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Editorial

Palavra do Provincial JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

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Jornada Mundial da Juventude (JMJ) reúne milhares de jovens católicos do mundo inteiro para celebrar a fé em Jesus Cristo e mostrar, ao mundo, o rosto jovem da Igreja. Através das missas, pregações, palestras, orações, momentos recreativos e culturais, é oferecida aos jovens uma formação qualificada. A JMJ foi instituída por São João Paulo II; sendo a primeira realizada em Roma em 1986. Atualmente acontece de dois em dois anos, sendo o local escolhido pelo Papa. A próxima será em Cracóvia (Polônia), no período de 26 a 31 de julho de 2016, e inserida no Ano Santo da Misericórdia, terá como

tema: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Na mensagem para a JMJ de Cracóvia, o Papa Francisco afirma que será um verdadeiro e próprio Jubileu dos jovens em nível mundial. Da Província do Rio de Janeiro irão 20 jovens e dois padres: 9 da Igreja São José de Belo Horizonte, 8 do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Campos, 3 da Paróquia São Sebastião de Cel. Fabriciano e os Padres Flávio e Zambom. Estes jovens estão muito contentes por esta bela oportunidade e com muitas expectativas: “Estou muito contente pela oportunidade de vivenciar este momento ímpar que envolve jovens de

Expediente: Coordenação: Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. Jornalista Responsável: Silvia Carvalho - MTB: 5.917 Projeto gráfico: SM Propaganda Ltda Impressão: Gráfica América Tiragem: 2.000 exemplares

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diversas nacionalidades em busca de um mesmo objetivo, de vivenciar este pluralismo cultural, mas com a mesma mística que é a de estar em sintonia com o Redentor”. (Ludmila – Coronel Fabriciano- MG) “É uma ansiedade muito grande termos a oportunidade de representar o Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Campos RJ, seguindo o exemplo do Redentor no caminho da evangelização”. (Thamires Linhares – Campos dos

Goytacazes–RJ) “Ir à JMJ é uma oportunidade única e será uma experiência inesquecível na minha caminhada, representando a JUMIRE da Igreja São José. Estou ansioso para participar deste evento”. ( Robson – Belo Horizonte-MG). Rezemos pelo bom êxito da JMJ. Desejamos aos nossos representantes uma ótima experiência. Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. Superior Provincial

Aniversariantes

Julho

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07/07 – Pe. Anderson Trevenzoli, C.Ss.R. 16/07 – Pe. Luciano Silveira Ivo, C.Ss.R. 18/07 – Pe. Sérgio Luiz e Silva, C.Ss.R. 19/07 – D. Fernando J. M. Guimarães, C.Ss.R. 19/07 – Fr. Heliomarcos Costa Ferraz, C.Ss.R. 23/07 – Pe. Mário Ferreira Gonçalves, C.Ss.R. 23/07 – Ir. José Domingos de Vasconcelos, C.Ss.R. 26/07 – Pe. Tarcísio Generoso da Fonseca, C.Ss.R. 26/07 – Pe. Vanderlei Santos de Souza, C.Ss.R. 27/07 – Pe. Mauro de Almeida, C.Ss.R. 28/07 – Pe. Paulo R. Morais Júnior, C.Ss.R.

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Entrevista

Padre Mauro Carvalhais de Oliveira, C.Ss.R Ao completar 60 anos de Profissão Religiosa, Pe. Carvalhais nos conta como descobriu sua vocação, as dificuldades que enfrentou e a alegria de fazer parte da Congregação do Santíssimo Redentor. Como o senhor conheceu os Redentoristas e se interessou em fazer parte dessa congregação? O meu conhecimento se prende às Santas Missões, pregadas pelos Missionários Redentoristas no ano de 1949, mais precisamente no mês de março pela equipe de Curvelo: Pe. Gaspar, Pe. Vieira e Pe. Pascoal. Tão logo, lá chegaram, pus-me em contato com os mesmos, me oferecendo para ajudá-los como coroinha. O trabalho missionário junto ao povo sofrido e machucado na vida me atraiu. Sentia-me feliz vendo o povo chegar para as Missões nas várias capelas da Paróquia e assim me veio o “toque da Graça de Deus”: quero ser padre para trabalhar com esta gente. A resposta demorou devido a meu “velho pai” não concordar com minha vontade, enquanto minha mãe aceitou e sentiu-se feliz! Entretanto, a permissão dela dependia da autorização dele. Relutei, conversei com o Pe. mestre, o Pe. Gaspar Hanapel, (que em 16/07/1961 marcou presença preparando o povo para a celebração da primeira missa na minha terra natal), e com o vigário local, o Cônego José Inácio de Melo.

