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R$ 18.00 Nº 68

ARC DESIGN

2009

Nº 68

2009

REVISTA DE DESIGN ARQUITETURA SUSTENTABILIDADE INOVAÇÃO

PATRICK JOUIN A ELEGANTE DIVERSIDADE NO DESIGN FRANCÊS

BRASIL NA HOLANDA ROTEIRO DO MELHOR DESIGN E KLEUR BRASIL

ANDRADE MORETTIN ARQUITETOS POÉTICA DO RACIONALISMO

BRANDING A VERDADEIRA ALMA DO NEGÓCIO


55 11 5102.1222


Voltamos agora de um giro pela Holanda, Finlândia e Suécia. Na Escandinávia nos chamou a atenção ver o design direcionado, principalmente, para a solução de necessidades – das básicas às supérfluas. E em todos os países, um desejo de conhecer o design brasileiro. Na Holanda (publicada nesta edição), a curiosidade foi satisfeita pelo evento Kleur Brazil. E a nossa, pela compreensão de como formar um dos melhores times de design do mundo, e fazer com que os profissionais não migrem, e permaneçam na cidade onde estudaram. Acompanhando o ritmo e as necessidades do mundo, o design evolui, amplia seu poder em diversidade e seriedade – mesmo, muitas vezes, brincando. Serviço é a palavra de ordem e o design francês, sempre ligado à decoração, também adere ao design de serviços e nos traz Patrick Jouin, com bicicletários e banheiros públicos, além de cadeiras, panelas, lustres e uma típica rua parisiense. Bom. Muito bom. “Light Design” é um conceito que se enquadra no novo design. Móveis e objetos pesados, uff, nunca mais! Grandes nomes do design já sabem como trabalhar os materiais para criar peças com qualidade inversamente proporcional ao peso. Na rubrica Marca Registrada, Andrade Morettin Arquitetos é a nossa escolha desta edição e nos mostra uma arquitetura sustentável, pelo uso de estratégias como o uso de estruturas pré-fabricadas e em perfeita clareza e harmonia entre forma e função. Seminário no Centro de Design Paraná sobre design de serviços, três simpósios abordando diversos aspectos da sustentabilidade, em São Paulo, uma cobertura da feira Casa Brasil 2009 e um conjunto de cases em que a gestão da marca desempenhou papel fundamental: uma diversidade (e quantidade) de assuntos que mostram o quanto o design se expandiu – abrangendo diversos segmentos, aprofundando conceitos. Ser designer, hoje, é possuir ferramentas para escolher e atuar em qualquer área da cadeia produtiva dos bens de consumo e serviços. Ser designer, tanto quanto em qualquer outra área vital, é ser consciente da importância de suas escolhas. Bons pensamentos! Maria Helena Estrada Editora


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20

Maria Helena Estrada

CASA BRASIL: UNINDO LUCRO E DESIGN

Julia Garcez

A ALMA FRANCESA DE PATRICK JOUIN

Julia Garcez

LIGHT DESIGN

PERMEANDO VIVÊNCIAS

Maria Helena Estrada

10

30

em foco

cultura material

design internacional

feiras

Festival Kleur Brazil, em Roterdã, na Holanda, chama atenção para o design brasileiro e mobiliza uma cidade inteira em torno da produção nacional. Evento incentiva o intercâmbio de ideias entre Brasil e Holanda – país que, hoje, é um campo fértil para o design – e abre novas possibilidades de colaboração bilateral

Em meio à crise ambiental, leveza é uma característica fundamental. Apostar em produtos leves resulta em menor gasto de materiais, menos desperdício e mais respeito à natureza. Designers renomados exploram as possibilidades das peças que pesam pouco e dos materiais que permitem fazer mais com menos

Um dos principais designers franceses contemporâneos, Patrick Jouin domina a tecnologia como poucos e mescla tradição e modernidade. Dono de uma produção tão autoral quanto diversificada, que flerta com desenho de produto, arquitetura, interiores e cenografia, Jouin foi homenageado com uma exposição no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo

Em sua segunda edição, Casa Brasil valoriza o design nacional e se consolida como a melhor feira do setor. O evento, que combina seleção criteriosa de participantes e alta qualidade em seus eventos culturais, chama a atenção de empresas e designers, que escolhem a Casa Brasil para lançar produtos e discutir novas tendências

REVISTA DE DESIGN ARQUITETURA SUSTENTABILIDADE INOVAÇÃO

nº 68, novembro 2009

Na capa, escada circular com degraus semelhantes a pétalas na residência projetada por Patrick Jouin e Sanjit Manku, em Kuala Lumpur, na Malásia. Foto: Roland Halbe


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46

NOVO MODERNO

Ana Weiss

Julia Garcez

A MARCA DA ESTRATÉGIA

Fabricio Andrade

NO CAMINHO CERTO

Da Redação

DEBATE TRANSVERSAL

38

54

sus ten ta ção

no caminho certo

design e comunicação

marca registrada

Em São Paulo, eventos de grande porte promovidos pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável e projeto Brasil Itália – Diálogo Sustentável – traçaram um panorama dos principais tópicos em discussão sobre sustentabilidade, com bom equilíbrio de teoria e prática

Como diminuir o desperdício da água? ARC DESIGN apresenta nesta edição uma seleção de produtos e soluções para racionalizar e evitar o uso excessivo sem, entretanto, comprometer o conforto e a demanda rotineira deste recurso tão valioso quanto essencial. Sem radicalismo, mas com o comprometimento que o momento pede

Oito cases brasileiros recentes mostram como o design materializa a construção de marcas fortes, um fator determinante no modo como um produto ou serviço será percebido pelo público. Em entrevista exclusiva, o especialista norte-americano Marty Neumeier discute a impor tância do branding para o bom desempenho dos negócios

Responsável por projetos marcados pela leveza, emprego de soluções simples e de baixo impacto am biental, Andrade Morettin Arquitetos retoma com sucesso valores centrais do modernismo. Conhe cido pela produção autoral, o escritório tem vencido concorrências de obras grandiosas no Brasil e no exterior

news

4

universo ESCRITÓRIOS

expediente leitura

26

ESCRITOS DE LINA

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46

como encontrar

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design e inovação DESENHO DA EXPERIÊNCIA

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KOZIOL NO BRASIL Chega ao Brasil a célebre marca alemã Koziol. Com cores intensas e formas lúdicas, os produtos da Koziol são fabricados com materiais termoplásticos, totalmente recicláveis. A Koisas & Co traz ao mercado nacional alguns de seus utensílios: ralador, descanso de colher, cortador de pizza e paliteiro estão entre os lançamentos. Outro destaque são as placas decorativas em gel rígido, que oferecem inúmeros desenhos para compor ambientes. (11) 3081 0606, www.koisas.com.br

MONTE VOCÊ MESMO A designer Flavia Pagotti partiu do formato convencional das luminárias para criar a sua luminária de canto – que nada tem de convencional. Como um jogo de montar, ela é mais do que a soma de suas partes: as peças podem ser usadas combinadas ou individualmente. Disponível em dois tamanhos – 25 cm e 40 cm de altura –, a luminária é vendida pela Dominici. (11) 3087 7788, www.dominici.com.br

DESIGN COM HISTÓRIA Gad’Innovation, ApexBrasil e Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) estão juntas no projeto “Histórias de Inovação”, que pretende apontar novos rumos para a indústria moveleira. A iniciativa reuniu oito designers – entre os quais Thomaz Bondioli e Freddy Van Camp, criador do sofá Soft Star (foto) –, que desenvolveram protótipos para oito empresas do setor, como PANAN e Modulaque. Cada dupla de empresa e designer criou uma personagem e um contexto específicos, a partir dos quais foram desenvolvidos produtos para públicos variados: do executivo de alta renda que monta um novo apartamento ao casal da classe C que precisa de uma nova estante. Veja o resultado em www.historiasdeinovacao.com.br


John Offenbach

PARA INGLÊS VER No ano em que a Melissa completa 30 anos, a sandália criada pela arquiteta iraniana Zaha Hadid foi um dos 40 itens selecionados para a exposição "Design Real", em Londres. A mostra acontecerá na Serpentine Gallery e ficará em cartaz de 26 de novembro a 7 de fevereiro. A curadoria da exibição está a cargo do designer alemão Konstantin Grcic. www.serpentinegallery.org

DESIGN BRASILEIRO NA CHINA A 9ª edição da Bienal Brasileira de Design Gráfico será realizada na China, de 15 a 21 de outubro. Foram selecionados 238 projetos nacionais, que integrarão a “2009 Shanghai International Creative

SALÃO DESIGN

Industry Week”, que reúne designers de todo o mundo. A mostra

Abertas as inscrições para a 14ª edição do Prêmio Salão

depois segue para Pequim, onde será exposta em encontro do

Design 2010, que ocorrerá em Bento Gonçalves, no Rio

Icograda (Conselho Internacional de Associações do Design Gráfico).

Grande do Sul – uma das premiações mais importantes da

www.siciw.com

América Latina. As categorias do concurso são acessórios domésticos, eletroeletrônicos domésticos, iluminação e móveis, para estudantes, profissionais e indústrias. Também serão entregues os prêmios Madeiras Alternativas, que incentiva o uso sustentável de florestas nativas, e Mérito Social, para projetos com a participação de entidades carentes. As inscrições vão até 30 de outubro. Regulamento em

CLÁSSICO REVISITADO

www.salaodesign.com.br

Esguia e precisa, a Giuseppina é inspirada na Chiavarini, cadeira produzida no começo do século 18. A Chiavarini foi concebida inicialmente por Giuseppe Gaetano De Scalzi e era feita de madeiras leves – cerejeira e faia, principalmente. O estúdio Bonaldo aproveitou o modelo original, substituindo a madeira por policarbonato e poliamida. Dessa vez, os designers Dondoli e Pocci estão encarregados do projeto da nova cadeira. À venda na Alotof. (11) 3068 8891. www.alotof.com.br Evandro Soares


ALESSI NA BENEDIXT A Benedixt acaba de receber 16 linhas da italiana Alessi. Entre os destaques, produtos inéditos de Philippe Starck, Jasper Morrisson, Enzo Mari, Richard Sapper, Stefano Giovannoni e Michael Graves, além das coleções Nuvem e Blow Up, dos irmãos Campana. Ao lado, conjuntos para café desenhados por Massimiliano e Doriana Fuksas. (11) 3081 5606, www.benedixt.com.br

COMO UMA ONDA A St. James lança a coleção Pond, de Baba Vacaro, diretora de criação da marca. A linha é composta por baldes para gelo e champanhe, centro de mesa e salva. A superfície de prata sugere a ondulação de uma lagoa (“pond”), o que dá fluidez às peças. (11) 2955 5344, www.saintjames.com.br

ARC DESIGN NAS MOSTRAS INTERNACIONAIS Depois da Holanda (veja nesta edição), Finlândia e Suécia dirigem o foco para o Brasil. E ARC DESIGN é convidada a colaborar nesse intercâmbio, visitando a feira Habitare com a Design Week Helsinki e também Stockolm, para conhecer os produtos que estarão no Brasil na mostra Swedish Seeds, com inauguração marcada para 17 de novembro no Museu da Casa Brasileira. Aguardem, nas próximas edições, o design que vem da Escandinávia.

