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SUMÁRIO Capa Sumário Folha de Rosto Folha de Créditos Sobre a Autora CAPÍTULO UM CAPÍTULO DOIS CAPÍTULO TRÊS CAPÍTULO QUATRO CAPÍTULO CINCO CAPÍTULO SEIS CAPÍTULO SETE CAPÍTULO OITO


UMA NOITE PERFEITA


Tradução: Marsely de Marco Martins Dantas


Publicado sob acordo com o autor, c/o BAROR INTERNATIONAL, INC., Armonk, New York, USA Copyright © 2013 Bella Andre © 2014 Editora Novo Conceito Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio, eletrônico, Copyright ou mecânico, incluindo fotocópia, ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem autorização por escrito da Editora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Versão digital — 2014 Produção editorial: Equipe Novo Conceito Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Andre, Bella Uma noite perfeita / Bella Andre ; tradução Marsely de Marco Martins Dantas. -- Ribeirão Preto, SP : Novo Conceito Editora, 2014. Título original: One perfect night. ISBN 978-85-8163-606-1 1. Ficção norte-americana I. Título. Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura norte-americana 813

Rua Dr. Hugo Fortes, 1885 — Parque Industrial Lagoinha 14095-260 — Ribeirão Preto — SP www.grupoeditorialnovoconceito.com.br


Sobre a Autora Bella Andre é conhecida pelas histórias sensuais. Seus livros foram traduzidos para 9 línguas, e são best-sellers em muitos países do mundo. Quando não está no computador, você pode encontrá-la lendo seus autores favoritos, caminhando, nadando ou sorrindo. Casada e mãe de dois filhos, Bella vive na Califórnia.


CAPÍTULO UM Lago Tahoe, Califórnia Conforme o teleférico subia cada vez mais alto, Colbie Michaels tentava ignorar que seu coração batia cada vez mais rápido sempre que uma nova altura era alcançada. Se ela conseguisse parar de pensar em como a queda seria longa caso a corrente que segura a cadeira se soltasse e ela e sua melhor amiga acabassem se espatifando na neve lá embaixo... Terra chamando Colbie. A voz de Mia Sullivan finalmente atingiu seu cérebro, juntamente com o fato de as pernas da amiga estarem chacoalhando para lá e para cá, fazendo a cadeira inteira balançar. — Desculpe, vou parar — disse Mia, claramente lendo sua mente. — Sei como você se sente em relação à altura. Jamais deveria ter deixado você andar de teleférico. — Você sabe que eu tinha que fazer isso — No momento Colbie não lembrava direito por que fora tão determinada a subir no teleférico; tinha algo a ver com desafiar a si mesma e encarar seus medos um por um. De qualquer forma, não importava mais quais eram as razões... Não dava mesmo para sair dali agora, não é? — Está tudo bem — ela mentiu. A amiga olhou para as articulações brancas dos dedos de Colbie, presa pelas duas mãos aos braços do assento, como se sua vida dependesse disso. — Não, não está, não. Diga o que posso fazer para ajudá-la e eu farei. Antes que Colbie pudesse responder, o teleférico parou com tudo. — O que está acontecendo? Quebrou? Vamos ter que sair daqui com algum tipo de transporte aéreo? Colbie mal ouviu a resposta da amiga, pois estava com dificuldade de respirar. Tudo o que conseguia ouvir eram as batidas do seu coração. Mesmo sabendo que era melhor não olhar para baixo, ela não conseguia evitar dar uma olhadinha rápida. Mia cutucou a perna dela — com força — para chamar a atenção. — Pare de surtar. O tom de severidade incomum da amiga foi momentaneamente interrompido pelas cenas em retrospectiva de sua vida passando diante dos seus olhos. — Certo — Colbie ofegou ao respirar profundamente. — Boa ideia. Mia sorriu. — Muito boa minha voz de mandona, não acha?


Colbie arqueou as sobrancelhas. — Foi essa a sua intenção? A amiga assentiu, parecendo tremendamente satisfeita consigo mesma. Eu daria uma ótima dominadora, não daria? — A melhor — ela concordou, com o primeiro sorriso verdadeiro desde que entrara no teleférico. Ninguém mais conseguiria tê-la distraído tão bem. Só mesmo a sua melhor amiga. Sendo a única menina em uma família de quatro rapazes, Mia Sullivan aprendeu a se impor bem cedo na vida para certificar-se de que não ficaria perdida no meio da agitação de punhos e meias fedorentas e capacetes de futebol americano. Colbie teve muita sorte por morar a um quarteirão da casa dos Sullivans, uma construção de formato irregular às margens do Lago Washington. Ela passou metade da infância com aquela família, e teve uma quedinha por todos os irmãos de Mia naquela época. E quem não teve? Outras pessoas poderiam tirar sarro do medo de altura de Colbie, mas não a mulher que era sua amiga havia mais de vinte anos. Ela ainda se lembrava da primeira vez em que tinha visto Mia. Elas tinham cinco anos e haviam acabado de entrar na pré-escola. Todos os outros na sala da sra. Tillman estavam nervosos com o fato de estarem longe de casa pela primeira vez e por terem que se sentar quietinhos e em círculo no tapete trançado para seguir as instruções, aprendendo a escrever os seus nomes. O pior de tudo foi a hora do recreio. E se ela jamais conseguisse fazer amizade com alguém? O parquinho estava cheio de crianças, não somente as da sua classe, mas também os maiores do primeiro, segundo e terceiro anos. Ela estava prestes a se virar para sair correndo em direção à segurança relativa da sala de aula e da sra. Tillman quando Mia Sullivan apareceu bem na sua frente. A mãe de Colbie havia escovado seus cabelos até ficarem brilhantes e a tinha vestido com todo o cuidado para o primeiro dia de aula, com uma saia nova e um suéter. Já os cabelos longos de Mia estavam presos em um rabo de cavalo bagunçado, e as roupas, que não combinavam, pareciam conter todas as cores do arco-íris. Faltava-lhe um dente da frente, e por isso seu sorriso parecia ainda maior. — Oi, eu sou a Mia. Que nome bonito, Colbie. Quer ser minha amiga? Meia dúzia de palavras simples foi o suficiente para tirar o enorme peso das costas de Colbie. Ela mal teve tempo de esboçar um sorriso e não conseguiu dizer nada quando Mia agarrou sua mão e as duas saíram correndo pelo parquinho, para a primeira das centenas de aventuras que viveriam juntas no decorrer dos anos. — Aaaai, olha aquilo — Mia disse ao apontar para o esquiador alto e de ombros largos que descia a montanha. — Eu não me importaria de ficar aconchegada a ele ao lado da lareira mais tarde. — De qual parte do nosso fim de semana só para meninas você acha que ele gostaria mais? — Colbie provocou. — Manicure ou cabeleireiro? Ou talvez ele pudesse experimentar o novo kit de depilação “cera sem sujeira” que a Janet trouxe.


Nos últimos cinco anos, no primeiro fim de semana de fevereiro, Colbie e suas três amigas mais íntimas se encontravam em algum lugar dos Estados Unidos. Este ano elas alugaram uma casa no Lago Tahoe, na Califórnia, para um fim de semana somente para garotas. Havia apenas uma regra rápida e rígida: homens não eram permitidos, nem mesmo um caso bem quente. — Se ele gostar de qualquer uma dessas coisas — Mia disse, fazendo careta —, estou fora. Além disso, é bem provável que ele não vá querer ficar olhando anéis de noivado também. Suas amigas Janet e Ellen estavam usando anéis de noivado, e Colbie se recusava a admitir que não estava nem um pouco feliz por elas. Só porque pegara o último namorado na cama com a mulher que ele jurara ser “apenas uma amiga do trabalho” na véspera do Ano-Novo não significava que poderia dar uma de amarga em relação à felicidade das amigas. — Você podia ter contado a elas sobre o Rob e o canalha no qual ele se transformou. — Somente Mia sabia o que havia acontecido entre Colbie e o ex-namorado. — Eu não queria que a nossa comemoração se transformasse em uma festa de piedade. — Colbie fez o maior esforço para tirar da cabeça a imagem do ex atracado com outra mulher. — Além disso, me recuso a deixá-lo arruinar minhas férias em um dos lugares mais bonitos do mundo. — Especialmente depois de ter arruinado completamente o seu réveillon. Determinada a relaxar os músculos tensos do estômago, ela respirou fundo e apreciou a vista espetacular de seu assento no alto do Lago Tahoe. Era mesmo inverno no país das maravilhas. O céu estava azul, o ar estava limpo e fresco, a neve da noite anterior era macia e fofinha nos galhos das árvores. Até mesmo antes de o jatinho ter aterrissado no aeroporto do Lago Tahoe dois dias antes, a primeira visão de Colbie do lago parcialmente congelado lhe tirou o fôlego. Além disso, não havia nada melhor do que curtir as pessoas que a conheciam quase melhor do que ela mesma. No dia anterior elas foram caminhar na neve com seus sapatos especiais durante o dia e passaram a noite bebendo e rindo mais do que tinham rido nas férias do ano passado. Entre a vista maravilhosa e alguns suspiros profundos, ela finalmente começou a se descontrair. Mas, conforme a cadeira se aproximava do topo da montanha, ela sabia que nada a faria relaxar inteiramente. Colbie estava a poucos minutos de encarar seu próximo desafio: descer a montanha de esqui... e chegar lá embaixo inteira. Em outros esportes, como tênis e natação, ela tinha muita coordenação, mas, assim que colocou os esquis nos pés, eles ficaram totalmente fora de controle. Ela sabia que Mia ia se oferecer para segurá-la assim que as duas saíssem do teleférico, mas Colbie não queria ser empecilho na diversão da amiga, especialmente porque Mia tinha sido maravilhosa o tempo todo. Ano passado, elas todas concordaram em se encontrar em San Diego para curtir a praia e o sol, algo que raramente tinham em Seattle. Este ano ela ficou muito feliz em deixar as fanáticas por esqui como Mia decidirem o local. — Obrigada por vir comigo no teleférico — ela disse a Mia —, mas me recuso a ter você como babá pelo restante do dia. Assim que chegarmos ao topo, você vai esquiar do jeito que quiser. A amiga arqueou a sobrancelha.


— Olha só quem está usando a voz de dominadora agora. Mia era uma das mulheres mais bonitas que ela já tinha visto, mas Colbie sempre a veria como a garotinha de rabo de cavalo bagunçado sem um dos dentes na boca. — Não me faça pegar o chicote — ela provocou. — Sim, madame — Colbie respondeu, batendo continência de forma tão animada que balançou o assento um pouco demais para o gosto de Colbie. Ela prendeu o fôlego quando a cadeira se aproximou do chão no topo da montanha. Forçando-se a soltar as barras que segurava como se sua vida dependesse daquilo, ela ergueu os esquis e saltou do assento junto com Mia. Um pouco depois, a amiga tinha colocado os óculos e estava acenando ao ir embora esquiando de forma graciosa, dirigindo-se para a lateral da montanha, onde estavam todos os percursos terrivelmente difíceis. Mia fazia isso parecer fácil. A neve era macia, certo? Que tipo de dano Colbie poderia sofrer em uma pequena montanha? Talvez desta vez tudo ficasse bem, foi o que ela decidiu. E, por um momento, quando seus esquis foram de fato para a direção que ela apontou, escorregando facilmente pela neve fresca, parecia mesmo ser fácil. Até que uma criança subitamente veio inclinando-se na direção dela. Supondo que a garotinha com o rabo de cavalo voador estivesse fora de controle quando Colbie estava prestes a ser ela mesma ao descer a montanha, ela sabia que tinha que ao menos tentar salvar a criança. Cambaleando em seus esquis, ela derrubou as estacas e se esticou para tentar pegar a menina. Vendo isso, a garotinha simplesmente riu e saiu de seu alcance sem esforço algum. Nesse ponto, Colbie foi tropeçando por todo o caminho com os esquis... e caiu de cara no chão, mal abafando a queda. A neve fresca era extremamente fria em suas bochechas, queixo e testa. Não, era mais que isso: a neve congelava cada centímetro do seu rosto desprotegido, incluindo as orelhas e a parte do pescoço em que o cachecol devia ter aberto quando ela caiu. Sabendo que precisava sair do caminho do próximo esquiador, ela tentou ficar de pé com o apoio das mãos e dos joelhos, mas a neve estava muito macia e um dos esquis havia afundado, causando uma forte torção em seu tornozelo. Pois é, não havia dúvida. Ela estava presa. Passou pela mente de Colbie, de maneira fugaz, que a única coisa que deixaria a situação ainda pior seria se um cara solteiro e gostosão com quem ela poderia ter um romance a encontrasse de bumbum para cima e cheia de neve no rosto. Mas nem mesmo ela seria tão azarada. Pelo menos ela pensou que não seria até poucos segundos depois, ao ouvir uma voz profunda e levemente rouca dizer: — Você está bem?


