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AGRONEGÓCIO As particularidades da logística de abastecimento de insumos e das operações integradas no campo

ENTREVISTA Após a compra da Columbia, executivos da TPC traçam plano de crescimento ambicioso baseado em novas aquisições Leonardo Barros, presidente da companhia


SUMÁRIO

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MERCADO Fique por dentro de todas as novidades do mercado brasileiro de logística nesta seção

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CROSS-DOCKING

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ENTREVISTA Leonardo Barros, presidente da TPC, acompanhado pelo diretor de Planejamento Estratégico, Xavier Esteve, pelo vice-presidente de Logística, Luis Chamadoiro, e pelo vice-presidente de Infraestrutura, Sérgio Faria, conta com exclusividade como a companhia pretende saltar dos R$ 575 milhões de faturamento previstos para 2018 para R$ 1 bilhão nos próximos anos

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Divulgação Jungheinrich

Acompanhe o vai e vem dos profissionais no nosso movimentado setor

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Com o objetivo de otimizar o controle e a gestão do abastecimento de suas atividades offshore, a Brasco, empresa do Grupo Wilson Sons, desenvolveu internamente o software Offshore Logistics System, que conferiu mais segurança e um melhor planejamento na entrega de insumos às plataformas de petróleo

MERCADO DE EMPILHADEIRAS Diante de indicadores econômicos que elevam a confiança no cenário nacional, as empresas que atuam no mercado de empilhadeiras mostram otimismo quanto às vendas de equipamentos no acumulado de 2018, depois de um ano de 2017 que já demonstrou recuperação frente às sucessivas quedas registradas no auge da crise Os acessórios para equipamentos de movimentação têm ganhado cada vez mais destaque por proporcionarem ganhos de produtividade e também por aumentarem a segurança das operações. Além disso, ganha espaço a fabricação de acessórios customizados de acordo com as necessidades de cada cliente

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LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO Muitas vezes relegada ao segundo plano em favor da atividade de escoamento da produção, a logística de abastecimento do agronegócio consiste em uma operação de vital importância para o setor, que exige as múltiplas competências e expertises do operador logístico por apresentar particularidades bastante específicas

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ARTIGO Confira a segunda parte do artigo escrito por Rogério Garcia Bañolas, com coautoria de Sérgio Loureiro da Silva e colaboração de Iris Bento Silva, que foca na logística lean como forma de reduzir os tempos de entrega e utilizar menos tempo da equipe de profissionais em uma usina de produção e distribuição de concreto

64 Capa: Michele Bianchi Foto: Dreamstime

LOGÍSTICA OFFSHORE

PRODUTOS Conheça os principais lançamentos de produtos, sistemas e serviços voltados à logística


EDITORIAL Publicare Editora Ltda. www.publicare.com.br

Diretores Shirley Simão shirley@publicare.com.br

Jorge Roberto Simão

A retomada já é realidade

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a edição de março de 2017 da Revista Tecnologística, neste mesmo espaço nos questionávamos quando exatamente o ano começaria, em alusão ao pessimismo que tomava conta do país devido à profunda crise econômica e política que atravessávamos e ao ditado que diz que o ano, no Brasil, só começa depois do Carnaval. Felizmente, passados apenas dois meses de 2018, já podemos declarar com firmeza que é consenso o fato de que, em um mercado em recuperação, não se pode cruzar os braços ou dar ouvidos a máximas tolas como essa. E é com entusiasmo que vemos a logística muito mais aquecida do que há um ano. Os primeiros sinais dessa recuperação já puderam ser observados pelo mercado de empilhadeiras no final do ano passado, com a retomada de negócios até então represados pelo temor que a crise causou no momento de as empresas investirem na aquisição de equipamentos. E se 2017 já registrou crescimento nas vendas na comparação com os anos anteriores, 2018 promete ser ainda melhor de acordo com os players que atuam no segmento, que destacam sua confiança em nossa matéria de capa. Ainda dentro do tema empilhadeiras, conversamos com representantes do setor de acessórios, itens que ganham cada vez mais importância na tomada de decisão de compra dos equipamentos devido ao alto nível de exigência das operações de movimentação, com atividades que demandam customizações e atenção redobrada a tópicos como produtividade e segurança, tanto das cargas e das máquinas quanto das pessoas que trabalham no mesmo ambiente que elas. Outro setor que apresenta grandes expectativas é o agronegócio, mas esse na verdade passou praticamente ileso pela crise. Justamente por isso, ele tem sido objeto de diversas matérias e campanhas na mídia em geral, mas nesta edição o leitor vai encontrar uma reportagem diferente, que aborda um aspecto pouco explorado desse mercado: a logística de abastecimento, tão ou até mais importante que a atividade de escoamento da produção. Para servir como exemplo desse mercado aquecido, nossos entrevistados do mês, os executivos do operador logístico TPC, contam como atravessaram a braçadas a crise – inclusive realizando investimentos em aquisições –, além de detalharem seus planos de crescimento para os próximos anos. E como já é de praxe, o leitor confere também as principais notícias sobre o mundo da logística, além de cases, artigos e novidades em produtos e serviços. Boa leitura, Shirley Simão

jorge@publicare.com.br

Ano XXIII - N.º 259 - Março 2018 www.tecnologistica.com.br Redação, Administração e Publicidade Av. Eng. Luiz Carlos Berrini, 801 - 2º Andar CEP: 04571-010 - São Paulo - SP

Central de atendimento: Tel./Fax: (11) 5504-0999 Assinatura assinatura@publicare.com.br Jornalista responsável Fernando Fischer redacao@publicare.com.br Reportagem Fábio Penteado Colaboração Silvia Giurlani Revisão André Tadashi Odashima Arte Michele Bianchi Publicidade Aline de Almeida Botega Eládia San Juan Argentina V. y V.S.R.L. Nuñes - 2820 1429 - Buenos Aires - Argentina Tel./Fax: (0054 11) 4702-2800 Periodicidade mensal Circulação nacional Conselho editorial Antônio Galvão Novaes; Arthur A. Hill; César Lavalle; Hugo Yoshizaki; Marcos Isaac; Paulo Fleury; Paulo Roberto Leite; Robert Caracik; Rodrigo Vilaça; Walter Zinn. A Revista Tecnologística não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados, bem como pelas opiniões emitidas pelos entrevistados. Reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte. Registrada no 1.º Cartório de Reg. de Tit. e Doc. sob n.º 219.179, nos termos da Lei n.º 5.250/67 (Lei de Imprensa). Marca Registrada INPI n.º 818.454.067.

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4 - Revista Tecnologística - Março 2018

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MERCADO

Codesp conclui projeto Hidrovia da Baixada Santista Modal está apto a operar; primeira fase prevê 17 km de vias navegáveis entre Cubatão e o complexo portuário

6 - Revista Tecnologística - Março 2018

Ele divulga, sem revelar os nomes, que duas companhias já demonstraram interesse em iniciar as operações no terminal de Cubatão. “Essa plataforma está pronta, pois já houve movimentações nesse local. É preciso apenas um investimento baixo para revitalizá-lo”, salienta. De acordo com o presidente, a expectativa é de que em 40 dias seja definida a companhia que irá operar no terminal. A criação do projeto Hidrovia da Baixada é uma das principais ações da atual gestão, deflagrada com a nomeação, em abril do ano passado, de um grupo de trabalho para sua elaboração. A iniciativa surgiu com o objetivo de envolver integrantes de outros órgãos para elaborar os estudos. O grupo de trabalho reuniu representantes da Codesp, da Administração da Hidrovia do Paraná (Ahrana), da Antaq e da Capitania dos Portos do estado de São Paulo. A partir daí, foram realizados o plano do projeto, o levantamento batimétrico ao longo da bacia hidrográfica, o reconhecimento da rota principal, o enquadramento normativo, a regulamentação operacional, o balizamento, a sinalização e a homologação do canal hidroviário. Também foram definidos a estrutura da tarifa e o regramento operacional que prevê normas para cadastro de transportador hidroviário, para Divulgação

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Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) lançou, no dia 2 de fevereiro, o projeto Hidrovia da Baixada Santista, modal logístico que tem como meta criar opções de acesso ao complexo portuário. Segundo o presidente da Codesp, José Alex Oliva, Santos é o primeiro porto da América Latina a aplicar o modal hidroviário em operações portuárias. Com um potencial de cerca de 200 km de vias navegáveis situadas no entorno do porto, num total de oito terminais, a implantação da hidrovia estimulará a criação de terminais multimodais na região, impulsionando o surgimento de uma plataforma logística ao longo da malha hidroviária. A ideia é que o projeto promova o tráfego de cargas com mais eficiência e segurança e com menores impactos ambientais, reduzindo assim os custos logísticos e descongestionando os demais acessos. “Temos limitações físicas, por isso a importância desse projeto”, disse Oliva. Já há planos para iniciar as operações. Ao todo, nessa primeira fase, que o presidente calcula que em dois anos esteja consolidada, serão 17 km de vias navegáveis a partir de um terminal localizado em Cubatão com destino ao porto. As cargas terão como origem

os modais rodoviário e ferroviário. Na plataforma logística, que deverá ser concebida pela iniciativa privada, elas serão transbordadas para que barcaças realizem as movimentações. “Esse trecho está balizado, sinalizado, com planta náutica já homologada pela Marinha e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Essa via já pode começar a operar”, afirma o presidente. O estudo prevê a aplicação de barcaças com capacidades variando entre 300 e 400 contêineres, dispostos em três níveis, e calado de 3,5 metros a 4 m. “Não temos a necessidade de realizar dragagem nessas vias”, garante Oliva. Ainda segundo o presidente da Codesp, na fase inicial a movimentação pelos 17 km da hidrovia irá retirar por dia cerca de 350 caminhões que circulam pelas cidades da região e pelo complexo portuário. A hidrovia fomentará, também, as operações na retroárea do porto.


tráfego e navegação, atracação e utilização de sistemas. O projeto contempla, ainda, a integração com o VTMIS (sigla em inglês para Sistema de Monitoramento e Informação do Tráfego de Navios), com a Supervia Eletrônica de Dados e com o sistema Porto Sem Papel.

Obras A Codesp aproveitou o evento de lançamento do projeto da hidrovia para entregar a recuperação e o reforço estrutural do cais localizado entre

os armazéns 12-A e 23, numa extensão de 1.700 m. A conclusão da obra vai permitir o aprofundamento dos berços de atracação nesse trecho, adequando para a profundidade do canal de navegação, que foi dragado para 15 m. A obra, que fica no bairro Paquetá, foi iniciada em 2014 e demandou R$ 250 milhões em investimentos do governo federal. Os trabalhos realizados foram o reforço nas estruturas, com a injeção de concreto na base do cais e perfis metálicos, além da recuperação de estacas e lajes eventualmente avariadas. Com a conclusão dos ser-

viços, os berços de atracação poderão ser dragados, permitindo a chegada de navios maiores, com ganho de escala e produtividade para os terminais que se situam nesse trecho. Serão beneficiados movimentadores de carga geral, produtos químicos, grãos e também exportadores de açúcar. O projeto executivo foi cedido à Codesp pelos principais terminais instalados no trecho – Terminal 12-A, Rodrimar, Rumo Logística, Cosan, Copersucar e Pérola. Codesp: (13) 3202-6565


MERCADO

BNDES melhora condições para MPMEs adquirirem implementos rodoviários Companhias podem participar do ambiente do Finame; parcela financiável, agora, é de até 100% do valor do ativo

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Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) melhorou as condições para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) comprarem implementos rodoviários no ambiente do Finame. A publicação da circular 43, datada de 29 de dezembro de 2017, aumentou a parcela financiável para até 100% do valor do bem. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Alcides Braga, comemora a medida. “Ela favorece bastante uma parcela do nosso mercado que é cliente dos produtos do segmento leve, de carroceria sobre chassis”, diz. Antes da publicação da circular 43, o

banco limitava o financiamento a 80% do valor do equipamento com juros de 7,5% ao ano. O prazo de pagamento dos novos financiamentos será de até dez anos, com carência de até dois anos. “Está clara a postura do BNDES de exercer seu papel histórico de instituição de fomento da indústria”, afirma Braga. A circular também substitui a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP) como referencial nos financiamentos. Ela vale para os contratos assinados a partir de 1º de janeiro de 2018. A nova taxa seguirá inicialmente os mesmos patamares da TJLP, sendo gradualmente ajustada até se igualar aos juros de mercado em cinco anos.

Outra medida tomada pelo banco em apoio às MPMEs foi a prorrogação do BNDES Giro até 31 de dezembro de 2018. Essa linha de crédito supre a necessidade de capital de giro das empresas, garantindo a continuidade de suas operações. Para o diretor executivo da Anfir, Mario Rinaldi, esse suporte é importante porque deverá auxiliar na sustentação das MPMEs duramente atingidas pela crise geral da economia. O volume de recursos do BNDES Giro é de R$ 32 bilhões, sendo R$ 27 bilhões para operações indiretas e R$ 5 bilhões para operações diretas. Anfir: (11) 2972-5577

Divulgação

Porto do Açu assina contratos para desenvolver estruturas de atendimento

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Porto do Açu assinou um contrato com a Petrobras Distribuidora (BR) para o fornecimento de combustível para veículos e equipamentos por meio da instalação e operação de um ponto de abastecimento no complexo portuário. Também foi firmado entre as empresas um acordo de prestação de serviços para operação de 8 - Revista Tecnologística - Março 2018

um terminal de triagem de caminhões que acessam o empreendimento. Ambos os contratos terão duração de dez anos a partir do início das operações do Truck Center. Vale ressaltar que para o desenvolvimento e a implantação desse ativo o Porto do Açu está negociando com potenciais investidores, que irão construir a infraestrutura e superestrutura necessárias. A área destinada ao ponto de abastecimento, de aproximadamente 5 mil m², contará com estrutura de tanques para fornecimento de combustível, com venda direta para as empresas instaladas no porto. Já o terminal de triagem de caminhões terá área inicial de 15 mil m², com 80 vagas para caminhões, prédio administrativo e área de

conveniência para os caminhoneiros. Para o presidente da Prumo Logística, José Magela, com a parceria com a BR o terminal poderá contar com a experiência de uma das principais empresas do setor de distribuição de combustíveis. Além disso, garante, o desenvolvimento do Truck Center irá gerar mais eficiência operacional e segurança dentro do empreendimento. A estrutura de triagem fará a gestão da fila de caminhões para acesso ao Porto do Açu e aos terminais portuários do empreendimento. O projeto já contempla áreas de expansões, que serão feitas de acordo com o aumento do número de caminhões. Prumo Logística: (22) 2133-1100


Salvador recebe 11º escritório da DC Logistics no Brasil

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DC Logistics Brasil, empresa que atua no setor de agenciamento de carga internacional, inaugurou, em janeiro, sua 11ª unidade no país. Localizado em Salvador, o escritório faz parte do planejamento estratégico da companhia que prevê ampliar sua presença no mercado nacional. Além de prestar suporte às operações de cargas secas, já efetuadas pela empresa, a unidade marca o início das movimentações no segmento de Fresh & Frozen. Segundo o presidente da DC Logistics, Ivo Mafra, a capital da Bahia representa um importante mercado para a empresa e fortalecerá a atuação na Região Nordeste do país. Na nova unidade, cinco colaboradores serão responsáveis por um portfólio composto por 120 clientes. “Nossa expectativa é muito positiva por estarmos assumindo a carteira de negócios da empresa internacional Samskip, mediante contrato não exclusivo de representação para o Brasil”, diz Mafra. O executivo destaca que o escritório soteropolitano oferece ao mercado em-

barques aéreos e marítimos de importação e exportação e serviços adicionais à atividade de movimentação de cargas. Além da nova unidade em Salvador, a DC Logistics possui representações em Itajaí (SC), Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Manaus, Campinas (SP), Vitória, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Certificação A DC Logistics foi certificada pela Receita Federal Brasileira como Operador Econômico Autorizado (OEA) na modalidade Segurança. Com a novidade, ela passa a fazer parte do grupo de empresas que apresentam maior confiabilidade na execução dos processos de exportação e importação. O Programa OEA tem como objetivos proporcionar mais agilidade e previsibilidade no fluxo do comércio internacional, incrementar a gestão do risco das operações aduaneiras, implementar processos de trabalho que visam à modernização da aduana e

intensificar a harmonização dos processos de trabalho com outros órgãos. As empresas certificadas cumprem voluntariamente os critérios aplicados à cadeia logística e as obrigações tributárias e aduaneiras, de acordo com a modalidade da certificação, e estão em conformidade com os níveis de confiabilidade exigidos pelo programa. As organizações com certificação OEA são consideradas de baixo risco, confiáveis e contam com benefícios relacionados a uma maior agilidade e previsibilidade nos fluxos do comércio internacional. “Nosso comprometimento e confiabilidade foram novamente reconhecidos”, comemora Mafra. “No Brasil, são poucos os agentes de carga que possuem essa certificação. Isso confere à nossa empresa o status de organização segura, confiável e eficiente nas operações.” DC Logistics: (11) 2227-2752


MERCADO

Stacco Micrologística lança o 50 Mais Courier Senior de todas as entregas que lhes serão destinadas no próximo dia”, diz. Os veículos empregados nas operações de entrega são próprios dos couriers. Todos os bairros de São Paulo e as cidades que fazem divisa com a capital paulista já são atendidos pelo serviço. Leitão calcula que a capacidade atual do serviço é de 2.400 encomendas por dia. Hoje, são realizadas 800 entregas diariamente. O executivo assegura que todos os couriers são gerenciados. “Sabemos on-line toda a sua movimentação e acompanhamos o seu trabalho. Eles têm disponíveis todos os dados a serem informados no ato da entrega. Quando ela é realizada, eles tiram fotos dos comprovantes e as disponibilizam no sistema central. Se houver ocorrências, eles digitam o número e as descrevem”, explica. Os números e os planos de expansão comprovam a eficácia do serviço. Leitão divulga que a acuracidade dos envios é de 97% e não há índice de avarias. A meta de atuação é ambiciosa. “Até o final deste ano queremos expandir para todas as capitais brasileiras”, planeja. Divulgação

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Stacco Micrologística, companhia que atua na gestão de transportes, desenvolveu um serviço de entrega focado na responsabilidade socioambiental corporativa, na eficiência e na redução de tempo e custo. Trata-se do 50 Mais Courier Senior, com movimentações focadas no e-commerce e na logística reversa realizadas por cidadãos aposentados. O diretor da Stacco, Pedro Wilson Viana Leitão, explica que o viés social é uma das premissas da novidade. Isso porque toda a operação é efetuada por profissionais já aposentados, chamados de Couriers Seniores. O objetivo com a estratégia é reinseri-los no mercado de trabalho. “Queremos tirá-los de casa, ocupar suas cabeças, melhorar sua relação com sua família e sua comunidade”, comenta. Hoje, 48 profissionais contratados como microempreendedores individuais (MEIs) realizam as distribuições. São quatro as modalidades de envio: standard, com prazo de D+2 (D=dia da coleta); entregas aos sábados e domingos, serviço especial solicitado e dedicado aos clientes que precisam receber

pessoalmente suas encomendas; logística reversa, retirada de encomendas em devolução nas residências; e troca casada, entregas com coletas simultâneas. O diretor da Stacco conta que os clientes do serviço são do segmento de vinhos. “Não operamos com eletrônicos, celulares e laptops. O peso real dos volumes não pode ultrapassar 15 kg e o peso cubado pode ser de 25 kg”, explica. A dinâmica é simples. Os entregadores recebem as encomendas, provenientes do estoque da Stacco, em suas residências acondicionadas em mochilas desenvolvidas especialmente para acomodar pequenos pacotes. “Os couriers recebem ao final de cada expediente, via sistema, em seu smartphone fornecido pela empresa, uma relação detalhada

Stacco Micrologística: (11) 2671-7373

Log-In Polaris começa a ser produzido na China Embarcação terá capacidade para transportar 2.700 TEUs

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Log-In Logística Intermodal iniciou a construção de um novo navio porta-contêiner, o Log-In Polaris. A embarcação, com 210 metros de comprimento total, 32 m de largura e capacidade para 2.700 TEUs, está sendo montada pelo estaleiro Guangzhou Wenchong Shipyard, localizado na província de Wenchong, na China. 10 - Revista Tecnologística - Março 2018

O investimento total na construção do navio, previsto para ser entregue em abril de 2019, é de cerca de US$ 28,5 milhões. Atualmente, a Log-In utiliza seis porta-contêineres em sua frota. Vale lembrar que os navios já em operação são similares ao novo ativo da companhia, o Log-In Polaris.