O AÇO DÁ VOLTAS Aproveitando sobras de aço inox, a Riva criou a sua linha Sava. Ela é composta de facas, garfos, colheres, espátulas para queijo, faca de pão, trinchante para carne e um par de saladeiras. Na série Riviera, chapinhas de aço – também provenientes de restos de produção – transformam-se em alças e puxadores. Uma solda especial reduz o número de porcas e parafusos empregados. As linhas são assinadas pelo designer Rubens Simões. 0800 60 61600, www.riva.com.br


BRAZIL DESIGN WEEK Entre 3 e 6 de novembro, o prédio da Federação do Comércio do Estado de São Paulo hospedará a 2ª edição do Brazil Design Week. Organizado pela Abedesign (Associação Brasileira de Empresas de Design), o evento terá como tema “Inovação e Negócios”. Serão ministrados cerca de 20 workshops, além de seminários e fóruns. Haverá ainda a primeira edição do Brazil Design Awards, em que uma comissão de designers julgará os melhores trabalhos brasileiros na área. (11) 3067 6132, www.abedesign.org.br

MOSAICOS VIRTUAIS Um simulador de mosaicos é a novidade da Vidrotil, fabricante de pastilhas de vidro. Acessando o site da empresa – www.vidrotil.com.br/simuladordemosaico – o internauta

ESTADO DE NATUREZA

poderá criar diferentes combinações de padrões, coleções,

Seguindo a abordagem sustentável que orienta o seu tra-

texturas e cores. Ao término da “brincadeira”, pode-se sal-

balho, o designer Domingos Tótora usou papel craft reci-

var o modelo escolhido, enviá-lo

clado para confeccionar o banco Solo. A textura telúrica e

por e-mail e até pedir o orçamento

o formato de cascalho do assento remetem à natureza,

da versão “real” do mo-

inspiração maior do projeto. (35) 3662 1328.

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UM TOQUE DAS MÃOS A Grohe, fabricante alemã de metais sanitá-

ERRATA

rios, traz para o Brasil a linha de torneiras Ondus,

Em nota na página 106 da edição 67 de ARC DESIGN,

criada por Paul Flower, chefe do departamento de

o nome da By Kamy foi escrito incorretamente, bem

design da Grohe, e vencedora do Red Dot Design

como a URL do site da empresa. O corre to é

Awards. O display digital permite controlar a temperatura

www.bykamy.com.br

e o fluxo da água. Um termostato interno regula o volume

Diferentemente do que afirma a legenda na página

de entrada de água, mantendo a temperatura escolhida.

102 da edição 67 de ARC DESIGN, a autoria do traba-

E a tecnologia DreamFall proporciona um

lho “Natural Medium” é apenas da agência Tátil Design.

efeito de cascata. À venda na Vallvé. (11) 3061 2444, www.vallve.com.br


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11.09.09 09:03:36


Felipe Abe

Nesta página, a bandeira com o logotipo Kleur Brazil, criação da Fogo Design, e a rua elegante de Roterdã dedicada à moda e que abrigava, em cada loja, produtos brasileiros. No alto da página ao lado, bonde com cartaz do evento que mobilizou a cidade em torno do design, da música, dos produtos e das cores do Brasil


Felipe Abe

PERMEANDO VIVÊNCIAS Holanda, Finlândia e Suécia dirigem o foco para o Brasil, e ARC DESIGN é convidada a realizar esse intercâmbio, levando o design brasileiro e trazendo na bagagem os conceitos e a estética desses países nórdicos. Nesta edição, publicamos Kleur Brazil em Roterdã e um panorama do design holandês

Maria Helena Estrada Kleur Brazil, ou Cores Brasil, foi realizado em Roterdã, de 19 a 22 de agosto. Evento organizado pela arquiteta Leila Abe, foi pensado como um festival de verão, alegre e colorido, com produtos brasileiros em cada uma

m Ju

ra mobilizada para conhecer esse nosso design, do

Na

ka

o

das lojas que faziam parte do roteiro e uma cidade intei-

qual tanto se fala na Europa. Kimi Nii, Heloisa Crocco, César Abe, Felipe Abe, Ramsés Marçal e Miguel Sanchez da Fogo Design, entre outros brasileiros, participaram do encontro, que incluiu um seminário sobre design de moda e design de produto com palestras de Jum Nakao e da editora de

Acima, cadeira Rocking on the Beach, design Joon&Jung, um dos exem plos da mostra "Boer Zoekt Stijl", que teve Li Edelkoort como cura dora. Visão nostálgica do mar, a cadeira tem seus sons característicos repro duzidos graças às formas, tamanhos e estrutura dos canos

11 ARC DESIGN


ARC DESIGN. Os produtos brasileiros expostos in-

de novos e mais amplos caminhos no design.

cluíam, entre outros, cadeiras de Carlos Motta, vesti-

E foi a Premsela, parceira do evento Kleur Brazil, a

dos de chita da coleção A Casa, cerâmicas de Kimi Nii,

organizar um roteiro de visitas para os dois conferen-

joias de Mana Bernardes e o célebre vestido em papel

cistas convidados. Roterdã, Eindhoven e Amsterdã,

de Jum Nakao.

Centros Culturais, estúdios de designers, lojas e a vi-

Leila Abe, brasileira radicada na Holanda, obteve o su-

são de projetos originais e interessantes como a do

porte da Premsela, órgão de apoio ao design, ligado ao

“bairro vermelho”, em Amsterdã, que hoje oferece a

Ministério da Cultura. Hoje, na Holanda, os Ministérios

preços reduzidíssimos o espaço das antigas “vitrines

da Cultura e da Economia atuam em sincronia, o que

do sexo” a jovens estilistas, designers e artistas (ver

permite qualificar e agilizar os projetos de incentivo. No

ARC DESIGN 64).

caso dos eventos internacionais, há também a colabo-

Projeto semelhante pode ser visto em Eindhoven, sede

ração do Ministério das Relações Exteriores.

de uma das melhores escolas de design da Europa. A

E o que a Holanda pode nos trazer como ideias que

prefeitura implantou uma política visando manter na

nos façam pensar o futuro,

cidade os profissionais formados ou não pela Acade-

abrir novas perspectivas?

mia. Grandes galpões (a maioria espaços de produção

País que tem seus proble-

da Philips, hoje desativados), a preços mínimos, abri-

mas de estrutura básica re-

gam jovens designers ou mesmo aqueles já famosos.

solvidos, possui recursos –

Foi em Eindhoven que encontramos Piet Hein Eek, um

e os utiliza – com apoio lo-

dos mais conhecidos designers da Holanda, em seu

gístico e financeiro a desig-

enorme ateliê. É ali que nascem projetos, protótipos e

ners e criadores. É, assim,

produtos finais em pequenas séries.

campo fértil para a pes-

Ainda em Eindhoven vale citar a Designhuis (casa do

quisa e a especulação

design), centro cultural que reúne um belo acervo e

Fotos Felipe Abe

Abaixo, Jum Nakao e um de seus vestidos de papel exposto no Centrum Beeldende Kunst, galeria de Roterdã, que é também um centro de referência, com livros, revistas e produtos design


Fotos Felipe Abe

Acima, quadros de Heloisa Crocco em madeira e, abaixo, as jóias de Mana Bernardes, expostos em lojas do roteiro

Acima, peças em cerâmica de Kimi Nii expostas em loja de moda de Roterdã; abaixo, a vitrine de uma das grandes marcas de fashion design da Holanda. No detalhe, um dos vestidos de chita da coleção A Casa, de Renata Mellão


Jum Nakao

Felipe Abe Jum Nakao

Jum Nakao

Acima, a “esquina brasileira”, onde aconteceram os even tos da Kleur Brazil. No alto, à direita, instalação ex pos ta na Droog Design, em Amsterdã

Lisa Klappe

A partir da foto acima, em sentido horário, parte da mostra na Designhuis, em Eindhoven, que apresenta exemplos singelos e nostálgicos da vida no campo: banco de Rogier Mar tens; mostruário de cores e utensílios de uso cotidiano; uma das primeiras cadeiras de Piet Hein Eek, que usa velhas portas e outros fragmentos de madeira; pufes Urchin, de Christien Meindertsma, feitos em lã de carneiro da Nova Zelândia, tricotados na Finlândia e tingidos com pigmentos naturais


Jum Nakao

Acima, o estúdio/laboratório de Joris Laarman, onde ele e equipe, no mo mento, realizam experimentos com novos materiais para a cadeira Bone; na parede ao fundo, o radiador Heatwave, criação do designer. À direita, a cadeira Bone em sua versão atual, já comercializada. No pé da pá gina, a cozinha idealizada na Designhuis para a mostra "Boer Zoekt Stijl"

realiza mostras periódicas, como a "Boer Zoekt Stijl" © Studio Joris Laarman

(fazendeiros em busca de um estilo), curadoria de Li Edelkoort. É um novo (antiquíssimo) conceito de vida, que procura trazer os valores e costumes da vida campestre para a urbana. Vale a pesquisa no site www.designhuis.com Entre os jovens designers chamou atenção a dupla Franke e Maarten, que ainda estudantes trabalham com o conceito de “show food” e escolheram o “food design” como especialização. Aguardem matéria sobre o assunto. Em Roterdã, fora do roteiro oficial, descobrimos a Vivid Gallery, especializada na nova e crescente temática internacional, o design arte, com peças do ateliê Van Lieshout, de Hella Jongerius, e uma coleção de porcelanas da Lladró, criada pelo espanhol Jaime Hayon. Amsterdã no verão dá o retrato alegre de seus habitantes, sempre afáveis, um tranquilo caminhar em bicicletas e barcos, uma grande seriedade no fazer. Na cidade, destacamos o estúdio/laboratório de Joris Laarman com produtos exibidos na mostra realizada na Espanha, “Stranger than Fiction”. Conhecido por seu barroquíssimo radiador Heatwave (ver ARC DESIGN 46), Jum Nakao

