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Terapia Nutricional Enteral Domiciliar manual


sumário 1. O que é Terapia Nutricional Enteral Domiciliar?...................... 2. Gêneros alimen�cios para preparação artesanal da fórmula nutricional enteral ....................................................................... 2.1 Seleção................................................................................... 2.2 Compra .................................................................................. 2.3 Higienização........................................................................... 2.4 Armazenamento .................................................................... 2.5 Preparação............................................................................. 2.6 Administração........................................................................ 3. Cuidados com a fórmula nutricional enteral industrializada. 3.1 Preparação............................................................................. 3.2 Conservação........................................................................... 3.3 Administração........................................................................ 4. Lavagem e desobstrução da sonda......................................... 5. A importância da Higienização ............................................... 5.1 Das mãos............................................................................... 5.2 Dos materiais e utensílios utilizados no preparo e administração da fórmula nutricional enteral............................. 6. Cuidados gerais................................................................... 6.1 Fracionamento da fórmula nutricional enteral...................... 6.2 Horários de administração da fórmula nutricional enteral..... 7. Instalação da dieta e Posicionamento do paciente............... 8. Como iden�ficar complicações............................................ 8.1 Complicações Mecânicas....................................................... 8.2 Complicações Gastrointestinais............................................. 8.3 Complicações Metabólicas..................................................... 8.4 Complicações Respiratórias................................................... 8.5 Complicações Infecciosas....................................................... 8.6 Complicações Psicológicas.....................................................

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1.

O que é Terapia Nutricional Enteral Domiciliar?

Procedimentos terapêu�cos para a manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente, mediante a oferta de nutrientes por sondas finas de alimentação, que podem ter acesso: • Do nariz até o estomago: Nasogástrica; • Do nariz até o intes�no delgado: Nasoentérica; • Abertura cirúrgica no estômago: Gastrostomia; • Abertura cirúrgica no intes�no: Jejunostomia.

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2. Gêneros alimen�cios para preparação artesanal da fórmula nutricional enteral Em geral, estes alimentos fazem parte da alimentação habitual da família (leite, frutas, arroz, feijão, carne, etc.), que devem ser cozidos, liquidificados e coados. A preparação deverá seguir sempre a orientação passada pelo nutricionista, com quan�dades, �pos de alimento, tempo de cozimento e forma de liquidificar e coar.

2.1 Seleção Os alimentos que serão u�lizados para a dieta artesanal podem ser frutas, legumes e hortaliças. Antes de preparar uma dieta artesanal em casa, é importante seguir as orientações do nutricionista para a seleção dos alimentos, descartando aqueles que apresentam mofo ou podres. 2.2 Compra Na hora de comprar frutas, legumes e hortaliças, escolha alimentos de produtores locais, feiras ou mercadinho próximo a sua casa. Mas o mais importante: compre frutas, legumes e hortaliças da época, como por exemplo: Janeiro • Frutas: abacaxi, laranja-pera, mamão e melancia; • Verduras: cebolinha, couve e salsa; • Legumes: abóbora, abobrinha, beterraba e tomate. Fevereiro • Frutas: abacate, ameixa, goiaba, maçã, pera e pêssego; • Verduras: hortelã e repolho; • Legumes: abóbora, gengibre, milho verde e tomate.