Do total de navios empregados nas movimentações hoje, quatro embarcações pertencem à empresa – Log-In Jacarandá, Log-In Jatobá, Log-In Pantanal e Log-In Resiliente – e os outros dois navios são afretados.

Log-In: (21) 2111-6500


MERCADO

Aliança agrega mais um rebocador portuário à frota

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Aliança Navegação e Logística batizou, no dia 16 de janeiro, no Estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí (SC), seu terceiro rebocador portuário, que encerra a entrega de três embarcações da mesma série previstas pela companhia. Vale lembrar que até 2019 a expectativa é de que a armadora receba quatro novos rebocadores de uma outra linha. O Aliança Pampeiro, mais recentemente agregado à frota, juntamente com o Aliança Minuano e o Aliança Aracati são considerados embarcações de última geração e adequadas para navios de grande porte. Cada uma tem 32 metros de comprimento e capacida-

Divulgação

Pampeiro, terceiro da série, tem 32 metros de comprimento e capacidade de tração estática de 70 toneladas

de de tração estática de 70 toneladas. Segundo o diretor de Relações Institucionais da Aliança, Mark Juzwiak, os rebocadores agregam valor aos serviços oferecidos pela companhia. Isso porque, ele explica, os navios que escalam os portos brasileiros são cada

vez maiores para atender o mercado crescente e oferecer aos clientes transporte com preços competitivos. Juzwiak reforça a importância da estratégia e o porquê das aquisições. “Para assistir esses navios nas manobras de atracações e desatracações são necessários equipamentos de apoio de última geração, tanto em eficiência como em potência”, diz. Ainda de acordo com o executivo, o mercado precisa de rebocadores de grande porte e, por isso, a Aliança investiu na construção de sete unidades no Brasil. Aliança Navegação e Logística: (11) 5185-3100

Fibria assina contrato de logística portuária com a DP World

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Fibria, empresa brasileira que atua na produção de celulose de eucalipto a partir de florestas plantadas, assinou um contrato com a DP World Santos, pertencente ao grupo internacional DP World, para a prestação de serviços de armazenagem e operação logística portuária no terminal de uso privado (TUP) do provedor logístico situado na margem esquerda do Porto de Santos (SP). No local será construída uma instalação logística portuária destinada a armazenagem, movimentação e embarque de celulose. O investimento total da Fibria é estimado em R$ 700 milhões, sendo R$ 215 milhões em 2018, R$ 375 milhões em 2019 e os demais R$ 110 milhões a serem efetuados em 2020. A operação portuária terá início com a conclusão das obras do novo armazém 12 - Revista Tecnologística - Março 2018

e demais estruturas logístico-portuárias, prevista para ocorrer até o final de 2020. Pelo contrato, fica garantida à Fibria e suas subsidiárias a prestação dos serviços portuários pela DP World Santos até 2039, sendo possível a prorrogação até 2042, sujeita à obtenção da renovação da autorização portuária pela DP World Santos. “Essa operação é mais um importante avanço da Fibria em nossa estratégia de longo prazo em logística para, em conjunto com a atual estrutura de escoamento de celulose que utilizamos na margem direita, garantir maior eficiência nas nossas exportações via Santos”, analisa o presidente da Fibria, Marcelo Castelli. “Inovamos, mais uma vez, ao sermos a primeira empresa do setor de papel e celulose no Brasil a viabilizar a operação logística em navios do tipo breakbulk na

margem esquerda de Santos.” A celulose produzida pela Fibria é exportada para mais de 35 países e serve como matéria-prima para produtos de educação, saúde, higiene e limpeza. Com capacidade produtiva de 7,25 milhões de toneladas de celulose por ano, a companhia conta com unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS), além de Eunápolis (BA), onde mantém a Veracel, em joint-operation com a Stora Enso. A companhia possui 1,056 milhão de hectares de florestas, sendo 633 mil hectares de florestas plantadas, 364 mil hectares de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos. DP World: 0800 779-1000 Fibria: (11) 2138-4000


MERCADO

Chegada de ativos reforça eficiência e capacidade operacional em Vila do Conde

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Santos Brasil iniciou, em janeiro, as aquisições de novos equipamentos para a modernização de seu terminal de contêineres de Vila do Conde, localizado na cidade de Barcarena (PA). Ao todo, são 14 ativos – um guindaste Mobile Harbour Crane (MHC) com capacidade de 125 toneladas de içamento, um Reach Stacker para contêineres vazios, dois Reach Stackers para contêineres cheios e dez caminhões Ford, modelo 1933, para operações de costado. O investimento foi de R$ 25 milhões e a previsão é de que todos os equipamentos cheguem entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. De acordo com o diretor de Operações da Santos Brasil, Marlos Tavares, recursos desta magnitude jamais foram aplicados na Região Norte do Brasil. Eles fazem parte do projeto de ampliação e modernização do Tecon Vila do Conde,

que prevê investimentos de R$ 37,2 milhões nos próximos dois anos, totalizando R$ 129,04 milhões até 2033. O executivo diz que a chegada dos novos equipamentos já amplia a eficiência operacional do terminal. “Fechamos 2017 com uma média de 23 movimentos por hora (mph). Em uma primeira etapa, iremos estabilizar a produtividade em 25 mph e, a partir do segundo semestre, buscar 30 mph de forma estável”, afirma. Os aumentos do volume e da capacidade também são esperados, graças aos novos ativos e ao aquecimento da economia. Tavares anuncia que para este ano a previsão é movimentar mais de 90 mil contêineres no porto paraense. Já sua capacidade passa para 163 mil TEUs por ano. “Os investimentos são fundamentais para que o terminal possa atender à crescente demanda por movimentação e

armazenagem de cargas conteinerizadas e garantir a continuidade da qualidade na prestação do serviço”, reforça. Desde a aprovação da prorrogação antecipada do prazo do contrato de arrendamento do Tecon Vila do Conde por mais 15 anos, ocorrida em 16 de novembro de 2017, a Santos Brasil focou suas ações a fim de obter as aprovações necessárias junto às autoridades para início imediato dos investimentos, o que ocorreu formalmente no dia 21 de dezembro. Ao todo, a companhia já investiu em Vila do Conde mais de R$ 133,8 milhões na ampliação e melhoria das instalações, otimizações operacionais, tecnologia, capacitação de mão de obra e equipamentos desde 2008, quando comprou a empresa arrendatária do terminal. Santos Brasil: (91) 3322-7551

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L. Amorim Locação de Equipamentos, companhia que neste ano de 2018 completa 30 anos de atuação, inaugurou sua nova sede. Localizado no município de Simões Filho (BA), o empreendimento ocupa uma área total de 25 mil m², sendo 8 mil m² de área construída, e demandou R$ 15 milhões em investimentos. Segundo o diretor da companhia, Luiz Amorim, o espaço, mais amplo do que a antiga sede, que contava com 3.600 m² de área construída, gera mais visibilidade à empresa uma vez que está localizado na principal via de acesso e saída da capital soteropolitana, Salvador, no km 612 da rodovia BR-324. “Graças a essa iniciativa, nossa meta é crescer este ano entre 7% e 10%”, calcula. A área de atuação da nova sede está definida. Amorim conta que além de atender a clientes localizados em toda a Região Me-

14 - Revista Tecnologística - Março 2018

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L. Amorim tem nova sede em Simões Filho

tropolitana de Salvador, a estrutura presta serviços e firma contratos com empresas instaladas no interior baiano e demais estados das regiões Nordeste e Norte. O executivo diz que no local estão dispostos diversos tipos de empilhadeiras, plataformas aéreas, telemanipuladores, teletrucks, rebocadores e minicarregadeiras. “Nosso objetivo com a inauguração é ampliar a frota hoje existente”, diz. Segundo o diretor, atualmente a empresa conta no portfólio com 1.800 equipa-

mentos para locação e a meta é chegar ao final de 2018 com 2 mil ativos. Quanto aos serviços, Amorim ressalta que o local proporciona toda organização no que se refere às oficinas, com boxes personalizados e pisos em epóxi de alto padrão, além de almoxarifado amplo. Ele ressalta, ainda, que a inauguração possibilitou a expansão do departamento de Manutenção, que passou de 60 colaboradores para 75. Presente em todo o território nacional, a L. Amorim presta serviços de locação e dispõe de empilhadeiras a combustão e elétricas com capacidade de carga de 1,5 a 18 toneladas, reach stackers para movimentação de contêineres, plataformas aéreas tipo tesoura e articulada, manipuladores telescópicos e paleteiras elétricas. L. Amorim: (71) 3394-1477


MERCADO

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Ynova inaugura seu segundo armazém em Taubaté

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Ynova inaugurou um novo armazém localizado em Taubaté (SP). Situado no Distrito Industrial Una II, o espaço de 4 mil m² é o segundo da companhia na cidade do interior paulista, que já contava com um armazém de 2 mil m² focado em operações de cross-docking e distribuição para todo o Vale do Paraíba. De acordo com Temer Saad, sócio-diretor da Ynova, a estrutura faz parte da criação da divisão de negócios de Armazenagem e Distribuição da companhia e será utilizada para atender o eixo Rio de

Janeiro-São Paulo. No local serão armazenados insumos diversos para o abastecimento de plantas de produção e também produtos acabados para distribuição. “O espaço é dotado de toda a infraestrutura para recebimento e expedição de materiais, conta com WMS e funciona no regime de armazém geral, possui portaria blindada nível 3, que funciona 24 horas, e tem todo o perímetro murado e com cerca eletrônica”, destaca Saad. Além das estruturas de Taubaté, a Ynova, que está sediada em Pindamonhangaba (SP), conta com um armazém de 1.500 m² em Guarulhos (SP), para a consolidação de cargas destinadas à capital paulista. “Com o novo negócio de Armazenagem e Distribuição somando-se à unidade Ynova Transportes, a companhia se configura como um prestador de serviços logísticos completos”, diz o também sócio-diretor Lauro Martins. A

Ynova possui uma frota de transporte composta por 28 veículos próprios, 50 agregados e outros 320 terceirizados. Dentre os serviços oferecidos estão assessoria em logística, armazenagem e controle de estoque, armazenagem e movimentação industrial, montagem de kits, gestão de almoxarifado, operações in house, atividades de carga, descarga e içamento, logística reversa, transportes especiais e emergenciais, milk run e just in time. A Ynova possui também uma unidade de Facilities, com a prestação de serviços como limpeza, coleta e reciclagem de resíduos, manutenção, mecânica, hidráulica, elétrica, pintura industrial, controle de acesso e portaria, zeladoria, telefonia, recepção e até mesmo jardinagem, com limpeza, aparo, poda e aplicação de defensivos e adubos. Ynova: (12) 3649-1378

Madeiranit amplia sua frota de empilhadeiras multidirecionais da Combilift

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Madeiranit, empresa que atua nos mercados moveleiro e de construção civil, adquiriu três novas empilhadeiras multidirecionais C5000 da Combilift para operar em seu novo centro de distribuição de 20 mil m2 localizado na cidade de Agudos (SP). Os equipamentos apresentam fácil manobrabilidade em qualquer condição de piso. Na Madeiranit, eles elevam cargas de 5 toneladas a 3,3 metros e de 2,5 t a 6 m de altura. Com a novidade, a empresa, que já é cliente da Combilift desde 2010, passou a contar com um total de 15 equipamentos do mesmo tipo. Dentre os materiais armazenados e movimentados nas instalações da Madeiranit – 14 lojas em cinco estados,

16 - Revista Tecnologística - Março 2018

além do novo CD – estão placas de MDF (fibra de média densidade) com 1,84 m de largura por 2,75 m de comprimento. Por esse motivo, a movimentação nos pontos de venda mereceu atenção. Essas dimensões levaram o sócio e diretor da empresa, Moacir Tadeu Pinto, a uma busca pelo equipamento que melhor atendesse às suas necessidades. Cada ponto de venda tem, em média, 6 mil m2 de área e corredores entre 4 e 4,5 metros de largura. “Além da carga longa a ser movimentada e elevada para ser estocada em estruturas porta-paletes, outro ponto importante era a manutenção da área de armazenagem, que não seria alterada. Acabamos obtendo um ganho extra: aumentamos em 40% a

capacidade de armazenagem nas lojas, graças à operação da multidirecional”, destaca o executivo, explicando que antes a empresa fazia uso de empilhadeiras convencionais, que agora são utilizadas apenas em alguns casos. O executivo faz outro destaque. “As multidirecionais são empilhadeiras econômicas no consumo e, mesmo sendo mais caras no ato da aquisição em comparação às máquinas convencionais, o valor não é tão distante: uma média de 30% de diferença. É um equipamento viável e que faz a diferença em nosso processo de movimentação e armazenagem.” Combilift: (51) 3077-7444 Madeiranit: (11) 3379-6000


Sandvik transfere operações logísticas de São Paulo para Jundiaí Companhia vai operar com cargas de suas três divisões em condomínio logístico situado na cidade do interior paulista

Divulgação

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Sandvik, companhia de origem sueca e presença global que atua nos mercados de engenharia e alta tecnologia, vai transferir suas operações logísticas das áreas de ferramentas para usinagem, tubos de aços especiais, mineração e construção da capital de São Paulo para o interior do estado, na cidade de Jundiaí. De acordo com a própria Sandvik, a mudança tem como objetivo preparar a companhia para a retomada da indústria e ampliar a excelência dos serviços logísticos ofertados a seus clientes, usufruindo de uma localização mais estratégica, que apresenta acesso facilitado aos principais aeroportos do estado, ao Porto de Santos e a importantes polos industriais, como as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Sorocaba. A Sandvik utilizará uma área de aproximadamente 4 mil m² no condomínio logístico Joate Park, em construção, próximo às Rodovias Bandeirantes e Anhanguera, que deve ser inaugurado ainda no primeiro semestre deste ano. “A excelente localização, infraestrutura e padrão construtivo, somados a um foco na disponibilidade de área operacional, nos levaram a escolher o Joate Park”, explica Diogo Azevedo, responsável pelas operações logísticas da Sandvik Machining Solutions no Brasil. O condomínio oferece aos seus clientes um conceito diferente para empreendimentos de médio porte, com a otimização da área líquida de armazenagem. Instalado em um terreno de 44.503 m² e com 17.514 m² de

área total construída, o projeto oferece 91% de área líquida de armazenagem para seus inquilinos. “A margem líquida das operações logísticas está cada vez mais desafiadora. Por esta razão, entendemos que é fundamental desenvolver produtos cada vez mais eficientes para o setor, flexibilizando layouts de operações e diminuindo possíveis ociosidades operacionais”, analisa Maurício Ubiratã Pantaleão, cofundador da MMJ Consulting, empresa especializada no setor imobiliário logístico e responsável exclusiva pela comercialização do Joate Park. Dentre as demais características do empreendimento estão pé-direito livre de 12 metros, piso nivelado a laser com capacidade para 6 toneladas por m², 20 m livres entre pilares e quatro docas para módulo. Além disso, ele possui iluminação zenital, cobertura com isolamento térmico e acústico, sprinklers, área de apoio para motoristas, refeitório, estacionamento interno e externo para automóveis e caminhões e segurança 24 horas. MMJ Consulting: (11) 4805-2975 Sandvik: (11) 5666-6287


MERCADO

SuperFrio adquire a totalidade das ações da Cefri Divulgação

Concluída no mês de janeiro, negociação é mais uma etapa do plano de crescimento da companhia; meta para este ano é incrementar o faturamento em 100%

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SuperFrio, operador logístico frigorificado 100% pertencente ao Pátria Investimentos, adquiriu, no último mês de janeiro, a totalidade das ações da Cefri, empresa do mesmo segmento localizada em Mairinque (SP). Segundo o diretor executivo da SuperFrio, Francisco Moura, o negócio é mais uma etapa do plano de crescimento traçado pela companhia. O executivo calcula que a aquisição irá gerar um incremento de 25% no faturamento da SuperFrio já neste ano. A meta para o acumulado de 2018, revela, é chegar a R$ 200 milhões de faturamento, o que significaria um crescimento de 100% ante 2017. Segundo Moura, a marca Cefri será mantida. “Trata-se de uma empresa com mais de 40 anos e muito forte no mercado. A Cefri é uma referência de qualidade para os clientes, então não faz sentido alterarmos”, diz. Quanto às atividades da empresa, o executivo anuncia que a meta é manter o nível operacional e buscar ainda mais eficiência. “Já temos um plano de investimento traçado. Ao longo de 2018 vamos aplicar R$ 8 milhões na planta da Cefri. Vamos investir em equipamentos

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de movimentação e armazenagem, iluminação LED, equipamentos com mais eficiência na sala de máquinas e na aplicação de um WMS”, revela. A planta da Cefri, que ocupa uma área total de 200 mil m², conta com 170 colaboradores, disponibiliza 20 mil posições-palete e tem capacidade para 100 mil m³ de armazenagem de carnes bovina, de aves e peixes, vegetais congelados e chocolates. “Também armazenamos produtos para uma cadeia de restaurantes para a coletividade, anteriormente chamada de cozinhas industriais”, conta. A unidade localizada em Mairinque movimenta 50 mil toneladas por mês e atua para clientes dos mercados de armazenagem geral, exportação e importação. Atualmente, 30 empresas utilizam a estrutura. Destas, 20% são clientes que realizam os fluxos de importação e exportação e as demais ocupam a área com produtos que serão destinados ao mercado interno. Na opinião de Moura, o grande diferencial da unidade é a operação integrada do armazém com o serviço de distribuição. Ao todo, seis clientes utilizam esse modelo de negócio. A distribuição, realizada com veículos pequenos, tem como destino cidades do interior do estado e da Grande São Paulo. “Temos uma equipe de inteligência de roteirização e entrega, além de aplicarmos equipamentos mobile para as entregas. Por mês, para as operações de distribuição, são 20 mil t movimentadas”, afirma. O diretor executivo revela que essa expertise foi um dos pontos que chamaram a atenção da SuperFrio no

momento da aquisição. Por isso, anuncia, o objetivo é replicar o serviço de distribuição para as outras unidades da companhia. Vale lembrar que a empresa conta com unidades em Jacareí, Mogi Guaçu, Vargem Grande do Sul, três em Ribeirão Preto e uma em Arapongas (PR). De acordo com Moura, a meta para o final do ano é de que dez clientes que atuam em Mairinque apliquem o serviço agregado de armazenagem e distribuição. Há outro ponto com oportunidade de expansão. “A Cefri tem uma grande qualidade em gestão de refrigeração. Em Mairinque são adotadas as melhores práticas, com os melhores e mais eficientes evaporadores, um ótimo sistema de degelo e sistemas de controle eficazes na sala de máquinas”, descreve. Segundo Moura, a equipe que atua na planta de Mairinque irá trabalhar para replicar o modelo e a inteligência em refrigeração para as outras unidades. A aquisição da Cefri também reforça a atuação da SuperFrio em operações mais amplas e complexas, realizando picking, fracionamento, montagem de kits e etiquetagem de nacionalização de produtos importados. “Vamos agregar esses serviços à armazenagem tradicional, oferecer elevado padrão de qualidade para que tenhamos um crescimento sustentável.” Segundo o executivo, com essas ações a ideia é consolidar o negócio com operações que possuam contratos de médio e longo prazos. “Queremos operações estáveis, com contratos acima de dois anos”, salienta. SuperFrio: (19) 3641-9240


MERCADO

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companhia alemã Rhenus Logistics ampliou sua presença no Brasil com a aquisição da comissária de despachos aduaneiros Pirâmide SeaAir. Com a novidade, a Rhenus passa a oferecer, além das operações clássicas de agenciamento de carga, trabalhos mais eficientes de consultoria nas atividades de desembaraço aduaneiro em operações de importação e exportação. A Pirâmide SeaAir possui mais de 20 anos de história e conta com um escritório central localizado em São Paulo, além de filiais nos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), e Guarulhos (SP), e também no Porto de Santos (SP). As atividades da empresa no Brasil utilizarão a marca Rhenus-Pirâmide e os primeiros embarques já ocorreram no mês de janeiro, na cida-

de de Hilden, na Alemanha, na modalidade LCL (less than container load). “A nova aquisição é vantajosa, já que desembaraços de importação são um ponto nevrálgico no Brasil”, analisa Jörn Schmersahl, CEO da Rhenus Air & Ocean para a Europa e as Américas. “A qualidade desse serviço é o diferencial que garante uma liberação rápida junto às autoridades. Através da competência de desembaraço da Pirâmide SeaAir, poderemos oferecer aos nossos clientes vantagens de tempo e valor em seus embarques.” A Rhenus concretizou o negócio visando desenvolver cada vez mais suas operações nos mercados das Américas do Sul e Central depois de conquistar crescimento significativo na Ásia. “O Brasil é um motor de cres-

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Rhenus compra a empresa brasileira Pirâmide SeaAir

cimento, gerando aproximadamente metade do PIB da América do Sul. Estamos seguros de que o país no futuro não será apenas importante pela exportação de bens de capital e consumo, mas também ganhará relevância como local de produção e centro regional”, finaliza Schmersahl. Atuando com armazenagem, distribuição, transporte internacional, logística portuária e também com transporte público, a Rhenus está sediada em Berlim, na Alemanha. A companhia possui presença em mais de 580 cidades ao redor do mundo, conta com mais de 28 mil colaboradores e apresenta um faturamento anual de 4,8 bilhões de euros. Rhenus: (11) 2495-4110

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Two Flex adota simulador de voo para treinamento de seus pilotos

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Two Flex, empresa de táxi aéreo que transporta tanto passageiros quanto cargas, instalou em sua base, localizada no Aeroporto de Jundiaí (SP), um simulador de voo da aeronave turboélice Cessna Grand Caravan, modelo do qual a empresa possui 18 unidades.