15 ARC DESIGN


Jum Nakao Felipe Abe

Acima, famoso conjunto de prédios, as Cube Houses, do arquiteto Piet Blom, em Roterdã, cuja ideia é criar uma floresta, onde cada casa re presenta uma árvore. À esquerda, abertura da conferência "Brazil: Design and Culture" com a foto de nosso primeiro designer (na opinião da editora de ARC DESIGN) Santos Dumont

neste momento, Laarman faz novas experiências com a Bone Chair, cadeira Osso, originalmente em alumínio e agora sendo testada em diversos materiais, como a resina de mármore com porcelana. Os estúdios são grandes, capazes de permitir a elaboração de projetos e protótipos. Satyendra Pakhalé, que havíamos convidado como conferencista na feira Casa Brasil, tem um desses espaços típicos: enormes áreas, poucos auxiliares e sempre muito jovens, uma profusão de pré-protótipos que, depois de muito experimentar, se tornam – ou não – produtos que serão produzidos em pequenas séries ou entregues para a produção industrial, principalmente italiana. Droog Design e Frozen Fountain são as duas principais lojas de design em Amsterdã, e com elas encerramos este percurso no design, esperando que uma bela exposição nos traga em breve o pensamento, os valores e os conceitos dos jovens holandeses. ❉ ARC DESIGN viajou a convite da Fundação Premsela, Holanda 16 ARC DESIGN


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LIGHT DESIGN Quanto mais leve, melhor. Característica dispensável ou exigência do nosso tempo? Em meio ao caos ambiental, a leveza deixa de ser mero adjetivo para virar atributo essencial Julia Garcez

No alto da página, com 600 gra mas, Estrema, da marca ita lia na MDM, é a cadei ra mais leve do mundo. À esquer da, o MacBook Air, tam bém o mais leve em seu seg men to, pesa menos de 1,5 kg e não tem nem 2 cm de espessu ra. À direi ta, dese nha da por Frank Gehry para a Emeco, a cadei ra Superlight é feita em alu mí nio e sus ten ta até 340 kg em seus escassos 3 kg

18 ARC DESIGN


Com ape nas 50 gramas, os copos Bettina, da Alessi, são quase tão leves como plu mas. Desenhados pela Future Sys tems, eles são feitos de cristal e têm base removí vel em mate rial ter mo plásti co rígido

Com a tecnologia correndo rápida, a humanidade res-

inquestionáveis, como a cadeira Superleggera, de Giò

gata características de tempos antigos, em que só se

Ponti, a cadeira Knotted, de Marcel Wanders, e os vasos

possuía aquilo que fosse leve e pudesse ser transporta-

em borracha de Hella Jongerius para a Droog Design.

do facilmente de um lugar ao outro. Hoje, a leveza tem

Mais recentemente, o italiano Massimiliano Della Mo-

também outros significados de grande importância:

naca apresentou ao mercado a cadeira Estrema. Em

menor gasto de energia, menor geração de resíduos,

fibra de carbono, ela tem inacreditáveis 600 gramas e é

menos desperdício de materiais e agressão ao meio

a cadeira mais leve do mundo, segundo o Guinness

ambiente. Assim, apostar na leveza se traduz em me-

Book. Já a marca norte-americana Emeco investe no

lhor desempenho econômico e maior respeito à nature-

alumínio e no aço inoxidável para criar móveis que têm

za. A inovação, no design contemporâneo, só pode ser

vida útil inversamente proporcional ao peso, e podem

atingida por meio do uso correto dos materiais. Do alu-

durar até 150 anos, segundo a empresa. Saindo da área

mínio ao plástico, da madeira à fibra de carbono, do

de mobiliário, os copos Bettina, da Alessi, de tão leves,

honeycomb aos modernos polímeros, são muitas as

parecem flutuar no ar. E o que dizer do Mac Book Air,

matérias-primas que permitem fazer mais com menos.

notebook mais fino do mundo que, feito em uma única

E os designers competentes já sabem muito bem como

peça de alumínio, pesa menos de 1,5 quilo e tem 1,93

se valer dessas possibilidades para otimizar forma e

centímetro de espessura? E da bicicleta Flash, da

função em peças que pesam pouco. Há clássicos

Cannondale, que sustenta o fôlego de qualquer atleta em apenas 7,5 quilos, quando um modelo tradicional tem pelo menos o dobro? Opções são o que não faltam para, literalmente, tirar o peso da vida e do mundo! ❉

Ideal para qual quer tipo de peda la da, a bici cle ta Flash, da Cannondale, pesa ape nas 7,5 kg, meta de do que geral men te se veri fi ca em mode los con ven cio nais

19 ARC DESIGN


Denise Andrade Denise Andrade

Acima, ambientações que Jouin criou para os restaurantes Plaza Athénée e Jules Verne, em Paris, são reproduzidas no Instituto Tomie Ohtake. Abaixo, caçarola e colher desenhadas para a linha “Pasta Pot”, da Alessi, com a colaboração do chef Alain Ducasse

A ALMA FRANCESA DE

PATRICK JOUIN Dos restaurantes estrelados de Alain Ducasse aos bicicletários da cidade, passando pelos banheiros químicos e pelos elegantes projetos da rede W Hotels, Paris está impregnada pelas criações de Patrick Jouin, um designer que não tem medo de surpreender. Seu trabalho

cenografia e mo biliário urbano, para empresas como Kartell, Cassina e Artemide. Como parte do Ano da França no Brasil, Jouin foi tema de uma exposição que reuniu no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, exemplos de sua diversificada produção Julia Garcez 20 ARC DESIGN

Thomas Duval

inclui projetos de design industrial, interiores, arquitetura,


Denise Andrade

Nesta página, visão geral da exposição “A Paris de Patrick Jouin”, que trouxe amostras da produção de um designer que atua em diversos segmentos e mescla a melhor tra dição francesa com a experimentação e o domínio da tecnologia


Thomas Duval

Aos 42 anos, o designer francês Patrick Jouin acredita no poder das ideias, mas refuta uma abordagem puramente conceitual. “Desenho produtos e não conceitos. A maior dificuldade do design é definir os limites entre a abstração e a realidade tangível de um objeto que funcione”, afirmou à revista Intramuros. Ex-colaborador de mestres como Thierry Gaugain e Philippe Starck – que lhe conferiu uma “visão global” do design –, ele domina a tecnologia como poucos. Em sintonia com o melhor design de seu país, gosta de exprimir a modernidade, e não hesita em associá-la ao antigo e ao tradicional. Um exemplo é o Vélib, sistema de aluguel de bicicletas em Paris, marco internacional de urbanismo. Presente nos locais mais famosos da capital francesa, o Vélib foi bem acolhido pela população e logo se incorporou harmonicamente à paisagem da cidade, com suas formas que remetem ao estilo art nouveau. Jouin aposta no que ainda não existe, em trabalhos disEspátula especialmente desenhada para a Ferrero, fabricante da Nutella. O utensílio ajuda a espalhar melhor a mundialmente famosa pasta de cacau e avelã

tribuídos por vários países. “Inovamos para não sermos copiados. Usamos muito investimento, muita inovação tecnológica e assim fica mais difícil copiar.

O traço sinuoso e elegante de Jouin nas cadeiras Thalya, da Kartell. Em policarbonato transparente, as coloridas cadeiras são feitas com tecnologia de injeção a gás

22 ARC DESIGN


Esperamos criar objetos que sejam realmente novos”, afirmou ele à ARC DESIGN. Isso pode ser confirmado em projetos como a série de mobiliário Solid, uma experiência pioneira com estereolitografia, técnica que permite criar, diretamente da tela do computador, produtos acabados. “Eu sempre procuro um equilíbrio. Mas esse equilíbrio é também um desequilíbrio, pois significa ‘quebrar a forma’”, afirma. “Procuro inovar, mas quero que o objeto funcione. A grande dificuldade no design é criar algo novo e que de fato funcione.” A busca pelo ineditismo também é visível em seus projetos de interiores, como os restaurantes Jules Verne e Plaza Athénée, do chef Alain Ducasse. O primeiro tem mobiliário e utensílios exclusivos, enquanto no segundo lustres tombados pelo patrimônio histórico francês tiveram pingentes de cristal suspensos ao redor, gerando um efeito visual tão belo quanto impactante. “Quando vamos a um restaurante, para que a emoção seja completa, temos que ser surpreendidos”, sentencia Jouin. “Por isso, todo o mobiliário é

Acima, à esquerda, “chuva de cristal” no pendente Ether, de Jouin para a Murano Due. À direita, o ban co One Shot, surpreendente peça em resina sin te ti zada a laser. Abaixo, cadeira da linha Solid, experimentação com estereolitografia para a MGX


Eric Laignel

Acima, no restaurante L’Auberge de l’Ill, no leste da França, Jouin homenageia a alta gastronomia e incorpora símbolos da Alsácia. Abaixo, à esquerda, estação de aluguel de bicicletas em Paris, um dos trabalhos mais conhecidos do designer; à direita, talheres desenhados para a Gien: luxo minimalista Thomas Duval

específico. Se ao chegar, o cliente já reconhece as cadeiras, essa surpresa não é possível.” Sofisticação tecnológica e um olhar que parece dizer “se não é belo, não é bom” podem definir a essência desse designer parisiense. Como afirmou Vallerie Guillaume, curadora de Design do Centre Georges Pompidou e da mostra em São Paulo, o escritório de Jouin tem a missão de reformular o luxo onde ele estiver: na rua ou em um restaurante em Paris, São Paulo ou Kuala Lumpur. ❉ 24 ARC DESIGN


WWW.8BIA.COM.BR Apoio de divulgação:


Quem saísse – por efeito de mágica espacial – diretamente dos escritórios de, digamos, 20 ou 30 anos atrás, para um equipadíssimo espaço de trabalho atual não saberia se localizar. Afinal, hoje os escritórios são expressivos e vibrantes, e também recebem o que há de mais belo, bem desenhado e inovador. Veja aqui sugestões que dão vida nova ao ambiente de trabalho

Projetada por Alberto Meda e Paolo Rizzatto, a luminária Fortebraccio pode ser usada com base para mesa, grampo ou pino de fixação de mesa. Na Lumini. (11) 3898 0222, www.lumini.com.br

Desenhadas pelo norte-americano David Rowand, as cadeiras da linha 40/4 têm estrutura de ferro trefilado sem parafusos aparentes e encosto moldado anatomicamente. No Brasil, são produzidas pela Securit. (11) 2088 7044, www.securit.com.br

O alfabeto domina o por talápis da Imaginarium, que fica bem tanto na mesa do escritório quanto na da sala. (11) 3023 4020, www.imaginarium.com.br

Criação de Niels Diffrient para o Humanscale, a cadeira Freedom equilibra automaticamente o peso do usuário quando ele se reclina. Com um simples movimento de mãos e punho, seus braços ajustam-se instantaneamente. Na Forma. (11) 4788 8000, www.forma.com.br

26 ARC DESIGN


Criado pelo estúdio Chelles & Hayashi Design, a nova linha de apontadores Splash, da Faber-Castell, tem formato ergonômico e desenho criativo. Um peso interno permite transformar o apontador em “João Bobo”. 0800 701 7068, www.faber-castell.com.br

Desenhada pelo escritório alemão ITO Design, a cadeira Zody, da Haworth, traz mais conforto para o expediente. Além de permitir apoio individual para a região lombar, ela é dotada de um apoio para a pélvis que corrige a postura do usuário. (11) 3063 5351, www.haworth.com

O Digital Photo Frame, da LG, reproduz fotos, vídeos e MP3. Com design discreto e elegante, ele pode ser fixado na parede. 0800 707 5454, www.lge.com.br

A linha de mobiliário Open, da Marelli, otimiza o espaço do escritório. Os produtos têm várias opções de cor e podem ter diversas configurações. (54) 2108 9999, www.marelli.com.br

27 ARC DESIGN


O TouchSmart tx2 Notebook PC, da HP, tem design leve e sofisticado. Graças à sua capacidade multitouch, todos os arquivos podem ser selecionados com as pontas dos dedos. 0800 709 7751. www.hp.com.br

A premiada luminária de mesa LIM, design Pablo Pardo e Ralph Reddig, tem formas minimalistas e pode ser usada de diferentes maneiras. Da Haworth. (11) 3063 5351, www.haworth.com

Criada pelo escritório alemão Studio 7.5 para a Herman Miller, a cadeira Setu 4-star tem um sistema inteligente de regu lagem, que praticamente dispensa ajustes manuais. (11) 3729 9555, www.hermanmiller.com

Lançamento da Giroflex, o Organon é um arquivo deslizante 100% modular, que se adapta às necessidades dos usuários. O fabricante oferece, inclusive, consultoria para indicar a forma mais adequada de utilizar o produto. 0800 552 468, www.giroflex.com.br

28 ARC DESIGN


Evandro Soares

Acima, hall de entrada da feira, com estante e mesas de José Mar ton; detalhe da mostra Apro xi man do Con cei tos com mesinhas auxiliares (Prima Design) de José Mar ton, aparadores de Ber nar do Senna (Schuster) e ca ma da Adriano Design (coleção Evviva, da Bertolini)

CASA BRASIL: UNINDO LUCRO E DESIGN Competência, critério na seleção de exposito-

Mo

ura

res, abrangência cultural, ótima divulgação,

Luc

as

alta qualidade de serviços... e resultado: é isto a Casa Brasil, uma feira que, em apenas duas edições, já é considerada a melhor do setor Maria Helena Estrada 30 ARC DESIGN

Acima, Rose Chair, design Masanori Ume da (Edra, 1990), peça integrante da mostra “40 Cadei ras”, coleção Museu da Cadeira (RJ)


Evandro Soares

Acima, vista geral do estande da Todeschini, uma das maiores empresas de mo dulados com sede em Bento Gonçalves (RS). Ao lado, detalhe do Sa lão De sign, com poltrona Leme e banquinho Jangada, de Alfio Lisi, em primeiro plano

Apesar de minha atuação na curadoria da Casa Brasil, escrevo sem constrangimento, tão clara e enfática foi a resposta de todos – visitantes, expositores, conferencistas, compradores – tanto brasileiros quanto internacionais. A espinha dorsal da feira baseia-se em três pilares: qualidade do produto exposto (este deve ser contemporâneo e original), ênfase na cultura do design (seminário internacional e três importantes exposições), incentivo ao design nacional (Salão Design, concurso que realizou sua 13ª edição e "Aproximando Conceitos", experiência que reuniu este ano quatro empresas e quatro designers). Os expositores já perceberam a realidade e o potencial da feira, o que é traduzido pelo alto nível das empresas que a escolhem para lançamento de produtos, em cenários cada vez mais sofisticados. E, se para algumas empresas é difícil provar que já chegamos ao século XXI, aquelas que acreditaram nisso sorriem de satisfação. 31 ARC DESIGN


Fotos Lucas Moura

Acima, um ângulo da mostra que reuniu 40 cadeiras da coleção Richard Valansi, Museu da Cadeira (RJ). Abaixo, a exposição “Brasil na África”, de Renato Imbroisi e equipe, com peças em prata, em madeira, palha e tecido, feitas em Moçambique (veja ARC DESIGN 56). Na página ao lado, mostra “Cultura Popular Brasileira”, da Galeria Estação (SP), em ho me na gem a Janete Costa


Cristina Morozzi, jornalista e crítica italiana, observou que muitos estandes já alcançaram a qualidade do Salão do Móvel de Milão. Julgamento apoiado pelo designer Satyendra Pakhalé e pelos empresários Eugenio Perazza e Rodrigo Rodriquez, que participaram do seminário. Fato divertido: depois da conferência de Marcelo Rosenbaum no seminário, o público fazia fila para uma foto com o ”astro”! As iniciativas de valorização do design nacional comprovaram que um projeto quando bem concebido e bem desenvolvido por empresas competentes tem um resultado além do esperado. É esta união de forças, existente entre todos os escalões do Sindmóveis (organizadores da feira) e as indústrias instaladas na serra gaúcha, que permitiu aos designers convidados para a experiência “Aproximando Conceitos” mostrar seu potencial. E as mostras culturais? Realmente belas e importantes: "Cultura Popular Brasileira" (coleção Galeria Estação, SP), "40 Cadeiras" (coleção Museu da Cadeira, RJ)


Evandro Soares

A sofisticação dos estandes foi destaque na segunda edição da Casa Brasil. À esquerda, detalhe do espaço Componenti, com produtos em metacrilato lançados por José Marton. Abaixo, a proposta da Cinex. No pé da pá gina, o estande da SCA, um dos mais visitados da feira, que apresentou sua nova linha, a Collezione SCA, que chega ao mercado em 2010

Arquivo Cinex

Na página ao lado: no alto, o elaborado estande Dell Anno com estrutura em aço; à direita, detalhe do espaço Evviva, com luminárias criadas para o local pelas arquitetas gaúchas Tina e Lui; abaixo, a italiana Magis

Evandro Soares


Evandro Soares

e "O Brasil na África", com o trabalho de Renato Imbroisi e equipe, em Moçambique. Os seminários – um dos pontos altos da feira, com frequência em torno a 50 a 800 participantes por dia – ocorrem sempre com a presença de um designer internacional, de um brasileiro e de um jornalista e crítico de design internacional. A estes soma-se a vertente de interesse com foco principal dirigido aos industriais brasileiros, trazendo empresários internacionais de prestígio que relatam suas experiências e traçam um panorama dos caminhos do design contemporâneo. ❉ Lucas Moura


Acima, da esquerda para a direita, os conferencistas: Satyendra Pakhalé (designer indiano radicado na Holanda), Eugenio Perazza (em pre sário italiano fundador da empresa Magis), Cristina Morozzi (jornalista e crítica de design italiana), Rodrigo Rodriquez (vicepresidente da Flos e membro do Colegiado da Cofindustria, Roma) e Marcelo Rosenbaum (arquiteto e designer brasileiro)

Lucas Moura

36 ARC DESIGN

Abaixo, ambiente do estande da ARC DESIGN com sofá de Eulália Ansel mi (Prima Design), pufes de Tina e Lui (autoras do projeto), mesa de Ilse Lang (Faro Design) e, nas paredes, exposição de todas as edições da revista ARC DESIGN


DEBATE TRANSVERSAL

Monica Zanon

São Paulo reuniu propostas de profissionais de diferentes áreas de atuação em encontros nos quais se tratou do que de mais importante se tem debatido sobre soluções para o planeta. Eventos anuais como o Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável (SBCS) e o Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável tiveram público recorde este ano. E trouxeram experiências importantes em um sinal de maturidade do debate da sustentabilidade – antes que, como alertou a pré-candidata à Presidência da República, Marina Silva, esse termo se esvazie Da Redação 38 ARC DESIGN


Abaixo, o Viaduto Millau, no sul da França. Considerada a maior obra do tipo no planeta, a ponte foi tomada como exemplo positivo de obra de infra-estrutura no Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado em agosto pelo CBCS. No pé da página ao lado, mesa realizada no 3º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, em São Paulo, organizado pelo CEBDS Ben Johnson / Foster and Partners

A segunda edição do Simpósio Brasileiro de Constru-

No segundo painel do dia, a pauta foi a Gestão e Inova-

ção Sustentável, realizado em agosto, debateu as ten-

ção na Construção Sustentável. Participaram da mesa o

dências para a construção civil sustentável e o que está

diretor do Powell Center for Construction and Environ-

sendo aplicado no mundo para o uso eficiente de recur-

ment, professor Charles J. Kibert; o sócio sênior da

sos naturais. Realizado pelo Conselho Brasileiro de

Foster+Partner, Brandon Haw; o conselheiro da CBCS

Construção Sustentável (CBCS), foi aberto por Marcelo

e professor da Poli-USP, Orestes Gonçalves; e o coor-

Takaoka, membro do Conselho do CBCS, e Eduardo

denador do Comitê Temático Materiais do CBCS e tam-

Trani, chefe de Gabinete da Secretaria da Habitação.

bém professor da Poli-USP, Vanderley M. John.