CAPÍTULO DOIS Ela ergueu a cabeça e olhou para o lado, tentando ver o rosto da voz dolorosamente sensual, mas havia muitos cristais de gelo em seus cílios e tudo o que ela conseguia ver era um rosto borrado e cabelos escuros. E então ele disse: — Não se preocupe, eu peguei você. — Suas mãos fortes e grandes a pegaram pela cintura e a tiraram da neve. Ela cometeu o erro de tentar ajudar seu salvador, mas conseguiu derrubá-lo também. Juntos, eles rolaram vários centímetros, com os esquis soltando-se deles até finalmente conseguirem parar. Colbie caiu de costas, e o peso do estranho fazia muita força sobre ela. Estranhamente, depois de recuperar o fôlego, ela percebeu que não estava nem um pouco desconfortável. Sua cabeça estava amparada pelo tórax do estranho, e ele a segurava com tanta força que dava para ouvir as batidas do seu coração pelo casaco parcialmente aberto. Os braços dela estavam ao redor do pescoço dele, e suas pernas estavam entrelaçadas. Hmmm, ela pensou quando um gemido baixo escapou de sua boca. Colbie adorou a sensação de estar próxima a ele, aos músculos firmes e ao calor que irradiava o tempo todo pelo corpo frio dela. Ela parecia uma pessoa prática na superfície, mas, na essência, Colbie adorava a sensação das sedas mais finas possíveis e da renda em sua pele, e ficava feliz em gastar bastante com a essência perfeita e sugestiva. Sempre sonhou abrir uma loja de produtos de luxo para mulheres, mas, da mesma forma que raramente conseguia justificar tais luxúrias para si mesma, ela também não conseguia justificar desistir de um emprego bom para ir atrás de um sonho. Não até o mês passado, quando, logo após o desastre com o ex, finalmente decidiu tomar o comando de sua vida, assinando os papéis para abrir sua nova loja: Indulgência. Conforme os braços quentes ao seu redor rapidamente mandavam o frio embora e ela instintivamente se aproximava, aninhando-se, Colbie percebeu que não ficava tão próxima de um homem desde a última vez em que Rob e ela... Uma pontada dura de dor diante da traição do ex a deixou tensa debaixo do homem que a tirou da neve. Ela não tinha prometido manter distância dos homens até ficar forte o suficiente para perceber a diferença entre um bom caráter e um cafajeste? Não era inapropriado estar em uma situação tão íntima com um estranho, mas ela definitivamente não deveria aproximar-se ainda mais. Em primeiro lugar, porque não sabia nem o nome dele. Em segundo lugar, ela nem sabia qual era a aparência dele. E, em terceiro lugar, ela havia jurado manter-se longe dos homens! Ela precisava se levantar, agradecer e de alguma forma descer de esqui pela montanha


impossivelmente alta na qual ela foi tola o suficiente para subir de teleférico... e depois afogar o constrangimento total e completo em uma taça — ou em três — de vinho no bar do hotel. Forçando-se a se soltar do pescoço do rapaz quando ele se mexeu em cima dela, Colbie se sentou o mais rápido que conseguiu, dada a profundidade do buraco que os dois fizeram na neve. Usar as luvas cobertas de neve para limpar os cristais de gelo do rosto só fez sujeira, e, quando ela começou a dizer: — Muito obrigada. Espero que você não tenha se machu... —, finalmente conseguiu ver o rosto do salvador. Ah. Meu. Deus. Ela nunca tinha visto um homem tão bonito. Jamais. Talvez em um filme ou em uma revista, mas nunca ao vivo e a cores. Colbie se sentiu ainda mais mortificada diante do fato de ter feito papel de completa idiota na frente dele. Realmente ela era mesmo azarada. Não somente por ter caído de cara na neve primeiro, mas também por ser incapaz de impedir a si mesma de se esfregar nele como um gato que procura abrigo. Ela pode até ter gemido em voz alta ao sentir a pressão deliciosamente pecaminosa do corpo dele sobre o dela. Foi o que subitamente percebeu com enorme pavor ao piscar, olhando para o rosto perfeito do homem. Surpreendentemente, ele não estava olhando para ela com desgosto. Pelo contrário, havia um sorriso em seus lábios e um brilho em seus olhos verdes. — Fazer resgates é sempre um prazer para mim. E, não, definitivamente você não me machucou. — Apesar da vergonha, os lábios de Colbie estavam prestes a se curvar nos cantos. — Não sou muito boa esquiadora — ela admitiu antes de acrescentar. — É bem provável que você já tenha percebido isso. — Você achou que aquela garotinha estava encrencada, não achou? Ela teve que rir de si mesma. — Ela provavelmente esquia desde que aprendeu a andar. Ele concordou. — Acho que devemos ficar de olho nela para as Olimpíadas de Inverno daqui a uns dez anos. Uma situação daquelas faria Rob rir dela pelo resto do dia. Mas aquele homem estava simplesmente rindo com ela. — Eu sou Noah. — Eu sou Colbie. — Colbie — ele repetiu com aquela voz baixa e rouca que enviava arrepios pela pele dela enquanto eles apertavam as mãos... ou as luvas pesadas. Arrepios que não tinham nada a ver com a montanha gelada em que estavam sentados e tudo a ver com ele. Os olhos verdes ficaram levemente escuros quando ele disse: — É um nome bonito. Único, também.


Ela nunca, jamais teve que se segurar para não se atirar em cima de um homem para lhe roubar um beijo. Um beijo que ela sabia com cem por cento de certeza que iria causar a maior explosão. Mas ele não a havia salvado para que ela pudesse se jogar em cima dele. Ele limpou a neve grudada na testa de Colbie e, quando ela tremeu, ele disse: — Você está com frio. — Ela não podia dizer que estava tremendo por causa da proximidade e dos pensamentos impróprios sobre as coisas que queria fazer com ele. Sem falar em todas as coisas que ela queria que ele fizesse com ela. Se ela fosse Mia em vez de Colbie, ela o estaria impressionando ao dizer algo sexy e espirituoso sobre como ele poderia mantê-la aquecida. Claro que, como Colbie não estava se sentindo nada sexy e espirituosa no momento, tudo o que ela conseguiu dizer foi: — É melhor encontrarmos nossos esquis antes que eles derrubem mais alguém. Sem esperar pela resposta, ela começou a voltar para a montanha, mas eles estavam perto o suficiente da linha formada pelas árvores onde a neve ficava muito mais macia e bem mais profunda, e depois de poucos passos ela caiu novamente. Noah a pegou: — Segure-se em mim. Grata, e mais excitada do que se imagina ficar por causa do braço de um homem enlaçado em sua cintura, ela se moveu pela montanha com ele até encontrarem os quatro esquis. Ignorando os próprios esquis, ele pegou os dela e pediu: — Sente-se. Vou colocá-los em você. Sendo sempre a quietinha na escola, ela aprendeu a se distinguir de outras formas. Todo mundo sempre disse que ela era capaz e que dava o melhor de si para superar as expectativas. Quando foi a última vez que não ajudou uma pessoa? Mesmo na noite passada com as amigas, ela colocou cada uma delas na cama, bêbadas e risonhas, antes de limpar a cozinha e a sala de estar do chalé e finalmente ir dormir. Para variar, era um prazer deixar alguém tomar conta dela por alguns minutos. Observando Noah encaixar um dos esquis em sua bota, ela disse: — Parece que você já fez isso antes. Você tem filhos? — A pergunta “Ou uma esposa?” pairava no ar entre eles. — Sem esposa. Sem filhos. — Ele colocou o outro esqui. — Mas fui instrutor de esqui na época da faculdade. Ela fez uma careta. — Tenho certeza de que o meu último instrutor desistiu. Ele lhe lançou um sorriso de tirar o fôlego novamente. — Sempre gostei de um desafio. — Do que ele estava falando? Estava se oferecendo para passar o dia com ela? A fantasia de passar o dia todo com Noah, seus olhos quentes lhe fazendo carícias, suas mãos sobre ela ao pegá-la quando caísse, fazia seu cérebro girar. Se ela conseguisse fazê-lo esquecer-se do acidente, será que seria recompensada com um beijo? Ou mais do que isso?


Observando-a cuidadosamente, ele explicou: — Você só precisa ouvir o seu corpo. Não se trata de esquis nem de bastões, nem de seus pés ou da montanha. Trata-se somente de você. E de como você se sente. — As palavras sedutoras a envolviam. — Posso te ensinar, Colbie. — Você faz parecer tão fácil — ela disse com uma voz bem menos estável do que queria. — Não necessariamente fácil — ele ponderou —, mas vale a pena. Ela estava tentada, muito tentada, a aceitar a oferta. Mas como poderia se esquecer do que tinha acontecido no Natal com Rob? Ele quis passar o fim de semana em um hotel de esqui bem chique no Colorado e prometeu que a ensinaria a esquiar. Claro que, depois de apenas uma hora na montanha, ele começou a xingá-la quando ela acidentalmente o cortou, fazendo com que ele caísse de nariz na neve para evitar a colisão com ela. Quase certa de que qualquer aula de improviso com Noah estaria fadada a terminar da mesma forma, e não estando com humor para parecer mais idiota do que já havia se mostrado, ela se forçou a recusar a oferta. — Você veio para se divertir, não para superar o desafio insuperável de me ensinar a esquiar. Além disso — ela disse, prendendo-se à primeira desculpa que encontrou —, estou com algumas amigas para passar o fim de semana. Ele olhou ao redor de forma exagerada: — Suas amigas a deixaram esquiar sozinha? — Não exatamente — ela admitiu. — Eu não quis prendê-las, então pedi para fazerem sem mim os percursos mais difíceis. — Então me parece que você tem o dia todo, Colbie. — A forma como ele disse o seu nome parecia um sussurro aconchegante. — Deixe-me provar que eu sempre aceito um desafio. Se Noah tivesse dito qualquer outra coisa, talvez ela simplesmente o tivesse agradecido pela ajuda com os esquis, tivesse pegado os bastões junto com eles e descido a montanha em questão de minutos, deixando-o para trás. Mas a palavra desafio mexeu com Colbie. Afinal de contas, foi por isso que ela tinha ido esquiar, para começo de conversa. Era essa também a razão de ter abandonado o emprego e assinado um contrato de aluguel de doze meses para a loja há poucas semanas. Durante toda a sua vida ela trabalhou duro para agradar outras pessoas, mas a forma como Rob a tinha tratado foi a gota-d’água. Finalmente ela decidiu começar a agradar a si mesma. Subitamente, Colbie não conseguia pensar em nada que pudesse agradá-la mais do que passar um dia com um belo homem em uma montanha coberta de neve em Lago Tahoe. Ela olhou para Noah e sorriu. — Se você está mesmo a fim de dar aulas hoje, então eu vou ser a melhor aluna que você já teve.