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O equipamento, que será utilizado no treinamento dos mais de 60 pilotos da Two Flex, é o único do Brasil e apenas nove iguais a ele estão em operação em todo o mundo. De acordo com a própria empresa, ele representará um diferencial significativo para o alto padrão de segurança de seus voos. O simulador possui certificação concedida pela Federal Aviation Administration (FAA) e demandou investimentos de cerca de R$ 1 milhão. Com ele, a Two Flex pode replicar a operação de voo em sua totalidade, simulando os mais diversos imprevistos, condições e ocorrências que podem ser registrados. “Com a utilização desse novo equipamento, teremos a certeza de que a nossa tripulação estará ainda

mais qualificada para realizar os voos de forma segura”, afirma o presidente da Two Flex, Rui Aquino. A empresa tem planos de adquirir cinco novas aeronaves Grand Caravan ainda no primeiro semestre deste ano, em um investimento total de R$ 20 milhões. No acumulado de 2017, a Two Flex faturou R$ 65 milhões, crescimento de 24% na comparação com o ano anterior. Para 2018, a expectativa é atingir R$ 80 milhões de faturamento. A Two Flex possui bases nas cidades de São Paulo, Belém, Manaus, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador e conta com um total de 140 funcionários. Two Flex: (11) 4582-2355


MERCADO

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Grupo Kion adquire participação na chinesa EP Equipment

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Grupo Kion adquiriu participação minoritária na empresa chinesa EP Equipment. Com a novidade, a companhia expande seu portfólio de equipamentos para armazenagem no crescente mercado de produtos de entrada, com soluções para aplicações básicas e leves não só na China, mas em todo o mundo. O acordo firmado entre as empresas prevê o desenvolvimento conjunto de produtos e também se concentrará na sinergia da cadeia de suprimentos, buscando tornar ambas as empresas ainda mais competitivas no mercado. O negócio ainda está sujeito a aprovações regulatórias e deve ser concluído ao longo de 2018.

“Estamos muito satisfeitos em entrar nessa parceria estratégica com a EP Equipment. Isso nos permitirá ampliar nossa oferta de produtos para uma gama muito maior de clientes”, analisa o CEO do Grupo Kion, Gordon Riske. “A cooperação fortalecerá ainda mais a nossa posição no mercado de armazenagem em plena expansão.” “A EP Equipment vem crescendo de forma constante na China e em todo o mundo, especialmente no segmento de equipamentos de armazenagem de entrada, impulsionada pelo seu forte foco no cliente e pela sua gama de produtos inovadores e competitivos”, explica Quek Ching Pong, membro da diretoria executiva do Grupo Kion e chief Asia Pacific Officer. “Ao entrar nessa parceria com a EP Equipment, a Kion reforçará ainda mais a sua posição como provedor-líder de equipamentos para movimentação e armazenagem de materiais de alimentação elétrica.” “Esse é um momento histórico

para a EP Equipment. Estou ansioso com a nossa nova parceria com o Grupo Kion, que nos permitirá aproveitar os pontos fortes e capitalizar oportunidades de mercado na China e em todo o mundo”, disse He Jinhui, fundador e presidente da empresa. Com uma forte tendência de mecanização e atualização de maquinário, a China é hoje o maior mercado de empilhadeiras e equipamentos de armazenagem e apresentou uma expansão de 40% somente nos primeiros nove meses de 2017. A EP Equipment foi criada em 1999, emprega mais de mil pessoas em todo o mundo e apresenta forte presença nos mercados chinês e norte-americano. Em 2017 atingiu seu recorde de equipamentos vendidos, chegando a 50 mil unidades. A sede está localizada em Anji, na província de Zhejiang, e a empresa possui subsidiárias nos Estados Unidos, na Europa e na Tailândia. Grupo Kion: (19) 3115-0600

Enseada obtém licença para implantar terminal de líquidos e granéis

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Enseada Indústria Naval obteve a licença do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) do estado da Bahia para a implantação de um terminal de líquidos e granéis no Estaleiro Paraguaçu, localizado no município de Maragojipe. O terminal será destinado à recepção, armazenagem temporária e distribuição de combustíveis e terá capacidade de estocagem superior a 39 mil toneladas. De acordo com a própria companhia, a decisão pode potencializar a atração de investidores e clientes. “Nos 22 - Revista Tecnologística - Março 2018

últimos 18 meses, a Enseada vem trabalhando intensamente para dinamizar seu moderno parque industrial e a licença obtida pode acelerar a retomada das operações”, analisa o diretor de Novos Negócios, Rodrigo Carnaúba. A novidade faz parte do reposicionamento estratégico da companhia, que visa diversificar suas áreas de atuação. O estaleiro entrou em operação em 2014 com o objetivo inicial de atender à demanda de construção de seis navios-sonda para a empresa Sete Brasil para operar no pré-sal, em um contrato com valor global da

ordem de US$ 4,8 bilhões. A inadimplência do cliente, porém, teve impacto substancial no empreendimento. Assim, o estaleiro está hoje preparado para atuar na construção de navios para apoio e sondas de perfuração offshore, principalmente para exploração em águas profundas, além da construção e conversão de plataformas fixas e flutuantes, na integração de seus módulos e em serviços de reparo naval para esses tipos de embarcações. Enseada: (71) 3417-8150


TCP terá nova rota expressa para a Ásia Serviço Sino South América começa a operar neste mês de março

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TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no estado do Paraná, está inaugurando um novo serviço para a Ásia. Trata-se do Sino South América (SSA), operado quinzenalmente e com exclusividade pelo armador Pacific International Lines (PIL). O serviço, caracterizado como Expresso Brasil, chega para atender aos importadores e exportadores dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O diretor-superintendente Comercial da TCP, Juarez Moraes e Silva, garante que o terminal é o único

no Brasil a oferecer os quatros serviços disponíveis para o continente asiático. “Com a linha marítima completa para a Ásia, oferecemos aos clientes mais flexibilidade nas suas operações comerciais, o que torna o terminal ainda mais competitivo”, acredita. De acordo com Moraes e Silva, a novidade amplia o número de serviços oferecidos e dá aos clientes mais segurança nas operações. “A TCP é o terminal com maior número de escalas semanais para a Ásia na sua área de influência. Além disso, conta com a capacidade operacional necessária

para receber os maiores navios de contêineres que fazem comércio internacional na América Latina”, diz. O executivo destaca que isso é possível graças aos investimentos realizados nos últimos anos. “Aumentamos também a produtividade, tornando Paranaguá um destino seguro para que os armadores possam operar os seus serviços. Isso porque, independente das condições climáticas, os navios conseguirão atracar de imediato e serão operados no menor espaço de tempo possível”, afirma. TCP: (41) 2152-5800


MERCADO

CROSS-DOCKING • Jochen Müller assumiu o cargo de Chief Operations Officer (COO) para a divisão Air & Sea Logistics da Dachser. O executivo substitui Thomas Reuter, que se aposentou no final do ano passado depois de atuar por 39 anos na companhia. Müller juntou-se à Dachser em outubro de 2016 a fim de se preparar para suas funções como COO. No cargo, acumulado com a função de membro do Conselho Executivo, ele terá como principais atribuições expandir a rede intercontinental de transporte aéreo e marítimo e sua conexão com a rede rodoviária europeia, com o objetivo de promover a logística intermodal. Nascido na Alemanha, Müller atuou anteriormente na Schenker Deutschland, como responsável pelo frete aéreo da Europa Central, pelas vendas nos setores Aéreo e Marítimo e por movimentações globais, exposições e eventos esportivos, além de uma passagem pela subsidiária britânica da mesma empresa, como responsável pela movimentação de cargas terrestres, marítimas e aéreas, bem como por transações comerciais. Com sua aposentadoria, Reuter tem planos de continuar na Dachser como consultor, mas também se voltará para assuntos fora das operações regulares da companhia. Ele manterá suas funções no conselho do The Waco System (World Air Cargo Association) e representará os interesses da Dachser nas joint ventures Jet-Speed e NNR + Dachser. (11) 2403-2124 • A Jadlog anunciou a chegada de Bruno Tortorello para ocupar a posição de CEO em sucessão a José Afonso Davo, um dos fundadores da companhia, que deixa suas funções executivas e passa a atuar 24 - Revista Tecnologística - Março 2018

como conselheiro. Com mais de 18 anos de experiência em logística e distribuição, Tortorello é graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e possui especialização em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e MBA em Gestão Internacional pela Fundação Instituto de Administração (FIA). O executivo foi presidente da Total Express e anteriormente liderou áreas comerciais e operacionais do braço logístico do Grupo Abril. Ele chega à Jadlog com a missão de alavancar ainda mais o crescimento da companhia por meio das operações de e-commerce e do fortalecimento do negócio B2B de pequenas encomendas. (11) 3563-2000 • O presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Alex Oliva, assumiu a presidência da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), formada por autoridades portuárias federais e estaduais. Ele substitui Casemiro Tércio Carvalho, ex-presidente da Companhia Docas de São Sebastião, que permanece na associação como colaborador voluntário. Além de Oliva, foram também eleitos como vice-presidente Ted Lago, que é presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pelo Porto do Itaqui, e como diretora Administrativo-Financeira a diretora de Planejamento e Desenvolvimento da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Mayara Monteiro Pereira Chaves. Um dos primeiros atos da nova diretoria é a mudança da sede da Abeph do Rio de Janeiro para Brasília, onde as Companhias Docas estarão mais próximas do governo federal. (61) 3533-7277

• Patrice Lucas foi nomeado presidente para a América Latina do Grupo PSA. O executivo sucede a Carlos Gomes, que assumirá funções como responsável pela China e sudeste da Ásia. Ambos continuam como membros do Comitê Executivo do Grupo PSA, reportando-se diretamente ao presidente mundial, Carlos Tavares. Nascido na França, Lucas é formado em Engenharia pela Université de Technologie de Compiègne (UTC) e possui mestrado em Gestão de Qualidade pela École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers (Ensam). O novo presidente para a América Latina se juntou ao Grupo PSA em 2006, como diretor de Equipamento Interior, e tornou-se diretor de Programas de Veículos Utilitários Leves em 2010. Desde junho de 2014, atuava como vice-presidente executivo de Programas e Estratégia do grupo em sua matriz, em Paris. (11) 2436-3000 • Mauro da Silva Arrais Jr. assumiu o cargo de gerente nacional de Vendas da Clark Material Handling no Brasil. Formado em Administração de Empresas pelo Instituto de Educação Costa Braga, o executivo possui pós-graduação em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini e também mestrado em Administração de Empresas pela Business School São Paulo (BSP). Com vasta experiência profissional no setor de equipamentos de movimentação, Arrais atuou anteriormente nas empresas Hyster-Yale e Toyota, em posições de supervisão, consultoria e gerência na área de Vendas. (19) 3856-9090 • A JCB do Brasil anunciou a contratação de Ricardo Bittencourt para atuar como gerente de Logística e Supply Chain. Formado em Engenharia de Produção Mecânica pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e


mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), mantida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o executivo possui ampla experiência em supply chain. Já participou de projetos para as áreas de logística, importação, exportação, administração de materiais e inventários, planejamento de suprimentos e demanda, entre outros. Além disso, possui vivência em países como Argentina, Chile e México, atuando em projetos de reestruturação industrial de operações locais, identificação de fornecedores, start-up de plantas de manufatura, implementação de sistemas de planejamento e liderança na transição de matriz logística de fornecimento regional. Dentre os seus desafios na nova posição está o gerenciamento de todo o sistema de abastecimento da unidade brasileira da JCB, que hoje, além do território nacional, é responsável pelo atendimento do mercado latino-americano, exceto o México. 0800 777-0400 • A Total Express anunciou a nomeação de Ariel Herszenhorn para o cargo de diretor da companhia. O executivo se reportará a Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, presidente do Grupo Abril, do qual a Total faz parte. Graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pós-graduado pela Fundação Instituto de Administração (FIA), Herszenhorn cursa MBA em Business Innovation na Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) e é certificado pelo Programa de Desenvolvimento para Gestores Abril (PDGA). Ele chegou ao grupo em 2009 como trainee e atuou na construção de estratégias e análise financeira. Na área de Novos Negócios participou de grandes projetos, como de aquisições de empre-

sas e da abertura de capital da Abril Educação. Desde 2015, atuava no planejamento financeiro da Total Express. (11) 3627-5900 • Leandro Radomile assumiu a posição de diretor-geral da operação mexicana da Man Latin America. O executivo brasileiro irá liderar as atividades no país, reportando-se ao presidente e CEO da Man Latin America, Roberto Cortes. Radomile sucederá Leonardo Soloaga, que retorna ao Brasil para assumir novas responsabilidades após três anos à frente dos negócios no México. Radomile integra a equipe da Man Latin America desde maio de 2017 como diretor de Pós-Vendas e Desenvolvimento da Rede na unidade mexicana da montadora. O executivo iniciou sua carreira no Grupo Volkswagen em 2005, na Audi, como diretor de Pós-Vendas no Brasil, tendo passado também por Vendas e Marketing, até chegar ao cargo de presidente da marca no Brasil. Atuou, ainda, na Alemanha e na China pela Audi. À frente do pós-vendas da Man Latin America no México, Radomile auxiliou na melhoria operacional do negócio, ocupando-se também em manter a satisfação e a confiança dos clientes nas marcas Volkswagen Caminhões e Ônibus e Man. O México é o segundo maior mercado internacional da Man, no qual a companhia conta inclusive com fábrica local. (24) 3381-1063

Diferentemente do que foi publicado na reportagem “Inovação como suporte ao crescimento”, na página 41 da edição 258, a Tambasa possui 69 anos de existência e 70% do faturamento da atacadista vem da venda realizada para médios varejos, que por sua vez vendem para clientes que constroem ou reformam suas próprias casas.


Fotos: Radamés Jr.

ENTREVISTA

Reforçada e renovada Depois de promover um grande processo de integração, com a aquisição de 100% da Columbia, o Grupo TPC está ainda mais forte, estruturado para oferecer serviços mais completos, que abrangem todo o supply chain de seus clientes, e passou inclusive por uma reestilização da marca, atendendo agora somente por TPC. Em entrevista exclusiva à Revista Tecnologística, o presidente da companhia, Leonardo Barros, acompanhado pelo diretor de Planejamento Estratégico, Xavier Esteve, pelo vicepresidente de Logística, Luis Chamadoiro, e pelo vice-presidente de Infraestrutura, Sérgio Faria, detalha o plano ambicioso de crescimento, que inclui novas aquisições e tem como meta chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos O Grupo TPC surgiu tendo como base as operações portuárias, correto? Conte-nos um pouco mais sobre a história da companhia. Leonardo Barros – O Grupo TPC foi fundado em 2001, no estado da Bahia, inicialmente realizando operações portuárias, mas já com a ideia de ser uma empresa de logística. Coincidentemente, nessa mesma época a Ford instalou suas operações na Bahia e, para contar com 26 - Revista Tecnologística - Março 2018

os benefícios fiscais oferecidos pelo estado, a montadora precisava importar seus veículos por lá. Foi feito então um BID para essas operações portuárias e o Grupo TPC foi o vencedor. Assim, a Ford foi nosso primeiro grande cliente, e temos muito orgulho de contar com a empresa na nossa carteira até hoje. Atualmente as operações que prestamos para a Ford não envolvem mais somente o Terminal Portuário Miguel de Oli-

veira, localizado no canal de Cotegipe (BA), mas também a logística na fábrica de veículos de Camaçari (BA) e na de motores de Taubaté (SP). Naquela época nós convidamos o Sérgio Faria, que já tinha muita experiência no setor portuário, tendo atuado inclusive por muitos anos como diretor da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), para fazer parte desse desafio de montar uma empresa de logística com, naquele primeiro momen-


to, essa vocação portuária. Em 2003 nós começamos a sair um pouco desse ambiente, mapeando novas oportunidades com uma logística mais abrangente. Nesse mesmo ano, nós compramos três empresas também da Bahia, a Cosmo Express, a Pronto Express e a Pronto Logística, que pertenciam a um mesmo grupo e tinham o Luis Chamadoiro como diretor executivo. E como temos o perfil de trazer para dentro do grupo quem conta com expertises que são interessantes para os nossos negócios, nós o convidamos para ser nosso sócio. Essa é a história do início do Grupo TPC e, com a companhia já estabelecida, nós criamos duas grandes áreas internas: uma de Logística Geral, que abrange armazenagem e distribuição, e uma de Infraestrutura, responsável pelas operações que envolvem ativos, como é o caso de um terminal portuário, por exemplo. Assim, o Luis passou a liderar a área de Logística Geral, e o Sérgio ficou à frente da área de Infraestrutura. Como surgiu a oportunidade de adquirir a Columbia? Barros – Ao longo dos anos de atuação nós atingimos ótimos resultados, sempre crescendo acima do mercado e sempre atentos a novas oportunidades. Em 2016 nós adquirimos uma fatia de outra empresa da Bahia, a CMLog, fortalecendo ainda mais nossas operações portuárias. Foi quando eu conheci o Xavier Esteve, proprietário da Columbia, uma das sócias da CMLog. A crise que o país estava enfrentando fez com que nós enxergássemos algumas boas possibilidades de crescermos ainda mais, realizando outras aquisições. E conversando com o Xavier sobre os planos de crescimento da Columbia e do Grupo TPC, em janeiro de 2017, nós nos perguntamos se não faria sentido a ideia de transformá-los em um plano único. Nós começamos então a fazer os primeiros rabiscos, digamos, do que

seria essa união de forças entre as duas empresas, e em setembro concluímos a aquisição da Columbia, trazendo para dentro do Grupo TPC os 75 anos de experiência da empresa. Convidamos então o Xavier para ser nosso sócio e, atuando como diretor de Planejamento Estratégico, ajudar a desenvolver o novo projeto de crescimento que surgiu. O que exatamente a aquisição da Columbia trouxe para a TPC? Barros – Nós iniciamos o processo de integração em setembro do ano passado e ele será concluído neste mês de março. Esse processo de integração envolve as adequações necessárias para os backoffices das duas empresas e sobreposições de sistemas e de funções, por exemplo. Ele nos transformou em um grupo com um Ebitda de R$ 95 milhões e que vai faturar R$ 575 milhões neste ano de 2018, o que significa um crescimento de 34% na comparação com 2017. Nesse processo de integração houve uma sinergia avaliada em R$ 13 milhões, que vai desde o aproveitamento de sistemas até negociações de aluguéis. Nós éramos uma companhia de 4 mil pessoas e hoje somos 4.500, todas contratadas diretamente. E com a integração das operações da Columbia no Grupo TPC nós passamos a atuar em quatro novos negócios com os quais não trabalhávamos até então: moda, químico, eólico e de Centro Logístico e Industrial Aduaneiro (Clia), com a estrutura de Simões Filho (BA). Além disso, nós aumentamos nossa capilaridade para mais um estado brasileiro: eram 23 e agora Santa Catarina passou a fazer parte das nossas operações, por isso hoje são 24 estados atendidos. O processo de integração é bastante complexo, mas a aderência entre os negócios da Columbia e do Grupo TPC tornou tudo muito mais simples. Tudo o que a Columbia tinha de bom permaneceu, e agora somos uma empresa muito melhor.

