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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA Histórias e Guias para o Voluntariado Juvenil

Pe. Marcelo Rezende Guimarães (organizador) Leandro Pinheiro (colaborador)

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Porto Alegre / RS / Brasil 2004

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© ONG Parceiros Voluntários

Editor: ONG Parceiros Voluntários Projeto gráfico e produção:  Marta Castilhos Ilustrações:  Cristiano Ribeiro Revisão: Flávio Dotti Cesa

Compromisso Humano A Constituição de qualquer país diz que todos temos direito à vida. Todavia, esse mesmo documento diz que nós só poderemos usufruir desse direito se tiver­ mos o compromisso de manter a sustentabilidade da vida. Se não tivermos por objetivo o compromisso de manter a vida no Planeta e a vida do próprio Planeta, quem nos garantirá o direito à vida? Se destruirmos o Pla­neta, destruiremos a vida; se destruirmos a vida, des­­ truiremos a nós mesmos. É um círculo virtuoso ou um círculo vicioso, conforme seja o nosso comporta­mento ou atitude. Esse, portanto, é o primeiro “Com­promisso Humano”: sustentabilidade do Planeta e, do qual, se derivam todos os demais direitos. A nossa pre­sença, homens e mulheres, sobre a Terra, deve signifi­car que somos doadores de vida, e não doadores de morte. Uma sociedade sustentável é aquela que satis­faz suas necessidades sem pôr em risco as perspectivas das gerações futuras.

O58t ONG Parceiros Voluntários Tribos nas trilhas da cidadania: histórias e guias para o voluntariado juvenil; organização de Marcelo Rezende Guimarães; colaboração de Leandro Pinheiro; ilustrações de Cristiano Ribeiro. -- Porto Alegre : ONG Parceiros Voluntários, 2004. 192 p. : il. ; 18 cm. 1.Voluntariado Juvenil. 2.Cidadania-Voluntariado Juvenil. 3.Associações de Assistência Social-Voluntariado Juvenil. 4.Guimarães, Marcelo Rezende, Padre. 5.Pinheiro, Leandro. 6.Ribeiro, Cristiano, il. I.Título. CDU 364.62.085-053.6 364.46-053.6 364.044.66-053.6:342.71 342.71:364.044.66-053.6 Catalogação elaborada por Izabel A. Merlo, CRB 10/329

Reservados todos os direitos de publicação para a ONG Parceiros Voluntários Largo Visconde do Cairu, 17 / 8ºandar 90030-110 – Porto Alegre / RS / Brasil 55 51 3227.5819 www.parceirosvoluntarios.org.br parceiro@terra.com.br Impresso no Brasil ISBN 85-98507-01-6

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Notemos que, então, estamos falando em uma “Co­ munidade Planetária”. Nenhum país consegue desen­­ volver-se ou resolver seus problemas sozinho. Exemplo: efeito estufa, tráfico de drogas, poluição das águas, reciclagem do lixo, comportamentos antiéticos e imorais, são responsabilidades de todos do Planeta. Uma floresta ou um rio não são ou correm diferentes de um lado ou de outro, só porque de um lado a ban­ dei­ra de um país é verde e do outro lado a cor da ban­ deira é vermelha. A demarcação de fronteiras é uma invenção dos homens; a natureza não a reconhece. Direitos Humanos (e deveres!), se é “humano”, é de todos que vivem nesse Planeta; de todos os huma­ nos, portanto são Direitos Universais, não do território demarcado. Fizemos essa introdução somente para demons­ trar o quanto essa visão macro também se aplica ao micro, ao nosso entorno. A ação Tribos nas Trilhas da Cidadania veio trazer e possibilitar ao nosso dia-a-dia exercitarmos esse nosso Compromisso Humano. Nota-se que não estamos usando a expressão “responsabi­lida­ de social”. O nosso Compromisso Humano está acima da nos­sa responsabilidade social. As regras de respon­ sabilidade social, assim como as fronteiras, são nor­ mas criadas pelos homens. O compromisso humano está na essência da vida. Ao reler este livro, as emoções vividas naquele

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longínquo setembro de 2003, naquele entardecer de uma sexta-feira, ainda afloram e as lágrimas nos vêm aos olhos. Lágrimas de felicidade pela certeza de “Dá para mudar. É só Começar”. Eram perto de 2.500 jovens com toda a sua energia, vestindo, com muito orgulho, suas camisetas pretas, com a marca das Tribos, aguar­ dando inquietos pelo desenrolar da progra­mação do evento de celebração. Sua presença, ali, nos sinalizava em direção a um ser humano melhor. Estavam ali conscientes de que haviam conquis­ ta­do o seu espaço naquele lugar, tinham direito de estar ali, pois haviam se engajado e cumprido a sua “Res­pon­sabilidade Social Individual”. Foram mais de 300 ações. Lideraram a criação de Fóruns Tribais e cha­ maram para compor esses Fóruns todas as lideranças e demais pessoas de sua comunidade. Conquistaram o res­peito, a admiração e o seu espaço em sua comuni­ dade. Mostraram que jovens não são o futuro. Jovens são o presente!! Na ação das Tribos, foram exercitados o apren­ der a saber, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. Nossas Escolas e professores indubitavel­ mente são os pilares de sustentação, na formação e participação nos projetos de vida desses jovens. Todos os professores que participaram da ação Tribos entendem que a educação é uma atitude permanente perante a vida e que ela ocorre em todos os momentos, não im­por­

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tando a idade. Todos somos permanentes apren­dentes. O Estado do Rio Grande do Sul está de parabéns, pela demonstração desses jovens hoje, líderes de amanhã. Onde quer que esses jovens estejam no futuro, ali eles saberão exercer com ética todas as suas ações. Os jovens, esses guris e gurias, bem como todos nós que nos juntamos a eles, seus professores, seus pais, parentes, amigos, comunidade em geral, na ação Tribos, com a união de todos, com o espírito da genero­sidade, da solidariedade, no exercício da cidadania, compro­ vam, conforme demonstrado neste livro, que é possível pensarmos num mundo melhor. Para os que ainda não se engajaram no movi­men­ to para o desenvolvimento da cultura do voluntariado organizado, da cultura da solidariedade, fica, aqui, esse chamamento para reflexão: Por quê? Por que não? Por que não eu? Por que não agora?”.

Caros amigos e Amigas Sejam bem-vindos a estas páginas! Nelas vocês encontrarão histórias de jovens que participaram da ação de voluntariado juvenil, realizada em agosto de 2003, no Rio Grande do Sul, com o título Tribos nas Trilhas da Cidadania. Se o mundo se apresenta muitas vezes configurado e determinado, fazendo a gen­te experimentar uma sensação de limitação e impo­ tência, por outro lado, oferece-nos o desafio de desenvol­ vermos a capacidade que temos de mudar e produzir novas formas de convívio social. Se a sociedade huma­ na se apresenta a nós como complexa e dependente de muitos condicionantes, ela também se mostra na sua face de uma construção, em que seus membros, mais que se limitarem a exercer papéis predeterminados, podem jogar-se como atuantes, construtores, co-responsáveis. Ou como diz o sociólogo Bernardo Toro: “Não aceitar a responsabilidade pela realidade em que vivemos é, ao mesmo tempo, nos desobrigarmos da tarefa de trans­ formá-la, colocando na mão do outro a possibili­dade de agir. É não assumirmos o nosso desti­no, não nos

Maria Elena Pereira Johannpeter

Presidente Executiva ONG Parceiros Voluntários

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sentirmos responsáveis por ele, porque não nos sen­ti­ mos capazes de alterá-lo”. As páginas deste ca­der­no revelarão a você itinerários e caminhos percor­ ridos 1 nesta direção. Você também encontrará reflexões sobre o sen­ti­do dessas ações. O que elas representam para a cami­nhada da juventude? Como repercutem para as escolas nas quais os jovens, sujeitos dessas ações, par­ti­­ ci­pam e estudam? O que elas revelam para a socie­dade como um todo? A idéia central a ser desen­volvida é de que a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania aponta para a cons­trução de novas identidades juvenis, novos jeitos de aprender e ensinar, novas formas de viver em socie­ dade. Estas reflexões podem ser usadas em gru­pos de jovens, em casa, na escola, enfim, nas Tribos e Trilhas da juventude. A seguir, você encontrará, nes­te trabalho, algu­ mas orientações para que possa dar maior qualidade ao seu desejo de voluntariar. Sim, porque estou con­ vic­to de que há algo profundo, como a solidariedade e o espírito comunitário, que motiva você a mergulhar na leitura deste pequeno texto. Lá no fundo, de você 1 1

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e de cada um de nós, há um vazio que só se plenifica quando nos disponibilizamos a outros, quando abra­ ça­ mos a aventura da solidariedade, enfim, quando incluí­mos em nosso projeto de vida o projeto de vida do outro. Somos todos parceiros voluntários desejosos de qualificar melhor nossa ação. Estas páginas são enriquecidas, com a análise sociológica de Leandro Pinheiro, pesquisador de prá­ ticas sociais do Terceiro Setor e coordenador de rede da ONG Parceiros Voluntários. No seu texto, intitu­lado “Do participante e sua palavra: análise de conteú­do das avaliações emitidas por alunos, pais e profes­so­ res”, Leandro trabalha 422 questionários, aprofun­ dando os efeitos da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania sobre a comunidade escolar, sobre a aprendizagem escolar e sobre as comunidades atingidas. O texto de Leandro, escrito com a perspectiva ampla do obser­ vador e do pesquisador, traz uma série de diretrizes e considerações que podem ajudar, sobretudo, os coor­ denadores e orientadores de novas Tribos e Trilhas! Não posso deixar de dizer que escrevi este texto com muita emoção. Quando tomei conhecimento da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, a proposta já estava em curso. Convidado para participar do grupo que tinha a difícil tarefa de reconhecer os trabalhos mais significativos, vi-me tomado por histórias de jovens que agindo comunitariamente – Tribos – percor­re­ram

TORO, José Bernardo; WERNECK, Nísia Maria Duarte. Mobilização social: um modo de construir a democracia e a participação. Brasília: ABEAS/UNICEF, 1997. p. 15.

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caminhos – Trilhas – de novas formas de vivên­cia em sociedade – Cidadania. Concordei que o resultado disso não poderia ficar esquecido: daí estas páginas, que, sin­ ce­­ramente, espero que ajudem você a ser mais comu­­ nitário, mais cidadão, enfim, mais humano! Com amizade,

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Sumario Compromisso Humano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Caros amigos e amigas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

Pe. Marcelo Rezende Guimarães

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Um agosto de muita sorte . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Pe. Marcelo Rezende Guimarães Uma proposta da ONG Parceiros Voluntários . . . . . As inspirações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tribos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Trilhas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cidadania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os objetivos das Tribos nas Trilhas da Cidadania . . As ações realizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Trilha do Meio Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . Trilha da Cultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Trilha da Educação para a Paz . . . . . . . . . . . . . Os passos da participação . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os trabalhos reconhecidos . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Filhos da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ibiá: Sou da Paz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CIEP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cultura em Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eco Fantin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Tribo Faça Paz: Você é Capaz! . . . . . . . . . . . . . Tribo Manacó . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Testemunhos de quem participou . . . . . . . . . . . . . . A voz dos jovens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O testemunho dos professores . . . . . . . . . . . . . O depoimento dos pais . . . . . . . . . . . . . . . . . . Um olhar sobre o caminho percorrido . . . . . . . . 70 Novas identidades juvenis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O capital cultural da juventude . . . . . . . . . . . . . Os cidadãos do presente . . . . . . . . . . . . . . . . . Protagonismo juvenil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Guia para novas trilhas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Procure sua escola e forme sua Tribo . . . . . . . . . . . 99 Escolha sua Trilha e estude a temática . . . . . . . . . 105 Planeje e organize a ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Celebre e curta! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Do participante e sua palavra . . . . . . . . . . . . . 120 Leandro Pinheiro

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Novos jeitos de aprender e ensinar . . . . . . . . . . . . . 82 Mudança na concepção de educar . . . . . . . . . . 83 Mudança nos métodos de educação . . . . . . . . . 85 Mudança nas metas da educação . . . . . . . . . . . 86 Novas pistas de cidadania ativa . . . . . . . . . . . . . . . 88 A dimensão ativa da cidadania . . . . . . . . . . . . . 90 Vivência de mecanismos promotores da cidadania . . . . . 92 Os benefícios da inclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

Efeitos sobre a comunidade escolar . . . . . . . . . 124 Formação desejada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Relação entre pais e filhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 Ação, interdisciplinaridade e rupturas . . . . . . . . . . 131 Efeitos para a aprendizagem do aluno . . . . . . 136 Qual cidadania? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 Participação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 E a aprendizagem... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 Interesse dos públicos e continuidade da ação . . . 154 Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165 Anexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167

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Anda, quero te dizer nenhum segredo Falo nesse chão da nossa casa Vem que tá na hora de arrumar Tempo, quero viver mais duzentos anos Quero não ferir meu semelhante Nem por isso quero me ferir Vamos precisar de todo mundo Pra banir do mundo a opressão Para construir a vida nova Vamos precisar de muito amor A felicidade mora ao lado E quem não é tolo pode ver A paz na Terra, amor, o pé na terra A paz na Terra, amor, o sal da Terra! (...) Vamos precisar de todo mundo Um mais um é sempre mais que dois Pra melhor juntar as nossas forças É só repartir melhor o pão Recriar o paraíso agora, Para merecer quem vem depois. Deixa nascer o amor Deixa fluir o amor Deixa crescer o amor Deixa viver o amor.

Um agosto de muita sorte

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos, Sal da Terra)

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Dizem que agosto é o mês do azar. Não foi assim em 2003. Animados pela ONG 2 Parceiros Voluntários, cerca de 18 mil jovens gaúchos, de 33 cidades e 79 es­co­las, desenvolveram mais de 300 ações que trou­ xe­ram muitos benefícios para eles, para suas escolas e pa­ra as comunidades gaúchas. Sorte nossa, não é mesmo? Ao tomar conhecimento do desenvolvimento des­sas ações, lembrei-me de um sucesso da década de 80, “Sal da Terra”, que fala de um amor pé-no-chão, que vai fluindo e crescendo se a gente deixar e que vai toman­do conta do mundo e juntando forças – “um mais um é sempre mais que dois”. Pois foi assim que aconteceu: reunindo todo mundo, eles e elas, apoiados por seus professores, pais e comunidade, mostraram que estão aí para dar sabor – ser sal da Terra – à vida em comunidade. O que fizeram? Promoveram oficinas de for­ma­ ção com as mais diversas temáticas, desde artesa­na­to até informática; organizaram palestras e confe­rên­cias sobre diversos assuntos do interesse comuni­tário; re­co­ lheram doações de brinquedos, alimentos e rou­pas; limparam zonas tomadas pelo lixo e desenvol­ve­ram ações de reciclagem; promoveram conscientização 2

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Sigla para organização não-governamental.

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sobre o trânsito e sobre o meio am­bien­te; fizeram manifestações pela paz; organizaram atividades artís­ ticas; realizaram pedágios, mutirões, cami­nha­das... e muitas outras ações. Foram às ruas, creches, hospitais, asilos, comunidades distantes, enti­da­des co­munitárias, etc., enfim, agiram... mobiliza­ram... articu­laram-se... Mas também se encontraram, conviveram, dialo­ga­ ram, celebraram!

talidade que se fundamenta na responsabilidade que todos nós temos uns pelos outros, a partir do mo­mento em que vivemos em comunidade. Não apenas vivemos ao lado ou juntos uns dos outros, mas vivemos com os outros, de forma que nossa rea­li­zação está pro­fun­da­ mente relacionada com a reali­zação dos nossos iguais. As pessoas que se deram conta disso e se orientam pela cultura do volunta­riado não fazem ações apenas pelo desejo de lucro, mas visando atender à necessidade de alguém, superando seja a indiferença, seja uma visão que coloca nas mãos do Estado a respon­sabilidade única de prover essas mesmas necessidades. O voluntariado nasce de uma escolha e de uma decisão pessoal – é a gente que decide voluntariar e ninguém pode nos substituir nesta tarefa – diante de uma demanda social e pública, isto é, alguém ou um grupo que apresentam determinadas neces­sidades. O objetivo fundamental da ação voluntá­ria é o fortale­cimento do sujeito da ajuda. A importância e o significado da ação volun­­tária têm crescido bastante entre nós! Estamos assis­tindo em nossa sociedade a uma mudança cultural: de uma cultura em que o que importa é levar vantagem em tudo para um outro quadro cultural, no qual a solida­ rie­dade passa a ser o valor maior. Isso pode ser veri­ ficado em muitos sinais: a multiplicação de espaços e organizações que visam promover a solidariedade, o

Quer saber mais?

Uma proposta da ONG Parceiros Voluntários Quem propôs a ação foi a organização nãogovernamental ONG Parceiros Voluntários, tendo recebido vá­rios apoios. A ONG Parceiros Voluntários é uma organi­za­ ção não-governamental, sem fins lucrativos e apartidá­ ria, fundada em janeiro de 1997, que se propõe a desen­ vol­ver a cultura do trabalho voluntário organi­zado no Rio Grande do Sul. Trabalho voluntário é aquele serviço prestado à comunidade, sem remuneração, visando atender suas neces­­sidades. A cultura do trabalho voluntário é a men­

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crescimento do número de pessoas que têm reservado parte de suas ener­gias e capacidades para voluntariar, o de­sen­vol­vi­mento do interesse de instituições como esco­­ las e em­presas em questões sociais, etc. É exata­mente nesse contexto que se insere o trabalho da ONG Parceiros Voluntários, organizando a oferta e a deman­da do traba­ lho voluntário no Rio Grande do Sul. A ONG Parceiros Voluntários está presente em mui­ tos municípios do Rio Grande do Sul, estruturando sua atuação por meio dos seguintes programas: Programa Voluntário Pessoa Física (VPF), com o objetivo de estimular, captar e sensibilizar as pes­soas físicas para a prática do trabalho volun­ tá­rio organizado, indicando caminhos de atua­ ção para aquelas pessoas que sempre desejavam desenvolver um trabalho de voluntariado, mas não tinham todos os ele­men­tos para concretizálo. Para participar desse programa, a pessoa, a partir dos 14 anos de idade, deve ter condições para dispor de no mínimo três horas semanais; Programa Voluntário Pessoa Jurídica (VPJ), vi­san­do incentivar o envolvimento das em­pre­ sas por meio do voluntariado dos funcio­nários e cola­bo­radores, oportunizando, es­pecial­mente, a trans­fe­rência do conheci­mento gerencial para as Organizações da Sociedade Civil (OSC) mais carentes. As em­presas, assim, saem da posição

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de somente repassadoras de recursos financei­ros para repas­sadoras de recursos humanos e conhe­­ cimentos. E as Organizações da Sociedade Civil podem obter acesso a técnicas atua­lizadas de ge­ren­ciamento e administração direcionadas às suas necessidades específicas, saindo da posi­ção de somente repassadoras de recursos humanos e de conhecimento; Programa Voluntariado da Escola (PVE), pro­ por­cionando aos jovens uma vivência do tra­ba­ lho voluntário, desenvolvendo projetos sociais que oportunizem o aprendizado de valores e prá­ ticas como a cidadania, liderança, criatividade, solida­rie­dade, atitude participa­tiva, responsabi­ li­dade e engajamento. Assim, escola e comuni­ dade podem fortalecer seus laços, e a juventude ganha novas possibili­dades de desenvolvimento humano e social; Programa Organizações da Sociedade Civil (OSC), realizando convênios com organizações que ne­ ces­ sitam receber voluntários para melhor atender seus beneficiados, tais como: cre­ches, préescolas, instituições na área de direitos humanos e desen­vol­vimento social, asilos, organizações que atuam na área de saú­ de, etc. As OSCs recebem também trei­na­mento em gestão geren­ cial e de adminis­tração de voluntários.

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Desenvolver um trabalho voluntário organizado oportuniza que cada pessoa trabalhe seus valores inter­ nos, despertando seu verdadeiro valor, tornando-se mais ativa e transformadora do mundo ao seu redor. Para a ONG Parceiros Voluntários, isso é Responsabilidade Social Individual.

Tribos O assim dito mundo civilizado tem revisto suas posições sobre os povos indígenas e vem procurando aprender com eles. Os antes chamados povos pri­mi­ti­ vos passaram a ser vistos como portadores de práticas e conhecimentos funda­­­­mentais da experiência huma­na. Uma dessas noções é a das tribos, que evoca um modo de viver em sociedade marcado por um espírito comu­ nitário e por alianças mais am­plas. Na tribo, o bemestar da comunidade as­ sume uma centrali­ da­ de que nossas civili­zações urbanas perderam e que sentem a importância e a necessidade de resgatar, tal como o espírito associativo e social, superando o indi­vidua­ lismo e o egocentrismo. A palavra Tribos tem sido muito usada para caracterizar a juventude e sua ânsia de viver mais a dimensão comuni­ tá­ria e coletiva. Fala-se, as­sim, em tribos urbanas para caracterizar os grupos em que a existência de ele­ mentos comuns oportu­niza uma relação mais hori­ zon­tal entre as pessoas.

As inspirações Uma ação como esta desenvolvida em agosto de 2003, com tamanha repercussão na vida dos adoles­ centes e jovens que a desenvolveram, e também na vida de suas escolas, famílias e comunidades, marcando for­ te­mente uma transformação na cultura do volun­ta­riado no Rio Grande do Sul, teve que estar, necessa­riamente, muito bem inspirada e fundamentada. Essas inspira­ ções, amadurecidas ao longo da prática de três anos da ONG Parceiros Voluntários com jovens e escolas, podem ser resumidas em três palavras-chave:

Tribos, Trilhas e cidadania. Vamos conversar mais sobre elas?

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Alguns cientistas sociais, como Michell Maffesoli, têm usado a expressão Tribos para caracterizar essas redes de amizade que elas visam resgatar. É nessas redes de amizade que se funda e estru­ tura o voluntariado: o voluntário é amigo(a) – par­ ceiro(a)! – e sua força é diretamente pro­porcio­nal à força de suas relações e capacidade de amizade. Por isso, as Tribos constituíram-se na primeira grande inspi­ração para esta ação de voluntariado juvenil.

migração ou mudança, com conotação de “car­regar a casa”. Na tradução para o português, a palavra “trekking” nos remete a caminhar, trilhar, andar. A simbologia de uma trilha é tão rica que mui­tas vezes é utilizada para designar o próprio caminho de vida de uma ou várias pessoas. Aí a palavra Trilha se aproxima de um itinerário existencial, individual ou coletivo, sem que seja necessário nos afastarmos do local onde vivemos. Nesse caso, trilhar um caminho pode apontar para um jeito de ser, uma determinada atividade ou profissão, certas opções e estilos de vida. Seja uma trilha física ou existencial, a mística que anima quem a percorre é andar, seguir, enfrentar os obstáculos. “Caminheiro, você sabe... não existe caminho... pouco a pouco, passo a passo, o caminho se faz”, diz a canção inspirada no poeta espanhol Antônio Machado. De fato, uma trilha pede a capacidade de orientar-se, isto é, de assumir uma posição no mundo. Dessa forma, os requisitos fundamentais para qualquer trilheiro são: determinação, planejamento, iniciativa, foco, persistência, flexibilidade, companheirismo, respeito aos outros, responsabilidade e criatividade. Como inspiração para ações de voluntariado, a trilha aponta para esta dimensão da ultrapassagem dos limites e da superação das dificuldades. Numa cultura como a nossa, em que o eu e a busca dos benefícios

Trilhas A segunda inspiração veio de uma atividade que fascina muitos jovens (mas também adultos...): fazer trilhas, isto é, seguir caminhos percorridos ou ainda a serem desbravados. Há trilhas que se impu­ se­ ram em nos­sa cul­tu­ra, como, por exem­plo, o Cami­nho de San­tiago de Com­pos­tela. A tri­lha está tão no gosto da gente, que ho­ je se cons­­ titui numa ativi­da­de específica, quase um esporte pró­ prio: o “trekking”. Em inglês, a palavra “trek” significa uma viagem longa e difícil, uma

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próprios estruturam muitas atitudes e comportamentos, o empenhar-se num trabalho voluntário exige força e disposição para superar esses limites culturais e entregar-se à aventura da solidariedade.

nidade em que vive­mos. Por exem­plo, direito à edu­ ca­ção, ao trabalho, ao lazer, à saúde e ao voto; enfim, ações que melhorem a nossa qualidade de vida. Entre os deveres estão o respei­to ao outro; o cuidado com o meio am­biente; ser éti­co nas relações; enfim, ter atitudes de cida­dania e soli­darie­dade, contribuindo para melhorar a qua­li­dade de vida da comunidade em que vivemos e do mun­­do de modo geral. Segundo Bernardo Toro, “cida­dão é a pessoa que é capaz, em cooperação com outros, de 3 cons­truir ou trans­formar leis e normas que ele mesmo quer viver, cumprir e proteger para a dignidade de todos. É a partir das necessidades de uma sociedade que nasce toda ação de voluntariado: o voluntário não é al­guém que busca atender a um capricho pessoal, mas a uma carência da comunidade, um apelo de alguém que sofre! Ao mesmo tempo, é para o bem-estar dessa mesma socie­dade que se orienta: o voluntário não tem como me­ta pri­meira sua realização pessoal, mas a realização de outras pessoas. É claro que, realizando os outros, ele rea­liza a si mesmo, mas esta realização pessoal é conse­ qüência de uma saída de si e de uma centração no comu­ nitário e no cole­tivo. Este vínculo mui­to forte e profundo entre voluntariado e cida­da­nia constituiu-se na ter­cei­ra grande ins­pira­ção para a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania.

