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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO PRISCILA DA SILVA NERI

Da fragmentação à articulação: Diretrizes para os cruzamentos da Avenida Dantas Barreto.

Trabalho de graduação desenvolvido pela aluna Priscila da Silva Neri, orientada pela professora Maria de Lourdes Nóbrega, e, apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco como requisito final para obtenção do grau de Arquiteta e Urbanista.

RECIFE MAIO/2018


Figura 01: Av. Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2017

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“Comer, sentar, falar, andar, ficar sentado tomando um pouquinho de sol… A arquitetura não é somente uma utopia, mas um meio para alcançar certos resultados coletivos. A cultura como convívio, livre escolha, liberdade de encontros e reuniões”. Lina Bo Bardi 5


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AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus que com sua infinita bondade tem me guiado, e por ter me dado força para superar as dificuldades. Aos meus pais Sandra e Carlos Neri, pelo amor, carinho, incentivo, conselhos e apoio. A eles devo todo esforço, dedicação e empenho. A minha prima Danielle da Silva por sua paciência e conselhos para essa etapa. A minha orientadora, Maria de Lourdes Nóbrega Carneiro, pelo apoio, dedicação, horas de assessoramento e pelo exemplo de profissional. Ao professor Joel Outtes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por sua colaboração. A Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ) em especial na figura de Sandra Melo e Carlos Ramos, que me ajudaram nas pesquisas de fotografia, mapas e jornais. A Empresa de Urbanização do Recife (URB) em especial na figura de Pedro Antunes, Fernando Salvador e Aurelina Moura pela amizade e ajuda nas pesquisas. As minhas amigas Carolina Tenório, Marília Dourado, Lais Diniz, Thais Oliveira e Graziella Maria pelo companheirismo, a Murilo Medeiros, Rui Espíndola e a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação dando apoio para finalizar mais uma etapa.

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Figura 02: Eixo Viário Abordado. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


1. INTRODUÇÃO De 1940 até 1970, os bairros de São José e Santo Antônio sofreram uma intervenção que propiciou a fragmentação deste território. É aberta a Avenida Dantas Barreto (figura 01 e 02), em uma operação urbana que removeu inúmeros quarteirões existentes na malha urbana desses bairros. Em busca da “modernidade” e do “progresso”, foram destruídas, além da malha viária pré-existente, mais de 400 casas, a Igreja dos Martírios, a Igreja do Paraíso, inúmeras outras edificações, promovendo assim, uma mudança na morfologia do território.

Assim, apresenta-se os embates protagonizados por alguns órgãos públicos e figuras com relevância na área da Arquitetura e Urbanismo, as propostas feitas por Delfim Amorim e SPHAN (criado em 1937 por Getúlio Vargas com a Lei de nº 378, hoje IPHAN) para que mantivessem a Igreja dos Martírios, a proposta mirabolante do prefeito Augusto Lucena de re-implantar o frontão da Igreja dos Martírios em algum “lugar mais apropriado”, a intervenção no tombamento do Governo Federal no tombamento da Igreja dos Martírios, e por fim, a comprovação que a abertura da referida via foi uma obra equivocada do Poder Público Este trabalho inicia-se com a análise da evolução urbana dos bairros Municipal, dada pela apropriação da Dantas Barreto pelo comércio de de São José e Santo Antônio (inicialmente conhecido como Ilha de Antônio rua (figura 03). Vaz). Este primeiro estudo fez-se importante para demonstrar que a formação dos dois bairros, ocorreu de forma coesa e conjunta a partir dos Face ao processo de fragmentação estudado com a abertura da Avemoldes da cidade tradicional. Salientando que a abertura da Avenida nida Dantas Barreto, este trabalho tem como objetivo propor diretrizes Dantas Barreto (1970) favoreceu o processo de fragmentação urbana para os cruzamentos da Avenida Dantas Barreto, de forma a auxiliar a dos dois bairros. promoção desses pontos a atuarem como possíveis pontos articuladores do território. Logo a seguir, faz-se toda uma retrospectiva histórica para contar toda a trajetória para a abertura da polêmica avenida Dantas Barreto: oriMetodologicamente, para que fossem traçadas as diretrizes propostas, gem da preocupação com o planejamento urbano, o papel da figura o trabalho desenvolveu-se através dos procedimentos que serão descrido sanitarista Saturino de Brito, algumas das propostas de reformulação tos a seguir. dos bairros, a origem da preocupação com a preservação do patrimônio, cada etapa de abertura e os motivos que ocasionaram todas elas. Para compreender espacialmente a polêmica avenida Dantas Bar9


reto e os bairros aos quais ela está inserida, utilizou-se a percepção do espaço urbano proposto por Kevin Lynch em seu livro “A imagem da Cidade”, 1960, que estabelece alguns elementos significativos para a interpretação da morfologia do lugar: Limites, Vias, Pontos Nodais, Bairros e Marcos. Neste estudo, a intenção era localizar os cruzamentos existentes na Av. Dantas Barreto que pudessem agir como conectores da malha urbana, constribuindo para a articulação do território fragmentado pela Dantas Barreto. As possibilidades de conexões foram feitas através das possibilidades de fluxos existentes: fluxos que unem limites, fluxos que unem marcos e fluxos que unem pontos nodais. Para tal, foram analisados os percursos sugeridos para o pedestre pelo Google Maps. Vale salientar que neste estudo também foi utilizado o conceito de limite proposto por Lúcia Veras (2014). A terceira análise, visou levantar os problemas e desafios específicos da Avenida Dantas Barreto através de: observação in loco, das diferentes formas de apropriação do espaço público pelos comerciantes de rua e a sua localização na via. Foi realizada também a contagem de pedestres nos cruzamentos e elaboradas análises morfológicas que tiveram como base as diferentes tipologias de cruzamentos na referida avenida realizada por Clarissa Duarte (2002). A quarta análise visou levantar os dados complementares para o estudo do território, tais como: mapa de usos, gabarito, hierarquia de vias, situação das calçadas e fluxo e permanência de pedestres. Foi apresen10

tado um levantamento fotográfico dos cruzamentos da avenida Dantas Barreto e alguns estudos de repertório de modo a fornecer iinformações complementares para este trabalho. Por fim, foram traçadas as diretrizes para os pontos compreendidos como articuladores da via e os demais cruzamentos, tomando-se como base os estudos realizados neste trabalho.


SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1. Evolução Urbana dos Bairros de S. José e Sto. Antônio

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2. A Cidade e a História: Uma avenida polêmica 2.1. 1ª Etapa da abertura: da Via: Becos, vielas, casarios e pardieiros 2.2. 2ª Etapa da abertura da via: Surge o sentimento de preservação 2.3. 3ª Etapa da abertura da via: O patrimônio silenciado 2.4. 4ª Etapa: A apropriação da Av. Dantas Barreto pelo comércio de rua

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3. Análise de Percepção do Espaço Público através dos Fluxos 3.1. Limites e Fluxos que unem Limites 3.2. Pontos Nodais e Fluxos que unem Pontos Nodais 3.3. Marcos e Fluxos que unem Marcos 3.4. Bairros

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4. Os desafios da Av. Dantas Barreto e do Camelódromo 4.1. Os Cruzamentos 4.2. Contagem de Pedestres

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5. Os Tipos de Organização do Comércio de Rua 5.1. O Comportamento do Consumidor

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SUMÁRIO 6. Levantamento de dados complementares 6.1. Mapa de Usos 6.2. Mapa de Gabarito 6.3. Hierarquia de Vias 6.4. Mapa de Situação das Calçadas 6.5. Mapa de Fluxo e Permanência de Pedestres 7. Levantamento Fotográfico dos Cruzamentos 7.1. Cruzamento A - Praça da República 7.2. Cruzamento B - Rua Siqueira Campos 7.3. Cruzamento C - Av. Guararapes 7.4. Cruzamento D - Rua Nova 7.5. Cruzamento E - Rua das Flores 7.6. Cruzamento F - Av. Nossa Senhora 7.7. Cruzamento G - Rua de São Pedro 7.8. Cruzamento H - Rua Tobias Barreto 7.9. Cruzamento I - Rua Barão da Vitória 7.10 Cruzamento J - Rua Passo da Pátria 7.11 Cruzamento L - Rua Doutor Bartolomeu 7.12 Cruzamento M - Rua São João 7.1 Cruzamento N - Rua Rua do Peixoto 7.10 Cruzamento O - Rua Rua do Muniz

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8. Estudos de Repertório 8.1 São Paulo - Pilot Projects 8.2 São Paulo Vale do Anhangabaú 8.3 Ruas comercias de Boston 8.4 Mobiliário Urbano 8.5 Projeto de Requalificação em Santo Amaro - São Paulo 8.6 Propostas de cruzamentos mais seguros - NACTO |143 9.6.1 Cruzamento convencional |145 9.6.2. Cruzamento entre Avenidas |146 9.6.3. Cruzamentos de Avenidas com ruas menores |147 9.6.4. Elevações em ruas menores |148 9.6.5. Cruzamento entre calçadas |149 9.6.7. Cruzamento em X |150 |151 9. Diretrizes para os cruzamentos da Av. Dantas |152 Barreto |154 |155 10. Referências |156 |156 |157 |157

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Figura 03: Comerciante de Rua. Fonte: Priscila Neri, 2018

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1. Evolução Urbana de São José e Santo Antônio A evolução urbana dos bairros de São José e Santo Antônio é importante para demonstrar que a formação dos dois bairros, ocorreu de forma coesa e conjunta a partir dos moldes da cidade tradicional. Assim, em 1609, antes da chegada dos holandeses, os atuais bairros de São José e Santo Antônio, foram erguidos sob uma singular superfície de terra conformada pela confluência dos rios Capibaribe e Beberibe. Por sua vez, a Ilha de Antônio Vaz, foi escolhida pelos holandeses para ser sede de suas possessões em Pernambuco. Sobrepondo-se o Mapa Base do ESIG (figura 05), planta atual da cidade do Recife, e a formação da Ilha de Antônio Vaz em 1609, de acordo com o Mapa Cartógráfico de 1988, confirma-se a marcante influência dos aterros na formação e evolução urbana na Ilha de Antônio Vaz, hoje conhecida como bairros de Santo Antônio e São José. Destaca-se também que a Ilha de Antônio Vaz em 1609, era composta pelo porto natural, modestas casas e do Convento de Santo Antônio (1609).

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Figura 04: Perspectiva do Recife e vila de Olinda. Fonte: Atlas Histórico Cartográfico do Recife, 1988


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Figura 05: Sobreposição do mapa de 1609 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG e Atlas Cartográfico de 1988, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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De acordo com Fausto (1995), em 1630, os holandeses invadiram e dominaram Pernambuco, interessados na produção de açúcar do nordeste brasileiro. Naquele momento, Pernambuco tinha um significado muito grande para o País, e Olinda era sede da Capitania. Dada a importância de Olinda era imprescindível que a tomada da cidade fosse completa. Na visão dos holandeses, a cidade não poderia ficar intacta. Após a conquista de Olinda, os holandeses decidiram queimar a vila e instala-se no istmo do Recife, que funcionava como porto de Olinda e tinha melhores garantias de defesa e comércio. A administração ficou de responsabilidade da Companhia das Índias Ocidentais, que passou a controlar o lucrativo comércio do açúcar produzido pelos engenhos de Pernambuco. De acordo com Menezes (1988), o projeto inicial de fortificação da Ilha de Antônio Vaz pelos holandeses consistia em um sistema aberto de muralhas, feitas de terra e madeira, com alguns trechos reforçados com pedras, que emolduravam-se frente de água, complementado pelos Fortes Ernesto (Ernefta) e Forte Frederico Henrique (Fredrik Henrici) localizados no extremo norte e sul, respectivamente. O Forte Ernesto resulta na transformação do Convento Franciscano de Santo Antônio, enquanto que o Forte Frederico Henrique guardava e protegia as fontes 16

holandesas de abastecimentos de água da Ilha de Antônio Vaz. A posição escolhida, para o Forte Frederico Henrique, consistia em dois objetivos principais: o porto, com a defesa da ‘barreta dos afogados”, e garantir o domínio das chamadas ‘cacimbas de Ambrósio Machado’. De acordo com Menezes (1988), ao lado do Forte Ernesto havia uma área fortificada referida como Grande alojamento (Groote kwartier), que mais tarde daria origem à atual Praça da Independência. Comparado-se o mapa de 1609 (figura 05. pág 13) e o mapa de 1631 (figura 06) nota-se que não houve aterros significativos na Ilha de Antônio Vaz. Ainda de acordo com a sobreposição dos mapa atual dos bairros e com o mapa de 1631, observa-se o braço do rio que entra na ilha até quase perto o forte Frederico Henrique. Na sobreposição do mapas (figura 06) nota-se a localização do Forte Frederico Henrique, ao sul da ilha, que não coincide com a atual implantação do Forte reconstruído pelos portugueses, após a expulsão dos holandeses. O atual forte ganhou a designação de “Forte Cinco Pontas”, mesmo possuindo quatro.


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Figura 06: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1631 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG e Atlas Cartográfico de 1988, trabalhado por Priscila Neri, 2018

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O ano de 1637, foi marcado pela chegada do Conde Com o mapa de 1639 (figura 07 e 08), observa-se algumas fortificaMaurício de Nassau, personagem principal para o desen- ções na Ilha de Antônio Vaz, demonstrando uma ocupação lenta da ilha. volvimento da cidade, e o maior uso da Ilha. Os holandeses projetaram a expansão da capital do império holandês, nos Observa-se no mapa ao norte do Forte Ernesto, onde anos seguintes, sobre a Ilha de Antônio Vaz, seguindo o pla- Maurício de Nassau iria instituir seu Palácio das Torres. O no do arquiteto holandês Pieter Post, de 1639 (figura 08). braço do Rio Capibaribe continua cortando a Ilha ao meio. Os esforços para tornar Recife a capital do Império ganham forte impulso a partir da chegada de Nassau. De acordo com Amélia Reynaldo (2017), Nassau encontra a penísula portuária já bastante ocupada enquanto que a Ilha de Antônio Vaz não existia mais do que três ou quatro armazéns e algumas residências. De acordo com Boris (1997), a densa ocupação da penísula e as facilidades de comunicação que a Ilha de Antonio Vaz oferecia, levou o Conde Maurício de Nassau a escolher a Ilha como território de expansão do núcleo portuário, Nassau por sua vez tinha como objetivo tornar a Ilha como centro do império holandês. O reconhecimento do valor central da Ilha por Nassau, estabelece a configuração de território político-administrativo e onde se planejaria o crescimento das novas área residencial e comercial.

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Figura 07: Plano da Mauritiopolis Fonte: POST, 1639.


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Figura 08: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1639 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG e Atlas Cartográfico de 1988, trabalhado por Priscila Neri, 2018

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De acordo com Reynaldo (2017), a intervenção elaborada por Pieter Post, em 1639 pode-se ser comprovada no mapa de 1648. Nota-se a presença de quatro elementos fundamentais: traçado geométrico, distribuição das atividades, a estrutura de viária e a localização dos grandes equipamentos. Percebe-se também a ocupação na frente fluvial em toda a extensão da ilha.

Ainda cabe destacar três elementos dessa planta de 1648: as pontes que articulariam o Recife a ilha de Antônio Vaz e o continente, o grande canal que parte do Forte Frederico Henrique até o Forte Ernesto, comunicando-se com o Oceano Atlântico e o rio Capibaribe e a localização dos palácios de Vriburg e da Boa Vista (figura 10). O Palácio de Vrijburg funcionou com sede do governo e foi construído fora da muralha, enquanto o Palácio A localização da ilha intensifica o processo de crescimento da Boa Vista foi residência do governador e localizava-se nos e reafirma a sua centralidade. Devido ao crescimento urbano terrenos inundáveis a oeste. inclui a construção da Ponte Maurício de Nassau, primeira ponte da cidade, concluída em 1644 e que conectaria o Bairro do Recife e a Ilha de Antônio Vaz (figura 09). De acordo com Amélia Reynaldo (2017) o governo local passou a impulsioFigura 09: Local onde nar a ocupação da ilha por meio de uma série de medidas surgiu a primeira do Recife tais quais: o aterro dos terrenos inudáveis, a construção de Fonte: POST, 1647. canais, jardins e praças, e a delimitação de ruas e terrenos. Nassau possuia pressa na expansão urbana da Ilha de Antônio Vaz, pois os habitantes de Olinda, antiga capital destruída, seguiam resistindo aos invasores, o que dificultava o acesso ao continente pelo norte. Para Nassau passou a ser imprescíndivel a fundação de uma cidade no centro geográfico para garantir acesso e controle do território e a sobrevivência do império holandês. 20

Figura 10: Detalhe do Palácio Vrijburg. Fonte: POST, 1647.


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Figura 11: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1648 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG e Atlas Cartográfico de 1988, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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De acordo com Fausto (1995), devido aos altos impostos cobrados pelos holandeses, ococorreram muitas revoltas. Após muitos conflitos, o governador Maurício de Nassau deixou seu cargo. Este fato facilitou a ação dos colonos portugueses apoiados por Portugal e Inglaterra, que tiveram a chance de reagir em batalhas como a do Monte das Tabocas e a de Guararapes. Em 1644, os holandeses são finalmente expulsos.

No plano de Diogo da Silveira juntamente com a planta da cidade em 1739 nota-se que a antiga Maurícia deixa de existir, mostrando uma ocupação maior da ilha constituída dos padrões urbanos lusitanos: ruas estreitas e largos diante das Igrejas (figura 11) construídas desde 1654, tais quais: a Igreja Nossa Senhora da Penha (1656) e a Igreja do Paraíso (1654).

A Igreja Nossa Senhora da Conceição dos Militares, iníciada Segundo Menezes (1988), a reocupação do território pelos no ano de 1722, localiza-se agora na nova rua que desde a portugueses é realizada respeitando os antigos canais e des- antiga praça do grande mercado se dirige para o continente, montando todo o sistema fortificado. Desta forma. um novo sis- retornando a orientação do projeto de 1639 do período Hotema defensivo foi proposto pelo engenheiro Diogo da Silveira landês, de Pieter Post. Veloso, para a ilha de Antônio Vaz (figura 12). O convento do Carmo, antes situado em terras aladas, na construção dada pelo Conde Maurício de Nassau, o seu Palácio da Boa Vista, se localizará em um novo local sendo uma obra imponente.

Figura 12: Planta do Projeto de fortificação do Bairro de S. Antônio em Pernambuco. Fonte: Atlas Histórico Cartográfico do Recife, 1988

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Percebe-se a ligação do atual bairro do Recife, ligada pela ponte Maurício de Nassau até a ilha de Sto. Antônio, passando pela praça comercial, atual praça da independência, atingindo a rua Nova passando pela ponte da Boa Vista construída em 1740, ligando à rua da Imperatriz, na Boa Vista (figura 13).


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LEGENDA: 1 PALÁCIO DE FRIBURGO (1641) 2 CAPELA DOURADA 3 PONTE DA BOA VISTA 4 IG. Nª SENHORA DOS MILITARES (1722- 1870) 5 IG. E PÁTIO DO PARAÍSO - DEMOLIDA 6 PRAÇA COMERCIAL - ATUAL PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA (1639) 7 ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL JOÃO EMERECIANO (1731) 8 PONTE MAURÍCIO DE NASSAU (1644) 9 BASÍLICA E CONVENTO NOSSA SENHORA DO CARMO (1687-1767) 10 IG.DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO (1696-1767) 11 IG. Nª SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (1660 - 1777) 12 IG. DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO (1680) 13 IG.DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS (1728 - 1782) 14 IG. Nª SENHORA DO LIVRAMENTO DOS HOMENS PARDOS (1694-1743) 15 IG. Nª SENHORA DO TERÇO (1726) 16 IG. Nª SENHORA DA PENHA (1656) 17 FORTE DAS CINCO PONTAS

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Figura 13: Sobreposição do mapa da Iha de Antônio Vaz em 1739 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG e Atlas Cartográfico de 1988, trabalhado por Priscila Neri, 2018

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Após 37 anos (1739 - 1776) observa-se o crescimento dos bairros de Santo Antônio e São José (figura 17), e as novas quadras se dão em direção ao rio Capibaribe, que contorna a ilha. A ocupação dos mangues, de acordo com o arquiteto José Luis Mota Menezes (1988), ocorreu devido a necessidade de promover novas habitações. Os parâmetros urbanos lusitanos de ruas estreitas (figura 14) e largos na frente das igrejas, não se alteram. No que resulta no aparecimento de novas quadras definidas a partir do arruamento pré-existentes.

Figura 15: Igreja do Carmo com as edificações ao redor. Fonte: Tondela. acervo da FUNDAJ

Observa-se ainda a definição do Largo do Carmo, delimitado pelas novas construções no entorno do convento (figura 15) e surge o largo da Igreja de São José do Ribamar (figura 16).

Figura 14: Rua das Laranjeiras. Fonte: Tondela, FUNDAJ

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Figura 16: Pátio de São José do Ribamar. Fonte: Tondela, FUNDAJ.


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1 PALÁCIO DE FRIBURGO (1641) 2 CAPELA DOURADA 3 PONTE DA BOA VISTA 4 IG. Nª SENHORA DOS MILITARES (1722- 1870) 5 IG. E PÁTIO DO PARAÍSO - DEMOLIDA 6 PRAÇA COMERCIAL - ATUAL PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA (1639) 7 ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL JOÃO EMERECIANO (1731) 8 PONTE MAURÍCIO DE NASSAU (1644) 9 BASÍLICA E CONVENTO NOSSA SENHORA DO CARMO (1687-1767) 10 IG.DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO (1696-1767) 11 IG.MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO (1753 - 1790) 12 IG. Nª SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (1660 - 1777) 13 IG. DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO (1680) 14 IG.DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS (1728 - 1782) 15 IG. Nª SENHORA DO LIVRAMENTO DOS HOMENS PARDOS (1694-1743) 16 IG. Nª SENHORA DO TERÇO (1726) 17 IG. Nª SENHORA DA PENHA (1656) 18 IG. DE SANTA RITA (1773-1784) 19 IG SÃO JOSÉ DO RIBAMAR (1752-1810) 20 FORTE DAS CINCO PONTAS 21 IG. MATRIZ DE SÃO JOSÉ Figura 17: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1776 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Em 1808 o mapa do Recife foi levantado pelo engenheiro mento urbano de Santo Antônio e São José. José Fernandes Portugal. Os bairros de São José e Santo antônio, se apresentam bastante ocupados (figura 18 e 19). Percebe-se os aterros do mangue que rodeia as novas quadras surgindo, assim, novas ruas, becos e vielas. De acordo com Reynaldo (2017), nota-se que a Ilha de Santo Antônio começa a se estender ao sul, donde começa o povoado de Afogados, a seis quilômetros da área urbana de Santo Antônio. Figura 18: Vila de Santo Antônio de Pernambuco em 1808, Planta de José Fernandes Portugal. Fonte: ADONIAS, 1993, p. 185.

