................................... 1.3 Estrutura do trabalho ........................................................................... 2.0 Luz e sombra na arquitetura 2.1 A experiência na arquitetura 2.2 A importância da luz natural 2.2.1 Luz e seus efeitos biológicos 2.2.2 Luz e seus efeitos psicológicos 2.3 Efeitos e sensações que a luz provoca 2.3.1 A importância das sombras 2.3.2 Efeitos dos sólidos e cavidades 2.3.3 Percurso e movimento 2.3.4 Escala 2.3.5 Limites 2.3.6 Evanescencia 3.0 Estratégias de iluminação natural 3.1 Iluminação lateral 3.2 Iluminação zenital 3.2.1 Claraboias 3.2.2 Lanternins 3.2.3 Atrios 3.2.4 Sheds 3.2.5 Cúpulas

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3.3

Sistemas de sombreamento e redirecionamento 3.3.1 Brises 3.3.2 Prateleiras de luz 3.4 Aspectos normativos 4.0 Estudo de Caso 4.1 Museu de Arte Kimbell - Louis Kahn 4.2 O Museu de Arte Nelson-Atkins - Steven Holl Architects 4.3 Museu Judaico de Berlim - Daniel Libenskind 4.4 Inspirações projetuais 5.0 Diagnóstico e Estudo do local de projeto 5.1 Análise do entorno 5.2 Análise das condicionantes 5.3 Análise solar 6.0 Proposta Arquitetônica 6.1 Diretrizes projetuais 6.2 Partido arquitetônico 6.3 Experimentação da luz 6.4 Representação do projeto

7.0 8.0

Considerações Finais Referências

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1 INTRODUÇÃO “ A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sob a luz” (PALLASMAA,2011, p.26)

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1 INTRODUÇÃO “ A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sob a luz” (PALLASMAA,2011, p.26)

Aliar luz, sombra a arquitetura, gera novas experiências e vivências, ao grande alvo da arquitetura: o homem.

A luz foi alvo de diversos discursos durante a história da humanidade. Desde a teoria da “Alegoria da Caverna” de Platão na qual acreditava que a realidade resumia-se às sombras de homens e objetos, questiona-se e analisa-se a luz e suas diversas faces e possibilidades. (MOTTOS, 2007)

É necessário saber aproveitar o melhor que a luz pode oferecer e também é preciso saber senti-la. Os cinco sentidos precisam ser explorados igualmente, principalmente em uma atualidade em que a visão aliada a estética predomina acima de outras variáveis.

No Período Gótico o uso da luz refletiu a ideologia da época e criava ambientes de solenidade suprema, que fazia parte importante do culto. Já na Renascença, verifica-se o uso de soluções de conforto ambiental interessantes, como soluções solares passivas e bioclimáticas baseadas na realidade da época. (MASCARÓ, 2005)

Para se ter uma arquitetura que provoque estímulos é essencial ressaltar formas, texturas, contrastes e assim incentivar o usuário a percorrer o espaço.

A luz sempre foi responsável por realçar os elementos, por torna-los visíveis, acentuar contrastes e criar sensações. Junto a luz temos a sombra, que dinamiza ainda mais o ambiente e torna um local mais aconchegante. Juntas, tornam a arquitetura algo vivo e possibilitam inúmeras sensações ao usuário.

Atualmente é comum nos espaços arquitetônicos destaque a luz artificial e muitas vezes não é aproveitado o potencial da luz natural. É essencial que se explore cada vez mais os efeitos que a luz natural pode causar e os impactos que isso tem na vivência da arquitetura, de maneira que se consiga aproveitar seus benefícios e potencialidades.

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1.1 OBJETIVOS

1.2 MÉTODO

1.1.1 OBJETIVO GERAL

A metodologia utilizada para realização do trabalho consiste em fundamentação teórica e bibliográfica onde os principais autores utilizados são: Juhani Pallasmaa, Steen Eiler Rasmussen, Bruno Zevi, Junichiro tanizaki e Peter Zumthor.

Analisar os efeitos da luz e sombra e utiliza-los como diretriz de projeto para elaboração de uma Galeria de Arte.

1.1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Para alcançar os objetivos gerais serão realizados os seguintes tópicos: 

    

Estudar o comportamento da luz natural; importância, aplicações e estratégias de iluminação Estudar o aproveitamento da luz natural na percepção do espaço Realizar Estudos de caso e pesquisar projetos que utilizam a luz natural como diretriz Executar maquetes físicas para estudo da luz Realizar experimentações em softwares para simular luz e sombra Projetar uma Galeria de Arte com atenção na experiência pelo espaço e o uso da luz e da sombra

Será estudado como a luz natural e as sombras se comportam, quais seus efeitos e que sensações elas podem transmitir ao usuário. Haverá realização de Estudos de Caso e experimentações do uso da luz em software específico e maquete física para depois ser aplicado a melhor estratégia no projeto da Galeria de Arte.

1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO O trabalho é composto por nove capítulos sendo sete deles o corpo do trabalho e os dois últimos, referência e apêndice respectivamente. O capítulo um nomeado como “Introdução” é aquele que contextualiza o trabalho, apresenta os objetivos principais do mesmo e explica a metodologia que será adotada para realiza-lo. O capítulo dois cujo nome é “Luz e sombra na arquitetura” é composto pela maior parte conceitual do trabalho. Nele são levantadas questões como: a

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experiência sensitiva que a arquitetura pode propiciar e diferentes formas de vivencia-la; a importância da luz natural tanto no aspecto biológico como psicológico e os efeitos visuais que ela pode ter; a importância que as sombras tem em conjunto com a luz; os efeitos que os sólidos, volumetria e cavidades possuem e por fim efeitos e sensações que a luz natural provoca. O capítulo três nomeado por “Estratégias de iluminação natural” busca apresentar os diferentes sistemas para aproveitamento da luz natural bem como sua finalidade, funcionamento, eficiência, aplicações etc. O capítulo quatro, é composto por Estudos de Caso que mostram a luz natural como diretriz de projeto e evidenciam qualidades e efeitos da mesma. O capitulo cinco é aquele de Diagnóstico e estudo do local em que será realizado o projeto. Serão levantadas todas as condicionantes e analises relevantes para a etapa projetual. O capítulo seis é o da proposta projetual onde irá conter o projeto em si, imagens e 3d, simulações dos efeitos da luz e fotos da maquete física para estudo da luz.

O capítulo sete é responsável pelas considerações finais em relação a todo o trabalho levantando os pontos principais concluídos. O capitulo oito conterá as referências bibliográficas utilizadas e no capitulo nove haverá um extra que será uma série de fotografias autorais que seriam um exemplo de primeira exposição para a Galeria projetada.

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2 LUZ E SOMBRA NA ARQUITETURA “Iluminar não é apenas aplicar as frias regras predefinidas, mas integrar técnica e criatividade. ” (LIMA,2010)


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2 LUZ E SOMBRA NA ARQUITETURA

detrimento de outras variáveis. Porém, a arquitetura enquanto arte, é sentida e vivenciada.

A luz e a sombra são elementos que devem andar juntos, em harmonia. São peças chave para a criação de sensações e efeitos na Arquitetura, quando bem aproveitados.

Entretanto, o que diferencia uma arquitetura de uma escultura ou um quadro, não é o seu valor emocional e sim a sua utilidade.

Já dizia Juhani Pallasmaa (1996, p.44) “ As sombras profundas e a escuridão são essenciais, pois elas reduzem a precisão da visão, tornam a profundidade e a distância ambíguas e convidam a visão periférica inconsciente e a fantasia tátil. ”

Afinal, um local em que há coexistência de luz e sombra em igualdade, é muito mais aconchegante e prazeroso do que aquele local em que a iluminação é forte e homogênea. A sombra é aquela responsável por dar forma aos objetos e trazer vida. Ela também cria ambientes propícios para surgimento de ideias, fantasias, sonhos. Já a luz, evidencia certas características, valorizando-as, além de provocar sensações de conforto tanto térmico como psicológico.

2.1 A EXPERIÊNCIA NA ARQUITETURA A arquitetura muitas vezes é julgada pelo seu aspecto externo, valorizando-se assim a estética em

A arquitetura é composta por uma imensidão de variáveis e condicionantes e de acordo com Rasmussen (2015, p.27) “ A maioria dos edifícios consiste numa combinação de duro e macio, leve e pesado, tenso e frouxo, e de muitas espécies de superfícies. Tudo isso são elementos de arquitetura de que o arquiteto dispõe. E, para sentir arquitetura é preciso estar consciente de todos esses elementos. ”

Porém, o que deve-se fazer para projetar uma arquitetura que estimule os sentidos e “toca” quem a utiliza? Peter Zumthor diria que para alcançar isto é necessário a criação de atmosferas pois, só assim há uma comunicação com o emocional. As atmosferas só são alcançadas quando se tem uma série de preocupações entre elas: a sensibilidade ao projetar; o estudo de materiais adequados para cada edifício e como ele se comporta; o modo de conduzir e seduzir as pessoas que frequentarão o local; cuidado com a luzes e sombras e seus efeitos e pro

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fim o zelo por criar um espaço envolvente, que afeta as pessoas e provoca sensações diferenciadas. Estes fatores citados podem ser vistos nos projetos de Peter Zumthor como por exemplo a Capela de Campo Bruder Klaus que possui uma parede de madeira incendiada (Figura 1-a) o que faz ela possuir uma textura diferenciada e também há um direcionamento obvio para o teto que possui uma abertura (Figura 1-b) que permite a criação de um ambiente diferente para cada hora do dia e ano.

Observa-se que a experiência que uma arquitetura proporciona está totalmente relacionada com as sensações vividas, afinal “as sensações nos fazem relacionar com nosso próprio organismo, com o mundo exterior e com tudo que está a nossa volta” (LIMA,2010, p.23). De acordo com Mariana Lima (2010, p.23) as sensações podem ser divididas em três categorias: externas (resposta de cada órgão dos sentidos aos estímulos que atuam sobre ele); internas (reflete os movimentos da parte isolada de nosso corpo) e especial (se manifesta por forma de sensibilidade). Assim como as sensações estão ligadas a experiência na arquitetura a percepção também está, “perceber é conhecer, através dos sentidos, objetos e situações” (PENNA, apud LIMA,2010, p. 24). Há alguns fatores que afetam a percepção dos indivíduos como por exemplo: ilusões óticas (que podem proporcionar sensações de grandeza e simplicidade por exemplo); percepção associada (um exemplo é a questão da percepção de quente e frio de acordo com a cor do ambiente); efeito de sinestesia (subjetivos) e por fim, tipos de personalidade (LIMA, 2010).

Figura 1-a. Parede texturizada b. Abertura no teto da Capela de Campo Bruder Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-55975/capela-de-campobruder-klaus-peter-zumthor/1295916578-ludwig-bruderklauschapel-no06/ > Acesso em 01 de abril de 2019 ás 17:45

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Com isso, percebe-se que a Arquitetura é a peça chave para alcançar todas estas sensações, percepções e experiências.

A luz natural possui um fato intrigante que é a forma como ela se comporta que varia e traz uma infinidade de possibilidades e efeitos.

“ A arquitetura reforça a experiência existencial, nossa sensação de pertencer ao mundo, e essa é essencialmente uma experiência de reforço da identidade pessoal. Em vez da mera visão, ou dos cinco sentidos clássicos, a arquitetura envolve diversas esferas da experiência sensorial que interagem e fundem entre si. ” (PALLASMAA, Juhani.1966, p.39)

Hoje em dia é possível simular está luz e seus efeitos e visualizar como ela se comportaria por meio de softwares como o Velux e o Diva (funciona junto com o programa Rhino) que simulam o comportamento da luz natural, e também através de modelos físicos.

2.2 A IMPORTÂNCIA DA LUZ NATURAL “A luz constrói e media a relação entre o espaço e a dimensão psíquica do usuário, torna perceptível o movimento, ordena e define todos os fenômenos reais. ” (BARNABÉ, 2007, s.n.)

Outro aspecto da luz é a capacidade de revelar elementos, valorizar e definir hierarquias. Estes aspectos são alcançados através das qualidades da luz que de acordo com Willian (2003) são: 

A luz possui tamanha importância no meio em que vivemos. Ela é a energia essencial da vida. É por conta dela que visualizamos imagens, cores, texturas, formas, contornos.

“Louis Kahn defendia que a luz natural ‘dava vida ao espaço’, pelo fato de modificar a percepção das superfícies ao longo do dia e das estações, fato que a luz artificial não conseguia pela sua condição estática. ” (KAHN, apud BARBOSA, 2010, p.29)

Intensidade – referente aos níveis de iluminação ou quantidade de brilho Modelagem – pelo fato da forma da luz poder ser percebido de diferentes maneiras e possuir contrastes de intensidade e cor Movimento – a forma como a intensidade e cor variam e atraem o olhar Cor – relacionado a matizes e tons que modificam a luz incidente

Ademais, a luz possui funções espaciais como delimitação do espaço, orientação e definição de hierarquia. A delimitação do espaço está presente

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em feixes de luz que cortam um Já a orientação pode ser balizadoras e a definição de espaços que se diferenciam potência da luz.