Cidadania A terceira e fun­ damental inspiração é dada pela palavra ci­d adania. Sua etimo­l ogia é simples, deri­van­ do de cidade e apontando para tudo aquilo que diz res­peito à convivência e à relação entre as pessoas, en­fim, àquilo que chamamos bem comum. A palavra cida­ dania evoca, assim, a dimensão social que carac­teriza e singulariza a exis­tência humana: nenhum ser humano é uma ilha. Quei­ramos ou não, dependemos cada vez mais uns dos ou­tros, de modo que ser huma­no é ser marcado por esta aber­­tura e referência para um outro como a gente, um igual. Ser cidadão é ser mem­­bro desta co­muni­da­­­de, com direito à par­ti­­ci­pa­­ção ativa e res­pon­­­sá­vel. Partici­ par de uma so­cie­dade é ter direi­tos e deveres na comu­

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TORO, José Bernardo; WERNECK, Nísia Maria Duarte. Mobilização social: um modo de construir a democracia e a participação. Brasília: ABEAS/UNICEF, 1997. p. 19.

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são hoje ci­da­­dãos do futuro, mas serão amanhã os cidadãos de hoje!”. 4 Ao mesmo tempo, pensava-se numa possi­bi­li­ dade de evidenciar mais o momento de juventude e cida­da­nia. Por um lado, desejando dar ao voluntariado e à responsabilidade cidadã um aspecto juvenil, mais em­pol­gante, com entusiasmo e emoção, sem tirar sua serie­dade e consistência, mas dando ao engajamento uma dimensão de gratuidade e de prazer. Por outro lado, o sentido de poder dar aos jovens do Estado uma oportunidade de fazer uma experiência mais pública e coletiva, amadurecendo sua responsabilidade social e o seu desejo de fazer a diferença, desenvolvendo a força juvenil. Assim, a cultura do voluntariado poderia encontrar na juventude não apenas um lugar favorável ao seu crescimento, mas um agente co-responsável pelo seu próprio desenvolvimento. A ONG Parceiros Voluntários tinha consciência de que a força, a energia, a criatividade dos jovens faria um grande trabalho. Ela entrava com simplicidade com sua experiência de organizar o voluntariado, para que viessem os benefícios do trabalho voluntário para a juventude e para a comunidade gaúcha. Para o jovem,

Os objetivos das Tribos nas Trilhas da Cidadania Quando a ONG Parceiros Voluntários começou a discutir a proposta de trabalho, visando atender ao que os jovens haviam solicitado em suas avaliações nos três grandes encontros realizados desde o ano 2000, pensava-se em algo que pudesse atingir as escolas de ensino Médio e Fundamental do Estado do Rio Grande do Sul. A meta era proporcionar aos jovens uma opor­ tu­nidade para atuarem no seu contexto social por meio do trabalho voluntário, assumindo sua respon­sa­bi­li­­ dade de agentes mobilizadores e articuladores em bus­ ca de soluções para as diferentes e diversas deman­das de suas comunidades e de suas próprias cidades. Atrás desse objetivo estava a convicção do po­ten­­ cial mobilizador dos jovens. Cada jovem consegue mo­bilizar um grande número de pessoas: seus colegas, seus familiares, seus amigos, seu ambiente de tra­ba­ lho, etc. A ONG Parceiros Voluntários partilha de uma con­ cep­­ção já muito difundida de que a juventude não é o futuro, mas o presente: “As crianças e os jovens não

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GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Cidadãos do presente: crianças e jovens na luta pela paz. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 6.

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esses benefícios incluem, entre outros, a possibilidade de desenvolverem seu talento, liderança, criatividade e administração do tempo; de fortalecerem sua autoes­tima e autoconfiança; e de fazerem uma contri­bui­ção positiva na comunidade. Com a força juvenil organizada e produtiva, a comunidade também ga­nharia, vendo mini­­mizados alguns de seus problemas e fortalecendo uma rede de voluntariado nas escolas.

Trilha do Meio Ambiente O debate sobre o meio ambiente tem ocupado a agenda internacional, a partir do momento em que se tomou consciência de que o modo dos humanos vive­ rem no planeta colocava em risco o próprio planeta. Muitas pessoas e grupos se deram conta de que havia um modo de se relacionar com a natureza que desres­ pei­­tava a própria natureza, pondo em risco não só as espé­cies vivas – entre 1975 e 2000, 20% das espécies vivas desapareceram da face da Terra –, mas também o pró­prio equilíbrio planetário devido à chuva ácida,5 ao 7 efeito estufa 6 e à destruição da camada de ozônio. Se até então se falava em homicídio para significar o assas­ sinato de uma pessoa e em genocídio para designar a ma­tança de uma parte da humanidade, a partir desta

As ações realizadas As ações realizadas concentraram-se em três Tri­ lhas, nas quais os jovens participantes puderam ex­pres­ sar seu empenho e criatividade: Meio Ambiente, Cultura e Educação para a Paz.

55 Chuva ácida é a chuva que se torna ácida devido à absorção de ele­ mentos como óxidos de nitrogênio e dióxidos de enxofre, pro­venientes da combustão de petróleo, influenciando e prejudicando o meta­ bolismo dos seres vivos. 6 Efeito estufa é a acumulação de calor na atmosfera terrestre, causada 6 pelo aumento de certos gases como o dióxido de carbono, provocando aumento da temperatura do planeta. 7 Camada de ozônio é a camada da atmosfera que protege a Terra, filtrando uma grande quantidade da radiação ultravioleta do Sol. Ela está sendo destruída por ação dos clorofluorcarbonos: substâncias quí­ micas à base de carbono utilizadas, entre outras coisas, para produzir espuma plástica, chips e refrigeradores.

Vamos entender melhor? 32

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situação também se deve falar em biocídio, ecocídio ou geocídio, para falar da destruição da vida, do meio ambiente e do planeta. Nesse contexto, cresceram a sensibilidade e a cons­­ciência em relação ao planeta, entendido como uma casa pre­pa­rada para nós. Fomos nos dando conta de que precisamos cuidar de nossa própria casa: este é o sentido do termo ecologia. A nossa sobrevivência e a do planeta depen­dem de ações preventivas e saneado­ ras para resgatar o equilíbrio ecológico. Desenvolver ações nesse sentido é o que propõe a Trilha do Meio Ambiente.

Biodiversidade

Refere-se à variedade de vi­da no planeta Terra, in­cluindoavariedadege­né­ tica dentro das popula­ções e espécies, a varie­da­de de espécies da flora, da fau­ na e de microor­ganismos, a variedade de funções eco­­lógicas desem­penha­ das pelos organismos nos ecossistemas e a varie­da­ de de comunidades, há­ ­ bitats e ecossistemas for­ mados pelos organismos.

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Ecossistema

Conjuntodeelementosfí­si­ cos (solo, água, rochas, etc.) e de elementos vi­vos (flora, fauna, desde o microscópico) – pode ser um lago, o oceano, a flo­resta, o bairro, a cida­ de­ou a casa.

Ecologia

Vem do grego “oikos”, que quer dizer casa, há­bitat. Portanto, ciência que estuda os seres vi­vos, seus hábitats e a inte­ra­ ção entre ambos.

Meio ambiente

Interação de seres e ele­ mentos que vivem num determinado lugar, em equilíbrio, respeitandose as leis da natureza. O meio ambiente, natu­ ral ou transformado (p. ex.: cidades), é formado por bens renováveis e não-renováveis, que inte­­ ra­gem entre si. Seu equi­­ líbrio é a garantia da vida no planeta.

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O cuidado do planeta não depende apenas dos governantes e de grandes projetos. Se há, em toda ver­ da­de, ações de fundo que envolvem recursos grandio­ sos, há também pequenas ações, ao nosso alcance, com conseqüências e impactos imediatos no meio am­bien­ te. Veja algumas: sensibilizar a comunidade sobre essa temática; reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados na produção e no consumo; adotar estilos de vida que contribuam para uma qualidade de vida melhor;

Recursos renováveis

São os bens naturais des­ tinados às múltiplas ati­vi­ dades dos seres humanos e cuja disponibilidade futura é reversível com o uso, sempre que se uti­ lizem técnicas de manejo em que a taxa de con­su­ mo não exceda a capaci­ dade de carga do meio, como a água, o solo...

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Recursos não-renováveis

São aqueles recursos cuja quantidade física exis­ten­ te diminui irreversivel­ mente com o uso, como, por exem­plo, o petróleo.

Recursos orgânicos

Recursos que, decom­pos­ tos por ação de microor­ ga­ nismos, podem ser absorvidos novamente pela terra.

Recursos poluentes

São aqueles elementos que acarretam um dano direto ao meio ambiente, como, por exemplo, o gás CO2 encontrado na fumaça das fábricas e veículos.

Recursos recicláveis

São aqueles recursos que podem, por meio da reci­ clagem, ser utilizados no­vamente, como papel, alumínio, vidro, plástico, etc.


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manejar corretamente o uso de recursos reno­ vá­veis, como a água; proteger melhor os recursos naturais; gerenciar os produtos que consumimos e selecionar o lixo que produzimos.

Trilha da Cultura No senso comum, a palavra cultura significa, mui­tas vezes, estudo ou erudição. Mas há um outro sentido, mais profundo, de cultura como tudo aquilo que tem a marca humana. Assim, uma comida gostosa, uma parede de tijolos e um espetáculo de dança têm em comum o fato de trazerem a marca humana. Só os humanos são capazes disso. E isso porque o ser hu­mano mesmo é um ser produtor de cultura, capaz de transformar o ambiente em que vive. Dessa maneira, como dizia o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, “o artista não é um tipo especial de indivíduo, mas cada indivíduo é um tipo especial de artista”. O Papa João Paulo II, na Carta Encíclica “Cen­ tésimo ano”, assim se expressa sobre a impor­tância desse elemento cultural na vida humana:

Assim, a proposta básica da Trilha do Meio Am­­biente era suscitar ações de voluntariado que con­ tribuíssem para o aumento de uma qualidade de vida ambiental das comunidades locais. E muitas co­mu­ nidades fizeram essa experiência: graças à ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, puderam debater essa pro­ble­ mática, sensibilizar-se para ações possíveis e neces­ sárias, como a coleta seletiva do lixo, ter áreas limpas por ações comunitárias, etc.

Toda atividade humana tem lugar no seio de uma cultura e integra-se nela. Para uma adequada for­ ma­ção de tal cultura, se requer a participação de to­do homem, que aí aplica a sua criatividade, a sua inteli­gên­cia, o seu conhecimento do mundo e dos ho­mens. Aí investe a sua capacidade de auto­domínio, de sacrifício pessoal, de solidariedade e dis­ponibi­ lidade para promover o bem comum. A ver­dadeira cultura promove as qualidades dos com­portamentos

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suas raízes culturais. Os seres humanos não têm apenas fome de pão, mas de beleza, de sentido e de identidade. E a Trilha da Cultura permite saciar esta fome!

humanos, que favorecem a cultura da paz, contra os modelos que confundem o homem na massa, igno­ram o papel de sua iniciativa e liberdade. 8

levantamento do patrimônio cultural da comu­nidade; divulgação desse patrimônio; resgate das raízes culturais; preservação das riquezas culturais; promoção de cursos e de oficinas que multi­ plicam diversas formas de saber. Assim, a proposta básica desta Trilha era per­ mitir que as comunidades pudessem reencontrar a si mesmas pela ação voluntária da juventude, resgatando 8

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JOÃO PAULO II, papa. Centésimo ano: carta encíclica “Centésimus annus”. Vaticano: 1991. Disponível em: <www.vaticano.va>. Acesso em: 2004.

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Assim como há uma preservação e cuidado com o meio ambiente, é necessário também preser­vação e cuidado com o patrimônio cultural de um povo. E esta é a proposta da Trilha da Cultura. Todos temos uma responsabilidade em cuidar, cultivar, resgatar as nossas raízes culturais como for­ma de cuidar, cultivar, resgatar a nós mesmos. Isso pode ser feito por meio de ações como:

Patrimônio cultural

É o conjunto de todos os bens culturais que cons­ tituem um povo, tanto os bens imóveis, como mó­veis e imateriais.

Patrimônio material imóvel

É constituído por todos os bens imóveis, como pré­d ios históricos, nú­ cleos urbanos, sítios Patrimônio imaterial ar­queológicos e paisagís­ São aqueles elementos ticos, bens individuais. culturais como a comi­da, Patrimônio a linguagem, os valores material móvel de uma tradição cultu­ É constituído por todos ral, que não podem ser os bens móveis, como tocados materialmente. co­leções arqueológicas, acervos de museus, do­cu­ mentos, arquivos, livros, filmes, fotos, etc.

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Preservação

É a ação de proteger de futuros danos um patri­ mônio cultural.

Restauração

É a ação de recuperar um pa­ trimônio cultural dani­ fi­­ cado, seja pela ação do tem­­ po, da natureza ou mes­­mo pela mão hu­mana.

Tombamento

Ação de listar patri­ mô­ nios culturais, materiais e ima­teriais, colocando-os sob a tutela de governos, seja federal, estadual ou mu­ ni­ cipal, com a finali­ da­de de melhor preservá-


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Trilha da Educação para a Paz Como produtores de cultura, os seres humanos também constroem seus padrões de relacionamento. A cul­tura diz respeito também “aos critérios de julgar, aos valo­res que contam, aos centros de interesse, às linhas de pensamento, às fontes inspiradoras e aos modelos de vida da humanidade”.9 Dessa forma, se há violência em nossa sociedade é porque, além das cau­sas do tipo raízes psicológicas, sociais, econômicas e políticas, há condicionamentos culturais. Não apenas vivemos numa sociedade violenta, mas, sobretudo, numa cultura violenta, produzida e ao mesmo tempo difundida por inúmeras instâncias da so­cie­dade: os meios de comunicação, a escola, a famí­ lia, as instituições religiosas, os partidos políticos, os clu­bes, os sindicatos, etc. Como disse poeticamente Cae­tano Veloso, “nossos podres poderes fazem a gente pensar que matar e morrer sejam coisas naturais”. Há um currículo oculto, baseado no paradigma bélico, que nos educa para a violência, e que aqueles que desejam uma sociedade não-violenta não podem desconhecer. Eduardo Galeano, para expressar esta realidade, criou 9

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a metáfora da escola do mundo ao avesso: “Não requer exame de admissão, não cobra ma­­trícula e dita seus cur­sos, gratuita­mente, a todos e em todas as partes... O mun­­do ao avesso gratifica o avesso: despreza a ho­nes­­ti­­da­de, cas­tiga o trabalho, recom­­pen­sa a falta de escrú­pu­los e alimenta o canibalismo... Os países respon­sá­veis pela paz universal são os que mais armas fabri­cam e os que mais armas vendem aos demais países...”. 10 Da mesma forma, é necessário haver uma pro­du­ção cultural da paz, entendendo cultura de paz como o conjunto de valores, atitudes, comportamentos e esti­los baseados em fatores como o respeito à vida, a prá­tica da não-violência, o combate à exclusão, a defe­ sa da liberdade de expressão e da diversidade

PAULO VI, papa. A evangelização no mundo contemporâneo: carta encíclica “Evangelii Nuntiandi”. São Paulo: Loyola, 1978. p. 21.

10 12 GALEANO, Eduardo. De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso.

Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 5-7.

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cultural, a promoção de um consumo responsável e de um mo­delo de desenvolvimento sustentável, a partici­ pação e o respeito aos princípios democráticos, com 11 o fim de criar, juntos, novas formas de solidariedade. Esse conceito de Cultura de Paz adquiriu dimensão pública por ocasião do ano 2000, proclamado pela ONU como Ano Internacional por uma cultura de paz, e pela dé­cada 2001-2010, intitulada Década Mundial por uma Cultura de Paz para as crianças do mundo. A paz é, assim, uma realidade que se desenvolve dentro do ser humano, na mente ou no espírito dos homens,

po­rém veiculada por “valores, atitudes, comportamen­ 12 tos e estilos de vida”. Se violência e paz são noções que se apreen­dem, ensinam e transmitem, então há um longo traba­lho de cunho cultural e educativo a ser feito. A res­pon­sa­bi­li­ dade da paz não está apenas nas mãos dos gover­nantes, da polícia, dos órgãos públicos ou da Organização das Nações Unidas, mas também ao nos­so alcance. Eis algumas ações que podemos desen­vol­ver para contri­ buir com a construção de uma cultura de paz: manifestações pela paz e contra a violência; promoção de valores e práticas de uma cul­ tura de paz; difusão de iniciativas que contribuem para o fim da violência e a concretização da paz; o respeito à vida, o fim da violência e a pro­mo­ ção da não-violência por meio da educa­ção, do diálogo e da cooperação; a promoção de formas pacíficas de resolução de conflitos. Dessa forma, a proposta básica da Trilha da Educação para a Paz era promover ações de volun­ tariado que contribuíssem para a difusão e tomada de posição em relação a uma cultura de paz. E muitas

11 11 São estes os aspectos empregados pelo Manifesto 2000, elaborado por

vários premiados com o Nobel da Paz e divulgado amplamente pelas Nações Unidas como uma forma de mobilizar a opinião pública inter­ nacional. Foram recolhidos mais de cem milhões de assinaturas. Eis a íntegra do texto: “Reconhecendo minha parte de responsabilidade dian­te do futuro da humanidade, especialmente para as crianças de hoje e de amanhã, comprometo-me, em minha vida diária, em minha família, meu trabalho, minha comunidade, meu país e minha região a: respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminação nem preconceitos; praticar a não-violência ativa, recu­sando a violência em todas as suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, espe­cialmente, aos mais fracos e vulneráveis, como crianças e adoles­ centes; partilhar meu tempo e meus recursos mate­riais, cultivando a generosidade, a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opres­ são política e econômica; defender a liberdade de expressão e a diver­ sidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo, sem ceder ao fanatismo, nem à maledicência e à recusa do próximo; pro­mover um consumo responsável e um modo de desenvolvimento que tenha em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta; contribuir ao desenvolvimento de minha comunidade, propiciando a plena participação das mulheres e o res­ peito dos princípios democráticos, com o fim de criar, juntos, novas formas de solidariedade”.

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12 12 ONU. Declaración y programa de acción sobre una cultura de paz.

New York: ONU, 1999. p. 3.

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comunidades fizeram essa experiência: graças à ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, puderam discutir e pensar alternativas para a violência em suas múltiplas formas: no trânsito, nas relações sociais, nas questões de gêne­ ro e de raça, etc. Definitivamente, a educação para a paz ocupa um lugar fundamental na formação dos cidadãos de uma comunidade democrática.

Agressividade

É algo necessário para su­­­ perar os obstáculos e li­mi­­ tações que aconte­cem na vida das pessoas. A sua ausência provoca pas­ si­ vidade. Em princí­pio ela é neutra, mas por meio de con­dicio­na­men­tos socio­­cul­turais (educa­ção, tra­ba­­lho, his­tória ou siste­ ma so­cial) pode ser cana­ li­za­da cons­tru­tiva­men­te ou des­­tru­ti­vamen­te, pro­ vo­­cando com­porta­men­tos não-vio­lentos ou violen­ tos.

Luta

É a energia necessária pa­ ra toda a mudança. É aqui­lo que faz com que o di­rei­to seja respeitado. Não se identifica com a vio­lência. Gandhi mos­ trou que podemos lutar de forma não-violenta.

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Não-violência

Trata-se, ao mesmo tem­ po, da recusa da violên­ cia como forma de resol­ ver as questões humanas e do assumir formas nãoviolentas para a realiza­ ção da justiça.

Paz

É o processo de realiza­ ção da justiça nos dife­ ren­tes níveis da relação hu­mana: pessoal, inter­pes­­ soal, social, etc. É mais do que a mera au­sência de guerra, mas o pro­ cesso da cons­tru­ção de um mundo me­lhor, que se­ ja retratado pela har­ mo­­nia, justiça, satis­fa­ção das ne­cessidades bá­sicas, inte­gração e igualdade.

Os passos da participação É claro que essas ações foram gestadas nas es­colas dentro de um longo processo que oportunizou o nascimento e o amadurecimento das propostas. A gen­ te sabe que o processo é muito importante, talvez mais importante que os resultados, porque ele é que opor­tuniza o desenvolvimento das motivações, convicções, relações, articulações, enfim, tudo aquilo que dá den­si­dade e sustento a um trabalho. O ponto de partida foram os três encontros de volun­ tariado jovem que a ONG Parceiros Voluntários pro­­­moveu – o terceiro foi em agosto de 2002, com a parti­cipação de 700 jovens do Ensino Médio de várias escolas do RS –, os quais se constituíram em momento privilegiado de conhecer, escutar e dialogar com esta força que é a juventude voluntária. Assim foi nascendo a proposta de criar uma ação de mobilização social junto à juventude das escolas, pela qual ela pudesse exercer seu papel mobilizador e articulador em busca de soluções para as diferentes demandas dentro de sua própria cidade. A ONG Parceiros Voluntários, usando a tecnologia, criou um site no qual constavam a proposta e o regu­la­­ mento das Tribos nas Trilhas da Cidadania. O site exerceu

Resolução nãoviolenta de conflitos

É o método em que os en­vol­vidos num conflito bus­ cam alternativa por meio de formas não-vio­ lentas, como a escuta, o diálogo, a reflexão.

Tolerância

Capacidade de dialogar com culturas e posições diversas às nossas.

Violência

Atitudes ou compor­ ta­ men­tos que consti­tuem uma violação ou arre­ba­ tamento do ser humano, seja de sua integridade física, psíquica ou mo­ral, seja de direitos, liber­ dades. Pode provir de pes­ soas ou instituições e realizar-se de uma ma­ neira ativa ou passi­ va.

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Essas ações não acabaram na sua execução: fo­ram enriquecidas com a realização do Fórum Tribal Municipal,13organizado pelo Conselho Tribal e que ti­nha como objetivo compartilhar as experiências viven­­­ciadas no desenvolvimento das atividades das Trilhas. Além de ser um momento de celebração e confrater­nização, o Fórum Tribal foi uma oportu­ni­da­de de fazer uma avaliação mais profunda do tra­balho feito junto com a sociedade, identificando os prin­cipais resulta­dos, as dificuldades encontradas, o sentido para as esco­las em participar desse movi­men­to, a perspectiva de per­ma­­nên­ cia desse conselho na cidade, os encaminha­men­tos para as questões apon­tadas e sugestões em geral. Docu­mento importante des­sa etapa era a elaboração de uma ata, com a assi­natura de todos os participantes do Fórum Tribal, 14 selan­do, por assim dizer, as ações reali­zadas. Essa ata, junto com o relatório de encerra­mento das atividades, bem como vídeo, fotos, documentação de notícias, foi remetida para a ONG Parceiros Voluntários. A ONG Parceiros Voluntários reuniu cinco pessoas, de diferentes entidades representativas da comunidade

um papel fundamental no processo todo: ali havia, além das notícias, espaço para cada Tribo se ma­ni­festar e um chat para troca de experiências. O primeiro momento era o da escolha do nome para a Tribo, a Trilha a ser percorrida (uma somente entre as três propostas) e os representantes: o líder, in­di­ cado entre os alunos, e um professor coordenador. Ha­via também a possibilidade de as escolas de um mes­mo município participarem em conjunto formalizando uma só Tribo. Inscrita a Tribo, veio um tempo de planeja­ mento das atividades a serem desenvolvidas a partir da Trilha escolhida. Nessa etapa, foi muito decisiva a par­ti­ cipação das Unidades da ONG Parceiros Voluntários de cada cidade, que ajudaram as Tribos a identificar as de­man­ das sociais ou as Organizações da Sociedade Civil a serem beneficiadas em suas ações. Ainda nessa eta­pa preparatória, as Tribos tinham a tare­fa de organi­zar o Conselho Tribal, com repre­sentantes da Organização da Sociedade Civil beneficiada com as ações, dos pode­ res públicos municipais, da sociedade ci­vil, das Tribos e outras pessoas de interesse das Tribos. Agosto de 2003 – o mês mais frio e ventoso do ano... – foi o período da realização das ações. O Rio Gran­­de do Sul se cobriu de solidariedade! Semana por semana, as Tribos foram desenvolvendo as atividades previstas.