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Com a intervenção deles obtive a licença em junho de 1949, dando início à minha caminhada vocacional. Ao completar 60 anos de Profissão Religiosa, como o senhor avalia a trajetória redentorista percorrida até aqui? A trajetória Redentorista teve altos e baixos. Incompreensão do “velho pai”, que não compreendia bem minha decisão. Entretanto, a graça de Deus foi maior e, com a ajuda e as bênçãos de Nossa Senhora, falou mais alto. No final do ano de 1954 voltei a Rio Vermelho para despedir-me da família. E, mais uma vez o “velho pai” não aceitou que eu voltasse para Congonhas. Veio em minha companhia para tirar-me do seminário. Disse a ele: “eu quero ficar e o senhor pode voltar”. Ele abraçou-me e chorou muito, voltou e continuei no seminário com a ajuda de Nossa Senhora. Fui para Juiz de Fora em 1955. Iniciei o noviciado em 1956. Fiz a Profissão Religiosa também em Juiz de Fora, iniciando os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário da Floresta. Não me foi fácil, mas sempre pedi e contei com a proteção de Nossa Senhora. Em 29/01/1961 teve

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lugar a Ordenação Sacerdotal, no Seminário da Floresta, com a presença da família alegre e feliz, enquanto meu “velho pai” chorava de emoção. Diria que minha trajetória Redentorista se resume no trabalho missionário: missões populares de 1964 a 1977, nas casas de Curvelo, Coronel Fabriciano, Juiz de Fora, Floresta, Três Corações, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Sempre gostei do trabalho com os mais simples, os mais humildes, os mais pobres e, principalmente, com o homem do campo. Resumindo: recebi mais do que dei. À bondade de Deus e à Congregação Redentorista, minha gratidão. Perdão eu peço pelas minhas omissões, pelas minhas falhas: “a misericórdia de Deus é maior que o meu pecado”. E agora, aqui em Belo Horizonte, com a saúde um pouco abalada, tento reparar minhas falhas, meus pecados e limitações oferecendo a Deus os anos de vida que ainda me restam.

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Deixe um recado para os jovens que também desejam seguir o Redentor. Eis o meu recado: gastar a vida com aquele povo sofrido, amado por Deus e esquecido pelos homens. Vale a pena! A gente sente muita paz, alegria. É o cêntuplo que Jesus prometeu a todos os missionários.

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Entrevista

Fale sobre a presença redentorista e a sua relação com a comunidade do Cemitério do Peixe, no município de Conceição do Mato Dentro. Já é bem antiga. Na época dos primeiros padres que aqui chegaram, lá estiveram pregando Santas Missões, atendendo ao pedido do pároco de Congonhas do Norte. A minha presença aconteceu em 1964, quando, a pedido do Monsenhor José Batista Santos, pregamos as missões: Pe. Freitas e eu. Povo completamente abandonado. Muitos da diocese não conhecem o lugar. A presença missionária só acontece no período de 07 a 15 de agosto. A pedido de Dom Paulo Farias, no ano de 2004, assumi uma presença mais contínua, indo uma vez por mês, permanecendo ali uma semana. E assim, dentro das nossas limitações podemos fazer algumas coisas como: melhoramento na casa paroquial, na casa do romeiro e na igreja para acolher melhor os romeiros. Graças aos devotos de São Miguel e à paróquia de São José em Belo Horizonte, onde muitos nos ajudaram. No período do jubileu, de 07 a 15 de agosto, reúnem-se aproximadamente quatro a cinco mil devotos, abrangendo toda a região.