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ambiente por exemplo. percebida em luzes hierarquia existe em pela intensidade e

A luz destaca elementos o que pode ser visto no Convento de La Tourette, onde Le Corbusier destacou o altar (Figura 2) com a presença de uma luz dramática que evidencia-o no espaço. Ela também é responsável por separar ambientes, diferenciando-os de acordo com a intensidade de luz, podendo delimitar espaços de permanência e espaços de transição. Outro aspecto relacionado a luz é a interligação de espaços, promovendo unidade para espaços que estão separados fisicamente. Este aspecto pode ser observado no Museu Gugenheim de Frank Lloyd Wright onde a interligação dos espaços de circulação e exposição se dá através da unidade da luz natural (Figura 3). No entanto, a luz natural é sempre utilizada em projetos arquitetônicos porém nem sempre é aproveitada da melhor maneira. Iluminar é mais do que fornecer uma luz adequada para certo lugar, deve expressar valores, buscar efeitos controlando a luz afim de possibilitar a qualificação do espaço.

Figura 2- Convento de La Tourette Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-156994/classicos-daarquitetura-convento-de-la-tourette-slash-lecorbusier/5037f13c28ba0d599b000598-ad-classics-convent-of-la-tourette-lecorbuiser-photo> Acesso em 03 de abril de 2019 ás 22:05 Figura 3- Museu Gugenheim

Disponível em: < https://1.bp.blogspot.com/aCO9mx6PcDT4/VUbBTSJTaYI/AAAAAAAAKhk/VlbA6Fj00ak/s200/Solomon%2BR.%2BGuggenhei m%2BMuseum%2B(1).jpg> Acesso em 03 de abril de 2019 ás 22:10


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Portanto, a luz como diretriz de projeto é extremamente essencial e se considerada e pensada no momento de concepção do projeto gera efeitos e sensações magníficas, e para que isso ocorra é necessário se atentar para uma série de condicionantes como, por exemplo, as considerações climáticas do lugar; a mutabilidade das características luminosas na variação do tempo, dos dias e das estações; características da envoltória; o diálogo entre interior e exterior, entre as áreas iluminadas e sombrias, etc.

2.1.1 LUZ E SEUS EFEITOS BIOLÓGICOS O efeito benéfico que a luz traz é conhecido desde a Antiguidade, tanto que já se acreditava que a luz poderia curar diversas doenças, e era praticado a Helioterapia1, principalmente pelos Gregos (LÓPEZ, 2007, p.30, tradução nossa). Apesar desta prática ter sido deixada de lado com o aparecimento dos produtos farmacêuticos, voltou-se nos dias atuais a dar ênfase nesse benefício. A luz pode auxiliar em: processos metabólicos; controle do relógio biológico; melhorias no sono; aumentar o

A helioterapia consiste na utilização do Sol, em benefício da saúde, de uma forma natural. 1

ânimo e disposição Leandra.2013).

das

pessoas

(LOPES,

A luz funciona como “marcador temporal” do nosso relógio biológico, pois ela faz com que o homem entre em alerta ou então melhora o sono, ajudando no bem-estar físico (LOPES, 2013). Isto está relacionado ao sistema circadiano que é o ritmo químico do corpo humano que se repete a cada 24 horas e corresponde ao relógio solar que o regula. Logo, conclui-se que o ser humano foi programado para viver na presença da luz do dia. Além disso, a visão e a consequente percepção da luz são variáveis responsáveis para que o ser humano apreenda o espaço ao seu redor. “Para os envolvidos com projetos de arquitetura e iluminação, o foco de interesse deve estar nas relações da produção de melatonina com os ciclos claro/escuro e em como as interferências causadas pelos ambientes iluminados natural e artificialmente, além de sua relação com a redução de níveis de cortisol e adrenalina” (RIOJA, 2017, acesso em 17 de abril.2019)

A busca por aproveitamento dos benefícios da luz para o corpo é exemplificada nos solários criados

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em alguns projetos arquitetônicos que visam o bem estar e o uso do sol. Além dos solários a criação de pátios internos também busca a utilização do sol o que pode ser visto no projeto do Hospital de Medicia Chinesa Weihai (Figura 4-a), localizado na China, realizado pelo arquiteto Peidong Zhu que projetou três pátios cada um com uma forma (Figura 4-b).

Há um pátio com quatro paredes, um pátio com duas paredes e dois prédios de frente para o outro e ainda um pátio com quatro prédios de cada lado. Isto faz com que a sensação e a incidência solar em cada um deles sejam diferentes. A maior parte da percepção que possuímos é fornecida através do sistema visual. A luz é um fator imprescindível para a visão e também para os processos dos mecanismos cerebrais que se relacionam com a visão. “O mecanismo fotobiológico da visão se processa de modo que a parte da radiação eletromagnética visível, refletida ou emitida pelos corpos, passa através do sistema ótico, formado essencialmente pela córnea e pelo corpo vítreo e incide sobre a retina do globo ocular, onde celular nervosas, denominadas cones e bastonetes, excitadas pelos raios luminosos informam suas impressões ao crebro permitindo a formação e decodificação de imagens. (RIOJA,2018 p.88).

Figura 4- a. Entrada do Hospital b. Terceiro pátio interno do Hospital de Medicia Chinesa Disponível em: < https://www.archdaily.com.br/br/913195/hospital-de-mediciachinesa-weihai-gla > Acesso em 04 de abril de 2019 ás 19:23

Relacionado a visão, luz e relógio biológico está a produção de melatonina (hormônio do escuro) que se conecta com os ciclos claro/escuro, e consequentemente, com interferências causadas por ambientes iluminados artificialmente ou naturalmente, além da relação com a redução de níveis de cortisol e adrenalina (RIOJA,2018.)

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Desde que se passou a viver em um ambiente iluminado artificialmente alterou-se o relógio biológico que está relacionado com as mudanças de claro e escuro, afetando a saúde (RIOJA,2018.). A luz que incide no sistema ocular propicia formação de cores, imagens, forma etc. Cada pessoa a interpreta e possui sensibilidade de percepção diferenciada o que influencia em interpretações diversas de um mesmo espaço. “Este aspecto subjetivo da percepção da luz gera alterações comportamentais e de humor que determinarão avaliações sobre o espaço físico e a qualidade dos ambientes construídos. (RIOJA,2018, p.90.) ”.

O desempenho visual dos homens, em tarefas de trabalho, fica mais apurado em ambientes com diferenciação de cores e com bom nível de luz uniforme e sem ofuscamento. Um local que não atende estes elementos acaba provocando fadiga visual e gerando irritações nos olhos. Um local bem iluminado precisa se preocupar com o tamanho e localização de suas aberturas e também com as propriedades refletoras das superfícies ao seu redor para que não afete a saúde visual dos seus usuários. Para isso, existem diversas grandezas fotométricas: fluxo luminoso; eficiência luminosa;

intensidade luminosa; curva de distribuição luminosa, iluminância, luminância etc. Para saber com exatidão a quantidade de lux necessárias para o ambiente é fundamental a realização do cálculo luminotécnico, atendendo a norma da ABNT NBR ISO/CIE 8995-1.

2.1.2 LUZ E SEUS EFEITOS PSICOLÓGICOS A ausência de luz pode causar além de problemas biológicos, efeitos psicológicos. Entre eles está a SAD, doença também conhecida como Depressão de inverno ou Transtorno Afetivo Sazonal que pode ocorrer quando as noites se tornam mais longas que os dias e a falta de luz ocasionam o sentimento de depressão, melancolia e falta de interesse para realizar atividades do dia a dia. Isto aumenta a irritabilidade, a necessidade de sono, levando à falta de apetite, podendo ocasionar o aumento do peso e problemas de saúde (LOPES, 2013). Além disso existem estudos que falam que a exposição durante a luz do dia pode auxiliar na regulação do sono pois além de estar relacionada com a criação do hormônio do sono, a melatonina, ela altera o ciclo circadiano. A exposição aos ciclos de claro e escuro e as interferências causadas pela luz natural e

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artificial no espaço se relacionam com a produção de cortisol e adrenalina e influenciam o estado psíquico e comportamental do homem (RIOJA,2018). Outro aspecto descoberto através de estudos foi o fato de que as pessoas se sentem menos conectadas às outras no escuro. Assim, acabam atribuindo menos relevância ao que os outros pensam e mais importância ao que realmente ela deseja. Isto ocorre pois as pessoas possuem maneiras especificas de se comportar dependendo da intensidade luminosa. Este estudo está totalmente relacionado ao marketing que busca realizar testes e utilizar isto ao seu favor (AYSHFORD,2018, acesso em 17 de abril.2019, tradução nossa).

2.3 EFEITOS E SENSAÇÕES QUE A LUZ PROVOCA A luz natural provoca efeitos e sensações diferenciadas ao longo do dia e dos meses. Para entender como estes efeitos são formados é necessário saber seu comportamento. Primeiramente, é preciso a distribuição da luz inúmeros fatores como: natural; existência de características óticas geometria do espaço e internas (LOPES, 2013).

citar que a intensidade e no ambiente dependem de disponibilidade da luz obstruções externas; das dos vidros; tamanho e reflexão das superfícies

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A luz natural pode vir de diferentes fontes (Figura 5): luz solar direta, luz refletida do solo, luz difusa do céu etc. Dependendo da fonte de luz varia a quantidade e carga térmica, a qualidade, cor, difusão e eficácia (LOPES, Leandra.2013). “Podemos, então, depreender facilmente que a luz frontal é, de um modo geral, uma luz pobre. Quando a luz incide sobre um relevo quase em ângulo reto, há um mínimo de sombra que tem, portanto, efeito plástico. Se o objeto for deslocado da luz frontal para um lugar onde a luz lhe incida lateralmente, será possível encontrar um ponto que propicie uma impressão excelente de relevo e textura. (EILER, Steen.2015, p.197)

Os edifícios são considerados volumes mortos até que o primeiro raio de luz incida sobre ele e então ele começa a despertar e ganhar vida. A luz é responsável por caracterizar e identificar o “espírito” de cada lugar. Cada lugar possui suas características geográficas, o que o torna memorável quanto sua qualidade de luz (OLIVEIRA,2009).

Figura 5- Componentes da luz natural (COSTA,Leandra.2013, p.55) Com redesenho pela autora em 08 de abril de 2019.


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Um efeito que a luz é responsável é a definição de diferentes espaços dentro de uma grande área. A hierarquia da luz e sua intensidade acentua e diferencia atividades. Ao surgir dentro dos espaços estimula e inspiram nossa consciência, transformado o espaço uniforme em espaço dramático (OLIVEIRA,2009). “Assim, todos os modos de expressar o espaço através da luz, seja definindo o limite entre o interior e o exterior, revelando estruturas, definindo áreas ou induzindo movimento, criam experiências ricas visuais e revelam formas que não seriam percebidas com a ausência da luz. A criação de ritmos e movimentos é possível de ser acentuada quando se estabelece uma relação entre luz e forma, claro e escuro, enfatizando e revelando a riqueza dos elementos arquitetônicos, criando dramaticidade. (OLIVEIRA,2009, p.93). ”

2.3.1 A IMPORTÂNCIA DAS SOMBRAS É por meio da sombra e do escuro que a pupila dos olhos se expande e torna-o mais sensível à luz permitindo diferentes sensações. A sombra se altera durante o dia e transforma o espaço de forma dramática, renovando- o a cada hora. “[...] as sombras são importantes para definir a forma e posição dos objetos no espaço, quando não há outras referências (LOPES, Leandra.2013, p.48).”

As sombras tornam o espaço convidativo e intrigante, influenciando as pessoas a desejarem utiliza-lo. “ Como as ruas de uma cidade antiga, com seus espaços alternados de escuridão e luz, são muito mais misteriosas e convidativas do que as ruas das cidades atuais, com sua iluminação tão forte e homogênea. A imaginação e a fantasia são estimuladas pela luz fraca e pelas sombras[...]A luz forte e homogênea paralisa a imaginação do mesmo modo que a homogeneização do espaço enfraquece a experiência da vida humana e arrasa o senso de lugar. O olho humano é mais adequado para enxergar no crepúsculo do que sob a luz forte do sol.” (PALLASMAA, Juhani.1996, p.44)

Um dos arquitetos que deixava explícito sua preocupação com a utilização da luz como elemento norteador de projeto é Oscar Niemeyer. “Suas obras caracterizam-se pelo enriquecimento semântico do espaço mediante distintas camadas luminosas. As variações de luz e sombra realçam a sensação dinâmica e as superfícies claras oferecem presença material aos gestos abstratos. (BARNABÉ, 2008, s.n.) ”.

Uma obra de Niemeyer que evidencia as diretrizes projetuais com base na luz é a Casa das Canoas (Figura 6-a). Os feixes de luz foram direcionados para focalizar elementos específicos; há múltiplos reflexos na água; e buscou-se a fluidez espacial

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para ter “ um movimento continuo que não permite que os olhos se fixem por muito tempo em uma forma específica (BARNABÉ, 2008, s.n.) ”. Pode-se dizer que a luz e a sombra articulam os ambientes da Casa de Canoas fazendo com que hajam espaços com sombras mais íntimas e outros com transparência e cheios de luz tendo assim uma diferenciação por ambiente (Figura 6-b). As sombras são muito bem exploradas pelos orientais que as compreendem como algo belo e as utilizam para obter efeitos estéticos. Buscam utilizar cores neutras para que a luz penetre no espaço. “ De facto, a beleza de uma divisão japonesa, produzida unicamente por um jogo sobre o grau de opacidade da sombra, dispensa quaisquer acessórios. O ocidental, vendo isso, fica surpreendido com este despojamento e julga tratar-se apenas de paredes cinzentas desprovidas de qualquer ornamento, interpretação perfeitamente legitima do seu ponto de vista, mas que proa que ele não conseguiu desvendar o enigma da sombra. (TANIZAKI,1933, p.31) ”.