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13 13 Sobre o sentido do Fórum Tribal, para os participantes, ver Leandro

Pinheiro, p. 158, desta obra.

14 14 Elizabeth Mattos, consultora; Gilmar Tietbohl, do Senar; Hélio Henkin,

Pró-Reitor da UFRGS; Ivete Comparin, do Sebrae/RS; Marcelo Re­zende Guimarães, da ONG Educadores para a Paz.

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gaúcha, formando a Comissão Avaliadora, com a tare­fa de refletir o processo todo e indicar as Tribos candi­da­ tas ao 2º Prêmio Escola Voluntária, pro­movido pelo grupo Bandeirantes de Comunicação/RS. Os critérios utilizados pela Comissão Avaliadora foram o impacto que as ações realizadas tiveram em provocar altera­ções de hábitos e de dinâmicas sociais e rela­cio­nais na comu­­ nidade, o benefí­cio que a ação trouxe, a capa­ci­dade da Tribo em articular-se para execução de suas atividades, a mobilização da mídia local e a ata da reu­nião do Fórum Tribal, como do­cu­­mento de busca de perma­ nência e continuidade das ações. O último e importante passo desse processo foi uma grande celebração, marcada pela alegria e vibra­ ção de cada Tribo reali­za­da em 26 de setembro, no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, quando tam­ bém foi en­tregue o Prêmio Es­cola Voluntária. Afinal, tanto esfor­ço e tanta solidarie­dade eram motivos de sobra para se festejar, não é mesmo?

Os trabalhos reconhecidos Talvez a tarefa mais difícil tenha sido iden­ ti­ficar aquelas ações candidatas ao prêmio Escola Voluntária. Mais do que compensação pelo esforço realizado – pois segundo este critério todas as ações tiveram muito esforço embutido –, o reconhe­ cimento público vai na linha de identifi­car aquelas experiências que reuniram uma série de elementos que podem possibilitar a inspiração de no­vas ações e a multiplicação do trabalho realizado. Nesse sentido, aprecie a seguir os trabalhos que mais impressionaram a comissão encarregada de conhecer e aprofundar as Trilhas realizadas:

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ação foi muito interessante: os membros dessa Tribo fo­ram para uma das principais avenidas de Caxias do Sul, a Júlio de Castilhos, fotografaram como o caxien­ se trata o lixo e realizaram uma pesquisa sobre a coleta de lixo seletivo. De posse de tantas informações, eles criaram uma peça de teatro sobre o desperdício de ma­terial em sala de aula e ensaiaram com alunos de uma outra escola beneficiada. Essa peça de teatro foi repre­sentada em vários locais. A Tribo Filhos da Terra destacou-se pela capa­ ci­dade de articulação com diversos órgãos públicos, lideranças, representantes da sociedade civil, outras es­­ co­las e, especialmente, com a mídia. O Fórum Tribal foi realizado com a participação de todos os envol­vi­dos, inclusive os beneficiados, e contou com a presen­ça de pais de alunos. A ação da Filhos da Terra impac­tou a cidade, gerando solicitações de apresentação e par­ti­ci­ pação da escola em vários eventos, levando, inclusive, pais de alunos de outras escolas que não par­ti­ciparam da ação a se questionarem publicamente sobre a educa­ ção que seus filhos estariam recebendo. As difi­cul­­da­des encontradas inicialmente na escola foram par­cial­mente solucionadas quando os resultados das ações começa­ ram a ser manifestados pela mídia local. Há con­­senso, hoje, de que a cidade de Caxias do Sul tornou-se muito melhor pela ação dos jovens.

Tribo Filhos da Terra A Tribo Filhos da Terra foi organizada a partir do Colégio La Salle Carmo, de Caxias do Sul, e per­cor­­ reu a Trilha do Meio Ambiente. A primeira ação tinha como alvo a comunidade da Estrada dos Imi­gran­tes: após se reunirem com representantes da Secretaria do Meio Ambiente e de outras instituições comunitárias, os alunos realizaram a limpeza da estrada, acompa­nhada de atividade de sensibilização e orientação aos mora­ dores. Depois, a Tribo Filhos da Terra organizou uma ação para despertar os alunos de uma escola estadual, a José Pena de Moraes, para a preservação do meio am­biente: além de muita música e bate-papo, produ­ziuse um painel grafitado no muro da escola. A terceira

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e cinemas, para sensibilizar as pessoas a serem mais gentis e afáveis umas com as ou­tras. A úl­tima ação, com a temática da paz no ambiente, abrangia atividades como limpeza de um trecho (cal­çadão) do rio Caí e a limpeza e cuidado com o am­biente escolar. A Tribo articulou-se com todas as instituições representativas, inclusive com o poder público, o que possibilitou a mobilização tanto da zona urbana como da área rural. Os resultados foram apresentados no Fórum Tribal por todos os participantes. Entre as con­ clusões, destacou-se o efeito multiplicador da ação, além das amizades que se formaram independente­mente da origem ou classe social. A cidade toda foi mobilizada, e a Tribo Ibiá já tem parceiros para futuras ações.

Tribo Ibiá: Sou da Paz A Tribo Ibiá: Sou da Paz realizou na sua cons­ tituição algo inédito, pois nasceu da articulação de cin­ co escolas da cidade de Montenegro: a Escola Esta­dual A. J. Renner, a Escola Estadual Dr. Paulo Ribeiro Cam­ pos, o Colégio Sinodal Progresso, a Escola Esta­dual Técnica São João Batista e o Instituto de Educa­ção São José. A Trilha escolhida foi a Educação para a Paz, e para mobilizar a cidade contra a violência eles organi­za­ ram uma Caminhada pela Paz. Com o apoio do comér­­cio local, reuniram aproximadamente 200 pessoas – todas vestidas de branco – e incrementaram a cami­nhada com teatro, música, banda marcial e, cla­ ro, muita determinação. Essa ação foi desafiada ini­cial­­mente por uma pessoa que se posicionou publica­mente contra a passeata, o que possibilitou à comuni­dade refletir mais aprofundadamente a questão. A segunda ação tinha co­mo objetivo sensibilizar a comunidade para a proble­ mática da paz no trânsito: jovens vestidos de “sombra” esclareciam pedestres e motoristas sobre aspectos fun­ da­mentais de educação no trânsito, espe­cial­mente o uso e o respeito pela faixa de segurança. Depois, a Tribo proclamou o dia 27 de agosto como o Dia da Gentileza: os membros da Ibiá foram para empresas, escolas, ruas

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Tribo CIEP A Tribo CIEP foi formada por alunos da Escola Estadual Básica Francisco Brochado da Rocha, de São Sepé, e escolheu percorrer a Trilha da Educação para a Paz. Começaram enfocando a educação para a paz no trânsito: com apoio dos órgãos competentes, reali­zaram palestras, blitze no trânsito para conscien­ti­zação, coleta de 3.000 assinaturas para construção de pas­sa­rela. A repercussão foi tanta que o Consepro local convidou os membros da Tribo para palestrarem em outras escolas

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do município. A educação para a paz na sociedade foi o foco da segunda ação, estrutu­rada especialmente por uma campanha antidrogas, sejam elas lícitas ou ilícitas. A terceira ação visava à edu­ca­ção para a paz no lar e foi desenvolvida por meio de palestras sobre prevenção de incêndios domésticos e primeiros socorros. Durante a ação, a Tribo tomou conhe­­cimento de casos de abusos contra crianças e ado­­ lescentes, o que desencadeou outras ações para mini­mizar e prevenir essas situações. A quarta ação foi centrada no tema educação para a paz na escola e tinha como eixo uma gincana, com adesão de alunos, fun­cio­nários e professores, propondo ações para quali­ficar as relações no ambiente escolar. A Tribo CIEP vem de uma escola localizada próximo à BR-392, com uma população com histórias de vida marcadas pelo sofrimento. Nesse contexto, as ações realizadas apontaram para mudanças de qua­li­ dade de vida daquela comunidade. Além disso, a Tribo

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mobilizou grande número de pessoas e articulou-se com várias instituições e empresas locais, tais como a Pre­fei­tura Municipal, Polícia Federal, Brigada Militar, Con­­­selhos Municipais, Corpo de Bombeiros, Consepro, meios de comunicação, etc. Testemunho disso foi o Fó­rum Tribal reunindo cerca de 1.500 pessoas, com um impacto muito positivo, contribuindo também para a consolidação da unidade da ONG Parceiros Voluntários e o desenvolvimento da cultura do voluntariado.

Tribo Cultura em Ação A Trilha da Cultura foi a escolhida pela Tribo Cul­­tura em Ação, da Escola Municipal de Ensino Fun­ da­mental Professor Agostino Brun – também co­nhe­cida como Patronato, de Bento Gonçalves. A ação pla­ne­jada foi a realização de um roteiro, com texto e dança, apresentando a cultura dos povos que for­ma­ram o Estado do Rio Grande do Sul. Além disso, com­pu­seram um rap, chamado “Rap da Cultura”. As apre­sen­ta­ções foram feitas em escolas vizinhas e em asso­cia­ções de bairro. Segundo alguns professores, após a apresen­ tação o tema foi trabalhado em diversas disciplinas, facilitando a aprendizagem. Outro resultado foi o cres­ci­mento da auto-estima dos membros da Tribo, assu­mindo seu protagonismo.

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Tribo Faça Paz: Você é Capaz!

Tribo Eco Fantin

A Tribo Faça Paz nasceu na Apae Ivoti e desenvolveu ações seguindo a Trilha da Educação para a Paz. Começaram distribuindo panfletos nas esqui­nas, supermercados, restaurantes, sensibilizando sobre a res­ponsabilidade de cada um pela paz e sobre as pessoas portadoras de necessidades especiais. Com o apoio do Leo Clube e da Emater, realizaram uma trilha eco­lógica, com o objetivo de proporcionar uma relação de paz do ser humano com a natureza. Foram até o sítio histórico e natural “Buraco do Diabo”, onde assistiram a palestras sobre os índios guaranis, os colo­­nizadores alemães e a natureza do local. Depois disso, rea­li­zaram o que chamaram de Espaço da Alegria, reunin­do a comunidade e integrando os alunos do ensino re­gu­lar com os da Apae, por meio de atividades de recreação. O Pedágio da Integração divulgou o traba­lho da instituição, conscientizando a comunidade quanto à importância de seu envolvimento com o trabalho social. Outras duas atividades – uma reunião dançante e um chá – também favoreceram a integração dos porta­dores de necessidades especiais com a comunidade, ampliando as relações de amizade dos primeiros.

A Trilha do Meio Ambiente foi a escolhida pela Escola Estadual de Educação Básica Albino Fantin, de Horizontina. Depois de atividades didáticas de inte­ gração entre os membros da Tribo e da criação de uma marca para a Tribo, eles realizaram uma campanha de incen­tivo à coleta seletiva no ambiente escolar, or­ga­ nizando e identificando lixeiras e realizando oficinas de reci­ cla­ gem. Um grande mutirão de limpeza na es­co­la, envolvendo alunos, professores e funcionários, bem como a reformulação do jardim, com reposição de árvo­res e plantio de flores, foi o resultado da ação volun­tária dos membros dessa Tribo. A ação foi realizada com grande apoio dos pais, da Prefeitura e de empresas locais. Além dos fami­lia­ res, outras residências e lojas do centro da cidade se com­prometeram em guardar o lixo seco, porque acre­ di­ta­ram na idéia. O dinheiro arrecadado com a venda do ma­terial reciclável foi utilizado para suprir necessi­ dades da própria escola, como máquina fotoco­piadora e plantas para o jardim.

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Cul­tura. Sua primeira ação foi desenvolver oficinas de vio­lão, belas-artes, desenho e tangran, 15 para crianças da comu­nidade Paula Couto, beneficiada pelo sopão. No Centro Comunitário Infantil Talitha Kum também de­sen­volveram oficinas, desta vez de flauta doce, tea­ tro, perimbolando, fantoches, contos de fada, artes, tangran, inglês divertido e recreação criativa. Na Esco­la Estadual Helena Câmara, já beneficiada por ações de voluntariado desenvolvidas pela Tribo, foram reali­ 16 za­das oficinas de grafitagem, desenho, brinque­do­ lân­dia, artes, recreação e teatro, enquanto na Escola Esta­ dual Especial Aray de Paula Hoffmann foram desen­­vol­vidas oficinas de desenho. Por meio do proje­ to “A Voz da Cohab”, realizaram oficina de teatro em que as crianças conseguiram expressar suas realidades e seus sonhos. A articulação da Tribo com a comunidade bene­ fici­ ou diretamente 850 crianças. No Fórum Tribal fo­ram apresen­tadas todas as ações. O Grêmio Estu­ dan­til criou uma diretoria de voluntariado. As ações levan­do à cidada­­nia, via cultura, deverão continuar.

As ações foram realizadas com grande articu­ lação junto a outras escolas, empresas e comunidade em geral. O Fórum Tribal foi realizado com a presença dos alunos, pais, representantes do poder público e da co­mu­nidade. Após análise das atividades realizadas, defi­niu-se como meta dar continuidade às ações. As ações desenvolvidas permitiram que a Apae fizesse sua auto-inclusão, saindo do papel de beneficiada para o de agente, descobrindo seu potencial de colaborar e con­tri­buir com o crescimento da comunidade.

Tribo Manacó

15 Tangran é um jogo milenar chinês, literalmente “tábua das sete co­res”, 15 constituído por pedaços de madeira com formas e cores diversas, para compor figuras. 16 16 A grafitagem é hoje considerada uma atividade artística, consistindo em desenhar e pintar artisticamente muros e outros espaços públicos.

A Tribo Manacó, de São Leopoldo, organizouse a partir do Colégio Sinodal e escolheu a Trilha da

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA “O que me levou a isso foi o bom senso. É hu­ma­ no volun­tariar. E o nosso mundo, nos­sa cidade, nossos colé­gios precisam de pessoas humanas – dispostas à vivência da solidariedade.”

Testemunhos de quem participou

15 anos, Colégio Marista São Luis, Santa Cruz do Sul.

Para se ter realmente uma compreensão da ação

“A vontade e o desejo de fazer bem ao próximo, de ver um sorriso no rosto de uma criança, e a opor­ tunidade de colocar em prática os conhecimentos.”

Tribos nas Trilhas da Cidadania, é importante escutar as

vo­zes daqueles e daquelas que protagonizaram essas ações. Abaixo, seguem alguns depoimentos de jovens, professores e pais. Veja!

16 anos, Colégio Marista São Luis, Santa Cruz do Sul.

“A vontade de me envolver em algo so­cial, me mis­turar com pessoas de culturas diferentes, ver Montenegro se unir numa só causa.”

A voz dos jovens

16 anos, Colégio Estadual A. J. Renner, Montenegro.

“Bom, o primeiro passo foi dado por mi­nha escola ao inscrever-se neste pro­jeto. Mas me interessei prin­cipalmente porque gosto e sinto necessidade muito grande de um movimento neste tipo de tra­ balho. É um trabalho enriquecedor para nós mes­ mos, pois aprendemos muito, e principal­mente que devemos dar valor ao que temos, pois há pes­soas que dariam tudo para ter o que nós temos.”

Entre os 18 mil jovens gaúchos que partici­ param com seu entusiasmo e seu sentido solidário da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, eis alguns regis­tros. Neles você vai encontrar as razões que fazem um jo­vem abraçar o voluntariado e as repercussões dessa experiência na vida de cada voluntário. Perguntados sobre o que os levou a participar das Tribos nas Trilhas da Cidadania, eles assim respon­ deram:

13 anos, Escola Estadual de Ensino Fundamental Rui Barbosa, Ijuí.

“O trabalho em equipe. A união de várias es­ co­ las, tirando um pouco da rivalidade que existia.” 15 anos, Colégio Estadual A. J. Renner, Montenegro.

“Minha mãe, que estava participando, me incen­ tivou. Meu melhor amigo começou a participar também, e eu achei interes­sante uma gincana pela paz. Depois que eu entrei fiquei muito empolgada, fiz muitos amigos e isso me fez muito bem.” 13 anos, Colégio Sinodal Progresso, Montenegro.

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“Os projetos, as idéias e principalmente a alegria que o pessoal passava a cada ati­tude, a cada pala­ vra. Quem estava de fora, com certeza se sentiu contaminado pelas Tribos.”

“Conhecer pessoas novas, fazer ami­za­des, adorei o fato de várias escolas da cida­­­de se unirem em uma só Tribo, apren­di a me relacionar com pessoas de cida­des e clas­ses sociais diferentes da minha.”

14 anos, Instituto de Educação São José, Montenegro. ]

13 anos, Colégio Sinodal Progresso, Montenegro.

“O grande desejo de ter um mundo me­lhor, o que eu mais queria era cons­cien­tizar as pessoas de que estavam fazendo a coisa errada e que um simples ato muda muita coisa.”

“A união, coragem, determinação, inicia­ti­va, res­ peito e a responsabilidade das Tri­bos e do pro­jeto Tribos nas Trilhas da Cidadania.” 17 anos, Colégio Estadual Dr. Paulo Campos, Montenegro.

16 anos, Escola Estadual Santo Antônio, Garibaldi.

“Ter o contato direto com as crianças, dar aulas de música e ver o rostinho de cada uma, o gosto de aprender coisas no­vas, e o orgulho de se mostrar interessado e colaborar com a causa.”

“A consciência de que sou um cidadão e por isso tenho que ajudar a sanar alguns problemas na minha comunidade, pois só dessa forma vou poder saber que estou procurando o melhor para todos.”

15 anos, Colégio Marista São Luis, Santa Cruz do Sul.

Escola Estadual de Ensino Fundamental Reinoldo Emílio Block, São Sepé.

“Organizar as atividades e realizá-las com as crian­ças. Ter o contato com elas. Foi muito bom pelas emo­ções – afeto e cari­nho – que partilhamos (tro­camos).”

“Foi a solidariedade, a vontade de ajudar quem realmente precisa, tentar passar para todos a importância de ser solidário, e é muito gratificante poder ver todos feli­zes e saber que nosso trabalho é muito reconhecido.”

16 anos, Colégio Marista São Luis, Santa Cruz do Sul.

“A integração existente nesse projeto e saber que o nosso mundo anda mudando com esse trabalho voluntário.”

Colégio São Judas Tadeu, Porto Alegre.

17 anos, Colégio La Salle do Carmo, Caxias do Sul.

Questionados sobre o que foi mais interessante e marcante nesta experiência de voluntariado, alguns jovens assim responderam:

“Eu achei interessante a cara de espanto das pes­ soas, vendo adolescentes, pessoas novas, tentando lembrá-los de que eles têm o dever de cuidar do meio onde vivem.” 14 anos, Instituto de Educação São José, Montenegro.

“O mais interessante foi a união que acon­te­ceu entre as escolas. As amizades cria­das foram nossa maior vitória. Achei óti­mo fa­zer os projetos, pois com eles ajuda­ mos muito a comunidade e nós mesmos.”

“Foi legal conhecer um pouco sobre o tra­balho rea­ lizado em outras escolas, saber o que está se fazen­ do em outros municípios para ajudar a natureza e nós mesmos.”

16 anos, Instituto de Educação São José, Montenegro.

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14 anos, Escola Estadual Santo Antônio, Garibaldi.

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA “Para desencadear o projeto realizamos uma se­ma­ na de qualidade de vida para podermos subsidiar os alunos. A ação das Tribos foi a ação prática de conteúdos so­bre educação ambiental e cidadania desen­volvidos em sala de aula.”

O testemunho dos professores Se a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania foi, sem dúvida nenhuma, protagonizada pelos jovens, isso não significa que eles a realizaram isoladamente. O prota­ go­­nismo juvenil, longe de opor gerações, aproxima e fortalece o diálogo a partir das peculia­ridades e poten­ cialidades de cada geração. Certamente a ação foi pos­ sí­vel porque contou também com a participação muito próxima de vários educadores.

Graziela Santos, professora, Colégio São Judas Tadeu, Porto Alegre.

“(...) substituindo a teoria pela vivência prá­ti­ca do dia-a-dia em âmbito escolar e familiar.” Rosane Jahn, coordenadora, Escola Estadual Santo Antônio, Garibaldi.

“A educação foi ampla. Deu uma visão mais pro­ funda de todos os assuntos e te­mas propostos para tentar fazer a escolha. Os alunos, em geral, tinham cons­ciência de seu papel e colocaram a proposta em ação com seriedade. Isto é cidadania.”

Questionados sobre como a ação contribuiu no pro­cesso de aprendizagem dos alunos, alguns educa­do­ res assim responderam:

Rosmarie Benetti, professora, Escola Municipal de Ensino Fundamental Pedro Zucolotto, Gramado.

“Desenvolvendo projetos que nasciam dentro de sala de aula e partiam para a co­mu­nidade e vice-eversa. A caminhada pela paz, o mosaico da paz e vários outros foram discutidos em sala de aula em vá­rias disciplinas.”

“Os alunos enxergaram uma nova manei­ra de tra­ balhar: grupos diferentes, convi­vên­cia, tratamento interpessoal, uma uti­li­dade para os conceitos de química, visitação-respeito.” Valdenize Trindade, coordenadora, Instituto Estadual de Educação Tiaraju, São Sepé.

Carlos Barcelos, coordenador, Colégio São José, São Leopoldo.

“(...) através da participação e do engaja­ men­ to dos alu­ nos em ações cidadãs, do co­ nhecimento do volun­ tariado e do com­ pro­­ metimento com a comunidade escolar.”

“O desenvolvimento do senso coopera­ tivo fez com que a comunidade escolar passasse a interagir também de forma cooperativada. Um aluno passou a sentir-se responsável pelo sucesso do outro. Para a escola isso foi o máximo.”

Simone Bório, coordenadora pedagógica, Escola Estadual de Educação Básica Francisco Brochado da Rocha, São Sepé.

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Alcina Bitencourt, vice-diretora, Escola Municipal de Ensino Fundamental Rio Branco, São Sepé.

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Solicitados a destacar uma ação ou atitude que demonstre a mobilização, a articulação e a iniciativa dos jovens na ação, os educadores assim se manifes­ taram:

O depoimento dos pais As Tribos contaram com o apoio e a força dos seus familiares, que muito as incentivaram, marcando presença, cobrindo a retaguarda, enfim, participando juntos. Indagados sobre a opinião e a compreensão da ação que tiveram, assim os pais se manifestaram:

“Durante a realização do encerramento dos tra­ba­ lhos na escola, os alunos tive­ram um envol­vi­mento tal, que muitas ve­zes os próprios professores tor­na­ ram-se mais um membro da equipe. Foi im­por­tan­te ver as turmas tomando decisões com responsa­bi­ lidade.”

“Primeiramente, tomei conhecimento do projeto por meu filho ter realizado a atividade na escola. Entusiasmando nos­­­so filho, pois a ação so­li­­dária é nobre, im­por­tante e necessária aos jovens, para co­nhe­cerem e se engajarem nessa atividade para de­senvolver a sensibilidade e valorização da sua con­di­ção devida, e ainda saber que se cada um aju­ dar faremos cada vez mais.”

Alcina Bitencourt, vice-diretora, Escola Municipal de Ensino Fundamental Rio Branco, São Sepé.

“Concluímos que a união de um grupo é capaz de vencer qualquer obstáculo. Um grupo unido é ca­paz de mobilizar uma escola, uma comunidade, um município, o Estado. Tudo o que é realizado de bom deve e pode ser multiplicado. A res­pon­ sabi­lidade e a persistência levam ao suces­so do pro­ jeto. Construir um jardim, cavar, preparar o solo, semear, plantar mu­ das, plantar árvores e cultivá-las com eficiência, pensando no material que irão utilizar com recursos próprios.”

Paulo André, Ijuí.

“Ótima. Pois há integração e muito en­vol­vimento en­tre os jovens. Eles ocupam seu tempo de manei­ ra sau­dável, contri­buin­do assim para o crescimento pessoal.”

Sylvia Moro, professora, Escola Estadual de Ensino Fundamental Reinoldo Emílio Block, São Sepé.

Rosani Ávila, Montenegro.

“Ótima, pois todas as famílias da co­ mu­ nidade escolar foram envolvidas, e tive­ram a oportuni­ dade de contribuir com sua história.”

