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2 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

ÍNDICE Programa Escolhas em 6 gerações: 128 municípios e 2 experiências na Europa .

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(coordenador da equipa técnica que criou o PE)

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Entrevista João Pedroso .

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Entrevista Pedro Calado

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(Alto-Comissário para as Migrações, Coordenador Nacional do PE)

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Atividades Escolhas: o início

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Inclusão Digital: o arranque .

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Distinção Europeia Prevenção da Criminalidade Juvenil

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Testemunho Luísa Semedo

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Antigos Coordenadores Nacionais PE .

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Iniciativas Escolhas .

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Testemunhos Jovens

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Parcerias para a Capacitação .

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Testemunhos Jovens

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Concurso: do “Muda o Bairro” ao Mundar Fórum Escolhas

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Projetos Pontuais para a Empregabilidade

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Liga Escolhas .

Escolhas Portas Abertas

Capacitação e Empreendedorismo

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Dinamizadores Comunitários .

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Recursos Escolhas

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Manual de Empreendedorismo Inclusivo

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Prémio Internacional 2014

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Internacionalização .

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A palavra dos Financiadores

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FICHA TÉCNICA

PROGRAMA ESCOLHAS Delegação do Porto Avenida de França, nº.316, loja 57 4050-276 Porto, Portugal Tel.: +351 22 207 64 50 Fax: + 351 22 202 40 73 Delegação de Lisboa Rua dos Anjos, 66, 3º, 1150-039 Lisboa Tel. : +351 21 810 30 60 Fax: +351 21 810 30 79 E-mail comunicacao@programaescolhas.pt Website www.programaescolhas.pt Direção Pedro Calado Alto-Comissário para as Migrações Coordenação de Edição Pedro Calado e Sandra Batista Produção de Conteúdos Inês Rodrigues inesr.consultores@programaescolhas.pt Design Digital Image Case Fotografias Projetos do Escolhas Programa Escolhas Periocidade Trimestral Publicação Formato digital / 500 exemplares Sede de Redação Rua dos Anjos, nº 66, 3º Andar, 1150-039 Lisboa ANOTADO NA ERC


16 ANOS – PROGRAMA ESCOLHAS | 3

EDITORIAL UMA BOA ESCOLHA rémio Europeu de Prevenção da Criminalidade, Boa Prática no Handbook for Integration e no Combate ao Abandono Escolar Precoce, entre muitas outras distinções, o Programa Escolhas é hoje uma iniciativa de utilidade incontestada, um raro caso de consenso.

P

Esse consenso não nasceu com o Programa, nem é apenas fruto dos prémios nacionais e internacionais. Resulta das provas dadas ao longo dos anos: quando ainda não havia um Programa Escolhas, foi precisa coragem e visão política para lançá-lo. Como Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Justiça, tive na altura oportunidade de acompanhar a sua criação e vejo, por isso, como um justo tributo que esta edição da revista recupere a memória e os protagonistas desse tempo. Com efeito, já passou algum tempo, dividido em 6 Gerações Escolhas, ao longo das quais o número de intervenções passou de 50 para 130, o número de concelhos subiu de 7 para mais de 50, e os jovens participantes passaram de menos de 7.000 para um número mais de dez vezes superior. O Escolhas foi sempre ganhando escala e sendo constantemente aprimorado. Esta sexta geração, por exemplo, aposta num financiamento simplificado, numa intervenção focalizada e no alargamento da faixa etária dos participantes. E é assim, cheio de confiança e vigor, que chega aos 16 anos. É ainda um adolescente, mas cujos sonhos e decisões se baseiam na experiência e no saber acumulado. Em Portugal, por vezes, esquecemo-nos de valorizar o que nós mesmos somos capazes de criar e pôr em prática, mas o Escolhas é um caso de sucesso e um paradigma de excelência. Merece todo o reconhecimento que tem recebido. Estou certo que continuará a transformar positivamente as vidas de milhares crianças e jovens de contextos vulneráveis. Parabéns, Escolhas. Parabéns, Portugal! Q

Eduardo Cabrita MINISTRO ADJUNTO

O Escolhas é um caso de sucesso e um paradigma de excelência. Merece todo o reconhecimento que tem recebido. Estou certo que continuará a transformar positivamente as vidas de milhares crianças e jovens de contextos vulneráveis. Parabéns, Escolhas. Parabéns, Portugal!


4 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

129 municípios

BRA GA VIEIRA DO MINHO

VILA VERDE

2 experiências na Europa

ESPOSENDE

BRAGA

BARCELOS

PÓVOA DE VARZIM

GUIMARÃES

CABECEIRAS DE BASTO

POR TO

VILA NOVA DE FAMALICÃO

VILA DO CONDE

FELGUEIRAS

TROFA SANTO TIRSO

MATOSINHOS

LOUSADA

AMARANTE

PAÇOS DE FERREIRA

MAIA

PAREDES

PORTO

TER ACIO CI

FAFE

PENAFIEL

VALONGO

GONDOMAR

VILA NOVA DE GAIA

REINO UNIDO

LUXEMBURGO

LIS BOA TORRES VEDRAS

VILA FRANCA DE XIRA

MAFRA

SINTRA

CASCAIS

LOURES

ODIVELAS

AMADORA

OEIRAS

ALMADA SEIXAL

LISBOA

ALCOCHETE

MONTIJO

BARREIRO MOITA SETÚBAL SESIMBRA

HORTA

DE R

CÂMARA DE LOBOS

FUNCHAL

SANTA CRUZ

RIBEIRA GRANDE

PONTA DELGADA

VILA FRANCA DO CAMPO

SE TU BAL SANTIAGO DO CACÉM

SINES


16 ANOS – PROGRAMA ESCOLHAS | 5 MELGAÇO

VIANA DO CASS TELO O

BRA VILA BRA GA RE GAN POR AL ÇA

VIANA DO CASTELO

BRAGANÇA

MIRANDELA

VILA REAL

ALIJÓ SABROSA

TO

PESO DA RÉGUA

RESENDE

ARMAMAR

GU VI SEU AR DA COIM O CAS BRA TELO LEI BRANCO BR RIA A SAN POR TA A TA LIS RÉM G BOA M LEGRE ESPINHO

CASTELO CINFÃES LAMEGO DE PAIVA

AVEII RO

OVAR

ESTARREJA

AVEIRO

FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO

ÁGUEDA

ÍLHAVO VAGOS

GUARDA

ANADIA

MANTEIGAS

MORTÁGUA

FIGUEIRA DA FOZ

COVILHÃ

COIMBRA

MONTEMOR-O-VELHO

SABUGAL

LOUSÃ GÓIS

PAMPILHOSA DA SERRA

FUNDÃO

POMBAL ANSIÃO FIGUEIRÓ DOS VINHOS

MARINHA GRANDE

CASTELO BRANCO

LEIRIA

NAZARÉ

TOMAR

ALCOBAÇA

NISA

CONSTÂNÇIA

PENICHE

CASTELO DE VIDE

ABRANTES

SANTARÉM

PORTALEGRE

PONTE DE SÔR

CAMPO MAIOR

ESTREMOZ

ÉVORA

MONTEMOR-O-NOVO

SE TU BALL

ÉVORA

REGUENGOS DE MONSARAZ MOURÃO

ALVITO CUBA

FERREIRA DO ALENTEJO

VIDIGUEIRA MOURA

BEJA

BEJA

SERPA

MÉRTOLA

ODEMIRA

ALGARVE

PORTIMÃO

SILVES

SÃO BRÁS DE ALPORTEL

LAGOS LAGOA ALBUFEIRA

LOULÉ

FARO

TAVIRA OLHÃO

VILA REAL DE SANTO ANTÓN


6 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

Nesta edição dedicada aos 16 anos do Escolhas, republicamos a entrevista a João Pedroso, publicada na Revista do 10º aniversário do programa, em 2011.

O NASCIMENTO DO PROGRAMA ESCOLHAS Há 10 anos atrás, João Pedroso exercia a função de coordenador da equipa técnica que “desenhou” o Programa Escolhas. Advogado, investigador do Centro de Estudos Sociais e Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra,, volta a olhar para as ideias que presidiam ao projeto na altura e a reenquadrá-las em novos desafios.