Os japoneses utilizam portas painéis de arroz denominadas shoji que possibilitam conforto térmico e transmitem uma luz leve e mutável que cria sombras interiores (OLIVEIRA,2009).

Figura 6- a.Constrastes da luz

b.Acesso a Casa de Canoas

Disponível em: < https://www.archdaily.com.br/br/01-14512/classicos-daarquitetura-casa-das-canoas-oscar-niemeyer/14512_15188> Acesso em 17 de abril de 2019 ás 21:10

A luz está relacionada à cultura. Junichiro Tanizaki explora muito esta conexão no livro Elogio da Sombra

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(TANIZAKI,1933.) onde aponta a preferência do povo japonês por sombra e escuridão e demonstra a grande importância que a luz e a sombra têm para eles. Peter Zumthor é outro arquiteto que projeta dando prioridade ás sombras e seus efeitos. Ao projetar o hotel e spa Termas de Vals ele buscou ocasionar uma experiência sensorial completa através das combinações de luz e sombra, espaços abertos e fechados e elementos lineares (Figura 7-a). (FRACALOSSI, acesso em 06 de maio.2019). Neste projeto Zumthor procurou criar uma espécie de caverna, trabalhando com o entorno natural e aproveitando a materialidade do espaço (Figura 7b).

2.3.2 EFEITOS DOS SÓLIDOS E CAVIDADES Uma forma de explorar os diferentes efeitos que a luz pode causar é a criação de diferentes volumes na Arquitetura assim como cavidades, recortes e formas diferenciadas. “ Portanto, se um arquiteto quer que o seu edifício seja uma autentica experiência, ele deve empregar formas e combinações de formas que não deixem o espectador afastar-se tão facilmente, mas pelo contrário, o forcem a observação ativa (RASMUSSEN, 2015, p.60). ”

Deve-se ter cuidado com o tipo de forma projetada para não gerar efeitos contrários ao desejado. As formas não familiares imprimem uma interpretação inesperada e levam o expectador a surpresa além de chamar atenção para olhar a obra mais detalhadamente. “ Para que um edifício seja ‘vivo’ é necessário que sua vitalidade seja expressa pelo contraste entre linhas verticais e linhas horizontais, entre vazios e cheios, entre formas cortantes e formas vagas, entre volumes, entre massas. (ZEVI, 1957, p.168) ”.

Figura 7- a. Efeitos de luz e sombra b.Termas de Vals e seu entorno Disponível em: < https://www.archdaily.com.br/br/01-15500/classicos-daarquitetura-termas-de-vals-peter-zumthor/15500_15764> Acesso em 06 de maio de 2019 ás 21:10

O Museu de Arte de Tel Aviv (Figura 8) projetado por Preston Scott representa um desafio arquitetônico que através da torção de superfícies geométricas possibilitou a conexão de ângulos dispares entre as galerias, refratando a luz natural

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nos recessos mais profundos do edifício (MINNER, 2011, s.n.). A criação de formas diferentes na superfície possibilitou que quando a luz incidisse sobre as mesmas, efeitos diferentes fossem criados como cheios e vazios, ilusões de óticas, profundidades acentuadas etc.

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Para Tadao Ando a forma é um elemento fundamental na arquitetura. A forma é concreta e procurar o seu fascínio, significa procurar o que é visivelmente interessante ou satisfatório (TAOÃO, apud FURUMAYA,2000, p.12). Renzo Piano também exercita a criação de sólidos e cavidades, sólidos e vazios, que proporcionam maior sensação dos efeitos e vibrações da luz e da sombra. Isto pode ser observado no projeto MUSE que busca à reintegração da paisagem urbana existente explorando a relação do local com o rio, fazendo melhor uso de seus recursos naturais, e possui volumes e formas diferenciadas (Figura 9).

Figura 8 – Efeitos da luz nas cavidades no Museu de Arte Tel Aviv

Figura 9 – MUSE – Formas diferenciadas

Disponível em: <https://www.archdaily.com/137601/tel-aviv-museum-of-artpreston-scott-cohen/tama-core-overview_sm> Acesso em 21 de abril de 2019 ás 16:20

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-146760/muse-slash-renzopiano/522136ffe8e44e711f00001e-muse-renzo-piano-photo> Acesso em 03 de abril de 2019 ás 16:20


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2.3.3 PERCURSO E MOVIMENTO

2.3.4 ESCALA

Luz e movimento são elementos que atraem as pessoas. Há tendência de seguir a luz através de caminhos pois a intensidade luminosa nos atrai (Figura 10a). Para impor um caminho a ser seguido é preciso uma luz mais brilhante (BARBOSA,2010).

A luz altera a percepção das noções de proporção, medidas e escala. Através da luz tem-se acentuação ou modificação de superfícies verticais ou horizontais (BARBOSA,2010).

O movimento é algo estimulado pela luz, com ritmos que promovem variações (Figura 10-b). A luz natural se movimenta em um processo linear e está em constante alteração e oscilação durante a passagem do dia. A luz artificial também pode se movimentar devido sua capacidade de variação, alterando a percepção do ambiente (BARBOSA,2010).

Figura 10-a – Ponte da Aspiração (Wilkinson Eyre Architects) b- Estação de trem GUILLEMINS (Santiago Calatrava) Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/346355027591095479/> Acesso em 10 de abril de 2019 ás 10:20

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Um exemplo é quando a luz atinge diretamente planos mais altos e conduz o olhar para cima, nos pontos iluminados, gerando uma sensação de prolongamento do espaço (Figura 11). Já a iluminação zenital, amplia sensação de proporção do espaço enquanto uma janela lateral que não vai até o teto tem um alcance mais horizontal no ambiente. Superfícies muito iluminados transmitem a sensação de leveza visual e perdem densidade e peso gerando efeito de distanciamento e oferecendo proporções visualmente maiores.

Figura 11 – Terminal de transporte WTC (Santiago Calatrava) Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/771232/por-dentro-doterminal-de-transporte-wtc-de-santiago-calatrava/55ba82cae58ece6be3000024calatrava-photo> Acesso em 10 de abril de 2019 ás 10:00


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2.3.5 LIMITES

2.3.6 EVANESCENCIA

A luz altera a percepção dos limites de um espaço. Ao trabalhar com a luz, delimita-se um espaço através do limite da visão e estes limites podem ser criados por contrastes ou continuidade e servem tanto para unificar como separar espaços (Figura 12a). Através da luz é possível definir e compreender estes limites através da iluminação destas áreas (BARBOSA,2010).

Os edifícios são algo estático, porém, sua capacidade para registrar os movimentos da luz natural permite transformá-lo em sinais de vida. Os objetos ganham vida ao passar das horas, e do clima, se expandem ou se contrastam, tem suas formas suavizadas ou aguçadas (PLUMMER,2009).

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A evanescencia está relacionada aos poderes vividos da energia que a luz transmite. Isto não está só ligado à energia como algo físico e sim ao fluxo energizante e expressão que isto pode transmitir na arquitetura. Isto está relacionado a movimentos inesperados que a luz pode criar ou como ela permite com que se entenda melhor o espaço. Tadao Ando é um arquiteto que explora este significado nas suas arquiteturas ao utilizar o mesmo fluxo de luz tanto para uma casa, uma oficina ou uma igreja. Ele parte da ideia que deve se conceber edifícios para receber a luz em uma “implantação de formas líquidas e luminosidade variável, com espetaculares transformações” (Figura 12-b). Afinal, estes fenômenos segundo Ando, seguem um sentimento de transitoriedade (PLUMMER,2009). Ando também tem amor pelas fases da lua e pelas estações.

Figura 12-a-

Fundação Barragan, Suíça (Luis Barragam) b- Casa Koshino (Tadao Ando)

Disponível em: 11-a <https://images.adsttc.com/media/images/5b45/5772/f197/cce0/9700/0163/slideshow/9783775743822_hr_pr03.jpg?1531271016 > Acesso em 10 de abril de 2019 ás 10:20/ 11-b <https://images.adsttc.com/media/images/5b45/5772/f197/cce0/9700/0163/slideshow/9783775743822_hr_pr03.jpg?1531271016> Acesso em 10 de abril de 2019 ás 10:20


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3 ESTRATÉGIAS DE ILUMINAÇÃO NATURAL “A luz não é tanto algo que revela, como é ela mesma a revelação”. James Turrell

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3 ESTRATÉGIAS DE ILUMINAÇÃO NATURAL Um bom projeto de iluminação presa o conhecimento das fontes de luz (natural e artificial) para então alia-las a uma boa estratégia de iluminação. A luz natural é proveniente do Sol, luz difundida na atmosfera e luz refletida no entorno (BARROS,2003). Um bom aproveitamento de distribuição desta luz no ambiente depende de variáveis, já citadas anteriormente. Para traçar uma boa estratégia de iluminação é necessário definir uma prioridade em termos de exposição a luz natural, valores de iluminância e distribuição de luz necessário para as atividades desejadas em cada ambiente (BARROS,2003). A luz natural é composta por componentes de condução (espaços de luz intermediários tais como galerias e átrios), elementos de controle (redirecionam a luz como brises e marquises) e componentes de passagem (superfícies transparentes ou translucidas da envoltória por onde a luz passa). (BARROS,2003) É necessário aliar estratégias de iluminação de acordo com a intenção projetual para assim potencializar o uso da iluminação natural. Para isso são pensados em sistemas de iluminação natural que se dividem em: componentes de condução e componentes

de passagem. Os componentes de condução são elementos projetados para guiar ou distribuir a luz para o interior de um edifício como as varandas e átrios, por exemplo. Já os elementos de passagem são elementos que facilitam a passagem da luz como as aberturas. Podem ser divididos em: lateral, zenital e global (LEDER, apud Baker,1993, p. 51).

3.1 ILUMINAÇÃO LATERAL A iluminação lateral é composta por aberturas laterais como as janelas, portas ou “peles” de vidro (Figura 13). Elas podem possuir proteções externas como: brises, marquises, prateleiras de luz etc. Este tipo de iluminação não possibilita a distribuição uniforme da luz no espaço, possuindo brilho próximo a janelas e dificultando a execução de certas atividades de trabalho que exigem muito da luz.

Figura 13 – Exemplo de iluminação lateral Elaborado pela autora.

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“A iluminância produzida por uma fonte diminui à medida que a distância com relação a ela aumenta, isto faz com que os sistemas de iluminação lateral só sejam eficientes para regiões próximas as janelas, pois são raros os casos em que a luz natural consegue atingir o fundo da sala (BARROS,2003, p.18). ”

Na Capela de Ronchamp projetada por Le Corbusier é possível observar claramente o aproveitamento das aberturas laterais com intenção de uma iluminação poética (Figura 14-b). Por ser muito bem explorada gera uma “desmaterialização espacial” e traz leveza ao interior da edificação.

Para espaços de trabalho, onde deve-se alcançar uniformidade da luz, é necessário aumentar a altura das aberturas laterais ou criar prateleiras de luz que redirecionam a luz para o teto ou paredes e possibilitam um alcance maior no ambiente (BARBOSA,2010).

É possível reparar a diferença da iluminação de cada tipo de abertura lateral pois há uma parede com aberturas em diferentes alturas. Nota-se que a luz proveniente destas aberturas não se espalha muito pelo ambiente se comparada com a luz que entra zenitalmente na construção.

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Cada janela possibilita um tipo de luz e efeito. As janelas baixas proporcionam iluminação pouco uniforme com risco de ofuscamento mas permitem contato com a paisagem; as janelas altas possibilitam maior distribuição da luz e maior uniformidade, diminuindo o ofuscamento; as janelas contínuas permitem uniformidade nas áreas próximas a elas (BARBOSA,2010). A uniformidade da luz nem sempre é desejada. Quando se tem o intuito da utilização de uma luz poética, que evidencia espaços e volumes, cria ambientes, não há necessidade de uniformidade e sim contrastes (Figura 14-a). Figura 14-a. Aproveitamento das aberturas laterais na Capela de Ronchamp b. Luz natural entrando pelas aberturas Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-16931/classicos-daarquitetura-capela-de-ronchamp-le-corbusier/16931_18082> Acesso em 22 de abril de 2019 ás 19:50


Luz e sombra na Arquitetura

3.2 ILUMINAÇÃO ZENITAL Iluminação zenital é realizada através de aberturas localizadas nas coberturas das edificações. Geralmente utilizada em ambientes com grandes profundidades onde as aberturas laterais não são suficientes para trazer uniformidade. A iluminação zenital pode fornecer uma maior uniformidade na distribuição de luz sobre o campo de trabalho, possibilitando a chegada de luz em maior área quando comparado a sistema laterais (BARROS, apud Cabús,1997, p. 18). Porém, a uniformidade reduz o contraste entre luz e sombra que é base para localização dos objetos e para a perspectiva (CABUS, apud HARPER, 1981). Contudo, pode-se dizer que a iluminação zenital ressalta qualidades expressivas imprescindíveis para elaboração de certos efeitos (CABUS, apud AROZTEGUI, 1980).

A iluminação zenital possui as seguintes tipologias: claraboias, lanternins, átrios, sheds e cúpulas. Cada tipologia necessita de cuidado na aplicação para que seus benefícios não sejam mascarados por falhas projetuais.

3.2.1 CLARABOIAS As claraboias são aberturas horizontais localizadas na cobertura da edificação que permitem a entrada direta da luz natural (Figura 15). Geralmente recebe a aplicação de vidro translúcido como vedação. Deve-se ter cuidado ao utiliza-la pois apesar de possibilitar grande entrada de luz natural, favorece o ganho de energia térmica, aumentando a energia interna da edificação. Por isso é comumente utilizada em locais de clima frio possibilitando ganho térmico no interior da edificação.