“Clias nos interessam muito. E para se ter um, ou você consegue uma nova concessão ou adquire uma empresa que já é dona do ativo” Leonardo Barros, presidente

Sérgio Faria – Eu diria que qualquer dificuldade que poderia haver foi atenuada porque existia uma identidade de valores e de princípios muito similares entre as duas empresas. Nós encontramos na Columbia um quadro de colaboradores muito bom, por exemplo, com muita gente qualificada. Barros – Depois dessa integração, nós nos tornamos uma das poucas empresas que estão habilitadas a atender todas as necessidades logísticas dos seus clientes, fazendo a cadeia completa, do porto ou do aeroporto até a última milha. E o desafio agora é crescer nesse sentido, com a visão comercial de oferecer soluções logísticas de ponta a ponta para o cliente. Março 2018 - Revista Tecnologística - 27


ENTREVISTA

“O peso de cada um dos segmentos com os quais atuamos faz com que nossos negócios sejam bastante equilibrados” Sérgio Faria, vice-presidente de Infraestrutura

Xavier Esteve – O DNA da Columbia era a atividade de importação. Os acionistas da empresa eram traders e o ativo primário era o porto seco, mas nós queríamos estender nosso portfólio, e por isso iniciamos um processo de levantar capital no mercado financeiro, justamente com essa ideia de trabalhar em toda a cadeia, trazendo a carga do exterior e chegando até o cliente final. Quando iniciamos as conversas com o Grupo TPC nós percebemos a oportunidade de trabalharmos isso juntos. Chamou-nos muito a atenção a disciplina corporativa, a maturidade e todo o apetite do grupo de empresários que forma a companhia para atingir metas ambiciosas. E assim nós enxergamos que havia sinergia entre as empresas e hoje estamos juntos, com um plano de crescimento bastante desafiador. 28 - Revista Tecnologística - Março 2018

Quais foram exatamente as estruturas absorvidas e como foi feita a abordagem com os clientes da Columbia depois da aquisição? Luis Chamadoiro – A estrutura da Columbia envolvia o Clia de Simões Filho e os centros de distribuição de Cotia (SP), Curitiba e Itajaí (SC). Quanto aos clientes, nós montamos uma agenda e fomos até cada um deles para nos apresentar e falar sobre a integração entre as empresas, explicando que as coisas só iriam melhorar, porque a nova empresa que ia surgir a partir dali tinha muito mais peso, muito mais capacidade para atender a todas as necessidades deles. Uma empresa com maior poder de negociação, carregando muito know-how e novas expertises. E nós fomos muito bem recebidos por todos os clientes da Columbia, que conseguiram enxergar o valor do que estava acontecendo. Eles puderam ver que quem estava falando com eles era uma empresa que conhecia a fundo a logística. Faria – E isso foi facilitado muito pelo fato de o Clia da Columbia estar situado na Bahia, onde o Grupo TPC já era muito conhecido e é considerado referência. Então a notícia de que nós compramos a Columbia foi vista com bons olhos pelo mercado, especialmente pelo mercado local e pelos clientes da empresa adquirida. É possível detalhar esse plano de crescimento que foi estabelecido? Esteve – Nosso desafio agora é alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. A ideia se baseia em escolher as batalhas. Quem quer defender tudo, acaba não protegendo nada. Então estamos focados em criar valor para o cliente para fugir do produto logístico apenas como um commodity, situação na qual quem tem um custo menor acaba ganhando. Para oferecer serviços completos, envolvendo toda a cadeia,

identificamos como alvos segmentos da indústria que trabalham com produtos de alto valor, que possuem uma cadeia mais complexa e necessidades específicas. Nós estamos focados em infraestrutura como uma maneira de capturar o cliente, para depois verticalizar nossa atuação dentro dele. A intenção não é ser somente mais um prestador de serviços, mas uma espécie de conselheiro. O que nós vamos fazer é oferecer não apenas serviços logísticos, mas supply chain, buscando entender internamente todas as necessidades logísticas do cliente. Todo o trabalho que fizemos de reorganização interna teve como objetivo atingir essas metas. Da minha parte, com a minha experiência no mercado financeiro, estou voltado também para possíveis aquisições estratégicas com o objetivo de apoiar o crescimento das operações localmente por meio de novos ativos, justamente para capturar os clientes. A consolidação da integração entre as empresas tornou a TPC um player que é líder no Nordeste do Brasil, então agora estamos observando ativos em São Paulo e, em um segundo momento, vamos nos voltar para a Região Sul do país também. Já temos alguns alvos bastante concretos. Isso tudo é possível porque a TPC é uma empresa com muita disciplina e muito saudável financeiramente. Temos um time no departamento de Planejamento Estratégico dedicado a fazer análises e avaliações de aquisições e também integrações, porque é claro que nós não podemos aproveitar mal o fato de termos recursos comprando errado. Nosso desafio é fazer bons negócios e usar bem nossos recursos. Seguramente vamos realizar uma aquisição já neste ano, e outra já está bem encaminhada. Nossa meta é fazer ao menos uma aquisição por ano, sendo que em 2018 pode ocorrer mais de uma, ou mesmo alguma parceria. Chamadoiro – A tese por trás do crescimento que nós esperamos alcançar é a de que nós já temos todo o know-


-how da porta de entrada das mercadorias dos nossos clientes, por meio da atuação em portos, aeroportos e também na armazenagem no Clia. Nosso grande objetivo então, e isso inclui essas aquisições pontuais que foram citadas, é criar hubs pelo país por meio dos quais poderemos irrigar todo o Brasil. Por isso estamos buscando ativos para fortalecer esses planos de verticalização. Atuando nas portas de entrada das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, nós já cobrimos todos os possíveis locais de entrada de produtos no país. E a partir deles nós temos a possibilidade de verticalizar a cadeia de suprimentos dos clientes. Nós inclusive já temos alguns clientes com operações verticalizados. Poder oferecer tudo o que ele precisa para a sua cadeia é muito importante. Aliás, é o sonho dos executivos das grandes empresas poder tratar somente com um parceiro sobre tudo o que ele precisa na logística. Nós já fazemos isso, em especial depois da aquisição da Columbia, e o grande objetivo é avançar ainda mais, oferecendo esse tipo de solução. A intenção é prestar serviços completos para cadeias comple-

xas, pois nós temos essa capacidade de sair da vala comum da atividade logística como commodity, como já foi dito, disputada somente por preço. A pretensão é de adquirir ativos ou adquirir players que tragam esses ativos, como foi o caso da Columbia? Chamadoiro – O foco é a aquisição de novas empresas, mas podemos fazer também a compra de um ativo de determinado player, se for um negócio interessante. Barros – Um Clia, por exemplo, é uma concessão. São poucos os Clias existentes no Brasil, e para se ter um ou você consegue uma nova concessão ou você adquire a empresa que já é dona e também o ativo. E como já dissemos, Clias são ativos que nos interessam muito dentro de todo esse nosso planejamento. A TPC surgiu muito forte na Bahia e hoje está presente em 24 estados do Brasil. A força da companhia atualmente está mais distribuída? Barros – Sim. Hoje podemos dizer que somos uma empresa brasileira, e não somente baiana. Os negócios estão bastante equilibrados. No que diz respeito aos clientes, por exemplo, não existe qualquer concentração, e nossa infraestrutura também está muito bem distribuída. É claro que muitas das grandes empresas estão na Região Sudeste do Brasil e não têm como fugir disso, e o fato de termos grandes negócios no Nordeste ajuda a melhorar ainda mais esse equilíbrio. Passar a atuar em novos segmentos que essas aquisições podem trazer para o grupo também é um dos objetivos? Barros – Hoje estamos bastante focados nos segmentos que já atendemos, como automotivo, de bens de consumo, eletrônicos, moda, cosmético, telecomunicações, saúde, eólico, óleo e gás, healthcare e químico. E os ativos que busca-


ENTREVISTA

mos passam pela ampliação da oferta de serviços oferecidos para a cadeia desses segmentos. Mas é claro que se surgir uma boa oportunidade que traga um novo tipo de produto para dentro da TPC, com o qual nós ainda não trabalhamos e que faça sentido nesse nosso planejamento de crescimento, nós vamos analisar.

Faria – Temos frota própria dedicada em algumas operações, com ativos nossos, mas também agregados, transportadoras prestadoras de serviço de transporte e autônomos em outras operações. Mas a gestão é toda feita pela TPC. O controle das operações e a responsabilidade final são nossos.

Faria – E o peso de cada um desses segmentos com os quais já atuamos faz com que os negócios do grupo já sejam bastante equilibrados. O setor automotivo, por exemplo, representa 8% das nossas atividades. Essa é uma média de representação de cada um deles. Em alguns casos pode chegar a 10%, como com os setores de óleo e gás, telecomunicações e cosméticos, por exemplo, o que mostra que há um bom equilíbrio.

Todas as suas atividades acontecem em ativos próprios ou vocês possuem operações in house também? Chamadoiro – Temos algumas operações in house. Isso depende muito do que cada cliente necessita, de como está desenhada sua operação. Às vezes ele quer ser o dono do CD, mas não quer ser dono de nada dentro do CD, e aí nós entramos com as estruturas de armazenagem, com o pessoal, com os equipamentos. Outras vezes o cliente não quer ter nada, e aí a operação dele acontece em um CD nosso. E pode ser que ele queira ter o CD e também as estruturas, e aí nós oferecemos a mão de obra. Isso varia muito de acordo com a maneira de trabalhar de cada cliente. Nós estamos preparados para qualquer modelo de operação.

Esteve – Na verdade existem três pontos que fazem parte do raciocínio para avaliar potenciais aquisições. Um deles é o know-how da empresa adquirida. Nós podemos vir a comprar, por exemplo, um player que nos traga mais expertise de transporte, digamos. Outro ponto é a carteira de clientes. Pode nos interessar atender uma indústria ou cliente específico e ter isso por meio de uma aquisição. O terceiro ponto, e que no momento é o mais importante para nós, é voltado para a infraestrutura, para ativos estratégicos, como é o caso de um Clia. Nós estamos, sim, considerando esses três pontos, mas dando preferência para a questão da infraestrutura, até porque nos outros dois pontos não é fácil achar hoje no mercado alguém tão avançado quanto a TPC. Claro que adquirindo uma empresa em São Paulo, por exemplo, com um ativo que nos interesse, existe também a carteira de clientes dela, e essa carteira deve ter aderência com o que nós pretendemos, com o nosso plano estratégico. Vocês possuem frota própria de transporte? 30 - Revista Tecnologística - Março 2018

Faria – Em alguns casos a operação logística acontece na fábrica também. No caso da Ford, por exemplo, nós atuamos dentro da planta de Camaçari. O pátio de veículos da montadora está localizado na fábrica. Chamadoiro – A grande questão é deter a inteligência do processo. Ela pode incluir ou não a estrutura, mas a chave é a inteligência logística. Vocês citaram que hoje estão preparados para atender todas as necessidades logísticas dos clientes. Quais são exatamente os serviços oferecidos? Chamadoiro – Nós estamos capacitados para trazer a mercadoria do exterior, seja por meio de um porto, um aeroporto ou um porto seco. Dali,

“Para oferecer serviços completos, identificamos como alvos segmentos com produtos de alto valor e que possuem cadeias complexas” Xavier Esteve, diretor de Planejamento Estratégico

a carga pode seguir para um armazém não alfandegado em regime de armazém geral ou de filial, e nessa etapa entram todo o controle e gerenciamento de estoque e atividades como picking – trabalhando inclusive com pickings extremamente fracionados –, packing e expedição, com tecnologias voltadas para isso, como voice picking e WMS especialista proprietário. Depois disso fazemos o transporte e a distribuição, que pode chegar até a ocorrer na casa do cliente final, como no caso da entrega de um celular, por exemplo. Como a TPC, um dos membros fundadores da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), que tem o Chamadoiro como presidente do seu Conselho Deliberativo, vê a or-


ganização do segmento atualmente? Chamadoiro – Nós estamos muito felizes com os resultados que já alcançamos na Abol, da qual inclusive a Columbia também fazia parte. Em seis anos de existência da instituição ela já está bastante consolidada, até mesmo junto a entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por exemplo. É importante deixar claro que hoje os operadores logísticos contam com uma associação forte e que representa muito bem as demandas do setor. O primeiro pilar estratégico da Abol é o reconhecimento do operador logístico. Antigamente ninguém sabia exatamente o que era isso. Então é uma vitória poder dizer que hoje a Anvisa é uma das agên-


ENTREVISTA

“Nosso grande objetivo é criar hubs pelo país por meio dos quais poderemos irrigar todo o Brasil” Luis Chamadoiro, vice-presidente de Logística

cias que já reconhece a figura do operador logístico dentro dos seus procedimentos e entende quem é esse player no mercado da logística justamente por conta do trabalho da Abol. O mesmo acontece com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo. Nós ainda estamos lutando pela questão relacionada à Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae) do operador logístico, mas já conseguimos avanços muito significativos. Hoje nós temos até mesmo representação em Brasília. Temos uma sala da Abol dentro do prédio da Confederação Nacional do Transporte (CNT), e os políticos que tratam do nosso segmento conhecem a associação. Ainda temos muita coisa para fazer, mas eu diria que estamos no caminho certo. 32 - Revista Tecnologística - Março 2018

Vocês atravessaram a crise que assolou o Brasil com força suficiente até mesmo para realizar aquisições. A que se deve esse bom momento da empresa? Barros – Na crise todo mundo se readéqua, e nós também fizemos isso. Nós enxugamos alguns custos, revisamos processos e investimos em tecnologia e na capacitação de pessoal em busca de mais produtividade. E de fato nós nos tornamos mais produtivos, buscando sempre a melhor solução tanto para nós mesmos quanto para o cliente, que também sofreu com a crise. A verdade é que foi feito um trabalho de gestão muito grande e que nos aproximou ainda mais dos nossos clientes, especialmente em áreas como Comercial, de Projetos e de Operações. Realmente, enquanto muita gente lutava para se manter, nós crescemos, mesmo durante os piores anos da crise. Faria – Nos últimos seis anos nós crescemos sempre acima dos dois dígitos. Um fator muito importante é que nesse período de crise nós investimos muito em governança, o que nos tornou muito fortes. E nós temos também um compliance muito rígido, o que nos fortalece como empresa e perante os clientes. Fizemos ainda uma parceria com a consultoria Deloitte para analisar processo a processo e reduzir drasticamente os custos internos. Nós fizemos o nosso dever de casa durante a crise. Além disso, existe uma sintonia muito grande dentro do grupo. Cada um de nós cuida de uma área, com autonomia para tomar decisões, proporcionando respostas rápidas para os clientes, mas sempre com um afinamento muito grande. E quais são as projeções para o futuro cenário econômico nacional? Barros – Nós estamos pensando positivo. Eu acredito que a crise ficou

para trás e que o pior já passou. Conseguimos perceber isso até mesmo conversando com os nossos clientes. O setor do varejo, por exemplo, é um bom indicador, e é possível observar uma curva de crescimento. E eu acho que nós não vamos ter muitas surpresas neste ano de 2018, mesmo com as eleições presidenciais. Dificilmente vamos sofrer com algum problema maior, que poderia alterar muito a economia. É claro que para a economia voltar a patamares anteriores à crise ainda vai demorar alguns anos, mas realmente o pior já passou. Faria – É importante dizer que nosso otimismo não é infundado. Nosso extenso leque de prestação de serviços e a atuação em vários setores nos dão uma visão privilegiada, nos permitem entender melhor a economia. O setor automotivo, por exemplo, sofreu muito, mas está se recuperando. Então essa confiança é o que nós podemos perceber tanto na visão da TPC quanto na visão dos nossos clientes, e isso nos permite olhar para frente com otimismo, inclusive com foco no nosso plano de crescimento e fazendo aquisições. Barros – Falando sobre a companhia, nós estaremos olhando para fora, sempre atentos às oportunidades do mercado, e também para dentro, evoluindo cada vez mais, buscando esses objetivos que já citamos, procurando sempre melhorar, investindo em tecnologia, em pessoas, em parcerias. O cenário nacional está melhorando, mas é claro que nós não podemos ficar parados. Temos que estar sempre de olhos abertos, buscando mais produtividade e economia e, com crise ou sem crise, levando isso para o cliente também, pensando sempre junto com ele em redução de custos e aumento de eficiência. TPC: (71) 2108-9700


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EMPILHADEIRAS

Dreamstime

O movimento N do mercado

Depois de amargar sucessivas quedas, as vendas de empilhadeiras finalmente apresentaram uma significativa recuperação em 2017, crescendo mais de 30%, mas mantendo-se ainda longe dos patamares atingidos em seus melhores anos. Para 2018, os fabricantes do setor esperam que a confiança na retomada da economia mantenha o ritmo de recuperação das vendas, em especial para a indústria, afastando de vez a crise 34 - Revista Tecnologística - Março 2018

ão é segredo que o mercado nacional de empilhadeiras passou por maus bocados nos últimos anos. De acordo com informações dos próprios players do setor, durante o auge da crise econômica e política que afligiu o Brasil, a comercialização de equipamentos de movimentação apresentou quedas vertiginosas que mirraram as vendas. Para se ter uma ideia do estrago causado pela recessão, em 2016 o segmento de empilhadeiras registrou uma queda de cerca de 30% em relação ao ano anterior, enquanto 2015 já havia apresentado um decréscimo de cerca de 40% na comparação com 2014. Assim, o setor, que já chegou a entregar mais de 24 mil máquinas aos seus clientes no acumulado de 2013, caiu para aproximadamente 10 mil unidades em 2016. Uma análise do mercado no ano passado, porém, parece revelar a tão esperada luz no fim do túnel. Ainda que diversos setores da indústria não estivessem totalmente recuperados, alguns negócios pontuais inflaram as vendas de 2017, fazendo com que quase 13.500 empilhadeiras fossem comercializadas no ano, montante que consistiu em um crescimento entre 30% e 40% na comparação com 2016. Vale aqui uma ressalva quanto aos números de vendas e porcentagens de crescimento do mercado que, como o leitor pode observar, são tratados sempre como valores aproximados. Isso se deve ao fato de se tratar de dados divulgados pelos próprios players do setor, mas, apesar de haver algumas diferenças, todos os números são bastante aproximados, evidenciando a autenticidade das informações. Ivens Encarnação, CEO da Paletrans e presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Movimentação e Armazenagem de Materiais (CSMAM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), conta que no início de 2017 as perspec-


nário seja efetivamente bom para todos em 2018, os fabricantes de empilhadeiras apostam em um mercado mais ativo, com vendas mais diluídas, motivadas justamente pela retomada da confiança que os últimos resultados da economia provocaram nas empresas, e não somente por negócios pontuais. “O ano de 2018 começa com uma perspectiva muito melhor do que a que tínhamos no início de 2017, pois as coisas estão mais estáveis. Todos os pilares econômicos do Brasil apontam para uma melhora”, avalia Encarnação. “Eu acredito, porém, que o crescimento deve vir aos poucos, com o