CAPÍTULO TRÊS O corpo de Noah reagiu à sensualidade não intencional das palavras de Colbie. Ele queria pegá-la em seus braços para descobrir se sua boca tinha o gosto bom que parecia ter. Mas Noah percebeu que ela hesitou em passar algumas horas com ele, então não iria forçar a barra. — Deixe os bastões na neve por enquanto — ele orientou. — Quero que segure nas minhas mãos. Ela hesitou por um momento. — É assim que você ensina todas as suas alunas? Ele sorriu: — Só as bonitas. Enrubescendo, Colbie colocou as mãos sobre as de Noah. — Certo, e agora? — Feche os olhos. — O franzir de sobrancelhas foi tão gracioso que ele teve que rir alto. — Não se preocupe, você vai abri-los assim que descermos a montanha. Ela olhou para baixo e fez uma careta. — Ah, se a gente pudesse ficar aqui em cima para sempre. — Colbie — ele esperou até que ela o encarasse —, não vou obrigá-la a fazer nada se não estiver pronta. Confie em mim. Dava para ver nos olhos dela que Colbie entendia que ele não estava falando apenas de esquis. Estava falando dos dois. Depois de um longo momento, Colbie finalmente concordou e fechou os olhos como Noah havia pedido. — Distribua o seu peso para se apoiar de forma equivalente nos dois esquis. — Ela cambaleou um pouco e ficou tensa. — Não se preocupe, estou segurando e não vou deixar você cair. — Mais uma vez, ele fez com que Colbie absorvesse sua promessa antes de continuar. — Quero que você fique confortável, sinta-se como se estivesse em pé da forma mais normal possível, apesar de estar usando botas e esquis. Foi por isso que eu pedi que fechasse os olhos, para que dependa somente do que está sentindo. Quando ela acomodou o peso de um pé para o outro com os olhos fechados, Noah aproveitou a oportunidade para encará-la. Ela tinha cílios longos e negros, e suas feições eram lindamente definidas. Os ossos da face eram altos, a boca era suculenta e digna de ser beijada. Seus olhos eram tão azuis quanto o lago, e seus cabelos longos e negros caíam em ondas pelos ombros, cobrindo a protuberância dos seios. Se ela era tão bela assim usando calça e jaqueta de esqui, não dava para imaginar como seria sem nada, o cabelo caindo como seda sobre sua pele, os grandes olhos azuis cheios de desejo ao olhar para ele na cama. Quando ela parou de segurar suas mãos com força, Noah perguntou:


— Está se sentindo mais segura agora? — Dava para ver a surpresa no rosto de Colbie ao dizer: — Na verdade, estou. — Que bom! — Depois que ele explicou o que chamava de técnica de levantar-e-inclinar e ela entendeu bem, Noah se aproximou e sussurrou nos ouvidos dela: — Você está pronta. Ela tremeu diante da respiração quente em seus ouvidos, antes de respirar fundo e esticar os ombros para trás. Quando abriu os olhos novamente, Noah achou que já dava para ver o desejo que estava fantasiando para os dois. — Certo, me passe aqueles bastões — ela disse com um sorriso súbito — e vamos fazer essa coisa. Um sorrisinho atrevido foi o suficiente para tirar Noah completamente dos eixos. Ele nunca tinha visto nada tão bonito em sua vida. Ela simplesmente iluminou a montanha inteira. Ele não lhe deu os bastões, então Colbie olhou para eles e depois para Noah, confusa: — Está tudo bem? — Está tudo ótimo — ele finalmente disse. E estava mesmo. Porque ele estava com a garota mais bonita do mundo. O progresso montanha abaixo não foi rápido, mas foi constante. Noah esquiou de costas para poder observá-la, e ela balançou a cabeça negativamente para ele. — Exibido. Ele se limitou a sorrir e a responder: — Sou um homem de muitas habilidades. — E ela ficou tão corada que tropeçou novamente. Claro que Noah não se importava nem um pouco em segurá-la nos braços para ajudá-la a sair da neve. Colbie foi muito mais rápida dessa vez, e Noah percebeu que o único problema em ensiná-la era que ele passaria mais tempo ao lado dela usando esquis e menos tempo segurando-a em seus braços na neve. Mas valia a pena a expressão de triunfo no rosto de Colbie quando eles chegaram ao pé da montanha. — Eu consegui! Ele a teria beijado naquele momento se não pensasse que poderia desfazer todo o progresso de fazê-la confiar nele. — Bom trabalho. Pronta para começar de novo? Ela desviou o olhar para o teleférico e fez uma pausa bem longa antes de dizer: — Tudo bem.


Não foi a resposta mais entusiasmada do mundo, mas ele aceitaria qualquer coisa naquele ponto. Enquanto esperavam na fila, Colbie disse: — Nunca vi ninguém esquiar de costas antes. Quando você aprendeu a esquiar? — Foi provavelmente na mesma idade daquela garotinha que você estava tentando salvar. Minha família costumava alugar o mesmo chalé todo inverno. — Eles pularam no assento do teleférico que passava e olharam ao redor das montanhas, das árvores, do cintilante lago azul. — Eu adoro isto aqui. E você? — Como você já deve imaginar, minha família não era muito de esquiar. Sou muito melhor em guerra de bolas de neve — ela disse com outro daqueles sorrisos fofos que o faziam ganhar o dia. — Uma vez por ano, minhas amigas e eu nos encontramos para passar as férias juntas, e este ano as montanhas ganharam da areia e do sol. — Ela deu de ombros. — Esquiei algumas vezes depois de adulta, mas eu meio que tenho uma coisa com altura também, então esses teleféricos não representam muita diversão para mim. Ele olhou para o chão a trinta metros abaixo deles, e depois para Colbie. — Mas você está indo muito bem aqui. — Acho que sim — ela disse lentamente, como se estivesse tão surpresa quanto ele. — Esqueci de sentir medo. Noah não pensou desta vez, só segurou na mão dela: — Fico feliz. *** Na hora em que caiu pela vigésima vez, Colbie nem teve mais forças para rir de si mesma. Noah desabou subitamente na neve e se deitou ao lado dela. Quando ele se virou e lhe deu um sorriso, Colbie sentiu um nó no estômago. — Vamos fazer anjos na neve. Ela já tinha visto as pessoas fazerem isso no cinema, mas nunca tinha feito. Noah começou, mexendo os braços e as pernas para cima e para baixo, para a frente e para trás, até que ela não conseguiu resistir e fez o mesmo. Um avião particular passou por cima da cabeça deles, e, quando o piloto viu o que estavam fazendo, inclinou as asas na direção onde estavam. Noah se levantou, depois a puxou para que ela ficasse de pé e eles pudessem admirar seus anjos. — São lindos — ela sussurrou. Foi um dia inesperadamente perfeito. Melhor do que qualquer um que ela tinha vivido há muito tempo. E ela tinha que agradecer Noah por isso. — Foi muito bom, Colbie. Ela nunca seria uma profissional, mas ele foi paciente e encorajador… e ela se divertiu. Colbie


até mesmo se esqueceu do medo de altura quando na cadeira do teleférico com ele. Ele era engraçado, charmoso e doce. Adorava esquiar. Não para exibir suas manobras ou os equipamentos mais modernos, mas porque as montanhas cobertas de neve eram bonitas e a sensação do vento em seu rosto pelo sibilar das árvores era incrivelmente revigorante. — Que tal procurarmos uma lareira e um chocolate quente? — ele sugeriu. Ela conseguia facilmente imaginá-los aninhados em frente a uma lareira debaixo de um cobertor grosso, sua mão sobre a dele, a cabeça no ombro de Noah enquanto observassem a dança das chamas. Um dia perfeito, seguido pelo que provavelmente seria uma noite perfeita. Colbie estava inclinada a dizer sim. Mas, mesmo com a palavra na ponta da língua, e apesar do fato de terem passado um dia fantástico, ela sabia que nada mais sobre a sua situação havia mudado. Um dia perfeito com Noah não significava que ela estava pronta para um novo relacionamento. E ela certamente não estava pronta para passar uma noite e nada mais com alguém. Especialmente não com um homem que de longe era o mais alto, o mais moreno e o mais bonito que já tinha conhecido. Claro que o sexo com Noah provavelmente seria ótimo. Deveria ser explosivo. Se ela ficasse com ele na lareira, tinha cento e dez por cento de certeza de que não seria capaz de resistir a um beijo que definitivamente levaria a algo a mais. E, como ela sabia pela dolorosa experiência, depois que os orgasmos passassem, era o coração partido que ficava. E ficava por tempo demais. Ela encarou o desafio de passar um dia com Noah, deixando-o ensiná-la a esquiar. E ela estava feliz por ter feito isso. Mas havia uma diferença entre ser corajosa e estúpida. Colbie não poderia arriscar se machucar novamente tão logo. Não quando a dor dos erros que tinha cometido no último relacionamento ainda ressoava. Ela pegou os esquis e os colocou novamente. Quando apanhou os bastões, Noah segurou suas mãos. Até mesmo tocá-lo por sobre as luvas grossas a fazia sentir um choque. — Colbie, qual o problema? Talvez se ela o tivesse encontrado algumas semanas antes, quando ela não se sentia tão ferida, tão vulnerável, Colbie até poderia ter arriscado. Mas, da forma como seu coração estava agora, um dia com os esquis era o máximo que poderia encarar. Ela não queria magoá-lo, não queria fazer nada que arruinasse o presente que tinha sido aquele dia, graças a Noah, então respondeu rapidamente: — É bem provável que as minhas amigas estejam se perguntando onde eu estou. — Ligue para elas. — Ele pegou o telefone. — Diga que você está comigo. Dê a elas o meu nome e telefone para que possam nos encontrar se precisarem. Mais uma vez, Colbie ficou tentada. Tentada demais. Mais do que isso, ela estava com medo do que estava sentindo por Noah apesar de conhecê-lo há poucas horas. Era demais, rápido demais. Tudo demais da conta.


— Obrigada novamente, Noah. Me diverti muito com você hoje. Mais do que você imagina. — Ela arriscou olhar mais uma vez para os olhos negros. — Mas agora eu preciso ir. Afundando os bastões na neve macia, ela se afastou dele e desceu a encosta com uma rapidez nunca alcançada antes. E, quem diria, o milagre dos milagres aconteceu: ela chegou inteirinha ao pé da montanha. Viu só? Essa é a prova, ela disse a si mesma. Você fez a coisa certa ao recusar passar a noite com o cara mais gostoso do planeta. Só que, mesmo depois de estar segura dentro do chalé, com a porta trancada, as roupas de esqui amontoadas no chão, sentindo-se bem depois de um banho escaldante, com planos para a nova loja por toda parte, enquanto esperava as amigas retornarem, ela ainda não tinha certeza se acreditava nisso.


CAPÍTULO QUATRO Seattle, Washington Uma semana depois… Noah Bryant lançou a bola de basquete na cesta. Ela mal tocou o aro, então ele se virou para o amigo e disse: — Conheci uma garota no Lago Tahoe no fim de semana passado e não consigo tirá-la da cabeça. Rafe Sullivan pegou a bola de basquete que caiu: — Está justificando o péssimo desempenho de hoje? Noah não era o tipo que deixava uma mulher interessante ir embora sem conseguir o seu número de telefone ou, pelo menos, o sobrenome. Mas a bela jovem cheia de curvas das montanhas tinha mexido com ele. E não só porque eles caíram juntos na neve e depois passaram horas maravilhosas juntos enquanto ele a ensinava a esquiar. Não. O cérebro dele tinha parado de funcionar desde o primeiro momento em que ele colocou as mãos nela e sentiu aquele suave perfume floral. E então ela pressionou seu corpo contra o dele e Noah perdeu o equilíbrio. Um ex-instrutor que não conseguia manter os esquis alinhados era um mistério. Cair tinha valido a pena... Muito a pena. Significava que ele tinha conseguido segurá-la. Conversado com ela. Rido com ela. E saboreado da sua incomparável beleza. Infelizmente, horas mais tarde, Colbie o deixou sozinho no topo da montanha. Querendo beijá-la, e rir com ela dentro e fora da cama, para descobrir tudo sobre ela, mas sabendo que isso jamais se tornaria realidade. Pois ele não tinha ideia nenhuma de como encontrá-la. Hoje no trabalho ele parecia um inútil, então pensou em jogar basquete com o amigo Rafe. Só que o jogo também não rendeu nada. Noah e Rafe estudaram juntos na Universidade de Washington, e, com o passar dos anos, a Maverick International, empresa para qual Noah trabalhava como vice-presidente de Negócios Jurídicos, contratou os serviços de Rafe várias vezes. Rafe era o melhor detetive particular de Seattle. Por que ele não tinha pensado nisso antes? — Preciso encontrá-la. Rafe arqueou as sobrancelhas. — Você não tem o telefone da garota? — Na verdade — Noah admitiu —, nem sei o nome completo dela.