O território que em 1609 abrigava apenas uma única edificação religiosa, estava agora abrigando nove edificações de cunho religioso (Igrejas e conventos). Estes foram elementos De acordo com Amélia Reynaldo (2017) outro elemento desprotagonistas para a configuração urbana de Santo Antônio tacável da organização urbana de Santo Antônio, nesta época, e São José, pois contribuiram para a organização urbana dos é a manutenção da proposta de distribuição das atividades redois bairros. sidenciais no extremo sul, comerciais no núcleo central e político administrativas no extremo norte. Segundo Reynaldo (2017), os monumentos religiosos ergueram-se como símbolo da reconquista política de portugal, e É importante salientar a presença das ruas estreitas interrompiconsequentemente, a sua localização obedeceu a finalidade das frequentemente pelos largos das Igrejas (figura 19). de substituir os principais elementos da ocupação holandesa. As igrejas católicas foram elementos estruturadores do cresci26


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1 IG. DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO (1804) 2 CAPELA DOURADA 3 PONTE DA BOA VISTA 4 IG. Nª SENHORA DOS MILITARES (1722- 1870) 5 PRAÇA COMERCIAL - ATUAL PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA (1639) 6 ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL JOÃO EMERECIANO (1731) 7 PONTE MAURÍCIO DE NASSAU (1644) 8 BASÍLICA E CONVENTO NOSSA SENHORA DO CARMO (1687-1767) 9 IG.DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO (1696-1767) 10 IG.MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO (1753 - 1790) 11 IG. Nª SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (1660 - 1777) 12 IG. DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO (1680) 13 IG.DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS (1728 - 1782) 14 IG. Nª SENHORA DO LIVRAMENTO DOS HOMENS PARDOS (1694-1743) 15 IG. Nª SENHORA DO TERÇO (1726) 16 IG. Nª SENHORA DA PENHA (1656) 17 IG. DE SANTA RITA (1773-1784) 18 IG SÃO JOSÉ DO RIBAMAR (1752-1810) 19 FORTE DAS CINCO PONTAS 20 IG. MATRIZ DE SÃO JOSÉ 21 IG. DOS MARTÍRIOS (1791-1796) DEMOLIDA Figura 19: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1808 no mapa atual da cidade. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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De acordo com Reynaldo (2017), após o processo de confirmação da colonização portuguesa, marcado pelos monumentos religosos imponentes na paisagem da cidade, observam-se novos elementos na configuração urbana. Surgia então um novo modelo de crescimento influenciando um amplo programa de obras para dotar a cidade de uma estrutura moderna, coadunável com a sua expansão. No governo de Francisco Rego Barros (1834-1844) cria-se, em 10 de junho de 1835 a repartição de Obras Públicas, responsável pela implementação de novas infraestruturas que articulassem com os arredores da cidade e equipamentos públicos

ele tão admirado. (REYNALDO, 2017, p. 84)

Por sua vez, essas intervenções propiciaram uma maior mobilidade, com rede de rodovias, ruas e de estradas de ferro. Foi inaugurado um conjunto de infraestruturas urbanas como o abastecimento de água e de luz, ao mesmo tempo em que se requalificou o espaço com novos equipamentos culturais e institucionais, tais quais: a Casa de Detenção (1848), a Biblioteca Pública (1852) a Estação Central ferroviária (1871), o Liceu de Artes e ofício (1871-1880), o Mercado de São José (1871), a ponte Buarque de Macedo (1856) a ponte princesa Isabel (1863) entre outros.

Em 1846, chega ao Recife o engenheiro francês Louis Léger No início do século XIX, percebe-se a oeste um acréscimo do Vauthier para atuar na repartição de obras públicas. Além de intervir na rede viárias, Vauthier inaugura um conjunto de infra- solo. Neste período os bairros apresentam uma configuração estruturas urbanas e incrementa o centro urbano com novos próxima da atual. Apenas o sudeste dos bairros, onde econtra-se o Cais de Santa Rita, não havia sido aterrada. O aterro equipamentos culturais e instucionais. para essa área se dá na ampliação do porto do Recife. A década 1840 marca início da história moderna do Recife, porque se registra a primeira intenção de modenizar e expandir a antiga cidade colonial, com o objetivo de adaptá-la às necessidades do notável crfescimento demográfico e econômico, ocasião que Vauthier tem a oportunidade de intervir em partes desse território por

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No trecho onde viria a ser a avenida Dantas Barreto nota-se a presença expressiva de edificações.


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1 IG. DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO (1804) 2 CAPELA DOURADA 3 PONTE DA BOA VISTA 4 IG. Nª SENHORA DOS MILITARES (1722- 1870) 5 PRAÇA COMERCIAL - ATUAL PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA (1639) 6 ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL JOÃO EMERECIANO (1731) 7 PONTE MAURÍCIO DE NASSAU (1644) 8 BASÍLICA E CONVENTO NOSSA SENHORA DO CARMO (1687-1767) 9 IG.DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO (1696-1767) 10 IG.MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO (1753 - 1790) 11 IG. Nª SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (1660 - 1777) 12 IG. DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO (1680) 13 IG.DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS (1728 - 1782) 14 IG. Nª SENHORA DO LIVRAMENTO DOS HOMENS PARDOS (1694-1743) 15 IG. Nª SENHORA DO TERÇO (1726) 16 IG. Nª SENHORA DA PENHA (1656) 17 IG. DE SANTA RITA (1773-1784) 18 IG SÃO JOSÉ DO RIBAMAR (1752-1810) 19 FORTE DAS CINCO PONTAS 20 IG. MATRIZ DE SÃO JOSÉ 21 IG. DOS MARTÍRIOS (1791-1796) DEMOLIDA 22 PALÁCIO DAS PRINCESAS (1841-1920) 23 TEATRO SANTA ISABEL (1841-1850) 24 CASA DE DETENÇÃO - ATUAL CASA DA CULTURA (1848) 25 ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE (1850-1856) 26 PONTE BUARQUE DE MACEDO 27 PONTE PRINCESA ISABEL

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Figura 20: Sobreposição do mapa da Ilha de Antônio Vaz em 1865 no mapa atual da cidade Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Após a definição do terrítorio por construções de equipamentos públicos, inicia-se o processo de expansão urbana do Recife. O avanço no transporte se apresentou como fator determinante nesse processo. É notório que em 1906 (figura 21) os bairros de Santô Antônio e São José possuiam traçado urbano colonial: ruas estreitas, becos, vielas, edificações sem recuos frontais e laterais e grandes largos na frente das edificações religiosos. Também em 1906, os atuais bairros de Santo Antônio e São José, coração da cidade do Recife, já se configuravam próximo da sua configuração atual, faltando apenas a construção da ponte Giratória (1970) e do aterro do Cais de Santa Rita, que seria prosposto mais a frente nos planos de reformulação da cidade. De acordo com Reynaldo (2017), a partir de 1914, houve a permuta do transporte coletivo de tração animal para ônibus elétrico, estimulando o processo de expansão e aumentando a mobilidade. É importante frisar como essa mudança, interferiu na organização funcional do espaço urbano, estimulando a transferência da população para novas áreas periféricas e afir30

mando a concentração de comércio, serviço, lazer e edifícios de administração pública nos bairros do Recife, Santo Antônio e São José. De acordo com Reynaldo (1997), o bairro de Santo Antônio passa a ser centro do sistema urbano, pela mesma particularidade apontada por, Maurício de Nassau em 1639, quando elege a Illha de Antônio Vaz como centro do império holandês: lugar bem localizado para o qual se pode vir de todos os lugares. São José, por sua vez, permanece acomodando a residência popular e as atividades indústriais.


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1 IG. DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO (1804 2 CAPELA DOURADA 3 PONTE DA BOA VISTA 4 IG. Nª SENHORA DOS MILITARES (1722- 1870) 5 PRAÇA COMERCIAL - ATUAL PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA (1639) 6 ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL JOÃO EMERECIANO (1731) 7 PONTE MAURÍCIO DE NASSAU (1644) 8 BASÍLICA E CONVENTO NOSSA SENHORA DO CARMO (1687-1767) 9 IG.DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO (1696-1767) 10 IG.MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO (1753 - 1790) 11 IG. Nª SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (1660 - 1777) 12 IG. DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO (1680) 13 IG.DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS (1728 - 1782) 14 IG. Nª SENHORA DO LIVRAMENTO DOS HOMENS PARDOS (1694-1743) 15 IG. Nª SENHORA DO TERÇO (1726) 16 IG. Nª SENHORA DA PENHA (1656) 17 IG. DE SANTA RITA (1773-1784) 18 IG SÃO JOSÉ DO RIBAMAR (1752-1810) 19 FORTE DAS CINCO PONTAS 20 IG. MATRIZ DE SÃO JOSÉ 21 IG. DOS MARTÍRIOS (1791-1796) DEMOLIDA 22 PALÁCIO DAS PRINCESAS (1841-1920) 23 TEATRO SANTA ISABEL (1841-1850) 24 CASA DE DETENÇÃO - ATUAL CASA DA CULTURA (1848) 25 ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE (1850-1856) 26 PONTE BUARQUE DE MACEDO 27 PONTE PRINCESA ISABEL 28 PONTE VELHA (1874) 29 PONTE DUARTE COELHO (1868) Figura 21: Sobreposição do mapa da Ilha de Santo Antônio em 1865 no mapa atual da cidade Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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2. A CIDADE E A HISTÓRIA: UMA AVENIDA POLÊMICA Segundo Joel Outtes (1997), desde a metade do século XVIII, o traçado urbano remanescente do período colonial, formado por ruas estreitas, esconsas, becos, vielas e sobrados implantados em lotes sem recuos frontais e laterais, dificultava a penetração da luz solar e das correntes de ar e foram constantemente apontado como razão para os surtos de algumas epidemias.

reira Rosa escreve recomendações e apontam as causas que foram: um eclipse da lua, precedido de sol, a abertura de carne estragada da Ilha de São Tomé e a sujeira da cidade. A partir disto, o médico recomenda a queima de fogueiras para desinfetar o ar, queima de colchões, reforço de sepulturas, sepultamento em cemitérios distantes e covas profundas.

A origem da preocupação com o planejamento urbano se deu em paralelo a construção da medicina social. A medicina tinha como foco o indivíduo e sua cura, após ter adoecido, não havia uma postura de prevenção de doenças. Todavia, com as orientações da medicina social e planejamento urbano o foco passou a ser o combate das doenças antes de instaladas. Assim, transformando-se em medicina social, a medicina passou a incorporar a prevenção e reconhecendo que deveria intervir nos lugares onde as doenças seriam disseminadas, e neste momento a cidade passa a ser protagonista no combate a doença. A cidade passa a ser objeto de intervenção principal, necessitando de elaboração de normas urbanísticas e reformas para que o ambiente urbano não seja também um propagador de doenças.

Assim, como a medicina social emerge um novo profissional com novos saberes, o sanitarista, figura de transição entre o médico e o engenheiro, sendo dotado de conhecimentos da medicina social, do ramo da construção e de bacteriologia, preparando-se para cumprir o papel de pensar a cidadee construtor das redes de saneamento e abastecimento de água requeridas pelo progresso. No Recife, foi significativa a figura do sanitarista Francisco Saturino Rodrigues de Brito e o seu plano de saneamento da cidade. Somente após o discurso higienista do sanitarista Saturino de Britto, que começou a surgir a preocupação dos governantes de propor uma nova configuração da malha viária.

Ainda de acordo com Joel Outtes (1997), com o surto da febre amarela, em Pernambuco, por exemplo, o Dr. João Fer32

É preciso alargar as vielas, estreitas, sanear as ruas, os aquarteirões e as casas, demolir e construir sob novos planos tanto os casarões quanto os casebres, escuros no interior, focos de tuberculose e de outras moléstias. (Diário da Manhã, de


02/08/1926, Saturino de Britto, apud OUTTES,

Alfred Agache e Ulhôa Cintra (1943) (figuras 22, 23 , 24 e 25).

1997, p. 91)

2.1. 1ª Etapa da abertura da via: Becos, vielas, casarios e pardieiros versus O Progresso Recife, capital do nordeste, com um dos maiores parques industriais do País, não poderia continuar com as ruas estreitas, vielas, becos, pardieiros e casarios no centro da cidade. Em detrimento do avanço comercial e da visão de progresso da cidade capitalista que aspirava ser industrial, surgiram uma série de planos urbanos, os quais buscavam

“Merece ressalva o traçado de uma via longitudinal à ilha de Santo Antônio, proposto no plano de expansão de 1918, e que passa despercebido em alguns projetos da década de 1920, até que se repete em projetos posteriores e constitui a atual avenida Dantas Barreto.” (REYNALDO, 2017, p. 190)

alternativas para aperfeiçoar o funcionamento da malha urbana e a criação de um novo corredor de transportes, o centro do Recife passaria a ser alvo desses planos. Segundo Reynaldo (2017) a intenção de intervir em Santo Antônio se intensificou a partir dos anos 1920, porém só depois de 1930 ganhou maior protagonismo e sendo concretizada no início dos anos 1940. A Avenida Dantas Barreto, objeto de estudo deste trabalho, foi uma das Avenidas propostas no decorrer dos planos de expansão, por exemplo: Domingos Ferreira (1926), Nestor Figueiredo (1934), Atílio Correia de Lima (1936),

Figura 22: Traçado proposto por Domingos Ferreira, em 1926, desenhado sobre a planta de 1932. Fonte: Reynaldo (2017).

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Figura 23: Representação das ideias de Agache sobre a planta de 1932. Fonte: Reynaldo (2017).

Figura 24: Plano de Remodelação e Desenvolvimento Sistemático do Recife de Nestor Figueiredo de 1934. Fonte: Reynaldo (2017).

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Figura 25: Remodelação dos Bairros de São José e Santo Antônio proposta por Ulhôa Cintra em 1943. Fonte: Reynaldo (2017)

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A proposta do urbanista Ulhôa Cintra (figura 24) pode ser considerada uma síntese das propostas anteriores. Entretanto, possuia uma diferença fundamental: a criação de uma centralidade em São José (ver figura 26). O urbanista propusera uma nova configuração da praça do Carmo, transformando-a em ponto de atração e distribuição do tráfego urbano. De acordo com Reynaldo (2017) esse traçado resgatava o eixo de conexão norte/sul dos projetos anteriores e redesenhava a via transversal à ilha, a partir da praça do carmo, desenhada no plano de Domingos Ferreira, de 1926.

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É importante frisar, que no relatório de Cintra expresa preocupação de coexistência do novo com o antigo, fazer referência ao urbanista inglês Barry Parker ao plada cidade do Porto, apontando a possibilidade de oucaminho, diverso daquele que propagava a necessidade arrasamento do antigo para a construção do novo. Percorri demoradamente os bairros velhos e me convenci da justeza dos conselhos daquele urbanista de coração. Ao lado de chagas, sem dúvida, depararam-se-me inúmeras visões arquitetônicas isoladas e de conjunto, de uma arquitetura simples e honesta que a evolução modernista raramente consegue superar. Enfim, muito mais

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coisa de conservar que de destruir. (Revista Arquivos,1943, p. 270)

Figura 26: Era prevista a abertura dos pátios do carmo e de São Pedro para formar uma grande rotatória de veículos no encontro das novas avenidas projetadas. Fonte: Revista Arquivos (1943)


A abertura da Avenida Dantas Barreto foi feita em três etapas, e em cada um desses períodos a malha urbana e a tipologia arquitetônica referentes aos séculos XVIII e XIX foram destruídas. O patrimônio arquitetônico irreprodutível foi perdido e os impactos ainda estão presentes com a quebra da continuidade da configuração urbana desses bairros. A

execução da avenida Dantas foi decretada no decreto-lei nº 378 de 20/12/1943. Sua abertura foi iniciada no governo de Novais Filho (1937-1945). Em 1943, começaram as demolições no Pátio do Paraíso para a abertura da Av. Dantas Barreto, no trecho entre a Praça do Diário e a atual Av. Guararapes. A Igreja do Paraíso (figura 27 28, 29), construída durante o século XVII apresentava fachada no estilo neogótivo. A Igreja do Paraíso não foi destruída somente para abertura da Avenida Dantas Barreto, mas pelo desejo de potencializar a rentabilidade do solo, pois estava localizada no encontro da Avenida Guararapes com a Avenida Dantas Barreto, onde hoje se localiza o Edifício Santo Albino. Para a continuação das obras, foram demolidos outros edifícios históricos: Hospital São João de Deus, o Quartel do Regimento de Artilharia e a Academia do Paraíso reduto da revolução pernambucana, em 1817.

Figura 27: Igreja do Paraíso Fonte: FUNDAJ.

Figura 28: Igreja do Paraíso Fonte: FUNDAJ.

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Figura 29: Igreja do ParaĂ­so Fonte: FUNDAJ.

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2.2. 2ª Etapa da abertura da via: Surge o sentimento de preservação Se, por um lado a abertura da Avenida Dantas Barreto era aplaudida por uns e desdenhada por outros, ela se polemizou ainda mais pelo itinerário que tomaria. Na proposta original e aprovada da sua criação em 1943, a Av. Dantas Barreto e parte do perímetro de irradiação proposto (que articularia os bairros da Boa Vista, Santo Antônio e Recife) destruiria, além de inúmeros sobrados, casas térreas, ruas, o Pátio de São Pedro e do Carmo. Essa passagem invasiva especificamente por São Pedro tornou-se um embate entre o plano proposto, a Comissão do Plano da Cidade e o DPHAN, sendo um dos primeiros grandes dilemas a cercar a execução desse plano. A Igreja de São Pedro dos Clérigos (figura 30) era monumento nacional tombado desde o ano de 1938, quando houve os primeiros tombamentos em Pernambuco; entretanto, o pátio e o casario que o conformavam não estavam dentro dessa linha de proteção. Mesmo assim, as citadas instituições não tardaram de solicitar que o Pátio de São Pedro fosse poupado da mutilação que o deixaria completamente aberto à frente de uma nova avenida; entretanto, o mesmo não ocorreu com o Pátio do Carmo (figura 31).

Figura 30: Visão aérea da Igreja de Sao Pedro antes da intervencao para abrir caminho a Avenida Dantas Barretos. Fonte: FUNDAJ.

Figura 31: Pátio do Carmo, 1950. Fonte: FUNDAJ.

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Assim, de acordo com Pontual (2007), o próprio prefeito Pelópidas Silveira decidiu que o itinerário da Dantas Barreto se desviasse de São Pedro para protegê-lo, o que causou uma modifi cação no desenho em relação à sua proposta original, fazendo com que a Comissão do Plano da Cidade e DPHAN chegarem num consenso. Entretanto, o novo desenho da Av. Dantas Barreto comprometeria diretamente a permanência da Igreja dos Martírios (figura 32), que não era tombada.

Em 1950 passa a ser divulgado que a Avenida Dantas Barreto não desafogaria o tráfego, pois os problemas de áreas antigas deveriam evitar soluções centralistas, por demandarem um grande número de destruições, sendo preferível a adoção de um partido perimetral, que contornasse a área, como mostrou Pontual (1998) e Reynaldo (1998). O ideário da Avenida já não se compatibilizava com a nova concepção do urbanismo, pois os conceitos agora seriam a descentralizaão do tráfego ou o desvio para as periferias. Estes novos conceitos e o alto custo das desapropriações para a abertura da Avenida Dantas Barreto fez com que as obra fosse suspensa e imediatamente registrada nos jornais. Avenida Dantas Barreto parou: pouco dinheiro e pouca utilidade. (Diário da Noite, 17/11/1959) A Av. Dantas Barreto virou, definitivamente, ‘obra de Santa Engracia’, pouco se registrando para apressá-la. (Coluna Coisas da Cidade, Diário de Pernambuco, 11/11/1959).

Figura 32: Igreja dos Martírios. Fonte: FUNDAJ.

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Dessa forma, a abertura da via permaneceu interrompida por alguns anos. Na primeira gestão do Prefeito Augusto Lucena, que começou no dia 2 de abril de 1964, chegando até o ano de 1968, as obras da Avenida Dantas Barreto foram retomadas e, com ela, reacendida as discussões. Cabe citar que a gestão de Augusto Lucena teve início após


o golpe militar de 31 de março de 1964, no que resultou no afastamento de Pelópidas Silveira da Prefeitura do Recife, de Miguel Arraes do Governo de Pernambuco, e a passagem do regime democrático ao autoritário. Esse período ficou caracterizado pela quebra da república e instauração de um regime repressivo. Foi nesse contexto que a continuidada da abertura da Dantas Barreto foi prosseguida, adentrando cada vez mais no bairro de São José e polemizando ainda mais o debate. A matéria do Diário de Pernambuco pode ilustrar bem a situação:

A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada,bem como o stio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular, de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. Estende-se não só às grandes criações,mas também às obras modestas, que tenham adquirido, com o tempo, uma significação cultural. (Carta de Veneza, 964)

Além disso, a ampliação das atividades do SPHAN (que posteContra a sua abertura se levantaram os tradi- riormente se tornaria o IPHAN) também impulsionou novas discussões, cionalistas e saudosistas, falando em patrimônio respaldadas pelas teorias urbanísticas e preservacionistas, que aponhistórico, relíquias seculares e monumentos, profatavam para a necessidade de manutenção e coexitência de artefatos nação. (Diário de Pernambuco, 03/03/1968)

Juntamente com o retorno do debate sobre a continuidade da Avenida Dantas Barreto, voltou a tona o destino da Igreja dos Martírios, quando muitos intelectuais passaram a defendê-la impulsionados pelo ideário preservacionista, devido a publicação da carta de Veneza, em 1964, que concedeu grande constribuição ao debate, trazendo as questões sobre a preservação, a restauração de monumentos e sítios históricos naquele momento. No artigo 1°, que se refere às definições postuladas pelo documento estava posto que:

urbanos e arquitetônicos de distintos tempos. Assim, no momento de intensificação das obras de abertura da Dantas Barreto e do aumento do debate em torno dos Martírios, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPANH, hoje IPHAN) elaborou planos urbanísticos que continham sugestões distintas que preservariam a Igreja dos Martírios por meio da alteração do traçado da Avenida Dantas Barreto. Tais propostas (ver figura xxxxxx) foram encaminhadas à Assessoria de Planejamento da Prefeitura do Recife, com o pedido de sua análise por parte do órgão. Figura 33: A Igreja dos Martírios no meio de uma quadra arboriza no 41


meio da Avenida Dantas Barreto, com o fluxo desviado para frente e para trás. Quadra vizinha à Igreja com um jardim ou edifício de três pavimentos.

Figura 33: Sugestões elaboradas pelo 1° distrito do IPHAN para salvaguardar a Igreja dos Martírios. Fonte: IPHAN 5° SR

Figura 34: Sugestões elaboradas pelo 1° distrito do IPHAN para salvaguardar a Igreja dos Martírios. Fonte: IPHAN 5° SR

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Figura 35: Sugestões elaboradas pelo 1° distrito do IPHAN para salvaguardar a Igreja dos Martírios. Fonte: IPHAN 5° SR

Figura 36: A Igreja dos Martírios em uma quadra arborizada. Com um fluxo desviado para a frente e para trás. Essa sugestão prevê a perda de parte da capela mor. Propõe ainda um jardim ao lado da Figura 34: Igreja dos Martírios solta com um jardim na expansão da Igreja. quadra oeste da Avenida Dantas Barreto que se projeta sobre a ave- . nida.

Figura 36: Sugestões elaboradas pelo 1° distrito do IPHAN para salvaguardar a Igreja dos Martírios. Fonte: IPHAN 5° SR

Figura 37: A Igreja dos Martírios em uma quadra arborizada, com Figura 35:: Igreja dos Martírios em uma quadra arborizada no meio fluxo desviado e faixas de rolamento de 25 metros de largura. A suda avenida, com o fluxo desviado para a frente e para trás. A Dantas gestão se diferencia das anteriores em vários aspectos como a restauBarreto passaria a contornar a Igreja pela sua fachada posterior. ração de 13 sobrados.


de verticalização como expressão da arquiretura e do urbanismo progressistas. Nele ainda estava previsto a demolição da Igreja dos Martírios e o prolongamento da Avenida Dantas Barreto.

