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Saiba tudo sobre a primeira edição da SAHE, feira que acontece em março, em SP O papel dos hospitais de transição na nova realidade social Transmai anuncia lançamentos neste ano de retomada Dorja acredita no país e divulga novidades para 2017

Interoperabilidade: como a tecnologia blockchain pode ajudar na integração dos sistemas Corujão da Saúde A ideia é boa, mas também é preciso atacar a causa do problema

A terceirização logística como estratégia de sucesso www.revistahospitaisbrasil.com.br

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Editorial

Motivação Apesar de o tempo ser relativo, um novo ano sempre renova os ânimos. É quando a gente se propõe a começar a fazer certo! Gosto do clima de entusiasmo, mas prefiro pensar que devemos iniciar as mudanças em qualquer momento, seja janeiro ou outubro, segunda ou quintafeira, meia-noite ou meio-dia.

Outro assunto que ganha as páginas é logís�ca, seja com relação à armazenagem e ao transporte dos suprimentos dos fornecedores até os hospitais, seja dentro das ins�tuições de saúde, na melhoria dos processos. Veja o case de um hospital de Porto Alegre que o�mizou a dispensação de medicamentos u�lizando o conceito just-in-time.

E 2017 vem cheio de expectativas: todo mundo apostando na retomada da economia (afinal, não tem outro jeito!). E para mostrar essa movimentação, entrevistamos duas empresas do setor, sob o chapéu “Mercado”, que mostram como lidaram com as dificuldades de 2016 e quais são as apostas para este ano. Elas não ficaram paradas, não! Tanto que aproveitam para anunciar vários lançamentos.

Em eHealth, falamos sobre a interoperabilidade entre diferentes sistemas de informação, que ganha um novo aliado: a tecnologia blockchain. Este tema, abordado pela Comissão Científica do HIMSS@Hospitalar 2017, também faz parte da grade de palestras que serão apresentadas na Hospitalar, que acontece de 16 a 19 de maio, em São Paulo. Programe-se! Assunto que vem movimentando o noticiário da cidade é o programa “Corujão da Saúde”, da prefeitura. Aliás, o prefeito João Doria começou o ano realmente animado e está dando o que falar na liderança da maior cidade do país. O projeto tem o objetivo de zerar as filas de espera de 485,3 mil exames na rede pública em um prazo de 90 dias. Confira na matéria a opinião de um especialista sobre a iniciativa.

Jefferson Bernardes

E, falando em novidades, o segmento já começa a se reunir em março, quando ocorre a primeira edição da SAHE – South America Health Exhibition, entre os dias 13 e 16, em São Paulo. A feira vai integrar toda a cadeia da área de saúde em um ambiente intimista que promete gerar muitos resultados, sem falar que vai abrigar eventos com conteúdo valioso para a prática profissional. Nesta edição da RHB, temos uma matéria especial sobre a mostra, apresentando, inclusive, lançamentos dos expositores. Não perca!

É, o ano já começou... Claro que às vezes bate o desânimo e lá vêm os questionamentos: Sou feliz? Faço o que realmente gosto? Largo tudo e vou viajar pelo mundo? Mas aí entramos na roda de novo, deixando a mudança para a próxima semana, o próximo mês, o próximo ano, a próxima vida... Desejo que em 2017 você não desista de melhorar, que tenha paz para refletir e muito amor para o motivar!

EM ALTA

Uma das novidades mostradas na seção Pequenas Doses é que o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), passou a operar tecnologia adotada em 17 dos 25 hospitais de referência no tratamento de doenças oncológicas nos Estados Unidos. Leia mais na página 58.

EXPEDIENTE Gerente de Negócios Ronaldo de Almeida Santos ronaldo@publimededitora.com.br

Diretora Administrativa Vanessa Borjuca Santos vanessa@publimededitora.com.br

Design Gráfico e Criação Publicitária Lilian Carmona lia@liacarmona.com.br

Editora e Jornalista Carol Gonçalves - MTb 59413 DRT/SP carol@publimededitora.com.br

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Redatora de Conteúdo Web Luiza Mendonça - MTb 73256 DRT/SP luiza@publimededitora.com.br

Imagem de capa de Marcelo Coelho, cedida gentilmente pela Rede Placi, do Rio de Janeiro.

A Revista Hospitais Brasil não se responsabiliza por conceitos emitidos através de entrevistas e artigos assinados, uma vez que estes expressam a opinião de seus autores e também pelas informações e qualidade dos produtos, equipamentos e serviços constantes nos anúncios, bem como sua regulamentação junto aos órgãos competentes, sendo estes de exclusiva responsabilidade das empresas anunciantes.

Gerente de Relacionamento Andréa Neves de Mendonça andrea@publimededitora.com.br

Ano XIII - Nº 83 - JAN | FEV 2017 Circulação: Fevereiro 2017

Não é permitida a reprodução total ou parcial de artigos e/ou matérias sem a permissão prévia por escrito da editora.

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Diretor Geral Adilson Luiz Furlan de Mendonça adilson@publimededitora.com.br

A Revista Hospitais Brasil é distribuída gratuitamente em hospitais, maternidades, clínicas, santas casas, secretarias de saúde, universidades e demais estabelecimentos de saúde em todo o país.

A Revista Hospitais Brasil é uma publicação da PUBLIMED EDITORA LTDA., tendo o seu registro arquivado no INPI-Instituto Nacional de Propaganda Industrial e Intelectual. Rua Marechal Hermes da Fonseca, 482 – sala 4 02020-000 – São Paulo/SP Tel.: (11) 3966-2000 www.publimededitora.com.br www.revistahospitaisbrasil.com.br Impressão: Ipsis Gráfica e Editora

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Sumário

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ANÁLISE “Corujão da Saúde”, programa da prefeitura de SP para diminuir filas de exames, é totalmente adequado a cidades grandes, mas outros pontos precisam ser considerados para resolver o problema defini�vamente

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ESPECIAL Acontece em março a primeira edição da SAHE – South America Health Exhibi�on, em São Paulo, que promete oferecer um ambiente in�mista para negócios e aprimoramento profissional

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TECNOLOGIA Secretaria de Saúde do DF conclui digitalização de todos os serviços nas áreas de radiologia e radioterapia

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EVENTO Segunda maior feira na área da saúde do mundo e principal mostra de disposi�vos médicos do Oriente Médio, Arab Health reúne mais de 4.000 expositores, entre eles, par�cipantes do Projeto Brazilian Health Devices

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LOGÍSTICA A primeira matéria mostra como os fornecedores de produtos para saúde podem alcançar a eficiência no abastecimento dos hospitais; a segunda apresenta a aplicação do sistema justin-time no setor de farmácia de uma ins�tuição, o que ajudou a o�mizar a dispensação de medicamentos

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GENTE QUE FAZ Mario Barreto Corrêa Lima é um médico-professor-escritor que

dedicou sua vida à (re)humanização da medicina

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eHEALTH Já ouviu falar em tecnologia blockchain? Pois saiba como ela pode ajudar a vencer as barreiras da interoperabilidade entre os sistemas de informação em saúde

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MERCADO Fabricante e importadora de linhas exclusivas de produtos médicos, Dorja aposta no Brasil e anuncia novidades para o ano

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CONECTIVIDADE Veja como será o hospital do futuro e quais os entraves para sua concre�zação

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MERCADO Agora é a vez da Transmai, fornecedora de equipamentos para análises de precisão, comunicar seus lançamentos para este ano de retomada da economia

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LEGISLAÇÃO Advogado alerta para a hemorragia tributária interna, que drena preciosos recursos das instituições, prejudicando os resultados e a qualidade dos serviços prestados

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TENDÊNCIA Especialistas revelam cinco desafios e soluções para a área da saúde digital em 2017

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PEQUENAS DOSES Entre os assuntos desta edição estão a chegada de uma tecnologia inédita no Brasil para tratamento do câncer e uma cirurgia de re�rada de tumor no cérebro feita com o paciente cantando e tocando violão

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ATENDIMENTO Hospitais de transição se encaixam perfeitamente na nova realidade social, atendendo pacientes que necessitam de cuidados prolongados sem usar recursos dos hospitais gerais

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OPINIÃO Presidente da APM, Florisval Meinão fala sobre a polêmica da criação de planos privados acessíveis a uma parte da população

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Leon Rodrigues/Secom

Análise

“Corujão da Saúde”: a ideia é boa, mas também é preciso atacar a causa do problema Por Carol Gonçalves Uma das promessas do até então candidato à prefeitura de São Paulo, João Doria, era zerar as filas de espera para 485,3 mil exames na rede pública de saúde em um prazo de 90 dias. Assim, no dia 10 de janeiro deste ano, já eleito, ins�tuiu o programa “Corujão da Saúde”, que começou a ser implantado em hospitais e clínicas das redes pública, par�cular e filantrópica. Essas ins�tuições ofertam exames extras em horários alterna�vos, conforme a capacidade ociosa de cada local. Em 2 de janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou os contatos telefônicos para agendar exames de 296,5 mil pacientes que estavam na lista de espera entre um e seis meses. Eles representam cerca de 60% do total da fila. Pelo programa, se o paciente ainda não �ver feito o exame ou se, pelo quadro clínico, o procedimento ainda for necessário, ele será agendado dentro dos 90 dias.

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Da lista de espera atual para exames, 349,2 mil são para ultrassom dos mais diferentes �pos. Outros 42,2 mil são para tomografia, 33,5 mil para ecocardiografia, 32,2 mil para mamografia e 28,1 mil para ressonância magné�ca. A remuneração dos procedimentos seguirá os valores da tabela do SUS. O inves�mento será de R$ 17 milhões.

demandas internas. O valor inves�do para esse convênio é de R$ 400 mil. Em uma semana de implantação do programa, a fila de pacientes que aguardam por agendamento de exames na rede pública municipal caiu 49,8%, saindo de 485,3 mil para 241,8 mil, segundo a prefeitura. Durante esse período, as 675 unidades de saúde municipais marcaram 243,5 mil exames para os pacientes do programa, o que representa média de 360,7 agendamentos por unidade. Até o fechamento desta edição da RHB, o “Corujão da Saúde” contava com 20 hospitais e clínicas parceiros do setor privado, como Oswaldo Cruz, Sírio Libanês, HCor, Albert Einstein, Edmundo Vasconcelos, Sepaco, Santa Casa de Santo Amaro, Santa Marcelina de Itaquera e Cruz Azul. Outras ins�tuições que deverão, grada�vamente, entrar no programa são o Ins�tuto Arnaldo Vieira de Carvalho, Cetrus, Dasa-Lavoisier, Hospital Santa Joana, Dr. Consulta, Beneficência Portuguesa, Aviccena, Hospital Presidente, Megamed e Tadao Mori. A Santa Casa também confirmou que fará exames, além das consultas de reavaliação daqueles pacientes que estão na lista há mais de seis meses.

De acordo com Doria, após o término do programa, os exames serão realizados em caráter de normalidade, com prazo de 30 dias pela rede pública municipal e, circunstancialmente, também pelas redes privada e estadual.

Além dessas vagas, a pasta está u�lizando sua rede própria para atender ao programa. Duas ins�tuições privadas – Fidi e Cies – que gerenciam o parque radiológico municipal por toda a cidade ampliaram o volume da oferta de exames, entre tomografias, ressonâncias, ultrassons e ecocardiogramas.

Para fortalecer o “Corujão da Saúde”, um convênio com a Santa Casa de São Paulo irá agilizar as consultas de reavaliação da população. O hospital filantrópico pode ofertar cerca de 40.000 atendimentos extras aos pacientes encaminhados das UBS que não conseguirem absorver suas

AVALIAÇÃO A mídia já no�ciou diversas reclamações de pacientes a respeito do horário de atendimento, pois alguns hospitais marcam exames na madrugada. A prefeitura pretende ofertar transporte para a população em horário diferenciado nas regiões das

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Análise

A solução definitiva para resolver o problema das filas de exames médicos no município de São Paulo é ter um excelente sistema de gestão que permita distribuir os exames de forma inteligente”

Rogério Medeiros, do Centro Universitário São Camilo

ins�tuições de saúde parceiras. Por outro lado, outros pacientes aprovam a inicia�va, independentemente do horário. E pelos olhos de um especialista em gestão? O programa foi bem estruturado? Segundo Rogério Medeiros, professor do MBA de Gestão em Saúde do Centro Universitário São Camilo, o conceito proposto pelo prefeito está totalmente adequado e alinhado a cidades como São Paulo, que funcionam 24 horas por dia. Ele jus�fica levando em consideração que os hospitais precisam manter estruturas pesadas de serviços e, por isso, quanto mais u�lizarem seus equipamentos, maior será o retorno financeiro. “Apenas para ilustrar, os serviços de Ressonância Magné�ca (RM) e Tomografia Computadorizada (TC) oferecidos pelas ins�tuições de saúde devem ser realizados por um médico, que opera a máquina e assiste o doente. Assim, quando um paciente entra com alguma queixa no Pronto Socorro à noite, este atendimento pode prescindir de exame de RM ou TC e, muitas vezes, não é possível esperar o horário comercial para sua realização”, conta. Este �po de situação acaba obrigando os hospitais a manter um médico de plantão para atender à eventual emergência, no entanto, há relatos de profissionais que ficam 12 horas em plantão para realizar um único exame de TM ou TC. Portanto, o valor do médico é maior que aquele que o hospital irá receber do convênio pelo exame. “Tendo este cenário como referência, fica evidente que a proposta do prefeito de São Paulo seria o�mizar este serviço, atendendo os pacientes e cobrindo as lacunas dos hospitais. Isso é totalmente racional, pois viabiliza o serviço, o pagamento da máquina e o profissional médico que está de plantão, o que não necessariamente irá gerar lucro, mas pagará pelo serviço disponível”, expõe Medeiros.

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Para ele, a solução proposta é emergencial, mas poderia ser defini�va, pois, em sua opinião, o mercado dos hospitais filantrópicos e privados tem total condição de absorver a demanda do município. Ele sugere que, após o mu�rão, poderia ser estabelecida uma rede de ins�tuições de saúde para realizar estes exames no período noturno e nos fins de semana, por exemplo. “Penso que mais dez hospitais ofertando cada um 100 exames por mês seria totalmente adequado com a demanda do município”, acrescenta. O professor cita como pontos posi�vos do “Corujão da Saúde” a reorganização da rede de serviços filantrópicos e privados e a diminuição da fila de pacientes. No entanto, ele alerta que se não houver direcionamento adequado, o

custo pode ficar muito baixo e não se tornar atra�vo para os hospitais par�culares. “Esta é uma solução provisória e não ataca o ponto central que é a regulação da oferta e demanda, pois a fila voltará a crescer. Cito o valor pago pelos exames e o tempo de pagamento como pontos nega�vos, pois o ressarcimento leva 60 dias, em média.” SOLUÇÃO DEFINITIVA O professor Medeiros diz que a solução defini�va para resolver o problema das filas de exames médicos no município de São Paulo é ter um excelente sistema de gestão que permita distribuir esses exames de forma inteligente, pois o modelo atual apresenta falhas. O município opera o SisReg, que é um sistema web oferecido pelo Ministério da Saúde criado para o gerenciamento de todo o complexo regulatório, através de módulos que permitem desde a inserção da oferta até a solicitação, pela rede básica, de consultas, exames e procedimentos na média e alta complexidades, bem como a regulação de leitos hospitalares. Funciona da seguinte forma: o município tem capacidade para uma certa quan�dade de exames, que são distribuídos pela Secretaria Municipal de Saúde entre diversas regiões, de forma quan�ta�va e não qualita�va. Quando o médico prescreve um procedimento, a UBS precisa entrar no sistema da sua região e verificar a disponibilidade de vaga e, em caso posi�vo, agendar o paciente. Medeiros conta que, nas UBS, estas agendas recebem o nome de “cotas” e, em caso de indisponibilidade, as unidades avisam o paciente que não existe mais cota no mês e que o agendamento poderá ser feito na próxima oferta para a unidade. “Este processo não é virtuoso, pois a central não consegue perceber o tamanho da demanda e muito menos o grau de urgência daquele paciente. Consequentemente, começam os problemas de fila de espera e cirurgias de urgência, porque não realizaram o exame previamente, como forma de buscar um tratamento clínico. Daí também aumentam os problemas financeiros”, conta Medeiros. Ele diz que há um número grande de perdas de agenda no município de São Paulo pois às vezes as cotas são disponibilizadas com tempo curto para avisar os pacientes. “De forma resumida, tem solução, sim, basta reorganizar o SisReg e adotar o prontuário eletrônico para apoiar este processo de seleção das prioridades.” MOTIVOS E como chegou-se a esse patamar de espera de 485,3 mil exames? Medeiros diz que não é possível afirmar que é apenas problema de má gestão, pois há muitas variáveis envolvidas no processo como um todo, por exemplo, o excesso de exames prescritos. E isso é causado por dois mo�vos: há pacientes que entendem que a boa medicina só acontece quando o médico pede algum exame e há médicos que só conseguem realizar o diagnós�co através de 12 a 20 exames. “Perdemos o velho e bom médico de família, que conhecia o histórico da saúde de toda a família e muitas

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vezes não pedia qualquer exame complementar, apenas com a anamnese conseguia prescrever o tratamento”.

pessoal, bastou fazer o remanejamento de algumas pessoas das equipes assistenciais.