Noah não podia culpar o amigo por rir dele ao perguntar: — Quanto tempo durou esse encontro, exatamente? Noah explicou ao amigo os detalhes sobre como tirou Colbie da neve, rolando parcialmente com ela montanha abaixo antes de ensiná-la a esquiar. — Só sei que o nome dela é Colbie e que ela esteve no hotel Heavenly Ski no fim de semana passado. Rafe lançou-lhe um olhar estranho. — Espere um minuto. Como é o nome dela mesmo? — Colbie. O amigo parecia estar pensando em algo. — O fato de Colbie ser um nome raro ajuda. Não pode haver muitas Colbies por aí. Suponho que você já tenha ligado para o hotel tentando obter alguma informação sobre ela. — Sim. Eles me disseram que não podiam dar os nomes dos hóspedes. Mas pode ser que eu não tenha feitos as perguntas certas às pessoas certas — Noah acrescentou, fazendo uma pausa em seguida. — Preciso que você faça isso por mim, Rafe. Preciso que você a encontre. Em vez de concordar prontamente, Rafe disse: — Não consigo parar de pensar: e se fosse a minha irmã que um cara estivesse tentando encontrar? E se ela não quisesse ser encontrada? — Então não vou incomodá-la — Noah prometeu. — Mas ela tinha alguma coisa especial, droga, e eu preciso pelo menos de mais uma chance de descobrir. — Certo — Rafe tirou o telefone da mochila e fez umas anotações. — Me descreva a aparência dela, a data e a hora em que você a encontrou. Vou ver o que posso fazer. *** Enquanto isso, do outro lado da cidade... Mia Sullivan abriu uma das últimas caixas do estoque inicial de Colbie e desembalou um lindo conjunto de lingerie de renda e seda francesa, emitindo um gemido que a maioria dos rapazes daria o braço esquerdo para ouvir. — Estes aqui vão vender rapidinho — Mia disse ao acariciar a seda supermacia. — Vou ter que esconder um conjunto para eu comprar. — Leve para você — disse Colbie do alto da escada, terminando de pendurar a cortina na frente do provador. — Considere como um pequeno agradecimento por tudo o que você fez para me ajudar com a loja. Colbie estava maravilhada com a rapidez com que tudo estava ficando pronto. Por outro lado, ela sonhou por tanto tempo com a Indulgência que sabia exatamente o que queria vender e como seria o


interior da loja. As portas seriam abertas no dia seguinte, que seria o Dia dos Namorados. Colbie esperava que fosse o momento exato para todos os homens de Seattle comprarem um presente de última hora para as mulheres das suas vidas. Ela gostava do significado do dia por outra razão também. Aquela loja era um presente para si mesma... e era uma prova de que ela não precisava de um homem em sua vida para ser feliz. Ela mesma podia se fazer feliz, caramba! Mesmo assim, no decorrer da semana anterior Colbie teve os sonhos mais sensuais possíveis. Noah, do Lago Tahoe, protagonizou cada um deles. Ela esperava que as horas intermináveis de trabalho na inauguração da loja a ajudassem a esquecê-lo. Mas não ajudaram. Na verdade, Noah não saiu de seus pensamentos o tempo todo. Da mesma forma que se esqueceu de ter medo no teleférico, agora Colbie se recusava a ter medo de ir até o fim. Quando ela abriu a caixa de livros sobre anjos, seu coração se apertou diante da lembrança dos anjos de neve que fizeram juntos. E, quando viu um casal de mãos dadas caminhando pela calçada, Colbie pensou na forma como ele segurou sua mão por um tempo... e como pareceu certo, mesmo com as luvas grossas. Ela suspirou, e Mia lhe lançou um olhar: — Ainda pensando no cara das montanhas, não é? Não havia motivo para fingir que não, não quando a amiga tinha visão laser para coisas desse tipo. Afinal de contas, não foi Mia que questionou as qualidades de cafajeste de Rob antes de Colbie pegá-lo no flagra com outra? O irmão de Mia, Rafe, podia ser detetive particular, mas não havia dúvida de que Mia sabia identificar as pessoas pelo que eram. Era isso que fazia dela uma corretora de imóveis tão boa; Mia tinha um jeito especial de encontrar compradores e vendedores com as características certas, mesmo quando eles juravam que estavam procurando algo inteiramente diferente. — Achei que dizer não a ele fosse a coisa certa a fazer — disse Colbie. — E talvez tenha sido mesmo. Mas nunca pensei duas vezes quando disse não a vários caras... até agora. Sim, Noah certamente causou uma impressão forte, mas como Colbie podia saber que o encontro com ele seria tão importante assim? Especialmente quando ainda estava tão magoada com a atitude de Rob. O ex não parecia ótimo quando se conheceram? E no final ele não tinha absolutamente nada de ótimo. Ao acordar no meio de mais uma noite de sonhos sensuais com Noah, com a pele sensível e superaquecida conforme os lençóis roçavam nela, Colbie se viu perguntando por que ficava comparando Rob com Noah. Claro que ela não conhecia Noah de fato além do calor de seus braços ao redor dela. E sua força e habilidade para segurá-la com firmeza mesmo quando ela fez os dois rolarem montanha abaixo. A preocupação dele com uma completa estranha quando Colbie caiu para evitar a colisão com a garotinha na neve. A paciência e o encorajamento ao ensiná-la a esquiar. Mas ela não sabia, havia mais tempo do que queria admitir a si mesma, que Rob não ia ser para


sempre? E ela não tinha ficado com ele simplesmente por medo da solidão? Sim, ela se magoou muito com a traição, mas quanto dessa mágoa tinha a ver com seu coração e quanto tinha a ver com o orgulho ferido? Subitamente, ela desejou poder voltar ao dia nas montanhas. Ela desejava ter sido corajosa o suficiente para aceitar mais do que uma oferta para aprender a esquiar de um homem pecaminosamente bonito, cujas batidas do coração fortes e firmes ela ainda conseguia sentir em sua face e em seus sonhos. — Por que ao menos não peguei o número de telefone dele? Mia guardou com todo o cuidado, em sua bolsa, a lingerie francesa embalada em papel de seda. — Você devia ligar para o Rafe. Aposto que ele consegue ajudar você a encontrar o cara. Colbie começou a rir, depois parou quando percebeu que a amiga estava falando sério. — Você acha mesmo que eu deveria contratar um detetive particular para encontrar um cara com quem passei algumas horas no Lago Tahoe? — Olha só — Mia disse, com uma expressão bem séria —, ouvi tudo o que você disse sobre não querer se distrair com um homem neste momento, mas eu e você sabemos que a sua loja vai ser um sucesso quer você esteja ou não namorando alguém. Eu acho que a verdadeira razão pela qual você dispensou o que parece ser um cara superlegal e gostosão tem a ver com o fato de o seu ex ter feito você perder a fé nos homens, em vez de deixar de acreditar apenas nele. — A expressão de Mia ficou mais séria ainda. — Rob não merecia você quando namoravam, e com certeza ele não merece arruinar seu próximo relacionamento também. Mia pegou o celular na bolsa, procurou o número entre os seus contatos e o colocou na orelha da amiga. Antes que Colbie pudesse impedir, ela já estava dizendo: — Oi, Rafe, Colbie precisa falar com você sobre uma coisa muito importante. Ela não teve escolha além de aceitar o telefone que Mia enfiou em sua mão. — Oi, Rafe. — Colbie, há quanto tempo! — Ela sabia que ele estava sorrindo, só pelo som da sua voz. — Como vão as coisas? Todos os irmãos de Mia eram bonitos e charmosos, mas ela sempre se sentiu mais à vontade com Rafe. O que era uma boa coisa, considerando o favor tão constrangedor que Mia queria pedir a ele. — Mia está me ajudando a preparar a loja para abrir amanhã cedo. Certo, ela disse a si mesma ao responder às perguntas dele sobre a loja, mesmo que Rafe realmente encontrasse Noah, não significava que ela tinha que se casar com ele. Ela podia apenas convidá-lo para sair, e, dependendo de como fosse, eles veriam se faria sentido sair novamente. Na verdade, não havia necessidade de ficar tão nervosa. Não se tratava de declarar um amor imortal nem nada do tipo. Além disso, considerando que Mia não iria sossegar enquanto Colbie não passasse por aquela


situação desagradável, ela sabia que a amiga estava apenas tentando cuidar dela, mesmo com métodos um tanto não convencionais. Colbie respirou fundo e foi em frente. — É o seguinte, Rafe. Eu queria saber se você poderia me ajudar a encontrar alguém. *** Uma hora depois… Mia ficou surpresa ao encontrar o irmão esperando do lado de fora da imobiliária quando voltou da loja de Colbie. Não que qualquer funcionária da Imobiliária Sullivan fosse se importar de entreter Rafe em sua ausência. Felizmente, o irmão sabia que ela o mataria se ele se atrevesse a olhar para qualquer uma de suas colaboradoras do jeito errado. Pelo que ela sabia, toda mulher em Seattle era um alvo legítimo, exceto as seis mulheres que trabalhavam para ela. — Que bom que está aqui — Mia disse quando finalmente se livrou da equipe e fechou a porta do escritório atrás dele. Ela entregou ao irmão um impresso colorido. — Encontrei o chalé de verão perfeito para você. — Não preciso de um chalé de verão — ele respondeu, mas, quando olhou para a foto do chalé e começou a ler, Mia sorriu e se sentou na cadeira para observá-lo. Quando eles eram crianças, seus pais alugavam um chalé à beira de um lago em Cascades todo verão. Todos se divertiam muito nadando, pescando e fazendo caminhadas, mas Rafe amava mais que todos eles. Claro, Mia pensou, Rafe pode não precisar de um chalé de verão, mas isso não significava que sua vida não seria melhor se ele tivesse um. Ele enfiou o papel no bolso antes de se sentar no sofá de couro. — Tenho uma história engraçada para te contar — ele disse. — Lembra daquele cara que fez faculdade comigo? Aquele por quem você ficou babando quando estava no ensino médio e ele foi nos visitar? Ele trabalha para o Grupo Maverick agora. Mia pensou por um segundo antes de estalar os dedos. — Como é que eu podia me esquecer do Noah? — Ela deixou escapar um suspiro de admiração. — Alto. Moreno. Lindo. — Ela balançou a cabeça. — Sempre achei uma pena ele não se interessar por meninas de quinze anos. — Eu o teria matado — Rafe resmungou, antes de continuar. — Ele me contratou para encontrar uma garota que conheceu no Lago Tahoe. Mia arregalou os olhos. — Não creio! Ele é o cara que Colbie dispensou no topo da montanha? Rafe sorriu. — E agora ela me contratou para encontrá-lo também. Já era hora de eu ter um caso fácil como esse. Mia sorriu também. O brilho travesso em seus olhos combinava perfeitamente com o do irmão.


— Amanhã é Dia dos Namorados, não é? Ele arqueou a sobrancelha. — E? — Que tal se, em vez de ligar para ele com a informação, a gente se divertir um pouco com isso? Eu acho que tenho o plano perfeito...