Figura 37 Figura 33 a 37: Sugestões elaboradas pelo 1° distrito do IPHAN para salvaguardar a Igreja dos Martírios. Fonte: IPHAN 5° SR

Segundo Pontual (1998), o recebimento de tais sugestões vindas do 1° Distrito do IPHAN causou estranheza ao Escritório Técnico de Planejamento Físico (ETPF), unidade técnica da Prefeitura do Recife. Nele, o diretor do ETPF, Zenildo Sena Caldas, questionou a Ayrton Carvalho o motivo da mudança de atitude do IPHAN com relação a agora querer preservar a Igreja. Em 1965 com a elaboração do Plano de Gabarito (ver figura 38) apresentou uma proposta de estabelecimento geral de gabaritos para aqueles edifícios que ficariam localizados nas proximidades de monumentos nacionais tombados, como medida para preservar a visibilidade e guardar a sua escala. Nele ainda estava prevista a destruição da Igreja dos Martírios pelo prolongamento da Avenida Dantas Barreto. Assim, esse plano buscou dar uma resposta a uma dupla realidade: por um lado a necessidade de preservação, buscando garantir a visibilidade dos monumentos e, por outro, o desejo

Figura 38: Plano de Gabarito Fonte: Amelia Reynaldo, 2017

Segundo Pontual (1997), logo após o arquiteto Zenildo Caldas, diretor do ETPF, afirmou ser possÍvel uma revisão do plano de prolongamento da Avenida Dantas Barreto no intuito de salvaguardar a Igreja dos Martírios. Se comprometeu em analisar as sugestões em atenção ao 1° Distrito do IPHAN e dos alunos da Universidade Federal de Pernambuco, que aderiram à causa. Nas palavras do diretor do ETPF, logicamente a Prefeitura não teria interesse em demolir a Igreja, se ela pudesse ser preservadas sem prejuízo para o tráfego da área.

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Se de futuro, o alargamento daquela quadra da Avenida Dantas Barreto se tornar imprescindível, as mesmas pessoas que hoje se pronunciam favoráveis à manutenção da Igreja, poderão ser as primeiras a solicitar a sua demolição em benefício do progresso. (Zenildo Sena, Diário Oficial do Munícipio do Recife, 18/7/1969)

Segundo Loretto (1998), apesar de aceitar a possibilidade de revisão do plano de abertura da Avenida Dantas Barreto, Zenildo Sena Caldas, não se desvencilhou da hipótese de destruição da Igreja dos Martírios sob alegação das vantagens trazidas pela Avenida Dantas Barreto. Foi com o início da gestão de Augusto Lucena, que o ritmo de retomada da abertura da Dantas Barreto se apresentou à irmandade com uma real ameaça de destruição da Igreja dos Martírios. De acordo com Loretto (1998) o estado de conservação da Igreja nesse momento mostrava melhoras, após trabalho de mais de dez. Ainda de acordo com Loretto (1998), à medida que a Igreja dos Martírios se recuperava a sua estrutura física, mais ela se via ameaçada pelo Plano da Avenida Dantas Barreto, cuja abertura seguia seu curso. Sendo assim, a medida tomada pela Irmandade foi a busca pelo apoio à permanência da Igreja junto a outras instituições, dando início a uma sequência de embates institucionais.

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A primeira iniciativa da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios foi entrar em contato com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, enviando um documento em que solicitava auxílio. Como destaca matéria publicada pelo Diário de Pernambuco: Na reunião de sábado último do Instituto Arqueológico, foi apreciado memorial da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios do qual se ocupou o Sr. Gláucio Veija que terminou fazendo um apelo no sentido de que o Instituto se interessasse pela preservação do velho templo. (Diário de Pernambuco, 10/5/1966

De acordo com Loretto (1998) a posição do instituto foi favorável à causa, resolvendo-se que uma comissão composta pelos membros Gláucio Veiga, Pedro Camelo e José Maria visitaria a Igreja e, em seguida, procuraria a prefeitura do Recife para estudar o caso. De acordo com a escritora Dulce Chacon (1966) em matéria publicada no Diário de Pernambuco, a destruição da Igreja dos Martírios representaria a extinção de um trecho histórico e sentimental do Recife Colonial, ou o desaparecimento da paisagem recifense do que ainda restava do autêntico bairro tradicional, o de São José. Para Chacon, todas as capitais da Europa conservavam seus bairros pitorescos de ruas estreitas e casas centenárias e citou como exemplo as cidades de Alfama em Lisboa, a colina de Montmartre em Paris e Veneza. Dessa forma, as experiências de preservação dos edifícios históricos e da


estrutura urbana características de períodos passados em outras cidades, começaram a ser incorporadas ao repertório das motivações em prol da permanência da Igreja dos Martírios.

Commercio, 11/11/1966)

Frente ao número crescente de críticas e pedidos que solicitavam a preservação da Igreja, o Prefeito Augusto Lucena, propôs uma saída Porém, o que inicialmente foi visto como pedidos e posicionamentos conciliatória entre a abertura da Avenida Dantas Barreto em linha em favor da permanência da Igreja dos Martírios, passou a assumir reta e a permanência da Igreja dos Martírios. A sugestão do prefeia proporção de protestos contra a sua derrubada. Dessa forma, as to consistia na reposição da Igreja em outro lugar, conforme colocou manifestações públicas contra a demolição passaram a se intensifi- em entrevista concedida ao Jornal do Commercio: car, assim como se multiplicaram os argumentos em prol da sua perUma construção modesta, com as paredes latemanência. A carta aberta ao Prefeito Augusto Lucena, assinada por rias sevindo a dois pardieiros na Rua Augusta e “W” e publicada no Jornal do Commercio pode nos mostrar como há muito tempo abandonada. (Jornal do Comse configurava esse momento: mercio, 12/2/1967) V. Excia. Já deve ter, sobre sua mesa de trabalho uma pilha de cartas como que neste momento lhe endereço... Venho então, excelência, engrossar o coro dos que lhe pedem, com a mesma ênfase, com que José Clemente Pereira pedia a Pedro I que não partisse para Portugal, o seu lugar era aqui, que não consista na derrubada da Igreja dos Martírios. Quanto aos seus arquiteto e urbanistas, não se importe: eles sempre, arranjam um meio de inflectir qualquer de suas grandes linhas, como já inflectiram, aliás, a da Dantas Barreto, para evitar que se irrompesse pelo Pátio de São Pedro, merecedor de conservar sua fisionomia própria. Eles têm jeito para tudo... Cordialmente, W. (Jornal do

Portanto, a sugestão do Prefeito Augusto Lucena, seria colocar o templo em outro local, por indicação da cúria. Porém, logo após a sugestão de Augusto Lucena, um editorial do Jornal do Commercio ironizava, criticava e questionava a viabilidade da sugestão do Prefeito: Como é que se repõe uma igreja em outro lugar? Construíndo outra igual ou parecida, ou simplesmente elevando-a em qualquer parte, com qualquer estilo? (Jornal do Commercio, 23/2/1967)

De acordo com Loretto (1998), essa medida também foi propos45


ta no momento da destruição da Igreja do Paraíso, para ser reposta bens tomabados pelo IPHAN nesse período? De acordo com matéem outro lugar. Entretanto, o fim do Paraíso foi bastante diferente da ria publicada na Revista Casa e Jardim de 1969 o fotográfo Benício proposta para a sua preservação, como foi inicialmente exposto no Whatley Dias oferece uma resposta a essa indagação. começo desse capítulo. A Igreja dos Martírios não está tombada, não por faltar merecimento, mas pelo problema permanente das verbas insuficientes do órgão de preservação. O templo ele não pode ser destruído, mas deve ser restaurado com cuidados

Acreditava-se, então, que a Igreja dos Martírios seria demolida no ano de 1968, e a abertura da Avenida Dantas Barreto seria concluída em um ano, ao longo dos seus quase dois quilômetros chegando especiais. (Revista casa e Jardim, 1969) à Praça Sérgio Loreto. É importante ressaltar que nesse período de intensa discussão sobre o processo desenvolvimentista do Brasil e, Segundo Benício dias, a Prefeitura do Recife, felizmente não se dessa forma, a Avenida Dantas Barreto fazia parte desse processo mostrava totalmente irredutível ainda aceitando o diálogo. Em pela crença que nela era depositada de uma avenida que traria uma seu discurso percebe-se um grande apelo à necessidade de preimagem de progresso para o local. servação do edifício, tendo como perspectiva as novas orientações quanto à proteção das áreas urbanas. Para tanto cita que: Transcorrido todo o ano de 1968, concluindo-se o primeiro mandato de Augusto Lucena, chegou o ano de 1969 e a Igreja dos Martírios Não é possível que, justamente quando a UNESnão havia sido destruída e nem a avenida concluída. O que se viu em CO vai voltar suas vistas para São Luís do Maranhão e para Alcântara, preservando grandes 1968 foi o aumento das discussões em torno do destino do templo trechos e áreas dessas cidades, os recifenses, e o acréscimo de mais intituições no debate sobre sua permanência. filhos da “Guia de Cegos e Mãe da Cultura”, A mobilização de alguns intelectuais e de determinadas instituições e prol da manutenção do templo denota um reconhecmento coletivo da sua importância artística e histórica. Frente a essa constatação, cabe questionar: por que razão os Martírios não estava inscrita na lista de 46

não consigam fazer fluir as duas mãos do tráfego de uma avenida que, em vez de levar de eito, venha a abraçar, numa solução indicada, moderníssima e consagrada em várias partes, a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios e seus vizinhos sobrados, onde se encosta e que a complementam. (Revista casa e Jardim, 1969)


arte, em que a leveza de suas linhas encobriria Segundo Rosane Piccolo Loretto (1998), que aos poucos o a estrutura potente, características das obras discurso e os princípios preservacionistas que partiram de projetadas com vistas ao futuro. meios técnicos especializados foram assimilados por diferen(Diário de Pernambuco, 25/10/1970_) tes segmentos profissionais. Essa assimilação, por sua vez, foi responsável pela capilarização desse idéario, fazendo-o Segundo Outtes (1997), o segmento da Dantas Barreto seguia espalhar por grande parte da cidade, que cada vez mais seu curso, e com ele se percebia no Recife um clima de intensa agise politizava em relação à questão da destruição da Igreja. tação frente às novas possibilidades de investimento imobiliário que surgiram com a abertura dessa via e a transformação do centro da De acordo com Bernardes (1996) com o fim do mandato do cidade. Essa inquietação pôde ser percebida a partir das tentativas Prefeito Augusto Lucena, e a posse do prefeito Geraldo Magade ampliação dos índices construtivos, principalmente, no tocante à lhães o as medidas administrativas noticiadas na cidade, não quantidade de pavimentos nos edifícios. Outtes ainda destaca realise restringiam ao centro do Recife, mas se deram de forma zação da sessão ocorrida em 3 de dezembro de 1969, na Câmara mais ampliada. Para exemplificar, podemos destacar a construMunicipal do Recife, voltada para a discussão do Código de Obras ção do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, a melhoria do Município, vigente nesse momento. Sua reformulação imediata foi do Cais da Aurora, a urbanização do Cais do Apolo, a finao assunto mais comentado e debatido durante a sessão, com o objelização da Avenida Agamenon Magalhães, o tratamendo da tivo de promover o progresso da cidade por meio de sua expansão, questão dos comerciantes de rua no centro da cidade, a criaque só poderia ser realizada nessa área no sentido vertical, devido ção da Empresa Metropolitana de Procesamento de Dados a escassez de terrenos livres. (EMPREL) e a abertura da Avenida Nossa Senhora do Carmo. No bairro de São José, a obra mais destacada duApesar do frenesi em relação à reconstrução que seria possível rante a gestão de Geraldo Magalhães foi o Viadunos bairros de Santo Antônio e São José com a alteração do Cóto das Cinco Pontas. Segundo os jornais da época: digos de Obras vigente, cabe pontuar que o prefeito solicitou a O viaduto das Cinco Pontas é uma obra de elaboração de uma proposta alternativa de abertura da Avenida

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Dantas Barreto que não destruísse a Igreja dos Martírios. Dessa forma foi apresentada a sugestão de desvio da Avenida Dantas Barreto pela Rua Dias Cardoso, elaborada pelo escritório técnico de Planejamento da Prefeitura do Recife. Tal proposta, além da preservação do templo visava à manutenção da própria Rua Augusta (ver figura 40), como resquício do tradicional bairro de São José. Nessa proposta (figura 39) era previsto uma avenida com 17,50 metros de largura, o que comportaria cinco faixas de rolamento, sendo necessárias as desapropriações na Rua Dias Cardoso e nos fundos da Igreja dos Martírios. No plano, as casas passariam a fazer parte do patrimônio do município e seriam arrendadas a locatários que desejassem estabelecer um negócio local. Tal medida também foi impulsionada pelo sucesso da iniciativa da revitalição do Pátio de São Pedro, transformando em um Centro de Turismo, que tentou restabelecer o bairro de São José como um dos mais típicos da cidade.

Figura 39: Proposta de Delfim Amorim Fonte: IPHAN.

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Figura 40: Rua Augusta, 1971. Fonte: FUNDAJ.


Segundo Outtes (1997), para parte da sociedade, a derrubada por trás dele. Ao lado do templo, estavam previstos jardins que se da Igreja dos Martírios estava intimamente relacionada com o pro- comunicariam com a Igreja por meio das suas antigas arcadas latecesso de transformação urbana, na medida que atendia às deman- rais que voltariam a ser abertas. das de “desenvolvimento da cidade”, já que acreditava-se que o almejado progresso estava contido nas medidas de desenvolvimento do espaço. Essas medidas eram expressas preponderantemente por meio de obras, como a criação de vias e alargamentos das existentes, a construção de viadutos e a implementação de outros instrumentos para o fluxo de tráfego. Figura 41: Proposta de Delfim Amorim Fonte: IPHAN.

Conforme à Avenida Dantas Barreto ia se prolongando em direção à Igreja dos Martírios e ao final de seu trajeto, acreditava-se que se Mesmo com o proseguimento da via com grande destruição do estava chegando mais próximo do progresso. Aliás, a prórpria Dan- casario, a existência de um plano alternativo para sua abertura, o tas Barreto representava e tinha o sentido de progresso. Podemos qual tencionava salvar a Igreja dos Martírios, promovido pela Precomprovar utilizando a matéria públicada no Diário da Noite: feitura do Recife por meio do Escritório Técnico de Planejamento Físico, e de outro da autoria de Delfim Amorim, terminou por minimizar A Rua Augusta vai, aos poucos, desaparecen- os embates institucionais que poderiam ocorrer nesse momento. do, para dar passagem ao progresso, que vem vindo em nome da nova Avenida Dantas Barreto” (Diário da Noite, 28/09/1970)

Em 1971, começa a segunda gestão de Augusto Lucena. Com o seu retorno à prefeitura, Lucena deixou claro que iria concluir a abertura Nesse mesmo ano também foi elaborada uma proposta para da Dantas Barreto, pois ele vinha trabalhando desde o seu mandasalvar a Igreja dos Martírios, de autoria do arquiteto Delfim Amorim to anterior. Frente à retomada da ameaça de demolição da Igreja (figura 41). O arquiteto propoôs a manutenção da Rua Augusta fren- dos Martírios, a irmandade decidiu apelar para o conselho Estadual te ao templo, desviando todas as faixas de rolamento da avenida de Cultura, que nesse período tinha como membros: Gilberto Freyre 49


como presidente e Mauro Mota como vice-presidente. A irmandande dos Martírios, em Recife/ Estado de Pernambuco. Solicitando a Vossa Senhoria queira me anuir a enviou um ofício a esse conselho pedindo sua interferência no sentido presente notificação apresento-lhe os protestos de evitar a destruição do templo, que foi encaminhado à Comissão ao meu elevado apreço. de patrimônio histórico e Artístico. De acordo com Outtes (1977) a A irmandade não tardou em enviar um ofício de agradecimento irmandade percebeu nesse momento que necessitava de uma maior mobilização da sociedade em defesa do templo, não sendo suficiente pelo ato que, do ponto de vista jurídico, tinha capacidade de salvar apenas pedidos de intercessão a instituições especializadas como o o templo da destruição, visto que ela passaria a ser listada como um bem de interesse de preservação nacional. IPHAN, o Conselho Estadual de Cultura e o Instituto Arqueológico. De acordo com Outtes (1997) Loretto (1998) e Pontual (2003), Augusto Lucena pouco se referia ao caso dos Martírios, porém o Instituo do Patrimômio Histórico e Artístico Nacional providenciava o tombamento do templo, que teve o início do seu processo realizado em 23 de junho de 1971. Por meio da notificação n° 1051-A, o diretor do IPHAN, Renato Soeiro, sediado no Rio de Janeiro/ Guanabara, informou ao responsável pela Irmandade Senhor Bom Jesus dos Martírios que: Para os fins estabelecidos no Decreto-lei n°25 de 30 de ovembro de 1937, tenho a honra de comunicar a Vossa Senhoria que foi determinada a inscrição nos livros de tombo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a qual se refere o artigo 4° do citado diploma legal, da seguinte obra de arquitetura religiosa, pertencente à Mitra Arquiepiscopal de Recife, Igreja do Bom Jesus

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Com o início do processo de tombamento da Igreja dos Martírios, vê-se a intensificação do questionamento das medidas administrativas empreendidas por Augusto Lucena nessa sua segunda gestão, especialmente no que se refere à avenida Dantas Barreto. Gilberto Freyre, em matéria publicada no Diário de Pernambuco de 4 de julho de 1971, ilustra essa inquietação sentida por parte da sociedade quanto ao rumo das atividades procedidas pela municipalidade. Se eu fosse prefeito do Recife não me deixaria possuir pelo mesmo ardor quase místico que, mais que qualquer outro, parece animar atualmente o bom burgometre Lucena. O futor de destruição imediata e maciça do bairro de São José, todo ele a ser crucificado, juntamente com a igreja simbolicamente chamada dos Martírios, é o que Sorel chamada de “mito do progresso.” E vou dizer porque: se eu fosse o Prefeito Lucena, sempre bem intencionado, porém, por vezes, um


tanto desorientado, me dedicaria à Avenida Beira Rio; à reabilitação do desprezado Capibaribe, a uma obra assim, tanto de arrojada modernidade quanto de essensial equilíbrio ecológico... Valendo-me do saber dos meus assesores, que não seriam apenas engenheiros dominados pelo sentido liear dos empreendimentos urbanos, porém também artistas como Lula Cardoso Ayres, Francisco Brennand, poetamos como Mauro Mota e João Cabral, geógrafo como Gilberto Osório e Mário Lacerda, cientistas, sociólogos, humanistas, jornalistas historiadores, educadores, trataria de cortar as asas da grandiosidade banalmente reta que é a continuação da Avenida Dantas Barreto. (Diário de Pernambuco, 04/07/1971)

edifício, a opinião das instituições e personalidades favoráveis à sua permanência começou a ser eticamente questionada.

A situação ficou mais complicada à medida que começou a ser publicada a existência de manisfestações de residentes das proximidades da Igreja favoráveis à sua destruição. De acordo com o Diário Oficial do Município do Recife, de 17 de agosto de 1971, a senhora Grace Mary Rossi, da Rua Dias cardoso, entregou a Augusto Lucena um abaixo-assinado com 1.400 assinatura dos moradores do bairro de São José, solicitando a imediata demolição daquele templo. Diante dessa situação, o prefeito não tardou em solicitar a suspensão do seu processo de tombamento, alegando a ameaça aos moradores locais pelos desabamentos iminentes nas É evidente que o sociólogo Gilberto Freyre questionou as obras ruas Augusta e Dias Cardoso, deviso “à precária situação da Igreja prioritárias empreendidas pela prefeitura, da composição da As- dos Martírios.” De acordo com o Prefeito, o mau estado da Igreja sessoria de Planejamento e a linearidada da Dantas Barreto ao e das edificações adjacentes fez com que desabasse parte de um destruir maciçamente o bairro de São José, juntamente com a Igreja sobrado, matando cinco pessoas (Telegrama do Prefeito do Recife dos Martírios. ao Ministro da Educação e Cultura, 17/08/1971) Após o início de tombamento da Igreja dos Martírios começou a Dias após em que Lucena solicitou o destombamento da Igreja, o circular na imprensa pernambucana a notícia de que a Igreja dos Ministério da Educação e Cultura enviou a resposta: Martírios estaria com a sua estrutura comprometida por falta de manutenção. A partir da divulgação de estava comprometida e coA Igreja dos Martírios não corria risco de desmoronamento, de acordo com dois lados perilocava em risco a vida das pessoas dentro e nas proximidades do

ciais de firmas idôneas locais, solicitados pelo

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IPHAN. Cabe à prefeitura a responsabilidade de desmoronamento do prédio vizinho, incendiado há seis meses e não incluindo no tombamento, que causou além de mortes, danos à torre da Igreja dos Martírios. Cabe exclusivamente ao Presidente da República, em caso de interesse público, cancelar a ação de tombamento. (Telegegrama do Ministério da Educação e Cultura 19/08/1971)

De acordo com Outtes (1997), o prefeito Augusto Lucena, por sua vez, não aceitou a intervenção do IPHAN, nem as conclusões dos laudos periciais e interditou a área, fazendo sair os operários desses distrito que estavam em serviço no templo, na noite do dia 17 de agosto, retirando ainda o material de construção ali existente e levando-o para local não identificado.

Cabe salietar que a forma como foi demolido os sobrados vizinhos doi determinanete para que a Igreja dos Martírios sofresse danos materiais. Segundo o Diário Oficial do Munícipio do Recife, de 18 de agosto de 1971, foi utilizado um fuzil para derrubar os edifícios localizados ao lado esquerdo do templo. Ainda de acordo com Outtes (1997), a idéia de abertura da Dantas Barreto estava sendo fortemente combatida pela destruição do templo e pela pouca justificativa do ponto de vista viário. Alegava-se que ela não traria benefício para o trânsito da cidade, conforme estava 52

sendo feita, já que o escoamento dos veículos ficaria estrangulado na Rua de São João, na Praça das Cinco Pontas e na própria Rua Imperial, cuja situação se encontrava bastante precária. Afirmava-se que a Dantas Barreto só funcionaria como via de escoamento do trânsito quado estivesse concluída a ligação da BR-232 com o Porto do Recife por meio do Cais José Mariano, de uma ponte paralela à Ponte Velha, de alguns viadutos e com o alargamento da Rua de São João. Em uma matéria ao Jornal do Commercio o arquiteto Valdecci Pinto concluiu: A Dantas Barreto consiste em “um grande parque de estacionamento e só. (Jornal do Commercio, 22/09/1971)

Figura 42: Dantas Barreto em 1971 Fonte: IPHAN.


Apesar de a Igreja dos Martírios ter sido tombada pelo IPHAN, o documento que oficializava essa medida apenas foi emitido pelo Ministério da Educação e cultura em 25 de agosto de 1971, na forma de certidão, segundo está sendo colocado no termo a seguir: CERTIDÃO EM CUMPRIMENTO à determinação do Senhor diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, CERTIFICO que, à vista do Processo de Tombamento n° 8361971, que o imóvel denominado Igreja do Bom Senhor Jesus dos Martírios situado na Rua Augusta, na cidade do Recife, capital do estado de Pernambuco, foi objeto das notificações n° 1051 e 1050-A, enviados respectivamente à Miltra Arquiepiscopal de Recife e à Irmandade do Bom Senhor dos Martírios, na mesma pessoa de seus representantes legais, para o fim da inscrição nos Livros de Tombo a que se refere o Decreto-lei n° 25, de 30 de novembro de 1937, pelo que se acha tombado em carácter provisío até a ultimação do respectivo Processo, nos termos do artigo décimo e seu parágrafo único do referido Decreto-lei n° 25. CERTIFICO outrossim, que é o seguinte teor das notificações supra mencionadas: “Armas da República - Ministério de Educação e Cultura - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Notificação n° 1051 Rio de Janeiro, Guanabara - Em 23 de junho de 1971 - Do diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Ao Excelentíssimo e

Reverendíssimo Dom José Lamartini Soares. Por fins estabelecidos no Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937, tenho a honra de comunicar a Vossa Excelentissíma Reverência que foi determinada a inscrição dos Livros do Tomo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a que se refere o artigo 4° citado diploma legal, da seguinte obra de arquitetura religiosa, pertencente à Miltra Arquiepiscopal de Recife: Igreja do Bom Senhor do Martírios, em Recife, Estado de Pernambuco. Solicitando a Vossa Excelentíssima Reverência queira anuir à presente notificação, apresento-lhe os protestos de meu elevado apreço. Assinado Dr. Renato Soeiro Diretor em exercício. Ao excelentíssimo e Reverendíssimo Dom José Lamartini Soares - Bispo Auxiliar da Miltra Arquiepiscopal de Recife Palácio dos Manguinhos.