Segundo ele, temos que reorganizar o sistema de saúde e, inclusive, abranger a sociedade, demonstrando claramente os custos envolvidos. “Não adianta o paciente entrar no consultório com uma vasta pesquisa no Google e pedir apenas para o médico preencher o receituário. Precisamos desenvolver cada vez mais o prontuário eletrônico e, com isto, conhecer o paciente, seu histórico e alinhar o tratamento com todos os serviços de saúde”, expõe.

“Desde 2008, somos um dos hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Ins�tucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde. No programa está previsto atendimento assistencial, através do qual estamos par�cipando do ‘Corujão da Saúde’ por meio de um convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo”, explica.

Medeiros lembra que podemos até resolver o problema da regulação dos exames, porém isso não significa que resolveremos o problema relacionado ao tratamento correto do paciente. “Também devemos envolver mais os estudantes nas faculdades de medicina, demonstrando que há uma hierarquia de exames a serem prescritos conforme o diagnós�co e prognós�co do paciente. E temos que lembrar à sociedade que às vezes um bom exame de raios X já responde por muitos diagnós�cos que dispensam TC e TM”, acrescenta. VANTAGENS Pelo lado dos hospitais privados, quais as vantagens do “Corujão da Saúde”? O professor do Centro Universitário São Camilo diz que essas ins�tuições deveriam ver o programa como uma oportunidade de melhorar os custos e amor�zar inves�mentos. Ele diz que às vezes, o inves�mento em um aparelho de TC acaba não retornando em cinco anos se o aparelho não realizar o volume mínimo de exames. “Gosto de fazer uma analogia com a aviação: o avião parado ou em manutenção é muito caro. Por isso, a mesma aeronave faz várias viagens sem parar e a tripulação é trocada.” Medeiros acredita que, no hospital, estes aparelhos devem receber a mesma atenção. Ou seja, serem u�lizados pelos pacientes do SUS para pagar os custos da operação. Outra oportunidade é usar a estrutura para treinamento dos residentes. “O que médicos residentes precisam é paciente para exercitar o aprendizado, pois quanto mais ele atende, melhor fica no processo e na leitura das imagens. Enfim, eu acredito que todos ganham dessa forma”, opina. NA PRÁTICA Entre os hospitais que fazem parte do programa da prefeitura de São Paulo está o Alemão Oswaldo Cruz, que disponibilizou 7.530 exames, sendo 330 ressonâncias magné�cas, 4.800 tomografias e 2.400 ultrassonografias mamárias. Até as 15h do dia 20 de janeiro, foram realizados 711 exames, distribuídos em 597 tomografias, 58 ressonâncias e 56 ultrassonografias.

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Beto Assem

Os exames de ressonância magné�ca e de tomografia são oferecidos no Complexo Hospitalar e podem ser realizados 24 horas por dia, de segunda à sexta-feira, de acordo com a disponibilidade de horários. Já as ultrassonografias mamárias são feitas na Unidade de Sustentabilidade Mooca, das 16h às 22h, ambos respeitando o agendamento feito pela Rede Siga, da prefeitura. Paulo Vasconcellos Bas�an, CEO do hospital, conta que os atendimentos ao programa estão diluídos ao longo das 24 horas de atendimento do Complexo Hospitalar, por isso não foi necessário contratar

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Outro hospital par�cipante é o Sepaco, que tem a previsão de realizar 1.600 ressonâncias magné�cas até o mês de maio. Do dia 16 a 18 de janeiro, foram realizados 60 exames. O atendimento acontece aos domingos, das 7h às 19h, e de segunda a sexta-feira das 19h às 7h. Para atender à demanda, Rafael Antonio Parri, superintendente geral, conta que o quadro de funcionários foi readequado e o hospital abriu agenda no período noturno. “Contratamos um técnico de radiologia médica e um auxiliar de enfermagem”, expõe. De acordo com ele, como ins�tuição filantrópica, o Sepaco tem responsabilidade social e fica sa�sfeito em poder atender ao pedido da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo. O Ambulatório de Filantropia – Unidade Ultrassonografia do Hospital Sírio-Libanês (HSL) também faz parte do novo programa da prefeitura. A unidade já atende pacientes do SUS encaminhados pela rede municipal das regiões Centro e Oeste da capital. Além disso, funciona como unidade externa, para exames de ultrassonografia e ecocardiograma do Hospital Municipal Infan�l Menino Jesus (HMIMJ), administrado pelo Ins�tuto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês. Com a par�cipação no “Corujão da Saúde”, o horário de atendimento na unidade foi aplicado: de segunda a quartafeira funciona das 18h às 21h30 e, aos sábados, das 7h às 13h. A previsão é de que durante esses horários extras sejam realizados 120 exames adicionais por dia, de segunda a quartafeira, e outros 200 aos sábados. Com isso, a oferta mensal da unidade passará dos atuais 3.000 procedimentos para 5.240. Os exames de ultrassonografia realizados na unidade incluem, entre outros, os morfológicos e obstétricos, de ar�culações, Doppler em geral e biopsias de mama. Por sua vez, o Hospital Israelita Albert Einstein, que já atua em parcerias com a prefeitura e com o SUS, com dois hospitais municipais sob sua gerência – do M’boi Mirim e da Vila Santa Catarina – e administrando outras 133 estruturas de atenção básica (incluindo também CAPS e a UPA Campo Limpo), também está à disposição para efetuar exames de alta complexidade. Por mês, serão realizados 30 exames de ressonância magné�ca, de segunda a sexta, das 8h às 14h, e 90 exames de tomografia computadorizada, de segunda a sexta, das 8h às 18h.

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OPORTUNIDADE PARA CONHECER NOVIDADES EM SAÚDE

Primeira edição da feira, que acontece em março, reúne lançamentos de expositores e diversificado conteúdo de atualização

Equipe SAHE, profissionais com grande experiencia no setor

Vencer os desafios profissionais diários requer cada vez mais dedicação, principalmente em um setor que lida com a saúde das pessoas e recursos limitados. Por isso, conhecer as últimas tecnologias, os produtos mais eficientes e relacionar-se com quem é referência em seu segmento de atuação são questões obrigatórias para profissionais que cuidam de tantos pacientes e serviços de saúde, todos os dias. As principais novidades de 2017 poderão ser vistas na SAHE – South America Health Exhibition, que acontece entre os dias 13 e 16 de março, em São Paulo. A feira oferece um ambiente intimista para que os profissionais conheçam todos os lançamentos da área com tranquilidade e conforto.

E as oportunidades não param por aí. Reconhecidas entidades de saúde estão preparando eventos com conteúdo técnico, de gestão e de liderança. São inúmeras opções, pensadas para atender a demanda por atualização de profissionais de toda a cadeia do setor. Dedicada à área de saúde há mais de 20 anos, a equipe da SAHE trabalha para proporcionar um ambiente agradável e eficiente para atualização profissional e realização de negócios. “Vamos oferecer conteúdo relevante e oportunidades para todos os envolvidos no segmento logo no primeiro trimestre do ano”, explica Katherine Shibata, diretora executiva da SAHE.

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Conforto para quem participa

Qualidade e inovação são palavras de ordem para a SAHE, por isso o local escolhido para o evento é o Centro de Eventos Pro Magno, um dos espaços mais modernos para a realização de eventos de pequeno e médio portes, localizado na Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo. De fácil acesso, a estrutura está preparada para abrigar os mais de 120 expositores nacionais e internacionais e receber os visitantes com conforto.

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Conteúdo: gestão e inovação

Além de apresentar produtos e serviços voltados para o setor, a feira vai abrigar eventos com conteúdo valioso para a prática profissional. Entre eles, o 1º Hospital Summit ANAHP e o 4º Seminário Brasileiro de Engenharia Clínica da ABECLIN. A parceria com a ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados dá um exemplo da dimensão da feira. O 1º Hospital Summit é um evento focado na gestão de instituições hospitalares e traz temas como perspectivas para 2017, liderança de equipes, governança e compliance. “Esta é uma parceria estratégica, que busca resultados sob o ponto de vista de conteúdo e gestão. Os participantes dos nossos eventos só têm a ganhar porque terão um conteúdo muito interessante. O 1º Hospital Summit será um encontro para abordar conteúdo focado na gestão hospitalar e, mais do que isso, na inovação, que é importante e necessária para a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirma Francisco Balestrin, presidente da ANAHP. Serão mais de 100 horas de programação, com uma variada grade de eventos. “Criamos um fórum com diferentes formatos – cursos, workshops, palestras, seminários, congressos e apresentação de cases –, focados num tema fundamental para o século XXI: qualidade, segurança e entrega dos serviços de saúde ao paciente”, explica Fátima Pires, coordenadora de eventos da SAHE.

O 1º Hospital Summit será um encontro para abordar conteúdo focado na gestão hospitalar e, mais do que isso, na inovação, que é importante e necessária para a sustentabilidade do sistema de saúde” Francisco Balestrin, presidente da ANAHP

Espaços temáticos

Uma das grandes atrações da feira será o SAHE Connected Hospital, um espaço especialmente estruturado para receber as novidades tecnológicas do mercado e que será palco do 1º Congresso do Hospital Conectado. Nessa área, empresas de TI e de devices compatíveis apresentarão soluções através de exibições e palestras em formato dinâmico e atraente.

O SAHE Connected Hospital será liderado pela Multitone, especializada em produtos, integração e soluções de mobilidade coorporativa. A empresa desenvolverá um ambiente colaborativo entre empresas de tecnologia com foco na conectividade de equipamentos e em plataformas de gestão. “A tecnologia permite que profissionais de saúde obtenham informações de seus pacientes de forma automática em casos de emergência ou para verificar status de evolução de tratamentos e rotinas pré-definidas, permitindo o acompanhamento preciso e oportuno”, ressalta Roberto Prates, da Multitone, empresa que irá comemorar seus 20 anos, em grande estilo, durante a feira.

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DESAFIOS E ALTERNATIVAS PARA O MERCADO DE SAÚDE

Os participantes da SAHE terão uma enorme diversidade de conteúdo à disposição durante os quatro dias da feira. As discussões sobre as tendências de mercado e perspectivas para o futuro acontecerão em 8 auditórios. “O conteúdo será focado em inovação e na percepção de que o mercado está em transformação. Cabe a nós a responsabilidade de trazer as primeiras percepções desse novo mercado”, afirma Francisco Balestrin, presidente da ANAHP e presidente de honra da feira. Para novos tempos, novas tecnologias. O tema estará presente não só nos lançamentos apresentados pelos expositores, mas também em cursos e seminários sobre as tendências de mercado com a participação das principais entidades do setor. “Nós teremos uma vertical de conhecimento bastante forte que será desenvolvida por quem mais entende de cada segmento”, destaca Katherine Shibata, diretora executiva da SAHE.

A ABDEH – Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar realiza diversos cursos sobre arquitetura de espaços de saúde. O modelo de evento adotado pela SAHE foi determinante para a escolha da entidade. “Por ser uma feira mais intimista, a SAHE proporciona uma maneira mais ágil de nos conectarmos com os diferentes profissionais de saúde. Em feiras muito grandes, normalmente as pessoas ficam mais dispersas e isso dificulta os contatos”, afirma Ana Paula Perez, vice-presidente executiva da ABDEH.

Durante a SAHE, o visitante poderá acompanhar palestras e workshops de grandes nomes do setor, com conteúdo focado na especialização dos profissionais. Entre os palestrantes confirmados estão Prof. Dr. Sérgio Talarico, Prof. Dr. Renato Neves, Dr. Heron Rached e Prof. Dr. Said Jorge Calil.

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Nos dias 13 e 14 de março, a ABEClin – Associação Brasileira de Engenharia Clínica promove seu 4º seminário nacional, com foco no relacionamento multidisplinar, na introdução das tecnologias inovadoras e na gestão de riscos no processo de segurança do paciente. “A ABEClin está desenvolvendo um congresso sobre a importância da engenharia no gerenciamento dos equipamentos de saúde, com o objetivo de garantir rastreabilidade, usabilidade, qualidade, eficácia, segurança e desempenho desses aparelhos, promovendo, assim, a segurança dos pacientes”, conta Fátima Pires, coordenadora de eventos da SAHE.

A ONA – Organização Nacional de Acreditação promoverá na SAHE o 1º Seminário de Saúde e Segurança do Paciente, com apoio técnico do IBSP – Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente. A entidade pretende aproveitar a feira para mostrar a importância da acreditação no setor. O Brasil possui mais de 6.000 hospitais, sendo que apenas 247 são acreditados pela organização. A ONA acredita que, quanto mais a cultura da segurança do paciente for disseminada, mais se abrirão espaços para discutir sobre a acreditação e mostrar a importância dessa ferramenta no ambiente das organizações de saúde.

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Con�ira a lista completa dos eventos que acontecerão na SAHE 1º Hospital Summit ANAHP Data: 13, 14 e 15 de março

Serão três auditórios simultâneos, sete programações cuidadosamente desenvolvidas com foco na gestão das instituições de saúde e casos práticos do dia a dia dos principais hospitais de excelência do país.

4º Seminário Brasileiro de Engenharia Clínica ABEClin Data: 13 e 14 de março

Serão abordados temas relacionados às maiores demandas e aos desafios da engenharia clínica, com enfoque no relacionamento multidisplinar, na introdução das tecnologias inovadoras e na gestão de riscos no processo de segurança do paciente.

Curso ABDEH: Arquitetura para Edi�ícios de Saúde Data: 13 de março

A ABDEH – Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar apresentará conteúdo para o desenvolvimento de projetos arquitetônicos de edificações para a saúde, desde concepção, plano diretor e projetos conceituais até o desenvolvimento dos projetos de arquitetura de interiores.

Curso ABDEH: Espaços Técnicos de Engenharia de um E.A.S. Data: 14 e 15 de março

Haverá debate sobre as complexidades das instalações dos EAS (Estabelecimentos Assistenciais de Saúde) e apresentação de métodos para a realização correta da construção.

Curso ABDEH: Gerenciamento de obras e Certi�icação Data: 16 de março

Com duração de 7 horas, o curso tratará das dificuldades e interfaces necessárias no gerenciamento de obras, além da apresentação de cases dos hospitais Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês e Vitória Anália Franco.

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1º Seminário ONA de Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente Data: 13 de março

A ONA, com o apoio técnico do IBSP – Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, promove um programa formado por cinco temas importantes e contemporâneos para a gestão da qualidade e segurança do paciente, destacando conceitos atuais como o Quadruple AIM e o Disclosure.

1º Congresso Internacional do Hospital Conectado Data: 15 de março

O Congresso abordará a tecnologia integrada no cuidado assistencial para a segurança do paciente e discutirá como as instituições e os parceiros de tecnologia estão lidando com a necessidade de se conectar para salvar vidas.

3º Fórum Planisa de Gestão de Saúde Data: 14 de março

A Planisa discutirá a importância do ciclo da produção dos serviços assistenciais, o correspondente custeio e como evoluir com mecanismos de pagamento mais consistentes.

Simpósio de Tecnologias Digitais Voltadas ao Paciente Data: 13 de março

Promovido pela HL7, o encontro vai discutir quais são as tecnologias centradas no paciente e suas implicações para a segurança, para a integração das informações ao longo dos contínuos cuidados de saúde e para a organização e o financiamento do setor, bem como novas abordagens, e-Saúde, mobilidade e Big Data.

Saiba mais sobre os eventos no site www.sahe.com.br, no menu SAHEVENTOS 15/02/2017 10:19:55


Quem quiser visitar a SAHE, ainda pode fazer o credenciamento pelo site sahe.com.br. É rápido e gratuito.

COMODIDADE PARA OS VISITANTES

Outra comodidade é que o evento acontece próximo ao aeroporto de Guarulhos e de estações do metrô, além disso, oferece em torno de 1.000 vagas de estacionamento.

Para quem é de outras cidades ou estados, ou mesmo prefere deixar o carro em casa, a organização da feira oferece transfer gratuito da estação Barra Funda-Palmeiras do metrô para o pavilhão. A praça de alimentação do local é climatizada, tem vista panorâmica e opções variadas de almoço, jantar e lanches. Para manter os visitantes conectados, o Pro Magno conta com uma das maiores estruturas de internet Wi-Fi em pavilhões de exposições do país.