PE

Como é que surgiu o Programa Escolhas?

João Pedroso: A ideia de criar o Escolhas foi do Primeiro-ministro de então, o Eng. António Guterres, do Ministro do Trabalho e da Solidariedade, Dr. Ferro Rodrigues e do Dr. António Costa, que na altura tinha a pasta da Justiça. Conclui-se que havia a necessidade de criar em Portugal uma resposta para os problemas de inserção social dos jovens dos bairros das periferias urbanas. A reflexão que levou à necessidade de definir esta política decorreu de acontecimentos passados em França, onde tinha acontecido uma explosão urbana nos chamados bidonvilles, com multidões de jovens franceses a virem para a rua e a manifestarem alguma violência face à falta de futuro que sentiam. Os protagonistas destes acontecimentos foram sobretudo jovens que viviam nos meios urbanos mais pobres, deslocados e degradados. Outro motivo que levou a chegar a esta conclusão foi a mediatização, no verão do ano 2000, de alguns assaltos levados a cabo por um grupo de jovens que envolveram então uma conhecida atriz. Começou assim a pensar-se que havia uma necessidade clara de criar em Portugal

resposta para problemáticas concretas, porque começámos por partir de um levantamento que foi feito nos vários Ministérios relacionados com esta área. Foi visto tudo o que existia na altura ao nível das respostas, quer das ONGs, das IPSSs, das Igrejas e do próprio Estado. Eu fui encarregue de nomear uma equipa para fazer este trabalho, que incluiu representantes das várias pastas: Segurança Social, Administração Interna, Justiça, Educação, Emprego, etc. Foi a partir do volumoso relatório que traduziu este levantamento que foi depois proposta a criação de um programa que veio a ser o Escolhas, concebido em três meses de intenso trabalho desta equipa. uma resposta estruturante, que fosse adaptada à nossa realidade nacional. PE: Foi aí que apareceu o seu nome? JP: Eu fui chamado para conceber o desenho do que viria a ser o Programa Escolhas. PE: Como é que olha hoje para esse processo de construção do conceito a que o Escolhas veio dar corpo? JP: Acho que a conceção do Escolhas foi uma boa prática daquilo que deve ser a conceção de um programa de

PE: E qual era então a situação em Portugal a este nível? JP: Constatámos que tínhamos muitos atores a intervir no terreno. Estado e sociedade estavam a trabalhar nestas áreas mas de uma forma desarticulada, muitas vezes duplicada, sem objetivos específicos e sem as melhores estratégias. Isto é, o que viemos dizer foi que não havia falta de respostas nem de intervenção nestes bairros, havia mesmo excelentes projetos, não havia era financiamento adequado, integração e


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estratégia. O facto de passarmos a conhecer tudo o que existia, levou-nos a desenhar uma estratégia diferente que penso que ainda hoje é a base do Programa Escolhas. Orgulho-me que essa estratégia tenha sido considerada adequada e que se mantenha ainda hoje, apesar de todas as nuances que foram sendo introduzidas.

PE: Mas com o tempo o programa foi-se abrindo a outras metas. JP: Entendeu-se depois que este primeiro objetivo se devia expandir e que o programa se devia alargar a toda a questão da inclusão dos jovens, independentemente de qual fosse a razão da sua exclusão. O Escolhas passou a dar uma resposta mais alargada.

PE: Foi inovador este levantamento? JP: Foi inovador na altura. A falta destes estudos prévios continua a ser uma má prática em Portugal.

PE: Como é que vê hoje essa evolução? JP: Como investigador e profissional desta área, acho que hoje em dia os jovens que estão a caminho da delinquência juvenil precisam de algumas respostas específicas, que o Escolhas cobre em alguns dos seus projetos, mas que eventualmente precisariam de um enquadramento mais alargado do que aquele que existe. Felizmente, o Programa e toda a política tem conseguido evitar que tenhamos tido explosões sociais como se temia. Isso foi um sucesso do Escolhas. Há, no entanto, jovens que já entraram na delinquência, com 15 ou 16 anos, que ainda podem sair e que precisam de um acompanhamento específico para os problemas também muito específicos que trazem. Outra área que me parece que está por cobrir é a área da saúde mental. Não existe um programa de saúde mental juvenil. Estas questões estão relacionadas pois, refletindo a partir dos dados que tenho, concluo que os jovens em situação de delinquência costumam também ter associados problemas de insucesso escolar, que o Escolhas já previne, e por vezes também problemas de saúde mental. Ao tornar mais abrangente a sua intervenção, o Escolhas deixou de dar respostas tão específicas a estas questões da delinquência e da saúde mental e talvez pudesse vir a desenvolver programas nessas áreas. É verdade que

PE: Pode recordar-nos quais foram então os seus primeiros contornos? JP: O Escolhas começou por ter um objetivo mais específico do que o atual. Destinava-se a tratar da inserção de jovens da periferia urbana, especialmente nas grandes cidades de Lisboa, Setúbal e Porto. Pensava-se de uma forma especial nos jovens imigrantes de segunda geração, aqueles cujos pais tinham vindo de diferentes proveniências, que viviam com dificuldades de habitação, com percursos difíceis de aprendizagem, entre uma vida normal e uma vida de delinquência. PE: Houve algum modelo concreto que tenha servido de inspiração? JP: Na nossa equipa havia um grupo de três ou quatro técnicos mais jovens, sociólogos e psicólogos, que deram um enorme apoio pesquisando e estudando o que de melhor e mais avançado se fazia na altura no mundo nesta área. Foi aliás do debate com eles que resultou a opção pelo nome “Escolhas”. O programa começou por ser concebido um pouco como tendo por inspiração o modelo adotado no Canadá para prevenir a delinquência. A prevenção da delinquência juvenil era o grande objetivo da 1ª Geração do Escolhas.

as Comissões de Proteção de Jovens têm aqui uma função muito importante, mas deixam de poder intervir a partir dos 12 anos e há aí uma lacuna. PE: A que é que atribui estes dez anos de vida do Escolhas? O que é que lhe permitiu ter este sucesso? JP: Na minha opinião, quer na 1ª Geração, quer nas outras que se lhe seguiram, o sucesso do Escolhas assenta no facto de ter adotado estratégias de mediação social e cultural. São os próprios atores locais que são agentes da mudança e da resolução dos seus problemas. Foi decidido pela equipa que coordenei apostar nestes tradutores, como se diz em sociologia. Entidades que a partir do terreno traduzem localmente a linguagem do Estado e viceversa. Penso que foi esta estratégia que levou à perenidade do Escolhas. O facto de ser uma estratégia correta e naturalmente também mensurável, que se traduz em resultados mensuráveis. PE: E essa cultura da participação e da mediação já é hoje uma prática corrente? JP: A cultura das parcerias está ganha, mas a mediação social e cultural não está ganha ainda. As políticas sociais implementadas em 96 partiam do princípio da subsidiariedade: o Estado não faz o que a sociedade pode fazer. Mas no meu entender isso não significa que não faça nada. Esse era também o entendimento dos responsáveis que me pediram para concetualizar este programa. O Estado não deve intervir quando a sociedade pode fazê-lo, mas deve ter uma função estratégica reguladora, não se pode demitir. Por um lado não pode criar dependências, mas por outro deve criar condições, promover e financiar o que é necessrio. Deve regular e controlar a qualidade. Q


8 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

PEDRO CALADO ALTO-COMISSÁRIO PARA AS MIGRAÇÕES COORDENADOR NACIONAL DO PROGRAMA ESCOLHAS Com 16 anos de existência, o Programa Escolhas construiu um percurso de sucesso, com provas dadas ao nível da inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis.

Há 16 anos acompanhou de perto o nascimento do Programa Escolhas. Que recordações guarda desse processo e do desafio a que se procurava responder então?

1.