Assembleia Provincial

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ntre os dias 6 e 9 de junho, Redentoristas da Província do RJ-MG-ES participaram da Assembleia Capitular Provincial. O encontro aconteceu no Seminário da Floresta, em Juiz de Fora (MG). Entre os assuntos debatidos, Irmão Pedro Magalhães, C.Ss.R. e Padre Alfredo Avelar, C.Ss.R. apresentaram uma síntese da primeira fase do XXV Capítulo Geral, que ocorreu no mês passado, no Paraguai. O Fráter Henrique Cristiano, CMM, trabalhou o tema “100 anos da morte de Júlio Maria, primeiro padre redentorista brasileiro”. O sacerdote também foi destaque em uma exposição, que reuniu ainda informações sobre Madre Maria Celeste Crostarosa, beatificada no dia 18 de junho. Irmão Marcos Maciel, C.Ss.R., da Província de São Paulo, também falou sobre a vida da fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor. O Secretário de Vida Pastoral da

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Província, Padre Luís Carlos de Carvalho, C.Ss.R. apresentou um esboço do Plano de Pastoral Provincial (PPP) e Padre José Cláudio, C.Ss.R. abordou propostas concretas para a vivência do Ano da Misericórdia. Ainda durante a Assembleia Provincial, houve o lançamento do livro “A Misericórdia”, do Padre José Antero Macedo, e do CD “Tesouro: poesia e viola”, primeiro de autoria do Padre Vicente Ferreira, C.SS.R. em parceira com o violeiro Chico Lobo. Foram dias de intenso trabalho, orações, partilhas e reflexões, que contribuirão para fortalecer ainda mais o trabalho missionário desenvolvido por nossa Província. Sempre é preciso dizer obrigado, Senhor... No dia 8 de junho, durante a Assembleia Provincial, a Província Redentorista do RJ-MG-ES viveu momentos de alegria e memória agradecida com a Celebração Eucarística em Ação de Graças pelos jubilares do primeiro semestre de 2016: Dom Lelis Lara, C.Ss.R, Bispo Emérito de Coronel Fabriciano (70 anos de Profissão Religiosa), assim como Pe. Gabriel Teixeira Neves Filho, C.Ss.R, da Comunidade São José, em Belo Horizonte. Ainda celebraram 60 anos de Profissão Religiosa os padres Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R. (Co-

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munidade da Igreja da Glória, Juiz de Fora (MG)), Mauro Carvalhais, C.Ss.R. (Comunidade São José, Belo Horizonte), José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. (Comunidade Santo Afonso, Rio de Janeiro) e Élio Athayde, C.Ss.R. (Comunidade Frei Gaspar (MG)) e 60 anos de Ordenação Presbiteral de Pe. Jésu Assis (Comunidade da Basílica de São Geraldo, Curvelo (MG)). Dom Lélis presidiu a Missa, que contou também com a participação das Comunidades Vocacionais Santo Afonso e São Clemente. Os sacerdotes relembraram fatos que marcaram suas vidas, revelando as dificuldades, alegria e momentos que fizeram a diferença na caminhada missionária. Pe. Dalton ressaltou que o ser redentorista o ensinou a ser cristão. “Foi uma aposta que valeu a pena e foram lutas que deram sentido ao meu viver.” Colega de Dom Lelis no Seminário, Pe. Neves destacou que passou a vida na Congregação e só tem a agradecer. “Tudo o que a gente é deve à Congregação.” Pe. Élio lembrou que o seminário

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reunia tudo o que ele sonhava: “Tinha futebol, teatro e música.” Ele confidenciou que a intenção era apenas estudar e sair, mas acabou gostando da vida religiosa. “Nunca, jamais me arrependi. Hoje me sinto muito feliz.” Pe.Carvalhais destacou que tudo começou em 1949, quando se interessou pela vida religiosa, acompanhando os Missionários Redentoristas nas Santas Missões. “Uma grande misericórdia de Deus para comigo foi ter me chamado para ser Missionário Redentorista”. Já Pe. Assis destacou a importância do período em que trabalhou na formação. “Para mim, foi realmente um período de conversão”. Dom Lelis lembrou que, desde os 6 anos de idade, queria ser padre. “Aos 12 anos fui para o seminário. Foi a primeira vez que saí de casa. Eu chorava de saudade. Mas tudo valeu a pena.” Pe. Vidigal destacou a primeira Missa, no Natal de 1961. “Foram também minhas primeiras confissões. Podia, em nome de nosso Senhor, reconciliar as pessoas. Esse foi meu primeiro ministério e me marcou profundamente.” Sílvia Carvalho / SM Propaganda Juiz de Fora, MG