Saiba mais sobre todas as facilidades para os visitantes no www.sahe.com.br, menu VISITANTES Como pedir sua credencial: 1) Acesse conteudo.sahe.com.br/ visitante/ 2) Preencha seus dados e aguarde o e-mail de confirmação

A agência de viagens oficial da SAHE, a Global Fair, também oferece facilidades para quem vem de fora através de parcerias com diversos hotéis da região. Preços promocionais para quem fechar pacotes com a agência.

Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail reservas@globalfair.com.br, pelo telefone (11) 3823-2628 ou pelo link de serviços no site da SAHE.

3) Chegando ao Centro de Eventos Pro Magno, procure os totens de autoatendimento, digite seu CPF e aguarde a etiqueta 4) Pronto! Cole a etiqueta na credencial e boa feira!

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INOVAÇÕES E LANÇAMENTOS NOS MAIS VARIADOS SETORES A SAHE vai reunir as novidades de expositores de diversos segmentos, incluindo equipamentos, eletromédicos, artigos de hotelaria, descartáveis, móveis, serviços e soluções em TI, entre outros.

Segundo a Deloiµe, especializada em auditoria, consultoria, assessoria financeira e risk advisory, as empresas têm olhado menos para o crescimento e mais para a rentabilidade e, visando atingi-la, tiveram de fazer o dever de casa, analisando produtividade, eficiência e outros fatores, contratando consultorias para realizar tais análises. Por essas razões, a companhia entende que a participação na SAHE é bastante importante para o negócio. “Por ser o primeiro evento do ano no Brasil, vamos realizar laboratórios e lançamentos, antecipando e consolidando o nosso orçamento para 2017”, revela Enrico de Veµori, responsável da Deloiµe no Brasil para atendimento às empresas do segmento de Life Sciences e Healthcare. Outras multinacionais do setor de saúde também estarão na feira com estande, como a Steris, que atua na área de equipamentos de esterilização e cirurgias, e o grupo sueco Getinge, líder mundial no fornecimento de mesas cirúrgicas para hospitais. “Gostamos de apostar em inovações e novos modelos de exposição no mercado e é importante termos uma nova forma de apresentar nossos produtos para os clientes”, destaca Norman Günther, do Grupo Getinge. A presença de empresas nacionais também será marcante. Prestes a completar 40 anos no mercado, a Dexcar vai aproveitar a feira para apresentar uma central de esterilização para hospitais recentemente certificada e aprovada, além de outras novidades. “Gostamos da proposta da SAHE, pois é possível falar com todos os visitantes, em vez de termos apenas um monte de gente passando pelo seu estande só para fazer volume. Teremos um foco mais forte no contato com as pessoas e é justamente isso que estamos buscando. O ano de 2017 precisa ser melhor e é importante apostar em novas propostas”, afirma Idelazir Franchin, da Dexcar. A Mea Modul, que atua na área hospitalar e industrial fornecendo biombos/divisórias móveis, carros elétricos para transporte de carga e sistema de correio pneumático, também confirmou presença na feira. “Iremos com produtos bem atraentes e que trarão grande valor aos nossos clientes. Esperamos que o evento ofereça a visibilidade necessária e boas oportunidades para negócios”, afirma o gerente de marketing, Felipe Alves.

Confira a seguir a lista dos expositores confirmados e as novidades apresentadas.

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EXPOSITORES ABDEH ABECLIN ACE PISOS AFS AGAPLASTIC AL&DD ALBERT EINSTEIN AMERICAS 3K ANAHP AVITÁ BARCO BIOCAM BIOMECÂNICA BMB MEDICAL CBEMED CBEXs CIRÚRGICA FERNANDES CLEAN MEDICAL CMOS DRAKE CREMER DECIDA DELOITTE DELTRONIX DEXCAR DORJA EDLO EFE CONSULTORIA ELPAS G2 TECNOLOGIA GRUPO BUZATTOS GRUPO GETINGE HEALTH MÓVEIS HILL ROM HL7 IBRAMED IDEAL BEQUEM INFOMEDIX JAMIR DAGIR KONEX KSS LANCO LEISTUNG LEUCOTRON LINET

MC CONSULTORIA MEA MODUL MEDCONSULTING MEDICALWAY MEDMAX MEDPLUS MHA MIAKI REVESTIMENTOS MULTITONE NIHON KOHDEN ONA OPUSPAC ORTHO PAUHER ORTOPEDIA JAGUARIBE ORTOSINTESE OXIGEL PHILIPS PLANISA PRESCRITA PROLIFE RAULAND BORG RC MÓVEIS RC PISOS RDI BENDER REVISTA HOSP REVISTA HOSPITAIS BRASIL REVISTA NEWSLAB RUSSER SICOOB SIMPRO SINCRON SISMATEC SISNACMED SOB BRASIL SPECTRALINK STANLEY STERIS TECHLINE TRUMPF MEDICAL VASSERMAN VENOSAN VIA LUZ ILUMINAÇÃO VITTA VOCERA WEG WELCH ALLYN WHITE MARTINS

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PRODUTOS EM DESTAQUE KONEX

HEALTH MÓVEIS

O novo Fantoma Mamográfico de Acreditação, da Konex, permite que os proprietários de equipamentos de mamografia verifiquem periodicamente a qualidade de imagem, conforme determina o Ministério da Saúde na portaria 2898/2013. Seguindo o padrão ACR, definido pelo Colégio Americano de Radiologia, o dispositivo proporciona rápida detecção de alterações na qualidade de imagem, possibilitando as correções necessárias para que o equipamento tenha desempenho satisfatório. A empresa oferece equipamentos, produtos de proteção radiológica pessoal, acessórios radiológicos, negatoscópios, câmaras escuras e uma linha completa de medidores radiológicos da marca RaySafe.

NIHON KOHDEN

Todas as linhas de móveis produzidas pela Health Móveis possuem proteção antibacteriana no polímero, que auxilia no combate à infecção hospitalar. Uma delas é a linha Cllarus de carros e armários, disponível em várias cores e modelos, com linhas suaves, material leve e resistente. Os produtos podem ser fabricados conforme a necessidade e aceitam diferentes tipos de acessórios. Destaque para o carro Cllarus Série 50 para prontuário eletrônico, que tem trava única para gavetas e coluna com elevação, que o torna ergonômico para o usuário.

A japonesa  Nihon Kohden Corporation lança na SAHE o monitor multiparamétrico Life Scope G9. O equipamento possui sistema de cabos inteligentes, que detecta automaticamente o parâmetro e começa a medir, transmitindo informações precisas, separadas por especialidade, e que podem ser salvas e enviadas via USB. Conta com tela tripla e painel de toque de 19 ou 24 polegadas de largura. Com 55 anos de história e quatro de Brasil, a companhia tem como objetivo estreitar sua relação com o público brasileiro por meio da tecnologia de ponta dos seus produtos.

www.konex.com.br

www.healthmoveis.com.br

www.nihonkohden.com.br

Av. 04, estande 19

Av. 01, estande 50

Av. 01/02, estande 39/40

PHILIPS

EFE

MEDPLUS

A linha de monitores Efficia CM Series é o destaque da Philips da SAHE. Portáteis e intuitivos, permitem acessar a maioria das funções com três cliques ou menos. Eles utilizam as mesmas medições fisiológicas da empresa que já ajudam a monitorar mais de 200 milhões de pacientes todos os anos. Estão disponíveis em diversos tamanhos de tela até 15” e em inúmeras configurações para diferentes tipos de paciente e níveis de precisão. Suportam cargas de trabalho pesadas, choques físicos e interferência eletrostática, além disso, acompanham baterias fáceis de trocar, para até 13 horas de monitoramento contínuo.

Distribuidora exclusiva no Brasil das marcas Heine, Humeca e Takagi, a EFE destaca entre seus produtos o oÃalmoscópio Heine mini3000, com iluminação LED, livre de manutenção. Seu brilho e rendimento de cor são comparáveis ao oÃalmoscópio xenon halógeno da Heine. Conta com função fade-out, ou seja, escurecimento da luz, sinalizando que as pilhas devem ser trocadas ou as baterias, recarregadas. O tempo de operação é de até 10 horas com as mesmas pilhas. Possui temperatura de cor 4000 K, índice de reprodução de cor >95, para cor vermelha >90. A empresa também oferece esfigmomanômetros, fotóforos, otoscópios e dermatoscópios, entre outros.

Um dos destaques na SAHE é o MedPlus, soÃware online que, através de práticas modernas, possibilita uma gestão simplificada, eficiente e com ótimo resultado para clínicas médicas. Em 18 anos de existência, é utilizado por mais de 3.700 profissionais em todas as regiões do país. A solução abrange Gestão de Atendimento, Prontuário Eletrônico, Controle de Faturamento, Gestão Financeira e Canais de Relacionamento com os Pacientes. O sistema especialista MedPlus envolve todos os processos da clínica, interligando profissionais de saúde e pacientes, com recursos que agilizam ações e decisões.

www.philips.com.br/healthcare

www.efe.com.br

www.medplus.com.br

Av.03, estande 19

Av. 01, estande 70

Av. 08, estande 39

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PRODUTOS EM DESTAQUE ORTOSINTESE

A Autoclave Automática Horizontal é o lançamento da Ortosintese na SAHE. O equipamento possui portas tipo guilhotina, com movimentação vertical através de um cilindro pneumático e com esforço de fechamento calibrado. O acionamento é automático no teclado do painel de comando. A porta tem isolamento interno com manta lã de rocha livre de asbestos e cloretos, que garante temperatura externa inferior a 50o C. A guarnição de silicone tem secção redonda, ativada por pressão de ar comprimido, que mantém a vedação. A empresa aproveita o evento para comemorar seus 40 anos de existência e anunciar a nova identidade visual.

OXIGEL

RC MÓVEIS

Os aparelhos de anestesia da Oxigel estão entre os produtos apresentados pela empresa na SAHE. Formados por ventilador pneumático, seção de fluxo contínuo e sistema respiratório, os modelos 1722, 1000 Gold, 1000 Silver e 1000 Bronze foram projetados e certificados em conformidade com as exigências das normas internacionais de segurança e desempenho, inclusive Anvisa, oferecendo todos os recursos para a realização de um processo confiável. Alimentados por ar ou oxigênio, possuem acessórios para montagem do sistema respiratório adequados a cada necessidade. A simplicidade de manuseio faz com que sejam indicados para pequenas, médias e grandes cirurgias.

Reconhecida no Brasil como uma empresa que trabalha com seriedade na fabricação de móveis hospitalares, a RC Móveis oferece apartamentos completos, compostos por cama, poltrona, mesa de cabeceira/ refeição e sofá-cama, em diversos modelos e cores, alinhando conforto, segurança e modernidade. Para consultórios, os conjuntos são formados por mesas clínicas ou ginecológicas com mesa auxiliar, armário vitrine e banqueta giratória. Entre seus produtos em destaque está a cama elétrica RC 203, com custo acessível e que oferece conforto e durabilidade.

www.ortosintese.com.br

www.oxigel.com.br

www.rcmoveis.com.br

Av. 01/02, estande 29/30

Av. 02, estande 45

Av. 07, estande 20/28

OPUSPAC

DEXCAR

DORJA

A Opuspac apresenta na feira o equipamento de unitarização Opus 30X, que embala medicamentos, ampolas, pequenos frascos e kits para controle dos hospitais, oferecendo segurança e produtividade. A partir de um rolo de filme de embalagem pré-fabricado, a máquina embala o medicamento, convertendo-o em unidade e imprimindo a informação necessária para identificação, alertas e avisos, com textos e imagens, para reduzir os eventos adversos na administração do remédio. Sete cores de material são usadas para diferenciar medicamentos LASA. Sua operação é de 2.600 unidades por hora, sendo sete vezes mais rápida que a unitarização manual.

Confeccionado em não tecido 100% polipropileno (TNT), o avental fabricado pela Dexcar é atóxico, antialérgico e esterilizável, indicado para vestimenta do paciente durante exames médicos e clínicos. Sem mangas, possui abertura frontal e tiras externas para fechamento. Também está incluído em kits individuais, compostos por aventais, toucas e sapatilhas, proporcionando mais conforto, privacidade e segurança no ambiente hospitalar. A empresa atua com um rigoroso controle de processos, seguindo padrões de qualidade que envolvem o design dos produtos, a seleção da matéria-prima, o corte, a confecção, o acabamento e a embalagem.

No mercado desde 1978, a Dorja oferece aparelhos nas áreas respiratória, de aspiração cirúrgica e odontológica, locomoção-ortopedia e diagnóstica, trabalhando com as marcas Medicate, Diasyst, Gowllands e Sibelmed. Um dos seus produtos é o aspirador e sugador de sangue e saliva Medicate de 6 litros – MD600, indicado para grandes procedimentos cirúrgicos em hospitais, clínicas e ambulatórios. Conta com design ultramoderno, é silencioso e dotado de suporte sobre carrinho. Possui dois frascos plásticos transparentes e graduados com capacidade para 3.000 ml, além de motor superpotente, monofásico e bivolt automático 127/220V.

www.opuspac.com.br

www.dexcar.com.br

www.dorja.com.br

Av. 03, estande 10

Av. 05, estande 32

Av. 01/02, estande 37/38

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Dezê Design

Soluções em locação de equipamentos hospitalares

A melhor alternativa em redução de custos.

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A Clean Medical é uma empresa que presta serviços de locação e comércio de equipamentos hospitalares para todo o território nacional. Contamos com um departamento comercial muito bem estruturado para atender todos os tipos de clientes, com profissionais com mais de quinze anos de experiência no mercado hospitalar. A locação de equipamentos é a principal alternativa para o cliente que busca reduzir os custos de aquisição, além de gastos com manutenção e atualização tecnológica.

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Tecnologia

Secretaria de Saúde do DF digitaliza serviços de radiologia e radioterapia Todos os serviços da Secretaria de Saúde do Distrito Federal referentes à radiologia e radioterapia foram completamente digitalizados, envolvendo 64 aparelhos de raios X, 11 mamógrafos e dois equipamentos de radioterapia. A transformação aconteceu a partir de dispositivos que garantem a aquisição das imagens digitalizadas. Por meio do Wi-Fi, elas são transferidas para uma máquina, onde os técnicos conseguem realizar modificações, como, por exemplo, brilho e contraste. Além disso, é possível exportá-las para outros locais ou armazenar no servidor. De acordo com o coordenador de Radiologia, Marco Tsuno, os aparelhos já estão em pleno funcionamento desde novembro de 2016. A melhoria foi feita através de contrato regular, que assegura a garantia geral dos equipamentos por três anos e das baterias por cinco anos. “O pregão ainda gerou uma significativa economia, pois as propostas iniciais estavam estimadas em R$ 27 milhões, porém, o contrato foi assinado ao custo de R$ 9 milhões”, esclarece.

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Tsuno destaca que, digitalizados, os exames não precisam mais ser revelados com químicos, reduzindo o impacto ambiental no descarte desses materiais. “A ação também traz melhores condições de trabalho para os técnicos de radiologia, porque não ficarão mais expostos a vapores químicos, diminuindo o absenteísmo.”

Após finalizado o piloto, iniciou-se a implantação simultânea de três unidades hospitalares por vez. Sempre após a instalação dos equipamentos, as equipes das unidades recebiam capacitação referente ao manuseio dos aparelhos. “O treinamento e a aplicação aconteceram de acordo com o cronograma, logo após a instalação, de modo que tentássemos incluir o maior número de técnicos para operação dos equipamentos e criássemos multiplicadores da capacitação”, explica Gleidson Viana, gerente da Gerência de Apoio Diagnóstico (GAD). O profissional conta que o processo de digitalização, por envolver uma tecnologia muito específica e moderna, exigiu a avaliação minuciosa de todos os componentes e especificações técnicas para a decisão dos aparelhos que mais se adequassem ao cenário na SES/DF, de modo que fossem avançados tecnicamente e viáveis financeiramente. “Considerando que a aquisição foi em grande escala e contemplou todas as unidades hospitalares da SES/DF, a digitalização exigiu planejamento, logística, disponibilidade e fiscalização minuciosa de toda a equipe envolvida. Ocorreram pequenos problemas pontuais de estrutura em algumas unidades (pontos elétricos e de rede) que foram prontamente resolvidos tanto pela SES quanto pelas empresas”, expõe. Como a implantação se efetivou em novembro de 2016, a unidade ainda está avaliando a economia e produtividade, mas considerando a tecnologia empregada, Viana aposta que os resultados positivos serão rapidamente notórios.

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A digitalização permite, além da maior qualidade no exame para a avaliação médica, o tráfego digital das imagens pela rede por meio da internet, o aumento da produção por não precisar revelar, bem como mais economia com filmes radiológicos, pois uma única película pode receber vários exames.

O processo de implantação da digitalização deu-se por cronograma definido previamente com as empresas. Inicialmente, elas visitaram todos os sítios da SES onde seriam instalados os equipamentos e fizeram seus apontamentos e adequações estruturais, elétricas, lógicas e de climatização. Então, foi realizada a instalação em sítio único (Hospital Regional de Taguatinga), para que ele funcionasse como um projeto piloto e tornasse possível fazer as devidas adequações do processo e fluxo.