Em 2001, então com 26 anos, pude acompanhar enquanto técnico local aquilo que foram os primeiros passos do Programa Escolhas. Era responsável, em conjunto com outro colega, pelas intervenções do Escolhas nos concelhos do Seixal e Almada. Eram tempos de grande experimentação, pois na verdade, em Portugal, nunca tinha havido qualquer experiência semelhante, pelo menos com a escala que se pretendia estabelecer ou com públicos e territórios como aqueles onde o Escolhas pretendia intervir. Mostrar que era possível prevenir a exclusão social nos bairros mais vulneráveis com os públicos em maior risco de exclusão era uma grande incógnita. Seria possível? Conseguiríamos mobilizar os parceiros? E os jovens? E as suas famílias? O que funcionaria melhor? Todas estas eram as nossas questões de partida, para as quais não havia respos-

tas simples ou pré-estabelecidas. Foram tempos de enorme inovação, criatividade e aprendizagem. 2. Durante estes anos, o contexto em que o Escolhas opera foi mudando e alargou-se, que análise faz desta evolução?

Essa primeira fase, que podemos delimitar entre 2001 e 2004, criou um enorme legado de experiência. Tínhamos muitas coisas bem feitas, mas sabíamos que havia outras por aprofundar. Uma das decisões tomadas em 2004 foi o alarga-

mento do Programa a todo o território nacional, já que entre 2001 e 2004 o Programa estava circunscrito a Lisboa, Porto e Setúbal. Outra alteração teve que ver com o foco na mudança pela positiva, ou seja, é diferente dizer que “promovemos a inclusão” ou “ que combatemos a exclusão” ou “a delinquência”. Uma terceira alteração foi alargar a intervenção permitindo, por exemplo, uma intervenção precoce, logo a partir dos 6 anos. Mais tarde, fomos alargando as medidas a que os projetos se podiam candidatar, primeiro procurando reforçar a empregabilidade, a inclusão digital e mais tarde o associativismo ou o empreendedorismo social e económico. 3. No que diz respeito às novas respostas que o Programa foi disponibilizando e que são hoje bastante mais abrangentes, que comentário lhe merecem?

Creio que tem sido essa capacidade de ir respondendo aos reais desafios que a sociedade emana, que tem permitido ao Escolhas reinventar-se e, com isso, responder de forma adaptativa a novos de-


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safios. Muita dessa adaptação decorreu da empíria, do terreno, de ouvirmos as pessoas, nomeadamente técnicos e parceiros. Muitas vezes, foram os próprios participantes do Programa a fazer chegar propostas. Muita dessa mudança decorreu também da avaliação externa. Das recomendações que os nossos avaliadores nos foram transmitindo ao longo dos anos. Diria que, nessa área, temos sido uma organização “aprendente” e permanentemente insatisfeita. 4. O Escolhas tem sido repetidamente distinguido e apontado como boa prática dentro e fora de Portugal. Na sua opinião, a que é que se deve este sucesso?

Nada disso teria sido possível sem o trabalho diário de um exército de fazedores do bem, que são os nossos parceiros locais e os técnicos que estão, diariamente, nas comunidades. Sem esse trabalho e sem os resultados tangíveis desse trabalho, não teríamos passado de uma boa intenção. É esse esforço que resulta em mudanças que podemos hoje medir. Naturalmente, há por detrás desse trabalho incansável duas dimensões que me parecem fundamentais: uma boa dose de coordenação por parte da equipa central do Escolhas, traduzida em método e recursos adicionais; bem como um forte compromisso com a medição dos resultados globais do Programa Escolhas, procurando demonstrar, permanentemente, que o investimento feito no Escolhas tem um claro retorno social.

“(…)tem sido essa capacidade de ir respondendo aos reais desafios que a sociedade emana, que tem permitido ao Escolhas reinventar-se e, com isso, responder de forma adaptativa a novos desafios” exemplo a replicar. Nos últimos anos já havíamos sido alvo de réplicas no México ou na Colômbia, para dar dois exemplos. A ideia de levar o Escolhas até às nossas comunidades portuguesas no exterior, decorreu da evidência de que, lá como cá, os desafios da inclusão se faziam sentir. É uma experimentação desafiante, pois os contextos são ainda assim diferentes, mas cremos que o modelo do Escolhas é flexível ao ponto de a permitir. 6. Relativamente ao modelo de proximidade, baseado em parcerias locais, em que assenta o Programa, considera-o interessante em termos de política pública?

5. P: E que leitura faz da internacionalização do Programa, que começou este ano no Reino Unido e no Luxemburgo, com dois projetos-piloto?

Absolutamente decisivo. Sem essa colaboração, nada daquilo que é o Escolhas seria possível com o mesmo alcance e resultados. Repare que, na 5.ª geração do Escolhas, aos apoios financeiros dados pelo Programa, houve um contributo adicional de 100% desse valor através de apoios locais. Por cada euro investido, as parcerias locais juntaram outro euro, e isso é muito importante para a escala que o Escolhas hoje tem. Para além da dimensão financeira, há depois o conhecimento que as entidades têm. São elas que estão diariamente no terreno, são elas que conhecem as pessoas, são elas que melhor podem agir, sempre de forma coordenada com o próprio Programa.

Essa internacionalização já havia começado antes, por iniciativa de diversas entidades que viam no Escolhas um

7. No tempo de mudanças aceleradas em que estamos a viver quais serão

num futuro próximo, na sua perspetiva, os principais desafios do Programa?

O principal desafio será o de continuarmos a cumprir o nosso mote interno: “ o Escolhas não dorme, descansa”. É esta permanente procura por fazer melhor, por nos adaptarmos, por estarmos permanentemente alerta, que não se pode perder. A um nível mais estrutural, um programa que tem 16 anos, com um modelo comprovadamente eficaz e com uma reflexão sistematizada e validada cientificamente, tem já o lastro suficiente para se equacionar enquanto resposta permanente. Essa perenidade, estabelecida num quadro de funcionamento mais sustentável, poderá fomentar também a sustentabilidade e perenidade de muitas das suas respostas locais, assentes em redes locais ainda mais sólidas. 8. Por último, pedíamos-lhe que deixasse uma palavra a todas as pessoas que, no terreno, trabalham para continuar a fazer progredir o Escolhas. Onde gostava que se inspirassem?

Gostava que se inspirassem numa frase que guardo há 16 anos no meu gabinete. Uma frase de Brecht que nos lembra que “aqueles que se chocam com a violência das águas do rio, esquecem-se da violência das margens que o comprimem”. Olhemos para cada criança e jovem em risco com este foco. Trabalhando naquilo que as limita e comprime, teremos adultos felizes e saudáveis. Ou resilientes, como preferimos dizer no Escolhas. Q


10 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

ATIVIDADES DO ESCOLHAS

O INÍCIO

Jorge Centeno (Bita) lembra-se bem de, em 2001, ter sido um dos protagonistas do início das atividades do Escolhas, na qualidade de Jovem Mediador Urbano do Vale da Amoreira. Foi selecionado para essa função por ser o presidente do grupo de jovens local e, como tal, ter um especial acesso a este público-alvo. O grande objetivo, conta-nos hoje, “era tirar da rua muitos jovens desta comunidade que então, desocupados, apresentavam já percursos de vida

O

mais ou menos desviantes, muitas vezes já ligados à delinquência”. Na qualidade de mediador, falava com eles e procurava convencê-los a frequentar o espaço do CRIVA, onde, naquela época, o Escolhas promovia as suas atividades, tais como excursões, jogos didáticos, apoio aos estudos, para os que estudavam, ou ajuda na procura de emprego. Jorge conhecia os jovens, os seus problemas, tinha uma boa relação com eles e sentia que estava a ajudar a dar um rumo às suas vidas. Uma orienta-

ção que passava também pela definição de regras de convivência. Era um “trabalho de muita relação”, recorda. Três anos depois, a experiência acumulada levou-o a ser convidado para trabalhar na Câmara Municipal da Moita, no Gabinete da Juventude, onde ainda hoje continua. Mas a ligação à sua comunidade mantém-se, através da colaboração com o Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira, onde continua a cruzar-se com os amigos do tempo do Escolhas, para quem ainda hoje é “o tio”. Q