“Quando estivemos nos asilos e creches tendo idosos e crianças como platéia das apresentações de dança e música. A dis­po­nibilidade de todos em participar, deixar de lado outros compromissos para fazer e ser presença nas Trilhas.”

Marlise Faiz, Gramado.

“Achei que foi válida porque houve uma inte­ gração entre os alunos das escolas participantes e uma maior conscien­ti­zação no sentido de realizar algo em prol da cidadania.”

Elza Ferreira, professora, Instituto Rio Branco, São Leopoldo.

Oneide Bergamo, Montenegro.

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“Achei uma ação muito proveitosa, inte­ressante e envolvente, que mobilizou a comunidade, mis­ turou escolas. Foi real­ mente um incentivo aos adolescentes, para que eles fizessem acontecer na nossa cidade.”

“Muito importante, tanto para quem faz como para quem recebe. Quem faz cresce, vê outras situações que não são normais no seu dia-a-dia, começa aos poucos a ter outra visão da realidade que nos cerca. Para quem recebe, sente calor humano, se sen­te importante, tenta transmitir o amor que lhe falta.”

Luiz Carlos Kirsten, Montenegro.

Liano Lima, São Leopoldo.

“Sem dúvida são ações como essa que dão incen­ tivo aos jovens para desen­vol­verem suas poten­ cialidades junto à comu­ni­da­de, prin­cipalmente em relação à questão social.”

“Foi muito significativa, pois envolveu os alunos da Escola em busca de algo que melhorasse a comunidade, contribuindo assim para a prática da cidadania.”

Larissa Silva, Triunfo.

Maria Pires, São Sepé.

“Acho que é muito válida e interessante, pois ajuda as crianças a entenderem me­lhor o meio em que es­ tão inseridas, opor­ tuni­ zando conhecimento e desper­tando mais cedo para as suas responsa­bili­ dades sociais.”

“É a semente da conscientização que está sendo plantada. É necessária a continua­ção do trabalho para que efetivamente tenhamos uma nova geração, mais cons­ciente.”

Oscar Bertolini, Bagé.

Maria Copes, São Sepé.

“Muito boa! Pois os alunos tiveram oportunidade de planejar, desenvolver e coordenar atividades que possibilitaram informações para o crescimento deles.”

“É muito produtiva, pois ensina a eles a impor­ tância do meio ambiente para sua vida inteira, e talvez quando crescerem não poluam tanto quanto a nossa geração.”

Ana Maria Gazzaneo, Cachoeira do Sul.

Sandra Pereira, São Sepé.

“Eu acho muito importante este tipo de atitude, porque as pessoas se sentem amparadas e valorizadas (com amor e carinho). É um dia a menos de solidão nas suas vidas.”

“Inovadora, um trabalho excepcional que deve continuar por muito tempo, pois só assim vamos conseguir os ideais planejados.” Floraci Silva, São Sepé.

Vera Lúcia Silva, São Leopoldo.

“Ações como estas precisam ser incen­ tivadas, para que o jovem aprenda o ver­da­deiro valor do volun­tariado e seja um adulto consciente do seu papel na socie­dade, sabendo que se cada um fizer a sua parte é possível mudar a realidade em nosso país.”

“Muito importante, um tema muito bom a paz, no momento em que a violência cres­ce. Cada vez mais tenho certeza de que a ação feita pela escola mobi­lizou bastante a comunidade.” Édila Munhoz, São Sepé.

Marta Félix, Porto Alegre.

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Um dia, meus olhos inda hão de ver Na luz do olhar do amanhecer Sorrir o dia de graça. Poesias brindando essa manhã feliz O mal cortado na raiz Do jeito que o Mestre sonhava. O não chorar, (ai o não chorar) E o não sofrer se alastrando No céu da vida o amor vibrando A paz reinando em santa paz. Em cada palma de mão, Cada palmo de chão, Sementes de felicidade, O fim de toda a opressão, O cantar com emoção Raiou a liberdade Chegou, chegou ôô O áureo tempo de justiça Ao esplendor de preservar a natureza Respeito a todos os artistas A porta aberta ao irmão De qualquer chão, de qualquer raça, O povo todo em louvação Por este dia de graça.

Um olhar sobre o caminho percorrido

(Chico Buarque de Hollanda, Por um Dia de Graça)

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As histórias e relatos que você leu das Tribos nas Tri­lhas da Cidadania, além de interessantes e estimulan­tes, são reveladores e inspiradores. São portadores daquela ener­gia que anuncia fatos novos que mudam a vida das pes­soas e das comunidades: o dia de graça que canta o poeta. Por serem relatos de ações de jovens, revelam algo da juventude de nosso país e apontam para novos jeitos de juventude, isto é, novas identidades juvenis. Por terem sido ações que surgiram a partir de escolas, com jovens estudantes, mas envolvendo toda a comu­ ni­­dade escolar, revelam também movimentos realiza­dos na educação, mudando o jeito de estabelecer as rela­ções na escola, isto é, novos jeitos de aprender e ensinar. Final­men­te, por serem ações que envolvem toda a comu­ nidade, que dizem respeito ao bem-estar de muitas pessoas, suas necessidades e preocupações, revelam maneiras de ser cidadãos e cidadãs, isto é, novas pistas de cidadania ativa. Explicitar esses aspectos será a tarefa da se­gun­­­da parte deste texto, procurando traçar um olhar sobre o caminho percorrido. Enquanto a primeira par­te foi mais descritiva, esta será mais reflexiva e analíti­ca. Para que você e sua Tribo – em casa, na escola, com os amigos – possam continuar e aprofundar esta aná­lise, su­gere-se, após cada item, algumas questões para serem debatidas.

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Será bom conversarmos sobre cada um desses pontos, não é mesmo?

Novas identidades juvenis Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o mun­ do viu surgir um novo ator social: a juventude. É claro que jovens sempre existiram, mas juventude não. Foi no século XX que ela se constituiu como um mun­do próprio, assumindo modos próprios de se vestir, de se comunicar, de se expressar musicalmente, com pos­tu­ ras, ideários e reivindicações próprias, enfim, um jeito próprio de ser e existir. Ao mesmo tempo, a juven­tude tem-se apresentado como uma força própria, contri­ buin­do ativamente na construção da sociedade. Inicial­ mente visível nas escolas, bares, discotecas e praças, foi assumindo vários espaços, interagindo com adul­tos e tomando conta da comunidade. O que se vê em Tribos nas Trilhas da Cidadania é a expressão desse movimento. A razão da possibilidade e do êxito que a proposta da ONG Parceiros Voluntários lançou firma-se neste amplo movimento da juven­tude, indicando novas identidades juvenis, marcadas pelos seguintes aspectos: a valorização do capital cultural da juventude; a consideração da juventude como ativo agen­ te histórico; e a emergência do protagonismo juvenil.

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O capital cultural da juventude Em primeiro lugar, a juventude tem-se revelado como ator social independente, portadora de um capi­ tal cultural próprio. Este conceito de capital cul­tural tem sido usado por alguns especialistas para designar a contribuição peculiar de um determinado grupo na cons­tituição do patrimônio cultural de uma comuni­da­ de. No caso da juventude, aponta para o que querem e o que propõem os jovens, considerando suas expe­riên­ cias adquiridas na família, escola, enfim, o lugar em que vivem. Este capital cultural se enriquece ainda mais se considerarmos a diversidade e a pluralidade que envol­ vem a própria noção de juventude. Talvez mais do que de juventude devêssemos falar de juventudes, enfati­ zando os diversos grupos que a compõem. O conto clássico de Andersen – “A roupa nova do 17 rei” – coloca exatamente um jovem como aquele que 17 17 Você lembra da história? Um rei, desejoso de uma nova roupa, contrata

alfaiates que o enganam dizendo fazer um traje real invisível. No dia de mostrar sua nova roupa ao povo, todos vêem que o rei não estava vestido, mas fazem de conta que não percebem. Apenas uma criança grita: o rei está nu!

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desmontou a farsa montada e disse que o rei esta­va nu. Vários pesquisadores mostraram que crianças e jo­vens não possuem um saber menor ou inferior do que o saber dos adultos, apenas têm percepções dife­ren­tes des­tes e que podem enriquecê-los. “Nem me­lhor, nem pior, ape­ nas diferente!”. Essas pesquisas são mui­to im­por­­­tan­tes porque tiram toda a sustentação de uma ati­tude muito cultivada na sociedade: a de subestimar a ju­ven­­tu­de e não levar em consideração o seu capital cultural. Os adolescentes e jovens que participaram da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania mostraram ser por­ tadores de um capital cultural, isto é, de uma rique­za e de um potencial próprios, necessários para a vida de uma sociedade. Sem esta contribuição – que se mani­ festa de diversas formas, como modos de pensar, de agir, de articular, de expressar, de organizar, enfim, de viver –, as comunidades perderiam muito.

na qual os jovens eram vistos, ao mesmo tempo, como ameaça – porque transgridem e questionam – e como es­perança. Os jovens não constituem mais uma hipo­té­­ tica classe de cidadãos do amanhã, mas, como cida­dãos de hoje e do presente, são portadores de alterna­tivas para a nossa sociedade. Como afirma Dina Krauskopf, deve-se abandonar a concepção da juven­tude como período preparatório ou etapa problema, para percebêla seja como agente estratégico do desenvolvimento, seja como juventude cidadã.19 A socióloga americana Elise Boulding constata que, apesar disso, a pesada mão do patriarcalismo ain­ da atua sobre crianças e jovens.20 Para superar esta posi­ ção é preciso, para essa autora, ultrapassar três con­cep­­ ções: de que crianças e jovens são frágeis, seres ainda não-formados que necessitam de proteção das ameaças ambien­tais e dos adultos exploradores; de que a expe­ riên­cia de conhecimento das crianças e jovens é limi­ tada, porque não têm informações e atitudes das prá­ ticas da socie­dade adulta; de que a sociedade é muito complexa, de forma que somente espaços demarcados

Os cidadãos do presente Portadoras de um capital cultural, as juventudes têm-se revelado como ativos agentes históricos, supe­ rando aquele rótulo de uma sociedade adultocrata, 18 .

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KRAUSKOPF, Dina. Dimensiones críticas en la participación social de las juventudes. In: BALARDINE, Sérgio. La participación social y política de los jóvenes en el horizonte del nuevo siglo. Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 119-134. 20 BOULDING, Elise. Cultures of peace: the hidden side of history. Siracuse University, 2000. p. 139.

18 Adultocrata: sociedade governada e dominada por adultos, em que os 18 jovens pouca voz e vez possuem.

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e preenchidos por adultos treinados podem preparar a criança e os jovens para viver nela. O fato é que nossa sociedade estrutura as relações entre as gerações por meio de um intenso paralelismo: adultos e jovens como realidades dis­tintas, uns se preparando para a vida, outros viven­do-a. Na verdade, a perspectiva de um diá­logo entre gerações revela-se como enriquecedora para todos, permitindo um reconhecimento mútuo em que duas gerações preparam-se mutuamente. Os participantes da ação Tribos nas Trilhas da Cida­dania assumiram-se maduramente como cidadãos do presente, colocando-se numa posição de responsabi­ lidade social. De fato, o que caracteriza a maturidade humana é quando se passa de uma atitude captativa de ape­nas querer receber para assumir-se um posiciona­ mento que poderíamos chamar de oblativo, baseado na capacidade maior de disponibilizar-se e dedicar-se por alguém ou por um grupo.

juvenil seria uma forma de reconhe­cimento posi­ti­vo do capital cultural da juventude e da impor­tância de sua ação e contribuição nas relações de uma socie­dade. Para que o protagonismo juvenil seja efetivo, e não apenas aparência ou manipulação da juventude pelos adultos, é importante considerar os três com­po­nentes fundamentais apontados por autores como RodríguezGarcía e Macinko: participação, compromisso e em­po­­ deramento, que se expressam na tomada das deci­sões e na iniciativa das ações. A presença ou não desses três 21 elementos pode nos indicar o grau de protago­nis­mo juvenil, visualizado no seguinte esquema, criado por Roger Hart: 22

Graus de Participação  Iniciada pelos jovens e decisões compartilhadas com os adultos  Iniciada e dirigida pelas crianças  Iniciada pelos adultos e decisões compartilhadas com os jovens  Consultados e informados  Convocados mas informados Não-Participação  Participação simbólica (discursos decorados, por exemplo)  Decoração (vestem camisetas, etc.)  Manipulação: apenas são instrumentos

Protagonismo juvenil Hoje, como caminho para superar esta socie­da­de adultocrata fala-se muito em protagonismo juvenil, uti­ lizando-se de uma imagem do teatro e do cinema – numa peça ou num filme, o protagonista é o ator prin­cipal, aquele que conduz a trama da história. O prota­go­nis­mo

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21 Apud. KRAUSKOPF. 2000. p. 127. 21 22 HART, Roger. A participação das crianças: da participação simbólica 22 à participação autêntica. São Paulo: [s.n.], p. 6.

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 uma juventude com sua auto-estima recu­

Para esses autores, o primeiro grau de prota­go­ nismo juvenil acontece quando os jovens são apenas informados por grupos externos que fixam os objeti­ vos e metas para os programas juvenis (item 4 do quadro). A participação pode começar quando os jo­ vens são consultados, embora ainda não possam in­fluir nas decisões (item 5). Há participação e pode começar o compromisso quando os jovens contribuem para me­lho­rar os objetivos e resultados (item 6). Junto à parti­ ci­­ pação e ao compromisso pode começar o empodera­mento dos jovens quando tomam decisões e são consultados para estabelecer, priorizar e definir obje­ ti­ vos (item 7). A plenitude dos três elementos – par­ti­ci­pação, compromisso e empoderamento – acontece quando os jovens iniciam a ação e junto com os líderes locais fixam os objetivos, priorizam, plani­ ficam, avaliam e são responsáveis pelos resultados (item 8). Certamente uma das razões que proporcionaram o desenvolvimento da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania – e que constitui o segredo de sua difusão – foi a pos­sibilidade de os jovens terem afirmado o seu prota­ go­nis­­mo, fazendo a experiência da participação, do com­ pro­ mis­ so e do empoderamento. Esta juventude prota­ gonista poderia ser caracterizada, em outros aspectos, como:

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perada, capaz de apostar nas suas potencia­ lidades. Vivemos numa sociedade em que uma profunda insegurança toma conta da grande maioria dos jovens, os quais devem enfrentar questões como emprego e mercado de trabalho, segurança, continuidade dos estu­­ dos, etc. Por outro lado, as instituições educa­ doras, em sua maior parte, adotam peda­­gogias que, muitas vezes, desenvolvem mais a subserviência do que a iniciativa;  uma juventude com acesso a informações, as

quais possibilitam novas perspectivas sobre o mundo e novos enfoques no agir;  uma juventude apropriada de metodologia

de intervenção e transformação da realidade. Algumas experiências do passado, como, por exemplo, a Ação Católica, desenvol­vi­da pela Igreja Católica nas décadas de 50 e 60 e que possibilitou a formação de mui­tas das lide­ranças hoje atuantes, tiveram seu êxito na capacitação dos jovens na metodologia verjulgar-agir.

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vem passando por processos de mudança bastante significativos. As principais mudanças poderiam ser resumidas:

Para conversar  Você já tinha ouvido falar em capital cul­

 

tural? Qual o capital cultural de seu grupo ou da juventude de sua comunidade? Você já ouviu falar do conto “A roupa nova do rei”? O que hoje os jovens gritam à socie­ dade? Como você encara esta questão do diálogo entre as gerações? Quais são os elementos que favorecem e os elementos que impedem o protagonismo juve­­nil em sua comunidade? Qual a ação iniciada e implantada por você, em sua casa, escola, comunidade?

 mudança na concepção de educar;  mudança nos métodos de educação;  mudança nas metas da educação.

Vamos aprofundar? Mudança na concepção de educar A primeira mudança diz respeito ao modo de entender a educação na sociedade. Isto é, está se des­ co­­brindo que educar é mais que ensinar! Embora a esco­la e o ensino nela ministrado constituam-se num fator importante e necessário da educação, a educação não se reduz à escola nem ao ensino. Ela contempla não apenas um período da vida, mas a vida inteira, como também diz respeito a todos os espaços da socie­ dade, não ficando apenas restrita à escola. Aprende-se e ensina-se também na família, no trabalho, na rua, nos partidos políticos, nas igrejas, isto é, em todos os espaços nos quais as pessoas se reúnem e convivem. Há um movimento, com sede em Barcelona, Espanha, reu­­nindo prefeituras de vários países, chamado Cida­

Novos jeitos de aprender e ensinar Uma outra mudança cultural em curso – na qual a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania também se insere – diz respeito aos novos jeitos de aprender e ensinar. Pode ser que a gente não perceba – e ache o mundo da educação sempre igual –, mas o fato é que a educação

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des Educadoras, e nele se reflete e se trabalha a dimen­ são educativa da cidade: em suas praças, ruas, museus, espaços públicos, as cidades modernas se constituem como uma grande escola. A ação Tribos nas Trilhas da Cidadania evidenciou esses novos espaços de educação. Quando jovens parti­­­ cipam de um projeto social, há aí, claramente, uma aprendizagem e um momento educativo único, em que se aprende a ser exigente – mas sublime! – lição da solida­riedade e do compromisso social. As ações volun­­ tárias como as desenvolvidas neste projeto proporcio­ naram aos seus participantes saberes e conhecimentos iné­di­tos, habi­li­dades e atitudes únicas, tais como um co­nhe­ci­mento vivencial da realidade social, a convi­ vên­­cia em sociedade, etc. É claro que não podemos contrapor simplesmente o conhecimento adquirido no projeto social com o conhecimento adquirido na sala de aula: longe de se excluírem mutuamente, esses dois campos se complementam. Há muitas escolas que to­mam a ex­pe­­riência social como ponto de partida para o apro­fun­da­­mento teórico que a escola proporciona: os de­ poi­­­ men­ tos relatados no item “O testemunho dos pro­­fes­­so­res” atestam isso claramente. O diálogo e o estabelecimento de laços estáveis entre escola e co­mu­ ni­dade trazem bene­fícios para ambos os lados: a comu­ni­­

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dade dá à escola a possibilidade de desenvolver sa­be­ res que se­riam im­pos­síveis se a escola ficasse res­tri­ta ao seu mun­do, e ao mes­mo tempo a escola traz para a comunidade sabe­res, relações e práticas que não teria se não se abrisse a essa relação.

Mudança nos métodos de educação A segunda mudança diz respeito aos métodos da educação, especialmente naquilo que envolve as pes­ soas que participam do processo educativo. Duran­te muito tempo, estabeleceu-se entre nós – e em alguns lugares isso ainda é muito forte – aquilo que Paulo Freire consagrou como a educação bancária. Educação bancá­ria porque os alunos desempenham um papel apenas passivo, sentados nos bancos escolares, e nela os pro­fessores desempenham todo o papel ativo, como aque­les que sabem, que ensinam, que detêm o saber e o conhecimento. Os alunos “não sabem”, e a missão do pro­fessor é transmitir seu saber a eles. A proposta principal desse grande educador brasileiro – infeliz­ men­ te ainda não totalmente posta em prática em muitas escolas – é a da educação libertadora, pela qual os alunos desempenham um papel ativo, de sujeito, e não de meros objetos, responsáveis pela construção do

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conheci­men­to. Essa dimensão comunitária e coletiva do ato de apren­der foi sintetizada em uma frase clás­sica desse notável educador brasileiro: “Ninguém educa ninguém, mas todos nos educamos juntos”. Os tantos conhecimentos adquiridos durante a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania não foram impostos nem alcançados isoladamente, mas obtidos a partir des­sa dupla experiência de cada um, ao mesmo tempo, entender-se como sujeito que indaga e sujeito que esta­belece relações com outros sujeitos. Sujeito que indaga porque tem em si esta curiosidade de apro­ fundar, de bus­car, de construir os seus saberes. Sujeito que esta­be­lece relações com outros sujeitos porque é social por natureza. A educação acontece verdadei­ ramente quan­do este duplo sujeito – que indaga e que estabelece relações sociais – é ativado e colocado em evidência.

apenas para o mercado do trabalho, há também a ten­ dência, por parte de muitos educadores e setores da sociedade, de atribuir outros papéis e metas à edu­ ca­ção, como, por exemplo, o de formar cidadãos e cida­dãs, ativamente participantes e responsáveis pela socie­dade em que vivem, e não apenas consumidores e burocratas. A educação para a cidadania é, hoje, uma tarefa que nenhuma instituição educativa pode se dar ao direito de dispensar. A escola, mais que um depó­sito de conhecimentos ou uma etapa para o êxito e o sucesso, é um espaço privilegiado de socialização: estu­da­mos na escola para desenvolver nossos conheci­ men­tos, atitudes e habilidades sociais e para contri­buir­ maduramente para o desenvolvimento e o crescimento da nossa comunidade. A ação Tribos nas Trilhas da Cidadania constituise, sobretudo, em um momento de educação para o exercício da cidadania, trazendo dentro de si outras dimensões, como a educação ambiental, a educação para a paz, a educação artística, etc.

Mudança nas metas da educação A terceira mudança em curso possui relação com os objetivos que são atribuídos à escola no con­ junto da sociedade. Embora seja muito forte, especial­ mente pelo impacto da globalização, a tendência de considerar a escola como um elemento de preparação

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Para conversar  O que você aprendeu com o trabalho volun­

tário?

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 Quais os traços de educação libertadora

de desigualdade e de desrespeito da liberdade. Depois, no século XX, quando da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro de 1948, novos passos foram dados, tais como o reco­ nhe­cimento dos direitos sociais, a busca de superação da discriminação racial, o acento dado nos direitos das mulheres, entre outros. Não foi só o estilo de vida que mudou nos últimos anos, com o advento do mundo das comunicações, Internet e novas formas de energia: tam­ bém o mundo social assiste a um movimento de reorga­ni­ zação, na direção de valorização do direito de cidadania de cada homem e de cada mulher do planeta. A ação Tribos nas Trilhas da Cidadania também trou­xe novas pistas no que diz respeito aos deveres da cidadania, isto é, um novo modo de entender a cidada­ nia que enfoca a participação de cada cidadão e cidadã na construção da sociedade, e nesse novo enfoque se destacariam os seguin­tes aspectos:  a dimensão ativa da cidadania;  a vivência de mecanismos promotores da cidadania;  os benefícios da inclusão.

que você vê presentes em sua escola? E do mé­todo bancário?  Conte momentos, experiências e fatos em que você aprendeu cidadania.  Conte momentos, experiências e fatos nos quais você exercitou sua cidadania.

Novas pistas de cidadania ativa Cidadania deriva de cidade e tem relação a como se estruturam as relações entre os membros de uma comunidade, que pode ser um bairro, uma cidade ou uma nação. Hoje, especialmente pelos novos enfoques trazidos pela globalização, fala-se também em cidadania planetária, apontando para a responsa­ bilidade que temos, não apenas como brasileiros, mas também como cidadãos do mundo. Como toda noção social, também a cidadania foi construída pela humanidade, isto é, fomos, por meio das gerações e dos movimentos sociais, aprendendo a ser cidadãos e a viver em sociedade. Um momento sem dúvida marcante foi no século XVIII, quando foram reivindicados e proclamados “os direitos do homem e do cidadão”, para contribuir na superação de situações

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É bom conversar sobre cada um separadamente, não é mesmo?

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Se cidadania ativa significa participação res­pon­ sável, para além de toda omissão e indiferença, pode­ mos dizer que os participantes das Tribos nas Trilhas da Cidada­nia fizeram esta experiência do público e do cole­tivo num tempo em que, segundo os estudiosos, há uma redução do espaço público. Isto é, vivemos num contexto de socie­­dade em que reina um certo desinte­ resse e desencanto com a participação e pela própria idéia democrática, colocando a ênfase no privado e em estratégias indivi­duais, excluindo qualquer possibi­lidade de um mínimo de solidariedade. Os jovens das Tribos mostraram, exata­mente, um encantamento pelo social, ultrapassando os limites dos seus pequenos mundos e indo desbravar o terreno do público, enfim, do que diz respeito a todos. Esse exercício da cidadania ativa e esse resgate da participação pública se dão por dois canais ou instru­ mentos privilegiados: a palavra e a ação. Uma das experiências humanas mais originárias é o dizer a sua palavra. É a palavra que caracteriza e distingue o ser humano, como já havia notado o filó­ sofo Aristóteles na Grécia Antiga: o ser humano é um animal dotado de fala. O cidadão é aquela pessoa que se expressa por sua palavra ao mesmo tempo em que esta é reconhecida como portadora de sentido. Talvez uma das tragédias de nossa sociedade e de seus espa­ ços é a dificuldade que muitas pessoas têm de poder

A dimensão ativa da cidadania Em primeiro lugar, a experiência da cidadania ativa. Há autores que afirmam claramente que cidadania é consciência de direitos e deveres – o que chamam de cidadania ativa – em oposição à outra forma de ser cidadão e cidadã, que desconhece esta dimensão de direitos e deveres – cidadania passiva. A edu­cadora e socióloga Maria Victoria Benavides esclarece bem esta diferença entre cidadania passiva e cidadania ativa: Todos são cidadãos passivos porque todos, numa determinada sociedade, estão sujeitos à inter­ venção e sanção de uma ordem jurídica. Todos são cida­dãos passivos garantidos por uma determinada cons­­ti­tuição que atribui deveres e direitos. Todos são cida­­dãos passivos a partir da idade civil de res­ pon­sa­bi­lidade. Eles só se tornarão cidadãos ati­vos quando efetivamente assumirem uma respon­ sa­ bilidade em relação a essa participação nas esfe­ras de poder, tanto para participar de processos de­ci­ sórios, como para se organizar na reivin­di­cação de direitos so­ciais, econômicos, culturais. Então, o indivíduo real­­mente constrói essa sua con­­dição, ele se torna um cidadão ativo, e essa cida­da­nia está ligada também a uma pré-condição, que é a da responsabilidade civil. 23 23 BENAVIDES, Maria Victoria. O que é formação para a cidadania. 21 [s.n.], 2000.