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Arab Health 2017 reúne mercado mundial da saúde em Dubai

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Evento

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A edição 2017 da Arab Health, segunda maior feira na área da saúde do mundo e principal mostra de dispositivos médicos do Oriente Médio, aconteceu de 30 de janeiro a 2 de fevereiro, em Dubai, Emirados Árabes, reunindo mais de 4.000 expositores e 120.000 visitantes de 160 países. Pela 14ª vez, empresas associadas à ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios e que fazem parte do Projeto Brazilian Health Devices, executado pela entidade em parceria com a Apex-Brasil, estiveram presentes em Dubai. Elas realizaram 2.300 contatos, que resultaram em USD 320,9 mil em negócios fechados durante o evento e em USD 14 milhões previstos para os 12 meses subsequentes. A importância do mercado árabe para exportações de produtos brasileiros já é realidade para diversos segmentos da economia brasileira. Dados do MDIC – Ministério da Indústria, Comércio e Serviços relativos a novembro de 2016, compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, mostram que as exportações do Brasil ao mundo árabe renderam US$ 935 milhões, um aumento de 10% sobre novembro do ano anterior. “Além disso, com a elevação do preço do petróleo, desde 30 de novembro, a tendência é que os países do bloco tenham mais divisas para gastar com importações, o que poderá beneficiar as vendas para o mundo árabe em 2017, sendo uma excelente oportunidade para setores com grande potencial de crescimento naquele mercado, como é o caso da indústria de dispositivos médicos”, destaca Michel Alaby, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. De modo geral, vários países da região têm investido fortemente em saúde, como Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes. “Já participamos há quase 15 anos, e a feira vem crescendo a cada ano, bem como o mercado consumidor da região do Oriente Médio, de modo que atualmente a Arab Health é a feira em que nossas empresas participantes fecham o maior número de negócios”, enfatiza Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. Durante o evento, a comitiva brasileira recebeu a visita do ministro da Saúde da Nigéria, Isaac Adewole. A Nigéria tem aumentado os investimentos no segmento médicohospitalar, que resultaram na abertura de mais de 10.000 centros de saúde em todo o território.

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Logís�ca

O caminho para a eficiência no abastecimento dos Por Carol Gonçalves hospitais Parte essencial nas empresas dos mais variados segmentos, a logís�ca é o departamento responsável pela gestão dos materiais, ou seja, administra recursos, planeja a produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição desses itens. E quando se fala em saúde, a organização desse setor é fundamental. Além da logís�ca interna dos hospitais, também é importante que os gestores conheçam como seus fornecedores armazenam os produtos, quer dizer, como a logís�ca está organizada para que os suprimentos sejam armazenados com segurança e cheguem no prazo correto nos hospitais, atendendo aos pacientes sem falhas. “De nada adiantam todos os processos e controles de qualidade de uma fábrica se o restante da cadeia não toma os mesmos cuidados, comprometendo a qualidade e a integridade dos produtos, com riscos de contaminações, por exemplo”, relata Vitor Tamarozzi, sócio-diretor da Stralog, empresa especializada em soluções logís�cas. Segundo ele, uma vez que a clínica ou o hospital conhece o seu fornecedor e confia nele, poderá focar em atender e cuidar bem dos pacientes, sabendo que terá total apoio no momento certo. A logís�ca desse setor pode ser dividida em duas grandes áreas, como explica Tamarozzi:

2. Distribuição: compreende o transporte dos produtos até hospitais, clínicas, distribuidores, varejistas ou o consumidor final. TERCEIRIZAÇÃO As áreas citadas anteriormente podem ser administradas pelos fabricantes/distribuidores de produtos em suas próprias instalações ou eles podem contratar empresas especializadas, os chamados operadores logís�cos, que possuem estrutura �sica para gerenciar todo o processo de armazenagem e distribuir esses suprimentos nos hospitais e clínicas. Segundo Tamarozzi, uma das vantagens da terceirização é a previsibilidade, tanto com relação aos prazos de atendimento – nos processos de separação, embalagem e entrega – quanto a respeito da acuracidade de estoque. “Trabalhando com empresas especializadas em operações logís�cas, é de se esperar melhor controle nos processos e maior previsibilidade nas operações”, expõe. Custos variáveis também podem ser considerados uma grande vantagem da terceirização. Na maioria dos casos, os custos logís�cos de armazenagem (que inclui os processos de movimentação, estocagem e embalagem de materiais) se tornam variáveis, ou seja, paga-se pelo que u�liza, evitando custos fixos ou ociosidade. Os custos que maior representam este ponto são os de infraestrutura de armazenagem, como aluguel, seguro e manutenção; e os de mão de obra, especialmente passivo trabalhista e encargos. “Esta vantagem se aplica principalmente para empresas que estão em rápida expansão ou que possuem uma demanda muito sazonal”, acrescenta o sócio-diretor da Stralog. Outro fator posi�vo da terceirização é a flexibilidade de crescimento. “O operador logís�co pode proporcionar a ampliação da operação logís�ca do seu cliente de forma rápida e segura, evitando que ele tenha de inves�r em espaço, adequação �sica, compra de equipamentos, contratações e treinamento”, explica. Para a maioria das indústrias e distribuidores, logís�ca é uma área de apoio, assim como RH, TI e Manutenção. “Apesar de estratégica e de fundamental importância para o negócio,

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1. Armazenagem: compreende receber, conferir adequadamente (�sica e qualita�vamente), e�quetar ou rotular (por exemplo itens importados não “tropicalizados”) e estocar respeitando o endereçamento dos produtos de forma que garanta a rastreabilidade de cada lote e sua respec�va data de fabricação e validade. Também envolve os processos de separação, montagem de kits e expedição, de acordo com as caracterís�cas de cada ar�go, suas fragilidades ou necessidades especiais

de acondicionamento. Nesse processo também está incluído o uso de um bom sistema de gerenciamento de armazenagem, que auxiliará no controle das informações per�nentes a cada processo citado.

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Logís�ca

O operador logístico deve ser visto como um parceiro estratégico, não somente pela responsabilidade de armazenar e entregar corretamente os produtos, mas também por fornecer informações adequadas, rápidas e seguras”

Vitor Tamarozzi, da Stralog

ela sempre será uma área de apoio. Portanto, terceirizar a operação logís�ca com um especialista possibilita ao contratante mais tempo dedicado ao seu core business, ou seja, equipe voltada 100% ao que realmente trará resultados, seja em vendas, compras, desenvolvimento de fornecedores e produtos ou marke�ng”, relata Tamarozzi. Além disso, o operador logís�co tem conhecimento para assessorar as empresas no controle de estoque, orientando sobre pontos de reposição, polí�cas de inventário e o momento certo de colocar o pedido em função do lead�me de entrega de seus fornecedores. Consequentemente, essa organização resultará em redução do nível de estoque, eventuais perdas por validade ou falta de acuracidade, evitando, ainda, a perda de pedidos por ruptura de estoques.

TECNOLOGIA Atualmente existe uma grande variedade de ferramentas que auxiliam nos controles logísticos. Uma das mais importantes é o WMS – Warehouse Management System, sistema responsável pelo registro e controle dos processos de armazenagem, desde o recebimento dos produtos até a expedição. Com ele é possível rastrear qualquer item do estoque, através do código, lote ou validade. Também oferece recursos para diferentes processos de separação que podem ser adequados com a dinâmica da empresa e características de produtos. Além de funcionalidades auxiliares de inventários, integrações com ERPs (Enterprise Resource Planning, ou planejamento dos recursos da empresa), suporte a faturamento e integrações com radiofrequência.

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“Porém, antes de procurar uma ferramenta de WMS, é fundamental que o fluxo operacional e a troca de informação na cadeia logística estejam muito bem definidas pois, só assim, o WMS trará agilidade ao processo e segurança nas informações”, avisa Tamarozzi. Outra ferramenta bastante utilizada é o TMS – Transportation Management System, responsável, entre outros, pelo monitoramento e roteirização das entregas, garantindo informações rápidas e precisas sobre os produtos que estão em trânsito. Também há soluções de BI – Business Inteligence, responsáveis por gerar relatórios com indicadores operacionais fundamentas para o monitoramento das operações, auxiliando em rápidas tomadas de decisão.

DESAFIOS A cadeia logís�ca de produtos para saúde é ampla e repleta de variáveis e exigências, pois envolve produtos que serão u�lizados ou consumidos em casos muito especiais. Tamarozzi explica que muitas dessas variáveis fogem do controle de qualquer empresa, como fatores climá�cos, condição de estradas e rodovias, além da dependência de muitos órgãos de fiscalização ao mesmo tempo (especialmente em importações). “Portanto, o que faz a diferença para se ter um bom desempenho logís�co é a velocidade de resposta operacional quando alguma dessas variáveis começar a impactar na gestão e metas das empresas. Isso quer dizer que o grande desafio é a rápida tomada de decisão, com informações e ações ágeis, eficientes e seguras para avançar com os negócios mesmo com algum desses imprevistos”, expõe. Quando se considera a terceirização das operações logís�cas, para que o operador consiga tomar decisões rapidamente junto com seu cliente nos casos citados acima, é fundamental que o operador conheça toda a cadeia logís�ca, desde o fabricante até a u�lização ou consumo dos produtos que estarão sob sua responsabilidade, sejam equipamentos, descartáveis ou próteses. Assim como entender sobre as polí�cas de compra, venda, u�lização ou consumo de cada produto, e ter um bom relacionamento com todos os players desta cadeia, como hospitais, clínicas, órgãos reguladores e convênios médicos. A ESCOLHA DO PARCEIRO Para que o fornecedor de suprimentos hospitalares escolha o melhor parceiro, Tamarozzi aconselha cer�ficar-se de que o operador logís�co: • Tenha todas as licenças e autorizações obrigatórias para trabalhar no segmento médico-hospitalar (ou produtos para saúde); • Possua um processo operacional implantado e seguro que garanta a integridade �sica dos produtos sob sua responsabilidade, assim como rastreabilidade de lotes, validade e demais dados logís�cos per�nentes; • Preze por uma parceria de longo prazo, na qual ambos devem buscar a eficiência da cadeia logís�ca como um todo, com foco na redução de custos e no ganho em qualidade; • Tenha um bom controle de informações, com respostas ágeis e seguras para tomadas de decisão; • Monitore e controle seus processos com indicadores de produ�vidade, desempenho e custos, visando ações para a melhoria con�nua da operação. A parceria entre operador logís�co e cliente deve ser baseada em extrema confiança entre ambos. “A responsabilidade se assemelha à de um banco, que administra o dinheiro das pessoas ou empresas. O operador logís�co, por sua vez, ‘administra’ ou ‘cuida’ do dinheiro dos seus clientes em forma de produto. Se a empresa vende,

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O sistema just-intime na distribuição de suprimentos no ambiente hospitalar

mas o operador logís�co não entrega ou entrega errado, a contratante não recebe”, ilustra Tamarozzi. De acordo com ele, o operador logís�co deve ser visto como um parceiro estratégico, não somente pela responsabilidade de armazenar e entregar corretamente, mas também por fornecer informações adequadas, rápidas e seguras que proporcionem o suporte necessário para a contratante planejar suas compras, polí�cas de estoque e campanhas promocionais. Por exemplo, em alguns casos, pode auxiliar no desenvolvimento da embalagem dos produtos para reduzir o volume de estocagem e transporte e, consequentemente, diminuir os custos, sem alterar a imagem ou a integridade do item. Nos casos de licitações, a flexibilidade operacional oferecida pelo parceiro pode trazer grandes vantagens em redução de gastos e eficiência para atender ao cliente final. “Nas situações em que grandes lotes são comprados e vendidos rapidamente, porém com muita sazonalidade, o custo da infraestrutura aplicada a esta operação será correspondente ou proporcional apenas ao espaço e a equipe u�lizados no período exato à sua comercialização, eliminando a necessidade de a empresa manter espaço e equipe que ficarão ociosos quando não houver este �po de operação comercial”, acrescenta Tamarozzi. Para o cliente final, ou seja, hospitais e clínicas, o operador logís�co pode também funcionar como um equalizador de estoques. O sócio-diretor da Stralog diz que os processos de abastecimento das clínicas e hospitais e a u�lização dos produtos, para consumo ou aplicação, se assemelham a uma linha de produção gerenciada com a metodologia justin-time, ou seja, recebe somente o necessário, no momento certo (veja na matéria a seguir um case de hospital que aplicou esse conceito na área de medicamentos). Dessa forma, evita acúmulos de estoque, proporcionando melhor gestão financeira de capital imobilizado e menor u�lização de espaços.

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Sobre o “medo” da terceirização, Tamarozzi diz que existem alguns riscos atrelados, porém, tomando os cuidados já expostos e escolhendo o parceiro logís�co que tenha estrutura compa�vel com o tamanho e obje�vos da empresa, os bene�cios e as oportunidades são muito superiores aos riscos. “Existem também meios de ‘testar’ a operação terceirizada sem que seja transferido 100% do estoque para o operador logís�co, realizando e monitorando constantemente os processos e níveis de serviço até que a contratante se sinta confortável e confiante no serviço prestado por seu parceiro”, sugere.

Na matéria anterior, falamos sobre o processo logís�co dos suprimentos de saúde até sua chegada nos hospitais, ou seja, do fornecedor ao cliente, envolvendo armazenagem, controle do estoque e distribuição. Nesta matéria, a logís�ca é da porta do hospital para dentro, ou seja, como é feito o gerenciamento desses itens, para uso ou consumo. Quem nos deu todo o suporte para o conteúdo foi o professor Giorgio Chiesa, doutor e mestre em Engenharia de Produção, consultor responsável pela área de projetos especiais da Stralog. Ele nos mostrou o trabalho “Just-in-time na distribuição de suprimentos no ambiente hospitalar: o caso de um hospital privado”, elaborado por André Moraes dos Santos e Antônio Carlos Gastaud Maçada, da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O obje�vo do estudo foi analisar a u�lização do método de gestão da produção just-in-time (JIT) como técnica gerencial para a área hospitalar. O JIT apresenta uma filosofia de enxugamento, simplificação e melhoria con�nua do processo produ�vo. Trata-se de um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser feito, transportado ou comprado antes da hora exata. Ou seja, o obje�vo é produzir a quan�dade demandada a uma qualidade perfeita, sem excesso e de forma rápida. No ambiente hospitalar, este sistema é aplicado geralmente na área de controle de materiais e suprimentos, pois os processos são mais simplificados e repe��vos. Muitos hospitais americanos u�lizam o JIT na distribuição de remédios, alimentos e itens de enfermagem. Na entrega das refeições, por exemplo, o método permite ao paciente escolher o que deseja comer um pouco antes de o prato ser servido. Com isso, o hospital reduz custos, evitando o desperdício de refeições que não são consumidas, e aumenta a sa�sfação do cliente. Em hospitais ingleses, o JIT foi u�lizado na área cirúrgica. De acordo com o estudo, para que o sistema seja usado na distribuição de medicamentos e suprimentos hospitalares, é necessária a definição dos produtos a serem consumidos. O Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária (SDMDU), que padroniza os medicamentos, vem sendo aplicado com êxito nos países da América do Norte e Europa, evitando erros e desperdícios através da simplificação e do maior controle do processo. Neste sistema, a dose do medicamento a ser administrada é preparada, embalada, iden�ficada e dispensada pronta para ser u�lizada no paciente. Outra caracterís�ca é que na unidade de enfermagem ficam somente as quan�dades unitárias necessárias para 24 horas de tratamento, sendo renovadas ao fim deste período seguindo as orientações médicas. O aumento da qualidade da assistência prestada ao paciente reduz o tempo de recuperação e sua permanência no hospital, o que diminui custos e riscos de infecções e doenças. Com o obje�vo de verificar a u�lização prá�ca do SDMDU como base para um sistema JIT, foi realizado um estudo de caso em uma organização hospitalar privada de Porto Alegre, RS. Para obter as informações necessárias para a

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inves�gação, foram realizadas entrevistas com a gerência de materiais e de enfermagem. O hospital estudado distribui os medicamentos em doses individuais por paciente, u�lizando os conceitos básicos do sistema de dose unitária. Entretanto, nem todos os remédios são distribuídos desta forma e somente alguns não exigem nenhuma manipulação ou preparo pela unidade de enfermagem. O sistema foi implantado há aproximadamente 10 anos e vem sendo aperfeiçoado desde então. A figura a seguir representa, de forma resumida, seu funcionamento. O hospital estudado distribui os medicamentos em doses individuais por paciente, u�lizando os conceitos básicos do sistema de dose unitária. Entretanto, nem todos os remédios são distribuídos desta forma e somente alguns não exigem nenhuma manipulação ou preparo pela unidade de enfermagem. O sistema foi implantado há aproximadamente 10 anos e vem sendo aperfeiçoado desde então. A figura a seguir representa, de forma resumida, seu funcionamento. Ao prescrever, o médico decide o medicamento, a quan�dade da dose e o intervalo de tempo em que deverá ser administrado ao paciente. A prescrição pode ser entendida como uma ordem que dispara o processo para a produção deste pedido. O conceito de produto ou serviço a ser realizado cobre tanto os materiais necessários quanto a aplicação no paciente no tempo certo e na quan�dade certa. Após a prescrição, a equipe de auxiliares de farmácia ou enfermagem realiza o aprazamento, que é a distribuição das doses prescritas para um período de 24 horas. Também é feita a explosão do pedido, incluindo os demais itens necessários para prover o serviço solicitado. Por exemplo, para ser administrado um medicamento injetável, no mínimo serão necessárias uma seringa e uma agulha. Além de atuar na farmácia, os profissionais do setor realizam o aprazamento junto às unidades de enfermagem nos horários mais crí�cos. Nesta programação é indicada a explosão dos horários e de todos os materiais e medicamentos para poder atender à ordem de prescrição.