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XII. O CREDO: Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos De onde há de vir De onde vem Jesus? Mais uma vez, o “onde” deste artigo do credo não se refere a um lugar. O credo não alude a verdades geográficas. Jesus vem do Pai que o exaltou à sua direita. Jesus, o Filho, só pode vir do Pai, que o gera desde toda a eternidade. O Pai enviou ao mundo seu Filho (cf. Jo 5,36-37; 8,18; 12,49; 14,24) que expressou a onipotência do amor do Pai. Portanto o Filho não vem de um lugar, mas do seio do Pai. Mas Jesus já não veio ao se encarnar e ao se manifestar ressuscitado? Ele não está presente no mundo através do Espírito Santo? Por que, então, ele há de vir? Jesus cumpriu a missão de pregar e inaugurar o Reino de Deus. Sua vida, morte, ressurreição e ascensão possuem caráter escatológico definitivo para o mundo e a história. Mas os primeiros cristãos, a partir de sua experiência com Jesus, perceberam que há um intervalo entre o Reino que se realiza na história, do qual a Igreja é sacramento, e a consumação final desse Reino. Assim, o Reino tem dois momentos: o “já” e o “ainda não”. “Já” está presente, mas o “ainda não” se realizou plenamente. Jesus veio na condição humilde do servo, mas voltará na sua condição gloriosa. De um lado, há a convicção de que Senhor virá; por outro, tal volta não

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se pode datar. Como afirma Pedro: “O dia do Senhor chegará como um ladrão” (2Pd 3,10). E Paulo diz o mesmo: “Quanto aos tempos e aos momentos, não precisais que eu vos escreva; sabeis muito bem que o dia do Senhor vem como um ladrão de noite” (1 Ts 5,1-2). O ladrão chega de surpresa. Assim se torna impossível prever quando se dará a segunda vinda de Jesus; por causa disso, Paulo propõe a vigilância como atitude fundamental do cristão que espera a vinda do Senhor (cf. 1Ts 5,4-11). Estão enganados os profetas que proclamarem aos quatro ventos que Jesus está voltando, que os acontecimentos presentes (guerras, doenças, terremotos, enchentes, imoralidades) estão previstos na Bíblia. A Bíblia não faz crônicas jornalísticas sobre acontecimentos futuros. O Novo Testamento apenas afirma que a história humana e do universo não termina no absurdo; ela tem uma meta. Como vimos em outro artigo, o universo e o ser humano são criação de Deus, ou seja, vêm de Deus e terminam nele. A história tal qual a conhecemos terá um fim. E essa história não exclui o mundo. Segundo Paulo, a própria criação encontra em Cristo suas raízes mais profundas. Ele é o mediador da criação. Nele tudo foi criado (cf. 1Cor 8,6; Cl 1,15-20); ele emerge como princípio e finalidade da

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linear cuja meta se encontra na unificação final em Cristo, “para que todos sejam um, assim como vós, ó Pai, estais em mim e eu em vós” (Jo 17,21). A julgar os vivos e os mortos A vinda de Jesus traz consigo um julgamento. Ele vem julgar “os vivos e os mortos”. Alguns cristãos da Igreja primitiva acreditaram que, ainda vivos, participariam do juízo final (cf. 1 4,17). Só mais tarde compreenderam que o fim não seria logo e que a história se estenderia. A expressão “vivos e mortos”, presente no Credo, não afirma que alguns estarão vivos e outros mortos no momento do julgamento final. Ela é um binômio próprio do mundo hebraico para dizer “julgamento universal”. O juízo que ocorrerá com a vinda gloriosa de Jesus evidencia que o final da história não coincide simplesmente com um decreto da parte de Deus que torna tudo automaticamente perfeito. A história humana é história de liberdade, ou seja, ela se identifica com aquilo que o ser humano faz de si mesmo frente ao apelo de Deus em Cristo. Deus não impõe a salvação de modo arbitrário. Ela também é resultado da liberdade vivida com responsabilidade. A graça da salvação brota da absoluta gratuidade de Deus; nada podemos fazer para merecê-la. Nosso mérito será sempre o dom de Deus. Mas o dom precisa ser acolhido; a graça de Deus não suprime a liberdade. O destino final do ser humano tem a ver também com sua conduta e se dará