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Março • Frutas: abacate, banana-nanica, maçã, mamão, pera, pêssego; • Verduras: alho-poró, coentro, repolho e salsa; • Legumes: abobrinha, beterraba, cará, chuchu e inhame. Abril • Frutas: abacate, ameixa, banana-maçã, caqui, kiwi, maçã, mamão e pera; • Verduras: alho-poró e repolho; • Legumes: abóbora, abobrinha, berinjela, beterraba, cará e chuchu; Maio • Frutas: abacate, banana-maçã, caqui, jaca, kiwi, maçã e pera; • Verduras: alho-poró; • Legumes: abóbora, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu e mandioca. Junho • Frutas: kiwi e laranja-lima; • Verduras: agrião, alho-poró, almeirão, brócolis e erva-doce; • Legumes: abóbora, ervilha, inhame, mandioquinha e milho-verde. Julho • Frutas: kiwi e laranja-lima; • Verduras: couve, espinafre e salsão; • Legumes: cenoura, abóbora, batata-doce, cará, ervilha e milho-verde. Agosto • Frutas: banana-nanica, laranja-pera, maçã, mamão e morango; • Verduras: brócolis, couve, couve-flor e espinafre; • Legumes: abóbora, cará, ervilha, inhame, mandioca, mandioquinha. Setembro • Frutas: abacaxi, banana-nanica, caju, laranja-pera, maçã, mexerica; • Verduras: brócolis, couve, couve-flor e espinafre; • Legumes: abóbora, abobrinha, cará, cogumelo, ervilha e inhame. Outubro • Frutas: abacaxi, acerola, banana-prata, manga, laranja-pera e mamão; • Verduras: alho-poró, brócolis, cebolinha, chicória, couve-flor e espinafre; • Legumes: abóbora, abobrinha, batata-doce, beterraba, inhame e tomate. Novembro • Frutas: acerola, banana-prata, laranja-pera, mamão, manga, melão; • Verduras: alho-poró, brócolis, cebolinha e espinafre; • Legumes: abobrinha, berinjela, beterraba, cenoura, inhame e tomate. Dezembro • Frutas: banana-prata, kiwi, laranja, maçã, manga, melancia e melão; • Verduras: cebolinha, salsa e salsão; • Legumes: abobrinha, beterraba, cenoura, tomate e vagem macarrão.

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2.3 Higienização Alimentos como frutas, legumes e hortaliças devem ser higienizados antes do consumo para evitar a contaminação com bactérias e parasitas. O processo de higienização é bem simples e eficaz: 1. Selecionar, re�rando as folhas, partes e unidades apodrecidas; 2. Lave em água corrente as folhas, partes e unidades deterioradas, folha a folha, um a um (tanto frutas, quanto legumes); 3. Colocar de molho por 10 minutos em água clorada (água sanitária Cândida, QBoa, Clorofina, desde que não contenha perfume, apenas hipoclorito de sódio). Uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água limpa, filtrada ou fervida. 4. Enxaguar em água corrente, folha a folha, um a um (tanto frutas, quanto legumes).

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2.4 Armazenamento Após a higienização, é necessário que os alimentos sejam man�dos sob refrigeração até a hora do preparo. Caso você não tenha geladeira, deve realizar a higienização um pouco antes do preparo da dieta artesanal. 2.5 Preparação A higiene é fundamental para preparar a dieta. Você deve preparar apenas a quan�dade que será u�lizada no dia. Todos os ingredientes devem ser ba�dos no liquidificador com água filtrada ou fervida. Sempre conservar a dieta pronta em pote fechado dentro da geladeira. Caso não tenha geladeira, preparar a dieta somente na hora de administrar. 2.6 Administração Assim como o preparo, a administração da dieta artesanal deverá seguir as orientações do nutricionista. Basta colocar a dieta já liquidificada e coada em temperatura ambiente no frasco de dieta. O ideal é que o frasco fique ao menos 60cm de altura da cabeça do paciente, para que a dieta desça. A velocidade que a dieta irá correr é muito importante, pois se for rápido demais, poderá causas náuseas, vômitos e diarreia no paciente.