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dizer a sua palavra. E certamente o fascinante da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania foi a possibilidade de dar a palavra aos jovens, não apenas a oportunidade de fazerem uso da palavra, mas a possibilidade de eles e elas poderem dizer a sua palavra, de expressarem seus desejos e utopias, reivindicações e propostas. A ação nasce no momento em que as pessoas estão convivendo. Aqui podemos distinguir entre fazer e agir. Faz-se uma cadeira, uma receita de bolo, um tex­to – é uma relação humana com o mundo –, enquan­ to o agir está relacionado com a coletividade humana: protesta-se contra tal medida, reivindica-se por aquilo, etc. Esta distinção entre fazer e agir talvez nos permita concluir que em nossa sociedade aprendemos a fazer muitas coisas, mas a agir pouco. O que põe em evi­ dência a importância das Tribos nas Trilhas da Cidadania como espaço de ação coletiva, que gera o novo e trans­forma a convivência humana por intermédio do “agir”.

consti­tuin­do Tribos. As Tribos também não agiam de forma isolada: havia o Conselho Tribal, no qual as Tri­ bos po­diam contatar e estabelecer laços com represen­ tantes da comunidade a ser beneficiada com sua ação, com representantes do poder público ou da sociedade civil organizada. E mesmo as decisões do Conselho Tribal que diziam respeito ou envolviam a sociedade civil necessitavam passar pelos mecanismos de parti­ cipa­ção desta mesma sociedade. Aqui entra a importância de descobrir os vários canais de participação da sociedade, de interagir com os diversos movimentos sociais que compõem a mes­ ma sociedade e de aprender a trabalhar em rede e par­ ceria com os diversos segmentos e grupos que fa­zem parte da comunidade. Trata-se de uma experiên­ cia cidadã fundamental: a descoberta de como se estrutura o espaço público, seus mecanismos, seus ritmos e instrumentos. Assim, como cada criança vai crescendo e descobrindo como se estruturam as relações com o mundo que a circunda, e vai se educando, da mesma forma o cidadão: ele é reconhe­cido como tal no momen­ to em que interage com e nos diversos espaços da sociedade. Porque a sociedade não é espontaneísta, ela passa pela organização. Ao agirem organizadamente, ao darem uma estrutura para o seu voluntariado e solidariedade, os

A vivência de mecanismos promotores da cidadania Um segundo aspecto a destacar é a descoberta dos mecanismos de participação cidadã. Os voluntá­ rios não agiam solitariamente, mas solidariamente,

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incluir este grupo, superando preconceitos, bar­reiras, etc. Mas o principal caminho da ação das Tribos nas Trilhas da Cidadania foi que os jovens se incluíram. Numa sociedade em que, muitas vezes, o jovem é des­ preza­do, ao participarem ativamente dessas ações de volun­tariado como sujeitos, eles e elas disseram estar dentro da vida da comunidade, quebrando todos os precon­cei­­tos e estereótipos que se criaram a respeito da juven­tu­de, tais como “os jovens não querem nada com nada”. De fato, não apenas os jovens têm um ideal muito forte e amplo, como são capazes de dar passos muito con­cretos na sua realização.

jovens das Tribos nas Trilhas da Cidadania criaram fami­lia­ ri­dade com os mecanismos promotores da cida­dania. E, para eles e elas, certamente, este mundo se abriu: foram iniciados em seus segredos e podem agora exercê-la com todo vigor e responsabilidade.

Os benefícios da inclusão Um terceiro ponto, quase um indicativo da cida­dania ativa, é a inclusão. Se cidadania rima com de­mocracia e com igualdade, somente há cidadania ativa quando há inclusão. Talvez este tenha sido um dos aspectos mais característicos da ação das Tribos nas Trilhas da Cidadania: foi uma ação de inclusão! Em primeiro lugar, porque as Tribos incluíram, isto é, desenvolveram ações de solidariedade que pro­ curaram superar a marca de exclusão de nossa socie­ dade. Este movimento de inclusão se fez em várias direções, incluindo vários grupos, tais como: pessoas portadoras de necessidades especiais, comunidades carentes, idosos, menores, doentes, etc. Este processo de inclusão foi uma mão dupla, tanto no aspecto de que um determinado grupo incluía-se na comunidade maior, como no sentido de própria comunidade maior

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Para conversar  Cite exemplos de cida­dania ativa e cidadania

passiva em sua comunidade.  Quais os canais de participação e movimen­ tos sociais que estão abertos ou que os jovens podem abrir em sua cidade?  Você já se sentiu partícipe de uma ação inclu­ siva? Qual?  Você se considera um cidadão ativo ou passivo?

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Debulhar o trigo Recolher cada bago do trigo Forjar do trigo o milagre do pão E se fartar de pão. Decepar a cana Recolher a garapa da cana Roubar da cana a doçura do mel Se lambuzar de mel... Afagar a terra Conhecer os desejos da terra Cio da terra propício à estação E fecundar o chão... (Chico Buarque de Hollanda, Cio da Terra)

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Uma das preocupações que marcaram a ação de

Procure sua escola e forme sua Tribo!

muitas Tribos e os debates do Fórum Tribal foi a conti­ nuidade das ações. Em todos os participantes havia este cuidado para que a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania

Se é verdade que o voluntariado apresenta uma dimensão pessoal insubstituível – ninguém pode ser vo­luntário por você! –, é verdade também que ele traz em si um aspecto coletivo e comunitário bem determi­ nado. É no seio de um grupo e a serviço deste que se desenvolve o voluntariado. O voluntário não é jamais um espécie de herói isolado, mas membro de um gru­ po voluntário. Por isso, o primeiro passo nas Trilhas da Cidadania é a constituição de uma equipe de ação. A ins­­­piração das Tribos sempre aponta para esta direção de coletividade e comunitariedade. Ninguém nasce sabendo conviver: a gente apren­ de a conviver. O grupo/Tribo, tais como a família e a escola, constituem-se espaços importantes de sociali­ zação para muitos jovens. Cada membro do grupo é ensinante e aprendente no que diz respeito ao viver em grupo, isto é, cada um tem sempre o que ensinar e o que aprender quando se trata de uma relação comuni­ tária. Talvez o segredo de uma Tribo pudesse ser resu­ mido em duas palavras: relação e participação. A relação diz respeito à coesão de um grupo, à ca­pacidade de este grupo estar unido e manter-se unido

não fosse algo episódico e passageiro, mas incorpo­ra­do como um método na vida dos jovens e das comunidades que dela participaram. De fato, estamos vivendo um tempo que pede muita ação – há que se debulhar o trigo para fartar-se de pão, há que se decepar cana para se lambuzar de mel. E há muitos jovens desejosos de participar deste imenso mutirão de fazer frutificar nossa terra, nosso povo. E a dificuldade que muitos encontram é mais de ordem metodológica: como é que posso fazer? Como posso ser solidário? Como posso voluntariar? Daí que este texto não quer apenas ser um relato e uma análise do que passou, mas também abrir pers­pec­­ tivas para o futuro. Se você deseja firmar sua Tribo, se você deseja criar uma nova, enfim, se você deseja se­guir com disposição e empenho pelas trilhas do volun­ta­riado e da solidariedade, então, siga as dicas seguintes!

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durante a ação. Sobretudo está relacionada com o diá­ logo, uma prática reivindicada atualmente por mui­tos, mas também uma capacidade pouco desenvol­ vida entre nós. São muitos pensadores que têm nos lembra­ do que o diálogo não é algo que se acrescenta ao ser humano, mas sua dimensão constituinte: ser humano é dialogar, a existência humana é constituída dialogica­ mente. O esquema que estrutura o diálogo não é “um-depois-do-outro”, mas “um-com-o-outro”, em que ouvir, não guardar para si a última palavra e abrir-se ao dife­rente constituem atitudes fundamentais. Num diálogo autên­ti­­co e verdadeiro, não somos nem espec­ta­ dores pas­si­vos nem assistentes indiferentes ou mem­bros domi­na­do­res, mas parceiros. Porque o diálogo não se dá ape­nas em nível de fala: é, sobretudo, uma expe­ riência do encontro e da amizade. A participação possibilita a coesão na medida em que os membros de um grupo se sintam co-res­pon­sáveis pela ação que estão realizando. Nada mais prejudicial a um trabalho de grupo que uma “eu-quipe”, isto é, uma pessoa ou um pequeno grupo que mono­poliza as deci­sões e/ou as ações. Para uma participação ativa, é importante lembrar que:

ação compete a todos os participantes de um grupo e não é tarefa apenas de sua coor­de­ nação ou liderança;  todos devem participar das ações do grupo.

Aqui é importante a sabedoria de poder valo­ rizar as capacidades de cada um. Os cria­tivos são ótimos para serem envolvidos na arreca­ dação de recursos, enquanto aos que têm o dom da organização pode-se dar a tarefa de planejar os eventos. Os que sabem escrever bem podem se ocupar dos textos, enquanto os que contam com dotes artísticos cuidam das partes que envolvem essas competências. Os comunicadores podem ser responsabi­ li­ za­dos pelas relações públicas, enquanto aos entu­­sias­tas caberá a animação do grupo. Lem­ bre-se: todos possuem alguma habilidade que pode enriquecer o grupo/Tribo;  todos devem participar dos benefícios da

ação. O que foi decidido e realizado por todos deve ser usufruído por todos!

 todos devem participar das decisões do

Além de garantir a relação e a participação, um mínimo de organização é também importante para

grupo. Escolher os rumos e opções de uma

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o sucesso de um grupo/Tribo. É bom, por exemplo, que tenham a lista dos números de telefones e e-mails de todos, para facilitar a comunicação. Alguém que coor­dene pode agilizar e mesmo garantir o avanço da Tribo (veja no quadro algumas dicas para um bom coor­denador). Um serviço de secretaria e de finanças é importante também. O grupo/Tribo também deve trabalhar em con­ tato e manter a articulação – hoje se usam muito as pa­la­­vras rede e parceria – com outros grupos. Um grupo isolado – que não leva em consideração o trabalho e a contribuição de outros grupos, iguais ou diferentes – per­de muito da possibilidade de alcançar seus objetivos. As reuniões do grupo/Tribo são momentos es­sen­­ ciais do processo. Daí a importância de elas serem, ao mesmo tempo, animadoras e eficientes. Uma reu­nião deve ser animadora, isto é, as pessoas devem se moti­ var e entusiasmar com aquilo em que estão envol­vidas. Palavras gentis – mesmo se há discordância de idéias –, bem-estar e atenção às necessidades de cada um são elementos importantes para garantir a leveza da rela­ ção. Mas as reuniões devem ser eficientes, atingindo os objetivos propostos. A palavra deve ser dada a todos, sem monopólios, e quem coordena não deve per­ mitir desvios. Veja ao lado um roteiro para reuniões.

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Os mandamentos de um bom coordenador

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1 Ter visão do objetivo do grupo: saber em que dire­ ção deve caminhar o grupo. 2 Entender de metodologia, isto é, saber trabalhar de modo a chegar ao objetivo previsto. 3 Saber conduzir uma reunião. 4 Ser bom cobrador, em vez de fazer tudo sozinho. 5 Saber controlar o tempo, mantendo o foco da

reu­nião e cuidando da objetividade e da pontuali­ dade.

6 Ter boa capacidade de organização, garantindo o

planejamento das ações, seu acompanhamento e avaliação.

7 Saber despertar novas lideranças. 8 Dar testemunho de vida coerente. 9 Ter empatia e sensibilidade para com os membros do grupo. 10 Ser entusiasmado. 24 BORAN, Jorge. Juventude, o grande desafio. São Paulo: Paulinas, 21 1982. p. 314-317. Adaptação.

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Um roteiro para as

Escolha sua Trilha e estude a temática

reuni0es de sua Tribo Veja a seguir alguns passos importantes para garantir uma reunião eficiente e agradável:

Estruturada a Tribo, é hora de escolher a Trilha, isto é, definir o campo de atuação do grupo de volun­tá­ rios. Para facilitar essa tarefa, é bom que o grupo/Tribo pos­sa responder à seguinte pergunta: que problema so­cial motiva uma intervenção? O fato de existirem pro­ble­­mas complexos não significa que nada podemos fazer. Escolhida a Trilha, é hora de fazer o levanta­ mento de outras organizações que queiram ou já desen­ volvam trabalho nesse sentido, procurando conhecer o trabalho que desenvolvem e estabelecer parcerias. Se podemos trabalhar em rede, por que trabalhar isolados? Também é importante reunir o maior número de informações sobre a problemática. Hoje, mais do que nunca, o conhecer bem teoricamente uma questão per­mi­te fundamentar bem a ação. Uma ação estudada tem muito mais possibilidade de ser conseqüente do que uma ação espontaneísta. O grupo/Tribo deve procurar levantar o maior número de informações. Por exemplo, se a Trilha esco­lhida foi a ecologia e o grupo se sente motivado

1 organização da pauta do encontro: fazer uma lista, com an­tecedência, de todos os assuntos que devem ser debatidos. 2 acolhida e boas-vindas, incluindo uma pequena apre­ sentação dos presentes (ou dos novos), se for o caso. 3 leitura da ata da reunião anterior (quando houver). 4 se for o caso, podem ser divididas algumas tarefas bási­cas: quem coordena, quem secretaria, quem será o cro­no­metrista, etc. 5 cumprimento da pauta proposta. Quem coordena a reunião deve: distribuir bem o tempo, para que todos os assun­ tos pautados sejam discutidos oportunizar para que todos possam fazer uso da palavra impedir desvios ou discussões desnecessárias ou conversas paralelas 6 distribuição de responsabilidades (criar grupos por temas). 7 comunicações. 8 avaliação da reunião. Uma boa dica é: que bom que, que pena que, sugiro que.... 9 planejamento do próximo encontro: data, local, quem coordena... 10 confraternização e celebração. 1 1 elaboração da ata do encontro.

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a intervir na transformação de um lixão, é importante reunir todos os dados: quando começou? Qual a quan­ tidade de lixo que recebe? Quais as conseqüências? Que tipo de lixo é recebido? O que poderá ser feito com ele? Além dos dados da realidade, é também impor­ tante reunir informações teóricas sobre a temática. No exemplo dado, a questão do lixo. Aqui, trata-se de ler, de estudar, de pesquisar. Além das revistas e livros, uma boa fonte de pesquisa é a Internet. Veja, a seguir, alguns instrumentos para oportunizar o estudo. De posse dos dados da realidade e das informa­ ções teóricas, o grupo/Tribo deve refletir bem algumas questões específicas, tais como as causas, conse­qüên­ cias e solução. Para ajudar a Tribo, é importante organi­ zar a informação em algum álbum ou mural. É fundamental que todos os membros do gru­ po/Tribo estejam envolvidos nessa fase. A coleta de informações diz respeito a todos. Também é oportuno perguntar aos especialistas – organizar uma entrevista ou uma visita com alguém que conhece bem o pro­ble­ ma é uma boa dica. Nessa fase, a preocupação é poder considerar todos os lados do problema, procurando cons­ truir um quadro o mais amplo e completo possível.

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Para aprofundar um assunto ou tema Veja abaixo algumas formas bem concretas de que você pode fazer uso para aprofundar um assunto ou tema.

Mesa redonda A mesa-redonda é um bom instrumento para apro­fundar um assunto e perceber toda sua importân­ cia. Quando você organizar uma mesa-redonda, pro­ cure chamar até três pessoas que vão apresentar vários as­pec­­tos da temática a ser debatida. Prepare bem o am­bien­te: na sala ou auditório, arrume uma mesa com ca­ dei­ ras suficientes para os participantes da mesa, orga­ nize cartazes sobre o tema e não esqueça de colocar copos e água fresca na mesa. Ao começarem os traba­ lhos, apre­ sente as pessoas convidadas e o porquê de estar pro­ movendo a mesa-redonda. Não esqueça, no final, de agra­decer às pessoas que você convidou e aos participantes.

debate O debate serve para examinar uma questão am­bígua ou contraditória. É importante trazer para os debates os dois ou mais lados da questão. Como na

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mesa-redonda, prepare bem o ambiente, apresente os convidados e o porquê de estar promovendo o debate. Não esqueça de agradecer às pessoas que você con­ vidou.

oficina A oficina é um instrumento usado para que um grupo relativamente pequeno se aproprie de um deter­ minado tema. Segundo o dicionário, é o lugar onde se exerce um ofício. No senso comum, é o espaço de criar, consertar e construir “coisas”, mas é também onde se repassa esta construção, este saber. É o caso da oficina de carro, de sapato, de costura e de muitas outras. O que caracteriza uma oficina é a construção gradativa, pes­ soal e coletiva. Nela, todos par­ti­cipam como num gran­ de mutirão. Tudo se cria, desco­bre, compara, constrói, aproveita e transforma. Funda­mental numa oficina é sua preparação anterior, especialmente a discussão pelo grupo da temática e dos objetivos. Um roteiro que pode ser seguido:

videodebate O videodebate é um instrumento interessante para lançar uma questão a um grupo ou uma comuni­ dade. Antes de passar o filme, alguém pode introduzir brevemente o tema, para que os participantes possam entender bem do que se trata. Depois de ter passado o filme, realiza-se o debate. Para que seja legal, é impor­ tante escolher, antes, uma pessoa para coordenar essa parte. É bom também pensar em algumas questões que possam ajudar a aprofundar o tema. Por exemplo: como este filme me ajudou a entender a temática? Que desa­ fios ele lança para nós e para a sociedade?

do tema/problema Terceiro: síntese Quarto: comprometimento Quinto: avaliação Sexto: encerramento e confraternização/celebração

mural O mural é um ótimo instrumento para divulgar informações para muitas pessoas, especialmente quan­ do o tempo é reduzido. Reúna o máximo de mate­rial que você conseguir sobre o assunto e organize-o de for­ma criativa, especialmente lançando mão da lin­gua­ gem plástica.

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Primeiro momento: acolhida e sensibilização Segundo: percepção e aprofundamento

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Planeje e organize a ação

Passo 1: Defina bem sua meta Trata-se de precisar bem o que o seu grupo/Tri­ bo deseja realizar, decidindo qual será o foco e o eixo dos seus esforços. Identifique as necessi­ dades e as demandas às quais você e sua Tribo desejam responder. Estabeleça bem o alvo e as metas. Lembre-se: estas devem ser possíveis, con­cretas, mensuráveis, cronometráveis... Espe­ cial­mente, procure definir bem o público que a sua Tribo deseja beneficiar com a ação.

Depois que seu grupo/Tribo estudou bem a questão que está na base de sua ação social, é hora de planejar e organizar a ação. Sem planejamento, há dispersão de forças, frustração e desânimo. Há choque contínuo e superposição de atividades. Gastam-se ener­ gias inutilmente. É necessário, portanto, planejar. É bom que cada grupo/Tribo faça um planejamento de suas atividades com toda tranqüilidade, antes de lan­çar-se às atividades. Deve-se tomar o cuidado de fazer o pla­ nejamento com os pés no chão, organizando so­mente aquilo que o grupo/Tribo tem condições de realizar. Um bom planejamento possibilita concentração de energias e evita que se desperdicem forças e recursos. Não receie investir tempo numa boa reunião de plane­ja­mento com seu grupo/Tribo. Antes, porém, assegure-se de que todo seu grupo tenha cumprido mui­to bem o passo anterior: do aprofundamento da temática com que se vai lidar. Caso contrário, o plane­ jamento poderá encontrar como obstáculo um grupo despreparado.

Passo 2: Estabeleça a ação

Aqui, faz-se necessário identificar o tipo de ação ou de ações que contribuirá para atingir mais eficazmente a meta proposta. Também se deve perguntar pela viabilidade da ação defi­ni­ da, bem como seu impacto diante da população beneficiada. Procure desdobrar a ação em todos os passos necessários. A seguir, você encontrará uma série de sugestões de ações possíveis e de indicações para sua realização.

Passo 3: Organize a estratégia

O segredo de uma ação está, muitas vezes, liga­do a alguns cuidados a serem tomados para apoiar a ação. Entre outros: identificar as pes­ soas com quem você poderá contar – parceiros

Veja alguns passos a serem dados para seu gru­ po/Tribo organizar um bom plano de ação.

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– para a reali­zação da ação; pensar como será feita a for­mação e a preparação das pessoas que irão atuar; organizar o contato com a mídia e a divulgação.

Passo 6: Firme um cronograma Definir um cronograma viável vai ajudar em muito no sucesso de sua ação. Comprometa-se em torná-lo realidade.

Passo 4: Distribua responsabilidades

Passo 7: Preveja a avaliação e os critérios de avaliação

É a velha questão da fábula dos ratos e do gato: depois que os ratos decidiram que o melhor para garantir sua tranqüilidade era amarrar um sino no pescoço do gato, ficava em aberto a questão sobre quem iria executar esta decisão. É um pon­to de estrangulamento de muitas ações. Defina bem os responsáveis pela execução de cada passo: quem faz, quando faz, onde faz e como faz?

O processo de avaliação começa assim que você começa a agir. Sem avaliação e organização uma ação não poderá desenvolver-se. Para avaliar sua ação, faça uma reunião específica e liste tudo o que deu certo, tudo o que não deu certo e o grau de dificuldade. E qual foi o resultado final para o beneficiado. Registre tudo em uma ata, para facilitar os próximos encontros.

Passo 5: Faça um orçamento e organize-se para levantar os recursos necessários

Um outro passo fundamental é a definição dos recursos, sejam materiais ou financeiros. Eles po­dem ser obtidos seja articulando a ação com outros grupos, seja por meio de atividades de arre­­cadação de recursos, tais como vender bis­ coi­tos, organizar jantar ou um baile, promover ses­sões de cinema, lavar carros, desfile de modas, etc. Aqui é fundamental que o grupo/Tribo use totalmente sua criatividade. Peça a ajuda da comu­nidade e mobilize pessoas.

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Quem sabe faz a hora nao espera acontecer! Além daquelas ações já sugeridas no item “para aprofundar um assunto ou um tema”, que poderão ser utilizadas também como ação de seu grupo, veja algumas sugestões de ações que você poderá organizar:

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Teatro

chamar a atenção das pessoas. Caso for coletar assina­ turas, tenha canetas em número suficiente.

O teatro é um excelente meio para divulgar e lançar questões à comunidade por meio da arte. Podese tam­bém utilizar o teatro de bonecos e fantoches.

caminhadas As caminhadas têm, geralmente, um bom im­ pacto na opinião pública. Escolha um itinerário fácil e comunique antecipadamente às autoridades. Selecione algumas pessoas para garantir a segurança, tomando todos os cuidados para que tudo transcorra pacifi­ca­mente. Prepare faixas, cartazes e bandeiras. A cami­nha­da pode ser silenciosa ou, então, ser realizada com palavras de ordem ou cantos. É importante que a cami­nhada tenha um encerramento marcante: um encontro, um gesto, a entrega de uma carta às autoridades.

Caravanas educativas Pessoas preparadas vão até um lugar, levam ma­te­rial sobre determinada temática e divulgam na comu­­nidade.

conferencia Uma conferência – ou palestra, como costuma­ mos dizer – tem por objetivo trazer uma série de infor­ mações a um público determinado, proporcionando que este se sensibilize ou aprofunde determinada te­má­tica. Depois de escolhido o conferencista, acerte com ele todos os detalhes de agenda. Veja um espaço adequado e capriche na divulgação.