Quase 13.500 empilhadeiras foram comercializadas em 2017, o que significou um crescimento entre 30% e 40% na comparação com 2016

Divulgação Paletrans

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mais possível e os equitivas para as vendas de pamentos precisam ser empilhadeiras não eram substituídos, pois o as mais positivas, mas custo de manutenção que esse cenário foi muse torna muito alto e a dando no decorrer do performance cai.” ano devido a um maior Mauro da Silva Arotimismo em relação à rais Jr., gerente regioeconomia do país. “Nós nal de Vendas da Clark entramos em 2017 com Material Handling no previsão de Produto InBrasil, porém, faz um terno Bruto (PIB) negaalerta. “É preciso sativo, de inflação alta e lientar que houve neainda com muitas incerEncarnação: em 2017 o cenário gócios pontuais, que tezas na política. Era um foi melhorando, e para 2018 as podem ser considecenário extremamente perspectivas são superiores rados fora da curva, instável. Mas no final do ano tivemos crescimento do PIB, a in- quando um só fornecedor faz uma flação caiu, o câmbio foi controlado e venda bastante grande. Essa venda a taxa de juros ficou mais baixa. Tudo puxa os números para cima, mas faz isso contribuiu para que o mercado com o que o mercado não seja igual para todos.” Henio Hissao Tamuapresentasse uma retomada.” “O ano passado começou bastante ra, consultor especialista na Toyota fraco, com um primeiro trimestre que Material Handling Mercosur, defende foi praticamente uma repetição dos a mesma ideia. “Uma importante resanteriores, quando as empresas es- salva é que em 2017 o número está tavam segurando os investimentos”, um tanto distorcido devido a um únianalisa Rafael Kessler, diretor Comer- co negócio de um player do mercado cial da Combilift. “Já o segundo tri- com uma grande rede varejista ter o mestre passou a ser mais interessante, impacto de aproximadamente 2 mil com alguns projetos acontecendo. E equipamentos”, explica. “Estamos falando de um setor que no segundo semestre do ano, na medida em que as empresas foram adqui- tem apresentado números relativarindo mais confiança na situação eco- mente baixos”, completa Georg. “As nômica do país, é possível dizer que empresas que atuam no mercado de caminhões, por exemplo, que tem os negócios foram restabelecidos.” O diretor-geral da Jungheinrich números de vendas mais altos, não no Brasil, Vigold Georg, concorda. são tão afetadas por negócios pon“Todos sentimos uma melhora consi- tuais, mas como as vendas de empiderável na economia. De uma forma lhadeiras são menores, quando um geral, ela não passou nem perto de ser cliente com uma frota grande realiza a catástrofe que se imaginava no iní- uma compra com seu fornecedor, o cio do ano”. Para o executivo, o prin- impacto se torna bastante visível nos cipal motor do crescimento registrado volumes totais de equipamentos conas vendas de empilhadeiras foi a ne- mercializados no ano.” cessidade de renovação de frota. “As Perspectivas máquinas têm uma vida útil finita, e sua substituição em algum momento é O ano passado pode ser consinecessária. Em tempos de crise, as empresas seguram esses investimentos, derado, portanto, o pontapé inicial da mas chega uma hora em que isso não é recuperação do setor. E para que o ce-

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EMPILHADEIRAS

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gastando altos valores questão da renovação com manutenção, mas dos equipamentos. Eu devido às incertezas não sei precisar a frota que a crise trouxe, elas instalada de empilhadecidiram não fazer dídeiras no Brasil, mas vidas com a compra de muitas empresas vão equipamentos novos. aproveitar a melhora É preciso ter em mente na economia para reque adquirir empilhanovar sua frota, gerandeiras, especialmente do muitos negócios.” quando falamos sobre a De acordo com indústria, é fazer um inEncarnação, é difícil vestimento em algo que apontar quais segmenKessler: no segundo semestre não é sua atividade-fim. tos devem contribuir do ano, negócios que estavam E isso é feito, geralmenrepresados foram restabelecidos mais com as vendas te, quando a atividadede empilhadeiras, pois -fim está em alta. Quando ela não está, a expectativa é que o crescimento a empresa vai protelar esse tipo de venha para todos. “As compras de investimento o máximo que puder.” equipamentos de movimentação são Para Arrais, indústrias como a automo- bastante pulverizadas entre os mais tiva, a metalúrgica, a química e a ali- diversos setores da indústria. Temos mentícia podem fazer a diferença nas também os operadores logísticos, que compras de empilhadeiras em 2018. são grandes compradores, e as movi“A expectativa é que o setor alcance mentações nos centros de distribuialgo em torno de 14 mil e 15 mil má- ção e armazéns crescem conforme a quinas, mas é claro que isso é somente economia se recupera”, destaca. “O uma estimativa.” que é preciso deixar claro é que esGeorg também tamos confiantes de que o Brasil vai acredita que alguns andar. Nós estamos muito melhores setores específicos da hoje do que estávamos no início de indústria devem ala- 2016 e também no início de 2017.” vancar as vendas dos Essa recuperação da confiança equipamentos de mo- para realizar investimentos anima vimentação. “Se você Kessler. Isso porque, de acordo com observar o segmento ele, a Combilift não trabalha com automobilístico, por vendas de empilhadeiras de uma exemplo, que sofreu maneira convencional, mas mais muito nos últimos voltada a projetos de otimização. anos devido à crise, “Nós não realizamos vendas a clienem 2018 já é possível tes que estão somente substituindo perceber um cresci- equipamentos, e sim para aqueles mento na produção que estão buscando melhorar fae nas vendas. É um tores como aproveitamento do essetor que deve im- paço, produtividade e segurança”, pulsionar novos ne- indica. O diretor conta que, justagócios. Na verdade a mente por isso, 2016 foi o pior ano previsão é de que haja da empresa. “Todo mundo estava uma melhora consi- com o caixa extremamente limitado derável na indústria e isso fez com que optassem por não em geral, além da investir em melhorias e buscassem Divulgação Combilift

mercado ficando levemente acima do observado em 2017.” Para ele, as vendas de empilhadeiras no acumulado deste ano devem somar aproximadamente 14 mil equipamentos. “Mas o Brasil é um país imprevisível, então pode ser que o setor cresça ainda mais. Considerando que em 2017 tínhamos tudo para terminar muito mal e registramos um crescimento acima de 30%, quem sabe neste ano não consigamos crescer no mínimo 30% novamente?”, indaga o executivo. “Entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018 o mercado foi ficando mais otimista, as notícias e as perspectivas econômicas foram melhorando e então o setor de empilhadeiras mostrou um aquecimento”, diz Arrais. Segundo o gerente, o mercado não vinha crescendo mais por uma questão de indecisão. Ele explica que existe uma demanda reprimida, e a indústria, de uma maneira geral, precisa renovar sua frota. “Algumas empresas estão rodando com máquinas já no seu limite,

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EMPILHADEIRAS

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somente operar da acordo com as necesmelhor maneira possidades dos clientes.” sível com os equipaSegundo o executivo, mentos que já possuícom a novidade o praam. Assim, o número zo de entrega das emde projetos de otimipilhadeiras customizazação caiu bastante. É das caiu para apenas uma situação normal, dois meses. e nós entendemos Para Tamura, a preperfeitamente.” Mas, visão é que o mercado na esteira do segunbrasileiro de empilhado semestre de 2017, deiras comercialize ele aposta que 2018 entre 14.500 e 15 mil Georg: a necessidade de renovar será o melhor ano da unidades nos 12 meses a frota de máquinas serve como Combilift desde que motor para movimentar o mercado de 2018. A Toyota tamchegou ao Brasil, há bém aposta na retomanove anos. “Quando olhamos para da da cadeia automotiva para inceno nosso funil de vendas atual, per- tivar as vendas de equipamentos de cebemos que esta é a melhor situ- movimentação, e o consultor inclui, ação que já tivemos. A Combilift além dos carros, os caminhões e as viveu, inclusive, um início de ano máquinas agrícolas. Ele destaca que bastante atípico, com muitos proje- essa retomada nas vendas não deve tos. Aquela história de que o ano só estar vinculada somente à substituicomeça depois do Carnaval não se ção de máquinas anaplica a 2018”, comemora. Kessler lembra ainda que a parceria firmada com a Lift-Tek para a fabricação local das torres das empilhadeiras, que são importadas da Irlanda, deve promover ainda mais os negócios da Combilift. “Antes nós tínhamos um prazo de entrega de aproximadamente cinco meses, pois, como se trata de produtos customizados, nós não temos como adivinhar o que o cliente vai precisar antes de fazer a importação. Agora o que acontece é que a fábrica já tem na expedição as empilhadeiras sem as torres e, à medida que os negócios vão avançando, eles embarcam essas máquinas e as torres já vão sendo produzidas aqui no Brasil pela Lift-Tek, de

Indicadores econômicos como queda da inflação, câmbio controlado e taxas de juros mais baixas alimentam a confiança em um ano com vendas melhores em 2018

tigas e a novos investimentos, mas também ao processo de utilização da capacidade ociosa das indústrias apresentada nos últimos anos. “No geral, as perspectivas são boas, considerando-se apenas os últimos dados econômicos. No entanto, 2018 será o resultado do balanço entre economia, política e cenário internacional. Esperamos um crescimento marginal, mas estaremos atentos aos principais fatores de risco, como as eleições e as turbulências internacionais”, alerta. De acordo com Tamura, a eleição presidencial é um tópico que merece atenção especial. “A política obviamente será um dos principais temas. Estamos atentos e mais confiantes nos fundamentos econômicos.” Encarnação se mostra otimista quanto a esse assunto. “A eleição é uma incógnita normal, que acontece de qualquer forma de quatro em quatro anos. Eu acredito até que, em relação a eleições passadas, essa pode ser uma incógnita menor, porque não existe um candidato de oposição realmente forte. Sendo


Moisés Nascimento

assim, a chance de manutenção da situação é grande. Isso não quer dizer que não vai haver certa turbulência, mas eu realmente acredito que a situação é muito mais estável do que a maioria das pessoas pensa”, frisa. Divulgação Clark

que a queda dos elétricos. Então hoje o mix de equipamentos está bastante errado, de uma forma que nunca esteve.” Atualmente, pouco mais de 60% das máquinas que estão no mercado são elétricas e pouco menos de 40% são moviMix de equipamentos das a combustão. “O índice que podemos O CEO da Paletrans considerar como refeconta que a crise fez rência mundial é algo com que o mix brasidividido em partes leiro de empilhadeiras praticamente iguais elétricas e a combustão entre os dois tipos Arrais: alguns negócios pontuais se alterasse nos últimos de máquinas”, consfizeram com que o mercado não anos. Ele explica que tata Encarnação. fosse igual para todos os equipamentos moÉ natural, portanvidos a combustão estão muito mais to, que com a retomada da indústria ligados às atividades da indústria, esse mix caminhe para um equilíbrio que sofreram mais que setores como melhor. “Eu acredito que 2018 seja distribuição ou intralogística, por o ano da máquina a combustão”, exemplo. “A máquina a combustão afirma Arrais, da Clark. “A indústria está bastante relacionada à produção está retomando sua força e também industrial, que encolheu com a crise, precisando renovar suas frotas. Os portanto a queda nas vendas desses negócios que ficaram represados deequipamentos foi muito maior do vem sair do papel, e isso significa


EMPILHADEIRAS

Divulgação Toyota

mais máquinas a combustão sendo comercializadas”. Encarnação concorda. “A tendência é que os equipamentos a combustão liderem as vendas, ajustando um pouco esse mix. Isso pode parecer ruim para a Paletrans, que não trabalha com esse tipo de máquina, mas analisando o futuro do setor, com certeza as vendas de empilhadeiras elétricas também vão crescer cada vez mais. A grande questão é que o mercado de equipamentos de movimentação como um todo caiu muito e nessa retomada o

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ritmo das empilhadeiKessler ressalta que, ras a combustão deve de maneira geral, as ser maior.” empresas que buscam A verdade é que a projetos de otimizatendência é, a longo ção junto à Combilift prazo, as máquinas estão mais propensas elétricas ganharem a optar por máquinas realmente cada vez elétricas. “A tendência mais espaço, por toé que elas sejam a esdas as vantagens que colha natural, devido apresentam, como às vantagens sobre os redução de ruídos e equipamentos a comde emissão de gases, bustão. É sempre bom Tamura: o mercado está em economia com a elirepetir que o invesuma fase de reajustes. 2018 minação da utilização timento inicial é um será um ano de consolidação de combustível, facilipouco mais alto, mas dade de carregamento das baterias, a longo prazo ele vale muito a pena. que evoluem mais a cada dia, entre Quem fizer as contas uma hora vai outros aspectos. “As empilhadeiras acabar escolhendo as elétricas. Elas elétricas já estão bastante consolida- são praticamente mandatórias em aldas no Brasil, com uma participação guns setores, como na intralogística, maior que os equipamentos a com- em que cada vez menos máquinas a bustão, e eu acredito que esse seja combustão são utilizadas”. um caminho sem volta”, analisa GeTamura compartilha da mesma org, da Jungheinrich. “Na nossa vi- opinião, mas também afirma que, são, ano a ano, 1% ou 2% do merca- em um primeiro momento, as emdo, quando consolidado, vai migrar pilhadeiras a combustão devem lidas empilhadeiras a combustão para derar as vendas no Brasil, por pelo as elétricas.” menos um ano. “Elas terão mais espaço. Para 2018, a retomada da cadeia automotiva deve dar fôlego às máquinas a combustão em curto prazo. Mas a tendência de longo prazo aponta para uma maior utilização dos equipamentos elétricos”. Trata-se, portanto, de um mercado em fase de reajustes. “Enxergamos 2018 como o ano da consolidação da transição do período recessivo para um novo ciclo de crescimento”, finaliza o executivo. Divulgação Toyota

Em um primeiro momento, as vendas de máquinas a combustão devem sobressair, impulsionadas pela recuperação da indústria

Fernando Fischer Abimaq: (11) 5582-6311 Clark: (19) 3856-9090 Combilift: (51) 3077-7444 Jungheinrich: (11) 3511-6295 Paletrans: (16) 3951-9999 Toyota: (11) 3511-0400


EMPILHADEIRAS

Divulgação Saur

De acessório a essencial O setor de acessórios para empilhadeiras retoma o ritmo de crescimento no país e os players investem na customização e em produtos que garantam o aumento da produtividade com segurança operacional. Já companhias que não têm como core business a produção desses itens desenvolvem soluções específicas às aplicações dos clientes, enquanto outras apostam em peças genuínas para o atendimento imediato das demandas

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senso comum estabelece que acessório é algo utilizado para a composição de determinado conjunto, muitas vezes visto como supérfluo. Mas esse não é o caso quando falamos de acessórios para empilhadeiras. E por que isso? Porque esses não são apenas itens que ajudam a compor a engrenagem da máquina, mas sim produtos operacionais aplicados na execução de determinada tarefa numa operação logística. E qual é o cenário hoje? A cada dia os produtos disponibilizados no mercado atuam mais como protagonistas. Uma das explicações para isso é o fato de os acessórios ganharem cada vez mais importância não só no que diz respeito à produtividade nas movimentações, mas também aos aspectos relacionados à segurança, tanto dos operadores quanto dos pe-

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destres que circulam pelas áreas de movimentação. Atualmente muitas empresas, ao adquirirem a empilhadeira, já solicitam a aplicação de acessórios ao final do processo de manufatura. Além disso, já se identifica no mercado um movimento de fabricação de acessórios customizados, desenvolvidos para o emprego em necessidades específicas de determinada operação. E após um período de recessão que assolou o Brasil nos últimos três anos, as avaliações quanto ao desempenho do setor são positivas. Certas iniciativas e ações das empresas do segmento e de algumas que não atuam diretamente na produção de acessórios – mas têm os itens como componentes de sua cadeia ou passaram a figurar no segmento após aquisições – apontam para a retomada do crescimento. Mais

do que isso, as estratégias propostas e já colocadas em prática demonstram que o empresariado começa a retomar a confiança no país.

Acessório genuíno Esse é o caso da Hyster-Yale, que, após concluir em julho de 2016 a aquisição da Bolzoni, empresa italiana fabricante de acessórios como deslocadores laterais e posicionadores de garfo, manipuladores de paletes simples, push-pulls e rotadores, além de toda a família de clamps para bobinas, começa a aplicar em suas máquinas os acessórios agora próprios. O gerente regional de Vendas de Peças da Hyster-Yale, Leandro Vieira, conta que a aquisição teve como objetivo apoiar uma iniciativa estratégica em complemento a algumas ações de pós-venda adota-


Divulgação Hyster-Yale

nefícios: passamos a CD é de R$ 500 mil, ter uma peça genuína, cerca de 1.200 pares com preço competitide garfos. vo e disponibilidade”, Também há acesgarante. Na média, disórios para reposição vulga Vieira, os garfos estocados nos districustam 23% menos buidores e, sem reveem relação ao princilar detalhes, o gerente pal player brasileiro divulga que já existe e têm uma vida útil um projeto para amde até 8 mil horas de pliar esse volume. trabalho, variando de Hoje, explica o exeacordo com o regime cutivo, a quantidade Vieira: estoque nos distribuidores armazenada nos ponadotado pelo cliente. garante atendimento imediato No Brasil, a estratos de venda é definidas demandas tégia de oferecer garda conforme planejafos para reposição teve início em mento efetivado por região, mas o maio de 2017. Antes de colocar os índice de atendimento imediato é produtos no mercado, a Hyster-Yale de 97%. realizou em toda a sua rede de disQuanto à aplicação dos garfos nas tribuição – 15 distribuidores, que to- máquinas nacionais, o gerente garantalizam 42 pontos de atendimento, te que não há empecilhos técnicos. que atendem 92% do território na- “A linha atende a todo o portfólio de cional – treinamentos equipamentos que produzimos em técnicos e comerciais. nossa fábrica de Itu e utiliza esse tipo Além do traba- de acessório”, define. Hoje, a empresa lho de capacitação, produz equipamentos a combustão de Vieira destaca outra 1,8 tonelada a 3,5 t e equipamentos estratégia que a com- elétricos de classe II e III, totalizando panhia adotou para nove modelos. dar suporte ao início Cerca de 79% dos garfos são dos negócios com os produzidos na planta chinesa da garfos de reposição Bolzoni e o restante na Itália. Na da Bolzoni. “Fizemos linha de produção da fábrica brao planejamento de sileira, a substituição dos forneceestoque, levantamos dores locais para os garfos com a o potencial e identi- marca Bolzoni ocorreu neste mês ficamos os garfos de de março. Segundo o executivo, a maior e menor giro. fábrica instalada no interior pauDependendo do pro- lista tem capacidade de produzir, duto, o lead time de trabalhando em três turnos, 150 recebimento no Brasil equipamentos por dia. é de 90 dias. Mas hoje As previsões são otimistas. “Nossa a entrega para reposi- expectativa em um ano, de maio de ção é imediata, pois 2017 a maio deste ano, é comerciatemos um estoque em lizar 2.800 unidades de garfos para nosso centro de distri- reposição do parque de máquinas já buição de Itu, em São instalado. Ainda não temos esse ínPaulo”, salienta. Ao dice fechado, pois o período não foi todo, o inventário no concluído”, destaca. Mas o gerente Divulgação Hyster-Yale

das globalmente. “A ideia é iniciar a abordagem com os garfos para a reposição junto ao parque de máquinas Hyster-Yale já instalado”, diz. Já para o fornecimento à linha de produção, o executivo conta que existe um planejamento com a gradual transição dos fornecedores atuais para os produtos com a marca Bolzoni, que será mantida. Alguns pontos foram identificados e contribuíram para que a fabricante de empilhadeiras firmasse o negócio e desse início à transição e à aplicação dos produtos da Bolzoni, tanto na reposição quanto na linha de montagem. “Antes não havia unificação, pois em cada ponto que possuímos fábrica eram desenvolvidos parceiros locais. Tínhamos, por exemplo, problemas de competitividade de preços. Com a aquisição, já verificamos três be-