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O pedido, realizado na enfermaria, é encaminhado para a farmácia. No local existe um profissional que digita a solicitação, a prescrição e o aprazamento manuscritos em um sistema computadorizado. Isto gera uma ordem interna na farmácia para a montagem do pedido.

quan�dade certa, tempo certo e preparo certo. Caso um remédio não seja u�lizado e a sua embalagem não tenha sido violada, ele retorna à farmácia para ser reu�lizado. Alguns medicamentos já estão sendo solicitados e fornecidos na forma de kits, o que facilita o processo e ajuda a reduzir os erros. No sistema tradicional exis�am estoques em cada unidade de enfermagem, o que dificultava o controle das quan�dades e dos prazos de validade. Muito trabalho era desperdiçado com requisições e controle dessas áreas. Com a centralização e a u�lização do sistema por dose unitária, eliminaram-se estes estoques, liberando os profissionais de enfermagem para suas a�vidades principais. RESULTADOS De acordo com o trabalho apresentado, foram encontradas várias caracterís�cas do JIT na distribuição interna de medicamentos, confirmando a hipótese de que o SDMDU pode ser u�lizado como base para a implantação do sistema. Os entrevistados do hospital em questão relataram que perceberam uma considerável redução nos erros de administração de medicamentos. A padronização e o maior controle da qualidade e validade dos medicamentos contribuíram para a redução destas falhas. A ins�tuição de saúde não �nha fornecedores que pudessem trabalhar integrados entregando produtos no sistema JIT. Muitas vezes os pedidos eram feitos para fornecedores distantes geograficamente, o que aumentava ainda mais o tempo de entrega. Entretanto, muitas vezes, o custo de ter estoque para suprir este período mais longo de espera era compensado por custos menores no produto. Embora não tenha sido um ponto muito evidente, alguns conceitos da operacionalização através do sistema Kanban foram encontrados, ou seja, para cada paciente exis�a um pequeno container plás�co, iden�ficado, que servia para acondicionar e transportar os suprimentos suficientes para 24 horas. O uso do sistema também permi�u flexibilizar o trabalho dos profissionais da farmácia, que passaram a auxiliar as unidades de enfermagem no processo de aprazamento, principalmente nos horários crí�cos. Terminadas as a�vidades, eles retornam para o seu posto de trabalho de origem. Em resumo, foram percebidas as seguintes vantagens com a u�lização deste sistema de distribuição de medicamentos e suprimentos: redução de estoques nas unidades de enfermagem e farmácia; diminuição dos erros com a administração de medicamentos; redução dos desperdícios com medicamentos vencidos ou não u�lizados; maior acurácia no controle de custos e processos; e maior padronização na u�lização de medicamentos, facilitando o controle.

A seguir, um profissional apanha os suprimentos solicitados, preparando e acondicionando-os em uma embalagem apropriada, devidamente iden�ficada e individualizada por paciente. Os componentes Importante salientar que a parceria entre hospital e são conferidos com a fornecedor e a confiabilidade nos prazos de entrega são prescrição manual para evitar fatores muito importantes para a implantação do JIT. No possíveis erros de digitação e caso estudado, não havia este relacionamento, o que limitou a interpretação. Finalmente os u�lização do sistema apenas à distribuição interna de materiais produtos são envidados às e medicamentos. unidades de enfermagem O estabelecimento de parcerias entre fornecedores O hospital estudado solicitantes, onde e hospitais pode reduzir o número de ordens e serão administrados padronizou os medicamentos, controles necessários para distribuição interna seguindo um o que permitiu maior controle do item recebido. Com a ajuda da tecnologia, os rigoroso processo - no conceito e homogeneizacao , pedidos podem ser gerados no seu local de consumo de verificação: de produto a ser prescrito diretamente para o fornecedor e este entrega no medicamento certo, departamento solicitante, dentro do cliente. paciente certo,

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MARIO BARRETO CORRÊA LIMA A trajetória de um médico-professor-escritor em prol da (re)humanização da medicina

Por Carol Gonçalves Nosso entrevistado desta edição tem um vasto currículo, acumulado em seus 81 anos de idade, que se soma a qualidades que o tornam ainda mais admirável: é extremamente atencioso e agradável. Mario Barreto Corrêa Lima nasceu em Fortaleza, no Ceará, e se formou em medicina em 1959, pela então Faculdade Nacional de Medicina da an�ga Universidade do Brasil. Em 1968, se licenciou em Ciências Polí�cas e Sociais pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ) e, em 2000, formou-se em Pedagogia pela Universidade Estácio de Sá. Foi professor de Clínica Médica, Gastroenterologia, Semiologia, Doenças Infecciosas e Parasitárias. Também atuou como presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e da Associação Médica Brasileira. Impossível escolher apenas um fato que resuma sua contribuição para a área medica. Professor Mario, como é conhecido, publicou, em 1985, o primeiro livro sobre AIDS no Brasil; foi, por duas vezes, eleito Médico do Ano no Estado do Rio de Janeiro; e dedicou-se à causa pública e ao es�mulo de uma formação médica que valorize a compreensão do ser humano e de todo seu contexto. Além disso, pertence a mais de uma dezena de sociedades médicas no Brasil e no exterior e tem mais de vinte livros publicados. É membro da Comissão de Humanização da Medicina, do Conselho Federal de Medicina, desde 2009, e da Academia Nacional de Medicina desde 1985, de onde foi orador oficial e secretário geral. Atualmente dedica-se ao estudo da relação entre Literatura e Medicina. Sua história não caberia nas páginas da revista inteira!

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O senhor estimula uma formação médica que valorize a compreensão do ser humano em sua totalidade. Há falha nas escolas nesse quesito? Valorizar o conhecimento do paciente, como verdadeiro ser humano, é fundamental para a prá�ca médica, e isso precisa ser es�mulado desde o início do curso. Sem isso, não há como exercer a contento a profissão. Não adianta conhecer apenas as doenças, elas podem ser iguais, mas cada doente é um doente. Devemos saber quais são seus medos e suas preocupações, pois sua história de vida é muito elucida�va para o correto tratamento. Como foi o desenvolvimento do livro sobre AIDS, o primeiro a tratar do assunto no Brasil? Escrevi o livro baseado em estudos que eram publicados nas maiores revistas médicas do mundo e também em tudo que foi discu�do num grande simpósio promovido na Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, que também foi o primeiro realizado no país, do qual par�ciparam os principais especialistas em doenças infecciosas do Brasil, que logo se interessaram pelo assunto. U�lizei, ainda, dados ob�dos dos primeiros pacientes brasileiros a contraírem o vírus. Logo a seguir, ainda em 1985, publiquei um segundo livro sobre o mesmo assunto, este de divulgação, des�nado ao público. No primeiro,

escrevi grande parte dos ar�gos e contei com a contribuição de muitos outros especialistas. Todos os médicos, inclusive eu, estavam muito apreensivos, pois se tratava de uma doença ainda sem nenhum tratamento estabelecido, invariavelmente mortal e que se supunha, em pouco tempo, a�ngir 200 milhões de pessoas. Fale sobre o seu estudo a respeito da relação entre literatura e medicina. A literatura sempre me interessou muito, desde a juventude, quando li alguns dos clássicos. Sempre observei como ela é capaz de exteriorizar sen�mentos, medos e pensamentos, mostrando o mais ín�mo das pessoas, onde as doenças estavam presentes, o que me ajudava, como médico, a compreendê-las melhor. Comecei mais diretamente a estudar a interação entre as duas a par�r de 2006, quando escrevi o editorial “Literatura e Medicina” em uma edição dos Cadernos Brasileiros de Medicina. Iniciei o texto dizendo que ambas estavam umbilicalmente ligadas desde tempos imemoriais. Desde então, tenho lido muitos materiais nos quais doentes e doenças são importantes elementos das histórias. Inclusive, propus a introdução da disciplina de Literatura e Medicina nas escolas médicas, em par�cular na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, tendo inclusive publicado um livro a respeito, elaborado em colaboração com o professor de Literatura Paulo César dos Santos Leal, denominado “Disciplina Literatura e Medicina – A pesquisa do contexto médico em textos literários: uma leitura transdiscursiva”. Vale lembrar a perfeição com que certas doenças são descritas em determinados textos literários, como a notável explicação da Peste Negra pelo poeta e crí�co literário italiano Boccaccio. Quais suas atribuições como membro da Comissão de Humanidades Médicas do CFM? Par�cipar com os demais membros da comissão das possíveis maneiras de tornar a prá�ca médica mais humana – que anda tão desumanizada atualmente; preparar os congressos anuais sobre o assunto; tentar introduzir nos currículos matérias das chamadas “humanidades”, como antropologia, sociologia, filosofia e ciências sociais em geral; e, sobretudo, atrair os estudantes e jovens médicos para discu�r o assunto, pois a eles caberá a verdadeira reforma da educação e da prá�ca médica. Conte uma passagem marcante de sua trajetória profissional. Muito me emocionou uma passagem de quando ainda era estudante e auxiliar-acadêmico da Prefeitura do an�go Distrito Federal. Eu trabalhava em uma ambulância e houve um grave incêndio em um depósito de munições, na zona norte do Rio de Janeiro. Por razões de segurança, foi dada uma ordem para que as ambulâncias que estavam no local se re�rassem e ficasse apenas uma. Com a concordância da minha equipe,

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pedi para que fosse a nossa, e fomos atendidos. De resto, posso lembrar de outros momentos em que me emocionei: ao término exitoso do meu primeiro concurso de doutorado e docência livre de Clínica Médica na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, e a aprovação em concurso, na mesma escola, para professor �tular de Doenças Infecciosas e Parasitárias. Ainda cito a grande vitória eleitoral dentre os médicos de todo o Brasil para presidir a en�dade máxima dos médicos brasileiros: a pres�giosa Associação Médica Brasileira. Como é sua rotina diária? Nem mesmo posso dizer que tenho uma ro�na, pois não sou organizado. Durmo muito tarde, caminho um pouco no período da tarde, quando aproveito para fazer aquelas obrigações, como compras e pagamentos. Cuido (mal) de algumas plantas que tenho, preparo aulas que ainda dou em caráter voluntário ou a par�cipação em simpósios, o que ocorre com certa frequência, principalmente na Academia Nacional de Medicina. Tenho alocado boa parte do meu tempo para rever (e jogar fora) livros e papeis que acumulei nos úl�mos 50 anos. Tenho mais de 40 agendas anuais, que preciso ver antes de me desfazer. Sempre encontro tempo para ler. Leio cinco páginas de um livro de medicina por dia (o Harrison pequeno). Fechei o consultório há dois anos e não tenho obrigações de horário. Con�nuo frequentando o Hospital Gaffrée Guinle, mas sem dia certo. Leio diariamente “O Globo”, pela manhã, e vejo no�cias à noite na televisão. O que gosta de fazer nos momentos de laser? Gosto principalmente de ler. Também descanso, medito e converso com meus netos, procurando saber como eles estão indo na escola e na vida, em geral. Como sua vida profissional se relaciona com a pessoal? Elas estão in�mamente ligadas. Agora que estou aposentado, embora sem parar de todo de trabalhar, tenho bem mais tempo para a família, com a qual compar�lho minhas ações profissionais. Quais os valores transmitidos por seus pais que o tornaram quem é hoje? Meus pais, Hyder e Sara Corrêa Lima, cons�tuíam um casal bondoso, simples, de elevado padrão moral. De certo modo, tudo que sou e faço devo a eles, que me ensinaram a compreensão, a compaixão e o senso de dever. Nunca me forçaram a nada. Segui o exemplo do meu pai, que era um médico muito competente e voltado inteiramente para seus semelhantes, principalmente

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os mais pobres. Nunca me forçou ou disse uma palavra sequer para que eu escolhesse a profissão de médico e professor. Naturalmente segui o seu bom exemplo. Quais são suas paixões? A família, o meu país, a medicina, a sociologia, a humanidade em geral, a literatura, as artes, a paz, o entendimento entre os homens, o cinema e o futebol, par�cularmente o Flamengo. O senhor tem planos para o futuro? Meu plano principal é con�nuar trabalhando, estudando, lendo muito, ajudando na tenta�va de promover a (re)humanização da medicina, que julgo fundamental, fazendo alguns exercícios, evitando o estresse, dando minhas aulas de semiologia, colaborando com a Academia Nacional de Medicina e auxiliando, na medida de minhas possibilidades, aqueles que precisam.

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Gostaria de destacar alguns de seus livros, caso algum leitor queira conhecer mais o seu trabalho? Em “Rumos da Assistência Médica”, reuni sete par�cipações de líderes de seus países, dentre os mais importantes do mundo, contando como ela é executada em cada um. Em “Prioridade para a Saúde”, reportei os problemas da assistência médica do país no começo dos anos 80. “A Semiologia e a Clínica nos Tempos dos Exames Complementares” é fruto de um simpósio que organizei na Academia Nacional de Medicina, em 2009. Por fim, recomendo o já citado “Disciplina Literatura e Medicina – A pesquisa do contexto médico em textos literários: uma leitura transdiscursiva”. Quando o senhor olha para trás e vê tudo o que fez em prol da Medicina e da formação médica, qual o seu sentimento? O sen�mento ao olhar para trás, para uma luta de pelo menos 58 anos em prol da Medicina e da formação médica, é de dever cumprido, embora tenho consciência do pouco progresso que se fez e da certeza de que a luta deve con�nuar enquanto �vermos um sopro de vida. Que mensagem gostaria de deixar aos novos médicos? A eles, digo que a medicina é a mais humana das profissões e que mesmo com tudo que tem sido feito para a sua desumanização, é preciso lutar para reerguê-la, para permi�r que ela volte ao seu verdadeiro lugar, tarefa que, em parte, cabe aos jovens médicos. Apesar de tudo, ela foi, é e sempre será uma das melhores e mais necessárias profissões.

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Tecnologia blockchain pode ajudar a vencer as barreiras da interoperabilidade É fato que as reformas no sistema de saúde não seguem a mesma velocidade que os avanços tecnológicos, isso acontece no mundo todo. No entanto, a interoperabilidade entre diferentes sistemas de informação – uma barreira que parecia intransponível – pode estar ganhando um novo aliado: a tecnologia blockchain.

seja aceita. Isso adiciona valor ao próximo bloco, que fará as mesmas checagens. Caso a maior parte dos confirmadores não reconheça a transação, ela é negada e não adicionada à cadeia. Esse modelo permite que o blockchain funcione como um registro distribuído, sem a necessidade de ter uma autoridade central “julgando” quais transações são válidas.

O assunto é tratado no white paper “Tecnologia blockchain: dada a largada rumo aos Sistema de Saúde”, publicado pela Comissão Cien�fica do HIMSS@Hospitalar 2017 (veja box sobre o evento). Acompanhe a seguir o conteúdo editado desse material.

Essa “reação em cadeia”, que na realidade ocorre numa fração de segundos, anula ou valida um registro, cer�fica a operação e agrega confiabilidade e segurança ao ato que gerou a transação. Permi�r que cadeias confirmadoras digitais verifiquem as transações elimina a necessidade de câmaras de compensação e outros agentes de verificação, o que, no mínimo, reduz significa�vamente os custos e os tempos transacionais.