Figura 43: Especulação imobiliária Fonte: FUNDAJ

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Outtes (1997) menciona que a especulação imobiliária rondava as margens da Avenida Dantas Barreto. Os altos e modernos edifícios (ver figura 44) construídos nas suas laterais no trecho compreendido entre a Igreja de Santo Antônio e o Pátio do Carmo bem mostram como essa área da recém-aberta avenida foi procurada. A extensão da via, por conseguinte, representava a ampliação de possibilidades de investimento no mercado imobiliário (figura 44) e da possibilidade de lucros.

Figura 44: Especulação imobiliária Fonte: FUNDAJ

Augusto Lucena tinha pressa para concluir a abertura da Dantas Barreto e deixá-la como legado do seu mandado ( figura 45). 54

Figura 45: Manchetes sobre a Dantas Barreto Fonte: FUNDAJ


2.3. 3ª Etapa da abertura da via: O Patrimônio silenciado Em 1972, o prefeito Augusto Lucena conta com ajuda do lobby político. Com isso, o Presidente da República acolheu um parecer do ministro da Educação Jarbas Passarinho, autorizando o cancelamento do tombamento da Igreja dos Martirios. Como o próprio nome do sugere, o templo foi uma vítima inaudita de uma modernidade desenfreada e do autoritarismo dos líderes políticos. Em setembro de 1973, Augusto Lucena ao lado do Governador do Estado, Eraldo Gueiros e por Gilberto Freyre que no começo era contra a demolição da Igreja dos Martírios e da abertura da Dantas Barreto e depois foi aliciado pelo poder estatal tornou-se apoiador da demolição. Com isso, Freyre foi agraciado com a função de ligar a chave geral de iluminação da Avenida em meio a um carnaval fora de época (figura 46).

Figura 46: Inauguração da Avenida Dantas Barreto. Fonte: FUNDAJ

Com isso Lucena acaba a terceira etapa da Av. Dantas barreto, mas nunca seu término com o rotativo previsto para a Rua Imperial e Avenida Sul. Finalmente concretizada, a Avenida Dantas Barreto, demonstrou ser uma intervenção urbana equivocada do Poder Municipal, pois, poucos veículos trafegavam na sua extensão fazendo o percurso para a zona sul, área para a qual a avenida foi primeiramente destinada. A abertura da Avenida Dantas Barreto (50m de calha), marco da incoerência e despotismo dos governantes, promoveu uma cicatriz urbana fincada na morfologia e histórica da cidade e fragmentou os bairros de Santo Antônio e São José em partes distintas dando identidade aos bairros (figura 47).

Figura 47: Fragmentação dos Bairros Sto Antônio e S. José. Fonte: NERI, 2018

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2.4. 4ª ETAPA: A aproriação do comércio de rua A Avenida Dantas Barreto, pouca utilizada por veículos passou a abrigar, em sua calha, comerciantes de rua. O comércio de rua (figuras 48, 49, 50 e 51) estabeleceu-se ali de forma espontânea, como uma consequência, dentre outros fatores, da subutilização da via que segundo Joel Outtes (1997) se deu pela alteração no uso do solo, com a demolição de prédios baixos construídos em lotes pequenos e estreitos, onde era residências e funcionava pequenas mercearias. A apropriação foi beneficiada, principalmente pelo número de pessoas que transitam na área, pois consiste em um dos principais pontos de embarque e desembarque, formado pela Estação Central do Recife, Terminal Rodoviário e Terminal Cais de Santa Rita.

Figura 49: Aspectos da utilização da Avenida Dantas Barreto por comerciantes de rua estacionados e móveis, após abertura nos anos 1970. Fonte: Acervo da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, Secretária de Cultura, Prefeitura do Recife

O camelô não se fixa em lugar onde não haja grande circulação de pedestre. (Araújo, Bezerra, Bompastor, 1995, p. 28)

Figura 48: Trecho do Pátio do Carmo com comerciantes estacionados, após abertura nos anos 1970. Fonte: Acervo da Empresa de Urbanização do Recife.

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Figura 50: Aspectos da utilização da Avenida Dantas Barreto por comerciantes estacionados e móveis. Fonte: Acervo da Empresa de Urbanização do Recife.


Figura 51: Pátio do Carmo com comerciantes estacionados, após abertura nos anos 1970.

Fonte: Acervo da Empresa de Urbanização do Recife.

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Em 1992, ocorre a “Operação Camelô” que tinha como objetivo afastar o comerciante de rua de algumas ruas do centro da cidade. Em 1992, a Empresa de Urbanização do Recife (URB) lança como solução a criação de um ambiente capaz de abrigar os comerciantes de rua. É dado início a concepção e construção do Calçadão dos Macates. O Projeto foi desenvolvido pela Empresa de Urbanização do Recife (URB/PE) e inaugurado em 1994. Estavam a frente do projeto os arquitetos Zeca Brandão e Ronaldo L’Amour que foram contratados para trabalhar na Diretoria de Projetos Especiais, pelo diretor e arquiteto Marcelo Figueiredo.

tres existente, respeitando os cruzamentos. O Camelodrómo foi organizado de forma longitudinal ao longo da Avenida Dantas Barreto, entre o Pátio do Carmo e a Praça Sérgio Loreto. Inicialmente foi projetado para abrigar cerca de 1400 comerciantes, além dos módulos foram construídos 168 quiosques localizados próximos a Igreja do Carmo (figura 52), para desobstruir uma área de valor histórico e possibilitar a visualização da Igreja do Carmo.

O projeto fundamentava-se em quatro pontos básicos: Disciplinamento do comércio ambulante, segurança pública, acesso das pessoas ao centro, e limpeza/higiene urbana. A proposta de um equipamento em módulo visava permitir uma flexibilidade para que o espaço pudesse ser utilizado como outras atividades como, por exemplo, a realização de eventos ou festas populares. (Araujo, Bezerra, Bompastor, 1995, p. 23)

Figura 52: Calçadão dos Mascates. Fonte: L’Amour e Brandão, 1993.

Os idealizadores do projeto do Camelódromo tinham consciência que precisavam estimular o fluxo de pedestres na O Calçadão dos Mascates, mais conhecido como Cameloárea para “alimentar” o comércio de rua existente, e por drómo, surgiu com a intenção de organizar o fluxo de pedesisso, foram mantidos e redistribuidos os diversos pontos de 58


ônibus ao longo do Camelódromo e da Av. Dantas Barreto.

tipologia arquitetônica, nos seus detalhes construtivos, de venezianas, de lanternins,

O equipamento foi pensado de modo que pudesse ter múltiplo usos, de dia serveria para as funções comerciais e a noite com o térreo livre serveria para as manifestações culturais (figura 53 e 54) e para a visualização da paisagem urbana pitoresca dos edifícios históricos. Com relação ao aspecto formal da proposta ressaltam-se as referências aos elementos arquitetônicos do sítio Histórico.

das cores que estão presentes no bairro, pelo menos naquilo que a gente achou que

Dentro desse conjunto, se destacam o mercado de São José, as torres das igrejas que se impõem sobre o mar de telhas das cobertas inclinadas do antigo casario (...),o lanternim dos velhos edifícios de armazenagem e a tipologia da galeria coberta, que protege o transeunte da chuva e

poderia se referir ao bairro (L’Amour, 2006).

Figura 53: Carnaval na Av. Dantas Barreto. Fonte: FUNDAJ

do intenso sol da região (Brandão e L’Amour,sd).

A coberta do equipamento se assemelha a um lanternim. Outros elementos importantes são as venezianas que também são referências à arquitetura local. Apesar do equipamento ser extremamente moderno tem fragmentos, na sua

Figura 54: Coberta. Fonte: L’Amour e Brandão.

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Dessa forma, na questão estética o equipamento traz uma linguagem que respeita a leitura do entorno, não através de cópias ou referências explicitas, mas trabalhando elementos arquitetônicos que têm uma relação com a arquitetura local. Todavia, apesar do Camelódromo (figura 56) não obstruir os cruzamentos da avenida Dantas Barreto (figura 57) não foi suficiente para costurar os fragmentos (figura 55) gerados pela abertura da avenida Dantas Barreto. E por isso, entende-se a necessidade de propor ações capazes de promover a articulação dos sítios, devido a importâcia dos três territórios e priorizar o pedestre.

Figura 56: Camelódromo. Fonte: Priscila Neri, 2018.

60

Figura 55: Fragmentos gerados apartir da abertura da Dantas Barreto. Fonte: Mapa do ESIG trabalhado por Priscila Neri, 2018.


PRAÇA TOBIAS BARRETO

EQUIPAMENTO 1

EQUIPAMENTO 2

EQUIPAMENTO 3

EQUIPAMENTO 5

EQUIPAMENTO 6

AVENIDA DANTAS BARRETO

AVENIDA DANTAS BARRETO

PÁTIO DO CARMO

EQUIPAMENTO 4

MARCAÇÕES REALIZADAS PARA RESPEITAR OS CRUZAMENTOS

IGREJA DO CARMO PLANTA BAIXA ESQUEMÁTICA - CAMELÓDROMO ESCALA: 1/750 Figura 57: Distribuição dos equipamentos ao longo da Avenida Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Igreja do Paraíso

ONDE SITUAVA-SE A IGREJA DO PARAÍSO

ONDE SITUAVA-SE A IGREJA DOSdos MARTÍRIOS Igreja Martírios

QUADRAS DEMOLIDAS PARA A ABERTURA DA AV. DANTAS BARRETO

PLANTA DE 1935 ESCALA: 0

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75

125

150


Figura 58: Pátio do Carmo em distintas épocas Fonte: FUNDAJ.

62


Conclui-se que a Av. Dantas Barreto foi construída em três etapas (figura 60), e cada etapa ocasionada por motivos diferentes. A primeira e segunda etapa teve como causa a salubridade e a mudança na aparência colonial da cidade. A terceira etapa foi ocasionada pelo processo de mudanças modernizadoras que por sua vez era: a potencialização econômica do solo, a rentabilidade do solo, a viabilização de uma ligação direta e fluente entre o centro e a zona sul no sentido de Boa Viagem, bairro de maior concentração de proprietários de carros na época e da Av. Mascarenhas de Morais área de recepção e distribuição de produtos industrializados. O intuito era a transformação da cidade para os pârametros urbanos progressistas e dotar o centro da cidade de avenidas largas e retílineas, quadras aptas a novos conjuntos arquitetônicos (figura 59) e equipamentos adequados ao desenvolvimento tecnológico. Levando de roldão as velhas artérias que surgiram à sua frente, a Avenida Dantas Barreto, além de liquidar o Pátio do Paraíso, a Praça do Carmo e provavelmente a Praça Sérgio Loreto, ainda decretou a destruição de seculares ruas dos bairros de Santo Antônio e São José. [...] No começo foi a igrejinha do Pátio do Paraíso, famosa pelas suas procissões, tão lembrada pelos mais idosos, mas tão esquecida pelos cronistas do Recife. Foi o primeiro templo a ser derrubado. Ficava a Igreja do Paraíso no local onde hoje se ergue o Edifício Santo Albino. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 03/03/1968)

Figura 59: Edifício Albino no lugar da antiga Igreja.. Fonte: FUNDAJ.

63


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1ª ETAPA: 1940 - PREFEITO: NOVAIS FILHO (1937- 1945)

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3ª ETAPA: 1970 - PREFEITO: AUGUSTO LUCENA (1970-1975)

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2ª ETAPA: 1950 - PREFEITO: PELÓPIDAS SILVEIRA (1955 - 1963)

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LEGENDA:

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Figura 60: Etapas da Avenida Dantas Barreto. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


3. ANÁLISE DE PERCEPÇÃO DO ESPAÇO URBANO ATRAVÉS DOS FLUXOS 65


66


3. ANÁLISE DE PERCEPÇÃO DO ESPAÇO URBANO O segundo passo deste trabalho, objetiva localizar os pontos existentes a Avenida Dantas Barreto que podem agir como possíveis conectores da malha urbana existente, constribuindo para a articulação do território fragmentado pela abertura da Avenida Dantas Barreto. Tomou-se como base a análise de percepção do espaço urbano proposta por Kevin Lynch em seu livro “A imagem da cidade”, 1960, que identificou cinco grandes elementos, que definem a imagem da cidade no que diz respeito a sua forma física: vias, limites, bairros, pontos nodais e marcos. A seguir cada elemento significativo para a interpretação da morfologia do lugar serão explicados e definidos. As possibilidades de conexões foi realizada a partir dos fluxos existentes: fluxos que conectam limites, fluxos que conectam pontos nodais e fluxos que conectam marcos. Para tal, foram considerados os percurso sugeridos para os pedestres pelo Google Maps.

cialmente se move. Podem ser ruas, calçadas, linhas de trânsito, canais, estradas-de-ferro.. (LYNCH, 1960, p. 47). A concentração de um costume ou de atividades especiais numa rua pode conceder-lhe um lugar predominante na mente do observador. (LYNCH, 1960, p. 61)

2. Limites: São elementos limítrofes mais ou menos penetráveis que delimitam uma região da outra. 3. Pontos Nodais: São pontos ou lugares estratégicos da cidade onde o pedestre pode adentrar, sendo estes importantes focos de encontro da população. 4. Marcos: Assim, como os pontos nodais, atuam como pontos de referência. Entretanto, a diferença é que o observador não adentra nele, mas o tem como orientadores. Sua principal característica é a singularidade para o pedestre.

1. Vias: são os caminhos de circulação pelos quais o observador 5. Bairros: Regiões com relativa homogeneidade em relação se locomove habitualmente ou ocasionalmente. ao resto da cidade ou com características comuns ou diferentes do resto do tecido urbano. Dessa forma o observador é capaz São canais ao longo dos quais o observador costumeiramente, ocasionalmente, ou poten- de identificar “de dentro” onde se encontra. 67


O reconhecimentos dos elementos estruturadores de Lynch serão aplicados nos bairros de São José e Santo Antônio, bairros fragmentados pela Avenida Dantas Barreto, e os resultados demonstrados nos subitens a seguir. A imagem da cidade é um conjunto de ideias, expectativas e valores que os transeuntes permanentes ou de passagem, fazem da cidade. Um ambiente característico legível, de acordo com Lynch (1960), oferece segurança, reforça as possibilidade e intesifica as experiências do usuário com a cidade.

68


3.1 LIMITES Como dito anteriormente, limite é um elemento estruturador mais ou menos penetrável e que delimita uma área da outra. São elementos lineares constítuidos pelas bordas de duas regiões distintas, configurando quebra na linearidade ou continuidade.

por uma parede ou por água. (LYNCH, 1980. p. 58) Os limites podem aumentar a tendência dos bairros a FRAGMENTAR a cidade de um modo desordenado. (LYNCH, 1960, p. 78)

Podem ser considerados limites: rios, estradas, viadutos, etc. Os diferentes limites do território em estudo são: Um limite ainda pode ter qualidade direcional, por exemplo, ao longo de um rio sempre tem-se a noção de que direção se está A) O limite da preservação: De acordo com Veras (2014), a percorrendo, uma vez que o lado do rio fornece essa orientação. conservação da paisagem, de parte do bairro de São José, tenha sido possível graças à delimitação do sítio, confinado pelo traçado Os limites são elementos lineares não usados da avenida Dantas Barreto construída entra os anos 1940 e 1970 nem considerados pelos habitantes como vias. (ver figura 61) São fronteiras entre duas partes, interrupções leneares na continuidade, costas marítimas ou fluviais, cortes do caminho-de-ferro, paredes, locais de desenvolvimento. Funcionam, no fundo, mais como referências secundárias do que como alavancas coordenantes; tais limites podem ser barreiras mais ou menos penetráveis que mantêm uma região isolada das outras, podem ser costuras, linhas ao longo das quais regiões se relacionam e encontram. Estes elementos limites, embora não tão importante como as vias, são, para muitos, uma relevante característica organizadora, particulamente quando se trata de manter unidas áreas diversas, como acontece no delinear de uma cidade

“Apesar das demolições provocadas pela abertura desta avenida, a Dantas Barreto passou a funcionar como elemento de demarcação das áreas preservadas do bairro de São José”. (Veras, 2014 p. 38)

B) O limite dos bairros: Os bairros de São José e Santo Antônio (figura 62) C) O limite da Legislação:

69


A) SPR: constituído por áreas de importante significado histórico geiros em estrutura de ferro. Instituida pela lei Lei n° 16.176/96. e/ou cultural que requerem sua manutenção, restauração ou compatibilização com o sítio integrante do conjunto (figura 63 e 64) D) Limite geográfico: O Rio Capibaribe (figura 67). Diferente dos outros limites onde a união fez-se através dos fluxos sugeridos B) SPA: é constituído por áreas de transição entre o SPR e as pelo Google Maps, no limite geográfico a forma urbana de unir o áreas circunvizinhas. (figura 63 e 64) território foi através das pontes. C) Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural - ZEPH: São áreas formadas por sítios, ruínas e conjuntos antigos de relevante expressão arquitetônica, histórica, cultural e paisagística, cuja manutenção seja necessária à preservação do patrimônio histórico-cultural do Município. No terrítório de estudo temos as ZEPH (figura 65 e 66): 1. ZEPH 10 - São José e Santo Antônio: Casa pré-fabricada em estrutura de ferro, de arquitetura da área francesa do Vieux , Nova Orleans. Foi importada em 1897 e a montagem concluída em 1902.Instituida pela lei Lei n° 16.176/96. 2. Zeph 14 - Casa da Cultura: prédio inaugurado em 1855, é dividido em 4 raios, com robustas construções emalvenaria e passagens em madeira apoiadas por cachorros em ferro fundido. Estação Central: edifício do séc. XIX, com plataforma de passa70


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Figura 61: Limite da Preservação. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Figura 62: Bairros São José e Santo Antônio Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Figura 63: SPA E SPR; Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Figura 64: Fluxos - SPA e SPR Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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LIMITE LEGISLATIVO

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Figura 65: ZEPH. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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FLUXOS QUE UNEM LIMITES - ZEPH Percursos sugeridos pelo Google Maps.

LEGENDA: ZEPH 10 - CASA DA CULTURA ZEPH 14 - SÃO JOSÉ E SANTO ANTÔNIO FLUXOS CRUZAMENTOS

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Figura 66: Fluxos - ZEPH Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Figura 67: Limite geográfico. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

77


3.2 PONTOS NODAIS E FLUXOS QUE UNEM PONTOS NODAIS Os pontos nodais são locais estratégicos de um lugar, são conexões de vias, lugares de concentração de pessoas, junção ou interrupção de trajeto. Neste caso, o observador não está dentro deles, pois são externos. São normalmente representados por um objeto físico, definido de um modo simples: edifício, sinal, loja, montanha ou praça. O seu uso implica a sua distinção e evidência, em relação a uma quantidade enorme de outros elementos. (LYNCH, 1960, p. 59) Os pontos nodais são os focos estratégicos nos quais o obsevador pode adentrar; são tipicamente, conexões de vias ou concentrações de alguma característica. (LYNCH, 1960, p. 80)

Pela definição dada pelo autor Kevin Lynch (1960), poderia-se entender que os cruzamentos se configurariam como pontos nodais do território. Porém, o autor esclarece que teoricamente apenas a característica de junção não é expressiva o suficiente para considerar todos os cruzamentos ou junções como pontos nodais da cidade. E por isso, os cruzamentos não foram marcados no momento como pontos nodais do sítio em estudo Teoriacamente, até as interseções coriqueiras de ruas são pontos nodais, mas em geral não são

78

suficientemente expressivas para que as imaginemos como algo além de meros cruzamentos de vias. (LYNCH, 1960. P.

Após a identificação dos principais pontos nodais do território desarticulado (figura 68) foram identificados os principais fluxos de ligação entre eles, tomando-se como base os percursos sugeridos aos pedestres pelo Google Maps (figura 69).


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PONTOS NODAIS 3

LEGENDA: PONTOS NODAIS

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1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PONTE BUARQUE DE MACEDO 3. PONTE DUARTE COELHO 4. PONTE MAURÍCIO DE NASSAu 5. PONTE DA BOA VISTA 6. PÁTIO DO CARMO 7. PÁTIO DE SÃO PEDRO 8. PÁTIO DA IGREJA DO LIVRAMENTO 9. PONTE VELHA 10. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 11. PÁTIO DA IGREJA DO TERÇO 12. MERCADO SÃO JOSÉ 13. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA (CAIS DE SANTA RITA) 14. PONTE GIRATÓRIA 15. TERMINAL RODOVIÁRIO

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Observação: pontos nodais por serem pontos de encontro da população.

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Figura 68: Pontos Nodais. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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FLUXOS QUE UNEM PONTOS NODAIS Percursos sugeridos pelo Google Maps.

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LEGENDA: PONTOS NODAIS 5

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1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PONTE BUARQUE DE MACEDO 3. PONTE DUARTE COELHO 4. PONTE MAURÍCIO DE NASSAu 5. PONTE DA BOA VISTA 6. PÁTIO DO CARMO 7. PÁTIO DE SÃO PEDRO 8. PÁTIO DA IGREJA DO LIVRAMENTO 9. PONTE VELHA 10. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 11. PÁTIO DA IGREJA DO TERÇO 12. MERCADO SÃO JOSÉ 13. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA (CAIS DE SANTA RITA) 14. PONTE GIRATÓRIA 15. TERMINAL RODOVIÁRIO Observação1 : pontos nodais por serem pontos de encontro da população. Observação 2: considerou-se os percursos indicados pelo aplicativo Google Maps.

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Figura: 69: Fluxos Pontos Nodais. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


3.3 MARCOS E FLUXOS QUE UNEM MARCOS Ponte Princesa Isabel: É a primeira ponte de ferro a ser erguida no Recife, em 1863, é uma extensão da Rua Princesa Isabel e a liga à Rua do Sol. É a última ponte sobre o Rio Capibaribe antes do encontro com o Beberibe. Com projeto do francês Louis Léger Vauthier, a via foi reconstruída duas vezes, após cheias do Capibaribe. Um dos fatores que torna essa ponte especial é que o trecho que ela liga é um dos mais bonitos de ambas as ruas. O casario da rua da Aurora contrasta com as ‘costas’ do Teatro Santa Isabel e os jardins do Palácio do Governo. Conforme dados online da CTTU por esta ponte passa cerca de 20 mil veículos Os marcos são outro tipo de elemento de re- por dia (fgiura 70).