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3. Cuidados com a fórmula nutricional enteral industrializada A fórmula industrializada é uma dieta pronta, que vem balanceada de acordo com as necessidades do paciente. Pode ser em forma de pó que deve ser misturado com água filtrada ou fervida, ou já pronta para o consumo. 3.1 Preparação As fórmulas industrializadas devem ser preparadas de acordo com a orientação do nutricionista e do fabricante, respeitando sempre a diluição prescrita. 3.2 Conservação As fórmulas prontas para uso têm validade de 8 a 12 horas. As fórmulas em pó que são recons�tuídas com água, tem validade de 8 a 12 horas após recons�tuição. 3.3 Administração A administração seguirá o mesmo esquema da dieta artesanal, onde as orientações prescritas pelo nutricionista devem ser seguidas, colocando a dieta pronta (líquida ou a recons�tuída com água) no frasco de dieta. O frasco também deverá ficar ao menos 60cm de altura da cabeça do paciente, para que a dieta desça. A velocidade que a dieta irá correr é muito importante, pois se for rápido demais, poderá causas náuseas, vômitos e diarreia no paciente. Se for muito lenta, o tempo entre as dietas será muito curto.

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4.

Lavagem e desobstrução da sonda

Antes e depois de administrar a dieta, sempre lavar a sonda com 20ml de água filtrada ou fervida se for sonda nasogástrica ou nasoentérica; Lavar com 30 a 40ml de água filtrada ou fervida se for sonda gástrica ou jejunal. Caso a sonda esteja obstruída, lavar com água morna fazendo pressão, até que a sonda desobstrua.

Sonda Nasogástrica ou Nasoentérica

sonda gástrica ou jejunal

lavar antes e depois com água filtrada ou fervida desobstruir com água morna 8


5.

A importância da Higienização

Cuidar a limpeza do ambiente que vai manipulado a dieta, dos utensílios antes e após a elaboração da fórmula. Também é importante proteger o alimento ou dieta pronta de insetos, animais domés�cos e roedores, os cabelos presos e/ou com touca, roupas limpas. 5.1 Das mãos As mãos deverão ser bem lavadas, com água e sabão, principalmente após ir ao banheiro, esfregando bem entre os dedos, de preferência com unhas curtas, sem esmalts, anéis ou aliança, pulseiras, colares, fitas, brincos e relógio. Além disso, é importante não fumar, tossir, falar, espirrar e se coçar durante o preparo. Basta seguir o passo-a-passo: 1. Umedeça as mãos e os antebraços com água; 2. Passe sabão ou detergente e esfregue durante 15 segundos; 3. Enxágüe e seque bem as mãos e os antebraços; 4. Desinfete com solução de álcool (3 copos de álcool para 1 copo de água); 5. Deixe secar as mãos naturalmente ao ar livre

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5.2 Dos materiais e utensílios utilizados no preparo e administração da fórmula nutricional enteral Os frascos, os equipos e as seringas devem ser man�dos limpos e sem resíduo da fórmula nutricional artesanal ou industrializada ou medicamentos. Eles podem ser u�lizados enquanto es�verem em bom funcionamento. O êmbolo da seringa deve deslizar bem e o equipo deve permanecer flexível e transparente, em caso de deterioração descartar. No caso dos gêneros alimen�cios e das fórmulas nutricionais, deve-se verificar a integridade das embalagens, o prazo de validade e qualidade dos alimentos. As fórmulas podem ser preparadas para cada horário de administração ou na quan�dade necessária para um dia. Panelas, potes, liquidificador, colheres, peneiras e tudo mais que forem u�lizados para o preparo da dieta enteral, deverá estar em bom estado de higiene, tendo o cuidado de sempre lavar corretamente após o uso, de preferência com sabão e água quentes, cuidando para que não fique resíduos. Higienizar a cozinha, os utensílios e os equipamentos e aplicar solução de cloro. Esse cuidado irá refle�r no sucesso do tratamento do paciente.

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6.