CAPÍTULO CINCO 14 de fevereiro, Dia dos Namorados Às 19h15, uma hora e quinze minutos depois do horário em que já deveria ter fechado a loja, Colbie registrou um belo par de brincos feitos à mão para um homem que parecia extremamente aliviado. Quando se despediu e finalmente trancou a porta, ela se recostou no vidro. Seus pés a estavam matando e ela estava mais do que exausta, mas não conseguia parar de sorrir. Tinha sido o melhor dia da sua vida. As amigas foram as primeiras a visitar a loja, e ela ficou tocada com a doçura da visita de todas elas. Até mesmo os antigos colegas de trabalho vieram ver como era a Indulgência. Vários deles compraram presentes para a namorada ou esposa. Só isso seria bom o suficiente para deixar o seu primeiro dia excelente. Mas as amigas foram além e contaram às amigas delas sobre a loja. E, claro, Mia passou metade do dia no Twitter e no Facebook contando para todo mundo do planeta sobre a nova loja, que eles simplesmente precisavam conhecer. Ela mal teve chance de pensar em Noah o dia todo. Ou de imaginar se Rafe tinha feito algum progresso para encontrá-lo. Ou de sonhar acordada sobre como pareceu certo quando os braços dele estavam ao redor dos dela... Colbie teve que rir de si mesma ao pegar a bolsa e apagar as luzes. Mia estava esperando por ela no novo bar sofisticado no final da rua para comemorar, então, em vez de arrumar tudo na loja, ela entraria mais cedo na manhã seguinte para organizar o estoque. Ao sair pela porta dos fundos e sentir a noite fria e úmida de Seattle, ela respirou fundo. Adorava o Noroeste Pacífico, e, mesmo quando a corrente firme de dias nublados a fazia rezar por fendas de céu azul, ela não conseguia se imaginar vivendo em outro lugar. Havia corações vermelhos e cor-de-rosa colados na frente de todas as lojas em homenagem ao Dia dos Namorados. Ano passado ela tinha comemorado com Rob em um restaurante caro com uma comida muito sofisticada para o gosto dela. Claro que o ex tinha adorado, pois era o lugar mais chique da cidade. Se ao menos naquela época ela soubesse o que sabia agora, jamais teria perdido seu tempo com ele. Largar o emprego foi um risco. Abrir a loja foi um risco. E as duas coisas valeram muito a pena. Pedir a Rafe para encontrar Noah foi um risco também, mas, se as coisas continuassem indo bem assim, Colbie estava começando a se sentir muito confiante em relação a suas chances... *** Noah Bryant soltou a gravata e se acomodou em uma das cadeiras do saguão do bar para esperar Rafe. Surpreso ao receber a mensagem de texto pedindo para se encontrarem naquela noite, Noah não conseguiu contato com o amigo o dia todo para descobrir o que ele estava aprontando, mas, como


esperava receber boas notícias sobre Colbie, imediatamente concordou. Noah teve uma semana agitada no escritório de Seattle, com o fechamento de uma grande transação na qual vinha trabalhando havia meses. Mesmo assim, não estava satisfeito. Não conseguia parar de pensar em Colbie... e de imaginar se algum dia a veria novamente. Se Rafe não tivesse conseguido encontrar Colbie ainda, Noah ia finalmente fazer o que deveria ter feito uma semana antes: ia ligar para todo maldito número no Lago Tahoe, sem se importar com o tempo que levaria para encontrá-la. E então ele ia se empenhar muito mais do que na semana passada em convencê-la a lhe dar uma chance. Tantas coisas em relação a ela ressoaram com ele naqueles primeiros minutos que passaram juntos. O choque da pura atração física. O fato de ela ter exatamente a aparência, o toque e o perfume do seu tipo ideal de mulher. E, o mais importante, Colbie tentou ajudar uma criancinha que pensou estar em perigo, mesmo quando ajudar alguém significava meter-se em encrenca. Ela rolou a montanha nos braços de um estranho e estava muito mais preocupada com o fato de tê-lo machucado do que com as próprias contusões. Os pais de Noah tinham um relacionamento bom, de muito amor. Questões de bagagem anterior e compromisso não eram a razão pela qual ele ainda não tinha se casado e iniciado uma família. Ele simplesmente não tinha encontrado a mulher certa ainda. No entanto, depois de alguns minutos no Lago Tahoe, ele já não sabia que estava olhando para uma mulher por quem podia se apaixonar? Sua alma já não teria reconhecido sua outra metade... mesmo quando o intelecto tentava fazê-lo ver as coisas de forma racional? O telefone vibrou com uma nova mensagem. Ele viu o nome Rafe e imaginou que estivesse avisando que estava atrasado. Mas não era isso o que a mensagem dizia. Eu a encontrei. Aleluia! Noah queria gritar e socar o ar. Onde ela está? A resposta de Rafe veio um pouco depois. No bar. Noah piscou forte uma vez, duas vezes, três vezes antes de acreditar. Nesse ponto, ele se levantou tão rapidamente que derrubou a bebida. Mas não parou para levantá-la. Não. Ele estava ocupado demais analisando todos os rostos no local para se importar com a cerveja que pingava em seus sapatos. E então ele a viu. Ela estava em pé, no bar, com uma amiga. Uma amiga que estava apontando diretamente para ele. Meu Deus, ele pensou, da mesma forma que pensou no alto do Lago Tahoe, ela realmente é a mulher mais bonita que ele já tinha visto. E tão doce, de dentro para fora, que até fazia seu peito doer só de olhar.


Noah não era o tipo de pessoa que tinha uma lista de requisitos a serem preenchidos. As ideias vinham quando chegava a hora, os negócios fluíam quando tinham que acontecer, e ele sempre soube que a esposa e a família viriam quando tivessem que vir. Agora. Ele a queria agora. Ele caminhou rapidamente pela multidão na direção dela e ela o encarou como se não acreditasse nos próprios olhos. — Noah? Revê-la e ouvir seu nome naqueles lábios maravilhosos o deixou instantaneamente excitado de uma forma como nunca esteve. Mas não era só o seu corpo que reagia a ela. Dessa vez ele estava inteiramente atraído, de corpo e alma. Ele tinha aprendido a lição no Lago Tahoe, sabendo como foi ruim perdê-la uma vez. Não a perderia novamente. — Colbie. — O nome dela era uma carícia em seus lábios quando ele sorriu para o rosto da jovem. — Pensei em você a semana toda. E agora... — Ele não conseguia não tocá-la, não conseguia não roçar os dedos na pele macia de sua face levemente corada —, aí está você. Meu desejo foi realizado. — Também pensei em você. — Ela desviou o olhar por um momento, como se estivesse constrangida. — Mais do que eu deveria. Eles estavam em pé no meio do bar lotado em uma das noites mais agitadas do ano, mas tudo o que ele via era Colbie, e tudo o que ouvia era a respiração rápida dela enquanto a multidão os empurrava um para os braços do outro. Até que sua amiga disse: — É bom vê-lo de novo, Noah. Ele foi duramente pressionado a desviar o olhar de Colbie, mas, quando o fez, finalmente reconheceu a amiga dela. — Mia Sullivan? — Fico feliz que se lembre — Mia disse com um sorriso. — Não tenho mais quinze anos, mas é óbvio que você já está comprometido, então falo com você depois. Ah, o Rafe pediu para dizer aos dois que desta vez é por conta da casa. — Os olhos dela brilhavam pela travessura. — Divirtam-se. Ela desapareceu no meio da multidão e então Noah estava novamente sozinho com Colbie. — Você conhece o Rafe? — ela perguntou. — Ele foi meu colega de quarto na faculdade — Noah explicou. — E você... — Praticamente fui criada na casa dos Sullivans. — Pedi para ele procurar você — ele contou.


— Eu também — ela admitiu. Ele balançou a cabeça negativamente. — Não entendo. Por que você me deixou no Lago Tahoe sem nenhuma informação para que eu pudesse encontrá-la? Ela parecia incerta por um longo momento. Finalmente, admitiu: — Estava com medo... — ela mordeu os lábios — ... de todas as coisas que você estava me fazendo sentir, muito embora tivéssemos acabado de nos conhecer. Dava para ver que foi um grande sacrifício para ela admitir aquilo, e ele ficava feliz em saber que Colbie estava tentando confiar nele. Pelo menos um pouco. — Me diga, Colbie. Me diga o que eu fiz você sentir. — As mesmas coisas que está me fazendo sentir agora — ela disse com uma voz suave que ele teve que se aproximar para ouvir. Ele foi envolvido pelo perfume dela. Ele queria respirar tudo o que ela exalava em todo lugar, queria saber o gosto da pele dela em todos esses mesmos lugares. — Tipo: o meu coração está batendo fora do peito só pelo fato de você estar aqui. Noah sabia que Colbie estava sendo honesta, mas, ao mesmo tempo, dava para ver que tinha medo. Ainda nervosa por estar com ele. Ele queria não somente conhecer todos os seus desejos secretos, seus prazeres secretos... Ele queria saber o segredo do seu coração. — Não saia correndo novamente, Colbie. — Ele sorriu. — Não tenho certeza se o Rafe estaria disponível para nos ajudar uma segunda vez. Conforme a hesitação dela dava lugar a um sorriso, sua respiração ficou presa na garganta. Bonita nem começava a descrever a mulher que estava na frente dele. Impressionante também não. Ela era perfeita. — Encontrá-la novamente prova o que eu sei desde o momento em que a vi. — Ele acariciou seu rosto novamente, fazendo uma pausa com a mão apenas para apoiá-la em seu queixo, adorando a ansiedade em seu olhar, a forma como ela estava implorando para que ele a beijasse. — O que você sabia? — ela perguntou, quase sussurrando. — Que éramos perfeitos um para o outro. — Ele se aproximou, perto o suficiente para que pudesse beijá-la. Em vez disso, ele disse: — E que pertencemos um ao outro. Quase dava para sentir a doçura dos lábios dela. Noah estava prestes a trazer suas curvas suaves contra o corpo dele quando uma sombra de dúvida surgiu nos olhos de Colbie no último segundo e ela se afastou. Da mesma forma que tinha feito nas montanhas de esqui, antes de deixá-lo. Noah a viu forçar uma risada, como se ele estivesse brincando com o fato de serem almas gêmeas. — Nunca ouvi uma cantada como essa antes. Funciona mesmo? Ela estava claramente forçando a barra, tentando descobrir se ele iria embora dessa vez. Mas ele


não iria a lugar algum. — Não sei — ele disse com doçura. — Eu nunca disse isso a ninguém antes. Ele a ouviu ficar sem ar, observou seu rosto enrubescer de forma mais profunda. — Mas a gente mal se conhece. Noah queria descobrir quem havia colocado aquele medo nos olhos dela. Ele não iria somente matar o infeliz como iria passar o resto da vida se certificando de que ela nunca mais seria magoada novamente. — E se eu provar para você que é verdade? O interesse brilhou no meio das palavras desafiadoras dele, mas com a mesma rapidez o medo voltou. — Como é que você vai fazer isso? — Você me deu um dia perfeito no Lago Tahoe. Agora eu quero uma noite. — Ele se aproximou novamente e pegou uma das mãos trêmulas dela entre as dele. — Uma noite com você. — Ele entrelaçou seus dedos aos dela e ela parou de tremer quando ele a abraçou firme. — Uma noite para amar você como você sempre quis ser amada. — Ele abaixou a cabeça para sussurrar em seus ouvidos. — Uma noite perfeita para fazer todos os seus desejos secretos e sonhos se tornarem realidade. Quando ele a afastou de leve para analisar sua reação, conseguiu ver que a base do pescoço de Colbie pulsava com força debaixo da pele suave e macia. Ela balançou a cabeça, o desejo agora lutando contra o medo em seus belos olhos azuis. — Você conseguiria fazer tudo isso em apenas uma noite? Noah sempre seguiu seus instintos em relação à família, amigos ou trabalho. E, naquele momento, os instintos estavam lhe pedindo para parar de pensar, parar de falar, parar de tentar convencer Colbie de suas intenções... e simplesmente fazer. Segurando o rosto dela com carinho com a mão que estava livre, sentindo a pele tão macia debaixo de sua palma, o calor de sua pele o queimando, ele inclinou o rosto dela e sussurrou: — Sim — um pouco antes de cobrir a boca de Colbie com a sua.