Os Marcos são locais de referência para o lugar ajudando o transeunte a se orientar na cidade. Sua principal característica é a singularidade para o pedestre. Alguns dos marcos destacados neste trabalho foram também indicados como pontos nodais dos bairros de São José e Santo Antônio, dessa forma, reforçando sua importância e singularidade. Estes elementos permite ampliar o valor cultural e de centralidade da antiga Ilha de Antônio Vaz. Desta forma destaca-se 43 marcos por sua representativadade, são eles (ver figura 70 a 92):

ferência, mas, nesse caso, o observador não entra neles: são externos. Em geral, são um objeto físico definido de maneira muito simples: edifício, sinal, loja ou montanha. (LYNCH, 1960, p. 53) Os marcos são geralmente usados como indicadores de indentidade, ou até de estrutura, e parecem tornar-se mais confiáveis à medida que um trajeto vai ficando cada vez mais conhecido. (LYNCH 1960, p. 53)

Figura 70: Ponte Princesa Isabel. Fonte: Thais Oliveira, 2017.

Palácio Campo das Princesas: É a sede administrativa do poder executivo de Pernambuco. Idealizado desde 1786 pelo governador José César Meneses, foi construído em 1841 pelo engenheiro Morais Âncora, a mando do governador Francisco do Rego Barros. O Palácio é do século 19, os 81


estilos predominantes da construção são: eclético e neoclássico eventos realizados por Joaquim Nabuco (fgiura 72) mas há também uma mistura com o greco-romano. Conta com jardins de autoria do paisagista Burle Marx. Como se já não bastasse a sua beleza, eles são voltados para a confluência dos rios Capibaribe e Beberibe e para a Rua da Aurora. É um importante ponto turístico. Em 2014, a custo de R$ 30 milhões por via da Lei Rouanet foi reformado e até então é aberto para visitação (fgiura 71 ) Figura 72: Museu Santa Isabel. Fonte: Priscila Neri, 2017.

LICEU DE ARTES E OFÍCIOS: Foi construído entre os anos de 1871 e 1880 para funcionar como sede da Escola de Ofícios, mantida pela Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco que ministrava aos interessados aulas de desenho, arquitetura, aritmética e primeiras letras. Extinto em 1950, desde 1970 Figura 71: Palácio Campo das Princesas. Fonte: Priscila Neri, 2017. seu acervo e o prédio, localizado na Praça da República, estão sob TEATRO SANTA ISABEL: É um raro exemplo da Arqui- a guarda da Universidade Católica de Pernambuco. Segundo infortetura neoclássica da primeira metade do século XIX brasileiro. mações do G1, o prédio deve se tornar, em breve, em um centro Recebe este nome em homenagem à Princesa Isabel, filha do cultural destinado a Democracia (figura 73) Imperador Pedro II. Nas suas instalações ocorreram episódios importantes e da história do Brasil. O teatro recebeu visitantes ilustres como o imperador Dom Pedro II e lá onde se ganhou a causa da abolição da Escravatura no Brasil com discursos e 82


PONTE BUARQUE DE MACEDO: Mais longa ponte que fica no centro do Recife mais extensa com 290 metros. Liga a Praça da República, no Bairro de Santo Antônio à Avenida Rio Branco, no Bairro do Recife. Em uso desde 1890, a ponte levou oito anos para ser concluída e teve que ser reconstruída em 1923. Via das mais famosas, a travessia próxima à foz de ambos os rios Beberibe e Capibaribe (figura 75). Figura 73: Liceu. Fonte: Priscila Neri, 2017.

PALÁCIO DA JUSTIÇA: A edificação possui estilo eclético e atualmente abriga o Tribunal de Justiça de Pernambuco (figura 74)

Figura 74: Palácio da Justiça. Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 75: Ponte Buarque Macedo Fonte: Thais Oliveira, 2017.

PONTE GIRATÓRIA: Apesar de hoje não “girar”, um dos lances da ponte era móvel. A ponte era formada por três lances: dois fixos, em suas cabeceiras, e um central, giratório. O giro do lance central permitia a passagem de barcos veleiros pelas duas aberturas criadas, que se dirigiam ou saíam do cais fluviais do Recife, como o Cais da Alfândega. A ra-zão de sua construção era justamente deixar passar as embarcações veleiras e, ao mesmo tempo, permitir a ligação do bairro de São José e o do Recife. Em 1970, com a navegabilidade 83


em declínio, suas engrenagens danificadas, não suportava mais o volume viário e também não havendo mais movimento de embarcações, foi desmontada e em seu lugar foi construída uma ponte em cimento e reinaugurada em 1971, recebendo o nome Ponte 12 de setembro. Ela liga os armazéns do Marco Zero, na Avenida Alfredo Lisboa, ao Cais de Santa Rita (figura 76) Figura 77: Ig. Da Terceira Ordem. Fonte: Priscila Neri, 2017.

PONTE DUARTE COELHO: Foi erguida em estrutura metálica para servir de suporte ao transporte ferroviário de trens urbanos, em 1868. A ponte Duarte Coelho liga duas das principais avenidas da cidade: A Avenida Conde da Boa Vista e a Avenida Guararapes. Ela também é ponto de apoio no desfile Figura 76: Ponte Giratória Fonte: Priscila Neri, 2017. do Galo da Madrugada, que passa próximo a ela, saindo da Avenida Guararapes e seguindo pela Rua do Sol. Todos os IGREJA DA ORDEM TERCEIRA: A Igreja da Ordem anos, nesse desfile, é erguida uma escultura do galo sobre a Terceira de São Francisco faz parte do complexo de edifícios ponte (figura 78). do Convento e Igreja de Santo Antônio. Nas suas dependências estão situados a Capela Dourada e o Museu Franciscano de Arte Sacra (figura 77)

Figura 78: Ponte Duarte Coelho. Fonte: Priscila Neri, 2017.

84


PONTE MAURÍCIO DE NASSAU: É considerada a primeira passagem fluvial de grande porte do País e a mais antiga da América Latina. Também é símbolo de um dos episódios mais pitorescos da história pernambucana: boi voadores. Atualmente, a ponte é crucial para a cidade, ligando a Avenida Marquês de Olinda à Rua 1º de Março. Com fluxo constante de veículos. Em todas as suas quatro extremidades, estão instaladas estátuas de bronze que homenageiam divindades da mitologia grega (figura 79).

Figura 80: Ig. Matriz de Santo Antônio. Fonte: Priscila Neri, 2017.

PONTE DA BOA VISTA: É a ponte mais típica da paisagem urbana recifense, mandada construir por Maurício de Nassau, em 1640. A primeira ponte foi construída em local diferente ao da hoje existente. Foi construída em sete semanas, toda em madeira. No Século XVIII, o então governador da província de Pernambuco Henrique Luís Pereira Freire (1737 e 1746) mandou derrubar a antiga ponte e construir outra, também em madeira, no local da hoje existente. Esse novo projeto Figura 79: Ponte Maurício de Nassau deu feições mais modernas à ponte. Seu formato é o que hoje Fonte: Priscila Neri, 2017. ela apresenta. Feita em ferro batido (importado da InglaterIG. DE SANTO ANTÔNIO: Antes no local havia trinchei- ra), a ponte apresenta pequenos ladrilhos que se encaixam ras construídas pelos invasores neerlandeses, e a sua Casa em forma de losangos. Foi parcialmente destruída em duas da Pólvora. Depois da expulsão o terreno então desocupa- enchentes do Rioem 1965 e 1966, tendo sido restaurada em do foi adquirido pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, 1967, na gestão do prefeito Augusto Lucena. Essa restauração para construção de uma igreja (figura 80). a descaracterizou e a obra foi embargada pelo IPHAN, em85


bora tardiamente, quando o trabalho já estava praticamente concluído. Hoje, liga a Rua Nova, no bairro de Santo Antônio, à Rua da Imperatriz Teresa Cristina, no bairro da Boa Vista.Destacam-se, na arquitetura da ponte, as quatro pilastras metálicas, duas em cada extremidade, todas com o brasão imperial no alto. E em todas elas há datas e dísticos em relevo, que são uma síntese da história de Pernambuco e do Brasil (figura81)

BASÍLICA Nª S. DO CARMO

ORDEM 3ª DO CARMO

Figura 81: Ponte da Boa Vista Fonte: Priscila Neri, 2017.

86

Figura 82: Basílica do Carmo Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 83: Ig. Da Ordem Terceira do Carmo Fonte: Priscila Neri, 2017.


PONTE VELHA: A original foi concebida em madeira, em 1640. Cem anos depois de erguida, o governador da província, Henrique Freire, a refez, já com gradis de ferro, entre as atuais Ruas Nova e Imperatriz Teresa Cristina. O visual de “ponte de ferro” viria após reconstrução, em 1874, e à restauração que a descaracterizaria, em 1967. Quando estava sendo implantado o saneamento do Recife, pelo engenheiro Saturnino de Brito, foi construída nova ponte no antigo lugar, para servir de apoio ao encanamento que cruzaria o Rio Capibaribe. Foi batizada como Ponte 6 de março em homenagem à revolução Pernambucana de 1817. Mas é chamada como Ponte velha, provavelmente em alusão à rua na qual ela desemboca, a Rua Velha. Nas extremidades, existem lembretes de conflitos locais como a Guerra dos Mascates (figura 84).

CASA DA CULTURA: A Casa da Cultura é um centro de comercialização de artesanato da cidade do Recife, capital de Pernambuco, Brasil. Funciona no edifício histórico da antiga Casa de Detenção do Recife. O prédio da antiga Casa de Detenção do Recife, em estilo classicista imperial, foi construído em forma de cruz, usando o sistema pan-óptico, ficando as celas dispostas em alas que podiam ser vigiadas facilmente a partir de uma sala central. Em 1973 o presídio foi desativado. Os presos ainda existentes foram transferidos para o Presídio Agrícola de Itamaracá. A ideia de transformar a antiga casa de detenção em centro de cultura e arte foi do artista plástico Francisco Brennand, e o projeto para sua restauração foi elaborado pela arquiteta Lina Bo Bardi. Em 1976, o antigo complexo foi reinaugurado como Casa da Cultura (figura 85).

Figura 85: Casa da Cultura. Fonte: Priscila Neri, 2017. Figura 84: Ponte Velha.. Fonte: FUNDAJ..

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IG. Nª S. DO LIVRAMENTO

Figura 86: Ig. Nª S. do LivramentoFonte: Thais Oliveira 2017.

IGREJA DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS: Durante a presença holandesa no Recife, o conde Maurício de Nassau desejou atribuir uma cor moderna à cidade. Para tanto, ordenou a abertura de canais, a drenagem de terras alagadas, o levantamento de trincheiras com fossos e estacadas, entre outros, no local onde se encontra o Pátio do Terço. Quando os holandeses foram expulsos, o lugar ficou sendo conhecido como “a estrada da cidade, para quem viesse do lado do continente”. Até as primeiras décadas do século XVIII, no começo da rua dos Copiares (chamada, hoje, de rua Cristóvão Colombo), existia um nicho, com uma imagem de Nossa Senhora, onde os viajantes se ajoelhavam e rezavam um terço à VirgemSantíssi88

ma. Como a localidade havia se tornado um ponto importante, a capela de Nossa Senhora do Terço foi ali erguida, na antiga rua dos Copiares. A Irmandade de Nossa Senhora do Terço, por outro lado, só foi ali instalada no dia 19 de setembro de 1726. Na metade do século XIX, a capela já se encontrava quase demolida, quando, por iniciativa da Irmandade, o novo templo foi construído. Antes disso, porém, um acontecimento histórico teve lugar às portas da igreja: a condenação à forca, do frade revolucionário da Confederação do Equador, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. No Pátio do terço, ocorre a Noite dos tambores silenciosos, uma cerimônia de sincretismo religioso realizada em pleno Carnaval do Recife (figura 87)

Figura 87: Ig. de São Pedro.. Fonte: Priscila Neri, 2017.


BASÍLIA DA PENHA: é um templo religioso católico ro- São José foi tombado patrimônio histórico pelo IPHAN (fgiura mano. Pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. 89) Diferente do estilo barroco utilizado na maioria das igrejas do Recife, a Basílica da Penha tem arquitetura neorenascentista e uma obra arquitetônica de vasto conjunto artístico tanto no seu interior quanto no exterior (figura 88)

Figura 89: Mercado de S. José. Fonte: Priscila Neri, 2017.

IG. DE S. JOSÉ DO RIBAMAR

Figura 88: Ig. Basílica da Penha Fonte: Thais Oliveira, 2017.

MERCADO DE S. JOSÉ: De acordo com a Prefeitura da Cidade do Recife, O Mercado de São José é um dos vinte e quatro mercados públicos do Recife, capital de Pernambuco. Localizado no bairro de São José e inaugurado em 1875, é o mais antigo mercado público do Brasil e o primeiro edifício pré-fabricado em ferro no país, com a mesma estrutura neoclássica dos mercados europeus do século XIX. Foi inspirado no mercado público de Grenelle, em Paris. O Mercado de

Figura 90: Ig. S. José do Ribamar. Fonte: Thais Oliveira, 2017.

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Figura: 91: Marcos. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

MARCOS 1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PALÁCIO DO GOVERNO 3. TEATRO SANTA ISABEL 4. PONTE BUARQUE DE MACEDO 5. LICEU DE ARTES E OFICIOS 6. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 7. PALÁCIO DA JUSTIÇA 9. PROCURADORIA GERAL DO ESTADO 10.SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO 11. IGREJA DA TERCEIRA ORDEM DE SÃO FRANCISCO 12. CAPELA DOURADA 13. PTE. DUARTE COELHO 14. AGÊNCIA CENTRAL DOS CORREIOS 15. FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU 16. PTE. MAURÍCIO DE NASSAU 17. PTE. DA BOA VISTA 18. IG. NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS MILITARES 19. IGREJA SANTO ANTÔNIO 20. ANTIGA SEDE DO DIÁRIO 21.IG. NOSSA SENHORA DO CARMO 22. IG. DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO 23. PÁTIO DO CARMO 24. IG. DE SÃO PEDROS DOS CLÉRIGOS 25. IG. NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO 26. IG. NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS 27. IG. DO DIVINO ESPIRITO SANTO 28. FÓRUM TOMAS DE AQUINO 29. PTE. VELHA 30. AG. ESTADUAL DE TECNOLOGIA 31. CASA DA CULTURA 32. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 33. IGREJA DO TERÇO 34. BASÍLICA DA PENHA 35. MERCADO DE SÃO JOSÉ 36. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA 37. PTE. GIRATÓRIA 38. CAIS DE SANTA RITA 39. MERCADO DAS FLORES 40. CONSÓRCIO GRANDE RECIFE (ANTIGA RODOVIÁRIA) 41. IGREJA SÃO JOSÉ DO RIBAMAR 42. FORTE DAS CINCO PONTAS 43. IGREJA DE SÃO JOSÉ Observação: considerou-se como Marcos por possuirem imagem distintas.


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FLUXO QUE UNEM MARCOS Percursos sugeridos pelo Google Maps.

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Figura 92: Fluxos Marcos. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

MARCOS 1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PALÁCIO DO GOVERNO 3. TEATRO SANTA ISABEL 4. PONTE BUARQUE DE MACEDO 5. LICEU DE ARTES E OFICIOS 6. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 7. PALÁCIO DA JUSTIÇA 9. PROCURADORIA GERAL DO ESTADO 10.SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO 11. IGREJA DA TERCEIRA ORDEM DE SÃO FRANCISCO 12. CAPELA DOURADA 13. PTE. DUARTE COELHO 14. AGÊNCIA CENTRAL DOS CORREIOS 15. FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU 16. PTE. MAURÍCIO DE NASSAU 17. PTE. DA BOA VISTA 18. IG. NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS MILITARES 19. IGREJA SANTO ANTÔNIO 20. ANTIGA SEDE DO DIÁRIO 21.IG. NOSSA SENHORA DO CARMO 22. IG. DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO 23. PÁTIO DO CARMO 24. IG. DE SÃO PEDROS DOS CLÉRIGOS 25. IG. NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO 26. IG. NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS 27. IG. DO DIVINO ESPIRITO SANTO 28. FÓRUM TOMAS DE AQUINO 29. PTE. VELHA 30. 31. CASA DA CULTURA 32. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 33. IGREJA DO TERÇO 34. BASÍLICA DA PENHA 35. MERCADO DE SÃO JOSÉ 36. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA 37. PTE. GIRATÓRIA 38. CAIS DE SANTA RITA 39. MERCADO DAS FLORES 40. CONSÓRCIO GRANDE RECIFE (ANTIGA RODOVIÁRIA) 41. IGREJA SÃO JOSÉ DO RIBAMAR 42. FORTE DAS CINCO PONTAS 43. IGREJA DE SÃO JOSÉ Observação: consideramos como Marcos por serem possuirem imagem distintas.

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3.4 BAIRROS Os Bairros são regiões com relativa homogeneidade em relação ao resto da cidade ou com características comuns ou diferentes do resto do tecido urbano. Dessa forma o observador é capaz de identificar “de dentro” onde se encontra. Partes razoavelmente grandes da cidade na qual o observador “entra”, e que são percebidas como possuindo alguma característica comum, identificadora. (LYNCH, 1960, p. 66).

São José e Santo Antônio são bairros que possuem relativa homegeneidade e características comuns, e por isso, são tratados pela população como apenas um bairro. O território e a identidade desses dois bairros continuam até hoje tão entrelaçados que é difícil encontrar quem saiba onde começa um e termina o outro. Assim, os dois bairros, como irmão mais velho e mais novo, são hoje o coração do Recife (figura 93).

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Rio Cap iba ribe

BAIRROS

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LEGENDA: AV. DANTAS BARRETO BAIRRO DE SANTO ANTÔNIO BAIRRO DE SÃO JOSÉ LIMITE DOS BAIRROS

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Figura 93: Bairros São José e Santo Antônio Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Conclui-se com o estudo da análise de percepção do território, que os cruzamentos ou pontos de intercessão A, B, C, D, E, F, G, H e I entre os fragmentos dos bairros de Santo Antônio e São José, que foram divididos pela abertura da Avenida Dantas Barreto, podem vir a constituir importante pontos de articulação do território (figura 94) A junção ou o local de interrupção do fluxo do trânsito têm uma enorme importância para o observador da cidade. Uma vez que se devem tomar decisões nas junções, as pessoas ficam mais atentas em tais lugares e percebem os elementos cicuncidantes com clareza incomum. (LYNCH, 1960, p. 81) A transição de um local para o outro assinala a transição entre unidades importantes. (LYNCH, 1960, p. 81)

Decorrente dos estudos de fluxos dos pontos nodais, marcos e limites realizados neste capítulo subentende-se que estas junções entre os fragmentos do sítio em estudo, são importantes pontos de transição podendo conferir ao pedestre clareza em seu percurso e articular o território fragmentado pela abertura da Avenida Dantas Barreto (1970).

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MAPA SÍNTESE - PONTOS NODAIS, MARCOS, FLUXOS E ÁREAS ÁREA HISTÓRICA MENOS PRESERVADA ÁREA HISTÓRICA ÁREA HISTÓRICA MAIS PRESERVADA

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Observação: consideramos como Marcos por serem possuirem imagem distintas.

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Figura 94: Cruzamentos que articulam o território. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

MARCOS E PONTOS NODAIS 1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PALÁCIO DO GOVERNO 3. TEATRO SANTA ISABEL 4. PONTE BUARQUE DE MACEDO 5. LICEU DE ARTES E OFICIOS 6. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 7. PALÁCIO DA JUSTIÇA 9. PROCURADORIA GERAL DO ESTADO 10.SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO 11. IGREJA DA TERCEIRA ORDEM DE SÃO FRANCISCO 12. CAPELA DOURADA 13. PTE. DUARTE COELHO 14. AGÊNCIA CENTRAL DOS CORREIOS 15. FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU 16. PTE. MAURÍCIO DE NASSAU 17. PTE. DA BOA VISTA 18. IG. NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS MILITARES 19. IGREJA SANTO ANTÔNIO 20. ANTIGA SEDE DO DIÁRIO 21.IG. NOSSA SENHORA DO CARMO 22. IG. DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO 23. PÁTIO DO CARMO 24. IG. DE SÃO PEDROS DOS CLÉRIGOS 25. IG. NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO 26. IG. NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS 27. IG. DO DIVINO ESPIRITO SANTO 28. FÓRUM TOMAS DE AQUINO 29. PTE. VELHA 30. AGÊNCIA ESTADUAL DE TECNOLOGIA 31. CASA DA CULTURA 32. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 33. IGREJA DO TERÇO 34. BASÍLICA DA PENHA 35. MERCADO DE SÃO JOSÉ 36. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA 37. PTE. GIRATÓRIA 38. CAIS DE SANTA RITA 39. MERCADO DAS FLORES 40. CONSÓRCIO GRANDE RECIFE (ANTIGA RODOVIÁRIA) 41. IGREJA SÃO JOSÉ DO RIBAMAR 42. FORTE DAS CINCO PONTAS 43. IGREJA DE SÃO JOSÉ 44. TERMINAL RODOVIÁRIO

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4. OS DESAFIOS DA AV. DANTAS BARRETO 97


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4. OS DESAFIOS DA AV. DANTAS BARRETO E DO CAMELÓDROMO De acordo com o arquiteto Joel Outtes (1997), os planos propostos para o Recife, onde muitas das ideias são semelhantes, sobretudo com relação ao sistema viário e ao zoneamento, tiveram uma grande influência sobre a cidade atual, moldando pouco a pouco a sua estrutura. Segundo Vargas (2001) os espaços públicos sempre foram considerados, dentro da morfologia das cidades, lugares formadores de encontros, comércio e passeio. São um dos elementos estruturadores da cidade, da forma, das relações, da imagem e da dinâmica urbana.

riadas atividades: transporte, atividades econômicas, lazer, etc. O processo de expansão urbana e a chegada do veículo, como principal meio de transporte, fez com que os espaços públicos e as vias tivessem um processo de degeneração das suas funções. Devido a degeneração das funções das vias que os conflitos entre pedestres e os veículos aumentaram, em seus diversos níveis, que como consequência tornou a mobilidade ineficiente e na depreciação dos instrumentos reguladores do espaço urbano, que controlam e orientam o uso e a ocupação do solo, aumentando a insegurança da via. A ocupação da quadra, do lote e a qualidade dos edifícios são elementos predominantes na construção da paisagem, e a falta de unidade entre eles é um caminho acelerado para a degradação da dinâmica urbana.

A qualidade e as carências de uma determinada cidade podem ser percebidas pela percepção dos seus espaços públicos, pois o espaço público é ordenador urbano. E ao compararmos a atual condição do espaço urbano através das Esquematizar a rua como caminho significa decidir para ela alterações de crescimento e forma das cidades e de seus ter- um começo e fim, com espaços resolvidos ao longo de seu ritórios, é possível entender a necessidade de projeta-los. trajeto, lugares de usos específicos e de atividades desenhadas com escala e contraste entre seus elementos. Porém, a As vias públicas são elementos morfológicos importantes na fun- rua não deve ser considerada como lugar apenas de percurcionalidade da cidade, mostrando a hierarquização dos edifícios so, mas sim como conectora, com espaços de permanência e e ligando os espaços urbanos, e geralmente estão relacionadas não somente de passagem. Conferir aos desenhos qualidaà escala e a paisagem urbana. São nas vias que ocorrem as va- des semelhantes a praças, formar um espaço de permanên 99


cia, de práticas sociais e de manifestação da vida urbana. da

Dantas

Barreto

subutilizada

(figura

95).

Conclui-se que desenhar uma via para automóveis é diNa Dantas Barreto, nota-se a deficiência na acessibilidade ferente de desenhá-las para o pedestre. Temos que ur- para os diversos usuários do lugar, ressaltando-se a dificuldade gentemente decidir: Que cidade queremos construir? de acesso ao patrimônio histórico existente. População residente de São José e Santo Antônio de 1940 - 2010 40.000,00 35.000,00 30.000,00 25.000,00 População

A Avenida Dantas Barreto, localizada no centro da cidade do Recife, agora materializada merece ser repensada como um eixo de circulação e detentora de cruzamentos que articulam o território, onde a paisagem urbana, com tratamento adequado seja reconsiderada, principalmente seus cruzamentos, que são espaços centrais de vida urbana.