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Blockchain (cadeia de blocos) é mais um neologismo que está avançando de forma disrup�va dentro das cadeias de valor. Trata-se de um modelo de banco de dados distribuído que armazena uma contabilidade permanente, par�lhando o controle através de uma rede de par�cipantes sem nenhum servidor central. Todos auten�cam as informações de todos através de um registro digital único, cujo obje�vo é fornecer a verificação do usuário e impedir sua “adulteração”. É um metassistema no qual toda a informação fica à disposição de terceiros (agências reguladoras, controladores de fraudes, en�dades cer�ficadoras de empresas e transações, etc.). Todos, enfim, par�cipam como auditores das transações. Quando uma nova transação é recebida, os “confirmadores” executam alguns algoritmos (existentes no so�ware comum a todos) e avaliam o histórico-blockchain. Quando chegam a um consenso de que a transação é válida, permitem que ela

A criptografia em escala, inclusa no “DNA” de cada um dos blocos, inibe que alguém mal-intencionado possa promover uma fraude ou introduzir rotinas danosas, como vírus, por exemplo, que são difíceis e custosas de sanar. A integridade criptográfica e a validação dos múltiplos nós dentro da engenharia blockchain protege contra hackers e cyber-attacks. Nada mais é do que uma técnica utilitarista, na qual a massa de informações promove mais credibilidade do que alguns poucos concentradores dela. NA SAÚDE Mas o que isso tem a ver com os sistemas de saúde? Tudo! Não há qualquer forma de resolver minimamente os problemas operacionais de qualquer sistema de saúde,

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público ou privado, sem o acesso seguro, sigiloso e efe�vo às informações clínicas dos pacientes. Sem compar�lhar, integrar e interoperar os dados médicos, vamos con�nuar pra�cando uma medicina de poucos para poucos. Os registros de saúde (EHR, RES ou EMR), entre tantos problemas de implantação, sofrem de um mal comum: a não u�lização de arquiteturas e padrões comuns para transferência segura de informações confidenciais. En�dades não confiam em en�dades, que não confiam em médicos, que não confiam nos pacientes, que, por sua vez, não confiam em ninguém. Resultado: há meio século rastejamos em busca de soluções que desbloqueiem essa redoma de vidro. O Brasil é um exemplo mastodôn�co dessa realidade: temos um serviço de saúde fragmentado, desintegrado e, acima de tudo, desinforma�zado. Ainda que existam ilhas de excelência u�lizando, por exemplo, um prontuário médico eletrônico, este não é compar�lhado com o resto da cadeia de saúde. Isso ocorre por dois mo�vos: falta de interoperabilidade dentro da cadeia e falta de compromisso dos players para desbloquear inúmeras barreiras culturais, comportamentais e mercadológicas. A tecnologia blockchain pode ser uma poderosa resposta a uma miríade de problemas operacionais dos sistemas de HIMSS@HOSPITALAR 2017 A interoperabilidade é uma das verticais temáticas do HIMSS@Hospitalar, fórum que absorveu o Digital Healthcare e que acontece durante a 24ª edição da Hospitalar, de 16 a 19 de maio de 2017, no Expo Center Norte, em São Paulo. Intitulado “eHealth.17 – The End of the Beginning”, o evento é um dos mais relevantes da América Latina quando se fala em saúde digital e vai analisar a maturidade atual do mercado passada a primeira década de sua expansão. Serão mais de 30 speakers (cerca de 20 internacionais), o equivalente a 20 horas de exposição contínua de conteúdo da mais alta relevância, abordados por especialistas do mundo todo, além de live-stream dentro da Hospitalar. O programa do fórum está dividido em oito verticais temáticas: Innovation Solutions for Hospital Chain; Venture Capital Supporting eHealth Revolution; TeleHealth, MedDevices and mHealth; Consumerization of Healthcare; Healthcare Privacy & Security; Health Interoperability Challengers; EHR – New Generation & Best Implementations; e Pharma Demand-driven. A coordenação científica e de conteúdo é de Guilherme S. Hummel, do eHealth Mentor Institute.

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Importante salientar que o HIMSS@Hospitalar é resultado de uma parceria formada no final de 2016 entre a UBM Brazil, braço do grupo britânico UBM, líder global em mídia de negócios e segunda maior organizadora de eventos no mundo – organizadora da Feira + Fórum Hospitalar – e a HIMSS – Healthcare Information and Management Systems Society, organização global sem fins lucrativos, sediada nos Estados Unidos e focada em melhorar a saúde através da tecnologia da informação. Mais informações no site www.hospitalar.com, na área de fóruns.

Não há qualquer forma de resolver minimamente os problemas operacionais de qualquer sistema de saúde, público ou privado, sem o acesso seguro, sigiloso e efetivo às informações clínicas dos pacientes”

saúde. Ela pode permi�r armazenamento, manutenção, distribuição e transparência de registros clínicos, mantendoos imutáveis, privados e seguros. Um sólido relatório produzido em 2015 pela Deloitte Consulting mostrou como esse contexto-tecnológico pode reinventar o ecossistema da saúde. “O blockchain poderia revolucionar as arquiteturas de troca de informações em saúde, mudando o tratamento da indústria de healthcare quanto aos registros médicos eletrônicos”, explicou Dan Housman, diretor-gerente da Deloitte, em artigo publicado em novembro de 2016 no The Wall Street Journal. Enquanto numa ponta o volume de dados dos pacientes cresce de forma exponencial, noutra cresce a necessidade impera�va de interoperar esses dados com eficácia e segurança. Se o uso do prontuário eletrônico cresce em quase todas as instâncias, não cresce menos o seu armazenamento centralizado. Ilhas de dados médicos se mul�plicam dentro de cada sistema de saúde, com ins�tuições erguendo catedrais-repositórios individuais, que muitas vezes não se comunicam internamente e que possuem pouco intercâmbio de informações com outros players do sistema. Silos de dados clínicos monolí�cos impedem a colaboração dentro e fora do ecossistema. É muito animador trazer as tecnologias de Big Data e AI para a cadeia de saúde. Brilham nossos olhos, e somos projetados a um ambiente de grande expecta�va. Ocorre que os mesmos olhos con�nuam a enxergar grandes dificuldades para ter essa massa de dados de forma segura (com todas as garan�as de privacidade do indivíduo), disponível para um ambiente de Data Analy�cs. Estudo publicado em 2016 pela Ark Invest e GEM avalia que “uma infraestrutura de EHR solidamente projetada facilitaria muito o compar�lhamento de informações em saúde”. Segundo o documento, as partes autorizadas estariam protegidas, permi�ndo que os profissionais de saúde se envolvessem melhor com os pacientes, tomando decisões mais eficientes e precisas. O documento parte de uma premissa rotunda: “na indústria de healthcare, a informação não é privada, é proprietária”. E con�nua não menos asser�vo: “um ecossistema de saúde totalmente interoperável ainda tem de ser montado e realizado, e ainda não foi porque os information rails são an�quados, não seguros e opacos para compar�lhar dados. ‘Trilhos’ velhos e obsoletos tornam quase impossível para os so�wares acompanhar a mudança tecnológica, assim como um trem bala não poderia correr nos trilhos enferrujados do século XIX”. O estudo sustenta que a infraestrutura para o compar�lhamento e interoperabilidade em saúde precisa ser suficientemente flexível para permi�r o acesso

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instantâneo aos EHRs. Mas, da mesma forma, precisa oferecer segurança contra acesso não autorizado ou malicioso, sendo essa uma demanda tão importante que, segundo o documento, só pode ser resolvida com a tecnologia blockchain. “Usando blockchain, três caracterís�cas principais dos sistemas EHRs podem ser melhoradas: a imutabilidade dos dados, promovida através da integridade de arquivo; a cybersecurity via gerenciamento do acesso aos dados; e a interoperabilidade via controle colabora�vo de versão”. Além disso, a pesquisa apregoa que os pacientes poderiam monitorar suas próprias informações clínicas, aprovando, negando ou compar�lhando alterações de seus dados, garan�ndo um nível alto de privacidade e envolvimento. Pesquisadores poderiam se beneficiar de uma melhor integridade e fiabilidade dos dados, criando uma platform of trust para a par�lha de informações. As fontes pagadoras seriam beneficiadas pela melhoria na conciliação dos dados, reduzindo os erros e fraudes, sem falar na redução dos custos de processamento administra�vo. O interesse pelo tema é tão grande que o próprio governo dos EUA vem promovendo ações nessa direção. Um exemplo foi o desafio “Use of Blockchain in Health IT and Health-Related Research”, promovido pelo Office of the Na�onal Coordinator for Health Informa�on Technology (ONC), com resultados publicados em setembro de 2016. Mais de 70 projetos foram subme�dos por indivíduos, organizações e empresas, abordando maneiras como a tecnologia blockchain pode ser u�lizada na saúde. O alvo foi estudar como proteger, gerenciar e permi�r a troca de informações eletrônicas. Pesos pesados, como MIT Media Lab, Accenture, Deloi�e, Humana, entre muitos, estão com equipes dedicadas a sair na frente dessa jornada. Quando todos apostavam em compar�mentar o conceito de blockchain ao universo da moeda digital, eis que surge uma frené�ca corrida em direção aos desafios de privacidade, segurança e escalabilidade na gestão dos EHRs. Pesquisa publicada em 2016 pelo IBM Ins�tute for Business Value, realizada junto a 200 execu�vos da área de saúde

Um ecossistema de saúde totalmente interoperável ainda tem que ser montado e realizado, e ainda não foi porque os information rails são antiquados, não seguros e opacos para compartilhar dados”

em 16 países, mostrou que 16% esperam ter uma solução comercial de blockchain ainda em 2017. Revelou também que seis em cada dez pioneirosempreendedores da saúde antecipam que a tecnologia blockchain irá ajudá-los a acessar novos mercados, novas ferramentas e soluções mais confiáveis para o ecossistema da saúde. Sete em cada dez apostam que o núcleo revolucionário do conceito-tecnologia-blockchain está nos EHRs. Não faltam sinais de agitação por todos os lados. Na Estônia, por exemplo, considerada por muitos como a mais avançada “blockchain na�on” em termos de serviços governamentais, todos os registros de saúde médica já estão armazenados e disponíveis on-line. Ainda não estão habilitados para blockchain, mas em 2016 o país anunciou sua intenção de disponibilizá-los aos pacientes nessa plataforma. Na Suíça, o Healthbank, a primeira plataforma no mundo em transações citizen-owned, já planeja aderir ao blockchain. O banco busca dados em todos os players da cadeia de saúde para que seus par�cipantes possam compar�lhá-los para fins de pesquisa. Dados como padrões de sono, glicose e frequência cardíaca são extraídos de wearables e outros devices, somandose às informações de prontuários eletrônicos, gerando um por�ólio consistente de conhecimento clínico. Todos esses dados poderão ser armazenados e consultados u�lizando um blockchain do Healthbank. INVENCÍVEIS? Os blockchain são inexpugnáveis? É certo que não. Em dezembro de 2016, a Ethereum sofreu dois cyber-attacks que desligaram uma grande parte de seus nós. A violação de dados (contratos) afetou mais de 16.000 usuários da plataforma, gerando perdas superiores a US$ 60 milhões. Mas não tenhamos ilusões: ataques dessa natureza ocorrem todas as semanas, envolvendo milhares de empresas, incluindo dezenas de bancos, sem que qualquer um deles esteja necessariamente em ambiente de blockchain.

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Certamente que ainda estamos em terreno pantanoso, quase experimental, onde não faltam armadilhas e desafios: vendedores mágicos de blockchain-solutions, os desavisados que as compram, a indredulidade da comunidade médica, pacientes com medo de ceder seus dados, excesso de o�mismo e plataformas imaturas de infraestrutura. Mas o tempo e a corrida pela hegemonia de padrões podem integrar interesses e ideias. Da mesma forma como ocorreu no sistema financeiro, que possui o R3Cev, um consórcio de 45 bancos membros que desenvolve o uso da tecnologia blockchain, o setor de saúde também pode criar algo do �po. Múl�plos consórcios, cada um representando um bloco, poderiam se integrar gerando cadeias, que uniriam esforços para obter uma informação clínica íntegra, confiável e de baixo custo.

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Mercado

Dorja acredita no país e anuncia novidades para este ano Durante o ano de 2016, vários fatores polí�cos e econômicos impactaram de maneira nega�va o crescimento do mercado brasileiro. A crise a�ngiu pra�camente todos os segmentos, inclusive o de produtos para a saúde. Quem analisa o mercado pela sua área de atuação são Jamir Dagir Junior e Dorival Edson Dagir, diretores da Dorja, fabricante e importadora de linhas exclusivas de produtos médicos, como inaladores, estetoscópios, esfigmomanômetros e medidores de pico de fluxo respiratório, entre outros. De acordo com os diretores, o ano de 2016 foi di�cil, mas como todo desafio, obrigou a empresa a desenvolver novos métodos e produtos, buscando outros mercados. “Hoje estamos segmentados nas áreas respiratória, aspiração cirúrgica e odontológica, locomoção-ortopedia e diagnós�ca. No cenário externo, abrimos novos distribuidores na Europa, África e nas Américas La�na e Central. Trabalhamos hoje com as marcas Medicate, Diasyst, Gowllands e Sibelmed”, expõem. Eles dizem que a empresa vive hoje um momento de transição dentro do mercado de atuação, buscando ações para redução de despesas, melhoria de gestão e novos produtos com custos mais econômicos para poder superar o mercado interno recessivo que a polí�ca imposta nestes úl�mos anos apresentou. Junior e Dorival revelam que entram em 2017 com mais dúvidas, afinal, o problema polí�co nacional não definido gera um cenário econômico mais �mido, com crescimento bem mais moderado. “No panorama internacional ainda temos as incertezas trazidas pelo novo presidente do Estados Unidos, Donald Trump. Sem falar da China, que vem ganhando espaço na Ásia, das eleições na Europa e de uma América La�na cheia de turbulências.” Mesmo com todo o cenário de incerteza exposto, a Dorja acredita no desenvolvimento do país. “Para 2017, vamos A empresa vive um momento de transição, buscando ações para redução de despesas, melhoria de gestão e novos produtos com custos mais econômicos

Apesar de todas as dificuldades que o país enfrenta, a empresa continua investindo em novos recursos e equipamentos inovadores na área fabril

lançar aspiradores cirúrgicos com maior tecnologia e pra�cidade para o usuário, além de inaladores hospitalares mais potentes e econômicos e uma nova linha para home care”, adiantam. A empresa con�nua inves�ndo em novos recursos e equipamentos inovadores na área fabril, para poder fortalecer sua posição junto ao mercado que está cada vez mais global e compe��vo. SOLUÇÕES Entre os produtos distribuídos pela marca está o inalador portátil Medicate MD 4000. Prático, silencioso e eficiente, pode ser utilizado em qualquer lugar, pois funciona com duas pilhas pequenas ou em tomada 127/220V. Com design moderno e membrana vibratória, é fácil de manusear e limpar, podendo ser usado por adultos e crianças. Já o aspirador e sugador de sangue e saliva Medicate – MD100 é indicado para pequenos MD 4000 procedimentos cirúrgicos e odontológicos, sendo ideal para consultórios e clínicas. Tem design moderno, é ultraleve e de fácil transporte, dotado de um frasco plástico transparente totalmente lavável, com capacidade para 1.000 ml e tampa plástica com válvula de segurança contra transbordamento de líquidos. Possui motor com potência de 220VA, isento de óleo ou lubrificantes e bivolt 127/220V.

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Conec�vidade

Hospital do futuro e tecnologia estão in�mamente associados, mas, por incrível que pareça, o maior entrave quando se fala no assunto é cultural, pois a tecnologia para torná-lo realidade já existe. É o que revela Daniel Hoe, diretor de marke�ng da Salesforce para América La�na.

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Maior entrave ao hospital do futuro é cultural, não tecnológico

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Ele conta que o prontuário eletrônico passa atualmente por uma transformação digital no país, mas ainda é comum que seja encontrado em silos, uma vez que cada hospital lidera a digitalização das informações de seus pacientes. “Assim, cada um tem a sua visão e uma parte do histórico do indivíduo.”