16 ANOS – PROGRAMA ESCOLHAS | 11

A CHEGADA DA INCLUSÃO DIGITAL m 2002, começam a ser inaugurados os primeiros espaços informáticos do Programa Escolhas. No seguimento dos diagnósticos feitos no terreno com as entidades locais, com as quais tinha parcerias, o Programa decide disponibilizar computadores aos

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jovens sem ocupação, na altura o seu público-alvo principal. Foi, antes de mais, uma estratégia de aproximação, por forma a estimular a sua participação em atividades úteis e pedagógicas. Com a intenção de promover a inclusão digital destes jovens, o Escolhas celebrava um protocolo com

as entidades locais, no qual se comprometia a financiar computadores e também um técnico, que pudesse orientar a sua utilização. O Centro Jovem Tabor, no Bairro da Bela Vista, em Setúbal, foi uma das primeiras entidades a beneficiar deste apoio. Q


12 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

PREVENÇÃO DA CRIMINALIDADE JUVENIL DISTINÇÃO EUROPEIA m Dezembro de 2003 o projeto Tutores de Bairro, localizado na Quinta da Princesa, no Seixal, foi o vencedor dos European Crime Prevention Awards (ECPA), no âmbito da prevenção da criminalidade juvenil. A distinção, feita a partir de Copenhaga, recaiu sobre a metodologia em que se baseava então o projeto, assente na participação e empowerment de um grupo de jovens locais, os “Tutores de Bairro”. Estes jovens eram selecionados a partir do seu perfil de liderança positiva e, depois de uma formação específica e intensiva em várias áreas, passavam a colaborar com o projeto desenvolvendo várias atividades na escola primária da Quinta da Princesa. Participavam nomeadamente nas animações de pátio, na implementação de programas de capacitação pessoal e social, em atividades lúdico-pedagógicas e tempos livres, desempenhando ainda um importante papel na mediação de conflitos, através da promoção de “pontes” entre o espaço escolar, as famílias e a comunidade. Por conhecerem muito bem a realidade do bairro, os Tutores ajudavam ainda a sinalizar situações concretas, que precisavam de uma intervenção mais individualizada. Este modelo teve então importantes impactos, reconhecidos, ao nível da promoção do sucesso escolar, da redução do absentismo, abandono e de comportamentos desviantes que, em muitos casos, foram sendo substituídos pela participação nas atividades desenvolvidas pelo projeto. Q

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16 ANOS – PROGRAMA ESCOLHAS | 13

TESTEMUNHO LUÍSA SEMEDO Prémio Europeu da prevenção criminalidade juvenil dizia também respeito ao trabalho que, então, a jovem Luísa Semedo estava a realizar na escola, na qualidade de “tutora”, função que desempenhava “com toda a naturalidade, pois gostava muito de trabalhar com crianças”. Quando soube que as atividades, que desenvolvia no páteo, durante os intervalos e por vezes também na sala de aula, como a “hora do conto”, tinham sido selecionadas como um bom exemplo em toda a Europa ficou “muito contente” mas, também recebeu a notícia “com uma certa normalidade” pois aquele era o seu trabalho, ao qual se tinha dedicado “de corpo e alma”. Hoje reconhece que um prémio “tão concreto e assim tão vasto” a ajudou a acreditar que vale a pena toda esta dedicação, que até aos dias de hoje nunca abrandou. Em 2009, formou oficialmente a Associação Juvenil Esperança da Quinta da Princesa, que trabalha com os jovens desta comunidade do Seixal, para fazer deles “agentes ativos, participativos e empreendedores, que contribuam de forma positiva para a comunidade, tornando-a mais dinâmica”. E também aqui, o mérito do seu trabalho tem vindo a ser reconhecido publicamente em diversas ocasiões. Mas o que lhe interessa mesmo são os impactos reais na vida dos jovens, das várias gerações que já lhe “passaram pelas mãos” e que hoje, em muitos casos, lhe seguem os passos e o exemplo. Q

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14 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

ANTERIORES COORDENADORES DOS 16 ANOS DO

Eduardo Vilaça Coordenador Nacional Programa Escolhas (2001-2003)

Padre António Vaz Pinto Alto-Comissário para a Imigração (2004-2005)

oje, passados que são 16 anos desde que nasceu, podemos fazer uma apreciação e avaliação mais serena e isenta daquele período em que se instalou e viveu o Escolhas. E as primeiras, as maiores e mais significativas testemunhas reais são os próprios destinatários. Ao longo deste tempo, são bastantes os relatos que nos chegam em abordagens inusitadas na rua ou em locais públicos, manifestando a sua gratidão pelas mudanças que ocorreram nas suas vidas ou outros que são transmitidos por pessoas que outrora pertenceram ao programa (…)”. Q

“Programa Escolhas” (de Prevenção da Criminalidade e Inserção dos jovens dos Bairros mais vulneráveis dos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal) foi aprovado em 9 de Janeiro de 2001 e terminava a sua vigência a 31 de Dezembro de 2003. Nesta primeira fase, envolvia 53 bairros e cerca de 5000 crianças e jovens. (…) A meio do caminho do percurso traçado e avaliado, eram já 86 os projetos no terreno e 25.000 os beneficiários por todo o país. (…) Muitos parabéns a todos os que a ele se dedicaram, não apenas salvando-lhe a vida, mas tornando-o uma instituição com tanta qualidade, presença e futuro”. Q

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JUNTAM-SE À CELEBRAÇÃO PROGRAMA ESCOLHAS

Rui Marques Alto-Comissário para a Imigração (2005-2008)

Rosário Farmhouse Alta-Comissária para a Imigração (2008-2014)

o longo da sua vida, o Programa Escolhas foi amadurecendo e ajustando a sua missão. Pessoalmente, tive a sorte de viver um desses momentos, em 2004, em que foi possível dar um salto, não isento de riscos, para um novo paradigma. Recuperando os eixos principais, recordo a transformação de um Programa de prevenção da criminalidade para um Programa de promoção da inclusão social (…). Hoje, 16 anos depois, já na 6ª Geração do Programa, vemos os frutos das opções então tomadas. Com enorme mérito das várias lideranças que me sucederam, das equipas técnicas e projetos, o Escolhas representa hoje uma herança da qual a sociedade portuguesa se deve orgulhar”. Q

Programa Escolhas tem criado, desde 2001, milhares de oportunidades a crianças e jovens de contextos sociais muito vulneráveis. Com uma lógica de intervenção de proximidade, privilegiando as redes de parceiros locais, tem feito a diferença na vida de muitas famílias, alterando o percurso de vida das suas crianças, criando igualdade de oportunidades e reforçando a coesão social. Para além da mudança que tem desenvolvido na vida das crianças e dos jovens, este Programa tem sido exemplo de que o trabalho em parceria é possível (...). Ao Programa Escolhas e a todos os seus intervenientes (beneficiários, parceiros locais, equipa central) votos de uma vida cheia de Muitas e Boas Escolhas!”. Q

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COMBOIO ESCOLHAS JOVENS ESCOLHAS À DESCOBERTA DO PAÍS estreia do “Comboio Escolhas”, no verão de 2006, em plena 2ª Geração do Programa Escolhas (PE), levou um grupo de 150 jovens dos projetos do continente e ilhas à descoberta do país numa experiência inédita e inesquecível para todos. Durante uma semana, os jovens viveram neste comboio e nele viajaram pelas várias cidades de Portugal, ondee participaram numa série dee atividades, organizadas em parceria com as Câmaras Municipais de Lisboa, Aveiro, Porto, Amarante, Guarda, Ourém, Beja e Faro. Angella Graça, hoje licenciada em Relações Internacionais e colaboradora do