Um problema da iluminação zenital é a limitação de seu uso às edificações de um pavimento ou ambientes de cobertura (BARROS,2003). Uma vantagem deste sistema é a liberdade de colocar a fonte de luz onde a iluminação é desejada (LEDER, apud LAM,1986, p.138). Figura 15 – Esquema representando Claraboia. Elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

Há maneiras de reduzir o ganho térmico que as claraboias proporcionam como por exemplo, adicionar películas de vidro leitoso ou chapas de policarbonato. As claraboias são indicadas para espaços de menor permanência como corredores, halls ou banheiros (PEREIRA, acesso em 22 de abril.2019). Um projeto que aproveitou o uso das Claraboias para se ter maior ganho de luz natural no ambiente foi a Residência Sunlight projetada por Juri Troy Architects (Figura 16), localizada na Áustria. Este projeto é uma “casa modelo” onde se busca aproveitar todo o potencial do lugar através do conceito de energia e ecologia.

Figura 16. Iluminação por meio de Claraboia. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-170677/residenciasunlight-slash-juri-troy-architects/52aa7858e8e44ee88f000080-sunlighthousejuri-troy-architects-photo> Acesso em 06 de maio de 2019 ás 21:50

3.2.2 LANTERNINS Os lanternins são aberturas que se sobressaem em relação à cobertura (Figura 17). Podem ser pequenos telhados sobrepostos às cumeeiras ou ainda superfícies sobrepostas às lajes, criando pequenas saliências que recebem aplicação de vidro e possibilitam entrada de luz natural pelas duas laterais (PEREIRA, acesso em 22 de abril.2019). Este sistema possibilita a renovação continua do ar (caso sejam empregados caixilhos móveis) e devem ser preferencialmente orientados norte-sul para captação da luz difusa.

Figura 17 – Esquema representando Lanternins. Elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

Um exemplo de projeto que utilizou os lanternins como alternativa para maior entrada de luz foi o estúdio de um pintor na França, projetado por Pauline Gradudy. Neste projeto era necessário otimizar o sistema de aquecimento e possuir qualidade de iluminação natural que é essencial para o artista (Figura 18).

Os lanternins por serem parcialmente voltados para o zênite permitem o maior controle do ofuscamento, beneficia a entrada da luz do sol quando o sol está mais baixo e proporciona maior conservação da energia (LEDER, 1999).

3.2.3 ATRIO Os átrios são aberturas superiores que também podem ser caracterizados como espaço central da edificação (Figura 19). Diferente dos casos anteriormente citados, esta tipologia é indicada a edifícios com maior número de pavimentos ou grandes pés direitos, permitindo o recebimento de maior luminosidade de modo a não gerar altas cargas térmicas (PEREIRA, acesso em 22 de abril.2019).

Figura 18. Iluminação por meio de Lanternin.

Figura 19 – Esquema representando Átrios.

Disponível em: <https://www.archdaily.com/867671/light-folds-wy-toarchitects/58d1a012e58ecee3d6000008-light-folds-wy-to-architects-photo> Acesso em 06 de maio de 2019 ás 21:55

Elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

Podem ser utilizados átrios em residências desde que avalie o clima do local e caso seja um local com clima quente deve-se utilizar pé- direitos altos (até porque ocasiona maior luminosidade). Os arquitetos da MOVEDESIGN utilizaram desta estratégia em uma casa no Jãpão. O átrio além de proporcionar luz natural para toda a casa permite a integração dos cômodos (Figura 20).

3.2.4 SHED Os sheds são aberturas com inclinação estratégica para entrada de luz (Figura 21). Podem possuir aberturas paralelas, verticais ou inclinadas em “dente de serra” com cobertura inclinada na orientação oposta. Sheds são muito utilizados em fabricas ou edifícios com grandes vãos pois iluminam especialmente as partes centrais dos prédios. Quando bem projetadas estas aberturas fornecem iluminação difusa, evitando aos operários o ofuscamento ocasionado pela luz solar direta (CABUS, apud MARCARÓ e VIANA, 1980). “Usualmente são posicionados em relação à fachada com menor insolação, permitindo receber luz natural sem raios solares (PEREIRA, acesso em 22 de abril.2019). ”

Figura 20. Iluminação por meio do Atrio. Disponível em: <https://www.archdaily.mx/mx/02-255534/viviendo-con-la-luzdel-sol-movedesign/517739ceb3fc4bd15c000038-living-with-sun-lightmovedesign-photo> Acesso em 06 de maio de 2019 ás 22:55

Figura 21 – Esquema representando Sheds. Elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

O shed pode ter diferentes formatos e desenhos que são pensados de acordo com a intensão projetual, em busca do melhor desempenho (Figura 22).

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O fechamento interno dos sheds são feitos por dois módulos verticais de esquadrias: o inferior é, em geral, uma veneziana metálica, e o superior, uma basculante de vidro. Porém, em certos ambientes, ambos os módulos são basculantes de vidro, permitindo a completa interrupção da ventilação, mas sem privar o espaço de iluminação (FRACALOSSI, acesso em 06 de maio.2019).

Figura 22– Corte esquemático de tipologia de Sheds. Elaborado pela autora.

Um arquiteto que utilizou o Shed como elemento principal de seu projeto foi João Filgueiras Lima mais conhecido como Lelé. Ao projetar o Hospital Sarah Kubitscheck em Salvador, Lelé utilizou um Shed metálico curvo, de grandes e diferentes extensões, que se repete por toda a extensão (Figura 23). “Suas únicas variações, além do formato padrão, são uma gerada por um maior vão da estrutura de aço que o sustenta, repercutindo na maior dimensão do shed; e outra criada pelo fechamento do shed a partir da continuidade da sua curva, quando não há a necessidade de ventilação. ” (FRACALOSSI, acesso em 06 de maio.2019)

Figura 23. Iluminação por meio de Sheds. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-36653/classicos-daarquitetura-hospital-sarah-kubitschek-salvador-joao-filgueiras-limalele/img_9235/> Acesso em 06 de maio de 2019 ás 23:10


Luz e sombra na Arquitetura

3.2.5 CÚPULAS As cúpulas e domos, são aberturas que propiciam efeito de maior alcance de iluminação (Figura 24).

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mostra que desde a Antiguidade havia a preocupação com iluminação e conforto térmico (Figura 25).

“Porém, pelas grandes dimensões assumidas na maioria dos casos tendem a gerar grandes cargas térmicas no interior das edificações, motivo pela qual são geralmente empregadas a edifícios com grandes pés direito e estrategicamente posicionados em locais de curta permanência como circulações, pátios ou zonas centrais (PEREIRA, acesso em 22 de abril.2019). ”

Figura 24 – Esquema representando Cúpula. Elaborado pela autora.

Um exemplo de projeto que utilizou a cúpula como solução de iluminação foi o Panteon em Roma que

Figura 25. Cúpula do Panteon de Roma Disponível em: <https://images.adsttc.com/media/images/585d/498f/e58e/ce63/6c00/002f/slides how/14984463972_453dd23785_o.jpg?1482508650> Acesso em 07 de maio de 2019 ás 23:10


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3.3 SISTEMAS DE SOMBREAMENTO E REDIRECIONAMENTO Um grande desafio do arquiteto é saber conciliar a entrada de luz natural com o alto ganho térmico que é proporcionado por ela. Para minimizar o ganho térmico deve-se pensar em elementos de proteção da entrada da luz tomando cuidado em não deixar o espaço escuro. “Os dispositivos de redirecionamento de luz promovem uma melhor distribuição da luz no interior dos espaços e evitam ofuscamento” (MARCONSINI,2007, p.40). Nos países de clima tropical, que é o caso do Brasil, há a predominância de céu claro e parcialmente encoberto logo, estes sistemas de sombreamento acarretam em economia de energia em iluminação artificial nas edificações (MARCONSINI,2007). Para projetar e escolher o sistema de sombreamento ou redirecionamento adequado é necessário se basear em determinados parâmetros que auxiliam na escolha correta do sistema (MARCONSINI,2007). Deve- se pensar em: o Quais as condições de iluminação natural do local? (Em relação a latitude, nebulosidade, obstruções...)

o Quais os objetivos energéticos e visuais desejados? o Quais serão as estratégias adotadas? o Há restrição para sistema móveis ou fixos? Como será a manutenção? o Há restrições de integração de arquitetura/construção? o Há restrições econômicas? Foi publicado uma matriz de classificação dos sistemas de iluminação natural existentes e que estão ainda em fases de teste (Figura 26 e 27). Nesta matriz além de dividir os sistemas em categorias e listar os tipos de sistemas há alguns parâmetros que são respondidos dizendo se o sistema atende ou não aquele fator (MARCONSINI, apud RUCK et al, 2000). Nesta classificação os sistemas estão divididos em: o Sistemas de iluminação natural com sombreamento que utilizam a luz difusa do céu o Sistemas de iluminação natural com sombreamento que utilizam a luz direta do sol o Sistema de iluminação natural para condução de luz direta e difusa o Sistema de iluminação natural com dispersão e o Sistemas de transporte

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Luz e sombra na Arquitetura

Figura 26 – Sistema de sombreamento que não utilizam a luz difusa do céu. Fonte: MARCONSINI apud RUCK et al, 2000. Legenda da matriz: S= sim N= não D= depende DI= disponível T= em fase de teste

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Luz e sombra na Arquitetura

Figura 27 – Sistema de sombreamento que utiliza luz difusa do céu. Fonte: MARCONSINI apud RUCK et al, 2000. Legenda da matriz: S= sim N= não D= depende DI= disponível T= em fase de teste

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Esta nomenclatura auxilia bastante na escolha do sistema de proteção pois possibilita saber todos os sistemas existentes, e os que ainda estão em fase de teste, e assim aplica-los de acordo com sua finalidade. Existem sistemas de sombreamento fixos e móveis. Os sistemas móveis, podem ter controle manual ou serem automatizados.

3.3.1 BRISES Os brises são os exemplos de sistemas de sombreamento mais populares. Eles podem eliminar a incidência solar direta (Figura 28), reduzir o ofuscamento e suavizar o contraste entre níveis de claridade dentro do espaço (OLIVEIRA,2009). “Durante o verão, os diferentes tipos de brises não apenas bloqueiam o excesso de calor proporcionado pelos raios solares, mas também limitam a necessidade de resfriamento do interior do edifício. Por sua vez, durante o inverno, evitam as perdas de calor através das suas áreas envidraçadas, ao mesmo tempo que recebem uma certa percentagem de energia solar, economizando assim no seu aquecimento (FRANCO, 2018.Acesso em 23 de abril.2019). ”

Pode-se projetar diferentes tipos de brises, cada um planejado para se adequar a situação necessária.

Figura 28 – Esquema de brises horizontais protegendo e permitindo luz difusa. Elaborado pela autora.

Os brises necessitam ter a inclinação de suas aletas calculadas de acordo com as condicionantes e o entorno do edifício em questão, para seu melhor funcionamento. Podem ser projetados em forma de lamina (aletas horizontais retas) fazendo com que a luz seja direcionada para o teto (Figura 29).

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Um exemplo da boa utilização dos brises é a Escola Honoré de Balzac projetada por NBJ architectes que buscou aliar conforto térmico e estética (Figura 30). “[...]utiliza seus brises como um filtro, qualificando e definindo os espaços através de diferentes graus de sombra e luz. Os elementos de grande altura foram dispostos no exterior do projeto, configurando um limite colorido e visualmente permeável. (FRANCO, acesso em 23 de abril.2019). ” Figura 29 – Esquema de sistema de lâminas que direcionam a luz para o teto. Elaborado pela autora.

Outra maneira de proteger e dinamizar fachadas são os brises móveis. Além de trazerem movimento ao edifício eles conseguem acompanhar a incidência solar, melhorando a proteção. “Recomenda-se, o uso de um brise fixo em edificações de grande porte para evitar a movimentação constante das lâminas por diversas pessoas. O afastamento mínimo da fachada deve ser de 60 cm para permitir a execução de uma passarela vazada, ventilação natural e facilitar manutenções. (SAIBROSA, acesso em 23 de abril. 2019).”

Figura 30 – Fachada com brises verticais que trazem dinamismo a escola Honoré. Disponível em: <https://images.adsttc.com/media/images/5b7e/b480/f197/cc0e/7200/009c/slides how/20366-preview_low_921-8_20366_sc_v2com.jpg?1535030394> Acesso em 23 de abril de 2019 ás 19:50


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3.3.2 PRATELEIRAS DE LUZ Outro mecanismo importante de ser utilizado são as prateleiras de luz. Elas possuem propósito de controle, distribuição de luz difusa e redução do ofuscamento (OLIVEIRA,2009). São geralmente posicionadas horizontalmente acima do nível do observador numa janela, dividindo-a numa parte superior e numa inferior (Figura 31).

A superfície superior da prateleira pode ter acabamento em material refletor, como o espelho e suas dimensões dependem dos ângulos solares da região em que foi colocada. Há prateleiras internas, externas ou mistas, retas ou curvas. Prateleiras internas reduzem a quantidade de luz recebida se comparada com as janelas. Já as externas, podem aumentar a quantidade de luz natural, uma vez que aumenta a exposição a áreas de altas luminâncias do zênite do céu (MARCONSINI, 2007). As prateleiras contribuem para uma iluminação uniforme, afinal, reduzem a quantidade de luz próximo a janela e auxiliam no redirecionamento da luz para o interior do ambiente (MARCONSINI, 2007).