Estande ou banquinha Um estande permite coletar assinaturas para uma causa ou distribuir material e informações para o gran­de público. Consiga uma mesa e algumas cadei­ ras. Esco­lha um lugar e uma hora de boa circulação de pessoas. Tenha um cartaz ou faixa com o nome da sua cam­panha. Balões e bandeirolas podem ajudar a

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exposicoes

Pedagio

Como diz o ditado popular, “uma imagem vale mais que mil palavras”. As exposições constituem um meio muito eficaz de passar a mensagem de sua cam­ panha e de comunicar a situação de algum proble­ma. Consiga as fotos, ou gravuras, cole-as em papel colo­ rido. Prepare o lugar, colocando as fotos em cavaletes ou outro lugar apropriado. Não se esqueça de divulgar bem sua exposição e de fazer uma abertura solene, com direito a inauguração, convidados e imprensa!

A vantagem de um pedágio é a abrangência e a diversidade do público que atinge. Pode-se realizar um pedágio para divulgar iniciativas ou coletar recursos. Escolha bem o dia e a hora e não se esqueça de treinar bem os que irão atuar: além de uma abordagem gentil, devem estar preparados para eventualidades ou rea­ ções negativas. O segredo de um bom pedágio está na reciprocidade: quem doa gosta de receber algo em troca, como uma muda de árvore, por exemplo! Não se esqueça de obter a devida licença dos órgãos públicos ou da Prefeitura.

Jantar ou cha beneficente Um jantar ou chá beneficente têm por objetivo coletar recursos para determinada situação. Escolha bem o cardápio e veja tudo de que você vai precisar. Orga­ nize bem as equipes. Procure baratear custos, coletan­ do tudo que será necessário. Planeje bem a divulgação e tente colocar os ingressos com antecedência. Quanto mais pessoas você envolver, melhor! Uma estra­tégia que tem sido adotada é escolher padrinhos e madri­nhas do jantar, que se encarregarão de vender e distribuir os ingressos. Não se esqueça de agradecer a todos que ajudaram, bem como divulgar amplamente os resul­ tados alcançados.

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Mutirao O objetivo de um mutirão é realizar, com a par­ticipação de muitos, uma tarefa exigente, tal como cons­­trução de casas, plantio de hortas, limpeza de ruas, etc. Tenha uma boa equipe de coordenação do muti­ rão, para definir bem as tarefas. Não se esqueça de providenciar com antecedência os instrumentos e mate­ riais necessários para a execução da tarefa. Procure também criar um clima agradável durante o mutirão, para que ele seja algo inesquecível na vida de quem dele participa. Uma confraternização final também pode ser uma boa dica!

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pessoal, momentos de confraternização e convivência, celebrações, atividades artísticas que educam e ali­men­ tam o espírito ou mesmo atividades esportivas. São ele­mentos que garantem a vitalidade de qualquer gru­ po/Tri­­bo, porque ativam as dimensões mais profundas, como a sensibilidade e o encanta­mento. Sem o lúdico, o enga­jamento social pode resultar num formalismo e não se manter. Por outro lado, garanta sempre a profundidade e a seriedade do seu voluntariado e da sua ação social. Alegria e responsabilidade são duas palavras que po­dem sempre ser conjugadas! Sem a responsabili­dade da intervenção social – aquilo que se está fazendo diz respeito à vida de pessoas, e a vida de pessoas é algo muito sério! –, a ação pode-se transformar em super­ ficialidade ou inconseqüência. Procure manter sempre uma visão global. Não dei­xe pequenos problemas ou comentários afetarem o tra­­ba­lho a ser realizado, nem se abata diante das peque­­ nas dificuldades. Não desista se alguém desiste. Tenha sempre presente a necessidade das pessoas que espe­ ram sua intervenção, a grandeza e a magnanimidade do seu coração jovem e a força inquebrantável do amor e da solidariedade.

Celebre e curta! Finalmente, um passo importante a ser tra­ba­lha­ do durante todo o processo: celebrar e festejar. Se por um lado o trabalho voluntário tem seu aspecto ár­duo – como todo trabalho –, por outro tem sua dimen­são de realização: deve ser legal e divertido fazer vo­lun­ta­ riado, como um caminho de realização e felicidade. O grupo/Tribo nasce da amizade, comunicação e confiança recíproca. O grupo/Tribo não é um lugar ou uma hora de encontro, mas a reunião de pessoas que mantêm entre si uma comunhão. É importante que cada grupo invista, em primeiro lugar, na sua relação, tor­nan­do-a profunda. Momentos de gratuidade e de con­vi­vência podem ajudar muito: uma pipoca ou pizza, um jogo ou música, ou mesmo o simples fato de estar todo o grupo reunido! A questão toda é manter a motivação do grupo/ Tri­bo. Tente não perder o foco, mas também não deixe de fazer do engajamento uma experiência memo­rável. Procure sempre trabalhar com duas dimensões: a dimensão do engajamento e a dimensão lúdica. Tente garantir sempre uma atividade de inte­ gração, uma brincadeira, um momento de relação mais

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Do analise de conteudo

participante

das avaliacoes

e sua

emitidas por alunos, pais e professores

palavra Leandro Pinheiro

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As observações foram abordadas, aqui, numa descrição dos argumentos dos participantes, reunidos por temas de análise. Primeiramente, verificou-se que respostas se pretendia buscar por meio dos formulários de consulta elaborados. Realizada esta etapa preli­ minar de tratamento dos dados, foram estabelecidos temas amplos para organização das respostas, partindo do que se entendeu como “buscas” dos elaboradores dos questionários.26 Por fim, contrapondo respostas desejadas e obtidas, na análise das consultas propria­ mente ditas, resultou o texto que se segue, organizado nos seguintes temas: Efeitos sobre a comunidade esco­ lar; Impacto para a aprendizagem do aluno; e Interesse dos públicos e continuidade da ação.

A análise aqui proposta objetiva apresentar as opiniões dos participantes da primeira edição de Tri­ bos, refletindo as potenciais repercussões da ação para a vida das pessoas envolvidas, em par­ticular, no coti­ dia­no da comunidade escolar e na apren­dizagem do jovem atuante. Este trabalho procura elencar, também, pro­po­sições ao aprimoramento da ação, conforme os dese­jos manifestados pelos alunos atuantes.

A análise ...

Para efeito de avaliação e melhoria da ação, foi efetuada consulta por questionário aos três públicos mais diretamente envolvidos. Foram enviados 1.176 for­­mulários para as 56 Tribos (escolas ou grupo de esco­las) que apresentaram relatórios de atividades ao final do evento: 560 questionários para alunos, 560 para familiares (dos jovens) e 56 para escolas. Obtiveramse 228 respostas de alunos (40% dos formulários enviados), 154 de familiares (27,5% dos enviados) e 40 de professores (71% dos enviados). 25 25 A consulta aos públicos foi encaminhada pelos organizadores das 1 Tribos nas Trilhas da Cidadania (Rita Patussi – Coordenadora de Rede na ONG Parceiros Voluntários – e Manoel Henrique Coutinho – con­ sultor especificamente contratado) como medida de avaliação, bus­can­ do contribuições ao aprimoramento da ação. Com isso pretende-se salientar que não se trata de resultados de uma pesquisa, mas da aná­lise de conteúdo de informações obtidas junto aos participantes, eviden­ciando reflexões e proposições à ação mobilizatória.

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Os questionários foram elaborados pelos organizadores das Tribos nas Trilhas da Cidadania.

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Neste item, inicia-se a análise das informações coletadas junto a alunos, pais e professores. Procura­ re­mos trazer uma síntese das respostas, seguida da abor­ da­ gem das tomadas de posição dos públicos consulta­dos, evidenciando potenciais repercussões em seus coti­­dianos. Inicia-se com opiniões manifestadas por pais e escolas, passando, depois, aos alunos. Cabe assi­­nalar, todavia, que não houve a preocupação aqui em estabelecer ordem de tratamento das observações, de forma que os depoimentos dos públicos foram inter­­ calados (entre idas e vindas) conforme exigia o pro­ces­ so de construção deste texto. 27

Efeitos sobre a

Formação desejada

comunidade

Ao abordar a formação desejada, propõe-se ana­ lisar a opinião de familiares e escolas (professores) acerca das Tribos nas Trilhas da Cidadania, trazendo as características almejadas para o jovem cidadão que estão educando. Nesse sentido, define-se formação, aqui, como prática e/ou resultado de práticas que organi­zam o agir de um sujeito de forma integral, em habilidades e também em valores. Formar pressupõe

escolar

27 A compreensão desta análise pode ser subsidiada por consulta ao site das Tribos nas Trilhas da Cidadania: www.tribosparceiros.org.br.

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propor um cor­po de ações que contemplem o apren­ dente na imersão às relações que o fazer oportunizado instaura, observan­do como o sujeito aprende a inte­ra­gir com o meio, com o Outro. Para uma exemplifi­ca­ção simples, poder-se-iam imaginar as práticas decor­ren­ tes de uma relação em que um aluno assiste (sentado, em sala de aula) a seu professor tratar algum conteúdo. Agora, com­parativamente, pensemos o mesmo aluno elabo­rando e executando um projeto social e as ativi­ dades daí resultantes. E então, cabe a pergunta: que reper­cussões cada um desses ambientes teria sobre a formação do jovem?

As respostas dos familiares (Anexo 6, questões 4 e 5) afirmam ser contribuições da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania:

“...toda formação supõe uma reflexão sobre o sis­tema de valores que fundamenta e requer que se coloque em ação aquilo que foi adquirido, de ma­nei­ra teórica e prática. É a pessoa inteira, nos funda­mentos da sua própria personalidade, que é 28 envol­vida pelo ato de formação.”

coo­peração/solidariedade, responsabilidade e criatividade, proporcionando que o jovem e seus familiares desvendem novas reali­da­des de vida e a importância de ser voluntário.

 Oportunidade para que os jovens cuidem de

seu espaço de convívio, com especial aten­ ção para o meio ambiente (uma das Trilhas). Ade­ mais, cuidar do espaço é assinalado tam­bém na valorização à cultura local e na cons­cien­ti­zação sobre regras de trânsito ou limpeza urbana.  Possibilidade de educação do jovem para

 Momento de integração entre famílias,

O conceito acima será base para a análise con­ densada neste relatório, mas, por hora, formação será considerada especificamente no que se refere ao dese­ jado por familiares e escolas para o jovem.

esco­ las e comunidade, rompendo a rotina escolar.  Alternativa de ocupação, evitando que o

jo­vem permaneça com tempo ocioso, direcio­ nan­do-o, além disso, para atividades de ajuda aos “menos favorecidos”.

28 MIALARET (1997 apud. DESAULNIERS, 1997, p.191).

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No que tange às escolas, a consulta realizada (Anexo 5, questão 1) indica que a participação na ação se deu por:

gerando um “futuro melhor”, preocupação comum a familiares e escolas e que, é interessante assinalar, não é encontrada de forma recorrente entre os alunos. Tribos nas Trilhas da Cidadania, considerando os elementos relacionados, conta com a concordância de familiares e escolas em propósitos centrais da ação. É interesse desses dois públicos o desenvol­vimento de responsabilidade social, espírito comunitário e coope­ração, o que fortaleceria o evento no que tange às pos­si­bilidades de adesão das comunidades escolares. No caso particular dos professores, fica presente, inclu­­­ sive, a necessidade de uma predisposição, expressa em planos político-pedagógicos e ideais dos educadores. Cabe salientar, porém, que o posicionamento e a con­­cordância dos familiares estão permeados pela con­cep­ção de “jovem como futuro” (o que lhes opor­ tu­nizam agora se destina ao “amanhã”), de modo que, algumas vezes, o envolvimento em projetos sociais ocupa o lugar de um “tempo ocioso” supostamente prejudicial ao aprendente. De outro lado, as escolas consultadas têm em Tribos nas Trilhas da Cidadania também uma ferramenta de integração com a comunidade local, possibilitando que profissionais da educação tenham sua atuação valo­rizada não só por pais, mas por organizações e auto­ridades das cidades onde se realizam as ações.

 Busca por desenvolver junto aos alunos uma

consciência solidária (responsabilidade social) e/ou preocupação com causas sociais, fazen­ do, além disso, com que os jovens conheces­ sem outras realidades;  Necessidade/interesse na integração com a

co­­munidade local, conscientizando a popu­la­­ ção sobre a importância da escola e promo­ ven­do a participação da população. É elemento comum a busca por uma formação que considere integração à comunidade de convívio, cooperação e responsabilidade social, estimulando o jovem a cuidar de seu ambiente (em dimensões que vão da rua/avenida – regras de trânsito – ao planeta – meio ambiente). Ademais, a valorização de causas sociais viabilizaria também o desejo expresso de que os jovens conheçam outras realidades. É possível descrever a formação desejada como uma prática que integre o indivíduo ao meio, com base em posturas cooperativas e solidárias (não confli­ tivas), gerando-lhe ainda algum conhecimento novo. Dessa forma, segundo os consultados, estar-se-ia

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pau­ta­ram a interação entre pais e filhos no período do evento, assinalando o potencial de intervenção sobre tal rela­ção, estabelecendo temas (e, por que não, prio­ ri­dades). Tomados por base os propósitos da ONG Par­ ceiros Voluntários, seria necessário, todavia, estimular maior participação dos pais, para fortalecer o poder de estru­turação das Tribos no convívio pais–filhos, o que pode­ria ampliar as reper­cussões para constituição de uma cultura de voluntariado, não só pelo aumento de parti­ci­pantes na ação, mas pelo poder social estru­ turante das relações familiares.

Relação entre pais e filhos É interessante observar as repercussões na relação entre pais e filhos em articulação com o rela­ tado acima, isto é, pensar a inserção dos familiares nas Tribos nas Trilhas da Cidadania comparativamente à opi­nião que expressam sobre a ação. Todos os consultados (Anexo 6, questões 1, 2 e 3) tomaram conhecimento da participação dos filhos na ação. Destes, 62% (91 observações) afirmam ter parti­ci­pado com os filhos. No que concerne, porém, à forma de participação, é possível dividir este grupo entre aque­les que apenas incentivaram (45%) e os que de fato participaram (55%). Sendo assim, a partici­pação efetiva dos familiares é reduzida a 35% do total de consultados. Ao mesmo tempo em que postulam uma forma­ ção permeada de responsabilidade social, os fami­lia­ res, na maioria dos casos, não demonstram disponi­ bi­ lidade efetiva (por motivos não levantados) para atua­rem nos projetos sociais junto a seus filhos, o que acaba por delegar à escola a formação desejada. De forma geral, destacaram-se nas respostas dos familiares (questão 3) temas como reciclagem de lixo, con­tato com realidades diferentes/carentes e importân­ cia da solidariedade. Esses teriam sido assuntos que

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Ação, interdisciplinaridade e rupturas A interdisciplinaridade implica a religação de saberes produzidos e disseminados em áreas de conhe­ cimento distintas. Sua concretização colaboraria para que o campo escolar efetivasse a educação desde uma perspectiva integrada do viver, articulando os conteú­ dos das disciplinas. 29 Partindo do princípio de que o cotidiano é vivido por inteiro, mediante desafios diá­ rios (o dia não está dividido em momentos exclu­sivos 29 MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

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de aplicação de geo­grafia, seguidos de horas de utili­ zação de mate­mática, por exemplo), a prática educativa precisaria, então, traba­ lhar a formação de maneira a integrar/ar­ticular os conteúdos curriculares.

conta­tos e parcerias realizadas. Potencialmente, a ação estaria aproximando os co­tidianos escolar e comunitário (cidade), articulando práticas pedagógicas e realidades de vida: de alunos, quan­­do os pais participam, por exemplo; e de pessoas que não costumavam acessar a escola, oriundas de coti­ dia­nos que a escola, por seu turno, também não aces­sava habitualmente – uma emissora de rádio ou uma orga­ nização da sociedade civil. Sendo radical, o jovem pode ter vivido a experiência de uma escola forta­lecida como propositora de desafios e acesso ao mundo (con­cre­tizada nas realidades distintas que o volun­tário conheceu).

“Perspectiva de articulação interativa entre as diver­ sas disciplinas no sentido de enriquecê-las atra­­vés de relações dialógicas entre os métodos e conteúdos que as constituem. A interdisciplina­ ri­ da­ de parte da idéia de que a especialização sem limi­tes das disciplinas científicas culminou numa fragmentação crescente do conhecimento. (...) A inter­discipli­nari­da­ de é (também) uma orientação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), cujo ob­je­tivo é fazer da sala de aula mais do que um espa­ço para sim­ples­ mente absorver e decorar infor­ma­ções. Segun­do a orientação do Ministério da Edu­cação (MEC), a interdisciplinaridade não pretende acabar com as disciplinas, mas utilizar os conhe­cimentos de várias delas na compreensão de um problema.” 30

Segundo as escolas consultadas (Anexo 5, ques­ tão 2), fo­ram disciplinas envolvidas nas atividades das Tribos (em ordem de recorrência de citação):

1. Ciências Físi­cas e Biológicas; 2. Língua Portuguesa; 3. Edu­ca­ção Artística; 4. Ensino Religioso; 5. História; 6. Geogra­fia; 7. Matemática; 8. Educação Física.

Algumas respostas de familiares (Anexo 6, questões 4 e 6) trazem indícios no sentido de rupturas na rotina escolar. As Tribos teriam contribuído para uma maior integração entre famílias, escolas e comunidade local, materializada num envolvimento mais intenso do jo­vem com a escola (mais tempo de dedicação presen­ cial) e projeção da escola na loca­lidade em função de 30 AGÊNCIA EDUCAÇÃO BRASIL. Interdisciplinaridade - Dicionário In­te­­ra­tivo da Educação Brasileira. Disponível em:<www. educabrasil.com.br>. Acesso em: 2004.

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Essa demons­tra­ção de considerável abrangência entre os conteúdos curriculares torna Tribos nas Trilhas da Cidadania uma iniciati­va passível de gerar interdisci­ pli­naridade, caso a ação resolva privilegiar tal dimen­ são da prática pedagógica. Embora o evento tenha atin­ gi­do várias áreas do conhecimento, não se observaram indícios de que fora promovida alguma articulação entre as disciplinas envolvidas. A interdisciplinaridade, na sua condição de inte­gração de conhecimentos especializados, poderia ser pensada desde a necessidade de um ponto de parti­ da, um tema gerador, um elo: um projeto, por exem­ plo. Se considerada a escola, e as atividades educacio­ nais, na sua dimensão produtora de inserção social,

de integra­ção a cotidianos novos (que não são frag­­ mentados em disciplinas), então teríamos em Tribos nas Trilhas da Cidadania uma possibilidade para gerar inter­discipli­naridade e rupturas na rotina escolar, por meio de pro­jetos que instiguem desafios aos jovens, tra­ zendo outras realidades de vida (cotidianos em cur­so) para a comunidade escolar. Em síntese, seria possí­vel incen­ti­var que os projetos sociais sejam vistos co­mo ferra­ mentas para interdisciplinaridade, tendo como tema gerador, por exemplo, a responsabilidade no con­ví­vio comunitário: o exercício do cuidar do outro sig­ni­fi­cando os conteúdos; a relação, e não o conteú­ do, como ponto de partida. Fica, aqui, a provocação ao educa­dor. “A interdisciplinaridade abre as portas para a contextualização, ou seja, ao pensar um problema sob vários pontos de vista, a escola libera pro­ fessores e alunos para que selecionem conteúdos que tenham relação com as questões ligadas às suas vidas e à vida das suas comunidades. Com essa proposta, para que haja aprendizagem signi­ ficativa, o aluno tem que se identificar com o que lhe é proposto e, com isso, poder intervir na realidade.” 31

31 AGÊNCIA EDUCAÇÃO BRASIL. Interdisciplinaridade - Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Disponível em:<www. educabrasil.com.br>. Acesso em: 2004.

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Qual cidadania? Propõe-se pensar a cidadania como a maneira com que o sujeito se relaciona com sua comunidade. Historicamente, a humanidade vem constituindo direi­ tos, deveres e condições de vida (direito de ir e vir, repre­­ sentação política, educação pública, acesso a sistema de saúde, etc.) que configuram a forma de interação social. 32 Para efeito desta aná­lise, porém, será con­si­de­ rada a atitude do jovem em relação a sua comu­ni­dade, verificando expressões de responsabilidade social na atuação comunitária. A partir da formação desejada é possível refle­tir a concepção de cidadão (e cidadania) entre fami­lia­res e escolas (professores) consultados, que manifesta for­ te concordância com os propósitos das Tribos: sujei­­­to inserido ao meio (pessoal e profissionalmente), pau­ tado por posturas cooperativas e solidárias (não-con­fli­ tivas). Cabe, neste momento, tratar a definição captada junto aos depoimentos de alunos. Quando consultados sobre os motivos para par­ ti­ci­­­pa­rem das Tribos (Anexo 4, questão 1), os jovens res­pon­deram da seguinte forma (por ordem de recor­ rência de citações):

Efeitos para a aprendizagem do aluno

32 VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro: Record, 1997.

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temas assistenciais e cooperativos. Há disposição para agir e relacionar-se; demonstra-se interesse por questões so­ciais (em voga em nosso sistema social – exemplo do interesse no tema “meio ambiente”). Há, de outro lado, algumas concepções que hierarquizam a relação (os “mais necessitados”) e enfatizam o interesse indivi­dual (participação por uma curiosidade casual, por exemplo). A cidadania aqui poderia ser resumida assim: uma relação de cuidado com o mundo e com o outro, que, de outro lado, privilegie a expressão dos desejos individuais. Nesse sentido, laços mais fraternos seriam o campo para expressão das individualidades, suas criatividades e interesses. O jovem exige que se consi­ derem caminhos no limite entre a expressão da indivi­ dualidade e o respeito à coletividade. E, segundo as respostas dos alunos, o formato atual da ação, numa prática de atenção à coletividade, teria contemplado a busca por pertencimento dos jovens. As respostas de alunos quanto ao que lhes foi mais interessante (Anexo 4, questão 3) corroboram o que fora men­­­cio­nado acima, trazendo, ademais, novos elementos:  Relação com o outro: interação com o bene­ ficiário e as demonstrações de carinho daí re­ sul­­ tantes; a sensação de estar ajudando “quem precisa”; a busca por ajudar o outro.

1. vontade de ajudar os outros; 2. consciência ambien­tal; 3. gosto por partilhar o que sabe (“cons­cien­ tizar”)/participar; 4. convite da escola/novidade; 5. responsabilidade com o entorno (cidade); 6. interesse por novos conhe­ci­men­tos (curio­ si­dade/aprendizagem); predisposição ao volunta­ riado/causas 7. so­ciais; 8. convivências novas/per­ten­cimen­to; 33 9. ajudar os mais necessitados; 10. diversão/alegria (en­contros); 11. trabalho em equipe/integra­ção/coo­pera­ção. O conjunto retrata formas de consciência da cole­ tividade em interação com necessidade de expres­são/ re­conhecimento individual. De outro lado, de­mons­­­tra uma busca por articulação entre diversão e trabalho. Está presente a busca de um pertencimento afetivo, grupal e territorial, pautado, na ação, por temas sociais e ecológicos: potencial para se estimularem laços de amizade, convívio e solidariedade desde 33 A expressão “pertencimento” será utilizada neste trabalho no intuito 4 de expressar uma busca manifestada por jovens em suas respostas: a necessidade de “fazer parte”, integrar uma coletividade, um grupo identitário.

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Trata-se de uma cidadania potencial de preo­ cupação com o outro e com a localidade. É recorrente também a demonstração de necessidade de pertenci­ mento pelo jovem, procurando a relação com um gru­po, uma tribo. Poder-se-ia refletir, neste caso, que Tribos estaria apresentando caminhos/alternativas de sociabilidade, permeados por temas sociais e por res­ ponsabilidade social. Já as respostas concernentes à possibilidade de propor a própria atividade (Anexo 4, questão 4) demons­ tram o seguinte agrupamento: 1. importância da participação do jovem des­ de suas idéias, criatividade num projeto comum; 2. interesse em realizar algo que deseja/gosta, de forma que possa expressar o que é (co­mo pessoa); 3. busca de reconhecimento no grupo, na co­ mu­ nidade escolar, na cidade, com os bene­fi­ciários; 34

 Pertencimento: os encontros com outros

jo­vens; as amizades; a integração das escolas; a possibilidade de identificar outros “traba­ lhadores sociais” (identidade); a integração e união das pessoas na realização das ativi­da­des; o encontro em Porto Alegre, onde conhe­­ceram jovens de outras cidades na mes­ ma ação; reconhecimento da comuni­dade escolar.  Integração com a comunidade (cidade): aju­

da na melhoria da cidade; importância da recep­tividade da comunidade às atividades desenvolvidas.  Resultados do trabalho: a possibilidade de

conscientizar a comunidade sobre o meio ambiente, a violência; perceber as tarefas sendo realizadas com eficácia; a criação em grupo com colegas.  Aprendizagem: contato com realidades no­vas

(carentes ou não); as palestras, os discur­ sos proferidos; a possibilidade de exercitar a parti­ cipação, a solidariedade em ações no­vas; visualizar seu poder de ação.

