Page 1

Espaço Pulo do Gato

• OFICINA •

NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS PRIMEIRAS REFLEXÕES SOBRE A ARTE DE NARRAR EM APROXIMAÇÃO COM A LEITURA LITERÁRIA


CONTAR HISTÓRIAS É EVOCAR FEIÇÕES QUE ALCANCEM ALGUMA COMPREENSÃO SOBRE AS RELAÇÕES HUMANAS EM TODA SUA COMPLEXIDADE. A condição humana está intimamente ligada com a capacidade de narrar a si mesmo. Por isso, a voz de quem toma por ofício contar histórias deve extrapolar a bagagem da própria experiência para buscar, na ancestralidade, signos que sejam capazes de revelar e traduzir a angústia gerada pelo mistério de existir. MAS, POR QUE CONTAR HISTÓRIAS? Desde os mais remotos tempos, pessoas contam histórias para não abandonar suas origens, também para refletir e compreender as adversidades da vida, aprimorando o conhecimento sobre as relações humanas. QUEM É A VOZ NARRATIVA? O momento narrativo, embora seja composto de observação e escuta, não se limita ao campo da passividade, ao contrário, a partir da apresentação de novas percepções criadas durante a experiência com a história, uma espécie de diálogo acontece com o despertar dos sentidos dos expectadores. É preciso uma disposição íntima de quem narra para iniciar a busca pela própria identidade na história; uma fresta que permita o fluxo de compreensão entre a razão e a emoção, possibilitando à voz narrativa se apropriar do conto.


A voz narrativa vivifica a história, por isso, é preciso:

RELACIONAR AS PRÓPRIAS MEMÓRIAS AFETIVAS COM O REPERTÓRIO - contos, fábulas, crônicas, poemas, adivinhas, canções e histórias trazidas da oralidade ou da literatura;

TREINAR O USO DA VOZ E A PERCEPÇÃO DE RITMO, brincando com a sonoridade das palavras, compondo a musicalidade da história;

TRANSPOR AS DIFICULDADES QUE POSSAM SURGIR COM O VOCABULÁRIO, diversificando seu uso e compreendendo a importância deste instrumento durante a narração;

AMPLIAR O APOIO NA LEITURA LITERÁRIA E TEÓRICA para reforçar o repertório;


FORTALECER A CURIOSIDADE dos ouvintes sobre assuntos que façam intersecção com as histórias escolhidas, baseando-se em pesquisas prévias;

BUSCAR PROFUNDA INTIMIDADE COM A HISTÓRIA antes de cogitar a utilização de algum recurso material (objetos representativos, elementos sonoros, composição de cenário ou figurino) que ilustre a apresentação;

REGISTRAR AS HISTÓRIAS do repertório, organizando-as em arquivos identificados com ideias de projetos narrativos ou temas;

LER TODAS AS LINGUAGENS (palavra escrita, palavra falada, imagens, movimentos, silêncio...) com intenção de quebrar paradigmas e refletir sobre os conceitos e os preconceitos que influenciam nossa interpretação de mundo.


LIVROS PARA MANTER NA CABECEIRA:

1. OUVIR NAS ENTRELINHAS - O VALOR DA ESCUTA NAS PRÁTICAS DE LEITURA,

de Cecília Bajour, tradução de Alexandre Morales, Editora Pulo do Gato.

2. POR UMA LITERATURA SEM ADJETIVOS,

de María Teresa Andruetto, tradução de Carmen Cacciaro, Editora Pulo do Gato.

3. A ARTE DA PALAVRA E DA ESCUTA, de Regina Machado, Editora Revira Volta.

4. CONTOS FILOSÓFICOS DO MUNDO INTEIRO,

de Jean-claude Carrière, Editora Ediouro.


PENÉLOPE MARTINS é consultora educacional da Editora Pulo do Gato, escritora, narradora de histórias, consultora em projetos de leitura e criadora de conteúdo para plataformas digitais. Entre suas obras publicadas estão Minha vida não é cor-de-rosa e Que amores de sons!, ambos pela Editora do Brasil; As aventuras de Pinóquio, pela Editora Panda Books; Que culpa é essa?, pela Editora Patuá; entre outros.

Imagens: Juan Palomino, do livro Letras de carvão, Editora Pulo do Gato.

OFICINA NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS  
OFICINA NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS  
Advertisement