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EMPILHADEIRAS

empilhadeiras que possuem planta local, disponibilizando torres produzidas em nossa fábrica brasileira”, diz. De acordo com o diretor, há uma série de vantagens para as montadoras com a adoção desse tipo de negócio. “Todas as questões de importação que nossos clientes tinham são eliminadas, pois passam a comprar um produto nacional”, frisa. Além disso, continua, ganham flexibilidade e rapidez, uma vez que quando solicitam um modelo de torre, ela está disponível para pronta-entrega. Anteriormente, ele conclui, havia a necessidade de importar. Na planta do interior paulista, a Lift-Tek fabrica torres de 1,5 t a 3,5 t, aplicadas em máquinas elétricas e a combustão. “Podemos, de acordo com a demanda do merAposta no Brasil cado, ampliar o portfólio. Temos atualmente capacidaOutra companhia de para produzir 20 que com suas iniciatitorres por dia e nosvas demonstra a consa meta é fabricar ao fiança no país é a Liftfinal deste ano 500 -Tek. No Brasil desde torres”, revela. A em2014, a empresa até presa também produz 2016 investiu na imem Indaiatuba um plantação de sua fácomponente da torbrica, localizada em re, o porta-garfo. Ao Indaiatuba (SP), que todo, são 120 unidaindustrializa torres des por mês. “Fabripara empilhadeiras. O camos no Brasil, mas Cervelini: fabricantes nacionais diretor de Operações é destinado à exporde empilhadeiras tornam-se da Lift-Tek, Fernando tação, a um cliente potenciais clientes Cervelini, conta que a nos Estados Unidos”. proposta é fornecer as torres para Quanto à disponibilização desse o Original Equipment Manufactu- produto no Brasil, o executivo diz rer (OEM), ou, em português, fa- que dependerá da entrada do clienbricante do equipamento original, te no mercado nacional. uma vez que esse conceito já está Enquanto não expande o consolidado em outras plantas da portfólio, Cervelini faz um balanempresa instaladas pelo mundo. ço do mercado e anuncia algumas “Estamos apostando que esse mo- opções. “O mercado brasileiro de delo pode ser replicado no Brasil. acessórios teve uma queda granVamos atender aos fabricantes de de de 2015 para cá. Percebemos

calcula que de maio a dezembro do ano passado foram 1.889 unidades vendidas. “O objetivo para 2018 é de que o negócio de acessórios para reposição feche com crescimento de 20%”, afirma. O número é reflexo de alguns planejamentos já traçados pela Hyster-Yale. A ideia, por exemplo, é ampliar o portfólio de acessórios com a marca Bolzoni disponibilizados no Brasil. Mas Vieira faz um lembrete. “Temos o cuidado de lançar produtos apenas após passar por diferentes processos. E os acessórios não são simples peças, são itens acoplados

Atualmente muitas empresas, ao adquirirem a empilhadeira, já solicitam a aplicação de acessórios ao final do processo de manufatura 44 - Revista Tecnologística - Março 2018

Divulgação Divulgação Saur Lift-Tek

Radamés Jr.

às máquinas que demandam atendimento específico, treinamentos técnicos para instalação e manutenção e toda a parte de peças de reposição”, descreve. Segundo ele, existe um projeto global, mas hoje ainda não há uma data definida de quando esse portfólio de acessórios no Brasil será expandido. “A meta agora é consolidar a presença da Bolzoni no mercado e o serviço de pós-vendas”, pontua.


Foco na customização Se empresas que não têm como core business a produção de acessórios vislumbram um mercado promissor, aquelas que atuam de forma consistente no setor acompanham a evolução e oferecem a cada dia diferentes opções para seus clientes. A Saur é um dos exemplos. O gerente Comercial da companhia, Walter Macedo, diz que a Saur vem oferecendo cada vez mais soluções customizadas para cada tipo de produto e operação. Além disso, inves-

Divulgação Saur

sobressaindo na deste na segurança e na carga de frutas, carergonomia, pois cada nes, granéis e cargas vez mais os clientes líquidas. O equipabuscam equipamenmento proporciona tos que atendam às mais segurança e aginormas de segurança lidade nas operações do trabalho. de descarga de bins. Algumas noviTambém evita riscos dades são destaque de lesão por esforço quando o assunto são repetitivo e elimina o essas premissas. É o contato do operador caso do Layer Picker, com a carga. também conhecido Macedo: customização dos Já o Lança Guincomo Selecionador acessórios por operação será daste com Sistema de Camadas Frontal, cada vez maior de Içamento permite que é acoplado diretamente nos garfos da empilhadei- o carregamento de bags ou slim ra. Com o equipamento é possível sem abrir as tampas laterais dos selecionar cargas e montar paletes caminhões. O balancim é móvel e com camadas de produtos diferen- possui curso vertical de até 1.500 tes, de modo prático, rápido e se- milímetros por meio de cabos de guro. O item elimina a montagem aço acionados hidraulicamente. A manual de paletes, evitando danos carga é elevada acima da altura da às mercadorias e lesões ao opera- caçamba ou tampas laterais e dedor. Sua aplicação contempla, ain- positada sobre o assoalho do camida, divisão do palete, substituição nhão. Dessa forma os colaboradodo produto danificado, troca rápi- res não precisam abrir as tampas, o da do palete e montagens de pale- que elimina esforço físico e riscos de acidentes. tes para carregamento. Além da customização, Macedo Outro produto de destaque é o Basculador de Bins, utilizado para cita outras ações que reforçam o descarga das mais variadas cargas, protagonismo da Saur no mercado. “Fortalecemos o departamento de pós-vendas e realizamos treinamentos de colaboradores das diversas áreas para melhor capacitação técnica e comercial.” Com isso, sem revelar números, o gerente afirma que a expectativa para 2018 é de crescimento em relação a 2017. “No momento, temos uma procura maior por equipamentos para movimentação de celulose e papel, mas com as necessidades de melhor ergonomia e segurança na movimentação de produtos, acreditamos que todos acessórios tendem a ter mais procura”, diz. Além disso, completa, a customização será cada vez maior. Divulgação Saur

que agora ele vem crescendo, mas num cenário diferente, o que para nós é bom. Agora existem diversos players, temos mais fabricantes de empilhadeiras, algumas marcas estão consolidadas, mas outras chegaram”, avalia. E de acordo com Cervelini, além das multinacionais, que segundo ele já conhecem a expertise da Lift-Tek, as fabricantes nacionais de empilhadeiras começam a se tornar clientes. O executivo, contudo, não revela quanto da produção é destinado às montadoras brasileiras.

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EMPILHADEIRAS

Divulgação Retrak

A retomada do setor de acessórios e a procura por melhorias operacionais estimulam outros players a adotarem soluções diferenciadas. As empresas de locação de equipamentos também já vislumbram a potencialidade e as demandas do mercado. A Retrak, por exemplo, desenvolveu dois fornecedores de componentes e no final de 2017 iniciou um projeto para oferecer e implantar acessórios em sua frota. Mas por que a empresa decidiu ofertar acessórios? O diretor executivo da Retrak, Fábio Pedrão, explica que, ao visitar clientes, observou a necessidade de investir em sistemas que aumentassem a segurança das máquinas e dos pedestres que transitam nas áreas de movimentação. “O fator segurança foi decisivo na tomada de decisão para viabilizar um estudo e desenvolver soluções”, resume. Ele explica que dependendo do acessório que o cliente demandar,

haverá um pequeno A terceira novidade acréscimo ao valor da é o Safety Light, ou Blue locação. São quatro Spot, uma luz projetada novidades, montadas no chão. Trata-se de um e instaladas nas emprimeiro aviso de que a pilhadeiras por profismáquina está próxima. sionais da Retrak. Normalmente, ele é utiO Red Zone é constilizado a uma distância tuído por três luzes verentre 3 m e 6 m, depenmelhas que indicam no dendo da operação. chão uma área em que A última novidade os pedestres não podem é o Laser nos Garfos, ultrapassar para evitar que projeta uma linha Pedrão: segurança foi o fator acidentes. As luzes insparalela ao chão em decisivo para o desenvolvimento taladas são direcionadas um ângulo de até 110°. de soluções para o chão nas laterais O laser é ligado parae na traseira das empilhadeiras. Há lelamente aos garfos e se eleva juntauma regulagem para determinar a dis- mente com o mastro. Dessa forma, o tância que melhor atenda o cliente, no operador consegue ter a projeção da geral uma distância entre 70 centíme- altura dos garfos para movimentar os tros e 1,2 m do chassi da empilhadeira. paletes. Esse dispositivo, revela PeJá a Luz de Teto permite a localiza- drão, pode substituir em alguns casos ção rápida e eficiente da empilhadeira eventuais câmeras de garfos e seleciono galpão. Em locais onde há meza- nadores de altímetro, com um preço nino, geralmente ocupados pelos es- muito mais atrativo. critórios, ela possibilita a localização O diretor da Retrak diz estar muivisual e a verificação de se as empilha- to otimista quanto à receptividade deiras estão trabalhando ou não. dos acessórios. “Realizamos demonstrações com a utilização de uma máquina-piloto em três clientes e dois solicitaram a instalação do Laser e do Red Zone em suas máquinas, num total de cem equipamentos”, anuncia. O executivo calcula, ainda, que das 2 mil máquinas que a Retrak tem atualmente em operação, em 250 clientes, cerca de 50% até o final do ano estarão equipadas com os acessórios. Sem revelar detalhes e especificar datas, Pedrão afirma que há mais projetos em andamento e que espera apresentá-los ao mercado até o segundo semestre deste ano. Divulgação Retrak

Segurança como fator determinante

Fábio Penteado Hyster-Yale: (11) 4134-4700 Lift-Tek: (19) 3935-9058 Retrak: (11) 2431-6464 Saur: (55) 3376-9300 46 - Revista Tecnologística - Março 2018


Fotos: Divulgação

LOGÍSTICA OFFSHORE

Solução sob medida para um setor em que tempo realmente é dinheiro 48 - Revista Tecnologística - Março 2018

Há cinco anos em operação, o software Offshore Logistics System, desenvolvido pela equipe de TI da Brasco para otimizar os serviços prestados pela empresa às companhias petrolíferas, permite, entre outros ganhos, reduzir o tempo médio de atracação das embarcações e aumentar a eficiência dos terminais. O sistema também é acessado por clientes e seus fornecedores, o que lhes possibilita planejar melhor e agilizar as entregas e movimentações de materiais para as plataformas, fatores essenciais nesse tipo de atividade


E

m 1999, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizava o primeiro leilão aberto às grandes companhias privadas para disputarem o direito de explorar 27 áreas produtoras de petróleo no Brasil, marcando assim o fim do até então monopólio da Petrobras. Nesse mesmo ano, o Grupo Wilson Sons, antevendo o potencial de crescimento desse mercado, criava a Brasco Logística Offshore, para atuar como empresa de bases de apoio offshore. Hoje a companhia possui duas bases de apoio, a Brasco Niterói e a Brasco Rio, totalizando oito berços para atracação e áreas de armazenagem que somam cerca de 160 mil m² (divididas em área aberta e armazém fechado) distribuídas nas duas bases, localizadas na Ilha da Conceição, em Niterói, e Caju, no Rio de Janeiro, respectivamente, além de uma retroárea em Guaxindiba. Com isso, a empresa tem posição privilegiada para atender à demanda das bacias de Campos e Santos. A Brasco conta também com quase 40 equipamentos de movimentação de carga, dentre os quais se incluem guindastes, empilhadeiras e carretas, entre outros. A decisão de desenvolver um sistema próprio para otimizar a sua operação e a dos clientes surgiu após a constatação de que não havia no mercado softwares prontos capazes de atender às necessidades de controle e gestão da área offshore. “O setor portuário conta com várias soluções de prateleira para gerenciar cargas gerais e contêineres no porto, mas no offshore tudo era muito arcaico, feito em papel. As shipping lists que chegavam via fornecedor eram levadas para o navio e só depois essas informações entravam no sistema do cliente. A Brasco não par-

riais (tubos, brocas, equipamentos para perfuração, entre outros). “Havia uma perda de tempo gigante, porque o barco ficava parado muitas horas em vez de fazer o rodízio para a plataforma. E tempo, nesse mercado, é dinheiro de fato”. As janelas de atracação eram de 17 horas, chegando até a 24 horas em alguns casos, caindo para 8 horas em média com o uso do OLS. O sistema também ajudou a diminuir a fila de caminhões que aguardam para entrar na base. “Antes eram 20 veículos esperando, ticipava dessa gestão da movimenta- agora o número caiu para quatro”, ção de cargas dos clientes, o que nos afirma Velloso. Isso porque não são motivou a criar uma solução especí- apenas os clientes e a Brasco que fica para esse fim”, destaca Marcell utilizam o OLS, mas também os Velloso, gerente de Finanças, Plane- fornecedores que entram no sistejamento e Tecnologia da Informa- ma indicando quais equipamentos ção da empresa. e materiais serão deixados na base Nesse ramo de atiem data e hora espevidade, o planejamencíficas. Assim, o cato e uma boa gestão minhão entra na base são fatores importanda Brasco com esse tes, porque a plataforagendamento prévio. ma de petróleo traba“Conseguimos fazer lha no modelo just in um planejamento time, ou seja, precisa com o fornecedor de receber constanteforma que, quando mente equipamentos e o barco chega, todo materiais uma vez que o material já está lá não tem espaço interpara ser levado para a no para armazenar esplataforma, o que otiVelloso: o setor portuário conta com mizou o nosso tempo ses produtos. “Se, por várias soluções tecnológicas, mas exemplo, a plataforma e o do cliente”, reiteno offshore tudo era muito arcaico não tiver um tubo de ra o executivo. 13 polegadas de que necessita no Amigável e momento da perfuração, ela para, fácil de usar o que pode representar uma perda considerável em termos de valores, A equipe de tecnologia da inforque podem chegar a R$ 1 milhão por mação da Brasco levou um ano para dia”, exemplifica Velloso. O executivo lembra que, antes do desenvolver a primeira versão do desenvolvimento do Offshore Lo- OLS. Para as atualizações do sistema gistics System (OLS), a Brasco tinha e suporte aos usuários, a companhia que alongar o tempo de espera da conta com uma equipe interna deembarcação do cliente em sua base dicada que já soma cerca de 10 mil até o fornecedor entregar os mate- homens-hora de trabalho. Há cin-

As janelas de atracação, que em alguns casos chegavam a 24 horas, caíram para uma média de 8 horas

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LOGÍSTICA OFFSHORE

co anos em operação, mais de cem clientes já utilizaram o software, além de 1.800 fornecedores. A solução está hospedada no datacenter da Brasco e os clientes e seus fornecedores podem acessá-la por meio de login e senha. Velloso explica que todo cliente novo passa a contar com um dashboard (painel de controle) com todos os controles que a Brasco considera importantes para que ele possa enxergar a operação como um todo. “Mas, se ele quiser inserir outros indicadores, nós customizamos o sistema. Além de logotipo e cores, é possível inserir KPIs sobre o que o cliente requer”, explica Velloso. Os indicadores-padrão oferecidos pelo OLS permitem visualizar as horas de atracação dos navios, o agendamento de caminhões e o controle de peças com potencial de queda, entre outros itens. Mas cada cliente estipula quais controles deseja ter, como um indicador mostrando quantos equipamentos estão entrando na base, ou a tonelagem que está sendo embarcada por mês e por navio, indicadores de resíduos, de flui-

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Fim do monopólio

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Lei 9.478/1997, mais conhecida como Lei do Petróleo, completou duas décadas no dia 6 de agosto de 2017 e representou um importante marco para o setor de exploração, produção e refino de petróleo e gás natural, por permitir que companhias privadas, mediante concessão, autorização ou contratação sob o regime de partilha de produção, passassem a responder por essas atividades, determinando assim o fim do monopólio da Petrobras. A partir da promulgação dessa lei, foi criada a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para regular as atividades das indústrias desse mercado, estando vinculada ao Ministério de Minas e Energia, e cabendo a ela estabelecer as regras para atuação, promover licitações e fiscalizar o setor.

Atualmente, a ANP é um importante centro de referência na medida em que concentra as informações sobre esse mercado no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), além de realizar estudos sobre o potencial petrolífero do país e sobre a qualidade e os preços dos combustíveis e lubrificantes. A agência também divulga as estatísticas oficiais e fornece dados sobre a produção e comercialização de biodiesel e etanol. A indústria de petróleo e gás no Brasil responde por 11% do PIB industrial e 50% da oferta interna de energia, contando com 94 grupos econômicos que atuam nas atividades de exploração e produção, e mais de 126 mil agentes nas atividades de distribuição e revenda de combustíveis.

dos (quanto é embarcado e quanto é desembarcado na plataforma), en-

tre outros. “Um indicador que todos querem é o da água que é usada, tanto para a plataforma quanto para a mistura em injeção de poço. São KPIs bem operacionais para cada tipo de trabalho”, completa. No início houve certa resistência para a utilização do OLS, principalmente por parte dos fornecedores. “Tivemos que chamá-los para uma reunião para explicar como o sistema funciona e para treiná-los. Muitos deles não estavam acostumados a trabalhar dessa forma e queriam entregar os equipamentos na hora em que o navio estava atracado. Então foi necessário fazer um trabalho de mudança de cultura para que pudessem usar o sistema e entender os benefícios possíveis. Hoje, tanto os fornecedores quanto os clientes, assim que começam a usar a ferramenta, já gostam muito, por ser


extremamente amigável e por fornecer todos os controles de que necessitam em tempo real e on-line, inclusive por celular ou tablet”, destaca o gerente. O sistema também oferece maior segurança às companhias desse segmento, em que qualquer erro pode trazer grandes prejuízos monetários e ambientais. Tudo precisa ser muito bem planejado e calculado. Em geral são utilizadas quatro embarcações de apoio a uma plataforma, que operam em sistema de rodízio, saindo da base até a plataforma e retornando. “O nosso sistema permitiu a alguns clientes diminuir um barco nesse rodízio, porque conseguiram utilizar melhor o tempo. Isso representou uma economia considerável de custos”. O OLS é revisado e atualizado a cada três meses pela equipe de TI da Brasco. Segundo Velloso, a Wilson Sons e a Brasco mantêm um programa de inovação que permite a cada colaborador sugerir novas ideias para qualquer processo. “Geralmente recebemos várias sugestões dos clientes para incluir novas funcionalidades no OLS e fazemos essas atualizações a cada três meses, porque quando se mexe no

sistema, muda-se a versão, então é preciso planejar o tempo de parada do sistema. Mas às vezes encurtamos esse período de atualização, dependendo da demanda do cliente”, explica. Ele cita como exemplo a forma de controle de içamento de equipamentos, que foi alterada diversas vezes em função das sugestões enviadas pelos colaboradores e clientes. A Brasco atua na Bacia de Santos, que fica em frente à Bacia da Guanabara, e ao sul da Bacia de Campos, e também possui capacidade para instalar e operar bases remotas em toda a costa brasileira, proporcionando serviços de recebimento e armazenamento de suprimentos para plataformas offshore, aluguel de contêineres, aquisição e fornecimento de materiais, movimentações de cargas e inspeção. “Temos uma fatia significativa desse mercado e já fizemos projetos para praticamente todas as companhias petrolíferas internacionais que trabalharam no Brasil”, conclui Velloso. Silvia Giurlani Brasco: (21) 2718-9265


Alimentando o agro Setor-chave para a economia brasileira, o agronegócio viu sua importância crescer em grande escala nos últimos anos, por continuar em destaque enquanto outros segmentos encolhiam com a crise. Responsável por um volume mais do que considerável das exportações nacionais, o setor tem na logística de escoamento uma atividade de determinante importância, mas existe outra faceta, tão ou mais relevante, que nem sempre é lembrada com a mesma intensidade: a logística inbound