Figura 31 – Esquema de prateleira de luz que rebate a luz para o teto. Elaborado pela autora.

As prateleiras se configuram com um elemento de composição da fachada e devem ser pensadas na fase inicial do projeto juntamente com as esquadrias (MARCONSINI, 2007).

Deve-se pensar na forma e localização da prateleira para assim atingir o efeito desejado. A forma do ambiente, altura do teto e o nível de sombreamento desejado são alguns fatores que influenciam na posição e forma das prateleiras. “Geralmente, quanto mais baixa a prateleira, maior será o ofuscamento e maior será a quantidade de luz refletida para o teto” (MARCONSINI apud RUCK,2000).

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3.3.3 PAINÉIS PRISMÁTICOS

3.3.4 DUTOS DE LUZ

Outro sistema de sombreamento e redirecionamento são os painéis prismáticos. São formados por uma série de prismas de acrílico transparente, que possuem algumas possibilidades de disposição onde a junção de uma face de cada prisma forma uma superfície plana (MARCONSINI, apud RUCK et al, 2000). Podem ainda receber um filme de alumínio de alta refletância, para rejeição da luz solar direta. Existem dois tipos de painéis prismáticos, os prismas que redirecionam a luz solar e os prismas que excluem a luz direta do sol (Figura 32).

Os dutos de luz ou tubos solares são sistemas de iluminação zenital que conduzem a luz natural ao interior das edificações mediante superfícies refletivas (Figura 33-a). Este sistema funciona através de multirreflexões em superfícies especulares (TOLEDO, PELEGRINI,2013).

Estes painéis podem reduzir o ofuscamento próximo as janelas e se encontram na forma fixa ou móvel. Estes painéis são recomendados para países onde o céu é predominantemente claro pois assim, direcionam a luz para o interior dos ambientes (MARCONSINI, apud RUCK et al, 2000).

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Os tubos são constituídos por: uma abertura para a entrada de luz natural; um sistema de transmissão e distribuição da luz e um sistema de difusão de luz (Figura 33-b). O bom dimensionamento e projeto dos tubos reduz o consumo de energia, aumenta o nível de iluminancia e melhora o conforto visual nas edificações.

Figura 33 a– Representação dos dutos de luz b- Componentes do tubo solar

Figura 32 a– Painéis prismáticos que redirecionam a luz b- Painéis prismáticos que bloqueiam a luz Elaborado pela autora.

Disponível em:<https://mondoarq.files.wordpress.com/2015/07/img_8648.jpg?w=245&h= 342> e < http://techne17.pini.com.br/engenhariacivil/168/imagens/i260591.jpg> Acesso em 04 de junho de 2019 ás 21:50


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3.4 ASPECTOS NORMATIVOS De acordo com a NBR ISO/CIE 8995-1, norma referente a qualidade de iluminação, uma boa iluminação é aquela que além de proporcionar visualização da área de tarefa permite realizar atividades facilmente e com conforto. É importante ressaltar que a norma se refere a iluminação para áreas de tarefa e não iluminação com intenção “poética”. Afinal, a iluminação de tarefa necessita de seguir critérios para que se tenha qualidade e não atrapalhe nas atividades que serão executadas no local. Porém para satisfazer os critérios de uma iluminação de qualidade é necessário seguir alguns parâmetros como: distribuição da luminância, iluminância, ofuscamento, direcionalidade da luz, aspecto da cor da luz e superfícies, cintilação, luz natural e manutenção (NBR ISO/CIE 8995-1). A norma também prevê que a distribuição de luminâncias variadas no campo de visão afetam o conforto visual e para isso é necessário evitar: o Luminâncias muito altas que levem ofuscamento o Contrastes de luminâncias muito altos

ao

o Luminâncias e contrastes de luminâncias muito baixos que podem resultar em um ambiente tedioso Além disso, a norma possui uma tabela na qual, há requisitos de iluminação recomendados para diversos ambientes e atividades. Nesta tabela encontra-se especificado a iluminância, limitação de ofuscamento e qualidade de cor que cada ambiente necessita.

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4 ESTUDO DE CASO “Se se entende a arquitetura como uma arte, vale a pena dedicar a ela a vida inteira. � Santiago Calatrava


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4.0 ESTUDOS DE CASO Os estudos de caso realizados apresentam projetos de museus de arte que visam a luz como elemento fundamental.

projetado para permanecer no escuro, deve ter luz suficiente, de alguma abertura misteriosa, para nos mostrar o quão escuro é realmente (MUSEU de arte Kimbell,2019. Acesso em 11 de maio de 2019). ”

Serão apresentadas estratégias utilizadas, setorização, fluxograma e volumetrias dos projetos escolhidos. Eles servirão de base para o projeto de Galeria de Arte que será elaborado neste trabalho de conclusão de curso.

4.1 MUSEU DE ARTE KIMBELL – LOUIS KAHN O Museu de Arte Kimbell foi projetado por Louis Kahn em 1972 e se localiza em Fort Worth, Texas, Estados Unidos (Figura 34). Fica localizado no meio de um parque, com 3,8 hectares, e está próximo a outros museus importantes, como o Museu Amon Carter, desenhado por Philip Johnson. Este museu marcou uma nova etapa do trabalho de Louis Khan. Khan afirmou que: “O espaço de um edifício deve ser lido como uma harmonia de espaços iluminados. Cada espaço deve ser definido pela sua estrutura e pelo caráter de sua iluminação natural. Ainda um espaço

Figura 34 – Localização do Museu de Arte Kimbell. Fonte: Google maps. Elaborado pela autora.

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Sua implantação (Figura 35) é dividida em três alas (duas laterais e uma central). "As alas laterais são similares: formadas por seis abóbadas de berço, independentes entre elas e apoiadas cada uma em quatro pilares perimetrais. A ala central retrocede numa das frentes duas abóbadas, criando um pátio de entrada (FRACALOSSI,2013. Acesso em 11 de maio de 2019)."

ENTRADA VEÍCULOS

ENTRADA PEDESTRES

Figura 35 – Implantação do Museu de Arte Kimbell.

Figura 36.a- Fachada Museu Kimbell b-Pátio Central que possui biblioteca aberta.

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-155354/pavilhao-derenzo-piano-no-museu-de-arte-kimbell-slash-renzo-piano-plus-kendallslash-heaton-associates> Acesso em 11 de maio de 2019.

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-117677/classicos-daarquitetura-museu-de-arte-kimbell-slash-louis-kahn> Acesso em 23 de abril de 2019 ás 19:50


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“A organização do Museu Kimbell pode ser entendida de um modo abstrato, como a disposição de 16 espaços retangulares de aproximadamente 30x6m – sendo três deles pórticos exteriores no lado oeste –, com faixas de serviço de 1,80m entre elas, ou, por meio de um olhar mais histórico, como a disposição regular e simétrica de três blocos, sendo o bloco central menor do que os laterais e aquele em que estão situados os acessos e as circulações verticais, sendo os outros dedicados a exposições. (MAHFUZ,2019. Acesso em 11 de maio de 2019)”

Além das galerias de exposição (Figura 37) as instalações incluem Museu do vendedor, um auditório para 180 espectadores, uma biblioteca de arte, um laboratório de conservação de obras de arte e um restaurante (Figura 38 e 39).

Figura 37 – Galeria de exposições onde a claraboia tem sua luz direcionada por duas asas de alumínio perfurado, evitando uma iluminação direta nas obras de arte.

Figura 38 – Planta baixa setorizada térreo.

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-117677/classicos-daarquitetura-museu-de-arte-kimbell-slash-louis-kahn> Acesso em 23 de abril de 2019 ás 20:50

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-117677/classicos-daarquitetura-museu-de-arte-kimbell-slash-louis-kahn> Acesso em 11 de maio de 2019. Elaborado pela autora.


Luz e sombra na Arquitetura

O uso magistral da luz natural no Museu Kimbell foi baseado na colaboração de Louis Kahn com Richard Kelly. Kahn projeto uma série de galerias com tetos abobadados com uma fenda de luz central e Kelly projetou o sistema de luz direcional usando cúpula de folha de alumínio (MUSEU de arte Kimbell,2019. Acesso em 11 de maio de 2019). Há um buraco na cobertura que possibilita a entrada a luz do dia e suaviza o contraste entre o refletor e o concreto (Figura 40-a). Foi deixado parte central não perfurada da folha de alumínio, a fim de bloquear luz solar direta (Figura 40-b). Em áreas que não exigem a proteção contra a radiação UV, como o átrio ou no restaurante, foi utilizado um refletor completamente perfurado. Em relação aos materiais utilizados foi escolhido a pedra branca que serve de fundo neutro às exposições. A materialidade do concreto está presente nas lajes. Os nichos entre cobertura e fechamento tornam-se mais nítidos com a entrada da luz natural.

Figura 39– Planta baixa setorizada - subsolo. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-117677/classicos-daarquitetura-museu-de-arte-kimbell-slash-louis-kahn> Acesso em 11 de maio de 2019. Elaborado pela autora.

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Figura 40-a- Abertura na cobertura b- Claraboia Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-117677/classicos-daarquitetura-museu-de-arte-kimbell-slash-louis-kahn> Acesso em 11 de abril de 2019 ás 21:33

Luz e sombra na Arquitetura

Em 2013 o Arquiteto Renzo Piano projetou um pavilhão a cerca de 60 metros a esquerda do Museu de Louis Khan, contendo três novas galerias de arte, auditório, biblioteca e centros educacionais. O pavilhão é formado por duas estruturas conectadas por duas passagens de vidro. Possui uma galeria ao sul que abriga exposições temporárias e uma galeria norte, para expor obras do acervo. Em relação a luz o pavilhão conta com uma cobertura (Figura 41) “de aço e vidro, montada acima com abas que controlam o fluxo de luz solar e abaixo com difusores que filtram-na antes que penetre na galeria. Como espaços de exposição de arte, as duas galerias se beneficiam da presença da iluminação natural e, através de suas paredes de vidro, das impressões da mudança externa de luz e clima (MARCON, Naiane.2013.Acesso em 20 de maio de 2019.) ”

Renzo Piano sempre busca em seus projetos formas de manipulação e direcionamento da luz. Neste em questão ele utiliza aletas de alumínio que se abrem para o norte, painéis solares instalados em uma superfície de vidro e também de tecido tensionado além de propor a inclinação de algumas paredes o que ocasiona efeitos diferentes.

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Uma surpresa do pavilhão é o seu auditório que “afunda no solo” com um palco que possui grande contraste de uma luz ampla e profunda que apresenta mudanças em seu padrão de iluminação. A ala oeste acomoda além do auditório, a galeria oeste, que é um espaço de exposição de obras sensíveis a luz. Possui também a biblioteca do Museu e novos espaços de aprendizado.

Figura 41- Estrutura de cobertura de aço e vidro com proteção solar

Figura 42- Fachadas do pavilhão de Renzo Piano.

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-155354/pavilhao-de-renzopiano-no-museu-de-arte-kimbell-slash-renzo-piano-plus-kendall-slash-heatonassociates> Acesso em 20 de abril de 2019 ás 21:33

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-155354/pavilhao-derenzo-piano-no-museu-de-arte-kimbell-slash-renzo-piano-plus-kendall-slashheaton-associates> Acesso em 20 de abril de 2019 ás 21:33


Luz e sombra na Arquitetura

4.2 EXPANSÃO DO MUSEU DE ARTE NELSON ATKINS – STEVEN HOLL O museu de arte Nelson Atkins está localizado em Kansas City, MO, EUA (Figura 43). Foi projetado por Steven Holl e recebeu uma expansão em 2017.

Figura 43 – Localização do Museu de Arte Nelson Atkins.

Figura 44 – Implantação do Museu de Arte Nelson Atkins.

Fonte: Google maps. Elaborado pela autora.

Fonte: Google maps. Elaborado pela autora.

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A expansão do museu de Arte Nelson Atkins busca combinar arquitetura com paisagem criando assim uma

46). Utilizou-se projeto.

muito

da

transparência

neste

“arquitetura experimental que se desdobra para os visitantes, uma vez que é percebida pelo movimento de cada indivíduo através do espaço e do tempo. O novo anexo, chamado de Edifício Bloch, envolve o Jardim de Esculturas existente, transformando todo o terreno do museu em um recinto para a experiência do visitante. O novo anexo se estende ao longo da borda oriental do campus e distingue-se por cinco lentes de vidro, atravessando a partir do edifício existente através do Jardim de Esculturas para formar novos espaços e ângulos de visão. A fusão inovadora de paisagem, arquitetura e arte foi executada através de uma estreita colaboração com curadores de museus e artistas, para conseguir uma relação dinâmica e solidária entre arte e arquitetura. Enquanto os visitantes se movem através do novo anexo, eles experimentam um fluxo entre a luz, arte, arquitetura e paisagem, com vistas a partir de um nível para outro, de dentro para fora. (Descrição enviada pela equipe de projeto,2014. Acessado em 18 de maio de 2019) ”

Foram criados cinco anexos (Figura 45) ao museu original e estes foram denominados “lentes” devido a sua luminosidade. Buscou-se criar um dinamismo e uma fluidez no projeto onde estes novos edifícios contrastam com o existente e o complementam (Figura

Figura 45– Circulação do Museu de Arte Nelson Atkins. Fonte: Pinterest. Redesenho pela autora.

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A primeira das cinco "lentes" possui um café, em sua entrada, juntamente com o lobby. Além disso contem biblioteca de arte e livraria (Figura 47). As lentes se conectam por meio de rampas, o edifício se adequa ao terreno e isto cria um ritmo no projeto.