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criação (cf. Cl 1,15-20). Nele, o mundo e a história humana encontram uma unidade de origem e de destino. Se tudo foi criado em e para Cristo, deve-se afirmar que ele é o fundamento último da realidade, aquele que lhe dá harmonia, unidade, coesão. O destino da criação inteira se desvenda a partir de Cristo para o qual ela tende, porque Deus quer, “na plenitude dos tempos, reunir todas as coisas – as que estão no céu e as que estão na terra – sob uma só cabeça, o Cristo” (Ef 1,10). O cosmos (o universo) não se nos apresenta como um palco no qual se desenvolve o teatro da história. Ele, ao ser criado, já é história e passa a fazer história com a humanidade quando essa surge. A única história do mundo envolve todo o criado, natureza e humanidade, natureza e espírito, que um dia se reunificarão definitivamente em Cristo. A vitória final, portanto, não será fruto das ideologias humanas ou das tecnologias. Como será a vitória da verdade, da liberdade, do amor e da justiça, ela se dará a partir de um rosto, o rosto de Jesus. O fim do mundo será o impacto final da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus sobre o cosmos e a história, que os unificará no mesmo destino. O Credo niceno acrescenta a esse artigo: “E seu Reino não terá fim”. Quando Cristo for tudo em todos, será, enfim, o Reino definitivo. Por mais complexa que seja a realidade do mundo – e ela se torna cada vez mais complexa – não é movimento sem destino, mas percurso


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“segundo suas obras”. O mesmo Paulo que afirma com veemência a gratuidade da salvação acentua a importância das obras, que manifestam a acolhida ou não da graça de Deus. Para ele, os cristãos estão reconciliados com Deus, introduzidos numa relação de paz com Deus, libertados da escravidão do pecado, justificados e santificados pela graça de Cristo e são capazes de agradar a Deus (cf. Rm 3,24-25; 1Cor 1,30; Ef 2,14-18; Cl 1,13-14; 1Ts 4,1; Tt 3,47), porém devem ainda se apresentar diante de Deus para prestar conta das próprias ações (cf. 1Cor 4,4-5; 2Cor 5,10; Rm 2,16). E qual o critério do julgamento final? Não parece que será propriamente a religiosidade. “Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Segundo Mt 25,3146, o critério será o amor traduzido em solidariedade, sobretudo com os mais abandonados: “Estive com fome e me destes de comer, estive com sede e me destes de beber”. Deus não quer a injustiça. Ele se opõe a tudo o que destrói a dignidade humana. Está do lado dos que sofrem e a injustiça do mundo encontrará nele uma solução. A vitória final pertence, antes de tudo, às vítimas da história, porque são os que mais têm direito à justiça. A ressurreição de Jesus foi a vitória de um injustiçado. Tal vitória se imporá na história. Não nos esqueçamos, no entanto, de que Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da

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verdade (cf. 1Tm 2,4). E “mesmo que o ser humano saiba de seu terrível poder de destruição, que é imensamente superior ao seu poder de construção, ele sabe, ao mesmo tempo, que, em Cristo, o poder de construir se mostrou infinitamente maior” (Ratzinger). O Papa Francisco se pergunta por que o nosso julgamento não pode ser como o de Deus. E responde: não é porque Deus é Todo-Poderoso e nós não, mas é “porque em nosso julgamento falta a misericórdia. E, quando Deus julga, julga com misericórdia”. Por isso o ensinamento de Jesus precisa ser levado a sério: “Não julgueis os outros e Deus não vos julgará; não condeneis, e Deus não vos condenará; perdoai, e Deus vos perdoará” (Mt 6,37). Não temos o direito de excluir ninguém da salvação. “Amai vossos inimigos! Fazei o bem aos que vos odeiam” (Lc 6,27). O cristão que deseja para alguém a condenação se torna incoerente com o preceito do amor aos inimigos. O juiz do juízo final é Jesus, ou seja, um de nós, alguém que conhece a existência humana e seus limites. Aquele que disse: “De Deus recebi todo poder no céu e na terra” (Mt 28,18) se tornou nosso companheiro de caminhada. E é também aquele que, segundo João, afirma: “não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). E ainda: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Se ao cristão perguntassem se todos serão salvos no juízo final, a resposta só poderia ser: “Não sei, espero que sim”. Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R. Belo Horizonte, MG