CAPÍTULO SEIS Noah a beijou da forma como ela sempre quis ser beijada. Com paixão. Com um propósito obscuro e pecaminoso. E com a emoção mais doce que ela jamais imaginou ser possível. Embora fosse o primeiro beijo deles, Noah não estava com medo de enfiar a língua entre os dentes dela, e a sua ousadia dava a Colbie coragem para agarrar o que ela queria. Ele. Suas línguas dançavam, unindo-se de forma tão incrível que ela não só sentiu o peito aquecido como todo o seu corpo. Era sensacional estar com um homem que não estava preocupado em ir rápido demais ou devagar demais, que só estava fazendo amor com a boca. Ele guiava a dança dos dois, e, embora Colbie estivesse mais do que feliz em segui-lo para onde quer que os levasse, ela também o estava saboreando. Conhecendo os cantos onde os lábios dele se juntavam com a ponta da língua, gentilmente mordendo o lábio inferior entre os dentes e sugando-o. Um gemido de prazer vibrou do peito dele ao dela, e Colbie estava impotente contra o desejo de pressionar os seios contra o tórax rígido dele. O gemido dele transformou-se em um murmúrio de desejo, e então a mão de Noah passou do rosto para os cabelos de Colbie conforme ele inclinava a cabeça dela a fim de conseguir um acesso melhor a sua boca. Noah não perguntou o que ela queria. Ele não parou para perguntar se o momento estava bom. Ele simplesmente deu prazer a Colbie, sabendo exatamente o que ela queria sem que ela precisasse explicar. E a verdade era que estar em um bar lotado enquanto um homem lindo a beijava de forma irracional era exatamente a fantasia que ela queria que se tornasse realidade. — Venha para minha casa comigo, Colbie. Já sentindo falta do beijo dele, em vez de responder ao seu pedido, ela colocou as mãos em cada lado do rosto dele e trouxe sua boca para mais perto. Dessa vez, era ela quem o beijava como se sua vida dependesse daquilo. Quando eles finalmente se soltaram um do outro, ele perguntou: — Isso é um sim? Ela nunca quis tanto responder sim para uma pergunta quanto queria para aquela. Mas a mágoa e o medo de se machucar de novo complicavam as coisas, e era isso que a estava prendendo. Complicava tanto que nem mesmo os beijos de Noah conseguiam acabar totalmente com isso. — Você tem tanta certeza — ela disse. — Tanta segurança. Mas e se uma noite acabar se transformando em um erro? Outro homem poderia ter ficado frustrado, poderia ter tentado sair correndo do bar para casa para que eles pudessem se livrar das roupas, indo direto ao que interessava. Noah simplesmente a


acariciou com doçura, suas mãos ainda nos cabelos dela, e perguntou: — Lembra do que eu disse nas montanhas de esqui? Claro que ela se lembrava. Ela não tinha conseguido se esquecer de parte alguma do dia maravilhoso que eles compartilharam no Lago Tahoe. Ela assentiu, e ele disse: — Então me conte. O carinho, tão puro e doce, aquecendo-a em lugares que havia tanto tempo estavam frios. Ao mesmo tempo, os olhos dele estavam negros de desejo. Era uma combinação que fazia seus joelhos derreterem e sua cabeça girar. Chegava a hora. O momento da verdade. Será que ela seria corajosa o suficiente ou seria atormentada por sonhos pecaminosos por nunca ter ido adiante? Pelo resto da vida ela ia se arrepender de ter deixado Noah naquele bar, só porque não havia garantias de que tudo ia dar certo e de que eles iriam ser felizes para sempre? Especialmente quando o olhar travesso de Noah a fazia se sentir mais viva do que qualquer outro momento na vida? — Você me disse que eu só precisava ouvir o meu corpo. E que você iria me ensinar. — Ela passou a língua nos lábios, e seu olhar seguiu o percurso da língua, fazendo seus lábios formigarem como se ele a tivesse beijado. — E então você me pediu para pegar suas mãos, fechar os olhos... e confiar em você. Ele pediu a ela uma noite juntos no Lago Tahoe, mas ela ficou com medo do que estava sentindo e não ousou aceitar. Agora, quando ele deu um passo para trás, depois esticou as mãos para ela da mesma forma que fez nas montanhas, ela fez a sua escolha de olhos bem abertos... e deu as mãos para ele. *** Colbie não fazia ideia dos bairros de Seattle pelos quais eles haviam passado no caminho para chegar à casa de Noah. Ela não conseguia pensar em nada a não ser sua mão que ele colocou na saia dela, sobre a sua coxa. Apesar de Noah não estar tocando sua pele nua, de não a estar beijando, não estar dizendo nenhuma coisa doce e pecaminosa para ela no momento, seus hormônios estavam a todo vapor, como se Noah estivesse fazendo todas essas coisas ao mesmo tempo. Enquanto ele dirigia com cuidado na estrada molhada e escorregadia, Colbie aproveitou para examiná-lo. A barba fina no queixo. A pequena cicatriz acima da sobrancelha direita. Os cabelos negros na altura do colarinho. Tudo nele era a pura perfeição masculina. E ela não conseguia acreditar que iria beijá-lo e tocar cada centímetro dele em breve. — Fique olhando para mim assim e pode ser que a gente nem consiga chegar à minha casa. — O prazer iluminava suas veias. Ela costumava sonhar com alguém que a quisesse dessa forma... até quase ter desistido de sonhar. No entanto, quando ele entrou na garagem, o peso no estômago de Colbie, que havia sumido quando ela estava nos braços dele, voltou quase inteiramente. Ela virou o rosto para Noah, sem


querer que ele a visse hesitando novamente. Colbie já podia adivinhar que Noah não era um homem que voltava atrás em suas decisões, apesar dos riscos. — Colbie? Só um covarde continuaria a olhar pela janela. Ela foi covarde no Lago Tahoe. E para onde isso a levou? Destruída e com sonhos desesperados com o homem que achou que jamais fosse encontrar novamente. Ela virou o rosto para Noah assim que ele disse: — Eu jamais faria qualquer coisa para magoar você. Você acredita em mim? Há algumas semanas, Colbie tinha jurado nunca mais confiar em outro homem enquanto vivesse. Não com seu corpo. E definitivamente não com o seu coração. É por isso que ela tinha que ser honesta com Noah, independentemente do quanto o desejasse... e apesar de já ter prometido a noite a ele. — Eu não conheço você. E, como eu fui traída por um homem que pensei conhecer tão bem, tenho que perguntar a mim mesma: como posso confiar em você? Noah respondeu pegando na mão dela e a colocando sobre seu coração, cobrindo-a com a dele. — A resposta está bem aqui. — Ele moveu a mão de Colbie contra o peito dele, pressionando a palma dela sobre a dele. — E aqui. — Ele fez uma pausa, deixando-a sentir a batida forte e estável do coração de Noah. — É isso o que vamos ouvir na noite de hoje. Colbie achou que ele iria beijá-la novamente para provar seu ponto de vista, mas ele não fez isso. Noah simplesmente deslizou a mão pelo rosto dela e disse: — Vamos entrar para que possamos nos conhecer melhor. — O olhar dele escureceu novamente, aquecendo o carro em pelo menos dez graus — Antes que eu arranque suas roupas. Ela conseguiria sair do carro depois do que ele disse? Felizmente, ele deu a volta para vir pegar na mão dela, então não importava se suas pernas estavam bambas como nunca. Colbie se perguntou quando foi a última vez que um homem tinha feito algo tão simples e tão gentil assim. Uma cortesia corriqueira que significava tanto. Um pouco mais tarde, ele a levava para o interior de sua casa surpreendente, com uma vista maravilhosa da enseada de Puget. — Noah, sua casa é maravilhosa. Apesar das janelas enormes, era quente e aconchegante. Não se parecia com uma enorme caixa elegante construída para maximizar a vista em vez de proporcionar conforto. Ela conseguia facilmente se ver morando naquela casa, preparando o jantar na enorme cozinha, aninhando-se debaixo de um cobertor para ler no sofá. — Eu pedi ao meu arquiteto um lugar onde pudesse constituir uma família. Embora Colbie tivesse somente uma vaga ideia de quanto custaria uma casa de frente para o lago como aquela, o número devia ter muito mais zeros do que ela jamais tinha visto.


Lentamente, ela se virou para ele: — Eu deveria saber quem você é? Ele a trouxe para perto de si quando sua risada quente preencheu todos os lugares vazios: — Minha irmã diria a você para não fazer nenhum favor ao meu ego. Ah, Colbie adorou ouvi-lo rir. Havia tanto calor na alegria dele. Tanto prazer também. Ela já se via querendo mais do que uma noite. Ela queria ouvir o riso dele enquanto andavam de bicicleta ao redor do lago... ou enquanto rolavam na cama, fazendo cócegas e provocando um ao outro. Ela já o queria, mas, embora a semana de espera tivesse sido longa demais, agora ela queria conhecê-lo também. Mesmo que isso significasse ter que esperar um pouco mais por outro beijo. — Me fale sobre a sua família, Noah. Ele foi para a cozinha e pegou uma garrafa de cabernet. Era o que ela estava bebendo no bar, e Colbie se perguntou como ele teve tempo de notar o que havia em seu copo. Se bem que ele presta atenção em tudo, não é mesmo? Ele serviu dois copos e os levou para onde Colbie estava, ainda em pé ao lado da janela que ia do teto ao chão. Ela pegou o copo quando se sentaram no sofá. — Meus pais são ótimos. Estão casados há trinta e cinco anos e ainda moram em São Francisco, onde eu fui criado. Minha irmã Barbara ainda mora aqui. Ela é dois anos mais velha que eu e costumava me dar as maiores surras quando éramos crianças. Noah tinha pelo menos um metro e oitenta e sete de altura. Seus ombros eram largos e seus braços, obviamente musculosos, mesmo debaixo da camisa. — Não consigo imaginar ninguém capaz de dar uma surra em você — Colbie disse. — Quando você encontrar minha irmã e vir que ela mal tem um metro e meio, vai pensar que eu estava brincando — ele respondeu com um sorriso que desarma —, mas eu a chamava de Assassina quando éramos crianças. Ele estava fazendo aquilo de novo, falando com ela como se eles não fossem passar apenas uma noite juntos. Não se você encontrar a minha irmã. Quando. Seu peito enchia-se de esperança, e, embora ela soubesse que era mais inteligente baixar a guarda para se proteger, não queria se forçar a recuar dessa vez. Apesar de aceitar a ideia de passar uma noite com muito medo, ela queria simplesmente fechar os olhos e cair nos braços ansiosos de Noah. Como ele lhe pedira para fazer na montanha no Lago Tahoe, ela queria fechá-los e apenas sentir. — O que mais você quer saber? — ele perguntou, e ela nem pensou antes de responder. — Tudo. — Também quero conhecer tudo sobre você — ele concordou —, mas primeiro quero isto. Sua boca estava na dela antes que Colbie pudesse respirar novamente, forçando-a a usar o ar dele então. Cada beijo que ele lhe dava a afastava mais da obscuridade deixada pelo ex e a enchia de faíscas como o brilho das estrelas do lado de fora da janela da sala de estar, até ela sentir como se