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ue o agronegócio brasileiro está em alta, todo mundo sabe. Apesar de sempre ter sido um setor extremamente importante para o país, o fato de ter atravessado com relativa facilidade mesmo os mais profundos momentos da recessão que assolou o Brasil nos últimos anos elevou seu moral e colocou o segmento ainda mais em evidência. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio contribuiu com 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2017, índice que se configura na maior participação dos últimos 13 anos. Ainda segundo a entidade, a agricultura foi o setor da economia que mais colaborou para reduzir a inflação no Brasil no último ano, que foi de 2,95%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e

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LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO

Estatística (IBGE), bem abaixo dos 6,29% de 2016 e dos 10,67% de 2015. Por tudo isso, é natural que os prestadores de serviços de logística e transporte que lidam com as empresas desse setor possam colher os frutos de um mercado aquecido, que vem batendo recordes de produção e exportação. É impossível, porém, dissociar a logística do agronegócio de algumas imagens não tão animadoras, sobretudo no que diz respeito à infraestrutura nacional. Por muitas vezes estamparam as páginas da Revista Tecnologística reportagens sobre a precariedade de alguns corredores rodoviários essenciais para o escoamento da produção agrícola, a falta de investimentos em ferrovias ou os benefícios que uma maior utilização do modal hidroviário poderia trazer para o setor. Mas essa é somente uma ponta da cadeia, que trata do produto


Multicompetências

Divulgação Golden Cargo

A Golden Cargo é um exemplo de operaA forte tendência de dor logístico especialiterceirização de serviços zado no atendimento logísticos passa, inevitaao agronegócio, com 24 velmente, pela escolha anos de atuação e foco do prestador mais bem justamente nessa logíspreparado para atender tica de insumos. Com às necessidades particuuma frota própria comlares de cada empresa, posta por 260 veículos, levando em conta, em a principal carga moviespecial, o perfil da carmentada pela compaga que será armazenada nhia é o defensivo agríCastro: é preciso olhar para e transportada. Assim, à cola, o produto químico a logística do agronegócio medida que a prestação embalado, mas no escoem camadas de serviços logísticos po do abastecimento do amadurece, surgem mais e mais ope- agronegócio está também a semente, radores especializados, em um nítido que consiste em uma carga totalmente movimento de segmentação de acordo diferente. Por isso, Castro destaca que o com as exigências do mercado atendi- bom operador que presta serviços para do. Indústrias farmacêuticas buscam esse setor precisa reunir competências operadores peritos em lidar com medi- bastante abrangentes para executar seu camentos, redes de restaurantes optam trabalho com excelência. “A semente é por aqueles que possuem expertise no o segundo insumo mais importante de manuseio de alimentos, e assim por toda a cadeia do agronegócio, e como diante. Dessa maneira, os prestadores ela é um organismo vivo, requer cuidade serviços logísticos procuram se apro- dos e controles muito intensos quanto fundar cada vez mais no negócio de a temperatura e umidade, por exemplo, seus clientes, desenvolvendo compe- seja na armazenagem ou no transportências específicas para cada segmento. te. E o produto químico também exige

Divulgação Golden Cargo

final do agronegócio, e pouco se fala a respeito do trabalho dos operadores logísticos na outra ponta dessa cadeia, em operações extremamente complexas e que demandam variadas expertises para abastecer o setor: a chamada logística inbound. “É preciso olhar para a logística do agronegócio em camadas”, explica Oswaldo Castro Jr., diretor-geral da Golden Cargo. “Uma coisa são a soja e o milho, por exemplo. Esses são os produtos do setor. Já os insumos são um assunto totalmente diferente. Eles estão do outro lado da cadeia e viabilizam a produção, indo desde os defensivos agrícolas e fertilizantes até as sementes e os maquinários utilizados pelo segmento. E essa logística dos insumos é totalmente diferente, desconectada e sem qualquer sinergia com a logística do escoamento dos produtos”, enfatiza o executivo. É claro que o trabalho do operador logístico na ponta final de toda essa cadeia acaba ficando muito mais em evidência, justamente por envolver a exportação da produção agrícola nacional, uma das maiores riquezas do país. Vale lembrar que o Brasil exportou, em 2017, 68,15 milhões de toneladas de soja, que representaram um crescimento de aproximadamente 32% na comparação com 2016, e 29,24 milhões de toneladas de milho, acréscimo de quase 34% diante do ano anterior. O Brasil ficou atrás somente dos Estados Unidos nos números de exportação desses dois commodities agrícolas, e a briga pela liderança em 2018 promete ser boa. Mas nossa intenção aqui é falar sobre o trabalho logístico que antecede tudo isso, que dá suporte para a indústria agrícola e sem o qual nenhum desses números sequer seria possível. “Quando o assunto é o agronegócio, muito se fala sobre a logística outbound, mas a logística inbound merece destaque também”, resume Castro.

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LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO

Divulgação Toniato

muitos cuidados, mas transporte do produbastante diferentes da to final. A companhia semente. Inclusive estransporta anualmente tamos falando de duas 1 milhão de toneladas cargas que não são, de carga para o setor, obviamente, armazesendo 35% desse total nadas ou transportadas compostos por agrojuntas. A sinergia básica químicos embalados. entre elas é o ponto de “São produtos químientrega, que é o mescos nacionais e impormo, mas antes disso tados, formulados nas as diferenças são granindústrias ligadas ao des. E a própria entrega setor e distribuídos em Façanha: know-how do acontece em momentos todo o território naciooperador que atua no segmento distintos, porque são nal”, explica Façanha. precisa ser bastante variado cargas complementares Presença in loco dentro da sazonalidade do agronegócio, pensando até mesmo na sequência “A logística de distribuição se mislógica desse mercado, de preparação da terra, plantio, etc.”. De acordo com o tura muito com a própria produção executivo, a Golden Cargo transporta do segmento”, frisa Castro. De acordo aproximadamente 220 mil toneladas com o executivo, o trabalho do operador logístico que atua no inbound do de cargas anualmente. André Luís Façanha, diretor-presi- agronegócio não termina na entrega dente do Grupo Toniato, compactua do insumo. “No caso do defensivo, o com a opinião de que o operador lo- operador pode aplicar o produto. E aí gístico que atua no agronegócio preci- o negócio dele não é mais somente o sa apresentar um know-how bastante herbicida por quantidade entregue, variado. “O segmento é extremamente mas por quantidade aplicada. Assim especializado e exige uma gestão que ele passa a fazer parte do resultado da leve em conta todas suas variáveis”. Ele plantação do cliente”. O executivo explica que a Golden salienta ainda como fatores intrínsecos ao setor a necessidade de contar com Cargo sempre foi bastante conectada à uma forte gestão de risco, por trabalhar indústria, e hoje está se posicionando com produtos químicos e, em muitos também junto ao canal distribuidor e casos, de alto valor agregado, a ampla ao próprio produtor. Um exemplo disso exigência de regulamentação, com ele- são os projetos de suprimento assistido, vados custos para se obter e manter to- que consistem em monitorar a cadeia das as licenças aplicáveis, a necessidade junto ao cliente para entregar o produto de contar com uma elevada qualifica- o mais próximo possível do momento ção de toda a mão de obra e os investi- da utilização. “Assim, evitamos riscos na mentos fortes em frota própria. “Enfim, atividade de armazenagem, como a eso setor exige variadas competências e tocagem por um longo período em um também foco empresarial para assegu- local inapropriado, por exemplo. Estarar o nível de serviço adequado ao mer- mos cada vez mais envolvidos com esse tipo de solução.” cado”, sintetiza. A participação do operador logístiO Grupo Toniato atua há 43 anos na logística do agronegócio e está co na plantação pode acontecer tampresente em toda a cadeia do segmen- bém na prestação dos serviços conheto, da importação de insumos até o cidos no segmento como CCT (corte, 54 - Revista Tecnologística - Março 2018

colheita e transporte) e CTT (corte, transbordo e transporte), que consistem na terceirização de mão de obra e de equipamentos por parte do cliente para a realização dessas tarefas. Os serviços incluem atividades que vão além das competências de uma empresa de logística, tornando o prestador muito mais integrado ao negócio do cliente. Fabio Bertollo, diretor de Operações da Gafor, conta que a companhia possui profundo know-how nesses serviços, mas eles tiveram que ser descontinuados devido às leis de terceirização brasileiras, já que o corte e a colheita realizados nas plantações são atividades-fim das empresas do agronegócio. Agora, com a nova lei da terceirização (nº 13.429, de 31 de março de 2017), esse tipo de trabalho deve voltar à tona. “Já atuamos com essas atividades no passado e temos experiência para atender aos clientes. Realizamos um projeto específico para cada cliente, no qual detalhamos cada necessidade e dimensionamos a equipe e os equipamentos para um perfeito atendimento. São atividades bastante importantes, e agora nós poderemos voltar a realizá-las. Temos boas perspectivas quanto a isso. Nossa percepção é de que na próxima safra essas oportunidades vão aflorar no mercado”. Atualmente, o agronegócio é responsável por 25% das receitas totais da Gafor, que nasceu em 1951 atuando no transporte rodoviário. A cana-de-açúcar é a carga mais movimentada pela companhia para o setor, seguida pelos defensivos agrícolas e pelos fertilizantes. O executivo destaca ainda os serviços de abastecimento e lubrificação de máquinas como um grande diferencial da Gafor. “Existe certa dificuldade de se deslocar as máquinas que atuam nas plantações para oficinas, por exemplo. Com exceção de uma revisão ou de um problema mais grave, em que elas precisem mesmo ser encaminhadas para o conserto, de uma maneira geral no


dia a dia elas estão o tempo todo em campo. Então nós desenvolvemos esse trabalho, que é realizado por comboios de abastecimento e lubrificação. Eles contam com computadores de bordo com comunicação sem fio que coletam os dados das máquinas, tudo feito com uso de tecnologia, sem preenchimento de planilhas e trabalhos manuais, com as máquinas conversando entre si”. Bertollo explica que, de posse desses dados, a Gafor é capaz de fornecer ao cliente uma visão geral das máquinas, para que ele decida que atitudes tomar. “É um serviço bastante diferenciado, que demanda treinamento específico dos motoristas e ajudantes para fazer, além do abastecimento, a lubrificação das partes necessárias, além de trocas de óleo e de filtros, o que pode ser conside-

rado uma manutenção primária. Tudo isso garante um trabalho mais assertivo e uma melhor produtividade das máquinas, com menos paradas”. Bertollo cita que essa atividade já é realizada há um bom tempo para uma companhia do setor de papel e celulose e que a Gafor está no momento em negociação para oferecê-la para outra empresa do mesmo segmento, além de estar desenvolvendo um trabalho para realizar esse tipo de serviço no setor sucroalcooleiro, junto às usinas de cana-de-açúcar. “Com certeza é um serviço que vai agregar muito valor para esse mercado”, completa. Outra atividade muito importante na logística do agronegócio e que, ainda que não aconteça diretamente na plantação, merece destaque é a logística reversa, em especial no que diz respeito

ao retorno das embalagens de produtos químicos, para que recebam a devida destinação. Apesar de muitas vezes a logística reversa ainda ser vista como um custo, trata-se de uma obrigação legal e, de acordo com os executivos, existem boas oportunidades dentro dessa atividade que podem ser trabalhadas. “O custo da logística reversa está embutido no valor do produto. Na verdade o processo de venda da indústria só se encerra depois do retorno da embalagem”, explica Castro. Ele conta que o projeto chamado Sistema Campo Limpo, do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), é um verdadeiro case de sucesso. “Hoje o Brasil é um modelo nesse assunto. Quase 95% das embalagens de defensivos agrícolas são recicladas”, exalta.


LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO

Divulgação Gafor

Por se tratar de um mercado com inúmeras particularidades e com exigências tão específicas, é natural imaginar que a prestação de serviços logísticos para o agronegócio deve estar concentrada nas mãos dos grandes operadores, que se sobressaem e apresentam muitas vantagens competitivas, cobrindo todas as possíveis necessidades dos clientes. Bertollo alerta para o fato, porém, de que de uma maneira geral os players do setor muitas vezes não se atentam para as vantagens de contar com um parceiro logístico que ofereça soluções mais completas, buscando, invariavelmente, somente a terceirização da atividade de transporte. “Temos que quebrar esse paradigma, mostrar a geração de valor para o cliente. Existe ainda no setor a utilização frequente de pequenas empresas ou até mesmo autônomos. Porém, com a crescente responsabilização das empresas contratantes por passivos trabalhistas, esse padrão de contratação tem sofrido mudanças. Entendemos que nos próximos anos nossa atuação responsável será de fato um grande diferencial”. Para

o executivo, isso pode a oferecer soluções em se configurar em granbloco, para que nós posdes oportunidades no samos atender grupos mercado futuro para de empresas. Havendo o operador logístico escala, nós permitimos que é realmente foque elas tenham acesso cado no agronegócio. a esses serviços.” “A médio prazo, tudo Façanha destaca o isso vai ser revertido Projeto Inteligência Lopara uma profissionagística no Campo lançalização muito maior”, do pelo Grupo Toniato completa Bertollo. em 2010. “Trata-se de Isso se deve pelo uma prestação de serBertollo: lei da terceirização deve viço de consultoria lofato de que, fundatrazer de volta à tona operações mentalmente, o agrogística para toda cadeia como CCT e CTT negócio brasileiro aindo agronegócio. Nossos da pode ser considerado um setor de consultores conhecem os desafios do contrastes, que, ao mesmo tempo com setor e com muita competência levam que lida com as mais avançadas tec- as boas práticas de logística para os nologias em alguns casos, apresenta clientes dos nossos clientes”. De acoralgumas operações de players menores do com ele, a iniciativa foi implantaque podem ser consideradas mais pre- da devido à percepção de que existem cárias. Para Castro, os players do agro- ainda muitos gargalos logísticos nos negócio de uma maneira geral já per- destinos dos produtos agroquímicos. cebem a importância de contar com “Faltavam armazém adequado ao risco operadores especializados. “Isso ema- do produto, docas, empilhadeiras, porna da própria indústria, que reconhece ta-paletes, tecnologia, padrões de proo valor da expertise. Mas há também cessos, procedimentos, correto dimenpequenos players, que não têm poder sionamento, pessoal treinado, dentre para contratar grandes operadores, e outros pontos. Enfim, condições bápara isso existe um trabalho voltado sicas para termos alta produtividade, com segurança e o menor custo total possível”, indica. “Com esse projeto, conseguimos elevar a régua do mercado como um todo e contribuir para que todos tenham os melhores resultados. Ficamos muito felizes por hoje o Grupo Toniato ser reconhecido pelos clientes dos clientes como agente de transformação da logística do agronegócio, atuando nas revendas, cooperativas, distribuidores e produtores”, finaliza o diretor-presidente. Divulgação Gafor

Evolução do setor

Fernando Fischer CNA: (61) 2109-1400 Gafor: (11) 2107-3100 Golden Cargo: (11) 2133-8800 Grupo Toniato: (11) 3478-0809 56 - Revista Tecnologística - Março 2018


ARTIGO

Divulgação

Mapeamento de fluxo de valor simplificado para a logística lean Um caso aplicado à produção e distribuição de concreto usinado Rogério Garcia Bañolas

2ª parte

MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR SIMPLIFICADO

N

a primeira parte deste artigo foi demonstrado como se pode simplificar o Mapa de Fluxo de Valor (MFV). Esta segunda parte se dedica à implementação da situação futura melhorada e ao atingimento da meta. A meta específica deste caso é reduzir o tempo de entrega em 16% e será demonstrado a seguir como o mapeamento de fluxo de valor futuro pode ser substituído por um plano de ações. Relembrando, este caso está centrado em duas questões muito caras às empresas de logística: reduzir o tempo de entrega e utilizar menos tempo da equipe para fazer essa melhoria.

Figura 1

58 - Revista Tecnologística - Março 2018


ARTIGO

pressivos. A maioria dos materiais não é perecível como o concreto. Entretanto, não há nada nessa simplificação que impeça que os desperdícios de material, as faltas de estoque e os excessos de estoque sejam mapeados para o caso geral da construção civil. Entretanto, uma das premissas para a simplificação e adaptação ao problema específico permanece a mesma: utilizar um profissional experiente em lean para fazer as análises e ajudar na formulação de soluções. O MFV simplificado tem esta Fluxo de informações sequência: – Exploração inicial do processo: Fluxo de materiais Listar processos e subprocessos; Tour inicial pelos processos; Acompanhamento inicial in loco, junto aos operadores/pessoal de linha de frente; Entrevistas iniciais com as áreas. – Pontuação inicial de alavancagem/ resultado/esforço (o que priorizar?). Figura 4 – Investigação no local e no ram considerados nove símbolos, incluindo uma caimomento em que os processos acontecem (determixa de informações para descrever as principais perdas. nar a profundidade da observação, conforme os resulEntão, fez-se mais uma simplificação para o estudo de tados encontrados). caso em questão (figura 4). – Repontuar a alavancagem. Essas simplificações visaram reduzir o desperdício – Discutir soluções para os processos priorizados. de tempo no próprio mapeamento, de modo que se fo– Desenvolver o plano de ação com a equipe. casse nas perdas mais importantes em primeiro lugar e No tour inicial já se tem uma ideia da importância ensejasse ações para eliminá-las, como será verificado relativa dos processos e subprocessos. Surgem então a seguir. algumas dissonâncias entre os problemas expostos Cabe especular se é possível estender essas simpela gerência como mais importantes e a observação plificações para outros processos logísticos, especialdos processos reais feita pelo mapeador do fluxo. É mente aqueles da construção civil. Nessa indústria existe a frequenProcesso Tempos (minutos) Perdas (minutos) Descrição da perda te queixa sobre a qualificação da Carregamento 26 7 Perda no carregamento em si mão de obra, razão pela qual uma 11 Lavagem e ajuste linguagem simplificada seria bemLacrar e pegar NF 3 -vinda. É de se supor que os desperTransporte à obra 38 dícios sejam mais bem entendidos Tempo de espera 23 23 Espera antes de aplicar concreto e a participação dos empregados Aplicação do concreto 64 seja facilitada. Retorno à usina 36 No cenário geral da construção Total (lead Ɵme ) 187 44 Total de perdas civil, diferentemente desse caso esQuadro 1 pecífico, os estoques são mais exSIMBOLOGIA SIMPLIFICADA UTILIZADA PARA O MAPEAMENTO DO FLUXO DE VALOR

60 - Revista Tecnologística - Março 2018


METAS DE REDUÇÃO DE TEMPOS

meta red. tempos

T. CARGA T. ESPERA T. DESCARGA T. TRAJETO T. RETORNO

Figura 5

feita uma pontuação inicial de alavancagem da melhoria de cada processo. Maior alavancagem implica menor esforço dispendido em relação ao resultado obtido. A ordem decrescente do índice de alavancagem indica a prioridade das ações. Mas é na investigação in loco que os problemas e as oportunidades maiores ficam mais evidentes. Como consequência, uma revisão da alavancagem é conduzida juntamente com a gerência. No MFV simplificado (figura 1), os principais desperdícios e problemas são indicados nas caixas de dados, que têm menos informações que o MFV tradicional. Na lavagem e ajuste de dosagem do slump, estão registrados os principais desperdícios: dosagem despadronizada, limpeza do funil (evitável se não sujá-lo), desperdício de água e o atraso causado pela lavagem externa do caminhão.

Estabelecendo as metas No MFV simplificado coerentemente como expressa a figura 1, somente os tempos de processo no eixo do fluxo de valor são medidos e registrados no mapa simplificado. O lead time, considerando do início do carregamento até o retorno do caminhão-betoneira à usina, resultou em 187 minutos, sendo que potencialmente 44 minutos poderiam ser eliminados (quadro 1). Desconsiderando o tempo de retorno à usina, porque ele não influi no prazo do cliente, a redução de tempo implicaria uma diminuição de 29% do lead time (44 minutos/151 minutos). Obviamente não se pode eliminar todos os tempos perdidos, como o tempo de espera antes de apli-

car o concreto. Contudo, há de se lembrar que muitas perdas não foram contabilizadas, tais como as perdas de tempo na aplicação do concreto (eliminar vazamentos e a impossibilidade de descarregar porque a rede elétrica impede a movimentação da lança). Após a empresa decidir-se focar na redução dos prazos de atendimento ao cliente, foram estabelecidas as metas, levando-se em consideração os tempos medidos e o mapeamento do fluxo de valor. Os tempos e as perdas observadas deram segurança para fixar as metas de redução de lead time (figura 5). A meta acordada entre a consultoria e a gerência foi de redução de 16% no lead time, considerando o tempo de retorno. A partir da análise sobre a viabilidade da meta, foi desenvolvido um plano de ação para dar conta desse objetivo.