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Visitas canônicas

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ntre os dias 21 e 23 de junho, aconteceu a Visita Canônica à Comunidade Redentorista da Igreja Santo Afonso, no Rio de Janeiro (RJ). O superior provincial, Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. e o conselheiro Pe. Edson da Costa, C.Ss.R. foram os visitadores. Durante estes dias, aconteceram reuniões de avaliação da caminhada, momentos de oração comunitária, Celebração Eucarística e também conversas pessoais com o superior provincial. Além dos trabalhos com os religiosos, os dois representantes do Governo Provincial também se reuniram com o conselho pastoral, MIssionários Leigos Redentoristas (MLR), Juventude Missionária Redentorista (JUMIRE) e funcionários da comunidade redentorista e da casa. Pe. Américo destacou o clima de fraternidade da visita. “Fomos muito bem acolhidos pela comunidade redentorista e também pelos leigos. Estou muito contente com a experiência

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que estes confrades estão fazendo. É uma comunidade que corresponde ao estilo e ao carisma redentorista”. Já no período de 31 de maio a 02 de junho, foi a vez de a Comunidade Redentorista da Igreja São José, em Belo Horizonte (MG), receber a Visita Canônica. “A visita foi muito produtiva, transcorreu num clima de tranquilidade, respeito e de abertura. Fomos muito bem acolhidos pelos confrades. Foram dias intensos de avaliação da caminhada para vislumbrar novos horizontes. Parabenizo os confrades da São José pelo trabalho tão qualificado que prestam à Igreja e à Congregação Redentorista”, declarou o padre provincial. Durante a visita, os visitadores também realizaram reuniões com a comunidade redentorista, MLR, JUMIRE, Conselho Pastoral e com os funcionários da casa e da paróquia. Além disso, foi feita uma visita à Obra Social Redentorista, na comunidade de Dandara.

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Anunciar o amor de Cristo através de sua Mãe

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ma novena solene na Igreja Santo Afonso, em Roma, preparou o encerramento do Jubileu dos 150 anos do trabalho de evangelização realizado pelos Missionários Redentoristas na propagação da devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foram dias especiais com celebrações em diversos ritos e línguas. O dia 26 de junho, véspera da festa, foi marcado pela celebração na Basílica de Santa Maria Maior, com o Cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em sua reflexão, durante a celebração, o Cardeal relatou: “Eu tenho a experiência de, ao longo da minha vida, conhecer e trabalhar com a Congregação do Santíssimo Redentor e posso afirmar que o Redentorista cumpre bem o mandato confiado pelo Papa Pio IX de propagar a devoção à Mãe de Deus, através do Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Onde chega o Redentorista, ele porta consigo o amor a Maria, Mãe do Perpétuo Socorro”.

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Após a celebração, uma procissão com o Ícone percorreu algumas ruas de Roma até chegar na Igreja de Santo Afonso, onde o Superior Geral dos Missionários Redentoristas, P. Michael Brehl, C.Ss.R. fez a entrega e o envio dos 12 ícones fac-símiles abençoados pelo Papa Francisco no último dia 18 de maio na Praça São Pedro. Os ícones foram entregues aos representantes das conferências da Congregação, presente nos cinco continentes do mundo. A celebração do dia 27 de junho, festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, aconteceu na Igreja Santo Afonso e também foi presidida pelo Superior Geral. Estiveram presentes o Cardeal Raimundo Damasceno, Arcebispo de Aparecida-SP, e o Missionário Redentorista Dom Darci Nicioli, Arcebispo de Diamantina-MG. Um grande número de peregrinos, vindos de todo o mundo, também marcaram presença, assim como os Missionários Redentoristas que vivem, estudam e trabalham na Casa Santo Afonso e na Cúria Geral. Nossa missão na Igreja, enquanto Redentoristas, é ser memória viva do Cristo Redentor e anunciá-lo com alegria e entusiasmo. Buscamos cumprir este mandato e Maria nos ajuda a realizar essa missão. Ir. Michael Goulart, C.Ss.R. Fotos: Pe. Carlos Viol, C.Ss.R. Roma, Itália