estivesse reluzindo de forma tão bela quanto a lua na enseada. E então Colbie só tinha atenção para a forma como os lábios dele saboreavam os dela, como sua língua lentamente sentia seus lábios de canto a canto, antes de penetrar profundamente em sua boca mais uma vez. Quando ele finalmente se afastou e começou a falar novamente, foi preciso um bom tempo para as sinapses voltarem a ser feitas. — Espere — ela disse ao passar a ponta dos dedos sobre os lábios, que formigavam. — Não entendi nada do que você disse. Pode começar de novo? — Rindo, ele inclinou a cabeça para beijála novamente, mas ela reclamou: — Se você continuar fazendo isso, nunca vou conseguir me concentrar no que você está dizendo e vamos ficar aqui no sofá a noite toda. — Nesse caso, vamos ter que fazer isso de forma mais rápida — ele respondeu, ao encará-la com olhos famintos. — Tenho trinta e três anos de idade. Trabalho para o Grupo Maverick aqui em Seattle. Jogo basquete algumas vezes por semana e você já sabe que eu amo esquiar. E recentemente descobri que tenho uma enorme queda por morenas bonitas de olhos azuis. Sua vez agora. Ela estava tão ansiosa quanto ele para iniciar a parte do “fazer amor” da noite, então não perdeu muito mais tempo que ele. — Tenho trinta anos. Trabalhava em uma empresa de jogos, mas recentemente saí do emprego para abrir minha própria loja na Lake Street, no centro da cidade, em Kirkland. Chama-se Indulgência. — Gostei do nome — ele disse ao passar as mãos pelo cabelo dela, apoiando-as na nuca. Pareceu tão bom ser abraçada por ele daquela forma, e também poder dizer a ele: — Hoje foi o meu primeiro dia como empresária. — Ela não conseguiria conter o sorriso nem se tentasse. — E foi surpreendentemente bom. — Claro que foi — ele disse como se o primeiro dia dela não pudesse ter sido de outra forma. Ela estava tão tentada a beijá-lo novamente, mas primeiro queria acrescentar. — Apesar de ser muito melhor patinadora do que esquiadora, a natação é o meu esporte preferido. E... — Ela fez uma pausa para pressionar a mão no rosto dele, adorando a forma como a barba áspera arranhava sua pele. — E? Ela se aproximou. — E recentemente descobri que tenho uma enorme queda por instrutores de esqui de olhos verdes. Suas bocas se encontraram novamente, mais uma exploração faminta de desejo que lhe dizia tanto sobre Noah quanto qualquer coisa que ele houvesse dito. A boca dele era ao mesmo tempo brusca e gentil, e Noah dava pelo menos tanto quanto pedia. Ele sabia o que queria de Colbie, e ela sabia que ele tinha a intenção de conseguir, mesmo assim ela conseguia sentir que ele estava se controlando... até saber que ele estava pronto para se descontrolar. Qualquer outro cara a teria levado para o quarto na hora em que se separassem, mas, quando ele passou a ponta do polegar pelos lábios dela e perguntou: — E a sua família? —, ela ficou surpresa


ao perceber que ele realmente disse a verdade quando falou que queria conhecê-la melhor antes de fazer amor com ela. Ele ainda era o homem mais bonito que ela já tinha visto tão de perto e pessoalmente, mas, agora que Colbie tinha tido a chance de passar um pouco de tempo com ele, viu mais do que apenas beleza. Ela viu força — e doçura — em sua essência. — Eu desejei muito uma irmã ou irmão — ela se ouviu contando —, mas meus pais se separaram quando eu era bem pequena. Cresci apenas com minha mãe. — Ela se casou de novo? — Depois que meu pai a abandonou, acho que ela não confiou mais em ninguém. Ela teve alguns namorados, mas, assim que as coisas ficavam sérias, ela sempre terminava. — Antes que eles pudessem magoá-la de uma forma ou de outra — ele concluiu com uma percepção imediata. Ela nunca tinha contado aquilo para ninguém, nem mesmo para Mia. Colbie se perguntava se era natural se abrir com Noah daquele jeito. — Sim — ela disse suavemente. — Ela me instruiu a tomar cuidado ao entregar meu coração para alguém. — Tenho certeza de que ela pensou estar fazendo o melhor para sua filha, não é mesmo? Ela ouviu o que ele não estava dizendo: que sua mãe, de forma não intencional, desviou seu caminho. — Mas ela tinha razão. A única vez que baixei minha guarda, eu... — Ela balançou a cabeça. — Eu devia ter sabido que não valia a pena. — Quem magoou você, Colbie? Ela balançou a cabeça negativamente, odiando a forma como sua boca começava a se curvar nos cantos. — Namorávamos havia quase um ano. — Ela não queria dizer o nome dele em voz alta, não queria deixar que parte alguma da lembrança de Rob arruinasse aquela noite. — Eu o peguei na cama com uma colega de trabalho dele. — Ela achou que a mulher fosse uma amiga, mas estava enganada sobre os dois. — Sabe por que sinto tanta raiva? Não porque ele me traiu, mas porque eu já sabia que ele não era o homem certo para mim. Eu devia ter tido coragem de terminar antes da traição. A raiva se mexia pelo rosto de Noah. — Seu ex-namorado era um idiota. Como ele não percebeu o que tinha? — Ele a trouxe para mais perto, de uma forma tão carinhosa e ao mesmo tempo tão forte. — Jamais vou querer magoá-la, Colbie. — Ele fez a promessa com uma voz tão profunda que lançou chamas pelo seu corpo todo até parar bem no meio do seu coração. — Sabe o que vou fazer em vez disso? Ai, meu Deus. Ela quase não ousava perguntar: — O quê? — Vou amar você.


— Sim — ela sussurrou, perguntando-se quando seria capaz de recuperar o fôlego novamente. — Faça amor comigo, Noah. Por favor, não consigo mais esperar.


CAPÍTULO SETE Quando Colbie ergueu a boca para a de Noah e o beijou, a dor dentro dos dois tornou-se mais profunda… abrindo caminho para o maior prazer que já tinham conhecido. Ele a envolveu em seus braços, quase incapaz de acreditar que finalmente iria tirar suas roupas, tocar sua pele macia, conhecer cada centímetro de sua beleza. Mesmo enquanto a segurava nos braços e beijava seus lábios, seu corpo ansiava pelo dela. Quando finalmente a levou para o quarto, deixando as curvas de Colbie deslizarem lentamente sobre seus músculos até os pés dela tocarem o chão, Noah colocou as mãos em cada um dos lados do rosto dela e a encarou. Seu peito ficou bem apertado diante da profundidade da beleza da jovem. Olhar para ela, sem ainda tocar em nada além de seu rosto, fazia com que ele ofegasse. — Sinto que esperei por você a vida toda — ele disse um pouco antes de finalmente ceder à necessidade de tê-la, à voracidade que o consumia desde o primeiro momento em que a abraçou na neve no Lago Tahoe. Ele beijou toda a extensão da sua boca, do rosto e da maravilhosa curva do pescoço. Ela tinha aroma de chuva, de vinho tinto, de mulher, e a cabeça dele girava de desejo por ela. Talvez, se ele fosse um homem melhor, ele conseguisse ter se controlado por mais tempo, poderia ter sido mais paciente, poderia ter dado a ela mais razões para confiar nele. Mas, naquele momento, tudo o que importava era fazer com que Colbie fosse sua. Noah moveu as mãos para os ombros dela e as deslizou sobre a camisa de seda até encontrar três pequenos botões atrás do pescoço. Ele os abriu. Um pouco depois, ela ergueu os braços para que Noah pudesse tirar sua camisa pela cabeça. Cada centímetro de sua pele revelada tinha que ser coberta com a boca de Noah conforme ele lentamente tirava a blusa e descobria os lugares que a faziam ofegar de prazer: a parte superior dos seios, o recuo do umbigo, a concavidade dos ombros. Ele se prolongou aqui e ali para agradar aos dois. Quando ele finalmente deixou a camisa cair no chão e elevou a boca em sua pele, a respiração ficou presa na garganta. Ela usava um sutiã de renda e seda cor-de-rosa tão fino que quase parecia translúcido. Ele não queria tirá-lo: queria memorizar sua beleza... mas a necessidade primária o impulsionava a arrancar as roupas dele também. Ele abaixou a cabeça e deslizou a língua pela pele de Colbie. Quando ela gemeu e se arqueou para Noah, com as mãos entrelaçadas ao cabelo dele para segurá-lo bem perto, ele teve que fechar os lábios sobre os mamilos dela por causa do próprio gemido. Ela se movia contra o corpo dele, mulher puramente sensual, e ele apreciava o som da respiração ofegante, a forma como ela tremia de necessidade. Incapaz de resistir, ele abaixou o bojo do sutiã de forma mais brusca. Passara a semana toda desejando aquele momento. O simples olhar para ela daquele jeito fazia Noah se esquecer de qualquer mulher com quem já tivesse ficado. A pele de Colbie estava levemente enrubescida, e os seios fartos e rosados acenavam para ele. Noah os pegou com as mãos grandes, acariciando a pele macia reverentemente... até que a


fome voraz e ilimitada por ela o dominou novamente. Com um puxão ríspido no tecido delicado, ele tirou o sutiã completamente, jogando-o no chão. Abaixou a boca para ela novamente, só que dessa vez não havia seda nem renda entre eles enquanto a excitava, e excitava a si mesmo, com longas carícias com a língua, mordiscando suavemente a pele sensível. Noah a queria com tanta força, ele a queria de uma forma que extrapolava o desejo, e isso só podia ter um significado. Ele estava se apaixonando loucamente, tinha começado a se apaixonar no segundo em que ergueu sua cabeça na neve no Lago Tahoe e olhou em seus olhos. Um olhar foi tudo o que foi preciso não apenas para ver como ela era bonita, mas também como era doce. Com as mãos, ele segurou os seios extraordinários. Ela arqueou o corpo para suas mãos e boca, e ele não conseguiu abafar um gemido de prazer. Noah afastou a boca para segurar os mamilos intumescidos com as mãos. Mal podia esperar pelas outras noites em que passaria horas em seus seios. Ele iria saboreá-la e excitá-la com os lábios, a boca e os seios, e então poderia controlar a voracidade por tempo suficiente para brincar. Quando ela suspirou: — Adoro a forma como você me toca —, ele sabia que saboreá-la, excitá-la e provocá-la até que ela implorasse para ser solta teria que esperar. As curvas glamourosas o deixavam louco mesmo nas montanhas de esqui, quando eles caíram e ele a segurou contra o seu corpo para mantê-la segura. Noah não era um homem que gostava de quadris. Não era um homem que gostava de seios. Não era um homem que gostava de pernas. Era um homem que gostava de tudo. Com os lábios e as mãos, ele acariciou cada centímetro da pele dela enquanto a despia, abaixando o zíper da saia para que ela também caísse no chão do quarto junto com a blusa. — Você parece um anjo — ele disse quando ela ficou na frente dele usando nada além da calcinha mais sensual que ele já vira. — Um anjo levado. — Eu estava usando a mesma coisa quando fizemos anjos na neve — ela revelou —, por baixo das roupas de esqui. — Se eu soubesse... — Ele a levou para a cama e a deitou nela. O cabelo de Colbie se espalhou pelo travesseiro, com o corpo voluptuoso, a pele macia; era a realização de todos os seus sonhos. — ... eu jamais a teria deixado ir. *** Colbie sabia que seu corpo não era perfeito. Os quadris eram largos demais. As pernas jamais seriam longas e magras como as de uma modelo. Mas ela também sabia reagir ao toque de um homem. E ela sabia quanto desejo havia nos olhos de Noah sempre que ele olhava para ela. O desejo exalava dele de forma tão poderosa que o calor fluía por toda a pele de Colbie. Desde aquele primeiro momento na encosta, ele tinha olhado para ela daquela forma. Ele a