Com o ambientalista Fábio Feldman; Rachel Biderman,

Branon How destacou a importância em se observar as

coordenadora adjunta do Centro de Estudos em Sus-

obras de infraestrutura das cidades, responsáveis por

tentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GV/Ces –

grandes mobilizações de material. A Ponte Millau, no

SP), pontuou a iniciativa das cidades em torno das

sul da França – erguida em 38 meses – foi citada como

ações sustentáveis que envolvem mudanças climáticas.

um exemplo do uso mínimo de material. O grande com-

A ação internacional contou com a adesão de mais de

plexo estruturado em sete torres, das quais a maior

700 governos municipais, entre eles o da cidade de São

chega a 244,8 metros, foi concluído com 242 mil tone-

Paulo, uma das cidades pioneiras.

ladas de matéria – um peso, segundo os especialistas, 39 ARC DESIGN


Patrick Moore /sxc.hu

Um dos convidados do CBCS, Ricardo Ruther, da Universidade de Santa Catarina, demonstrou a viabilidade econômica do uso da tecnologia fotovoltaica no Brasil. Segundo ele, quase 40% do consumo de energia está associado às edificações. Se 80% da população brasileira vive na cidade o sistema fotovoltaico em edificações urbanas, em um futuro próximo, terá o custo do que se gasta hoje com uma concessionária de energia

extremamente reduzido diante das suas dimensões.

sustentáveis. “Sabemos que a construção financia mui-

Além disso, a obra, que resolve toda a questão de trá-

tos impactos naturais, o desmatamento, mas a constru-

fego do Vale do Reno, interfere o mínimo na paisagem.

ção social precisa crescer. Precisamos acabar com as

“Hoje, ao projetarmos uma cidade, temos que planejar

favelas, criar estradas e tudo depende da construção

onde as pessoas gostariam de estar futuramente e

civil. Por isso, para sobreviver será necessário inovar.”

como elas poderiam integrar-se ao meio ambiente. Com

O terceiro painel tratou do assunto eficiência energé-

isso, pensamos principalmente em sistemas ambientais

tica. O tema foi Inovação e Soluções em Eficiência

que vão desde a direção do vento até saber onde con-

Energética. Ricardo Ruther, do Laboratório de Eficiên-

templar o nascer e o pôr do sol”, comentou o arquiteto.

cia Energética em Edificações (LabEEE), da Universidade de Santa Catarina, mostrou o uso da tecnologia

BERÇO A BERÇO

fotovoltaica no Brasil. “Hoje, quase 40% do consumo de

Kilbert tratou da construção verde e da necessidade de se

energia está associado às edificações. Levando em

agir e se redesenhar um programa para a construção sus-

conta que 80% da população brasileira vive na cidade,

tentável. “Usamos a filosofia do ‘berço ao berço’ em um

viabilizar o sistema fotovoltaico em edificações urbanas

sistema de reaproveitamento. A ideia é projetar pensando

conectados à rede elétrica pública, em um futuro próxi-

na vida útil da construção, com o propósito da reutiliza-

mo, terá o custo do que se gasta hoje com uma conces-

ção de material. Já temos exemplos de uma casa modu-

sionária de energia”, afirma.

lar, fabricada de maneira a ser reutilizada”, disse Kilbert.

40 ARC DESIGN

Encerrando o painel, Vanderley M. John criou um pa-

CEBDS

norama das possibilidades de melhorias, como analisar

“Não negamos a importância do avanço da ciência para

ciclos de vida, instituir métricas, incentivar o uso de

melhorar a vida das pessoas, e a importância do uso

madeira industrializada, selecionar fornecedores pen-

dos recursos naturais”, afirmou a senadora, ex-minis-

sando no impacto na natureza, entre outras ações mais

tra do Meio Ambiente e pré-canditata à Presidência da


Acima, à direita, o italiano Marco Capellini, entusiasta do ecodesign e da reciclagem, que visitou SP pelo projeto “Brasil-Itália – Diálogo Sustentável”. À esquerda, capa do livro “Design italiano per la sostentabilità”, que, organizado por Capellini, traz bons exemplos de produtos ecologicamente corretos. Abaixo, a estante Spanky, feita com 80% de papelão reciclado pós-consumo e 20% de papelão reciclado pré-consumo

República Marina Silva, que, participou em agosto do

no de ecodesign. Iniciado em 2002, o Matrec hoje

3º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento

aglutina mais de 400 materiais reciclados de diferen-

Sustentável, em São Paulo, organizado pelo Conselho

tes tipos, informando seus nomes, suas característi-

Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sus-

cas e composição, funcionando como uma rede inter-

tentável (CEBDS). “Mas a natureza teve muito mais

nacional de reciclagem. Capellini também está à fren-

tempo de teste do que nossa ciência, e é muito difícil

te do “Remade in Italy”, projeto que incentiva a utiliza-

termos tempo para fazer os mesmos testes e conseguir

ção de matérias-primas recicladas nas empresas. “Os

resultados semelhantes.” Diante de uma crise econô-

produtos reciclados têm de ser facilmente entendidos

mica sem precedentes, a senadora lamenta que a crise

pelos consumidores, têm de contar uma história e se

ambiental – muito mais grave – não desperte igual sen-

comunicar como um livro aberto”, afirma. O designer

timento de urgência. “Não somos capazes de perceber

visitou São

que, no longo prazo, inviabilizaremos inclusive a eco-

Pau lo

nomia”, alertou. Para ela, muito pode ser feito se hou-

mo

ver esse sentimento de urgência e ações antecipató-

do pro je to

rias, vide o exemplo de Chico Mendes.

“Bra sil-Itá -

co -

par te

lia: Diálogo Sustentá-

FEITO E REFEITO NA ITÁLIA

vel", que estimula a

Em agosto, passou por São Paulo o italiano Marco

reflexão e a cola-

Capellini, fundador do Capellini Design & Consulting,

boração bilate-

estúdio que desde 1995 atua no desenvolvimento de

ral no âmbito

produtos não agressivos ao meio ambiente. Capellini

do desenvol-

foi um dos articuladores do projeto Matrec (“Material

vimento sus-

Recycled”, em inglês), primeiro banco de dados italia-

tentável. ❉ 41 ARC DESIGN


ÁGUA NA MEDI DA “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água”, disse o pensador inglês Thomas Fuller no distante século XVII. Mais de 300 anos após a sua afirmação, o poço parece próximo de secar – e será que agora já damos valor suficiente? Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), hoje a escassez de água atinge mais de 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Com 13,8% da água doce superficial do planeta, o Brasil tem papel central na preservação desse recurso essencial. O consumo doméstico é responsável por cerca de 10% do gasto de água no mundo. Conheça soluções para diminuir o desperdício diário desse bem tão precioso Fabricio Andrade

BANHO DE AR

A CHUVA CAI – E VOLTA Um conjunto de cinco peças compõe o Acqua Save, uma estrutura que é instalada no telhado e calhas de residências e retém a água da chuva. Essa água é então dirigida a um filtro autolimpante que, por sua vez, leva-a até uma cisterna. De lá, ela vai para descargas de banheiros, lavadoras de roupas e outros tantos aparelhos domésticos. Pelo retorno econômico rápido, sistemas de reaproveitamento da água de chuva estão sendo mais e mais usados ao redor do mundo. Este da Acqua Save tem tecnologia alemã, a 3P Technik. www.acquasave.com.br 42 ARC DESIGN

A ducha da empresa alemã Hansgrohe tem um sistema de injeção de ar que promete reduzir em até 60% a vazão de água: são 6 litros/ minuto, contra os 15 litros/ minuto dos chuveiros convencionais. A pressão do jato aumenta e, portanto, a sensação é que o volume da água também é maior. A preocupação ambiental estende-se às etapas de fabricação: a Hansgrohe afirma reciclar 90% das sobras provenientes da produção. Distribuído pela Metalbagno Spazi: (11) 3081 7006, www.metalbagno.com.br


ÁGUA POTÁVEL AO ALCANCE DAS MÃOS Os designers Alberto Meda e Francisco Gomez Paz criaram uma garrafa que pode solucionar um dos grandes problemas da atualidade. O sistema SODIS (Solar Water Disinfection) elimina as bactérias da água contaminada, tornando-a segura para quem não dispunha de água potável. A face transparente coleta os raios UV-A e a de alumínio absorve os raios infravermelhos, aumentando a temperatura e desinfetando o conteúdo. O corpo é fino para o transporte, a alça é articulada para a exposição solar – e a Solar Water se interessa por distribuidores no Brasil. www.albertomeda.com

EU NÃO SOU UMA GARRAFA PLÁSTICA A iniciativa do empresário Benjamin Gott é tão simples quanto inovadora. Se as garrafas plásticas de água mineral são as vilãs do meio ambiente, por que não substitui-las por, digamos, caixas contendo água filtrada da torneira? A proposta da Boxed Water é emitir 80% menos de carbono que uma garrafa plástica. Há mais: a empresa assegura que 85% do material da caixa vem de fontes renováveis e que 10% do lucro obtido com as vendas é revertido a fundações que proveem água potável a vítimas de desastres naturais. O produto deve começar a ser exportado em breve.