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5 34 As referências à formação e/ou cidadania como ‘potenciais’ deve-se à im­possibilidade de visualização da continuidade das ações ou da demons­­tra­ ção de aplicabilidade dos discursos registrados nesta consulta aos jo­vens, tendo em vista que o evento foi de curta duração e, por si só, não tem poder de estruturar (formar) o cotidiano dos indivíduos envolvidos. Sen­ do assim, apresentam-se as considerações deste relatório como pos­sí­­­veis impactos das Tribos e, além disso, como proposições para reflexão.

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4. gosto por aprender com as pessoas, com a

Conforme as respostas obtidas, o jovem deseja participar, pertencer, estar, encontrar-se (com o outro). Num contraponto, a geração de familiares e pro­fes­ sores apresenta a preocupação com o futuro, com a inser­ção social. Concepções diferentes, que precisa­ riam de discursos diferentes na mobilização.

prática; 5. ênfase de um discurso genérico (“muito le­gal”), que parece referir-se a diversão ou bem-estar no evento. Quando falam das atividades que desenvol­ve­ ram, os jovens expressam desejo por uma relação que articule preocupação com o entorno, mas vinculada ao divertimento, bem-estar pessoal. Desejam participar, mas desde seus posicionamentos. Há uma demons­ tração de gosto pelo participar da construção (confor­ me suas concepções e habilidades) que o sistema de representação política liberal não atenderia. Em síntese, pelo observado até aqui, seria estra­ té­ gico às atividades desencadeadas pelas Tribos nas Trilhas da Cidadania considerar três aspectos: a exe­cu­ção de atividades em tom divertido e lúdico; a busca de pertencimento pelo jovem; e a possibilidade de expres­­ são de idéias e concepções do aluno. Os dois úl­ti­mos, condições necessárias à dinâmica dos projetos sociais a serem instigados, apresentam-se completa­ mente imbricados. O aluno, ao poder explicitar suas habili­ dades e proposições, visualiza seu espaço no grupo, criando laços de pertencimento (mesmo que eventuais, instantâneos), demarcando em sua trajetória a partici­ pação e o compartilhar duma experiência.

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Participação É necessário caracterizar a participação que exer­­ ceu o jovem nas Tribos, tendo em vista que sua forma de inserção influencia na formação instaurada, além de expressar a expectativa do aluno ao participar da ação. Ao perguntar por iniciativas que denotassem “mobili­ zação, articulação e iniciativa” dos alunos, a questão 7 (Anexo 5) traz indícios de como se posi­cio­naram os jovens na construção dos projetos sociais executados. Para efeito desta análise, tomaremos por base definições do Dicionário Aurélio: 35  Mobilização: pôr em ação, movimentar a

partir de um mote coletivo. 35 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio. 4 São Paulo: Nova Fronteira, 1996.

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 Articulação: pôr em contato, juntar forman­

 iniciativa: participação no planejamento das

do cadeias (em torno de um fim).

ações; confecção de cartazes para toda a escola.

 Iniciativa: ação daquele que é o primeiro a

A organização de informações acima é uma tentativa para explicitar a forma de inserção do jovem na primeira edição das Tribos, mas é importante assi­ na­lar que, em geral, as respostas não trazem evidên­ cias claras e objetivas de mobilização, articulação e inicia­tiva. Descrições mais detalhadas ou formas alter­ nativas de coleta de dados poderiam demonstrar com mais objetividade a existência (ou não) das cate­gorias elencadas na questão 7 (Anexo 5). Feito tal ressalva, é possível afirmar que as infor­mações obtidas apresentam sobretudo demons­tra­ ções de mobilização, carecendo de depoimentos que evidenciem a iniciativa dos jovens e sua ação na arti­ cu­lação de parcerias. Seria necessária uma obser­vação in loco para que fosse possível delimitar qual teria sido efetivamente a participação dos jovens, e como está situada nessa prática a intervenção dos professores. Embora a forma de participação repercuta na formação do aprendente, faz-se necessário analisar a imer­são do aluno em práticas de responsabilidade so­ cial desde a maneira que este deseja participar, consi­derando que a relação entre o evento e o desejo do jovem influencia na sua adesão às Tribos.

propor ou empreender uma coisa. As ações citadas nas respostas foram classi­fi­ca­ das conforme a incidência (ou não) das características definidas acima:  mobilização-articulação-iniciativa: criação

de esquetes teatrais; campanhas de conscien­ ti­zação/abaixo-assinados; formação de equi­ pes para captação de parcerias; pintura de sala; recreação hospitalar (com parcerias); organi­za­ção de festas/eventos em OSC.  mobilização-iniciativa: captação de recur­sos;

colocação de lixeiras seletivas na escola.  mobilização: caminhada; comprometimento

com reciclagem na escola; volume de mate­ rial reciclável arrecadado; visita a domicílios para falar sobre reciclagem; demonstração de continuidade das ações; plantio de mudas.

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Retomando as respostas de alunos (sobretudo na questão 4, Anexo 4), é possível evidenciar que a participação desejada não configura necessariamente o exercício de liderança (permeada por iniciativa, capa­ ci­dade de arti­culação). A participação passa também pela possi­bi­lidade de interação afetiva e relacional que reconheça a importância do aluno (de que uma convo­ cação para reu­nião com outros jovens demandada pela ação, por exem­plo, poderia dar conta). Trata-se da possibilidade de sentir-se parte, pertencer. Sem desprivilegiar o desenvolvimento de lide­ rança juvenil, pretende-se assinalar que a participação nos moldes relatados acima seria suficiente para esti­ mular que o jovem esteja presente em futuras edições das Tribos. Além disso, fazer parte de uma mobili­ zação (simplesmente) oportuniza que o jovem conviva com experiências de cooperação, responsabilidade, espírito comunitário. O exercício futuro desses valores dependerá, porém, da forma de participação na ação e do estímulo que o aluno receber nos demais ambientes em que circula. Conforme o observado até aqui, Tribos nas Trilhas da Cidadania terá maior repercussão (no que tange à cultura) na medida em que se estenda pelas relações que o jovem estabelece (com pais, professores, ami­ gos, etc.). De outro lado, a experiência de mobilização,

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articulação e iniciativa será tão mais presente na participação do aluno quanto mais se delimitarem essas categorias como critérios de avaliação no evento.

E a aprendizagem... Situada a forma de relação que o jovem esta­ be­le­ce (ou deseja estabelecer) com sua comunidade e tam­bém a maneira como configura a participação, serão elencadas as contribuições das Tribos para a apren­diza­ gem dos36alunos. É importante considerar as res­postas como indicadoras de potenciais mudanças no conviver do jovem, tendo claro que não se tem con­trole sobre a continuidade no exercício de responsabi­lidade social. Observam-se, sim, possíveis rupturas no cotidiano que as Tribos teriam gerado. Aproximadamente 80% das respostas dos alu­ nos (Anexo 4, questão 5) afirmam que as Tribos con­ tri­buí­ram para sua aprendizagem. As conquistas, nesse sentido, seriam as seguintes (Anexo 4, questão 6):

36 Para efeito desta análise, considerar-se-á “aprendizagem” o “processo de construção de conhecimento que propicia a modificação de com­ portamento de um indivíduo”. AGÊNCIA EDUCAÇÃO BRASIL. Aprendizagem - Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Dis­ po­nível em:<www.educabrasil.com.br>. Acesso em: 2004.

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 Alteração da forma de relação com o am­biente

A participação nas Tribos, segundo os jovens, teria oportunizado a imersão em grupos de trabalho, con­­duzindo a experiências diversas em torno de desa­ fios. Dependendo da forma de inserção do aluno, esta prática poderia oportunizar que se aprenda a lidar com o inesperado a partir da formulação de estratégias (e não por condutas rotineiras, programadas). 37 Confi­ gura-se, de outro lado, con­for­­me a proposta da ação, um espaço de socia­lização des­de temas humanitários, com possibilidade de desen­ vol­ ver pertencimento comunitário e laços de solida­ rie­ da­­ de pautados num con­vívio harmonioso (não-conflitivo). A contribuição enfática do evento estaria na am­plia­ção do pertencimento do jovem ao âmbito comu­ ni­tá­rio (cidade), num novo tipo de relação com o Ou­tro (co­­ nhecendo condições de sobrevivência distintas da sua). As respostas das escolas endossam os depoi­ mentos dos alunos, complementando com um “olhar” educativo. As respostas (Anexo 5, questões 4 e 5) divi­ dem-se em dois tipos no que diz respeito à influência das Tri­bos na aprendizagem dos alunos. Alguns dos con­ sul­tados descreveram as atividades (os meios) pelas quais teria se dado a aprendizagem; os demais listaram possíveis efeitos para os alunos.

e com o Outro: expansão da consciên­ cia ecológica (do lar para cidade – história da comunidade), acompanhada da conduta de preservação da natureza (reciclagem do lixo); “descoberta” da condição de vida (ne­ce­ s­sidades) de outras pessoas e valorização do “ajudar”, da solidariedade, de ações so­ciais; melhora do convívio com outras pes­ soas; “desvendar” de grupos com mesmos ideais (pertencimento desde uma proposta social).  Desenvolvimento pessoal: verificação das

pos­­­si­bilidades decorrentes do trabalho con­ junto, unido (mobilização); desencadear da cria­tivi­da­de e da responsabilidade, num es­pa­­ ço que oportunizou a expressão das idéias dos jovens.  Contato com conhecimentos diversos (nas

Trilhas definidas nas Tribos).

37 MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 6 2001.

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Meios: 1. espaço à expressão de desejos, neces­si­da­des

3. Aprender a viver – companheirismo; união/co­­­ o­pera­ção; solidariedade; compro­me­timento; trabalho em equipe; consciên­cia ambiental; cons­ciência sobre trabalho voluntário; conhe­­ cimento da localidade. 4. Aprender a fazer – organização nas tarefas; comuni­cação oral.

e sentimentos dos alunos; 2. debate sobre valores; 3. estudo de biografias de notórios cidadãos; 4. elaboração de projetos de trabalho; 5. momentos de integração na comunidade esco­lar e com alunos de outras escolas; 6. vivências diferenciadas; 7. momento para trocas de experiências e saberes; 8. estabe­le­cimento de metas.

Apesar de demonstrar efeitos apenas no estado de “potência”, as respostas assinalam a possibilidade de as Tribos instaurarem aprendizagem por desafios (situação-problema), formando cidadãos com habi­li­ da­des que extrapolam (e complementam) as caracte­rís­ ticas descritas para “cidadania” (de familiares, esco­las e alunos). Além de superar a perspectiva de mobi­liza­ ção do jovem para uma ação voluntária, traz condições para ações integradas na comunidade esco­lar, podendo reestruturar disciplinas e posições (entre professores e alunos – ruptura do sistema bancário). As “mudanças nos jovens” referidas pelos profes­so­res (Anexo 5, questão 6) acabam por endossar as apren­di­zagens cita­das nas questões anteriores. As escolas con­­sultadas ca­rac­teri­zam uma demonstração de modifi­ca­ção das rela­ções esta­belecidas pelo aluno, em citações de: mais diálogo en­tre jovens; integração

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Efeitos sobre a aprendizagem: 1. Capacidade de aprender a conhecer – curio­ si­da­de; expressão oral; habilidade de escrita; sis­ tematização, organização e pes­ quisa de informa­ções. 2. Aprender a ser – autocrí­ti­ca; autonomia; lide­­ ran­ça; responsabilidade; disponi­bi­­lidade/de­­­di­­ cação; elevação da auto-estima; criativi­da­de.

38 DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. In:__________. Relatório para Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São Paulo: Cortez, 1999.

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escola–famí­ lia; integração entre alu­ nos de escolas distintas; mais união entre discentes; de­mons­tração de mais respeito pelo outro/pela diferença; valori­zação da família; mais laços de amizade; valoriza­ção da con­ vivência; demons­­tra­ção de solidariedade; melho­ria da relação professor–aluno; sensibilidade à condição do outro. Importante frisar as potencialidades apresenta­ das na mudança das relações construídas pelo aluno, forta­lecendo laços com a família, com a escola, com colegas, com o Outro. Tratar-se-ia de uma mudança na forma de sentir o mundo e se colocar nele. Enfatizam esta mu­dan­ça/aprendizagem outras respostas, que tam­­ bém evi­den­ciam nova tomada de posição: cons­ciên­­cia ambien­tal; valorização da própria condição de vida; mais cui­da­do ao patrimônio público (cidade); inte­resse por cau­ sas sociais; novo olhar sobre volun­ ta­ ria­ do. Estar-se-ia, en­tão, proporcionando a aprendizagem de um novo per­tencimento ao mundo, mais respon­sável, comprome­tido, participativo e integrado às relações de convívio?

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Dos 154 familiares consultados (Anexo 6, ques­ tão 5), 90% (133) apoiariam seus filhos a participarem numa no­va edição. Demonstração objetiva de concor­ dância en­tre proposta das Tribos e formação desejada pelos pais. Nas respostas de alunos (Anexo 4, questão 2) é possível obser­­var que 97,4% (222) gostaram “muito” de par­tici­par das Tribos, sendo que 93,4% (213) das res­pos­tas (Anexo 4, ques­tão 7) assinalam interesse em continuar parti­cipan­do das Tribos. Quanto às escolas, tendo em vista que a pro­pos­ ta da ação interfere nas suas rotinas, precisa-se con­ siderar o funcionamento escolar, como evidenciam as respostas (Anexo 5, questão 1). Os professores mencio­ nam ter participado das Tribos por: 1. existência de um pro­jeto pedagógico ou pla­ no político-pedagógico prévio afim; 2. envolvimento/trabalho anterior das Unida­des Parceiros Voluntários (junto ao Progra­ma de Volun­taria­do da Escola – PVE); 3. necessidade de integração dos sujeitos da co­munidade escolar (escola, pais e alunos). Consideradas as condições prévias mencio­na­das acima, é possível constatar forte articulação entre a pro­ posta contida nas Tribos e a rotina escolar. Das res­pos­ tas à questão 3 (Anexo 5), 42% (16) “desenvol­ve­ram

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muito” os conteúdos programáticos a partir da ação. Somando as citações registradas acima do nível 3 (de articulação entre conteúdos programáticos e Tri­bos), che­ gamos a 82% de aplicabilidade da proposta do evento à rotina de sala de aula, dentre os consultados. Não obstante a considerável margem de satis­ fação com a ação, os públicos trazem depoimentos que podem contribuir no fortalecimento da adesão às Tribos. Os familiares consultados (Anexo 6, questão 7) assina­ laram interesse por: um evento com duração mais ex­ten­sa, proporcionando ações continuadas; publica­ ção dos trabalhos realizados para sensibilizar mais pes­ soas; abordagem de novos temas (saúde, por exem­plo); envio de mais subsídios pela ONG Parceiros Vo­luntários; direcionamento das ações para Organi­zações da So­cie­ dade Civil (OSC); orientação para uma maior aproxi­ mação entre familiares e escolas. Já as sugestões das escolas (Anexo 5, questão 10) pode­riam ser agrupadas em quatro itens: 1. Alterações relativas à duração do evento: mais tempo para execução das tarefas; mais an­­te­ ce­dência na divulgação; início das ativi­dades mais cedo no ano letivo/duração para todo ano; promoção de encontros de integra­ção das escolas durante todo ano; mudança do perío­ do de realização (evitando férias de inverno).

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2. Recursos oriundos da ONG Parceiros Volun­ tários: mais adesivos; mais opções de Trilhas; volun­tários para motivar nas escolas; mais divul­gação em TV. 3. Diretrizes de funcionamento: influência so­bre índices de evasão e repetência; não esta­be­le­cer premiação, ou, então, definir premia­ção para todos; valorizar ações com conti­nui­dade; mais clareza sobre critérios de avalia­ção (jul­gados confusos). 4. Encontro final: mudar horário de realização (não-noturno); local com estacionamento; abrir o encontro para alunos voluntários que não participaram das Tribos; encontro num final de semana; exposição dos projetos no encontro final; mais horas de duração. Dois momentos tiveram referência específica nos questionários: o Fórum Tribal e o encontro final das Tri­bos, em Porto Alegre. O primeiro foi caracte­ ri­zado pelas escolas (Anexo 5, questão 5) como um mo­men­to para: 1. socialização e troca de experiências para esco­ las e alunos; 2. reconhecimento da ação pelas autoridades;

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3. motivação para continuidade das ações, em

4. mais tempo para partilha/conhecimento dos

função da identificação com uma comuni­ dade de voluntários; 4. reforço à proposta de mobiliza­ção; 5. estruturação de uma carta de intenções para continuidade das ações.

tra­­balhos de outras tribos (sugere-se a entre­ ga de resumos – formulação de anais dos pro­jetos); 5. ampliação da premiação; 6. realização do encontro no interior do RS, nas localidades de origem.

Na avaliação dos alunos (Anexo 4, questão 6), o Fórum Tribal foi elemento de estímulo à continuidade das ações. Acredita-se que pela possibilidade de os jovens identificarem outras pessoas atuando na mesma proposta, partilhando um mesmo projeto e/ou desejo. O encontro das Tribos em Porto Alegre foi ava­ lia­do como satisfatório pelos alunos (Anexo 4, questão 8). Apro­ximadamente 92,5% das respostas afirmam ter gos­­tado “muito” do encontro. Quando solicitadas su­ges­­­tões (Anexo 4, questão 9), foram apresentadas as seguintes cita­ções (por ordem de recorrência): 1. comentários gerais de aprovação do formato 2003; 2. solicitação por mais shows, brincadeiras, ati­ vi­dades interativas, festas, com menos tempo para cerimoniais e exposições orais; 3. escolha por um local mais amplo, com lugares reservados por escola;

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Partindo da síntese relatada, é possível visua­ lizar a necessidade de se consolidarem algumas carac­ te­rís­ticas para as Tribos: manter temas para Trilhas que sejam pautas recorrentes/valorizadas na sociedade (meio ambiente, por exemplo); manter espaços à cria­ ti­vidade e expressão de idéias dos jovens; realizar prá­ ticas/eventos locais, que oportunizem reconheci­men­to

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das Tri­bos (desde o viés pedagógico delimitado pela es­co­la): conceber as atividades desencadeadas pelas Tribos na condição de práticas educativas possibilita que se con­tem­­ple a ação no potencial de mudança de valores, habi­lidades, hábitos. Algumas conquistas evidenciadas no período do evento precisam ser reforçadas, para que se obtenha adesão de jovens, familiares e professores, além de for­­­ talecer a aprendizagem da responsabilidade social: 1. A escola deve ser considerada em seu fun­cio­­­ namento (ano letivo), observando possí­veis predisposições à participação, geradas, por exemplo, por planos político-pedagó­ gicos em concordância com a ação; 2. O interesse da escola em valorizar seu papel na comunidade precisa ser considerado co­mo arti­fí­­cio de mobilização de professores às ati­ vi­da­des das Tribos: caminho para se ter nas es­colas refe­rências locais na estruturação de redes sociais; 3. A participação dos familiares precisa ser re­ for­ çada, de modo que tenhamos mais volun­tários mobilizados e uma intervenção mais efe­tiva na relação entre pais e filhos; 4. A construção de interdisciplinaridade por meio dos projetos sociais poderia ser valori­zada

pela população das cidades; garantir que as práticas contenham desafios aos saberes dos alunos, ins­tigando aprendizagens e curiosidades; manter e in­cen­tivar dinâ­ micas de funcionamento que privilegiem o encontro, o convívio, a troca, o trabalho em equipe; garantir que as práticas sejam festivas, divertidas, alegres; estruturar uma ação com duração maior, envolvendo maior pe­ríodo letivo; relativizar a necessi­dade de premiação ao final do evento; oportunizar mais subsídios (divul­ ga­ção e conhecimentos técnicos).

Considerações finais A consulta analisada neste relatório assinala várias contribuições possíveis da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania para o desenvolvimento de responsabili­da­ de social junto aos jovens, fortalecendo a constitui­ção de uma cultura de voluntariado organizado. A ação, no formato em que está estruturada, de­mons­tra ter repercussões sobre a aprendizagem dos alu­nos, atendendo a demandas correntes na rotina e nos refe­renciais teóricos contemporâneos da Escola. Estar em coerência com o funcionamento atual (ou os desejos) da comunidade escolar facilita o envolvi­ men­to dos pú­blicos com a proposta de mobilização

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na avaliação dos trabalhos, no intuito de con­ tri­ buir no aprimoramento da formação do jovem, conduzindo-o a um tratamento inte­grador do conhecimento; 5. A forma de participação do aluno necessi­ taria de critérios de avaliação dos trabalhos que induzam iniciativa e capacidade de arti­ culação, caso se tenha interesse em esti­mu­lar liderança juvenil e fortalecer as aprendi­za­ gens potenciais relatadas anteriormente; 6. Atividades que proporcionem interações em gru­ po, troca de experiência, expressão de idéias e desejos, em ambiente de diversão, são referidas constantemente. O jovem mani­­festa várias vezes o interesse em compar­tilhar, in­te­ ragir, “encontrar”. Neste sentido, o En­contro de Tribos em Porto Alegre teve papel impor­ tantíssimo para os alunos.

massa-tribos,39 num desenrolar de relações que fragi­ lizariam o indi­vi­dua­lismo pela pertença local, gru­pal, “afetual”. Maffesoli, em “O Tempo das Tribos”, carac­­ te­riza a con­fi­­guração do espaço urbano na multipli­ cidade de mi­cro­grupos pelos quais as pessoas cir­cu­ lam, desven­dan­do interações (às vezes instan­tâneas) em que orga­ni­zam suas vidas, em diversos papéis. “Essa nebulosa ‘afetual’ permite compreender a for­ ma específica assumida pela socialidade em nos­sos dias: o vai e vem massa-tribos. (...) Com efei­to, a dife­ren­ça do que prevaleceu durante os anos setenta, trata-se antes do ir-e-vir de um grupo a outro do que da agregação a um bando, a uma família, a uma comunidade. É isso que pode dar a impressão de ato­mização. É por isso que se pode falar, equivo­cada­mente, de narcisismo. De fato, ao contrário da esta­bili­dade induzida pelo tribalismo clássico, o neotribalismo é caracterizado pela flui­ dez, pelos ajun­­­tamentos pontuais e pela dispersão. E é assim que podemos descrever o espetáculo da rua nas me­ga­lópoles modernas. O adepto do jogging, o punk, o look retrô, os ‘gente-bem’, os anima­ dores públicos, nos convidam a uma inces­sante travelling. Através de sucessivas sedi­ men­ tações constitui-se a ambiên­cia estética da qual falamos. E é no seio de tal am­biên­cia que, pon­tual­mente, podem ocorrer essas ‘con­densações instan­tâneas’, tão frágeis, mas que, no seu mo­men­to, são objeto

Para concluir este trabalho, seria oportuno fazer uma última referência à formatação de Tribos nas Trilhas da Cidadania, trazendo, aqui, algumas contribuições de Maffesoli, para que se possa abrir nova proble­ma­­ tização sobre as repercussões da ação. Esse autor, desde a abordagem compreensiva que postula, retrata a dinâ­mi­ca atual da sociedade a partir da interação

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39 MAFFESOLI, Michel. Tempo das tribos: o declínio do individualismo 8 na sociedade de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000. p. 08.

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de forte envol­vi­mento emocional. É este aspecto seqüencial que per­mite fa­lar de ultrapas­sagem do princípio de individuação.” 40

Referências AGÊNCIA EDUCAÇÃO BRASIL. Aprendizagem - Dicionário In­te­ra­tivo da Educação Brasileira. Disponível em:<www. educabrasil.com.br>. Acesso em: 2004.

Ao constituir-se como iniciativa de mobilização desde desafios práticos, trabalhos em grupo e temas de forte valorização social, Tribos nas Trilhas da Cidadania pa­rece ter se articulado à fluidez massa–tribos, aten­ den­do à busca por pertencimento do jovem (em micro­ grupos, e em meio a 18.000 inscritos). Tal­vez tenha se cons­tituído uma ação em coerência com a “ética do ins­tante” e com a valoração do Pre­sente, que, pode-se in­fe­rir, fo­ram expressas no desejo do com­partilhar, do “encon­trar”, do “estar” que as res­postas dos alunos assi­nalam. Muito antes de encerrar a análise, esta­belecer respostas e conclusões, é preferível estender a reflexão e abrir espaço a novos tensionamentos: por intermédio de Tribos, estar-se-ia criando um elo de mobilização social com o agir do jovem na atualidade? E, nessas circunstâncias (fluidez massa–tribos), que repercus­ sões podemos esperar para a formação dos participan­ tes? Mais que finalizar uma análise, vale a pena lançar novas perguntas!