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Missões em Divinópolis

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m tempo de Igreja em saída e de portas abertas, como pede o Papa Francisco. Assim foi a Semana Missionária Redentorista, que aconteceu entre os dias 11 e 19 de junho, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Divinópolis (MG). Formada por 12 comunidades, sendo 9 urbanas e 3 rurais, a Paróquia está completando 25 anos de existência e a Missão Redentorista integrou as comemorações do Jubileu de Prata, a partir de um convite do Pároco, Padre Marcelo Caixeta. Oito sacerdotes da Província participaram da missão, além de oito formandos da Comunidade Vocacional São Clemente (CVSC), Missionários Leigos Redentoristas (MLR), três religiosas, e os Padres Neilton e Adilson e o Irmão Domin-

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gos, os três da Bahia. O trabalho foi coordenado pelo Pe. Alfredo Avelar, C.Ss.R.. Segundo Padre Américo, foi um tempo forte de evangelização, oração e vivência da Palavra de Deus, por meio das celebrações, encontros, terços da aurora. Para o seminarista William José, que participou pela primeira vez de uma missão itinerante, foi uma experiência excelente. “Convivi com pessoas muito alegres e participantes”. Nosso agradecimento a todas as comunidades da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, o Pároco, Padre Marcelo, e todos os que contribuíram e rezaram por este belo momento missionário. Sílvia Carvalho / SM Propaganda Juiz de Fora, MG

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Beatificação de Madre Maria Celeste Crostarosa

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o dia 18 de junho de 2016, aconteceu no Santuario della Madonna Incoronata, na cidade de Foggia, a celebração de beatificação de Madre Maria Celeste Crostarosa, fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor, conhecida como Irmãs Redentoristas. Contemporânea de Santo Afonso, de quem foi amiga e dirigida espiritual, compartilhou o desejo de fundar uma família religiosa que buscasse concretizar o seguimento do Redentor na contemplação. Embora fundadas em momentos diversos, a Congregação e a Ordem do Santíssimo Redentor partilham, desde o início, uma bela história de comunhão na espiritualidade e na oração. Sinal disto foi a presença de representações da família redentorista de todo o mundo: padres, irmãos, monjas e leigos. A Eucaristia foi presidida pelo Cardeal A. Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e delegado do Papa para esta celebração. Após a missa, almoço nos jardins do Mosteiro das Redentoristas de Foggia, com oportunidade para visitar e rezar junto ao corpo da beata que se encontra nesta casa. Experiência profunda de comunhão e celebração da vida no Cristo Redentor. Pe. Maikel Dalbem, C.Ss.R. Roma, Itália. Fotos: Pe. Luis Alberto Roballo Lozano, C.Ss.R.

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“Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: um ícone da Redenção Copiosa”. Este foi o tema da palestra ministrada pelo Padre Vanderlei Santos de Souza, C.Ss.R., Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Vale da Floresta, em Juiz de Fora (MG), no dia 17 de junho, na Biblioteca Redentorista. Durante o evento, promovido pelo Arquivo Provincial, Padre Vanderlei destacou traços do ícone da Mãe do Perpétuo Socorro, sua história e os 150 anos da entrega do ícone aos Missionários Redentoristas pelo Papa Pio IX. A palestra também marcou a abertura da Exposição sobre Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A mostra, que pôde ser visitada na Biblioteca Redentorista até 30 de junho, trouxe a história do ícone e de suas representações ao longo do tempo, por meio de estampas e livros, além de estandartes datados do início do século XX.

Romaria do Terço dos Homens No dia 19 de junho, cerca de 30 grupos de diversas paróquias de Minas Gerais participaram da 4ª Romaria do Terço dos Homens à Basílica de São Geraldo, em Curvelo (MG). O evento teve início com o Terço Meditado, seguido da Missa em Ação de Graças presidida pelo Reitor da Basílica, Padre Paulo Roberto Gonçalves, C.Ss.R. A romaria foi encerrada com um almoço de confraternização nas barraquinhas da Obra Social São Geraldo.

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Aconteceu na Província

Exposição e palestra sobre o ícone


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Akikolá - Julho/2016