TORNEIRA INTELIGENTE Um sistema de injeção de ar dentro da torneira Formatta ajuda a evitar que ela respingue, molhando pia e espelho. Outra medida para impedir o desperdício é o sensor que aciona e interrompe o fluxo de água à medida que as mãos se aproximam e se afastam dele. Esse sistema automático, muito usado em ambientes públicos, começa a ser aplicado também nas residências, e é uma boa pedida para quem busca praticidade e economia no uso doméstico de água. 0800 474 333, www.docol.com.br

www.boxedwaterisbetter.com 43 ARC DESIGN


DE VOLTA PARA O PRESENTE Um clássico voltou às prateleiras. A Hydra lançou neste ano uma versão remodelada da sua conhecida válvula hidráulica. Batizada de Hydra Rétro, ela teve os seus mecanismos e componentes internos modernizados: o fluxo da descarga é limitado a 6 litros por vez. Desenvolveu-se também um sistema de acionamento que permite que a água saia sem que seja preciso apertar a válvula com tanta pressão quanto o modelo antigo exigia. 0800 011 7073, www.novahydra.com.br

LOUÇA E ÁGUA LIMPAS A lavalouças da Bosch tem um sistema em que a água é injetada de forma alternada e intermitente nos cestos. Como a pressão dos esguichos também é elevada, o consumo numa lavagem completa é de 14 litros de água. Para o mesmo ciclo, uma lavadora de louças tradicional emprega 40 litros. Ela possui 4 níveis de filtragem, o que também ajuda a eliminar mais rapidamente os resíduos da água. 0800 7045 446, www.boscheletrodomesticos.com.br

TCHAU, CLORO A Sibrape confeccionou um sistema de filtragem de suas piscinas que reduz o seu descarte de água. Nenhum elemento químico é usado para a descontaminação da água: em vez de cloro, uma luz ultravioleta atravessa a piscina, o que, segundo o fabricante, elimina até 100% dos micro-organismos presentes na água. Pode-se também criar uma cisterna de vinil que, coletando a água da chuva, redireciona-a para ser usada na irrigação de plantas, na limpeza da casa ou na própria piscina. 0800 727 3737, www.sibrape.com.br

ESGOTO BEM TRATADO A fabricante de sistemas de tratamento de esgoto Mizumo possui uma versão reduzida dos seus tanques. A Mizumo Family, um compartimento de 2,4 metros de comprimento, pode ser instalada em residências: o sistema atende a todas as etapas de processamento e depuração de até 3.200 litros de esgoto por dia. A água que retorna tem de 90% a 96% da sua matéria orgânica eliminada: pode ser usada nos vasos sanitários, irrigação de plantas e outros fins domésticos. Ela é imprópria, entretanto, para o consumo. www.mizumo.com.br

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Com foco nas características

pessoais

do

usu á rio, o design de serviços facilita atividades do dia a dia, como a compra no supermercado ou saque no caixa eletrônico

DESENHO DA EXPERIÊNCIA

Julia Garcez

46 ARC DESIGN


Se no passado o design se voltava somente para o uso que teria determinado produto, hoje esse escopo se ampliou, e muito. Os profissionais precisam agora prestar mais atenção às necessidades e aos anseios do consumidor, ou melhor, do usuário. Cabe a eles aplicar as técnicas do design para projetar não apenas produtos, mas também ações como o check-in no aeroporto ou a retirada de dinheiro no caixa eletrônico. Entra então em cena o design de serviços, especialidade nova enquanto objeto de estudo, porém de importância crucial. Segundo James Samperi, designer da consultoria britânica Engine, que esteve no Brasil para um seminário sobre o tema, promovido pelo Centro de Design Paraná, trata-se de uma vertente do design

Acima, o designer James Samperi, da Engine, no seminário do Centro de Design Paraná. Abaixo, o Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow, em Londres, teve o atendimento agilizado após intervenção da empresa. Os supermercados também são ambientes em que o design de serviços contribui para melhorar a experiência do consumidor

responsável pelo planejamento e implantação de serviços que resultem em consumidores mais felizes e satisfeitos. “No design de serviços, vivenciamos as experiências das pessoas e vemos qual caminho elas percorrem como consumidores, para fazer suas compras no supermercado, por exemplo”, afirma Marcelo Gallina, professor de pós-graduação em Design da Universidade Positivo, também participante do seminário. “A partir dessas experiências, planejamos a sinalização mais adequada, o modo de distribuição de produtos mais eficiente, etc. O foco está direcionado para as pessoas, suas ações.” Uma estratégia de serviços bem delineada poupa o escasso tempo do consumidor e, consequentemente, agrega mais valor ao produto. O consumidor, aliás, muitas vezes é diretamente incorporado ao processo criativo, em que exerce um papel central. Assunto ainda pouco aprofundado nos cursos superiores do Brasil, o design de serviços exige tanto o entendimento de disciplinas relacionadas a aspectos comportamentais – como Sociologia e Antropologia – quanto das relacionadas à linguagem visual e criação. “É preciso conhecer as pessoas, e saber quais os materiais, as cores e as tecnologias mais adequados para interagir com elas,” diz Gallina. Ou seja: não basta desenhar, tem de participar! ❉ 47 ARC DESIGN


Ao delinear a marca da Foz do Brasil (esq.), companhia de saneamento do grupo Odebrecht, era preciso estabelecer empatia com o público. “Buscamos algo relacionado à importância de cuidar do outro”, afirma o diretor do escritório Marcelo Kértesz Design, responsável pelo trabalho, em parceria com a Duda Propaganda. O nome foi escolhido por remeter à ideia de água pura e abundante. A logomarca trouxe a imagem estilizada das ondas que uma gota produz ao cair sobre a água, dialogando com um símbolo comum – a gota – e extrapolando seu significado

A MARCA DA ESTRATÉGIA No universo corporativo, criação e gestão de marcas é um aspecto central de qualquer empreendimento ou produto, seja este tangível ou não. Nome, desenho, cores, trazem a percepção instantânea do consumidor em relação ao produto e à empresa. Por essa razão, cada vez mais, as empresas reconhecem a necessidade de traduzir seus valores em marcas fortes. “Ao pensar na marca, o consumidor lembra-se de experiências boas e as relaciona diretamente com qualidade e eficiência da empresa”, diz Luciano Deos, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign) e do GAD’ Design. “O objetivo é fazer com que ele compre determinado produto pelo fato de o mesmo ser daquela marca.” Mas há toda uma ciência por traz do modo como determi-

Ao lado, a Fibria, empresa resultante da aquisição da Aracruz pela VCP. Responsável pelo trabalho, a Interbrand aglutinou, em uma nova marca, os valores de duas empresas conhecidas e transmitiu aos stake holders compromissos e perspectivas futuras. O nome Fibria, além de sintetizar a atuação da companhia, está relacionado ao comprometimento de lutar por um Brasil cada vez melhor, como explica Beto Almeida, diretor de criação da Interbrand. A logomarca, uma folha – de aspecto “ascendente e crescente” – também está ligada às atividades da companhia. Predominante, a cor verde remete às florestas de eucalipto e à bandeira brasileira, enquanto as cores secundárias laranja e cinza representam a neutralidade e a energia

48 ARC DESIGN


1980

1940

1960 1990

1970

2005

Acima, à direita, marca do Pão de Açúcar após processo de renovação; à esquerda, evolução da marca desde os anos 1940. Com for mas orgânicas e tipografia diferenciada, a nova logomarca da maior rede de varejo do Brasil, criada pela FutureBrand, evoca aspectos de frescor e sustentabilidade e foi apresentada ao público em julho. “Uma mudança deste tipo materializa, perante o cliente, uma preocupação em evoluir e entregar algo cada vez melhor”, afirma Helio Mariz de Carvalho, sócio-diretor da FutureBrand

nada empresa, produto ou serviço é percebido pelo consumidor. Obter essa empatia entre consumidor e marca chega a valer mais do que os ativos tangíveis de certas companhias. No universo do design, a gestão da marca materializa um processo longo e permanente, que envolve o conhecimento profundo do negócio e do ambiente em que está inserido e o expressa da maneira mais adequada. Cabe ao designer, em conjunto com outros profissionais, encontrar a forma mais convincente de traduzir a estratégia da empresa e a mensagem que se deseja passar. No Brasil, oito casos recentes, de setores diversos – do varejo à siderurgia – ilustram bem esse processo ao renovar imagens, lançar novos empreendimentos ou até mesmo reposicionar uma empresa ou instituição no mercado Julia Garcez

À esquerda, marca da Vale antes e depois de passar por um processo de reposicionamento, em 2007. O nome reforçou mais a palavra “Vale” – forma pela qual a empresa já era informalmente conhecida pela população – enquanto a identidade visual expressou a imagem de uma companhia brasileira que atua globalmente, com destaque, no segmento de mineração, carregada de valores como responsabilidade social e ambiental. O trabalho foi executado pela norte-americana Lippincott Mercer em parceria com o escritório brasileiro Cauduro Associados

49 ARC DESIGN


À esquerda, a quantiQ, antiga Ipiranga Química. Desenvolvida pelo GAD’, a nova marca expressou a mudança por que passou a empresa após a Braskem assumir seu controle. Em con sonância com a estratégia da empresa, o nome quantiQ – que significa “tanto quanto” ou “mais possível” em latim – foi com plementado pelo slogan “to do o potencial da química”. Na nova identidade, o amarelo e o azul ca racterísticos da Ipiranga Quí mica foram substituídos por magenta, uma cor “quente e mar cante”, segundo Hugo Kovadloff, diretor de criação do Gad’Branding. Para Rafael Abrantes, diretor-presidente da quantiQ, a nova marca funciona como um bom incentivo para a empresa alcançar suas metas

Ao lado e abaixo, a nova identidade do Hospital Sírio Libanês, tradicional instituição de saúde paulistana. Em um processo de reformulação concluído pela Oz Design, o desafio foi traduzir, em uma identidade visual, “única e proprietária”, os valores caros à instituição, como humanismo, pioneirismo, conhecimento e excelência. O resultado final evoca a marchetaria – que reflete a origem sírio-libanesa –, enquanto a forma da mandala espelha a visão humanista que baliza a atuação do hospital

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À direita e à esquerda, logotipo e aplicações da nova marca própria da rede WalMart, Sentir Bem, que oferece uma li nha de pro du tos saudáveis. Responsável pelo design da marca, a agência Sart/Dreamaker precisou materializar um posicionamento ca rac terizado pelo modo de vida saudável e sustentável. Para isso, a op ção foi um formato orgânico, com tipologia gestual, que re me te a folhas de árvore e gotas. “A marca foi feita para falar com pessoas, e por isso precisa de identidade forte e consistência”, diz Gian Franco Rocchiccioli, CEO da agência. Em sintonia com os valores da marca, as embalagens dos produtos Sentir Bem utilizam matérias-primas recicláveis ou certificadas em sua composição

Abaixo, as etapas de criação da nova marca do Instituto Aço Brasil, antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), entidade que reúne os principais produtores de aço do país. Em um processo conduzido pelo escritório Cauduro Associados, a instituição – que estava às voltas com o difícil entendimento de seu nome e queria uma associação mais forte com o aço – assumiu uma nomenclatura diferente para comunicar uma nova realidade. Tornou-se, a partir de agosto, Instituto Aço Brasil: um nome sintético, que carrega as características positivas associadas ao aço, como força, resistência e sustentabilidade. A nova marca (em destaque), em tons de verde e azul, é uma proposta neutra, fácil de ser combinada com outras marcas associadas e que comunica valores de responsabilidade social e ambiental