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Alto Comissariado para as Migrações, foi uma das passageiras do 1º Comboio Escolhas, na altura com 16 anos de idade e participante do projeto Rualidades, na Arrentela-Seixal. A jovem recorda com saudade esta “viagem única” que lhe permitiu “conhecer o país de forma mais aprofundada e conviver com jovens e técnicos de diferentes projetos a nível nacional” e ter a sua ““primeira experiência de vvoluntariado e de associajuvenil”. A oportunittivismo i ddade, assim como a influênccia do Programa Escolhas, marcaram a sua vida. m A 2ª edição do “Comboio Esrealizou-se em agosccolhas” o ttoo de 2013, durante a 5ª ge-

ração do Programa. Os seus cerca de cem participantes, os jovens “embaixadores” dos projetos, foram escolhidos pelo seu bom desempenho escolar e participação ativa na comunidade. A interação entre os jovens, no âmbito de um programa de atividades marcado pela variedade, abriu horizontes, premiou o mérito e fomentou o espírito de equipa, bem como o respeito pela diversidade. Esta edição teve um especial foco nos assuntos ligados ao exercício da cidadania, no espaço da União Europeia e em Portugal, numa associação ao “Ano Europeu dos Cidadãos”, então a decorrer. Esta iniciativa contou com as parcerias da CP - Comboios de Portugal e da Associação Juvemedia. Q


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NAVIO ESCOLHAS A SUPERAÇÃO DE DESAFIOS NUMA VIAGEM ESPECIAL assinalar o Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social e também o Ano Europeu Internacional da Juventude, celebrados em 2010, o Programa Escolhas decidiu premiar, com uma viagem de Navio até ao Funchal, 113 jovens selecionados nos projetos pelo seu

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mérito escolar. Esta iniciativa foi dinamizada em parceria com a Associação Juvemedia. Foram dias cheios de atividades pedagógicas e oportunidades de participação social, ambiental e comunitária, que permitiu aos jovens adquirir competências, socializar e conhecer de perto jovens de culturas diferentes. Q

ALDEIA ESCOLHAS CONHECER DE PERTO A VIDA NO CAMPO o verão de 2011, para comemorar o seu 10º aniversário, o PE proporcionou a mais de uma centena de jovens, que se destacaram nos seus projetos em todo o país, a oportunidade de conhecer a vida no campo, na iniciativa “Aldeia Escolhas”, realizada em Manteigas, na Serra da Estrela. A ocasião privilegiou o voluntariado, o serviço à comunidade e a aquisição de novas competências pessoais e sociais, nomeadamente a aprendizagem de alguns antigos ofícios. Numa semana, os jovens comunicaram entre si, aprenderam a fazer cestos, vassouras e pão. Q

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VIAGEM NO NAVIO ESCOLA CREOULA CELEBRAÇÃO DA INCLUSÃO DIGITAL o ano de 2014, a Aporvela recebeu a iniciativa “Mares da e-INCLUSÃO”, no âmbito dos 10 anos da Inclusão Digital. Os 40 jovens dos projetos Escolhas, vencedores de um concurso online, realizado no âmbito deste aniversário, foram convidados a embarcar no Navio Escola Creoula. Os jovens foram também selecionados pelo seu desempenho escolar e tiveram a oportunidade de representar o projeto e participar ativamente em ações cívicas e de voluntariado. A viagem começou na base naval do Alfeite e foi até S. Sebastian, em Espanha, com passagem pela Corunha. Para além de estarem envolvidos nas mais variadas funções a bordo e em diversas escalas, os jovens tiveram a experiência inesquecível de mergulhar em alto-mar. Os “Mares da e-INCLUSÃO” incluíram ainda, nesse ano, o Campo de Férias NATURTEJO, uma iniciativa dinamizada em parceria com a Associação Jovens Seguros. Q

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TESTEMUNHOS LORENTSO SIMEONOV PROJETO ST u vim da Bulgária para Portugal e na escola aconselharam-me a frequentar o projeto ST, para poder ter uma ajuda nos trabalhos de casa e nos estudos. Já tinha estado antes em Portugal e sabia um pouco da língua, mas não muito, e foi muito importante esta ajuda do projeto para poder estar mais à vontade com o português e começar a gostar da escola. Antes, sentia-me um pouco perdido. Quando cheguei ao projeto ST gostei também muito dos computadores e das várias atividades que eram organizadas. Hoje, estou no 9º ano e não penso voltar à Bulgária. Gostava de ir para a escola profissional em Odemira, para me formar na área de restauração e de bares. Mas mais tarde, o que gostaria mesmo era de entrar para a GNR. Q

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ANDRÉ COSTA PROJETO TALENTOS local onde fica o projeto Talentos já tinha sido o meu ATL, quando era pequeno, por isso quando um amigo me falou do espaço fui ver o que era. Gostei especialmente do espaço CID – Centro de Informação Digital. Naquela altura, em 2007, passava muito tempo em casa e, no projeto, passei a ter outras oportunidades e também um apoio nos estudos, que foi muito importante para conseguir recuperar as minhas notas. Graças a esse trabalho, consegui passar de ano com “distinção”. Com o Talentos, as minhas férias, que antes de participar neste projeto eram passadas em casa, começaram a ter outra “cor”. O projeto organizava muitas atividades que me permitiram sair do Bairro da Alâpada e a abrir muito os horizontes. Foi com eles que, pela primeira vez, pude ir à praia. Hoje, estou ainda a concluir um curso de técnico de restauração, na variante de cozinha e pastelaria, mas já estou a trabalhar nesta área. Q

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Deixamos aqui alguns testemunhos de algumas das muitas crianças e jovens, cujas vidas ganharam uma nova “cor” com a intervenção dos projetos Escolhas.

INÊS VERÍSSIMO PROJETO MOVE-TE epois de me ter mudado para o bairro do Calvário, em Peniche, o projeto abriu e eu fui convidada para fazer parte do grupo inicial dos participantes. Na altura, em 2013, achei que era um grande incentivo para os jovens do bairro. Ajudavam-nos a crescer e a ver melhor a realidade. Eu, naquela altura, era muito rebelde mas recebi uma grande ajuda, cresci mais e agora vejo melhor a vida. Se não tivesse passado pelo projeto não seria a pessoa que sou hoje. Estou agora no 8º ano e ainda a pensar o que quero fazer no meu futuro. O apoio que o Move-te me proporciona nos estudos tem sido muito importante. Vou lá todos os dias. Para os mais novos do bairro, este é um local muito importante, onde nos podemos afastar dos problemas que existem por aqui. Q

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PEDRO NOGUEIRA PROJETO PRO INFINITO E MAIS ALÉM onheci o projeto através de um casting para uma peça de teatro, promovida por eles. Fui selecionado e comecei a ter aulas de teatro no Pro Infinito e Mais Além. O projeto fica muito perto da minha casa, por isso, comecei também a frequentar outras atividades. Tinha lá vários amigos e havia uma certa cumplicidade. Por outro lado, podia também fazer os trabalhos de casa e ter acesso a computadores. Hoje, quando olho para trás, acho que o mais importante foi a possibilidade de ter podido sair do bairro, de conhecer novos lugares e de passar a dar importância à escola. Percebi, com o projeto, como é importante não desistirmos dos nossos objetivos para, um dia, ser alguém na vida. Hoje já estou no 12º ano e gostava de seguir arquitetura. Q

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PARCERIAS PARA A CAPACITAÇÃO PORTO EDITORA – ESCOLA VIRTUAL N

o ano letivo de 2006/2007 o Escolhas estabelece uma parceria com a Porto Editora, no âmbito da sua política de responsabilidade social, que abre o acesso à plataforma Escola Virtual, sem custos, a todas as crianças e jovens dos projetos que a solicitem. Com uma orientação vocacionada para a autoaprendizagem dos alunos, esta ferramenta, então pioneira a nível nacional, parte de um modelo de formação à distância e de métodos de estudo e acompanhamento, atrativos e eficazes, continuamente em aperfeiçoamento. Os seus conteúdos são trabalhados nos Espaços CID@ NET, no âmbito da Medida IV - Medida de Inclusão Digital, e ao longo dos anos, têm sido inumeráveis os testemunhos sobre o seu impacto positivo no sucesso escolar dos participantes do Escolhas. Q

CURRICULUM MICROSOFT DE LITERACIA DIGITAL utra ferramenta que permitiu a muitos jovens dos projetos do Escolhas progredirem nos seus conhecimentos de informática, também sem custos, foi o Curriculum Microsoft de Literacia Digital. Construído na modalidade de e-learning, este recurso, constituído por

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cinco cursos, abrange os conceitos e competências básicas em informática, tendo em vista uma utilização da tecnologia de informação na vida diária, incluindo ainda um teste de certificação que, em caso de aprovação, gera um certificado de literacia digital personalizado. Q


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Desde o seu início, o Escolhas tem estabelecido parcerias com várias empresas que, no âmbito da sua responsabilidade social corporativa, facilitaram gratuitamente o acesso dos participantes dos projetos a diversos programas de capacitação, nomeadamente no âmbito da inclusão digital. Deixamos aqui alguns exemplos.

FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA ma parceria estratégica com o Departamento da Sociedade de Informação da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia permite ao PE disseminar, entre o público das comunidades mais vulneráveis onde opera, o Diploma de Competências Básicas em Tecnologias da Informação (DCB), emitido nos Centros de Inclusão Digitais dos projetos. Ana Cristina Neves, responsável pelo Departamento da Sociedade de Informação,

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que coordena as políticas públicas nesta área, e que tem como missão o aumento da inclusão e literacias digitais, refere que o balanço desta colaboração tem sido “extremamente positivo e gratificante”, nomeadamente por ter “possibilitado um intercâmbio constante de ideias e práticas de inclusão, alcançando públicos que o Departamento da Sociedade de Informação dificilmente envolveria sem a multiplicidade de ações dos CID@Net ”. Q

DGE – ENSINO À DISTÂNCIA N o âmbito de uma parceria entre a Direção Geral de Educação, a Escola Fonseca Benevides e o Escolhas, o Programa passa a implementar, nos territórios vulneráveis onde intervém, uma nova resposta educativa de ensino à distância. Este modelo destina-se a públicos que não encontram no ensino presencial uma resposta adequada às características de mobilidade da sua família, como o trabalho itinerante, contingências culturais, problemas de saúde. O objetivo é ser mais um contributo que permita a Portugal aproximar-se das metas europeias relativas ao combate ao abandono escolar. Q

CISCO NETACAD

scolhas é também parceiro estratégico da Cisco, no âmbito da Cisco Networking Academy (NetAcad). Nos projetos locais, os Centros de Inclusão Digital disseminam gratuitamente este programa de e-learning, que oferece aos jovens competências tecnológicas essenciais numa economia global. O NetAcad inclui conteúdos baseados na web, avaliação online, acompanhamento da evolução dos alunos, práticas laboratoriais, formação e suporte a instrutores, preparando todos os seus alunos para certificações reconhecidas pela indústria, em qualquer parte do mundo. Todos os currículos, sistemas de aprendizagem e de avaliação, plataformas e simuladores são oferecidos gratuitamente às Academias e seus alunos. Q

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TESTEMUNHOS PIERRE GIANNI PROJETO TAKE IT Eu conheci o Take It num acampamento. Naquela altura, não parava muito no bairro, tinha o futebol e outras atividades fora. Depois do acampamento, comecei a frequentar o projeto e percebi que podia ser um bom lugar para obter ajuda ao nível da organização dos meus planos de estudo e profissionais. Voltei a estudar e comecei a desenvolver capacidades que nem sabia que tinha. Inscrevi-me num curso de mecânica e de serviços rápidos, uma área que tem saídas profissionais. Deram-me a oportunidade de mostrar o que sei e acreditaram em mim (…) isso foi o mais importante! Incentivaram-me a superar-me e a fazer coisas novas. O Take.It deu-nos novos horizontes. Agora sabemos que não estamos limitados por sermos de um bairro. Os jovens da minha idade estão todos a trabalhar e os mais novos estudam.” Q

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HUGO ROSSIO PROJETO MAIS JOVEM uando o projeto apareceu no bairro Armindo Lopes, decidi lá ir e experimentar. Percebi a boa influência do projeto e a oportunidade de participar em atividades interessantes nos meus tempos livres. Chegámos a ir a Lisboa ver um jogo de futebol. Este projeto, é muito importante para os meus estudos, pois estava já há quatro anos no mesmo ano e, com apoio escolar, passei logo para o 5º ano e nunca mais tive negativas, nem mesmo a matemática. Estar com outros jovens da minha idade, a aprender e a conhecer coisas novas tem sido muito bom para mim (…) inspira-me bastante, pois futuramente gostaria de trabalhar na área social. Depois do curso de Mediadores para Crianças e Jovens, vou tentar estagiar no projeto. Desde que o Mais Jovem chegou ao nosso bairro, a comunidade cigana deixou de estar tão isolada e já convive mais. O projeto ensinou-nos a ter outra atitude.“ Q

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Deixamos aqui alguns testemunhos de algumas das muitas crianças e jovens, cujas vidas ganharam uma nova “cor” com a intervenção dos projetos Escolhas.

JOSÉ ARRUDA PROJETO RENASCER u costumava ir buscar as minhas sobrinhas ao Renascer e fui sendo atraído pelo convívio diferente que havia neste projeto. O clima era mais calmo do que nas ruas, havia coisas interessantes para fazer e o tempo passava mais rápido. Aprendia-se mais. Isto foi na 4ª Geração do Escolhas, por volta de 2011. Entretanto, conheci o Hip Hop, descobri que gostava de dançar e de conhecer mais sobre esta cultura. Fiz muitas amizades. Hoje, sou dinamizador comunitário do projeto, que é uma grande oportunidade para mim. No futuro, vejo-me a trabalhar também nesta área social, não me estou a ver num escritório. Para já, vou terminar o 12º ano e ficar atento. Q

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FÁBIO CANAS PROJETO MAIS SUCESSO onheço o Mais Sucesso desde a 4ª Geração do Escolhas. Costumava ir com uns amigos jogar à bola para um campo que ficava perto e, um dia, vimos um palco montado, com muitas pessoas em redor e apercebemo-nos da abertura deste espaço novo (…) até lá estavam o Presidente da Câmara e funcionários da Junta. Nesse dia, fui lá espreitar e decidi passar a frequentar as atividades. Nestes anos nunca deixaram de acreditar em mim e no meu potencial. Sem o Mais Sucesso, acho que teria sido tudo muito mais difícil para mim. Ali tive sempre muito incentivo, muitas oportunidades e cheguei a ser presidente da mesa da assembleia local de jovens. Na altura, estava no 6º ano mas agora já fiz um curso profissional de cozinha e pastelaria. Atualmente, sou voluntário no projeto, pois gostava de dar aos mais novos um pouco daquilo que recebi. Gostava muito de trabalhar nesta área social e até, quem sabe, ser um dia o presidente da MOJU, a entidade promotora do Mais Sucesso. Q

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CONCURSO

MUDA O BAIRRO m 2008, foi lançado, pela primeira vez, o concurso que desafiava os jovens moradores nos territórios vulneráveis, onde o PE estava presente, a proporem melhorias concretas nas suas comunidades. As ideias podiam contemplar jardins, escolas, fachadas, edifícios, parques infantis ou outras áreas que, uma vez melhoradas, pudessem aumentar a qualidade de vida de todos. As dez melhores ideias selecionadas eram, depois de analisadas por um júri, implementadas com um

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apoio financeiro de dois mil euros cada. A iniciativa dirigia-se a jovens com idades entre os 16 e os 24 anos, destinatários de projetos financiados pelo Escolhas, e pretendia fomentar a participação, capacitação e co responsabilização dos jovens no melhoramento e manutenção das suas comunidades. Procurava ainda, reforçar a imagem interna e externa destes territórios e destes públicos, mostrando o seu empenho e mobilização em torno da valorização positiva dos seus bairros. Q


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MUNDAR

MUDA O TEU MUNDO! m 2013, esta ideia evolui para um novo formato. O Escolhas e a TORKE+CC lançam o Concurso de Ideias para Jovens: Mundar – Muda o teu Mundo, numa parceria que se alargou, na segunda edição, à Fundação Calouste Gulbenkian e, posteriormente, ao Instituto Português do Desporto e da Juventude I.P. O Mundar continua a ter como objetivos centrais a promoção da autonomia, da criatividade e da proatividade dos jovens, ao nível da identificação, criação e implementação de soluções para necessidades sentidas pelos próprios e pelas comunidades onde residem. A ideia é desafiá-los a agir, depois de “olharem para si”, “para o seu redor” e “para o mundo”. Neste ano, a idade limite para concorrer, sobe dos 24 para os 30 anos e os participantes já não têm que ser destinatários de projetos do PE, devendo no entanto apresentar as suas propostas através destes. As ideias selecionadas aumentam de dez para trinta e os prémios sobem para dois mil e quinhentos euros. Para apoiar os jovens no processo de criação e implementação das suas ideias, o Concurso disponibiliza um conjunto de tutoriais gratuitos que podem ser consultados online no site da iniciativa: http://www.mundar.pt Q O Concurso Anual de Ideias para Jovens – MUNDAR foi reconhecido enquanto boa prática, em 2015, pela Direção-Geral do Território, no âmbito de um projeto das Nações Unidas de habitação e desenvolvimento urbano sustentável. Foi também distinguido no âmbito do “Telecentre Europe Awards 2016”, tendo ficado em terceiro lugar na categoria de Best Practice, entre mais de 40 iniciativas de toda a Europa.