20.000,00

SÃO JOSÉ SANTO ANTÔNIO

15.000,00 10.000,00

5.000,00 Segundo Outtes (1997), as alterações no uso do solo, com a 0,00 demolição de prédios baixos construídos em lotes pequenos e 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Figura 95: Gráfico da população dos bairros de São José e Santo estreitos, onde era residências e funcionava pequenas merceaAntônio desde 1940 até 2010. rias,depósitos, oficinas e alguns botequins, onde os proprietários Fonte: Anuários da Agência Estadual de Planejamento e pesquisas de Pernambuco (CONDEPE-FIDEM) e gráfico elaborado por Priscila Neri, moravam no pavimento superior, e a construção de edificações 2017. altas em lotes maiores, e que agora seriam cinemas, bancos, escritórios, repartições públicas, institutos, representando Calçadas de boa qualidade são fundamentais para a uma elitização do bairro de Santo Antônio e São José. Por mobilidade urbana. Na Avenida Dantas Barreto, no cenisso, houve um deslocamento da população original para tro do Recife, os pedestres não possuem preferência. outras partes da cidade tornando a Aveni- Além de calçadas desniveladas (figura 98) os comercian-

100


tes de rua ocupam as calçadas de forma desordenada e inviabilizam a passagem do transeunte que se aventura na área. Se transitar é complicado, esperar o ônibus é pior (ver figura 96 e 97). Com as paradas e calçadas ocupadas pelos comerciantes de rua de forma desordenada, os passageiros se aventuram e aguardem o coletivo na faixa de rolamento. Também é importante ressaltar que os usuários do transporte coletivo não conta com ajuda de sinalizações, em informação ao usuário, e como dito anteriormente, muitos desses abrigos estão abrigando os comerciantes de rua. Os ciclistas, no que lhe diz respeito, não encontram condições seguras e agradáveis para tráfego (figura 98). Mesmo a área de estudo sendo dotada de algumas ruas “pedestrianizadas”, como por exemplo, as ruas das Flores, Nova e Barão da Vitória, os pedestres deparam-se na maioria das vezes com passeios mal conservados e uma grande quantidade de mobiliário e comércio de rua desordenados, obstruindo seu percurso e impossibilitando uma circulação livre e constante (figura 99 e 100).

Figura 96: Paradas de ônibus com comércio de rua.. Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 97: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.

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Figura 98: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 99: Comércio de Rua Obstruindo pasagem. Fonte: Priscila Neri, 2018.

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Figura 100: Comércio de rua obstruindo passagem. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Destaca-se também a carência de espaços de lazer e convivência confortáveis na Avenida em questão. A Avenida Dantas Barreto, criada a partir de reformas recentes no tecido histórico, apresenta grandes dimensões de calha (figura 101), alguns trechos de largas calçadas, sem mobiliário urbano (figura 102 e 103). Porém, a vegetação apresenta-se rarefeita e desordenada, fruto de um histórico de pouca utilização de árvores nas ruas e calçadas estreitas do centro, e, ao mesmo tempo, da falta de um planejamento urbano eficaz. Assim, ao caminhar pela Avenida Dantas Barreto, sob o sol recifense escaldante, quase não se encontram sombras amenizadoras que favoreçam o passeio pelo Centro Histórico dos bairros de São José


e Santo Antônio.

Figura 103: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 101: Dimensão Dantas Barreto Fonte: Priscila Neri, 2017.

A intenção da criação do Camelódromo era a organização do comércio de rua, mas está intenção não está sendo contemplada. A falta de gestão no complexo, gerada por interesses políticos, faz com que o local não seja visto como um centro comercial amigável e atrativo para os consumidores. Dentro do Camelódromo a palavra de ordem é impoviso. No projeto original, a proposta não possuia praças de alimentação, mas isso não coibiu para que os comerciantes criassem locais para refeições. Infeliz-

Figura 102: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.

mente, criaram locais para refeições sem se preocupar com a higiene, no meio dos corredores que deveraim ser livres para a circulação dos clientes. (figura 104)

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Destaca-se também a criação de quiosques ilegais, extensões desordenadas e pequenos anexos realizados pelos próprios comerciantes, dificultando ainda mais o percurso dos clientes e a organização funcional do local. (ver figura 105 e 107) resses políticos, faz com que o local não seja visto como um centro comercial amigável e atrativo para os consumidores. Na proposta inicial do Camelódromo, a coberta era definida por um jogo de águas em telhas metálicas coloridas. As interpéries foram citadas pelos comerciantes como vilã da solução de coberta, e por isso vários acréscimos foram feitos pelos próprios comerciantes. Os prolongamentos confeccionados pelos comerciantes resolveram o problema da chuva, sol e vento, mas criou um outro problema: o aquecimento e a falta de iluminação natural do complexo (ver figura 106). Apenas o primeiro e segundo equipamentos, que começa na esquina Tobias Barreto, tem um bom fluxo de clientes. Os equipamentos próximo a Praça Sérgio Loreto, no final da avenida Dantas Barreto, por não possuir fluxo de pedestre fez com que os equipamentos fossem abandonados pelos Comerciantes, Servindo Como Local de embarque e desembarque para algumas linhas de ônibus.. (figura 108). 104

Figura 104: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.

Figura 105: Calçadas desniveladas. Fonte: Priscila Neri, 2017.


Atualmente, o local (sexto módulo) está desativado e serve para embarque e desembarque de algumas linhas de ônibus que usam o espaço de forma desordenada. (Diário de Pernambuco, 02/07/2000) E todos sabem que os seus ocupantes não estão comparecendo todos os dias porque preferem comercializar seus produtos em outros locais mais visitados. (Jornal do Commércio, 20/11/1998) O Camelódromo vive dias de agonia: dos 1400 locais reservados para os comerciantes, menos da metade se encontra ocupado (Jornal do Commércio 14/10/2003)

Conclui-se a necessidade da recompreensão do espaço: adequando a acessibilidade, incentivando o fluxo de pedestres, priorizando o pedestre, criando novos usos, adequando usos existentes às necessidades atuais da avenida Dantas Barreto, dos clientes e do comércio de rua e a estimulação do turismo no local. Figura 106: Camelódromo: aquecimento e falta de iluminação natural. Fonte: Priscila Neri, 2017.

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Figura 107: Equipamento abandonado Fonte: Priscila Neri, 2017.

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Figura 108: Equipamento abandonado Fonte: Priscila Neri, 2017.

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4.1 OS CRUZAMENTOS Mais ainda que as praças, que requerem um cuidado consciente de reservar espaço montado, as esquinas são frutos naturais de encontro, o elemento fundamental das viagens entre diferentes lugares. As esquinas são por sua própria natureza interdisciplinares, independentemente do ambiente que as cerca.

O processo interpretativo feito por Clarissa Duarte (2002) foi demonstrado ruas de acesso e pontos de intersecção entre essas ruas e a avenida Dantas Barreto que ligavam a elementos (figura 109). Desta forma, segundo a autora as ruas que interceptavam a avenida Dantas barreto também se mostraram singulares sendo necessário identidica-las. Poetas e autores já se inspiraram nas esquinas. Albert Ca“Dentre as ruas que cortavam transversalmente a avenida, grande parte a conectava diretamenmus e J.R.R. Tolkien, por exemplo, consideraram as equinas te com os edifícios ou espaços singulares ali exiscomo um dos locais mais criativos e inventivos das cidades: tentes. Desta forma, os pontos de acesso à essa Todos os grandes feitos e todos os grandes pensamentos têm origens absurdas. Grandes obras muitas vezes nascem numa esquina ou na porta giratória de um restaurante.. (Camus, 2005, p.27) Virando a esquina podem estar à espera, Um novo caminho ou um portão secreto. (J. R. R. Tolkien, “O Senhor dos Anéis”)

Mais além da observação de Albert Camus e da alegoria de J.R.R. Tolkien, as esquinas urbanas podem representar a melhor, mais visível e mais pragmática oportunidade de reorientação, convertendo-se em nada menos que elementos fundamentais, da reinvenção dos bairros da cidade.

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ruas mostraram-se também singulares. Passavam de simples cruzamentos à “portas de entrada” para tais elementos. Estas “portas”, por sua vez, apresentavam-se com os mais variados tipos e, a fim de valorizá-las, tornou-se necessário identificá-las”. (DUARTE, Clarissa. Dos Martírios ao Paraísos - Estratégia de Reabilitação para o Centro Histórico do Recife. Recife; Trabalho de Graduação, UFPE,2002.)

Assim, Clarissa Duarte (2002), indentificou (figura 110) na avenida Dantas Barreto os tipos de cruzamento e realizando uma análise com o que cada cruzamento ou “porta” se relaciona. Conclui-se que os cruzamentos ou “portas” são importantes pontos da Avenida Dantas Barreto a serem requalificados, pois são locais estrátegicos de acesso ao Sítio Histórico, fazendo-se necessário identifica seus tipos para uma


melhor avaliação dos problemas e elaboração de diretrizes. Desta forma, identificou-se as tipologias dos cruzamentos determinadas por Clarissa Duarte (2002) (figura 111 Depois da identificação dos tipos de cruzamento realizou-se a contagem de pedestre em todos os cruzamentos da Av. Dantas Barreto de modo a confirmar a importância destes pontos de intercessão para o sítio em estudo. Sendo assim, o cruzamento da Praça da República (porta A; tipo 6) chamou a atenção por não abrigar um grande número de pessoas, todavia, é um ponto importante para a construção de uma rota que possa ressaltar a identidade histórica do sítio. Figura 109: Estudo realizado por Clarissa Duarte (2002) Fonte: DUARTE, Clarissa. Dos Martírios ao Paraísos Estratégia de Reabilitação para o Centro Histórico do Recife. Recife; Trabalho de Graduação, UFPE,2002.)

LEGENDA: VIA 1

2

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CANTEIRO CENTRAL ELEMENTOS NOTÁVEIS PASSEIO CONSTRUÇÕES ACESSO A ELEMENTOS NOTÁVEIS

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Figura 110: Tipos de cruzamentos. Fonte: DUARTE, Clarissa. Dos Martírios ao Paraísos - Estratégia de Reabilitação para o Centro Histórico do Recife. Recife; Trabalho de Graduação, UFPE,2002.)

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FONTE: DUARTE, Clarissa. Dos Martírios ao Paraíso: Estratégia de Reabilitação para o Centro Histórico do Recife. Recife; Trabalho de Graduação, UFPE,2002.)

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Repúbli R. Imperador Pedro II

TIPOLOGIA DE CRUZAMENTOS

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6

EIXO VIÁRIO ABORDADO ÁREAS VERDES CRUZAMENTOS COM COMERCIANTES DE RUA E CAPAZES DE ARTICULAR O TERRITÓRIO DE ACORDO COM A ANÁLISE DE FLUXOS

DEMAIS CRUZAMENTOS

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Figura 111: Tipos de Cruzamentos. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


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Contagem realizada no dia 23/02/2018, 12h às 16h

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Figura 112: Contagem de Fluxo. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

111


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CONTAGEM DE PEDESTRES

Ponte

Contagem realizada no dia 24/02/2018, 6h às 12h

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Figura 113: Contagem de pedestres. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


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Repúbli

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Contagem realizada no dia 26/02/2018, 12h às 16h

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LEGENDA: Contagem 26/03/2018, 12 às 16h MÓDULOS SITUADOS EM MAIOR FLUXO MÓDULOS SITUADOS EM MENOR FLUXO

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550m

Figura 114: Contagem de pedestres. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

113


Pon

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Contagem realizada no dia 27/02/2018, 8h às 12h

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LEGENDA: Contagem 27/02/2018, 8h às 12h MÓDULOS SITUADOS EM MAIOR FLUXO MÓDULOS SITUADOS EM MENOR FLUXO

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Figura 115: Contagem de pedestres. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


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Figura 116: Contagem de pedestres. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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Contagem realizada no dia 01/03/2018, 6h às 13h

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LEGENDA: Contagem 01/03/2018, 6h às 13h MÓDULOS SITUADOS EM MAIOR FLUXO MÓDULOS SITUADOS EM MENOR FLUXO

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550m

Figura 117: Contagem de pedestres. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


Decorrente do estudo de contagem de pedestres (figura 112 e 117), conclui-se que os cruzamentos com maior fluxo de pedestres são pontos nodais do sítio. Pois, são focos estratégicos, pontos de interrupções ou junção de fluxo de pedestres.

que seu percurso serve ao transporte coletivo, e como dito anteriormente a forma com que o equipamento do Camelódromo foi implantado foi totalmente vinculado a esta qualidade e de forma a não obstruir os cruzamentos. As paradas de ônibus existentes próximas aos módulos abandonados não estão sendo utilizadas pelos usuários. Aquelas mais procuradas estão Os pontos nodais são os focos estratégicos nos quais o ob- próximas a Praça da Independência e a Rua Barão da Vitória, ou seja, servador pode entrar, são, tipicamente, conexões de vias ou concentrações alguma característica. (LYNCH, 1960, p. aos três primeiros módulos. 85).

Observa-se que o entorno dos três primeiros módulos do Calçadão dos Mascates é o que apresenta maior fluxo, de modo que os três últimos módulos estão em área de menor fluxo. Enfatizando o fato dos três primeiros módulos do Camelódromo estarem melhor localizados quanto à capacidade de atrair consumidores, localizam-se atualmente em seu entorno imediato outros comerciantes de rua entre módulos do equipamento Desta forma, fez-se necessário a atualização do mapa e em calçadas laterais. Os três últimos módulos, no entanto, sofrem pela de Pontos Nodais demonstrado na página 76 (figura 68). ausência de consumidores. As interseções de ruas destacadas no próximo mapa são elementos importantes para a articulação do sítio fragmentado pela aberDe acordo com Vargas (2011), no caso da localização do comércio fora tura da Dantas Barreto, pois são locais de decisão do percur- dos espaços de passagem, os negócios estão condicionados às formas so do pedestre e são conectores da malha urbana fragmentada. de administração que dependem de fatores inerentes ao fluxo de peA junção ou o local de interrupção do fluxo do trânsito têm uma enorme importância para o observador da cidade. Uma vez que se devem tomar decisões nas junções, as pessoas ficam mais atentas em tais lugares e percebem os elementos cicuncidantes com clareza incomum. (LYNCH, 1960, p. 81)

Quando consideramos mais de uma rua, a interseção torna-se vital, pois é ponto de decisão. (LYNCH, 1960, p. 64)

destres existente, tais como: organização empresarial, política, tecnologia, capital, demanda, transportes, fluxos, contexto sociocultural, tecnologia e espaço físisco. (VARGAS, 2011, p. 66)

Observou-se ainda que, apesar da Avenida Dantas Barreto ser uma via 117


1

A

PONTOS NODAIS

3

2

LEGENDA:

B

PONTOS NODAIS

C

5

1. PONTE PRINCESA ISABEL 2. PONTE BUARQUE DE MACEDO 3. PONTE DUARTE COELHO 4. PONTE MAURÍCIO DE NASSAu 5. PONTE DA BOA VISTA 6. PÁTIO DO CARMO 7. PÁTIO DE SÃO PEDRO 8. PÁTIO DA IGREJA DO LIVRAMENTO 9. PONTE VELHA 10. ESTAÇÃO CENTRAL DO RECIFE 11. PÁTIO DA IGREJA DO TERÇO 12. MERCADO SÃO JOSÉ 13. TERMINAL CAIS DE SANTA RITA (CAIS DE SANTA RITA) 14. PONTE GIRATÓRIA 15. TERMINAL RODOVIÁRIO

4

D E 9

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6

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8

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12 13

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Observação1: pontos nodais por serem pontos de encontro da população.

11

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Figura 118: Atualização do mapa de Pontos Nodais. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.


Figura 119: Avenida Dantas Barreto e paradas de Ă´nibus.. Fonte:Priscila Neri, 2017.

119


5. OS TIPOS DE ORGANIZAÇÃO DO COMÉRCIO DE RUA Segundo Nóbrega (2002), para o funcionamento do comércio informal é preciso, inicialmente, de um espaço para ele: um espaço físico voltado para o encontro de pessoas ou para a passagem de pedestres. Esses espaços são caracterizados como vias de transporte ou espaços de conexão do tecido urbano. Apesar disso, é necessário, ainda, que haja um fluxo fixo de pessoas nessas áreas, para que haja uma demanda recíproca entre o comércio e o consumidor. “Os comerciantes de rua apresentam-se no espaço urbano sob várias configurações. E estas diferentes configurações foram exemplificadas para uma melhor compreensão das atividades exercidas por estes comerciantes e suas relações com o espaço urbano”. (NÓBREGA, 2002).

Assim, esses comerciantes e prestadores de serviços foram divididos por (Nóbrega 2002) em seis categorias: a) os feirantes, b) os comerciantes fixos, c) os comerciantes móveis, d) os comerciantes estacionados, e) os comerciantes de artigo de época e f) os comerciantes em veículos automotivos. Feirantes: São aqueles que comercializam produtos hortifrutigranjeiros, artesanatos, nas feiras livres, e geralmente utiliza-se de bancas. E como foi estudado anteriormente a variação temporal é nômade, como vimos no tópico anterior (ver figura 119 e 120). 120

Figura 119: Feirante no entorno do Mercado S. José. Fonte:Priscila Neri, 2017.


FEIRANTES Rua Siqueira Av.

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LEGENDA:

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FEIRANTES FEIRANTES DO ENTORNO DO MERCADO S. JOSÉ.

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Figura 120: Mapa da localização de feirantes Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

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121


Comerciantes fixos: São aqueles que possuem ponto fixo para comercializar. Esta categoria se divide em duas:

B) Comerciantes fixos em edifícios: Devido a ações municipais resultaram na construção de edificações específicas no Recife para abrigar, de forma ordenada, comerciantes de rua. Exemplo: A) Comerciantes fixos em equipamentos individuais: O calçadão dos Mascates (1994), o Shopping popular Santa Rita São comerciantes ou prestadores de serviços localizados em espa- (1994) e o Mercado das Flores (1994). (figura 122 e 123) ços de passagem, como: esquinas, paradas de ônibus ou próximo de estabelecimentos comerciais (ver figura 121 e 124).

Figura 121: Comerciante fixo em equipamento individual. Fonte:Priscila Neri, 2017.

122

Figura 122: Comerciante em equipamento fixo. Fonte:Priscila Neri, 2017.


COMÉRCIANTES FIXOS EM EDIFÍCIO E EM EQUIPAMENTOS INDIVIDUAIS

Rua Siqueira Av.

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B 10

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5 6 7

COMERCIANTES FIXOS EM EQUIPAMENTOS INDIVIDUAIS PRAÇA DO SEBO RUA MATIAS DE ALBUQUERQUE RUA NOVA RUA DAS FLORES RUA INF DOM HENRIQUE RUA CAMBOA DO CARMO PRAÇA JOAQUIM NABUCO

8

RUA VINTE E QUATRO DE MAIO

9

RUA BARÃO DA VITÓRIA

10

ENTORNO DO MERCADO S. JOSÉ

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MERCADO SÃO JOSÉ CAMELÓDROMO MERCADO DAS FLORES (DESATIVADO)

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COMERCIANTES FIXOS EM EDIFÍCIOS RUA FLORIANO PEIXOTO SHOPPING POPULAR SANTA RITA

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250

550m

Figura 123: Comerciantes fixos e em equipamentos individuais. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

123


Comerciantes estacionados: São comerciantes que possuem tabuleiros desmontáveis, lonas, usam do meio-fio, lonas, localizados em pontos estratégicos para comercialização e também possuem uma variação temporal nômade (ver figura 124, 125, 126 e 127).

Figura 126: Comerciantes estacionados. Fonte:Priscila Neri, 2017.

Figura 124: Comerciantes estacionados. Fonte:Priscila Neri, 2017.

Figura 125: Comerciantes estacionados. Fonte:Priscila Neri, 2017.

124


COMÉRCIO ESTACIONADO

Rua Siqueira Av.

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Av. Nossa

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LEGENDA:

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COMERCIANTES ESTACIONADOS

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250

550m

Figura 127: Comércio estacionado. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

125


Comerciantes móveis: São aqueles que empurram carroças, portam tabuleiros, cestas, etc. percorrendo a cidade (ver figura 128

Figura 129: Comerciantes de artigo de festa. Fonte:Priscila Neri, 2017.

Com o mapa síntese da implantação do comércio de rua (figuFigura 128 Comerciante móvel. ra 130), visto que esse tipo de comércio necessita do fluxo contíFonte:Priscila Neri, 2017. nuo de pedestres, fica claro novamente a importância dos ponComerciantes de artigo de época: comerciantes que uti- tos de intercerssão já salientados, no item anterior deste trabalho. lizam barracas pro um breve período de tempo e comercializam mercadorias alusivas a datas comemorativas de festas, como copa do mundo, carnaval, festa junina etc (ver figura 132).

126


A

MAPA SÍNTESE DOS TIPOS DE COMÉRCIO Nóbrega (2002) B Av.

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E

5

COMERCIANTES FIXOS EM EDIFÍCIOS A

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LEGENDA:

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Rua Siqueira

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2 3

RUA MATIAS DE ALBUQUERQUE RUA NOVA

B 10

A

4

RUA DAS FLORES

5 6

RUA INF DOM HENRIQUE PRAÇA Nª SENHORA DO CARMO

7 8 9 10

PRAÇA JOAQUIM NABUCO RUA VINTE E QUATRO DE MAIO RUA BARÃO DA VITÓRIA MERCADO DE SÃO JOSÉ (ENTORNO)

0 25

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MERCADO DAS FLORES COMERCIANTES EM VEÍCULOS AUTOMOTIVOS COMERCIANTES ESTACIONADOS FEIRANTES COMERCIANTES FIXOS EM EQUIPAMENTOS INDIVIDUAIS PRAÇA DO SEBO

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8

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Av. Nossa

SHOPPING POPULAR SANTA RITA E MERCADO DAS FLORES MERCADO DE SÃO JOSÉ CAMELÓDROMO

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250

550m

Figura 130: Comércio de Rua. Fonte: Mapa base do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

127


5.1 O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Nos estudos relativos ao comportamento do consumidor, a compra do consumidor pode ser totalmente planejada, parcialmente planejada ou não planejada. Na compra planejada, o produto e a loja são devidamente escolhidos antes do consumidor se dirigir a ele. Na compra parcialmente planejada, há uma intenção, porém não uma escolha em certo produto específico. A compra não planejada não é necessáriamente uma compra por impulso.

atração, como citado no estudo de NÓBREGA E CÂMARA “Por onde andam os consumidores: um estudo sobre o Calçadão dos Mascates”, no livro “Arquitetura e Urbanismo” (2010), com base na obra de Bernardino et al (pag.102).