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BRANDING É A ALMA DO NEGÓCIO Marty Neumeier é fundador e presidente da Neutron, uma empresa de branding e design de São Francisco, nos Estados Unidos. É autor de vários livros sobre estratégia e inovação, entre eles “The Brand Gap – O Abismo da Marca” (editora Bookman, 2008). Em agosto deste ano, Neumeier esteve em São Paulo, onde proferiu a palestra “Como Construir uma Cultura de Inovação Constante”. Em entrevista à ARC DESIGN, Neumeier falou sobre as expectativas dos consumidores, o papel do branding no reposicionamento das marcas e a mudança estratégica de grandes empresas brasileiras, como a Natura e a Vale Fabricio Andrade

ARC DESIGN – As expectativas dos consumidores estão crescen-

líder. Diferenciação forte é a base de um branding forte. O

do? Qual papel pode ser desempenhado pelo branding?

segundo fator é saber se a sua nova posição será rentável e

MARTY NEUMEIER – Os consumidores não estão mais satisfeitos

sustentável. Se ela dirige-se a um mercado que se mostra muito

com a mera confiança. Eles querem confiança mais encanto.

pequeno ou que se desenvolve muito lentamente, ou a um mer-

Eles querem sentir-se bem com os produtos que compram e

cado de curta duração, você pode ficar sem saída, estrategica-

com as empresas com as quais trabalham. Como resultado, há

mente falando. O terceiro fator é a capacidade da organização

uma lacuna crescente entre a estratégia de negócios e o

de executar essa nova estratégia. Se você não tem a credibili-

encanto do consumidor. A única forma de preencher essa

dade certa, as pessoas certas, as capacidades certas ou as fer-

lacuna é com o branding. A marca cria uma ponte entre a

ramentas certas, você pode terminar realizando mal a sua es-

empresa e o mercado.

tratégia. Eu sempre começo perguntando três coisas aos clientes: Quem é você? O que você faz? Por que isso é importante?

AD – Que fatores devem ser considerados para reposicionar uma

Quando uma empresa consegue responder a essas três pergun-

marca com sucesso?

tas de modo atraente, ela tem a base para uma marca forte.

MN – O primeiro passo é assegurar-se de que a nova posição

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é atraente e diferenciada. Eu chamo isso de “zag”. Quando todo

AD – No seu primeiro livro, “The Brand Gap – O Abismo da

mundo faz “zig”, faça “zag”. A verdade por trás desse conselho

Marca”, o senhor disse que foco é o elemento mais importante

é que você não pode ser um líder se você mesmo segue um

para diferenciar uma marca. O que as empresas têm feito para


Os livros “The Designful Company”, “The Brand Gap” e “Zag” de Marty Neumeier. Segundo o autor, o que o levou a escrevê-los foi observar que os empresários estavam tão voltados para o próprio negócio que não enxergavam mais os clientes. “Eles não entendiam que as marcas são dirigidas pelos clientes, e não pelas empresas”, diz

obter uma visão mais “microscópica” do seu target?

MN – De modo geral, penso que há espaço para melhora, o que

MN – As empresas que fazem o melhor branding geralmente

é um ótimo motivo para se investir já. Como todas as inovações

pensam em seus consumidores como “tribos”. Uma tribo pode

de gerenciamento, o branding dá mais retorno aos investimentos

ser definida como um grupo de consumidores que dividem in-

antes que ele seja bem compreendido pela concorrência.

formações entre si. Se um produto tem apelo a grupos de pessoas que não têm muito em comum, há uma boa chance de es-

AD – Qual a sua percepção sobre empresas que mudaram muito,

sas pessoas terem percepções diferentes do produto, o que

como a Natura e a Vale?

quer dizer que elas têm marcas “diferentes” em suas cabeças.

MN – A Natura parece muito proativa quanto a desenvolver uma

Uma boa regra é construir uma marca por tribo. Outra é man-

postura arrojada em seu negócio. As suas estratégias de marca

ter a família do seu produto alinhada ao seu ponto de diferen-

e negócio são precisas, corajosas e bem alinhadas. Do meu

ciação. Se você começa a colocar produtos que tiram esse foco

ponto de vista, a Vale está fazendo um bom trabalho. O que eu

ou começa a competir com outros produtos que são mais for-

adoro é o fato de eles terem pegado um negócio que podia ser

tes em suas categorias, a sua tribo de consumidores começará

considerado uma “empresa de chaminés” e o terem alavancado,

a desconfiar de você – e não será mais leal à sua marca.

atingindo um nível de sofisticação. Isso me lembra um pouco o que a IBM fez nos anos 1950. O desafio para todas as empresas

AD – Como o senhor avalia a aplicação do conceito de branding

que criaram uma imagem sofisticada, no entanto, é correspon-

entre as empresas brasileiras?

der a essa imagem. É fundamental fazer aquilo que se fala. ❉ 53 ARC DESIGN


NOVO MODERNO


A Residência PA, em Carapicuíba, no interior paulista (abaixo e ao lado), tem o corpo definido por um salão central erguido por uma estrutura de jatobá. Fechada por uma pele transparente de policarbonato alveolar, ela é assim protegida da chuva e dos ventos ao mesmo tempo que mantém a integração visual da casa com a paisagem

Rápidas,

limpas,

retas.

As

casas do escritório Andra de Morettin escondem sob a aparência simples estratégias inovadoras para se construir nos limites mínimos de interferência na paisagem e de mobilização

material,

econômica

e

humana. Caixas transparentes erguidas com estruturas préfabricadas, as residências são laboratórios

fotogênicos

de

esquemas que têm vencido concorrências de projetos maiores

Divulgação

no Brasil e no mundo


Ana Weiss / Fotos Nelson Kon Vinicius Andrade e Marcelo Morettin são autores de uma obra leve e sintética, composta por planos e volumes que traduzem um racionalismo engajado, de poucas concessões. Sócios há 12 anos, os arquitetos estampam com seu trabalho a cara de uma nova geração de profissionais que retoma o rigor na relação entre função e forma do modernismo, numa coerência que começa nas soluções simplificadoras do projeto e é desenvolvida na execução, do canteiro de obras ao último fechamento do edifício. E que, por isso, tem encontrado receptividade no mercado da construção, cada vez mais afeito ao ideário da sustentabilidade. Com passagens pelos escritórios de Joaquim Guedes, Felippe Crescenti, Eduardo de Almeida e Emile Donato, a somatória de experiências de Morettin e Andrade aparece hoje mais nos procedimentos que no desenho dos edifícios, bastante autorais. A assinatura é mais explícita nas residências, laboratórios de soluções em peles transparentes “esticadas” sobre estruturas pré-fabricadas que resultam em obras leves, de baixo impacto

Para a Residência AA, localizada no bairro do Morumbi, na capital paulista (acima e abaixo), os arquitetos desenvolveram uma caixa cúbica vazada que é movimentada como um elevador entre o volume superior e o térreo. Quando estacionada, ela cria outro ambiente, mudando a fachada da residência, aberta para a rua. Além disso, funciona como um canal de luz do alto para dentro da casa

56 ARC DESIGN


Nesta página, o projeto mais recente, em Avaré, no interior de São Paulo, propõe um grande pavilhão horizontal onde a área de convivência – sala de estar e cozinha – é completamente aberta, permitindo a ventilação e iluminação natural constante. Os dormitórios são distribuídos pelos “vagões” laterais simétricos, que organizam a residência como um grande corredor

visual e ao meio ambiente. As residências PA, em Carapicuíba, de 1998; RE, em São Sebastião, de 2005; e RR, em Itamambuca, de 2007 – as três em São Paulo –, são exemplos desse partido estrutural simples, livre de alvenaria, que faz da obra um processo simples de montagem, uma experiência replicada nos outros projetos do período. Um desenvolvimento da ideia do exoesqueleto de aço que eleva o edifício do solo úmido das casas no litoral paulista valeu ao escritório o primeiro lugar no Living Steel de 2007. O concurso pedia projetos que resolvessem o aumento brutal do déficit habitacional no mundo nos próximos 25 anos em três países, entre eles o Brasil. O escritório enviou uma proposta de habitação popular, concebida como um conjunto de palafitas metálicas em que a estrutura em aço resolve desde a fundação (no solo inconsistente do litoral do 57 ARC DESIGN


Para o Centro de Informações do Comperj, da Petrobras, no Rio de Janeiro, foram utilizadas estruturas metálicas leves e sistemas construtivos de conforto ambiental. A proposta de transparência volta a aparecer neste grande vagão horizontal de 180 metros de aspecto futurista que dividirá o terreno com as ruínas do Convento de São Boaventura, obra do século XVII

58 ARC DESIGN


Toj fise rnvisd viesnv dsivhs ifvnam snfeiuhbv fd nvjn vieyf dkjfsdfdkf dfdks fdjf efns dvnuefu webkdfvn; xioh k djfi sernv isd vies nvds iv hsifvna msnfeiuhbv fdn vjn viey fe fn sdv nuef uw ebkdfvn; xioh k djf iser n visd vie snvd sivhsif vn amsnfeiuhbv fdn vjnv ie yfe fnsd vnue fu web kdfvn;xioh kdjf ise rnvi s dvi esn vdsi vhs ifvna ies nvd sivhs if

Recife) até o fechamento, costurando grandes planos

me democratiza a vista para todos os cômodos, dis-

livres organizados em módulos adaptáveis às neces-

tribuídos pelo pavilhão regular. No centro, um espaço

sidades de cada família.

de encontro concentra toda a convivência, com cozinha

A proposta de apartamentos independentes e flexíveis

e sala de estar sob uma estrutura metálica que não

reaparece este ano no portfólio do Andrade Morettin,

fecha o ambiente, permanentemente tomado por luz

no Aimberê 1749, edifício da Zarvos! que acaba de ser

natural e vento típico da cidade de Avaré, no interior de

concluído na zona oeste da capital paulista. “O pensa-

São Paulo.

mento que norteia o trabalho é o da lógica construtiva

O escritório venceu em 2008 a concorrência para a

do não desperdício, que, na nossa opinião, deve guiar

construção de um projeto grandioso e estratégico para

toda a ação em um país como o nosso. Essa lógica rege

a Petrobras, o Centro de Informações do Comperj, em

não só nossas propostas de habitação popular, mas

Itaboraí, no Rio de Janeiro. A proposta vencedora con-

também as feitas para a classe média e todas as outras”,

siste em um vagão horizontal de 180 metros em estru-

diz Vinícius Andrade, que tem outro projeto de edifício

tura metálica, protegido por brise branco nas fachadas

para a Zarvos!, o Sete Sete Dois, também em São Paulo

mais alongadas. O volume, permeável à paisagem, vai

e com data de conclusão prevista para o ano que vem.