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FÓRUM ESCOLHAS

No final da 3.ª Geração do Escolhas, foi organizado em Lisboa o Fórum Escolhas: És tu que as Fazes, um encontro que teve o objetivo de promover a participação ativa dos jovens dos proje-tos, dando-lhes a possibilidade de escolherem, entree a diversidade de atividades disponíveis, aquelas que mais lhes interessavam, e de se empenharem na sua concretização. Pretendeu-se desta forma, numa lógica de capacitação e de uma forma prática e informal, incentivá-los a fazerem as suas escolhas, tendo este encontro sido associado ao programa oficial do Ano Europeu para a Criatividade e Inovação. Durante dois dias, os jovens puderam escolher os temas dos workshops em que participaram, as atuações a que assistiram e tiveram ainda a oportunidade de apresentar ao público o trabalho desenvolvido

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pelos seus projetos. Durante o encontro, os jovens estiveram ainda envolvidos na organização de um fórum alargado, durante o qual puderam partilhar e debater os impactos que o Escolhas estava a ter nos seus Es percursos de vida. p pe Destaque ainda neste evento, D para pa a apresentação de dois estudos realizados no âmbito es do do Escolhas, nas áreas do empowerment e da capacitação, p o ppara a várias animações realizaddas a por grupos artísticos que no âmbito dos projessurgiram, ur tos to os e para a distinção das dez (então) mais inovadoppráticas rá ras, ra as, postas em prática pelos projetos, je eto no terreno. Q


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ESCOLHAS DE PORTAS ABERTAS os anos seguintes o trabalho do Escolhas continuou a ser apresentado ao público, na iniciativa Escolhas Portas Abertas , realizada em 2010, 2013, 2014 e 2016, em formatos que foram variando de ano para ano. Muitas foram as atividades dinamizadas, quer nas sedes dos projetos, quer em espaços públicos, que permitiram a quem por lá passou, ficar com uma ideia acerca do trabalho desenvolvido diariamente pelos projetos locais, conhecer a sua riqueza e diversidade.. Nestes eventos mais alargados, o público visitante teve a oportunidade de assistir a concertos e explorar oficinas, workshops e tertúlias, entre outras atividades relacionadas com o universo Escolhas. Q

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CAPACITAÇÃO E EMPREENDEDORISMO m 2010, o Escolhas é renovado para uma nova fase, a sua 4.ª geração. Partindo da experiência acumulada no passado e fundamentando-se na consolidação do modelo já prosseguido anteriormente, o Programa introduz, no entanto, alguns aspetos que permitiram reforçar a qualidade global das ações então desenvolvidas, entre

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os quais uma nova medida, que visou estimular o Empreendedorismo e Capacitação dos jovens. O projeto “Sabão com Arte“, no terreno desde janeiro de 2015, é um dos mais recentes resultados concretos desta medida. Promovido pelo CEIFAC – Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra, o projeto visa formar jovens de contextos vulne-

ráveis para integrarem uma unidade que produz sabões artesanais, que retratam o património cultural e histórico da cidade. De acordo com Maria João Vieira, diretora executiva do CEIFAC, já receberam formação 20 jovens, que podem vir a integrar o negócio desenvolvido à volta da ideia, designadamente uma Loja/Oficina e uma modalidade de venda ambulante, destinada sobretudo aos inúmeros turistas que visitam atualmente a cidade. O projeto contou com o apoio de um vasto leque de entidades parceiras, nomeadamente da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, do CEARTE - Centro de Formação Profissional do Artesanato, da Faculdade de Psicologia de Farmácia da UC, do INOPOL - Academia de Empreendedorismo do Politécnico de Coimbra e da Escola Superior de Comunicação, cujos alunos tiveram um papel fundamental na conceção da imagem gráfica da marca. Mais informações sobre este projeto podem ser obtidas através do e-mail: ceifacoimbra@mail-telepac.ptQ


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PROJETOS PONTUAIS PARA

A EMPREGABILIDADE

stes Projetos Pontuais admitem um leque variado de ações, que podem passar pela implementação de estágios para jovens, pela formação no domínio das competências para a empregabilidade, pela

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promoção da responsabilidade social, através de estágios e de emprego para jovens, pela implementação de negócios sociais ou ainda pela integração de jovens no mercado de trabalho. Como resultado desta iniciativa, foram

criadas, por estes jovens, mais de cem novas pequenas empresas que se traduziram, cada uma, em vários postos de trabalho e que, em muitos casos, serviram também para testar modelos de negócio replicáveis noutros territórios. Q


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LIGA ESCOLHAS m 2011, o Programa Escolhas lança a Liga Escolhas, uma iniciativa inédita que aposta no futebol como veículo de inclusão social, promovida e gerida pela Fundação Aragão Pinto e por um leque alargado de parceiros locais. Na primeira edição, esta competição de futebol sete, destinada a crianças e jovens de projetos do Escolhas, decorria apenas nos distritos de Lisboa e de Setú-

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bal. Passado com sucesso o primeiro teste, a iniciativa alarga-se no ano seguinte à zona Norte do país, sendo desenvolvida na região do Grande Porto e na Guarda. Neste torneio original a pontuação não se resume aos golos marcados mas vai mais longe e valoriza também o espírito de equipa, a integração social, o sucesso escolar, a responsabilidade social, o empreendedorismo e a luta pela igualdade e contra a discriminação. Não é um pro-

jeto meramente desportivo, é uma ideia que parte do futebol e aproveita a sua popularidade para veicular novas oportunidades e mudanças positivas. Os jovens inscritos têm que desenvolver mensalmente atividades de serviço social no seu bairro, que podem ser ações de voluntariado, ajuda a idosos ou pessoas com deficiência, ações como a limpezas de matas, florestas ou grafitti, entre muitas outras iniciativas. Q


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DISTINÇÃO EUROPEIA Em 2016, a Liga Escolhas ficou em 2º lugar na categoria “Integração das populações marginalizadas” do Prémio Europeu para a Integração Social Através do Desporto. Esta classificação foi obtida entre 200 candidaturas, oriundas de 18 países europeus, e fará parte de uma short list de Boas Práticas, incluída numa publicação sobre este tema, destinada aos decisores políticos da União Europeia. A cerimónia de entrega de galardões decorreu em Saint-Denis, perto de Paris, no dia 3 de julho, e contou com a presença da Diretora do Programa, Luísa Ferreira Malhó.


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DINAMIZADORES/AS COMUNITÁRIOS/AS endo por base a figura de Mediador Jovem Urbano, implementada pelo PE, entre 2001 e 2003, o Escolhas cria, na sua 4ª Geração, a figura de Dinamizador/a Comunitário/a. Pela primeira vez, os projetos passaram a poder integrar nas suas equipas técnicas jovens oriundos (as) das comunidades onde estavam a intervir, que apresentassem perfis de liderança positiva e fossem reconhecidos como modelos de referência. A sua ligação privilegiada ao território passou a ser uma importante mais-valia na mobilização, não apenas das crianças e jovens participantes, mas também das suas famílias e da comunidade em geral. Ao criar esta nova função, o Programa aposta na autonomia dos jovens e na sua capacitação, potenciando o seu envolvimento e participação cada vez mais ativa nas ações promovidas pelos projetos. Cada jovem é capacitado para dinamizar esta missão através de um programa de formação específico ao nível do desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais, que passa pela definição do seu projeto de vida. Este trabalho visa fomentar e promover uma maior progressão escolar, tendo em vista a sua capacitação e envolvimento nas dinâmicas locais, de forma a garantir a sustentabilidade futura do trabalho desenvolvido. Q

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Marco Génio na Gala Escolhas de 2014, na Casa da Música, interpreta o hino “A vida é feita de escolhas”, adotado pelo Programa.