Figura 47 – Planta baixa térreo do Museu de Arte Nelson Atkins. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museu-de-artenelson-atkins-steven-holl-architects> Acesso em 22 de maio de 2019. Redesenho pela autora.

Figura 46-a- Relação do Museu original com a expansão b- “Lentes” do Museu Nelson Atkins Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museu-de-artenelson-atkins-steven-holl-architects> Acesso em 13 de abril de 2019 ás 21:33


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diferenciados. Há grande aproveitamento da luz natural e da forma arquitetônica aliada a luz.

Figura 48 – Planta baixa primeiro pavimento do Museu de Arte Nelson Atkins. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museu-de-artenelson-atkins-steven-holl-architects> Acesso em 22 de maio de 2019. Redesenho pela autora.

A partir do primeiro pavimento há as galerias de exposições, cada uma com um determinado tipo de estrutura para acomodar diferentes instalações. Há lojinhas de itens do museu, sala de fotografia e um auditório que se encontra no edifício do museu original (Figura 48). Uma grande busca neste projeto foi aliar a arquitetura ao terreno (Figura 49), integrandos jardins aos espaços e gerando assim trajetos

Figura 49- Relação do projeto com o terreno b- Aproveitamento da topografia existente Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museu-de-arte-nelsonatkins-steven-holl-architects> Acesso em 20 de abril de 2019 ás 18:43


Luz e sombra na Arquitetura

Os blocos edificados denominados “lentes” são compostos por camadas de vidro translúcido que difundem, refratam e materializam a luz como blocos de gelo. Durante o dia estas características agregam diferentes qualidades de luz para as galerias, enquanto à noite destacam o Jardim de Esculturas com sua luz brilhante.2

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as galerias, enquanto à noite o Jardim de Esculturas brilha com sua luz interna (Figura 51).

Foi pensado para o projeto um sistema estrutural que une o conceito de luz e de distribuição do ar: a “Respiração em T”. Isto faz com que a luz seja transportada para o interior das galerias ao longo das curvas e através do vidro em suspensão. As lentes possuem cavidades de vidro duplo que armazenam ar aquecido pelo sol no inverno ou liberaos no verão (Figura 50). Um aspecto tecnológico do projeto é o controle dos níveis de luz ideal para cada tipo de arte ou instalação através de telas controladas pelo computador e de material translucido isolante que está incorporado nas cavidades dos vidros. À noite, o volume de vidro brilhante das lentes oferece uma transparência convidativa, atraindo visitantes para eventos e atividades. Durante o dia, as lentes injetam diferentes qualidades de luz para 2

(Descrição enviada pela equipe de projeto,2014. Acessado em 18 de maio de 2019).

Figura 50 – Incidência da luz no Museu de Arte Nelson Atkins (Respiração em T). Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museude-arte-nelson-atkins-steven-hollarchitects/53c6e508c07a80492d0000d3-museu-de-arte-nelsonatkins-steven-holl-architects-diagrama> Acesso em 13 de abril de 2019 ás 21:38


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4.3 MUSEU LIBESKIND

JUDAICO

DE

BERLIM

DANIEL

O museu Judaico de Berlim está localizado no centro da cidade de Berlim na Alemanha (Figura 52). O museu foi fundado em 1933 e encerrado em 1938 pelo Regime Nazista. Em 2001, Daniel Libeskind projetou um novo edifício para o museu. O museu é dividido em “Prédio Velho” e “ Prédio Novo” (Figura 53).

Figura 51-a- Formas acentuadas do Museu b- Luz adentrando o Museu Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/624107/museu-de-arte-nelsonatkins-steven-holl-architects> Acesso em 13 de abril de 2019 ás 21:33

Figura 52 – Localização do Museu Judaico de Berlim. Fonte: Google maps. Elaborado pela autora.

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subterrâneo que conduz a escadaria principal (Figura 54). Este edifício teve sua forma inspirada na deformação da Estrela de David, expandida em torno do terreno e seu contexto. Linhas foram conectadas em lugares de eventos históricos resultando na estrutura do edifício. Foram criados três eixos principais na implantação do edifício (Figura 55).

Figura 53- Edifício novo do Museu Judaico de Berlim identificado com o número 1 e Edifício Antigo com o número 2. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/799056/classicos-daarquitetura-museu-judaico-de-berlim-daniel-libenskind> Acesso em 26 de maio de 2019 ás 16:20.

O museu antigo é do estilo barroco e nele contém loja de presentes e souvenires, exposições temporárias e um espaço para eventos. O edifício novo, apesar de aparentar ser independente, não possui nenhuma entrada exterior formal. Para chegar a ele, é necessário passar pelo antigo edifício que o levará a um passeio

“O primeiro eixo, o "eixo da continuidade", apresenta-se como uma extensão do acesso ao novo edifício conduzindo às salas de exposições. Dele, nasce o "eixo do holocausto", um passeio sem saída no qual o solo inclina-se até o teto culminando na "Torre do Holocausto". Um espaço vazio de concreto de 24 metros de altura cuja única iluminação é a luz natural que entra por uma pequena fresta no teto. Finalmente, há o "eixo do exílio", que oferece um ponto de escape até o exterior, conectando o museu ao "Jardim do Exílio", um grande quadrado composto por 49 pilares de seção quadrada dispostos em uma quadrícula. Os pilares são compostos de concreto e ocos, preenchidos com terra de Berlim (com exceção do central, que contêm terra de Jerusalém) e coroados com vegetação. (YUNIS, Natalia.2016. Acesso em 26 de maio de 2019.) ”

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O edifício possui uma serie de 6 vazios no seu interior que possuem paredes de concreto. Assim como a torre do holocausto estes vazios não possuem condicionamento de ar e em grande parte, luz artificial. Só se pode acessar o último vazio denominado o “Vazio da Memória” (Figura 56). Figura 54- Corte esquemático do Edifício Novo do Museu. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/799056/classicos-daarquitetura-museu-judaico-de-berlim-daniel-libenskind> Acesso em 26 de abril de 2019 ás 18:20.

Figura 56- Ambiente “Vazio da memória” Figura 55 – Esquema do Museu Judaico – Edifício Novo Disponível em: <http://zigadazuca.com.br/2015/03/museu-judaicoberlim/.> Acesso em 26 de maio de 2019 ás 17:38. Redesenho pela autora.

Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/799056/classicos-daarquitetura-museu-judaico-de-berlim-daniel-libenskind> Acesso em 26 de abril d 2019 ás 16:20.


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O arquiteto utilizou da presença ou não da luz como ponto crucial do projeto. Em ambientes em que ele pretende mostrar a intensidade do terror passado pelos alemães no holocausto ele traz as sombras e penumbras como elementos marcantes. Feixes de luz penetram em pontos específicos do edifício e trazem significado à obra (Figura 57-b). Os matérias e estratégias utilizados na fachada também tem se relacionam com a luz, a fachada em Zinco se altera com a exposição a luz e intempéries (Figura 57-a). Há janelas em tiras que cortam o edifício e permitem a incidência de lampejos de luz em diferentes direções. “O posicionamento das janelas, precisamente as estreitas fendas, segue uma matriz precisa. Durante o processo de projeto, Libeskind traçou as direções de cidadãos judeus e alemães de destaque em um mapa de Berlim anterior à Guerra, e uniu os pontos para formar uma "matriz irracional e invisível", em que baseia a linguagem formal e a geometria do edifício. (YUNIS, Natalia.2016.Acesso em 26 de maio de 2019.) ”

Figura 57-a- Fachada do Edifício b- Luz poética em ponto específico Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/799056/classicos-daarquitetura-museu-judaico-de-berlim-daniel-libenskind> Acesso em 26 de abril de 2019 ás 19:20.


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As escadas do edifício apresentam um jogo de escala e luzes e conduzem o visitante através dos espaços estreitos e obscuros até espaços amplos e luminosos (Figura 58-a). Esta mudança drástica de espaço e de iluminação é uma estratégia conceitual do Arquiteto no intuito de transmitir as sensações vividas no Holocausto.

4.4 ANÁLISES GERAIS DOS ESTUDOS DE CASO

O edifício conta com aberturas zenitais como estratégia para trazer efeitos de luz poética nos ambientes (Figura 58-b e c).

Nota-se que os três museus em questão possuem um edifício com o museu antigo e outro do museu atual.

Figura 58-a- Escada que interliga ambientes b- Luz poética em ponto específico c- Luz poética em ponto específico Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/799056/classicos-daarquitetura-museu-judaico-de-berlim-daniel-libenskind> Acesso em 26 de abril de 2019 ás 19:20.

Analisando os estudos de caso percebe-se em comum a preocupação com criação de espaços únicos, bem iluminados, onde a arquitetura acomoda as exposições das artes, destaca e engradece os espaços e a vivência nas galerias de Arte.

Há uma grande preocupação quanto à implantação do edifício e sua forma arquitetônica. Os edifícios possuem boas estratégias de iluminação aliadas a funcionalidade, estética e efeitos poéticos da iluminação. São elas: janelas em fita; iluminação zenital; rasgos de luz; respiração em “T”. Os projetos utilizam materiais adequados para cada efeito de luz desejado e os mais utilizados são geralmente materiais de cores claras e neutras. As arquiteturas apresentadas têm como objetivo a criação de percursos pré-determinados que guiam os usuários a determinados espaços e provocam uma série de efeitos sensoriais e perceptivos. Há uma grande interação com a materialidade do edifício, com suas formas e iluminação cênica.

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Figura 59 – Anålise dos Estudos de Caso Fonte: Tabela elaborada pela autora, 2019.

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5 DIAGNÓSTICO E ESTUDO DO LOCAL DE PROJETO “Há um gosto de vitória e encanto na condição de ser simples. Não é preciso muito para ser muito”

Lina Bo Bardi

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CAP 5 – DIAGNÓSTICO E ESTUDO DO LOCAL DO PROJETO Para a realização do projeto da Galeria de Arte inicialmente, foi necessário escolher a melhor localização e terreno para atender a diretriz de projeto: luz e sombra valorizando a arquitetura. O terreno escolhido está localizado no Centro da cidade de Vitória, E.S (Figura 60). O munícipio de Vitória é a capital do Espirito Santo e faz parte da Região Metropolitana da Grande Vitória. Possui uma população de 358.267 habitantes e é a quarta cidade mais populosa do Espirito Santo (IBGE,2018). O Centro de Vitória possui a maior quantidade de edifícios históricos e antigos além de conter inúmeras igrejas, museus e edificações culturais. Este foi um dos principais fatores para a escolha do terreno afinal, a criação de uma Galeria nesta região agrega valor ao bairro e inclui uma nova edificação com valor artístico no “trajeto cultural” que pode ser proposto para o local.

O entorno imediato (Figura 61-b) não possui muitos edifícios com gabaritos elevados o que é um bom fator para a proposta do projeto, possibilitando o aproveitamento máximo da iluminação natural para criar experiências e vivencias diferenciadas. O terreno possui dimensões de 68 metros de comprimento e 48 metros de largura. Totaliza aproximadamente 3337 m² de área. Possui dimensões vastas o que proporciona grande liberdade na criação da forma e implantação do projeto. Para análise do terreno e de seu entorno foram elaborados mapas que apresentam as informações necessárias para o desenvolvimento do projeto em coerência com os fatores do local. Estes mapas foram elaborados através de visitas na região, plantas do google maps e etc.

O terreno possui belas visuais entre elas a Baia de Vitória, o Porto de Vila Velha e o Penedo (Figura 61-a).

Figura 60– Contextualização da localização do terreno Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019.

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5.1 ANÁLISES DO ENTORNO As edificações do entorno do terreno escolhido possuem usos diversificados o que traz vitalidade de uso para o local, porém, estes usos em algumas partes ficam concentrados, ou seja, gera-se uma zona estritamente residencial e outro comercial (Figura 62). Isto acarreta falta de movimentação em alguns horários e ruas, gerando insegurança. Porém, podese dizer que em geral a região é bem movimentada, principalmente na Av. Princesa Isabel onde está localizado a maior parte dos comércios. Há bastante áreas de proteção ambiental e praças na região o que favorece o conforto ambiental dos pedestres. Há também edifícios institucionais e de serviço como bancos, cartórios, igrejas. A região possui forte vocação cultural contendo a Faculdade de Música do Espirito Santo (FAVI), o Museu de Artes do Espirito Santo e o SESC Glória.

Figura 61.a- Visuais do terreno b-Localização do terreno Disponível em: Foto de arquivo pessoal – 30 de agosto de 2019 <https://www.google.com.br/maps/@-20.2859372,-40.2882548,163a,35y,349.69h,74.29t/data=!3m1!1e3> Acesso em 29 de abril de 2019 ás 21:20. Edição elaborada pela autora.


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Figura 62– Mapa de localização e setorização

Figura 63– Mapa de fluxos

Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.

Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.

As ruas que ficam no entorno do terreno são as: Rua Dr. Aristídes Campos, Rua Governador José Sette, Rua Alda Maria Lyra Vicentini e Av. Mal Mascarenhas de Moraes (Figura 62).

A região possui grande fluxo de veículos em suas 3 Avenidas (Figura 66). São elas: Av. Jerônimo Monteiro (Figura 67), Av. Princesa Isabel (Figura 65) e Av. Mal. Mascarenhas de Moraes (Figura 68).


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Estas avenidas são grandes interligações com o restante da cidade. A Av. Princesa Isabel também possui grande fluxo de pedestres devido a concentração de comércios. As demais ruas funcionam como ruas locais e não possuem grande movimento. Os maiores pontos nodais estão localizados no cruzamento da Av. Princesa Isabel com a Rua Governador José Sette (Figura 64) e também no cruzamento da Av. Princesa Isabel com a Rua Josué Prado (Figura 65).