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A disseminação do prontuário eletrônico como melhor prá�ca é outro ponto citado por Hoe. Conforme ressalta, o papel ainda é uma ferramenta muito usada para guardar o histórico do paciente. O levantamento TIC Saúde 2015 aponta que 17% das ins�tuições de saúde no Brasil com mais de 50 leitos para internação se apoiam unicamente em papel para registro das informações. “Além disso, embora o estudo aponte que os dados cadastrais do paciente estejam disponíveis digitalmente em 78% das ins�tuições entrevistadas, lista de medicamentos prescritos e alergias estão presentes apenas em 40% das unidades entrevistadas”, expõe. E como resolver esses entraves? Tendo o bem-estar do paciente como foco, deve-se seguir para uma integração dos prontuários, maior disseminação ou a centralização de dados, conta Hoe. Segundo ele, parcerias entre inicia�va privada em várias instâncias (clínicas e hospitais) e setor público ou associações de médicos são fundamentais. “Em relação ao maior uso do prontuário eletrônico, é necessário sensibilizar o setor quanto ao valor que a tecnologia pode prover, não apenas os execu�vos de tecnologia da informação, mas também os próprios profissionais de saúde”, acrescenta. Vale lembrar que os Estados Unidos são uma referência no assunto. Hoe conta que o Michigan Health Innova�on Network, uma joint-venture entre o Alligiance Hospital e a associação de médicos local, usou a tecnologia Salesforce para criar conexões de dados de pacientes, independentemente de onde fossem atendidos, para que o corpo clínico �vesse uma visão 360o e permi�sse um melhor atendimento, assim como acompanhar de perto quais medicamentos são prescritos, elevando a segurança do paciente e a eficiência no tratamento. No Brasil, há espaço para uma maior transformação digital nas ins�tuições de saúde, mas a parte posi�va, como salienta Hoe, é que a infraestrutura de tecnologia da informação – links de acesso, ferramentas, profissionais aptos – já está disponível. “Uma ins�tuição pode ampliar sua digitalização de um mês para o outro”, garante. Uma das soluções da empresa é o Salesforce Health Cloud, que conecta conversas, prestadores de serviços, sistemas clínicos e administra�vos, como os registros médicos eletrônicos, e até disposi�vos externos, como monitores de pressão e de glicose. “Todos têm a mesma visão, desde as equipes de gerenciamento de serviço e de cuidados aos prestadores e pacientes. Podem ser incluídos dados demográficos, es�lo de vida, familiares, histórico de atendimento, dados de prontuário eletrônico, disposi�vos e equipamentos médicos, disposi�vos ves�veis e outros. Há também chat em vídeo para que os pacientes se conectem com suas equipes de atendimento médico a par�r de um smartphone”, explica Hoe. Nos Estados Unidos, 91% dos entrevistados com seguro-saúde no levantamento “State of the Connected Pa�ent 2016”, da Salesforce, apontam que estão sa�sfeitos com seu médico, mas que usam canais tradicionais para se comunicar com eles, tais como consulta face-a-face (23%) e pelo telefone (76%). Contudo, 62% dos pacientes dizem-se abertos para abordagens virtuais ao acompanhamento médico, tais como videoconferências em assuntos não-urgentes.

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Mercado

Transmai terá diversos lançamentos neste ano de retomada O ano de 2016 foi marcado por uma alta taxa de pessimismo, mesmo com a realização no Brasil de um dos maiores eventos do mundo: as Olimpíadas. E grande parte desse pessimismo ocorreu pelo “efeito cascata”, ou seja, muitos empresários apenas repe�am o que ouviam, sem uma análise crí�ca e real. É o que revela Mauro Tonucci, diretor geral da Transmai, fornecedora de equipamentos para análises de precisão voltados às áreas de Cardiologia, Eletromedicina, Fisioterapia e Oximetria. Ele conta que ouviu muitos diretores de empresas reclamando de recessão e dificuldades em vender seus produtos em 2016. Porém, após verificar, �nham vendido mais do que os três úl�mos anos no mesmo período. “Também constatei alguns em grandes dificuldades, mas que aproveitaram este momento de crise para renovar seus produtos e enxugar suas companhias, preparando-as para os próximos anos”, ressalta Tonucci, acrescentando que é fácil empreender ou administrar quando tudo vai bem. O desafio é, em tempos de crise, manter a a�vidade e não deixar marcas ou estragos em razão das decisões tomadas. “É óbvio que nosso setor foi impactado pela retração econômica e pelos cortes na área da saúde. A queda de arrecadação do governo provocou redução nos inves�mentos. Muitas empresas diminuíram sua produção durante o ano todo, sem falar que a desvalorização do real influenciou na queda das importações, afetando o segmento, que é bastante dependente de componentes importados”, revela. Apesar da retração do consumo e de outros indicadores, o empresário diz que o número de empregos se manteve pra�camente estável em muitas companhias, o que demonstra a confiança do setor para 2017. O plano da Transmai é intensificar ações de comunicação e marke�ng por meio do contato pessoal com compradores, distribuidores, fornecedores, expositores e profissionais da saúde de todo o Brasil, fortalecendo assim a relação entre pessoas e empresas. A companhia já garan�u par�cipação em 15 congressos este ano e conta com um aumento em 20% no inves�mento para intensificar as visitas periódicas, os treinamentos e a qualificação de profissionais. A área de engenharia deverá a�ngir índices de 95% de nacionaliza��ão em vários produtos

Mauro Tonucci, diretor geral

da linha, com desenvolvimento de so�wares, placas, moldes e ferramentas totalmente nacionais, aumentando a compe��vidade nos mercados interno e externo. “Vamos realizar a maior quan�dade de lançamentos já ocorrida na história da empresa e boa parte já virá pronta para comercialização na Hospitalar 2017, com seus registros na ANVISA”, anuncia Tonucci. Eletrocardiógraf EX-03

Nesta lista, estão o eletrocardiógrafo EMAI modelo EX-03, que permi�rá ao usuário imprimir em fita ou folha A-4 todos os exames realizados, centralizando dados essenciais do paciente, tais como as 12 derivações, número do exame, data, hora, nome do paciente, idade, sexo, peso, altura, pressão, glicemia, triglicérides, colesterol, medicação e laudo, entre outros. Já o cardioversor bifásico portá�l modelo DX-20 colorido permi�rá ao médico, de forma extremamente simples, analisar, carregar e aplicar um choque eficaz em menos de 8 segundos. Outras novidades são o bisturi eletrônico BP-100 Digital, com exclusivo método master pulse para uso de dermato e endo; e o Bisturi Eletrônico Digital de Alta Potência para grandes Centros Cirúrgicos, inédito no Brasil. Sobre as expecta�vas, Tonucci diz que as compras para este ano se iniciaram em 2016 e houve aumento de 20% em relação ao número de equipamentos a serem produzidos, gerando uma perspec�va de crescimento da empresa em torno de 9%.

Bisturi eletrônico BP-100 Digital

A principal estratégia para auxiliar na retomada dos negócios é justamente o lançamento de vários produtos com tecnologia de úl�ma geração e design moderno, sem perder a principal caracterís�ca da marca, que é manter a melhor relação custo x bene�cio do mercado brasileiro. Outras estratégias são o financiamento direto da empresa ao consumidor final em compras de grandes volumes, evitando as taxas dos cartões; e a ampliação dos incen�vos da rede de assistência técnica e distribuidores na área de locação de equipamentos. Tonucci aposta que 2017 será um ano de recuperação para o país, mesmo sem crescimento, mas com estabilidade econômica. “Acreditamos que será um período cheio de cautela, para recobrar a confiança perdida, porém crente no potencial de equilíbrio e superação. É importante manter os ânimos, pois em tempos de crise de confiança, a retomada vem através do esforço cole�vo. Com uma postura posi�va, muito trabalho, tratando dos negócios de forma o�mista e incen�vando o movimento do capital, é possível o país e as empresas voltarem a crescer, encerrando assim este ciclo de nega�vidade vivenciado em 2016”, finaliza o empresário.

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Legislação

Hemostasia da hemorragia tributária, um procedimento vital serem realizados nos tratamentos das enfermidades e os profissionais de saúde são orientados a aplicálos, a tributação é regrada por princípios que devem ser observados; um deles é o da legalidade tributária estrita. Do mesmo modo que todo o ato médico que não observar os protocolos de um procedimento pode trazer responsabilidade profissional, também os tributos que não observarem o princípio da legalidade tributária estrita não poderão ser exigidos do contribuinte. Escrever para empreendedores gera a consciência de que se está tratando com pessoas diferenciadas, detentoras do encargo de transformar o ambiente em que vivem. Quando os leitores empreendem no setor de saúde, é preciso considerar que a complexidade de cuidar de vidas, vencendo altos custos com recursos escassos, amplia exponencialmente as suas sensibilidades; e a responsabilidade de quem se atreve a tal desafio se avoluma. Explorando a analogia do �tulo, temos “hemorragia tributária externa” (rompimento da artéria femoral), condição percep�vel aos leigos que, seja por ex�nto de sobrevivência ou por fraternidade, não pouparão esforços em comprimir o vaso até a busca de atendimento. No entanto, a “hemorragia tributária interna” (lesão da aorta abdominal) somente é percep�vel aos especialistas atentos ao pulso do paciente, que iden�ficarão o problema com precisão e tomarão as providências para evitar que ele pereça. Mas por que um advogado tributarista se aventuraria em termos técnicos de medicina para falar de Direito Tributário, arriscando-se a asneiras? Respondo: para chamar a atenção de quem consegue perceber a gravidade de uma hemorragia e a necessidade urgente de uma hemostasia eficiente. A reclamação de que a carga tributária é exagerada e de que o Poder Público presta serviços ineficientes é um diagnós�co verdadeiro e, em especial no que se refere ao setor de saúde, é uma inconformidade ainda mais legí�ma. Este cenário é semelhante ao de uma hemorragia externa percep�vel ao leigo porque, assim como todos sabem que sangrar em excesso causa morte, para ninguém é novidade o efeito nocivo da arrecadação desenfreada ao patrimônio. Burlar estas regras equivaleria a desprezar a lesão da aorta femoral e, por conseguinte, o paciente estaria tão fadado à morte quanto um hospital ou clínica à falência se adotasse a falsa solução de não pagar ou de sonegar os impostos.

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No entanto, na relação traumá�ca com o fisco, os gestores em saúde costumam ignorar as hemorragias tributárias internas que, ocultas, agravam o quadro financeiro de suas ins�tuições e drenam o recurso dos inves�mentos. Refiro-me aos tributos que o Poder Público cobra indevidamente, seja pela inexistência de legislação que o autorize a fazê-lo ou pela existência de legislação contrária à Cons�tuição Federal. Em uma analogia do Sistema Tributário Nacional com a prá�ca médica, observa-se que, do mesmo modo que existem protocolos que preveem os procedimentos a

No entanto, a existência de lei não faz com que ela seja observada e, assim como, eventualmente, os profissionais da saúde acabam por não observar algum protocolo (em regra, acidentalmente), os governos “inventam” maneiras estranhas à lei para reforçar os seus sempre combalidos caixas. Quando isso ocorre, se observa uma hemorragia tributária interna, pois o fisco maquia a sua conduta para que o contribuinte leigo não venha a iden�ficar a sangria dos seus recursos. Inúmeras lesões graves sangram o setor de saúde e, embora seja necessária uma apurada anamnese para um diagnós�co pontual, não custa exemplificar algumas de maior prevalência. Quando hospitais e clínicas médicas ou odontológicas importam equipamentos, pagam imposto de importação em excesso devido à ilegal adição de encargos à base de cálculo do tributo, aumentando o valor apurado sem previsão legal. Outra grave hemorragia interna que acomete as ins�tuições do setor é o excesso de ICMS na cobrança de energia elétrica, ocasionado pelo ilegal alargamento da hipótese de incidência (campo em que a legislação permite tributar) pelos estados. Em média, a hemostasia desse evento possibilita a redução da conta em 19% e o recebimento do valor pago em excesso nos úl�mos sessenta meses. No âmbito dos governos municipais, os profissionais da saúde costumam ter ISS cobrado em duplicidade quando prestam serviços B2B para clientes localizados em outras cidades, circunstância que sangra os seus recursos. Assim como em uma hemorragia arterial o paciente não suportará muito mais do que cinco minutos sem uma hemostasia, os valores dos tributos cobrados em excesso não poderão ser recuperados depois de passados cinco anos da exigência do tributo (há pequenas variações nesta contagem de prazo). Em razão disso e sem medo de errar, posso afirmar a todos os gestores que há hemorragia tributária interna a drenar preciosos recursos de suas ins�tuições, prejudicando os resultados e a qualidade dos serviços prestados, o que faz do diagnós�co uma emergência.

David Ricardo Silva Trindade

Advogado tributarista, militante no Direito Empresarial há 17 anos e diretor jurídico da Dunamis Soluções Empresariais

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Tendência

Quais são as previsões mais importantes na tecnologia da saúde para 2017? O ano de 2016 foi de grandes avanços na área de tecnologia da saúde. Entre eles, surgiram novos aplicativos específicos para doenças e mais passos foram dados em direção à realidade aumentada e ao uso das tecnologias wearables. Em 2017, que tipo de avanços serão testemunhados? Quais serão os novos desafios e soluções encontrados pela área da saúde digital? Quem responde a essas questões são os especialistas da Philips. 1- COMPARTILHAREMOS MAIS DADOS “A minha previsão ou, pelo menos, a minha esperança para 2017 é ter implementações mais reais que permitam que os consumidores de produtos de saúde insiram, controlem e compartilhem os seus dados pessoais de saúde com médicos e outros profissionais da área. Isso poderá ser feito através de APIs abertos ou outros mecanismos de compartilhamento de dados, que são ativados por plataformas abertas, baseadas em padrões”, expõe CK Andrade, PhD. diretor do setor de gestão de produtos. 2- VEREMOS O INVISÍVEL “Um dos nossos maiores desafios na saúde é tornar dados significativos. A aprendizagem através de máquinas nos possibilita visualizar o invisível, por exemplo, permitindo que profissionais prevejam doenças ou deem informações às pessoas sobre como o seu comportamento afeta a saúde. Ajudamos as pessoas a usar esses dados com um design persuasivo, contando histórias e visualizando dados”, conta Brian Pagán, líder criativo do laboratório de design persuasivo.

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3- TORNAREMOS A REALIDADE AUMENTADA REAL “A realidade aumentada (RA) tem permeado o

Uma das esperanças é ter implementações mais reais que permitam aos consumidores de produtos de saúde inserir, controlar e compartilhar seus dados pessoais com médicos e outros profissionais da área”

espaço do consumidor com êxito e eu acredito que haverá um desejo natural de usar essa tecnologia na saúde. Os médicos desejam uma integração perfeita, contextualmente relevante, de uma série de imagens anatômicas e dados médicos para orientar melhor as intervenções e cirurgias. Nós, na Philips, estamos usando a RA para ajudar a orientar intervenções na coluna cervical e isso é apenas a ponta do iceberg”, explica Atul Gupta, M.D, diretor médico, radiologista intervencionista e de diagnósticos. 4- ABRAÇAREMOS O CONSUMIDOR “Espero ver ainda mais o consumo da saúde — a convergência do cuidado profissional e pessoal em um mundo em que os indivíduos estão muito mais envolvidos em sua jornada de saúde. Capturar e analisar a gama de dados pessoais e clínicos em um ambiente seguro conectado à nuvem significa que conseguiremos dar informações mais aplicáveis e mais rapidamente, que permitirão que médicos e profissionais da área tomem decisões melhores”, comenta Jean Botti, diretor de inovação e estratégia. 5- SEREMOS PROATIVOS “Os dois determinantes mais críticos dos fatores de saúde e conformidade são o código postal e o limite de crédito: esses dados serão foco de comercialização, campanhas de sensibilização, projetos de gestão de cuidados e métricas de incentivo futuras. Combinados a informações hereditárias, um dia, isso levará a uma mudança na prevenção proativa da necessidade de cuidados de alta perspicácia, em vez de tratamentos reativos. As informações também ajudarão a acelerar a forma de agir e capacitará as pessoas a ter mais controle da sua saúde”, expõe Tom Zajac, líder do grupo empresarial, na área de gestão da saúde da população.

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Pequenas doses

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Músico canta e toca durante cirurgia cerebral

Um cantor teve de realizar um pequeno concerto durante uma cirurgia para re�rar um tumor do cérebro no Hospital de Câncer de Barretos (SP). Conhecido pelo nome ar�s�co de Felipe Reis, o músico Reginaldo Oliveira Santos Junior, de 31 anos, tocou violão e cantou durante a operação. “A cirurgia com o paciente acordado permite a es�mulação do cérebro nas áreas com função para motricidade e fala”, explica o médico responsável, o neurocirurgião Carlos Afonso Clara. O procedimento foi realizado para controlar a capacidade de fala, compreensão e interpretação da linguagem u�lizada pelo paciente durante a cirurgia. Com esse recurso, os profissionais são capazes de saber quais áreas do cérebro devem ser man�das intocadas durante o procedimento e de onde podem remover o tumor. O obje�vo não foi re�rar todo o tumor, o que foi deixado intocado será tratado com quimioterapia ou radioterapia, dependendo da recuperação no pós-operatório.

Totalmente reformulada, com infraestrutura moderna e fluxo de atendimento pensado para dar mais agilidade à assistência médica, a nova Emergência do Hospital São Lucas, em Copacabana, torna-se a maior da zona sul do Rio de Janeiro (RJ). Com um inves�mento de mais de R$ 10 milhões, o serviço foi recém-inaugurado. A Emergência possui mais de 1.000 m2, abrigando duas salas de triagem para classificação de risco, oito consultórios médicos, 14 boxes de repouso com estrutura individualizada para pacientes com quadros infectocontagiosos, além de um dos centros cirúrgicos mais modernos da região.