“Isto porque compradores, geralmente, fazem uso intencional da exibição do produto em ponto de vendas de mercadorias de massa como se fosse uma lista de compras substituta. Em outras palavras, a exposição oferece um lembrete de necessidade, e a compra acionada. A compra por impulso ocorre quando um consumidor vivencia um anseio repentino, geralmente poderoso e persistente, de comprar algo imediatamente. O impulso de comprar é hedonicamente complexo e pode estimular conflito emocional. Além disso, a compra por impulso tende a ocorrer com consideração diminuída em relação às suas consequências”. (BLACKWELL, MINIARD, ENGEL, 1999, P.154)

b) Atração suscetível – Acontece por impulso ou coincidência durante o deslocamento.

a) Atração geradora – É decorrente da proposta inicial de compra planejada, ou seja, o consumidor desloca-se com o objetivo de atender as suas necessidades.

c) Atração por negócios compartilhados – Atração geradores de vizinhos, como ocorre quando um consumidor, ao ir à padaria de manhã, resolve comprar o jornal numa banca próxima.

d) Atração cumulativa – é o caso de Shopping Centers que agregam um tenant mix (composição de inquilinos lojistas) criteriosamente planejado, combinando várias lojas no mesmo espaço e criando uma forte sinergia que atrai mais consumidoAlém disso, no que diz respeito à localização do comércio e res do que se as lojas estivessem em locais separados. a forma como a negociação é concebida, existem três tipos de 128


Entende-se que, as compras realizadas aos comerciantes de rua podem ser identificadas como “compras por impulso ou compras não planejadas” (BLACKWELL, MINIARD, ENGEL, 1999) e o ponto comercial desse comerciante é aquele caracterizado por provocar uma “atração suscetível”, (et al., 2004, p. 102) ou seja, atração que acontece por impulso ou coincidência durante o percurso do consumidor. O comércio de rua está condicionado ao fluxo de pedestre. Analisando-se os comerciantes de rua fixos existentes no sítio em estudo, percebe-se que a construção do Calçadão dos Mascates transformou os comerciantes estacionados e móveis em comerciantes fixos. Estes comerciantes estão, agora, localizados em um centro de compra planejado. As vendas que eram realizadas por “atração suscetível” passaram a depender da “atração geradora” e, muitas vezes, de uma proposta de compra planejada pelo consumidor. (BERNARDINO et al., 2004, p. 102).

Se a comercialização de rua está relacionada à “atração suscetível” e à compra não planejada, estes comerciantes devem estar localizados em espaços de passagem organizados para que ocorra a troca comercial sem atrapalhar o fluxo de pedestres e para que o investimentos do Poder Público em edificações do tipo do Camelódromo possa cumprir seu papel. Faz-se necessário incentivar o fluxo de pedestres onde localiza-se os módulos do Camelódromo com menor fluxo de pedestres, com atração geradora, ou seja, fazer com que o consumidor se desloque com o objetivo de atender as suas necessidades. Por exemplo: praças de alimentação, Expresso Cidadão, Terminais de recargas de passaporte de ônibus e outros.

Conclui-se que o estudo sobre o comportamento do consumidor é importante para definir melhor o local onde será implantado cada tipo de comércio de rua, assim, garantindo a maior funcionalidade da área, sem que haja dificuldade de convivência de pedestres, veículos e comerciantes. 129


Figura 131: Comerciantes de rua. Fonte:Priscila Neri, 2017.

130


6.LEVANTAMENTO DE DADOS COMPLEMENTARES 131


132


Figura 132: Comerciantes de rua. Fonte:Priscila Neri, 2017.

133


6.1 Mapa de Usos

Uso Misto (Residência, Comércio e Serviço) Uso Misto (Residência e Educacional)

Os usos do entorno da Dantas Barreto tem um perfil voltado para o comércio e o serviço (figura 133), devido a sua importância como corredor comercial. Com um fluxo intenso de pedestres durante o horário comercial, a área se torna extremamente movimentada durante o dia, principalmente no horário comercial.

Uso Misto (Comércio e Serviço) Uso Misto (Comércio e Residencial) Uso Misto (Serviço e Residencial) Habitação Formal Unifamiliar Habitação Formal Multifamiliar Comércio Serviço Institucional

Pelo escasso uso residencial ou da variação de horário do uso existente no entorno, a área se transforma em um espaço muito diferente em outros horários. O movimento de pedestres é praticamente inexistente e as condições e infra-estrutura não atraem o fluxo de pedestre durante a noite (figura 134). Com essa percepção, nota-se que as pessoas só utilizam a avenida em horário comercial. Conclui-se a necessidade da inserção de uma proposta que reutilize os espaços públicos de forma a atrair os pedestres em todos os horários e a indução de novos usos na área, principalmente o residencial.

134

Educacional Cultura Religioso Vazio - sem Uso ou em construção Habitação informal unifamiliar

Figura 133: Gráfico dos usos. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 134: Gráfico dos usos. Fonte: Priscila Neri, 2018.


MAPA DE USOS

LEGENDA:

0 25

250

Fonte: Priscila Neri, 2017.

550m

USO MISTO (RESIDÊNCIA, COMÉRCIO E SERVIÇO) USO MISTO (RESIDENCIAL E EDUCACIONAL) USO MISTO (COMÉRCIO E SERVIRÇO) USO MISTO (SERVIÇO E EDUCACIONAL) USO MISTO (COMERCIAL E EDUCACIONAL) USO MISTO (COMÉRCIO E RESIDENCIAL) USO MISTO (SERVIÇO E RESIDENCIAL) HABITAÇÃO FORMAL UNIFAMILIAR HABITAÇÃO FORMAL MULTIFAMILIAR COMÉRCIO SERVIÇO INSTITUCIONAL EDUCACIONAL CULTURA RELIGIOSO 135 VAZIO - SEM USO - EM CONSTRUÇÃO HABITAÇÃO INFORMAL MULTIFAMILIAR


6.2 Mapa de Gabarito A variedade de tipos arquitetônicos, representada por casas térreas, sobrados, igrejas, palácios e edifícios em altura em um mesmo entorno é uma característica que confere à paisagem urbana do local uma riqueza específica do sítios em estudo (figura 136 e 138). É importante frisar que, no trecho estudado, quase a totalidade de suas edificações abrigam atividades comerciais nos pavimentos térreos, conferindo, no horário comercial, alta permeabilidade física e visual entre espaço público e privado. Tal característica resulta, na maioria dos casos, em interfaces arquitetônicas com proporções adequadas à escala humana. Segundo Jacobs (2000, p. 35), as atividades existentes no interior das edificações e seus usuários desempenham o papel de “olhos da rua”. Ou seja, proporcionar a observação do espaço externo ou de ser observado por usuários do espaço privado viabiliza a vigilância social necessária a boa funcionalidade das funções urbanas. Nota-se também que as edificações em altura estão em sua totalidade ao redor das edificações religiosas ou nos cruzamentos da Avenida Dantas Barreto (figura 136 e 137)

Figura 136: Variedade de tipologias. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 137: Cruzamento Av. Guararapes com a Av. Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

136


MAPA DE GABARITO

LEGENDA: TÉRREO 2 PAVIMENTOS 11 A 20 PAVIMENTOS 3 A 4 PAVIMENTOS 5 A 10 PAVIMENTOS ACIMA DE 20 PAVIMENTOS

0 25

250

550m

Figura 138: Gabarito. Fonte: Mapa do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

137


6.3 Mapa de Hierarquia de Vias O mapa de hierarquia de vias (fgiura 138) foi realiazdo de acordo com a nomeclaturada do Plano Centro Cidadão. O principal critério para definição hierárquica das vias seria sua escala de articulação com o entorno no qual está inserida, podendo este entorno ser imediato, próximo, urbano ou metropolitano. Vias de Eixo Metropolitano: vias contidas em eixos de articulação metropolitana - cidade para cidade(s) vizinha(s). Vias de Eixo Urbano: vias contidas em eixos de articulação intra-urbana - conectam dois ou mais bairros. Vias Locais: vias que articulam áreas de um ou dois bairros, podendo derivar de eixos urbanos ou metropolitanos . Vias Micro-Locais: vias que articulam vias locais entre si ou vias sem saída que derivam qualquer outra via.

138


MAPA DE HIERARQUIA DE VIAS NOMECLATURA DE ACORDO COM O PLANO CENTRO CIDADÃO

LEGENDA: VIAS DE EIXO METROPOLITANO VIAS DE EIXO URBANO VIAS LOCAIS VIAS MICROLOCAIS VIAS PEDESTRIANIZADA ESPAÇOS PÚBLICOS VIÁRIOS ESPAÇOS PÚBLICOS POLARES

0 25

250

550m

Figura 139: Hierarquia de vias Fonte: Mapa do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

139


6.4 Mapa Situação das Calçadas Apesar de conter em alguns trechos com calçadas largas, as calçadas em sua maioria estão em sua maiora má conservadas, pela implantação desordenada do mobiliário urbano (figura 140 e 141) ou pela falta deste, tornando-se uma barreira para os diferentes tipos de usuários do espaço urbano. De acordo com os conceitos do Urbanismo Sustentável explicados por Douglas Farr (2014), é importante incentivar que as pessoas façam seus trajetos a pé por questões de saúde e vitalidade do meio urbano. Mas para isso, o usuário tem que se sentir atraído para o meio urbano através da segurança e da infra-estrutura.

Figura 140: Calçadas Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 141: Calçadas. Fonte: Priscila Neri, 2018.

140


MAPA DE SITUAÇÃO DAS CALÇADAS

LEGENDA QUANTO AO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DA PAVIMENTAÇÃO RUIM REGULAR BOM QUANTO À CONTINUIDADE DOS FLUXOS DE PEDESTRES (PRESENÇA DE OBSTÁCULOS VERTICAIS) CONTÍNUO DESCONTÍNUO QUANTO À LARGURA LARGURA DE 0 A 1.20m LARGURA DE 1.20m A 2.25m LARGURA ACIMA DE 2.5m 0 25

250

550m

Figura 142: Situação das calçadas. Fonte: Mapa do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2018.

141


6.5 Mapa de Fluxo e permancência de veículos e pedestres Observa-se com o Mapa de Fluxo e permanência de pedestres e veículos (figura 143), que os locais de maior permanência ou fluxo de pedestres são praças, paradas de ônibus, Igrejas e os primeiros módulos do equipamento do Camelódromo. Observa-se que no final da Av. Dantas Barreto ausência de permanência ou de fluxo de pedestres, forçando os comerciantes abrigados nesses últimos módulos abandonarem seu equipamento. Pode-se notar a implantação de paradas de ônibus em toda a Av. Dantas Barreto e Camelódromo, porém isso não foi suficiente para atrair o fluxo de pedestres na área. O que faz novamente a salientar a importância de reapropriar o uso desses dois últimos módulos do Camelódromo.

142


MAPA DE FLUXO E PERMANÊNCIA DE VEÍCULOS E PEDESTRES

LEGENDA FLUXOS E PERMANÊNCIAS DE PEDESTRES FLUXO INTENSO FLUXO MODERADO FLUXO REDUZIDO ÁREAS DE PERMANÊNCIA FAIXA DE PEDESTRE FLUXOS E PERMANÊNCIAS DE VEÍCULOS FLUXO INTENSO FLUXO MODERADO FLUXO REDUZIDO PARADA DE ÔNIBUS PARADA DE BRT PONTO DE TAXI BICICLETÁRIO (ITAU) SEMÁFORO ESTACIONAMENTO PRIVADO EDF. GARAGEM ESTACIONAMENTO PERMITIDO EM VIA PÚBLICA ESTACIONAMENTO PROIBIDO EM VIA PÚBLICA ESTACIONAMENTO IRREGULAR

(ONDE É PROIBIDO, MAS CARROS PARAM)

0 25

250

550m

Figura 143: Fluxo e Permanência de pedestres Fonte: Mapa do ESIG, trabalhado por Priscila Neri, 2017.

143


Figura 144 Cruzamento Dantas Barreto x Av. Guararapes. Fonte:Priscila Neri, 2017.

144


7. LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO 145


146


7.1. Cruzamento A - Praça da República Cruzamento A - Praça da República Como demonstrou-se através dos mapas de contagem de pedestres, este cruzamamento da Praça da República com a avenida Dantas Barreto (figura 146 a 147) possui um fluxo moderado de transeuntes e um alto fluxo de veículos motorizados, porém com o levantamento fotográfico nota-se a ausência de acessibilidade, sinalizações para veículos e pedestres. Pode-se constatar que este cruzamento não possui o comércio de rua desordenado, podendo-se influir a causa ao fluxo moderado de pedestres. Visto que, o comércio de rua só se estabelece em ruas onde o fluxo de pedestres seja alto e constante. Pode-se considerar um ponto positivo deste cruzamento a ciclofaixa implantada em toda a extensão da Praça da República passando a ponte Buarque de Macedo até chegar na Av. Rio Branco, no bairro do Recife.

Figura 145: Praça da República. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 146: Praça da República. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 147: Praça da República. Fonte: Priscila Neri, 2018.

147


7.2 Cruzamento B - Rua Siqueira Campos Cruzamento B - Rua Siqueira Campos a Av. Dantas Barreto É interessante ressaltar que, neste cruzamento específico, quase a totalidade de suas edificações abriga atividades comerciais nos térreos e as interfaces arquitetônicas com proporções adequadas à escala humana, conferindo, no horário comercial, alta permeabilidade física e visual entre espaço público e privado (figura 148 e 149). Contudo, a vegetação apresenta-se rarefeita o mobiliário urbano desordenado, ausência de sinalização para veículo e pedestre demonstrando-se a falta de um planejamento urbano eficaz.

Figura 148: Rua Siqueira Campos. Fonte: Priscila Neri, 2018.

O comércio de rua desordenado mais os veículos estacionados nas faixas de rolamento impede que os transeuntes tenham um percurso sem obstrução.

Figura 149: Rua Siqueira Campos com Av. Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

148


7.3 Cruzamento C - Av. Guararapes Cruzamento C - Av. Guararapes com a Av. Dantas Barreto No Cruzamento da Av. Guararapes com a Av. Dantas Barreto (figura 150 a 152), nota-se a confusão de fluxo: ônibus, veículos particulares e pedestres. E em nenhum momento o pedestre é priorizando tendo que se aventurar em travessias em intervalos de menor ou nenhum fluxo de veículos (figura xx e xx).

Figura 150: Av. Caxangá. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Este cruzamento demonstra-se um dos fluxos de pedestres mais alto, pois conecta o bairro de Santo Antônio aos bairros da Boa Vista e ao Recife pelas pontes Duarte Coelho e Maurício de Nassau, respectivamente. Além de ser um importante corredor de transportes para a cidade do Recife. Mesmo com sua importância para os bairros e para a cidade, isto não afastou que a ineficiência do planejamento urbano para o cruzamento: ausência de sinalização, acessibilidade e o comércio de rua e mobiliário desordenado dificultando o fluxo dos pedestres.

Figura 151: Av. Caxangá Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 152: Av. Caxangá. Fonte: Priscila Neri, 2018.

149


7.4 Cruzamento D - Rua Nova Cruzamento D - Rua Nova com a Av. Dantas Barreto Apesar da Rua Nova ser uma das ruas “pedestrianizada” no sítio em estudo, observa-se a ausência de acessibilidade para os diferentes tipos de pedestres. Dificultando a inclusão destes ao sítio. A Rua Nova é pedestrianalizada, porem existe uma faixa elevada sem sinalização ou acessibilidade, ligando a rua Nova a Praça da Independência, como se apenas este pequeno trecho elevado fosse necessário para a priorização do pedestres frente aos carros (figura xx) Apesar desse trecho ser elevado nota-se a ausência de balizadores que protejam os pedestres dos veículos motorizados. A Rua Nova tem característica do comércio formal exemplo: lojas de departamento ou vestuário, e devido ao fluxo de pedestres a procura desse tipo de comércio, o comércio de rua que se instala nessa rua vende roupas infantis, vestuário intímo ou eletrônicos. Ou seja, o comércio de rua tenta se relacionar com o comércio formal de modo a suprir as necessidades dos clientes caso eles não encontrem o que procuram no comércio formal (figura 153 e 154).

Figura 153: Rua Nova.. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 154: Acesso a Praça do Diário. Fonte: Priscila Neri, 2018.

150


7.5 Cruzamento E - Rua das Flores Cruzamento E - Rua das Flores com a Av. Dantas Barreto A Rua das Flores, é outra rua do bairro de Santo Antônio “pedestrianizada”, ou seja, onde o pedestre é prioridade. Porém possui alguns dos mesmo problemas da Rua Nova: ausência de sinalização, e o comércio de rua desordenado obstruindo a entrada. Apesar de possui sinalização de piso tátil indicando o percurso para usuários deficientes visuais, nota-se a ausência de acessibilidade em seu acesso. Ou seja, apesar de ser uma rua de uso exclusivo para os pedestres a falta de planejamento urbano acaba não fornecendo a inclusão nesta rua para os diversos tipos de usuários.

Figura 155: Rua Siqueira Campos. Fonte: Priscila Neri, 2018.

É importante frisar que a Rua das Flores é uma rua estritamente comercial com alto fluxo de pedestres e consequentemente ocorre ocorre uma compra planejada, devido a isto os comerciantes de rua se fixam na tentativa de agariar compras por impulso. Na Rua das Flores é possível encontrar: comércio de flores naturais, relojoeiros (beco do relógio), comércio de roupas íntimas, sapateiros etc (figura 155 e 157)

Figura 157: Rua Siqueira Campos. Fonte: Priscila Neri, 2018.

151


7.6 Cruzamento F - Av. Nossa Senhora do Carmo Cruzamento F - Av. Nossa Senhora do Carmo com a Av. Dantas Barreto Nota-se mais uma vez a ausência de acessibilidade, sinalização, ou seja, da priorização dos pedestres. Como dito anteriormente, é apartir da Praça da Independência até o cruzamento da Rua Tobias Barreto com a Rua Dantas Barreto que o comércio de rua apresenta-se mais expressivo devido ao alto fluxo de pedestres. Obstruindo ainda mais o percurso dos pedestres que se arriscam na faixa de rolamento (figura xx). É importante frisar que este cruzamento devido a ser encontro de duas avenidas que são corredores de transportes públicos o pedestre se ver novamente “perdidos” devido a ausência de sinalização ou de faixas que indiquem um trajeto seguro (figura 158 e 159)

Figura 158: Av. Nossa Senhora. Fonte: Priscila Neri, 2018.

152

Figura 159: Av. Nossa Senhora do Carmo. Fonte: Priscila Neri, 2018.


7.7 Cruzamento G - Rua de São Pedro Cruzamento G - Rua de São Pedro com a Av. Dantas Barreto A Rua de São Pedro dá acesso ao Pátio da Igreja de São Pedro dos Clérigos (figura 160 e 161), atração turistíca da cidade possuindo estabelecimentos renomados da gastronomia pernambucana e a Igreja do Carmo. Devido ao alto fluxo de pedestres que estão de passagem efetuando a compra planejada, pois está rua dá acesso aos comércio formais do bairro de São José, os comerciantes de rua se fixam na entrada desta rua para atrair possíveis compras por impulso.

Figura 160: Rua de S. Pedro. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Através do levantamento fotográfico, comprova-se mais uma vez a ausência de acessibilidade, sinalizações, estacionamento de veículos ao longo da faixa de rolamento e um canteiro central estreito. A Rua de São Pedro não possui largura de calha que comporte veículos particulares, porém pode ser acessada por motociclistas e devido a este fato os prórprios comerciantes criaram barreiras com metais impedindo o acesso de motos (figura xx) Figura 161: Acesso a Rua de S. Pedro Fonte: Priscila Neri, 2018.

153


7.8 Cruzamento H - Rua Tobias Barreto A Rua Tobias Barreto (figura 162 a 170) é rota dos passageiros que embarcam ou desembarcar nos bairros de São José e Santo Antônio. Em um extremo a Estação Central de Metrô do Recife e no outro extremo o Terminal Cais de Santa Rita. Devido a esta característica a rua possui alto fluxo de pedestres e decorrente dela o comércio de rua se apropriou do espaço na tenativa de atrair consumidores. Atravéns do levantamento fotográfico observa-se a “confusão” que neste cruzamento: ausência de acessibilidade, sinalização, comérciantes de rua obstruindo a passagem de pedestres e estacionamento de veículos em faixa proibida.

Figura 162: Rua Tobias Barreto Fonte: Priscila Neri, 2018.

154

Figura 163: Rua Tobias Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 164: Rua Tobias BarretoFonte: Priscila Neri, 2018.


Figura 165: Rua Tobias Barreto Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 166: Rua Tobias Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 167: Rua Tobias Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 168: Rua Tobias Barreto Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 169: Rua Tobias BarretoFonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 170: Rua Tobias Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

155


7.9 Cruzamento I - Rua Barão da Vitória A Rua Barão da Vitória (figura 171 e 172) é outra rua que possui como característica ser rota do embarque e desembarque dos usuários do transporte público do território em estudo. Observa-se que esta rua é “pedestrianizada”, porém não possui acessibilidade em sua entrada e em seu trajeto. Tornando-se uma rua anti-democrática. Observa-se comerciantes em equipamentos individuais obstruindos a passagem de transeuntes. Figura 171: Rua Barão da Vitória. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 172: Rua Barão da Vitória. Fonte: Priscila Neri, 2018.

156


7.10 Cruzamento J - Passo da Pátria Como foi demonstrado no estudo de contagem de pedestres, a partir da Rua Passo da Pátria o fluxo de pedestre começa a decair e devido a isso o comércio na área não recebe rotatividade de clientes, e consequentemente, os módulos compreendidos entre a Rua Passo da Pátria, Rua Doutor Barlomeu Anacleto, Rua São João, Rua do Peixoto e a Rua do Muniz foram abandonados pelos comerciantes. Como concluído no capítulo sobre o comportamento do consumidor deste trabalho é necessário incentivar o fluxo de pedestres nesta área, trocando o uso, ou seja, criando usos que atraiam o consumidor pela necessidade. Podemos ter como exemplo: praças de alimentação, expresso cidadão ou expresso de vale de transporte público. Assim, o pedestre se locomoveria para essa área trazendo vitalidade e rotatividade para o comércio de rua. Através do levantamento fotográfico pode-se observar que os cruzamentos das ruas: Rua Passo da Pátria, Rua Doutor Barlomeu Anacleto, Rua São João, Rua do Peixoto e a Rua do Muniz com a Av. Dantas Barreto, não possuem acessibilidade, ausência ou implantação inadequada do mobiliário urbano, baixa rotatividade de consumidores para o comércio local. (figuras 173 a 182).

Figura 173: Rua Passo da Pátria. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 174: Rua Passo da Pátria. Fonte: Priscila Neri, 2018.

157


Figura 175: Rua Dr. Bartolomeu Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 176: Rua Dr. Bartolomeu. Fonte: Priscila Neri, 2018.

158

Figura 177: Rua S達o Jo達o Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 178: Rua S達o Jo達o Fonte: Priscila Neri, 2018.


Figura 179: Rua do Peixoto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 180: Rua do Peixoto Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 181: Rua do Muniz. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 182: Rua do Muniz.. Fonte: Priscila Neri, 2018.

159


Figura 183: Comerciantes Fonte: Priscila Neri, 2018.

160


8. ESTUDOS DE REPERTÓRIO 161


162


8. Estudo de Repertório 8.1 São Paulo - Pilots Projects

Sendo assim, a partir desses pontos, coloca-se como objetivo criar novas funções que justifiquem as pessoas permanecerem no local durante o dia Pilot Projects trata de estudos realizados pelo escritório Gehl Architects e a noite. Para tanto foram propostos: para o largo de São Francisco e a praça ouvidor Pacheco e Silva em São Paulo/SP. São soluções mais pontuais a serem feitas em uma escala 1:1, 1. Elementos para a prática de esporte, desde quadras poliesportivas, a antes de mudanças permanentes, ou seja, testar uma ideias e aprimorar as mesas de ping pong ocuparem espaço. intervenções antes delas se tornarem definitivas. Abaixo, o esquema sintetiza os pontos considerados nos prjetos para torná-lo atrativo (figura 184). 2. Espaços verdes, com árvores de grande porte para sombrear o local. 3. Melhorar o padrão de travessia dos pedestres para torná-lo mais seguro e trazer para as calçadas a continuação do mosaico do Largo São Francisco.