MARCO GÉNIO

O PERCURSO DE UM DINAMIZADOR COMUNITÁRIO

arco Génio sempre gostou de sentir que faz a diferença na vida dos outros. Esteve ligado ao Escolhas durante 6 anos, entre 2010 e 2012, e foi dinamizador comunitário no projeto Puerpolis, de Guimarães e, posteriormente, passou a desempenhar funções de monitor na área da música no projeto CSI, implementado na 5.ª geração do Programa.

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Na sequência do seu trabalho com crianças e jovens de contextos mais vulneráveis e, especialmente, a partir da experiência que adquiriu com um workshop de guitarra, em que trabalhava regularmente com as crianças e jovens participantes, não apenas a música, mas também as diversas competências pessoais e sociais ligadas a esta área, foi convidado a dinamizar um projeto seu.

O “Cool Band” está atualmente a ser implementado na escola EB1 de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, e tem como objetivo reduzir o insucesso e o absentismo escolar, através da música. Os alunos que por ali passam podem experimentar vários instrumentos, testar as suas capacidades e descobrir que, com vontade e empenho, são tão capazes como os outros. O clima informal, muito trabalho em equipa, a par da alegria e boa disposição que a música traz consigo, vão quebrando barreiras e preconceitos. A escola vai-se tornando mais atraente, convidativa e estimulante. O músico aposta agora em levar mais longe estes bons resultados, aos quais a experiência no Escolhas abriu caminho. Q


34 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

PRODUÇÃO E PARTILHA DE CONHECIMENTO RECURSOS ESCOLHAS E FAZER ESCOLA COM O ESCOLHAS

m 2010, são lançados oss os os Recursos Recu Re curs rsos os do do Escolhas, Esco Es colh lhas as, 33 Ideias resultantes da experiência do terreno, de projetos de norte a sul do país, criados num contexto formativo, disponíveis para partilha com todos os interessados. Os agentes deste conhecimento foram encorajados a pensar e a agir em conjunto, para desenvolverem novas hipóteses de intervenção, que sejam mais eficazes na resolução de problemas comuns. O Programa Escolhas sistematizou este conhecimento, com a coordenação de peritos de diversas áreas, e partilha-o onli-

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ne, tendo ne te tend ndoo em vista vis ista ta a sua sua utilização uti tililiza zaçã çãoo nnuma escala mais alargada por pessoas e organizações, empenhadas na prevenção e no combate à exclusão social de crianças e jovens. http://www. programaescolhas.pt/recursosescolhas O Handbook “Fazer Escola com o Escolhas”, que procura sistematizar as metodologias, princípios de ação e opiniões internas e externas sobre áreas transversais do Programa, pode ser também consultado na Internet em: http://www.programaescolhas.pt/publicacoes Q


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MANUAL DE EMPREENDEDORISMO INCLUSIVO omo resultado das experiências recolhidas em dezasseis projetos, implementados durante o ano de 2014, no âmbito de candidaturas pontuais ao Escolhas, o Programa lançou um manual que descreve um conjunto de boas práticas nesta área. Q A publicação está disponível online em http://www.programaescolhas.pt/publicacoes

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36 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

PRÉMIO INTERNACIONAL JUSTIÇA JUVENIL SEM FRONTEIRAS assinala a distinção do Programa Escolhas com o Prémio Internacional Justiça Sem Fronteiras, entregue em Bruxelas, pelo Observatório Internacional da Justiça Juvenil. Uma atribuição de relevo, que reconhece o Escolhas como “uma das mais eficientes e eficazes políticas públicas”, bem como o seu mérito ao

nível da promoção “da inclusão social de crianças e jovens em risco, tendo em conta todo o trabalho desenvolvido, desde 2001, na inclusão social de crianças e jovens oriundos de contextos socioeconómicos vulneráveis, em particular descendentes de imigrantes e minorias étnicas, na lógica da igualdade de oportunidades e de melhorias da coesão social”.

A cerimónia pública de entrega do Prémio ao Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, teve o Alto Patrocínio da UNESCO e decorreu no âmbito da 6.ª Conferência Internacional do Observatório Internacional da Justiça Juvenil, um organismo que tem como missão monitorizar, no mundo inteiro, as melhores políticas na área da integração de crianças e jovens em risco. Q


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A INTERNACIONALIZAÇÃO

DO ESCOLHAS a sequência do reconhecimento alargado e das várias distinções e prémios, que o programa tem vindo a receber, ao longo dos anos, na qualidade de política pública de referência, dentro e fora de Portugal, e face às novas competências na área da emigração do Alto Comissariado para as Migrações, organismo onde o PE se integra, decidiu-se, na 6.ª Geração do Programa, alargar

N

a sua missão ao âmbito europeu. Nesse sentido, foram já implementados dois projetos-piloto, um na Grã-Bretanha e um outro no Luxemburgo, destinos privilegiados da emigração portuguesa, nos quais serão testados os moldes de intervenção que, ao longo dos últimos catorze anos, têm vindo a ser trabalhados pelos projetos em território nacional. Estes novos projetos mantêm o foco na

inclusão social de crianças e jovens oriundas de contextos vulneráveis, e estendem-se também aos participantes naturais destes países, em especial às crianças e jovens que, com este perfil, pertençam às comunidades emigrantes portuguesas. Apesar do seu caráter experimental, estes projetos-piloto estão sujeitos aos mesmos modelos de acompanhamento e avaliação que os projetos nacionais. Q


38 | PROGRAMA ESCOLHAS – 16 ANOS

A PALAVRA DOS FINANCIADORES ma experiência muito boa e muito motivante”, realçou a Comissária Europeia, Marianne Thyssen, que tem em Bruxelas o pelouro da empregabilidade, assuntos sociais e inclusão, após a visita efetuada, em outubro de 2016, ao projeto Caças Desafios e Oportunidades E6G, na Tapada das Mercês/Sintra, onde pôde conhecer o trabalho aí desenvolvido. Na ocasião, Maniannne Thyssen não deixou de manifestar a sua satisfação por ver o financiamento da União Europeia a ser “tão bem gasto e a chegar realmente às pessoas no terreno, para melhorar a sua inclusão e empregabilidade”.

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A visita começou com uma atuação do grupo de dança “Interculturalidade”, constituído por jovens do projeto, à qual se seguiram apresentações centradas no trabalho efetuado pelo Programa Escolhas e, em particular, pelo projeto

O Espaço, Desafios e Oportunidades E6G. Marianne Thyssen visitou as oficinas do projeto, assistiu à demonstração de um kit aeroespacial e recebeu, no final, uma lembrança executada pelos próprios jovens, com o fado português a marcar a despedida. A Comissária foi recebida na Escola E. B. 2,3 Visconde Juromenha, pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, pelo Secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, pelo Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, pela Diretora do Programa Escolhas, Luísa Ferreira Malhó, e pela Diretora do Agrupamento, Teresa Andrade. Q


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Delegação do Porto Avenida de França, n.º 316, loja 57 4050-276 Porto, Portugal Tel.: +351 22 207 64 50 Fax: + 351 22 202 40 73 Delegação de Lisboa Rua dos Anjos, n.º 66, 3.º, 1150-039 Lisboa Tel.: +351 21 810 30 60 Fax: +351 21 810 30 79 comunicacao@programaescolhas.pt www.programaescolhas.pt

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Escolhas n38  

Revista comemorativa do 16º aniversário do Programa Escolhas, assinalado em 2016.

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