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Novo kit para inserção de PICC

Visando levar pra�cidade para a beira do leito, a Kolplast acaba de lançar um kit estéril e descartável para inserção de cateter central de inserção periférica (PICC). Disponível na versão adulto e pediátrico, contém instrumentais delicados para auxiliar na inserção e cura�vo, como pinça anatômica reta, tesoura íris, pinça kelly reta, cúpulas para realização da an�ssepsia, além de campos cirúrgicos que permitem a criação da barreira máxima. Com ele, o profissional terá pra�cidade no momento da segregação do material necessário para realizar o procedimento, além de contar com instrumental de excelente qualidade, campos impermeáveis e absorventes que oferecem segurança, prevenção e redução do risco de infecção relacionadas a cateter. www.kolplast.com.br

Jefferson Bernardes

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Hospital São Lucas reformula setor de Emergência

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Tecnologia inédita no Brasil para tratamento do câncer

O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), passa a operar tecnologia adotada em 17 dos 25 hospitais de referência no tratamento de doenças oncológicas nos Estados Unidos. A radioterapia é feita através da demarcação de uma área do corpo onde o feixe de radiação será aplicado. O diferencial do Sistema Calypso, acessório acoplado ao TrueBeam (acelerador linear onde é feita a radioterapia) é o acompanhamento em tempo real da movimentação do órgão a ser tratado. Para isso, o paciente recebe três implantes de sete milímetros na próstata uma semana antes do procedimento. “É como se �véssemos um piloto automá�co que usa os implantes como referência. O tratamento é mais rápido, com menos efeitos colaterais e permite a entrega de uma dose mais concentrada de radioterapia”, explica o Coordenador da Unidade de Radioterapia e Radiocirurgia, Wilson de Almeida Junior. Veja o vídeo demonstra�vo no link goo.gl/h05lUL.

Pesquisas em câncer da criança e do adolescente

O Centro Infan�l Boldrini, hospital referência na América La�na para portadores de doenças onco-hematológicas infantojuvenis, comemora 39 anos. Localizada em Campinas (SP), a ins�tuição já tratou mais de 30.000 pacientes, a maioria pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A criação de um fundo para pesquisas faz parte dos projetos para 2017. Segundo a doutora Silvia Brandalise, presidente do Boldrini, uma comissão está desenhando a criação de um fundo patrimonial, que será u�lizado exclusivamente para pesquisas em câncer da criança e do adolescente. “Vamos nos programar para ser um centro formador e mul�plicador de pesquisadores sediado no Brasil. O foco será a busca de novas terapias e o sequenciamento massivo do genoma do câncer pediátrico. O valor es�mado será de R$ 450 milhões para o custeio de 40 pesquisadores em tempo integral e 200 profissionais técnicos”, explica a médica.

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Atendimento

Hospitais de transição ganham espaço em vista à nova realidade social Por Carol Gonçalves

Segundo o Dr. Carlos Alberto Chiesa, diretor-presidente do Placi, esse fato gera um novo perfil epidemiológico em que predominam doenças crônico-degenera�vas em uma população fragilizada pela idade avançada e pelas sequelas dos tratamentos recebidos. “Daí surge a necessidade de modelos assistenciais voltados para esse perfil, com oferta de cuidados prolongados, processos voltados para a necessidade do paciente e seu entorno, oferecidos por profissionais de saúde de formação diversas, estendendo-se à assistência social”, conta. Conforme explica, o modelo “hospitalocêntrico” tradicional não está preparado para a extensão do cuidado. A população idosa e frágil necessita de um prazo maior para se recuperar, com técnicas de cuidados especializados, com obje�vos de resgate de sua autonomia e melhoria na qualidade de vida. “É preciso organizar o fluxo dos indivíduos de acordo com suas necessidades, permi�ndo que cada um seja tratado no local certo, com recursos tecnológicos adequados e com equipe profissional preparada para aquele atendimento. É neste contexto que se inserem os cuidados de transição”, expõe o Dr. Chiesa.

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Bruno de Lima

De olho nessa realidade, o Ministério da Saúde brasileiro publicou uma portaria sobre cuidados prolongados em dezembro de 2012, definindo como obje�vos de uma unidade dedicada dentro de um hospital ou de um hospital especializado a recuperação clínica e funcional, a avaliação e a reabilitação integral e intensiva da pessoa com perda transitória ou permanente de autonomia potencialmente recuperável e que não necessite de cuidados hospitalares em estágio agudo. “Este conceito já está implantado em países da América do Norte e Europa, alguns estruturados em grandes redes prestadoras deste modelo de assistência”, declara o diretor-presidente do Placi.

Dr. Carlos Alberto Chiesa, do Placi

Marcelo Coelho

Já não é novidade que o envelhecimento da população impacta e vai impactar ainda mais os serviços de saúde. Em 2016, apenas 11% dos brasileiros estavam acima dos 60 anos, mas em 2030, este número subirá para 34%.

De acordo com o médico Yussif Ali Mere Júnior, presidente da Fehoesp – Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, os hospitais de transição são uma ó�ma alterna�va a pacientes que possuem um quadro estável, necessitando apenas de um cuidado extensivo para sua recuperação ou adaptação a sequelas decorrentes de processos clínico, cirúrgico ou traumatológico. “Es�mase que até 25% dos leitos hospitalares privados no Brasil estejam ocupados por internações de longa permanência, o que onera muito o sistema. Um hospital geral que possui leitos de alta complexidade tem custos al�ssimos, e esses leitos devem ser direcionados aos pacientes que requerem cuidados intensivos. Sem contar que uma unidade geral, via de regra, não se encontra preparada para recuperar os pacientes”, opina. Mere Júnior diz, ainda, que o hospital de transição possui menos recursos tecnológicos que hospitais gerais, porém conta com equipes humanizadas, que tratarão da reabilitação, dos cuidados palia�vos – se for o caso – e de toda a assistência necessária. Para o Dr. Chiesa, apesar da concepção lógica deste modelo, ainda é preciso conscien�zar todos os atores do cenário da saúde sobre esta etapa do cuidado. “São necessárias ar�culações entre hospitais, operadoras de saúde e prestadores de serviços para realizar um trabalho educa�vo

É preciso organizar o fluxo dos pacientes de acordo com suas necessidades, permitindo que cada um seja tratado no local certo, com recursos tecnológicos adequados e com equipe profissional preparada”

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O hospital de transição possui menos recursos tecnológicos que hospitais gerais, porém conta com equipes humanizadas, que tratarão da reabilitação, dos cuidados paliativos (se for o caso) e de toda a assistência necessária”

Yussif Ali Mere Júnior, da Fehoesp

junto às famílias e pacientes, bem como uma compreensão maior do médico – como formador de opinião – da lógica de rede ar�culada, referenciada e integrada na assistência à saúde”, aponta. DIFERENCIAIS O hospital de transição, conforme conta o Dr. Chiesa, reúne profissionais totalmente dedicados ao processo de recuperação e preparação do paciente e da família para retorno à residência em um ambiente diferente de um hospital geral, com menor risco de infecção, com espaços de convivência e ao ar livre, áreas de reabilitação e a um custo consideravelmente menor para o sistema, permi�ndo que os hospitais gerais dediquem seus leitos para pacientes mais graves e que se beneficiarão da estrutura tecnológica existente e da exper�se dos profissionais na abordagem a eventos agudos. “Um hospital de transição oferece assistência interdisciplinar com uma equipe preparada para lidar com a reabilitação e o restabelecimento da saúde dos pacientes, e não somente com as condições agudas, tão �picas dos hospitais e de suas emergências”, expõe o médico. Resumindo, diferentemente de um hospital geral, que tem como obje�vo diagnos�car, tratar e estabilizar o paciente dia a dia, os hospitais de transição atuam com o intuito de formular metas de melhoria do estado clínico, estabelecendo uma ponte entre o hospital e a casa do paciente. CONCEITOS E qual a diferença entre hospitais de retaguarda/longa permanência e hospitais de transição? Dr. Chiesa começa explicando que a atenção domiciliar se instalou no setor de saúde privado brasileiro no final da década de 80. Desde então, essa solução cons�tui-se a principal porta de saída hospitalar para pacientes dependentes de cuidados.

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CUIDADOS Os cuidados de transição envolvem, além dos cuidados paliativos, os cuidados continuados, por exemplo, em casos pós-cirúrgicos ou quando o paciente sofre um AVC. Inclui, também, a reabilitação, indicada a pacientes que passaram por traumas como acidentes e quedas e que precisam de assistência de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. O modelo de hospitais de transição, no Brasil, integra essas três linhas de cuidados: paliativos, continuados e reabilitação.

Um levantamento realizado em 2013 pelo NEAD – Núcleo das Empresas de Atenção Domiciliar mostrou que um milhão de pessoas eram man�das sob atenção domiciliar. “No entanto, o espectro de demandas e cuidados pós-agudos é muito amplo, e diversos pacientes não reúnem condições adequadas para receber cuidados em casa”, conta o médico. Por vezes, dificuldades logísticas relacionadas à estrutura da casa ou à condição de saúde do familiar impedem que, mesmo um paciente estável, seja transferido para sua casa. “Por isso, é preciso oferecer uma alternativa a fim de evitar que este indivíduo se torne residente de um hospital geral, ocupando indevidamente um leito de alta complexidade, sujeitando-se aos riscos de infecções hospitalares e acrescentando um custo elevado e desnecessário ao sistema”, conta o Dr. Chiesa. Nessa linha, surgiram as clínicas de apoio ou hospitais de retaguarda, com o propósito de cuidar de pacientes crônicos, dependentes, sem possibilidade de serem tratados em casa. Em geral, a perspec�va de permanência nestas unidades é de longo prazo e os pacientes requerem cuidados básicos, de baixa complexidade. Mais recentemente, con�nua o diretor-presidente do Placi, um novo modelo neste espectro de cuidado pósagudo vem sendo introduzido em nosso país, apesar de já estar bem difundido em países desenvolvidos, que vem a ser o cuidado intermediário ou de média complexidade. “As unidades de transição oferecem uma intensidade de cuidado maior que a existente na internação domiciliar ou nas unidades de retaguarda, com assistência médica e de enfermagem con�nua, 24 horas por dia, além de uma equipe interdisciplinar. Desta maneira, pacientes que superaram a fase aguda de suas doenças ou acidentes e se encontram estáveis, mesmo que dependentes de cuidados médicos complexos, como ven�lação mecânica, hemodiálise e outros, são transferidos para essas unidades de média permanência, chamadas de hospitais de transição, para um programa intensivo de recuperação, reabilitação e controle de sintomas”, expõe. Os obje�vos são reduzir ao máximo as dependências funcionais, simplificar o cuidado, orientar o paciente e seus familiares a lidar com aquela nova situação e auxiliar na preparação para o retorno para casa, seja com ou sem atenção domiciliar. ENTRAVES Por se tratar de um ambiente ainda novo na linha de cuidados assistenciais no Brasil e desconhecido por muitos profissionais de saúde e da população em geral, os hospitais de transição enfrentam o desafio de sua afirmação em contraponto ao padrão clássico, centrado no hospital geral, conforme conta o Dr. Chiesa. “Por não oferecer centro cirúrgico e unidades no desenho

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habitual dos serviços de terapia intensiva, as unidades de transição despertam alguma insegurança naqueles mais apegados ao modelo tradicional. No entanto, conforme as experiências de serviço vão se acumulando, tanto na vivência de pacientes recuperados quanto na visão de familiares acolhidos e integrados ao cuidado, o reconhecimento do papel desse novo modelo vem gradualmente sendo conquistado entre profissionais de saúde, fontes pagadoras e pela sociedade em geral.”

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Além disso, é fundamental que profissionais de saúde, sociedade e operadoras de saúde compreendam o desafio dos hospitais de transição e os indicadores técnicos que apontam a eficiência dessa proposta de tratamento. No Brasil, assim como já acontece em países como Estados Unidos e Canadá, os cuidados pós-agudos precisam ser integrados à prá�ca assistencial.

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DO CONCEITO À PRÁTICA Localizado no Rio de Janeiro, o Placi é um hospital de transição que atende pacientes adultos, a par�r de 18 anos. Sua equipe interdisciplinar é composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Para Luiz Guilherme Soares, diretor técnico do hospital, o tratamento de qualidade, com excelência técnica resulta numa vida mais digna. “Queremos oferecer isto ao maior número de pessoas e sabemos que é algo possível”, comenta.

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Dr. Chiesa revela que, com o reconhecimento do papel desse novo modelo assistencial, foi inaugurado, em julho do ano passado, a segunda unidade do Placi em Botafogo, no Rio de Janeiro, com o obje�vo de implantar no Brasil a Rede de Hospitais de Transição Placi. “Temos planos de expansão do modelo para São Paulo e Brasília”, acrescenta.

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Opinião

Retrocesso na saúde suplementar Prevê ainda a possibilidade de aumentar os prazos es�pulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para consultas, internações e cirurgias; reajustes anuais não definidos pela ANS, e sim baseados em planilhas de custos das empresas; copar�cipação dos usuários, e introdução de protocolos clínicos de uso obrigatório.

O Brasil ainda é referência internacional em saúde pública e exemplo para países que buscam sistemas com maior equidade e integralidade, conforme afirmou inclusive o Banco Mundial, por ocasião dos 25 anos de SUS. Isso a despeito de todas as nossas dificuldades polí�cas, econômicas e sociais. Esta constatação alvissareira, no entanto, não condiz com a proposta do Ministério da Saúde de criar planos privados teoricamente acessíveis a uma parte da população. O alvo seriam os cidadãos com rendimentos insuficientes para adquirir um plano nos moldes dos comercializados atualmente com cobertura integral. Tal propositura caminha no sen�do oposto ao fortalecimento do SUS, buscando reduzir o con�ngente de pessoas que dependem exclusivamente dele. Trata-se de uma mudança significa�va em nosso modelo de assistência à saúde que, assim, prioriza o sistema suplementar em detrimento do público. É preocupante que nas ideias até o momento apresentadas, a parte mais onerosa do sistema, ou seja, os procedimentos de alta complexidade, de maior impacto nas contas públicas e que são objetos da maioria dos processos judiciais envolvendo o setor, ficará unicamente a cargo do Estado. Essa fórmula se cons�tui em um excelente negócio apenas às empresas privadas, que aumentarão as fontes de lucro e terão os riscos bastante reduzidos. As propostas que vêm se delineando até o momento em grupo de trabalho formado pelo Ministério da Saúde apontam para a formatação de dois modelos de planos: um somente ambulatorial, excluindo os procedimentos de alta complexidade, quimioterapia, urgências e emergências e hospital dia. O outro, ambulatorial e com internação, exclui também procedimentos de alta complexidade, reduzindo a cobertura assistencial por meio da criação de um novo Rol de Procedimentos.

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A proposta do Ministério da Saúde de criar planos privados teoricamente acessíveis a uma parte da população caminha no sentido oposto ao fortalecimento do SUS, buscando reduzir o contingente de pessoas que dependem exclusivamente dele”

Consideramos esse escopo um grave retrocesso, pois segmentará a assistência à saúde, condição rejeitada quando da promulgação da Lei 9656/98. Aliás, isso se deu exatamente por ser inexequível a segmentação do atendimento ao ser humano. Os conflitos do passado foram muito eloquentes neste sen�do e todos acreditávamos que esta lei teria sepultado para sempre o assunto. Com produtos nos moldes dos aventados até agora, o consumidor não saberá o que exatamente está adquirindo, considerando os milhares de procedimentos hoje existentes na prá�ca médica, e principalmente os avanços tecnológicos e cien�ficos que diariamente introduzem inovações na assistência à saúde. Como lidar com pessoas portadoras de uma determinada doença, em tratamento junto ao seu plano de saúde e que, em um dado momento, apresentam complicações, exigindo algum procedimento que foi excluído? Deverão elas se dirigir ao SUS e percorrer um longo caminho até conseguir o acesso a tal procedimento? E quanto ao agravamento da condição de saúde nestas circunstâncias? A rede suplementar está inserida na Cons�tuição Federal como parte integrante de nosso sistema de saúde e, portanto, tem responsabilidade com o atendimento integral aos cidadãos que dela dependem. Para o médico que vier a trabalhar junto a este modelo de atendimento, o exercício da profissão se torna extremamente vulnerável, já que terá um cerceamento da autonomia por imposição de “protocolos”, que devem ser apenas guias de “boas prá�cas” e não um modelo obrigatório a ser seguido, considerando as peculiaridades que cada paciente apresenta. Além disso, o médico se verá na condição de ter limitada suas possibilidades de orientação diagnós�ca e terapêu�ca pela exclusão contratual de inúmeros procedimentos. O cenário que se vislumbra é de enormes dificuldades para profissionais de saúde e consumidores, além de uma afronta aos direitos previstos na Legislação, no Código de Defesa do Consumidor e nas inúmeras resoluções norma�vas da ANS. Certamente haverá aumento no número de processos judiciais, implicando em significa�vo número de pacientes dependentes de decisões judiciais, que nem sempre são imediatas e, portanto, não seguem o mesmo ritmo do agravamento da condição clínica. Florisval Meinão

Médico otorrinolaringologista e presidente da APM – Associação Paulista de Medicina

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Edição 83 - Revista Hospitais Brasil