Figura 64- Ponto nodal 1 Figura 65- Ponto nodal 2

Fonte: Google Street View – 30 de agosto de 2019

Figura 66- Av. Jerônimo Monteiro Figura 67- Av. Princesa Isabel Figura 68Av. Mal. Mascarenhas de Moraes Fotos de arquivo pessoal – 30 de agosto de 2019


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Figura 69 – Mapa de uso do solo Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.

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A partir da análise do mapa de uso do solo (Figura 69) foi possível observar a predominância de usos. A área possui os usos: residencial; comercial e institucional/cultural. Numerou-se também as edificações âncoras e de apoio que ocasionam bastante fluxo de pedestres e veículos devido sua importância. No mapa (Figura 69) os pontos marcados são: 1- Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES); 2- Primeira Igreja Batista de Vitória; 3Dadalto; 4- Lojas Renner; 5- Banco Santander; 6Lojas Americanas; 7- Banco Bradesco; 8- Mc Donalds; 9- Sede OAB (Ordem dos advogados Brasileiros); 10Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música (FAFI) e 11- Defensoria Pública. Os pontos mapeados justificam e interferem no modo como os pedestres e veículos utilizam a área. Estas edificações definem fluxos, congestionamentos, aglomerações. Com isso, foi elaborado um mapa que indica o principal fluxo de pedestres e ciclistas, usos informais na região e infra- estrutura urbana (Figura 70).

Figura 70 – Mapa de fluxos e infraestrutura Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.


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No entorno imediato do terreno observa-se uma praça (Figura 71) que possui significativo movimento durante o dia, porém, possui alguns moradores de rua. Há também uma igreja batista (Figura 72) e os fundos da loja Renner que estão voltados para uma rua que possui estacionamento privativo (Figura 73). Observou-se a grande vocação cultural da região e foi realizado um mapa (Figura 74) com as principais edificações históricas, praças, parques e o trajeto que pode ser realizado para conhecer todos estes locais.

Figura 71- Praça Princesa Isabel Figura 72- Igreja Batista localizada na Rua Governador José Sette Figura 73- Fundos da loja Renner e estacionamento privativo. Fotos de arquivo pessoal – 30 de agosto de 2019


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Figura 74– Mapa do trajeto Cultural Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.

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5.2 ANÁLISE DAS CONDICIONANTES AMBIENTAIS E SOLARES O terreno está localizado em uma região bastante arborizada e próximo a praças (Figura 77). Este fator auxilia o conforto térmico do local pois além disso, a região é bem ventilada. As praças mais próximas são: Praça Presidente Getúlio Vargas (Figura 75) e Praça Princesa Isabel (Figura 76). Para o projeto da Galeria considera-se importante a conexão com estas praças, conectando fluxos e integrando as quadras. O terreno possui suas maiores testadas voltadas para o norte e para o sul. Este fator será levado em conta ao projetar a volumetria. Foram realizados estudos de insolação no terreno durante o solstício e o equinócio (Figura 78). Constatou-se que em setembro as 10 horas da manhã e em dezembro (tanto de manhã como a tarde) não há nenhuma parte do terreno que fica sombreada. Nos demais meses e horários há uma sombra que cobre parcialmente o terreno, variando de tamanho no decorrer das horas e meses.

Figura 75- Praça Princesa Isabel Figura 76- Praça Presidente Getúlio Vargas Fotos de arquivo pessoal – 30 de agosto de 2019

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Figura 77– Mapa de variåveis ambientais Fonte: Imagem elaborada pela autora, 2019. Base Google Earth.

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Figura 78– Estudos de insolação do terreno Fonte: Simulações elaboradas pela autora com uso do software Revit, 2019.

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5.3 ANÁLISE DAS CONDICIONANTES LEGAIS De acordo com o PDU de Vitória -Lei 9271/18- o terreno está inserido na Zona de Ocupação Preferencial (ZOP) na subcategoria de número 5. As ZOP´s são caracterizadas por áreas de maior potencial de adensamento e combinação de usos residências e não residenciais, por ofertarem infraestrutura apropriada. Tem como objetivo: induzir os processos de transformações urbanas; preservar visuais de marcos significativos da paisagem urbana; estimular o uso múltiplo, com interação de usos residências e não residenciais (PDU Vitória, Lei 9271/18). A altura máxima permitida para o terreno de acordo no o Anexo 10 do PDU é 37,5m.

Figura 79– Índice de Controle Urbanístico Fonte: Plano Diretor de Vitória, Lei 9271/18, adaptado pela autora.

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6 PROPOSTA ARQUITETÔNICA “De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte. ”

Oscar Niemeyer


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CAP 6 – PROPOSTA ARQUITETONICA Tendo como base todas as análises do terreno escolhido partiu-se para a proposta arquitetônica. Inicialmente foi pensado a volumetria de acordo com a orientação solar de modo a aproveitar a iluminação natural da melhor forma possível. Foi elaborado um programa de necessidades (Figura 80) para a edificação. A partir deste programa iniciou-se o processo de criação da volumetria. A edificação foi organizada em térreo mais 8 pavimentos e sua maior área é composta pela Galeria de Arte. Porém, há também biblioteca, auditório, lojas, restaurante, salas multiuso, Fab lab, setor administrativo e laboratórios. Estes distintos usos tornam a edificação atrativa para diferentes públicos.

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6.1 DIRETRIZES ARQUITETÔNICO

PROJETUAIS

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PARTIDO

As diretrizes que nortearam este projeto foram: o aproveitamento da iluminação natural para obter o conforto ambiental na edificação assim como utilização desta luz para criação de efeitos com luz e sombra nos ambientes; valorização do percurso do usuário e dos visuais. Buscou-se criar uma edificação “fluída”, onde o usuário se sinta livre para utiliza-la e percorrela de diferentes modos. A edificação foi posicionada para que suas maiores fachadas estivessem voltadas para a vista da baia de Vitória e do Penedo. (Figura 81).

Figura 80– Tabela do programa de necessidades Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 81– Diagramas esquemáticos Fonte: Elaborada pela autora.


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Para atingir a principal diretriz deste projeto -Iluminação natural, seus efeitos e sensações- foram utilizadas formas simples e ortogonais que deixariam de ser monótonas a partir dos efeitos que a luz possibilita. Buscou-se fluidez nos caminhos; utilização de pé direitos elevados e com grandes vãos que possibilitam a distribuição da luz por todo o ambiente e utilização de diferentes estratégias de iluminação natural.

D

B

A

G

Foram criados três blocos que na implantação parecem independentes, porém, ambos se interligam nos demais pavimentos, o que traz um certo dinamismo a edificação. Há duas entradas principais denominadas A e B (Figura 82). A entrada A está localizada na Rua Dr. Aristídes Campos onde está localizada a bilheteria para compra dos ingressos da Galeria. Esta entrada possibilita o acesso a exposições temporárias, biblioteca e a Galeria (Figura 83). Já a entrada B posicionada na Rua Governador José Sette permite o acesso ao auditório; laboratórios; salas de aula; fab lab; administrativo e também a Galeria (Figura 83). Além disso o térreo possui acesso a lojas, cafeteria, restaurante e estacionamento no subsolo (entradas C, D, E, F, G).

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F

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Figura 82– Diagrama de fluxos Fonte: Elaborada pela autora.


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Em relação a forma foram criados cheios e vazios que trazem dinamismo e possibilitam que a luz incida com diferentes intensidades nos ambientes (Figura 84). A parte principal, a Galeria, se destaca dos outros dois blocos pois possui linhas diagonais criando sua forma enquanto os outros dois blocos possuem forma mais simples. Para agregar a forma da edificação há uma envoltória com brises (horizontais e verticais, dependendo da orientação da fachada) e também elementos vazados.

Figura 83– Diagrama com fluxos, setorização e entradas da Galeria de Arte. Fonte: Elaborada pela autora.

Buscou-se colocar a Galeria no Centro dos outros dois blocos para evidenciar seu uso principal. Porém, ela se interliga com praticamente todos os setores o que a torna mais acessível.

Figura 84- Maquete volumétrica da Galeria de Arte Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Revit e SketchUp.


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Um grande objetivo do projeto é a integração da Praça Presidente Getúlio Vargas com a praça central do edifício. Para isso foi criado um grande portal na fachada sudoeste que possibilita esta interligação (Figura 86).

Figura 85– Maquete volumétrica com usos distribuídos e sua porcentagem de área ocupada Fonte: Elaborada pela autora. Programa utilizado: SketchUp

Nas duas extremidades do edifício estão localizados os restaurantes, no intuito de atrair as pessoas. As lojas estão no interior do terreno o que convida as pessoas a passearem e adentrarem o edifício. Nos andares superiores estão distribuídos os demais usos sendo que a Galeria ocupa a maior metragem quadrada do edifício (Figura 85). Figura 86- Fachada Sudoeste, interligação do edifício com a Praça Presidente Getúlio Vargas. Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Revit e SketchUp.


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Procurou-se a implementação de fachadas ativas no térreo para incentivar que o pedestre caminhe pelo entorno e também no interior do edifício (Figura 87). Foram realizados testes que demonstram a intensidade de calor nas fachadas de acordo com sua orientação solar. Nos diagramas volumétricos as cores quentes indicam maior calor e as cores frias calor em menor quantidade (Figura 88). A volumetria já foi pensada para que as maiores fachadas estejam voltadas para o sul e para o leste, por serem fachadas que possuem a menor incidência de calor. Para proteger as fachadas foram planejados brises verticais para a fachada sul e brises horizontais para as fachadas oeste e leste. Após a decisão da volumetria foi planejada uma logo juntamente com o nome para a Galeria. Decidiu-se pelo nome Insight – Galeria de Arte. Este nome foi definido devido ao significado e conceito da palavra insight que significa “ clareza súbita na mente; iluminação; estalo; luz”. As cores da logo, preto, branco e amarelo remetem a luz e sombra (Figura 89).

Figura 87- a. Volumetria orientação ao Sul b. Visão do pedestre no edifício. Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: SketchUp e Photoshop.

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Figura 89- Logos criadas para a Galeria de Arte. Fonte: elaborado pela autora.

Figura 88- Volumetrias indicando quantidade de calor nas fachadas. Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: SketchUp e Formit.

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6.2 REPRESENTAÇÃO DO PROJETO A Galeria de arte Insight foi projetada de modo que a iluminação natural fosse aproveitada da melhor forma e que esta fosse utilizada para criação de efeitos cênicos durante os percursos do usuário.

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o ruído proveniente dos carros seja amenizado no interior do edifício (Figura 91).

A implantação do projeto foi definida a partir da diretriz principal: a luz. Buscou-se criar uma paginação de pisos que remetesse aos raios de luz e que conduzisse o usuário pelo espaço através da linearidade. O percurso principal do usuário é determinado por linhas finas na paginação. Este percurso não é interrompido por nenhum obstáculo material ou vegetação. Para demarcar ainda mais o percurso posicionou-se os pilares de forma linear e repetitiva. Este elemento foi criado para guiar a visão do pedestre até a extremidade do lote. Além disso, a luz que incide por estes pilares cria um efeito no espelho d’água posicionado no meio destes (Figura 90-a). Foi possível demarcar um espaço de maior luz e outro de sombra através do pavimento elevado em pilotis. A vegetação foi posicionada ao redor do terreno de modo a trazer sombra, aconchego e tranquilidade. A maior parte dela está próximo as Avenidas para que

Figura 90-a. Térreo da Galeria de Arte (Imagem n° 1). b. Mapa de localização de imagens Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Revit e Lumion.


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Figura 91- Vegetação utilizada como barreira sonora (Imagem n° 2). Fonte: elaborado pela autora.

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As fachadas do edifício são em sua maioria de vidro possibilitando maior entrada de luz natural e também proporcionando vista da baia de Vitória. Porém, foi utilizado vidro duplo com proteção solar e também, todos os locais com maior incidência solar, são equipados com proteções externas para melhor desempenho térmico interno do edifício. A fachada sudoeste é aquela em que está localizada a entrada principal para a Galeria de Arte (Figura 93-a). Esta fachada foi protegida com brises horizontais móveis (Figura 92) que podem ser mudados de posição de acordo com a incidência solar. A fachada sudeste (Figura 93-b) possui brises verticais que giram em seu próprio eixo (Figura 96). Há também um elemento em cimento queimado que possui recortes em sua superfície (Figura 94) que foi colocado com a intenção de criar efeitos cênicos na biblioteca, cafeteria e Hall de entrada.

Figura 92– Esquema dos brises horizontais móveis Fonte: Elaborada pela autora. Figura 93-a. Fachada Sudoeste b. Fachada Sudeste. Fonte: elaborado pela autora.

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Figura 94- Fachada sudoeste da Galeria Insight. Fonte: elaborado pela autora.

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Figura 95- Caminho principal que interliga a Praça Presidente Getúlio Vargas com a Galeria. Fonte: elaborado pela autora.

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Figura 96– Esquema de brises que giram ao redor de seu eixo

Figura 98– Fachada Sudoeste

Fonte: Elaborada pela autora.

Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 97– Fachada Sudeste

Figura 99– Fachada Nordeste

Fonte: Elaborada pela autora.

Fonte: Elaborada pela autora.