Cuidados gerais

Para que o paciente tenha uma recuperação e melhor aproveitamento dos nutrientes da dieta enteral, é importante seguir todas as orientações presentes neste caderno, assim como a prescrição do nutricionista. Sempre que houver dúvidas, procure o nutricionista, Agente Comunitário de Saúde ou a Unidade Básica de Saúde de sua região. 6.1 Fracionamento da fórmula nutricional enteral As dietas correm geralmente por 1h a 1h30, é importante seguir corretamente o fracionamento, ou seja, o volume prescrito pelo nutricionista para administrar a dieta em cada horário, tanto a fórmula artesanal, quanto a forma industrializada. Cuidando sempre com o gotejo, verificando se não houve obstrução da sonda. 6.2 Horários de administração da fórmula nutricional enteral Os horários para administração da dieta são semelhantes aos horários das refeições normais: café da manhã, almoço, jantar, ceia e lanches. Por exemplo, de 3 em 3horas: 6h, 9h, 12h, 15h,18h, 21h. Estes horários podem ser ajustados à ro�na da família. Caso nao seja possível administrar a dieta em um dos horários es�pulados pelo nutricionista, faça o mais breve possível. Lembre-se: não exceda a quan�dade de dieta que está prescrita!

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7.

Instalação da dieta e Posicionamento do paciente

A instalação da dieta é simples: basta conectar o equipo ao frasco da dieta; re�rar o ar do equipo; pendurar o frasco a pelo menos 60cm de altura da cabeça do paciente para que a dieta desça; conectar o equipo no paciente, deixando-o sentado ou deitado com as costas elevadas com travesseiros, para que ele não aspire ou vomite. Depois que a dieta terminar, re�rar frasco e equipo, realizando a higienização necessária e tampando o equipo. Deixar o paciente na mesma posição por mais 30 minutos.

8. Como iden�ficar complicações As complicações para um paciente com Terapia Nutricional Enteral Domiciliar podem ser fatais, pois atrapalham muito a evolução, além de trazer problemas como: desnutriçao, infecções, depressão, perda de funções. Para que isso não ocorra, é importante que o cuidador fique atento às complicações e ao primeiro sinal de uma delas, procurar a Unidade Básica de Saúde. 8.1 Complicações Mecânicas Feridas no nariz, sinusite aguda, rouquidão, o�te, obstrução, saída ou migração da sonda, deterioração / perfuração da sonda. 12


8.2 Complicações Gastrointestinais Náuseas, vômitos, cólicas, distensão abdominal, diarreia. 8.3 Complicações Metabólicas Hiper-hidratação: Desnutrição grave, excesso de líquido administrado na sonda, insuficiência cardíaca, renal ou hepá�ca. Desidratação: Diarreia, baixa oferta de água, uso de fórmulas nutricionais hipertônicas. Hiperglicemia: Deficiência de insulina (Diabetes, trauma, infecção, uso de cor�coides). Hipoglicemia: Excesso de administração de insulina, suspensão repen�na da dieta em pacientes hipoglicêmicos. Anormalidades de eletrólitos e elementos-traço: Diarreia, desnutrição, infecção e disfunção renal. Alterações das funções hepá�cas: Toxinas, muitas calorias, substratos inapropriados. 8.4 Complicações Respiratórias Tem risco elevado devido à deficiência nos mecanismos reflexos de proteção. Pode causar pneumonia aspira�va o posicionamento inadequado da sonda, a sonda se mover após a passagem inicial. 8.5 Complicações Infecciosas é importante que todas as recomendações de higiene sejam rigorosamente seguidas, tanto no preparo como administração da fórmula nutricional por causa da Gastroenterocolites por contaminação microbiana. 8.6 Complicações Psicológicas Ansiedade, depressão, falta de vontade de estar com as pessoas, falta de es�mulo ao paladar. 13


Trabalho desenvolvido para a disciplina de Terapia Enteral e Parenteral, UniRi�er Campus Zona Sul, período manhã, sob orientação da Professora Me. Cláudia Marchese Strey

Alunas Par�cipantes Aline Pedroso Priscilla Fernanda dos Santos

2018/1

Terapia Nutricional Enteral Domiciliar - manual  

Atividade Acadêmica de elaboração de um manual para Terapia Nutricional Enteral Domiciliar

Terapia Nutricional Enteral Domiciliar - manual  

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