_____. Interdisciplinaridade - Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Disponível em:<www.educabrasil.com.br>. Acesso em: 2004. AGUILLERA, Beatriz et al. Educar para a paz. Madrid: Centro de Investigación para la Paz [200?]. BENAVIDES, Maria Victoria. O que é formação para a cidadania. [s.n.], 2000. BORAN, Jorge. Juventude, o grande desafio. São Paulo: Paulinas, 1982. BOULDING, Elise. Cultures of peace: the hidden side of history. New York: Siracuse University, 2000. CASTRO, Mary Garcia; ABRAMOVAY, Miriam. Por um novo paradigma do fazer políticas: políticas de/para/com juventudes. Brasília: UNESCO Brasil, 2003. DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. In: _____. Relatório para Unesco da Comissão Internacional sobre Edu­ cação para o Século XXI. São Paulo: Cortez, 1999. DESAULNIERS, Julieta. Formação e pesquisa: condições e resul­ tados. Veritas, Porto Alegre, v. 42, n. 2, jun. 1997. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio. São Paulo: Nova Fronteira, 1996. GALEANO, Eduardo. De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso. Porto Alegre: L&PM, 1999. GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Cidadãos do presente: crianças e jovens na luta pela paz. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

40 MAFFESOLI, Michel. Tempo das tribos: o declínio do individualismo 8 na sociedade de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000. p. 107.

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 166

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

HART, Roger. A participação das crianças: da participação simbólica à participação autêntica. São Paulo: [s.n.], 2003. JOÃO PAULO II, papa. Centésimo ano: carta encíclica “Centésimus annus”. Vaticano: 1991. Disponível em: <www.vaticano.va>. Acesso em: 2004. KIELBURGER, Marc; KIELBURGER, Craig. Take action: a guide to active citizenship. Toronto: Cage Learning, 2002. KRAUSKOPF, Dina. Dimensiones críticas en la participación social de las juventudes. In: BALARDINE, Sérgio. La participación social y política de los jóvenes en el horizonte del nuevo siglo. Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 119-134. LEBELL, Sharon. A arte de viver: Epicteto. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. MAFFESOLI, Michel. Tempo das tribos: o declínio do individualismo na sociedade de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

Anexos

_____. _____. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

Tribos NAS TRILHAS DA CIDADANIA

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. ONU. Declaración y programa de acción sobre una cultura de paz. New York, 1999. PAULO VI, papa. A evangelização no mundo contemporâneo: carta encíclica “Evangelii nuntiandi”. São Paulo: Loyola, 1978. TORO, José Bernardo; WERNECK, Nísia Maria Duarte. Mobi­li­ zação social: um modo de construir a democracia e a participação. Brasília: ABEAS/UNICEF, 1997. ULMANN, Reinholdo; BOHNEN, Aloysio. O solidarismo. São Leopoldo: Unisinos, 1993. VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro: Record, 1997.

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 168

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Anexo 1 Rede Parceiros Voluntários no RS (Unidades) Alegrete (55) 422.1950 – Rua Gen. Sampaio, 1054 Alvorada (51) 483.3481 – Av. Pres. Getúlio Vargas, 1937/311 acialparcvoluntarios@terra.com.br Antônio Prado (54) 293.2166 – Av. Valdomiro Bocchese, 125 parceirosantonioprado@nol.com.br Bagé (53) 242.5178 – Parque Visconde de Ribeiro Magalhães, s/n upvbage@alternet.com.br Bento Gonçalves (54) 451.7308 – Rua Marechal Deodoro, 139/501 parceiros@ parceirosvoluntarios-bg.org.br Cachoeira do Sul (51) 3722.4317 – Rua Saldanha Marinho, 1200 parceirosvoluntarios@piq.com.br Cachoeirinha (51) 470.5752 – Av. Flores da Cunha, 1320/407 Canela (54) 282.1510 – Rua Júlio de Castilhos, 328 – 1º andar parceirosvoluntarios@pdh.com.br Canoas (51) 472.2293 – Rua Ipiranga, 95 – 9º andar parceirosvoluntarios@via-rs.net Carazinho (54) 331.5450 – Rua Venâncio Aires, 612/01 acic@acic-carazinho.com.br Caxias do Sul (54) 218.8084 – Rua Ítalo Victor Bersani, 1134 parceiros@cic-caxias.com.br Cerro Largo – URI (55) 3359.1613 – Rua Daltro Filho, 772

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 170

NAS TRILHAS DA CIDADANIA Osório (51) 663.3400 – Rua Bento Gonçalves, 1022 aciosorio@terra.com.br Panambi (55) 3375.4667 – Av. Konrad Adenauer, 555 Passo Fundo (54) 311.1300 – Rua Gen.Netto, 443 – 5º andar Pelotas (53) 227.1541 – Rua 7 de Setembro, 274/109 Portão (51) 562.2232 – Av. Brasília, 428 – Sala 1 cicsportao@uol.com.br Porto Alegre – Centro (51) 3227.5819 – Largo Visconde do Cairu, 17 – 8º andar parceiro@terra.com.br Porto Alegre – PRAC PUC (51) 3320.3508 – r. 4359/4546 – Av. Ipiranga, 6681 voluntariado@pucrs.br Porto Alegre – São Judas Tadeu (51) 3340.7888 – r. 178 – Rua Dom Diogo de Souza, 100 parceiros@saojudastadeu.com.br Porto Alegre – Uniritter (51) 3230.3333 – r. 3355 – Rua Orfanotrófio, 555 pvritter@ritterdosreis.br Rio Grande (53) 231.2399 – r. 28 – Pça. Xavier Ferreira, 430 – 1º andar

Charqueadas (51) 658.3704 – Rua General Balbão, 81 pv_charqueadas@terra.com.br Cruz Alta (55) 3322.6795 – Rua Pinheiro Machado, 1349 parceirosvoluntarios@comnet.com.br Espumoso (54) 383.1059 – Rua Duque de Caxias, 300 acise@razaoinfo. com.br Esteio (51) 473.6255 – Av. Padre Claret, 1285 Farroupilha (54) 3042.0033 – Rua da República, 425 – 6º andar cics@cicsfarroupilha.com.br Feevale (51) 586.8818 – RS 239, 2755 cidadaovoluntario@feevale.br Frederico Westphalen – URI (55) 3744.1902 – Rua Antônio Boscardin, 417 parceiro@fesau.psi.br Garibaldi (54) 462.5914 – Rua Buarque de Macedo, 2778/104 parceiros-gdi@redesul.com.br Giruá (55) 3361.1022 – Rua Raul Pilla, s/n Gramado (54) 3036.0223 – Av. das Hortênsias, 2040 – sobreloja 20A parceirosgramado@serragaucha.com.br Gravataí (51) 488.3841 – Rua Osvaldo Aranha, 725 Guaíba (51) 480.7832 – Rua Dr. Lauro Azambuja, 288 parceiros@guaibanet.com.br Horizontina (55) 3537.3548 – Rua Dahne de Abreu, 613 Ijuí (55) 3332.9950 – Rua Albino Brendler, 864 parceirosvoluntarios@mksnet.com.br Lajeado (51) 3748.6900 – Rua Silva Jardim, 96 parceirosvoluntarios@acilajeado.org.br Montenegro (51) 632.4344 – Rua Ramiro Barcelos, 1700 – 2º andar

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pvriogrande@hotmail.com Rosário do Sul (55) 31.2899 – Rua Amaro Souto, 2086 Santa Cruz do Sul (51) 3713.1872 – Rua Venâncio Aires, 633/04 parceirosvoluntarios@via.com.br Santa Maria (55) 222.7600 – Rua Venâncio Aires, 2035 – 6º andar parceiros@vant.com.br Santa Rosa (55) 3512.5280 – Rua Dr. João Dahne, 328 parceiros@acisap.org.br Santiago – URI (55) 251.3151 – Av. Batista Bonotto Sobrinho, s/n pvsantiago@urisantiago.br Santo Ângelo

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA

(55) 3313.3200 – Av. Venâncio Aires, 1615 Santo Ângelo – URI (55) 3313.7967 – Universidade das Missões, 464 São Leopoldo – Colégio São José (51) 592.1575 – Av. Mauá, 980 São Luiz Gonzaga – URI (55) 3352.4220 – Av. Senador Pinheiro Machado, 4705 São Marcos (54) 3034.0110 – Rua Osvaldo Aranha, 636 parceiros@acissm.com.br São Pedro do Sul (55) 276.1474 – Rua 15 de Novembro, 654/102 acipv@terra.com.br São Sebastião do Caí (51) 635.1955 – Rua Cel. Paulino Teixeira, 811 cdl@caiweb.com.br São Sepé (55) 233.4687 – Rua Percival Brener, 1316 Sapiranga (51) 599.4567 – Rua 7 de Setembro, 99 pvsapiranga@netwizard.com.br Sapucaia do Sul (51) 451.5937 – Rua Capitão Camboim, 32 pvsapucaia@via-sapucaia.com.br Tapes (51) 672.1157 – Av. Getúlio Vargas, 605 Teutônia (51) 3762.1233 – Av. Um Oeste, 878/30 Tucunduva (55) 3542.1182 – Rua Júlio de Castilhos, 120 Triunfo (51) 654.3172 – Av. Treze de maio, 915 parceirostriunfo@hotmail.com Uruguaiana (55) 412.6048 – Rua 15 de novembro, 2167 aciu@uol.com. br Vera Cruz (51) 3718.1002 – Rua Roberto Gruendling, 273 parceiros_ veracruz@viavale.com.br Viamão (51) 485.1191 – Rua Luiz Rosseti, 331 parceiros.viamao@terra. com.br

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Anexo 2 Endereços úteis e interessantes Se você deseja aprofundar algum tema, veja alguns sites abaixo.

Trilha da Educação para a Paz Educadores para a Paz ONG do Rio Grande do Sul, dedicada à for­ma­ção de educadores para atuar em projetos de prevenção a violência e educação para a paz: www.educapaz. org.br Instituto Nacional de Educação para a Paz e os Direi­tos Humanos (INPAZ) ONG da Bahia, atuando nos campos de desen­volvi­men­ to da cultura da paz, da edu­cacão para a cida­da­nia e da pro­moção de direitos humanos: www.inpaz.org.br Instituto Eu sou da Paz ONG de São Paulo dedi­ca­da ao desarmamento e à prevenção da violên­cia: www.soudapaz.org Viva Rio ONG do Rio de Janeiro dedicada, entre outras mis­ sões, ao desarmamento, à prevenção da vio­lência e à educação para a paz: www.vivario.org.br

Trilha da Cultura Ministério da Cultura www.cultura.gov.br IPHAN Órgão federal responsável pela preserva­ção do patri­ mônio histórico: www.iphan.gov.br

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Anexo 3

Trilha do Meio Ambiente Ambiente Brasil www.ambientebrasil.com.br Fundação Gaia Fundação gaúcha dedicada à preservação ambiental: www.fgaia.org.br Recicláveis www.reciclaveis.com.br Educação Ambiental www.ecoar.org.br Associação de Proteção Ambiental www.aipa.org.br Proteção Ambiental www.wwiuma.org.br

Para quem gosta de ler... Livros são sempre um mundo fascinante! Veja a indicação de alguns que poderão enriquecer a ação de sua Tribo e qualificar sua participação, seja você jovem, seja você educador.

GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Cidadãos do presente: crian­­ças e jovens na luta pela paz. 2.ed. São Paulo: Sa­raiva, 2002. Apresenta 12 histórias, reais, de crianças e adoles­cen­ tes que protagonizaram ações pela paz e pelo fim da vio­lência. Bastante didático e pode ser utilizado na sala de aula, na Tribo, no grupo de jovens.

Diversos Interargir ONG do Paraná dedicada ao incen­tivo do protago­ nismo juvenil: www.protagonismojuvenil.org.br Turma do Bem www.turmadobem.org.br Projeto Cooperação www.projetocooperacao.com.br Unicef Fundo da ONU para proteção da infância: www. unicef.org.br

MALDONADO, Maria Tereza. Redes solidárias. São Paulo: Saraiva, 2001. Conta a história de vários jovens que empreendem ações de voluntariado e a transformação que isso acar­­ re­ta em suas vidas.

Unesco Órgão da ONU para a ciência, a educação e a cultura: www.unesco.org.br

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Anexo 4

RAYO, José Tuvilla. Educação em direitos humanos. Porto Alegre: Artmed, 2004. Livro para educadores, contendo reflexões sobre uma ação integrada em educação para a paz, os direitos humanos e a democracia.

TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

SBAI. Educando para a cidadania: os direi­tos humanos no currículo escolar. Passo Fundo: CAPEC, 1992. Traz uma série de reflexões e propostas de como inte­grar a temática dos direitos humanos no currículo. Indica­do para educadores

Avaliação dos Alunos Após todas as atividades, é muito importante sabermos a sua opinião.

SEQUEIROS, Leandro. Educar para a solida­rie­dade. Porto Alegre: Artmed, 2002. Livro para educadores, contendo reflexões sobre a cultura da solidariedade e sua incorporação no coti­ diano escolar.

1. O que lhe levou a participar das Tribos nas Trilhas da

Cidadania? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2. Você gostou de fazer parte das Tribos nas Trilhas da Cidadania?  Muito

SERRANO, Gloria Pérez. Educação em valores: como edu­ car para a democracia. Porto Alegre: Artmed, 2002. Livro para educadores, com reflexões e sugestões didá­ticas para uma educação para a convivência e a tolerância.

 Não Gostei

3. O que foi mais interessante para você? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. Como foi propor a sua própria atividade para as Trilhas? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

BEI COMUNICAÇÃO. Como exercer sua cidadania. São Paulo: BEI, 2003. Traz orientações sobre direitos e deveres civis, sociais e políticos, além de apresentar informações sobre história, legislação e organizações da sociedade.

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 Pouco

5. O Fórum Tribal contribuiu para o seu aprendizado? ( ) Sim

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( ) Não

( ) Um pouco

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 178

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

6. Se sua resposta foi sim, como ele contribuiu? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Anexo 5

7. Você gostaria de continuar participando das Tribos nas Trilhas da Cidadania? ( ) Sim ( ) Não

TRIBOS

( ) Talvez

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Avaliação das Escolas

8. Você gostou do Encontro das Tribos?  Muito

 Pouco

 Não Gostei

Após as atividades, é muito importante sabermos a sua opinião.

9. Dê sugestões para a realização do nosso Encontro em

2004. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

1. O que levou a sua escola a participar das Tribos nas

Trilhas da Cidadania? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2. Quais as disciplinas que se envolveram na ação Tribos

nas Trilhas da Cidadania na sua escola? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

3. E esta ação lhe possibilitou desenvolver os conteúdos programáticos?

Desenvolveu Pouco (1) (2) (3) (4) (5) Desenvolveu muito

4. Como a ação contribuiu no processo de aprendizagem

dos alunos? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

5. Qual a sua avaliação do Fórum Tribal? Ele contribuiu

para o aprendizado dos alunos?

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 180

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6. Houve mudanças percebidas nos jovens envolvidos na

Anexo 6

ação? Se sim, quais foram? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

7. Destaque uma ação, ou atitude, que demonstre a mobi­

TRIBOS

li­za­ção, articulação e a iniciativa dos jovens na ação. Descreva: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Avaliação dos Familiares

8. Se sua Tribo não conseguiu terminar as suas ações,

Após todas as atividades, é muito importante sabermos a sua opinião.

relate abaixo os motivos: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

9. Se sua escola não conseguiu vir para Porto Alegre no

1. Você tomou conhecimento de que seu filho participou da

encontro das Tribos, qual foi o motivo? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

ação Tribos nas Trilhas da Cidadania? ( ) Sim ( ) Não

10. Dê sugestões para as Tribos nas Trilhas da Cidadania

2. Você participou junto com o seu filho nesta ação?

2004. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

( ) Sim

( ) Não

3. Como?

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

4. Qual sua opinião sobre a ação?

5. Você apoiaria seu filho na participação da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania no ano que vem? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 182

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

6. Você percebeu alguma mudança nas relações com seu

filho ou com a escola? Qual? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

7. Dê alguma sugestão para as Tribos nas Trilhas da

Cidadania 2004. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Lista das Escolas participantes 2003 A atuação de escolas e professores foi definitiva na mobi­li­ zação das Tribos. Com o apoio dessas lideranças, a juven­tu­de gaúcha constituiu não várias, mas uma única grande Tribo do Rio Grande do Sul Voluntário! A eles, os agradecimentos da ONG Parceiros Voluntários e de toda a comunidade.

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Lista das Escolas participantes 2003

Nome da Tribo

Escola

A arte que encanta Agropecuária solidária Anchieta Anjos ambientais Anjos rebeldes Artesãos das casuarinas Barroca Beija-Flor Botucaraí Caminho da luz Cidadania.net Cidadão santuário CIEP Colselix Construindo um mundo melhor Crescer Curumbamba Da paz Eco Fantin Educação Educação carismática Einstein Escola da URI Faça a paz! Você é capaz! Fé ativa no amor Figuras Filhos da terra Força Jovem Gerações Santos Dumont Grupo de educ. e prot. ambiental "Eco 9" Ibiá: sou da PAZ Ibiá: sou da PAZ Ibiá: sou da PAZ Ibiá: sou da PAZ Ibiá: sou da PAZ Joãozinho Julinha Taborda Larus Luisinho

Instituto Rio Branco Colégio Teutônia Colégio Anchieta Escola Municipal de Ensino Fundamental Primo Vacchi Colégio Olga Benario Prestes Escola Municipal de Ensino Fund. Rio Branco Escola Estadual de Ensino Fundamental Amado Lacroix Escola Municipal de Ensino Fund. Pref. João Freitas Filho Escola Estad. Ensino Fund. Prof. Fábio Nackpar dos Santos Escola de Educação Especial Caminho da Luz Escola de Educação Básica Francisco de Assis Escola Municipal de Ensino Fundamental Santuário Escola Estad. de Educ. Bás. Francisco Brochado da Rocha Colégio Científico Porto Seguro Escola Estad. de Ens. Fund. Monsenhor Costábile Hipólito Centro Sinodal de Ensino Médio de Sapiranga Instituto Estadual de Educação João Neves da Fontoura Escola São Vicente Mártir Escola Estadual de Educação Básica Albino Fantin Colégio de Aplicação Colégio Professor Gustavo Schreiber Colégio Albert Einstein Escola de Ensino Médio da URI Apae Ivoti São Lucas – Ulbra Colégio Marista São Luis Colégio La Salle Carmo Escola Municipal de Ensino Fundamental "24 de Maio" Colégio Estadual Santos Dumont Escola Estadual de Ensino Fundamental 9 de Outubro Colégio Sinodal Progresso Escola Estadual Técnica São João Batista Colégio Estadual Dr. Paulo Ribeiro Campos Instituto de Educação São José Colégio Estadual A. J. Renner Escola de Ensino Fundamental João XXIII Escola Estad. de Ensino Fund. Professora Julinha Taborda Escola Estadual de Ensino Médio Silva Gama Colégio São Luís

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TRIBOSCidade NAS TRILHAS DA CIDADANIA 184

São Leopoldo Teutônia Porto Alegre Sapucaia do Sul Alvorada São Sepé Cruz Alta Sapucaia do Sul Candelária Bagé Ijuí Santa Cruz do Sul São Sepé São Leopoldo Bagé Sapiranga Cachoeira do Sul Porto Alegre Horizontina Porto Alegre São Leopoldo Bagé Santo Ângelo Ivoti Sapucaia do Sul Santa Cruz do Sul Caxias do Sul Teutônia Gramado Portão Montenegro Montenegro Montenegro Montenegro Montenegro São Sepé Bagé Rio Grande São Leopoldo

Nome da Tribo

Escola

Maju Manacô Marista Sant'Ana Mélanie Novo amanhã OS 100 vergonhas Ouro azul Parceiros da vida Patronato, Tribo Cultura em Ação! Polisinos Pompéia será grande Projeto - Casa de passagem Raízes da acácia Ramos Risoleta de Quadros Sagrado Santa Rosa Santo Antônio São José São Judas Tadeu Sévigné Sol em cena Teofânia Texugo Tiaraju Tribo Açores Tribo Bezzi Tribo Costa e Silva Tribo Jean Piaget Tribo mãos dadas com a paz Tribo pela paz Tribo São Chico Tribo Urbana Tupá Uga buga Vaga-lumes da esperança Valorização da vida Viva alegria Voluntários.com

Colégio Madre Júlia São Sepé Colégio Sinodal São Leopoldo Colégio Marista Sant'Ana Uruguaiana Instituto Anglicano Mélanie Granier Bagé Escola Estad. de Ensino Fund. Reinoldo Emílio Block São Sepé Instituto de Educação Estadual Rubén Darío Sapucaia do Sul Escola Estad. de Ensino Médio Reynaldo Affonso Augustin Teutônia Escola Municipal de Ensino Fundamental Pedro Zucolotto Gramado Escola Munic.de Ensino Fund. Professor Agostino Brun Bento Gonçalves Escola Estadual de Ensino Médio Polisinos São Leopoldo Escola Estad. de Ensino Fund. Nossa Senhora da Pompéia Gramado Instituto de Educação Cenecista General Canabarro Teutônia Escola Municipal de Ensino Fundamental Hélio Fraga Nova Santa Rita Escola Estad. de Ensino Médio Boaventura Ramos Pacheco Gramado Escola Estad. de Ensino Fund. Risoleta de Quadros Bagé Colegio Sagrado Coração de Jesus São Leopoldo Colégio Santa Rosa de Lima Porto Alegre Escola Estadual Santo Antônio Garibaldi Colégio São José São Leopoldo Instituição Educacional São Judas Tadeu Porto Alegre Colégio Sévigné Porto Alegre Escola Técnica Municipal Farroupilha Triunfo I.E.E. Professora Irmã Teofânia Garibaldi Escola Técnica Cenecista Carolino Euzébio Nunes Charqueadas Instituto Estadual de Educação Tiaraju São Sepé Escola Estadual de Ensino Médio Açorianos Viamão Escola Municipal de Ensino Fundamental Mosés Bezzi Gramado Escola Municipal de Ensino Fund.Presidente Costa e Silva Panambi Escola de Ensino Fundamental Jean Piaget Bagé Colégio Dom Alberto Santa Cruz do Sul Escola Estadual de Ensino Fund. Ciro Carvalho de Abreu Cachoeira do Sul Instituto de Educação São Francisco Porto Alegre Escola Técnica Estadual 25 de Julho Ijuí Escola de Ensino Fund. Fundação Educacional do Menor Passo Fundo Escola Munic.de Ens. Fund. Professora Maria José Valmarath São Sepé Escola Municipal de Ensino Fundamental Zaira Hauschild São Leopoldo Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias São Pedro do Sul Colégio Nossa Senhora da Conceição Passo Fundo Colégio Coração de Maria Esteio

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 186

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

“Não podemos buscar nosso bem maior sem necessariamente promover ao mesmo tempo o bem dos outros. Uma vida que se limita a interesses pessoais não pode ser submetida a qualquer avaliação respeitável. Procurar o melhor em nós significa zelar ativamente pelo bem-estar dos outros seres humanos. Nosso contrato humano não se restringe às poucas pessoas a quem nossos interesses estão mais intimamente ligados, ou às mais proeminentes, ricas ou de educação aprimorada – mas abrange toda a imensa irmandade humana. Veja a si mesmo como cidadão de uma comunidade mundial e aja de acordo com isso.”

LEBELL, Sharon. Seja um cidadão do mundo. A arte de viver: Epicteto. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

TRIBOS 188

NAS TRILHAS DA CIDADANIA

Para o fortalecimento da cultura do voluntariado e para o aprendizado de nossa organização, gostaríamos de ouvir sua opinião a respeito do nosso trabalho. Comunique-se conosco: parceiro@terra.com.br

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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Associada ao Departamento de Informações Públicas/Seção de Organizações Não-Governamentais (DPI/NGO) das Nações Unidas (UN) Certificações Certidão de Utilidade Pública Estadual nº 002085 Certidão de Utilidade Pública Federal – Portaria nº 306 de 03/04/01 Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS 0283/2002 registro de marca Registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI Certificado de Registro de Marca nº 820161489 Certificado de Registro de Marca nº 820161462

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TRIBOS NAS TRILHAS DA CIDADANIA

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Livro tribos histórias e guias para o voluntariado juvenil  

A trajetória da Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania e os passos para implantação do voluntariado juvenil em parceria com escolas públicas...

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