Plano de ação como MFV futuro Tradicionalmente, após o mapeamento do estado atual, é desenhado um MFV futuro para expressar aonde se quer chegar após a implementação das ações. Entretanto, a discussão sobre o MFV atual é mais importante que o próprio mapa futuro em si, pois gera consciência sobre os problemas e suas causas. Ainda, as possíveis soluções trazidas pela equipe são colocadas em pauta, o que tende a facilitar o consenso na formulação do plano de ação. A simplicidade das ações iniciais, como se pode observar na figura 6, é mais uma das razões para fazer o plano de ação como substituto para o MFV futuro. Nesse caso, o plano de ação é mais específico que um MFV futuro, pois mostra as ações detalhadas e como será alcançado o estado futuro. Além disso, fica claro para a equipe quais itens do plano de ação contribuem

Quadro 2

Março 2018 - Revista Tecnologística - 61


ARTIGO

PLANO DE AÇÃO DO GRUPO DE TRABALHO Aumento da eficiência de operações (tempos) UNIDADE DE CONCRETO USINADO 1 Item

O que fazer

Onde

Quem

Quando

Como

1

Organização de fila de chegada

Para diminuir as perdas de tempo para procura do próximo caminhão

Por quê

Usina 1

J.

28/mai

Formar fila conforme ordem de carregamento

2

Colocação de campainha externa com maior potência para chamar motorista para carregamento

Para substituir chamada verbal, para que motoristas sempre ouçam

Usina 1

E.

28/mai

Sinalizar caminhão 5 minutos antes do momento da carga

3

Colocar tachões no pátio de carga

Sinalizar as manobras dos caminhões para padronizá-las e ganhar tempo

Usina 1

E.

21/jun

Fixar nas laterais da fila

4

Pintar/identificar local de colocação da mangueira do reservatório do balão

Evitar que o motorista perca tempo e esforço para juntar a mangueira do chão

Usina 1

J.

23/jun

Com tinta amarela

5

Testar e instalar chuveirinho e funil para diminuição do pó na carga

Sujar menos o caminhão para ganhar tempo na lavagem

Usina 1

D./P.

13/jul

Cortina de água com tubo, por dentro, em volta do funil de carga cuidando para dar a mesma vazão de hoje

6

Emitir NF antes e entregar para o motorista anexando roteiro (mapa) e lacre

Evitar perda de tempo na saída, perda de tempo no trajeto e perdas por espera por NF

Usina 1

D.

7

Fazer programação das largadas conforme horário das obras iniciais

Para ganhar tempo no início do dia

Usina 1

G./C./FL.

8

Evitar que se desloque um caminhão Revisar as condições de horário até a obra sem que a mesma esteja inicial das obras diariamente preparada para descarregar o (largadas) concreto no horário estipulado

Usina 1

EG.

9

Conscientizar todos os motoristas do padrão de largada

Usina 1

E.

Para evitar atrasos na largada

Fazer ajuste no programa gerencial para que seja 06/jun adicionado o tempo de carga no horário da NF e implantar entrega da NF antes Calcular diariamente o horário de chegada de cada motorista 18/jun de caminhão subtraindo os tempos de trajeto do horário programado na obra Atuar como “batedor” visitando obra com antecedência, 18/jun verificando se haverá entrega na data programada e o horário de início da obra 26/mai

Reuniões com motoristas

10

Visitar as obras - um dia antes (horários, acesso, ...)

Evitar perdas de tempo por cancelamentos inesperados ou não preparação da obra

11

Elaborar um checklist com lista de itens pré-elaborada

Evitar que pontos importantes que afetam os tempos de espera na obra sejam esquecidos ou não sejam verificados

Usina 1

D./EG.

12

Avaliar o desempenho do checklist para verificar/ justificar a criação da função de preparador

As perdas por espera, que são grandes, podem ser diminuídas

Usina 1

D./FL./RB.

15/jul

Instalando mangueiras BPL com antecedência, corrigindo falta de pessoal na obra, desobstruindo acessos, etc.

13

Colocar a impressora de NF na sala central

Zerar espera por NF

Usina 1

D./FL./RB.

15/jul

Reposicionar cabos para sala central

14

Colocação de hidrômetro nos caminhões e no pedestal

Para reduzir tempo e perdas por slump e material devidos à imprecisão do volume que volta no balão

Usina 1

P.

09/jul

Colocando hidrômetro no pedestal de dosagem e nos caminhões

15

Sincronizar chegada de caminhão-betoneira com caminhão-lança

Para reduzir espera de caminhão-betoneira

Usina 1

G.

25/jun

Colocar programação de c.-lança como entrada de programação de c.-betoneira

16

Padronizar dosagens de água para acertar slump

Reduzir tempo de dosagem e melhorar qualidade do concreto

Usina 1

FL./FA.

16/jul

Elaborar tabelas de referência de dosagem de água

Reduzir tempo para procurar mangueiras, buscar materiais e acessórios

Caminhão-lança

J.

23/jul

Elaborar lista-padrão de materiais

Padronizar materiais do 17 caminhão-lança (mangueiras, sacos de cimento)

Usina 1

EG.

Todas as obras com concreto 26/mai bombeado e outras quando houver tempo Colocar comprimentos de mangueira, saco de cimento, etc. 26/mai e incluir no checklist o horário mais cedo possível para o início da concretagem

18

Prover roteiro para o motorista

Evitar erros de endereço de entrega

Caminhões

G.

18/jun

19

Reduzir tempo e volume de água de limpeza do balão no retorno

Evitar que caminhão pare na estrada (tempo) e elimine restos no caminho

Caminhões-betoneira

EG.

16/jul

Figura 6

para a redução de quais tempos do lead time total de entrega (quadro 2).

Conclusões e aplicações futuras O estudo de caso mostrou que é possível utili62 - Revista Tecnologística - Março 2018

zar um MFV simplificado para melhorar os resultados e que, ao mesmo tempo, ele respeita os fundamentos do lean. Os principais desperdícios foram avaliados destacando-se aqueles com maior alavancagem na implementação. As simplificações basearam-se principalmente na premissa de que as melhorias são incrementais, que menos símbolos podem cumprir o propósito do MFV, que um mapa futuro pode ser substituído por um plano de ação e que um profissional experiente em lean pode conduzir esse trabalho. A simplificação mostra-se particularmente útil quando a empresa tem restrições de recursos humanos e de tempo – aspectos muito comuns na logística da construção civil – para realizar as atividades de melhoria. Aparentemente não há empecilho para aplicar uma estrutura de mapeamento de valor simplificada na construção civil. Decorre daí uma perspectiva particularmente interessante: experimentar o MFV simplificado em outros processos de produção e logística da construção civil com vantagens em relação ao MFV tradicional. A expectativa é que menos esforço, tempo e custo sejam despendidos na atividade-meio.

Referências

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turado de http://www.prolean.com.br/nao-ha-8-perdas-parte-iv/ em 07/10/2016. BOVET, David; MARTHA, J. Value Nets, 2000. BOWERSOX, Donald e CLOSS, David. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2010. BYRNE, Art. Lean turnaround: a grande virada. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2014. PAIS, Alain. “Sutil é o Senhor...”: a ciência e a vida de Albert Einstein. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. ROTHER, Mike; SHOOK, John. Aprendendo a enxergar. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2003. SHINGO, Shigeo. O Sistema Toyota de Produção do ponto de vista da engenharia de produção. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. TORRES, Alvair; WECHSLER, Ana; FAVARO, Cleber. A Model of Organizational Trajectories to Innovation Management. Journal of Technology Management &

Innovation. Chile, 2007, vol. 2, ed. 1. WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. Lean Thinking: banish waste and create wealth in your corporation. New York: Free Press, 2003. Rogério Garcia Bañolas Sócio-consultor na Prolean banolas@prolean.com.br (51) 3037-3452 Coautoria: Sérgio Loureiro da Silva Pesquisador do Laboratório de Aprendizagem em Logística e Transportes (Lalt) e professor colaborador da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) saloureiro@gmail.com Colaboração: Iris Bento Silva Professor de Engenharia na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) ibs@sc.usp.br


PRODUTOS

Plataforma para logística e gestão de ativos, da Atech A Atech, empresa do Grupo Embraer especializada no desenvolvimento de tecnologias para apoio à tomada de decisão, lançou no mercado brasileiro a plataforma Okto, que integra soluções voltadas para logística e para a gestão de ativos. No que diz respeito aos ativos, a solução proporciona toda a gestão para prevenção de falhas e antecipação de eventos que possam interromper a operação. O Okto monitora as condições dos ativos, planeja, programa e gerencia a execução de manutenções, realizando uma gestão estratégica. Na parte de soluções para logística, a plataforma faz a

gestão e a governança dos processos globais, integrada com sistemas industriais e administrativos. Com profunda expertise em engenharia de sistemas e tecnologias de consciência situacional, a Atech trabalha no desenvolvimento de soluções com aplicações nas áreas de tráfego aéreo, sistemas de comando e controle, sistemas de instrumentação e controle, sistemas embarcados, simuladores, gestão de ativos, segurança digital, conexões inteligentes e logística. (11) 3103-4600

Equipamentos elétricos com baterias de íon-lítio, da Hyster-Yale

Divulgação

A fabricante de equipamentos de movimentação Hyster-Yale e a Somov, distribuidora autorizada de ambas as marcas, passaram a oferecer versões com baterias de íon-lítio dos equipamentos elétricos comercializados no Brasil, solução que já vem sendo oferecida em outros países. “A principal vantagem dessa tecnologia é a durabilidade da bateria, uma vez que ela oferece 24 horas de operação sem trocas, com a utilização de cargas de oportunidade. Além disso, essas baterias têm cinco anos de garantia, contra apenas três das demais”, diz o gerente de Estratégia em Equipamentos Elétricos do Hyster-Yale Group, Norival Capassi. A solução está disponível para grande parte do portfólio das duas marcas de empilhadeiras e paleteiras elétricas. A Somov distribui equipamentos da marca Hyster nas regiões

64 - Revista Tecnologística - Março 2018

Norte, Sudeste, Centro-Oeste e no estado do Maranhão, e da marca Yale no estado de São Paulo. Para o gerente Comercial da Somov, Vinicius Freitas, essa tecnologia é uma tendência que veio para ficar. “Já estamos verificando uma demanda do mercado e muitos clientes têm gostado de saber que essa tecnologia traz vantagens especialmente no que diz respeito ao custo da operação e em produtividade”, afirma. Outro aspecto ressaltado está relacionado à vida útil das baterias de íon-lítio, que pode alcançar de 5 mil a 7 mil ciclos de recarga, três vezes maior na comparação com os 1.500 ciclos das de chumbo-ácido. Mais uma vantagem é o descarte, que pode ser feito sem burocracia, enquanto as de chumbo devem seguir um descarte especial devido às normas ambientais pelo seu alto potencial de contaminação. Elas ainda eliminam a necessidade de contar com sala de baterias, o que acaba fazendo a diferença no dia a dia das operações. (11) 4772-0800

Dispositivo para separação e montagem de pedidos, da SI Systems A Invent, companhia que atua no segmento de otimização de processos de intralogística, traz para o no Brasil o A-Frame. Fabricado pela empresa americana SI Systems, o dispositivo tem como objetivo garantir precisão e rapidez na montagem de pedidos, além de tornar a separação de produtos até 80% mais rápida, garantindo, segundo a empresa, economia de tempo e recursos. O A-Frame é modular e tem capacidade para distribuir, ao todo, até 64 produtos diferentes. Há duas opções: móvel, com capacidade para separar até 2 mil itens por hora, e fixo, que alcança até 4.200 artigos por hora. O equipamento trabalha com produtos de até 0,45 kg e que tenham no máximo 250 mm de largura por 300 mm de comprimento. O vice-presidente Técnico da Invent, Igor Uliana, diz que o produto é uma máquina bastante adaptável para armazéns, galpões e centros de distribuição de diferentes portes e voltada a pedidos de altíssimo fluxo. “Cada dispenser consegue inserir até cinco itens por segundo”, diz. Segundo ele, com a expansão dos e-commerces, o A-Frame é uma alternativa acessível para melhorar a logística até mesmo de operações de menor porte. Isso porque cada módulo, com capacidade para operar 16 produtos diferentes, tem 1,4 m de comprimento, permitindo sua instalação em locais pequenos. “Em negócios especializados, essa é uma boa opção para tornar a montagem de pedidos mais rápida e eliminar erros que podem custar caro no futuro”, afirma. (11) 2833-0005


Divulgação

Ferramentas de gestão de frota, da ValeCard

A ValeCard, empresa de meios de pagamento e gerenciamento de frotas, apresenta ao mercado três produtos: um serviço on-line que integra informações dos custos de manutenção da frota; o Plano de Viagem, sistema que permite às empresas definirem previamente as rotas; e o aplicativo Transação Off-line, ferramenta que controla a quantidade de combustível. A primeira novidade integra todas as informações dos custos de manutenção da frota com qualquer sistema de gestão usado pela empresa. A ferramenta está vinculada ao serviço de manutenção de frota oferecido pela ValeCard, que, por meio de mecânicas conveniadas, permite que a empresa de frota aprove a realização de serviços, escolha quais peças serão usadas e tenha o melhor custo-benefício com a mão de obra. Com a solução, o gestor ainda conectará todas as informações desse serviço com o seu sistema interno. Para ter acesso às informações, a empresa que já utiliza os serviços da ValeCard deve solicitar um token e uma senha para acessar a ferramenta. Assim que receber os dados, poderá acessar o sistema e receber todas as informações fornecendo apenas o período que deseja pesquisar. A segunda novidade é o Plano de Viagem, sistema que permite às empresas definirem previamente a rota a ser seguida por seus motoristas. Além de traçar a rota, o produto permite que o empregador consulte os postos de combustível mais próximos à rota,

além dos preços. Dessa forma, é possível estabelecer o caminho que proporcionará o menor gasto e identificar a quantidade de litros e valores que serão abastecidos em cada posto. Traçada a rota do motorista e definida a quantidade que será abastecida em cada posto, não será possível abastecer em nenhum outro posto que não for aquele preestabelecido pelo gestor, mesmo que seja um estabelecimento credenciado à ValeCard. Para começar a usar o Plano de Viagem, a empresa precisa ser cliente do produto de abastecimento da ValeCard e solicitar acesso ao sistema. O último produto apresentado é o aplicativo Transação Off-line, que tem como objetivo controlar a quantidade de combustível disponível em tanques localizados dentro das próprias empresas sem acesso à internet e conexão de telefone. Na prática, após o fornecimento de combustível, o usuário responsável pelo abastecimento dos veículos na empresa acessa o aplicativo, com login e senha individuais, e preenche os dados solicitados, como matrícula, número do cartão e quantidade abastecida. Todas as informações são gravadas em um aparelho celular disponibilizado pela empresa. Posteriormente, ao entrar em uma área com sinal de internet, as informações são enviadas para o sistema de gestão de frotas da ValeCard, o Siag. Além disso, a bomba interna usada estará sempre atrelada ao usuário que controla os abastecimentos, o que torna as informações sobre as transações mais seguras. A ferramenta é direcionada para gestores que já usam o sistema de gestão de frotas da ValeCard. Há outra funcionalidade. É possível marcar quais veículos daquela frota irão fazer o abastecimento no modo off-line. Inicialmente, a primeira versão do aplicativo está disponível apenas para o sistema operacional Android. 0800 701-7066


PRODUTOS

Segundo a empresa, a meta com o novo serviço é solucionar as dificuldades que os embarcadores de carga de lotação vêm enfrentando atualmente no modal rodoviário, com a falta de equipamentos para o transporte de seus produtos para o Mercosul. De acordo com o CEO do Grupo TGA, Adilson Santos, há uma oferta de carga completa (Full Truck Load) para transporte internacional bem maior que a oferta desse tipo de transporte, fazendo com que os embarcadores fiquem com suas cargas paradas por muito tempo nos armazéns. “Essa situação é ruim tanto para as empresas, que não conseguem escoar a carga rapidamente, como para as transportadoras, que não suportam fretes exclusivos FTL todos os dias para o exterior, por

Gestão de pedágio para o mercado corporativo, da Repom A Repom, marca do grupo Edenred Brasil que desenvolve soluções para o mercado de transporte rodoviário de carga, lança a ferramenta Gestão de Pedágio, para controle e pagamento automático via tag, com foco no mercado corporativo. A novidade conta com os serviços da Move Mais e oferece às empresas uma maneira de organizar e gerenciar as previsões e os custos com pedágios. O diretor-geral da Repom, Thomas Gautier, explica que a solução proporciona, além do controle, um acompanhamento on-line e uma visão integrada dos custos. “Isso faz com que a análise dos dados seja completa e mais ágil, facilitando as tomadas de decisão mais estratégicas”, garante. O produto foi desenvolvido para atender às necessidades dos gestores de frotas de veículos leves e pesados. 66 - Revista Tecnologística - Março 2018

Com ele, o cliente pode gerenciar os gastos com pedágio por meio de relatórios com filtros, cadastrar veículos e solicitar e vincular tags de maneira on-line. Pela solução também é possível visualizar os créditos de vale-pedágio recebidos pelo transportador e como esses créditos estão sendo utilizados. Além disso, permite que o transportador faça a ativação do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC) digital, facilitando o atendimento às normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Sem revelar detalhes, a companhia adianta que ao longo do primeiro semestre de 2018 outras funcionalidades serão lançadas a fim de que as necessidades dos clientes sejam incorporadas ao produto. (11) 4166-7546

Divulgação

O Grupo TGA, empresa que fornece soluções para a consolidação de cargas terrestres e marítimas no Brasil e na América Latina, lança o Consolido. com.br, serviço de transporte rodoviário internacional de carga fracionada (Less Than Truck Load) para embarcadores que precisam transportar carga seca para os países do Mercosul, em tempo hábil para a distribuição de seus produtos na região. Trata-se de uma evolução de um serviço de carga fracionada já disponibilizado pela TGA. Agora, porém, a empresa assumiu a gestão de movimentar mais cargas de menos clientes em cada carreta. No Consolido.com.br é possível transportar, com saídas diárias, os itens de até três clientes por carreta, cada um deles ocupando até um terço do implemento.

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Serviço de carga fracionada para o Mercosul, do Grupo TGA

questões econômicas e logísticas”, diz. O executivo explica a dinâmica do novo serviço. “O que fazemos no Consolido.com.br é consolidar diariamente parte das cargas de lotação em um mesmo veículo, no sistema fracionado, para que elas possam ser transportadas juntas e chegar ao seu destino mais rapidamente”, resume. Dessa forma, destaca Santos, grandes embarcadores podem abastecer semanalmente e atender de forma contínua e eficiente seus clientes no exterior. (11) 3464-8181

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO Aliança....................................................19 App Tecnologística..........................3ª capa Bresco...............................................4ª capa BTP......................................................63 Clark......................................................31 Conlog..................................................23 Cushman...............................................37 DP World................................................55 Friovale.................................................51 GLP...................................................15 Ilos......................................................57 Intermodal.............................................21 Jacto Clean..............................................07 JSL......................................................13 L. Amorim................................................65 Log Frio...................................................11 Logjun.................................................39 Quality...................................................17 Real Brokers.............................................09 Retrak...............................................47 Still................................................41 Suzanlog...........................................2ª capa TPC......................................................05 Visilog....................................................29 Yale..................................................33 Ynova.....................................................25


Revista Tecnologística Ed.259 - Março 2018  

Empilhadeiras: Recuperação da economia eleva a confiança dos players do mercado em um 2018 ainda melhor que o último ano. Acessórios a servi...

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