“repousar” sobre área de preservação histórica da bacia

Este ano, além do edifício em São Paulo, a dupla en-

leste da Baía da Guanabara, como uma dobradura de

tregou uma casa também pouco convencional para a

papel de seda “espetada” no terreno que abriga as ruí-

tipologia. Na beira de uma represa, um alongado volu-

nas do Convento de São Boaventura, construção do 59 ARC DESIGN


Residência RR, em Itamambuca, no litoral de São Paulo, telas de fibra de vidro e PVC montadas sobre requadros de aço deslizante ou pivotante preservam a vista total para o mar, protegendo o interior da entrada de insetos. Abaixo, etapas do desenvolvimento do programa

século XVII para o qual a sede permitirá a vista por uma de suas faces. Todo o sistema construtivo segue a linha de trabalho da dupla: o uso máximo da tecnologia da indústria de construção em favor do uso mínimo de esforços materiais e humanos. A começar pelo processo de execução rápida e precisa que a utilização de componentes industrializados – pré-fabricados, previstos no projeto para os sistemas de cobertura, tanto para fechamentos como para as divisórias. “O pavilhão do CI será como nossas casas: tudo montado no lugar, sem desperdício, sem resíduo ou esforços desnecessários.” ❉ 60 ARC DESIGN


Roma Editora, Projetos de Marketing Ltda. Diretoria Maria Helena Estrada Cristiano Barata Fernanda Sarmento

Apoio Institucional:

REDAÇÃO Chefe de Redação Ana Weiss Editora Geral Maria Helena Estrada Redatora Julia Garcez Estagiário Fabricio Andrade

ARC DESIGN Rua Lisboa, 493 – CEP 05413 000 São Paulo – SP Telefones Tronco-chave: + 55 (11) 2808 6000 Fax: + 55 (11) 2808 6026

Revisora Jô A. Santucci

ARTE Projeto Gráfico Fernanda Sarmento Editora de Arte Betina Hakim Designer Mariana Amaral

Participaram desta edição Maysa Leandro Comercial e Marketing Cristiano Barata Publicidade Carlos Alberto Gussoni Sandra Pantarotto

Editora mh@arcdesign.com.br Redação editora@arcdesign.com.br redacao@arcdesign.com.br Arte arte@arcdesign.com.br Marketing cbarata@arcdesign.com.br Publicidade publi@arcdesign.com.br Assinaturas assinatura@arcdesign.com.br

Circulação e Assinaturas Cristiane Barboza Schiavon Rita Cuzzuol Conselho Consultivo Professor Jorge Cunha Lima, diretor da Fundação Padre Anchieta; arquiteto Julio Katinsky; Emanuel Araujo; Maureen Bisilliat; João Bezerra, designer, especialista em ergonomia; Rodrigo Rodriquez, especialista em cultura e design europeus, consultor de ARC DE SIGN para assuntos internacionais

Os direitos das fotos e dos textos assinados pelos colaboradores da ARC DESIGN são de propriedade dos autores. As fotos de divulgação foram cedidas pelas empresas, instituições ou profissionais referidos nas matérias. A reprodução de toda e qualquer parte da revista só é permitida com a autorização prévia dos editores, por escrito.

Pré-impressão Cantadori

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da revista.

Impressão IBEP

Cromos e demais materiais recebidos para publicação, sem solicitação prévia de ARC DESIGN, não serão devolvidos.

Distribuição Nacional Fernando Chinaglia Distribuidora S/A

www.arc de sign.com.br


ESCRITOS DE LINA Lina Bo Bardi desembarcou no Brasil no final de 1946, trazendo como bagagem uma experiência que iria ajudar o país a desenhar a sua modernidade. E não era a de construir edifícios. Vinda da Europa destruída pela Segunda Guerra Mundial, a arquiteta só veria seu primeiro projeto em pé em solo brasileiro anos mais tarde. Mas sua busca pela arquitetura verdadeiramente humana já se dava a conhecer pelo seu outro, mas não menor ofício, o de editora. “Lina por Escrito”, livro organizado por Silvana Rubino e Marina Grinover para a coleção Face Norte (Cosac Naify), reúne e contextualiza 33 textos produzidos e editados pela arquiteta desde antes da sua imigração e durante toda a sua combativa passagem pela cena cultural brasileira. De uma perspectiva abrangente, são cerca de 50 anos de produção textual. Mas também detalhadamente: o apuro nas edições de revistas e periódicos aparece nas reproduções de imagens e esquemas elaborados para apoiar o texto – no livro, sempre acompanhados pelas legendas originais. Claro e informativo, o partido editorial de Lina era completamente coerente com suas premissas construtivas: acessível, claro, informado. Os primeiros textos trazem naturalmente a reflexão sobre o fim da casa burguesa como uma premissa para o novo morar que o pós-guerra impunha. Pouco antes e pouco depois da vinda ao Brasil, Lina ainda trazia as discussões do Velho Mundo a ser reerguido por uma nova cultura. Em um texto de 1947, a autora classifica a destruição do continente europeu como uma oportunidade única para o homem europeu criar sua verdadeira morada, depois de séculos cenografando-a de acordo com vetores sociais desconectados de suas verdadeiras necessidades: “Foi então, enquanto as bombas demoliam sem piedade a obra e a obra do homem, que compreendemos que a casa deve ser para a ‘vida’ do homem, deve servir, deve consolar; e não mostrar numa exibição teatral as vaidades inúteis do espírito humano; então, compreendemos, porque as casas ruíam, e ruíam os estuques, a 'mise-en-scène', os cetins e os veludos, as franjas, os brasões; porque, de manhã, tudo era montinhos cinzentos desoladoramente idênticos”. 62 ARC DESIGN

Acima, estudo para a lanchonete do SESC Pompeia, em São Paulo, obra que Lina Bo Bardi dedicou aos jovens e às crianças


Imagens divulgação Cosac Naify

Acima (à direita e à esquerda), capas da revistas A, que depois teve o título mudado para Cultura della Vita, e que a arquiteta produziu ao lado de Bruno Zevi e Carlo Pagano. No centro, a Domus, publicação que se mantém como referência no mundo editorial

Lina começou sua trajetória profissional na milanesa Stile, revista editada por Giò Ponti, que tinha Pietro Maria Bardi, seu futuro marido, como um dos colaboradores. Lá ficou de 1941 a 1943, como ilustradora. No mesmo período, entretanto, começou a contribuir com outros títulos, voltados para o público mais amplo. Para Vetrina e Negozio e para a Bellezza, a arquiteta se lançou a escrever para o leitor comum. Em seguida assumiu a edição da Domus e dos Quaderni di Domus, referências até hoje nesse ramo editorial. A revista A teve uma vida curta de cinco meses. Mas é nela que se pode ver a semente da vocação revitalizadora e provocativa que Lina realizaria completamente na brasileira Habitat. Publicação criada no esteio do recém-nascido Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Habitat foi grande palco para o estilo livre e oportuno de Lina. Irônica ao tratar do número de colunas projetadas por Niemeyer para o Pavilhão da Bienal e reverente ao tratar da obra de Artigas, Lina se permitia ser próxima do leitor como em uma conversa de bar, ao mesmo tempo em que não se esquivava de temas que expunham seu próprio trabalho. Os textos escolhidos pelas pesquisadoras mostram que a arquiteta escreveu como projetou: sem se furtar a nenhum embate. Escrevendo, Lina ajudou a formar o MASP e o Museu de Arte Moderna da Bahia. Influenciou o Cinema Novo, a Tropicália, a inclusão da arte popular em instituições do país. Escrevendo, Lina contou para o Brasil que ele podia ser mais brasileiro. Ana Weiss

Criada com o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a revista Habitat serviu, de acordo com as autoras, como plataforma de abrasileiramento do ca sal Bardi. O primeiro número (acima), lançado em outubro de 1950, trazia um artigo com a defesa da arquitetura brasileira contra a crítica europeia que apontava um certo formalismo em sua produção

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PERMEANDO VIVÊNCIAS Atelier Van Lieshout www.ateliervanlieshout.com Christien Meindertsma www.christienmeindertsma.com Designhuis www.designhuis.com Droog Design www.droog.com Frozen Fountain www.frozenfountain.nl Hella Jongerius www.jongeriuslab.com Jaime Hayon www.hayonstudio.com

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DEBATE TRANSVERSAL Capellini Design & Consulting www.capcon.it Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável www.sustentavel.org.br II Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável www.cbcs.org.br

Joon&Jung www.joonjung.com Joris Laarman www.jorislaarman.com Kleur Brazil www.kleurbrazil.nl Piet Hein Eek www.pietheineek.nl Premsela www.premsela.org Rogier Martens www.rogiermartens.nl Vivid Gallery www.vividvormgeving.nl

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O NOVO MODERNO Andrade Morettin Arquitetos www.andrademorettin.com.br

DESENHO DA EXPERIÊNCIA Centro de Design Paraná www.centrodedesign.org.br Engine Service Design www.enginegroup.co.uk

A MARCA DA ESTRATÉGIA Cauduro Associados www.cauduroassociados.com.br

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Duda Propaganda www.dudapropaganda.com.br

Apple www.apple.com.br

FutureBrand BC&H www.futurebrand.com.br

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Emeco www.emeco.net

Marcelo Kértesz Design www.pigdog.com.br

Galleria Neoponti www.gioponti.com

Neutron LLC www.neutronllc.com

MDM World www.mdmworld.eu

Sart/Dreamaker www.sart.com.br

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ESCRITOS DE LINA

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Revista ARC DESIGN Edição 68