desejava de qualquer jeito, quer estivesse coberta ou quase nua, de calcinha e sapatos altos. Pela primeira vez na vida, ela se sentia absolutamente perfeita. Tão bonita quanto ele repetidamente dizia que ela era. Colbie não sabia quanto tempo ele simplesmente ficou olhando antes de finalmente tocá-la. Mas, o que quer que ela esperasse dele, não era esse movimento lento das mãos em seu rosto, a ponta dos dedos acariciando a curva de suas sobrancelhas, o arco das bochechas, a protuberância do queixo. E, depois, pela nuca até a curva dos ombros, a maciez dos seios, os ossos das costelas, até chegar à extensão da barriga e dos quadris. Ela tentou ficar de olhos abertos, tentou manter o pensamento racional, mas, ah, parecia tão bom. Não tinha escolha a não ser entregar-se ao prazer do toque dele, os olhos piscando até fechar enquanto apreciava a surpreendente doçura das mãos dele nela. Lentamente, Noah passou as mãos nas coxas dela, passeando pela pele extremamente sensível na parte posterior dos joelhos, para pressionar a ponta dos dedos nas panturrilhas de forma tão perfeita que Colbie gemeu em voz alta ao prazer do seu toque. Ele tirou os sapatos dela, e, quando seus pés ficaram descalços, ele também os acariciou com os polegares, com se quisesse dar prazer a todas as partes do corpo dela. E então, finalmente, ele tirou sua calcinha. — Linda. — A única palavra dos lábios de Noah era um carinho maior do que o de qualquer outro homem. — Tão bonita. Ela abriu os olhos bem a tempo de vê-lo lamber os lábios só de ver o sexo dela, escorregadio, úmido e completamente exposto ao seu olhar... E ela finalmente percebeu que ele ainda estava vestido. Imediatamente, ela tirou a jaqueta de seus ombros largos. Ela conseguia sentir o calor dele. A força mal era controlada debaixo da camisa pressionada conforme a mão se movia pelos botões que corriam pelo peito. Ela o queria nu, queria ver todo aquele poder sem que nada o cobrisse. Noah poderia despir-se com muito mais rapidez que ela o faria, mas havia algo tão sensual e satisfatório sobre tirar suas roupas, sobre poder deslizar os dedos em sua pele, seus ossos, seus músculos, os pelos negros do peito que se entrelaçavam em seus dedos enquanto ela abria cada botão. Quando finalmente tirou a camisa de dentro da calça e a abriu inteiramente, ela teve que parar… e observar. Só que olhar não era suficiente. Tocar também não era suficiente. Ela precisava senti-lo também. Ela se inclinou e colocou a boca em seu pescoço. Era natural, tão perfeitamente instintivo, deslizar a língua naquele espaço bem atrás do osso. — Hmmm. — Ele era perfumado e também um pouco picante. Ela precisava senti-lo novamente, precisava memorizar não apenas seu perfume, mas também seu gosto, então foi abaixando a língua, descendo para os músculos peitorais. Encontrou seu mamilo com a ponta da língua, e, conforme suas mãos se entrelaçavam aos cabelos dele, Colbie o mordiscava, e o leve roçar contra a pele rígida fez Noah gemer de prazer. Talvez fossem seus próprios gemidos que ela estava ouvindo, pois Colbie nunca tinha provado


nada mais prazeroso e excitante. Ela tirou a camisa dele e juntos os dois tiraram o restante de suas roupas até ele ficar lindo e maravilhosamente nu... e Colbie mal podia esperar para colocar as mãos, a boca, em cada centímetro da pele bronzeada e firme agora revelada. Os músculos dele pulavam debaixo do toque de seus dedos, de sua língua, conforme ela explorava com uma voracidade que se igualava à dele. Colbie não estava nem perto de se saciar quando, com um gemido, ele a afastou para possuir sua boca com a dele. Ela nem viu quando ele pegou uma camisinha, mas, quando os dedos roçaram o pacote, ela imediatamente o pegou, abriu e estendeu os braços na direção dele. Ela sentiu o vigor e ficou surpresa ao perceber que ele estava segurando o fôlego quando ela desenrolou a camisinha pela grossa extensão. Colbie sabia que jamais se cansaria de agradecer às amigas por insistirem na viagem de esqui. Ela queria mandar um caminhão de biscoitos de chocolate para a garotinha que passou por ela com os esquis minúsculos, deixando Colbie de cara com a neve, bem a tempo de Noah aparecer com as mãos fortes, os braços quentes e o belo sorriso. Ela nunca se sentiu tão sexy, tão adorada, em toda a sua vida, e nunca se sentiu como se sentia agora, quando os olhos dela admiravam as belas características dele, que a iluminavam de prazer enquanto ele se movia inteiramente entre as pernas dela e a olhava com admiração nos olhos. — Ninguém jamais me olhou da forma como você me olha — ela sussurrou. — Nunca acreditei em amor à primeira vista. — Ele estendeu a mão para acariciar o rosto dela. — Não até conhecer você. — Noah. O nome dele ainda estava nos lábios dela quando ele a penetrou. E, sem precisar de palavra alguma, a paixão tomou conta dos dois. O que tinha começado com paciência, gentileza, agora transcendia o controle que os dois tinham conseguido exercer até agora. Ah, mas ela adorava, amava a justaposição de doçura e safadeza, a aspereza e a meiguice, a rapidez e a lentidão de tirar o fôlego. Era isso que ela estava fazendo com sua loja, afinal de contas, ao estocar as sedas e rendas mais finas, os perfumes mais inebriantes. Tudo aquilo significava sedução inconsequente no calor da noite. Tudo aquilo tinha a intenção de desafiar o controle... e seduzir com um prazer irresistível. Conforme suas línguas dançavam juntas, seus corpos faziam uma dança própria, deslizando e penetrando e escorregando e desejando. Amando. Ele era brusco, seus beijos eram desesperados e vorazes, mas ela também era tudo isso. Não havia mais regras, medo, nada além de paixão e fome, mulher e homem. Molhados de suor, esbaforidos de desejo, Noah deslizou uma das mãos entre eles e a levou a um orgasmo tão profundo como nunca tinha acontecido antes... antes de ele a levar à loucura, gritando o nome dele. Colbie nunca imaginou nada daquilo. Mas, ah, havia tanto mais do que o nome dele nos lábios dela e o dela nos dele quando suas bocas se encontraram novamente. Ela podia sentir cada batida do coração dele contra o peito, o ritmo


acelerado que combinava com o seu próprio ritmo fora de controle. Olhou para Noah de relance. Seus olhos eram escuros, belos e tão incrivelmente cheios de emoção, e então ela sentia as mãos dele em seus quadris, enlaçava as pernas ao redor dele com força e arqueava os seios para a boca ávida de Noah. E os dois chegaram ao orgasmo juntos dessa vez.


CAPÍTULO OITO No dia seguinte… Colbie acordava e dormia um pouco enquanto o raro sol de Seattle tentava aparecer entre as nuvens do lado de fora da janela do quarto de Noah, mas não queria acordar definitivamente e terminar o que tinham sido as horas mais incríveis da sua vida. Mas, então, Noah se moveu na cama, e ela sabia que o momento da verdade tinha chegado. A noite tinha acabado. Uma noite perfeita, quando todos os seus sonhos se tornam realidade. Na noite anterior, ela sentiu como se pertencesse aos braços de Noah de uma forma como nunca pertenceu a ninguém mais. Ele disse “Nós pertencemos um ao outro,” e disse isso muitas vezes a cada beijo, a cada carícia. A verdade era que ela estava com medo de acreditar naquilo tanto quanto não estava. Mas, ah, como Colbie queria acreditar. E confiar que estava certa em assumir o maior risco da sua vida na noite anterior. No fundo do seu coração, ela sabia que a noite anterior tinha sido mais que o sexo inacreditável e explosivo. Então, ele a trouxe para bem perto dele e perguntou: — Eu provei para você? — com aquela voz baixa e rouca que fazia todos os nervos do corpo pegarem fogo com a ansiedade do prazer, da alegria que explodia dentro dela, começando em seu coração e irradiando para todas as células, todos os poros, todo canto da sua alma. Colbie moveu-se em seus braços para que ficassem face a face, e os pelos do peito dele fizeram cócegas nos seios dela da forma mais maravilhosa possível, com o coração batendo forte e estável contra o seu. Colbie fingiu pensar na pergunta, esforçando-se para impedir que a boca sorrisse, mesmo embora seu tom fosse claramente leve. Provocativo. E inerentemente sedutor. — E se eu dissesse que preciso de outra noite antes de decidir? Ele sorriu para ela, e o alívio se misturava ao calor em seus olhos. — Então vou ter que provar hoje à noite e amanhã à noite e todas as noites depois dessa. Ela deu um gritinho de felicidade quando Noah a ergueu da cama, a carregou até o banheiro e ligou o chuveiro. — Mas, por enquanto, como eu sei que você tem que voltar para a loja em vez de ficar de bobeira comigo na cama a manhã toda, prefiro ter certeza de que estará de banho tomado. — Ele sorriu. Colbie riu quando ele a colocou debaixo da ducha quente. Só que dessa vez, em vez de ser seduzida, ela queria seduzi-lo. — Você me deu um dia perfeito e uma noite perfeita. — Ela enlaçou os braços ao redor do pescoço dele e elevou a boca até quase a dele — Agora é minha vez de dar a você a manhã perfeita.


Ela clamou por sua boca com beijos suaves que excitavam tanto quanto prometiam que mais estava por vir. Mordiscou o lábio inferior dele, suavizando com o leve toque da língua. Entrelaçou as mãos ao cabelo dele e se moveu de forma a ficar presa entre a parede de azulejos e o corpo firme de Noah, mas, apesar de os músculos rígidos dele contra o corpo dela a surpreenderem de prazer, Colbie estava determinada a amá-lo da forma que ele a tinha amado. A pele estava escorregadia o suficiente para que ela pudesse deslizar pelo corpo de Noah, cobrindo cada músculo do pescoço, dos ombros, do peito, com os mesmos beijos que tinha dado em seus lábios. Quando ela começou a descer para beijar a barriga dele e correr as mãos e a boca sobre ele — todo ele —, Noah gemeu o nome dela em meio ao vapor que subia tanto da água quanto dos seus corpos. Mas não demorou muito para que ele a pressionasse contra a parede do chuveiro novamente, as mãos entrelaçadas em seus cabelos úmidos e a boca devorando a dela. A proteção estava pronta para ser usada quando precisaram, só que dessa vez as mãos dela não estavam firmes o suficiente para ajudá-lo. Ele agiu com um rápido movimento, e então ela enlaçou as pernas e os braços bem apertados ao redor dele e ele lambia, sugava e mordia a curva do pescoço dela, descendo na direção dos seios, encontrando-a molhada e quente e mais que pronta para que ele a penetrasse. Ela não sentiu o azulejo duro em suas costas enquanto ele pressionava seu corpo. Mal ouviu a própria respiração por cima das batidas do coração em seus próprios ouvidos. Tudo o que ela sabia era que Noah a possuía... e ela o tinha. Em uma onda de prazer tão doce, tão quente, tão súbita que mais uma vez a impressionava, Colbie chegou ao ápice nos braços dele, e Noah fez o mesmo um segundo depois. *** Dez horas depois… Ela acabava de fechar a porta da Indulgência depois de um fantástico segundo dia de trabalho quando Noah envolveu os braços ao redor dela, beijando-a no alto da cabeça. — A loja está fantástica, Colbie. Ela se virou para que ele pudesse beijar sua boca também. Claro que um beijo se transformou em dois e em dez e em cem, e ela permitiu que eles entrassem em uma sala para mais uma rodada de acrobacias sensuais que visavam ganhar seu coração... dessa vez em cima da mesa dela, com suas pernas ao redor da cintura dele. — É isso o que significa indulgência — ela murmurou um pouco depois, enquanto se esforçava para recuperar o fôlego. — Não importa onde estejamos, não importa quantos anos se passem, eu nunca vou parar de provar o meu amor por você — ele disse, com os olhos tão escuros e famintos, mesmo depois do momento de paixão. — Todos os dias. Todas as noites. — Mesmo se eu finalmente me decidir? — Especialmente quando você se decidir.


Mesmo sabendo que ela podia ver a verdade dos sentimentos dele refletida em seus olhos, e que ele sentia isso na forma como ela reagia aos seus beijos, suas carícias, ela queria lhe dar mais. Ela queria dar a ele tudo o que ele tinha dado a ela, multiplicado. Sua fé. Sua confiança. Seu coração. — Quando eu era garotinha, acreditava em amor à primeira vista — ela beijou o coração dele, que batia de forma rápida e firme enquanto ela se declarava para ele. — Acho que toda garotinha acredita. Mas daí, a princípio lentamente, e depois cada vez mais rápido, conforme fui ficando mais velha e fiz escolhas erradas, perdi a fé — ela segurou o rosto dele com as mãos mesmo com o corpo dele ainda dentro do dela. — Você me devolveu a fé no alto de uma montanha coberta de neve em um dia perfeito. E mais uma vez, em uma noite perfeita. E mais tarde, naquela noite, na cama dele, quando Noah a levou ainda mais às alturas e eles voaram juntos de um pico a outro, Colbie se esqueceu de ter medo... Ela jamais precisaria ter medo novamente.

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8,5 uma noite perfeita bella andre  

8,5 uma noite perfeita bella andre  

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