Figura 184: Overall goals Fonte:Gehl Architects, s/a

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8.2 São Paulo - Vale do Anhangabaú Esta é uma proposta de projeto do escritório Gehl Architects para o Vale Anhangabaú em São Paulo/SP (figura 185). Sendo assim, a princípio é realizado uma análise local petrcebendo as potencialidades e os desafios para tornar essa região no coração da cidade. A partir disso são traçadas as seguintes diretrizes: 1. Tornas a área democrática e segura, impedindo a dominação de determinados grupos; 2. Possui uma boa ligação entre os espaços públicos para pedestres e transporte público; 3. Oferecer um programa variado de funções, atividades e usos;

Figura 185: Projeto para Anhanhabaú. Fonte:Editora de arte FolhaPress, 2018.

Além disso, a apresentação do projeto reserva uma parte para o “sentar” ou seja, a existência de espaços convidativos para a per4. possuir identidade e um design único, baseados no design tradi- manência dos usuários com um mobiliário variado. cional brasileiro; 5 redescobrir a história do rio, por meio de elementos aquárticos como fontes e espelhos d’água;

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8.3 Ruas Comerciais de Boston, EUA. 5. A disposição de outros mobiliários junto a lojas e comércio como postes de luz, latas de lixo e parede à meia altura.

Um estudo realizado por Vikas Mehta comparou o comportamento das pessoas com o levantamento das características físicas em 19 quarteirões de ruas comerciais (figuras 186 e 187). De 6. Fachadas personalizadas que criam variações para expor seus acordo com as conclusões que chegou após este estudo, os prin- produtos junto a calçada, tornam-se mais atrativas para aquelas cipais fatores que explicam altos índices de vitalidade em ruas pessoas familiarizadas com o local; comerciais são: 7. As pessoas preferem lojas que oferecem produtos e/ou serviços 1. Espaços para sentar junto às lojas e comércios, principalmente de uma maneira única e diferenciada; em frente a lojas e comércio que vendiam produtos de consumo imediato; 8. Lojas com pouco ou nenhum espaço impermeável na fachada se mostram mais atrativas 2. A largura da calçada mostrou diretamente proporcional à vitalidade na rua, posto que calçadas mais largas são mais atrativas 9. A presença de lugares comunitários onde as pessoas possam para caminhar e permitem a instalção de bancos sem obstruir a permanecer o tempo que desejarem. passagem; 3. Fachadas articuladas com reentrâncias e pequenas esquinas que geram espaços intermediários entre o fluxo de pessoas e vitrine, possibilitando uma maio interação entre as pessoas e avitrine ou até mesmo apresentações ligadas ou não as lojas; 4. Sombra e abrigo proporcionando por toldosm marquises ou árvores, são importantes para os usuários se protegerem do calor. 165


8.4 Mobiliário Urbano

Figura 186: Ruas comerciais Fonte: Google, 2017

Figura 187: mobiliário urbano. Fonte: mmcité.

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A permanência dos usuários no espaço público é fator primordial para um bom resultado de intervenção urbana. Sendo assim o mobiliário urbano, que hoje é quase inexistente, deverá promover uma melhor integração entre a cidade e seus habitantes. Abaixo, há algumas imagens de mobiliário urbano que serão consideradas quando na elaboração do projeto são eles: canterios verder permeáveis, iluminação pública que atenda aos carros e aos pedestre, áreas de permanência com bancos e paraciclos (figura 188).

Figura 188: mobiliário urbano. Fonte: mmcité.


8.5 PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO EM SANTO AMARO, SÃO PAULO A Avenida Santo Amaro (figura 189 e 190) está inserida em um dos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana definidos no Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, que são áreas prioritárias para o crescimento da cidade. O Projeto de Requalificação da Avenida Santo Amaro abrange um trecho de aproximadamente 3km, entre as Avenidas Presidente Juscelino Kubitschek e Av. dos Bandeirantes e foi desenvolvido em parceria entre SP Urbanismo, SP Transportes e SP Obras. As premissas do projeto consideram o importante papel da Avenida Santo Amaro na rede estrutural de transportes da cidade, sendo um eixo fundamental para a mobilidade da zona sul de São Paulo. Também considera a importância da Avenida para os bairros lindeiros, concentrando áreas de comércio local, supermercados, bancos e outros serviços. Implantado em 1985, um dos primeiros da cidade de São Paulo, o corredor de ônibus na Avenida Santo Amaro resultou em uma avenida com passeios estreitos, em alguns pontos insuficientes para o fluxo de pedestres existente e em um intenso tráfego de ônibus e consequente poluição sonora e atmosférica que comprometeram a qualidade urbana da avenida. Apesar de atravessar regiões

extremamente valorizadas da cidade, a avenida apresenta em seu traçado uma grande quantidade de imóveis deteriorados. O projeto prevê, em ambos os lados da avenida, a ampliação de calçadas, nova pavimentação de vias e espaços públicos, melhoria da infraestrutura para transporte coletivo, enterramento de redes, melhoria da drenagem urbana, iluminação, sinalização e semáforos, implantação de mobiliário urbano, comunicação visual, suporte ao comércio informal, paisagismo e ajardinamento.

Figura 189: Imagem do Plano de Requalificação de Santo Amaro SP. Fonte: Prefeitura de São Paulo.

Figura 190: Imagem do Plano de Requalificação de Santo Amaro SP. Fonte: Prefeitura de São Paulo.

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Neste estudo de caso, foram coletadas algumas referências proje- C. Estratégias de Projeto de Uso e Ocupação do Solo tuais de acordo com cada área, são elas: Ultilização da fruição pública A. Qualificação do corredor de ônibus: Promoção fachadas ativas Implantação de paradas em canteiro central em toda a avenida; Incentivo ao uso misto Implantação de novas tecnologias para redução da poluição Sonora e atmosférica; Praças ao longo da via Implantação da ultrapassagem livre em todas as paradas;

8.6. Propostas de Cruzamentos mais seguros

Implantarção da acessibilidade universal;

A Associação Nacional de Funcionários de Transportes de Cidade (NACTO), elaborou propostas para cruzamentos mais seguros com base no princípio de que “as ruas são espaços públicos para pessoas e também corredores para o movimento”, sem deixar de lado os objetivos econômicos, ambientais e sociais.

B. Qualificação da vida urbana: Ampliaçao das calçadas Ampliação e conexão com as áreas verdes Ampliação da infraestrutura para pedestre e ciclistas Conectar equipamentos existentes desvalorizados; 168

As recomendações da NACTO, são para desenhar cruzamentos aproveitando as ruas e oferecendo deslocamentos mais eficientes e seguros a todos os usuários do espaço viário: pedestres, motoristas, ciclistas e usuários do transporte público.


A publicação permite que os designers urbanos, os gerentes de Para os cantos dos cruzamentos a NACTO recomenda que planejamento urbano e de transporte, acadêmicos, estudantes sejam mais largos, cerca de 2,5 metros antes de acontecer os e qualquer pessoa interessada em seu ambiente, saibam quais cruzamentos. evitando assim colisões entre veículos e pedestres. são as estratégias e técnicas que as cidades ao redor o mundo, incluindo oito latino-americanos, adotaram a implementação de certos tipos de ruas de acordo com seu contexto e necessidades As propostas do guia também foram elaboradas para ruas localizadas no centro histórico das cidades, em bairros com tráfego calmo, margens costeiras, setores comerciais, entre outros. De acordo com a NACTO as propostas podem serem aplicadas em diversos tipos de cruzamentos e implementadas em diferentes cidades do mundo, são elas:

Figura 191: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO

8.6.1 Travessia de pedestre convencional A proposta da Associação Nacional de Funcionários de Transportes de Cidade (NACTO) é implantar faixas de pedestres em cada entrada do cruzamento, porque de acordo com a associação, a maioria dos conflitos no espaço viário entre pedestres e veículos ocorre quando o último está se movendo (figura 191 e 192). Figura 192: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO

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8.6.2. Cruzamento entre Avenidas

modais de transporte e as condições de rota. Além disto, considera que os passageiros tenham uma área de espera determinada.

De acordo com a NACTO, os cruzamentos multimodais, ou cruzamentos de Avenidas principais, devem ter elementos que permitem O último elemento proposto pela NACTO é em respeito que em distribuir o espaço viário entre os diferentes modos de mobilidade, uma das avenidas envolvidas no cruzamento é possível eliminar as conferindo maior ordem visual e ao mesmo tempo, torná-lo um local curvas dos automóveis à direita ou esquerda - dependendo de a seguro (figura 194). mão for normal ou inglesa - para diminuir os pontos de conflito com outros usuários, especialmente com pedestres e ciclistas. (ver figura O primeiro elemento são as ilhas de pedestres: no caso de es- 193) tarem entre as vias que possuem diferentes direções, oferece aos pedestres, sobretudo pedestres que possuem grau de mobilidade reduzida, por exemplo idosos, a possibilidade de esperar em uma área segura que possui maior visibilidade para que possam continuar seu trajeto de forma segura. O segundo elemento consiste em proporcionar espaços sinalizados aos ciclistas através de sinalização e pinturas nas calçadas para que não apenas sejam visíveis para quem está de bicicleta, mas também para os demais usuários do espaço viário. O terceiro elemento diz respeito as paradas do transporte público nas avenidas envolvidas, para que possam ser definidos de acordo com os principais destinos, as condições para combinar outros 170

Figura 193: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO


8.6.3. Cruzamentos de avenidas com ruas menores

A NACTO também recomenda que ao longo da calçada da rua principal se pintem várias faixas de pedestres para que estes seNos cruzamentos de uma avenida principal (figura 194) com uma jam visíveis no momento de cruzar e para que os veículos também rua menor, pode expor os pedestres e ciclistas, grupo mais vulne- diminuam a velocidade nesta via. rável na hierarquia da mobilidade urbana, segundo a NACTO. De acordo com a NACTO esta situação pode ser criada por dois fatores: primeiro porque os motoristas, ao ter a opção de virar em uma rua menor não encontram limites para diminuir a velocidade do veículo; e segundo porque ao não haver cruzamentos de pedestres com espaços resolvidos e definidos, a rua se transforma numa zona pouco atrativa para pedestres ou ciclistas. É por isto que a NACTO recomenda que nos primeiros metros de uma calçada secundária seja implementada uma faixa de pedestres no mesmo nível da calçada, agindo como uma extensão desta. Deste modo, os motoristas são obrigados a reduzir a velocidade, dando preferência aos pedestres, que ficam mais visíveis. Do mesmo modo, este tipo de cruzamento também pode incluir parte da ciclovia, ponto cuja preferência é compartilhada pelos ciclistas e pedestres.

Figura 194: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO

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8.6.4. Elevações em ruas menores

8.6.5. Cruzamento entre calçadas

O espaço em amarelo na imagem superior é construído na mesma altura que as quatro calçadas que conecta para dar continuidade às caminhadas e assim beneficiar todos os pedestres. Não obstante, a principal vantagem deste tipo de cruzamento é que em qualquer uma das ruas, é obrigatório que motoristas se detenham antes de entrar nesta área, e a circular em uma menor velocidade.

A grande parte das avenidas possuem lugares de interesse que estão separados pela avenida. Por isso a NACTO recomenda identificar esses pontos atrativos e conecta-los por uma faiza elevada. Porém isso não é tudo para tornar o percurso seguro e atrativo.

O melhor é incluir a extensão da caminhada sobre a calúnia Para complementar esta proposta que funciona como um espaço antes e depois do tráfico usado pelo cruce peatonal, em uma compartilhado onde não são necessárias sinalizações nem cruza- zona de detenção para os automovilistas entre o metro a 1,50 mentos de pedestres, dá-se a preferência de acordo com a Pirâmi- metros, estabelecendo a distinção entre os níveis de ensino méde de Hierarquia de Mobilidade Urbana (figura 195) dio e elevado. para ajardinar que os condutores reduzem mais a velocidade possível, sobre todos os lados de colégios, hospitais e parques (figura 196)

Figura 195: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO

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Figura 196: Travessia de Cruzamento Convencional. Fonte: NACTO


8.6.7. Cruzamento em X

urbano para priorizar pedestres e ciclistas nas regiões centrais das cidades, a fim de priorizar modos ativos de transEsse tipo de proposta facilita a travessia dos pedestres que, porte e reduzir o número de viagens por automóvel (figura xx). ao invés de efetuarem a travessia em duas etapas distintas (uma via por vez) para atingir a esquina oposta, poderão fazê-lo de uma única vez (figuras 197 e 198). De acordo com o Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP), apesar de novidade no Brasil, cruzamentos em X são comuns em Tóquio, e já foram adotadas em diversas cidades, como Chicago, Toronto, New York e Londres. Em Londres, o cruzamento em X em uma das esquinas com maior fluxo de pedestres, entre a Oxford St. e a Regent St., trouxe mais agilidade e segurança para os deslocamentos a pé. Após o reordenamento das calçadas e de aumentos (relativamente baixos) nos tempos semafóricos para os veículos motorizados, houve um ganho de 69% na área utilizável para os pedestres. No Brasil, os cruzamentos em X estão sendo implementados desde dezembro de 2014, a partir de uma iniciativa da cidade de São Paulo, tornando-se a primeira cidade no Brasil a implementar esse tipo de sinalização, como parte de uma estratégia mais ampla de ações de requalificação e redesenho

Figura 197: Ciclofaixa bidirecional (em vermelho) e cruzamento em X (em azul) na cidade de São Paulo. Fonte: ITDP Brasil

Figura 198: Cruzamento em X entre Rua Araújo Porto Alegre e Avenida Graça aranha, no centro do Rio de Janeiro. Fonte: ITDP Brasil

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Figura 199: Comerciantes Fonte: Priscila Neri, 2018.

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9. DIRETRIZES 175


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9. Diretrizes para os cruzamentos da Av. Dantas Barreto Para a proposição das diretrizes para os cruzamentos da Avenida Dantas Barreto, toma-se como referência todos os estudos realizados até então: a análise de percepção do espaço público atravéns dos fluxos levando em consideração os elementos significativos para a reinterpretação da morfologia do lugar (limites, bairros, vias, pontos nodais e marcos), explanandos por Kevin Lynch em seu livro “A imagem da Cidade”, de 1960. Que por sua vez, possibilitou o reconhecimento de possibilidades de identificar quais os cruzamentos poderiam agir como articuladores da malha urbana fragmentada Pela Abertura Da Av. Dantas Barreto.

desenvolvidas a partir da observação e constatação dos aspectos deficientes que precisam ser corrigidos, para assim tornar os cruzamentos capazes de articular o território fragmentado. Conclui-se ser vital o resgate de espaços públicos para as pessoas, trazendo área de convívio, lazer, cultura, passagem, e comércio em um ambiente agradável, seguro, convidativo e democrático para a permanência ou passagem, ou seja, para usufruto do mesmo.

Também merece ser relembrando o estudo de contagem, que por sua vez possibilitou o reconhecimento de dois fatores: o motivo que ocasionou o abandono dos comerciantes dos últimos módulos do equipamento do Camelódromo e os cruzamentos com maior fluxo de pedestres. o estudo da análise morfólogica que tiveram como base os diferentes tipologias de cruzamentos levantados por Duarte (2002), o levantamento de dados complementares, levantamento dos porblemas in loco, levantamento fotográfico e os estudos de repertório. As diretrizes para od cruzamentos da Av. Dantas Barreto foram 177


CRUZAMENTOS

CRUZAMENTO A Praça da República

OPORTUNIDADES X DESAFIOS

TIPOS DE CRUZAMENTOS (CLARISSA DUARTE 2002)

DIRETRIZES - Priorizar o pedestre: - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações;

OPORTUNIDADES - Possui ciclofaixa - Permeabilidade visual DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações; - Ausência de acessibilidade; 6 CRUZAMENTO ENTRE AVENIDAS

OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres; - Permeabilidade visual; CRUZAMENTO B Rua Siqueira Campos

CRUZAMENTO C AV. CAXANGÁ

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DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações, - Comércio de rua e mobiliário desordenado; - Ausência de acessibilidade. OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres; - Permeabilidade visual; - Praça da Independência; DESAFIOS - Estacionamento na via; - Obstrução da visada dos edifícios por fiações; - Comércio de rua desordenado; - Ausência de acessibilidade;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; CRUZAMENTO COM RUAS MENORES

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; CRUZAMENTO COM RUAS MENORES

ESPACIALIDADE DA DIRETRIZ


CRUZAMENTOS

CRUZAMENTO D Rua Nova

CRUZAMENTO E Rua das Flores

CRUZAMENTO F AV. NOSSA SENHORA DO CARMO

OPORTUNIDADES X DESAFIOS OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres, Rua pedestrianizada; Permeabilidade visual DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Comércio e mobiliário desordenados; Ausência de acessibilidade; OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres - Permeabilidade visual; - Rua pedestrianizada DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Comércio e mobiliário desordenados; Ausência de acessibilidade OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres - Permeabilidade visual - Pátio do Carmo DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações; - Ausência de acessibilidade; - comércio de rua e mobiliário desordenados;

TIPOS DE CRUZAMENTOS (CLARISSA DUARTE 2002)

DIRETRIZES

ESPACIALIDADE DA DIRETRIZ

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar do cruzamento;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar do cruzamento;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações;

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CRUZAMENTOS

CRUZAMENTO G Rua de São Pedro

CRUZAMENTO H Rua Tobias Barreto

OPORTUNIDADES X DESAFIOS OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres - Permeabilidade visual - Pátio de São Pedro DESAFIOS - Ausência de acessibilidade; obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Comércio e mobiliário desordenados; OPORTUNIDADES - Alto fluxo de pedestres - Permeabilidade visual DESAFIOS -Ausência de acessibilidade;- Obstrução da visada dos edifícios por fiações - Comércio e mobiliário desordenados; OPORTUNIDADES -Ausência de acessibilidade - Permeabilidade visual

CRUZAMENTO H’ Rua Vinte e Quatro de Março

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DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Ausência de acessibilidade; - Comércio e mobiliário desordenados;

TIPOS DE CRUZAMENTOS (CLARISSA DUARTE 2002)

DIRETRIZES - Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento;

ESPACIALIDADE DA DIRETRIZ


CRUZAMENTOS

CRUZAMENTO i Rua Barão das Vitória

CRUZAMENTO J Rua Passo da Pátria

CRUZAMENTO L Rua Bartolomeu Anacleto

OPORTUNIDADES X DESAFIOS OPORTUNIDADES - Permeabilidade visual; Rota principal de passageiros de transportes públicos; DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações; - Ausência de acessibilidade; Comércio e mobiliários desordenados; OPORTUNIDADES - Permeabilidade visual DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações - Ausência de acessibilidade - Baixo Fluxo de pedestres; - Comércio não recebe rotatividade de clientes; OPORTUNIDADES - permeabilidade visual; DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações - Ausência de acessibilidade - Baixo fluxo de pedestres; - Comércio não recebe rotatividade de clientes;

TIPOS DE CRUZAMENTOS (CLARISSA DUARTE 2002)

DIRETRIZES

ESPACIALIDADE DA DIRETRIZ

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento;

- Priorizar o pedestre: - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; - Introduzir novos usos que gerem fluxo de pedetres;

- Priorizar o pedestre: - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; - Introduzir novos usos que gerem fluxo de pedetres;

181


CRUZAMENTOS

CRUZAMENTO M Rua São joão

CRUZAMENTO N Rua do Peixoto

CRUZAMENTO O Rua do Muniz

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OPORTUNIDADES X DESAFIOS

TIPOS DE CRUZAMENTOS (CLARISSA DUARTE 2002)

DIRETRIZES

OPORTUNIDADES - Permeabilidade visual; - Edifícios Institucionais; DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Baixo Fluxo de pedestres, por isso o comércio não recebe rotatividade de clientes;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevear cruzamento; - Introduzir novos usos que gerem fluxo de pedetres;

OPORTUNIDADES -Ed. institucionais; terminal roviário, Permeabilidade visual DESAFIOS -Baixo fluxo de pedestres, - Obstrução da visada dos edifícios pelos fios; - Baixo Fluxo de pedestres, por isso o comércio não recebe rotatividade de clientes; OPORTUNIDADES - Permeabilidade visual - Terminal Rodoviário; DESAFIOS - Obstrução da visada dos edifícios por fiações - Baixo fluxo de pedestres, por isso o comércio não recebe rotatividade de clientes;

- Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; - Introduzir novos usos que gerem fluxo de pedetres; - Priorizar o pedestre: - Reordenar o comércio de rua; - Reordenar o mobiliário urbano; - Implantar acessibilidade; - Embutir fiações; - Elevar cruzamento; - Introduzir novos usos que gerem fluxo de pedetres;

ESPACIALIDADE DA DIRETRIZ


Figura 200: Proposta para a Rua Siqueira Campos. Fonte: Priscila Neri, 2018

Figura 202: Proposta para a Av. Caxangรก. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 201: Proposta para a Rua Siqueira Campos. Fonte: Priscila Neri, 2018

Figura 203: Proposta para Rua Nova. Fonte: Priscila Neri, 2018.

183


Figura 203: Proposta para a Rua Nova. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 205: Proposta para a Av. Nossa Senhora. Fonte: Priscila Neri, 2018.

184

Figura 204: Proposta para a Rua das Flores. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 206: Proposta para a Rua de SĂŁo Pedro Fonte: Priscila Neri, 2018.


Figura 207: Proposta para a Rua Tobias Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 209: Proposta para a Rua Dr. Bartolomeu Anacleto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 208: Proposta para a Rua Bar찾o da Vit처ria. Fonte: Priscila Neri, 2018.

Figura 210: Proposta para a Rua S찾o Jo찾o. Fonte: Priscila Neri, 2018.

185


Figura 211: Proposta para o inĂ­cio da Av. Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.

186

Figura 212: Proposta para o inĂ­cio da Av. Dantas Barreto. Fonte: Priscila Neri, 2018.


10. REFERÊNCIAS 187


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fia, anos 1980. Fonte: acervo da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, Secretária de Cultura, Prefeitura da Cidade do Recife. Aspectos da utilização da Avenida Dantas Barreto por comeciantes estacionados e móveis, após abertura nos anos 1970. Fonte: acervo da Empresa de Urbanização do Recife. AMORIM, Luiz (Org.). Delfim Amorim, arquiteto. 2° ed. Recife: IAB, 1991. AMORIM, Luiz. Obituário arquitetônio: Pernambuco modernista. Recife: UFPE, 2007. AMORIM, Luiz, LOUREIRO, Claudia. O mascate, o juiz, o bispo e os outros: sobre a gênese morfológica do Recife. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. v. 2. n.3. Recife, 2000. AMORIM, Luiz et al. Delfim Amorim, arquiteto. 2 ed. Recife: Iinstituto de Arquitetos do Bbrasil – Departamento de Pernambuco, 1991, p.171. ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro. A peste e o plano: o urbanismo sanitarista do eng. Saturnino de Britp. 1992. 2 v. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1992. ANDRADE, Manoel Correia. 1964 e o Nordeste: golpe, revolução ou contra-revolução?. São Paulo: Contexto, 1989. ARAÚJO, Roberto Dantas. Saturino de Brito e o sanemaneto físico em Pernambuco no século XIX. Recife: Dissertação de Mestrado/ UFPE, 1996. ANDRADE, Mário de. Modernismo e ação. Jornal do Commercio, Recife, 24 maio 1925. P.25.

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Da fragmentação À articulação: Diretrizes para os cruzamentos da Av. Dantas Barreto  
Da fragmentação À articulação: Diretrizes para os cruzamentos da Av. Dantas Barreto  
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