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A parte onde está localizada a Galeria de Arte na fachada sudoeste foi revestida com ACM cinza fosco (Figura 98) e estes são recortados dando impressão de movimento. Alguns destes recortes foram tampados com placas de LED para que no período da noite esta parede seja iluminada remetendo a ideia principal do projeto. Os pavimentos da Galeria são iluminados através da luz que incide no Shed, que permite grande incidência de luz no ambiente (Figura 100). Os materiais utilizados (Figura 101) no projeto foram: cimento queimado e concreto aparente (trazendo um conceito industrial); ACM cinza fosco na fachada; Vidro (trazendo permeabilidade e transparência); Madeira (ocasionando aconchego e por ser um isolante térmico natural); Alumínio preto (esquadrias e corrimões) e pintura na cor branca.

Figura 100– Esquema demonstrando o Shed utilizado.

Figura 101– Materiais utilizados

Fonte: Elaborada pela autora.

Fonte: Elaborada pela autora.

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B A

Figura 102– Implantação do projeto e paisagismo Fonte: Elaborada pela autora.


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Figura 103–Planta baixa do 1° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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A galeria possui pé direitos elevados o que atribui ideia de amplitude e possibilita maior incidência da luz. Com isso, o primeiro pavimento é composto por mezaninos e pé direitos duplos (Figura 103). O primeiro espaço que o usuário precisa passar para acessar a Galeria é o Hall de entrada (Figura 104a). Do interior deste ambiente é possível visualizar a praça Presidente Getúlio Vargas e também o pátio interno do edifício pois ele possui uma envoltória bem permeável visualmente. O mezanino deste Hall recebe feixes de luz em formato quadrado provenientes da luz incidente em sua envoltória (Figura 105).

Figura 104-a. Hall de entrada da Galeria Insight. b. Visão do mezanino do Hall. c. Mapa de localização das imagens.

Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Revit e Lumion.

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Figura 105- Efeitos de luz no mezanino do Hall de entrada. Fonte: elaborado pela autora.

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Ao subir para o segundo pavimento (Figura 106) o usuário chega em uma sala com exposições temporárias. Desta sala ele pode escolher se irá direto a Galeria de Arte ou passará pela biblioteca.

Foram realizados testes de iluminancia por andar e de luminancia em alguns ambientes para demonstrar a quantidade de luz e Cd/m² respectivamente.

Figura 106– Planta baixa do 2° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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A biblioteca possui brises horizontais na sua fachada de maior incidência solar e também possui o elemento sombreador vazado que cria formas geométricas no piso o que torna o espaço dinâmico. Há vista para a baia de Vitória (Figura 108-a) e também para a praça Presidente Getúlio Vargas. Do segundo pavimento é possível visualizar um átrio criado no meio do bloco onde está localizado o auditório. Este átrio foi criado para trazer mais iluminação e nele está localizado o jardim de inverno que pode ser visualizado de todos os andares. Todos os pavimentos possuem banheiros feminino, masculino e PND. É possível acessar todos os andares através de escadas ou elevador panorâmico.

Figura 107– Planta baixa de localização de imagens

Figura 108-a. Ambientação da biblioteca (Imagem n° 1) b. Simulação da luz natural na biblioteca utilizando o software Velux.

Fonte: Elaborada pela autora.

Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Lumion e Velux


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Figura 109- Efeitos de luz na biblioteca (Imagem n° 2). Fonte: elaborado pela autora.

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É possível observar que os feixes de luz próximos as janelas da Galeria criam um caminho que conduz o olhar das pessoas diretamente as portas indicando uma direção a ser seguida (Figura 111-a).

Figura 110– Planta baixa de localização de imagens Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 111-a. Feixes de luz indicando caminho na Galeria (Imagem n°1) b. Ambientação da Galeria (Imagem n°2) c. Simulação da luz natural na Galeria utilizando osoftware Velux Fonte: elaborado pela autora.


Luz e sombra na Arquitetura

Figura 112- Visão do átrio e dos demais andares da Galeria (Imagem n°3). Fonte: elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

O 3° pavimento (Figura 113) é composto por mais um setor de exposições temporárias; mezanino da biblioteca; outro andar da Galeria e o setor administrativo.

Este pavimento é menor que o anterior pois há uma brincadeira de cheios e vazios na volumetria. É possível visualizar terraços jardins através das janelas e varanda.

Figura 113– Planta baixa do 3° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

No corte longitudinal (Figura 114) é possível visualizar o átrio que ilumina o jardim de inverno; as básculas utilizadas de forma linear e posicionadas para que haja mais iluminação em algumas partes da Galeria e também ocasionar ventilação cruzada.

O estacionamento foi posicionado no subsolo para não ocupar áreas do térreo.

Figura 114– Corte transversal da edificação. Fonte: Elaborada pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

Figura 115- Visão da Galeria a partir do 2° pavimento da Galeria . Fonte: elaborado pela autora.

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O 4° pavimento (Figura 116) é composto por: área de exposições ao ar livre; galeria e salas multiuso. Possui um vasto terraço jardim como elemento paisagístico.

Os andares também possuem uma sala para manutenção dos equipamentos de ar condicionado.

Figura 116– Planta baixa do 4° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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Observa-se que neste pavimento 4 a maior quantidade de lux está próxima a fachada nordeste, onde estão localizadas as salas multiuso (Figura 118-a). Os andares possuem escadas que os “atravessam”, tornando o percurso do usuário muito mais interessante (Figura 119). As salas multiuso possuem painéis móveis em seu interior que além de compor o espaço, possuem uma forma que também gera efeitos de luz (Figura 116a). Estes painéis permitem maior integração entre as salas e mudança constante de layout.

Figura 117– Planta baixa de localização de imagens Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 118-a. Ambientação salas multiuso (Imagem n°2) b. Simulação da luz natural na sala multiuso utilizando o software Velux Fonte: elaborado pela autora.


Luz e sombra na Arquitetura

Figura 119- 3° andar da Galeria (Imagem n°1). Fonte: elaborado pela autora.

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Figura 120- Visão da Galeria a partir do 3° pavimento da Galeria (Imagem n°3). Fonte: elaborado pela autora.

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O 5° pavimento é composto por mais um pavimento de Galeria e o Fab Lab (Figura 121).

No Fab Lab é possível utilizar impressoras 3D; impressoras de corte a laser; produção CNC e sala para confecção de marcenarias.

Figura 121– Planta baixa do 5° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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Neste pavimento a luz começa a incidir mais (Figura 122) por conta da proximidade com os Sheds. Nele é possível visualizar os efeitos que o shed juntamente com as aberturas laterais acarretam no espaço. A luz acentua a profundidade e as formas do edifício além de passar sensação de maiores proporções (Figura 124).

Figura 123– Planta baixa de localização de imagens Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 122- Visão para o átrio e efeitos de luz na Galeria (Imagem n°1). Fonte: elaborado pela autora.


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Figura 124 - Feixes de luz criando efeitos na Galeria (Imagem n°2) . Fonte: elaborado pela autora.

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O 6° pavimento é contemplado com outro andar da Galeria, e laboratórios para oficinas manuais e digitais (Figura 125). Foram pensados em usos diferenciados para cada pavimento para atrair diferentes públicos.

Figura 125– Planta baixa do 6° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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No corte realizado (Figura 126) é possível visualizar os recuos na volumetria que acarretam nesta diferenciação de luz; o pé direito elevado, gerando sensação de amplitude e o Shed utilizado.

Figura 126– Corte transversal. Fonte: Elaborada pela autora.

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O 7° pavimento é composto por um andar inteiro de Galeria (Figura 127). Deste andar é possível visualizar todos os andares a baixo e também os efeitos da luz.

Acima dele foi posicionado a caixa d’água que pode ser acessada através da escada de incêndio.

Figura 127– Planta baixa do 7° pavimento. Fonte: Elaborada pela autora.

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Neste andar é possível observar todos os efeitos de luz propostos para este projeto. Luz proveniente dos Sheds; iluminação do átrio; efeitos da luz nos brises verticais e horizontais e basculantes (Figura 128).

Figura 128-a. Efeitos da luz na Galeria b. Simulação da luz natural no último pavimento da Galeria utilizando o software Velux Fonte: elaborado pela autora. Programas utilizados: Lumion e Velux

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6.3 SIMULAÇÃO DE ILUMINAÇÃO NATURAL Foram realizadas simulações de luz natural utilizando o software Velux. Utilizou-se a configuração de 40° oeste de longitude e 20° sul de latitude. Os materiais utilizados foram: piso em madeira com refletância de 0,84; vidro translúcido com 68% de transmitância e pintura branca com refletância de 0,84. Para testes de iluminancia foi utilizado 1000 Cd/m² como máximo. Já para luminancia foi adotado 2000 lux como máximo pois acima deste valor há ofuscamento. O céu utilizado foi o ensolarado e as imagens foram tiradas simulando o horário de 9 horas da manhã. Iniciou-se as imagens no 2° pavimento. Boa parte do andar recebe número de lux baixo devido ao fato de estar mais distante do Shed na cobertura (Figura 129).

Figura 129- Iluminancia no 2° pavimento. Fonte: elaborado pela autora.

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Realizou-se teste de luminancia no ambiente da biblioteca (Figura 131) e do primeiro andar da Galeria. Na biblioteca observou que há maior entrada de luz no mês de dezembro.

Figura 130– Planta baixa de localização de imagens Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 131- Luminancia durante Solstício e Equinócio na Biblioteca. Fonte: elaborado pela autora.


Luz e sombra na Arquitetura

Observou-se a incidência solar no 1° pavimento da Galeria (Figura 133). Este espaço recebe menos iluminação, mesmo com vastas esquadrias de vidro e janelas superiores, devido ao fato de estar mais afastado do Shed.

Figura 132– Planta baixa de localização de imagens

Fonte: Elaborada pela autora.

Figura 133- Luminancia durante Solstício e Equinócio na Galeria (2°pavimento). Fonte: elaborado pela autora.

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É observado que o número de lux vai aumentando conforme se sobe os andares. No 3° pavimento observa-se uma quantidade um pouco maior de lux no setor administrativo (Figura 134).

Figura 134- Iluminancia no 3° pavimento.

Figura 135- Iluminancia no 4° pavimento.

Fonte: elaborado pela autora.

Fonte: elaborado pela autora.

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Luz e sombra na Arquitetura

No 4° pavimento foram realizados testes no ambiente da Galeria (Figura 136) e nas salas de multiuso (Figura 137). Na galeria percebe-se que os meses de março e setembro que possuem maior incidência solar.

Figura 136- Luminancia durante Solstício e Equinócio na Galeria (4°pavimento). Fonte: elaborado pela autora.

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Nas salas multiuso há um efeito criado pelos brises horizontais que trazem leveza ao ambiente.

Figura 137- Luminancia durante o Solstício e Equinócio nas salas multiuso Fonte: elaborado pela autora.


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No 5° e 6° pavimento (Figura 138 e 139) há alguns pontos próximo as janelas em que a quantidade de lux fica elevada. Isto pode ser resolvido aumentando a transmitância do vidro nestas partes.

Figura 138- Iluminancia no 5° pavimento.

Figura 139- Iluminancia no 6° pavimento.

Fonte: elaborado pela autora.

Fonte: elaborado pela autora.

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O 7° pavimento é aquele com mais quantidade de lux e Cd/m² (Figura 140 e 141).

Figura 140- Iluminancia no 7° pavimento. Fonte: elaborado pela autora.

Figura 141- Luminancia durante o Solstício e Equinócio no último pavimento da Galeria. Fonte: elaborado pela autora.


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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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CAP 7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho apresentado reflete sobre luz e sombra como diretriz de projeto. É discutido os efeitos biológicos e psicológicos que a luz possui além de sua capacidade de interferir nas proporções; percursos e movimento. Foi levantado a todo momento os benefícios que a luz natural traz ao ambiente e aos usuários. É importante utilizar estes benefícios como estratégia projetual. Para isso, existem diversas táticas para utilização da luz. Estas foram abordadas no trabalho e utilizadas no projeto da Galeria de Arte. Procurou-se colocar em prática, na execução do projeto da Galeria de Arte, os conceitos de luz abordados ao decorrer do trabalho. Valorizou-se o percurso do usuário; o movimento ocasionado pelo uso da luz; a sensação de leveza visual de acordo com a intensidade de luz no local e as mudanças de proporções. Foi possível demonstrar em projeto que a luz cria ambiências diferentes dependendo do modo como é

utilizada. Ela é responsável por trazer conforto térmico e visual aos espaços. Cria surpresas, sensações variadas e marca percursos. Dinamiza o espaço, delimita limites e transmite evanescência. Mostrou-se que os softwares para simulação da luz natural (como o Velux) geram informações que possibilitam a tomada de decisões precisas e corretas, facilitando o exercício projetual. Contata-se que a luz e a sombra sempre precisam ser levadas em consideração ao projetar um espaço. Há inúmeros benefícios ocasionados com a boa utilização da luz natural, só é necessário saber utiliza-la para se ter os efeitos e sensações procurados.

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8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CAP 8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARNABÉ, Paulo Marcos Mottos. A luz natural como diretriz de projeto. Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 084.01, Vitruvius, maio 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquite xtos/07.084/244> BARNABÉ, Paulo Marcos Mottos. A luz natural na Casa das Canoas. Arquitextos, São Paulo, ano 09, n. 103.02, Vitruvius, dez. 2008. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquite xtos/09.103/89> FRACALOSSI, Igor. "Clássicos da Arquitetura: Hospital Sarah Kubitschek Salvador / João Filgueiras Lima (Lelé)" 07 Mar 2012. ArchDaily Brasil. Acessado 6 Mai 2019. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/36653/classicos-daarquitetura-hospital-sarah-kubitschek-salvadorjoao-filgueiras-lima-lele>

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9 APENDICES

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